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Índice

1. Introdução..............................................................................................................................1

2. Objectivos..............................................................................................................................1

2.1. Objectivo geral................................................................................................................1

2.2. Objectivos específicos.....................................................................................................1

3. Metodologia...........................................................................................................................1

4. A Filosofia Africana...............................................................................................................2

4.1. Origem da Filosofia Africana..........................................................................................2

4.2. Origem do mito da inferioridade do negro Kant, Hegel, Montesquieu, Hume e Brihul. 3

4.3. Reacções e atitudes ocidentais.........................................................................................4

4.4. O estatuto da oralidade e a filosofia em África...............................................................5

4.5. Principais correntes da Filosofia Africana......................................................................6

4.5.1. O Pan-africanismo....................................................................................................6

4.5.2. A Negritude...............................................................................................................7

4.5.3. A Etnofilosofia..........................................................................................................7

4.5.4. A Filosofia da Libertação.........................................................................................8

4.6. A Sagacidade Filosófica..................................................................................................8

5. A Filosofia Política Africana.................................................................................................9

5.1. Negritude (filosofia cultural)...........................................................................................9

5.2. Filosofia profissional académica...................................................................................10

5.3. A Filosofia Africana Moderna.......................................................................................10

6. Conclusão.............................................................................................................................12

7. Referencias Bibliográficas...................................................................................................13
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1. Introdução
Em um sentido, a filosofia africana é explicada ou definida em oposição à filosofia em outros
continentes, mas em particular à filosofia ocidental ou europeia. Assume-se que existe uma
maneira de pensar ou um quadro conceitual que é exclusivamente africano e que é ao mesmo
tempo radicalmente não europeu. Portanto, a filosofia africana é concebida como um corpo
de pensamentos e crenças produzidos por essa maneira única de pensar.

A filosofia africana é vista não como um fenómeno peculiarmente africano (pois a maioria
dos problemas filosóficos transcendem os limites culturais e raciais), mas apenas como um
corpus de pensamentos decorrentes da discussão e apropriação de ideias filosóficas autênticas
por africanos ou dentro do contexto africano. A filosofia africana, neste sentido, é
considerada em termos de contribuição africana passada, presente ou potencial para a
filosofia no sentido estrito do termo.

Neste presente trabalho, pretendo abordar sobre a Filosofia Africana, a origem da filosofia
africana, origem do mito da inferioridade do negro segundo alguns filósofos como Kant,
Hume, Montesquieu, reacções e atitudes ocidentais, as correntes da filosofia africana, o
estatuto da horalidade em África, Sagacidade filosófica, A Filosofia Política Africana, a
filosofia cultural (negritude), a filosofia profissional académica e a filosofia moderna.

2. Objectivos

2.1. Objectivo geral


 Compreender a Filosofia Africana com vista em alguns filósofos

2.2. Objectivos específicos


 Conceituar a Filosofia Africana;
 Analisar o Origem do mito da inferioridade do negro segundo alguns filósofos;
 Descrever as principais correntes da Filosofia Africana.

3. Metodologia
Para a realização deste trabalho, utilizou-se o método de revisão de abordagem (revisão
bibliográfica), que consiste na recolha de informações de sites da internet, assim como
informações dos livros.
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4. A Filosofia Africana
A filosofia é essencialmente uma actividade reflexiva. Filosofar é reflectir sobre a
experiencia humana para responder algumas questões fundamentais a seu respeito. Quando o
ser humano reflecte buscando a si mesmo ou o mundo que a cerca, ele está tomada pelo
"espanto" e essas questões fundamentais surgem na sua mente.

A filosofia africana é usada de diferentes formas por diferentes filósofos. Embora os filósofos
africanos gastam seu tempo fazendo o trabalho nas mais diversas áreas, tais como a
metafísica, epistemologia, filosofia moral, filosofia política, uma grande parte da literatura é
retomada com um debate sobre a natureza da filosofia Africano si mesmo e se ele de facto
existe. Na primeira visão, a filosofia africana seria aquela que envolve temas africanos ou que
utiliza métodos que são distintamente africanos. Na segunda visão, a filosofia africana seria
qualquer filosofia praticada por africanos ou pessoas de origem africana.

