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“Quem é EBOM deixa marcas”

RPG / REPOSTURARSE
REESTRUTURAÇÃO POSTURAL SENSOPERCEPTIVA
MÓDULO IV

Rua Palmira, 26 – Serra


Belo Horizonte – MG
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Tel: (0xx31) 3227-1662
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“É muito difícil manter uma postura, a menos que tenhamos ajuda sensorial que aumente
nossa orientação em relação ao corpo”

Paul Schilder

Professora Laís Cristina Almeida


 Graduação em Fisioterapia pela FCMMG
 Graduação em Psicologia pela UFMG
 Osteopata (DO) pela EBOM
 Mestranda em Ciências do Desporto pela
Universidade de Trás-os-Montes (Portugal)
 Docente do curso de Fisioterapia – FCMMG
(1981/1998)
 Docente da Pós Graduação do CPG da FCMMG
 Pioneira em RPG em Minas Gerais
 Coordenadora do Curso de Pós-Graduação Lato
Sensu em RPG/REPOSTURARSE junto ao CPG
- Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da
FCMMG
 Fundadora, Diretora e Coordenadora Científica
da EBOM
 Membro da WOHO – World Osteopathic
Health Organization
 Reeducation Postural Globale (RPG) – França
 Cranio Sacral – Therapy Upledger Institute
 Morfo Anáyse et Rejustament Postural – França
 Manual Therapy – Fundação Marcel Bienfait –
Itália
 Cadeias Musculares – Léopold Busquet – Belo Horizonte
 Pilates Contemporâneo - BH
 Fundadora e Responsável pelo Serviço de Fisioterapia da Clinica CIPOS – Centro
Internacional de Postura e Osteopatia BH
 Autora dos Livros
O Tiro da Bruxa - Postura Correta Corpo Saudável. São Paulo: Editora Saraiva, 2004.
Reeducação Postural Sensoperceptiva – Fundamentos Teóricos e Práticos. Rio de Janeiro:
Editora Med Book, 2006.
 Colaboradora do livro: Baracho, Elza. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia, Uroginecologia e
Aspectos de Mastologia. Rio de Janeiro: Edit. Guanabara Koogan, 2006:
Cap. 3 – Adaptações do Sistema Músculo Esquelético e suas Implicações
Cap. 15 - A Reestruturação Sensoperceptiva e a Osteopatia Aplicada á Obstetrícia

EDITORAÇÃO E REVISÃO
Mestre PRISCILA ALBUQUERQUE DE ARAÚJO
REVISÃO E ATUALIZAÇÃO
Ft. PAULA FERNANDA DE SOUSA SILVA
Ft. MATHEUS DE ALMEIDA E SILVA

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SUMÁRIO

I. DIAFRAGMA 4
II. BIOMECÂNICA DA INSPIRAÇÃO 10
III. MANOBRAS PARA CORREÇÃO DA CADEIA 12
MIOFASCIAL INSPIRATÓRIA
IV. CINTURA ESCAPULAR 15
V. TÉCNICAS SENSOPERCEPTIVAS PARA A 23
CINTURA ESCAPULAR
VI. TÉCNICAS OSTEOPÁTICAS E OUTRAS
MANOBRAS PARA A CINTURA ESCAPULAR 29
VII. SÍNDROME DO DESFILADEIRO CERVICO- 34
TORÁCICO
VIII. TÉCNICAS PARA SÍNDROME DE COMPRESSÃO
CERVICOTORÁCICA 40
IX. AUTO-POSTURAS 42
X. POSTURAS GLOBAIS 46

1) Postura “ASA DELTA” 46


2) Postura “DE PÉ NA PAREDE” 50

REFERÊNCIAS 53

3
I. DIAFRAGMA

1. Anatomia e Biomecânica

De acordo com DÂNGELO E FATTINI (2007), o diafragma


é um músculo ímpar, em forma de abóbada, de concavidade
inferior, que separa o tórax do abdome. Possui uma porção
periférica e muscular, que se insere no tórax e no abdome,
constituída de finos músculos digástricos, cujos tendões formam a
outra porção, central e tendinosa, o centro frênico.

Abóbada
diafragmática

FIGURA 1: Músculo diafragma


Fonte: CALAIS-GERMAIN, 1992. (Acréscimo de diagramas para fins didáticos).

A) Divisão
SOUCHARD (1989) afirma que o diafragma pode ser dividido de acordo com suas
inter-relações em:
1. Porção Vertebral – fixa-se às vértebras lombares mediante pilares bilaterais:
Pilar D: Insere-se sobre L1-L2 e L2-L3 (ocasionalmente, L3-L4)
Pilar E: Insere-se sobre L1-L2 e L2-L3

4
FIGURA 2: Os pilares do músculo diafragma
Fonte: SOUCHARD, 1989.

1.1. Elementos da porção vertebral do diafragma (SOUCHARD, 1989)


 Orifício aórtico
 Orifício esofágico
 Ligamento arqueado medial (arcada do músculo psoas maior) – une
a face lateral do corpo de L2 ao processo costiforme de L1
 Ligamento arqueado lateral (arcada do músculo quadrado lombar) –
une o processo costiforme de L1 à 12ª costela
As fibras musculares originadas nas arcadas inserem-se sobre as porções
laterais e posteriores do centro tendíneo.

