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COORDENADORIA DE ENGENHARIA CIVIL

Larissa Santos Mello


Leonardo Gianotto Siqueira

NIVELAMENTO TRIGONOMÉTRICO NA TÉCNICA LEAP-FROG

Sorocaba/SP
2020
LARISSA SANTOS MELLO
LEONARDO GIANOTO SIQUEIRA

NIVELAMENTO TRIGONOMÉTRICO NA TÉCNICA LEAP-FROG

Trabalho apresentado à Faculdade


de Engenharia de Sorocaba, com
exigência parcial para a disciplina de
Topografia II - Prática.

Orientador: Melodie Kern Sarubo Dorth Sinegalia

Sorocaba/SP
2020
RESUMO

Este relatório tem como objetivo avaliar e estudar a precisão do método de


nivelamento trigonométrico na técnica Leap-Frog, com um estudo feito no
campus da FACENS, em frente ao BLOCO L. Hodiernamente, para obter-se
um nivelamento na planialtimetria, o método geométrico de precisão é o mais
utilizado. Entretanto, para garantir uma maior velocidade com a estação total, a
técnica Leap-Frog é uma alternativa.

Palavras-chave: Técnica Leap-Frog, método geométrico de precisão, estação


total.
ABSTRACT

This report aims to evaluate and study a Leap-Frog technical trigonometric


leveling method, with a study on the FACENS campus, in front of the precision
BLOCK L. is the most used. However, to ensure greater speed with a total
station, a Leap-Frog technique is an alternative.

Keywords: Leap-Frog technique, geometric precision method, total station.


SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 6
2 REVISÃO LITERÁRIA ............................................................................................. 7

2.1 Topografia ............................................................................................................. 7


2.2 Leap-Frog .............................................................................................................. 8

3 MATERIAIS E METÓDOS ..................................................................................... 10


4 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 12
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 13
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1 INTRODUÇÃO

A topografia é uma área muito relevante e eficaz para a vida do


homem na terra, visto que, ele precisa da terra para a sua sobrevivência. Além
disso, é uma ciência que utiliza métodos variados para o estudo da
representação gráfica da superfície terrestre. Ela tem como finalidade
determinar o contorno, dimensão e posição relativa de uma porção
limitada da superfície terrestre, do fundo dos mares ou do interior de
minas, desconsiderando a curvatura resultante da esfericidade da
Terra. Compete ainda à Topografia, a locação, no terreno, de projetos
elaborados de Engenharia. (DOMINGUES, 1979).
Um dos métodos de levantamento é a técnica Leap-frog. Ele consiste no
método de efetuar leitura da distância de inclinação e do ângulo zenital, inicia-
se com a estação total posicionada no centro da linha entre o ponto de ré até
vante, e nos pontos de ré e vante serão posicionados os prismas, sendo
mesma altura.

Logo, para a realização do projeto proposto, o método utilizado será o


citado anteriormente. O objetivo é demonstrar todo o processo feito em campo
para o levantamento dos dados, os cálculos que são utilizados no método e o
desenvolvimento da planta planimétrica.
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2 REVISÃO LITERÁRIA

2.1 Topografia
Existem historiadores que dizem que o homem já desenhava mapas
antes mesmo de criarem a escrita. Portanto, é nítido que a topografia está
presente na vida do homem há muitos anos. Porém, com o tempo, isso foi cada
vez ficando mais tecnológico, foram sendo criados aparelhos capazes de medir
com muita precisão os dados necessários para a topografia como ciência.

“A Topografia tem por finalidade determinar o contorno, dimensão e


posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre, sem
levar em conta a curvatura resultante da esfericidade terrestre”
ESPARTEL (1987).

Seu objetivo principal é medir ângulos, desníveis e distâncias, tornando


possível a representação da superfície terrestre com precisão e em uma escala
adequada.

Todo o processo que é feito em campo, coletando dados, é chamado de


levantamento topográfico.

Na Topografia trabalha-se com medidas (lineares e angulares)


realizadas sobre a superfície da Terra e a partir destas medidas
calculam- -se coordenadas, áreas, volumes, etc. Além disto, estas
grandezas poderão ser representadas de forma gráfica através de
mapas ou plantas. Para tanto é necessário um sólido conhecimento
sobre instrumentação, técnicas de medição, métodos de cálculo e
estimativa de precisão (KAHMEN; FAIG, 1988).

