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Introdução

No Brasil, os índices de acidentes no trânsito representam a principal causa de


morte de crianças entre 0 a 14 anos. Não é difícil constatar este fato, basta
observarmos as estatísticas anuais das principais cidades de médio e grande
porte no país, para que possamos ter certeza que a Educação para o trânsito é
uma temática com abrangência nacional e de urgência social.

A pesquisa realizada demostra a necessidade de uma tomada de iniciativa


através de medidas imediatas, sobretudo de cunho educacional, com a
finalidade de mudar essa situação, pois segundo as Diretrizes Nacionais para
Educação no Trânsito, a inclusão desse tema como abordagem transversal nas
escolas torna-se imprescindível, visto que o trabalho constante nas salas de
aula possibilitará mudanças de comportamento que cooperarão para garantir a
segurança das crianças nos espaços públicos e privados onde as mesmas
transitam.

É preciso levar em consideração também as formas que essa temática esta


sendo induzida nas salas de aula, portanto é indispensável à discussão sobre
as praticas pedagógicas que estão sendo aplicadas pelos educadores. E
sempre trabalhando a Educação para o trânsito de forma transversal e lúdica,
pois assim ampliam-se as possibilidades de aprendizagem dos discentes.

Este artigo tem como objetivos difundir e sensibilizar à respeito da


importância do Trânsito como parte fundamental do cotidiano das pessoas em
relação a sua necessidade de locomoção, comunicação e, sobretudo, convívio
social nos espaços. Buscamos, ainda, sensibilizar educadores e educandos
quanto à necessidade de agir com consciência e responsabilidade nos seus
atos de transitar tendo como respaldo a cognição de valores, posturas e
atitudes na conquista de um ambiente solidário entre os indivíduos, uma vez
que o trânsito não necessita apenas de leis e normas, mas de solidariedade,
respeito e amor ao próximo.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (2008) a Educação para
o Trânsito é de fato um tema que deve ser abordado dentro e fora das salas de
aula. E, portanto ser considerada temática transversal e interdisciplinar.

Art. 74. A educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever


prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito. § 1º
É obrigatória a existência de coordenação educacional em cada
órgão ou entidade componente do Sistema Nacional de Trânsito. § 2º
Os órgãos ou entidades executivos de trânsito deverão promover,
dentro de sua estrutura organizacional ou mediante convênio, o
funciona- mento de Escolas Públicas de Trânsito, nos moldes e
padrões estabelecidos pelo CONTRAN.

A educação para o Trânsito é um apanhado de informações relevantes


e necessárias no currículo escolar, levando em consideração o processo de
desenvolvimento humano no ultimo século onde se observou o aumento dos
deslocamentos e migrações e por consequência a circulação de pessoas e
mercadorias.

O trânsito pode vir a ser desenvolvido em múltiplos enfoques. A


vinculação desse tema com a cidadania, com os direitos humanos, com a ética
e cultura possibilita trabalha-lo de forma interdisciplinar dentro das escolas,
assegurando lhe um lugar de destaque no currículo.

• o trabalho com o tema trânsito deve ser concebido como forma de


desenvolver atitudes e valores pautados no respeito, na cooperação, na
solidariedade, entre outros fundamentais à vida em sociedade;

• o trabalho com o trânsito não deve se limitar ao espaço da sala de aula,


sendo necessário explorar ambientes externos que propiciem a locomoção das
crianças. Atividades como andar pela escola, observar o trânsito em frente à
escola, realizar passeios, são imprescindíveis para motivar debates a partir das
situações observadas;

• o trânsito deve ser tema trabalhado sistemática e continuamente, pois


realizar atividades sobre o assunto apenas em momentos estanques ou em
datas comemorativas não são suficientes para a construção de uma nova
cultura de paz;

• as crianças devem ter acesso a recursos diversificados: textos literários,


imagens, vídeos, músicas, obras de arte, enfim, tudo aquilo que incentive as
atividades sobre o tema;

• o trânsito não deve ser abordado de modo negativo, como um problema


insolúvel. As crianças precisam compreender que ao adotarem
comportamentos seguros, baseados no respeito mútuo e na cooperação, é
possível conviver de forma saudável no espaço público;

• o tema trânsito não se restringe à aprendizagem de regras e normas de


circulação e conduta, devendo servir de objeto a questões voltadas ao meio
ambiente, ao patrimônio histórico, às diferenças sociais, econômicas e culturais
da população;

• ao implementar a educação para o trânsito em sua proposta pedagógica,


você deve compreender a dimensão conceitual expressa na palavra trânsito, a
fim de poder criar e propor atividades significativas que visem a adoção de
comportamentos voltados ao bem comum no espaço público.

Para atender ao disposto no CTB, o Departamento Nacional de Trânsito


(Denatran) elaborou estas Diretrizes Nacionais da Educação para o Trânsito na
Pré-Escola, cuja finalidade é trazer um conjunto de orientações capaz de
nortear a prática pedagógica voltada ao tema trânsito.

Porém, mais do que o cumprimento da lei, acreditamos que por meio da


educação será possível reduzir o número de mortos e feridos em acidentes de
trânsito e construir uma cultura de paz no espaço público. Isso porque a
educação para o trânsito requer ações comprometidas com informações, mas,
sobretudo, com valores ligados à ética e à cidadania.

Por isso, este documento pretende oferecer aos professores da pré-escola a


oportunidade de desenvolver atividades que tragam à luz a importância da
adoção de posturas e de atitudes voltadas ao bem comum; que favoreçam a
análise e a reflexão de comportamentos seguros no trânsito; que promovam o
respeito e a valorização da vida.

É, portanto, com sentimento de otimismo e satisfação que publicamos estas


diretrizes, desejando que contribuam, efetivamente, para o processo de
implementação da educação para o trânsito nas escolas de forma permanente.

Temos certeza de que este é um marco histórico da maior relevância para o


trânsito brasileiro, não somente pelo conteúdo apresentado, mas por seu
significado no contexto da legislação e por representar um grande passo para a
conquista do direito de ir e vir com segurança.