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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


DIRETORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU EM DIREITO AMBIENTAL

A POLUIÇÃO VEICULAR AMBIENTAL: ASPECTOS LEGAIS

ILDO MÁRIO SZINVELSKI

Monografia apresentada como requisito para


obtenção do Certificado de Especialista em
Direito Ambiental.

Canoas, RS, Janeiro de 2005.


2

“Levantem os olhos sobre o mundo e vejam o que está

acontecendo à nossa volta, para que amanhã não sejamos acusados

de omissão se o homem, num futuro próximo, solitário e nostálgico

de poesia, encontrar-se sentado no meio de um parque forrado com

grama plástica, ouvindo cantar um sabiá eletrônico, pousando no

galho de uma árvore de cimento armado” (Manoel Pedro Pimentel,

Revista de Direito Penal,Vol. 24, p.91).

Acrescentaria, modestamente:

“que o futuro não nos faça sentar a sombra de árvores de

plástico, com veículos automotores na garagem, à espera da

resiliência do ar atmosférico porque a extinção ou a conspurcação

de sua pureza foram-se para sempre.”


3

VIVIR SIN AIRE


“Cómo quisiera
Poder vivir sin aire
Cómo quisiera
Poder vivir sin agua
Me encantaría
Quererte um pouco menos
Cómo quisiera
Poder vivir sin ti
Pero no puedo
Siento que muero
Me estoy ahojando sin tu amor
Cómo quisiera
Poder vivir sin aire
Cómo quisiera
Calmar mi aflições
Cómo quisiera
Poder viver sin agua
Me encantaria
Robar tu corazón
Como pudiera
La flor crecer sin tierra
Cómo quisiera
Poder vivir sin ti
Pero no puedo,
Sinto que muero
Me estoy ahojando sin tu amor
Cómo quisiera
Poder vivir sin aire
Cómo quisiera
Calmar mi aflições
Cómo quisiera poder
Vivir sin água
Me encantaria
Robar ti corazón
Cómo quisiera
Lanzarte al olvido
Cómo quisiera
Guardarte em un cajón
Cómo quisieras
Barrarte de un soplido
Me encantaria
Matar esta canción”.

(To Live Without Air. Letra Y Música: Fler e Warner Chappelli Grupo Manã).
4

Trabalho realizado sob a orientação do professor

PAULO RÉGIS ROSA DA SILVA, grande mestre,

a quem dedico a minha fraterna homenagem e os

meus sinceros e profundos agradecimentos.


5

Agradecimentos a Valkiria, minha esposa,

pela compreensão, carinho e a paciência; e, ao

Mártin, meu filho querido, pela alegria incontida.


6

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................8

2 DESENVOLVIMENTO MUNDIAL E A POLUIÇÃO ...................................................16

2.1 O MEIO AMBIENTE ........................................................... ............................................20

2.2 A CRISE MUNDIAL E A EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL..................24

2.3 DOS PRINCÍPIOS E OS VALORES CORRELATOS ....................................................26

2.3.1 Do Ambiente Ecologicamente Equilibrado ......................................................................29

2.3.2 A Natureza Pública Protetiva .............................................................................................30

2.3.3 Do Controle do Poluidor ....................................................................................................30

2.3.4 Das Variáveis Ambientais .................................................................................................31

2.3.5 A Participação Comunitária ................................................................................................31

2.3.6 O Poluidor Pagador .............................................................................................................31

2.3.7 Da Prevenção .......................................................................................................................32

2.3.8 Da Precaução ... ...................................................................................................................32

2.3.9 Da Função Socioambiental da Propriedade .........................................................................34

2.3.10 Da Garantia do Desenvolvimento Sustentável ...................................................................35

2.3.11 Da Garantia dos Povos........................................................................................................35

3 O BEM AMBIENTAL ......................................................................................................36

3.1 O AR ATMOSFÉRICO .....................................................................................................37


7

3.2 A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA ......................................................................................40

3.2.1 Da Chuva Ácida ................... .............................................................................................42

3.2.2 Do Efeito Estufa .................................................................................................................42

3.2.3 Ilhas de Calor .....................................................................................................................44

3.2.4 Camada de Ozônio .............................................................................................................44

3.3 DA INTERVENÇÃO NAS ATIVIDADES POLUIDORAS ............................................45

3.4 DANO AMBIENTAL .......................................................................................................53

4 A POLUIÇÃO VEICULAR E A INSPEÇÃO TÉCNICA VEICULAR – ITV ................55

4.1 A LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO ...................................................................................60

4.2 A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL VEICULAR ................................................................63

4.3 A EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE A INSPEÇÃO TÉCNICA

VEICULAR .......................................................................................................................64

4.4 A POLÍTICA NACIONAL DE TRÂNSITO(PNT) .........................................................67

4.5 A FROTA DE VEÍCULOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ........................70

5 PROTOCOLO DE KYOTO ..............................................................................................73

6 CONCLUSÃO ...................................................................................................................86

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............................................................................94

8 APÊNDICES ...................................................................................................................103

8.1 ESTATÍSTICAS ..............................................................................................................103

8.2 MINUTA DE PROJETO DE LEI ...................................................................................145

8.3 MINUTA DE PORTARIA ..............................................................................................149


8

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho de conclusão do Curso de Especialização em Direito Ambiental visa,

primeiramente, abordar tema relacionado com a Poluição Veicular Ambiental com ênfase na

proteção do ar atmosférico e na segurança do trânsito, haja vista as interações com os diversos

ramos do direito, da novel legislação de trânsito, da legislação ambiental e do ordenamento

internacional ambiental, em especial, o Protocolo de Kyoto.

A escolha do tema é oriunda da preocupação com a conspurcação do ar atmosférico,

promovida pela emissão de gases poluentes dos veículos automotores, o crescente aquecimento

da Terra, decorrente da poluição ambiental e suas conseqüências na segurança do trânsito. Isso

tornou propicia uma abordagem técnica e crítica quanto aos seus reflexos, com base no

ordenamento jurídico pátrio vigente, propugnando por caminhos legislativos normatizadores e

mecanismos operacionais para o enfrentamento do presente imbróglio com repercussão social.


9

Também, compromisso com a aprendizagem na área de formação de Técnico Superior em

Trânsito – advogado do Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Rio Grande do Sul e

integrante do Conselho Estadual de Trânsito do Estado, tendo como desiderato o presente

trabalho o aperfeiçoamento profissional e a sinergia das áreas do direito de trânsito e direito

ambiental com os princípios ontológicos e finalísticos da lei maior.

O meio ambiente afeta a todos. O trânsito, também. Estamos diante de um mundo que, de

uma forma caleidoscópica, se transforma cotidianamente diante de nossos olhos. Impossível

respirar o mesmo ar em duas oportunidades diferentes. Pois de tão nobre, o ato fisiológico de

respirar se dá em um momento único, quando se inspira o oxigênio e se exala o gás carbônico na

atmosfera. Não se trata de ilações melífluas, todavia, o mundo se encontra mergulhado no meio

ambiente: todos completamente envolvidos e interligados num processo de mudanças para a qual

a sociedade parece não ter sido preparada adequadamente. O meio ambiente reconhece o valor

intrínseco de todos os seres vivos e encara o ser humano como apenas um de seus filamentos da

teia da vida. E, inserido na natureza dela depende para viver. O trânsito? O trânsito é o caminho.

O ar? O ar é o oxigênio da vida que não permite resiliências.

Consoante a temática prelecionam com maestria os mestres Celso Antônio Pacheco

Fiorillo e Marcelo Abelha Rodrigues: “(...) o conceito de meio ambiente é amplo, na exata

medida em que se associa à expressão sadia: qualidade de vida.”1

1
FIORILLO,Celso Antônio Pacheco e Rodrigues, Marcelo Abelha. Manual de Direito Ambiental e Legislação
Aplicável. São Paulo: Max Limonad, 1997, p.24.
10

O Código de Trânsito Brasileiro2 considera conceitualmente trânsito como a utilização

das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de

circulação, parada, estacionamento e operação de carga e descarga. O trânsito, em condições

seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional

de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas

destinadas a assegurar esse direito, sob pena de responderem, objetivamente, por danos causados

em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e

serviços.

Ocorre que, a lei de trânsito, no artigo 1.º, parágrafo 5.º, do CTB, expressamente definiu:

“Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito darão

prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação da saúde e do meio

ambiente”. Dessume-se, então, que todo cidadão deve ter acesso ao meio ambiente equilibrado e

que o Estado tem a obrigação de assegurar o bem-estar coletivo com qualidade de vida no

trânsito.

O escopo deste trabalho é desvendar possibilidades de interação e a relação de tal

proteção. Além de imediata, projeta tal garantia para o futuro. Motivo pelo qual, na Constituição

de 1988, a saúde, o bem-estar, a segurança e as condições ambientais, foram exaustivamente

contempladas como direitos.3 Ademais, a Carta Magna, ao tratar do meio ambiente enfatizou no

artigo 225, como prioridade, estabelecendo que :

2
Lei Federal n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro-CTB. DOU de
24.09.1997, retificado em 25.09.1997. Art. 1.º, §1.º ,2º, 3º do CTB. Anexo I, dos Conceitos e Definições.
3
Constituição da República Federativa do Brasil. Arts 6.º, 7.º, 22, XI, 23, VI, XII, 24, VI e VIII, 170, VI, 200, VIII,
220, §3.º e II,e 225 da CF.
11

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

De outra banda, reclama a adoção de medidas legais que, efetivamente, contribuam para

uma maior proteção ambiental e segurança no trânsito haja vista os índices de acidentalidade,

sinistralidade, poluição do ar atmosférico e poluição sonora decorrentes das emissões expedidas

dos veículos automotores. A partir desse enfoque, passamos a tratar da tutela do ar atmosférico

com ênfase na fiscalização tecnológica que minimizaria os efeitos e dissabores produzidos pelas

fontes geradoras de poluição e traria inegáveis benefícios e profundas implicações positivas na

qualidade ambiental do trânsito desde que precedidos do adequado disciplinamento jurídico.

É absolutamente identificada com esta linha de pesquisa a afirmação do papa do direito

administrativo Hely Lopes Meirelles, que asseverou em sua obra:

As alterações, no meio ambiente, quando normais e toleráveis, não merecem contenção e


repressão, só exigindo combate quando se tornam intoleráveis e prejudiciais à
comunidade, caracterizando poluição reprimível, desde que desrespeitem critério legal
dos índices de tolerabilidade, ou seja, dos padrões admissíveis de alterabilidade de cada
ambiente, para cada atividade poluidora.4

Os atuais índices de poluição do ar atmosférico são toleráveis?

Neste século, o dos direitos,5 importa destacar que a Constituição Federal deu guarida à

proteção ambiental essencial à sadia qualidade de vida como dogma constitucional. É meridiano

4
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros Editores, 1995. p.170.
5
TAVARES DOS SANTOS, José Vicente. Sociólogo e Professor da Universidade Federal do RGS que defende em
suas aulas e palestras “a quinta geração dos direitos humanos na era das conflitualidades enquanto um conjunto de
direitos nunca efetivados plenamente na modernidade do séc. XXI no sentido de promover o gozo dos frutos do
progresso social como: acesso à Justiça com a informalização; direito à vida, à saúde e à segurança;refere que a única
utopia realista é a ecológica e democrática - dilemas da modernidade tardia.
12

que “somente existirá sadia qualidade de vida se o meio ambiente for ecologicamente equilibrado

e, portanto, não degradado. Vale dizer, que sem a proteção ambiental, não há como cogitar do

direito à saúde, e por sua vez, não há como cogitar do direito de uma vida digna”.6 Todavia, a

realidade se apresenta completamente diferente haja vista que o ar atmosférico conta com a

presença de substâncias estranhas suscetíveis de provocar efeitos prejudiciais aos seres humanos

que além de conspurcar o bem ambiental ainda têm contribuição direta para com as alterações

climáticas.

Diante desses fatos salta, de imediato, a seguinte pergunta: Quais são os agentes

poluidores? As indústrias e os veículos automotores movidos à combustível líquidos e gasosos,

fumaças, vapores, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, material particulado,

hidrocarbonetos, aldeídos, dióxido de nitrogênio, fluoretos, cloretos, propiciando esse conjunto

maléfico um verdadeiro flagelo. Não bastasse isso, os dados técnicos de que 90% dos poluentes

são provenientes de combustíveis derivados de petróleo e desses 30% das partículas na atmosfera

são de gás carbônico. Ainda, a cada ano, são fabricados 16 milhões de veículos novos no mundo

que, no ano de 2025, ultrapassarão a casa de um bilhão de veículos. A atual frota circulante lança

mais de 900 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera por ano. No Rio Grande do Sul,

a frota de veículos cresceu nos últimos 13 anos de 1,58 milhão para 3,5 milhão de veículos e a

taxa de crescimento da população gaúcha aumentou de 8,88 milhões para 10,1 milhões de

habitantes perfazendo a taxa de 13%.7 É essa a propalada qualidade de vida assegurada

constitucionalmente?

6
PIOVESAN, Flávia. O Direito ao Meio Ambiente e a Constituição de 1988: Diagnósticos e Perspectivas. In:
cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política,p.84.
7
Frota do Estado do Rio Grande do Sul. Índice de Motorização. Site: www.detran.rs.gov.br. Apêndices: Estatística
p. 103 usque 143.
13

O planeta vem sofrendo um processo de aquecimento pela emissão de gases causadores

do efeito estufa exercendo considerável pressão sobre os recursos ambientais. Obviamente, não

se pode esperar que o bem ambiental esteja disponível para o futuro, caso a exploração se

mantenha nos atuais patamares haja vista que o ar atmosférico não possui a capacidade de se

regenerar no grau de pureza de acordo com os padrões de qualidade.

O singelo trabalho objetiva efetuar um diagnóstico da emissão de poluentes efetuada pelos

veículos automotores que modificam a qualidade do ar atmosférico em sua composição natural

capazes de comprometer suas funções precípuas. Nessa linha, estudar e justificar a

regulamentação e a fixação de padrões levando em conta o resultado do processo de lançamento

dos poluentes por novas fontes de emissão e suas interações na atmosfera do ponto de vista físico

(diluição) e químicos ( reações químicas) comparativamente com grau de exposição que podem

ocasionar doenças na população e a degradação ambiental. O método de pesquisa escolhido é o

do tipo exploratório, de natureza descritiva e explicativa, realizando observação, seleção, análise

e interpretação dos dados coletados relacionados com o trânsito, o meio ambiente e a fonte

formal do direito constitucional para desenvolver um estudo integrador da ordem social, em que

se inserem os valores que objetiva realizar, adotando a metodologia de interligar a vivência do

autor no desempenho de seu labor profissional com os conteúdos ora apresentados.

Por outro lado, optamos pela análise da legislação de trânsito, ambiental e os Protocolos

internacionais, sem nunca perder de vista os Princípios Ambientais relacionados com a tutela

SZINVELSKI,Ildo Mário. A Municipalização do Trânsito no Estado do Rio Grande do Sul com o Advento do Novel
Código de Trânsito Brasileiro.Curso de Pós-Graduação em Segurança do Trânsito.Universidade Luterana do Brasil-
14

climática como o de Montreal, sobre substâncias que provocam depleção da camada de ozônio,

pela Convenção Quadro da Organização das Nações Unidas e o Protocolo de Kyoto. Também,

face à importância que remonta ao ano de 1972, a Declaração de Estocolmo, à criação dos

Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e os diversos Tratados

Internacionais como a Conferência da ONU, sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento

(UNCED), a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Convenção-Quadro Sobre Mudanças

Climáticas, a Declaração do Rio de Janeiro, a Agenda XXI entre outros fatos julgados

importantes relacionados com o ar atmosférico.

Necessário, também, outro esclarecimento. O viés do trabalho é focado nos mecanismos

de controle do Estado para garantir a integridade do uso adequado do bem ambiental com o fito

único de regular às emissões dos gases de efeito estufa, através da análise dos mecanismos da

legislação, fiscalização e medidas administrativas propositivas, no sentido da concretização do

direito ao meio ambiente equilibrado, entendendo como factíveis para elevar o patamar da

qualidade de vida da população. Desta forma, a abordagem em face à realidade dos requisitos

necessários atinentes ao correto uso do veículo automotor - propriedade particular - quando

utilizar espaço público ao transitar em vias públicas em desacordo com a legislação prejudicando

o meio ambiente e a segurança do trânsito cabível as restrições de uso em nome do interesse

maior da coletividade. Nessa perspectiva, a implantação da Inspeção Técnica Veicular-ITV,

através da polícia administrativa do Estado com a aplicação consentânea dos preceitos da

legislação de trânsito e ambiental será um importante marco capaz de propiciar a harmonização e

a proteção integral ao bem ambiental - tão reclamada pela Carta Constitucional - e as condições

de segurança do trânsito, na preservação do bem mais importante: a vida.

ULBRA.2002. p.24 e 41 e Apêndices 5 e 6, p. 104 e 121.


15

Assim, o escopo essencial da presente Monografia começa com a afirmação de seus fins

diante da realidade pragmática incontrastável que pende, por óbvio, de decisão política. Se é

possível resumir tanto em tão poucas linhas diria que a defesa ambiental assemelha-se as viagens

de comboios com destinos pré-determinados: o labirinto preservacionista da vida e não, a mera

visão contemplativa da abóboda celeste - ofertado a todos os seres humanos, indistintamente.

Construir caminhos e abrir perspectivas na defesa ambiental através da hermenêutica

contemporânea iniciando-se pela seara atmosférica. E, esse é o tema proposto no trabalho em

foco.
16

2 DESENVOLVIMENTO MUNDIAL E A POLUIÇÃO

A espécie humana e o meio ambiente trilham por um caminho e um futuro de grandes

imprecisões; de conseqüências nefastas e completamente imprevisíveis; de inovações e de

profundas transformações manifestadas pela aceleração progressiva por que perpassa o Planeta.

Inauguralmente, os recursos naturais são consumidos, dilapidados, destruídos e esgotados,

trazendo, repisa-se, um porvir incerto sobre a Terra e de todas espécies que nela se encontram.

Bem é de ver que a questão ambiental compõe o cenário da humanidade por ações

visíveis e ocultas dos seres humanos que disputam os bens da natureza para satisfação de suas

necessidades, olvidando que tais recursos naturais são limitados cujo poder de autopurificação e

resiliência chegou ao limite do exaurimento natural. Nesse prisma, as questões ambientais

constituirão o cerne e os palcos dos conflitos bélicos globais pela disputa dos recursos naturais

como água, ar, espaço, alimentos, espécies nativas, medicamentos naturais entre outros bens,

tendo como supedâneo - dessa desatenção mundial para com a natureza-, sérias conseqüências,

entre as quais a disseminação de doenças, desastres ecológicos, mudanças climáticas,

desaparecimento de animais, plantas, lixo químico, dejetos orgânicos, contaminação do lençol


17

freático, degradação do patrimônio genético e a conspurcação do ar atmosférico, trazendo

prejuízos irreversíveis a vida.

Sintonizados com essa realidade de desenvolvimento a qualquer preço, a poluição e a

degradação do meio ambiente, ainda são vistos, mundialmente, como um mal menor, inclusive no

Brasil, e repontam desde a época do regime autoritário, onde se pregava o “crescimento a

qualquer custo”, trazendo problemas sociais que transcendiam, em muito, os danos ambientais,

levando a uma impiedosa utilização dos recursos naturais com o enfoque meramente explorativo

em nome do “crescimento econômico”.

Nesse passo, o alerta para a gravidade dos riscos causados pela degradação ambiental e

pelo processo do crescimento econômico, em detrimento da escassez dos recursos naturais, que

não serviam a humanidade, foi dada em 1972, em Estocolmo, na Conferência das Nações Unidas

sobre o Meio Ambiente Humano, promovido pelas Organizações das Nações Unidas - ONU, com

a participação de 114 países, a qual trouxe novos conceitos de desenvolvimento sustentável e de

ecodesenvolvimento, cuja característica principal consistia na desejável conciliação entre o

desenvolvimento, a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida.8. Em 1982,

a Carta Mundial da Natureza; em 1987, o Relatório BRUNTLAND “Nosso Futuro Comum”; em

1992, no Rio de Janeiro, a Conferência da Terra, mais conhecida como a ECO-92 adotou na

Declaração do Rio e na Agenda 21 o desenvolvimento sustentável9 como meta a ser buscada e

respeitada por todos os países. No caso, o Poder Público seria capaz de conter a degradação

8
MILARÉ, Édis.DireitodoAmbiente.Doutrina,prática,jurisprudência,glossário. ed. ver. Atual. e ampl.- São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2001. pp. 40 e 41.
9
GOFFREDO TELLES JÚNIOR. A Constituição, a Assembléia Constituinte e o Congresso Nacional. São Paulo:
Saraiva.1986. p.19. Apud Édis Milaré. Direito do Ambiente.Ed. Revista dos Tribunais. 2001. São Paulo. P.44.
18

ambiental, através dos instrumentos legais apropriados com leis coercitivas e imposições oficiais

com lastro no velho brocardo “onde há fortes e fracos, a liberdade escraviza, a lei é que liberta”.

Nesse cenário, o cientista social Nelson Mello e Souza, na década de 60 já alertava sobre

a temática:

“surge a compreensão do problema em sua inteireza complexa, exibindo a vinculação


estrutural entre quatro variáveis relacionadas entre si:modelo aceito de desenvolvimento
no uso intensivo e extensivo da natureza; sistema desejado de vida, orientado para o
consumo crescente e novas comodidades acumuladas, à custa do desgaste da
biosfera;constelação de valores dominantes, a legitimar este sistema devido à evidência de
avanços dos níveis de vida e dos recursos postos à disposição da sociedade, anestesiando a
consciência do dano por formar utopias tecnológicas quanto ao futuro; e, a desatenção
coletiva para com os aspectos negativos devido ao fascínio da massa pelo positivo
(ilusório). São palavras candentes, sem dúvida; porém, esmeram-se no realismo e na
análise fria da realidade sóciocultural,política e econômica que caracterizam as massas
inconscientes do mundo contemporâneo e, pior ainda, a mentalidade e a cobiça das classes
e pessoas responsáveis”.10

Demais disso, a vida sustentável dos povos deve assentar-se numa clara estratégia

mundial baseado no respeito e cuidado dos seres vivos com a melhoria da qualidade da vida

humana, na conservação da vitalidade na diversidade do planeta Terra, minimizando o

esgotamento de recursos não renováveis a permanecer nos limites da capacidade de suporte do

planeta com a modificação de atitudes e práticas da sociedade permitindo que as comunidades

cuidem de seu próprio meio ambiente.11

10
Apud MILARÉ, Edis. Direito do Ambiente. Ed. Revista dos Tribunais. 2001. São Paulo. P.45.
11
Cuidando do Planeta Terra: uma estratégia para o futuro da vida. São Paulo. Publicação em conjunto da UICN –
União Internacional para a Conservação da Natureza e PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente e WWF – Fundo Mundial para a Natureza, 1991.
19

Ainda, à guisa de ilustração, vale mencionar que um dos escopos do desenvolvimento

socioeconômico é a produção de bens e serviços à procura de um mercado de consumidores e de

usuários potenciais com o culto efêmero consumista. Daí, as repetidas advertências na Agenda 21

em especial no Princípio VIII, com vistas às mudanças indispensáveis nos padrões de consumo e

nos modelos de produção com tecnologias limpas com menor consumo de matéria, energia e

resíduos. Em suma, já dizia GANDHI, que a “terra é suficiente para todos, mas não para a

voracidade dos consumistas”.12

Com efeito, os padrões de sustentabilidade da produção e consumo têm sido temas das

reuniões da Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável onde os países

ricos deveriam reorientar a produção de bens e produtos e reduzir os índices de poluição com

implicações radicais nos consumidores – países pobres – que dependem da consciência e repulsa

com a modificação de hábitos e atitudes desencadeadoras de reação de proteção ao meio

ambiente ou melhor ao consumo não-sustentável. Assim, os recursos limitados e finitos da

natureza não podem atender à demanda de necessidades ilimitadas e infinitas pela sociedade

humana, muitas é verdade de preceitos naturais e, outras, geradas artificialmente pelo marketing

distorcido e consumista da sociedade. Portanto, o desenvolvimento sustentável, com as

modificações dos processos produtivos e de consumo, calcados na apropriação de bens e na sua

conservação dos recursos naturais, deveria ser efetivado, nos limites da capacidade natural

permitindo que o meio ambiente pudesse regenerar.

12
LEONARDO BOFF. Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres. São Paulo: Ática,1995,p.17. Apud. MILARÉ,
Édis. Direito do Ambiente. Op. Cit. P. 49. The Earthworks Group: Cinqüenta Pequenas Coisas que Você pode fazer
para salvar a Terra(1989).
20

Também soa, como injustificável a poluição do ar atmosférico por monóxido de carbono,

causada pelas emissões decorrentes de mais de 550 milhões de automóveis, cujos proprietários e

o próprio Estado, são diretamente responsáveis pela exposição dos poluentes à população,

decorrentes de impactos nos padrões consumistas e, pela inanição dos entes públicos letárgicos,

que, nada, ou pouco fazem, para coibir tais degradações.Também, o poder econômico que não

utiliza os mecanismos tecnológicos hábeis para coibir a poluição com a produção responsável,

pois, tanto a proteção do consumidor como a proteção ambiental são princípios constitucionais.13

Os pressupostos de legitimidade defluem de axiologias idênticas: a qualidade de vida e a

dignidade humana.14

A Administração Pública, nesta perspectiva, através dos atos administrativos, pode e

deve realizar as atividades prederminantes de conteúdo dos atos e controlar a produção, a

comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem riscos para a

vida, a qualidade de vida e ao meio ambiente na forma da Constituição Federal e da legislação

infraconstitucional.

2.1 MEIO AMBIENTE

Ao lume conceitual, o mestre Nelson Mello e Souza leciona em sua obra, Educação

Ambiental:

13
Art. 170,V e VI, da Constituição Federal Brasileira.Capitulo VI e VIII – Do Meio Ambiente e Da Ordem Social;
art. 5º,XXXII,CF; Lei n.º 8.078, de 11.09.1990.
14
Art. 225,caput e §1º,da C.F. e art. 2º da Lei n.º 6.938/81.
21

“Ecologia: é a ciência que estuda as relações entre o sistema social, o produtivo e o de


valores que lhe serve de legitimação, características da sociedade industrial de massas,
bem como o elenco de conseqüências que um sistema gera para se manter, usando o
estoque de recursos naturais finitos, dele se valendo para lograr seu objetivo econômico. O
campo de ação da ecologia, como ciência, é um estudo das distorções geradas na natureza
pela ação social deste sistema; seu objetivo maior é identificar as causas no sentido de
colaborar com as políticas no encaminhamento das soluções possíveis à nossa época15.”

Destarte, tal visão ecológica, trouxe aspectos corretivos, educativos ajustados à realidade

local, contribuindo com a consciência preservacionista. Na língua portuguesa, apesar de ser

reduplicativa, a palavra meio ambiente foi pacificada e utilizada pela doutrina, lei e

jurisprudência. Como linguagem técnica, constitui em síntese:

“(...) a combinação de todas as coisas e fatores externos ao individuo ou população”.


Numa visão estrita, o meio ambiente é a expressão do patrimônio natural e as relações
com os seres vivos. Na concepção ampla, que vai além dos limites da Ecologia o meio
ambiente seria: “a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que
propiciem o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas”.A integração
busca assumir uma concepção unitária do ambiente compreensiva dos recursos naturais e
artificiais.”16

Tais aspectos do meio ambiente natural são constituídos pelo solo, água, o ar atmosférico,

a flora, enfim a interação dos seres vivos e seu meio, onde se dá a correlação entre as espécies e

as relações com o meio físico que ocupam; o meio ambiente cultural que é integrado pelo

patrimônio histórico, artístico, arqueológico, paisagístico, turístico de carga especial; e, por fim,

o meio ambiente artificial, constituído pelo espaço urbano construído.

Impera, desse modo, o seu arcabouço lógico do Principio da Legalidade, como se

depreende da Lei n.º 6.938/81 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente que define meio

15
- Apud Édis Milaré. Direito do Ambiente. P. 62.
16
DA SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional.Malheiros Editores. p. 02.
22

ambiente como: “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química

e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.17

A Constituição Federal Brasileira apesar de não definir meio ambiente formalizou

expressamente: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso

comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à

coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para o presente e futuras gerações”.18

É exatamente dessa assertiva que a Carta Magna possibilitou concepções extensas com

grande amplitude possibilitando atingir tudo aquilo que permite, abriga e rege a vida nos seus

amplos aspectos. Além dos recursos naturais como a atmosfera, as águas interiores, superficiais e

subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, a biosfera, a fauna, a flora19; a

própria Constituição Federal cuidou dos recursos naturais como a água, as ilhas, a plataforma

continental, o mar territorial, as cavidades naturais, as florestas, a flora, fauna, as praias, os sítios

arqueológicos, pré-históricos, paleontológicos, paisagísticos, artísticos e ecológicos, os espaços

territoriais especialmente protegidos.20 Portanto, o Direito Ambiental contemplou todos esses

bens, sejam eles naturais, culturais e históricos, que afetam a própria existência dos seres

humanos no Planeta.