O terceiro passo é tomado quando o ser humano começa a reflectir sobre estas questões
fundamentais na busca de respostas. Neste estágio, o homem em questão está filosofando, se
ele registar suas reflexões temos por escrito um trabalho filosófico.

4.1. Origem da Filosofia Africana


De fato as reflexões filosóficas de pensadores africanos não foram preservadas ou
transmitidas através de relatos escritos; a verdade é que esses filósofos permanecem
desconhecidos para nós.

Porém, isso não significa que eles não tenham existido; nós temos fragmentos de suas
reflexões filosóficas e suas perspectivas foram preservadas e transmitidas por meio de outros
registos escritos como mitos, aforismos, máximas de sabedoria, provérbios tradicionais,
contos e, especialmente, através da religião.

Portanto, estas reflexões e pontos de vista têm transformado, ao longo dos anos durante o
processo de transmissão, parte do modo de vida africano, da cultura e património africanos.
Porém, os autores de perspectivas originais e individuais permanecem desconhecidos para
nós. Ainda que nós saibamos que essas perspectivas têm sido fruto de profundas e
interessantes reflexões de alguns pensadores africanos no passado.
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A filosofia tradicional africana surgiu a partir de pensadores individuais, filósofos que


reflectiram sobre questões fundamentais que surgiram da experiência humana. Professor
Wiredu diz que elas são propriedades de todos; mas, isso não que elas foram produzidas por
todos.

A filosofia africana não deve ficar restrita à filosofia tradicional, devemos incluir filósofos
africanos contemporâneos como Kwame Nkrumah, Leopold S. Senghor, Nyerere e Kwasi
Wiredu. Os três primeiros são pessoas públicas que têm contribuído imensamente com a
filosofia política africana contemporânea, o último nome, Kwasi Wiredu, é um filósofo
académico, professor de filosofia. Sem dúvida, existem outros filósofos em departamentos de
filosofia por toda a África.

4.2. Origem do mito da inferioridade do negro Kant, Hegel, Montesquieu, Hume e


Brihul
O povo africano foi vítima da colonização europeia, assim, estamos a entrar na questão
histórica. Com as viajem apelidadas “descobrimento” os europeus conheceram ouros povos
que foram julgados em comparação com os usos e costumes da cultura ocidental, com mais
destaque ao povo negro o qual estaremos falando relacionalmente as estas culturas.

A teologia, a filosofia e o direito desempenharam em papel fundamental neste processo a


saber:

Teologia, definiu o povo negro como descendente de Cham, um homem que viu a nudez do
seu pai. Portanto, o homem negro aparece como símbolo de maldição. Neste caso, o negro
pertenceria a geração dos condenados de Deus.

Na filosofia, Voltaire afirma, na sua obra história do século XIV, que o povo mais elevado é
o francês e o mais baixo é o africano.

Temos também a declaração de alguns filósofos como:

David Hume, (1711-1776) filosofo empirista inglês. Se por um lado duvidava da veracidade
(muito comum na sua época). De que os negros eram por natureza inferiores aos brancos, por
outro lado mostrou-se duvidoso para reconhecer a sua racionalidade. Para ele, raramente se
encontra pessoas civilizadas entre os negros, nem sequer um indivíduo que tinha-se
notabilizado na acção ou na especulação.
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Charles de Montesquieu (1689-1755) afirma que o negro não tem alma. Já em 1748 aludia a
dificuldade de admitir a humanidade dos negros porque de contrário implicaria colocar sob
suspeito o carácter cristão dos europeus (dados as torturas a que os europeus lhes sujeitaram).

