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apresenta

Curadoria
Fernanda Terra

16 de outubro de 2018 a 23 de dezembro de 2018


CAIXA Cultural Rio de Janeiro
ÍNDICE

7 Apresentação
Caixa Cultural

8 O Artista
Jorge Fonseca

11 Texto da curadoria

26 Caderno de Obras

62 Caderno da Exposição

76 Abertura da Exposição

78 Making of

79 Créditos
Desde 1861, a CAIXA está presente na história de cada projetos que promovem a formação intelectual e cultural
brasileiro, seja na concessão de crédito acessível, no da população. O Programa Educativo Caixa Gente Arteira
financiamento habitacional, no desenvolvimento das complementa esse esforço na formação de público e na
cidades - por meio de investimento em projetos para difusão de saberes e práticas artísticas e culturais.
infraestrutura e saneamento básico - seja na execução e
É nessa conjuntura que a CAIXA patrocina a exposição
administração de programas sociais do Governo Federal.
“Labirinto de Amor”, que reúne mais de 30 obras do
Como instituição financeira, agente de políticas públicas artista plástico mineiro Jorge Fonseca, com curadoria da
e parceira estratégica do Estado brasileiro, sua missão historiadora de arte e crítica Fernanda Terra. A mostra,
é atuar na promoção da cidadania e do desenvolvimento inédita no país, apresenta criações que dão um novo
sustentável do país. A CAIXA vislumbra em sua atribuição significado a objetos do cotidiano e revelam a trajetória
a motivação para estar presente em todos os momentos da desse engenhoso artista que, por mais de 15 anos, foi
vida do brasileiro, aproximando-se das suas necessidades maquinista de trem e marceneiro.
e anseios e participando das suas realizações.
Com este projeto, a CAIXA ratifica a sua política cultural,
Nesse contexto, nada mais natural que a CAIXA se a sua vocação social e o seu propósito de democratização
aproximar da cultura nacional, propiciando acesso às do acesso aos seus espaços e à sua programação artística.
mais variadas manifestações artísticas e intelectuais e Desta forma, ela cumpre seu papel institucional de estímulo
contribuindo para a preservação do patrimônio histórico à difusão e ao intercâmbio do conhecimento, contribuindo
brasileiro. Por meio de sua programação nos espaços para a valorização da identidade brasileira bem como para
da CAIXA Cultural, presentes em sete capitais do país, a o fortalecimento, a renovação e ampliação das artes no
instituição vem, ao longo das últimas décadas, viabilizando Brasil e da cultura do nosso povo.

