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Virtudes e dons do Espírito Santo

Virtude é o hábito do bem, isto é, disposição estável para agir bem.


Opõe-se ao vício - que é o hábito do mal.
Virtudes naturais são adquiridas pelo exercício e aperfeiçoamento de dons naturais.
Desenvolvem-se pelo esforço da vontade, agindo sobre a aptidão específica. Por
exemplo, a virtude de um bom pintor.
Virtudes sobrenaturais são as que, pela graça santificante, recebemos de Deus,
tendo por fim nossa eterna salvação. Não dependem de nosso esforço - ao nos dar
a graça, Deus as infunde em nossa alma. Devemos, porém, desenvolvê-las.
Virtudes teologais são infusas (ou sobrenaturais). Vêm de Deus e nele têm seu
objeto imediato. São a Fé, a Esperança e a Caridade. Recebemo-las com a graça do
Batismo, e, em maior abundância, com a da Confirmação.
Virtudes morais são diretamente ligadas aos costumes - ligam-se a Deus, de modo
indireto. Podem ser naturais, isto é, que se alcançam por meios naturais, ou
sobrenaturais, pelo efeito da graça.
Dentre essas virtudes, destacam-se a Prudência, Justiça, Força e Temperança.
Todas as outras virtudes morais derivam-se dessas quatro. Sem a prática dessa
virtudes ninguém pode entrar na vida de perfeição". Recebidas no Batismo, são
infusas (ou sobrenaturais) - recebemo-las com a graça santificante.

"Ter fé numa coisa, é aderir a ela, por causa da afirmação de outrem, sem
podermos conferir pessoalmente. Se a afirmação é de nossos semelhantes, nossa
fé é humana. Se a afirmação é de Deus, trata-se de fé divina.
É praticamente impossível viver sem fé. Não existe quem só creia no que pode
conferir. Acreditamos em bulas de remédios e em tabuletas de ônibus. Esta fé é
humana - e dela precisamos para viver como homens.
Para vivermos como filhos de Deus, precisamos da fé divina, da Fé, virtude teologal
que nos leva a crer na palavra de Deus, no que o Verbo revelou e a Igreja ensina.
Como virtude teologal, seu objetivo imediato é Deus.
A Fé - Virtude teologal é infusa (é recebida no Batismo), sobrenatural em seu
princípio e seu fim (Deus). "Não é uma busca, mas uma posse". "É um encontro da
alma com a Verdade de Deus". "Deus nos capacita a crer em Deus - não círculo
vicioso: é circulação de amor".

Esperança

No sentido amplo, é a expectativa de um bem que se deseja. Em sentido restrito,


aqui empregado, é virtude sobrenatural que nos dá firme confiança para
alcançarmos a felicidade eterna e obtermos os meios de consegui-la. Seu princípio
é a graça e Deus é o seu fim. Faz-nos passar pelo mundo "como se não fôssemos
do mundo" - sem nos prender a ele.
O demasiado apego a coisas mundanas, a sofreguidão na busca de prazeres, a
busca de soluções unicamente materiais para todos os problemas - tudo isso são
sinais de desespero. A Esperança - virtude cristã - leva-nos a "passar no mundo,
sem nos prender a ele; a pisar de leve, para não se prender no lodo; a possuir
como se não possuísse. Não se trata pois, de esperar nos homens, mas de esperar
em Deus e com Deus.

Caridade

É a maior das virtudes. (Leia-se a 1º. Epístola de S. Paulo aos Coríntios, cap. 13).
Romperá as portas da eternidade e para sempre viverá. No Céu, a Fé será
substituída pela visão de Deus; a Esperança, pela sua posse - mas o Amor viverá
eternamente.
É a virtude sobrenatural que nos faz amar a Deus acima de todas as coisas e ao
próximo como a nós mesmos, pelo amor de Deus. Tem em Deus seu objetivo e seu
fim principal. Por causa desse amor a Deus, leva-nos a amar o próximo como a nós
mesmos. Assim, aí, encontra-se uma ordem no amor: Deus, acima de tudo, em
primeiro lugar; depois, nós mesmos e, em seguida, o próximo. Sim, antes de nos
perguntar pelo que fizemos dos outros ou com os outros, Deus nos perguntará pelo
que fizemos dos dons que Ele nos deu, o que fizemos de nós mesmos.
Antes de sermos responsáveis pelos outros, cada um é responsável pela própria
alma - e é nesse sentido que o amor a si mesmo vem antes do amor do próximo.
Trata-se do bom amor de si mesmo, relacionado com nossa alma imortal e seu
destino; amor de si mesmo, pelo que nós somos principalmente: filhos de Deus, ao
Céu destinados.
Não se trata, pois, de egoísmo ou amor-próprio, que, no sentido mais empregado,
é o mau amor de si mesmo, por motivos secundários, desprovidos de real
importância (por causa de beleza, inteligência, cultura, etc.).
Em terceiro lugar, vem o amor ao próximo. Este deve ser amado por amor a Deus e
em Deus - e, também, pelo que possui de mais importante: sua alma imortal, com
imagem e semelhança divina. Este é o verdadeiro amor ao próximo que, acima de
nacionalidade, posição social, cor da pele, etc, abrange todos os homens. É o amor
verdadeiro, centelha do amor de Deus. É a verdadeira Caridade, a que levou S.
João Gualberto a amar seu inimigo e S. Francisco de Assis a beijar um leproso.
Leva-nos a imitar o Mestre que nos disse e nos mostrou que Deus é Amor.

Prudência

É a virtude que nos faz conhecer e praticar, oportunamente, o que é bem. A


Prudência sabe escolher meios, ajeitá-los ao fim que pretende. Aproveita a hora
propícia, o lugar acertado. Não dá passos errados. Nisso tudo, é virtude moral
natural.

Tornar-se-á sobrenatural quando, ainda fazendo isso mesmo, estiver iluminada


pelo brilho da fé, auxiliada pelo concurso da graça, e referir tudo à meta suprema
da eterna salvação. No Batismo a recebemos como virtude infusa - é fruto da graça
recebida. Prudência não tem, pois, o sentido vulgar e mesquinho que, às vezes, lhe
emprestam. É a virtude do reto agir. É racional e honesta. Justamente, é
considerada como a "rainha das virtudes morais".

Encontram-se, na Prudência, três elementos:

Reflexão - O homem prudente pensa antes de agir - e o cristão, além disso, reza.
Calcula os prós e contras, considera ensinamentos da experiência (própria e
alheia).

Determinação - O homem prudente, depois de pensar, toma uma decisão. (As


virtudes são correlatas. Aqui, a força ajuda).

Realização - O homem ao examinar bem um assunto e decidir-se sobre ele. Só se


torna um ato de Prudência quando realizado. (Também, aqui, entra o auxílio da
força.)

