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Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Distribuição
de Corretivos e
Fertilizantes

Este curso tem


17 horas
Sistemas de Orientação por Satélite » 1
Ficha técnica
2015. Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás - SENAR/AR-GO

INFORMAÇÕES E CONTATO
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás - SENAR/AR-GO
Rua 87, nº 662, Ed. Faeg,1º Andar: Setor Sul, Goiânia/GO, CEP:74.093-300
(62) 3412-2700 / 3412-8701
E-mail: senar@senargo.org.br
http://www.senargo.org.br/
http://ead.senargo.org.br/

PROGRAMA AGRICULTURA DE PRECISÃO

PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO


Leonardo Ribeiro

TITULARES DO CONSELHO ADMINISTRATIVO


Daniel Klüppel Carrara, Alair Luiz dos Santos, Osvaldo Moreira Guimarães e Tiago Freitas
de Mendonça.

SUPLENTES DO CONSELHO ADMINISTRATIVO


Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Eleandro Borges da Silva, Bruno Heuser
Higino da Costa e Tiago de Castro Raynaud de Faria.

SUPERINTENDENTE
Eurípedes Bassamurfo da Costa

GESTORA
Rosilene Jaber Alves

COORDENAÇÃO
Fernando Couto Araújo

IEA - INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS S/S


Conteudistas: Renato Adriane Alves Ruas e Juliana Lourenço Nunes Guimarães

TRATAMENTO DE LINGUAGEM E REVISÃO


IEA: Instituto de Estudos Avançados S/S

DIAGRAMAÇÃO E PROJETO GRÁFICO


IEA: Instituto de Estudos Avançados S/S
Sumário

Introdução ao curso.................................................................................................................................................................7

Módulo 1 » Mapas de variabilidade...............................................................................................................................10

Aula 1 » A importância dos mapas de variabilidade na distribuição de corretivos e fertilizantes............11

Tópico 1: Princípio para tomada de decisões ..................................................................................................... 12

Tópico 2: Aplicações específicas em cada zona de manejo............................................................................ 13

Recapitulando...........................................................................................................................................................14

Aula 2 » Tipos de mapas de variabilidade aplicados na distribuição de corretivos e fertilizantes.........15

Tópico 1: O terreno de cultivo em diferentes bancos de dados ....................................................................16

Tópico 2: Mapas de isolinhas e mapas de pontos............................................................................................18

Recapitulando..........................................................................................................................................................20

Aula 3 » Interpretação dos mapas de variabilidade nas aplicações de corretivos e fertilizantes........... 21

Tópico 1: Leitura integral das condições do solo.............................................................................................. 22

Tópico 2: Análise das condições históricas....................................................................................................... 23

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 25

Atividade de aprendizagem....................................................................................................................................... 26

Módulo 2 » Aplicações a taxas variáveis.................................................................................................................... 29

Aula 1 » A importância de aplicações de corretivos e fertilizantes à taxa variável....................................30

Tópico 1: Caracterização da agricultura convencional...................................................................................... 31

Tópico 2: Mais eficiência com distribuição por taxas variadas...................................................................... 31

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 32
Aula 2 » Tipos de aplicadores de corretivos e fertilizantes ............................................................................ 33

Tópico 1: Classificação dos aplicadores quanto ao fluxo do insumo...........................................................34

Tópico 2: Classificação dos aplicadores quanto ao tipo de aplicação .......................................................36

Tópico 3: Controle dos aplicadores de insumos..............................................................................................39

Recapitulando......................................................................................................................................................... 40

Aula 3 » Os métodos de aplicação à taxa variável.............................................................................................41

Tópico 1: Mapas ou sensores para aplicações em taxas variadas................................................................42

Tópico 2: Benefícios e desvantagens de cada método...................................................................................43

Tópico 3: Aplicações à taxa variável com equipamentos convencionais.................................................. 44

Recapitulando..........................................................................................................................................................45

Atividade de aprendizagem.......................................................................................................................................46

Módulo 3 » Barra de luzes...............................................................................................................................................49

Aula 1 » A importância da barra de luzes nas operações de


distribuição de corretivos e fertilizantes...............................................................................................50

Tópico 1: Regras para deposição e absorção dos produtos pulverizados...................................................51

Tópico 2: Paralelismo e a garantia de correta distribuição ...........................................................................54

Tópico 3: Funcionamento da barra de luzes...................................................................................................... 55

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 57

Aula 2 » Tipos de barra de luzes aplicados na distribuição de corretivos e fertilizantes.........................58

Tópico 1: Duas gerações de tecnologia luminosa.............................................................................................59

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 62

Aula 3 » Utilização da barra de luzes na aplicação de corretivos e fertilizantes........................................63

Tópico 1: Montagem e configuração do equipamento....................................................................................64

Recapitulando..........................................................................................................................................................68

Atividade de aprendizagem.......................................................................................................................................69
Módulo 4 » Piloto automático.........................................................................................................................................72

Aula 1 » A importância do piloto automático nas operações de distribuição


de corretivos e fertilizantes...................................................................................................................... 73

Tópico 1: Princípios do piloto automático...........................................................................................................74

Tópico 2: Vantagens do piloto automático........................................................................................................ 75

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 77

Aula 2 » Tipos de piloto automático utilizados na distribuição de corretivos e fertilizantes.................... 78

Tópico 1: Piloto automático universal..................................................................................................................79

Tópico 2: Piloto automático integrado............................................................................................................... 82

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 83

Aula 3 » Configuração e operação do piloto automático.................................................................................84

Tópico 1: Configuração do sistema de posicionamento..................................................................................85

Tópico 2: Configuração do monitor.....................................................................................................................86

Recapitulando..........................................................................................................................................................89

Atividade de aprendizagem...................................................................................................................................... 90

Módulo 5 » Monitoramento da qualidade de distribuição de corretivos e fertilizantes........................ 93

Aula 1 » A importância dos dispositivos de monitoramento na distribuição


de corretivos e fertilizantes......................................................................................................................94

Tópico 1: Desafios da aplicação de insumos no campo..................................................................................95

Recapitulando.......................................................................................................................................................... 97

Aula 2 » Principais tipos de dispositivos de monitoramento .........................................................................98

Tópico 1: Tipos de sensores...................................................................................................................................99

Tópico 2: Funcionamento dos monitores......................................................................................................... 102

Recapitulando........................................................................................................................................................ 102
Aula 3 » Fatores que interferem na qualidade da distribuição..................................................................... 103

Tópico 1: Condições ambientais......................................................................................................................... 104

Tópico 2: Características do produto................................................................................................................. 105

Tópico 3: Modo de aplicação.............................................................................................................................. 106

Recapitulando........................................................................................................................................................ 107

Atividade de aprendizagem..................................................................................................................................... 108

Síntese do curso.....................................................................................................................................................................110

Referências............................................................................................................................................................................... 112

Gabarito.....................................................................................................................................................................................114
Introdução ao curso

Olá, seja bem-vindo ao Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e


Fertilizantes!

Para iniciar este conteúdo, que faz parte do Programa Agricultura de Precisão, vale a pena relem-
brar alguns conceitos relevantes. Um deles diz respeito à própria importância da aplicação de
corretivos e fertilizantes, uma operação decisiva para o sucesso das lavouras em geral, porque
torna as condições químicas do solo mais adequadas para o correto crescimento e desenvolvi-
mento das plantas.

Há, no mercado atual, uma série de equipamentos para automatizar a distribuição destes pro-
dutos. No entanto, nem sempre essa distribuição é uniforme, resultando em aplicações de baixa
eficiência, sobretudo quando feita por equipamentos convencionais. É muito importante, portan-
to, monitorar os equipamentos durante toda a aplicação, preferencialmente por meio de dispo-
sitivos eletrônicos.

Fonte: Shutterstock

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 7


A Agricultura de Precisão participa deste contexto e trata essas operações com muito cuidado,
promovendo uma gama de pesquisas que buscam compreender as variabilidades espacial e
temporal da fertilidade dos solos. Nesse sentido, as técnicas de amostragens, a elaboração e
a interpretação de mapas de variabilidade de fertilidade estão em constante desenvolvimento.

Além disso, empresas multinacionais têm desenvolvido


equipamentos capazes de realizar as aplicações desses Talhão
produtos atendendo à necessidade de cada trecho do
talhão. Trata-se da chamada aplicação à taxa variável, Terreno cultivado ou próprio
que proporciona uma série de vantagens: maior produ- para cultura.
tividade da lavoura, mais responsabilidade com o meio
ambiente e melhor retorno financeiro ao produtor.

Os distribuidores de corretivos e fertilizantes foram os primeiros equipamentos desenvolvidos


com tecnologia para aplicações a taxas variadas. Até que a tecnologia permitiu o desenvolvi-
mento de acessórios atualmente básicos para a agricultura de precisão, como as barras de luzes
e o piloto automático. Acompanhe o quadro para saber mais sobre estes acessórios.

As barras de luzes são equipamentos de sinais luminosos capazes de


orientar o operador durante a condução do trator, de modo que ele man-
Barras de
tenha o paralelismo entre as passadas e evite falhas na aplicação. O mer-
luzes
cado oferece vários tipos e modelos de barras de luzes que podem ser
adaptados aos tratores.

O piloto automático representa um avanço frente às barras de luzes, pois


não apenas orienta o operador, mas dirige o trator de forma automática,
Piloto seguindo uma linha previamente estabelecida. Há equipamentos que po-
automático dem ser adaptados a diferentes tipos de tratores e todos eles proporcio-
nam melhorias consideráveis na qualidade da distribuição dos produtos
e com relação ao conforto do operador.

A partir de agora, você vai começar a construir conhecimentos sobre os seguintes assuntos:

• mapas de variabilidade;
• aplicações a taxas variadas;
• barra de luzes;
• piloto automático; e
• monitoramento da qualidade de distribuição de corretivos e fertilizantes.

A partir destes conhecimentos, você deve ser capaz de reconhecer e nomear tecnologias avan-
çadas na distribuição de corretivos e fertilizantes, visando otimizar o uso destes produtos e con-
tribuindo para o desenvolvimento das atividades agrícolas. Vamos lá? Avance para o módulo 1!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 8


Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Distribuição
de Corretivos e
Fertilizantes
» Módulo 1: Mapas de variabilidade

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Módulo 1
» Mapas de variabilidade

Neste módulo 1, você vai reconhecer os mapas de variabilidade como ferramentas básicas da
agricultura de precisão. São eles que permitem representar as variações de determinada ca-
racterística do solo, e é a partir dessas informações que você vai conseguir realizar um manejo
diferenciado em cada mancha do talhão. A interpretação dos mapas vai indicar o uso de maiores
doses de corretivos e fertilizantes nas manchas que precisarem, e vice-versa, o uso de menores
doses nas manchas que já tiverem bons índices.

Fonte: Shutterstock

A partir dos mapas de condição do terreno, é possível criar os mapas de recomendação de ferti-
lizantes, por exemplo. Por isso, essa leitura e interpretação é tão crítica. Afinal, uma má recomen-
dação pode gerar gastos desnecessários com corretivos e fertilizantes e também acarretar em
perdas de produtividade nas safras correntes e até em futuras.

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você deve retornar ao Am-
biente de Estudos para realizar a atividade de aprendizagem.

Siga em frente e faça bom proveito!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 10


Fonte: Agrointel <http://www.agrointel.com.br/exemplos>

Aula 1
A importância dos mapas de variabilidade na distribuição
de corretivos e fertilizantes

Os mapas de variabilidade especificam as informações relacionadas ao solo e/ou às plantas, tor-


nando-se ferramenta indispensável para a distribuição de corretivos e fertilizantes na agricultura
de precisão. A análise destas informações é essencial na tomada de decisão do produtor, a fim
de aplicar insumos com base em critérios técnicos, levando em consideração as variabilidades
espacial e temporal do terreno e definindo as zonas com maior ou menor exigência de produtos.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• reconhecer a importância dos mapas de variabilidade para a gestão da informação na em-


presa agrícola; e

• listar as vantagens do uso de mapas de variabilidade na distribuição de corretivos e fertili-


zantes.

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Tópico 1
Princípio para tomada de decisões

Na agricultura convencional, o manejo da fertilidade do solo se baseia apenas nos teores mé-
dios dos nutrientes, ou seja, fazem-se poucas amostras de solo para planejamento do uso de
fertilizantes e corretivos. Dessa maneira, a análise química do solo expressa um único resultado
mediano para todo o talhão, desconsiderando a presença de variabilidade e supondo que as
propriedades do solo são semelhantes ao longo de toda a área.

É importante lembrar que no negócio da agricultura, enquanto atividade econômica, o sucesso


se torna cada vez mais dependente da adoção de novas tecnologias de produção aliadas a um
eficiente sistema de gestão da propriedade. Todas as informações e dados gerados dentro da
atividade devem dar suporte a análises e planejamentos futuros, visando otimizar o processo
produtivo e aumentar a competitividade do negócio.

Nesse contexto, os mapas de variabilidade das características do solo são grandes aliados do
produtor, pois reúnem as informações sobre a localização e as quantidades ou necessidades de
insumos em cada ponto do talhão, dando suporte às tomadas de decisão mais acertadas. Ou
seja, pensar apenas na taxa média de fertilidade do talhão é uma visão antiquada que não se
aplica mais no agronegócio moderno.

Produtores agrícolas experientes sabem que os atributos químicos e físicos do solo influenciam
diretamente no crescimento e no desenvolvimento das culturas. A variabilidade destes atribu-
tos é consequência de complexas interações de fatores ligados à formação do solo e pode ser
influenciada pelas práticas de manejo. Essa variabilidade pode ser expressa em termos de fer-
tilidade, acidez, compactação, textura, capacidade de armazenamento de água, teor de matéria
orgânica, entre vários outros atributos.

O conhecimento desta variabilidade torna-se fundamental para o manejo


localizado dentro do talhão, otimizando as aplicações localizadas de corre-
tivos e fertilizantes, reduzindo a contaminação ambiental provocada pelo
excesso de produtos e determinando demais estratégias de manejo do solo
que visam aumentar a produtividade agrícola.

Os solos do Cerrado brasileiro, onde está localizada a maior parte do território goiano, possui,
entre suas características, grande variabilidade espacial de seus atributos, que se revela mesmo
em pequenas parcelas. Isto mostra a necessidade de adequar o manejo dessas características
em cada subárea do talhão. De qualquer forma, é necessário decidir que variáveis devem ser

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 12


analisadas, ou seja, quais são as variáveis que mais afetam o crescimento e o desenvolvimento
das culturas e, como efeito, mais interferem na produtividade das lavouras.

Tópico 2
Aplicações específicas em cada zona de manejo

A aplicação especificada de calcário,


gesso agrícola, fósforo e potássio – Grid
em taxas variadas de acordo com
a análise de necessidade em cada Na agricultura, “grid” se refere ao que conhecemos
grid do talhão – já vem sendo am- na língua portuguesa como grades ou malhas. Elas
plamente utilizada na agricultura de representam o conjunto de unidades de solo possí-
precisão. São os mapas de variabili- veis de serem trabalhadas pelas técnicas de Agricul-
dade que fornecem as informações tura de Precisão disponíveis em uma propriedade.
relativas à quantidade do insumo a
ser aplicado em cada localidade do talhão. Esta prática garante, diretamente, a otimização no
uso dos insumos e menor contaminação do meio ambiente, em especial das águas. Como resul-
tado, são reduzidas as variações espaciais dos nutrientes dentro do talhão e, consequentemen-
te, a produtividade das culturas tende a aumentar.

Os mapas de variabilidade permitem determinar as zonas de manejo, que são áreas que pos-
suem níveis semelhantes dentro de cada característica analisada e, portanto, necessitam de do-
ses de insumo ou estratégias de manejo parecidas. Essas informações determinam a variação
das doses durante a aplicação de corretivos e fertilizantes, como no exemplo abaixo. Considere
que cada mancha do mapa terá um nível de recomendação de aplicação dos insumos. Estas
zonas de manejo geralmente são identificadas pelo estudo do mapa de variabilidade temporal,
pois elas tendem a se modificar pouco no decorrer dos anos.

Fonte: Farm Works Mapping Software <www.ascommunications.co.uk>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 13


Assim, os mapas de variabilidades espacial e temporal representam a digitalização das caracte-
rísticas do solo em pequena escala, apresentando precisão na quantidade dos atributos analisa-
dos e em sua localização ao longo da área do talhão e de sua modificação no decorrer dos anos.
A aplicação de corretivos e fertilizantes a taxas variáveis é realizada por máquinas equipadas
com softwares que realizam a leitura desses mapas e, através de comandos hidráulicos ou ele-
trônicos, fazem a regulagem automática da dose de aplicação necessária em cada localidade.
Todo este processo garante o aumento da eficiência técnica e econômica e proporciona maior
sustentabilidade ambiental da atividade agrícola.

Recapitulando
Os mapas de variabilidade são ferramentas básicas da agricultura de precisão, pois permitem
representar as variações de determinada característica analisadas dentro da área cultivada. Com
base nessas informações, é possível realizar um manejo diferenciado em cada mancha do talhão,
utilizando maiores doses de corretivos e fertilizantes em manchas com maior necessidade e
doses menores em manchas com menor exigência. Isso resulta em maior eficiência do sistema
produtivo e menor contaminação do meio ambiente.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 14


Fonte: Farm Works Mapping Software <www.ascommunications.co.uk>

Aula 2
Tipos de mapas de variabilidade aplicados na distribuição de
corretivos e fertilizantes

Na primeira aula deste módulo, você pôde perceber a importância dos mapas de variabilidade
na distribuição de corretivos e fertilizantes. Agora, vai conhecer os tipos de mapas de variabilida-
de, sendo que cada um pode trazer informações complementares. Sua função principal sempre
é auxiliar na análise e tomada de decisão do produtor.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• descrever os principais mapas de variabilidade obtidos através da amostragem de solo; e

• entender como são elaborados os mapas de variabilidade da fertilidade do solo.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 15


Tópico 1
O terreno de cultivo em diferentes bancos de dados

A distribuição precisa de corretivos e fertilizantes a taxas variáveis, de acordo com a exigência


de cada mancha de solo dentro do talhão, só é possível através da utilização dos mapas de varia-
bilidade. Nesses mapas, constam informações importantes para ser utilizadas no momento da
aplicação, tais como a dose necessária de insumo em cada localização exata dentro do talhão.

