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ENSAIO

SÔBRE

A ESTATÍSTICA CIVIL E POLÍTICA

DA

P R O V Í N C I A DE P E R N A M B U C O

COMPOSTO SÔBRE DOCUMENTOS OFICIAIS E


PARTICULARES,

PELO

_ ^

DESEMBARGADOR JERONYMO MARTINIANO FIGUEIRA


DE MELLO, /??'/•

EM VIRTUDE DO CONTRATO FEITO COM A


PRESIDÊNCIA DA PROVÍNCIA, A 27 DE FEVEREIRO, DE
CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA

ENSAIO
SOBRE

A ESTATÍSTICA CIVIL E POLÍTICA


DA

PROVÍNCIA DE PERNAMBUCO
POR

JERONYMO MARTINIANO FIGUEIRA DE MELLO ^ ' '

ir

(Reedição da publicação datada de 1852)

RECIFE — 1979
vJl-ÄAS^sS
SUMARIO

P refá cio................................................................................ n

Ao L e ito r.............................................................................. 21

Contrato Feito com a Presidência acerca da Organi­


zação da Estatística........................................................... 31

ENSAIO — Sobre a Estatística Civil e Política da


Província de Pernam buco....................................... 33

CAPÍTULO I — T erritório............................................ 35

ARTIGO I — S itu a çã o......................... 36


ARTIGO II — H idrografia.................... 44
ARTIGO III — I lh a s ............................... 65
ARTIGO IV — Montes e S erra s........... 69
ARTIGO V — Singularidades............. 79

CAPÍTULO II — Divisão do T erritório....................... 81


ARTIGO I — Divisão Civil ou dos
M unicípios..................... 81
ARTIGO II — Divisão Judiciária ou
de Comarcas ................ 112
ARTIGO III — Divisão Eclesiástica ou
de F reguesias............... 129
ARTIGO IV — Posições e Distância
das Cidades e V ila s ___ 176

CAPÍTULO III — Do Governo e da Administração .. 185


ARTIGO I — Do Governo Eclesiáti-
co, Civil, e Municipal .. 185
ARTIGO II — Administração da Jus­
tiça .................................. 199
ARTIGO III — Do Governo Militar, e
da Força A rm ada......... 241

CAPÍTULO IV — População e seu M ovim ento........... 265


§ Io — População da Província .. 265
§ 2o — População da Cidade do
R e c if e .................................. 279
§ 3o — Movimento da Popula­
ção ....................................... 283
A oito graus do Equinócio se dilata
Pernambuco, província deliciosa:
A pingue caça, a pesca, a fruta grata,
A madeira entre as outras mais preciosa;
O prospeto, que os olhos arrebata
Na verdura das árvores frondosa,
Faz que o êrro se escuse a meu juízo,
Pensando que ali foi o paraíso.

CARAMURU, Cant. VI, Est. 75.

Antequam destinata componam, repetendum videtur,


qualis status urbis, quoe mens exercituum, quis habitus pro-
vinciarum, quid in toto terrarum orbe validum, quid aegrum-
que fuerit; ut non modo casus eventusque rerum, qui ple-
rumque fortuiti sunt, sed ratio etiam causa que noscantur.

TACIT., Histor., L. I. § 4.
Por proposta do ilustre Prof. Luiz Delgado, o Conselho
Estadual de Cultura de Pernambuco incluiu no seu plano de
publicações o livro de Jerônimo Martiniano Figueira de Mello,
Ensaios sobre a Estatística Civil e Política da Província de
Pernambuco. A reedição desse livro era das que há muito se
impunha, pois no nosso Estado é dele conhecido unicamente o
exemplar pertencente à biblioteca do Ginásio Pernambucano.
Por esse motivo o Conselho acolheu a proposta daquele Conse­
lheiro, fazendo fotografar todo o livro e, sobre as fotografias,
datilografar as cópias para a imprensa. O trabalho exigia
atenção especial, dado o grande número de tabelas numéricas.
Depois da composição tipográfica, a revisão foi feita direta­
mente das reproduções fotográficas para garantir a exatidão do
texto reeditado. Cabe aqui agradecer o meticuloso trabalho da
Secretaria deste Conselho, em especial ao Sr. Durval Mendes,
pela revisão das tabelas.

Em artigo de jornal publicado em 1908 Alfredo de Car­


valho (1870-1916) chamava a atenção para a extrema raridade
da obra de Figueira de Mello, indicando a razão dessa rari­
dade: “ em 1841 havia o autor contratado com o governo da
Província a organização da referida estatística, mas motivos
diversos protelaram, por longos anos, o trabalho e a impressão
só se fez com grande morosidade; terminada enfim, a edição
inteira permaneceu em folhas, sem ser brochada, até que Figuei­
ra, desiludido do pagamento, a vendeu a peso como papel de
embrulho; a esta dispersão consta terem escapado apenas seis
exemplares, de três dos quais se sabe o paradeiro: pertencem
atualmente aos Srs. Cândido de Oliveira, Pereira da Costa e
Sebastião Galvão, estando o deste truncado. A extraordinária
escassez deste livro utilíssimo é tanto mais para lamentar quan­
to contém dados abundantes e preciosos para o estudo da demo­
grafia pernambucana e que não se encontram alhures” . (1 )
0 exemplar do Ginásio Pernambucano, que serviu para esta
reedição, tem na folha de rosto a assinatura de Ceciliano Mame-
de Alves Ferreira (1850-1910), filho do notável engenheiro
José Mamede Alves Ferreira, o qual, embora formado em Direi­
to (1870) exerceu funções técnicas de engenharia. Em várias
páginas do livro há notas e emendas da letra de Francisco Au­
gusto Pereira da Costa (1851-1932), bem conhecida, de quem
escreve estas linhas. Deve tratar-se, pois, do que pertenceu a
este ilustre historiador pernambucano. Um outro exemplar exis­
te, segundo informação, no Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, do Rio de Janeiro.

0 autor refere que em 1838, na administração de Francis­


co do Rego Barros (1802-70), f oi decidido mandar organizar-
se uma Estatística Provincial e propor providências para regu­
lar a matéria, de forma que daí em diante fossem fornecidos
pelas autoridades os elementos para mantê-la atualizada. A lei
orçamentária para 1840-41 ( n° 87, de 6 de maio de 1840,
artigo 36) concedeu 4:000$ “ para serem aplicados à organi­
zação da Estatística da Província” . 0 trabalho foi ajustado
com Jerônimo Martiniano Figueira de Mello, Secretário da
Presidência (1838-40) lavrando-se o respectivo contrato em 27
de fevereiro de 1841, pelo qual se estabelecia que no prazo de
três anos deveria estar concluída a Estatística, que o governo
franquearia as repartições públicas e expediria ordens para a
organização da mesma e que a impressão seria feita por conta
da Província.

Quando Figueira de Mello se pôs a recolher os elementos


para o trabalho, verificou como eram deficientes as informa­
ções úteis e como eram ineficazes as ordens do governo, no

( 1) “Cimélios pernambucanos. Palestra bibliográfica” , Jornal do


Recife de 28 de março de 1908.
sentido de que lhe fossem prestadas as informações solicitadas.
Pouco depois sobreveio o domínio político do Partido Praieiro
(1844-48) e maiores teriam sido as suas dificuldades como
membro do governo anterior. Mas, os seus maiores problemas
provinham da incapacidade ou má vontade das autoridades civis
ou eclesiásticas de prestar informações estatísticas. “ Nunca se
viu, nem se deu maior indiferença para um trabalho de utili­
dade pública” , como era o caso da Estatística, diz Figueira de
Mello a propósito do seu trabalho. “ Tanta indiferença senti-
mos da parte da autoridade que tinha o dever de ajudar-nos e
tanta foi a relutância em darem os empregados subalternos os
esclarecimentos que reclamamos, que, para não descoroçoarmos,
foi-nos preciso revestir-nos de inflexível paciência e pertiná­
cia” , acrescentou ele. (2 )

Depois de “ razoáveis prorrogações do primitivo prazo” o


autor pôde demonstrar o adiantamento em que se encontrava o
seu trabalho com a. publicação no Diário de Pernambuco de 23
de junho e 1 de julho de 1845 da “ Estatística. Quadro geral da
população da Província de Pernambuco por comarcas, muni­
cípios e freguesias, com distinções de idades, sexos, e tc ” , aliás
sem indicação de origem, nem de autoria. (3 ) A matéria
publicada é a do Capítulo IV deste livro, “ População e seu
movimento” . Foi em 1847 que, finalmente, entregou a obra
ao governo provincial (4 ) tendo-lhe sido autorizado o paga­
mento da remuneração em 1849. (5 )

Começaram então as providências oficmis para publicação


da Estatística. “ Apesar de existirem nesta cidade três tipogra-

(2) As transcrições acima são do prefácio “Ao Leitor” neste livro.


Veja-se, também, a matéria “Estatística da Província” no Diário
de Pernambuco de 8 de julho de 1845.
( 3 ) Sobre as prorrogações ver Diário de Pernambuco de 4 de abril
e 23 de julho de 1846.
( 4 ) Ofício de Figueira de Mello ao Presidente da Província, 16 de
fevereiro de 1847, no Diário de Pernambuco de 17 de fevereiro
de 1847. Ver também o mesmo jornal de 3 e 6 de março de 1847.
( 5 ) Ofício do Presidente da Província ao Inspetor da Fazenda Pro­
vincial, Recife, 30 de junho de 1849, Diário de Pernambuco de
7 de julho de 1849.
fias capazes de a imprimir, foi ela somente apresentada a uma
dentre as mesmas; e tendo o proprietário dela declarado o preço
que a fazia imprimir, foi este julgado excessivo pela Presidên­
cia, que, segundo nos informaram, mandou depois o autógrafo
para o Rio de Janeiro, onde pediram menor preço do que aque­
le, vindo por esse motivo a ficar no pó da secretaria o dito
autógrafo até a administração do Sr. Dr. Vital de Oliveira (ju­
nho 1851-março 1852) . Tomando então esse Sr. conhecimento
do negócio, perguntou ao proprietário do Diário de Pernambuco
se tinha visto acaso aquele manuscrito, e sendo-lhe respondido
que não, fez-lhe então remessa dele, a fim de examiná-lo e de­
clarar o preço e mais condições por que o podia imprimir. Nesse
Ínterim foi o Sr. Dr. Vital de Oliveira substituído pelo Sr. Dr.
Francisco Antônio Ribeiro, o qual de novo perguntou ao refe­
rido proprietário se estava resolvido a tomar conta da impres­
são da Estatística, com algumas modificações em favor da fa­
zenda; e anuindo a essa proposta o mesmo proprietário, lan­
çou-se a escritura do contrato e recebeu o impressor o autógra­
fo” . (6 ) 0 proprietário do Diário propôs-se a imprimir o
livro por 3:200$ no prazo de dez meses. (7 )

Ao ser iniciada a composição, verificou-se que o texto pre­


cisava de revisão gramatical e vários quadros estatísticos esta­
vam por completar. Para rever a Estatística e presidir à sua
impressão foi nomeado pelo Presidente da Província o Dr. José
Soares de Azevedo (Porto 1800-Recife 1876) por portaria de
7 de abril de 1852, mediante a gratificação de 240$. Soares
de Azevedo não avaliou de início o vulto do encargo que assu­
mia, pois, segundo ele próprio disse, “ aceitou essa nomeação
em boa fé, examinando apenas o volume do autógrafo, mas não
o que nele se continha” . A revisão do manuscrito custou-lhe
mais de um ano de trabalho, pelo que ele se considerou com
direito a uma gratificação maior do que se lhe havia concedido
inicialmente. Em requerimento ao Presidente da Província, em

(6) Diário de Pernambuco de 17 de abril de 1854.


( 7) O contrato, datado do Recife, 20 de abril de 1852, está publi­
cado no Diário de Pernambuco de 2 de junho de 1863. A edição
autorizada era de 1.200 exemplares.
14 de setembro de 1853, afirma ter “ constantemente trabalhado
para que a edição seja correta e elegante, mas agora como há
um ano verifica que o trabalho que tem com ela é muito
mais que o quíntuplo do que havia calculado, quando aceitou
a missão de que o governo o encarregara, o suplicante vem
portanto reclamar de V . Excia. um ato de justiça: ele não fica
pago do trabalho que a revisão da Estatística da Província lhe
tem dado e continuará a dar até de todo se concluir, com menos
de 1 :200$” , concluindo por solicitar o parecer de um árbitro
avaliador.

Foi nomeado árbitro o D r. Brás Florentino Henriques de


Sousa, que ofereceu parecer em 13 de janeiro de 1854. Merece
este a transcrição longa que se segue: “ Antes de enunciar o
meu laudo, peço a V. Excia. licença para expender abreviada-
mente os fundamentos em que ele se baseia, pois que isto me
parece indispensável, atenta a sua natureza peculiar. Pelo exa­
me a que procedi no autógrafo da referida estatística, e ao
mesmo tempo na parte que existe impressa, pude convencer-me
de que o trabalho da revisão tem sido, nem provavelmente
o será para diante, um simples trabalho material, como à pri­
meira vista se poderia supor. Com efeito, a mais ligeira ins­
peção ao autógrafo convence a qualquer que tenha algumas
noções sobre a matéria, do estado verdadeiramente deplorável
em que ele foi entregue à impressão. Sendo uma estatística,
no que ele tem de mais essencial, um livro de cifras, pois que
não é senão o transunto da ciência dos fatos sociais expressos
por termos numéricos, com o fim de proporcionar o exato conhe­
cimento da sociedade considerada em seus elementos, em sua
economia, situação e movimento, acontece que a de que se trata
não só em geral é deficiente nesta parte, como até mesmo apre­
senta quase todos os mapas cheios de inúmeras lacunas, e o que
mais é, outros, e dos mais importantes, inteiramente em branco.
Seria fastidioso oferecer aqui a V. Excia. os numerosos exem­
plos que justificam a minha asserção, mas não me posso dispen­
sar de indicar, como espécime, os seguintes mapas, aliás de
épocas atrasadíssimas: o dos crimes julgados; o dos nascimen­
tos, casamentos e óbitos; os da população da Província, espe­
cialmente nos lugares do Brejo, Cimbres, Goiana, Itambé, Una,
Água Preta, Barreiros, etc., e t c .; o dos engenhos; o dos ofícios
mecânicos; e finalmente os da importação e exportação. Ora,
à vista desse estado de extrema imperfeição do autógrafo, o
revisor tem procurado suprir as lacunas de mais fácil preen­
chimento, já enchendo algumas casas, já fazendo a soma de
algarismos que faltam, já calculando as proporções e os termos
médios, cousas essas que, sem dúvida, pareceram ao autor da
Estatística de nenhuma, importância. Verdade é, Exmo. Sr., que
sendo quase todos os mapas de épocas mui remotas, e mesmo
anteriores à data do contrato que autorizou a confecção de se­
melhante obra, melhor seria deixá-los intactos, visto que bem
pouca utilidade podem ter. A grande vantagem das estatísti­
cas é, como V. Excia. não ignora, apresentarem o estado atual
de uma certa localidade, as suas forças, os seus recursos, os
meios de governo e administração que oferece; donde resulta
reconhecerem todas as autoridades na matéria que elas não
podem deixar de ser espécies de obras periódicas, que devem
refazer-se ou renovar-se no fim de um prazo qualquer, ou, para
melhor dizer, anualmente. Mas sendo assim, que interesse pode
ter a estatística da Província de Pernambuco, publicada em
1854, contendo cifras de fatos verificados ora de 1822 a 1825,
ora de 1827 a 1829 e ora de 1830 ou de 1840 a 1845? Um
fraco interesse, um interesse meramente histórico. Releva ain­
da notar a V . Excia. que a mesma ortografia do manuscrito
desafiou, pela sua incorreção, os cuidados do revisor; e desde
então propôs-se ele a corrigí-la, sendo que a parte impressa
bem demonstra quanto foi a mesma melhorada” . E concluiu
por avaliar o trabalho de revisão em 1:500$ (8 )

As expressões do parecer de Brás Florentino são duras com


relação a Figueira de Mello, não obstante serem ambos mem­
bros do Partido Conservador; revelam ainda desapreço pelo
interesse histórico da obra, que lhe parece “ um fraco interesse” .
Para os historiadores um dos préstimos da Estatística está exa­
tamente nesse “ interesse histórico” com que o autor reco-

(8) Diário de Pernambuco de 25 de abril de 1854 e 2 de junho de


1863.
Iheu informações — que não se encontram senão aí — relativas
a elementos demográficos das décadas de 1820 e 1830.

Talvez com mais exatidão e certamente com mais autori­


dade, o revisor, José Soares de Azevedo, esclareceu em docu­
mento de 18 de abril de 1854 qual a extensão das correções
e aditamentos feitos ao manuscrito da Estatística: “ julgo do meu
dever declarar, como encarregado de rever a edição da mesma
Estatística, e em ordem a retificar os fatos e a prevenir inter­
pretações malignas, que as lacunas que me tenho visto obriga­
do a preencher, as quais são numerosas, dizem principalmente
respeito a proporções aritméticas, a adições e divisões de nú­
meros para cálculos ( muitos de seus mapas se acham em bran­
co), a suprir algumas datas e a substituir frases por outras,
mas nunca esse preenchimento foi de natureza que me obrigasse
a introduzir matéria nova, nem a reclamar até hoje esclareci­
mento algum da autoridade. Esse trabalho, porém, enfadonho,
junto ao de emendar toda a ortografia do manuscrito que não
é letra do autor, e de tirar por isso grande número de provas,
fizeram-me reconhecer que o trabalho que tinha sobre mim não
cru o de simples revisão” . . . (9 )

Com referência ao manuscrito que não era da letra do


autor, o proprietário da editora encarregada da publicação da
Estatística, e que o era também do Diário de Pernambuco,
Manuel Figueiroa de Faria, diz que “ o autógrafo da Estatística,
tal como se acha em nosso poder, contém três partes, uma de
letra do autor e duas de letra de mais dois indivíduos” . (1 0 )

Embora o Presidente da Província tivesse mandado pagar


ao revisor a gratificação de 1:200$, mesmo assim as lacunas
apresentadas não puderam ser totalmente preenchidas, pelo que
em 1863 a impressão da Estatística ainda estava por concluir.
O editor, pelo seu jornal, esclareceu que pela cláusula 5a do
contrato “ não pode o impressor dar à estampa fôrma alguma

(9 ) A União (Recife) de 22 de abril de 1854.


(10) Diário de Pernambuco de 25 de abril de 1854.
sem que tenham supridas as lacunas do autógrafo pelo revisor,
e isto foi sempre observado, não deixando de serem impressas
todas quanto foram assim revistas e coordenadas, enquanto se
prestou a tal fim o revisor nomeado, de sorte que o trabalho já
efetuado excede ao valor de 2-.000$. De mais, essa falta não
foi ainda providenciada pelos Exmos. Presidentes, a quem tem
sido ela presente, e antes tem havido recomendação de que não
se faça impressão sem o preenchimento das lacunas” ( . . . )
“ Assim incompleta mesmo, tem a empresa fornecido <ao governo
para mais de 200 exemplares, sempre que ele o tem exigido, e
não se achando completamente concluída a impressão era im­
possível que todo o pagamento já se tivesse efetuado” (11)

Incompleto o texto de Figueira de Mello e tendo cessado


a participação do revisor, as páginas impressas do livro — im­
pressão ainda por concluir em 1863, como ficou indicado, não
obstante estar datada a folha de rosto de 1852 — ficaram por
muitos anos na tipografia de M . F . de Faria e, segundo a in­
formação de Alfredo de Carvalho já transcrita, acabaram por
ser vendidas a peso “ como papel de embrulho” . Aliás a infor­
mação desse historiador deve merecer algumas retificações;
segundo ele, terminada a impressão, “ a edição inteira perma­
neceu em folhas, sem ser brochada, até que Figueira, desilu­
dido do pagamento, a vendeu a peso como papel de embrulho
e a esta dispersão consta terem escapado seis exemplares” . . .
Na verdade, Figueira deve ter recebido o pagamento dos 4:000$
do contrato de trabalho, conforme autorização dada pelo Presi­
dente da Província ao Inspetor da Tesouraria da Fazenda em
30 de junho de 1849, já citada. Por outro lado, a iniciativa
da impressão foi da Província, conforme contrato lavrado entre
a Presidência e a tipografia mencionada, de forma que o autor
não poderia ter vendido a edição, da qual consta terem sido
entregues ao governo, mesmo incompleta, 200 exemplares e não
apenas 6 . E certo, porém, que são extremamente raros os exem­
plares da Estatística, da qual é desconhecido o número dos que
se conservam em bibliotecas públicas e particulares.

(11) Diário de Pernambuco de 2 de junho de 1863.


Falhada a tentativa do Conde da Boa Vista, em 1840, de
levantamento de uma estatística de Pernambuco, em 1867 o
Presidente da Província, autorizado pela Lei Provincial n° 773,
de 11 de julho desse ano, fez pública a abertura de concorrên­
cia para o preparo de outra estatística, tendo apresentado pro­
postas os bacharéis Antônio de Vasconcelos Menezes de Drum-
mond e José Joaquim Tavares Belfort, as quais estão publica­
das no Diário de Pernambuco, tendo sido preferida a do segun­
do, com o qual foi lavrado contrato em 18 de outubro de 1869
pelo montante de 13:000$, pagáveis em quatro parcelas à pro­
porção de entrega do trabalho (1 2 ) . Em 1868 foi-lhe paga a
primeira, de 3:250$, depois que uma comissão, composta do
Conselheiro José Bento da Cunha e Figueiredo e dos Drs. Joa­
quim de A quino Fonseca e Francisco Manuel Raposo de Almei­
da, se manifestou a respeito favoravelmente ( 1 3 ) . Em 23 de
dezembro de 1869 o Presidente concedeu a Tavares Belfort a
prorrogação do prazo de entrega por um ano, e por igual período
em 27 de abril de 1871, a contar de 31 de dezembro de 1870,
e em novamente em 31 de dezembro de 1871 ( 1 4 ) . Apesar
dessas sucessivas prorrogações, o contratante da estatística não
entregou o trabalho, do qual se conhece apenas, <a. parte que foi
publicada em 1868 no Jornal do Recife. 0 que aí se publicou,
sob o título geral de “ Apontamentos para a Estatística da Pro­
víncia de Pernambuco pelo Dr. J. J. Tavares Belfort” inclui
uma parte sobre a “ História. Natural” da Província ( “ Zoologia” )
nos números de 10, 13, 16, 20, 26 e 27 de outubro, à qual se
devia seguir a relativa à “ Botânica” ; o editor do Jornal resol­
veu, porém, alterar a ordem de texto e divulgar logo “ a parte
relativa a Ordens Regulares e Congregações Religiosas, alter­
nando assim a parte científica com a parte histórica” ( 1 5 ) .
De fato, a partir de novembro passou a divulgar os seguintes
textos:

(12) Diário de Pernambuco de 18 e 22 de outubro e 6 de novembro


de 1867.
(13) Diário de Pernambuco de 12 de abril de 1869.
(14) Diário de Pernambuco de 20 de abril de 1870, 1 de maio de 1871
e 11 de março de 1872.
(15) Jornal do Recife de 29 de outubro de 1868.
2 de novembro — Jesuítas (igrejas, colégios e
e história da Ordem)
3 do mesmo mês — Franciscanos
4 idem — ainda os Franciscanos
5 idem — Capuchinhos
7 idem — Carmelitas
10 idem — Beneditinos
11 idem — Lazaristas, Irmãs de Caridade e Irmãs
de Santa Dorotéa
14 idem — Recolhimentos da Conceição de Olin­
da, do Sagrado Coração de Jesus de Igaraçu, de
N. S. da Soledade de Goiana, de N. S. da Glória
do Recife e de N. S. do Bom Conselho da vila
da mesma invocação.

Da parte propriamente estatística nada foi publicado e,


assim, a obra de Figueira de Mello é a única que, a respeito
de Pernambuco, foi divulgada pela. imprensa antes do censo de
1872.

José Antonio Gonsalves de Mello


Tão dignas de consideração foram sempre julgadas as
noções estatísticas sobre o estado da população, cultura, pro­
dução, consumo e exportação de qualquer país, que a Carta
Régia de 8 de julho de 1800, dirigida ao Vice-Rei do Brasil,
entre as primeiras obrigações de seu cargo, enumerava a de
obter e enviar a Portugal essas noções; porque só em virtude
delas se podia facilmente conhecer o grau de prosperidade a
que o país poderia elevar-se, a grandeza de suas produções,
a extensão de seu consumo, e a proporção que há entre estes
e as produções anuais.

E com efeito, sob pena de incorrerem por seu desleixo e


incúria em erros graves, prejudicialíssimos, e irremediáveis
muitas vezes, não é possível que os governos resolvam pru­
dentemente todas as questões relativas à divisão do território
sobre que exercem a sua ação; aos impostos que devem recair
sobre a sociedade, para sustento da Administração, e confec­
ção das mais úteis obras e estabelecimentos; à composição do
exército, que mantém a ordem interior e defende o país das
agressões externas; às graves questões de justiça criminal e
civil, com as quais se enlaçam e complicam todos os direitos
e interesses individuais; ao comércio interno ou externo; a
agricultura, manufaturas e artes, que por si tanto aumentam
a riqueza pública; e a infinitos outros objetos, que seria enfa­
donho enumerar no presente lugar, sem saberem positiva­
mente quais as circunstâncias e acidentes do terreno, por
meio de excelentes Cartas Corográficas e Geológicas; qual a
quantidade de objetos produzidos, consumidos, exportados ou
importados no país; qual a população do Estado, considerada
sob todas as suas relações físicas e morais; qual o número e
qualidade de crimes que se cometem, se julgam e se punem,
etc. etc.
A Estatística é, como diz For j az de Sampaio nos seus
Elementos de Economia Política e de Estatística, a luz do
Legislador, do Ministro de Estado, e do Diplomata, a prova
e o comentário de toda a história, e o único fundamento
seguro dos cálculos do porvir.

É natural que a disposição da Carta Régia, que citamos,


tivesse sido expedida para esta Província, como uma das que
mais importantes se mostravam à Corte Portuguesa, por sua
bela posição, variadas produções, ativa população, territorial
grandeza, e até por sua heróica história. É natural que se
tivessem para ali anualmente enviado grande parte das no­
ções exigidas; mas, apesar das diligências que fizemos, não
pudemos conseguir um só documento que lhes fosse relativo,
se excetuarmos os mapas sobre a importação, exportação e
navegação da Província, organizados pela Alfândega desde
1801 até 1826, em virtude de ordens régias, e que o ex-escri­
vão da Mesa Grande havia tido o bom-senso de guardar: —
e isso, ou porque os Governadores e Capitães Generais, reme­
tendo para a metrópole todos os documentos exigidos se reti­
ravam com as cópias, que aliás deviam ser propriedade da
Secretaria do Governo; ou porque, achando-se dispersas as
noções estatísticas, elas se perdiam, por efeito do tempo, do
abandono, do nenhum apreço que lhes davam oficiais subal­
ternos e ignorantes; ou mesmo por efeito do vandalismo de
certos chefes de Repartições, que vendo-as amontoadas de
papéis, e não podendo nem querendo guardá-los, assentaram,
novos Ornares, que o melhor meio de se livrarem deles, era
não separar os inúteis por meio de judiciosa seleção, mas en­
tregar a maior parte às chamas, e às praias. Coisa extraor­
dinária! Aqueles mesmos que por sua posição deveriam ter
tido muitos desses documentos, parece que os dispensavam,
todas as vezes que tomavam resoluções importantes, ou que
os rasgavam, passada que fosse a ocasião em que eles tinham
sido necessários — ; e para que citemos um exemplo, bastará
lembrar que, tendo-nos dirigido ao Exmo. Sr. Jozé Carlos
Marink da Silva Ferrão, que na Província ocupara o lugar de
Secretário por quase 13 anos, e fora seu Presidente por 3, e
Senador por 18, a fim de pedir-lhe alguns documentos esta­
tísticos com que completássemos a Estatística da Provín­
cia, tivemos em resposta que nada conservava de quanto lhe
havia servido em outras épocas!
Ora, como não existia na Província até 1820 um só jornal
em que se publicassem os mapas de importação, exportação,
navegação, população, e os mais que à Administração eram
enviados; como esses documentos se não conservavam nas
Repartições Públicas, ou nelas existiam dispersos, confundi­
dos e cobertos de poeira; resultava de tais fatos que os Admi­
nistradores da Província, quer do novo quer do antigo regí­
men, entravam quase sempre na gerência dos negócios sem
a menor noção do seu estado, das suas necessidades, e das
providências que se deveriam adotar; e que para terem alguns
conhecimentos positivos se viam obrigados a fazer novas exi­
gências, com diferentes condições, sob novas formas, e a reno­
var assim, com dispêndio de tempo e de dinheiro, um traba­
lho enfadonho e impertinente, bem que vantajoso e util, qual
o de colher noções estatísticas sobre a Província, cuja direção
lhes era confiada. Da falta desses dados resultava ainda que,
ou a Administração não tomava resolução alguma, ou a demo­
rava por muito tempo, à espera que eles chegassem^— o que
nem sempre acontecia — , e que portanto, o serviço público era
comprometido, e a Província ficava estacionária em tudo quan­
to dizia respeito ao seu desenvolvimento material e moral.

Foi isto o que aconteceu ao Sr. Francisco do Rego Barros,


hoje Barão da Boa-Vista, quando tomou pela Ia vez conta da
Presidência de Pernambuco. Este notável Administrador,
do qual fomos Secretário por espaço de mais de três anos,
querendo evitar os inconvenientes da falta de uma Estatística
Provincial, e cumprir o preceito das leis que a mandam fazer,
solicitou logo depois de sua posse (em 1838), a confecção de
uma lei que regulasse a matéria, e que ministrasse os fundos
precisos para poder incumbir a organização da Estatística a
pessoa habilitada para tais trabalhos. Penetrada dos mesmos
sentimentos acerca da utilidade de semelhante obra, a Assem­
bléia Legislativa Provincial concedeu quatro contos de réis
para este fim, pela lei n° 87, de 1840; e nós, tendo empreen­
dido a confecção da Estatística da Província na parte civil e
política, sob as condições constantes do contrato, e do progra­
ma que lhe foi anexo, abaixo transcritos, vimos hoje apresen­
tar o resultado de nossos trabalhos e fadigas. Seja-nos pois
lícito dizer as poucas seguintes palavras:

Io Que não apresentamos simplesmente uma descrição


do estado presente da província, mas sim diferentes descri-
ções; porque procuramos com toda a clareza e especificação
qual fosse esse estado, em diferentes épocas mais ou menos
apartadas, publicando documentos preciosos, que nos foram
comunicados, ou que descobrimos à força de diligências e pes­
quisas. Assim, na parte comercial, tendo-nos o Governo ha­
bilitado apenas com os mapas de importação, exportação e
navegação dos anos financeiros de 1835-36, e com os de 1844-
-45, nós apresentamos essa importação, exportação e navega­
ção de 1801 até a primeira das indicadas épocas, com exce­
ção dos anos de 1827-35, que pedimos à Presidência por vezes,
e que nunca obtivemos.

Empregando estes documentos, nós procuramos ou clas­


sificá-los por grandes categorias, como fizemos, apresentando
a importação debaixo dos diferentes produtos, fazendas, fer­
ragens, líquidos, víveres, etc., ou deduzir deles os termos de
comparação entre certas épocas, ou os termos médios dentro
destas, pois que, como bem diz Miguel Chevalier (Prefácio à
Obra de Porter: Progressos da Grã-Bretanha), a Estatística
tira das comparações todo o seu valor e utilidade.

2o Que, a fim de tornar mais interessante e menos des­


carnado o nosso trabalho, procuramos apresentar em todos
os pontos dele a história, e a legislação que lhe dizia respeito,
ajuntando-lhe de um modo conciso todas aquelas reflexões
que o assunto nos sugeria, como se vê do que dizemos acerca
da instrução, do comércio, da indústria, etc.

3o Que tratamos de comparar a importação, exportação,


navegação e rendas desta província com a de outras, que se
achavam em igualdade de circunstâncias, como o Rio de
Janeiro, Bahia e Maranhão, juntando à nossa obra os respec­
tivos mapas, durante certo espaço de tempo. E conquanto
não estivéssemos obrigados a fazer esta espécie de Estatística,
que alguns escritores chamam do exterior, pareceu-nos que o
interesse muito se aumentaria; de Provincial tornar-se-ia
quase Nacional; e que Pernambuco poderia ser melhor apre­
ciado, posto em frente das outras Províncias do Império.

4o Que na nossa Estatística do interior apresentamos


trabalhos a que não estávamos obrigados pelo programa que
nos foi dado, a fim de torná-la mais completa e proveitosa,
como sejam quase todo o Capítulo I, do Território, e todo o
Capítulo V, relativo aos três reinos naturais; e que, ainda
naqueles objetos que se compreendem nesse programa, lhes
unimos indagações e informações interessantes, novas e não
exigidas, como a data da criação das comarcas, municípios e
freguesias da província; o seu patrimônio; suas capelas, os
rendimentos das Matrizes, etc.

5o Que se partes do programa há, que se não fundaram


nos mais recentes documentos, culpa não foi essa nossa, que
oportuna e importunamente os solicitamos da Presidência e
mais dos Empregados, os quais devendo, não puderam ou não
quiseram subministrá-los, alguns talvez levados desse malé­
volo espírito de partido, que corrompe todas as idéias, como
se a obra que empreendemos tendesse a sustentar algum dos
lados políticos em que a Província infelizmente se acha re­
partida .

6o Que era nossa intenção tratar de avaliar em capítu­


los especiais o consumo de gêneros e mercadorias que faz a
Província, assim como a importância total de sua riqueza em
numerário, em produtos, em terras, escravos, etc., apesar de
não sermos a isso obrigados pelo programa; mas a estreiteza
do tempo, e a certeza de que seriam baldados e inúteis todos
os passos tendentes a obter da Presidência a prorrogação do
prazo que nos fora concedido, nos obstaram a entrar em
semelhantes detalhes, cumprindo porém assegurar que deles
vamos ocupar-nos com todo o zelo e fervor, e que talvez ainda
os possamos incluir na ocasião em que a obra tiver de ser
impressa.

Na desgraçada época em que vivemos, divididos por par­


tidos intolerantes e extremados, ralados de profundos ódios
pessoais, alheios inteiramente a todas as idéias de bem públi­
co; em uma época em que as idéias políticas e as relações
particulares servem de fundamento a mil prejuízos, a negar-
se ao cidadão honesto a mínima porção de moralidade, a
fazê-lo beber, não uma mas muitas vezes, o amargoso cálice
das injúrias e dos apodos, até a última gota; a arrastarem-
no pelas ruas da amargura, como um mártir sacrificado ao
poder dominante e insensato do dia; em uma época em que
tantos, aguilhoados pela ambição, sentem urgente necessi­
dade de irem apressados aos seus fins, atassalhando sem o
menor resguardo o merecimento alheio; em uma época, dize­
mos, em que nada é estável, e tudo é anarquia, já antevemos
que muitas críticas nos esperam. Somos os primeiros a con­
fessar que a nossa obra terá grandes defeitos, provindos da
extensão do assunto, da curteza de nossos talentos, e da defi­
ciência dos esclarecimentos com que devíamos contar; mas
pedimos aos homens competentes, por sua ilustração e pela
prática dos negócios públicos, toda a indulgência para o mo­
desto Ensaio estatístico que oferecemos à sua leitura e medi­
tação, cientificando-os de que nem ignorávamos as imensas
dificuldades com que tínhamos de lutar, nem tivemos outro
fim, ao encarregar-nos de tão árdua tarefa, que o de sermos
útil à Província onde a sorte nos colocara; espalhar, comple­
tando-os, os conhecimentos que tínhamos adquirido sobre as
suas diversas circunstâncias, e popularizar uma ciência que
tinha sido o apanágio privativo dos homens da administra­
ção, e não de quantos se interessam pelos negócios públicos.
As críticas feitas pelos espíritos esclarecidos muito nos aju­
darão a retificar os nossos erros e descuidos; cumpre porém
que destruamos aquelas que temos visto fazer, e que natu­
ralmente se oferecem aos que não estão acostumados a con­
siderar assuntos como o de que nos ocupamos.

Leitores haverá que nos censurem por termos multipli­


cado os mapas, em vez de reduzí-los, e de apresentar os seus
resultados; nós porém entendemos que na primeira edição
de nossa obra assim deveríamos praticar, quer para torná-la
mais interessante, quer para evitar acusações de exagerado
ou de defectivo, se porventura grupássemos mais os dados
estatísticos. Com os fatos de que têm conhecimento nas loca­
lidades em que vivem, pode cada indivíduo avaliar por si
mesmo os resultados apresentados, e dar-lhes a consideração
que merecem; ficando por uma vez advertido que para eles
nos guiamos sempre por dados oficiais, ou por documentos
verídicos e circunstanciados, que de ordinário citamos. Demais,
escrevemos a nossa obra para o Governo da Província, e era
portanto necessário que abundássemos em mapas e descri­
ções detalhadas. Que esclarecimentos obteria o Legislador, o
Administrador da Província, acerca deste ou daquele ponto,
se por acaso confundíssemos o curato na freguesia, a fregue­
sia no município, o município na comarca, esta finalmente
na província, quando porventura ele investigasse somente o
que respeitava a uma destas categorias? Semelhante Esta­
tística somente poderia servir para conhecer-se a província,
e mais os diferentes distritos, termos e jurisdições em que
ela se acha dividida. Poderia talvez servir de muito ao Go­
verno Geral, pouco ao Governo Presidencial, e nada ao Goia-
nista, ao Boavistano, e a outros habitantes da província.

Outros quereriam que sobre cada artigo da Estatística


desenvolvêssemos todas as considerações filosóficas, morais,
políticas e econômicas que o assunto poderia sugerir-nos; mas
isto é evidentemente um erro. A função do estatístico limi­
ta-se a apresentar fatos bem averiguados sob todas as suas
faces, e com todas as suas propriedades; mas não a deduzir
deles considerações que pertencem ao moralista, ao filósofo,
ao estadista, ao financeiro, etc. “ A Estatística, diz Say, não
nos faz conhecer senão os fatos acontecidos; ela expõe o esta­
do das produções e dos consumos de certo lugar, em uma
designada época, assim como o estado de sua população, de
suas forças, de sua riqueza, e dos atos ordinários que nele
se passam e são susceptíveis de enumeração. Descrição minu­
ciosa, a Estatística pode agradar à curiosidade, mas não a
satisfaz utilmente quando não indica a origem e as conse­
quências dos fatos por ela consignados; mas quando o faz
torna-se então economia política” . O mesmo podemos nós
dizer acerca da moral, da legislação, etc. A Estatística é o
repertório onde se vão encontrar os fatos que servem de base
aos raciocínios e meditações dos sábios, ou aos atos dos legis­
ladores, administradores e estadistas.

Alguns espíritos, afetando extraordinária severidade, que­


reriam que a nossa obra, para que lhes pudesse merecer
algum conceito, se fundasse somente em documentos oficiais;
como se os documentos particulares não pudessem ter tanta
ou maior veracidade que esses, quando são subministrados
por pessoas conscienciosas, e se tanto uns como outros não
devessem ser muitas vezes corrigidos, para que possam ser
úteis. Desejariam igualmente que todos os detalhes, todos
os números apresentados, tivessem uma exatidão quase ma­
temática em relação aos fatos locais, que eles conhecem; a
menor discrepância excitaria as suas iras, e faria condenar a
obra ao mais ignominioso desprezo. Cumpre porem adver­
tir a esses rigoristas que a Estatística é somente uma proba­
bilidade maior ou menor, segundo o espírito de observação
que presidiu à sua confecção, o cuidado que se mostrou na
aquisição dos documentos, e a forma por que foi suprida a
deficiência ou imperfeição de tais documentos. Aos olhos dos
que aceitam os fatos sem examiná-los, parecerá que o valor
oficial da importação ou exportação é sem dúvida o valor
real respectivo; mas quanto se enganam! O contrabando por
um lado, as fraudes dos comerciantes por outro, a prevaricação
e o desleixo dos empregados afinal, fazem passar mercadorias,
cuja importância se fosse conhecida, faria avultar extraordi­
nariamente o algarismo aparente dos documentos aficiais. O
valor dos impostos internos, que se recolhem aos cofres públi­
cos, corresponderá acaso exatamente ao que deviam pagar os
contribuintes, ou o que por estes foi efetivamente pago? Não,
decerto, porque muitos se subtraem ao imposto; e coletores
haverá que não façam o menor escrúpulo em distrair os fun­
dos públicos em seu particular proveito. Entretanto, não
obstante a imperfeição destes dados, a autoridade se vê força­
da a tomá-los por base dos seus cálculos, de suas medidas,
e de seus atos. “ Os fatos, diz Say, que a Estatística apre­
senta, são mais ou menos incertos, e necessariamente incom­
pletos. Sobre a estatística dos países longínquos e dos tem­
pos que nos precederam, somente se podem fazer ensaios des­
tacados e imperfeitíssimos; e quanto à dos tempos presentes,
poucos homens reunem as qualidades de um bom observador
a uma posição favorável para observar. Nunca se conseguiu
um verdadeiro censo da população. A inexatidão dos docu­
mentos a que somos obrigados a recorrer, a inquieta descon­
fiança de certos governos, e até dos cidadãos, a má vontade
e a incúria, opõem obstáculos, às vezes invencíveis, aos cui­
dados que tomamos para obter exatas informações” . Os
homens competentes não podem exigir, portanto, exatidão
perfeita nos resultados estatísticos, mas somente que a ela
nos aproximemos o mais que nos for possível.

A desconfiança dos cidadãos, a má vontade e incúria da


parte dos empregados, a que Say atribui a falta de exatidão
nos trabalhos e indicações da Estatística, foram, sem dúvida,
por nós experimentadas ao redigir a que apresentamos. Pare­
ce que esse autor descrevia todos os embaraços que temos
tido. Estando a Presidência obrigada pelo contrato a minis­
trar-nos todos os documentos que pedíssemos, ela limitou-se,
e com especialidade no tempo do Sr. Chichorro, a expedir as
ordens precisas, sem se importar um só instante de exigir o
seu exato e pronto cumprimente, nem de repreender, ao me­
nos, a um só empregado que as desprezara, apesar de nossas
contínuas reclamações. Nunca se viu, nem se deu maior indi­
ferença para um trabalho de utilidade pública. Pedimos, por
exemplo, o mapa dos diferentes empregados da polícia pro­
vincial; pedimos os mapas sobre a administração da justiça
criminal na província, desde 1842 até 1845; pedimos os ma­
pas de importação desde 1827 até 1834-35, e os de exportação
por Nações desde 1827 até 1833-34; pedimos o número dos
engenhos, sítios e fazendas dos municípios do Recife, Olinda,
Igaraçu, Sirinhaém e Rio Formoso; pedimos os mapas da
população de algumas freguesias; pedimos estas e outras in­
formações, uma e muitas vezes; e não nos tendo sido forne­
cidas oor acinte, como se poderá ver da correspondência rela­
tivamente aos mapas sobre a administração da justiça, que
adiante publicaremos, tivemos de recorrer aos particulares, se
quisemos obter alguns esclarecimentos, e a despender em
correspondências, em longas pesquisas, em passadas inúteis
e infrutíferas, o tempo que poderia ser destinado aos nossos
trabalhos forenses, e a melhor elaboração de nossa obra.

Tanta indiferença sentimos da parte da autoridade que


tinha o dever de ajudar-nos, e tanta foi a relutância em
darem os empregados subalternos os esclarecimentos que re­
clamamos, que, para não desacoroçoarmos, foi-nos preciso
revestir-nos de inflexível paciência e pertinácia, colocarmo-
nos acima do temor das críticas, e termos como um dever
sagrado a apresentação de uma obra, a cuja confecção nos
tínhamos comprometido, e do qual nos dispensaríamos facil­
mente, recolhendo o limitado quantitativo que se nos adian­
tou para despesas de escrituração; de sorte que só essa últi­
ma consideração, fortalecida pelos conselhos de alguns bons
amigos, nos cortara os impulsos, que muitas vezes tivemos,
de acabar com esse contrato; quando inimigos políticos, que
dirigiam a Assembléia Legislativa Provincial em 1846, resol­
veram que ele fosse rescindido judicialmente, sem que para
isso houvesse o menor fundamento jurídico, ou motivo justi­
ficável. Tendo nós obtido razoáveis prorrogações do primi­
tivo prazo, em razão de não nos terem sido subministrados
oportunamente os documentos pedidos; tendo-nos impossibi­
litado de trabalhar assiduamente na Estatística as comissões
populares, administrativas ou policiais que exercemos por
quase três anos; e nem se achando ainda terminada a última
prorrogação que tínhamos obtido legalmente, não se nos po­
dia lançar em rosto falta de cumprimento das condições do
nosso contrato, e nem era possível que o zelo pela fazenda
provincial movesse a esses nossos adversários, sendo tão limi­
tada a importância que recebemos, e até devendo ser resti­
tuída, segundo o contrato, com os correspondentes juros de
6 por cento, quando tantos devedores nada pagam pela pro­
telação dos seus pagamentos. Custou-nos sobremodo sofrer
que se procurasse interromper e acabar os trabalhos de quem
procurava fazer conhecida a bela província de Pernambuco,
publicando sobre ela a primeira obra de Estatística regular.
Felizmente para nós, teve em nosso ânimo mais influência o
sentimento do dever do que o despeito; e os tribunais acabam
de fazer-nos justiça desprezando a injusta demanda que nos
fora intentada.

Não finalizaremos este nosso artigo sem rendermos os


nossos maiores e mais sinceros agradecimentos ao Sr. Bento
José Fernandes Barros, atual Escrivão da Entrada e Descar­
ga da Alfândega desta Cidade, que, levado de amizade, e
desejoso de coadjuvar os nossos trabalhos, se dignou encar-
regar-se da organização dos diferentes mapas de navegação,
importação, exportação, e população, que apresentamos, e dos
quais era-nos impossível ocupar-nos, atentas a natureza de
nossas ocupações judiciárias, e de afazeres diversos que nos
cercam. Feitos com suma exatidão e cuidado, apresentados
debaixo de diversas formas, com toda a possível clareza e
ordem; elaborados sobre documentos informes, demandando
uma multidão de cálculos complicados e impertinentes, esses
mapas atestam, a nosso ver, a clara inteligência, a inesgotá­
vel paciência, a sincera dedicação do Sr. Fernandes Barros,
já tão vantajosamente conhecido e apreciado na província, e
são para nós um grande testemunho da amizade com que
nos honra há tantos anos. Os homens entendidos na maté­
ria avaliarão, sem dúvida, as dificuldades vencidas pelo Sr.
Fernandes Barros, e reconhecerão o indisputável mérito dos
seus interessantes trabalhos. O adjutório que ele nos pres­
tou indenizou-nos da indiferença e embaraços que nos opuse­
ram outros, e faz que aqui o recordemos com a mais grata
satisfação, largando a pena de escritor.
Recife, 27 de janeiro, de 1847
J. M. FIGUEIRA DE MELLO
CONTRATO FEITO COM A PRESIDÊNCIA ACERCA DA
ORGANIZAÇÃO DA ESTATÍSTICA

O Presidente da Província, a fim de levar a efeito quanto


antes a organização da Estatística da mesma Província, tem
contratado com o bacharel formado Jeronymo Martiniano
Figueira de Mello o seguinte:

Art. Io — O bacharel Jeronymo Martiniano Figueira de


Mello organizará, e apresentará dentro de três anos, da data
deste, a Estatística civil e política da Província, segundo o
programa que a este vai junto, assinado pelo oficial-maior
interino.

Art. 2o — O referido bacharel perceberá a quantia de


quatro contos de réis, marcada pela lei provincial n. 87, de
6 de maio de 1840, no caso de satisfazer cabalmente o men­
cionado programa. Se porém o desempenho deste for incom­
pleto, perceberá somente uma parte desta quantia, que, em
tal hipótese, será marcada a juízo de quatro árbitros, nomea­
dos dois pelo Presidente da Província, e dois pelo bacharel
contratante, podendo este submeter a sua decisão ao Insti­
tuto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.

Art. 3o — O referido bacharel terá, na forma das leis, a


propriedade da obra que apresentar; mas a primeira impres­
são será feita por conta dos cofres provinciais, e os exempla­
res que dela se tirarem pertencerão à província, menos a dé­
cima parte, que será entregue ao autor da mesma obra. Nas
duas edições seguintes, em que se acrescentarem novos desen­
volvimentos e indagações, observar-se-á a regra oposta.
Art. 4o — Para fazer face às despesas de escrituração e
confecção de mapas, receberá o referido bacharel imediata­
mente a quantia de um conto de réis, que restituirá com os
juros respectivos de seis por cento ao ano, quando porven­
tura a obra não for julgada digna, nem da totalidade, nem
de uma parte do prêmio marcado.
Art. 5o — Para se ministrarem ao referido bacharel os
documentos, notícias e informações por ele solicitados, o Go­
verno da Província lhe franqueará as repartições públicas, e
expedirá as mais ordens precisas para a organização da Esta­
tística .
E para que a todo o tempo conste o referido contrato,
assentou-se lavrar dois do teor deste, em que assinaram o
mesmo Presidente da Província, e o bacharel contratante.
Palácio do Governo de Pernambuco, 27 de fevereiro, de 1841.
Francisco do Rêgo Barros — Jeronymo Martiniano Figueira
de Mello.
ENSAIO

SO B R E A ESTA TÍSTIC A C IVIL E POLÍTICA D A

P R O V ÍN C IA DE P E R N A M B U C O

iL
V

vo
TERRITÓRIO

A província de Pernambuco foi antigamente muito exten­


sa, e compreendia os territórios que hoje formam ao Norte
as províncias do Ceará, Rio-Grande, e Paraíba; ao Sul a das
Alagoas, e a Oeste a comarca da Vila-da-Barra, pertencente
na atualidade à província da Bahia.
As províncias do Ceará e da Paraíba foram separadas
pela Carta Régia de 17 de janeiro de 1799, em razão dos
inconvenientes que resultavam da inteira dependência e su­
bordinação aos Governadores e Capitães-Generais de Pernam­
buco.

A província das Alagoas foi desmembrada pelo Alvará de


16 de setembro de 1817, em conseqüência dos serviços por ela
prestados contra a revolução democrática, que em 1817 reben­
tara na cidade do Recife.
A província de Rio-Grande-do-Norte ficou igualmente
com governo próprio e independente, em virtude do Decreto
de 3 de fevereiro de 1821, que mandou criar nela uma alfân­
dega, inspeção, e junta de fazenda, independentes de Per­
nambuco, de que ficou inteiramente separada, por solicita­
ções do Governador da Capitania José Ignacio Borges, (a)
A comarca do Rio-de-São Francisco, que compreendia as
vilas da Barra e de Campo-Largo, e a povoação de Carunha-
nha com os seus respectivos termos, foi desmembrada pelo
Decreto de 7 de julho de 1824, para pertencer à província de
Minas-Gerais, da qual ainda foi desligada para a da Bahia,
pela Resolução de 15 de outubro de 1827.

fa) Contra estas solicitações informou o General Luiz do Rêgo Bar­


reto, em ofício de 10 de junho, de 1818.
ARTIGO I

SITUAÇÃO

A província de Pernambuco se estende presentemente


entre os 7o 11” e os 9o 44” de latitude meridional, e Io 30” ,
e 8o 30’ de longitude oriental do meridiano do Rio de Janeiro!

§ Io COMPRIMENTO E LARGURA — Ela tem 44 léguas


de costa na sua maior largura, contadas desde o rio Abiá
ao Norte, até o rio Persinunga ao Sul, e 185 no seu maior
comprimento, desde o cabo de S. Agostinho a Leste, ponto
mais saliente da costa, até a serra do Araripe, ao Oeste, que
lhe serve de limite com a Província do Ceará.

§ 2o LIMITES — A província de Pernambuco limita-se


ao Norte com a província da Paraíba, pelo rio Abiá supra­
citado; e seguindo para o Sul pelo rio Popoca, que nele se
lança, e depois mais para a direção de L. SE. pelos limites
das freguesias de També, Taquaritinga, Cimbres, e finalmen­
te pela serra da Borborema, que nasce no Rio-Grande, atra­
vessa a província da Paraíba, e com a direção L. SE. vai
dividindo-a de Pernambuco até chegar ao Ceará, onde toma
o nome de Araripe; — ao Sul com a província das Alagoas,
pelo ribeiro Persinunga, de L. a O., até a sua nascente; e
voltando daí para o Norte, até o rio Jacuípe, pouco acima de
sua embocadura, no rio Una, pelo rio da Taquara até a sua
foz no Jacuípe, pelo rio seco da Jibóia; e bem assim com a
província da Bahia, desde a barra do rio Moxotó, pelo rio de
S. Francisco, até aos limites da antiga comarca do Sertão de
Pernambuco, no lugar denominado “ Pau da Arara” , e daí por
uma linha imaginária de L. a O. de 30 léguas, talvez, até a
extrema da província do Piauí, cujos limites correm na dire­
ção de L. SO.; a Leste com o Oceano; e ao Oeste com a pro­
víncia do Piauí, pelas serras de Piauí e dos Dois-Irmãos, fa­
zenda Piririca; e com a do Ceará pela serra do Araripe iá
citada. ’

Os limites com a província da Paraíba, desde a emboca­


dura do rio Abiá até a serra denominada da Piedade, são de
80 léguas, pouco mais ou menos; com a do Ceará, desde a
serra da Piedade até os limites da freguesia do Exu, de 40
léguas; com a das Alagoas, desde a barra do rio Persinunga
até o rio Moxotó, de 80 léguas; com a do Piauí, desde os limi­
tes da freguesia do Exu até a linha divisória imaginária, 110
léguas; com o mar, desde o rio Abiá até o Persinunga, 44;
com a província da Bahia, desde a barra do rio Moxotó até
o lugar denominado “ Pau-da-Arara (ou da História)” , 80
léguas; de sorte que o desenvolvimento das fronteiras da pro­
víncia é de 480 léguas atualmente, pouco mais ou menos.
§ 3o SUPERFÍCIE — A província de Pernambuco, se­
gundo geralmente se diz, tem 7:200 (a) léguas quadradas;
mas tomando por base a Carta Corográfica do coronel de
engenheiros Conrado Jacob de Niemeyer, a medição dá em
resultado uma superfície de 2:388:143 braças quadradas; o
3583
que corresponde a 9 — graus quadrados, perto do equa­
dor; superfície que, reduzida a léguas quadradas, é em léguas
5
portuguesas de 18 ao graud de 3:032 — ; em ditas marítimas
3
de 20 ao grau, de 3:743 — ; em ditas comuns de 25 ao grau,
9
de 5:848 —, segundo os cálculos do engenheiro em chefe da
província L. L. Vauthier. Este engenheiro porém, tendo
notado algumas inexatidões na Carta Corográfica do coronel
Conrado, quanto ao curso do rio de S. Francisco, e limites
da província com as do Ceará e Piauí, e retificando as pri­
meiras pela Carta do Barão de Eschwege, e estas pelas Cartas
de Schevar-Zman e Martens, entende que a extensão super­
ficial da Província atinge a 2:849:890 braças quadradas, cor-
1676
respondentes a 11 — graus equatórios quadrados; ou por

outra forma, em léguas portuguesas:


............................ de 18 ao gr. a 3618,1 30
marítimas .......... de 20 .. ” a 4467, 40
comuns ............... de 25 .. ” a 6979, 70
55
--------- antigas de França de 25 — .. a 7290, 30
100

Por estes dados, vê-se que Pernambuco tem metade mais


da extensão de Portugal, segundo Balbi, no seu Ensaio Esta­
tístico sobre este reino, pág. 67, contando-se as léguas qua­
dradas de 20 ao grau.

(a) Relatóro da Presidência de Pernambuco à Assembléia Legislativa


de 1845; A Review Financial Statistical and Commercial of the Empire Brazil
and its resseurses &c. by J. J Sturz, Londres, 1837.
§ 4 CLIMA E ESTAÇÕES — (Temperatura). O clima
da província de Pernambuco é muito quente, porém o seu ar
e puro e risonho; os zéfiros, que são freqüentes todos os dias
desde as nove horas da manhã até às cinco da tarde e as
brisas de terra que principiam depois que eles findam,’ miti­
gam na costa a ardência da calma, que, sem eles seria insu­
portável. (Estações). Duas são as estações em Pernambuco-
invernosa, e seca. A estação chuvosa, as mais das vezes
principia em março e finda em agosto, pouco mais ou menos’
porem quase sempre em princípios de janeiro há dias chu­
vosos, a que dão o nome de primeiras águas. __ a estação
seca começa em agosto, e continua até fins de fevereiro do
ano seguinte. (Ventos). As observações de Meregrave pro­
vam que os ventos do Sudoeste dominam não somente por
toda a estação chuvosa, como um pouco antes e depois desta
estação. O vento Nordeste aparece com algumas interrup­
ções no tempo da sazão calmosa e seca. (V. a Descrição
topográfica da cidade do Recife, pelo cirurgião-mor Seroa na
Revist. Med. Flum. de 1834). (Umidade). Chovendo’ em
Pernambuco tanto como no Cabo-Francês da ilha de S Do­
mingos, onde se tem até hoje observado maior quantidade de
chuva, é de opinião o Dr. Moraes Sarmento nas suas obser­
vações meteorológicas feitas no Recife, que não há terra mais
umida do que Pernambuco; o que não pode deixar de ter
muita influência, tanto sobre a saúde dos habitantes como
sobre a força da vegetação.

