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Aspectos fisiológicos gerais do

envelhecimento

Profª Ms. Tayani de Campos R. Marinho


O MUNDO
ENVELHECE
 O Brasil apresenta uma taxa de envelhecimento populacional exuberante.

 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2010, a


população brasileira era de 190.755.799 habitantes, dos quais 10,8% da
população brasileira corresponde a população idosa.

 O crescimento da participação relativa da população com 65 anos ou mais,


que era de 4,8% em 1991, passando a 5,9% em 2000 e chegando a 7,4% em 2010
(14.081.480 habitantes). Em 1991, o grupo de 0 a 15 anos representava 34,7%
da população. Em 2010 esse número caiu para 24,1%

(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE, 2012).


O envelhecimento populacional
brasileiro
 Redução expressiva na taxa de fecundidade, associada à forte redução da taxa de
mortalidade infantil

 Mudança do perfil demográfico no inicio da década de 70;

 Aumento da expectativa de vida;

 Menos filhos;

 Nova estrutura nas famílias brasileiras;

 Estima-se que, em 2025, o Brasil ocupará o sexto lugar quanto ao contingente de


idosos, alcançando cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2050, as
crianças de 0 a 14 anos representarão 13,15%, ao passo que a população idosa alcançará
os 22,71% da população total.
Percentual da População com 60 anos e mais
2006
Percentual da População com 60 anos e mais
2050
%
%
%
%
%

(Número de óbitos de idosos / total de óbitos) x 100


Tipos de violência

• Violência física
• Violência sexual
• Violência psicológica
• Violência econômica ou financeira ou patrimonial
• Violência institucional
• Abandono/negligência
• Auto-negligência
Composição e forma do corpo

 Diminuição na quantidade de água corporal


 Perda de massa muscular
 Diminuição do peso corporal
 Menor tolerância ao exercício físico
 Redução de massa óssea (nas mulheres geralmente
ocorre após a menopausa)
 Diminuição da estatura e curvatura da coluna vertebral
 Aumento da gordura corporal principalmente na faixa
abdominal
Pele e anexos

 Flacidez, redução do turgor e elasticidade,


 Redução da espessura da pele, maior mobilidade
aumentando o risco de lesões cutâneas, rugas, alteração da
regulação térmica corporal, manchas na pele (mancha senil),
redução de pelos corpóreos, perda de pigmentação (cabelos
brancos).
Visão e Audição

 Visão:
 Redução na acuidade visual
 Redução na sensibilidade ao contraste
 Percepção de profundidade reduzida
 Menor adaptação ao escuro

 Audição :
 Perda rápida das células ciliares (40% após os 70 anos)
 Perda de fibras nervosas e células ganglionares vestibulares.
 Aos 80 anos cerca de 50% tem diminuição da audição (presbiacuasia)
Sistema Cardiovascular

 Menor frequência cardíaca em repouso


 Aumento da pressão arterial
 Aumento da resistência vascular
 Hipotensão postural
 Aterosclerose
Sistema Respiratório

 Rigidez da parede torácica


 Perda da capacidade respiratória máxima e
reflexo pulmonar, como tosse, predisposição ao
acúmulo de secreção.
Sistema Gastrointestinal

 Atrofia das papilas gustativas, causando alteração do paladar


 Desgaste dos dentes
 Dificuldade de fala
 Alteração no processo de mastigação
 Refluxo esofagiano, propensão à gastrite
 Maior tempo de esvaziamento gástrico
 Possíveis alterações de absorção
 Aumento da prevalência de constipação
 Predisposição à diverticulite
 Enfraquecimento da musculatura da bexiga e aumento do
volume residual, menor capacidade de armazenamento de
urina.
Sistema Gênito-urinário

 Nas mulheres:
 Atrofia de útero e ovário
 Atrofia da mucosa vaginal e diminuição da secreção lubrificante
 Atrofia de glândulas mamárias de substituição por tecido adiposo
 Enfraquecimento da musculatura da mama
 Nos homens:
 Diminuição da produção de espermatozoides
 Aumento do peso e tamanho da próstata
 Diminuição da produção de testosterona, pode ocorrer dificuldade
de micção (estenose de uretra).
Sistema Nervoso

 Redução do tamanho e peso do cérebro (↓ peso e volume)


 Redução de neurônios, maior prevalência de demência
(demência senil, Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson)-
Redução do número de neurônios ↓ acetilcolina ↓ receptores
colinérgicos ↓ serotonina e catecolaminas
 Processamento de informações mais lento, alterações nos
reflexos.
SENESCÊNCIA x SENILIDADE

Senescência ou senectude Senilidade


Somatória de alterações orgânicas, Modificações determinadas por
Funcionais, psicológicas próprias do afecções que frequentemente
envelhecimento normal acometem a pessoa idosa
AVALIAÇÃO GLOBAL DA PESSOA
IDOSA
O conceito de “doença única”, não se aplica
às pessoas idosas, pois, essas costumam
apresentar uma somatória de sinais e
sintomas, resultado de várias doenças
concomitantes, onde a insuficiência de um
sistema pode levar à insuficiência de outro

“efeito cascata”

