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III Semestre Psicologia Clinica, Psicologia do Desenvolvimento da Criança e do Adolescente, 2016

Tema 4- Visão geral sobre algumas teorias do desenvolvimento humano


Unidade 4.1. Visão Psicanalítica / a contribuição de Sigmund Freud
4.2.Visão da aprendizagem / O Behaviorismo de Watson; a Teoria da Aprendizagem de
Skinner
4.3Visão Cognitivo-Desenvolvimental / A teoria de Jean Piaget

Tema 5 - Da concepção ao nascimento: desenvolvimento Pré-Natal

Tema 6- Desenvolvimento Físico, Cognitivo e Psicossocial nos três primeiros anos de vida –
Primeira Infância

Tema 7- Desenvolvimento Físico, Cognitivo e Psicossocial no Período Pré-Escolar do 3 aos


6anos de vida Segunda Infância

Tema 8- Desenvolvimento Físico, Cognitivo e Psicossocial no Período Escolar dos 6anos até
ao início da adolescência
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Tema 4 - Visão geral sobre algumas teorias do desenvolvimento humano

Conteúdos
4.1 Visão Psicanalítica / a contribuição de Sigmund Freud
4.1.1Estrutura da Personalidade
4.1.2Estágios de desenvolvimento

4.2.Visão da aprendizagem / O Behaviorismo de Watson; a Teoria da Aprendizagem de


Skinner
4.2.1 Behaviorista de Watson Condicionamento Clássico
4.2.2Teoria da Aprendizagem de Skinner Condicionamento operante.

4.3Visão Cognitivo-Desenvolvimental / A teoria de Jean Piaget


4.3.1Estágios de desenvolvimento

Ao completar esta unidade, o estudante devera ser capaz de:


1. Objectivos Específicos
 Descrever as diferentes teorias do desenvolvimento humano;
 Estabelecer diferença entre a abordagem de Sigmund Freud e Jean Piaget;
 Explicar o desenvolvimento humano na abordagem do Watson;
 Analisar a abordagem do condicionamento operante;
 Descrever os estágios de desenvolvimento de Sigmund Freud;
 Caracterizar os estágios de desenvolvimento de Jean Piaget.
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4.1 Visão Psicanalítica sobre o Desenvolvimento Humano


A contribuição de Sigmund Freud

Perspectiva Psicanalítica

1.Sigmund Freud
Segundo Freud o desenvolvimento é moldado por forças inconscientes que motivam o
comportamento humano.
Freud acreditava que as pessoas nascem com impulsos biológicos que devem ser
redirecionados para tornar possível a vida em sociedade.

2.Estrutura da Personalidade
a)Id- opera sobre o princípio de prazer, impulso que busca a satisfação imediata das
necessidade e desejos. Quando a gratificação é adiada, como acontece quando os bebés
precisam esperar para ser alimentados, eles começam a ver a si próprios como separados do
mundo externo.

b)Ego- Representa a razão, princípio da realidade desenvolve-se gradualmente nos primeiros


anos de vida. Procura balancear entre os desejos do id e as exigências do superego.

c)Superego – desenvolve-se a partir de 5 ou 6anos, incorpora os deveres e proibições,


socialmente aprovados ao próprio sistema de valores da criança. É altamente exigente, se os
padrões não forem satisfeitos a criança pode se sentir culpada e ansiosa. O superego leva o
individuo a perfeição.

3.Estágios de desenvolvimento

A personalidade forma-se através de conflitos inconscientes da infância entre os impulsos


inatos do id e as exigências da sociedade (superego).
Freud considera que se as crianças receberem pouca ou muita gratificação em qualquer uma
das três primeiras fases correm risco de desenvolver fixação, o que pode afectar a
personalidade adulta.

a)Fase Oral (0 aos 18 meses)


Zona erógena é a boca. Essa satisfação se dá independente da satisfação da fome. Assim,
para a criança sugar, mastigar, comer, morder, cuspir etc. têm uma função ligada ao prazer,
além de servirem à alimentação.

b)Fase Anal (18 aos 3 anos)


A zona erógena é o ânus. A criança aprende a adiar o prazer que vem de aliviar as tensões
anais, dessa forma, deve aprender a lidar com a frustração do desejo de satisfazer suas
necessidades imediatamente.
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c) Fase Fálica (dos 3 aos 6 anos)


Zona erógena são os genitais. Ocorre o evento fundamental do desenvolvimento
psicossexual. Os meninos apegam-se as mães, e as meninas aos pais, o genitor do mesmo
sexo torna-se um rival. Gera-se nessa fase o complexo de Édipo no rapaz e Electra na menina.

d)Fase da Latência (5/6anos-puberdade)


Verifica-se uma tranquilidade sexual. Desenvolvem habilidades e aprendem sobre si próprias
e a sociedade.

e)Fase Genital
Os impulsos sexuais reprimidos durante a latência agora ressurgem para fluir em canais
socialmente aceites, depois da longa fase de latência e acompanhando as mudanças
corporais, despertam-se novamente, mas desta vez se dirigem a uma pessoa do sexo oposto.

4.2.Visão da aprendizagem / O Behaviorismo de Watson; a Teoria da Aprendizagem de


Skinner

Perspectiva Behaviorista

Teoria da aprendizagem.
Descreve o comportamento observado como resposta previsível a experiência. O homem
aprende em todas as idades sobre o mundo, e reage a aspectos do ambiente que considera
agradável, doloroso ou ameaçador.

A aprendizagem resulta duma associação, na ligação mental que se estabelece entre os


estímulos ou eventos sensórias, no processo de interação do organismo com o meio.

4.2.1 O Behaviorismo de Watson Condicionamento Clássico

O behaviorista Watson aplicou a teoria de estímulo- resposta, e disse que a partir dela poderia
moldar qualquer bebé do jeito que quisesse.
Assim a maior preocupação de Watson estava relacionada com os aspectos observáveis do
comportamento, uma vez que para ele todo comportamento é aprendido. Por isso ele se
preocupou mais com o que as pessoas fazem, do que com que as pessoas pensam. No
condicionamento clássico a aprendizagem ocorre de forma natural mesmo sem intervenção.
Ao aprender quais são os eventos que se seguem juntos, a criança pode antecipar o que vai
acontecer, e esse conhecimento torna seu mundo um lugar mais ordenado.

4.2.2.Teoria da Aprendizagem de Skinner o Condicionamento Operante

Para Skinner o individuo aprende com as consequências da sua operação sobre o ambiente,
envolve comportamento voluntário. Aqui o comportamento pode ser fortalecido a partir do
reforço, que oferece a probabilidade do comportamento se repetir. O reforço pode ser positivo
que fortalece a probabilidade da ocorrência da resposta, premiando a criança por manifestar
comportamentos aprovados pelos pais, ou negativo que tem como objectivo reprimir respostas
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e comportamentos desajustados, e pode ser aplicada com vista a desaprovar o


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comportamento da criança.
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4.3 Visão Cognitivo-Desenvolvimental / A teoria de Jean Piaget

Perspectiva Cognitiva

Jean Piaget
Sua abordagem sobre o desenvolvimento da enfâse aos processos mentais e ao
desenvolvimento cognitivo sendo este produto do esforço da criança para entender e agir em
seu mundo. Piaget fez observações em seus próprios filhos e outras crianças e criou a
abordagem sobre o desenvolvimento cognitivo. Este começa com uma capacidade inata da
criança de se adaptar ao ambiente.

