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Questões Cosmológicas :uma abertura para a imaginação

Prelúdio para uma ‘Termodinâmica Quântica’


Publicado em 12/08/2016 por Cesarious

“É visão corrente entre vários cientistas que a mecânica quântica não nos fornece qualquer
retrato da realidade… E, que o seu arcabouço teórico deve ser encarado simplesmente como
um formalismo matemático…que não nos diz essencialmente       nada sobre uma realidade
efetiva do mundo… Mas, nos permite calcular, de fato, probabilidades alternativas dela
ocorrer.”  Roger Penrose – ‘The Road to Reality’

Cosmologistas postulam que, ao redor de 10-43 segundos após o Big Bang… a temperatura
cósmica era da ordem de 1032 ºK (mesmo o núcleo do Sol…hoje com 15 milhões de ºC … é
gelado, em comparação com essa temperatura).
Quando um material se torna muito quente  –  suas partículas absorvem uma grande quantidade
de ‘energia térmica’. Os sólidos se fundem, e os líquidos vaporizam…pois a energia termal
supera a força que mantém juntos  –  seus átomos e moléculas. 

Com temperaturas ainda maiores – os átomos se dissociam em elétrons e plasma de íons, que…
por sua vez – é um outro estado da matéria… E, quanto mais energia for adicionada ao sistema,
mais sua temperatura continua a subir…No entanto, considerando que há um limite para a
energia total no universo, há… também, uma temperatura mais alta possível.

Mas, será que poderíamos conceber fisicamente o outro extremo da escala – ou seja, o zero
absoluto?… – Na verdade, podemos chegar muito perto, mas nunca ao zero absoluto…para
trazer algo à ordem perfeita teríamos que nos livrar de toda desordem. – Porém, à medida que
o sistema se aproxima do zero absoluto…torna-se mais e mais difícil excluí-la.

Temperatura x Velocidade 

Para um gás cujos átomos são bósons – a este gás atribuímos valores de “grandezas físicas”
que o representam macroscopicamente, sem nos preocupar com sua constituição interna.

Algumas dessas variáveis são… — o volume ocupado pelo gás, a pressão do gás sobre as
paredes do seu recipiente, sua temperatura. Esta última…  –  se relaciona com a energia
cinética – a energia devido à velocidade de movimento das partículas que compõem o gás.

Assim, quando se mede a temperatura de um gás, se está realmente medindo a velocidade


média das partículas que o compõem. – Quanto maior a temperatura do gás, mais rápido estas
partículas se movem, independente da direção ou sentido de seus movimentos, que sempre
possuem uma distribuição arbitrária.
Mas, graças a Maxwell e Boltzmann… entre outros — também sabemos que a uma dada
temperatura… corresponde um valor médio de velocidade mais frequente, em um maior nº de
partículas.

Isso pode ser visto ao traçarmos um gráfico, com o ‘número de moléculas’ (eixo vertical)      do
gás em função da ‘velocidade’ média das partículas (eixo horizontal). – Quanto mais baixa a
temperatura, menor a velocidade média, e mais partículas, átomos ou moléculas.

O pico de distribuição de partículas aumentando, se move para a esquerda, e a velocidade mais


provável é menor… Em contrapartida, quanto maior a temperatura, sua distribuição se torna
aleatória…e é maior a probabilidade de encontrarmos velocidades mais elevadas.

Condensado de Bose-Einstein 

Nos anos 1920 – os físicos Satyendra Bose e Albert Einstein previram que…a temperaturas
muito baixas… os átomos de uma substância iriam se aglomerar com exatamente o mesmo
estado quântico da menor energia possível. Esse novo estado da matéria é conhecido como
‘Condensado de Bose-Einstein’ (BEC, em inglês)… E, em 1995…resfriando átomos de
rubídio – na fase ‘vapor’…até a temperatura de 50 nanoKelvins acima do zero absoluto… esse
fenômeno foi finalmente observado em laboratório.

A pesquisa com temperaturas muito baixas alcançou outro importante avanço em 2004, ao se
descobrir que o ‘hélio sólido’ também apresenta propriedades do tipo superfluido, abaixo de
0,2 ºK – indicando assim, que os 3 estados mais comuns da matéria – vapor, líquido e sólido…
podem se tornar BEC… Consideremos agora, o que acontece quando diminuímos a
temperatura do gás…

1. Quando baixamos a temperatura de um gás, sabemos que é mais provável que seus
constituintes – os átomos do gás tenham a mesma velocidade…e, portanto, mesma
‘energia cinética‘ (correspondente à velocidade mais provável).
2. Quando reduzimos a temperatura de um gás, o comprimento de onda associado com
suas partículas – átomos, neste caso… aumenta. Se o comprimento de onda aumenta,
resulta que a ‘incerteza‘ na posição também aumenta. Mas, como sabemos cada vez
melhor qual a velocidade das partículas de gás…a diminuição da temperatura reduz a
incerteza na velocidade…O que é coerente ao princípio da incerteza (Heisenberg).
3. Se nossas partículas – os átomos do gás – são bósons…podem estar todos no mesmo
estado. Neste caso, a única variável que determina o estado de energia das partículas de
gás… é a velocidade – que determina a energia cinética… Portanto, se reduzirmos
bastante a temperatura  –  saberemos que a maioria das partículas do gás estão no
mesmo estado de energia… Ou seja, condensam-se no estado de energia mais baixo.

Este é o principal fenômeno, que ocorre em um condensado, mas a imagem não está
completa. O fato essencial é que as partículas individuais de gás perdem sua identidade – e
todas as que se encontram no menor ‘nível de energia’ – na realidade, se comportam de
forma coerente – como se fossem apenas uma ‘única partícula’, descrita por uma única
função…essa é a característica mais incrível do condensado de Bose-Einstein.

Da figura acima, podemos deduzir que… a maioria das partículas de um gás de bósons, ao
baixar a temperatura vão para um mesmo estado – o estado de energia mínima. Entretanto
—  a imagem também nos sugere… que as partículas permanecem com sua individualidade
– o que não acontece…  O que ocorre é que o condensado age como um único sistema
quântico, com características próprias, onde é impossível individualizar   as partículas que o
compõem… Mas, como devemos entender isso?

Considerando a imagem (à direita) de um gás com partículas pontuais movendo-se…


aleatoriamente… e, colidindo umas com as outras… – pode-se considerar pontuais estas
partículas… pois a distância entre elas é em média, muito maior que o comprimento de onda
associado.

(quanto menor a temperatura do gás, maior a distância média entra cada partícula.)
Temperatura crítica

Diminuindo a temperatura… cada vez mais…chega-se a um nível (imagem à esquerda) em que


o  ‘comprimento de onda’ associado às ‘partículas pontuais’ se torna comparável à distância
normal entre elas… Nesse instante, as partículas passam, então… a apresentar seu caráter
ondulatório com suas ondas se combinando, e se sobrepondo… Esse ponto corresponde à
temperatura crítica, que faz com que o sistema altera seu comportamento drasticamente.

Quando isso acontece — o sistema passa a ser descrito por uma única onda…onde partículas
individuais não são mais percebidas… – além do que, temperaturas mais baixas
significam… menores velocidades médias, sendo portanto ocupados assim ‘níveis de energia’
cada vez menores … (imagem à direita).

Diz-se que se tem um ‘condensado‘ quando uma fração significativa do número total de
partículas está no seu estado de mais baixa energia — estando suas ondas, combinadas de modo
que todo sistema é descrito por uma única função – o que revela que o condensado   é um
sistema eminentemente quântico… (podendo ter tamanho macroscópico.)
Obviamente, se formos capazes de reduzir a temperatura de um gás de bósons à zero ºK, todas
as partículas do gás (imagem ao lado) formariam o condensado.

Por esta teoria do ‘condensado de Bose-Einstein‘…um sistema que pode ter um nº


significativo de partículas, todas no mesmo estado, no qual o conjunto se comporta de forma
consistente (sem partículas individuais). Diz-se então…que esta é a manifestação macroscópica
de um estado totalmente quântico.

Questionando a 3ª Lei Termodinâmica

A ‘3ª Lei Termodinâmica’ estabelece que… à medida que a temperatura de uma substância


move-se em direção ao zero absoluto – matematicamente, a menor temperatura possível – sua
entropia… ou, o comportamento desordenado de suas moléculas, também se aproxima de
zero… e, as moléculas deverão se alinhar em um padrão ordenado.

Porém…em suas recentes pesquisas… John Cumings… da Universidade de Maryland, EUA


acaba de demonstrar que a coisa não é tão simples assim.

No processo de cristalização da água, por exemplo, sua transformação em gelo não é um


processo totalmente entendido…Os livros-texto afirmam que — as moléculas d’água movem-
se cada vez mais devagar,  quando a temperatura começa a cair…

Até que…ao atingir 0º C elas assumem posições fixas, fazendo com que a água passe do estado
líquido…para o estado sólido – formando gelo.

O que acontece ao nível molecular, porém… é muito mais complicado do que isso, afirma
Cumings… E – mais importante… parece estar em contradição com aquela que é uma das mais
fundamentais leis da Física… a ‘3ª Lei Termodinâmica’. – Muito embora os átomos de
oxigênio fixem-se para formar uma estrutura cristalina bem ordenada… o mesmo não acontece
com os átomos de hidrogênio… Como explica o cientista:

“Os átomos de hidrogênio param de se mover – mas, eles simplesmente param no lugar onde
estão – em configurações diferentes ao longo do cristal…sem nenhuma correlação entre si, e
nenhum deles baixa sua energia o suficiente para reduzir sua entropia a zero”.
Pela 3ª Lei termodinâmica, vimos que a entropia de todos materiais cristalinos puros move-se
em direção a zero…quando suas temperaturas movem-se em direção ao zero absoluto. Ora, o
gelo é uma substância cristalina pura, mas parece que apenas os seus átomos de oxigênio
obedecem à Lei.

Pode ser que o gelo venha a ordenar-se totalmente… depois de longos períodos de tempo,
sujeitos a temperaturas muito baixas… Mas, isto é apenas uma suposição e ainda não foi
demonstrado experimentalmente.

Transição de fase quântica…

Coloque um cubo de gelo em uma vasilha d’água quente, e ele perderá estabilidade, fundindo-
se totalmente. As moléculas do gelo … e as moléculas da água vão atingir equilíbrio termal
— alcançando a mesma temperatura, tornando-as indistinguíveis.

Assim, um cristal sólido bem ordenado acaba na ‘forma caótica‘ de um líquido.

No mundo quântico porém, essa transição para um equilíbrio termal é mais interessante,   e
bem mais complicada do que os físicos acreditavam até agora. Entre o estado ordenado inicial e
o estado amorfo final… emerge algo como um “estado intermediário quase estacionário“.

As transições de fase mais conhecidas são aquelas que marcam a passagem do gelo para a água,
e da água para o vapor… Nessas transições – a matéria muda entre estados mais ou menos
ordenados — dependendo se a temperatura desce ou sobe… Entretanto, para uma temperatura
hipoteticamente fixada no zero absoluto… e com um outro parâmetro, como   a pressão
variando…essa transição de estado ocorrerá sem qualquer variação de entropia, ou seja – numa
transição de “ordem para ordem“.

Apenas para destacar a importância prática disso – é na vizinhança do zero absoluto que uma
‘transição de fase’ com entropia zero apresenta a emergência de um fenômeno bem conhecido
—  a supercondutividade…  Contudo, há outras possibilidades… Os materiais ferroelétricos
contêm dipolos elétricos nas “células” de sua rede cristalina.

Devido às interações entre eles  —  os dipolos podem alinhar-se,                     resultando em


campos elétricos ordenados permeando o cristal.
Variando a pressão ou a química, os ferroelétricos podem ser ajustados para um “regime
quântico crítico” … no qual as flutuações dos dipolos passam a ocorrer em um espaço
quadridimensional – e assim, além das coordenadas espaciais x, y e z, deve-se levar em conta
o tempo envolvido nas vibrações da rede cristalina.

Pode o calor ser usado para marcar o tempo? Em caso positivo, isso poderá ajudar a unificar a
relatividade com a quântica.[Konstantin Yuganov]

Tempo, termodinâmica e gravidade

Graças às teorias relativísticas de Einstein, a capacidade do tempo de ‘esticamento‘… bem


como contração…em resposta à força da gravidade ou à velocidade de um corpo, já nos é
familiar.

Mas, enquanto as teorias de Einstein funcionam perfeitamente em grande escala, não é fácil
incluir a gravidade,         e a ‘natureza relativa do tempo‘, em     uma escala atômica.

No regime quântico  —  o  ‘princípio da incerteza‘ impede a definição de espaço e tempo com


muita precisão. Diz-se que são algo granuloso… e de certa forma, agitados   e barulhentos…
ao invés de suaves e fluidos. Por isso, para tentar alinhavar gravidade à teoria quântica, o
normal tem sido tentar identificar algo físico na teoria…que funcione como uma aproximação
do tempo.

Nesse sentido, os físicos Gerard Milburn e Nick Menicucci – da Universidade de Sidnei


-Austrália argumentam que o “tempo térmico” serve perfeitamente bem, em ambos os
regimes…cósmico e quântico – porque se baseia na ‘física termodinâmica‘ – que usa
estatística para descrever um sistema…onde fluxos de calor e trabalho ‘retransformam’ sua
temperatura, volume e pressão… E, complementam:

“A termodinâmica é uma teoria tão fundamental, que se aplica em todas as teorias físicas –
incluindo qualquer possível teoria quântica da gravidade”.
A ideia de relacionar o tempo com a termodinâmica foi  –  a princípio  – proposta por Carlo
Rovelli e Smerlak Matteo (Centro de Física Teórica em Marselha, França)…

A Hipótese do Tempo Termal  foi delineada em um artigo intitulado… “Esqueça o Tempo“.


Nele, o tempo térmico seria regulado por um objeto ao atingir uma temperatura uniforme –
sendo esta tendência…característica do estado de equilíbrio termodinâmico.

Maais recentemente…alguns cientistas, como o físico holandês Erik Verlinde – da


Universidade de Amsterdã, acharam sinais de uma ‘ligação subjacente‘ entre a termodinâmica,
gravidade…e a teoria da ‘relatividade geral’ de Einstein… Segundo ele: “A termodinâmica
pode fornecer uma maneira natural para descrever a agitação do espaçotempo em escalas
quânticas, pois sua estrutura matemática está bem formulada, para detalhar como flutuações
termais fazem átomos e moléculas se agitarem”.

Considerando um sistema gravitacional em equilíbrio termodinâmico – ou seja, um estado –


simultaneamente… em equilíbrio térmico, químico e mecânico, onde nenhuma mudança
macroscópica é mensurável no sistema…existe a probabilidade de encontrá-lo com uma
energia específica. Por outro lado, a maneira como a energia de um “sistema quântico“ evolui
é conhecida por meio do termo matemático chamado ‘hamiltoniano’,      o qual, por sua vez,
determina completamente o fluxo de tempo para o sistema – desde  que este seja empurrado
para fora do seu equilíbrio termodinâmico.

Uma nova definição de temperatura e calor   

O calor difere do som na frequência das suas vibrações… enquanto o som é formado por
vibrações de baixa frequência – até a faixa dos kilohertz (milhares de vibrações por seg),  o
calor é formado por vibrações de altíssima frequência…na faixa dos terahertz (trilhões   de
vibrações por segundo).

Assim como o som, o calor é uma vibração da matéria – tecnicamente ele é uma vibração da
rede atômica de um material… Essas vibrações podem ser descritas como um feixe de fônons
– uma espécie de “partícula virtual” – análoga aos fótons que transmitem a luz. 

‘Bose-Einstein Condensates with Rubidium Atoms’

O ‘Sistema Internacional de Unidades’ definiu a unidade de temperatura — a temperatura


Kelvin… – o grau Celsius etc. pela temperatura do ‘ponto triplo’ da água  –  o ponto no qual a
água no estado líquido, bem como gelo sólido, e vapor…podem existir em equilíbrio.

Esta temperatura padrão foi definida exatamente como 273,16ºK. Todas as medições de
temperatura feitas… são uma avaliação de quão mais quente, ou mais frio um objeto está
quando comparado a este valor.

Porém… conforme se tornou necessária precisão crescente na medição da temperatura, fixar


uma única temperatura como padrão tem-se tornado cada vez mais problemático –
especialmente quando se trata da medição de temperaturas extremamente quentes… ou,
extremamente frias…A solução é redefinir o ‘Kelvin’, usando uma constante fixa da natureza.

A ‘constante de Boltzmann’ estabelece a quantidade de energia ao nível das partículas


individuais que corresponde a cada grau de temperatura. A sugestão atualmente mais aceita
consiste em utilizar a constante de Boltzmann…calculada pela técnica chamada ‘termometria
acústica’. Para isso, Michael de Podesta, e sua equipe do Laboratório Nacional de Física da
Grã Bretanha, fizeram medições, surpreendentemente precisas,       da velocidade do som no
gás argônio  —  por meio de um ‘ressonador acústico‘.

As medições permitiram calcular a velocidade média das moléculas desse gás… e assim, o
valor médio da energia cinética delas. A partir daí, a constante de Boltzmann foi calculada com
uma precisão sem precedentes… – Como assim comentou Podesta:

“É fascinante que os seres humanos descobriram um jeito de medir a temperatura muito antes
de sabermos o que, realmente ela é… Agora, entendemos que a temperatura de um objeto se
relaciona à  “energia de movimento” de seus átomos… e moléculas constituintes. Quando você
toca um objeto…e ele lhe parece ‘quente’…você está literalmente sentindo o ‘zumbido’ das
vibrações atômicas. De fato, a nova definição liga diretamente, a unidade de temperatura a
esta realidade física básica”.

‘Radiação do Corpo Negro’

Lei da Radiação dos Corpos Negros 

Em 1900 o físico Max Planck havia estruturado uma fórmula — “lei da radiação dos corpos
negros“… que descreve a radiação de calor que os corpos emitem… como uma função da sua
temperatura, estabelecendo as bases para a física quântica. Sua teoria descreve a ‘radiação’ de
uma ampla variedade de objetos; da luz emitida por estrelas, até a invisível radiação de calor…
registrada pelas ‘câmeras do infravermelho’.

Contudo, embora a teoria possa ser aplicada a muitos sistemas diferentes, o próprio Planck já
sabia que não era universal, tendo que ser substituída por uma teoria mais geral, quando
partículas diminutas fossem incluídas.

Sob esse ponto de vista…Christian Wuttke e Arno Rauschenbeutel da Universidade de


Tecnologia de Viena – trabalhando não com distâncias… mas…especificamente com a
dimensão e geometria das partículas  —  conforme previsto por Planck  —  verificaram
experimentalmente que, em objetos menores que o comprimento de onda da radiação termal (os
fônons)… o calor não se irradia da “forma eficiente”…como é verificado nos corpos
maiores… E, assim concluiu Rauschenbeutel:

“A radiação térmica de um pedaço de carvão pode ser descrita perfeitamente pela lei de
Planck, mas o comportamento das partículas de fuligem na atmosfera, por exemplo, só pode
ser descrito por uma teoria mais geral – pois…micropartículas levam muito mais tempo para
alcançar a temperatura de equilíbrio, do que uma simples aplicação da lei   de Planck poderia
sugerir”.

A relatividade do zero absoluto

Zero ABSOLUTO é um termo que impressiona… Soa como um limite inviolável, além do qual
é impossível pensar em qualquer experimento…Mas, na realidade, há um estranho reino de
‘temperaturas negativas absolutas’…abaixo do “zero absoluto”…que não só são previstas
pela teoria, como também já se mostraram alcançáveis na prática.

‘alcançada-temperatura-abaixo-do-zero-absoluto’

A temperatura termodinâmica é definida pela forma como a adição ou remoção de energia afeta
a quantidade de desordem, ou entropia, em um sistema.

Para os sistemas com as temperaturas positivas que estamos acostumados, o acréscimo de


energia…faz aumentar a desordem… Por exemplo, aquecer um cristal de gelo vai fazer com
que ele se derreta… em um líquido desordenado.

Continuando a remover energia… iremos chegar cada vez mais perto do zero graus, na escala
absoluta — ou ‘escala de Kelvin‘,  onde é estabelecido – 273,15 ° C…  para o mínimo da
entropia, e energia do sistema. Já para sistemas de temperatura negativa abaixo do zero
absoluto…  — acrescentar energia reduz sua desordem, e portanto, sua temperatura… Porém…
eles não são frios — no sentido convencional de que     o calor irá fluir para eles — a partir de
sistemas com temperaturas positivas.  

Na verdade, os sistemas com temperaturas absolutas negativas têm mais átomos em estados de
alta energia do que é possível, mesmo nas mais elevadas temperaturas na escala das
“absolutas positivas”. Desse modo, o calor deve sempre fluir deles, para os sistemas acima de
zero Kelvin. Portanto…não dá para criar sistemas de temperatura negativa de forma suave e
contínua sempre baixando a temperatura, já que não será possível romper a barreira do zero
absoluto da maneira usual. Entretanto, é possível saltar sobre essa barreira…passando
diretamente de uma determinada temperatura absoluta positiva, acima do zero absoluto, para
uma temperatura absoluta negativa, abaixo do zero absoluto.

Experimentando temperaturas negativas

Isso já havia sido feito em experimentos com ‘núcleos atômicos‘ colocados em um campo
magnético – sob o qual estes agem como minúsculos ímãs… alinhando-se com o campo…
Quando o campo é subitamente revertido, os núcleos ficam momentaneamente alinhados na
direção oposta àquela que corresponde ao seu menor estado de energia. – Na fração de tempo
em que permanecem nesse estado fugaz, eles se comportam de forma coerente com a de um
sistema com temperaturas absolutas negativas…Logo, contudo… como os núcleos só podem
alternar entre 2 estados possíveis – paralelo ou oposto ao campo…eles se viram, e realinham
com o campo.

