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ESTUDOS DO MERCADO TELECOMUNICAÇÕES ENTREVISTA

Smartphones conquistam Movitel quer 85% Jornalismo moçambicano


Moçambique do mercado em 5 anos mostra vitalidade

Nº 35 . Ano 03
Publicação mensal da S.A. Media Holding . Novembro de 2010 . 60 Mt . 350 Kwz . 25 Zar . 4 USD . 3,5 EUR

O poder da Comunicação
The power of communication
MOzAMBIQUE FASHION WEEK Suplemento
9 estilistas pan-africanos ‘CAPITAL EMPREENDEDOR’
e 8 internacionais em Maputo Descubra como vencer!
6 SUMÁRIO

regiões telecomunicações Estudos comuni

15 17 20 2
aniversário

44
Revista Capital faz novas apostas
Três anos decorridos e a CAPITAL, inicialmente apresentada ao público-
leitor como a primeira revista moçambicana especializada em Econo-
mia, Gestão e Negócios, ainda vinga no mercado, e em prol do mercado,
com a expectativa de melhorar o seu conteúdo, a cada mês que passa.

indústria

46
Acumula-se know-how
no Estado e não na Indústria
O investimento em viagens de cooperação feitas pelo Executivo moçambi-
cano constitui um meio de acumulação de conhecimento no seio dos seus
funcionários em detrimento do sector privado industrial. A constatação foi
feita à margem da Conferência sobre a Competitividade Industrial.

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(+258) 21 303188
SUMÁRIO 7

icações 35 anos empreendedor entrevista

22 24 27 36
indicadores

49
Clima económico em baixa
A conjuntura económica, avaliada pelo indicador do clima económico
das empresas, continuou desfavorável no mês de Setembro, encerrando
assim o 3.º trimestre com uma diminuição relativamente ao segundo
trimestre, apesar das medidas governamentais para conter o custo de
vida. Esse facto continuou, principalmente, a dever-se à queda pro-
gressiva de expectativas da procura.

investimento

62
CPI revela estado do investimento
no País
O Centro de Promoção de Investimentos (CPI) já recebeu para análi-
se, aprovação e assistência institucional, ao longo do primeiro semestre de
2010, 104 projectos de investimento, totalizando a quantia de 1.210.790.729
dólares americanos e gerando um potencial para a criação de 8.728 postos de
trabalho.

ÍNDICE DE ANUNCIANTES

TDM, P 02 TIGA-TOSHIBA, P 13 ERNST YONG, P 58


VODACOM, P 03 MILLENIIUM BIM, P 23 PWC, P 60
BCI, P 04 GESSER, P 35 MFW, P 67
PHC, P. 05 PROCREDIT, P 48 RADISSON BLU HOTEL, P 69
STANDARD BANK, P 08 QUINTA ESSÊNCIA, P 52 TV RECORD, P 71
ELECTROTEC, P 11 BCI, P 55 TDM P 72
EDITORIAL 9

A Economia, os Média
e os seus poderes
1.
O Poder já não se identifica única e exclusivamente com o poder político, graças
ao advento do domínio económico e financeiro. Os Média dependem cada vez
mais da economia de mercado. Ao mesmo tempo, o cidadão duvida da essen-
cialidade do Quarto Poder (o Poder dos Média), e a hierarquia estabelecida per-
de a validade perante a ascensão da economia enquanto Primeiro Poder. Ou seja, agora
já se fala de três poderes instituídos: 1º, a Economia; 2º, os Média; e em 3º, a Política.
Contudo, e apesar de uma possível nova hierarquia de poderes, a pretensão acalentada
pelos meios de comunicação social em serem o contra-poder cai em ‘saco roto’, na medi-
da em que a imprensa escrita é dominada por um jornalismo cada vez mais parcial, de- Helga Nunes
pendente de grupos industriais e financeiros, e manipulada por pensamentos de mercado helga.nunes@capital.co.mz
e redes de conivência. Nesse sentido, a informação vem assumindo, cada vez mais, um ca-
rácter de mercadoria ao serviço dos interesses dos ‘Donos do Mundo’. E uma análise mais
atenta aos conteúdos deixa antever a manipulação de algumas matérias jornalísticas.
A desconfiança global face aos Média remonta ao início dos anos 90 do séc.XX. Até
então, a Imprensa parecia ser radical na sua vontade de denunciar abusos, de revelar a
verdade ou de formular críticas aos líderes, desenvolvendo atitudes de objectividade, im-
parcialidade, respeito e ética profissional. Um bom exemplo é o caso de Bob Woodward
e de Carl Bernstein, ambos jornalistas do Washington Post, face aos abusos do então
presidente Nixon (Watergate), e outro exemplo mais próximo de nós, é o do jornalista
Carlos Cardoso.

2.
Do jornalismo - de índole económica ou não – o leitor espera naturalmente
a seriedade, a objectividade, o rigor na apresentação dos factos, a capacidade
selectiva, a clareza, entre outros atributos próprios de uma área que além de
informar, deve igualmente formar.
A equipa da CAPITAL tem a clara noção da sua responsabilidade, sobretudo numa era
em que a importância da Economia e dos Média parecem intercruzar-se. Como tal, e após
três anos de vida, renovamos aqui os votos, assumindo o compromisso de melhorar o seu
conteúdo, a cada edição que passa, em função do interesse do leitor.
Nesta edição, apresentamos-lhe um Caderno Especial dedicado à temática do Empre-
endedorismo, como resultado de uma parceria entre a SA Media Holding e a Empresa
Júnior do ISTEG (SIC). O Suplemento chama-se ‘Capital Empreendedor’ e pretende in-
centivar a juventude para o auto-emprego e para o desenvolvimento de um espírito de
iniciativa mais apurado.
Dentro da mesma senda, a SA Media Holding irá editar, em 2011, uma publicação dedica-
da à temática da Arquitectura, Urbanismo, Paisagismo, Design de Interiores e Imobiliá-
ria, e, produto de uma parceria com a Associação Visão Jovem Moçambicana que envolve
a participação da Empresa Júnior do ISTEG, uma revista mensal dedicada à Juventude.
Por último, a SA Media Holding, ao abrigo duma parceria com o grupo de Média portu-
guês OJE, co-editou uma revista intitulada ‘Investir em Moçambique’, a qual será distri-
buída juntamente com a ‘Capital’ em Moçambique e em Portugal com o diário ‘Oje’, e que
pretende abrir uma janela de oportunidades aos investidores.
Estas são algumas das novidades que a CAPITAL reserva para os seus leitores, mas ainda
existem outras na calha para o ano de 2011. Até lá, desejamos-lhe uma boa leitura!c

FICHA TÉCNICA
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Hermes Sueia; Joca Estêvão; José V. Claro; Leonardo Júnior; Levi Muthemba; Maria Uamba; Mário Henriques; Nadim Cassamo (ISCIM/IPCI);
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Benjamim Mapande – Design e Grafismo: SA Media Holding – Tradução: Alexandra Cardiga – Departamento Comercial: Neusa Simbine
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– nito.machaiana@capital.co.mz; SA Media Holding; Mabuko, Lda. – Registo: N.º 046/GABINFO-DEC/2007 - Tiragem: 7.500 exemplares.
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é autorizada desde que citada a fonte.

novembro 2010 revista capital


10 BOLSA DE VALORES CAPITOON

EM ALTA

BCI
O banco BCI integra, pela primeira vez, a lista
dos 100 maiores bancos de África, ocupando
a 95.ª posição, segundo a classificação da re-
vista African Business. Na África Austral, o
BCI já ocupa a 19.ª posição numa classificação
que é elaborada anualmente, de acordo com o
Capital “Tier 1” de cada instituição. O BCI é a
segunda maior instituição financeira de Mo-
çambique, com uma quota de mercado supe-
rior a 30%.

BANCA
Moçambique contará, a partir de 2011, com
um novo banco comercial detido maioritaria-
mente pelas empresas portuguesas Corticeira
Amorim SA, e o Grupo Visabeira, SGPS, SA.
Trata-se do Banco Único, que será detido em
51% pelas duas empresas portuguesas, segun-
do o presidente do Conselho de Administração
designado para esta instituição, João Figuei-
redo. As restantes acções serão detidas por
investidores moçambicanos, incluindo a Em-
presa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
A instituição financeira já foi autorizada pelo
Banco Central a operar no mercado moçambi-
cano.

EM BAIXA

GOVERNO MOÇAMBICANO
Moçambique é o terceiro pior país da África
Austral em termos de transparência orçamen-
tal. O país fornece informações “mínimas” aos
cidadãos sobre as finanças públicas, segundo
conclui o Índice do Orçamento Aberto 2010,
um estudo internacional realizado pela orga- COISAS QUE SE DIZEM…
nização não governamental americana Inter-
national Budget Partnership (IBP).
O Índice apresenta os resultados de uma pes- Renda Fiscal vs. Ajuda Externa
quisa sobre transparência orçamental efec- «A renegociação dos acordos com os megaprojectos poderia, a curto prazo, gerar
tuada em 94 países de todo o mundo, até Se- uma renda fiscal adicional equivalente à totalidade da ajuda geral ao Orçamento
tembro de 2009, que inclui a África Austral. do Estado, sem que a economia fosse forçada a correr riscos de endividamento»,
O estudo pretende aferir os níveis de acessi-
bilidade pública aos processos e documentos Excerto extraído da obra «Economia Extractiva e Desafios da Industrialização em Moçambi-
orçamentais e a efectividade dos órgãos de que», lançada recentemente pelo IESE.
execução e fiscalização, como a Assembleia
da República e o Tribunal Administrativo, no Obras monumentais não matam fome…
caso moçambicano. «Não construam monumentos nem pirâmides porque isso vai-vos obrigar a recor-
rer a empreiteiros internacionais. Façam infraestruturas simples e resolvam os
INVESTIMENTOS EXTERNOS problemas básicos dos vossos cidadãos. Não é um edifício de 40 andares que vai
resolver o problema de emprego e de falta de habitação no país»,
A falta de garantia do retorno dos investimen-
tos efectuados em Moçambique está a levar Paul Collier, consultor do Banco Mundial para a Região da África, aconselhando o governo
alguns investidores estrangeiros a retirarem moçambicano a deixar de fazer “obras monumentais” e a apostar na construção de hospi-
os seus negócios em Moçambique. É o caso tais, escolas e casas de baixa renda para trabalhadores, promovendo o emprego e a habita-
das multinacionais Corridor Sands e BHP- ção para os cidadãos.
Billiton, que abandonaram a exploração das
Areias Pesadas de Chibuto. A mesma razão é Oportunidade ou alternativa para o Ocidente!?
apontada como estando na origem do cance- «A economia moçambicana é uma oportunidade em si, pelos recursos disponíveis,
lamento da construção de duas refinarias em potencial de consumo e localização geográfica, e não uma alternativa à recessão/
Moçambique, especificamente em Matutuine,
estagnação que se vive nas economias ocidentais»,
na província de Maputo, e Nacala-a-Velha, na
província de Nampula. Esta análise é do direc- Daniel David, presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, em entrevista ao
tor do Gabinete dos Estudos Económicos do Jornal «O País».
Millennium bim, Omar Mithá, em entrevista
ao Canalmoz.

revista capital novembro 2010


12 MUNDO NOTÍCIAS

MUNDO ÁFRICA zabeth e Mossel Bay), irá incluir além da


refinaria da Petro SA, múltiplas unidades
Internet estará Angola e Moçambique industriais de grande dimensão como side-
rurgias, tornando-se um pólo de desenvol-
acessível a 2 biliões com 7 bancos na lista vimento basilar no país.
de pessoas em 2010 dos 100 maiores A refinaria, cuja construção esteve em dú-
vida em alguns períodos mais conturbados
da economia, vai mesmo avançar, segundo
Até ao fim deste ano, o acesso à Internet
responsáveis governamentais. A nova uni-
deve estar disponível para 2 biliões de usu-
dade terá capacidade para processar entre
ários, segundo estimou a União Internacio-
250 mil e 400 mil barris de petróleo bruto
nal das Telecomunicações (UIT).
por dia, possuindo ainda tecnologia que
Num relatório divulgado, a UIT informou
transforma gás em combustíveis líquidos.
que o número de usuários da Internet du-
De acordo com Khwezi Tiya, director exe-
plicou nos últimos cinco anos. O número
cutivo da Corporação para o Desenvol-
de pessoas que usam a Internet da própria
vimento Industrial de Coega (CDC), os
residência subiu de 1,4 biliões em 2009
estudos de viabilidade e de impacto am-
para 1,6 biliões este ano. Dos 226 milhões
biental já estão concluídos, faltando agora
de novos usuários, pelo menos 162 milhões
garantir o financiamento da obra, orçada
vivem em países em desenvolvimento.
Angola e Moçambique são os únicos paí- em 11 mil milhões de rands, e que deverá
De acordo com o levantamento da UIT,
ses africanos de língua oficial portuguesa estar concluída em 2015. Segundo aquele
71% dos habitantes dos países industriali-
a dispor de instituições bancárias na lista responsável, a refinaria, baptizada de ‘Pro-
zados têm acesso à rede mundial de com-
dos maiores 100 bancos de África, compi- jecto Mthombo’, deverá garantir a auto-
putadores, enquanto nos países em de-
lada pela revista African Business. suficiência do país em gasolina e gasóleo,
senvolvimento esse acesso está disponível
Com os primeiros cinco lugares ocupados permitindo exportações significativas de
apenas para 21,5% das pessoas. Nos países
por bancos da África do Sul - Standard combustíveis refinados para vários países
ricos, 65% dos usuários usam a rede da
Bank Group (Stanbank), ABSA Group, que já mostraram interesse em adquirir os
própria residência, e 13,5% nos países em
FirstRand Banking Holdings, Nedbank seus produtos refinados.
desenvolvimento.
Group e Investec Bank - a primeira insti- O projecto Mthombo criará 27.500 postos
As diferenças mais significativas surgem
tuição bancária de um país de língua por- de trabalho durante a fase de construção,
quando a comparação se dá entre países
tuguesa a surgir na lista é o Banco Africano e 18.500 permanentes quando estiver em
europeus e africanos. Entre os europeus,
de Investimentos, de Angola, no 33.º lugar. laboração.
65% têm acesso à Internet. Nos africanos,
apenas 9,6% se conectam à rede mundial No 34.º lugar aparece o Banco de Fomento
de computadores. Angola, estando em 62.º lugar a próxima
A UIT também constatou o crescimento do instituição bancária de um país de língua
número de assinaturas do serviço de banda portuguesa, o Banco BIC, também de An-
larga, especialmente nos países desenvol- gola, que precede o Banco de Poupança e
vidos e entre os principais emergentes. E Crédito, igualmente de Angola.
prevê que, até ao fim do ano, a banda larga No 65.º lugar da lista surge o último banco
estará disponível para 8% dos usuários em de Angola - Banco Espírito Santo Angola
todo o mundo. Mas, nos países mais po- (BESA), após o que aparecem os dois ban-
bres, a Internet de alta velocidade ainda se cos de Moçambique que entraram nesta
encontra fora do alcance da maior parte da lista - Millenium bim, no 70.º lugar e o BCI
população. Fomento, no 95.º lugar.
Esta lista foi compilada tendo por base o
indicador designado Capital Tier 1, que en-
globa o capital social e as reservas decla-
radas.

ÁFRICA DO SUL
Será erguida a maior
refinaria de África
A maior refinaria do continente africano
pertence à empresa estatal Petro SA e será
construída em Cabo Oriental. A mesma
permitirá poupanças anuais da ordem dos
12,6 mil milhões de rands aos cofres públi-
cos.
A zona industrial de Coega (entre Port Eli-

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14 MOÇAMBIQUE NOTÍCIAS

FINANCIAMENTO DESENVOLVIMENTO pescado capturado localmente.


De acordo com Mateus Matusse, director
BAD financia Fundo provincial da Indústria e Comércio em
Cabo Delgado, a montagem daquele equi-
manutenção de Desenvolvimento pamento de refrigeração tem a ver com o
dos sistemas Distrital já financiou facto de aquele componente influenciar o
custo do pescado a nível da província uma
de distribuição de água 49.400 projectos vez que nas zonas de captura a procura é
menor e a produção acaba se perdendo,
O Fundo de Desenvolvimento Distrital, enquanto que na cidade de Pemba por
vulgo Sete Milhões, já financiou desde exemplo, zona onde a procura é maior,
a sua introdução, em 2006, um total de regista-se défice do pescado devido à falta
49.400 projectos nas diversas áreas de ac- de condições de conservação.
tividade económica em Moçambique. As “Portanto, a par da montagem de fabri-
áreas da Agricultura e pequena indústria quetas de produção de gelo, estamos a
com destaque para moageiras, prensas de implantar locais próprios para a venda
óleo, processadoras de vegetais e frutas, e do pescado com vista a permitir uma co-
pequenas oficinas artesanais foram as mais mercialização eficiente do peixe, em vez de
beneficiadas, tendo criado cerca de 261 mil cada um vender na sua esquina”, salien-
novos empregos. tou.
O ministro da Planificação e Desenvolvi-
mento, Aiuba Cuereneia, referiu que os re-
sultados alcançados com a implementação
dos projectos financiados com este fundo
são extremamente positivos, pois além de
terem dinamizado e aumentado a produ-
ção de alimentos nos distritos, são um mo-
tor indiscutível para despoletar o empre-
endedorismo até então adormecido.
Falando no parlamento moçambicano,
O Banco Africano de Desenvolvimento o ministro disse que gerando emprego,
(BAD) aprovou um financiamento no va- o fundo estimula as populações locais a
lor de 26.8 milhões de dólares para a ma- apostar mais no trabalho e na exploração
nutenção dos sistemas de distribuição de dos recursos naturais, localmente disponí-
água potável e saneamento, capacitação veis.
institucional e pessoal nas cidades de Li- Segundo aquele governante, o Gover-
chinga e Cuamba, na província do Niassa. no continuou, durante os últimos anos, a
A implementação deste projecto, que visa apostar na criação de oportunidades de
garantir uma maior longevidade às infra- emprego através da criação de um ambien-
estruturas existentes no país, estará a car- te favorável ao investimento privado, no
go da Direcção Nacional de Águas (DNA), desenvolvimento do empresariado nacio-
Conselho de Regulação do Abastecimento nal, bem como na formação profissional
de Água (CRA) e Fundo de Investimento para o auto-emprego. Neste conjunto de
e Património do Abastecimento de Água esforços, e desde 2006, os diversos inves-
(FIPAG). timentos do sector privado resultaram na
Segundo Armando Ussivane, especialista criação directa de cerca de 218 mil empre-
do sector de Água e Saneamento do BAD: gos, dos quais cerca de 69 mil postos foram
“A manutenção significa que os benefi- gerados no presente ano.
ciários dos sistemas de água devem ter
uma capacidade de poder reparar as in-
fraestruturas em tempo útil. Isso implica
o melhoramento da rede de distribuição, INDÚSTRIA
comercialização e distribuição dos acessó-
rios. Esta componente tem sido negligen-
Zonas costeiras
ciada”. vão produzir gelo
Além dos 26.8 milhões de dólares, o BAD
poderá aprovar mais um financiamen- em Cabo Delgado
to para reforçar o Programa Nacional de
Abastecimento de Água e Saneamento Ru- O Instituto do Desenvolvimento Pesquei-
ral (PRONASAR). Armando Ussivane esti- ro (IDPE) vem levando a cabo diversos
mou que serão construídas 570 novas fon- programas ao longo da zona costeira da
tes dispersas de água, facto que vai alargar província nortenha de Cabo Delgado que
a cobertura de fornecimento da água até incluem a montagem de fabriquetas de
2014. produção de gelo para a conservação do

revista capital novembro 2010


REGIÕES MANICA 15

Castanha de caju
de Machaze não
sacia demanda asiática
Sérgio Mabombo [texto e foto]

As 17 mil toneladas da castanha de caju


produzidas por cada campanha no distrito
de Machaze, província de Manica, come-
çam a revelar-se insuficientes para alimen-
tar a crescente demanda asiática daquele
produto.
A China, o Bangladesh e o Paquistão, que
absorvem a maior parte da produção, res-
sentem-se pelo facto do distrito comercia-
lizar apenas seis a oito toneladas daquela
cultura de rendimento, segundo Gaudên-
cio Silota, director da Agricultura no Ser-
viço Distrital das Actividades Económicas
(SEDAE), em Machaze.
A falta das vias de acesso para o escoa-
mento da castanha está na origem da co-
locação no mercado de apenas seis a oito
toneladas de uma produção global cifrada
em 17 mil toneladas.
No sentido de impulsionar uma maior
oferta do produto, o SEDAE e o Instituto
Nacional de Caju (INCAJU) têm oferecido
capacitações regulares aos produtores de
média e pequena escala que exploram os
32 mil hectares de plantio de cajueiros em
Machaze. Por outro lado, o nível de prepa-
ração da campanha que se avizinha ofe- Manuel Mustafá,
rece uma certeza aos produtores de que a Vendedor de caju
demanda da castanha poderá ser satisfeita
em larga escala, segundo constata o direc- aponta 10 meticais por quilo como o preço explica que a dispersão de preços da casta-
tor do SEDAE a nível do distrito. mais justo para a presente campanha. nha de caju não permite que se tenha uma
Caso as intempéries não interfiram no vo- Entretanto, os revendedores, que consti- noção do rendimento geral que o distrito
lume de produção da campanha que se ini- tuem o elo de ligação entre os produtores consegue com a comercialização do produ-
cia, então Helena Marerua (viúva que vem locais e os compradores asiáticos sugerem to. O mesmo avança que o facto resulta do
suportando as despesas de uma família de que os preços devem ser marcados com facto da comercialização basear-se na livre
sete elementos) poderá ter novas ambições, base nas quantidades compradas. Assim, economia de mercado em que só o produ-
mais ousadas. Os novos anseios da viúva, «se os paquistaneses ou chineses com- tor e o comerciante negoceiam o preço.
que conhece o negócio da castanha desde pram quantidades acima de uma tonela- Em pleno mês de Setembro, já era visível
a infância no seio familiar incluem a com- da, o preço por quilo deve estar abaixo de a azáfama por parte dos produtores, que
pra de uma camioneta, de modo a explorar 10 meticais», segundo o comerciante José durante as vésperas já faziam a previsão
todo o mercado da zona sul do país, além Ndove. O mesmo defende que a tendência de uma fila de camiões dos novos com-
de abastecer os compradores asiáticos. do aumento dos preços poderá desencora- pradores asiáticos - ávidos em obter a sua
Apesar da crescente dinâmica do merca- jar os asiáticos. Por sua vez, Gaudêncio Si- castanha de caju durante os meses de No-
do, a dispersão de preços tem revelado a lota estima que o quilo da castanha na sua vembro, Dezembro e Janeiro. Entretanto,
necessidade de uma maior regulamentação forma bruta avalia-se entre 11 a 15 meticais o plano dos produtores tem como maior
naquele distrito. Manuel Mustafá, que esta- o quilo, durante a primeira fase da colhei- detractor a necessidade das vias de acesso,
beleceu residência em Machaze, em 2000, ta, enquanto na última se estima o valor como forma de escoarem a produção até ao
atraído pelo negócio da castanha de caju, de 20 meticais por quilo. Gaudêncio Silota local de venda.c

novembro 2010 revista capital


16 REGIÕES MANICA

FOTO: SÉRGIO MABOMBO

Feira da castanha
de caju na forja
O distrito de Machaze irá contar, a partir cento da sua produção de castanha de caju
de 2011, com uma feira de castanha de na forma bruta. Devido ao facto, deixam
caju, uma iniciativa que irá permitir a tro- de ser criadas mil empresas que podiam
ca de técnicas de cultivo e comercialização gerar cerca de 300 mil empregos, na óp-
entre os produtores. tica da ACA. Na esteira do presente cená-
Gaudêncio Silota, director da Agricultura rio, o distrito de Machaze poderá marcar
no Serviço Distrital das Actividades Eco- a diferença em relação a muitas regiões
nómicas (SEDAE) em Machaze, acredita africanas ao apostar no processamento da
que a feira irá marcar o início do processa- castanha de caju.
mento da castanha de caju a nível local. O Por outro lado, o lucro poderia ser larga-
dirigente reconhece que o processamento mente encorajador se o processamento
do caju não é um problema particular de passasse a ser feito a nível local, segun-
Machaze e acredita que a feira irá marcar do a constatação dos produtores. Para o
uma nova era em termos de negócios. efeito está em curso a montagem de pe-
Este ano, a região norte do País prevê que quenas unidades de agro-processamento
a produção da castanha de caju atinja as que poderão empregar entre sete a 12 tra-
40 mil toneladas. A quantidade representa balhadores. Ao mesmo tempo, os produ-
um crescimento de 33 por cento, conside- tores reclamam o facto dos compradores
rando as 30 mil toneladas do ano passado. paquistaneses, chineses e originários do
Por outro lado, e para o caso particular de Bangladesh demonstrarem pouco interes-
Machaze, o crescimento da produção terá se na compra da castanha de caju proces-
pouco impacto em termos de lucro, caso sada, pois estes preferem fazê-lo nos res-
não se invista no processamento, segundo pectivos países.
Gaudêncio Silota,
Gaudêncio Silota. Estima-se que a feira, que se projecta para Director do SEDAE em Machaze
Durante a V Conferência Anual da Aliança Machaze em 2011, possa vir a atrair turis-
Africana do Caju (ACA), realizada recente- tas para o distrito, pois a mesma compre-
mente em Maputo, questionou-se o facto ende a componente gastronómica à base
do continente africano exportar 90 por da castanha de caju.c
DR