O quadro que na página seguinte transcrevemos oferece


o resultado geral das observações meteorológicas feitas em
cada um dos meses do ano de 1842, na cidade do Recife bair­
ro da Boa-Vista, rua do Aterro, lado do Sul, pelo Dr.’ João
Laudon, em um segundo andar, elevado 48 pés ingleses aci­
ma do nível do médio preamar. O termômetro era obser­
vado às 8 horas da manhã, ao meio dia, e ao máximo e míni­
mo das 24 horas; sendo o médio deduzido da soma de todas
as observações. O barômetro, construído por excelente artis­
ta, não difere dos de Paris senão em decimais de milímetro
tao pequenos, que se podem desprezar sem inconveniente. O
higrómetro é o de Saussure, e é observado só ao meio dia
nos últimos cinco meses. O ombrômetro é de Mr. Howard
de Londres: a quantidade da chuva é calculada às 8 horas
da manhã.
Chuva. (Po­
legadas in­
Umidade calculada Pressão atmosférica,

glesas)
Temperatura dada pelos termôme­ ao meio dia. calculada ao Dias em que Dias e noi­
tros de Fahrenheit e Réaumur. Higrómetro de meio dia. ventou tes em que
Meses de Saussure Barômetro de G. choveu
1842

Máximo Mínimo Médio Max. Min. Med. Max. Min. Med. De S De N. Dias Noit.
a E. a E.

F. R. F. R. F. R.
Janeiro __ 86.24 72.17,77 79,59.21,26 6,09 8 23 20
Fevereiro .. 86.24 73.18,22 81,19.21,80 2,01 28 3 20
Março ..... 87.24,44 72.17,77 81,80.22,13 8,23 10 21 5 19
Abril ....... 84.23,11 73.18,22 78,30.20,56 25,24 30 17 21
Maio ....... 83.22,66 71.17,33 78,22.24,54 16,21 31 15 20
Junho ..... 82.22,22 70.16,88 76,44.19,64 25,26 30 20 19
Juiho ....... 82.22,22 67.15,55 75,33.19,28 16,11 31 17 11
Agosto ___ 81.21,77 69.16,44 75,03.19,12 96° 75 84,98 768,2 765,1 766,57 3,15 31 7 6
Setembro .. 85.23,55 70.16.88 76,33.19,70 98 80 87,65 767,6 764,0 765,90 1,04 20 10 4 5
Outubro ... 81.21,77 69.16,44 75,03.19,12 99 70 83,06 766,8 762,0 764,04 1,13 7 24 2 4
Novembro 87.24,44 73.18,22 82,93.22,60 97 85 89 764,6 762,3 763,06 0,29 6 24 5 5
Dezembro .. 88.24,88 74.18,76 81,09.21,63 100 87,5 89,03 764,7 761,4 763,05 1,31 4 26 9

Termos mé­ 84°,83.23°,20 71°,10.17°,43 79°, 26.88 98°,1 79°,5 86°,74 766,4 762,5 764,6 109,27 208 156 124 130
dios do ano

( 1 dia de NO. )
Durante o ano de 1843, e os meses de janeiro, fevereiro e março de 1844, eis os resultados gerais das observações
do mesmo Dr. Laudon.
1

suaanu uias
Dias e noi-
tes em que

Dias e noi­
tes claras
i

choveu
TEMPERATURA, dada pelos termô­ UMIDADE PRESSÃO atmosfé­ VENTOS

legadas
Meses metros de Fahrenheit e Réaumur

ig lesas
(Higrómetro de

IHUVA
rica (m. m.) que reina­
Saussure) ram e per­
sistiram
Q. ” de dia
Máximo Mínimo Médio Max. Min. Med. Max. Min. Med. D. N. N.
!° -
F. R. F. R. F. R.
Janeiro .,. 89.25“ ,33 NE. ao E. 22
73.18,22 81,50.22“

O
O
91°

o
96“,3 756,2 761,6 763,3 1,03-1
1 SE. ao E. 9 1 22 19

Fevereiro 87.24,44 73.18,22 81,38.21,95 100 92 98,4 764,1 761,6


r SE. ao E. 17
762,6 1,22 j NE. ao E. 11 3 2 14 11
NE. ao E. 6

Março .... 88.24,88 73.18,22 SE. ao E 19


79,70.21,20 100 93 98,4 764,2 760,3 761,6 14,16 ! SO. 19 5 10 9 8
1 E. ao S. 5

Termo
médio ...
I I I

até o dia em que foi roubadcfàs ciências6^ aoTa°miqos° ^ d o u t o r 0] ef T m 15 mç SeS' dePois dos Quais foram interrompidas,
acerca do clima de Pernambuco, durante os meses daqosto J Moraes Sarment0 também fez preciosas observações
ração, vamos apresentar no seguinte q u a d r e m o s J t f f S u S * , ™ « d tu z lía ’. ^ esclareciment° a — pa-
Polega­
Ácido carbônico
do ar, às nove
horas da noite
(centígr)
TEMPO E ESTADO DO CÉU
VENTOS QUE REINARAM

das inglesas
Termômetro

Higrómetro
Barômetro
M E S E S

Trovões
Nuvens

Chuva.
Chuva
Mais dias Menos dias
O
C/5

1
1842. Agosto .......... 763,3 25,1 86,8 0,000327 8 8,66
Setembro ....... 765,6 25,4 92,4 0,000359 3 2,81
Outubro .......... 764,3 26,0 85,5 0,000346 5 3,45
Novembro ....... 763,4 26,6 93,1 0,000419 2 2,04
Dezembro ....... 763,1 26,5 97,6 0,000372 7 4,70
1843. Janeiro .......... 763,5 27,1 96,7 0,000392 3 2,82

Termo médio ...


§ 5o SALUBRIDADE — Moléstias — As moléstias que
prevalecem em Pernambuco, principalmente nas cidades de
Olinda e Recife, são febres esporádicas, e a maior parte delas
benignas. Nos primeiros dias apresentam um caráter infla­
matório e remitente; passados dois ou mais dias, tornam-se
intermitentes, e quase sempre cedem ao tratamento antiflo-
gistico; todavia, elas são produzidas algumas vezes por sefe-
nites, gastrites, hepatites, etc., muito principalmente entre
as pessoas que abusam das substâncias espirituosas, e de ou­
tros irritantes da membrana mucosa. Em Pernambuco é
raríssima a febre podre, segundo a nomenclatura dos antigos,
ou maligna lenta, ou nervosa, como judiciosamente observou
o Dr. João Lopes Cardozo Machado, no seu Dicionário Médico-
Prático, art. Febres intermitentes. As moléstias endêmicas
de Pernambuco, e de outras regiões do Brasil, são a fram-
boesia ou piã, a que vulgarmente dão o nome de boubas que
são contagiosas, e crônicas, e atacam freqüentemente os
homens do campo, e sobretudo os escravos dos engenhos, sen­
do entretanto raras nas povoações de beira-mar, e nas pes­
soas brancas. O tétano, que também é comum aos climas
quentes, aparece uma vez por outra neste país, muito prin­
cipalmente nas feridas de punctura das plantas dos pés; e por
isso é mais freqüente nas pessoas que andam descalças. A
anemia intestinal, moléstia em que o sangue não está em
quantidade suficiente para o exercício das funções da vida
a que o vulgo dá o nome de opilação ou frialdade, ataca gran­
demente aos pretos de engenhos, e pessoas que trabalham em
abrir levadas, e são obrigadas a estar dentro d’água, princi­
palmente de manhã em jejum, ou se alimentam d e substân­
cias indigestas. No estio desta província, que decorre pelos
meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, aparece
ainda que raramente, a pústula maligna e o antraz. Há tam­
bém o bicho de pé (pulens penetrans) que incomoda a gente
descalça, e ainda aos que andam calçados. (V. a Memória
do cirurgião Serpa, sobre a topografia da cidade do Recife).
Há anos a esta parte, algumas moléstias outrora raras têm
acometido grande número de indivíduos, com notável recru­
descência, como sejam as erisipelas, as hidroceles, as tísicas-
pulmonares, as elefantíases arábica e grega, as febres inter­
mitentes e remitentes, com um tipo gravíssimo, e sintomas
adinâmicos.
Causas das moléstias — Tratando das moléstias, expuse­
mos, quanto às permanentes, as causas especiais e gerais de
cada uma; e por isso somente diremos alguma coisa das últi­
mas. Estas causas, segundo o Dr. José Eustáquio Gomes, no
seu discurso feito por ocasião do aniversário da Sociedade de
Medicina em Pernambuco, estão próximas e dentro da capi­
tal, e são: Io o pântano de Olinda, verdadeiro foco de mias­
mas, e viveiro de plantas, aves aquáticas, e insetos, que nele
giram, crescem, vivem, morrem, e apodrecem; 2° o uso das
águas desse pântano, por onde corre o Beberibe, as quais
são diariamente e com abundância consumidas nos usos do­
mésticos; 3o as lamas e águas lodosas, que por falta de esgo­
to, permanecem nas ruas da cidade, e nos quintais das casas;
e que só desaparecem lentamente e por evaporação, depois
de haver infeccionado a atmosfera com as suas pútridas exa­
lações; 4o os açougues imundos, e os matadouros empestados,
aonde o sangue das reses derramado, fica empoçado, e se
coagula por falta de escoadouro, difundindo horrível cheiro;
5o as chaminés e fornos das padarias e das diferentes ofici­
nas, no centro da mesma cidade; as casas e armazéns de víve­
res seqüestrados da livre comunicação do ar, e os depósitos
impuros d’água potável; 6o o uso de enterrar os cadávares nos
templos, pois que as sepulturas aí se acham constantemente
entulhadas, recebendo uns, quando os outros sepultados não
estão ainda consumidos &c.

Sobre este objeto pode ver-se a representação que em 11


de maio de 1842 dirigiu ao Presidente de Pernambuco a So­
ciedade de Medicina, e que vem impressa no seu jornal.

§ 6o ASPECTO DO PAÍS E NATUREZA DO TERRÊffO


— O terreno, ao longo do mar, é quase todo baixo, e com
grande extensão de lugares férteis, retalhados de rios peque­
nos. No interior porém é desigual e interrompido por serras,
como sejam a da Borborema, Água Branca, Garanhuns, Rus­
sas, Selada & c., quase todas cobertas de grandes matas, que
encerram árvores preciosas, e que cobrem uma terra fertilís­
sima. Observando-se o solo em que aparecem as diferentes
produções da província, pode-se dizer que esta é dividida em
três diversas superfícies: A Ia com o comprimento de toda a
costa do mar, e com a largura de 15 léguas, pouco mais ou
menos, para o interior, é regada por alguns rios, e pelos ria­
chos seus confluentes; e o seu terreno é próprio para a cul­
tura da cana, e de todos os mais gêneros alimentários. A 2a
começa no limite interior da Ia, onde findam as matas e
principiam as caatingas; tem menor largura do que ela- é
muito pouco regada, porque a mor parte dos pequenos rios
que regam aquela nascem nas matas; é a mais própria para
a cultura do algodão; produz igualmente com exuberância o
milho^ o feijão e o jerimum, que servem de sustento aos que
se dedicam à cultura do algodão, único gênero que dali vem
ao mercado. A 3a começa da cordilheira que limita a segun­
da pelo interior, desde a província do Rio-Grande-do-Norte
ate o rio de São Francisco: é a que se denomina Sertão é
compoe-se de campos e carrascais, e de algumas serras para
a parte do interior: nela é que se cria o gado, e apenas se
cultiva algum milho, mandioca, e jerimuns, nas vazantes dos
nos, que ali só correm pelo inverno.

ARTIGO II

HIDROGRAFIA

§ 1° RIOS — Os rios principais da província, são: o


Capibaribe, 0 Ipojuca, o Sirinhaém, e o Una, que se lançam
no mar; e o rio Moxotó, e o Pajeú, que vão confluir no de S
Francisco ( a ) .

1“ o no Capibaribe (b) nasce na fralda da serra Jacarará


no olho d’agua do Gavião e Lagoa-do-Angu, e se lanca no mar
formando duas bocas, uma dentro da praça do Recife e outra
nos Afogados. Ele atravessa as comarcas do Brejo, Limoeiro
Paudalho, e Recife, e banha as vilas do Limoeiro ePaudalho’
e a diversas povoações; recebe no seu curso ao Norte os ria­
chos das Pêgas, do Arroz, Urubu, Grota-Funda, Tapado Pa­
tos, Onça, Juazinho, Taiepé, Gameleira, Cheio, Esquerdo, Ja-
gurussu, Caeaí, Mariquipu, que desemboca na povoação ’des­
te nome, Salgadinho, Aparo, Mel, Duas-Pedras, Pirauíra, Mus-
surepe, Água-Fria, Massiape, Caiará, Cachaça, Dindi, Timbi,

ta) Por aqui vê-se que, em relação às águas, a superfície de Pernam­


buco se acha dividida em duas porções; a primeira compreende as bacias
de todos os rios e ribeiros, que se lançam diretamente no mar desde o
Abai até o Persinunga, e a segunda é formada pelas bacias dos rios tribu­
tários a Sao Francisco.

(b) O que sobre este rio diz o novo Dicionário


Geográfico de Milliet
de St. Adolphe é da maior inexatidão.
Camaragibe, Monteiro, e Parnamirim, vindo de sua nascente
para a foz; e ao Sul os riachos Coropotós, da Madre-de-Deus,
das Tabocas, S. Domingos, Barrinhos, Éguas, Mary, que vem
desembocar na Malhadinha, Figueira, Pedra-Tapada, Caça-
tuba, Ribeiro-Fundo, Cotunguba (que recebe o riacho Cor­
reia), Goitá, de que adiante falaremos, Tapacurá (que rece­
be no seu leito o riacho Uninha), do Meio, Crussaí, Massia-
pinho, Gurgueia, todos perenes, Pitribu, Cumbe e Salgadinho,
que só correm pelo inverno, Pau-da-Arara e Ribeiro-Grande,
que cortam logo que finda o inverno. O riacho da Madre-
de-Deus nasce no Mimoso-da-Bulha, e recebe o riacho Trapiá;
o riacho Tabocas nasce na Engenhoca Santa-Rosa, e depois
de um curso de mais de 16 léguas, lança-se no rio Capibaribe,
no lugar da fazenda Santa-Maria, tendo antes recebido as
águas do seu principal afluente, o riacho São-Francisco, que,
com o Tabocas, corre perenemente quando os anos são regu­
lares, e seca nos de rigorosa seca ( c ) ; e bem assim os riachos
Beturi, Frecheiras, Preguiça, Almas, Curtume, Paridas, Bre-
gunho, Barrinha, Urubu, Pedra, Salobro, Catolé, Manda-saia,
Cachoeira, Santa-Vitória, Pitombeira, Mandacaru, e rio da
Cruz. O rio Tapacurá nasce na serra das Russas, e lança-se
no Capibaribe, termo do Paudalho, depois de banhar a vila
de Santo-Antão; pelo inverno tem enchentes de 8 dias, mas
corta pelo verão, conservando alguns poços; contém algum
peixe, como sejam tainhas, jundiás, muçus, e outros desta
espécie ( a ) . O rio Capibaribe é navegável até 2 léguas aci­
ma de sua embocadura, por canoas e botes, no tempo de
verão, e com os socorros das marés; no inverno porém é,
como todos os mais rios da província, navegado por canoas
e balsas, que descem carregadas de caixas de açúcar, lenhas
e madeiras de construção. Neste tempo é caudaloso, e alaga
uma extensíssima porção de terreno de um e outro lado das

[c) V. a Descrição da freguesia do Brejo e do distrito das Tabocas,


aquela pelo vigário Manoel da Costa Pinheiro, e esta pelo capitão Izidoro
Joaquim José Dias dos Santos.

(a) O Tapacurá recebe o riacho Bento-Velho, que nasce na serra deste


nome, corre pára o Norte, e desemboca no lugar Carreira, com 600 braças
de curso; o riacho Cheios, que nasce na mesma serra, e corre também
para o Norte, e faz barra no sítio Baiano, com 1200 braças de curso. O
riachoTamuatá-Mirim, que nasce na mesma serra, segue a mesma direção
dos antecedentes, e desemboca no lugar do mesmo nome; o riacho Natuba,
que rega a vila de Santo Antão.
suas margens, que são povoadas, na comarca do Recife de
casas de recreio, e de sítios cultivados. O seu leito até a
comarca de Paudalho, é semeado de rochedos; depois que
entra na comarca do Recife é arenoso, pelas grandes corren­
tezas em tempos de cheias, e as suas águas abundantes de
pescado. O curso do Capibaribe é de 80 léguas, pouco mais
ou menos ( b ) .

2.° o rio Ipojuca nasce na serra da Acaí, ou Arorobá*


atravessa as comarcas do Brejo, do Bonito, Santo-Antão, e
Cabo; banha as povoações de Inhamans, Caruaru, Bezerros,
Gravata, Escada e Ipojuca; e desemboca no Oceano, entré
Sirinhaém e o Cabo, 12 léguas ao Sul do Recife, aos 8o e 25’
de latitude meridional, formando um porto para’ embarcações
menores, de que é freqüentado, denominado __Porto-de-Ga-
linhas. No rio Ipojuca fazem barra os riachos Tabatinga (c)
Poço-do-Pinto, Cachungó, Taquara (d), Papagaio; e dentro
da freguesia da Escada os riachos Mabangas, em distância de
uma légua da Matriz, que corre de Sul a Norte; Rua-Nova,
em distância também de uma légua, de Sul a Norte; Maban-
ga, também em distância de uma légua de Norte a Sul, Sapu-
cagi, em distância de légua e meia de Norte a Sul, Tapessi-
rica, em distância de meia légua, de N. a S., Riach’o-da-Bar-
ra, em distância de meia légua de N. a S , , o qual, é perma­
nente; Jaguará de S. a N., em distância de meia légua; Ven-
tari, de N. a S . , e m distância de um quarto de légua- Cutegi
em distância de uma légua de S. a N., Matapiruma, perma­
nente, do N. a S., quatro léguas, Muçu, do S. a N.’, duas e
meia; Chiqueiro, a mesma distância e rumo, Visgueiro duas
léguas de N. a S., Cabeça-de-negro, de S. a N., três léguas-
Jundiá-da-Catateira, do Poente ao Nascente, quatro léguas
com três vertentes; Crassituba, de N. a S., meia légua’
Amanca, do Poente ao Nascente, duas léguas; e Pilões, que é

(b) V. a Descrição do território da capitania do Recife, por Ferreira

(c) O rio Tabatinga desce das matas do engenho Pará, e sequlndo


por terras dos engenhos Utinga-de-Cima, Utinguinha, Tabatinga e enqenho
do Meio, passa no cercado do engenho Massangana, e vai unir-sp rnm n
rio Ipojuca, no lugar denominado Pontal. °m °

(d) O riacho Taquara é perene; sai da serra do mesmo nome. e de­


semboca 2 léguas acima de Caruaru.
permanente, de N. a S., uma légua ( e ) . As águas do Ipojuca
são claras e salutíferas: até a Escada ele é pouco vadeável, e
deixa de ser navegável por causa das muitas pedras, e de algu­
mas cachoeiras que entorpecem o seu curso; todavia, de um a
outro porto do mesmo rio andam algumas pequenas janga­
das. Na freguesia de Ipojuca, o rio deste nome recebe ao
entrar no mar o riacho Pindoba. O curso do Ipojuca é de
80 léguas, pelo menos, segundo o coronel Accioli ( f ) .
3o O rio Sirinhaém tem a sua nascente nas duas fontes
Palmeira e Brejinho, que saem da serra do Mondé, distante
três léguas da povoação de Bezerros para o Sudoeste, donde
segue, tocando o sítio do Perperi, e fazenda da Alexandria,
banhando as freguesias de Bezerros, Rio-Formoso, e Sihi-
nhaém; e passando por quatro cachoeiras, mistura-se com
água salgada, no engenho Anjo, uma légua distante da vila
de Sirinhaém; e na distância de duas vai fazer barra no
Oceano. — Ele recebe no seu curso inumeráveis riachos, a
saber: pelo lado do N. o Riachão, o Aramaragi, que desem­
boca 6 léguas distante da vila de Sirinhaém, o Cucaú, que
desemboca distante da mesma, quatro léguas; o Camaragibe,
que desemboca distante da vila duas léguas; o Jassiru que
faz barra, distante uma légua; e o Sibiró que desemboca
meia légua distante da vila; e pelo lado do Sul o riacho Tapi-
ruçu, que desemboca distante da vila um quarto de légua; o
Bonito-Grande, que faz barra no engenho Cabeleira, Onça,
Capivara, Pedrês, Capoeiras, Pé-da-Mata, e Água-Comprida.
O álveo do Sirinhaém é invariável, e sua natureza arenosa,
ou lodosa em algumas passagens, e a maior parte composta
de cachoeiras, e pedras soltas. As suas cheias são freqüen-
tes na estação chuvosa, mas, cessando as chuvas, pode ser
vadeado no fim de dois dias. Desde o riacho Bonito-Grande
é o Sirinhaém corrente em todo o ano. O seu curso é de
quarenta léguas.

4o O rio Una tem o seu princípio nas várzeas da fazenda


do Agreste, ao pé de uma pequena serra, denominada do
Agreste, em Garanhuns; ele atravessa as comarcas de Gara-

(e) Os riachos que ele recebe no distrito de Caruaru estão declara­


dos no mapa n. 12, deste distrito (capitania de S. Antão]. V. o mapa do
Riachão, da Ronda, e Queimada-d'Anta, n. 12.

(f) V. o mapa da freguesia de Sirinhaém.


RpnSf’ A^+ní 0’ e, Ri°-Formoso; banha as povoações de São-
Bento, Altinho, Agua-Preta, e Una; e se lança no Oceano
d e í60
de o ieguas,
S u a Xstrnnlldade Sulou
pouco mais damenos.
província’ dePois
O rio um curso
Unaá erecebe nelo
no Jatobá e d& Chata’ ° S rÍ° S Pirangi’ Pirangi-Peque-
0 2 I t S e ;,6 Pel° lad° d° N ‘ 08 riachos Mentiro-
serra do lura°pnUI Bebedarí P£ata- ^ e nasce na fralda da
serra do Buraco, e segue a direção de Oeste até fazer barra
com 3 léguas de curso, sendo seus confluentes o Pratinha è
Capema; o rio Taquara, que nasce nas serras do Breio Cabe-
n S l ° r traS’ f - desemboca no Una>na povoação do Altinho;
o riacho Gravata, que nasce no lugar do olho d’água do Min-
gu corre em direção de N. a S., e faz barra no Una, depois
de 4 léguas de curso; o riachão do Gama, que nasce na serra
imbe ou Bacu, e desemboca no lugar da Cachoeirinha, com
M n l ^ S de CUrS°,: ° 1'lach0 Carrilb0> que nasce da serra do
Moleque e seguindo a direção do Sul, faz barra no lugar de­
nominado Carrilho, tendo de curso 1 légua; o riacho do Verde
perene, que nasce perto do Bonito, corre na direção do Sul’
e desemboca no engenho do Verde, o mais remoto da provín-
cm; o no Preto, perene, que desemboca na altura da povo­
ação d Agua-Preta, e o Jundiá, que desemboca no engenho
deste nome, 2 léguas distante da povoação de Una O rio Una
recebe ainda pelo lado do N. o riacho Palmeira,' que nasce
no sitio Tamandua, e faz barra no lugar denominado Poço-
Comprido; os riachos Quandu, Timbó, Estiva, Roncadeira e
Barro-Branco, sendo permanente destes o terceiro (Timbó)
e os dois últimos. O riacho da Chata, assim denominado
porque atravessa a fazenda da Chata, nasce 2 léguas acima
da capela do Jupi, no lugar denominado Divisão, e vai desem­
bocar no rio Una, 3 léguas distante da mesma fazenda. O
Rio Pirangi nasce na serra chamada da Queimada-do-Milho
Brejo-do-João-Alves, e Várzea-do-Tigre, dirige-se de N. a S
banha Quipapá, S . Benedito, e Pimenteiras, e recebe as águas
dos riachos Quipapá, Fervedor, Mamota, Cobra, Inhumas e
Riacho-Seco. O primeiro nasce nos campos do Gango 14
léguas distante de Garanhuns, e correndo de Leste a Oeste
vai desembocar no Piranai, umas 50 braças distante
da povoaçao de Quipapá, depois de regar as povoações
de Quipapa, S. Benedito, e Pimenteiras; o segundo
nasce da serra do Espelho, corre de O. a L. o espaço de 3
léguas, e faz barra na fazenda Pimenteiras; o terceiro nasce
na mesmo serra, corre de O. a L. por espaço de 1 légua, por
entre matas, e faz barra na mesma fazenda; o quarto corre
de S . a L ., por meia légua, e faz barra na propriedade Maia-
rá; o quinto nasce na mesma serra do Espelho, e desemboca
pouco acima da barra da Jangada; e o sexto corre de O. a L.
o espaço de 1 légua, e faz barra dentro da mencionada pro­
priedade Maiará. Rio Pirangi não tem vaus, estando cheio;
o seu curso é violento; as suas cheias extraordinárias, e du­
ram cinco e seis dias; as suas margens são cobertas de matas
e capoeiras; é piscoso, e conserva água todo o ano.

O rio Una não tem vaus; o seu curso é rápido, nunca


seca inteiramente, as suas cheias são periódicas; não é nave­
gável além do engenho Una, senão por meio de balsas, que
descem o rio, e isto com perigo, por causa das suas cachoeiras,
em número de 75, grandes e pequenas; o seu álveo é de 20
braças, pouco mais ou menos; as suas margens são catingas
no centro, e matas a 40 léguas da costa; e mais abaixo contém
engenhos da primeira qualidade; é pouco abundante de pei­
xe, por causa das tinguijadas.

5o O rio Moxotó nasce de uma serra chamada Jabutacá,


pertencente à cordilheira da Borborema, donde também sai
o Paraíba-do-Norte: corre de N. a S., banha as freguesias de
Tacaratu e Buíque, entra na de Tacaratu, na fazenda Poço-
Grande e desagua no rio de S. Francisco, 2 léguas acima drí
grande cachoeira de Paulo-Afonso, e quatro abaixo da Ca­
choeira Taparica, ambas formidáveis. O Moxotó, desde a
sua origem até a barra, tem 70 léguas de curso, e 25 da
fazenda Poço-Verde até à mesma barra. As suas margens
são situadas de fazendas de gado; no tempo de inverno tem
grandes enchentes, mas seca no de verão, de modo que os
habitantes são obrigados a fazer cacimbas para terem éguas
para si, e para os seus gados. O Moxotó corta três estradas:
— a que vem do Recife para a Matriz de Tacaratu, no Poço-
Verde; a que vem das Alagoas na fazenda Serubim; e a que
vem da vila do Penedo na fazenda Santa-Ana. As águas do
Moxotó são salobras, e o seu álveo é sempre o mesmo, —
arenoso em umas partes, e em outras pedregoso ( a ) .

6o O rio Pajeú-de-Flores tem a sua origem no declive


meridional da serra da Borborema, no lugar chamado Serra-

(a) V. a Descrição da freguesia de Tacaratu, pelo vigário Mathias


Fernandes Leão.
ía 'i'Í!!feÍrf : COrr.e de N - a S - as freSuesias de Flores, Serra-
iaihada, Ingazeira, e Fazenda-Grande, desagua no rio de S
Francisco, no lugar chamado Tucurubá, 21 léguas acima da
cachoeira de Paulo-Afonso. O seu curso é de 73 léguas se*
gundo o coronel Accioli, mas outros somente lhe dão 52 ’ No
c°nfluem os seguintes riachos: Piedade, que nasce do
cordão da serra que divide a freguesia de Flores do Piancó
cãneídP°c!CUS 0/ e 9 lé! UaS’ entrand0 no Pajeú, junto à povoa­
ção ae b. Pedro; o Cachoeira-Grande, que nasce no mesmo
cordão com 12 léguas, e entra no Pajeú, na fazenda Ingazei-
ra, o das Varas, que nasce junto à serra Branca, distante da
mencionada fazenda Ingazeira 3 léguas, corre o espaço de 9
e entra no Pajeú, na fazenda Queixada; o Riachão, que nasce
na serra do Boqueirão, distante meia légua da fazenda do
Sitio, e entra no Pajeú, acima de Flores uma légua, na fazen­
da do Estreito, depois de um curso de 6; o Riacho-da-Velha
que nasce da serra da Boa-Vista (pertencente ao cordão qué
divide a freguesia de Flores da de Piancó), e iunta-se ao
Pajem, no fim da rua da Boa-Vista, depois de um curso de
4 léguas, no qual recebe o riachinho denominado S Jerôni-
mo, que nasce da fazenda Perdição; o riacho S. João que
nasce junto à serra do mesmo nome, e entra no Pajeú no
lugar da Tapera, tendo um curso de 7 léguas; o Ponta-da-
Serra, ou Lagoinha, que nasce no lugar denominado Balan­
ças, corre 10 léguas, e conflui na fazenda da Serra-Talhada-
o da Carnaúba, que nasce nos gerais da freguesia de Flores’
corre por espaço de 10 léguas, e faz barra na povoação de
S. Francisco; o de S. Domingos-de-Baixo, que tem a mesma
nascença, na freguesia de Santa-Ana, corre 12 léguas e faz
barra no Pajeú, junto à fazenda Queimadinhas; o da Várzea-
do-Tiro, com a mesma origem, que corre por espaço de 4 lé­
guas, e entra no Pajeú, na fazenda Tapera. Tanto o rio
Pajeú de Flores como os seus confluentes, só correm no tem­
po em que há bons invernos; e são abundantes de peixe prin­
cipalmente o primeiro, quando enche ( a ) .

Muitos outros rios menores tem Pernambuco; passamos


a descrever por ordem alfabética os que nos parecem princi­
pais, ainda que alguns sejam confluentes, e não venham
diretamente ao mar.*

(a) V. a Descrição estatística da freguesia de Flores, pelo pro-pároco


José Gomes Pequeno. A descrição deste rio é inexatíssima no Dicionário
Geográfico do Brasil, por Adolpho Milliet.
O rio Araripe nasce de uma vertente, no cabeço do en­
genho Papicu, e de outra vertente no engenho Santos-Men-
des (ambos da freguesia de Igaraçu, e distantes 7 léguas da
vila deste nome, as quais, depois de passarem por alguns en­
genhos, se reunem no engenho denominado d’Água), entra
no engenho Araripe-do-Meio, corta a estrada geral do Cen­
tro e da Mata em duas partes, passa ao lado esquerdo da
povoação do Pasmado, em distância de 100 braças, corta
ainda a estrada geral das Boiadas, que se dirige para os ser­
tões do Norte, entra pelo engenho Araripe-de-Baixo, e vai en­
contrar no lugar de Mangalama o rio Salgado, no qual desa­
gua, e com quem vai ter à barra do Catuama. Araripe tem
alguns vaus pequenos em diferentes lugares, recebe muitos
riachos e ribeiros, e conserva água todo o ano. Tem anual­
mente cheias maiores ou menores, conforme a força do in­
verno; é navegável em poucos lugares por canoas, e abunda
dos peixes denominados camorins, camarões, jundiás, pia­
bas, &c. (b)

O rio Beberibe nasce no centro da mata do engenho


Massiape, e faz barra no Oceano, depois de encontrar-se com
o rio Capibaribe, na cidade do Recife, e de banhar a fregue­
sia da Sé, a povoação de Beberibe, que lhe pertence, e a ci­
dade de Olinda, onde um dique, denominado Varadouro, se­
para as suas águas das da maré, dando-lhes saída entretanto
por canos de pedra. O rio Beberibe recebe ao Sul o riacho
d’Agua-Fria, que nasce nos montes do Arraial, e o riacho de
Belém, que nasce perto do lugar deste nome, e atravessa a
estrada do Rosarinho. Ele tem 6 léguas de curso; é nave­
gável somente por pequenas canoas; e as suas águas são exce­
lentes, e preferíveis às outras para uso das embarcações.

O rio Camaragibe nasce na mata do Besouro, freguesia


de S. Lourenço-da-Mata, e precipita-se encachoeirado entre
pedras, próximo à campina e engenho de Camaragibe; e de­
pois de regar os engenhos Borralho, Camaragibe, e Dois-Ir-
mãos, e de um curso tortuoso e pouco veloz de 5 a 6 léguas,
desagua no Capibaribe, junto e acima do arraial de Apipu-
cos, no lugar do Zonguê, freguesia do Poço-da-Panela, en­
grossado ao Norte com dois tributários, os riachos do Brejo-
dos-Macacos e da Prata; e ao Sul com os riachos Tacabaru,
das Pedras, Una, e Água-da-Matéria, que todos desembocam

(b) V. a Descrição da freguesia do Pasmado, pelo vigário Periquito.


em terras do engenho Camaragibe; e antes deles o riacho
Tabatinga, e os de Cima, do Meio, e de S. Braz. O volume
das suas águas é muito variável com as estações; pois alguns
dos seus tributários chegam a secar, mas no lugar da Ca­
choeira é perene. As suas águas são um pouco turvas no
tempo das aluviões. O riacho da Prata nasce em um peque­
no vale, 5:000 braças ao NO. da cidade do Recife, e lança-se
no Camaragibe, no engenho Dois-Irmãos; o terreno do seu
leito, e circundantes, é geralmente arenoso, e de bancos de
pedra mole, argamassada às vezes com seixos, ou fragmen­
tos de pedra, mas dura; o volume d’água, que se conserva
sempre pura, e que é a melhor que se conhece nas vizinhan­
ças da cidade, é muito pouco variável, podendo-se contar com
perto de 16 palmos cúbicos em cada segundo. A altura da
sua nascente fica mais de 50 palmos acima do solo do Recife.
É deste manancial que correm hoje por canos de ferro as
águas que se distribuem em chafarizes, pelos quatros bairros
da cidade. O riacho do Macaco nasce ao Ocidente do da Pra­
ta, em um vale que lhe fica paralelo, e na distância de 600
braças; e as suas águas são menos abundantes, menor a al­
tura da nascença, e a sua distância à cidade um pouco
maior ( a ) .

O rio Capibaribe-Mirim nasce de uma serra denominada


Fervedor, no lugar chamado Estreito, atravessa as duas po­
voações de Mocós e Timbaúba, e lança-se no Oceano, depois
de regar a vila de Goiana, e as freguesias de Goiana, e de
receber as águas do rio deste nome, que lhe é dado desde
então, até a sua embocadura. Os confluentes do Capibaribe-
Mirim são primeiro o rio Cruanji, que nasce no lugar deno­
minado Água-Azul, e faz barra meia légua acima do lugar
denominado Aninga, depois de receber as águas do riacho
permanente Cana-Brava, no lugar do Julião, que nasce do
lugar chamado Pedra-d’Òuro; e o segundo o rio Água-Torta,
que nasce da várzea da lagoa do engenho Cotia, e desagua
no Capibaribe, no engenho Lagamá, com 4 léguas de curso,
depois de receber as águas do rio Itambé, que nasce no Cuaté,
distrito da Terra-Dura, faz barra no lugar Passo-Grande do
engenho Perurir, e tem 2Vz léguas de curso; do rio Mocambo,
que nasce na serra da Vendinha, faz barra no lugar João-

(a) V. o Encanamento de águas potáveis para o Recife, pelo Coronel


Conrado Jacob de Niemeyer.
Dias, do mesmo engenho Perurir, com 3 léguas de curso; do
rio Ferreiros, que nasce na serra do Xiquexique, e que desagua
no lugar do Poço do mesmo engenho, com 2 léguas de curso.
Todos estes rios secam no verão, as suas cheias são extraor­
dinárias no inverno, e todos abundam de peixe nesta estação.

O rio Formoso nasce na freguesia de Una, atravessa a


vila de Rio-Formoso, e misturando suas águas com as
salgadas no engenho do mesmo nome, vai fazer barra no
Oceano, distante da vila 2 léguas, depois de receber o riacho
Goiana ao Norte; e ao Sul o rio Aringuide, de que é confluen­
te o riacho Maragi ( b ) .

O rio Goitá nasce da serra das Russas, na parte deno­


minada Serra-Grande, no termo de Santo-Antão; e depois de
um curso de quase 20 léguas, vai desembocar no Capibaribe,
no engenho São-João, atravessando antes a povoação que dele
tira o mesmo nome. O Goitá recebe no seu curso os riachos
Maçaranduba, João-Afonso, Fantasia, Cotunguanha, Pilão,
Aratangi, e Cajueiro, os quais, excetuado o último, que è
perene, com eie só correm no inverno: as suas águas são
salobras.
O rio Igaraçu nasce nos corgos do engenho Utinga, diri­
ge-se ao engenho Monjope, que por ele é movido, corta a vila
de Igaraçu, e vai fazer barra na ilha de Itamaracá, depois
de correr o espaço de 9 léguas, com as suas voltas. O Iga­
raçu é cortado de 3 braços de rios, denominados primeira,
segunda e terceira tabatinga: esta última desagua adiante
do mesmo rio ( c ) .
O rio Jaboatão nasce acima do engenho Jenipapo, corre
de O . para L ., fazendo grandes voltas, até lençar-se no mar,
na barra das Jangadas, depois de regar as povoações de Muri-
beca e Jaboatão. O Jaboatão nunca seca, é navegável em
canoas por espaço de 3 léguas até S. Bartolomeu, tem abun­
dância de peixe, que entra do mar, nas grandes marés, e é
caudaloso, e arrebatado no inverno, e de leito quase todo

(b) V. o Mapa da freguesia de Slrinhaém, pelo vigário Vicente Ferrer


de Mello.
(c) V. a Descrição do distrito de Igaraçu, pelo capitão Manoel Luiz
da Silva.
pedregoso. As suas águas são excelentes, e fazem moer
alguns engenhos, como o Jaboatãozinho, Taquari, Jurissara,
Jaboatão, Pintos, Morenos, Catende, Bulhões, e engenho Ve­
lho. O Jaboatão no seu curso recebe vários riachos e rios;
estes são Muribequinha, que recebe as águas do engenho
Penanduba e de outros menores, passa pelo engenho deste
nome, e vai entrar no rio Jaboatão, ao pé do engenho Novo,
na margem Sul do dito rio; o riacho do Pico, que sai da Boa-
Viagem, e entra no lugar do engenho Santo-André, depois de
fazê-lo moer com as suas águas: e tanto um como outro são
permanentes; o riacho Una, que nasce no engenho Tapirema,
vai ao engenho Camaçari, e depois de 2 léguas e meia de curso,’
na direção de L. a O., lança-se no Jaboatão; o riacho Gur-
jaú-de-Cima, que tem a sua nascença no engenho Laranjei­
ras, da freguesia de Jaboatão; o riacho Caraúna, que nasce
no engenho Gurjaú-de-Cima, encontra-se com o antecedente
no engenho Gurjaú-de-Baixo, e desagua no engenho S. Braz;
o riacho Suassuna, que nasce no engenho Macugé, da fregue­
sia de Jaboatão; o riacho Mauassu, que nasce em terras do
engenho Velho, e aí mesmo entra no Jaboatão; o riacho
Mussaíba, que nasce nas terras do engenho deste nome, e
entra no Jaboatão, em terras do engenho Socorro (a)

O rio Panema nasce na serra do Urubá, e desemboca no


rio de S. Francisco, a L. da ilha dos Prazeres, depois de
atravessar a província das Alagoas, e banhar as terras pró­
ximas à serra do Cuminati ou Cumonati. Não é navegável
pelo inverno, em razão de uma ordinária catarata, denomi­
nada Morcego, que tem, já na referida província, 4 léguas
junto ao dito rio de S. Francisco, a qual não somente emba­
raça a navegação, que se podia fazer de inverno, mas igual­
mente veda a entrada de todo o peixe, que podia abastecer
o povo, que vive em suas margens. O seu curso é de 50 léguas,
das quais somente 16 pertencem a Pernambuco.

O rio Paratibe nasce, como o Beberibe, no centro das


matas do engenho Massiape, rega a povoação de Paratibe, o
engenho Paulista, e faz barra no Oceano, depois de 6 léguas
de curso, com o nome de rio Doce, 3 léguas ao N. do Recife.
O Paratibe não é navegável, e as suas águas são mui puras,

(a) V. a Descrição XVII do distrito da Boa-Viagem e Recife, assinada


pelo alferes José Bezerra da Palma.
frescas e cristalinas, e talvez as mais próprias para as apli­
cações da medicina hidropática. É seu confluente o riacho
Fragões, que nele desemboca quase junto ao Oceano, e nasce
entre os rios Beberibe e Paratibe, quatro mil braças, pouco
mais ou menos, distante do mar.

O rio Pirapama nasce na freguesia de Santo Antão, no


lugar denominado Quaresma; e banhando toda a freguesia do
Cabo, de O. a L ., e a vila do mesmo nome, vai desembocar
na barra das Jangadas de Santo-Antônio-Grande, da mesma
freguesia. Tem 20 léguas de curso, e recebe no seu leito os
riachos Pagão, Matapiruma, Quanduz, Arandu (no engenho
Cachoeira), Arariba, Cajabussu e Tapugi (que desemboca
junto ao engenho deste nom e), todos vindos do N ., e o ria­
cho Utinga, vindo do Sul.

Os rios Sibiró, e Sibiró-Velho, dos quais o primeiro nasce


acima do engenho Capobre; e regando este engenho e os en­
genhos Fernandes, Jussara, Sibiró-do-Mato, S. Paulo, Jeni­
papo, Sibiró-do-Cavalcanti, vai encontrar-se com o segundo; e
depois de meia légua de curso, forma com o mesmo rio a barra
do Sarambi. O Sibiró-Velho nasce acima do engenho deno­
minado Sibiró-da-Serra. As águas de ambos estes rios são
puras e agradáveis.

O rio Tijipió nasce no distrito da extinta freguesia da


Várzea, toca na direção de N. a S. nos engenhos Jangadinha,
Pacheco, e Uchoa, corta a estrada real que vem do Sul, onde
há uma ponte com o nome do mesmo rio, e bem assim a
estrada real que vem do Cabo, onde também há outra ponte
denominada Motocolombó, ao S. do Recife, pouco menos de
três quartos de légua, e vai entrar no mar, defronte da ilha
do Nogueira, junto da povoação dos Afogados ( b ) .

O rio Tracunhaém nasce no lugar Dorondongos, na fre­


guesia do Bom-Jardim, termo do Limoeiro, e desagua no rio
de Goiana, depois de 25 a 30 léguas de curso, sob o nome de
Japomim, pouco adiante da vila de Goiana; tendo recebido
antes as águas dos riachos Gindaí, Gavião, Tapinassu, Gru-
taba, e Pagi. O riacho Tapinassu nasce de um açude que
há na povoação de Tracunhaém, e entra no rio deste nome,

(b) V. a Descrição apontada, quando tratamos do Jaboatão.


no engenho Sipual, com 6 léguas de curso. O Tracunhaém
terá de largura quatro até seis braças, pouco mais ou menos;
o seu leito é de areia, e em algumas partes de rochedos; o
seu curso, tortuoso e veloz, é de 30 a 40 léguas; o seu álveo
é permanente, e as margens de arvoredo, de capoeiras, e em
partes de lavouras e legumes. No tempo do inverno não tem
vaus, mas é atravessado em coches ou pequenas gamelas: ele
seca inteiramente pelo verão; e as suas cheias, extraordiná­
rias por terem as margens pouca altura, e o rio diminuta
largura, duram três meses, em geral de abril a junho ( a ) .

^ O rio Ubu nasce de uma vertente, no lugar denominado


Três-Ladeiras, distante 3 léguas de Igaraçu; e formando o
seu curso por córregos e pequenas situações, corta a estrada
geral que vai do Recife para Goiana no lugar do Ubu, donde
toma o nome, e segue até o lugar de Arataca, em que’ encon­
tra o rio Itapirema, com o qual vai desaguar no lugar do
Gravatá, e braço de mar salgado, que divide pelas duas bar­
ras, aos lados de Itamaracá. O Ubu recebe "alguns ribeiros
de pequenos montes, é sujeito a pequenas inundações no
no tempo de inverno, não é navegável, nem abundante de
peixe ( b ) .

O rio Itapirema nasce no lugar do Urucu, quatro léguas


distante da vila de Igaraçu, entra pelos engenhos Itapirema-
-do-Meio, de-Cima, e de-Baixo, corta a estrada geral que vai
para Goiana, e vai encontrar o rio Ubu, com o qual toma
depois a mesma direção. Tem alguns vaus, recebe alguns
riachos, conserva água todo o ano, tem algumas cheias no
tempo de inverno, é inavegável, e pouco produtivo de pei­
xes ( c ) .

§ 2o PORTOS E ENSEADAS. Nenhuma Província tem


tão grande número de portos, diz o autor da Corografia Bra­
sílica, ainda que pela maior parte só capazes de recolher
sumacas. Principiando pelo Norte, estes portos são, segundo

(a) V. a Descrição do distrito de Igaraçu, pelo capitão, João Maurício


Wanderley.

(b) V. a Descrição da freguesia do Pasmado, pelo vigário Periquito.


(c) Idem.
o mapa que o intendente da marinha em Pernambuco reme­
teu à presidência em 1826:
Io Petimbu, com barra, que fica nos limites da Provín­
cia aos 7o e 12’ de latitude meridional, tem três braças de
fundo na baixa-mar, com fundo de areia e lama, e abriga
sumacas e pequenas embarcações, bem que outrora tivesse
surgidouro capaz para 12 naus.

2o Lamas-de-Fora, e Lamas-de-Dentro de Goiana. O Io


tem quatro braças de fundo na baixa-mar, e o 2o somente
três; o fundo de ambos é de areia e lama; e abrigam suma­
cas e outras embarcações menores. Entre estas lamas há
uma restinga de pedras, que tem duas braças de preamar
n’águas-vivas; da parte de dentro está o lugar denominado
Carne-de-Vaca, que serve para sumacas, até quatorze palmos.
3o Catuama. Tem uma barra formada pela embocadura
do rio Maçaranduba, aos 7o e 32’ de latitude meridional, com
quatorze palmos em baixa, e vinte na preamar d’águas-vivas.
O fundo é de areia e lama; o porto é abrigado, e pode conter
muitas embarcações.
4o Itamaracá. Tem barra formada pelo rio Igaraçu, aos
7o e 43’ de latitude meridional; o seu fundo é de areia e lama,
e abrigado. Dentro do rio tem quatro e cinco braças de fun­
do, e aí podem estar muitas embarcações.
5o Madalena-Furtado. Tem barra, quatro braças de fun­
do na baixa-mar; o seu fundo é de areia, e é abrigado. A
barra tem dois picões, e um lagamar, em que podem estar
quatro navios em dezesseis pés, mas só podem sair com ter­
ral, ou à espia.
6o Pau-Amarelo. Tem barra formada pelo rio Doce, aos
7o 56’ de latitude meridional; a sua profundidade é de qua­
tro braças, com fundo de areia. Nele surge-se à sombra dos
picões, pois para a terra é seco, por causa dos currais. Anti­
gamente dava abrigo a navios de lotação igual aos que atual­
mente procuram o Mosqueiro; mas hoje está reduzido a um
canal, entre os arrecifes e a terra, muito inferior ao que já
foi.
7o Recife. Este porto toma diferentes nomes, segundo
os lugares em que podem fundear as embarcações; e tais são:
o Ancoradouro-da-Ponte-do-Recife, — o Mosqueiro, — o Poço
— e o Lameirão. No Ancoradouro-da-Ponte-do-Recife não
podem estar senão sumacas, e é suficiente em extensão para
o comércio atual. O Mosqueiro é a parte mais interessante
de todo o porto, por ficar próximo à cidade e lugares de em­
barque e desembarque, e abrigar pelos arrecifes os navios das
vagas; mas tem os dois inconvenientes do seu muito pequeno
espaço, e do embaraço que experimentam os navios ao entrar,
por causa do baixo próximo ao forte do m ar. O Poço admite
grandes navios de comércio, porém a sua carga e descarga
são muito dispendiosas, e os navios sofrem muito, portando
continuamente pelas amarras, além de estarem expostos a
naufragar na praia do Brum, logo que elas lhes faltem. O
Lameirão tem os inconvenientes do Poço; e qualquer corsá­
rio pode tomar um navio indefeso, a despeito da artilharia
do Brum, que mais medo do que dano pode fazer aos inimigos.

“ O porto do Recife (diz o autor da Corografia Brasílica),


que não tem fundo para os navios de maior porte carregados,
é uma das maravilhosas obras da natureza, neste gênero. O
arrecife parece uma obra humana, feita com muita arte,
como aqui, onde ele se prolonga por espaço de uma légua
em linha reta com a praia, e em distância dela obra de cem
braças, em forma de muralha, larga, plana, e sempre ao nível
da preamar, descoberto 6 pés no baixa-mar, a prumo pela
parte de terra, e em declive pela outra. Esta muralha acaba
aqui de repente, e sobre a sua extremidade está o forte do
Picão......... Quando o mar anda empolado com ventanias, as
ondas rolam com estampido, por cima dos arrecifes para o
porto, que tem forma de rio, assaz corrente na baixa-mar, e
o agitam consideravelmente” .
O engenheiro Júlio Boyer foi encarregado em 1838 de
examinar o porto do Recife; e como a memória que apresen­
tou a este respeito ao ministro da marinha tratava na pri­
meira parte de descrever o mesmo porto, e o coronel de enge­
nheiros Conrado Jacob de Niemeyer declarasse no ofício que
dirigiu a aquele ministro, em 23 de novembro do mesmo ano,
que essa descrição era minuciosa e verdadeira, copiaremos
aqui algumas partes, para maior esclarecimento do leitor:

“ O Lameirão oferece (termo médio) 5 a 6 braças d’água


em toda a sua extensão, que é cortada por diversos canais,
cujas sondas são conhecidas; mas os navios nele jogam mui­
to, pela braveza do mar, e não estão ao abrigo dos ventos tro­
picais, que reinam nesta paragem, e cuja direção não muda
senão de Su-sueste a Nor-nordeste. — Ao Norte do Lameirão
está o baixo do Inglês, que tem de N. a S. 600 braças, e de
L. a O. 240, pouco mais ou menos. Este baixo tem 14 palmos
de baixa-mar, é encoberto, e ao N. dele está um canal, por
onde podem entrar e sair navios com vento feito, por ser es­
treito, o qual tem 30 braças de largura, e 5 de fundo de areia
e pedra; ao N . deste canal há diversos cabeços de pedras, que
formam os baixos da cidade de Olinda. Ao Sul do Lameirão
há o baixo da Hetuba, que tem 300 braças de N. a S., e 240
de L. a O., e 4 ’/ 2 na baixa-mar de fundo de pedra.

“ Quanto à enfiada de pedras, que separa o Lameirão do


porto, oferece ela abrigo seguro aos navios ancorados no Mos­
queiro, e levanta-se sem interrupção acima do nível do mar,
desde os Afogados até o farol, onde desaparece, para surgir
ao depois perto dos cachopos de Olinda. Aos dois terços
desta distância existe a Barreta-Falsa, que dá passagem a
canoas e jangadas, e que não tem mais de três a quatro bra­
ças, encontrando-se defronte do seu centro um rochedo des­
coberto .

“ A partir do farol estende-se a Barreta à Barra-Grande,


e à Barra-Velha. A Barreta oferece em toda a sua extensão,
que aliás é limitada, um fundo de vinte e dois a vinte e qua­
tro pés, pelo qual passam as embarcações que querem anco­
rar dentro do Mosqueiro. A Barra-Grande, que principia a
250 braças do forte do Picão, e se acha defronte da Cruz-do-
-Patrão, é demandada pelos grandes navios, que pondo-se ao
N. do farol, e evitando o banco do Inglês, podem pôr a proa
em direção da torre de S. Amaro, e da Cruz-do-Patrão, e
seguir este rumo, até distarem de terra vinte a vinte e cinco
braças, nadando em um canal, cujo menor fundo é de cinco
a seis braças. — Entre a Barreta e o farol, e junto deste, há
uma grande pedra denominada a Tartaruga, que sobressai
ao mar em tempo de maré vazia.

“ Dirigindo-nos da Barreta para o Mosqueiro, o fundo


principia a diminuir; porquanto, nas partes mais cavadas,
entre a fortaleza do Brum até a Tartaruga, já se não encon­
tram mais de treze pés d’água; a parte vizinha aos arrecifes
não oferece mais de doze; e defronte da obra nova (o trapi-
che do Ângelo), só dá sete a oito pés em maré vazia. Par­
tindo deste ponto, o fundo, em toda a extensão dos arrecifes,
é, pouco mais ou menos, de quinze pés; e nesta direção achar-
se-ia o mesmo canal até a Barreta-Falsa, se a falta de polícia
do porto não o tivesse fechado quase defronte do forte do
Matos, visto que, em conseqüência de ferros ou âncoras de­
samparados, e de uma galera que foi ao fundo, as areias des­
cidas da ilha do Nogueira se acumularam em roda deles, e
formaram um baixo, a que chamam das Alvarengas. Seguin­
do-se o canal, e entrando na bacia que se compreende entre
o bairro do Recife e o de S. Antônio, e ponte que os liga, o
canal continua a dar oito a nove pés de fundo até o pé da
mesma ponte; e um pouco antes de chegar a esta, divide-se
em suas direções, ficando as partes mais cavadas à margem
do rio, e aparecendo no centro um baixo, que chamamos
baixo-da-ponte” .

Segundo o barão Roussin, as marés são irregulares no


porto do Recife, provavelmente por causa do rio que nele de­
semboca, e que sendo exposto a cheias, nem sempre tem o
mesmo volume d’águas. A diferença do nível das marés altas
e baixas é de seis pés, em circunstâncias ordinárias, e chega
até oito pés nas marés de grandes cheias; e então a força da
corrente no porto é de duas milhas por hora. Nestas últimas
circunstâncias há preamar às 4 x/2 horas depois do meio-dia.
No ancoradouro as marés são inteiramente irregulares, e as
correntes determinadas principalmente pelos ventos reinan­
tes.
8o Barra das Candeias. Tem dezoito a vinte palmos de
fundo, na baixa-mar; o seu assento é de lama e areia; e o
porto é abrigado. Esta barra é entre picões; o surgidouro
dentro é à sombra deles, e estreito, por estar junto à praia.
Nele somente entram canoas e jangadas.

9o Enseada do Gaibu. Tem de fundo quatro a cinco bra­


ças de baixa-mar; o seu fundo é de areia. Com vento Sul
até Sueste é abrigada, por estar à sombra do Cabo de Santo-
Agostinho, e desabrigada com ventos de Sueste até o Norte.
Nela podem fundear navios grandes até perto de terra, na
distância de um tiro de mosquete.

10° Barreta do Porto-de-Galinhas. Fica aos 8o e 25’ de


latitude Sul, com barra formada pelo rio Ipojuca. Tem qua­
tro a cinco braças de fundo de baixa-mar, e o seu fundo é
de areia e lama. Esta barreta é abrigada, fica entre picões, e
tem pouca largura. O surgidouro fica ao pé do arrecife, e
nele podem estar cinco a seis embarcações.

11° Barra de Mercaípe. Fica aos 8o 30’ de latitude meri­


dional, e tem três a quatro braças de fundo na baixa-mar,
com um fundo de areia e lama. Este porto é abrigado, e
pode conter oito a nove embarcações, mas não é freqüentado,
por falta de comércio, pois que nele só moram alguns pes­
cadores .

12° Porto de Santo-Aleixo, junto à ilha do mesmo nome,


e aos 8o e 40’ de latitude. Tem quatro a cinco braças de
fundo de baixa-mar, com leito de areia e lama; é abrigado,
com ventos mareiros. Esta ilha é navegável em torno, mas o
surgidouro fica pela parte de Oeste de um arrecife, que há
na ponta Sul da mesma ilha.

13° Barra de Sirinhaém. Tem de fundo duas braças de


baixa-mar; o seu fundo é de areia, e é abrigada. Esta barra
é larga, surge-se da parte de dentro do arrecife; pelo rio aci­
ma há algumas partes secas, onde somente vão pequenas
embarcações.

14° Barra do Rio-Formoso, aos 8o e 43’ de latitude, e 8o


15’ de longitude. Tem de fundo 16 a 18 palmos de maré
cheia de águas-vivas; o seu fundo é de areia; surge-se da
parte de dentro, no lugar chamado Gamela, que é apertado
e tem a mesma quantidade d’água. Aí só podem estar até
duas embarcações ao pé da praia. O rio para cima é seco,
até o lugar chamado Passagem, onde somente se passa em
maré cheia; mas daí para cima, até o denominado Pedra, no
espaço de uma légua, é fundo, e nele carregam as sumacas.

15° Barra de Tamandaré. Este porto fica aos 8o 46’ de


latitude Sul, tem de profundidade 4 a 5 braças de baixa-mar,
com leito de areia, e é abrigado do mar, mas não das venta­
nias. A barra e o arrecife são bastantemente largos, e da
parte de dentro há um lagamar, que tem 4V2 braças de fundo,
e menos em outras partes. Podem estar ali 16 a 20 embar­
cações, e aqui número muito maior.
Sobre este porto, e as vantagens que oferece, expressa-se
o presidente José Carlos Marink da Silva Ferrão no ofício
sob número 14, que dirigiu ao ministro da marinha em 2 de
abril de 1827, pela maneira seguinte:

“ Estando eu nessa corte, tive ocasião de conversar com


o Exmo. Marquês de Paranaguá, então ministro e secretário
de Estado da repartição que V . Excia. tão dignamente ocupa,
sobre as vantagens que oferece o porto de Tamandaré, o me­
lhor desta província, e um dos melhores de toda a costa do
Brasil. Este porto, que pode abrigar uma esquadra de gran­
des navios, está situado ao Sul do Cabo de Santo-Agostinho,
nos limites desta província. O seu ancoradouro é limpo, e
a sua entrada fácil; e apenas tem uma má e arruinada forta­
leza, que o defende. Em ocasião de guerra, oferece cômodo
desembarque ao inimigo que nos quiser atacar; nem tem nas
suas praias e vizinhanças bastantes moradores, que se lhe opo­
nham, estando em distância da mal situada e pouco popu­
losa vila de Sirinhaém, a 22 léguas desta capital. Por estas
e outras razões, que ponderei a aquele ministro, ordenou-
me ele que, à minha chegada a esta província, examinasse
bem a qualidade do porto, mandasse tirar a sua planta, e
com ela desse conta do mais que achasse, para se tomarem
as medidas que se julgassem convenientes... O arsenal de
marinha, que temos neste porto do Recife, é quase inútil,
porque nem o ancoradouro interior admite grandes navios,
nem se proporcionam outros meios de construção naval, pela
carência de rios, de madeiras, e de fáceis conduções, entre­
tanto que Tamandaré oferece tudo a desejar: está vizinho
das matas de Sirinhaém, que abundam em boas madeiras,
tem légua e meia ao N. o Rio-Formoso, por onde podem
descer as madeiras do interior, e légua e meia ao Suí o rio
Una, cujas margens são cobertas de excelentes matas, e até
fica mais perto das Alagoas, donde podem vir com muita
facilidade quantas madeiras mais se precisem. Estabelecen­
do-se ali um arsenal e departamento de marinha imperial, e
estaleiros para construções particulares, a concorrência de
operários e interessados chamaria muito mais gente, e em
pouco tempo poderíamos lançar os fundamentos de uma
grande cidade, que pode vir a ser da maior importância, bele­
za, e comércio. O terreno é muito igual; o clima é muito sau­
dável; e até um regato perene e de boa água atravessa toda
aquela planície, a qual está dividida em pequenas porções,
cujos donos, como estou informado, não tendo meios de as
cultivar e amanhar, as venderiam por cômodos preços” .

