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LT33C – Eletromagnetismo

Reginaldo N. de Souza
Departamento de Engenharia Eletrônica
UTFPR - Campo Mourão

Campo Mourão, 10 de Março de 2015


Conteúdo

Apresentação 13

Datas Importantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

Critérios de Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

Bibliografias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

Análise Vetorial 18

Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

Vetores e Escalares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Reginaldo N. de Souza 2 LT33C - Eletromagnetismo
Vetor Unitário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

Álgebra vetorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

Vetor posição e vetor distância . . . . . . . . . . . . . . . 31

Sistemas de Coordenadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

Coordenadas cartesianas . . . . . . . . . . . . . . . . 35

Coordenadas cilı́ndricas . . . . . . . . . . . . . . . . 37

Coordenadas esféricas . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

Versores sistemas coordenados . . . . . . . . . . . . . 41

Cálculo Vetorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

Elementos diferenciais de comprimento, área e volume 43


Reginaldo N. de Souza 3 LT33C - Eletromagnetismo
Integrais de linha, de superfı́cie e de volume . . . . . 53

Operador del ou nabla . . . . . . . . . . . . . . . . 57

Gradiente de um campo escalar . . . . . . . . . . . . 58

Divergente de um campo vetorial . . . . . . . . . . . 60

Rotacional de um campo vetorial . . . . . . . . . . . 62

Laplaciano de um escalar . . . . . . . . . . . . . . . 64

Laplaciano de um vetor . . . . . . . . . . . . . . . . 65

Reginaldo N. de Souza 4 LT33C - Eletromagnetismo


Campos Eletrostáticos 67

Força entre cargas elétricas - Lei de Coulomb . . . . . . . . 68

Princı́pio da Superposição de Forças . . . . . . . . . 74

Campo Elétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

Princı́pio da Superposição para o Campo Elétrico . . 79

Campo Elétrico de Distribuições Contı́nuas de Carga . . . 81

Campo de uma Linha de Carga . . . . . . . . . . . . 84

Campo de uma Lâmina Carregada . . . . . . . . . . 86

Campo de um Volume de Carga . . . . . . . . . . . . 89

Densidade de Fluxo Elétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . 93


Reginaldo N. de Souza 5 LT33C - Eletromagnetismo
Relação entre Densidade de Fluxo Elétrico e Campo Elétrico 97
Lei de Gauss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
Teorema da Divergência . . . . . . . . . . . . . . . . 99
Aplicações da Lei de Gauss . . . . . . . . . . . . . . 103
Carga Pontual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
Linha Infinita de Carga . . . . . . . . . . . . . . . . 107
Lâmina Infinita de Carga . . . . . . . . . . . . . . . 111
Esfera Carregada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
Potencial Elétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
Princı́pio da Superposição . . . . . . . . . . . . . . . 127
Distribuições de Cargas . . . . . . . . . . . . . . . . 128
Relação entre o Campo Elétrico e o Potencial Elétrico . . . 130
Teorema de Stokes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
Relação entre E e V . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
Energia em Campos Eletrostáticos . . . . . . . . . . 137
Reginaldo N. de Souza 6 LT33C - Eletromagnetismo
Campos Elétricos em Meio Material 145
Corrente e Densidade de Corrente . . . . . . . . . . . . . 146
Corrente de Convecção . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
Corrente de Condução . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
Resistência R . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155
Equação da Continuidade de Corrente e Tempo de Relaxação160
Capacitância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166
Capacitor de Placas Paralelas . . . . . . . . . . . . . 168
Capacitor Coaxial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
Capacitor Esférico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173
Energia Armazenada em um Capacitor . . . . . . . . 175
Polarização em Dielétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176
Exercı́cios – Lista 1 – Eletrostática . . . . . . . . . . . . . 183
Respostas – Lista 1 – Eletrostática . . . . . . . . . . . . . 193
Reginaldo N. de Souza 7 LT33C - Eletromagnetismo
Campos Magnetostáticos 198

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199

Lei de Biot-Savart . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200

Lei Circuital de Ampère . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208

Aplicação da lei de Ampère . . . . . . . . . . . . . . 211

Densidade de Fluxo Magnético . . . . . . . . . . . . . . . 215

Equações de Maxwell para Campos Eletromagnéticos Estáticos222

Potenciais Magnéticos Escalar e Vetorial . . . . . . . . . . 224

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Forças, Materiais e Dispositivos Magnéticos 228

Forças Devido aos Campos Magnéticos . . . . . . . . . . . 229

Força Sobre Partı́culas Carregadas . . . . . . . . . . 230

Força Sobre Um Elemento de Corrente . . . . . . . . 233

Torque e Momento Magnéticos . . . . . . . . . . . . . . . 236

Magnetização em Materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . 246

Classificação dos Materiais Magnéticos . . . . . . . . . . . 252

Diamagnéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253

Paramagnéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255

Ferromagnéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257
Reginaldo N. de Souza 9 LT33C - Eletromagnetismo
Teoria dos Domı́nios Magnéticos e a Curva de Histerese . . 259

Indutores e Indutâncias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 265

Solenoide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269

Cabo Coaxial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 277

Toroide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279

Exercı́cios – Lista 2 – Magnetostática . . . . . . . . . . . . 282

Respostas – Lista 2 – Magnetostática . . . . . . . . . . . . 292

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Equações de Maxwell 294

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295

Lei de Faraday . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 296

Espira Estacionária em um Campo B Variável no Tempo300

Espira em Movimento em um Campo B Estático . . 302

Espira em Movimento em um Campo B Variável no Tempo306

Corrente de Deslocamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . 309

Relação entre J e Jd . . . . . . . . . . . . . . . . . . 316

Equações de Maxwell nas Formas Finais . . . . . . . . . . 317

Potenciais EM Variáveis no Tempo . . . . . . . . . . . . . 320

Campos Harmônicos no Tempo . . . . . . . . . . . . . . . 328


Reginaldo N. de Souza 11 LT33C - Eletromagnetismo
Propagação de Ondas Eletromagnéticas 340

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 341

Propagação de Onda em Dielétrico com Perdas . . . . . . 343

Ondas Planas em Dielétricos Sem Perdas . . . . . . . . . . 358

Exercı́cios – Lista 3 – Equações de Maxwell e Ondas . . . . 360

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Apresentação

LT33C - Eletromagnetismo

Primeiro semestre de 2015

Prof: Reginaldo Nunes de Souza

rnsouza@utfpr.edu.br

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Datas Importantes
07/05: Primeira Avaliação (P 1);

11/06: Segunda Avaliação (P 2);

09/07: Terceira Avaliação (P 3);

15/07: Recuperação de conteúdos (P 4).

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Critérios de Avaliação
A média final (M F ) do aluno será composta por:
M F = 0, 9M P + 0, 1AP S
sendo:
– M P = (P 1 + P 2 + P 3)/3 a média das três provas
realizadas. Esta média corresponde a 90% da nota final;

– AP S (Apresentação das Atividades Práticas


Supervisionadas) representa 10% da nota final;

Prova P 4 substituirá a menor nota entre P 1, P 2 e P 3;

Aprovação na disciplina: alunos que tiverem Média Final (M F )


maior ou igual a 6,0 e frequência mı́nima de 75% das aulas
durante o curso.

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Bibliografias

Referências básicas:

1. SADIKU, Matthew N. O. Elementos de eletromagnetismo. 5 ed.


Porto alegre, RS: Bookman, 2012.
2. HAYT JUNIOR, W. H.; BUCK, J. A. Eletromagnetismo. 8 ed.
Porto Alegre, RS: Bookman, 2013.
3. EDMINISTER, J. Eletromagnetismo. 2 ed. Porto Alegre, RS:
Bookman, 2006.

Reginaldo N. de Souza 16 LT33C - Eletromagnetismo


Referências complementares:
1. NOTAROS, B. M. Eletromagnetismo. São Paulo: Pearson,
2012.
2. REITZ, J.; MILFORD, F.; CHRISTY, R.; DUARTE, C.
Fundamentos da teoria eletromagnética. Rio de Janeiro, RJ:
Campus, 1982.
3. BASTOS, J. P. A. Eletromagnetismo para Engenharia: estática
e quase-estática. 2 ed. Florianópolis, SC: Editora da UFSC,
2008.
4. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WLAKER, J. Fundamentos de
Fı́sica. 8 ed. Rio de Janeiro, RJ: LTC, 2009. Vol.3.
5. BASTOS, J. P. A. Eletromagnetismo e Cálculo de Campos. 3
ed. Florianópolis, SC: Editora da UFSC, 1996.
6. KRAUS, J.; CARVER, K. Eletromagnetismo. 2 ed. Rio de
Janeiro, RJ: Guanabara Dois, 1978.

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Análise Vetorial

Reginaldo N. de Souza 18 LT33C - Eletromagnetismo


Objetivos

1. Álgebra Vetorial: adição, subtração, produto escalar e


produto vetorial;
2. Sistemas Coordenados: cartesiana, cilı́ndrica e esférica;
3. Integrais contendo Funções Vetoriais: linha, superfı́cie e
volume;
4. Gradiente de um Campo Escalar;
5. Divergente de um Campo Vetorial;
6. Rotacional de um Campo Vetorial;

Reginaldo N. de Souza 19 LT33C - Eletromagnetismo


Introdução

Os fenômenos fı́sicos na natureza podem ser matematicamente


representados como grandezas escalares ou vetoriais. Dentre estes
fenômenos, os eletromagnéticos (EM) são em sua maioria
representados por vetores. Desta forma, a análise vetorial torna-se
uma importante ferramenta para o entendimento dos conceitos EM
apresentados durante esse curso.

Neste capı́tulo primeiramente é apresentada uma breve revisão de


vetores (notação, álgebra, etc.). Em seguida são abordados os
sistemas de coordenadas cartesianas, cilı́ndricas e esféricas. Por fim,
o cálculo vetorial (integração e diferenciação de vetores) é
apresentado.

Reginaldo N. de Souza 20 LT33C - Eletromagnetismo


Vetores e Escalares

Os vetores são grandezas que possuem magnitude (módulo) e


orientação (direção e sentido). Por exemplo, velocidade e força.
Um escalar, por sua vez, é uma grandeza que possui apenas
magnitude. Exemplo: massa e temperatura.

Para diferenciar um escalar de um vetor, utiliza-se a seguinte


notação:

Vetor: F~ ou F

Escalar: T

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Vetor Unitário

A um vetor A pode-se associar um vetor unitário (ou versor) com


módulo igual a um. Este versor, representado por aA, possui a
mesma orientação de A e pode ser escrito como:

A A
aA = = (1)
|A| A

ou seja, o versor aA é a relação do vetor A pelo seu módulo (A).

Da relação (1) nota-se que o vetor A pode ser reescrito como:

A = AaA (2)

Reginaldo N. de Souza 22 LT33C - Eletromagnetismo


Em coordenadas cartesianas (retangulares), um vetor A pode ser
representado como:

A = (Ax, Ay , Az ) = Axax + Ay ay + Az az (3)


sendo Ax, Ay e Az as componentes de A em x, y e z,
respectivamente; ax, ay e az são os vetores unitários no sistema de
coordenadas cartesianas e estão direcionados ao longo dos eixos x, y
e z, como mostrado na Fig. 1.
A magnitude do vetor A é dada por:
q
A= A2x + A2y + A2z (4)
Assim, o vetor unitário ao longo de A pode ser escrito como:

Axax + Ay ay + Az az
aA = p (5)
A2x + A2y + A2z

Reginaldo N. de Souza 23 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 1: Vetores unitários do sistema cartesiano [WHHB12].

Reginaldo N. de Souza 24 LT33C - Eletromagnetismo


Álgebra vetorial
1. Soma e subtração:

A ± B = (Axax + Ay ay + Az az ) ± (Bxax + By ay + Bz az )
A ± B = (Ax ± Bx) ax + (Ay ± By ) ay + (Az ± Bz ) az

Figura 2: Soma vetorial.

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2. Associativa, distributiva e comutativa:

A + (B + C) = (A + B) + C
k (A + B) = kA + kB
(k1 + k2) A = k1A + k2A
A+B=B+A
3. Produto escalar:

A · B = AB cos θAB
sendo θAB o menor ângulo entre A e B.
Utilizando os vetores expressos por suas componentes
retangulares:

A · B = AxBx + Ay By + Az Bz
Em particular,

Reginaldo N. de Souza 26 LT33C - Eletromagnetismo


A · A = A2 = |A|2 = A2x + A2y + A2z
Note que as leis associativas, distributivas e comutativas são
validas para o produto escalar.
Observe também que:

ax · ay = ay · az = az · ax = 0
ax · ax = ay · ay = az · az = 1
4. Produto vetorial:

A × B = (AB sin θAB ) an


sendo θAB o menor ângulo entre A e B, e an o versor normal ao
plano definido por A e B. A orientação de an pode ser obtida
pela “regra da mão direita” ou pelo giro do parafuso universal,
rodando-se de A para B (Fig. 3).
Utilizando os vetores segundo suas componentes cartesianas:
Reginaldo N. de Souza 27 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 3: Direção e sentido de A × B são na direção e sentido do
avanço de um parafuso rotacionado de A para B [WHHB12].

Reginaldo N. de Souza 28 LT33C - Eletromagnetismo


A × B = (Axax + Ay ay + Az az ) × (Bxax + By ay + Bz az )

A×B = (Ay Bz − Az By ) ax+(Az Bx − AxBz ) ay +(AxBy − Ay Bx) az


uma vez que:

ax × ay = az
ay × az = ax
az × ax = ay
A expressão do produto vetorial de A e B também pode ser
escrita na forma compacta como um determinante:

ax ay az

A × B = Ax Ay Az

Bx By Bz
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Deve-se notar que o produto vetorial não é comutativo e nem
associativo, mas é distributivo:

A × B = −B × A

A × (B × C) 6= (A × B) × C

A × (B + C) = A × B + A × C

A×A=0

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Vetor posição e vetor distância
Vetor posição rP de um ponto P é um vetor que começa na
origem O do sistema coordenado e termina no ponto P . Da Fig.
4:
−→
rP = OP = xP ax + yP ay + zP az
−→
rQ = OQ = xQax + yQay + zQaz

Vetor distância RP Q é o deslocamento de um ponto P a um


ponto Q. Por exemplo, na Fig. 4 tem-se que:

rP + RP Q = rQ
Portanto, o vetor distância é dado por:

RP Q = rQ − rP
RP Q = (xQ − xP ) ax + (yQ − yP ) ay + (zQ − zP ) az
Reginaldo N. de Souza 31 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 4: Vetores posição rP e rQ, e vetor distância RP Q

Reginaldo N. de Souza 32 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio: Os ponto P e Q estão localizados em (0, 2, 4) e
(−3, 1, 5). Calcule:

a) o vetor posição P ; rP = 2ay + 4az


b) o vetor distância de P até Q; rP Q = −3ax − ay + az
c) a distância entre P e Q; d = 3, 32
d) um vetor paralelo a P Q com magnitude 10.
A = ± (−9, 05ax − 3, 02ay + 3, 02az )

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Sistemas de Coordenadas

Os sistemas de coordenadas definem um ponto no espaço como


fruto da intersecção de três superfı́cies que podem ser planas ou
não. Vamos nos ater aqui a três tipos de sistemas de coordenadas:
cartesianas, cilı́ndricas e esféricas.

Reginaldo N. de Souza 34 LT33C - Eletromagnetismo


Coordenadas cartesianas
Também conhecido por coordenadas retangulares, define um ponto
pela intersecção de 3 planos. Neste sistema um ponto P (x, y, z) é
definido pela intersecção dos planos x, y e z constantes paralelos
respectivamente ao plano yz, ao plano xz e ao plano xy, conforme a
Fig. 5. É o sistema (x, y, z).

−∞ < x < ∞
−∞ < y < ∞
−∞ < z < ∞

Representação de um vetor:

A = (Ax, Ay , Az ) = Axax + Ay ay + Az az

Reginaldo N. de Souza 35 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 5: Sistemas de coordenadas cartesianas (x, y, z) [Edm06]

Reginaldo N. de Souza 36 LT33C - Eletromagnetismo


Coordenadas cilı́ndricas
Neste sistema de coordenadas o ponto P (ρ, φ, z) é determinado
pela intersecção de uma superfı́cie lateral cilı́ndrica de raio ρ
constante e altura infinita, pelo semiplano φ constante (que contém
o eixo z) e finalmente pelo plano z constante, como pode ser
mostrado na Fig. 6. É o sistema (ρ, φ, z).

0≤ρ<∞
0 ≤ φ < 2π
−∞ < z < ∞

Representação de um vetor:

A = (Aρ, Aφ, Az ) = Aρaρ + Aφaφ + Az az

Reginaldo N. de Souza 37 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 6: Sistemas de coordenadas cilı́ndricas (ρ, φ, z)

Reginaldo N. de Souza 38 LT33C - Eletromagnetismo


Coordenadas esféricas
Define um ponto P (r, θ, φ) na superfı́cie de uma esfera de raio r
constante centrada na origem, vinculando-o pela intersecção desta
superfı́cie com uma outra cônica θ (ângulo formado com o eixo y)
constante e um semiplano φ (contendo o eixo z) constante,
representado na Fig. 7. É o sistema (r, θ, φ).

0≤r<∞
0≤θ<π
0 ≤ φ < 2π

Representação de um vetor:

A = (Ar , Aθ , Aφ) = Ar ar + Aθ aθ + Aφaφ

Reginaldo N. de Souza 39 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 7: Sistemas de coordenadas esféricas (r, θ, φ)

Reginaldo N. de Souza 40 LT33C - Eletromagnetismo


Versores sistemas coordenados
A Fig. 8 mostra os três versores aplicados ao ponto P .

Figura 8: Versores: a) Cartesiana; b) Cilı́ndrica; c) Esférica


Note que os versores apontam sempre para o sentido de crescimento
da coordenada e são normais à sua respectiva superfı́cie coordenada.
Por exemplo, aφ é normal à superfı́cie φ = constante.

Reginaldo N. de Souza 41 LT33C - Eletromagnetismo


Cálculo Vetorial

Reginaldo N. de Souza 42 LT33C - Eletromagnetismo


Elementos diferenciais de comprimento, área
e volume

Os elementos diferenciais são muito importantes em cálculo vetorial.


Em eletromagnetismo são muito utilizados em integrais de linha,
superfı́cie e volume.

1. Coordenadas cartesianas:
Deslocamento diferencial : Da Fig. 9 obtém-se que:
dl = dx ax + dy ay + dz az

Área diferencial : O elemento de área diferencial é obtido a


partir da Fig. 9 como:
dS = dS an
sendo dS a área do elemento de superfı́cie e an o versor
normal à superfı́cie dS e orientado para fora do volume
Reginaldo N. de Souza 43 LT33C - Eletromagnetismo
limitado pela superfı́cie dS. A área dS em uma superfı́cie é
dada pelo produto dos deslocamentos diferenciais que variam
nesta superfı́cie (duas componentes de dl). Por exemplo,
para a superfı́cie ABCD, dS = dy dz e an = ax, resultando
em dS = dy dzax. Já para AP SD dS = −dx dzay , pois
an = −ay . De maneira geral, os elementos positivos de área
diferencial são dados por:
dS = dy dz ax
= dx dz ay
= dx dy az
Estas áreas diferenciais estão ilustradas na Fig. 10.

Volume diferencial : é obtido da multiplicação das três


componentes de dl:
dv = dx dy dz
Note que dv não é um vetor.
Reginaldo N. de Souza 44 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 9: Elementos diferenciais em coordenadas cartesianas [Sad12].
Reginaldo N. de Souza 45 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 10: Área diferencial normal: a) dS = dydzax; b) dS =
dxdzay ; c) dS = dxdyaz

Reginaldo N. de Souza 46 LT33C - Eletromagnetismo


2. Coordenadas cilı́ndricas:
Deslocamento diferencial : Da Fig. 11 obtém-se que:
dl = dρ aρ + ρdφ aφ + dz az

Área diferencial : obtida a partir da Fig. 11, resultando em:


dS = ρdφ dz aρ
= dρ dz aφ
= ρdφ dρ az
conforme ilustrado na Fig. 12.

Volume diferencial : é obtido da multiplicação das três


componentes de dl:
dv = dρ ρdφ dz
dv = ρ dρ dφ dz

Reginaldo N. de Souza 47 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 11: Elementos diferenciais em coordenadas cilı́ndricas.

Reginaldo N. de Souza 48 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 12: Área diferencial normal: a) ρdφdz aρ; b) dρdz aφ; c)
ρdφdρ az

Reginaldo N. de Souza 49 LT33C - Eletromagnetismo


3. Coordenadas esféricas:
Deslocamento diferencial : Da Fig. 13 obtém-se que:
dl = dr ar + rdθ aθ + r sin θdφ aφ
Área diferencial : obtida a partir da Fig. 13, resultando em:
dS = r2 sin θ dθ dφ ar
= r sin θ dr dφ aθ
= r dr dθ aφ
conforme ilustrado na Fig. 14.
Volume diferencial : é obtido da multiplicação das três
componentes de dl:
dv = r2 sin θ dr dθ dφ
É importante observar que os valores de dl, dS e dv para
qualquer sistema de coordenadas não devem ser “decorados” e
sim encontrados a partir da análise das Fig. 9, 11 e 13.

Reginaldo N. de Souza 50 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 13: Elementos diferenciais em coordenadas esféricas.

Reginaldo N. de Souza 51 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 14: Área diferencial normal: a) r2 sin θdθdφ ar ; b)
r sin θdrdφ aθ ; c) rdrdθ aφ

Reginaldo N. de Souza 52 LT33C - Eletromagnetismo


Integrais de linha, de superfı́cie e de volume
Dado um campo vetorial A e uma curva L (Fig. 15), define-se a
integral:
Z Z b
A · dl = A cos θdl
a
L
como integral de linha de A em torno de L.

Figura 15: Caminho de integração do campo vetorial A.

Reginaldo N. de Souza 53 LT33C - Eletromagnetismo


Dado um campo vetorial A, contı́nuo em uma região contendo
uma curva suave S (Fig. 16), define-se a integral de superfı́cie,
ou fluxo de A através de S como:

Z Z
Ψ= A cos θdS = A · andS
ZS S

= A · dS
S

Figura 16: Fluxo de A através da superfı́cie S.

Reginaldo N. de Souza 54 LT33C - Eletromagnetismo


A integral de volume de um escalar ρv sobre um volume v é
definida como:
Z
ρv dv
v

O significado fı́sico de uma integral de linha, superfı́cie ou de


volume depende das grandezas fı́sicas representadas por A ou ρv .