«Este ano, a região


norte do País prevê
que a produção da
castanha de caju atinja
as 40 mil toneladas. A
quantidade representa
um crescimento de 33 por
cento, considerando as
30 mil toneladas do ano
passado. Por outro lado, e
para o caso particular de
Machaze, o crescimento
da produção terá pouco
impacto em termos de
lucro, caso não se invista
no processamento,
segundo Gaudêncio
Silota.»

revista capital novembro 2010


FOCO TELECOMUNICAÇÕES 17

Movitel irá cobrir


85 por cento do mercado
em cinco anos
Sérgio Mabombo [texto]

Movitel, a terceira e nova operadora de


telefonia móvel em Moçambique, irá al-
cançar 85 por cento da cobertura de mer-
cado dentro de cinco anos. Para o efeito, a
companhia espera investir 400 milhões de
dólares americanos na sua nova rede.
A pretensão da Movitel passa, sobretudo,
pelo desafio de modificar o cenário de um
mercado no qual a operadora Mcel detém
60 por cento do mercado moçambicano
enquanto a Vodacom detém 40 por cento
do mesmo universo.
Pouco depois da Movitel ter sido anuncia-
da vencedora do concurso para a terceira
operadora de telefonia móvel em Mo-
çambique, o presidente da Mcel, Teodato entre a SPI- Gestão e Investimentos e a suscita reacções que eram previsíveis por
Hunguana, disse à Imprensa que a nova Viettel. A primeira é um organismo empre- parte dos utentes dos serviços. A Vodacom
operadora teria de fazer um esforço suple- sarial próximo do Partido FRELIMO en- defende que Moçambique já tem tudo o
mentar pelo facto do mercado não ser algo quanto a Viettel é uma empresa vietnamita que é possível de ser oferecido por uma
“infinitamente elástico”. A Movitel lança- de telecomunicações em franca expansão a operadora de telefonia móvel. A detento-
se no mercado projectando o alcance de nível internacional. ra de 44 por cento da quota do mercado
85 por cento de clientes (num universo Do concurso para o licenciamento da ter- nacional questiona a pertinência da com-
populacional de cerca de 20.2 milhões ceira operadora de telefonia móvel em Mo- petição que se prevê num cenário em que
de habitantes). Constitui uma mais-valia çambique constavam ainda a Uni -Teleco- os preços já começaram a baixar, e onde a
para a Movitel o facto do acesso à Inter- municações pertencente a Celso Correia, rede já cobre as principais cidades do País,
net no País já ser também realizado via empresário estabelecido no panorama tendo registado a introdução da tecnologia
celular. Estima-se em cerca de 2.600.000 económico moçambicano e a Isabel dos de Terceira Geração.
a 2.700.000 os utilizadores de celulares Santos, empresária angolana que concor- Por outro lado, com a entrada em funcio-
com acesso à Internet, mas a maior parte ria também pela Portugal Telecom (PT), namento da Movitel, o Executivo moçam-
dos aparelhos não possuem capacidade de liderada por Zeinal Bava. bicano vê a possibilidade de fortalecimen-
aceder ao referido serviço. A derrota da empresa portuguesa PT no to do Fundo para o Desenvolvimento dos
O que ditou a escolha da Movitel para se concurso para a atribuição da terceira li- Transportes e Comunicações. O imposto
lançar no mercado moçambicano foi o fac- cença de operadora de telefonia móvel fez foi proposto pelo Governo e irá consistir
to de a empresa ter apresentado a melhor com que a empresa perdesse 1.18 por cento na cobrança de uma taxa mensal aos clien-
proposta técnica, a qual mereceu 95.05 na Bolsa de Valores de Lisboa, fixando-se a tes das operadoras de telefonia móvel que
pontos, superando deste modo as empre- sua cotação em 9.89 euros. Apesar do fac- operam no país. Os valores estipulados na
sas concorrentes TMN (77.8 pontos) e UNI to, a PT renovou estratégias e brevemente referida taxa são de cinco meticais (0.125
-Telecomunicações (76.78 pontos). poderá vir a adquirir acções da Mcel, no euros) para utilizadores do pré-pago e 30
A Movitel cumpriu com quase todos os âmbito da privatização parcial da operado- meticais (1.75 euros) para clientes com
requisitos para se lançar no mercado de ra amarela, a detentora de mais de 4 mil contrato.
telefonia móvel em Moçambique. De entre clientes a nível do País. Por outro lado, a A Vodacom e a Mcel manifestam-se contra
eles consta o pagamento de 28.2 milhões Mcel já tinha demonstrado abertura em a proposta. Alegam que a mesma iria im-
de dólares americanos propostos para a partilhar as suas infraestruturas (antenas) por aos utilizadores uma taxa que não traz
aquisição da licença, segundo a primeira com a Movitel, caso esta manifestasse o nenhum benefício ao sector de telefonia
cláusula do artigo 40 do Regulamento do seu interesse. móvel. A Movitel ainda não transmitiu o
Concurso Público para o Licenciamento de A concorrência que se abre com a entra- seu posicionamento em relação à proposta
telefonia móvel. A Movitel é um consórcio da da Movitel no mercado moçambicano da referida taxa.c
novembro 2010 revista capital
18 FOCO TELECOMUNICAÇÕES

O retrato das tecnologi


de informação e comun
Cerca de 13.3 por cento da população de serviço telefónico móvel (STM). Ao passo
Moçambique dispunha de acesso a algum que as comunicações internacionais para a
tipo de dispositivo de telecomunicações, Europa são realizadas por satélite.
em 2009. Apenas 0.3 por cento destas Desde Outubro de 2007, a TDM utiliza
comunicações eram feitas através da rede ondas electromagnéticas e fibra óptica
fixa. para a África do Sul, o que permite a Mo-
O operador histórico de linhas fixas, as çambique ligar-se ao cabo submarino in-
Telecomunicações de Moçambique (TDM) ternacional da Costa Ocidental, o SAT-3.
dispõe de muito poucas linhas instaladas, Esta última ligação poderá ajudar a redu-
essencialmente nas principais zonas urba- zir as tarifas de comunicação internacio-
nas. Parcialmente privatizadas, as TDM nais que são muito elevadas quando recor-
detém o monopólio sobre as chamadas rem a via satélite. Na realidade, o impacto
locais, de longa distância e internacionais. sobre os preços deverá ser limitado já que
Em 2008, a sua taxa de penetração situa- o SAT-3 é dominado por um consórcio
va-se em menos de 3 por cento da popu- que impõe tarifas muito elevadas aos não-
lação. membros.
A TDM aplica uma tarifa única, repartin- Na Costa Oriental, é expectável que os
do os custos entre os utilizadores rurais e dois novos cabos submarinos, SEACOM e
urbanos, chamadas locais, de longa dis- EASSy, permitam um acesso livre e, por-
tância ou internacionais. A empresa não tanto, tarifas mais acessíveis.
teve lucros durante os últimos anos, após
o aparecimento dos operadores de telefo- O panorama
nes celulares que não praticam a mutua- das telecomunicações móveis
lização de custos e podem propor tarifas
muito mais atractivas. O serviço telefónico móvel representa
Por outro lado, e outro aspecto constran- 98 por cento das ligações totais, e cerca
gedor é que as linhas de distribuição da de 98.6 por cento dos utilizadores que
TDM, na sua maior parte em fio de cobre, pré-pagam os seus consumos. Até muito
são frequentemente objecto de roubo. recentemente existiam dois operadores
O operador utiliza a tecnologia ADSL de serviço telefónico móvel: Moçambique
(Asymmetric Digital Subscriber Line) a Celular (MCel), detida pelos TDM e ope-
fim de poder oferecer os serviços de In- racional a partir de 1997, e a Vodacom
ternet que, no entanto, se mantêm muito Moçambique, operacional desde Outubro
caros. Além disso, para o “último quiló- 2003. As suas estações de base cobrem
metro” (sistema local de ligação do cliente 44 por cento da população e estão con-
à central) a TDM vai utilizar a tecnologia centradas nas grandes zonas urbanas. A
sem fios CDAM (Code Development Mul- MCel detinha, em 2009, 51.7 por cento do
tiple Access) a fim de reduzir os custos em mercado, com 1.382.270 de subscritores e
infraestruturas. regista 17 por cento de crescimento anual.
As linhas da transmissão utilizam tam- Possuindo uma quota de mercado li-
que disponham de um combinado compa-
bém as ondas electromagnéticas e os saté- geiramente inferior, a Vodacom cresce a
tível, o que não é muitas vezes o caso. A
lites, ainda mais quando as redes de linhas um ritmo anual de 19 por cento. As suas
tecnologia de terceira geração para os tele-
fixas foram largamente destruídas durante taxas de crescimento afrouxaram a partir
fones móveis já é comercializada, embora
a guerra. de 2004 e deverão estabilizar por volta de
o seu potencial não esteja a ser explorado
As primeiras linhas de fibra óptica foram 2010 em 11 e 15 por cento, respectivamen-
na íntegra. Os operadores estão ainda em
instaladas em Maputo, no ano de 2001, e te, para a MCel e a Vodacom.
fase de amortização dos seus investimen-
nas outras capitais provinciais até à cida- Para as telecomunicações móveis, a tec-
tos em GSM, e mesmo que disponham de
de da Beira, em 2002. A Norte, as zonas nologia utilizada é o GSM (Global System
licenças para a terceira geração, o seu de-
de Quelimane, Nampula e Cuamba foram for Mobilecommunications) 900/1 800,
senvolvimento necessitará de tempo.
cobertas em 2007,mas outras como Cabo a norma utilizada na Europa que permite
Moçambique está muito atrás da maioria
Delgado são ligados por satélite. dispor de serviços de mensagem de voz ou
dos seus vizinhos em termos do número
A empresa Escom (Electricity Supply SMS.
de licenças atribuídas e da taxa de pene-
Corporation ofMalawi) instalou linhas A tecnologia GPRS (General Packet Ra-
tração. Em 2008, apenas contava com
de fibra óptica ao longo da sua rede eléc- dio Service) também é utilizada pelos dois
dois operadores de telefone móvel, contra
trica entre a África do Sul e Maputo, que operadores de telefone móvel; permite o
três na África do Sul, na Zâmbia e no Zim-
poderão ser parcialmente utilizadas pelo acesso à Internet via telefone móvel desde
babwe, e quatro no Quénia.

revista capital novembro 2010


FOCO TELECOMUNICAÇÕES 19

ias
nicação no país
DR

um relatório anual para o Ministério dos quisa para o Desenvolvimento Internacio-


Transportes e das Telecomunicações, mas nal, a TDM, a TV Cabo, a Direqlearn e a
considera-se independente no que se refe- Microsoft. O objectivo consiste em alargar
re à tomada de decisões. o uso das TIC aos domínios da educação,
Não existe nenhuma licença global, in- por exemplo, formando 200 jovens que
cluindo linhas fixas, os telemóveis e os não frequentem um sistema educativo es-
serviços de Internet. Na prática, são con- truturado (Educação para Todos).
cedidas automaticamente aos operadores O reforço das capacidades e das TIC
licenças para estas três tecnologias com- está identificado como prioritário em Mo-
plementares. A TDM, operador de linhas çambique para Apoio à Inclusão Digital
fixas, também pode propor linhas sem fios (ADEN), um programa posto em execução
e serviços Internet. Em contrapartida, a em 12 países da África Subsariana, entre
MCel e a Vodacom, operadores sem fios, 2003 e 2008.
podem fornecer linhas fixas e Internet. O Governo criou o Instituto das Tecnolo-
O Instituto Nacional das Comunicações gias de Informação e Comunicação de Mo-
de Moçambique (INCM) procede à revisão çambique (ITICM), na Universidade Edu-
de preços de dois em dois anos, com base ardo Mondlane (UEM), igualmente para
nos custos de interconexão. Aprovados o reforço das capacidades. Com o apoio
pela última vez em 2007, serão revistos em da União Europeia, o projecto IST-Africa
Dezembro de 2009. Inicialmente baseadas (Informação, Sociedade, Tecnologia, Áfri-
numa taxa única, as tarifas de interconexão ca) organiza seminários sobre comércio,
passaram a variáveis por se ter em conta administração, edução ou saúde em linha.
que a MCel tem mais utilizadores que a Vo- O Governo lançou também diversos pro-
dacom. A MCel pratica preços elevados no jectos de governo electrónico (e-governo):
itinerário, enquanto que a Vodacom Mo- o sistema de informação dos funcioná-
çambique e a Vodacom África do Sul não rios do Estado (SIP 2000), o sistema de
fazem pagar nenhum suplemento pelas identificação civil, o sistema de informa-
comunicações entre as suas redes seguindo ção financeira do Estado (e-SISTAFE), o
o exemplo da Zain para o continente afri- gabinete de registo do cadastro, o balcão
cano. electrónico único, o estudo sobre as TIC no
Ainda que a legislação encoraje a partilha âmbito das instituições públicas, o sistema
de pilares para as antenas e aparelhos de de informação para o processo eleitoral e
produção de energia, tais como os gerado- o portal electrónico do Governo (GovNet).
res e os painéis solares, a MCel e a Voda- Este último é uma plataforma que permi-
com não utilizam infraestructuras comuns. te a comunicação entre a administração e
Uma terceira licença de operador de telefo- que informa os cidadãos.
ne móvel deverá ser concedida à empresa Moçambique é uma história de sucesso
Movitel, o que levará à partilha de infraes- em matéria de “e-saúde”. Com o apoio da
truturas devido à provável baixa de preços União Internacional de Telecomunicações
Em 2008, a taxa de penetração do telefo- resultante do aumento da concorrência. (UIT) o Governo criou uma rede entre os
ne móvel era de 13 por cento em Moçam- Considerados como produtos de luxo, hospitais centrais das duas principais ci-
bique, contra uma média de 38 por cento os telemóveis importados estão sujeitos a dades, Maputo e Beira. Graças a esta liga-
nos países vizinhos atrás referidos e de uma taxa de 20 por cento. Em consequên- ção, o Hospital da Beira, por exemplo, tem
28.4 por cento no continente africano. cia, no mercado negro (muito desenvolvi- acesso imediato aos serviços de radiologia
do) podem ser comprados por 50 dólares. de Maputo, o que ajudou a melhorar con-
sideravelmente os cuidados de saúde. O
A legislação existente Governo utiliza também os sistemas de in-
As tic aplicadas à saúde, formação para a prevenção do HIV/Sida,
O quadro regulamentar das TIC em Mo- Educação e comércio com o apoio da UNESCO.
çambique é considerado satisfatório pela No domínio das TIC, Moçambique deve-
União Internacional de Telecomunicações O Governo empenhou-se fortemente na rá ainda responder a vários desafios: au-
(UIT). Em 1992, pela Lei n.º 22/92, foi educação, governação e saúde em linha e, mentar o investimento e os serviços nas
criado o Instituto Nacional das Comunica- do mesmo modo, no reforço das capaci- zonas rurais, baixar os preços dos serviços
ções de Moçambique (INCM), uma auto- dades. Um projecto de educação em linha, de dados, e criar um fundo de serviços uni-
ridade de regulação das telecomunicações SchoolNet Africa, está em preparação, as- versal com a contribuição das TDM e dos
independente. Esta autoridade produz sociando nesse processo o Centro de Pes- operadores de telefone móvel.c

novembro 2010 revista capital


20 INTERCAMPUS ESTUDOS DE MERCADO

Smartphones conquis
mercado moçambican
No advento da entrada da terceira operadora de telefonia móvel no mer-
cado moçambicano, a Intercampus, do Grupo GfK, disponibiliza nesta edi-
ção os dados relativos à venda de telemóveis e smartphones no país.

O número de telemóveis vendidos em Comparando o período de Janeiro a Se- unidades e um crescimento de 74,9% em
Moçambique continua a aumentar de ano tembro de 2010 face ao período homólogo termos de valor comercializado, apesar de
para ano, apesar de em termos de valor de em 2009 encontramos uma diminuição de ter havido uma diminuição do preço médio
mercado ter vindo a diminuir, o que signi- preço médio em 19,5%. Este facto significa destes equipamentos em 11,9%. Os Smar-
fica que os preços praticados por equipa- que apesar do aumento do número de tele- tphones representaram apenas 4% do total
mento estão a diminuir. móveis vendidos, o valor total do mercado de unidades comercializadas, no entanto
Na realidade, o número de telemóveis de telemóveis e Smartphones diminuiu em significam 27,2% do total do valor de mer-
vendidos no país, em estabelecimentos 14% nos períodos considerados. cado, no período de Janeiro a Setembro de
formais, de Janeiro a Setembro de 2010, O preço médio dos Smartphones para o 2010.
foi de cerca de 570 milhares de unidades, mês de Setembro de 2010 foi de 592 dóla-
contra cerca de 533 milhares em período res, enquanto o preço médio de telemóveis Ficha Técnica
homólogo em 2009, representando um foi de 50 dólares. Em Janeiro deste ano,
crescimento 6,8%. Anualmente, são vendi- os preços médios eram de 753 e 80 dóla- Os dados acima foram extraídos do pai-
dos em estabelecimentos formais cerca de res, respectivamente. De acrescentar que nel retalhista Telecom da GfK que é um
800 mil equipamentos, representando um 62,4% do total do mercado corresponde a estudo de grupo constante de estabeleci-
valor de mercado de cerca de 8 milhões de telemóveis de valor abaixo dos 50 dólares. mentos formais que periodicamente par-
dólares. A grande estrela deste mercado em Mo- ticipam disponibilizando a sua informação
Em contrapartida, os preços médios des- çambique é o Smartphone que registou em mais de 80 países. O painel de Telecom
tes equipamentos têm vindo a diminuir. um crescimento de 98,5% em termos de teve início em 1998 a nível global e em

Gráfico. 1 - Variação do número de unidades e valor de mercado de Telemóveis e Smartphones, de Janeiro a Setembro de Gráfico. 2 - Evolução do número de telemóveis e Smartphones v
2010, em comparação com período homólogo.

revista capital novembro 2010


INTERCAMPUS ESTUDOS DE MERCADO 21

stam
no
DR
Julho de 2007 em Moçambique, auditan-
do os principais produtos nesta área com
destaque para os telemóveis. A periodici-
dade deste painel é mensal para o caso de
Telemóveis e de Smartphones, e cobre os
especialistas de telecomunicações e canais
de retalho multiespecialistas.

A Intercampus

A Intercampus – Estudos de Mercado,


Lda. é uma empresa de direito moçambi-
cana e iniciou formalmente a sua activida-
de em Moçambique em 2007 sendo parte
integrante do Grupo Internacional GfK. A
GfK é a quarta maior empresa de estudos
de Mercado no mundo. A sua actividade
abrange cinco áreas: Custom Research,
Retail & Technology, Consumer Tracking,
Healthcare e Media. O Grupo é composto
por 150 empresas em mais de 100 países
e com mais de 10.000 colaboradores. Em
2009, as vendas do Grupo GfK ascenderam
a 1,16 mil milhões de euros.
Para mais informações contactar ge-
ral@intercampus.co.mz.c

vendidos em Moçambique Gráfico. 3 - Evolução do preço médio de Telemóveis e Smartphones Janeiro a Setembro 2010

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22 SECTOR COMUNICAÇÕES

‘Corre’ dinamiza
serviços de correio FOTO: LUIS MUIANGA

Arsénia Sithoye [texto]

A empresa Correio Expresso de Moçam- formação. ser um dos principais operadores de refe-
bique (CORRE) foi oficialmente inaugura- O primeiro-ministro de Moçambique, Ai- rência no mercado africano do sector dos
da em Maputo, numa parceria em partes res Ali, salientou que a vantagem do COR- correios.
iguais entre os Correios de Moçambique e RE passa por ter como empresa parceira Segundo o PCA dos CTT, os serviços ex-
os Correios de Portugal (CTT). os CTT, uma organização com larga expe- presso dos Correios de Portugal lideram
A empresa foi concebida em 2009 pelos riência no que diz respeito aos serviços de o mercado da União Europeia em termos
serviços de correio dos dois países, tendo correio expresso. de qualidade dos serviços prestados. Mata
como principal área de acção o mercado A expectativa é que ao aproveitar a rede Costa disse ainda que para além do capi-
das encomendas urgentes. A Corre encon- dos correios moçambicanos se possa vir tal, os CTT trouxeram para Moçambique
tra-se a operar há cerca de três meses em rapidamente a possuir balcões em todo o alguns meios técnicos e experiências do
regime experimental nas cidades de Ma- país, tanto mais que um dos objectivos do mercado europeu e admitiu que, no próxi-
puto, Beira e Nampula e prepara-se igual- governo moçambicano é dotar o serviço mo ano, poderá haver novas parcerias en-
mente para chegar a Tete, no norte de Mo- postal de acesso universal. tre as duas empresas, nomeadamente face
çambique. «A amplitude das mudanças, que implica ao chamado "correio híbrido".
O empreendimento resulta dos esforços o desenvolvimento do sector postal, exi- Por sua vez, Luís José Rego, presidente
levados a cabo pelo Conselho de Adminis- ge recursos que não estão facilmente ao do Conselho de Administração do Cor-
tração na busca de estratégias com vista à alcance da própria empresa. Por isso, os reios de Moçambique, sublinhou que este
revitalização e modernização da empresa Correios de Moçambique olharam estra- projecto surge no âmbito das recomenda-
Correios de Moçambique. tegicamente para a necessidade de mu- ções do Governo no sentido de combater
O avanço tecnológico, o desuso da carta dar e procuraram reforçar e desenvolver a baixa qualidade na prestação de serviços
convencional ao longo dos últimos anos, parcerias para a introdução da sociedade e os problemas de falta de segurança dos
as exigências cada vez mais crescentes do Correio Expresso de Moçambique», expli- objectos com que o Correio de Moçambi-
mercado e a necessidade de modernizar a cou o governante. que vinha-se debatendo desde os anos 90.
empresa Correios de Moçambique cons- Por seu turno, o presidente do Conselho Luís Rego salientou que um dos maiores
tituíram factores impulsionadores para a de Administração do Correios de Portu- desafios do CORRE, é garantir a prestação
concretização deste projecto, num inves- gal, Estanislau Mata Costa, afirmou que a de serviços, de forma eficiente e moderna
timento orçado em 35 milhões de meti- expectativa dos CTT em relação a este in- de modo a fazer chegar as cartas e outras
cais. O valor foi aplicado na reabilitação vestimento, é que o Corre se torne um líder encomendas o mais rápido possível, sobre-
das infraestruturas, na aquisição de meios no mercado moçambicano, no que diz res- tudo às zonas rurais e aos pontos mais re-
materiais, equipamentos, transporte e na peito aos envios urgentes de encomendas e cônditos do País.c

revista capital novembro 2010


24 35 ANOS DA ECONOMIA
Investimentos avultados e
marcaram as Telecomunic
Nos primeiros anos após a Independência nacional, a comunicação no
País tinha como um dos maiores expoentes os serviços postais. A partir
da década 90, o ramo começa a sofrer mudanças de vulto, originadas pela
reestruturação das antigas e sua criação de novas instituições no sector. A
par disto, decorreu a elaboração de dispositivos legais que permitiram ao
mercado nacional das telecomunicações chegar ao ponto onde se encontra
actualmente.
À semelhança de outros sectores, o das base nestes dispositivos que a entidade Tecnologias de Informação e Comunica-
Telecomunicações foi abalado pela Guerra reguladora (INCM) exerce o seu trabalho. ção, no interesse do desenvolvimento sus-
dos 16 Anos, que na essência, comprome- Foi assim que em 1999 surgiu a primeira tentável em todo o País. Estes são alguns
teu a plataforma instalada na altura para a “Lei das Telecomunicações”. Contudo, a dos objectivos que norteiam a lei que gal-
comunicação. Porém, não foi este o único mesma não satisfazia por completo as ne- vanizou o ramo das telecomunicações em
motivo que condicionou o desenvolvimen- cessidades do mercado, visto que ainda era Moçambique.
to do sector. A falta de recursos humanos e limitada em algumas componentes como é
financeiros a par de um relativo atraso tec- o caso da liberalização do mercado da tele- A fibra óptica das TDM
nológico, que, por sua vez, se traduziu na fonia móvel.
chegada tardia ao País de alguns sistemas Nesse contexto, em 2004 é aprovada pela Desde o ínicio da sua existência que as
de ponta, que em muito teriam contribuído Assembleia da República uma nova “Lei TDM desenvolvem vários projectos e pro-
para o desenvolvimento do sector. das Telecomunicações” que vem revogar videnciam diversos serviços, um deles é o
Em Junho de 1981, o Estado moçambi- a de 1999. É este dispositivo que, segun- da comunicação por voz através das linhas
cano dá um grande passo neste ramo, ao do Américo Muchanga, director-geral do fixas. De acordo com o relatório de contas
criar as Telecomunicações de Moçambique INCM, trouxe uma grande dinâmica ao de 2008 das TDM, o número de ligações
(TDM) E.P., na sequência da extinção dos mercado nacional no que se refere à com- de linhas fixas aumentou, mas contraria-
Correios, Telégrafos e Telefones, institui- petitividade, abrindo as portas do ramo mente ao que se pode pensar, o incremento
ção que funcionara desde a época colonial. das telecomunicações aos operadores pri- registado deveu-se ao facto da Internet ter
Onze anos mais tarde, as TDM são trans- vados, nos mais diversos domínios. sido disponibilizada aos clientes e não por-
formadas em empresa pública. No mesmo Por outro lado, no que diz respeito às ac- que mais pessoas pretendiam usar o “fixo”
ano, ou seja em 1992, são criadas outras tividades do próprio INCM, Muchanga en- para se comunicar. Estes são alguns dos
importantes instituições para o desen- tende que a capacidade de fiscalização do serviços, actualmente, providos do cabo de
volvimento do sector. E eis que surgem órgão aumentou consideravelmente nos fibra óptica das TDM, meio que permite a
o Instituto Nacional das Comunicações últimos tempos e, por conseguinte, os ope- transmissão de grandes volumes de infor-
de Moçambique (INCM) e os Correios de radores têm estado a cumprir com os con- mação, com maior qualidade e velocidade.
Moçambique. O aparecimento destas en- tratos estabelecidos na altura da aquisição Através da fibra óptica são transportados
tidades conferiu uma distinção clara entre das licenças. sinais de operadores móveis, dados, rádio,
as entidades, cujas funções seriam regula- A lei em alusão tem como objecto “a de- televisão, entre outros. Este cabo consti-
tivas ou operacionais. Visto que, anterior- finição de bases gerais do sector das te- tui um dos maiores empreendimentos da
mente, e devido à existência apenas das lecomunicações, de forma a assegurar empresa e a sua concretização já consumiu
TDM, a divisão destas competências não se a liberalização do mercado e um regime avultadas quantias, fora a manutenção e
encontrava muito clara. Daí que coube ao de concorrência”. No que tange aos ob- reparação das avarias, que nos últimos
INCM o papel de regulador e às restantes jectivos deste dispositivo legal, importa tempos tem-se registado com mais fre-
coube a tarefa da operacionalização. destacar os seguintes pontos: Promoção quência. A materialização do projecto co-
do investimento privado na área das Te- meça em 2000 com a adjudicação de um
Contexto legal lecomunicações; estabelecimento de nor- contrato no valor de 32,4 milhões de dóla-
das Telecomunicações mas de concorrência entre os operadores e res para o fornecimento e instalação de um
prestadores de serviços de Telecomunica- sistema de cabo submarino de fibra óptica
Como referimos antes, em 1992 as com- ções para garantir a criação de condições ligando as cidades de Maputo e Beira, um
petências das instituições no sector das não discriminatórias e concorrenciais para processo que veio a ser concluído em 2002.
Telecomunicações tornam-se mais claras. todos os operadores e prestadores de ser- Nos anos seguintes assistiu-se ao processo
Mas os desafios não paravam por aí. Dado viços de Telecomunicações; a promoção de ligação das restantes capitais ao cabo de
o desenvolvimento deste sector, mostrava- do estabelecimento de normas de forma fibra óptica. E a conclusão desta fase deu-
se urgente a elaboração de dispositivos a criar um clima favorável ao desenvolvi- se em 2009 com a ligação de todas as capi-
legais que regessem o sector. Aliás, é com mento global das Telecomunicações e das tais provinciais do país ao sistema.

