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Questionário - Prof.

Artur - L I A (mar/abr/2018)
1 – Quais as espécies de responsabilidade normalmente atribuídas aos agentes públicos? No que consiste a
denominada responsabilidade sêxtupla? R.: De acordo com a Lei 12.846/2013, as responsabilidades
atribuídas aos agentes públicos são:
1. Civil = reparação de dano.
2. Penal = apuração de crime.
3. Administrativo = disciplinar (advertência, suspensão ou demissão).
4. Improbidade Administrativa = perda dos bens, ressarcimento integral, perda da função, suspensão
dos direitos políticos, multa e proibição de contratar com a administração ou receber incentivos.
5. Política = crimes de responsabilidade = perda do cargo e inabilitação no exercício da função por
até cinco anos.
6. Controle = corregedoria (interno) e tribunal de contas (externo)
Assim a denominada responsabilidade sêxtupla se refere às seis esferas de responsabilização aplicáveis ao
agente público

2 – É possível sustentar, no que atine à responsabilização dos agentes públicos, a existência no ordenamento
jurídico brasileiro do princípio da independência entre as instâncias? Em caso positivo, há alguma exceção à
sua aplicação? R.: sim, de acordo com a Lei nº 8.112, de 11/12/90 – Art. 121. O servidor responde civil,
penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições.
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em
prejuízo ao erário ou a terceiros.
Art. 123. A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa
qualidade.
Art. 124. A responsabilidade civil-administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no
desempenho do cargo ou função.
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
Sim, há exceção, pois, as responsabilizações administrativas e civis, decorrentes de crime, serão afastadas
pela absolvição criminal em função da definitiva comprovação da inocorrência do fato ou da não-autoria,
nos termos do artigo nº 126 da Lei nº 8.112/90.

3 – Identificar a divergência doutrinária existente em relação aos termos improbidade e moralidade


administrativa, apontado eventual divergência em relação aos conteúdos jurídicos a eles atribuídos. R.: De
um lado, Maria Sylvia Zanella Di Pietro e Emerson Garcia e Rogério Pacheco Alves estabelecem o
conceito de improbidade administrativa a partir da autonomia entre os princípios da moralidade e da
probidade administrativa, baseada não somente no próprio texto constitucional e leis infraconstitucionais
que trataram ambos como institutos autônomos (artigo 37, caput e §4º, da Constituição Federal, artigo 3º,
da Lei nº 8.666/93, artigo 2º, caput e parágrafo único, inciso IV, da Lei nº 9.784/99, dentre outros), mas
também, e, sobretudo, na análise da probidade e da moralidade quando da prática de um ato ilícito.
De outro lado, a corrente doutrinária, defendida por José Afonso da Silva, entende a improbidade
administrativa a partir da subordinação do princípio da probidade administrativa ao princípio da
moralidade, ou seja, a probidade administrativa seria um subprincípio da moralidade.
4 – Analise a seguinte assertiva: a responsabilização dos agentes públicos por atos de improbidade é
medida inédita no ordenamento jurídico brasileiro, pois antes da Constituição da República de 1988 não
existiu qualquer preocupação do legislador em combater atos lesivos ao erário, sobretudo perpetrados por
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agentes públicos. R.: Desde a Constituição de 1824, houve instrumentos normativos, embora pouco eficazes
no combate à improbidade de agentes públicos, por exemplo a Lei Pitombo-Godói-Ilha e a Lei Bilac-Pinto.
Entretanto com o CRFB de 1988, que trouxe norma de eficácia limitada complementada com o advento da
Lei 8.429/92, obteve-se normatização eficiente e apta a intimidar a prática de atos de improbidade, ao
punir efetivamente os agentes públicos, inclusive particulares beneficiários, que praticassem atos
contrários aos princípios administrativos, causadores de dano ao erário ou mesmo ensejadores de
enriquecimento ilícito. Houve, portanto, evolução extraordinária dos instrumentos legais.

5 – Qual o contorno conferido pelo poder constituinte originário aos atos de improbidade administrativa? Na
visão do Supremo Tribunal Federal, o legislador ordinário pode ampliar o rol de sanções estabelecido na
Constituição para a punição dos atos de improbidade administrativa? R.: as sanções previstas na CRFB/88,
art. 37, § 4º, são a suspensão de direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens
obtidos ilicitamente e o ressarcimento ao erário. Posteriormente, a Lei n. 8.429/92, acrescentou ao rol
sancionatório a multa civil e a proibição de contratar com o Poder Público.
Sim, na visão do STF não se poderia negar ao legislador ordinário a faculdade de dispor sobre aspectos
materiais dos crimes de responsabilidade, a tipificar outras condutas além daquelas indicadas no texto
constitucional. Essa atribuição existiria especialmente em relação a condutas de autoridades que a própria
Constituição, sem tipificar, indicaria como possíveis agentes daqueles crimes. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min.
Teori Zavascki, 19.11.2014. (Pet-3240)

6 – Qual ente federativo detém a competência legislativa para tratar dos atos de improbidade? Analise o
tema, inclusive com uma abordagem acerca da competência para estabelecer as sanções de natureza
administrativa ao agente ímprobo. R.: Para Maria Sylvia Di Pietro, a Lei 8.429 é de âmbito nacional,
portanto obrigatória em todas as esferas de governo, logo, quanto às sanções aplicáveis judicialmente, a
competência legislativa é da União, por força do artigo 22, I, da Constituição Federal.Quanto a
competência para estabelecer as sanções de natureza administrativa, a autora entende que cada ente
federativo deve ter a sua própria lei, inclusive matéria de processo administrativo

7 – Enumere, com ao menos um exemplo, os possíveis sujeitos passivos dos atos de improbidade
enumerados no art. 1º, caput, da Lei nº 8.429/92. R.: De acordo com o art. 1° da lei 8.429/92, são sujeitos
passivos os seguintes, com os respectivos exemplos:
1) órgãos da Administração direta: União, Estados, DF, Municípios.
2) entidades da Administração indireta: Autarquias, fundações, associações públicas, empresas públicas,
sociedades de economia mista.
3) empresas incorporadas ao patrimônio público: A doutrina critica essa previsão, considerando que, se a
empresa foi incorporada, ela deixou de existir, fazendo parte agora do patrimônio público como órgão ou
entidade.
4) empresas incorporadas ao patrimônio público ou de entidade cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual: Empresas públicas e
sociedades de economia mista;
5) entidades que recebam subvenção, benefício ou incentivo (fiscal ou creditício), de órgão público:
Entidades do terceiro setor (organizações sociais, OSCIP etc.), entidades sindicais, partidos políticos;
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6) entidades cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de 50% do
patrimônio ou da receita anual: Sociedades de propósito específico, criadas para gerir parcerias público-
privadas (art. 9º, § 4º da Lei nº 11079/2004).