Na distribuição de corretivos e ferti-


lizantes são considerados os mapas Georreferenciação
de solo, feitos a partir das análises
das amostras coletadas no sistema Chamamos de georreferenciação o processo de loca-
de amostragem. Cada característica lização geográfica de determinado objeto, ponto ou
analisada no solo, aliada à sua loca- área por meio da atribuição de coordenadas geográ-
lização georreferenciada, é passível ficas. Em outras palavras, a localização georreferen-
de gerar um mapa da variabilidade, ciada é aquela atribuída por meio de coordenadas,
de acordo com a sua efetividade ao normalmente interpretada com sinais de satélites.
longo do talhão.

Pode-se obter e analisar mapas de variabilidade de cada elemento, a saber:


da fertilidade, da acidez, da textura, da compactação, da capacidade de ar-
mazenamento de água, da profundidade, da altitude, da declividade, entre
outros.

A grande variabilidade espacial demonstrada pelos solos brasileiros justifica o conhecimento da


fertilidade do solo em cada grid da área agrícola. No entanto, no planejamento, deve-se priorizar
a análise das características que mais influenciam no desenvolvimento e produção das lavouras.

A fertilidade e o pH do solo geralmente são as primeiras características a serem consideradas.


No que diz respeito à fertilidade do solo, deve-se analisar os macronutrientes e os micronu-
trientes, uma vez que ambos são essenciais para o desenvolvimento e produção das culturas.

Macronutrientes

São exemplos: fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S).

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 16


Micronutrientes

São exemplos: boro (B), cobre (Cu), zinco (Zn), manganês (Mn), molibdênio (Mo), ferro (Fe) e
cloro (Cl).

O nitrogênio (N), que também é um macronutriente, por ser muito móvel no solo, não é quan-
tificado pela análise, sendo mais bem mensurado através da análise foliar ou pelas técnicas de
sensoriamento remoto. A análise do pH também é importante, pois este determina e interfere
diretamente no grau de disponibilidade dos nutrientes e desenvolvimento das plantas.

A partir do resultado destas análises, são criados os mapas de variabilidade de cada caracterís-
tica investigada separadamente, tais como mapa de fertilidade em P, K, S, soma de bases (SB),
saturação por bases (V%), entre inúmeros outros mapas possíveis. A análise integrada destas in-
formações dá suporte para as recomendações técnicas e geração dos mapas de recomendação,
a partir dos quais será realizada a aplicação dos corretivos e fertilizantes.

Os mapas de variabilidade podem ser classificados em mapas de variabilidades espacial e tem-


poral.

São aqueles que representam a variação da fertilidade ou acidez do solo


nos diferentes pontos analisados do talhão. Nos locais onde represen-
tam a mesma condição de fertilidade são formadas as zonas de manejo,
Mapas de que necessitam de um mesmo tipo de manejo específico. Cada zona de
variabilidade manejo é representada no mapa por uma cor e difere das demais zonas
espacial pela coloração, pela fertilidade ou necessidade de corretivos e fertili-
zantes. Estes dados dão suporte para a análise e recomendação técnica,
expressa através dos mapas de recomendação, tais como os mapas de
necessidade de calcário ou de fertilizante, por exemplo.

São aqueles que representam a variação de uma determinada caracte-


rística do solo no decorrer dos anos analisados. Desta forma, é possível
compreender o nível de correção do solo através da análise do mapa
Mapas de de variabilidade temporal da acidez e/ou da saturação por bases, por
variabilidade exemplo. Características que sofrem maior influência do manejo, como
temporal a fertilidade em potássio, se modificam em menor espaço de tempo. Já
características que sofrem menor influência do manejo, como a textura
do solo, pouco ou nada se modificam com o passar dos anos, mantendo
o mapa de variabilidade temporal praticamente inalterado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 17


Tópico 2
Mapas de isolinhas e mapas de pontos

As variabilidades espacial e temporal podem ser apresentadas na forma de mapas de isolinhas


ou de pontos.

Os mapas de isolinhas são representações de linhas que delimitam regiões do mapa com dados
dentro de um mesmo intervalo de valor para cada característica analisada. As isolinhas utilizam
métodos de interpolação entre os pontos com atenuação de pequenas variações locais.

De modo geral, os mapas de isolinhas podem ser de três tipos. Acompanhe as características
de cada um no quadro.

Mostra a distribuição espacial dos atributos analisados nas diferentes lo-


calidades do talhão avaliado, antes de qualquer intervenção. Dessa for-
ma, mostra o nível de fertilidade e acidez do solo antes da distribuição de
corretivos e fertilizantes. No exemplo, apresentamos um mapa de condi-
ção representando a saturação por bases (V%).

Mapa de 21.0 - 33.0


condição
33.0 - 37.9
37.9 - 42.8
42.8 - 49.7
49.7 - 58.1

Fonte: Boletim Técnico (Mapa/ACS, 2009).

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 18


A partir das informações geradas pelos mapas de condição de fertilidade
do solo são realizadas interpretações e, com base em critérios técnicos,
são gerados os mapas de recomendação, ou seja, os mapas de necessi-
dade de calcário, gesso ou fertilizantes. Atualmente, é comum se analisar
mais de um mapa de recomendação em uma mesma área para alcançar
maior confiabilidade na operação. No exemplo, você pode ver um mapa
de recomendação da necessidade de calcário.

Mapa de reco- 200 - 667 kg/ha


mendação
668 - 1267 kg/ha

1267 - 1787 kg/ha

1787 - 2274 kg/ha

2274 - 3465 kg/ha

Fonte: Boletim Técnico (Mapa/ACS, 2009).

Representa o nível de fertilidade ou acidez da área depois da distribui-


ção de corretivos e fertilizantes nas doses determinadas pelos mapas
de recomendação. É um mapa importante, pois permite avaliar a eficiên-
cia da aplicação, observando se a fertilidade da área aumentou ou se
Mapa de a quantidade de manchas com baixa fertilidade diminuiu. Em caso de
desempenho necessidade de se criar um novo mapa de recomendação para nova apli-
cação na área, o atual mapa de desempenho pode ser utilizado como
mapa de condição, por apresentar os dados da distribuição da fertilida-
de no talhão.

Já os mapas de pontos são utilizados para analisar elevado número de dados distribuídos pela
área. Para a coleta de amostras feita de forma irregular, o mapa de pontos pode fornecer infor-
mação sobre como os dados foram coletados. A área a ser amostrada é dividida em subáreas,
onde regiões de baixa variabilidade possuem baixa densidade amostral e, por outro lado, re-
giões com alta variabilidade possuem alta densidade amostral. Regiões de interesse também
podem ter maior densidade amostral, tais como reboleiras, manchas de solo etc.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 19


Fonte: adaptado de Carlos Varella e Darly de Sena Jr (UFRRJ) <http://goo.gl/m3WwSZ>

Por último, não custa destacar: independentemente do tipo de mapa utilizado, ele deve apre-
sentar as mesmas informações sobre o comportamento da característica analisada ao longo do
talhão.

Saiba Mais

Se você quiser saber mais sobre a técnica de criação de mapas, dê uma olhada no material
do blog Cartografia Escolar, disponível em: <https://cartografiaescolar.wordpress.com/
fazendo-um-mapa-de-densidade-demografica/>.

Recapitulando
Existem vários tipos de mapas de variabilidade de solo e cada um deles possui sua importân-
cia específica, porque analisa diferentes critérios para o processo de correção e adubação do
solo. Quanto à forma de análise, eles podem descrever as variabilidades espacial ou temporal.
Também podem ser classificados como sendo de pontos ou de isolinhas, sendo que estes são
subdivididos em mapas de condição, de recomendação ou de desempenho, de acordo com as
informações representadas.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 20


Fonte: Shutterstock

Aula 3
Interpretação dos mapas de variabilidade nas aplicações de
corretivos e fertilizantes
Você já estudou que existem vários tipos de mapas de variabilidade do solo. Agora é o momen-
to de entender a importância de interpretá-los corretamente. Considere que, se os mapas não
forem corretamente utilizados, o mau uso pode gerar perdas de insumos e de produtividade das
lavouras – exatamente o efeito oposto do que se espera com a agricultura de precisão.

Portanto, a interpretação dos mapas de variabilidade e a elaboração dos mapas de recomenda-


ção devem ser realizadas por um profissional habilitado da área, considerando a interpretação
de vários mapas em conjunto, para gerar a recomendação adequada de corretivos e fertilizantes.
Esta interpretação também pode ser auxiliada pelo uso de softwares específicos, dando maior
suporte e confiabilidade na interpretação dos mapas.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• visualizar as variabilidades de nutrientes no solo; e

• interpretar as necessidades de correção e adubação de acordo com o mapa de variabilidade.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 21


Tópico 1
Leitura integral das condições do solo

A amostragem e a construção de
mapas de variabilidade de atributos
do solo constituem uma importante
etapa dentro da agricultura de pre-
cisão, já que seu objetivo é auxiliar o
produtor na tomada de decisão. Po-
rém, as informações estabelecidas
no mapa de variabilidade da fertili-
dade e acidez de solo devem ser cri-
teriosamente analisadas, de modo
que sejam precisas e confiáveis para
a próxima etapa, a aplicação dos in-
sumos. Uma análise e recomenda-
ção equivocadas podem, além de
contribuir para gastos desnecessá-
rios de corretivos e fertilizantes, de-
terminar o insucesso do cultivo e a
baixa produtividade das lavouras em
curto e médio prazos.

Portanto, nesta etapa se torna indis-


pensável uma análise minuciosa por
um profissional da área, juntamente
com o produtor ou alguém que co-
nheça detalhadamente as caracterís-
ticas da área cultivada. Uma análise
de um único mapa de variabilidade
da fertilidade do solo pode dar em-
basamento técnico, porém não é
suficiente para uma recomendação
segura de aplicação de corretivos e Fonte: Shutterstock
fertilizantes.

Com o resultado das análises de solo após a coleta georreferenciada de amostras, é possível criar
vários mapas de variabilidade da fertilidade do solo, cada um de um nutriente ou característica
separadamente. Dessa forma, para a recomendação da necessidade de corretivos e fertilizantes,
devem-se considerar todos estes mapas em conjunto, ou todos aqueles que se relacionam com
ou interferem de alguma forma na necessidade de calcário ou adubos. Além disso, a análise deve
ser um pouco mais complexa, levando em consideração também o mapa de produtividade da

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 22


última lavoura na área, o mapa de infestação de pragas, doenças ou plantas daninhas, o histórico
de reboleiras pouco produtivas etc.

É conhecido que áreas com alto nível de fertilidade do solo tendem a ser mais produtivas, porém
dependem de vários outros fatores que podem reduzir a produtividade e torná-las menos pro-
dutivas, tais como infestação de plantas daninhas, pragas, doenças, compactação do solo,
existência de cascalho, encharcamento etc. Desta forma, a simples distribuição de maiores
doses de fertilizantes em áreas menos férteis (ou vice-versa) pode não se justificar devido à exis-
tência de algum outro fator limitante de produtividade. Portanto, pode-se economizar no uso
deste insumo.

Exemplo

Um exemplo da análise com base em várias informações é a elaboração do mapa de reco-


mendação de adubo fosfatado. Ela deve levar em consideração os mapas de:
• condição da disponibilidade de fósforo (P);
• teor de argila do solo;
• teor de matéria orgânica;
• nível crítico de fósforo (P) exigido pela cultura;
• mapa de variabilidade temporal da produtividade da área;
• existência de reboleiras, entre outros.

Tópico 2
Análise das condições históricas

Outra importante ferramenta no momento da análise dos mapas de condição para gerar o mapa
de recomendação é a análise da variabilidade temporal da produtividade da área. Os dados
georreferenciados da produtividade existem em quantidade imensamente maior do que os pon-
tos de amostragem de solo, uma vez que são coletados e gravados em pequenos intervalos de
tempo durante o deslocamento da máquina na colheita.

Assim, deve-se analisar se as isolinhas de baixa e média produtividade estão


migrando para isolinhas de média e alta produtividade no decorrer do tem-
po, ou se são regiões do talhão que apresentam produtividade baixa e estática.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 23


Para a análise conjunta dos mapas de fertilidade do solo, é possível utilizar uma ferramenta de
análise multivariada denominada geoestatística ou softwares específicos para a análise con-
junta dos mapas de condição. Estas ferramentas permitem estabelecer uma relação de causa e
efeito, determinando quais características do solo interferem com maior intensidade sobre a pro-
dução, devendo ser priorizadas durante a análise de recomendação de corretivos e fertilizantes.

Para a elaboração dos mapas de recomendação de fertilizantes e corretivos, a análise de mapas


multitemáticos se torna muito importante. Através desta análise, é possível considerar, além
dos mapas de condição de fertilidade e de produtividade da área, a resistência à penetração do
solo, a ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas, o mapa da textura do solo, do teor de
matéria orgânica, de declividade, entre outras variáveis.

Fonte: adaptado de Revista Plantio Direto <www.plantiodireto.com.br/imprime.php?cod=907>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 24


O mapa de recomendação de adubação é realizado para cada nutriente separadamente. Isto é
importante porque, na agricultura de precisão, não se aplica adubos formulados (compostos)
justamente pela necessidade de variar a dose de aplicação de cada nutriente. Portanto, utiliza-se
adubos simples para cada aplicação.

A recomendação é feita com base no teor do nutriente no mapa de condição (ou seja, o teor do
nutriente no solo), no nível crítico exigido pela cultura e considerando a expectativa de produti-
vidade, além de levar em conta os demais fatores descritos anteriormente.

Para a elaboração do mapa de recomendação da necessidade de calcário, podem ser interpre-


tados vários mapas de condição, tais como a saturação por bases (V%), o nível de exigência da
cultura, a textura do solo, a saturação por alumínio (m), o teor de cálcio (Ca) e magnésio (Mg),
a acidez e os demais fatores descritos anteriormente, que podem interferir na necessidade de
aplicação de calcário.

Para encerrar esta aula, vale lembrar que podemos nos deparar com algumas surpresas após
a elaboração do mapa de desempenho ou até mesmo do mapa de produtividade da área. Por
exemplo, os teores de nutrientes no mapa de desempenho podem não atingir os níveis planeja-
dos, a produtividade pode não alcançar a quantidade almejada, os níveis de fertilidade podem
não se correlacionar da forma esperada com o nível de produtividade em determinado ponto do
talhão etc.

É por isso que a interpretação e o acompanhamento de um profissional especializado no sistema


produtivo se tornam muito importantes.

Recapitulando
A interpretação dos mapas de condição para a elaboração dos mapas de recomendação é uma
etapa crítica da agricultura de precisão. Uma má recomendação pode gerar gastos desneces-
sários com corretivos e fertilizantes e também acarretar em perdas de produtividade na safra
corrente e até em safras futuras. A elaboração dos mapas de recomendação de corretivos e ferti-
lizantes deve ser feita através da análise integrada de diversos mapas de condição, realizada por
um profissional especializado da área, podendo utilizar ferramentas ou softwares específicos.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite a atividade!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 25


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 1 do Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos
e Fertilizantes. A seguir, você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado
neste módulo. Lembre-se que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde
você também terá um feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Considerando o que você estudou sobre a importância dos mapas de variabilidade, marque
a alternativa correta.

a) O mesmo mapa de variabilidade determina as necessidades de calcário e fertilizantes do


talhão.

b) É através dos mapas de variabilidade que se determinam as zonas de manejo.

c) A aplicação de corretivos e fertilizantes a taxas variadas pode ser realizada sem a utiliza-
ção de mapas de variabilidade.

d) O mapa de variabilidade da fertilidade determina o nível de fertilidade do solo, porém


sem se relacionar com a localização na área.

2. De acordo com os tipos de mapas de variabilidade de solo utilizados na distribuição de cor-


retivos e fertilizantes, analise as afirmações seguintes e marque a alternativa correta.

a) Os mapas de isolinhas são apresentados de forma numérica.

b) Os mapas de recomendação apresentam o nível atual da fertilidade do talhão.

c) Os mapas de desempenho possuem as recomendações técnicas de necessidade de cal-


cário ou fertilizante.

d) As áreas de mesma coloração nos mapas de isolinhas possuem o mesmo nível de fertili-
dade, de acordo com a característica analisada.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 26


3. Na aula 3 você estudou a interpretação de mapas de variabilidade. Agora assinale a alterna-
tiva correta.

a) A elaboração do mapa de recomendação da necessidade de calcário pode ser realizada


interpretando somente o mapa de variabilidade da acidez do solo.

b) Mancha de baixa produtividade em local com alta fertilidade do solo demonstra erro na
amostragem de solo.

c) Para a elaboração do mapa de recomendação de adubo, deve-se realizar uma interpreta-


ção de vários mapas de condição.

d) Uma aplicação errada de calcário, devido a erro na elaboração do mapa de recomenda-


ção, pode ter efeitos por, no máximo, uma safra.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 27


Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Distribuição
de Corretivos e
Fertilizantes
» Módulo 2: Aplicações a taxas variáveis

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 28


Módulo 2
» Aplicações a taxas variáveis

Olá, seja bem-vindo ao módulo 2 do curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos


e Fertilizantes! A partir do mapeamento do talhão a ser cultivado, a agricultura de precisão prevê
o uso de tecnologia para realizar a aplicação de insumos de forma específica para cada trecho
de terreno. Com a tecnologia embarcada, as máquinas reconhecem a necessidade de aplicação
durante seu deslocamento na área por meio da leitura do mapa de recomendação, alterando a
taxa de aplicação sempre que necessário, de forma precisa e automática.

As consequências naturais dessa prática, além do ganho em produtividade, são o aumento da


eficiência técnica e econômica da área cultivada e também da sustentabilidade ambiental da
agricultura, uma vez que otimiza o uso dos insumos aplicando-os no local e doses necessários.

Fonte: Shutterstock

Portanto, você vai estudar neste módulo que a correta utilização e distribuição de corretivos e
fertilizantes são fundamentais para manter o sistema produtivo de precisão. Assim, você vai
conhecer os principais tipos de máquinas capazes de aplicar, com precisão, os corretivos e ferti-
lizantes no solo.