Contra a Prudência, pode-se pecar por insuficiência ou por excesso. No primeiro


caso, há irreflexão (quando não se pensa bem) ou descuido (quando não são
empregados meios devidos para a realização - tornando-a imprudente).
No segundo caso, encontra-se a astúcia - "mascara da prudência", usada para fins
repreensíveis e a prudência do século que, absorvida por interesses materiais,
esquece os objetivos espirituais. Liga-se a um demasiado zelo pelo futuro
(temporal) e conseqüente descuido pela vida eterna.
Em nossos dias, sob diversos aspectos, é a deturpação da Prudência que mais
encontramos - apesar do aviso de Cristo: "Procurai, primeiro, o reino de Deus e sua
justiça, que tudo o mais vos será dado de acréscimo" (Mt 6, 25-33).

Justiça

É a virtude que nos leva a dar, a cada um, o que lhe é devido. Abrange todas as
nossas obrigações para com Deus e para com o próximo, isto é, a religião inteira.
Por isso é que, no Antigo Testamento, os homens virtuosos são chamados de
homens "justos". Não ignoravam os judeus que a justiça importa em fidelidade a
todos os preceitos da Lei.
Também Nosso Senhor tinha em mira este mesmo sentido, quando proclamou
"bem –aventurados os que têm fome e sede de justiça, e por causa dela sofrem
perseguições" (Mt 5, 6-10), e quando insta, junto dos discípulos, para que se
preocupem, antes de tudo, com o "reino de Deus e sua justiça" (Mt 6, 33).

Força

É a virtude que nos dá energia diante dos obstáculos da vida e dos que se
encontram dentro de nós mesmos. Aliás, para enfrentar bem aqueles é preciso,
primeiro, dominar estes. O orgulho, a cobiça, a sensualidade e outras inclinações
congêneres devem ser enfrentados com fortaleza – isso nos tornará mais aptos,
mais fortes diante das dificuldades externas da vida.

Temperança

É a virtude que refreia o desejo dos gozos sensíveis, especialmente do gosto e tato.
Leva-nos a usar os bens temporais na medida em que servem de meio para atingir
os bens eternos. O prazer sensível não é mal, em si – o mal está na sua procura
desordenada e desvinculada do nosso verdadeiro fim.
Opõem-se à Temperança a gula e a impureza – que embrutecem, degradam,
atingido o homem na alma e no corpo. A virtude da Temperança nos faz sóbrios e
castos. Pelo exercício do autocontrole, leva-nos à contenção do orgulho – princípio
de todo pecado – e, portanto, à prática da humildade – virtude fundamental, que a
ele se opõe.
As virtudes teologais nos levam diretamente a Deus, As morais, indiretamente,
também nos levam a Ele. Por Seus Dons, o Espírito Santo nos ajuda neste caminho
– caminho que conduz ao Céu.
Estes 7 dons são mencionados por Isaías (Is 11, 3), referindo-se a Cristo – que os
tem em plenitude. É pelos méritos de Cristo que os recebemos do Espírito Santo.
Conheça o sentido de cada Dom:

Sabedoria

É o que nos dá o gosto das coisas divinas. Sábio é o que bem hierarquiza valores. O
que coloca em primeiro lugar o que realmente está em primeiro lugar. Liga-se à
maior de todas as virtudes – a Caridade – pois que a grande Sabedoria está no
Amor.

Conselho

É o Dom do discernimento. Em situações difíceis. Faz-nos reconhecer e encontrar a


vontade de Deus. Lembra juízo e bom senso. Liga-se à Prudência.

Inteligência
É o que nos leva a perceber a Verdade onde ela se encarta. Embora sem desvendá-
los, ajuda-nos a aceitar os mistérios da Religião. É como que o instinto da Verdade.
É o Dom que nos faz convictos. Liga-se à Fé.

Força

Dá-nos energia para superar obstáculos a fim de cumprir a vontade de Deus. É o


Dom que Maria teve no mais alto grau quando, de pé, no Calvário, assistiu à morte
de seu Filho. Foi o Dom de S. João Nepomuceno, preso e torturado com ferro em
brasa, por não revelar um segredo de confissão. É ligado à virtude do mesmo
nome.

Ciência

Leva-nos a compreender a Religião, sem estudos especiais. O santo Cura D’ars a


possuiu em alto grau. S. Tomás de Aquino afirmava Ter aprendido mias aos pés do
altar, que nos livros. Não se trata de ciência humana. Trata-se, ao contrário, da
noção da indigência do ser criado. Liga-se ao dom das Lágrimas (porque nos vemos
como somos) e a virtude da Esperança (porque conhecemos os efeitos da graça de
Deus em nós, capaz de nos aperfeiçoar e nos fazer conquistar o Céu).

Piedade

Dá-nos uma atitude filial diante de Deus. Leva-nos a desejar sempre o que for mais
perfeito, como o mais justo diante do Pai. Liga-se à Justiça.

Temor de Deus

É o temor de desagradar ao Bem Supremo. Teme-se por amor, e este amor nos faz
cautelosos, e nos dá equilíbrio. Liga-se a Temperança e, portanto, à Humildade –
virtude básica para a Vida cristã, justificando, assim, a sua definição na Sagrada
Escritura: "O temor de Deus é o princípio da Sabedoria".

