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JORGE DE SENA

Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu


de Sena foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo,
tradutor e professor universitário português, nasceu a dois de
novembro de mil novecentos de dezanove, em Lisboa e faleceu
em Santa Barbara, Califórnia, no dia quatro de junho de mil
novecentos de setenta e oito. Segundo aquilo que este relata no
seu conto “Homenagem ao Papagaio Verde”, teve uma infância
recolhida, solitária e infeliz, o que fez com se tornasse
introspetivo, observador e imaginativo. Era um jovem que lia
habitualmente, tocava piano e escrevia poemas. Na Faculdade
de Ciências de Lisboa, fez os exames preparatórios com as
notas mais elevadas.
A sua infância de filho único foi marcada pelas expectativas que
o pai, comandante da marinha mercante, alimentou para ele,
como futuro oficial da Armada, por isso o escritor sempre sentiu
esta ideia romântica de se tornar oficial da marinha, seguindo as
pisadas do pai, este contacto constante com o oceano, a
trabalheira da vida a bordo, o movimento e as mudanças
constantes agradaram ao jovem, posteriormente foi comunicado
a Jorge de Sena que iria ser proposta a sua exclusão da Marinha
por lhe faltarem as "necessárias qualidades" para oficial, este
ficou profundamente frustrado com esta rejeição, pois a vida a
bordo tornou-se numa vida que tanto admirava. Sena aproveitou
a oportunidade de tempo livre e decidiu voltar aos estudos,
voltar à universidade, mas o curso pouco o entusiasmou, mas
durante todo esse tempo escreveu bastantes poemas, artigos,
ensaios e cartas. Era um escritor que já estava habituado a
escrever desde os seus dezasseis anos que escrevia, sob o
pseudónimo de Teles de Abreu, publicou os seus primeiros
poemas na revista “Cadernos de Poesia”, de seguida, publicou o
seu primeiro livro de poemas, “Perseguição”.
Não teve uma vida muito fácil, nem como escritor, pois não
tinha tempo livre, apenas podia escrever à noite e aos
domingos, nem como cidadão, a sua participação numa
tentativa revolucionária colocou-o em posição de prisão
iminente. Trabalhava incansavelmente, para sustentar a
crescente família de nove filhos que possuía em conjunto com a
sua mulher Maria Mécia de Freitas Lopes (irmã do crítico e
historiador literário Óscar Lopes). A pequenez do quotidiano e a
opressão da sociedade no Portugal de Salazar, o que o inspirou
a escrever o poema “É tarde, muito tarde na noite…”. Durante
esses anos publicou várias obras: “O Dogma da Trindade
Poética – Rimbaud “, “Coroa da Terra”, “Florbela
Espanca”, “Pedra Filosofal” , “A Poesia de Camões”, entre
outros.

Em agosto no final da década de cinquenta, viajou até ao Brasil,


convidado pela Universidade da Bahia, permaneceu lá durante
um período de seis anos, um período muito produtivo, pois
finalmente, tinha toda a disponibilidade para se dedicar à sua
obra com a devida atenção e profissionalismo que esta merecia,
estes anos vividos no Brasil, foram os primeiros anos vividos
como adulto em liberdade, foram talvez o seu período mais
criativo, é onde completa a sequência de poemas sobre obras
de arte visuais, “Metamorfoses” , considerada uma das obras
que mais influência teve na poesia portuguesa. Escreveu cerca
de vinte obras poéticas, seis obras de ficção, quatro dramas,
cerca de dez ensaios e era habitual a correspondência com mais
de quinzes, escritores, poetas, dramaturgos, tanto portugueses,
como brasileiros.
De mil novecentos e setenta até mil novecentos e setenta e
oito aceitou um convite para ensinar Literatura de Língua
Portuguesa na Universidade de Wisconsin, apesar da satisfação
de ensinar e da amizade que os alunos lhe dedicavam, o escritor
nunca foi verdadeiramente feliz, queixava-se da "medonha
solidão intelectual da América" onde não havia "convívio
intelectual algum". Quando se deu a Revolução dos Cravos em
mil novecentos de setenta e quatro, Jorge de Sena ficou
entusiasmado e queria regressar definitivamente a Portugal,
ansioso de dar a sua colaboração para a construção da
democracia e visitou o seu país. Jorge de Sena morreu aos
cinquenta e oito anos devido a cancro. Foi um dos mais
influentes intelectuais portugueses do século XX, com vastas
obras dos mais diversos temas, a sua obra de ficção mais
famosa é o romance autobiográfico “Sinais de Fogo”, adaptado
ao cinema no final da década de noventa, por Luís Filipe Rocha.
A partir desta pequena biografia e através de uma rápida leitura
pelas obras de Jorge de Sena chegamos a perceber que este não
era apenas um escritor, era um filósofo, um romanista, poeta,
dramaturgo, um opositor à ditadura, que sempre manteve uma
postura humanista e o espírito de inconformismo. Sempre foi um
membro ativo da sociedade, quer estando em Portugal, no Brasil
ou na América, participou em inúmeros congressos
internacionais e chegou até mesmo a tornar-se membro da
Modern Languages Association e da Renaissance Society of
America, e é esta força, esta coragem, esta opressão pelos
movimentos fascistas que Sena transmite para os seus poemas.
As obras poéticas de fundem-se num classicismo e modernismo
que realiza uma evolução na poesia pós-Pessoa, através da sua
projeção de sentimentos do sujeito sobre uma superfície
objetiva sem, eventualmente, originarem de uma identidade
precisa.

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