Tradicionalmente, a topografia é dividida em duas partes, principalmente


para didática do estudo acadêmico. Ela é separa em topografia planimétrica e
onde se procura determinar a posição planimétrica dos pontos (coordenadas X
e Y) e o levantamento altimétrico, onde o objetivo é determinar a cota ou
altitude de um ponto (coordenada Z). Quando se utilizam os dois
levantamentos, é chamado de levantamento planialtimétrico.
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2.2 Leap-Frog

Segundo Faggion et al. (2003), com o objetivo de alcançar alta precisão com
rendimento elevado e custo baixo.

Propõem o uso do nivelamento trigonométrico utilizando a técnica Leap-


Frog, na qual minimiza os efeitos provocados
pelas principais fontes de erros inerentes ao método, que são medidas de
alturas do instrumento e da altura do sinal
(prisma), tendo em vista que os métodos para obtenção dessas medidas não
são muito precisos.
O método preciso de nivelamento é o método no qual se busca minimizar ou
eliminar os erros no processo de
nivelamento, para isso utiliza-se técnicas e modelos matemáticos no qual estão
inclusos correções ou eliminações de erros
como o de colimação do instrumento, curvatura terrestre, correção de
temperatura e pressão na medida de distância, entre
outros erros.

Segundo Santos (2012), o nivelamento trigonométrico pela técnica Leap-Frog consiste


em:

Instalar a estação total entre os dois pontos dos quais se deseja obter o
desnível, ao invés de instalar a estação total sobre um dos pontos como se
procede no nivelamento trigonométrico tradicional. Sobre os pontos são
instalados bastões com prismas refletores de mesma altura, que são visados
pela estação total para obtenção das distâncias inclinadas e dos ângulos
zenitais entre eles (Figura 1). Segundo Silva (2012) citando Kahmen e Faig
(1988) este procedimento faz com que o cálculo da diferença de nível não
dependa da altura da estação total (ih) e da altura dos prismas refletores (hp).

Fig. 1 – Nivelamento Trigonométrico pela técnica Leap-Frog. Fonte: FAGGION et al. (2003).
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De acordo com a Figura 1 pode-se obter a diferença de nível entre o ponto


A e B (Dh(AB)), através da diferença entre a distância vertical (Dv) visada no
ponto A e em B (Equação 1). A distância vertical é dada pela multiplicação da
distância inclinada (Di) e o cosseno do ângulo zenital (Z) (Equação 2).

(1) Dh(AB) = Dv(B) – Dv(A)

(2) Dv = Di . cos(Z)
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3 MATERIAIS E METÓDOS

São necessários alguns equipamentos para a realização do


levantamento, que são os seguintes:

1 Tripé;

1 Estação total;

2 Trenas;

6 Estacas;

1 Baliza;

1 Prisma.

Para a realização do levantamento são necessários os seguintes


passos:

1. Marcar no terreno um triângulo equilátero, com o auxílio da trena na


horizontal e fixar a estaca nos 3 vértices, denominados vértice A, B,
C em sentido horário;
2. Medir e marcar o meio de cada face do triângulo, com a ajuda da
trena na horizontal, estes serão os pontos nomeados de E0, E1, E2,
também em sentido horário;
3. Montar o tripé para nivelar a estação, encaixar a estação total e
certificar de que está realmente em cima do ponto marcado no meio
entre cada estaca do vértice;
4. Nivelar a bolha circular do equipamento através das “pernas” do tripé;
5. Após nivelar a bolha circular, nivelar basculante da estação total
através dos calantes.
6. Colocar a luneta na posição zenital;
7. Ligar a estação;
8. Menu- coleta de dados;
9. Configurar o vértice da estação como E0 e altura da marcação lateral
até o ponto no terreno;
10. Configurar o vértice ré como A e a altura do prisma (deve-se ser a
mesma durante todo o nivelamento). Girar a luneta na posição direta,
centralizar o visor no centro do prisma, zerar e medir. Em seguida,
volta a luneta para a posição do zênite.
11. Configurar novamente o vértice Ré como nome A e a altura do
prisma. Girar a luneta na posição inversa, centralizar no centro do
prisma e medir. Voltar novamente a luneta para a posição zenital.
OBS: O ângulo horizontal da posição direta e da posição indireta
devem ser iguais sempre, neste caso, deve ser 0 por causa da ré. Já,
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o ângulo vertical da PD e da PI é considerável sendo próximo e