2. Porção costal - Compreende toda a região lateral do diafragma. Origina-se na


face interna das últimas costelas e sobre as arcadas aponeuróticas que unem os ápices
da 10ª, 11ª e 12ª costelas (Arcadas de Sénac). As fibras musculares terminam sobre os
bordos laterais dos folículos laterais e anteriores do centro tendíneo (SOUCHARD,
1989).

3. Porção esternal - Proveniente da face posterior do apêndice xifóide, esta


porção termina sobre a porção média do folículo anterior (SOUCHARD, 1989).

5
B) Centro Frênico
O centro frênico ocupa a porção central do diafragma. É formado pelo cruzamento
dos tendões mediais dos músculos digástricos. Apresenta três folículos: o anterior, o direito e
o esquerdo (SOUCHARD, 1989).

FIGURA 3: Elementos diafragmáticos


Fonte: www.anatomiahumana.ucv.cl/.../fotos1/frenico.jpg

C) Orifícios
De acordo com SOUCHARD (1989), o diafragma possui orifícios que dão passagem a
estruturas vasculares, nervosas e ao esôfago:
 Orifício aórtico: osteofibroso, estende-se até a 12ª vértebra torácica, permite a
passagem da artéria aorta e adere-se a sua porção anterior.
 Orifício esofágico: unicamente muscular, situado no nível de T10, dá passagem
aos nervos pneumogástricos, além do esôfago, ao qual se adere.

6
 Orifício da veia cava: atravessa o centro frênico, na união entre o folículo
anterior e o folículo direito.

D) Posição
Em posição ortostática e em repouso, a cúpula diafragmática direita geralmente
projeta-se ao nível do 4º espaço intercostal e, à esquerda, ao 5º espaço intercostal
(SOUCHARD, 1989).

E) Sistema suspensor
A aponeurose cervical profunda ou pré-vertebral continua-se na região torácica
através do espessamento posterior da fáscia endocárdica aderida à coluna até o nível de T3-
T4. Abaixo desse nível, esta estrutura afasta-se da coluna. A bainha visceral que se
transforma na fáscia periesofagiana tem a mesma direção, sendo que esta última continua até
os pulmões. A continuação dessas fáscias em todas as expansões pericárdicas se dá pelo saco
fibroso pericárdico. Na região cérvico-torácica encontra-se uma cadeia fascial muito sólida,
prosseguindo pelos pilares diafragmáticos até as vértebras lombares, fáscia ilíaca e daí para
os membros inferiores (SOUCHARD, 1989).

F) Inervação
O suprimento nervoso (parte motora e sensitiva proprioceptiva) do diafragma é feito
através dos nervos frênicos (C3, C4 e C5), estes situam-se atrás da fáscia pré-vertebral,
passam na borda lateral do músculo escaleno anterior e percorrem verticalmente em direção
inferior através da parte anterior deste músculo cobertos pela veia jugular e pelo
esternocleidomastóideo. Esse complexo nervoso apresenta ramificações para o pericárdio,
pleura mediastinal e porção central da pleura diafragmática, e cada um se divide em três a
cinco ramos adicionais. O ramo mais posterior de cada lado perfura o diafragma (o ramo
posterior direito atravessa o orifício da veia cava) e inerva os pilares. Todos os outros ramos
perfuram o diafragma e distribuem-se abaixo dele. O sistema simpático tem um papel
vasomotor e uma ação sobre o tônus muscular, assim como os quatro ou cinco últimos
nervos intercostais (SOUCHARD, 1989).

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G) Vascularização
Plano arterial:
 Artéria mediastinal posterior – ramo da aorta torácica – supre os pilares
 Artéria diafragmática superior – ramo da artéria mamária interna
 Artéria diafragmática inferior – ramo da aorta abdominal
 Ramos da artéria músculo-frênica
 Artérias vindas das quatro últimas intercostais.
O sistema venoso é anexo ao sistema arterial e termina na veia cava inferior e nas
veias mamárias internas. No plano linfático, o tronco torácico se anastomosa com o tronco
abdominal, e inúmeros coletores estão implantados em torno da base do pericárdio e
terminam nos gânglios mediastinais.
(SOUCHARD, 1989)

H) Inter-relações
Face Superior
Coração, pulmões, ligamentos frenopericárdicos.
Face inferior
Fígado – através do ligamento falciforme e triangular
Estômago – ligamento gastrofrênico
Baço – ligamento freno-esplênico
Posteriormente, o diafragma corresponde às supra-renais, ao pâncreas e à
extremidade superior dos rins.

(SOUCHARD, 1989)

Cadeia miofascial inspiratória


 Escalenos

 Esternocleidomastóideo

 Peitoral menor

 Intercostais internos e externos

 Sistema suspensor do diafragma e das vísceras

 Diafragma

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O encurtamento da cadeia inspiratória pode provocar:
 Bloqueio inspiratório alto = retificação cervical e retificação torácica

- Sinergia entre escalenos e longo do pescoço


Principais músculos envolvidos
- Esternocleidomastóideo
- Escalenos
- Peitoral menor
- Intercostais
 Bloqueio inspiratório baixo = lordose diafragmática

Principais músculos envolvidos


- Diafragma
- Intercostais

FOTO 1: Antes e após alongamento da cadeia inspiratória, especificamente do bloqueio baixo


Fonte: Curso RPG Reposturarse, 2010.