Observe que:

– Caminho fechado define uma superfı́cie aberta;

– Superfı́cie fechada define um volume.

Reginaldo N. de Souza 55 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio:

1) Dado A = x2ax − xzay − y 2az , determine a circulação em torno


do caminho mostrado na Fig. 17.

Figura 17: Caminho fechado composto pelos segmentos de reta 1, 2,


3 e 4.

Reginaldo N. de Souza 56 LT33C - Eletromagnetismo


Operador del ou nabla
O operador nabla, representado por ∇, é o operador diferencial com
caráter vetorial.
Coordenadas cartesianas:

∂ ∂ ∂
∇= ax + ay + az
∂x ∂y ∂z
Coordenadas cilı́ndricas:

∂ 1 ∂ ∂
∇= aρ + aφ + az
∂ρ ρ ∂φ ∂z
Coordenadas esféricas:

∂ 1∂ 1 ∂
∇= ar + aθ + aφ
∂r r ∂θ r sin θ ∂φ

Reginaldo N. de Souza 57 LT33C - Eletromagnetismo


Gradiente de um campo escalar

Aplicação do operador nabla em um campo escalar V , resultando


em um vetor.

“O gradiente de um campo escalar V é um vetor que representa a


magnitude e a orientação da máxima taxa espacial de variação de
V .”

Coordenadas cartesianas:

∂V ∂V ∂V
grad V = ∇V = ax + ay + az
∂x ∂y ∂z

Coordenadas cilı́ndricas:

∂V 1 ∂V ∂V
∇V = aρ + aφ + az
∂ρ ρ ∂φ ∂z
Reginaldo N. de Souza 58 LT33C - Eletromagnetismo
Coordenadas esféricas:

∂V 1 ∂V 1 ∂V
∇V = ar + aθ + aφ
∂r r ∂θ r sin θ ∂φ

Reginaldo N. de Souza 59 LT33C - Eletromagnetismo


Divergente de um campo vetorial

Aplicação do operador nabla em um campo vetorial A, resultando


em um escalar.

“A divergência de A é o fluxo lı́quido que sai de uma superfı́cie


incremental fechada por unidade de volume encerrado pela
superfı́cie, à medida que este volume se reduz à zero.”

H
S
A · dS
div A = ∇ · A = lim (6)
∆v→0 ∆v

sendo v o volume limitado pela superfı́cie fechada S.

Fisicamente, pode-se considerar a divergência de um campo vetorial


A, em um dado ponto, como uma medida de quanto o campo
diverge ou emana desse ponto.
Reginaldo N. de Souza 60 LT33C - Eletromagnetismo
Coordenadas cartesianas:

∂Ax ∂Ay ∂Az


div A = ∇ · A = + +
∂x ∂y ∂z

Coordenadas cilı́ndricas:

1 ∂ (ρAρ) 1 ∂Aφ ∂Az


∇·A= + +
ρ ∂ρ ρ ∂φ ∂z

Coordenadas esféricas:
2

1 ∂ r Ar 1 ∂ (Aθ sin θ) 1 ∂Aφ
∇·A= 2 + +
r ∂r r sin θ ∂θ r sin θ ∂φ

Reginaldo N. de Souza 61 LT33C - Eletromagnetismo


Rotacional de um campo vetorial

“O rotacional de A é um vetor girante, cuja magnitude é a


máxima circulação de A por unidade de área, à medida que a área
tende a zero, e cuja orientação é perpendicular a essa área, quando
a mesma está orientada de modo a se obter a máxima circulação.”

Coordenadas cartesianas:


ax ay az
∂ ∂ ∂
rot A = ∇ × A = ∂x ∂y ∂z
Ax Ay Az
     
∂Az ∂Ay ∂Ax ∂Az ∂Ay ∂Ax
= − ax + − ay + − az
∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y

Reginaldo N. de Souza 62 LT33C - Eletromagnetismo


Coordenadas cilı́ndricas:

aρ ρaφ az
1 ∂ ∂ ∂

∇ × A = ∂ρ ∂φ ∂z
ρ
Aρ ρAφ Az
h i h i  
1 ∂Az ∂Aφ ∂Aρ ∂ (ρAφ ) ∂Aρ
∇×A= ρ ∂φ − ∂z aρ + ∂z − ∂A
∂ρ
z
a φ + 1
ρ ∂ρ − ∂φ az

Coordenadas esféricas:

ar raθ r sin θaφ
1 ∂ ∂ ∂

∇×A= 2 ∂r ∂θ ∂φ

r sin θ

Ar rAθ r sin θAφ
   
1 ∂ (Aφ sin θ) ∂Aθ 1 1 ∂Ar ∂ (rAφ )
∇×A= r sin θ ∂θ − ∂φ ar + r sin θ ∂φ − ∂r aθ
h i
∂(rAθ )
+ 1r ∂r − ∂A
∂θ aφ
r

Reginaldo N. de Souza 63 LT33C - Eletromagnetismo


Laplaciano de um escalar
“O laplaciano de um campo escalar V , escrito como ∇2V , é o
divergente do gradiente de V ”.
Coordenadas cartesianas:

Laplaciano V = ∇ · ∇V = ∇2V
2 ∂ 2V ∂ 2V ∂ 2V
∇V = 2
+ 2
+ 2
∂x ∂y ∂z
Coordenadas cilı́ndricas:
 
2 1∂ ∂V 1 ∂ 2V ∂ 2V
∇V = ρ + 2 2 + 2
ρ ∂ρ ∂ρ ρ ∂φ ∂z
Coordenadas esféricas:
   
21 ∂ 2 ∂V 1 ∂ ∂V 1 ∂ 2V
∇V = 2 r + 2 sin θ + 2 2
r ∂r ∂r r sin θ ∂θ ∂θ r sin θ ∂φ2
Reginaldo N. de Souza 64 LT33C - Eletromagnetismo
Laplaciano de um vetor

O laplaciano de um campo vetorial A, escrito como ∇2A, é o


gradiente do divergente de A subtraı́do do rotacional do rotacional
de A, ou seja:

∇2A = ∇ (∇ · A) − ∇ × ∇ × A

Em coordenadas cartesianas:

∇2A = ∇2Axax + ∇2Ay ay + ∇2Az az

Reginaldo N. de Souza 65 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cios:

1) Calcular o gradiente do campo escalar U = x2y + xyz.


2) Calcular o divergente e o rotacional do campo vetorial
A = yzax + 4xyay + yaz em (1, −2, 3).
3) Calcular o rotacional do campo vetorial
P = ρ sin φaρ + ρ2zaφ + z cos φaz .
4) Calcular o laplaciano do campo Q = ρ2z cos 2φ.

Reginaldo N. de Souza 66 LT33C - Eletromagnetismo


Campos Eletrostáticos

Reginaldo N. de Souza 67 LT33C - Eletromagnetismo


Força entre cargas elétricas - Lei de Coulomb

O experimento de Charles Coulomb consistiu em, utilizando uma


balança de torção muito sensı́vel, medir quantitativamente a força
exercida entre dois objetos carregados eletricamente. Diante dos
resultados obtidos, Coulomb estabeleceu que:

“o módulo da força eletrostática entre duas cargas pontuais Q1 e Q2


no vácuo, é diretamente proporcional ao produto de suas cargas e
inversamente proporcional ao quadrado da distância R que as
separam, ou seja”

Q1 Q2 h V i
F =k 2 m (7)
R

sendo o valor da carga elétrica dada em Coulombs (C), a distância R


em metros (m) e a constante de proporcionalidade k definida como:
Reginaldo N. de Souza 68 LT33C - Eletromagnetismo
1 ∼ h i
= 8, 99 × 109 N·m2 = m
2
k= F (8)
4πε0 C

em que a constante ε0 é a permissividade elétrica do espaço livre e


tem valor:

10−9 ∼ h i
F
ε0 = = 8, 854 × 10−12 m (9)
36π

A força elétrica é uma grandeza vetorial, ou seja, possui magnitude,


direção e sentido. A magnitude é dada pela equação (7), a direção é
obtida pela reta que une as duas cargas e o sentido é dado pela
regra:

Forças de Atração: cargas com sinais opostos;

Forças de Repulsão: cargas com sinais iguais;


Reginaldo N. de Souza 69 LT33C - Eletromagnetismo
Por exemplo, na Fig. 18 as cargas possuem o mesmo sinal.
Observando-se esta figura, nota-se que a Lei de Coulomb pode ser
escrita na sua forma vetorial como:

Q1 Q2
F21 = 2 aR12 (10)
4πε0|R12|
sendo:
F21 → Força na carga Q2 devido à carga Q1
R12 → Vetor que vai da carga Q1 à carga Q2
aR12 → Versor indicando a direção do vetor R12

Pela Fig. 18 nota-se que a expressão para o vetor distância R12


pode ser obtida por soma vetorial:

r1 + R12 = r2
R12 = r2 − r1 (11)
Reginaldo N. de Souza 70 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 18: Força elétrica entre duas cargas com mesmo sinal.

O vetor unitário aR12 é dado por:

R12
aR12 = (12)
|R12|

Substituindo as equações (11) e (12) em (10), resulta em:

Reginaldo N. de Souza 71 LT33C - Eletromagnetismo


Q1Q2 (r2 − r1)
F21 = (13)
4πε0 |r2 − r1|3

Observe na Fig. 18 que F12 = −F21, pois R21 = −R12.

Reginaldo N. de Souza 72 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio: Calcule a força que atua sobre uma carga Q1 = 20µC
devido à presença de outra, Q2 = −300µC. A primeira carga está
na posição P1(0, 1, 2) e a segunda em P2(2, 0, 0), todas expressas em
metros. Resp: F12 = 4ax − 2ay − 4az N

Reginaldo N. de Souza 73 LT33C - Eletromagnetismo


Princı́pio da Superposição de Forças

Para o caso em que há N cargas pontuais (Q1, Q2, . . . , QN )


localizadas de acordo com seus respectivos vetores posição
(r1, r2, . . . , rN ), a força resultante sobre uma carga Q1 localizada no
ponto r1 é dada por:

F1 = F12 + F13 + . . . + F1N


Q1Q2 (r1 − r2) Q1Q3 (r1 − r3) Q1QN (r1 − rN )
F1 = + + . . . +
4πε0 |r1 − r2|3 4πε0 |r1 − r3|3 4πε0 |r1 − rN |3
N
X Q1Qk (r1 − rk )
F1 = (14)
4πε0 |r1 − rk |3
k=2

ou seja, F1 é a soma vetorial de todas as forças exercidas em Q1.

Reginaldo N. de Souza 74 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio: Uma carga positiva Q1 = 2µC encontra-se na posição
P1(1, 2, 1) m, uma carga negativa Q2 de 4µC encontra-se na posição
P2(−1, 0, 2) m e uma carga negativa Q3 de 3µC encontra-se na
posição P3(2, 1, 3) m. Encontre a força que atua sobre a carga Q3.

Resp: F3 = (5, 2ax + 6, 63ay − 4, 4az ) × 10−3 N

Reginaldo N. de Souza 75 LT33C - Eletromagnetismo


Campo Elétrico

Considere duas cargas, uma carga Q em posição fixa e uma carga


teste QT , Fig. 19. Movendo-se a carga teste QT lentamente em
torno da carga fixa Q, nota-se que existe uma força agindo sobre a
carga QT . Em outras palavras, a carga QT está mostrando a
existência de um campo de força que está associado com a carga
Q. Expressando a força em QT pela lei de Coulomb, obtém-se:

QQT QQT (rT − r)


FT = 2 aR = 3 (15)
4πε0|R| 4πε0|rT − r|

Escrevendo esta força como força por unidade de carga obtém-se a


intensidade de campo elétrico E devido a presença da carga
Q:

Reginaldo N. de Souza 76 LT33C - Eletromagnetismo


FT h N V
i
E= ou m (16)
QT C

ou seja,

Q(rT − r)
E= 3 (17)
4πε0|rT − r|

Reginaldo N. de Souza 77 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 19: Campo elétrico devido à carga Q

Reginaldo N. de Souza 78 LT33C - Eletromagnetismo


Princı́pio da Superposição para o Campo
Elétrico

Para N cargas pontuais Q1, Q2, . . . , QN localizadas localizadas


respectivamente em r1, r2, . . . , rN , a intensidade de campo elétrico
resultante no ponto r é obtida como:

Q1 (r − r1) Q2 (r − r2) QN (r − rN )
E= + + . . . +
4πε0 |r − r1|3 4πε0 |r − r2|3 4πε0 |r − rN |3
N
1 X Qk (r − rk )
E= 3 (18)
4πε0 |r − r k |
k=1

Reginaldo N. de Souza 79 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio: Encontre E no ponto P (1, 1, 1) m devido a presença de
quatro cargas pontuais idênticas de 3nC localizadas em P1(1, 1, 0)
m, P2(−1, 1, 0) m, P3(−1, −1, 0) m e P4(1, −1, 0) m.

Resp: E = 6, 82ax + 6, 82ay + 32, 8az V/m

Reginaldo N. de Souza 80 LT33C - Eletromagnetismo


Campo Elétrico de Distribuições Contı́nuas de
Carga

Até este momento analisou-se somente forças e campos elétricos de


cargas pontuais, ou seja, cargas que ocupam um pequeno espaço
fı́sico. Porém, também é possı́vel ter regiões em que o espaço é
preenchido com inúmeras cargas separadas por distâncias
extremamente pequenas. Estas regiões, mostradas na Fig. 20,
podem ser representadas de acordo com sua configuração:
distribuição linear de cargas, distribuição superficial de
cargas ou distribuição volumétrica de cargas.

Usualmente é atribuı́da uma densidade a cada distribuição de carga:

Reginaldo N. de Souza 81 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 20: Elementos e distribuições de cargas.

 
C
ρL → Densidade linear
m
 
C
ρS → Densidade superficial
m2
 
C
ρv → Densidade volumétrica
m3

Reginaldo N. de Souza 82 LT33C - Eletromagnetismo


Assim, a carga total e o campo elétrico são dados por:

Z Z
ρLdl
Linha de carga: Q= ρLdl → E= 2
aR
4πε0R
ZL ZL
ρS dS
Superfı́cie de carga: Q= ρS dS → E= 2
aR
4πε0R
SZ ZS
ρv dv
Volume de carga: Q= ρv dv → E= 2
aR
4πε0R
v v

➥ O vetor unitário aR é variável, dependente das coordenadas do


elemento de carga dQ. Portanto, não pode ser removido do
integrando.

Reginaldo N. de Souza 83 LT33C - Eletromagnetismo


Campo de uma Linha de Carga

Considere uma linha infinita de carga com densidade uniforme de


carga ρL ao longo do eixo z, conforme Fig. 21.

O campo elétrico resultante é dado por:

ρL
E= aρ (19)
2πε0ρ

ou seja, só depende da distância do ponto de interesse em relação ao


fio, em um eixo vertical.

Reginaldo N. de Souza 84 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 21: Linha de carga com densidade uniforme de carga ao longo
do eixo z.

Reginaldo N. de Souza 85 LT33C - Eletromagnetismo


Campo de uma Lâmina Carregada

Assuma que uma lâmina (superfı́cie) infinita de carga, no plano xy,


possui densidade uniforme de carga ρS , como mostrado na Fig. 22.

Figura 22: Superfı́cie com carga uniformemente distribuı́da,


localizada no plano xy.

Reginaldo N. de Souza 86 LT33C - Eletromagnetismo


O campo elétrico resultante para esta lâmina infinita é dado por:

ρS
E= az (20)
2ε0

Generalizando para qualquer lâmina infinita de carga:

ρS
E= an (21)
2ε0
sendo an o versor normal à lâmina e direcionado para fora da sua
superfı́cie.

➥ Note que o campo elétrico resultante é normal à lâmina e


independente da distância entre a superfı́cie e o ponto de observação
P.

Reginaldo N. de Souza 87 LT33C - Eletromagnetismo


Campo no interior de um capacitor de placas paralelas:
– Duas placas infinitas carregadas com cargas iguais e sinais
opostos.

ρS −ρS ρS
E= an + (−an) = an (22)
2ε0 2ε0 ε0

Reginaldo N. de Souza 88 LT33C - Eletromagnetismo


Campo de um Volume de Carga

Considere uma esfera de raio a centrada na origem com uma


densidade volumétrica de carga igual a ρv , conforme Fig. 23.

O campo elétrico resultante externo a este volume de carga é dado


por:

Q
E= ar (23)
4πε0r2

Observe que este campo é idêntico ao campo elétrico produzido no


mesmo ponto por uma carga pontual localizada na origem.

Reginaldo N. de Souza 89 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 23: Determinação do campo elétrico devido a um volume de
carga centrado na origem.

Reginaldo N. de Souza 90 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio: Um anel circular de raio a está carregado com uma
distribuição uniforme de carga ρL C/m e está no plano xy com seu
eixo coincidindo com o eixo z.

a) Demonstre que:
 
ρLah V
E(0, 0, h) = a
3/2 z
2ε0 [h2 + a2] m
b) Determine E para a → 0, supondo carga total do anel igual a Q.
Resp:
 
Q V
E= az
4πε0h2 m

Reginaldo N. de Souza 91 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 24: Anel carregado.

Reginaldo N. de Souza 92 LT33C - Eletromagnetismo


Densidade de Fluxo Elétrico

O fluxo elétrico Ψ, por definição, começa em uma carga positiva e


termina em uma carga negativa, como ilustrado na Fig. 25. Quando
não houver esta carga negativa, o fluxo Ψ termina no infinito.
Tem-se também que 1 Coulomb de carga elétrica gera um fluxo
elétrico de 1 Coulomb. Sendo assim, Ψ é uma grandeza escalar dada
por:

Ψ = Q [C] (24)

Define-se a densidade de fluxo elétrico D como um campo vetorial


que tem direção e sentido determinados pelas linhas de fluxo e
magnitude dada pela razão do diferencial de fluxo dΨ pelo elemento
de área dS:

Reginaldo N. de Souza 93 LT33C - Eletromagnetismo


a) b)
Figura 25: Linhas de fluxo elétrico: a) saindo da carga positiva e
chegando na carga negativa b) saindo da carga positiva e terminando
no infinito.

dΨ h C i
D= a n m2 (25)
dS

sendo an o vetor unitário normal ao diferencial de superfı́cie dS,


como mostrado na Fig. 26.

Desta forma, o fluxo elétrico também pode ser escrito em função de


D:
Reginaldo N. de Souza 94 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 26: Densidade de fluxo elétrico

Reginaldo N. de Souza 95 LT33C - Eletromagnetismo


I
Ψ= D · dS (26)
S

Reginaldo N. de Souza 96 LT33C - Eletromagnetismo


Relação entre Densidade de Fluxo Elétrico e
Campo Elétrico

O campo vetorial densidade de fluxo elétrico, no espaço livre, é


definido como:

D = ε0 E (27)

ou seja, D tem a mesma forma de E, diferindo apenas por um fator


ε0 inerente ao meio. Consequentemente, nota-se que D não
depende do meio. Também tem-se que todas as formas utilizadas
para calcular E podem ser utilizadas para calcular D, bastando
multiplicar o resultado por ε0.

Reginaldo N. de Souza 97 LT33C - Eletromagnetismo


Lei de Gauss

Estabelece que “o fluxo elétrico total que sai de uma superfı́cie


fechada é igual à carga total envolvida por esta superfı́cie.”

Matematicamente implica que:

Ψ = Qint (28)

Substituindo esta relação (28) na expressão do fluxo elétrico (26),


obtém-se a expressão da Lei de Gauss:

I
Qint = D · dS (29)
S

Reginaldo N. de Souza 98 LT33C - Eletromagnetismo


Teorema da Divergência

Para obter o teorema da divergência, primeiramente será aplicado a


definição de divergência, eq. (6), à densidade de fluxo D:

H
S
D · dS
∇ · D = lim (30)
∆v→0 ∆v
H
porém, a lei de Gauss estabelece que Qint = S D · dS. Além disso,
considerando que a densidade de cargas ρv , para o volume limitado
pela superfı́cieR S, seja conhecido, a carga interna pode ser obtida
como Qint = v ρv dv. Assim, a eq. (30) pode ser reescrita:

H R
S
D · dS v
ρv dv
∇ · D = lim = lim (31)
∆v→0 ∆v ∆v→0 ∆v

Reginaldo N. de Souza 99 LT33C - Eletromagnetismo


o que resulta em:

I Z
D · dS = ρv dv (32)
S v

Também é possı́vel observar no lado direito da eq. (31) que, no


limite:

R
v
ρv dv Qint
∇ · D = lim = lim = ρv (33)
∆v→0 ∆v ∆v→0 ∆v

ou seja,

∇ · D = ρv (34)

Reginaldo N. de Souza 100 LT33C - Eletromagnetismo


Esta expressão é a lei de Gauss expressa na forma diferencial ou
pontual, representando assim uma das quatro equações de Maxwell
para campos estáticos.

Substituindo a expressão (34) no lado direito da equação (32),


obtém-se o Teorema da Divergência:

I Z
D · dS = (∇ · D) dv (35)
S v

Generalizando para qualquer campo vetorial:

I Z
A · dS = (∇ · A) dv (36)
S v

Este teorema, também conhecido como teorema da divergência de


Gauss, estabelece que “o fluxo total de um determinado campo
Reginaldo N. de Souza 101 LT33C - Eletromagnetismo
vetorial A que sai de uma superfı́cie fechada S é igual à integral
de volume da divergência de A.”

Reforçando que v é o volume limitado pela superfı́cie fechada S.

Conclusões sobre a lei de Gauss:

Primeira das quatro equações de Maxwell para campos estáticos;

As eq. (29) e (34) representam a lei de Gauss na forma integral


e diferencial, respectivamente;

Lei de Gauss facilita o cálculo de E ou D para distribuições


simétricas de cargas.

Reginaldo N. de Souza 102 LT33C - Eletromagnetismo


Aplicações da Lei de Gauss

Pode ser aplicada a qualquer tipo de superfı́cie, porém as superfı́cies


simétricas facilitam os cálculos. Estas superfı́cies simétricas
fechadas são denominadas superfı́cies gaussianas. A escolha
adequada desta superfı́cie resulta em três fatores simplificadores:

1. D normal ou tangencial à superfı́cie S:


(a) Normal: D · dS = DdS cos θ = DdS, pois θ = 0;
(b) Tangencial: D · dS = 0, pois θ = π/2.
2. Módulo de D é igual em todos os pontos da superfı́cie gaussiana.
Assim, D é uma constante que pode ser retirada da integral;
3. A integral resultante é simplesmente a soma das áreas
diferenciais, ou seja, resulta na área da superfı́cie gaussiana.