Os Dons do Espírito Santo


Se formos reler o início do estudo sobre as virtudes, veremos que já mencionamos
os Dons do Espírito Santo. Vimos que as virtudes infusas são forças, ajudas
sobrenaturais, que Deus sopra em nossas almas para nos ajudar a bem agir. Estas
forças espirituais aperfeiçoam as nossas forças naturais, dando à nossa ação um
valor novo, tirado da graça divina.
E os Dons?
Os Dons do Espírito Santo também são infusos na nossa alma por Deus e nela
residem habitualmente, para nos tornar dóceis à ação de Deus em nós, pela qual
Ele nos leva à perfeição.
Vemos assim que os Dons do Espírito Santo não agem na nossa alma do mesmo
modo que as virtudes infusas.
As virtudes aperfeiçoam nossas ações nos dando forças para agir melhor.
Os dons do Espírito Santo realizam uma união íntima de Caridade que nos leva
direto ao bem. É Deus nos empurrando para agir bem. Essa ação divina em nós é
infalível e irresistível. Só poderemos perde-la se a recusarmos, o que seria um
pecado mortal.
As virtudes nos ajudam a andar, passo a passo, no caminho da perfeição.
Os Dons trazem imediatamente a perfeição para dentro de nós.
As virtudes nos levam a melhor trabalhar na busca da perfeição.
Os Dons nos trazem o repouso de quem já alcançou a perfeição (naquela ação).
São sete os dons do Espírito Santo:
Temor de Deus
Vamos relembrar, agora, algumas virtudes e ver como os Dons do Espírito Santo
vão trazer ainda mais perfeição:
Quando recebemos os dons
No batismo, nos tornamos filhos de Deus. Recebemos a graça santificante com todo
o cortejo de virtudes sobrenaturais, inclusive com os dons do Espírito Santo. Mas
na Crisma, recebemos de um modo especial o Divino Espírito Santo, para as lutas
interiores e exteriores, pelas quais guardaremos intacta nossa fé. É, então, na
Crisma que recebemos os dons do Espírito Santo de um modo muito especial.
Devemos procurar apresentar os filhos para receber a Crisma o mais cedo possível,
pois os ataques do mundo são cada dia mais cedo. Hoje, com oito anos, uma
criança já precisa das forças especiais dos Dons para não se contaminar com o
espírito do mundo. Atrasar demasiado a recepção da Crisma é abandonar os filhos
desprotegidos nas garras do inimigo.
A Fé iluminada pelos dons de Inteligência e Ciência:
Sabemos que pela virtude teologal da Fé alcançamos o conhecimento de Deus do
modo como Ele revelou-se a nós. Sabemos que Deus é a Santíssima Trindade, que
Jesus Cristo é o Verbo Eterno de Deus feito homem, que a Igreja Católica é a única
Igreja de Jesus Cristo, etc. Tudo isso é revelado por Deus e ensinado pela Igreja.
Quando estamos rezando, ou estudando, ou simplesmente pensando nessas coisas,
Deus ilumina nossas almas com a ação do Dom de Inteligência. Iluminados por este
Dom do Espírito Santo, não somente acreditamos nessas verdades de Fé, mas
passamos a conhece-las de um modo novo, interior, silencioso, muito elevado. Não
podemos dizer como aprendemos aquilo, pois foi Deus quem nos fez ver aqueles
mistérios desse modo novo. Os dons são verdadeiras luzes no nosso caminho.
Já o dom de Ciência nos ensina qual o relacionamento entre as coisas criadas e as
coisas da Fé. Ele nos faz conhecer tudo segundo a Vontade de Deus, mas através
de suas razões naturais.
Por não aceitar o dom de Ciência é que os homens passaram a estudar a natureza
sem considerar que Deus é seu Criador, e que por isso, tudo e todos devem
obediência à Deus.
Assim vemos que para recuperar esta sociedade pervertida, devemos abrir nossos
corações ao governo de Deus em nós, às suas graças, aos seus Dons.
A Esperança ajudada pelo dom do Temor de Deus.
Para que nossa Esperança nunca diminua, Deus nos dá o dom do Temor de Deus,
pelo qual estamos sempre na presença de Deus, com muito respeito por sua
Excelência e por sua Bondade de infinita majestade, e que nada tememos mais do
que perde-Lo ou desagradá-Lo, ou perde-Lo por causa de coisas que nos afastariam
dEle para todo sempre.
Este temor de Deus que é dom do Espírito Santo é um temor filial, como o
respeito que o filho tem por seu pai. A este temor filial se opõe o temor servil,
próprio dos escravos e não dos filhos, pelo qual tememos o superior devido aos
castigos que sofreremos.
A Caridade elevada pelo dom de Sabedoria
Se os Dons do Espírito Santo são mais elevados do que as virtudes, é normal que
mesmo a maior de todas as virtudes, a Caridade, possa crescer e se aperfeiçoar,
sob a ação de um dom. Este dom será então o maior de todos eles. É o dom da
Sabedoria.
A Sabedoria consiste em julgar de todas as coisas segundo as suas causas divinas.
Em outras palavras, considerar todas as coisas como elas são vistas e queridas por
Deus, de quem tudo depende. Nisso a Sabedoria é diferente do dom de Ciência
que, como vimos acima, procura as razões de Deus para as coisas por seus
elementos mais próximos, na natureza da própria coisa.
A Virtude da Prudência aperfeiçoada pelo dom de Conselho
Como a alma humana está sempre inclinada ao erro, mesmo quando possui as
virtudes que a ajudam a agir bem, o Espírito Santo enche nossa alma com o dom
de Conselho, pelo qual somos levados infalivelmente ao reto juízo sobre os atos
que devemos realizar. A alma que vive atenta aos dons do Espírito Santo, diminui
muito as possibilidades de pecar.
A Justiça, a Piedade, a Religião, santificadas pelo dom de Piedade
Pelo dom de Piedade aprendemos a tratar Deus como filhos obedientes tratam seu
pai, dando a Ele todo nosso ser, manifestando nosso amor pela oração e tratando
todos os homens como filhos de Deus e merecedores do amor divino. Se todos os
homens vivessem movidos pelo dom de Piedade, a humanidade seria uma
verdadeira família divina, antecipando a vida de Caridade que haverá no Céu.
A Virtude Cardeal da Força transformada pelo dom de Força
Enquanto a virtude de Força nos torna capazes de vencer os obstáculos humanos,
já o dom de força nos leva a suportar as dores, provações e separações que se
relacionam com a vida eterna, principalmente a morte. Com o dom da Força, o
homem possui toda a confiança na obtenção dos bens eternos que tomarão o lugar
dos bens terrenos que perdemos. O dom da Força nos torna vitoriosos sobre a
própria morte. É o dom próprio do mártir, que enfrenta as feras, a espada, o fogo,
com a alma em paz e mesmo com alegria, sabendo que a recompensa é a vida
eterna.
A virtude da Temperança e o dom do Temor de Deus
Porque razão o dom do Temor de Deus aperfeiçoa tanto a Virtude Teologal da
Esperança, como vimos acima, e a Virtude Cardeal da Temperança?
O dom do Temor de Deus não aperfeiçoa estas duas virtudes do mesmo modo. Ele
aperfeiçoa a virtude da Esperança porque, pelo Temor de Deus, adquirimos a
reverência diante da grandeza de Deus e temos a certeza de sua ajuda.
Mas o Temor de Deus nos leva também a evitar todo abuso com as coisas da nossa
sensibilidade, o que corresponde a um aperfeiçoamento da virtude da Temperança.
Por saber que vivemos na Presença de Deus, evitamos a gula, a embriagues, a
sensualidade no vestir, nas atitudes, etc.
A virtude da Temperança já nos ajudava a vencer esses excessos, mas o dom do
Espírito Santo não consiste num esforço nosso, humano, mesmo se aperfeiçoado
por Deus. O dom do Espírito Santo é o próprio Deus agindo em nós. Por isso
vencemos imediatamente as nossas tendências más e as tentações.
Concluindo, devemos deixar nossas almas abertas à ação do Divino Espírito Santo.
A palavra Espírito quer dizer vento, sopro. Assim devemos abrir nossas almas como
velas de um barco, e deixar o Vento divino enche-las e carregar nosso barquinho
até o porto da Salvação. Podemos aprender mais alguma coisa sobre os dons lendo
o livrinho : As Sete Velas do Meu Barco. Veja no tópico Orações algumas orações
ao Divino Espírito Santo.
Art. 8 — Se as virtudes têm preeminência sobre os dons.
(III Sent., dist. XXXIV, q. 1, a. 1, ad 5; De Virtut., q. 2, a. 2, ad 17).

O oitavo discute-se assim. — Parece que as virtudes têm preeminência sobre os


dons.

1. — Pois, diz Agostinho, falando da caridade: Nenhum dom de Deus é mais


excelente que este. É o único que separa os filhos do reino eterno, dos da eterna
perdição. Há ainda outros dons do Espírito Santo, mas de nada servem sem a
caridade1. Ora, a caridade é uma virtude. Logo, a virtude tem preeminência sobre
os dons do Espírito Santo.