Emanuel Kant (1720-1804) – não escapou a tendência de fazer uma leitura comparando as
restantes raças em função da raça branca-europeia. Ele classificou quatro raças dispostas da
seguinte ordem hierárquica: Raça branca, amarela, negra, e rosa. A classificação das raças
corresponde a uma ordem inversa de inferioridade das raças de tal sorte que a raça negra
situa-se apenas um pouco acima da dos índios. Na opinião de Kant, essa inferioridade racial e
hereditária, portanto, biológico.

Levy-Brihul (1857-1939) – antropólogo francês, dedicou alguns ânus da sua vida a estudo
dos povos africanos. A sua tese e que o povo africano possui uma mentalidade primitiva, pré-
lógico, não conceptual. Mais tarde, numa publicação póstuma (Les Carnets de 1949) ele
aparece a retratar a sua tese, admitindo a coexistência de ambas mentalidades no homem
negro: A primitiva e científica.

Georg Hegel (1970-1831) O pensamento de Hegel sobre a África determinou sobremaneira a


ideia geral dos europeus sobre os africanos, como povos de religião, economia, administração
e lógica inferior, povos com atributos de “primitivos” e “selvagens”. Para Hegel a África
subsariana é inocente, não conhece a razão os seus povos não são capazes de filosofar. Aliás,
eis alguns períodos retirados do seu livro a razão na história: “O africano não pensa, não
reflecte, não raciocina sem necessidades. Possui uma memoria prodigiosa, grandes dotes de
observação e de limitação, uma grande felicidade do uso da palavra. Mas as sua capacidades
de raciocinar e de invenção continuam adormecidos. Elaborar um plano esta acima das suas
capacidades. Para Hegel os africanos são povo sem história e, por consequência, desprovidos
de humanidade.

4.3. Reacções e atitudes ocidentais


Não restam dúvidas, portanto de que o ocidente desencadeou uma teoria de dominação que
gerou um profundo complexo de inferioridade nos africanos. George Padmore, diz que este
facto provocou uma crise no pensamento, na palavra e no agir do homem africano. O
africanista promovia, direita ou indirectamente, uma antropologia triunfalista, cujas teorias e
doutrinas exaltavam ema classe que se auto proclamava herdeira exclusiva da humanidade
inteira.
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Por esta razão arrogava-se o direito de destruir, assumir ou “esmagar” os outros povos. Este
tipo de antropologia poderia ser classificada como um verdadeiro “vandalismo” cultural,
narcisista agressiva e destruidor, como defende Lecrec na sua obra crítica da antropologia.

A conquista mas tarde as ciência sócias e humanas realizaram novas abordagens adoptando
uma visão em relação as culturas não-ocidentais. Passaram a reconhecer que toda cultura
representa uma determinada civilização, independentemente da sua localização geográfica,
histórica, social e económica. Contudo, não nos podemos esquecer de que o período em que a
população africana viveu todas estas discriminações foi tão longo e profundo que ainda hoje
estas se encontram bem vivas na sua memória.

Tal condiciona o seu comportamento. Este fenómeno não só influenciou a mentalidade


Europeia, como também deixou marcas na mentalidade do próprio povo negro. Visto que a
sua auto-estima ficou verdadeiramente afectada. A intervenção do filosofo africano ganha
efeito dando a projecção do futuro homem africano, consciencializá-lo que ele e igual ao
branco seu patrão.

Esta tarefa difícil e árdua continua a ser realizada pelo filósofo africano. O pensamento
autêntico negro não se pode compreender se não pela referencia a qual já foi anteriormente a
implementação das religiões reveladas, o cristianismo e o islão de hoje esta muito
impregnado.

Os seres estão hierarquizados até um ser supremo que por vezes e confundido com um
ancestral. São todas energias vivas, forcas que estão submetidas ao principio da interacção e
que como as forca na física e na mecânica podem adicionar se, destruir se e neutralizar-se. O
reverendo Tempels designava-os «forcas vitais» na sua interpretação da filosofia banto.

4.4. O estatuto da oralidade e a filosofia em África


Uma das questões mais discutidas entre os pensadores africanos é a questão do estatuto da
oralidade africana.