Reginaldo N. de Souza 103 LT33C - Eletromagnetismo


Carga Pontual

Considere uma carga Q posicionada na origem. Determinar D em


um ponto P .

Escolha de uma superfı́cie gaussiana adequada à simetria do


problema: esférica, Fig. 27

Nesse caso, D é normal à superfı́cie (tangencial à dS) e constante


sobre ela, ou seja, D = Dr ar . O diferencial de área é dado por
dS = r2 sin θdθdφar . Aplicando agora a lei de Gauss:

I I I
Qint = D · dS ⇒ Q = Dr dS = Dr dS
S S S
Z2π Zπ
2 2 Q
Q = Dr r sin θdθdφ = Dr 4πr ⇒ Dr =
4πr2
φ=0 θ=0

Reginaldo N. de Souza 104 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 27: Superfı́cie gaussiana para uma carga pontual.

Reginaldo N. de Souza 105 LT33C - Eletromagnetismo


e já que D = Dr ar :

Q
D= ar (37)
4πr2

e como D = ε0E, obtém-se:

Q
E= 2
ar (38)
4πε0r

sendo este resultado o mesmo obtido em (17) a partir da lei de


Coulomb.
H 2
Observe que o resultado da integral S
dS = 4πr é simplesmente a
área superficial da esfera.

Reginaldo N. de Souza 106 LT33C - Eletromagnetismo


Linha Infinita de Carga

Considere uma linha infinita de carga ao longo do eixo z com


densidade uniforme de carga ρL (C/m).

Devido a simetria cilı́ndrica do problema, D possui apenas


componente segundo ρ, ou seja, D = Dρaρ. Com isso, a superfı́cie
gaussiana mais adequada é uma superfı́cie cilı́ndrica, conforme Fig.
28. Aplicando a lei de Gauss:

Z Z Z
Qint = D · dS + D · dS + D · dS
S1 S2 S3

Sobre as superfı́cies S1 e S3, D e dS são ortogonais. Portanto, suas


integrais se anulam. Em S2, D e dS são paralelos e D é constante
sobre esta superfı́cie (pois o raio ρ é constante em S2). Deste modo,

Reginaldo N. de Souza 107 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 28: Superfı́cie gaussiana para linha infinita carregada ao longo
do eixo z.

Reginaldo N. de Souza 108 LT33C - Eletromagnetismo


Z ZL Z2π
Qint = Dρ dS = Dρ ρdφdz = Dρ(2πρL) (39)
S2
z=0 φ=0

em que L é um trecho arbitrário da linha (altura do cilindro). Já a


carga interna à superfı́cie gaussiana é dada por:

Qint = ρLL (40)

Substituindo (41) em (39):

ρL
ρLL = Dρ(2πρL) ⇒ Dρ = (41)
2πρ

Finalmente,
Reginaldo N. de Souza 109 LT33C - Eletromagnetismo
ρL
D= aρ (42)
2πρ

ρL
E= aρ (43)
2πε0ρ

Note a simplicidade desta solução utilizando a lei de Gauss quando


comparada com a solução obtida utilizando a lei de Coulomb (feito
em sala de aula).

Reginaldo N. de Souza 110 LT33C - Eletromagnetismo


Lâmina Infinita de Carga

Considere uma lâmina infinita com distribuição uniforme de cargas


dada por ρS (C/m2) e localizada no plano xy (z = 0).

Devido a simetria do problema, D possui apenas componente em z,


ou seja, D = Dz az . Com isso, um prisma ou um cilindro com as
faces paralelas à lâmina podem ser utilizados como superfı́cie
gaussiana. Na Fig. 29, utilizou-se um prisma com face quadrada.
Aplicando a lei de Gauss:

Z Z
Qint = D · dS + D · dS
Slaterais Sfaces(sup e inf)

Nas laterais D e dS são ortogonais e, consequentemente, suas


integrais se anulam. Já nas faces superior e inferior, D e dS são
paralelos. Assim, tem-se que:
Reginaldo N. de Souza 111 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 29: Superfı́cie gaussiana para lamina carregada.
Z Z
Qint = Dz dS + Dz dS
Sface sup Sface inf

R
Dado que a carga interna à superfı́cie é Qint = ρS dS, obtém-se:

Reginaldo N. de Souza 112 LT33C - Eletromagnetismo


 
Z Z Z
 
ρS dS = Dz  dS + dS 
Sface sup Sface inf

ρS A = Dz (A + A)
ρS A = Dz 2A
ρS
Dz =
2

Sendo A a área de cada face. Finalmente,

ρS
D= az (44)
2

Reginaldo N. de Souza 113 LT33C - Eletromagnetismo


Esfera Carregada

Considere uma esfera de raio a com uma distribuição uniforme de


carga dada por ρv (C/m3) centrada na origem. Já que a carga tem
simetria esférica, a superfı́cie gaussiana mais adequada ao problema
é a superfı́cie esférica.

Para calcular D são considerados dois casos: r ≤ a e r ≥ a.

r ≤ a:
Aplicando a lei de Gauss na superfı́cie esférica de raio r (linha
tracejada), obtém-se:
I
Qint = D · dS

Como D e dS são paralelos:

Reginaldo N. de Souza 114 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 30: Superfı́cie gaussiana para uma esfera carregada: a) r ≤ a
e b) r ≥ a.

Reginaldo N. de Souza 115 LT33C - Eletromagnetismo


I Z2π Zπ
Qint = Dr dS = Dr r2 sin θdθdφ = Dr 4πr2 (45)
φ=0 θ=0

A carga total dentro da superfı́cie gaussiana de raio r é dada por:

Z Z2π Zπ Zr
4
Qint = ρv dv = ρv r2 sin θdrdθdφ = ρv πr3 (46)
3
φ=0 θ=0 r=0

Substituindo (46) na expressão (45) obtém-se:

4 3
ρv πr = Dr 4πr2 (47)
3
Portanto, para 0 < r ≤ a:
r
D = ρv ar (48)
3
Reginaldo N. de Souza 116 LT33C - Eletromagnetismo
r ≥ a:
Aplicando novamente a lei de Gauss na superfı́cie esférica de
raio r, obtém-se:

I I Z2π Zπ
Qint = D · dS = Dr dS = Dr r2 sin θdθdφ = Dr 4πr2
φ=0 θ=0
(49)
pois D e dS são paralelos. A carga total no interior da superfı́cie
gaussiana de raio r é dada por:

Z Z2π Zπ Za
2 4 3
Qint = ρv dv = ρv r sin θdrdθdφ = ρv πa (50)
3
φ=0 θ=0 r=0

Substituindo (50) em(49) obtém-se:

Reginaldo N. de Souza 117 LT33C - Eletromagnetismo


4 3
ρv πa = Dr 4πr2 (51)
3
Portanto,

a3
D = 2 ρv ar , r≥a (52)
3r

Assim, D em qualquer ponto é dado por:

 r
 3 ρv ar 0<r≤a
D= (53)
 a3
ρa
3r2 v r
r≥a

Reginaldo N. de Souza 118 LT33C - Eletromagnetismo


Potencial Elétrico

Uma carga pontual Q sofre a ação de uma força elétrica Fe quando


imersa em uma região com campo elétrico E, conforme Fig. 31.
Esta força é dada por:

Fe = QE (54)

Figura 31: Força em uma carga pontual devido a um campo elétrico.


Pela ação desta força a carga será acelerada e se deslocará até uma
distância infinita, quando a ação da força não possa mais ser sentida.

Reginaldo N. de Souza 119 LT33C - Eletromagnetismo


Para movimentar esta carga no sentido contrário à ação do campo
elétrico, é necessário uma força mı́nima com intensidade igual
àquela exercida pelo campo elétrico, mas com sentido oposto,
agindo na mesma direção. Ou seja:

Fa = −Fe = −QE (55)

O trabalho é definido como uma força agindo sobre uma certa


distância. Portanto, para movimentar a carga Q a uma distância dl
é necessário um trabalho dado por:

dW = Fa · dl = −QE · dl (56)

Note que quando Q é positivo e dl está na direção de E, dW < 0,


indicando que o trabalho é realizado pelo próprio campo elétrico.

Reginaldo N. de Souza 120 LT33C - Eletromagnetismo


Por outro lado, dW > 0 indica que o trabalho é realizado contra o
campo elétrico, ou seja, por um agente externo.

Admita agora que se queira movimentar uma carga pontual Q do


ponto B para A, em um campo elétrico E, como mostrado na Fig.
32.

Figura 32: Deslocamento de uma carga pontual em um campo


elétrico E.

Reginaldo N. de Souza 121 LT33C - Eletromagnetismo


A partir da equação (56) conclui-se que o trabalho realizado para
provocar um deslocamento dl na carga Q é dado por:

Z A
W = −Q E · dl (57)
B

Assim, o potencial elétrico de um ponto A em relação a um ponto


B é definido como o trabalho necessário para movimentar uma
carga pontual Q de B para A, dividido por Q:

Z A
W
VAB = =− E · dl (58)
Q B

ou seja, VAB é energia potencial por unidade de carga. O potencial


elétrico é medido em joules por coulomb (J/C) ou volts (V).

Note que:
Reginaldo N. de Souza 122 LT33C - Eletromagnetismo
O potencial elétrico não depende da carga teste e sim da carga
que gera o campo E;

Se VAB < 0, existe perda de energia potencial elétrica. Trabalho


realizado pelo campo elétrico;

Se VAB > 0, ganho de energia. Um agente externo realiza


trabalho sobre a carga teste;

O ponto B (limite inferior da integral) é usado como ponto de


referência.

Reginaldo N. de Souza 123 LT33C - Eletromagnetismo


Q
Na Fig. 32, se E = a
4πε0 r2 r
e dl = drar , então:

Z rA
Q
VAB = − ar · drar (59)
rB 4πε0r2
rA #
"
Q 1
VAB =− − (60)
4πε0 r rB
 
Q 1 1
VAB = − (61)
4πε0 rA rB

ou seja,

VAB = VA − VB (62)

Observe que a diferença de potencial entre dois pontos A e B


independe da trajetória percorrida. Note também que se Q for
Reginaldo N. de Souza 124 LT33C - Eletromagnetismo
uma carga positiva, o potencial de A estará a um potencial maior
do que B, VA > VB , quando rA for menor que rB .

Em problemas envolvendo cargas pontuais, costuma-se considerar o


ponto de referência no infinito. Assim, movendo o ponto B ao
infinito, o potencial devido a uma carga pontual Q localizada na
origem é dado por:

 
Q 1 1
VA∞ = − (63)
4πε0 rA ∞

ou seja,

Q
V = (64)
4πε0r

Reginaldo N. de Souza 125 LT33C - Eletromagnetismo


Caso a carga Q que produz o campo E não esteja localizada na
origem, e sim em um ponto dado pelo vetor posição r′, o potencial
em um dado ponto definido pelo vetor r torna-se:

Q
V (r) = (65)
4πε0 |r − r′|

Reginaldo N. de Souza 126 LT33C - Eletromagnetismo


Princı́pio da Superposição

Para N cargas pontuais Q1, Q2, . . . , QN localizadas em pontos com


vetores posição r1, r2, . . . , rN , o potencial em r será dado por:

Q1 Q2 QN
V (r) = + + ... +
4πε0 |r − r1| 4πε0 |r − r2| 4πε0 |r − rN |
N
1 X Qk
V (r) = (66)
4πε0 |r − rk |
k=1

Reginaldo N. de Souza 127 LT33C - Eletromagnetismo


Distribuições de Cargas

Para distribuições contı́nuas de cargas substitui-se o somatório de


Qk pela integral de ρL dl, ρS dS ou ρv dv, resultando em:

Z
1 ρL (r′)dl′
Linha de carga: V (r) = ′
4πε0 L |r − r |

Z
1 ρS (r′)dS ′
Superfı́cie de carga: V (r) = ′
4πε0 S |r − r |

Z
1 ρv (r′)dv ′
Volume de carga: V (r) = ′
4πε0 v |r − r |

em que as coordenadas-linha referem-se à localização das


distribuições de cargas.
Reginaldo N. de Souza 128 LT33C - Eletromagnetismo
Exercı́cio 1) Duas cargas pontuais Q1 = −4µC e Q2 = 5µC estão
localizadas em (2, −1, 3) e em (0, 4, −2), respectivamente.
Determine o potencial elétrico em (1, 0, 1), considerando potencial
zero no infinito.
Resp: V = −5, 872K V
Exercı́cio 2) Uma carga total de (40/3) nC é uniformemente
distribuı́da em volta de um anel circular de 2 m de raio. Encontre o
potencial de um ponto distante 5 m do plano do anel e pertencente
ao seu eixo.
Resp: V = 22, 3 V
Exercı́cio 3) Repita o problema anterior admitindo agora que a
carga total esteja uniformemente distribuı́da sobre um disco circular
de 2 m de raio.
Resp: V = 23, 1 V

Reginaldo N. de Souza 129 LT33C - Eletromagnetismo


Relação entre o Campo Elétrico e o Potencial
Elétrico

Como foi visto na seção anterior, a diferença de potencial entre dois


pontos A e B independe da trajetória percorrida. Assim,

VAB = −VBA ⇒ VAB + VBA = 0 (67)

ou seja,

I
E · dl = 0 (68)
L

Este resultado mostra que uma integral de linha de E ao longo de


uma trajetória fechada, como mostrado na Fig. 33, deve ser zero.
Reginaldo N. de Souza 130 LT33C - Eletromagnetismo
Fisicamente, implica que o trabalho necessário para movimentar
uma carga pontual ao longo de qualquer percurso fechado é zero.
Por apresentar esta propriedade, o campo eletrostático é
denominado de campo conservativo.

Figura 33: Campo eletrostático conservativo.

Reginaldo N. de Souza 131 LT33C - Eletromagnetismo


Teorema de Stokes

“Estabelece que a circulação de um campo vetorial A em torno de


um caminho fechado L é igual à integral de superfı́cie do rotacional
de A sobre a superfı́cie aberta S, limitada por L, desde que A e
∇ × A sejam contı́nuos sobre S.”

I Z
A · dl = (∇ × A) · dS (69)
L S

Figura 34: Relação de dl e dS no teorema de Stokes.


Reginaldo N. de Souza 132 LT33C - Eletromagnetismo
Aplicando o teorema de Stokes na eq. (68):

I Z
E · dl = (∇ × E) · dS = 0 (70)
L S

ou seja

∇×E=0 (71)

As equações (68) e (71) são equações de Maxwell para campos


eletrostáticos, sendo a primeira a forma integral e a última a forma
diferencial. Ambas equações descrevem a natureza conservativa do
campo eletrostático.

Reginaldo N. de Souza 133 LT33C - Eletromagnetismo


Relação entre E e V
R
Da definição do potencial elétrico, V = − E · dl, obtém-se o
diferencial de V como:

dV = −E · dl (72)

e do cálculo do gradiente de V :

dV = ∇V · dr (73)

Dado que dl = dr é um deslocamento infinitesimal arbitrário,


fazendo (72) igual (73) segue que:

E = −∇V (74)
Reginaldo N. de Souza 134 LT33C - Eletromagnetismo
ou seja, o campo elétrico E pode ser obtido, quando a função
potencial V é conhecida, simplesmente tomando o negativo do
gradiente de V . O sinal negativo indica que o campo elétrico E está
orientado dos nı́veis mais altos para os nı́veis mais baixos de V .

A relação (74) representa um outro caminho para se obter E


independentemente da lei de Gauss e da lei de Coulomb.

Reginaldo N. de Souza 135 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Encontre o campo elétrico devido a uma carga
pontual localizada na origem, utilizando o potencial elétrico.

Reginaldo N. de Souza 136 LT33C - Eletromagnetismo


Energia em Campos Eletrostáticos

Considere o trabalho necessário para juntar, carga por carga, uma


distribuição com n = 3 cargas pontuais. Inicialmente supõe-se que a
região está sem cargas e com E = 0.

Figura 35: Conjunto de cargas pontuais.


Referindo-se à Fig. 35, o trabalho necessário para fixar a carga Q1
no ponto P1 é nulo, pois inicialmente E = 0. Por outro lado,
quando Q2 é movimentada do infinito até P2, faz-se necessário
realizar um trabalho igual ao produto desta carga pelo potencial

Reginaldo N. de Souza 137 LT33C - Eletromagnetismo


devido a Q1. Desta forma, o trabalho total necessário para fixar
estas três cargas é dado por:

WE = W1 + W2 + W3
WE = 0 + (Q2V21) + (Q3V31 + Q3V32) (75)

em que V21 pode ser lido como o “potencial no ponto P2 devido à


carga Q1 na posição P1” e WE é a energia acumulada no campo
elétrico do arranjo de cargas.

No entanto, se as cargas forem posicionadas nas mesmas posições


em ordem reversa, o trabalho total seria:

WE = W3 + W2 + W1
WE = 0 + (Q2V23) + (Q1V13 + Q1V12) (76)
Reginaldo N. de Souza 138 LT33C - Eletromagnetismo
Somando as eq. (75) e (76):

2WE = Q1 (V12 + V13) + Q2 (V21 + V23) + Q3 (V31 + V32) (77)

sendo que cada soma entre parêntesis representa o potencial elétrico


resultante em cada ponto devido a todas as cargas, exceto aquela
que está no próprio ponto. Assim, tem-se que:

V1 = V12 + V13 (78)


V2 = V21 + V23 (79)
V3 = V31 + V32 (80)

Então,

Reginaldo N. de Souza 139 LT33C - Eletromagnetismo


1
WE = (Q1V1 + Q2V2 + Q3V3) (81)
2

Generalizando para n cargas pontuais:

n
1X
WE = Qk V k [J] (82)
2
k=1

Se, ao invés de cargas pontuais, a região contiver uma distribuição


contı́nua de cargas, o somatório torna-se uma integral:

Reginaldo N. de Souza 140 LT33C - Eletromagnetismo


Z
1
Linha de carga: WE = ρLV dl (83)
2 L

Z
1
Superfı́cie de carga: WE = ρS V dS (84)
2 S

Z
1
Volume de carga: WE = ρv V dv (85)
2 v

Já que ρv = ∇ · D, a equação (85) pode ser reescrita como:

Z
1
WE = (∇ · D)V dv (86)
2 v

No entanto, a seguinte identidade vetorial é valida para um escalar


V e um vetor A:
Reginaldo N. de Souza 141 LT33C - Eletromagnetismo
∇ · V A = A · ∇V + V (∇ · A) (87)

Utilizando (87) em (86), resulta em:

 
Z Z
1
WE = (∇ · V D) dv − (D · ∇V ) dv  (88)
2
v v

Aplicando o teorema da divergência ao primeiro termo do lado


direito da eq. (88) tem-se que:

 
I Z
1
WE = (V D) dS − (D · ∇V ) dv  (89)
2
S v

Reginaldo N. de Souza 142 LT33C - Eletromagnetismo


Sabendo que para cargas pontuais V varia com 1/r, D com 1/r2 e
dS com r2, tem-se que a integral de superfı́cie na eq. (89) tende a
zero a medida que a superfı́cie S torna-se cada vez maior. Assim,
esta equação reduz-se a:
Z
1
WE = − (D · ∇V ) dv (90)
2 v

e já que E = −∇V e D = ε0E,


Z Z Z
1 1 2 1 D2
WE = D · E dv = ε0E dv = dv (91)
2 v 2 v 2 ε
v 0

Derivando a eq. (91) em relação ao volume obtém-se a densidade de


energia eletrostática armazenada em um campo elétrico:

dWE 1 1 2 D2 h
J
i
wE = = D · E = ε0 E = m3 (92)
dv 2 2 2ε0
Reginaldo N. de Souza 143 LT33C - Eletromagnetismo
Exercı́cio 1) O potencial elétrico em uma região do espaço é dada
por V (x, y, z) = A x2 − 3y 2 + z 2 volts, sendo A uma constante.
Sabe-se que o trabalho realizado pelo E quando uma carga de 1, 5µ
C é deslocada do ponto P1(0, 0, 0, 25) m até a origem é igual a
60µ J. Determine a expressão do campo elétrico nesta região.
h i
Resp: E = 1280xax − 3840yay + 1280zaz V
m

Exercı́cio 2) Calcule a energia armazenada em um sistema de


quatro cargas pontuais idênticas, Q = 4nC, situadas nos vértices de
um quadrado de um metro de lado.

Resp: WE = 780 nJ

Reginaldo N. de Souza 144 LT33C - Eletromagnetismo


Campos Elétricos em Meio Material

Reginaldo N. de Souza 145 LT33C - Eletromagnetismo


Corrente e Densidade de Corrente

A corrente é definida como o movimento de cargas através de uma


área em um dado intervalo de tempo:

dQ
I= [A] (93)
dt

Na teoria de campo, usualmente tem-se mais interesse em eventos


em um dado ponto do que eventos em uma grande região. Portanto,
o conceito de densidade de corrente torna-se mais útil. Assim, se
uma corrente ∆I atravessa uma superfı́cie ∆S, tem-se que:

∆I
J= ⇒ ∆I = J∆S (94)
∆S

Reginaldo N. de Souza 146 LT33C - Eletromagnetismo


h i
sendo J a densidade de corrente dada em m A . Para o caso da
2

densidade de corrente não perpendicular à superfı́cie:

∆I = J · ∆S (95)

Portanto, a corrente total atravessando a superfı́cie S, Fig. 36, é


dada por:

Z
I= J · dS (96)
S

ou seja, a corrente é o fluxo da densidade de corrente.

Reginaldo N. de Souza 147 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 36: Densidade de corrente.

Reginaldo N. de Souza 148 LT33C - Eletromagnetismo


Corrente de Convecção

É a corrente resultante do fluxo de cargas através de um meio


isolante. Por exemplo, feixe de elétrons em um tubo de vácuo.

Considere um filamento com um fluxo de cargas, de densidade ρv ,


movendo-se ao longo do eixo y com uma velocidade u = uy ay ,
conforme Fig. 37. A corrente total através deste filamento é dada
por:

∆Q ∆y
∆I = = ρv ∆S = ρv ∆Suy (97)
∆t ∆t

Em termos de densidade de corrente, obtém-se que:


∆I
Jy = = ρv uy (98)
∆S

Reginaldo N. de Souza 149 LT33C - Eletromagnetismo


e em geral:

J = ρv u (99)

Este último resultado mostra claramente que carga em movimento


constitui uma corrente. Este tipo de corrente I é denominada de
corrente de convecção e J é a densidade de corrente de
convecção.