16° Barra das Ilhetas. Tem 2 Vá a 3 braças de profun­


didade de baixa-mar, com fundo de areia, e é desabrigada. No
lagamar podem estar 4 ou 5 embarcações, que só demandam
aquela quantidade d’água.

17° Barra de Una, aos 8o e 5’ de latitude Sul. Tem 4 a


5 braças de profundidade na baixa-mar, com fundo de areia
fina. Esta barra é franca, e presentemente surge-se no lugar
a que chamam Caixão-de-Una, em razão de se não poder pas­
sar daí para o Sul, por ter crescido a coroa para o Norte,
proveniente dos lastros que as sumacas lançam no mesmo
lugar em que surgem. As lanchas podem passar, e esperar
que a maré encha, para entrarem no rio Abreu, que tem al­
guns lugares secos de baixa-mar ( a ) .

§ 3o FONTES. — Sobre este objeto pouco diremos, por­


que são muito limitados e imperfeitos os documentos e notí­
cias de que temos conhecimento.

Águas-férreas. Acêrca das fontes desta qualidade, eis o


que dizia o Dr. Simplício Antônio Mavignier, no ofício que
dirigiu à Presidência, em 27 de agosto de 1838. “ Satisfa­
zendo à consulta que V. Excia. se dignou dirigir-me, acerca
da existência nesta província de águas minerais e seus efei­
tos, tenho a honra de informar a V. Excia. que, relativamen­
te à existência de águas minerais, sei que só temos aqui três
águas, todas férreas: uma em Olinda, no Jardim Botânico;
outra no Caxangá, que se acha muito maltratada, e destruí­
da; e finalmente outra nos Apipucos, cujo fonte esteve sem,-
pre, e continua a estar em completo abandono e desprezo.
Estas duas últimas são de igual força e bondade, e são da
melhor qualidade; a primeira, mais fraca, nem por isso é
inferior, pois tem as suas aplicações, quando as mais fortes
não convêm. Todas são empregadas pela medicina com bas­
tante proveito, como tônicos e fortificantes, nas enfermida­
des em que são recomendadas, como clorose, amenorréia,
atonia, e certos engorgitamentos das víscleras abdominais,

(a) A s de que até aqui temos tratado são braças marítimas de 8


palmos.
etc., etc. Não me consta que pelas circunvizinhanças desta
cidade existam outras além das mencionadas; e por informa­
ções mui vagas consta-me que, em outros pontos assaz remo­
tos da província, existem águas minerais, mas ainda me não
foi possível colher a verdade. Seria do mcr interesse para
o país e para a ciência, que fosse encarregado de ir à procura,
e fazer sobre os lugares a análise química das diversas águas
minerais que esta província encerra, mas cuja existência ain­
da não é bem patente, por falta dos conhecimentos próprios
nos habitantes dos lugares onde elas aparecem” ( a ) .

(a) Eis os resultados da análise que em Paris fez o referido Dr.


Mavignier, da natureza e qualidade destas águas, depois de recebidas ali
em algumas garrafas, onde ficaram arrolhadas por espaço de oito meses,
e deixaram um depósito lameloso mais ou menos abundante. Propriedades
físicas. Eram as águas do Caxangá e Apipucos incolores, transparentes e
insípidas. A água dos Apipucos, e sobretudo a do Caxangá, tem um sabor
de ferro muito pronunciado. — Peso específico. O resultado dos pesos
não corresponde exatamente aos produtos das evaporações; o que pode
depender da qualidade de gases contidos nas águas. Os pesos específicos
obtidos, são inteiramente iguais, e correspondem a 1,008. — Propriedades
químicas — As águas férreas do Caxangá e Apipucos são ácidas, e tornam
vermelho o papel azul de Tornevol. — Sendo calcinados os depósitos destas
águas, eles arderam, como uma matéria vegetal, não deixando senão um
resíduo infinitamente pequeno. — Ação dos reagentes. — Hidrocloratos
provados pelo nitrato de prata. Os precipitados solúveis no amoníaco são
indicados pela maneira seguinte: na água do Caxangá dá-se um louche
pouco abundante; na dos Apipucos uma nuvem branca. — Sulfatos. — Indi­
cados pelo precipitado insolúvel em um excesso de ácido nítrico, que for­
ma o nitrato de banto. — A s águas do Caxangá e Apipucos não dão indí­
cio de que contenha a menor quantidade de sulfato. — A magnésia pelo
amoníaco, e pelo seu subcarbonato não pode ser demonstrada nestas águas.
Cal. A sua presença foi contrastada pelo oxalato de amoníaco. Tanto na
água do Caxangá, como na dos Apipucos, porém naquela mais do que
nesta, os precpitados são louches. Pela dissolução do sabão no álcool fra­
co, as águas produzem uma leve perturbação; o que prova que elas dissol­
vem o sabão excelentemente. — O hidroclorato de platina não pôde Indi­
car a presença da potassa. — O ferro não parece existir em grande quan­
tidade nas duas águas ferruginosas do Caxangá e Apipucos. A dissolução
da noz de galha não o pôde demonstrar. O hidrosuífato de amoníaco dá
uma perturbação de um pardo muito carregado. Mais sensível na água
dos Apipucos do que na do Caxangá, o hidrocianato-férreo de potassa, e
uma gota de ácido hidroclórico muito puro e concentrado, o descobrem eviden­
temente. O líquido toma imediatamente uma cor azul carregada, que mais no­
tável é na água dos Apipucos, do que na do Caxangá; ao depois deposita-se
azul-de-prussia na mesma relação. — Pela evaporação, 100 partes ou gra­
mas de cada uma destas águas, dão para resíduo em fração de gramas, a
saber: na água do Caxangá 0,0125, das quais 0,0045 insolúveis, e 0,0080
solúveis; na dos Apipucos, 0,0093, das quais 0,0059 insolúveis, e 0,0034
solúveis. — Pela evaporação, estas águas tornam-se fortemente alcalinas,
o que prova que elas, sendo ácidas, deviam esta propriedade ao gás ácido
Fontes-Salinas. No lugar Mufundo, pertencente à extin­
ta freguesia da Luz, e hoje Glória-do Goitá, termo do Pauda-
lho, existe uma vertente perene de água tão salgada, que se
não pode beber.

ARTIGO III

ILHAS

As ilhas de Pernambuco são poucas e pequenas, e tais


são: a ilha de Fernando-de-Noronha, a de Itamaracá, a do
Nogueira, e a de Santo-Aleixo, todas no Oceano, e as ilhas
de Santa-Maria, Assunção, Grande, Vargem, e outras meno­
res, no rio de São-Francisco.

Io a ilha de Femando-de-Noronha, foi descoberta pelo


português do seu nome, em 1503, a quem foi dada em 16 de
janeiro do ano seguinte, sob a denominação de São-João, con­
forme a opinião de Francisco Adolpho de Varnhagen, no
Diário da Navegação de Pero Lopes de Souza, que ele publi­
cou em Lisboa, no ano de 1833, e que se pode consultar com
proveito. Está situada obra de setenta léguas a Lés-nor-
deste do Cabo de São-Roque, em 4o de latitude meridional e
10° e 35’ de longitude, contada do meridiano do Rio-de-Ja-
neiro. Tem três léguas de comprimento, desde a ponta do
Norte até a do Sul, e quase uma na sua maior largura, que
é desde o reduto Dois-Irmãos até o reduto do Sueste. Na
ponta do Norte é cortada pelo mar em três partes, que for­
mam três divisões; a saber: ilha dos Ratos, que não chega
a ter meio quarto de légua; ilha do Meio, inculta, por ser
toda de pedraria, saparada da primeira pelo mar, na largura
de cincoenta toesas, pouco mais ou menos; e ilha Rasa e Sela-
gineta, separada da segunda por um menor braço de mar;
seguindo-se finalmente a ilha Grande, ou de Femando-de-

carbônico A s partes solúveis são igualmente alcalinas: pelos reagentes


antes empregados, determinam-se os mesmos precipitados, provenientes da
reação sobre os sais solúveis. As partes insolúveis fervem pela adiçao
de qualquer ácido. — Nas águas do Caxangá e Apipucos o ferro nao
foi encontrado senão nas partes insolúveis, que pelo hidrocianato-férreo-
-de-potassa, e uma gota de ácido hidroclórico puro tomaram uma bela
cor azul carregada. À medida que a água se evaporava, o ferro formava
escamas avermelhadas muito visíveis, que se depunham sobre as paudes
do vaso. Os resíduos destas águas evaporadas eram sem sílice.
Noronha, que é a mais própria para a cultura. Nesta parte
porém, há dois lugares que para nada servem, e tais são: 1°
o lugar denominado Burra-leiteira, cortando para a serra do
Francês toda a extensão que vai até a ponta da ilha dos Ra-
3
tos, que será pelo menos — de légua, e que é inculta, e inca-
4
paz de produzir coisa alguma, nem mesmo matos, pela muita
pedra, e salitre da braveza do mar; e 2o o lugar denominado
Cajazeiras, até a ponta do Sul, que terá de distância meia légua
incompleta, e que é também inculta, por ser tudo rocha, e
muito estreita, de sorte que, estando um homem em pé, vê
o mar de uma e outra parte, e este mesmo o atravessa por
uma aberta, a que chamam Portão-Grande, e por onde pode
passar qualquer escaler, com gente.

Do que temos dito, vê-se que na ilha de Fernando-de-


Noronha há somente uma légua e três quartos de terra pró­
pria para a agricultura; mas nesta mesma existem as seguin­
tes serras, ou penedias; a saber: a serra do Francês, Atalaia-
Grande, Atalaia-Pequena, o morro do Pico, o Serrote (ao pé
da Atalaia pequena), da Pedra-do-Navio, do Reduto-do-Sueste,
e do Curral-do-Gado, o Serrote-do-Charco, o Serrote-da-Con-
ceição, etc.; de sorte que as partes em que se fazem planta-
tações chamam-se hortas, pela pequena extensão que ocupam.
Estas hortas têm os nomes seguintes, segundo a sua posição:
— horta-da-vida, horta-da-floresta, horta-nova, horta-do-Sues-
te, horta-da-sambaquixaba, horta-do-charco, da ilha-dos-Ra-
tos, etc.

Produção. Sendo as chuvas e estações regulares, a ilha


de Fernando-de-Noronha produz muito milho, feijão, jeri­
muns, melões, melancias, bananas, mandioca, carrapato, de
que se extrai azeite, etc. A mesma ilha produz coqueiros,
pinheiras, laranjeiras, parreiras, cajueiros, limoeiros, goia-
beiras, algodoeiros, e canas d’açúcar.

Na ilha de Fernando de Noronha há lenhas com abun­


dância, que só servem em geral para o fogo, e são a burra-
leiteira, que deita leite tão venenoso, que cega, caindo nos
olhos; sobre o corpo queima como fogo, e sobre qualquer pano
faz uma nódoa de amarelo fechado, e destrói como o vitríolo;
o mulungu, do qual se tiram rolos para jangadas, e táboas
fracas, que muito servem para obras interiores de pouca re-
sistência; o feijão, assaz rija e compacta, cujos troncos pouco
engrossam, e servem para espeques, e cujas folhas estão sem­
pre verdes, e sustentam o gado vacum e lanígero, principal­
mente no tempo de seca. Além destas árvores, há também
o joão-mole, a peroba, o pinhão, e a gameleira, que se não
corta por causa do fruto, que se come, posto que agreste, e
com a casca da qual se curtem alguns couros; a cajazeira, de
que há poucas árvores, e cuja lenha é excelente, e a samba-
quixaba, de cujas raízes se faz o melhor e mais forte carvão
para a ferraria.

Quanto aos vegetais, produz a ilha de Fernando o cipó-de-


chumbo, de que se fazem remessas para o Recife, a fim de
ser empregado em usos medicinais; e a vinagreira, de que os
estrangeiros fazem muita estima, cozendo-a com a carne, ou
comendo-a crua, quando está viçosa.
Na falta de mapas estatísticos sobre a quantidade das
produções anuais da ilha de Fernando-de-Noronha, devemos
declarar, para conhecimento dos leitores, que ela em 1808
tinha 21 bois de carro, 707 cabeças de gado vacum, e além
daquelas, 10 cavalos, 13 éguas, 875 ovelhas, e produziu 46
alqueires de feijão, 176 arrobas cTalgodão em caroço, 80 cana­
das de azeite de carrapato, 412 alqueires de milho, 2,212 de
farinha, e tinha 140:986 covas de mandioca, segundo o mapa
apresentado ao Governo pelo seu respectivo comandante, o
sargento-mor João Pinto de Sousa.

Há na ilha grande abundância de rolas, que se comem,


e produzem inumerável quantidade de ovos; há também pás­
saros de arribação, como viúvas, alcatrazes, e mumbebos, e
destes últimos se tiram as peles, que servem para os mesmos
usos que o arminho, extrai-se algum azeite, e até alguns sol­
dados os comem; há os caranguejos, dos quais uns se criam
e se sustentam de ervas na terra firme, e são muito grandes
e saborosos, e outros são marinhos, e se criam por entre as
fragas. Nas costas se pescam grande quantidade de peixes,
e alguns baleotes e tartarugas no tempo de inverno, cuja
carne se come ou dá algum azeite, e cujos cascos por serem
muito delgados servem para cobrir pequenas obras de ma­
deira, como arcazinhas, caixas d’óculos, relógios, etc.

2o Ilha de Itamaracá. Esta ilha, por muito tempo no­


meada dos-Cosmos, acha-se situada aos 7o e 44’ de latitude
meridional, e 8o 30’ de longitude, contada pelo meridiano do
Rio-de-Janeiro, e tem uma légua na maior largura, e três
de comprimento de S. a N., desde a barra da Santa-Cruz,
pela costa do mar, até a barra da Catuama, onde há um sur­
gidouro para navios, como já dissemos, defronte da boca do
rio Maçaranduba. O canal, que a separa do continente, é
estreito e profundo; a ilha é montuosa e povoada, e produz
em geral quanto nela se planta; o comércio, pelo que respeita
à lavoura de legumes, é módico; as salinas são abundantes,
e as fábricas de cal muito extensas, e tanto umas como outras
dão provimento para toda a província, e fazem a parte mais
considerável da riqueza da ilha. — As árvores frutíferas,
como o coqueiro, a mangueira, a parreira etc., etc., produ­
zem com fartura.

3o Santo-Aleixo. Acha-se situada aos 8o 36’ de latitude


meridional, e 8o 10’ de longitude oriental do meridiano do
Rio-de-Janeiro, 5 léguas ao Sudoeste do cabo de Santo-Agos-
tinho, e obra de milha e meia arredada do continente. —
Ela terá 4 milhas de comprimento, com porções de terreno
apropriado para a produção de vários víveres e legumes.

4o A ilha do Nogueira. Está situada ao Sul do porto do


Recife, entre os arrecifes e a terra firme, ficando-lhe para o
lado daqueles a Barreta-Falsa, e para o desta a fortaleza das
Cinco-Pontas, a Cabanga, e o aterro dos Afogados, sendo
banhada por um dos lados pelo rio Capibaribe, que passa por
baixo da ponte dos Afogados, e pelo rio Tejipió, que atraves­
sa a de Motocolombó. — A ilha do Nogueira é toda plantada
de coqueiros, e produz toda a qualidade de árvores frutíferas,
e verduras. — Ela é presentemente propriedade do hospital
da Caridade.
5o Ilha da Assunção. Está situada no rio de São-Fran-
cisco, aos 8o e 40’ de latitude, e 4o e 48’ de longitude, con­
tada do meridiano do Rio-de-Janeiro; tem cinco léguas de
comprimento e uma de largura, e produz mandioca, milho,
melancias, hortaliça e algodão. Os seus habitantes dão-se
também à pesca, à caça, e à criação de gados; trabalham em
olarias, e tecem o algodão.

6o Ilha de Santa-Maria. Está situada no mesmo rio de


São-Francisco, aos 8o 38’ de latitude, e 4o 35’ de longitude,
contados do meridiano do Rio-de-Janeiro, e tem as mesmas
produções da ilha antecedente, com cinco léguas de exten­
são e meia légua de largura.

7o Ilhas Grande e da Vargem: estão situadas no mesmo


rio de São-Francisco, e tem cada uma 3 léguas de compri­
mento .

8o Além destas ilhas no rio de São-Francisco, há ainda


as ilhotas do Pontal, com 2 léguas de comprimento, e um
quarto de fundo; — Saco, com uma légua de comprimento,
e um quarto de fundo; — Inhaém, com uma légua de frente,
e um quarto de fundo; — Missão, com légua e meia de frente,
e um quarto de fundo; — São-Felix, com meia légua de frente,
e um quarto de fundo; — Santa-Maria, com légua e meia de
frente, e um quarto de fundo; e finalmente as — do Cajucu,
Rato, Cabaços, e Goiases, de menores dimensões.

ARTIGO IV

MONTES E SERRAS

Já dissemos que o terreno de Pernambuco é plano e baixo


para o lado da costa, e cheio de montes para o centro: ago­
ra passaremos a descrever esses montes, segundo as comar­
cas em que eles existem.

NA COMARCA DO RECIFE

Io Montes Guararapes, chamados hoje dos Prazeres, pela


suntuosa igreja e hospício dos monges beneditinos, que se
acha sobre o cume do principal: acham-se duas léguas dis­
tantes da povoação da Muribeca, e três da cidade do Recife.
Têm de extensão todos eles uma milha, e vinte braças de
altura, nos lugares mais elevados. A sua forma é muito
irregular, pelas escabrosidades e escalvados que lhes fazem as
águas do inverno; porém, principiando no lugar junto ao rio
Jordão, que lhes fica ao Norte, com uma ponta, vão alar­
gando em forma triangular, até finalizar em segunda ponta
sobre a estrada de Muribeca, e terceira sobre a estrada da
vila do Cabo. As suas fraldas são cobertas de cajueiros, man-
gabeiras, oitizeiros, e outros arbustos agrestes; o seu terre­
no é pouco próprio para a cultura. Os montes Guararapes
são célebres na história de Pernambuco, pelas vitórias con­
seguidas dos holandeses pelos pernambucanos ( a ) .

NOS MUNICÍPIOS DE NAZARÉ E PAUDALHO

2o Serra da Conceição: tem meia légua de comprimento


e treze braças de largura, e produz toda a qualidade de la­
vouras .

3o Serra do Rolo, com 30 braças, pouco mais ou menos


de comprimento: produz toda a qualidade de legumes, e é
coberta de tabocas, e de outros matos baixos, e de nenhum
fruto.

NO MUNICÍPIO DO CABO

4o Serra Selada: fica distante 4 léguas ao Sudoeste do


Cabo de Santo-Agostinho, e pouco mais de 2 léguas longe do
mar. Esta serra, posto que seja de pouca altura, é aos nave­
gantes a melhor conhecença destes lugares.

NO MUNICÍPIO DE SANTO ANTÃO

5o Serra das Russas, 16 léguas arredada do Recife, e na


estrada que guia para o sertão de São-Francisco: tem 3 léguas
de comprido, e pouca largura, e segue a direção de L. a O.

6o Serra da Ronda, que corre de N. a S ., e tem uma


légua de extensão.

NO MUNICÍPIO DO BONITO

7o Serra dos Marotos. Fica na direção de L . a O .; tem


600 braças de comprido, é coberta de capoeiras, e capaz de
ser cultivada.

8o Serra Grande. Acha-se na mesma direção de L . a O .;


tem 1200 braças de extensão, e é, como a antecedente, co­
berta de capoeiras, e capaz de ser cultivada. Dela sai a ver­
tente denominada Coqueiro.

(a) Veja-se a descrição, que faz destes montes Fr. Raphael de Jesus,
no seu Castrioto Lusitano, (edic. de Paris, 1844), cap. 11, § 6o.
9o Serra do Macaco. Tem de extensão 2 léguas, e 200
braças de altura, pouco mais ou menos; dista algumas 250
da vila do Bonito, é coberta de matas virgens em partes, e
em partes de capoeiras; e produz cana, legumes, etc.
10° Serra da Água-Vermelha. Fica na direção de N. a
S., dista da vila do Bonito 2 léguas, tem de extensão uma
somente, e de altura 770 braças. Dela se vê o mar, que fica
a 24 léguas: é coberta, em parte, de carrascos, em parte de
matas virgens, que se podem cultivar.
11° Serra Azul. Segue a direção de L. a O., até encon-
trar-se com a ponta setentrional da serra supra; tem de ex­
tensão uma légua, e de altura 430 braças, pouco mais ou
menos: é coberta de matas virgens, e principia a ser culti­
vada.

12° Serra da Taquara, na freguesia do Altinho: começa


nas nascenças do riacho Taquara, em direção ao poente, e
finda no lugar denominado 01ho-d’água-do-Mingu: tem 4
léguas de comprimento, é coberta de matas, onde se fazem
plantações, e produz todo o gênero de legumes.

NO MUNICÍPIO DE CIMBRES

13° Serra do Ororobá. Dirige-se de L. a O., e mais pa­


rece uma cordilheira de montanhas do que uma só serra.
O que propriamente se chama serra do Ororobá compreende,
naquela direção, 5 léguas de comprimento, e % de largura.
Sobre esta serra está situada a vila de Cimbres. A sua maior
elevação será de 800 a 1000 passos, e a sua forma é irregu­
lar. Para o nascente é coberta em partes de matos, e em
partes de capoeiras; é cultivada, e produz milho, feijão, man­
dioca, cana, algodão, etc. Desta serra são ramificações as
seguintes:

14° Serra da Porteira. Tem 4 léguas de comprimento


na direção de L. a O., e 700 a 900 pés de altura. É de figu­
ra longa, dista 400 braças da serra do Ororobá, acha-se co­
berta ao poente de catingas e capoeiras, e é pouco cultivada,
porém pode produzir os mesmos gêneros acima referidos.

15° Serra do Macaco. Dista 4 léguas da vila de Cimbres,


e é de forma irregular, porque dirige-se ao Sul primeiramen-
te, daí a Leste, e daqui ao Norte, com meia légua em cada
direção. Tem 800 a 1000 pés, na sua maior elevação; é pe­
dregosa, e por isso coberta de catingas, inculta e inabitável.

16° Serra do Bocu. Dista de Cimbres 5 léguas, tem três


e meia de comprimento, e 1:200 pés de altura. A sua forma
é a de um arco, porque a sua direção é de N. a S. ao prin­
cípio, e depois a Oeste. Do lado do Norte é inabitável e in­
culta, por ser o terreno inteiramente estéril; para o do Sul
porém, na extensão de meia légua, é coberta de mata con­
tínua, e de capoeiras, e produz milho, feijão, mandioca, etc.

17° Serra Verde. Fica distante 6 léguas do município,


a Leste: dirige-se de N. a S., e tem 4 léguas de extensão, e
500 a 600 braças de altura. As suas matas estão muito redu­
zidas; ela produz mandioca, milho, feijão, e outros legumes.

18° Serra do Curralinho ou do Papagaio, de figura irre­


gular, e distante 10 léguas da vila de Cimbres: tem uma légua
de comprimento, na direção de S. a N., e 800 a 900 passos
de elevação. Esta serra, outrora coberta de matas, o é hoje
somente de capoeiras: ela produz algodão, milho, feijão, etc.

19° Serra da Pedra, junto à povoação a que dá o nome,


e 7 léguas ao Sul da vila de Cimbres. Desde o seu cume até a
extremidade inferior, é uma só pedra, à maneira de uma
grande lava dos gelos do Norte, e se estende ao nível do ter­
reno, obra de 60 braças, conforme a descrição que dela faz
o coronel Accioli, no seu Itinerário Estatístico da comarca do
Sertão.

NO MUNICÍPIO DO BREJO

20° Serra do Cachorro. Dista deste município e fregue­


sia 4 léguas. Nesta serra, e no distrito do Poço (diz o coro­
nel Accioli no citado Itinerário), nota-se o pico da serra do
Cachorro, nu e isolado, no fim da cadeia das serras, apresen­
tando uma base prodigiosa. Fica em distância de 40 léguas
ao O. do Recife; todo ele é uma só pedra, formando dois
ombros, entre os quais se eleva o cimo da pedra, de figura
cônica, acima do nível da serra, muitas braças; avista-se na
distância de 20 léguas; e quem estiver certo no Pão-de-Açúcar
do Rio-de-Janeiro, não hesitará em dizer que este lhe é infe-
rior, tanto em altura como em grossura. O declive da banda
oriental é quase perpendicular, e o da ocidental um pouco
menos. O seu cume é inacessível, e não consta que lá tenha
chegado o mais ousado caçador. Apresenta a vista mais linda
e pitoresca que se encontra no sertão, e talvez que seja o
ponto mais elevado de todos os sertões do bispado de Per­
nambuco. Ao pé desta serra estão duas vertentes d’água
doce, uma ao nascente e outra ao poente, sendo esta a que
mais afronta as grandes secas.

21° Serras da Prata e do Salobro ou Estrago. Estas duas


serras correm sempre paralelas, na direção de N . a S .; e dis­
tando entre si, no lugar da vila e matriz do Brejo, 1.500 bra­
ças, formam nas suas bases um estreito e profundo vale, onde
está colocada a mesma vila. — A serra da Prata fica ao
poente, meia légua distante da vila, é coberta de mata vir­
gem, e se acha cultivada com plantações de mandioca, e le­
gumes. A serra do Salobro, que fica ao nascente, é coberta
de caatingas, e cultivada de algodão, milho, feijão, etc.
Ambas estas serras são de altura considerável, e muito empi­
nadas; as faces com que se olham da vila do Brejo são de
rocha viva, mas pelos lados opostos são térreas, e nelas se
fazem as plantações.

NO MUNICÍPIO DO LIMOEIRO

22° Serra do Jacarará, na freguesia de Taquaritinga. É


montuosa, e elevada à superfície do mar uma légua: é toda
povoada, e os seus habitantes cultivam a mandioca, o milho,
o feijão, o algodão, etc. Esta serra atravessa também o mu­
nicípio de Cimbres; e tem de N. a S. 2 léguas de compri­
mento, e de L. a O. 10, pouco mais ou menos.

23° Serra do Pará, na mesma freguesia. Fica por detrás


da fazenda Salgado, ao N. do rio Capibaribe, elevando-se uma
légua sobre o nível do mar: ela tem meia légua de largura,
e 4 de comprimento, segue o rumo do rio mencionado, e finda
meia légua abaixo do lugar denominado Poço-comprido, por
detrás do Arapoan.

24° Serra da Santa-Cruz, na mesma freguesia, por detrás


da fazenda do mesmo nome, elevada meia légua sobre o nível
do mar, tendo a sua origem na margem do rio, com o nome
de Serrote, e perdendo a sua altura meia légua abaixo. Esta
serra e a antecedente são secas, e por isso estão incultas e
inabitadas, e só servem para a criação de animais.

25° Serra dos Bois, na mesma freguesia. É habitada, e


cultivada com plantações de mandioca, feijão, milho, algo­
dão, etc. Tem uma fonte, que mal supre os poucos mora­
dores que nela existem.

Além das serras que ficam mencionadas neste município,


seguem-se algumas outras ramificações insignificantes, quê
por isso deixaremos de mencionar.

EM COMARCAS E MUNICÍPIOS MISTOS

26° Serras de Tacaratu. Existem na parte da freguesia


deste nome que pertence à província de Pernambuco, e for­
mam uma cordilheira de serras, unidas umas às outras, que
terão de largura um quarto de légua, e de comprimento 8
a 9 léguas, principiando do nascente para o poente, e torcen­
do ao Sul, até finalizar no rio de São-Francisco. Estas serras
passam ao pé da matriz; os seus lados são cobertos, em parte,
de pedras, e em parte de matas virgens e terras áridas, em
que entretanto os habitantes lavram mandioca, e vários ce­
reais, como feijão, milho, arroz, etc.

27° Serra da Borborema, a mais majestosa do Brasil.


Depois de ter atravessado de Nordeste a Sudoeste a província
da Paraíba, voltando para o poente, a separa da parte ociden­
tal de Pernambuco, na freguesia de Piancó, e da do Ceará,
por largo espaço. O curso desta serra, só nos municípios dê
Flores e Boa-Vista, é de 53 léguas, pouco mais ou menos.
Desta serra procedem as seguintes ramificações:

NO MUNICÍPIO DE FLORES

28° Serra Branca, Carapuça, e Letras: correm de N. a S.,


tem 13 léguas de comprimento, e dividem o município dê
Flores, província de Pernambuco, da freguesia dos Cariris-
Velhos, pertencente à da Paraíba.

29° Serra Negra. Fica-lhe a freguesia de Tacaratu ao


Sul e a Leste, a de Flores a Oeste, e a do Buíque ao Norte.
Tem 22 léguas de extensão com a serra do Periquito, que
lhe fica próxima, ambas despovoadas e cobertas de grandes
matas, e de terras próprias para a lavoura. — Nelas existem
ainda alguns índios bravios, que infestam as fazendas vizi­
nhas.

30° Serras do Tamboril, e de São-João. Formam outro


cordão de serras, que principiam da fazenda do Sítio, e fin­
dam nas cabeceiras do riacho São-Domingos, dividindo a fre­
guesia de Flores da do Senhor-Bom-Jesus-da-Fazenda-Grande.

31° Serra do Prateado, distante da vila de Flores 3 léguas,


e com outras tantas de comprimento. Nada produz por seca,
escalvada, e coberta de pedras.
32° Serra do Sertão, que sai do grande cordão que divide
o município de Flores da freguesia de Piancó, pertencente à
Paraíba: corre de N. a S., e finda junto do rio Pajeú, na
fazenda do Leitão, com 2 léguas de comprimento.

33° Serra do Macaco, próximo a uma fazenda do mesmo


nome, com um quarto de légua em circunferência.

34° Serra do Ucanam, distante da vila de Flores 20 lé­


guas: tem três léguas, pouco mais ou menos, de extensão, e
meia de largura.
35° Serra do Mocustu, e Serra-Talhada: a Ia com uma
légua de comprido e meia de largo, e a 2a com meia légua
de comprido e um quarto de largo. Em ambas estas serras
se fazem plantações.

36° Serra do Bravo, e Serra-Vermelha: são cobertas de


matas agrestes, e de pedras, e por isso nada produzem.

NO MUNICÍPIO DE GARANHUNS

37° Serra de Garanhuns. Tem o seu princípio pouco


distante da origem do rio Una; é coberta de matas, onde se
fazem plantações de algodão, milho, mandioca, legumes, fru­
tas, etc. Dela descem muitos regatos d‘água cristalina, que
se somem entrando nos arenosos campestres que a rodeiam;
e entre outros vegetais, nota-se o que produz o benjoim. Esta
serra corre na direção de N. a S.
38° Serra do Riachão, no distrito de Panelas: tem 2 léguas
de comprimento, segue a direção de N. a S., e é muito ele­
vada.

39° Serra do Papacaça, distante da povoação de Papaca-


ça meia légua. Tem 2 léguas de comprimento, segue a dire­
ção de L. a O., e é coberta de cascarrais e agrestes, impró­
prios para plantações; mas nas suas quebradas produz milho,
feijão, mandioca, algodão, etc. — A sua maior elevação será
de 400 braças, pouco mais ou menos.

40° Serra de São-João, na mesma freguesia de Papacaça.


Tem o seu princípio no lugar denominado — o!ho-d’água, e
finda no sítio da Areia, com 3 léguas de extensão, na direção
de S. a N. A sua maior elevação é de 400 braças.

41° Serra Grande. Principia no lugar de São-João, den­


tro da freguesia de Papacaça, e finda na freguesia da Pal-
meira-dos-índios, da província das Alagoas, tendo 10 léguas
de extensão, na direção de N. a S., e 400 braças de altura,
pouco mais ou menos. S composta de matas virgens e catin­
gas, e nas suas quebradas se cultiva algodão, mandioca, fei­
jão, milho e cana. Esta serra dista 2 léguas da povoação de
Papacaça.

42° Serra do Quati, na freguesia de Papacaça: segue a


direção para o Norte, tem meia légua de largura, e uma de
comprimento, a contar do lugar denominado Vau-grande, e
é cultivada nas suas quebradas. É atravessada pela serra da
Palmeira, de que agora vamos falar.

43° Serra da Palmeira;


44° Serra doMoleque;
45° Serra de Cucaú;
46° Serra do Buraco.

Estas quatro serras seguem a direção do Sul, em procu­


ra do rio Una. — A primeira tem 3 léguas de extensão, conta­
das do lugar Cachoeira-Grande, até o denominado Água-
Branca, e eleva-se a 400 braças,pouco mais oumenos. A
segunda tem uma légua deextensão, e asúltimas meia tão
somente. Estas serras todas são antes a continuação de
uma só serra, do que muitas serras, tendo porém diferentes
nomes, segundo os lugares: todas são escalvadas, cobertas de
rochedos, e capoeiras; uma pequena parte porém tem matas
virgens, e produz milho, feijão, mandioca, algodão, cana, etc.

47° Serra do Arroz;


48° Serra de Pedras-de-Fogo;
49° Serra do Porão;
50° Serra do Jerimum.

Estas quatro serras existem na freguesia de Panema. A


primeira tem meia légua de extensão, e 80 braças de altura .
A segunda, 200 braças de extensão, e 20 de altura. A tercei­
ra, também 200 braças de extensão, e 60 de altura. A quarta,
meia légua de extensão, e 100 de altura. São cobertas de
capoeiras, e produzem mandioca, milho, feijão, etc.

51° Serra dos Bois;


52° Serra Verde;
53° Serra Pelada;
54° Serra dos Cavalos;
55° Serra do Espelho.

Estas serras, que continuam na forma por que as enun­


ciamos, existem no município e freguesia de Garanhuns, me­
nos as do Espelho e Pelada, que são pertencentes à do Alti-
nho, e nos limites da província com a das Alagoas. — A
serra dos Bois segue a direção de N. a S., tendo o seu prin­
cípio no lugar denominado Limão; e findando no rio Canho­
to, eleva-se até 400 braças; é coberta em partes de andrequicé,
mas nas encostas há capoeiras, e cultiva-se aí mandioca, mi­
lho, feijão, cana, etc. — A serra Pelada corre de L. a O.,
tem 2 léguas de extensão, e 200 braças de altura: é coberta
de lajedos em partes, e em partes de capoeiras e matas vir­
gens, e nas suas quebradas cultivam-se os mesmos gêneros
acima referidos. Dela saem grande número de vertentes,
que nunca secam. A serra do Espelho dirige-se igualmente
de L. a O., tem légua e meia de extensão, é bastante elevada,
coberta em partes de matas virgens, e em partes escalvada:
ainda não é cultivada, mas pode sê-lo.

56° Serra do Jupi, distante da vila de Garanhuns 5 lé­


guas e meia: corre de L. a O., tem meia légua de extensão,
200 braças de elevação, e finda no lugar denominado Jenipapo.
Ela é coberta de agrestes, mas nas suas quebradas cultiva-se
mandioca, milho e feijão.

57° Serra do Brejo-Cachoeira, na freguesia do Altinho:


corre de N. a S., tem uma légua de extensão, e 400 braças
de altura; é composta de pedreiras, cobertas de capoeiras:
nela se cultiva mandioca, milho, feijão, etc.

58° Serra do Brejo-Cabeleira, na freguesia do Altinho,


500 braças distante da antecedente: segue a mesma direção
de N . a S ., tem de comprimento uma légua, e de altura 480
braças, pouco mais ou menos: é despida de matas virgens,
o coberta de capoeiras; produz os mesmos gêneros da ante­
cedente .

59° Serra do Coelho, na mesma freguesia: corre de N. a


S., tem uma légua de extensão, e 400 braças de altura; é a
continuação Norte da serra anterior; é despida de matas vir­
gens, e coberta de capoeiras: as suas produções são as mes­
mas da antecedente.

60° Serra do Brejinho ou Taboca, na mesma freguesia:


segue a mesma direção de N. a S., com a extensão de meia
légua, e a elevação de 500 braças, e tem as mesmas quali­
dades e produções das três antecedentes: é continuação N.
da serra do Coelho.

61° Serra da Mijadoura;

62° Serra do Patuá.

Ficam ambas na freguesia do Bonito, a primeira a Leste,


a segunda a Oeste da povoação de Capoeiras, à qual se acham
próximas: são em partes despidas de vegetação, e em partes
cobertas de matas virgens e capoeiras. Nelas cultiva-se o
milho, feijão, mandioca, algodão e outros gêneros.
63° Serra do Jussara. Tem 6 léguas de extensão, e 5 de
largura, e corre na direção de L . a O .; as suas fraldas são
cobertas de matas, e muito adaptadas para a agricultura: o
seu cume é cheio de prados, e dela saem não menos de dez
fontes, denominadas olhos-d’água.

64° Serra do Comonati. Fica na freguesia do Panema,


e nos limites que dividem esta província das Alagoas: corre
de L. a O., com 4 léguas de extensão, e meia de largura, e
produz algodão, mandioca, cana de açúcar, e todo o gênero
de legumes.

65° Serra do Mondé, na freguesia do Altinho, e distante


meia légua da povoação deste nome, a qual corre de N. S.,
e é coberta de capoeiras. Esta serra toma diferentes nomes,
ísegundo a sua posição, e chama-se ora do Socavão, ora Santo-
André, e ora serra somente.

66° Serra de Una, ou do Guandu, com meia légua de


extensão, coberta em parte de capoeiras, e em parte escal­
vada. Tem na sua maior elevação uma fonte d’água perma­
nente, mas a serra não recebe cultivo algum.

ARTIGO V

SINGULARIDADES

No distrito de Macujé, freguesia de Jaboatão, há muitas


pedras elevadas, que se tornam notáveis por poderem reco­
lher em si famílias inteiras, e entre elas uma, que pode alo­
jar 50 homens, e na qual pode entrar um cavaleiro desem­
baraçadamente.

No antigo distrito da Taboca, termo hoje da vila do Brejo,


existem grutas abertas nos rochedos pela natureza, mas são
pouco notáveis pelo seu tamanho ou forma; nota-se também
a cachoeira tapada, no riacho Tabocas, em a fazenda Nova,
pois que no princípio dela, desaparece totalmente o rio, e
vai surgir no fim, em distância de 40 ou 50 braças. No mes­
mo distrito têm aparecido também fragmentos de ossadas
monstruosas, como juntas de espinhaço de dois palmos de
diâmetro, cabeças de joelhos de palmo de diâmetro, e peda­
ços de clavículas de 4 a 5 polegadas de largura, e quase duas
de grossura. Não há notícia de tais monstros, mas supõe-se
que eram anfíbios, porque todos estes fragmentos hão sido
achados em escavações de antiquíssimos tanques naturais,
dos rochedos já entupidos ( a ) .

(a) Descrição do distrito de Tabocas, pelo capitão Izidoro José Dias


dos Santos.
CAPITULO II

DIVISÃO DO TERRITÓRIO

A província de Pernambuco contém quatro divisões prin­


cipais: — a civil ou dos municípios, — a eclesiástica ou das
freguesias, — a militar ou da guarda nacional, e — a judi­
ciária ou das comarcas, termos e distritos judiciários e po­
liciais. Trataremos de cada uma delas em artigos especiais.

ARTIGO I

DIVISÃO CIVIL OU DOS MUNICÍPIOS

Há na província 17 municípios, que são: Recife, Olinda,


Igaraçu, Goiana, Cabo, Rio-Formoso, Sirinhaém, Santo-An-
tão, Bonito, Brejo, Limoeiro, Cimbres, Garanhuns, Flores,
Boa-Vista, Paudalho, e Nazaré.

I. MUNICÍPIO DO RECIFE

Limites do município. Confina ao Norte com o municí­


pio de Olinda, seguindo do Manguinho pela travessa do Boi,
atravessando a estrada de João-de-Barros, e entrando pela
travessa do Pombal, a sair na margem do Capibaribe, e daí
à Cruz-do-Patrão, no istmo que separa o mar do rio Beberibe;
ao Sul com o município do Cabo, pelos rios Jordão e Game-
leira, que separam a freguesia dos Afogados da de Muribeca,
e pela estrada nova de Santo-Antão, e Cachoeira, denomina­
da da Costa, exclusivamente; a Oeste com o do Paudalho, pela
parte da freguesia de São-Lourenço, que fica superior à con­
fluência do riacho Massiape, no rio Capibaribe, e com o mu­
nicípio de Santo-Antão, no engenho Queimadas, e no lugar
onde existe uma cruz, na estrada que segue do Recife para
aquele município; e a Leste com o mar. Pela carta régia de 19
de novembro de 1709, que criou o município do Recife, deter­
minou-se que o governador com o ouvidor lhe fizessem o'termo,
que entendessem poder caber no distrito da respectiva vila:
este continha-se somente dentro dos dois bairros do Recife e
de Santo-Antonio; mas a provisão de 6 de dezembro de 1817,
a requerimento do juiz de fora José Pedro da Costa Barradas'
e sob informação do governador e capitão general Luiz do
Rego Barreto, lho aumentou, ordenando que ao distrito e ju­
risdição da vida do Recife ficassem pertencendo, e desde logo
desmembrados do termo e jurisdição de Olinda, a pequena
povoação dos Afogados, e o bairro e povoação da Boa-Vista,
o qual teria por limites os mesmos que lhe assinara a câma­
ra de Olinda para o lançamento da décima (a ); e outrossim
que, seguindo o rio Capibaribe acima, o termo do Recife fosse
limitar-se com o do Paudalho, e se colocassem os competentes
marcos, feita a demarcação judicial. Pela resolução da pre­
sidência em conselho de 20 de maio de 1833, em observância
do art. 3o do código do processo criminal, se lhe acrescen­
taram as freguesias da Várzea e de Jaboatão, e a parte da
freguesia de São-Lourenço que até então tinha sido termo da
cidade de Olinda. Finalmente, pela lei n° 117 de 8 de maio
de 1843, se incorporou ao município do Recife a freguesia do
Poço-da-Panela, e a parte da freguesia da Boa-Vista, que
pertenciam ao de Olinda.

Extensão. O município do Recife tem 4 léguas de N.


a S., contadas da Cruz-do-Patrão ao rio Jordão, e 9 léguas
de L. a O., contadas da costa do mar ao engenho Tapera.

(a) ....... fui servido ordenar que ao distrito e jurisdição da vila do


Recife fiquem pertencendo, e desde logo desmembrados do termo e jurisdi­
ção de Olinda, a pequena povoação dos Afogados, e bairro da povoação da
Boa-Vista; o qual terá por limites aqueles mesmos que lhe assinou a câmara
de Olinda para o lançamento da décima, que é do sítio do capitão Manoel
Ferreira Muniz pela estrada que o circula, e o de José Vaz Salgado até a
estrada real que vem de Olinda, por esta até a Soledade, a encontrar a es­
trada que vai para o interior, seguindo por ela, a passar pelo Manguinho, pela
igreja dos Aflitos, pela Cruz-das-Almas, e pela estrada que vai ao Açude
de engenho Monteiro, è margem do Capibaribe, por este acima, até o termo
da vila do Paudalho. E por isso mando-vos que façais a demarcação de
todos estes limites, colocando os marcos competentes, e remetendo os autos
dela ao juiz de fora e oficiais da câmara da mencionada vila do Recife, para
se guardarem no arquivo dela, dando-me depois conta de assim o haverdes
executado, &c.
Freguesias. Contém este município sete freguesias, a
saber: a de São-Frei-Pedro-Gonçalves, a de Santo-Antonio, a
de São-José, a da Boa-Vista, a dos Afogados, a de Santo-Ama­
ro de Jaboatão, a do Poço-da-Panela, e também parte da de
São-Lourenço, das quais adiante falaremos.

Criação. O município e vila do Recife foi criado pela


carta régia de 19 de novembro de 1709, como dissemos, em
conseqüência de ter-se aumentado com rapidez, por causa do
seu porto, e com o fim de fazer com que os governadores e
capitães generais assistissem não em Olinda, mas no Recife, e
de evitar as desuniões que por este motivo haviam entre os
seus respectivos moradores, e que são extensamente referidas
em um livro manuscrito que temos, intitulado História das
guerras civis de Pernambuco, exemplo memorável para os
vindouros, sendo então governador Sebastião de Castro e
Caldas. A vila do Recife foi elevada a cidade, por carta
imperial de 8 de março de 1823.
Povoações. O município do Recife conta, além da cidade,
as povoações do Poço-da-Panela, Afogados, Jaboatão, Várzea,
Boa-Viagem, e Loreto ou Curcuranas.

Situação e posição. A cidade do Recife está situada em


8o 16’, 28” de latitude meridional, e 8o, 35’ de longitude orien­
tal, do meridiano do Rio-de-Janeiro, sobre terreno plano, e é
dividida em três bairros pelos rios Capibaribe e Beberibe,
sobre os quais há duas pontes de madeira compridas e assaz
largas, para a passagem dos habitantes.

Igrejas e edifícios da cidade. Há na cidade do Recife dois


conventos, um de Santo-Antônio e Ordem 3a, com um hospi­
tal, e outro do Carmo e Ordem 3a, 17 igrejas e capelas, um
templo inglês, um recolhimento de mulheres, dois hospitais
(o do Paraíso e o da Caridade), uma casa de expostos, dois
teatros públicos, e três de particulares, o palácio episcopal,
o palácio da presidência, o palácio em que se acham atual­
mente a secretaria militar, a relação, as tesourarias geral e
provincial, o correio público, e o telégrafo; as casas e edifí­
cios dos arsenais de marinha e guerra, a casa da alfândega
(a melhor do império, talvez), a da inspeção do algodão, as
casas das ribeiras da Boa-Vista e Santo-Antônio, a do açou­
gue, o paço da assembléia legislativa provincial, e três aquar­
telamentos, com um hospital.
A cidade do Recife é cabeça de comarca, e capital da
província; nela tem assento a assembléia provincial, o gover­
no civil e militar, os tribunais da relação, junta de justiça,
jurados, e outras justiças ordinárias. Tem mais um liceu,
onde se ensinam os preparatórios para os cursos jurídicos e
de medicina; duas aulas mais de gramática latina, uma de
ensino mútuo, quatro ditas de primeiras letras, três ditas
para meninas; as tesourarias da fazenda geral e das rendas
provinciais, os arsenais de marinha e guerra, com uma casa
de educandos neste último; a alfândega, a mesa do consu­
lado, a inspeção das obras públicas, com um gabinete topo­
gráfico; o estabelecimento para a propagação da vacina, e
outras repartições públicas. Tem três boas tipografias par­
ticulares, em que se publicam os jornais da província, e dife­
rentes obras úteis; é iluminada por 400 lampiões; e faz um
comércio extenso, que a coloca no lugar de segunda cidade
do império. Tem fábricas de tabaco, rapé, e simonte; duas
fundições de ferro, em ponto grande, muitas oficinas de cal­
deireiro, latoeiro e funileiro, uma serraria de vapor, uma
máquina de moer trigo, &c.

População. O município dó Recife tem habitantes (a),


e 16,890 fogos, pertencendo à cidade do Recife, dos primeiros
42,110, e dos segundos 9,366 somente nos três bairros. A
cidade do Recife em 1828 tinha 4.716 casas; hoje conta
5,412, das quais, 204 são lojas de ferragens e fazendas, 437
de molhados, e 1.131 armazéns de diferentes outros gêneros,
ofícios e profissões ( b ) .

Distância às vilas dos municípios vizinhos. A cidade de


Recife dista de Olinda, 1 légua; de Santo-Antão, 12; do Cabo,
7; e de Paudalho, 9.

II. MUNICÍPIO DE OLINDA

Limites do município. Confina ao Norte com o municí­


pio de Igaraçu, pelo rio Maria-Farinha, subindo por ele aci-

(a) A população, que damos aqui aos municípios é sempre o que consta
dos mapas oficiais, e não a do cálculo dos fogos.

(b) Veja-se detalhadamente a natureza e espécie destas lojas no Diário


de Pernambuco n. 290, de 29 de dezembro de 1845, e nota B.
ma, até a extinta colônia de Santa-Amélia; a O. com o mu­
nicípio do Recife, seguindo desta colônia até a margem do
rio Capibaribe, e lugar do Caxangá, e descendo daí pelo rio
abaixo, até o lugar da Capunga, e deste pela estrada que hoje
se acha tapada, e saía na estrada da Ponte-d’Uchoa até o
sítio do desembargador Maciel-Monteiro, no Manguinho; ao
Sul com o mesmo município do Recife, seguindo do Man­
guinho pela travessa do Boi, atravessando a estrada de João-
de-Barros, e entrando pela travessa do Pombal a sair na
margem do Capibaribe, e daí até a Cruz-do-Patrão, no istmo
que separa o mar do rio Beberibe; a L. finalmente com a
costa do mar.

Extensão. O maior comprimento de N. a S. é de cinco


léguas e três quartos, desde a Cruz-do-Portão até a ponta
do rio de Maria-Farinha, e o menor é de quatro, pouco mais
ou menos, desde o lugar do Manguinho até a estrada de Ma-
ricota, onde atravessa o rio de Maria-Farinha. De L. a O.
é o seu maior comprimento de 4 a 4V2 léguas, desde a ponta
da cidade de Olinda, até a estrada do Macaco; e o menor é
de uma légua, pouco mais ou menos, desde a Cruz-do-Patrão
até a Capunga.

Freguesias. Tem este município três freguesias, que são:


Sé-de-Olinda, São-Pedro-Mártir, e Maranguape, de cujos limi­
tes adiante trataremos.

Criação. É difícil marcar a época em que foram criadas


as primeiras vilas da província, como Olinda, Igaraçu, Ita-
maracá, e Sirinhaém, pois que os documentos mais antigos
nada dizem de positivo a este respeito, que se saiba. Quan­
to a Olinda porém, de que agora nos ocupamos, sabemos que
Duarte Coelho Pereira, tendo chegado a estas terras pelos
anos de 1534, a fim de tomar conta delas, como seu primei­
ro donatário, constituiu patrimônio à câmara, em 12 de mar­
ço de 1837, como se mostra do foral, que se achará no fim
desta obra, donde se conclui com razão, que foi nesse ano
elevada a vila. O título de cidade, ela o obteve pelos anos
de 1684 a 1687, pois, pela carta régia de 17 de novembro de
1683 a D. João de Castro, ainda é chamada vila, e pela de
11 de fevereiro de 1688 já é denominada cidade, o que mostra
ser falsa a asserção de monsenhor Pizzarro, quando à pág.
89 do livro 8o das suas Memórias diz, que era cidade em 1676.
— Chamava-se ao princípio Marim, pelos seus primeiros po-
voadores taboiaras, que nela tinham aldeia; e tomou o nome
de Olinda, em conseqüência da lindeza de seus edifícios e si­
tuação, como declara a provisão do conselho ultramarino de
26 de setembro de 1724.

Patrimônio. Os terrenos pertencentes ao patrimônio de


Olinda, foram tombados e demarcados em 1710, segundo in­
formou a respectiva câmara, em 28 de março de 1840. Em
1703 teve Olinda juiz de fora, sendo o primeiro o doutor
Duarte Car Ribeiro, em conseqüência de representação que
fizerarn ao governo português sobre o mau estado da admi­
nistração da justiça em Pernambuco, e que se encontrará no
fim desta obra, nota D.

Povoações. Existem no município de Olinda as seguin­


tes povoações: Arrombados, junto ao rio Beberibe, e 1/8 de
légua ao Sul de Olinda; rio Doce, na costa, junto a foz do
rio do mesmo nome, ao N. de Olinda; Beberibe, junto ao rio
Beberibe, no vale que fazem os montes assim chamados; Pa-
ratibe, sobre o rio deste nome, em terreno elevado. A Ia
conterá umas 40 casas, e igual número de moradores, por­
que todos os mais se retiram passado o tempo denominado
de festa, 6 a 8 fogos, e 2 a 3 tavernas insignificantes. A 2a
terá 50 casas, 400 moradores, 70 fogos, e 3 tavernas ordiná­
rias. A 3a terá 60 casas de todas as qualidades, 64 fogos, 400
moradores, e 4 a 6 tavernas de poucos fundos. A 4a e últi­
ma, finalmente, terá 25 casas, igual número de fogos, 150
moradores, e 3 a 4 tavernas de pouco valor.

Situação e posição. A cidade de Olinda está situada


sobre os montes que formam a ponta do mesmo nome, jun­
to à costa, e é banhada ao S . e SO. pelo rio Beberibe. Quan­
do os navios se aproximam ao porto do Recife, é o primeiro
ponto da costa que é avistado.

Igrejas e edifícios. Tem a cidade de Olinda a igreja da


Sé, de três naves, a matriz de S. Pedro-Mártir, um mosteiro
de beneditinos, um convento de Santo-Antonio, com Ordem
3a, um dito do Carmo da observância, bastante arruinado,
um recolhimento de mulheres, 8 igrejas e capelas, um hos­
pital da Misericórdia, um aljube ou prisão para clérigos, uma
casa para a câmara municipal e cadeia, e 2 chafarizes de boa
água, com uma só bica. Nos seus subúrbios, da parte do
Sul, tem ela igualmente o lazareto, e o cemitério dos ingleses.

População. Tem o município de Olinda 9.689 habitan­


tes, e 3.594 fogos, como mostraremos mais extensamente
quando tratarmos da população da província, sendo da cida­
de 4.000 habitantes, e 1.640 fogos. A mesma cidade tem
atualmente 857 casas, que pagam décima, 3 lojas de fazen­
das secas, e 60 tavernas.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. Dista do


Recife uma légua, e de Igaraçu cinco.

m. MUNICÍPIO DE IGARAÇU

Lmites do município. Confina ao N. com o de Goia­


na, pelo rio Ubu; ao Sul com o de Olinda, pelo rio de Maria-
Parinha, subindo por ele acima até a colônia de Santa-Amé-
lia; a L. com o mar; e a O. com os municípios de Paudalho,
pelo riacho denominado Pau-da-cuia, e de Nazaré pelo riacho
Caruru, no engenho Crusaí.

Extensão. O município de Igaraçu tem 6 léguas de N.


a S., contadas desde o rio Jaguaribe até o Ubu, e 8 de L. a
O., desde a barra de Catuama até o engenho Aldeia.

Freguesias. Contém 2 freguesias, que são a de Itamara-


cá, e a de Santos-Cosme-e-Damião, de cujos limites adiante
falaremos.

Criação. A vila de Igaraçu foi criada logo depois da


chegada do Io donatário, Duarte Coelho Pereira, no ano de
1534, dedicando a povoação aos Santos Cosme e Damião, por
ser esse o dia daquele acontecimento. De um retábulo, que
se conserva na sacristia da freguesia, consta que essa che­
gada se efetuara em 2 de setembro de 1530, mas nós segui­
mos a opinião que o dá como sucedido em 1534.

Povoações. Além da vila, há no município de Igaraçu


as povoações de Itamaracá, Pilar, São-Paulo, rio do Âmbar,
Pasmado, Tabatinga, e Tapecuma. A povoação de Itamara-
cá está sobre a chapada de um oiteiro, na parte Sul da ilha
do mesmo nome, e conterá umas 40 casas, 50 fogos, e 5 a 6
tavernas ordinárias. O Pilar está situado sobre a costa de
Leste da ilha de Itamaracá, contém 95 casas, 120 fogos, 700
a 800 habitantes, e 6 tavernas insignificantes. São-Paulo
fica à beira da praia, encostado à fortaleza, e ponta da barra:
terá 25 a 30 casas, outros tantos fogos, 100 moradores, e 2
tavernas. O rio do Âmbar está situado sobre a costa do mar,
e compreenderá 88 casas, iguais fogos, 300 moradores, e 4 a 5
tavernas.

Situação e posição. A vila de Igaraçu, situada aos 7o


43’ de latitude, e aos 8o 25’ de longitude, contados do meri­
diano do Rio-de-Janeiro, acha-se em terreno levantado na
margem do rio do mesmo nome, sobre o qual tem uma ponte,
e na estrada geral do Recife para Goiana, distante do Recife
6 léguas, e 1 V2 da beira-mar.

Igrejas e edifícios. Tem um convento de Antoninhos,


um recolhimento de mulheres, a igreja matriz dos Santos-
Cosme-e-Damião, 4 ermidas, e a casa da Misericórdia. A
cadeia e a casa da câmara, que formavam um só edifício,
cairam em 1839, em conseqüência de falta de consertos, sen­
do aliás um dos melhores e mais vastos da província.

