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Archaeology as anthropology

Lewis R. Binford

Resumo

É debatido que a arqueologia tem feito algumas contribuições na área geral da


antropologia no que se refere à explicação das semelhanças e singularidades culturais.
Um gande fator de contribuição para esse espaço é certamente ser a tendência de
tratar artefatos como traços iguais e comparáveis, que podem ser explicados com um
único modelo de mudança e alteração cultural. Sugere-se que “cultura material” pode
representar e representa a estrutura do sistema cultural total, e as explanações sobre
diferenças e similaridades entre certas classes de cultura material são inapropriadas e
inadequadas.
De maenira semelhante, a alteração no sistema cultural total deve ser vista num
contexto adaptado tanto sociamente quanto ambientalmente, vista como um resultado
de “influências”, “estímulos”, ou ainda “migrações” entre unidades geográficas
definidas.
Três grandes sub-classes funcionais da cultura material são discutidas:
“technomic”, “socio-technic” e “ideo-technic”, (esses termos não encontram
equivalentes em português) assim como propriedades estilísticas formais que
entrecruzam essas categorias. Em termos gerais, essas classes identificadas de
materiais são discutidas com o intuito processar as mudanças por meio de cada classe.
Usando as distinções acima no que se refere à uma abordagem sistêmica, o
problema do surgimento e mudança do uso do cobre natural do leste norte-americano é
discutido. Hipóteses resultados dessa abordagem sistêmica são: (1) o surgimento de
ferramentas naturais de cobre está inserido no contexto da produção de itens “socio-
technic” (2); o aumento da produção de itens “socio-technic” no fim do Período Arcaico
é relacionado a um aumento da população seguindo o deslocamento da exploração de
recursos aquáticos, de maneira intensa, coincidente com o alto nível de água dos lagos
ancestrais de Nipissing (região de Ontário, Canadá); (3) a correlação é explicável no
sentido de aumento de pressões seletivas, favorecendo meios materiais de
comunicação, uma vez que populações cresceram ao ponto que reconhecimento
pessoal não é mais base de trabalho para diferenciar papéis de comportamento; (4) o
deslocamento geral, em períodos posteriores, de itens de cobre formalmente
“utilitários” para a manufratura dos itens de cobre formalmente “não utilitários” é
explicado no deslocamento do puro igualitário para o aumento de meios não igualitários
de realização.
Tem sido adequadamente postulado que “Arqueologia americana é antropologia
ou não é nada” (Willey and Phillips 1958:2). O propósito dessa discussão é avaliar o
papel que a disciplina arqueologia está exercendo no futuro da antropologia e oferecer
certas sugestões de como nós, como arqueológos, podemos de maneira profícua,
contribuir para os anseios futuros de nosso próprio campo.
Inicialmente, devemos nos perguntar, “Quais são os anseios da antropologia?”.
A maioria vai concordar que este campo tem o esforço de explicar o total alcance de
similitudes físicas e culturais e as características de diferenciações de todo o espaço-
tempo da existência humana (para essa discussão, veja Kroeber, 1953). Arqueologia
tem certamente feito grandes contribuiçoes desde que “explicação” nos preocupa.
Nosso presente conhecimento da diversidade que caracteriza sistemas culturais
extintos é bem superior ao nosso conhecimento de cinquenta anos atrás. Embora essa
contribuição seja “admirável” e necessária, é notado que a arqueologia tem feito
essencialmente nenhuma contribuição para o reino da explicação: “Pouco trabalho foi
feito na antropologia americana no que se refere ao nível de explanação e é difícil
achar um nome para isso. (Willey and Phillips 1958:5)
Antes de carregar esse criticismo adiante, algumas afirmações sobre o que se
quer dizer sobre explicação/explanação têm de ser propostas. O significado que
explicação tem consigo como um quadro científico de referência é, de maneira simples,
a “demonstração” de uma articulação constante de variáveis dentro de um sistema e a
medição dessa variabilidade em meio a variáveis sistemáticas. Alterações procedurais
em uma variável podem, assim, relacionar-se num meio prevísivel e quantificável de
alterações em outras variáveis, e a alteração da mesma em questão se relaciona com
alterações na estrutura do sistema como um todo. Essa abordagem para pressupostos
de explicação preocupa-se com o processo, ou com operações e modificações
estruturais de sistemas. É sugerido que arqueólogos não fizeram grandes contribuições
no que se refere à explicação no campo da antropologia porque elas não consideram
registros arqueológicos num quadro sistêmico de referência. Registros arqueológicos
são vistos “particularísticamente” (neologismo criado a partir de palavra intraduzível em
português) e “explanação” é tido mais em termos de eventos específicos do que em
termos de processo (veja Buettner-Janusch 1957 para a discussão sobre
particularismo).