Caixa Econômica Federal

6 7
O artista Jorge Fonseca
Conselheiro Lafaiete/MG - 1966 Premiações
Vive e trabalha em Ouro Preto/MG
2018 Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa 2007 Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro/RJ 2010 Arte BA 10, Buenos Aires,/Argentina
Cultural em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília 2004 Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro/RJ 2010 Coleção Gilberto Chateaubriand – Novas Aquisições,
(Artista Selecionado)
2004 Quadrum Galeria, Belo Horizonte/MG MAM /RJ
Formação 2017 Prêmio PIPA (artista indicado)
2003 Museu da Inconfidência, Ouro Preto/MG 2008 “Sonhos, Desejos e Figurações” – MAC, Niterói/RJ
2017 Prêmio PIPA On line (10 lugar)
Artista autodidata. 2001 Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro/RJ 2007 6ª Bienal de Arte Contemporânea de Kaunas - Lituânia
Foi marceneiro 2016 Prêmio FUNARTE Conexão Circulação Artes Visuais
2000 Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG 2006 A Imagem do Som da MPB - Paço Imperial, Rio de
(1º lugar com o Projeto: FIOTIM – O Museu em
e maquinista de 2000 Galeria de Arte Frei Confaloni, Goiânia/GO Janeiro/RJ
Movimento)
trem. Atuou também
2009 Fundação Pollock-Krasner / Nova York (Bolsa de 1999 Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro/RJ 2005 Arte Brasileira Hoje - MAM, Rio de Janeiro/RJ
como designer de móveis e moda,
Estímulo à Produção Artística) 1999 Projeto Macunaíma/Funarte, Rio de Janeiro/RJ 2004 Tudo é Brasil - Itaú Cultural, São Paulo/SP
dirigente de ONG e professor
convidado – por Notório Saber – 2005 12º Salão da Bahia 1996 Galeria de Arte Cemig, Belo Horizonte/MG 2004 Tudo é Brasil - Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ
do Departamento de Artes 2002 Salão Nacional de Arte de Goiás (Prêmio Aquisição) 2003 Via BR 040 - Museu Imperial – Funarte - Petrópolis/RJ
da UFJF - Universidade Federal 1997 22º Salão de Arte de Ribeirão Preto/SP 2003 Imaginário Periférico - Rio de Janeiro/RJ
de Juiz de Fora. 1996 53º Salão Paranaense/PR (Prêmio Aquisição) Principais Exposições Coletivas 2002 Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói/RJ
1996 Salão de Arte Contemporânea de Campos/RJ 2016 SP Arte – São Paulo/SP 2002 Rumos Visuais – Itaú Cultural, São Paulo/SP
Foto Ronaldo Lopes (Prêmio Aquisição) 2015 Festival de Esculturas do Rio / RJ 2002 Projeto A imagem do Som - Paço Imperial, Rio de
2015 Art Rua – Festival de Arte Urbana / RJ Janeiro/RJ
Presença em Acervos Institucionais e 2015 SP Arte – São Paulo/SP 2002 Rumos da Nova Arte Contemporânea Brasileira, Belo
Coleções Particulares Principais Exposições Individuais
2014 Art Rio – Rio de Janeiro/RJ Horizonte/MG
Possui obras em importantes acervos 2018
Caixa Cultural – São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ e 2014 SP Arte – São Paulo/SP 2000 Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte/MG
institucionais, tais como: Museu Afro-Brasil Brasília/DF 2013 “Bola na Rede” – Funarte - Brasília/DF 2000 Arte e Erotismo - Galeria Nara Roesler, São Paulo/SP
/ SP, Museu de Arte Moderna do Rio de 2018 FIOTIM – O Museu em Movimento - Itinerância por 2012 “Fio Condutor” – Galeria Graphos: Brasil – Rio de 2000 Tendências Internacionais - Espaço Mascarenhas,
Janeiro – Coleção Gilberto Chateaubriand, / 2014 várias cidades do Brasil Janeiro/RJ Juiz de Fora/MG
Museu de Arte Contemporânea de Niterói
2017 Canvas Galeria – Rio de Janeiro/RJ 2012 “Vivendo no Vermelho” – Galeria Graphos: Brasil – 2000 Bravas Gentes Brasileiras - Palácio das Artes, Belo
– Coleção João Sattamini, Museu de Arte
Contemporânea do Paraná, Museu de Arte 2011 Galeria Graphos: Brasil – Rio de Janeiro/RJ Rio de Janeiro/RJ Horizonte/MG
Contemporânea de Goiás – e em importantes 2008 Galeria de Arte Cemig, Belo Horizonte/MG 2011 11ª Quadrienal de Praga – Representação Brasileira 1999 Cotidiano/Arte - Itaú Cultural, São Paulo/SP
coleções particulares no Brasil e no exterior. 2007 Galeria Thomas Cohn, São Paulo/SP – República Tcheca 1998 Projeto Macunaíma - Funarte, Rio de Janeiro/RJ

8 9
Jorge Fonseca – Labirinto de Amor

Texto da curadoria
Fernanda Terra

Falar sobre a obra de Jorge Fonseca é acessar uma vasta cartografia


de memórias ligadas à sua tenra infância mineira de Conselheiro Lafaiete,
mas também é pensar sobre as inquietações mais íntimas do presente,
da intuição que perpassa escolhas estéticas e do impulso imaginativo.
O artista, autodidata, entrelaça-se com a própria obra no fazer
espontâneo e sincero, no qual o desejo, a vida em seu percurso e a pulsão
do dia-a-dia definem o processo de produção e são fios condutores, guias
nas escolhas de temas, materiais, formas, técnicas e atitudes.

Durante 15 anos, Jorge foi maquinista de trem na RFFSA – Rede


Ferroviária Federal –, deslocando toneladas de minério de ferro pelo
interior de Minas Gerais, legado que seu pai, guardador das chaves da
ferrovia, deixou para ele, junto com a marcenaria. Mas algo o movia para
novos caminhos e um dos seus primeiros trabalhos de arte foi tecido
em meio à locomotiva em movimento: uma anágua bordada a fios de
ouro com frases de canções de amor e moranguinhos pendentes, que
bordou enquanto conduzia o trem; reminiscências de memórias caseiras
emaranhadas entre dedais, linhas, fitas, tecidos acetinados, máquinas
de costura de suas tias, que costuravam e chuleavam para as moças do
bordel da vizinhança, e para as quais o artista fazia pequenas diligências.
As coisas que eu faço por amor
2018