17
Art. 3.º, I, da Lei 6.938/81.
18
Constituição Federal do Brasil.1988.Art. 225,CF.
19
Art. 3º,V, da Lei n.º 6.938/81 com redação dada pela Lei n.º 7.804/89.
20
Art. 20,III,IV,V,VI,X; Art.23,VII; 24,VI; art. 26,I,III,V; art. 216,V; art. 225,§1º,III e § 4º, da Constituição
Federal.
23

Destarte, podemos afirmar que o meio ambiente é patrimônio público a ser

necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo21, pelo Poder Público,

tendo como critério o interesse maior no âmbito social que ultrapassa o interesse individual, haja

vista que, beneficiam toda a espécie humana. A queima dos combustíveis fósseis e a liberação de

gases prejudiciais à saúde transcendem os posicionamentos individuais dos consumidores e

exigem a mudança comportamental dos indivíduos, dos grupos, da comunidade e também do

Poder Público que legisla, executa, vigia, defende, sanciona, fiscaliza e educa com fulcro na visão

ética da questão ambiental na busca da tão sonhada consciência do pleno exercício da cidadania.

Desnecessário, também, delongas sobre o importante palco da cidadania e da dignidade do ser

humano preceito fundamental assegurado pela Carta Democrática contida no art. 1.º, III, da CF.

No teatro da vida, o Cacique SEATTLE em sua carta ao Presidente do Estados Unidos da

América já verberava o seu truísmo:

“(...) o homem branco trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que podem
ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos.Seu apetite
devorará a terra, deixando somente o deserto. Portanto, vamos meditar sobre a sua oferta
de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco
deve tratar os animais desta terra como irmãos... e devem dar aos rios a bondade que
dedicaria, a qualquer irmão. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas Campinas, o calor do
corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.Ensinem às suas crianças o
que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe (...)”.22

Desse modo, o alerta é de que a natureza não faz nada sem propósito e que à exploração

desenfreada do Planeta traria prejuízos à espécie humana e ao ecossistema planetário. Por isso, os

critérios de apropriação, posse, domínio e utilização dos recursos ambientais passam por uma

reformulação tecnológica.

21
Art 2º.I, da Lei n.º 6.938, de 31.08.1981.
24

Em reforço, o cientista Frithjof Schuon menciona em sua obra, ad litteram:

“ O mal do Ocidente e a mecanização, posto que a máquina que de forma mais direta
engendra os grandes males de que o mundo hoje está padecendo.A máquina, em linhas
gerais, caracteriza-se pelo uso de ferro, fogo, e forças invisíveis.Falar-se a respeito de uma
sábia utilização de máquinas, de seu serviço ao espírito humano, é positivamente
quimérico.Está na própria natureza da mecanização reduzir os homens à escravidão e
devorá-los inteiramente, deixando-lhes nada de humano, nada acima do nível animal, nada
acima do nível coletivo.O reinado da máquina seguiu-se ao do ferro, ou, antes deu-lhe a
mais sinistra expressão. O homem, que criou a máquina, acaba por tornar-se sua criatura”.
23

Sem outra pretensão, cabe afirmar que o homem, assim, trilha caminhos equivocados de

predador da qualidade de vida olvidando os princípios e posturas éticas para com a sociedade ao

tratar à natureza como mercadoria cujas vicissitudes trarão conseqüências inevitáveis.

2.2 A CRISE MUNDIAL E A EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

O processo de desenvolvimento dos países deu-se às custas dos recursos naturais vitais,

provocando a deteriorização das condições ambientais de forma acelerada. A partir do século

XVIII, firmou-se que a natureza era algo distinto do mundo divino, tornando-se objeto dos

experimentos científicos. As conseqüências da imprevisibilidade ambiental e das mudanças

climáticas no planeta trouxeram preocupação à comunidade científica no que tange às limitações

genéticas com restrições ao processo evolutivo e o comprometimento da vida da espécie humana.

Os marcos históricos prendem-se à Convenção das Nações Unidas sobre o Meio

Ambiente Humano denominada de Declaração de Estocolmo em 1972; à Carta Mundial para a

22
MILARÉ, Edis. Direito do Ambiente. idem, ibidem. p. 79. Apud. José de Ávila Aguiar Coimbra, cit.p.134.
23
MILARÉ, Edis. O Direito do Ambiente. Idem, ibidem, p. 80.
25

Natureza de 1982; ao Relatório Bruntland - denominado Nosso Futuro Comum em 1987; em

1992, à Convenção das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, denominada

de ECO-92, realizada no Rio de Janeiro; em 1997, ao Rio + 5, realizado em New York e,

finalmente a Rio + 10, realizado em Joanesburgo no ano de 2002. A razão da crise gira em torno

da apropriação dos recursos naturais - bens finitos versus necessidades infinitas - cuja espoliação

cega dos bens não renováveis e os essenciais nos precipitam aos riscos da sobrevivência

planetária. O equilíbrio entre os interesses para a superação da crise não pode prescindir do

regramento jurídico através da tutela do Estado. No dizer de Miguel Reale, “se antes recorríamos

à natureza para dar uma base estável ao Direito, assistimos, hoje, a uma trágica inversão, sendo o

homem obrigado a recorrer ao Direito para salvar a natureza que morre”.24 Com fulcro nesta

realidade e o caráter global é que a Carta da Terra, aprovada pela Conferência do Rio de Janeiro,

inserido como Princípio 11, referendou que os “Estados deverão promulgar leis eficazes sobre o

meio ambiente” bem como a Agenda 21, que se preocupou com o aperfeiçoamento da capacidade

legislativa dos países em desenvolvimento.Todavia, nem sempre o que se consagra nas normas

encontra correspondência no mundo do presente e do real.

No Brasil, não obstante a imensa gama de diplomas versando sobre temas ambientais

episódicos das Ordenações Afonsinas, em 1446; as Ordenações Manuelinas em 1521; as

Ordenações Filipinas, em 1580; em 1916, o Código Civil Brasileiro (...) somente, a partir da

década de 1980, é que a tutela Meio Ambiente e a responsabilização foi contemplada na

plenitude maior pelos diplomas legislativos, voltados, agora sim, à proteção do patrimônio

ambiental do país, com uma visão sistêmica e global. Os quatro marcos mais importantes do

ordenamento jurídico brasileiro foram constituídos pela edição da Lei n.º 6.938, de 31.08.1981-

24
REALE, Miguel. Memórias. São Paulo: Saraiva, 1987.vol. 1. p.297.
26

Política Nacional do Meio Ambiente; a Lei n.º 7.347, de 24.07.1985 - Ação Civil Pública como

instrumento processual para provocar a atividade jurisdicional sempre alavancadas pelo

Ministério Público; a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 – com intensa preocupação

ecológica; a Lei n.º 9.605, de 12.02.1998, denominada a Lei dos crimes ambientais – que

inaugurou a sistematização das sanções administrativas e os crimes ecológicos.

Todavia, além do aparato legiferante, foram editados diversos instrumentos legais de

caráter técnico-normativo-pragmáticos e promovidas ações de educação e conscientização da

população guiadas pelas luzes dos interesses sociais impulsionados pelo Poder Público que

carece, ainda, para a implementação de ações preventivas, fiscalizatórias e punitivas, de forma

concreta, aguda e efetiva, um eficiente controle do sistema ambiental.

2.3 DOS PRINCÍPIOS E OS VALORES CORRELATOS

A hermenêutica jurídico-ambiental permite interpretar o ordenamento jurídico dando-lhe

uma roupagem muitas vezes não prevista pelo legislador. Cabe reconhecer os valores que estão

subjacentes à letra fria da lei e, mais do que isso, cuidar para a axiologia continue direcionada

para as causas nobres do homem, da sociedade, e da natureza. Esse a função normativa da lei

responsável pela sinergia hodierna e vetusta que exige a pré-compreensão que o fim da norma é,

nada mais, que o tão alardeado bem-comum. Vale ressaltar, assim, o esplêndido conceito de bem-

comum delineado pelo Papa João XXIII como didaticamente ensinou: “o conjunto de todas as

condições de vida social que consista e favoreça o desenvolvimento integral da pessoa


27

humana”.25 A lei ambiental vai ao encontro de sua própria essência – o bem-comum - com

qualidade, com desenvolvimento e com respeito à pessoa humana, o ser humano; se perder o seu

meio ambiente, perderá o que tem de mais legitimo: sua cultura, a convivência, a sua ideologia e

será um excluído, no dizer de Darcy Ribeiro, haja vista que “o homem deixa de ser no mundo

para ser um “ser” no nada”. Muito mais do que aplicar a lei ao caso concreto, saber interpretá-la

de modo que considere a causa do homem condizente com sua finalidade original e a “lei deve

existir para servir ao homem e não o homem à lei”.26

À míngua de qualquer restrição, cabe esclarecer que os sistemas jurídicos não são

perfeitos, completos, acabados, o que está de conformidade com a natureza mutável e suas

concepções integrativas e universais com outros sistemas jurídicos, alguns deles, inclusive,

desaparecendo nesta trajetória. Concorrem para a formação das normas os fatos sociais que

passam a regrar os grupos sociais através do Estado. Por não ser estático, hipostasiado, produto

de intelecção cerebrina, donde possam ser extraídos todos os reclames sociais, mas, sim, algo

dinâmico, adaptável às realidades sociais de forma concreta e real com base nos princípios.

Assim é o Direito Ambiental, no sentido da crescente adaptação, experimentando recuos e

desvios, mas sempre a avançar em direção do aperfeiçoamento, da inovação e da evolução. Por

isso, “o sistema jurídico resultou da captação e exame de necessidades sociais, mas o homem não

poderia dispensar a logicidade das regras jurídicas, que ele lançou e lança, nem, se necessário, o

recebimento do que o meio lhe mostra com os dados do ambiente espacial-temporal, inclusive

25
Encíclica Mater et Magistra. 1980. n.º 07. Papa João XXIII.
26
Tomás de Aquino, Santo.1225-1274. Escritos Políticos de Santo Tomás de Aquino. Trad. de Francisco Benjamim
de Souza Neto. 1ª Ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997. p.172.
28

histórico”.27 A lei é simples pauta normativa dirigida ao comportamento humano, sem, no

entanto, abarcar todas as manifestações que possam exsurgir do agir social. O apego estreito ao

legalismo exacerbado no diletantismo eufórico ou na dramaturgia letrada, mutila a realidade

social que é suprida, como regra, pelos princípios. Entretanto, sempre que os fatos apontarem

outra solução, deverá ser operada a adequação, correção e adaptação do sistema jurídico às novas

circunstâncias. Aliás, as Fontes do Direito onde “as concepções mecânica, biológica, sociológica

e técnica tornam compassáveis a revelação de direito não compreendendo nas fontes formais

colheita de valores, não somente produzidos pela investigação, mas, também, pelo sentimento e

pela intuição, e o relativo respeito da lei. De onde se tira que a pesquisa rigorosamente científica,

a metodologia objetiva, oferece, não somente garantia da segurança da ordem jurídica, como,

também, da ordem social, a que não provê o método tradicional, nem as tentativas conciliantes, a

que faltou o ânimo de romper com os processos clássicos de reconhecimento de fontes e de

interpretação (...)”.28 Toda ascensão depende de acertos evolutivos e o contato com a realidade é

o apoio necessário para a adaptação social normativa. Ora, “...se el hombre de hoy usa y abusa de

la naturaleza como si hubiera de ser el último inquilino de este desgraciado planeta, como si

detrás de él no se anunciara um futuro. La naturaleza se convierte así en el chivo expiatório del

progresso”.29 O direito estuda realidades e não fórmulas ocas e sem conteúdos, não podendo ser

deduzidos por ditames apriorísticos ou axiomas, mas sim, da concretude travada na tecitura social

através das regras e preceitos, resultado de ditames racionais adequados ao direito à vida - do

pulsar na realidade social-, livres da misantropia e do abstracionismo dogmático. O direito

27
MIRANDA, Pontes de. Sistema de Ciência Positiva do Direito.2ª ed.Rio de Janeiro.Editora Borsoi, 1972. Tomo
IV, p.247.
28
Ibidem. Tomo III. P. 312 e 313.
29
MATEO, Ramón Mártin. Derecho Ambiental. Instituto de Estúdios de Administración Local. 1977. p.21.
29

ambiental é concebido como processo de adaptação à realidade social cujas bases estão

comprometidas com a vida no seu sentido lato.

Da mesma forma que a palavra Princípio, em sua razão última, significa “aquilo que se

torna primeiro, primum capere, designando início, começo”, analisaremos doravante, mesmo que

perfunctoriamente, alguns dos princípios contidos no arcabouço jurídico vigentes.

2.3.1 Do Ambiente Ecologicamente Equilibrado

Topograficamente, o meio ambiente situa-se fora do art. 5.º, da Constituição Federal,

Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais e Capítulo I – Dos Direitos e Deveres

Individuais e Coletivos- sendo contemplado no caput do art. 225, da Constituição Federal.

Alguns doutos, trazem a discussão sobre a temática da fundamentalidade do meio ambiente e da

“qualidade de vida, ecologicamente equilibrado”; outros, não menos doutos, levantam ao bojo

interpretações decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados

internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte na forma do art. 5º, §2º da

Constituição Federal e, de que, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente de

1972, a Carta Mundial para a Natureza de 1982, a Carta da RIO sobre o Meio Ambiente e

Desenvolvimento de 1992, Pela Carta da Terra de 1997, a Conferência de Johanesburgo, de 2002,

vem conquistando espaço nas Constituições e na legislação infraconstitucional. De um lado, o

reconhecimento de um ambiente sadio, configurando-se, como extensão do direito à vida, sob o

enfoque existencial e, de outro lado, o aspecto da qualidade de vida, nesse estágio, o Estado

detém a obrigação de evitar os riscos que possam interferir no equilíbrio ambiental.


30

2.3.2 Da Natureza Pública Protetiva

O caráter jurídico do meio ambiente ecologicamente equilibrado, como bem de uso

comum do povo, decorre da previsão legal que considera como um valor a ser necessariamente

assegurado e protegido para uso de todos para a fruição humana coletiva.30 Esse interesse

coletivo permitirá o exsurgimento de um novo direito com instrumentos legais de acordo com os

objetivos do Estado. Nesse sentido, é a manifestação do Professor Michel Prieur, ao referir-se que

“à proteção da natureza influi na organização da Sociedade e das suas atividades, associado à

saúde pública e não se restringindo ao simples controle da poluição, ponto fundamental do

interesse público.31 A vinculação com o princípio geral de Direito Público e administrativo,da

primazia do interesse público e a indisponibilidade do interesse público, se fazem sentir como

forma prevalente sobre os direitos individuais cuja norma de natureza pública é concretamente

qualificadora dos interesses públicos - de natureza indisponível- que tutela o meio ambiente ou

seja os superiores interesses da sociedade como dever do Estado.

2.3.3 Do Controle do Poluidor

A ação dos órgãos e entidades públicas se concretiza através do exercício do poder de

polícia administrativa inerente à Administração Pública que possui a faculdade de limitar o

30
DA SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 1997. p4;
31

exercício dos direitos individuais em prol do interesse público buscando em última análise a

mantença do bem-estar coletivo.

2.3.4 Das Variáveis Ambientais

Todos os impactos ambientais devem ser levados em considerações com o fito de prevenir

a poluição e agressões à natureza, com avaliação prévia dos efeitos conforme regulamentação

infraconstitucional. No âmbito internacional, dele se ocupou a Carta Mundial da Natureza de

1982 e o constante do Princípio 17 da Declaração do Rio de 1992.

2.3.5 A Participação Comunitária

O texto legal foi contemplado no art 225 da Constituição Federal ao prescrever ao Poder

Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e

futuras gerações, inserindo no texto constitucional mecanismos capazes da garantia desse

exercício.32

2.3.6 O Poluidor Pagador

Na conjuntura atual, se inspira tal princípio, na teoria econômica de que os custos

externos do processo produtivo devem ser internalizados, com o fito de imputar, ao poluidor, o

31
PRIEUR, Michel. Faculdade de Direito e de Ciências Econômicas de Limoges. 3ª Ed. Paris: Dalloz,1996, p. 52 e
53.
32
Art. 5.º, XIV, XXXIII, XXXIV, LXXI, LXXIII, art. 129,III e §1º; arts. 220,225, §1º, VI e seguintes, todos da CF;
32

custo social gerado como mecanismo de responsabilidade pelo dano ecológico produzido como

efeito pedagógico preventivo. A legislação infraconstitucional e a própria Constituição têm

previsão no sentido de que sejam responsabilizados os infratores independentemente da

existência de culpa causados a natureza e a terceiros, afetados por sua atividade.33 Também o

Princípio 16, da Declaração do RIO de 1992, tem previsão similar a responsabilização pelos

custos.

2.3.7 Da Prevenção

De outro ponto, trata-se da antecipação prioritária de medidas que evitem os atentados ao

meio ambiente de modo a reduzir ou eliminar as ações suscetíveis de alterar as qualidades

intrínsecas haja vista que os danos ambientais sob a ótica da ciência e da técnica são irreparáveis.

Como trazer o grau de pureza do ar atmosférico aos níveis palatáveis que não comportem riscos

para a qualidade de vida e ao meio ambiente?

2.3.8 Da Precaução

O princípio da precaução emergiu há duas décadas na cena internacional, fruto de um

movimento de desmistificação do poder absoluto da ciência e da tecnologia como reflexo da

crescente sensibilização para os riscos inerentes à complexificação constante e vertiginosa da

realidade social e da demanda de segurança.

33
art. 4º,VII e 14,§1º, da Lei n.º 6.938, de 31.08.1981.art. 225,§ 3º, da CF.
33

Como sintetizado, é o cuidado antecipado e a cautela para que uma ação não venha

desencadear efeitos indesejados, decorrentes da incerteza científica. As atividades potencialmente

poluidoras deverão cessar ou minimizar suas ações quando a amplitude ou dimensão forem

irreversíveis. O princípio da precaução vem transcender a passagem do modelo clássico “reaja e

corrija” para o modelo “preveja e previna”, visando satisfazer o imperativo racional, filosófico,

social e política da gestão e controle dos riscos ambientais – de forma antecipativa. A

Conferência sobre Mudanças do Clima da ECO 92, refere que “as partes devem adotar medidas

de precaução para prever, evitar ou minimizar as causas da mudança do clima e mitigar seus

efeitos negativos. Quando surgirem ameaças de danos sérios e irreversíveis, a falta de plena

certeza científica não deve ser usada como razão para postergar essas medidas, levando em conta

que as políticas adotadas para enfrentar a mudança do clima devem ser eficazes em função dos

custos, de modo a assegurar benefícios mundiais ao menor custo possível”, tendo sido ratificada

pelo Congresso Nacional.34 Com fulcro nesse Princípio no Estado de São Paulo restringiu à

circulação de veículos automotores na região metropolitana de 1997 a 1998, obedecendo-se os

dígitos finais de placas.35

Gizar, ainda, que em prol da segurança jurídica a Carta Magna acolheu no seu seio

diversos princípios entre os quais o suso, ao consagrar a proteção do ambiente como uma

incumbência do Estado e um direito e dever dos cidadãos. Apresentam-se indubitáveis os

impactos ambientais cuja magnitude são deveras incalculáveis diante da gravidade ambiental

irreversível. As antecipações das medidas preventivas e da opção pela adoção do estágio de

proteção equivalem à assunção do imperativo do dever constitucional de proteção e de defesa

34
Princípio 15 ; Decreto Legislativo n.º 01, de 03 de fevereiro de 1994.
35
Lei n.º 9.690. de 02.06.1997 e o Decreto n.º 41.858/97.
34

ambiental e da não preterição do princípio “in dúbio pró-ambiente” ou até mesmo da inversão do

ônus da prova face à ameaça de produção de danos graves e irreversíveis. O professor português

Freitas Martins, ao comentar o Princípio em tela, referiu-se que:

“não se trata de um princípio aberto e sujeito a um aperfeiçoamento permanente e sim,


ultrapassada largamente a esfera jurídica, projetando-se nos campos sociológicos,
econômico e filosófico. Em certa medida, esclarece as limitações de uma abordagem
jurídica nos termos clássicos e manifesta as tendências da evolução do Direito do
Ambiente e da auto-regulação e controle privado para a perspectiva dinâmica orientada
para o acompanhamento permanente e abertura das situações jurídicas constituídas assente
nas regras sociais e nas normas legais e regulamentares como regras de segurança”.36

2.3.9 Da Função Socioambiental da Propriedade

A propriedade é condicionada, na forma da Carta Magna, ao bem estar social.37 Nessa

concepção, contempla a função social da propriedade que deve ser exercitada em consonância

com suas finalidades econômicas e sociais com ênfase na preservação da flora, fauna, os recursos

naturais, o equilíbrio ecológico, o patrimônio histórico e cultural, evitando-se a poluição.

Portanto, nada é ilimitado ou inatingível presente o interesse público, haja vista que “a

propriedade, sem deixar de ser privada, se socializou, com isso significando que deve oferecer à

coletividade uma maior utilidade, dentro da concepção de que o social orienta o individual”, em

especial nas questões ambientais38. No atual ordenamento jurídico, como bem analisa Álvaro

Luiz Valery Mirra, “a função social e ambiental não constitui um simples limite ao exercício do

direito de propriedade, como aquela restrição tradicional, por meio da qual se permite ao

proprietário, no exercício de seu direito, fazer tudo que não prejudique a coletividade e o meio

36
MARTINS, Freitas e Ana Gouveia. O Principio da Precaução no Direito do Ambiente.Associação Acadêmica da
Faculdade de Direito de Lisboa. Portugal.1999 - 2000.p.93 a 98.
37
Art. 5º,XXII e XXIII, da CF.art. 182,§2º e 186, da CF.
35

ambiente. Diversamente, a função social e ambiental vai mais longe e autoriza até que se

imponha ao proprietário comportamentos positivos, no exercício de seu direito, para que a sua

propriedade concretamente se adeqüe à preservação do meio ambiente”.39 O uso da propriedade

pode e deve ser controlado, impondo-se as restrições que forem necessárias para a garantia dos

bens maiores da coletividade de modo a conjurar qualquer ameaça ou lesão à qualidade de vida.

Inexiste direito adquirido contra o dano ambiental em decorrência da função social e a garantia

constitucional da tutela ambiental, cujas restrições de direito conseqüentemente são facultados à

Administração em nome do interesse público superior.

2.3.10 Da Garantia do Desenvolvimento Sustentável

O desenvolvimento e a fruição dos bens da natureza pelos seres humanos e a preservação

aos seus pósteros como um Planeta habitável, além de ser um direito impostergável, compreende

um dever do Poder Público.A preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico

harmonizado integram o bojo da legislação do Brasil, cujas melhorias da qualidade de vida

humana dentro dos limites da capacidade de suportabilidade do ecossistema, com a integração

das questões ambientais na satisfação das necessidades básicas, na qualidade de vida digna,

conservação e manejos dos ecossistemas e um futuro mais promissor com a parceria global e o

desenvolvimento sustentável.40

Para Bill Gates: “O futuro pertence às sociedades que não se contentam em promover o

atendimento horizontal e vertical dos anseios do homem, mas que se esmeram em também criar

38
CARVALHO, Kildare Gonçalves. Direito Constitucional Didático. 5ª Ed. Belo Horizonte: Del Rey, 1997. p.217.
39
Apud. MILARÉ, Edis. Direito do Ambiente.p. 121.
36

necessidades desnecessárias que se tornam absolutamente imprescindíveis a partir do lançamento

de cada uma delas”.41 Eis o paradoxo do consumo sustentável, ao revés, das necessidades

insaciáveis dos seres humanos diante do repertório de opções consumistas.

A rigor, a sociedade não se limita às gerações presentes nem termina em nossos dias, uma

vez que sob o ponto de vista biológico a propagação da espécie como garantia da sociedade do

amanhã - das gerações futuras - de poder usufruir os recursos naturais.

2.3.11 Da Cooperação entre os Povos

A cooperação entre os povos para o progresso da humanidade encontra lastro na Carta

Maior.42 Um dos temas de interdependência mundial é a proteção ambiental haja vista que a

degradação ambiental não se circunscreve ao limite territorial, pois o meio ambiente não tem

fronteiras, denominadas por Álvaro Mirra como “dimensão transfronteiriça e global das

atividades degradadoras”.43 Não importa, também, em renúncia à soberania do Estado ou à

autodeterminação dos povos, uma vez que os Estados têm o direito soberano de explorar seus

próprios recursos segundo as políticas ambientais e de desenvolvimento, de responsabilidade

eminentemente de caráter interno.44 Assim, é de se ver que a Lei n.º 9.605/98, em seu art. 77,

dedicou inteiramente o Cap. VII à “cooperação internacional”, visando a sinergia entre os entes já

que a globalização dos problemas ambientais deu-se no campo pragmático. Diante desse quadro,

40
Declaração do RIO – Principio 4; Agenda 21 – preâmbulo.
41
O Estado de São Paulo. 29.12.2002. Coluna do Joelmir Beting.
42
Art. 4.º,IX da CF.
43
Apud.Édis Milaré,
37

a fruição humana coletiva há de ser protegida independentemente dos indivíduos relacionados

com a denominação de nacionais ou estrangeiros, haja vista que a coletividade deve ser

sobejamente protegida em todos os sentidos, como direito difuso de terceira geração.45

3. O BEM AMBIENTAL

Em outro giro, o Direito reconhece o patrimônio ambiental como um bem especial,

enquanto essenciais à sadia qualidade de vida e vinculado ao interesse coletivo. O bem

juridicamente protegido é a qualidade ambiental em sua dimensão global - o meio ambiente -

Op. Cit. P. 124.


44
Princípios da ECO 92 de n.ºs 2,7,9,12,13,14,18 e 27.
45
STF.Mandado de Segurança n.º 22.164. Relator Ministro Celso de Mello.Votação datada de 30.11.95”...o direito à
integridade do meio ambiente- típico de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva,
refletindo, dentro do processo de afirmação dos direitos humanos, a expressão significativa de um poder atribuído,
não ao individuo identificado em sua singularidade, mas, num sentido verdadeiramente mais abrangente, à própria
coletividade social...”.
38

elevado à categoria de jurídico essencial à vida, à saúde e à felicidade do homem”. É necessário

que a lei faça remissão às disposições externas, a normas e conceitos técnicos”.46 A vida não está

a serviço dos conceitos, mas sim estes ao serviço da vida, no dizer de Erich Danz. De qualquer

forma, um novo horizonte se descortinou uma vez que “não se pode esquecer jamais que a lei é

farol que ilumina e aponta horizontes, não é barreira para simplesmente impedir a caminhada”.47

Em suma, é difuso o direito transindividual, de natureza indivisível, de que sejam titulares

pessoas indeterminadas, ligadas entre si por circunstâncias de fato.O dano ambiental, em regra,

integra esta categoria, salvo em havendo pluralidade de vítimas, individual ou homogêneo.48

3.1 O AR ATMOSFÉRICO

Didaticamente, podemos dizer que o ar atmosférico integra o meio ambiente natural. É

formado por uma mistura de vários elementos e componentes distintos. A biosfera é a parte da

Terra em que existe vida. A atmosfera é a massa de ar que envolve a Terra, composta de 78% de

nitrogênio, de 21% de oxigênio, de 0,9% de argônio e de 0,03% de anidrido carbônico, entre

outras substâncias e vapor d’água. O ar é a mistura gasosa que envolve a Terra e integra ao

processo vital de respiração e fotossíntese, à evaporação, à transpiração, à oxidação além dos

fenômenos climáticos e meteorológicos necessários a mantença da vida, pois, além de ser a

matéria-prima da respiração dos seres vivos, filtra os raios solares, arrefece o calor, equilibra os

ecossistemas. A disponibilidade é ampla e o seu uso insere-se imperceptivelmente nos seres que o

46
DE FREITAS, Vladimir Passos. Do crime de Poluição. Direito Ambiental em Evolução. Curitiba,PR: Juruá,
1998,p. 108.
47
MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente. Op. Cit.p.463.
48
Art. 81, da CDC.
39

utilizam, malgrado sua intangibilidade e seu caráter etéreo cujo controle da qualidade

desempenha, repisa-se, no contexto da vida terrestre. Se faltar, a vida se extinguirá. Se sua pureza

for comprometida sua função ecológica perecerá.49

A massa gasosa denominada de ar atmosférico é insuscetível de apropriação e de natureza

indisponível. Não sendo propriedade de ninguém, mas um bem de uso comum de todos -

patrimônio público - de uso irrestrito de todos; ninguém, mas ninguém mesmo, tem o direito de

conspurcá-lo por ser questão de sobrevivência. Cabe ao Poder público proteger o seu grau de

pureza indispensável à sua finalidade essencial. É falsa a tese de que o ar é um bem livre e,

podendo qualquer um dispor dele como bem entender; é livre, sim, para ser utilizado na sua

finalidade essencial. A poluição do ar resulta na alteração das características físicas, químicas ou

biológicas normais da atmosfera, produzindo danos aos seres vivos, à fauna, à flora e aos meios

abióticos. Assim, vultosas quantidades de elementos químicos estão relacionados com as

condições produzidas pelas condições topográficas, climáticas, meteorológicas; também,

toneladas de poluentes, são lançadas no meio ambiente decorrentes das atividades produtivas que

afetam o bem estar da população e necessitam de mecanismos de controle do seu uso, gozo e

fruição desses bens poluentes da atmosfera que deverão ser restringidos para níveis suportáveis.