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 Bloqueio inspiratório alto e baixo = retificação torácica e lordose

diafragmática alta
 Outros desequilíbrios

- Aileron de Sigaud – orelhas de Sigaud. Apoio precoce sobre o


centro frênico: tensão interna abdominal, hipertonia muscular abdominal e
aumento do conteúdo abdominal.
- Fechamento do “V” costal – cifose torácica baixa (cadeia
cruzada anterior)
- Abertura do “V” costal – lordose total (cadeia cruzada
posterior)

II. BIOMECÂNICA DA INSPIRAÇÃO

Respiração de pequena amplitude


 Esse tipo de respiração é realizado unicamente pelo diafragma.
 Se a fáscia cérvico-tóraco-diafragmática está relaxada, o centro frênico abaixa-se de
1,5 a 3 cm.

Respiração de média amplitude


 O centro frênico abaixa-se e traciona a fáscia cérvico-tóraco-diafragmática.
 As seis últimas costelas se elevam lateralmente (principalmente).
 Pode-se constatar uma certa atividade dos músculos intercostais e escalenos.

Respiração de grande amplitude


 Neste caso, há contração do diafragma e dos músculos inspiratórios acessórios.
 A contração das fibras abaixa o centro frênico em aproximadamente 5 cm.

Inspiradores Acessórios
Inspiradores Nucais

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1. Esternocleidomastóideo - eleva o esterno e a parte esternal da clavícula
2. Escalenos - Quando suas inserções cervicais são o ponto fixo estes
músculos elevam a primeira e a segunda costela
3. Trapézio Superior – Eleva as escápulas e ombros
MOTTER (2005)
4. Subclávio – SOUCHARD (1989).
Inspiradores Escapulares
1. Peitoral menor - constitui, juntamente com o serrátil anterior, um
dos músculos inspiratórios mais potentes. Eleva a 3ª, a 4ª e a 5ª
costelas.
2. Peitoral maior – porção superior – age como suspensor do braço.
Desempenha um papel menor em relação à musculatura
inspiratória acessória. As fibras inferiores elevam as costelas com o
braço fixado em abdução.
3. Elevador da escápula – eleva as escápulas e ombros
4. Rombóides e serrátil anterior - (principalmente as fibras inferiores) -
ligam as dez últimas costelas à coluna vertebral cérvico-torácica,
funcionando as escápulas então como ossos sesamóides.
5. Grande dorsal – eleva as quatro últimas costelas quando o membro
superior está fixo.
MOTTER (2005)
6. Trapézio médio – estabilizador escapular

(SOUCHARD, 1989)
Inspiradores Espinhais
1. Transverso espinhal
2. Dorsal longo
3. Iliocostal
4. Espinhal do tórax
SOUCHARD (1989)

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III. MANOBRAS PARA CORREÇÃO DA CADEIA MIOFASCIAL
INSPIRATÓRIA

1) Propriocepção da Respiração (ALMEIDA, 2006)

Ver apostila 1 preparação de postura “Rã no chão”.

2) Manobra diafragmática baixa (ALMEIDA, 2006)

 Objetivos: trabalhar bloqueio inspiratório baixo


 Ação: penetrar, com as polpas dos polegares, sob os
bordos inferiores das últimas costelas, desde o processo
xifóide até a ponta da 12ª costela. Essa manobra é realizada
durante a expiração, de forma progressiva, e de acordo com a
capacidade tecidual de ceder à pressão manual.

FOTO 2: Manobra diafragmática baixa


Fonte: ALMEIDA, 2006.

3) Manobra sobre o arco costal (ALMEIDA, 2006)

 Objetivos: trabalhar bloqueio inspiratório baixo


e fechamento de “V” costal
 Ação: pressionar suave e progressivamente,
durante a expiração, desde as costelas inferiores até o
umbigo, ganhando sempre no abaixamento das costelas.
Pode acompanhar vibração suave.

FOTO 3: Manobra sobre o arco costal


Fonte: ALMEIDA, 2006.

4) Manobra de ampliação interescapular – recriação da cifose (ALMEIDA, 2006)


 Objetivo: trabalhar bloqueio alto e, simultaneamente, recriar a cifose torácica.
 Paciente: Em decúbito dorsal, com os joelhos flexionados e os pés apoiados no
chão.

12
 Ação
- Encaixar as escápulas e elevar os membros superiores estendidos até 80º de
antepulsão.
- Manter as mãos abertas, com as pontas dos dedos apontando para o teto e
conserve os cotovelos estendidos e desbloqueados.
- Tirar progressivamente as escápulas do chão, abrindo o espaço
interescapular.
- Expirar profundamente, para ajudar a ampliar o espaço interescapular e a
recriar a cifose.

5) Manobra para abertura das últimas costelas (ALMEIDA, 2006)


 Objetivo: trabalhar o fechamento do “V” costal e liberação do diafragma.
 Paciente: em decúbito dorsal com os membros inferiores flexionados
 Fisioterapeuta: ipsilateral ao segmento a ser tratado com as mãos sobrepostas à borda das
últimas costelas.
 Ação: pressionar medialmente as costelas para
relaxar os tecidos abdominais. Penetrar
suavemente debaixo das costelas através do
abdome, então realiza-se uma abertura e, após,
um deslizamento lateral.