4.3.1.Estágios de desenvolvimento

a) Sensório- motor (0 aos 2 anos)


Durante o estágio sensório-motor, as crianças coordenam as informações sensoriais que
recebem com suas habilidades motoras, formando esquemas comportamentais que lhes
permitem "agir sobre" e "conhecer" seu ambiente.
A criança desenvolve um conjunto de "esquemas de acção" sobre o objecto, que lhe permitem
construir um conhecimento físico da realidade.

b) Pré-operatório (dos 2 aos 7 anos)


A criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a
chamada idade dos porquês e do faz-de-conta. A criança representa e utiliza símbolos para
representar pessoas, lugares e eventos. Verifica-se a linguagem e o jogo imaginativo.
Caracteriza-se, pela interiorização de esquemas de acção construídos no estágio anterior
(sensório-motor).

c) Operações concretas (dos 7 aos 12 anos)

A criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a


conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de
lógico, ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações.
Não se limita a uma representação imediata, mas ainda depende do mundo concreto para
chegar à abstração.

d) Operações formais (dos 12 em diante)


Constrói-se o pensamento abstracto, conceptual, já lida com situações hipotéticas e pensar
sobre as possibilidades, sobre diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar
cientificamente. As estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de
desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas classes de problemas.

Em cada etapa, o crescimento cognitivo ocorre por meio de três processos inter-relacionados:
Organização, adaptação e equilibração
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Organização – procura-se criar estruturas cognitivas cada vez mais complexas; modos de
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pensar que incorpora imagens da realidade cada vez mais precisas.


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Adaptação – Como a criança lida com as novas informações a luz do que já sabe, esta ocorre
através da assimilação onde se absorve as informações e incorpora-se as estruturas
cognitivas existentes; e a acomodação ajusta as próprias estruturas cognitivas para encaixar
a nova informação.
Equilibração – Busca-se um equilíbrio estável na passagem da assimilação para a
acomodação. Procura-se equilíbrio entre os elementos cognitivos.

Tema 5 - Desenvolvimento Pré-Natal :Da concepção ao nascimento


Conteúdos
5.1. A concepção: Aspectos gerais
5.2. A gravidez e desenvolvimento pré-natal; influências ambientais e consequências
5.3 Contribuições do pai
5.4. Monitorização durante o desenvolvimento pré-natal
5.5.Os cuidados que a mulher gravida deve tomar
5.6. Técnicas de avaliação pré-natal; cuidados especiais.
5.7. O processo de nascimento e a Avaliação do recém-nascido
5.8. Vinculação no período pré-natal

No final dessa unidade temática o estudante devera ser capaz de:


1. Objectivos específicos
 Conhecer quais são as influências do meio ambiente para o
desenvolvimento pré-natal;
 Analisar as experiências dos pais face ao nascimento do bebé
 Avaliar a importância da monitorização no período pré-natal
 Conhecer os cuidados que a mulher gravida deve ter
 Identificar as técnicas de avaliação pré-natal
 Analisar a importância da vinculação no período pré-natal
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Desenvolvimento Pré-Natal da concepção ao nascimento

5.1.A concepção : Aspectos gerais

O período pré-natal do ponto de vista biológico começa com a concepção, que do ponto de
vista psicológico tem enorme significado para os progenitores assim como para o bebé que
vai nascer. Na parte emocional a mãe gravida pode vivenciar sentimentos de confiança e
segurança por viver e sentir a sensação de ser mãe, de ambivalência afectiva, medo,
ansiedade, tensão. Pode existir nos pais fantasias, expectativas ligadas ao nascimento da
criança. Para entendermos sobre o desenvolvimento pré-natal, vamos falar dos aspectos
gerais ligados concepção, dos riscos, os cuidados a tomar ,o desenvolvimento de vínculos
com o bebé que vai nascer e o processo de nascimento.

O desenvolvimento começa com a concepção que ocorre quando há fertilização


(zigoto=ovulo+ espermatizoide).

O período pré-natal vai desde a concepção até ao nascimento. Antes do nascimento há um


desenvolvimento muito importante.
Durante esses três períodos de gestação, o zigoto unicelular cresce e se transforma em
embrião e depois feto. Tanto antes quanto depois do nascimento, o desenvolvimento
prossegue de acordo com dois princípios fundamentais. O crescimento e desenvolvimento
motor ocorre de cima para baixo e do centro para a periferia do corpo.

a) Princípio do desenvolvimento Intra-uterino

Principio Cefalocaudal - da cabeça para parte mais baixa do corpo. No segundo mês de
gestação a cabeça do embrião é a metade do comprimento do corpo. No nascimento a cabeça
é desproporcionalmente grande.

Principio Próximo-distal – o desenvolvimento prossegue das partes próximas do centro para


as outras mais externas. A cabeça e o tronco do embrião desenvolve-se antes dos membros,
e braços e pernas antes dos dedos das mãos e dos pés.

b) Estágios e Características do desenvolvimento pré-natal

1º Germinal (as duas primeiras semanas)


2º Embrionário (de duas semanas a dois meses)
3º Fetal (de dois meses ao nascimento)

Germinal
O zigoto se divide, torna-se mais complexo e é implantado na parede do útero.

Embrião
A maioria dos órgãos vitais e sistemas corpóreos começam a se formar no organismo em
desenvolvimento que agora passa a ser chamado embrião. É um estágio de grande
vulnerabilidade, pois se algo interfere no desenvolvimento nesta fase os efeitos podem ser
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devastadores. Abortos e grande parte de deficiências estruturais ocorrem no estágio


embrionário.
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Estagio Fetal
Órgãos formados no estágio embrionário continuam a crescer e começam a funcionar
gradualmente. Os órgãos sexuais passam a se desenvolver durante o terceiro mês. Nos
últimos três meses de gravidez as células cerebrais multiplicam-se. Com a maturidade o feto
pode virar, chutar, girar 360º, sorrir, olhar com os olhos semicerrados, chupar o polegar e
responder as vibrações.

5.2 A gravidez e desenvolvimento pré-natal; influências ambientais e consequências

Embora o feto se desenvolve no aconchego protector do útero, eventos ambientais podem


afecta-los inderectamente através da mãe. Pois o feto esta ligado pela placenta da mãe. A
exposição a drogas, chumbo, fumaça de tabaco, álcool ou radiação em grande quantidade
podem afectar o desenvolvimento do feto.

a) Saúde
Doenças graves da mãe podem prejudicar o bebe em gestação, podem criar defeitos de
nascimento assim como a toxemia (inchaço dos membros, pressão alta, e alguns casos de
convulsões) podem retardar o crescimento do feto.

b) Dieta
A nutrição materna é muito importante, pois o feto em desenvolvimento precisa de uma
variedade de nutrientes essenciais. A falta de nutrientes materna aumenta o risco de
complicações de nascimento e deficit neurológico para o recém-nascido, aborto espontâneo,
natimorto.
A dificuldade de choro nota-se em bebés desnutridos porque os transmissores do cérebro
operam com dificuldades. A deficiência de habilidades motora no feto pode ter origem no deficit
da dieta da mãe, e também esta relacionado a apatia e irritabilidade durante a infância.

c) Cigarro
Tabagismo pode causar aborto, natimorto, aumento de risco de morte súbita do bebé, pode
prejudicar o peso do bebé, podem ser crianças relativamente lentas em relação as crianças
da sua idade, ter dificuldades em prestar atenção, anormalidades pulmonares. O fumo do
cigarro faz com que os vasos sanguíneos do útero se contraiam.

d) Drogas
Por causa das drogas os bebés podem manifestar a síndrome de abstinência, que ocorre
dentro de 72horas após o parto. O bebé fica trémulo, irritável, chora em tom de voz estridente
e agudo, respira em ritmo acelerado, a pressão sanguínea sobe, vomita e tem diarreia. As
vezes ocorre ataques convulsivos e pode ser fatal.

e) Álcool
Pode provocar a má formação congénita do bebé, como a microcefalia (cabeça pequena)
deficiências cardíacas, irritabilidade, hiperatividade, retardamento no desenvolvimento mental
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e motor. Estudos recentes comprovam que até o beber socialmente pode ser nocivo ao feto.
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f) Medicamento sem prescrição médica, estes podem provocar abortos espontâneos.

g) Substâncias químicas ambientais como o chumbo, mercúrio metílico, bifenilos,


policlorados, prejudicam o feto.

h) Emoções, estresse maternos durante a gravidez esta associado com problemas de


saúde e de comportamento desde a infância até a fase adulta. No âmbito da saúde
física verifica-se elevados distúrbios de origem gastrointestinal, fenda palatina e lábio
leporino. No comportamento há excessiva irritabilidade, choro, predisposição a futuros
distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia e alcoolismo.

