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EMPREENDEDORISMO

- COMPREENDENDO EMPREENDEDORISMO

Para sintetizar essa perspectiva, uma citação de Read et al. (2011, p. 17-18) é bastante
pertinente para compreendermos uma oportunidade.

• Ideia = alguma coisa + você

• Oportunidade = ideia + ação

• Ação = função (interação) do dinheiro, produto e parceiros

• Viabilidade = oportunidade + comprometimento

- TIPOS DE EMPREENDEDORISMO

Para explicar essas tipologias, vamos utilizar a classificação de Dornelas (2007), que
considera os empreendedores como:

■ Empreendedor nato (mitológico) – em sua maioria, são imigrantes ou filhos destes, são
visionários, 100% comprometidos com seu sonho, otimistas, normalmente começaram do
nada e cedo adquiriram habilidade de negociação e venda.

■ Empreendedor que aprende (inesperado) – é uma pessoa que, quando menos esperava,
descobriu uma oportunidade, então, ele mudou a vida e resolveu abrir o próprio negócio.
Normalmente, demora a tomar a decisão de empreender e a acostumar-se com ela.

■ Empreendedor serial (criar novos negócios) – é uma pessoa apaixonada por empreender,
assim, não consegue estar à frente de seu negócio até que se torne uma grande corporação,
por isso está sempre interessado em novos negócios. Sua maior habilidade é identificar
oportunidades e não descansar enquanto não conseguir viabilizar sua implementação.

■ Empreendedor corporativo – podem ser executivos que assumem riscos e possuem


habilidades de comunicação e negociação. Também chamado de intraempreendedor, ocorre
quando os colaboradores realizam iniciativas empreendedoras dentro dos próprios negócios,
visando o aperfeiçoamento da gestão. O intraempreendedor é um indivíduo que trabalha em
prol do desenvolvimento de uma organização e possui um papel de destaque pela postura
proativa. Nem sempre exerce um cargo gerencial, mas sempre está disposto a contribuir com
o desenvolvimento das pessoas e do negócio.

■ Empreendedor social – tem como missão de vida a construção de um mundo melhor para as
pessoas. É um empreendedor como os outros, com a diferença de não buscar construir um
patrimônio próprio, mas prefere compartilhar seus recursos e contribuir para o
desenvolvimento humano.

■ Empreendedor por necessidade – cria seu próprio negócio, porque não tem outra
alternativa, está fora do mercado de trabalho e não resta outra opção a não ser trabalhar por
conta própria. Praticamente não tem acesso à formação, recursos e a uma maneira
estruturada de empreender, por isso, normalmente, trabalha na informalidade e de maneira
pouco planejada, o que favorece o não sucesso do empreendimento.

■ Empreendedor por herdeiro (sucessão familiar) – herdam o negócio da família e,


normalmente, aprendem cedo a ter responsabilidades e como o negócio funciona.
Atualmente, a família tem se preocupado com a preparação do sucessor familiar e com a
profissionalização da gestão.

■ Empreendedor “normal” (planejado) – esse é o empreendedor que faz a lição de casa,


buscando minimizar os riscos do negócio por meio do planejamento de suas ações. Como o
planejamento tem sido um pré-requisito para os empreendedores com história de sucesso,
acredita-se ser normal a sua utilização, embora não seja o caso da maioria.

- FRANQUIA COMO FORMA DE EMPREENDEDORISMO

Pelo fato de o empreendedor filiar-se a uma empresa com produtos e serviços já


existentes, há uma parceria que deve ser bem solidificada, porque duas partes estão
diretamente envolvidas: o detentor do negócio e aquele que deseja a autorização para
representar a empresa que, em troca, paga remuneração sem que, necessariamente, exista
vínculo empregatício.

De acordo com Ferreira et al. (2010), uma franquia, em geral, pode ser:

■ De produtos e marcas – o franqueador concede ao franqueado o direito à obrigação de


comprar os seus produtos e utilizar a sua marca.

■ De negócios – o franqueador proporciona ao franqueado a “fórmula” para fazer o negócio,


além de formação, treinamento de colaboradores, publicidade e outras formas de assistência
técnica e de marketing.

Como consiste em um contrato de prestação de serviços, o sistema de franquias


estabelece obrigações tanto por parte do franqueado como do franqueador.