FOTO 4: Manobra para abertura das últimas costelas


Fonte: ALMEIDA, 2006.

6) Respiração paradoxal (ALMEIDA, 2006)

 Objetivo: trabalhar o bloqueio respiratório alto, fechamento de “V” costal e rigidez


abdominal.
 Expirar ampliando o abdomem de forma relaxada

7) Isometria abdominal: reto, oblíquos e transverso abdominal (ALMEIDA,


2006)

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 Objetivo: trabalhar bloqueio alto e baixo, abertura do “V” costal, e períneo. Trabalhar
os músculos abdominais
 Paciente: em decúbito dorsal com os membros inferiores flexionados e os pés apoiados
no chão.
 Ação
- Solicitar expiração com intenção de deprimir o esterno e as costelas para
trabalhar os músculos retos abdominais, mantendo a depressão
- Fechar o ângulo costal para trabalhar o músculo oblíquo e mantê-lo
fechado
- Solicitar contração de abdominal e períneo, sem tirar o sacro do chão –
trabalhando o músculo transverso
- Solicitar algumas expirações, ganhando em abaixamento do esterno e das
costelas, fechando o ângulo costal e puxando levemente o púbis para cima,
tomando cuidado de não tirar o sacro do chão

8) Auto posturas respiratórias em decúbito dorsal (ALMEIDA, 2006)


a) Autopostura para liberar bloqueio alto
Ação
- Mãos no alto do tórax
- Expirar prolongadamente com propriocepção
b) Autopostura para liberar bloqueio baixo
Ação
- Mãos sobre as costelas baixas
- Expirar prolongadamente com propriocepção
c) Autopostura para liberar bloqueio alto e baixo
Ação
- Uma mão na parte alto do tórax e outra sobre as últimas costelas
- Expirar prolongadamente com propriocepção
d) Autopostura com respiração paradoxal
Ação
- Uma mão na parte alta do tórax e outra sobre o abdômen

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- Expirar com propriocepção estufando o abdômen, que deve ficar
relaxado
e) Auto-postura para fechamento do V costal
Ação
- Mãos obliquamente de cada lado das últimas costelas
- Expirar prolongadamente com proprieocepção das mãos em
direção ao umbigo.
f) Auto-postura para abertura do “V” costal
Ação
- Mãos obliquamente de cada lado das últimas costelas
- Expirar afastando suavemente as mãos para dar propriocepção de
abertura

IV. CINTURA ESCAPULAR

1. Generalidades
A cintura escapular é formada pelos ossos úmero, clavícula e escápula, os quais se
agrupam formando as articulações escápulo-umeral, acromioclavicular e esternoclavicular.
Nesse segmento, podem-se definir ainda duas regiões: I) Conjunto escápulo-torácico e II)
Conjunto escápulo-umeral (CALAIS-GERMAIN, 2010).

Conjunto
escápuloumeral Conjunto
escápulotorácico

FIGURA 4: Cintura escapular e articulação escápulo-umeral

15
Fonte: CALAIS-GERMAIN, 1992. (Acréscimo de diagramas para fins didáticos).

A cintura escapular une os Membros Superiores (MMSS) ao tórax, proporcionando


amplas possibilidades de movimento aos mesmos e estabilizando o braço nas atividades de
força. Quanto à mobilidade, o ombro possui três graus de liberdade, o que lhe permite
orientar o membro superior em relação aos três planos no espaço, graças a três eixos
principais (CALAIS-GERMAIN, 2010):
 Eixo horizontal - plano sagital – movimentos de flexão e extensão.
 Eixo ântero-posterior - plano frontal ou coronal – abdução e adução.
 Eixo vertical – plano horizontal – adução e abdução horizontal, com o membro
superior a 90º de flexão anterior.
 Eixo longitudinal – plano transversal – rotações externa e interna.

2. Anatomia e Biomecânica

2.1. Conjunto ósseo

Clavícula
Segundo CALAIS-GERMAIN (2010), a clavícula é um osso curto, cilíndrico, em forma de
„S’ , sendo parte constituinte da articulação esternoclavicular. Esta é uma articulação sinovial
“em sela” que permite movimentos nos três eixos. Nesse sentido, a clavícula realiza
movimentos de:
 Rotação anterior e posterior – rotação sobre seu eixo
 Antepulsão e retropulsão
 Elevação e depressão

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3
A
2 1 Extremidade esternal
4
1 2 Corpo da clavícula
3 Tubérculo conóide
4 Extremidade acromial
5 Face articular esternal
11 6 Extremidade esternal
6 7 Impressão do ligamento
costococlavicular
8 Forame nutrício
5 8 9 Sulco do músculo subclávio
10 10 Linha trapezóide
7
9 11 Face articular acromial
B

FIGURA 5: Clavícula: A – Vista anterior; B – vista posterior.


Fonte: http://anatomiaradiologia.zip.net/arch2004-07-11_2004-07-17.html

Escápula (CALAIS-GERMAIN, 2010; DÃNGELO E FATTINI, 2007)


A escápula é um osso plano e triangular que pode ser visto através de três abordagens
anatômicas distintas: faces dorsal e costal; ângulos lateral, superior e inferior e bordas
superior, lateral e medial. Dentre os vários acidentes anatômicos, destacam-se:
 Cavidade glenóide – articula-se com o úmero
 Processo coracóide
 Espinha da escápula - delimita as fossas supra-espinhal e infra-espinhal
 Acrômio – articula-se com a clavícula

17
Esc
Escápula - Vista Posterior
ápula - Vista Anterior

A B

F
Escápula - Vista Lateral

FIGURA 6: Escápula: A – Vista anterior; B – Vista posterior; C – Vista lateral.