revista capital novembro 2010


35 ANOS DE ECONOMIA 25

reformas legais de fundo


cações
FOTO: HELGA NUNES
Em 2008, foi concluído com o processo
para concurso de adjudicação e financia-
mento do novo projecto com vista à re-
dundância do cabo de fibra óptica, ou seja,
com a construção de um novo cabo que
serve de suporte ao primeiro, e que serve
para garantir a transmissão normal de da-
dos em caso de avaria no cabo principal.
Em 2009, o projecto de redundância ini-
cia na província de Manica, com a previsão
de terminar em finais de 2011, com uma
extensão de pouco mais de 2.500 km. O
empreendimento foi inicialmente avaliado
em cerca de 21 milhões de euros e conta
com financimento, por via de um cédito,
da Agência de Desenvolvimento do Reino
da Dinamarca.
Ainda no âmbito deste sistema tecnológi-
co de transmissão de dados, Moçambique
conectou-se em 2009 ao cabo submarino
de fibra óptica do grupo Seacom, uma em-
presa de capitais maioritariamente afri-
canos e norte-americanos, que vai ligar a
África à Europa e Índia. O mesmo possui
uma extensão de 17 mil quilómetros, que
parte da África do Sul, ligando Suazilân-
dia, Moçambique, Madagáscar, Tanzânia,
Quénia, Uganda, à Índia e Europa, mais
concretamente à França e ao Reino Uni-
do.
No ano passado, a sociedade WIOCC e as
TDM lançaram, em Maputo, o projecto da
construção do sistema de cabo submarino
na costa oriental de África, ligando este
continente e a Europa numa extensão de
10 mil km. Tratou-se do “Projecto EASSy
(Sistema de Submarino da África Orien-
tal)”, estimado em 260 milhões de dólares.
A TDM participa no projecto através da
WIOCC, sociedade em que a empresa mo-
çambicana tem acções.

Telefonia Móvel

Em 1997, surgiu a pimeira companhia de


telefonia móvel no país. Trata-se da Mcel,
actualmente a maior operadora deste
ramo e uma das 100 maiores empresas de
Moçambique segundo os últimos estudos
sobre a matéria, divulgados pela consulto-
ra e auditora KPMG. Em Janeiro de 2003,
procedeu-se à separação das contas entre a
TDM e a Mcel, e actualmente a empresa é
detida em 100% pela TDM.
Cinco anos depois da sua entrada em
funcionamento, a Mcel conseguiu cobrir
todas as capitais provinciais do país. No
novembro 2010 revista capital
26 35 ANOS DE ECONOMIA

FOTO: SARA L. GROSSO


Os Estados Unidos da América já aban-
donaram por completo a transmissão
analógica. O Japão prevê o switch off em
2011. Já o Brasil conta com o sinal digital
em quase todas as suas cidades capitais.
Moçambique ainda está por se decidir em
relação ao padrão de radiodifusão digital a
implementar no seu território. Este mês,
os tutelares a nível da SADC das pastas de
Comunicação vão-se reunir em Lusaka, na
capital da Zâmbia, para decidir qual o mo-
delo de radiodifusão digital a ser adoptado
pelos países da Região. Os factores que vão
pesar na escolha encontram-se ligados aos
custos e à tecnologia.
Os padrões de radiodifusão digital são
três: ATSC (Advanced Television Systems
Committe), adoptado pelos EUA, Canadá,
México e Coréia do Sul; ISDB-T (Integra-
ted Services Digital Broadcasting Terres-
trial), adoptado pelo Japão e Brasil (este
aprimorou o modelo japonês); DVB-T (Di-
gital Video Broadcast Terrestrial), adopta-
do pelos demais países que já decidiram
que padrão seguir, em especial os países da
Europa, Ásia e Oceania.
O sistema de transmissão digital usa a
codificação MPEG-2 para digitalizar as
imagens, o mesmo padrão de codificação
usado pelos aparelhos DVD. A diferença
mesmo ano, 2002, o INCM atribui uma entre os sistemas de transmissão está na
«A radiodifusão digital é um maneira como as imagens são codificadas
licença a um novo operador de telefonia
processo já materializado em móvel, abrindo assim espaço à concorrên- para a transmissão: O formato de vídeo
diversos países do mundo. cia nesta área do sector das telecomunica- antes da codificação, o formato de vídeo
ções. Trata-se da Vodacom Moçambique, após a codificação e a maneira com que o
A migração da tecnologia que inicia a sua operação em Dezembro de áudio é codificado. O sistema ATSC usa
analógica (actualmente 2003, oferecendo serviços neste ramo. De- um esquema chamado 8-VSB, enquanto
vido aos constrangimentos na fibra óptica os outros dois sistemas usam um esquema
em uso, cujo sinal é das TDM, a operadora anunciou este ano chamado COFDM, que é menos sensível a
emitido através de ondas a construção da sua própria fibra óptica, interferências.
ligando as cidades de Maputo e Matola, O sistema DVB-T é menos sensível à in-
electromagnéticas) para a num investimento calculado em cerca de 7 terferência mas possui uma portabilidade
digital (códigos binários) milhões de dólares. condicionada. Em outras palavras, quem
Ainda este ano, o Ministério dos Trans- tem um televisor em casa receberá nor-
deve-se ao facto do espectro malmente o sinal, mas quem quiser ver o
portes e Comunicações, por entender que
(espaço no qual se localizam o mercado nacional tem capacidade de programa televisivo num dispositivo por-
as frequências de rádio, acolher mais uma companhia no ramo da tátil, caso de celulares fá-lo-á mediante um
telefonia móvel, lançou o concurso para pagamento. O ISDB-T, modelo nipo-bra-
operadoras de telefonia e um terceiro operador, tendo ganho a em- sileiro, diferentemente do DVB-T codifica
de estações de televisão) presa Movitel. as imagens em MPEG4, permitindo assim
um maior e mais eficiente aproveitamento
estar a ficar saturado. Isto Radiodifusão digital: do espectro. As opções que se mostram vi-
é, sem espaço para novas O desafio da actualidade áveis, sob o ponto de vista de custo e tecno-
A radiodifusão digital é um processo já logia, para os países da região são o DVB-T
frequências.» materializado em diversos países do mun- e o ISDBT. Portanto, um destes dois siste-
do. A migração da tecnologia analógica mas será adoptado por Moçambique.
(actualmente em uso, cujo sinal é emitido Depois deste processo, seguir-se-á a fase
através de ondas electromagnéticas) para a mais onerosa do processo: A implantação
digital (códigos binários) deve-se ao facto da nova tecnologia no país. Antes mesmo
do espectro (espaço no qual se localizam as da implementação deste processo, urgirá
frequências de rádio, operadoras de telefo- definir os parâmetros legais que irão reger
nia e de estações de televisão) estar a ficar a radiodifusão na era digital, uma vez que o
saturado. Isto é, sem espaço para novas conceito de radiodifusão sofrerá profundas
frequências. alterações na Era que se aproxima.c
revista capital novembro 2010
Suplemento de Empreendedorismo . Parceria entre a revista Capital e a Empresa Júnior do ISTEG . Novembro de 2010 . Nr. 01
Empreendedor
CAPITAL

Descubra
vencer!
como
28 EDITORIAL

CAPITAL ‘Capital Empreendedor’


Empreendedor orienta estudantes
PROPRIEDADE A ideia de criar um suplemento empreendedor surgiu de
SIC (Empresa Júnior do ISTEG) uma conversa entre estudantes, e foi o maior desafio que
propusemos, na altura, a nós próprios. Depois, houve o
DIRECÇÃO apoio manifestado pelo reitor do ISTEG, Professor Doutor
Jorge Matlombe, Brazão Mazula e do encontro com o Dr. Hélio Simbine, um
jmatlombe.sic@hotmail.com dos empreendedores da revista Capital, apareceu a opor-
tunidade de desenvolvermos este projecto editorial em
DIRECÇÃO EDITORIAL parceria com uma revista económica que já existe há 3 anos
Helga Nunes no mercado dos média em Moçambique.
Por que não escrever algo que pode elucidar, dar bases
COORDENAÇÃO EDITORIAL sobre como e qual será a melhor maneira de um jovem em
Arsénia Sithoye; busca de trabalho entrar no mercado, independentemente
Sérgio Mabombo da área em que se insere? Por que não informar os estu-
dantes que acabam de sair da faculdade e que andam à
REDACÇÃO procura de emprego, com potencialidades e ideias válidas
Francelina Eunice Félix Manhique, para a implementação de novos negócios? Por que não lhes
(fran_eunice@hotmail.com); fornecer respostas sobre a quem podem recorrer e como
Eugénio Simbine; devem fazer?
Rogério Simbine Este suplemento - ‘Capital Empreendedor’ - encontra-se
(seji.2010@hotmail.com); voltado para os estudantes, para os potenciais empreen-
dedores de pequenos e grandes negócios. Indivíduos que
FOTOGRAFIAS realmente não sabem ao certo como devem planear a sua
Luís Muianga carreira nem como empreender o seu projecto. Que não
gettyimages sabem como se comporta o mercado na sua área de inter-
venção académico-profissional.
DESIGN GRÁFICO/PAGINAÇÃO Qual será o primeiro passo a seguir? Este suplemento pro-
nota de abertura

REVISTA CAPITAL curará fornecer-lhes as melhores respostas.


(Benjamim Mapande) Nesse sentido, o ‘Capital Empreendedor’ apresenta-lhe o
depoimento de pessoas experientes, de empresários que
MORADA já têm um negócio rentável e de sucesso; ou seja, revela o
ficha técnica

ISTEG – Av. Da Namaacha ponto de vista técnico de pessoas que são conhecedoras da
Boane matéria.
Cel. 826704172 Procuramos parceiros e foi inesperado o que deles ouvimos.
Esperávamos algumas respostas positivas mas o que rece-
IMPRESSÃO bemos foi um “boom” de aceitação, e o nosso entusiasmo
Brinrodd Press cresceu.
Com os nossos humildes recursos decidimos: ‘vamos es-
TIRAGEM crever até a mão doer, gritar que somos capazes de mostrar
7.500 exemplares ao mundo o potencial que cada um tem de ser um bom
empreendedor na sua área’.

O que é uma Empresa Júnior?


O Movimento Empresa Júnior (MEJ) trabalho, favorecendo o desenvolvim-
surgiu em França, em 1967, como uma ento económico e social da comunidade,
associação sem fins económicos onde em especial de micro e pequenas em-
os alunos colocariam em prática os presas. Elas são geridas exclusivamente
conhecimentos que obtinham no meio por estudantes universitários, sob a ori-
académico, prestando serviços e consul- entação de professores.
torias para o mercado, obtendo assim o Pela finalidade da Empresa Júnior ser
primeiro contacto com o meio empre- educacional, por ser uma associação
sarial. No Brasil, o conceito Empresa civil sem fins económicos e, ainda,
Júnior foi implementado em 1988, junto pela estrutura de baixos custos fixos,
com a fundação da 1ª empresa Júnior os preços praticados são consideravel-
do país, na Fundação Getúlio Vargas, em mente abaixo do preço de mercado. No
São Paulo. entanto, a Empresa Júnior localiza-se no
As empresas juniores têm como finali- ambiente da Universidade e todos os
dade promover o desenvolvimento téc- projectos e serviços seguem orientação
nico, académico, pessoal e profissional obrigatória de professores ou profis-
dos alunos associados, fomentando o sionais na área, com o objectivo de sem-
espírito empreendedor ao colocá-los pre garantir um padrão de qualidade
em contacto directo com o mercado de elevado.
capital empreendedor novembro 2010
ENTREVISTA 29

Brazão Mazula aceita


desafio de ser reitor do ISTEG
O magnífico Reitor do Instituto Superior de Tecnologia e Gestão (ISTEG), Professor Doutor Brazão Mazu-
la, aborda as razões que o levaram a aceitar o convite de dirigir a instituição e os principais desafios que
se colocam nos próximos anos, acrescentando, no seu ponto de vista, o que é ser um bom empreendedor.

O que pensa sobre o Empreendedoris- Primeiro, porque aprecio muito os mo- ano de funcionamento do ISTEG?
mo em Moçambique? çambicanos que tomam iniciativas na Os principais desafios estão relaciona-
Há coisas que fazem um país crescer. área do empreendorismo. Acredito que dos com o facto de o ISTEG estar loca-
O trabalho como actividade produtiva são os moçambicanos que devem ser lizado no distrito de Boane. Segundo,
ou activa, a educação para o trabalho. os primeiros a terem iniciativas econó- iniciámos com professores que estão
Quando uma mãe diz à sua filha: «vai micas e de desenvolvimento do País. E trabalhando a tempo parcial. O nosso
buscar uma panela ou um prato», e o o facto de ser a primeira instituição de maior desafio é, a partir do próximo ano,
pai diz ao filho: «vai buscar uma en- ensino superior a ser instalada no dis- começarmos a ter professores a tempo
chada», tal trata-se de uma maneira de trito de Boane me motivou bastante. inteiro.
educar para criar uma actividade pro- Esta localização veio a dar resposta ao
dutiva. Empreendedorismo está na ne- encorajamento que o Governo tem fei- O que pensa sobre este empreendi-
cessidade de educar, inovar e criar uma to aos empreendedores a pensarem em mento o ISTEG?
actividade rentável. expandir os seus negócios aos distritos. Penso que é um empreendimento sério,
O segundo motivo que me levou a acei- ousado. Como vocês sabem, o ensino
Quais foram as razões que o levaram a tar embarcar no projecto funda-se no superior privado sobrevive do seu pró-
aceitar o convite para ser reitor do IS- facto de os proponentes do projecto prio recurso ou propinas, e as propinas
TEG, embora a sua localização no dis- serem indivíduos sérios. Por outro lado, do ISTEG são as mais baratas, o que
trito de Boane constitua um constran- um plano de projecto de construção mostra a ousadia dos empreendedores
gimento para quem vive na cidade de das instalações me fez acreditar que do ISTEG. E com dois anos de funciona-
Maputo? os seus proponentes eram indivíduos mento não tivemos tantos poblemas.
Quando criaram a Escola, procuraram sérios. Eles solicitaram-me para lançar Pelo contrário, tivemos uma explosão
alguém que fosse reitor, contactaram- o projecto do ensino superior em 2009, de estudantes. No primeiro ano, esperá-
me. Nesse momento, eu hesitei bas- que, por sua vez, deveria iniciar com um vamos 350 estudantes e tivemos 700.
tante, pois não pensava em ser mais processo de melhoramento dos planos No segundo ano, tivemos mais ainda.
reitor, uma vez já ter sido reitor da UEM, de estudos, de selecção de professores Temos perto de 1.500 estudantes, o que
durante quase 11 anos e meio. Queria credíveis para os objectivos do projec- é muito bom. No próximo ano, vem o
descansar. Ser reitor, ser gestor, ser pla- to. 3.°ano e veremos o que vai dar. Depois
nificador não é uma tarefa muito fácil, há as novas parcerias. Eu penso que é
mas depois de muita conversa acabei Quais foram os desafios que enfrentou um projecto de futuro próspero.
aceitando o convite por duas razões. e como foi a experiência do primeiro

novembro 2010 capital empreendedor


30 ORIENTAÇÃO

Três dicas para


uma ideia se tornar um viral
Dan Heath e Chip Heath* Ela é emocional – de facto, se acredi- riam matricular-se lá no ano seguinte.
tar nela, é aterrorizante. O psicólogo Rathke falou muito sobre sua experi-
A polícia mandou este alerta: “Se você francês Bernard Rimé detectou que as ência quando voltou e, com o passar do
estiver conduzindo no escuro e vir um pessoas, quase que compulsivamente, tempo, ela passou a falar cada vez me-
carro a aproximar-se com os faróis apa- compartilham experiências emocionais nos. Um ano depois, no entanto, as con-
gados, NÃO PISQUE AS LUZES!” Porquê? (tanto positivas quanto negativas), e versas sobre a NOLS, repentinamente,
Porque o carro de luzes apagadas está a quanto mais intensa a emoção, é mais voltaram a ganhar força.
ser conduzido por um membro de uma provável que falem sobre isso. Porquê? Porque a NOLS promove aulas
gang e, como parte de um ritual de ini- Há outro ângulo emocional: Quando de liderança num autocarro que passa
ciação, a primeira pessoa que piscar a alguém divide essa lenda consigo, eles pelo campus das faculdades. Não é ne-
luz será caçada e morta. sentem que estão fazendo um “servi- nhum autocarro diferente. Ele encontra-
Certamente que você já ouviu essa fa- ço público”. Eles podem até acreditar se repleto de fotos das aventuras dos
mosa lenda urbana e, provavelmente, que estão salvando a sua vida. E essa é alunos e, mantendo o tema ambiental
a pessoa que contou jurou ser verdade. a segunda característica das ideias vi- do programa, é movido a óleo vegetal.
Essa ideia “pega” – é memorável e pode rais. É geralmente um pequeno favor: Quando o autocarro chega a uma cida-
mudar a forma como você se comporta “Olha isso. Um café da manhã grátis no de, os alunos da NOLS são chamados e
– e também é viral. As pessoas amam Denny’s” ou “Você já viu o vídeo daquele recebem uma missão: ajudar a encon-
recontá-la. (Muitas ideias que “pegam” menino David que ficou entorpecido de- trar óleo suficiente para mantê-lo a fun-
não são virais. Seu professor de física pois de ir ao dentista?”. A sensação é de cionar.
pode aparecer com uma demonstração que você estará ajudando seus amigos a O Rosen chama isso de “gatilho” e é a
fantástica para o princípio de Bernoulli, economizar ou a entretê-los com humor Terceira característica de uma ideia vi-
mas as chances de você não conversar químico. ral. O “gatilho” é um lembrete que faz
mais sobre isso são grandes.) Felizmente, as regras também funcio- as pessoas voltarem a falar sobre uma
O marketing viral tornou-se uma ma- nam para ideias normais. No recente ideia. Por exemplo, um campeonato de
neira barata e “hype” de atingir muita livro do Emanuel Rosen, “The Anatomy golfe é uma desculpa para activar a sua
gente com rapidez e pouco esforço. Mas of Buzz Revisited”, um livro obrigatório informação de “serviço público” sobre
para profissionais de marketing, incluin- para quem trabalha com marketing, ele o estado do joelho do Tiger Woods, e
do gigantes como a Anheuser-Busch, fala sobre a National Outdoor Leader- uma xícara de café faz lembrar a nova
Coca-Cola, e Procter & Gamble, “viral” ship School (NOLS). Uma aluna, Amy Ra- política do Starbucks que, após a meia-
precisa significar mais do que “grátis” thke, retornou à Universidade de Willa- noite, só serve descafeinados. Quando
e dependente da sorte. Criar uma ideia mette, onde se havia formado, contando o autocarro chegou à cidade, Rathke foi
contagiosa não é uma arte misteriosa mil maravilhas sobre o período em que engatilhada a falar sobre a sua experi-
do marketing e pode ser resumida em ficou na NOLS. Ela havia escalado mon- ência na NOLS novamente. Ela conven-
algumas regras básicas. tanhas rochosas e acampado em praias. ceu todos os seus amigos a irem ver o
Por que é tão irresistível contar aos ou- Foi uma experiência emocional. Con- autocarro movido a gordura de batata
tros sobre a lenda da iniciação da gang? tando aos amigos, ela sentia que lhes frita.
Repare alguns pontos sobre a ideia. estava a fazer um favor, pois eles pode- Se você quer que as pessoas conversem

capital empreendedor novembro 2010


ORIENTAÇÃO 31

«O Rosen chama isso de


“gatilho” e é a Terceira
característica de uma ideia
viral. O “gatilho” é um
lembrete que faz as pesso-
as voltarem a falar sobre
uma ideia. Por exemplo, um
campeonato de golfe é uma
desculpa para activar a sua
informação de “serviço pú-
blico” sobre o estado do jo-
elho do Tiger Woods, e uma
xícara de café faz lembrar a
nova política do Starbucks
que, após a meia-noite, só
serve descafeinados»
DR

sobre o seu produto ou serviço, precisa narem novos parceiros que aceitariam «O marketing viral tornou-se
trabalhar uma dessas três regras. Pense apoiar outras pessoas no seu hobby - ar-
numa empresa finlandesa de 360 anos tes ou artesanato. (Perceba o elemento
uma maneira barata e “hype”
chamada Fiskars, que faz tesouras de de “serviço público” adicionado.) Desde de atingir muita gente com
base laranja. Se há um desafio para o que o projecto foi lançado, houve um rapidez e pouco esforço. Mas
marketing viral, é o das tesouras – um aumento de 600% nas menções da mar-
produto com todo o glamour de uma ca na Internet.
para profissionais de marke-
memória RAM. A Brains on Fire, uma Um viral não precisa ser um vídeo “ma- ting, incluindo gigantes como
consultoria de identidade de marca lo- luco” no youtube. Comece a pensar em a Anheuser-Busch, Coca-Cola,
calizada na Carolina do Sul, ajudou a emoções, “serviço público” e “gatilhos”.
Fiskars a encontrar a emoção. “Sabíamos Nós não dissemos que seria algo fácil.
e Procter & Gamble, “viral”
que seria preciso mover de um diálogo de Na verdade, isso pode levar a repensar precisa significar mais do
produto para um diálogo de paixão”, dis- a forma como funciona o seu negócio. que “grátis” e dependente da
se Spike Jones, um dos sócios. Jones e Mas, se funciona para tesouras e para
seus colegas perceberam que havia uma um autocarro movido a óleo vegetal,
sorte. Criar uma ideia conta-
comunidade que era realmente apaixo- funcionará para você. giosa não é uma arte miste-
nada por tesouras: a dos artistas e arte- riosa do marketing e pode ser
sãos. Eles encontraram quatro zeladores
das “artes e artesanatos” e nomearam- (*) Os irmãos Dan Heath e Chip Heath são au-
resumida em algumas regras
nos “Fiskateers”. Então, a Brains on Fire tores do best-seller «Ideias que Colam: por que básicas»
pediu aos “Fiskateers” para seleccio- Algumas Ideias Pegam e Outras Não».

novembro 2010 capital empreendedor


32 ORIENTAÇÃO

10 dicas 1. Boas ideias são comuns a muitas


pessoas. A diferença está naqueles que

para ser
conseguem fazer as ideias transforma-
rem-se em realidade, isto é, implemen-
tar as ideias. A maioria das pessoas fica
apenas na "boa ideia" e não passa para

um empreendedor!
a acção. O empreendedor passa do pen-
samento à acção e faz as coisas aconte-
cerem;

Por Prof. Luís Martins 2. Todo o empreendedor tem uma ver-


dadeira paixão por aquilo que faz. Pai-
xão faz a diferença. Entusiasmo e Paixão
Nunca, como hoje, as empresas precisaram de verdadeiros "em- são as principais características de um
preendedores". Cada funcionário deve ter a atitude e comporta- empreendedor!
mentos de "dono do negócio" e as empresas de sucesso são aquelas
3. O empreendedor é aquele que con-
que têm em seus quadros verdadeiros "empreendedores". Quais as
segue escolher entre várias alternativas
principais características de um "empreendedor"? Aqui vão elas: e não fica pensando no que deixou para
trás. Sabe ter foco e mantém-se firme
no que quer;

4. O empreendedor tem profundo co-


nhecimento daquilo que quer e daquilo
que faz e se esforça continuadamente
para aumentar esse conhecimento sob
todas as formas possíveis;

5. O empreendedor tem uma tenacida-


de incrível. Ele não desiste!