Note que a densidade de corrente de convecção é linearmente


relacionada com a densidade de carga e a velocidade.

Reginaldo N. de Souza 150 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 37: Corrente em um filamento.

Reginaldo N. de Souza 151 LT33C - Eletromagnetismo


Corrente de Condução

Este tipo de corrente ocorre necessariamente em condutores, os


quais são caracterizados por uma grande quantidade de elétrons
livres que promovem a corrente de condução ao serem
impulsionados por um campo elétrico.

Assumindo que uma carga teste q esteja imersa em um campo


elétrico uniforme E, a força elétrica resultante na carga é dada por:

F = qE (100)

No espaço livre, a partı́cula aceleraria e aumentaria sua velocidade


constantemente. Porém, em materiais cristalinos, o progresso desta
partı́cula é impedido por inúmeras colisões com a rede cristalina
(perdendo energia e desviando do percurso), obtendo assim uma
velocidade constante. Esta velocidade é denominada velocidade de
Reginaldo N. de Souza 152 LT33C - Eletromagnetismo
deriva (ud) e é diretamente relacionada com o campo elétrico e a
mobilidade (µ) da partı́cula em um dado material:

ud = µE (101)

Alguns exemplos de mobilidade do elétron:

1 ) Prata: µ = 0, 0056 m2/Vs


2 ) Cobre: µ = 0, 0032 m2/Vs
4 ) Alumı́nio: µ = 0, 0012 m2/Vs

Observa-se que a prata é um dos melhores condutores, porém oxida


facilmente e deixa de ter uma boa condução de corrente.

Substituindo a eq. (101) na expressão (99):


Reginaldo N. de Souza 153 LT33C - Eletromagnetismo
J = ρv µE (102)

O produto ρv µ é definido como sendo a condutividade σ do material


em que o fluxo de corrente é estabelecido. Sua unidade de medida é
dada por siemens por metro. Assim, a expressão anterior torna-se:

J = σE (103)

Esta expressão representa uma densidade de corrente de condução


definida como o movimento de cargas que se alinham mediante a
atuação de um campo elétrico externo. Esta expressão também é
conhecida como forma pontual da lei de Ohm.

Reginaldo N. de Souza 154 LT33C - Eletromagnetismo


Resistência R

Considere um condutor de seção reta uniforme de área A e


comprimento l, como indicado na Fig. 38.

Figura 38: Condutor de seção reta uniforme.


Se este condutor apresentar uma diferença de potencial V entre seus
terminais, então o campo elétrico produzido é dado por:

V
E= (104)
l
Reginaldo N. de Souza 155 LT33C - Eletromagnetismo
e

V
J =σ (105)
l

supondo-se que a corrente está uniformemente distribuı́da pela área


A. Dessa forma, a corrente total é expressa por:

V
I = JA = σ A (106)
l

e como a lei de Ohm estabelece que V = RI, a resistência é


expressa como:

l
R= [Ω] (107)
σA
Reginaldo N. de Souza 156 LT33C - Eletromagnetismo
Esta expressão é útil para calcular a resistência de qualquer
condutor de seção reta uniforme. Entretanto, se a seção reta do
condutor não for uniforme (densidade de corrente não uniforme),
esta equação não é mais válida. Então, a resistência para um
condutor de seção reta não uniforme é dada por:

R
V L
E · dl
R= = R (108)
I S
σE · dS

Reginaldo N. de Souza 157 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Um fio de 1mm de diâmetro e condutividade 5 × 107
S/m tem 1029 elétrons livres / m3 quando um campo elétrico de 10
m V/m é aplicado. Determine:
a) Densidade de corrente;
b) Corrente no fio;
c) Velocidade de deriva dos elétrons (carga do elétron
= −1, 6 × 10−19 C).
Resp: a) J = 500 KA/m2; b) I = 393 mA; c) u = 31, 25µ m/s
Exercı́cio 2) Uma barra de chumbo (σ = 5 × 106 S/m) tem um
furo ao longo de seus 4 m de comprimento, conforme Fig. 39.
Determine a resistência nas extremidades da barra.
Resp: R = 974µΩ
Exercı́cio 3) Se o furo da barra do exercı́cio anterior for
preenchido com cobre (σ = 5, 8 × 107 S/m), qual é a nova
resistência da barra composta?
Resp: R = 461, 8µΩ
Reginaldo N. de Souza 158 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 39: Seção reta da barra referente ao Exercı́cio 2.

Reginaldo N. de Souza 159 LT33C - Eletromagnetismo


Equação da Continuidade de Corrente e
Tempo de Relaxação

Devido ao princı́pio da conservação de carga, a taxa de diminuição


de carga em um dado volume, em um certo tempo, deve ser igual à
corrente lı́quida que sai da superfı́cie fechada que limita esse volume.
Dessa forma, a corrente que sai da superfı́cie fechada é dada por:

I
−dQin
Iout = J · dS = (109)
dt

ou seja, a carga Q dentro da superfı́cie fechada decresce em uma


razão −dQ/dt.

Aplicando
R o teorema da divergência na equação (109) e substituindo
Q por ρv dv:
Reginaldo N. de Souza 160 LT33C - Eletromagnetismo
Z Z
d
(∇ · J) dv = − ρv dv (110)
v dt v

Se a superfı́cie for mantida constante, a derivada total equivale à


própria derivada parcial dentro do mesmo domı́nio de integração,
podendo ser colocada no integrando do lado direito. Desta forma:

Z Z
∂ρv
(∇ · J) dv = − dv (111)
v v ∂t

ou seja,

∂ρv
∇·J=− (112)
∂t

Esta expressão é conhecida como equação da continuidade de


corrente, a qual é obtida pelo princı́pio de conservação de energia e
Reginaldo N. de Souza 161 LT33C - Eletromagnetismo
estabelece que a carga elétrica não pode ser destruı́da. Para
corrente estacionárias, ∂ρv /∂t = 0 e, consequentemente, ∇ · J = 0,
mostrando que a carga total que sai de um volume é igual à carga
total que entra nesse volume. A lei de Kirchhoff para corrente (lei
dos nós) é consequência desta propriedade. A expressão ∇ · J = 0 é
a equivalente vetorial da lei dos nós.

Agora é analisado o que ocorre quando se introduz cargas em algum


ponto no interior de um dado material. Partindo das definições:

J = σE (113)

ρv
∇ · D = ρv ⇒ ∇·E= (114)
ε

Reginaldo N. de Souza 162 LT33C - Eletromagnetismo


e substituindo na equação (112), obtém-se que:

∂ρv
∇ · σE = − (115)
∂t
σρv ∂ρv
=− (116)
ε ∂t

ou

∂ρv σρv
+ =0 (117)
∂t ε

A solução desta equação diferencial é dada por:

ρv = ρv0 e−t/Tr (118)

Reginaldo N. de Souza 163 LT33C - Eletromagnetismo


sendo Tr = σε a constante de tempo (ou tempo de relaxação) dada
em segundos e ρv0 a densidade de carga inicial (ρv em t = 0).

Portanto, este resultado mostra que se uma carga ρv0 for


introduzida no interior do material, as cargas se separariam devido
as forças de Coulomb e, após Tr segundos, a densidade de carga
seria de 36,8% de ρv0. Após 5Tr , haverá somente 0,67% de ρv0.
Sendo assim, para campos eletrostáticos, pode-se dizer que “a carga
resultante interna a um condutor é nula”. Se houver qualquer carga
resultante presente, ela ocupará a camada superficial do condutor.

Reginaldo N. de Souza 164 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Uma carga com densidade inicial ρv0 C/m3 é
colocada em um certo material em equilı́brio. Determine o tempo
necessário para que a densidade de carga caia a 1/3 de seu valor
inicial, assumindo-se os seguintes materiais:

a) Cobre: σ = 5, 8 × 107 S/m e ε = ε0 F/m;


b) Quartzo fundido: σ = 10−17 S/m e ε = 5ε0 F/m.

= 1, 67 × 10−19 s; b) t ∼
Resp: a) t ∼ = 4867500 s

Reginaldo N. de Souza 165 LT33C - Eletromagnetismo


Capacitância

Dois corpos condutores, separados pelo espaço livre ou por um


material dielétrico, apresentam uma capacitância entre eles.
Aplicando uma diferença de potencial nesses condutores, surge uma
carga +Q em um condutor e −Q no outro condutor, ou seja,
mesmo módulo e sinais contrários, como mostrado na Fig. 40. A
capacitância C do capacitor é definida como a razão entre o valor
da carga em uma das placas e a diferença de potencial entre elas:

H
Q ε E · dS
C= = R (119)
V E · dl

A capacitância C é uma propriedade fı́sica do capacitor e é medida


em farads (F).

Reginaldo N. de Souza 166 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 40: Capacitor genérico.

Reginaldo N. de Souza 167 LT33C - Eletromagnetismo


Capacitor de Placas Paralelas

Considere o corte transversal de um capacitor de placas paralelas


mostrado na Fig. 41. Cada uma das placas possui uma área A e
estão separadas por uma distância d.

Figura 41: Corte transversal de um capacitor de placas paralelas.

Reginaldo N. de Souza 168 LT33C - Eletromagnetismo


Considerando que as cargas estão uniformemente distribuı́das sobre
as placas, tem-se que:

Q
ρS = (120)
A

O campo elétrico para um capacitor de placas paralelas foi obtido


nas aulas anteriores, equação (22), e é dado por:

ρS Q
E= (−ax) = − ax (121)
ε εA

Assim,

Z 1 Z d 
Q Qd
V =− E · dl = − − ax · dxax = (122)
2 0 εA εA
Reginaldo N. de Souza 169 LT33C - Eletromagnetismo
Portanto, a capacitância é dada por:

Q εA
C= = (123)
V d

Nota-se que a capacitância depende apenas da geometria do sistema


e das caracterı́sticas dos dielétricos envolvidos. Por exemplo, um
capacitor de placas paralelas com carga +Q em uma placa e −Q
em outra placa, gera um campo E. Se o valor da carga for dobrado,
o campo elétrico será dobrado (E = kQ/r2) e, consequentemente, a
diferença de potencial também será dobrada. Logo, a relação Q/V
se mantém inalterada.

Reginaldo N. de Souza 170 LT33C - Eletromagnetismo


Capacitor Coaxial

Considere o capacitor coaxial mostrado na Fig. 42. Este capacitor


de comprimento L é constituı́do de dois condutores cilı́ndricos
concêntricos separados por um dielétrico. O condutor interno tem
raio a e o externo raio b.

Figura 42: Capacitor coaxial.

Aplicando a lei de Gauss em uma superfı́cie gaussiana cilı́ndrica de


raio ρ, obtém-se:

Reginaldo N. de Souza 171 LT33C - Eletromagnetismo


I
Q=ε E · dS = εEρ2πρL (124)

Assim,

Q
E= aρ (125)
2περL
E o potencial será dado por:

Z 1 Z a 
Q Q b
V =− E · dl = − aρ · dρaρ = ln (126)
2 b 2περL 2πεL a
Portanto, a capacitância de um cilindro coaxial é dada por:

Q 2πεL
C= = (127)
V ln ab

Reginaldo N. de Souza 172 LT33C - Eletromagnetismo


Capacitor Esférico

Considere o corte transversal de um capacitor esférico mostrado na


Fig. 43. Este capacitor é constituı́do de dois condutores esféricos
concêntricos separados por um dielétrico. O condutor interno tem
raio a e o externo raio b.

Figura 43: Corte transversal de um capacitor esférico.

Reginaldo N. de Souza 173 LT33C - Eletromagnetismo


O campo elétrico é dado por:

Q
E= ar (128)
4πεr2

E o potencial será dado por:

Z 1 Z a   
Q Q 1 1
V =− E · dl = − 2
ar · drar = −
2 b 4πεr 4πε a b
(129)

Portanto, a capacitância resulta em:

Q 4πε
C= = 1 1 (130)
V a − b

Reginaldo N. de Souza 174 LT33C - Eletromagnetismo


Energia Armazenada em um Capacitor

De modo geral a energia armazenada é dada por:

Z Z Z
1 1 2 1 D2
WE = D · E dv = ε0E dv = dv (91)
2 v 2 v 2 v ε0

Em termos de capacitância tem-se que:

2
1 1 1 Q
WE = QV = C V 2 = (131)
2 2 2C

Reginaldo N. de Souza 175 LT33C - Eletromagnetismo


Polarização em Dielétricos

A principal diferença entre um condutor e um dielétrico reside na


disponibilidade de elétrons livres para condução de corrente. Em
condutores, os elétrons livres estão localizados na órbita mais
externa. Mediante aplicação de um campo elétrico eles se movem de
um átomo para outro. Estes elétrons recebem o nome de cargas
verdadeiras. Já nos dielétricos (isolantes), os elétrons estão
vinculados ao núcleo de tal maneira que não podem ser libertados
pela ação de um campo elétrico. Porém, quando um dielétrico é
submetido a um campo elétrico, ocorre uma polarização, ou seja,
um deslocamento do elétron em relação à posição de equilı́brio.
Estas cargas são denominadas de cargas de polarização. Assim,
tem-se que um dielétrico não conduz corrente, mas é capaz de
armazenar energia.

Para compreender o efeito de um campo elétrico em um dielétrico,


considere um átomo de um dielétrico sendo composto por duas
Reginaldo N. de Souza 176 LT33C - Eletromagnetismo
regiões sobrepostas, uma com carga positiva +Q (núcleo) e outra
com carga negativa −Q (nuvem eletrônica), como ilustrado na Fig.
44.a. Aplicando um campo E, a região com carga positiva move-se
no sentido do campo aplicado enquanto que a região de carga
negativa move-se em sentido oposto, Fig. 44.b. Este deslocamento
pode ser representado por um momento de dipolo (assim como para
qualquer tipo de dipolo), sendo expresso como:

p = Qd (132)

sendo Q a magnitude da região de cargas e d a distância entre as


cargas do dipolo, orientada da carga negativa para a carga positiva,
Fig. 44.c.

A distorção descrita na Fig. 44 pode ser entendida como uma mola.


Quando se tira da posição de repouso, uma energia é armazenada.
Quando se volta à posição original, esta energia é liberada.
Reginaldo N. de Souza 177 LT33C - Eletromagnetismo
a) b) c)
Figura 44: Polarização de um átomo ou molécula apolar.

Se houver N dipolos em um volume ∆v, o momento total de dipolo


é dada por:

N
X
ptotal = Qk dk [C.m] (133)
k=1

Para estabelecer uma medida de polarização, define-se o vetor


polarização P como o momento de dipolo total por unidade de
volume:

Reginaldo N. de Souza 178 LT33C - Eletromagnetismo


N
P
Q k dk h i
P = lim
k=1 C (134)
∆v→0 ∆v m2

Esta equação (134) mostra que a polarização deve ser encarada


como um valor médio em qualquer ponto da amostra.

Em uma visão macroscópica, a polarização P pode ser associada ao


aumento na densidade de fluxo elétrico como:

h i
D = ε0 E + P C (135)
m2

sendo que esta expressão define D para qualquer meio material.


Pode-se observar que o efeito do dielétrico sob efeito de um campo
elétrico E, é de aumentar D no interior do dielétrico de uma
quantidade P. Nota-se também que a equação (27), que define D
Reginaldo N. de Souza 179 LT33C - Eletromagnetismo
no espaço livre, é um caso especial da equação (135), pois P = 0 no
vácuo.

Percebe-se que a relação entre E e P depende do tipo de material.


Em certo dielétricos com estrutura cristalina, E e P possuem
direções distintas. Nosso estudo está direcionado para materiais
isotrópicos, nos quais E e P são paralelos. Assim, esta relação
linear pode ser expressa como:

P = χe ε0 E (136)

sendo χe a suscetibilidade elétrica do material (grandeza


adimensional). Esta constante é uma medida de quão facilmente um
material dielétrico se polariza em resposta a um campo elétrico E.

Desta forma, substituindo (136) em (135), obtém-se que, para


materiais isotrópicos:
Reginaldo N. de Souza 180 LT33C - Eletromagnetismo
D = ε0 (1 + χe) E = ε0εr E (137)

ou seja

D = εE (138)

onde

ε = ε0 εr (139)

εr = 1 + χe (140)

sendo que ε é a permissividade do dielétrico, ε0 é a permissividade


do espaço livre e εr é a permissividade relativa ou constante
dielétrica (adimensional).
Reginaldo N. de Souza 181 LT33C - Eletromagnetismo
Exercı́cio 1) Encontre a polarização P em um material dielétrico
com constante dielétrica εr = 1, 8, dado campo deslocamento
D = 4 × 10−7ax (C/m2).

Resp: P = 1, 78 × 10−7ax (C/m2)

Reginaldo N. de Souza 182 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cios – Lista 1 – Eletrostática
1) Quatro cargas pontuais iguais, de 20µC cada, estão localizadas
em P 1(1, 0, 0) m, P 2(−1, 0, 0) m, P 3(0, 1, 0) m e P 4(0, −1, 0)
m. Determine a força total na carga localizada no ponto P 1.

2) Calcule a força que atua sobre uma carga de 50µC localizada em


(0, 0, 5) m devido à presença de uma carga de 500πµC,
uniformemente distribuı́da sobre um disco circular com raio de 5
m localizado em z = 0 m.

3) Calcule a força que atua sobre uma carga de 100µC localizada no


eixo z a 3 m acima da origem, supondo a presença de quatro
cargas de 20µC nos eixos x e y nos pontos ±4 m.

4) Calcule o campo elétrico em (0, 0, 5) m em função das cargas


Q1 = 0, 35µC em (0, 4, 0) m e Q2 = −0, 55µC em (3, 0, 0) m.

Reginaldo N. de Souza 183 LT33C - Eletromagnetismo


5) Uma carga de −1 nC está localizada na origem no espaço livre.
Qual o valor da carga que deve ser posicionada em (2, 0, 0) m
para que Ex seja zero em (3, 1, 1) m?

6) Sobre o eixo z encontra-se uma distribuição linear de cargas


ρL = 20 nC/m entre z = −5 m e z = 5 m. Utilizando
coordenadas cartesianas e a definição geral do campo elétrico
(originada a partir da lei de Coulomb), calcule E no ponto
(2, 0, 0) m.
7) Um anel circular eletricamente carregado, com raio 4 m, está no
plano z = 0, com centro localizado na origem. Se a sua
densidade uniforme for ρL = 16 nC/m, calcular o valor de uma
carga pontual Q, localizada na origem, capaz de produzir o
mesmo campo elétrico em (0, 0, 5) m.

Reginaldo N. de Souza 184 LT33C - Eletromagnetismo


8) Determine o fluxo que passa através de uma superfı́cie fechada S
envolvendo as cargas pontuais Q1 = 30 nC, Q2 = 140 nC e
Q3 = −70 nC.

9) Uma superfı́cie fechada S envolve uma distribuição linear finita


de cargas definida pelo intervalo 0 ≤ L ≤ π m, com densidade de
cargas ρL = −ρ0 sin (L/2) C/m. Qual é o fluxo total que
atravessa a superfı́cie S?

10) Dado o vetor densidade de fluxo ou deslocamento elétrico


D = 2xax + 3ay (C/m2), calcule o fluxo total que atravessa um
cubo de 2 m de aresta, centrado na origem de um sistema e com
as arestas paralelas aos eixos das coordenadas.

11) O eixo z de um sistema coordenado contém uma distribuição


uniforme de cargas, com densidade ρL = 50 nC/m. Calcule o

Reginaldo N. de Souza 185 LT33C - Eletromagnetismo


campo E em (10, 10, 25) m, expressando-o em coordenadas
cilı́ndricas e cartesianas.

12) Obter o campo elétrico de um plano infinito de carga localizado


no plano xy, de densidade superficial ρS , utilizando a lei de
Gauss.

13) Duas lâminas infinitas, uniformemente carregadas, com


densidade ρS , estão situadas em x = ±1 m. Calcule o campo E
em todas as regiões.

14) Repita o exercı́cio anterior, supondo agora ρS em x = −1 e −ρS


em x = 1.

15) Em coordenadas cilı́ndricas, o volume entre ρ = 2 e ρ = 4 m


contém uma densidade uniforme de cargas ρv . Utilize a lei de
Gauss para calcular a distribuição de E.

Reginaldo N. de Souza 186 LT33C - Eletromagnetismo


16) Certa configuração engloba duas distribuições uniformes: uma
pelı́cula carregada com ρS = −60 nC/m2, em y = 3 m, e uma
linha carregada, paralela ao eixo x, com ρL = 0, 5 µC/m, situada
em z = −3 m e y = 2 m. Determine onde o campo E será nulo.

2
 2

17) Dado A = 3x + y ax + x − y ay , calcule ∇ · A.

18) Dado A = ρ sin φaρ + 2ρ cos φaφ + 2z 2az , calcule ∇ · A.

19) Dado A = 5 sin θaθ + 5 sin φaφ, calcule ∇ · A no ponto


(0, 5; π/4; π/4).

20) Para a região 0 < ρ ≤ 2 m (coordenadas


 cilı́ndricas),
D = 4ρ−1 + 2e−0,5ρ + 4ρ−1e−0,5ρ aρ, e para ρ > 2 m,
D = 2, 057ρ−1 aρ. Obter a densidade volumétrica de cargas ρv
para ambas as regiões.

Reginaldo N. de Souza 187 LT33C - Eletromagnetismo


3

21) Dado D = 10ρ /4 aρ em coordenadas cilı́ndricas, calcule
ambos os lados do teorema da divergência para o volume
limitado por ρ = 3 m, 2 ≤ z ≤ 12 m.

22) Calcule o trabalho necessário para movimentar uma carga


pontual Q = −20 mC no campo E = (2x + 8y) ax + 8xay da
origem ao ponto (6, 4, 1) m, ao longo do percurso x2 = 9y.

23) Uma carga pontual de 0, 6 nC está localizada no ponto (3, 6, 6)


m. Calcule a diferença VAB , entre os pontos A(3, 3, 6) m e
B(−3, 3, 6) m.

24) Calcule o potencial de um ponto A(2, φ, z), em relação a um


ponto B(3, φ′, z ′), usando coordenadas cilı́ndricas, onde o campo
elétrico devido a uma distribuição linear de cargas ao longo do
eixo z vale E = (30/ρ) aρ.

Reginaldo N. de Souza 188 LT33C - Eletromagnetismo


2

25) Dado um campo E = −16/r ar em coordenadas esféricas,
calcule o potencial do ponto A(2, π, π/2) em relação ao ponto
B(4, 0, π).