Esquema da entropia como uma função da energia para sistemas com limites superior e inferior
de energia. [Rapp et al./PRL]

Em 2005, o físico Allard Mosk…da Universidade de Twente, Holanda, idealizou um


experimento  —  que ofereceria mais possibilidades de estudos… sobre as temperaturas
negativas…

Inicialmente  —  lasers são usados para agrupar átomos, até formar uma bola muito coesa
que estaria num estado altamente ordenado, ou seja, de baixa entropia…

Logo após… outros lasers são disparados sobre os átomos… para criar uma matriz de luz,        
a ‘grade óptica’ – que circundaria os átomos com uma série de “poços” de baixa energia.

O 1º conjunto de lasers é então reajustado de modo que eles passam a tentar desconstruir a
‘bola de átomos’, deixando os átomos em um estado instável – como se equilibrados no pico de
uma montanha, prestes a rolar ladeira abaixo.

A ‘grade óptica’, por sua vez, funciona como uma série de fendas ao longo da montanha,
travando a “descida” dos átomos montanha abaixo… Neste estado  —  remover parte da
energia potencial dos átomos, levando-os a rolar, e se distanciar uns dos outros, levaria     à
maior desordem – e…à definição de um sistema de temperaturas absolutas negativas.

A ideia de Mosk foi refinada pelo físico alemão Achim Rosch…e colegas da Universidade de
Colônia…O grande avanço é uma nova maneira de testar se o experimento realmente produzirá
temperaturas negativas absolutas… segundo explicou Rosch:

“Como os átomos no estado de temperaturas negativas têm energias relativamente altas, eles
deverão se mover mais rapidamente  —  quando liberados da ‘armadilha’  —  do que
ocorreria com uma nuvem de átomos com temperatura positiva. Pode-se usar isto para estudar
a criação de novos estados da matéria, em regimes ainda não bem conhecidos”.

“Antes que o inferno congele…” 

Aprendemos desde cedo que a temperatura de um gás se relaciona com a energia cinética das
partículas – isto é…com a velocidade com que elas se movem… Pensando assim, deve existir
um limite no qual as partículas têm o mínimo de energia cinética e estão ‘paradas’. Esse limite
foi definido em 1849 por William Thomson, mais conhecido por Lord Kelvin, como sendo o
zero absoluto, correspondente à -273,15 ºC. Bom, então o que significaria ter uma temperatura
abaixo do zero absoluto?…

Pensando na física clássica essa ideia não faz sentido – no entanto…quando falamos de
sistemas quânticos, a definição clássica de temperatura também não faz sentido…

‘Entropia‘ é um conceito que tem a ver com a ‘desordem’ de um sistema — e… uma lei
fundamental da termodinâmica diz que esta sempre aumenta… – Isto é, o aumento da entropia
determina o fluxo dos acontecimentos. Como a  definição de temperatura leva     em conta a
distribuição energética das partículas do gás…esta determina sua entropia. 

Usamos a definição de temperatura termodinâmica, dada em termos da variação da energia,


com a variação da entropia…  –  para temperaturas baixas… – Então…nesse caso…uma
temperatura negativa pode ser atingida  —  quando a variação de energia é positiva (ou
seja…todas partículas estão em um estado de máxima energia)… e,  a entropia baixa (só há
1 estado de energia máxima).
Em um sistema sem energia máxima, pode-se adicionar energia, que as partículas vão se
espalhando entre os níveis (cada vez para os mais altos)…o que representa uma situação em
que a temperatura aumenta. Porém, em um sistema com uma ‘energia máxima fixa’, conforme
acrescentamos energia — as partículas tendem a ficar juntas … diminuindo a entropia nesse
estado de energia máxima, o que representa uma temperatura negativa.

O importante é salientar que a ‘temperatura negativa‘ é um estado formal, pois um estado com
temperatura negativa sempre tem muito mais energia que um outro com temperatura positiva
(qualquer) – e, portanto, sempre cede calor ao último.

Assim, temperatura negativa é muito… mas, muito quente. – Outro ponto a  se notar, é que
temperaturas negativas só são alcançados através de uma transição brusca…não passando
pelo zero absoluto – que continua sendo inatingível.

‘O Grande Resfriamento’                                                                                                         Se
a teoria estiver correta, o Universo pode ter trincas                                                                
em sua estrutura — geradas quando do seu “Big Chill”. 

Físicos australianos estão propondo que o início do Universo – aqueles primeiríssimos e


problemáticos femtossegundos…  —  quando nada do que se conhece em física funciona,
podem ter-se parecido com o congelamento da água. Segundo eles, esses 1ºs momentos
poderiam ser modelados de uma forma que lembra a água se congelando… — o que eles
chamaram de ‘Big Chill’ (Grande Resfriamento), que teria ocorrido imediatamente após     o
famoso Big Bang.

O ‘Big Bang‘ é imaginado como um tipo de expansão que gerou algo similar ao plasma,
extremamente quente e denso, que desde o início começou a esfriar. Mas, a forma como algo
esfria, depende da estrutura desse algo.
James Quach e seus colegas afirmam que o nosso entendimento da natureza do Cosmo pode
melhorar – se prestarmos atenção às trincas e rachaduras, comuns em todos os cristais,
incluindo gelo d’água. Pra Quach:

“Einstein assumiu… o espaço e o tempo contínuos, fluindo uniformemente, mas agora


acreditamos que esta hipótese não pode ser válida em escalas reduzidas. Uma nova teoria —
conhecida como ‘Quantum Graphity‘… sugere que o espaço pode ser formado por blocos
indivisíveis, como os átomos…Esses ‘blocos de construção do espaço’ podem ser pensados
como semelhantes aos ‘pixels‘…que formam uma imagem em uma tela… porém, tão pequenos,
que é impossível vê-los diretamente”. 

A teoria ‘Quantum Graphity‘ – proposta em 2006… estabelece que o espaço emerge de estados
de baixa energia dos graus de liberdade de uma rede dinâmica. Dessa maneira, propriedades
como a velocidade da luz, e o nº de dimensões do Universo…emergiriam     de interações (…
como a massa das partículas emerge do campo do bóson de Higgs.)

Os pontos no ‘espaçotempo’ – os pixels usados na comparação do pesquisador – são


representados por diminutos ‘nós’ conectados por links que podem estar “ligados” ou
“desligados”… os nós “ligados” possuem variáveis de estado adicionais que definem o
Universo resultante. – A novidade é que Quach e colegas acreditam ter achado agora,       uma
forma de ver essas “partículas de espaço” indiretamente…Como Quach explica:

“Pense no início do Universo como sendo um líquido. Então, conforme o Universo vai se
esfriando, ele ‘cristaliza’ para as 3 dimensões espaciais, e uma temporal que vemos hoje.
Teorizado desta forma…conforme o universo esfria… seria de se esperar que se formem
rachaduras, semelhantes às fendas que se formam quando a água se converte em gelo.”

Se assim for… acreditam eles, alguns desses defeitos na estrutura do espaço poderiam ser
detetáveis. Afinal, se o Universo passou por uma fase de congelamento, com suas ‘trincas’
decorrentes, então estas poderiam ser detetadas – já que… em princípio… elas deveriam
interferir com a propagação da luz; como defende Andrew Greentree, um dos autores da teoria:

“A luz deveria se curvar, ou ser refletida nessas ‘reentrâncias’,                         e… assim – em


teoria – poderíamos ser capazes de detetá-las”.

Testando a Termodinâmica Quântica 

Em um experimento considerado impossível até o ano passado, a equipe coordenada pelo físico
Roberto Serra (Universidade Federal do ABC) mensurou a quantidade de energia que um
‘núcleo atômico’ pode ganhar — ou perder — ao ser atingido por um ‘pulso de ondas de
rádio’.

A maioria dos pesquisadores estava certa do comportamento imprevisível do núcleo. Jamais se


poderia conhecer suas probabilidades de absorver energia das ondas… ao tornar-se mais
quente — ou de esfriar…ao transmitir parte de sua energia para elas.

As novas experiências realizadas no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) — Rio de


Janeiro, mostraram que essa troca de energia obedece a leis da física que nunca antes haviam
sido testadas no mundo subatômico… — Segundo o pesquisador Roberto Serra:

“Essas leis podem ajudar a entender melhor reações químicas — como a fotossíntese das
plantas; e determinar quanta energia os computadores quânticos usarão para funcionar…Sendo
esse, o 1º experimento de uma nova área da física – a termodinâmica quântica”.

Termodinâmica Clássica

‘Computadores quânticos‘ prometem empregar leis da mecânica quântica para superar


exponencialmente o poder de cálculo dos computadores convencionais… – Mas, quanta
energia esse novo tipo de computação gastará na prática? Quanto calor essas máquinas
produzirão ao funcionar?…Vão precisar de refrigeração?…

Perguntas semelhantes pairavam no ar durante a Revolução Industrial, no século XIX… Qual o


mínimo de carvão que os fornos precisariam consumir… e, a que temperatura as caldeiras
chegariam para que as máquinas a vapor alcançassem sua eficiência máxima?

Os cientistas da época perceberam então…que tanto o calor – quanto a capacidade das


máquinas de trabalharem…são formas diferentes de uma mesma quantidade física – a
energia… que, nunca é criada a partir do nada…nem destruída – apenas transformada.

Ao investigar a conversão de uma forma de energia em outra, eles descobriram as leis da


termodinâmica clássica. E, esta impõe limites a qualquer tecnologia. De acordo com suas leis,
a energia flui espontaneamente…de um volume com temperatura quente, para outro mais
frio… E, uma máquina, mesmo que ideal, só pode converter parte da energia disponível na
forma de calor em energia capaz de realizar movimentos mecânicos… isto     é, realizar o que
se conhece em física como trabalho.

Os engenheiros vitorianos resolveram seus problemas, à custa de um pequeno truque… Seus


cálculos só funcionavam quando se considerava que as máquinas estavam isoladas
termicamente do resto do mundo, trocando…em ritmo lento – um pouco de calor com o
ambiente.

No entanto… essas aproximações não servem na maioria das situações que ocorrem na
natureza – por exemplo, em muitas das reações químicas… Quando é impossível isolar
termicamente um objeto de seu ambiente por muito tempo…a temperatura aumenta, e diminui
de maneira ‘imprevisível’  —  ao contrário do que ocorre nos sistemas isolados, onde tudo
tende ao equilíbrio.
Sistemas abertos  (fora do equilíbrio) 

Foi apenas em 1997 que o físico-químico Christopher Jarzynski desenvolveu uma expressão
matemática capaz de calcular as variações mecânicas … de trabalho, e energia…que se
dão fora do equilíbrio. A equação de Jarzynski, e outros teoremas de flutuação, permitem que
os químicos possam medir variação na energia de uma molécula – antes, e depois de uma
reação.

O próprio Jarzynski confirmou sua equação em 2005…observando o trabalho mecânico de uma


molécula de RNA esticada e comprimida como uma mola…Apesar de microscópico, o
movimento da molécula de RNA era grande o suficiente para poder ser calculado usando a
fórmula derivada das leis da mecânica de Newton…“Trabalho é força vezes deslocamento”.

As equações da termodinâmica, seja dentro ou fora do equilíbrio, foram deduzidas usando a


‘mecânica de Newton’. Mas, as leis de Newton perdem sentido para vários processos que
acontecem nas moléculas – e para todos os que ocorrem no interior dos átomos … por não ser
possível medir forças e deslocamentos com precisão…Nessas escalas valem outras leis,  as da
mecânica quântica.

Roberto Serra queria saber se equações, como a de Jarzinsky, ainda valeriam nesse mundo
subatômico. Esse conhecimento ajudaria a entender reações químicas como a fotossintese.
Nela, moléculas nas células das folhas funcionam como máquinas quânticas que absorvem
energia das partículas de luz e a armazenam na forma de moléculas de açúcar…O processo é
muito eficiente  —  quase não gera calor…  E, estudos sugerem ser um processo quântico.

A máquina quântica de spins 

No centro do equipamento no laboratório de ressonância magnética nuclear do CBPF fica um


pequeno ‘tubo de ensaio‘ contendo uma solução puríssima de clorofórmio, diluído em água…
Cada uma dos cerca de 1 trilhão de moléculas de clorofórmio da solução possui um átomo de
carbono-13.

O núcleo desse tipo de carbono tem uma propriedade quântica chamada spin, que lembra um
pouco a agulha de uma bússola magnética, e pode ser representada por uma seta. Sob um forte
campo magnético – paralelo ao tubo (apontando de baixo para cima) – as setas
desses spins tendem a se alinhar com o campo … metade delas apontando para baixo … e,
metade para cima.

O ‘campo magnético‘ também faz com que os spins apontando                     para baixo tenham
mais energia que os spins voltados para cima.

Os físicos manipulam os spins por meio de campos eletromagnéticos – oscilando com uma


frequência de 125 megahertz (o equipamento precisa ser isolado das estações de rádio FM que
transmitem nessa frequência). Essas manipulações são feitas por pulsos de onda…não durando
mais que alguns microssegundos. O experimento acontece tão rapidamente que é como se, por
alguns instantes… cada átomo de carbono no tubo de ensaio estivesse isolado do resto do
mundo – submetido à temperatura muito próxima do zero absoluto (-273º C). 

Quando reduzem ou aumentam a amplitude das ondas de rádio, os pesquisadores podem


diminuir ou aumentar a diferença de energia entre os spins…  —  para baixo e para cima.
Quando essa mudança de amplitude é muito rápida  –  os spins  saem de seu isolamento
térmico… e começam… tanto a absorver energia das ondas de rádio – situação em que as ondas
realizam trabalho sobre os spins…quanto a transmitir parte de sua energia para as ondas –
realizando trabalho sobre elas… E, o físico Roberto Serra assim complementa: 

“Podemos explorar essa variação para criar uma ‘máquina térmica quântica’…  A máquina
funcionaria alternando pulsos de amplitude reduzida e aumentada entre 2 estados de equilíbrio
térmico, cada um com uma temperatura diferente. E, funcionaria de maneira parecida com a de
um motor a combustão – que realiza trabalho mecânico, com parte da energia química
transformada em calor – pela explosão do combustível”.

O físico Lucas Céleri  —  da Universidade Federal de Goiás …  que  —  em parceria com os
colegas  Paulo Souto Ribeiro e Stephen Walborn da UFRJ, trabalha na termodinâmica de uma
única partícula de luz – também comentou... “A técnica aplicada nesse experimento tem
grande potencial… — Avanços experimentais são raros na termodinâmica quântica, devido à
necessidade de se controlar o sistema quântico em seu isolamento do ambiente”. (texto
base) (DEZ/2014) p/consulta: ‘Efeitos quânticos termodinâmicos em experimento’

Desordem irreversível no mundo quântico                                                                       Teorias


atuais estabelecem que uma micropartícula                                                                    
individual deverá obedecer à 2ª lei termodinâmica.

Em física, o grau de desordem é medido por uma grandeza chamada entropia, que quase
sempre é crescente…nos fenômenos do mundo macroscópico…  –  no máximo se mantém
estável, mas nunca diminui em um sistema dito ‘isolado’… Uma das consequências disso, é
que, quanto maior a desordem, mais difícil se torna reverter um fenômeno totalmente.

No dia a dia, os seres humanos associam essa irreversibilidade à passagem do tempo, e às


noções de passado e futuro. – A noção de irreversibilidade inclusive, levou o astrônomo e
matemático inglês Arthur Eddington a afirmar, em 1928, no livro “A natureza do mundo
físico”… que a única lei irreversível conhecida pela física era o aumento da entropia no
Universo, determinado pela 2ª lei da termodinâmica… E, sobre isso, comenta Roberto Serra –
pesquisador da Universidade Federal do ABC:
“Embora a percepção de que o tempo não para…e caminha sempre para o futuro seja óbvia
em nossa experiência cotidiana…isso não é trivial do ponto de vista físico. Essa dificuldade
ocorre porque as leis que controlam a natureza no nível microscópico são simétricas no
tempo, e portanto, reversíveis. Isso significa que não haveria diferença entre ir do passado
para o futuro, e vice-versa”.

O tempo e a física quântica

…Muitos físicos pensavam que o aumento da entropia pudesse ser um fenômeno exclusivo do
mundo macro porque, no século XIX, o físico austríaco L Boltzmann explicou a 2ª lei
termodinâmica pelos movimentos de         uma quantidade absurdamente elevadas de átomos…
se movimentando de todas formas possíveis; a maior         parte delas – aleatórias e
incontroláveis. Há 60 anos, porém… – que muitos pesquisadores trabalham para ampliar a
teoria de Boltzmann, levando em conta sistemas feitos de poucos, ou mesmo um só átomo.

De fato, as propriedades da seta do tempo – e do aumento da entropia…já foram confirmadas


fisicamente em diversos ambientes e situações… mas, sempre – em circunstâncias
macroscópicas. Porém, no mundo microscópico, a emergência da irreversibilidade do tempo
intriga os físicos, porque as leis da mecânica quântica             não têm um sentido preferencial.
(no mundo quântico, o futuro afeta o passado)

Ainda que não se tenha nenhuma teoria sobre o que seja fundamentalmente o tempo, essa
aparente incompatibilidade entre uma direção preferencial do tempo, e a leis quânticas da
Física tem gerado muitos debates ao longo de décadas  –  e, promete gerar muitos mais, a
partir de um experimento, que afirma ter demonstrado pela 1ª vez a irreversibilidade da seta
do tempo em um sistema quântico microscópico.
‘Seta do tempo é confirmada no reino quântico’

Seta quântica do tempo

O professor Roberto Menezes Serra…e sua equipe da Universidade Federal do


ABC… pesquisou o comportamento do ‘spin‘ (propriedade similar aos pólos magnéticos de
um ímã) do núcleo de 1 único átomo…o isótopo carbono 13   — em uma molécula de
clorofórmio.

Após o resfriamento …  —  a alguns bilionésimos de grau acima do zero absoluto, os núcleos


dos átomos de carbono foram submetidos a um pulso de radiofrequência, cuja intensidade é
modulada no tempo… a uma frequência de 125 MHz…  —  E…  sobre isso…   o
professor comentou:

“A temperatura do nosso sistema é conhecida como temperatura de spin…e, o sistema


permanece nesse estado por algumas frações de segundo durante o experimento.  —  Quando
os spins dos núcleos interagem com as ondas de rádio  —  cuja intensidade aumenta com o
tempo  —  eles mudam de estado, aumentando sua energia interna… — Esse aumento acontece
rapidamente, fazendo com que parte da energia absorvida pelos spins se mostre de uma forma
desorganizada – como se os spins tremessem”.

Quando o pulso de radiofrequência é desligado, parte da energia absorvida pelos núcleos de


carbono (aquela na forma desorganizada) precisa ser dissipada no meio ambiente na forma de
calor. Quando isso acontece – o sistema volta ao estado original…chamado de ‘equilíbrio
térmico’. Para revelar a ‘seta do tempo’, a estratégia do experimento foi ligar e desligar as
ondas de radiofrequência num ritmo alucinante…na ordem dos milésimos de segundo… Como
explica Serra: “Fizemos esse processo tão rápido que não dava tempo para o sistema trocar
energia (calor) com o meio ambiente”.
‘Filhos de uma flutuação quântica’

Flutuações quânticas 

A seguir, o mesmo processo foi realizado modulando as ondas de rádio…de forma reversa,
diminuindo a energia das ondas de forma bem rápida…em consequência, reduzindo a energia
do sistema de spins.

Comparando com os núcleos de carbono     —  durante o processo de acréscimo…  e redução


da energia das ondas de rádio, foi possível detetar uma diferença sutil, mas mensurável…
entre os 2 processos.

Ora…se as leis que governam os sistemas quânticos isolados fossem simétricas no tempo, esse
processo também deveria ser simétrico, mas não foi isso que o experimento mostrou. Como
concluiu o pesquisador:

“De fato, foi detetada uma leve assimetria durante o processo de aumento e redução da energia
no núcleo de carbono…graças às flutuações quânticas“.

O  que se observou no experimento foi um fenômeno no qual as flutuações quânticas estão


associadas com as chamadas transições entre estados quânticos do spin nuclear. — E, foi
nessas condições que os pesquisadores detetaram a produção de entropia em um sistema
quântico – ou… a origem do aumento da entropia microscópica. (DEZ/2015) (texto base)

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Publicado em física | Marcado com condensado Bose-Einstein, Entropia, tempo térmico,


termodinâmica | 1 Comentário

‘Renormalizando Divergências Infinitas’


Publicado em 11/07/2016 por Cesarious

“Não estamos simplesmente no universo… – somos parte dele!… Nascemos nele, e pode-se até
dizer que o universo nos tornou capazes de imaginá-lo (aqui… em nosso cantinho do cosmos)
…   –   E nós estamos apenas começando a fazê-lo…”   (Neil de Grasse Tyson)

Para que haja uma interação entre corpos – é preciso que cada um deles saiba o que está
acontecendo … ou, o que foi mudado no outro… É preciso, pois… uma troca de informações
entre eles…  –  Por exemplo, quando um deles se move…  –  de algum modo … esta
informação deve ser levada até o outro corpo, que então reage a esta mudança, pelas leis físicas
relacionadas.

De acordo com a teoria newtoniana, pensava-se que esta informação era instantânea…ou seja,
que a propagação da informação se dava com ‘velocidade infinita’…  —  Este era…
basicamente, o conceito de “ação-à-distância“. No entanto, a partir da pressuposição
‘einsteiniana’ de uma velocidade máxima para os corpos materiais (a velocidade da luz) esta
informação não poderia se propagar com velocidade infinita – o que levou à introdução do
conceito de um ‘campo mediador’.

Tal formalismo se estende tanto para fenômenos elétricos quanto magnéticos… Sendo que,
graças aos trabalhos de Maxwell, o conceito de campo já ocupava um papel de destaque na
descrição fenomenológica da realidade… Ele havia mostrado — através de um conjunto de
equações que recebem seu nome… que fenômenos magnéticos e elétricos estão associados
intrinsecamente, devendo ser descritos por uma única entidade: o campo eletromagnético.

O conceito de força – ou interação…por sua vez, está intimamente associado ao de campo.


