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Advocacia 5.

0 - o que você precisa saber sobre essa nova


realidade

A Advocacia 5.0 engloba o impacto das novas tecnologias no campo


jurídico, como por exemplo impressão 3D e realidade aumentada, Big Data e
Analytics, Inteligência Artificial Quântica, robôs e veículos autônomos,
simulação, sistemas horizontais e verticais de integração, computação em
nuvem, Internet das Coisas (IoT), cibersegurança, cloud, Jurimetria,
Blockchain.

Instaura-se um período de disrupção sem precedentes, o ritmo mais


rápido da história que tem deslocado desde trabalhadores de chão de fábricas
a grandes executivos a serem afetados pela tecnologia e automação.

Potencializa o foco no ser humano, com suas necessidades e habilidades


intrínsecas, em um contexto holístico de sociedade digital, relacionado ao
empreendedorismo colaborativo, através da resolução de problemas, foco,
produtividade e inovação com crescimento exponencial, liderança e
comprometimento com geração de valor, descentralização organizacional,
utilização de coworkings, mudanças do vínculo de trabalho, diversidade
cultural, sustentabilidade, desenvolvimento harmônico e empático, isto leva a
benefícios econômicos, alterando o modo de trabalho e o controle dos dados
digitais referentes ao comportamento humano, dentre outros.

Em breve paralelo entre as Revoluções e o desenvolvimento da


Advocacia, citamos:

1º Revolução Industrial: Globalização 1.0, Sociedade 1.0 (caçadora-


coletor), ocorreu entre 1760 e 1860, contemplou o aparecimento das indústrias
de tecidos de algodão, mecanização dos processos - ou seja, a invenção de
máquinas para acelerar e substituir o trabalho humano. A Advocacia 1.0 era de
produção bem artesanal, na própria comarca, recursos escassos, serviços
repetitivos e semelhantes, tendo como início as primeiras turmas dos cursos de
Direito, no Brasil em 1827, em Olinda e São Paulo, já em nível mundial na
Universidade de Bolonha, em 1150.

2ª Revolução Industrial: Globalização 2.0, Sociedade 2.0 (agrícola),


ocorreu entre 1860 e 1900, trouxe o emprego do aço, a utilização da energia
elétrica e dos combustíveis derivados do petróleo, desenvolvimento da
indústria química e criação de novos inventos, como automóveis, telefones e
rádios. A Advocacia 2.0 foi marcada pelo crescimento das bancas, fundações
dos escritórios de advocacia, aumento das demandas jurídicas, momento este
da Constituição Federal de 1988, aumento do alcance e eficiência para atuar
em ações de massas.

3ª Revolução Industrial: Globalização 3.0, Sociedade 3.0 (industrializada),


ocorreu em torno de 1950, marcada pelo surgimento de equipamentos
eletrônicos, telecomunicação, computadores, o fax, a engenharia genética, o
celular, possibilitaram a exploração espacial e pesquisas na área da
biotecnologia, invenção dos robôs e autômatos, ou máquinas que operam de
forma automática, além do modo de produção chamado de Toyotismo. A
Advocacia 3.0 ganhou agilidade para executar as tarefas do dia a dia, houve o
implemento da automatização de contratos, de procedimentos e robôs de
mensagens (chatbots), o surgimento da internet, surgimento da sociedade de
advogados, processos eletrônicos, assinatura digital, documentos digitalizados,
código de áudio book, vídeoconferência com clientes, identidade biométrica.

Com a origem da internet, as conexões entre as pessoas tornaram-se


cada vez mais rápidas e eficazes, nesse contexto da 4ª Revolução Industrial,
Globalização 4.0, Sociedade 4.0 (informação), cujo foco na indústria e
produtividade, no desenvolvimento de sistemas para diminuir operações
manuais e mitigar a incidência de erros humanos, digitalização das
informações e a utilização dos dados para tornar a indústria mais eficiente,
ajuda a reduzir falhas, aumentar a sustentabilidade da indústria e a
lucratividade.
Na Advocacia 4.0, as temáticas de Direito Digital, Proteção de Dados,
Inteligência Artificial, Big Data, Internet das Coisas, Blockchain, Jurimetria,
Compliance, Propriedade Intelectual, Fashion Law, Lei Geral de Proteção de
Dados, realização de bases para formação de negócios digitais e aplicação do
Direito do Consumidor de forma Online (Fintechs, Comércio eletrônico,
Promoções na internet e mídias sociais) passaram a fazer parte da rotina de
inúmeros escritórios. Os advogados têm disposição de recursos tecnológicos
que auxiliam a atuação mais estratégica no processo de tomada de decisões.

Já a era da Sociedade 5.0, também chamada de ‘sociedade super


inteligente’, uma sociedade impulsionada por tecnologias digitais como análise
de dados grandes, inteligência artificial (IA), Internet das Coisas e robótica.

Temática surgida em janeiro de 2016 através do governo japonês, com o


lançamento do 5º Plano Básico de Ciência e Tecnologia,  uma estratégia
nacional de cinco anos formulada pelo Conselho de Ciência, Tecnologia e
Inovação (CSTI), que utiliza as tecnologias criadas no período da 4ª Revolução
Industrial a favor da convergência, visando dar mais qualidade às
necessidades humanas, com resultados satisfatórios em diversos setores da
vida, tende a quebrar paradigmas.

Essa nova era surge invertendo os valores, em busca de equilibrar o


avanço econômico com a resolução de problemas sociais, totalmente
sustentáveis, para conseguir beneficiar a população, moldando os costumes
para que esta população consiga se adaptar à sociedade inteligente, onde tudo
será possível realizar com o auxílio de tecnologias de conectividade e
rastreabilidade.