• Uma pessoa idosa, normalmente muito


comunicativa, de repente passa a ficar mais quieta,
conversando menos e, após algum tempo, começa a
apresentar períodos de confusão mental. Nesse caso,
é importante avaliar a presença de infecções;
Alimentação e Nutrição
 Útil para o diagnóstico nutricional dos idosos
 Índice de Massa Corporal (IMC)
 O declínio da altura é observado com o avançar da idade, em decorrência da
compressão vertebral, mudanças nos discos intervertebrais, perda do tônus
muscular e alterações posturais;
 O peso pode diminuir com a idade, porém, com variações segundo o sexo.
Essa diminuição está relacionada à redução do conteúdo da água corporal e
da massa muscular, sendo mais evidente no sexo masculino;
 As alterações ósseas em decorrência da osteoporose;
 Mudança na quantidade e distribuição do tecido adiposo subcutâneo.
 Redução da massa muscular devida à sua transformação em gordura
intramuscular, o que leva à alteração na elasticidade e na capacidade de
compressão dos tecidos
Acuidade Visual

 CARTÃO JAEGER
 O cartão é colocado a uma
distância de 35 cm da pessoa idosa
que se possuir óculos deve mantê-
los durante o exame. A visão deve
ser testada em cada olho em
separado e depois em conjunto. Os
olhos devem ser vendados com as
mãos em forma de concha.
Acuidade Auditiva

 Questões:
• Compreende a fala em situações sociais?
• Consegue entender o que ouve no rádio ou televisão?
• Tem necessidade que as pessoas repitam o que lhe é falado?
• Sente zumbido ou algum tipo de barulho no ouvido ou
cabeça?
• Fala alto demais?
• Evita conversar? Prefere ficar só?
Incontinência Urinária

 30% das pessoas idosas não institucionalizadas costumam apresentá-la


e nem sempre a referem na avaliação clínica ou por vergonha ou por
acharem ser isso normal no processo de envelhecimento.
 A frequência e a importância do evento estão associadas às
repercussões emocionais e sociais. Muitas das causas são reversíveis -
delírio, restrição de mobilidade, retenção urinária, infecção e efeito
medicamentoso - e devem ser investigadas.
 Perguntar diretamente se a pessoa idosa perdeu urina recentemente
ou sentiu-se molhada é uma forma rápida de verificar o problema
Sexualidade
 Estudos mostram que 74% dos homens e 56% das mulheres casadas
mantêm vida sexual ativa após os 60 anos. A identificação de disfunção
nessa área pode ser indicativa de problemas psicológicos, fisiológicos ou
ambos. Muitas das alterações sexuais que ocorrem com o avançar da idade
podem ser resolvidas com orientação e educação.
 Alguns problemas comuns também podem afetar o desempenho sexual:
artrites, diabetes, fadiga, medo de infarto, efeitos colaterais de fármacos e
álcool.
 As mulheres após a menopausa, principalmente, após os 60 anos,
normalmente apresentam algum desconforto nas relações sexuais com
penetração vaginal, devido às condições de hipoestrogenismo e,
consequentemente, hipotrofia dos tecidos genitais. A utilização de um
creme vaginal à base de estriol, 2ml, uma a duas vezes por semana, permite
uma manutenção do trofismo do epitélio (mucosa), favorecendo uma
melhoria nas condições genitais para o exercício pleno da sexualidade.
Vacinação

 A influenza (gripe) é uma doença infecciosa aguda, de


natureza viral, altamente contagiosa que acomete o trato
respiratório e cuja ocorrência se observa em maior
intensidade ao final do outono e durante o inverno
 A vacina dupla adulto (dT – contra difteria e tétano) deve ser
administrada a cada dez anos podendo ser reforçada em cinco
anos no caso de ferimentos considerados “sujos”
Avaliação Funcional

 Representa uma maneira de medir se uma pessoa é ou não


capaz de desempenhar as atividades necessárias para cuidar
de si mesma.
 Caso não seja capaz, verificar se essa necessidade de ajuda é
parcial, em maior ou menor grau, ou total.
 Usualmente, utiliza-se a avaliação no desempenho das
atividades cotidianas ou atividades de vida diária.
“O conceito de saúde para o indivíduo idoso se traduz mais pela
sua condição de autonomia e independência que pela presença
ou ausência de doença orgânica” (Política Nacional de Saúde da
Pessoa Idosa- BRASIL, 2006).
 Atividades de Vida Diária (AVD) que são as relacionadas
ao autocuidado e que, no caso de limitação de
desempenho, normalmente requerem a presença de um
cuidador para auxiliar a pessoa idosa a desempenhá-las.
 São elas:
• Alimentar-se
• Banhar-se
• Vestir-se
• Mobilizar-se
• Deambular
• Ir ao banheiro
• Manter controle sobre suas necessidades fisiológicas
 Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD) que são
as relacionadas à participação do idoso em seu entorno
social e indicam a capacidade de um indivíduo em levar
uma vida independente dentro da comunidade.
 São elas:
• Utilizar meios de transporte
• Manipular medicamentos
• Realizar compras
• Realizar tarefas domésticas leves e pesadas
• Utilizar o telefone
• Preparar refeições
• Cuidar das próprias finanças
A Síndrome de Fragilidade no Idoso

 Fragilidade: facilmente quebrável ou destrutível; que


provavelmente fracassa ou morre rapidamente; particularmente
susceptível às doenças; com força ou capacidade diminuída; fraco,
leve, fino, tênue.

 A definição de fragilidade pode ser originada de três fontes


classificatórias distintas: 1) dependência nas atividades de vida
diária (AVDs) e nas atividades instrumentais de vida diária (AIVDs);
2) vulnerabilidade aos estresses ambientais, às patologias e às
quedas, e 3) estados patológicos agudos e crônicos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 BRASIL. Ministério da saúde. Secretaria de Atenção à Saúde


Departamento de Atenção Especializada e Temática. Caderneta
de saúde da pessoa idosa. 2014.
 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da
pessoa– Brasília : Ministério da Saúde, 2006.