Arqueólogos assumem tácitamente que artefatos, independentemente de seu
contexto funcional, podem ser tratados como como “traços” iguais e comparáveis,
procedimentos de interpretação de um vácuo teórico que conceitua diferenças e
semelhanças como resultado de “misturas” (no sentido culltural, como miscigenação,
por ex), “influências direcionadas”, e “estimulação” entre “tradições históricas” definidas
largamente nas continuidades populacionais locais ou regionais.
É sugerido que o ponto de vista da indeferenciação e “in- estruturação” é
inadequado; esses artíficios, que tem como função primária diferentes sub-temas
operacionais do sistema cultural total, vão apresentar difererenças e semelhanças de
modo particular, dependendo estruturalmente de cada sistema cultural que cada um vai
estar inserido Adiante, a abrangência temporal e espacial dentro e entre amplas
funções categóricas vão variar com a estrutura de relações sistemáticas entre sistemas
socio-culturais. O estudo dessas diferentes distribuições pode, potencialmente, render
preciosas informações a respeito da natureza da organização social, e alterar as
relações entre sistemas sócio-culturais. Ou seja, a explicação de diferenças e
semelhanças entre complexos arqueológicos deve ser oferecido em relação com o
nosso atual conhecimento das carcaterísticas estruturais e funcionais de sistemas
culturais.
Explicações “históricas” específicas, se elas podem ser demonstradas,
simplesmente explicam mecanismos do processo cultural. Elas não adicionam nada na
explicação sobre processos de alteração e evolução cultural. Se migrações podem ser
usadas de exemplo, então os processos de explicação apresentam problemas. Que
circunstâncias adaptáveis, processos evolutivos, induzem a migração (Thompson
1958:1) ? Devemos procurar explicação em termos sistemáticos para classes de
eventos históricos como migrações, estabelecimento de contato entre áreas
previamente isoladas, etc. Somente assim, nós vamos trazer maiores contribuições na
área da explicação e prover a base para futuros avanços na teoria antropológica.
Como um exercício de esclarecimento das questões metodológicas levantadas
aqui, vou apresentar uma discussão geral de uma abordagem sistêmica na avaliação
da comunidade arqueológica e utilizar essas distinções numa tentativa de explicar uma
configuração particular de observações arqueológicas.
Cultura é vista como meios extra-somáticos de adaptação para o organismo
humano (White 1958:8). Estou preocupado com todos esses sub-sistemas inseridos no
amplo sistema cultural, que são: (a) extra-somáticos ou não, dependendo de processos
biológicos para alteração ou definição estrutural, (isso não é dizer que formação e
processo não possam ser vistos como enraizados no processo bilógico, somente essa
diversidade e processos de diversificação não são explicados de acordo com
processos biológicos) e quais são (b) função de adaptar o organismo humano,
genericamente, para o seu total envolvimento físico e social.
Dentro deste enquadramento é consistente ver a tecnologia, essas ferramentas
e relações sociais que articulam o organismo com o ambiente físico estritamente
relacionado com a natureza do ambiente. Por exemplo, nós não esperamos encontrar
grandes quantidades de anzóis entre as ruínas do deserto de Kalahari! Entretanto,
esse apontamento não pode ser pensado como “determinismo ambiental” para que
assumamos uma relação sistemática entre o organismo humano e seu ambiente em
cada cultura e sua variável. Em termos gerais, estamos falando do sistema ecológico
(Steward 1955:36). Nós podemos observar certas condições de adaptação constantes
na parte do organismo e, de maneira semelhante, certas limitações dessa adaptação,
devido a tipos de ambientes específicos. Todavia, tanto limitações assim como a
potência desses ambientes devem ser vistas sempre como uma variável que intervém
no sistema ecológico humano, isso é, cultura.