11
Sua verve criativa foi se tecendo através dessas memórias de vida
simples, das lembranças de família, das missas de domingo e dos
primeiros namoros, da pequena cidade que era seu campo exploratório,
livremente percorrida por seus pés descalços, do fascínio pelo feminino,
das veladas relações amorosas em seu bairro, da casa do bordel e da As obras falam ao coração. E também são, por vezes, irônicas e cínicas,
cafetina, e dos objetos e cores que enfeitavam os quartos das moças, transbordam o espírito crítico e humanista do artista. Como ele diz: “São
do cheiro de perfume barato, da cama com lençóis de cetim, do vaso de um pouco ingênuas, um pouco mordazes.” Com quem será é um bom
flores de plástico, das músicas de amor e tantas outras memórias de sua exemplo dessa atitude: uma bonequinha vestida de noiva que gira ao som
infância, como as lembranças das festas populares religiosas e folclóricas de “com quem será, com quem será...?” – em que se leem, bordados em
e outras que surgiram das fantasias ao sonhar em fugir com o circo, entre sua saia, os nomes dos pretendentes: “Marco Antônio – jovem discreto
leões com cheiro de creolina, palhaços, malabaristas e mágicos “vestidos e de boa família – alcoólatra – vive caído pelas ruas”.
de pessoas comuns”.

As obras de Jorge são como breves crônicas diárias, alguma coisa de


“causo”, meio ficção, contadas de forma sintética, conceitual e lírica, como
em Se você está ao meu lado – um travesseiro feito de algodão e voile,
repleto de pequenos guizos de metal, em cujo centro está bordado o título Com quem será
da obra, prenúncio de felizes e sonoros encontros amorosos; ou como 2006
na obra Love, Love, Love, onde vemos bordada a figura de uma mulher
balançando-se entre nuvens, em um céu de algodão e estrelas cintilantes
Se você está ao meu lado feitas de transparentes cristais
2004
de armarinho; e ainda, como na delicada
obra sem título, bordada em voile
azul-claro, em que um casal voa solto,
leve e livre, a partir do salto dado de uma
cama elástica, referência à entrega total
do sentimento amoroso e sonhador.

Love, Love, Love Sem título


2005 2011

12 13
Outros exemplos seriam as obras Capacho, um coração feito de grama
sintética, onde se lê: “Pode pisar, eu deixo”; Carro alegórico, um fusca
feito de recortes de latas de bebidas em que se lê: “Enfim sóis”;
e, finalmente, Os classificados do amor, obra composta de doze retratos
pintados de pretendentes ao amor, com as descrições de cada um dos
candidatos, bordadas à mão; um deles, um autorretrato; a solidão e os
desencontros tornam-se expostos.
Em 1996, Jorge conhece no Rio de Janeiro a impactante e genial obra
de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), artista que pretendia, em seu
delírio, inventariar os objetos do mundo, bordando-os com seus nomes
Capacho
2018
para serem lembrados no momento do Juízo Final. Foi com ele que o fazer
manual de Jorge, a sua artesania, as possibilidades técnicas e materiais
ganharam força e precisão. Para o historiador da arte Waldir Barreto,
Jorge “valeu-se dos melhores dividendos históricos da transgressão Carro alegórico
duchampiana e, com voracidade, consumiu o mais que pôde da riqueza 2007

de informação visual e verdade criativa que aquela exuberância beata e


delirante tinha para pregar.1

Mas foi com a obra contemporânea de José Leonilson (1957-1993),


artista predominantemente autobiográfico, que sua linguagem
amadureceu em corpo e mundo. As obras de Leonilson, que em sua fase
final incluem delicadas costuras e bordados, eram como “cartas para um
diário íntimo”, segundo a crítica Lisette Lagnado. Mas, para Jorge, o íntimo
e o drama de cada um é uma história que perpassa a todos nós: discórdias,
alegrias, traições, amores, adultérios, paixões, sonhos, solidão, erotismo e

1
Os classificados do amor Barreto, Waldir. Cercado de amor por todos os Lados, Goiânia, 2000. Catálogo da
2001 exposição.

