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SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS INTEGRADAS

DA UNAERP CAMPUS GUARUJÁ

Proteção Ambiental e Soberania Nacional

A Atividade Cemiterial como fonte Poluidora do Meio Ambiente.


Um comparativo preliminar do Cemitério da Saudade Guarujá/SP

Jorge Chaptiski Cordeiro


Discente - Curso de Gestão Ambiental
UNAERP – Universidade de Ribeirão Preto – Campus Guarujá
basevilazilda@hotmail.com

Maria do Carmo de Brito Chaptiski


Discente - Curso de Gestão Ambiental
UNAERP – Universidade de Ribeirão Preto – Campus Guarujá
britochaptiski@hotmail.com

Este simpósio tem o apoio da Fundação Fernando Eduardo Lee

Resumo: Esse artigo tem por objetivo alertar sobre problemas


relacionados à contaminação do solo e do lençol freático, bem como a
disseminação de doenças patogênicas pela atividade cemiterial, mal
gerenciada e em descumprimento as normas legais de implantação e
principalmente adequação do empreendimento sem as observâncias de
técnicas ambientais.
Tenta-se sensibilizar a população e aos órgãos públicos que o correto
gerenciamento ambiental da atividade, bem como a sua adequação
transformará sua classificação como fonte altamente poluidora do Meio
Ambiente e de Riscos a Saúde Pública como uma atividade corretamente
ecológica, sustentável e com insignificantes impactos à saúde, ao meio
ambiente e a sociedade em geral.

Palavras-chave: Atividade Cemiterial, Minimização de Impactos e


Gerenciamento Ambiental.

Summary: Activity cemeterial, Minimizing Environmental Impacts


and Management

Seção 1- Curso de Gestão Ambiental – Meio Ambiente – Educação


Ambiental.

Apresentação: pôster e apresentação oral.


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1. Introdução:
Fazem parte de nossa existência a vida e a morte, processos marcantes
no dia a dia dos seres vivos. Sempre se comemora o nascimento, e se
lamenta a morte. Para muitos a morte é o fim, e para outros, um recomeço,
um novo início, uma nova etapa. Muitas destas crenças estão ligadas a
cultura e a religiosidade de cada um e a própria vontade humana em
desvendar o mistério da continuação da vida após a morte. (CAMPOS, 2007
apud. MORAES, 2010).
A falta de medidas de proteção ambiental no sepultamento de corpos
humanos em covas abertas no solo, ao longo de muitas décadas, fez com que
a área de muitos cemitérios fosse contaminada por diversas substâncias.
Essa contaminação ocorre quando os cemitérios são implantados em locais
que apresentam condições ambientais desfavoráveis. (SCHMACHTENBERG,
GRAEPIN, BORBA, FLORES & FLORES, 2011).
Logo depois de constatado o óbito, o corpo humano sofre uma
transformação, conhecida como putrefação. Durante seis a oito meses o
corpo libera uma substância, denominada de necrochorume, que é
composto de: 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias
orgânicas tóxicas, além da carga patogênica (CAMPOS, 2007).
Durante o processo de putrefação, o corpo pode gerar de 30litros a
40litros de necrochorume (uma pessoa pesando aproximadamente 70kilos),
e esta substância infiltra-se no solo, contaminando além deste, as águas
subterrâneas e superficiais. (MIGLIORINI, 1994); (MATOS, 2001).