Com tal abordagem, não devemos nos supreender ao notar semelhanças na
tecnologia de grupos de mesma complexidade social que habitam a floresta boreal
(Spaulding 1946) ou qualquer outro vasto ambiente. O estudo comparativo de sistemas
culturais com tecnologias váriaveis em ambientes similares ou tecnologias similares
que indiferenciam ambientes é a principal metodologia que Stewart (1955: 36-42)
chamou de “ecologia cultural” e certamente são importantes ferramentas para o
aumento de nosso entendimento sobre processos culturais. Tal metodologia é também
útil para elucidar as relações estruturais entre grandes sub-sistemas culturais como
sub-sistemas sociais e ideológicos. Previamente, para iniciação destes estudos pelos
arqueólogos, devemos ser capazes de distiguir esses relevantes elementos artificiais
cuja a comunidade artificial total tem função primária no contexto de sub-sistemas
sociais, tecnológicos e ideológico. Não podemos equiparar “cultura material” com
tecnologia. De maneira semelhante, não devemos buscar explicações na observação
de diferenças e semelhanças com apenas uma única abordagem. Frequentemente
vem sido sugerido que não podemos “escavar” um sistema social ou uma ideologia.
Certamente, não podemos “escavar” uma terminologia ou uma filosofia, mas podemos
fazer uma escavação dos itens materias que funcionam juntos com esses elementos
de comportamento.
A estrutura formal de comunidades artficiais juntas com elementos contextuais
de relaçoes sociais devem apresentar e apresentam um sistemático entendimento do
sistema cultural total extinto. Não é mais justificável para arqueólogos tentar explicar
certas semelhanças e diferenças formais, temporais e espaciais com apenas um
quadro referencial, assim como não o é para o etnógrafo explicar diferenças em
terminologias parentescas, níveis de integração socio-cultural, estilos de roupagem, e
modos de transposição com apenas uma variável ou um quadro de referência. Essas
classes ou itens são articulados diferentemente dentro de um sistema cultural
integrado, doravante as variáveis pertinentes com o qual cada sistema é articulado são
diferentes. Esse fato evidencia o uso de apenas uma abordagem referencial. O
processo de alteração pertinente a cada sistema são diferentes por causa das
diferentes maneiras pelas quais funcionam, contribuindo para o sistema de adaptação.
Consistente com essa linha de pensamento é a assertiva que nós arqueológos
devemos enfrentar o problema de identificar artíficos “technomic” entre outras formas
artificiais. “Technomic” significa esses artefatos tendo seu contexto de função primária
na cópia direta com o ambiente físico. Variabilidade nos componentes “technomic” de
comunidades arqueológicas parecem ser explicadas no que se refere ao campo da
ecologia. Aqui, nós devemos nos preocupar com tal fenômeno com eficiência em
executar tarefas bio-compensatórias como a retenção de calor, a avaliação de recursos
naturais, sua distribuição, densidade, locus de avaliabilidade, etc. Nessa área de
pesquisa, os arqueólogos estão na posição de trazer contribuições diretas para o
campo da antropologia. Nós podemos correlacionar itens “technomic” diretamente com
variáveis ambientais desde que saibamos a distribuição de fósseis, flora e fauna como
registros vindos de um registro independente – nos dando a natureza de ambientes
extintos.
Outra grande classe de artefatos que arqueólogos recolhem podem ser
chamados de “socio-technic”. Esses artefatos são elementos materiais que tem seu
contexto de função primária nos sub-sistemas sociais do sistema cultural total. Essas
funções desse sub-sistema são meios extra-somáticos de indivíduos articulados um
com o outro em grupos coesos capaz de manter a si mesmos e manipular a tecnologia.
Artefatos como uma coroa de um rei, a lança de um guerreiro, um cobre da costa
noroeste, etc. encaixam-se nessa categoria. Alterações na relativa compexidade de
componentes “social-technic” de uma comunidade aqqueológica podem ser
relacionadas com a mudança na estrutura de sistemas sociais que eles representam.
Certamente, os processos evolutivos, enquanto correlacionados e relacionados, não
são os mesmos para explicar alterações estruturais em fenômenos tecnológicos e
sociais. Fatores como a demografia, a presença ou não de competição entre grupos,
etc. assim como fatores básicos que alteram a tecnologia, devem ser considerados
quando se quer explicar alteração social. Não somente as variáveis relevantes são
diferentes, há uma diferença quando falamos de artefatos “socio-technic”. A explicação
da forma e estrutura básica dos componentes “socio-technic” de uma comunidade
artificial reside na natureza e estrtura do sistema social os quais eles representam.
Diferenças e alterações observáveis nos componentes socio-technic de comunidades
arqueológicas devem ser explicadas em relação às alterações estrtuturais no sistema
social e em termos de processo de alteração e evolução social.