8 – Conforme o art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 8.429/92, quem pode ser sujeito passivo de atos de
improbidade administrativa? Explique, com exemplos. R.: Entidades privadas fomentadas pelo Estado por
meio de incentivos, subvenções, incentivos fiscais ou creditícios ou mesmo contribuições para criação e
custeio. MSZ Di Pietro inclui nesse rol os serviços sociais autônomos como Sesi, Senai, Sesc e outras
semelhantes, além das organizações sociais, OSCIP e qualquer outro tipo de entidade criada ou mantida
com recursos públicos.

9 – Acerca dos sujeitos passivos dos atos de improbidade administrativa, identificar e explicar se as
entidades a seguir arroladas podem ser assim consideradas:
(a) sociedades de economia mista;
(b) empresas públicas;
(c) autarquias;
(d) fundações públicas;
(e) órgãos do Poder Judiciário;
(f) órgãos da Administração direta;
(g) organizações sociais;
(h) organizações da sociedade civil de interesse público;
(i) sociedade de propósito específico do art. 9º da Lei nº 11.079/2004 (lei das parcerias público-privadas);
(j) partidos políticos;
(k) sindicatos;
(l) concessionárias e permissionárias de serviços públicos;
(m) pessoa jurídica de direito privado que recebe incentivo fiscal ou creditício do Poder Público.

10 – A doutrina costuma classificar os agentes públicos em agentes políticos, servidores públicos e


particulares em colaboração com a Administração. Nos termos da Lei nº 8.429/92, quais agentes públicos
responde por ato de improbidade? R.: Nos termos do artigo 2º da Lei 8.429 são sujeitos ativos os seguintes:
todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou
função nas entidades mencionadas no artigo 1º. E nos termos do artigo 3º, também é sujeito ativo aquele
que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se
beneficie sob qualquer forma direta ou indireta..

11 – O particular pode ser sujeito ativo do ato de improbidade? Fundamente a resposta. R.; Sim, pode, pois
nos termos do artigo 3º da Lei 8.429, todo aquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou
concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta
estará sujeito à referida Lei, portanto, o particular pode ser sujeito ativo.

12 – Segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial, o particular responde sozinho por ato de


improbidade, independente da participação do agente público? R.: Não, o particular não pode responder
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sozinho por ato de improbidade, eis que a prática do ato de improbidade demanda a atuação de um agente
público, razão pela qual o particular somente pode ser responsabilizado, sob as regras da Lei de
Improbidade Administrativa, caso também figure como réu o agente público com o qual concorreu para a
prática do ato. Esse é o pensamento do STJ.

13 – Pessoas jurídicas respondem pela prática de ato de improbidade administrativa? R.: Sim, pode. A
Primeira Turma do STJ, no julgamento do recurso especial nº 1.038.762/RJ, ratificou o entendimento de
que a pessoa jurídica pode praticar ato de improbidade e, portanto, figurar como sujeito passivo na
respectiva ação de improbidade administrativa. No julgamento do recurso especial nº 970.393∕CE, em
21∕06∕2012, o STJ decidiu que “considerando que as pessoas jurídicas podem ser beneficiadas e
condenadas por atos ímprobos, é de se concluir que, de forma correlata, podem figurar no polo passivo de
uma demanda de improbidade, ainda que desacompanhada de seus sócios”

14 – Qual o tratamento jurídico conferido pela Lei nº 8.429/92 à responsabilidade patrimonial dos
sucessores do agente que praticou atos de improbidade administrativa? R.: O artigo 8º não deixa dúvidas
quanto ao tratamento a ser dado ao sucessor, a saber: Art. 8.º O sucessor daquele que causar lesão ao
patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta Lei até o limite do valor
da herança.

15 – Agentes políticos respondem por atos de improbidade administrativa? Sobre o tema, prevalece o
entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Reclamação 2.138? R.:
Considerando que são Agentes Políticos o Presidente da República, os Governadores, Prefeitos e vices,
Ministros e Secretários das diversas pastas, os Senadores, Deputados Federais, e Estaduais e Vereadores, o
vínculo que tais agentes mantêm com o Estado não é de natureza profissional, mas de natureza política,
portanto respondem por crime de responsabilidade, logo, não estão sujeitos à lei de improbidade,
prevalecendo, portanto, o entendimento do STF.

16 – No entendimento do Supremo Tribunal Federal, parlamentares respondem por atos de improbidade


administrativa? Haveria foro por prerrogativa de função? Explique. R.: Para o STF, de acordo com a RCL
2.138, o agente político que possui prerrogativa de foro perante aquele tribunal deve ser processado e
julgado por ação de improbidade administrativa pelo próprio STF, e não perante juízo de primeiro grau,
instância própria para discussão dos atos de improbidade administrativa sujeitos ao regime da Lei n°
8.429/92. Para o STF, A CF não admite a concorrência entre dois regimes de responsabilidade político-
administrativa para os agentes políticos: o previsto no art. 37, § 4º, regulado pela Lei nº 8.429/1992 e o
regime fixado no art. 102, I, c, disciplinado pela Lei nº 1.079/1950. Por outro lado, também há decisão no
sentido de que os agentes políticos também se submetem à Lei n° 8.429/92, com exceção do Presidente da
República, o qual está sujeito a regime especial de responsabilização que envolve julgamento realizado
pelo Senado Federal, nos termos dos arts. 85, inciso V, e 86, da CRFB/88. Contudo, para o Tribunal, deve
ser observada a existência de eventual foro por prerrogativa de função para a aplicação da sanção de
natureza política (RCL 790/SC).