nunca deve ser igual, com aproximadamente 10 segundos de
diferença. A distância inclinada da PD e PI é considerável sendo
igual ou próxima, na ordem de uns 2mm;
12. Logo após voltar a luneta para a posição zenital, configurar o vértice
vante como B e a altura do prisma. Girar a luneta na posição direta,
centralizar o visor no centro do prisma e medir. Voltar a posição da
luneta na posição zenital.
13. Configurar novamente o vértice vante como B e altura do prisma.
Girar a luneta na posição inversa, centralizar o visor no centro do
prisma, medir. Voltar a luneta na posição zenital.
OBS: O AH da PD e da PI devem ser iguais, por ser vante deve ser
próximo a 180 graus. Já o AV, da PD e da PI devem ser próximos,
mas não iguais, na ordem de 10 segundos. A DI da PD e da PI pode
ser igual ou próxima, na ordem de 2mm.
14. Conferir leitura de ré e vante seguindo as observações, se estiver
correto, voltar ao passo de nivelar a estação e fazer o mesmo para
os pontos E1 e E2.
15. Calcular o erro da poligonal e conferir se o mesmo atende a NBR
13.133.
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4 CONCLUSÃO
É nítido que a aula em campo é de suma importância para a
visualização da aula teórica, todo esse processo de desenvolvimento do
levantamento e do relatório é importante para a compreensão de toda a
matéria. Pois,

É a relação da teoria e da prática durante o processo formativo do


professor que vai significar a aprendizagem dos alunos mediante o
ensino. Assim, “a prática é fundamento, finalidade e critério de
verdade da teoria. A primazia da prática sobre a teoria, longe de
implicar contradição ou dualidade, pressupõe íntima vinculação a ela”
(VÁZQUEZ, 1997, apud GIMENES, 2011. p. 35 – 36).

Entretanto, os resultados ainda não foram obtidos, pois o relatório está


em desenvolvimento. Logo, só pode-se afirmar a eficácia do levantamento por
meio de outras fontes. Segundo Raquel Naiara Fernandes, aluna da
Universidade do Paraná, em sua dissertação sobre recalque em grandes
estruturas utilizando a técnica Leap-Frog,
o recalque nos pontos da crista da barragem encontrado a partir do
nivelamento geométrico no sentido do pilar PG01 para o PG02 variou
de 0,3mm a 1,2 mm e a partir da técnica Leap-Frog de 1mm a 3mm.
Para os dois casos, o recalque encontrado é menor, comprovado
estatisticamente, que o valor admissível para a estrutura. Com esses
resultados fica proposta então, utilizando o método Leap-Frog, uma
alternativa para determinar movimentos verticais em grandes
estruturas. (RAQUEL, 2012).
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REFERÊNCIAS
ARAUJO, Cesar. Apostila – Topografia prática. Disponível em:
<https://sites.unipampa.edu.br/novostalentoscacapava/files/2014/11/produ%C3
%A7%C3%A3o_4_6_Aposlita_Topografia.pdf>. Acesso em: 07 set. 2019.

AUGUSTO, Luiz. APARECIDA, Maria. FAGGION, Pedro. Apostila –


Fundamentos de Topografia. Disponível em: <
http://www.cartografica.ufpr.br/docs/topo2/apos_topo.pdf>. Acesso em: 03 out.
2019.

BRANDALIZE, Maria. Apostila (08)- Topografia. Disponível


em:<http://www2.uefs.br/geotec/topografia/apostilas/topografia(8).htm/>.
Acesso em: 07 set. 2019.
DOMINGUES, F. A. A. - Topografia e astronomia de posição para
engenheiros e arquitetos Editora McGraw-Hill do Brasil, 1979, São Paulo/SP,
403p.

RAQUEL, N. F. S. Avaliação do método de nivelamento trigonométrico,


técnica leap-frog, na determinação de recalque em grandes estruturas:
estudo de caso para a UHE MAUÁ. 2012. 112f. Dissertação (Mestrado em
Ciências) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2012.

SANTOS, D. P.; FAGGION, P. L.; VEIGA, L. A. K. Transporte de altitude para


o pico do Camapuã utilizando nivelamento trigonométrico método Leap-
Frog. Boletim de Ciências Geodésicas, Curitiba, v. 17, n° 2, p.295-316, 2011.