Todas interações fundamentais se revelam por meio da ação dos campos por elas gerados,
sobre outros corpos… – Dessa forma… após a física ter abandonado o conceito de ação-à-
distância, foi introduzido o conceito físico de “campo“…considerando que cada partícula cria à
sua volta uma perturbação, que é experimentada pelas outras partículas do sistema.
Segundo este conceito fundamental, todo corpo cria uma perturbação no espaço ao redor,  que é
o campo gerado por alguma propriedade intrínseca que ele possui.  –  Por exemplo, todo corpo
que tem massa gera um campo gravitacional à sua volta – todo corpo que tem carga elétrica
cria um campo elétrico à sua volta, etc…É este campo que irá interagir com   o campo criado
pelo outro corpo  —  de modo que informações sejam trocadas entre eles.

Neste ‘Diagrama de Feynman’, um elétron e um pósitron anulam-se, produzindo um fóton


virtual, que se transforma num par quark/ antiquark…depois, um deles emite um glúon… (o
tempo decorre da esquerda para a direita)

Campos, mediadores & função de onda

Para a física moderna um campo interage com outro … por intermédio da troca de partículas,
partículas mediadoras, que se incumbem de transmitir a força entre si.

Assim, sendo cada uma das forças existentes na natureza mediada pela troca de uma partícula –
2 partículas com cargas elétricas… por exemplo, criam campos à sua volta…  –  e este campo
(de força eletromagnética) interage através de uma troca de fótons… – Já a força gravitacional,
por sua vez é mediada por grávitons – a força forte pelos glúons – e as forças fracas, pelas
partículas W± e Z0…que são chamadas de ‘bósons vetoriais intermediários’.

Aceitando a divisão entre partículas genuínas, e quanta de campo (na fronteira bóson-férmion),
podemos distinguir entre matéria fermiônica – feita de partículas (quarks e léptons), e campos
de força bosônicos (campos de calibre). Estes, são os ingredientes fundamentais do universo, a
partir dos quais, todos os observáveis devem se originar.

Uma partícula ou ‘quantum‘ é uma excitação quantizada do campo (‘pacote de energia’), para
a qual se atribui uma variedade de propriedades, tais como…momento, e localização espaço-
temporal. Já um campo clássico ‘real’ é tido como um sistema mecânico, com um número
infinito de graus de liberdade – correspondente ao nº de osciladores harmônicos desacoplados –
em termos de modos normais – por meio de uma ‘análise de Fourier‘.

A transformada de Fourier pode ser útil na Mecânica Quântica…ao mudarmos o modo de


representar o estado de uma partícula – de uma função posição de onda, para uma função de
impulso de onda. Isto porque, ela postula a existência de pares de variáveis conjugadas –
ligados pelo princípio da incerteza de Heisenberg.

Por exemplo…a variável espacial q de uma partícula só pode ser medida pelo “operador de
posição” à custa da perda de informações sobre o momento p da partícula. Assim, o estado
físico da partícula é descrito, ou por uma função…chamada “função de onda”…de q, ou por
uma função de p, mas não por uma função das 2 variáveis.

Pela ‘análise de Fourier‘…cada componente separado de uma onda pode ser tratado como um
oscilador harmônico independente…e, em seguida, quantificado. Este procedimento é
conhecido como “2ª quantização”… (Na ‘Mecânica Clássica’  —  o estado físico de uma
partícula é  dado, atribuindo valores para ambos p e q, simultaneamente. Desse modo, o
conjunto de todos estados físicos possíveis é o espaço vetorial real, bidimensional – com um
eixo-p… e outro eixo-q… ortogonal.)

Na mecânica quântica não-relativística, a equação de Schrödinger para uma função de onda


variável no tempo, não sujeita a forças externas… possui “soluções elementares”       – os
chamados “estados estacionários ” da partícula…  A ‘transformada de Fourier’ é utilizada
para resolver a equação de onda aplicável… e o algoritmo de Fourier pode           ser usado
—   eventualmente  —  nos problemas de contorno da evolução do sistema.

Já na mecânica quântica relativística, a equação de Schrödinger torna-se uma equação de onda


comum da física clássica. Neste caso, a função de onda é uma função destes campos, e não das
coordenadas da partícula, sujeita à quantização canônica, cuja amplitude de campo é
interpretada como um ‘operador’.

‘Transição de fase’

Espaço de fases & Quantização

As ‘coordenadas canônicas’…usadas na geometria euclidiana, e mecânica clássica são


coordenadas que podem representar um sistema físico  –  em qualquer ponto dado no tempo…
São empregadas – dentro da formulação hamiltoniana, como coordenadas no espaço de fases…
– de um espaço de configuração.

—  Uma das características distintas da mecânica quântica é que o estado físico de um sistema
‘não determina’ o resultado de qualquer medida que possa fazer-se sobre ele. Em termos mais
simples, o resultado de uma medida sobre 2 sistemas quânticos que tenham o mesmo estado
físico… nem sempre resulta nos mesmos resultados. Assim, ao descrever a evolução temporal
dos sistemas físicos, a mecânica quântica só pode prever a probabilidade de que, ao medir uma
determinada grandeza física, se obtenha determinado valor.

Isto quer dizer que a mecânica quântica realmente é uma teoria que explica como varia
a distribuição de probabilidade das possíveis medidas de um sistema… Assim, o estado
quântico de um sistema não se parece em nada ao estado clássico de uma partícula, ou sistema
de partículas… — sendo representável mediante uma função de onda.

A relação entre espaço de fase e ‘função de onda’ é que o quadrado do módulo da função de
onda é proporcional a uma distribuição de probabilidade, definida sobre o espaço fásico.

Isto significa que, para se construir o conjunto de estados quânticos (espaço de Hilbert) de
certos sistemas quânticos, considera-se, inicialmente, o espaço fásico que se usaria em sua
descrição clássica. – A este tipo de procedimento dá-se o nome de quantização…ou seja, é
um  procedimento matemático de construção do modelo quântico para um sistema físico… a
partir de sua descrição clássica.

Os procedimentos de 1ª quantização são métodos que permitem construir modelos de uma


partícula dentro da mecânica quântica a partir da correspondente descrição clássica do espaço
de fases dessa partícula…Sua quantização canônica é o procedimento informal que assinala a
magnitude física em termos de coordenadas canônicas do sistema clássico.

Os procedimentos de 2ª quantização são métodos para construir teorias quânticas de campo a


partir de uma teoria clássica. Sua quantização canônica é dada pela extensão do procedimento
usado na 1ª quantização…estendido – neste caso, a mais de uma partícula.

O campo de Schrödinger – por exemplo… é visto como uma 1ª quantização…então, o


tratamos como se fosse um campo clássico…e o quantizamos (de novo). – Este truque é
chamado 2ª quantização. Entretanto, um campo quântico não é uma função de onda
quantizada… Como, certamente, o campo de Maxwell não é a função de onda do fóton.

A procura por uma visão mais unificada da natureza… – do que a antiga interpretação dualista,
em termos tanto de campos, quanto de partículas, levou físicos modernos à elaboração de uma
‘Teoria Quântica de Campos’.
‘relatividade-versus-mecanica-quantica’

Teoria Quântica de Campos (TQC)

A origem da ‘teoria quântica de campos‘ é atribuída aos estudos de Max Born, Pascual Jordan e
Werner Heisenberg, que em 1926, descreveram o campo eletromagnético, na ausência de
cargas e correntes, como um sistema de osciladores – com frequência ω – concluindo assim,
que a energia do campo seria quantizada.

A seguir, em 1927, Paul M. Dirac formulou o método da 2ª quantização, dando início à 1ª


Teoria Quântica de Campo – a eletrodinâmica quântica (QED)… que permitiu tratar, por
exemplo… — da emissão e absorção de radiação — como uma criação e destruição de
partículas (fótons, no caso) a partir de excitações do vácuo pelos operadores quantizados de
campo.

Já em 1928…Jordan e Wigner estenderam o método da 2ª quantização – inicialmente


formulado para bósons (relações de comutação), para descrever férmions (relações de
anticomutação); Jordan e Pauli tornaram o método relativístico, ainda em 1928. Após essas
realizações, os anos 30 foram de grande progresso no desenvolvimento da TQC.

Historicamente, a teoria quântica de campos nasceu da descrição quântica da interação


eletromagnética, através da QED. A partir do sucesso desta teoria…o programa de TQC   foi
estendido com sucesso à força fraca – unificando-a com a eletromagnética, numa ‘teoria
eletrofraca‘… O programa da TQC obteve vários sucessos empíricos – até se deparar com um
problema sério…
‘Hotel Hilbert’

O ‘problema dos infinitos’

Foi na QED que o ‘problema dos infinitos‘ apareceu pela 1ª vez… e nela que a renormalização
surgiu.

Em muitas situações…cálculos que deveriam resultar em quantidades finitas e observáveis


como carga e massa de partículas, tipo elétrons, davam ‘quantidades divergentes‘.

Um bom exemplo disso é a assim conhecida ‘catástrofe ultravioleta’ … que surge ao


calcularmos os efeitos da auto-energia do elétron, ou da polarização do vácuo. Ambos os
efeitos estão relacionados com a criação de partículas virtuais.

A ‘auto-energia do elétron’ resulta do fato de que há uma contínua emissão e reabsorção de


fótons virtuais por qualquer carga elétrica (… consequência desta ser a geradora da interação
eletromagnética, que envolve fótons virtuais como agentes de troca interativa). Assim, o elétron
fica envolto por esta nuvem de fótons virtuais produzidos por si mesmo.

Um observador, olhando o elétron do lado de fora de sua nuvem, detetaria sua massa m como a
energia total…meo + m(nuvem). – Esta auto-interação tem portanto, o efeito de esconder a
energia do elétron inicial eo… Assim, obtemos então o valor de massa efetiva (elétron inicial +
nuvem = elétron medido).

Já na ‘polarização do vácuo‘, o campo eletrostático de um elétron leva à assimetria na


distribuição de pares elétron-pósitron virtuais que são criados a partir dos fótons virtuais
(processo permitido pela QED) advindos da nuvem em volta do elétron eo…

O campo elétrico do elétron provoca o afastamento mútuo entre elétrons e pósitrons de seus
pares (e +,  e −)… os elétrons virtuais são repelidos pela carga negativa original – à medida que
os pósitrons são atraídos. Por causa dessa assimetria, o elétron original fica envolto por uma
nuvem de pósitrons virtuais, que blinda parte de sua carga, resultando em uma carga efetiva
menor do que a carga original.
Algo semelhante ocorre em um ‘meio dielétrico‘  —  em que um campo externo polariza o
meio inicialmente… não-polarizado.

Assim, portanto, ao invés de uma blindagem de carga, podemos dizer que o campo elétrico
(envolto ao elétron) gera uma assimetria no meio dielétrico… que são os fótons     (e +, e −) de
sua nuvem…que, por sua vez gerará um campo elétrico em sentido contrário ao do elétron;
então, contrabalançando parte do campo elétrico do elétron (eo) envolto – resultando no mesmo
efeito que a descrição anterior…  —  para um observador externo.

As divergências da QED levavam a previsões absurdas em resultados experimentais, tais como


espaçamento de linhas espectrais. Esse tipo de divergência traz resultados infinitos para seções
de choque… invalidando previsões referentes ao espalhamento.

Renormalização da QED 

Uma das peças-chave no triunfo da TQC foi a elaboração da ‘teoria de renormalização’  como
uma condição racional de simplicidade – que explicava não só por que o elétron possui
momento magnético, mas também (junto com as simetrias de calibre) todos os aspectos
detalhados do ‘modelo padrão’…das interações fraca, eletromagnética e forte.

Nos anos 30 e 40, diversas técnicas haviam sido desenvolvidas para eliminar – ou pelo menos
contornar as divergências da QED. Todas técnicas possuíam a característica de serem métodos
ad-hoc… e – ainda não estavam inclusas numa abordagem sistemática.

Além disso… elas envolviam certas operações com quantidades infinitas que eram difíceis de
justificar rigorosamente em termos matemáticos. Por isso, a atitude que prevalecia nos anos 40
entre os físicos… era, basicamente… a de continuar empregando a teoria quântica de campos…
— de uma maneira bem cautelosa…  –  na falta de uma abordagem melhor.

A solução para o problema foi encontrada nas técnicas de renormalização, através do


cancelamento dos infinitos que surgem no cálculo de algumas quantidades físicas, como carga
e massa, em teorias quânticas de campo… Seu conceito baseia-se na ideia de que a massa
efetiva de — por exemplo — um elétron… deve ser entendida como formada por 2
componentes – uma massa ‘pura’ (sem contar fótons virtuais) infinita – e, também uma auto-
massa (que resulta ao levarmos em conta fótons virtuais)…que pode ser calculada na teoria, e
que assume um valor infinito.
A ideia é que uma quantidade infinita “cancela” a outra…de forma que a massa observada
experimentalmente seja uma massa efetiva finita. Assim, a renormalização é um processo de
eliminação de divergências…absorvendo-as em novas definições de parâmetros físicos, nesse
caso, a massa…O processo aplica-se também na redefinição de outro parâmetro – a carga.

Julian Schwinger e Richard Feynman deram… – entre 1947 e 1949 – os toques finais em uma
eletrodinâmica quântica (QED) sob método sistemático, que era ao mesmo tempo
renormalizável e covariante relativisticamente. Com efeito, Sin-Itiro Tomonaga já havia
desenvolvido no Japão uma teoria deste tipo em 1943… só publicada em inglês em 1946.

Em seguida – em 1949… – Freeman Dyson demonstrou que os formalismos de Feynman,


Schwinger e Tomonaga eram equivalentes, e conseguiu classificar os tipos de divergências da
QED… provando que elas eram precisamente do tipo que poderia ser removido através da
renormalização.

“como esconder nossa ignorância embaixo do tapete”

Renormalização…a solução, ou problema?

Nos anos seguintes, a QED provocou um grande entusiasmo entre os físicos…e os cálculos
foram sendo efetuados  –  com aproximações cada vez maiores…Hoje em dia, os mais
pormenorizados cálculos, usando esta teoria…conseguem atingir uma precisão de até 10 casas
decimais.

Desse modo… a QED fez nascer a esperança de       que as outras interações da natureza
pudessem       ser descritas por meio de Teorias Quânticas de Campos renormalizáveis… –
como ela própria.
Todavia… durante os progressos neste projeto, percebeu-se que esse avanço dificilmente seria
conseguido em relação às  forças fraca e forte.

No caso da interação fraca, as divergências que surgiam eram de um tipo que não se conseguia
eliminar por meio das técnicas de renormalização existentes até então. — Já no caso da
interação forte, era impossível aplicar a ‘teoria de perturbação’, pela qual cálculos eram
efetuados na QED.

Evidentemente, a subtração de uma quantidade infinita de outra quantidade infinita não parece
ser uma operação matematicamente bem definida…Na verdade, a redefinição dos parâmetros é
obtida por um processo de corte nas integrais divergentes … – inclusão das mesmas na
redefinição do parâmetro a considerar … – e subsequente passagem ao limite.

Porém, restava o problema de como executar esse corte, e ao mesmo           tempo – preservar a
invariância de calibre da teoria… E… para isso:

1.Era preciso encontrar uma maneira de classificar os tipos de infinitos que apareciam nos
cálculos, uma vez que, para a técnica de renormalização ser aplicada, os infinitos precisam
aparecer de uma maneira específica – ou seja… na redefinição de parâmetros já existentes.

2. Também era indispensável descobrir como executar o procedimento de                            


renormalização… de modo que não se destruísse a ‘invariância de calibre’.

3. E havia a escassez de dados experimentais, capazes de permitir uma                                  


discriminação fina entre as várias técnicas de ‘eliminação de infinitos‘.

Essas, entre outras dificuldades levaram o programa da teoria quântica de campos a um


impasse na década de 50, situação esta, que prevaleceria até a década de 60. A aceitação da
renormalização pela comunidade científica – na verdade…sempre esteve cercada por dúvidas, e
nunca livre de polêmicas… Isso, graças à percepção da renormalização como  um
procedimento inconsistente do ponto de vista matemático e lógico de muitos físicos.

As operações para renormalização – redefinição de parâmetros como massa e carga,


por  subtração de infinitos gerando quantidade finita, parecem duvidosas do ponto de vista
lógico…  –  Pode-se argumentar também, que a inconsistência de que se acusa a
renormalização possui raízes físicas…
(A divergência dos Infinitos)

Um dos pressupostos básicos da teoria quântica de campos… – é que o campo possui caráter
local… e, desse modo as equações que governam a evolução de um campo num ponto do
espaçotempo dependem apenas do ‘comportamento’ do campo, e de suas derivadas naquele
ponto…Esse pressuposto de localidade implica em pontuais interações e excitações destes
campos…

O que, por sua vez, acarreta, nos cálculos, a necessidade de se levar em conta os ‘quanta
virtuais‘ com momentos arbitrariamente altos…Porém, a inclusão desses limites leva ao
aparecimento de quantidades infinitas… Assim, as ‘divergências ultravioletas‘ estariam
ligadas, de certa forma, à ‘localidade’ imposta aos campos.

Nesse caso…o aparecimento de infinitos poderia ser uma indicação segura das limitações
intrínsecas ao ponto de vista local da interação. Ou seja, o uso da renormalização poderia estar
sendo feito – sem restrições sobre sua origem, e conceitos sobre ele implicitamente impostos, e
mesmo assim tendo-se resultados totalmente compatíveis com a experiência.

A pergunta então seria…se, realmente, os físicos precisariam substituir a renormalização, até


então frutífera – mas com dificuldades conceituais… por outra teoria que remediasse esses
problemas. À primeira vista, não deveríamos nos preocupar com reformulações da QED,
pois…como dissemos, ela gera frutos – e, não são poucos… mas, temos que pensar num
âmbito mais geral e perguntar…será que essa reformulação nos elevará ao patamar que nos
possibilite alçar vôos mais altos?
Feynman e o Prêmio Nobel de Física de 1965

Levando em conta relatos 2 de físicos que participaram ativamente da produção da teoria


quântica de campos…R. Feynman, que usava regularmente ‘renormalização’ para contornar
erros na teoria…dizia que esta não seria inteiramente satisfatória…       …mesmo a
utilizando em seus trabalhos.

Ao descrever o desenvolvimento conceitual da teoria… em sua conferência ao Nobel de 1965,


ele explica:

“Acredito que não haja uma eletrodinâmica quântica realmente satisfatória… Penso – embora
não tenha certeza disso… que a teoria da renormalização é apenas uma maneira de “varrer”
dificuldades com as divergências para debaixo do tapete.”

Já P. Dirac – crítico profundo e constante da renormalização, argumenta que ela constitui, por
si só, um indício de que algo está muito errado com a teoria… Sobre isso, ele escreveu:

“Precisamos aceitar o fato de que existe algo fundamentalmente errado com nossa teoria da
interação do campo eletromagnético com os elétrons…Por fundamentalmente errado, quero
dizer que… ou a mecânica, ou a força de interação está errada.  –   São necessárias novas
equações relativísticas, e mais outros tipos de interação devem ser postos em jogo. Quando
essas novas equações e interações forem imaginadas, os problemas que hoje nos confundem
serão automaticamente solucionados, e não mais teremos que lançar mão de processos
ilógicos como a renormalização de infinitos. Porque, a despeito dos seus êxitos, trata-se
apenas de uma regra prática que produz resultados, e precisamos nos preparar para
abandoná-la…do mesmo modo que os êxitos da teoria de Bohr foram considerados meramente
acidentais, mesmo que corretos.”

Teorias de calibre Yang/Mills 

Em meio ao descrédito em que havia caído a teoria quântica de campos, a partir da década de
50, foi criada a ideia que… posteriormente… permitiria o seu renascimento. Trata-se da teoria
de calibre não-abeliana proposta por C. N. Yang e R. L. Mills em 1954. – Essa teoria viria a
desempenhar papel crucial em todo o desenvolvimento da TQC… E aqui tem início o
2º episódio… – no qual a renormalização viria a desempenhar um papel fundamental.
‘Simetria de Gauge’

O termo ‘teoria de calibre‘ refere-se a um tipo particular de invariância — ou simetria, que


‘certas teorias‘ possuem.

A invariância de calibre,  no caso clássico de Maxwell do eletromagnetismo funda-se


em manter inalteradas as previsões experimentais da teoria somando o gradiente da função
arbitrária f(x), ao seu próprio potencial.

No caso dos ‘campos quânticos’…a invariância de calibre consiste em se poder manter esta
invariância quando se efetua, além da adição do gradiente, também uma rotação arbitrária na
fase do campo, mantendo a mesma forma de Lagrangiano após essas 2 transformações.

A ‘teoria de Yang-Mills’ se refere ao ‘spin isotópico‘… que é uma quantidade conservada na


interação forte, e é atribuído a neutrons e prótons. – A hipótese feita por eles foi de que o spin
isotópico obedeceria a uma simetria de calibre local não-abeliana.

Uma simetria é dita ‘global‘ quando as equações são transformadas da mesma maneira em
todos os pontos do espaçotempo – e ‘local‘, quando       a transformação pode ser diferente… –
em diferentes pontos do mesmo.

O fato da simetria de spin isotópico utilizada por Yang e Mills ser do tipo local significa, em
termos físicos, a possibilidade de transformar prótons em neutrons, e vice-versa, de maneira
independente para cada partícula – isto é, as transformações não precisam ser executadas do
mesmo jeito… – em todos os pontos do espaçotempo — além disso… por Yang/Mills não ser
abeliana, o resultado de uma sequência de transformações depende     da ordem em que elas são
efetuadas.

Uma vez imposta a invariância de calibre, Yang e Mills determinaram qual seria o campo
correspondente – executaram o processo de quantização… e obtiveram quanta com spin
unitário e spin isotópico unitário… — e carga…que poderia ser nula, positiva ou negativa.

Entretanto, 2 questões acerca da teoria tiveram que ser deixadas em aberto pelos autores –
devido a dificuldades técnicas… – o problema da massa dos quanta do campo, e a questão da
‘renormalidade’.