17 – Prefeitos podem responder por ato de improbidade administrativa? Em caso positivo, há foro por
prerrogativa de função. Fundamente a resposta. R.: Sim, prefeitos cometem crimes de responsabilidade bem
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como atos de improbidade, portanto estão sujeitos à Lei 8.429/92 sem qualquer incompatibilidade com o
Decreto 201/67, todavia, prefeitos gozam de prerrogativa de fôro nos termos do art. 29 da CF e súmula 702
do STF.

18 – Quais são as espécies de improbidade administrativa elencadas na Lei nº 8.429/92? R.: a LIA
originalmente previa três espécies de atos de improbidade: a) atos que importam enriquecimento ilícito
(artigo 9º); b) atos que causam lesão ao erário (artigo 10) e, por fim, c) atos que atentam contra os
princípios da administração pública (artigo 11). A Lei Complementar 157 de 29/12/16 acrescentou a
quarta espécie, qual seja Concessão ou Aplicação Indevida de Benefício Financeiro ou Tributário (art. 10-
A).

19 – O rol de condutas identificado nos artigos 9º, 10, e 11 é numerus clausus? R.: Não, não é taxativo, eis
que se trata de rol meramente exemplificativo que se caracteriza pelo termo “notadamente” ao final do
artigo 9º caput.

20 – Quanto ao elemento subjetivo dos atos de improbidade administrativa, admite-se a responsabilização


por culpa em alguma hipótese? R.: Sim, de acordo com o REsp 1.192.056-DF, para caracterização da
conduta tipificada no art. 11, inciso I, da lei 8.429/92, ou seja, praticar ato visando fim proibido em lei ou
regulamento ou diverso daquele previsto na regra de competência é preciso evidenciar a conduta dolosa
dos acusados. Por outro lado, os atos que importam enriquecimento ilícito e os que ofendem os princípios
da administração pública são punidos apenas na forma dolosa (esse é o elemento subjetivo exigido) ao
passo que os atos que causam dano ao erário são punidos tanto na forma dolosa quanto na culposa.

21 – No que consiste a teoria da cegueira deliberada, também denominada teoria das instruções de avestruz
ou evitação da consciente? A teoria tem sido aplicada pelos tribunais para fundamentar condenações por ato
de improbidade administrativa? R.: Surgida na Inglaterra e ampliada nos Estados Unidos, essa teoria
consistem em o agente, de modo deliberado, se colocar em situação de ignorância, criando obstáculos, de
forma consciente e voluntária, para alcançar um maior grau de certeza acerca da potencial ilicitude de sua
conduta. Vale dizer, o infrator provoca o seu desconhecimento acerca do ilícito, de modo que sua
ignorância deliberada passa a equivaler-se ao dolo eventual ou, até mesmo, à culpa consciente. Há farta
jurisprudência em que Tribunais Pátrios têm aplicado a teoria da cegueira deliberada para fundamentar a
responsabilidade por atos de improbidade administrativa, previstos nos artigos 9º, 10 e 11 da Lei 8.429/92.
22 – Elaborar um quadro esquemático com as sanções dos atos de improbidade administrativa dos artigos 9º,
10 e 11. R.: De acordo com os artigos 9º, 10, 10-A e 11 da Lei 8.429/92 são as seguintes as sanções:

Art. 10-A: Concessão Art. 11: Atos que


Art 9º: Art. 10:
ou aplicação de atentam contra os
Enriquecimento Prejuízo ao
Benefício financeiro princípios das Adm.
Ilícito erário
ou tributário Pública

Perda de bens Perda de bens -


Perda da
Perda da função Perda da função Perda da função
função
Ressarcimento ao Ressarcimento Ressarcimento ao
-
erário ao erário erário
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Suspensão dos direitos


8 a 10 anos 5 a 8 anos 5 a 8 anos 3 a 5 anos
políticos
Até 100 vezes a
Até 3 vezes o Até 2 vezes o Até 3 vezes o valor do
Multa remuneração do
valor do dano valor do dano dano
agente
Proibição de contratar
com o poder público ou
10 anos 5 anos - 3 anos
receber benefícios ou
incentivos

23 – Em qual hipótese se admite o reconhecimento da prática de ato de improbidade administrativa com


fundamento no art. 10-A de Lei nº 8.429/92. R.: A hipótese em questão consiste na ação ou omissão para
concessão, aplicação ou manutenção de benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o
caput e o § 1º do art. 8º-A da LC 116/2003 que dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer
Natureza (ISS ou ISSQN), de competência dos municípios e do Distrito Federal

24 – A instauração de processo investigatório pela autoridade administrativa para apurar atos de


improbidade administrativa, com fundamento no art. 14 da Lei nº 8.429/92, afasta a possibilidade do mesmo
fato ser apurado em inquérito civil conduzido no âmbito do Ministério Público? R.: Não absolutamente não,
eis que nos termos do Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao
Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato
de improbidade.

25 – A Lei nº 8.429/92 exige algum requisito para a representação por ato de improbidade administrativa, a
ser apresentada à autoridade administrativa competente? Admite-se a denúncia apócrifa? R.: Nos termos do
Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja
instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. Não se admite denúncia
apócrifa, eis que, conforme §1º do art. 14, § 1.º A representação, que será escrita ou reduzida a termo e
assinada, conterá a qualificação do representante, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação
das provas de que tenha conhecimento, devendo ser fundamentadamente rejeitada em caso de não atender
aos requisitos, todavia, a rejeição não impede a representação junto Ministério Público nos termos do
artigo 22 da mesma lei.