6. O empreendedor acredita na sua pró-


pria capacidade. Tem alto grau de auto-
confiança;

7. O empreendedor não tem fracassos.


Ele vê os "fracassos" como oportunida-
des de aprendizagem e segue em fren-
te;

8. O empreendedor faz uso de sua ima-


ginação. Ele imagina-se sempre vence-
dor;

9. O empreendedor tem sempre uma vi-


são de vários cenários pela frente. Tem,
na cabeça várias alternativas para ven-
cer;

10. O empreendedor nunca se acha uma


"vítima". Ele não fica parado, reclaman-
do das coisas e dos acontecimentos. Ele
age para modificar a realidade!

Pense nisso. Você tem estas caracterís-


ticas? Como é o seu pessoal? Você já
pensou em criar programas para desen-
volver no seu pessoal o necessário es-
pírito empreendedor para enfrentar os
desafios deste final de século?

capital empreendedor novembro 2010


CONCEITO 33

O que é ser
Empreendedor?
“Alguns homens vêem as coisas como são, e perguntam: “Por quê”?
Eu sonho com as coisas que nunca existiram e pergunto: "Por que
não?".

Bernard Shaw
Actualmente, a palavra de ordem no é pura sorte, mas para o empreende-
mercado tem sido o empreendedoris- dor, é apenas o resultado de sua visão
mo. Diversas escolas estão voltando acompanhada de uma acção, pois to-
seus ensinos para o comportamento dos os dias são feitos para se realizar
empreendedor e, por isso, as pessoas algo. Não ficam reclamando do sol ou
estão mudando a sua concepção com da chuva, pois estão ocupados em atin-
relação aos empreendimentos e pro- gir o que planearam para a sua vida. Os
fissões. Movidas por uma necessidade obstáculos que surgem são retirados
(perda de emprego, por exemplo) ou da sua frente com trabalho e garra, não
por visualizar uma oportunidade no servindo nunca como “desculpas” para
mercado, algumas pessoas podem ini- afastá-lo de seus objectivos.
ciar um pequeno negócio, e ter sucesso A ousadia é outra característica de pes-
durante toda a vida. Outras, podem não soas de sucesso e o empreendedoris-
ser tão bem sucedidas, e terem que se mo requer muita garra e perseverança.
deparar com um fracasso, apesar de seu As dificuldades são extremas e poucas
esforço. pessoas têm coragem para enfrentar os
Por que isto ocorre? Para responder desafios que surgem em seu caminho.
a essa pergunta, temos que saber pri- Por isso, o verdadeiro empreendedor
meiro o que é um empreendedor, para não pode, em primeiro lugar, buscar o
depois conhecermos o seu perfil e as lucro, porque ele será o resultado das
causas de sucesso e fracasso dos em- acções da empresa. Ele tem que estar
preendimentos. sempre ligado ao mundo, buscando
De acordo com Joseph A. Schumpeter cada vez mais novos conhecimentos
- "O empreendedor é aquele que destrói para enfrentar os desafios.
a ordem económica existente pela intro- Então qual será a razão de alguns em-
dução de novos produtos e serviços, pela preendimentos serem bem sucedidos e
criação de novas formas de organização outros fracassarem? Entre os diversos
ou pela exploração de novos recursos e motivos, estão a falta de planeamento, DR
matérias". pesquisa, conhecimento do negócio e
Outro conceito, da Amar Bhide/Harvard do mercado. Outro factor é que existem
Business School, define que "trata-se pessoas que não possuem característi-
simplesmente daquele que localiza e cas comportamentais empreendedoras
aproveita uma oportunidade de merca- necessárias para os negócios como co-
do, criando a partir daí um novo negó- ragem para assumir riscos, persistên-
cio". cia, planeamento, rede de contactos, O verdadeiro empreendedor é um
Ambos os conceitos levam-nos a pen- comprometimento, entre outras; ou se campeão que não desiste jamais, pois
sar nas atitudes das pessoas empre- as têm, não as identificaram ou as apri- acredita na sua capacidade, e vê os fra-
endedoras: são inovadoras, inquietas, moraram para se lançarem no mercado. cassos como oportunidade de aprender
criativas, ousadas, além de terem sem- Além disso, deve-se ter um profundo cada vez mais. Não fica esperando a
pre a sua visão voltada para o futuro. conhecimento do negócio que deseja vida passar. Ele somente tem olhos para
Por isso, elaboram todo um projecto empreender. o futuro, sendo capaz de investir todo
que vai permitir-lhes criar as condições Muitas pessoas têm ideias, porém ficam o seu tempo na realização dos seus
vitais para o alcance dos seus objec- somente nelas, não passando nunca sonhos! Enquanto não se levantarem e
tivos, e têm sempre em mente que é para a acção, atitude necessária para tomarem uma atitude que as levem a
importante alcançá-los tanto no plano transformá-las em realidade fazendo alcançar os seus objectivos, as pessoas
profissional, quanto no familiar e pes- as coisas acontecerem. E isto somente ficarão na plateia, aplaudindo aquelas
soal. Motivadas por isto, criam sempre ocorrerá se a pessoa tiver uma verda- que tiveram coragem de subir ao palco
oportunidades e se envolvem com elas, deira paixão por aquilo que faz, pois da vida! Em qual dos dois lugares você
entregando-se de corpo e alma para al- este é o combustível necessário para quer ficar? Faça a sua escolha e aja rá-
cançar os seus objectivos. entusiasmar-se pelo seu projecto de pido, ou então contente-se em apenas
Para alguns, o sucesso dos negócios vida. jogar confettis!!!

novembro 2010 capital empreendedor


34 ACADEMIA

A importância de uma Empresa


Júnior na vida de um universitário
A Empresa Júnior na vida de um univer- mente difícil encontrar em estágios re- competências que um membro adquire
sitário é de suma importância. Este tem munerados, principalmente para aqueles durante a sua jornada numa Empresa Jú-
a oportunidade de adquirir algo que não que ingressaram há pouco tempo numa nior.
se aprende na sala de aula: a PRÁTICA. O Universidade. Um dos pontos fortes que os membros
estudante tem a grande oportunidade de Para aqueles que resolvem desafiar e in- adquirem numa Empresa Júnior é a lide-
realizar aquilo que aprendeu na sala de gressar na Empresa Júnior, têm a oportu- rança e o trabalho em grupo. Aprendem
tal forma que irá absorver experiência nidade de se tornarem profissionais mais que um líder não é aquele que delega as
suficiente para se tornar um bom profis- cedo do que os demais, de estarem um actividades e espera que o trabalho saia
sional na sua área. passo à frente no mercado de trabalho conforme ele almeja e sim seguir o estilo
Digamos que é uma relação em que am- e ainda traçarem o seu plano de carreira democrático do líder, ou seja, é um mem-
bas as partes saem beneficiadas. O es- de tal forma que já comecem a segui-la a bro parceiro de toda a equipa, com a total
tudante tem como benefício o seu de- partir da sua aprendizagem na empresa. participação do grupo.
senvolvimento profissional e pessoal e a O mercado de trabalho está cada vez mais Outro ponto forte também durante a sua
empresa tem como benefício o seu cres- competitivo. Então, um diferencial no seu aprendizagem é o companheirismo. Sabe-
cimento. currículo é essencial, desde que haja em- mos que a empresa não ascende sozinha,
A empresa Júnior é aberta aos universi- penho e dedicação em todas as suas acti- mas sim com toda a equipa unida forman-
tários que tenham vontade em participar, vidades. Dizem que o mercado está satu- do assim o conceito de uma Organização,
porém, existem ainda algumas barreiras rado, porém não é esse o problema actual que é um grupo de pessoas em prol de
entre os estudantes com essas empresas, e sim a falta de profissionais dedicados, um objectivo comum: o crescimento.
entre elas o factor remuneração que é a empenhados e proactivos. Para quem começou a ingressar na Uni-
mais preocupante. Ainda existem muitos Numa Empresa Júnior, o universitário versidade, não perca a oportunidade de
jovens que não querem ingressar numa tem a hipótese de seguir carreira pro- ingressar numa Empresa Júnior, você só
destas empresas simplesmente por não fissional desde cedo. Com um programa tem a ganhar. Aprenda a fazer o difícil,
serem recompensados com uma remune- Trainee bastante proveitoso, o estudante pois o fácil toda a gente sabe fazer. Tenha
ração por parte das actividades realiza- irá, como já dito anteriormente, aplicar a o seu destaque no mercado de trabalho.
das dentro da empresa. teoria à prática e adquirir competências Lembre-se: ‘O seu futuro é você quem faz,
O que estes jovens não sabem, é que, ao que, no mercado de trabalho, são essen- então, que seja este o seu primeiro grande
invés de receber uma remuneração pelas ciais para se ter o tão sonhado emprego. desafio!’. Não seja mais um no mercado
suas actividades, a recompensa surge em Pró-actividade, Profissionalismo, Postura de trabalho, faça a diferença, aceite este
forma de aprendizagem, que é extrema- e Criatividade são algumas das muitas desafio, entre numa Empresa Júnior!

DR

capital empreendedor novembro 2010


36 ENTREVISTA

Jornalismo moçambica
A verdade sobre os funcionários do Conselho de Administração da empre-
sa Aeroportos de Moçambique que delapidaram os recursos financeiros
daquela empresa pública foi despoletada graças ao contributo da Impren-
sa. Hoje, e muito embora a Imprensa revele uma dinâmica em crescendo,
persiste a falta de lei específica que facilite o acesso à informação junto das
instituições públicas, prejudicando a avaliação global do país em termos
de boa governação. Tomás Vieira Mário, presidente do Instituto de Comu-
nicação Social da África Austral (MISA), debruça-se sobre o assunto e faz
um scanning ao sector, no contexto do terceiro aniversário da revista Ca-
pital.

Sérgio Mabombo [entrevista] Luís Muianga [fotos]

Como encara o trabalho jornalís-


tico prestado pelos média, em Mo-
çambique e em África?
Penso que o exercício da actividade jorna-
lística em Moçambique tem sido muito ac-
tivo e dinâmico e caracterizado por meios
de comunicação social diversificados no
que se refere à sua natureza, isto é, desde
os meios de imprensa escrita aos electró-
nicos. Então, temos uma multiplicidade de
meios. Em princípio, isto é um bom sinal,
porque o sector mostra vitalidade, mostra
crescimento. Também em termos de diver-
sidade na forma de abordagem dos vários
assuntos de interesse público, internacio-
nal e regional, penso que há uma grande
evolução qualitativa, apesar de não poder-
mos deixar de fazer uma forte auto-crítica
- enquanto profissionais - em relação a al-
gum trabalho decorrente de um jornalismo
preguiçoso, que se baseia na especulação
e no rumor. E embora seja uma excepção
que existe nos meios de comunicação, não
deixa de depositar nódoas no trabalho de
outros colegas, embora sem aniquilar o va-
lor grande do resto do trabalho que se faz.
Temos notado o esforço até de alguma es-
pecialização na área do jornalismo. Como Nesta perspectiva, a Revista Capital, e ou- perfeitamente neste esforço de criar o es-
sabe, e por tradição, o jornalismo em Mo- tras publicações de economia e negócios, pírito de empreendedorismo nos moçam-
çambique é generalista e não especializado. vêm trazer à vertente da Imprensa a do es- bicanos. Para dizer que é uma expressão
A única área que sempre foi especializada é forço, que tem sido posto mesmo ao nível da evolução da Imprensa no sentido da sua
a do Desporto. Contudo, já começamos a do Governo e que consiste em promover especialização.
ter sectores especializados nas redacções o espírito do empreendedorismo. Estou a
dos órgãos de comunicação social e a ter falar do empreendedorismo como sendo Um dos temas em debate tem sido
órgãos de imprensa especializados numa o espírito de criatividade de negócios, não a Liberdade de Imprensa. Até que
única temática, como é o caso da Revista só para o auto-emprego mas também no ponto o exercício da mesma tem
Capital, que se dedica à área da economia sentido de dar emprego a outras pessoas. contribuído para a transparência
e dos negócios. Como tal, a Revista Capital enquadra-se nos processos de democracia?

revista capital novembro 2010


TOMÁS VIEIRA MÁRIO, PRESIDENTE DO MISA 37

ano mostra vitalidade


De facto, a Liberdade de Imprensa é um que constitui para muitos moçambicanos
dos factores insubstituíveis no edifício o único momento em que intervêm na go-
«Nesta perspectiva, a Revista
democrático, sem os quais o exercício de- vernação. É o único momento, em cada Capital, e outras publicações
mocrático pode colapsar. É um instituto cinco anos, em que podem ter uma opinião de economia e negócios, vêm
inerente à Democracia. Ou há Liberdade sobre a governação no País. Deste modo,
de Imprensa e há Democracia, ou não há os media têm sido decisivos na divulgação trazer à vertente da Imprensa
Liberdade de Imprensa e não há Democra- dos processos eleitorais, na divulgação do a do esforço, que tem sido
cia. Não há meio-termo. debate político que existe no País.
O sistema democrático é um sistema que posto mesmo ao nível do
se baseia na possibilidade dos governantes O Instituto de Comunicação Social Governo e que consiste
serem questionados pelos governados. O da África Austral (MISA – Moçam-
pressuposto é que os governantes prestem bique) lançou em Setembro último,
em promover o espírito do
contas àqueles que os elegeram. Neste sis- o segundo Relatório da Pesquisa empreendedorismo. Estou a
tema de prestação de contas, de transpa- sobre Instituições Públicas ‘Mais
rência, uma vez que nem todo o povo pode Abertas’ e ‘Mais Fechadas’ no Aces-
falar do empreendedorismo
reunir todos os dias com o Governo para a so à Informação. Que balanço faz como sendo o espírito de
referida prestação de contas, a Liberdade acerca da transparência nas insti- criatividade de negócios,
de Imprensa é o meio através do qual os tuições públicas?
jornalistas detêm o poder de permitir que O relatório, infelizmente, veio confirmar não só para o auto-emprego
se preste contas ao povo. Então, é um siste- que ainda falta na nossa sociedade, no- mas também no sentido
ma inerente à Democracia. meadamente nas instituições públicas, o
Em Moçambique, penso que os médias espírito de perceber que a informação que de dar emprego a outras
têm sido activos e contundentes no seu está na sua posse não é sua propriedade. A pessoas. Como tal, a
exercício de Liberdade de Imprensa em informação que está na posse das institui-
termos de procura, tanto quanto possível, ções públicas encontra as suas mãos como
Revista Capital enquadra-
para que os governos prestem contas aos guardiãs, como fiéis depositárias, mas o se perfeitamente neste
cidadãos. Ao longo da nossa história temos dono de facto é o público. Este é um princí-
muitos exemplos em que os media contri- pio muito importante que está muito claro
esforço de criar o espírito
buíram para a Democracia, nomeadamen- na Constituição da República e nos instru- de empreendedorismo
te nos casos de denúncia da má conduta mentos internacionais de boa governação nos moçambicanos.
de figuras públicas com o erário público, que Moçambique assinou, mas que ainda
o caso dos desvios. Se ainda se lembra, o tarda em torná-los lei. Para dizer que é uma
caso dos Aeroportos foi despoletado por- É preciso uma lei específica de acesso à expressão da evolução da
que os trabalhadores daquele organismo informação. O estudo mostra que uma
fizeram uma carta anónima, a qual manda- instância como a Assembleia da Repúbli- Imprensa no sentido da sua
ram para a Imprensa. E foi a partir desta ca - que é por definição a Casa do Povo - especialização.»
carta anónima que os órgãos da justiça, torna-se em Moçambique na casa mais se-
nomeadamente a Procuradoria-geral da creta que existe, o que é um absurdo. Não
República, se sentiram mais animados a faz sentido que pessoas que foram eleitas É uma resistência que tem raízes cultu-
acelerar a investigação que culminou com pelas populações possam ter segredos com rais muito fortes. Nós passamos por um
as condenações severas sobre os dirigen- essas mesmas populações. regime colonial facista fechado secreto, e
tes que faziam a gestão ruinosa da coisa com a independência tivemos um partido
pública. Este é um exemplo claro da con- Mas que ilações podemos tirar so- único, fechado. Depois vivemos a situação
tribuição da Liberdade de Imprensa para a bre esta questão do acesso à infor- de um país em guerra, onde o segredo mili-
Democracia, que é o de denunciar actos de mação quando comparada com ou- tar era muito importante, onde até mesmo
má governação, abusos de poder e de cor- tras realidades? tirar a fotografia a um comboio em anda-
rupção. Há muitas experiências, e nós já discu- mento ou a um barco era crime. E tudo isso
O mesmo pode-se verificar nos proces- timos com os que fazem as leis. Quisemos ficou uma prática cultural.
sos eleitorais. Se muitos moçambicanos mostrar como é que outros países fazem. Isto é, ficou uma crença profunda por
têm a possibilidade de participar em elei- E esta lacuna da falta de uma lei de acesso cima da governação do País. Então, a qual-
ções, quem lhes dá a informação não são à informação é algo que todos os anos traz quer nível, há sempre uma intenção de es-
os partidos políticos mas sim a Imprensa, uma mancha ao se fazer a avaliação global conder a informação mesmo que a mesma
que é a rádio e os jornais, mas sobretudo da boa governação neste país. Estou a falar seja pública. Muitas vezes, o que acontece
a rádio. Os eleitores ficam a saber sobre o de um indicador que se usa para avaliar até é que se você é membro do Parlamento da
recenseamento eleitoral, o dia da votação, que ponto um país é ou não democrático. Comissão de Petições, se você é fiscaliza-
os postos de votação através dos órgãos de E sempre Moçambique apanha um zero dor da universidade ou jornalista e quer
informação. Os media dão uma formação neste componente de acesso à informação dados sobre o orçamento de um certo Mi-
educativa sobre todo o processo eleitoral, porque não tem uma lei específica. nistério, vão dizer que é segredo. Mas, no

novembro 2010 revista capital


38 ENTREVISTA
fundo, trata-se de um segredo de um certo O papel da imprensa económica fácil o empresário ter informação sobre o
departamento. Muitas vezes, o funcioná- e da revista capital face ao tecido mercado de Nampula, de Pemba e de Ma-
rio é incompetente e não sabe explicar os empresarial puto, ou vice-versa. Uma revista como esta
números que estão lá dentro. Como tal, pode contribuir muito bem como um veí-
esconde-se no secretismo. Então, é preciso Acha que a revista Capital pode re- culo de informação útil para os empresá-
muita educação sobre o papel dos media e almente ajudar a estimular o tecido rios moçambicanos tomarem decisões.
o contexto democrático do acesso à infor- empresarial bem como o empreen-
mação. As experiências dos outros países dedorismo empresarial moçambi- Considera que as publicações eco-
mostram que isso pode ser feito porque cano? nómicas, além de cumprirem as
mesmo nos países mais fechados o segredo Penso que um dos bens essenciais para suas funções de informar e formar,
de estado tem o tempo de duração findo o o sucesso de qualquer empreendimento podem ajudar a orientar o investi-
qual abrem-se as portas. Geralmente, esse é a informação. O empresário precisa de mento?
tempo vai até 25 anos porque depois des- informação. Sobretudo o empresário de O meio pelo qual os media podem con-
se período aquilo que era segredo já não é pequena escala, como é o moçambicano, tribuir para se ter uma melhor informação
mais relevante. Então, tem que haver uma precisa de saber os caminhos abertos pela da qualidade dos investimentos e da quali-
lei de acesso à informação que defina clara- Lei para a sua actividade. Precisa saber os dade dos investidores é um grande desafio.
mente o que é segredo de estado. Que seja mercados abertos no País e na Região para Nós somos um País ainda com um sistema
uma definição clara e económica. E que de- as suas parcerias e para os seus produtos. A de controlo de fiscalidade muito frágil, e
pois anule em consequência toda a legisla- Revista Capital pode de uma forma singela com fronteiras muito longas e complicadas
ção que contrarie esta nova lei. Tem de ser contribuir para um empresário moçambi- de se controlar. Então num mundo globa-
uma lei que estabeleça o número de anos, o cano mais informado sobre matérias que lizado, a ideia de abertura ao mercado tem
período depois do qual se abre o dossier do têm a ver com a abertura fiscal, políticas que ter o auxílio de uma Imprensa atenta
estado para que o público, os investigado- de crédito, mercados que existam ou não que possa mostrar um investimento de
res estudiosos, possam ler a nossa história na Região. Então, este elemento num país qualidade e o de péssima qualidade.
e escrevam livros, documentários, porque tão grande como Moçambique é uma con-
assim se cria uma sociedade aberta. tribuição muito importante porque não é A Capital completa, no presente

«Penso que um dos bens


essenciais para o sucesso de
qualquer empreendimento é
a informação. O empresário
precisa de informação.
Sobretudo o empresário de
pequena escala, como é o
moçambicano, precisa de
saber os caminhos abertos
pela Lei para a sua actividade.
Precisa saber os mercados
abertos no País e na Região
para as suas parcerias e para
os seus produtos.
A Revista Capital pode de
uma forma singela contribuir
para um empresário
moçambicano mais
informado sobre matérias
que têm a ver com a abertura
fiscal, políticas de crédito,
mercados que existam ou não
na Região.»

revista capital novembro 2010


TOMÁS VIEIRA MÁRIO, PRESIDENTE DO MISA 39

mês de Novembro, o terceiro ano


da sua existência. Que acepção
pode fazer da evolução e do desem-
penho da Revista?
Penso que o País, cada vez mais, vai pre-
cisar da Revista Capital nos tempos que
vêm. Porque há actividades muito pro-
fundas que se aproximam e que só uma
informação especializada e profunda pode
abordar com precisão.
Estou a falar, por exemplo, das indústrias
extractivas, nomeadamente da extracção
mineira, pesqueira e da extracção da ma-
deira. Enfim, toda a economia que se ba-
seia na extracção de recursos.
Parece-me que, cada vez mais, o nosso
país caminha para este tipo de economia.
E esse tipo de assunto requer uma grande
especialização dos media de modo a seguir
com o domínio da Legislação relevante,
e com o conhecimento da linguagem, os
contextos e saber analisar os impactos eco-
nómicos, populacionais e ambientais que
tais acções possam trazer ao País.
Uma revista como a Capital é, quanto a
mim, uma das mais adequadas para acom-
panhar as fases de desenvolvimento do
nosso País em termos de desafios de ne-
gócios. E, por outro lado, a Revista Capi-
tal com a sua experiência acumulada pode são fracas. E se uma revista séria como a
Capital pode fazer o rastreio do perfil de
«Muitas vezes, o funcionário
marcar um certo padrão, uma certa escola
de jornalismo de negócios, que ainda não uma empresa, com dados sérios e não es- é incompetente e não sabe
existe, para que a partir dela se calhar nas- peculativos pode muito bem ajudar as au- explicar os números que
çam outras experiências fora de Maputo. toridades a conhecerem melhor o mercado
Podemos citar, a título de exemplo, a mundial e conhecer quem vem nos ver e estão lá dentro. Como tal,
indústria extractiva, que está baseada na com que intenções. Um dos sérios proble- esconde-se no secretismo.
zona centro e norte. Se calhar a Capital mas que temos como País está relacionado
pode servir de modelo para que ao nível com a questão da segurança. Isso devido ao Então, é preciso muita
local possam nascer publicações do género tráfico humano, tráfico de drogas e ao con- educação sobre o papel
que abordem estas questões. trabando de produtos ou à contrafacção de
Aquilo que a mim me interessava ver na marcas. A imitação pode criar a ideia fal-
dos media e o contexto
Capital nesta linha de abordagem econó- sa de um País em crescimento, quando na democrático do acesso à
mica além da referência aos grandes in- verdade estamos a crescer por debaixo de
uma teia de traficantes ou de criminosos.
informação. As experiências
vestimentos, talvez uma abordagem mais
orientada para os impactos sociais destes Neste contexto, uma Revista como a Capi- dos outros países mostram
grandes investimentos. Gostaria de perce- tal com um sistema de informação sério, que isso pode ser feito
ber os benefícios reais ou não que as co- não especulativo mas investigativo, pode
munidades locais recebem desses grandes ser um bom préstimo para o País e mesmo porque mesmo nos países
investimentos de capital que ocorrem ao para o Governo para filtrar e educar a pró- mais fechados o Segredo
nível do país. Uma abordagem não apenas pria população sobre o que é um negócio
económica mas também social do investi- genuíno e o que é um falso negócio. de Estado tem o tempo de
mento. Ou seja, trazer um pouco o rosto duração findo o qual abre-
humano do dinheiro, para percebermos o Algo que não tenhamos perguntado
que é que o dinheiro está a trazer ou está a mas que gostaria de partilhar con-
se as portas. Geralmente,
levar das comunidades. Eu penso que nes- nosco? esse tempo vai até 25 anos
se aspecto a Capital tem uma abordagem Para terminar gostaria de dizer que é
muito importante a existência de revistas
porque depois desse período
privilegiada. Pode trazer uma nova escola
de jornalismo económico a Moçambique. como a Capital, que estabeleçam algum aquilo que era segredo já não
padrão. Agora temos muitas escolas de for- é mais relevante. Então, tem
Há pouco falou numa perspectiva mação em comunicação social onde há cur-
em que a Imprensa estaria a fun- sos de jornalismo também. Então é preciso que haver uma lei de acesso
cionar como uma espécie de filtro… que o trabalho bem feito se destaque para à informação que defina
De filtro, sim. Veja que não é raro que servir de modelo nas escolas, servir de pa-
países como o nosso sejam procurados drão nas redacções e ser ele o mais visível e claramente o que é Segredo
por empresários ligados a gangs do crime. não o trabalho péssimo. É preciso fazer-se de Estado. Que seja uma
E também por empresários que têm o seu esse esforço de sermos nós os mais visíveis
nome “sujo” noutros países e que procu- e não o contrário, ficarem visíveis os medí-
definição clara e económica.»
ram refúgio em países onde as instituições ocres, os que dão muita discussão na rua.c
novembro 2010 revista capital
40 INTERVIEW

Mozambican Journalism
shows strength
The truth about the employees of the Board of Directors of the company
Aeroportos de Moçambique (Mozambican Airports) who ruined the finan-
cial resources of that public company was disclosed thanks to the compa-
ny’s cooperation. Presently, and despite the company revealing increasing
dynamics, there is still a lack of a specific law which gives easy access to
the information on public institutions, thus impairing the country’s global
assessment in terms of good governance. Tomás Vieira Mário, MD of the
Southern African Institute of Social Communications (MISA) is focusing
on the matter and scanning the sector in the context of the Capital maga-
zine’s third anniversary.