A placenta pode evitar um grande número de agentes infeciosos mais não todos. Muitas
doenças da mãe pode afectar ao feto como é o caso da rubéola, sífilis, cólera, varíola,
caxumba, até mesmo casos de gripe, essas podem interferir no desenvolvimento pré- natal.

5.3 Contribuições do Pai

O bebé recebe do pai metade do material genético. O esperma defeituoso pode ser
responsável por grande número de complicações de nascimento que tradicionalmente eram
atribuídas as mães. Filhos de pais que estão chegando aos 40anos são propensos a doenças
raras. O uso de cocaína, o consumo de álcool, cigarro por parte do futuro pai pode causar
defeitos congénitos nos filhos. A exposição passiva da gestante a fumaça do pai tem sido
associada ao baixo peso no nascimento, infecções respiratórias, morte súbita do bebé, câncer
na infância e vida adulta.

5.4 Monitorização durante o desenvolvimento pré-natal

Existe uma série de ferramentas para avaliar o progresso e o bem-estar da criança e intervir
em caso de necessidade para corrigir algumas condições anormais. Hoje em dia já se pode
observar antes do nascimento se o feto tem alguma anomalia tomar as devidas precauções,
decisões se diante desta situação a mulher quer ou não ter a criança. O rastreamento genético
de doenças que se podem tratar mostra-nos o quão importante é fazer o monitoramento do
desenvolvimento pré-natal.
Os cuidados pré-natais incluem serviços educacionais, sociais e nutricionais para evitar as
mortes maternas, complicações no parto bem como natimorto.

5.5.Os cuidados que a mulher gravida deve ter

A mulher grávida deve ter em mente alguns cuidados que vão ajudar no desenvolvimento do
seu feto, e são exemplos: ter uma alimentação equilibrada é importante para o
desenvolvimento do feto, ingestão de proteínas, vitaminas, cálcio e fósforo, iodo e ferro; evitar
a fadiga; actividade física moderada, não fumar nem consumir bebidas alcoólicas, tratar de
doenças existente evitar exames radiológicos especialmente aqueles com maior tempo de
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exposição ao Raio X.
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5.6.Técnicas de avaliação pré-natal

 Controlo de altura uterina que da ideia do crescimento do feto;


 Batimentos fetais;
 Controle do peso da mãe;
 Exame de urina para ver se há proteínas;
 Exame de tensão arterial;
 Verificar se há edemas dos membros inferiores;
 Ecografia (ultrassom) - feita a partir das ondas sonoras de alta frequência que a partir
do abdómen da mãe pode-se ter a imagem do feto no útero;
 Teste de sangue - que ajuda a prever a má formação do cérebro ate a síndrome de
Down e outras anomalias;
 Amniocentese - que é um teste realizado com o líquido amniótico que protege o
embrião dentro do útero. Consiste na perfuração do abdómen até ao útero com uma
seringa especial, e através de um ultrassom o médico evita entrar em contacto com o
embrião. Retira-se assim parte do líquido para testes. Este líquido permite verificar se
o embrião tem alguma doença ou problema de formação.

.
5.7 O processo de nascimento e avaliação do recém-nascido

O processo de nascimento envolve três etapas:


1º estágio começa com as contrações que dilatam o cérvix
2º estágio as contrações são acompanhadas com a saída do bebe
3º estágio após a saída do bebé sai a placenta .

Quando o bebé nasce as parteiras devem fazer a avaliação do esforço respiratório


(respiração), cor da pele (que deve rosado), tónus muscular, reflexos da irritabilidade do recém
nascido, avaliação cardíaca, para determinar o estresse perinatal e determinar se o neonato
necessita de assistência médica, a esse processo todo de avaliação designa-se por Teste de
Apgar. A contagem Apgar, foi desenhada em 1952 pela doutora Virgínia Apgar na
Universidade de Columbia Babies Hospital, é um exame rápido que se realiza do primeiro ao
quinto minuto imediatamente depois do nascimento do bebê para determinar sua condição
física. A proporção se baseia na escala de 0 a 2 para cada item e seu somatório será 10, onde
10 corresponde à criança mais saudável e os valores inferiores a 5, indicam que o recém-
nascido necessita de assistência médica imediata para se adaptar ao novo ambiente

5.8 Vinculação no período pré-natal

A vinculação dos pais antes do criança nascer permite aos progenitores a interiorização do
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feto, através de antecipações de imagens, expectativas, preocupações diversas com a criança


que vai nascer, incorporando-a no seio familiar, criando assim um modelo relacional que
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servira como um importante precursor do modelo da tríade pai-mãe-bebé, após o nascimento.


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O planeamento da gravidez, aceitação da gravidez, a emoção e consciencialização do


movimentos fetais, a vivência do trabalho do parto, o nascimento, ver o bebé, tocar, cuidar
dele como uma pessoa individual na família, constituem fatos importantes para a formação de
vínculos.
A vinculação pré-natal é um processo contínuo que vai desde o anúncio da gravidez, o
acompanhamento das consultas pré-natais, a primeira ecografia e a sensação dos
movimentos fetais até ao nascimento. Na vinculação, a mãe conversa com o feto, atribui nome,
fica numa posição que permite que o pai aprecie os movimentos fetais assim como estimula-
o a conversar com o feto.

A vinculação peri-natal é influenciado pelo trabalho de parto e o confronto com o bebé real,
que podem ver, tocar e ouvir a chorar. Quanto mais gratificante e menos doloroso e traumático
for o parto facilita a ligação mãe-bebé.
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Tema 6- Desenvolvimento Físico, Cognitivo e Psicossocial nos três primeiros anos de


vida – Infância
Conteúdos
6.1.Desenvolvimento Físico, nos três primeiros anos de vida – 1ª Infância
 Princípios de Desenvolvimento
 Crescimento Físico
 A dentição e a nutrição
 Capacidades Sensórias (tacto, dor, visão, olfacto, paladar,)
 Manipulação de objectos

6.2.Desenvolvimento Cognitivo (as competências iniciais, a génese da inteligência sensório


motora)
 Abordagem behaviorista
 Abordagem Piagetiana
 Desenvolvimento da Linguagem
 Benefícios da leitura
6.3 Desenvolvimento Psicossocial nos três primeiros anos de vida – 1ª Infância
 Choro
 Sorriso
 Apego
 Sociabilidade com outras crianças
 Serviços de Creche
.

No final dessa unidade temática o estudante devera ser capaz de:


1. Objectivos específicos
 Descrever as capacidades físicas da criança nessa fase;
 Identificar as competências inicias no desenvolvimento cognitivo;
 Analisar o processo do desenvolvimento da linguagem;
 Explicar quais são os benefícios da leitura feita pelos progenitores;
 Caracterizar o desenvolvimento psicossocial na primeira infância;
 Discutir sobre o papel da creche;
 Conhecer as transformações no desenvolvimento físico-motor.
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Desenvolvimento Físico Cognitivo e Psicossocial na primeira Infância

6.1 Desenvolvimento Físico

Na primeira infância, observa-se transformações de extrema importância no desenvolvimento


da criança especialmente entre os zero e os três anos de idade, pois se lançam as bases do
desenvolvimento nos aspectos físicos, motores, sociais, emocionais, cognitivos, linguísticos,
comunicacionais, e outros. O período da primeira infância dá-se as primeiras experiências de
vida do ser humano enquanto criança que vão determinar aquilo que o ser humano será
enquanto adulto, pois é nesse período que o sujeito aprende sobre si, sobre os outros e sobre
o mundo.
Sendo o desenvolvimento um processo holístico e contextualizado que ocorre ao longo de
toda vida, o desenvolvimento humano acarreta mudanças progressivas, contínuas e
cumulativas provocando, no indivíduo, reorganizações constantes ao nível das suas
estruturas físicas, psicológicas e sociais que evoluem num contínuo faseado e integrativo
(TAVARES et al., 2007).

a) Princípios de Desenvolvimento
Assim como acontece antes do nascimento o desenvolvimento físico segue o principio
cefalocaudal e principio próximo-distal.