Patrimônio. Os terrenos que pertenciam ao município


de Igaraçu foram tombados em 1782, pelo corregedor Antô­
nio Jozé Pereira Barrozo de Miranda Leite, segundo informou
a câmara municipal, em ofício de 22 de abril de 1840; e con­
forme consta da certidão pela mesma câmara remetida, em
ofício de 23 de agosto de 1842, são eles do Varadouro ao longo
do mar, té onde sai o ribeiro do Val-de-fontes; e todo o mato
dessa praia, até 50 braças para dentro da terra, tudo é ser­
ventia da vila e povo, reservando o que se não pode dar a
pessoa alguma; e da dita ribeira, saindo do Val-de-fontes até
o rio Doce, que se chama Paratibe, todo é para a serventia
do povo, até as várzeas, que serão, pouco mais ou menos, 200
braças de largo, e da praia para dentro até as várzeas; por­
que, do rio Doce, para o lado do N., fica com o termo de
Santa-Cruz, e outro tanto ao longo do mar, 200 braças pela
terra dentro, de arvoredo para madeira e lenha do povo da
vila de Santa-Cruz, assim como o atrás conteúdo é para a
vila de Olinda. Dentro da vila possui mais a câmara muni­
cipal 5 moradas de casas, que rendem uns 120$000 rs. anuais.
Este patrimônio se aumentou com a extinção da vila de Ita-
maracá, a qual, segundo informou a respectiva câmara mu­
nicipal, em ofício de 13 de abril de 1838, consiste em um
pequeno sítio de coqueiros, que por piques pôde ser arrema­
tado por 800$000 rs.
População. O município de Igaraçu tem 16.961 habi­
tantes e 6.209 fogos, como mostraremos mais extensamente
em outro lugar. A vila tinha em 1829 duzentas e quarenta
casas; está hoje somente com 168, que pagam décima, das
quais umas 20 serão lojas de molhados; mas coletadas, so­
mente existem uma loja e 3 tavernas, segundo informou o
presidente da câmara, em 5 de julho de 1845.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. Igaraçu dis­


ta de Olinda 5 léguas, de Goiana 8, do Paudalho 4, e de
Nazaré 10.
IV. MUNICÍPIO DE GOIANA

Limites do município. Confina ao N . com a província


da Paraíba, município de Alhandra, pela serrinha e estrada
geral denominada das Boiadas (que atravessa a povoação de
Pedras-de-Fogo), até o lugar da marcação, pelos terrenos
além da Feira-Velha, e do engenho Dois-Rios, e pelo riacho
Pitanga, desde as suas cabeceiras até fazer barra no rio de
Goiana; ao Sul divide-se com o município de Igaraçu, pelo
rio Ubu, segundo a lei provincial n° 86 de 5 de maio de 1840,
e com á de Nazaré pelos limites que descreveremos quando
tratarmos desse município; a Leste confina com o mar, e a
Oeste com o mesmo município de Nazaré, pela serra da
Caneira.
Extensão. O município de Goiana tem 13 léguas de N.
a S., contadas da serrinha do rio Ubu; e de L. a O. 15, prin-
cipiando-se a contar da pancada do mar até a serra da
Caneira.
Freguesias. O município de Goiana compreende três
freguesias no seu território, que são: Nossa-Senhora-do-Ro-
sário, Itambé, e Tejucupapo, de cuja circunscrição adiante
falaremos.
Criação. A vila de Goiana, desmembrada do antigo mu­
nicípio de Itamaracá, foi criada pela carta régia de 20 de
novembro de 1709, a instâncias dos habitantes desse termo
que sentiam dificuldades em atravessar o braço de mar que
separa o continente da ilha daquele nome ( a ) . Os holan­
deses, antes de serem expulsos de Pernambuco, tinham reco­
nhecido a necessidade de criar-se a vila de Goiana, e nessa
conformidade se estabeleceram.

f ° í 0í*Soes Contam-se neste município as seguintes po-


voaçoes: Catuama, em Tejucupapo, distante da vila três e
meia léguas; Goianinha, na freguesia de Goiana, distante 3
léguas; Guajiru, em Itambé, 7 ditas; Lapa, em Goiana 6'
Cocos, em Itambé, 10; outeiro do Amparo 7; Pedras-de-F<W
em Itambé, 7; Pontas-de-Pedras, 4Vá; Ponta.-dos-Coqueiros 9'
Nossa-Senhora-do-O-de-Goiana, 6; Serrinha, 9, Teiucupapo 6-
e Timbaúba, em Itambé, 11. ’ ’

Situação e posição da vila. A vila de Goiana se acha


situada em terreno plano, na estrada que do Recife segue
para o N., e sobre o rio Japomim.

Patrimônio e rendimentos. Segundo informou a câma­


ra municipal, em oficio de 10 de março de 1840, o único ter­
reno que ela possui é um sítio de coqueiros, na'praia de Pe-
timbu, e que se acha em litígio, por ação de reivindicação que
lhe movia o padre Joaquim Francisco de Faria Braga, e na
qual este obteve sentença a seu favor, que fora apelada para
a relação do distrito. Quanto aos rendimentos da câmara
provêm eles de impostos, que lhe foram consignados pelas
leis provinciais.

População e fogos. O município de Goiana tem 31.390


habitantes, e 7.944 fogos, como adiante mostraremos. A vila
porém tem 655 casas, que pagam décima; das quais são 20
de fazendas, e 59 tavernas de secos e molhados.

Distâncias às vilas dos municípios vizinhos. A vila de


Goiana dista de Igaraçu 8 léguas, e de Nazaré outras 8.

(a) Segundo a informação dada pela câmara de Goiana, a criação teve


lugar em virtude da_carta régia de 15 de janeiro de 1685, a qua! não con­
sultei;^ mas a certidão da que vai acima notada, foi por mim vista, quando
ocupei o lugar de secretário desta província. Vejam-se as Meni. HistVde
Pernambuco, por Gama, tom. 1°, pág. 78, acerca do que houve por ocasião
da criaçao desta vila.
V. MUNICÍPIO DE NAZARÉ

Limites do município. O município de Nazaré confina


ao N. com o termo da cidade de Goiana; ao Sul com os do
Limoeiro e Paudalho; a L. com o de Igaraçu; e a O. com a
província da Paraíba, e termo do Limoeiro. Os limites con­
finantes com a Paraíba são: cume da serra do Aburá, divisão
das águas do rio Paraíba, e rio Capibaribe de Goiana, limites
do engenho Paquevira, e propriedades Pau-d’Arco, Moirinho,
Maçaranduba, Zabelê, Jararaca, Cacimba-Cercada, Lírio, Chã-
do-Esquecido, Assevem, e Balanço. Os confinantes com o
termo do Limoeiro são: cume da serra Mascarenhas, ao O.,
até o rumo divisor dos engenhos Taboca e Tabatinga; e a L.
propriedades Araticum, Tabatinga, Mulata, engenhos Tama-
tauipe-de-Cima, Terra-Vermelha, São-João-Batista, até a es­
trada que vem do Bom-Jardim, pelas propriedades do Cedro,
Guia, Campo-Grande. Os confinantes com o termo de Pauda­
lho são: a mesma estrada acima, pela povoação da Alaoa-da-
Cano, engenhos Limoeiros, Floresta até o Caxito, estrada da
Onça, pelos engenhos Caraúba, Crusaí, e Pindobal; lugares do
Resfriado, Carro-Quebrado, Lajes, engenho Aldeia, até o ria­
cho, deste nome. Os confinantes com o termo de Igaracu são:
o mesmo riacho Aldeia até a propriedade das órfãs, estrada
desta a Chã-do-Estêvão, estrada desta para o Recife, até o
rumo divisor dos engenhos Vinagre, e Papicu (este pelos seus
rumos divisores), e da propriedade Belgrado e riacho Gutiu-
ba, até Areias. Os confinantes com o termo de Goiana são:
propriedade Areias, pelo rumo de Joaquim-Gomes ao Rio
Tracunhaém, até o engenho Matari; riacho Matarizinho, até
as suas nascenças, e destas em linha reta à chã da Camará,
na estrada que vem de Goiana, cruzando esta; estrada da
Taboca do rio Siriji, e seguindo este até o engenho do mesmo
nome; estrada da Cauira para Cruanji, até o riacho Ribeiro-
Gomes, e seguindo este até encontrar terras da Santa Casa
da Misericórdia de Goiana, rumo desta propriedade até a
serra do Meio, e desta em linha reta à ponta da serra do
Aburá, de que já falamos.

Extensão. O município de Nazaré tem de extensão de


L. a O. 16 léguas, contadas da Chã-do Estêvão, limites de
Igaraçu, ao Balanço, limites da Paraíba; e de N. a S. 9 lé­
guas, contadas do engenho Siriji, limites de Goiana, à Alaoa-
do-Carro, limites do Paudalho.
Freguesias. Tem este município duas freguesias somente,
que são: Tracunhaém e Nazaré, de cujos limites adiante tra­
taremos .

Criação. Foi criado em 1833, quando se teve de execu­


tar na província as disposições do código do processo crimi­
nal; mas o seu termo teve alteração, em virtude da lei pro­
vincial n° 70, de 15 de abril de 1839.

Povoações. Neste município encontram-se as povoações


de Tracunhaém, distante da vila 2 léguas, e a de Laranjei­
ras, distante 3 a 3V2 .

Situação e posição da vila. A vila de Nazaré está situa­


da sobre a margem setentrional do rio Tracunhaém, em uma
planície elevada, aos 7o 25’ de latitude, e aos 8o 5’ ’ de longi­
tude, do meridiano do Rio-de-Janeiro.

Patrimônio. A câmara desta vila não tem patrimônio


algum, pois que no tempo em que foi criada nenhum se lhe
deu, nem para isso estava o governo provincial autorizado.
Assim o informou ela, em ofício de 3 de julho de 1840.

População e fogos. O município de Nazaré tem 15.772


habitantes, e 5.177 fogos, como adiante mostraremos. A vila
tem 9 lojas de fazendas, 9 tavernas de molhados, uma loja
de sapateiro, uma fábrica de chapéus de seda, uma padaria,
que pagam o imposto denominado do banco, afora algumas
tavernas insignificantes, e duas boticas. Ela tem ainda 250
casas, que pagam décima.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. A vila de


Nazaré dista de Goiana 8 léguas, do Limoeiro 8, de Igaraçu
10, do Paudalho 5, da capital da província, 14 e meia&

VI. MUNICÍPIO DO BONITO

Limites do município. O município do Bonito, em vir­


tude da portaria do conselho do governo, expedida em 1833,
para execução do código do processo criminal, compreendia
no seu termo a freguesia de Bezerros, e a porção da fregue­
sia de Garanhuns, cujas águas entram no rio Una; mas como
pela lei provincial n° 94, artigo 40, de 7 de maio de 1842, se
lhe uniu a freguesia do Altinho, fazendo-se nova divisão pela
lei provincial n° 132, de 30 de abrill de 1844, e por esta divi­
são é que essa freguesia tornou a incorporar-se à comarca
e município de Garanhuns, segue-se que o município do Bo­
nito confina atualmente ao Norte com o termo do Limoeiro,
pela freguesia de Bezerros, e com o do Brejo pelos limites da
freguesia de S. Caetano, serras da Volta, e Japicanga; ao
Sul com o município de Garanhuns, pelos limites setentrio­
nais da freguesia do Altinho; a Leste com o termo do Rio-
Formoso, freguesia d’Água-Preta, a Oeste pelo riacho Piran-
gi, até a sua barra no rio Una, onde atravessando este rio,
segue em linha reta pelo engenho Formigueiro, e matas da
Pelada e Cana-Brava; com o termo de Sirinhaém pelos enge­
nhos Capoeiras e Águas-Claras; e mais: ao Norte com o termo
de Santo-Antão, pelos limites da freguesia de Santo-Antão
com a de Bezerros; e a Oeste finalmente confina com o mu­
nicípio de Cimbres, desde a fazenda Poço-da-Lama, voltando
para o Sul, até encontrar o Riachão.

Extensão. O município do Bonito tem 20 léguas, na sua


maior extensão, de Norte a Sul: quanto à direção L. a O ., a
sua extensão é de 30 léguas, contadas desde o rio Tapirica
até o Poço-da-Lama, em Cimbres.

Freguesias. Tem este município 3 freguesias, que são:


as de Bezerros, São-Caetano, e Bonito, de cujos limites adian­
te falaremos.
Criação. Foi criado este termo em 1833, em virtude da
portaria do conselho do governo, que o desmembrou do de
Santo-Antão, quando teve de dar execução ao código do pro­
cesso criminal; e teve as alterações que acima referimos.

Povoações. Existem no município, além da vila, as po­


voações: Gravatá, situada à margem do rio Ipojuca, sobre
terreno plano; Bezerros, situada à margem do mesmo rio,
em terreno plano, distante da primeira 6 léguas, e do Bonito
18; Caruaru, sobre a margem esquerda do Ipojuca, em terre­
no plano, distante de Bezerros 6 a 7 léguas, e do Bonito 10,
pouco mais ou menos; e finalmente São-Caetano, sobre a
estrada provincial do centro, distante de Caruaru 5 léguas,
e do Bonito 15.
Situação e posição da vila. A vila do Bonito está situa­
da junto à serra do Macaco, em terreno elevado, aos 8o 30’
de latitude Sul, e 7o e 30’ de longitude oriental, do Rio-de-
Janeiro. Ela é atravessada pelo rio Bonito.

Patrimônio. A câmara do Bonito não tem patrimônio


algum, segundo informou à presidência, em ofício de 16 de
março, de 1840, não obstante tê-lo por vezes pedido à Assem­
bléia Legislativa provincial, e haver no termo terras devolu­
tas.

População e fogos. O município do Bonito tem 10.753


habitantes, e 6.524 fogos, como adiante mostraremos. Na
vila existem 6 lojas de fazendas, e 20 tavernas de molhados.
A vila tem mais de 160 casas, que pagam o imposto da
décima.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. A vila do


Bonito dista de Santo-Antão 20 léguas, de Sirinhaém 22, do
Rio-Formoso 20, de Garanhuns 28, de Cimbres 30, do Brejo
21, do Limoeiro 20.

VII. MUNICÍPIO DO BREJO

Limites do município. Este município confina ao Norte


com a província da Paraíba, pelo alto da serra das Embura-
nas, e pela serra do Pará; ao Sul com o município do Bonito,
pelo rio Ipojuca, e serras da Volta, e Japicanga; a Leste com
o do Limoeiro, pelo riacho das Éguas, onde principia a fre­
guesia do mesmo Brejo; e a Oeste com o de Cimbres, pelo
alto da serra do São-João, e com o dos Cariris-Velhós, da
província da Paraíba, pela serra Jacarará.

Extensão. Este município tem no seu maior compri­


mento, de N. a S., 16 léguas, principiando da serra do Pará
e alto das Emburanas, até o rio Ipojuca; e no menor 10
somente, principiando do rio Capibaribe, abaixo da emboca­
dura do riacho Tabocas, até a serra da Volta, que limita a
freguesia do Brejo com a de Bezerros. De Leste a Oeste tem,
no maior comprimento, 26 léguas, partindo do alto de São
João e serra de Jacarará até o riacho das Éguas; e no menor,
20, desde a serra da Japicanga até Água-Branca, encontran­
do as raias do município de Cimbres.
Freguesias. Tem este município somente a freguesia do
Brejo-da-Madre-de-Deus, e a parte da freguesia de Taquari-
tinga desta província (a), cujas águas entram no rio Capi-
baribe, acima do riacho Tabocas.

Criação. A vila e termo do Brejo foram criados pela


resolução do presidente em conselho, de 20 de maio de 1833,
para execução do código do processo criminal, desmembran­
do-se do município de Cimbres, a quem pertencia.

Situação e posição da vila. A vila do Brejo está situada


junto ao riacho da Madre-de-Deus, que lhe empresta o nome,
em um vale, ao pé de duas serras, e na estrada do sertão
para o Recife, donde dista 50 léguas, aos 8o de latitude Sul,
e 7o e 5’ de longitude oriental, do Rio-de-Janeiro.

Patrimônio. Esta vila não tem patrimônio constituído


em terras, mas somente os rendimentos gerais a todas as
camaras, de que adiante falaremos. Do seu ofício de 3 de
fevereiro de 1838 consta porém que tem duas casas, uma das
quais foi dada por um particular, e serve para as sessões da
câmara municipal, e a outra edificada com o produto das
miunças, e que serve de açougue. Delas não provém o menor
rendimento.

População e fogos. Encerra este município 2.051 fogos,


e 9.013 habitantes, como mais extensamente se verá dos ma­
pas da população, que juntaremos, quando tratarmos desta
matéria. A viía do Brejo tem 136 casas, que pagam décima,
das quais 15 são lojas de fazendas, e 35 de molhados, e
tavernas.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. Dista do


Bonito, 21 léguas; do Limoeiro, 32; de Cimbres 20, e da vila
de Cabaceiras, na Paraíba, 18.

VIII. MUNICÍPIO DO LIMOEIRO

Limites do município. Confina ao Norte com a província


da Paraíba, termo de Cabaceira, e freguesia do mesmo nome,

(a) Uma parte desta freguesia se estendia à província da Paraíba, mas


foi desmembrada por lei especial, para constituir nova freguesia.
pelos limites que a separam das freguesias de Taquaritinga
e Bom-Jardim, que adiante descreveremos; ao Sul com o
município do Brejo-da-Madre-Deus, pelo rio Capibaribe, que
faz o limite meridional da mesma freguesia de Taquaritinga;
a Leste com o Paudalho, pelo riacho Cotinguba, e pela estra­
da da ribeira, à margem do Capibaribe; e a Oeste com o do
Brejo, pelo riacho das Éguas, e lajeiro do Vigário.

Extensão. O município do Limoeiro tem de N. a S. 10


léguas, e de L. a O. 30.

Freguesias. Este município compreende no seu termo


as freguesias do Limoeiro, Bom-Jardim, e Taquaritinga, na
parte cujas águas entram no Capibaribe, abaixo do riacho
Tabocas; porquanto, o que fica acima deste, pertence ao mu­
nicípio do Brejo, pela resolução do presidente em conselho,
de 20 de março de 1833.

Criação. A vila e município do Limoeiro foram criados


por alvará de 27 de julho de 1811, a instância e sob informa­
ção do governador e capitão general Caetano Pinto de Miran­
da Montenegro, datada de 6 de dezembro de 1810, tendo lugar
a inauguração aos 23 de maio de 1812, pelo desembargador
e corregedor da comarca Clemente Ferreira França.
Povoações. Além da vila, existem as povoações do Bom-
Jardim, ao NO. do Limoeiro; Bengalas e Maíhadinha, na
freguesia do Limoeiro; Brejo-de-Baixo, na freguesia de Ta­
quaritinga, junto à serra Bonita, quase a O. do Limoeiro;
Pedra-Tapada, na margem setentrional do Capibaribe; dis­
tando da vila — a Ia, 6 léguas; — a 2a, 4; — a 3a, 2; — a 4a,
18; — e a 5a, 5.

Situação e posição da vila. A vila do Limoeiro está si­


tuada à margem setentrional do rio Capibaribe, em uma pla­
nície bordada de montes, distante da capital da província 18
léguas; ela fica aos 8o de latitude, e aos 7o 40’ de longitude,
pelo meridiano do Rio-de-Janeiro.

Patrimônio. Segundo informa a câmara municipal, em


ofício de 17 de março de 1840, foi dada para seu patrimônio
meia légua quadrada de sesmaria, bem que, pelo alvará de
sua criação devesse ser essa sesmaria de uma légua, até légua
e meia em quadro, visto não haver para isso mais terrenos
devolutos no termo. Tem mais duas moradas de casas, que
rendem 48.000 rs. anuais.

População e fogos. O município do Limoeiro contém


8.229 fogos, e 24.320 habitantes. A vila tem 135 casas, sen­
do 10 lojas de fazendas e molhados, os quais pagam o imposto
estabelecido pelo alvará de 12 de outubro de 1812.

Distância às vilas dos municípios limítrofes. A vila do


Limoeiro dista da do Brejo 32 léguas, da do Paudalho 8, e
de Cabaceiras, na província da Paraíba, 20, pouco mais ou
menos.

IX. MUNICÍPIO DE CIMBRES

Limites do município. Este município confina ao Norte


com o termo da vila Real-de-São-João-dos Cariris-Velhos, na
província da Paraíba-do-Norte, pela serra da Porteira, na dis­
tância de 5 ou 6 léguas; ao Sul com o município de Gara-
nhuns, pelo riacho do Gama, desde as suas nascenças até a
fazenda do Retiro, de Jeronymo Vieira Pinto, segundo a deci­
são dada pelo governador Luiz do Rego Barreto, em ofício de
18 de agosto de 1819; a Leste com o do Brejo-da-Madre-de-
Deus, pelo alto denominado Balanças, para o lado do Norte,
e para o Sul com o do Bonito, desde a fazenda Poço-da Lama
até encontrar o riachão indicado; e a O. este com o mesmo
termo de Garanhuns, freguesia de São-Felix-do-Buíque, pelo
lugar denominado Algodões.
Extensão. O município de Cimbres tem de N. a S. 13
léguas, desde a serra da Porteira até o riachão do Gama, e
de L. a O. 28, desde o alto da Balança até Algodões.

Freguesias. Este município, em virtude da divisão dos


termos da província, feita em 1833, continha somente a fre­
guesia de Cimbres, mas hoje, em virtude das leis provinciais
posteriores, compreende igualmente a de Nossa-Senhora-da-
Alagoa-de-Baixo, e a de São-Felix-do-Buíque.

Povoações. Contém as povoações da Pedra, Buíque, Ga-


meleira, Custódia, Conceição-da-Mata, e Pesqueira, a mais
importante, e onde se acha a sede da municipalidade, pela
lei provincial n° 20, de 13 de maio de 1836.
Criação. A povoação dos índios Xucurus, antigamente
chamada aldeia de Ararobá, e depois Monte-Alegre, foi ele­
vada à categoria de vila, com a denominação de vila de Cim­
bres, em 3 de abril de 1762, pelo desembargador ouvidor ge­
ral da comarca das Alagoas, Manoel de Gouveia Álvares, no­
meado para fazer os novos estabelecimentos das vilas.

Situação e posição da vila. A vila de Cimbres está situa­


da em terreno plano, sobre a serra do Ararobá aos 8o 20’ de
latitude, e aos 6o 15’ de longitude.

Patrimônio. Do ofício da câmara, de 10 de abril de 1840,


consta que, pelo ato da criação, todo o terreno em circuito
da vila até as vertentes dos altos e montes circunvizinhos,
em distância de 120 braças para qualquer das partes, ficou
sendo livre, e servindo de baldios e rocios, a fim de que neles
pudessem os oficiais da câmara fazer as suas datas, sem pen­
são alguma. Para patrimônio deram-se mais duas léguas
em quadro, para se repartirem com os índios existentes, ou
que para o futuro se viessem agregar aos da vila. Este ter­
reno, destinado especialmente à agricultura, rendia mais de
300$000 réis outrora; porém hoje, em conseqüência da cria­
ção de gados, que neles vêm pastar, contra o interesse comum,
apenas produzirão metade daquela quantia, segundo informou
a câmara, em ofício de 11 de fevereiro de 1838.

População e fogos. O município de Cimbres contém


9.093 habitantes, e 2.919 fogos. A vila porém, só tem 50
casas, das quais são 4 lojas de fazendas, e 9 de molhados.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. Cimbres dis­


ta de Garanhuns 22 léguas; do Brejo, 20; do Bonito, 30; dos
Cariris-Velhos, na Paraíba, 25, pouco mais ou menos.

X . MUNICÍPIO DE GARANHUNS

Limites do município. Confina ao Norte com o municí­


pio de Cimbres, pelo riachão do Gama, desde as suas nas­
cenças até a fazenda de Jeronymo Vieira Pinto, em cujo lu­
gar, e dele para o Sul. passam a pertencer a Garanhuns as
duas margens do mesmo riachão, segundo a decisão do gene­
ral Luiz do Rego Barreto, em ofício de 18 de agosto de 1819,
até vir às águas do Ipojuca; ao Sul com a vila da Atalaia,
província das Alagoas pela ladeira Cigana, pela serra do Ca­
valeiro, subindo pelo riacho Paraíba, de uma e outra parte,
até dividir com a vila de Campos-de-Anadia, na serra da
Carangueija, que desce para a povoação da Palmeira; a Les­
te, do lado Norte, com o município e freguesia de Cimbres,
igualmente pelo lugar denominado Algodões, que separa o
mesmo município da freguesia do Buíque, pertencente a Ga-
ranhuns, em virtude da lei provincial n° 22, de 6 de junho
de 1836, da mesma forma porque fazia parte do de Cimbres;
e bem assim com o município de Flores, pelo rio Moxotó aci­
ma, desde a fazenda Cancalanço até a de Gentaçó, desta até
a barra do riacho Imbuzeiro, e desde a barra deste riacho
acima, até a serra Carapuça, segundo consta da divisão feita
em 1813 pelo desembargador Barroso, e o informa o prefeito
de Flores, em ofício de 20 de março de 1840; e a O. pelo
cordão da mesma serra da Carangueija, até a serra chamada
dos Cavalos.

Extensão. O município de Garanhuns, quando lhe esta­


va anexa a freguesia do Buíque, tinha 24 léguas de N. a S.,
partindo da fazenda Riachão até a Cruz de São-Miguel, na
margem direita do rio Paraíba, e 74 léguas de L. a O., par­
tindo da serra do Mendes até a fazenda Custódia.

Freguesias. Depois de várias leis provinciais, que sepa­


raram para o Bonito a freguesia do Altinho, e para Cimbres
a do Buíque, contém o município de Garanhuns somente as
freguesias de Garanhuns, Papacaça, Águas-Belas, Conceição-
da-Alagoa-de-Baixo, e a parte da freguesia da Palmeira (pro­
víncia das Alagoas), que pertence a Pernambuco.

Criação. A vila de Garanhuns foi criada pelo alvará de


10 de março de 1811, em conseqüêcia de solicitações do go­
vernador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, mas foi
somente inaugurada em dezembro de 1813, sendo ouvidor da
comarca o desembergador Antônio José Pereira Barroso de
Mendonça. Antes de ser elevado à categoria de vila, Gara­
nhuns era julgado. Suponho que este se criou pelos anos
de 1767 a 1768, pois que, em virtude da carta régia de 22 de
julho de 1766, foram os governadores e capitães generais
autorizados a criar vilas, e talvez por insuficiência do lugar,
se limitassem a criar julgados.
Povoações. Tem este município as povoações de Capoei­
ras, São-Benedito, e Bebedouro, na freguesia de Garanhuns;
Altinho, Panelas, e Quipapá, na freguesia do Altinho; Papa-
caça, e Águas-Belas, na freguesia deste nome.

Situação. A vila de Garanhuns está situada em uma


planície, junto à serra do mesmo nome, ao S.O. da capital
da província, da qual dista 60 léguas, e aos 9o 10’ de latitude,
e 6o 30’ de longitude oriental do Rio-de-Janeiro.
I
Patrimênio. A câmara não tem patrimônio em terras,
conforme informou à presidência em ofício de 1 de julho de
1840, nem essas lhe foram dadas pelo alvará de sua criação;
entretanto este lhe deu para as suas despesas, além dos ren­
dimentos gerais e comuns, 6.00 rs. de cada alambique: 200
rs. de cada vez que se retalhe nos açougues, cepos, balança,
e curral; 1.600 rs. anuais da cada taverna em que se ven­
dessem bebidas espirituosas, dos provimentos que tirassem
anualmente os vintenários, e das licenças que pela primeira
vez somente obtivessem os que abrissem loja de qualquer
ofício.

População. Encerra este município 9.610 fogos, e 46.581


habitantes, como adiante mostraremos. A vila tem 60 casas,
das quais 8 são de fazendas, e 13 de molhados.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. Dista de


Cimbres, 22 léguas; de Flores, 60; da vila da Assembléia, nas
Alagoas, 15.

X I. MUNICÍPIO DE FLORES

Limites do município. Confina ao Norte com o termo


de Piancó (província da Paraíba-do-Norte), pelo sítio deno­
minado Serra-Branca inclusivamente, pertencente à fazenda
Ingazeira; ao Sul com a província da Bahia, terras do termo
do Pambu, comarca de Sento-Sé, pelo rio de São-Francisco;
a Leste com o termo de Garanhuns, para o Norte, e com a
província das Alagoas, termo da vila da Mata-Grande, pelo
rio Moxotó, que separam dita província da de Pernambuco,
como já vimos, e o termo de Garanhuns, do de Flores, depois
que a freguesia do Buíque passou a fazer parte daquela, pela
lei provincial n° 22, de 6 de junho de 1836, da mesma forma
por que pertencia à de Cimbres; a Oeste finalmente confina
com o termo da Boa-Vista, pelas águas, que correm para o
rio de São-Francisco, acima da barra do rio Pajeú-de-Flores,
segundo a lei provincial n° 58, de abril de 1838.

Extensão. O município de Flores, tem de N. a S. 30


léguas, contadas desde a freguesia Santo-Antônio-do-Lima
até a barra do Moxotó, e de L. a O. umas 12, pouco
mais ou menos, contadas deste mesmo rio, até o riacho São-
Domingos, que parece ser o primeiro que desemboca no rio
de São-Francisco, acima da barra do Pajeú.

Freguesias. Este município compreende 5 freguesias, a


saber: de Flores, Tacaratu, Fazenda-Grande, Ingazeira, e
Serra-Talhada, de cujos limites adiante falaremos.

Criação. O município de Flores, elevado a julgado an­


tes do século atual, talvez que em virtude da carta régia de
22 de julho de 1766, que autorizou os governadores e capi­
tães generais de Pernambuco a criar vilas onde julgassem
conveniente, foi criado pelo alvará de 15 de janeiro de 1810,
sendo governador e capitão general Caetano Pinto de Miran­
da Montenegro, pelo qual também criada a denominada
comarca do Sertão de Pernambuco. A vila foi inaugurada
em 1811, pelo ouvidor José Marques da Costa.

Povoações. Neste município contam-se, além da vila,


as seguintes povoações: Baixa-Verde, ou Nossa-Senhora-das-
Dores, na distância" de 5 léguas; Fazenda-Grande, na de 30,
São-Francisco, na de 17; Santa-Luzia, na de 10; São-Pe-
dro, na de 30, sobre uma planície, no cimo da Serra-grande
de Pageú; Serra-Talhada, na de 10; Tacaratu, na de 53, oito
léguas ao Norte do rio de São-Francisco.

Situação e posição. A vila de Flores está situada sobre


a margem direita do rio Pajeú, a O. SO. da cidade do Recife,
da qual dista 100 léguas, pela estrada comum, e aos 7o e 37’
de latitude, e 4o e 52’ de longitude oriental do Rio-de-Janeiro.

Patrimônio e rendimentos. A câmara de Flores, segun­


do informou em ofício de 11 de maio de 1840, não tem patri­
mônio algum em terras; os seus rendimentos resultam dos
impostos que lhe tem dado a Assembléia legislativa da pro­
víncia.
População. Este município tem 7.925 fogos, e 28.526
habitantes, como adiante se verá. A vila tem 168 casas, que
pagam décima.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. Pejeú-de-Flo-


res dista do Bonito 73 léguas; de Garanhuns, 60; de Piancó,
25; e da Mata-Grande, em Alagoas, 36 pouco mais ou menos-
e de Cimbres 60.

X II. MUNICÍPIO DA BOA-VISTA

Limites do município. O município da Boa-Vista


limita-se ao Norte com o termo da vila do Jardim, comarca
do Crato, e província do Ceará, pela serra do Araripe, no lu­
gar denominado Mundo-Novo; ao Sul com os termos das vilas
de Pambu e Juazeiro, comarca de Sento-Sé, e província da
Bahia, pelo rio de São-Francisco; e Leste com a comarca de
Pajeú-de-Flores, pelas águas que entram no rio de São-Fran­
cisco, acima da barra do rio Pajeú, exclusivamente, segundo
determina a lei provincial n° 58, de 19 de abril de 1838; a
Oeste com o termo da vila do Pilão-Arcado, comarca da Bar-
ra-do-Rio-Grande, província da Bahia, pelo lugar denomina­
do Pau-da-História; e ao NO. com o termo da vilã de Jaicós,
comarca de Oeiras, província do Piauí, pelo lugar a que cha­
mam Queimadas.

Extensão. O município da Boa-Vista tem, desde a vila


até o Pau-da-História, para o O., 30 léguas; até a barra de
Pajeú, para L ., 34; até o Mundo-Novo, 48; e Exu 50, para
o Norte; e até Queimadas, para o NO., 35 léguas.

Freguesias. Há cinco freguesias neste município, a sa­


ber: a da Boa-Vista, outrora denominada de Nossa-Senhora-
da-Assunção; a de Cabrobó, ou Santa-Maria; a do Exu; a de
Santo-Antônio-do-Salgueiro; e a de São-Sebastião-do-Ouricu-
ri, de cujos limites trataremos em outro lugar.

Criação. A vila e comarca da Boa-Vista foram desmem­


bradas do termo e comarca de Flores, pela lei provincial n°
58, de 19 de abril de 1838, em conseqüência de ser muito ne­
cessário facilitar aos povos os recursos judiciários e munici­
pais.
Povoações. Contam-se no município da Boa-Vista as
povoações de Cabrobó, na distância de 17 léguas, sobre a
margem do rio de São-Francisco; Assunção, sobre uma das
ilhas do mesmo rio; Exu, na distância de 30 léguas, junto
à serra do Araripe; Santa-Maria, sobre outra üha^ do mesmo
rio de São-Francisco; São-Sebastião; e Santo-Antônio-do-Sal-
gueiro.

Situação e posição da vila. A vila da Boa-Vista, denomi­


nada outrora Igreja-Nova, está situada sobre a margem es­
querda do rio de São-Francisco, distando do Recife 173 léguas.

Patrimônio e rendimentos. Segundo participou a câ­


mara municipal, em ofício de 6 de outubro de 1840, formam
o patrimônio do município as ilhas que se acham situadas
no rio de São-Francisco, e uns ramos da serra do Araripe,
os quais todos são arrendados. A mesma câmara participou
não ter procedido ao tombamento destes bens, por não ter
renda suficiente para pagar a despesa. Quanto aos mais
rendimentos, esses resultam dos impostos que a Assembléia
legislativa provincial tem consignado.

População. O município da Boa-Vista tem 8.299 fogos,


e 19.705 habitantes, conforme adiante mostraremos. A vila
tem 46 casas, que não pagam décima, por não completarem
o número requerido pela lei para se efetuar o devido lança­
mento. Tem mais seis lojas de fazendas e molhados, mas
nenhuma delas paga o imposto denominado do banco, esta­
belecido pelo alvará de 12 de outubro de 1812, segundo infor­
mou a câmara, em 22 de maio de 1845.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. A Boa-Vista


dista da vila do Juazeiro 25 léguas; da do Jardim, 30; de
Pambu, 11; de Pajeú-de-Flores, 73; de Pilão-Arcado, 100.

XIII. MUNICÍPIO DO PAUDALHO

Limites do município. Este município limita-se ao N.


com o termo de Nazaré, principiando do riacho Massia-
pinho, até Camaru, pelos limites mencionados quando trata­
mos do município de Nazaré; ao Sul, com o município de
Santo-Antão, pela maneira que deixamos indicada quando
dele tratamos; a L .’ com o do Recife, pela parte da freguesia
de São-Lourenço, que fica superior à confluência do riacho
Massiape, no pequeno rio Capibaribe, segundo a divisão feita
pelo ouvidor que criou a vila, a contar desde o riacho Mas­
siapinho até o engenho Mumucaia; a O. com o termo do
Limoeiro, desde o lugar Camaru até Duarte-Dias, pelo ria­
cho Cotunguba, e estrada da ribeira, à margem do rio Cani-
banbe. ^

Extensão. Tem de extensão de N. a S., no seu menor


comprimento, pelo lado do N., nove léguas, contadas do
riacho Massiapinho até Camaru; e no menor, pelo lado do
S., treze, contadas do engenho Mamucaia até Duarte-Dias.
De L. a O. tem o município, no seu maior comprimento,
pelo lado de O., sete léguas, desde Duarte-Dias até Camaru’
e no menor, pelo lado de L., somente seis, desde Mamucaia
ate o riacho Massiapinho.

Freguesias. Tem este município duas freguesias, — a do


Espírito-Santo-do-Paudalho, e a de Nossa-Senhora-da-Glória-
do-Goitá; e também parte da de São Lourenco, que fica su­
perior à confluência do riacho Massiape, no ’ pequeno rio
Capibaribe.

Criação. Esta vila foi criada pelo alvará de 27 de julho


de 1811, em virtude da representação do governador Caetano
Pinto de Miranda Montenegro, de 6 de dezembro de 1809,
sendo porém inaugurada em 16 de maio de 1812, pelo ouvi­
dor Clemente Ferreira França. Ela foi desmembrada do
termo de Olinda.

Situação e posição. A vila do Paudalho está situada na


margem Sul do rio Capibaribe, em terreno plano, e na estra­
da do sertão para o Recife, donde dista nove léguas.

Povoações. Além da vila, contam-se no termo as povoa­


ções da Glória-do-Goitá, na distância de quatro léguas, em
terreno plano e seco, sobre a estrada da capital para o sertão;
a de Itaenga; a de São-José-do-Eixo; e a de Santa Teresa.

Patrimônio e rendimentos. A câmara não tem patri­


mônio em terras, como informa em ofício de 13 de julho de
1840, bem que o alvará de sua criação lhe mandasse confe­
rir no seu distrito uma sesmaria de légua, até légua e meia
em quadro, que deveria ser aforada em pequenas porções a
povoadores, em prazos perpétuos, pelos foros que fossem ajus­
tados. Tem porém para seu rendimento os impostos que lhe
foram consignados pelo dito alvará, e por diversas leis pro­
vinciais .

População. Encerra este município 5.235 fogos, e 12.196


habitantes, como se patenteia dos mapas de população que
adiante apresentamos. A vila tem 243 casas, sendo seis lojas
de fazendas, e 26 de molhados ou tavernas, segundo infor­
mou a câmara em ofício de 21 de abril de 1845.

Distância às vilas vizinhas. O Paudalho dista do Recife


nove léguas; de Nazaré, cinco; do Limoeiro, oito; de Santo-
Antão, sete.

XIV. MUNICÍPIO DE SANTO-ANTÃO

Limites do município. O município de Santo-Antão


limita-se ao N. com o do Paudalho, pelo riacho Salgado, no
lugar denominado Matas-do-Xavier, distante da vila de Santo
Antão três léguas, e nas extremas das terras do engenho
Serra, que está na mesma distância; pelo riacho Urubás, que
passa abaixo da chamada Ladeira-Grande, entre N. e O., e
finalmente pelas extremas da propriedade denominada Ca­
cimbas com as do engenho Palmeiras; ao Sul divide-se com
o município do Cabo, nos limites das terras dos engenhos
Massauassu, Noruega, Arandu, São-Mateus, e ilha da Liber­
dade, e com o de Sirinhaém, nos dos engenhos Leão, Ele­
fante, Dromedário, Vicente-Campelo, sítio Tatu, engenho
Laje, Caxangá, Bom-Despacho, e Água-Clara; a Leste, com
o município do Recife, no engenho Queimadas, e no lugar
onde existe uma cruz, na estrada que segue de Santo-Antão
para o Recife; e a Oeste com o do Bonito, pelo riacho Itapi-
cirica, na estrada que segue para os sertões, ao pé da serra
das Russas; e entre o O. e N. com a mesma comarca do
Bonito, Limoeiro, e Paudalho, no lugar denominado Venças.

Extensão. O município de Santo-Antão tem treze léguas,


pouco mais ou menos, de N. a S., partindo do ponto Matas-
do-Xavier, no riacho Salgado, ao ponto do engenho Laje, e
seis léguas, mais ou menos, de L. a O ., partindo do ponto
em que está a cruz do engenho Queimadas ao riacho Itapi-
cirica, na estrada que segue para os sertões.

Freguesias. O município de Santo-Antão contém somen­


te as freguesias de Santo-Antão, e da Escada, de que adiante
trataremos.

Criação. O município de Santo-Antão foi desmembra­


do do de Olinda, pelo alvará de 27 de julho de 1811, a ins­
tâncias do governador e capitão-general Caetano Pinto de
Miranda Montenegro, conforme consta do seu ofício de 6 de
dezembro do ano antecedente. A inauguração da vila teve
lugar nos dias 28 e 29 de maio de 1812. Ele compreendia
então a freguesia de São-José-dos-Bezerros, que pela divisão
das comarcas em 1833, passou a fazer parte do município do
Bonito, então criado, dando-se-lhe em compensação a fregue­
sia da Escada.

Posição e situação. A vila de Santo-Antão, hoje cidade


da Vitória, pela lei provincial n° 113, de 6 de maio de 1843,
em comemoração da batalha ganha pelos pernambucanos nas
suas imediações em 1645 sobre as forças holandesas, nessa
época contava apenas algumas casas térreas, a que chama­
vam cidade de Braga, por ser este o nome do seu fundador
(Castrioto Lusitano, Liv. 7o § 9o, edic. de Paris, pág. 259).
Está situada à margem do riacho Tapicurá, afluente do Capi-
baribe, na estrada do sertão: dista do Recife 12 léguas; e fica
aos 8o e 10’ de latitude, e aos 8o de longitude oriental do Rio-
de-Janeiro.

Patrimônio e rendimentos. Pela informação que deu a


câmara de Santo-Antão em ofício de 28 de março de 1840,
consta que lhe foi consignada para patrimônio, pelo alvará
supradito, légua e meia de terras, na freguesia de Bezerros,
hoje do município do Bonito, por sesmaria de 23 de julho
de 1814. Pelo ofício de 22 de janeiro de 1838 vê-se que ela
tem mais duas casas dentro da vila, — uma onde faz as suas
sessões, e outra que então continha os materiais da nova
cadeia. As terras rendem 200.000 rs. pouco mais ou menos.

População. O município de Santo-Antão tem 19.822


habitantes, e 6.673 fogos. A vila contém 308 casas, que
pagam décima, das quais 8 são lojas de fazendas, e 42 de
molhados.
Distância às vilas vizinhas. A vila de Santo-Antão dista
do Paudalho 7 léguas; do Cabo, 10; de Sirinhaém, 20; do
Recife, 12; do Bonito, 20; e do Limoeiro, 9.

XV. MUNICÍPIO DO CABO

Limites do município. O município do Cabo confina ao


N. com o do Recife, pelos rios Jordão e Gameleira a prin­
cipiar de Leste, e pela estrada nova de Santo-Antão, e Ca­
choeira, denominada da Costa, inclusivamente, caminhando
para o centro: ao Sul com o município de Sirinhaém, pelo
riacho Pindobinha; porquanto, compreendendo o município
do Cabo, em virtude da resolução do conselho, de 20 de maio
de 1833, além das freguesias de Muribeca e Cabo, a porção
da de Ipojuca, cujas águas vão ter ao mar, ao N. do porto
de Galinhas, exclusivamente, passou depois a ser limite dos
dois termos o riacho Pindobinha, pelo art. 5o da lei provin­
cial n° 85, de 1840, e n° 152, de 1846; a Leste com o Oceano;
e a O. com o município de Santo-Antão, pelas terras do en­
genho Massauassu, e os mais referidos, quando tratamos dos
limites deste termo.

Extensão. O município do Cabo tem de N. a S. a ex­


tensão de 15 léguas, e de L. a O. a de 8, segundo informou
a câmara municipal, em ofício de 30 de junho de 1846.

Freguesias. O município do Cabo compreende a fregue­


sia de Muribeca, que antes de 1833 fazia parte do termo do
Recife; a do Cabo, e a parte da de Ipojuca, cujas águas vão
ao mar ao Norte do porto de Galinhas; porque a parte Sul per­
tence a Sirinhaém. A freguesia da Escada fazia parte deste
município, mas foi-lhe tirada naquela época, para acrescen­
tar o termo de Santo-Antão.

Criação. O município do Cabo foi criado pelo alvará de


27 de julho de 1811, que o desmembrou do município de Olin­
da; e a vila foi inaugurada em 1812, sendo ouvidor Clemente
Ferreira França. Assim, depois de quase um século, se rea­
lizou a representação levada ao governo português pelos ha­
bitantes, em 25 d’agosto de 1725, de que trata a carta régia
de 28 de fevereiro de 1726. Pelo alvará de sua criação com­
punha-se das freguesias do Cabo, Ipojuca, e Escada; mas tendo
esta passado em 1833 para o termo de Santo-Antão, deu-se-lhe
em compensação a freguesia de Muribeca, que fazia parte do
termo do Recife.

Posição e situação . A vila do Cabo está situada aos 8o e


18’ de latitude, e aos 8o e 15’ de longitude oriental do Rio-de-
Janeiro, sobre os montes que formam o cabo de Santo-Agos-
tinho, distante dele para o N. O. duas léguas e meia, e do
Recife 7.

Povoações. As principais são: Ipojuca, na distância de


quatro léguas para o Sul, sobre um outeiro, junto à estrada
real do Sul, e com 160 casas, que pagam décima; Muribeca,
distante quatro léguas para o Norte, sobre os montes Guara-
rapes, célebres nas guerras da província; Nazaré, sobre o cabo
de San to-Agostinho, na distância de duas léguas e meia; Nos-
sa-Senhora-do-ó, em uma planície, distante da costa duas
léguas, e da vila cinco.

Patrimônio e rendimentos. Bem que pelo alvará da cria­


ção desta vila se lhe devesse dar uma légua, a légua e meia
de sesmaria para seu patrimônio, todavia, deixou esta dispo­
sição de efetuar-se, por falta de terreno sobre que pudesse
recair a mesma sesmaria; e segundo informa a câmara, em
ofício de 11 de abril de 1840, não tem ela patrimônio algum
em terrenos. Os seus rendimentos são, em geral, os mesmos
das outras câmaras, e regulados pelas leis do orçamento mu­
nicipal .

População. O município do Cabo contém 27.549 habi­


tantes, e 8.164 fogos. Na vila contam-se 132 casas, que pa­
gam o imposto da décima.

Distância às vilas dos municípios vizinhos. A vila do Cabo


dista do Recife sete léguas; de Santo-Antão, dez; e de Siri-
nhaém, dez.

XVI. MUNICÍPIO DE SIRINHAÉM

Limites do município. Confina ao Norte com o município


do Cabo, pelo rio Ipojuca, Porto-de-Galinhas, e riacho Pindo-
binha, em virtude da lei provincial n° 85, de 4 de maio de
1840, e n° 152, de 1846; ao Sul com o do Rio-Formoso, pelas
águas que entram no rio Sirinhaém, acima da ponte do
Jundiaí, ou vão ter ao mar, ao Sul do riacho Goiana,^ inclu­
sivamente; a L. com o mar; e ao O. com o município de
Santo-Antão, para o lado do Norte, pelo engenho Águas-Cla­
ras, e com o do Bonito para o Sul, pelo engenho Capoeiras,
inclusivamente.

Extensão. O município de Sirinhaém tem de N. a S.


seis léguas contadas da praia do Cupe à barra do Rio-Formo-
so e de L. a O. dezesseis, pouco mais ou menos, partindo
dá barra de Sirinhaém, e seguindo até o engenho Capoeiras,
que divide com os termos do Bonito.

Freguesias. Contém este município somente a freguesia


de Sirinhaém, e a parte da de Ipojuca, cujas águas vão ao
mar, ao Sul do Porto-de-Galinhas.

Criação. O fundador desta vila foi o 4o donatário desta


então capitania, Duarte de Albuquerque Coelho, que lhe deu o
título de vila Formosa-de-Sirinhaém, sendo feito o auto de
sua criação no Io de julho de 1627, pelo doutor Diogo Ber-
nardes Pimenta, ouvidor de Pernambuco, três anos antes da
invasão dos holandeses. Sendo então muito limitado o seu
primitivo território, foi-lhe depois conferido por Mathias d Al­
buquerque, irmão e procurador do dito donatário, em virtude
da provisão de 17 de dezembro de 1629, todo o terreno que
se estendia desde o rio Maracaípe, ao Norte, até o no Piras-
sinunga, ao Sul, com quatorze léguas de costa, e outras tan­
tas de latitude, do Oceano para o centro ( a ) .

Posição e situação. A vila de Sirinhaém está situada


aos 8o e 35’ de latitude, e aos 8o e 6’ de longitude oriental do
Rio-de-Janeiro, dezesseis léguas ao Sul do Recife, e duas dis­
tante da costa, no cume de um monte, e à margem de no
perene d’água doce, do qual deriva o seu nome, segundo o
idioma indiano.

Povoações. Além da vila, tem a povoação de Santo-


Amaro, a da Barra-de-Sirinhaém, a da Gamela, e a da Barra-
do-Rio-Formoso.

(a) Vid. História manuscrita da Igreja pernambucana, pelo vigário Ma­


rinho, existente no gabinete do Instituto Histórico do Rio-de-Janeiro.
Patrimônio e rendimentos. A câmara não tem patri­
mônio algum em terras ou prédios: os seus rendimentos têm
por fonte a mesma dos das outras municipalidades.

,. e fo g o s - ° município de Sirinhaém tem


14.413 habitantes, e 12.700 fogos; e a vila contém 80 casas
que pagam décima.

Distância às vilas vizinhas. A vila de Sirinhaém dista


do Rio-Formoso duas léguas; do Cabo, dez; do Bonito, vinte
e duas; e de Santo-Antão, vinte.

XVII. MUNICÍPIO DO RIO-FORMOSO

Limites do município. Confina ao Norte com o municí­


pio de Sirinhaém, pelas águas que entram no rio deste nome,
acima da ponte do Jundiaí, ou vão ter ao mar, ao Sul do
riacho Goiana, como já vimos; ao Sul com o termo da vila
de Porto-Calvo, província das Alagoas, principiando da
barra do riacho Pirassinunga, no mar, e pelo dito riacho até
a sua nascença (cujo leito é pelos engenhos Junco, Queima­
das, Araçu, Buenos-Aires, Pau-Amarel|o, e Bom-Jardim), e
daí, por uma linha, pelos engenhos Duas-Barras, Prainha
Sao-Dommgos, até encontrar o riacho Jacuípe, que faz bar­
ra no rio Una, e por este riacho acima (cujo leito corre pelo
engenho Prainha e povoação de Jacuípe), até encontrar os
limites do termo do Bonito, confronte ao riacho Pirangi; a
Leste com o mar; e ao O. com o mesmo termo do Bonito
servindo de limites o dito riacho Pirangi até a sua barra, no
rio Una, onde, atravessando este rio, segue em linha reta
pelo engenho Formigueiro, e matas da Pelada e Cana-Bra­
va, até o engenho Capoeiras.

Extensão. O maior comprimento deste município de


N. a S. é de cinco léguas, pelo litoral, contadas da barra do
Rio-Formoso à barra de Pirassinunga, e de sete no centro,
partindo-se do riacho Goicana ao mesmo riacho Pirassinun­
ga; de L. a O. o maior comprimento é de doze léguas, conta­
das da beira da costa à barra do riacho Pirangi.

Freguesias. Contém o município do Rio-Formoso quatro


freguesias, que são: Rio-Formoso, Água-Preta, Barreiros, e
Una, de cujos limites adiante trataremos.
Criação. A vila e município do Rio-Formoso foram
criados em 1833, em conseqüência da deliberação do presi­
dente, de 17 de maio do mesmo ano, e por ocasião de dar-se
execução ao código do processo criminal.

Posição e situação. Esta vila está aos 8o e 41’ de lati­


tude, e 8o 4’ de longitude oriental do Rio-de-Janeiro, à mar­
gem do rio que lhe dá o nome, sôbre uma planície, na estra­
da real do Sul, distante duas léguas da costa, e dezesseis do
Recife.

Povoações. Além da vila, contam-se no município as


povoações seguintes: Abreu, na distância de seis léguas, jun­
to a foz do rio Una; Água-Preta, na distância de dez; Bar­
reiros, na de cinco e meia; Tamandaré, na de duas; e Una,
na de quatro.
Patrimônio e rendimentos. Segundo informa a câmara,
em ofício de 24 de março de 1840, não tem o município ter­
reno algum que lhe sirva de patrimônio; os seus rendimentos
provém todos dos impostos que lhe foram consignados pelas
leis provinciais.
População, fogos e casas. O município de Rio-Formoso
tem 11.062 habitantes e 11.295 fogos, como mostraremos em
outro lugar ( a ) . A vila porém tem 261 casas que pagam
décima, sendo 3 boticas, e 46 lojas de fazendas, e também
de molhados, que pagam o imposto do banco, além de outras
menos importantes, segundo informa a câmara municipal,
em ofício de 4 de julho de 1845.

Distâncias às vilas vizinhas. A vila do Rio-Formoso dis­


ta de Sirinhaém duas léguas; do Bonito, vinte; de Porto-
Calvo, nas Alagoas, quinze; do Cabo, doze.

OBSERVAÇÕES

Depois de termos descrito os limites dos dezessete muni­


cípios acima indicados, foram criados pelas leis provinciais

(a) Um destes números é evidentemente falso, o primeiro por dimi­


nuição, e o segundo por exageração, mas nós nos referimos aos mapas
oficiais.
n 150, de 30 de março de 1846, e n°s 153 e 155 de 31 de
março de 1846, os municípios do Exu, Floresta, e Agua-Preta;
e como tais criações alteraram inteiramente os limites dos
municípios confinantes, e a falta de tempo nos não permita
obter novas informações, que satisfaçam o plano que temos
levado na descrição dos municípios, limitamo-nos a consig­
nar aqui as disposições legais, a respeito dos novos termos.

„ Provincial n° 150. Fica criada uma vila na povoa­


ção do Exu, tendo por termo todo o território da antiga fre­
guesia deste nome, e mais as freguesias do Salgueiro, e Ouri-
curi, inclusive as fazendas de São-Domingos, São-Joaquim
e Boa-Esperança.

Lei Provincial n° 153. Fica erecta em vila, com a deno­


minação de vila da Floresta, a povoação da Fazenda-Grande,
servindo-lhe de termo todo o território compreendido nas
freguesias de Tacaratu e Fazenda-Grande, inclusive os ter-
ienos que desta freguesia, pela lei n° 138 foram desligados,
e unidos à freguesia da Assunção, os quais ficam restituídos
a dita freguesia da Fazenda-Grande.

Lei Provincial n° 155. Artigo Io — Fica erecta em vila


a povoaçao de Agua-Preta. Art. 2o — O município de Agua-
Preta compreenderá toda a freguesia do mesmo nome, e
mais os engenhos Lajes, e Altinho; deste ao Limoeiro, deste
a Jose-da-Costa, deste, em linha reta, à União, e deste, na
mesma linha, a Pereirinha, em o rio Sirinhaém, os quais todos
ficam pertencendo à freguesia d’Água-Preta.

Releva também observar neste lugar que, por carta régia


de 22 de julho de 1766, foi autorizado o governador e capitão-
general de Pernambuco a criar vilas nos lugares em que as
julgasse convenientes; mas que tais criações se não efetua­
ram, por motivos que ignoramos, e apenas se criaram alguns
julgados, como os de Tacaratu, Flores, Cabrobó, e Garanhuns.

ARTIGO II

DIVISÃO JUDICIÁRIA, OU DE COMARCAS

História. A província de Pernambuco, cujos limites pri­


mitivos já conhecemos em outro lugar, continha em 1808
somente as ouvidorias de Itamaracá, de Alagoas, da Paraíba-
do-Norte, na parte em que pertencia à mesma Província de
Pernambuco, a de Jacobina, que compreendia parte da pro­
víncia da Bahia, e finalmente a de Pernambuco propriamen­
te dita.

A ouvidoria de Itamaracá foi criada desde o tempo em


que fazia uma capitania separada de Pernambuco, e perten­
cia a um só donatário; e deixou de existir em virtude do
alvará do Io de agosto de 1808, que a mandou unir à ouvido­
ria de Goiana, e criou em seu lugar na mesma vila um juiz-
de-fora cível, crime e órfãos, com o ordenado, prós e percal­
ços que tinha o juiz-de-fora de Pernambuco. A ouvidoria
de Pernambuco propriamente dita também foi criada desde
o primeiro donatário, e teve regimento novo em 22 de dezem­
bro de 1688; em 1700, por carta régia de 28 de janeiro se
criou o lugar de juiz-de-fora de Olinda, para ajudar o ouvidor
na administração da justiça, sendo o primeiro o doutor Ro­
berto Car Ribeiro. Por carta régia de 7 de dezembro de 1709
foi criado o juízo da coroa, independente do governador, com­
posto do ouvidor, e dois adjuntos, o juiz de fora, e um advo­
gado formado em Coimbra. Por alvará de 18 de janeiro de
1765 se mandou criar juntas de justiça nos lugares em que
houvesse ouvidoria, a fim de deferir aos recursos interpostos
dos juizes eclesiásticos. A ouvidoria da Paraíba-do-Norte foi
criada poucos anos antes de 1698, segundo se depreende da
memória que acompanhou a carta régia de 6 de março do
mesmo ano, compreendendo no seu distrito os termos de
Goiana, e as capitanias da Paraíba e do Rio-Grande-do-
Norte ( a ) .
A ouvidoria das Alagoas foi criada pela carta régia de 9
de outubro de 1706, sendo governador e capitão-general Fran­
cisco de Castro Moraes, em conseqüência do seu ofício de 9
de janeiro do mesmo ano; e parece que a isso deu lugar a
memória de que acima falamos. Ela compreendia em sua
jurisdição todo o território que hoje forma a província das
Alagoas, e que então somente continha as vilas das Alagoas,
Porto-Calvo, Palmar ou Atalaia, e rio de São-Francisco ou
Penedo. Foi o seu primeiro ouvidor o bacharel José da Cunha

(a) V. a Representação dos povos de Goiana e Itamaracá, de que trata


a provisão do conselho ultramarino, de 3 de abril de 1723.
Soares, por carta régia que obteve em 6 de fevereiro de 1711.
A ouvidoria de Jacobina foi criada por carta régia de 4 de
junho de 1725, e compreendia em sua jurisdição a parte da
província do Pernambuco que formou depois a comarca do
rio de São-Francisco, como adiante veremos ( b ) .

Conhecendo porém o governador capitão-general Caeta­


no Pinto de Miranda Montenegro que os ouvidores de Per­
nambuco não podiam dar conta de metade do que estava a
seu cargo; que em razão da grande distância nunca corregiam
todo o seu distrito; que os julgados de Tacaratu, Cabrobó, e
Flores, e as vilas de Santa-Maria e Assunção, cada qual com
o seu juiz ordinário e escrivão, não sendo corregidos, rece­
biam a justiça ao sabor daqueles empregados; que da união
de partes de províncias diversas resultavam inconvenientes
ao serviço público: em ofício de 22 de julho de 1805, e 11 de
novembro de 1809, propôs que se criassem algumas vilas, e
também uma nova comarca, dando-se-lhe por termo desde
a ribeira de Moxotó para cima, até onde principia o termo
de Pilão-Arcado. Anuindo a tão justas representações de tão
ilustrado administrador, o alvará de 15 de janeiro de 1810
criou a nova comarca do Sertão de Pernambuco, e ordenou
que compreendesse Io a vila de Cimbres, e os julgados de
Garanhuns, Flores, Tacaratu e Cabrobó; e 2o a vila da Barra,
e as povoações de Pilão-Arcado, Campo-Largo, e Carunha-
nha, que eram desligados os primeiros da antiga comarca de
Pernambuco, e os últimos da comarca de Jacobina, na Bahia.
Foi o Io ouvidor desta nova comarca o bacharel Thomaz Antô­
nio Maciel Monteiro.