Assim, arqueólogos podem, inicialmente, apenas de maneira indireta contibuir
para a investigação da evolução social. Eu consideraria o estudo e o estabelecimento
de correlações tipos de estruturas sociais classificadas nas bases de atributos
comportamentais e tipos estrututurais de elementos materiais como uma das áreas da
antorpologia que ainda carece de ser desenvolvida. Uma vez que essas correlações
são estabelecidas, arqueólogos podem se debruçar no problema das alterações e
evolução nos sistemas sociais. È minha opinião que somente quando tivermos toda a
abrangência da evolução cultural como nosso “laboratório”, poderemos alcançar
ganhos substanciais na área crítica da pesquisa antropológica.
A terceira maior classse de items que os arqueólogos frequentemente recolhem
podem ser chamadas de artefatos “ideo-technic”. Esses artefatos são elementos
materiais que tem seu contexto de função primária nos sub-sistemas ideológicos do
sistema cultural total. Esses são os itens que significam e simbolizam a racionalização
ideológica para o sistema social e provém o “milieu” simbólico nos quais os indivíduos
estão encurralados, uma necessidade de assumirem seus papéis de funcionalidade no
sistema social. Tais itens, como figuras de deidade, símbolos de clã, símbolo de
agentes naturais, etc. pertencem a essa categoria. Diversidade formal na complexidade
estrutural e em classes funcionais dessa categoria de itens devem geralmente ser
relacionadas com alteração na estrutura da sociedade, doravante explicações devem
ser procuradas, com mais eficácia, no contexto de adaptação local e não na área de
explicações históricas. Assim como no caso do itens socio-technic, devemos procurar
estabelcer correlações entre classes genéricas do sistema ideológico e a estrutura do
simbolismo material. Somente depois dessas correlações serem estabelecidas, os
arqueólogos poderão estudar esse componente do sub-sistema social de maneira
sistemática.
Transversalmente, todas essas classes gerais de artefatos são características
formais que podem ser cunhadas como estilísticas, qualidades formais que não são
diretamente explicáveis em termos da natureza de materiais brutos, tecnologia de
produção, ou variabilidade na estrutura de sub-sistemas tecnológicos e sociais do
sistema cultural total. Crê-se que essas qualidades formais têm seu contexto primário
funcional em prover diversidade simbólica ainda que abrangente em relação ao
ambiente artificial ,promovendo solidariedade entre grupos e servindo como base para
a percepção e identidade destes. Essa configuração pan-sistêmica de símbolos é o
milieu de aculturação e a base para o reconhecimento das distinções sociais. “Uma das
principais funções da arte como comunicação é reforçar crenças, costumes e valores”
(Beals e Hoijer 1955:548). Crê-se que a distribuição de tipo de estilo e tradições é
largamente correlatada com áreas de convergência no nível de complexidade cultural e
modos de adaptação. Mudanças na distribuição espaço-temporal de tipo de estilo são
relacionadas com alterações na estrutura de itens socio-culturais trazidas sob a luz de
processos no campo evolucionário, ou por mudanças no ambiente cultural nos quais
sistemas socio-culturais locais estão adaptados, assim iniciando alterações evolutivas.
Acredita-se que este atributos estilísticos são estudados de maneira mais frutífera
quando questões de originalidade étnica, migração, e integração entre grupos é
assunto de explicação. Entretanto, quando explicações são procuradas, o contexto de
adaptação do sistema socio-cultural em questão deve ser investigado. Nesse campo de
pesquisa, arqueológos estão em excelente posição de fazer grandes contribuições para
o campo da antropologia, para que possamos trabalhar diretamente em termos de
correlações entre a estrutura de comunidades artificiais com classificações de
alterações de estilo, direções que esses estilo se espalham, e estabilidade da
continuidade de estilo.
Tendo reconhecido três classes funcionais gerais de artefatos : technomic,
socio-technic e ideo-technic, assim como categorias formais de atributos estilísticos,
cada um caracterizado por diferentes funções dentro do sistema cultural total e
correspondendo a diferentes processos de alteração, é sugerido que nossa orientação
teórica é insuficiente e inadequada quando tentamos a explicação. É posto que
explicacões de similaridades e diferenças entre comunidades arqueológicas como um
todo, deve-se, primeiramente, considerar a natureza da diferença em cada uma dessas
grandes categorias e, somente após essa avaliação, pode-se propor hipóteses
satisfatórias no campo da explicação.