26) Dois semiplanos condutores, pouco espessos, localizados em


φ = 0 e φ = π/6, acham-se isolados entre si ao longo do eixo z.
O potencial elétrico é dado por V = −60φ/π, 0 ≤ φ ≤ π/6.
Calcule o campo elétrico para esta configuração e a energia
armazenada entre os semiplanos 0, 1 ≤ ρ ≤ 0, 6 m e 0 ≤ z ≤ 1
m. Admita espaço livre.

27) Um fio condutor de cobre AWG 12 (AWG = American Wire


Gauge) com um diâmetro de 80, 5 mil (1 mil = 1/1000 de
polegada) e 100 pés de comprimento (1 pé = 12 polegadas)
conduz uma intensidade de corrente de 20 A. Calcule a
intensidade do campo elétrico E, a velocidade de deslocamento
(deriva ou arraste) vd, a queda de tensão V e a resistência
elétrica R ao longo do condutor. Utilize como dados para o
Reginaldo N. de Souza 189 LT33C - Eletromagnetismo
cobre: condutividade σ = 5, 8 × 107 S/m, mobilidade dos
elétrons livres µ = 0, 0032 m2/(Vs).

28) Próximo ao ponto P (5, 7, −5) m, a densidade de corrente pode


ser representada pelo vetor J = 2x3yax − 5x2z 2ay + 4x2yzaz
(A/m2). Qual é a corrente deixando um cubo de 1 m de lado,
centrado em P e com as arestas paralelas aos eixos coordenados?
Qual é a taxa de crescimento da densidade volumétrica de carga
no ponto P ?

29) Em coordenadas cilı́ndricas, para a região 0, 02 ≤ ρ ≤ 0, 03 mm,


0 ≤ z ≤ 1 m, J = 10e−100ρaφ (A/m2). Encontre a corrente total
que atravessa a interseção desta região com o plano
φ = constante.

Reginaldo N. de Souza 190 LT33C - Eletromagnetismo


30) Determine o valor de E em um material que tem suscetibilidade
elétrica χe = 3, 5 e polarização P = 2, 3 × 10−7an (C/m2)
suposta linear e isotrópica.

31) Encontre a polarização num material dielétrico com constante


dielétrica εr = 1, 8 dado o deslocamento D = 4, 0 × 10−7an
(C/m2).

32) Calcule os módulos dos vetores densidade de fluxo elétrico e


polarização, e a permissividade relativa para um material
dielétrico no qual E = 0, 15 MV/m, com χe = 4, 25.

33) Mostre que a resistência elétrica de qualquer material com


condutividade σ vale R = L/(σA), admitindo-se que uma
distribuição uniforme de corrente atravessa uma secção reta de
área constante A ao longo do seu comprimento L.

Reginaldo N. de Souza 191 LT33C - Eletromagnetismo


34) Calcule a resistência de isolação de um cabo coaxial de
comprimento L, raio interno ra e raio externo rb.

35) Calcule a capacitância que existe entre duas placas paralelas,


uma superior com carga +Q e uma inferior com carga −Q,
existindo entre elas um dielétrico de permissividade ε e separadas
por uma distância d. Despreze o espraiamento do campo elétrico
nas bordas das placas condutoras.

36) Determine a capacitância de um cabo coaxial de comprimento


finito L, onde o condutor interno tem raio a e o externo raio b,
tendo entre eles um dielétrico de permissividade ε.

Reginaldo N. de Souza 192 LT33C - Eletromagnetismo


Respostas – Lista 1 – Eletrostática

1) F = 3, 44ax N

2) F = 16, 56az N

3) F = 1, 73az N

4) E = 74, 9ax − 48, 0ay − 64, 9az V/m

5) Q = 0, 43 nC

6) E = 167, 1ax V/m

7) Q = 191, 5 nC

8) Ψ = 100 nC
Reginaldo N. de Souza 193 LT33C - Eletromagnetismo
9) Ψ = −2ρ0 C

10) Ψ = 16 C

11) E = 63, 64aρ N/C e E = 45ax + 45ay N/C

ρS
12) E = 2ε0 az N/C

 −(ρS /ε0)ax x < −1
13) E = 0 −1 < x < 1 N/C
 (ρ /ε )a x>1
S 0 x


0
 x < −1
14) E = (ρS /ε0)ax −1 < x < 1 N/C
 0 x>1

Reginaldo N. de Souza 194 LT33C - Eletromagnetismo



0
 0<ρ<2
ρv ( ) 26ρ64
ρ2 −4
15) E = 2ρε0 aρ
N/C

 6ρv a ρ>4
ρε0 ρ

16) (x; −0, 65; −3) e (x; 4, 65; −3)

17) ∇ · A = 6x − 2y

18) ∇ · A = 4z

19) ∇ · A|(0,5;π/4;π/4) = 24, 14



−e−0,5ρ, 0 < ρ 6 2
20) ρv =
0, ρ>2
H R
21) D · dS = (∇ · D) dv = 4050π
Reginaldo N. de Souza 195 LT33C - Eletromagnetismo
22) W = 4, 56 J

23) VAB = 0, 994 V

24) VAB = 12, 16 V

25) VAB = −4 V

60
26) E = πρ aφ V/m e WE = 1, 51 nJ

27) E = 105 mV/m, vd = 3, 36 × 10−4 m/s, V = 3, 2 V e


R = 0, 16 Ω

∂ρ
28) I = 1756 A e ∂t = −1750 C/(m3s)

29) I = 100 µA

Reginaldo N. de Souza 196 LT33C - Eletromagnetismo


30) E = 7, 43 × 103an V/m

31) P = 1, 78 × 10−7an (C/m2)

32) D = 6, 96 × 10−6 C/m2, P = 5, 64 × 10−6 C/m2 e εr = 5, 25

33) #

1 rb

34) R = 2πσL ln ra

εA
35) C = d

2πεL
36) C = ln( ab )

Reginaldo N. de Souza 197 LT33C - Eletromagnetismo


Campos Magnetostáticos

Reginaldo N. de Souza 198 LT33C - Eletromagnetismo


Introdução

Campo magnetostático é gerado por um fluxo de corrente constante


(corrente contı́nua). Primeiramente é analisado no espaço livre.

Reginaldo N. de Souza 199 LT33C - Eletromagnetismo


Lei de Biot-Savart

A intensidade de um campo magnético incremental, dH, devido a


um pequeno elemento condutor com comprimento dl, percorrido
por uma corrente I, pode ser expresso como:

1 Idl sin α h A i
dH = m (141)
4π R2

ou na forma vetorial:

Idl × aR Idl × R
dH = 2
= (142)
4πR 4πR3

R
onde R = |R| e aR = |R| , como mostra a Fig. 45.

Reginaldo N. de Souza 200 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 45: Campo magnético no ponto P devido a um filamento de
corrente.

Figura 46: Regra da mão direita para determinar a orientação do


campo magnético.
Reginaldo N. de Souza 201 LT33C - Eletromagnetismo
Nota-se que dH é independente do meio circunvizinho e sua
orientação pode ser determinada utilizando a regra da mão direita,
em que o polegar aponta na direção e sentido da corrente e os
demais dedos dobrados indicam a orientação de dH, como ilustrado
na Fig. 46.

Da mesma forma que há diferentes configurações de carga, também


há diferentes distribuições de corrente: corrente em uma linha,
corrente em uma superfı́cie e corrente em um volume, como
mostrado na Fig. 47. Definindo K como a densidade de corrente
em uma superfı́cie (em ampères/metro) e J como a densidade de
corrente em um volume (em ampères/metro quadrado), obtém-se a
seguinte relação:

Idl ≡ KdS ≡ Jdv (143)

Assim, a lei de Biot-Savart torna-se:


Reginaldo N. de Souza 202 LT33C - Eletromagnetismo
a) b) c)
Figura 47: Distribuição de corrente.

Reginaldo N. de Souza 203 LT33C - Eletromagnetismo


Z
Idl × aR
Corrente em uma linha: H= 2
Z L 4πR
KdS × aR
Corrente em uma superfı́cie: H= 2
Z S 4πR
Jdv × aR
Corrente em um volume: H=
v 4πR2

Reginaldo N. de Souza 204 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Determinar a intensidade de campo magnético H a
uma distância r de um fio retilı́neo e infinitamente longo, percorrido
por uma corrente I, conforme Fig. 48. Assumir que o fio está ao
longo do eixo z.
h i
Resp: H = I A
2πρ aφ m

Exercı́cio 2) Uma espira circular localizada em x2 + y 2 = 9,


z = 0, é percorrida por uma corrente de 10 A ao longo de aφ, Fig.
49. Determine H em (0, 0, 4) e (0, 0, −4).
h i
A
Resp: H(0, 0, 4) = H(0, 0, −4) = 0, 36az m

Reginaldo N. de Souza 205 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 48: Campo no ponto 2 devido a um condutor retilı́neo infinito.

Reginaldo N. de Souza 206 LT33C - Eletromagnetismo


a) b)
Figura 49: Espira circular de corrente: campo H e linhas de fluxo.

Reginaldo N. de Souza 207 LT33C - Eletromagnetismo


Lei Circuital de Ampère

Estabelece que “a integral de linha da componente tangencial de H


em torno de um caminho fechado é igual à corrente entrelaçada por
este percurso.”

I
H · dl = Ienv (144)

Esta lei é muito utilizada para calcular H quando há distribuição


simétrica de corrente. À primeira vista, pode-se pensar que a lei é
utilizada para determinar a corrente I por uma integração. Porém,
é usual conhecer a corrente e utilizar esta lei como meio de calcular
H. Isto é muito similar à utilização da lei de Gauss para obter D,
quando é conhecida a distribuição de cargas.

Reginaldo N. de Souza 208 LT33C - Eletromagnetismo


Aplicando o teorema de Stokes no lado esquerdo da equação (144),
obtém-se:

I Z
Ienv = H · dl = (∇ × H) · dS (145)
L S

mas sabe-se que:

Z
Ienv = J · dS (146)
S

substituindo (146) em (145):

Z Z
(∇ × H) · dS = J · dS (147)
S S

Reginaldo N. de Souza 209 LT33C - Eletromagnetismo


consequentemente:

∇×H=J (148)

Esta é a terceira equação de Maxwell para campos estáticos e


representa a lei de Ampère na forma diferencial. Como ∇ × H 6= 0,
nota-se que o campo magnetostático não é conservativo.

Reginaldo N. de Souza 210 LT33C - Eletromagnetismo


Aplicação da lei de Ampère

Para determinar o campo H em algumas distribuições simétricas de


corrente, será utilizada a lei de Ampère, assim como foi feito com a
lei de Gauss para o campo E. Para distribuição simétrica de
corrente, H ou é paralelo ou é perpendicular a dl. Para o caso de
paralelismo, H · dl = Hdl. Portanto, duas condições devem ser
atendidas para que a lei de Ampère simplifique os cálculos:

1 – Em cada ponto do circuito fechado, H deve ser tangencial ou


normal ao percurso;
2 – H tem módulo constante em todos os pontos do percurso onde
H é tangencial.

Reginaldo N. de Souza 211 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Determine H no ponto P devido a um filamento de
corrente I retilı́neo e infinitamente longo sobre o eixo z, como
mostra a Fig. 50.
h i
Resp: H = I A
2πρ aφ m

Exercı́cio 2) Um condutor sólido, cilı́ndrico e infinitamente longo


(sobre o eixo z), é percorrido por uma corrente I que se distribui
uniformemente sobre a seção circular de raio R do condutor, como
mostra a Fig. 51. Determine as expressões para o campo H dentro
e fora do condutor.
 Iρ
a
2πR2 φ
0<ρ6R
Resp: H = I
2πρ aφ ρ>R

Reginaldo N. de Souza 212 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 50: Lei de Ampère aplicada a uma corrente em linha
filamentar infinita.

Reginaldo N. de Souza 213 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 51: Lei de Ampère aplicada a uma condutor cilı́ndrico infinito.

Reginaldo N. de Souza 214 LT33C - Eletromagnetismo


Densidade de Fluxo Magnético

A densidade de fluxo magnético B é similar à densidade de fluxo


elétrico D. Assim como D = ε0E no espaço livre, a densidade de
fluxo magnético B está relacionada à intensidade de campo
magnético H da seguinte forma:

B = µ0 H (149)

em que µ0 é a permeabilidade do espaço livre e tem o valor de:

µ0 = 4π × 10−7 H/m (150)

A unidade de medida de B é o tesla (T).

Reginaldo N. de Souza 215 LT33C - Eletromagnetismo


Por sua vez, o fluxo magnético Ψm, através de uma superfı́cie S, é
definido como:

Z
Ψm = B · dS (151)
S

O fluxo magnético é dado em weber (Wb). As unidades magnéticas


estão relacionadas como:

1T = 1Wb/m2 1H = 1Wb/A (152)

A linha de fluxo magnético é o caminho, na região do campo


magnético, em relação ao qual o vetor densidade de fluxo magnético
é tangente em cada ponto. É com esta linha de fluxo que a agulha
de uma bússola se alinha. Na Fig. 52 são ilustradas as linhas de
fluxo devido a um fio retilı́neo longo. Observa-se que as linhas de
Reginaldo N. de Souza 216 LT33C - Eletromagnetismo
fluxo são contı́nuas, fechadas sobre si mesmas e não se cruzam,
sendo isso válido para qualquer distribuição de corrente. Isto se
deve ao fato de que não é possı́vel ter um polo magnético isolado
(carga magnética). Por exemplo, dividindo-se um ı́mã ao meio,
tem-se que as duas metades terão tanto polo sul como polo norte
magnético.

Figura 52: Linhas de fluxo magnético.


A Fig. 53 mostra o fluxo total através de uma superfı́cie fechada.
Na Fig. 53.a tem-se o fluxo elétrico devido a uma carga elétrica +Q.
Reginaldo N. de Souza 217 LT33C - Eletromagnetismo
Nota-se que o fluxo elétrico através da superfı́cie fechada é igual à
carga contida dentro desta superfı́cie, Ψ = Q. Então, é possı́vel ter
uma carga elétrica isolada e as linhas de fluxo elétrico não são
necessariamente fechadas. Já na Fig. 53.b observa-se que as linhas
de fluxo magnético sempre se fecham sobre si mesmas. Analisando a
superfı́cie fechada vê-se que as linhas de fluxo que entram nesta
superfı́cie são iguais as linhas de fluxo que saem da mesma.

a) b)
Figura 53: Fluxo em uma superfı́cie fechada: a) fluxo elétrico; b)
fluxo magnético.

Reginaldo N. de Souza 218 LT33C - Eletromagnetismo


Diante da análise da Fig. 53.b, conclui-se que o fluxo magnético
total através de uma superfı́cie fechada deve ser zero, ou seja,

I
B · dS = 0 (153)

Aplicando o teorema da divergência na equação (153) resulta em:

I Z
B · dS = ∇ · B dv =0 (154)
S v

isto é,

∇·B=0 (155)

Reginaldo N. de Souza 219 LT33C - Eletromagnetismo


As equações (153) e (155) descrevem a natureza conservativa do
fluxo magnético, embora o campo magnetostático não seja. A
expressão (153) é referida como lei de conservação do fluxo
magnético, ou lei de Gauss para campos magnetostáticos. Estas
equações fazem parte das equações de Maxwell, sendo (153) a forma
integral e (155) a forma diferencial.

Reginaldo N. de Souza 220 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 3) Calcule o fluxo que atravessa a porção do plano
φ = π/4 definida por 0, 01 < ρ < 0, 05 m e 0 < z < 2 m. Uma
corrente filamentar de 2,5 A ao longo do eixo z está na direção az .

Resp: Ψm = 1, 61µ Wb

Reginaldo N. de Souza 221 LT33C - Eletromagnetismo


Equações de Maxwell para Campos
Eletromagnéticos Estáticos

A Tabela 1 apresenta um resumo das equações de Maxwell


deduzidas para campos eletromagnéticos estacionários.
Tabela 1: Equações de Maxwell para campos eletromagnéticos estáticos.
Forma diferencial Forma integral Comentários
H R
∇ · D = ρv S
D · dS =
v
ρv dv Lei de Gauss
H
∇·B=0 B · dS = 0 Inexistência de carga magnética
HS
∇×E=0 L
E · dl = 0 Campo eletrostático conservativo
H R
∇×H=J L
H · dl = S
J · dS Lei de Ampère

A linha um da tabela, referente à lei de Gauss, mostra que o fluxo


total que atravessa uma superfı́cie fechada corresponde à carga
elétrica por ela envolvida. A linha dois mostra que o fluxo total do
Reginaldo N. de Souza 222 LT33C - Eletromagnetismo
campo magnético sobre uma superfı́cie fechada é nula, e evidencia a
inexistência de cargas magnéticas. A linha três mostra que a integral
de linha do campo eletrostático sobre um caminho fechado é nula,
evidenciando assim a expressão da lei de Kirchhoff para malhas em
circuitos elétricos. A linha quatro é a lei circuital de Ampère em
que a integral de linha do campo magnético estático sobre um
caminho fechado corresponde à corrente entrelaçada por ele.

A devida aplicação do teorema do Stokes e da divergência permite


obter a forma diferencial a partir da forma integral.

Nos capı́tulos seguintes serão estudados campos eletromagnéticos


variantes no tempo.

Reginaldo N. de Souza 223 LT33C - Eletromagnetismo


Potenciais Magnéticos Escalar e Vetorial

Na eletrostática foi desenvolvido o potencial elétrico V e mostrou-se


que E poderia ser obtido como o negativo gradiente de V , isto é,
E = −∇V . Analogamente à eletrostática, define-se o “Potencial
Magnético Escalar ” Vm (em ampères) em relação à H de acordo
com:

H = −∇Vm (156)

Substituindo a equação (156) em (148), obtém-se:

J = ∇ × H = ∇ × (−∇Vm) (157)

Porém, do cálculo vetorial sabe-se que o rotacional do gradiente de


uma função escalar qualquer é nulo. Assim, tem-se que:
Reginaldo N. de Souza 224 LT33C - Eletromagnetismo
J = ∇ × (−∇Vm) = 0 (158)

ou seja, o potencial magnético escalar Vm só pode ser definido


quando a densidade de corrente for zero no ponto em que H está
sendo calculado.

Como muitos problemas magnéticos envolvem geometrias em que os


condutores ocupam uma pequena fração do domı́nio, o potencial
escalar magnético pode ser útil. O potencial Vm também é aplicável
a problemas envolvendo ı́mãs permanentes.

Frente às limitações da função potencial escalar magnético, uma


outra função, denominada de “vetor potencial magnético”, é mais
utilizada, pois pode ser aplicada a regiões com densidades de
corrente diferentes de zero e campos magnéticos variáveis no tempo.

Sabe-se que ∇ · B = 0 e que a identidade matemática


∇ · (∇ × F) = 0 é válida para qualquer campo vetorial F. Como
Reginaldo N. de Souza 225 LT33C - Eletromagnetismo
∇ · B = 0, deve existir uma função A tal que sua circulação
produza a densidade de fluxo magnético B e também valide a
identidade matemática, ou seja:

∇ · (∇ × A) = 0 = ∇ · B (159)

Fica assegurado então que:

B=∇×A (160)

sendo A o vetor potencial magnético (Wb/m).

Para as três configurações padronizadas de corrente, o vetor


potencial magnético pode ser obtido como:

Reginaldo N. de Souza 226 LT33C - Eletromagnetismo


Z
µ0Idl
Corrente filamentar: A=
L 4πR

Z
µ0KdS
Pelı́cula de corrente: A=
S 4πR

Z
µ0Jdv
Corrente volumétrica: A=
v 4πR

Reginaldo N. de Souza 227 LT33C - Eletromagnetismo


Forças, Materiais e Dispositivos Magnéticos

Reginaldo N. de Souza 228 LT33C - Eletromagnetismo


Forças Devido aos Campos Magnéticos

Reginaldo N. de Souza 229 LT33C - Eletromagnetismo


Força Sobre Partı́culas Carregadas

A força elétrica Fe sobre uma carga Q devido a um campo elétrico


E é dada por:

Fe = QE (161)

Uma partı́cula com carga Q em movimento em um campo


magnético sofre a ação de uma força perpendicular à sua velocidade
u, com módulo proporcional à sua carga, velocidade e à densidade
densidade de fluxo magnético. Deste modo, a força magnética Fm
pode ser expressa por:

Fm = Qu × B (162)

Reginaldo N. de Souza 230 LT33C - Eletromagnetismo


Assim, percebe-se que é possı́vel mudar a direção de uma partı́cula
em movimento pela ação de um campo magnético. Nota-se que Fm
depende da velocidade u e não altera o módulo da velocidade e,
consequentemente, também não altera a energia cinética. Como Fm
é perpendicular à direção do movimento, ela não realiza trabalho
(Fm · dl = 0). Já a força Fe não depende da velocidade e realiza
trabalho sobre a partı́cula, alterando assim a energia cinética.

Quando em uma região ambos os campos elétricos e magnéticos


estão presentes, a força total sobre a carga em movimento é dada
por:

F = Fe + Fm
F = Q (E + u × B) (163)

sendo esta expressão denominada por “equação de força de


Lorentz ”.
Reginaldo N. de Souza 231 LT33C - Eletromagnetismo
De acordo com a segunda lei de Newton:

F = ma (164)

então,

du
Q (E + u × B) = m (165)
dt

sendo a solução desta equação importante para determinar a


trajetória da carga em campos eletromagnéticos estáticos.

Reginaldo N. de Souza 232 LT33C - Eletromagnetismo


Força Sobre Um Elemento de Corrente

Uma situação frequentemente encontrada é a de um condutor


conduzindo uma corrente onde há campo magnético externo. Como
I = dQ/dt, a expressão diferencial de força pode ser escrita como:

dF = dQ (u × B)
dF = Idt (u × B) (166)

dl
e como u = dt , tem-se que:

dF = I dl × B (167)

Se a corrente I percorre um caminho fechado L, a força sobre o


circuito é dada por:
Reginaldo N. de Souza 233 LT33C - Eletromagnetismo
I
F= I dl × B (168)
L

Deve-se notar que tanto para a equação (167) quanto para (168), o
força resultante é devido a um campo B externo. Isto porque o
campo B produzido pelo próprio elemento de corrente Idl não
exerce força sobre ele mesmo.