14 15
Em 2001, inaugura na Galeria de Arte Contemporânea Annamaria
Niemeyer, no Rio de Janeiro, a exposição intitulada Procura-se, um
manifesto poético, marcada por obras feitas na intenção de encontrar um
dos irmãos, Marcio Antônio da Fonseca, desaparecido fazia mais de 16
anos. Com esse gesto, o artista traz, intuitivamente, o campo da arte para
dor compõem a visualidade recorrente em muitas de suas obras e dão o centro doloroso de sua própria vida, um campo possível da experiência
lugar para a sua expressão sensível, onírica e crítica, legitimada no breve artística já semeada do Dadaísmo a Allan Kaprow e em tantos outros
solilóquio íntimo e solitário da obra Ontem você chegou tarde e nem momentos da história da arte. A exposição estendia-se para muito além
mexeu comigo. Uma instalação conceitual com uma linguagem sintética, dos limites da galeria, o rosto do irmão e o número de telefone de casa
sofisticada e precisa, feita de azulejos de cozinha, dos quais pende um bico faziam parte de panfletos, anúncios, avisos, catálogos, estandartes e
de bule que verte café em um coador bordado, com escritos em espiral, pequenos corações feitos de cetim, confeccionados e distribuídos pelo
onde se lê o seguinte relato: artista na galeria e pelas ruas por onde circulou. Essa atitude nos leva
a pensar nas ações realizadas por Cildo Meireles nos projetos Cédula e
Coca-Cola, dos anos 1970, com seus meios circundantes. Estrada da vida III
“Ontem você chegou tarde e nem 2017
mexeu comigo. Você achou que
Também integrava essa exposição a obra Estrada da Vida, feita
estava dormindo, mas eu estava
de ‘carroceria’ e lona de caminhão. Nela, o artista bordou as estradas
acordada, esperando você me
imaginárias por onde o irmão poderia ter passado, e frases típicas ao
dizer ao menos boa noite. Deitada,
estilo dos caminhoneiros: “Viajo porque preciso”, “ Volto porque te amo”,
acompanhei cada movimento seu.
“Na cabine cabem muitas, no coração, só uma”. Jorge, convicto de seu ato
Ouvi seus passos pela casa, senti
artístico, no campo da vida encontra o irmão. Mais tarde, vieram várias
seu cheiro de bebida e senti o cheiro versões da Estrada da Vida que foram ganhando contornos menos
de perfume que nunca foi seu, dramáticos e mais românticos, como a Estrada da Vida III – Por onde
quando você se apagou ao meu lado. andei saudades deixei, bordada em lona preta com cores vibrantes e
Só peguei no sono de manhã cedo. letras de músicas românticas das rádios populares, escutadas pelos
Ontem você chegou tarde e nem caminhoneiros. A versão mais recente, já impregnada da nova linguagem
mexeu comigo.” estética que utilizará em suas obras futuras: Estrada da Vida VII – A dois
passos do paraíso, traz referências visuais dos carrinhos voadores dos
Ontem você chegou tarde e nem mexeu comigo
2007 parques de diversão. É uma “carroceria” mais estilizada e divertida, com
luzes de para-choques de carros que acendem a obra. Em homenagem
aos caminhoneiros, frases bordadas dizem: “Longe de casa, a mais de uma
Estrada da vida VII
semana, milhas e milhas distante do meu amor...”, letra da música da Blitz. 2017

16 17
Essa nova fase da construção como artista se dá no processo de tempo, homenagem ao fazer manual e à diversão simples, barata e sincera.
amadurecimento do fazer artístico e, com ele, a vontade de inventar E para além disso, o artista ainda desloca o entendimento da obra quando a
“traquitanas”, objetos cinéticos, objetos relacionais, nos quais a nomeia de O outro eu, referenciando-a aos estados emocionais internos de
habilidade da marcenaria e sua alma de inventor serão o ponto-chave cada um, naquilo que podemos nos transformar quando “saímos do sério”.
para a fabricação de suas obras. Realejo II é a obra inaugural dessa fase.
O artista constrói um retábulo de madeira, que o público pode abrir
O outro eu
para tirar a sua sorte. Pintado com esmalte sintético com cores fortes, 2011
palavras e signos desenhados à mão, nela se pode escolher pequenas
plaquinhas de madeira gravada, enroladas com linhas coloridas, onde
pode-se ler o futuro no amor, em frases sobre o destino, e saber tudo o
que você precisa para alcançar o seu sucesso.

O outro eu, obra exemplar dessa nova fase, inclui ainda referências Essa e outras obras de grandes dimensões, confeccionadas
à arte pop, no que diz respeito à ideia, à forma e à técnica. Diante da manualmente em madeira e pintadas também à mão, com cores fortes
obra, ao caminharmos de um lado para outro, por meio de um cinetismo e esmalte sintético, culminam, em 2014, na construção de uma obra
rudimentar, vemos, de um lado, uma jovem mulher com um ramo de sobre rodas chamada Fiotim. Um museu itinerante, uma miniatura
flores, clara reprodução dos desenhos publicitários do “american way do Instituto Inhotim, local que abriga importante acervo de arte
of life”, dos anos 50 e, do outro, uma pintura de gorila ameaçador, de contemporânea brasileira e internacional, localizado em Brumadinho,
batom e unhas vermelhas, vestindo camisola. Ao pararmos no centro interior de Minas. Nela, o artista, além de reproduzir e expor miniaturas
da obra, lemos uma expressão onomatopaica: “Puf!”, típica das histórias das obras de Inhotim no interior de seu Fiotim, como réplicas vendáveis
em quadrinhos e presentes nas obras pop de Roy Lichtenstein, dos anos a preço popular, cria novas obras interativas eminentemente kitsch que
60. A expressão marca um instante, um espaço para a transformação da acompanham esse museu, meio gabinete de curiosidades, meio circo,
Realejo II
2011 jovem mulher em gorila. De alguma maneira, o artista funde de forma meio parque de diversões e meio camelô. Uma dessas obras, presente
espontânea o que seriam os ícones utilizados da arte pop, que de certa nessa exposição, convida o público a descobrir, de olhos fechados e com
maneira contêm traços do kitsch, para criticar a cultura industrializada as mãos em um globo de plasma, Saiba o que o seu amor faz quando
de massas, com a cultura e estética popular manual dos pequenos circos não está por perto, título da obra. O artista com muita habilidade,
de interior do Brasil, onde ainda se exibe, até hoje, de forma insistente e utiliza-se mais uma vez da aproximação que a estética kitsch gera com
incipiente, o número da mulher gorila, a partir do movimento ilusionista o público, entrelaçando seu fazer com reminiscências estéticas da Certezador
(Saiba o que o seu amor faz quando não está por perto)
de espelhos e o apagar e acender das luzes. Crítica social e ao mesmo cultura e do imaginário popular brasileiro. 2011