Sérgio Mabombo [interview] Luís Muianga [photos]

How do you consider the journalis- active and dynamic and characterised by is a good sign, because the sector shows
tic work delivered by the media, in varied means of social communication in strength, it shows growth. Also, in terms
Mozambique and in Africa? what refers to its nature, this is, from writ- of the different ways of approaching the
I think that the practise of journalistic ten to electronic press. Therefore, we have diverse issues of public interest, interna-
activities in Mozambique has been very a multiplicity of means. In principle, this tionally and locally, I think that there is a

revista capital novembro 2010


TOMÁS VIEIRA MÁRIO, PRESIDENT OF MISA 41

big qualitative development, despite the many examples of the media contributing «In this perspective, the
fact that we cannot forget to make strong towards Democracy, namely in the cases of
but professional self-criticism in regard to the exposure of bad conduct by public fig- Capital magazine and other
some lazy journalism based in speculation ures, and in the cases of money embezzle- business are bringing to the
and rumours. Although it is only an excep- ment by the Treasury. If you still recall, the
tion existing in the means of communica- case of the Airports was defused because of Press sector the effort being
tion, it leaves stains on the work of other the anonymous letter written by the em- made, also at government
colleagues, without nevertheless annihi- ployees of that company and sent to the
lating the great value of the overall work Press. And it was due to that anonymous level, which consist in
done. letter that the law officials, namely the At- promoting the spirit of
We have noticed the efforts and also some torney General of the Republic, felt a bit
specialization in the area of journalism. As more encouraged to accelerate the investi-
entrepreneurship. I am
you are aware, by tradition, Mozambican gation which resulted in severe convictions talking about the creativity
journalism is general, non-specialized. of those leaders who managed the public in business, not only for
The only area which is specialized is that affairs destructively. This is a clear ex-
of Sports. However, we are starting to have ample of the contribution of the Freedom self-employment but also in
specialized sectors in the editorials of the of the Press towards Democracy; to expose the sense of creating jobs for
social media, and media specialized in one bad management, power abuses, and cor-
topic, as in the case of the Capital magazine ruption. others. The Capital magazine
which focuses on economic and business The same can be seen with the electoral conforms perfectly to this
issues. process. If many Mozambican have the
In this perspective, the Capital maga- opportunity to participate in the elections effort of creating the spirit of
zine and other business are bringing to the they are not given the information by their creativity in the Mozambican
Press sector the effort being made, also at political parties, but by the Press, which
government level, which consist in pro- consists of the radio and newspapers, but
people. It is an expression
moting the spirit of entrepreneurship. I mainly the radio. The voters become aware of the Press development
am talking about the creativity in business, of the electoral census, of the date of elec- in what concerns its
not only for self-employment but also in tions, and the where-about of voting sta-
the sense of creating jobs for others. The tions through de media. The media ren- specialization.»
Capital magazine conforms perfectly to ders educational training about the entire
this effort of creating the spirit of creativity electoral process, which for many Mozam- but professional self-criticism in regard to
in the Mozambican people. It is an expres- bicans is the only time they may intervene some lazy journalism based in speculation
sion of the Press development in what con- in the governance. It is the only moment, and rumours. Although it is only an excep-
cerns its specialization. in every five years, in which they may ex- tion existing in the means of communica-
press an opinion on the governance of the tion, it leaves stains on the work of other
One of the subjects under debate country. In this manner, the media have colleagues, without nevertheless annihi-
has been the Freedom of the Press. been decisive in the disclosure of the elec- lating the great value of the overall work
Up to what point has this contrib- toral processes, in divulging the political done.
uted to the transparency in the pro- debate existing in the country. We have noticed the efforts and also some
cesses of Democracy? specialization in the area of journalism. As
In fact, the Freedom of the Press is one of The Southern African Institute of you are aware, by tradition, Mozambican
the irreplaceable factors in the building of Social Communications (MISA – journalism is general, non-specialized.
democracy, without which democracy may Moçambique) launched last Sep- The only area which is specialized is that
well collapse. It is an inherent institute to tember the second Report on the of Sports. However, we are starting to have
Democracy. Either there is Freedom of the Research of the «Most Open» and specialized sectors in the editorials of the
Press and there is Democracy, or there is «Most Closed» Public Institutions social media, and media specialized in one
no Freedom of the Press and there is no in the Access to Information. What topic, as in the case of the Capital magazine
Democracy. There is no middle-term. is your view in regard to the trans- which focuses on economic and business
The democratic system is a system in parency of public institutions? issues.
which leaders may be questioned by those In this perspective, the Capital maga-
lead by them. It is assumed that those How do you consider the journalis- zine and other business are bringing to the
who rule should be accountable to those tic work delivered by the media, in Press sector the effort being made, also at
who have elected them. In this system of Mozambique and in Africa? government level, which consist in pro-
accountability and transparency, the Free- I think that the practise of journalistic moting the spirit of entrepreneurship. I
dom of the Press is the means through activities in Mozambique has been very am talking about the creativity in business,
which journalists detain the right to allow active and dynamic and characterised by not only for self-employment but also in
this accountability to be rendered to the varied means of social communication in the sense of creating jobs for others. The
people, once the people do not get together what refers to its nature, this is, from writ- Capital magazine conforms perfectly to
with government every day to talk about ten to electronic press. Therefore, we have this effort of creating the spirit of creativity
the said accountability. Therefore, it is a a multiplicity of means. In principle, this in the Mozambican people. It is an expres-
system inherent to Democracy. is a good sign, because the sector shows sion of the Press development in what con-
I think that in Mozambique the media strength, it shows growth. Also, in terms cerns its specialization.
has been active and contusive in their exer- of the different ways of approaching the
cise of Freedom of the Press, and in terms diverse issues of public interest, interna- One of the subjects under debate
of research, as often as they can they de- tionally and locally, I think that there is a has been the Freedom of the Press.
mand that government is accountable to big qualitative development, despite the Up to what point has this contrib-
its citizens. Throughout history we have fact that we cannot forget to make strong uted to the transparency in the pro-

novembro 2010 revista capital


42 INTERVIEW
cesses of Democracy? The Southern African Institute of
In fact, the Freedom of the Press is one of Social Communications (MISA –
the irreplaceable factors in the building of Moçambique) launched last Sep-
democracy, without which democracy may tember the second Report on the
well collapse. It is an inherent institute to Research of the «Most Open» and
Democracy. Either there is Freedom of the «Most Closed» Public Institutions
Press and there is Democracy, or there is in the Access to Information. What
no Freedom of the Press and there is no is your view in regard to the trans-
Democracy. There is no middle-term. parency of public institutions?
The democratic system is a system in Unfortunately the report confirmed the
which leaders may be questioned by those lack in our society, namely in the public in-
lead by them. It is assumed that those stitutions, of understanding that one does
who rule should be accountable to those not own the information which is in ones
who have elected them. In this system of possession. The public institutions are
accountability and transparency, the Free- the guardians of the information, but its
dom of the Press is the means through owner is in fact the public. This is a very
which journalists detain the right to allow important principle which is very clear in
this accountability to be rendered to the the Constitution of the Republic, as well as
people, once the people do not get togeth- in the international instruments for good
er with government every day to talk about governance signed by Mozambique, but
the said accountability. Therefore, it is a not as yet law.
system inherent to Democracy. There must be a specific law relative
I think that in Mozambique the media to the access to information. The study
has been active and contusive in their shows that Parliament - which is by defi-
exercise of Freedom of the Press, and in nition the House of the People – is, in Mo-
terms of research, as often as they can they zambique, the most secretive house , which
demand that government is accountable to is an absurd. It makes no sense that those
its citizens. Throughout history we have who were elected by the people may keep
many examples of the media contributing any secrets from them.
towards Democracy, namely in the cases of
the exposure of bad conduct by public fig- But to what conclusions can we
ures, and in the cases of money embezzle- come regarding the access to infor-
ment by the Treasury. If you still recall, mation when compared to other re-
the case of the Airports was defused be- alities?
cause of the anonymous letter written by There are many experiences, and we have
the employees of that company and sent to already argued with those who make the
the Press. And it was due to that anony- laws. We tried to show them how other
mous letter that the law officials, namely countries do it. And this gap of the lack of
the Attorney General of the Republic, felt a law of access to information is something explain the figures inside. Thus, they hide
a bit more encouraged to accelerate the which brings, every year, a stain to the in secrecy. There must be much training
investigation which resulted in severe con- global assessment of the good governance concerning the role of the media and the
victions of those leaders who managed the of our country. I am referring to an indi- democratic context of the access to infor-
public affairs destructively. This is a clear cator which is used to assess the degree to mation. Other countries’ experiences show
example of the contribution of the Free- which the country is – or not - a democ- that it can be done. Even in the most closed
dom of the Press towards Democracy; to racy. Mozambique always gets a zero in countries, the State Secret has a duration
expose bad management, power abuses, this component of access to information period after which the doors are open.
and corruption. because it does not have a specific law. Usually this period runs up to 25 years; af-
The same can be seen with the electoral It’s a hindrance with very strong cultural ter that, whatever the secret, it´s no longer
process. If many Mozambican have the roots. We endured a secret colonial fascist relevant. Therefore, there must be a law of
opportunity to participate in the elections regime, and with independence we had a access to information which clearly defines
they are not given the information by their sole and closed party. Then we lived in a what a State secret is. It should be a clear
political parties, but by the Press, which country at war, where the military secrets and economic definition. Consequently, it
consists of the radio and newspapers, but were of great importance. It was a crime to should annul all legislation which contra-
mainly the radio. The voters become aware take a photo of a moving train or ship. This dicts this new law. It has to be a law which
of the electoral census, of the date of elec- has all become cultural practice. establishes the number of years, the period
tions, and the where-about of voting sta- This remained a very profound belief over after which the State dossier must be open
tions through de media. The media ren- the country’s governance. Therefore there so that the public, the diligent investiga-
ders educational training about the entire is always the tendency to hide informa- tors may read our history and write books,
electoral process, which for many Mozam- tion, at any level, even if it’s public. Often documentaries, for this is the way to create
bicans is the only time they may intervene what happens is that, if you are a Member an open society.
in the governance. It is the only moment, of Parliament for the Petition Commission,
in every five years, in which they may ex- or an university inspector, or a journal- The role of the economic press and
press an opinion on the governance of the ist and if you want data on the budget of of the Capital magazine in relation
country. In this manner, the media have a certain Ministry, they will tell you that to the business world
been decisive in the disclosure of the elec- it’s secret. But in essence, it is a secret of
toral processes, in divulging the political a certain department. Often the employee Do you think that the Capital maga-
debate existing in the country. is incompetent and does not know how to zine can really assist in stimulating

revista capital novembro 2010


TOMÁS VIEIRA MÁRIO, PRESIDENT OF MISA 43

«A magazine such as the Capital is, according to me, one of


the most adequate to keep up with the development phases of
our Country in terms of business challenges.»

training, may well assist in direct- stand the real benefits or the lack thereof
ing investments? which the local communities will receive
The means by which the media may con- from these large capital investments hap-
tribute towards better information of the pening in the country. Not only an eco-
quality of the investments and the quality nomic approach of the investment but
of the investors is a great challenge. Our also that of a social nature, in order for us
country still has a very fragile fiscal con- to understand what the money is bringing
trol system, and with very long borders or taking from the communities. I believe
with complicated control. Then, in a global that, in this respect, the Capital magazine
world the idea of the opening to the mar- has a privileged approach. It can bring a
ket has to be done with the assistance of a new school of economic journalism to Mo-
company which is focused and can point zambique.
out a good quality investment as well as a
bad one. You mentioned a perspective in
which the Press would act as a fil-
The Capital magazine will be three ter?
years old in this present month of As a filter, yes. It is not seldom that
November. What are your thoughts countries such as ours are sought after by
on the expansion and the perfor- businessmen liaised to crime gangs. Also
mance of the magazine? by businessmen who have a bad reputa-
I believe that the country will need the tion in other countries, in search of ref-
magazine more and more in the future. uge in countries where the institutions
There are very sound activities which are are weak. If a trustworthy magazine such
drawing near and which only very special- as the Capital could trace the profile of a
ized and sound information can approach company based on serious data and not
with precision. speculation, it can well assist the authori-
I am referring, for example, to the ex- ties to better perceive the international
tracting industries, namely the mining, market and thus understand who is com-
fishing and wood extraction. All the econo- ing to visit and with what intentions. One
my which is based on resource extraction. of the major problems in the country is re-
It seems like our country is more and lated to safety. This is due to the human
more drawn to this type of economy. And traffic, drug traffic and to the smuggling of
the business world as well as the this type of matter requires great special- products and brand counterfeit. The imi-
Mozambican Business Sector En- ization of the media in order to follow the tation of the trade mark may give us a false
trepreneurship? rules of the relevant Legislation, and with idea of a developing country, when in real-
I think that information is essential for the understanding of the language, the ity we are growing under a web of dealers
the success of any undertaking. Business- contexts and the capability to analyse the and criminals. In this context, a magazine
men need information. Mainly small scale economic, the people’s and environmental such as Capital with a trustworthy means
businessmen, like the Mozambicans, need impacts. of information, not speculative but investi-
to know which paths are open by the law A magazine such as the Capital is, accord- gative, can be useful to the country as well
for their activities. They need to know ing to me, one of the most adequate to keep as to government to filter and educate the
which markets are open in the country and up with the development phases of our people on the difference between genuine
in which region, for his associations and Country in terms of business challenges. and false businesses.
products. The Capital magazine can in a On the other hand, with its accumulated
very plain form contribute towards busi- experience it can set high standards, a cer- Is there something that we might
nessmen more informed regarding the tain school for business journalism, not yet not have asked but that you would
issues pertaining to fiscal opening, credit existent, but from which other experiences like to share with us?
policies, markets existing or not in the re- may arise outside Maputo. To end this interview, I wish to state
gion. Then, this principle in a country as We can mention, as an example, the ex- the importance to have magazines such
large as Mozambique is a very important tracting industry based in the north and as Capital, which establish a certain stan-
contribution as it is not easy for business- central regions. Capital magazine may dard. We now have many training schools
men to obtain information on the Nam- serve as a model so that other publications on social communication which also offer
pula, Pemba and Maputo´s markets, or of the same nature, raising these same is- courses on journalism. It is necessary that
vice-versa. Such a magazine can very well sues, may turn up locally. the good work is in the limelight so as to
contribute as a means of useful informa- What I would like to see in the Capital serve as a model in schools, a pattern in the
tion for the decision-making of Mozambi- magazine in this course of economic ap- editorials so that the good work becomes
can businessmen. proach besides the reference to large in- visible – and not the bad work. We must
vestments, would be perhaps an approach make an effort to become the most visible
Do you believe that economic pub- more directed to the social impacts of these and not the other way round, or allow the
lications, further to informing and large investments. I would like to under- mediocre to become visible.c

novembro 2010 revista capital


44 ANIVERSÁRIO CAPITAL

Revista Capital faz novas


Três anos decorridos e a revista Capital, oferencendo no mesmo espaço diversas de discussão em torno do que acontece
inicialmente apresentada ao público-leitor perspectivas, atinentes ao espírito de re- no Mercado, e actualmente é distribuída
como a primeira publicação moçambicana flectir sobre os fenómenos sócio-económi- não só em Maputo, como em Gaza, Beira
especializada em Economia, Gestão e Ne- cos e no sentido da acção consertada. e Nampula, chegando a Angola todos os
gócios, ainda vinga no mercado, e em prol O nosso espectro de abordagem não se li- meses graças a uma parceria encetada com
do mercado, com a expectativa de melho- mitou a dar ‘voz’ a um conceito de econo- a LAM.
rar o seu conteúdo, a cada mês que passa. mia meramente vocacionado para fundos, A nossa revista estabeleceu, ao longo dos
De facto, e tal como se prometia na primei- rendimentos, dinheiros, moedas, patri- anos, relações e contactos com as mais
ra edição, a Capital não se dirigiu única e mónios, fortunas, bolsas, mas igualmente prestigiadas entidades dos sectores econó-
exclusivamente à classe empresarial. Vol- para questões pertinentes como o capital mico, financeiro e turístico, com o objecti-
vidas 35 edições, a informação da nossa humano, ou as capacidades e potenciali- vo de enriquecer e diversificar conteúdos.
revista suscita curiosidades e congrega a dades associadas aos homens e mulheres, Nesse sentido, agradecemos aos Ministé-
atenção de empresários, financeiros, in- que promovem o desenvolvimento do País. rios da Planificação, Turismo (INATUR),
vestidores, políticos, funcionários públi- O objectivo da Capital tem sido, acima de Negócios Estrangeiros, Transportes e Co-
cos, consultores e assessores, docentes e tudo, expor e analisar o ambiente de ne- municações, Energia, Indústria e Comér-
estudantes, membros ligados à indústria, gócios em Moçambique, nas regiões da cio, Agricultura, Finanças, Recursos Mi-
ao comércio, à agro-pecuária, às tecnolo- SADC e CPLP, tal como no resto do mun- nerais; Conselhos Municipais de Maputo,
gias, à ciência, às ONG’s e às associações, do; promover sinergias, desenvolver inves- Matola e Nacala; Embaixadas de Angola,
entre outras categorias profissionais não timentos e parcerias estratégicas no sector África do Sul, Brasil, China, Estados Uni-
menos importantes. O leque da nossa au- económico e divulgar material de particu- dos da América, França, Índia e Portugal;
diência tem vindo a alargar, cada vez mais, lar interesse para gestores, economistas, Banco Mundial; BAD; Organização das
abraçando tanto entidades públicas como homens e mulheres de negócios. Nações Unidas; Banco de Moçambique,
privadas como o público de uma forma Uma leitura atenta às páginas da Capital CTA; IGEPE; Centro de Integridade Pú-
geral, dentro e fora do país. Chegam-nos revela que, enquanto meio de comunica- blica; Instituto de Directores de Moçam-
feedbacks de leitores que se encontram em ção social, integra temáticas diversas, sob bique; Câmara de Comércio Moçambique-
países como a Índia, Israel, Dubai, Portu- a forma de entrevistas, reportagens, aná- Portugal; CPI; IPEX; GAZEDA; Bolsa de
gal, Brasil, Angola, Congo, África do Sul, lises, estatísticas, estudos de mercado, in- Valores de Moçambique; INE; Autoridade
Reino Unido, Alemanha, Suiça, Inglaterra, dicadores, case studies, artigos de opinião, Tributária; IESE; Linhas Aéreas de Mo-
Suécia e EUA. crónicas e debates. çambique; Observatório de Turismo da
Procuramos, ao longo do tempo, recolher, A Capital, que se encontra em versão bilin- Cidade de Maputo; Ernst & Young; Pri-
seleccionar e tratar a informação mais gue desde 2009, assumiu o compromisso ceWaterhouseCoopers; Ferreira Rocha &
adaptada à expectativa do público-leitor, de capitalizar a reflexão, abrindo fóruns Associados; Fundação Malonda; Fundação

revista capital novembro 2010


ANIVERSÁRIO CAPITAL 45

s apostas Anunciantes de 2009 a 2010


A Capital agradece o voto de confiança expresso por todos os anunciantes e parcei-
ros, entre Novembro de 2009 e Outubro de 2010, face ao seu conteúdo jornalístico
PLMJ; Intercampus (Gfk); WWF; MFW,
e à sua missão de informar. Sem o contributo das empresas e instituições que apos-
ISCIM, Associação Visão Jovem Moçambi-
taram em nós, a nossa evolução no panorama dos média em Moçambique não teria
cana e Associação Sorriso da Criança, pelo
sido possível. O nosso bem-haja às seguintes organizações que acreditaram e acre-
voto de confiança depositado no nosso tra-
ditam no nosso projecto:
balho.
Por outro lado, agradecemos aos nossos TATA; Electrotec
estimados anunciantes e a toda uma equi- Galileo DCC
pa de colaboradores, que apostaram e Petromoc Instituto de Gestão de Participações
Safaritel do Estado (IGEPE)
continuam a apostar neste projecto que é Suretel Moç Seguros
nosso. Alguns deles colaboram no backsta- Banco BCI Nokia
ge, trazendo vantagens únicas à Capital. A Clinicare Standard Bank
todos devemos o facto de termos cumprido Servisis BancABC
Socremo Dalmann
mais um ano de vida. Agência Francesa de Desemvolvimento (AFD) FNB
Todos juntos, procuramos manter um es- Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) Hidroáfrica
pírito irrequieto e a audácia própria de PriceWaterhouseCoopers (PWC) GAPI
Banco Procredit Electricidade de Moçambique (EDM)
quem procura criar e inovar. E como o acto Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) DSTV Bué
de empreender envolve sempre um certo AP.Capital MCEL
espírito de insatisfação, doravante iremos Confederação das Associações Económicas de Festival Internacional
acrescentar à linha editorial rubricas mais Moçambique (CTA) Suíça Distribuidora
INATUR Ernst & Young
voltadas para a Juventude, o Empreende- Select Vedior Mozambique Fashion Week
dorismo, as tecnologias, os estudos sócio- Ferreira Rocha & Associados Mozre
económicos e para o desenvolvimento das Sala CIP Académica
Moçfer Golden
Cidades, das Regiões e do Mundo bem Gesser Afritool
como um design gráfico renovado que pro- CGM Manica
cura conferir ao acto da sua leitura uma PHC Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN)
mais-valia em termos de estética e funcio- Moza Banco WWF
TV Record Austral Seguros
nalidade. Por último, e como a globaliza- Hotel Afrin Serviços Económicos da Embaixada
ção é um fenómeno que atinge igualmente Intercampus (grupo GfK) da França
os media, brevemente iremos disponibili- Instituto Nacional de Estatística (INE) Proserv
Vodacom Millennium Bim
zar ao leitor também um website.c Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) Radisson
Autovisa Stema
Helga Nunes Telecomunicações de Moçambique (TDM) CBE
Hollard Seguros Maexpa