Fonte: www.auladeanatomia.com/osteologia/escapula2.jpg

A articulação acromioclavicular, que une a escápula à clavícula, permite, sobretudo,


movimentos de deslizamento, abertura e fechamento do ângulo formado por esses dois
ossos. A cápsula articular é frouxa, sendo assim o sistema ligamentar dá maior sustentação à
articulação:
 Ligamentos acromioclaviculares, superior e inferior

18
 Ligamento conóide – limita a abertura do ângulo formado pelos dois ossos
 Ligamento trapezóide – limita o fechamento desse mesmo ângulo
(CALAIS-GERMAIN, 2010)

Ligamento
acromioclavicular

FIGURA 7: Anatomia articular do ombro


Fonte: www.sogab.com.br/anatomia/ombro1.jpg (Acréscimo de diagramas com fins didáticos).

Úmero
É o osso longo da cintura escapular, sendo dividido em três partes:
 Extremidade proximal, onde estão:
o Tubérculo maior
o Tubérculo menor – entre os dois tubérculos encontra-se o sulco
bicipital
o Cabeça do úmero – superfície articular esferóide
 Corpo
 Extremidade distal – articula-se com a ulna e o rádio

19
A B

FIGURA 8: Úmero: A – Vista anterior; B – Vista posterior.


Fonte: www.auladeanatomia.com/osteologia/escapula2.jpg

2.2. Conjunto articular (CALAIS-GERMAIN, 2010; DÂNGELO E FATTINI, 2007)


Articulação Glenoumeral

A articulação glenoumeral une a cavidade glenóide da escápula à cabeça umeral. Esta


se orienta medialmente, para cima e para trás, enquanto a cavidade glenóide, ou glena, tem
forma oval e se orienta lateralmente, para frente e um pouco para cima.
A superfície da cabeça umeral é duas a três vezes mais extensa que a da cavidade
glenóide, o que é compensado pela presença de um anel de fibrocartilagem responsável por
aumentar a superfície de contato articular.
A cápsula articular fixa-se ao redor do colo umeral, engloba o tendão da porção longa
do bíceps e adere-se ao redor da cavidade glenóide, há ainda fixação superiormente no
processo coracóide. A cápsula é reforçada pelo conjunto ligamentar (ver FIGURA 4):
- Superior – ligamento coracoumeral – mais potente
- Anterior – ligamentos glenoumerais superior, médio e inferior.
O conjunto capsuloligamentar não é muito forte, o que torna a articulação
glenoumeral mais susceptível a luxações, especialmente às ântero-mediais. Dessa forma, a
estabilização articular é fornecida fundamentalmente por músculos profundos que formam

20
ao redor da articulação um manguito chamado de “bainha rotatória” ou “manguito rotador”,
são eles os músculos supra-espinhoso, infra-espinhoso, redondo menor e subescapular.

Tubérculo
maior do
úmero
Tubérculo
menor do
úmero

FIGURA 9: Manguito rotador


Fonte: Disponível em: http://shiatsuvital.blogspot.com/2009/01/tendinitis-hombro.html. (Acréscimo de
diagramas para fins didáticos). Acessado em: 5 de abril de 2010.

Os movimentos globais do ombro são de dois tipos:


I) Ombro sobre o tórax (não possuem medidas confiáveis)
 Elevação escapular  Adução escapular
 Depressão escapular  Báscula medial
 Abdução escapular  Báscula lateral
II) Braço
 Flexão anterior (ou antepulsão) – 0 a 180º
 Extensão – 0 a 45º
 Abdução (ABD) – 0 a 180º
 Adução (ADD) - sempre é acompanhada de flexão ou extensão devido
à presença do tórax que limita o movimento puro
 Adução horizontal – 0 a 40º (arco de movimento de 130º)
 Abdução horizontal – 0 a 90º (arco de movimento de 130º)

21
 Rotação externa – 0 a 60-90º
 Rotação interna – 0 a 45-90º

FIGURA 10: Movimentos da cintura escapular e articulação escápulo-umeral


Fonte: CALAIS-GERMAIN, 1992.

2.3. Conjunto muscular (CALAIS-GERMAIN, 2010)


A rede muscular que atua no ombro é essencial para o funcionamento sincrônico e
eficiente das articulações envolvidas na cintura escapular. Os músculos apresentam fixações
em numerosos ossos, podendo ser agrupados, de acordo com suas origens e inserções, em
músculos:
 Escapuloumerais: subescapular, redondo maior, redondo menor, infra-
espinhoso, supra-espinhoso, coracobraquial e deltóide.
 Escápulo-radial e escápulo-ulnar: bíceps e tríceps braquial.

22
 Áxio-escapulares: trapézio, grande dorsal, serrátil anterior, rombóides,
peitoral menor e elevador da escápula.
 Áxio-umerais: grande dorsal e peitoral maior.