Dada essa breve e simplificada introdução, debruçarei-me sobre um caso
específico, o complexo “Old Copper” (cobre velho) (Wittry e Ritzenthaler 1956). Há
muito se é observado e frequentemente citado como um caso de “involução”
tecnológica, que dura no período Arcaico, onde ferramentas utilitárias de cobre foram
manufaturadas, assim como durante o período “Early (primeiro) and Middle (meio)
Woodland, o cobre foi usado primordialmente para a produção de itens não utilitários
(Griffin 1952:536). Vou explorar essas interessantes situações em termos de: (1) o
quadro referencial apresentado aqui. (2) generalizações que previamente
preocuparam-se com a natureza da alteração cultural (3) um conjunto de hipótese que
se preocupa com as relações entre certas formas de artefatos socio-technic e a
estrutura de sistemas sociais cujo eles representam.
O pressuposto comum quando pensamos sobre os artefatos de cobre típicos do
complexo Old Copper é que eles são primariamente technomic (manufaturado para uso
em direta cópia com seu ambiente físico) É geralmente assumido que esssas
ferramentas são superiores a seus equivalentes funcionais em “pedra e osso” (acredito
sem uma expressão idiomática, não consegui achar referencial) devido a sua
durabilidade e presumida superioridade na função de tarefas que referem a cortar e
perfurar. É uma generalização comum que detro do reino da tecnologia formais mais
eficientes tendem a substituir formas menos efeicientes. O caso Old Copper parece ser
uma exceção.
Eficiência absoluta em performance é apenas um lado da moeda quando vista
do contexto adaptativo. Eficiência adaptativa deve também ser vista em termos de
“economia”, ou seja, gasto de energia versus conservação de energia (White 1959: 54).
Para uma ferramenta, em termos de adaptação, ser mais efeiciente que a outra, deve
haver uma baixa do gasto de energia por unidade de conservação de energia ou um
aumento na conservação de energia por unidade de perfomance Visto dessa maneira,
podemos questionar a posição que ferramentas de cobre são tecnologicamente mais
eficientes. A produção de ferramentas de cobre utilizando as técnicas empregadas na
manufatura de espécimes do Old Copper certamente requer enormes gastos de tempo
e trabalho. As fontes de cobre não estão nas áreas com implementos do Old Copper
(Wittry 1951), uma vez que passam pelas fontes e se estabelecem redes lógicas
baseadas nas relações de parentesco se estendendo sobre grandes áreas, sendo um
pré-requisito para a aquisição de material bruto. A extração de cobre, uitlizando-se de
técnincas primitivas de mineração, é melhor exemplificada pelos poços de mineração
aborígenes encontrados em “Isle Royale” e na Península de Keweenaw (Holmes 1901).
Materiais brutos para a produção de equivalentes funcionais de ferramentas de cobre
são, normalmente, encontradas localmente, ou ao menos, disponível em algum ponto
entre os vínculos de exploração normal. Extração foi essencialmente um processo de
agrupamento não requerendo técninas específicas e podem ser alcançadas
incidentalmente ao se fazer outras tarefas. Certamente em termos de gasto de tempo e
energia, independentemente da distrubuição de fontes de material bruto e técnincas de
extração, cobre requer um grande gasto em oposição a outros materiais brutos como
pedra e osso.
A fase de processamento da produção de ferramentas parece apresentar uma
surpeendente taxa em relação ao gasto de energia. O processo do cobre em um
artefato final normalmente requer a separação de impurezas cristalinas do mesmo
(Cushing 1894). Uma vez que a forma essencial é alcançada, posteriormente requer-se
o martelamento, trituramento e polimento.
Seguindo essa fase de processamento, procedimentos normais parecem
parcialmente esmagar e achatar porções para se construir um artefato. Eu sugiro que
esse processo é mais tempo consumindo do que modelando e finalizando um artefato,
o fragmentando ou o empedrando, ou ainda usando técnicas de embalamento e
trituramento empregadas na produção de pedras terrenas. Segue-se que há bem mais
gasto de tempo e energia na produção de ferramentas de cobre do que na produção de
seus equivalentes tanto em osso quanto pedra.