Figura 01:
Adaptada de
PACHECO,
1986

Os cemitérios podem ser considerados como fontes potenciais de


contaminação devido à decomposição dos cadáveres que liberam
microorganismos patogênicos, artrópodes e destruidores da matéria
orgânica, bactérias, vírus e demais substâncias químicas. (MIGLIORINI,
1994); (MATOS, 2001).
Verifica-se que os cemitérios mais antigos não foram planejados
adequadamente, observando-se as esferas ambientais e ecológicas, pois os
mesmos foram construídos em solo vulnerável, propiciando-se a infiltração
da água da chuva, ocorrendo inundação de alguns túmulos. A situação pode
agravar, se a drenagem for precária ou inexistente, ocorrendo que todo esse
liquido liberado pelos corpos caiem na rede pluvial urbana, sendo depois
canalizada para corpos d’água contaminando as águas superficiais com
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substâncias presentes no necrochorume. Quando encontramos lençol
freático pouco profundo nas proximidades dos cemitérios, as chances de
contaminação das águas superficiais são aumentadas (MORAES, 2010).
A falta de consciência sobre os riscos desse uso deve-se a
desinformação, pois apesar de alguns relatos históricos abordando a
contaminação das águas subterrâneas e poços de abastecimento público, os
cemitérios nunca foram incluídos como fontes de contaminação tradicionais,
devido a isso se busca socializar essas informações por meio de um
comparativo na biografia existente e a situação atual do cemitério municipal
da Saudade, conhecido também como o cemitério da Vila Julia, localizado no
município de Guarujá-SP.
A palavra “cemitério” significa dormitório, recinto onde se aloja os
mortos, lugar onde se dorme. Sua origem vem da palavra grega
“koumeterian” e do latim “coemeterium”, sendo ainda associado às palavras
necrópole, sepulcrário, carneiro, campo santo, cidade dos pés juntos e
última morada, conforme a figura 01. (CAMPOS, 2007).
Devido à falta de estudos geológicos e hidrogeológicos, na construção
dos cemitérios, ocorre nestas necrópoles, alguns impactos ambientais
alarmantes, principalmente a contaminação das águas subterrâneas, Tal
contaminação deve-se principalmente pela decomposição dos corpos e das
substâncias a qual eles liberam. No passado, os locais escolhidos para
realização dos enterros, eram preferencialmente, em áreas afastadas dos
centros das cidades, porém hoje, encontramos diversos cemitérios
totalmente integrados às comunidades vizinhas de seu entorno. (HIRATA &
SUHOGUSOFF, 2004); (MIGLIORINI, 2002).
A inumação é um processo muito comum nos cemitérios da periferia e
de pequenas cidades do interior, é o ato de enterrar o cadáver em cova
aberta e aterrada a profundidade de 1,10m a 1,50m, ou se depositar o corpo
à superfície coberto por terra e pedras, ou então se deposita o cadáver em
cavidades ou caixa devidamente resguardada. Independente do tipo de
cemitério utilizado, também se utiliza este termo para definir toda forma de
sepultamento (CAMPOS, 2007).
A tumulação é o ato de sepultar cadáver em carneiros, popularmente
conhecidos por gavetas, construídas parcial ou totalmente subterrâneas, em
alvenaria ou concreto e formato de caixas retangulares, com profundidade
máxima de 5m, as quais recebem os caixões e são lacradas (PACHECO et al.,
1993); (PACHECO, 2000 apud CAMPOS, 2007).
Abaixo podemos enumerar os tipos de cemitérios existentes no Brasil e
no mundo:
1. Os cemitérios tradicionais ou ainda conhecidos como Cemitérios
Museus, caracterizam-se por alamedas pavimentadas, túmulos semi-
enterrados, mausoléus, capelas com altar, crucifixos e imagens,
monumentos funerários revestidos de mármores e granitos, com pouca ou
nenhuma arborização. Geralmente os corpos são enterrados diretamente no
solo. (CAMPOS, 2007)

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Figura 02: Cemitério Museu (Cemitério Pêra-Lachaise em Paris)

2.

Cemitério-Parque ou Jardim: são compostos por gavetas no solo, cobertos


por gramados e árvores, isentos de construções tumulares. Os
sepultamentos são feitos por tumulação e as sepulturas são identificadas
por uma lápide de pequenas dimensões, ao nível do chão. (MATOS, 2007).

Figura 03: Cemitério Jardim ou Parque (Cemitério Nacional de Arlington EUA).


3. Cemitério Vertical: São construídos de forma vertical acima do nível
do solo, sem contato com a terra; os corpos são sepultados separadamente
em gavetas, um do lado do outro, formando andares, a circulação de
visitantes é feita por meio de escadas ou elevadores e corredores. (MATOS,
2007).

Figura 04 e 05 : Cemitério Vertical (Cemitério São Miguel e Almas - Poá/SP)


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4. Crematórios destinam-se à incineração de cadáveres. É composto por
fornos com filtros para a retenção de material particulado, que cremam
corpos em compartimentos isolados. Cada corpo permanece durante uma
hora no local, e após esse período restam apenas cinzas, que são entregues
aos familiares depois de sete dias, em urna apropriada. (MATOS, 2007).