18 19
As obras de Jorge resultam da maquinação que o artista faz, em um Em um primeiro momento, Bispo e Leonilson são fontes preciosas,
primeiro momento, das memórias de sua infância, com o fascínio pelo mas a admiração pelas obras dos artistas Edmilson Nunes eminentemente
ideário popular novelístico e o padrão visual da iconografia folclórica pop e kitsch, perpassada pelo erotismo; Marcos Cardoso, cujo traço
e religiosa; e, mais tarde, da estética popular, das influências visuais poético transforma guimbas de cigarro, palitos de fósforos, rótulos
circenses, e dos parques de diversão baratos. Entrelaça, com toda plásticos de embalagens descartadas, e recria, através do banal, obras
liberdade, as matrizes artesanais e conceituais, a arte pop e o kitsch, com contundente força estética; e Jorge Duarte, representante da geração
redimensionando-as à estética contemporânea em um entrecruzamento 80, artista conceitual e eclético, com forte tendência crítica e irônica e
desses gêneros artísticos, sem preconceitos ou esteticismos. visualidade popular, viriam a sensibilizar o artista e, com uma “franca
inexistência de disfarces”, Jorge constrói uma estética espontânea contida
em sua singular maneira de absorver os fatos do mundo. Ainda destacaria
os artistas Emmanuel Nassar e Nelson Leirner, como aproximações
A escolha estética do kitsch, que o artista nomeia de “brega”, não por
estéticas mais recentes, obras eminentemente brasileiras, sendo
O equilibrista acaso, perpassa toda a sua obra. O kitsch, em sua essência e a princípio,
2011
universais como a de Jorge Fonseca.
tem enorme penetração na psicologia das massas e está ligado aos
avanços da industrialização e da tecnologia no início de século XX, assim
como à substituição do fazer laboral do artista pela produção em série
de objetos estéticos, geralmente feitos de materiais baratos, como o Na concepção sofisticada de sua poética visual, Jorge amalgama
linguagem e forma. Conceitos, palavras, imagens e materiais fundem-se A vida é cheia de ilusão
plástico e tecidos sintéticos. É um fenômeno de grande alcance, narrativo,
2012
sentimental e de fácil compreensão. Para alguns autores, ele é filho do em obras desfrutáveis. Palavra e imagem dão o contorno às obras: a
romantismo e, para o senso comum, mais do que uma simples questão palavra ganha sentido de imagem, une-se a ela e, juntas, sintetizam a
de gosto, é um modo legítimo de vida. Se antes o kitsch era visto como essência que o artista quer dar à obra. Viver é perigoso e A vida é cheia
um subproduto da arte, já nos anos 60, ele é incorporado pela cultura de ilusão são obras exemplares dessa elaboração mental. Nas livres
camp norte-americana, onde é cultivado como refinamento superior. Nas
palavras de Susan Sontag, “é belo porque é feio”. A arte pop irá tomá-lo
uma referência, seja como crítica, ou como humor, ao fenômeno global de
massificação da cultura. Hoje o kitsch é apropriado definitivamente pela
arte contemporânea, que o tensiona e o insere no mainstream das artes
Dream III
2011 visuais, sendo Jeff Koons um de seus maiores exemplos. Jorge vai ao
encontro do fascínio do universo de possibilidades que o kitsch oferece,
criando obras únicas de grande alcance, de forte conotação sentimental e
crítica social, ao mesmo tempo em que se posiciona firmemente como um
artista contemporâneo de grande envergadura. Viver é perigoso
2016