Evidências científicas

ARTIGO 1) Alterações posturais da cintura escapular em pacientes mastectomizadas após


um ano de cirurgia. Duarte, C.M.A. Revista digital EBOM.

ARTIGO 2) Alterações posturais da cintura escapular e tronco em nadadores da categoria


juvenil. Campos, V.C. Revista digital EBOM.

ARTIGO 3) A reeducação postural global e sensoperceptiva como recurso terapêutico no


pós-cirúrgico de síndrome do impacto do ombro. Soares, L.K.G. Revista digital EBOM.

V. TÉCNICAS SENSOPERCEPTIVAS PARA A CINTURA


ESCAPULAR

1) Sensopercepção das escápulas e clavículas (ALMEIDA, 2006)


 Objetivos
- Trabalhar tensões musculares
- Mobilizar cintura escapular
- Regular tônus
- Despertar percepção de encaixe da cintura escapular na postura
 Posicionamento
- Em duplas: paciente/terapeuta
- Paciente senta-se sobre os ísquios, diretamente no chão, banco ou rolinho
de areia
- Fisioterapeuta: atrás do paciente
 Manobra

23
- Fisioterapeuta toca, primeiramente, a clavícula e o acrômio
- Segue-se a linha da espinha da escápula e contornam-se todas as bordas
escapulares e a musculatura envolvida
- Faz-se um trabalho de descolamento da escápula
- Sem desfazer o contato manual com o paciente, o fisioterapeuta
empalma as escápulas com as duas mãos firme e suavemente
- Fisioterapeuta inicia movimentos em todas as direções com as escápulas,
e o paciente segue esses movimentos
- A respiração deve ser livre, solta, principalmente na expiração. Não há
tempo respiratório determinado
- Lentamente, retiram-se as mãos das escápulas e percebem-se as
sensações
- Mudança de controle dos movimentos: o paciente determina a
movimentação das escápulas e o fisioterapeuta o segue
- Após o trabalho, discutir sobre as facilidades e dificuldades do contato, a
manualidade e a percepção do movimento
- Trocar as funções fisioterapeuta/paciente

2) Alongamento do músculo trapézio superior e membro superior em DD


 Posicionamento: Em decúbito dorsal, com os joelhos flexionados e os pés apoiados,
observando a linha média, buscando simetria e alinhamento corporal
 Manobra:
- Encaixar as escápulas e separar os braços do corpo a 45º, com as palmas das mãos
voltadas para cima
- Inspiração curta e nasal, expiração oral e
longa
- Colocar o braço direito ao longo do corpo,
com o antebraço em pronação, segurando a
bola
FOTO 5: Alongamento de trapézio superior e ms usando bola de
tênis
Fonte: ALMEIDA, 2006.

24
- Levar a bola da palma da mão até a ponta dos dedos, empurrando-a suavemente
em direção ao pé, mantendo escápula, ombro e cotovelo apoiados no chão
- Manter alongamento por 10 segundos
- Retornar suavemente a bola para a palma da mão
- Apoiando-se no cotovelo, colocar o antebraço na direção vertical em 90º de flexão
do cotovelo
- Fazer uma extensão de punho e dedos, conservando a bola no côncavo da mão,
com o polegar apontando para o rosto, tornando a palma da mão um “ninho” para
a bola
- Observar e comprar os dois lados do corpo,
especialmente escápula, membros superiores,
pescoço e rosto
 Repetições: seis a dez vezes

FOTO 6: Alongamento de membro superior


Fonte: ALMEIDA, 2006.

3) Alternando “Castiçal” e “Alça de Bule” (ALMEIDA, 2006)


 Posicionamento: Em decúbito dorsal, com os joelhos flexionados e os pés apoiados
 Manobra
- Encaixar as escápulas
- Colocar os braços em forma de castiçal, tentando manter o contato do
antebraço, dorso do punho, mão e dedos com a superfície
- Posicionar a região cervical de forma fisiológica
- Tendo o cotovelo com o pivô, passar a posição de “castiçal” para a posição
de “alça de bule”, com as pontas dos dedos tocando a pelve
- Passar de uma posição à outra, mantendo-se em cada uma por alguns
segundos
- Finalizar percebendo as sensações

25
A B

FOTO 7: (A) Posição de castiçal; (B) Posição alça de bule


Fonte: ALMEIDA, 2006.
- Em caso de limitação, não forçar. Ganhar progressivamente, sem realizar
compensações em outras partes do corpo, mantendo as escápulas apoiadas e
expirando profundamente

4) Pressão e descolamento das escápulas (ALMEIDA, 2006)


 Posicionamento: Em decúbito dorsal, com os joelhos flexionados e os pés apoiados
 Manobra
- Encaixar as escápulas e eleve os membros superiores estendidos até 80º de
antepulsão
- Manter as mãos abertas e a ponta dos dedos apontando para o teto
- Manter cotovelos estendidos e desbloqueados
- Tirar progressivamente as escápulas do chão, ampliando o espaço
interescapular
- Expirar profundamente aproximadamente três vezes para ampliar esse
espaço
- Mantendo os membros superiores estendidos, recolocar as escápulas no chão,
pressionando-as contra a superfície
 Repetição: seis vezes

26
FOTO 8: Pressão e deslocamento da escápula
Fonte: ALMEIDA, 2006.

6) Alongamento de trapézio superior e do membro superior de pé (ALMEIDA,


2006)

 Posicionamento: De pé, com os pés paralelos e os membros superiores ao longo do


corpo
 Manobra
- Mantendo o antebraço direito em posição neutra
- Realizar uma flexão lateral da cabeça e do pescoço para a esquerda
- Inclinar a cabeça para a esquerda, alongando o membro superior ipsilateral
- Direcionar as pontas dos dedos para o chão
- Expirar profundamente algumas vezes
- Perceber os dois lados, relacionando-os

FOTO 9: Alongamento do trapézio superior e do membro superior em posição ortostática


Fonte: ALMEIDA, 2006.