Muitas são as fontes poluidoras do ecossistema planetário. No contexto estacionário, as indústrias

e as fontes móveis, representadas pelos veículos automotores. Esta análise sistêmica é

indispensável para que se assegure qualidade ambiental do entorno com o zelo para que não se

inviabilize atividades produtivas.

49
DA SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. Malheiros Editores. p. 76 e 77.
40

Assim, os mecanismos malfeitores da saúde humana são constituídos por elementos

químicos como o monóxido de carbono (CO2), o dióxido de enxofre (SO2), o dióxido de

nitrogênio (NO2), os hidrocarbonetos, o ozônio (O3), o material particulado (MP), cujo leque de

incômodos e doenças é amplo, dependendo do grau de exposição e intensidade. Os males

respiratórios, redução da oxigenação, leucemia, leucopenia, anomalias e demais seqüelas. A

poluição atmosférica é atentatória ao patrimônio ecológico, econômico, natural, físico, cultural e

memória. Por sua vez, os riscos globais produzem ainda as chuvas ácidas, com a redução da

camada de ozônio e o efeito estufa, entre outros fenômenos.

Nessa vereda, o ar atmosférico integra o meio ambiente, em seu aspecto natural. O meio

ambiente tem natureza jurídica de bem difuso, pertence a todos e, ecologicamente equilibrado, é

pressuposto do exercício do direito à vida como bem ambiental por ser essencial à sadia

qualidade de vida, quer sob os aspectos materiais, quer sob os aspectos imateriais.50

3.2 A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

Analisando a etimologia do vocábulo Poluição, temos: “Poluição provém do latim

polluere. Significa sujar, macular, manchar, contaminar por impureza ou imundície”.51

A Poluição do Ar, por sua vez é assim definido:

“A presença de materiais estranhos no ar. Tudo que pode ser vaporizado ou transformado
em pequenas partículas, de modo que possa flutuar no ar, deve ser classificado como
poluente potencial. Considera-se o ar como normal quando mais de 99,99% do volume de
ar se compõem de apenas quatro moléculas gasosas, nitrogênio(78,09%), oxigênio(20,94),

50
Art. 5.º, caput c/c art. 1.º,III e 6.º; art. 225 caput da Constituição Federal.
51
MAIA FILHO, Roberto. A Tutela Material Civil do Ar Atmosférico. Dissertação apresentada na PUC-SP,São
Paulo.1999.
41

argônio(0,95%) e dióxido de carbono(0,03%), além de uma dúzia de outros constituintes


que se encontram em quantidades microscópicas, geralmente expressos em partes por
milhão”.52

A despeito de opiniões em sentido contrário, a poluição caracteriza-se como qualquer

mudança nas propriedades físicas, químicas ou biológicas de um determinado ecossistema,

ocasionada ou não pela ação humana, a que acarreta prejuízos ao desenvolvimento das

populações ou cause desfiguração da natureza. Para fins legais, a degradação proveniente de

atividade que degrade a qualidade ambiental em desacordo com os padrões estabelecidos.53

De toda a forma, as causas principais da poluição atmosférica são a queima de

combustíveis fósseis e a indústria. Nas cidades, em geral, os veículos são os principais

responsáveis pela poluição do ar. Na zona rural, a poluição atmosférica é causada pelas

queimadas. A atmosfera recebe, anualmente, milhões de toneladas de gases tóxicos, como

monóxido de carbono, dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio e hidrocarbonetos, além das

partículas que ficam em suspensão. As fontes geradoras de poluição atmosférica são os motores

dos automóveis, as indústrias, a incineração de lixo e as queimadas.

Mister registrar que o Monóxido de Carbono (CO) é um gás contaminante, incolor,

inodoro, mais leve que o ar e extremamente tóxico. Esse é o principal poluente dos grandes

centros urbanos, causando efeito danoso ao sistema nervoso central, inclusive com perda de

consciência e visão.Exposições curtas podem causar dores de cabeça e tontura.Também, o

Dióxido de Enxofre, causa irritação aos olhos, desconforto na respiração, doenças respiratórias e

cardiovasculares, causa corrosão aos materiais e danos à vegetação.

52
FIALHO, Rodrigo Coelho. Dissertação apresentada no Instituto de Biociências na USP ao citar o professor
42

Dissertando a respeito, o ambientalista americano James Gustave Speth, diretor e

professor do Departamento de Estudos do Meio Ambiente e Florestas da Universidade de Yale

dos Estados Unidos, afirma que:

“a concentração de dióxido de carbono na atmosfera é a mais alta que nos últimos 420 mil
anos. E esse acúmulo só tende a aumentar. O gás carbônico, responsável pelo aquecimento
global, é emitido pela queima de combustíveis fósseis. Na era pré-industrial, a
concentração de gás carbônico na atmosfera ficava em torno de 280 partículas por milhão.
Hoje, 370 partículas por milhão. A previsão é de 600 partículas por milhão. Isso é o
equivalente a colocar cobertores sobre a terra”.

Aduz, por fim, que é um futuro que não dá vontade de visitar.54

3.2.1 Da Chuva Ácida

As chuvas são sempre ácidas, pois com a combinação de gás carbônico (CO2) e água

(H2O) presentes na atmosfera produzem ácido carbônico (H2CO3). A elevação exagerada dos

níveis de acidez é resultado da ação antrópica.55

A chuva ácida é causada pela emissão de poluentes das industrias, dos transportes e

demais atividades que queimam combustíveis fósseis. Os principais responsáveis por esse

fenômeno são o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de nitrogênio (NO2). Esses gases, ao

serem lançados na atmosfera, se combinam com a água em suspensão, transformando-se em

ácido com elevada capacidade de corrosão (ácido sulfúrico).

GRANVILLE H. SEWEL. CETESB,1985.


53
Art. 3.º, inc. III, da Lei n.º 6.938/81.
54
SPETH, James Gustave. Red Sky ar Morningt(O Céu Vermelho pela Manhã). Yale University Press (sem tradução
para o português). New York. 2004.
43

3.2.2 Do Efeito Estufa

É um fenômeno natural que pode ocorrer em qualquer parte do planeta, no entanto, sua

ocorrência é maior nos centros urbano-industriais. Costuma acontecer no inverno, nos dias

frios.56

Em situações normais o ar, aquecido pela irradiação da superfície, por ficar menos denso

(mais leve), eleva-se dando lugar ao ar frio, dessa maneira formam-se correntes de convecção do

ar, que estabelecem uma dinâmica favorável à dispersão de poluentes. Ou seja, a radiação solar

(ondas curtas - ultravioleta), atravessa a atmosfera e chega ao planeta, trazendo o aquecimento.

A radiação terrestre resultante (ondas longas infravermelho), ou ondas de calor, não conseguem

seu desenvolvimento pleno no espaço, pois os gases-estufa (principalmente CO2) absorvem e

emitem esta radiação de volta para o planeta, o que permite a manutenção da temperatura média

do globo em certos níveis.

Portanto, o efeito estufa é um fenômeno absolutamente natural, e sem ele não haveria vida

na Terra. Entretanto, a emissão em larga escala dos gases estufas (gerados principalmente pela

queima de combustíveis fósseis e pela atividade industrial) geram uma intensificação do

fenômeno aumentado à temperatura média global e provocando variações climáticas. Como

conseqüências, poderiam provocar, além da alteração de padrões agrícolas e de diversos

processos ecológicos, alterações no ciclo hidrológico e derretimento das geleiras e plataformas de

gelo, provocando o aumento do nível dos mares. Porém, não há como prever com certeza estas

56
COELHO, Marcos de Amorim; Terra, Lygia. Geografia Geral: o espaço natural e socioeconômico. 4ª edição. São
Paulo: Moderna, 2001.Série Sinopse.p.423.
44

conseqüências. O que se sabe é que a temperatura da Terra cresceu cerca de 0,6ºC nos últimos

cem anos, o que não é anormal. A intensificação da emissão dos gases-estufas, que vem desde a

Revolução Industrial, é que preocupa os cientistas, pois aumenta a temperatura global em até 2ºC

nos próximos cem anos.

3.2.3 Ilhas de Calor

É o aumento da temperatura nos centros urbanos. Ocorre principalmente, em virtude da

grande área asfaltada, das imensas massas de concreto, da intensa emissão de gases poluentes e

da ausência de vegetação. Esses fatores provocam o aumento da média térmica, intensificado

pelo grande número de edifícios que impendem ou dificultam a penetração dos ventos. A

diferença de temperatura do ar atmosférico entre a cidade e seus arredores pode atingir de 6 a

8ºC.

3.2.4 Camada de Ozônio

O ozônio (O3) na baixa atmosfera é extremamente prejudicial, principalmente para o

desenvolvimento das plantas. Mas em estado puro e livre na estratosfera (entre 15 e 30Km de

altitude), ele protege os seres vivos da radiação proveniente do Sol, filtrando os raios

ultravioletas.57
45

A emissão de clorofluorcarbono (CFC) na atmosfera, resultante da utilização de

condicionadores de ar, refrigeração, e no processo de fabricação de aerossóis, isopor e solventes,

provocando a diminuição das moléculas de ozônio, uma vez que o cloro presente no CFC, reage

com estas, destruindo-as ou causando sua depleção.

Como conseqüência da maior incidência de radiação solar (ultravioleta) na superfície

terrestre, pode-se citar o aumento do número de casos de câncer de pele, perturbações na visão e

diminuição na velocidade da fotossíntese dos vegetais.

Diante da gravidade e a preocupação governamental, foi criado o Comitê Executivo

Interministerial para a proteção da Camada de Ozônio, com a finalidade de estabelecer diretrizes

e coordenar ações relativas a proteção da camada de ozônio58 bem como a aprovação do acordo

internacional do Protocolo de Montreal.

3.3 DA INTERVENÇÃO NAS ATIVIDADES POLUIDORAS

O ar, com certos padrões de pureza e de qualidade, é indispensável à vida humana. Não

sendo propriedade de ninguém, mas um bem de uso comum de todos, patrimônio da coletividade,

ninguém tem o direito de conspurcá-lo.59

57
SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil:especo geográfico e globalização. São
Paulo: Scipione, 1998. p.391.
58
Decreto Federal de 06.03.2003, publicado no DOU de 07.03.2003.Decreto n.º 5.280/2004.Acordo Internacional-
Protocolo de Montreal.
59
DA SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. Malheiros Editores. P. 81 e 82.
46

A intervenção sobre as atividades poluidoras com vistas a preservar ou recuperar a

qualidade atmosférica e conseqüentemente a qualidade ambiental deve ser efetuado através de

monitoramento com de medidas em níveis federal, estadual e municipal. A Constituição Federal,

estabelece que a proteção ao meio ambiente e o combate à poluição em qualquer de suas formas é

da competência comum da União, dos Estados e dos Municípios60; prevê a competência

concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal para legislar sobre a proteção do meio

ambiente e o controle da poluição;61 aos Municípios, cabe suplementar a legislação no que

couber.62 Destarte, a Constituição Federal conferiu amplíssima proteção ao ar atmosférico e o

poder de controle sobre as atividades capazes de poluí-lo, vez que “todos têm direito ao meio

ambiente ecologicamente equilibrado – insere-se neste contexto o ar – bem de uso comum do

povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever

de defendê-lo”63. Os titulares do bem jurídico denominado de meio ambiente são as atuais

gerações mas, por igual, aqueles que ainda não nasceram ou seja, as futuras gerações. Tal

proteção legal configura-se como pressuposto superior para o atendimento de um valor

fundamental – o direito à vida.

Para tanto, foi editado pelo governo federal um programa energético alternativo, de

energia limpa para substituir o combustível fóssil, denominado de Proálcool. Também, parte da

solução da poluição nas grandes cidades do Rio Grande do Sul, foi minorada pelos laboratórios

de química da Fundação da Universidade (FURG) com a criação e o desenvolvimento do

combustível biodiesel. A fórmula do combustível é bastante simples: óleo vegetal e álcool para se

60
Art, 23,VI,da CF;
61
Art, 24,VI, da CF;
62
Art. 30,II, da CF;
63
Art. 225, caput, da CF;
47

obter o biodiesel, um combustível barato, com matéria prima renovável e reduzida taxa de

poluentes. As vantagens do biodiesel são enormes, uma vez que, com a utilização desse

combustível, inexiste emissão de compostos aromáticos (agentes cancerígenos), com reduzida

emissão de gás carbônico, hidrocarbonetos, enxofre e da fumaça preta.64 Com empeque, também,

o Gás Natural Veicular-GNV, utilizado na frota de táxis e veículos automotores como uma

solução limpa, barata e segura para melhorar a qualidade de vida da população pela grau ínfimo

de poluente e apresentar as características de combustível seco e não diluente do óleo lubrificante

do motor. Com a queima completa do combustível inexiste a formação de depósitos de carbono

nas partes internas do equipamento aumentando a vida útil do motor e os intervalos das trocas de

óleo, com custo percentual de 60% menor referente ao combustível.65

Ainda, através do Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar por Veículos

Automotores – PRONCOVE, foi expedida a Resolução n.º 18/86, do Conselho Nacional do

Meio Ambiente – CONAMA-, para fins de redução de emissões de poluentes. O Programa

Nacional de Controle da Qualidade do Ar estabelecendo padrões primários e secundários da

qualidade do ar e têm suas emissões reguladas pelo CONAMA66. A Resolução n.º 007/93,

estabeleceu padrões de emissão de gás carbônico e similares, diluição, velocidade angular do

motor e ruídos para os motores dos veículos automotores de ciclo Otto e, a capacidade de

fumaça preta e ruído para o ciclo diesel. Os limites servem de parâmetros para o estado de

manutenção de veículos em circulação e ao atendimento dos Programas de Inspeções e

Manutenção para os veículos automotores em uso, previsto na Resolução n.º 018/86-CONAMA;

64
Zero Hora.Caderno: Ambiente.26.02.2004.p.7;
65
SULGAS. Gás Natural.Jornal Zero Hora de 21.07.2004.p.2 a 6. Matriz energética extremamente baixa apenas
7,5%; média mundial 23%; Argentina- 50%, ainda consta como o país com a maior frota de veículos com Gás
Natural do Mundo.
48

também, a Resolução n.º 018/95, disciplinou a implantação do Programa de Inspeção e

Manutenção para Veículos em Uso – I/M. A Portaria do IBAMA n.º 085/96 de adotou o

Programa Interno de autofiscalização da manutenção da frota dos veículos movidos a óleo diesel

de transporte de carga e passageiro. A Resolução n.º 230/97 do CONAMA, elencou itens de ação

indesejável como peças, componentes, dispositivos, sistemas, lubrificantes, aditivos,

combustíveis e procedimentos operacionais em desacordo com a homologação dos veículos, que

possam reduzir a eficácia do controle de emissão de ruídos e poluentes atmosféricos dos veículos

automotores, ou produzir variações acima dos padrões de emissões em condições normais. Os

níveis de emissão de monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, hidrocarbonetos, álcoois,

aldeídos, fuligem,material particulado, compostos poluentes dos motores dos veículos

automotores comercializados no País.67

Nesse diapasão, é pertinente frisar que a tipificação das espécies de crimes de poluição de

qualquer natureza em níveis que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana,

contemplam a poluição atmosférica.68. Também, o conceito oferecido na Lei n.º 6.938/81, que

dispõem sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, ao considerar poluição como: degradação

ambiental resultante das atividades que, direta ou indiretamente prejudiquem a saúde,segurança,

bem estar da população, condições adversas às atividades sociais e econômicas,afetem a biota, as

condições estéticas,enfim lancem matérias ou energias em desacordo com os padrões

estabelecidos” pacificou a matéria. Daí, então, impõe-se a vislumbrar que foi minuciosamente

destrinchado e definido o teor de Poluente atmosférico como:

66
Resolução n.º 05, de 15.07.89; Res. 251/99-CONAMA.
67
Lei n.º 8.723, de 28.10.93 alterada pela Lei n.º10.203, de 22.02.01.
49

“qualquer forma de matéria e energia com intensidade e em quantidade, concentração,


tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos, ou que tornem ou
possam tornar o ar:
I – impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde;
II- inconveniente ao bem estar público;
III- danoso aos materiais, à fauna e a flora;
IV – prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da
comunidade.”69

Vale invocar o escólio de que, a natureza deveria receber a proteção do homem e de sua

comunidade, em todos as frentes inclusive patrimoniais de âmbito público ou privado, o lazer e o

desenvolvimento econômico, a paisagem e os monumentos, os arredores naturais, os locais de

valor histórico, ou artístico enquadrados no valor estético, cuja degradação afeta a qualidade

ambiental.70 Toda alteração das propriedades naturais do meio ambiente, causadas por agentes de

qualquer espécie e prejudicial à saúde, à segurança ou ao bem-estar da população sujeita a seus

efeitos legais e regulamentares.71As definições não são completas, todavia, a poluição decorre da

liberação de substâncias sólidas, líquidas, gasosas ou em qualquer estado das matérias cujos

padrões primários e secundários de qualidade do ar são devidamente estabelecidos como

poluentes através de partículas em suspensão; fumaça; partículas inaláveis; dióxido de enxofre;

monóxido de carbono; ozônio e dióxido de nitrogênio.72 Sob outro ângulo, as partículas inaláveis

representam uma fração de material particulado, com diâmetro aerodinâmico equivalente a menor

que dez micra, produzindo seus efeitos negativos sobre a saúde humana dada a facilidade com

que penetram no aparelho respiratório tendo as concentrações dos poluentes atmosféricas

recebido o disciplinamento técnico do CONAMA73. Poluir, é desobedecer aos padrões

específicos, ou lançar emissões poluentes que efetivam ou potencializam danos ao meio

68
Art.54, da Lei n.º 9.605/98.
69
Art. 1.º da Resolução do CONAMA n.º 003/90 e art. 2.º da Lei n.º 6.938/81.
70
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 4ª Ed. São Paulo, Malheiros Editores, p. 263 e
264.
71
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro.18ª Ed. São Paulo, Malheiros Editores. 1993, p. 485.
72
Resolução n.º 005 de 15.07.89 - CONAMA.
50

ambiente, ou ainda podem produzir situação de perigo, com o seu desencadeamento, da

degenerescência natural.

É bem verdade que outro avanço inexorável na Política Ambiental conexa foi efetivada

pelo ordenamento jurídico dado pelo Estatuto das Cidades,74 para os efeitos legais e

regulamentares estabeleceu normas de ordem pública e de interesse social, regulamentando a

propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem

como do equilíbrio ambiental.

Nessa senda, malgrado as dificuldades ambientais, o ar atmosférico integra o suporte

fisico-químico da biosfera juntamente com a água e o solo denominados como abióticos. Essa

interação dos elementos telúricos, produzem o substrato como condição de vida sobre a Terra,

cuja correlação desses elementos (abióticos) com os seres bióticos, cuja qualidade de vida lhe dão

sustentação. Ou seja, o nexo da poluição está intimamente ligado com a saúde humana

fundamentados em dados científicos entrelaçadas na teia da vida. A tutela ambiental está sob a

alçada dos entes públicos e a famigerada poluição decorrente dos veículos automotores mantém

vínculos profundos e indissolúveis com os patrimônio ambiental natural,o patrimônio ambiental

urbano - por muitos doutrinadores denominado como patrimônio artificial pois prevalentemente

constituído pela “condições requeridas” pela qualidade ambiental- e pela sadia qualidade de vida

definidas na Carta de Atenas como: morar, trabalhar, circular e recrear-se. Sustentar a qualidade

ambiental do meio construído está relacionado com as exigências ambientais – tutela ambiental –

assim como o respeito com o entorno natural. O sistema de transporte e de tráfego diário

73
Resolução n.º 003/90 – CONAMA.
74
Lei n.º 10.257, de 10.07.2001.
51

acarretam impactos ambientais e efeitos indesejáveis que exigem do Poder Público medidas

mitigatórias ou compensatórias, através do planejamento, monitoração, controle e a intervenção

do Estado propiciando uma melhor qualidade de vida com a recuperação das agressões

poluidoras, dos ruídos, trepidações, desconforto térmico, odores, problemas respiratórios, que

produzem incômodos ao bem estar social e acarretam malefícios à saúde. Mas são preocupações

abstratas, frívolas e inconcludentes pois tudo é recrudescido da poluição sonora onde, inclusive,

através da Resolução n.º 001/99, do CONAMA, foi estabelecido critérios e padrões para emissão

de ruídos em decorrência de atividades industriais; ainda, a Resolução n.º 002/90, que institui o

Programa Nacional de Educação e Controle da Poluição Sonora – Silêncio – e as Resoluções n.ºs

001, 002, 008 e 017/93, todas do CONAMA, estabeleceram procedimentos e limites para o

controle da fiscalização da emissão de ruídos dos veículos automotores. A Resolução n.º 252/99,

estabelece os limites máximos de ruídos nas proximidades do cano de descarga para os veículos

automotores. Ao mesmo tempo, um ruído – grande número de vibrações acústicas - é o resultado

da associação de sons produzidos em diferentes intensidades e em várias freqüências situadas no

intervalo audível do ser humano. Não se trata de calendas gregas e, sim, de atendimento às

necessidades de regulamentação cotidianas. Até porque toda regulamentação idônea, clara, atual

é por demais salutar e fundamental com o fito de se evitar as distorções exegéticas, seja ao dar

nova roupagem legal ou tendo em mira a aplicabilidade prática da norma, pois a lei, não serve,

senão para realizar.

Não bastasse isso, o Estado, que é o responsável pelo ordenamento jurídico positivo, deve

reconhecer e garantir a defesa do meio ambiente como pressuposto legítimo da sua própria

existência e os limites claros da sua autoridade sobre os cidadãos. Dessarte, o Poder público

possui o dever de zelar e preservar o bem indisponível, saindo dos campos da conveniência e
52

oportunidade para poder adentrar nos campos delimitados e impositivos da defesa e proteção

ambiental decorrentes da responsabilidade objetiva75. A partir da tutela constitucional, o processo

educativo relacionado ao meio ambiente adquiriu uma dimensão transcendental ao ser inserido na

diretriz curricular denominada de Educação Ambiental, nos educandários fundamentais mesmo

que como viés de disciplina sob a forma da transversalidade.76

A Carta Magna garante que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico

perfeito e a coisa julgada.77 Tal regramento poderia incutir nos incautos a falsa ilusão de que,

após incorporado definitivamente ao patrimônio mesmo que prejudicial ao meio ambiente,

nenhuma restrição poder-se-ia impor. Obviamente, que o interesse público prevalece sobre o

interesse particular, pois, presente a relevante função social. O Poder Público, no seu exercício do

seu poder de polícia, tem o dever de limitá-lo administrativamente, segundo o princípio da

razoabilidade. As normas editadas com o escopo de defender o meio ambiente, por serem de

ordem pública, têm aplicação imediata sobre os efeitos de fatos ocorridos e, só não atingirão, as

relações jurídicas definitivamente exauridas sobre os fatos pretéritos. A lição de Vicente Ráo, não

antevê razão para se falar em retroatividade ou irretroatividade das normas, porque a legislação

não admite a alteração dos atos, fatos, direitos e efeitos produzidos no passado, mas, tão só, em

certos casos, a nova disciplina de seus efeitos atuais e futuros.78 Pertinente destacar, ademais, que

o meio ambiente é um bem essencialmente difuso, de interesse comum, que transcende os

interesses privados e os limites geopolíticos, apesar da soberania e da autonomia dos Estados com

uma destinação ao atendimento das necessidades da sociedade humana e a exigência comum que

75
Art. 14, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
76
Lei n.º 9.394, de 20.12.96-LDB e PCN.
77
Art 5.º, XXXVI, da CF.
78
O Direito e a Vida dos Direitos. São Paulo: Resenha Universitária, 1977, Vol. I, tomo III , p. 371.
53

é a manutenção dos recursos naturais para o equilíbrio planetário. Por ser, o meio ambiente,

essencialmente difuso, possui valores intangíveis que escapam as valorações econômicas e

devem obedecer as leis naturais. Todavia, a lei - que é o social resolvido -, de maneira expressa

deve fixar o alcance das intervenções das ações ambientais, valendo-se do poder de polícia

administrativa para criar limitações ao exercício dos direitos individuais. Como tutor do bem

ambiental, o Estado, poderá adotar e impor medidas preventivas, corretivas, inspectivas,

disruptivas, substitutivas ou supletivas para preservar e gerir o meio ambiente através do poder de

polícia ambiental.

Outrossim, o Poder de Polícia Ambiental é a atividade da Administração Pública que

limita ou disciplina direitos, interesses ou liberdade, regula a prática de ato ou a obtenção de fatos

em razão de interesse público concernente à saúde da população, à conservação dos ecossistemas,

à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividade econômica ou de outras

atividades dependentes de concessão, autorização, permissão ou licença do Poder Público de

cujas atividades possam decorrer poluição ou agressão à natureza.79 Como prerrogativa do Poder

Público, exercida por profissionais adrede capacitados, tendo como objetivo primordial a

realização do bem comum, no caso suso, a manutenção da qualidade ambiental, do equilíbrio

ecológico, do caráter pedagógico, preventivo – punitivo e educativo, da essencialidade do

patrimônio público e, por fim, do desenvolvimento sustentável, através da tutela ambiental pelas

autoridades competentes.80

79
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 9ª ed. São Paulo: Malheiros. 2001. p. 305 e 306.
80
Camargo Ferraz, Milaré e Nery Júnior. A Ação Civil Pública e a Tutela Jurisdicional dos Interesses Difusos. São
Paulo: Saraiva, 1984, p. 75 e 76; Apud. Édis Milaré. O Direito do Ambiente. P. 437.
54

3.4 DANO AMBIENTAL

O dano ambiental é denominado como uma lesão aos recursos ambientais com a

degradação do equilíbrio ecológico e da qualidade de vida. Caracteriza-se, em síntese, pela

pulverização difusa de vítimas uma vez que o bem ambiental é de uso comum do povo, na forma

da Constituição Federal; a lesão ambiental é de difícil reparação ou irreparável, ensejando, em

tese, danos morais coletivos incidindo a responsabilidade pelo dano. O Estado, também pode ser

solidariamente responsabilizado pelos danos ambientais provocados por terceiros, já que é seu o

dever de fiscalizar e impedir que tais danos aconteçam. Diante do nexo de causalidade ao agir, ou

agindo deficientemente, deve o Estado responder pela desídia ou sua incompetência. Nesse caso,

reparada a lesão, poderá demandar regressivamente ao causador do dano.

Diante da poluição do ar atmosférico, o Estado precisa agir com a faina do direito

disponível – normas e mecanismo tecnológicos - frente às agruras da destruição ambiental

promovida pelos veículos automotores sob pena de responsabilidade objetiva e de ser atropelado

de roldão pelos infaustos acontecimentos que manipulam as expectativas de avanços

indesmentíveis com o emprego de sinecuras do poder central que se deixam cooptar pelo poder

econômico – indústria automobilística. A proteção ambiental não é quimera. É vida e, os

mecanismos legais e tecnológicos, devem ser instrumentalizados em favor da sociedade e

balizados em direção a qualidade do meio ambiente.


55

4. A POLUIÇÃO E A INSPEÇÃO TÉCNICA VEICULAR-ITV

O Programa de Inspeção Técnica de Veículos (ITV) consiste na avaliação das condições

de segurança e os níveis de emissões de gases poluentes e ruídos da frota de veículos automotores

em circulação. Essas condições técnicas são definidas pelas normatizações legais expedidas pelo

Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), Conselho Nacional do Meio Ambiente

(CONAMA) e normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)81. Toda a

delonga é concentrada em discussões pueris, inconcludentes e menores sobre a formalística a ser

adotada para a implantação da ITV.