Entre os filósofos africanos de hoje parece haver duas escolas básicas de pensamento acerca
deste tema. A primeira sustenta que a filosofia africana é um pensamento especulativo que
subjaz nos provérbios, nas máximas, nos costumes e que os africanos de hoje herdaram dos
seus antepassados através da tradição oral. Deste modo a função, a função do filósofo
africano, no que se refere à filosofia africana, é a de coleccionar, interpretar e difundir os
provérbios, contos folclóricos, mitos assim como outro material deste tipo.
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O representante mas distinto desta escola é John Mbiti. Ele diz que a África embora exista
filosofia Africana, esta encontra-se desenvolvida modernamente no conhecimento e reflexão,
em contra partida acentuada a importância do debate e a inevitabilidade do pluralismo: Paulin
Hountondji um dos pensadores da segunda escola “ African philosophy, Myth and reality
(1974) ”.

Outro aspecto que os filósofos africanos têm debatido é o que parece sustentar que em África,
embora exista filosofia não há filósofos; que dizer, em África a filosofia é integralmente
colectiva, comunal e não uma actividade individual.

Este enfoque da filosofia humana também não considera a interpretação do pensamento


comunal tradicional como sendo uma realização adequada à função crítica da filosofia. Em
contrapartida, acentua a importância do debate e a inevitabilidade do pluralismo.

Hountondji dá ênfase especial à importância que tem a escrita na criação de uma tradição
filosófica moderna. A filosofia africana segundo este autor é um tipo de literatura produzido
por africanos e que versa sobre problemas africanos.

Para esta tendência é atribuída um discurso que se assenta no humanismo e na visão holística
das culturas africanas e na possibilidade de se resgatar o passado africano que se via acaba
com a colonização.

4.5. Principais correntes da Filosofia Africana


As principais correntes da filosofia africana são: Pan-africanismo, Negritude, Etnofilosofia,
Filosofia da libertação.

4.5.1. O Pan-africanismo
O pan-africanismo é uma ideologia que propõe a união de todos os povos de África como
forma de potenciar a voz do continente no contexto internacional. Relativamente popular
entre as elites africanas ao longo das lutas pela independência da segunda metade do século
XX, em parte responsável pelo surgimento da Organização de Unidade Africana, o pan-
africanismo tem sido mais defendido fora de África, entre os descendentes dos escravos
africanos que foram levados para as Américas até ao século XIX e dos emigrantes mais
recentes.

A teoria pan-africanista foi desenvolvida principalmente pelos africanos na diáspora


americana descendentes de africanos escravizados e pessoas nascidas na África a partir de
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meados do século XX como William Edward Burghardt Du Bois e Marcus Mosiah Garvey,
entre outros, e posteriormente levados para a arena política por africanos como Kwame
Nkrumah.

Normalmente se consideram Henry Sylvester Williams e o Dr. William Edward Burghardt


Du Bois como os pais da Pan-Africanismo. No entanto, este movimento social, com várias
vertentes, que têm uma história que remonta ao início do século XIX. O Pan-Africanismo tem
influenciado a África a ponto de alterar radicalmente a sua paisagem política e ser decisiva
para a independência dos países africanos. Ainda assim, o movimento tem conseguido dois
dos seus principais objectivos, a unidade espiritual e política da África, sob o pretexto de um
Estado único, e pela capacidade de criar condições de prosperidade para todos os africanos.

4.5.2. A Negritude
Negritude, foi o nome dado a uma corrente literária que agregou escritores negros
francófonos e também uma ideologia de valorização da cultura negra em países africanos ou
com populações afro-descendentes expressivas que foram vítimas da opressão colonialista.

Considera-se geralmente que foi René Maran, autor de Batouala, o precursor da negritude.
Todavia, foi Aimé Césaire quem criou o termo em 1935, no número 3 da revista L'étudiant
noir ("O estudante negro").

