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Gabriel Filipe de Oliveira Santos1

RESUMO

ASSIS, Machade de, Memórias póstumas de Brás Cubas, São Paulo,


Editora L&PM, 2008.

O filme “Memórias Póstumas de Brás Cubas” lançado em 2001 é baseado no


livro homônimo do escritor Machado de Assis. A história começa com o personagem
Brás Cubas, já falecido, contando em detalhes a vida que teve. O início é um olhar
rápido que vai desde seu nascimento, suas traquinagens de moleque, sua iniciação
amorosa na juventude, o período que passou em Lisboa estudando Direito suas
viagens pela Europa e seu retorno ao Brasil por ocasião da morte de sua mãe.

Estando já formado, seu pai deseja que ele se case, constitua família e entre
para a política, tornando-se deputado. A ideia inicialmente não lhe agrada. É nesse
momento que Brás conhece Eugênia, por quem se apaixona, mas a moça tem um
problema em uma das pernas que a faz mancar ao caminhar, e devido a isso ele a
rejeita. Depois ele apaixona-se por Virgília, mas ela escolhe se casar com Lobo Neves,
que torna-se deputado no lugar de Brás.

Vemos que Lobo Neves tem a vida que Brás Cubas poderia ter tido, se
houvesse tomado a decisão e a atitude necessárias. Sua indecisão, porém, fez com
que outro agisse mais rápido e passasse à sua frente. Como diria seu colega de
infância e conselheiro Quincas Borba: “Ao vencedor as batatas!”

Seguindo a história amorosa de Brás Cubas e Virgília, após casar-se com Lobo
Neves ela inicia um romance com seu ex-pretendente. Temos aqui a matéria-prima
para as obras de Machado de Assis: o adultério.

Virgília engravida e, mesmo sem ter certeza sobre quem é o pai do bebê, Brás
Cubas fica imensamente feliz, sentindo-se como um “deus”. Para sua infelicidade,
porém, ela perde o bebê. Temos então a cena de tragicomédia onde Brás Cubas e
Lobo Neves se consolam mutuamente pela gravidez mal sucedida de Virgília. Depois
disso o marido traído passa a desconfiar da esposa, mas o romance não é descoberto

1
Graduando em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
porque ambos mudam-se para outro Estado, devido a uma nomeação política de Lobo
Neves

. Acaba aí o romance de Brás Cubas e Virgília, e ele, que já está com mais de
quarenta anos começa a se sentir amargurado e melancólico por ver que o tempo
passou e ele nada fez de sua vida: não casou, não teve filhos, não exerceu a
advocacia, não foi político, enfim; acomodou-se à sua vida financeira bem
estabelecida e não teve nenhuma realização que proporcionasse alegria à sua
existência.

Ele pensa então em recuperar o tempo perdido casando-se com Eulália (Nhã
Loló), com o propósito de ter filhos. Mas a moça morre aos dezenove anos devido à
epidemia de febre amarela. Vemos aqui um fato histórico do século XIX retratado na
obra de Machado de Assis. Ou seja, conhecer a obra de um autor é também saber
mais sobre a época em que ele viveu, os hábitos das pessoas de seu tempo, quem
conheceu, quais os fatos históricos que presenciou, etc.

Os anos passam, Brás Cubas já conta de sessenta anos quando revê Virgília.
Na sequência Lobo Neves morre e, ao ver sua ex-amante chorando sobre o corpo do
marido, novamente transparece a ironia e o humor do autor através da frase: “Virgília
chorou com sinceramente o marido, como havia o traído com sinceridade”.

Fechando a trama, vemos a característica principal da Escola Literária Realista,


onde os finais nem sempre são felizes, pois a vida também é feita de “trapos” e
sofrimento. A melancolia de Brás Cubas faz este defunto autor afirmar que pelo menos
algo de bom fez de sua vida. Ele diz: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura
o legado da nossa miséria”. Fechando a trama, vemos a característica principal da
Escola Literária Realista, onde os finais nem sempre são felizes, pois a vida também
é feita de “trapos” e sofrimento. A melancolia de Brás Cubas faz este defunto autor
afirmar que pelo menos algo de bom fez de sua vida. Ele diz: “Não tive filhos, não
transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.

Investigando a produção literária de Machado de Assis, Roberto Schwarz


observa que a singularidade das obras do autor de Memórias Póstumas de Brás
Cubas (1881) advém de sua potência irônica para enfatizar as ideias fora de lugar da
classe proprietária brasileira. Machado de Assis teria, pois, montado um burlesco
retrato ficcional da comédia ideológica de nossa elite intelectual e econômica do final
do século 19, razão por que, leia-se, Brás Cubas, protagonista de Memórias Póstumas
de Brás Cubas, não passaria, assim como tudo o mais na narrativa, de um quixotesco
signo flutuante das ideias fora de lugar presentes no Brasil escravista, seja sob o ponto
de vista amoroso, seja familiar, seja filosófico, estético, político, econômico ou
qualquer outro.

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