O impacto da Inteligência Artificial no Japão é um pilar de importância da


Sociedade 5.0, como forma de realizar melhores práticas de desenvolvimento e
uso da informação, através dos pilares da saúde, mobilidade e produtividade.
Assim temos como avanços o combate ao envelhecimento, através da
longevidade humana, cura de doenças extremas, mobilidade personalizada,
diminuição das desigualdades sociais, planejamento de cidades totalmente
conectadas e inteligentes, melhoria da segurança pública, redução no número
de acidentes, soluções dos problemas ocasionados pelos desastres naturais,
método de pagamento alterado, tudo passará a ser virtualizado.

A condução de sermos advogados 5.0, protagonistas de um meio


ambiente sustentável, em conformidade com as legislações, através de
relações interpessoais importantes para que não percamos o senso de
conexão social e de interação, praticando a ética aliada à tecnologia,
desenvolvendo a criatividade, inclusão social, liberdade de expressão, olhar
sistêmico para encontrar soluções mais rápidas aos problemas, qualquer
produto ou serviço será entregue de forma ideal à sociedade e adaptado às
suas necessidades.

Ao mesmo tempo, com a Advocacia 5.0 teremos desafios sociais, como a


formação da população, a polarização social, o despovoamento e as
instalações relacionadas à energia e ao meio ambiente, desenvolvimento
sustentável, estratégias de direitos humanos, reforma regulatória, dados
abertos, segurança cibernética e governança mundial de dados, eis a
estratégia do advogado do futuro se aprofundar ainda mais nessas temáticas.

Em meio à freqüência das notícias sobre as transformações no mercado


jurídico, por vezes, ressaltando que o profissional da área poderá ser
substituído por “máquinas”, por ferramentas de automação, pela Inteligência
Artificial, por plataformas de resolução de conflitos online (ODRs), dentre outras
tecnologias disponíveis no mercado, os profissionais do direito temem essas
mudanças, assim é importante destacar que os advogados executores de
atividades repetitivas e que pouco usam o seu potencial cognitivo, de fato,
deverão desenvolver outras competências, como relacionamento interpessoal
com cliente.

Os sistemas de inteligência artificial sobressaem frente à identificação de


padrões, linguagem natural, eliminação de preconceitos e capacidade de
armazenar grandes volumes de dados, assim funcionarão como super
assessores, complementando as habilidades dos profissionais, mas jamais
substituindo-os.

O impacto da tecnologia já é aplicado nos processos internos,


especialmente na gestão de escritórios, bancos de dados automatizados,
gestão de processo e peticionamento eletrônico, leituras de decisões judiciais
por meio de algoritmos que categorizam e exportam dados dos processos,
construindo o perfil decisório do juiz específico.

O papel do advogado do futuro deverá ser estratégico, supervisionando e


treinando as máquinas, para que investiguem recomendações cada vez mais
assertivas; validando o sistema matemático para a avaliação de quais teses
poderão ser aplicáveis, aprofundando assim seu conhecimento, verificando
pontos favoráveis através de brechas jurídicas em busca do sucesso na causa
e, com isso, podendo criar teses próprias, com controle bem mais detalhado
sobre as decisões judiciais, sabendo de imediato quantas vezes aquela vara ou
aquela turma já julgou a mesma matéria.
Entretanto a mentalidade jurídica tradicional, hierárquica, centralizadora,
conservadora, vem se transformando através da sociedade pré-digital, e aos
poucos se adaptando à Sociedade 5.0 que está em formação, em que os
sistemas educacionais terão assuntos como matemática, ciência de dados e
programação como requisitos básicos, bem como temas como filosofia e
linguagem serão uma grande aposta.

Desta forma, frente ao mercado tão concorrido e com diversos


advogados inscritos na OAB, nós como Advogados do Futuro 5.0, não
podemos nos perpetuar na vida profissional baseada em antigos paradigmas,
pois nos distanciaríamos do Direito 5.0, precisamos enxergar o Direito como
meio e não um fim. Profissionais liberais, escritórios e departamentos jurídicos
que não implementarem a tecnologia aliada às pessoas na gestão, certamente
não obterão grandes êxitos, implicando na desvantagem em relação ao
mercado competitivo, frente à jurimetria avançada.

Apesar de minoria, já existem hoje escritórios que prestam serviços de


advocacia apenas através da internet, modalidade utilizada pelos advogados
recém-formados, que já iniciou sua advocacia no mundo do processo digital,
não possuem espaços físicos, captam clientes e os por videoconferências,
fazem contratos e distribuem ações sem nunca ter encontrado o cliente
pessoalmente. Atualmente, os celulares e dispositivos móveis ganham maiores
relevância ao cotidiano da advocacia, em que realizam leitura de processos,
buscam por informações, entram em contato com os clientes.

Concluo que desenvolvamos através de uma mudança de mentalidade,


características próprias de um advogado empreendedor, como ser visionário e
estratégico, olhar diferente os problemas, criar soluções únicas, descobrir
verdadeiros oceanos azuis na advocacia da sua região, com áreas pouco
desbravadas, ter foco numa área, não fazer desvios desnecessários, fazer o
melhor em uma especialidade, intitular sua marca pessoal de acordo com
aquela especialidade, ser um eterno aprendiz, nunca parando de estudar,
desde cursos jurídicos a cursos de alta performance para um desenvolvimento
pessoal e profissional, buscar sempre o auto conhecimento para uma boa
desenvoltura, ter uma postura ativa, saber se vender e fazer o mesmo com seu
produto, para ser ou se manter como um profissional jurídico de destaque.