Você está na página 1de 8

A HISTORIA DO FAMOSO MOINHO DAS BRUXAS DE CASTLETOWN, ILHA DE MAN

Por G. B. GARDNER

"The Witches Mil" foi publicado por C. C. Wilson em Castletown Ilha de Man pela "The
Castletown Press", Arbory Street, Castletown.

O MUSEU DE MAGIA E BRUXARIA

A idade exacta do velho moinho de vento de Castletown, na Ilha de Man, conhecido como
"O Moinho das Bruxas", é incerta; mas nós sabemos que ainda lá se encontrava em 1611,
como é mencionado num registro de tribunal daquela data.

O Moinho adquiriu esse nome porque as famosas bruxas de Arbory viviam muito próximo
dele. A história surge quando o velho moinho ardeu em 1848 e elas começaram a usar as
suas ruínas como solo de dança o qual, como as visitas podem constatar, era muito
propício; sendo redondo por dentro ele podia acomodar o círculo das bruxas, enquanto os
restos das paredes de pedra as protegiam do vento e dos olhos curiosos.

Depois de ter sido abandonado por muitos anos, os grandes celeiros do Moinho foram
aproveitados em 1950 para alojar o primeiro Museu do mundo dedicado à Magia e à
Bruxaria. Os muros de pedra cinzenta do Museu e o velho moinho têm quatro acres de solo
e contem um grande parque de automóveis e um excelente restaurante no subsolo do
edifício, onde as visitas podem desfrutar de um serviço moderno com um contexto
pitoresco, num ambientes típico do velho-mundo.

Como o Museu é só a uma milha e meio do Aeroporto (5 minutos de táxi), muitas das
nossas visitas voam do continente só para ver o Museu, e regressam no mesmo dia.

A política do Museu é mostrar os que pessoas acreditavam no passado, e ainda acreditam,


sobre magia e bruxaria, e o que eles fizeram, e ainda fazem, como resultado dessas suas
convicções. O museu contém uma colecção sem paralelo de material autêntico doado por
bruxas que ainda vivem ou faleceram recentemente. Mostra-se como a bruxaria, em vez de
estar extinta, ou ser um facto meramente lendário, é ainda uma religião viva, possuidora de
tradições de grande interesse para os estudiosos, antropólogos e estudantes de religião
comparativa e do folclore. A Bruxaria é actualmente o que resta das mais velhas tradições
religiosas da Europa Ocidental, algumas das quais parecem ter vindo da Idade de Pedra.

Aparte do outro material, o Museu possui também uma colecção grande de bygones do
Manx, incluindo o que é dito ser o único espécime conhecido de um Manx Dirk, do tipo
que tornaram famosas as Manx Dirk Dance; a dança ainda existe, mas é agora executada
com armas de madeira.

Desde tempos imemoriais as pessoas da Ilha de Man acreditavam nas fadas e nas bruxas. A
célebre "Ponte das Fadas" é a apenas seis milhas de distância do Museu. Houve inúmeros
julgamentos por bruxaria na Ilha, mas segundo os registros o veredicto favorito de um juiz
de Manx , em casos de alegada bruxaria, não era " Inocente" mas "não faças isso
novamente".

A única execução registrada de uma bruxa na Ilha de Man aconteceu a pequena distância
do velho Moinho, quando em 1617 Margaret Ine Quane e o seu jovem filho foram
queimados vivos na estaca perto da Market Cross em Castletown. Ela tinha estado a fazer
um rito de fertilidade para conseguir boas colheitas; e como isto conteceu quando estava
temporariamente na propriedade do caçador de bruxas Rei James, ela sofreu o castigo
extremo. Uma placa comemorativa a Margaret Ine Quane, e às vítimas das perseguições de
bruxaria na Europa Ocidental, cujos números foram calculados em nove milhões, encontra-
se no Museu.

Não se pode entender a história sem algum conhecimento das crenças dos nossos
antepassados, e o que eles faziam com elas. Que tipo de pessoas eram estes mágicos e
bruxas? O que se passava nas suas mentes? Que diferença havia entre eles? Estas são
algumas das questões que este Museu procura responder.

