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TIPOS DE CONHECIMENTO

Durante a história da humanidade, podem-se distinguir quatro tipos de conhecimento: o


conhecimento popular ou senso comum, o conhecimento religioso, o conhecimento filosófico e o
conhecimento científico. Um conhecimento necessariamente não é melhor do que o outro, eles são
ímpares por possuírem características próprias e bem específicas.
No entanto, cada um deles compartilha do mesmo objetivo: a tentativa de responder às
questões atuais e/ou criar novos questionamentos. Portanto, mesmo que o conhecimento científico
se apresente como o mais sistematizado, podemos afirmar que a ciência não é o único caminho que
apresenta alguma resposta plausível.

1. Conhecimento popular ou senso comum

De acordo com Carlos José Giudice dos Santos, o conhecimento popular existe desde a
época pré - histórica dos homens das cavernas e é passado de geração a geração. Com essa
transmissão de conhecimentos originou-se outros tipos de conhecimento. A maioria dos
conhecimentos do cotidiano teve origem no senso comum e muitas vezes por acaso.
Para se exemplificar, vale citar sobre a descoberta do fogo, a princípio pode-se
considerar como uma mera eventualidade que se tornou o motivo para o avanço dos homens
daquela época. Com isso, a partir do momento em que o homem aprende a manipular o fogo, passa
a desenvolver também habilidades relacionadas como o cozimento de alimentos, a utilização de
materiais para o preparo e materiais impermeáveis (cerâmica). Existem estudos os quais tratam que
até mesmo a metalurgia poderia ter surgido pelo acaso. É o que Chassot expõe em sua obra:
Por volta de 4000 a.C., o homem usava metais. Inicialmente usava o ouro e o cobre apenas
na fabricação de objetos de adorno, por serem esses metais encontrados livres na natureza.
A disponibilidade de cobre aumentou muito quando foi descoberto que se podia obtê-lo,
sem muita dificuldade, a partir do aquecimento de pedras azuladas. Foi talvez um
acontecimento acidental que deu origem à metalurgia, quando humanos surpreenderam-se
ao ver bolas brilhantes de cobre, quando faziam fogo em um terreno onde havia malaquita
ou azurita (minérios de cobre) (CHASSOT, 2004, p. 18).

O momento certo para o plantio, da colheita, o uso de adubo e de todas as técnicas para
o cultivo também foram adquiridas através do conhecimento popular antigo. Atualmente podemos
encontrar pessoas da zona rural que mesmo analfabetos e sem possuir outros tipos conhecimentos
científicos, que sabem o momento exato para semeadura, colheita e utilização de adubos ou outras
técnicas necessárias para o cultivo, pois foram passadas de geração por geração sem embasamento
científico. Todos esses conhecimentos, quando devidamente comprovados, foram sistematizados e
apropriados pela ciência. Entretanto, existem certas práticas derivadas do conhecimento popular que
1. Aluno do 2° semestre do curso de engenharia mecânica integral de n° de matricula 110850131.
foram passadas de geração em geração, mas que não possuem respaldo científico. Por exemplo,
pode-se citar as superstições como não comer mangas à noite e nem misturá-las com leite; não
passar debaixo de escadas; colocar uma vassoura virada atrás da porta para espantar uma visita
indesejada, etc. Os ditos populares ou expressões do conhecimento popular, não ferem a
credibilidade do senso comum, pois não lhe é atribuído a obrigatoriedade de verificação sobre sua
validade de maneira sistematizada.
Para Ander-Egg (1978:13-4), o conhecimento popular caracteriza-se por ser
predominantemente e os tipos de solos adequados para diferentes culturas.
Todos esses conhecimentos, quando devidamente comprovados, foram sistematizados e
apropriados pela ciência. Porém, existem certas práticas vindas do conhecimento popular, são elas:
 Superficial: aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas.
 Sensitivo: referente à vivência.
 Subjetivo: o próprio sujeito que organiza suas experiências e conhecimentos, tanto os
adquiridos por vivência própria quanto os “por ouvi dizer”.
 Assistemático: não apresenta sistematização das ideias.
 Acrítico: verdadeiros ou não, a pretensão de que esses conhecimentos o sejam não se
manifesta sempre de forma crítica.