81
NBRs 14.040/98; 14.180/99; 14.624/00-ABNT; Resoluções –1, 2, 7/93, 16 e 18/95, 227, 252 e 256/99-CONAMA;
56

Ao revés disso, cabe explicitar, a reminiscência histórica do século XX, que foi marcada

pelo desenvolvimento da sociedade industrial, o consumo exacerbado de bens pelas populações,

sendo caracterizada como - a era do automóvel. Em conseqüência disso, toda produção

automobilística depende da exploração dos recursos naturais através da extração de minérios e do

petróleo, além das complexas estruturas industriais e por uma miríade de atividades econômicas

conexas. Mais do que isso, o automóvel reescreveu a geografia das cidades e induziu a adaptação

ao meio rural, resultando um cenário físico hodierno em que vivemos, moldados

arquitetonicamente para os veículos. Sistemas viários imensos, metrópoles, redes de estradas,

pontes, passagens, viadutos, obras de arte, tudo planejado para a passagem o automóvel. Portanto,

não se trata de um simples produto ou bem de consumo, mas, sim, de um objeto essencial,

primordial e antes disso - um desejo da ampla maioria das pessoas - influenciadas pelo

imaginário coletivo da publicidade e, dos valores culturais da nossa sociedade, como apanágio

irrefutável. No entanto, junto, o automóvel trouxe enormes problemas sociais. Em primeiro lugar,

os elevados investimentos públicos para a construção das vias públicas no sentido de possibilitar

a circulação em massa de veículos automotores, beneficiando uma parcela da sociedade; em

segundo lugar, as catástrofes ambientais causadas pelos vazamentos de petróleo necessários para

a alimentação dos motores dos veículos. A poluição gerada pelas emissões de gases de milhões e

milhões de veículos que envenenam o ar atmosférico dos centros de conurbação urbana trazem

conseqüências danosas para a saúde populacional, contribuindo com a degradação ambiental do

planeta e o efeito estufa; de outro lado, os brutais congestionamentos que martirizam os

moradores das cidades e geram enormes deseconomias, com o desperdício de tempo e de

combustível; também, os acidentes de trânsito - que representam um dos maiores fatores de

mortalidade e incapacitação do mundo moderno -, enfim situações que levam os países a


57

enfrentar os problemas agudos com medidas drásticas com o fito de elevar o nível de segurança

na circulação viária e minimizar os níveis de contaminação das cidades.

A cada passo, um dos fatores que incide de forma decisiva sobre as questões da poluição

e segurança do trânsito foi detectado como as condições de trafegabilidade dos veículos. Para tal,

estabelecer normas e requisitos técnicos para a segurança veicular e as emissões de gases antes da

homologação documental e da vida útil do veículo é obrigação do Poder Público, com a

mantença dentro dos limites aceitáveis atinentes a emissão de substâncias nocivas, sem a

degradação das características técnicas e a deteriorização das condições dos equipamentos de

segurança do veículo e da emissão de substâncias tóxicas.

Para a proteção ambiental e da segurança no trânsito, é necessário à implantação de

programas de inspeções técnicas veiculares diante dos elevados índices de acidentalidade e

sinistralidade com perdas humanas e materiais imensuráveis. Portanto, a implantação da ITV é

uma questão de responsabilidade social, haja vista que, apesar do automóvel ser um bem privado,

utiliza o espaço público, polui o bem público e, assim, deve fazê-lo com segurança, ao revés, as

autoridades têm o dever de exigir daqueles que utilizam o espaço público - denominado de vias

públicas, o cumprimento das normas mínimas de segurança e ambientais.

Destarte, os itens de avaliação da inspeção técnica veicular iniciam com a documentação e

a identificação do veículo; equipamentos obrigatórios; sistema de freios; sistema de iluminação;

sistema de sinalização; sistema de direção; pneus e rodas; emissão de gases poluentes e ruídos e

outros componentes veiculares.


58

A frota de veículos automotores em circulação no Brasil gira em torno de 31 milhões de

veículos. Muitos dos veículos automotores, lamentavelmente, não são licenciados, pelos custos

pendentes do veículo e pelas condições desfavoráveis de seus proprietários. Tecnicamente, são

denominados de “veículos irregulares”, perfazendo a variável de 12% da frota cujos índices

exponenciais recomendam o sucateamento dos mesmos, pois, por sua vez, ultrapassaram a vida

útil dos bens; também, oscila um percentual variável da frota ilegal que depende do ano da

fabricação e das regiões do país denominados de: veículos dublês, montados, furtados, roubados

e trepados. As condições de manutenção da frota circulante nacional são inadequadas e a idade

média geral da frota nacional é de 10,1 anos o que é deveras preocupante pois os motores

modernos com tecnologia de ponta são 30 vezes menos poluentes e mais econômicos.82 O índice

de reprovação dos veículos avaliados na ITV dependerá dos critérios a serem implantados no

Brasil. Na Suécia e na Espanha, quando da implantação da ITV, índices de reprovação dos

veículos no primeiro ano foram de 30%; atualmente, na Suécia, é de menos de 17%; na Espanha,

em 20%; Bélgica de 20% e a Alemanha de 16%. Os impactos sociais gerados pela implantação

da ITV no Brasil serão grandes como enormes são os danos provocados pelos veículos ao meio

ambiente.83

82
O Brasil tem, atualmente, 1,2 milhão de carros, motos, ônibus e caminhões que não poderiam circular face o
sucateamento da frota. Na Europa, por exemplo, a média de utilização da frota não ultrapassa a sete anos. Pesquisa
do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (SINDIPEÇAS). Jornal Zero Hora,
datado de 14.11.2004, p.7 e 27.
83
FAVARETTO, José Eduardo. Inspeção Técnica veicular. Impactos Socioeconômicos. Instituto Brasileiro Veicular-
IBV.SP. Maio de 2001 p.15 a 31. 1,l milhão de veículos com mais de 23 anos de uso sairiam de circulação -5,3% da
frota brasileira; 90% da frota com mais de 15 anos retirada de circulação pois não se justificaria os gastos com
reparos;veículos com mais de 22 anos de uso não retornariam à circulação em razão dos custos; também os
envolvidos em acidentes, deteriorados, valor de mercado baixo e os ilegais. Estimativa de retirada de circulação de
1,6 milhão de veículos com menos de 23 anos de uso – 7,3% da frota total. Resultado final num prazo de 05 anos da
implantação da ITV, cerca de 2,7 milhões de veículos sairiam de circulação. 12,6% da frota circulante brasileira.
59

Não obstante, os reflexos da implantação da ITV os benefícios derivados com a redução

do número de mortos, feridos e o ganho ambiental, dimensionam os ganhos socioeconômicos

gerados com o desafogamento do sistema de saúde, previdência social e dos prejuízos materiais

causados pelos acidentes de trânsito. Como é notório, uma das principais deseconomias geradas

pela circulação de veículos e os congestionamentos são ocasionados pelo consumo de 282

milhões de litros de gasolina, 8 milhões de litros de diesel e de 82 milhões anuais nos custos do

sistema de saúde, que serão diminuídos sensivelmente com a utilização do transporte público e a

implantação da ITV, que proporcionará uma incidência de redução acidentes e da circulação de

veículos nas vias públicas em mau estado de conservação.84

Como sobejamente demonstrado a principal fonte de poluição nos centros urbanos é

provocada pela emissão veicular. A matriz energética brasileira consumida pela frota veicular

corresponde a mais de 21 bilhões de litros de gasolina, 20 bilhões de litros de óleo diesel e 8


85
bilhões de álcool. Os veículos antigos e mal conservados são os responsáveis pelo consumo

elevado de combustíveis. Com a ITV e a redução do consumo de combustível representará,

também, uma importante diminuição substancial da emissão de poluentes86 com benefícios para a

saúde pública.87

84
IPEA/ANTP – Trabalho Técnico: Redução das deseconomias urbanas com a melhoria do transporte público.
Brasília. 1998.p.37 a 39. Redução de 18,7 dos acidentes e 51% dos veículos sem manutenção; redução de 45,6 dos
gastos com congestionamentos. Das 550 remoções da CET de SP 420 são para veículos velhos. 23% das remoções
no RJ são de veículos com defeitos mecânicos ou elétricos. Emissões adicionais de poluentes pelos
congestionamentos são de 12,8 mil toneladas de hidrocarbonetos, 138,2 mil toneladas de monóxido de carbono e 584
toneladas de óxido de nitrogênio. A saturação dos custos do sistema viário nos horários de pico ampliam os custos
anuais para a cifra de R$ 108,1 milhões.
85
ANP - Dados de 1997.
86
CETESP - veículos respondem por 50% das emissões de poluentes no ar da cidade de São Paulo; 94% das
emissões de monóxido de carbono, 89% das emissões de hidrocarbonetos e 39% de material particulado. Impacto da
ITV sobre o Consumo de Combustíveis e a Poluição p. 41 e 42.
87
Estudo do Banco Mundial “Air quality benefits of proposed São Paulo Integrated Urban Transports Project”.
1993.Poderia reduzir 11,4% das emissões de monóxido de carbono, 19,1 de hidrocarbonetos e 20% de material
particulado(PM10).Redução dos custos sociais de R$ 1,3 bilhão com a diminuição da poluição nas 10 principais
60

O aumento da poluição do ar decorrente da motorização e a aquecimento nas grandes

metrópoles elegeu o seu vilão: os veículos motorizados.88O crescimento da frota, o avanço

tecnológico, o modelo energético e a engenharia serão alvos de questionamentos científicos como

forma de ruptura civilizatória para a viabilizar novas fontes de energia, haja vista que, a

dependência dos combustíveis fósseis para a locomoção é aterradora diante da vulnerabilidade

apresentada e do declínio da curva de petróleo.89

4.1 A LEGISLAÇÃO NACIONAL DE TRÂNSITO

Como ponto de partida desse novo perfil legal a Lei n.º 9.503/97- Código de Trânsito

Brasileiro, definiu expressamente como competência dos Estados da Federação a Inspeção

Técnica Veicular em seu art .22, III, do CTB:

“Art. 22. Compete aos Órgãos ou entidades executivos de trânsito dos Estados e do
Distrito Federal, no âmbito de sua circunscrição:

(...)

III- Vistoriar, inspecionar quanto às condições de segurança veicular, registrar, emplacar,


selar a placa, e licenciar veículos, expedindo o Certificado de Registro e Licenciamento
Anual, mediante delegação do órgão federal competente”.

(...)

metrópoles.Delimitação no trabalho do Custo social da poluição de R$ 4,3 bilhões – o equivalente a 0,39% do PIB
nacional.
88
Toledo. Roberto Pompeu. Revista Veja n.º46.17.11.2004.p.186.Título: Carro e cidade, uma guerra e morte. Cidade
cheia de carros e congestionamento era signo de modernidade. Hoje, é cidade de Terceiro Mundo.
89
60% de todo o petróleo é consumido pelo setor de transporte. Nos EUA a taxa é 70%. O que fazer quando acabar?
O mundo do séc. XX nasceu de uma união indissolúvel com o óleo. E ele terá de mudar no séc. XXI. Revista VEJA.
Ano 37. n.º 23. Datada de 09.06.2004. Título: O Fim do Começo. P.116 a 126. Revista VEJA. Ano 37. n.º 51, datada
de 22.12.2004. Título: Como Salvar o Planeta. Os Sinais de Mudança;o esquentamento global;o paradoxo da
61

XV – Fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos veículos


automotores ou pela sua carga, de acordo com o estabelecido no art. 66, além de dar apoio
às ações especificas dos órgãos ambientais locais”.

Também, o códex definiu como competência do Município para fiscalizar:

“Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no
âmbito de da circunscrição:
XX - fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos veículos
automotores ou pela sua carga, de acordo com o estabelecido no art. 66, além de dar apoio
às ações específicas de órgão ambiental local, quando solicitado”.

De fato, cabe trazer à baila as lições de prudência e serenidade, pois, para transitar pela

vias públicas, os veículos automotores, devem ser atendidos os requisitos e condições de

segurança estabelecidos no Código de Trânsito Brasileiro e em normas do Conselho Nacional de

Trânsito (CONTRAN) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) na forma

prevista:

“Art. 104 – Os veículos em circulação terão suas condições de segurança, de controle de


gases poluentes e de ruído avaliadas mediante inspeção, que será obrigatória, na forma e
periodicidade estabelecidas pelo CONTRAN para os itens de segurança e pelo CONAMA
para emissão de gases poluentes e de ruídos”.

Além disso, entretanto, para transitar com o veículo automotor deverá ser expedido o

Certificado de Registro e Licenciamento anual, vinculado ao Certificado de Registro, no modelo

e especificações estabelecidas pelo CONTRAN:

“Art. 131 - O Certificado de Licenciamento Anual será expedido ao veículo licenciado,


vinculado ao Certificado de registro, no modelo e especificações estabelecidas pelo
CONTRAN.

§ 1.º - (...);

abundância;1000 Toneladas de Lixo por segundo produzida na Terra;vilões ambientais; transgênicos; p.180 usque
213.
62

§ 2.º- O veículo somente será considerado licenciado estando quitados os débitos relativos
a tributos, encargos, e multas de trânsito e ambientais, vinculados ao veículo,
independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas.

§ 3.º- Ao licenciar o veículo, o proprietário deverá comprovar sua aprovação nas


inspeções de segurança veicular e de controle de emissões de gases poluentes e de ruído,
conforme disposto no art. 104.

Art 124. Para a expedição do novo Certificado de Registro do veículo serão exigidos os
seguintes documentos:

(...)

IV – Certificado de Segurança Veicular e de emissão de poluentes e ruídos, quando


houver adaptação ou alteração de características do veículo;

(...)

X - Comprovante relativo ao cumprimento do disposto no art. 98, quando houver


alteração nas características originais do veículo que afetem a emissão de poluentes e
ruído;

XI - Comprovante de aprovação de inspeção veicular e de poluentes e ruído, quando for o


caso, conforme regulamentação do CONTRAN e do CONAMA”.

A Lei n.º 12.203, de 22.02. 2001, definiu expressamente que a inspeção periódica de

veículos em circulação deverá ser harmonizada e integrada.

Tendo esse novo pano de fundo, para a implementação da Inspeção Técnica Veicular,

conforme o disposto no Código de Trânsito Brasileiro, necessário aos Órgãos Executivos

Estaduais de Trânsito e aos demais Órgãos, a regulamentação definitiva pela União, através do

CONTRAN, com a edição de normas regulamentares sem o sobrestamento sim, porque a


63

normatização não são meros ornamentos de encaixes nas molduras jurídica sem qualquer critério

da verdade e do valor prático.90

4.2 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL VEICULAR

As leis ambientais possuem reflexos administrativos e penais incidindo sobre os

causadores da poluição ambiental, independentemente da implantação da Inspeção Técnica

Veicular.91

Todavia, em mera digressão e indagação reflexiva, as Resoluções do Conselho Nacional

do Meio Ambiente sinalizam para o desenvolvimento dos programas de inspeção e manutenção

dos veículos automotores que envolvam harmoniosamente os entes públicos. A integração deflui

do Plano de controle de poluição vinculado ao sistema estadual de registro e licenciamento de

veículos como forma de integração com a implementação dos programas de inspeção de

segurança veicular e similares, com o objetivo da mantença da qualidade ambiental com a

redução das emissões de poluentes por veículo automotor. As emissões de gases poluentes e de

90
Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito de n.ºs 05/98;06/98 (Revogou as Res. n.ºs 809 e821/95); 22/98;
27/98, 27/98, 84/98, 101/99, 107/2000, 137/02.
91
Leis Federais n.ºs 6938/81, 9985/00; 8024/90; 9605/98;12.203/2001; Lei Estadual 11.520/2000. Dec. Fed. n.º
99274/90.
64

substâncias inaláveis por veículos automotores com índices acima dos níveis aceitáveis, resultam

no incremento da morbidade e mortalidade por doenças respiratórias e a poluição sonora. A

regulamentação do controle veicular e do Programa de Controle de Poluição do Ar por veículos

automotores (PROCONVE), a implantação de programa de Inspeção e Manutenção para veículos

automotores em uso(I/M) e a elaboração pelo Órgão ambiental estadual do Plano de Controle da

Poluição por veículos em uso – PCPV somente pode ser efetivada pelas normativas expedidas

pelo CONAMA.92

Efetivamente, a Lei n.º 10.203, de 22 de fevereiro de 2001, deu nova redação a artigos da

Lei n.º 8.723, de 28 de outubro de 1993, que dispõe sobre a redução de emissão de poluentes por

veículos automotores como parte integrante da Política Nacional de Meio Ambiente.

Inicialmente, com a edição de álcool etílico anidro combustível à gasolina e, posteriormente, com

o combate a poluição do ar atmosférico, prevendo na nova sistemática:

“Art.12.Os governos estaduais e municipais ficam autorizados a estabelecer através de


planos específicos, normas e medidas adicionais de controle da poluição do ar para
veículos automotores em circulação, em consonância com as exigências do PRONCOVE e
suas medidas complementares.

§ 1.º Os planos mencionados no caput deste artigo serão fundamentados em ações


gradativamente mais restritivas, fixando orientação ao usuário quanto às normas e
procedimentos para manutenção dos veículos e estabelecendo processos e procedimentos
de inspeção periódica e de fiscalização das emissões dos veículos em circulação.

§2.º Os Municípios com frota total igual ou superior a três milhões de veículos poderão
implantar programas próprios de inspeção periódica de emissões de veículos em
circulação, competindo ao Poder Público Municipal, no desenvolvimento de seus
respectivos programas, estabelecer processos e procedimentos diferenciados, bem como
limites e periodicidades mais restritivos, em função do nível local de comprometimento do
ar.

92
Resoluções do CONAMA n.ºs 018/86, 03/90, 01/93, 02/93, 06/93, 07/93, 08/93, 16/93, 15/94, 16/94, 27/94, 14/95,
15/95, 16/95, 17/95, 18/95, 227/97, 251/99, 252/99, 256/99, 272/2000 (...).
65

§3.º Os programas estaduais e municipais de inspeção periódica de emissões de veículos


em circulação, deverão ser harmonizados, nos termos das Resoluções do CONAMA, com
o programa de inspeção de segurança veicular, a ser implantado pelo Governo Federal,
através do CONTRAN e do DENATRAN, ressalvadas as situações jurídicas
consolidadas”.

Os fabricantes de motores, de veículos automotores e de combustíveis foram obrigados a

adotar providências para reduzir os níveis de emissão de monóxido de carbono, óxido de

nitrogênio, hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, fuligem, material particulado e outros compostos

poluentes nos veículos comercializados no país, enquadrando-se aos limites fixados definindo

prazos para sua consecução conforme metas delineadas na Política Nacional de Meio Ambiente.93

O Conselho Nacional do Meio Ambiente, preocupado com os elevados índices de

poluição veicular e a deteriorização da qualidade ambiental dos centros urbanos tendo como base

o Código de Trânsito Brasileiro editou a Resolução n.º 256, de 30 de junho de 1999, delineando:

“Art. 1.º- A aprovação na inspeção de emissões de poluentes e ruído prevista no artigo


104, da Lei Federal n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de
Trânsito Brasileiro - CTB, é exigência para o licenciamento de veículos automotores, nos
Municípios abrangidos pelo Plano de Controle da Poluição por Veículos em Uso-PCPV,
nos termos do artigo 131,§3º, do CTB.

Parágrafo único. Nos termos desta Resolução, caberá aos órgãos estaduais e municipais
de meio ambiente a responsabilidade pela implementação das providências necessárias a
consecução das inspeções de que trata o “caput” deste artigo”.

O mesmo instrumento normativo prevê convênios entre os Órgãos para a implantação das

inspeções.94

93
Lei n.º 8.723/93 - Arts. 2.º e 3.º.
66

O Estado do Rio de Janeiro estabeleceu um programa de Inspeção e Manutenção de

Veículos em uso, destinado a promover a redução da poluição atmosférica por meio do controle

da emissão de poluentes pelos veículos automotores em circulação.95 Por ser parcial – sem

contemplar a segurança veicular - a efetividade da inspeção ambiental no Estado do Rio de

Janeiro apresenta uma série de questionamentos nos aspectos da eficácia operacional.

A questão nodal que se apresenta:

Afinal, porque não foi implementada a Inspeção Técnica de Veículos no Brasil?96

4.3 A EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL

A Inspeção Técnica Veicular como instrumento de controle das questões de segurança e

ambiental é praticada em inúmeros países da Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul.

Na Alemanha e Suécia, há mais de 50 anos são inspecionados os veículos automotores. Na

França, Espanha, Suécia, Bélgica e Inglaterra há pelo menos 20 anos. Nos países como: Chile,

Uruguai, México, Argentina, Tunísia, Israel, Holanda, Itália, Portugal e, em alguns Estados dos

Estados Unidos, os critérios são muito suavizados e desatendem o padrão técnico e ambiental.

Também, o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto e a Recomendação

Internacional estabeleceram a necessidade de harmonização das condições de concorrências entre

94
Resolução n.º 256/99-CONAMA. Arts. 14 e 15.
95
Lei Estadual n.º 2539, de 19 de abril de 1996 do Estado do RJ e a Lei n.º 2557, de 10 de Julho de 1997 do RJ.
96
SZINVELSKI. Ildo Mário. Trabalho do Curso de Pós-Graduação Em Segurança do Trânsito. ULBRA/RS.A
Municipalização do Trânsito no Estado do Rio Grande do Sul com o Advento do Novel Código de Trânsito
Brasileiro.p.25 usque 26 refere a Lei Estadual n.º 10.848 de 20.08.1996; a Lei n.º 11.311, de 20.01.1999 e a
manifestação da FAMURS.p.123; Minuta de Decreto Estadual que regulamentava a ITV no âmbito estadual do RS.
P. 129 usque 131.
67

empresas de transportes do MERCOSUL no sentido de padronizar a Inspeção Técnica Veicular

entre as partes. A ausência de um programa de ITV no Brasil vem causando transtornos nas

fronteiras com o Uruguai cujos caminhões são impedidos de transitarem pelo solo estrangeiro se

não apresentarem o “selo verde”. A alegação é de que sem a ITV, se agravam os níveis de

poluição dos veículos ao abrirem as bombas injetoras para rodar mais provocando a incidência da

chuva ácida no Uruguai, minorando as condições do ar na região.

4.4 A POLÍTICA NACIONAL DE TRÂNSITO -PNT

A Política Nacional de Trânsito lançada pelo Governo Federal no ano de 2004, prevê a

implantação da Inspeção Técnica de Veículos até dezembro do ano de 2005. Contemplada no

PNT, a mobilidade, acessibilidade, segurança e qualidade ambiental, bem como, a priorização de

políticas que privilegiem o transporte coletivo, a redução da emissão dos poluentes e ruídos,

através da fiscalização e o controle da frota com a qualificação dos espaços públicos.97

A implantação da ITV no Brasil deveria ser gradual em cumprimento a Lei, com menos

exigências no inicio do programa, na busca da conscientização e do caráter pedagógico aos

proprietários de veículos automotores, com a adaptação inteligente, prevencionista e duradoura

dos usuários. A inspeção deve levar em conta aspectos de ordem social, econômica e cultural da

sociedade com o aparelhamento e a fiscalização dos veículos irregulares. Por isso, a gradualidade

na implantação.As estações de inspeção devem contemplar a possibilidade de verificação dos

97
Política Nacional de Trânsito. Ministério das Cidades.Departamento Nacional de Trânsito. Marco Referencial:
2.1.1. Segurança do Trânsito; 2.1.3 Mobilidade, qualidade de vida e cidadania. Objetivos. Diretrizes: 2.4.3. n.º 10.
Iniciar a implantação da inspeção técnica veicular até dezembro de 2004 e concluindo até dezembro de 2006. p.16,
17 e 32. Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável.Ministério das Cidades. Princípios e Diretrizes.
68

itens de segurança e ambientais, simultaneamente, facilitando ao cidadão proprietário do veículo.

Não há atualmente integração entre os órgãos ambientais e os DETRANs, exceção feita ao

Estado do Rio de Janeiro. Ainda, a maioria dos órgãos ambientais, sequer realizaram seu

Programa de Controle de Poluição de Veículos em Uso – PCPV, condição estabelecida pelo

CONAMA, para implantação do programa de Inspeção e Manutenção – I/M de emissão de gases

poluentes e ruídos.

A manutenção do programa de ITV caracterizado como um processo produzido por dados

que devem receber um tratamento técnico que possibilitem a elaboração de políticas públicas,

desenvolvimento e aprimoramento tecnológico, deve ser mantido no âmbito público dos Estados.

Premidos pela necessidade, os Estados procuram assumir esta responsabilidade com o fito de

minimizar a tragédia do trânsito, todavia carece de regulamentação do tema.

Surpreendentemente, a Resolução do CONTRAN n.º 84/98 do CONTRAN, trilhou em sentido

diverso aos dos Estados da Federação, transferido à iniciativa privada a ITV. De outro lado, a

União passou a atacar, pela via judicial, as iniciativas tendentes a implementar a ITV no âmbito

estadual ou com modificações das Resoluções pelo CONTRAN.98 De tal sorte, como a

habilitação dos condutores e a documentação veicular é emitida pelos Órgãos Executivos

Estaduais de Trânsito tal competência, seria exercida, por força da lei, pelos Departamentos

Estaduais de Trânsito, o controle, padrão técnico, gerenciamento, racionalização, a fiscalização,

enfim as medidas efetivas para a implementação da ITV.

98
Lei n.º 10.848, de 20 de Agosto de 1996 da lavra do saudoso Secretário da Justiça e da Segurança Dr. José Cirne e
Lima Einchenberger; Lei Estadual n.º 11.311, de 20 de Janeiro de 1999- denominada Lei Deputado Beto
Albuquerque - ambas, do Estado do RS envolvendo o DETRAN/RS, FEPAM e FAMURS. Lei Estadual n.º
2.757/97- Rio de Janeiro. Ações Diretas de Inconstitucionalidades. Estados do PR, BA, MG, SP, SC, ES, AL (...).
Tramita, ainda, na Assembléia Legislativa gaúcha Projeto de Lei do Deputado Raul Pont sobre a ITV e a Inspeção
Verde em decorrência da audiência pública datada de 17 de abril de 2003 sobre o tema: “ Segurança Ambiental e
69

O DENATRAN, busca agir diferente na tentativa de fazer aprovar o Projeto de Lei n.º

5.979/200199 – federalizando o controle da ITV e privatizando a sua execução operacional

através de lotes estaduais. Ora, a realização da inspeção não pode ser serviço concedido

entregues aos particulares e, sim, exercício de poder de polícia administrativa do Estado, a serem

assumidos e referendados por servidores públicos concursados, salvo, evidentemente os atos

técnicos preparatórios. A Associação Nacional dos Departamentos de Trânsito (AND), através do

ilustrado presidente gaúcho, Dr. Carlos Ubiratan dos Santos, manifestou posição contrária a atual

sistemática propositiva de âmbito federalizante para a implantação da ITV, propugnando pela

manutenção no âmbito público estadual, além da gradualidade da implantação e a periodicidade,

do poder de polícia administrativa, da sinergia dos órgãos de trânsito e ambientais.100

Não se discute a necessidade da ITV diante da unanimidade dos benefícios apresentados,

da renovação da frota, da proteção dos direitos difusos, do dever do poder público, da prevenção

da vida e do meio ambiente, da economia de combustível, do impacto econômico, da

credibilidade, do novo padrão técnico, do controle da frota e dos reflexos positivos no âmbito

internacional, em síntese: são mecanismos de fortalecimento do exercício da cidadania e da

presença do papel do Estado no controle da segurança do trânsito e na melhoria da qualidade

ambiental. Não existe caminho de retorno em direção àquilo que já foi perdido. Perdeu muito a

sociedade por desídia de autoridades cuja responsabilidade objetiva pelos danos causados aos

cidadãos em virtude da ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos

Inspeção Veicular”, contando com a presença do Ministro das Cidades, Diretor do DENATRAN, DETRAN/RS,
FAMURS, AGM, Municípios e Deputados Estaduais, conforme anais da Casa do Povo do Rio Grande do Sul.
99
Relator Deputado Federal Philemon Rodrigues. Câmara dos Deputados. Brasília/DF.
70

e serviços que garantam o exercício do direito de um trânsito seguro, a qual será apurada no

momento oportuno.101 O ar atmosférico não é um sistema resiliente para retornar às suas

condições originais após as alterações estruturais provocadas. Não se pode deixar passar

despercebido àquilo que é essencial sem que a sociedade tenha a oportunidade de descortinar e

discernir a complexidade da preservação do ar, pois, é muito mais do que uma questão ambiental.

É uma questão vital.