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você deve retornar ao Am-
biente de Estudos para realizar a atividade de aprendizagem. Siga em frente e faça bom proveito!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 29


Fonte: Shutterstock

Aula 1
A importância de aplicações de corretivos e fertilizantes
à taxa variável

Assim como os fertilizantes e corretivos agrícolas são os insumos proporcionalmente mais im-
portantes para promover a produtividade das culturas, da mesma forma a aplicação destes in-
sumos em taxas variáveis compreende uma das etapas mais relevantes para a agricultura de
precisão. Através do manejo de cada área do talhão de forma personalizada, será possível gerar
aumento da produtividade da área, reduzir os gastos com insumos e incrementar a sustentabi-
lidade ambiental da atividade.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• avaliar a eficiência da taxa variável nas correções em áreas com teores deficientes de nutrientes; e

• explicar a otimização dos custos de insumos na propriedade agrícola.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 30


Tópico 1
Caracterização da agricultura convencional

Para esclarecer os ganhos da agricultura de precisão, é importante sublinhar com frequência as


práticas da agricultura convencional, onde a recomendação e distribuição de corretivos de solo
são feitas com base em valores médios para todo o talhão. A consequência direta dessa prática
é que algumas áreas do talhão receberão doses menores do que o necessário, tornando a pro-
dutividade estática por falta de corretivos, enquanto outras áreas apresentarão superdosagem,
gerando prejuízos pelo gasto desnecessário do insumo e, principalmente, redução na produtivi-
dade pela interferência na disponibilidade de nutrientes.

Neste mesmo contexto, a recomendação e a distribuição convencional de fertilizantes são feitas


com base em dosagens médias para todo o talhão, sendo que, em alguns casos, a quantidade é
determinada com base em valores fixos para várias propriedades, ano após ano, de acordo com
a cultura. Informalmente, essa prática é chamada de “receita de bolo”, e costuma trazer maiores
prejuízos. À redução na produtividade, devida à super ou infradosagem de insumos nas áreas do
talhão, soma-se o gasto inútil com insumos, que têm um valor agregado muito maior, represen-
tando grande perda.

Tópico 2
Mais eficiência com distribuição por taxas variadas

Como você já estudou, a agricultura de precisão tem como principal objetivo otimizar a utilização
dos insumos agrícolas, através de sua aplicação diferenciada ao longo de uma determinada área
e de acordo com as reais necessidades de cada zona de manejo, estabelecidas com critérios
técnicos. Dessa forma, é possível aumentar a eficiência técnica da atividade, através do aumento
esperado da produtividade, e a eficiência econômica, pela redução dos gastos com insumos.
Além disso, é possível aumentar a sustentabilidade ambiental da atividade ao reduzir os riscos
de contaminação ambiental por meio do uso racional dos insumos.

Ainda que o desperdício de insumos na pulverização não seja facilmen-


te visualizado, basta imaginar uma quebra de 10% de líquido por metro
quadrado em um talhão de poucos hectares. Ao fim da pulverização, essa
quebra (aparentemente pequena) significará milhares de litros de insumo
desperdiçado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 31


A distribuição de corretivos e fertilizantes em taxas variadas envolve técnicas, máquinas, soft-
wares e pessoas capacitadas, com o objetivo de realizar as operações com base em análises de
dados e informações. Dessa forma, é feito rigoroso controle gerencial do sistema produtivo, rea-
lizando as atividades com base em critérios técnicos bem estabelecidos e tornando a atividade
agrícola cada vez mais empresarial e competitiva.

Na correção e adubação do solo, as aplicações a taxas variadas podem ser definidas como o
conjunto de técnicas utilizadas para efetuar aplicações de calcário, gesso e fertilizantes de forma
diferenciada, considerando a variabilidade da fertilidade do solo, bem como outros fatores de
produção, em um determinado instante e numa determinada área do talhão. São levadas em
consideração as variabilidades espacial e temporal da fertilidade do solo, associadas às variabi-
lidades da produtividade e de outros fatores de produção.

A distribuição de corretivos e fertili-


zantes é feita por máquinas equipa-
das com um software que reconhece
o mapa de recomendação, um siste-
ma de GPS que reconhece cada pon-
to na área e o relaciona com a ne-
cessidade de insumo e que, através
de controles eletrônicos e hidráu-
licos, realizam a variação na taxa
de aplicação dos insumos de forma
automática e precisa. Desta forma,
obtêm-se maiores rendimento ope- Fonte: Manejo Avançado Stara <http://www.stara.com.br>
racional e eficiência da aplicação.

Recapitulando
A aplicação de corretivos e fertilizantes na agricultura de precisão é realizada por máquinas
equipadas com tecnologia embarcada que reconhecem a necessidade de aplicação durante seu
deslocamento na área por meio da leitura do mapa de recomendação, realizando a alteração
na taxa de aplicação sempre que necessário de forma precisa e automática. Além de possuir
elevada precisão na dose de aplicação, a distribuição de insumos à taxa variável proporciona um
aumento da eficiência técnica e econômica da área cultivada, aumentando também a sustenta-
bilidade ambiental da atividade através da otimização do uso dos insumos, proporcionada pela
aplicação precisa tanto quanto ao local como quanto às doses.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 32


Fonte: Shutterstock

Aula 2
Tipos de aplicadores de corretivos e fertilizantes
Na aula anterior, você estudou os fatores que justificam a importância econômica e ecológica da
distribuição de corretivos e fertilizantes em taxas variadas. Esta distribuição é sempre mecaniza-
da, sendo que existem vários modelos de distribuidores de calcário e de adubo, dos mais limita-
dos aos mais eficientes. A forma de funcionamento varia de acordo com o tipo de cada um deles.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• enumerar os tipos de aplicadores de corretivos e adubos utilizados nas propriedades agríco-


las; e

• compreender o funcionamento dos principais aplicadores utilizados na distribuição de cor-


retivos e adubos.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 33


A forma de distribuição de corretivos e fertilizantes é bastante variada, sendo determinada pelas
características físicas de cada produto. Os distribuidores mais utilizados na atualidade podem
ser classificados de duas maneiras:

1) segundo o deslocamento do insumo até a saída da máquina (fluxo do insumo):

• distribuidor por gravidade,

• distribuidor de esteira, e

• distribuidor pneumático;

2) segundo o tipo de aplicação do insumo:

• distribuidor de aplicação localizada, e

• distribuidor de aplicação a lanço.

Nos tópicos a seguir você conhecerá detalhes de aplicação e exemplos de cada um deles.

Tópico 1
Classificação dos aplicadores quanto ao fluxo do insumo

Na classificação pela forma com que o calcário ou o adubo se movem na máquina, os distri-
buidores se dividem em sistemas de distribuição por gravidade ou por esteira e pneumáticos.
Acompanhe os modelos nas abas a seguir.

É uma máquina com depósito tradicionalmente em formato de cone ou


trapézio, com um orifício de saída de abertura regulável na parte inferior, a
fim de possibilitar que o insumo saia pela ação da gravidade. Normalmen-
te, este distribuidor agrega um agitador para des-
prender e facilitar o fluxo de saída do insumo. São
Distribuidor muito utilizados especialmente em pequenas pro-
por priedades devido a seu baixo custo, porém podem
gravidade apresentar dificuldades na regulagem, dependendo
da condição física do insumo aplicado, e conse-
quentemente reduzir sua eficiência de aplicação.

Fonte: Implementos Agrícolas Jan <http://www.jan.com.br/web/


index.php?menu=implementos&sub=distribuicao&id=29&language=pt>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 34


Este maquinário apresenta o fundo do depósito móvel, com uma esteira
que roda no sentido longitudinal. A esteira leva o insumo do interior do
depósito até a abertura de saída, na parte traseira. A regulagem da dose de
aplicação é feita por meio da variação da
velocidade da esteira e pela abertura do
bocal de saída, combinados com a veloci-
Distribuidor
dade de deslocamento da máquina. Este
de esteira
tipo de distribuidor oferece boas condi-
ções de regulagem de acordo com o insu-
mo aplicado, porém tem custo mais alto.

Fonte: Implementos Agrícolas Jan <http://www.jan.com.br/


web/files/galleries/75.jpg>.

Sistema que utiliza um fluxo de ar, produzido por uma turbina, para levar
o adubo do interior do depósito, por meio de diversos tubos, até os bo-
cais de distribuição. A regulagem da
quantidade de adubo a ser depositado é
obtida em função do controle do fluxo de
Distribui- ar e pela variação da velocidade de des-
dor de fluxo locamento da máquina. Este aparelho
pneumático apresenta regulagem com boa precisão
na aplicação, porém é o de valor de aqui-
sição mais elevado.

Fonte: Adubadoras Jacto <http://br.viarural.com/agricultura/pulverizacao-acessorios/


jacto/colhedoras-adubadoras/adubadora-uniport-3000.htm>.

Condição física

Dependendo dos níveis de compactação ou umidade, por exemplo, o calcário ou o adubo


podem estar “empelotados”, o que dificulta o simples escoamento por gravidade. Por isso a
importância de um agitador para granularizar novamente o insumo.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 35


Tópico 2
Classificação dos aplicadores quanto ao tipo de aplicação

Quanto à aplicação dos insumos no solo, os distribuidores se dividem entre os de aplicação lo-
calizada (de maior precisão e menor faixa útil de aplicação), e os de distribuição a lanço, que têm
maior faixa útil de aplicação, no entanto demandam mais cuidados com a precisão. Acompanhe
mais detalhes sobre os dois tipos.

Independentemente da forma do fluxo interno do insumo, a adubadora


pode possuir um sistema que conduz o insumo para aplicação localizada.
O distribuidor de aplicação localizada apresenta maior precisão na regu-
lagem e eficiência na aplicação dos insumos, uma vez que os direciona
diretamente para a planta.
Isso evita perdas por deri-
va, fixação ao solo e volati-
Distribuidor lização de adubos nitroge-
de aplicação nados.
localizada O aspecto negativo de
produtividade destes equi-
pamentos fica por conta
da largura mais estreita
da faixa útil de aplicação e
pelo menor rendimento da
operação.
Fonte: Implementos Agrícolas Jan <http://www.jan.com.br/web/
index.php?menu=implementos&sub=distribuicao&id=60&language=pt>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 36


Tem este nome a máquina na qual o calcário ou adubo são espalhados
sobre o solo através de mecanismos que utilizam a força centrífuga (por
discos) para a distribuição. O distribuidor a lanço possui um reservatório
em formato cônico de montagem nos três pontos do trator ou trapezoi-
dal de arraste.

É um tipo de máquina bas-


tante utilizada por produ-
tores atualmente, uma vez
que sua largura de distri-
Distribuidor
buição é bastante grande,
de aplicação
o que proporciona alto
a lanço
rendimento operacional.
Porém, pode apresentar
menor uniformidade na
aplicação, devido à ação
do vento ou ao efeito de-
riva, especialmente sobre
insumos com granulome-
tria mais fina e leve, como
o calcário.
Fonte: Stara Implementos Agrícolas
<www.stara.com.br>.

Saiba Mais

Que tal assistir a um vídeo com um exemplo de distribuidor de fertilizante a lanço? Veja um
exemplo de aparelho da marca Stara no seguinte endereço: <https://www.youtube.com/
watch?v=b_9jMGme1IE> ou <http://goo.gl/rJHWbi>.

Como você pôde perceber no vídeo, o sistema de distribuição a disco espalha o insumo com a
força centrífuga. Mas os distribuidores a lanço que utilizam este princípio podem apresentar al-
gumas diferenças. Acompanhe três exemplos nas abas.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 37


A distribuição por disco único se dá por meio de um disco colocado abai-
xo do depósito, na posição horizontal. Neste disco, existem várias aletas
para que o insumo, ao sair do depósito,
caia sobre o disco. Através de um movi-
mento giratório, resultante da veloci-
dade de rotação do motor do trator
Disco único que carrega o distribuidor, o adubo é
jogado a uma determinada distância,
espalhando-se sobre o solo.
Fonte: Stara Implementos Agrícolas
<http://www.ruralagricola.net.br/produtos/
distribuidores/id/28/distribuidor-hidraulico-
a-lanco-tornado-600-md.html>.

Neste sistema, o funcionamento é semelhante ao anterior, mas com uma


área de aplicação maior em função dos dois discos. Um ao lado do outro,
no plano horizontal, giram em sentidos
opostos para espalhar o insumo. Neste
caso, a uniformidade de distribuição
tende a ser maior do que em distribui-
Dois discos dores com disco único.

Fonte: Falcon Equipment <www.falcon


equipment.co.za/spreaders/
amazonefertiliser>.

Também chamado de distribuidor pendular (uma referência ao movimen-


to de pêndulo), trata-se de um braço
tubular, posicionado horizontalmente,
cujo movimento de oscilação dá-se em
torno de 400 oscilações por minuto.
Ao sair do depósito, o adubo entra no
Tubo
tubo e pela força das oscilações se
oscilante
desloca até a extremidade, de onde é
projetado para o exterior.
Fonte: Implementos Agrícolas Jan
<www.jan.com.br/web/index.php?
menu=implementos&sub=distribuicao&
id=27&language=pt>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 38


Tópico 3
Controle dos aplicadores de insumos

Para realizar a distribuição de corretivos e fertilizantes a taxas variadas, é necessário que exis-
ta um controle externo do seu mecanismo dosador. Esse controle será feito com mecanismos
específicos relacionados a cada tipo de aplicador: os distribuidores de esteira são controlados
por um motor, enquanto os distribuidores por gravidade são controlados eletronicamente, com
abertura e fechamento do bocal de saída do fertilizante. Podem ainda ser feitas adaptações,
como motores hidráulicos ou outros controles eletrônicos para determinar velocidade de deslo-
camento da esteira e a abertura do bocal de saída dos insumos.

Fonte: Coelho, A. M./Embrapa <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/


bitstream/item/30120/1/Manejo-localizado.pdf>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 39


O conjunto trator/distribuidor possui ainda um computador de bordo onde se inserem o mapa
de recomendação de calcário ou fertilizante e as informações da aplicação. A necessidade de
aplicação é controlada através de um arquivo digital que contém o mapa de aplicação e é basica-
mente um arquivo de três colunas: X (latitude), Y (longitude) e Z (dose). Normalmente, a inserção
de arquivos (mapas) pode ser realizada através de uma mídia compacta (pen-drive ou cartão de
memória).

Atenção: esses equipamentos possuem seu próprio receptor de GPS, de baixo custo e sem recur-
sos de correção diferencial. Isso não compromete a qualidade da operação, mas não permite o
uso de recursos mais precisos no deslocamento, por exemplo, a barra de luzes.

Recapitulando
A correta utilização e distribuição de corretivos e fertilizantes são fundamentais para dar eficiên-
cia ao sistema produtivo. Nesta aula, você estudou que a aplicação destes insumos pode ser rea-
lizada com diversos tipos de máquinas, a saber, distribuidores por gravidade, de esteira ou pneu-
máticos, dependendo da forma como é realizado o fluxo de saída do insumo. Essas máquinas,
por sua vez, podem ser classificadas como distribuidores localizados ou distribuidores a lanço,
de acordo com a forma de aplicação. Na distribuição de calcário e adubo em doses variadas, é
necessário um distribuidor equipado com um monitor (para receber o mapa de recomendação),
um GPS e um sistema hidráulico dosador da quantidade de insumo a ser aplicada.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 40


Fonte: Shutterstock

Aula 3
Os métodos de aplicação à taxa variável
O método de aplicação de corretivos e fertilizantes, levando-se em consideração as zonas de
manejo, varia de acordo com cada realidade, com o tipo de maquinário existente e com as carac-
terísticas do terreno analisadas. Esta aplicação pode ser realizada nas propriedades com equi-
pamentos convencionais e também nas equipadas com distribuidores com leitores de mapa de
recomendação ou sensores que permitem a variação da dosagem em tempo real, de acordo com
as leituras colhidas simultaneamente.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• enumerar os métodos para aplicação de corretivos e fertilizantes a taxas variáveis; e

• identificar métodos mais adequados para aplicação à taxa variável.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 41


Tópico 1
Mapas ou sensores para aplicações em taxas variadas

Existem duas maneiras específicas para a aplicação de corretivos e fertilizantes a taxas variadas:

• em tempo real, por meio do uso de sensores; e


• programada, por meio do mapeamento prévio do terreno.

Na aplicação em tempo real, são usadas máquinas que apuram (por meio de sensores) e anali-
sam informações sobre um determinado atributo específico à medida que o veículo se desloca
pelo espaço das lavouras. Estas máquinas possuem dispositivos que comandam a dosagem e o
local de aplicação de insumos a partir das informações coletadas a cada intervalo de tempo. Este
método não depende de um sistema de posicionamento por satélite, porém, quando associado
a um, pode gerar um mapa de variabilidade ao final da operação.

Sensor

Aplicador

Fonte: adaptado de Boletim técnico (MAPA, 2013).

Nas aplicações programadas, no lugar de sensores, as máquinas obedecem à programação dos


mapas de aplicação, previamente elaborados a partir de informações coletadas de forma geor-
referenciada, e analisadas de modo a definir as quantidades de insumos que serão aplicadas
nos diferentes pontos das lavouras. Neste sistema, é de extrema importância que se utilize um
sistema de posicionamento por satélite, a fim de relacionar a localidade da área com a necessi-
dade de aplicação do insumo.

Mapa Localizador

Aplicador

Fonte: adaptado de Boletim Técnico (MAPA, 2013).

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 42


Tópico 2
Benefícios e desvantagens de cada método

As aplicações programadas com mapas de aplicação apresentam algumas vantagens em rela-


ção às aplicações em tempo real com sensores. Entre elas, destacam-se:

• permitem utilizar tecnologias de coleta e análise de dados mais complexas, levando-se em


consideração mais de um mapa de condição;

• facilitam o controle da operação, uma vez que o sistema conhece previamente a situação que
vem a seguir; e

• permitem calcular as quantidades de insumos a serem aplicadas com antecedência, o que


pode ser importante no planejamento da empresa agrícola, inclusive para evitar que falte
insumo durante a aplicação.

Entre os cuidados necessários à aplicação programada, destacam-se:

• necessita de softwares específicos para a leitura dos mapas de recomendação; e

• podem se desaconselhadas quando as características do solo e das culturas tendem a alte-


rar-se rapidamente, por exemplo, uma infestação de pragas.

Por outro lado, os métodos de aplicação em tempo real, fundamentados em sensores, neces-
sitam também de tecnologia específica, nomeadamente os próprios sensores, que têm que dar
respostas em tempo real.