2. Demais. — O que tem naturalmente prioridade tem também preeminência, Ora,


as virtudes têm prioridade sobre os dons do Espírito Santo. Pois, Gregório diz: Os
dons formam, antes de tudo, na mente que lhes é dócil, a prudência, a
temperança, a fortaleza, e a justiça. E assim equilibra, em pouco, a mesma mente
com as sete virtudes, i. é, dons, opondo, à estultícia, a sabedoria; ao
embotamento, o intelecto, à precipitação, o conselho; ao temor, a fortaleza; à
ignorância, a ciência; à dureza, a piedade; à soberba, o temor2. Logo, as virtudes
têm preeminência sobre os dons.

3. Demais. — Ninguém pode usar mal da virtude, como diz Agostinho3. Ora, é
possível usar mal dos dons; pois, como diz Gregório, imolamos a hóstia da nossa
prece para a sabedoria não ensoberbecer; para o intelecto, sutilmente discorrendo,
não aberrar; para o conselho, multiplicando-se, não confundir; para não se
precipitar à fortaleza, gerando a confiança; para a ciência não inchar, conhecendo
sem amar; para a piedade não transviar, afastando do caminho reto; para o temor,
amedrontando mais do que é justo, não imergir no abismo do desespero4. Logo, as
virtudes são mais dignas que os dons do Espírito Santo.

Mas, em contrário, os dons são conferidos para fortalecer as virtudes contra os


defeitos, como é claro pela citação aduzida. E assim, parece que aperfeiçoam o que
as virtudes não podem aperfeiçoar. Logo, têm preeminência sobre elas.

SOLUÇÃO. — Como do sobredito resulta5, distinguem-se três gêneros de virtudes:


umas teologais; outras, intelectuais; outras, morais. As teologais unem a Deus a
mente humana; as intelectuais aperfeiçoam a razão; enfim, as morais tornam apta
as potências apetitivas a obedecer à razão. Ora, pelos dons do Espírito Santo todas
as potências da alma se dispõem a submeter-se à moção divina.

Por onde, os dons estão para as virtudes teologais, que unem o homem ao Espírito
Santo, que o move, como as virtudes morais estão para as intelectuais, perfectivo
da razão, motora das virtudes morais. Assim, pois, como as virtudes intelectuais
têm preeminência sobre as morais e as regulam, assim as teologais a têm sobre os
dons do Espírito Santo, e os regulam. Donde o dizer Gregório: os sete filhos, i. é,
os sete dons, não chegam à perfeição da dezena, senão fizerem tudo com fé,
esperança e caridade6.

Comparados, porém, com as demais virtudes intelectuais ou morais, os dons têm


preeminência sobre as virtudes. Pois, aperfeiçoam as potências da alma,
relativamente ao Espírito Santo, que move; ao passo que as virtudes aperfeiçoam
ou a razão mesma, ou as demais potencias, relativamente à razão. Ora, é
manifesto que quanto maior o motor, tanto mais perfeitamente disposto deve ser o
móvel. Logo, os dons são mais perfeitos que as virtudes.
Donde a resposta à primeira objeção. — A caridade é uma virtude teologal, e
concedemos tenha preeminência sobre os dons.

Resposta à segunda. — De dois modos pode-se entender a prioridade. — Primeiro,


na ordem da perfeição e da dignidade; assim, o amor de Deus tem prioridade sobre
o do próximo. E deste modo, os dons têm prioridade sobre as virtudes intelectuais
e morais; posterioridade, porém, relativamente às virtudes teologais. — De outro
modo, na ordem da geração ou disposição; assim, o amor do próximo precede,
quanto ao ato, o amor de Deus. E assim, as virtudes morais e intelectuais
precedem os dons; pois, estando bem disposto no que respeita à sua razão própria,
o homem fica bem disposto no concernente a suas relações com Deus.

Resposta à terceira. — A sabedoria, o intelecto, e dons semelhantes, provêm do


Espírito Santo, enquanto informados pela caridade, que não obra temerariamente,
como diz a Escritura (1 Cor 13, 4). E, portanto, da sabedoria, do intelecto e de
dons semelhantes ninguém pode usar mal, enquanto dons do Espírito Santo. Mas
para não se afastarem da perfeição da caridade, um é fortificado pelo outro. E é
isto que Gregório quer dizer.
Os dons e frutos do Espírito Santo

1830. A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições
permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito.
1831. Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade
e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de Davi. Completam e levam ã perfeição as
virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações
divinas.
Que o teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada (Sl 143,10)
Todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filhos de Deus são filhos de Deus... Filhos e,
portanto, herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8,14.17).
1832. Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória
eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: "caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade,
benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade" (Gl 5,22-23 vulg.).