A Magia cerimonial deu aos seus ritos uma forma cristã;


enquanto as bruxas eram pagãs e seguiam os Velhos Deuses.
Consequentemente o culto das bruxas foi furiosamente
perseguido, enquanto a magia cerimonial era por vezes estudada
e praticada pelos próprios clérigos. A ideia por detrás de magia
cerimonial era subjugar os espíritos, bons ou maus, em nome de
Deus e dos seus Anjos, e fazendo os espíritos obedecerem-lhes;
a prova de que isto era como a mente dos magistas funcionavam
encontra-se nos velhos livros mágicos chamados Grimoires, de
que o Museu tem um grande número, quer impressos e quer
manuscritos. O procedimento por eles usado era complicado, e
exigia uma grande cultura, envolvendo frequentemente o
conhecimento do latim e hebreu. Os ritos que eles especificavam
exigiam também um equipamento muito caro, como espadas,
varas, batinas mágicas, pentáculos de prata e ouro, etc.
Consequentemente só os membros das classes elevadas ou das
profissões liberais, poderiam fazer esses ritos.

O culto das bruxas, por outro lado, era muito mais ligado à terra e os seus praticantes eram,
provavelmente, pessoas analfabetas. Trata-se de remanescentes da original religião pré-
cristã da Europa Ocidental. Os seus seguidores possuíram conhecimento tradicionais e
convicções que tinham sido passadas de boca a ouvido, de geração em geração. Apesar das
grandes perseguições (algumas dessas horrendas relíquias, na forma de instrumentos de
tortura e execução, estão guardadas no Museu), o culto nunca morreu. Alguns dos seus
remanescentes ainda existem actualmente e o Director deste Museu foi iniciado num coven
de bruxaria britânica.

Magia é a arte de tentar influenciar o curso dos eventos usando as pouco conhecidas forças
da natureza, ou obtendo a ajuda de seres sobrenaturais. Fazendo qualquer coisa para
alcançar a sorte, ou evitar má sorte, é uma forma de Magia.

Ao longo de história, a Magia exerceu uma grande influência no pensamento humano. As


pinturas rupestres e as estatuetas da idade da pedra mostram que os antigos povos da
Europa praticavam ritos mágicos. Eles desenharam imagens de animais nas paredes das
suas cavernas, com lanças ou setas ferindo-os; pensa-se que isto era intencional e criado
como feitiço para ter poder sobre os animais na vida real. Encontra-se o mesmo princípio
no velho feitiço em que se fabrica uma imagem de cera de alguém e que se perfura depois
com alfinetes para fazer algum dano, que ainda é hoje praticado.

A magia de fertilidade tornou-se gradualmente importante com a descoberta da agricultura.


A função da Magia era, então, assegurar boas colheitas, aumentar o gado e os rebanhos, boa
pesca, e muitos filhos para manter a tribo forte. Desde os tempos dos primeiros ritos nas
cavernas, há a certeza de que dançar, fazer círculos mágicos e fogueiras, era parte da prática
mágica. Mais tarde, as pessoas começaram a aprender a usar remédios herbários, drogas e
venenos (estes últimos úteis para matar os lobos). Cada tribo teria o seu "homem sábio" ou
"mulher sábia", provavelmente as pessoas com poderes psíquicos naturais. Esta é a origem
da palavra "witch" (bruxa); ela é derivada de uma palavra anglo-saxónica "wica" que
significa "sábio". A primeira magia era para o benefício da tribo inteira; mais recentemente
a "magia privada", como os feitiços de amor ou para obter desejos pessoais, começaram a
desenvolver-se.

A palavra Sorcery (feitiçaria) tinha originalmente o significado de "lançar". A palavra vem


da recente palavra latina sortiare. É uma prática antiga e universal reunir vários objectos,
como pedras marcadas ou ossos, atribuindo-lhes significados a cada um, lançá-los no chão,
e "prever o destino" pelo modo como eles caem. Porém, a palavra " feitiçaria " veio a
significar qualquer tipo de pratica mágica.

A Magia Ritual, Magia da Arte ou Magia Cabalística, parecem ter evoluído a partir do
Egipto e das crenças mágicas babilónicas na existência de espíritos superiores , em muitos
deuses menores, anjos e demónios que poderiam ser subornados ou poderiam ser impelidos
a provocar eventos, por meio de longos ritos e conjurações, com ou sem sacrifícios de
sangue. Um ramo muito importante desta Magia era saber os Nomes de Poder pelo qual
esses seres podiam ser chamados e controlados. Quando usado para bons propósitos, estas
práticas foram chamadas Magia Branca; mas se usadas para propósitos maléficos, eram
chamadas por Magia Negra. Este último termo é muito exagerado hoje em dia, sendo
aplicado frequentemente a qualquer aspecto do oculto. Nós temos ilustrações em livros e
quadros, e instrumentos e objectos de todos os tipos de magia no Museu.