Voltando-se agora para o problema de conservação de energia, devemos nos
perguntar quais diferenciais existem. Parece certo que o cobre é mais durável e pode
ser usado por um maior período de tempo. Mas quais diferenciais existem entre cobre
eppedra, no que se refere a funções de cortar e perfurar, somente experimentos podem
determinar. Consideranto toda a evidência, a qualidade da durabilidade parece ser a
única possível, a qual pode compensar por diferenciais no gasto de energia entre osso
e pedra como oposto ao cobre na área de aquisição e processamento de material
bruto. Qual evidência existe apontando que a durabilidade é de fato qualidade
compensátoria, que faz ferramentas de cobre tecnologicamente mais eficientes?
Todas as evidências sugerem uma interpretação contrária. Primeiramente, não
temos evidência que o material bruto foi re-usado para nenhuma extensão, uma vez
que um artefato quebra ou se “desgasta”. Se esse fosse o caso, esperaríamos ter uma
falta geral de partes agredidas ou desgastadas e alguns exemplos de partes re-
trabalhadas, uma vez que o uso é uma característica comum de recolhimento de
espécimes, e, pelo que sei, re-trabalhar partes é incomum ou não acontece.
Segundamente, quando encontrado em um contexto arqueológico primário,
ferramentas de cobre são quase parte invariável de produtos que se encontram
enterrados. Se durabilidade é um fator compensador no quesito eficiência, certamente
algum mecanismo social para a obtenção de ferramentas de cobre como partes
funcionais da tecnologia terão sido estabelecidas. Esse não parece ser o caso. Desde
que a durabilidade possa ser regrada como fator compensatório, devemos concluir que
ferramentas de cobre não são tecnologicamente mais eficientes do que seus
equivalentes funcionais em pedra e osso. Chegando a essa “conclusão”, resta explorar
o problema do aparecimento inicial das ferramentas de cobre e examinar a observção
de que há uma troca do uso do cobre para a produção de ferramentas utilitárias para a
produção de itens não utilitários.
É proposto que a troca observada e o aparecimento das ferramentas de cobre
podem ser melhor explicados sob a hipótese de que ele não funcionam primeiramente
como itens technomic. Eu sugiro que em ambos, o Old Copper e sistemas culturais
posteriores ao sul , o cobre foi utilizado primariamente para a produção de itens socio-
technic.
Fried (1960) discute distinções pertinentes entre sociedades no que se refere a
um sistema de classificação de status. Sociedades num nível baixo de complexidade
cultural, medidas em termos de especialização funcional e diferenciação estrutural,
normalmente apresentam um sistema de classificação de status igualitário. O termo
“igualitário” significa que a posição de status é aberta a todas as pessoa dentro dos
limtes de determinado sexo, idade, que através de sua individualidade física e
cacartecrísticas mentais, são capazes de grande alcance em copiar o ambiente, Entre
sociedades de grande complexidade, a classificação de status pode ser menos
igualitária. Sendo que o ranquamento é o mecanismo primario de classificação de
status, posições de status são fechadas. Há qualificação para a realização de posições
de status particulares que não são simplesmente a função do físico pessoal nem das
capacidades mentais de uma pessoa.
Um clássico exemplo de ranquamento é encontrado entre sociedades com uma
forma ramage (esse vocábulo não existe em inglês, tente pesquisar sobre ele) de
organização social (Sahlins 1958: 139-180), Nessas sociedades, status é determinado
pela proximidade de um descendente com seu ancestral comum. Alto status é de
acordo com aqueles que estão na linha direta de descendência, calculado em termos
de primogenitude, enquanto linhas cadete de descendentes ocupam posições de
menor status, dependendo de sua proximidade com a linha direta.
Outra forma de sistema de ranqueamento interno é outro no qual a obtenção de
uma posição de status particular é fechada para todos, com exceção daqueles
membros de um grupo de parentesco particular, que podem ocupar uma posição de
staus diferenciada, mas aberta para todos os membros de um grupo de parentesco
com bases igualitárias.
Outras formas de classifcação de statuas são reconhecidas, mas para os
propósitos dessa discussão, uma maior distinção entre “igualitarismo” e sistemas
ranqueados é suficiente. Proponho que há uma relação direta entre a natureza da
classificação de status com a sociedade e quantidade, forma, e estrutura dos
componentes socio-technic de sua comunidade arqueológica.
É posto que entre sociedades igualitárias, símbolos de status são simbolismo de
atividades tecnológicas para quais excelentes performances são recompensada devido
ao aumento de status. Em muitos casos eles serão formalmente itens technomic
manufaturados de material exótico ou elaboradamente decorado e/ou minuciosamente
manufaturado. Não implico que estes itens não podem ou não serem usados de
maneira technomic, e, simplesmente, que sua presença na comunidade é explicado
somente refrente ao sistema social.