No principio cefalocaudal o crescimento ocorre de cima para baixo, onde a cabeça do recém
nascido é desproporcionalmente grande, e torna-se menor a medida que a criança cresce.

No princípio próximo-distal o crescimento e desenvolvimento motor ocorre do centro do corpo


para as extremidades.

b) Crescimento Físico

O crescimento do bebê nos dois primeiros anos de vida é extremamente acentuado em


comparação com outros períodos da vida de um ser humano. Para Matta (2001) e Papalia et
al. (2001), o processo de desenvolvimento é gradual. Quando a criança nasce, tem pouco
controle do seu corpo e os seus movimentos são descoordenados. Progressivamente vai-se
desenvolvendo, controlando inicialmente o corpo nos membros superiores (lei céfalo-caudal)
e no sentido do centro do corpo para fora (lei próximo-distal).

Sendo competente é capaz de aprender a partir das estruturas a que chega ao mundo.
Neste período, o bebé sofre importantes e aceleradas modificações, tais como gatinhar,
sentar, andar e falar. Durante os dois primeiros meses de vida aprende a segurar o pescoço
e, aos quatro meses, senta-se necessitando da ajuda de um suporte (MATTA, 2001). O
rastejar e o gatinhar surgem como as primeiras tentativas de movimentação intencional por
volta dos quatro/seis meses (PAPALIA et al., 2001). Com cerca de sete meses, senta-se
sozinha sem qualquer suporte. As primeiras tentativas de se colocar na posição bípede
surgem por volta dos oito/nove meses, apoiando-se, porém, em alguma coisa. Apenas por
volta dos onze meses é que a criança consegue andar com alguma ajuda. O andar “não se
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adquire de repente” sendo necessários alguns meses até que se torne mais autônoma. Ao
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aprender a andar, a criança liberta as mãos para outras descobertas e aprendizagens. Com

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dois anos de vida a criança já anda e explora o espaço a sua volta, começa a subir degraus
(inicialmente sem alternar os pés), corre, salta, pisa por cima de um risco, lança, anda em
bicos dos pés e de triciclo (PAPALIA et al., 2001).

c) A dentição e a nutrição
A dentição começa a aparecer por volta de três a quatro meses quando os bebés pegam em
tudo que vê e levam a boca, mas o primeiro dente só aparece por volta do quinto ou nono
mês.
A nutrição adequada é essencialmente para um crescimento saudável. O aleitamento
materno é um acto emocional e saudável, o contacto com o corpo da mãe promove um vínculo
emocional entre o bebé e a mãe. O leite materno ajuda a evitar doenças como diarreia,
infecções respiratórias como pneumonia e bronquite, infecção no ouvido entre outras. Traz
beneficio para a acuidade visual, desenvolvimento neurológico e no longo prazo para a saúde
cardiovascular.
A partir dos seis meses recomenda-se a introdução gradual de alimentos sólidos
enriquecidos com ferro, sucos e frutas.

d) Capacidades Sensórias na primeira infância

 Tacto e dor.
O reflexo de sucção ocorre dois meses após a concepção, isto é, na fase intra-uterina. Já no
primeiro dia de vida o bebé sente a dor e torna-se mais sensível com o passar do tempo.
Temos que aliviar a sensação de dor do bebé, porque dor prolongada podem causar danos a
longo prazo.(Papalia et al 2001)

 Olfato e Paladar Commented [Dcs1]:


Os sentidos de olfato e paladar começam a se desenvolver no útero. O sabor e odores
consumidos pela gestante são transmitidos para o feto através do líquido amnióticos. Certas
preferências olfativas parecem inatas. A preferência de paladar desenvolvidas nos primeiros
meses podem durar por toda primeira infância.

 Audição

A audição desenvolve-se antes do nascimento, três dias depois do nascimento já podem


distinguir uma voz estranha da voz da mãe, o bebé já tem preferência pela língua materna do
que estrangeira.

 Visão
É um sentido menos desenvolvido quando o bebé nasce. A estrutura da retina esta incompleta
e os nervos ópticos ainda não se desenvolveram totalmente. Os olhos focalizam melhor a uma
distância de 30 centímetros, sendo uma medida adaptativa para promover o vínculo com a
mãe.

e) Manipulação de objectos
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No que diz respeito à manipulação de objectos, a criança por volta dos cinco meses já tem
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consciência de que pode alcançar e agarrar tudo o que tem à sua volta, no entanto, só aos

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dez meses é que estes dois movimentos se coordenam num só (PAPALIA et al., 2001).
Ao completar o segundo ano, pode-se verificar o início de uma certa preferência por um dos
lados da mão o que “não quer dizer que a criança já desenvolva o domínio de um lado sobre
o outro, ou seja com isso não podemos concluir que ela seja canhota ou destra.

6.2. Desenvolvimento Cognitivo

a) Abordagem behaviorista

Bebés nascem com a capacidade de aprender com aquilo que vê, cheiram, degustam e tocam
além de terem certa capacidade de lembrar o que aprenderam. Os behavioristas consideram
a maturação como factor limitante mas os bebés aprendem por meio do condicionamento
clássico e operante e depois segue a habituação.

b) Abordagem Piagetiana

Com o desenvolvimento sensório-motor, a criança aprende sobre si mesma e sobre o mundo


mediante suas actividades sensoriais e motoras.
Os bebés aprendem a coordenar os dados provenientes dos sentidos e organizar suas
actividades em relação ao ambiente através da organização, adaptação e equilíbrio. Aprende
a agitar o chocalho para ouvir o barulho. Desenvolve a capacidade de entender a natureza
das imagens a partir do desenvolvimento simbólico.

O egocentrismo Piagetiano (apud PAPALIA et al., 2001) é uma das características presentes
na criança da primeira infância. A criança desta idade não tem capacidade para se colocar no
ponto de vista do outra e não entende a sua visão, pois a sua compreensão está centrada em
si mesma. Mais adiante a criança deixa de ser tão egocêntrica e começa a mostrar alguma
capacidade de empatia.

c) Desenvolvimento da Linguagem
Nos primeiros três anos de vida a criança desenvolve capacidades cognitivas devido ao
interesse que manifesta pelo mundo que a rodeia e à sua necessidade de comunicação
(TAVARES et al., 2007). Por volta dos quatro meses a criança já é capaz de se concentrar no
que vê, toca e ouve, sem perder o controlo, “alguns bebés sorriem e balbuciam naturalmente,
absorvendo os sons e imagens. Começam a surgir as primeiras palavras e, posteriormente,
as primeiras frases. Esta crescente capacidade linguística traz inúmeras implicações ao nível
da comunicação com os outros.