A Astrologia procurou descobrir o que era o futuro assim como estudar as estrelas. A sua
base é o velho axioma hermetista, "assim com em cima, assim em baixo". Ela é ainda
profusamente reconhecida, e é a mãe de Astronomia. Nós temos alguns exemplos das
ferramentas, livros, etc., usados pelos astrólogos.

O objectivo da Alquimia era encontrar a Pedra Filosofal, que transformaria todos os outros
metais em ouro, e o Elixir de Vida que curaria todas as doenças e prolongaria a vida
indefinidamente. Ela foi a mãe da química moderna; embora os alquimistas expressassem a
arte por meio de um jargão místico singular, para impedir que os seus segredos fossem
extorquidos. Nós temos alguns objectos e manuscritos relativos à alquimia, apesar de nós
não termos a Pedra de nenhum Filósofo nem o Elixir da Vida para lhe mostrar.

A Necromancia esteve tentada a compelir os espíritos dos mortos para lhes arrancar
informações. Normalmente era executada com o cadáver de uma pessoa recentemente
morta. O Espiritualismo tem sido atacado como sendo Necromancia, mas isso é falso, já
que não há nenhuma tentativa para impelir os espíritos a comunicarem, e nenhum cadaver é
usado. Nós temos alguns quadros da prática da Necromancia.

Os Pactos com o Diabo. Nós temos cópias do que é alegadamente pactos com o diabo, e
outros documentos diabólicos, inclusive alegadas assinaturas de vários diabos, vindo dos
Arquivos Nacionais franceses e de outras fontes; nós pensamos que os originais eram
falsificações ou fraudes para enganar as pessoas simplistas.

A Adoração do Diabo é normalmente considerada ser a adoração a Satanás. Nós temos


algumas relíquias que se pensa ter sido usadas em tais ritos; nós não temos, contudo,
nenhuma evidência objectiva de que as pessoas que os usaram eram mal intencionadas. As
bruxas foram acusadas de "adoração ao diabo"; mas o Deus Cornudo da bruxaria é pré-
cristão e "o diabo" é um conceito criado nos tempos cristãos.

A Missa Negra. Muitas práticas, que podem tere acontecido ou não, foram denunciadas por
este nome; mas há poucas evidências suficientemente convincentes da sua existência.
Porém, nós estamos prontos a aceitar a sua prova, e o Museu tem alguns alegados objectos
dessas práticas

Nós temos em exibição neste Museu o seguinte: no rés-do-chão estão dois quartos. Um
deles representa o estúdio de um magista, aproximadamente do período de 1630, com tudo
pronto para executar Magia Ritual, Magia Cerimonial, Ritual Cabalístico, ou Arte Mágica;
estes termos significam a mesma coisa, embora alguns escritores usem ora um ora outro.
Há um grande e complicado círculo no chão e um altar feito segundo certas proporções
cabalísticas.

Ao lado está a espada consagrada do magista, e atrás duas colunas, com uma luz em cada
uma. Quando usado para bons propósitos, este tipo de magia era chamada Magia Branca,
mas se usada para propósitos egoístas era chamada Magia Negra. Poderia envolver
adicionalmente o uso de sangue, enquanto os chamados demónios eram mantidos à
distância pelos Nomes Divinos escritos ao redor do círculo, só sendo permitido
manifestarem-se no Triângulo de Arte fora do círculo, onde poderia comandá-los a fazer o
que ele quisesse.
O outro quarto representa a cabana de uma
bruxa, com mobílias da mesma data que o
anterior, e com os seus utensílios mágicos
prontos para serem usados, com o círculo, o
altar, etc. Notar-se-á que estes são muito menos
elaborados que os do mágico. O quarto é um
quarto de dormir normal, com uma cama ao
fundo, e alguns artigos domésticos; o altar é um
mesinha; o círculo é uma linha de giz simples.
A um alarme de perigo tudo poderia
rapidamente ser tornado normal.

O altar da bruxa está colocado como fosse para uma cerimónia de iniciação. Um dos
objectos é um colar, o único "artigo de vestuário" cerimonial que uma bruxa precisava
enquanto o magista usava batinas elaboradas.

Na primeira galeria começa a famosa colecção de objectos conectados com a Magia e a


Bruxaria.

Secção 1. Um grande número de objectos que pertenceram a uma bruxa que morreu em
1951, doado pelos seus parentes, que desejam permanecer anónimos. São coisas que tinham
sido usadas na mesma família durante gerações. A maioria delas é para fazer curas
herbárias. As ervas exigiam que se fizesse encantamentos ou medicamentos que tinham de
ser cortadas pela manha de orvalho, quando a lua ou os planetas estavam numa parte
particular do Zodíaco, "debaixo dos aspectos astrológicos certos" como um médico da arte
diria; a foicinha encurvada ou "baleen" era usada para este propósito. Ela tinha uma espada
ritual muito especial que, durante muitos anos, foi emprestada à Ordem dos Druidas que
com ela celebravam anualmente a cerimónia do Solstício de Verão em Stonehenge, porque
ela encaixava de forma perfeita na fenda da Pedra de Hele.