4.5. A FROTA DE VEÍCULOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Os veículos automotores ganharam impulso a partir de 1945, pela política dos Estados

Unidos, que investiram maciçamente em caminhões e motores para abastecer suas tropas durante

a Segunda Guerra Mundial e, no final do conflito, possuíam excessos de produção. Após a

guerra, os americanos pressionaram os mercados a adotar os seus produtos, financiando a

importação de seus veículos e, posteriormente, a instalação de suas fábricas.102 O Brasil comprou

a idéia e, logo, “abriu rodovias e virou sinônimo de investimentos em infra-estrutura. A

renovação e a manutenção da malha ferroviária foram, gradativamente, esquecidas”103 O

100
Pronunciamento do Dr. Carlos Ubiratan dos Santos, Diretor Presidente do DETRAN/RS e da AND- Associação
Nacional dos DETRANs na Comissão Especial da Câmara de Deputados em Brasília Dep. Humberto Michiles em
10.05.2004, atendendo o teor da convocação do Of. n.º 08/2004 através do expediente n.º Of. n.º AND/25-4.
101
Art. 1.º, §3.º da Lei Federal n.º 9.503/97-CTB.
102
O Brasil vivia o clima de euforia dos aliados com o final da II Guerra Mundial. O então presidente Getúlio Vargas
criou a subcomissão do setor automotivo na Comissão de Desenvolvimento da Indústria, em 1952; o carro brasileiro
foi uma das metas do candidato à presidente da República Juscelino Kubitscheck. JK prometeu 50 anos em cinco e
suas metas foram a indústria, energia, transporte, alimentação e educação. Sob o comando do almirante Lúcio Meira,
o Grupo Executivo da Indústria Automobilística aprovou projetos para produção de automóveis, caminhões e ônibus.
A primeira licença foi dada para a Veículos e Máquinas Agrícolas (VEMAG), que desde 1945 montava e distribuía
Studebaker,Massey Harris e Scania. O polonês Alfredo Jurzikowsky comercializa automóveis e caminhões
Mercedes-Benz,em 1950; a General Motors, Mercedes-Benz, Ford, a Internacional Harvest, a Willys-Overland, a
Volkswagen, a Brasmotor, a VERMAG, a Caterpillar e a Romi formaram a Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores em 1956. Nos anos 50, a frota de 500 mil carros dobrou. O ABC paulista se transformou na
Detroit brasileira; o DKW e a Volks (fusca) foram montados em São Paulo. A GM, em São Caetano do Sul; a
Mercedes-Benz,Volkswagen e Willys-Overland,na Vila Anchieta; em 1957, a Scania Vabis em SP; em 1958,a
Toyota e, em 1959, o Bandeirante.
103
Revista Superinteressante, Edição n.º 179. Agosto de 2002. Entrevista ao Profº Paulo Fernando Fleury do Centro
de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
71

resultado disso é que, hoje, temos 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, que transportam 96%

dos passageiros e 63% da carga. Já os 30.000 quilômetros de ferrovias ficam com menos de 12%

do transporte. Nos EUA, que influenciaram na opção rodoviária brasileira, os trens levam 47% da

carga. Os altos custos dos transportes fomentaram a urbanização e a concentração das indústrias

próximas aos centros consumidores criando o flagelo das periferias das grandes cidades que,

hoje, concentram os piores indicadores sociais do país entre eles a violência com os índices de

acidentalidade e sinistralidade. A atmosfera e o meio ambiente foram prejudicados pelo consumo

de combustíveis derivados do petróleo com a escolha errada da malha rodoviária, em detrimento

a outros modais alternativos como o transporte ferroviário para grandes distância e o metrô nos

grandes centros, além das facilidades das hidrovias de extensões continentais.

Mesmo com todos os transtornos enfrentados pelos usuários de automóveis nas estradas e

vias urbanas que vão, repisa-se, desde congestionamentos de tráfego como a falta de espaço para

estacionar, só haverá mudanças à vista, se os serviços públicos se mostrarem eficientes. Essa

condição será alcançada, quando o cipoal das diversas modalidades de transporte, de forma

complementar, forem dotadas de conforto, segurança, pontualidade, preços, rotas articuladas, a

ponto de tornarem os automóveis particulares dispensáveis. Destarte, a taxa de crescimento da

frota de veículos no Estado aumentou em percentuais elevadíssimos entre 1998 a 2004 conforme

dados estatísticos em anexo.104

104
Apêndices da Monografia de n.º 8.1; Frota;Índice de Motorização por Município;veículos em circulação por ano
de fabricação.
72

Mais do que razões culturais, deve ser levado em conta, também, que o elevado

crescimento do número de veículos em circulação no Estado pode ser explicado pela ausência de

políticas adequadas na área do transporte público compatível com o segmento retraído.105

Nos últimos quinze anos, a frota de veículos do Estado do Rio Grande do Sul, passando

de cerca de um milhão para mais de três milhões e quinhentos mil veículos, como de resto em

todo País. Entretanto, sem a implantação da inspeção técnica veicular, muitos continuam

trafegando, sem condições, poluindo o ar atmosférico e aumentando os riscos de acidentes.

Quantas mortes poderiam ter sido evitadas? Quantas toneladas de gases contaminantes poderiam

ter deixado de poluir o nosso País?106

Reiterado, que a explosão da frota de veículos sem as condições dos espaços públicos

compatíveis recrudescerá a poluição ambiental, os congestionamentos, o aquecimento, a falta de

investimentos, os prejuízos materiais e sociais. O que por milhões de anos foi preservado poderá

ser destruído pela ganância, desídia, ou pela omissão das gerações do século 21. O aquecimento e

a poluição atmosférica não são obras de ficção, mas uma ameaça sem controle. A minoração e a

redução drásticas das emissões de gases poluentes - para frear a mudança climática - se dará

perfunctoriamente, no Brasil, através da instrumentalização e implementação da Inspeção

Técnica Veicular nos veículos automotores da frota brasileira. Aqueles veículos que não forem

submetidos à inspeção técnica conforme calendário de licenciamento serão recolhidos aos

Centros de Remoção e Depósitos-CRDs, por medida administrativa e aplicadas às penalidades

105
Manifesto da Jornada Brasileira “Na cidade sem meu carro” no dia 22 de setembro de 2004. Irracionalidade de
um sistema de circulação construído para beneficiar o automóvel, priorizando 82% da ocupação do espaço público
contra 12% do transporte coletivo. Caminhada em Porto Alegre, RS, com o apoio do Movimento Gaúcho do Trânsito
Seguro, FAMURS, CETRAN/RS, DETRAN/RS e EPTC.
73

administrativas e levados à hasta pública, caso não retirados no prazo de noventa dias, na forma

da lei107. No caso da não adoção em nível nacional a implantação da ITV o Rio Grande do Sul

poderia adotar a inspeção verde no Estado conforme minutas do Projeto de lei e Portaria

constantes dos Apêndices de n.ºs 8.2 e 8.3, em anexo ao presente trabalho.

5. PROTOCOLO DE KYOTO

A promulgação no dia 05 de novembro de 2004 pelo presidente da RÚSSIA, Vladimir

Putin, da ratificação do Protocolo de Kyoto representa o último e decisivo passo para que o pacto

internacional sobre a defesa do meio ambiente passe a ter efeito no dia 16 de fevereiro do ano de

106
Fernando Záchia. Deputado Estadual do PMDB. Texto na coluna Opinião do Jornal do Comércio com o título:
“Prevenção Necessária”. Out/2004.
107
Art. 230, VIII e XVIII, do CTB.Art. 269,II c/c art. 271 do CTB;arts. 104 e 131,§ 2.º e 3.º do CTB. Art.
230,V, do CTB.Art. 328, do CTB.
74

2005.Mesmo que os Estados Unidos da América mantenham a decisão adotada em março de

2001 de rejeitar o tratado, com a adesão russa, completam-se as condições para sua vigência. Para

ser adotado, o Protocolo de Kyoto tinha que ser ratificado por países que respondessem por pelo

menos 55% das emissões de gás carbônico dos países industrializados, o que se concretizou com

a histórica decisão de Moscou, responsável por 17% delas, a cota foi atingida.

Os Estados Unidos são responsáveis por parte significativa desses gases, um quinto do
108
total, e sua resistência a uma política ambientalista é vista como um equívoco planetário que

pode custar caro à própria causa da preservação. O tratado prevê que os países industrializados

signatários cortem ou diminuam as emissões de seis tipos de gases causadores do efeito estufa

para que, até 2012, voltem aos níveis de 1990. São objetivos ainda tímidos, mas que se revestem

de importância por serem a primeira tomada de decisão da comunidade humana para salvar o

planeta.

Com a adesão da RÚSSIA e a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto crescerá a pressão

sobre os EUA que, dentro da política unilateral, preferem proteger seus interesses poluidores

denominados de indústrias em vez de somar-se ao esforço mundial para limpar o planeta. A

mudança do clima nos últimos anos, a freqüência de inundações, ciclones, tempestades e secas, o

desaparecimento de recursos de ecossistemas, a crescente perda da biodiversidade, a queda da

produção de grãos, o aumento do número de transmissões de doenças infecciosas, a poluição do

ar atmosférico, da água e de novas regiões desérticas, são fenômenos relacionados com a perda

108
A Revista Veja n.º46 de 17.11.2004, p.114 afirma que “os EUA, sozinhos, emitem nada menos que 36% dos
gases venenosos que criam o efeito estufa. Apenas nos últimos dez anos, a emissão de gases por parte dos EUA
aumentou 10%. Outros países como a Austrália, ficaram fora do pacto. A Revista VEJA n.º 37, de 22.12.2004, p. 181
usque 213 arrosta o tema em testilha.
75

da qualidade ambiental e com o aquecimento da terra, que, no futuro próximo, pode ter

conseqüências catastróficas para todo o tipo de vida.

Foi para deter essa tendência que os países se reuniram em Kyoto em 1997 e, elaboraram,

um programa factível que poderia ser aceito pela maioria dos poluidores – que são os países mais

ricos do mundo – sem que a necessidade de reciclar o parque industrial provocasse danos

irreversíveis às economias. A maioria dos países ricos já aderiu ao Protocolo. Caberá a eles e as

entidades ambientalistas a tarefa de pressionar os EUA, agora isolados, a voltar atrás numa

política ecológica que contraria o interesse da humanidade.

Desse modo, o ano de 2005, ao dar vigência ao Protocolo de Kyoto, deverá, por essas

razões, entrar para a história da luta pela restauração do ambiente natural.Também, um novo item

entrará no balanço financeiro de cerca de 16 mil indústrias da União Européia a partir do próximo

ano: os custos decorrentes da produção de dióxido de carbono(CO2). Com o Emissions Tradig

Scheme (ETS) esquema de comércio de emissões, um dos gases responsáveis pelo aquecimento

da Terra passará a ser comercializado em um mercado similar ao de ações e terá seu preço fixado

pela lei da oferta e da procura, com limites fixados para cada empresa do sistema europeu.

Benéfico para a saúde do planeta, o ETS poderá trazer prejuízo ao bolso dos consumidores para

compensar os custos de energia elétrica em detrimento da energia gerada pelo carvão. Tal

mecanismo encontrado pela União Européia para atingir em 2012, a meta de 8% de redução de

emissão de gases poluentes estabelecidos pelo Protocolo.

Em nenhum tratado de direito internacional do meio ambiente, entretanto, o papel de

instrumento de mediação política exercida pelo princípio da precaução assumiu maior relevo do
76

que no processo de elaboração da Convenção - Quadro sobre Mudanças Climáticas. Registros

históricos demonstram, particularmente, que mudanças climáticas podem dar origem a novos

problemas ou agravar de modo extremamente drástico as demandas sociais preexistentes, levado

a situação de crise aguda ou à ruptura dos modos específicos de interação que se manifestam em

determinados sistemas socioambientais. Tais alterações vêm sendo verificadas nos aproximados

4,6 bilhões de anos na Terra. Aparentemente aleatórias, contudo, as mudanças experimentadas, a

longo prazo, pelos sistemas climáticos revelam certas tendências.109 Assim, uma tendência ao

resfriamento durante a evolução geológica do planeta pode ser observada como uma função da

diminuição do dióxido de carbono na atmosfera.

Não obstante, o incremento da população mundial, associado ao crescimento tecnológico

de determinadas sociedades, vem revelando que certas ações humanas assumiram, no último

século, a condição de deflagradora de significativas alterações climáticas globais, caracterizando,

assim, mudanças globais antropogênicas.

Com efeito, alguns gases existentes na atmosfera por apresentarem reatividade à radiação

infravermelha emitida pela superfície da Terra, desempenharam um papel regular do clima

extremamente relevante, ao produzirem o denominado “efeito estufa”, mantendo a temperatura

média do planeta trinta e oito graus Celsius mais elevada em relação àquela que apresentaria na

sua ausência.110 Exatamente por sua quantidade na atmosfera ser pequena, alterações muitos

significativas no clima podem ser deflagradas em virtude dessas oscilações de poluição nas

109
HUGGET, 1997, p.2-3.Apud. Obra: Princípios de Direito Ambiental Na Dimensão Internacional
Comparada.Sampaio, José Adhercio Leite. Belo Horizonte: Del Rey, 2003. p.176 e 177.
77

concentrações. Nos últimos duzentos anos, em razão, precisamente, de emissões decorrentes do

desenvolvimento de atividades humanas, as concentrações de muitos gases vêm aumentando em

um ritmo que, também, cada vez mais se acelera, o que sugere que alterações complexas nos

sistemas socioambientais farão sentir como resultado de um processo de elevação das

temperaturas médias do planeta, fenômeno conhecido como aquecimento global.111

Apesar do mecanismo básico do aquecimento global ser conhecido desde 1896,

decorrentes dos estudos das emissões do dióxido de carbono, os efeitos tem sido catastróficos

reconhecidamente pela comunidade cientifica, no sentido de que o aumento das concentrações de

gases do efeito estufa na atmosfera tem por conseqüências alterações globais nas temperaturas da

superfície terrestre, dos oceanos, bem como, modificações no sistema de circulação dos ventos.

Da mesma forma, não se pode concluir que tais alterações possuam contornos agudos a ponto de

tornar as condições ambientais impróprias para a vida humana, todavia os efeitos nocivos deles

advirão como: a elevação dos níveis dos oceanos e o impacto nas regiões costeiras; secas e

repercussão na economia agrária; fenômenos meteorológicos críticos com ondas de calor e

sucessivas inundações; resistência e disseminação de doenças parasitárias.

A ampliação dos estudos sobre os efeitos disruptivos do aumento da concentração de

gases do efeito estufa na atmosfera deu ensejo, em 1988, à Resolução n.º 43/53, da Assembléia-

Geral da ONU, que reconheceu ser a mudança do clima preocupação comum da humanidade e

determinou a estruturação de um comitê científico permanente, de caráter multilateral, destinada

110
PARKER, 1997, p. 194. Os principais gases do efeito estufa são o vapor d´água, o dióxido de carbono, os óxidos
nítricos, o metano, os clorofluorcabonos, os hidrofluorcarbonos, os perfluorcabonos, o hexafluoreto de enxofre e o
ozônio.
78

a revisões periódicas sobre o clima e propor estratégias para o combate ao aquecimento global.

Assim, foi estabelecido em conjunto com Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

(PNUMA) e pela Organização Meteorológica Mundial, o painel de intergovernamental sobre

mudanças climáticas - IPCC. Diversas recomendações foram proferidas no sentido de otimização

para se enfrentar as causas do aquecimento global, como os estudos das substâncias que

provocam depleção da camada de ozônio; redução dos gases que provocam o efeito estufa e a

adoção de medidas institucionais que, associadas a um conjunto de orientações específicas,

tivesse como missão coordenar os esforços necessários para o efetivo cumprimento das metas de

proteção ambiental fixadas.

Qual a contribuição brasileira para com os efeitos disruptivos associados às emissões

antropogênicas de gases na atmosfera?

Aliás, a adoção da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas

definiu, contudo, as linhas mestras para os acordos internacionais sobre o aquecimento global

com destaque especial para: a definição dos objetivos quantificados de limitação e redução de

emissões por período de tempo; a extensão e implicações da responsabilidade dos países

industrializados por suas emissões históricas de gases de efeito estufa; países que apresentam

níveis per capita de emissão em relação ao crescimento devem adotar medidas limitadoras do

percentual futuro de crescimento nos mesmos níveis;distribuição de responsabilidades, pelos

incrementos futuros nas concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, entre os impactos

do continuado crescimento da população nos países em desenvolvimento e o consumo excessivo

111
NARDY, Afrânio.Uma leitura Transdisciplinar do Princípio da Precaução.Princípios do Direito
Ambiental.Editora Del Rey. BH.2003. p. 178.
79

de produtos e serviços nos países desenvolvidos; necessidade de novas tecnologias; instituições

de fomento ao desenvolvimento e a cooperação internacional para proteção do ambiente global.

Nesse eixo central do programa estabelecido acabou por compor-se, desse modo, os

seguintes elementos basilares:

a) definição da estabilização das concentrações de gases do efeito estufa na

atmosfera, em níveis que impeça interferências antrópicas perigosas no sistema climático;

b) afirmação segundo o objetivo-geral do tratado que deve ser alcançado não

apenas pela redução das emissões industriais de determinado gás relacionado ao aquecimento

global (dióxido de carbono), mas por medidas combinadas de redução das emissões de qualquer

natureza de todos os diferentes gases de efeito estufa e à adoção de técnicas que promovam o seu

“seqüestro”;

c) reconhecidamente de que os países industrializados devem promover a redução

das emissões totais de gases do efeito estufa;

d) reconhecimento de que os países desenvolvidos devem promover de auxílio

técnico-científico e financeiro aos países em desenvolvimento para que estes possam desenvolver

seus programas nacionais de mitigação das mudanças climáticas bem como adotar as medidas de

adaptação necessárias.

Evidentemente, que a implementação da convenção e da resposta ao aquecimento global

dependem da adoção de um marco principiológico capaz de contornar a estratégia norte-

americana de procrastinar a adoção de medidas concretas, nos modelos para estabelecer o alcance

dos efeitos do aquecimento global, disposto no artigo 3.3 da Convenção:


80

“As partes devem adotar medidas de precaução para prever, evitar ou minimizar as causas
da mudança do clima e mitigar seus efeitos negativos. Quando surgirem ameaças de
danos sérios ou irreversíveis, a falta de plena certeza cientifica não deve ser usada como
razão para postergar essas medidas, levando em conta que as políticas e medidas adotadas
para enfrentar as mudanças do clima devem ser eficazes em função dos custos, de modo a
assegurar benefícios mundiais ao menor custo possível.Para esse fim, essas políticas e
medidas devem levar em conta os diferentes contextos socieconômicos, ser abrangentes,
cobrir todas as fontes, sumidouros e reservatórios significativos de gases de efeito estufa e
adaptações, e abranger todos os setores econômicos. As partes podem realizar esforços,
em cooperação, para enfrentar a mudança do clima”.

A afirmação expressa no texto da Convenção - Quadro da ONU sobre Mudanças

Climáticas, ratifica da necessidade de que medidas concretas de resposta ao aquecimento global

fossem adotadas, mesmo na ausência de certeza cientifica sobre o alcance e os efeitos da

influência do homem no clima do planeta, por ser considerada uma das molas propulsoras dos

avanços, ainda que tímidos, obtidos nas negociações climáticas internacionais pós-1992. Existe

consenso na comunidade científica de que o balanceamento das evidências sugere ser possível

concluir pela existência de influência humana discernível no clima global.112

Tal texto legal exerceu um papel considerável como meio de negociação dos termos do

Protocolo de Kyoto, Tratado Internacional adotado pela Conferência das partes no ano de 1997,

tendo como objetivo central estabelecer metas quantificativas de redução das emissões de gases

do efeito estufa para os países industrializados.113

112
Relatório do IPCC.1995. p.22. Essas conclusões foram, ratificadas pelo 3.º Relatório do IPCC que
conclusivamente demonstrou ter o clima da Terra sofrido mudanças da era pré-industrial atribuídas às atividades
humanas. Dada a complexidade dos sistemas climáticos, reafirma pela adoção de medidas de respostas ao
aquecimento concebida como um processo seqüencial ( IPCC, 2001, p.2).
113
NARDY, Afrânio. Uma Leitura Transdisciplinar do Principio da Precaução.Princípios de Direito Ambiental.BH.
Editora Del Rey. 2003. p.185.
81

Nada mais do que uma versão atenuada do principio da precaução, pois, de um lado, o

dever de cautela surgidas pelas ameaças de danos irreversíveis, de outro, medidas que sujeitam a

um critério de proporcionalidade. Nessa concepção, demonstrado o grau de risco(precaução) dos

bens e valores socioambientais atinentes a as medidas prevencionistas com a adequação

econômica, atendidos o dever de cautela, a plausibilidade da ocorrência, o ônus da aplicação, a

magnitude do risco ambiental em relação ao custo-benefício.

Então o Brasil ficaria escondido atrás da Amazônia para reduzir os índices de poluição da

atmosfera? Adotaria a tese do chamado “seqüestro de carbono”114 e aguardaria deitado

eternamente? Ou, seguiria na linha americana da lógica do risco cuja regulamentação ambiental

insere-se no âmbito do poder de polícia do Estado, o qual encontra limites constitucionais da

Administração Pública promover interferências no exercício de propriedades caracterizado como

interferência indevida do Poder Público na propriedade privada?

Inexistem paradoxos, mas meras adequações aos fins colimados cuja legitimidade e

plausibilidade atende ao interesse público na defesa da integridade do bem ambiental, dos

recursos naturais e dos valores socioambientais. Para a modernização com a racionalidade

tecnológica e as mudanças sociais, empresariais e, principalmente nas biografias individuais, de

vida, de estruturas, de participação, de mudanças comportamentais, enfim de visão de mundo, de

absorção do caldo cultural pela sociedade. De ser simplesmente gente.

114
capacidade de certos componentes do sistema climático como solos,florestas e oceanos eliminar ou armazenar
gases causadores de efeito estufa. Este processo ainda não foi quantificado, ao contrário das fontes emissoras de
gases, como a queima de combustíveis sólidos.
82

Com a transgressão e a crescente degradação ambiental com os riscos incontingenciáveis

torna-se necessário um refinamento dos meios normativos de controle com o incremento das leis,

resoluções e regulamentos que compõe a legislação ambiental. Quanto maior a degradação maior

será o rigor das normas que permita o acomodamento da tensão normativa pelo Poder Público

para a proteção ambiental. No Direito Brasileiro, a consagração expressa da matriz constitucional

prevista no art. 225, caput, da Constituição Federal, que impõe ao Poder Público e à coletividade,

o dever de preservar os bens, recursos e valores socioambientais para as presentes e futuras

gerações. Essa é a concretização do direito coletivo denominada de cidadania ambiental. Inserida

como meio de proteção nas bases normativas da democracia socioambiental e no aspecto

compartilhado dos atores sociais da gestão do meio ambiente com saliência em um contexto

espacial amplo.

Dessa maneira, novas luzes são lançadas sobre a defesa da pureza do ar atmosférico,

alicerçadas em um modelo factível e realizável, dotado da função ínsita de Estado através de um

instrumento hábil de política ambiental e de segurança com viés preventivo através da Inspeção

Técnica Veicular, tendo como propósito originário de se evitar a degradação do ar atmosférico e

buscar a melhoria das condições de vida da população.

E, nesse contexto, que se insere o mais notório e avançado regime legal ambiental

internacional: a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 1992 e o seu

Protocolo de Kyoto de 1997.115 A Convenção estabeleceu como objetivo “alcançar a

estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma

115
Aprovação pelo Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo n.º 01, de 03.02.94, tendo sido promulgada pelo
Decreto n.º 2.652, de 18.07.98.
83

interferência antrópica perigosa ao sistema climático (...) e que permita ao desenvolvimento

econômico prosseguir de maneira sustentável”. Em seu art. 3.º, a Convenção estabelece a

implementação nacional de seus dispositivos, as partes devem se guiar por três dispositivos do

Direito Ambiental Internacional: o Princípio das Responsabilidades Comuns mas Diferenciadas,

o Princípio do Desenvolvimento Sustentável e o Princípio da Precaução entre outros

Princípios.Esses princípios, repisa-se, não são meros ornamentos de encaixes na moldura jurídica

positiva brasileira e, sim, píncaros legais que servirão de motivação formal para a aprovação dos

ordenamentos pátrios necessários e a expedição dos atos normativos de trânsito e ambientais pelo

CONTRAN e o CONAMA.

Assim, a Convenção introduziu um conjunto de obrigações que se aplica a todas as partes.

A primeira delas, consiste na elaboração de inventários nacionais de emissões antrópicas por

fontes e dos sumidouros de todos os gases de efeito estufa não controlados pelo Protocolo de

Montreal, empregando metodologias comparáveis a serem adotadas pela Conferência das

Partes.Outro imperativo, é a formulação e a implementação de programas nacionais para a

mitigação da mudança climática, através da limitação das emissões antrópicas de gases de efeito

estufa e da proteção ambiental do ar atmosférico.

A Política Nacional do Brasil e a medidas para a mitigação dos poluentes deveria iniciar

tecnicamente com a estabilização das emissões de dióxido de carbono e outros gases através da

implantação da Inspeção Técnica Veicular de segurança e ambiental. Seria um enorme avanço

legal com fulcro no Protocolo de Kyoto de 1997 com a introdução dos mecanismos flexíveis para

o cumprimento de metas. Por óbvio, a ITV constituiria alternativa suplementar à redução pura e

simples de emissões de gases, e se justificariam, atualmente, por terem custos menos elevados
84

através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O MDL, como mecanismo flexível permite

envolver a implementação conjunta do Protocolo entre um país desenvolvido e outro em

desenvolvimento, no caso o Brasil, através da execução de projetos – não de aumentos de

sumidouros florestais – e sim com a redução da emissão de gases da frota veicular brasileira

podendo ser descontadas das cotas do País conveniado. A magnitude do impacto ambiental

global decorrente da ITV seria deslumbrante e extremamente positiva para o Brasil, pois,

desimporta a localização geográfica da ação de mitigação. O relevante na presente ação, é a

efetiva redução das emissões poluentes e a defesa ambiental com a redução, estabilização e

diminuição dos agentes poluentes do ar atmosférico, além da possibilidade concreta de

investimentos estrangeiros em projetos específicos na ITV.

O Brasil tem potencial para atrair investimentos em projetos de substituição da matriz

energética baseada em uso de combustíveis fósseis, menos poluentes, seja na área florestal, a

partir de projetos de florestamento e reflorestamento.116 Acrescentaria - em nome da sensatez - a

regulamentação nacional da ITV. Essa responsabilidade deve ser compartilhada pelos fabricantes,

cadeia produtiva e na fase do pós-consumo com o Poder Público, para que se propague na

opinião pública mundial o sentido existencial o projeto brasileiro da ITV.

Por outro lado, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo é uma oportunidade imperdível

para o Brasil, tanto do ponto de vista ambiental, social, técnico, cientifico e jurídico.Por óbvio,

outras ações de proteção ao meio ambiente e projetos poderão ser alçados com a produção de

116
FURRIELA, Rachel Biderman. Mudanças Climáticas Globais: Aspectos Políticos, Jurídicos e Socioambientais, in
O Direito para o Brasil Socioambiental - André Lima.Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris, 2002.
85

energias renováveis117, o biodiesel118 - o combustível limpo, o gás natural, o álcool combustível,

a biomassa, energia solar, elétrica, eólica e o hidrogênio,119 para a elaboração de uma Política

Nacional de Seqüestro de Carbono120 cujo viés defendido não invalida o Projeto de Segurança o

Trânsito e Proteção Ambiental denominado de Inspeção Técnica Veicular para aplicação

gradativa na frota brasileira com base nos Princípios basilares do Direito Ambiental, na

Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre a mudança do clima de 1992, o Protocolo de

Kyoto de 1997 e, no dever do Poder Público realizar uma regulamentação nacional séria e

transparente de proteção ambiental reconhecendo a finitude dos recursos naturais com uma

117
GOLDEMBERG, José. Meio Ambiente no Século 21. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. p.182.
118
Biodiesel - óleo vegetal e álcool. Combustível renovável e barato desenvolvido para Universidade Federal de Rio
Grande (UFRGS).
119
O Protocolo de Kyoto que prevê a redução da emissão de gases que causam o efeito estufa e estimula o
desenvolvimento de tecnologias e a implantação de fontes limpas de energia que entra em vigor em etapas a primeira
em 05.02.2005;a segunda de 2008 a 2012 cujos signatários têm de reduzir a emissão de poluentes em 5,2% em
relação ao ano de 1990.Cada meta expressa “créditos” que podem ser comercializados os excedentes.Até 2012 deve-
se frear as emissões em torno de 60% para estabilização da temperatura da Terra.Motores a hidrogênio expelem o
subproduto vapor de água; na Holanda em Amsterdã e em dez cidades européias e experimentalmente em Pequim, o
transporte coletivo é movido a hidrogênio para conter a poluição dos grandes centros.Nos EUA, Fazenda eólica
na busca de energia limpa.Revista VEJA.Edição n.º 1885, 22.12.2004, p.208 – 211;
120
CARVALHO, Fernanda Viana de. Mestre em Direito Ambiental Internacional.UFSC. Consultora Jurídica da
Fundação Estadual do Meio Ambiente. Minas Gerais. Aula no curso de Direito Ambiental. Tema: Mudança
Climática: Análise e Perspectivas Para a Participação Brasileira no Regime Internacional.ULBRA. 2003.
86

simples mudança do padrão de convivência, sem sacrificar ou comprometer os direitos das

futuras gerações.