RESUMINDO
1833. A virtude é uma disposição habitual e firme de fazer o bem.
1834. As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que, regulam nossos
atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno
de quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
1835. A prudência dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem
e a escolher os meios adequados para realizá-lo.
1836. A justiça consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.
1837. A fortaleza garante, nas dificuldades, a firmeza e a constância na busca do bem.
1838. A temperança modera a atração dos prazeres sensíveis e procura o equilíbrio no uso dos bens
criados.
1839. As virtudes morais crescem pela educação, pelos atos deliberados e pela perseverança no
esforço. A graça divina purifica e as eleva.
1840. As virtudes teologais dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade. Têm a
Deus por origem, motivo e objeto, Deus conhecido pela fé, esperado e amado por casa de si mesmo.
1841. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. Estas informam e vivificam todas as
virtudes morais.
1842. Pela fé, nós cremos em Deus e em tudo o que Ele nos revelou e que a Santa Igreja nos propõe
para crer.
1843. Pela esperança, desejamos e aguardamos de Deus, com firme confiança, a vida eterna e as
graças para merecê-la.
1844. Pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e a nosso próximo como a nós mesmos por
amor a Deus. Ela é o "vínculo da perfeição" (Cl 3,14) e a forma de todas as virtudes.
1845. Os sete dons do Espírito Santo concedidos ao cristão sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza,
ciência, piedade e temor de Deus.
Os dons do Espírito Santo
Em síntese: Os dons do Espírito Santo são como “receptores” aptos a captar os
impulsos do Espírito mediante os quais o cristão se encaminha para a perfeição em
estilo novo ou com a eficácia que o próprio Deus lhe confere. Possibilitam ao cristão
ter a intuição profunda do significado das verdades reveladas por Deus assim como de
cada criatura. Proporcionam também tomadas de atitude que nem a razão natural nem
as virtudes humanas, sujeitas sempre a hesitações e falhas, conseguiriam indicar ou
efetivar.
Para ilustrar o que são os dons, pode-se recorrer à imagem de um barco que navega:
se é movido a remos, avança lenta e penosamente, com grande esforço para os
remadores. Caso, porém, estes desdobram as velas do barco para que capte o sopro
dos ventos favoráveis, os remadores descansam e o barco progride em estilo novo
segundo velocidade “sobre-humana”. – Ora o barco movido ao sopro do vento que
bate contra as velas, é imagem do cristão impelido pelo Espírito, segundo medidas
divinas, para a meta da sua santificação.
Os dons do Espírito Santo são sete, segundo a habitual recensão dos teólogos:
sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade, temor de Deus. Para se
beneficiar da ação do Espírito Santo, o cristão deve dispor-se de duas maneiras
principais: a) cultivando o amor, pois é o amor que propicia afinidade com Deus e, por
conseguinte, torna o cristão apto a ser movido pelo Espírito de Deus; b) procurando
jamais dizer um Não consciente e voluntário às inspirações do Espírito. Quem se
acostuma a viver assim, cresce mais velozmente na sua estatura definitiva e se
configura mais fielmente ao Cristo Jesus.
* * *
Em nossos dias a renovação da oração e da espiritualidade cristãs apela freqüentemente
para a ação do Espírito Santo nos corações. Muitos fiéis se tornam conscientes de que
“ninguém pode dizer “Jesus Cristo é o Senhor” senão sob a moção do Espírito Santo”
(cf. 1Cor 12, 3), sabem cada vez mais que “todos os que são movidos pelo Espírito de
Deus, são filhos de Deus” (cf. Rm 8, 14). A consciência destas verdades vem
despertando cada vez mais a atenção para a teologia espiritual. É, pois, oportuno
procurarmos conhecer melhor as maneiras como o Espírito Santo age nos corações,
descrevendo os seus dons e o significado destes na vida dos filhos de Deus.
1. Que são os dons do Espírito Santo?
1. Do inicio, é preciso propor a distinção que a Teologia costuma fazer entre dons e
carismas (embora a palavra charisma em grego significa dom).
Por carismas entendem-se graças especiais pelas quais o Espírito Santo torna os
cristãos aptos a tarefas e funções que contribuem para o bem ou o serviço da
comunidade: assim seriam o dom de profecia, o das curas, o das línguas, o da
interpretação das línguas… Os carismas têm por vezes (não sempre) índole
extraordinária, como no caso de certas curas ou da glossolalia.
Por dons compreendem-se faculdades outorgadas ao cristão para seguir mais
seguramente os impulsos do Espírito no caminho da perfeição espiritual. Os dons e seus
efeitos são discretos, não chamando a atenção do público por façanhas portentosas.
2. Para entender melhor o que sejam os dons do Espírito, recorramos a uma analogia:
Quando uma criança nasce para a vida presente, é dotada por Deus de tudo que é
necessário à sua existência humana: recebe, sim, um organismo completo e uma alma
portadora de faculdades típicas do ser humano. Como se compreende, esse conjunto
ainda não esta plenamente desenvolvido quando o bebê vem ao mundo, mas é certo que
a criança possui tudo que constitui a pessoa humana.
Ora algo de análogo se dá na vida espiritual. Diz-nos Jesus que renascemos da água e do
Espírito Santo pelo batismo (cf. Jo 3, 5). Este renascer importa receber uma vida nova, a
vida dos filhos de Deus, trazida pela graça santificante. Essa vida nova tem suas
faculdades próprias, que são:
1) as virtudes infusas
a) teologais (fé, esperança, caridade): virtudes que nos põem em contato imediato com
Deus;
b) morais (prudência, justiça, temperança, fortaleza): virtudes que orientam o
comportamento do cristão frente aos valores deste mundo;
2) os dons do Espírito Santo, “receptáculos” próprios para captar as moções do Espírito
Santo.
Importa salientar bem a diferença entre as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo.
As virtudes infusas são ditas infusas porque não adquiridas pelo homem. São princípios
de reta outorgados ao cristão juntamente com a graça santificante, para que se comporte
não apenas como ser racional, mas como filho da Deus, elevado a ordem sobrenatural1.
Os critérios de conduta do cristão são as grandes verdades da fé ou da ordem
sobrenatural (que nem sempre coincidem com os da razão); por isto é que, ao renascer
como filho de Deus, todo homem recebe os respectivos princípios de conduta nova, que
são as virtudes infusas. Destas, três se orientam diretamente para Deus (a fé, a esperança
e a caridade) e quatro se orientam para o reto uso dos bens deste mundo (prudência,
justiça, temperança, fortaleza). Quando o cristão age mediante as virtudes infusas, é ele
mesmo quem age segundo moldes humanos, limitados, lutando contra os obstáculos que
geralmente a prática do bem encontra; de maneira lenta e trabalhosa o cristão cresce na
fé, na caridade, na temperança, na fortaleza…, estando sempre sujeito a contradizer-se
ou a cometer um ato incoerente com tais virtudes.
É sobre este fundo de cena que se devem entender os dons do Espírito Santo. Estes
podem ser comparados a faculdades novas ou “antenas” que nos permitem apreender
moções do Espírito Santo em virtude das quais agimos segundo um estilo novo,
certeiro, firme, sem hesitação alguma e com toda a clarividência. Esta afirmação pode-
se tornar mais clara mediante algumas comparações:
a) Imaginemos um barco que navega a remos… Adianta-se lentamente e com grande