Por causa das dificuldades encontradas, a teoria de calibre não-abeliana não parecia ser
aplicável à ‘interação forte‘. Entretanto, havia a possibilidade de que a ‘interação fraca‘ fosse
descrita por meio de uma teoria do tipo Yang/Mills. E, para isso, foram propostas     2 novas
‘teorias de calibre’ unificando o ‘eletromagnetismo’ e a ‘interação fraca’ — por Sheldon
Glashow (1961); e por Abdus Salam e John Ward (1964)… do tipo SU(2)×U(1).

Nessas teorias, o lagrangiano da interação previa a existência de 4 bósons… o fóton, e mais 3


bósons vetoriais fracos (um com carga positiva… outro negativa… e mais outro neutro).
Porém, havia o problema da diferença de massa – que é nula para o fóton, mas deveria ser não-
nula para as outras 3 partículas… – As massas das partículas precisavam ser inseridas
manualmente na teoria…E, além disso,  restava a questão de como se ter bósons massivos sem
destruir a invariância de calibre…

Campo eletromagnético vetorial (fóton s/massa); campo gravitacional tensorial (gráviton


s/massa) ==> Campo de Higgs (bóson c/ massa ?)

‘Chapéu mexicano’

TQC e a ‘Quebra de Simetria’

—  Para se construir uma determinada Teoria Quântica de Campo, é preciso acrescentar aos
princípios gerais satisfeitos em qualquer TQC, mais alguma informação física. Uma maneira
muito comum de se fazer isso é especificando as simetrias obedecidas por tal sistema físico.
Para isso ocorrer, pesquisam-se quais as ‘leis de conservação‘ respeitadas pelos processos
físicos de interesse, e a partir daí descobrem-se as simetrias do sistema.

Tal procedimento não é apenas eficaz, mas reflete o antigo princípio estético de que a natureza
é essencialmente simples em seu funcionamento último… Todavia, também considera que os
fenômenos físicos observados raramente espelham tal simplicidade           e regularidade –
sendo preciso, portanto… a um só tempo construir uma teoria física     com simetria intrínseca,
e encontrar um meio de quebrar a simetria – para dar conta     dos variados aspectos do mundo.

Toda equação diferencial (ou integral), tem um conjunto de simetrias. Se as soluções para essa
equação possuírem as mesmas simetrias da equação – então…diz-se que a simetria é
preservada (não é quebrada). – Porém, se a simetria das soluções não estiver presente na
equação… diz-se então que as soluções quebram a simetria (da equação que as originou).

Até o presente há 2 mecanismos de quebra de simetria disponíveis: quebra espontânea de


simetria, na qual a dinâmica seleciona as soluções não-simétricas por causa da menor energia
que estas devem ter quando comparadas à solução simétrica; e quebra anômala (ou quântica)
de simetria, na qual os infinitos da TQC são usados para violar o ‘princípio de
correspondência’ – por conta do procedimento de ‘renormalização‘.

Can Quantum Mechanics Produce a Universe from Nothing?

Quebra espontânea de simetria

Em 1961…o físico Jeffrey Goldstone propôs um mecanismo para obter a ‘quebra espontânea
de simetria‘ na teoria quântica de campos…Porém, Steven Weinberg, Salam e o próprio
Goldstone mostraram em 1962, que     uma quebra espontânea de simetria seria acompanhada
do surgimento de partículas de spin unitário … e massa nula…  —  (os ‘bósons de Goldstone‘).

Isso constituía um problema, uma vez que tais partículas de massa nula não foram observadas,
nem poderiam desempenhar um papel em interações de curto alcance.

Peter Higgs, então, completou o mecanismo entre 1964 e 1966, valendo-se da invariância de
calibre…para mostrar como as partículas podem ganhar massa via quebra espontânea de
simetria – sem o aparecimento de partículas de massa nula. Pelo mecanismo que leva seu nome
(Mecanismo de Higgs)… desaparecem os ‘bósons de Goldstone’…os quanta de campo
adquirem massa… e aparece também uma partícula massiva – chamada então de ‘bóson de
Higgs’.

O mecanismo de Higgs também funciona para teorias baseadas no grupo não-abeliano


SU(2)×U(1), o que abriu o caminho para uma teoria de calibre unificada das interações
eletromagnética e fraca…teoria que seria formulada independentemente por Weinberg   em
1967, e Salam, 1968, usando o mecanismo Higgs ao explicar a massa das partículas.

A teoria eletrofraca de Weinberg/Salam não despertou interesse nos primeiros anos após sua
formulação…uma vez que a teoria quântica de campos ainda atravessava uma fase de reclusão
na época. Mas, em 1971, Gerard ’tHooft  conseguiu demonstrar que as teorias de calibre
massivas com quebra espontânea de simetria são renormalizáveis. Esta era a peça que faltava
no quebra-cabeças teórico.  texto base (pdf) (Ernany Rossi Schmitz /UFRGS)    
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!(texto complementar)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bóson de Higgs e Função de Onda   (Carlos Bonin)

Especula-se que ao contrario da gravidade, onde o campo se amplifica com maior presença de
massa, o bóson de Higgs seria como um campo…chamado “campo de   Higgs”, que é
uniforme…Essa uniformidade poderia ser (já que tem semelhanças)             a ‘energia
escura’…

http://www.umajanelasecreta.com/2015/01/resenha-o-cerne-da-materia-aventura.html

Ao tentarmos descrever uma partícula através da mecânica quântica — atribuímos a ela     uma
função de onda. A fase global da função de onda (que não tem significado físico)
matematicamente é descrita através de um ‘funcional’ …  —  chamado Lagrangiana.

Essa Lagrangiana deve ser invariante sob transformações na fase global da função de onda. Isso
significa que podemos escolher qualquer valor para a fase… mas, uma vez escolhido esse
valor, ele deve ser o mesmo em todo ponto do espaço…e todo instante         de tempo.

Saber que a Lagrangiana original deixa de ser invariante, com a escolha de uma fase que
dependa do ponto — no espaço — e do instante de tempo … significa a necessidade de se
introduzir um campo vetorial sem massa que interaja com a função de onda da partícula.

No caso mais simples, esse campo vetorial é o campo eletromagnético, e a partícula em questão
é eletricamente carregada. Em casos mais complicados, surgem os campos que dão origem às
outras 2 interações fundamentais da natureza – descritas pela mecânica quântica: a interação
forte e a interação fraca.

Esse método de se encontrar a interação é chamado de Princípio de Gauge. Nos 3 casos, os


campos vetoriais (bosônicos) que surgem para descrever as interações eletromagnética, fraca e
forte são campos sem massa. Contudo, os campos que medem a interação fraca são campos
com massa. – A eles estão associados os bósons Zo, W+ e W-… todos partículas com massa. A
solução para esta questão é… … o mecanismo de Higgs.

Mas, como descrevemos matematicamente um campo sem massa?… – Basta não adicionar
nenhum termo de massa na Lagrangiana. Se colocarmos um termo de massa para o campo
vetorial na Lagrangiana para os casos acima, ela deixa de ser invariante… – Desse modo, a
solução encontrada foi fazer o campo vetorial da interação fraca interagir com um campo
escalar (portanto, também um bóson) num potencial de ‘auto-interação’ muito particular. Esse
bóson é o chamado bóson de Higgs.
O valor esperado da maioria dos campos no vácuo é nulo. Contudo, devido a esse potencial de
auto-interação peculiar… – o valor esperado no vácuo do campo de Higgs não é nulo…
Escrevendo esse campo como sendo o valor esperado no vácuo… mais flutuações em torno
desse valor – surge, naturalmente, um termo de massa para o campo vetorial da interação
fraca…Esse é o mecanismo de Higgs para a quebra espontânea de simetria no modelo de
Weinberg-Salam da interação eletrofraca.

(Questões em aberto)

1) o Bóson de Higgs pode ser considerado como um gráviton (já que ele seria                      
o responsável pela massa…  —   e…  falar em massa… é falar em gravidade)?

_ Não. O gráviton teria spin 2. O bóson de Higgs, spin 0. – Embora ambos sejam bósons, suas
características são muito distintas. Além do mais, nos níveis experimentais atuais, a gravidade
não desempenha nenhum ‘papel apreciável’ no comportamento das partículas
quânticas… Assim, a teoria quântica de campos tradicional (na qual foi proposta o bóson de
Higgs) desconsidera a gravitação…Portanto, o bóson de Higgs não pode ser o gráviton.

2) qual seria a influência do encurvamento do campo na “produção” da massa?…

_ Encurvamento de qual campo?… Do campo de Higgs?…  –  Se você se refere ao fato do


encurvamento do espaçotempo (isto é, da gravidade) ele não interfere significativamente na
massa das partículas…pelo menos não em um acelerador. Agora, nas proximidades de um
buraco-negro eu não sei. ### ‘O Bóson de Higgs’ ### ‘O Higgs gera a massa de tudo?’

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Publicado em cosmologia, física | Marcado com Bóson de Higgs, Renormalização, Teoria


Quântica de Campos | 1 Comentário

Aleatoriedade (quântica) & Criptografia (caótica)


Publicado em 31/05/2016 por Cesarious

“A física clássica simplesmente não permite a aleatoriedade, no sentido estrito… Ou seja, o


resultado de qualquer processo clássico pode – em última instância – ser determinado, tendo-
se informações suficientes sobre as condições iniciais. Apenas processos quânticos podem ser
verdadeiramente aleatórios” (Christopher Monroe) 
Em princípio, todos os eventos, incluindo a jogada de um dado … ou o resultado de um jogo de
roleta, todos podem ser explicados em termos matemáticos.

Ou seja, aquilo a que chamamos acaso é apenas uma questão de desconhecimento: se


soubéssemos a localização…velocidade, e todas as demais características de todas partículas no
Universo – tudo com absoluta certeza, seríamos capazes de… praticamente, prever todos os
processos que ocorrem no mundo.

Mas isto só vale no reino da física clássica – onde, por trás de cada coincidência, parece haver
um “plano“… uma interligação sutil de fenômenos, que acaba naquilo que chama nossa
atenção pela casualidade… e, que em última instância, pode ser descrito por uma equação
matemática precisa, que revela o “plano” secreto.

Terra sem deuses

Tudo, porém… é diferente no reino da ‘mecânica quântica’. Nela, propriedades específicas dos
objetos (como a posição de um elétron, ou a polarização de um fóton) são por natureza incertas.
Embora a probabilidade de qualquer propriedade particular possa ser calculada a priori, estas
propriedades – quando medidas – assumem valores específicos… os quais são intrinsecamente
aleatórios.

Assim, pela teoria…pode-se obter uma série de números aleatórios realizando uma série de
medições quânticas que sejam totalmente independentes umas das outras. – Essa sequência
seria natural, e intrinsecamente aleatória.

Na demonstração mais cabal dessas diferenças, um grupo de cientistas do Instituto Max Planck,
na Alemanha, usou a física quântica para construir um dispositivo que funciona sob o princípio
de uma aleatoriedade verdadeira, totalmente imune a ‘planos’, previsões, ou fórmulas
matemáticas descritivas.
…Esse ‘dado quântico‘ gera números aleatórios que não podem ser previstos com
antecedência… já que as medições baseadas na física quântica — somente produzem
determinado resultado com certo grau de probabilidade – isto é… de forma aleatória.

Números verdadeiramente aleatórios são necessários para a criptografia de dados, e para


permitir a simulação de processos econômicos, de mudanças no clima, etc. Porém, os geradores
de números aleatórios usados hoje, através de programas computacionais projetados
especialmente para esse fim…estão longe de serem aleatórios; como explica Christoph
Marquardt, um dos autores da pesquisa:

“Eles apenas simulam a aleatoriedade — mas… com a ajuda de testes adequados… e um


volume suficiente de dados, pode-se identificar padrões… Identificado o padrão, passa a ser
possível prever o próximo número produzido pelo gerador desses números pseudo-
aleatórios…  —  O certo é que… a verdadeira aleatoriedade somente existe no mundo da
mecânica quântica…Uma partícula quântica permanecerá em um lugar ou noutro, e se
moverá a uma velocidade ou outra – mas, apenas com um certo grau de probabilidade.
Essa  aleatoriedade dos ‘processos quânticos’ é explorada para gerar nºs aleatórios“.

Gerador de nºs aleatórios 

As ‘flutuações de vácuo‘ foram usadas como um dado quântico. Estas flutuações são mais  
uma  característica do mundo quântico – é como se…na prática…fosse ‘impossível‘ não existir
alguma coisa lá. Mesmo na escuridão absoluta, está disponível a energia de meio fóton – e,
embora continue a ser invisível, deixa pistas que são detectáveis por medições suficientemente
sofisticadas.

Estas pistas assumem a forma de um ruído quântico. Este ruído, completamente aleatório, só
surge quando físicos tentam medi-lo. Para tornar visível o ruído quântico, os cientistas
recorreram mais uma vez ao “cinto de utilidades” da física quântica… – eles dividiram um
feixe de laser em partes iguais… – utilizando um ‘divisor de feixe‘.
Para obter o número verdadeiramente aleatório os pesquisadores dividiram a curva em forma
de sino em seções, com áreas de tamanho igual, e atribuíram um nº a cada seção. [Gabriel et
al./Nature Photonics]

Um divisor de feixe tem 2 portas de entrada e 2 portas de saída… A 2ª porta de entrada foi 
coberta pelos pesquisadores, impedindo a entrada da luz. Contudo, as flutuações do vácuo
quântico ainda estavam lá, influenciando a saída dos 2 feixes parciais de laser. — A seguir, os
2 feixes foram dirigidos aos detectores – medindo-se a intensidade do fluxo de fótons… (cada
fóton produz um elétron…e a corrente elétrica resultante é registrada pelo detector)

Ao subtrair a medição das 2 curvas produzidas pelos 2 detectores – o resultado seria zero, se
estivéssemos tratando com o mundo clássico. Porém, no mundo quântico, resta o ruído
quântico… — como explica Christian Gabriel, pesquisador responsável pelo experimento:

“Durante a medição, a função de onda da mecânica quântica é convertida num valor… A


estatística é pré-definida, mas a intensidade medida continua a ser uma questão de puro
acaso. Quando plotados em uma curva de Gauss, valores mais fracos surgem com muita
frequência, enquanto os mais fortes só ocorrem muito raramente“.

O experimento é promissor para usos práticos. — Combinações de números aleatórios são


necessárias para criptografar dados durante transferências bancárias. Números aleatórios
também são usados para simular processos complexos — com resultados probabilísticos.

Por exemplo, os economistas usam as chamadas simulações de Monte Carlo para tentar prever
o comportamento e evolução dos mercados financeiros…e, os meteorologistas as utilizam para
alimentar seus modelos do clima – inserindo variações aleatórias.

Criptografia quântica é demonstrada pela 1ª vez                                                       Estudos


envolvendo criptografia quântica – métodos de segurança invioláveis, feitos por meio da
manipulação das propriedades quânticas de partículas/ondas – vinham sempre acompanhados
de expressões reticentes… Agora, porém, isso começa a mudar.
Pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá… fizeram o 1º  experimento prático
— utilizando equipamentos … comercialmente disponíveis, demonstrando como implementar
‘sistemas quânticos criptográficos’.

Eles  apresentaram a 1ª prova experimental do uso da técnica de iscas quânticas na


criptografia de dados transmitidos através de fibras ópticas.

Esta técnica consiste em variar a intensidade dos fótons – introduzindo “iscas fotônicas”
(fótons disfarçados de dados reais)…Depois dos sinais reais enviados, outra transmissão diz
ao computador receptor quais dados são verdadeiros, e quais são falsos.

Neste método de criptografia quântica, os fótons – partículas da luz de um raio laser…carregam


complexas chaves de criptografia por meio de fibras ópticas.

A criptografia convencional se fundamenta na complexidade dessas chaves – algoritmos


matemáticos difíceis de se quebrar…mas não impossíveis. – Já a criptografia quântica se baseia
nas leis fundamentais da física – mais especificamente, no ‘Princípio da Incerteza’ de
Heisenberg, que estabelece que apenas o fato de se observar uma partícula quântica é suficiente
para alterá-la.

Ou seja, se alguém espionar os dados para tentar quebrar a chave de criptografia…o simples ato
de ler os dados altera as iscas fotônicas –           um claro sinal, para o receptor, de que os dados
foram interceptados.

Vêm aí a criptografia caótica…                                                                                               


Com base na teoria do caos, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP)
desenvolveu um novo sistema de criptografia que – mesmo sendo mais seguro… mantém a
velocidade e operacionalidade dos sistemas tradicionais.

Pesquisadores da USP de São Carlos, e de Ribeirão Preto, desenvolveram um novo sistema de


criptografia que promete maior segurança às transações bancárias via internet. A iniciativa
irá dificultar a ação de  hackers espiões em suas tentativas de quebrar códigos de segurança
na internet, p. ex…bem como codificar arquivos em   notebooks, que podem ser extraviados…
Para o professor Odemir Martinez Bruno,           do Instituto de Física de São Carlos (IFSC)
da USP:
“O sistema é inovador porque combina o método tradicional de criptografia…com uma
parametrização dinâmica obtida de sistemas caóticos. Com isso, conseguimos produzir um
algoritmo computacional com melhorias na segurança  —  e também na velocidade. Um dos
aspectos inovadores do novo sistema é justamente a integração entre conceitos da física e
matemática à computação“.

Esta animação mostra uma mensagem criptografa no sistema caótico. A mensagem “lorenz” foi
cifrada com a senha “ifsc”. A senha determina os parâmetros iniciais do atrator e os saltos onde
armazenar a mensagem. Cada esfera representa um dos 6 caracteres da palavra “lorenz”
cifrados no atrator. [Imagem: Odemir Martinez Bruno]

Como a criptografia funciona

A criptografia embaralha números, letras e símbolos a fim de codificar textos – e…só podem


decodificar e recuperar o texto original, pessoas autorizadas.

Tradicionalmente, a criptografia clássica utiliza operações lógicas,     ou aritméticas…


simples…para o embaralhamento.

Na prática, quando um usuário digita os dados de seu cartão de crédito, em uma transação
comercial…através da internet, suas informações são desde logo “embaralhadas” de maneira
que um invasor não consiga decifrar seus códigos. — “Somente o banco será capaz de decifrar
as informações“. Porém, hoje em dia, boa parte dos algoritmos aplicados na criptografia já
foram quebrados, como explica o pesquisador:

“Esse duelo entre códigos estabelecidos, e os que tentam quebrá-los…dura mais de 2 mil anos.
Tanto que a criptografia já foi amplamente usada em operações militares. Muitas batalhas e
guerras foram vencidas ou perdidas pelo sucesso ou fracasso da criptografia. Atualmente…a
criptografia desempenha importante papel na economia moderna. Ela é responsável pela
segurança eletrônica nas transações comerciais  —  por exemplo“.

Cada vez mais os sistemas criptográficos estão sendo ‘quebrados’, o que tem motivado a busca
por novas formas de produção de algoritmos. Pesquisas envolvendo a criptografia de sistemas
caóticos já foram objeto de estudos – e…nas últimas décadas…por exemplo, foram criados
alguns algoritmos de criptografia baseados na ‘teoria no caos‘.
Entretanto, os métodos que utilizam sistemas caóticos, até agora, apresentavam severas
limitações, tornando-os inseguros e demasiadamente lentos para aplicações comerciais; como
explica Bruno…“A combinação desenvolvida … entre a criptografia tradicional e sistemas
caóticos, agora permite maior agilidade nas operações algorítmicas…e mais embaralhamento
— resultando em melhorias na segurança…e velocidade do sistema“.

Modelo mostrando o espalhamento de campos magnéticos na superfície do Sol, a partir de


imagens da sonda SDO, revela campos distantes respondendo a alterações localizadas num
campo magnético superficial.[Karel Schrijver]

Sequências pseudo-aleatórias 

A teoria do caos explica o comportamento  –  aparentemente errático e imprevisível de


determinados sistemas naturais. Esses sistemas são não-lineares, e seu comportamento – onde
pequenas diferenças são fortemente amplificadas… de acordo com o chamado efeito borboleta
– depende fortemente de como são inicializados.

O método caótico utiliza uma matemática bem mais sofisticada do que os tradicionais. O
sistema se baseia na geração de sequências pseudo-aleatórias…Se os parâmetros iniciais do
sistema caótico forem exatamente os mesmos… – a sequência será sempre a mesma.

Na criptografia caótica – utilizada pelos pesquisadores brasileiros, estas sequências são


utilizadas para embaralhar as mensagens… sendo impossível que alguém gere a mesma
sequência aleatória… – a não ser que tenha acesso ao sistema caótico…com parâmetros iniciais
idênticos.

Com a criptografia tradicional…de acordo com Bruno, leva-se cerca de 5 minutos para


criptografar a quantidade de informação equivalente a um CD. Os métodos anteriores baseados
na teoria do caos levariam cerca de 1 hora e meia para criptografar a mesma quantidade de
informação… – O novo algoritmo faz o serviço em cerca de 8 minutos.    

Portas lógicas booleanas                                                                                                   

Com todas as maravilhas que seu computador lhe permite, no fundo, no fundo, ele é feito de
minúsculas chaves, chamadas transistores, arranjadas na forma de pequenos circuitos,
chamados portas lógicas. Para que seu computador funcione da maneira que você espera, essas
portas lógicas devem dar resultados muito precisos. Uma porta AND, por exemplo, só deve dar
resultado 1 quando ela receber 2 entradas 1. – Já uma porta OR dará sempre resultado 1, a
menos que haja 2 entradas 0.

Se parece confuso, saiba que, juntando meia dúzia de “maquininhas” capazes de tomar decisões
desse tipo, você nem precisa de transistores, e pode construir um computador     de qualquer
coisa – de varetas e cordas – ou de copos e canos com água… por exemplo. Mas suas
‘maquininhas‘, ou suas portas lógicas, deverão sempre dar respostas simples, precisas e
unidirecionais – ou 0, ou 1…dependendo dos 2 valores que entram. Depois é     só montar tudo
numa estrutura hierárquica bem definida, e você terá um ‘computador’.