20 21
associações bem construídas, Jorge brinca com o sentido das coisas. Os Observador atento do campo da existência, em cujo centro
títulos não são meras legendas ilustrativas das obras, integram-se a elas, encontram-se dramas crus e sonhos inalcançáveis, Jorge constrói uma
para que possamos decifrar o enigma proposto como um todo. Exemplos casa/obra intitulada A casa dos meus sonhos, composta por dezenas
claros são as obras Relógio de deixar mais novo (um relógio que gira ao de quadros emoldurados, de diversos tamanhos e estilos, que foram
contrário no tempo e vibra cintilante ao passarmos por perto), o Capacho recolhidos do lixo, dos sebos e de casas de quinquilharias de Ouro Preto.
(obra já citada acima, onde se lê “Pode pisar, eu deixo”), ou a obra Quando Pelo lado de fora, vemos as inúmeras imagens de casas no campo, ao
você passa eu fico assim, um coração feito de fios elétricos enrolados lado de riachos ou beira da praia, em meio a paisagens idílicas, idealizadas,
em recortes de madeira que lhe dão movimento. Falar das obras de Jorge bem ao estilo romântico, kitsch, encontradas nas casas populares para
Fonseca sem considerar este aspecto, seria como ler o poema “Um lance todos os gostos e sonhos. No interior dessa pequena casa/obra, apenas a
de dados”, de Mallarmé, sem valorar a composição visual, ou desprezar arquitetura construída pelos avessos dos quadros, iluminada por uma luz
as legendas e frases das obras de Magritte, como na obra Ceci est un precária com fiação de gambiarra, e nada mais, alude aos barracos feitos de
morceau de fromage (Isto é um pedaço de queijo), ou na pintura de um sobras de madeira e dores da vida. A casa dos meus sonhos
2013
cachimbo, em que se lê: Ceci nést pas une pipe (Isto não é um cachimbo),
Relógio de deixar mais novo fundamental para criação do paradoxo magrittiano, em que palavras e
2011/2018
coisas interrompem sua arcaica correspondência.
As obras Papo reto II, Mais um round e Soberba, absolutamente
diferentes uma da outra, na construção estética e técnica, falam das
dificuldades das relações amorosas, cada uma a seu modo: a conversa
difícil e direta, as brigas explícitas, a interminável disputa de quem está
certo, a pretensão de superioridade e a arrogância na relação.

Mais um round Quando você passa eu fico assim Papo reto II Soberba
2003 2018 2018 2003

22 23
E finalmente, a obra Nosso castelo, realizada para esta exposição,
atinge todo o esplendor kitsch. De grande exuberância estética, é um ponto
alto na elaboração mental e na confecção manual que o artista se propôs a
realizar. Trata-se de uma obra suspensa no ar, como um lustre, composta
de centenas de partes de vários objetos de cristal e vidro transparente,
que cintilam, com luzes acesas amarelas, pendentes de hastes, ao redor de
um grande aquário com dois peixinhos dourados, vivos. A obra fala de um
lugar idealizado de harmonia nas relações amorosas, mesmo que seja um
lugar de confinamento.
Tri-ângulo
2011

Traições veladas ficam claras na obra Tri-ângulo, com formato de Jorge Fonseca, por fim, nos seduz, em um espelhamento labiríntico da
triângulo, feita de lâminas de madeira pintadas dos dois lados. De um lado, vida cotidiana, falando do curso ordinário das coisas. Sua arte é espontânea,
O nosso castelo
se vê a imagem de um homem; do outro, o retrato de outro homem; ao direta e sincera, um somatório de forças, dentro de uma cartografia imaginal 2018
centro e no fundo, a imagem de uma mulher, onde se lê: “O amor é lindo”. sentimental constante da vida, toca o mais profundo de cada um. É um
E em cada lado do triângulo lê-se: “Eu te amo”, “Tu me enganas” e “Nós antídoto ao pragmatismo virtual e gélido em que se transformaram as nossas
nos iludimos”. relações íntimas e a vida cotidiana no mundo permeado pelo digital. Nos faz
sentir e pensar. Vida e arte se encontram no processo criativo intuitivo do
artista, que se origina do estado de profunda inquietação emocional e da
Já a obra Mor, esplendidamente executada, de grandes dimensões, observação do mundo que nos rodeia. Como Dédalo, inventor do labirinto do
confeccionada em madeira bruta e chapinhas de metal prata, alude aos Minotauro, cujo nome provém de confeccionar com arte, Jorge urde e nos
altares-mores das igrejas, mas este altar contém a força, o mistério e oferece seu próprio labirinto, intrincado dos dramas e alegrias da vida, como
a contundência da visualidade afro-brasileira, ocupando um lugar de espelho de nossas próprias dores e sorrisos, “cercado de amor por todos os
grandeza e reverência à nossa ancestralidade. lados”. “A gente é assim”, conclui o artista.