Figura 06: Crematório (Crematório Vaticano Balneário Comburiu SC)

sepultamento de cadáveres gera fontes de poluição para o meio físico, e por


isso deve ser considerado como atividade causadora de impacto ambiental.
No entanto, apesar da existência de alguns relatos em Berlim (Alemanha) e
Paris (França), na década de 1970, apontando o posicionamento dos
cemitérios em relação a fontes de água, como lençóis freáticos e nascentes,
como uma das causas de epidemias de febre tifóide, esses locais nunca
foram incluídos entre as fontes tradicionais de contaminação ambiental.
(SILVA & MALAGUTTI, 2009)
As pesquisas sobre esse tema são recentes. Segundo SILVA &
MALAGUTTI (2009) apud Boyd Dent, (1995) geólogo da Universidade
Tecnológica de Sidney (Austrália), constatou-se, em estudo no cemitério da
cidade australiana de Botany, aumento da condutividade elétrica e da
concentração de sais minerais em águas subterrâneas próximas de
sepultamentos recentes.
No Brasil estudos sobre contaminação de cemitérios (da década de
1980), apontou contaminação no solo e aqüíferos nos cemitérios paulistas de
Vila Nova Cachoeirinha e Vila Formosa. No cemitério da Areia Branca em
Santos (SP), a água subterrânea próxima a sepultamentos recentes
apresentava alta condutividade elétrica e íons de cloreto e nitrato, além de
bactérias e vírus. (SILVA & MALAGUTTI, 2009)
O geólogo Leziro Marques Silva, da Universidade de São Judas Tadeu,
em São Paulo, investigou a situação de 600 cemitérios do país (75%
municipais e 25% particulares) e constatou que de 15% a 20% deles
apresentam contaminação do subsolo pelo necrochorume. Cerca de 60% dos
casos foram observados em cemitérios municipais. A contaminação é
detectada por análises físicas, químicas e bacteriológicas de amostras de
água do lençol freático sob os cemitérios ou em suas proximidades. (SILVA &
MALAGUTTI, 2009).
2. CEMITÉRIO DA SAUDADE – VILA JULIA – GUARUJÁ /SP.

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O cemitéro da Saudade, mais conhecido de Cemitério da Vila Julia,
situa-se no bairro do mesmo nome, em Guarujá/SP, próximo ao sopé do
morro do macaco molhado, aproximadamente a 600 (seiscentos) metros da
orla da praia da Enseada.

Figura 07: Cemitério da Saudade em Guarujá/SP


Guarujá, na sua História, foi por algum tempo distrito de Santos, e o
seu núcleo urbano se baseou em dois pontos: o Itapema (que chamamos
hoje de Vicente de Carvalho) e nas Pitangueiras. No segundo reduto no
começo da ocupação, por volta do final do século XIX, houve um esboço de
planejamento urbano contando com vias largas, incluindo as atuais
avenidas Leomil e Pugliesi.
Por volta da década de 1930, ao mesmo tempo em que Guarujá obteve a
emancipação política de Santos, a região do atual bairro de Enseada era
implantada a primeira necrópole da cidade. Não se sabe precisar o ano, mas
pelas datas de alguns túmulos encontrados, supõe-se que os primeiros
enterros no local foram feitos a partir de 1935.
Todavia, a partir da década de 1970, com a explosão do boom
imobiliário e a falta de vontade política, o cemitério começou a sofrer com a
ação do tempo.

Figura 08 e 09 área interna do Cemitério da Saudade

Verifica-se que as vias de acesso na área interna estão completamente


deterioradas e com aspecto macabro, questionando-se a administração do
referido cemitério.
Constatou-se que em vários momentos do dia os locais de
administração e as salas de velório ficam fechados com aspecto de comércio
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falido e a praça que fica justamente em frente ao cemitério é um ponto de
concentração de moradores de rua, consumo de drogas e de reuniões de
marginais. Tanto é que nas proximidades, há uma viatura policial 24 horas
por dia
Nos últimos anos, na Vila Júlia, houve o crescimento desproporcional
de uma favela que se localiza numa das áreas do cemitério, precisamente
aos fundos do cemitério, e geralmente alguns moradores costumam pular o
muro para obter placas de cobre ou outros materiais, ou simplesmente para
se esconder.