26 – Há algum motivo para que a comissão processante, responsável em apurar a ocorrência de ato de
improbidade administrativa, comunique o Ministério Público e o Tribunal de Contas acerca da existência do
processo administrativo? R.: Sim, por conta da independência das instâncias de responsabilização, há
motivos consistentes na apuração de atos de improbidade, eventualmente apuração de cometimento de
crime, além de medidas cautelares como o sequestro de bens do agente ímprobo.

27 – Há possibilidade de o legitimado ativo para ingressar com ação de responsabilidade por ato de
improbidade administrativa buscar alguma medida cautelar para assegurar o resultado útil do processo com
fundamento na Lei nº 8.429/92? R.: Sim, são três as possibilidades de medidas cautelares nos termos dos
artigos 7º, que trata da indisponibilidade dos bens do agente; Artigo 16, que trata do sequestro dos bens, e
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Artigo 20 § único, que trata do afastamento do agente, sem prejuízo da remuneração, quando tal medida
for útil ao processo.

28 – Na visão do Superior Tribunal de Justiça, qual a natureza jurídica das ações por ato de improbidade
administrativa? R.: Os atos de improbidade administrativa importam na suspensão dos direitos políticos, a
perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível, porém não há consenso na doutrina, para uns, a ação
de improbidade administrativa tem natureza jurídica de ação disciplinar, para outros, natureza de ação
penal, para outros ainda, natureza jurídica de ação civil devido ao cunho patrimonialista presente nas
sanções, sendo essa a posição do STJ.

29 – Quem detém legitimidade para propor ação de improbidade administrativa? Pode-se alargar o rol de
legitimados para incluir os entes mencionados no art. 5º da Lei nº 7.347/85 (lei da ação civil pública)? R.:
Tem legitimidade para ajuizar ação de improbidade administrativa o Ministério Público e a pessoa jurídica
lesada, conforme dispõe o artigo 17 da Lei 8.429/92

30 – O Ministério Público e a pessoa jurídica interessada necessariamente participarão das ações judiciais
por atos de improbidade administrativa? R.: O MP quando não for o autor da ação judicial, atuará como
custus legis, e a pessoa jurídica interessada pode ser intimada a integrar a lide no polo ativo formando um
litisconsórcio ativo facultativo ulterior.

31 – Para a Lei nº 8.429/92, qual o momento de efetivação da perda função pública e da suspensão dos
direitos políticos? R.: A efetivação da perda da função pública e suspensão dos direitos públicos (art. 20),
ocorre apenas após o trânsito em julgado

32 – Admite-se transação, conciliação ou acordo com fundamento na Lei nº 8.429/92. R.: Não, não se
admite transação, conciliação ou acordo nas ações de improbidade administrativa nos termos do §1º do
artigo 17.

33 – Há incompatibilidade entre a vedação à transação, renúncia ou acordo da Lei nº 8.429/92 e o acordo de


leniência (Lei nº 12.846/2013 – Lei Anticorrupção) ou a colaboração temporária (Lei nº 12.850/2013 – Lei
das Organizações Criminosas)? R.: Sim, há incompatibilidade, na medida em que o artigo 17, §1º da Lei
8.429/92 veda transação acordo ou conciliação, enquanto o acordo de leniência, disciplinado no artigo 16
da Lei 12.846/13 é celebrado quando pessoas jurídicas responsáveis por ilícitos, preenchendo alguns
requisitos legais, colaborem efetivamente com a apuração e com o processo administrativo, o que inclusive,
interrompe o prazo prescricional dos ilícitos cometidos. Por outro lado, o artigo 4º da Lei 12.850/13, com
destaque ao §2º, admite a colaboração premiada, portanto guardando compatibilidade com acordo de
leniência.

34 – Sobre a prescrição das ações de improbidade, quais os prazos fixados pela Lei nº 8.429/92? R.:
Considerando que as ações de ressarcimento ao erário são imprescritíveis (art. 37, §5º CF), as ações de
improbidade administrativas, de acordo com o art. 23, I, é de cinco anos.
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35 – Qual o prazo, na esfera federal, para a aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade ao titular
de cargo ou função pública? Explique e fundamente a resposta. De acordo com o art. 142 da Lei 8.112/90 a
prescrição é de cinco anos para infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade e destituição de cargos em comissão, dois anos para infrações sujeitas à suspensão e de
180 cento e oitenta dias para sanções sujeitas à advertência.

36 – O ato de improbidade administrativa praticado por estatutário federal que for tipificado como crime
sujeita-se a qual prazo prescricional? Explique, abordando a necessidade de efetiva propositura da ação
penal para a contagem do prazo e a adoção da pena in abstrato ou in concreto. R.: O inciso II do artigo 23 se
refere ao prazo prescricional previsto em lei específica. Assim, em se tratando de crime prevalecerão os
prazos prescricionais previstos no artigo 109 a 112 do Código Penal com os respectivos marcos
interruptivos e suspensivos.

37 – As ações de ressarcimento ao erário são imprescritíveis? Existe controvérsia sobre o tema? Na visão do
Supremo Tribunal Federal, ilícitos civis praticados pelo particular contra o Poder Público estão albergados
na regra da imprescritibilidade do art. 37, § 5º, da Constituição da República de 1988. R.: A parte final do
§5º do artigo 37 da CF não deixa margem às dúvidas quanto à imprescritibilidade das ações de
ressarcimento ao erário, seja ou não servidor, todavia há grande controvérsia s obre o tema, eis que,
apesar de diversos julgados no STF e STJ, a partir do julgamento do RE 669.069 o STF firmou tese de
repercussão geral no sentido de “é imprescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública de
corrente de ilícito civil”, o que, na opinião desse estudante, não se confunde com ações de ressarcimento ao
erário oriundas de ações de improbidade.