A negritude insere-se no pan-africano, mas e imbuída de um carácter cultural e literário. Tal


como o pan-africano nasceu fora de África, os mentores deste projecto eram membros de
profissões liberais.

Em suma, a negritude também tinha pretensões políticas, conquanto protestava contra a


atitude colonialista, lutando pela emancipação do povo, a título de exemplo o poema de
Noémia de Sousa, let my people go/ deixa passar o meu povo.

4.5.3. A Etnofilosofia
O termo Etnofilosofia tem sido usado para designar as crenças encontradas nas culturas
africanas. Tal abordagem trata a filosofia africana como consistindo em um conjunto de
crenças, valores e pressupostos que estão implícitos na linguagem, práticas e crenças da
cultura africana e como tal, é visto como um item de propriedade comum. Um dos defensores
desta proposta é Placide Tempels, que argumenta em filosofia bantu que a metafísica do povo
Bantu são reflectidas em suas linguagens. Segundo essa visão, a filosofia africana pode ser
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melhor compreendido como surgindo a partir dos pressupostos fundamentais sobre a


realidade reflectida nas línguas da África.

4.5.4. A Filosofia da Libertação


A Filosofia da Libertação é uma Filosofia Latino-americana que nasceu como movimento
filosófico na América Latina, inclusive foi o primeiro movimento que problematizou a
possibilidade de uma Filosofia Latino-Americana e por isso, há uma discussão se a Filosofia
Latino-Americana só o é, se Filosofia da Libertação.

O Movimento se mostra, notadamente entre os anos 1960 e 1970 (há controvérsias sobre a
data), nasce como correlato filosófico da Teologia da Libertação, Pedagogia do Oprimido,
Psicologia da Libertação, Sociologia da Libertação, Direito da Libertação (Direito
Alternativo), Antropologia da Libertação, Economia da Libertação...

Tem como um de seus momentos marcantes a publicação em 1968 da obra Existe uma
filosofia da nossa América, pelo peruano Augusto Salazar-Bondy. Em seu texto (não
traduzido para o português), o autor faz um apanhado histórico e defende uma tese que afirma
a inexistência de uma filosofia propriamente latino-americana. Em resposta, o mexicano
Leopoldo Zea publica, em 1969,

4.6. A Sagacidade Filosófica


A sagacidade filosófica (Sage Philosophy, literalmente "filosofia do sábio") é uma espécie de
visão individualista da Etnofilosofia.

Foi criada na década de 1970 por Henry Odera Oruka e consiste no registo das crenças dos
"sábios" das comunidades tradicionais africanas. A premissa aqui é que, embora a maioria
das sociedades exija algum grau de conformidade de crença e comportamento de seus
membros, alguns desses membros (os sábios) chegam a níveis superiores de conhecimento e
entendimento de suas culturas e visão de mundo. Em alguns casos, o sábio vai além do mero
conhecimento e compreensão, atingindo a reflexão e o questionamento, tornando-se, então,
exemplo de sagacidade filosófica.

Os críticos dessa abordagem argumentam que nem todos os questionamentos e reflexões são
filosóficos. Além disso, se a filosofia africana for definida apenas em termos de sagacidade
filosófica, então os pensamentos dos sábios não poderiam se enquadrar na filosofia africana,
pois não foram obtidos de outros sábios. Também, por esse ponto de vista, a única diferença
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entre os antropólogos não africanos e os filósofos africanos seria apenas a nacionalidade do


pesquisador.

5. A Filosofia Política Africana


Por filosofia política africana entende-se o conjunto de pensamento a emancipação e o
conhecimento do homem negro, quer dentro do seu continente, quer fora dele. A filosofia
política africana contém o pensamento de vários autores e tem com objectivo a libertação
física e psíquica do julgo colonial do continente africano.

Esta corrente é constituída de um grupo de escritores e intelectuais africanos que, em serem


propriamente filósofos políticos no sentido moderno do termo – com que se apelidam
pensadores como Maquiavel ou Hobbes, Locke, Rousseau ou Montesquieu, entre outros,
dedicaram-se a reflectir sobre o regime de governo que fosse apropriado aos povos africanos,
que respeitasse e salvaguardasse os seus valores culturais, entre outros assuntos.