6 CONCLUSÃO
87

O direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de

vida previsto na Constituição Federal, nos conduz à necessária e impostergável efetividade de

proteção ambiental sob pena de prejuízos irreversíveis.

Ao lume conceitual,após traçadas algumas considerações propedêuticas não se pode

olvidar que, o crescimento dos graves problemas ambientais decorrentes da poluição atmosférica

vem prejudicando a saúde121 e o bem-estar das populações com a conspurcação do ar

atmosférico. Os seres humanos, estão no centro das preocupações para uma vida saudável,

produtiva e sustentável em harmonia com a natureza.Tanto é que a Constituição Federal em seu

art. 225, caput, definiu que: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,

bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e

à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Portanto, depreende-se do comando constitucional que inexiste direito adquirido para

poluir e que as atividades individuais, econômicas e sociais devem ser subordinadas aos

mandamentos advindos da Carta Maior, da legislação ambiental e a da legislação de trânsito

atinente.

121
Correlação entre casos de mortes por neoplasias e a poluição do ar atmosférico pela exposição ao monóxido de
carbono, hidrocarbonetos, óxido de nitrogênio, óxido de enxofre e material particulado.90% da poluentes são
emitidos por automóveis destes 49% de veículos a gasolina e 28% veículos a diesel. A exposição à substâncias
poluentes desencadeiam impactos destes na saúde pneumologista, diminuição de reflexos, visual e similares pois o
monóxido se liga a hemoglobina no sangue, impedindo a conexão com o oxigênio trazendo problemas para os
órgãos:coração,fígado,pulmões,dores de cabeça,cansaço,arritmias cardíacas,trombos....FERNANDA CANGERANA
PEREIRA-Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo(USP).Trabalho de Mestrado. Rep. da Gazeta
Mercantil, Quadro Saúde.Titulo: Grupo avalia o impacto da poluição no organismo das pessoas saudáveis.02 e 03 de
11.2002.p.11; refere estudo da Drª SÕNIA CENDON – Prof. Clinica da Univ. Federal de São Paulo (UNIFESP).
88

Em rigor, o que fica visível que a titularidade do bem ambiental é da coletividade e foi

magistralmente elucidado pelos doutos professores: ”O direito ao meio ambiente é ao mesmo

tempo de cada um e de todos, no sentido de que o conceito ultrapassa a esfera do individuo que

repousar sobre a coletividade”122

Sobre esta questão – utilização de bens móveis – veículos sem os cuidados com a pureza

do ar - deve ser analisada concomitantemente com o próprio conceito de propriedade,não no

sentido da absolutização aquisitiva material mas, sim, reconhecida a função social do uso do bem

móvel. Ademais, “a Constituição não nega o direito exclusivo do dono sobre a coisa, mas exige

que o uso desta seja condicionada ao bem-estar geral”.123 Pensar no futuro é pensar em inovações

que privilegiem abordagens integradas e que meritizem as questões ambientais que permeiem a

qualidade de vida.

Sopesando as lições proferidas pelos doutos do Direito Ambiental, há que se identificar às

dicotomias. Esse é o ponto essencial de que, o bem ambiental, enquanto titularizado de todos, não

pode se subordinar as concepções de patrimônio, mas sim, o uso racional e harmonioso, sem

prejuízo a qualidade ambiental para que possa atender às necessidades das futuras gerações.

Nesse ínterim, como, então conciliar os padrões de consumo de bens socialmente aceitos

(veículos automotores) e a pressão exercida destes com maximização de poluentes na atmosfera?

É absolutamente certo que o consumo contribui claramente para o desenvolvimento humano

122
FIORILLO, Celso Antônio Pacheco; ABELHA RODRIGUES, Marcelo. Manual do Direito Ambiental e
Legislação Aplicável. 2ª Edição. são Paulo: Max Limonad, p.79.
123
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Comentários à Constituição Brasileira. 1988, São Paulo, Saraiva.ediç.
atualizada em 1990, Vol. 1, p. 420.
89

desde que, por óbvio, não possa afetar adversamente o bem-estar coletivo presente e das gerações

futuras, mas, principalmente, quando respeitar a capacidade da natureza.

Nessa senda, a solução alvitrada - da proteção constitucional à vida, com qualidade -

encontram-se interligadas à proteção ambiental.Nesse sentido nos traz as lições do Código de

Trânsito Brasileiro quando se refere à qualidade de vida que deve ter sua perspectiva ampliada

com saúde, bem-estar, acessibilidade, fluidez, mobilidade, segurança, educação, proteção

ambiental e o trânsito seguro.

Ora, nessa linha de raciocínio, como por demais consabido de que a emissão de gases

poluentes no ar atmosférico é ofertado pelos veículos automotores contaminando o grau de

pureza do bem de uso comum e irrestrito de todos - como direito primário elementar -, por óbvio,

que a circulação desses bens móveis, na via pública, em prol da qualidade do ar e da segurança

do trânsito, deverá ser restringida pelo poder público, até que sejam satisfeitos os requisitos legais

e regulamentares, em nome do direito a um ambiente saudável e dos princípios ontológicos-

finalísticos da lei maior e do sistema jurídico vigente no Estado Democrático de Direito,

conforme hermenêutica contida na decisão da egrégia Corte Superior da Justiça do Brasil:

“O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui


prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do processo de afirmação
dos direitos humanos a expressão significativa de um poder atribuído, não ao individuo
identificado na sua singularidade, mas num sentido verdadeiramente mais abrangente, a
própria coletividade social (...). Os direitos de terceira geração, que materializam poderes
de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas formações sociais consagram o
principio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de
desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados,
enquanto valores fundamentais indisponíveis pela rota de uma essencial
inexauribilidade”.124

124
Supremo Tribunal Federal.Pleno. Julgamento do Mandado de Segurança n.º 22.164.Relator eminente Ministro
Celso de Mello.DJ1,p.39.206, data do julgamento 17.11.1995.Brasília-DF.
90

Não se há de olvidar, também, que a proteção da qualidade do ar atmosférico é dever do

poder público, com lastro no poder de polícia administrativa, para assegurar a sobrevivência da

Terra.Não somos os donos, mas meros depositários (usufrutuários) do meio ambiente ou meros

detentores provisórios que a Constituição declarou pertencer às futuras gerações, pois aos nossos

ancestrais deverá ser transmitido,conforme vetustos ensinamentos do chefe indígena Seattle da

Tribo Duwamish no ano de 1852, ao Presidente Millard Fillmore, ad litteram:

“Mas, como é possível comprar ou vender o céu, ou à terra?

A idéia nos é estranha...

Se não possuímos frescor do ar e a vivacidade da água, como vocês poderão

comprá-los?

Se lhe vendermos nossa terra, lembrem-se que o ar é precioso para nós, o ar

partilha seu espírito com toda vida que ampara.

O vento, que deu ao nosso avô seu primeiro alento, também recebe seu último

suspiro.

O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra.

O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele

faça à rede o fará a si mesmo”.125

125
Chefe indígena SEATTLE, hoje cidade norte-americana,da tribo Duwamish, em sua resposta ao Presidente
Millard Fillmore, no ano de 1852.Também o texto abaixo foi feito ao Presidente dos EUA em 1854, quando quis
comprar um pedaço de terras de índios americanos.Esta lição tem sido, ao passar do tempo, considerada um dos mais
belos e expressivos pronunciamentos feito em defesa da natureza sobre ruídos:”Não há lugar quieto na cidade do
homem branco.Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas da primavera ou bater de asas de um
inseto.Ms talvez seja porque sou selvagem e não compreendo.O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que
91

Acresça-se a isso, sob uma ótica simplista e didática, que “ a atmosfera da Terra pode ser

comparada à pele no corpo humano. Protege, regula o calor do corpo e permite a passagem

controlada de substâncias entre o corpo e o ambiente. É um escudo da vida que,como a pele, é

vulnerável à danificação. O aumento da concentração dos gases, como o crescimento da

espessura da pele, é mudança que pode causar desconfortável sensação de calor.126

A qualidade do ar atmosférico passa pela qualidade do trânsito. O DETRAN/RS desde sua

criação traz em seu bojo a missão de defesa da vida e da segurança do trânsito, que perpassa,

obrigatoriamente, as questões ambientais. A Inspeção Técnica Veicular se bem conduzida se

constituirá em um instrumento eficaz para a minimização da poluição ambiental.

Preliminarmente, trata-se de uma questão de responsabilidade social e dever do Estado que, ao

assegurar as condições adequadas da frota de veículos em circulação, estará contribuindo para a

redução dos índices de acidentalidade e sinistralidade do trânsito.Controlando e minimizando as

emissões de gases poluentes e de ruídos no trânsito de veículos, colaborará para a preservação do

meio ambiente, das condições de segurança, saúde e da melhoria da qualidade de vida da

população. O ar - elemento essencial para a mantença da vida aos seres vivos - ninguém tem o

direito de conspurcá-lo. Se faltar ou sua pureza for comprometida, a função ecológica perecerá

ou, no mínimo, restará prejudicada.Estar ao lado do meio ambiente é defender o bem mais

precioso: a vida. Isto não é utopia. É cidadania.

resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa
à noite...”.
126
BARCELLOS, Paulo Fernando Pinto.Carvão e Gás Natural.Porto Alegre: Associação Energética Estratégica do
Mercosul do Século XXI-Ortiz, 1995. p.102.
92

Nessa angulação, com base no Código de Trânsito Brasileiro e na legislação ambiental

vigente bastaria a edição de uma Resolução do Conselho Nacional de Trânsito que,

conjuntamente com a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, poderia ser

implementada a Inspeção Técnica Veicular no Brasil. O objetivo primordial é a redução das

mortes no trânsito em decorrência das condições de segurança veicular e a redução dos índices de

poluição por emissão de gases e a poluição sonora. Um País que abriu mão de outros modais de

transporte e colocou-se na dependência das rodovias deve assumir a responsabilidade e a

relevância estratégica, energética, econômica, social, de segurança e saúde, diante dos reflexos da

degradação ambiental promovida pela frota de veículos brasileira. A forma de implantação da

ITV deve ser gradual, periódica e paradigmática através de um processo educativo,pedagógico e

prevencionista, compatibilizados com as questões de segurança e ambientais, mantidas pelo

poder público e controladas anualmente quando da emissão do licenciamento do documento do

veículo automotor.127 Por ser função eminentemente de Estado, tais atividades são típicas de

exercício de servidor público para os fins de planejamento, implantação, estudo, fiscalização,

homologação, aplicação das penalidades e demais medidas administrativas - alicerces no poder

de polícia administrativa - atendidos os pressupostos de legitimidade, veracidade e fé pública,

além dos princípios constitucionais operativos explicitados pelo artigo 37, caput, da Carta Magna,

com redação dada pela Emenda Constitucional n.º 19/98.

Não bastasse tudo isso, fruto do óbolo e da graça do ordenamento jurídico anterior, a

política da crise e da exclusão ambiental descambou para a desastrosa cumplicidade do Estado


93

com a ineficiência e o atraso tecnológico da vetusta legislação brasileira. De semelhante miopia,

padeceram os formadores de políticas públicas de segurança do trânsito e meio ambiente do

Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e do Conselho Nacional de Meio Ambiente

(CONAMA),- muito mais o CONTRAN do que o CONAMA, é verdade - ao editarem

Resoluções e, logo após, às sobrestando, trilhando no caminho do exacerbado paternalismo

privado ou no âmbito federalista. À luz dos fatos, os Estados Federados não podem ser os

protagônicos da execução pragmática do processo de modernização e desenvolvimento do

controle efetivo da frota veicular e desencadearem o processo de reversão das precárias condições

do ar atmosférico e da verdadeira tragédia decorrentes dos acidentes de trânsito que assolam o

nosso País com a implantação da ITV e a potencialização dos resultados positivos. Porém,

“políticas públicas é qualquer coisa que os governos escolhem fazer ou não fazer” (Thomas

Rodye,1972). Ignorar as mudanças e o desenvolvimento significa assumir os riscos da

estagnação. Conforme vozes laudatórias, nova postura é preciso para o seu devir, tendo na ITV

essa ferramenta miraculosa.

Desponta o papel fundamental da nova hermenêutica ambiental com seu labor integrador

com o trânsito sob o dogma da dignidade humana. Diante dessa realidade, um dos caminhos que

deve ser perseguido pelo ente público federal é desenvolver, com denodo, ações conjuntas para a

implantação da ITV e os desdobramentos técnicos no campo ambiental e na segurança do

trânsito, como poderosa alavanca na projeção do País no concerto nacional e no cenário

internacional.

127
CRLV – Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo. Arts. 104,131,§ 2.º e 3.º; art. 230,V; art. 230,VIII e
seguintes, todos da Lei n.º 9.503/97- CTB;Resoluções n.º 664/86; 13/98; 16/98-CONTRAN e seguintes contidos no
94

Nos parece propícia a reflexão sobre o que disse certa feita Albert Einstein: “o mundo é

um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas, sim, por causa

daqueles que observam e deixam o mal acontecer”. Não existe caminho de retorno em direção

daquilo que já foi perdido: vidas. A escolha da serenidade e a firmeza forjada nos anos de luta do

sábio José Lutzenberger para auferir a sobrevivência da espécie humana, colocando na berlinda

do ambientalismo a entonação da sinfonia do grande mestre quando se rebelava contra o “bacanal

do esbanjamento” ao reverberar: “(...) estamos agindo como se fôssemos a última geração e a

única espécie que tem direito à vida.Nossa ética, que não aborca os demais seres, não inclui

sequer nossos filhos. A humanidade se aproxima da encruzilhada fatal. O que precisamos agora é

frear, não brutalmente, mas suave e decididamente”.128 A defesa do ar atmosférico se apresenta,

na hermenêutica contemporânea, como luta inexorável que deve ser travada a cada dia e a cada

hora, por maior que seja o sacrifício de cada um em beneficio de todos.A natureza agradece.

Por derradeiro, resta rememorar na esteira dos mestres:

“O futuro pertence àqueles que vêem as possibilidades antes que estas se tornem óbvias”.

(Theodore Levitt,1983).

arcabouço jurídico de trânsito.


128
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Edições,2004.Textos Selecionados: A ideologia da Sociedade de Consumo; o Bacanal do Esbanjamento e a Alma
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TAVARES DOS SANTOS, José Vicente. “Violências, América Latina: a disseminação de

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TOLEDO, Roberto Pompeu. Revista Veja n.º 46. Datada de 17.11.2004. Titulo Carro e Cidade:

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TRIGUEIRO. André. Meio Ambiente no Século 21. Rio de Janeiro: Sextante,2003.

VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara. Transporte Urbano, espaço e eqüidade. São Paulo:

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VIANA DE CARVALHO, Fernanda. Mudança Climática: Análise e Perspectivas para a

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Revistas não especializadas:

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DETRAN/RS. 2002.

Revista SuperInteressante n.º 179. Agosto. Capa: E, se o Trem fosse o principal Transporte no

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VEJA. Revista.n.º 37, 23.09.2004. Título: O Fim do Começo.Editora Abril.

VEJA. Revista. ano n.º 37, n.º 51, Edição 1885, de 2.12.2004. Título: Como Salvar o Planeta.

Editora Abril..

VEJA. Revista. n.º 46 de 17.11.2004. Editora Abril.

VEJA. Revista. ed.1857. n.º 23. Junho. Petróleo. O que fazer quando acabar. Alternativas

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104

Jornais:

ZERO HORA Jornal. Porto Alegre, RS. Datado de 14.11.2004. p. 7 e 27.

ZERO HORA, Jornal. Caderno do Ambiente. Porto Alegre,RS. Datas de 26.02.2004 e

21.07.2004.

Endereços Eletrônicos:

http://pauloregis.cjb.net

www.detran.rs.gov.br

www.mj.gov.br;

www.mma.gov.br.

www.senado.gov.br
105

8. APÊNDICES

8.1 ESTATÍSTICAS

ASPECTOS GERAIS DO RIO GRANDE DO SUL


282.184 km2

ÁREA:

POPULAÇÃO: 10.510.992 *

CONDUTORES HABILITADOS

Com Documentos de Habilitação Válidos: 2.612.448

Com Documentos de Habilitação Cadastrados: 3.181.540

FROTA

Circulante: 3.053.985

Cadastrada: 3.772.276

MALHA VIÁRIA: 16.307,48** km

FEDERAL

Pavimentada: 5.072,73 km

Não – pavimentada: 211,34 km

Total: 5.284,07 km

ESTADUAL:
106

Pavimentada: 6.593,48 km

Não – pavimentada: 4.429,93 km

Total: 11.023,41 km

MUNICÍPIOS: 496*

Menos de 5.000 hab. 226

Entre 5.001 e 10.000 habitantes 111

Entre 10.001 e 40.000 habitantes 112

Entre 40.001 e 70.000 habitantes 20

Entre 70.001 e 100.000 habitantes 10

Entre 100.001 e 300.000 habitantes 13

Mais de 300.000 habitantes 04

* Estimativa IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

** DAER - Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem.

ÍNDICE DE MOTORIZAÇÃO POR MUNICÍPIO ANO 2003

CLASSIFI- ESTIMATIVA FROTA EM


MUNICÍPIO ÍNDICE DE MOTORIZAÇÃO
CAÇÃO POPULAÇÃO CIRCULAÇÃO

1 PARECI NOVO 3.384 1.807 53,40

2 ENCANTADO 19.147 8.989 46,95

3 SÃO MARCOS 19.913 9.245 46,43

4 LAJEADO 63.045 28.281 44,86

5 SELBACH 4.948 2.201 44,48

6 FLORES DA CUNHA 25.561 11.209 43,85

7 SÃO VENDELINO 1.751 765 43,69


107

8 SANTA CLARA DO SUL 5.023 2.190 43,60

9 VICTOR GRAEFF 3.306 1.434 43,38

10 COLINAS 2.426 1.050 43,28

11 ANTÔNIO PRADO 13.512 5.838 43,21

12 IPIRANGA DO SUL 1.967 849 43,16

13 POÇO DAS ANTAS 1.897 817 43,07

14 BROCHIER 4.470 1.925 43,06

15 QUARAÍ 24.593 10.574 43,00

16 ESTRELA 28.302 12.099 42,75

17 VERANÓPOLIS 20.252 8.652 42,72

18 GARIBALDI 27.813 11.826 42,52

19 NOVA PÁDUA 2.425 1.028 42,39

20 SALVADOR DO SUL 5.874 2.481 42,24

21 HARMONIA 3.839 1.618 42,15

22 MATO LEITÃO 3.364 1.412 41,97

23 NOVA BASSANO 8.167 3.425 41,94

24 TAPEJARA 14.744 6.169 41,84

25 NOVA PETRÓPOLIS 17.984 7.405 41,18

26 NOVA ARAÇÁ 3.349 1.376 41,09

27 LAGOA DOS TRÊS CANTOS 1.582 642 40,58

28 BENTO GONÇALVES 96.878 39.301 40,57

29 SÃO JOSÉ DO HORTÊNCIO 3.625 1.465 40,41

30 TEUTÔNIA 22.654 9.155 40,41

31 IMIGRANTE 2.962 1.194 40,31

32 CASCA 8.586 3.451 40,19

33 IBIRUBÁ 18.885 7.568 40,07

34 HORIZONTINA 17.907 7.171 40,05

35 VALE REAL 4.621 1.826 39,52

36 SANTA CRUZ DO SUL 112.705 44.462 39,45

37 CARLOS BARBOSA 21.807 8.587 39,38


108

38 COLORADO 3.972 1.562 39,33

39 IVOTI 16.594 6.495 39,14

40 ERNESTINA 3.098 1.208 38,99

41 ARROIO DO MEIO 17.633 6.865 38,93

42 PARAÍ 6.300 2.447 38,84

43 FELIZ 12.007 4.661 38,82

44 PANAMBI 33.605 12.970 38,60

45 VILA FLORES 3.220 1.238 38,45

46 NOVA PRATA 19.351 7.439 38,44

47 MUÇUM 4.687 1.800 38,40

48 CHAPADA 9.606 3.680 38,31

49 CAXIAS DO SUL 381.940 146.293 38,30

50 MARAU 30.297 11.596 38,27

51 FARROUPILHA 58.500 22.327 38,17

52 CHUÍ 5.766 2.196 38,09

53 GRAMADO 30.595 11.610 37,95

54 VILA MARIA 4.208 1.593 37,86

55 SANANDUVA 14.835 5.611 37,82

56 SÃO PEDRO DA SERRA 3.071 1.161 37,81

57 IBIAÇÁ 4.646 1.750 37,67

58 SANTO ANTÔNIO DO PLANALTO 1.999 752 37,62

59 ESTÂNCIA VELHA 37.271 13.995 37,55

60 SERTÃO SANTANA 5.399 2.016 37,34

61 NÃO-ME-TOQUE 14.764 5.511 37,33

62 BOM PRINCÍPIO 10.117 3.762 37,18

63 BOA VISTA DO BURICÁ 6.623 2.460 37,14

64 FORTALEZA DOS VALOS 5.112 1.893 37,03

65 PORTO ALEGRE 1.394.085 513.931 36,87

66 BARRA FUNDA 2.310 850 36,80

67 MORRO REDONDO 5.976 2.181 36,50


109

68 SERAFINA CORRÊA 11.644 4.244 36,45

69 NOVA BOA VISTA 2.170 790 36,41

70 IBIRAIARAS 7.096 2.574 36,27

71 CAMPINAS DO SUL 5.646 2.043 36,18

72 TUPANDI 3.153 1.138 36,09

73 LINHA NOVA 1.596 575 36,03

74 MARATÁ 2.485 894 35,98

75 CERRO GRANDE DO SUL 8.515 3.058 35,91

76 BARÃO 5.359 1.924 35,90

77 DAVID CANABARRO 4.762 1.692 35,53

78 BOA VISTA DO SUL 2.868 1.019 35,53

79 MONTENEGRO 56.874 20.197 35,51

80 ANTA GORDA 6.266 2.222 35,46

81 FAGUNDES VARELA 2.446 867 35,45

82 PORTÃO 26.249 9.265 35,30

83 ALTO FELIZ 2.849 1.004 35,24

84 SÃO JOSÉ DO OURO 7.038 2.479 35,22

85 ESPUMOSO 14.999 5.282 35,22

86 ARVOREZINHA 10.402 3.658 35,17

87 QUINZE DE NOVEMBRO 3.629 1.271 35,02

88 VANINI 1.906 666 34,94

89 AUGUSTO PESTANA 7.772 2.714 34,92

90 SANTANA DO LIVRAMENTO 94.114 32.813 34,87

91 SÃO JOSÉ DO SUL 1.813 629 34,69

92 MORRO REUTER 5.219 1.806 34,60

93 NOVA BRÉSCIA 3.061 1.055 34,47

94 ANDRÉ DA ROCHA 1.133 390 34,42

95 DOIS LAJEADOS 3.226 1.107 34,31

96 CÂNDIDO GODÓI 6.854 2.347 34,24

97 PICADA CAFÉ 5.029 1.722 34,24


110

98 PRESIDENTE LUCENA 2.112 723 34,23

99 TRÊS DE MAIO 24.181 8.277 34,23

100 SALDANHA MARINHO 3.153 1.079 34,22

101 SERTÃO 7.212 2.465 34,18

102 ERECHIM 92.736 31.673 34,15

103 JACUTINGA 3.802 1.295 34,06

104 WESTFALIA 2.731 926 33,91

105 GUAPORÉ 20.904 7.085 33,89

106 SÃO JORGE 2.875 972 33,81

107 TRÊS CACHOEIRAS 9.992 3.376 33,79

108 NICOLAU VERGUEIRO 1.814 612 33,74

109 OSÓRIO 38.004 12.806 33,70

110 MONTE BELO DO SUL 2.867 966 33,69

111 SANTA ROSA 67.089 22.585 33,66

112 SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ 20.739 6.974 33,63

113 VENÂNCIO AIRES 63.793 21.386 33,52

114 RELVADO 2.202 738 33,51

115 SALVADOR DAS MISSÕES 2.633 882 33,50

116 AJURICABA 7.588 2.531 33,36

117 HUMAITÁ 4.995 1.654 33,11

118 SÃO VALENTIM DO SUL 2.061 681 33,04

119 NOVO HAMBURGO 245.597 81.070 33,01

120 GETÚLIO VARGAS 16.336 5.379 32,93

121 SÃO DOMINGOS DO SUL 2.914 959 32,91

122 GENTIL 1.720 565 32,85

123 MONTAURI 1.653 541 32,73

124 SARANDI 18.829 6.161 32,72

125 TUCUNDUVA 6.177 2.020 32,70

126 CAMARGO 2.489 813 32,66

127 PEJUÇARA 4.235 1.380 32,59


111

128 CAMPO BOM 55.910 18.140 32,45

129 PASSO DO SOBRADO 5.635 1.828 32,44

130 TRÊS PASSOS 24.032 7.782 32,38

131 CRUZEIRO DO SUL 11.979 3.868 32,29

132 TRÊS ARROIOS 3.100 1.000 32,26

133 NOVA ROMA DO SUL 3.054 983 32,19

134 SÃO MARTINHO 6.014 1.933 32,14

135 IJUÍ 77.335 24.855 32,14

136 UNIÃO DA SERRA 1.730 556 32,14

137 SANTO CRISTO 14.897 4.774 32,05

138 FAZENDA VILANOVA 2.992 957 31,99

139 CARAZINHO 59.454 18.990 31,94

140 NOVA PALMA 6.353 2.018 31,76

141 NOVA ALVORADA 2.789 885 31,73

142 PROTÁSIO ALVES 2.042 641 31,39

143 COTIPORÃ 4.073 1.276 31,33

144 TUPARENDI 9.434 2.951 31,28

145 TRAVESSEIRO 2.285 712 31,16

146 FREDERICO WESTPHALEN 27.321 8.499 31,11

147 PUTINGA 4.316 1.336 30,95

148 SAPUCAIA DO SUL 128.255 39.644 30,91

149 ESTEIO 82.975 25.633 30,89

150 CERRO LARGO 12.476 3.847 30,84

151 ROCA SALES 9.314 2.870 30,81

152 SAPIRANGA 73.276 22.568 30,80

153 CONSTANTINA 9.656 2.968 30,74

154 DOUTOR RICARDO 2.150 659 30,65

155 IPÊ 5.375 1.640 30,51

156 NOVA CANDELÁRIA 2.806 856 30,51

157 TRÊS COROAS 20.768 6.327 30,47


112

158 SANTA MARIA DO HERVAL 6.135 1.867 30,43

159 TAPERA 10.798 3.270 30,28

160 CIRÍACO 5.066 1.532 30,24

161 GAURAMA 6.358 1.912 30,07

162 BOM RETIRO DO SUL 11.292 3.392 30,04

163 SILVEIRA MARTINS 2.630 790 30,04

164 CANGUÇU 51.780 15.484 29,90

165 VACARIA 59.392 17.730 29,85

166 FAXINAL DO SOTURNO 6.908 2.061 29,83

167 PASSO FUNDO 176.729 52.709 29,82

168 ESTAÇÃO 6.443 1.917 29,75

169 DOIS IRMÃOS 24.819 7.340 29,57

170 IGREJINHA 28.693 8.481 29,56

171 COQUEIROS DO SUL 2.635 778 29,53

172 SEVERIANO DE ALMEIDA 4.068 1.197 29,42

173 CORONEL BARROS 2.461 724 29,42

174 CAMAQUÃ 62.031 18.244 29,41

175 CANELA 36.343 10.671 29,36

176 VISTA ALEGRE DO PRATA 1.567 460 29,36

177 CRISSIUMAL 14.414 4.231 29,35

178 VESPASIANO CORREA 2.191 643 29,35

179 CACHOEIRINHA 113.531 33.211 29,25

180 MORRINHOS DO SUL 3.535 1.033 29,22

181 MATO CASTELHANO 2.527 738 29,20

182 PONTE PRETA 2.002 584 29,17

183 BOA VISTA DAS MISSÕES 2.198 640 29,12

184 ITAARA 4.846 1.405 28,99

185 JAGUARÃO 30.813 8.922 28,96

186 SANTA TEREZA 1.669 482 28,88

187 SÃO PEDRO DO BUTIÁ 2.865 826 28,83


113

188 SANTO EXPEDITO DO SUL 2.585 743 28,74

189 VERA CRUZ 22.344 6.386 28,58

190 SANTO AUGUSTO 14.184 4.053 28,57

191 ILÓPOLIS 4.377 1.247 28,49

192 SANTO ÂNGELO 78.150 22.260 28,48

193 MARQUES DE SOUZA 4.348 1.236 28,43

194 TAQUARI 27.031 7.680 28,41

195 TERRA DE AREIA 8.855 2.511 28,36

196 CAMPESTRE DA SERRA 3.205 908 28,33

197 TAQUARA 56.016 15.845 28,29

198 SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA 37.778 10.667 28,24

199 IBARAMA 4.252 1.200 28,22

200 TAQUARUÇU DO SUL 2.878 812 28,21

201 VILA LÂNGARO 2.281 643 28,19

202 CANOAS 317.442 89.308 28,13

203 RONDINHA 5.793 1.625 28,05

204 SÃO LOURENÇO DO SUL 44.438 12.376 27,85

205 MAXIMILIANO DE ALMEIDA 5.348 1.488 27,82

206 XANGRI-LÁ 9.095 2.526 27,77

207 ÁGUA SANTA 3.880 1.077 27,76

208 CAPITÃO 2.677 742 27,72

209 SANTA MARIA 254.640 70.562 27,71

210 PELOTAS 331.372 91.573 27,63

211 SANTA BÁRBARA DO SUL 10.022 2.764 27,58

212 RODEIO BONITO 5.662 1.561 27,57

213 CONDOR 6.513 1.791 27,50

214 TORRES 32.561 8.941 27,46

215 CAPÃO DA CANOA 33.894 9.298 27,43

216 NOVA SANTA RITA 17.560 4.814 27,41

217 SOBRADINHO 14.121 3.867 27,38


114

218 CERRO BRANCO 4.303 1.178 27,38

219 CAIÇARA 5.388 1.473 27,34

220 TABAÍ 3.782 1.033 27,31

221 SÃO JOÃO DA URTIGA 4.842 1.322 27,30

222 CAMPINA DAS MISSÕES 6.779 1.849 27,28

223 AGUDO 17.682 4.820 27,26

224 ARATIBA 6.861 1.870 27,26

225 ALTO ALEGRE 2.136 582 27,25

226 SANTA VITÓRIA DO PALMAR 33.940 9.221 27,17

227 CATUÍPE 9.974 2.701 27,08

228 GUABIJU 1.753 474 27,04

229 RONDA ALTA 9.803 2.650 27,03

230 BARÃO DE COTEGIPE 6.518 1.759 26,99

231 CASEIROS 2.871 773 26,92

232 DOUTOR MAURÍCIO CARDOSO 6.058 1.630 26,91

233 NOVO MACHADO 4.491 1.205 26,83

234 PROGRESSO 6.104 1.637 26,82

235 MULITERNO 1.729 462 26,72

236 MARCELINO RAMOS 5.809 1.545 26,60

237 TUPANCI DO SUL 1.624 430 26,48

238 GLORINHA 6.022 1.591 26,42

239 SÃO JOÃO DO POLÊSINE 2.832 747 26,38

240 EREBANGO 2.966 781 26,33

241 GIRUÁ 18.382 4.839 26,32

242 SÃO LEOPOLDO 201.446 53.021 26,32

243 PAVERAMA 7.911 2.070 26,17

244 DOM PEDRITO 41.136 10.713 26,04

245 LAGOA VERMELHA 28.338 7.368 26,00

246 SÃO JOSÉ DO INHACORÁ 2.358 612 25,95

247 ESMERALDA 3.074 797 25,93


115

248 PALMEIRA DAS MISSÕES 36.188 9.370 25,89

249 ENTRE-IJUÍS 9.624 2.489 25,86

250 ROLANTE 19.216 4.958 25,80

251 CAPIVARI DO SUL 3.292 845 25,67

252 CRUZ ALTA 68.063 17.433 25,61

253 BAGÉ 118.016 29.950 25,38

254 SANTO ANTÔNIO DO PALMA 2.189 553 25,26

255 ARROIO DO TIGRE 12.327 3.109 25,22

256 SANTIAGO 50.802 12.762 25,12

257 SÃO FRANCISCO DE PAULA 19.871 4.991 25,12

258 AMETISTA DO SUL 7.722 1.938 25,10

259 MARIANO MORO 2.313 579 25,03

260 FORQUETINHA 2.762 690 24,98

261 RIO GRANDE 190.894 47.678 24,98

262 SEBERI 10.898 2.719 24,95

263 TRAMANDAÍ 34.401 8.574 24,92

264 SÃO LUIZ GONZAGA 36.080 8.955 24,82

265 CHUVISCA 4.561 1.132 24,82

266 CAIBATÉ 5.090 1.263 24,81

267 LAGOA BONITA DO SUL 2.500 616 24,64

268 SÃO VALENTIM 3.952 971 24,57

269 ALMIRANTE TAMANDARÉ DO SUL 2.310 567 24,55

270 VISTA GAÚCHA 2.718 663 24,39

271 MARIANA PIMENTEL 3.940 959 24,34

272 CACHOEIRA DO SUL 88.622 21.541 24,31

273 PALMITINHO 6.986 1.698 24,31

274 SÉRIO 2.604 632 24,27

275 CRUZALTENSE 2.521 611 24,24

276 SENADOR SALGADO FILHO 2.877 697 24,23

277 PAROBÉ 48.713 11.712 24,04


116

278 GUARANI DAS MISSÕES 8.792 2.113 24,03

279 CANDELÁRIA 30.181 7.246 24,01

280 LINDOLFO COLLOR 4.811 1.152 23,95

281 INDEPENDÊNCIA 7.252 1.735 23,92

282 CENTENÁRIO 3.071 734 23,90

283 IVORÁ 2.474 591 23,89

284 JÓIA 8.523 2.035 23,88

285 COQUEIRO BAIXO 1.579 376 23,81

286 NOVA RAMADA 2.651 629 23,73

287 JAGUARI 12.408 2.940 23,69

288 MATO QUEIMADO 1.972 465 23,58

289 PARAÍSO DO SUL 7.411 1.745 23,55

290 ACEGUÁ 4.036 949 23,51

291 VIADUTOS 5.952 1.397 23,47

292 COXILHA 2.960 690 23,31

293 ÁUREA 3.820 887 23,22

294 URUGUAIANA 130.866 30.267 23,13

295 SEDE NOVA 3.046 704 23,11

296 CHARQUEADAS 31.564 7.289 23,09

297 BOZANO 2.395 553 23,09

298 CAMPOS BORGES 3.759 865 23,01

299 PAIM FILHO 4.657 1.070 22,98

300 TUPANCIRETÃ 21.437 4.917 22,94

301 IRAÍ 8.782 2.002 22,80

302 POUSO NOVO 2.189 499 22,80

303 CHIAPETTA 4.510 1.028 22,79

304 JÚLIO DE CASTILHOS 20.633 4.702 22,79

305 VISTA ALEGRE 2.949 672 22,79

306 SÃO BORJA 66.086 15.055 22,78

307 NOVA ESPERANÇA DO SUL 4.140 940 22,71


117

308 SENTINELA DO SUL 4.979 1.129 22,68

309 SOLEDADE 30.217 6.849 22,67

310 PORTO MAUÁ 2.755 623 22,61

311 ESTRELA VELHA 3.680 829 22,53

312 DOM PEDRO DE ALCÂNTARA 2.753 620 22,52

313 RIOZINHO 4.281 964 22,52

314 GRAVATAÍ 248.523 55.884 22,49

315 CRISTAL 6.804 1.526 22,43

316 CAMBARÁ DO SUL 6.762 1.514 22,39

317 MORMAÇO 2.442 546 22,36

318 BARÃO DO TRIUNFO 6.904 1.542 22,33

319 DOM FELICIANO 13.968 3.119 22,33

320 SINIMBU 9.955 2.221 22,31

321 CAÇAPAVA DO SUL 34.651 7.699 22,22

322 DONA FRANCISCA 3.999 888 22,21

323 GUAÍBA 99.100 21.869 22,07

324 RESTINGA SECA 16.757 3.695 22,05

325 NOVA HARTZ 16.694 3.674 22,01

326 SÃO MIGUEL DAS MISSÕES 7.403 1.626 21,96

327 SÃO SEPÉ 24.663 5.398 21,89

328 MACHADINHO 5.232 1.144 21,87

329 UBIRETAMA 2.609 570 21,85

330 BOQUEIRÃO DO LEÃO 7.969 1.740 21,83

331 PLANALTO 10.990 2.396 21,80

332 SALTO DO JACUÍ 12.102 2.638 21,80

333 ENTRE RIOS DO SUL 3.322 723 21,76

334 VALE DO SOL 10.593 2.301 21,72

335 PORTO XAVIER 11.269 2.434 21,60

336 SANTA CECÍLIA DO SUL 1.747 377 21,58

337 TAPES 16.986 3.661 21,55


118

338 PASSA SETE 4.607 992 21,53

339 TENENTE PORTELA 13.931 2.984 21,42

340 EUGÊNIO DE CASTRO 3.243 693 21,37

341 CAMPO NOVO 6.568 1.403 21,36

342 IBIRAPUITÃ 4.073 869 21,34

343 BARRA DO RIO AZUL 2.304 491 21,31

344 MAQUINÉ 7.457 1.578 21,16

345 SÃO PAULO DAS MISSÕES 6.775 1.433 21,15

346 SÃO JERÔNIMO 20.174 4.266 21,15

347 TRIUNFO 23.473 4.956 21,11

348 ERVAL GRANDE 5.146 1.086 21,10

349 PEDRO OSÓRIO 8.158 1.718 21,06

350 SEGREDO 6.899 1.446 20,96

351 SANTANA DA BOA VISTA 8.687 1.818 20,93

352 MIRAGUAÍ 4.737 990 20,90

353 IMBÉ 13.748 2.873 20,90

354 AMARAL FERRADOR 5.685 1.187 20,88

355 BARRACÃO 5.395 1.125 20,85

356 CORONEL PILAR 1.980 411 20,76

357 ARROIO DO PADRE 2.650 550 20,75

358 BARROS CASSAL 11.051 2.288 20,70

359 SÃO GABRIEL 61.104 12.616 20,65

360 ALECRIM 7.984 1.648 20,64

361 SÃO PEDRO DO SUL 16.942 3.497 20,64

362 BRAGA 3.974 818 20,58

363 PORTO LUCENA 6.180 1.270 20,55

364 BARRA DO RIBEIRO 12.183 2.498 20,50

365 MATA 5.574 1.137 20,40

366 ARROIO DOS RATOS 13.800 2.791 20,22

367 ARROIO GRANDE 19.461 3.935 20,22


119

368 PALMARES DO SUL 11.476 2.317 20,19

369 CACIQUE DOBLE 4.696 948 20,19

370 BOM JESUS 11.622 2.343 20,16

371 TOROPI 3.183 641 20,14

372 NOVO CABRAIS 3.637 730 20,07

373 HERVAL 7.177 1.439 20,05

374 ITAPUCA 2.648 529 19,98

375 CERRO GRANDE 2.491 496 19,91

376 PINHAL 2.430 483 19,88

377 PAULO BENTO 2.226 442 19,86

378 CANDIOTA 8.820 1.748 19,82

379 CHARRUA 3.757 741 19,72

380 ROQUE GONZALES 7.488 1.474 19,68

381 BUTIÁ 20.821 4.098 19,68

382 FLORIANO PEIXOTO 2.290 450 19,65

383 PONTÃO 3.732 729 19,53

384 SÃO VICENTE DO SUL 8.570 1.673 19,52

385 ALEGRETE 86.078 16.803 19,52

386 RIO PARDO 37.874 7.288 19,24

387 TIO HUGO 2.421 465 19,21

388 VITÓRIA DAS MISSÕES 3.847 736 19,13

389 GRAMADO XAVIER 3.695 706 19,11

390 CORONEL BICACO 8.077 1.542 19,09

391 NOVO BARREIRO 3.819 728 19,06

392 PINHEIRO MACHADO 14.074 2.677 19,02

393 LIBERATO SALZANO 5.931 1.120 18,88

394 TRINDADE DO SUL 5.612 1.058 18,85

395 NONOAI 12.881 2.404 18,66

396 ROSÁRIO DO SUL 41.241 7.693 18,65

397 TURUÇU 3.818 711 18,62


120

398 PIRATINI 19.956 3.699 18,54

399 ARARICÁ 4.361 806 18,48

400 DERRUBADAS 3.481 641 18,41

401 PINHAL GRANDE 4.909 903 18,39

402 LAVRAS DO SUL 7.887 1.441 18,27

403 MINAS DO LEÃO 7.472 1.362 18,23

404 JABOTICABA 4.373 797 18,23

405 GENERAL CÂMARA 8.688 1.574 18,12

406 ITAQUI 41.050 7.421 18,08

407 TRÊS PALMEIRAS 4.494 809 18,00

408 PANTANO GRANDE 11.275 2.024 17,95

409 ALPESTRE 9.249 1.649 17,83

410 ITATIBA DO SUL 4.819 858 17,80

411 VALE VERDE 3.153 560 17,76

412 ESPERANÇA DO SUL 3.540 625 17,66

413 ARROIO DO SAL 5.964 1.049 17,59

414 ALEGRIA 5.096 896 17,58

415 FAXINALZINHO 2.873 505 17,58

416 ERVAL SECO 8.860 1.546 17,45

417 SETE DE SETEMBRO 2.270 392 17,27

418 CARLOS GOMES 1.773 306 17,26

419 VIAMÃO 241.826 41.708 17,25

420 TIRADENTES DO SUL 7.020 1.204 17,15

421 BOM PROGRESSO 2.835 483 17,04

422 INHACORÁ 2.387 406 17,01

423 SÃO FRANCISCO DE ASSIS 20.711 3.515 16,97

424 BOA VISTA DO INCRA 2.310 390 16,88

425 FORMIGUEIRO 7.568 1.277 16,87

426 SÃO JOSÉ DO HERVAL 2.553 428 16,76

427 ELDORADO DO SUL 30.215 5.051 16,72


121

428 ENCRUZILHADA DO SUL 24.368 4.067 16,69

429 PINHEIRINHO DO VALE 3.975 660 16,60

430 DEZESSEIS DE NOVEMBRO 3.279 536 16,35

431 VILA NOVA DO SUL 4.393 716 16,30

432 CERRITO 6.927 1.110 16,02

433 MAMPITUBA 3.135 502 16,01

434 TRÊS FORQUILHAS 3.233 516 15,96

435 BARRA DO QUARAÍ 4.071 648 15,92

436 NOVO TIRADENTES 2.422 379 15,65

437 SANTO ANTÔNIO DAS MISSÕES 12.610 1.973 15,65

438 VICENTE DUTRA 5.975 933 15,62

439 CANUDOS DO VALE 2.045 319 15,60

440 HERVEIRAS 2.981 462 15,50

441 ENGENHO VELHO 1.942 298 15,35

442 DOIS IRMÃOS DAS MISSÕES 2.226 341 15,32

443 QUATRO IRMÃOS 1.837 277 15,08

444 FONTOURA XAVIER 11.282 1.695 15,02

445 MUITOS CAPÕES 2.962 435 14,69

446 CAPELA DE SANTANA 10.819 1.578 14,59

447 BOA VISTA DO CADEADO 2.497 361 14,46

448 CACEQUI 15.150 2.190 14,46

449 JAQUIRANA 5.048 728 14,42

450 CRISTAL DO SUL 2.829 401 14,17

451 BOSSOROCA 7.702 1.085 14,09

452 CAPÃO DO LEÃO 25.204 3.547 14,07

453 MANOEL VIANA 7.374 1.035 14,04

454 SÃO JOSÉ DOS AUSENTES 3.166 443 13,99

455 NOVO XINGU 1.814 253 13,95

456 ARAMBARÉ 4.192 582 13,88

457 TUNAS 4.286 594 13,86


122

458 SÃO PEDRO DAS MISSÕES 1.784 246 13,79

459 MOSTARDAS 12.449 1.705 13,70

460 PIRAPÓ 3.204 436 13,61

461 SÃO MARTINHO DA SERRA 3.296 444 13,47

462 ALVORADA 196.882 26.132 13,27

463 GRAMADO DOS LOUREIROS 2.508 332 13,24

464 TAVARES 5.424 708 13,05

465 CARAÁ 6.532 852 13,04

466 QUEVEDOS 2.666 339 12,72

467 CIDREIRA 10.084 1.277 12,66

468 HULHA NEGRA 4.741 588 12,40

469 PORTO VERA CRUZ 2.345 290 12,37

470 MONTE ALEGRE DOS CAMPOS 3.148 385 12,23

471 PINHAL DA SERRA 2.369 287 12,11

472 LAGOÃO 6.117 732 11,97

473 ITATI 2.920 345 11,82

474 RIO DOS ÍNDIOS 4.412 517 11,72

475 SÃO JOSÉ DAS MISSÕES 2.929 342 11,68

476 SÃO VALÉRIO DO SUL 2.615 305 11,66

477 SÃO NICOLAU 6.262 730 11,66

478 BENJAMIN CONSTANT DO SUL 2.615 302 11,55

479 JACUIZINHO 2.416 275 11,38

480 SAGRADA FAMÍLIA 2.590 293 11,31

481 CAPÃO DO CIPÓ 2.598 293 11,28

482 ROLADOR 2.821 312 11,06

483 REDENTORA 8.744 958 10,96

484 CAPÃO BONITO DO SUL 1.943 209 10,76

485 DILERMANDO DE AGUIAR 3.265 343 10,51

486 UNISTALDA 2.677 275 10,27

487 GARRUCHOS 3.832 389 10,15


123

488 JARI 3.710 373 10,05

489 BARRA DO GUARITA 2.823 281 9,95

490 BALNEÁRIO PINHAL 8.549 784 9,17

491 ITACURUBI 3.544 313 8,83

492 LAJEADO DO BUGRE 2.419 213 8,81

493 SÃO JOSÉ DO NORTE 24.327 2.131 8,76

494 SANTA MARGARIDA DO SUL 2.211 193 8,73

495 MAÇAMBARA 5.217 317 6,08

496 PEDRAS ALTAS 2.640 158 5,98

497 PINTO BANDEIRA* - 626 -

TOTAL 10.510.992 3.053.985 29,06

ÍNDICE DE MOTORIZAÇÃO=Veículos para grupo de 100 habitantes

*Emancipação cancelada

Detran-RS

FROTA DO RIO GRANDE DO SUL - 1999 - 2003

VEÍCULOS CADASTRADOS

SITUAÇÃO

ANO
TRANSFERIDO REGISTRO
EM CIRCULAÇÃO BAIXADOS TOTAL
PARA OUTRA UF DESATIVADO

1999 2.904.215 10.549 95.325 - 3.010.089

2000 3.048.560 12.340 117.550 - 3.178.450

2001 3.211.751 14.011 140.226 - 3.365.988

2002 3.364.720 28.009 168.426 - 3.561.155


124

2003 3.053.985 35.455 193.109 489.727 3.772.276

Detran - RS

VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO POR MUNICÍPIO

CLASSI- ANO
MUNICÍPIO
FICAÇÃO 2001 2002 2003

1 PORTO ALEGRE 646.547 659.236 513.931

2 CAXIAS DO SUL 150.358 157.855 146.293

3 PELOTAS 101.254 104.025 91.573

4 CANOAS 89.600 94.263 89.308

NOVO
5 83.408 88.475 81.070
HAMBURGO

6 SANTA MARIA 73.873 76.386 70.562

7 GRAVATAI 51.171 56.237 55.884

8 SAO LEOPOLDO 53.925 56.601 53.021

9 PASSO FUNDO 53.107 56.440 52.709

10 RIO GRANDE 51.091 53.388 47.678

SANTA CRUZ DO
11 43.612 45.937 44.462
SUL

12 VIAMAO 38.185 42.074 41.708

SAPUCAIA DO
13 40.901 42.134 39.644
SUL

BENTO
14 39.780 41.361 39.301
GONCALVES

15 CACHOEIRINHA 35.867 37.125 33.211

SANTANA DO
16 38.257 39.586 32.813
LIVRAMENTO

17 ERECHIM 31.776 33.490 31.673

18 URUGUAIANA 35.001 36.152 30.267

19 BAGE 34.234 35.138 29.950

20 LAJEADO 28.538 29.989 28.281


125

21 ALVORADA 23.764 26.078 26.132

22 ESTEIO 28.715 28.425 25.633

23 IJUI 25.589 26.778 24.855

24 SANTA ROSA 21.865 22.934 22.585

25 SAPIRANGA 23.111 23.833 22.568

26 FARROUPILHA 22.270 23.015 22.327

27 SANTO ANGELO 25.668 26.588 22.260

28 GUAIBA 21.865 23.190 21.869

CACHOEIRA DO
29 24.464 25.218 21.541
SUL

30 VENANCIO AIRES 20.516 21.687 21.386

31 MONTENEGRO 20.217 21.178 20.197

32 CARAZINHO 18.740 19.822 18.990

33 CAMAQUA 18.232 19.362 18.244

34 CAMPO BOM 18.006 19.094 18.140

35 VACARIA 18.694 19.682 17.730

36 CRUZ ALTA 18.811 19.350 17.433

37 ALEGRETE 18.044 18.659 16.803

38 TAQUARA 16.687 17.531 15.845

39 CANGUCU 14.906 15.998 15.484

40 SAO BORJA 16.537 17.168 15.055

41 ESTANCIA VELHA 14.002 14.428 13.995

42 PANAMBI 13.178 13.863 12.970

43 OSORIO 13.995 14.424 12.806

44 SANTIAGO 13.274 13.711 12.762

45 SAO GABRIEL 13.486 13.872 12.616

SAO LOURENCO
46 12.642 13.258 12.376
DO SUL

47 ESTRELA 12.587 13.087 12.099

48 GARIBALDI 12.336 12.851 11.826

49 PAROBE 11.133 11.841 11.712

50 GRAMADO 11.519 12.182 11.610

51 MARAU 10.587 11.525 11.596

52 FLORES DA 10.942 11.527 11.209


126

CUNHA

53 DOM PEDRITO 10.956 11.330 10.713

54 CANELA 11.046 11.312 10.671

SANTO ANTONIO
55 11.112 11.605 10.667
DA PATRULHA

56 QUARAI 12.583 13.071 10.574

PALMEIRA DAS
57 10.434 10.878 9.370
MISSOES

CAPAO DA
58 9.144 9.786 9.298
CANOA

59 PORTAO 8.461 9.386 9.265

60 SAO MARCOS 9.862 10.084 9.245

SANTA VITORIA
61 11.048 11.388 9.221
DO PALMAR

62 TEUTONIA 8.363 9.026 9.155

63 ENCANTADO 9.879 10.111 8.989

SAO LUIZ
64 9.086 9.560 8.955
GONZAGA

65 TORRES 10.413 10.810 8.941

66 JAGUARAO 10.866 11.166 8.922

67 VERANOPOLIS 8.781 9.243 8.652

CARLOS
68 7.941 8.463 8.587
BARBOSA

69 TRAMANDAI 8.896 9.505 8.574

FREDERICO
70 9.255 9.714 8.499
WESTPHALEN

71 IGREJINHA 8.157 8.667 8.481

72 TRES DE MAIO 8.130 8.642 8.277

73 TRES PASSOS 8.363 8.785 7.782

CACAPAVA DO
74 8.175 8.488 7.699
SUL

75 ROSARIO DO SUL 8.196 8.600 7.693

76 TAQUARI 7.438 7.917 7.680

77 IBIRUBA 6.706 7.230 7.568


127

78 NOVA PRATA 7.070 7.430 7.439

79 ITAQUI 8.280 8.407 7.421

NOVA
80 7.390 7.775 7.405
PETROPOLIS

LAGOA
81 7.729 8.110 7.368
VERMELHA

82 DOIS IRMAOS 6.979 7.547 7.340

83 CHARQUEADAS 7.119 7.554 7.289

84 RIO PARDO 7.782 8.195 7.288

85 CANDELARIA 6.680 7.312 7.246

86 HORIZONTINA 6.736 7.232 7.171

87 GUAPORE 6.689 6.983 7.085

SAO SEBASTIAO
88 8.055 8.144 6.974
DO CAI

89 ARROIO DO MEIO 6.610 6.965 6.865

90 SOLEDADE 6.839 7.299 6.849

91 IVOTI 6.096 6.508 6.495

92 VERA CRUZ 5.882 6.435 6.386

93 TRES COROAS 5.953 6.351 6.327

94 TAPEJARA 5.609 6.182 6.169

95 SARANDI 6.268 6.621 6.161

96 ANTONIO PRADO 6.155 6.285 5.838

97 SANANDUVA 5.143 5.590 5.611

98 NAO-ME-TOQUE 5.161 5.573 5.511

99 SAO SEPE 5.406 5.627 5.398

GETULIO
100 5.681 5.952 5.379
VARGAS

101 ESPUMOSO 5.032 5.447 5.282

ELDORADO DO
102 4.187 4.733 5.051
SUL

SAO FRANCISCO
103 5.489 5.777 4.991
DE PAULA

104 ROLANTE 4.845 5.105 4.958

105 TRIUNFO 4.411 4.768 4.956


128

106 TUPANCIRETA 4.772 5.127 4.917

107 GIRUA 5.597 5.877 4.839

108 AGUDO 4.527 4.883 4.820

NOVA SANTA