38 – No julgamento da ADI 2182, qual foi o posicionamento do STF sobre os supostos vícios de
inconstitucionalidade formal da Lei nº 8.429/92? R.: O STF, por maioria dos votos, se posicionou pela
constitucionalidade formal da referida lei. A ministra Cármen Lúcia e o ministro Ricardo Lewandowski
divergiram ressaltando que a alteração realizada pelo Senado foi meramente formal, e não no conteúdo. O
ministro Lewandowski entendeu que o projeto enviado pelo Senado Federal à apreciação da Câmara dos
Deputados foi apenas uma emenda e não um novo projeto de lei.

39 – Quais são os principais fundamentos da ADI 4295, em trâmite no STF? No que consiste a teoria do
“overbreadth doctrine”? Deve ser aplicada à Lei de Improbidade Administrativa? R.: O Partido da
Mobilização Nacional considerou excessivamente abertos e abrangentes os dispositivos sancionatórios da
LIA o que daria ensejo à aplicação arbitrária da lei, que para não ser excessiva deveria prover parâmetros
bem determinados de culpa a fim de guiar a ação do operador do direito. Assim a overbreadth doctrine
consiste em conter o risco de atitudes discriminatórias por parte do aplicador do direito a fim de evitar, por
meio de dispositivos abertos e amplos, consequências nefastas ao estado democrático de direito.
Questionário - Prof. Artur - Contratos administrativos (mar/abr/2018)
1 – A Administração Pública, quando contrata, sempre o faz por meio de contrato administrativo? R.:
Sim, em regra todo o insumo de que a administração pública necessita para desempenhar suas
funções, o adquire por meio de contratação que se materializa pelo processo licitatório regulado pela
Lei 8.666, entretanto há situações em que ocorre a inexigibilidade e outras em que ocorre a dispensa
de licitação.

2 – É correto dizer que a Administração Pública também participa de contratos de direito privado?
Caso positivo, dê exemplos. R.: Sim, a administração pública participa de contratos de direito
privado, por exemplo a compra e venda, a doação, a permuta e outros do gênero.

3 – Os contratos de direito privado firmados pelo Poder Público são integralmente regidos por normas
de direito privado? Fundamente a resposta, com a indicação do dispositivo legal que trata do tema,
previsto na lei geral de licitações e contratos administrativos (Lei nº 8.666/93). R.: Não, tais contratos
não são integralmente regidos por normas do direito privado, eis que o artigo 58 confere
prerrogativas à Administração, sem, no entanto, desfigurar a natureza privada do ajuste, conforme
José dos Santos Carvalho Filho. Ademais, o artigo 54 e incisos da mesma lei admite, supletivamente,
os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado, bem como o §3º, inciso
I do artigo 62.

4 – Conceitue contratos administrativos. R.: O contrato administrativo segundo Eli Lopes Meireles é o
ajuste que a Administração Pública, agindo nessa qualidade, firma com o particular ou outra entidade
administrativa para a consecução de objetivos de interesse público, nas condições estabelecidas pela
própria Administração Pública.

5 – A qual ente federativo compete legislar sobre contratos administrativos? Trata-se de competência
legislativa privativa, concorrente ou suplementar? Explique e identifique o dispositivo constitucional
que trata do tema. R.: A competência legislativa para tratar de contratos administrativos está
pacificada como privativa da UNIÃO, com fundamento no artigo 22, inciso XXVII CRFB. Nesse
contexto, destaca-se que o princípio básico da repartição de competências, tanto a administrativa
como a legislativa, é o princípio da predominância do interesse. Isto é, competem à União as matérias
de interesse predominantemente geral. Esse foi o critério utilizado pelo Constituinte de 1988 para
fixar a repartição de competências no Estado Federal brasileiro. A competência de legislar pode ser
dividida em competência legislativa privativa da União, competência legislativa dos Estados-
membros, competência legislativa concorrente e competência legislativa dos Municípios.

6 – Pode-se afirmar que as sociedades de economia mista e empresas públicas são partes contratantes
nos contratos administrativos? R.: Sim, nos termos do artigo 1º, § único, Subordinam-se ao regime do
contrato administrativo imposto pela Lei n° 8.666/93, além dos órgãos da Administração direta, os
fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de
economia mista e demais entidades controladas, direta ou indiretamente, pela União, pelos Estados,
Distrito Federal e Municípios
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7 – Pode-se afirmar que convênios e consórcios administrativos firmados apenas por entidades
públicas ostentam a natureza jurídica de contratos administrativos? R.: Sim, posto que o convênio é
visto como acordo ou ajuste administrativo e visa à consecução de interesses comum dos convenentes.
Pode ter por objetivo qualquer coisa (obra, serviço, uso), e, como regra, sem prazo certo. Por sua
própria característica, não adquire personalidade jurídica, nem necessita registro ou arquivamento
em órgãos públicos. Já o consorcio de maneira semelhante ao convênio, caracteriza o ajuste entre
pessoas públicas da mesma espécie (ou seja, entre Estados-membros, entre Municípios) para
consecução de interesses comum entre das partes.

8 – Explicar, resumidamente, as seguintes características dos contratos administrativos: (a)


formalismo; (b) comutatividade; (c) pessoalidade; (d) bilateralidade; (e) contrato de adesão. R.:
a) Formalismo, significa que se deve observar as formalidades previstas em lei, como por exemplo a
publicação no diário Oficial do extrato do contrato firmado. A Forma escrita do contrato, salvo nas
compras de até R$4.000,00;
b) Comutatividade significa que o contrato traz obrigações recíprocas para a administração e para o
particular. Decorre da comutatividade o equilíbrio financeiro do contrato;
c) Pessoalidade (art. 78) significa que os contratos são firmados intuiu personae, ou seja, leva-se em
consideração as características pessoais do contratado, pois em tese, mais vantajosas para a
administração. Em regra, é proibida a subcontratação por parte do contratado, sob pena de rescisão
contratual, salvo se expressamente admitida no edital de licitação e no contrato.
d) Bilateralidade significa que o contrato administrativo é ato bilateral, pois o contratado adere às
cláusulas previstas no edital de licitação e influencia na elaboração das cláusulas econômico-
financeiras;
e) Contrato de adesão indica que as cláusulas contratuais são previamente estabelecidas pela
autoridade administrativa, sem participação do contratado;