Secção 2. Uma grande colecção de anéis mágicos e outras jóias, usadas com a finalidade de
protecção e como portadores da sorte, e para vários outros propósitos mágicos. Esta secção
contém exibições que ilustram o desenvolvimento dos amuletos actuais desde os símbolos
dos pagãos primitivos até hoje. Há um grande número de ""Pedaços Afortunados" indo
desde os "Badger's Paw" até às complicadas e caras jóias astrológicas feitas de acordo com
o horóscopo do portador. Entre estas encontra-se o anel mágico medieval que pertenceu
antigamente aos Condes de Lonsdale, fixado com um dente fóssil de um animal e cercado
de pedras preciosas. É um anel do dedo polegar feito em tamanho bastante grande para ser
usado por cima de uma luva, sendo suposto exercer um grande poder místico sobre o seu
possuidor.

Secção 3. Um grande número de objectos usados para aplacar o "mau olhado", que vão
desde o Egipto Antigo e Fenício até aos tempos modernos. O mau-olhado é o suposto poder
de lançar um feitiço sobre alguém simplesmente olhando-o, e estes fetiches eram capazes
de deflectir este olhar perigoso. Esta é provavelmente uma das mais velhas crenças ocultas
no mundo.
Secção 4. Uma colecção de objectos usados por bruxas nos seus rituais, inclusive um
bordão de montar de bruxa que deu lugar à lenda do "cabo de vassoura". O seu uso na
altura era igual ao de um cavalo de brincar, cavalgado numa espécie de salto dançado que
era parte de um ritual de fertilidade. Há várias bolas de cristais, e um espelho côncavo preto
feito por uma bruxa dos tempos modernos e consagrado à lua cheia, conforme uma fórmula
antiga; todos eles são usados para "vidência", como as bolas de cristal, usadas com a
convicção de que se poderia ter visões neles. Há um frasco de unguento de bruxas numa
caixa prateada. A caixa também contém objectos usados nas perseguições das bruxas e
algumas relíquias de Matthew Hopkins, o notório "Perseguidor-Mor das Bruxas". Entre os
instrumentos de tortura aplicados sobre as bruxas, mostradas nesta secção, estão parafusos,
pinças que eram usadas em ferro quente, e um alfinete feito à mão de três polegadas, do
tipo usado para picar a Marca do Diabo, assim denominada por ser uma mancha que não
sangraria e seria insensível à dor; também existem instrumentos usados para queimar as
bruxas vivas.

Secção 5. Uma colecção de objectos usados pelas bruxas, oferecido por um coven que
ainda hoje existe. Naturalmente, eles só emprestaram ao museu artigos que eles não estão
usando, consequentemente a colecção consiste principalmente de utensílios para a
fabricação de curas herbárias e encantamentos; porém, há uma vara ritual muito especial, e
uma velha e curiosa escrivaninha que contém sete gavetas secretas nas quais eles
escondiam algumas das suas possessões.

Secção 6. Uma grande colecção de talismãs gravados em metal, preparados de acordo com
as fórmulas da "Clavícula de Solomão" e vários outros Grimórios. Estes talismãs foram
consagrados com rituais mágicos, e tiveram que ser feitos e consagrados debaixo dos
aspectos astrológicos correctos para que o objecto pudesse alcançar o seu objectivo, por
exemplo, ganhar o amor de alguém, obter dinheiro, sucesso, ou a cura de enfermidades, ou
para muitos outros propósitos. A pessoa que desejou alcançar algum objectivo por meio de
um talismã, depois de ter sido feito e consagrado, teve de o usar em contacto com o corpo.

Esta secção também contém uma colecção de encantamentos usados contra o "Mau
Olhado" principalmente de origem árabe e italiana, e exemplos do "Feitiço da Cabeça de
Medusa", que foi usado para evitar o mal, e os feitiços da "Sereia" e do "Cavalo do Mar"
para os mesmos propósitos.

A NOVA GALERIA SUPERIOR:

Secção 12. Uma colecção de objectos mágicos da África e do Tibete.

