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GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ – UESPI


CAMPUS SÃO RAIMUNDO NONATO
COORDENAÇÃO DO CURSO DE HISTÓRIA

Alunos (as): Darlin Milene Sousa Oliveira e Acácio da Silva Coelho Neto

1 – Qual a relação entre o PCN de História e as políticas educacionais no Brasil?


Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram criados em um contexto de
redemocratização do Estado Brasileiro, fazendo parte das políticas educacionais daquele
momento. Nesse período, a educação é colocada como prioridade dentro dos projetos
nacionais do novo Estado democrático, passando a ser responsabilidade do Estado garantir
educação formal e gratuita para todos, conforme estabelece a constituição de 1988. O projeto
educacional buscava unificar a educação em todo o território nacional e integrar os níveis de
ensino para estabelecer a continuidade do ensino, diminuindo as desigualdades de acesso e
qualidade de ensino nos diversos estados do país (SANTIAGO, 2000).
Como parte das políticas educacionais de reconfiguração da educação foram criados o
Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), medidas de
regulação e flexibilização da educação (PORTELA, 2013). A LDB estabelecia uma base
comum curricular ao ensino básico, bem como trazia pressupostos teóricos de como os
conteúdos deveriam ser desenvolvidos, ou seja, operava dentro dos interesses centralizadores
para o ensino básico. Em 1990 o Banco Mundial organizou a Conferencia Mundial de
Educação Para Todos na Tailândia, com o objetivo de fixar metas para o desenvolvimento e
expansão da educação em diversos países, dentre essas metas estava a redução do
analfabetismo, que deveria ser erradicado até o fim do século.
As metas propostas pelo Banco Mundial se direcionavam principalmente aos países
em desenvolvimento, como uma forma de expandir a ideologia do sistema capitalista nesses
países e dinamizar a economia mundial. Dentro deste contexto, o modelo de educação
neoliberal ganhava força, o estado passou a ser pressionado a resolver as demandas
educacionais tanto interna como externamente. Os PCN foram revisados em 1991 trazendo
aspectos que haviam ficado de fora da primeira versão e adotando orientações baseadas nas
metas elaboradas pelos organizamos mundiais para a educação.
De acordo com Yeda M. A. Portela (2013), os PCN se caracterizam como a materialização
dos interesses de ter uma base comum presentes na LBD, uma vez que tem como objetivo
nortear os currículos do ensino fundamental e médio, propondo metodologias e temas a serem
trabalhados. Nesse sentido, os PCN fazem parte de uma série de políticas educacionais
destinadas a transformar o ensino público, de modo que as taxas de analfabetismo que
chegavam a 75% diminuíssem e que as diversas regiões do país tivessem um currículo
comum complementado com uma base diversificada, correspondendo as especificidades de
cada local.
É possível perceber no PCN de História as influencias das ideologias e das políticas
públicas implementadas durante o período de reconquista da democracia. A ampliação da
cidadania e a preocupação em garantir o desenvolvimento de um governo democrático após o
golpe militar de 1964, é bastante enfatizada no PCN de História. As orientações
metodológicas são direcionadas à desenvolver o aluno como cidadão pleno, com consciência
dos seus direitos e deveres dentro da sociedade. Além disso, a necessidade de formar mão de
obra especializada e de direcionar a educação para a formação de profissionais competentes
também pode ser notada, principalmente no terceiro ciclo, no qual o aluno deve ser inserido
nas relações históricas do trabalho no Brasil e no mundo.
Outro assunto importante discutido no PCN de História diz respeito às questões
ambientais, que vinham sendo discutidas desde 1979 na Conferência de Estocolmo. A partir
dos anos 1970 as problemáticas relacionadas ao meio ambiente vinham sendo discutidas,
apesar de não possuírem tanta força no brasil, já se faziam presente nos PCN. Nesse sentido,
os PCN acompanhavam e propunham introduzir no currículo das escolas do ensino básico
questões atuais presentes nas ideias que circulavam no cenário político e social do momento,
como o pensamento neoliberal, fazendo parte de um projeto nacional direcionado à organizar
a educação no país.