Atualmente, existem já diversos exemplos de sensores


que permitem avaliar diferentes características do solo e Qualquer um destes
das culturas. São exemplos: sistemas pode efetuar
medições incorretas se
• sensores fundamentados na reflexão de luz, que es- não for utilizado nas
timam as deficiências de nutrientes nas culturas e condições adequadas
determinam o nível de adubação nitrogenada, por ou se não estiver cor-
exemplo; retamente calibrado.
Por esta razão, os mé-
• sensores fundamentados na resistência elétrica, que todos fundamentados
medem o teor em umidade do solo; e em sensores precisam
ser acompanhados de
• sensores fundamentados na impedância elétrica, uti- apoio técnico especia-
lizados para medir o teor em nutrientes no solo. lizado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 43


Tópico 3
Aplicações à taxa variável com equipamentos convencionais

Atualmente, as técnicas de agricultura de precisão mais utilizadas são aquelas baseadas nos ma-
pas de rendimento e de recomendação. No entanto, uma parcela de produtores ainda trabalha
sem distribuidores capazes de aplicar insumos à taxa variável, ainda que apliquem as técnicas de
amostragem e análise para a criação de mapas de condição e de recomendação.

Neste caso, a técnica consiste em regular o distribuidor convencional manualmente e aplicar


determinada concentração do insumo por toda a zona de manejo de mesma cor. Para aplicar
sobre uma área referente a outra isolinha de outra cor é necessário realizar uma nova regulagem
manual do distribuidor, e assim sucessivamente, até perfazer toda a área.

Neste caso, o número de regulagens necessárias é igual ao número de iso-


linhas ou cores diferentes no mapa de recomendação.

Necessidade de
calcário (ton/ha)

0.00 – 1.50
1.50 – 3.00
3.00 – 4.50

Fonte: adaptado de Boletim Técnico (MAPA, 2013) com Shutterstock.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 44


Este tipo de aplicação tem as desvantagens de ser mais demorada, de exigir que se façam mui-
tas manobras dentro de subáreas do talhão, além de favorecer erros nas regulagens manuais do
distribuidor. Por outro lado, permite que o produtor adote o conceito da agricultura de precisão
e melhore sua produtividade mesmo sem possuir todo o maquinário adaptado.

Recapitulando
Existem vários métodos de aplicação de corretivos e fertilizantes à taxa variável, cada um de-
pendente de uma determinada condição da propriedade, do maquinário existente ou da carac-
terística analisada. A aplicação programada é feita a partir da elaboração do mapa de recomen-
dação e, com base nestas informações, a dose de insumo é ajustada automaticamente em cada
localidade do talhão. A aplicação em tempo real é feita por máquinas equipadas com sensores,
que analisam determinada característica na lavoura e geram a informação necessária para o
ajuste da taxa de aplicação em tempo real. A aplicação convencional é uma adaptação, onde se
realiza a regulagem manual para a aplicação de insumos dentro de cada isolinha do mapa de
recomendação.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

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Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 2 do Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos
e Fertilizantes. A seguir, você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado
neste módulo. Lembre-se que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde
você também terá um feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Na primeira aula deste módulo você estudou a importância da aplicação de corretivos e ferti-
lizantes em taxas variadas. Considerando as afirmações abaixo, assinale a alternativa correta.

a) A distribuição de calcário na agricultura convencional atende melhor à necessidade do


solo.

b) A distribuição de insumos à taxa variável proporciona redução na produtividade por per-


mitir a aplicação de doses baixas em algumas áreas.

c) As distribuições de calcário e fertilizante em doses variáveis favorece o aumento da efi-


ciência econômica da atividade.

d) A regulagem da taxa de aplicação é controlada manualmente através de um comando do


operador.

2. Com base nas informações dos tipos de aplicadores de corretivos e fertilizantes utilizados na
agricultura, analise as afirmações abaixo e assinale a correta.

a) A adubadora de tubo oscilante realiza a adubação localizada em sulcos.

b) O distribuidor de corretivos e fertilizantes em doses variadas necessita de um motor hi-


dráulico dosador da quantidade de insumo a ser aplicada.

c) O distribuidor a lanço de dois discos apresenta menor uniformidade de aplicação do que


a apresentada pelo de um único disco.

d) O distribuidor de aplicação localizada utiliza a força centrífuga para a aplicação de corre-


tivos e fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 46


3. De acordo com os métodos de aplicação de corretivos e fertilizantes à taxa variável, assinale
a afirmativa correta.

a) A aplicação de insumos em tempo real considera o mapa de recomendação no momento


da aplicação.

b) A aplicação programada, onde se utilizam mapas de recomendação, apresenta-se mais


vantajosa em condições em que a variável analisada evolui rapidamente, por exemplo, um
ataque de pragas.

c) O método de aplicação programada permite melhor planejamento da necessidade de in-


sumos a serem aplicados.

d) O método de aplicação convencional proporciona maior rapidez na operação.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 47


Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Distribuição
de Corretivos e
Fertilizantes
» Módulo 3: Barra de luzes

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 48


Módulo 3
» Barra de luzes

A maior parte do sucesso de um terreno cultivado por meio de técnicas de agricultura de precisão
vem da exatidão com que os insumos são depositados no talhão. Considerando que os mapas
de variabilidade registram todas as informações coletadas sobre o terreno, cabe ao operador ser
capaz de aplicar a quantidade correta de insumo em cada trecho do talhão. Nesse caso, a barra
de luzes é um equipamento capaz de orientá-lo de maneira correta, mesmo de noite, proporcio-
nando grande eficiência e economia de insumos durante o trabalho.

Neste módulo, portanto, você vai ter


contato com a técnica da barra de lu-
zes, utilizada para proporcionar uni-
formidade e precisão na distribuição
dos corretivos e fertilizantes sobre
o solo. Há aparelhos mais simples,
baseados em luzes de LEDs, e outros
mais elaborados, com monitores,
que podem inclusive agregar mais
funções além da orientação geo-
gráfica, controlando as válvulas de
depósito de insumos e mecanismos
dosadores, por exemplo.

Atenção! Sempre que finalizar a lei-


tura do conteúdo de um módulo,
você deve retornar ao Ambiente de
Estudos para realizar a atividade de
aprendizagem.

Siga em frente e faça bom proveito!


Fonte: Senar GO

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 49


Fonte: John Deere <http://blog.machinefinder.com>

Aula 1
A importância da barra de luzes nas operações de
distribuição de corretivos e fertilizantes

A barra de luzes é um equipamento de orientação visual desenvolvido para superar a dificulda-


de de manter o paralelismo dos equipamentos agrícolas entre as passadas de distribuição de
produtos. Quando o operador do equipamento não consegue se orientar com clareza no talhão,
pode comprometer a uniformidade de distribuição dos corretivos e fertilizantes, e consequente-
mente a eficiência da operação.

Várias alternativas para superar esse problema já foram testadas e algumas delas ainda são
muito utilizadas, mas nenhuma apresenta a mesma qualidade de desempenho que a barra de
luzes. Com este equipamento, o operador acompanha o alinhamento do trator e realiza os ajus-
tes necessários caso o trator venha a sair da rota programada. Isso proporciona uma melhor
distribuição dos produtos pelo solo e, consequentemente, qualifica a barra de luzes como uma
ferramenta muito importante para as técnicas de agricultura de precisão.

Ao final desta aula, espera-se que você reconheça a importância da barra de luzes nas operações
de distribuição de corretivos e fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 50


Tópico 1
Regras para deposição e absorção dos produtos pulverizados

Neste curso, você já estudou que a correta orientação do maquinário durante a aplicação de
corretivos e fertilizantes é crucial para a “precisão” da operação. Mas você já tem clareza sobre
estes requisitos de operação?

Vamos começar este assunto relembrando que os corretivos e fertilizantes – como o calcário,
gesso, fósforo, nitrogênio, dentre outros – são os insumos com maior capacidade de produzir
efeitos diretos na produtividade das lavouras. Porém, é comum serem aplicados com técnicas
inadequadas, o que gera elevadas perdas e reduz substancialmente a eficiência da aplicação.

Alguns desses insumos proporcionam melhores re-


sultados quando aplicados a lanço, como no caso
do calcário e dos fertilizantes fosfatados pouco so-
lúveis. Ao ser lançado, o produto pode ser acometi-
do por uma série de fatores antes de cumprir o seu
papel final, que é o de ser absorvido pelas plantas e
contribuir para o seu desenvolvimento. Esses fatores
se relacionam diretamente com o tamanho das par-
tículas que compõem o produto.

Quanto mais finos forem esses produtos, mais rá-


pida será a incorporação e disponibilização para as
plantas. Porém, ao mesmo tempo, eles estarão mais
Fonte: Boletim Técnico (MAPA, 2013)
suscetíveis a diversas perdas, seja pelo vento ou pela
lixiviação pelas águas.

Lixiviação

Processo pelo qual os nutrientes do solo migram das camadas mais superficiais para as cama-
das mais profundas, em decorrência de um processo de lavagem devido à ação da água da chu-
va ou da irrigação, tornando-se indisponíveis para as plantas (Embrapa Arroz e Feijão, 2004).

Assim, as características físicas do produto a ser aplicado e o teor de água


são os fatores que mais limitam a qualidade da distribuição pela área.
Quanto menor o tamanho das partículas e mais úmido estiver o produto,
pior será a distribuição.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 51


Em geral, essas características tornam as regulagens dos equipamentos aplicadores mais difí-
ceis, comprometendo a uniformidade de distribuição.

Já os fertilizantes granulados
são menos suscetíveis a esses
problemas. Nesse caso, pelo fato
de possuírem maior massa, são
menos afetados pelas correntes
de ventos, sendo depositados
mais facilmente nos locais plane-
jados.

Para as aplicações com esses pro-


dutos, deve-se definir a distância
entre as passadas e manter o ali-
nhamento correto de modo que
ocorra uma adequada sobreposi-
ção dos jatos de produtos lança- Fonte: Shutterstock
dos. E por que essa sobreposição
é necessária? Considere que, em geral, a distribuição desses produtos segue o seguinte padrão:
maior deposição no centro do jato e menor deposição nas extremidades. Ou seja, na prática, a
distribuição do produto apresenta um padrão na falta de uniformidade, que pode ser consta-
tado na figura a seguir.

18
16
14
Massa recolhida (g)

12
10
8
6
4
2
0

24 20 16 12 8 4 0 4 8 12 16 20 24
Distância ao centro do distribuidor (m)
Fonte: Adaptado de Cemagref (1997)

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 52


Dessa forma, torna-se necessário que haja sobreposição das faixas de aplicação nas extremida-
des dos jatos, que pode ser conseguida entre uma passada e outra do conjunto mecanizado. É
esta sobreposição precisa que vai garantir a quantidade correta de deposição e consequente-
mente a boa absorção dos produtos aplicados. Acompanhe a figura a seguir!

Largura
Fonte: Adaptado de Cemagref (1997)

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 53


Tópico 2
Paralelismo e a garantia de correta distribuição

A partir das regras de deposição dos produtos no solo, fica mais fácil entender a importância do
paralelismo na distribuição dos insumos. O paralelismo, ou seja, o traçado da máquina em linhas
perfeitamente paralelas no talhão, é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos operado-
res de máquinas agrícolas, porque eles precisam manter o alinhamento exato durante o deslo-
camento do conjunto trator-implemento.

Isso ocorre com frequência nas aplicações de corretivos e fertilizantes, pois nesse caso torna-se
difícil visualizar a colocação do produto no solo, não sendo muito bem definida a linha entre a
área aplicada e a área sem aplicação. Sem nenhuma referência com relação à orientação a ser
seguida, muitas vezes, ocorre o surgimento de áreas com excesso de sobreposição e outras sem
nenhuma aplicação.

Vale lembrar: áreas com excesso de aplicação de insumos podem causar to-
xicidades nas plantas, levando-as à morte; enquanto áreas sem aplicação
podem sofrer quedas na produtividade e consequente perdas financeiras.

Antes das técnicas de agricultura de precisão, o operador de máquinas só conseguia melhorar a


sua orientação e manter o alinhamento correto na aplicação de insumos por meio de marcado-
res de solo. Conheça os dois tipos.

Um modelo de marcador de solo é o riscador, formado por discos que dei-


xam uma marca no solo. Essa marca serve de orientação para que o opera-
dor posicione a roda do trator sobre essa linha durante a próxima passada
do conjunto mecaniza-
do. A principal desvanta-
gem desse dispositivo é
que, para larguras nomi-
Riscadores nais de trabalho maiores
de solo do que 18 m tem-se
maior dificuldade no
acionamento e recolhi-
mento da haste que sus-
tenta o disco riscador.
Fonte: Genius Plantadeiras
<www.geniusplantadeiras.com.br/genius_gss_so_sementes.php>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 54


Outra técnica utilizada é a marcação com espuma, que é um pouco frágil:
em condições de temperaturas mais elevadas, que normalmente são en-
contradas no campo, a durabilida-
de da espuma em contato com ar é
pequena. Isso se torna mais proble-
mático em grandes áreas de culti-
vo, quando os equipamentos de-
Marcadores vem se deslocar por longas
de espuma distâncias antes de retornar ao iní-
cio da área. Além disso, necessitam
de um mecanismo para a produção,
condução e distribuição da espuma
pelo solo, tornando a distribuição
de corretivo e fertilizante mais com-
plexa, cara e de difícil operação.
Fonte: Micron Pulverizadores
<www.micronpulverizadores.com.br/includes/marcadores.html>

Tópico 3
Funcionamento da barra de luzes

Diante dos desafios da distribuição de insumos que você


estudou nesta aula, podemos apresentar a barra de luzes
como um dispositivo muito eficiente no deslocamento orien-
tado das máquinas. Trata-se de um equipamento que tem
a finalidade de orientar o operador a se deslocar sempre
sobre uma faixa predefinida, mantendo uma mesma distân-
cia entre as passadas consecutivas. Isso permite adequada
sobreposição das extremidades dos jatos aplicados, incre-
mentando a uniformidade de distribuição dos produtos.

A barra de luzes desempenha um importante papel dentro


do pacote tecnológico utilizado na agricultura de precisão, Operação sem Operação com
pois permite melhor visualização do desempenho do con- barra de luz barra de luz
junto mecanizado em tempo real, oferecendo ao operador,
por meio da visualização de um monitor na cabine, a possi- Fonte: Adaptado de New Holland
<http://agriculture.newholland.com/
bilidade de realizar correções caso o conjunto saia do seu
br/pt/Products/precisionfarming/
alinhamento. Pages/Guia-Barra-de-Luz-EZ-
Guide-250-500.aspx>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 55


Basicamente, a maioria das barras de luzes possui
uma tela com um conjunto de LEDs vermelhos e ver-
des. Quando o trator ou outro equipamento em des-
locamento está dentro do alinhamento programado,
o conjunto de LEDs verdes se mantém aceso. Quan-
do o trator se afasta do alinhamento programado, os
LEDs vermelhos acendem e reorientam o operador na
direção do traçado correto, quando os LEDs verdes
acendem novamente.

Esse equipamento é orientado por meio de sinais de


satélites de navegação. Os sistemas de barras de lu-
zes mais bem equipados podem gerar erros de ape-
nas 30 cm entre as passadas, podendo atingir ain-
da maior exatidão, considerando a possibilidade de
corrigir os erros nos sinais. Para tanto, os sistemas
devem ser conectados a um receptor GNSS de boa
Fonte: <http://www.dhlzf.com.br/produtos/ acurácia. Geralmente, são receptores com tecnologia
59-gps-barra-de-luzes-system110.aspx>.
DGPS (Differential Global Positioning System) ou, na
maioria das vezes, RTK (Real Time Kinematic).

Mais adiante, ainda neste curso, você vai estudar que, quando associadas ao piloto automático,
as barras de luzes permitem automatização total dos equipamentos agrícolas.

Saiba Mais

No site <http://www.pulverizar.com.br/gps.htm>, você poderá visualizar um exemplo de


movimentação das luzes verdes e vermelhas em uma barra de luzes. Você também poderá
visualizar mais detalhes técnicos e alguns modelos de barras de luzes nos seguintes sites:

• <http://www.trimble.com.br/cfx-750.aspx>

• <http://www.spritzenteile.de/GPS-Systeme-546/Teejet-Matrix-840G-2460-2794
-2812.html> ou <http://goo.gl/3pnesV>

• <http://arvus.com.br/guia_virtual_titanium_bl.html>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 56


Recapitulando
Nesta aula, você estudou a importância da orientação geográfica do equipamento na distribui-
ção de corretivos e fertilizantes. A barra de luzes é um equipamento bastante eficiente para
realizar uma orientação precisa. Comparativamente a outras técnicas, como riscadores de solo
e marcadores de espumas, as barras de luzes apresentam desempenho muito superior, poden-
do gerar erros inferiores a 30 cm, sendo também de mais fácil operação. Elas auxiliam o ope-
rador na manutenção do alinhamento entre passadas permitindo que ele acompanhe a todo
o momento o deslocamento do conjunto mecanizado e, caso seja necessário, altere o trajeto.
Como resultado, tem-se melhor uniformidade na distribuição dos corretivos e fertilizantes sobre
o solo. Assim, elas constituem uma parte muito importante do pacote tecnológico empregado
pela Agricultura de Precisão.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 57


Fonte: <http://nolndfarms.com/>

Aula 2
Tipos de barra de luzes aplicados na distribuição
de corretivos e fertilizantes

Na aula anterior, você pôde compreender que as barras de luzes são ótimas ferramentas para
a melhoria da qualidade na distribuição dos corretivos e fertilizantes. Para fazer uso adequado
delas, é necessário conhecer os principais tipos de barras e suas características operacionais.

Há vários modelos disponíveis no mercado, e a barra de luzes de LEDs (associada ou não a mo-
nitores) é o modelo mais popular em termos de custo-benefício. Já o tipo associado a monitores
é um dispositivo que oferece mais informações para o operador, permitindo realizar ajustes no
alinhamento e na dose do produto aplicado mesmo durante a aplicação. Para tanto, é necessário
que o operador seja treinado e que esteja familiarizado com as funções do monitor.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de diferenciar os tipos de barras de luzes utilizados nas
máquinas agrícolas para distribuição de corretivos e fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 58


Tópico 1
Duas gerações de tecnologia luminosa

Atualmente, o mercado de equipamentos agrícolas voltado para a Agricultura de Precisão ofe-


rece uma diversidade muito grande de tipos de barras de luzes para orientação do alinhamento
dos conjuntos mecanizados. Elas podem ser utilizadas juntamente com o piloto automático ou
não. De modo geral, destacam-se dois modelos mais utilizados, descritos a seguir.

As barras de luzes com LEDs são equipamentos de formato retangular,


onde se visualiza uma linha de diodos emissores de luzes (LEDs), que são
fixados no campo de visão frontal do operador, geralmente no para-bri-
sa, no suporte da capota ou mesmo no painel do trator. Utilizam-se LEDs
por eles proporcionarem boa visibilidade da informação, além de consu-
mirem pouca energia, serem duráveis e não apresentarem aquecimento
como outros tipos de luzes.