Estavam, portanto, sujeitas à província de Pernambuco


as comarcas das Alagoas, de Pernambuco, e do Sertão de
Pernambuco, não falando da parte de Goiana, que perten­
cendo à referida província, era sujeita na correição à ouvi­
doria da Paraíba, em conseqüência de arranjos dos tempos
antigos, em que a capitania de Itamaracá era diversa da de
Pernambuco. Como porém a ouvidoria de Pernambuco,
apesar da última divisão, era ainda um lugar de tanto tra­
balho que nenhum ministro, por mais diligente e entendido,
poderia cabalmente desempenhar os deveres dos muitos car-

fb) Não falamos da ouvidoria do Ceará, criada em 1722, segundo consta


da provisão do conselho ultramarino, de 8 de janeiro de 1723.
gos que lhe andavam anexos, e demais, compreendia a cidade
de Olinda, e as vilas do Recife, Igaraçu, Sirinhaém, Cabo,
Santo-Antão, Paudalho e Limoeiro, propôs o mencionado go­
vernador Montenegro, em ofícios de 13 e 20 de abril de 1814,
como indispensável, que se dividisse a ouvidoria de Pernam­
buco em duas comarcas, denominando-se uma de Olinda, e
outra do Recife, sendo a cabeça da Ia aquela cidade, e a da
2a a vila do mesmo nome, e compreendendo esta, além do
termo do Recife, os de Santo-Antão, Cabo, e Sirinhaém; e
aquela, além do termo da cidade, as vilas de Igaraçu, Pau­
dalho, Limoeiro e Goiana, visto que a capitania da Paraíba
já estava separada e independente, e a de Itamaracá estava
incluída em Pernambuco, e nenhuma razão podia haver para
que Goiana ficasse pertencendo à comarca de governo diver­
so, e tão extenso como já vimos. Em virtude desta requisi­
ção, foi criada a nova comarca de Olinda, pelo alvará de 30
de maio de 1815, sendo seu Io ouvidor o doutor Antônio Car­
los Ribeiros de Andrada Machado e Silva.

Depois desta divisão, foi desmembrada da comarca do


Sertão de Pernambuco a comarca que se denominou do Rio-
de-São-Francisco, pelo alvará de 3 de junho de 1820, com­
preendendo a vila da Barra, e as povoações de Campo-Largo
e Carunhanha, com os seus respectivos termos, sendo aquela
vila a cabeça da comarca, e elevando-se a vila a povoação de
Campo-Largo, tudo em conseqüência de representação do
governador e capitão-general Luiz do Rego Barreto. Esta
comarca porém foi desligada de Pernambuco, e unida à pro­
víncia de Minas-Gerais, continuando a ficar sujeita em seus
recursos judiciais à relação da Bahia, pelo decreto de 7 de
julho de 1824, em razão de querer o governo imperial sub-
traí-la à influência do de Pernambuco, que contra ele se ha­
via rebelado; sendo finalmente incorporada provisoriamente
à mesma província da Bahia, até que se fizesse a organiza­
ção das províncias do Império, pela resolução de 13 de outu­
bro de 1827. Com a separação desta comarca perdeu a pro­
víncia de Pernambuco um terreno pouco mais ou menos igual
às províncias reunidas de Alagoas e Sergipe, atento o mapa
geral do Brasil, pelo coronel Conrado Jacob de Niemeyer.

A comarca das Alagoas passou a formar em 1817 a pro­


víncia do mesmo nome, e por isso, deixando de tratar dela,
somente diremos que as ouvidorias de Pernambuco, e os
juízos de fora do Recife e de Goiana continuaram tais quais
os temos descrito, até o ano de 1832, em que, por virtude
das disposições de código do processo criminal, os presidentes
em conselho foram autorizados a dividir as províncias em
novas comarcas. Por deliberação do conselho de 20 de maio
de 1833 eram elas a princípio somente 9, a saber: Recife,
Goiana, Nazaré, Limoeiro, Santo-Antão, Rio-Formoso, Bonito,
Brejo e Flores; em 1836 porém, pela lei de 6 de junho, criou-
se mais a de Garanhuns; em 1838, pela lei de 19 de abril, a
da Boa-Vista, abolindo-se a do Bonito; e em 1840, pela de 5
de maio finalmente, restabeleceu-se esta última, e criaram-se
as de Paudalho e do Cabo; de modo que atualmente são 13
as comarcas, cuja descrição passamos a dar.

I. COMARCA DO RECIFE

A comarca do Recife contém os municípios do Recife,


Olinda, e Igaraçu; e como pelos limites destes se podem co­
nhecer os da comarca deixamos por isso de declará-los, reme­
tendo o leitor para o lugar competente. A comarca do Recife
tem, para a respectiva administração da justiça, em toda
ela, dois juízes de direito criminais, três juízes do cível, três
juízes de órfãos, sendo dois deles ao mesmo tempo juízes
municipais, quatro juízes municipais, um juiz dos feitos da
fazenda, um juiz de capelas e resíduos, dois promotores públi­
cos, vinte e dois juízes de paz, quatro delegados de polícia
dezoito subdelegados, 886 jurados, e 204 inspetores de quar­
teirão.

Dividem-se estes funcionários pelos três municípios, da


maneira seguinte:

No município do Recife. Dois juízes de direito criminais,


dois juízes do cível, um juiz dos feitos da fazenda, dois juízes
municipais, um dos órfãos, dois promotores públicos, quinze
juízes de paz, dois delegados de polícia, dez subdelegados da
mesma, 530 jurados, e 149 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia do Recife ........................................ 18


------------- de Santo-Antônio ....................... 36
- da Boa-Vista ........................... 25

- dos Afogados ........................... 20

- de Santo-Amaro-Jaboatão . . . 19

- de São-Lourenço-da-Mata----- 7

- do Poço-da-Panela ................. 8

No município de Olinda. Um juiz municipal e dos ór­


fãos, um promotor público, cinco juízes de paz, um delegado
de polícia, cinco subdelegados, 153 jurados, e 33 inspetores
de quarteirão, a saber:

Freguesia de São-Pedro-Mártir ........... 9

------------ da Sé de O lin d a ..................... 10

------------ de Maranguape ..................... 14

No Município de Igaraçu. Um juiz municipal e dos ór­


fãos, dois juízes de paz, um delegado de polícia^ três subde­
legados, 203 jurados, e 22 inspetores de quarteirão, a saber:
Freguesia de Itam aracá......................... 10
------------ de Igaraçu ............................... 12

II. COMARCA DE SANTO-ANTÃO

A comarca de Santo-Antão compreende somente o mu­


nicípio do mesmo nome, e conseguintemente as duas fregue­
sias de que se compõe, cujos limites já declaramos. Para a
administração da justiça existem nela dois juízes de direito,
_ um para o cível, e outro para o crime, um juiz municipal
e dos órfãos, um delegado de polícia, quatro subdelegados,
dois juízes de paz (um em cada freguesia), 308 jurados, e
55 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia da Escada ............................ 25


Esta comarca compreende no seu terreno somente o
município da Boa-Vista, isto é, a porção da província cujas
aguas entram no rio de São-Francisco, acima da barra do
rio Pajeú, exclusiyamente, assim como as ilhas da Assunção
e Santa-Maria, cujas vilas foram suprimidas. Para a admi­
nistração da justiça e polícia, há nesta comarca dois juízes
de direito, — um para o cível, e outro para o crime; um juiz
municipal e dos órfãos, um delegado de polícia, cinco subde­
legados, cinco juízes de paz (um em cada freguesia), 145
jurados, e 22 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia do Exu .................................. 5


------------ do Cabrobó ............................. 5
da Boa-Vista ........................... 4

de São-Sebastião-do-Ouricuri . 5
de Santo-Antônio ................. 3

IV. COMARCA DO BONITO

Esta comarca compreende somente o município do mes­


mo nome, isto é, as freguesias do Bonito e de Bezerros, pela
lei de sua criação, e a do Altinho, pela de n° 94, (art. 40) de
7 de maio de 1842 ( a ) . Para a administração da justiça e
regimen policial, ela tem dois juízes de direito, — um do cri­
me e outro do cível; um juiz municipal e dos órfãos- um
delegado de polícia; doze subdelegados, 231 jurados; ’ doze
juizes de paz; e 104 inspetores de quarteirão, a saber-

Freguesia do Bonito .............................. 27


--------- — de Bezerros ............................ 22
------------ do Altinho .............................. 40
—--------- de São-Caetano......................... 15

1“ d'Td°e S . Ä ° “,ra Para Go,anhuns’ lal P^vincral


Abrange os termos das vilas do Brejo, e de Cimbres, cujos
limites já demos. Ela tem, para a administração da justiça
e regimen policial, um juiz de direito criminal, um juiz mu­
nicipal e dos órfãos, dois delegados de polícia, três subdele­
gados, quatro juízes de paz, sendo um na capela curada de
Santa-Cruz, cujo distrito pertence à freguesia de Taquari-
tinga, 199 jurados, e 45 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia do Brejo ................................ 19


------------ de Cimbres ............................. 17
------------ do Buíque ............................... 9

VI. COMARCA DO CABO

Abrange somente o termo do município, e conseguinte­


mente as freguesias do Cabo, Muribeca, e Ipojuca, na parte
cujas águas vão ter ao mar, ao N. do Porto-de-Galinhas,
exclusivamente. Para a administração da justiça e regimen
policial, ela tem dois juízes de direito, — um do crime e outro
do cível, um juiz municipal e dos órfãos, dois delegados de
polícia, três subdelegados, cinco juízes de paz, 200 jurados, e
52 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia do Cabo ................................ 18


------------ de Ipojuca .............................. 22
------------ de Muribeca ........................... 12

VII. COMARCA DE FLORES

Compreende o mesmo termo do município, e conseguin­


temente as freguesias de Flores, Fazenda-Grande, Ingazeira,
Serra-Talhada, e Tacaratu. Para a administração da justiça
e regimen policial, há na comarca dois juízes de direito, —
um do cível e outro do crime, um juiz municipal e dos órfãos,
um delegado de polícia, oito subdelegados, cinco juízes de
paz, 192 jurados, e 48 inspetores de quarteirão, a saber:
Freguesia de Flores ................................ 8

--------------da Fazenda-Grande ............... 3


------------ da Serra-Talhada ................... 17

—--------- da Ingazeira ........................... 12

------------ de T a ca ra tu ............................. 8

VIII. COMARCA DE GARANHUNS

Compreende 0 mesmo termo do município, de cujos limi­


tes já tratamos, e tem para a administração da justiça e polí­
cia dois juízes de direito, — um do cível, e outro do crime,
um juiz municipal e dos órfãos, um delegado de polícia, qua­
tro subdelegados, quatro juízes de paz, 220 jurados, e 28
inspetores de quarteirão, a saber:

____Freguesia de Águas-Belas ...................... 7


de Garanhuns ....................... 8
de Alagoa-de-Baixo ............... 6
de Papacaça ........................... 7

IX. COMARCA DE GOIANA

Abrange somente 0 termo da vila de Goiana, de cujos


limites já tratamos, e conseguintemente a freguesia deste
nome, e as Tejucupapo, e de Itambé. Para a administra­
ção da justiça e da polícia, estão empregados na comarca
um juiz de direito criminal, um juiz municipal e dos órfãos,
um delegado de polícia, cinco subdelegados, onze juízes de
paz, 205 jurados, e 79 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia de G o ia n a .............................. 27

------------ de Itambé ............................. 42


Abrange somente o termo da vila do Limoeiro, isto é, a
freguesia deste nome, a do Bom-Jardim, e a parte da fre­
guesia de Taquaritinga, cujas águas entram no rio Capiba-
ribe abaixo do riacho das Tabocas. Para a administraçao
da justiça e polícia, há nesta comarca dois juízes de direito,
— um do crime, e outro do cível, um juiz municipal e dos
órfãos, um delegado de polícia, cinco subdelegados, três juízes
de paz, 192 jurados, e 45 inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia do Limoeiro ........................... 17

------------ do Bom-Jardim ..................... 17

------ de Taquaritinga ........................... H

X I. COMARCA DE NAZARÉ

Compreende somente o município do mesmo nome, e


conseguintemente as freguesias de Nazaré, e de Tracunhaem.
ela tem para a administração da respectiva justiça e policia,
dois juízes de direito, — um do cível e outro do crime, um
juiz municipal e dos órfãos, um delegado de policia, cinco
subdelegados, nove juízes de paz, 299 jurados; e tinha 33
inspetores de quarteirão em 1842; mas em 1844 conta os
seguintes:

Freguesia de Nazaré .............................. 39

------ de Tracunhaém ............................. 33

XII. COMARCA DO PAUDALHO

Compreende o município do mesmo nome, isto é, a fre­


guesia do Paudalho, a de Nossa-Senhora-da-Glória-do-Goita, e
a parte da de São-Lourenço-da-Mata que fica superior a con­
fluência do riacho Massiape, no rio Capibaribe. Para a admi­
nistração da justiça e regimen policial, há um juiz de direito,
para o crime e cível, um juiz municipal e dos órfãos, um dele­
gado de polícia, dois subdelegados, três juízes de paz (sendo
um na capela curada de São-José-do-Eixo), 154 jurados e 39
inspetores de quarteirão, a saber:

Freguesia do P audalho........... ............... io

da Glória-do-Goitá................. 29

XIII. COMARCA DO RIO-FORMOSO

Compreende os termos das vilas do Rio-Formoso e Siri-


nhaém, de cujos limites já tratamos; e tem para a adminis­
tração judiciária e policial, dois juízes de direito, __ um do
crime e outro do cível, um juiz municipal e dos órfãos, um
delegado de polícia, quatro subdelegados, cinco juízes de paz
382 jurados, e 50 inspetores de quarteirão a saber:

Em Sirinhaém

Rio-Formoso .

Agua-Preta ..

Barreiros ___

Una 10
Pelo mapa seguinte conhecer-se-á do modo mais claro, e num lance d‘olhos a organização judiciária da província, o numero
dos seus respectivos empregados, e os lugares que lhes foram marcados para o exercício de suas funções, no fim do ano de
1842 (a), sendo os delegados e subdelegados pertencentes ao ano de 1845.

Oeleg. de Polícia

Escriv. de Paz
Juízes Municip.

Inspetores de
Juízes de Paz

Subdelegados
Juízes de Dir.

Quarteirão
Escrivães
Jurados
Promotores
COMARCAS TERMOS F R E G U E S I A S

São-Frei-Pedro-Gonçalves .................. 2 1 1 18
Santo-Antônio-do-Recife ..................... 2 1 1 36
Santíssimo-Sacramento-da-Boa-Vista ....... 3 1 1 25
São José ........................................ 1 1 1 16
4 2 Recife ... 2 2 530 20 Afogados ....................................... 2 1 1 20
Poço-da-Panela ................................. 1 1 1 8
São-Lourenço-da-Mata ....................... 3 2 1 7
S . Amaro-Jaboatão .......................... 1 2 1 19
Recife ...
São-Pedro-Mártir ............................. 1 1 1 9
1 Olinda 1 1 153 2 Sé d‘-OIinda (e Beberibe) .................. 2 2 1 10
Maranguape (e Milagres) .................. 2 2 1 14

Igaraçu ........................................... 1 2 1 12
Igaraçu .. 1 1 203 2 Itamaracá ....................................... 1 1 1 10
-

Soma .., 4 3 4 4 886 24 22 18 13 204

(a) tendo por vezes pedido à presidência o mapa das autoridades policiais atualmente (1846) existentes na província,
até hoje não nos foi possível obtê-lo.
Deleg. de Polícia
Juízes Municip.
Juízes de Dir.

Escriv. de Paz
Inspetores de
Juízes de Paz

Subdelegados

Quarteirão
Escrivães
Promotores

Jurados
COMARCAS TERMOS F R E G U E S 1A S

Transporte .. 4 3 4 4 886 24 22 18 13 204

Subdelegado do Norte
Escada. 1 2 1 25
S. Antão ... 2 1 S . Antão. 1 1 308 3 Dito do Sul ...........
f Santo Antão .... '
Santo Antão. \ 1 2 1 30
[ Tamatameirim ..

Exu 1 1 1 5
Cabrobó [Nossa-Senhora da-Assunçãol .. 1 1 1 5
Boa-Vista ... 2 1 Boa-Vista. 1 1 145 3 Boa-Vista, ou Santa Maria ........ 1 1 1 4
São Sebastião-do-Ouricuri ......... 1 1 1 5
Santo Antônio do-Salqueiro ........ 1 1 1 3

Capoeiras e Verde ]
Bonito . [ ..... 4 4 1 27
Ilha e Bonito ___ J
Bezerros .... )
Bezerros 1- •• 2 2 1 22
Bonito ..... 2 1 Bonito 1 1 231 3 Gravatá ..... J
São Caetano )
São-Caetano ■ 1 ... 2 2 1 15
Caruaru ..... J
Altinho, Bebedouro, 1
Altinho . !■ .... 4 4 1 40
. Panelas e Quipapá J

Soma ....... 10 6 7 7 1,570 33 41 39 24 385


|

Escriv. de Paz
I

Inspetores de
------ —---------
Deleg. de Polícia

Juízes de Paz

Subdelegados
Juízes Municip.

Quarteirão
Juízes de Dir.

Escrivães
Jurados
Promotores
TERMOS F R E G U E S 1A S
COMARCAS

41 39 24 385
10 6 7 7 1,570 33

1 Brejo, e 1
2 1 1 19
Brejo ....... -j
199 4 Santa Cruz J
Brejo 1 I
Brejo ....... 1 1 e 1 1 1 17
Cimbres 1 1 1 1 9

1 1 1 18

Ipojuca, e ........... 1
Ipojuca .... 2 j 1 I 1 22
2 200 2 Nossa-Senhora-do-0‘ J
Cabo ....... 2 1 Cabo 1
Muribeca, e "1
2 1 1 12
Loreto ---- J

1 2 1 8
1 1 1 3
1 3 1 17
1 Flores 1 1 O Serra-Talhada 12
Flores ..... 2 1 1 1
1 1 1 8

55 53 35 530
15 9 10 12 2,161 42
Soma .......
Deleg. de Polícia
Juízes Municip.
Juízes de Dir.

Escriv. de Paz
Juízes de Paz

Inspetores de
Subdelegados
Escrivães
Promotores

Quarteirão
Jurados
COMARCAS TERMOS
F R E G U E S I A S
i
I

Transporte .. 15 9 10 12 2,161 42 55 53 35 530

Águas-Belas, ou Panema ....... 1 1 1 7


Garanhuns .......... 1 1 2 8
Garanhuns .. 2 1 Garanhuns 1 1 220 2 pertence ao munic. de
Alagoa-de-Baixo 1 1 1 6
. Cimbres, com. do Brejo,
Papacaça .................. 1 1 1 7

f Goiana, Goianinha, Lapa e


Goiana -j 6 2 1 27
rrr^ ^ rp srrr { Nossa Senhora-do-0‘ .....
Goiana ..... 1 1 Goiana 1 1 205 6
f També, Mocós, Cruanji, e '
També ■} 4 2 1 42
1 São-Sebastião ............

Tejucupapo .............. 1 1 1 10
Limoeiro .......... 1 | 1 1 17
Limoeiro ... 2 1 Limoeiro 1 1 192 2 Bom-Jardim ......... 1 2 1 17
(a) Taquaritinga ............ 1 I 2 1 11
Soma ....... | 20 11 13 15 2,778 52
67 73 46 682
Ca) Na falta de documento relativo a este ano (1842), servimo-nos do termo médio dos dois anos seguintes
Deleg. de Polícia

Escriv. de Paz
Juízes Municip.

Inspetores de
Juízes de Paz

Subdelegados
Juízes de Dir.

Quarteirão
Escrivães
Jurados
Promotores
COMARCAS TERMOS F R E G U E S I A S

13 15 2,778 52 73 67 46 682
Transporte .. 20 11
Nazaré ......................................... 5 3 5 29
1 299 3 Tracunhaém .................................. 4 2 4 4
Nazaré ..... 2 1 Nazaré 1

[ Paudalho e ................ J
Paudalho........ \ l" 2 1 1 10
Paudalho 1 2 154 2 f São-José-do-Eixo ... |
Paudalho ... 1 1
f Glória do Goitá e 1
Glória do Goitá f 1 2 2 29
L Distrito da Luz .... J

150 Sirinhaém ..................................... 1 1 1 19


Sirinhaém 1
1 1 1 9
232 4 Água-Preta ..................................... 1 1 1 9
Rio Formoso 2 1 Rio Formoso 1 1
1 1 1 3
Una ............................................. 1 1 1 10
I
I
90 80 63 804
16 20 3,613 61 (b)
Soma ....... 25 14 _________________ _____________

(b) Antes da lei provincial de 14 de abril de 1836 contavam-se na província 132 distritos de paz; a saber: 12 no muni­
cípio do Santo-Antão; 10, no do Bonito; 12, no do Cabo; 5, em Cimbres; um no Brejo; um em Flores; um em Garanhuns, 13
em Goiana; 13, em Limoeiro; 6, em Igaraçu; 9, em Itamaraca; um em Nazaré; um em Paudalho; 6, em Sirinhaem, 24, no
Recife; 9, em Rio-Formoso; 8, em Olinda.
ARTIGO III

DIVISÃO ECLESIÁSTICA OU DE FREGUESIAS

A província de Pernambuco, até o fim do ano de 1844,


continha 53 freguesias, cujos nomes, compreensão e limites
iremos sucessivamente declarando, na ordem das comarcas.

COMARCA DO RECIFE

Ia FREGUESIA DE SÃO-FREI-PEDRO-GONÇ ALVES.


Compreende todo o bairro do Recife, um dos três que formam
a cidade do mesmo nome. É uma península quase redonda,
formada pelos rios Capibaribe e Beberibe, que, misturando
as suas águas com as do mar, circulam o bairro de Santo-
Antônio, e o do Recife, que ao Norte se liga ao istmo que vai
ter a Olinda, e que tem uma légua de extensão, e de largura
um tiro de fuzil, ficando-lhe à direita o Oceano e a barra, e
à esquerda o rio Beberibe.

Extensão. A freguesia do Recife terá de extensão meia


légua, desde o arco da ponte do Recife até a fortaleza do
Buraco, inclusivamente, onde confina com a freguesia de São-
Pedro-Mártir. Confina a L. e ao S. com o mar; ao Norte
com o sobredito rio Beberibe; e a O. com a freguesia de
Santo-Antônio-do-Recife, segundo bairro desta cidade, com o
qual se comunica por uma ponte de madeira.
A freguesia é toda plana, sem rios ou fontes internas, e
somente com alguns poços d’água salobra. Os moradores
bebem a água que em canoas vem conduzida de Olinda, ou
do açude do Monteiro.
Criação. A igreja de São-Frei-Pedro-Gonçalves foi edifi­
cada pelos pescadores e marítimos que habitavam a povoa­
ção do Recife, e dedicada ao dito santo, por ser o santelmo,
ou padroeiro de tal gente.
Capelas filiais. Tem as de Nossa-Senhora do arco da
Conceição; a da Madre-de-Deus, a do Senhor-Bom-Jesus-das-
Portas, e a de Nossa-Senhora-da-Conceição do Pilar.

Patrimônio e rendimentos. A matriz não tem patrimô­


nio: os rendimentos da fábrica respectiva montam a 18.000
rs. anuais, não os há de meias-fábricas, segundo informou o
vigário, em ofício de 10 de julho de 1844.

2.a FREGUESIA DE SANTO-ANTÔNIO-DO-RECIFE. Com­


preende todo o bairro de Santo-Antônio, um dos três que
formam a cidade do Recife de Pernambuco. Este bairro é
uma, ilha perfeita, oblonga, cercada dos dois rios Beberibe e
Capibaribe, os quais, misturando as suas águas em torno da
ilha, vão desembocar a Leste, no Oceano. Ela tem de com­
primento 620 braças e na sua maior largura 220, segundo
a medição que fez o engenheiro Lagos, por ordem do ex-go­
vernador e capitão-general Caetano Pinto de Miranda Monte-
negro. É toda plana, sem a menor elevação, e não tem fonte
alguma d’água doce, e sim tão somente alguns poços arti­
ficiais d água salobra, de sorte que os seus habitantes bebem
a agua importada em canoas, como acima dissemos.

Limites. Confina a L. com o Oceano e a freguesia de


São-Frei-Pedro-Gonçalves, com a qual se comunica por uma
ponte; ao Norte, com os sobreditos rios; a O., com a fregue­
sia da Boa-Vista, terceiro bairro da referida cidade, com a
qual se liga por outra ponte; ao S. com a de São-José-do-
Recife, pelos limites marcados na lei provincial n° 133, de 2
de maio de 1844, descritos quando tratamos da freguesia de
São-José-do-Recife.

Criação. A freguesia do Santíssimo-Sacramento do bair­


ro de Santo-Antônio, foi criada em virtude do alvará de 25
de agosto de 1789, pelo bispo D. Frei Diogo de Jesus Jardim,
que a desmembrou da do Recife ou Sao-Frei-Pedro-Gonçalves.

Capelas filiais. Tem a de Nossa-Senhora-da-Conceição


dos militares, a de Nossa-Senhora-do-Livramento, a de Nos-
sa-Senhora-do-Rosário dos pretos, e a da Congregação; além
das igrejas isentas de São-Pedro dos clérigos, Nossa-Senhora-
do-Paraíso, a do convento de São-Francisco, e Ordem tercei­
ra respectiva, a do convento de Nossa-Senhora-do-Carmo, e
da Ordem terceira respectiva, e finalmente a de Nossa-Se-
nhora-da-Penha, pertencente ao hospício dos missionários
capuchinhos.

Patrimônio e rendimentos. Não consta que tenha pa­


trimônio de espécie alguma; os rendimentos porém da fábri-
ca e meias-fábricas importam em 50.000 rs. anualmente, se­
gundo informou o vigário, em ofício de 8 de julho de 1844.

3a FREGUESIA DO SANTÍSSIMO-SACRAMENTO-DA-
BOA-VISTA. Confina ao N. com a freguesia de São-Pedro-
Mártir de Olinda, pela camboa da Tacaruna, Campo-Grande,
e Salgadinho; ao Sul com a freguesia dos Afogados, pelo rio
Capibaribe; a Leste com as freguesias de Santo-Antônio e
de São-José-do Recife, pelo rio; e a O. com a do Poço-da-
Panela, pela estrada que vem da passagem de Santa-Ana,
pela Cruz-das-Almas, e bem assim pela estrada d’Água-Fria.
Extensão. Contém na sua maior extensão de N. a S.
pouco mais de meia légua, abstraindo a tortuosidade das es­
tradas, contada da Ponte-Velha ao Salgadinho; e de L. a O.
igual extensão, pouco mais ou menos, contando-se da Ponte
da Boa-Vista, à Cruz-das-Almas.

Criação. Esta freguesia foi criada no ano de 1815, e


desmembrada da freguesia da Sé de Olinda, de que era curato.

Capelas filiais. Tem as seguintes capelas filiais: Nossa-


Senhora-dos-Aflitos, Rosarinho, Belém, São-José-do Mangui-
nho, e Nossa-Senhora-da-Conceição-de-João-de-Barros, que
pertencem a particulares; Santo-Amaro e Conceiçãozinha, a
morgados; Nossa-Senhora-da-Glória, debaixo da direção do
prelado diocesano; e as de Santa-Cruz, do Rosário dos Pretos,
São-Gonçalo, e Nossa-Senhora-da Assunção, e Fronteiras, na
Estância.

Patrimônio e rendimentos. Não tem nenhuns.


4a FREGUESIA DOS AFOGADOS. Confina ao N. com
a freguesia de São-José do Recife pela ponte dos Afogados,
com a da Boa-Vista pela ponte da Madalena e rio Capibaribe,
e com a do Poço-da-Panela por este mesmo rio; ao Sul com
a de Muribeca, pelos rios Jordão e Gameleira; a Oeste com
a de Santo-Amaro-Jaboatão, pelas águas que vão ao mar, ao
Norte do rio deste nome, ou pelo rio Jordão e Gameleira; e
a Leste com o Oceano, desde o rio Jordão até a ponte dos
Afogados.

Extensão. A sua maior extensão de L. a O. é de légua


e meia, tomada na ponte dos Afogados até Tejipió, e a de
N. a S. é de duas léguas, desde a Boa-Viagem até o Poço-
da-Panela.

Criação. Esta freguesia foi criada pela lei provincial


n“ 38, de 6 de maio de 1837, que suprimiu a freguesia da
Várzea, uma das mais antigas da província, por já existir
antes da invasão dos holandeses.

Capelas filiais. Tem as seguintes capelas filiais: Nossa-


Senhora-da Boa-Viagem, na povoação deste nome; Nossa-
Senhora-do Rosário dos Pretos da Várzea; e a de São-Fran-
cisco-de-Paula, no Caxangá.

Patrimônio e rendimentos. Não tem patrimônio; os ren­


dimentos da fábrica e meias-fábricas andarão por 36.000 rs.,
pouco mais ou menos, segundo informa o vigário, em ofício
de 6 de agosto de 1842.

5a FREGUESIA DE SÃO-LOURENÇO-DA-MATA. Con­


fina ao Norte com a freguesia de Igaraçu, pela estrada de­
nominada Chã-da-Cruz; ao Sul com as freguesias de Santo-
Amaro do Jaboatão, e Santo-Antão, pelo riacho Una, no en­
genho de Covas, que vai às referidas freguesias, e cujas águas
correm para o Capibaribe; a Leste com a freguesia do Poço-
da-Panela, pelo riacho Água-da-Matéria, abaixo do engenho
Camaragibe, e com a freguesia de Maranguape (a ); e a Oes­
te com as freguesias da Glória-do-Goitá, e Paudalho, pelo
riacho Mussurepe exclusivamente, que vai para o Paudalho,
ou águas que correm para os riachos Arantagi e Goitá.

Extensão. O seu comprimento de N. a S. é de 7 léguas,


contando-se 3 da Chã-da-Cruz para a matriz, e 4 desta para
o riacho Una; e de L. a O. é de 6, contando-se duas e meia
do riacho Água-da-Matéria para a matriz, e três e meia desta
até o riacho Mussurepe.

Criação. Esta freguesia é antiquíssima, e por isso não


consta a data da sua criação. Da provisão de 10 de maio
de 1730 deduz-se que ela já existia antes de 1727. O Cas-

(a) O vigário desta freguesia é que diz que ela confina com a de
São-Lourenço, porque o vigário de S Lourenço guarda silêncio a respeito
deste objeto.
faioto Lusitano, em vários lugares, fala da freguesia de São-
Lourenço, e notavelmente no L. 6o § 24, pois que nela foi
nomeado capitão um dos moradores, que se devia apresen­
tar contra o domínio holandês, em 1645.

Capelas filiais. Tem a capela filial curada de Nossa-


Senhora-da-Luz, distante da matriz 2 léguas, ao S ., e com
patrimônio, em que está situada a povoação do mesmo nome.

Patrimônio e rendimentos. Segundo informou o vigário,


em ofício de 12 d’agosto de 1842, o rendimento da fábrica e
meias-fábricas importará em 40.000 rs. anuais; nao consta
que tenha patrimônio de espécie alguma.

6a FREGUESIA DE SANTO-AMARO-DE-JABOATÃO.
Confina ao Norte com a freguesia de São-Lourenço-da-Mata,
pelas águas que correm para o rio Jaboatão, servindo de pon­
tos de divisão as terras dos engenhos Santa-Rosa, e Pixao,
inclusive, e dos engenhos Una, Pocinho, Camaçari e Mus-
saíba; ao Sul, com a freguesia de Santo-Antonio-do-Cabo,
pelas terras do engenho Contraçude, Cajabussuzmho, Gurjau-
de-Cima, e Gurjaú-de-Baixo, e com a de Muribeca, pelos en­
genhos Macujé, Palmeira, Suassuna, e Santa-Ana, inclusiva-
mente; a Leste com a dos Afogados, pelas águas que vao ao
mar ao Norte do rio Jaboatão, exclusivamente, e consegum-
temente pelo rio Tegipió; e a Oeste com a freguesia de Santo-
Antão, desde o lugar denominado Cruz-das-Almas, entre os
engenhos Tapera e Queimadas, ao Sul da estrada de Queima­
das, até o engenho Coqueiros, exclusivamente, pois a parte
do Norte pertence a Santo-Antão; e do engenho Coqueiros ao
Sul, até se apartar do sítio de D. Joana.

Extensão. O maior comprimento da freguesia, de N. a


S é de cinco léguas e meia, pouco mais ou menos, contadas
do’ engenho-Santa-Rosa ao de Gurjaú-de-Baixo; e o menor é
de três desde o engenho Mussaíba até o de Santa-Ana. De
L a O. é o seu cumprimento de 6 léguas, pouco mais ou menos,
desde a encruzilhada da porteira do engenho Santa-Ana até
a Cruz-das-Almas, terras do engenho Tapera.

Criação. Dos livros desta freguesia não consta a data


em que ela foi criada; sabe-se somente que é uma das mais
antigas da província, e que já existia antes da invasao dos
holandeses. Em 1645, como se vê do Castrioto Lusitano, L.
o-, capitulo 24, nomeou João Fernandes Vieira a um dos seus
primeiros habitantes para capitão da força que devia con­
correr para repelir aqueles estrangeiros.

Patrimônio e rendimentos. Não tem patrimônio: a im­


portância da fábrica e meias-fábricas chegará a 40.000 rs.
de 1842 SegUnd° informou 0 vigário, em ofício de 25 d’agosto

7 FREGUESIA DE SÃO-PEDRO-MÁRTIR DE OLINDA.


Confina ao N. com a da Sé, pelas ruas do Carmo, Bonfim,
Beco-das-Cortesias, Bica-dos-Quatro-Cantos, em linha reta até
chegar ao rio Beberibe, e a parte dos Arrombados pertencente
a freguesia da Sé, segundo a lei provincial n. 44; ao Sul com
a de Sao-Frei-Pedro-Gonçalves do Recife, pelo istmo, até a
fortaleza do Buraco; e com a da Boa-Vista, pela camboa da
Tacaruna, Salgadinho, e Campo-Grande; a Leste com o Ocea­
no, e a Oeste com o no Beberibe, até o porto das Canoas, ou
Varadouro de Olmda, seguindo daí pelo caminho de Santa-
leresa a beira do mesmo rio, até defronte da Passagem-do-
Salgadmho onde confina, pela parte oposta ao mar, com a
da Boa-Vista.

Extensão. O maior comprimento desta freguesia, de N.


a b ., e de meia légua, pouco mais ou menos, principiando
da Bica-dos-Quatro-Cantos, até a Passagem-do-Sal-
gadinho, e o menor é de três oitavos de légua, desde o ponto
da matança até o istmo, fronteiro à passagem supramencio­
nada. De L. a O. é o maior comprimento meio quarto de
legua pouco mais ou menos, desde a praia do mar, iunto
a matança, ate o no Baberibe, na extremidade da rua do
Cabral; e o menor é de um terço de quarto de légua, pouco
mais ou menos, desde o istmo, fronteiro à Passagem-do-Sal-
gadinho, até a estrada do mesmo nome.

Criação. Não se sabe ao certo o tempo em que se edificou


a matriz de Olinda; sabe-se unicamente que houve uma canela
de Santo-Antônio e São-Gonçalo, íeita por Clemente VaZ
Moreira, em que Duarte Coelho ouvia missa, e que esta fre­
guesia é a mais antiga do bispado (Mariz, pág. 50).

Capelas filiais. São as seguintes: — a de São-Sebastião,


administrada pela câmara municipal, sem patrimônio; a de
São-Pedro-Apóstolo, que tem uma morada de casas, cujo ren­
dimento anual é de 32$000 rs.; a de Nossa-Senhora-da-Boa-
Hora, que tem duas casas, e uma pensão que lhe paga a câ­
mara municipal de Olinda; a de Nossa-Senhora-das-Necessi-
dades dos Arrombados, sem patrimônio, administrada por
pessoa particular; e a de Santa-Teresa, onde está o colégio
dos órfãos.
Rendimentos. Tem a matriz duas moradas de casas
pequenas, que foram doadas para o azeite da alâmpada de
Nossa-Senhora-das-Mercês, e que anualmente rendem uns 70
a 80$000 rs. O Santíssimo-Sacramento possui quatro mo­
radas de casas, que rendem anualmente 200$000 rs., e são
administradas pela irmandade, que não tem compromisso.
A irmandade das Almas tem uma casa doada para morar o
coadjutor, com o onus de dizer missa pelas almas, para o
povo ouvir nos domingos e dias santos, as quais rendem
anualmente 48$000 rs. A fábrica e meias-fábricas da ma­
triz renderão uns 20$000 rs. mensais, segundo informou o
pároco, em ofício de 30 de agosto de 1842.

8a FREGUESIA DA SÉ DE OLINDA. Confina ao N. com


a freguesia de Maranguape, pelo rio Doce, e pelo Paratibe
que nele se lança, segundo a divisão feita pela lei provincial
n. 44, de 12 de junho de 1837; ao Sul com a de São-Pedro-
Mártir, pelas ruas do Carmo, Bonfim, Beco-das-Cortesias, e
Bica-dos-Quatro-Cantos, em linha reta até o rio Beberibe; a
Leste com o Oceano; e a Oeste com a freguesia de Igaraçu.
Patrimônio e rendimentos. Tem uma casa no beco do
Peixe-Frito, no bairro de Santo-Antônio, que rende anual­
mente uns 100.000 rs. A fábrica e meias-fábricas são admi­
nistradas pelo cabido, e por isso o cura declarou que igno­
rava o seu rendimento.

Capelas filiais. A igreja de Beberibe, que é capela cura­


da; a de-Nossa-Senhora-do-Rosário, na cidade; a do Bonfim,
que tem um terreno junto à mesma capela; a de São-João;
a de Nossa-Senhora-de-Guadalupe; e a de Nossa-Senhora-da-
Conceição; além das quais, a igreja de Nossa-Senhora-do-Am­
paro, que é isenta.
Irmandades. São: primeira, a do Santíssimo-Sacramen­
to da matriz da Sé, que não tem compromisso, e possui al­
gumas moradas de casa; segunda, a do Santíssimo-Sacra-
mento da capela curada de Beberibe, que também possui
patnmonio, e não tem compromisso; a terceira, a do Rosário,
que esta em igreja própria, e possui algumas terras, e mora­
das de casas, administradas pela mesma irmandade; quar­
ta a de Nossa-Senhora-de-Guadalupe, em igreja própria e
com patrimônio em terras, e duas moradas de casas ( a ) . ’

9a FREGUESIA DO POÇO-DA-PANELA. Os limites des­


ta freguesia, pelo alvará de 6 de junho de 1821, eram da bor­
da do rio Capibaribe, pela estrada denominada da Ponta-do-
Cordeiro, indo a seguir quase em linha reta até desembocar
na estrada do Arraial, continuando a mesma linha até onde
finda a freguesia, por encontrar com a da Sé, ficando todo
o lado do poente ou esquerdo da dita estrada ou linha de
continuação para a nova freguesia do Poço, e todo o lado do
nascente ou direito da estrada com a linha de continuação
para a freguesia da Boa-Vista. A lei provincial n° 38, de
6 de maio de 1837, suprimindo a freguesia da Várzea, ane­
xou-lhe a porção do terreno desta freguesia que ficara ao
Sul do rio Capibaribe. Assim, a freguesia do Poço-da-Pane-
la confina ao Norte com a da Sé de Olinda; ao Sul com a
dos Afogados, pelo rio Capibaribe; a Leste com a da Boa-
Vista, pela estrada que vem da passagem de Santa-Ana pela
Cruz-das-Almas, e bem assim pela estrada d’Água-Fria; e a
Oeste com a de São-Lourenço-da-Mata, pelo riacho Água-da-
Matéria, abaixo do engenho Camaragibe.

Patrimônio. Tem uma morada de casas no bairro da


Boa-Vista, rua Velha, que rende anualmente 100$000 réis.

10a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DOS-PRAZERES


DE MARANGUAPE. Confina ao Norte com a freguesia de
Igaraçu, pelo rio Mirueira, rio Jaguaribe, e Barra de Maria-
Farinha, ao Sul, com a da Sé de Olinda, pelas águas que
entram para o rio Doce, inclusivamente, como declarou a lei
provincial n° 44, de 12 de junho de 1837, ou, para melhor
nos explicarmos, pela barra do rio Doce; a Leste, com o Ocea­
no; e a Oeste com a de São-Lourenço-da-Matà, pela mata

(a) A freguesia da catedral, de que temos tratado, antes da criação do


bispado, era colada; porém passando para chantre o seu reverendo pároco
Manuel Nunes Ferreira, ficou curato amovível, na forma da ordem régia
que fica duas léguas além da estrada que segue do rio Miru-
eira até o de Jacuípe.
Extensão. A freguesia tem de comprimento, na direção
de N. a S., três léguas pela costa; de Leste a Oeste, quatro
e meia; a saber: meia légua da planta da matriz para Leste,
a terminar no areal da costa, e quatro para Oeste, até a
mata da Mirueira.

Criação. A freguesia de Maranguape foi desmembrada


em 1691 da freguesia da Sé de Olinda, a requerimento dos
povos, por causa do impedimento da barra do rio Doce, e em
virtude de sentença do bispo de então, D. Mathias José de
Figueiredo, que lhe assinou os seus primitivos limites. Ela
conservou-se em curato até o ano de 1719, em que foi elevada
a vigararia colativa, por alvará de D. João V, e a requeri­
mento dos mesmos povos.

Capelas filiais. São a de Nossa-Senhora-do-ó, que tem


dois sítios, um na costa do mar, e outro no centro da fre­
guesia, os quais rendem 60$000 réis anualmente, administra­
dos por uma irmandade confirmada, e com compromisso; _a
de Nossa-Senhora-do-Paratibe, e mais duas outras, que nao
têm rendimento algum.
Patrimônio e rendimento da matriz. O primeiro consis­
te em dois sítios de terras, um na costa do mar, e outro no
centro da freguesia, que juntos rendem por ano 50$000 rs.;
o segundo consiste nestes mesmos proventos, e nos réditos da
fábrica, segundo informou o vigário, em ofício de Io de setem­
bro de 1842, os quais montam a 40$000 rs., pouco mais ou
menos.

11a FREGUESIA DOS SANTOS COSME-E-DAMIÂO DE


IGARAÇU. Confina ao Norte com a freguesia de Goiana,
pela barra do rio Igaraçu, com a de Tejucupapo pelo lugar
denominado Mangabeira, e pelas águas que entram ao Norte
e ao Sul do rio Ubu (V. Leis provinciais n°s. 44 e 83); com
a de Itamaracá pela barra da mesma ilha, e rio Igaraçu;
e com a de Tracunhaém pelas águas que correm para o rio
Araripe, e daí para o Sul, segundo a lei provincial n° 44, de
12 de junho de 1837; ao Sul com a freguesia de Maranguape,
pela barra de Maria-Farinha; a Leste com a costa do mar;
e a Oeste com a freguesia de São-Lourenco, pela mata da
Mirueira, com a de Tracunhaém, pelos engenhos Papicu, Al­
deia, e Lajes, e com a de Nazaré.

Extensão. A freguesia de Igaraçu tem cinco e meia


léguas de N. a S., contadas da barra do rio Igaraçu à de
Maria-Farinha, e de L. a O. 8, desde a costa do mar até a
mata da Mirueira.

Criação. A freguesia de Igaraçu é uma das mais anti­


gas da província: nao consta a data de sua criação; e por
isso supoe-se que existe desde a entrada do Io donatário.
Rendimentos. A matriz não tem patrimônio: o rendi­
mento da fábrica monta a 35.000 rs., pouco mais ou menos.
O orago é festejado com ofertas dos povos, segundo informa
o respectivo vigário, em ofício de 15 d’agosta de 1842 as
quais andarão em 600.000 rs., termo médio.

Capelas filiais. São elas: Ia a de Nossa-Senhora-da-Boa


Viagem do Pasmado, que não tem rendimento algum; 2a a de
Santa-Ana-da-Camboa, que tem 18 pés de coqueiros, e 25 ma-
linhas de fazer sal; 3a a de São-Gonçalo-de-Itapessima; 4a a
de Nossa-Senhora-do Livramento dos pardos, que tem’ uma
pequena morada de casas de taipa; e 5a a de Nossa Senhora-
do-Rosário dos pretos, que tem um pequeno sítio de terras.
Estas duas capelas existem na vila. As outras capelas são
pertencentes aos engenhos da freguesia.

12a FREGUESIA DE ITAMARACA. Confina ao Norte


com a freguesia de São-Lourenço de Tejucupapo, pela barra
da Catuama e foz do rio Ubu; ao Sul com a de Igaraçu pela
barra da ilha de Itamaracá e foz do rio Igaraçu; a Leste com
o Oceano, e ao Oeste com a mesma freguesia de Igaraçu
pelo lugar de Itapessima, e rio Salgado, que serve de linha
divisória.

Extensão. Esta freguesia tem três léguas de N. a S.


contadas desde a barra do Norte até a passagem do Catuá-
ma, e légua e meia de L. a O., desde a povoação do Pilar
na costa, até a passagem de Itapessima.

Criação. Não consta o ano e dia em que se criou a fre­


guesia de Itamaracá, talvez por se haverem submergido todos
os papéis do arquivo da vila deste nome, quando foram pas­
sados para Goiana, há mais de um século. É certo porém,
que já estava criada antes da invasão holandesa, porque no
Castrioto Lusitano se fala muitas vezes da freguesia de Ita-
maracá.

Capelas filiais. Tem as seguintes: de Nossa-Senhora-do-


Rosário dos pretos; de Santa-Cruz, na fortaleza; do Bom-
Jesus, na praia; de Nossa-Senhora-do-Pilar, no sítio do mes­
mo nome; de Nossa-Senhora-dos-Prazeres, no engenho Maca­
xeira; de São-João-Batista, no engenho do mesmo nome; e
de Nossa-Senhora-do-Amparo, noutro engenho do mesmo
nome.

Patrimônio e rendimentos. A padroeira da matriz tem


um patrimônio em terras, que rende anualmente 200$000
réis, e é administrado pela irmandade. Por ofício de 3 de
agosto de 1844, informou o vigário que era muito limitado
o rendimento da fábrica, e da meia-fábrica da capela do Pi­
lar; e que por isso não fazia assento do quanto ele importava.

13a FREGUESIA-DE-SÂO-JOSÉ-DO-RECIFE. Confina ao


Norte com a de Santo-Antônio-do-Recife, pelo beco que vem
do mar ao pátio da Ribeira; pelos pátios da Ribeira e da
Penha; rua da Assunção, que toma a direção do Sul, fazendo
ângulo com o dito pátio; pelo beco da Carvalha, beco do Seri-
gado, e travessas da Viração e do Pocinho, até o rio Capiba-
ribe, como declara a lei provincial n° 133, de 2 de maio de
1844; — ao Sul com o mar, e na extremidade Sul com o ater­
ro ou istmo artificial, que se dirige à povoação dos Afogados
até a ponte, pela qual com esta se comunica; — a Leste com
o Oceano; — e a Oeste com a freguesia da Boa-Vista, pelo
rio Capibaribe.

Extensão. A maior extensão desta freguesia, de N . a S .,


é de meia légua, pouco mais ou menos, desde o pátio da
Penha à ponte dos Afogados; e de L. a O. de 300 passos
geométricos, com pouca diferença, desde o mar até o rio Capi­
baribe .

Criação. Esta freguesia foi desmembrada da de Santo-


Antônio-do-Recife, e criada pela lei provincial n° 133, de 2
de maio de 1844.
Capelas ifiais. Tem a de Nosso-Senhor-dos-Martírios
a _de Nossa-Senhora-do-Terço, a de Santa-Rita-Nova, e a de
São-José, que atualmente serve de matriz, por não estar aca­
bado o templo que se constrói por esmolas dos fiéis.

Patrimônio e rendimentos. Não tem patrimônio algum


em terras, prédios, & c.: os rendimentos são os provenientes
da fábrica, que montarão em 50$000 réis, atento os que tem
a fregüesia de Santo-Antônio.

COMARCA DE NAZARÉ

14a FREGUESIA DE SANTO-ANTÔNIO-DE-TRACU-


NHAÉM. Limita-se ao Norte com as freguesias de Goiana,
pelo riacho Gatiúba e engenho Taquara, e com a de Nazaré
pela estrada que passa pelo engenho Poço-Comprido, pro­
priedades das Angélicas, e Ribeiro-de-Pedras, engenhos Moro-
jó e Paji, até o rio Tracunhaém — ; ao Sul com a freguesia
do Paudalho, principiando do nascente para o poente, pela
estrada que passa pelos engenhos Pindobal, Crusaí, Jardim,
Pindoba, e povoação da Lagoa-do-Carro, até o lugar denomi­
nado Guia — ; a Leste com a freguesia de Igaraçu, pelos en­
genhos Papicu, Aldeia e Lajes; e a Oeste com a freguesia do
Limoeiro, pela estrada supramencionada, no lugar denomi­
nado Guia, já referido, e com a de Bom-Jardim, pela mesma,
que segue deste último ponto pelas propriedades Cedro, en­
genho São-João-Batista, Tambuatá, Mulata, até o engenho
Tabatinga, e ribeira do riacho Siriji; como tudo foi determi­
nado pela lei provincial n° 75, de 30 de abril de 1839.

Extensão. Tem esta freguesia de L. a O., pela parte do


Sul, 7 léguas, e pela do Norte 12, e de N. a S., ao nascente,
4 léguas, no centro 2, e ao poente 5 léguas.

Criação. Não consta dos livros da freguesia a data e


leis de sua criação, mas sabe-se que excede a 150 anos.

Capelas filiais. São: primeiramente a de Nossa-Senho-


ra-da Lagoa-do-Carro, que tem um limitado terreno onde está
plantada, com algumas casas, que pagam foros; e depois as
dos engenhos cujos proprietários as administram e ornam,
conforme as suas posses e devoção.
Patrimônio e rendimentos. Tem de patrimônio 30 bra­
ças de terras em quadro, onde está colocada a igreja, e 18
casas, as quais pagam de foro 12$000 réis, pouco mais ou
menos: o rendimento anual da fábrica e meias-fábricas mon­
ta a 60$000 réis, e a importância das esmolas para festas
chega a 200$000 réis, não entrando as que fazem as irman­
dades, segundo informa o vigário, em ofício de 17 d’agosto
de 1842.
15a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-CONCEI-
ÇÃO-DE-NAZARÉ, antigamente das Laranjeiras. Segundo a
lei provincial n° 75, de 30 de abril de 1839, e resolução de
consulta de 17 de dezembro de 1821, confina ao Norte com a
freguesia de Nossa-Senhora-do-Rosário de Goiana, pelo enge­
nho Matari, riacho Matarizinho até as suas nascenças, e des­
tas em linha reta à chã do Camará, na estrada que vem
de Goiana, pelos limites que descrevemos quando tratamos
do município de Nazaré; ao Sul com a freguesia de Tiacu-
nhaém, pela estrada dos engenhos Tabatinga, Poço-Compri-
do, propriedade das Angélicas, Ribeiro-de-Pedras, Água-Bran-
ca-de-Cima, engenho Morojó, onde, deixada a estrada real da
vila se divide ainda pelo caminho do engenho Pagi, deman­
dando o rio Tracunhaém, na passagem entre os engenhos
Brejo e Diamante, e descendo o rio até a foz do riacho Mata­
ri, junto ao engenho do mesmo nome; a Leste com a fregue­
sia de També, pela estrada que atravessa acima de Cruanji,
até defronte da Serra Caneira, pelas abas desta serra ate o
riacho Cortes, engenho Cana-Brava; e a Oeste com a fregue­
sia do Bom-Jardim, pelo engenho Taboquinha, terras do en­
genho Água-Azul, Pindoba-de-Baixo, engenho Pindoba, e dai
em direção aos três poços, no rio Capibaribe de Goiana, su­
bindo para o Norte; e bem assim na mesma direção com a
freguesia de Cabaceiras, da província da Paraíba, pelo cume
da serra do Aburá, divisão das águas do rio Capibaribe, rio
Capibaribe de Goiana, limites do engenho Paquevira,^ e pro­
priedades Pau-d’Arco, Moisinho, Maçaranduba, Zabele, Jara­
raca, Cacimba-Cercada, Lírio, Chã-do-Esquecido, Azevem, e
Balanço.
Extensão. A freguesia de Nazaré contém de N. a S. 12
léguas, contadas do engenho Monte-Alegre até o rio Tracu­
nhaém, muito próximo à vila; — e de L. a O. 7, partindo-se
da Água-Branca do Brejo-de-Cangaú, aos limites do engenho
Taboquinhas.
de f r p S ! ' ^ A freguesia de Nazaré foi criada sob o nome
sulta dP 17 Lara/ ljelras’ em virtude da resolução de Con­
sulta de 17 de dezembro de 1821, sendo o seu primeiro vigário
Caetan° Pegad0' s e g ™ « ° iS or-
S e í u S a f rip r - ag° St° de 1829’ foi des™mbrada das
d o gBnm ° Aa/ de Tracunhaém’ com uma parte da
v e r m X em ™24 deSmembraSão da ^ g u esia somente se

n a t r S n ín SdfÍ1+ÍaÍS- Sã° ; 1& a das Angélicas, que tem um


de frSite pdsnne draS; “ í® Se aCha levantada. com 60 braças
r l i i o a ’ e, 300x de íundo, o qual rende anualmente 20$000
FrancLc„a R ^ aran)elraSi SltUada na Pr°P ™ dade de José
dedaram no S e .mals duas outras, cujos nomes se não
declaram no oficio do vigário sobre este objeto; não contan­
do as capelas dos engenhos.

fpm n n tT 1?1110 ~e ■rendimento ■ A igreja matriz de Nazaré


íhl ü, patnmonio os chãos de 16 ou 20 casas, na vila que
e pagam anualmente foro, na importância de 60$00o’ réis
?ende°rnmm onn ™ n° S; tem maÍS Uma morada de casas, qué
endem 12$000 reis anuais; e a importância mais da fábrica
e das meias fabricas, que andará por 30$000 réis segundo
mforma o vigário, em ofício de 12 de maio de 1845

COMARCA DE SANTO-ANTÃO

16a FREGUESIA DE SANTO-ANTÃO. Confina ao N


com a freguesia de Nossa-Senhora-da-Glória-do-Goitá pelo
lugar do Poço, distante de Santo-Antão 3 léguas, pouco mais
ou menos pelo riacho Salgado, denominado Matas-do-Xavier
L S I tT gÍ'ande’ e Redemoinho (a); ao Sul com a fre­
guesia da Escada, pelos engenhos Matapiruma-de-Cima in­
clusive, distante da matriz 3 léguas e meia, Bamburral e
Aratangi-de-Cima, pelo lugar chamado Sete-ranchos- — ’ a
Oeste com a freguesia de São-José-de-Bezerros, principiando
da primeira passagem do riacho Tapessirica, ao pé da ladei-
ra das Russas, e procurando o Norte com a freguesia da
Gloria-do-Goita; — e a Leste com a freguesia de Santo-
Amaro-de-Jaboatão, pelo lugar denominado Engenho-Quei-

(a) Pela provisão do conselho ultramari no de 11 de maio de 1730,


deduz-se que já existia antes de 1727.
madas, em uma cruz que há à margem da estrada, posta por
padrão pelos antigos habitantes, e bem assim com terras do
engenho Laranjeiras até o rio Jaboatão, e por ele seguindo
para o Sul até dividir com a mesma freguesia da Escada,
distando aquela cruz 3 léguas da matriz de Santo-Antão.

Extensão. A freguesia de Santo-Antão tem, pouco mais


ou menos, 7 léguas de L. a O., e 10 de N. a S.

Criação. Esta freguesia é antiquíssima, e por isso não


consta dos livros dela a data de sua criação; porém, pela
provisão do conselho ultramarino de 11 de maio de 1730, se
deduz que já existia antes de 1727.

Capelas filiais. Tem a de Nossa-Senhora-do-Rosário dos


homens pretos, com um patrimônio de terras em que está
assentada a vila, e que produz, com os foros e laudêmios, a
quantia de 800$000 a 1:000$000 de réis, pouco mais ou me­
nos; — e mais nove outras capelas.

Rendimentos e patrimônio. A freguesia de Santo-Antão


não tem patrimônio algum, nem outro rendimento além do
da fábrica, que importará em 60 ou 70$000 réis, porque, os
irmãos das irmandades dos Passos e do Santíssimo-Sacra­
mento têm o privilégio de nada pagarem para a fábrica, se­
gundo informou o pároco, em ofício de 30 de agosto de 1842.

17a FREGUESIA DA ESCADA. Confina ao N. com a


freguesia do Cabo, pelo rio Pirapama, e engenhos Ilha-da-
Liberdade, Massauassu, Santa-Cruz, Noruega, São-Mateus,
Arandu, Conceição-Nova, e com a freguesia de Ipojuca, pelos
mesmos engenhos Arandu e São-Mateus, e pelos engenhos
Pirauira e Três-Braços; — ao Sul com a freguesia de Siri-
nhaém, pelos engenhos Vicente-Campelo, Aripibu, Lajes,
Águas Claras, Caxangá, Piado, e Amaraji-de-Baixo; — a Leste
com a já mencionada freguesia de Ipojuca, pelos engenhos
Ilha-da-Liberdade, Jiqui, Terras-dos-lndios, e engenho Três-
Braços, — a Oeste com a freguesia de Santo-Antão, pelos
engenhos Matapiruma-de-Baixo, Jundiá-Mirim, Dois-Rios, ser­
ra do Urubu, e Sete-Ranchos.