As portas caóticas permitem construir dispositivos de computação com a capacidade de se


reconfigurar em uma série de portas lógicas diferentes. [Ditto et al./Chaos]

Portas caóticas 

Mas, agora … um grupo científico de várias universidades dos EUA está propondo uma
mudança radical nesse enfoque. Em vez do determinismo e precisão das portas lógicas
tradicionais…eles acreditam que é possível construir computadores melhores, usando “portas
caóticas” – ou, portas que tomam       suas decisões  –  com base nos fenômenos descritos
pela eminente ‘teoria do caos‘.

De forma bem simplificada… – eles utilizaram padrões caóticos para codificar e manipular as
entradas, de forma a produzir a saída desejada… — Selecionando os padrões almejados,     a
partir da infinita variedade oferecida por um sistema caótico, um subconjunto desses padrões
foi então usado para mapear as entradas do sistema (as ‘condições iniciais’) —       de acordo
com os resultados pré-estabelecidos.

O mais interessante é que esse processo permite construir dispositivos de computação com a
capacidade de se reconfigurar em uma série de portas lógicas diferentes… Eles batizaram essas
portas capazes de se metamorfosear de Chaogates… E – como sempre acontece nas
universidades dos EUA (e deveria também acontecer nas brasileiras)… eles fundaram uma
empresa, a ‘ChaoLogix‘, para tentar vender a ideia  —  como vislumbra William Ditto…da
Universidade do Arizona, e um dos autores da nova técnica:

“Imagine um computador capaz de mudar seu próprio comportamento interno…a fim de criar
1 bilhão de chips customizados a cada segundo, baseado no que o usuário está fazendo
naquele segundo… 1 computador que possa reconfigurar a si mesmo…para se tornar mais
rápido para a sua aplicação“.

Imagine um computador capaz de mudar seu próprio comportamento interno para criar um
bilhão de chips customizados a cada segundo, baseado no que o usuário está fazendo naquele
segundo. [Ditto/Chaos]

Computador metamórfico

Segundo Ditto  –  a ChaoLogix já está montando os primeiros protótipos de computador


caótico … e, já é possível verificar que a abordagem poderá ser útil em diversos sentidos.

De acordo com o pesquisador  –  os processadores caóticos não apenas poderão ser fabricados
com mesma tecnologia atual… – assim como ser incluídos em ‘circuitos mistos‘, que mesclem
os processadores lógicos convencionais com processadores caóticos… E ele ainda explica
que:

“As portas caóticas são os blocos básicos de novos sistemas computacionais baseados no
‘caos’… que explorarão a enorme capacidade de formar padrões (dos sistemas caóticos) em
benefício da computação“.

Mapa logístico 

Ao contrário do que se possa imaginar – sistemas caóticos não são nem aleatórios, e nem
imprevisíveis: eles apresentam padrões irregulares extremamente sensíveis às condições
iniciais. Um sistema caótico gera uma saída em resposta a uma dada entrada – de forma muito
parecida com um circuito booleano tradicional – mas a saída é muito sensível aos valores de
entrada, e às condições iniciais da rede.
Ditto e seus colegas descobriram que a adição de mecanismos de controle bastante simples
permite definir o padrão de saída de forma muito segura – o que significa que uma mesma
porta caótica pode executar várias funções lógicas.

‘O mapa logístico’

A chave para a geração de múltiplas saídas…a partir   de um mesmo conjunto de entradas…é


baseada num conceito chamado “mapa logístico” – que descreve uma função matemática não-
linear.

Mapeando entradas para uma saída específica…os cientistas desenvolveram 1 função de


mapeamento logístico que se utiliza das propriedades não-lineares de um transístor ‘CMOS‘,   
de modo a ser possível criar uma ‘célula caótica’ bem eficiente.

Computadores híbridos 

Circuitos de interfaces simples permitem que uma célula caótica seja interconectada com outros
circuitos caóticos, ou com portas lógicas booleanas tradicionais…abrindo caminho para a
tecnologia…e a viabilização de computadores híbridos. — Uma das vantagens das portas
caóticas é que elas possuem uma “assinatura de potência” que é independente do estado lógico
de entrada. – Esta é uma característica importante para aplicações seguras, permitindo a
utilização de técnicas de ‘análise diferencial‘ para determinar as ‘chaves de criptografia’…p.
ex – pelo monitoramento da corrente elétrica consumida pelo circuito.

Computação sistêmica (Acesso aleatório)                                                                                


“O conjunto de sistemas interage em paralelo e de forma aleatória, e o resultado de uma
computação simplesmente emerge dessas interações”.
http://labisismi.fmrp.usp.br/index.php/br/

Uma nova arquitetura de computador…baseada no aparente caos da natureza, é capaz de


reprogramar a si mesma…ao se deparar com uma falha de software.

Foi o que demonstraram Christos Sakellariou … e Peter Bentley, da College


London University… — A dupla batizou a arquitetura de ‘computador sistêmico‘.

Os computadores atuais são inadequados para modelar processos naturais… – tais como a
forma como os neurônios trabalham…ou como as abelhas formam enxames – porque eles
trabalham sequencialmente, executando uma instrução de cada vez; como explica Bentley:

“A natureza não é assim… Seus processos são descentralizados e probabilísticos… E são


tolerantes a falhas… capazes de curar-se… Um computador deve ser capaz de fazer isso
também. Mas, os computadores tradicionais trabalham de forma sequencial, enquanto     a
natureza trabalha de forma paralela. – Mesmo quando parece que o seu computador está
executando todos seus programas ao mesmo tempo, ele está apenas fingindo fazer isso,
desviando a atenção muito rapidamente entre cada programa“.

O computador sistêmico imita justamente a aleatoriedade da natureza. Para isso, ele atrela a
cada dado as instruções sobre o que fazer com esse dado – essas entidades digitais são os
chamados “sistemas“… que dão o nome à arquitetura. – Cada sistema tem uma memória
contendo dados sensíveis ao contexto, o que significa que ele só pode interagir com outros
sistemas similares a ele próprio.

No computador tradicional, as instruções são executadas numa sequência que acompanha as


batidas de um relógio interno – o famoso “clock” do computador…Já os novos sistemas são
executados em momentos determinados  —  por um gerador de nºs pseudo-aleatórios, projetado
para imitar a aleatoriedade da natureza.

Como cada sistema tem seu próprio conjunto de instruções…as instruções são replicadas em
todos os sistemas onde são necessárias – não havendo precedência entre eles… como conclui o
pesquisador:

“Se houver problema em um dos sistemas — o computador recupera as instruções de um


sistema relacionado, remontando o bloco perdido…Assim, virtualmente, ele nunca trava por
problemas de software. Por estranho que pareça, a coisa funciona… e melhor do que o
previsto”. ‘computador-sistemico’ (fev/2013)       
gerador quântico de números aleatórios (abr/2010) ‘dado-quantico produz nºs-aleatorios’
(set/2010) ## criptografia quântica prática 1ª vez (fev/2006) ## usp-criptografia-caotica 
(jun/2010)  Criptografia caótica (jul/2010) # ‘Vêm aí computadores caóticos’ (nov/2010)
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<(texto complementar)<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<< 

‘Laser – Feixe caótico’

CAOS EM UM CHIP (janeiro/2007)

Pela 1ª vez… físicos demonstraram que um caos bem estruturado pode se iniciar em um
circuito integrado fotônico… – E ainda, representar o começo do estudo do caos óptico, em
frequências de gigahertz.

A vazão de um laser semicondutor é normalmente regular…  Entretanto, se certos parâmetros


do laser forem distorcidos, tal como modulando a corrente eletrônica, ou sua realimentação …
a partir de um espelho externo – sua vazão média total se tornará caótica — isto é, será
imprevisível.

Para tornar o caos ainda mais dramático (e explorável) Mirvais Yousefi e seus colegas na
Technische Universiteit Eindhoven (Holanda) utilizam lasers emparelhados…ou seja, 
colocados num chip muito próximos entre si, de modo que o comportamento de cada um é
afetado pelo do outro.

O  “chip de Eindhoven”  –  que usa  lasers emparelhados mutuamente perturbativos para


chegar ao caos – é o primeiro a exibir os característicos estranhos atratores, em plotagens da
potência do laser…  em um dado instante  —  versus a potência do laser em um instante
imediatamente posterior — em vez de exibi-lo… indiretamente, através da gravação dos
espectros de lasers.

Olhando à frente… para o dia em que os chips ‘optofotônicos’ forem manufaturados com


milhares… ou, milhões de lasers — a abordagem de Eindhoven poderá permitir a precisa
localização da vizinhança de lasers defeituosos – mas, não somente isso…possivelmente, até
explorar efeitos caóticos localizados para seu proveito.

De acordo com Yousefi… outros possíveis usos para o caos com base em chips serão…
criptografia, tomografia… e, possivelmente…mesmo o estabelecimento de protocolos lógicos
multicamadas, aqueles baseados não apenas na lógica binária de zeros e uns, mas…nos
diversos níveis de intensidade correspondentes à vazão em banda larga do sistema caótico de
lasers. ‘texto base‘
Ordenando o Caos na Computação   (30/03/2010)

Ao discordar da então nascente Mecânica Quântica, Einstein afirmou que – aceitar suas
bizarras leis…seria igual a afirmar que Deus jogava dados com o Universo.

Luis Ceze – cientista da computação… e atualmente lecionando na Universidade de


Washington, restringe um pouco mais as preocupações…para ele, computadores não devem
jogar dados — ou seja, se você inserir o mesmo comando no computador, ele deve sempre dar
a mesma resposta.

Isso talvez possa soar estranho para a maioria dos usuários… e mais ainda para os
verdadeiramente apaixonados por tecnologia da computação – mas, o certo…é que          
está longe de ser verdade…Segundo Ceze, os computadores modernos costumam se comportar
de forma altamente imprevisível… como afirma o pesquisador:

“Com os sistemas mais antigos, com apenas um processador, os computadores – dados os


mesmos comandos – se comportavam exatamente da mesma forma… Entretanto, os
computadores atuais, muito mais rápidos e econômicos (pelos múltiplos processadores) são
não-determinísticos. – Mesmo para um conjunto igual de comandos, pode-se obter resultados
totalmente diferentes”.

Com efeito, as coisas melhoraram, pois múltiplos processadores rodam programas       mais


rapidamente, custam menos e gastam menos energia… (e isso, sem falar dos
supercomputadores… – com milhares de processadores rodando paralelamente.)

Por outro lado, ‘multiprocessadores’ são responsáveis por erros difíceis de rastrear, que
frequentemente fazem navegadores, e outros programas travarem de repente. Segundo Ceze…
“Com os sistemas múltiplos, a tendência é ter mais bugs, porque é mais difícil escrever
códigos para todos. E, lidar com estes bugs simultâneos é bem complicado.”

Neste caso – o que acontece… é o mesmo clássico problema do caos, frequentemente


exemplificado pelo bater das asas de uma borboleta, iniciando um processo…que vai   acabar
num furacão, do outro lado do mundo. O compartilhamento de memória dos computadores
modernos exige que as tarefas sejam continuamente transferidas…de       um lugar para outro.

A velocidade na qual essas informações viajam…pode ser afetada por pequenos detalhes, como
a distância entre as peças do computador, ou mesmo, a temperatura dos fios. Com isto, a
informação pode chegar ao destino em uma ordem diferente — o que causa erros inesperados
e difíceis de prever; até no caso de instruções que já rodaram centenas de vezes antes.

Incomodado com essa incerteza, Ceze e seus colegas afirmam ter desenvolvido uma técnica…
para fazer com que os sistemas mais modernos se comportem numa forma também
previsível. Eles repartiram os ‘conjuntos de comandos’ do processador…os enviando para
locais específicos de onde são calculados simultaneamente. Assim, o programa segue rodando
mais rápido do que aconteceria com 1 único processador.

Um dos grandes méritos desse novo programa é que ele permite reproduzir os erros, facilitando
o processo de sua atualização, e localização – seguindo o funcionamento – passo a passo – de
forma rápida e segura…  (texto base)

Violações da 2ª Lei Termodinâmica (em nanoescala)

[Imagem: Iñaki Gonzalez/Jan Gieseler]

A maioria dos processos na natureza não pode ser revertido…  –  o que se  caracteriza por uma
‘seta do tempo‘.

A lei da física para tal comportamento é a 2ª Lei da Termodinâmica, que postula que, a


entropia de um sistema (…uma medida para a sua desordem) nunca diminui
espontaneamente… – favorecendo assim a ‘desordem’ (alta entropia) sobre um ‘estado
ordenado’ de baixa entropia.

Porém… quando damos um ‘zoom‘ até o mundo nanoscópico dos                   átomos e


moléculas, esta lei suaviza-se, e perde seu rigor absoluto.

Apesar da 2ª Lei da Termodinâmica geralmente permanecer válida, mesmo nos sistemas em


nanoescala… há alguns eventos raros que questionam a irreversibilidade temporal em
nanoescala – por exemplo… causalidade-quantica-questiona-lei-causa-efeito, ou… Ondas de
spin transportam energia do frio para o calor

Um teorema para tentar explicar essas exceções incômodas foi, recentemente, proposto pela
equipe de Jan Gieseler… da Universidade de Harvard. Os pesquisadores colocaram seu
teorema à prova usando uma nanoesfera de vidro – com diâmetro de menos de 100 nanômetros,
levitando em uma armadilha de laser.
Na armadilha, a nanoesfera se agita devido a colisões com moléculas do ar ao seu redor. Esse
aparato permitiu a sua captura… mantendo-a estática… para que fosse medida sua posição em
todas as 3 direções espaciais, com elevada precisão.

Usando resfriamento também a laser, os cientistas refrigeraram a nanoesfera abaixo da


temperatura do gás circundante, colocando-a em um estado de não-equilíbrio. E, então
desligaram o resfriamento, monitorando a nanopartícula, enquanto ela se aquecia…no sentido
da temperatura mais elevada do gás ao seu redor.

Consequências do experimento

O experimento confirmou as limitações da 2ª Lei… – em escala atômica, e molecular – ao


substituir o determinismo da lei em macroescala – pela imprecisão probabilística típica da
nanoescala; quando então a nanoesfera, ao invés de absorver, libera calor para o ambiente mais
quente.

Assim, o quadro experimental demonstra que… – conforme a miniaturização avança para


escalas cada vez menores… as condições são cada vez mais aleatórias. E, desse modo, está
sendo inaugurada uma nova área de pesquisas, para tentar compreender os fundamentos da
“física de sistemas em nanoescala… fora de equilíbrio“. (texto base)

O comportamento da nanoesfera seguiu o que já se suspeitava: algumas vezes ela não se


comporta de acordo com a 2ª Lei Termodinâmica. [Iñaki Gonzalez/Jan Gieseler]

2ªs leis da termodinâmica (quântica)

Um grupo da College University de Londres  –  liderado pelo brasileiro Fernando Brandão…


garantiu que,   em nanoescala  –  ou… no reino da física quântica – não existe só uma, mas
várias 2ªs leis termodinâmicas.

— A 2ª lei termodinâmica clássica estabelece que o Universo está em um estado de desordem


crescente,   o que parece bastante previsível – face às outras…“segundas leis“.

Há alguma resistência em chamar de “lei”… porque a 2ª Lei Termodinâmica é basicamente


uma descrição estatística, que só vale quando há um número de partículas suficientemente
grande em um sistema.  —  Por isso…é importante saber se esta lei se manteria válida em
sistemas muito pequenos, nos quais há um número reduzido de partículas.
Surpreendentemente, a pesquisa mostrou que a desordem também tende a crescer nos sistemas
em nanoescala – validando a 2ª Lei Clássica nesses sistemas quânticos – mas,   há “2ª leis”
adicionais — que restringem o modo como essa desordem pode aumentar.

E, estas 2ªs leis adicionais podem ser consideradas, como dizendo que há muitos tipos
diferentes de desordem em nanoescala – todas diferentes da conhecida entropia – que tendem a
aumentar com o tempo…como nos explica o professor Jonathan Oppenheim:

“Embora uma ‘casa quântica’ fique mais bagunçada, em vez de arrumada, como uma casa
normal – nossa pesquisa mostra que… as formas com que ela fica mais bagunçada  —  são
restringidas por uma série extras de leis”.

Se não fosse estranho o suficiente, a forma como estas segundas leis interagem umas com as
outras pode, até mesmo, fazer com que pareça que a tradicional 2ª Lei Termodinâmica foi
violada…Nessas aparentes violações, o que ocorre é que um pequeno sistema quântico pode
ficar mais ordenado ao entrar em contato com outro sistema maior – mas este…por sua vez,
fica mais desordenado, ainda que seja difícil de detetar…por ser o sistema muito maior do que
o outro… Assim, o efeito líquido é uma desordem ainda maior. (texto base)   

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Publicado em Computação | Marcado com criptografia quântica, portas lógicas | 1 Comentário

Alan Turing – O Homem que Computava…


Publicado em 26/05/2016 por Cesarious

“A computação quântica é uma nova fronteira a ser explorada do ponto de vista científico,
industrial e comercial. A questão é estratégica – a ponto de não poder ser negligenciada em
nenhum aspecto, ainda mais quando as limitações impostas pela chamada Lei de Moore se
fazem presentes“ (Walter Carnielli)
ALAN TURING (1912-1954) © NPL ARCHIVE, SCIENCE MUSEUM

A palavra computador era usada somente em um sentido até as primeiras décadas do século
XX. O significado indicava apenas uma pessoa que fazia cálculos – um profissional envolvido
no uso dos algoritmos.

Computar exigia muitas horas de trabalho…com grande concentração  —  e o


auxílio, somente, de instrumentos como ábaco, ou máquina de somar.

Em 1936, o inglês Alan Mathison Turing, nascido há 100 anos, escreveu um trabalho
acadêmico de lógica propondo uma estrutura matemática abstrata – que chamou de “máquina
universal”… – capaz de fazer qualquer tipo de cálculo.

Seu artigo … ‘On computable numbers, with an application to the Entscheidungsproblem’


publicado no início de 1937…é considerado como fundador da ‘ciência da computação’.

Quando escreveu ‘On computable numbers’, ele não estava pensando em uma máquina que
poderia vir a ser construída – o objetivo era apenas resolver um problema de lógica. Segundo
o matemático Ubiratan D’Ambrosio…professor da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp)…

“Sua máquina universal – conhecida como ‘máquina de Turing’ – na verdade era uma metáfora
das ideias fundamentais que viriam a ser usadas para se construir o computador”.

No mesmo artigo Turing apresentou uma solução para a questão matemática do ‘problema da
decisão’ (Entscheidungsproblem) … alegando que, determinados problemas não podem ser
resolvidos por máquinas ou computadores teóricos.

Mas, ele não foi o único a pensar nisso… Também em 1936, o lógico Alonzo Church, já Ph.D.,
escreveu e publicou, de modo independente, um artigo com a mesma conclusão. Assim,
Turing…então com 25 anos, foi fazer seu doutorado sob a orientação de Church,     na
Universidade de Princeton, EUA.
Em 1939 ele voltou à Inglaterra, e passou a trabalhar para o governo. Tudo começou porque os
militares ingleses — sabendo de seu gosto por criar e decifrar códigos — o convocaram para
trabalhar com um grupo de cientistas… em um ‘projeto secreto‘. O objetivo era decifrar ordens
alemãs, codificadas pela máquina chamada ‘Enigma’…e enviadas aos submarinos nazistas que
patrulhavam o Atlântico.

A questão era capital para os ingleses. Os submarinos alemães impediam a circulação dos
navios britânicos, quase isolando a Inglaterra… — Turing conseguiu quebrar o código…ao
aperfeiçoar uma enorme máquina decodificadora chamada ‘Bomba’, cuja primeira versão havia
sido construída por cientistas poloneses. Com isso a esquadra inglesa deixou de ser
surpreendida pelos ataques do Terceiro Reich.

Protótipo da máquina ACE, de 1952, projeto de Turing © NATIONAL PHYSICAL


LABORATORY © CROWN COPYRIGHT / SCIENCE PHOTO LIBRARY

Segundo Newton da Costa  –  matemático da Universidade de São Paulo, e professor de


filosofia da U.F. de Santa Catarina…

“Turing… –  além de um teórico brilhante, tinha um lado prático forte. Entre outros projetos,
p. exemplo…ele criou a máquina ACE (Automatic Computing Engine), uma espécie de
ancestral do computador, para ‘atacar’ problemas complexos”.

Em 1950 o matemático publicou seu artigo ‘Computing machinery and intelligence’…


e, escreveu ele na primeira linha do texto…‘Proponho que consideremos a questão… – as
máquinas podem pensar?’. Turing introduz uma discussão sobre se é justificável chamar um
computador de cérebro eletrônico… — lançando assim, as bases do que viria a ser o seminal
campo da inteligência artificial.

Lógica paraconsistente na criação de ‘algoritmos quânticos’                                 Os


sistemas de criptografia atuais se baseiam em um código formado por um nº enorme, que, para
ser quebrado, deve ser decomposto em números primos… Quanto maior forem esses fatores
primos, mais difícil será a descoberta do código. No entanto, com o advento do modelo de
processamento quântico, essa criptografia tradicional poderá ser ‘atacada’ com muita
facilidade.

A pesquisa desenvolvida pelo Professor Walter Carnielli, do Departamento de Filosofia da


Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e por seu orientando de doutorado, Juan Carlos
Agudelo, dá pistas para o avanço da informática quântica – ao utilizar a lógica paraconsistente
como fundamento, para a elaboração de algoritmos dentro desse modelo.
A computação quântica é fundamentada em conceitos criados pela física quântica – como o
da superposição (quando uma partícula está em condições contraditórias simultaneamente) e
do entrelaçamento (quando a alteração em uma partícula provoca mesmo efeito…em outra
que se encontra distante).

Para Carnielli … assim como a física clássica não apresenta resposta para várias situações de
contradição em sistemas físicos – tampouco a lógica booleana… na qual os computadores
atuais se baseiam, pode responder configurações em que as cláusulas sejam contraditórias.