A criança começa a conversar, a questionar, a querer saber sempre mais, numa tentativa de
compreender o mundo que a rodeia. Na verdade, com um ano de idade a criança já pronuncia
algumas palavras perceptíveis, iniciando a articulação das primeiras palavras com significado
(PAPALIA et al., 2001) embora fale muitas outras que não se conseguem compreender nesse
caso o (manhês ).
15

A primeira palavra surge, normalmente, entre os 10 e os 14 meses iniciando a chamada fala


linguística. A partir dos 18 meses (aproximadamente) a criança utiliza a “pré-frase, constituída
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por dois ou vários termos dispostos segundo a importância afectiva que a criança lhe atribui.
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Ao longo do período da pré-frase a criança encontra-se na idade de muitas perguntas - coloca


questões do gênero “o que é isto?”, “como?”, ”onde?”, “quando?”, “por que?”, exprimindo a
sua curiosidade e desejo de conhecer.

Por volta dos dois anos a criança entusiasma-se com a sua própria linguagem. Gosta de
aprender palavras novas (por vezes pronunciadas incorretamente) e de inventar novas
palavras. Nomeia objectos familiares e é capaz de conversar sozinha com um brinquedo. É
também por volta dos dois anos que surgem as primeiras frases. Nesta idade, a criança
apresenta um forte incremento da linguagem e, de facto, este é o período em que se verifica
o maior enriquecimento do vocabulário.

d) Benefícios da leitura

A frequência da leitura que os pais fazem para os filhos bebés estimula o desenvolvimento do
letramento e da capacidade de ler e escrever. Crianças que aprendem a ler cedo tende a ser
aquelas cujos pais liam para elas frequentemente. Os pais pode usar a leitura descritiva,
quando contam uma estória e ao descrever o que esta acontecendo e convida as crianças
para fazer o mesmo. Podem ainda fazer uma leitura entendedora, onde perguntam a criança
sobre o que acha que aconteceu na estória da leitura que o pai fez, e também a leitura
orientada, onde o pai lê primeiro e depois faz perguntas a criança.

6.3 Desenvolvimento Psicossocial

A criança na primeira infância se desenvolve em vários contextos com características


específicas, isto é, com regras, atitudes, valores e modos de estar e ser concretos. Desde o
primeiro dia em que vem ao mundo, o ser humano começa a ter consciência de que existe um
mundo externo a si. É nesse mundo que aprende sobre si, a estar e a comunicar-se com os
outros. Neste sentido, a primeira infância é um período de mudanças significativas no que diz
respeito ao desenvolvimento social. Uma criança entre as seis e as oito semanas utiliza o
sorriso como um meio para captar a atenção dos seus pais (linguagem não-verbal).

Segundo a teoria psicossocial de Erik Erikson, desenvolve-se na criança a confiança, a


autonomia versus vergonha e duvida.

a) O Choro
É a maneira que os bebés usam para comunicar suas necessidades, é uma das principais
formas da criança contactar com o que a rodeia, o mundo a sua volta. Entre os choros pode-
se distinguir o choro de fome, de raiva, de dor e de frustração.
No chorar também é desenvolvida a sensação de poder. À medida em que a criança chora,
alguém aparece, normalmente a mãe para lhe oferecer conforto e alimento, por exemplo.

b) O Sorriso
O rir e sorrir são outras formas de expressar-se. Sendo estes mais ligados ao vínculo social
que a criança procura estabelecer com os outros. Há uma certa sequência no sorriso: 1º mês,
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sorrisos frequentes e mais sociais; 2º mês, à medida que é feito o reconhecimento visual; 3º
mês sorrisos mais largos e duradouros. Por volta do 4º mês o bebé solta gargalhada quando
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recebe beijo na barriga ou quando lhe fazem cocegas. Portanto, é importante que saibamos
que o riso ajuda no descarregamento de tensão.

Nos primeiros meses de vida a criança tem grandes oscilações de humor. Ao aproximar-se
dos 3 anos vai tornando-se (mais) obediente, arrumada e amável reconhecendo em fotografias
as pessoas mais chegadas e demonstra sentimentos de afecto, compaixão e culpabilidade.

c) Apego

É um vínculo duradouro que se estabelece entre o bebé e o cuidador, onde cada um contribui
para a qualidade do relacionamento. A interação precoce pais ou bebé como o contacto da
pele, o toque, olfacto, o calor físico, o estimulo verbal vão actuar na promoção do vinculo entre
pais e a criança com efeitos positivos para o relacionamento. Com um ano de idade a criança
ainda manifesta um apego excessivo com a mãe ou com quem cuida dela e fica perturbada
com a separação ou ausência materna. Contudo, começa a tomar consciência que é alguém
distinto da mãe e com vontade própria. Aos dois anos entra em conflito, pois a criança vive
entre a necessidade de afecto e a necessidade de independência, pois os terríveis dois anos
são uma manifestação normal da necessidade de autonomia o que ocasiona um período de
oposição em duas áreas fundamentais: nas brincadeiras (demolir e construir) e na alimentação
(repugnância e preferências por alimentos).

d) Sociabilidade com outras crianças

Os bebés e crianças pequenas mostram interesse em pessoas de fora do seu círculo familiar,
principalmente do seu tamanho. As crianças pequenas aprende imitando as outras crianças.
Aos dois anos e meio já brinca com outras crianças embora em paralelo, isto é, brincam
sozinhas e brinca com as outras crianças. Por vezes acontece entusiasmar-se e morder o
melhor amigo, revelando estes comportamentos o início da socialização, gosta da companhia
de outras crianças mas tem dificuldade em se relacionar com elas.

e) Serviços de Creche

Não há padrões de desenvolvimento verdadeiramente iguais em todos os seres humanos uma


vez que “cada criança é semelhante às outras crianças em alguns aspectos, mas é única em
outros aspectos”. O processo de desenvolvimento da criança é um processo pessoal, único,
situado num contexto histórico e cultural que, também, o influencia.
A criança desenvolve-se em diferentes ambientes, mais ou menos familiares, que lhe
oferecem as suas primeiras experiências de vida.

A creche enquanto instituição dedicada à primeira infância apresenta-se, para além da família
e de outros ambientes, como um potencial contexto de desenvolvimento e da aprendizagem
para a criança pelos desafios que lhe pode proporcionar. A creche oferece à criança
oportunidades para aprender activamente sendo determinante para que a criança possa se
desenvolver de forma harmoniosa, levando-as a ir mais longe possível neste processo.
A responsabilidade da creche é necessário que os profissionais de educação possuam
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conhecimentos específicos, respeitando o processo natural de desenvolvimento em cada faixa


etária.
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Tema 7- Desenvolvimento Físico, Cognitivo e Psicossocial no Período Pré-Escolar


Conteúdos
7.1.Desenvolvimento Físico
 Crescimento e Alteração Corporal
 Nutrição e Excesso de Peso
 Subnutrição
 Padrões e distúrbios de sono
 Micção Nocturna
 Habilidades Motoras
7.2.Desenvolvimento Cognitivo
 Abordagem Piagetiana
 Abordagem de Processamento de informação
 Desenvolvimento da Memória
 Interação social, cultura e memória
 Teoria de Vygotsky
 Desenvolvimento da Linguagem
7.3.Desenvolvimento Psicossocial no Período Pré-Escolar
 O brincar.
 A educação dos filhos

No final da unidade temática o estudante dever ser capaz de :


1. Objectivos específicos
 Caracterizar as alterações corporais no desenvolvimento físico
 Analisar aspectos da nutrição no que concerne o excesso de peso e a
desnutrição
 Descrever as características do desenvolvimento cognitivo na abordagem da
teoria de Vygotsky
 Analisar o processo do desenvolvimento da linguagem
 Conhecer a importância do brincar nessa fase
 Identificar os estilos de criação dos pais e avaliar a sua contribuição na
educação dos filhos.
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Desenvolvimento Físico e cognitivo na segunda Infância, Idade Pré Escolar


(3 aos 6 anos)
7.1 Desenvolvimento Físico na segunda infância

Na segunda infância, as crianças emagrecem e crescem rapidamente, mas num rito diferente
do período intrauterino e da primeira infância. Dormem menos e podem ter dificuldade ou
problemas de sono. Melhoram a capacidade de correr, saltitar, pular e jogar bolas, fazer laço
em calcados, desenhar, tem preferência pela mão direita ou esquerda.