109 3.597 4.068 4.814
RITA

110 SANTO CRISTO 4.546 4.856 4.774

JULIO DE
111 4.681 5.061 4.702
CASTILHOS

112 FELIZ 4.961 5.170 4.661

113 SAO JERONIMO 4.677 4.904 4.266

SERAFINA
114 3.878 4.129 4.244
CORREA

115 CRISSIUMAL 3.867 4.175 4.231

116 BUTIA 4.200 4.440 4.098

ENCRUZILHADA
117 4.277 4.542 4.067
DO SUL

118 SANTO AUGUSTO 3.979 4.240 4.053

119 ARROIO GRANDE 4.454 4.599 3.935

CRUZEIRO DO
120 3.641 3.947 3.868
SUL

121 SOBRADINHO 4.428 4.687 3.867

122 CERRO LARGO 4.006 4.155 3.847

123 BOM PRINCIPIO 3.557 3.803 3.762

124 PIRATINI 3.536 3.786 3.699

125 RESTINGA SECA 3.532 3.745 3.695

126 CHAPADA 3.381 3.627 3.680

127 NOVA HARTZ 3.193 3.473 3.674

128 TAPES 4.121 4.276 3.661

129 ARVOREZINHA 3.738 3.893 3.658

130 CAPAO DO LEAO 3.596 3.886 3.547

SAO FRANCISCO
131 3.972 4.276 3.515
DE ASSIS

SAO PEDRO DO
132 3.662 3.785 3.497
SUL
129

133 CASCA 3.252 3.513 3.451

134 NOVA BASSANO 3.293 3.526 3.425

BOM RETIRO DO
135 3.436 3.578 3.392
SUL

TRES
136 3.352 3.523 3.376
CACHOEIRAS

137 TAPERA 3.127 3.497 3.270

138 DOM FELICIANO 2.706 3.043 3.119

ARROIO DO
139 3.170 3.466 3.109
TIGRE

CERRO GRANDE
140 2.187 2.670 3.058
DO SUL

TENENTE
141 3.428 3.590 2.984
PORTELA

142 CONSTANTINA 3.243 3.326 2.968

143 TUPARENDI 2.877 3.047 2.951

144 JAGUARI 3.082 3.257 2.940

145 IMBE 2.311 2.607 2.873

146 ROCA SALES 2.803 2.986 2.870

ARROIO DOS
147 2.762 2.943 2.791
RATOS

SANTA BARBARA
148 2.826 3.018 2.764
DO SUL

149 SEBERI 2.953 3.059 2.719

AUGUSTO
150 2.731 2.856 2.714
PESTANA

151 CATUIPE 2.786 2.945 2.701

PINHEIRO
152 2.906 3.041 2.677
MACHADO

153 RONDA ALTA 2.567 2.792 2.650

154 SALTO DO JACUI 2.560 2.733 2.638

155 IBIRAIARAS 2.536 2.679 2.574

156 AJURICABA 2.457 2.628 2.531

157 XANGRI-LA 2.021 2.305 2.526


130

158 TERRA DE AREIA 2.562 2.602 2.511

BARRA DO
159 2.635 2.828 2.498
RIBEIRO

160 ENTRE-IJUIS 2.278 2.381 2.489

SALVADOR DO
161 2.389 2.568 2.481
SUL

SAO JOSE DO
162 2.382 2.543 2.479
OURO

163 SERTAO 2.507 2.691 2.465

BOA VISTA DO
164 2.362 2.624 2.460
BURICA

165 PARAI 2.289 2.409 2.447

166 PORTO XAVIER 2.528 2.646 2.434

167 NONOAI 2.914 2.995 2.404

168 PLANALTO 2.665 2.758 2.396

169 CANDIDO GODOI 2.165 2.367 2.347

170 BOM JESUS 2.777 2.889 2.343

PALMARES DO
171 2.323 2.428 2.317
SUL

172 VALE DO SOL 1.866 2.115 2.301

173 BARROS CASSAL 2.032 2.291 2.288

174 ANTA GORDA 2.055 2.228 2.222

175 SINIMBU 1.921 2.082 2.221

176 SELBACH 2.125 2.209 2.201

177 CHUI 2.129 2.232 2.196

178 CACEQUI 2.379 2.494 2.190

SANTA CLARA
179 1.925 2.088 2.190
DO SUL

MORRO
180 2.136 2.198 2.181
REDONDO

SAO JOSE DO
181 2.791 2.923 2.131
NORTE

GUARANI DAS
182 2.213 2.347 2.113
MISSOES
131

183 PAVERAMA 1.871 2.046 2.070

FAXINAL DO
184 2.236 2.235 2.061
SOTURNO

CAMPINAS DO
185 2.143 2.234 2.043
SUL

186 JOIA 1.704 1.935 2.035

PANTANO
187 1.922 2.025 2.024
GRANDE

188 TUCUNDUVA 2.444 2.523 2.020

189 NOVA PALMA 1.966 2.124 2.018

SERTAO
190 1.562 1.783 2.016
SANTANA

191 IRAI 2.276 2.399 2.002

SANTO ANTONIO
192 2.204 2.334 1.973
DAS MISSOES

AMETISTA DO
193 1.521 1.709 1.938
SUL

194 SAO MARTINHO 1.970 2.019 1.933

195 BROCHIER 1.709 1.794 1.925

196 BARAO 1.729 1.995 1.924

197 ESTACAO 1.695 1.834 1.917

198 GAURAMA 1.907 1.990 1.912

FORTALEZA DOS
199 1.737 1.907 1.893
VALOS

200 ARATIBA 2.004 2.096 1.870

SANTA MARIA DO
201 1.733 1.833 1.867
HERVAL

CAMPINA DAS
202 1.748 1.898 1.849
MISSOES

PASSO DO
203 1.617 1.717 1.828
SOBRADO

204 VALE REAL 1.735 1.820 1.826

SANTANA DA
205 1.825 1.929 1.818
BOA VISTA
132

206 PARECI NOVO 1.810 1.828 1.807

207 MORRO REUTER 1.571 1.667 1.806

208 MUCUM 1.874 1.959 1.800

209 CONDOR 1.736 1.839 1.791

BARAO DE
210 1.724 1.806 1.759
COTEGIPE

211 IBIACA 1.589 1.726 1.750

212 CANDIOTA 1.717 1.790 1.748

213 PARAISO DO SUL 1.449 1.614 1.745

BOQUEIRAO DO
214 1.548 1.675 1.740
LEAO

215 INDEPENDENCIA 1.758 1.862 1.735

216 PICADA CAFE 1.549 1.685 1.722

217 PEDRO OSORIO 1.999 2.036 1.718

218 MOSTARDAS 1.751 1.868 1.705

219 PALMITINHO 1.717 1.847 1.698

FONTOURA
220 1.595 1.763 1.695
XAVIER

DAVID
221 1.645 1.713 1.692
CANABARRO

SAO VICENTE DO
222 1.704 1.792 1.673
SUL

223 HUMAITA 1.598 1.708 1.654

224 ALPESTRE 1.512 1.660 1.649

225 ALECRIM 1.609 1.710 1.648

226 IPE 1.595 1.643 1.640

227 PROGRESSO 1.430 1.608 1.637

DOUTOR

228 MAURICIO 1.485 1.596 1.630

CARDOSO

SAO MIGUEL DAS


229 1.292 1.436 1.626
MISSOES

230 RONDINHA 1.812 1.890 1.625

231 HARMONIA 1.443 1.554 1.618


133

232 VILA MARIA 1.498 1.560 1.593

233 GLORINHA 1.327 1.483 1.591

CAPELA DE
234 1.351 1.465 1.578
SANTANA

235 MAQUINE 1.403 1.501 1.578

GENERAL
236 1.577 1.697 1.574
CAMARA

237 COLORADO 1.473 1.586 1.562

238 RODEIO BONITO 1.675 1.728 1.561

239 ERVAL SECO 1.623 1.694 1.546

MARCELINO
240 1.846 1.861 1.545
RAMOS

BARAO DO
241 1.027 1.233 1.542
TRIUNFO

CORONEL
242 1.577 1.666 1.542
BICACO

243 CIRIACO 1.503 1.579 1.532

244 CRISTAL 1.383 1.515 1.526

CAMBARA DO
245 1.732 1.825 1.514
SUL

MAXIMILIANO DE
246 1.604 1.679 1.488
ALMEIDA

ROQUE
247 1.584 1.661 1.474
GONZALES

248 CAICARA 1.535 1.652 1.473

SAO JOSE DO
249 1.525 1.484 1.465
HORTENCIO

250 SEGREDO 1.119 1.299 1.446

251 LAVRAS DO SUL 1.581 1.652 1.441

252 HERVAL 1.777 1.827 1.439

253 VICTOR GRAEFF 1.420 1.480 1.434

SAO PAULO DAS


254 1.416 1.496 1.433
MISSOES

255 MATO LEITAO 1.212 1.317 1.412


134

256 ITAARA 1.535 1.468 1.405

257 CAMPO NOVO 1.538 1.565 1.403

258 VIADUTOS 1.425 1.499 1.397

259 PEJUCARA 1.394 1.472 1.380

260 NOVA ARACA 1.333 1.409 1.376

261 MINAS DO LEAO 1.186 1.257 1.362

262 PUTINGA 1.242 1.363 1.336

SAO JOAO DA
263 1.197 1.294 1.322
URTIGA

264 JACUTINGA 1.273 1.374 1.295

265 CIDREIRA 1.136 1.290 1.277

266 FORMIGUEIRO 1.237 1.308 1.277

267 COTIPORA 1.193 1.269 1.276

QUINZE DE
268 1.069 1.161 1.271
NOVEMBRO

269 PORTO LUCENA 1.261 1.344 1.270

270 CAIBATE 1.530 1.549 1.263

271 ILOPOLIS 1.243 1.356 1.247

272 VILA FLORES 1.098 1.204 1.238

MARQUES DE
273 1.051 1.139 1.236
SOUZA

274 ERNESTINA 1.078 1.136 1.208

275 NOVO MACHADO 1.041 1.147 1.205

TIRADENTES DO
276 999 1.115 1.204
SUL

277 IBARAMA 1.020 1.100 1.200

SEVERIANO DE
278 1.280 1.319 1.197
ALMEIDA

279 IMIGRANTE 1.255 1.234 1.194

AMARAL
280 891 1.063 1.187
FERRADOR

281 CERRO BRANCO 983 1.107 1.178

SAO PEDRO DA
282 986 1.126 1.161
SERRA
135

LINDOLFO
283 913 1.043 1.152
COLLOR

284 MACHADINHO 1.239 1.304 1.144

285 TUPANDI 977 1.069 1.138

286 MATA 1.117 1.214 1.137

287 CHUVISCA 814 975 1.132

SENTINELA DO
288 897 1.023 1.129
SUL

289 BARRACAO 1.016 1.130 1.125

LIBERATO
290 1.168 1.255 1.120
SALZANO

291 CERRITO 1.103 1.182 1.110

292 DOIS LAJEADOS 1.009 1.074 1.107

293 ERVAL GRANDE 1.205 1.205 1.086

294 BOSSOROCA 1.187 1.237 1.085

SALDANHA
295 959 1.013 1.079
MARINHO

296 AGUA SANTA 849 961 1.077

297 PAIM FILHO 1.059 1.182 1.070

TRINDADE DO
298 973 1.060 1.058
SUL

299 NOVA BRESCIA 1.042 1.106 1.055

300 COLINAS 1.012 1.054 1.050

301 ARROIO DO SAL 858 966 1.049

302 MANOEL VIANA 852 900 1.035

MORRINHOS DO
303 941 993 1.033
SUL

304 TABAI 812 925 1.033

305 CHIAPETA 1.053 1.120 1.028

306 NOVA PADUA 924 989 1.028

BOA VISTA DO
307 870 954 1.019
SUL

308 ALTO FELIZ 903 970 1.004

309 TRES ARROIOS 890 951 1.000


136

310 PASSA SETE 642 788 992

311 MIRAGUAI 971 1.075 990

NOVA ROMA DO
312 902 973 983
SUL

313 SAO JORGE 841 908 972

314 SAO VALENTIM 1.102 1.167 971

MONTE BELO DO
315 882 934 966
SUL

316 RIOZINHO 896 914 964

MARIANA
317 751 859 959
PIMENTEL

SAO DOMINGOS
318 857 927 959
DO SUL

319 REDENTORA 1.015 1.079 958

FAZENDA
320 828 919 957
VILANOVA

321 ACEGUA 705 855 949

322 CACIQUE DOBLE 899 976 948

NOVA

323 ESPERANCA DO 720 829 940

SUL

324 VICENTE DUTRA 986 1.055 933

325 WESTFALIA 718 821 926

CAMPESTRE DA
326 855 888 908
SERRA

327 PINHAL GRANDE 705 808 903

328 ALEGRIA 789 876 896

329 MARATA 780 830 894

DONA
330 874 923 888
FRANCISCA

331 AUREA 820 874 887

332 NOVA ALVORADA 688 789 885

SALVADOR DAS
333 694 782 882
MISSOES
137

334 IBIRAPUITA 754 800 869

FAGUNDES
335 825 871 867
VARELA

CAMPOS
336 704 756 865
BORGES

337 ITATIBA DO SUL 869 910 858

NOVA
338 701 773 856
CANDELARIA

339 CARAA 637 757 852

340 BARRA FUNDA 649 752 850

IPIRANGA DO
341 762 817 849
SUL

342 CAPIVARI DO SUL 696 728 845

343 ESTRELA VELHA 618 730 829

SAO PEDRO DO
344 639 720 826
BUTIA

345 BRAGA 852 866 818

POCO DAS
346 726 779 817
ANTAS

347 CAMARGO 696 787 813

TAQUARUCU DO
348 759 804 812
SUL

349 TRES PALMEIRAS 687 752 809

350 ARARICA 506 661 806

351 ESMERALDA 878 924 797

352 JABOTICABA 697 788 797

353 NOVA BOA VISTA 689 750 790

SILVEIRA
354 746 786 790
MARTINS

BALNEARIO
355 578 672 784
PINHAL

356 EREBANGO 706 752 781

COQUEIROS DO
357 632 708 778
SUL
138

358 CASEIROS 664 749 773

359 SAO VENDELINO 667 742 765

SANTO ANTONIO
360 585 683 752
DO PLANALTO

SAO JOAO DO
361 687 700 747
POLESINE

SANTO

362 EXPEDITO DO 569 654 743

SUL

363 CAPITAO 622 695 742

364 CHARRUA 608 661 741

MATO
365 557 648 738
CASTELHANO

366 RELVADO 676 731 738

VITORIA DAS
367 570 630 736
MISSOES

368 CENTENARIO 623 674 734

369 LAGOAO 495 599 732

370 NOVO CABRAIS 549 659 730

371 SAO NICOLAU 846 893 730

372 PONTAO 507 602 729

373 JAQUIRANA 684 728 728

374 NOVO BARREIRO 587 653 728

CORONEL
375 635 691 724
BARROS

ENTRE RIOS DO
376 695 739 723
SUL

PRESIDENTE
377 622 664 723
LUCENA

VILA NOVA DO
378 589 649 716
SUL

379 TRAVESSEIRO 614 668 712

380 TURUCU 477 609 711

381 TAVARES 922 1.000 708


139

GRAMADO
382 537 604 706
XAVIER

383 SEDE NOVA 599 650 704

SENADOR
384 522 591 697
SALGADO FILHO

EUGENIO DE
385 561 622 693
CASTRO

386 COXILHA 534 599 690

387 FORQUETINHA 525 610 690

SAO VALENTIM
388 638 663 681
DO SUL

389 VISTA ALEGRE 553 620 672

390 VANINI 578 610 666

391 VISTA GAUCHA 526 603 663

PINHEIRINHO DO
392 540 620 660
VALE

DOUTOR
393 510 606 659
RICARDO

BARRA DO
394 581 627 648
QUARAI

VESPASIANO
395 523 593 643
CORREA

396 VILA LANGARO 468 546 643

LAGOA DOS
397 502 591 642
TRES CANTOS

398 DERRUBADAS 527 607 641

399 PROTASIO ALVES 587 634 641

400 TOROPI 492 594 641

BOA VISTA DAS


401 431 550 640
MISSOES

402 SERIO 549 604 632

403 NOVA RAMADA 478 547 629

SAO JOSE DO
404 458 524 629
SUL
140

PINTO
405 530 600 626
BANDEIRA*

ESPERANCA DO
406 501 550 625
SUL

407 PORTO MAUA 517 586 623

DOM PEDRO DE
408 509 570 620
ALCANTARA

LAGOA BONITA
409 395 509 616
DO SUL

NICOLAU
410 494 558 612
VERGUEIRO

SAO JOSE DO
411 520 565 612
INHACORA

412 CRUZALTENSE 425 499 611

413 TUNAS 416 517 594

414 IVORA 519 559 591

415 HULHA NEGRA 513 574 588

416 PONTE PRETA 463 528 584

417 ALTO ALEGRE 472 531 582

418 ARAMBARE 517 557 582

419 MARIANO MORO 655 677 579

420 LINHA NOVA 516 532 575

421 UBIRETAMA 426 504 570

ALMIRANTE

422 TAMANDARE DO 338 443 567

SUL

423 GENTIL 464 503 565

424 VALE VERDE 434 497 560

425 UNIAO DA SERRA 490 527 556

426 BOZANO 353 437 553

SANTO ANTONIO
427 482 500 553
DO PALMA

ARROIO DO
428 231 376 550
PADRE
141

429 MORMACO 424 495 546

430 MONTAURI 485 522 541

DEZESSEIS DE
431 512 532 536
NOVEMBRO

432 ITAPUCA 473 522 529

433 RIO DOS INDIOS 441 480 517

TRES
434 420 471 516
FORQUILHAS

435 FAXINALZINHO 470 494 505

436 MAMPITUBA 441 454 502

437 POUSO NOVO 484 510 499

438 CERRO GRANDE 407 481 496

BARRA DO RIO
439 450 473 491
AZUL

BOM
440 384 434 483
PROGRESSO

441 PINHAL 438 473 483

442 SANTA TEREZA 438 461 482

443 GUABIJU 401 434 474

444 MATO QUEIMADO 320 388 465

445 TIO HUGO 222 346 465

446 HERVEIRAS 326 389 462

447 MULITERNO 317 393 462

VISTA ALEGRE
448 383 436 460
DO PRATA

FLORIANO
449 348 387 450
PEIXOTO

SAO MARTINHO
450 422 421 444
DA SERRA

SAO JOSE DOS


451 434 461 443
AUSENTES

452 PAULO BENTO 274 370 442

453 PIRAPO 423 445 436

454 MUITOS CAPOES 338 376 435


142

455 TUPANCI DO SUL 375 396 430

SAO JOSE DO
456 376 425 428
HERVAL

457 CORONEL PILAR 308 371 411

458 INHACORA 331 362 406

459 CRISTAL DO SUL 302 344 401

SETE DE
460 285 324 392
SETEMBRO

ANDRE DA
461 326 348 390
ROCHA

BOA VISTA DO
462 171 274 390
INCRA

463 GARRUCHOS 273 336 389

MONTE ALEGRE
464 313 354 385
DOS CAMPOS

NOVO
465 324 354 379
TIRADENTES

SANTA CECILIA
466 201 283 377
DO SUL

COQUEIRO
467 267 333 376
BAIXO

468 JARI 253 301 373

BOA VISTA DO
469 165 249 361
CADEADO

470 ITATI 215 285 345

DILERMANDO DE
471 265 292 343
AGUIAR

SAO JOSE DAS


472 272 301 342
MISSOES

DOIS IRMAOS
473 308 316 341
DAS MISSOES

474 QUEVEDOS 206 274 339

GRAMADO DOS
475 276 301 332
LOUREIROS
143

CANUDOS DO
476 197 256 319
VALE

477 MACAMBARA 240 276 317

478 ITACURUBI 238 278 313

479 ROLADOR 150 215 312

480 CARLOS GOMES 265 297 306

SAO VALERIO DO
481 254 275 305
SUL

BENJAMIN

482 CONSTANT DO 263 287 302

SUL

ENGENHO
483 216 267 298
VELHO

484 CAPAO DO CIPO 115 172 293

SAGRADA
485 192 231 293
FAMILIA

PORTO VERA
486 265 277 290
CRUZ

PINHAL DA
487 167 226 287
SERRA

BARRA DO
488 223 237 281
GUARITA

489 QUATRO IRMAOS 165 229 277

490 JACUIZINHO 94 186 275

491 UNISTALDA 195 233 275

492 NOVO XINGU 127 188 253

SAO PEDRO DAS


493 105 167 246
MISSOES

LAJEADO DO
494 164 182 213
BUGRE

CAPAO BONITO
495 92 156 209
DO SUL

SANTA
496 96 150 193
MARGARIDA DO
144

SUL

497 PEDRAS ALTAS 82 121 158

TOTAL 3.211.751 3.364.720 3.053.985

Obs.:A partir de junho de 2003, foram desconsiderados como estando em "circulação" os veículos

com placa antiga.

*Emancipação revertida

Detran-RS

VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO POR TIPO

ANO
TIPO
2001 2002 2003

bAUTOMÓVEL 2.142.206b 2.231.968b 2.021.488b

bCAMINHÃO 160.613b 164.353b 138.797b

bMOTOCICLETA 372.139b 402.319b 384.683b

bOUTROS 511.410b 539.693b 484.823b

bÔNIBUS 25.383b 26.387b 24.194b

bTOTAL 3.211.751b 3.364.720b 3.053.985b

Obs.: A partir de junho de 2003, foram desconsiderados

como estando "em circulação" os veículos com placa antiga.

Detran – RS
145

VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO POR ANO DE FABRICAÇÃO

ANO FABRICAÇÃO ANO

2001 2002 2003

2003 - - 138.563b

2002 - 126.201b 148.508b

2001 130.130b 152.709b 155.763b

2000 124.174b 127.352b 131.327b

1999 104.881b 108.178b 111.576b

1998 133.126b 136.731b 140.573b

1997 177.514b 181.354b 185.289b

1996 a 1992 608.871b 616.764b 618.068b

1991 a 1982 895.817b 887.712b 771.236b

1981 a 1972 837.295b 828.623b 575.233b

1971 a 1962 168.399b 167.616b 69.109b

1961 a 1951 25.534b 25.479b 7.152b

1950 a 1900 6.010b 6.001b 1.588b

TOTAL 3.211.751b 3.364.720b 3.053.985b

Obs.:A partir de junho de 2003, foram desconsiderados

como estando "em circulação" os veículos com placa antiga. .

Detran – RS

VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO POR ANO DE FABRICAÇÃO

E COMBUSTÍVEL
146

COMBUSTÍVEL

ANO DE ÁLCOOL/
GÁS OUTRO
FABRICAÇÃO GASOLIN ÁLCOOL DIESEL GASOLINA TOTAL
NATURAL S
A

2003 2.225 278 7.869 241 121.912 6.038 138.563

2002 - 881 9.953 751 131.144 5.779 148.508

2001 - 192 15.139 772 133.936 5.724 155.763

2000 - 114 13.640 706 111.786 5.080 131.327

1999 - 93 10.106 705 96.160 4.510 111.576

1998 - 21 12.554 1.484 122.048 4.461 140.573

1997 - 64 12.917 1.597 165.652 5.051 185.289

1996 a 1992 - 16.731 47.517 3.579 527.556 22.668 618.068

1991 a 1982 1 188.400 81.808 763 467.251 32.986 771.236

1981 a 1972 - 5.160 69.360 179 487.975 12.555 575.233

1971 a 1962 - 54 14.546 21 53.960 528 69.109

1961 a 1951 - 17 1.558 - 5.539 38 7.152

1950 a 1900 - 8 72 - 1.500 8 1.588

TOTAL 2.226 212.013 297.039 10.798 2.426.419 105.426 3.053.985

Obs.:A partir de junho de 2003, foram desconsiderados como estando

"em circulação" os veículos com placa antiga.

Detran - RS

8.2 PROJETO DE LEI

MINUTA DE PROJETO DE LEI

“ Estabelece um programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em uso-I/M, destinado a

promover a redução da poluição atmosférica e dá outras providências”.

O Governador do Estado do Rio Grande do Sul,


147

Faço saber, em cumprimento ao disposto no art.82, inciso IV, da Constituição do

Estado, que a Assembléia Legislativa aprovou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art. 1.º- Fica instituído o Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em

Uso, de acordo com o que dispõe as Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente-

CONAMA-, destinado a promover o controle e a redução da poluição atmosférica e sonora dos

veículos automotores s em circulação e licenciados neste Estado.

Art. 2.º - Para a implementação do Programa a que se refere o artigo 1.º, desta Lei,

deverá ser instalado Centros de Inspeção, de forma distribuída no território estadual, para

controlar a emissão de poluentes e ruídos da frota licenciada no Estado.

Art. 3.º - A Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler –

FEPAM/RS e o Departamento Estadual de Trânsito-DETRAN/RS, estabelecerão as normas e os

procedimentos técnicos e operacionais para a implantação e a distribuição dos Centros de

Inspeção.

Parágrafo Único – Ficam autorizados a estabelecer planos específicos, normas e medidas

adicionais de controle da poluição do ar para veículos automotores em circulação, em

consonância com as diretrizes de trânsito e ambientais, bem como, a realização de convênios com

os demais entes públicos para a agilização procedimental, auditorias e fiscalizações das

inspeções.

Art. 4.º - Por ocasião da emissão de novo Certificado de Registro de Veículos –

CRV, o DETRAN/RS deverá exigir, obrigatoriamente, a aprovação do veículo automotor em

inspeção de gases poluentes, em conformidade ao que preceitua o art. 104 e 131,§ 3.º da Lei

Federal n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro e da
148

Lei Federal n.º 8.723, de 28 de outubro de 1993, que dispõe sobre a redução de emissão de

poluentes por veículos automotores com redação dada pela Lei Federal n.º 10.203, de 22.02.2001.

§ 1.º - A Inspeção se aplicará a todos os veículos equipados com motores de

combustão interna, independente do tipo de combustível que utilizarem, observados o disposto

nesta Lei, a partir do segundo ano subseqüente ao da fabricação.

§ 2.º - Os veículos concebidos exclusivamente para aplicações militares, agrícolas,

de competição, tratores, máquinas de terraplanagem, de pavimentação e outros de aplicação

especial, assim classificados pelo órgão ambiental,estão dispensados da inspeção obrigatória.

§ 3.º - Durante o primeiro ano de funcionamento do Programa de que trata a

presente lei, os veículos não aprovados na totalidade dos requisitos na primeira inspeção terão a

emissão do Certificado de Registro de Veículo(CRV) e do Certificado de Registro de

Licenciamento do Veículo(CRLV) liberados, em caráter preventivo-educativo-pedagógico,

desde que atendidos os demais requisitos legais e regulamentares da legislação de trânsito.

§ 4.º -A validade da Inspeção será de 12(doze) meses contados a partir da data da

aprovação nos testes, ou mediante Portaria especifica em conjunto do DETRAN e FEPAM.

Art. 5.º - Os veículos de circulação intensa, assim considerados aqueles registrados

na categoria aluguel e definidos na legislação de trânsito, deverão obter aprovação na inspeção de

gases poluentes e ruídos para o licenciamento anual.

Art. 6.º - Para fins da aprovação a que se referem os artigos 5.º e 6.º, desta Lei, o

órgão ambiental adotará como padrões de emissão os limites máximos de emissão dos poluentes
149

para veículos equipados como motores ciclo Otto e ciclo Diesel estabelecidos pelo Conselho

Nacional do Meio Ambiente-CONAMA.

Art. 7.º - O Órgão Executivo Estadual de Trânsito e o Órgão Ambiental do Estado,

divulgarão, conjuntamente,campanhas educativas e de esclarecimentos, sobre a implantação do

Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso, dando ampla publicidade da

localização e instalação dos Centros de Inspeção Veiculares.

Art. 8.º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio Piratini, em Porto Alegre,RS, de de .

GERMANO ANTÔNIO RIGOTTO,

Governador do Estado.

Dep. Fed. JOSÉ OTÁVIO GERMANO,

Secretário da Justiça e da Segurança.

Registre-se. Publique-se.

ALBERTO WALTER DE OLIVEIRA,

Chefe da Casa Civil.

8.3 MINUTA DE PORTARIA.


150

PORTARIA CONJUNTA DETRAN-FEPAM n.º 001, de de 2005.

“ Dispõe sobre os procedimentos de controle de emissão de gases poluentes e de poluição sonora

na alteração de registro de veículos do Estado do Rio Grande do Sul, e dá outras providências”.

O Diretor Presidente do Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN/RS e o Presidente da

Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente Luiz Roessler – FEPAM/RS, no uso de suas

respectivas competências e atribuições regulamentares e regimentais;

Considerando o disposto nos artigos 104, 124,inciso XI e 131,§3.º, da Lei Federal n.º

9.503/97- Código de Trânsito Brasileiro-CTB;

Considerando o que dispõe a Lei n.º 8.723/93, alterada pela Lei n.º 10.203/2001, e o contido

no art. 6.º,§ 1.º da Lei n.º 6.938/81;

Considerando o contido nas Resoluções do CONAMA de n.ºs 18/86; 07/93;018/95; 227/97;

251/99; 256/99; 272/2000 e demais normativas ambientais vigentes;

Considerando a publicação da Lei Estadual n.º /2005 , e a necessidade de estabelecer

padrões e procedimentos para o efetivo controle da emissão de gases poluentes e da poluição

sonora dos veículos registrados no Estado.

RESOLVEM:
151

Art. 1.º - A inspeção da emissão de gases poluentes e poluição sonora será realizada nas

dependências dos Centros de Registro de Veículos Automotores-CRVAS, através dos

equipamentos aferidos pelo INMETRO e com a supervisão e fiscalização do DETRAN/RS e

FEPAM.

§ 1.º - Os resultados dos testes de inspeção serão lançados no registro dos prontuários dos

veículos automotores no Sistema informatizado do Órgão Executivo Estadual de Trânsito,

contendo, obrigatoriamente o seguintes dados: a identificação do operador, a data e hora da

inspeção; a aferição constatada; o equipamento utilizado e o número da aferição do INMETRO

com a data de validade.

§ 2.º - Será fornecido ao proprietário do veículo o Relatório de Inspeção de Emissões do

Veículo – RIEV- com a relação pormenorizada dos itens inspecionados e resultados obtidos.

Art. 2.º - Ficam estabelecidos os níveis máximos de emissão de poluentes e de ruídos,

para fins desta Portaria:

I – Limites para fins de inspeção de veículos leves de ciclo Otto:

(....);

II- Limites para fins de inspeção de veículos de ciclo Diesel:

(...)

III- Limites sonoros:

(...).
152

Art. 3.º Para a inspeção incidirá a taxa de serviços prevista na Lei n.º 8.109/85 e alterações, e,

nos casos de reprovação inicial, será possível a reinspeção ambiental e de ruídos, no prazo de 30

(trinta), com dispensa de pagamento.

Parágrafo Único - Não será expedido o Certificado de Registro do Veículo e ou

Licenciamento (CRV/CRLV) quando, mesmo no prazo especificado no caput deste artigo, for o

veículo reprovado na reinspeção e sobrevir:

I – Vencimento do IPVA;

II - Vencimento da penalidade de multa administrativa;

III- Vencimento do Seguro obrigatório;

IV- Vencimentos de Taxas,Débitos e da documentação obrigatória;

V – Restrições impeditivas lançadas no prontuário do veículo.

Art. 4.º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

Registre-se. Publique-se. Cumpra-se.

Porto Alegre,RS, de de .

CARLOS UBIRATAN DOS SANTOS,

Diretor Presidente do DETRAN/RS.

CLAÚDIO DILDA,

Diretor -Presidente da FEPAM/RS.