27
8) Trabalho em Oito com as Articulações do Membro Superior (ALMEIDA,
2006)
 Posicionamento: em pé
 Manobra
- Iniciar com o lado direito
- Realizar um movimento em oito, inicialmente com os dedos
- Sucessivamente, vai-se acrescentando o punho, o cotovelo e o ombro
- Inicia-se com pequenos movimentos, ampliando-os
- Ao chegar no ombro, solta-se o membro superior, para realizar-se,
progressivamente, uma amplitude maior
- Pode-se acrescentar o oito com o tronco, a pelve, os membros inferiores e os
pés
- Todo o corpo realiza o movimento em oito
- Finaliza-se parando sucessivamente o movimento em oito no sentido inverso,
até chegar nos dedos
- Perceber as sensações
- Repetir com o outro lado

9) Balanço passivo dos Membros Superiores (ALMEIDA, 2006)


 Posicionamento: De pé, com os pés paralelos e os membros superiores ao longo do
corpo
 Manobra
- Elevar o membro superior em antepulsão, inspirando
- Deixe-o cair passivamente na expiração
- Perceber as sensações que foram despertadas e compare com o outro lado
- Faça o outro lado
- Finalize fazendo os dois lados ao mesmo tempo, o mesmo número de vezes
- Perceba novamente as sensações despertadas
 Repetição: seis vezes

28
VI. TÉCNICAS OSTEOPÁTICAS E OUTRAS MANOBRAS PARA A
CINTURA ESCAPULAR

1) Encaixe escapular 1 (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: Em decúbito dorsal
 Fisioterapeuta: Sentado à cabeceira da mesa
ou no chão
 Posicionamento: A mão medial estabiliza e
a mão lateral passa sob a escápula durante
a expiração

FOTO 10: Encaixe escapular 1


Fonte: ALMEIDA, 2006.
2) Encaixe escapular 2 (ALMEIDA, 2006)
 Paciente: Em decúbito dorsal.
 Fisioterapeuta: Na lateral a ser trabalhada, em
direção à cabeça do paciente.
 Posicionamento: O fisioterapeuta posiciona a mão
caudal (interna) sob a escápula. A mão cefálica
(externa) é colocada anteriormente, sobre o peitoral.
 Ação: A mão caudal leva a escápula para baixo. A
mão cefálica orienta e equilibra o movimento.
OBS.: Não permitir a elevação das regiões torácica e
lombar do chão. Faz-se a manobra durante a expiração.

FOTO 11: Encaixe escapular 2


Fonte: ALMEIDA, 2006.

29
3) Encaixe escapular 3 (ALMEIDA, 2006)
 Objetivos:
 Paciente: Em decúbito dorsal
 Fisioterapeuta: Na lateral a ser trabalhada.
 Posicionamento: O fisioterapeuta toma contato
através da mão cefálica com a espinha da
escápula. A mão caudal empalma a escápula,

ficando em contato com a maca.


 Ação: Durante a expiração, levar lentamente as
escápulas em direção caudal através do
deslizamento das mãos sobre as mesmas.
OBS.: Não permitir a elevação das regiões
torácica e lombar do chão.

FOTO 12: Encaixe escapular 3


Fonte: ALMEIDA, 2006.

4) Stretching dos Músculos Deltóide Anterior e Posterior


4.1) Deltóide Anterior (ALMEIDA, 2006)

Paciente: Em decúbito dorsal com o membro superior em


abdução
 Fisioterapeuta: Entre o tronco e o membro superior do
paciente
 Posicionamento e ação: A mão caudal traciona o úmero em
seu eixo longitudinal e faz rotação interna. A mão cefálica
realiza um deslizamento profundo, perpendicular às fibras
do deltóide (de cima para baixo). O stretching é realizado
através do movimento simultâneo de ambas as mãos.

FOTO 13: Stretching do músculo deltóide anterior


Fonte: ALMEIDA, 2006.

30
4.2) Deltóide Posterior

 Paciente: Em decúbito ventral


 Fisioterapeuta: Entre o tronco e o membro
superior do paciente.
 Posicionamento e ação: A mão caudal traciona
o úmero em seu eixo longitudinal e faz rotação externa. A mão
cefálica realiza um deslizamento profundo, perpendicular às
fibras do deltóide (de cima para baixo). O stretching é
realizado através do movimento simultâneo de ambas as
mãos.
FOTO 14: Stretching do músculo deltóide posterior
Fonte: ALMEIDA, 2006.

5) Stretching dos Músculos Escapulares (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: Em decúbito lateral, com os membros inferiores flexionados.
 Fisioterapeuta: De frente para o paciente, em finta lateral ou anterior, na altura da
escápula.
 Posicionamento: A mão cefálica empalma superiormente a escápula. A mão caudal
empalma inferiormente. O antebraço do
fisioterapeuta passa sob o braço do paciente.
 Ação: Mobilizar a escápula em todas as direções,
concentrando naquelas em que o movimento
encontra-se limitado.