9 – Para a doutrina, os contratos administrativos têm natureza jurídica de contratos? Há quem sustente
que os contratos administrativos são atos unilaterais praticados pela Administração? R.: Os contratos
administrativos têm natureza jurídica de contratos. Para a doutrina minoritária não tem natureza
jurídica de contrato, devido a ausência do princípio da autonomia da vontade, pois o particular que
contrata com o poder pública adere integralmente às cláusulas unilateralmente impostas por ele. Para
essa doutrina, apenas existiria contrato em relação às cláusulas econômico-financeiras, pois nesse
caso há necessidade de concordância expressa do contratado (Oswaldo Bandeira de Melo –
Princípios administrativo e Celso Antonio Bandeira de Melo). Notar que esse entendimento não é o
prevalecente. Prevalece o entendimento de que a administração pública não firma apenas contratos
administrativos, pois não é incomum a administração firmar contratos de direito privado.

10 – É válido o contrato verbal firmado pela Administração? Explique. R.: Sim, é válido desde que o
valor da contratação não seja maior que R$ 4.000,00 destinado a pequenas compras e pronto
pagamento nos termos do artigo 60, § único c.c. artigo 23, II, “a” da lei 8.666/93.
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11 – Por que se costuma mencionar que predomina a relação de verticalidade nos contratos
administrativos? R.: Predomina a relação de verticalidade devido a preponderância da administração
que evidencia o princípio da supremacia do interesse público.

12 – O que são cláusulas exorbitantes ou de privilégio? R.: Clausulas exorbitantes são aquelas
previstas no artigo 58 da lei 8.666/93 e que se constituem em prerrogativas contratuais da
administração perante o administrado.

13 – É possível a alteração unilateral do contrato pela Administração? Em quais hipóteses? R.: Sim,
nas seguintes situações: Inadimplemento com culpa – se o contrato deixa de prestar os serviços
contratados, deixar de pagar os encargos trabalhistas;
Inadimplemento sem culpa – falência, morte do contratado;
Razões de interesse público – motivos de conveniência e oportunidade. Notar que cabe indenização
por danos emergentes e lucro cessante.
Caso fortuito e força maior – acontecimentos imprevisíveis e inevitáveis.

14 – Há algum limite para a alteração unilateral qualitativa dos contratos administrativos? E


quantitativa? Fundamente a resposta. R.: Sim há limites nas seguintes circunstâncias: Alteração
unilateral qualitativa do contrato - ocorre quando houver alteração do projeto, ou especificações
técnicas pertinentes à execução do contrato gerando também alteração de ordem quantitativa que por
sua vez não está submetida a nenhum limite de acordo com entendimento doutrinário em relação ao
artigo 65, §1º da Lei 8.666. A doutrina entende, no entanto, que a modificação quantitativa não pode
modificar o contrato a ponto de desnatura-lo, o que daria ensejo à fraude na licitação. Notar que a
administração pode altera-lo quantitativamente em até 25% para mais ou para menos o valor original
contrato, ou pode aumentar em até 50% no caso de reforma de equipamento ou imóvel.

15 – Explique e dê exemplos sobre as hipóteses de rescisão unilateral dos contratos administrativos


pela Administração. R.: As hipóteses de rescisão unilateral de contratos consistem em prerrogativas
administrativas aplicáveis em três hipóteses: a) inadimplemento do contratado (com ou sem culpa; b)
caso fortuito ou força maior; c) Motivos de interesse público; Quando há culpa do contratado pode-
se, além de aplicar as penalidades cabíveis, retomar o objeto do contrato e proceder à ocupação
temporária dos bens e serviços executados pelo contratante faltoso, até que seja por outro substituído.

16 – No que consiste o dever e a prerrogativa da Administração em fiscalizar a execução dos contratos


que integra? R.: Consiste na constatação do exato adimplemento pelo contratado das obrigações
assumidas nos termos do artigo 67. A prerrogativa da administração de acompanhar e fiscalizar a
realização da obra contratada não afasta a responsabilidade do contratado.

17 – A Administração Pública necessita de ação judicial para aplicar sanções ao particular na execução
do contrato administrativo? Explique, correlacionando a análise aos atributos do ato administrativo. R.:
Não, nos termos do artigo 87 e §§, a administração pública aplica penalidades independentemente de
ação judicial, garantida a defesa prévia.
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18 – Quais são as sanções que podem ser aplicadas ao particular pela Administração em virtude da
inexecução total ou parcial do contrato? R.: Não, nos termos do artigo 87 e §§, a administração
pública aplica as seguintes penalidades: advertência, multa, suspensão temporária e proibição de
contratar com o poder público por até dois anos além de emitir declaração de inidoneidade

19 – A quem compete aplicar a sanção de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
Administração Pública? R.: Nos termos do art. 87, §3º a competência para emitir a declaração de
inidoneidade é exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou Municipal, conforme o
caso.

20 – A Administração pode rescindir um contrato administrativo em virtude de sua anulação? E pode


rescindi-lo por motivos de conveniência e oportunidade? Fundamente a resposta, indicando o
entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema; R.: Sim, nos termos da Súmula 473. A
administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque
deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Notar que a
anulação consiste na extinção de um ato administrativo inválido, ou de seus efeitos, por outro ato
administrativo ou judicial, por motivo de ilegalidade, com eficácia retroativa. Quer se trate de
anulação em sede administrativa ou judicial, o ato ou contrato a anular precisa estar ou ter sido
produzido em desconformidade com a ordem jurídica.