Com tal sistema, a estrutura de componentes socio-technic no que se refere a
relações contextuais devem ser simples. Vários símbolos de status serão encontrados
em quase todos os invidvíduos dentro de certo limite de classe e idade; a diferenciação
de tais classes será mais largamente quantitativa e qualitativa do que a exclusão formal
de formas particulares de classificação de status. O grau no qual os símbolos socio-
technic de status serão utilizados com um grupo igualitário pode ser a função do
tamanho do grupo e a intensidade e a constante aquisição pessoal em meio a todos os
indivíduos que compõem a sociedade. Onde há grupos pequenos e quando a falta de
interação com grupos próximos é um padrão comum, a abundância desses símbolos
de status deve ser menor. Onde há grupos grandes e a a interação entre grupos é
constante, estreitando a intimidade e a familiaridade entre os indivíduos, então deve
haver um melhor e maior uso de meios materiais de status de comunicação.
Em meio a sociedades que a classificação de status tende a ser não igualitária,
os símbolos de status são mais esotéricos em sua forma. Sua forma nomalmente será
ditada pelo simbolismo ideológico que racionaliza e enfatiza o sistema de
ranqueamento interno ou os meios de se particionar a sociedade. A estrutura de
componentes socio-technic deve ser mais complexa, com o aumento dessa
complexidade diretamente ligada a complexidade do sistema interno de
ranquamento.Possuir certas formas podem ser exclusivamente restritas a certas
posições de status. Quando o grau de complexidade do ranquemento aumenta, há
um aumento similar na diferenciação de associações contextuais, na forma de
diferentes tratamentos com a morte, diferentes acessos a bens e serviços -
evidenciados na diferenciação do espaço-tempo nas casas e depósitos dos indivíduos,
etc. Nós esperamos também poder observar diferenciação entre as próprias classes de
símbolos de status no que se refere àquelas que são utilizadas em uma base fixa em
oposição àquelas que são as trabalhadas nas personalidades individuais. De maneira
similar, esperamos ver símbolos de status mais frequentemente herdados na morte, já
que essa herança aumenta como mecanismo de atribuição de status.
Certamente, essas são sugestões que devem ser formuladas como hipóteses e
testadas contra dados etnográficos. Todavia se espera que essa discussão sirva como
background no que se refere à preocupações sobre o Old Copper, e seus materiais
pode serem ofercidos como exemplo de potencial utilitário deste tipo de abordagem
sistêmica sobre os dados arqueológicos.
Eu sugiro que as ferramentas do Old Copper têm sua função contextual primária
como símbolos de status adquiridos em sistemas culturais com uma classificação de
status igualitária. Os padrões estabelecidos e o nível de desenvolvimento cultural
sugerido pelos rastros arqueológicos é proporcional com o nível de integração socio-
cultural (Martin, Quimby, e Collier 1947:299), os níveis do sistemas igualitários de
classificação de status são dominantes (Fried 1960). A forma technômica, a aparente
falta de eficiência technômica, a relativa escassez e frequente ocorrência de artefatos
de cobre em sepulturas, sugere que sua função primária era a de itens socio-technic.
Chegando a essa “conclusão”, estamos em posição de perguntar, em termos
sistêmicos, questões no que se refere ao período de seu aperecimento,
desaparecimento, e a mudança para itens de cobre não utilitáros entre os sistemas
socio-culturais pré-históricos do leste da América do Norte.
Eu proponho que o aparecimento inicial de ferramentas de cobre “utilitárias” na
região do Great Lakes é explicável em termos de uma grande expansão populacional
na região de Nipissing, como ancestral dessa região. O crescimento da densidade
demográfica é resultado do aumento em produtividade bruta seguido de uma troca por
exploração de recusos aquáticos durante a fase de Nipissing. O aumento nas
populações, geralmente é demonstrado no que se refere ao aumento de sítios
arqueológicos devido período pós-Nipissing. A troca para recusos aquáticos é
demonstrável no aparecimento inicial de quantidades de restos de peixe nos sítios
desse período, adjacente ao proeminente locus para a exploração de recursos
aquáticos. É posto que com o aumento da densidade populacional, as seletivas
pressões que fomentam a comunicação simbólica de status - opostamente à
dependência do reconhecimento pessoal como base da diferenciação comportamental
- são suficientes para se resultar no aparecimento inicial de novas classes de itens
socio-technic, antes, símbolos de status technomic.