Controle racional da contradição 

A solução encontrada pelos pesquisadores foi usar a chamada lógica paraconsistente, capaz de
obter resultados racionais — mesmo nos casos em que 2 ou mais condições não possam ocorrer
(na lógica clássica) ao mesmo tempo… Por exemplo – um comando que indique virar à
esquerda e à direita…simultaneamente; conforme comentou Carnielli…

“Ou, mais dramaticamente, a transmissão de informações contraditórias de velocidade ao


computador de bordo, como no caso da queda do vôo 447 da ‘Air France’.  A falta de controle
racional da contradição tem como consequência, nesses casos, o desligamento do piloto
automático — obrigando o comandante a pilotar sem nenhum instrumento, o que é
extremamente difícil“.

Em sua tese de doutorado, intitulada “ Computação Paraconsistente: Uma Abordagem Lógica


à Computação Quântica”, Agudelo criou um modelo teórico que pode inspirar a criação
de softwares para os computadores quânticos – como ele próprio explicou…”Ao elaborar
circuitos paraconsistentes, simulamos uma proposta de circuitos quânticos“.
[Imagem: CQT/National University of Singapore]

Máquina de Turing quântica 

Agudelo idealizou um computador usando a ‘lógica paraconsistente’. Utilizando o esquema


idealizado pelo matemático Alan Turing…o cientista da computação esboçou uma máquina na
qual corre uma fita dividida em células.

A cabeça de leitura lê apenas uma célula por vez – a qual contém um sinal gráfico – e um
comando que corresponde a correr para a direita, ou para a esquerda.

Na versão quântica, essa concepção moderna da máquina de Turing admite não 1, mas um
conjunto de posições, que seriam inconcebíveis para a lógica clássica… como, por exemplo,
um comando que faça a fita correr para esquerda, e para a direita, simultaneamente, como disse
Agudelo…”Na lógica paraconsistente esses estados são superpostos…como se fossem
empilhados“.

Criptografia quântica 

Segundo Carnielli, a originalidade do trabalho está na associação da lógica paraconsistente à


computação quântica. Mesmo com modelos iniciais básicos, eles poderão abrir caminhos para a
produção de programas para computadores quânticos.

A mera expectativa da computação quântica já tem aquecido o mercado de software, ressalta o


professor da Unicamp. — Universidades já começam a esboçar programas quânticos, e
empresas anunciam sistemas de criptografia nesse novo paradigma… e, Carnielli complementa:

“O esquema criptográfico conhecido como RSA, bastante utilizado no comércio digital, em


bancos e compras com cartões de crédito pela internet — baseia-se no fato de que é
computacionalmente muito difícil conseguir fatorar um número grande no produto de
2 números primos. – O tempo estimado, por exemplo, para se conseguir fatorar um nº de
20e48 bits (chave de uma criptografia RSA)…ultrapassaria a idade da Terra… Um algoritmo
quântico, no entanto, realizaria essa tarefa em menos de 6 horas. Dessa forma, com os
computadores quânticos as chaves RSA perderiam completamente sua eficácia. Esse problema
motivou a criação da criptografia quântica a fim de criar   um sistema de codificação
praticamente inexpugnável“.

Quem irá programar os computadores quânticos?                                                     Os


promissores computadores quânticos estão se mostrando mais difíceis de serem conquistados
do que se imaginava a princípio. Por outro lado, uma vez construídos, parece que sua
utilização será muito mais revolucionária do que se previa. 
– É comum nos referirmos aos computadores quânticos como uma nova geração…por assim
dizer, de “super supercomputadores”, capazes de fazer tudo o que os computadores clássicos
atuais fazem, só que mais rapidamente… Mas, não é só isso… coisas muito estranhas, porém,
extremamente úteis…sob todos os aspectos – ocorrem no mundo quântico.

Em um computador clássico, o programador se preocupa em saber se cada bit tem valor 0 ou 1.


Em um computador quântico, um bit quântico, ou qubit… – pode representar 0 e 1 ao mesmo
tempo – dois qubits podem representar 4 valores simultaneamente, três qubits 8, e assim por
diante.

Apesar de, em 2009 ter sido construído o 1º processador quântico programável – rodar algumas
rotinas lógicas é uma coisa; fazer programas para eles, construindo algoritmos quânticos
completos – é outra muito diferente.

Não é que a tarefa seja apenas difícil: ela parece desafiar a maneira comum de pensar…Por
exemplo, usando o fenômeno da superposição, cientistas demonstraram que um programa
quântico pode encontrar uma informação em uma base de dados sem nem mesmo precisar
rodar o programa.

Simulações quânticas

Os computadores quânticos estão, cada vez mais, se tornando uma necessidade, a medida que a
ciência cresce… e usa cada vez mais intensamente os fenômenos em escala quântica.
A simulação de fenômenos quânticos, por meio da solução das equações de muitos corpos de
Schrodinger tem aplicações no desenvolvimento de novos medicamentos, por exemplo.

Usando os computadores atuais, porém, essas equações só podem ser resolvidas para
poucos corpos. E os resultados são apenas aproximações… Mas, os cientistas querem chegar
mais perto nessas aproximações… e avançar para problemas mais complexos;     por
exemplo… descobrindo uma forma de criar mecanismos de fotossíntese artificial,     que
poderão resolver o problema energético do mundo.

Contudo – há um problema fundamental, quando se tenta simular a mecânica quântica em um


computador clássico: o chamado “problema do sinal”. Nos cálculos da mecânica quântica…
deve-se levar em conta não apenas as probabilidades – mas a amplitude das probabilidades –
e essas amplitudes podem se tornar negativas.

Metropolis quântico

Nesse circuito quântico, o 1º passo (E) prepara um auto-estado do Hamiltoniano. O 2º passo


(U) indica se queremos aceitar ou rejeitar a atualização proposta. No caso de rejeição, o circuito
completo inclui uma sequência de medições das projeções Hermitianas U(i) e P(i). A
recursividade será abortada sempre que o resultado P1 é obtido, o qual indica o retorno a um
estado com a mesma energia de entrada… Como cada iteração tem uma probabilidade de
sucesso constante, a probabilidade total de se obter o resultado (P) se aproxima
exponencialmente de 1, à medida que o número de aplicações aumenta.

Um grupo de físicos teóricos da Áustria, Canadá e Alemanha, demonstrou que, de fato, as


alterações de um sistema quântico podem ser reproduzidas em um computador quântico
universal… Para isso, eles criaram uma versão quântica do algoritmo clássico Metrópolis.

Esse algoritmo foi desenvolvido por Nicholas Metropolis – em 1953…e permaneceu como uma
curiosidade  –  até o advento dos computadores.  –  Sua versão clássica utiliza mapas
estocásticos que, ao longo de inúmeras iterações, convergem para um estado de equilíbrio.

Incluído no chamado Método Monte Carlo, este é um dos algoritmos mais utilizados hoje na
Física para obter os valores esperados de um sistema que se está simulando. Na versão
quântica, a equipe apenas usou mapas positivos… em vez de amplitudes de probabilidade.

Isso traz problemas  —  como erros nos cálculos quando se introduzem transições de fase
quânticas. Mas, ainda assim, a implementação do algoritmo quântico pode ter aplicações
importantes nos campos da química…da física da matéria condensada…da física de altas
energias… — e também para resolver as equações de Schrodinger para sistemas mais
complexos, nos quais interagem muitas partículas… como afirmam os pesquisadores:

“Ainda que uma implementação desse algoritmo para problemas quânticos de muitos corpos
em larga escala esteja fora do alcance …  —  com os meios tecnológicos de hoje, o algoritmo é
escalável para tamanhos de sistema que são interessantes para simulações físicas reais”.
O que se deve destacar…contudo, é que o grupo demonstrou que o esforço para a construção
do hardware dos computadores quânticos, sempre será bem pago  –  um computador quântico
– usando esse algoritmo… poderá ser usado para resolver problemas … exponencialmente
mais rápido do que os computadores atuais.

No futuro…quem sabe o artigo que descreve a criação do Metropolis Quântico seja lembrado
como um marco na história da programação quântica.

Inteligência Artificial

A computação quântica promete resolver problemas de forma exponencialmente mais rápida


do que os computadores clássicos. Como ainda não se sabe exatamente como, e quem vai
programar os computadores quânticos… o funcionamento dos 1ºs protótipos   tem sido
demonstrado com a fatoração de números.

Em 2009, Seth Lloyd — o mesmo que garante que as máquinas do tempo do futuro podem ser
detectadas hoje, criou um algoritmo quântico p/resolver sistemas de equações lineares, assim
como determinar 2 variáveis desconhecidas — aparecidas em 2 equações diferentes.

Esse é tipicamente um problema de álgebra usado pelos professores em sala de aula, mas
aumente o problema para 1 milhão de variáveis, e estaremos frente a frente com a mesma
matemática usada na previsão do tempo e processamento de imagens…A equipe de Lloyd
demonstrou que…enquanto o número de passos no algoritmo clássico cresce com o nº de
equações – na versão quântica ele cresce com o logaritmo desse número… Isso equivale a
resolver 1 trilhão de equações com algumas centenas de passos… mostrando o verdadeiro
potencial dos computadores quânticos.

Criado 1º algoritmo quântico de inteligência artificial


‘chip para acelerar aprendizado de inteligência artificial’

—  Embora os  1ºs processadores quânticos já estejam no mercado, ninguém sabe ainda …


quem vai programar esses computadores quânticos.

Ocorre que, só agora estão sendo desenvolvidos…os 1ºs algoritmos quânticos, a sequência de
passos lógicos que um processador usa para resolver um problema. Os resultados —
felizmente… são animadores.

É o que garante uma equipe liderada por Seth Lloyd … o mesmo que elaborou a Teoria do
Construtor, que afirma que o Universo é um ‘transformer‘ – e que ajudou a revelar a rede
capitalista que domina o mundo. A conclusão do grupo é que, os computadores quânticos
deverão dar um novo impulso ao campo da inteligência artificial, porque seus sistemas de
aprendizado permitirão enfrentar os grandes conjuntos de dados, de maneira muito mais
eficiente do que os computadores clássicos.

Inteligência quântica artificial 

Deixando de lado problemas como a quebra de senhas de segurança, que parecem ter um apelo
especial junto aos cientistas da computação…Lloyd e seus colegas voltaram-se para problemas
que exigem um pouco menos de força bruta, e mais de inteligência.

O resultado é a 1ª versão quântica do aprendizado de máquina — um tipo de inteligência


artificial na qual os programas podem aprender com a experiência, tornando-se cada vez mais
capazes de encontrar padrões em grandes volumes de dados.

Os dados… assim… podem ser agrupados  –  uma ‘tarefa central‘, em aplicações como o
reconhecimento de voz e de imagens – ou serem varridos em sequência… algo que pode ser
feito com um número muito pequeno de qubits… como garante o Dr. Lloyd:

“Nós podemos mapear o Universo inteiro – toda a informação criada desde o Big Bang, em
300 qubits. No lado mais prático…com um número menor de qubits já dá para lidar de
maneira otimizada com tarefas como o reconhecimento de imagens, necessário para viabilizar
carros autônomos“.
Agora é só esperar que esteja disponível um processador quântico com pelo menos 12 qubits…
– o mínimo que os pesquisadores afirmam ser necessário para começar a testar na prática a
inteligência artificial quântica.

Computação evolutiva

‘Árvores de Decisão‘ são programas que dão aos computadores a capacidade de fazer previsões
a partir da análise de dados históricos. A técnica pode, por exemplo, auxiliar o diagnóstico
médico, ou a análise de risco de aplicações financeiras.

‘Árvores de Decisão’

Para ter a melhor previsão… é necessário o melhor programa gerador de Árvores de Decisão.
Para alcançar esse objetivo … pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas  —  e da
Computação…USP/São Carlos, usaram a teoria evolucionista de Charles Darwin — como
explica o doutorando do Laboratório de Computação do ICMC…Rodrigo Coelho Barros:

“A ‘computação evolutiva’ é uma das várias técnicas bioinspiradas, isto é, que buscam na
natureza soluções para problemas computacionais… – Nesse sentido, desenvolvemos um
‘algoritmo evolutivo’  —  que imita o processo de evolução humana para gerar soluções… —
É notável como a natureza acha soluções para problemas extremamente complicados. Não há
dúvidas de que precisamos aprender com ela“.

De acordo com Rodrigo, o software desenvolvido em seu doutorado é capaz de criar…


automaticamente…programas geradores de ‘Árvores de Decisão’. Para isso… – ele faz
cruzamentos aleatórios entre códigos de programas já existentes, gerando ‘filhos’… que
podem, eventualmente, sofrer mutações, e evoluir… E, assim concluiu:

“é esperado que os programas de geração de Árvores de Decisão evoluídos, com o passar


do tempo… sejam cada vez melhores  —   e 0 nosso algoritmo seleciona o melhor de todos.
Mas…enquanto o processo de seleção natural na espécie humana leva centenas — ou até
milhares de anos… na ‘computação evolutiva’ só dura algumas horas  –  dependendo do
problema a ser resolvido“.

Heurística 

Em Ciência da Computação  —  se denomina ‘heurística’ à capacidade de um sistema fazer


inovações, e desenvolver técnicas para alcançar determinado fim. O software desenvolvido por
Rodrigo se insere na área de ‘hiper-heurísticas’, tópico recente na área de computação
evolutiva, que tem como objetivo a geração automática de heurísticas personalizadas para uma
determinada aplicação ou conjunto de aplicações. É um passo preliminar em direção ao grande
objetivo da ‘inteligência artificial’… o de criar máquinas capazes de desenvolver soluções para
problemas, sem que sejam explicitamente programadas para tal.

Diferentemente da ‘programação convencional’ — em que um programa executa sempre a


mesma função com dados diferentes, a adaptabilidade propõe um comportamento diverso,
diante de cada nova circunstância… Como explica o professor João José Neto, da Escola
Politécnica da USP…

“Um ‘programa adaptativo‘ possui uma crítica sobre aquilo que ele fez… e o resultado que
obteve. Quando isso acontece, ele modifica o seu próprio comportamento, e começa a operar
com aquele aprendizado que conseguiu a partir da experiência anterior“.
****************************************************************************
******  ‘o-homem-que-computava’ (Jul/2012) ’em-busca-da-computacao-quantica'(1) ’em-
busca-da-computacao-quantica'(2) (jan/2010) # quem-vai-programar-computadores-quanticos
(mar/2011) ‘robos-1ºs-sinais-consciencia’ (abr/2011) # fisica-quantica-matrix (mar/2012)
computador-super-turing(abr/2012) # computacao-evolutiva-arvores-decisao (ago/2012)
Modularidade biológica (fev/2013) computadores-quanticos-fazem-sua-licao-matematica
(fev/2013) # algoritmo-inteligencia-artificial-quantica (set/2013)    
****************************(complemento
analógico)*******************************

uma máquina analógica deve:                                                                                         

1º – Reunir todas as observações possíveis a respeito de um caso;                                            


2º – Estabelecer a lista das relações constantes entre seus múltiplos aspectos;                     3º
– Transformar-se no próprio caso, assimilando sua essência, descobrindo                       seu
destino…

No nosso cérebro – ao contrário dos computadores atuais … que somente operam


sequencialmente, impulsos elétricos formam vastas redes dinâmicas, que evoluem
constantemente, operando coletivamente. Por isso é tão difícil de se transportar a     forma de
resolver os problemas… — do cérebro humano … para os computadores. processador-
analogico-imita-cerebro

‘memristores’ 2009 ‘cérebro eletrônico’ 2010 memristor-sinapse-eletronica 2011


memcomputacao 2013 nanoestrutura-comportamento-computacional-emergente 2015   
****************************************************************************
*****

Heurística  é um método criado com o objetivo de encontrar soluções para um problema.   É


um procedimento simplificador (… embora não simplista) que  —  em face de questões
difíceis, envolve a substituição destas por outras de resolução mais fácil – a fim de achar
respostas viáveis, ainda que imperfeitas.

A capacidade heurística é uma característica humana que pode ser descrita como a arte de


descobrir, inventar ou resolver problemas, mediante a experiência (própria ou observada),
somada à criatividade e ao pensamento lateral, ou pensamento divergente. Como descrito
acima…seja de forma deliberada ou não, heurísticas são procedimentos utilizados quando um
problema a ser encarado é por demais complexo… – ou traz informações incompletas.

No geral, pode ser considerada como um atalho aos processos mentais – sendo assim, uma
medida que preserva e conserva energia e os recursos mentais. A heurística pode funcionar
efetivamente – na maioria das circunstâncias em que possa ser aplicada, conscientemente.

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Publicado em Computação | Marcado com inteligência artificial, Máquina de Turing,


Simulação Quântica | 1 Comentário

Teletransporte de informações quânticas (a Internet


do futuro)
Publicado em 17/05/2016 por Cesarious

Fótons são ideais para transferir informação por longas distâncias, enquanto átomos
oferecem o meio vantajoso para ‘memória quântica’ de longa duração. Essa combinação
representa uma arquitetura promissora para um ‘repetidor quântico’ que permitirá que
informações quânticas se transfiram por distâncias muito maiores do que seria possível
apenas com fótons… – Esse teletransporte de informação pode constituir a base de uma
Internet quântica, capaz de superar em muito qualquer outro tipo de rede. 

‘O gato fantasma da fisica quantica’

Teletransporte quântico entre átomos 

Físicos da Universidade de Michigan / EUA, utilizaram luz para provocar entrelaçamento entre
2 átomos de itérbio… que passaram a funcionar como qubits.
– A informação (0 ou 1) foi armazenada na configuração de elétrons. Os pesquisadores então,
excitaram os 2 átomos, induzindo os elétrons…a passar para o estado mais baixo de energia, e
emitir um fóton de luz.

Os átomos de itérbio – elemento do grupo das terras-raras, são capazes de emitir 2 tipos de
fótons  —  cada um com um comprimento de onda diferente…  O tipo de fóton liberado indica
o estado particular de cada átomo, pois cada fóton está entrelaçado com seu átomo.
Manipulando os fótons emitidos para cada 1 dos átomos – e guiando-os para interagir no
interior de uma fibra óptica, os pesquisadores conseguiram entrelaçá-los … Depois que a fibra
óptica é retirada, os 2 átomos vão continuar sincronizados.

No experimento… 2 átomos foram afastaram a 1 metro de distância, comprovando o efeito. O


mecanismo continua funcionando (em tese) mesmo se um dos átomos pudesse ser levado para
Júpiter…e o outro       para o outro lado da galáxia.

Segundo David Moehring, do grupo de pesquisadores… “O entrelaçamento localizado já foi


feito antes,  em qubits de ‘armadilhas de íons‘… mas se alguém deseja construir uma rede de
computadores quânticos escalável (‘Internet quântica’) … é necessário criar esquemas entre
memórias de qubits entrelaçadas remotamente“.

A base de funcionamento do teletransporte quântico… é esse entrelaçamento (ou


emaranhamento), que ocorre somente em escala atômica, ou sub-atômica…Quando 2 objetos
são colocados nesse estado entrelaçado, suas propriedades são inextricavelmente ligadas, de
forma que, o simples ato de medir qualquer um dos objetos – imediatamente determina as
características do outro.

No teletransporte quântico, a informação (como spin da partícula, ou polarização do fóton) é


transferida de um local a outro sem que ocorra o deslocamento por meio físico. Não há
transferência de energia, nem de matéria. O teletransporte descrito foi efetuado, diretamente, do
estado quântico de um átomo para outro, por uma distância expressiva, com 90% de eficiência
na recuperação da informação original.
Cientistas conseguem pela primeira vez teletransportar informação entre dois átomos isolados
em compartimentos a 1 metro de distância.[Imagem: Olmschenck et al.]

Graças às leis peculiares da mecânica quântica, sua incerteza intrínseca projeta os íons em um
estado de entrelaçamento. – Ou seja, cada um deles fica em uma superposição dos 2 estados
possíveis.

Como a detecção simultânea dos fótons pelos detectores não ocorre com frequência …  –  o
estímulo do laser, e o processo de emissão do fóton precisam se repetir…milhares de vezes  
por segundo.

Mas, quando um fóton aparece em cada detector é o ‘sinal único’ do entrelaçamento entre os
íons.

Assim que uma condição de entrelaçamento foi identificada, o íon A foi medido. O ato de
medir fez com que saísse da superposição, assumindo condição definitiva, isto é, um dos 2
estados do bit quântico.

Mas… como o estado do íon A estava ligado ao do íon B, irreversivelmente, a medição de


A também fez com que B assumisse o estado complementar.

Dependendo de qual estado detectado do íon A, consegue-se saber, precisamente, que tipo de
pulso de microondas deve ser aplicado ao íon B, de modo que ele recupere a informação exata
que foi armazenada originalmente no 1º íon…É o teletransporte da informação.
O que distingue esse resultado como teletransporte, é que nenhuma informação contida na
memória original realmente passou entre os íons. Em vez disso, a informação desapareceu ao
ser medido o íon A, e reapareceu ao aplicar o pulso de microondas no íon B, mostrando
assim, a base potencial para a formação de um ‘repetidor quântico‘ em larga escala, capaz de
funcionar como uma rede qubit de memórias quânticas a largas distâncias (C. Monroe).

Informações quânticas trafegam em rede de fibras ópticas                                Com uma


nova técnica para converter fótons  —   de modo que possam transportar dados quânticos em
comprimentos de onda possíveis de serem transmitidas a longas distâncias em redes de fibra
óptica…foram obtidos avanços significativos numa parte fundamental dos sistemas de
informação quântica – a transmissão.

Cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, EUA, fizeram avanços em elementos-chave


necessários para os sistemas de informação quântica… Estes avanços constituem ferramentas
importantes para a construção de um protótipo de ‘rede de informação quântica’, que codifica
dados de forma segura…no entrelaçamento de átomos e fótons.

O objetivo de uma rede quântica é distribuir qubits entrelaçados por longas distâncias. Os


qubits viajavam como fótons pelas redes de fibras ópticas já existentes no atual sistema
mundial de telecomunicações. – Devido às perdas na intensidade do sinal, ao longo dessas
fibras ópticas… será necessário instalar repetidores (estações) em intervalos regulares na rede a
fim de reforçar os sinais.