As barras de luzes são conectadas a um receptor de sinal GNSS que


informa ao operador quanto à manutenção ou à falha no alinhamento
durante o deslocamento do trator, podendo ser em linhas reta ou cur-
va. Essa informação pode ser visualizada por meio da movimentação de
luzes verdes e vermelhas, ou então por meio de números ou setas que
representam o afastamento do alinhamento previamente estabelecido.
Barra de Quando necessário, o operador do trator realiza ajustes manuais na rota
luzes com programada de acordo com a informação visual fornecida pelas luzes da
LEDs barra, que ficam estrategicamente posicionadas diante dele.

São barras mais simples, que podem ser facilmente removidas e instala-
das em outros equipamentos.

Fonte: Plantium AG Electronica <http://www.plantium.com.br/


detalhes.aspx?CON_Id=13>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 59


As barras de luzes atualmente estão sendo substituídas pelas barras com
LEDs associadas a um monitor que põe à disposição do operador uma
maior quantidade de informações. Elas são constituídas pela barra de
luzes (disposta geralmente na parte superior) e um monitor com diversas
informações sobre a aplicação que são apresentadas em uma tela. Em
alguns equipamentos, as barras de luzes são substituídas por uma ima-
gem do trator e do equipamento de aplicação. Uma linha de orientação
no meio da tela indica ao operador o alinhamento a ser seguido. Caso
o alinhamento não seja seguido, uma seta aparece na tela indicando a
necessidade de se retornar ao alinhamento correto. À medida que o con-
junto se desloca pela área, o monitor registra a área coberta, gerando um
mapa de aplicação.

Elas podem ser utilizadas isoladamente ou em associação com o sistema


de piloto automático. Algumas delas possuem entrada USB que permite
inserir um pen-drive onde serão registrados dados da aplicação, por
Barra de
exemplo: velocidade da operação, área coberta, quantidade de produtos
luzes com
aplicados, desvio de rota e mapa da aplicação.
LEDs
associada a Geralmente, as telas das barras de luzes variam de 4 a 10 polegadas,
monitor o que permite que sejam colocadas em pequenos espaços nas cabines
dos tratores e que sejam visualizadas com facilidade pelos operadores.
Os teclados são de fácil utili-
zação e estão presentes nas
próprias telas, que são sensí-
veis ao toque, utilizando a tec-
nologia touchscreen. As telas
são protegidas por gabinetes
blindados contra poeira, umi-
dade e vibração, o que torna
os monitores muito robustos
e adequados aos trabalhos no
campo, sobretudo em solos
com irregularidades.
Fonte: Tecnoparts <http://www.tecnoparts.agr.br/
produtos/barra-de-luzes>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 60


Touchscreen

Tela sensível à pressão, que dispensa o uso de outros equipamentos como teclados.

Saiba Mais

A poeira é um fator crítico nas aplicações de corretivos e fertilizantes e muitas vezes con-
tribui para a redução da vida útil dos componentes das máquinas. Assim, é importante que
os dispositivos eletrônicos existentes nas máquinas que trabalham no campo estejam bem
protegidos.

Outras características das telas dos monitores:

• são coloridas e possuem interfaces amigáveis, proporcionando fácil adaptação aos operado-
res ainda inexperientes;

• possibilitam interação com a máquina, permitindo, por exemplo, realizar ajustes na vazão da
distribuição dos corretivos e fertilizantes;

• podem reconhecer diferentes sinais de satélites recebidos pelos receptores, dos sinais C/A
aos L1 e L2. Além disso, podem captar as frequências emitidas tanto pelo sistema de navega-
ção por satélite Navstar como pelo Glonass;

• como os demais recursos tecnológicos estudados neste curso, as barras de luzes exigem
treinamento adequado, entregas técnicas (por parte do fornecedor) e consultas recorrentes
ao manual do fabricante

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 61


Saiba Mais

Um diferencial importante na compra de um sistema de barra de luzes é a compatibilidade


com a tecnologia de comunicação digital serial Controller Area Network (CAN). Isso permite
que os sistemas de monitoramento sejam utilizados em qualquer equipamento construído
de acordo com normas internacionais de padronização de conectores, cabos, entradas para
memórias e outras funcionalidades de intercomunicação.

Recapitulando
Nesta aula, você estudou que os dois tipos de barras de luzes mais utilizados nas aplicações
de corretivos e fertilizantes são aqueles que utilizam apenas luzes de LEDs dispostas em linha
e aqueles nos quais as barras estão associadas a um monitor. Em ambos os casos, o operador
pode realizar ajustes no alinhamento do conjunto, proporcionando melhor distribuição dos pro-
dutos sobre o solo. Nas barras de luzes associadas ao monitor é possível realizar vários tipos de
ajustes a fim de adequar a aplicação aos princípios da Agricultura de Precisão, por exemplo, à
aplicação à taxa variável. Para tanto, o monitor deve se comunicar com os sensores e válvulas
responsáveis pela abertura dos mecanismos dosadores. Os monitores mais sofisticados resis-
tem às condições mais severas de trabalho no campo e podem captar sinais de vários sistemas
de navegação por satélite.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 62


Fonte: John Deere <http://blog.machinefinder.com>

Aula 3
Utilização da barra de luzes na aplicação de corretivos
e fertilizantes

Nas aulas anteriores deste módulo, você estudou que os dois tipos de barras de luzes mais en-
contrados no mercado melhoram a qualidade da distribuição dos corretivos e fertilizantes. Para
tanto, é importante identificar suas partes constituintes e compreender o seu funcionamento.
Apesar de ser facilmente operacionalizadas, o conhecimento sobre suas funções e formas de
utilização fazem com que todo o potencial de uso seja explorado. É necessário que o operador
seja treinado e que saiba utilizar as funções básicas, como executar os procedimentos de con-
figurações iniciais e definir os trajetos a serem realizados. Dessa forma, além de contribuir para
a adequada realização da operação, será realizada a manutenção correta do equipamento, que
terá maior vida útil, podendo ser utilizado por mais tempo na fazenda.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de compreender o funcionamento da barra de luzes nas
máquinas agrícolas utilizadas na distribuição de corretivos e fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 63


Tópico 1
Montagem e configuração do equipamento

As barras de luzes mais modernas são de fácil emprego, desde que o operador tenha certa qua-
lificação, a fim de conseguir ler e interpretar informações às vezes descritas por imagens ou
símbolos. Os cuidados gerais com a manutenção e a rapidez na tomada de decisão devem ser
considerados no momento de se selecionar o operador para trabalhar com essa ferramenta.

Em geral, as barras de luzes possuem poucas partes constituintes:

• receptor com antena do sinal GNSS;


• cabo de conexão do receptor ao monitor;
• cabo de alimentação de energia;
• suporte para fixação; e
• monitor.

A montagem dessas peças pode ser feita em qualquer parte do trator. Primeiramente, deve-se
fixar a antena em alguma parte central do trator, podendo ser sobre o capô ou no teto da cabine,
tomando-se o devido cuidado de realizar uma fixação adequada. Normalmente, os fabricantes
fornecem ventosas ou bases colantes feitas de ímã para esse fim. É importante que o local de
fixação esteja limpo para proporcionar boa aderência.

Cabo de
alimentação
Antena do
receptor GNSS

Cabo de ligação Barra de luzes


antena-monitor com monitor

Fonte: Jacto

O suporte da tela é fixado em local onde o operador possa realizar todas as suas tarefas e ainda
conferir na tela o seu alinhamento e monitorar o funcionamento de todo o sistema durante a
operação. Assim, o suporte pode ser colocado no vidro do para-brisa ou em uma das colunas de
fixação da capota. Geralmente, a base do suporte é constituída de uma ventosa. O monitor é co-
locado no suporte articulado, que permite movimentação em algumas direções, de forma a ser

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 64


mais bem visualizado pelo operador. Em seguida, deve-se conectar o cabo da antena do receptor
ao monitor e o cabo que liga o monitor ao ponto de energia disponível no trator.

Saiba Mais

Tenha sempre em mente que os procedimentos utilizados para configurar o monitor da


barra de luzes variam de acordo com o fabricante. Portanto, é importante ler com atenção
todo o manual para esclarecer o funcionamento e tirar eventuais dúvidas. O manual é a uma
valiosa fonte de informação e deve ser preservado para possibilitar consultas a qualquer
momento. Muitas fazendas disponibilizam para os operadores apenas cópias dos manuais,
deixando os originais guardados no escritório.

Ao adquirir uma barra de luzes, é importante solicitar uma entrega técnica por parte do fornece-
dor. Preferencialmente, devem-se adquirir equipamentos de fornecedores que possuem reven-
das autorizadas próximas à fazenda para o caso de se necessitar de uma rápida reposição de
peças, ou mesmo de assistência no local.

Apesar de não existir uma configuração padrão, alguns procedimentos são comuns à maioria das
barras de luzes, como os descritos a seguir.

Definição da largura nominal de trabalho

Neste procedimento, deve-se atentar para a unidade de medida utilizada. Ela deve ser a mes-
ma para todas as outras distâncias a serem referenciadas no monitor.

Definição da posição da antena

Deve-se indicar a posição horizontal e vertical da antena em relação ao centro do distribui-


dor de corretivos e fertilizantes, pois a referência de todo o monitoramento pelo satélite é a
posição da antena. Para tanto, deve-se informar no monitor a altura da antena, sua distância
à frente ou com relação à parte de trás, à esquerda ou à direita do centro do distribuidor.

Definição das seções a serem utilizadas

Esta função é utilizada quando se deseja trabalhar apenas com parte das aberturas do distri-
buidor. Nesse caso, o equipamento deve ser dotado de válvulas que permitam a abertura e
o fechamento separadamente.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 65


Definição das guias de referências

Essa é uma das partes mais importantes durante a preparação da barra de luzes. Trata-se da
definição do percurso que o equipamento vai realizar. Em geral, existem três possibilidades
de percurso.

• Em linha reta: permite definir um ponto inicial, chamado de ponto A, e um ponto final,
chamado de ponto B. Entre esses dois pontos, o monitor desenha uma reta de referência.
Essa função é utilizada em terrenos planos, com formatos quadrados ou retangulares.
• Em círculo: ao definir o ponto inicial A, o monitor mostra uma guia em forma circular como
caminho. Os círculos são concêntricos e iniciarão na parte de fora do círculo em direção ao
centro com incrementos da largura programada. Essa função é mais empregada em plan-
tio sob pivô central, no qual o trator deve percorrer o mesmo sentido das linhas de plantio.
• Em curva: permite definir um ponto inicial A e outro final B. Em seguida, é mostrada uma linha
de acordo com o percurso feito pelo equipamento entre os dois pontos. A função em curva é
utilizada principalmente quando o trator deve percorrer um trajeto seguindo curvas de nível.

Depois de observar o esquema de um monitor abaixo, acompanhe a definição dos pontos dos
trajetos a partir de um sistema de barra de luzes.

Ponto de ajuste A/Diminuir


brilho dos LEDs/Botão
A B C D diminuir espaçamento
Ponto de ajuste B/Botão
centralizar pista
Ponto de ajuste C/Aumentar
brilho dos LEDs/Botão
aumentar espaçamento
Botão modo
LED indicador de entrada do
operador
LED indicador de qualidade
de sinal do GPS

LEDs (Verdes) indicadores de LEDs (Vermelhos)


rastreamento centralizado indicadores de rastreamento
de desvio à esquerda/
LEDs (Vermelhos) Diminuir rastreamento
indicadores de rastreamento de
desvio à direita/Aumentar
rastreamento
Fonte: <https://stellarsupport.deere.com/pt_BR/Support/pdf/ompfp10057_Lightbar.pdf>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 66


 Para a definição dos trajetos, deve-se posicionar o trator no
ponto A, que representa o ponto de início da operação. Em geral,
B C as telas dos monitores indicam para o operador o momento de
se pressionar a tecla com a letra correspondente ao ponto que
X
deve ser marcado.

Nesse caso, a tecla irá piscar, indicando a necessidade de defini-


ção desse ponto. Em seguida, o operador deve realizar o percurso
desejado e, ao final dele, parar o trator e pressionar a tecla B, que
deverá estar piscando. Assim, o trajeto A-B terá sido registrado.
Em seguida, o operador faz a manobra de cabeceira e posiciona
o trator a fim de realizar o retorno em um espaçamento entre
passadas previamente definido. Nesse momento, é registrado o
ponto C, que será definido como distância entre as passadas.

Assim, definem-se as linhas paralelas ao trajeto inicial A-B, que


A são mostradas na tela do monitor. Sempre que o trator sair des-
se alinhamento, o operador será avisado para retornar ao alinha-
Fonte: John Deere mento correto. Isso pode ser feito por meio de seta indicando
a direção a ser tomada, ou por meio de LEDs vermelhos que se
acendem. Nesse caso, a quantidade de LEDs que se acenderá
será proporcional ao tamanho do afastamento do alinhamento.
Para corrigi-lo, o operador deverá direcionar o trator na direção
dos LEDs vermelhos, que se apagarão à medida que o alinha-
mento for corrigido.

No exemplo abaixo, a barra de luzes com monitor indica a área aplicada em amarelo.

Fonte: Trimble <www.trimble.com>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 67


Os LEDs verdes estão localizados na parte central da barra de luzes e, quando acesos, indicam
que o alinhamento está mantido.

Exemplo

Uma pequena simulação de configuração e operação de uma barra de luzes foi feita pela
Plantium AG-Electronica, empresa sediada em Curitiba-PR. Com acesso à internet, visite o
endereço a seguir para visualizá-la:

<http://www.plantium.com.br/Resources/Puntoab.swf>

Recapitulando
Nesta aula, você estudou que as barras de luzes podem ser utilizadas sem muita dificuldade, des-
de que o operador esteja familiarizado com as suas partes constituintes e com os procedimentos
de configurações básicas. A fixação de cada componente deve ser feita de forma atenta e crite-
riosa, a fim de proporcionar adequada estabilidade durante a operação. Dentre as configurações
básicas, destaca-se a padronização das unidades de medidas, a definição da posição da antena
sobre o trator em relação ao centro do distribuidor de corretivo e fertilizante e a definição dos
trajetos. Após a definição do primeiro trajeto, o operador visualizará na tela linhas paralelas que
deverão ser seguidas. Elas representam o alinhamento e o operador será avisado caso ele não
seja acompanhado.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite a atividade!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 68


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 3 do Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos
e Fertilizantes. A seguir, você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado
neste módulo. Lembre-se que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde
você também terá um feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Considerando a importância das barras de luzes para a distribuição de corretivos e fertilizan-


tes, analise a alternativa correta:

a) A distribuição de corretivos e fertilizantes é uma operação que pode ser feita sem a neces-
sidade de orientação entre passadas.

b) Para garantir uniformidade na distribuição dos corretivos e fertilizantes não se pode ter
sobreposição entre as passadas durante as aplicações.

c) Os marcadores de linha tipo discos riscadores e espumas são muito eficientes e têm de-
sempenho superior às barras de luzes.

d) As barras de luzes permitem que o operador visualize o alinhamento do trator e que reali-
ze ajustes na direção quando necessário.

2. Considerando os tipos de barras de luzes descritos na Aula 2, assinale a alternativa correta.

a) As barras de luzes associadas ao monitor permitem ao operador visualizar várias informa-


ções da aplicação e realizar ajustes ainda durante a aplicação.

b) As barras de luzes são constituídas de luzes fluorescentes para facilitar a visualização do


alinhamento.

c) As barras de luzes associadas ao monitor possuem softwares específicos que indicam o


alinhamento, não necessitando de sinais de GNSS.

d) Os monitores das barras de luzes são instalados sobre o para-lama do trator para facilitar
a visualização do direcionamento do alinhamento.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 69


3. Considerando o funcionamento das barras de luzes descrito na Aula 3, analise a alternativa
correta.

a) As barras de luzes possuem funcionamento muito simples e podem ser utilizadas por todos
os operadores, mesmo aqueles sem qualificação.

b) A antena do receptor GNSS deve ser posicionada no centro do equipamento distribuidor de


corretivos e fertilizantes.

c) A definição do trajeto A-B-C se refere à primeira passada do trator e, a partir dela, linhas
paralelas são estabelecidas.

d) Quando os LEDs vermelhos estão acesos, indicam que o deslocamento do trator excedeu a
velocidade programada de trabalho.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 70


Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Distribuição
de Corretivos e
Fertilizantes
» Módulo 4: Piloto automático

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 71


Módulo 4
» Piloto automático

O piloto automático representa um passo a mais, além da barra de luzes, na orientação geográfi-
ca dos equipamentos que trabalham no campo. Trata-se de uma ferramenta moderna que otimi-
za bastante a aplicação de corretivos e fertilizantes, sendo um dos maiores avanços alcançados
nos últimos anos com a Agricultura de Precisão e visa basicamente à condução automatizada
das máquinas e implementos agrícolas, utilizando a orientação por sinal de satélite com tecno-
logia de correção diferencial (conhecida como RTK).

Entre as vantagens para as operações de distribuição de corretivos e fertilizantes, destacam-se:


a redução da fadiga do operador, melhoria na qualidade da distribuição dos produtos, aumento
da capacidade operacional, realização das operações durante a noite, definição de locais de
tráfego controlado, maior segurança da operação, envolvimento de mão de obra qualificada e
redução dos custos de produção.

Neste módulo, você vai aprender


a diferenciar os principais tipos de
piloto automático, conhecer suas
principais partes constituintes e en-
tender os procedimentos de configu-
ração do sistema.

Atenção! Sempre que finalizar a lei-


tura do conteúdo de um módulo,
você deve retornar ao Ambiente de
Estudos para realizar a atividade de
aprendizagem.

Siga em frente e faça bom proveito!