Figura 10 e 11 Gavetas coladas ao muro que delimita o cemitério


Quem visita hoje o cemitério da Vila Julia, o encontra em estado
deplorável, além da falta de adequação ás leis ambiental, vimos que seus os
enterros estão sendo efetuados em gavetas coladas ao muro que delimita o
próprio cemitério, em desacordo com a legislação e estes se encontram com
rachaduras que propiciam o vazamento do necrochorume para fora dos
limites do próprio cemitério.

Figura 12 e 13 Gavetas coladas ao muro que delimita o cemitério

Não encontramos nenhum sistema de coleta de amostras ou drenagem


das águas pluviais, o que leva a crer que seu sistema de esgoto deva estar
interligado a rede municipal culminando-se com isso o transporte dos
líquidos produzidos ao aqüífero inferior e do seu entorno.
Não observamos também nenhum plano arbóreo adequado,
encontramos poucas arvores as quais suas raízes estão provocando
rachaduras no solo e nos túmulos ali existentes.
3 - CONSEQÜÊNCIAS AMBIENTAIS
3.2.1 CONTAMINAÇÃO DO SOLO PELO NECROCHORUME
Em determinadas condições geológicas, o necrochorume atinge o lençol
freático praticamente íntegro, com suas cargas químicas e microbiológicas,
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desencadeando a sua contaminação e poluição. Os vetores assim
introduzidos no âmbito do lençol freático, graças ao seu escoamento, podem
ser disseminadas nos entorno imediato e mediato dos Cemitérios, podendo
atingir grandes distâncias, caso as condições hidrogeológicas assim o
permitam. (SILVA, 1999).
Desde o século passado, tem-se ligado a incidência de endemias à
contaminação do subsolo, gerada por cemitérios. É do consenso geral o
potencial contaminador dos efluentes da decomposição cadavérica, em
especial no que diz respeito ao lençol freático e à sua exploração para o
consumo humano, nas circunvizinhanças dos cemitérios. Nesse enfoque
nota-se grande deficiência, na publicação de dados e trabalhos específicos.
(SILVA, 2000)
Com a decomposição dos corpos há a geração dos chamados efluentes
cadavéricos, gasosos e líquidos. Os primeiros que surgem são os gasosos,
seguindo-se os líquidos. O efluente líquido é chamado de necrochorume. A
toxicidade química do necrochorume diluído na água freática relaciona-se
aos teores anômalos de compostos das cadeias do fósforo e do nitrogênio,
metais pesados e aminas. O necrochorume no meio natural decompõe-se e é
reduzido a substâncias mais simples e inofensivas, ao longo de determinado
tempo. (SILVA, 1999).
3.2.2 POLUIÇÃO PELAS SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS QUE COMPÕEM
OS CAIXÕES DEVIDO A METODOLOGIA DE CONSERVAÇÃO DE
CADÁVERES.
Existem muitos tipos de substâncias químicas que são utilizadas
normalmente e historicamente na embalsamação, na construção de caixões
funerários, entre elas estão à laca, substâncias para tingir, colas, ferro e
zinco, em alguns destes produtos possuem em sua composição metais
pesados. (ROMANO, 2005).
3.2.3 POLUIÇÃO DOS AQÜÍFEROS
Os cemitérios podem trazer sérias conseqüências ambientais, em
particular sobre qualidade das águas subterrâneas adjacentes. A infiltração
e percolação das águas pluviais através dos túmulos e solo provocam a
migração de uma série de compostos químicos orgânicos e inorgânicos
através da zona não saturada, podendo alguns destes compostos atingir a
zona saturada e, portanto poluir o aqüífero. Devido a isto, o monitoramento
das águas subterrâneas na vizinhança dos cemitérios é da maior
importância nos estudos ambientais. (ARAUJO, 2010).
3.2.4 POLUIÇÃO VISUAL
Um impacto ambiental ocorre com alteração, transformação física,
química ou biológica do meio. Como impacto físico secundário cita, um
impacto estético urbanístico, provocado por cemitérios tradicionais,
convencionais, localizados nos centros das cidades, com túmulos a céu
aberto, com carência de verde, árvores e aspecto acinzentado, que não
contribuem para a estética das áreas urbanas. (PACHECO, 2000).