Secção 13. Livros, cartas e relíquias pessoais de Aleister Crowley (1875-1947), uma
personagem famosa e controversa do mundo de ocultismo; chamado por alguns "o homem
mais horrível do mundo" e por outros "O Logos do Aeon de Horus". A colecção inclui uma
escritura concedida por Aleister Crowley a G. B. Gardner (o fundador deste museu) para
operar uma Loja da fraternidade Ordo Templi Orientis.
Secção 14. Vários artigos que ilustram a origem das Armas da Ilha de Man (que são três
pernas) do triskela Céltico e formas semelhantes, como a " Cruz de Sta. Brida" que era um
encantamento para sorte e protecção, sendo os sinais de Deuses Antigos.

Esta secção também contém outra colecção de objectos, doada por um outro coven de
bruxas. Inclui um capacete cornudo usado pelo líder masculino em alguns ritos. Também
temos dois exemplos muito interessantes do símbolo do "Homem Verde", às vezes
chamado a Máscara Folhada. Esta era a forma favorita de decoração em igrejas antigas,
mas na verdade representa o Velho Deus do culto das bruxas, o "Rei dos Bosques". Ele foi
chamado o "Homem Verde" porque foi descrito frequentemente com folhas de carvalho,
que jorram da sua boca ou com a face composta de folhas, ou perscrutando por uma
guirlanda de folhas. Alguns dos exemplos mais antigos da Máscara Folhada são cornudas.
A explicação é que os artesãos, que às vezes construíram igrejas antigas e catedrais,
pertenceram ao culto das bruxas. Eles não poderiam construir nenhum santuário para as
suas convicções privadas, toda a gente sendo compelida através da lei a assistir à missa,
assim eles introduziram o Deus Velho na estrutura da igreja por detrás deste disfarce,
tornando-se uma das figuras mais populares na decoração das igrejas.

Secção 15. Vários objectos conectados com o que foi alegadamente chamado o "Culto do
Diabo", a Magia Negra e a Missa Negra; incluído também a forma de serviço religioso
usado no funeral de Aleister Crowley, quando o corpo foi cremado em Brighton a 5 de
Dezembro de 1947. Isso foi furiosamente denunciado como sendo uma Missa Negra; nesse
caso, seguramente deve ser a única Missa Negra na história para a qual a Imprensa foi
convidada, e que foi testemunhada e informada pelos jornais locais!!

A secção contém também vários artigos emprestados ao Museu por uma fraternidade
mágica, inclusive um cálice usado para celebrarem uma espécie de Missa para propósitos
mágicos. (Esta fraternidade insiste, porém que pratica Magia Branca e não Magia Negra).

Também um feitiço da morte ou da maldição, preparado por Austin Osman Spare em 1954.
Spare ostentava que podia matar qualquer pessoa através da Magia Negra (na verdade ele
disse-o numa entrevista que deu uma vez à rádio!). Ele era um grande artista, famoso pelas
suas pinturas de cariz fantástico.

Também temos vários outros objectos usados em formas curiosas de magia que, embora
não sendo de Magia Negra, eram certamente extremamente cinzentas. Incluem uma
luminária mágica que foi propriedade do notório Clube do Fogo do Inferno, fundada por
Sir Francis Dashwood no século XVIII. Isto começou com os "Os Monges de
Medmenham", que era uma paródia das fraternidades monásticas; mas os monges foram
alegados adoradores do diabo e viciados em todos os tipos de libertinagem como sua
"regra". Depois Sir Francis levou a associação para a sua casa palaciana no West
Wycombe, onde eles celebravam ritos num labirinto de misteriosas cavernas de calcário,
agora conhecidas como as "Cavernas do Fogo do Inferno" e que ainda podem ser vistas. O
Clube do Fogo do Inferno foi um dos maiores escândalos da sua época, já que muitos
homens de fortuna foram seus alegados membros. O próprio Sir Francis Dashwood foi
Chanceler do Exchequer.
Secção 16. Uma colecção de feitiços modernos e talismãs, pelos quais as pessoas ainda hoje
pagam muito dinheiro e usam para protecção ou boa sorte.

Secção 17. Alguns artigos usados pelos astrólogos e alquimistas.

Secção 18. Vários livros de magia e alguns artigos mágicos.

Na parede da Galeria Superior está um espelho grande e redondo. Trata-se de um Espelho


Mágico que foi usado por um magista praticante ou uma fraternidade mágica. É convexo e
foi decapado com uma substância escura em vez do prateado habitual. Ao redor da armação
estão inscritos os nomes de Michael, Gabriel, Uriel e Raphael, os quatro Grandes Arcanjos
que regem os quatro quadrantes do universo. Estes espelhos foram usados durante muitos
séculos para convocar visões mágicas.