Ou seja, este grupo, constituído principalmente por figuras políticas como Kwame Nkrumah,
Julius Nyerere, Kenneth e Albert Luthuli, para mencionar apenas uns poucos, interessa-se por
criar um futuro socioeconómico e político para África. Uma vez mais, excepção deve ser feita
a Senghor, que além de político, é poeta e filósofo por direito próprio.

Não obstante, estes escritores encontram-se numa situação politicamente privilegiada, pois,
no meio do povo predominantemente analfabeto ou sem educação, têm um horizonte muito
mais amplo para a criatividade política. Seus povos vêem-nos como mestres, figuras paternas
e, às vezes, como os sábios “Filósofos-reis” de Platão.

5.1. Negritude (filosofia cultural)


A negritude insere-se no pan-africano, mas e imbuída de um carácter cultural e literário. Tal
como o pan-africano nasceu fora de África, os mentores deste projecto eram membros de
profissões liberais, Estudantes, eclesiásticos, intelectuais e políticos. A negritude pretendia a
união de todos os negros.

Aimé Césaire, Leopold Senghor, e mais tarde a revista presencie africane e os congressos de
escritores e artistas negros dão a ideia da unidade africana sob formal cultural. Os maiores
impulsionadores da negritude (Césaire, senhor, damas), resumiram o projecto em 3 conceitos:
identidade – consiste em o negro assumir plenamente a sua condição; fidelidade – atitude que
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traduz a ligação do Homem negro a terra-mãe; solidariedade – sentimentos que liga


secretamente todos os irmãos negros.

Em suma, a negritude também tinha pretensões políticas, conquanto protestava contra a


atitude colonialista, lutando pela emancipação do povo, a título de exemplo o poema de
Noémia de Sousa, let my people go/ deixa passar o meu povo.

5.2. Filosofia profissional académica


A filosofia académica ou também filosofia profissional, entende a filosofia como uma área do
saber humano que se caracteriza por um caminho particular de pensar, reflectir e raciocinar,
dentro de uma orientação geral.

Em relação à África, não é tarefa fácil traçar um perfil dessa filosofia académica moderna
devido à dificuldade de comunicação. Assistimos ainda na fase da época colonial à
institucionalização da Etnofilosofia e teologia africanista como pensamento filosófico em
algumas universidades sob influência da igreja católica. Encontramos a filosofia analítica em
universidades da área colonial britânica, a filosofia de origem francesa na respectiva área
colonial, ou, parafraseando as palavras iniciais de Fanon, as bandeiras filosóficas das nações
colonizadoras marcam presença nas poucas universidades que o poder colonial institui.

Neste trabalho, Hountondji e Wiredu representam diferenças do pensamento filosófico


académico, para além também do seu enraizamento nas e do relacionamento intelectual real
com as suas respectivas culturas de origem. Hountondji vem do marxismo académico francês,
Wiredu, em contrapartida, da filosofia analítica inglesa, proveniências académicas e culturais
essas que também se traduzem nos modos de referenciar as suas origens culturais.

Hountondji é considerado o ‘Decano’ da filosofia académica moderna em África por muitos


intelectuais africanos - sobretudo por aqueles radicados em países europeus e americanos -,
constituindo o seu trabalho um in/discutível ponto de referência.

5.3. A Filosofia Africana Moderna


Houve filosofia pré-modernista na África Subsaariana. O ganês Anton Wilhelm Amo é um
importante representante. Ele foi levado pela Companhia das Índias Orientais para a Europa,
onde adquiriu diplomas nas áreas da medicina e da filosofia, chegando a leccionar na
Universidade de Jena.
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Em termos de filosofia política, a independência da Etiópia e o exercício da independência


dos nativos africanos frente ao colonialismo europeu serviram como gritos de guerra no final
do século XIX e início do século XX, e foram determinantes para os movimentos de
independência de grande parte dos países africanos durante o século XX.

