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Filipe A. R. Gaspar http://resumosdosecundario.blogspot.

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Matemática Aplicada às Ciências Sociais (M.A.C.S.)


1 – Métodos de apoio à decisão
1.2 – Teoria da partilha equilibrada
1.2.1 – Partilhas no caso discreto
Os objetos a partilhar são indivisíveis: casas, automóveis, etc.

1.2.1.1 – Método do ajuste na partilha


1 – Cada um dos intervenientes tem100 pontos para distribuir secretamente pelos
itens a serem partilhados;

2 – Cada item é atribuído (temporariamente) ao interveniente que mais o valorizou


(em caso de empate, é atribuído ao que tiver menos pontos);

3 – Se os dois intervenientes tiverem o mesmo nº de pontos, a partilha está feita; caso


não tenham, o que tiver mais pontos transfere itens (ou parte deles) para o outro, até
igualar o nº de pontos. Para isto, calculam-se os quocientes referentes a cada um dos
itens atribuídos ao interveniente que ficou com mais pontos (
nº de pontos atribuídos aoitem pelo vencedor inicial
) e colocam-se por ordem
nº de pontosatribuídos ao item pelo perdedor inicial
decrescente;

4 – Faz-se a transferência do item a que corresponde o menor quociente e


contabilizam-se novamente os pontos;

5 – Se a transferência total de um item der vantagem à parte que o recebe, terá de se


efetuar a transferência apenas de uma percentagem do item, de forma a igualar o nº
de pontos. Para tal considera-se p a proporção do item que fica para um dos
intervenientes, e 1-p a proporção do mesmo item que fica para o outro interveniente.
Somam-se os pontos atribuídos pelo primeiro interveniente aos seus itens ao produto
de p comos pontos que o mesmo atribui ao item a ser transferido, e faz-se o mesmo
com os pontos atribuídos pelo segundo interveniente aos seus itens e com o produto
de 1-p com os pontos que o mesmo atribui ao item a ser transferido.

1.2.1.2 – Método das licitações secretas


1 – Cada um dos intervenientes atribui, secretamente, um valor em dinheiro a cada
um dos itens a dividir. A parte que cada um dos intervenientes considera ser justa
receber – valor justo – será igual ao quociente entre o valor total que atribuiu aos itens
e o nº de intervenientes;

2 – Cada item é atribuído ao interveniente que mais o valorizou. Se o valor total dos
itens recebidos por um interveniente ultrapassa o que considerou como valor justo a
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receber, terá de pagar aos outros a diferença. Se, pelo contrário, o valor dos itens for
inferior ao valor justo, serão os outros intervenientes a pagar-lhe a diferença;

3 – O dinheiro excedente – montante disponível – é dividido igualmente por todos os


intervenientes.
Exemplo:

Bens\Interveniente
A B C
s
X 140000 165000 180500
1 Y 58500 57000 52500
Z 41500 48000 47500
Total (T) 240000 270000 280500
T
Valor justo ( J= ) 80000 90000 93500
3
2 Bens atribuídos Y Z X
Valor dos bens (B) 58500 48000 180500
J-B 21500 (recebe) 42000 (recebe) -87000 (paga)
Montante
87000 – 21500 – 42000 = 23500
disponível (M)
3
Dinheiro atribuído (
M 7833,3 7833,3 7833,3
D= ¿
3
Mont. final (J-B+D) 29333,33 (recebe) 49833,33 (recebe) -79166,67 (paga)

1.2.1.3 – Método dos marcadores


1 – Alinham-se os objetos a dividir, e cada interveniente divide, secretamente, a fila de
objetos num nº de segmentos igual ao nº de interessados;

2 – Da esquerda para a direita procuram-se os 1ºs marcadores de cada interveniente.