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Figura 14 Impacto estético urbanístico
4. Aspectos Legais
Seguindo as diretrizes para o estudo de viabilidade para a implantação
da atividade Cemiterial, qualquer empreendimento tem a necessidade de
obter a Licença Prévia Ambiental.
A licença prévia ambiental requerida tem por objetivo justamente emitir
um parecer sobre a possibilidade da implantação da atividade no local
pretendido, aos olhos da Política Ambiental vigente. Bem como, fornecer os
parâmetros legais para que se possa elaborar um projeto ambientalmente
correto.
4.1 Âmbito Federal
O Ministério do Meio Ambiente, através do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA), emitiu a Resolução nº 335 de 03 de abril de 2003, que
determina o licenciamento ambiental para os cemitérios. Tal resolução
aplica-se aos novos empreendimentos e aos já existentes, remetendo a
órgãos ambientais competentes a incumbência de definir critérios
necessários à obtenção de licença ambiental, sem prejuízo de outras normas
(BRASIL, 2003).
Mais recentemente, o CONAMA publicou, em caráter emergencial, a
resolução nº 368 de 28 de março de 2006, que alterou a resolução nº
335/2003 em função de particularidades existentes em áreas de proteção de
mananciais localizadas em regiões metropolitanas (BRASIL, 2006).
No caso de descumprimento, o infrator ou o responsável pelo
empreendimento esta sujeito a penalidades previstas na Lei nº 9605 de 12
de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente (BRASIL, 2006).
Para se estudar cada um desses casos de forma pontual, local e
direcionada, nova legislação do CONAMA foi elaborada, RESOLUÇÃO
CONAMA Nº 402, de 17 de novembro de 2008, que altera os artigos 11° e 12°
dando a cada Município, a possibilidade de um estudo específico particular.
(BRASIL, 2008)
Em resumo, a Resolução CONAMA dá um prazo aos municípios
(dezembro de 2010) para que elaborem um plano e diretrizes para a
adequação dos cemitérios locais existentes anteriores a 2003, possibilitando
assim, o seu licenciamento.
4.2 Âmbito Estadual