Fonte: Senar GO

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 72


Fonte: <bandbtractors.com>

Aula 1
A importância do piloto automático nas operações
de distribuição de corretivos e fertilizantes

O piloto automático é um dos dispositivos tecnológicos mais avançados empregados na Agri-


cultura de Precisão. Ele proporciona melhorias consideráveis na aplicação de corretivos e ferti-
lizantes dando um passo a mais na condução do trator – muitas vezes, ele não apenas auxilia o
operador, mas trabalha por ele. Desta forma, o operador poderá atentar para outras ações im-
portantes durante a aplicação, como a verificação da quantidade de insumo no depósito e o mo-
nitoramento do funcionamento de todo o sistema de aplicação. O trator mantém o alinhamento
predefinido por meio de orientação por satélite, podendo em alguns casos até mesmo realizar as
manobras de cabeceiras. Como vantagens, pode-se dizer que o piloto automático evita desgaste
do operador, melhora a qualidade da aplicação e pode inclusive tornar a operação mais segura.
Entretanto, é importante que se conheça em detalhes como essas vantagens podem ser opera-
cionalizadas nas aplicações de corretivos e fertilizantes.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de reconhecer a importância do piloto automático nas
operações de distribuição de corretivos e fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 73


Uma das causas de redução da eficiência das operações agrícolas mecanizadas tradicionais re-
side na baixa qualidade da mão de obra empregada. No caso de um trator comum, o operador
deve ser capaz de conduzi-lo com eficiência em um alinhamento predefinido, realizar as mano-
bras de cabeceiras com rapidez e retornar para o alinhamento, obedecendo ao espaçamento
entre passadas. Isso tudo deve ser feito considerando-se critérios de segurança que, a depender
do desgaste físico resultante da jornada de trabalho, podem ser seriamente comprometidos,
levando a acidentes e falhas nas aplicações.

Uma alternativa frente a esse problema é o uso dos pilotos automáticos nos tratores agrícolas,
também conhecidos como autodirecionamento ou direcionamento automático. Trata-se de uma
tecnologia que surgiu diante dos inúmeros avanços dos dispositivos que fazem parte do pacote
tecnológico da agricultura de precisão.

Tópico 1
Princípios do piloto automático

O princípio de funcionamento dessa técnica se baseia no direcionamento automático do trator


sobre uma linha preestabelecida e no monitoramento via satélite. O sistema utiliza sinais GNSS
com técnicas de correção diferencial, sendo que a mais empregada ultimamente é o RTK, que
utiliza uma base fixa, com a função de corrigir o posicionamento informado pelos satélites e en-
viar o sinal corrigido para o receptor móvel que fica localizado no trator, por meio de ondas de
rádio UHF. A distância entre as duas bases pode ser de até 30 m, desde que não haja obstáculos
ao longo do percurso do sinal.

De modo geral, os erros observados nos sistemas de piloto automático mais avançados são
baixos, podendo girar em torno de 1 a 5 cm. Assim ocorre durante a configuração das barras de
luzes, o operador deverá criar uma linha guia e definir o espaçamento entre as passadas. Em
seguida, o sistema elabora diversas linhas virtuais à direita e à esquerda da linha guia. Durante o
deslocamento, se necessário, a posição do trator é corrigida automaticamente por atuadores no
volante ou nos rodados.

A maioria dos pilotos automáticos opera


em associação com as barras de luzes,
assim o operador poderá acompanhar
o desempenho do sistema pela dinâmi-
ca das luzes no painel. Para alguns mo-
delos de piloto automático, o operador
deve assumir a direção manual para rea-
lizar a manobra de cabeceira. Ao fazer a
manobra, o trator se deslocará automa-
ticamente para o alinhamento, sem a ne-
cessidade da existência de marcadores
de linhas no terreno. Fonte: <www.trimble-cfx-750-drive-xp/>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 74


Tópico 2
Vantagens do piloto automático

Para as aplicações de corretivos e fertilizantes realizadas com dispositivos de piloto automáti-


co, em geral, tem-se maior uniformidade na manutenção do alinhamento, paralelismo entre as
passadas e adequada sobreposição dos jatos dos produtos aplicados a lanço. Além disso, os
equipamentos agrícolas com piloto automático proporcionam maior conforto ao operador, que
pode dedicar a sua atenção a outras atividades durante a aplicação, como o monitoramento da
quantidade de produto nos reservatórios e a observação das diversas funções apresentadas nas
telas dos monitores e painel do trator. Consequentemente, ao final da jornada de trabalho, o
operador estará mais descansado e motivado para retornar às suas atividades no dia seguinte.

Acompanhe nas abas abaixo outras vantagens diretas do piloto automático!

Agilidade e eficiência no trabalho

Destaca-se também que o piloto automático possibilita o aumento da velocidade normal


de operação e proporciona melhor controle da sobreposição da aplicação. Dessa forma, as
falhas na aplicação são reduzidas, evitando que seja necessário realizar outras aplicações,
além de elevar a capacidade operacional da atividade e liberar o trator mais cedo para a
realização de outros afazeres na fazenda. Ressalta-se também que a janela de aplicação é
mais bem aproveitada, uma vez que o tempo destinado à realização das atividades agrícolas
é limitado pelas condições climáticas favoráveis.

Operação com qualquer visibilidade

Outra vantagem é que as operações poderão ser realizadas no período noturno. Em geral,
as operações mecanizadas convencionais noturnas requerem atenção extra pela baixa visi-
bilidade, o que pode comprometer a qualidade da operação e aumentar os riscos de acon-
tecerem acidentes. Entretanto, tem-se observado cada vez mais que as máquinas agrícolas
têm sido operadas também à noite, proporcionando boa qualidade dos serviços realizados
e menores ocorrências de acidentes. Isso tem sido possível, sobretudo, pelo uso dos pilotos
automáticos que conduzem o trator, enquanto o operador fica responsável pela avaliação do
andamento de toda a operação. Nesse caso, o piloto pode marcar os obstáculos que existem
na área, como postes, buracos, cercas, dentre outros e o trator irá contorná-los automatica-
mente, sem a necessidade de intervenção do operador, tornando a operação mais segura.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 75


Controle de tráfego

Pode-se destacar também que o piloto automático permite realizar o chamado controle de
tráfego das operações agrícolas. Trata-se de uma prática muito empregada nas fazendas
que adotam certo rigor no controle da compactação dos solos. Nesse caso, há uma definição
precisa dos locais onde as máquinas irão passar sempre que houver necessidade de realizar
uma nova aplicação. A vantagem dessa prática está no fato de minimizar as áreas compac-
tadas pelos rodados dentro da lavoura. Assim, caso haja necessidade de realizar alguma
operação de descompactação, ela será feita apenas nos locais de tráfego, que, por sinal, já
serão devidamente conhecidos.

Operação em terrenos inclinados

Para aplicações em terrenos inclinados ou com presença de grandes terraços, há uma ten-
dência de o trator sofrer grandes deslocamentos laterais, permanecendo, às vezes, inclina-
do. Isso prejudica a aplicação e causa maior desgaste físico do operador. Com o piloto auto-
mático, esse efeito pode ser reduzido ou até mesmo eliminado, uma vez que a maiorias dos
atuadores possui torque suficiente para manter os rodados no alinhamento preestabelecido.
Isso é feito por meio de sensores que detectam a inclinação do terreno e compensam a falta
de alinhamento, garantindo, assim, a qualidade da aplicação.

Aumento da acurácia na
aplicação de insumos em
terrenos inclinados

Antena GNSS

Ângulo
de rodagem

Posição compensada Posição sem a compensação


pelo ângulo do terreno do ângulo do terreno

Fonte: <www.trimble.com.br/index.php/produtolat/piloto-automatico/eletrico-2/ez-pilot-2>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 76


Proporcionando tantos benefícios, pode-se concluir que, por se tratar de tecnologia avançada, é
necessário que a operação dos pilotos automáticos seja realizada por mão de obra qualificada.
Isso pode ser visto como uma vantagem, pois a qualificação da mão de obra geralmente produz
melhores resultados ao realizar a operação. Um operador qualificado se torna apto a interpretar
as informações gerais sobre o funcionamento de todo o sistema e realizar eventuais ajustes,
caso sejam necessários. Isso contribui para maior profissionalização das atividades agrícolas,
criando um novo perfil de trabalhador rural.

Todos esses fatores podem refletir também no custo final da produção, uma vez que o tempo
poderá ser otimizado e o número de aplicações reduzido.

Saiba Mais

Para visualizar um trator operando com piloto automático, acesse um vídeo produzido pela
Maqnelson, uma revendedora John Deere presente em Goiás e em Minas Gerais: <https://
www.youtube.com/watch?v=9vVaxq8HV8U> ou <http://goo.gl/vP0Aea>.

Recapitulando
Nesta aula, você aprendeu que o piloto automático é uma ferramenta moderna que otimiza bas-
tante a aplicação de corretivos e fertilizantes. Ela funciona mediante orientação por sinal de
satélite, empregando a tecnologia de correção diferencial conhecida como RTK. Trata-se de um
dos maiores avanços alcançados nos últimos anos com a Agricultura de Precisão e visa basica-
mente à condução automatizada das máquinas e implementos agrícolas, proporcionando uma
série de vantagens para as operações de distribuição de corretivos e fertilizantes. Dentre elas,
destacam-se: redução da fadiga do operador, melhoria na qualidade da distribuição dos produ-
tos, aumento da capacidade operacional, realização das operações durante a noite, definição
de locais de tráfego controlado, maior segurança da operação, envolvimento de mão de obra
qualificada e redução dos custos de produção.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 77


Fonte: <www.teejet.com>

Aula 2
Tipos de piloto automático utilizados na distribuição
de corretivos e fertilizantes

Na aula anterior, você estudou que os pilotos automáticos são ferramentas muito versáteis para
inúmeras necessidades na área de aplicação de corretivos e fertilizantes. Para fazer uso adequa-
do dessa tecnologia, é importante que se conheçam os tipos de pilotos automáticos disponíveis
no mercado e quais são as características de cada um deles. Dessa forma, torna-se possível
selecionar o tipo mais adequado para cada situação, considerando principalmente a relação
custo-benefício, uma vez que os modelos disponíveis atualmente possuem custos de aquisição
bem distintos. Vale ressaltar que o custo se eleva à medida que a acurácia fornecida aumenta.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• distinguir os tipos de pilotos automáticos utilizados nos distribuidores de corretivos e fertili-


zantes; e

• conhecer os componentes dos pilotos automáticos utilizados nas máquinas agrícolas.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 78


Os pilotos automáticos já fazem parte de um importante segmento comercial dos fabricantes
de tratores equipados com dispositivos para agricultura de precisão. Alguns, inclusive, já são
incorporados diretamente na linha de montagem, fazendo parte dos itens de série para certos
modelos. Porém, tem-se observado que muitos produtores têm adquirido equipamentos separa-
damente, adaptando-os a seus tratores, o que eleva consideravelmente o desempenho dessas
máquinas.

Apesar de existirem diversos modelos no mercado, os pilotos automáticos podem ser divididos
em dois grupos, a saber, os pilotos automáticos universal e integrado.

Tópico 1
Piloto automático universal

O piloto automático universal é a forma mais simples de automatizar o trator. Consiste basica-
mente de um mecanismo de atuação fixado na barra de direção, próximo ao volante. Pelo fato
de ser adaptável a um veículo usado, ou seja, o produtor poder adquirir o acessório e instalar no
seu próprio trator, muitos produtores têm optado por este tipo de automação. O mecanismo é
controlado por um monitor que governa a direção e mantém o veículo no trajeto desejado du-
rante a operação.

De modo geral, o piloto universal é de fácil montagem e pode ser adaptado em diversos mo-
delos de tratores. Entretanto, recomenda-se que seja realizada uma avaliação prévia sobre a
compatibilidade entre o modelo de trator disponível e o piloto automático que se deseja adquirir.
Alguns fabricantes, no intuito de garantir melhores resultados proporcionados pelos seus equi-
pamentos, limitam o uso de seus dispositivos para apenas certos modelos de tratores, tendo em
vista as posições de fixação do atuador e o desempenho do trator.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 79


Atualmente, são comercializados dois tipos de piloto universal: os pilotos eletromecânico e elé-
trico. Acompanhe.

Eletromecânico

O piloto automático universal eletromecânico é constituído basicamente por uma estrutura


formada pelo mecanismo de atuação, conectado diretamente ao eixo central do volante, um
monitor e um receptor de sinal GNSS com tecnologia RTK. Nesse caso, existe uma base fixa e
uma base móvel. A montagem consiste na substituição do volante original do trator por essa
estrutura, que possui uma unidade de comando responsável por receber as coordenadas
vindas do receptor e atuar diretamente na coluna de direção do trator, realizando os ajustes
a fim de manter o alinhamento programado.

Uma das vantagens desse tipo de piloto é que


ocupa pouco espaço na cabine e não limita a
visibilidade do operador a informações no pai-
nel do trator. Além disso, permite que a funcio-
nalidade telescópica do volante seja mantida.
O monitor, além de possuir uma barra de luzes
para que o operador acompanhe o desem-
penho do piloto automático, tem a finalidade
de interagir com o operador, possibilitando a
visualização das linhas a serem seguidas e a
geração do mapa de aplicação. Ainda possui
um teclado virtual que permite configurar o
sistema. O receptor constitui a base móvel do
sistema de correção diferencial RTK.

Fonte: <www.deere.com.br>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 80


Elétrico

O piloto automático universal elétrico é constituído por um motor elétrico fixo na coluna de
direção por meio de um suporte universal.

Antena 3X
+ -
Monitor
Acionamento
Sistema de compensação de terreno
Alimentação

Fonte: <http://arvus.com.br/pages/arvus/files/piloto_automatico.pdf>

Esse suporte permite que seja feito ajuste de modo que a extremidade do motor, que possui
uma estrutura móvel, fique em contato com o volante, movimentando-o para que o trator
siga o alinhamento determinado. Também é constituído por um monitor e um receptor de
sinais GNSS. Em geral, são os pilotos automáticos de menor custo de aquisição, podendo ser
adaptados a diversos tipos de tratores.

Para obter um funcionamento adequado, o contato


entre o volante e o motor elétrico do piloto deve
proporcionar bom atrito, sob pena de ocorrer des-
lizamento e consequente perda na transmissão do
movimento. Ressalta-se que o volante deve estar
limpo e sem a presença de lubrificantes, fato co-
mum em algumas situações verificadas no campo.
Folgas no sistema de direção podem comprometer
o desempenho do funcionamento desses dois tipos
de automação.

Fonte: <http://agriculture.newholland.
com/br/pt/Products/precisionfarming/
Pages/Piloto-Eletrico-EZ-Steer.aspx>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 81


Tópico 2
Piloto automático integrado

O piloto automático integrado con-


siste em uma série de componentes
que são conectados diretamente aos
componentes elétricos e hidráulicos
responsáveis pelo direcionamento
do trator. Esse tipo de piloto se inte-
gra diretamente no sistema hidráu-
lico do trator, o que permite uma
maximização do espaço dentro da
cabine, aumentando o conforto do
operador e a segurança da operação.
Suas principais partes constituintes
são: o receptor de sinais GNSS, o
comando de inclinação, o comando
central e o atuador.

Em geral, o piloto integrado tem um


custo de aquisição superior ao dos
outros tipos de pilotos. Entretanto, Fonte: <http://www.agrogeosul.com.br/index.php/produtos/
apresenta melhor acurácia em rela- pilotauto/hidraulico/auto-pilot-trimble>.
ção aos pilotos universais, podendo
gerar erros entre 3 e 5 cm, pois atua diretamente no esterçamento do trator, proporcionando
tempo de resposta mais curto durante os movimentos de correção do trajeto.

Isso ocorre porque, diferentemente do que acontece nos sistemas de piloto universal, este sis-
tema não é acometido pelas folgas que normalmente são verificadas na direção dos tratores.
Dessa forma, o trator retorna mais rapidamente para o alinhamento, resultando em redução do
tempo total e no aumento da capacidade operacional.

Assim como em alguns tipos de piloto automático universal, o piloto automático integrado pos-
sui tecnologia para correção da inclinação do terreno, ajustando o trator em três eixos e corrigin-
do a inclinação diversas vezes por segundo. Isso garante a qualidade da aplicação mesmo em
terrenos inclinados com longos terraços.

Alguns modelos de piloto automático permitem realizar manobras de cabeceira com bastante
facilidade. Uma das grandes vantagens disso é a redução do tempo destinado a essa manobra
que, em equipamentos sem piloto automático, exige habilidade do operador para ser realizada
de forma adequada, sobretudo em pequenos espaços.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 82


Fonte: <http://www.deere.com.br/pt_BR/products/equipment/
agriculture_management_solutions/guidance_system/itec_pro/itec_pro.page?>

Saiba Mais

Nestes sites, você pode visualizar alguns tipos de piloto automático, assim como outros
equipamentos voltados para a agricultura de precisão:

• <http://www.deere.com.br/pt_BR/products/equipment/agriculture_management_
solutions/guidance_system/guidance_system.page> ou <http://goo.gl/sMqebw>
• <http://www.agrogeosul.com.br/index.php/produtos/pilotauto>
ou <http://goo.gl/GE4NK1>
• <http://www.agriculturaverion.com.br/aplicacoes/8-piloto-automatico>
ou <http://goo.gl/4GoW2X>.

Recapitulando
Nesta aula, você pôde diferenciar os principais tipos de piloto automático e conhecer suas prin-
cipais partes constituintes. Basicamente, eles se dividem em dois tipos: automático universal
e integrado. O piloto automático universal pode ser acionado por motor elétrico (por meio da
fixação do piloto na coluna do volante através de um suporte universal) ou pela substituição
do volante por estrutura com o sistema de controle automático da direção. Os dois sistemas
são mais simples e de menor custo de aquisição. O piloto integrado consiste de partes que são
conectadas diretamente ao sistema hidráulico de direção do trator, já na fábrica. Nesse caso, a
resposta a alterações da direção ocorre mais rapidamente. Assim, o trator retorna mais rapida-
mente para o seu alinhamento, além de poder realizar as manobras de cabeceiras de forma mais
ágil. Como consequência, tem-se o aumento da capacidade operacional e a redução do tempo
total para realização da operação.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 83


Fonte: Shutterstock

Aula 3
Configuração e operação do piloto automático
Para fazer uso correto dos diferentes tipos de pilotos automáticos que o mercado disponibiliza,
assim como dos demais aparelhos tecnológicos, é importante saber configurar e operar os seus
componentes. Basicamente, duas configurações são importantes para a operação do piloto au-
tomático: a configuração das bases fixa e móvel do sistema RTK e a configuração do monitor do
piloto automático.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• apreender a configuração do piloto automático utilizado nas propriedades agrícolas; e

• diferenciar as formas de operação de um piloto automático.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 84


Tópico 1
Configuração do sistema de posicionamento

Para trabalhar com piloto automático nas aplicações de corretivos e fertilizantes, umas das pri-
meiras ações que precisam ser executadas é a definição do local onde ficará a base fixa do
sistema de correção do sinal. Essa base é
constituída por um receptor de dezenas de
canais de sinais das bandas L1 e L2. Prefe-
rencialmente, ela deve ser posicionada em
local que apresente rigidez, boa visão para
o céu e presença de poucos obstáculos que
possam refletir o sinal. Devem ser evitadas
partes intermediárias de torres, proximida-
de de árvores e topos de galpões metálicos.
A base deve ser alimentada com uma fon-
te de energia de 12 V e, se necessário, con-
versor de corrente alternada para corrente
contínua. Também é recomendável que se
disponibilize uma bateria de reserva para
eventuais falhas no fornecimento de energia. Fonte: <www.deere.com.uk>

Dependendo dos tipos de bases utilizadas, da potência do rádio e da situação da área, a distân-
cia entre as bases pode variar entre 20 e 30 km. O interessante é que, dentro desse raio, qualquer
máquina com uma base móvel compatível com o sinal corrigido que é emitido pode utilizá-lo.