Extensão. A freguesia da Escada tem 10 léguas de com­


primento de N. a S., na maior extensão, principiando do
engenho Ilha-da-Liberdade até o de Vicente-Campelo, e de
largura de L. a O. 8, pouco mais ou menos, principiando do
marco da Cruz, Terras-dos-índios, até a serra do Urubu. Des­
de a mairiz até as extremas de Santo-Antão, contam-se 6
icguas, na maior extensão, e 3 na menor; até as extremas do
Cabo 3, na maior extensão, e 2 na menor; até as extremas de
Ipojuca 3, na maior extensão, e 1 na menor; e até as extre­
mas de Sirinhaéem 6 léguas e meia, na maior extensão, e 4
na menor.

Criação. Ignora-se a lei ou alvará que criou esta fre­


guesia: ela é antiga; os seus limites primitivos porém foram
aumentados pelo alvará de 7 de dezembro de 1813, que lhe
uniu alguns dos engenhos das freguesias do Cabo, Santo-
Antão, e Sirinhaém, acima referidos.

Capelas filiais. Segundo o ofício do juiz municipal da


comarca, de 8 de julho de 1845, tem esta freguesia 10 capelas
filiais, incluídas as dos engenhos.

Patrimônio e rendimentos. Tem algumas casas das


quais uma no Recife, bairro de Santo-Antônio, rua do Quar­
tel, que rende 36$000 réis anuais; alguns terrenos que são
aforados, e haviam sido doados pelos índios; além de 30$000
réis da fábrica e meias fábricas da matriz, segundo informou
o vigário, em ofício de 10 de setembro de 1842.

COMARCA DO PAUDALHO

18a FREGUESIA DO DIVINO-ESPÍRITO-SANTO-DE-


PAUDALHO. Confina ao N. com a freguesia de Tracunhaém,
pelo riacho Crusaí, e estrada que passa pelos engenhos Cru-
saí, Pindobal, Jardim, Pindoba, e povoação da Lagoa-do-Car-
ro; — ao Sul com a freguesia da Glória-do-Goitá, pelos luga­
res denominados Lameiros, Quatis, Ilhota, e riacho Tapessi-
rica; — a Leste com a freguesia de São-Lourenço-da-Mata,
pelas águas que entram no rio Capibaribe, acima do riacho
Mussurepe, inclusivamente, segundo a lei provincial n° 38,
de 6 de maio de 1836; — e a Oeste com a freguesia do Limoei­
ro, pelo riacho Cotunguba, e pela estrada da ribeira, à mar­
gem do rio Capibaribe.

Extensão. A freguesia do Paudalho tem de comprimento


de N. a S. 3 léguas, contadas do riacho Crusaí ao riacho

j
Tapessirica; — e de L. a O. 8 léguas, desde o riacho Ipojuca
até o lugar das Ilhetas.
Criação. Esta freguesia foi criada em 1799, pelo bispo
D. José Joaquim de Cunha d’Azeredo Coutinho, que a des­
membrou da freguesia de Igaraçu, segundo consta de uma
carta do mesmo bispo ao reverendo visitador Joaquim Salda­
nha Marinho, em data de 31 de agosto daquele ano, lançada
no livro do Tombo da freguesia.

Capelas filiais. Tem a de São-José-do-Eixo.


Patrimônio e rendimentos. Segundo informa o vigário,
em ofício de 11 de julho de 1844, os rendimentos da matriz
importam em 60$000 réis, provenientes da fábrica e meias
fábricas respectivas. Ela não tem patrimônio.

19a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-GLÓRIA-DO-


GOITÁ. A lei provincial n° 38, de 6 de maio de 1836, extin­
guindo a freguesia da Luz, determinou que pertencessem à
da Glória as porções das freguesias da Luz e Paudalho, cujas
águas entram nos riachos Goitá, Aratangi, e Cotunguba; e
conseguintemente veio esta freguesia a confinar ao Norte
com a freguesia do Paudalho, pelos lugares denominados
Lameiros, Quatis e Ilhetas; — ao Sul com a de Santo-Antão,
pelo lugar do Poço, riacho Salgado, Ladeira-Grande, e Rede­
moinho; — a Leste com a freguesia de São-Lourenço-da
Mata, pelas águas que correm para os riachos Aratangi e
Goitá; — e a O. com a do Limoeiro, no lugar denominado
Duarte-Dias, onde dividia a extinta freguesia da Luz.

Extensão. Esta freguesia tem de extensão, de N. a S.,


3 léguas, contadas dos Lameiros e Quatis até a Ladeira-Gran­
de e Redemoinho, e 7 de L. a O., desde o declive das águas
para o Aratangi e Goitá, até Duarte-Dias.

Criação. Foi criada pela lei provincial n° 38, de 6 de


maio de 1836, que lhe marcou os limites, como vimos.

Capelas filiais. Tem a capela filial de Nossa-Senhora-


do Rosário-da-Lagoa-Grande, que possui 40 palmos de frente
com 50 de fundo, na povoação, os quais lhe dão anualmente
uns 30$000 réis, e, em um lugar distante da mesma povoa­
ção, 80 palmos de frente com 150 de fundo, que nada rendem.
Patrimônio e rendimentos. Tem 49 palmos de testada
e 600 de fundo, que nada rendem, por falta de foreiros. A
fábrica e meias fábricas produzirão 45$000 réis, segundo in­
formou o pároco, em ofício de 9 de agosto de 1842.

COMARCA DO LIMOEIRO

20a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-APRESEN-


TAÇÃO DO LIMOEIRO. Limita-se ao Norte com a fregue­
sia do Bom-Jardim, na distância de 3 léguas, contadas da
matriz do Limoeiro, pela estrada de Passassunga; — ao Sul
com a freguesia da Glória, na distância de 2 léguas, pela es­
trada denominada da Glória, e com a de Santo-Antão, na dis­
tância de 7 léguas, pela estrada de Santo-Antão (a); — a
Leste com a de Paudalho, na distância de 4 léguas, pelo ria­
cho Cotunguba, e pela estrada da ribeira, à margem do Capi-
baribe; — a Oeste com a freguesia do Bre-jo-da-Madre-de-
Deus, pelos riachos das Éguas e Lajeiro-do-Vigário, em dis­
tância de 14 léguas, contadas da matriz do Limoeiro, pela
referida estrada da ribeira, ou do centro; — e a Sudoeste com
a do Bonito, na distância de 6 léguas e meia, e com a de
Bezerros na de 11, pelas estradas do Bonito e Bezerros.

Extensão. A freguesia do Limoeiro tem 10 léguas de N.


a S ., e 18 de L . a O ., contadas dos lugares que respectiva­
mente lhe servem de limites.

Criação. É incerto o tempo em que foi criada a fregue­


sia, mas segundo declara o vigário de Sirinhaém, João de
Saldanha Marinho, na sua Historia da Igreja Pernambucana,
foi a igreja edificada para os índios, pelo bispo D. João Duar­
te do Sacramento.

Capelas filiais. Existem na freguesia quatro, cujas in­


vocações nos não são conhecidas.

Rendimentos e patrimônio. Segundo informou o vigá­


rio, em ofício de 15 de julho de 1844, o rendimento da fábri­
ca e meias fábricas da matriz andará por 30$000 rs. anuais.

(a) O vigário de Santo-Antão não declarou na sua informação que a


sua freguesia confinasse com a do Limoeiro; e o da Glória-do-Goitá diz que
esse limite é para o lado d'Oeste.
21a FREGUESIA DE SANTA-ANA-DO-BOM-JARDIM.
Limita-se ao N. com a freguesia de Nazaré, e com a de Tra-
cunhaém, pelas propriedades Cedro, engenhos-São-João-Ba-
tista, Tambuatá, Mulata, até o engenho Tabatinga, ribeira
do rio Siriji; — ao Sul com a freguesia do Limoeiro, pela
estrada do Fassassunga; — a Leste com a mesma freguesia
do Limoeiro; e a O. com a de Taquaritinga, pelo alto da
Mata-Virgem e Couro-d’Anta, e com a de Cabeceiras, da pro­
víncia da Paraíba-do-Norte, pelo lugar denominado Tabo-
quinha

Extensão. A freguesia do Bom-Jardim tem de cumpri­


mento de L. a O. 12 léguas, que principiam a contar-se de
Passassunga até Mata-Virgem; e de N. a S. 12, na sua maior
largura, contadas do riacho São-Vicente a Pedra-Tapada; e
8 na menor, a Leste, principiando em Parari da Lagoa-Tor­
ta, e terminando em Taboquinha.

Criação. O vigário, na sua informação, declarou que


ignorava a data da criação da freguesia. Sabe-se porém que
foi desmembrada da de Tracunhaém.

Capelas filiais. Tais são a da Palma, que tem o seu pa­


trimônio em um sítio de terras, que rendem 100$000 rs., e a
de Pedra-Tapada, que também possui um sítio de 100 braças
de terras por patrimônio, e algumas casas nele edificadas,
que produzem 18$0000 rs.

Patrimônio da matriz e rendimento. Tem a matriz 50


braças de terras em quadro, com casas foreiras ao patrimô­
nio, que dão 100$000 rs., pouco mais ou menos. Os rendi­
mentos da fábrica e meias fábricas montarão a 60$000 rs.,
segundo informa o vigário, em ofício de 20 de agosto de 1844.2

22a FREGUESIA DE SANTO-AMARO-DE-TAQUARITIN-


GA. Confina ao Norte com as freguesias de Nossa-Senhora-
da-Conceição-de-Cabeceiras, e de Nossa-Senhora-dos-Milagres;
aquela encostada para o lado do Leste, e esta para o de Oeste,
pelas águas que servem de extrema entre esta província e a
da Paraíba-do-Norte, à qual pertencem ditas freguesias; ao
Sul, em toda a sua extensão, limita-se com a freguesia de São-
José-do-Brejo-da-Madre-de-Deus, pelo rio Capibaribe; a Leste
com a freguesia do Bom-Jardim, pelo alto da Mata-Virgem,
e Couro-d’Anta e a Oeste com a freguesia do Urubá ou Cim­
bres, pela serra e lagoa Jacarará.

Extensão. O maior comprimento da freguesia, de L. a


O., e de 24 a 28 léguas, descendo de Jacarará pelo N. e mar­
gens do rio Capibaribe até Couro-d’Anta, na direção de Lés-
nordeste: a sua maior largura de N. a S , desde a linha que
da aguas para o rio Paraíba, até o mesmo rio Capibaribe, é
de 6 léguas, e a menor de somente (sic). A freguesia de Taqua-
ritinga entrava outrora pela província da Paraíba; mas, de­
pois que por lei da respectiva assembléia provincial se criou
a freguesia de Nossa-Senhora-da-Conceição-de-Cabaceiras, fi­
cou toda em Pernambuco, como parecia conveniente.

Criação. A freguesia de Taquaritinga foi desmembrada


da do Bom-Jardim, e criada em setembro de 1801, por despa­
cho do bispo de então, D. José Joaquim da Cunha de Azere­
do Coutinho, que foi cumprido pela portaria do Dr. provisor,
Alexandre Bernardino dos Reis.

Capelas filiais. Tem 4 capelas filiais, a saber: Ia de


Nossa-Senhora-da-Conceição, na Lapada, com patrimônio de
600 braças de terras, na testada, e 5 quartos de légua de
fundo, todas demarcadas à margem do rio Capibaribe, e que
nada rendem de foros, porque os moradores nada querem
pagar, 2a de São-José, na Vertente, que não está na posse de
patrimônio algum, segundo as informações obtidas; 3a da
Santa-Cruz, na fazenda do mesmo nome, dentro da comarca
do Brejo; e 4a de Santo-Antônio, em Jacarará, na mesma co­
marca do Brejo, com patrimônio demarcado judicialmente,
mas que não consta render coisa alguma.

Patrimônio e rendimento da matriz. Tem três patrimô­


nios: o 1° de 500 braças em quadro, que rende anualmente
30$000 rs.; o 2o de 50 braças de comprido e 25 de largo, que
apanha a maior parte da povoação, e foi doado em 7 de se­
tembro de 1832; rende uns 20$000 rs., segundo a edificação
que se vai fazendo; e o 3o fora da povoação, que rende muito
pouco, e é administrado por procurador particular. A fábri­
ca e meias fábricas renderão anualmente 20$000 rs., segun­
do o ofício do vigário, de 18 de julho de 1844.
COMARCA DE GOIANA
23a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DO-ROSÁRIO-
DE-GOIANA. Limita-se ao Norte com a da Taquara, da pro­
víncia da Paraíba, e com a de També pelo rio Capibaribe-
Mirim; ao Sul com as de Nazaré, pelo lugar denominado
Boca-da-Mata, com a de Tracunhaém, pelo riacho Gutiúba
e engenho Taquara, com a de Igaraçu, por vários engenhos,
e com a de Tejucupapo pelo rio Tapirema; a Leste com esta
mesma freguesia, desde a camboa Catucá até o rio Tapirema,
defronte do engenho Tapirema-de-Baixo, e com a da Taqua­
ra pelo riacho Pedrinhas; e a Oeste com a freguesia de Tam­
bé, pelo riacho Serijó. Os pontos principais por onde se esta­
beleceram os limites desta freguesia, são: a margem es­
querda do rio Tapirema-de-Baixo; rio de Goiana e lugar de­
nominado Boca-da-Mata; engenho Dois-Rios, e riacho Pedri­
nhas; confluência do riacho Mirim e Serijó; povoação do Lelé;
e daqui pelo rio Capibaribe (o mesmo de Goiana), até a pas­
sagem do oratório de Jaboticaba; lugar denominado Corisco,
estrada da Caveira, a encontrar a que sai da povoação de
Cruanji, e desta até o rio Siriji. Água-Branca, estrada das
Tabocas, Camará, Esconso, fontes do riacho Matari, colinas
do riacho Caraú, que desagua na margem direita do rio Tra­
cunhaém, proximidades do lugar denominado Três-Ladeiras,
e fontes do rio Tapirema.
Extensão, o maior comprimento da freguesia de Goia­
na, de Norte a Sul, é de 5 léguas, contadas do engenho Dois-
Rios até a margem esquerda do rio Tapirema-de-Baixo; e de
L. a O. é de 6, contadas do riacho Pedrinhas à confluência
dos riachos Serijó, e Mirim, inclusive a povoação do Lelé.
Criação. Não consta qual a ordem ou alvará que criou
a freguesia; sabe-se porém que é uma das mais antigas do
bispado. Gama, nas suas Memórias hist., L. Io, Cap. 6°, diz:
que a criação teve lugar em 1555, pouco mais ou menos, 20
anos depois da fundação da capitania de Itamaracá. É
porém indubitável que já existia antes da invasão dos holan­
deses, pois em 1645 foi nomeado um dos seus principais
habitantes, por João Fernandes Vieira, para comandar o
movimento de insurreição que ele preparava contra os refe­
ridos holandeses.
Capelas filiais. Além de algumas igrejas na cidade de
Goiana, tem a matriz três capelas filiais curadas, que são:
Goianmha, Lapa, e Nossa-Senhora-do-õ; a primeira tem pa­
trimônio em terras, que rendem anualmente 20$000 réis; a
segunda igualmente em terras, com rendimento de 380$Ò00
íoninnn t®rceira também em terras, com rendimento de

Patnmomo e rendimentos. O patrimônio desta matriz


consiste em um sítio de terras, na cidade de Goiana que
rende anualmente 80, a 100$000 réis: os rendimentos prove­
nientes das fábricas e meias fábricas montam a 70$000 réis
segundo informou o vigário, em ofício de 12 de julho de 1844.’

24a FREGUESIA DE SÃO-LOURENÇO-DE-TEJUCUPA-


PO. Limita-se ao Norte com a freguesia de Goiana, pelo rio
Itapirema, e com a da Taquara pelo rio de Goiana, desde a
barra do rio Pitanga até a do mesmo rio, no Oceano; ao Sul
com a de Itamaracá, pela barra de Catuama, e com a de
Igaraçu, pelo lugar Mangabeira, e pelas águas que entram
ao Norte e ao Sul do rio Ubu, conforme a lei provincial n°
44, de 12 de junho de 1837, e n° 83, de 4 de maio de 1840; a
Leste com o Oceano, e com a referida freguesia de Igaraçu
pela ladeira grande do povoado Três-Ladeiras; e a Oeste cóm
a freguesia de Goiana, desde a camboa Catucá até o rio Ita-
pirema-de-Baixo, e lugar Corgo, o mais saliente para este

Extensão. A freguesia de Tejucupapo tem 3 léguas de


Norte a Sul, desde a barra de Goiana à de Catuama na
maior extensão, e 2 na menor, desde o rio Itapirema ao lugar
da Mangabeira. De Leste a Oeste ela conta, na menor exten­
são, uma légua, desde Três-Ladeiras até o lugar denominado
Corgo, e 9 desde este lugar até a praia de Ponta-de-Pedras.
Criação. Dos livros antigos da matriz não consta a lei
alvara ou ordem, que criou a freguesia, e lhe assinou os
primeiros limites ( a ) .

, a Capelas filiais Existem nesta freguesia as seguintes:


1. a de Nossa-Senhora-da Expectação, em Ponta-de-Pedras,*6

Ca) Da provisão do conselho ultramarino de 11 de maio de 1730 deduz-


se que ela já existia em 1727. Gama, em suas Mem. hist., Liv. 1o, Cap
6o, diz que a criação teve lugar em 1555 pouco mais ou menos, 20 anos
depois da fundaçao da capitania de Itamaracá.
que possui por patrimônio 50 braças de terras em quadro,
que rendem 20$0Q0 réis anuais; 2a a de Santa-Ana, em Carne-
de-Vaca, que possui como patrimônio um sítio de coqueiros,
que lhe dá uns 40$000 réis; 3a a de Nossa-Senhora-do-Rosá-
rio-dos-Pretos, na povoação, que possui um outro, anualmen­
te arrendado por 30$00Õ réis; 4a a de Nossa-Senhora-do-Ro-
sário da mesma povoação, que possui um pequeno terreno,
onde estão plantadas 20 casas de taipa, que pagam todas
8$000 réis anualmente, e outro pequeno terreno, com uma
casa de taipa, arrendada por 12$000 réis; 5a a de São-Gon-
çalo, na povoação de Ubu que não tem rendimento algum;
6a e 7a a de Nossa-Senhora-da-Penha, em Catuama-de-Fora,
e a de Santo-Antônio, em Catuama-de-Dentro, que não têm
rendimentos, por falta de bens ou patrimônio.

Patrimônio e rendimentos da matriz. Além do rendi­


mento da fábrica e meias fábricas, montante em 150$000
réis anuais, tem a matriz um patrimônio em terras, que é
administrado pelos párocos, sem intervenção do juízo das ca­
pelas, e que rende 16 a 20$000 réis por ano, segundo infor­
mou o vigário, em ofício de 2 de setembro de 1842 ( b ) .

25a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DO-DESTERRO-


DE ITAMBÉ. Divide-se ao Norte com a freguesia da Rainha
dos-Anjos do Taipu, e com a de Nossa-Senhora-do-Pilar, pelo
rio Gramame, e pela estrada que separa esta província da
da Paraíba, a quem pertencem ditas freguesias; ao Sul com
a freguesia de Goiana, pelo rio Capibaribe-Mirim: a Leste
com a freguesia da Alhandra, pelos Dois-Rios; e a Oeste com
a de Nazaré, pela estrada que atravessa acima de Cruanji até
Tiuma.
Extensão. Tem de comprimento esta freguesia, de Leste
a Oeste, 12 léguas, desde Dois-Rios até Tiuma, e de Norte a
Sul 3 tão somente, da estrada de Pedras-de-Fogo ao rio Capi­
baribe-Mirim .
Criação. Tendo o restaurador André Vidal de Negreiros
instituído uma capela colegiada no distrito desta freguesia,

(b) A freguesia de Tejucupapo pertencia outrora às comarcas de Goiana


e do Recife, mas a lei provincial n° 128, de 30 d‘abril de 1844, determinou
que ficasse sujeita somente à de Goiana, destruindo assim uma péssima
divisão.
doando para patrimônio dela todo o terreno em que está cir­
cunscrita a freguesia, o engenho Novo de Goiana, &c., por
piovisao do bispo D. Estevão Brioso, de 2 de janeiro de 1679,
foi ela elevada a igreja paroquial curada, desmembrando-sé
da freguesia de Goiana a que pertencia; criação esta que foi
aprovada pela provisão régia, de 6 de janeiro de 1681.
Capelas filiais. Tem as seguintes capelas: Nossa-Senho-
ra-do-Rosario, no Caricé, que te mo rendimento de 6$000 rs-
no engenho Teixeira, Nossa-Senhora-do-Monte; São-Sebastião
na Cachoeira; e finalmente Cruanji.

Patrimônio e rendimentos. Consiste no vínculo ou ca­


pela nos dois engenhos Novo e da Palha, juntos à vila de
Goiana, e no de São-João, no rio da cidade da Paraíba (a),
alem de muitas fazendas de gados, com distância de mais de
20 léguas, que fez o referido André Vidal de Negreiros e foi
confirmado pelo governo português, por alvará de 6 d e’janei­
ro de 1681, permitindo-lhe a graça de padroeiro, para nomear
por si, e pelos administradores que lhe sucedessem, o pároco
da mesma freguesia, como consta da carta de apresentação
passada em Lisboa, a 2 de outubro de 1746, pela mesa da
consciência e ordens. Esta graça porém veio a recair na
casa da Misericórdia de Lisboa, a quem ficou pertencendo
a eleição simples do pároco, com a dependência da aprova-
çao régia. O rendimento deste vínculo foi percebido outrora
pela dita casa, mas agora o deve ser pela fazenda nacional
brasileira, que o reivindicara. A fábrica e meias fábricas
produzirão uns 40$000 anuais.

COMARCA DO BONITO

26a FREGUESIA DO BONITO. Segundo a lei provincial


n 132, de 30 de abril de 1844, a freguesia do Bonito dora­
vante principa na barra do Riachão-do-Ricardo, e segue em
linha reta à Lagoa-dos-Gatos, inclusive, e daí a Pirangi, à
barra da Jangada, inclusive, voltando pela ribeira abaixo até
a sua barra em Una; e dobra para o Norte a ilha de Flores,
inclusive, donde irá à Cova-da-Defunta, e voltando, seguirá
a Carangueijo, inclusive; e seguindo, irá a casa de Francisco
Bezerra, à encruzilhada dos Tanques-das-Piabas, à Cruz-da-

(a] Estes dois últimos engenhos acabaram, por má administração.


Rajada, ao cume da serra dos Mocós, e às nascenças de Ria-
chão, e seguirá por este abaixo até a sua barra, onde teve o
seu princípio. Em consequência do exposto, a freguesia do
Bonito confina ao Norte com a de Bezerros, desde o lugar
denominado Carangueijo até a serra dos Mocós, por diferen­
tes sítios, encruzilhada do Tanque-das-Piabas, Cruz-da-Raja-
da, e serra dos Mocós; a Oeste com a do Altinho, por uma
linha reta, desde a serra dos Mocós até as nascenças do Ria-
chão, e por este abaixo até a sua confluência, no Pirangi.

Extensão. A freguesia do Bonito tem 10 léguas de N. a


S., contadas da Cova-da-Defunta aos limites d’Água-Preta,
e 10 de L. a O., contadas ao Norte, desde a serra dos Mocós
até a Cova-da-Defunta, e ao Sul outra igual extensão.

Criação. A freguesia, que fazia outrora parte da de Be­


zerros, foi criada pela lei provincial n° 65, de 12 de abril de
1839.

Capelas filiais. Tem uma capela filial, que é a de Capo­


eiras .

Patrimônio e rendimentos da matriz. Tem 9$000 de ren­


dimento de um patrimônio, além dos resultantes da fábri­
ca, que andarão por 24$000, pouco mais ou menos, segundo
o ofício do vigário, de 16 de julho de 1844.2
7

27a FREGUESIA DE SAO-JOSÉ-DOS-BEZERROS. Confi­


na ao N. com a freguesia do Limoeiro, pela estrada chama­
da dos Bezerros, pegando dos campos da Avença, e passando
pelos fundos das terras do Valentim, exclusivamente, e pelos
das terras de Cumaru, exclusivamente, até o riacho da Égua;
e bem assim com a do Brejo-da-Madre-de-Deus, pelo reacho
Bandeira, pelos cumes das serras Verde e da Volta, até o ria­
cho Jenipapo, e pelo rio Ipojuca; ao Sul, descendo do poente
para o nascente, com a freguesia de Garanhuns; pelo Riachão
com a do Altinho, pelos cumes das serras do Mendes e Baticu-
ba; e com a do Bonito, pelo cume da serra dos Mocós-de-Bai-
xo, procurando em linha reta o lugar denominado Cova-da-
Defunta, até a barra do riacho Macaco; e daí pelos riachos
Mutuns e Boeiro, onde volta para o Norte, e busca a primeira
passagem do riacho Tapessirica; e procurando o Norte vai pas­
sar pela barra do riacho Salgado, e pelos campos da Avença,
inclusivamente; e a Oeste com a freguesia de São-Caetano,
pelo riacho Angelim.

Extensão. A freguesia de Bezerros tem de L. a O. 13


léguas, contadas da primeira passagem do riacho Tapessirica
ao riacho Angelim; e de N. a S., para o lado do nascente, 6
léguas, contadas da fazenda do falecido José Filippe, inclusiva­
mente, denominada Vargem-Grande, até a barra do riacho
Macaco; largura esta que conserva até a matriz de Bezerros,
donde vai estreitando, até os limites da freguesia de São-Cae­
tano.

Criação. A freguesia de Bezerros foi desmembrada em


1768 da de Santo-Antão, e criada curato amovível, passando
a natureza colativa, em virtude da determinação da mesa da
consciência e ordens, de 22 de novembro de Í805.

Capelas filiais. Tem uma capela filial em Gravatá, na


distância de 6 léguas, com um patrimônio, que renderá
100$000 anuais, e cujos bens são administrados por um pro­
curador, com licença do bispo diocesano, e que dá conta ao
juiz das capelas.

Patrimônio e rendimentos da matriz. Tem 50 braças de


terra em quadro à roda da matriz, e algumas casas, de que
o pároco não cobra aluguel, por serem dos benfeitores da
matriz, e dos que fazem à sua custa a festa do respectivo
padroeiro; não contando o rendimento da fábrica, que im­
portará em 40$000, segundo informa o vigário, em ofício de
20 de agosto de 1843.

28a FREGUESIA DE SÃO-CAETANO. Limita-se ao Nor­


te com a freguesia do Brejo-da-Madre-Deus, pelas águas do
rio Ipojuca, Lagoa-Nova, Lajeiro-do-Cedro, serra da Cacim-
binha, Salgadinho, ao alto do Alagado, até chegar ao riacho
Angelim; ao Sul com a freguesia do Altinho, pelo cume das
serras do Brejo-Velho; a Leste com a freguesia de Bezerros,
pelos riachos Angelim e Poção; e a Oeste com a de Cimbres,
desde a fazenda Poço-Comprido, voltando para o Sul, até en­
contrar o Riachão.

Extensão. A freguesia de São-Caetano tem 16 léguas de


L. a O., contadas desde o riacho Angelim até o Poço-Com­
prido, inclusive; e de N. a Sul tem 4 léguas, na maior exten-
são a Leste, desde a serra Verde até a serra do Pau-Santo,
e 3 léguas na menor a O., contando-se da serra do Retiro,
nas nascenças do Ipojuca, no Riachão.

Criação. Esta freguesia foi desmembrada da de São-José-


dos-Bezerros, e criada pela lei provincial n° 133, de 2 de maio
de 1844, que lhe marcou os limites que acima indicamos.

Capelas filiais. Tem a capela filial de Caruaru, distan­


te da matriz 6 léguas.

COMARCA DO CABO

29a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DO-ROSÁRIO-


DA-MURIBECA. Confina ao N. com a freguesia dos Afoga­
dos, pelo rio Jordão e Gameleira; ao S. com a do Cabo, pela
barra das Jangadas, inclusive, ponte dos Carvalhos, e rio
Quionge; a Leste com o Oceano, desde o rio Jordão à Barra
das Jangadas; e a Oeste com a freguesia de Jaboatão, pela
estrada nova de Santo-Antão, e cachoeira denominada da
Costa, inclusivamente.

Extensão. O seu maior comprimento de N. S. é de 4


léguas, desde o rio Jordão até Quionge, inclusive, e o menor
de 3, desde o mesmo rio Jordão até a ponte dos Carvalhos,
ou mesmo desde a Gameleira, onde principia a freguesia,
pela costa do mar, até a barra das Jangadas. De L. a O.
o comprimento é de 5 léguas desde a ponta da praia deno­
minada Venda-Grande, até a estrada-nova, e Cachoeira-da-
Costa.

Criação. Não consta a data em que foi criada esta fre­


guesia, mas tão somente que fora desmembrada da de Olin­
da, e que já existia antes da invasão holandesa, porque dela
fazem menção diferentes documentos desse tempo; e, para
que nela se apresentasse contra o domínio holandês, nomeou
João Fernandes Vieira a um dos seus primeiros habitantes
(Castrioto Lusitano, L . 6o, § 24).

Capelas filiais. Tem 5 capelas filiais, que são: Nossa-


Senhora-do-Livramento, que terá de rédito 8 a 10$000 rs.;
Nossa-Senhora-do-Rosário, que não tem rendimento algum;
a capela curada de Nossa-Senhora-do-Loreto, que tem uma
irmandade instituída em 1670, pelo padre Manoel da Cunha,
e patrimônio suficiente, constando de sítios e terras foreiras;
e as de Nossa-Senhora-das-Candeias, e de Santo-Antônio-da-
barra-da-Jangada. Existe mais a capela de Nossa-Senhora-
dos-Prazeres, sôbre os montes Guararapes, pertencente aos
religiosos beneditinos, e a da Senhora-da-Piedade, na costa
do mar, pertencente aos religiosos carmelitas.

Patrimônio e rendimentos da matriz. Esta freguesia não


tem patrimônio algum; e o seu rendimento é somente o da
fábrica, que monta a 64$000 rs., porque a irmandade do
Santíssimo-Sacramento não consente que outros paroquianos,
além dos irmãos, se sepultem das grades para cima, segun­
do informou o pároco interino, em ofício de 12 de setembro
de 1842.

30a FREGUESIA DE SANTO-ANTÔNIO-DO-CABO-DE-


SANTO-AGOSTINHO. Limita-se ao N. com a Muribeca, pela
barra das Jangadas, rio Jaboatão, e ponte dos Carvalhos; e
com a de Jaboatão pelas terras dos engenhos Contra-Açude,
Cajabussuzinho, Gurjaú-de-Cima, e Gurjaú-de-Baixo; ao S.
com a de Ipojuca, pelo rio Tabatinga, que nasce nas matas
do engenho Pará; e com a da Escada, pelo rio Pirapama, que
desce pelo engenho Massauassu; a Leste com o Oceano,’ des­
de a barra das Jangadas até a do Porto-de-Galinhas; e a Oes­
te com a freguesia de Santo-Antão, pelo engenho Jussara,
inclusive.

Extensão. O maior comprimento desta freguesia, de L.


a O., é de 9 léguas a 10, contadas do forte do Gaibu (cabo-
de-Santo-Agostinho), ao referido engenho Jussara; e de N.
a S. 4 somente, contadas da ponte dos Carvalhos ao rio Ta­
batinga, as quais vão-se estreitando para o Oeste, até acaba­
rem numa légua. Esta freguesia, segundo informou o res­
pectivo vigário, em 1827, tem a configuração de uma caveira
de cavalo.

Criação. Não existe documento na matriz, por onde


conste a criação da freguesia, talvez por ser uma das mais
antigas. Sabe-se porém que já existia antes da entrada dos
holandeses, que teve lugar em 1630. No L. 6o, § 24, do Cas-
trioto Lusitano, vê-se que João Fernandes Vieira nomeara a
um dos seus moradores para capitanear o movimento de re-
sistêneia, que ele projetara contra os mesmos holandeses, em
1645.
Capelas filiais. Tem a capela de Nossa-Senhora-de-Na-
zaré-do-Cabo; a de Nossa-Senhora-do-ó, hoje sede da comar­
ca do mesmo nome, pela lei provincial n° 152, de 30 de março
de 1846; a de Santo-Antônio-do-Monte, no engenho Velho; e
a de São-Gonçalo, no engenho Jurissaca.
Patrimônio e rendimentos. Não possui a matriz patri­
mônio algum, e o seu rendimento é o de 80$000 rs. anuais,
proveniente da fábrica respectiva, segundo informa o vigário
interino, em ofício de 16 de agosto de 1842.

31a FREGUESIA DE SÃO-MIGUEL-DE-IPOJUCA. Limi­


ta-se ao N. com a freguesia do Cabo, pelo rio Tabatinga e
barra do Suape, como já dissemos quando tratamos dela; e
ao Sul com a de Sirinhaém, pela estrada que parte do Porto-
de-Galinhas. Segundo a lei provincial n° 102, de 9 de maio
de 1842, segue pelo Serrado, engenho Caeté, à ponte do en­
genho Sibiró-de-Santa-Cruz, que fica em frente deste último
engenho, e daí por um riacho acima, até o engenho Três-
Braços, pertencente à freguesia da Escada; a Leste com o
Oceano; e a Oeste com a freguesia de Escada, por uma linha
reta de N . a S ., que passa por terras do engenho Pará, Gai-
pió, Capobre, Serra-d’água, até Três-Braços, na extensão de
4 léguas.

Extensão. Esta freguesia tem de N. a S. 2 léguas e


meia, no menor comprimento, contadas da barra de Suape à
estrada do Porto-de-Galinhas; e no maior 4, do engenho Pará
ao Três-Braços; de L. a O. tem 5, pouco mais ou menos,
contadas do Porto-de-Galinhas ao engenho Três-Braços.

Criação. Dos livros da freguesia não consta o tempo da


sua criação; sabe-se porém por documentos e tradição dos
antigos, que ela já existia antes da entrada dos holandeses,
no ano de 1605. No Castrioto Lusitano, L° 6o, § 24, se diz
que João Fernandes Vieira nomeara a um dos moradores
desta freguesia para se opor ao domínio dos mesmos holan­
deses, em 1645.

Capelas filiais. Existem nesta freguesia 3 capelas filiais;


Ia o curato de Nossa-Senhora-do-ó, que tem de rendimento
250$000 rs., pouco mais ou menos, provenientes de foros de
149 moradas de casas, sitas no patrimônio da capela; da
renda de um sítio no lugar das Canoas; de 4 moradas dé ca­
sas, e de 24 coqueiros; 2a a capela de São-Francisco, sita na
praia de Maraeaípe, sem patrimônio; e 3a a de Nossa-Senho-
ra-da-Conceição, fundada no oiteiro da mesma praia, a qual
possui meia légua de terras em circunferência, e 16 cabeças
de gado vacum. Na povoação da matriz existe um convento
de Sao-Franciscc.

Patrimônio e rendimentos da matriz. Além do rendi­


mento da fábrica, que é de 18$000 rs., possui a igreja matriz
uma propriedade de terras, denominada Currais-de-São-Mi-
guel, por conservar-se nela uma criação de algumas 30 cabe­
ças de gado vacum, pertencente ao mesmo santo, orago da
freguesia, e que renderão 300$000 rs., pouco mais ou menos,
anualmente, segundo informou o respectivo vigário, em ofí­
cio de 9 de setembro de 1842.

COMARCA DO RIO-FORMOSO

32a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-CONCEI-


ÇÃO-DE-SIRINHASM. Confina ao N. com a freguesia de
Ipojuca, para o lado de Leste, pela maneira porque já indi­
camos, quando dela tratamos, e com a da Escada para Oeste,
pelos engenhos Vicente-Campelo, Aripibu, Lajes, Águas-Cla­
ras, Caxangá, Piado, e Amaraji-de-Baixo; ao Sul com a do
Rio-Formoso, principiando da barra do rio deste nome, até
encontrar o riacho Goicana, e por este acima até a sua’ nas­
cença, por entre os engenhos Carrapato, Jassiru, Angelim, e
Cachoeira, até encontrar o rio Sirinhaém, e por este acima até
os limites da freguesia d’Agua-Preta, conforme determina a
lei n° 85, de 4 de maio de 1840; e bem assim com a mesma
freguesia d’Agua-Preta pelo engenho Cuiambuca, inclusiva­
mente; a Leste com o Oceano; e a Oeste com a freguesia
do Bonito, pelos engenhos Capoeiras, e Águas-Claras.

Extensão. O comprimento desta freguesia é de 14 léguas


de L. a O., principiando da costa, e terminando nos referi­
dos engenhos Capoeiras e Águas-Claras; e de 6 léguas de N.
a S., desde o Por'to-de-Galinhas até a barra do Rio-Formoso,
pelo litoral, estreitando-se porém cada vez mais para o cen­
tro ou Oeste, até terminar por uma lingueta de terras, na
freguesia do Bonito, tendo ao Sul a freguesia do Rio-Formo­
so, e ao Norte a freguesia da Escada.

Criação. Não consta em que ano principiou a freguesia


de Sirinhaém; porém diz o vigário que dela foi, João José
Saldanha Marinho, que parece já existia no ano de 1622, por­
que em 12 de novembro do dito ano, Jaques Peres, o velho,
e sua mulher Catharina Álvares, doaram as terras da capela
filial de Santo-Amaro a seu cunhado, o padre Matheus Soa­
res, com o onus perpétuo de uma missa por ele, e sua mu­
lher; é certo porém que no ano de 1629 era pároco desta fre­
guesia o reverendo Simão Pita Calheiros, como consta da es­
critura de doação de dois terrenos, na vila, que em dito ano
fez Lopo d’Albuquerque, ao reverendo coadjutor Gonçalo
Pereira.

Capelas filiais. Tem três capelas na vila, que são: a de


Nossa-Senhora-do-Rosário, a de Nossa-Senhora-do-Livramen-
to, e a de São-Roque; e fora da vila a de Santo-Amaro, dis­
tante meia légua, a de São-Francisco, na foz do rio Sirinha­
ém e a de Guadalupe, na distância de 3 léguas, à beira-mar.

Patrimônio e rendimentos. Esta matriz não tem patri­


mônio algum; o rendimento da fábrica e meias-fábricas mon­
tará a 60$000 rs., segundo informa o pároco, em ofício de
7 de abril 1845.

33a FREGUESIA-DO-RIO-FORMOSO. Confina ao Norte


com a freguesia de Sirinhaém, pela maneira que já ali dei­
xamos indicada; ao Sul com a freguesia de Una, pelo Riacho
Ilhetas, como determinou a lei provincial n° 85, de 4 de maio
de 1840, e com a d’Água-Preta, pelo engenho Conceição, in­
clusivamente; a Leste com o Oceano; e a Oeste com a fre­
guesia d’Água-Preta, já mencionada, pelo rio Sirinhaém.

Extensão. A freguesia do Rio-Formoso tem 3 léguas e


meia de N. a S. , contadas do riacho Goicana, que dista da
matriz meia légua, ao riacho Ilhetas, que dista da mesma 3
léguas, dimunuindo até ter uma légua somente, nos limites
da freguesia d’Água-Preta; e de L. a O. tem 10 léguas, 2 do
mar à matriz, e 8 da matriz até o engenho Cuiambuca.
Criação. Esta freguesia foi criada peia iei provincial n°
85, de 4 de maio de 1840, que a desmembrou das antigas fre­
guesias de Sirinhaém e Una ( a ) .

Capelas filiais. Não sabemos ao justo quantas tem.

Patrimônio e rendimentos. Não consta que a matriz


tenha patrimônio algum em terras; mas do ofício da câmara
do Rio-Formoso, de 11 de abril de 1837, anterior à criação
desta freguesia, vê-se que o cidadão Francisco da Rocha
Wanderley doara à capela do Rio-Formoso uma propriedade,
logo depois que a proprietária da mesma capela, D . Fran­
cisco Antônia Lins, dela fez doação ao Santíssimo-Sacramen­
to; os rendimentos da fábrica e meias-fábricas subirão a
20Q$000 rs. anuais, segundo o ofício do vigário, de 26 de
agosto de 1842.

34a FREGUESIA-DE-SÃO-JOSÉ-D ’ÁGUA-PRETA. Divi-


de-se ao N. com a freguesia do Rio-Formoso, pelo engenho
Conceição, e riacho Lopes, desde o engenho Ilha-Grande até
o engenho denominado José da-Costa, como declara a resolu­
ção de 10 de novembro de 1809, e com a de Sirinhaém pelo
engenho Cuiambuca, exclusivamente, e rio de Sirinhaém; ao
Sul com a freguesia de Porto-Calvo (província das Alagoas),
pelo riacho Jacuípe; a Oeste com a do Bonito, pelo riacho Pi-
rangi, desde a barra da Jangada do mesmo Pirangi até a bar­
ra deste, em Una, segundo a lei provincial n° 132, de 30 de
abril de 1844; a Leste com a freguesia de Una, pelo engenho
Barra-Velha, aquém do rio de Una, e além com o engenho
Lopes, ambos da mesma freguesia de Una.

Extensão. A freguesia d’Água-Preta tem de N. a S. 6


léguas, contando-se da respectiva matriz para o N . , 3 léguas,
quer para o engenho Cuiambuca de Sirinhaém, quer para o
da Conceição do Rio-Formoso; e em direção ao S. outras 3,
até o rio Jacuípe. De L. a O. tem a freguesia 5 léguas e meia;

(a) É igreja matriz a capela do engenho Rio-Formoso, pertencente a


D. Francisca Antônia Lins, por doação que esta fizerra da mesma ao San­
tíssimo-Sacramento .
contando da povoação para Leste, 3 até o engenho Lopes, e
para o Oeste 2 léguas e meia, à barra do Pirangi ( b ) .

Criação. Esta freguesia foi desmembrada da freguesia


de Una, erecta em virtude da resolução de consulta de 10 de
novembro de 1809.
Capelas filiais. Não tem capelas filiais, segundo infor­
mou o vigário interino, em ofício de 15 de setembro de 1842.

Patrimônio e rendimentos. Não consta que haja patri­


mônio; os rendimentos da fábrica e meias-fábricas da matriz
andarão por 50$000, segundo informa o vigário, em ofício de
20 de agosto de 1844.
35a FREGUESIA DE SÃO-MIGUEL-DOS-BARREIROS. Se­
gundo informa o vigário interino, João Baptista Soares, em
ofício de 9 de julho de 1842, confina esta freguesia somente
com a de Una, por estar dentro desta, ao Sul do rio do mesmo
nome, a cuja margem se estende, por espaço de légua e meia.

Extensão. Esta freguesia tem de comprimento apenas


légua e meia de terra em quadro, sendo uma légua doada
por D. João V. aos índios, e meia a Santo-Antônio, por João
Paes de Castro.
Criação. Ignoramos em que ano foi criada, porém sabe­
mos que fora desmembrada da freguesia de Sirinhaém, segun­
do informou em 1827 o vigário desta última, que então era
o padre Vicente Férrer de Mello.
Patrimônio e rendimentos. Alem das terras menciona­
das, não tem esta freguesia outro algum patrimônio; a terra
porém renderá 100$000 réis, pouco mais ou menos, e é admi­
nistrada pelo pároco, segundo informa, em ofício de 29 de
julho de 1844.
36a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-PURIFICA-
ÇÃO-DE-UNA. Confina ao Norte com a freguesia do Rio-For-

(b) Pela lei provincial n° 155, de 31 de março de 1846 foi acrescentado


o território desta freguesia com os engenhos Lopes e Altinho, deste ao
Limoeiro, deste a José-da-Costa, deste em linha reta à União, e deste na
mesma linha a Pereirinha, em o rio Sirinhaém.
moso, pelo riacho Ilhetas, como vimos; ao Sul com a fregue­
sia de São-Bento, pelo rio Persinunga, para o lado da costa,
visto que por lei provincial das Alagoas foi anexada à mesma
freguesia a parte da de Una que seguia desse rio até o rio
dos Paus; a Leste com o litoral; e a Oeste com a freguesia
dAgua-Preta, em toda a sua extensão de Norte a Sul, pelos
engenhos Barra-Velha e Lopes, inclusivamente, que divide
com o da Ilha-Grande, pertencente a Agua-Preta ( a ) .

Extensão. A freguesia de Una, de Norte a Sul, tem três


léguas e meia, pouco mais ou menos, desde o riacho Ilhetas
até o rio Persinunga; e de Leste a Oeste 6 léguas, contadas
da barra do Abreu para Oeste, até chegar aos engenhos Lo­
pes e Barra-Velha.

Criação. No arquivo da freguesia não existe lei ou alva­


rá que trate da sua criação; mas o vigário respectivo supõe
ter-se verificado esta nos princípios do século XVII, porque,
em 1624 para 1625, Diogo Paes Barreto fez doação do monte
em que está colocada a matriz ao glorioso São-Gonçalo, pa­
droeiro da mesma, para seu patrimônio. A freguesia de Una
foi desmembrada da de Sirinhaém, segundo informou o fale­
cido vigário Vicente Férrer de Mello, no ano de 1827.

Capelas filiais. Tem a capela filial curada de São-José-


da-Coroa-Grande, bem que hajam muitas outras capelas per­
tencentes aos proprietários dos engenhos.

Patrimônio e rendimentos. Tem como patrimônio as


terras doadas a São-Gonçalo, como vimos. Os rendimentos
da fábrica montarão a 50$000 réis, pouco mais ou menos,
segundo informa o pároco, em ofício de 26 de julho de 1844.'

COMARCA DE FLORES

37a FREGUESIA DO SENHOR-BOM-JESUS-DA-FAZEN-


DA-GRANDE. Limita-se ao Norte com a da Serra-Talhada,
na fazenda Curralinho, e com a de Flores, pela fazenda São-

(a) Os limites apresentados são os mesmos que tinha a freguesia antes


da lei provincial n° 139, de 6 de maio de 1845, visto que os terrenos por
esta lei tirados foram anexos depois à freguesia pela lei provincial n° 151
de 30 de março de 1846.
Boaventura, exclusivamente; ao Sul com a província da Ba­
hia, freguesia de Pambu, pelo rio de São-Francisco; a Leste
com a de Tacaratu, pelo riacho dos Mandantes, e com a de
Nossa-Senhora-da-Alágoa-de-Baixo; e a Oeste com a fregue­
sia de Cabrobó, pela fazenda Cana-Brava.

Extensão. Esta freguesia tem de comprimento de Norte


a Sul 14 léguas, e de Leste a Oeste 30.

Criação. Foi criada esta freguesia em 1801, pelo reve­


rendíssimo bispo D. José Joaquim da Cunha de Azeredo
Coutinho, que a desmembrou da freguesia de Tacaratu.

Capelas filiais. Não tem capela alguma filial, segundo


informou o vigário respectivo.

Patrimônio e rendimentos. O patrimônio consiste em


umas reses que os fregueses deram de esmola à martiz, e
cujos rendimentos conservam em seu poder; na importân­
cia dos gados que eles vão vendendo; e na fábrica da matriz,
que monta em pouco.

38a FREGUESIA DE TACARATU. Confina ao Norte com


a freguesia de Flores, pelo riacho Cupeti; ao Sul com a de
Santo-Antão-de-Curral-dos-bois, província da Bahia, pelo rio
de São-Francisco; a Leste com a de Nossa-Senhora-da-Con-
ceição-da-Mata-Grande (província das Alagoas), que dela
fora desmembrada, pelo rio Moxotó, que extrema as duas
províncias; e a Oeste com a da Fazenda-Grande, pelo riacho
dos Mandantes, que se lança no rio de São-Francisco, e nas­
ce na serra Negra, 10 léguas distante da foz.

Extensão. O maior comprimento desta freguesia, de


Norte a Sul, é de 26 léguas, contadas desde o riacho Cupeti
ao rio São Francisco, e 16 de Leste a Oeste, desde o rio Mo­
xotó até o riacho dos Mandantes.

Criação. A freguesia de Tacaratu, desmembrada da de


Porto-da-Folha, acrescentando-se-lhe alguns terrenos das de
Cabrobó, e Ararobá, hoje Cimbres, foi criada no tempo do
bispo D. Francisco Xavier Aranha, por provisão de 8 de se­
tembro de 1761.
Capelas filiais. Tem somente uma capela, a dos índios
do Brejo, distante da matriz uma légua, e sem rendimentos,
porque nela somente se sepultam ditos índios, e seus filhos.

Patrimônio e rendimentos. O rendimento da fábrica


montará a 10$000 réis, segundo informa o vigário, em ofício
de 8 de julho de 1845. A matriz não tem patrimônio algum
em terras.

39a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-PENHA-DA


SERRA-TALHADA. Limita-se ao Norte com a freguesia de
Piancó (província da Paraíba), pela fazenda do Gavião; ao
Sul com a freguesia do Bom-Jesus-da-Fazenda-Grande; na
fazenda Curralinho com a de Santo-Antônio-do-Salgueiro; e
com a de Cabrobó, no sítio do Mulungu; a Leste com a de
Flores, na fazenda do Bom-Sucesso, inclusive, em rumo direi­
to ao Taboleiro-Alto, e deste em direção ao Sul, ao boqueirão
da Penha, cabeceiras do riacho São-Domingos, até fazer bar­
ra no rio Pajeú; e a Oeste com as freguesias do Exu, na fa­
zenda Taboleíro, e vila do Jardim (província do Ceará), na
fazenda do 01ho-d’Agua.

Extensão. O maior comprimento desta freguesia, de Les­


te a Oeste, pelo lado do Sul, é de 30 léguas, principiando da
fazenda Santa-Ana, e findando na do Limoeiro, e pelo do
Norte é de 20, desde a fazenda Bom-Sucesso até a do Olho-
d’Água. O maior comprimento porém de Norte a Sul é de
18 léguas, no centro da freguesia, principiando da fazenda
do Gavião, e findando na do Curralinho; de 12 pelo lado de
Leste, desde o sítio Zumbi até a fazenda São-José; e de 12
pelo de Oeste, desde a fazenda Contador até a fazenda Ca­
cimba.

Criação. Esta freguesia foi criada pela lei provincial


n° 52, de 18 de abril de 1838, e desmembrada da de Flores.
A igreja que hoje serve de matriz foi fundada em 1700, com
esmolas dos povos.

Capelas filiais. Segundo informou o vigário, em ofício


de 12 de setembro de 1842, não tem esta freguesia capelas
filiais no seu território, talvez referindo-se a capelas filiais
curadas, pois não é possível que ele ignorasse a existência
da capela de São-Francisco-das-Chagas, na povoação do mes­
mo nome, a Oeste, e distante da matriz 7 léguas.
Patrimônio e rendimentos. Não tem esta freguesia pa­
trimônio de qualidade alguma; os rendimentos da fábrica
montarão a 50$000 réis anuais, segundo informa o mesmo
vigário, no ofício supramencionado.

40a FREGUESIA DE SÂO-JOSÉ-DA-INGAZEIRA. Divide


ao Norte com a freguesia de Piancó (província da Paraíba),
pelos sítios Mulungu e São-Miguel, ou pelas águas que sepa­
ram dita província da de Pernambuco; ao Sul com a fregue­
sia da Lagoa-de-Baixo, pela serra Jabitacá na divisão das
águas, e pela serra da Carapuça, inclusive, no lugar chama­
do Quitimbu; a Leste com a freguesia de São-João-dos-Cari-
ris-Velhos (província da Paraíba), pela serra da Balança, e
Pedra-Comprida; ao Nordeste com a freguesia dos Patos, per­
tencente à mesma província; e a Oeste com a freguesia de
Flores, pelos lugares denominados São-João, Doia-Jtiachos,
Pacus, e sítio ao pé da serra da Carapuça.

Extensão. Esta freguesia tem de Sul a Norte 14 léguas,


contadas desde a serra Jabitacá até o sítio São-Miguel, e de
Leste a Oeste 13, principiando de Pedra-Comprida, e findan­
do na fazenda Pacus.

Criação. A freguesia de Ingazeira foi desmembrada da


de Flores, e criada pela lei provincial n° 23, de 3 de junho
de 1836.

Capelas filiais. Existem nesta freguesia quatro capelas


filiais, que são: a dos Afogados, a Oeste, 6 léguas distante
da matriz; a das Varas, ao Sul, na distância de 4 léguas; e
as de São-José e de São-Pedro, na fazenda do barão de Suas­
suna, a Leste.
Patrimônio e rendimentos. Segundo informa o pároco,
em ofício de 16 de novembro de 1842, não tem esta freguesia
patrimônio algum; e os seus rendimentos, provenientes da
fábrica da matriz, e das meias-fábricas das capelas, andarão
por 50$000 réis anuais.4
1

41a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-CONCEI-


ÇAO-DE-FLORES. Confina ao Norte com a freguesia de
Santo-Antônio-de-Piancó (província da Paraíba), pelo sítio
denominado Serra-Branca, inclusive; ao Sul com a do Senhor-
Bom-Jesus-dos-Aflitos-da-Fazenda-Grande, pela fazenda São-
Boaventura, inclusive; a Leste com a freguesia da Ingazeira,
pela fazenda Santo-Antônio-do-Correia, e com a freguesia da
Lagoa-de-Baixo, segundo a lei provinvial n° 93, de 4 de maio
de 1842 pelo riacho Cupeti acima, e fazendas Pindoba, Ingá,
Cachimbo, Limpa, e Brejinho-do-Amparo, todas exclusiva­
mente; e a Oeste com a freguesia da Serra-Talhada, pela
maneira por que já indicamos, quando dela tratamos, e com
a do Salgueiro, pelo riacho Salgueiro até a barra da Caçaria.

Extensão. A freguesia de Flores tem de N. a S. 15 lé­


guas, contadas do sítio Serra-Branca à fazenda São-Boaven-
tura, e de L. a O. 14, a começar da fazenda Santo-Antônio
a do Calumbi, exclusivamente.

Cnaçao. A freguesia de Flores foi desmembrada da de


cabrobo mas nao consta do arquivo da câmara respectiva
a data da sua criação, nem os seus limites antes da criação
das freguesias de Ingazeira, e Serra-Talhada.

Capelas filiais. Tem a de Santo-Antônio-da-Colônia de


propriedade particular, a Nordeste, 11 léguas distante da ma­
triz; a de Nossa-Senhora-das-Dores-da-Baixa-Verde sobre a
Serra-Grande, pertencente ao povo, a Noroeste, 5 léguas dis­
tante da matriz.

Patnmonio e rendimentos. Os rendimentos desta fre­


guesia, segundo informou o vigário, em ofício de 6 de setem­
bro de 1842, são unicamente os que provêm da fábrica e
meias-fábricas respectivas, na importância de 30$000 rs. por

COMARCA DA BOA-VISTA

42a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-ASSUNÇÃO-


DE-CABROBó. Confina ao Norte com as freguesias de San-
to-Antônio-do-Salgueiro, de Ouricuri, e da Serra-Talhada; ao
Sul com a freguesia de Pambu, pertencente à província da
Bahia, pelo rio de São-Francisco; a Leste com a freguesia da
Fazenda-Grande, pela fazenda Cana-Brava; e a Oeste com a
freguesia da Boa-Vista, pela fazenda Caraíbas, e com a de
São-Sebastião-do-Ouricuri, pela fazenda Volta.
Extensão. A freguesia de Cabrobó tem de N. a S. 11
léguas, contadas do rio de São-Francisco à fazenda Humans,
e riacho Terra-Nova, e 24 de L. a O., contadas da fazenda
Cana-Brava à fazenda Caraíbas.

Criação. Não chegou ao nosso conhecimento a data da


sua criação.

Capelas filiais. Tem a de Nossa-Senhora-dos-Remédios,


com patrimônio nas ilhas do Pontal, Goiases, Cajacu, Rato,
e Cabaças, que rendem para mais de 20$000 rs.; e a de San-
ta-Ana, sem patrimônio em terras, mas com gado, donde
colhe anualmente trinta bezerros.

Patrimônio e rendimentos. O seu patrimônio consiste


na ilha da Assunção, que renderá 120$000 rs., pouco mais
ou menos, além de 126 cabeças de gado vacum. A fábrica,
e meias-fábricas da matriz, produzirão 45$000 rs., segundo
informa o vigário, em ofício de 14 d’agosto de 1844.

43a FREGUESIA DE SAO-SEBASTIÃO-DO-OURICURI.


Confina ao Norte com a freguesia do Senhor-Bom-Jesus-do-
Exu, por um dos ramos da serra do Araripe, na pendência
das águas; ao Sul com a de Santa-Maria-da-Boa-Vista, pela
serra Lagoinha; a Leste com a de Nossa-Senhora-da-Assun-
ção-de-Cabrobó, pela fazenda da Volta; e a Oeste com a fre­
guesia de Jaicó, da província do Piauí, pelo lugar denomina­
do 01ho-d’Água ( a ) .

Extensão. Esta freguesia tem de L. a O. 20 léguas, pou­


co mais ou menos, principiando da fazenda da Volta ao Olho-
d’Água, e de S. a N. 25, pouco mais ou menos, principiando
da serra Lagoinha à fazenda Ipueira.

Criação. Esta freguesia foi desmembrada da do Exu, e


criada pela lei provincial n° 125, de 30 de abril de 1844.

Capelas filiais. Não consta que tenha alguma.

(a) Esta divisão é feita segundo as informações do pároco; e discorda


por isso da feita pela lei n.° 125, de 30 d’abril de 1844, que, segundo ele, é
inexata na limitação da freguesia.
Patrimônio e rendimentos. Além do rendimento da fá­
brica, não consta que tenha outros, nem tão pouco patrimô­
nio em terras, ou gado.

44a FREGUESIA DO SENHOR-BOM-JESUS-DO-EXU.