novembro 2010 revista capital


46 SECTOR INDÚSTRIA

Acumula-se know-how
no Estado e não na Ind
O investimento em viagens de coopera- Por outro lado, é apontada por Elias se construa uma economia que não seja
ção efectuadas pelo Executivo moçambi- Come a falta de capacidade dos próprios pintada por um ‘’punhado’’ de empresas.
cano constitui um meio de acumulação de empresários da área industrial. «Muitos Como exemplo, o representante da AIMO
conhecimento no seio dos seus funcioná- dos nossos empresários começaram a refere que a balança de pagamentos do
rios em detrimento do sector privado in- sua carreira no gabinete, contrariamen- país, sem a Mozal e outros mega-projectos
dustrial. A constatação foi feita à margem te àquilo que acontece em outros países, é insignificante. A solução passa por de-
da Conferência sobre a Competitividade onde o empresário se lança no mercado senvolver Pequenas e Médias Empresas (
Industrial realizada em Maputo, durante fabricando o seu produto». PMEs) que tenham as mesmas facilidades
a qual foi sublinhado o pouco envolvimen- Grandes projectos, que vêm sendo insta- que os mega-projectos, o que pode servir
to do sector privado nas referidas viagens, lados em Moçambique, deparam-se com a de balanço real daquilo que é a economia
facto que impossibilita que os industriais falta de mão-de-obra qualificada, optando real do país.
absorvam o know-how essencial à dinâmi- por contratar técnicos estrangeiros. Elias
ca da produção industrial moçambicana. Come revela que muitos trabalhadores Factores limitativos
Elias Come, director executivo da As- moçambicanos não se encontram prepara-
sociação dos Industriais de Moçambique dos para serem um motor de crescimento A conferência sobre a competitividade
(AIMO), refere que o conhecimento que se das empresas e da economia nacional. industrial ofereceu espaço aos empresá-
acumula no Estado não é posteriormente rios para descortinarem os factores que
transferido para o sector privado, embora Investidores querem Parques limitam o mecanismo das exportações mo-
envolva grandes investimentos. O facto Industriais e não parcelamentos çambicanas. Dentre os factores, aponta-se
limita o desenvolvimento da indústria na- a falta de infraestruturas que assegurem
cional pois o conhecimento dos outros pa- A montagem dos Parques Industriais em que a produção nacional tenha aceitação
íses devia ser transmitido directamente ao curso no País não deve consistir apenas na no mercado de destino.
sector privado nacional na qualidade deste demarcação de terrenos, segundo a cons- A urgência em organizar-se a questão
ser o ‘fazedor’ directo do crescimento eco- tatação dos industriais reunidos na Confe- infraestrutural prende-se com o facto dos
nómico. rência sobre a Competitividade Industrial. mercados dos outros países tomarem com-
Calcula-se que a viagem de uma comiti- Caso não haja a colocação de infraestrutu- plexas medidas de precaução, colocando,
va de quatro funcionários do Estado, no ras nos espaços demarcados, dificilmente desta feita, autênticas barreiras técnicas
âmbito da cooperação com outros países, a experiência poderá resultar na óptica ao produto nacional. O País possui poucas
poderia ser efectuada somente pelo Pre- dos mesmos. Os industriais pretendem possibilidades para ultrapassar o imbró-
sidente da República e um empresário ou igualmente que o Executivo moçambicano glio, na medida em que nem sequer certi-
mesmo um operário, que são entidades forneça os recursos básicos como forma fica com credibilidade devido aos poucos
que melhor colheriam a aprendizagem de garantir a sustentabilidade dos empre- laboratórios acreditados.
prática do intercâmbio. endimentos, e para que o risco do inves- Neste cenário, todo o risco de recusa do
Por seu turno, o presidente da AIMO, timento não seja assumido apenas pelos produto nacional recai sobre o empresário
Carlos Simbine, sublinha que a indústria empresários. «Onde houver oportunidade que tem a missão de custear todo o proces-
transformadora nacional possui capacida- de negócio, não será necessário que o Es- so de venda, desde a produção até à entre-
de para processar determinadas matérias tado faça o investimento», garante Carlos ga do produto no mercado de exportação.
mas que a respectiva mão-de-obra não é Simbine, dirigente da Associação dos In- Os industriais são unânimes em apontar
qualificada nem está preparada para os dustriais de Moçambique (AIMO). o pouco investimento nas infraestrutu-
novos desafios de um sector, cuja exigência Perante esta óptica, pouco impacto se ras como a causa da pouca produtividade
de conhecimento é cada vez maior. Nestas pode esperar dos parques industriais da das empresas nacionais. Por outro lado,
circunstâncias, a solução passa por um es- Matola e de Nacala, enquanto grandes o empresariado nota que a banca só tem
forço redobrado nas escolas, na formação pólos dinamizadores da indústria, se não motivação para financiar os sectores co-
profissional ou num upgrade no que diz existir investimento nas infraestruturas. O merciais.
respeito às engenharias, segundo aquele parque de Nacala é, aliás, apontado como No sector da agricultura descreve-se um
líder. exemplo do que pode vir a ser a repetição cenário ainda menos encorajador. En-
Elias Come explica que as áreas mais dos erros do passado, caso venha a ser quanto a África do Sul e outros países da
prejudicadas pela falta de formação dos ignorada a questão infraestrutural. O re- Região apostam em sistemas de regadio,
quadros nacionais são as que exigem um ferido cenário só permite a existência de com uma vasta rede de infraestruturas de
uso intensivo de tecnologia. Perante este uma minoria de empresas, geralmente de transportes que motiva a aposta do empre-
imbróglio, a solução passa por importar mega-projectos cujo poder de investimen- sariado na agricultura, do lado moçambi-
técnicos, sobretudo para as áreas de ma- to é forte. cano observa-se o oposto, segundo Elias
nutenção, montagem e design. Entretanto, Elias Combe sugere que Come. A privatização da terra por iniciati-

revista capital novembro 2010


SECTOR INDÚSTRIA 47

w
dústria
vas ociosas também mereceu destaque na
conferência sobre a competitividade eco-
nómica. A terra está tomada e até o Banco
Mundial aponta a existência de muita terra
sem que nela se produza alimentos.
Ainda sobre o sector agrícola, a AIMO en-
tende que os investimentos são aplicados
em áreas que não estimulam a produção.
O subsídio aos combustíveis - que ronda
cerca de 100 milhões de dólares - poderia
estimular a investigação agrária e a pro-
dutividade. O impacto do investimento
na agricultura pode verificar-se em um ou
dois anos com a sustentabilidade a longo
prazo, segundo a análise feita pelos indus-
triais.c

«O presidente da AIMO,
Carlos Simbine, sublinha que
a indústria transformadora
nacional possui capacidade
para processar determinadas
matérias mas que a
respectiva mão-de-obra
não é qualificada nem está
preparada para os novos
desafios de um sector, cuja
exigência de conhecimento
é cada vez maior. Nestas
circunstâncias, a solução
passa por um esforço
redobrado nas escolas, na
formação profissional ou num
upgrade no que diz respeito
às engenharias»

novembro 2010 revista capital


Banco ProCredit:
Dez anos a servir Moçambique
Banco ProCredit Moçambique - O Ban- mercado sem acesso à banca conven- Celebrações dos dez anos em todo o
co ProCredit celebra os seus primeiros cional. O Banco disponibilizou cerca País – “Kanimambo Moçambique!”
dez anos de existência em Moçambi- de quatro mil milhões de meticais
que. Durante esta primeira década (3,867,066,288.65 MZN) em financia- Uma data tão especial merece uma
no País, a instituição financeira espe- mento a diversos tipos de negócios, grande celebração.
cializada em produtos bancários para repercutindo-se no crescimento de
muito pequenas, pequenas e médias Moçambique nestes últimos anos e, Para tal, o Banco ProCredit preparou
empresas, consolidou uma carteira de consequentemente, na melhoria da uma campanha de visibilidade alusiva
150.000 clientes. qualidade de vida dos moçambicanos. aos 10 anos que será realizada a nível
nacional, sob o tema “Crescendo jun-
Desde o ano 2000 até à actualidade, “O Banco ProCredit enaltece os seus tos. Banco ProCredit, 10 anos em Mo-
o numero de colaboradores do Ban- clientes, parceiros e colaboradores çambique. Kanimambo!”. Esta institui-
co ProCredit ascendeu às actuais 600 pelos dez anos de existência” ção enaltece todos os seus clientes,
pessoas, o que define esta instituição parceiros e colaboradores pelo cresci-
financeira como uma grande empresa mento ao longo destes dez anos.
no País e, uma organização em contí-
nuo crescimento. O Banco ProCredit está a preparar
também diferentes eventos que irão
decorrer no mês de Dezembro, des-
“O Banco disponibilizou cerca de qua- tacando-se a celebração institucional
tro mil milhões em financiamento a no dia 2 de Dezembro na Estação dos
negócios” Caminhos de Ferro de Maputo, que
contará com a presença de clientes,
Durante este tempo, o Banco ProCre- parceiros, instituições públicas e pri-
dit abriu 21 agências espalhadas em vadas, colaboradores e os orgãos de
11 cidades do País e consolidou um comunicação social.
INDICADORES INE 49

Clima económico encerra


terceiro trimestre em baixa
A conjuntura económica, avaliada pelo indicador do clima económico das em-
presas, continuou desfavorável no mês de Setembro, encerrando assim o III tri-
mestre com uma diminuição relativamente ao segundo trimestre, apesar das
medidas governamentais para conter o custo de vida. Esse facto continuou,
como nos meses anteriores, a dever-se principalmente à queda progressiva de
expectativas da procura. Porém, no mesmo período, o indicador de expectativas
de preços de bens e serviços recuou relativamente ao mês de Agosto. Ao nível
sectorial, apenas os sectores de Alojamento e Restauração e de Construção re-
gistaram um andamento positivo.

1. ANÁLISE AGREGADA Ao nível mensal, o Indicador do clima Os ramos de Alojamento incluindo a res-
económico prolongou a tendência negati- tauração e ainda de Construção registaram
A confiança dos empresários na econo- va, pelo quinto mês consecutivo, tendo-se um aumento de expectativas de procura,
mia foi, em média, desfavorável durante situado ao nível da média da série (Fig.1.1), mas não o suficiente para inverter o senti-
todo o terceiro trimestre de 2010 facto que em consequência da progressiva deterio- do do indicador da procura agregada.
interrompe a sua tendência positiva que ração das expectativas de procura, assim No que se refere ao emprego futuro, o in-
se registava desde o II trimestre de 2009 como da redução das expectativas de em- dicador de expectativa de emprego voltou
(Fig.1). Esta situação não surpreende pois prego no mês em análise. a mostrar sinais de redução em Setembro,
o indicador de clima económico (ICE) vem Por sectores inquiridos, a confiança em- facto influenciado grandemente pela ava-
registando uma diminuição progressiva presarial na economia continuou em recu- liação em baixa no sector de Transportes
desde Maio do corrente ano. peração apenas nos sectores de Alojamen- e ainda uma ligeira redução das expecta-
Em relação, ao indicador de expectativa to incluindo a restauração e de Construção tivas de emprego no sector de produção
de emprego, outra medida de confiança da (Fig.1.2). Os restantes sectores empresa- industrial, incluindo os ramos de produção
economia, regista-se que este manteve-se riais registaram uma diminuição da con- e distribuição de electricidade, gás e água
estável durante o terceiro trimestre, após fiança na sua actividade no período em (Fig1.4).
a recuperação verificada no II trimestre de análise. No mesmo período em análise, o empre-
2010, e uma queda aparatosa no IV trimes- A trajectória descendente do indicador go actual exibiu, também, sinais de recuo
tre de 2009. das expectativas da procura, já referida relativamente ao mês de Agosto (Fig.1.4).
O aumento de expectativa de empre- anteriormente, deveu-se ao contributo O facto referido anteriormente é atribuído,
go, que aparentemente contradiz o ICE dos mesmos sectores que influenciaram a principalmente, aos contributos da apre-
no período em análise, representa algum redução do indicador do clima económico ciação negativa de todas as actividades,
optimismo empresarial de curto prazo na no mês em análise, com maior realce nas com excepção de Transportes e ainda de
economia, sobretudo em relação à procura quedas de confiança da procura futura nos Alojamento e restauração, esta última ac-
– principal determinante do indicador do sectores da produção industrial e de Ou- tividade que teve aumento da procura dos
clima. tros Serviços (Fig.1.3). seus serviços no mês análise.

novembro 2010 revista capital


50 INDICADORES INE

O indicador de expectativa de preços de principalmente pelo aumento da procura perspectiva futura do volume de negócios
bens e de serviços em geral interrompeu actual dos serviços do sector bem como aumentou substancialmente no mesmo
a sua tendência positiva em Agosto, ao da avaliação positiva das perspectivas de período de referência.
recuar em Setembro face ao mês anterior, procura. O volume de negócios actual re- Por outro lado, tanto a carteira de enco-
situando-se o seu valor ao nível do mês de gistou, contrariamente, uma diminuição mendas, como as tarifas terão aumentado
Maio do corrente ano (Fig.1.6). ligeira no mesmo período. em Setembro relativamente ao mês ante-
Os agentes económicos de todos os sec- Essa recuperação da confiança pode, rior (Fig.2.2.1).
tores inquiridos tiveram uma expectativa também, ser relacionada com a aprecia- Cerca de 62% das empresas do sector
de redução dos preços em Setembro face ção favorável das perspectivas da capaci- dos Transportes tiveram algum constran-
ao mês de Agosto. Porém, os empresários dade hoteleira, bem como à previsão de gimento na sua actividade em Setembro,
dos sectores de Transportes, bem como de aumento dos preços dos serviços do sector facto que representa um agravamento da
Alojamento foram as únicas excepções das (Fig.2.1.1.), tendo em vista a época alta do quebra do ambiente de negócios face ao
actividades inquiridas que têm expecta- sector que se aproxima. mês anterior (Fig.2.2.2). Os custos opera-
tivas de aumento dos preços, facto que se Cerca de 19% das empresas do sector, em cionais elevados, as dificuldades financei-
deve à época de maior procura dos servi- análise, enfrentaram alguma limitação de ras e os outros factores não especificados
ços dos sectores que se aproxima. Cerca de actividade no mês de referência, facto que foram os principais obstáculos enfrentados
38% das empresas inquiridas enfrentaram representa um incremento de empresas pelo sector.
algum obstáculo em Setembro, facto que em mau ambiente de negócios do sector
representa um aumento de empresas com face ao mês anterior (Fig.2.2.). 2.3. Inquérito de Conjuntura à produção
constrangimentos relativamente ao mês Os principais factores por detrás dessa Industrial
anterior (Fig.1.7). Os serviços de Trans- situação continuaram, como nos meses A actividade da produção Industrial, in-
portes e de Construção continuaram, à se- anteriores, a ser a concorrência, falta de cluindo a produção e distribuição de água,
melhança dos meses anteriores, a registar pessoal qualificado bem como de outros gás e de electricidade, voltou a cair em
maior proporção de empresas com cons- factores não especificados. Setembro, ainda que tenha sido a um bai-
trangimentos, com 62% e 59% respectiva- xo ritmo relativamente ao mês de Agosto
mente. 2.2. Inquérito de Conjuntura ao sector dos (Fig.2.3). Esta situação pode ser atribuída,
Transportes principalmente, à deterioração das pers-
2. ANÁLISE SECTORIAL No sector de Serviços de Transportes in- pectivas de procura e ainda a actividade
cluindo os serviços relacionados ao ramo, actual que apresenta quedas progressivas.
2.1. Inquérito de Conjuntura ao sector de a confiança continuou em abrandamento, No mesmo período de referência, o vo-
Alojamento e Restauração ainda que a um baixo ritmo, pelo segundo lume de negócios actual continuou a au-
Em Setembro, a confiança nas activida- mês consecutivo (Fig.2.2). mentar, facto que não se reflectiu na dimi-
des de Alojamento e Restauração conti- Esse facto foi resultado da redução das nuição dos stocks actuais (Fig.2.3.1), pois
nuou em recuperação, pelo terceiro mês perspectivas de emprego e diminuição do estes estiveram acima do normal. A previ-
consecutivo (Fig.2.1), situação favorecida volume de negócios actual. No entanto, a são dos preços dos produtos industriais foi

revista capital novembro 2010


INDICADORES INE 51

avaliada no mesmo mês de análise como 58.3% delas tiveram algum obstáculo em tros factores não especificados foram os
de diminuição, provavelmente devido às Setembro, o que representa uma ligeira re- problemas mais destacados por empresas
medidas governamentais para conter o cuperação face ao mês anterior (Fig.2.4.2). do sector no período em análise (Fig.2.5.2).
alto custo de vida no país, principalmente Os principais problemas do sector conti-
na indústria de panificação. nuaram a ser, como anteriormente, a baixa 2.6. Inquérito de Conjuntura ao sector de
Cerca de 40% das empresas deste sector procura (pouca adjudicação de obras), fal- Outros Serviços
enfrentaram algum constrangimento em ta de equipamento e de materiais e outros O indicador de confiança do sector de
Setembro, facto que representou um recuo factores não especificados. Outros Serviços - que abrange actividades
pois o número de empresas em má situa- de consultoria diversa, aluguer e activi-
ção aumentou em Setembro (Fig2.3.2). 2.5. Inquérito de Conjuntura ao Sector do dades imobiliárias, tecnologias de comu-
A concorrência, a falta de matéria-prima, Comércio nicação e informação, agência de viagens
a falta de acesso ao crédito, equipamento O sector do Comércio - que inclui ainda e turismo, clínica e consultórios privados
obsoleto foram, entre outros, os principais actividades de manutenção e reparação de de saúde e veterinários, de Ensino privado,
obstáculos do sector no mês de referência, veículos automóveis, bens de uso domés- despacho aduaneiro, Serviços Sociais, co-
como anteriormente. tico e pessoal – continuou em queda de lectivos, culturais, desportivo e artísticos,
confiança ao registar em Setembro uma entre outros – continuou o prolongamento
2.4. Inquérito de Conjuntura ao sector da diminuição relativamente aos últimos dois da trajectória descendente pelo quinto mês
Construção Civil e Obras Públicas meses (Fig.2.5). consecutivo (Fig.2.6).
O indicador de confiança do sector de Este abrandamento, a exemplo do mês O perfil do sector, descrito acima, deveu-
Construção continuou no mês de Setem- passado, foi influenciado pelas opiniões se à apreciação desfavorável de todas as
bro, em recuperação pelo terceiro mês con- desfavoráveis em todos componentes do variáveis componentes, com maior realce
secutivo, ao ser apreciado favoravelmente indicador síntese do sector, com maior para as perspectivas de procura.
(Fig.2.4). destaque à manifestação de pessimismo Os agentes económicos do sector aprecia-
A recuperação do sector de construção nas expectativas da procura. ram, também, desfavoravelmente a procu-
deveu-se à avaliação favorável das pers- No mesmo sector, o volume de negócios ra actual e o volume de negócios (Fig.2.6.1).
pectivas de emprego e ainda do aumento actual, as previsões do volume de negócios No que respeita aos constrangimentos,
da carteira de encomenda, que permitir e ainda as previsões de preços registaram 20% das empresas deste sector, no mês em
suplantar as perspectivas do volume de ne- também uma diminuição (Fig.2.5.1). análise, foram afectadas por algum factor,
gócios que tiveram um abrandamento. Cerca de 30% de empresas deste sector situação que é uma melhoria ligeira do am-
Os agentes económicos do sector con- enfrentaram alguma limitação na sua ac- biente de negócios face ao mês anterior. Os
sideraram, também que em Setembro, a tividade no mês em análise, facto que re- factores que influenciaram essa situação
actividade corrente e a previsão de preços presenta um incremento de empresa em foram, principalmente, a concorrência e a
do sector registaram uma diminuição rela- mau ambiente de negócios do sector face baixa procura, com 21% (Fig.2.6.2).c
tivamente ao mês de Agosto (Fig.2.4.1). ao mês anterior.
Das empresas inquiridas deste sector, A concorrência, a baixa procura e os ou-

novembro 2010 revista capital


52 SECTOR CONSTRUÇÃO

Construtoras portuguesas
consideram Moçambique "estratégico"
para a internacionalização
A Associação dos Industriais da Cons- tunidade estratégica para as empresas nossa participação no sector da constru-
trução Civil e Obras Públicas de Portugal da construção civil, pelo seu potencial de ção civil em Moçambique», anotou o pre-
(AICCOP) considera Moçambique "estra- crescimento». sidente da AICCOP.
tégico" para a internacionalização do em- O presidente da AICOOP realçou que o Nesse esforço, ainda de acordo com Reis
presariado português, apontando "a alian- Governo de Moçambique decidiu que as Campos, as construtoras portuguesas con-
ça" com as construtoras moçambicanas infra-estruturas são um dos vectores da tam com a aliança com as empresas mo-
como importante para o crescimento dos economia moçambicana. «Nós queremos çambicanas, dado que estas têm condições
dois países, de acordo com informações da pertencer a esse futuro de crescimento de para parcerias em igualdade de circunstân-
Lusa. Moçambique», referiu aludindo também cias com os empreiteiros estrangeiros.
O presidente da AICCOP, Reis Campos, ao segmento da habitação, como outro ni- Ainda com o objectivo de estabelecer par-
manifestou a aposta das empresas de cons- cho de mercado apetecível para os emprei- cerias com empresas locais, foram assi-
trução portuguesas em expandir "activa- teiros portugueses. nados protocolos de cooperação entre a
mente" a sua presença em África, quando Reconhecendo a atracção que o sector da AICCOP, Federação Moçambicana de Em-
falava aos jornalistas à margem do semi- construção civil exerce sobre empresas de preiteiros (FME) e Confederação da Cons-
nário "O Mercado da Construção em Mo- outros países, como China e África do Sul, trução e Imobiliária dos Países de Língua
çambique", promovido no âmbito de uma Reis Campos mostrou confiança na capa- Portuguesa (CCIMPLP).
missão de empresários da construção civil cidade de os empreiteiros portugueses se A missão portuguesa da construção civil
de Portugal a Maputo. imporem e consolidar a sua penetração no que esteve em Moçambique congregou
Segundo Reis Campos, num momento par- mercado moçambicano. 30 empresários de todos os segmentos do
ticularmente de alguma necessidade em «Temos uma capacidade técnica e capa- sector em Portugal, incluindo das maiores
Portugal, devido à crise económica que o cidade de mão-de-obra qualificada e dis- construtoras do País.c
País atravessa, Moçambique «é uma opor- ponibilidade, para podermos expandir a

publicidade
GESTÃO E CONTABILIDADE ERNST YOUNG 53

Félix Sengo*

Contabilidade da Gestão Ambiental


Um olhar sobre os Custos Ambientais

Introdução de decisões. Por conseguinte, há a neces-


sidade de melhorar este processo incluin-
«A informação da
Têm sido amplamente reconhecidas as do informação sobre o fluxo de materiais Contabilidade da Gestão
limitações dos métodos de contabilidade e os respectivos custos por forma a quan- Ambiental apoia os sistemas
tradicional financeira e analítica no sen- tificar os esforços da empresa na área do
tido de reflectirem os esforços das orga- desenvolvimento sustentável. de gestão ambiental e a
nizações em direcção à sustentabilidade Embora existam diferentes definições tomada de decisões na
e fornecerem aos gestores a informação e aplicações, no geral a informação da
necessária para a tomada de decisões em- Contabilidade da Gestão Ambiental é uti- procura de objectivos
presariais sustentáveis. Em certa medida, lizada essencialmente pela empresa na melhorados e de novas
a informação acerca do desempenho am- tomada das suas decisões.
biental das organizações pode estar dis- A informação da Contabilidade da Gestão
opções de investimento. Os
ponível mas, nas empresas, assim como Ambiental apoia os sistemas de gestão respectivos indicadores de
nas autoridades públicas, raramente é ambiental e a tomada de decisões na pro-
relacionada com as variáveis económicas cura de objectivos melhorados e de novas
desempenho financeiro e
devido, sobretudo, à escassez da informa- opções de investimento. Os respectivos ambiental são importantes
ção sobre os custos ambientais. indicadores de desempenho financeiro e para fins de controlo e
Como resultado desta realidade, o valor ambiental são importantes para fins de
económico dos recursos naturais não tem controlo e benchmarking. O balanço dos benchmarking. O balanço
sido reconhecido como activo, e o valor fluxos de materiais assim como os indica- dos fluxos de materiais
comercial e financeiro associado a um dores daí resultantes são uma informação
bom desempenho ambiental não tem sido vital para a comunicação ambiental. Orga- assim como os indicadores
evidenciado nas informações das empre- nizações de rating estão interessadas em daí resultantes são uma
sas. Para além das iniciativas voluntárias, verificar a combinação entre abordagens
existem poucos incentivos baseados no monetárias e físicas em prol da sustenta-
informação vital para a
mercado que proporcionem a integração bilidade. comunicação ambiental.»
das preocupações ambientais na tomada