Mor
2015

24 25
Caderno de Obras

A casa dos meus sonhos


Estampas de paisagens, molduras e madeira
300 x 250 x 200 cm
2013
coleção do artista
foto: Miguel Chaves

Autorretrato - cercado
de amor por todos os lados
Acrílica, tecidos, linhas, enchimentos
125 cm de diâmetro
1998
coleção do artista
foto: Ane Souz

26 27
She loves you
Esmalte sintético s/ madeira
100 x 80 cm
2011
coleção do artista
foto: fotógrafo não identificado

Sem título
Bordado s/ tecido
80 x 40 cm
2011
coleção particular
foto: Eduardo Câmara

Passarinhada II
Bordados e acrílica s/ tecido
110 x 90 cm
2018
coleção do artista
foto: Ane Souz

28 29
Love, Love, Love
Bordados s/ voile, algodão natural tingido
e cristais
97 x 77 cm
2005
coleção Fernanda Terra
foto: Alexandre Salgado

Coração feminino
Bordados s/ tecido
60 x 40 cm
2006
coleção Tania Pinto Amor I love you
foto: fotógrafo não identificado
Acrílica e bordados s/ renda
160 x 160 cm
2007
coleção Carmo e Jovelino Mineiro
foto: Alexandre Salgado

30 31
Estrada da Vida III
Estrada da Vida VII
Esmalte sintético s/ madeira e bordados
s/ lona de caminhão
Esmalte sintético s/ madeira e bordados
s/ lona de caminhão 220 x 190 x 5 cm
260 x 220 x 12 cm 2008
2017 coleção Leonel Kaz
coleção do artista foto: Eduardo Trópia
foto: Maurício Seidl

33
Viver é perigoso
Esmalte sintético s/ lâmina de madeira
120 x 100 x 10 cm
Papo reto II 2016
coleção Leonardo Amarante
Cadeiras e livros esculpidos em madeira foto: Gustavo Proti
233 x 165 x 45 cm
2018
coleção do artista
foto: Ane Souz

34 35
Os classificados do amor
Acrílica s/ tecido e bordados
190 x 120 x 4 cm
2001
coleção Leonel Kaz
foto: Ronaldo Lopes

36 37
O outro eu
Acrílica s/ tecido e madeira e esmalte
sintético s/ madeira
144 x 170 x 16 cm
2011
coleção Leonel Kaz
foto: Eduardo Trópia

O equilibrista
Esmalte sintético s/ madeira
90 x 90 cm
2011
coleção do artista
foto: fotógrafo não identificado

38 39
Tri-ângulo
Acrílica s/ lâminas de madeira e esmalte
sintético
166 x 145 x 13 cm
Relógio de deixar mais novo 2011
coleção Tuca Dias
Madeira laqueada, plástico, cristais, foto: Eduardo Câmara
ferragens, motores e relógio anti-horário
145 x 17 cm
2011/2018
coleção do artista
foto: Alexandre Salgado

40 41
Realejo II
Esmalte sintético s/ armário de madeira, lâminas de
madeira com inscrições em baixo relevo e linhas
120 x 70 x 8 cm (fechado)
2011
coleção Viviane Hentsch
foto: Eduardo Trópia

42 43
A vida é cheia de ilusão
Recortes de tecidos colados s/ lâmina de madeira
110 x 110 x 10 cm
2012
coleção particular
Carro alegórico foto: fotógrafo não identificado

Recortes de latas de bebidas colados s/


recortes de compensado
400 x 400 cm
2007
coleção Ricardo Luiz Duarte de Souza
foto: Miguel Chaves

Certezador
(saiba o que seu amor faz quando não está perto de você)

Esmalte sintético s/ madeira, esfera de vidro e circuitos eletrônicos


55 x 55 x 70 cm
2011
coleção do artista
foto: Alexandre Salgado

44 45
O nosso castelo
Vidros, cristais, água e dois peixes vivos
110 cm de diâmetro x 260 cm
2018
coleção do artista
foto: Alexandre Salgado

46 47
Dream III
Acrílica s/ tecido com enchimentos e manta chenili
200 x 130 cm
2011
coleção do artista
foto: fotógrafo não identificado

“ Sempre que posso sonhar,


sempre que não vejo,
ponho o trono nesse lugar. Sem título
Além da cortina é o lar,
Bordados s/ avental
além da janela, o sonho. ” 50 x 50 cm
1998
coleção Frederico Moraes
Fernando Pessoa foto: Miguel Chaves

48 49
Ontem você chegou tarde
e nem mexeu comigo
Bordados s/ coador de café, toalha, azulejo, bico
de bule e bomba d’água
200 x 100 x 40 cm
2007
coleção Ricardo Luiz Duarte de Souza
foto (pág 50 e 51): Alexandre Salgado
fotos (pág 51): Adriana Moura

“ Ontem você chegou tarde e nem mexeu comigo.