a) Crescimento e Alteração Corporal

A partir dos 3 anos a criança começa a perder a forma roliça, e ganha aparência esguia e
atlética. O tronco, os braços e as pernas ficam mais longos. A cabeça é relativamente grande,
mas as outras partes tornam-se similares as de um adulto. O crescimento muscular e
esquelético avança e torna-se mais forte.
A criança começa a ganhar habilidades motoras, cria-se um vigor físico a partir do aumento
da capacidade dos sistemas respiratórios, circulatórios e imunológico.

b) Nutrição e Excesso de Peso

A tendência para obesidade pode ser hereditária, mas factores ambientais como a ingestão
de alimentos calóricos e a falta de exercícios físicos impulsionam a obesidade epidémica.
O que as crianças comem é tao importante quanto a quantidade que comem.

c) Subnutrição

As crianças subnutridas vivem em circunstância de extrema carência. Essas carências podem


afectar negativamente não apenas o crescimento e o bem-estar físico, como também o
desenvolvimento cognitivo e psicológico.
Os efeitos da subnutrição sobre o crescimento podem ser sensivelmente revertidos com uma
dieta adequada.

d) Padrões e distúrbios de sono

O horário de ir a cama depende da cultura, educação e hábitos e costume de cada família. O


ir a cama pode acarretar uma forma de ansiedade de separação e a criança pode fazer de
tudo para evita-la. As crianças podem adiar a ida a cama, e podem levar mais tempo para
sentir o sono.

 Distúrbios do sono
Os terrores nocturnos ocorrem, na maioria das veze entre os 3 aos 11anos, manifestam-se
mais nos meninos do que nas meninas, estes podem gritar, sentar na cama e falar. Acalma-
se rapidamente mas na manhã seguinte pode não lembrar nada do episódio.
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Distúrbios de sono podem ser causados por activação acidental do sistema de controlo motor
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do cérebro, pelo despertador incompleto de um sono profundo, ou pela respiração

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desordenada ou movimentos agitados das pernas. Problemas persistentes de sono podem


indicar um distúrbio emocional, psicológico ou neurológico que precisa ser examinado.

e) Micção Nocturna

Com três anos é normal que as crianças reconheçam a sensação de bexiga cheia enquanto
dorme e acordam para esvazia-la no banheiro. Crianças que urinam na cama não tem essa
percepção. Deste modo a enurese ocorre a noite. A enurese persistente pode ser resultado
de problemas emocionais, mental ou comportamental, mas também pode ser hereditário. Os
pais precisam saber que não é um problema grave e a criança não deve ser punida e nem
culpada, mas sim deve ajuda-la a ultrapassar essa fase.

f) Habilidades Motoras

O desenvolvimento sensorial, motor e da córtex cerebral permite a melhor coordenação dos


movimentos da criança entre aquilo que ela quer fazer e aquilo que pode fazer. Habilidades
motoras grossas estão desenvolvidas e ela é capaz de correr, pular, escalar mais longe e mais
rápido.
Habilidades motoras finas como abotoar a camisa, desenhar envolvem a coordenação das
mãos, dos olhos e os pequenos músculos. A preferência por usar uma das mãos esta patente
a partir dos 3 anos de vida.

7.2 Desenvolvimento Cognitivo

a) Abordagem Piagetiana

Segundo Piaget no pensamento pré-operatório, os avanços no pensamento simbólico são


acompanhados de um crescente entendimento de objectos no espaço, relação causa-efeito,
identidade e categorização, entendimento de números.
A função simbólica, cria na criança a capacidade de usar símbolos, ou representações
mentais. Demonstram a função simbólica por aumento da imitação transferida, brincadeiras
de faz de conta.

Começam a distinguir aquilo que parece ser e aquilo que é, distinção entre realidade e
fantasia, desenvolvem falsas crenças e dissimulações, são menos egocêntricas, desenvolve
próprios processos de pensamento e cognição social.

b) Abordagem de Processamento de informação

 Desenvolvimento da Memoria

A capacidade de memorização na criança pode ser observada se pedirmos a ela para fazer o
relato de acontecimentos ou da capacidade de memorização de números. Ela desenvolve a
memória sensorial que desaparece rapidamente, e as crianças usam a memória funcional
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mais para resolver problemas complexos.


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O processo de memorização passa por codificação, armazenamento e recuperação.

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c) Formação da memória na infância

As crianças se lembram de eventos que lhes causaram uma impressão forte, mas essas
lembranças sendo conscientes são de curta duração.
Segundo Papalia et al 2010, p.259, um pesquisador distinguiu três tipos de memória infantil
que servem a três funções distintas:
 Memória genérica- que inicia aos dois anos e esta relacionado aos eventos familiares.
 Memória episódica- se refere a consciência de ter experimentado um incidente
particular, que ocorreu em um lugar e tempo específico.
 Memória autobiográfica- refere-se as lembranças da história de vida de uma pessoa,
são específicas e de longa duração.

d) Interação social, cultura e memória


A interação social não só ajuda as crianças a lembrar, mas também pode ser a chave para a
formação da memória, pois a criança com ajuda dos pais ou outros adultos constroem a sua
memória autobiográfica, a partir das conversas que se desenvolvem que vão ajudar a mostrar
como as lembranças são organizadas.

e) Teoria de Vygotsky

Para ele as crianças aprendem interiorizando os resultados com os adultos, onde torna-se
eficaz para ajuda-las a cruzar aquilo que são capazes de fazer por si só e aquilo que aquilo
que faz com ajuda do adulto (zona de desenvolvimento proximal).
Essa maneira de ensinar assemelha-se ao andaime conceitual. O apoio temporal que os
pais, professores e outros dão para realizar uma tarefa até que ela seja capaz de realizar
sozinha.
Quanto menos capaz a criança é, mais orientação ela precisa de um adulto.
Quanto mais capaz ela é de fazer algo, menos orientação ela precisa.
Quando a criança é capaz de fazer a tarefa sozinha, o adulto retira o andaime.

f) Desenvolvimento da Linguagem

Neste período começa a enriquecer o seu vocabulário pois ocorre por meio da associação
rápida. Desenvolvem a gramática, combinando as sílabas, transformando em palavras e frase.
Verifica-se a confusão dos verbos regulares e irregulares.

Adquire um discurso social, a partir do momento que aprendem vocabulários, gramática e


sintaxe, e já pode desenvolver uma conversa elaborada com um adulto.
Desenvolvem o discurso particular onde fala para si mesma em voz alta, e isso ajuda na auto-
regulação, controle do próprio comportamento.

7.3 Desenvolvimento Psicossocial

Neste período de desenvolvimento a criança tem a autodefinição de si mesma, descreve suas


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próprias características, tem um autoconceito, pois a partir da auto-estima, ela é capaz de


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fazer um julgamento que um individuo faz sobre seu valor.

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Quando a auto-estima é alta, a criança é motivada a realizar coisas. Quando a auto-estima


depende do sucesso a criança poderá ver o fracasso ou critica, sentir-se incapaz de fazer o
melhor.