esforço e fadiga por parte dos remadores. Caso, porém, este barco tenha velas dobradas,
admitamos que os remadores resolvam desdobrá-las, a fim de captar o vento que lhes é
favorável. Em conseqüência, os marujos deixarão de remar, e o mesmo barco será
movido a velocidade “sobre-humana”, de maneira nova a muito mais veloz do que
quando movido a remos.
Ora o “mover-se a remos” corresponde ao esforço humano (sempre prevenido pela
graça) para progredir na prática do bem mediante as virtudes infusas. O “deixar-se
mover pelo vento que bate nas velas desdobradas”, corresponde ao progresso provocado
pela ação direta do Espírito Santo, que move os seus dons (= velas) em nós;
progredimos então muito mais rapidamente segundo um estilo novo.
b) Eis outra comparação: admitamos um pintor genial que se dispõe a realizar uma obra-
mestra. Para iniciar, ele confia aos discípulos mais adiantados o trabalho de preparar a
tela, combinar as cores e esquematizar o quadro. Quando tudo está preparado e começa
a parte mais importante da obra, o próprio mestre traça as linhas finíssimas de sua obra,
revelando o seu gênio e cristalizando a sua inspiração. – De maneira análoga, o Espírito
traça no íntimo de cada cristão a imagem do Cristo Jesus. Os inícios desta tarefa, Ele os
realiza mediante a nossa colaboração, permitindo-nos agir segundo os nossos moldes
humanos (ou mediante as virtudes infusas). Quando, porém, se trata dos traços mais
típicos do Cristo na alma humana, o próprio Espírito assume a tarefa da os delinear
utilizando instrumentos especialmente finos a preciosos, que são seis dons.
Exemplificando, diremos: o homem prudente que, para a orientação de seus atos, só
dispusesse de suas qualidades naturais e da virtude infusa da prudência, acertaria
realmente, mas com grande lentidão, depois de várias tentativas. A prudência humana é
insegura e tímida, mesmo quando acerta. – Ao contrário, quem age sob o influxo do
dom do conselho, que corresponde à virtude da prudência, descobre de maneira rápida,
certeira e firme o que deve fazer em cada caso.
Eis outro exemplo: quando o cristão se eleva, pela luz da fé, ao conhecimento de Deus,
ele o faz de maneira imperfeita e laboriosa, recorrendo a imagens que são, ao mesmo
tempo, claras e obscuras. – Dado, porém, que o cristão seja movido pelo Espírito
mediante os dons de sabedoria e inteligência, ele contempla Deus e seu plano salvífico
numa lúcida concatenação de idéias em poucos instantes e com grande sabor espiritual
(em vez dos esforços exigidos pela virtude da fé).
As normas das virtudes são diferentes das normas dos dons. Quem age sob o influxo
das virtudes, segue a norma do homem iluminado pela luz de Deus. Mas quem age sob
o influxo dos dons do Espírito, segue a norma do próprio Deus participada ao homem.
3. Note-se que os dons do Espírito não são privilégio dos santos. Todos os cristãos os
recebem no Batismo. Nem são necessários apenas às grandes obras, mas tornam-se
indispensáveis à santificação do cristão mesmo na vida cotidiana.
O cristão pode permitir cada vez mais a ação do Espírito Santo em sua vida mediante os
dons, caso se dedique especialmente ao cultivo das virtudes (principalmente da
caridade) e se torne mais e mais dócil às inspirações do Espírito Santo. A prática do
amor é importante, pois é o amor que nos comunica particular afinidade com Deus,
adaptando-nos ao modo de agir do próprio Deus.
Procuramos agora penetrar no sentido próprio de cada um dos dons do Espírito.
2. Os dons em particular
A Tradição cristã costuma enunciar sete dons do Espírito, baseando-se no texto de Is
11,1-3 traduzido para o grego na versão dos LXX:
” 1 Brotará uma vara do tronco de Jessé
E um rebento germinará das suas raízes.
2E repousará sobre ele o espírito do Senhor:
Espírito de sabedoria e entendimento,
Conselho e fortaleza,
Ciência e temor de Deus,
3Piedade…”
O texto original hebraico, em lugar de piedade, dá a ler; “Sua inspiração estará no
temor do Senhor“. Enumerando seis ou sete dons do Espírito, o texto bíblico não
tenciona esgotar a realidade dos mesmos: estes são tantos quantos se fazem necessários
para que o Espírito leve o cristão à perfeição definitiva. Os sete dons enumerados pelo
texto dos LXX e pela Tradição vêm a ser, sem dúvida, os principais. Distingamo-los de
acordo com a faculdade humana em que cada qual se situa:
Intelecto: ciência, entendimento, sabedoria, conselho.
Vontade: piedade.
Apetite irascível: fortaleza.
Apetite de cobiça: temor de Deus.
Passemos agora à análise de cada qual de per si.
2.1. Ciência
A ciência humana perscruta o universo e seus fenômenos, procurando as causas
imediatas destes e concatenando-as entre si para ter uma explicação mais ou menos
clara da realidade.
Ora o dom da ciência, embora não defina a natureza e as propriedades físicas ou
químicas de cada criatura, faz que o cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz
de Deus, vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como aceno ao
Supremo Bem.
Mais: o dom da ciência leva o homem a compreender, de um lado, o vestígio de Deus
que há em cada ser criado, e, de outro lado, a exigüidade ou insuficiência de cada qual.
Vestígio de Deus… São Francisco de Assis soube ouvir e proclamar o canto das
criaturas ao Senhor. As flores, as aves, a água, o fogo, o sol… tudo lhe era ocasião de
contemplar e amar a Deus.
Exigüidade… Toda criatura, por mais bela que seja, é sempre limitada e insuficiente
para o coração humano. Este foi feito para o Bem infinito e só neste pode repousar.
Percebendo isto após uma vida leviana, muitos homens e mulheres se converterem
radicalmente a Deus. Tal foi o caso de S. Francisco Borja (+ 1572), que ao contemplar o
cadáver da rainha Isabel, exclamou: “Não voltarei a servir a um senhor que possa
morrer!” Tal foi outrossim o caso de S. Silvestre (+ 1267)… Estes cometeram a
“loucura” de tudo deixar a fim de possuir mais plenamente uma só coisa: o Reino de
Deus ou a presença do próprio Deus.
O dom da ciência ensina também a reconhecer melhor o significado do sofrimento e das
humilhações; estes “contra-valores”, no plano de Deus, têm o valor de escola que liberta
e purifica o homem. Configuram o cristão a Jesus Cristo, concedendo-lhe um penhor de
participação na glória do próprio Senhor Jesus. Se não fora o sofrimento, muitos e
muitos homens não sairiam de sua estatura anã e mesquinha,… nunca atingiriam a
plenitude do seu desenvolvimento espiritual.
São estes alguns dos frutos do dom da ciência.
2.2. Entendimento ou inteligência
A palavra “inteligência” é, segundo alguns, derivada de intellegere = intuslegere, ler
dentro, penetrar a fundo.
Na ordem natural, entendemos (intelligimus) quando captamos o âmago de alguma
realidade. Na linha da fé, paralelamente entender é penetrar, ler no íntimo das verdades
reveladas por Deus, é ter a intuição do seu significado profundo. Pelo dom do
entendimento, o cristão contempla com mais lucidez o mistério da SS. Trindade, o amor
do Redentor para com os homens, o significado da S. Eucaristia na vida cristã….
A penetração outorgada pelo dom da inteligência (ou do entendimento) difere daquela
que o teólogo obtém mediante o estudo; esta é relativamente penosa e lenta; além do
que, pode ser alcançada por quem tenha acume intelectual, mesmo que não possua
grande amor. Ao contrário, o dom da inteligência é eficaz mesmo sem estudo; é dado
aos pequeninos e ignorantes, desde que tenham grande amor a Deus.
Para ilustrá-lo, conta-se que um irmão leigo franciscano disse certa vez a S. Boaventura