Saiba Mais

Uma alternativa para aumentar a qualidade e a distância na propagação do sinal é instalar a


antena de transmissão no topo de uma torre, no centro da área a ser trabalhada, com altura
suficiente para superar a curvatura natural da terra e qualquer outro eventual obstáculo.

Fonte: <https://stellarsupport.deere.com/pt_BR/Support/pdf/ompfp11351_rtk900mhz.pdf>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 85


O software mais utilizado para a correção do sinal GNSS é o que proporciona a correção RTK,
pois gera um erro muito pequeno, podendo ser inferior a 5 cm. Entretanto, algumas empresas já
trabalham também com outros tipos de sinais que podem se adequar satisfatoriamente a certas
situações nas quais a exigência de precisão não seja tão grande. Dentre eles, tem-se a correção
SF1 e SF2. A correção SF1 gera erros de até 25 cm e é indicada para uso nas operações de cultivo,
preparo de solo e aplicação de corretivos e fertilizantes. A correção SF2 é mais precisa e gera
erros de até 10 cm, se adequando melhor às operações de plantio e sulcação.

Os dados de precisão são mensurados na antena dos receptores durante 95% do tempo entre
uma passada e outra. Deve-se destacar também que a precisão pode variar de acordo com a
constelação de satélites e irregularidades das condições do solo. Um solo revolvido tende a apre-
sentar maior irregularidade no alinhamento da máquina em relação a um solo sob plantio direto.

A configuração da base fixa deve seguir procedimentos específicos informados pelos fabricantes
em seus manuais e durante as entregas técnicas. Em geral, a forma de apresentação dessas in-
formações pode variar de acordo com a marca e o tipo de base utilizada.

Saiba Mais

A base móvel é fixa na parte mais alta do trator para que possa receber o sinal corrigido sem
interferências. Em seguida, o sinal é enviado para uma central de processamento controla-
da pelo monitor que, por sua vez, retransmite o sinal para válvulas responsáveis por acionar
o mecanismo atuador, que movimentará o setor de direção do trator.

Tópico 2
Configuração do monitor

Em geral, os monitores que controlam o piloto au-


tomático também são capazes de realizar diversas
outras tarefas, como aplicações a taxas variáveis,
controle de seções e operações com função DGPS.
Alguns procedimentos de configuração do monitor
do piloto automático são semelhantes àqueles já des-
critos na configuração da barra de luzes, entretanto,
podem variar de acordo com a marca e o modelo uti-
lizado. É importante que se consulte o manual para
mais detalhes desses procedimentos.
Fonte: <www.stara.com.br>

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 86


Como exemplo, serão apresentados a seguir os principais passos de configuração do controla-
dor de piloto automático do fabricante Stara, modelo Topper 4500, considerando uma aplicação
de corretivos e fertilizantes. Acompanhe nas abas a seguir a sequência de inicialização.

O acesso à tela de configuração do monitor ocorre por meio de senha e


nome de usuário, que devem ser cadastrados pelo operador. Isso garante
Senha e
maior segurança no uso do equipamento. Também é possível que de-
usuário
terminada atividade seja registrada e salva por um operador, assim, ele
poderá responder pela qualidade da atividade realizada.

Após acessar a tela principal, clique em menu-máquina-tipo-distribuição


e selecione a máquina que realizará a aplicação. Informações sobre diver-
sos modelos de máquinas estão armazenadas na memória do monitor.
Seleção de
Isso facilita a configuração, pois as características dessas máquinas são
máquina
importadas automaticamente para o monitor. Caso a máquina utilizada
não esteja registrada, é necessário utilizar o tipo padrão e descrever as
características da máquina. Em seguida, o monitor será reiniciado.

Esta etapa permite ao usuário, se necessário, descrever todas as carac-


terísticas da máquina, caso elas não estejam registradas na memória do
Configuração
monitor. Para tanto, clique em menu-máquina-medidas e especifique a
de medidas
largura, número de seções, número de linhas/espaçamento, dentre ou-
tras medidas editáveis.

Criar Clique em trabalho-novo, depois em trabalho-criar trabalho e atribua um


trabalho nome a ele.

Clique em trabalho-novo, então em trabalho-talhão-novo talhão, configu-


Criar talhão
re o nome desejado para o talhão e clique em criar trabalho.

Editar nome Clique em trabalho-editar nome do trabalho e escolha a nova nomencla-


do trabalho tura.

Essa função tem o objetivo de carregar algum trabalho realizado ante-


Carregar riormente e que tenha sido registrado e salvo pelo operador. Para tanto,
trabalho clique em trabalho-carregar trabalho e selecione o trabalho ou clique so-
bre o talhão desejado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 87


A criação das bordaduras é importante, pois indica o limite da área e
pode definir uma nova configuração de uso de algumas seções do distri-
Criar
buidor. Para tanto, clique em talhão-bordadura e escolha o lado em que
bordadura
a bordadura será criada; depois, clique em criar bordadura e percorra a
bordadura que deverá ser criada; finalmente, clique em fechar bordadura.

A linha a ser criada pode ser reta, curva ou em formato de círculo. Deve-
-se posicionar a máquina no início da linha em que se deseja iniciar a apli-
cação. Depois, clicar em talhão-marcar A, dirigir o trator por alguns me-
Criar linha
tros e depois clicar em marcar B. Automaticamente, serão criadas linhas
A-B
paralelas A-B à esquerda e à direita da linha criada. Assim, para início da
aplicação, o trator deverá ser posicionado sobre o ponto A determinado,
acionando o piloto automático e mantendo o alinhamento desejado.

Outras configurações ainda podem ser realizadas, por exemplo, ajustes de tela, gravação de
trabalhos, definição de bússolas e grids, cores de linhas, avisos sonoros, barra de luzes, data e
hora, teste de teclado, dentre outras.

Saiba Mais

No site <http://www.arvus.com.br/manuais.html> você poderá visualizar manuais de al-


guns tipos de pilotos automáticos e obter maiores informações sobre o seu funcionamento
e configuração.

E no canal oficial da Stara Brasil no YouTube <https://www.youtube.com/channel/UCu90fL_


zNIIz3B6EDM7rA_Q> ou <https://goo.gl/n1riYo>, você pode visualizar vídeos sobre agricultu-
ra de precisão e configuração de monitores controladores de piloto automático.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 88


Recapitulando
Nesta aula, você estudou que a configuração dos pilotos automáticos é realizada principalmente
pelos ajustes na base fixa e móvel do sistema RTK e no monitor do piloto automático. É muito
importante uma consulta atenta aos manuais dos equipamentos para sanar eventuais dúvidas.
A base fixa do RTK deve sempre ser colocada em local aberto, rígido e sem a presença de obs-
táculos entre ela e a base móvel. O uso de antenas altas e repetidores podem elevar a distância
entre as bases. A configuração do piloto automático se torna muito facilitada quando a máquina
a ser utilizada já está registrada na memória do monitor.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite a atividade!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 89


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 4 do Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos
e Fertilizantes. A seguir, você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado
neste módulo. Lembre-se que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde
você também terá um feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Considerando a importância do piloto automático para a aplicação de corretivos e fertilizan-


tes, descrita na Aula 1, assinale a alternativa correta.

a) O uso do piloto automático nos tratores requer grande atenção por parte do operador,
aumentando a quantidade de atividades que ele deve realizar.

b) O piloto automático capta sinais de satélites pós-processados por meio da tecnologia


RTK.

c) O piloto automático permite que a operação seja realizada durante a noite com segurança
e boa qualidade do serviço.

d) O piloto automático ainda necessita de muitos aprimoramentos, não sendo importante


para as aplicações de corretivos e fertilizantes.

2. Considerando os tipos de pilotos automáticos apresentados na Aula 2, assinale a alternativa


correta.

a) O piloto automático universal é um dos mais utilizados pelo fato de apresentar maior acu-
rácia em relação ao piloto integrado.

b) O piloto automático universal eletromecânico é fixo na coluna da direção por meio de um


suporte universal.

c) O piloto universal elétrico é utilizado apenas em tratores com baterias com amperagem
elevada.

d) O piloto automático integrado possui resposta mais rápida pelo fato de ser conectado
diretamente no sistema hidráulico do trator.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 90


3. Considerando os procedimentos de configuração e operação do piloto automático descritos
na Aula 3, assinale a alternativa correta.

a) A base fixa do sistema RTK empregada nos pilotos automáticos é posicionada sobre os
distribuidores de corretivos e fertilizantes.

b) A comunicação entre a base fixa e a base móvel é feita por meio de sinais de satélite.

c) A configuração do monitor que controla o piloto automático só pode ser realizada se houver
registros prévios do distribuidor de corretivos e fertilizantes na memória do monitor.

d) A definição dos pontos A e B representa o trajeto que o trator percorrerá na área.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 91


Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Distribuição
de Corretivos e
Fertilizantes
» Módulo 5: Monitoramento da qualidade de
distribuição de corretivos e fertilizantes

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 92


Módulo 5
» Monitoramento da qualidade de distribuição de corretivos
e fertilizantes

Quando você está aplicando as téc-


nicas de agricultura de precisão, é
importante criar meios para asse-
gurar-se de que a aplicação especí-
fica de corretivos e fertilizantes está
sendo realizada. Afinal, é disso que
depende o sucesso da operação e
vai fazer valer todo o planejamento
anterior da cultura.

Esse meio de acompanhar o anda-


mento da aplicação é chamado de
monitoramento, prática que garante
que o produto está sendo distribuí-
do de forma uniforme sobre a área,
mantendo a largura nominal de tra-
balho e proporcionando uma capaci-
dade operacional adequada para a
operação.

Fonte: Shutterstock As formas de monitoramento variam


de acordo com o tipo de produto e
equipamento utilizados, sendo que as mais eficientes e seguras são aquelas que empregam dis-
positivos eletrônicos.

Neste módulo, portanto, você vai conhecer os principais tipos de dispositivos utilizados no moni-
toramento da deposição de corretivos e fertilizantes, bem como os principais fatores que podem
comprometer esse monitoramento e a deposição de insumos na lavoura.

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você deve retornar ao Am-
biente de Estudos para realizar a atividade de aprendizagem.

Siga em frente e faça bom proveito!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 93


Fonte: Shutterstock

Aula 1
A importância dos dispositivos de monitoramento
na distribuição de corretivos e fertilizantes

Diversas aplicações de corretivos e fertilizantes são realizadas de modo desuniforme e podem


comprometer seriamente o desenvolvimento das plantas. Assim, torna-se muito importante
realizar o monitoramento constante da aplicação sobre vários aspectos. As formas de monito-
ramento são diversas, dependendo do tipo de produto aplicado, mas em geral, a forma mais
utilizada é a visual, realizada pelos operadores. Mas isso exige a frequente movimentação dos
trabalhadores sobre os equipamentos agrícolas, o que compromete a segurança física sem pro-
porcionar boa qualidade do serviço prestado. O ideal, portanto, é adotar meios eletrônicos de
se realizar esse monitoramento, a fim de criar condições de trabalho mais eficientes e seguras.

Ao fim desta aula, você deve ser capaz de esclarecer as vantagens de se utilizar os dispositivos
de monitoramento nas distribuições de adubo.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 94


Tópico 1
Desafios da aplicação de insumos no campo

Durante todo este curso, você estudou sobre os desafios de fazer uma boa aplicação de insumos
no campo. Isso porque a distribuição de corretivos e fertilizantes nem sempre é realizada de
modo uniforme, devido principalmente às condições climáticas, mas também às condições de
regulagem e estado de conservação inadequado dos distribuidores. Consequentemente, isso
causa prejuízos para a produção, uma vez que a planta não recebe a quantidade de nutrientes e
corretivos necessários ao seu bom desenvolvimento, afetando a sua produtividade final. Além
disso, em alguns casos torna-se necessário realizar nova aplicação, resultando em maiores gas-
tos com horas de máquina, compactação de solo e desperdício de produtos, aumentando a con-
taminação ambiental.

Portanto, faz parte das técnicas de agricultura de precisão conseguir monitorar constantemente
o processo de aplicações dos insumos. Esta pode ser uma tarefa difícil, a depender do tipo de
produto aplicado. Para aqueles produtos de granulometria mais finas, que são aplicados a lanço,
uma análise visual pode fornecer ao operador uma avaliação mais superficial. Geralmente, há
uma grande dispersão desses produtos durante a aplicação e as perdas podem ser consideráveis.
Assim, o operador deverá escolher a melhor hora do dia para aplicar o produto ou mesmo sele-
cionar o sentido de deslocamento mais conveniente, de acordo com a direção do vento. Quando
se trata de produtos de maior massa, esses problemas são atenuados durante a aplicação a lanço
e o que se visualiza é uma distribuição mais uniforme, pelo menos na maioria das vezes.

Além do monitoramento visual do lançamento dos


jatos, deve-se monitorar constantemente também a
quantidade de produto existente no interior dos de-
pósitos. Isso ganha importância porque, em alguns
modelos de distribuidores, a coluna de produtos
sobre os mecanismos dosadores dentro do tanque
proporciona maior distribuição pela área no início da
aplicação e menor ao final. Isso acontece com os me-
canismos rotativos, nos quais o produto desce por
gravidade e cai diretamente sobre os discos. Uma
forma de atenuar esse problema é a colocação de
Fonte: <http://www.basefertil.com.br/
anteparos vazados para aliviar o peso sobre os me- calcario.html>.
canismos dosadores.

Outro fato que justifica o monitoramento da distribuição dos corretivos e fertilizantes é a ne-
cessidade de determinação da largura nominal de trabalho. Em geral, para corretivos aplicados
a lanço, a largura nominal é definida quando se tem sobreposição das laterais dos jatos e uma
variação de até 15% na uniformidade de distribuição transversal.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 95


Essa informação é relevante para a definição da distância entre passadas e reflete diretamente
na capacidade operacional da aplicação. Larguras de trabalho maiores proporcionam maiores
capacidades operacionais, desde que não haja redução na velocidade de trabalho. Entretanto,
espera-se sempre que o produto seja distribuído uniformemente ao longo dessa largura, caso
contrário, falhas na aplicação reduzirão a capacidade operacional gerando a necessidade de
realizar nova aplicação.

O monitoramento também possibilita que o reservatório do distribuidor seja abastecido nos


momentos corretos, como antes de se iniciar o deslocamento, logo após a realização da ma-
nobra de cabeceira. Nesse caso, o depósito deve ser abastecido se estiver com pouco produto,
pois caso venha a se esvaziar no meio do talhão, terá que retornar vazio até a cabeceira da área
para novo abastecimento. Isso reduz a eficiência da operação pelo fato de aumentar os tempos
perdidos com deslocamentos desnecessários.

O monitoramento mais difícil de ser realizado ocorre nas máquinas distri-


buidoras que colocam o produto diretamente em sulcos que são fechados
logo após a sua deposição. Nesse caso, a avaliação visual da distribuição se
torna inviável, justificando assim a necessidade de se utilizar algum dis-
positivo eletrônico para tal avaliação.

Para as operações de semeadura realizadas com adubação de plantio deve-se atentar para a
colocação do adubo em profundidade maior do que as sementes. Caso a semente entre em
contato direto com o adubo ela poderá se desidratar e não germinar, comprometendo toda a
implantação da lavoura. A posição mais baixa do adubo também se justifica pelo fato de que,
quando as primeiras radículas surgirem e descerem, encontrarão o adubo que proporcionará
maior desenvolvimento à planta. Esse cuidado deve ser tomado inicialmente com a regulagem
adequada dos mecanismos de abertura, deposição, fechamento e cobertura das semeadoras.
Além disso, durante a operação, de tempos em tempos, deve-se abrir um sulco manualmente na
área semeada e verificar se a deposição da semente e do adubo está correta. Esse efeito pode
ser alterado de acordo com o tipo e preparo do solo, necessitando-se assim de maior atenção.

Semente A semente não Semente até 4cm


pode ficar junto
até 15cm
Adubo com o adubo Adubo

Fonte: Elaborado pelo autor

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 96


De modo geral, a importância do monitoramento também pode ser destacada pela presença
de operários destinados exclusivamente a acompanhar a aplicação durante todo o tempo. Eles
avaliam visualmente a quantidade de produto nos reservatórios, a profundidade de deposição,
dentre outros aspectos. Alguns fabricantes de equipamentos distribuidores até disponibilizam
acentos para esses operários. Entretanto, trata-se de uma situação de alto risco e a tendência
é que esses operadores sejam substituídos por dispositivos eletrônicos que são mais eficientes
e proporcionam monitoramento simultâneo de maior quantidade de unidades de distribuição,
inclusive durante as aplicações no período noturno.

