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Resumo

O presente projeto de pesquisa estabelece como objetivo analisar o contexto político e


educacional constituído durante o período da Ditadura Civil-Militar, demonstrando algumas
políticas públicas que havia por detrás do propósito político em especial a instituição da
disciplina “Educação Moral e Cívica” que foi tratada como instrumento de controle utilizado
pelo regime político em questão no contexto educacional brasileiro, detalhando assim, seus
princípios e suas propostas no que diz respeito à construção de um novo projeto pedagógico
curricular implementado nas instituições de ensino, tendo como referência a Doutrina de
Segurança Nacional, em especial diante do cenário educacional do Colégio Estadual Central
de Belo Horizonte, uma instituição de ensino que trazia consigo todo cenário político de
contestação estudantil, consolidando assim, o período em questão, denominado por diversos
estudiosos como “Anos de Chumbo” devido à construção de um ambiente político sob a égide
da repressão político institucional.
Palavras-chave: Ditadura Civil-Militar, Educação Moral e Cívica e Colégio Estadual
Central.
Introdução e justificativa
A Ditadura Civil-Militar foi um dos períodos político de nosso país com maior
presença da força do Estado no que diz respeito a criação de ações para manutenção da ordem
política vigente, criando assim, um aparelho de repressão política que se impôs de maneira
concreta na sociedade em diversos campos, inclusive dentro do contexto educacional.
Pensando nisso, de trazer a repressão para o campo educacional que se faz necessário
entender os mecanismos políticos pedagógicos que o regime ditatorial instituiu diante o
campo, em relação ao aborte pedagógico pode-se analisar a reformulação da estrutura
educacional, dando no espaço físico quanto no pedagógico institucional a efetivação dessas
ações políticas do governo.
Dentro desse contexto a disciplina “Educação Moral e Cívica” criada pelo Decreto-lei
nº 869, de 12 de Setembro de 1969, pode ser analisada como um instrumento de opressão
dentro do ambiente educacional, por estabelecer ações pedagógicas institucionais de caráter
político atendendo as necessidades e demanda do governo.
Assim sendo, partindo do pressuposto apresentado sobre o cenário político que havia
no Brasil e todo esse ambiente de repressão e censura que se instituía perante a sociedade e
levando em consideração todas as ações políticas desenvolvidas pelo governo militar em
relação ao meio educacional, desde propostas de reformas de ensino formuladas mediante os
Acordos MEC-Usaid até estabelecimento de mudanças curriculares baseadas nos princípios
da Lei de Segurança Nacional o presente estudo propõe responder a seguinte pergunta: Como
que a disciplina “Educação Moral e Cívica” foi utilizada como instrumento de controle
político dentro do ambiente educação do Colégio Estadual Central em Belo Horizonte?
Com isso se estabelece como objetivo inicial analisar a Educação Moral e Cívica
como instrumento de controle utilizado pela Ditadura Civil-Militar no contexto educacional
do Colégio Estadual Central de Belo Horizonte, levando em consideração do espaço político
institucional que havia no país entre os anos de 1964 a 1979, período citado por diversos
historiadores como “Anos de Chumbo”.

Referencial Teórico:
O Brasil, entre 1964 e 1985, viveu um período conhecido como "Anos de Chumbo",
marcado pelo Regime Militar, momento no qual os militares exerceram o poder no nosso país,
a partir de um golpe de Estado que derrubou o então presidente João Goulart no ano de 1964.
O período em que os militares estiveram no poder foi marcado por um autoritarismo
muito forte, supressão dos direitos constitucionais, perseguição política policial, prisão e
tortura aos opositores do regime e censura prévia aos meios de comunicações e expressões
artísticas.
Nesse ambiente de opressão, o controle do Estado acabaria se estendendo para outros
setores da sociedade, como o meio educacional, fator que será analisado neste estudo, tendo
como objeto principal de investigação a introdução da disciplina “Educação Moral e Cívica”.
O golpe de 1964 foi motivado politicamente por grupos políticos e sociais que viam no
então governo do presidente João Goulart uma ameaça direcionada por tendências políticas
socialistas, razão que, para esses grupos, torna-se mais evidente quando o governo coloca em
pauta suas propostas para as chamadas Reformas de Base1, que, se implantadas, iriam alterar
definitivamente a estrutura social e econômica do país.
A respeito das Reformas de Base e o golpe de 1964, Delgado (2009) declara:
O projeto de reformas de base, inclusive os da reforma agrária e do controle da
remessa de lucros, ensejou nos setores conservadores o temor de uma revolução
social. Essa convicção e temor de que o Brasil poderia adotar um modelo
distributivo ou até mesmo, de acordo com Florestan Fernandes, caminhar em

1
Conjunto de propostas que visavam promover alterações nas estruturas econômicas, sociais e políticas que
garantissem a superação do subdesenvolvimento e permitissem uma diminuição das desigualdades sociais no
Brasil. Tais propostas estavam reunidas em iniciativas como: as reformas bancária, fiscal, urbana, administrativa,
agrária e universitária. Sustentava-se ainda a necessidade de estender o direito de voto aos analfabetos e às
patentes subalternas das forças armadas, como marinheiros e os sargentos, e defendia-se medidas nacionalistas
prevendo uma intervenção mais ampla do Estado na vida econômica.