Se o elemento de corrente for em uma superfı́cie ou em um volume,


a equação (168) pode ser reescrita como:

Z
Pelı́cula de corrente: F= K dS × B (169)
S

Z
Corrente volumétrica: F= J dv × B (170)
v

Reginaldo N. de Souza 234 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Um condutor de 4 m de comprimento ao longo do
eixo y está conduzindo uma corrente de 12 A na direção ay . Calcule
a força sobre o condutor, se o campo na região é B = 0, 05ax T.

Resp: F = −2, 4az N

Exercı́cio 2) Um condutor de comprimento 2,5 m localizado em


z = 0, x = 4 m conduz uma corrente de 12 A na direção −ay .
Encontre B uniforme na região, se a força
√ sobre o condutor é de
1, 2 × 10−2 N na direção (−ax + az ) / 2.

Resp: B = 2, 83 × 10−4ax + 2, 83 × 10−4az T, e By pode assumir


qualquer valor que não influenciará na força F.

Reginaldo N. de Souza 235 LT33C - Eletromagnetismo


Torque e Momento Magnéticos

O “momento de uma força” ou “torque” em relação a um


determinado ponto é o produto vetorial do “braço potente” pela
força:

T=r×F [N.m ou N.m/rad] (171)

onde o braço potente, r, é dirigido do ponto onde o torque é


aplicado ao ponto de aplicação da força, conforme Fig. 54.

Na Fig. 54, T está ao longo de um eixo de rotação que pertence ao


plano xy, aplicado em O. Se o ponto P for unido a O por uma roda
rı́gida apoiada livremente em O, então a força aplicada tenderá a
rodar P em relação ao eixo de T. Assim, pode-se dizer que o torque
T atua em relação a um eixo, ao invés de em relação a um ponto
O.
Reginaldo N. de Souza 236 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 54: Torque devido a força no ponto P .

Reginaldo N. de Souza 237 LT33C - Eletromagnetismo


Agora será analisado o torque e o momento magnético de uma
espira plana. Considere a espira de uma volta localizada no plano
z = 0, com largura w, comprimento l e percorrida por uma corrente
I, conforme mostra a Fig. 55. O campo externo B é uniforme e
orientado na direção ax.

Figura 55: Espira retangular em um campo magnético uniforme.

A força dF = I dl × B nos lados com largura w é nula, pois B e dl


são paralelos. Já a força no lado l esquerdo é dado por:

Reginaldo N. de Souza 238 LT33C - Eletromagnetismo


F1 = I (lay × Bax) = −IlBaz (172)
e no lado direito:

F2 = I [l (−ay ) × Bax] = IlBaz (173)


Nota-se que |F1| = |F2| = IlB.
O torque impõe um braço potente no lado l esquerdo igual a
r1 = −( w2 )ax. Já no lado direito é dado por r2 = w2 ax. Assim, o
torque resultante sobre a espira é dado por:

T = T F1 + T F2 (174)
= r 1 × F1 + r 2 × F2 (175)
 w w 
= − ax × (−IlB) az + ax × (IlB) az (176)
2 2
= wIlB (−ay ) (177)
Reginaldo N. de Souza 239 LT33C - Eletromagnetismo
Como wl = A, onde A é a área da espira, tem-se que:

T = IAB (−ay ) (178)

Importante notar que o torque está na direção do eixo de rotação,


ou seja, eixo y na Fig. 55.

A Fig. 56 mostra um corte transversal da espira ilustrada na Fig.


55.

Conforme pode ser visto na Fig. 56, a espira foi rotacionada e o


vetor unitário normal ao plano da espira, an, faz um ângulo α com
o campo externo B. Assim, o módulo do torque resultante sobre a
espira pode ser obtido a partir da equação (175) como:

Reginaldo N. de Souza 240 LT33C - Eletromagnetismo


a) b)
Figura 56: Espira retangular: a) corte transversal; b) decomposição
da força F2.

Reginaldo N. de Souza 241 LT33C - Eletromagnetismo


T = |r1 × F1 + r2 × F2|
w w
= F1 sin α + F2 sin α
2 2
w
=2 IlB sin α = wIlB sin α
2

pois |F1| = |F2| = IlB. Note que o torque no lado direito da espira

é devido a componente F2 = |F2| sin α da força F2, ou seja, a
componente ortogonal ao plano da espira. Isso também ocorre para
a força F1.

Como a área é A = wl, então o torque resultante (ou conjugado)


sobre a espira é dado por:

T = IAB sin α (179)

Reginaldo N. de Souza 242 LT33C - Eletromagnetismo


Define-se o “momento de dipolo magnético” de uma espira de
corrente como:

 2

m = IA A.m (180)

ou

m = IAan (181)

onde o versor an é normal ao plano da espira e sua direção é


determinada pela regra da mão direita: polegar direito fornece a
orientação de an quando os demais dedos apontam o sentido da
corrente. Para o caso de uma bobina composta de N espiras, o
momento magnético total sobre a bobina será dado por:

m = N IAan (182)
Reginaldo N. de Souza 243 LT33C - Eletromagnetismo
Substituindo a equação (180) em (179), obtém-se:

T = mB sin α (183)
ou seja,

T=m×B (184)
Embora tenha sido deduzida para uma espira retangular, esta
expressão para o torque é válida para uma espira plana de qualquer
formato.
Nota-se que o torque resultante sobre uma espira é orientado de tal
forma a alinhar m e B, ou seja, diminuir o ângulo α. Quando
α = 0, m e B são paralelos e, consequentemente, a espira é
perpendicular ao campo B e o torque é nulo.
O conceito de torque é importante para o entendimento de motores
de corrente contı́nua e geradores, assim como partı́culas carregadas
em órbita.
Reginaldo N. de Souza 244 LT33C - Eletromagnetismo
Exercı́cio 1) Uma bobina retangular com 200 espiras de 0,15 m
de largura e 0,30 m de comprimento com uma corrente de 5 A, está
em um campo uniforme de 0,2 T. Calcule o momento magnético e o
torque máximo da bobina.

Resp: m = 45 A.m2 e Tmax = 9 N.m/rad

Reginaldo N. de Souza 245 LT33C - Eletromagnetismo


Magnetização em Materiais

Sabe-se que um dado material é composto por átomos, sendo que


cada átomo é composto por um núcleo positivamente carregado
orbitado por cargas negativas (elétrons). Assim, tem-se que um
campo magnético interno é gerado pelos movimentos destes
elétrons: movimento orbital em torno do núcleo positivo, Fig. 57.a,
ou movimento de rotação (“spin”) do elétron, Fig. 57.b. Esses
campos magnéticos internos Bi são similares ao campo magnético
gerado por uma espira de corrente, como mostrado na Fig. 57.c.
Esta espira de corrente possui um momento magnético dado por
m = IbAan.

Na ausência de um campo externo B, a soma dos momentos


magnéticos no material é zero devido às suas orientações
randômicas, Fig. 58.a. Se um campo externo B é aplicado, os
momentos magnéticos dos elétrons tendem a se alinhar com B, tal
que o momento magnético resultante é diferente de zero, Fig. 58.b.
Reginaldo N. de Souza 246 LT33C - Eletromagnetismo
a) b) c)
Figura 57: a) Elétron orbitando em torno do núcleo; b) giro do elétron
em torno do seu próprio eixo (spin); c) espira circular de corrente
equivalente ao movimento eletrônico.

Reginaldo N. de Souza 247 LT33C - Eletromagnetismo


a) b)
Figura 58: Momento de dipolo magnético em um volume: a) antes
da aplicação de um campo externo B; b) depois da aplicação de B.

Reginaldo N. de Souza 248 LT33C - Eletromagnetismo


A magnetização M é o momento de dipolo magnético por
unidade de volume. Em um volume ∆v com N átomos, tem-se que:

N
P
mk  
k=1 A
M = lim (185)
∆v→0 ∆v m2

∇ × M = Jb (186)

M × a n = Kb (187)

sendo Jb a densidade de corrente de magnetização em um volume


(A/m2), Kb a densidade de corrente ligada em uma superfı́cie
Reginaldo N. de Souza 249 LT33C - Eletromagnetismo
(A/m) e an o vetor unitário normal à superfı́cie. Se em um
determinado meio M não é zero em nenhum ponto, então este meio
é dito magnetizado. O vetor magnetização M está relacionado ao
vetor intensidade de campo H, assim como em eletrostática P está
relacionado com E. Devido a este fato, M às vezes é chamado de
“densidade de polarização magnética” do meio.

Em um meio material onde M 6= 0, tem-se que:

B = µ0 (H + M) (188)

A relação dada por (188) é válida para todos os materiais, ou seja,


materiais lineares ou não lineares. Caso o material seja linear e
isotrópico, M dependerá linearmente de H, resultando em:

M = χm H (189)
Reginaldo N. de Souza 250 LT33C - Eletromagnetismo
em que χm é a suscetibilidade magnética do meio (adimensional).
Esta grandeza mostra o quão sensı́vel (suscetı́vel) o material é ao
campo magnético. Substituindo (189) em (188):

B = µ0 (1 + χm) H = µH (190)

B = µ0 µr H (191)
sendo

µ
µr = = 1 + χm (192)
µ0
A grandeza µ = µr µ0 é denominada “permeabilidade” do material
(H/m). µr é a permeabilidade relativa de um determinado material
em relação ao vácuo. Relembrando que as equações (189) a (192)
são válidas somente para materiais lineares e isotrópicos.

Reginaldo N. de Souza 251 LT33C - Eletromagnetismo


Classificação dos Materiais Magnéticos

Em geral, pode-se utilizar a permeabilidade relativa µr ou a


suscetibilidade magnética χm como parâmetro para classificar
materiais do ponto de vista magnético, conforme ilustrado na Fig.
59.

Figura 59: Classificação dos materiais magnéticos.

O único material não magnético é o vácuo (espaço livre), pois é


desprovido de matéria e possui µr = 1. Os demais materiais
possuem algum efeito magnético (alguns muito fracos), podendo
assim ser classificados como:
Reginaldo N. de Souza 252 LT33C - Eletromagnetismo
Diamagnéticos
Possuem µr ligeiramente menor que um e são fracamente
afetados por um campo magnético.

Apresentam a caracterı́stica de se opor ao campo magnético


externo, ou seja, repelem as linhas desse campo externo,
conforme Fig. 60.

Exemplos: Cobre com µr = 0, 999991, materiais


supercondutores em geral, bismuto, chumbo e vidro.

Reginaldo N. de Souza 253 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 60: Caracterı́stica de um material diamagnético.

Reginaldo N. de Souza 254 LT33C - Eletromagnetismo


Paramagnéticos
Possuem µr ligeiramente superior a um, resultando assim em um
alinhamento de seus momentos magnéticos com as linhas de um
campo magnético externo. Nota-se também que as linhas de
fluxo magnético que atravessam esse material permanecem
praticamente inalteradas, Fig. 61.

Quando da presença de um campo magnético externo, o


material paramagnético é atraı́do por ele. Já quando o campo
magnético é retirado, os dipolos magnéticos do material voltam
à sua configuração original, tornando nulo o momento dipolar
resultante.

Exemplo: Alumı́nio com µr = 1, 00000036, sódio, oxigênio e


silı́cio.

Reginaldo N. de Souza 255 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 61: Caracterı́stica de um material paramagnético.

Reginaldo N. de Souza 256 LT33C - Eletromagnetismo


Ferromagnéticos
Todos os demais materiais são classificado como ferromagnéticos.

Apresentam a propriedade de alinhar fortemente seus momentos


magnéticos na direção de um campo magnético externo
aplicado, oferecendo assim uma linha preferencial para as linhas
de indução.

Exemplos: Liga de ferro com 3% de silı́cio possui µr máxima de


55000, , ferro fundido com 30 ≤ µr ≤ 800, nı́quel possui
µr = 50, cobalto com µr = 60, entre outros.

Resumo das principais caracterı́sticas:

são fortemente magnetizados por um campo magnético externo;

Reginaldo N. de Souza 257 LT33C - Eletromagnetismo


retêm um grau considerável de magnetização quando retirados
do campo magnético externo;

perdem suas propriedades ferromagnéticas com o aumento da


temperatura;

são não-lineares, isto é, B = µ0µr H não é válida para estes


materiais , pois µr depende de B e seu valor não é único.

Figura 62: Caracterı́stica de um material ferromagnético.

Reginaldo N. de Souza 258 LT33C - Eletromagnetismo


Teoria dos Domı́nios Magnéticos e a Curva de
Histerese

Um domı́nio magnético é definido como uma região de material


dentro da qual todos os átomos têm o mesmo alinhamento
magnético, comportando-se como um pequeno ı́mã permanente.
Também pode ser interpretado como um agrupamento de ı́mãs
permanentes elementares.

A Fig. 63 mostra os domı́nios magnéticos de uma porção de um


material ferromagnético. Na Fig. 63.a, nenhum campo magnético
externo é aplicado. Com isso, os domı́nios magnéticos estão
aleatoriamente ordenados, ou seja, não apresenta caracterı́stica
magnética do ponto de vista macroscópico. Nas Fig. 63.b, Fig. 63.c
e Fig. 63.d, é mostrado o alinhamento dos domı́nios magnéticos
quando o material é submetido a um aumento gradativo de um
campo magnético externo. No inı́cio o alinhamento é mais fácil, ou
Reginaldo N. de Souza 259 LT33C - Eletromagnetismo
seja, um campo de pequena intensidade gera o alinhamento de
muitos domı́nios magnéticos, como pode ser visto na Fig. 63.b. No
entanto, conforme a intensidade do campo magnético externo vai
aumentando, nota-se uma maior dificuldade em obter novos
alinhamentos, Fig. 63.c. Isto origina um processo de saturação
magnética, como mostrado na Fig. 63.d, em que um grande
aumento no campo externo não resulta em grande quantidade de
novos alinhamentos dos domı́nios.

Portanto, a densidade de fluxo conseguida em um material


ferromagnético pode ser descrita em função da intensidade do
campo magnético externo, dando origem à curva de magnetização
B − H. Um exemplo tı́pico desta curva é apresentada na Fig. 64.

Primeiramente, na Fig. 64 nota-se a relação não linear entre B e


H. Em segundo lugar, deve ser enfatizado que em qualquer ponto
da curva µ é dado pela relação µ = B/H, e não por dB/dH, que é
a inclinação da curva.

Reginaldo N. de Souza 260 LT33C - Eletromagnetismo


a) b) c) d)
Figura 63: Domı́nios magnéticos: a) desalinhado; b), c) e d)
alinhamento com campo magnético externo.

Reginaldo N. de Souza 261 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 64: Curva tı́pica de magnetização B − H.

Reginaldo N. de Souza 262 LT33C - Eletromagnetismo


Para um material ferromagnético qualquer, inicialmente
desmagnetizado, a medida que a intensidade do campo magnético
externo H aumenta (aumento de corrente), a densidade de fluxo B
também aumenta, dando origem à curva OP , denominada curva
inicial de magnetização. Após atingir a saturação em P , se H
diminuir, B não segue a curva inicial OP , mas se atrasa em relação
a H. Este fenômeno é denominado histerese (“atraso” em grego).

O valor de B quando H é reduzido a zero é referido como


densidade de fluxo remanente, Br . A existência de ı́mãs
permanentes deve-se a Br . Para voltar o valor de B a zero é
necessário aplicar um campo magnético reverso (inverter sentido da
corrente). Este processo, denominado de curva de desmagnetização,
está representado no segundo quadrante do gráfico da Fig. 64. O
valor de H para B igual a zero é conhecido como intensidade de
campo coercitiva, Hc.

Um aumento de H de zero até Hmax, seguido de um decréscimo até


−Hmax (passando por zero) e deste valor voltar a zero, resulta em
Reginaldo N. de Souza 263 LT33C - Eletromagnetismo
uma curva fechada chamada de laço de histerese (ou ciclo de
histerese).

Sob o ponto de vista de magnetização, os materiais ferromagnéticos


podem ser ainda classificados como:

Macios: ciclo de histerese estreito (fácil magnetização);


– Laço alto e estreito: transformadores, motores e geradores.

Duros: ciclo de histerese largo (difı́cil magnetização).


– Laço retangular: ferrites (baixo valor de B).

Reginaldo N. de Souza 264 LT33C - Eletromagnetismo


Indutores e Indutâncias

Um indutor é um dispositivo capaz de armazenar energia no campo


magnético, ou seja, é a contraparte no magnetismo ao capacitor,
que armazena energia no campo elétrico.

Um circuito percorrido por uma corrente I gera um campo


magnético B, o qual causa um fluxo magnético Ψm que atravessa
cada espira do circuito, como mostra a Fig. 65.

Figura 65: Campo magnético gerado por um circuito.

Reginaldo N. de Souza 265 LT33C - Eletromagnetismo


Se o circuito tiver N espiras idênticas, o fluxo concatenado
resultante λ é igual a:

λ = N Ψm [Wb.espiras] (193)

Caso o meio que circunda o circuito for linear, o fluxo concatenado


λ é proporcional à corrente I que o gerou:

λ∝I (194)

ou seja,

λ = LI (195)

Reginaldo N. de Souza 266 LT33C - Eletromagnetismo


em que que constante de proporcionalidade L é denominada
“indutância” do circuito. Assim, a indutância pode ser definida
com a razão entre o fluxo concatenado e a corrente I através do
indutor, isto é:

λ N Ψm
L= = (196)
I I

A unidade de medida para indutância é o henry (H). A indutância


definida em (196) também é conhecida como autoindutância, pois o
fluxo concatenado é produzido pelo próprio condutor/circuito. Este
circuito, por possuir indutância, é denominado de indutor.

Importante observar que a indutância L de um circuito depende


somente de suas propriedades fı́sicas e geométricas, assim como foi
constatado para o capacitor na eletrostática.

Reginaldo N. de Souza 267 LT33C - Eletromagnetismo


Como foi dito anteriormente, o indutor armazena energia
magnética. Com isso, tem-se que a quantidade de energia (em
joules) armazenada pelo indutor pode ser expressa como:
Z Z
1 1 1
Wm = LI 2 = B · H dv = µH 2 dv (197)
2 2 2
que é similar à expressão de energia para campos eletrostáticos,
dada em (91).
De maneira geral, a indutância de um dado indutor (solenoide,
toroide, linha de transmissão de fios paralelos, etc) pode ser
determinada a partir dos seguintes passos:
1. escolher o sistema de coordenadas adequado;
2. considerar que uma corrente I percorre o indutor;
3. determinar B a partir da
R lei de Biot-Savart ou da lei de Ampère
e então calcular Ψm = B · dS;
N Ψm
4. por fim, determinar L = I .

Reginaldo N. de Souza 268 LT33C - Eletromagnetismo


Solenoide

Calcule a indutância de um solenoide muito longo de comprimento


l, raio a e com N espiras.

Admitindo que uma corrente I circula pelo solenoide, o problema


pode representado como indicado na Fig. 66.

Como o solenoide consiste de espiras circulares, pode-se recorrer à


solução do Exercı́cio 2 da seção referente à “Lei de Biot-Savart”,
onde é calculado o campo H devido a uma espira circular, o qual
resulta em:

Iρ2
H= az
2 [ρ2 + h2]3/2

Reginaldo N. de Souza 269 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 66: Solenoide.

Reginaldo N. de Souza 270 LT33C - Eletromagnetismo


Para o caso do solenoide, ρ = a e h = z. Assim, um “elemento do
solenoide” dl produzirá um campo em P igual a:

Idla2
dHz =
2 [a2 + z 2]3/2

pois as componentes dHx se anulam devido a simetria do problema.

Admitindo que a distância entre os enrolamentos é muito menor que


o raio de cada espira, o elemento dl do solenoide pode ser expresso
como:

N
dl = dz = n dz
l

em que n = N/l é o número de espiras por unidade de


comprimento. Assim,
Reginaldo N. de Souza 271 LT33C - Eletromagnetismo
Ina2dz
dHz =
2 [a2 + z 2]3/2

Reginaldo N. de Souza 272 LT33C - Eletromagnetismo


Zl/2
Ina2
Hz = dz
2 [a2 + z 2]3/2
−l/2

Zl/2
Ina2 dz
=
2 [a2 + z 2]3/2
−l/2
2
l/2
Ina z
= √
2 a2 a2 + z 2 −l/2
 
l
Ina2  2 − 2l 
=  q − q 
2 2 2
a2 a2 + l4 a2 a2 + l4
 
Ina2  l 
Hz =  q 
2 2
a2 a2 + l4
Reginaldo N. de Souza 273 LT33C - Eletromagnetismo
portanto,

Inl
H=√ az
2
4a + l 2

Se l ≫ a:

Inl
H = √ az
l2

IN
H= az
l

Para obter B utiliza-se a relação:

Reginaldo N. de Souza 274 LT33C - Eletromagnetismo


B = µH
µIN
B= az
l

Agora o fluxo magnético pode ser calculado:

Z
µIN A
Ψm = B · dS = B A =
l

onde A é a seção reta do solenoide. Utilizando a expressão (196)


obtém-se a indutância por:

µIN 2 A
λ N Ψm l
L= = =
I I I
Reginaldo N. de Souza 275 LT33C - Eletromagnetismo
µN 2A
L= [H] (198)
l

Note que a indutância só depende das caracterı́sticas fı́sicas do


solenoide.

Reginaldo N. de Souza 276 LT33C - Eletromagnetismo


Cabo Coaxial

Encontre a indutância de um cabo coaxial de raio interno a, raio


externo b e comprimento l, tal como mostrado na Fig. 67.

Figura 67: Cabo coaxial.

Reginaldo N. de Souza 277 LT33C - Eletromagnetismo


µl b
L= ln [H]
2π a

Reginaldo N. de Souza 278 LT33C - Eletromagnetismo


Toroide

Calcule a indutância de um toroide de raio médio R e seção circular


com raio r.

Figura 68: Toroide de seção reta circular.

Reginaldo N. de Souza 279 LT33C - Eletromagnetismo


O toroide pode ser interpretado como um solenoide longo curvado e
fechado sobre si mesmo (união das duas extremidades). Se a relação
R/r for muito grande, a expressão (198) da indutância do solenoide
pode ser utilizada para o toroide. Deste modo, a indutância do
toroide pode ser dada por:

µN 2A
L=
l

em que a área A da seção reta e o comprimento médio l são dados


por:

A = πr2

l = 2πR
Reginaldo N. de Souza 280 LT33C - Eletromagnetismo
Resultando assim em:

µN 2r2
L= [H]
2R

Observe que todas as indutâncias calculadas dependem apenas das


caracterı́sticas fı́sicas do indutor.