(+ 1274), o Doutor Seráfico: “Felizes vós, homens doutos, que podeis amar a Deus
muito mais do que nós, os ignorantes!” Respondeu-lhe Boaventura: “ Não é a doutrina
alcançada nos livros que mede o amor, uma pobre velha ignorante pode amar a Deus
mais do que um grande teólogo, se estiver unida a Deus”. O irmão compreendeu a lição
e saiu gritando pelas ruas: “Velhinha ignorante, você pode amar a Deus mais do que o
mestre Frei Boaventura!”
O irmão dizia a verdade. Na ordem natural, é compreensível que o amor brote do
conhecimento. Na ordem sobrenatural, porém, pode acontecer o inverso: é o amor que
abre os olhos do conhecimento. Os que mais amam a Deus, são os que mais
profundamente dissertam sobre Ele.
Como frutos do dom do entendimento, podemos enunciar as intuições das verdades da
fé que são concedidas a muitos cristãos durante o seu retiro espiritual ou no decurso de
uma leitura inspirada pelo amor a Deus. O “renascer da água e do Espírito”, a imagem
da videira e dos ramos, o “seguir a Cristo” tomam então clareza nova, apta a transfor-
mar a vida do cristão.
O dom do entendimento manifesta também o horror do pecado e a vastidão da miséria
humana. Por mais paradoxal que pareça, é preciso observar que os santos, quanto mais
se aproximaram de Deus (ou quanto mais foram santos), tanto mais tiveram consciência
do seu pecado ou da sua distância daquele que é três vezes santo.
Em suma, o dom do entendimento faz ver melhor a santidade de Deus, a infinidade do
seu amor, o significado dos seus apelos e também… a pobreza, não raro mesquinha, da
criatura que se compraz em si mesma, em vez de aderir corajosamente ao Criador.
2.3. O dom da sabedoria
Na ordem natural do conhecimento, a inteligência humana não se contenta com noções
isoladas, mas procura reunir suas concepções numa síntese sistemática, de modo a
concatená-las numa visão harmoniosa. A mente humana procura atingir os primeiros
princípios e as causas supremas de toda a realidade que ela conhece.
Ora a mesma sistematização harmoniosa ocorre também na ordem sobrenatural. O dom
da ciência e o entendimento já proporcionam uma penetração profunda no significado
de cada criatura e de cada verdade revelada respectivamente; oferecem também uma
certa síntese dos objetos contemplados, relacionando-os com o Supremo Senhor, que é
Deus. Todavia o dom que, por excelência, efetua essa síntese harmoniosa e unitária, é o
da sabedoria. Esta abrange todos os conhecimentos do cristão e os põe diretamente sob
a luz de Deus, mostrando a grandeza do plano do Criador e a insondabilidade da vida
daquele que é o Alfa e o Ômega de toda a criação.
Mais: o dom da sabedoria não realiza a síntese dos conhecimentos da fé em termos
meramente intelectuais. Ele oferece um conhecimento sápido ou saboroso da verdade1
…Saboroso ou deleitoso, porque se deriva da experiência do próprio Deus feita pelo
cristão ou da afinidade que o cristão adquire com o Senhor pelo fato de mais a mais
amar a Deus. Uma comparação ajudará a compreender tal proposição: para conhecer o
sabor de uma laranja, posso consultar, intelectual e cientificamente, os tratados de
Botânica; terei assim uma noção aproximada do que seja esse sabor. Mas a melhor via
para conseguir o objetivo será, sem dúvida, a experiência da própria laranja que se faz
pelo paladar. Os resultados do estudo meramente intelectual são frios e abstratos, ao
passo que as vantagens da experiência são concretas e saborosas.
Ora, na verdade, os dons da ciência e do entendimento fazem-nos conhecer
principalmente por via de amor ou de afinidade com Deus. Todavia é o dom da
sabedoria que, por excelência, resulta dessa conaturalidade ou familiaridade com o
Senhor. Ele se exerce na proporção da íntima união que o cristão tenha com o Senhor
Deus. “O dom da sabedoria faz-nos ver com os olhos do Bem-amado”, dizia um grande
místico; a partir da excelsa atalaia que é o próprio Deus, contemplamos todas as coisas
quando usamos o dom da sabedoria.
Estas verdades dão a ver quanto nesta vida importa o amor de Deus. É este que propicia
o conhecimento mais perspicaz e saboroso do mesmo Deus (o que não quer dizer que se
possa menosprezar o estudo, pois, se o Criador nos deu a inteligência, foi para que a
apliquemos à verdade por excelência, que é Deus). Aliás, observam muito a propósito
os teólogos: veremos a Deus face-a-face por toda a eternidade na proporção do amor
com que o tivermos amado nesta vida. O grau do nosso amor, na hora da morte, será o
grau da nossa visão de Deus na vida eterna ou por todo o sempre. É por isto que se diz
que o amor é o vínculo ou o remate da perfeição (cf. Cl 3, 14). “No ocaso de sua vida,
cada um de nós será julgado na base do amor”, diz S. João da Cruz.
2.4. Conselho
Afirmam os teólogos que Deus não deixa faltar às suas criaturas o que lhes é necessário,
nem é propenso a dons supérfluos, pois Deus tudo faz com número, peso e medida (cf.
Sb 11, 20). Em tudo resplandece a sua sabedoria. Por isto é que Deus é providente, ou
seja, Ele providencia os meios para que cada criatura chegue retamente ao seu fim
devido.
Ora acontece que, para realizarmos determinada atividade, exercemos um processo
mental que tem por objetivo examinar cuidadosamente não só a conveniência dessa
atividade, mas também todas as circunstâncias em que ela se deve desenrolar. Muitas
vezes esse processo se efetua sem que dele tomemos plena consciência. Quanto, porém,
nos vemos diante de uma tarefa rara ou mais exigente do que as de rotina, o processo
deliberativo é mais intenso e, por isto, se torna mais consciente; a mente se esforça por
ver claro e fazer a opção mais adequada, sem que, porém, o consiga de imediato. Não
raro é necessário recorrer ao conselho de outra pessoa mais experimentada.
É por efeito da virtude (natural e infusa) da prudência que cada cristão delibera sobre o
que deve e não deve fazer. É a prudência que avalia os meios em vista do respectivo
fim.
Pois bem. Em correspondência à virtude da prudência, existe um dom do Espírito Santo,
chamado “dom do conselho”. Este permite ao cristão tomar as decisões oportunas sem a
fadiga e a insegurança que muitas vezes caracterizam as deliberações da virtude da
prudência. Esta por si não basta para que o cristão se comporte à altura da sua vocação
de filho de Deus,… vocação que exige simultaneamente grande cautela ou
circunspecção e extrema audácia ou coragem. Nem sempre a virtude humana entrevê
nitidamente o modo de proceder entre polos antitéticos. A criatura, limitada como é,
nem sempre consegue conhecer adequadamente o momento presente, menos ainda é
apta a prever o futuro e – ainda – sente dificuldade em aplicar os conhecimentos do
passado à compreensão do presente e ao planejamento do futuro. É preciso, pois, que o
Espírito Santo, em seu divino estilo, lhe inspire a reta maneira de agir no momento
oportuno e exatamente nos termos devidos.
Assim o dom do conselho aparece como um regente de orquestra que coordena
divinamente todas as faculdades do cristão e as incita a uma atividade harmoniosa e
equilibrada. Imagine-se com que circunspecção (cautela e audácia) um maestro rege os
múltiplos instrumentos de sua orquestra: assinala a cada qual o momento preciso em
que deve entrar e os matizes que deve dar à sua melodia. Assim faz o Espírito mediante
o dom do conselho em cada cristão.
Diz a Escritura que há um tempo exato para cada atividade1;
fora desse momento preciso, o que é oportuno pode tornar-se inoportuno.
Ora nem sempre é fácil discernir se é oportuno falar ou calar, ficar ou partir, dizer Sim