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No Estado de São Paulo, existe a Lei n° 10.083, de 23 de setembro de
1998, Código "Sanitário do Estado de São Paulo, que não explicita a
atividade cemiterial, mas determina em seu capítulo VI, artigo 85, que
inumações, exumações, transladações e cremações sejam disciplinadas por
normas técnicas e deixa a cargo das ações de vigilância sanitária sobre o
meio ambiente, com a finalidade de não virem a representar risco ou dano à
saúde, à vida ou à qualidade de vida, com a imposição de penalidades para o
não cumprimento de normas legais federais ou estaduais, destinadas à
promoção, prevenção e proteção da saúde (CDA 15, 2005).
O decreto n° 12.342, de 27 de setembro de 1978, Regulamento da
promoção, preservação e recuperação da saúde, no campo da competência
da Secretaria de Estado da Saúde, determina no Livro III, Título III, Capítulo
um as regras para edificação de necrotérios, velórios, cemitérios e
crematórios.
A Norma Técnica de codificação CETESB L l.040, (Companhia Técnica
de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), teve sua primeira versão
concebida em 1988 por uma demanda oriunda de profissionais do órgão
ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), em 1993 foi homologada e
publicada a segunda versão, por um processo bastante participativo que
também foi objeto de inúmeras discussões em reuniões e visitas a
cemitérios, realizadas por um grupo de trabalho criado especificamente para
revisar o instrumento normativo, porém, nova versão foi publicada em 1999
e permanece vigente até o presente. Esta última estabelece os requisitos e
condições técnicas para implantação de cemitérios destinados ao
sepultamento no subsolo.
Além da Norma Técnica acima referenciada, a CETESB, por intermédio
do Decreto n° 47.397, de 04 de dezembro de 2002, artigo 57, inciso XI,
considera os cemitérios como fonte de poluição e torna obrigatória a
obtenção de licenças prévia, de instalação e de operação para esse tipo de
empreendimento. Os empreendimentos licenciados têm prazo de dois anos a
partir da emissão da licença prévia para solicitação da licença de instalação
e da licença de operação (CETESB, 2006).
E o Decreto n° 47.400, também de 04 de dezembro de 2002, estabelece,
além de prazos de validade para o licenciamento ambiental, as condições
para a renovação e os valores cobrados para a obtenção das licenças, de
acordo com seu nível de complexidade. Caso os empreendimentos violem
quaisquer condicionantes ou normas legais, omitam ou descrevam de forma
inverídica informações subsidiárias da expedição da licença, ou ainda haja
superveniência de graves riscos ambientais e à saúde, podem ter sua licença
suspensa ou cancelada (CETESB, 2006).
4.3 Âmbito Municipal
A Lei 044 de 24 de janeiro de 1998, regulamentada pelo Decreto 7860
de 2006, institui o Código de Posturas Municipal, onde em seu capitulo VIII
trata da manutenção dos cemitérios.
A Lei complementar nº 108 de 26 de janeiro de 2007 institui o novo
Plano Diretor, a Lei de zoneamento, uso, ocupação e parcelamento do solo do
município de Guarujá/SP, abrangendo a totalidade do território, constitui-se
no instrumento básico da política de desenvolvimento urbano do Município e
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parte integrante do processo de planejamento municipal, devendo o plano
plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as
diretrizes e as prioridades (GUARUJA, 2007).
Os cemitérios são considerados empreendimentos causadores de
impacto à vizinhança, independentemente da área construída, os que
possam vir a causar alteração significativa no ambiente natural ou
construído, sendo que a instalação, a ampliação e o funcionamento de
empreendimentos causadores deste impacto é condição para a aprovação
pelo Poder Executivo de Estudo de Impacto de Vizinhança - EIV, além do
estudo de impacto ambiental - EIA quando requerido pela legislação
ambiental pertinente. (GUARUJA, 2007).
4. Conclusão:
Corpos humanos em decomposição podem causar mais poluição, não por
motivo de qualquer toxicidade, mas através da concentração de matéria
orgânica e inorgânica que ocorre naturalmente. Isto pode fazer com que a
água fique não utilizável ou não potável. Os vírus são fixados aos partículos
do solo mais facilmente que bactéria e não são levados ao lençol freático. No
entanto, organismos patogênicos são retidos na superfície ou perto dela. Por
este motivo, parece que o risco de poluição é maior para aqueles que usam
poços onde o lençol freático é pouco fundo.
Todos os estabelecimentos potencialmente contaminantes devem ser
licenciados e, para tal, existem normas, resoluções e leis a serem cumpridas.
Em pauta, temos os cemitérios que, da mesma forma que outros
empreendimentos potencialmente contaminantes, têm uma legislação a ser
cumprida.
Sobre a legislação, o município não possui nenhuma norma técnica, ou
lei municipal que trate dos cuidados na implantação de cemitérios, o código
sanitário do município aponta alguns cuidados com o uso e abastecimento
de água para o consumo humano, mas sobre a implantação e averiguação
dos possíveis danos causados pela contaminação por cemitérios não conta
com nenhuma legislação municipal.
Podemos afirmar potencialmente contaminante, pois em nosso conceito e
entendimento, para toda ação existe uma reação e temos de levar em
consideração uma analise de risco e perigo sobre a atividade cemiterial.
Um cemitério, de forma geral, não apresenta perigo para a saúde humana
em sua estrutura linear, porém, dado o tipo de gestão que se faça presente,
pode apresentar um risco inerente a má gestão. O corpo humano em
decomposição, em contato direto com a terra, vai estabelecer um ciclo de
reações normais conhecida como reações orgânicas, porém, a falta de uma
gerencia correta, acarretará uma quebra nessa cadeia podendo levar a um
comprometimento da área.
Observa-se que os municípios em geral, estão encontrando dificuldade
em adequar os cemitérios existentes anteriores a determinação de exigências
legais. Porém a prática de técnicas visando à diminuição de impactos e a
elaboração diretrizes para a atividades voltadas para a questão sanitária e
ambiental podem ser considerados perante a legislação como planos de
adequação da atividade cemiterial.