Reginaldo N. de Souza 281 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cios – Lista 2 – Magnetostática
1) Um filamento condutor é percorrido por uma corrente I do ponto
A(0, 0, a) até o ponto B(0, 0, b). Demonstre que no ponto
P (x, y, 0):
" #
I b a
H= p p −p aφ
4π x2 + y2 x2 + y2 + b2 x2 + y2 + a2

2) Duas espiras de corrente idênticas têm seus centros em (0, 0, 0) m


e (0, 0, 4) m e seus eixos ao longo do eixo z. Se cada espira tem
um raio de 2 m e é percorrida por uma corrente de 5 A em aφ,
calcule H em:
(a) (0, 0, 0)
(b) (0, 0, 2)

Reginaldo N. de Souza 282 LT33C - Eletromagnetismo


3) Um condutor sólido infinitamente longo, de raio a, está colocado
ao longo do eixo z. Se o condutor for percorrido por uma
corrente I no sentido positivo de z:
a) Determine a densidade de corrente no interior do condutor.
b) Demonstre que nesta mesma região


H= 2

2πa
c) Se I = 3 A e a = 2 cm, determine H em (0, 1, 0) cm e (0,4,0)
cm.

4) O potencial magnético vetorial de uma distribuição de corrente


no espaço livre é

A = 15e−ρ sin φ az Wb/m


a) Determine H em (3, π/4, −10).

Reginaldo N. de Souza 283 LT33C - Eletromagnetismo


b) Calcule o fluxo através da região ρ = 5, 0 ≤ φ ≤ π/2 e
0 ≤ z ≤ 10.

5) Um condutor infinito ao longo do eixo z é percorrido por uma


corrente I, como mostrado na Figura 69. A uma distância d
deste condutor, há uma espira retangular (a × b), sendo o lado b
paralelo ao condutor. Determine:
a) O campo magnético H.
b) O fluxo magnético através da espira retangular.

6) No espaço livre a densidade de fluxo magnético é dada por:

B = y 2ax + z 2ay + x2az Wb/m2


a) Demonstre que B é um campo magnético.
b) Determine o fluxo magnético através de x = 1, 0 < y < 1 e
1 < z < 4.
Reginaldo N. de Souza 284 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 69: Problema 5).

c) Calcule J.

7) Um condutor infinitamente longo, de raio a, está colocado de tal


modo que seu eixo está ao longo do eixo z. O potencial
magnético vetorial, devido à corrente contı́nua I0, que flui ao
longo de az no interior do condutor, é dado por

I0 2 2

A=− 2
µ0 x + y az Wb/m
4πa

Reginaldo N. de Souza 285 LT33C - Eletromagnetismo


Determine o campo H correspondente. Confirme o resultado
utilizando a lei de Ampère.

8) Um condutor infinitamente longo de raio a é percorrido por uma


corrente uniforme com J = J0az . Demonstre que o potencial
magnético vetorial para ρ < a é:

1
A = − µ0J0ρ2az
4

9) Um elétron com velocidade u = (3ax + 12ay − 4az ) × 105 m/s


experimenta uma força resultante nula em um ponto no qual o
campo magnético é B = 10ax + 20ay + 30az mT. Determine E
nesse ponto.

Reginaldo N. de Souza 286 LT33C - Eletromagnetismo


10) Uma espira circular de corrente de raio r m e corrente I A está
localizada sobre o plano z = 0. Calcule o torque que resulta se a
corrente está na direção aφ e existe um campo uniforme
B0
B=√ 2
(ax + az ) T.

11) Duas espiras circulares de raio R e centro comum estão


orientadas de forma tal que seus planos são perpendiculares entre
si. Deduza a expressão que mostra o torque de uma espira sobre
a outra.

12) A Fig. 70 mostra um medidor de corrente D’Arsonval. Este


equipamento é constituı́do por uma bobina capaz de girar em
torno de um eixo numa região onde existe um campo radial com
intensidade uniforme de B = 0, 1 T. Uma mola (espiral) de
torção oferece um torque resistente T = 5, 87 × 10−5 θ N.m, com
θ em radianos, contra o movimento de rotação da bobina.
Sabe-se que o enrolamento da bobina é formado por 35 espiras

Reginaldo N. de Souza 287 LT33C - Eletromagnetismo


retangulares de dimensões 23 mm × 17 mm. Qual é o ângulo de
rotação resultante quando uma corrente de 15 mA passa pela
bobina?

Figura 70: Problema 12). Medidor de corrente D’Arsonval.

13) Encontre o torque máximo de uma bobina retangular com 85


espiras, 20 cm por 30 cm, carregando 2 A de corrente em um
campo B = 6,5 T.

14) Um toroide de raio médio ρ0 possui N espiras distribuı́das ao


longo de seu comprimento e é percorrido por uma corrente I,

Reginaldo N. de Souza 288 LT33C - Eletromagnetismo


conforme mostrado na Fig. 71. O material do núcleo toroidal
possui permeabilidade magnética µ.
(a) Se a seção reta do toroide for circular com raio a e ρ0 ≫ a,
mostre que a autoindutância do toroide é
µN 2a2
L=
2ρ0
(b) Se a seção reta do toroide for um quadrado de lado a,
demonstre que
2
 
µN a 2ρ0 + a
L= ln
2π 2ρ0 − a
(c) Admitindo que o toroide de seção reta quadrada possua
diâmetro de 50 cm, área da seção reta de 40 cm2 e µr = 2000,
determine o número de espiras necessário para se obter um
indutor de 2 H.

Reginaldo N. de Souza 289 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 71: Problema 14).

Reginaldo N. de Souza 290 LT33C - Eletromagnetismo


15) Um anel de cobalto (µr = 600) tem um raio médio de 30 cm. Se
uma bobina, enrolada sobre o anel, é percorrida por uma corrente
de 12 A, calcule o número de espiras necessário para estabelecer
uma densidade de fluxo magnético de 1,5 Wb/m2 no anel.

Reginaldo N. de Souza 291 LT33C - Eletromagnetismo


Respostas – Lista 2 – Magnetostática

2) H(0,0,0) = 1, 36az A/m; b) H(0,0,2) = 0, 88az A/m

I
3) a) J = a;
πa2 z
c) H(0,1cm,0) = H(0,4cm,0) = 11, 94aφ A/m

4) a) H(3,π/4,−10) = (14aρ + 42aφ) × 104 A/m; b) Ψm = 1, 01 Wb

I µ0 Ib d+a

5) a) H = 2πρ aφ ; b) Ψm = 2π ln d

6) b) Ψm = 1 Wb; c) J = − µ20 (z ax + x ay + y az ) A/m2

I0 ρ
7) H = 2πa2 φ
a A/m

9) E = −44ax + 13ay + 6az KV/m

Reginaldo N. de Souza 292 LT33C - Eletromagnetismo


2B I
πr√
10) T = 2
0
ay N.m

µ0 I1 I2 πR
11) T = 2 N.m

12) θ = 0, 349 rad ou θ = 20 deg

13) Tmáx = 66, 3 N.m

14) c) N = 521 espiras

15) N = 313 espiras

Reginaldo N. de Souza 293 LT33C - Eletromagnetismo


Equações de Maxwell

Reginaldo N. de Souza 294 LT33C - Eletromagnetismo


Introdução

Até este momento foram estudados os campos invariantes com o


tempo: eletrostáticos, E (x, y, z) e magnetostáticos, H (x, y, z).

De agora em diante serão analisados campos eletromagnéticos


variantes no tempo, E (x, y, z, t) e H (x, y, z, t). Na prática, estes
campos são mais importantes que os estáticos.

Deve-se notar que os campos estáticos, E (x, y, z) e B (x, y, z), são


independentes um do outro. Já os campos dinâmicos são
interdependentes entre si.

Reginaldo N. de Souza 295 LT33C - Eletromagnetismo


Lei de Faraday

“A força eletromotriz (fem) induzida, Vfem, em qualquer circuito


fechado, é igual à taxa de variação no tempo do fluxo magnético
enlaçado pelo circuito.”

dΨm
Vfem =− (199)
dt

sendo Ψm o fluxo em cada espira.

A equação (199) pode ser escrita na forma integral como:

I Z
d
E · dl = − B · dS (200)
L dt S

Reginaldo N. de Souza 296 LT33C - Eletromagnetismo


Essa equação (200) representa a lei de Faraday na forma integral. O
sinal negativo mostra que a tensão induzida age de tal forma a se
opor à variação do fluxo que a induziu. Esta propriedade é
conhecida como a lei de Lenz e é sumarizada da seguinte maneira:

“a tensão induzida por um fluxo magnético variável no tempo


possui uma polaridade tal que a corrente estabelecida (induzida) em
um percurso fechado origina um fluxo magnético que se opõe à
variação do fluxo que a originou.”

A Fig. 72 ilustra a lei de Lenz aplicada em uma espira circular. A


Fig 72.a mostra uma superfı́cie aberta S delimitada pelo caminho
fechado L. A direção do versor normal dS é obtida pela regra da
mão direita, onde o polegar aponta na direção de dS, enquanto os
demais dedos indicam o sentido de dl. No caso da Fig 72.a, foi
escolhido o sentido anti-horário para dl. O interior da superfı́cie S é
atravessado por um campo magnético variável com o tempo, B(t),
resultando assim em um fluxo magnético Ψm. Se B(t) aumentar

Reginaldo N. de Souza 297 LT33C - Eletromagnetismo


com o tempo, a sua derivada temporal é positiva e, portanto, o lado
direito da equação (200) será negativo. A fim de tornar negativa a
integral do lado esquerdo de (200), E deve apresentar sentido
oposto ao de dl, Fig 72.b. Admitindo que a espira seja um fio
condutor, então por ela circulará uma corrente I, coerente com o
sentido de E. Finalmente, esta circulação de corrente gera um fluxo
magnético Ψ′m, que se opõe ao crescimento do fluxo produzido por
B(t), como mostra a Fig 72.c.
A variação do fluxo com o tempo, lado direito da equação (199),
pode ser causada de três maneiras distintas:
1. espira estacionária em um campo B variável no tempo;
2. espira em movimento através de um campo magnético B
estacionário;
3. espira em movimento em um campo B variável no tempo.
Estas situações são discutidas a seguir separadamente.

Reginaldo N. de Souza 298 LT33C - Eletromagnetismo


a) b) c)
Figura 72: Lei de Lenz: a) campo B(t) aumentando; b) corrente I
induzida; c) campo B′(t) induzido, se opondo ao campo B(t).

Reginaldo N. de Souza 299 LT33C - Eletromagnetismo


Espira Estacionária em um Campo B Variável
no Tempo

A Fig. 72 ilustra este cenário, onde um campo magnético B


variável com o tempo atravessa uma espira estacionária. Neste caso,
a equação (200) torna-se:

I Z
∂B
Vfem = E · dl = − · dS (201)
L S ∂t

Essa fem induzida pela corrente variável no tempo em uma espira


estacionária é denominada “fem de transformador ”, pois
relaciona-se com o modo de operação de um transformador.

Aplicando o teorema de Stokes no lado esquerdo da equação (201),


obtém-se:

Reginaldo N. de Souza 300 LT33C - Eletromagnetismo


Z Z
∂B
(∇ × E) · dS = − · dS (202)
S S ∂t

o que resulta em:

∂B
∇×E=− (203)
∂t

sendo esta equação a lei de Faraday na forma diferencial. Essa é


uma das equações de Maxwell para campos variáveis no tempo. A
expressão ∇ × E 6= 0 mostra que o campo elétrico E variável no
tempo não é conservativo. Este fato não implica que o princı́pio de
conservação de energia seja inválido. O que acontece é que o
trabalho realizado para movimentar uma carga em um caminho
fechado na presença de um campo elétrico variável no tempo, é
devido a energia do campo magnético variável no tempo.

Reginaldo N. de Souza 301 LT33C - Eletromagnetismo


Espira em Movimento em um Campo B
Estático

A força sobre uma carga em movimento com velocidade uniforme u


em um campo magnético B é dada por:

Fm = Qu × B (204)

Um “campo elétrico de movimento” (mocional), Em, é definido em


função de Fm como:

Fm
Em = =u×B (205)
Q

Quando um condutor, atravessando linhas de campo B com


velocidade uniforme u, contiver grande quantidade de cargas livres,
a fem entre os pontos terminais a e b do condutor será dada por:
Reginaldo N. de Souza 302 LT33C - Eletromagnetismo
Z a Z a
Vfem = vab = Em · dl = (u × B) · dl (206)
b b

Essa fem é denominada “fem de movimento” ou “fem de fluxo


constante”. Esse é o tipo de fem de máquinas elétricas como
motores e geradores. Um exemplo de aplicação é o máquina de
corrente contı́nua, mostrado na Fig. 73.

Figura 73: Máquina elétrica de corrente contı́nua.

Reginaldo N. de Souza 303 LT33C - Eletromagnetismo


Caso o circuito seja fechado com comprimento L, a equação (206)
pode ser reescrita como:

I I
Vfem = Em · dl = (u × B) · dl (207)
L L

Se a velocidade u e o campo B forem perpendiculares, e o condutor


normal a ambos, então um condutor de comprimento L terá uma
tensão:

Vfem = uBL (208)

Aplicando o teorema de Stokes em (207), tem-se que:

Z Z
(∇ × Em) · dS = [∇ × (u × B)] · dS (209)
S S
Reginaldo N. de Souza 304 LT33C - Eletromagnetismo
Portanto,

∇ × Em = ∇ × (u × B) (210)

A corrente induzida no condutor tem o sentido de Fm, ou seja,


u × B. A orientação da integração em (207) é escolhida como o
sentido oposto da corrente induzida, satisfazendo assim a lei de
Lenz.

Reginaldo N. de Souza 305 LT33C - Eletromagnetismo


Espira em Movimento em um Campo B
Variável no Tempo

Caso geral em que a espira está em movimento em um campo


magnético variável no tempo. neste caos, tanto a fem de
transformador quanto a fem de movimento estão presentes. Assim,
a fem total é dada por:

I Z I
∂B
Vfem = E · dl = − · dS + (u × B) · dl (211)
L S ∂t L

ou

∂B
∇×E=− + ∇ × (u × B) (212)
∂t

Reginaldo N. de Souza 306 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cio 1) Na Fig. 74, duas barras condutoras movem-se sobre
dois trilhos condutores com velocidade u1 = 12, 5 (−ay ) m/s e
u2 = 8, 0ay m/s. No ponto médio do trilho b − c há um voltı́metro.
Se nessa região há um campo B = 0, 35az T, determine a tensão de
b em relação a c.

Figura 74: Exercı́cio 1.

Exercı́cio 2) Uma barra condutora pode deslizar livremente sobre


dois trilhos condutores, como mostrado na Fig. 75. Calcule a
tens ao induzida na barra se:

Reginaldo N. de Souza 307 LT33C - Eletromagnetismo


a) a barra está parada em y = 8 cm e B = 4 cos 106taz mWb/m2;
b) a barra desliza a uma velocidade de u = 20ay m/s e B = 4az
mWb/m2
c) a barra desliza a uma
 velocidade u = 20ay m/s e
B = 4 cos 106t − y az mWb/m2.

Figura 75: Exercı́cio 2.

Reginaldo N. de Souza 308 LT33C - Eletromagnetismo


Corrente de Deslocamento

Para campos eletromagnéticos estáticos foi visto que:

∇×H=J (213)

onde a densidade de corrente de condução J é devido ao movimento


de cargas (prótons, elétrons, ı́ons) em um condutor. Aplicando o
divergente na expressão (213), obtém-se:

∇ · (∇ × H) = ∇ · J (214)

Porém, sabe-se que o divergente do rotacional de um campo vetorial


é nulo. Então:

Reginaldo N. de Souza 309 LT33C - Eletromagnetismo


∇ · (∇ × H) = 0 = ∇ · J (215)

O que implica em ∇ · J = 0, o que contradiz a equação da


continuidade de corrente vista nas aulas anteriores:

∂ρv
∇·J=− 6= 0 (216)
∂t

Para compatibilizar a expressão em (216) com (213), um termo deve


ser adicionado em (213). Com esse intuito, Maxwell postulou que:

∇ × H = J + Jd (217)

sendo Jd a “densidade de corrente de deslocamento” definida por:

Reginaldo N. de Souza 310 LT33C - Eletromagnetismo


∂D
Jd = (218)
∂t

Aplicando agora o divergente em (217), verifica-se sua


compatibilidade com a equação da continuidade (216):

∇ · (∇ × H) = ∇ · J + ∇ · Jd (219)

∂D ∂ (∇ · D)
∇ · J = −∇ · Jd = −∇ · =− (220)
∂t ∂t

resultando em

∂ρv
∇·J=− (221)
∂t
Reginaldo N. de Souza 311 LT33C - Eletromagnetismo
A inserção de Jd em (217) foi uma das maiores contribuições de
Maxwell. Sem o termo Jd, a propagação de ondas eletromagnéticas
não poderia ter sido prevista, como Maxwell o fez. Em baixas
frequências, Jd é desprezı́vel quando comparado com a densidade de
corrente de condução, J = σE. Porém, em altas frequências, os dois
termos são comparáveis. Na época Maxwell não conseguiu verificar
experimentalmente a equação (217), pois fontes de altas frequências
não eram disponı́veis. Anos mais tarde, Heinrich Hertz conseguiu
gerar e detectar ondas de rádio, comprovando assim a expressão
(217).

Tomando por base a densidade de corrente de deslocamento,


define-se a corrente de deslocamento como:

Z Z
∂D
Id = Jd · dS = · dS (222)
S S ∂t

Reginaldo N. de Souza 312 LT33C - Eletromagnetismo


Deve-se ter em mente que a corrente de deslocamento é resultado de
um campo elétrico variável no tempo.

Um exemplo tı́pico é a corrente através de um capacitor, mostrado


na Fig. 76. Aplicando a lei Circuital de Ampère não modificada ao
caminho fechado L:

I R
S1
J · dS = I
H · dl = R (223)
L S2
J · dS = 0

Aplicando agora a lei de Ampère corrigida:

I  R
S1
J · dS = I
H · dl = R ∂
R dQ (224)
L S2
Jd · dS = ∂t S2
D · dS = dt =I

Reginaldo N. de Souza 313 LT33C - Eletromagnetismo


a) b)
Figura 76: Aplicação da lei de Ampère a um circuito com capacitor:
a) S1 cruzando o condutor; b) S2 no ar passando entre as placas do
capacitor.

Reginaldo N. de Souza 314 LT33C - Eletromagnetismo


Portanto, a corrente do condutor se mantém no capacitor, porém é
de condução no condutor e de deslocamento no capacitor.

Como foi dito anteriormente, a corrente no capacitor é resultado de


um campo elétrico variante no tempo. Esta corrente pode ser
resultado tanto de uma fonte de tensão alternada como de corrente
contı́nua. No primeiro tipo de fonte a corrente produzida é
alternada devido a um campo elétrico variável com o tempo. Já a
fonte de tensão contı́nua produz corrente contı́nua. Se a tensão é
contı́nua o campo elétrico também será constante. Então como é
possı́vel o capacitor conduzir corrente oriunda de fonte de tensão
contı́nua? O capacitor só conduz corrente quando ele está
carregando, pois a tensão e a carga acumulada em suas placas
dQ
variam. Com isso tem-se que Ic = C dV dt ⇒ dt = C dV
dt . Depois que o
capacitor se carrega, a sua queda de tensão e o campo elétrico são
constantes, resultando em Ic = 0 no capacitor.

Reginaldo N. de Souza 315 LT33C - Eletromagnetismo


Relação entre J e Jd

Se o material não se comportar nem como um bom condutor nem


como dielétrico perfeito, as correntes de condução e de
deslocamento coexistirão. Portanto,

∂ (εE)
Jtotal = J + Jd = σE + (225)
∂t

se E for da forma ejωt (ou seja, exponencial complexa):

Jtotal = σE + jωεE (226)

Evidenciando assim que a corrente de deslocamento se torna


importante com o aumento da frequência.

Reginaldo N. de Souza 316 LT33C - Eletromagnetismo


Equações de Maxwell nas Formas Finais

James Clark Maxwell é considerado o fundador da Teoria


Eletromagnética na sua forma atual. O trabalho de Maxwell
unificou a teoria da eletricidade e do magnetismo, levando assim à
descoberta das ondas eletromagnéticas (EM).

A Tabela 1 apresentada anteriormente, apresenta as quatro


equações de Maxwell para campos estáticos. As formas mais gerais
dessas equações são para condições com variação temporal e estão
mostradas na Tabela 2.

Observa-se que quando E e H são estáticos, a Tabela 2 se reduz à


Tabela 1, a qual mostra as leis de Maxwell para campos
eletromagnéticos invariantes no tempo. Portanto, a tabela aqui
apresentada contém as leis de Maxwell na sua forma generalizada.

Reginaldo N. de Souza 317 LT33C - Eletromagnetismo


Tabela 2: Forma geral das equações de Maxwell.
Forma diferencial Forma integral Comentários
H R
∇ · D = ρv S
D · dS = v
ρv dv Lei de Gauss
H Inexistência de
∇·B=0 S
B · dS = 0 carga magnética
H R
∇×E= − ∂B
∂t E · dl = ∂
− ∂t B · dS Lei de Faraday
∂D
HL R S
∂D

∇×H=J+ ∂t H · dl = J+ ∂t · dS Lei de Ampère
L S

Reginaldo N. de Souza 318 LT33C - Eletromagnetismo


Para um campo ser classificado como um campo eletromagnético,
ele deve satisfazer todas as quatro equações de Maxwell. Pela
análise das linhas IV e V da Tabela 2 notas-e que, para campos
variáveis no tempo, H não pode existir sem um campo E, e
vice-versa. Note também que as formas integral e diferencial das
duas primeiras equações (linhas II e III) são equivalentes segundo
o Teorema da Divergência, enquanto que as formas integral e
diferencial das duas últimas equações são equivalentes segundo o
Teorema de Stokes.

Reginaldo N. de Souza 319 LT33C - Eletromagnetismo


Potenciais EM Variáveis no Tempo

Para campos EM estáticos, os campos e os potenciais estão


relacionados como se segue:

E = −∇V (74)

B=∇×A (160)

Em campos variáveis no tempo a relação (160) continua válida. Já


a relação entre E e V é modificada para campos variantes com o
tempo.