Recapitulando
Nesta aula, você estudou que o monitoramento da aplicação de corretivos e fertilizantes é uma
prática que deve ser realizada constantemente a fim de garantir o sucesso da operação. O obje-
tivo é assegurar-se de que o produto está sendo distribuído uniformemente sobre a área, man-
tendo a largura nominal de trabalho e proporcionando uma capacidade operacional adequada.
Além disso, visa garantir que os adubos sejam colocados no solo a profundidades apropriadas
de modo a não entrarem em contato direto com a semente, comprometendo o seu desenvolvi-
mento. As formas de monitoramento variam de acordo com os tipos de produto e equipamento
utilizados e as mais eficientes e seguras são aquelas que empregam dispositivos eletrônicos.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 97


Fonte: Shutterstock

Aula 2
Principais tipos de dispositivos de monitoramento
Considerando a importância do monitoramento da deposição dos insumos da lavoura, que você
estudou na aula passada, agora você vai conhecer os principais dispositivos para este fim. Impul-
sionados pela sua importância e favorecidos pelos avanços da Agricultura de Precisão, surgiram
no mercado diversos dispositivos com a função de auxiliar no monitoramento da deposição
de adubos. Geralmente, eles 3realizam em conjunto a deposição do adubo e das sementes. Os
sistemas mais sofisticados realizam o monitoramento completo, ou seja, dose aplicada, fluxo de
descida, velocidade de trabalho e acompanham a redução da quantidade de adubo no reserva-
tório. Para tanto, sensores são espalhados por toda a máquina. O operador deve saber localizar
e entender o funcionamento de cada um desses sensores para fazer uso adequado deles.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• conhecer os dispositivos de monitoramento utilizados na distribuição de corretivos e fertili-


zantes; e

• monitorar a aplicação de corretivos e fertilizantes nos distribuidores.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 98


Tópico 1
Tipos de sensores

Você já estudou que a deposição dos corretivos e fertilizantes pode ser afetada por diversos
fatores climáticos ou mecânicos. Excetuando-se os fatores climáticos, que são contornados por
meio da escolha do momento adequado para a aplicação, os fatores relacionados ao desempe-
nho da máquina devem ser monitorados.

Monitor de controle e
programação

Unidade eletrônica de
tratamento de informação

Atuadores elétricos
de regulagem de depósito

Sensor de velocidade Sensores de peso


(na roda ou radar)
Fonte: Cemagref (1997)

Os distribuidores mais modernos possuem diversos sensores embarcados responsáveis por mo-
nitorar durante todo instante a distribuição do adubo. Um desses sensores é instalado na parte
debaixo do reservatório. Eles são responsáveis pela medição da massa presente no interior do
depósito através de um mecanismo semelhante a uma célula de carga ou sensor de peso. Essa
informação pode ser visualizada em um monitor diante do operador, que entende a quantidade
de adubo existente dentro dos depósitos e programa as paradas de forma mais conveniente.
Outra vantagem desta tecnologia é que se elimina a necessidade de um operador permanecer
sobre a máquina para conferir a quantidade de adubo restante no interior do reservatório.

Outro sensor muito importante é utilizado para captar informações sobre a velocidade de tra-
balho. Pode ser na forma de um sensor magnético, montado próximo aos rodados, ou um radar
de efeito doppler. A variação da velocidade influencia diretamente no cálculo da dose aplicada
por hectare da seguinte forma: se houver redução da velocidade, por uma patinagem temporá-
ria, por exemplo, o sistema informará ao mecanismo dosador, que fechará a descida de adubo
de modo a manter a mesma dose aplicada. Por sua vez, aumentos na velocidade terão efeito de
abertura no mecanismo dosador.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 99


Um dos principais dispositivos utilizados no monitoramento da distribuição de adubo é o atuador
elétrico ou eletro-hidráulico de comando da abertura das placas de dosagem do adubo. Em geral,
ele é constituído por uma estrutura composta de motor elétrico ou hidráulico, válvulas e senso-
res de rotação. Estes últimos controlam,
com precisão, a distribuição do adubo,
eliminando possíveis variações e falhas
que possam ocorrer com os mecanis-
mos de distribuição convencionais, que
são acionados pelos rodados da máqui-
na. Não raro, observam-se variações de
até 50% nos volumes de adubo depo-
sitados no solo com os distribuidores
convencionais. Assim, se esse tipo de
distribuidor estiver regulado para dis-
tribuir 250 kg ha-1 de adubo, em certos
momentos, poderá distribuir 125 kg ha-1
em outros 375 kg ha-1. Esse problema
tende a ser potencializado com o au-
mento da velocidade de trabalho. Fonte: Cemagref (1997)

Os atuadores elétricos ou eletro-hidráulicos são conectados a monitores instalados na cabine


do trator e enviam dados de fluxo de descida e dose aplicada. Também respondem a coman-
dos advindos do monitor, como variações controladas da rotação para elevar ou reduzir a dose
aplicada. Considerando-se as técnicas de Agricultura de Precisão, os monitores são capazes de
receber mapas de aplicação e assim transmitir informações sobre fechamento e abertura do
dosador de acordo com a necessidade de cada mancha demarcada pelo mapa.

Fonte: <www.trimble.com>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 100


Algumas empresas também têm investido em sensores
isolados que são responsáveis pela medição do fluxo de
descida de adubo. Ele é colocado junto à mangueira de
descida do adubo e registra o fluxo de deposição do pro-
duto.

A principal finalidade desses sensores é medir a quan-


tidade de adubo aplicada. Entretanto, desempenham
importante papel na eventual variação da deposição,
além de informar sobre possíveis entupimento ou esva-
ziamento do reservatório. São os dispositivos de moni-
toramento mais simples disponíveis no mercado. Basi-
camente, são compostos por um monitor de comando, Fonte: <http://www.lohr.com.br/
módulos de distribuição de sensores, cabos de comuni- ?link=produtosdetalhe&idmodelo=338>.
cação e sensores.

2
3 4

5
1 Monitor
2 Cabo de força
3 Cabo de comunicação monitor-sensores
4 Cabo extensão da semeadora-adubadora
5 Cabo de conexão do sensor 1

Fonte: <http://www.prosolus.com/_GI/pdf/
_modulos/produtos/00008.pdf>.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 101


Tópico 2
Funcionamento dos monitores

De modo geral, os monitores possuem interfaces de fácil comunicação com o operador: ao ini-
ciar o plantio, a luz de “monitorando” é acesa no monitor. Em caso de falha por entupimento ou
interrupção do fluxo de semente/adubo a luz de “monitorando” se apaga e então se acende a
de alerta, que é acompanhada de um sinal sonoro. Além disso, o visor indica alternadamente a
mensagem “Er” e o número do sensor (ou dos sensores) que está com problema.

Normalmente, esses sensores são robustos e dotados de um sistema digital de autoajuste con-
tra o acúmulo de sujeira. Isso garante uma maior quantidade de horas de trabalho sem paradas,
elevando a capacidade operacional da atividade. Outra característica é que o operador é infor-
mado quando há necessidade de realizar as limpezas.

Saiba Mais

No site <http://www.prosolus.com/produto.php?id=4> você visualizará mais informações


sobre os dispositivos responsáveis por monitorar a deposição de adubo. Poderá também
assistir a vídeos demonstrativos de como instalar sensores de monitoramento.

Recapitulando
Nesta aula, você estudou os principais tipos de dispositivos utilizados no monitoramento da
deposição de corretivos e fertilizantes. Dentre eles, destacam-se aqueles responsáveis pela me-
dição do fluxo de descida, dose aplicada, quantidade de produto no reservatório, velocidade de
trabalho, dentre outros. Os sistemas mais simples são instalados diretamente no tubo de desci-
da e medem o fluxo de deposição do adubo, podendo indicar eventuais variações, interrupções
ou ausência de produto no reservatório. Esses dispositivos contribuem substancialmente para a
melhoria na deposição de corretivos e fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 102


Fonte: <http://accidentalfarmwife.com>

Aula 3
Fatores que interferem na qualidade da distribuição
A distribuição de corretivos e fertilizantes é essencial para o fornecimento de nutrientes para o
desenvolvimento das culturas. Desta forma, é preciso ter alguns cuidados no momento da apli-
cação, de forma a garantir a eficiência na distribuição destes insumos.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• enumerar quais fatores interferem na qualidade de distribuição de corretivos e fertilizantes; e

• compreender os fatores controláveis e as condições ideais de trabalho.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 103


A aplicação de corretivos e fertilizantes a lanço deve ser visualizada como um processo no qual
existem fatores que estão interagindo e que darão um resultado final. Se a interação for harmô-
nica ou dentro de um determinado limite tolerável, o resultado será conforme o planejado.

De modo geral, a qualidade da distribuição de corretivos e fertilizantes pode ser afetada por fa-
tores relacionados à condição ambiental, às características do produto e ao modo de aplicação.

Tópico 1
Condições ambientais

As condições ambientais podem prejudicar o deslocamento normal da máquina durante a apli-


cação ou afetar o deslocamento normal do insumo até que ele atinja o solo. Conheça os princi-
pais fatores ambientais que interferem na aplicação.

Umidade do solo

A umidade do solo deve ser baixa o suficiente para permitir o fácil deslocamento do trator
e do distribuidor de calcário e fertilizante por toda a área. Solo muito encharcado pode pro-
vocar patinagem excessiva do trator, deslizamento do distribuidor e desalinhamento entre
os rastros das máquinas, provocando redução na eficiência ou até mesmo inviabilizando a
aplicação. Por outro lado, solos muito secos podem provocar redução no aproveitamento
dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, que são perdidos por volatilização.

Vento

A distribuição de corretivos e fertilizantes a lanço é diretamente afetada por ventos fortes no


momento da aplicação. A condição ideal de aplicação é durante a ocorrência de ventos leves
a moderados. Em condição de ventos fortes, a largura útil da faixa de aplicação fica muito va-
riável e, quanto menor a granulometria do insumo aplicado, especialmente o calcário, mais
sua aplicação é afetada, chegando ao ponto de ocorrerem perdas de produto pela ação do
vento, reduzindo a dose de aplicação ou inviabilizando-a.

Chuva

Em condições de ocorrência de chuva, a eficiência da distribuição de corretivos e fertilizantes


é reduzida devido às dificuldades de escoamento e passagem pelos mecanismos da máqui-
na. Em alguns distribuidores com proteção contra chuva, este problema é minimizado em
caso de chuvas leves. Porém, em aplicações de fertilizantes nitrogenados, este problema é
agravado devido à alta afinidade deste produto com a água, comprometendo a qualidade da
aplicação. Em níveis mais elevados de chuva, o próprio deslocamento da máquina é afetado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 104


Tópico 2
Características do produto

As características intrínsecas dos insumos podem reduzir a eficiência da aplicação ou mesmo


favorecer a ação indesejada dos fatores ambientais descritos anteriormente. As principais carac-
terísticas dos produtos relacionados à eficiência de aplicação são as seguintes.

Granulometria

Quanto menor a granulometria dos corretivos e fertilizantes, maior a possibilidade de sofre-


rem a ação negativa do vento, diminuindo a eficiência da aplicação, conforme descrito ante-
riormente. Produtos de granulometria fina como o calcário exigem maiores cuidados durante
sua distribuição, devendo ser aplicados em situações de ventos mais leves.

Umidade do insumo

Produtos de granulometria mais fina como o calcário, quando apresentam menor umidade
possuem também menor peso, portanto, sofrem maior ação negativa do vento durante a
distribuição. Assim, o calcário seco necessita de grande atenção durante sua distribuição, de-
vido à sua granulometria fina e ao baixo peso de suas partículas. Por outro lado, insumos com
umidade muito alta podem dificultar o escoamento e a saída pelos mecanismos da máquina.
Especialmente os fertilizantes, quando em contato com umidade, podem formar aglomera-
dos e obstruir a saída do distribuidor.

Armazenamento e conservação

Corretivos e fertilizantes mal armazenados podem sofrer alteração de seu estado físico de-
vido ao aumento da umidade e/ou à formação de aglomerados, o que dificulta sua distribui-
ção, conforme descrito anteriormente. Portanto, para aplicação na agricultura de precisão, os
insumos devem apresentar boas características para a distribuição.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 105


Tópico 3
Modo de aplicação

Outras variáveis relacionadas à distribuição de corretivos e fertilizantes também podem afetar a


eficiência da aplicação, tais como as especificadas abaixo.

Alimentação do software

A inserção dos dados no software da máquina deve ser feita de forma correta pelo operador.
A inserção incorreta do mapa de recomendação ou da largura da faixa útil de aplicação afeta
todo o processo, reduzindo a eficiência da distribuição dos insumos.

Velocidade de deslocamento

A velocidade de deslocamento da máquina durante a distribuição de corretivos e fertilizantes


varia de acordo com o conjunto de máquinas e com a marcha utilizada. Porém, deve-se tra-
balhar em um nível de rotação que garanta 540 rotações por minuto na tomada de potência.
A velocidade não deve ser muito baixa, de forma a proporcionar parco rendimento operacio-
nal, nem tão alta que afete a qualidade da operação.

Conhecimento do operador

O operador da máquina deve ser capacitado para realizar tal operação, de forma a utilizar to-
das as informações de forma correta, acompanhar os dados da aplicação durante a operação
e reconhecer qualquer alteração indesejada durante a distribuição.

Saiba Mais

Além destes fatores que afetam a qualidade da distribuição de corretivos e fertilizantes,


outras características também devem ser consideradas no momento da aplicação.

Para que a planta possa aproveitar o máximo do efeito dos fertilizantes, por exemplo, eles
devem ser aplicados no estágio de desenvolvimento da cultura mais recomendado, no qual
a demanda da planta é mais alta.

Já quando o objetivo é reduzir os custos com insumos e minimizar o impacto ambiental,


deve-se tomar cuidado ao reabastecer o distribuidor de forma a não derramar produto no
chão. Também é preciso dar o devido destino às embalagens dos insumos.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 106


Recapitulando
A distribuição de corretivos e fertilizantes pode ser afetada por diversos fatores, comprometendo
sua eficiência. Conhecer as condições ideais de aplicação é de grande importância para garantir
o sucesso da operação, bem como dos resultados esperados pela aplicação a taxas variadas.
Entre os fatores ambientais, a umidade do solo, os ventos fortes e a presença de chuva são os
principais fatores que afetam a eficiência da distribuição. Da mesma forma, fatores relacionados
ao produto, tais como granulometria, umidade e condição física após o armazenamento também
podem interferir. O conhecimento do operador, a alimentação do software e o deslocamento da
máquina na velocidade ideal também são essenciais para o sucesso da aplicação.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a última atividade de aprendizagem para verificar
os conhecimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no
Ambiente de Estudos para registrar as respostas no sistema! Depois desta etapa, será iniciado o
processo para emissão do seu certificado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 107


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 5, o último do Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de
Corretivos e Fertilizantes. A seguir, você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo
estudado neste módulo. Lembre-se que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estu-
dos, onde você também terá um feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Na Aula 1 você estudou a importância de adotar formas de monitorar a aplicação de correti-


vos e fertilizantes. Agora, assinale a alternativa correta.

a) A aplicação de corretivos e fertilizantes não requer maior atenção com relação à distribui-
ção, uma vez que os produtos são aplicados sobre o solo.

b) O monitoramento da distribuição a lanço dos corretivos mais finos é geralmente mais


uniforme do que a distribuição daqueles de maior massa.

c) O monitoramento da profundidade da colocação do adubo é desnecessário, pois a umida-


de do solo irá distribuí-lo uniformemente.

d) O monitoramento da aplicação feito por dispositivos eletrônicos é mais seguro.

2. Considerando os dispositivos responsáveis por monitorar a distribuição de corretivos e ferti-


lizantes apresentados na Aula 2, assinale a reposta correta.

a) O atuador elétrico ou eletro-hidráulico que comanda a abertura das placas de dosagem


é um dos equipamentos mais importantes no monitoramento da distribuição de adubo.

b) Os dispositivos que monitoram a distribuição de corretivos e fertilizantes acompanham


apenas a descida do produto.

c) Os dispositivos que medem a velocidade não medem a patinagem das rodas.

d) Os dispositivos que monitoram a distribuição de adubos e fertilizantes mais simples ajus-


tam a dose aplicada.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 108


3. Sobre os fatores que afetam a qualidade da distribuição de corretivos e fertilizantes, analise
as afirmativas e assinale a correta.

a) A alta umidade do solo não interfere na eficiência da distribuição de insumos.

b) Conhecer as características intrínsecas do insumo a ser aplicado colabora para o aumento


da eficiência da aplicação.

c) A granulometria do insumo é o fator que mais interfere na eficiência de distribuição.

d) A experiência do operador não afeta a eficiência da aplicação, uma vez que o processo é
automatizado.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 109


Síntese do curso

Parabéns, você está concluindo o Curso Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e


Fertilizantes!

Neste curso, você teve a oportunidade de compreender que a aplicação de corretivos e fertilizan-
tes é uma prática muito importante para o sucesso das lavouras em geral. Entretanto, é comum
ela ser realizada de forma ineficiente e resultar em elevadas perdas, principalmente devido a
fatores climáticos e ou mecânicos.

Assim, a aplicação de corretivos e insumos deve ser realizada adotando-se critérios adequados
de monitoramento da uniformidade de distribuição. Esse monitoramento geralmente é feito por
operadores que realizam apenas uma análise visual da aplicação, podendo incorrer em falhas.
Além disso, seus horários de trabalho são limitados e muitas vezes a integridade física do ope-
rador é colocada em risco.

Entretanto, tendo em vista os avanços obtidos com o desenvolvimento da Agricultura de Pre-


cisão, o mercado oferece atualmente várias técnicas e equipamentos para auxiliar o operador
durante as aplicações tornando-as mais eficientes.

Especificamente para as aplicações de corretivos e fertilizantes, os mapas de variabilidade têm


um papel fundamental, pois é por meio das informações contidas neles que é possível realizar
aplicações a taxas variadas, que podem ser feitas empregando-se diversos tipos de dispositi-
vos. Os cuidados com essa aplicação devem passar pela amostragem, pela elaboração de uma
quantidade de mapas suficiente e pela sua correta interpretação. Ressalta-se que o uso de certos
equipamentos pode otimizar a correta colocação dos produtos sobre o solo. Dentre eles, desta-
cam-se as barras de luzes e o piloto automático.

As barras de luzes podem ser simples ou mais sofisticadas e têm como função orientar o opera-
dor durante a condução do trator, de modo que ele mantenha sempre a mesma distância entre
as passadas, evitando falhas na aplicação. Um mesmo tipo de barra de luzes pode ser instalado
em variados modelos de tratores, tornando essa tecnologia acessível a produtores com dife-
rentes níveis econômicos. Os pilotos automáticos possuem vantagens semelhantes, entretanto,
proporcionam melhores resultados pelo fato de assumirem a direção do trator, permitindo que
o operador se dedique a outras tarefas.

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 110


Fonte: Shutterstock

Desejamos que os conhecimentos construídos neste período gerem resultados práticos e posi-
tivos na sua atividade profissional! Não deixe de se informar no ambiente de estudos sobre os
demais cursos do Programa Agricultura de Precisão. Até a próxima!

Agricultura de Precisão na Distribuição de Corretivos e Fertilizantes » 111


Referências

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Gabarito

Módulo 1 Módulo 4

1-B 1-C

2-D 2-D

3-C 3-D

Módulo 2 Módulo 5

1-C 1-D

2-B 2-A

3-C 3-B

Módulo 3
1-D

2-A

3-C

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