Você achou que eu estava dormindo,
mas eu estava acordada,
esperando você me dizer ao menos boa noite.
Deitada, acompanhei cada movimento seu.
Ouvi seus passos pela casa,
senti seu cheiro de bebida
e senti o cheiro de um perfume que nunca foi seu,
quando você se apagou ao meu lado.
Só peguei no sono de manhã cedo.
Ontem você chegou tarde e nem mexeu comigo.”

50 51
Se você está ao meu lado
Bordados s/ travesseiro de voile e guizos de metal
60 x 40 x 15 cm
2004
coleção do artista
foto: Miguel Chaves

Capacho Mais um round


Acrílica s/ tecido e grama de plástico Bordado s/ luvas de boxe
80 x 100 x 5 cm 50 x 20 x 15 cm
2018 2003
coleção do artista coleção particular
foto: Ane Souz foto: Miguel Chaves

52 53
As coisas que eu faço por amor
Anágua com apliques de crochê
49,5 x 62 cm
2018
coleção do artista
foto: Miguel Chaves

Com quem será


Bordados s/ o vestido da boneca e mecanismo
eletrônico sonoro
45 x 30 x 30 cm
2006
coleção do artista
foto: Miguel Chaves

54 55
O jardim das delícias
Tríptico - bordados, linhas e tecidos com enchimento
120 x 80 x 5 cm
1999
coleção particular
foto: Miguel Chaves

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Quando você passa eu fico assim
Soberba
Esmalte sintético s/ recortes de madeira e
fios de eletricidade Madeira esculpida
185 x 155 x 25 cm 200 x 60 x 40 cm
2018 2003
coleção do artista coleção Petrillo e Marina Castro
foto: Alexandre Salgado foto: Alexandre Salgado

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Mor Agradeço a graça alcançada II
Fragmentos de madeira, latas perfuradas Madeira esculpida e entalhada
190 x 130 x 25 cm 80 cm de diâmetro x 20 cm
2015 2018
coleção Carmo e Jovelino Mineiro coleção do artista
foto: fotógrafo não identificado foto: Alexandre Salgado

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Caderno da Exposição

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Curadoria
FERNANDA TERRA
Coordenação de produção
MUSEO MUSEOLOGIA E MUSEOGRAFIA - Daniela Camargo e Mariana Santana
Design gráfico
TÂNIA RODRIGUES DE SOUZA
Projeto expográfico
CRISTINA VENTURA
Projeto luminotécnico
ARNALDO COSTA FILHO
Assessoria de imprensa
SEVEN STAR
Coordenador de montagem e assistente de produção
MARCELLO CAMARGO
Cenografia
HUMBERTO JR
Assistentes de ateliê
HUGO FONSECA
MC LUX
TALES CÉLIO PENA
WE PH
Equipe de museologia
DANIELA CAMARGO - coordenação
ANA PAULA LOBO CRISPI - SP
ROBERTA LEITE - RJ
MATHEUS ROCHA - MG
Fotografia e vídeomaker
PARADIGMA PRODUÇÕES CULTURAIS
Tratamento de imagem
EDIÇÃO DA IMAGEM
Revisão de textos
GUSTAVO BARBOSA
Apoio administrativo
ELIANE ALVES
Agradecimentos
Amadis Terra e Clara Camargo
Agradecimento especial
Leonel Kaz

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Imagens:

Alexandre Salgado (págs: 12, 19, 22, 23, 25, 30, 31, 40, 45, 46, 47, 50, 51, 58, 59, 61 e 71)
Eduardo Câmara (págs: 3, 13, 24, 28 e 41)
Ronaldo Lopes (págs: 8, 14, 36 e 37)
Ane Souz (capa e págs: 1, 14, 23, 27, 29, 34 e 52)
Maurício Seild (págs: 17 e 32)
Miguel Chaves (págs: 4, 11, 26, 44, 49, 53, 54, 55, 56 e 57)
Eduardo Trópia (págs: 17, 18, 19, 33, 39, 42 e 43)
Gustavo Proti (págs: 21 e 35)
Adriana Moura (págs: 16 e 51)
Waldir Barreto (pág: 22)
Kika Bastos (pág: 26)
Fernanda Terra (págs: 10, 15, 72, 75, 76, 77 e 78)
Jorge Fonseca (pág: 23)

Caixa Cultural Rio de Janeiro


Av. Almirante Barroso, 25 - Centro
Rio de Janeiro/RJ - CEP 20031-003
Terça a domingo, das 10h às 21h
Este Catálogo expõe parte das obras do artista e foi composto nas Agendamento para grupos:
fontes Esphimere e Galette, impresso em papel couchê matte 170gr, agendamento@gentearteirarj.com.br
pela Grafitto Gráfica. Foi concluído em novembro de 2018, sendo este,
mais um trabalho que pretende difundir e fomentar a arte brasileira. ENTRADA FRANCA
Prefira o transporte público

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Jorge Fonseca - labirinto de amor