Para lidar com qubits   –  esses repetidores vão precisar de uma memória quântica para
receber o sinal fotônico, armazená-lo brevemente, e depois produzir um outro sinal de maior
intensidade… para transportar os dados ao nó seguinte – e assim por diante, até o seu destino
final. 

Conversão entre comprimentos de onda

Nesse sentido… os pesquisadores desenvolveram a técnica necessária para converter, de volta


– os fótons com dados quânticos, para comprimentos de onda infravermelhos – mais
apropriados para a transmissão em ‘sistemas de telecomunicação’ convencionais.

A técnica é considerada eficiente – com baixo nível de ruído… e sem perda nas informações
codificadas quanticamente no entrelaçamento dos fótons. 

Assim que os fótons são convertidos em comprimentos de onda de telecomunicações, eles


viajam através de uma fibra óptica…e retornam para a armadilha magneto-óptica… sendo
então convertidos de volta para comprimentos de onda infravermelhos, para verificar se o
emaranhamento quântico foi mantido.

A conversão entre comprimentos de onda dos fótons que carregam informações quânticas, em
comprimentos de onda infravermelhos (apropriados para a transmissão pelos sistemas de
telecomunicações convencionais) ocorre no interior de sofisticado sistema – preparado para
maximizar a probabilidade de interação com os fótons que chegam.

Aumento de vida da informação

A ‘memória quântica‘ é criada quando a energia de uma luz laser excita os átomos dentro de
uma grade óptica, em nuvens densas e superfrias de rubídio (elemento químico usado em
semicondutores). Os fótons, formados pelos átomos excitados, carregam informações quânticas
sobre a própria excitação… e são assim… introduzidos no sistema de conversão do
comprimento de onda.

Dessa forma, os cientistas conseguiram uma grande evolução no período de tempo em que um
repetidor quântico  –-  necessário à transmissão da informação  –-  é capaz de manter a
informação na memória.

Nos experimentos feitos na Georgia Tech, a memória foi mantida por 0,1 segundo…   A
duração se aproxima do objetivo dos pesquisadores na área — conseguir uma memória
quântica que dure por pelo menos 1 segundo, o suficiente para transmitir a informação para o
nó seguinte da rede.

Numa rede quântica, um link entre os nós vizinhos é feito por um par de qubits entrelaçados…
– Em outras palavras, um elo de uma rede quântica representa o entrelaçamento entre 2
qubits…Portanto, um nó…possui, exatamente, um qubit             para cada vizinho, e como
pode agir sobre esses qubits, é chamado de ‘estação‘.

“Esse é o 1º sistema em que uma memória quântica de longa duração foi integrada com a
transmissão em comprimentos de onda de telecomunicação… Assim – temos agora as
ferramentas necessárias para a construção de um repetidor quântico”… concluiu Brian
Kennedy – professor da Escola de Física da Georgia Tech… e um dos autores do estudo. 

A informação quântica é gravada na polarização de um fóton, que pode então ser transmitido
pela fibra óptica.[Imagem: Harald Ritsch]
Transmitindo bits luminosos

Todos os dias, fibras ópticas transmitem informações — à velocidade da luz — no
mundo todo… A ‘grande novidade’ é que elas …  também podem ser aproveitadas
no transporte de informações quânticas.

Para demonstrar isso, Andreas Stute e colegas da Universidade de Innsbruck, na Áustria,


transferiram a informação quântica armazenada num átomo (qubit) diretamente à 1 partícula de
luz… (fóton).

Assim, foi possível enviar essa informação ao longo da rede comum de fibra óptica… para um
átomo distante.

Entre as tecnologias mais promissoras para a construção de computadores quânticos estão os


sistemas de átomos individuais…confinados em armadilhas de íons, e manipulados com raios
laser… De acordo com Stute:

“Atualmente já podemos realizar cálculos quânticos com átomos… Porém, ainda falta construir
interfaces viáveis pelas quais a informação quântica possa ser transferida, por canais ópticos, de
um computador para outro”.

Interface quântica

O que torna a construção dessas interfaces algo difícil, apesar de não impossível, são as
próprias leis da mecânica quântica – que não permitem que a informação quântica seja
simplesmente copiada.

Em vez disso, uma futura internet quântica, isto é, uma rede de computadores quânticos ligados
por canais ópticos  —  terá de transferir as informações quânticas para partículas individuais de
luz…os fótons. Estes fótons poderão, então, ser transportados através de fibras ópticas para
outros computadores quânticos.
O que os pesquisadores fizeram agora pela 1ª vez, foi transferir diretamente a informação
quântica do átomo, ou seja, do qubit, para um único fóton. Sendo que, o qubit onde está a
informação é um íon de cálcio preso numa armadilha iônica  –  colocado entre 2 espelhos
altamente reflexivos… conforme explicou Stute:

“Nós usamos um laser para gravar a informação quântica nos estados eletrônicos do átomo –
que foi, então, excitado com um 2º laser… Como resultado, ele emitiu fótons. Neste momento,
podemos anotar a informação quântica registrada no átomo, sobre         o estado de
polarização do fóton, mapeando assim a informação na partícula de luz“.

Em outras palavras, a informação é lida no átomo, e gera-se um fóton cuja propriedade contém
aquela mesma informação…O fóton é então, armazenado entre os espelhos, até que, afinal,
passe através de um dos espelhos, que é menos reflexivo do que o outro. Os       2 espelhos
orientam o fóton numa direção específica — guiando-o em uma fibra óptica.

A informação quântica armazenada nos fótons pode, assim… ser transmitida ao longo da fibra
óptica a um computador quântico distante, onde a mesma técnica pode ser aplicada ao reverso
para escrever a informação de volta num átomo. (…ver Informação da matéria para luz #
informação da luz para matéria) 

Teletransporte de informações quânticas…                                                                    2


equipes, usando técnicas e abordagens diferentes, realizaram avanços substanciais na
transmissão e criptografia de dados… na área do ‘teletransporte quântico’. 

Enquanto nos filmes de ficção científica as pessoas saem do ponto A e são recriadas no ponto
B, no teletransporte quântico os qubits não desaparecem e reaparecem – a única coisa que vai
de um ponto a outro é a informação guardada no qubit. [University of Tokyo]

No 1º experimento…o teletransporte se tornou determinístico, alcançando um aproveitamento


de…quase 100%, passando a ser realizado – por assim dizer, ao apertar de um botão.

No 2º experimento, o teletransporte, também determinístico, passou a ser realizado por um


‘circuito de estado sólido’, dispensando os complicados aparatos fotônicos.

 No 1º experimento… — combinando qubits fotônicos com o teletransporte de ondas ópticas, a


informação é guardada em um bit quântico, mas viaja através de uma conexão clássica por fibra
óptica – eliminando…portanto, a necessidade da medição pós-teletransporte para ver se a coisa
funcionou.
Para isso, em vez de entrelaçar apenas 2 qubits, foram entrelaçados vários deles, permitindo
que mais informação fosse enviada de uma vez só. Assim, os qubits viajaram mais de 10.000
km … — com uma precisão de 79 a 82%.

No 2º experimento, os qubits foram teletransportados por uma distância muito menor… 6


milímetros. Mas, com 2 grandes vantagens na técnica utilizada. A 1ª é que o teletransporte
quântico foi feito usando um microcircuito eletrônico de estado sólido…em vez da conexão
óptica – a técnica usa circuitos supercondutores postos frente a frente…

A 2ª vantagem é que a velocidade do teletransporte é bem mais rápida… podendo transmitir até
10 mil qubits por segundo…o que se aproxima da utilização prática em computadores
quânticos — ainda que apenas para transmitir informações da memória ao processador  —  ou
entre estes.

 ‘Átomos assombrados para computação quântica’ (set/2007) ‘teletransporte-quantico’   


‘teletransporte-quantico-atômico’ (jan/2009)  ‘redes-quanticas-complexas’ (jun/2010)      
‘Comunicação quântica’ ## ‘informacoes-quanticas-em-rede-fibras-opticas’ (set/2010)
‘internet-quantica-fibras-opticas’ (02/2013) # ‘teletransporte-info-quantica’ (08/2013)
************************(texto
complementar)*************************************

Teletransporte com reciclagem quântica                                                                      Os


‘protocolos’ de teletransporte desenvolvidos até agora, só podem enviar informações
embaralhadas – exigindo correção pelo receptor – ou… mais recentemente… “baseados em
porta”…não necessitam de correção – mas sim… – uma quantidade impraticável de
entrelaçamento… já que cada objeto enviado poderia destruir o estado entrelaçado.

O entrelaçamento envolve um par de partículas quânticas — assim como elétrons e fótons,


intrinsecamente ligadas entre si…retendo sincronização nas partículas…estejam próximas uma
da outras – ou em lados opostos da galáxia.

Através dessa conexão, bits quânticos de informação – qubits, podem ser transmitidos
utilizando apenas as formas clássicas de comunicação.

Mas agora, foi criado um protocolo que fornece uma solução sequencial na qual o estado
entrelaçado é “reciclado“, de forma que a ligação entre as partículas se mantém para o
teletransporte de múltiplos objetos – mesmo considerando a ocorrência natural de um
‘desentrelaçamento’ proporcional à quantidade de qubits enviados…

No novo protocolo elaborado, o teletransporte quântico aproveita o entrelaçamento para


transmitir blocos de informação  —  do tamanho de ‘partículas’  —  através de distâncias
potencialmente enormes, e de forma potencialmente instantânea.

Mesmo totalmente teórico, implementar o novo protocolo, na prática, será uma questão de


tempo. — Já sendo a computação quântica uma realidade, transmitir esses dados a longa
distância (numa internet quântica) ainda é um desafio a vencer. (texto base) computador-
quantico-via-internet(2016)

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Design atômico para ‘Computadores quânticos’


Publicado em 16/05/2016 por Cesarious

Há diversas abordagens possíveis a fim de se tentar armazenar dados em qubits… – em


chaves ‘liga/desliga’ feitas de luz – em íons – pontos quânticos – nos estados de energia de
elétrons  – ou até em spins magnéticos (de elétrons…ou mesmo, de núcleos atômicos).  

‘MEMÓRIA DA TV E DO CINEMA’

Cada uma dessas abordagens gerou o que se convencionou chamar de ‘designs‘, ou seja,
princípios de funcionamento de ‘computadores quânticos’.
Um desses designs é chamado ‘arquitetura Kane’, em uma homenagem ao seu criador…o
físico Bruce Kane.

Em 1998, ele lançou a ideia de se construir um “computador quântico” que guardasse suas


próprias informações, dentro  de ‘átomos dopantes’ colocados no interior de uma pastilha de
silício…

Átomos dopantes estão na base de toda eletrônica atual… — São eles que modificam as
propriedades eletrônicas do silício, e permitem que esse semicondutor funcione como um
transístor, ou um diodo, por exemplo.

Christoph Boehme trabalha no equipamento usado para demonstrar a viabilidade de um


computador quântico super rápido que lê informações guardadas na forma de “spins”
magnéticos de átomos de fósforo. [Imagem: John Lupton/University of Utah]

Porém, havia um problema com a ideia de Kane: até hoje, ninguém havia conseguido ler as
informações armazenadas no átomo dopante. Teoricamente seria possível, mas a prática vinha
contestando, tenazmente, a teoria…

Até que a equipe do pesquisador Christoph Boehme – Universidade de Utah, ao dopar o silício
com átomos de fósforo… elemento não comumente utilizado na dopagem pela indústria
eletrônica, conseguiu codificar as informações digitais dentro do spin desses núcleos atômicos.

Campos elétricos aplicados externamente foram, então, utilizados para processar, e ler os
dados.

Lendo dados armazenados como spins                                                                 Cientistas


conseguem, pela primeira vez, controlar o spin de um único elétron no interior de uma
nanoestrutura… – Eles foram capazes de rotacionar o spin em todas as direções possíveis, e
registrar o movimento.

Além de uma carga elétrica, o elétron se comporta como um ímã minúsculo…graças à sua
rotação intrínseca (spin) sobre o próprio eixo – o que permite sua utilização para guardar
informações binárias. Dessa forma, espera-se que esse spin possa funcionar como um bit
quântico – ou qubit – na construção de um computador quântico, que funcione com base – não
na carga, mas nos spins dos elétrons.

‘Máquina de spins’

Como a maioria dessas experiências é feita utilizando-se ‘pontos quânticos‘, uma espécie de
armadilha magnética que aprisiona elétrons…vários deles juntos, manipular um único elétron,
até agora, permanecia um desafio a ser vencido…

A razão para isso é que…o mesmo campo magnético – que oscila muito
rapidamente… por alguns bilionésimos de segundo – utilizado para fazer girar o spin do
elétron – gera padrões       de interferência que tornam muito difícil manter o elétron preso.

Porém agora – pela 1ª vez, foi possível manipular o spin de um único elétron – de uma forma
totalmente controlada. A equipe do Dr. Frank Koppens do ‘Instituto de Ciências Fotônicas’
(‘ICFO’) utilizou um 2º elétron… para ler a direção do spin do outro elétron.

A experiência foi feita com 2 pontos quânticos – cada um com um único elétron. Por meio de
um princípio básico da mecânica quântica, que estabelece que 2 elétrons só conseguem ficar
juntos se tiverem spins diferentes… era checado o estado de um elétron, cada vez que incidiam
o campo magnético sobre o outro, fazendo-o girar…

 Se fosse detectada repulsão nesse elétron… significaria                                        que a ‘rotação


induzida do spin‘ teve sucesso.

Dispositivo spintrônico em silício


Cientistas da Universidade de Delaware, EUA, construíram um dispositivo spintrônico baseado
em silício…

O dispositivo abre caminho para uma nova geração de computadores — nos quais os dados
serão armazenados …  não mais na forma de chaves que ligam e desligam  a corrente elétrica
(o 1, e 0)… mas, no spin dos elétrons

Os pesquisadores conseguiram injetar elétrons com spins polarizados de um lado do


componente de silício… manipulá-los no interior deste – por meio de um campo magnético – e
medi-los quando saíam do outro lado.

Componentes spintrônicos podem transportar, ou manipular informações por meio de uma


corrente de spins  —  que consiste de elétrons com spins opostos…se movendo em direções
opostas. Estes novos dispositivos poderiam permitir a construção de circuitos integrados
menores, mais rápidos, e com menor consumo de energia… de modo que – funções distintas de
processamento e memória se comportem no mesmo componente.

Chip quântico fotônico                                                                                                      


Caminhadas quânticas utilizando um único fóton já foram realizadas antes, e podem até
mesmo ser modeladas com exatidão pelas física clássica ondulatória…No entanto, esta é a
primeira vez que uma caminhada quântica foi realizada com 2 partículas. 

Representação gráfica da caminhada quântica de 2 fótons. O tamanho, a cor e a intensidade dos


pontos correspondem à probabilidade dos 2 fótons aparecerem em cada local. As 2 áreas de
maior probabilidade são uma marca registrada do comportamento quântico. [Proctor &
Stevenson]

– Um grupo internacional de pesquisa elaborou uma nova abordagem para a computação


quântica, que poderá em breve ser usada para realizar cálculos complexos, que não podem ser
feitos pelos supercomputadores de hoje.

…A nova abordagem utiliza 2 partículas idênticas de luz (fótons) movendo-se ao longo de uma
rede de circuitos ópticos,   no interior de um chip de silício…    num experimento conhecido
como ‘caminhada quântica‘.
O circuito consiste de 2 fontes de fótons individuais  –  já gerados entrelaçados entre si … o
que torna o chip adequado para qualquer ‘experimento virtual’ de processamento quântico,
além de ótica quântica e fotônica… E, por que em um chip?...

O chip é capaz de gerar fótons, e entrelaçá-los ao mesmo tempo. O entrelaçamento quântico –


juntamente com a superposição, são os fenômenos essenciais no processamento e transmissão
quântica de informações. Desse modo, será possível construir múltiplos circuitos quânticos
funcionando de maneira encadeada, de forma similar aos circuitos lógicos – dentro dos
processadores eletrônicos tradicionais.

Simulações quânticas 

No curto prazo, a equipe espera aplicar seus resultados no desenvolvimento de novas


ferramentas de simulação. Caminhadas aleatórias (clássicas) são usadas há anos para
desenvolver algoritmos mais eficientes na computação. Mas, o potencial das caminhadas
quânticas – só recentemente começou a ser explorado para resolver problemas, de forma mais
rápida, otimizando inclusive o funcionamento dos computadores eletrônicos atuais.

No longo prazo…um computador quântico baseado em caminhada quântica de múltiplos


fótons poderá simular os próprios processos regidos pela mecânica quântica… – como a
supercondutividade e a fotossíntese – complexos demais para qualquer supercomputador
atual…Como disse Jeremy O’Brien, da Universidade de Bristol, Inglaterra:

“Agora que podemos gerar e observar diretamente caminhadas quânticas de 2 fótons – passar
para 3 fótons – ou mais … é relativamente simples. Isto porque já foi resolvido o problema
mais desafiador… – o da interação entre partículas no interior do dispositivo. A cada fóton
adicionado — a complexidade do problema que passamos a ser capazes de resolver aumenta
exponencialmente…Assim, se a caminhada quântica de um fóton tem 10 resultados, um
sistema de 2 fótons pode dar 100; outro de 3 fótons … — mil soluções,   e assim por diante“.

Esquema do chip fotônico quântico, mostrando o circuito de guias de onda (branco) e os


inversores de fase controlados eletricamente (contatos metálicos). Os pares de fótons tornam-se
entrelaçados ao passarem através do circuito.[University of Bristol]

Circuito quântico
Um ‘circuito quântico fotônico de estado sólido’ é apenas uma das diversas plataformas…hoje
em pesquisa para a construção de um ‘computador quântico’.

A grande vantagem da fotônica baseada no silício   –  é que os ‘chips‘ podem ser construídos
com as técnicas utilizadas na atual microeletrônica CMOS.

Cálculos com qubits … feitos até hoje empregam supercondutores ultra-frios – que são mais
fáceis de juntar para formar uma calculadora básica. Porém, neles, os qubits precisam ser
isolados para se manterem estáveis, o que é uma barreira para fazer com que 2, ou mais deles,
interajam para realizar cálculos…Agora, superada   essa dificuldade, ficou demonstrado que 2
transistores de silício operando como qubits, podem executar cálculos simultaneamente.

Porta lógica quântica

O componente mede o spin de 2 elétrons, e segue as instruções — se o primeiro estiver girando


em uma direção particular, inverta o spin do segundo elétron. Se não, não faça nada… Este é
um exemplo de uma porta lógica – unidade fundamental do computador.

Repetir essa mesma lógica simples, criando sequências de portas, permite realizar cálculos mais
e mais complexos – é assim que todos os processadores eletrônicos funcionam…disse Menno
Veldhorst, da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália:

“Nós transformamos esses transistores de silício em bits quânticos, ao garantir que cada um
tem apenas 1 elétron associado. Em seguida, armazenamos o código binário (0 ou 1) no spin
do elétron, o qual está associado com um pequeno campo magnético do elétron“.

Transístor quântico (de silício)                                                                                                  


Se de um lado, os efeitos quânticos destroem as regras do comportamento clássico dos
transistores eletrônicos, por outro… trazem comportamentos aplicáveis à  computação
quântica…         

Em um feito que pode ser considerado como a fronteira final da eletrônica; uma fronteira larga,
mais parecida com uma zona “neutra”… onde eletrônica, spintrônica e computação quântica
convivem quase harmoniosamente, foi construído um transístor (de silício) cuja região ativa é
formada por um único átomo (de fósforo)… Observe-se que, em realizações anteriores, um
transístor atômico e um transístor molecular foram construídos…mas, em configurações de
laboratório, de difícil reprodução.

Ao construir um transístor com base em princípios quânticos — é explorado um domínio entre
as computações eletrônica e quântica que, na verdade, é o grande empecilho para a
miniaturização contínua dos transistores. Isso porque, abaixo de certas dimensões…hoje
calculadas em torno dos 10 nanômetros, os transistores passam a sofrer a influência dos efeitos
da mecânica quântica – alterando seu funcionamento.
Esta imagem (de cerca de 5 nm) tirada com um microscópio de corrente de tunelamento
mostra uma superfície de cobre, onde esses átomos estão contidos dentro de um recinto
quântico de 48 átomos de ferro. A barreira circular do ferro tem um raio de 71,3 Angstroms
(71,3 x10-10) metros. Nós vemos os elétrons se comportando como ondas. © IBM Almaden
Visualization Lab

Tunelamento quântico

‘Tunelamento’ é um efeito quântico que permite… – por exemplo – um elétron atravessar uma
‘barreira’. Isso acontece porque os elétrons apresentam um comportamento tanto de
partícula, quanto onda.

Ao se deparar com uma barreira clássica, uma partícula é sempre refletida…na mecânica
quântica, porém…a função de onda dessa partícula/onda não assume um valor zero
instantaneamente; o que significa que, em função de sua energia (e da espessura da barreira),
ela irá  atravessá-la.

Um transístor clássico somente pode assumir um dentre 2 estados – ligado ou desligado, cada
um deles representando zero ou 1… – O transístor de um único átomo – entretanto, funciona
com base no tunelamento sequencial de elétrons individuais… entre o átomo, e   os eletrodos
do transístor…Dessa forma, o tunelamento pode ser liberado, ou suprimido, controlando-se a
tensão no eletrodo… que possui a largura de dezenas de nanômetros.

A ideia é utilizar o grau de liberdade do spin de um elétron, cedido pelo átomo de fósforo,
como um bit quântico – como esse spin pode ser “up” ou “down”, ele pode ser usado para
representar os (0 e 1) digitais, formando um bit quântico, ou qubit. E de fato, a equipe foi capaz
de medir os estados “para cima” e “para baixo” dos elétrons tunelando pelo átomo de fósforo –
demonstrando – portanto…  a possibilidade de sua utilização prática.
[Imagem: Andrew Houck Lab]

Informações quânticas dentro do chip

Os cientistas Robert Schoelkopf e Steven Girvin, pesquisadores da Universidade de Yale,


EUA, já conseguiam armazenar informação de forma quântica – agora… o feito deles
foi transmitir a informação quântica entre 2 qubits… usando um fio como meio de
comunicação.