 OBRIGAÇÕES DO FRANQUEADOR

• Testar o potencial de sucesso do negócio durante um período, de modo a mostrar que pode
ser rentável imagem da marca.

• Apresentar um negócio baseado em um know-how distintivo com uma vantagem


competitiva diante da concorrência.

• Transmitir o know-how aos franqueados por meio de manuais e programas de formação.

 OBRIGAÇÕES DO FRANQUEADO

• Administrar o negócio no dia a dia, selecionar a equipe de colaboradores, tomar decisões,


desenvolver ações de comunicação e publicidade.

• Realizar o investimento necessário.

• Fazer os pagamentos acordados.

• Cumprir as regras da rede sobre a forma de operação e garantir a uniformidade do serviço.

Esse formato de negociação também prevê algumas vantagens e desvantagens tanto


para o franqueado como para o franqueador. Primeiro, vamos abordar o lado do franqueador.
 VANTAGENS

• Rapidez de expansão.

• Redução de custo: centralização das compras de distribuição.

• Maior participação no mercado, dado o crescimento da rede.

• Maior cobertura geográfica, com o atendimento a clientes e mercados antes não explorados.
• Possibilidade de encontrar franqueados estimulados para maximizar as vendas e reduzir os
custos para aumentar o lucro.

• Gerar rendimento dos royalties e das taxas de franquia sem investir em novas instalações.

• Acesso a ideias e sugestões.

 DESVANTAGENS

• Perda parcial do controle sobre os atos dos franqueados.

• Potencial de criação de concorrente.

• Insuficiência nos serviços de abastecimento de consultoria, dada uma expansão acelerada.

• Seleção inadequada dos franqueados.

• Potencial menor de lucro, em comparação com o crescimento interno por meio de filiais.

• Potenciais atritos com o franqueados, em particular quando violam termos do contrato.

Agora, vamos abordar as vantagens e desvantagens para o franqueado.

 VANTAGENS

• Maior probabilidade de sucesso: adota um produto/serviço conhecido e testado no mercado


e com uma rede e marca bem-sucedidas.

• Apoio contínuo do franqueador: experiência de gestão, treino e consultoria.

• Potencial de maiores lucros: beneficia-se de economias de escala e de marca reconhecida.

• Proteção da concorrência de outros franqueados da mesma rede: direitos territoriais


exclusivos.

• Permite aprender com as experiências de outros franqueados.

 DESVANTAGENS

• Controle sobre as operações: auditorias frequentes e controle das vendas e do cumprimento


de procedimentos e normas.

• Autonomia e criatividade limitadas: implementar modelo existente.


• Restrições no encerramento da atividade e na cessão/venda da propriedade.

• Custo do franchising pode ser mais elevado do que em um negócio independente.

• Fraco desempenho de outros franqueados pode ter efeitos na reputação de toda a rede.

- MITOS SOBRE O EMPREENDEDORISMO

Visamos, nesta parte, apresentar os principais mitos e desvendá-los, e vamos utilizar a


abordagem de Dornelas (2005, p. 35) que cita os três principais mitos sobre os
empreendedores:

1. Empreendedores são natos, nascem para o sucesso: embora alguns empreendedores


nasçam com certo nível de inteligência, para obter sucesso é necessário estar preparado. Eles
acumulam habilidades, experiências e contatos com o tempo, e a capacidade de ter visão e
perseguir oportunidades pode ser desenvolvida e aprimorada.

2. Empreendedores são jogadores que assumem riscos muito altos: os empreendedores de


sucesso só assumem riscos calculados, evitam riscos desnecessários, compartilham os riscos e
desmembram em partes menores. O planejamento é um importante instrumento.

3. Os empreendedores são ‘lobos solitários’ e não conseguem trabalhar em equipe:


normalmente, os empreendedores são ótimos líderes, criam equipes competentes e
desenvolvem um excelente relacionamento interpessoal.

Vamos, também, abordar outros mitos utilizando o pensamento de Ferreira et al.


(2010):

1. Qualquer um pode iniciar um negócio: na realidade, é preciso ter conhecimento sobre o


negócio, para que ele tenha chance de sucesso, apenas boa vontade não é suficiente.

2. Há a necessidade de protagonismo: o empreendedor de sucesso sabe valorizar sua equipe,


reconhecendo o trabalho de cada um, visto que tem consciência de que não consegue nada
sozinho.