21 – Explicar as consequências da retomada do objeto do contrato pela Administração no caso de


rescisão, identificando o princípio que a fundamenta. R.: A rescisão unilateral operada pela
Administração gera a seu favor consequências, sem prejuízo das sanções legais e contratuais:
assunção imediata do objeto do contrato, no estado e local em que se encontrar, por ato próprio, em
vista do princípio da continuidade dos serviços públicos e da executoriedade de seus atos. No direito
administrativo, o particular não pode interromper a execução do contrato, em razão dos princípios da
continuidade do serviço público e da supremacia do interesse público sobre o particular. Pode,
entretanto, requerer administrativa ou judicialmente, a rescisão do contrato e pagamento de perdas e
danos, dando continuidade à execução, até que obtenha ordem da autoridade competente para que
possa paralisá-lo.

22 – Quais garantias contratuais podem ser exigidas pela Administração? É obrigatória a exigência de
garantia na contratação de obras, serviços e compras pela Administração? A Administração pode impor
ao particular que adira a uma modalidade específica de garantia? R. 1: Nos termos do artigo 56, incisos
I, II e II a administração pode, desde que prevista no instrumento convocatório, exigir prestação de
garantia consistente em caução em dinheiro, seguro-garantia ou fiança bancária, sem no entanto
impor ao particular que preste uma modalidade específica de garantia.

23 – No que consiste a cláusula da exceção do contrato não cumprido? O particular pode invoca-la em
caso de inadimplemento contratual pela Administração? Dê exemplos. R.: É possível a temporária
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inoponibilidade da exceção ao contrato não cumprido, o contratado não pode alegar a exceção do
contrato não cumprido antes de decorrido o prazo de 90 dias de inadimplência do poder público
conforme artigo 78, incisos XIV e XV.

24 – Explique o conteúdo jurídico da mutabilidade dos contratos administrativos. R.: A mutabilidade


dos contratos administrativos diz respeito à possibilidade de alteração das cláusulas econômico-
financeira em virtude da verificação de fatos supervenientes à formação do contrato que gerem
desequilíbrio, em prejuízo ao particular.

25 – No que consiste o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos administrativos? Qual o


fundamento constitucional para a sua aplicação? R.: Consiste na observação da cláusula Rebus Sic
Stantibus, significando que o contrato é obrigatório entre as partes desde que as coisas se mantenham
como antes. O fundamento constitucional encontra-se no inciso XXI do artigo 37 quando menciona
“mantidas as condições efetivas da proposta”

26 – A denominada álea ordinária ou empresarial admite a alteração contratual para garantir o


equilíbrio das cláusulas econômico-financeiras? R.: Sim, admite, pois há alterações esperadas pelas
partes contratantes, aquelas que têm previsibilidade, e que envolve os riscos ordinários na execução
do contrato, portando não geradoras de indenização;

27 – Quais as espécies de álea administrativa que autorizam a revisão do contrato administrativo para a
manutenção do seu equilíbrio econômico-financeiro? R.: As espécies de álea administrativa
autorizadoras da revisão contratual são fato do príncipe e fato da administração, ambos
imprevisíveis e extracontratuais.

28 – Diferenciar, com exemplos, fato do príncipe e fato da Administração que admitem a revisão das
cláusulas econômico-financeiras do contrato administrativo para resguardar seu equilíbrio. R.: O fato
do príncipe compreende às medidas gerais implementadas pelo poder público que afetem diretamente
a execução do contrato, tornando-o mais oneroso, ex.: aumento significativo dos tributos incidentes
sobre a matéria prima necessária à execução do contrato. O fato do príncipe se caracteriza por ser
imprevisível, extracontratual e extraordinário, provocando neste último caso forte alteração na
equação econômico-financeira do contrato. O segundo decorre da prática de atos ou fatos praticados
pela administração na execução do contrato. Exemplo: administração não desapropria o bem para
realização de futura obra.

29 – A cláusula rebus sic stantibus pode ser invocada para a alteração dos contratos administrativos?
Explique e fundamente. R.: Sim, pode ser invocada para alteração contratual desde que se alterem
profundamente as condições originalmente pactuadas, rompendo o equilíbrio contratual. Note-se que
o fato gerador da imprevisão deve ser independente da vontade do beneficiário, o que confirma que
não agiu com culpa e que ao evento não deu causa.
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30 – O princípio do pacta sunt servanda admite exceção na execução dos contratos administrativos?
R.: Sim, admite execução, embora sofra forte mitigação por conta da preponderância da
administração sobre o contratado, a despeito da previsão expressa no artigo 66 da Lei 8.666/93.

31 – Há diferença entre reajuste e revisão dos contratos administrativos? R.: Sim, há grande
diferença, pois, o reajuste é previsto pelos contratantes no momento da celebração do contrato, ou
seja, ocorre quando há a fixação de índice geral ou específico que incide sobre o preço após
determinado período (ex.: IPCA/IBGE). De outro lado, a revisão independe de previsão expressa no
instrumento contratual,
bastando a comprovação da existência do fato superveniente que tenha causado o rompimento do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

32 – Explique as espécies de rescisão dos contratos administrativos invocadas pela doutrina. R.: A
rescisão dos contratos administrativos se dá de três formas distintas, a saber:
1. Unilateral ou administrativa: Ocorre em três hipóteses: a) inadimplemento do
contratado (com ou sem culpa; b) caso fortuito ou força maior; c) Motivos de
interesse público; Quando há culpa do contratado é possível, além de se aplicar as
penalidades cabíveis, retomar o objeto do contrato e proceder à ocupação
temporária dos bens e serviços executados pelo contratante faltoso, até que seja
por outro substituído.

2. Amigável: se verifica quando o particular e a administração pública realizam um


acordo administrativo para colocar fim ao contrato. Exemplo: A administração em
atraso aceita amigavelmente a extinção do pacto.

3. Judicial: se dá por iniciativa do particular, quando se verifica conduta culposa por


parte da administração. Exemplo. Se a administração deixa de pagar o contratado
por mais de 90 dias, o contratado suspenderá a execução do contrato, e depois
demandará judicialmente a administração pública.