novembro 2010 revista capital


54 GESTÃO E CONTABILIDADE ERNST YOUNG

Procedimentos da Contabilidade produtos, mas simplesmente somada ao A FEE, Federação Europeia de Peritos em
da Gestão Ambiental overhead geral. Contabilidade (Fédération dês Experts
O facto de os custos ambientais não serem Comptables Européens) recomenda que
A nível das empresas, os procedimentos totalmente registados conduz frequente- os custos incorridos para a prevenção dos
da Contabilidade da Gestão Ambiental mente a cálculos distorcidos das opções impactos ambientais futuros sejam capi-
incluem: medições físicas do consumo de de melhoria que deveriam ser reflectidos talizados, enquanto que os custos para re-
materiais e energia, fluxos e deposição nos projectos de salvaguarda ambiental mediar danos ambientais passados devem
final, avaliação monetária de custos, pou- que são implementados pelas empresas ser considerados despesas, uma vez que
panças e receitas relacionadas com acti- para prevenir emissões e resíduos na ori- não estão associados a nenhum benefício
vidades que apresentam potenciais im- gem, através de uma melhor utilização futuro. Portanto, os custos de tratamento
pactos ambientais. O procedimento mais das matérias-primas e secundárias e de das contaminações ambientais devem ser
útil para a tomada de decisões depende matérias auxiliares menos perigosas. considerados como despesas do exercício
do tipo de organização (p.e.,produção fa- O que são então os custos ambientais da social. A capitalização dos custos ambien-
bril vs. prestação de serviços) e do tipo de empresa? O que nos vem logo à mente tais só é permitida se futuras poupanças
decisões a tomar (p. e., decisões de com- são os custos relacionados com o trata- económicas ou melhorias da segurança
pra quanto às matérias primas; decisões mento dos locais contaminados, com as forem esperadas a partir das despesas a
de investimento em utilização racional de tecnologias do controlo dos efluentes e eles associados.
energia; alterações de design do produto, com a deposição dos resíduos. Na verda-
entre outras). de, os custos ambientais compreendem Considerações conclusivas
tanto os custos externos como internos
Custos ambientais da empresa e referem-se a todos os cus- Os custos das empresas com a protecção
tos relacionados com a salvaguarda e de- ambiental, incluindo redução da polui-
Um dos principais problemas da Conta- gradação ambientais. ção, gestão de resíduos, monitorização,
bilidade que trata dos registos dos actos conformidade, impostos e seguros, têm
e factos ambientais é a falta de defini- Os custos da salvaguarda ambiental in- aumentado rapidamente nos últimos
ção normalizada de custos ambientais. cluem os custos de prevenção, deposição, anos com a crescente e mais exigente re-
Dependendo do tipo de abordagem, en- planeamento, controlo, alterações e re- gulamentação ambiental. Os sistemas de
contramos uma variedade de custos, por paração de lesões ambientais e da saúde contabilidade de gestão convencionais
exemplo, custos de deposição ou custos humana relacionados com empresas, go- atribuem muitos destes custos ambien-
de investimentos, e, por vezes, incluem vernos ou pessoas. Neste documento são tais aos overheads, o que pode levar ao
também custos externos (i.e., custos in- apenas referidos os custos ambientais da desincentivo dos responsáveis do pro-
corridos fora da empresa, na sua maioria empresa. Os custos externos resultantes duto e da produção na luta pela redução
pelo público em geral). Esta realidade da actividade da empresa são geralmen- dos custos ambientais nas empresas, bem
verifica-se também do lado dos lucros te incorporados na sua estrutura de cus- como acarretar aos gestores de topo difi-
das actividades ambientais da empresa tos através da regulamentação e preços. culdades em compreender e interiorizar a
(poupança em custos ambientais). Para É papel do governo aplicar instrumentos amplitude dos custos ambientais.
além disso, a maior parte destes custos políticos tais como eco-taxas e regula- Na contabilidade convencional de custos
não é sistematicamente identificada nem mentação de controlo de emissões e de a agregação dos custos ambientais e não
atribuída aos respectivos processos e resíduos de forma a reforçar o princípio ambientais na rubrica dos overheads con-
do poluidor-pagador, e a integrar assim os duz a que eles fiquem “escondidos” dos
custos externos nos cálculos da empresa. gestores, e que estes tendem a subesti-
«A Contabilidade da Gestão mar a sua dimensão e o seu crescimento
Ambiental, ao identificar, As medidas de salvaguarda ambiental nas empresas.
compreendem todas as actividades adop- A Contabilidade da Gestão Ambiental, ao
avaliar e imputar os tadas para satisfazer a conformidade re- identificar, avaliar e imputar os custos am-
custos ambientais permite gulamentar, compromissos próprios ou bientais permite aos gestores identificar
voluntários. Os resultados económicos oportunidades para poupar custos. Exem-
aos gestores identificar não são critério, mas sim o efeito na pre- plos de base tirados da literatura são as
oportunidades para poupar venção ou redução do impacto ambiental. poupanças que podem resultar da substi-
custos. Exemplos de base tuição de solventes orgânicos tóxicos por
As despesas de salvaguarda ambiental da não tóxicos, de gestão de resíduos perigo-
tirados da literatura são empresa incluem todas as despesas com sos e outros custos associados à utiliza-
as poupanças que podem a implementação de medidas de protec- ção de materiais perigosos. Muitos outros
ção ambiental de uma empresa ou sob exemplos referem-se a uma mais eficien-
resultar da substituição de sua responsabilidade para prevenir, re- te utilização de materiais, evidenciando
solventes orgânicos tóxicos duzir, controlar e documentar os aspectos o facto de que os resíduos são onerosos,
ambientais, impactos e riscos, assim como não tanto pelas taxas de deposição im-
por não tóxicos, de gestão de a deposição final, tratamento, saneamen- postas pela regulamentação ambiental
resíduos perigosos e outros to e despesas com a descontaminação. mas devido ao desperdício, em termos de
valor de compra, dos materiais em si.
custos associados à utilização Custos ambientais capitalizáveis
de materiais perigosos.» e não capitalizáveis
(*) Audit Manager na Ernst & Young

revista capital novembro 2010


Cartões BCI com mais vantagens

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56 FISCALIDADE PRICEWATERHOUSECOOPERS

Leila Madeira

O IVA no arrendame
por sujeitos passivo
No presente texto propomo-nos abordar a ços em zonas urbanas está sujeito ao IVA,
questão da liquidação e dedução do Im- nos termos da interpretação, a “contrario
posto sobre o Valor Acrescentado (IVA) sensu”, do artigo 9, nº 5 da CIVA.
no arrendamento de imóveis para fins
comerciais, efectuado por sujeitos passi- Portanto, parece importante a correcta
vos que desenvolvam actividades isentas, destrinça daquelas que (i) são actividades
abordando, em concreto, o caso das insti- bancárias e financeiras levadas a cabo pe-
tuições bancárias e financeiras. las respectivas entidades licenciadas para
o efeito que, em regra, abrangem a acti-
No exercício das suas actividades, as ins- vidade de intermediação ou aplicação de
tituições bancárias e financeiras realizam recursos financeiros próprios ou de ter-
operações comerciais marginais ao seu ceiros, em moeda nacional ou estrangeira,
objecto principal, nomeadamente, e entre e a custódia de valor de propriedade de
outros, o arrendamento de imóveis. terceiros e (ii) o arrendamento que “per
se”, não constitui uma actividade bancária
Dada a actividade principal destas insti- ou financeira, mas tão só uma actividade
tuições enquadrar-se, no âmbito da le- comercial, porquanto não consta do rol de
gislação do IVA em vigor, no conceito de actividades sujeitas a licenciamento es-
isenção simples (e.g. não conferem direi- pecífico pelo Banco de Moçambique.
to à liquidação e/ou dedução do IVA), urge
questionar (i) se haverá obrigatoriedade Ora, muito embora a locação de imóveis
de liquidação do IVA no arrendamento para fins comerciais em zonas urbanas
de imóveis para fins comerciais em zona não se considere uma actividade isenta
urbana, quando efectuado pelas entida- do IVA e as instituições bancárias e finan-
des em causa e (ii) se tais entidades terão ceiras sejam consideradas sujeitos passi-
direito a dedução do imposto suportado vos com actividades isentas, não parece
no arrendamento de imóveis nas zonas que haja qualquer isenção do IVA na lo-
urbanas para o desenvolvimento das suas cação de imóveis em zonas urbanas para
actividades comerciais. fins comerciais, quando levada a cabo por
uma instituição bancária e financeira.
Regra geral as transmissões de bens e as
prestações de serviços, incluindo o ar- Assim sendo, as referidas instituições
rendamento, estão sujeitas a IVA, salvo bancárias e financeiras deverão efectuar a
algumas excepções, como o caso das ope- devida liquidação do IVA, à taxa de 17%,
rações bancárias e financeiras, nos termos aquando da emissão da factura da renda
do disposto no artigo 9, nº 4 do Código do aos inquilinos dos imóveis sujeitos a ar-
IVA (CIVA), aprovado pela Lei nº 32/2007, rendamento.
de 31 de Dezembro.
Por outro lado, de acordo com o que in-
O arrendamento de imóveis para fins co- directamente preconiza a legislação do
merciais, industriais e prestação de servi- IVA, as instituições em causa, se envolvi-

revista capital novembro 2010


FISCALIDADE PRICEWATERHOUSECOOPERS 57

ento de imóveis efectuado


os com Actividade Isenta
das em actividades de locação de imóveis Note-se que a utilização deste último
para fins comerciais em zonas urbanas, método deverá ser previamente comuni-
«Ora, muito embora
transformam-se em sujeitos passivos mis- cada à Autoridade Tributária, dado que a a locação de imóveis
tos do imposto, dado que levam a cabo mesma poderá exigir que sejam impostas para fins comerciais
actividades isentas (operações bancárias algumas condições especiais ou poderá
e financeiras - maioria das suas activida- ordenar que cesse o procedimento, caso em zonas urbanas
des) e actividades sujeitas (que é o caso considere que existem distorções signifi- não se considere uma
do arrendamento). cativas na tributação.
actividade isenta do
Pelo que, as instituições bancárias e finan- Importa referir ainda que, no caso concre- IVA e as instituições
ceiras, na sua qualidade de sujeitos pas- to, se a actividade de arrendamento for de
sivos mistos, terão de optar por uma das percentagem inferior comparativamente
bancárias e financeiras
opções seguintes – às operações bancárias e financeiras (o sejam consideradas
que se prevê ser mais comum), poderá
1. Método Pro-rata – previsto no artigo contribuir para que todas as actividades
sujeitos passivos com
22º, nº 1 do C IVA, o qual preconiza que levadas a cabo por instituições financeiras actividades isentas,
o sujeito passivo, no exercício da sua ac- e bancárias e sejam consideradas isentas não parece que haja
tividade, efectue transmissões de bens e e sem direito a dedução. De salientar, no
prestações de serviços, dos quais parte entanto, que tal só ocorrerá caso a per- qualquer isenção do IVA
confiram direito a dedução, e, neste caso, centagem do arrendamento seja manifes- na locação de imóveis
o imposto suportado será dedutível ape- tamente insignificante.
nas na percentagem correspondente ao em zonas urbanas para
montante anual de operações que confi- Considerando o acima exposto, conside- fins comerciais, quando
ram o direito à dedução. ramos que a situação acima referida é,
indiscutivelmente, uma das questões de
levada a cabo por uma
Isto significa que terá de ser efectuada grande relevância para aquelas institui- instituição bancária e
uma análise do montante anual das ope- ções pois que o arrendamento é, cada vez
rações, de forma a aferir qual a percenta- mais, uma das actividades secundárias
financeira.»
gem aplicável às actividades que confe- por si desenvolvidas, em consequência
rem direito à dedução (e.g. arrendamento) imediata das operações financeiras pri-
para que se possa efectuar a dedução em márias daquela instituição, sendo crucial
tal proporção. o esclarecimento desta questão por par-
te do "Fiscum", mormente no que toca à
2. Método da afectação real – também definição das percentagens mínimas para
plasmado no artigo 22º, nº2 do CIVA, que que toda a actividade levada a cabo por
prevê que o sujeito passivo possa efectu- instituições bancárias e financeiras seja
ar a dedução segundo a afectação real de considerada isenta e sem direito a dedu-
todos ou parte dos bens e serviços utili- ção.
zados. PWC
Consultora

novembro 2010 revista capital


RESENHA JURÍDICA FERREIRA ROCHA 59

Por Rodrigo F. Rocha*

A Representação do sócio numa Assembleia


Geral de uma Sociedade por Quotas
de Responsabilidade Limitada
O tema que propomos analisar no presen- poderes de representação numa Assem- pelo que, consideramos que os sócios de
te artigo, poderá já ter passado desperce- bleia Geral. São eles, outro sócio, o côn- uma Sociedade por Quotas apenas podem
bido até, perante muitos dos leitores ha- juge, ascendentes ou descendentes. Os eleger como seus representantes numa
bituados à dinâmica de uma Assembleia Estatutos da Sociedade poderão elencar Assembleia Geral, os indivíduos elenca-
Geral do mais usual tipo societário em outras individualidades ou, mesmo, in ma- dos no Artigo 130. °, n. ° 2 do Código Co-
vigor na República de Moçambique. Por xime, afastar o rol que o Código Comercial mercial.
esse motivo, e para alertar os leitores da fornece. Concluímos, então que numa As-
necessidade de acautelar várias situações sembleia Geral de uma Sociedade, apenas II. A forma do mandato de representação
que poderão ter consequências imprevis- poderão representar sócios, no silencio
tas, propomo-nos debater este tema. dos Estatutos quanto a esta matéria, os Diz-nos o artigo 130.°, n.° 2 do Código
indivíduos acima elencados. Comercial que o mandato deverá ser
I. Regime jurídico da representação Não obstante, o código abre excepções conferido através de instrumento de re-
do sócio para outros tipos societários, nomeada- presentação voluntária, nomeadamente,
mente, no caso das Sociedades Anónimas uma carta dirigida ao presidente da mesa
O Código Comercial, tal como aprovado (cfr. Artigo 414.°, n.° 3), permitindo que o da Assembleia Geral, assinada pelo Sócio.
pela Lei n.º 5/2005, de 23 de Dezembro, accionista seja representado por um Ad- Esta carta costuma ser referida por “Car-
consagra, na senda do que já vinha esti- vogado, outro Accionista ou Administra- ta Mandadeira”. Nada refere a lei sobre
pulado no Código Comercial de 1888 (que dor da Sociedade. formalidades de reconhecimento notarial
esteve em vigor até à aprovação do actual No que toca em concreto ao tipo de repre- da assinatura do sócio. Não obstante este
código) prevê a existência de vários tipos sentação que analisamos (representação silêncio, há que reconhecer que o presi-
societários, nomeadamente, de Socieda- essa referente à Assembleia Geral uma So- dente da mesa da Assembleia Geral pode
des em nome Colectivo, Sociedades de ciedade por Quotas), a lei é omissa quan- não deter habilitações que o permitam
Capital e Indústria, Sociedades em Co- to a regras específicas. No entanto, refere certificar da genuidade e autenticidade da
mandita, Sociedades por Quotas e Socie- no Artigo 317. °, n. ° 1, que se aplicam às assinatura. Por esse motivo, e imbuído dos
dades Anónimas. Por motivos de variada Assembleias Gerais das Sociedades por princípios estabelecidos no ordenamento
ordem, os dois últimos tipos societários Quotas, subsidiariamente, as regras refe- jurídico moçambicano, consideramos que
têm sido os mais utilizados, sendo, por rentes às Sociedades Anónimas, em tudo a carta mandadeira deve conter a assina-
esse motivo, as regras que se lhes apli- quanto não tenha sido especialmente re- tura reconhecida do sócio que atribui o
cam, consideradas como supletivas para gulado para “aquelas”. mandato ao seu representante.
todos os restantes tipos societários. O vocábulo “aquelas” referido no artigo Levanta-se a dúvida quando na Ordem
Como certamente será compreensível, a mencionado supra, é, de todo traiçoeiro, de Trabalhos ou a discussão a ser tratada
técnica legislativa utilizada na elaboração pois, pode impor uma restrição aos indiví- na Assembleia Geral possa trazer como
do Código Comercial, tal como em qual- duos com capacidade para representarem consequência a alienação ou oneração
quer outro processo de codificação de um sócios nas Assembleias Gerais das Socie- de bens imóveis, ou mesmo a cessão de
determinado “sector” do Direito, o legis- dades Anónimas. No entanto, uma coisa quota de uma sociedade que tenha no
lador obedece ao princípio da racionali- parece resultar do regime jurídico supra: seu património bens imóveis. Para esses
dade da sistematização, arrumando o có- no silêncio dos Estatutos de uma Socieda- casos, quer nos parecer que a formalida-
digo em áreas de aplicação geral e áreas de por Quotas, a possibilidade de conferir de do mandato de representação deverá
de aplicação específica. No que toca à ma- mandatos de representação a terceiros ser uma procuração notarial, na qual se-
téria em apreço, isto não se tornou uma não elencados no rol de um dos dois ar- jam referidos detalhadamente os poderes
excepção: de facto existem regras gerais tigos acima descritos, é ilegal, sendo por atribuídos ao mandatário.
relativas à representação de sócios nas isso questionável a validade da delibera- Numa próxima edição da Revista Capital
Assembleias Gerais das Sociedades, bem ção tomada em violação das regras cons- iremos analisar a questão do mandato de
como regras específicas (ou, como outros tantes em tais artigos. representação dos Accionistas nas Socie-
dirão, especiais) para os diferentes tipos Em nosso entendimento, com todo o res- dades Anónimas.
societários. peito pelas opiniões contrárias, consi-
Desde logo, como regra geral, aparece- deramos que o previsto no Artigo 414.°, *Advogado e Sócio da Ferreira Rocha & Associa-
nos o Artigo 130.º, que elenca o rol de n.° 3 constitui uma especialidade apenas dos – Sociedade de Advogados, Limitada
rodrigo.rocha@fralaw.com
indivíduos a quem podem ser conferidos relevante para as Sociedades Anónimas,

novembro 2010 revista capital


COMUNICADO 61

cadeia produtiva, a partir do plantio do eu-


VALE CHIBUTO calipto até ao processamento final do papel
Investimento até 20 Lançado concurso e da celulose.
A Suzano Papel e Celulose tem cinco fábri-
mil milhões de dólares para concessão cas, todas no Brasil, mas actua fortemen-
em África dos minerais pesados te no exterior. No ano passado, a Ásia foi
o principal destino das suas vendas, com
44,9 por cento de participação. O segundo
A empresa brasileira de mineração, Vale, O Ministério dos Recursos Minerais lan- maior mercado foi o europeu, com 32,9 por
vai investir em projectos em África entre çou um concurso internacional para a con- cento. Na sequência vêm América do Norte
15 mil milhões e 20 mil milhões de dóla- cessão de minerais pesados de Chibuto na (6,7%) e América do Sul (0,9%). As vendas
res norte-americanos nos próximos cinco província de Gaza, segundo a agência Aim. para o mercado brasileiro absorveram 14,7
anos, quase 10 vezes mais do que gastou A concessão foi anteriormente acolhida por cento da produção da Suzano. A com-
até agora no continente, e Moçambique pela BHP-Billiton, mas a empresa retirou- panhia produziu 1,6 milhões de toneladas
será um dos destinos prioritários desse in- se em Maio do ano passado, deixando ao em 2009, ano de recuperação da deman-
vestimento. Governo a tarefa de encontrar um novo in- da por celulose no mercado internacional,
A empresa, que já é a maior produtora vestidor para o projecto. Nesse sentido, o sendo que 1,5 milhões foi vendida fora do
mundial de minério de ferro, revelou na concurso está aberto até Março do próximo Brasil.
semana passada que pretende com estes ano.
investimentos tornar-se também num dos De acordo com o Governo, quatro grandes
três maiores produtores de cobre no con- empresas internacionais já manifestaram
tinente, onde este minério existe em abun- o seu interesse na concessão em causa. A
dância, explorando também ferro e carvão. BHP-Billiton poderá ser uma delas, uma
O anúncio foi feito pelo presidente da Vale, vez que não existem restrições sobre a par-
Roger Agnelli quando a empresa anunciou ticipação do titular da concessão anterior
um lucro trimestral recorde de 10,5 mil mi- no lançamento do novo concurso inter-
lhões de reais, o equivalente a cerca de seis nacional. O governo está receptivo a pro-
mil milhões de dólares norte-americanos. postas de empresas internacionais com os
O investimento total da empresa em 2011 recursos necessários para explorar a con-
será o maior de sempre, 24 mil milhões de cessão de Chibuto, mas dará prioridade às
dólares norte-americanos, quase o dobro empresas que propõem agregar valor aos
do programado até ao final do presente minerais extraídos, através da transforma-
ano. ção dos minerais em Moçambique.
A nível do continente africano, a Vale está
a direccionar os seus principais investi-
mentos para Moçambique, Zâmbia, Gui-
né-Conacri e Libéria. Mas também se tem
SUZANO
mostrado atenta às oportunidades que se Empresa pretende
vislumbram na República Democrática do
Congo e Angola, sobretudo para a produ- montar fábrica
ção de cobre. em Moçambique
A empresa brasileira Suzano está interes- KENMARE
sada em produzir papel e celulose em Mo- Estão previstos
çambique. Para o efeito, representantes
daquela empresa estiveram no país no iní- 15 milhões de dólares
cio do presente mês, tendo visitado alguns
locais onde o empreendimento poderá ser
de prejuízo
montado.
A comitiva da empresa brasileira visi- A Kenmare Resources, a concessionária do
tou áreas nas províncias da Zambézia, de projecto de minerais pesados de Moma,
Nampula e de Cabo Delgado, que já estuda local onde recentemente se registou um
investimentos de infraestrutura na região, desastre, anunciou que as suas perdas po-
por causa de outros projectos em implan- derão atingir ou mesmo exceder os 15 mi-
tação. Um dos principais é o da exploração lhões dólares.
de minérios pela brasileira Vale e pela aus- O desastre causou a paragem das activida-
traliana Riversdale, na vizinha província des de mineração em Moma durante um
de Tete. A demanda é por melhores condi- mês, período durante o qual as consequên-
ções de transporte para escoar a produção cias do desastre serão estudadas. No início
pelos portos da Beira ou de Nacala. de Outubro, a parede de um dos tanques
A empresa brasileira ainda não apresentou de sedimentação de Moma rebentou e
formalmente o projecto de investimento. inundou a aldeia vizinha de Topuito com o
As autoridades moçambicanas esperam, seu conteúdo, destruindo casas e deixando
no entanto, que o projecto envolva toda a centenas de moradores da vila afectados.

novembro 2010 revista capital


62 INVESTIMENTO CPI

CPI revela estado do


O Centro de Promoção de Investimentos (CPI) já recebeu para análise,
aprovação e assistência institucional, ao longo do primeiro semestre de
2010, 104 projectos de investimento, totalizando a quantia de 1.210.790.729
dólares americanos e gerando um potencial para a criação de 8.728 postos
de trabalho.
Nos primeiros seis meses deste ano, a (55,99%) devido ao projecto Mozambique A taxa de autorização dos projectos rece-
distribuição dos projectos por sector indica Limestone Cement (608.334.000 dólares), bidos no 1.º Semestre fixou-se em 69,23%,
que o maior leque de projectos (32 ao todo) um projecto para a instalação de uma fá- o que significa que em cada dez (10) pro-
se fixou na Indústria, seguindo-se os secto- brica de produção de cimento no distrito jectos recebidos pelo menos seis foram
res de Turismo e Hotelaria; e Agricultura de Vilankulo, na província de Inhambane, aprovados no mesmo período.
e Agro-Indústrias, com 17 e 14 projectos, ainda em processo de análise.
respectivamente. Só o sector da Indús- O sector dos Transportes e Comunica- Investimento por sectores
tria congrega um investimento orçado em ções figura na segunda posição em termos de actividade e províncias
677.956.641 dólares, ao passo que a área de volume de investimento, facto que se
de Transportes e Comunicações, contando deve ao projecto Riversdale Benga Coal – Os três principais sectores, que congre-
apenas com 5 projectos em carteira, totali- Barging, um projecto de transporte fluvial gam o maior número de projectos apro-
za a fatia de 229.011.400 dólares. de carvão de Tete e Chinde, através do Rio vados são: Indústria, Serviços e Turismo e
No que diz respeito à criação de emprego, Zambeze, orçado em 210.000.000 dólares. Hotelaria.
os dados cedidos pelo CPI são reveladores Em relação às províncias, Inhambane Em relação ao volume de investimento
e indicam que os sectores mais pródigos ocupa a primeira posição com 52,35% do o sector da Agricultura e Agro-Indústria
são os da Agricultura e Agro-Indústrias; da investimento submetido seguida da pro- ocupa a primeira posição com 53,62%, In-
Indústria; e dos Serviços, com 2.702; 2.615 víncia da Zambézia, com 20,70%. Estas dústria com 18,50% e Serviços com 11,11%,
e 1.530 postos de trabalho, respectivamen- posições são justificadas pelos projectos sendo que relativamente ao emprego as
te. acima referidos, nomeadamente, Mozam- posições por ordem decrescente são igual-
Quanto aos projectos existentes por pro- bique Limestone Cement, em Inhambane e mente ocupadas pelos sectores menciona-
víncia, o CPI identifica que o maior núme- Riversdale Benga Coal – Barging, na Zam- dos.
ro de projectos foi delineado para ser im- bézia. A província de Cabo Delgado com apenas
plementado na província de Maputo (33), Durante o primeiro semestre de 2010 fo- um projecto aprovado ocupou a primei-
na cidade de Maputo (21) e Sofala (14). ram autorizados 82 projectos, envolvendo ra posição com 26,36% do investimento
Ao passo que Gaza e Inhambane possuem um investimento de 364.145.275 dólares aprovado, devido o projecto Afroils Cor-
8 projectos cada. A maior fatia de inves- e com a perspectiva de emprego de 6.905 portaion, a ser implementado no distrito
timento é destinada, por sua vez, para a trabalhadores moçambicanos. A este va- de Nangade. A província de Gaza aparece
província de Inhambane, com 633.841.558 lor de investimento acresce o montante de na segunda posição com 20,33% e a Pro-
dólares e para a província da Zambézia, 236.976.310 dólares, resultante da aprova- víncia de Maputo com 15,26%. Outro pro-
com 250.654.000 dólares. Ao mesmo tem- ção de 38 adendas de pedido de aumento jecto de destaque é o da CAM - Companhia
po, o número de postos de trabalho são de investimento nos projectos autorizados, Agro-Empresarial de Moçambique, cujo
de 2.583 para a província de Maputo e de perfazendo, assim, o valor total de investi- objecto é o cultivo de cana sacarina para
2.541 para Sofala. mento 601.121.585 dólares. a produção do açúcar, que irá localizar-
Durante o período em análise, não foi re- Dos 82 projectos autorizados no período se no distrito de Guijá, empregando 766
cebido nenhum projecto para os sectores em questão, 72 projectos - que totalizam moçambicanos, com investimento total de
de Recursos Minerais nem para o da Banca 192.245.257 dólares - foram submetidos 60.000.000,00 dólares.
e Seguros. no mesmo período e 10 projectos totalizan- Quanto ao número de postos de trabalho,
O investimento total no sector da In- do 171.900.018 dólares, foram submetidos as três principais províncias - por ordem
dústria apresenta-se bastante elevado em anos anteriores.