O dono do 1º marcador a aparecer fica com os objetos à esquerda (o seu 1º segmento)
e retiram-se todos os seus restantes marcadores;

3 – Observa-se de novo a fila de objetos, procurando agora os 2ºs marcadores de cada


interveniente. O dono do primeiro 2º marcador a aparecer fica com todos os objetos
que se encontram entre o seu 1º marcador e o seu 2º marcador (o seu 1º segmento).
Retiram-se todos os seus marcadores, assim como os primeiros marcadores dos
restantes intervenientes;

4 – Repete-se o processo até que todos tenham a parte que consideram justa. Se no
final restar apenas um marcador de um dos intervenientes, este fica com todos os
objetos que se encontram à direita do seu marcador;

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5 – As sobras podem dividir-se por sorteio ou, se ainda forem mais do que os
intervenientes, aplica-se de novo o método.

1.2.2 – Partilhas no caso contínuo


Os objetos a partilhar são divisíveis: comida, terrenos, etc. No 1º método, participam
duas pessoas. Nos seguintes, participam três ou mais pessoas.

1.2.2.1 – Método do divisor-selecionador


1 – O divisor, que é escolhido aleatoriamente, efetua a divisão do objeto em duas
partes que considera serem iguais;

2 – O selecionador escolhe uma das partes e o divisor fica com a que sobra.
1.2.2.2 – Método do divisor único
1 – Sorteia-se quem irá dividir o bem. Quem for escolhido divide-o no nº de partes
correspondente ao nº de pessoas;

2 – Os selecionadores selecionam a parte que querem para si:


 Se votarem em partes diferentes, cada um fica com a que quer, e o divisor fica
com a restante;
 Se dois ou mais votarem na mesma parte, mas um deles também tiver votado
numa ainda disponível, esse mesmo selecionador fica com a outra opção,
libertando a outra parte para o outro;
 Se dois ou mais votarem na mesma parte, o divisor escolhe uma das partes
restantes, e as que sobram são unidas e divididas por um dos selecionadores, e
escolhida pelo outro.

1.2.2.3 – Método do selecionador único


1 – O bem é dividido em tantas partes quanto o nº de divisores;
2 – Cada divisor divide a sua parte em tantas partes quanto o nº de intervenientes;
3 – O selecionador escolhe uma parte de cada divisor, e o restante fica para eles.
1.2.2.4 – Método do último a diminuir
1 – Todos os intervenientes (simultaneamente divisores e selecionadores) são
ordenados aleatoriamente;
1
2 – O primeiro interveniente divide uma parte do bem que considere n do valor total,
sendo n o nº de intervenientes;

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3 – O interveniente seguinte pode dizer que a parte dividida é mesmo n ou menor, e
passa a vez ao interveniente seguinte, ou pode dizer que a parte dividida é mais do
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que , retira-lhe uma parte, e passa a vez ao interveniente seguinte;
n

4 – Os intervenientes seguintes fazem o mesmo, e, depois da 1ª volta, o último a ter


diminuído a parte fica com ela e sai do jogo. Caso, nessa volta, ninguém tenha
reduzido essa parte, o interveniente que a dividiu inicialmente sai com ela;

5 – O processo repete-se até sobrarem dois jogadores: aí, um divide ao meio, e o


outro escolhe uma das partes (método do divisor-selecionador).

1.2.2.5 – Método livre de inveja


1 – Aleatoriamente, é escolhido um divisor e a ordem dos intervenientes;
2 – O divisor divide o todo em n+1 partes que considere iguais (sendo n o nº de
intervenientes);

3 – Os intervenientes retificam as partes que consideram estar em excesso. No


processo de escolha, caso a parte que um interveniente tiver retificado não tiver sido
ainda escolhida, o mesmo interveniente tem de escolhê-la obrigatoriamente;

4 – No fim do processo de escolha, devem sobrar duas partes – o divisor escolhe uma
delas para si.

1.2.2.6 – Método da faca deslizante


1 – Uma pessoa (que não recebe nenhuma parte) move a faca sobre o alimento até
que alguém peça para parar – aí, a pessoa com a faca corta uma fatia;

2 – A parte que foi cortada fica para a pessoa que pediu para parar, e o processo
repete-se até todos terem uma fatia.