2 – Por que os PCN’s em termos conceituais podem ser considerados no campo das políticas
públicas?
Os Parâmetros Curriculares Nacionais podem ser considerados como parte das ações
desenvolvidas pelo Estado implementadas com o objetivo de resolver problemas referentes a
educação pública no Brasil. Apesar de não ter caráter obrigatório, os PCN são uma série de
textos direcionados a modificar a realidade escolar, uma vez que elenca os temas que devem
ser trabalhados em cada ciclo, assim como as metodologias, as atividades e avaliações que o
professor deve elaborar. Percebe-se desse modo, a intenção tornar concreta as proposições
presentes nos PCN, implementando-as nas escolas públicas. Para Ana Rosa F. Santiago
(2000), as políticas públicas estabelecem metas para quais devem convergir as ações políticas.
O diálogo entre as entre a elaboração das políticas públicas e os interesses de determinado
grupo ou comunidade é necessário para que haja legitimidade (SANTIAGO, 2000). Dessa
forma, é preciso compreender o processo de elaboração dos PCN e como ele foi recebido pela
comunidade escolar para analisar sua viabilidade como política pública educacional.
De acordo com Portela (2013), os PCN receberam diversas críticas dos profissionais
educação quando foram publicados, por conter descrições especificas de como os professores
deveriam elaborar os currículos e porque os professores não possuíam a formação necessária
para elaborar os currículos de acordo com as medidas propostas nos PCN. Além disso, foi
questionada a possibilidade de efetivar o que estava proposto nos PCN ao mesmo tempo em
que os professores acreditavam que os PCN era uma forma de controlar a educação. Segundo
Portela (2013) os PCN evidenciam um modelo de educação neoliberal, que concebe a
educação como uma mercadoria. Dentro deste modelo, há a burocratização da administração
escolar, passando a gerir a escola como uma empresa e os resultados são transformados em
lucro, no caso das escolas os financiamentos.
Os PCN se inserem nessa lógica, uma vez que com base nele são elaboradas as
avaliação nacionais e materiais didáticos. Por meio das avaliações as escolas recebem
financiamentos para melhorar a infraestrutura e as condições para manter a qualidade das
aulas da escola. A elaboração de rankins para as escolas favorece a competição entre as
mesmas por recursos necessários para a manutenção do ensino de qualidade. Além disso,
Portela (2013) coloca que, a participação de professores de escolas particulares na elaboração
dos PCN acabou por contribuir para a visão negativa que muitos professores tiveram acerca
do mesmo. Outra crítica em relação aos PCN diz respeito ao distanciamento entre o que foi
proposto e a realidade das escolas públicas. Portela (2013), argumenta que os PCN foram
elaborados sem levar em conta a cultura escolar das escolas nas quais pretendia orientar,
gerando dificuldades de aplicação das propostos dos PCN.
Nesse sentido, os PCN podem ser considerados como uma política pública
educacional, por ser uma ação do estado que propõe medidas para transformar a realidade da
educação e desenvolver a qualidade do ensino, buscando inserir segmentos sociais antes
excluídos do sistema de ensino. Contudo, a legitimidade dos PCN no âmbito escolar deve ser
problematizada, uma vez que sua elaboração envolveu uma série de fatores econômicos,
sociais e políticos que restringiram a participação das escolas públicas em sua elaboração e
limitaram a possibilidade de efetivação e articulação com a realidade escolar.
3 – Quais a estratégias metodológicas e as habilidades previstas no PCN de História para o
Ensino Fundamental?
O PCN de História coloca o professor como o responsável por criar situações e
condições para que o aluno aprenda. Dentro dessa lógica, os alunos devem ser levados a
entrar em contato e desenvolver o posicionamento crítico em relação aos acontecimentos que
compõe a nossa história e a história de outros povos. Para que o aluno consiga desenvolver a
compreensão dos acontecimentos de modo crítico e relevante o PCN propõe uma serie de
metodologias e habilidades que devem ser trabalhadas em sala de aula. Fica evidente o
interesse de aproximar as discussões que ocorrem na Universidade do que é ensinado nas
salas de aula, bem como de montar aulas interdisciplinares.
As metodologias e habilidades foram pensadas para que o aluno se reconheça
enquanto sujeito histórico capaz de articular os vários conhecimentos e exercer a cidadania. O
PCN de história orienta para que os assuntos sejam trabalhados a partir dos eixos temáticos,
sendo cada eixo temática responsável por desenvolver no aluno determinadas habilidades. Em
geral o ensino de História no Ensino Fundamental de acordo com o PCN deve desenvolver os
conceitos de cidadania, de tempo histórico, de tempo cronológico, cotidiano e cultura, de
modo que o aluno compreenda que o tais conceitos possuem uma história e que eles se
modificam de acordo com a sociedade e a época. As relações de trabalho devem serem
problematizadas, bem como as relações de exploração dos recursos naturais e o lugar da
natureza nos costumes das diferentes sociedades.
O uso de fontes documentais e fontes imagéticas também são incentivados pelo PCN
de História. No PCN é colocada a importância da pesquisa e da interpretação das fontes
históricas, como filmes, pinturas e documentos manuscritos. O desenvolvimento de projeto
escolares e de pesquisas são de acordo com o PCN um modo de colocar o aluno como
produtor do conhecimento escolar, articulando ensino e pesquisa. O cotidiano e a cultura de
diversas sociedades são aspectos privilegiados dentro do PCN, tidos como importantes para
que o aluno compreenda que existem diferentes formas de viver e de produzir cultura, assim
como várias formas de se representar perante os grupos de uma mesma sociedade e de outras
sociedades.
As habilidades que os alunos devem desenvolver envolve interpretar os
acontecimentos dentro de um tempo histórico definido, compreender as diferenças, questionar
a realidade, aprender a realizar pesquisas escolares e valorizar a cidadania. Como é possível
perceber as habilidades estão atreladas a metodologia que espera ser utilizada na sala de aula.
Além disso, as habilidades e metodologias convergem para a manutenção de uma sociedade
democrática, na qual a educação é apresentada como primordial para o desenvolvimento
econômico e social do país.

REFERÊNCIAS
SANTIAGO, Anna Rosa Fontella. A viabilidade dos PCN como política pública de
intervenção no currículo escolar. 23ª Reunião Anual da Anped, 2000.

PORTELA, Yeda M. A. Os Parâmetros Curriculares Nacionais no cenário das Políticas


Públicas Educacionais Brasileiras. Ciência Atual: Rio de Janeiro. Volume 1, nº1, 2013, p. 47-
97.

SANTOS, Rodrigo Alves dos. Os PCN como Política Unificadora de um Currículo Nacional.
VII Jornada Internacional de Políticas Públicas, São Luís/ maranhão, 2015.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF:


Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

GIANEZINI, Kelly. BARRETO, Letícia M. GIANEZINI, Miguelangelo. Políticas Públicas:


definições, processos e constructos no século XXI. EDUFMA, v. 21, n. 2, 2017.