A falha em perpetuar a prática de manufatura de ferramentas de cobre em
quaisquer bases extensivas na região dos Great Lakes pode ser explicada nas
alterações da estrutura de sistemas sociais naquela área durante os tempos de
Woodland. O tipo exato de estrutura social caracterítico do começo do período Early
Woodland (primeiro Woodland, Woodland remoto) é, no presente, pouco entendido. Eu
diria que havia uma grande mudança estrutural entre os períodos Late Archaic (pós-
arcaico) e Early Woodland, provavelmente na direção de uma simples base para a
integração social com uma troca correspondente nos sistemas de classificação de
status e na obsolescência de meios materiais mais velhos de status de comunicação.
A presença de ferramentas de cobre como formas essencialmente não utilitárias,
dentro de complexos como Adena, Hopeweel, e Missipian, são mais explicáveis em
termos de sua funções socio-técnicas em sistemas sociais muito mais complexos. A
posterior classificação de status não foi puramente em bases igualitárias e os símbolos
de status das formas de cobre não utilitárias serão proporcionais com as
racionalizações ideológicas para os vários sistemas de status.
Essa “teoria” explanatória tem a vantagem de “explicar”: (1) o período do
aparecimento do cobre e provavelmente outros materiais “exóticos” no período Late
Archaic; (2) a forma dos itens de cobre; (3) suas relações contextuais frequentemente
notadas, por exemplo, encontradas em covas; (4) seu desaparecimento, que seria um
“enigma” já que funcionaram primeiramente como itens technomic; e (5) O uso do
cobre quase exclusivamente para a produção de itens “não utilitários” em culturas do
leste dos Estados Unidos posteriores, bem mais complexas. Essa teoria explicatória é
avançada na base de informações avaliáveis, atualmente e, independentemente, se
pode ou não permanecer como explicação correta do “Old Copper Problem” quando
mais dados aparecerem, sugiro que somente com um quadro de referência sistemico
como este, será possivel incluirmos novas explicações. Aqui mora a a vantagem de
uma abordagem sistêmica.
A aqrqueologia deve aceitar uma grande responsabilidade nos futuros anseios
da antropologia. Se a enorme quantidade de dados que os arqueólogos possuem não
sejam usados na solução de problemas que lidam com evolução cultural ou alterações
sitêmicas, não só estaremos falhando em contribuir com os anseios futuros da
antropologia mas também os retardando. Nós, como arqueólogos, temos avaliado uma
ampla gama de variabilidade e uma grande amostra de sistemas culturais. Etnógrafos
estão restritos ao pequena e antes limitada extensão de sistemas culturais.
Arqueólogos estão entre os melhores qualificados a estudar e testar hipóteses
que se preocupam com os processos de mudança evolutiva, processos particulares de
mudança que são relativamente lentos, ou hipóteses que postulam prioridaedes
processo-temporais refrente a sistemas culturais totais. A falta de preocupação teórica
e as investidas ingênuas dos arqueólogos nas tentativas de explicação devem se
rmodificar.
Eu sugeri alguns meios que podem ser um começo nessa necessária transição
para uma bordagem sistêmica de cultutra, e estabeleci, adiante, argumentos
especificos que,esperançosamente, demonstrem a utilidade de tal abordagem. O
potencial explanatório que essa limitada e e espeífica abordagem interpretativa talvez
apresente, é clara em se tratar de problemas como o “spread of an Early Woodland
burial cult in Northeast” ( algo como: alastramento de um culto Early Woodland de se
enterrar covas no noroeste) (Ricthie 1955); o aparecimennto do “Buzzard Cult” (culto
ao urubu) (Waring e Holder 1945), no sudeste, ou o “Hopewell Decline” (declínio da
esperança) (Griffin 1960). É minha opinião que se nós, arqueólogos, não começarmos
a pensar nossos dados em termos de sistemas culturais totais, enigmas pré-históricos
vão continuar sem explicação. Como arqueólogos, com toda a expansão cultural como
nosso “laboratório”, não podemos deixar nossas cabeças teóricas enterradas na areia.
Nós devemos apoiar nossa responsabilidade com a atropologia. Tal mudança pode ir
além, e mudar o campo da arqueologia especificamente, e, certamente, avançara o
campo da antropologia.

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