Segundo a divisão feita pelo visitador Francisco Xavier da
Cunha, foram desmembradas da freguesia de Cabrobó para
a do Exu todas as fazendas e fogos que ficavam para a parte
da serra do Araripe, principiando pela parte do nascente do
riacho das Traíras abaixo, até a serra Ori, e mais fazendas,
demarcada a freguesia pelo comprimento da dita serra do
Araripe até confinar com a povoação de Sítios-Novos, pela
parte do poente, pelas cabeceiras do riacho Jacaré; o que
tudo contém as fazendas e lugares seguintes: pegando da
referida serra do Ori, Boca-da-Picada, Traíras, Santa-Rosa,
Macaco, Santo-Antônio das-Pedras, Espírito-Santo, Pinguela,
Poço-d’Anta, Crocossó, Badabuam, Caiçara, Badricé, Bodocó,’
Camatá, Volta, Caraíbas, Ma tias, Poço-da-Cruz, Jacaré-do-
Gonçalo-Mendes, Sítios-Novos, São-Francisco, São-José, Cal-
dierão-Furado, Água-Preta, Agua-Pobre, Boa-Vista, Gamelei-
ra, Piranhas, Mendubi, Contendas, e os lugares e brejo do
pé da serra, que são: Mundo-Novo, Jenipapo, Caurezinho,
Jenipapinho, Brejo-Grande, 01ho-d’Água, Exu, Tabocas, Cana-
Brava, Bodricé-de-Cima, Pequi, Taboquinhas, 01ho-d’Água-de-
Santo-Antônio-de-Joana Pinta, com todos os mais moradores,
fazendas e fogos que estiverem dentro dos limites desta divi­
são, que pelo riacho Traíras abaixo faz extrema com a fazen­
da da Terra-Nova, a qual fica para a freguesia de Cabrobó,
pelo riacho do Exu abaixo, fazendo extremas no saco, abaixo
de Crocossó, o qual saco fica para Cabrobó, pelo riacho da
Brígida abaixo, fazendo extremas com o poço do Cercado,
logradouro do Poço-do-Fumo, o qual poço do Cercado fica
para Cabrobó; e pelo riacho do Jacaré pegará do logradou­
ro da Ingazeira comprida para cima, ficando para Cabrobó
a fazenda do Jacaré, beira do rio de São-Francisco, com to­
dos os seus logradouros, até o riacho do Cavalete, e tudo o
mais que se acha dividido e desmembrado da freguesia de
Cabrobó, buscando para cima as beiradas e pés da dita serra
do Araripe, como acima dissemos, na forma que dantes per­
tenciam à dita freguesia de Cabrobó, anexos ao curato do
Exu, &c. Tendo-se porém desmembrado da freguesia do
Exu as freguesias do Ouricuri e do Salgueiro, os seus limites
são: ao Norte com a freguesia do Curato, da província do
Ceará, pela serra do Araripe, ao Sul com as do Ouricuri e
Santo-Antônio-do-Salgueiro; a Oeste com a freguesia do Bre­
jo-Grande, da mesma província do Ceará, pela serra do Ara­
ripe, e com a de Ouricuri; a Leste com a da barra do Jardim,
pela serra do Araripe. A freguesia do Exu acha-se dentro
de um saco da serra do Araripe, que, encostando-se a ela
pelo nascente, a torneia pelo Norte, e vai até o poente, tendo
da parte oposta, como se vê da descrição supra, as freguesias
do Jardim, Curato, e Brejo-Grande.

Extensão. A freguesia do Exu tem atualmente 14 léguas


de comprimento, na direção de N. a S., e 8 de L. a O .

Criação. Esta freguesia foi desmembrada da de Cabro-


bó, e elevada de curato amovível a freguesia de natureza
colativa, no ano de 1779, por provisão do vigário visitador
Francisco Xavier da Cunha, passada aos 14 de outubro do
mesmo ano, por ordem do prelado diocesano D. Thomaz da
Encarnação Costa e Lima.
Capelas filiais. Não as tem presentemente.

Patrimônio e rendimentos. O patrimônio consta de 6


léguas de terras de comprimento, com 8 de fundo, as melho­
res para a agricultura, as quais estão divididas em 20 sítios,
que são arrendados, e produzem com os foros das casas da
povoação, uns 100$000 rs., pouco mais ou menos, segundo
o ofício do juiz de direito interino de 3 de janeiro de 1843.
Tem mais a matriz uma fazenda de criar gados, denominada
Alagoa, em terras próprias, a qual contém 200 cabeças de
gado de toda a sorte, e tem servido mais para proveito par­
ticular, do que para utilidade da igreja.4
5

45a FREGUESIA DE SANTO-ANTÔNIO-DO-SALGUEI-


RO. Segundo a lei provincial n° 114, de 6 de maio de 1843,
confina ao Norte com a freguesia do Jardim, província do
Ceará, principiando do sítio Mundo-Novo, e aba da serra do
Araripe, até o riacho Salgueiro; a Leste com a freguesia de
Pajeú-de-Flores, pelo riacho Salgueiro abaixo até a barra da
Caçaria, donde passa rumo direito até a fazenda Macacos, e
dela ao riacho Terra-Nova; ao Sul com a freguesia de Cabro-
bó; e a Oeste com a freguesia do Ouricuri, pelo riacho das
Humans com todas as suas águas, compreendidas as fazen­
das do Urubu, e Alexandre-Freire.

m nEote^ ã,°- A freS'uesia d0 Salgueiro tem de extensão de


N. a S. 14 léguas, e de L. a O. 19.

Capeias filiais. Não consta que as tenha por ora.


Patrimônio e rendimentos. O patrimônio consiste se­
gundo informa o juiz de direito interino, em ofício de 3 de
deJ „ 84,3’ ®F1 u m P e d a e ° de terras, com 400 braças de
tuncio e 350 de frente, em que está situada uma pequena
fazenda de gados.

46a FREGUESIA DE SANTA-MARIA-D A-BOA-VISTA


Confina ao Norte com a freguesia de Cabrobó, pelas fazen-
as Caraíbas, Cacimbas, Almas, e São-João, e com a de Ouri-
cun pela serra Lagoinha; ao Sul com a freguesia do Pilão-
Arcado, pelas fazendas Comprida, Rajada, Duas-Barras,
ouros, e Pau-da-História, e com a de Juazeiro e Pambu
província e arcebispado da Bahia, pelo rio São-Francisco- â
Oeste com a freguesia do Ouricuri, segundo a lei provincial
TmÍ25’ v,de 32 d ,a bnl de 1844> pelo lado do N., e com a de
Jaicos, bispado do Maranhão, e província do Piauí, pelas
fazendas Barreira, e Serra.

Extensão. O comprimento desta freguesia, na sua maior


extensão de N. a S., é de 20 léguas, principiando da fazenda
Sao-Bento a fazenda Boa-Vista (passagem do Juazeiro) e na
menor é de 3, desde a fazenda Lagoa até a cabeça da comar­
ca. O maior comprimento de L. a O. é, ao Sul, de 65 léguas
desde a ilha do Aracapá até a fazenda Serra, e o menor ao
N., e de 45, desde a mesma ilha até a fazenda Pau-da-Histó-
na; sendo 20 confinantes com o Ouricuri, e 25 com a fregue­
sia de Cabrobó.

Criação. Não chegou ao nosso conhecimento a data de


sua cnaçao.

Capelas filiais. Tem quatro oapelas filiais, todas situa­


das no rio de Sao-Franeisco, que são: São-Félix, na ilha do
mesmo nome; Santo-Antônio, em que esteve a vila antiga
de Santa-Maria; Nossa-Senhora-da-Piedade, na ilha do
Enhum; e Nossa-Senhora-dos-Remédios, na ilha do Pontal,
que tem patrimônio em ilhas e gado vacum. As outras cape­
las também tinham patrimônio, mas a câmara os chamou
a si, não sabemos com que direito.

Patrimônio e rendimentos. Tem um patrimônio, con­


sistente nas terras da ilha do Saco, e 35 cabeças de gado
vacum, o qual rende 20$000 rs., pouco mais ou menos. A
fábrica, e meias-fábricas renderão, pouco mais ou menos,
340$000 rs., segundo informou o vigário, em ofício de 16 de
dezembro de 1842.

COMARCA DE GARANHUNS

47a FREGUESIA DE SANTO-ANTÔNIO-DE-GARANHUNS.


Confina ao N. com a freguesia de Cimbres, pelo riachão do
Vigário; ao Sul com a de Papacaça, pela barra do Brejão, e
com a de Águas-Belas, pela serra do Jussara; a Leste com a
de Bezerros, pelas águas do rio Una; com a do Altinho, e com
a de Santa-Maria-Madalena da província das Alagoas, pelo
riacho Canivete; e a Oeste com a do Buíque, pela serra do
Tará.
Extensão. A freguesia de Garanhuns tem de N. a S.
17 léguas, contadas do riachão do Vigário à barra do Brejão;
e de L. a O. 22, contadas do riacho Canivete à serra do Tará.
Pertenciam-lhe outrora as freguesias do Altinho e Papacaça.

Criação. Não sabemos em que ano foi criada esta fre­


guesia .
Capelas filiais. Tem três capelas, que são: ao N. a do
Senhor-Bom-Jesus de São-Bento, e a de Nossa-Senhora-do-
Rosário-do-Jupi, distante a Ia da matriz 12 léguas, e a 2a 6;
e ao Sul Santo-Antônio-do-Corrente, 10 léguas distante da
matriz.
Patrimônio e rendimentos. Segundo informa o vigário,
em ofício de 14 de setembro de 1842, o rendimento da fábri­
ca e das meias-fábricas montará em 60$000 rs. anualmente.4
8

48a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-CONCEIÇÃO-


D’ÁGUAS-BELAS. Confina ao N. com a freguesia de Gara­
nhuns, pela serra do Jussara e rio Panema; ao Sul com a de
Nossa-Senhora-do-ó do Traipu (província das Alagoas), e
com a de Papacaça, pela serra da Pedra; a Leste com a mes­
ma freguesia de Papacaça, pela serra da Prata; e a Oeste
^ e£ues]a do Buíque, pelas águas que correm para o
no dos Cabaços, ou para os dois riachos, ou para o rio Pane-
ma, abaixo do distrito da freguesia do Buíque, e pelas fazen­
das de Sao-Féhx-Martins, e São-João, inclusivamente segun­
do a lei provincial n° 45 de 12 de junho de 1837

Extensão. Tem esta freguesia de N. a S 12 léguas


pouco mais ou menos, contadas desde as nascenças do rio
lanem a ate a sua entrada nas Alagoas, e de L. a Õ. 21 des­
de a serra da Prata, a Leste, até a fazenda do Girão, a Oeste.

Criação. a fieguesia de Nossa-Senhora-da-Conceição-


d Aguas Belas foi desmembrada da de Nossa-Senhora-do-ó
da vila do Traipu, pertencente hoje à província das Alagoas,
e nela foram aldeados os índios Carnijós, por ordem do go­
verno português. 5

Capelas filiais. Não tem capelas filiais.

Patrimônio e rendimentos. Segundo informou o vigário


em ofício de 9 de setembro de 1842, o rendimento da fábrica
e meias-fabricas montará a 60$000 réis anuais.

49a FREGUESIA DE JESUS-MARIA-JOSÉ-DE-PAPACA-


ÇA. Confina ao N. com a freguesia d’Águas-Belas, pela serra
da Pedra; ao Sul com a fronteira da província das Alagoas
pelo riacho Caldeirão; a Leste com a freguesia de Garanhuns’
pela serra da Prata. Assim o afirma o vigário, em seu ofício
e 26 de setembro de 1844; mas estas informações não com­
binam com as do vigário de Garanhuns.

Extensão. Tem esta freguesia de L. a O. 10 léguas


pegando da serra do Cavaleiro até a serra da Prata; e de N.
a S. 9, contadas da serra da Pedra até o riacho Caldeirão.

Criação. Esta freguesia foi criada pela lei provincial


n 45, de 12 de junho de 1837, e depois desmembrada da de
Garanhuns.
Capelas filiais. Tem a capela filial de Taquari, distante
da matriz 5 léguas ao Sul.

Patrimônio e rendimentos. Segundo informou o juiz de


direito, em ofício de 31 de outubro de 1842, tem esta fregue­
sia por patrimônio um sítio de terras, abandonado, cujo ren­
dimento ele então ignorava.

50a FREGUESIA DE SÂO-FÉLIX-DO-BUÍQUE. Confina


ao N. com a freguesia de Cimbres, pelo riacho do Gama,
desde as suas nascenças até a fazenda do Retiro, de Jerony-
mo Vieira Pinto, segundo a decisão dada pelo governador
Luiz do Rêgo Barreto, em ofício de 18 d’agosto de 1819, e com
a da Lagoa-de-Baixo, pela fazenda Tapicuru; ao Sul com a
mesma freguesia da Lagoa-de-Baixo, pelo rio Quitimbu; a
Leste com a freguesia de Garanhuns, pela serra do Pará, e
com a de Cimbres, pelo lugar denominado Algodões; e a
Oeste não chegaram ao nosso conhecimento os seus limites.

Patrimônio e rendimentos O vigário, em ofício de 18


de outubro de 1844, informa que não lhe é possível avaliar
os rendimentos da fábrica e meias-fábricas da matriz; quan­
to porém ao patrimônio, declara o juiz de direito, em ofício
de 31 de outubro de 1842, que a igreja tem por patrimônio
500 braças de terra em quadro, que se aforam para casas,
pagando cada uma destas 320 réis, e mais uma légua de
terra. Renderão aquela 12$800 réis, e esta 50$000 réis.

51a FREGUESIA DO ALTINHO. De tal modo nos che­


garam incompletas as informações que solicitamos sobre esta
freguesia, que preferimos não as publicar por ora, a fazê-lo
de um modo que não satisfaça a expectação do leitor; reser­
vando-nos para um trabalho de grande exatidão, neste e nou­
tros lugares, nas seguintes edições que tivermos de fazer da
nossa Estatística.

COMARCA DO BREJO

52a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DA-CONCEI-


ÇÃO-DA-LAGOA-DE-BAIXO. Confina ao N. com a fregue-
^ a l n g a z a r a , no lugar chamado Quitimbu, onde se acha
serra da Carapuça, e com a de Buíque pelo rio
T a ii^ rn -’ a°T Slt l C° m a freguesia d0 B u m e , pela fazenda
Vefh™ ’ ,a P Ste ?°m a freS’uesia de São-João-dos-Cariris
lugar d o m in a d o Cipó, e não pela serra da
carapuça, como declara o art. 2o da lei provincial n° 93 de
s e m o .v T d n18f 2’ P° r fÍCar a díta serra ao N -> segundo dis-
6 a , ? este com a freguesia de Pajeú-de-Flores, pelo
naeho Cupeti acima, e fazendas Pindoba, Ingá, Cacimba-Lim-
Pa, e Brejmho-do-Amparo, inclusive.

. o ? ? ” 850' A freguesia da Lagoa-de-Baixo, de N. a S.,


tem 22 léguas, desde o lugar Quitimbu até a fazenda Tapi-

Cadmba-Limpa“ ° ' 19’ “ “ “ “ ° lugar d0 Cip6 até

Criação. Foi esta freguesia desmembrada da do Buíque


e criada pela lei provincial n° 93, de 4 de maio de 1842, supra-

Capelas filiais. Tem duas capelas filiais.

Patrimônio e rendimentos. Segundo consta do preâm-


bulo do projeto apresentado em 1842 para a criação desta
freguesia, consta que tem um patrimônio suficiente para
decente sustentação do culto; ignoramos porém qual ele seja*
o rendimento da fábrica e meias-fábricas andará por 30$000
rs. anuais.

nir ^ tt.FRE,GUESIA DE s A° - j OSÉ-DO-BREJO-DA-MADRE-


DE-DEUS Confina ao N. com a freguesia de Santo-Amaro-
de-Taquaritmga, pelo rio Capibaribe; ao Sul com a de São-
Caetano-da-Raposa, pelas águas do rio Ipojuca, Lagoa-Nova
Laj eiro-tío-Cedro, serra da Cacimbinha, Salgadinho-do-Alto-
do-Alagado, ate chegar ao riacho Argelim; a Leste com a fre­
guesia do Limoeiro, pelos riachos das Éguas e Lajeiro-do-
Vigano; e a Oeste com a de Cimbres, em o alto de São-João,

Extensão. A freguesia do Brejo tem de N. a S. 8 léguas


e de L. a O. 26, pouco mais ou menos.
Criação. Segundo informou o coadjutor pro-pároco, em
ofício de 11 de junho de 1842, não consta a data da criação
desta freguesia; sabe-se porém que foi desmembrada da fre­
guesia de Cimbres.

Capelas filiais. Tem três, que são: a de São-Vicente-da


Serra-do-Vento, distante da matriz meia légua, com patrimô­
nio encravado nas terras do engenho Serra-do-Vento, e em
outra pequena porção, na ribeira de Capibaribe, o qual ren­
derá 50 a 60$000 réis; a capela de Santo-Antônio, erecta na
serra do Jacu, com irmandade recente, e sem rendimento
conhecido; e a de Santa-Cruz, edificada no lugar do mesmo
nome, com pequeno patrimônio de terras, e diminuto rendi­
mento, como tudo informou o juiz de direito interino do cível,
em ofício de 24 de maio de 1845.

Patrimônio e rendimentos. Os rendimentos da fábrica


e meias-fábricas montarão em 50$000 rs., segundo informou
o vigário, em ofício de 17 de agosto de 1842. O patrimônio
consiste em meia légua em quadro de terras, onde se acham
edificadas 156 casas e 30 sítios, que pagam foro, tudo na im­
portância de 283$960 rs., como informou o juiz de direito
interino, em ofício de 15 de setembro de 1842.

54a FREGUESIA DE NOSSA-SENHORA-DAS-MONTA-


NHAS-DE-CIMBRES. Confina ao Norte com o termo da vila
Real-de-São-João-dos-Cariris-Velhos (província da Paraíba),
pela serra da Porteira; ao Sul com a freguesia do Buíque,
pelo riachão do Vigário (ou do Gama), desde as suas nas­
cenças até a fazenda do Retiro, de Jeronymo Vieira Pinto; a
Leste com a do Brejo-da-Madre-de-Deus, pelo alto denomi­
nado Balanças (ou São-João), para o lado do Norte, e para
o do Sul com a de São-Caetano, desde a fazenda Poço-Com-
prido, até encontrar o riachão supra-indicado; e a Oeste com
a mesma freguesia do Buíque, pelo lugar denominado Algo­
dões.

Extensão. A freguesia de Cimbres tem de N. a S. 13


léguas, desde a serra da Porteira, até o riachão do Gama; e
de L. a O. 28, desde o alto da Balança até Algodões.
Criação. Foi fundada em 1660 pelo 2o bispo de Pernam­
buco, D. João Duarte do Sacramento, que nela aldeou os
índios Xucurus.

Capelas filiais. Tem a da vila de Pesqueira, na distân­


cia de duas léguas, com patrimônio de quase meia légua de
terra, ao Norte da mesma capela; e de fundo um quarto,
pouco mais ou menos, do qual nenhum rendimento por ora
se colhe; e as de Jenipapo e 01ho-d’Água, distantes da ma­
triz — aquela três léguas, e esta quase duas.

Patrimônio e rendimentos. A fábrica da matriz rende­


rá 25$000 rs., segundo informou o vigário, em ofício de 30
de agosto de 1842.

OBSERVAÇÃO

Em virtude de diversas leis provinciais, promulgadas em


1846, foram alterados os limites de muitas freguesias; e como
não tivemos tempo para obter novas informações sobre os
limites que ficavam tendo, para que os descrevêssemos se­
gundo o plano que adotamos, assentamos nada dizer, exceto
naqueles casos em que a alteração é muito diminuta. Estas
leis são as de n°s 152, 156 e 157.

Além das freguesias acima descritas, foram criadas mais


três, a saber: a de Nossa-Senhora-do-Rosário-de-Cruanji, pela
lei provincial n.° 156, a do Senhor-Bom-Jesus-de-Panelas, pela
lei n° 157, e a de Pasmado, pela de n° 152, que suprimiu a
de Maranguape.

ARTIGO IV

POSIÇÕES E DISTANCIA DAS CIDADES E VILAS

Nos dois mapas que abaixo se encontram se conhecerá


a distância respectiva de todas as vilas e cidades da provín­
cia, a posição geográfica de todas elas, e a distância dessas
mesmas cidades, vilas e povoações principais à cidade do
Recife, e à cabeça do termo municipal a que pertencem:
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CONTINUAÇÃO DO MAPA I I .

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Tendo mostrado até aqui qual a divisão judiciária, mu­
nicipal e eclesiástica existente na província, qual a sua posi­
ção e situação, a sua extensão e limites; quais as distâncias
respectivas, qual o número de fogos de cada freguesia ou
município, o de seus habitantes, e o das lojas de fazendas
secas, de molhados, e de tabernas, em satisfação do nosso
programa, permita-nos o leitor transcrever aqui um mapa
demonstrativo das diversas povoações da província em 1828,
e do número de casas, fogos, almas, e lojas que cada uma
continha nessa época, o qual extraímos de outros que tinham
sido enviados pelos extintos capitães-mores, visto que nos
parece útil conservar tão precioso documento, e dar assim
um meio de comparação entre o que se observou há 18 anos,
e o que atualmente se passa na província, ao mesmo tempo
que assim completamos o nosso trabalho nesta parte. Este
mapa é dividido em três partes, relativas às três comarcas
que existiam em 1828.
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M APA DEMONSTRATIVO D A S D IV ERSA S POVOAÇÕES, V ILA S E C ID A D ES DA PROVÍNCIA, IN D ICAN D O POR C O M A R C A S , M U N ICÍPIO S E FREGUESIAS O NÚM ERO DE
C A SA S, FOGOS, ALM AS, E LOJAS QUE CONTÉM C A D A U M A DELAS

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S. Fr.-Pedro-Gonçalves . Bairro do Recife ... 964 964 1043 1470 1800 3270 1597 1043 2640 5910 loo 66 46 84 196
Santo-Antônio ............ Cidade do Recife de S.-Antônio 2630 77 24 2731 3015 4188 6215 10403 1362 1657 3019 13422 «o 179 140 34 353
SS.Sacr.-da-Boa-Vista ... da Boa-Vista . 1007 8 6 1021 1262 1525 2545 4070 1144 1132 2276 6346 ) <m 4 66 70
f Arrabalde Afogados (a) ........ 302 204 70 586 595 800 1034 1834 328 232 560 2394 32 32
Várzea---- 7 . .............. { Matriz .. Várzea ................
Povoação Caxangá ...............
O Nossa Senhora da Saúde
0)
K do Poço da Panela ..... Matriz ........... Poço-da-Panela (b) 129 156 43 328 285 319 423 220 177 397 1139 16 16

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Sto. Amaro de Jaboatão Matriz ........... S .-Amaro-Jaboatão 1 92 17 110 110 165 173 338 I 34 19 53 391 3 3
Distrito de \ .... Boa-Viagem ....... 585 669 1254 472 339 811 2065
Distrito de / ___ fc)
Gurjaú-de-Cima ... 10 174 81 265 265 624 683 1307 540 341 881 2188
Matriz ........... Muribeca (d) .... A 53 57 54 70 72 142 11 18 29 171 2 2
Muribeca Distrito .......... Curcuranas Ce) ... 983 990 1973 190 198 388 2361
Distrito ..............I Maujé 20 31 33 405 471 608 526 1134 472 166 638 1772
I

Total do termo do Recife 5068 1125 274 6467 7100 11337 15130 26467 6370 5332 11692 38159 249 188 235 672

Cabo ............ .......... /Vila ................... Cabo ....................... 2 100 102 110 12^ 126 250 31 23 54 304 10 15
5 í Povoação ............ Nazaré .................... 60 69 81 125 132 257 17 9 26 283 3 10
CO Ipojuca .......... Ipojuca ....................
ü 2 90 92 100 103 114 217 25 20 45 262 6 9
tPovoação ............ Nossa-Senhora-do-Ó ___ 4 191 26 221 240 680 565 1245 178 116 294 1539 1 10
Escada ......... Escada .................... 22 1 23 26 160 164 324 15 12 27 351 7 10

Total do termo do Cabo 463 36 507 557 1192 I 1101 266 446
2293 180 2739 27 23 54

fVila ................... 94 46 147 147 172 288 ! 460 58 126 ! 586


Sirinhaém ................
68 7 9
E Povoação ............ Santo-Amaro 40 95 136 136 129 185 314 12 15 27 ! 341 3 7
1 Povoação ............ Rio-Formoso 70 79 70 150 147 297 107 65 172 ! 469 18 23
C
h.
Una ......................... Matriz ...............
Povoação ............
Una ........ 65 14 81 81 97 122 219 21 20 41 260 7 12
Abreus .... 42 300 342 342 500 420 920 20 12 32 952 12 16
Barreiros ..................
Água-Preta ................
Matriz dos índios .. Barreiros .. 12 211 223 223 402 385 787 6 3 9 796 5 8
Matriz ............... Água-Preta . 17 34 31 31 52 48 100 13 9 22 122 2 3

I I
Total do termo de Sirinhaém 19 340 j 680 1039 1030 1502 1595 3097 247 182 A29 3526 17 54 I 7 78
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S. José-de-Bezerros (f)
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M atriz................ | Bezerros ...
Povoação ............
Povoação ............
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7
47
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15
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3
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98

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18
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1
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Povoação ............ Caruaru ... 3 90 I 93 30 22 24 46 20 10 30 76 2 3 5
I

Total do termo de Santo-Antão 8 762 ! 6 776 619 397 505 902 177 143 320 1222 9 51 3 63
! !
gados contém só por si 236 casas de pedra e c a M W d e taipa 3 « ' B^ r0-Ver.melho- p®r«f- Uchoa’ Piran9a- Remédios. Bongi, Madalena, e Torre. O arrabalde dos Afo-
(b) O mencionado nesta casa d iz re sL fto 'a to d o odislrito „ 2 * ^ J o r e e n d p ^ ^ ^ ^ homens cativos, e 154 mulheres ditas, fazendo todos o total de 1314 almas.
“ “ 28 .*38 ? - * " • *— • 0 ,ue - poç° •* °or a i * ,2
d Aqui só se m e n c l^ n nifrt»' ^ "sa° enta°- Uma povoação Propriamente tal, e por isso se menciona o geral do distrito,
de casas da povoação. e por isso o mapa valsem ele °VOaÇa° em qu° esta a matnz' porque a população do distrito é muito maior. Nos mapas e descrições particulares não se menciona o número

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e só vêm às povoações ^las^esbvWalTes^ou^em’ ocasião de^ehras* ^ mUlt° lnfenores em numero aos das casas, porque a maior parte delas são de pessoas que moram fora, em sítios ou fazendas,
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£ Divino-Espírio-Santo ___ | Paudalho................... 14 149
"O Matriz ............... Nossa Senhora da Luz .. 40 40 40 48 57 105 10 6 16 121 2 2
*§ Nossa-Senhora-da-Luz ... Povoação ............ N. S. da Glória do Goitá 53 53 53 67 68 135 21 33 54 189 6 6
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67 67 127 120 247 42 74 321 4 4
Idem ..................1 Lagoa-Grande ............ 1 61 5 32
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Total do termo de Paudalho ....... 15 303 18 336 336 507 566 1073 151 187 338 1411 1 30 31
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Nossa-Senhora-da - Assun - f Vila ................... Limoeiro ................... 257 257 242 260 361 621 51 70 121 7*2 7 20 27

ção do Limoeiro ........ Povoação ............ Bengalas .................. 12 12 11 10 6 16 10 5 16 31 2 2
O Idem .................. Malhadinha ............... 21 21 12 17 24 41 4 2 6 47 3 3
E Bom-Jardim ............... | Matriz ............... Bom-Jardim ............... 47 47 29 35 44 79 19 17 36 115 1 6 7
J 1 S. Amaro de Taquarat. .. | Id e m .................. Brejo-Baixo ............... 24 24 14 31 29 60 5 2 7 67
1
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Total do termo do Limoeiro ......................................................................... 361 361 308 353 464 817 89 96 185 1002 3, 39
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I I I I I I
Nossa-Senhora-do-Rosário- ' Vila ................... j Goiana .................... | 507 414 36 957 644 843 1039 1882 246 326 572 2454 20 36 56
-de-Goiana ................ Povoação ............ Goianinha ............................... 70 13 83 52 62 103 165 48 51 99 264 3 2 5
Idem .................. Lapa ........................................ 25 1 26 17 30 33 63 5 3 8 71 1 1 2
Idem .................. Nossa-Senhora-do-Ó ---- 22 6 28 28 46 55 101 13 13 26 127 1 1

CO M o c ó s ...................................... 26 26 16 29 42 71 16 14 30 101 1 1
Destêrro de També ..... Idem .................. Timbaúba .................. 32 1 33 28 56 59 115 50 38 88 203 2 6 8
o Idem .................. Pedras-de-Fogo ........... 13 32 45 41 45 76 121 3 10 13 134 6 6
O
S. Joaquim-de-Laranj...... Id e m .................. Lagoa-Seca ............... 34 34 27 45 55 100 6 5 11 111 6 6
Matriz ............... Taquara .................... 65 10 75 87 105 174 279 15 24 39 318 2 2
Taquara ................... Povoação ............ Pitimbu .................... 21 55 76 77 104 108 212 28 20 48 260 3 3
Idem .................. Ponta-dos-Coqueiros .... 5 85 90 96 132 154 286 13 15 28 314 2 ! 2
Idem .................. Guajiru .................... 1 2 86 89 92 125 164 289 16 20 36 325 2 I 2

Total do termo de Goiana ........ 508 729 325 1562 1205 1622 2062 3684 459 539 998 4682 26 68 94
.................................

("Vila ................... Itamaracá .................. 34 8 42 43 70 53 123 41 17 58 181 „ 3 3


Itamaracá ................ Povoação . 9 15 24 25 36 39 75 8 4 12 87 2 2
I Idem .................. Rio-Ambar ................ 16 72 88 104 166 191 357 15 14 29 386 5 5
[ Idem .................. Pilar-de-ltamaracá........ 5 80 33 118 120 212 230 442 67 56 123 565 6 6

Matriz ............... Pasm ado................... 66 66 87 102 168 270 19 16 35 305 3 3


Pasmado .................. Povoação ............ Itapissuma ................ 1 59 61 120 135 152 211 363 23 26 49 412 1 4 5
'8 Idem .................. Ubu ......................... 8 6 14 14 20 19 39 8 13 20 60 2 2
J 2
Matriz S. Lour. de Tejucupapo
............... 37 11 48 52 66 100 166 10 10 20 186 3 3
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C f Tejucupapo ............... 85 15 100 113 159 222 381 15 16 31 412 4 4
Atapus .................... 1 39 40 51 87 90 177 11 5 16 193 2 2
Pontas-de-Pedra ......... 48 99 147 152 219 302 521 29 34 63 584 6 6
Tabatlnga .................. 9 27 36 40 57 74 131 23 10 33 164 2 2
Tejucupapo ............... Povoações ........... Carne-de-Vaca ............ 15 64 79 83 136 177 313 14 9 23 336 2 2
Catuama .................. 12 112 124 129 233 272 505 47 29 76 581 3 3
Passo ...................... 17 45 62 66 111 105 216 16 16 32 248 5 5
Barra-da-Catuama ....... 7 27 34 37 61 63 124 16 11 27 151 2 2

Total do termo de Itamaracá ...................................................................... 6 J 503 634 j 1143 1251 1887 2316 4 203 362 2Ç6 I 648 4851 1 54 55
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o » o cs o
X 5 O D

I
Vila ................... Garanhuns . I 89 2 91 I 90 88 42 130 19 32
13 162 15
e Povoação ............ 15 15 14 14 20 34 19 13 32 66
3 Idem .................. Bebedor ... 31 31 26 48 64 112 21 26 47
Garanhuns 159 2
Idem .................. Panelas .... 104 132 236 236 772 790 1562 95 77 172 1734 3
a <s Idem .................. Altinho .... 29 29 25 25 35 60 8 5 13 73
(3 Idem .................. Papacaça .. 5
O 37 37 37 42 37 79 7 6 13 92
Idem .................. São-Benedito 5
12 12 24 24 16 21 37 37 2
Panema Id e m .................. Águas-Belas 66 70 136 106 133 180 313 10 10 20 333 7

Total do termo de Garanhuns 383 216 599 558 1138 1189 2327 150 150 329 2656 21 11 39

r Vila ................... | Flores ....... 21 156 177 80 203 205 408 30 15 45 453 14
Povoação de índios . São-Pedro .. 1 20 21 4 8 12 20 6 8 14 34 1
Idem .................. Baixa-Verde . 1 45 46 19 87 92 179 17 19 36 216 5
Povoação ............ São-Francisco 30 30 12 30 26
Flores ............... 56 3 6 14 70 3
Idem .................. Serra-Talhada
Idem .................. Colônia .......
V) Idem .................. Ingazeira
CD <L> Idem .................. Varas ........
O Fazenda-Grande ... . . . . 1 Idem .................. Bom-Jesus .. 27 27 19 38 41 79 15 24 103
Tacaratu ............ Tacarati. (a) ........ 37 7 44 22 61 67 128 10 13 28 151 4
1 Povoação de índios . Santo-Antônio ....... 1 23 24 20 54 65 119
Cabrobé .............. 119 1
N. S. da Conceição 35 35 6 11 13 24 5 7 12 36
! Vila ................... Assunção ............ 70 5
16 86 51 96 114 210 6 5 11 221
Exu ................... Senhor-Bom-Jesus .. 10
6
5 15 8 16 19 35 10 11 21 56 1
1 Povoação ............ 1 Santa-Maria ......... 14 11 25 11 31 38 69 4 5
Santa-Maria ......... 9 78 2
Igreja-Nova ......... 47 48 19 30 32 62 14 16 30 92
1 6

Total do termo de Flores ........ 24 492 62 578 271 665 724 1389 119 120 239 1628 19 11 22 52
1
I
Cimbres 2 30 8 40 40 28 45 73 6 6 12 85
Brejo da Madre de Deus Povoação Brejo da Madre de Deus 16 24
IA IA 200 240 240 268 242 510 29 62 151 661 9 20 10 39
CD 8) f Idem Pedra ...................... 12 6 18 18
V. 13 12 25 4 3 7 32 '
-Q I Matriz .. Buíque .................... 18 9 27 45 I
E Buíque .................... •( Povoação
22 37 82 6 4 10 92 1 1 2
Jeritacó ................... 4 2 6 16 10 18 6 11 29
<3 Idem Gameleira ................ 29 124 8 6 I
153 153 304 308 612 26 30 56 668
Idem Custódia .................. 10 12 22 22 18 20 38 3 2 6 43
Idem Conceição-da-Mata ..... 16 14 30 30 25 26 51 4 4 8 59

Total do termo de Cimbres ..


18 319 199 536 I 541 711 698 1409 144 116 260 I 1699 10 20 11 41
I
1 1
I I
201 42 I 22 265 640 453 792 1245 204 188 392 1637 I 1 I
-S
£ 1 São-Pedro-Mártir 318 128 I 446 402 392 482
36 I 37
Freguesia da Se, e de f Povoação ............ | Beberibe 874 205 231 436 1310 I [ 22 I 22
Õ 44 200 I 301 I 545 545 1009 1245 2254 341 220 561 2815 I
São-Pedro-Mártir ........ ■[ Idem ..................I São-Lourenço .. ! 30 I 30
2 100 I 94 196 196 263 278 541 260 190 450 991 2 I
I Idem ..................| Paratibe .......... 12 I 14
30 I 6 36 36 ! I
I !
Total do termo de Olinda
565 500 I 423 I 1488 1819 2117 2797 I 4914 1010 829 I 1839 6753 100 I 103

3
O SS. Cosme e Damião .. [ V i l a ..... Igaraçu ___ 104
IS 127 240 240 300 440 740 96 99 195 935 16
k_ Tracunhaém ............... f Povoação Nazaré 9 25
IS 11 156 175 177 185 300 485 37 79 116 611 12 20
O) 1 Matriz .. Tracunhaém 40
55 66 128 128 102 180 282 25 30 55 337 2 2
Total do termo de Igaraçu .......
'
170 349 24 543 j 545 J 587 920 1507 158 j 208 366 1883 8 30 29 67

(a) Relativamente a esta povoação servimo-nos do mapa do vigário de Tacaratu, que supomos mais inteirado, por estar no lugar.
DO GOVERNO E DA ADMINISTRAÇÃO

ARTIGO I

DO GOVERNO ECLESIÁSTICO, CIVIL, E MUNICIPAL

§ Io Governo eclesiástico. — O bispado de Pernambuco


foi criado em virtude da bula Romani Pontificis pastoralis
sollicitudo, expedida em Roma, a 16 de novembro de 1676,
pelo papa Inocêncio XI, a instâncias d’El-Rei D. Pedro II;
e a 15 de julho de 1677 foi nomeado o seu primeiro bispo,
D Estêvão Brioso de Figueiredo, clérigo secular. Antes da
criação do bispado se tinha erecto a prelazia de Pernambuco,
desmembrando-se esta do território da diocese da Bahia, por
bula de 15 de julho de 1614, como exigira Filipe III de Portu­
gal, incorporando-se-lhe as capitanias de Itamaiacá, Paraíba
e Maranhão (Accioli, Memor. hist. da Bahia, tom. IV, pág.
10). É este bispado um dos maiores da cristandade, pois se
lhe destinou por limites, como diz Pizarro nas suas Memó­
rias'históricas, tom. 8o, pág. 125, e o vigário Saldanha na
sua História manuscrita da igreja pernambucana, quanto por
costa de mar se compreende desde o Ceará ao Norte^ onde se
divide com o bispado do Maranhão, até o rio de São Fran­
cisco ao Sul, pelo qual termina com o arcebispado da Bahia,
abrangendo por terra dentro muito notável extensão de ter­
ritório, que, com 450 a 500 léguas em partes, e em partes
com 600, vai dividir-se em Paracatu, distrito do bispado de
Mariana, e chega até a prelazia de Goiás. — O bispado, pela
bula citada, só chegava até a fortaleza do Ceará, para o lado
do Norte; e para o Sul até onde se dividisse com o bispado da
Bahia; mas como, além desses limites, foram as terras povoa­
das e ’ cultivadas pelos pernambucanos, e providas de curas
pelos seus bispos, daí procedeu que o bispado se estendesse
para o Norte até os limites do Ceará, e além deles; e para
o Sul que incluisse o Paracatu, que divide a diocese dos bis-
pados do Rio-de-Janeiro e Minas-Gerais. Dizemos que se
estendeu muito além dos limites do Ceará, porque a capita­
nia do Piauí foi desde a sua criação sujeita no espiritual ao
bispado de Pernambuco, em razão de serem providas pelos
bispos respectivos as três freguesias de Nossa-Senhora-do-
Carmo, Santo-Antônio-dos-Longazes, e Nossa-Senhora-da-Vi­
tória da vila da Mocha (hoje Oeiras). Na câmara episcopal
se acha registrada uma provisão, passada em 1712 pelo bis­
po D . Manoel Alves da Costa, nomeando por vice-vigário da
última ao chantre Balthazar de Faria e Miranda; e da carta
que em 22 de dezembro de 1723 dirigiu o cabido de Olinda ao
general D. Manoel Rohm de Moura, para a fazer presente à
academia real da História portuguesa, consta que ainda então
eram contadas como pertencendo ao bispado de Pernambu­
co. Somente depois dessa época, e antes da vinda do bispo
D. José Fialho, é que, por ordem de D. João V, a capitania
do Piauí foi desmembrada de Pernambuco, e incumbida ao
bispado de Maranhão.

O governo deste extenso bispado compõe-se de um bispo,


de um provisor, e de um vigário-geral, residentes em Olinda;
de outro provisor e vigário-geral, residentes na vila de Para-
catu; de outros dois empregados da mesma denominação, na
comarca do Rio-de-São-Francisco; e de diversos vigários forâ-
neos, espalhados pelo bispado, segundo as necessidades dele.
O provisor é encarregado dos negócios eclesiásticos que res­
peitam ao foro da consciência; e o vigário-geral ao conten­
cioso e eclesiástico.

Da criação do bispado originou-se o estabelecimento da


sé catedral, cujo cabido compõe-se de 18 capitulares, sendo
destes, dignidades 5, prebendados 3, e meios-prebendados 4.
As mais pessoas de que consta a sé, são 9 capelães, com o
subchantre, e 5 moços do coro. — As obrigações do cabido
são recitar as horas canônicas, e cantar cotidianamente as
missas conventuais pro pupulo et benefactoribus. Quando
a sé está plena o cabido somente se ajunta para negócios
pertencentes ao mesmo cabido, que não excedam de um sim­
ples despacho ou deliberação, relativos à boa economia do
coro, para maior aumento do culto divino; em sé vaga porém,
quando por acaso se não eleja vigário-capitular, na confor­
midade do concílio de Trento, administra a jurisdição ordi­
nária em toda a diocese, nos casos não proibidos pelo direito.
— Os empregados da sé são: o cura, o sacristão, o mestre
da capela, o organista, o mestre de cerimônias, o maceiro, o
sineiro, e o moço dos foles.

Para a expedição dos negócios eclesiásticos há uma câ­


mara eclesiástica, composta de um secretário, que é sempre
um clérigo secular, e de um oficial, ou amanuense, pagos
pelo bispo, dos seus rendimentos, o qual os pode demitir
ad nutum, na forma da resolução de 5 de julho de 1830.

§ 2o Governo civil. — Por quatro diferentes governos


ou administrações tem passado Pernambuco, depois do seu
descobrimento até o presente: o Io foi o dos donatários; o
2o o dos governadores e capitães-generais; o 3o o das juntas
provisórias; e o 4o o dos presidentes da província.

O governo dos donatários teve princípio desde o ano em


que Duarte Coelho Pereira saltou em Pernambuco até o em
que foi abolido, por alvará de 16 de janeiro de 1716,^ que
uniu à coroa de Portugal as terras doadas, em consequência
da amigável composição que se fez com o conde de Vimioso.
O último donatário que governou a província em seu nome,
até a entrada dos holandeses, foi Matias de Albuquerque
Coelho. No seu governo dirigiam-se os donatários pelo foral
que se lhes deu, e pelas leis gerais do reino (Veja o foral em
n ota ).

O governo dos governadores e capitães-generais princi­


piou a ter lugar desde que foram expulsos os holandeses, em
1654, sendo Francisco Barreto o primeiro que ocupou este
posto. Estes administradores deviam regular-se no seu exer­
cício pelo regimento de 14 de agosto de 1670, que publicare­
mos em nota. Pelo alvará de 12 de dezembro de 1770, expe­
dido para todo o Brasil se determinou que na sua falta ou
impedimento sucedessem e entrassem no governo o bispo da
diocese, ou o deão na sua falta; o chanceler da relação, ou
o ouvidor na sua falta; e o oficial de guerra da maior paten­
te, ou o mais antigo na igualdade delas.

Tendo-se porém jurado em 1821 no reino de Portugal


uma constituição política, as respectivas cortes extraordiná­
rias e constituintes julgaram conveniente organizar o gover­
no de modo diverso, dando-lhe a forma constante do decreto
de Io de setembro daquele ano, que publicaremos em nota.
Por este decreto se mandou criar uma junta provisória, com­
posta de um presidente, um secretário com voto, e mais cinco
membros eleitos, sob a presidência da câmara de Olinda, pelos
eleitores de paróquia das duas comarcas de Olinda e Recife.
A esta junta competia toda a autoridade e jurisdição na par­
te civil, econômica, administrativa e policial, em conformi­
dade das leis; e eram-lhe conseguintemente subordinados
todos os magistrados e autoridades, exceto no que perten­
cesse ao poder contencioso e judiciário. Ela devia fiscalizar
o procedimento dos magistrados e empregados civis, e podia
suspendê-los dos seus empregos, quando cometessem abusos
de jurisdição, mandando formar-lhes culpa, e dando de tudo
conta ao governo do reino. Pelo mesmo decreto se estabe­
lecia um governador das armas da província, independente
da junta, e somente responsável às cortes, e governo do reino,
o qual se deveria regular pelo regimento do Io de julho de
1678. Quanto à fazenda, continuava ela a ser administrada,
como dantes, em conformidade das leis, com declaração po­
rém de que o presidente da junta da fazenda seria o seu mem­
bro mais antigo.

Declarada porém a independência do império, e não agra­


dando esta forma de administração e governo provincial, ou­
tra foi estabelecida pela lei de 20 de outubro de 1823, deter­
minando-se que o governo das províncias fosse confiado a
um presidente e conselho, até que aparecesse a constituição,
em que a assembléia constituinte se ocupava. O presidente
devia ser o executor e administrador da província, de nomea­
ção do imperador, e amovível ad nutam. Para o expediente
criou-se um secretário, que servia também ao conselho, mas
sem voto, nomeado igualmente pelo imperador, e amovível
como os presidentes. O conselho se compunha de seis mem­
bros, eleitos da mesma forma por que se elegiam os deputa­
dos à assembléia geral legislativa, e reunia-se em sessão ordi­
nária, por espaço de dois meses. O governo da força armada
de Ia e 2a linha da província competia a um comandante
militar, que, entretanto, não podia empregá-la contra os ini­
migos internos, sem requisição das autoridades civis, e prévia
resolução do presidente em conselho, ou do presidente somen­
te, quando não fosse possível a convocação do conselho, e
bem assim fazer marchar a 2a linha fora da província, sem
ordem especial do poder executivo, nem fora do distrito do
seu regimento, sem acordo da presidência. As ordenanças
eram sujeitas ao presidente da província, a quem competia
fazer o recrutamento, a requisição motivada do comandante
militar. A marinha nacional, estabelecida nos portos das
províncias, foi subordinada aos presidentes respectivos, para
lhe dar a direção que exigisse o bem e segurança do estado,
quando o contrário lhe não fosse determinado por ordens
positivas do ministério. A administração da justiça ficou
independente do presidente e conselho; mas o presidente em
conselho de acordo com o chanceler, onde houvesse relação,
podia suspender os magistrados, depois de ouví-los, quando
da continuação do seu serviço se pudessem seguir motins e
revoltas, e se não devesse esperar pela resolução do impera­
dor. As juntas de justiça, nos lugares que as tivessem, deve­
riam ser presididas pelo presidente da província. A admi­
nistração e arrecadação da faze ida pública continuou a fa­
zer-se pelas respectivas juntas, e a ela presidia o mesmo pre­
sidente, e na sua falta quem fizesse as suas vezes. O presi­
dente da província despachava por si, e decidia todos os ne­
gócios em que, segundo a lei, se não exigisse especificamente
a cooperação do conselho, e que eram os mais importantes,
como fossem: fomentar a agricultura, comércio, indústria,
artes, salubridade e comodidade geral; promover a educaçao
da mocidade; vigiar sobre os estabelecimentos de caridade,
prisões, e casas de correção e trabalho; propor a criação de
câmaras municipais, obras novas, e consertos^ das antigas,
dar parte ao governo dos abusos na arrecadaçao das rendas,
formar a estatística e censo da província; participar à as­
sembléia as infrações das leis, e os acontecimentos extraor­
dinários; promover a catequese dos índios, a colonização dos
estrangeiros, a laboração das minas e fábricas minerais,
cuidar em promover o bom tratamento dos escravos, e a sua
lenta emancipação; examinar anualmente as contas das câ­
maras, e as do presidente da província; decidir temporaria­
mente os conflitos de jurisdição; suspender os magistrados
e comandantes militares, quando instasse a causa pública;
atender às queixas contra os funcionários públicos, e deter­
minar por fim as despesas extraordinárias,^ que só deveriam
ser postas em execução depois da aprovação imperial.

Depois desta lei, apareceu em 1824 a constituição do


império, que, reconhecendo o direito de intervir cada cida­
dão nos negócios de sua província, que são imediatamente
relativos aos seus interesses peculiares, criou em cada uma
delas os conselhos gerais, por intermédio dos quais tal direito
devera ser exercido, e fez conseguintemente a primeira modi­
ficação ao governo presidencial. Estes conselhos tinham por
principal objeto propor, discutir e deliberar sobre os negó­
cios mais importantes das suas províncias, formando proje­
tos acomodados às suas localidades e urgências, salvo se ver­
sassem Io sobre interesses gerais da nação, 2o sobre quais­
quer ajustes de umas com outras províncias; 3o sobre impo­
sições; 4o sobre execução de leis; devendo porém dirigir a
este respeito representações motivadas à assembléia geral, e
ao poder executivo conjuntamente. As resoluções tomadas
pelos conselhos gerais deveriam ser remetidas diretamente ao
mesmo poder executivo, por intermédio do presidente da pro­
víncia .
Dez anos de experiência mostraram porém que tanto a
lei dos presidentes como os conselhos gerais não satisfaziam
aos fins que o legislador tinha em vista conseguir, e foram
então, em lugar dos conselhos, criados as assembléias legis­
lativas provinciais, com mais amplos poderes; e para subs­
tituir aquela lei fez-se a de 4 de outubro de 1834, que intro­
duziu a segunda modificação geral nos governos das provín­
cias, pois não entendemos tratar de outras parciais, que nos
fariam sair do nosso assunto.
As assembléias legislativas estabelecidas pelo ato adicio­
nal à constituição, de 12 de agosto de 1834, têm atribuição
de propor, discutir e deliberar sobre todos os negócios rela­
tivos à província, e bem assim o de legislar sobre a divisão
civil, judiciária e eclesiástica; sobre a instrução pública, não
compreendendo as academias jurídicas e de medicina, e quais­
quer outros estabelecimentos que para o futuro se criarem
por lei geral; sobre a desapropriação por utilidade municipal
ou provincial; sobre a polícia e economia municipal; sobre
a fixação das despesas municipais e provinciais, e os
impostos para elas necessários; sobre a repartição da
contribuição direta pelos municípios, fiscalização do empre­
go das rendas provinciais e municipais, e contas da sua
receita e despesa; sobre a criação e supressão dos empregos
municipais e provinciais, e estabelecimento de seus ordena­
dos; sobre obras públicas, estradas, navegação no interior da
província, casas de prisão, trabalho e correção; sobre casas
de socorros públicos, conventos, e quaisquer associações polí­
ticas; sobre os casos e a forma porque poderão os presiden-
tes das províncias nomear, suspender, e ainda mesmo demi­
tir os empregados provinciais. — Compete ainda às assem­
bléias provinciais legislativas: — Io organizar os seus regi­
mentos internos; — 2o fixar a força policial da província, sob
informação do respectivo presidente; — 3o autorizar as câ­
maras municipais e o governo provincial para contrairem
empréstimos; — 4o regular a administração dos bens provin­
ciais; __ 5o promover cumulativamente com o governo e as­
sembléias gerais a organização da estatística da província, o
estabelecimento de colônias, e a catequese dos índios, 6
decidir se deve continuar o processo em virtude do qual for
pronunciado o presidente da província, e se ele deve ou não
ser suspenso do exercício das suas funções; 7o decretar a
suspensão e mesmo demissão dos magistrados contra quem
houver queixa de responsabilidade; — 8o suspender na pro­
víncia as garantias dos cidadãos, nos casos e pela forma de­
clarados na constituição; — 9o velar na guarda da mesma
constituição, e representar à assembléia e governo gerais
sobre as "leis das outras províncias, que ofenderem os seus
direitos.
Quanto aos presidentes de províncias, suas atribuições
são ou legislativas ou simplesmente administrativas. Como
parte do poder legislativo provincial, compete-lhes sancionar
todas as leis e resoluções da assembléia legislativa provin­
cial, feitas dentro da órbita das suas atribuições. Como
administradores, cabe-lhes convocar a mesma assembléia or­
dinária ou extraordinariamente, prorrogá-la, ou adiá-la, quan­
do o exigir o bem da província; suspender a publicação das
leis provinciais, nos casos legais; expedir ordens, instruções
e regulamentos para a boa execução delas; executar e fazer
executar todas as leis, ordens e decretos do governo, sobre
qualquer objeto da administração; prover os empregos que
a lei lhes incumbir; inspecionar todas as repartições, para
que se conservem segundo a lei; dar posse aos empregados
públicos, conceder-lhes licenças, e suspendê-los por crimes
de responsabilidade; decidir temporariamente os conflitos de
jurisdição; participar ao governo os embaraços que encon­
trarem na execução das leis, e os acontecimentos notáveis,
etc. Além destas atribuições, tem ainda o presidente da pro­
víncia a de fazer executar as sentenças dos jurados, conde­
nando à morte os réus escravos que matarem ou ferirem a
seus senhores ou administradores, em virtude da lei de 10 de
junho de 1835.
A redação do ato adicional de que acima tratamos, deu
lugar a dúvidas que ameaçavam a união do império, e foi
conseguintemente promulgada a lei interpretativa de 14 de
maio de 1840, que copiaremos em nota.
Os eleitores das assembléias provinciais são os mesmos
da assembléia geral do império. Eis os resultados gerais das
eleições que tiveram lugar depois de 1835 (tempo em que
houve a primeira nomeação dos deputados provinciais), em
cada um dos colégios eleitorais de Pernambuco:

I o MAPA demonstrativo dos eleitores reunidos nos colégios


eleitorais da província, desde 1834 até 1841

Colégios Eleitorais 1834 1836. 1839 1841

Santo-A ntão......... 60 60 57 89
Boa-Vista ............. 24 25 51 62
Bonito ................... (a) 54 56 52 110
Brejo ..................... (a) 29 30 29 32
Cabo ..................... 68 72 54 57
Flores ..................... 25 29 37 61
Garanhuns ......... 42 64 65 77
Goiana ................. 71 57 65 70
Limoeiro ............... 44 78 66 74
Nazaré ................. (a) 35 37 33 48
Olinda ................... 24 23 18 22
Paudalho ............. 44 28 23 41
Recife ................... 112 1(b) 123 135 195
Rio-Form oso.......... # 54 96
Sirinhaém ............. 59 72 17 36
Tacaratu ............. 16 5 5 8
Cimbres ................. 29 30 26 31
Itamaracá ........... (a) 14 14 14 abolido.
Igaraçu ................. 24 25 26 44

SOMAS ........ j 774 828 827 1.153

(a) Na falta de documentos, servimo-nos do termo médio dos artiqos


seguintes.

(b) Pela mesma razão^ servimo-nos do termo médio do ano anterior


e do seguinte.
1° MAPA DEMONSTRATIVO DO NÚMERO DOS CIDADÃOS VOTANTES,
ELEGÍVEIS E ELEITORES EM CADA UMA DAS FREGUESIAS, MUNICÍPIOS
E COMARCAS DA PROVÍNCIA, EM 1842
COMARCAS

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MUNICÍPIOS FREGUESIAS (0
4J U) HM
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> LÜ LU

Santo-Antônio-do-Recife . 2630 1137 43


São-Frei-Pedro-Gonçalves 699 290 19
Santís.-Sacra.-da-Boa-Vista 1197 710 32
Recife Afogados .................. 888 190 21
Jaboatão .................. 709 161 16
São-Lourenço-da-Mata ... 487 71 20
RECIFE

São-Pedro-Mártir 318 82 15
Sé-de-Olinda .. 595 85 13
Olinda Poço-da-Panela . 624 96 19
Maranguape ... 197 69 9

Igaraçu 1435 107 43


Igaraçu Itamaracá 219 57 20

Cabo 629 217 41


CABO

Cabo Ipojuca 734 149 21


Muribeca 278 51 21
NAZARÉ

Nazaré ... 598 267 31


Nazaré Tracunhaém 608 158 21

2311 40
GOIANA

Goiana 200
Goiana També 850 73 23
Tejucupapo 933 65 16
DALHO

Paudalho ........ 758 131 32


Paudalho Glória-do-Goitá .. 701 105 20
CONTINUAÇÃO DO MAPA ANTECEDENTE
COMARCAS

Votantes

Elegíveis

Eleitores
MUNICÍPIOS

Rio-Formoso 1361 156 25


O Una ............................. 532 70 20
C/>
O Rio-Formoso Barreiros ...................... 83 11 4
5 Água-Preta ..................... 657 70 25
cc
o
l i.

ó
CC
Sirinhaém Sirinhaém ..................... 532 139 27

Brejo Brejo ......................... 594 147 21


o
3
CC
Cimbres Cimbres ...................... 224 69 29

O Limoeiro ...................
cc 944 142 38
UJ
O Limoeiro Taquaritinga .................. 189 97 9
s Bom-Jardim .................. 919 188 36
-1

o
»- Bonito ......................... 652 148 32
z Bonito Bezerros ...................... 559 125 34
§ Altinho ....................... 493 169 40

2° Santo-Antão ................ 1338 329 41


< Z Santo-Antão Escada ....................... 1005 190 26
co<

S O M A E TRANSPORTA .. 28480 6521 943


1 (
COMARCAS

Votantes

Elegíveis

Eleitores
MUNICÍPIOS FREGUESIAS

TRANSPORTES ..... 28480 6521 943

CO
z Garanhuns ................... 716 184 32
X Papacaça ..................... 93 80 17
z 182 38 20
< Garanhuns Águas-Belas ..................
cc
< Buíque ....................... 173 35 21
o Concei.-da-Lagoa-de-Baixo .. 102 31 8

Flores .......................... 1066 84 27


LU
cc Tacaratu ....................... 199 83 12
o Flores Serra-Talhada ................. 465 84 16
Li.
Fazenda-Grande .............. 343 98 10
Ingazeira ...................... 107 33 15

ã Exu ............................. 1092 243 48


1 Boa-Vista Cabrobó ....................... 408 88 16
<
o Boa-Vista (Santa-Maria-da) . 455 66 20
CO

TOTAIS ....... 33881 7668 1205

Dos dois mapas que acima temos publicado vê-se: — l.°


que o número dos eleitores da província tem constantemente
aumentado de 774 a 1.205, não porque a população crescesse
na mesma proporção, ou houvesse maior cuidado em formar
a lista dos fogos que lhes servem de limites, mas porque as­
sim o exigiam os interesses dos pequenos grupos, que nas
localidades se disputavam o triunfo nas urnas; — 2o que o
número total dos eleitores em 1842 está para o dos elegíveis
da mesma época na razão de 1 para 6,3; para o dos votantes
na de 1 para 28,1; e para a população da província na de
1 para 293; — 3o que o número dos elegíveis está para o
dos votantes na razão de 1 para 4,4; e para o da população
na de 1 para 46; — 4o que os votantes estão para a popula­
ção oficial na razão de 1 para 13,1; — 5o que, sendo 36 os
deputados provinciais, acha-se um representante para 9,808,9
cidadãos; 1 deputado geral para 27,163,1; e 1 senador para
58,853,5; como tudo mais detalhadamente mostra o mapa
que se segue, organizado por comarcas.

