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CERVICAL

ESPECIALIZAÇÃO CERVICAL

Cervical superior – sem disco, permite bastante rotação, flexão e extensão.

Cervical intermédia – movimentos complexos e amortecimento.

Cervical inferior – amortecimento e integração.

A principal responsabilidade é orientar os órgãos dos sensoriais no espaço, apresentando-os


sempre na posição mais vantajosa, independentemente de causar trauma ao fazê-lo.

É a área mais variada da coluna, permitindo que diferentes partes realizem diferentes
movimentos e diferentes funções.

Cervical superior desenhada para suportar a cabeça as vísceras e orientar os órgãos sensoriais,
não existindo disco nos segmentos O/A e A/A.

Cervical média preparada para movimentos complexos/coordenados e para amortecer os


grandes movimentos de torção de cima e movimentos variados a partir de baixo.

Cervical inferior permite a integração do ombro e da biomecânica torácica, permitindo


pequenos movimentos de deslizamento que vão diminuindo a amplitude de forma a
amortecer os movimentos que por aqui passam.

A coluna cervical em geral também suporta o viscerocrânio, permitindo que a grande


quantidade de tecido linfático nesta área drene.

Também suporta tecidos muito especializados que passam através do neurocrânio (medula
espinal) e viscerocrânio (faringe, laringe, traqueia, esófago).

As amplitudes de movimento são as seguintes:

O factor mais influente é a postura.

EX: uma postura de ombro rodado tende a aumentar a cifose dorsal e causar um aumento da
lordose cervical quando o paciente tenta orientar a cabeça para a sua posição normal.
A Cervical não depende só do tórax para a sua função normal, mas qualquer alteração abaixo
pode afectá-la se a compensação não for feita até chegar a esta zona.

Uma alteração na lordose lombar pode causar dores de cabeça devido ao uso excessivo dos
grupos musculares cervicais posteriores na extensão da coluna cervical, se a coluna torácica
não puder fazer a compensação necessária.

LIGAMENTOS DA CERVICAL

Ligamentos gerais da cervical

Atlas-Occipital

Atlas-Áxis

Áxis-Occipital

TESTE DE FLEXÃO CRÂNIO-CERVICAL

Teste para controlo neuromuscular.

1. Em disfunção do pescoço pode haver enfraquecimento dos flexores cervicais profundos


(longus colli, longus capitis, rectus capitis anterior e lateral).

2. Músculos mais superficiais (Escalenos e ECM) assumem funções dos profundos.

3. Em decúbito dorsal, paciente tenta acenar com a cabeça, suavemente e suster a posição por
vários segundos.

4. Observa-se a contração dos flexores cervicais superficiais nesta posição.

5. Nos pontos de inserção ou com esfigmomanómetro sob o pescoço é possível visualizar a


falta de força dos flexores profundos.

6. É uma ferramenta útil para o bio feedback ajudar o paciente reactivar esses músculos.
ÁREAS DE ESPECIALIZAÇÃO ESPECÍFICA

- O forâmen intravertebral abre em flexão e diminui em extensão.

- O canal cervical alonga em flexão e diminui em extensão.

- A dura-máter está inserida nos ligamentos denticulado para cada forâmen.

- Em flexão a dura-máter torna-se tensa e fina, na extensão dobra e encurta.

- Em rotação, o canal estreita-se por acção da dura-máter.

- A inclinação lateral acompanha a rotação e vice-versa.

- Os forâmenes fecham no mesmo lado da inclinação lateral e da rotação.

Na coluna normal, o grau de estreitamento não é suficiente para comprimir qualquer tecido no
forâmen.

ALTERAÇÕES ASSOCIADAS AO ENVELHECIMENTO NA CERVICAL

- Diminuição/perda da lordose;

- Fissuras nos discos estendem-se lateralmente para as articulações uncovertebrais (de Von
Luschka) e por baixo do LLP, podendo exercer pressão sobre a medula espinal e suas raízes,
particularmente se grandes osteófitos marginais também estiverem presentes.

- É comum a formação de osteófitos posteriores ao nível de C6-C7, podendo diminuir o


diâmetro A/P do canal e exercer pressão sobre a medula espinhal e raízes nervosas;

- Osteófitos anteriores associados a trauma (stress ligamentar na parte inferior da cervical);

- Discos abaixo de C3-C4 mostram altos níveis de degeneração (particularmente C5-C6,


seguidos por C6-C7, C4-C5). Raramente C3-C4. Quando vários discos estão envolvidos ocorrem
alterações gerais da coluna;

- Superfície anterior dos corpos tende a arredondar-se: a altura da coluna cervical pode ser
reduzida e a lordose diminuída ou mesmo rectificada;

- A degeneração nas articulações uncovertebrais (de Von Luschka) está intimamente


relacionada com a degeneração discal que afecta mais C5-C6;

- A degeneração das articulações facetarias pode progredir para subluxação com degeneração
discal avançada, podendo permitir invasão para a raiz nervosa, especialmente com osteófitos;

- Forâmen intravertebral comprometido pode geralmente mostrar envolvimento do disco,


articulações uncovertebrais e acetas em quase 80% dos casos;

- Maioria dos estreitamentos ocorrem nas articulações associadas com o ápex da lordose
cervical (C3-C4, C4-C5, C5-C6).
ALTERAÇÕES ASSOCIADAS AO ENVELHECIMENTO NA CERVICAL (continuação)

- De C3 a C7, o diâmetro médio é de 17mm. Compressão ocorre num estreitamento até 11mm
(embora 14mm ou menos seja visto como motivo de preocupação).

- Espondilose cervical geralmente causa redução no diâmetro A/P, se pronunciada, pode


causar mielopatia.

- Hérnia de disco cervical aguda tende a ser associada a um evento particular. Normalmente
ataca com dor severa e imobilização voluntária do pescoço.

- Se hérnia crónica, compressão da raiz nervosa e da medula tendem a desenvolver-se de


forma insidiosa, sem início específico. Na degeneração crónica tende a haver oscilação dos
sintomas.

- Podem ocorrer dormência ou déficit motor.

PADRÕES DE DOR REFERIDA NA CERVICAL

Inervação segmentar:

Simpático

Raiz ventral

Nervo sinovertebral

Raiz dorsal

Representação de dor somática referida:

- Dor referida e sensação de queimação por ramo meníngeo recorrente (LLP);

- Dor referida e sensibilidade através do gânglio simpático (LLA);

- Dor referida via ramo medial dos ramos dorsais (Facetas articulares – Von Luschka).

Qualquer estrutura com capacidade nociceptiva pode, teoricamente, causar dor referida;

Dor referida é descrita como “dor sentida numa parte do corpo diferente da sua fonte real”.

Devido a sinalização aberrante de uma parte do corpo, mal interpretada ao nível do corno
dorsal (ou acima), como proveniente de uma área corporal compartilhada (a nível
neurológico). Fenómeno conhecido como a teoria da dor referida.
Esclerótomo – Todo o tecido conjuntivo de origem músculo-esquelética origina-se aqui. Estes
tecidos têm um aporte nervoso sensorial/nociceptivo. Sempre que estes tecidos estão
irritados, a dor pode ser sentida a uma certa distância do local real da alteração.

Mapas de dor referida semelhantes os mapas de dermátomos, mas mais difusos e dolorosos.

Angiótomos – Partes do somito que vão formar o tecido vascular. Como a distribuição
nociceptiva dos membros é transportada por fibras simpáticas, os segmentos dos quais eles
provêm serão de D1 a L2.