33 – Sobre a rescisão dos contratos administrativos, responda:


a) o particular pode rescindir o contrato unilateralmente no caso de inadimplemento pela
Administração? R.: Sim, o particular pode rescindir unilateralmente o contrato, porém somente
pela via judicial e desde que não suspenda a execução enquanto tramitar o processo judicial,
fazendo-o somente após a decisão judicial autorizadora da rescisão.
b) a Administração Pública necessita de ação judicial para rescindir contrato por ela firmado? R.: Não,
pois em havendo inadimplemento pelo contratado há motivação suficiente para a rescisão devendo
o administrador dar ciência ao contratado dos motivos da rescisão, bem como oferecer-lhe
proposta para eventual recomposição de prejuízos.
c) a Administração pode rescindir unilateralmente o contrato administrativo, ainda que inexistente
culpa do contratado na sua execução? R.: Sim, eis que não se pode obrigar a Administração a
prosseguir na execução do contrato, todavia não se pode atribuir ao contratado o ônus da
rescisão, sobretudo quando se sabe que a ela não deu causa. Por essa razão se, rescindido o
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contrato por interesse da Administração, deve o contratado ter os seus prejuízos integralmente
reparados.
d) é possível a rescisão amigável? R.: Sim, é possível desde que surjam interesses comuns, sobretudo
da Administração que, quanto ao desfazimento, terá discricionariedade em sua resolução (art. 79,
II, do Estatuto).

34 – É possível diferenciar contratos de obras e contratos de serviços firmados pela Administração? R.:
Sim, é possível pois contratos de obras são aqueles em que o objeto pactuado consiste em construção,
reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de determinado bem público (artigo 6, I). Já
contratos de serviços baseado no artigo 6º, II são aqueles em que prevalece o fazer, e que visam a
atividade destinada a obter determinada utilidade concreta de interesse para a Administração como
demolição, conserto, instalação, montagem,
operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, publicidade,
seguro ou trabalhos técnico-profissionais;

35 – Aplica-se a Lei nº 8.666/93 aos contratos de publicidade firmados pela Administração Pública?
R.: Não, pois há lei específica qual seja a Lei 12.232, de 29.4.2010, que dispõe sobre normas gerais
para licitação e contratação pela Administração Pública de serviços de publicidade prestados por
meio de agências de propaganda portadoras de certificado de qualificação.

36 – Explique o regime de execução dos contratos de obra previstos na Lei nº 8.666/93. R.: De acordo
com o Inciso VIII do artigo 6º, são quatro os regimes de execução, a saber:
a) empreitada global quando o preço equivale à totalidade da obra;

b) Empreitada por preço unitário quando a administração realiza as contratações por


unidades com preço unitário Exemplo: por metro quadrado;

c) Empreitada integral, realizada para obras de maior complexidade e vulto,


envolvendo também a execução dos serviços;

d) Tarefa é o contrato realizado para a execução de penas atividades, reparos ou


reformas.

37 – No que consiste o contrato de serviços firmados pela Administração? R.: contrato de serviços
pode se referir a serviços comuns ou técnico-profissional conforme art. 13 e se consubstanciam em
obrigações de fazer, cuja atividades são exemplificadas no dispositivo mencionado, quais sejam
atividades de conservação, reparação, conserto, transporte, operação, manutenção, demolição,
seguro, locação de bens, e outras.

38 – A Lei nº 8.666/93 regulamenta o contrato de fornecimento ou compras? R.: Sim, disciplinado nos
artigos 14 e 15 da Lei, contratos de fornecimento São aqueles que se destinam à aquisição de bens
móveis necessários à consecução dos serviços administrativos. A Administração, para atingir seus
fins, precisa a todo momento adquirir bens da mais variada espécie, e isso pela simples razão de que
múltiplas e diversificadas são as suas atividades.
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39 – Nos contratos de locações firmados pela Administração, aplica-se exclusivamente o regime da Lei
nº 8.666/93? R.: Não, pois a Lei nº 8.245/1991, que regula as locações, admite expressamente
locações em imóveis de propriedade da União, dos Estados e dos Municípios, bem como de suas
autarquias e fundações públicas de acordo com o art. 1º, § único, “a”, nº 1. Ademais, a Lei
12.462/2011 igualmente disciplina um tipo especial de locação.

40 – Diferenciar, resumidamente, os contratos de concessão de serviços públicos, de uso de bem


público e de obra pública. A doutrina aceita a existência do contrato de concessão de obra pública? A
concessão de serviços públicos é regulamentada pela Lei nº 8.666/93? R.: O contrato de concessão de
serviço público tem como objeto a transferência da gestão e execução de um Serviço do Poder
Público ao particular, por sua conta e risco e por prazo determinado conforme a Lei 8.987/95. O
contrato de concessão de bem público e de obra pública é regido pela Lei 11.079/2004 (Regime das
PPPs) se divide em concessão patrocinada, concessão administrativa.

41 – A Lei nº 11.079/2004 instituiu normas gerais para licitação e contratação de parcerias público-
privadas no âmbito da Administração Pública. Considerando o que dispõe a lei, analise os seguintes
pontos:
a) diferenciar concessão patrocinada e concessão administrativa; R.: Na concessão patrocinada, o
concessionário é remunerado pelo poder público e por tarifa cobrada dos usuários, por exemplo, na
manutenção de uma rodovia em que mediante exploração de pedágio o concessionário obtém sua
remuneração. Na concessão administrativa a remuneração do concessionário e exclusivamente do
poder público, por exemplo, na construção de um presídio;
b) é permitida parceria público-privada apenas e exclusivamente para a execução de obra pública? R.:
Não é permitida, pois nos termos do artigo 2º, §4º, III a vedação é expressa.
c) o que diferencia as concessões da lei das PPA’s da concessão de serviço público regulamentada pela
Lei nº 8.987/95? R.: Enquanto na Lei das PPP, concessões especiais (Lei 11.079/04), a concessão é
patrocinada, situação em que o concessionário obtém sua remuneração de tarifas cobradas e de
contraprestação do poder público, e a concessão administrativa em que o poder público será o
usuário direto ou indireto, a Lei 8.987/95, disciplina a concessão de serviço público precedido ou não
de execução de obra pública por delegação de sua prestação

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