ou dizer Não. Nem as pessoas prudentes, após muito refletir, conseguem definir com
segurança o que convém fazer. Ora é precisamente para superar tal dificuldade que o
Espírito move o cristão mediante o dom do conselho.
2.5. Piedade
Todo homem é chamado a viver em sociedade, relacionando-se com Deus e com os
seus semelhantes. Requer-se que esse relacionamento seja reto ou justo. Por isto a
virtude da justiça rege as relações de cada ser humano, assumindo diversos nomes de
acordo com o tipo de relacionamento que ela deve orientar: é justiça propriamente
dita, sempre que nos relacionamos com aqueles a quem temos uma dívida rigorosa; a
justiça se torna religião desde que nos voltemos para Deus; é piedade, se nos
relacionamos com nossos pais, nossa família ou nossa pátria; é gratidão, em relação aos
benfeitores.
Ora há um dom do Espírito que orienta divinamente todas as relações que temos com
Deus e com o próximo, tornando-as mais profundas e perfeitas: é precisamente o dom
da piedade. São Paulo implicitamente alude a este dom quando escreve: “Recebestes o
espírito de adoção filial, pelo qual bradamos: “Abá, ó Pai” (Rm 8, 15). O Espírito
Santo, mediante o dom da piedade, nos faz, como filhos adotivos, reconhecer Deus
como Pai.
E, pelo fato de reconhecermos Deus como Pai, consideramos as criaturas com olhar
novo, inspirado pelo mesmo dom da piedade.
Examinemos de mais perto os efeitos do dom da piedade.
Frente a Deus ele nos leva a superar as relações de “dar e receber” que caracterizam a
religiosidade natural; leva a não considerar tanto os benefícios recebidos da parte de
Deus, mas, muito mais, o fato de que Deus é sumamente santo e sábio: “Nós vos damos
graças por vossa grande glória”, diz a Igreja no hino da Liturgia eucarística; é, sim,
próprio de um filho olhar a honra e a glória de seu pai, sem levar em conta os
benefícios que ele possa receber do mesmo. É o dom da piedade que leva os santos a
desejar, acima de tudo, a honra e a glória de Deus “… para que em tudo seja Deus
glorificado”, diz São Bento, ao passo que S. Inácio de Loiola exclama: “… para a maior
glória de Deus”. É também o dom da piedade que desperta no cristão viva e inabalável
confiança em Deus Pai,… confiança e entrega das quais dá testemunho S. Teresinha de
Lisieux na sua doutrina sobre a infância espiritual.
O dom de piedade não incita os cristãos apenas a cumprir seus deveres para com Deus
de maneira filial, mas leva-os também a experimentar interesse fraterno para com todos
os seus semelhantes. Típico exemplo deste sentimento encontra-se na vida de S.
Francisco de Assis: quando este, certo dia, sonhando com as glórias de um cavaleiro
medieval, avistou um leproso, sentiu-se impelido a superar qualquer repugnância e a
dar-lhe o ósculo que exprimia a fraternidade de todos os homens entre si.
O dom de piedade, tornando o cristão consciente de sua inserção na família dos filhos
de Deus, move-o a ultrapassar as categorias do direito e do dever, a fim de testemunhar
uma generosidade que não regateia nem mede esforços desde que sirva aos irmãos. É o
que manifesta o Apóstolo ao escrever: “Quanto a mim, de bom grado me despenderei, e
me despenderei todo inteiro, em vosso favor” (2Cor 12, 15).
2.6. Fortaleza
A fidelidade à vocação cristã depara-se com obstáculos numerosos, alguns provenientes
de fora do cristão; outros, ao contrário, do seu íntimo ou das suas paixões. Por isto diz o
Senhor que “o Reino dos céus sofre violência dos que querem entrar, e violentos se
apoderam dele” (Mt 11, 12).
Ora, em vista da necessidade de coragem e magnanimidade que incumbe ao cristão, o
Espírito lhe dá o dom da fortaleza. Esta nem sempre consiste em realizar vultosas e
admiradas pelo público, mas não raro implica paciência, perseverança, tenacidade,
magnanimidade silenciosas… Pelo dom da fortaleza, o Espírito impele o cristão não
apenas àquilo que as forças humanas podem alcançar, mas também àquilo que a força
de Deus atinge. É essa força de Deus que pode transformar os obstáculos em meios; é
ela que assegura tranqüilidade e paz mesmo nas horas mais tormentosas. Foi ela que
inspirou a S. Francisco de Assis palavras tão significativas quanto estas: “Irmão Leão, a
perfeita alegria consiste em padecer por Cristo, que tanto quis padecer por nós”.
2.7. Temor de Deus
Para entender o significado desde dom, distingamos diversos tipos de temor: a) o temor
covarde ou da covardia; b) o temor servil ou do castigo; c) o temor filial. Este consiste
na repugnância que o cristão experimenta diante da perspectiva de poder-se afastar de
Deus; brota das próprias entranhas do amor. Não se concebe o amor sem este tipo de
temor.
Com outras palavras: as virtudes afastam, sim, o cristão do pecado, ajudando-o a vencer
as tentações. Isto, porém, acontece através de lutas, hesitações e, não raro, deficiências.
Ora pelo dom do temor de Deus a vitória é rápida e perfeita, pois então é o Espírito que
move o cristão a dizer Não à tentação.
O dom do temor de Deus se prende inseparavelmente à virtude da humildade. Esta nos
faz conhecer nossa miséria; impede a presunção e a vã glória, e assim nos torna
conscientes de que podemos ofender a Deus; daí surge o santo temor de Deus. O mesmo
dom também se liga à virtude da temperança; esta modera a concupiscência e os
impulsos desordenados do coração; com ela converge o temor de Deus, que, por
impulso de ordem superior, modera os apetites que poderiam ofender a Deus.
Os santos deram provas sensíveis de santo temos de Deus. Tenha-se em vista S. Luís de
Gonzaga, que, conforme se narra, derramou copiosas lágrimas certa vez quando teve
que confessar suas faltas,… faltas que, na verdade, dificilmente poderiam ser tidas
como pecados. Para o santo, essas pequeninas faltas eram sinais do perigo de poder um
dia afastar-se de Deus. Ora, para quem ama, qualquer perigo deste tipo tem importância.
Eis, em grandes linhas, o significado dos dons do Espírito Santo na vida cristã. São
elementos valiosos para o progresso interior, elementos que o Espírito mais e mais
utiliza, se o cristão procura amar realmente a Deus e ao próximo e jamais dizer um Não
consciente às inspirações da graça.
Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Revista nº. 479, Ano 2002, Pág. 163.
1Sobrenatural não quer dizer portentoso ou maravilhoso, mas designa o que
ultrapassa as exigências de qualquer natureza criada,… o que é dado gratuitamente
por Deus. É sobrenatural, portanto, a elevação do homem à filiação divina ou à
comunhão de vida com o próprio Deus a fim de chegar à visão de Deus face-a-face.
1A palavra sabedoria vem do saber, derivado do verbo latino sapere, que significa “ter
gosto de…” – O vocábulo português sabor se origina do latino sapor, que é da mesma
raiz que sapere”.
1 Eis o texto de Ecl 3, 1-8:
“Todas as coisas têm o seu tempo, e tudo o que existe debaixo dos céus tem a sua hora.
Há tempo para nascer, e tempo para morrer.
Tempo para plantar, e tempo para arrancar o que se plantou.
Tempo para matar, e tempo para dar vida.
Tempo para destruir, e tempo para edificar.
Tempo para chorar, e tempo para rir.
Tempo para se afligir, e tempo para dançar.
Tempo para espalhar pedras, e tempo para as ajuntar.
Tempo para dar abraços, e tempo para se afastar deles.
Tempo para adquirir, e tempo para perder.
Tempo para guardar, e tempo para atirar fora.
Tempo para rasgar, e tempo para coser.
Tempo para calar, e tempo para falar.
Tempo para amar, e tempo para odiar.
Tempo para a guerra. e tempo para a paz”.