Tabela 1. Investimento Aprovado por Sector


Sectores Nº de Valores (US$) Emprego
Proj. IDE IDN Sup/Emp Total % Nº %
Agricultura e Agro-Indústrias 13 121.747.256 5.371.631 68.149.708 195.268.595 53,62% 3.128 45,30%
Aquacultura e Pescas - 0,00% 0,00%
Banca e Seguradoras - 0,00% 0,00%
Construção e O. Públicas 9 10.645.000 1.303.067 11.914.286 23.862.353 6,55% 439 6,36%
Indústria 28 45.131.400 8.664.351 13.584.820 67.380.571 18,50% 1.991 28,83%
Recursos minerais - 0,00% 0,00%
Transp. e Comunicações 1 100.000 1.900.000 2.000.000 0,55% 15 0,22%
Turismo e Hotelaria 15 17.275.302 3.158.281 14.728.946 35.162.529 9,66% 455 6,59%
Serviços 16 24.411.528 1.889.651 14.170.048 40.471.227 11,11% 877 12,70%
Total 82 219.310.486 20.386.981 124.447.808 364.145.275 100,00% 6.905 100,00%

revista capital novembro 2010


INVESTIMENTO CPI 63

o investimento
decrescente - são a Província de Maputo, Tabela 3. Países de Origem do IDE
Cabo Delgado e a cidade de Maputo.

Destino do IDN e origem do IDE Posição País Proj. IDE (US$)

1 Portugal 17 58.951.732
O Investimento Directo Nacional totali-
zou o valor de 20.386.981 dólares. As três 2 Itália 2 41.325.000
províncias que registaram o maior volume 3 Espanha 1 30.000.000
de investimento directo por ordem decres- 4 China 8 29.300.000
cente foram a cidade de Maputo, província
de Maputo e Cabo Delgado. 5 Africa do Sul 18 22.376.342
Os três principais sectores que acolheram 6 Suiça 1 12.307.970
maior volume de Investimento Directo Na- 7 Jordania 1 5.000.000
cional são a Indústria, a Agricultura e o Tu-
8 Líbano 3 4.533.333
rismo.
Por seu turno, o Investimento Directo Es- 9 Tanzania 1 3.400.000
trangeiro atingiu um total de 219.310.486 10 Maurícias 2 2.780.000
dólares e teve como os cinco maiores in-
11 India 5 2.148.750
vestidores, Portugal, Itália, Espanha, Chi-
na e África do Sul. 12 Zambia 1 1.466.667
As posições ocupadas por Portugal e Es- 13 EUA 2 1.248.333
panha são justificadas pela aprovação do
14 Bélgica 1 1.000.000
projecto CAM – Companhia Agro-Empre-
sarial de Moçambique, no qual cada um 15 Ruanda 1 511.000
dos dois países comparticipa com 50% do 16 Sudão 1 500.000
valor total. 17 Guiné Bissau 1 500.000
A Itália (2.ª posição) deve-se ao projecto
Afroils Corporation, a China pelo projecto 18 Alemanha 1 392.467
Henan Haode Mozambique Industrial Par- 19 Paquistão 1 392.000
que, avaliado em 26.500.000 dólares, a ser 20 Holanda 1 248.333
implementado em Marracuene, no sector
de indústria têxtil. 21 Australia 1 248.333
A Suiça investe no projecto MCNET – 22 Reino Unido 1 145.975
Mozambique Community Network, um 23 Zimbabwe 1 100.000
projecto que resulta de um Concurso Pú-
24 Malawi 1 100.000
blico lançado pelo Ministério das Finan-
ças, através da Autoridade Tributária de 25 Irão 1 100.000
Moçambique, visando a Concessão, para 26 Japão 1 100.000
a Concepção, Desenho, Implementação e
27 Senegal 1 74.250
Exploração de um Sistema de Janela Única
Electrónica para o Desembaraço Aduanei- 28 Hong Kong 1 60.000
ro das Mercadorias.c Total 219.310.485

Tabela 2. Investimento Aprovado por Província

Províncias Nº de Valores (US$) Emprego


Proj. IDE IDN Sup/Emp Total % Nº %

Cabo Delgado 1 38.000.000 4.000.000 54.000.000 96.000.000 26,36% 1.417 20,52%


Niassa 1 200.000 750.292 10.249.708 11.200.000 3,08% 160 2,32%
Nampula 4 6.700.000 4.520.000 11.220.000 3,08% 210 3,04%
Zambézia 1 2.500.000 500.000 2.000.000 5.000.000 1,37% 213 3,08%
Tete 2 1.005.000 120.904 483.618 1.609.522 0,44% 55 0,80%
Manica 4 3.013.980 1.567.335 150.000 4.731.315 1,30% 98 1,42%
Sofala 8 13.981.332 380.000 10.408.326 24.769.658 6,80% 732 10,60%
Inhambane 6 10.873.651 1.338.618 10.950.000 23.162.269 6,36% 294 4,26%
Gaza 9 69.441.322 77.211 4.525.275 74.043.808 20,33% 952 13,79%
Cidade de Maputo 29 29.170.401 5.926.393 21.742.095 56.838.889 15,61% 1.339 19,39%
Maputo 17 44.424.800 5.726.228 5.418.785 55.569.813 15,26% 1.435 20,78%
Total 82 219.310.486 20.386.981 124.447.807 364.145.274 100,00% 6.905 100,00%

novembro 2010 revista capital


64 ESTILOS DE VIDA

CinemArena escala distritos


minados com 20 mil euros
V
inte mil euros é o orçamento do
projecto CinemArena, fase mi-
nas-2010, um projecto desenvol-
vido pela Associação Moçambi-
cana de Cineastas (AMOCINE) que escala
algumas zonas rurais do país levando in-
formações relativas ao combate da proble-
mática destes engenhos no país, através do
cinema e do teatro.
O projecto financiado pela World Without
Mines, uma organização não governa-
mental suíça, decorreu a partir dos mea-
dos de Setembro até Outubro do presente
ano e compreendeu a projecção de filmes
nas províncias de Manica com 2.368.102
metros quadrados (m²) de área minada e
Inhambane com 3.193.358 m².
As projecções de filmes cuja temática são
as minas anti-pessoais poderão trazer um
novo ímpeto na disputa de espaço entre os
Mungari, no distrito de Guru (Manica), o Na ocasião, o realizador questionou a não
agricultores e as minas, na medida em que
referido montante marca uma diferença existência dos respectivos filmes de com-
grande parte das populações ainda possui
enorme na renda das respectivas famílias. bate à pobreza em Moçambique.
informação insuficiente sobre este proble-
Os mesmos, após o espectáculo, que in- Apesar do cinema não constituir priori-
ma. Um ‘ponto negro’ que ainda limita a
cluía uma das projecções do CinemArena, dade nas políticas de combate à pobreza,
dinâmica económica do país.
afirmaram que com o dinheiro recebido segundo a óptica dos cineastas, Humberto
Por outro lado, verifica-se, actualmente,
abria-se naquele momento a rara possibi- Notiço afirma que o CinemArena vem fa-
uma crescente preocupação das popula-
lidade de comprar açúcar, óleo ou mesmo zendo a sua parte e que a maior preocupa-
ções sobre a limitação que as minas repre-
arroz, que são alimentos difíceis de serem ção do organismo reside no retardamento
sentam nas suas actividades económicas,
obtidos em Mungari, uma localidade que da produção agrícola das populações. En-
na medida em que os engenhos explosivos
actualmente se debate com a seca. tretanto, o Executivo moçambicano pro-
já dizimaram grande parte do seu gado
A mencionada contribuição do cinema na jecta 2014 como o ano em que o País estará
além de terem impossibilitado a explora-
vida sócio-económica do país e o respec- finalmente livre de minas.
ção das zonas agrícolas. Enquanto as equi-
tivo impacto, reflecte em grande medida A Iniciativa CinemArena teve início em
pas de sapadores não chegam aos locais
o posicionamento do cineasta Sol de Car- 2002 sob a gestão da Cooperação Italiana,
minados, o projecto CinemArena faz a par-
valho que em fóruns anteriores terá afir- passando a partir de Novembro de 2009
te que lhe cabe: a da sensibilização sobre o
mado que o cinema poderia constituir um para a alçada da AMOCINE. No projecto
perigo nas referidas zonas. Zonas que até
instrumento eficaz no combate à pobreza “minas,”além da World Without Mines, a
2008 ocupavam uma área de 10.657.461
com apenas um por cento do Orçamento iniciativa conta com a parceria do Instituto
metros quadrados no País.
Geral do Estado (OGE). Mediante tal pers- Nacional de Desminagem e da própria Co-
A World Without Mines escolheu o Ci-
pectiva, dos 472 milhões de dólares que operação Italiana.
nemArena por reconhecer a capacidade
constituem o OGE, em 2010, caberia ao Sérgio Mabombo
deste organismo em levar a informação às
cinema um montante de 472 mil dólares.
zonas mais recônditas de Moçambique, as
quais registam uma média de mil especta-
dores por projecção. Situação prevalecente de minas até 2008
Humberto Notiço, coordenador do pro-
jecto, aponta a maior inserção possível Província/Distrito Estradas Uxos Áreas Minadas Área em m2
dos alvos no projecto, como a palavra de
ordem naquele organismo. Neste sentido, Tete (9 distritos) 11 18 19 918,589
por cada projecção os grupos de teatro dos Manica (9 distritos) 2 4 64 2,368,102
locais escolhidos têm a possibilidade de
Sofala (12 distritos) 4 2 80 2,267,376
cinema

dar o seu parecer através da apresentação


de um Sketch feito em língua local. Pelo Inhambane (12 distritos) 7 1 182 3,193,358
espectáculo, cada actor aufere um valor Gaza (9 distritos) 6 23 13 1,801,521
que varia entre 350 a 500 meticais, con- Maputo (8 distritos) 3 27 28 108,515
soante o número de elementos envolvidos Total (59 distritos) 33 75 386 10,657,461
na peça. Para os actores da localidade de
Fonte: IND
revista capital novembro 2010
ESTILOS DE VIDA 65

Marrabenta, um estilo de vida


M
arrabenta é uma mistura de ‘ela´ é uma expressão do quotidiano encar-

bem vindo aos seus ouvidos


sensações, entre a nostalgia e nado nos corpos cativos.
a melancolia que nos remete A marrabenta recebeu um grande “input”
aos idos anos 50, onde a imi- da música jazz que significava o espírito
gração para a terra do Rand, o trabalho de negritude, da “Kwela” da África do Sul,
na minas e a saudade de casa inspiraram pelo Swing e outros ritmos nativos da re-
grandes composições do folclórico da mú- gião que se unem numa singela harmonia.
sica moçambicana. Ela também recebeu uma grande influên-
Marrabenta é um convite a “arrebentar”, cia da música tradicional, mais concreta-
seja pelos passos de quem a dança, seja mente, da “Zucuta” e da “Magika” (ritmos
pelo dedilhar das cordas das guitarras em típicos da zona sul).
fantásticos solos, num explícito convite à Sem criadores e inventores ela é um pro-
explosão, deste ritmo tão nosso. duto de si mesma. Não é possível mencio-
Este género de música revela-se numa pon- nar nomes nem autores quando falamos
te entre diversas gerações que acabou por de Marrabenta, pois o espaço desta revista
quebrar barreiras linguísticas, culturais, não seria suficiente para citá-los a todos,
tribais, regionais. A Marrabenta tornou-se entre poetas, dançarinos, compositores e
abrangente e nacional. Aliás, o subúrbio cantores.
é a Marrabenta. Dias, noites, sábados e Se o leitor desejar ouvir uma boa marra-
domingos são caracterizados por grandes benta, oiça os Fanny Pfumo ou a Orquesta
concentrações de pessoas das mais varia- Marrabenta Star Moçambique. Duas gera-
das raças, credos e proveniências. ções distintas unidas pelos mesmos ritmos.
O acústico, o coro e a coreografia torna- Não perca!
ram-na mais do que um estilo musical, Osvaldo F. Inlamea, Sara L.Grosso

Assim, a diferença é igual


C
ertamente que muitos já experi-
mentaram comprar umas boas
sapatilhas da marca Adidas ou
Nike, para na hora de estrear a
novidade perceberem que, afinal de con-
tas, compraram as respectivas réplicas
“Adibas” ou “Mike.” No actual cenário da
subida do preço dos alimentos parece que
a moda tende a “pegar” na área dos alimen-
tos. A tabuleta da publicidade em questão
convida-nos a visitar um restaurante em
Manica, onde o comensal terá de soletrar
bem o menú antes de fazer o seu pedido.
Caso contrário, ao invés de se deliciar com
o conhecido esparguete pode ter em frente
fotolegenda

um parecidíssimo prato, o “espraquete”.


No caso de pedir a xima e lhe oferecerem
a cxima, nem vale a pena reclamar pois,
a pronúncia é a mesma. Os nomes destes
manjares são quase irmãos gémeos, o que
pode trazer uma discussão eterna. Na ópti-
ca dos promotores desta moda pedir espar-
guete ou espraquete; xima ou cxima; take
away ou tecawei é a mesmíssima coisa, ou
seja, neste caso “a diferença é igual.”

novembro 2010 revista capital


66 ESTILOS DE VIDA MODA

MODA na cidade das acácias


D
epois do sucesso da quinta edi- Lisa Van Zyl da África do Sul, Fred Costa sa cultura e o moderno que mostra a nos-
ção do Mozambique Fashion de Angola, Nicole Riva da Itália, Ricardo sa visão da moda e o desenvolvimento da
Week realizada no ano passado, Cruz de Portugal e Noel Martinez da Espa- mesma entre várias culturas.
eis que é chegada a vez da edi- nha. Associada ao maior evento de divulgação
ção de 2010, cuja cerimónia de lançamento Mais uma vez o padrão clássico do batique e promoção da moda e seus fazedores no
decorreu no dia 22 de Novembro corrente tornou-se o pano de fundo do evento, sob país esteve a componente responsabilida-
no Indy Village. várias formas de criação e de disposição de social, desta feita com a problemática
Decorrido na Cidade de Maputo, nos dias 6 misturando o glamour tradicional da nos- do cancro da mama como tema escolhido
e 11 de Dezembro, a sexta edição do MFW para análise, estudos e criação de facilida-
foi produzida pela DDB Moçambique, e des de tratamento, mostrando a importân-
mais uma vez, contou com a participação cia do bem-estar e conforto pessoal.
de estilistas e modelos nacionais e estran- Ainda no âmbito da luta contra o cancro, e
geiros. em parceria com o Gabinete da Esposa do
Á semelhança da edição passada, foi igual- Presidente da República, foi realizado um
mente destacada na presente edição a par- desfile de várias individualidades repre-
ticipação de 28 novos estilistas, habitual- sentantes de diferentes sectores culturais
mente designados de Young Designers. do nosso país. As mesmas que desfilaram
Apresentaram as suas colecções no MFW- com vestidos criados por estilistas estabe-
2010, 12 estilistas estabelecidos, 9 dos lecidos, trajes que foram posteriormente
quais Pan Africanos tais como Jackeline leiloados durante a semana de moda para
Kakesse do Congo, Nadir Tati e Carla Silva ajudar a Associação na Luta contra o Can-
de Angola, Frank Osodi da Nigéria, Mus- cro.
tafa Hassanali da Tanzania, Hendrik Ver- A arte e a cultura estiveram mais uma vez
meulen e Craig Jacobs da África do Sul e trabalhando em harmonia com os artistas
Chota Sulleman da Zâmbia, e cinco estilis- que se fizeram ao local dos desfiles mos-
tas internacionais sendo Angela Corsani e trando as várias artes que se podem encon-
Simone Mazulli italianos, Luiz de Laja do trar no nosso País, tais como o artesanato,
Brasil, Soraya Terán da Venezuela e da Ale- a pintura, gastronomia e a poesia.
manha Killian Kerner. Para animar os desfiles e a grande festa de
moda

Para além dos 52 modelos moçambicanos, moda na cidade das acácias, juntaram-se
passearam sua classe nas passarelas mo- aos grupos moçambicanos de canto e dan-
çambicanas modelos internacionais como ça, dois Djs vindos de Berlim, bem como
Adeola Ariyo da Nigéria, Abayomi Buys e artistas e músicos da nossa praça.

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68 ESTILOS DE VIDA

Cavalo de tróia nas rédeas de Titos


C
avalo de Tróia, exposição indi- transformando através da progressiva adi-
vidual de Titos Mabota, toma ção de um ou outro material recolhido nas
conta do Centro Cultural Franco ruas da cidade onde mora, acompanhando
Moçambicano e espaço circun- as mudanças do seu país.
dante de 26 de Outubro a 6 de Novembro. Fernando Agostinho Mabota (Titos Mabo-
Procurando precisamente sair do museu ta) nasceu em Maputo a 1963. Actualmen-
para a rua, a exposição, que integra várias te vive e trabalha nesta cidade. Revelando
instalações de esculturas de dimensões gi- interesse no mundo das artes desde muito
gantescas, não pode deixar de surpreender novo, começa a produzir por volta dos anos
quem visita o centro ou mesmo quem ape- 1990. Cavalo de Tróia é a sua quinta expo-
nas passa pela porta. sição individual, tendo já participado em
A marcar a entrada, em lugar destacado do inúmeras exposições colectivas, de entre as
jardim do Centro, a escultura que dá nome quais se destacam “100% África” no Museu
e cara à exposição - o Cavalo de Tróia, em Guggenheim, Bilbau e “África Remix”.
madeira e paus reutilizados. Na sua quinta
exposição individual, Titos expõe um uni-
verso de figuras lendárias e imaginárias Rita Neves
onde as noções de bem e mal são omnipre- Fundação PLMJ
galeria

sentes e outras que procuram dar voz à pre-


ocupação do artista com a reaproximação TITOS MABOTA
dos seres humanos. Diz-nos o artista que Exposição Individual
as suas esculturas, executadas ao longo de Centro Cultural Franco-Moçambicano
períodos de tempo bastante longos, vão-se 26 de Outubro a 6 de Novembro 2010

Vila Cacimba
e os objectivos do Milénio
N
o primeiro episódio da 2ª sé-
rie do programa “Príncipes do
Nada” na RTP, em conversa
com a enfermeira Laura, em
Tete, contaram-se várias histórias de uma
sociedade onde o SIDA invade a vida de
crianças e determina o seu futuro.
Catarina Furtado viajou até ao interior de
na boca do mundo

Moçambique e falou com protagonistas


de histórias de sobrevivência com poucos
meios, compensando as faltas com afectos.
O objectivo do programa é despertar os
espectadores para os Objectivos do Desen-
volvimento do Milénio, através dos relatos
de pessoas que dão a cara e das pessoas
que vivem os problemas. Aguardo os res-
tantes episódios onde se reconhece o mé-
rito de organizações e pessoas no terreno.
No dia 19 de Novembro sobe ao palco, em
Mangualde, no distrito de Viseu, a peça
“Vila Cacimba”, baseada na obra de Mia ba”. Uma produção do grupo de teatro Tri- Vou tentar arranjar tempo para lá ir...
Couto, “Venenos de Deus, Remédios do go Limpo Teatro ACERT, com encenação
Diabo. As incuráveis vidas de Vila Cacim- de Pompeu José. Rui Batista

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70 VISÃO

Empreendedorismo
em Moçambique
não se compadece com acções pontuais de há ainda possibilidade de os empresários
lucro fácil imediato que envolvem normal- portugueses aumentarem os seus negócios
mente a alienação de património empre- em Moçambique. Vale a pena incentivá-
sarial estruturante para o desenvolvimen- los. As relações políticas são boas, mas
to. A constituição de grupos empresariais precisam de ser alimentadas por investi-
familiares moçambicanos que possam ter mentos.
um papel relevante nos processos de priva- Em Moçambique o «ambiente» comercial
tização de unidades produtivas em sectores não é mau, e apesar dos grandes desafios
estruturantes – energia, telecomunicações, a enfrentar, como sejam, a luta contra a
cimentos, celuloses, siderurgia, transpor- burocracia ou a reforma do sector da jus-
tes, construção civil e imobiliário – e que tiça, não existem dúvidas de que o inves-
desenvolvam parcerias internacionais para timento estrangeiro desempenhará um
o desenvolvimento de projectos na área papel crucial na aceleração do processo
dos serviços – financeiros, tecnologias de de desenvolvimento empresarial e, neste
informação, media, turismo, etc. – é ur- âmbito, as empresas portuguesas poderão
gente e inadiável. Este processo que se ini- desempenhar um papel particular e muito
cia com as empresas familiares, é o modelo relevante.
típico de desenvolvimento de uma classe Mas os interesses de Moçambique só es-
empresarial autónoma que foi seguido pela tarão salvaguardados com a aplicação de
maioria dos países em vias de desenvolvi- um quadro legal claro deste investimento
mento com resultados animadores. estrangeiro e com uma distribuição equi-
Convém lembrar que Moçambique foi pio- librada entre empresários nacionais e es-
neiro nas relações com os países da bacia trangeiros nos sectores fulcrais da econo-
do Índico, assistindo-se actualmente ao mia. As alianças estratégicas entre grupos
crescente desenvolvimento dos investi- empresariais moçambicanos e portugueses
mentos asiáticos, nomeadamente india- poderão desempenhar um papel prepon-
nos e chineses. São os asiáticos que neste derante no desenvolvimento equilibrado
momento estão a investir no relançamento das relações empresariais entre os dois
da grande produção de açúcar em Moçam- países. Os próximos passos de alteração
bique. A Ásia apresenta-se hoje como um da especialização sectorial da economia
Maria Carlos [texto]
mercado alternativo aos mercados oci- moçambicana, actualmente baseada nos

O
dentais e, ao mesmo tempo, uma fonte de recursos naturais, para uma presença mais
desenvolvimento económico e investimento e financiamento para os pró- significativa na indústria transformadora e
empresarial de Moçambique prios projectos moçambicanos. A intensi- nos serviços, serão fundamentais na cria-
terá de ser realizado a partir dos ficação do comércio entre a África e a Ásia ção dos pilares de consolidação dos grupos
empresários moçambicanos. Por aumenta a importância dos portos da cos- empresariais moçambicanos.
muito que esta afirmação custe a alguns ta do Índico e Moçambique tem também Se os grupos empresariais portugueses
empresários portugueses com saudades aqui uma posição estratégica fundamental. estiverem atentos, com disponibilidade e
dos «velhos tempos» ou com uma esperan- Muitos países da região já importam pro- humildade intelectual para apreenderem
ça remota num novo neocolonialismo de dutos da Ásia. O Zimbabwe celebrou muito a realidade moçambicana e preparados
padrão português. Este é o grande desafio recentemente vários acordos com a China. do ponto de vista técnico e financeiro para
actual que Moçambique terá que vencer. Estas importações têm de passar pelos os desafios que se avizinham, poderão ter
Trinta anos depois da independência, as portos moçambicanos, razão bastante para um papel relevante neste processo. Caso
elites moçambicanas têm de se concentrar lembrar a extraordinária importância dos contrário assistiremos, como aconteceu no
na criação de riqueza através de uma classe corredores da Beira, de Nacala ou da linha Brasil, ao aumento da influência de grupos
empresarial sólida, diversificada, actuante do Oriente. empresariais de outros países europeus,
e competente. Só deste modo garantirão o Paradoxalmente, o último relatório do nomeadamente franceses, italianos e espa-
seu papel num grande país da África-Aus- Banco de Portugal indica uma queda dos nhóis. E é pena, porque Portugal não pode
tral dum modo global, ou seja, integrando investimentos directos portugueses em continuar a ser o país das oportunidades
as vertentes política, militar e económica. Moçambique. É verdade que Portugal se perdidas.
Mas este trabalho é árduo, longo e persis- encontra numa crise económica profunda, *) Maria Carlos é investigadora
tente. mas não é menos verdade que o que mais e advogada da sociedade Vasconcelos
Este caminho de afirmação empresarial importa é mudar a atitude e acreditar que Porto & Associados

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