NUMERO DE HABITANTES
População das
comarcas

Por deputado

Por deputado
Por votante

Por elegível

Por senador
Por eleitor
COMARCAS

provincial

geral
Santo-Antão .. 19,822 8,4 38,1 295,8
Boa-Vista .... 19,705 ,1 49,6 234,5
Bonito ........ 10,753 6,3 24,3 101,4
Brejo .......... 18,106 22,1 83,8 362,1
Cabo .......... 27,549 16,7 65,8 331,9
Flores ........ 28,526 13, 74,7 356,5
Garanhuas ... 46,581 36,7 126,5 475,3
Goiana ....... 31,390 7,6 92,8 397,3
Limoeiro ..... 24,320 11,8 56,9 293,
Nazaré ....... 15,772 13, 37,1 303,3
Paudalho ___ 12,196 8,3 51,6 234,5
Recife ........ 72,926 7.2 23,8 270,
Rio-Formoso . 25,475 8, 57,1 230,2

Província ... 353,121 13,1 46, 293, 9,808,9 27,163,1 58,853,5

§ 3o Governo municipal. Eir virtude do disposto no


art. 167 da constituição do império, há em todas as cidades
e vilas câmaras, às quais compete o seu respectivo governo
econômico e municipal. O exercício das funções policiais
destas corporações, a aplicação das suas rendas, a formação
das suas posturas, e todas as suas particulares e úteis atri­
buições, foram marcadas na lei regulamentar de Io de outu­
bro de 1828. As câmaras das cidades se compõem de 9 mem­
bros, e as^ das vilas de 7, além do secretário. Os seus empre­
gados, além deste, são: — 1 procurador, que deve arrecadar
e aplicar as rendas e multas destinadas às despesas do mu­
nicípio; 1 porteiro (e os ajudantes que forem necessários),
encarregado da execução das suas ordens, e do serviço da
casa; e um ou mais fiscais para vigiarem na observância das
posturas. As câmaras são eleitas de 4 em 4 anos, no dia 7
de setembro, em todas as paróquias dos respectivos termos,
e podem ser membros delas todos os que podem votar nas
assembléias paroquiais, tendo dois anos de domicílio dentro
do termo. Têm voto na eleição das câmaras os que têm voto
na nomeação dos eleitores de paróquia, conforme determi­
nam os artigos 91 e 92 da constituição do império. A pri­
meira das câmaras, em virtude desta constituição, e da lei
supra-referida, teve lugar em 7 de setembro de 1829. Eis um
quadro, mostrando o número dos votantes na última eleição
que teve lugar em cada município, durante o ano de 1840.

MUNI C Í P I OS Número de votantes

1 Santo-Antão ......................... 770


2 Bonito .................................. 350
3 Boa-Vista .............................. 478
4 Brejo .................................... 446
5 Cimbres ................................ 288
6 Cabo .................................... 1,007
7 Flores .................................... 1,188
8 Garanhuns ........................... 1,251
9 Goiana .................................. 1,962
10 Igaraçu ................................ 614
11 Itamaracá ............................ 219
12 Limoeiro .............................. 1,157
13 Nazaré .................................. 1,491
14 Olinda .................................. 950
15 Recife .................................... 4,337
16 Rio-Formoso ......................... 534
17 Paudalho .............................. 1,008
18 Sirinhaém ............................ 108

Soma ..................... 18,238

Seria da maior conveniência que aqui apresentássemos


um quadro demonstrativo do número de indivíduos que esta­
vam nas circunstâncias de votar nestas eleições, pois qúe
muitos deixam de comparecer no dia aprazado para elas, ape­
sar das penas em que incorrem, mas isso nos é impossível,
por não haver documento algum nos arquivos municipais
que o demonstrem, pelo desleixo em que na província esti­
veram sempre a arrecadação e guarda de todos os papéis ten­
dentes à estatística. Entretanto, segundo o mapa que aca­
bamos de apresentar dos cidadãos votantes para as eleições
primarias, o qual montou ao número de 33.881, pode-se dizer
que igual deve ser o dos votantes para a eleição de vereado­
res; e que, sendo os que concorreram para estas em número
de 18.238, estão estes para aqueles na razão de 2 para 3, na
totalidade; variando porém essa diferença em certos municí­
pios, na razão de 1 para 3 até 5, com exceção dos de Cimbres
e Nazaré, onde é maior o número dos votantes para vereado­
res, como se vê do mapa infra:

MAPA DEMONSTRATIVO DA PROPORÇÃO QUE EXISTE ENTRE OS CIDA­


DÃOS QUE DEVIAM VOTAR E OS QUE EFETIVAMENTE VOTARAM PARA
VEREADORES, NOS DIVERSOS MUNICÍPIOS DA PROVÍNCIA, EM 1840
Cidadãos que

Cidadãos que
deviam votar

Proporção
Diferença
votaram

N.° MUNICÍPIOS

1 Santo-Antão .... 2343 770 1573 1,3


2 Bonito ............ 1704 350 1354 1,4,8
3 Boa-Vista ....... 1855 478 1377 1,3,8
4 Brejo ............ 594 446 148 1,1,3
5 Cabo ............ 1641 1007 634 1,1,6
6 Cimbres ....... 224 288 108 1,1,2
7 Flores ........... 2180 1188 992 1,1,8
8 Garanhims ..... 1266 1251 15 1,1
9 Goiana .......... 4094 1962 2132 1,2
10 Igaraçu .......... 1435 614 821 1,1,3
11 Itamaracá ....... 219 219 0 1,1
12 Limoeiro ....... 1952 1157 795 1,1,6
13 Nazaré .......... 1491 1206 285 1,1,2
14 Olinda ........... 1734 950 784 1,1,8
15 Paudalho ....... 1459 1088 371 1,1,3
16 Recife ........... 6610 4337 1270 1,1,5
17 Rio-Formoso ... 2633 534 2099 1.4.9
18 Sirinhaém ..... 532 108 424 1,4,9

Província ....... | 33966 17953 15182 1,1,8


ARTIGO II

ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

§ Io Número de tribunais. — Relativamente à adminis­


tração da justiça, assim como aos mais ramos do serviço pú­
blico, rege-se a província de Pernambuco ^pelas leis^ gerais
do império, que são as chamadas ordenações do reino, na
parte civil; os códigos criminal, e do_ processo criminal, e
enfim pelas leis extravagantes, que estão fora daquelas orde­
nações e dos códigos publicados antes e depois da indepen­
dência. — Em virtude dessas leis, e
Io Em matéria civil, há na organização judiciária:

Um tribunal de paz em cada distrito, para conciliar as


pessoas que se pretendem demandar, e julgar as pequenas
causas, até o valor de 16$000 rs.
Um tribunal de primeira instância dos juízes municipais,
em cada termo ou município, para as causas cíveis que exce­
derem daquela quantia, com alçada nos bens móveis ate
64$000 rs., e nos de raiz até 32$000 rs.

Um tribunal de primeira instância, do juiz dos feitos da


fazenda, em toda a província, para as causas em que a fa­
zenda provincial ou nacional for interessada, com alçada ate
a quantia de 100$000 rs.
Finalmente, um tribunal de apelação, ou de segunda ins­
tância, que é a relação, do qual se recorre ainda para o su­
premo tribunal de justiça, existente na capital do ^império,
a fim de conceder que as suas decisões sejam revistas por
outra relação, nos casos de injustiça notória, ou nulidade
manifesta. — Não há tribunais especiais para as causas do
comércio.
2o Em matéria penal, há o seguinte:
Os tribunais dos subdelegados de polícia em cada distri­
to, dos juízes municipais e dos delegados em cada termo, que
julgam as contravenções às posturas das câmaras munici­
pais e os crimes a que não esteja imposta pena maior do que
multa até 100$000 rs., prisão, degredo ou desterro até seis
meses, com multa correspondente à metade desse tempo, ou
sem ela, a três meses de casa de correção, ou oficinas públi­
cas, onde as houver.

Os tribunais do chefe de polícia, dos juízes municipais,


dos delegados, e dos subdelegados de polícia, que formam
culpa aos delinqüentes dos crimes mais graves que os ante­
cedentes .

Os tribunais dos juízes municipais, que pronunciam e


julgam definitivamente os crimes de contrabando, exceto o
apreendido em flagrante, e o de introdução de africanos.

Os tribunais dos juizes de direito, que formam culpa aos


empregados públicos, não privilegiados pela constituição, e
que os julgam definitivamente.

Os tribunais dos jurados, que, com os juízes de direito,


julgam definitivamente os crimes pronunciados pelo chefe de
polícia, juízes municipais, delegados, e subdelegados de polí­
cia.

O tribunal da relação, que decide as causas crimes em


segunda instância, com recurso de revista para o supremo
tribunal de justiça, do mesmo modo que o há nas causas
cíveis, (a)

3o A justiça militar se distribui Io pelos conselhos de


guerra, que julgam todos os crimes militares, e 2o, pela jun­
ta de justiça, que, como tribunal de 2a instância, confirma,
revoga ou modifica as sentenças dos mesmos conselhos. Esta
junta é composta de um presidente, que é o mesmo da pro­
víncia, de 3 magistrados togados, e de 3 oficiais de maiores
patentes, sendo um daqueles magistrados o relator.

4° Além destes tribunais, há os conselhos de disciplina


para a guarda nacional e corpo de polícia, que são nomea­
dos para cada crime de que se tem de conhecer, ficando des­
ta sorte completa a enumeração dos tribunais criminais da
província.
9up .orniei ebao r. ■
l ;| 3 £ 'rf ! r a ; : 3 Gí 5j .,

(a) Na enumeração das funções destes tribunais se devem acrescen­


tar as atribuições indicadas no § 2°, a fim de evitar-se alguma repetição.
Segundo os dados que nos subministram os orçamentos do
governo geral e provincial, e as indagações especiais que te­
mos feito, a administração da justiça se compõe das seguin­
tes pessoas:

RELAÇÃO
JUÍZO de paz e p o l ic ia

Desembargadores ............... 15 Juízes de paz .................. 90


Secretário ......................... 1 Delegados ...................... 19
Escrivães .......................... ® Subdelegados ................. 8Q
Porteiro ............................. 1 Escrivães dos juízes de paz,
Contínuos .......................... 2 e dos subdelegados ....... 90
Contadores, e solicitadores ... 2 Oficiais de justiça dos juízes
Oficiais de justiça ............... 2 de paz, e subdelegados ...
Inspetores de quarteirão —
1« INSTANCIA

Juízes de direito criminais .... 14 ADVOGADOS, PROCURADORES,


Ditos de cível ..................... 12 CARCEREIROS, E ESCREVENTES
Dito dos feitos-da-fazenda ___ 1
Ditos municipais ................. 17
Dito especial dos órfãos ..... 1 Advogados na cidade do
Promotores públicos ............ 14 Recife ........................ 30
Escrivães e tabeliães da capital 23 Ditos nas comarcas, não en­
Depositários, contadores e por­ trando os promotores ------ 32
teiros .......................... 4 Solicitadores noRecife ...... 28
Avaliadores, e partidores ...... 7 Escreventes dos cartórios, e
Escrivães e tabeliães das co­ advogados ................. 16
marcas .......................... 31 Carcereiros, e ajudantes dos
Contadores e distribuidores ... 12 mesmos ................. 16
Porteiros ......................... 12 Jurados .......................... 3.412
Oficiais de justiça da capital .. 18
Ditos das comarcas de fora... 24

§ 2o Organização dos tribunais. Tendo até aqui apre­


sentado o número de tribunais existentes na província, e das
pessoas que neles são empregadas, passaremos agora a tratar
mais especialmente da sua organização, despesas e trabalhos,
na parte que nos é possível.
Tribunal da relação. — A relação de Pernambuco foi
criada por alvará de 6 de fevereiro de 1821, e compreende no
seu distrito não somente a província de Pernambuco, com
exceção da nova comarca de São-Francisco, que continuou
sujeita à relação da Bahia, como as da Paraíba e Rio-Gran-
de-do-Norte, e também a do Ceará, que fora desligada da
jurisdição do Maranhão, pelo referido decreto; e a das Ala­
goas pela resolução de 7 junho de 1831, outrora pertencente
ao distrito da relação da Bahia.

A despesa da relação é a seguinte:

Pessoal Ordenado individual

1 Presidente ....................................... 2:800$000


14 Desembargadores (a) .................... 2:800$000
1 Secretário ....................................... 1:200$000
1 Escrivão da chancelaria(b) ........... 380$000
1 Solicitador da justiça e fazenda . . . 400$000
2 Contínuos ........................................ 400$000
2 Oficiais de justiça .......................... 300$000
1 Porteiro da chancelaria (c) ........... 200$000

Expediente

Papel, livros, &c........................................ 300$000

Tanto o presidente da relação como os respectivos de­


sembargadores são nomeados pelo imperador, — aquele den­
tre os desembargadores, e estes dentre os juízes de direito,
ora conforme à sua antiguidade, e ora conforme ao seu su­
posto mérito. O secretário e os escrivães são também nomea­
dos pelo imperador; mas os contínuos e oficiais o são pelo
presidente da relação.

A relação conhece por apelação de todas as causas cíveis


que, em virtude das leis, excedem a alçada dos juízes infe-

(a) O Desembargador que serve de procurador da coroa tem mais


400S000 réis de gratificação.

(b) A quantia de 3001000 réis é paga pelo cofre provincial, em virtude


da lei n. 35, de 8 de abril de 1837.

(c) Este empregado é pago pelos mesmos cofres provinciais, na for­


ma declarada acima.
riores. Conhece igualmente, como recurso, de todas as deci­
sões e despachos dados pelos juízes de direito e chefe de polí­
cia, em matéria criminal, que lhe forem submetidos; e como
apelação, de todas as sentenças criminais proferidas pelos
juízes municipais, delegados, subdelegados, chefes de polícia
e juízes de direito, nos casos em que lhes compete o julga­
mento final; das decisões definitivas, ou interlocutórias com
força de definitiva, proferidas pelos juízes de direito, nos
casos em que julgam findo o processo; nos casos de se não
guardarem as formalidades essenciais do processo perante o
júri, ou de se não haver aí aplicado a pena decretada na lei,
ou de se ele não haver conformado com a decisão do júri;
e nos casos finalmente em que o juiz de direito entender que
o júri proferiu decisão sobre o ponto principal da causa con­
tra a evidência resultante dos debates, depoimentos e mais
provas apresentadas, ou em que se tiver imposto pena de
morte, ou de galés perpétuas, em conseqüência de decisão
do mesmo júri.

O quadro seguinte mostrará o n° de causas tratadas na


relação de Pernambuco, durante os anos de 1839, 1840 e 1841,
e as províncias a que elas pertenciam (d ):

j Crimes 73
1839 Província de Pernambuco Contraditoriamente 686
í Cíveis 436

\ Crimes 23
1840 Provhcias diversas .... À revelia .......... a
j Cíveis 157

1841 Por acomodação .. 1

SO M A 689 SO M A .... 689

TERMO MÉDIO ANUAL 229 229

(d) Extraído do ofício do presidente interino da relação, de 17 de


junho de 1842.
Tribunais ou juízos de primeira instância. — Como já
vimos, são juízes de primeira instância os juízes de direito
criminal, o juiz dos feitos da fazenda, os juízes do cível, os
juízes municipais, os juízes dos órfãos, os juízes de paz, o
chefe de polícia, os delegados e os subdelegados de polícia.
Ja mostramos o seu número; agora trataremos de mostrar
qual o seu ordenado:

O chefe de polícia vence, sendo desembargador 3:600$000


Os juízes de direito criminais da cidade tem
cada um ........................................... 2:0001000
Os das comarcas de fora .............................. 1:800$000
Os juízes do cível, e dos feitos da fazenda . . . 1:600$000
Os juízes municipais, e o especial dos órfãos . 400$000
Os juízes de paz, os delegados, subdelegados,
nada vencem.

Os escrivães de todos estes juízes não vencem ordenado


algum dos cofres gerais ou provinciais, mas tão somente os
emolumentos que lhes compete haver das partes, segundo o
regimento de 10 de outubro de 1754, dado para as províncias
de Minas-Gerais, Mato-Grosso e Goiás, e tornado extensivo
a todo o império, por uma resolução da assembléia geral
legislativa.

Os juízes municipais conhecem e julgam definitivamen­


te em primeira instância todas as causas cíveis, ordinárias
ou sumárias, que excedem a quantia de 32$000 réis, nos bens
de raiz, e de 64$000 réis nos móveis; todas as causas da compe­
tência da provedoria dos resíduos, e todas as de almotaçaria,
que excederem a alçada dos juízes de paz. Eles conhecem
ainda, e julgam administrativamente, os processos de inven­
tários, partilhas, tutelas, curadorias, contas de tutores e cura­
dores, e contenciosamente as causas que forem dependência
delas, nos lugares em que não houver juiz de órfãos especial.

Os juízes de órfãos conhecem e julgam administrativa­


mente as causas que temos enumerado na segunda parte do
§ supra: eles dão cartas de emancipação e de suprimento de
idade, concedem licenças a mulheres menores para vende-
rem bens de rais, consentindo os maridos; dão tutores nos
casos marcados nas leis; suprem o consentimento do pai ou
tutor para casamento; mandam entregar os bens de órfãos
a suas mães, avós, tios, & c.; os bens de ausentes a seus pa­
rentes mais chegados; e os bens de órfãs a seus maridos,
quando casarem sem licença dos juízes, concedem dispensa
para os tutores obrigarem os seus próprios bens à fiança das
tutelas para que foram nomeados, ainda que os bens estejam
fora do distrito em que contraírem a obrigação; arrecadam e
administram os bens dos ausentes; administram os bens per­
tencentes aos índios, &c.

Os juízes de paz conhecem verbal e sumariamente nas


causas cíveis, nas da almotaçaria até 16$000 réis, e em todas
as ações derivadas de contratos de locação de serviços.

Os juízes dos feitos da fazenda conhecem e julgam em


primeira instância todas as causas cíveis em que a mesma
fazenda for por qualquer modo interessada, e em que hou­
verem de intervir os seus procuradores, como autores, réus,
assistentes ou opoentes, dando apelação para a relação nas
que excederem de 100$000 réis.

Os juízes de direito criminais formam culpa aos empre­


gados públicos, e os julgam definitivamente; presidem à ses­
são dos jurados, e aplicam a lei ao fato; conhecem e julgam
os recursos interpostos dos juízes municipais, delegados e
subdelegados; e exercitam toda a jurisdição que tinham os
antigos provedores das comarcas, a respeito da revisão das
contas dos tutores, curadores, testamenteiros, administrado­
res judiciais, depositários públicos, e tesoureiros dos cofres
dos órfãos e ausentes. Antes da lei de 3 de dezembro de
1841, os juízes de direito de Pernambuco tinham, em virtude
da lei provincial de 14 de abril de 1836, toda a jurisdição
criminal que hoje se acha dividida pelos juízes municipais,
delegados e subdelegados; e os do cível toda a jurisdição que
hoje também está distribuída pelos mesmos juízes munici­
pais, juízes dos órfãos, juízes dos feitos da fazenda, &c.

Os três quadros seguintes demonstrarão os trabalhos dos


juízes do cível nos anos de 1837, 1838, 1839, 1840, 1841, e os
do juiz dos feitos nos anos de 1842, 1843 e 1844:
I. MAPA DEMONSTRATIVO DAS CAUSAS CÍVEIS JULGADAS EM CADA UMA
DAS COMARCAS DE PERNAMBUCO, NOS ANOS ABAIXO DECLARADOS:

Termo
N.° COMARCAS 1837 1838 1839 1840 1841 médio
anual

1 Santo-Antão ........ 21 19 22 14 26 20

2 Boa-Vista ........... (a) 1 1

3 Bonito Ca) Ca) 3 1

4 Brejo . 1 2 1 3 4 2

5 Cabo . (a) (a) Ca) 2 6 1

6 Flores 8 4 2 5 1 4

7 Garanhuns .......... 2 1 2 2 1

8 Goiana 27 29 36 37 31 32

9 Limoeiro ............ 4 (b) 7 6 (b) 7 12 7

10 Nazaré 22 20 28 11 5 17

11 Paudalho ........... (a) Ca) Ca) 3 1

12 Rio-Formoso ....... 26 31 16 30 27 26

1a vara ... 126 154 160 177 177 158

13 Recife 2a dita ... 96 31 56 128 128 (C) 87

, 3a dita ... 64 53 53 79 79 67

SOM AS ............ 397 352 393 501 498 422

(a) As comarcas que levam este sinal não existiam nos anos que o
mapa indica.

(b) Como nos faltassem documentos, quanto aos anos de 1838 e 1840,
assentamos dar-lhes o termo médio dos três outros.

(c) Os mapas deste ano e do seguinte, pertencentes à 1a e 2‘ vara,


confundiam as causas que lhes diziam respeito, e por isso damos números
iguais para cada ano.
II. MAPA d e m o n s t r a t iv o d o s in v e n t á r io s f e it o s e j u l g a d o s em
CADA UMA DAS COMARCAS DA PROVÍNCIA, NOS ANOS
ABAIXO DECLARADOS

Termo
COMARCAS 1837 1838 1839 1840 1841 médio
anual

1 Santo-Antão .......... 49 46 15 22 20 30
2 Boa-Vista (a) 23 29 17 20 17
3 Bonito 34 (b) ta) (a) 34 35 20
4 Brejo ... 17 16 16 13 14 15
5 Cabo ... (a) (a) (a) 2 6 1
6 Flores . 17 10 10 16 17 14
7 Garanhuns ........... 2 16 21 12 18 13
8 Goiana . 23 24 29 13 9 19
9 Limoeiro 14 18(b) 19 17 22 18
10 Nazaré . 29 22 39 22 35 29
11 Paudalho (a) (a) (a) 6 5 2
12 Rio-Formoso ......... 18 12 7 5 7 9
1a vara 23 31 15 8 9 17
13 Recife 2a dita ■s 29 2 4 6 7 9
3a dita 4 4 17 8 8(c) 8
<3

Cartório dos órfãos ... ” ” ” 32 15 9

SO M AS .. 259 224 221 233 247 230

(a) Não estavam criadas nos anos que levam este sinal.

(b) Faltando-nos esclarecimentos, quanto a este ano, damos-lhe o ter­


mo médio dos outros.
(c) Confundiram as informações o número de causas pertencentes a
cada ano: nós as dividimos por igual para cada um.
Ill MAPA d e m o n s t r a t iv o d o s t r a b a l h o s d o j u íz o d o s f e it o s da
FAZENDA, ANTES E DEPOIS DO SEU RESTABELECIMENTO,
EM MARÇO DE 1842

Penhoras julgadas por


Mandados de

sentença e execução

Notificações comi-
penhora
expedidos

Justificações
de sentença

Inventários
julgadas
</>

natórias
ANOS O
FINANCEIROS o
<o -Q
!s □
'5 .2
c Xm
’> O
o
b ü
Q.

1838 a 1839 -
1839 a 1840 25
1840 a 1841 181
1841 a 1842 457 702 109 19 3 2 1
1842 a 1843 293 851 95 21 1 3 3
1843 a 1844 107 489 49 11 3 1 4
1844 a 1845 9 1:714 58 10 1 15 2
1845 a 1846 200 1:563 135 19 2 12 6

SO M A S 1:272
IV. M APA DEMONSTRATIVO DA IMPORTÂNCIA COBRADA EM DINHEIRO
PELO JUÍZO DOS FEITOS DA FAZENDA, NOS ANOS FINANCEIROS
DE 1838 A 1839 ATÉ 1845 A 1846

ANOS Repartições Repartições TOTAL


FINANCEIROS gerais provinciais

1838 a 1839 14:5871421


1839 a 1840 13:943$043 26:9173845 83:1813026
1840 a 1841 7:1153720
1841 a 1842 16:8983899

1842 a 1843 22:7573927 32:4523630


1843 a 1844 11:3153975 20:2153796
1844 a 1845 16:7813895 11:6193102 169:2253192
1845 a 1846 28:3423210 25:7393657

SO M A | 135:461 S188 | 116:9453030 252:4063218

Justiça de paz. — A justiça de paz se administra por


um juiz eleito diretamente pelo povo, de quatro em quatro
anos, em cada freguesia, capela curada ou distrito designa­
do pelas câmaras, na forma do código do processo criminal,
o qual é assistido de um escrivão, que expede os autos e mais
papéis relativos ao seu juízo. Os juízes de paz, em virtude
da lei provincial n° 13, de 14 de abril de 1836, só estavam
autorizados a fazer conciliações, a presidir às eleições, e a jul­
gar as causas cíveis até 50$000 réis; hoje porém, depois da
lei de 3 de dezembro de 1841, a sua alçada foi reduzida a
16$000 réis. Concedeu-lhes a lei em matéria policial as atri­
buições de fazer por o bêbado em custódia, evitar rixas, obri­
gar os vadios e mendigos a trabalharem, corrigir os bêbados,
os turbulentos e as meretrizes escandalosas, destruir os qui­
lombos, fazer corpos de delitos, prender os criminosos, e avi­
sar as autoridades criminais acerca dos que souberem exis­
tir nos seus distritos.

O quadro seguinte mostrará os trabalhos dos juízes de


paz durante os anos de 1839, 1840 e 1841, isto é, quantas con­
ciliações, não-conciliações, e causas julgadas houve no seu
juízo:
CO
< CONCILIAÇÕES NÃO CAUSAS
o
DC NOMES DOS DISTRI- CONCILIAÇÕES JULGADAS
<
5 TOS DE PAZ
O
o 1839 1840 1841 1839 1840 1841 1839 1840 1841

Recife ........... (a) 84 163 132


Santo Antônio ..... 129 91 97 362 506 395 497 399 486
Boa-Vista ........... 65 52 60 133 154 227 128 158 158
Afogados ........... 32 36 56 30 15 71 27 26 27
Poço-da-Panela ___ 20 13 16 20 15 16 4 6 7
Beberibe ............ 7 3 5 5 2 5 5 2
<D São-Lour.-da-Mat. (b) 14 13 36 9 9 10
o Jaboatão ............ 1 6 1 1 7
<D
DC 16 8 13
São-Pedro-Mártir ... 14 8 9 24 23 15
Sé-de-Olinda ....... 5 4 12 5 4 39 16 16
Maranguape ........ 21 12 11 9 5 9 2 1 7
Igaraçu .............. 65 69 132 12 16 18 6 7 9
Itamaracá ........... 8 1 11 7 6 1
Milag. (Maranguape)

tc
Escada .............. 11 9 22 5 7 12 20 24 26
<
CO I Santo-Antão ........ 77 79 95 28 29 43 4 3
1l
CO
■*-
>
<0 Exu ................... 10 6 3 3 2
> Cabrobó ............ 2 2 2 2 2 2
Boa-Vista ou St.-Ma. 1 1 6 4 1
“ 6

4o-* Bonito ............... 47 27 21 24 19 13 59 48 91


‘c Bezerros ....... (c)
o

Altinho .............. 40 38 20 4 9 2

(a) Segundo informou o juiz de paz desta freguesia, em 13 de julho


de 1846, nenhum esclarecimento lhe era possível dar quanto aos dois anos
anteriores, porque o escrivão desse tempo havia ficado com todos os papéis.
(b) O juiz de paz deste distrito confundiu as conciliações com as
causas julgadas; e por isso vão os números para a casa das primeiras
somente.
(c) O juiz de paz deste distrito, em ofício de 27 de julho de 1844,
declarou que não podia dar informação sobre o objeto deste mapa, porque
os seu antecessores costumavam não mandar lavrar os termos de conci­
liação, &c., a fim de evitar despesas dos pobres que a ele recorriam.
i COMARCAS

CONCILIAÇÕES NÃO C A U SA S
NOM ES DOS DISTRI- CONCILIAÇÕES JULGADAS
TOS DE PAZ
1839 1840 1841 1839 1840 1841 1839 1840 1841

Brejo ................. 16 12 15 4 5 6 1 2 3
Santa-Cruz .......... 1
Brejo

Alagoa-de-Baixo (d) .
Cimbres ............ 24 40 29 10 15 16 7 14 15

Cabo ................ 54 47 46 25 15 17 62 51 33
Ipojuca .............. 37 32 33 10 9 9 10 8 6
Cabo

Nos.-Senh.-do-Ó ...
Muribeca ........... 42 53 34 18 17 14 2 2 3
Lo reto .......... (c)

Flores ............... 9 7 10 12 7 9 2 4 2
Serra-Talhada .. ( f )
Fiores

Tacaratu ............ 1 3 4 1 1 6 2
Fazenda - Grande (g) 8 8 9
Ingazeira ....... th)

981 789 885 1101 921 1048


CM

657 661
CO
LO

Soma ................

(d) Esta freguesia só teve juiz de paz em 1841, porque antes estava
unida à freguesia do Buíque.

(e) A s informações do juiz de paz deste distrito não forneceram luz


alguma ao fim para que foram pedidas1, segundo se vê do seu ofício de
29 de julho de 1844.

(f) Não dá informações, porque o escrivão evadiu-se, conduzindo o


cartório.

(g) O juiz de paz, em ofício de 18 de agosto de 1846, declara que


não houveram causas julgadas e não-conciliações nos anos de 1839, 1840
e 1841.

(h) Não deu esclarecimento algum, à vista do ofício de 4 de setem­


bro de 1844.
1
1
COM ARCAS

1 CONCILIAÇÕES NÃO CAUSAS


1 NOMES DOS DISTRI­ CONCILIAÇÕES JULGADAS
TOS DE PAZ
1839 1840 1841 1839 1840 1841 1839 1840 1841

Transporte .......... 657 661 981 789 885 1101 921 825 1048

I
Garanhuns

| Garanhuns .......... 13 23 22 9 8 4 5 3 4
| Águas-Belas ___ (i) 14 12 35
| Papacaça ............ 27 12 19 4 1 3 1
Buíque ..............

Goiana ...............
Goianinha ........... 39 40 22 8 4 3 1 3
Lapa .................
Nos.-Senh.-do-Ó ...
Goiana

També ............... 17 15 14 8 7 9 15 14 13
Mocós ...............
Cruanji ..............
São-Sebastião .....
Tejucupapo .......... 24 20 10 8 8 26 24 10
!
Limoeiro

Limoeiro .. 36 24 37 18 20 16 48 38 46
Bom-Jardim 21 25 47 2 2 6 12 14 34
Taquaritinga 5 21 1 1 5
Nazaré

Nazaré ............... 18 14 25 6 12
! Tracunhaém ........

U) A s informações do juiz de paz deste distrito, dadas em ofício de


5 de agosto de 1844, apenas declaram o número de conciliações havidas
nos indicados anos.
/ COMARCAS

CONCILIAÇÕES NÃO C A U SA S
NOMES DOS DISTRI­ CONCILIAÇÕES JULGADAS
TOS DE PAZ
1839 1840 1841 1839 1840 1841 1839 1840 1841
....

1
I Paudalho

Paudalho ............ 18 46 30 7 10 6 14 9 23
São-José-do-Eixo ...
Tracunhaém ........ 21 22 30 10 6 3 1
Sirinhaém ...........
Rio-Formoso

Rio-Formoso ....... 14 15 15 34 7 25
Água-Preta .......... 4 3 13 3 9 31 1 1 5
Una ..................
Barreiros ...........

Soma ................. 1009 942 1221 862 978 1219 1058 946 1220

Termo médio por dist. 27 23 28 23 27 33 35 28 40

Termo médio por ano 26 27 34

(I) O juiz de paz desta freguesia diz que no ano de 1839 não corre­
ram causas pelo seu juízo; e isto em ofício de 10 de agosto de 1844.

Deste mapa resulta: Io que pelo termo médio trienal não


há em cada distrito de paz senão 26 conciliações, 27 não-con­
ciliações, e 34 causas julgadas, no espaço de um ano; — 2o
que, sendo muito limitado este número, ainda quando eram
maiores os distritos de paz, hoje deve ele ser menor, em con-
seqüência da lei provincial n° 134, de 2 de maio de 1844, que
mandou restabelecer os distritos, na forma do código do pro­
cesso criminal; — e 3o que os juízes de paz, nada tendo que
fazer, não podem empregar-se assiduamente no desempenho
dos seus deveres, aprender a legislação que os determina, &c.,
e tirar do cargo um lucro razoável, que indenize os trabalhos
que deles se seguem.

Tribunal dos jurados. — O tribunal dos jurados compõe-


se do juiz de direito que o preside, e de 12 jurados. Estes
pronunciam sobre o fato, declarando se é ou não criminoso;
e aquele aplica a lei, impondo a pena por ela decretada aó
réu, ou absolvendo-o do crime que lhe era imputado. São
aptos para ser jurados os cidadãos que podem ser eleitores,
que souberem ler e escrever, e que tiverem de rendimento
anual por bens de raiz ou emprego público 400$000 réis, nos
termos das cidades do Recife, Rio-de-Janeiro, Bahia, e São-
Luís-do-Maranhão; 300S000 réis nos termos das outras cida­
des; e 200$000 réis nos mais termos; ou o duplo se o rendi­
mento for por comércio ou indústria. São incapazes de ser
jurados os indivíduos notoriamente conceituados de faltos
de bom senso, integridade e bons costumes; os que estão
pronunciados, e os que sofreram condenação passada em jul­
gado, por crime de homicídio, furto, roubo, bancarrota, este­
lionato, falsidade, ou moeda falsa. São isentos do serviço
dos jurados os senadores, deputados, conselheiros e ministros
(Testado, bispos, magistrados, oficiais de justiça, juízes ecle­
siásticos, comandantes das armas, e comandantes dos corpos
de primeira linha. As listas dos jurados são organizadas
pelos delegados de polícia, por intermédio dos seus subdele­
gados e inspetores de quarteirão, e remetidas ao juiz de direi­
to da comarca, para apresentá-las a uma junta revisora, de
que ele é presidente, a fim de apurá-las na forma do código
do processo criminal. Segundo a lei provincial n° 13, de 14
de abril de 1836, só eram aptos a ser jurados os cidadãos que
tinham 300$000 réis provenientes de bens de raiz, agricultu­
ra, criação, ou emprego público, e 600$000 réis por outro
qualquer título.

O quadro seguinte demonstra o número de jurados que


se apuraram antes e depois da lei vigente de 3 de dezembro
de 1841, a fim de que o leitor compare o efeito dessa lei, e
da de 14 de abril que antes vigorava, servindo-nos para isso
dos últimos documentos que temos.
Código do pro­ Lei provincial, Lei geral de 3 de de­
cesso criminal de 1836 zembro de 1841
COMARCAS

1833 1835 1838 1841 1842 1843 1844

1 Santo-Antão .... 215 Ca) 215 308 (b) 308 448


2 Boa-Vista ....... (c) (c) 196 145 145 159
3 Bonito ........... (d) (d) (i) 356 356 231 171 210
B f140 ] 137
4 Brejo e Cimb. (e) 102 221 168 146 199
C [ 99 J 123
5 Cabo ............ (0 (c) (f) 222 222 199 225
6 Flores ........... (f) 293 305 192 214 259
7 Garanhuns .. (e) 190 196 261 270 220 221 233
8 Goiana .......... 156 232 205 160 149
9 Limoeiro ........ 121 222 (h) 191 fh) 191 (g) 192 175 209
10 Nazaré .......... (h) 191 263 (f) 216 274 299 293 242
11 Paudalho ....... (c) 113 (c) 164 154 175 187
f Olinda 280 340
12 Recife.. ■{
[ Recife Cd) 395 1:216 1:248 886 578 389
13 Rio-Formoso ... 328 398 382 381 373

SO M A 884 1:750 3:400 4:217 3:635 3:259 3:343

Termo médio ... 1317 3808 3412

ta) é o número do ano antecedente, por falta de mapa correspon­


dente .
fb) Neste ano não se fez revisão da lista dos jurados, segundo o ofí­
cio do iuiz de direito interino, de 16 de junho de 1846; e por isso serviram
os jurados do ano antecedente, cujo número apresentamos.
(e) Estas comarcas estavam outrora unidas a outras; mas os jurados
que apresentamos foram os apurados nos termos de que se compunham.
— A comarca de Garanhuns foi criada em 1836. — O município de Cimbres
deu em 1835 cem jurados, segundo o ofício da câmara municipal, de 26
de agosto de 1845.
íf) Este número é o do ano de 1840, pela razão acima dada.
(g) Na falta de informações, quanto a este ano, servimo-nos do termo
médio dos dois anos seguintes.
(h) É o número dos pertencentes ao ano de 1834.
[c) Estas comarcas não estavam criadas nestes anos, e bem que nos
termos delas houvesse jurados, a do Cabo informa, por ofício de 18 de
setembro de 1845, que o arquivo se extraviara por morte repentina do
secretário.
d) A câmara declarou que do seu arquivo não consta o número de
jurados apurados neste ano.
(h) Este número é o do ano de 1837, pelo mesmo motivo já dado.
(i) Pertence ao ano de 1841.
Do quadro antecedente vê-se que o termo médio dos
jurados, durante a legislação do código do processo criminal,
é de 1317 anualmente; durante a lei de 14 de abril de 1836,
é de 3:808; e durante a da reforma judiciária é de 3:412; vê-se
ainda, que, apesar de deverem essas legislações produzir efei­
tos idênticos, todavia em umas comarcas, como na do Recife
e Flores, o número dos jurados diminuiu um terço, pouco
mais ou menos; entretanto que em outras conserva-se quase
estacionário, como nas do Rio-Formoso e Paudalho, ou au­
mentou, como na de Santo-Antão. Vê-se, finalmente, que
o resultado da legislação da reforma foi diminuir o número
dos jurados, como era do seu espírito, para aumentar as ga­
rantias do bom julgamento, que deles se exige.
Se agora por estes dados quisermos conhecer a relação
em que estão os jurados da lei da reforma com a população
total da província, segundo os nossos cálculos, acharemos um
jurado sobre 350 habitantes; se porém os quisermos compa­
rar com a população oficial das comarcas, segundo os ma­
pas adiante apresentados, acharemos um jurado sobre 103,4
habitantes, como demonstra o quadro seguinte:
Jurados pelo População Relação en­
termo médio tre os jura­
N.° COMARCAS de 1842 1843, oficial dos e a po­
e 1844 pulação
1 Santo-Antão .............. 354,7 19,822 1, 55,8
2 Boa-Vista ................. 149,6 19,705 1,131,7
3 Bonito ..................... 204 10,753 1, 52,7
4 Brejo ...................... 232,6 18,106 1, 77,8
5 Cabo ................... 215,3 27,549 1,127,9
6 Flores .................. 221,6 28,526 1,128,7
7 Garanhuns ............... 224,6 46,581 1,207,3
8 Goiana ..................... 171,3 31,390 1,183,2
9 Limoeiro .................. 192 24,320 1,126,6
10 Nazaré ................... 278 15,772 1, 56,7
11 Paudalho .................. 617,6 12,196 1, 70,9
12 Recife ..................... 172 72,926 1,118,
13 Rio-Formoso ............ 378,7 25,475 1, 67,2
Província .......... 3,412 353,121 1,103,4
Ainda uma última observação sobre esta matéria: haven­
do na província 3,412 jurados, e devendo abrir-se 36 sessões
de juraúos de 48 membros cada uma, a saber: 6 na comarca
do Recife, e 30 nas outras, e respectivos termos, segue-se que
trabalham num ano somente 1,728 jurados, e que são neces­
sários 2 anos para que a cada jurado corra de novo o seu
turno, tornando-se portanto o trabalho sobremaneira leve,
sob este ponto de vista.
§ 3o Criminalidade. Até o fim do ano de 1841 se reu­
niam dois conselhos de jurados, — o de acusação, que pro­
nunciava definitivamente os réus, e o de sentença, que os
julgava, depois de ouvir a sua defesa, e acusação particular
ou pública. Depois daquela época, o primeiro dos referidos
conselhos desapareceu, em virtude do artigo 95, da lei núme­
ro 261, de 3 de dezembro de 1841. Trataremos de mostrar
o que ocorreu em cada um desses conselhos, desde o ano de
1837 até 1839, servindo-nos para esse fim dos mapas envia­
dos à presidência pelos juízes de direito, e do relatório da
mesma presidência à assembléia legislativa provincial, em
1839.
Io Juri de acusação. O número de acusados perante
este tribunal em cada um dos anos de 1837, 1838 e 1839, e
em cada uma das comarcas da província, distribuia-se pela
maneira seguinte:
Termo
C O M ARC AS
1837 1838 1839 médio
1 Santo-Antão ___ 20 24 18 20
2 Boa-Vista ....... Cal 39 14 17
3 Bonito ........... 42 (b) (b) 42
4 Brejo ............ 24 46 30 33
5 Cabo ............ (a) (al (a)
6 Flores ........... 34 34 79 45
7 Garanhuns ..... 24 (0 63 43
8 Goiana ........... 11 28 51 31
9 Limoeiro ........ 26 45 9 26
10 Nazaré ........... 20 14 19 17
11 Paudalho ........ (a) (a) (a)
12 Recife ........... 209 60 (d) 99 122
13 Rio-Formoso ___ 30 29 42 34
S O M A ..... 440 319 424 430

(a) Estas comarcas não estavam ainda criadas, e por isso não apre­
sentam o número dos réus julgados pelo juri.
(b) Tinha sido abolida a comarca, e reunida ã de Santo-Antão, por
lei provincial.
(c) Neste ano houve sessão de jurados nesta comarca.
(d) Faltam a 1“ e 2’ sessão ordinária dos jurados nesta comarca, e
por isso talvez o número dos criminosos se eleve a mais de 90. Nós con­
servamos o número de que temos documentos para os nossos cálculos.
Os indivíduos levados ao juri de acusação se tornaram
nas mesmas épocas e comarcas réus dos seguintes crimes:

NATUREZA DOS 1837 1838 1839 Termo


COMARCAS C RIM ES médido

I
fCrimespúblicos 1 1 ■f
1 Sto.-Antão ” partic. 3 23 15 13,6
” policiais 1 2 2 1,6
Crimespúblicos Não es- 5 1 3
2 Boa-Vista partic. tava 44 10 25
” policiais criada 2 2
Crimes públicos Foi abo- Conti-
3 Bonito .. partic. 37 lida nuou 37
" policiais 6 abolida 6
Crimes públicos 3 9 3 5
4 Brejo ... partic. 12 34 25 23,6
” policiais 8 3 9 6,6
5 Cabo ... Não estava criada
Crimes públicos 2 15 3 6,6
6 Flores .. ■ partic. 19 24 71 38
policiais 1 1 1 1
[Crimes públicos 2 Não teve 2 2
7 Garanhuns - partic. 14 sessão 40 27
i policiais 5 15 10
Crimes públicos 2 5 2 3
8 Goiana .. -{ partic. 12 17 33 20,6
policiais 5 10 21 12
Crimes públicos 2 4 3
9 Limoeiro . partic. 22 49 9 26,6
policiais 4 1 2,5
Crimes públicos 6 2
10 Nazaré .. ■ partic. 14 11 5 10
policiais 6 7 8 7
Crimes públicos 29 A 8 13
11 Recife .. partic. 126 I 38 95 86
policiais 47 | 13 12 24
Crimes públicos 3 I 6 1 4
12 Rio - Form. ■ partic. 20 l 19 20 17
policiais 3 2 2
\

Soma .................. 409 | 345 421


I

O supracitado número de crimes em cada um destes anos


não representa exatamente o número dos que se cometeram,
ou pelo menos aproximadamente, tanto porque nem todos os
réus pronunciados dentro dessa época eram logo levados ao
primeiro juri, como por ser impossível pronunciar a todos os
autores de fatos criminosos, por faltarem provas suficientes,
ou por serem esses réus desconhecidos, ou por efeito do medo
e condescendência dos ofendidos, testemunhas, e julgadores,
alegando-se e pretextando-se que não existiam fatos bastan­
tes para a pronúncia.

Se compararmos agora o número total dos acusados em


cada um dos anos referidos pertencente ao primeiro juri, com
a população oficial ou estimada da província, teremos os re­
sultados seguintes: Em
\ 800,7 .. ( oficial) }
1837 um acusado sobre \ 1:360,5 .. ( estimada) ) habitantes.
s 1:106,9 ..(o fic ia l) }
1838 um ” sobre\ 1:880,8 ..(estim ada) (habitantes.
í 832,8 .. ( oficial) }
1839 um ” sobrej 1:415 ...(estim a d a ) (habitantes.

Se porém quisermos comparar o termo médio dos acu­


sados em cada uma das comarcas com a respectiva popula­
ção oficial, achar-se-á o resultado seguinte:

Acusa­ Proporção entre aquela e estes


COMARCAS População
dos

1 Santo-Antão ... 19,822 20 1 acusado para 990 habitantes


2 Boa-Vista ....... 19,705 17 1 ” para 1169 "
3. Bonito ......... 10,753 42 1 ” para 255 "
4 Brejo ........... 18,106 33 1 " para 548 ”
5 Flores ........... 28,526 45 1 w para 633 "
6 Garanhuns .... 46,581 43 1 ” para 1083 "
7 Goiana ......... 31,390 31 1 ” para 1012 "
8 Limoeiro ....... 24,320 26 1 " para 935 n
9 Nazaré (a) .... 27,968 17 1 " para 1645 "
10 Recife .......... 100,575 122 1 " para 824 "
11 Rio-Formoso ... 25,475 34 1 para 749

Soma ......... 353,121 430

(a) Então se achava reunida com a do Paudalho.


Destas observações resulta que, a relação média dos acu­
sados para a população de cada comarca, varia de 1 sobre
255 habitantes, até 1 sobre 1645, e que a menos favorável des­
tas relações pertence à comarca do Bonito, e a relação oposta
a de Nazaré.

O quadro seguinte mostrará quantos réus foram julgados


com matéria para acusação, e quantos sem ela, em cada um
dos anos e comarcas indicados.

I
1837 1838 i 1839
I

TOTAL
Absolvidos

Pronuncia­

Absolvidos

COMARCAS
Pronuncia­

Absolvidos

Pronuncia­
dos

dos

dos
1 Santo-Antão ... 20 4 20 8 10 62
2 Boa-Vista ..... 3 36 3 11 53
3 B on ito.......... 16 26 42
4 Brejo .......... 24 28 18 20 10 100
5 Flores ........ 16 18 19 15 21 58 147
6 Garanhuns ___ 9 15 35 28 87
7 Goiana ........ 9 6 11 17 33 18 94
8 Limoeiro ..... 13 13 21 24 6 3 80
9 Nazaré .......... 9 11 4 10 15 A 53
10 Recife ......... 35 174 19 41 24 75 368
11 Rio-Formoso ... 6 24 8 21 24 18 101

Província ..... 157 287 j 117 202 189 235 1187

444 319 424


Se compararmos agora a relação tanto dos absolvidos nos
referidos anos para a relação dos acusados, como a relação
dos pronunciados para os mesmos acusados, acharemos a se­
guinte proporção:

Relação dos absolvidos Relação dos pronuncia­


A N O S para os acusados dos para os acusados

1837 ................... 157 para 849 287 para 849

1838 ................... 117 para 664 202 para 664

1839 ................... 189 para 845 235 para 845

S o m a ................... 463 para 2358 724 para 2358

A relação média, porém, dos absolvidos nestes anos para


os acusados, é de 4 para 21, e dos pronunciados no juri para
os mesmos acusados, é de 3 para 11.

Quanto à relação média de uns e outros para os acusa­


dos, dentro do mesmo espaço de tempo, fácil será achá-la à
vista dos esclarecimentos que subministram os mapas que
apresentamos.

Se destas observações passarmos a examinar o número e


qualidades dos crimes que foram levados ao conhecimento do
Io juri, com maior especificação do que já fizemos a páginas
148 e 149, acharemos o seguinte:
NATUREZA DOS C R IM E S 1837 1838 1839

r
Contra o livre exercício dos di­
reitos políticos ............ 1 1

Contra a segurança e tranqüili-


dade pública ................. 24 37 15
Crimes públicos ..
Contra a boa ordem e adminis­
tração pública .............. 15 4 8

Contra o tesouro e propriedade


pública .............. 4 7 3

Contra a segurança individual ... 208 192 260

Contra a honra .......... 18 11 10

Crimes particulares ■ Contra a liberdade ....... 1 4 3

Contra o estado civil e doméstico 1 2

Contra a propriedade ....... 52 52 48

Ajuntamentos ilícitos ....... 1 1

Crimes policiais .. Armas defesas ..... ....... 85 35 71

Nomes e títulos supostos ..... 1

Soma .................. áOâ Q/íc;

Dos dados acima apresentados vê-se: Io que o número dos


crimes contra as pessoas é muito superior não somente
ao dos crimes contra as coisas, mas também ao de todos os
crimes; e isto em conseqüência de não serem acusados os cri­
mes de furto, contentando-se os ofendidos com a entrega da
coisa furtada, e dispensando-se da acusação, todas as vezes que
ela tem lugar; 2o que os crimes contra as pessoas que mais
avultam, são os que ofendem a segurança individual, como
homicídios, tentativas de morte, ferimentos, & c.; 3o que o uso
,de armas defesas é freqüente; e que, não havendo entre nós
uma boa educação popular, muito concorre essa falta para a
extraordinária perpetração de crimes contra a pessoa dos cida­
dãos. Passemos agora a tratar do
2o Juri ou de sentença. Foram levados ao juri de senten­
ça, durante os anos de 1837, 1838 e 1839, nas comarcas da
província, os réus constantes do quadro infra:

Termo média
C O M A RC A S 1837 1838 1839 anual

1 Santo-Antão ....... 9 26 22 19
2 Boa-Vista .......... (a) 6 17 14
3 Bonito .............. 10 (b) (b) 10
4 Brejo ............... 4 23 3 10
5 Flores .............. 14 11 32 19
6 Garanhuns ........ 12 (Cl 14 13
7 Goiana .............. 6 27 23 18,6
8 Limoeiro ........... 13 3 6 7,3
9 Nazaré .............. 8 13 4 8,3
10 Recife .............. 158 59 73 96,6
11 Rio-Formoso ..... 10 9 27 15,3

Província .......... 2H 177 221 216,6

(a) Esta comarca foi criada em 1838, desmembrando-se de Flores.

(b) Foi abolida esta comarca em 1838, e reunida a de Santo-Antão.

(c) Não teve reunião de jurados este ano.


O quadro seguinte mostrará quantos destes réus foram
condenados, quantos os absolvidos, e quais aqueles cujos cri­
mes foram julgados peremptos, em cada uma das referidas
comarcas, e nos anos já indicados:

1837 llfJD 1839


Condenados

i Condenados

Condenados
Absolvidos

Absolvidos
Peremptos

COMARCAS

Absolvidos
Peremptos

Peremptos
1 Santo-Antão . 6 3 5 15 6 5 5 11
2 Boa-Vista ___ 2 4 12 4 1
3 Bonito ....... 3 7
4 Brejo ........ 3 1 3 20 1 2
5 Flores ........ 12 2 7 4 27 5
6 Garanhuns .. 6 5 1 A 8 2
7 Goiana ....... 4 2 15 12 15 8
8 Limoeiro ___ 11 2 2 1 1 5
9 Nazaré ....... 2 6 4 9 2 2
10 Recife ....... 52 106 10 47 2 23 42 8
11 Rio-Formoso . 4 5 1 3 6 13 7 7

Província ___ 103 139 2 51 118 8 101 88 31


Os crimes cometidos pelos réus supra-indicados se divi­
dem e classificam pela maneira seguinte, a saber:

NATUREZA DOS CRIM ES 1837 1838 1839

Contra a boa ordem e adminis-


tração pública ................... 4 4 6
Crimes públicos .. ■ Contra a segurança interna e pú-
blica tranquilidade .............. 10 9 3
Contra o tesouro e propriedade
pública ............................ 1 1
Contra o livre exercício dos pode-
res políticos ..................... 1
Contra a segurança individual .. 127 107 146
Contra a honra ..................... 7 6 10
Crimes particulares ■
Contra a propriedade ou coisas 43 39 43
Contra o estado civil e doméstico 3
Contra a liberdade individual ... 2 2 1

Ajuntamentos ilícitos ............ 1


Crimes policiais ..
Armas d e fe sa s...................... 54 19 16

Soma .............................................. 249 187 229

Comparando agora o termo médio tanto dos réus absol­


vidos e peremptos dentro destes anos como dos condenados
no 2o juri, com o dos réus que foram submetidos a segundo
julgamento, acharemos que os primeiros (absolvidos e pe­
remptos) estão para a totalidade dos réus na razão de 2,9
para 6,4, e que os segundos (condenados) estão na razão de
3 para 6.
Comparando o número total dos condenados pelo juri,
com a população oficial, ou estimada da província, achare­
mos os seguintes resultados. Em
1837 um condenado sobre j 2:540,4 . . . (oficial ) )
\4:316,5 . . . ( estimada ) f habitantes.
1838 um dito sobre J 2:992,6 . . . ( oficial ) \
\5:084,7 . . . ( estimada ) j habitantes.
1839 um dito sobre f 4:012,7 . . . ( oficial ) |
| 6:818.1 . . . ( estimada ) | habitantes.

Se quisermos, porém, fazer essa comparação a respeito


de cada comarca, pelo termo médio dos condenados nos três
anos indicados, acharemos as relações seguintes:
COMARCAS HABITANTES COMARCAS HABITANTES

1 Sto.-Antão 1 condenado sobre 212 7 Goiana ..... 1 dito sobre 274


2 B.-Vista . 1 dito sobre 607 8 Limoeiro .... 1 dito sobre 451
3 Bonito ... 1 dito sobre 564 9 Nazaré ..... 1 dito sobre 672
4 Brejo ___ 1 dito sobre 658 10 Recife ....... 1 dito sobre 144
5 Flores ... 1 dito sobre 312 11 Rio-Formoso . 1 dito sobre 276
6 Garanhuns 1 dito sobre 552

Quanto às penas que foram impostas aos réus condenados


em cada um dos anos de que temos tratado, eis o que de­
monstrará o quadro seguinte, com a necessária especificação
da sua qualidade e Quantidade:

P E N A S 1837 1838 1839

Morte .................................... 6 11 4
Galés perpétuas .......................... 10 24 18
temporárias ...................... 10 13 7
PrlsSo temporária com trabalho .... 3 3 15
simples .......................... 98 64 48
Desterro .................................... 1 1
Multa ................................. 29 11
Açoites ..................................... 8 1
Degredo .................................... 3

Total ......................... 139 146 103


Os mapas seguintes demonstram não somente quanto
temos dito, mas também quantos réus são autores ou cúm­
plices dos delitos; quantos foram acusados pela justiça, ou
pelos particulares ofendidos; qual a sua idade, naturalidade,
estado, condição, sexo, cor, ciência e indústria, assim dos que
compareceram no Io juri, como dos que se apresentaram no
segundo. E porque o Sr. Dr. Manoel Teixeira Peixoto, quan­
do juiz de direito da comarca do Rio-Formoso, nos ministrou
um mapa resumido da administração da justiça criminal
nesta comarca, desde 10 de março de 1834 até 26 de julho
de 1841, tempo em que nela serviu, julgamos também do
nosso dever adí-lo a esta obra, como um documento curioso
e interessantíssimo, e como um sinal de nossa gratidão.
3o Réus não-pronunciados. Até aqui temos tratado dos
réus pronunciados, que tiveram de responder pelos seus cri­
mes perante o tribunal dos jurados; agora passaremos a tra­
tar daqueles que deixaram de ser pronunciados, ou que, em
virtude das leis provinciais, foram julgados definitivamente
pelos juízes de direito.

Segundo as informações dos juízes de direito, relativas


aos anos de 1838 e 1839, deixaram de ser pronunciados por
falta de provas, ou por não serem conhecidos os deliqüentes,
os crimes seguintes, nas comarcas abaixo declaradas:

COMARCAS 1838 1839 Total CRIM ES 1838 1839

Armas defesas .. 3
1 Sto.-Antão 4 4 Calúnias e injúrias 2
2 Boa-Vista 2 Contrabando ..... 2
3 Bonito .. abolida Desobediência ... 1
4 Brejo ___ (a) Ferimentos graves 6
5 Flores ... 4 leves . 6
6 Garanhuns 16 Furto .............. 4
7 Goiana .. 14 8 Homicídios ....... 34
8 Limoeiro . 2 ta) Ofensas físicas .. 1
9 Nazaré .. 2 4 Perjúrio ........... 1
10 Recife .. 21 24 Resistência ..... 5
11 Rio-Form. 15 ~8 Roubo ............ 1
Tentativa de morte 2
Tirada de presos . 2

Soma ... 70 Soma ....... 70

(a) Segundo participou o respectivo juiz de direito, em ofício de


7 de junho de 1840, não houve processos julgados improcedentes neste
ano.
Pronúncia
Crimes Circunstân­ Procedi­ Corpo de Decisão

Qualidade dos crimes


• Crimes particulares
Condição cias dos mento ju­
Crimes públicos policiais delito do júri
crimes dicial
Estado Cor Indústria

1
Naturalidade
Contra

Instrução
Livres
Contra as pessoas
Idades Contra as
coisas

j
A boa ordem e O Tesouro e
Segurança Honra

A segurança interna do império


Administração propriedade
C O M A R C A S pública individual

O livre gozo, e exercício dos


pública

Contra a liberdade individual

Com matéria para acusação

Sem matéria para acusação


I
direitos públicos do cidadão

Prevaricação, abuso e omis­


são dos empregos públicos

Destruição e danificação

Nomes e títulos supostos


Sabendo ler e escrever

; e pública tranqüilidade

Entrada na casa alheia

A prisão e livramento
Menores de 14 anos
De mais de 14 anos

Empregado público

Calúnias e injúrias
Abertura de cartas
de bens públicos
Como cômplices

Armas -defesas
Como autores

Por denúncia
Estrangeiros

Comerciante

Moeda falsa
Analfabetos

Sem ofício

Ferimentos

Atenuantes
Agravantes
Infanticídio
Brasileiros

Por queixa
Agricultor

Homicídio
Mulheres

Falsidade