Combinando a lei de Faraday com a equação (160) obtém-se:

Reginaldo N. de Souza 320 LT33C - Eletromagnetismo


 
∂B ∂ ∂A
∇×E=− = − (∇ × A) = ∇ × −
∂t ∂t ∂t

 
∂A
∇×E+∇× =0
∂t

 
∂A
∇× E+ =0 (227)
∂t

e como o rotacional do gradiente de um campo escalar é zero, o


termo entre parêntesis em (227) deve ser o gradiente de algum
campo escalar. No caso em estudo, é o potencial escalar elétrico:

∂A
E+ = −∇V (228)
∂t
Reginaldo N. de Souza 321 LT33C - Eletromagnetismo
Portanto, para campos EM variantes com o tempo, o potencial
elétrico V e o vetor potencial magnético A são definidos como:

B=∇×A (229)

∂A
E = −∇V − (230)
∂t
∂A
Note que se o campo é invariante com o tempo, ∂t =0ea
expressão (230) se reduz a (74).

Com o intuito de se obter uma das equações de onda, faz-se a


combinação da lei de Gauss com o divergente da equação (230):

 
ρv ∂A
∇·E= =∇· −∇V −
ε ∂t
Reginaldo N. de Souza 322 LT33C - Eletromagnetismo
∂ ρv
∇2 V + (∇ · A) = − (231)
∂t ε

em que ∇2V é laplaciano de um campo escalar V .

Para desacoplar o potencial elétrico do vetor potencial magnético,


utiliza-se a “condição de Lorenz ” para potenciais, a qual é dada
por:

∂V
∇ · A = −µε (232)
∂t

relação essa que pode ser obtida a partir da equação da


continuidade.

Aplicando (232) em (231), obtém-se a equação de onda em termos


do potencial elétrico:
Reginaldo N. de Souza 323 LT33C - Eletromagnetismo
2 ∂ 2V ρv
∇ V − µε 2 = − (233)
∂t ε

Para obter a outra equação de onda em termos do potencial


magnético, combinam-se a lei de Ampère com as equações (229) e
(230):

Lei de Ampère:

∂D
∇×H=J+
∂t

B ∂ (εE)
∇× =J+
µ ∂t

∂E
∇ × B = µJ + µε (234)
∂t
Reginaldo N. de Souza 324 LT33C - Eletromagnetismo
Substituindo (230) em (234):

 
∂ ∂A
∇ × B = µJ + µε −∇V −
∂t ∂t

 
∂V ∂ 2A
∇ × B = µJ − µε∇ − µε 2
∂t ∂t

e utilizando a relação dada em (229):

 
∂V ∂ 2A
∇ × (∇ × A) = µJ − µε∇ − µε 2
∂t ∂t

e recorrendo a definição de laplaciano de um vetor dada na página


65:
Reginaldo N. de Souza 325 LT33C - Eletromagnetismo
∇ × (∇ × A) = ∇ (∇ · A) − ∇2A

tem-se que:

 
∂V ∂ 2A
∇ (∇ · A) − ∇2A = µJ − µε∇ − µε 2 (235)
∂t ∂t

Aplicando a condição de Lorenz, equação (232), em (234):

   
∂V 2 ∂V ∂ 2A
∇ −µε − ∇ A = µJ − µε∇ − µε 2
∂t ∂t ∂t

Portanto,

Reginaldo N. de Souza 326 LT33C - Eletromagnetismo


2 ∂ 2A
∇ A − µε 2 = −µJ (236)
∂t

As equações diferenciais (233) e (236) são chamadas de equações de


onda para potenciais, pois suas soluções representam ondas
movendo-se dos pontos de origem para pontos do campo no sistema.
Neste momento estas equações não serão solucionadas. Adiante
serão mostradas as equações de onda em função de E e B.

Reginaldo N. de Souza 327 LT33C - Eletromagnetismo


Campos Harmônicos no Tempo

“ Uma grandeza harmônica no tempo é aquela que varia


periodicamente ou sinusoidalmente com o tempo.”

Exemplos: tensões e correntes de um circuito: i(t) = I0 cos (ωt + θ);


campos EM harmônicos: E = Em cos (ωt − βz)

Estas grandezas senoidais (ou cossenoidais) podem ser expressas de


maneira mais simples como fasores, os quais são vetores rotativos
no domı́nio complexo. Como será visto mais adiante, os fasores
facilitam os cálculos em problemas envolvendo campos harmônicos.

Um fasor z é um número complexo que pode ser representado como:

z = a + jb (Forma retangular) (237)

Reginaldo N. de Souza 328 LT33C - Eletromagnetismo


ou

z = r ejφ = r∠φ (Forma polar) (238)



sendo j = −1 a unidade imaginária, r o módulo de z e φ a fase de
z, dados por:


r= a2 + b2 (239)

b
φ = tan−1 (240)
a

A representação gráfica de z é ilustrada na Fig. 77.


Reginaldo N. de Souza 329 LT33C - Eletromagnetismo
Figura 77: Representação de um fasor z = a + jb = r∠φ.

Reginaldo N. de Souza 330 LT33C - Eletromagnetismo


Na Fig. 77 nota-se que as componentes do fasor z na forma
retangular podem ser expressas por:

a = r cos φ (241)
b = r sin φ (242)

Combinando a equação (237) com (241) e (242) resulta em:

z = r (cos φ + j sin φ) (243)

Para obter a forma polar a partir da forma retangular, utiliza-se a


identidade de Euler, a qual é dada por:

e±jα = cos α ± j sin α (244)


Reginaldo N. de Souza 331 LT33C - Eletromagnetismo
Assim, a expressão (243) pode ser escrita como:

z = r ejφ (245)

a qual é a mesma expressão dada em (238), mostrando assim a


equivalência entre a forma polar e retangular de um dado fasor z.

A seguir são sintetizadas algumas operações com os fasores


z1 = a1 + jb1 e z2 = a2 + jb2:

Soma e subtração:
z1 ± z2 = (a1 ± a2) + j (b1 ± b2)

Multiplicação:
z1 z2 = r1 r2 ∠(φ1 + φ2)

Reginaldo N. de Souza 332 LT33C - Eletromagnetismo


Divisão: z 1 r1
= ∠(φ1 − φ2)
z 2 r2

Complexo conjugado:
z1∗ = a1 − jb1 = r1∠ − φ1

Introduzindo a dependência temporal:

φ = ωt + θ (246)

resulta em

z = r ejφ = r ej(ωt+θ) = r ejωtejθ (247)

Reginaldo N. de Souza 333 LT33C - Eletromagnetismo


o qual representa um vetor rotativo com módulo (raio) r, frequência
angular ω e fase inicial θ. Utilizando novamente a identidade de
Euler, equação (244), obtém-se que:

z = r ej(ωt+θ)
= r [cos (ωt + θ) + j sin (ωt + θ)] (248)

com

Re {z} = r cos (ωt + θ) (249)

Im {z} = r sin (ωt + θ) (250)

sendo (249) a parte real (Re {·}) e (250) a parte imaginária (Im {·})
do fasor z.
Reginaldo N. de Souza 334 LT33C - Eletromagnetismo
Analisando a expressão (249) nota-se que a corrente i(t) pode ser
representada como a parte real de um número complexo:

 jωt jθ

i(t) = Re I0e e
= I0 cos (ωt + θ) (251)

Como todas as grandezas em um sistema linear (circuitos, ondas


EM, etc) com excitação harmônica no tempo possuem o mesmo
fator comum ejωt, este termo pode ser ocultado nas equações
associadas a fim de otimizar suas representações. Assim, a nova
relação resultante é denominada fasor de corrente:

Is = I0 ejθ = I0∠θ (252)

em que o subscrito “s” denota a forma fasorial de i(t). Portanto,


i(t) pode ser expressa como:
Reginaldo N. de Souza 335 LT33C - Eletromagnetismo
 jωt
 jθ jωt

i(t) = Re Is e = Re I0 e e (253)

Um fasor também pode representar um vetor. Seja:

A = A0 cos (ωt − βx) ay


 jωt −jβx

A = Re A0 e e ay
 jωt

A = Re As e (254)

onde As é o fasorial de A:

As = A0 e−jβxay (255)

Note a diferença existente entre as equações (254) e (255). A


primeira é real e variante com o tempo, enquanto a segunda não
Reginaldo N. de Souza 336 LT33C - Eletromagnetismo
depende do tempo e geralmente é uma grandeza complexa.
Usualmente trabalha-se com a expressão no formato dado por (255),
pois, além de facilitar os cálculos, é possı́vel obter sua forma
temporal, (254), facilmente a partir de (255).

Utilizando o conceito de fasor, a derivada temporal de A pode ser


expressa da seguinte maneira:

∂A ∂   jωt

= Re Ase
∂t ∂t 
jωt
= Re As jω e

ou seja, a representação fasorial da derivada equivale a multiplicar o


fasor de A por jω:

∂A
−→ jω As (256)
∂t
Reginaldo N. de Souza 337 LT33C - Eletromagnetismo
e de forma similar:
Z
As
A ∂t −→ (257)

Aplicando o conceito de fasor a campos EM variáveis no tempo em
meio linear e isotrópico, obtém-se as equações de Maxwell no
domı́nio complexo, mostradas na Tabela 3.
Note na Tabela 3 que o termo ejωt foi omitido, pois assume-se que
já está associado ao fasor correspondente. Esta é a vantagem de
utilizar fasores em análise de campos harmônicos no tempo: o
termo ejωt pode ser retirado e inserido a qualquer momento sem que
afete o resultado final.
Outra análise importante com relação à Tabela 3 diz respeito à
corrente de deslocamento. Observe que em baixas frequências a
corrente de deslocamento jωDs tende a zero e torna-se desprezı́vel
com relação à corrente de condução. Isto porque em baixas
frequências ω → 0.
Reginaldo N. de Souza 338 LT33C - Eletromagnetismo
Tabela 3: Forma fasorial das leis de Maxwell, assumindo ejωt como
fator tempo.
Forma diferencial Forma integral
H R
∇ · Ds = ρvs Ds · dS = ρvsdv
S H v
∇ · Bs = 0 Bs · dS = 0
H S R
∇ × Es = −jωBs Es · dl = −jω Bs · dS
H L R S
∇ × Hs = Js + jωDs Hs · dl = (Js + jωDs) · dS
L S

Reginaldo N. de Souza 339 LT33C - Eletromagnetismo


Propagação de Ondas Eletromagnéticas

Reginaldo N. de Souza 340 LT33C - Eletromagnetismo


Introdução

As ondas EM são um meio de transportar energia ou informação.


Exemplos tı́picos de ondas EM incluem ondas de rádio, os sinais de
TV, feixes de radar e raios luminosos.

Este capı́tulo tem por objetivo obter as equações de propagação de


ondas EM a partir das equações de Maxwell e também estudar a
propagação de ondas EM nos seguintes meios materiais:

1. Espaço livre: σ = 0, ε = ε0, µ = µ0


2. Dielétrico sem perdas: σ = 0, ε = εr ε0, µ = µr µ0 ou
σ ≪ µε
3. Dielétrico com perdas: σ 6= 0, ε = εr ε0, µ = µr µ0
4. Bons condutores: σ ≃ ∞, ε ≈ ε0, µ = µr µ0 ou σ ≫ µε

Reginaldo N. de Souza 341 LT33C - Eletromagnetismo


Primeiramente será considerado o caso mais geral, o caso 3. Os
demais itens serão resolvidos a partir deste caso geral. Ao final
deste capı́tulo são feitas considerações sobre potência, reflexão e
transmissão entre dois meios diferentes.

Reginaldo N. de Souza 342 LT33C - Eletromagnetismo


Propagação de Onda em Dielétrico com
Perdas

Um dielétrico com perdas é um meio no qual as ondas EM perdem


energia à medida que se propagam. Isto ocorre devido à
condutividade do meio ser diferente de zero.

Sendo assim, considere um meio dielétrico com perdas, linear,


isotrópico (ou seja, onde D = εE, B = µH e J = σE), homogêneo
e livre de cargas (ρv = 0). Assim, considerando E e H na forma
temporal de ejωt, as equações de Maxwell da Tabela 3 tornam-se:

∇ · Es = 0 (258)

∇ · Hs = 0 (259)
Reginaldo N. de Souza 343 LT33C - Eletromagnetismo
∇ × Es = −jωµHs (260)

∇ × Hs = (σ + jωε) Es (261)

Aplicando o rotacional na equação (260), obtém-se:

∇ × ∇ × Es = −jωµ (∇ × Hs) (262)

Substituindo-se a equação (261) em (262) e utilizando a definição do


laplaciano de um vetor dada na página 65:

∇ × (∇ × A) = ∇ (∇ · A) − ∇2A

resulta em:
Reginaldo N. de Souza 344 LT33C - Eletromagnetismo
∇ (∇ · Es) − ∇2Es = −jωµ (σ + jωε) Es (263)

Da equação (258) tem-se que ∇ · Es = 0. Portanto,

∇2 Es − γ 2 Es = 0 (264)

sendo γ a “constante de propagação” (por metro) do meio e

γ 2 = jωµ (σ + jωε) (265)

De modo análogo, pode-se mostrar que:

∇2 H s − γ 2 H s = 0 (266)

Reginaldo N. de Souza 345 LT33C - Eletromagnetismo


As relações (264) e (266) são conhecidas como as equações de
Helmholtz ou equações vetoriais de onda.

Como γ é uma grandeza complexa, pode ser representada por:

γ = α + jβ (267)

sendo que α e β podem ser obtidos das equações (265) e (267) como:

 2
Re γ = −ω 2µε = α2 − β 2 (268)

2 √
γ = ωµ σ 2 + ω 2ε2 = α2 + β 2 (269)

Reginaldo N. de Souza 346 LT33C - Eletromagnetismo


Resolvendo as equações (268) e (269) para α e β obtém-se que:

v " #
u r  σ 2
u µε
α = ωt 1+ −1 (270)
2 ωε

v " #
u r  σ 2
u µε
β = ωt 1+ +1 (271)
2 ωε

sendo α chamado de “constante de atenuação” (m−1 ou Np/m) e


β de “constante de fase” (rad/m).

Assumindo que a onda se propaga no sentido positivo do eixo z e


que Es só tem componente em x, resulta em:

Reginaldo N. de Souza 347 LT33C - Eletromagnetismo


Es = Exs(z) ax (272)

Substituindo esta equação (272) em (264), tem-se:

∇2Exs(z)ax − γ 2Exs(z)ax = 0 ⇒ ∇2Exs(z) − γ 2Exs(z) = 0 (273)

Recorrendo à definição de laplaciano de um escalar, página 64,


obtém-se:

∂2 ∂2 ∂2 2
2
E xs (z) + 2
E xs (z) + 2
E xs (z) − γ Exs(z) = 0 (274)
|∂x {z } ∂y | {z }
∂z
=0 =0

ou seja,
Reginaldo N. de Souza 348 LT33C - Eletromagnetismo
d2 2
E xs (z) − γ Exs(z) = 0 (275)
dz 2

A solução desta equação diferencial, linear e homogênea é do tipo:


Exs(z) = E0e−γz + E0eγz (276)

onde E0 e E0 são constantes. Porém, como foi adotado que a onda

se propaga no sentido positivo de z, o termo E0eγz deve ser zero,
pois este termo representa uma onda se propagando ao longo de
−az . Assim, inserindo o termo temporal em (276) e substituindo γ
pela expressão (267), obtém-se:

 −(α+jβ)z jωt
E (z, t) = Re E0e e a
 −αz j(ωt−βz) x
= Re E0e e ax
Reginaldo N. de Souza 349 LT33C - Eletromagnetismo
que é equivalente a:

E (z, t) = E0e−αz cos (ωt − βz) ax (277)

A Fig. 78 mostra um esboço de |E| em dois instantes de tempo


diferentes. Nesta figura é possı́vel observar que a onda se propaga
no sentido positivo do eixo z e que sua amplitude é atenuada pelo
fator e−αz .

Para obter H (z, t) pode-se tanto adotar procedimentos similares


aos utilizados para obter E (z, t) quanto utilizar a equação (277) em
conjunto com as equações de Maxwell. De qualquer maneira o
resultado obtido é dado por:

H (z, t) = H0e−αz cos (ωt − βz) ay (278)

Reginaldo N. de Souza 350 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 78: Campo E se propagando ao longo de +az . As setas
indicam valores instantâneos de E.

Reginaldo N. de Souza 351 LT33C - Eletromagnetismo


onde

E0
H0 = (279)
η

sendo η uma grandeza complexa conhecida como “impedância


intrı́nseca do meio”:

E0
η=
H0
r
jωµ
η= = |η| ∠θη = |η| ejθη (280)
σ + jωε

com

Reginaldo N. de Souza 352 LT33C - Eletromagnetismo


p
µ/ε
|η| = h i1/4 (281)
σ
 2
1+ ωε

σ
tan 2θη = , 0 ≤ θη ≤ π/4 (282)
ωε

Substituindo (279) e (280) em (278) obtém-se:

 
E0 −αz j(ωt−βz)
H (z, t) = Re jθ
e e ay
|η| e η
 
E0 −αz −jθη j(ωt−βz)
= Re e e e ay
|η|

ou seja,
Reginaldo N. de Souza 353 LT33C - Eletromagnetismo
E0 −αz
H (z, t) = e cos (ωt − βz − θη ) ay (283)
|η|

Conclusões

Tanto E (z, t) quanto H (z, t) decrescem exponencialmente


(pelo fator e−αz ) ao longo do eixo de propagação (z). Por
exemplo, uma atenuação de 1 Np significa um decaimento na
amplitude de e−1 = 36, 8% = 8, 69dB.

Em um meio dielétrico sem perdas, σ = 0, resultando assim em


α = 0 e β = ωu .

E (z, t) e H (z, t) estão fora de fase: E (z, t) está adiantado em


relação à H (z, t) por θη . Este atraso é devido à impedância
intrı́nseca do meio, η.

Reginaldo N. de Souza 354 LT33C - Eletromagnetismo


Relação entre densidade de corrente de condução e densidade de
corrente de deslocamento em um meio com perdas:

|Js| |σEs| σ
= = = tan 2θη
|Jds| |jωεEs| ωε
σ
tan 2θη = (284)
ωε
sendo tan 2θη a “tangente de perdas do meio”:
– tan 2θη muito pequeno: σ ≪ ωε ⇒ dielétrico sem
perdas.

– tan 2θη muito grande: σ ≫ ωε ⇒ bom condutor.

Pela expressão (284) nota-se que a propagação da onda depende


da frequência e não só do meio, pois ω = 2πf . Assim, um certo
meio pode ser bom condutor em baixas frequências e também
um bom dielétrico em altas frequências.
Reginaldo N. de Souza 355 LT33C - Eletromagnetismo
Da equação (261)

∇ × Hs = (σ + jωε) Es
 

= jωε 1 − Es
ωε
= jωεcEs (285)
sendo
 

εc = ε 1 − = ε (1 − j tan 2θη ) (286)
ωε
′ ′′
εc = ε − jε (287)

e εc é chamada de “permissividade complexa” do meio, ε = ε,
′′
ε = σ/ω e ε = ε0εr . Note também que:

Reginaldo N. de Souza 356 LT33C - Eletromagnetismo


′′
ε σ
tan 2θη = = (288)
ε′ ωε

Reginaldo N. de Souza 357 LT33C - Eletromagnetismo


Ondas Planas em Dielétricos Sem Perdas

Em um dielétrico sem perdas, σ ≪ ωε. É um caso especial do


tratado na seção anterior, exceto que:

σ≃0
ε = ε0 εr (289)
µ = µ0 µr

Substituindo as considerações de (289) nas equações (270) e (271),


resulta em:


α=0 β = ω µε (290)

Reginaldo N. de Souza 358 LT33C - Eletromagnetismo


r
µ
η= ∠0 ◦ (291)
ε

Como α = 0, E e H não sofrem atenuação. Além disso, como η tem


fase nula, E e H estão em fase no tempo, qualquer que seja o ponto
tomado. A velocidade e o comprimento de onda são:

ω 1 2π 2π
u= =√ λ= = √ (292)
β µε β ω µε

Reginaldo N. de Souza 359 LT33C - Eletromagnetismo


Exercı́cios – Lista 3 – Equações de Maxwell e
Ondas
1) Uma espira circular condutora de raio 20 cm está no plano z = 0
imersa em um campo magnético B = 10 cos (377t) az mWb/m2.
Calcule a tensão induzida na espira.

2) Uma barra condutora se move com velocidade constante de 3az


m/s paralelamente a um fio retilı́neo longo percorrido por uma
corrente de 15 A, como mostrado na Fig. 79. Calcule a fem
induzida na barra e determine qual extremidade da barra está a
um potencial mais elevado.

3) Uma barra magnética se movimenta em direção ao centro de


uma bobina com 10 espiras e com resistência de 15 Ω, como
mostrado na Fig. 80. Se o fluxo magnético através da bobina

Reginaldo N. de Souza 360 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 79

Reginaldo N. de Souza 361 LT33C - Eletromagnetismo


Figura 80

varia de 0,45 Wb a 0,64 Wb em 0,02 s, qual a intensidade e


orientação (do ponto de vista do ı́ma) da corrente induzida?

4) Escreva as equações de Maxwell para um meio linear e


homogêneo em termos de Es e Hs assumindo o fator tempo
como e−jωt.

Reginaldo N. de Souza 362 LT33C - Eletromagnetismo


3
 4

5) Em uma certa região J = 2yax + xzay + z az sin 10 t A/m.
Encontre ρv se ρv (x, y, 0, t) = 0.

6) Verifique se os campos a seguir são campos EM genuı́nos, isto é,


se eles satisfazem as equações de Maxwell. Assuma que os
campos existem em regiões livre de carga.
a) A = 40 sin (ωt + 10x) az
 
b) B = 3ρ2 cot φaρ + cosρ φ aφ sin ωt
c) C = 1r sin θ sin (ωt − 5r) aθ

7) O fasor campo elétrico de uma onda EM no espaço livre é dado


por

Es = 10e−j4y ax
a) Encontre ω tal que Es satisfaça as equações de Maxwell.
Reginaldo N. de Souza 363 LT33C - Eletromagnetismo
b) Determine o campo Hs

Reginaldo N. de Souza 364 LT33C - Eletromagnetismo


Referências

[Edm06] Joseph A. Edminister. Eletromagnetismo. Bookman,


New York, NY, second edition, 2006.
[Sad12] Matthew N. O. Sadiku. Elementos de
eletromagnetismo. Bookman, Porto Alegre, RS, 2012.
[WHHB12] Jr. William H. Hayt and John A. Buck. Engineering
Electromagnetics. McGraw-Hill, New York, NY, 2012.

Reginaldo N. de Souza 365 LT33C - Eletromagnetismo