3. Trabalham muito: o empreendedor, normalmente, dedica muita energia à realização do seu


negócio, mas isso não significa que ele não tenha tempo para a família, o lazer e a busca por
formação.

4. Iniciam negócios de risco: só iniciam negócios com riscos calculados, conhecem a


viabilidade do negócio para fazer o investimento.

5. O empreendimento é apenas para os ricos: os empreendedores costumam ter boas ideias e


viabilizar a sua implementação, para isso, acabam por buscar várias formas de financiamento.

6. Idade é uma barreira: não há idade para ser empreendedor. Os estudos apontam que a
maioria dos empreendedores são jovens e estão cada vez mais presentes no mercado.

7. São motivados pelo dinheiro: outras motivações, como realização pessoal, independência e
liberdade também fazem parte do interesse do empreendedor. A realização de um sonho
pode ser a maior delas.
8. Procuram o poder e o controle sobre os outros: o empreendedor de sucesso tem se
mostrado um bom líder, que envolve sua equipe e não tem energias para gastar com disputa
de poder e controle sobre os outros.

9. Se tiverem talento, o sucesso chega em um ou dois anos: não há medida de tempo para o
sucesso. E, ainda, não é apenas a falta de talento que faz um negócio não ter sucesso,
obstáculos de mercado também podem provocar o insucesso de um negócio.

10. Qualquer pessoa com uma boa ideia pode enriquecer: apenas uma boa ideia não é
suficiente para o sucesso do negócio, pois também é preciso que exista uma oportunidade de
mercado.

11. Tendo dinheiro é fácil falhar: o capital não é suficiente para suportar falhas contínuas em
um negócio, por isso, o planejamento, mais uma vez, aparece como ferramenta para evitar a
falha.

12. Os empreendedores sofrem de estresse: o empreendedor precisa ter cautela e energia


para fazer seu negócio dar certo, por isso, também precisa reequilibrar-se com atividades de
lazer e descanso. O estresse só atrapalha o negócio.

CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS

De acordo com os autores, uma pesquisa realizada por Begley e Boyd identificou cinco
dimensões psicológicas dos empreendedores:

■ Necessidade de realização: os empreendedores possuem um estímulo social para se superar,


algumas vezes é reforçado por fatores culturais.

■ Localização do controle: é a ideia de estar no controle da própria vida.

■ Tolerância ao risco: os empreendedores que correm riscos moderados aparecem no topo


das listas de sucesso, mais do que os que não correm risco ou correm riscos extravagantes.

■ Tolerância à ambiguidade: em função da busca por inovação, os empreendedores acabam


vivendo determinadas situações pela primeira vez e, por isso, enfrentam mais ambiguidades.

■ Comportamento do tipo A: refere-se à tendência de fazer mais coisas em menos tempo e, se


necessário, enfrente as objeções alheias.

Um aspecto relevante ao falar do empreendedor é sobre a motivação pessoal, isso


porque a decisão de empreender está ligada a duas inspirações, conforme Ferreira et al.,
(2010):

■ Mudança no estilo de vida atual – por situação de desemprego, aposentadoria, formação


recente, descontentamento com relação ao empregador atual.

■ Opção de carreira – preparam-se efetivamente para ser empreendedor.

Além disso, a história e o contexto em que o empreendedor está inserido, segundo


Ferreira et al. (2010), trazem diferenças ao empreender, como:
■ Ambiente familiar na infância: alguns estudos mostram que há propensão em ser um
empreendedor se o pai ou outro familiar também for. Isso porque, além da fonte de
inspiração, costuma haver maior incentivo de valores, como independência, conquista e
realização.

■ A educação: a formação é importante para ajudar o empreendedor a gerenciar os problemas


que enfrentará e para adquirir conhecimentos específicos de sua área de atuação.

■ Os valores pessoais: indivíduos bem-sucedidos costumam ter valores, como liderança,


criatividade, sucesso, trabalho, ética, objetivos e outros.

■ A experiência profissional prévia: o histórico profissional tem demonstrado forte impacto


positivo (quando há experiência profissional prévia sobre a área de atuação do negócio) e
negativo (quando da ausência de conhecimentos prévios) sobre as carreiras empreendedoras.

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