2. Conhecimento Filosófico

De acordo com Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos (2003:78):


O conhecimento filosófico é valorativo, pois se ponto de partida consiste em hipóteses, que
não poderão ser submetidas à observação: “as hipóteses filosóficas baseiam-se na
experiência, portanto, este conhecimento emerge da experiência e não da experimentação”
(Trujillo, 1974:12); por este motivo, o conhecimento é não verificável, já que os enunciados
das hipóteses filosóficas, ao contrario do que ocorre no campo da ciência, não podem ser
confirmados nem refutados. É racional, em virtude de consistir num conjunto de
enunciados visam a uma representação coerente da realidade estudada, numa tentativa de
aprendê-la em sua totalidade. Por ultimo, é infalível e exato, já que, quer na busca da
realidade capaz de abranger todas as outras, quer na definição do instrumento capaz de
aprender a realidade, seus postulados, assim como suas hipóteses não são submetidos ao
decisivo teste da observação (experimentação).

Filosofia e Ciência nasceram no mesmo local (Grécia), mesma época e com o mesmo
objetivo: a busca da verdade. Ambas buscam uma sistematização do conhecimento. As duas
caminharam praticamente juntas desde o nascimento até o final do século XIX, quando houve uma
cisão mais definitiva devido ao Positivismo.
As questões que a Filosofia tenta responder são diferentes daquelas que a Ciência
consegue responder. Enquanto a Ciência é fortemente baseada em fatos, tentando estabelecer leis e
padrões, a Filosofia é especulativa, baseada principalmente na argumentação.
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Questionamentos como “por que um corpo cai?” ou “por que alguém morre?” ou ainda
“como prolongar a vida?” são objetos de estudo da Ciência. Perguntas como “existe alma?” ou “se
as almas existem, como se ligam ao corpo” ou ainda “até que ponto a eutanásia é um procedimento
ético” são objetos de estudo da Filosofia.

3. Conhecimento Religioso

Conforme citado por Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos (2003:79):
O conhecimento religioso, isto é, teológico, apoia-se em doutrinas que contem proposições
sagrada (valorativas), por terem sido reveladas pelo sobrenatural (inspiracional) e, por esse
motivo, tais verdades as consideradas infalíveis e indiscutíveis (exatas); é um conhecimento
sistemático do mundo (origem, significado, finalidade e destino) como obra de um criador
divino; suas evidencias não são verificadas: esta sempre implícita uma atitude de fé perante
a um conhecimento revelado.

A função do conhecimento religioso é, como em qualquer tipo de conhecimento, o de


fornecer respostas para as perguntas humanas. Neste caso, não são perguntas científicas, mas
perguntas relacionadas às dúvidas existenciais, aos anseios, destinos e laços que remetem a uma
entidade superior.

4. Conhecimento Científico

O senso comum é um conjunto de informações não sistematizadas, fragmentadas. A


partir do momento em que essas informações começam a ser justificadas por meio de argumentos
aceitáveis, o senso comum começa a evoluir em direção ao conhecimento científico.
Segundo Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos (2003:80):
Finalmente, o conhecimento científico é real (factual) porque lida com ocorrências ou
fatos, isto é, com toda “forma de existência que se manifesta de algum modo” (Trujillo,
1974:14). Constitui um conhecimento contingente, pois suas proposições ou hipóteses têm
sua veracidade ou falsidade conhecida através da experiência e não apenas pela razão,
como ocorre no conhecimento filosófico. É sistemático, já que se trata da um saber
ordenado logicamente, formando um sistema de ideias (teoria) e não conhecimentos
dispersos e desconexos. Possui a característica da verificabilidade, a tal ponto que as
afirmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da
ciência. Constitui-se em conhecimento falível, em virtude de no ser definitivo, absoluto ou
final e, por este motivo, é aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento
de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente.

Apesar da diferença entre os tipos de conhecimento, uma pessoa pode possuir todos os
tipos de conhecimentos, por exemplo, um cientista que atua na área da biologia, pode ter uma
crença religiosa, ter pensamentos filosóficos e durante sua vida cotidiana fazer uso do conhecimento
popular.

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