Os 2 pesquisadores já vinham trabalhando há anos com dispositivos de estado sólido para a


construção de computadores quânticos…    E, agora, conseguiram que átomos artificiais, ou
qubits supercondutores, se comunicassem no interior do chip.

Isso significa que a troca de informações não é feita apenas entre             qubits vizinhos… mas
—  entre qubits que estão distantes entre si.

Barramento quântico

O barramento funciona como uma rodovia na qual os dados trafegam dentro de um


computador, passando da memória para o processador, discos de armazenamento, e outros
periféricos… – quanto mais faixas essa rodovia tiver…maior é a velocidade do computador…
(Esse é o 1º  ‘barramento-quantico’ que se tem notícia.)
A informação quântica é codificada em partículas individuais de luz (fótons), que são
transferidas à distância sem perda de sua conexão. [Imagem: RMIT University]

Para fazer com que os qubits se comunicassem à distância — os pesquisadores  fizeram 2
avanços revolucionários – de uma só vez.

No 1º…  eles conseguiram produzir fótons individuais de microondas, de forma controlável e


sob demanda. São esses fótons… que transportam informações quânticas – fazendo o papel
dos elétrons – na eletrônica tradicional.

“Não é muito difícil gerar sinais com um fóton em média, mas é dificílimo gerar exatamente,
um fóton de cada vez…Para codificar informações em fótons é preciso ter exatamente, um
deles … Para se ter ideia da precisão alcançada, basta ver que um telefone celular emite 10 23
fótons por segundo“, afirma Andrew Houck, pesquisador da equipe. 

Esta é, contudo, apenas uma primeira parte da comunicação quântica. Com ela, torna-se
possível pegar a informação gravada no qubit, codificá-la no fóton, e transmiti-la. Agora,   é
necessário recebê-la no outro lado…e este foi o 2º avanço alcançado. Os pesquisadores
guiaram o fóton de microondas num fio – da mesma forma que um fóton de luz visível é guiado
ao longo das fibras ópticas…

Assim, ele pode atingir o 2º qubit, passando a informação codificada… A possibilidade de


comunicação entre os qubits à distância – é essencial no processamento quântico de
informações. (‘avanços rumo ao computador quântico’ – set/2007)

‘design para computador quântico’ (07/2002) ‘Manipulando o spin de um único elétron’


(ago/2006) ‘Lendo dados armazenados como spins’ (dez/2006) ‘dispositivo spintrônico’
(maio/2007)  ‘transistor-atomico’ (dez/2009)  ‘transistor-optico-quantico’ (maio/2010) ‘chip-
optico-quantico’ (set/2010) chip-fotonico-multi-uso (2011) ‘chip-nanotubo-carbono’ 
(2012) BIOS-comp.quânticos(2013)  ‘circuito quantico’(2014) comp-quantica-silicio(2015)
*******************************(texto
complementar)********************************
Spin atômico é fotografado pela 1ª vez   (27/04/2010)

As diferenças no formato e na aparência de cada um dos átomos de cobalto são causadas pelas
diferenças na direção dos seus spins.[Imagem: Saw-Wai Hla]

O spin é uma propriedade quântica fundamental das partículas elementares.

Embora o termo seja usado em várias acepções  –  para efeitos experimentais spin é entendido,
como se fosse um minúsculo ímã – com uma orientação, que pode ser “para cima” ou “para
baixo“.

Os termos “para cima” e “para baixo” são apenas convenções — utilizadas para representar a
orientação do spin.  —  O importante…é que ele pode ser usado para armazenar um bit de
informação – assumindo um valor que pode ser 0 ou 1.

Spintrônica 

Fazer um spin passar de 0 para 1…e vice-versa, requer pouquíssima energia – bem menos do
que o fluxo de elétrons usado nos computadores atuais. Isso tem levado os cientistas a
apostarem no advento da spintrônica… – complementando…ou mesmo substituindo a
eletrônica atual  –  viabilizando a construção de computadores menores, mais rápidos…e com
consumo de energia muito menor. Apesar dos progressos recentes na área, contudo, até hoje
ninguém havia realmente visto um spin.

Para conseguir o feito, os cientistas das universidades de Ohio, EUA, e Hamburgo…na


Alemanha, tiveram que construir um microscópio eletrônico sob medida para a tarefa.       O
microscópio de varredura por tunelamento (STM: Scanning Tunneling Microscopy) recebeu
uma ponta recoberta com ferro… — para poder manipular átomos de cobalto colocados sobre
uma placa de manganês. Ao reposicionar os átomos de cobalto sobre         a superfície, eles
alteraram a direção dos spins dos elétrons desses átomos.

Nas imagens registradas pelos cientistas, os átomos de cobalto aparecem como uma saliência
única… se a direção do spin estiver apontando “para cima”, e como uma saliência dupla se ele
estiver apontando “para baixo.”

1 bit por átomo 


O estudo sugere que é possível não apenas observar, mas também manipular diretamente o
spin, uma descoberta que poderá ter impacto no desenvolvimento futuro de sistemas de
armazenamento magnético de computadores quânticos…e, dos dispositivos spintrônicos.

“Diferentes direções do spin, podem representar diferentes estados para o armazenamento de


dados…Cada bit magnético registrado no disco rígido de um computador utiliza dezenas de
milhares de átomos…No futuro, nós poderemos usar 1 só átomo, guardando o bit em seu spin,
multiplicando a capacidade dos computadores por milhares de vezes”… explicou Saw-Wai
Hla, um dos autores do estudo. “Spin de um átomo fotografado pela 1ª vez’

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quântico | Deixe um comentário

No ‘ASSOMBROSO’ Mundo da Computação Quântica


Publicado em 14/05/2016 por Cesarious

Além da física clássica, existe a física quântica…desenvolvida no começo do século XX.   É


uma física desconcertante – e, se a física quântica é assim…computadores baseados nela não
seriam muito diferentes… Computando inúmeras possibilidades e resultados   de uma só vez
—   são  capazes de realizar, literalmente, ‘tudo ao mesmo tempo agora’.
Computador pessoal completa 25 anos…          ‘Este é o computador para todos que desejam
um sistema pessoal no escritório, no campus…ou, até mesmo… em casa’

O primeiro computador pessoal – o ‘PC’… foi lançado pela IBM, no dia 12 de agosto de 1981,
causando uma revolução – tanto no ambiente de trabalho, como nas residências.

Ele foi lançado com jogos e ferramentas rudimentares, incluindo um tutorial de música –
gráficos em 4 cores diferentes…24 em texto; e linguagem de programação Microsoft BASIC.

A versão mais barata vinha com CPU e teclado, sem incluir monitor, e o drive de disquete,
mais um alto-falante mono embutido, para música e áudio – com apenas 16k de memória; o
que corresponde, hoje, à capacidade de 2 e-mails convencionais.

Havia também um jogo de aventura  –  que não usava gráficos, apenas texto … chamado
Microsoft Adventure. A Microsoft também fornecia o sistema operacional das máquinas
originais, o DOS. Os drives de disquete eram opcionais…e um de 5.25 polegadas poderia
armazenar outros 160k de informação.

Já o consumidor atual tem disponível, por exemplo, um processador duplo de 1.8 GHZ – acima
de 765 vezes mais potente do que o PC original…Com 1GB de memória, ela tem 65 mil vezes
mais capacidade do que o IBM original…O disco rígido de 160GB é equivalente     a mais de 1
milhão de disquetes dos usados nas máquinas de 1981.

Dessa forma, o PC ajudou a padronizar a informação mundialmente… Seus dados passaram a


ser lidos em outros PCs… e  –  existem mais de um bilhão deles em operação no mundo de
hoje. (16/11/2006)

Computadores quânticos

Se você possui um computador, esteja certo de que ele é um ‘clássico’… Não que seja velho,
ou de um modelo venerado pelo estilo, mas porque funciona basicamente de acordo com a
chamada física clássica criada pelo inglês Isaac Newton há 300 anos… – Nesse sentido, ele não
difere muito de um ‘ábaco’ de mais de 2.500 anos atrás — que era pouco mais que um
amontoado de pedrinhas movidas manualmente para efetuar cálculos.

A diferença é que, ao invés de pedras, os computadores de hoje lidam com elétrons, e em lugar
de mãos  —  possuem milhões de chips…repletos de minúsculos componentes para mover
esses elétrons à velocidade da luz… A propósito, existem 3 maneiras de fazer um computador
trabalhar mais rápido…

Uma é usando vários computadores para um mesmo fim. Outra é fazer com que os novos
computadores sejam mais rápidos… E a 3ª – é elaborar ‘algoritmos computacionais’ que
permitam maior rapidez em suas atividades.
Um algoritmo é qualquer ‘equação computacional’  –  que recebe algum valor… ou conjunto
de valores como entrada — e produz algum valor, ou conjunto de valores como resultado;
levando em conta todas as variáveis que possam surgir.

Os ‘algoritmos’ utilizados nos atuais computadores (algoritmos clássicos) são baseados em


procedimento passo a passo… – ainda que muitos milhões de procedimentos sejam feitos em
1 segundo, por meio de milhões de transistores – que são ligados e desligados… para
representar os valores 0 e 1.

Os computadores quânticos, usando, por exemplo… – átomos como bits quânticos, ou qubits...
podem ter alterado seu magnetismo, ou outras de suas propriedades, a fim de representar 0 e
1… ou mesmo, os 2 estados sobrepostos.

Sendo capazes de executar muitos procedimentos em um único passo  —  por meio de


algoritmos quânticos (muito diferentes da lógica utilizada nos programas atuais)  — poderão
fatorar grandes números, revolucionar a criptografia, e ajudar em projetos intensivos de
cálculos  —  em assuntos tão complexos… como previsão meteorológica. 

Processamento quântico

Os computadores atuais têm em sua menor unidade de armazenagem um dígito binário – ou


bit, que é a unidade fundamental de informação…só podendo assumir 2 valores… zero ou 1…
– Eles formam a base da armazenagem de informação usada na computação digital.

Uma série de bits em conjunto formam valores que, quando combinados em grupos de 8 – em
um computador pessoal… esses bits se tornam bytes. Já computadores quânticos não são
baseados em bits, mas sim em qubits (bit quântico), que representa sua unidade fundamental
de informação.

Nesse caso – em vez de operarmos apenas com os números 0 e 1 – há uma gama maior de
possibilidades… – Além do qubit poder estar em um estado de ‘superposição‘…que é ao
mesmo tempo 0 e 1, ele também podem oscilar no espaço intermediário destas posições – como
interruptores de luz que pudessem estar 1/2 desligados…Essa flexibilidade os torna úteis para
armazenar e processar dados, quanticamente.
Pares de átomos, quando forçados a conviver em espaços limitados em um computador
quântico, podem ser manipulados para estar em diferentes estados simultaneamente – enquanto
se entrelaçam, e assim, processar exponencialmente mais informação do que       um
computador tradicional.

Para se ter uma ideia da eficiência de seu desempenho, enquanto os computadores atuais
processam dados em blocos de 64 bits de cada vez… um ‘computador quântico’ – no qual um
qubit consegue guardar os valores 0 e 1 ao mesmo tempo – com os mesmos 64 qubits – será
nada menos do que 264 vezes mais rápido.

Para desenvolver o processamento na computação quântica, porém, é preciso descobrir como


fazer para que cada par de átomos oscile, e se mova independente dos demais… – como 2
moedas que estivessem girando, simultaneamente no ar… – correlacionadas de modo a que –
sempre que uma delas tem o lado cara para cima…a outra assume coroa. Essas propriedades
na computação quântica correspondem aos clássicos ‘transistores’  (chaves liga-desliga em
um circuito eletrônico).

‘Para que servem COMPUTADORES QUÂNTICOS?’

Superposição quântica

A “superposição quântica“ representa a possibilidade de um objeto quântico assumir uma


combinação peculiar de propriedades que… — de acordo com nossa velha intuição
clássica, seriam mutuamente excludentes.

Ou seja, a superposição é uma lei da mecânica quântica que postula que, para qualquer
‘sistema quântico‘ no qual exista uma certa quantidade de informação observável, ocorre
sempre uma sobreposição de 2 ou mais estados possíveis.

Isso implica, para a computação quântica, que o qubit pode assumir os valores 0 e 1, além de
uma sobreposição destes 2 valores…Tomando como exemplo uma bola de gude, que só pode
ser inserida em 2 buracos diferentes, os quais chamaremos de buraco 0 e buraco 1 – este
formato clássico, usando apenas um bit de informação, nos deixa ver completamente a situação
da bola de gude, que só pode assumir o valor 0 ou 1.

Idealizemos agora, um análogo microscópico dessa bola de gude – um pequeno objeto que
satisfaça às leis da mecânica quântica…Há alguns anos já é possível colocar microeletrodos
numa placa de silício, de maneira a prender o elétron individual em uma de 2 posições
próximas…

Essas 2 regiões onde o elétron pode estar são ditos pontos quânticos – e, como no caso da bola
de gude, chamamos de ponto 0…e o outro de ponto 1.

Segundo a mecânica quântica…é possível colocarmos o elétron numa situação em que 2


propriedades mutuamente excludentes se combinem de uma forma especial. No caso do
elétron, além de podermos colocá-lo no ponto 0, ou no 1, podemos também colocá-lo em uma
situação na qual ele se comporte, de certa forma como se estivesse nos 2 pontos ao mesmo
tempo. Diz-se então que o elétron está num estado de superposição entre os 2 pontos.

Amplitudes de probabilidade

Essa superposição pode ser criada com várias gradações – ou seja – podemos escolher o “peso”
de cada uma das possibilidades clássicas de posição. Esses pesos são conhecidos como
“amplitudes de probabilidade”. Essas amplitudes descrevem completamente     a situação de
superposição do elétron (ou ‘estado do elétron‘)… Se colocarmos a bola de gude no buraco
0…p. exemplo, sabemos que nada do que fizermos no buraco 1 afetará a bola de gude.

É neste ponto que a condição do elétron é diferente. — Num estado de superposição das 2
posições  –  o elétron é afetado pelo que se faz nos 2 pontos quânticos … Suas  propriedades
mensuráveis se alteram, de acordo com aquilo que se faz com os 2 conjuntos de eletrodos  –
aqueles que controlam o ponto 0… e os do ponto 1.

Isto porque o elétron é… ‘quanticamente’ descrito por amplitudes de probabilidade, e estas


são afetadas pelas manipulações dos eletrodos em cada ponto.

Inexplicavelmente, se for aferida a posição depois da criação da superposição, o elétron será


encontrado em um dos pontos – e, daí para a frente… passará a ser influenciado só pelos
eletrodos desse ponto. – Em outras palavras… ao medirmos a posição do elétron, destruímos a
superposição – e, daí em diante, o elétron volta a ser como a bola de gude, com sua posição
estável.
Essa fragilidade dos estados quânticos — com efeito — é uma questão fundamental para a
confiabilidade dos computadores quânticos do futuro. Uma das principais razões para isso é
que os sistemas quânticos — os qubits aí incluídos — podem ser alterados por ruídos
eletromagnéticos mínimos…Construí-los, portanto…provou ser um grande desafio, pois a
propriedade que lhes garante efetuar cálculos simultâneos é fruto dessa delicada condição de
‘sobreposição de estados‘.

Para que a computação quântica atinja seu máximo potencial, é pois…necessário preservar o
“estado quântico puro“ nos sistemas quânticos… tornando os qubits imunes à influência do
meio ambiente. Este é, aliás, o grande gargalo de estudo nesta área; chamado de ruído ou
“mistura estatística“…termo cunhado para descrever a ausência desse ‘estado puro’… Como
diz Miled Hassan Youssef Moussa … professor do Instituto de Física da IFSC-USP:

“O meio ambiente – necessariamente – conduz o estado puro do           sistema quântico à uma


mistura estatística (caótica) de estados”.  

‘Computador pessoal faz 25 anos’   ‘Computador Quântico’   ‘Superposição Quântica’ 


‘acoplamento de átomos à luz laser’  ‘programa-quantico-calcula-pela-1ª-vez’  ‘estado-
quantico-puro-materia’ ‘trajetoria-particulas-quanticas’ ‘computacao-quantica-futuro’ 
****************************************************************************
****  Qubits positivos – Os spins das lacunas, quando comparados aos spins dos elétrons,
permitem guardar dados no mesmo estado físico por um tempo 10 vezes maior.  —  Ao
contrário dos spins dos elétrons, spins de cargas positivas não interagem com spins do núcleo, o
que os torna muito mais estáveis. ‘qubit-positivo’  (18/03/2013)
****************************************************************************
*******   Qubits codificados no tempo – Apesar das estranhezas da mecânica quântica, é
fácil ver que o qubit está implementado em um sistema físico real – um cristal, uma nuvem de
átomos de rubídio, uma vacância de nitrogênio no diamante etc. Nos fótons, por exemplo, a
informação pode ser codificada na polarização, no momento angular…ou em outro grau de
liberdade da luz… Assim, os qubits podem vir em vários “sabores” – eles podem ser de estado
sólido, nuvens de átomos superfrios, defeitos no interior de diamantes…ou fótons. Mas, as
possibilidades não estão esgotadas… A mais nova adição ao arsenal à disposição dos
projetistas de computadores quânticos é o ‘qubits-codificado-no-tempo’ (out/2013)
**********************(texto
complementar)**************************************
O chip de 4 qubits foi capaz de simular um dos eventos mais intrigantes da mecânica quântica,
quando partículas e antipartículas emergem virtualmente “do nada” – do chamado vácuo
quântico.[Imagem: IQOQI/Harald Ritsch]

Simulador quântico vira realidade

—  Estamos muito longe de compreender totalmente as partículas elementares…os átomos e


seus constituintes, porque estes       se comportam segundo leis da ‘mecânica quântica‘…
apresentando comportamentos probabilísticos muito difíceis de monitorar.

Se não dá para monitorar ao vivo…a saída é simulá-las em computador. Contudo, como as


partículas não obedecem às leis da ‘física clássica’  –  simular seu comportamento em um
computador clássico é tarefa impossível.

A saída então…  é construir ‘simuladores quânticos‘, para rodar em computadores quânticos,


capazes de reproduzir qualquer comportamento de partículas subatômicas, pois seus
componentes básicos funcionam com base no mesmo princípio. A ideia é ótima, e físicos vêm
trabalhando nela há algum tempo, aperfeiçoando experimentos aos poucos, aproximando-se
passo a passo de um simulador quântico prático.

Matéria e antimatéria surgem do vácuo

Agora, a primeira simulação de um evento quântico real utilizando um simulador quântico


foi executada. – Sua construção, e uso prático foi anunciada por Esteban Martinez… e uma
equipe de físicos da Universidade de Innsbruck/Áustria… — em um experimento inédito, e
histórico…  —  A simulação mostrou como pares de partículas e antipartículas emergem do
vácuo quântico, usando um processador quântico básico, com apenas 4 qubits.

Como disse a pesquisadora Christine Muschik …  “Nós desenvolvemos agora um novo


conceito que nos permite simular num computador quântico a criação espontânea de pares
elétron-pósitron a partir do vácuo” (pósitrons são equivalentes da antimatéria    do elétron).
“O processador quântico é composto por 4 íons de cálcio aprisionados eletromagneticamente, e
controlados por pulsos de laser… Cada par de     íons representa um par de
partícula/antipartícula. — Usamos pulsos de   laser para simular o campo eletromagnético do
vácuo…Então, pudemos observar pares de partículas criadas pela flutuação quântica de energia
desse campo… Observando a fluorescência do íon, vemos se partículas e antipartículas foram
criadas. Podemos então, modificar os parâmetros     do sistema quântico – o que nos permite
observar e estudar o processo dinâmico da criação do par”… explicou Martinez.

Isto confirma grande parte das expectativas quanto aos simuladores quânticos. Muito embora
computadores quânticos vão exigir muitos mais qubits – mesmo os primeiros processadores
que já estão sendo construídos…serão, de fato, extremamente úteis nas pesquisas fundamentais
da física. Afinal, um sistema simples com apenas 4 bits, já foi capaz de simular um dos eventos
mais intrigantes da mecânica quântica…partículas e antipartículas fugazes emergindo
virtualmente “do nada” do chamado vácuo quântico.

As partículas (elétrons) e antipartículas (pósitrons) são “sentidas” pelos 4 qubits do simulador,


que denunciam sua presença por meio de variações no feixe de laser. [Imagem: Esteban A.
Martinez et al.]

Combinando diferentes campos da física                                                                         Esta


demonstração também estabelece uma ponte entre 2 campos da física — um teste     de ‘física
atômica‘ foi utilizado…para estudar questões da ‘física de alta energia‘.

Enquanto milhares de físicos trabalham nas teorias de alta complexidade do ‘Modelo Padrão’ e
os experimentos propostos são executados em laboratórios grandes e caros,     como o LHC,
simulações quânticas podem ser realizadas em laboratórios pequenos –     em experimentos de
mesa… E, assim complementou o professor Peter Zoller, um dos pioneiros no campo dos
simuladores quânticos:

“Estas 2 abordagens se complementam perfeitamente… — Não podemos substituir os


experimentos que são feitos com aceleradores de partículas. Contudo, com o desenvolvimento
dos simuladores quânticos poderemos     ser capazes de compreender melhor essas
experiências…  —  no futuro.”

“Além disso…estudamos novos processos utilizando a simulação quântica… Por exemplo, em


nosso experimento também investigamos o entrelaçamento de partículas produzidas durante a
criação do par, o que não é possível num acelerador de partículas”, completou seu colega
Rainer Blatt. 

A equipe diz estar convencida de que os futuros simuladores quânticos, maiores e mais
poderosos serão capazes de resolver questões importantes na física de alta energia, que não
podem ser resolvidas por métodos convencionais… ou, simplesmente, construindo aceleradores
e colisores maiores. (texto base)

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