Verifica-se a identidade de género, papéis de género, as mulheres identificam-se com as mães


e os meninos com os pais, a partir de socialização aprende a apoiar-se dos papéis.
Vemos a identificação, aprendizagem a partir de observação de modelos.

a) O brincar

Por meio do brincar, estimulam os sentidos, aprendem como usar os músculos, coordenam a
visão com os movimentos, obtém domínio sobre o corpo e adquire novas habilidades.
Geralmente as crianças brincam com crianças da mesma idade e sexo.
No brincar, vemos os jogos funcionais, construtivos e jogo de faz- de -conta. Os jogos tornam-
se interativos e cooperativos.
No brincar a criança desenvolve o comportamento pro-social, sendo esse uma actividade
voluntária que tem por objectivo beneficiar o outrem.
Mas para além do comportamento pro-social as crianças, desenvolvem a agressão
instrumental para atingir um objectivo, e surge durante os jogos sociais. Já a agressão hostil
tem sempre o intuito de ferir a outra pessoa, onde regra geral os meninos são mais agressivos
que as meninas

b) A educação dos filhos

A disciplina torna-se importante ferramenta na socialização, pode-se aplicar reforço positivo e


punição para impor a disciplina.
Ao analisar os tipos de estilo de criação de pais temos os autoritários, permissivos e assertivos,
onde parece que os assertivos é o mais adequado estilo de criação pois valorizam a
individualidade da criança embora imponha restrições sociais. Pais de estilo assertivo confiam
na capacidade de orientar os filhos, são amorosos, respeita a personalidade da criança e
exigem o bom comportamento.
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Tema 8- Desenvolvimento Físico, Cognitivo e Psicossocial no Período Escolar


Conteúdos
8.1.Desenvolvimento Físico
 Nutrição e sono
 Brincadeiras na hora do recreio
 Desporto organizado
 Desvantagem do excesso do peso

8.2.Desenvolvimento Cognitivo
 Abordagem de Jean Piaget (Estágio das operações concretas)
 Influência do Desenvolvimento Neurológico e das Capacidades de Processamento
 Abordagem do Processamento de Informação: Memória e Outras capacidades de
processamento
 Linguagem Leitura e Escrita
 A Criança na Escola
 Influências sobre o aproveitamento Escolar
 Crianças com problemas de aprendizagem
 Transtorno de Deficit da atenção e Hiperatividade
 Crianças Superdotadas

8.3.Desenvolvimento Psicossocial no Período Escolar


 Desenvolvimento do autoconceito
 Desenvolvimento da autoestima
 Crescimento emocional e comportamento Pro-Social
 A criança na Família e ambiente Familiar
 Relacionamento entre irmãos
 Criança no grupo de amigos
 Amizade

No fim dessa unidade temática o estudante deve ser capaz de:


1. Objectivos específicos
 Analisar o desenvolvimento físico
 Observar as crianças na hora do recreio escolar
 Analisar a importância do brincar para o desenvolvimento motor
 Descrever as características da criança com problemas de aprendizagem
 Conhecer as influências sobre o aproveitamento escolar
 Discutir o relacionamento da criança com os irmãos e grupos de amigos
 Compreender o desenvolvimento da autoestima e do autoconceito.
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8.Desenvolvimento Físico Cognitivo e Psicossocial na idade Escolar

8.1 Desenvolvimento Físico

O crescimento na terceira infância é consideravelmente mais lento, mas apesar de lento nota-
se uma diferença entre a segunda e terceira infância.

a) Nutrição e sono

Nessa fase recomenda-se uma dieta rica, que contenha grãos, frutas, vegetais e elevados
níveis de carbohidratos complexos que se pode encontrar na batata, pão e cereais. Deve-se
procurar no máximo evitar que as crianças ganhem peso acima da média.
A necessidade de dormir diminui de um total de 11horas por dia aos 5 anos para 10horas.

b) Brincadeiras na hora do recreio

As brincadeiras na hora do intervalo tende a ser informais e espontâneas. Uma criança pode
se entreter sozinha enquanto um grupo de colegas brincam no pátio.
Os meninos são mais dinâmicos fisicamente, tem brincadeiras impetuosas que envolvem
lutas, murros, chute, tentativas de derrubar o colega, isso leva os meninos a julgar a
dominância pelo julgamento da sua própria força e a dos outros.
As meninas preferem brincadeiras que prevê a expressão verbal e contagem em voz alta,
como cabra cega, pular a corda ou neca.

c) Desporto organizado

Quando as crianças crescem deixa de se dedicar a brincadeiras impetuosas e passam a


praticar desportos organizados em grupo e conduzidos por adultos. O desporto ajuda na
aquisição de habilidades mais do que competição. Nas escolas a Educação Física faz parte
das disciplinas curriculares, e como exercício físico ajuda a prevenir o excesso de peso que
constitui um problema.

d) Desvantagem do excesso do peso.

Crianças com excesso do peso são menos agis em relação as outras e ficam atrás quando se
trata de exercícios físicos, sofrem emocionalmente e podem acabar comendo mais por
compensação, o que piora o problema físico e social. As crianças obesas correm o risco de
ter problemas de comportamento e de auto-estima. Podem se tornar adultos obesos, com
risco de pressão alta, cardiopatia, hipertensão arterial, problemas ortopédicos e diabete. O
excesso de peso é um indicador das doenças que o adulto provavelmente terá. Mas vale
prevenir o excesso de peso em crianças do que tratar, monitorando as refeições e os padrões
alimentares das crianças.
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8.2 Desenvolvimento Cognitivo,

a) Abordagem de Jean Piaget

 Estágio das operações concretas

A criança entende as relações espaciais e de causalidade, ganha noção da distância, avalia


as causas e efeitos, capacidade de colocar em ordem os objectos, números ou itens segundo
a sua dimensão, estabelece relação entre dois objectos. Desenvolve o raciocino indutivo e
dedutivo, conseguem fazer contas de cabeça como a tabuada, adição e subtração.

b) Influência do Desenvolvimento Neurológico e das Capacidades de


Processamento
Piaget afirma que a passagem da maneira de pensar rígida e ilógica das crianças menores,
para a maneira de pensar flexível e lógica depende ao mesmo tempo do desenvolvimento
neurológico e das experiências de adaptação ao meio ambiente.
A memória mais desenvolvida contribui para o domínio das tarefas de conservação.
A teoria Neo-piagetina afirma que a medida que a aplicação de um conceito ou de um
esquema, por parte de uma criança, vão se tornando automáticas, há a libertação de espaço
na memória activa para lidar com novas informações.

c) Abordagem do Processamento de Informação: Memória e Outras capacidades de


processamento

As crianças em idade escolar percebem melhor como a memória funciona e podem usar
estratégias ou decidir sobre técnicas que ajude a lembrar. A medida que o conhecimento se
amplia elas ficam mais consciente sobre qual informação dar especial atenção e que tem que
ser lembrada.
Elas desenvolvem o conhecimento sobre os processos de memória (meta memória), o
conhecimento dos próprios processos de pensamento (metacognição).
As crianças por si só desenvolvem as estratégias mnemónicas (técnicas para ajudar a
memorização e a recuperação)
Desenvolvem atenção selectiva pois conseguem prestar atenção e concentrar-se para
informações que considera com significado adequado. O desenvolvimento da atenção
selectiva esta relacionada a maturação neurológica.

d) Linguagem Leitura e Escrita

As crianças em idade escolar são mais capazes de compreender e interpretar comunicações


verbais e escritas, e consegue fazer-se entender melhor. O vocabulário aumenta, a estrutura
da frase, regras de sintaxe torna-se mais sofisticadas. Desenvolve a pragmática que é a
capacidade de narração e conversação.
As crianças aprendem a ler e a escrever naturalmente, tanto que aprende a falar. O aprender
a ler deve ser acompanhado desde o princípio com a aprendizagem da escrita.
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e) A Criança na Escola

As experiências dos primeiros anos de escola são críticas para a formação de uma base que
determinará o futuro de sucesso ou fracasso de uma criança.
Quanto mais satisfeitas em relação as suas habilidades académicas, em relação a
aprendizagem, maior será seu envolvimento, sua motivação, e quanto mais aplicados os seus
esforços no desempenho das tarefas escolares, mais autoconfiantes se tornam.
O interesse, a atenção, participação activa são positivamente relacionados com bons
resultados escolares.