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A condição encontrada no Cemitério de Vila Julia em Guarujá SP, nos
leva a uma preocupação emergencial. Devido a sua localização e o seu
gerenciamento, a meu ver, a referida atividade deve ser considerado como
altamente poluidora ambiental e ainda com altas possibilidades de
transmissão de doenças às populações adjacentes do seu entorno.
A poluição de aqüíferos varia muito dependendo da estrada geológica e o
desenho e a administração do cemitério. Drenos superficiais vão interceptar
a maior parte da água de chuva antes que a poluição possa ocorrer. O
potencial de poluição existe, mas em cemitérios bem administrados com
condições de solo apropriadas e drenagem adequada, o risco é muito
pequeno, que não é o caso do cemitério da Vila Julia em Guarujá/SP.
Portanto, a fim de se realizar uma melhor gestão das necrópoles, devem-
se seguir as Resoluções do CONAMA, nº 335/03 e 368/06, para prevenir os
possíveis danos causados, uma vez que ainda não foram comprovados danos
maiores a população. Deve-se buscar soluções através das autoridades
municipais e órgãos de regulamentação para a diminuição e mitigação da
contaminação, sendo necessário restringir o uso do solo, promover um
sistema de drenagem adequado, controle sanitário nos sepultamentos,
implantação de arborização adequada para a atividade e ou a preferência por
crematórios como alternativa, entre outros, gerando um benefício para a
saúde pública.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, A. M. de. (2005)
Parâmetros Físico-Químicos de Caracterização de Contaminação do
Lençol Freático por Necrochorume. Seminário de Gestão Ambiental,
2005.
ARAUJO, J. C. (2010)
Projeto de Pesquisa para Tratamento do Necrochorume 2010
BRASIL, 2003/2006/2008 – (MMA) – Ministério do Meio Ambiente
Conselho Nacional do Meio Ambiente, Resolução CONAMA nº 335 de 03
de abril de 2003, Lei que determina licenciamento Ambiental para
Cemitérios - Resolução CONAMA nº 368 de 23 de março de 2006,
Altera a Resolução CONAMA Nº 335 de 03 Abr. 2003 - Resolução
CONAMA nº 402 de 17 de novembro de 2008, Lei que altera os art. 11º
E 12º Da Lei 335 e determina o prazo até Dez. 2010 para as Prefeituras
elaborar plano e diretrizes de adequação dos Cemitérios.
CAMPOS, A. P. S. (2007)
Avaliação do potencial de poluição no solo e nas águas subterrâneas
decorrentes da atividade cemiterial. São Paulo, 2007. USP.
CASTRO D. L. (2008)
Caracterização geofísica e hidrogeologia do cemitério bom jardim,
fortaleza – CE Revista Brasileira de Geofísica
Lei 10.083, de 23.09.1998 – Dispõe sobre o Código Sanitário do Estado
(Lei na internet).
CETESB, 1999 - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
Norma nº L 1.040 – Implantação de Cemitérios, São Paulo – 1999;
CVS 28, 2005 – Centro de Vigilância Sanitária

12
Lei de Promoção, recuperação e preservação da saúde (decreto na
internet)
GUARUJA, 1998 - PMG – Prefeitura Municipal do Guarujá – 1998
A Lei 044 de 24 de janeiro de 1998, regulamentada pelo Decreto 7860
de 2006, institui o Código de Posturas Municipal, onde em seu capitulo
VIII trata da manutenção dos cemitérios.
GUARUJA, 2007 -PMG – Prefeitura Municipal do Guarujá –2007
A Lei complementar nº 108 de 26 de janeiro de 2007 institui o novo
Plano Diretor, a Lei de zoneamento, uso, ocupação e parcelamento do
solo do município de Guarujá/SP
MACEDO J. A. B. (2003/2004/2006)
Métodos laboratoriais de análises físico-químicas e microbiológicas. 2.
MATOS, B. (2001)
A avaliação da ocorrência e transporte de microorganismos nos
aqüíferos freáticos do Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, município
de São Paulo - São Paulo, 2001 (tese Doutorado) – Instituto de
Geociências USP;
MIGLIORINI R. B. (2002)
Cemitérios: Como fonte de poluição de aqüíferos. Estudo do Cemitério
Vila Formosa São Paulo (dissertação de mestrado). São Paulo. Instituto
de Geociências da USP; 1994
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