O filósofo queniano Henry Odera Oruka distinguiu o que ele chama de quatro tendências na
filosofia africana moderna: Etnofilosofia, sagacidade filosófica, filosofia ideológica
nacionalista e filosofia profissional.

Mais tarde, Oruka adicionaria mais duas categorias: a filosofia literária/artística, que teve
representantes como Ngugi wa Thiongo, Wole Soyinka, Chinua Achebe, Okot p'Bitek, e
Taban Lo Liyong; e a filosofia hermenêutica.

Maulana Karenga é um dos principais filósofos. Ele escreveu um livro de 803 páginas
intitulado "Maat, o ideal moral no Egipto Antigo".
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6. Conclusão
Neste trabalho, depois de ter feito a leitura do trabalho, conclui que A filosofia, enquanto
resultado dos trabalhos individual dos filósofos, é um factor essencial para passar da
“reprodução do conhecimento” para a “produção de pensamento”, tarefas primordiais, em
primeiro lugar, das instituições universitárias, tanto da Europa como da África.

A filosofia africana entende que a conceptualização do universal e do particular com a sua


origem histórica no pensamento europeu tem criado obstáculos normativos à compreensão do
pensamento, da cultura e da história africanas na sua verdadeira dimensão humana.

A juventude do continente africano e a aparição de autênticos filósofos africanos cujo


crescimento é exponencial numa região que será, dentro de algumas décadas, a mais populosa
e jovem do mundo (2 mil milhões de habitantes antes do fim de século XXI, mais numeroso
do que a China ou a Índia), abrirá caminho a uma nova modernidade que não poderá deixar
de favorecer a própria universalidade dos valores e a eficácia dos princípios.

Revisitar o passado não é certamente um exercício inútil. As lições que for possível tirar da
sabedoria (ou da filosofia) das sociedades tradicionais africanas, mesmo as de conteúdo
considerado metafísico ou teológico-filosófico, como no caso do estudo de Placide Tempels,
podem revelar percepções – ou estimular intuições – que favoreçam novas hermenêuticas,
motivando ideias criativas assentes na realidade concreta reinterpretada que poderão ajudar a
encontrar respostas até aqui inexistentes.

A importante crítica de Paulin Hountondji, natural da Costa do Marfim, à Philosophie


Bantoue de Placide Tempels (que nos vai tomar aqui algum tempo), classificando-a, no plano
científico, não como obra filosófica do ponto de vista científico mas como uma Etnofilosofia
(generalização abstracta de uma interpretação metafísica da etnologia) parece ter alguma
justificação embora ela não chegue a pôr em causa a importância da obra de Temples, a sua
boa-fé pessoal, nem tão pouco a percepção fundamentalmente anti-racista no propósito desse
missionário.

Outro crítico da obra de Tempels é o filósofo camaronês Fabien Eboussi Boulaga. Passo
sobre a crítica excessiva feita por Serequeberhan13, natural da Eritreia, que não se me afigura
ser de inteira boa-fé. Em compensação, o talentoso V.Y Mudimbe (congolês) é mais
moderado e tolerante.
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7. Referencias Bibliográficas
GEQUE, Eduardo & BIRIATE, Manuel, pré-universitário-filosofia 12. 1ª Edição. Maputo,
Longman Moçambique Lda., 2010.

UNESCO (org.). (1979). Sociopolitical aspects of the palaver in some African countries.
Paris: UNESCO

Ngoenha, S. E. (1993). Das independências às liberdades: Filosofia africana. Maputo:


Edições Paulistas – África.

https://vieiramiguelmanuel.blogspot.com/2015/06/principais-corrente-da-filosofia.html

https://vieiramiguelmanuel.blogspot.com/2015/06/etnofilosofia-trabalho-elaborado-por.html

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAhN50AE/filosofia-11-12-classe?part=7

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