f) Influências sobre o aproveitamento Escolar

Auto-confiança da criança- estudantes que se esforçam para obter melhores resultados


escolares conseguem em maior escala em relação aqueles que não acreditam em suas
próprias habilidades. A auto-eficiência gera-se como um sentimento de poder dominar as
tarefas escolares e controlar a própria aprendizagem.
Estilos Parentais- as crianças que se saem bem, são aquelas cujos pais criam um ambiente
propício para aprendizagem, definem horários para refeições, televisão, brincadeiras, estudos
e interessam-se pela vida e actividades escolares dos filhos. E o estilo de pais com melhores
resultados são os democratas.
Nível socioecónomico - que crianças de famílias com baixa renda, que vivem em atmosfera
familiares e escolares negativas, lares instáveis e caóticos tende em registrar baixo
rendimento escolar. Contudo quando essas crianças recebem subsídios e um ambiente mais
favorável tendem a registrar significativos avanços e superam o baixo aproveitamento.
O sistema Educacional - As crianças aprendem melhor e os professores ensinam melhor
num ambiente confortável e saudável, o tamanho da escola também é fundamental para um
ensino eficaz, quanto menor for o número de alunos numa sala maior será a atenção dada
pelo professor aos seus alunos.
Cultura – Alunos de culturas asiáticas tendem a ter bons resultados devido as influências de
seus países de origem. A cultura do Leste asiático compartilham valores que promovem
sucesso na educação. As mães japonesas e chinesas consideram o desempenho de uma
criança na escola a sua actividade mais importante, enquanto que os estudantes ocidentais
confraternizam-se depois da aula e se engajam no desporto e outras actividades, os asiáticos
dedica-se quase totalmente aos estudos. As famílias asiáticas-americanas consideram a
educação o melhor caminho para a ascensão social.

g) Crianças com problemas de aprendizagem

Retardo mental- funcionamento cognitivo sensivelmente abaixo do normal QI 70 ou menos,


e pode estar relacionado as disfunções genéticas, acidentes traumáticos, exposição ao álcool
ou infecções antes de nascer.
Distúrbios de aprendizagem - são distúrbios que interferem nos aspectos específicos do
desempenho escolar como ouvir, falar, ler, escrever, e a matemática.
Dislexia – é a dificuldade da leitura, ou seja, leitura abaixo do QI esperado, pode ser resultado
de defeito neurológico em processar os sons da fala. Atrapalha o desenvolvimento da
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linguagem oral, da escrita e pode acarretar problemas em escrever soletrar e compreender a


fala.
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h) Transtorno de Deficit da atenção e Hiperatividade

Caracteriza-se pela desatenção persistente, tendência a distração, impulsividade pouca


tolerância a frustração e uma intensa actividade no momento e lugar errado. As crianças com
TDAH tem estrutura cerebral menor nas regiões corticais que regulam a atenção e o controle
dos impulsos. Tendem a esquecer as responsabilidades, falar alto em vez de assumirem
directrizes silenciosamente a se frustrar facilmente, desistir toda vez que não conseguem
encontrar a solução para o problema. Essa doença pode ser controlada com medicamentos
em combinação com sessões de terapia comportamental, aconselhamento, treinamento de
habilidades sociais, e participação em classes especiais.

i) Crianças Superdotadas
Para definição de crianças superdotadas tomou-se como critério o QI igual ou superior a 130.
As definições mais amplas incluem a criatividade, o talento artístico e outros atributos que se
consideram múltiplos critérios de identificação.

8.3 Desenvolvimento Psicossocial na Terceira Infância

a) Desenvolvimento do autoconceito
A criança julga a sua própria identidade, torna-se mais consciente, realista, equilibrada e
abrangente a medida que forma sistemas representacionais.

b) Desenvolvimento do autoconceito
Desenvolve a auto-estima onde o apoio social dos pais é de extrema importância assim como
de professores e colegas. Crianças com baixa auto-estima podem ficar excessivamente
preocupadas com o seu desempenho em situações sociais. As crianças aprendem habilidades
valorizadas pela sociedade, desenvolve competências

c) Crescimento emocional e comportamento Pro-social

A medida que as crianças crescem tornam-se mais conscientes dos seus próprios sentimentos
e dos outros. Podem controlar melhor suas emoções e responder ao sofrimento alheio.
Desenvolve ideias claras sobre vergonha, orgulho e culpa. Aprende sobre sentimentos de
raiva, medo e reagem a expressão dessas emoções, e aprende a adaptar seu comportamento.

Crianças com comportamento pro-social demostram um sinal de ajuste emocional positivo.


Agem apropriadamente em situações sociais, são relativamente livres as emoções negativas
e enfrentam problemas de forma construtivas, promovem empatia.
Quando os pais respondem com desaprovação ou punição, emoções como raiva e medo
podem tornar-se mais intensas e prejudicar o ajustamento social da criança e ela pode tornar-
se reservada ou ficar ansiosa em relação aos sentimentos negativos. A medida que se
aproxima ao início da adolescência, a intolerância parental com emoções negativas poderá
intensificar o conflito entre pais e filhos.
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d) A criança na Família e ambiente Familiar

Durante a infância o controlo do comportamento gradual passa dos pais para os filhos, e
depois segue-se a co-regulação quando os pais e filhos divide o poder. As crianças estão mais
aptas a seguir os desejos dos pais quando sabem que os pais são justos e se preocupam com
o seu bem-estar. A maneira como os pais resolvem os conflitos pode ser mais importante do
que os resultados propriamente ditos.
Crianças pobres estão mais propensas a ter problemas emocionais ou comportamentais, o
seu potencial cognitivo e desempenho escolar sofre ainda mais.
A estrutura familiar é de extrema importância no desenvolvimento harmonioso da criança. Os
filhos de famílias tradicionais tendem a se dar melhor do que os da família de coabitação, de
pais divorciados, pai ou mãe solteira, ou segundas famílias.

e) Relacionamento entre irmãos

Os filhos mais velhos são treinados para tomar conta dos irmãos mais novos, se a mais velha
for menina tem como dever cuidar dos irmãos mais novos dando comida, ensinando hábitos
de higiene. Os mais novo devem aprender valores intangíveis como respeitar o mais velho e
colocar o bem-estar do grupo acima do bem-estar do individuo. Entre irmãos discutem mais
depois fazem as pazes.

f) Criança no grupo de amigos

Com a socialização desenvolve-se a intimidade, intensifica-se os relacionamentos e adquirem


um senso de afiliação. Adquirem senso de identidade, aprendem a liderar, comunicar,
cooperar e também papeis e regras sociais. Ao se comparar com crianças da sua idade
adquire o senso de auto-eficácia. No grupo de crianças aprende-se a saber como se relacionar
com a sociedade, como ajustar seu desejo, necessidades e desejo dos outros.
Quando as crianças brincam com crianças do mesmo sexo aprendem comportamentos
apropriados ao género e a incorporar papéis de género em seu auto-conceito.

g) Amizade

As crianças procuram por amigos que sejam da mesma idade, sexo, etnia e que tenham os
mesmos interesses. Por um amigo sente afeição, compartilha sentimentos e segredos. A
amizade ajuda a criança a sentir-se bem consigo mesmo. A rejeição por parte dos colegas ou
a falta de amizades na terceira infância poderá ter efeitos a longo prazo.
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Referências Bibliográficas

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Paulo, 2004(pag 295-334)
2. PAPALIA, Dianne; OLDS, Sally Wendkos e FELDMAN, Ruth Duskin.
Desenvolvimento Humano. 10ª Edição, Mc Graw Hill. Artmed São Paulo 2009.
3. WEITEN, Wayne. Introdução a Psicologia. Temas e Variações. 4ª Edição,
Thomson Pioneira, São Paulo 2002.
4. TAVARES, José e ALARCAO Isabel. Psicologia de Desenvolvimento e da
Aprendizagem. Coimbra 2001
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