FOTO 15: Stretching dos músculos escapulares


Fonte: ALMEIDA, 2006.

31
6) Teste de encurtamento dos Músculos Redondos (ALMEIDA, 2006)
 Paciente: Em decúbito lateral,
com os membros inferiores
flexionados.
 Ação: Abdução máxima, com
estabilização da escápula e
membro superior estendido.
FOTO 16: Teste de encurtamento dos músculos redondos
Fonte: ALMEIDA, 2006.

7) Inibição com Bola (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: Em decúbito lateral, do lado a ser tratado. O membro superior poderá
estar a 90º de antepulsão e alongado para frente ou em antepulsão máxima.
OBS.: Em caso de limitação do movimento, pode-se iniciar a partir da
possibilidade do paciente.
 Ação: Coloca-se uma bola de tênis na
borda lateral da escápula, iniciando no ângulo
inferior. Quando a dor em cada ponto passar ou
diminuir, progredir na direção cefálica.
FOTO 17: Inibição com bola dos músculos redondos
Fonte: ALMEIDA, 2006.

8) Pompage Glenoumeral (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: Em decúbito dorsal, ombros em abdução de 90o
 Fisioterapeuta: no nível da cintura escapular ipsilateral ao lado a ser tratado. Mão
do paciente sobre o ombro do fisioterapeuta
 Ação: com a mão caudal mantém a escápula, a
mão cefálica realiza pompage no sentido axial e
ligeiramente para baixo.

FOTO 18: Pompage glenoumeral


Fonte: ALMEIDA, 2006.

32
Evidências científicas
ARTIGO 4) Efeito da pompage articular no pós-operatório tardio de síndrome do impacto:
um estudo de caso. Peres, C.R.F. Revista digital EBOM.

ARTIGO 5) PEREIRA, CMA, VIEIRA, EORY, ALCÂNTARA, PSM. Avaliação de protocolo


de fisioterapia aplicado a pacientes mastectomizadas a Madden. Revista Brasileira de
Cancerologia, São Paulo, 51(2): 143-148, 2005.

9) Trabalho com bola na inserção dos músculos elevador da escápula e trapézio


superior (ALMEIDA, 2006)
 Paciente: Em decúbito dorsal, joelhos flexionados e pés apoiados no chão
 Ação
- Colocar uma bolinha macia em uma das regiões paravertebrais: direita ou
esquerda
- Expirar pressionando suavemente a bola
- Colocar a bola na inserção inferior do músculo elevador da escápula
- Finalmente, colocar a bola na massa posterior do trapézio superior.
- Tirar a bola e perceber as sensações
- Fazer do outro lado

VII. AUTO-POSTURA

Auto-postura para o peitoral maior com meia bola na região interescapular


(ALMEIDA, 2006)
 Paciente: Em decúbito dorsal
 Ação: Posicionar a meia bola entre as escápulas do paciente; realizar encaixe
escapular e uma abdução de aproximadamente 140º sem permitir a elevação dos ombros.
Trabalhar a respiração com propriocepção em sentido bilateral, unilateral e oblíquo. Pode-se
manter tração cervical, bem como flexão do quadril com MMII sobre abdome.

33
FOTO 19: Auto-postura para peitoral maior
Fonte: ALMEIDA, 2006.

VII. SÍNDROME DO DESFILADEIRO CERVICO-TORÁCICO

1. Anatomia e Biomecânica
A) Dobradiça cervico-torácica:
C7 – T1 – T2 e a 1a costela
A dobradiça cervicotorácica é
a zona de transição entre a coluna
cervical (lordose cervical) e a coluna
torácica (cifose torácica). Encontra-se
entre a grande mobilidade da coluna
cervical e limitada movimentação da
coluna torácica, restrita pela
presença das costelas (gradil costal).
Os elementos ósseos importantes
desta região são a (1) vértebra C7, (2)
as vértebras T1 e T2 e a primeira
costela (RODRIGUES, 2007).
FIGURA 11: O desfiladeiro cérvico-torácico
Fonte: RICHARD, 1990.

34
B) Vértebra C7
A vértebra C7 faz parte da coluna cervical inferior, porém tem características próprias:
 Processo espinhoso mais proeminente
 Processo transverso unitubercular
 A artéria vertebral não penetra em C7, pois esta vértebra não possui forame
 Superiormente, a vértebra tem características cervicais (facetas articulares
de conformação cervical) e, inferiormente, tem características torácicas
(facetas articulares de conformação torácica)
As facetas superiores voltam-se para cima e para trás. Devido à forma das facetas na
coluna cervical, de C3 a C7, a lateroflexão combina-se com a rotação. As facetas inferiores são
de conformação torácica. As superfícies são arredondadas, voltadas para frente, um pouco
medial e para baixo. As facetas, então, permitem e guiam movimentos de flexão, extensão,
lateroflexão e rotação. Todos os movimentos são limitados pelas costelas. Em C7-T1,
predomina o movimento de flexo-extensão com rotação (DÂNGELO E FATTINI, 2007).

C) Vértebra T1
Os corpos vertebrais torácicos apresentam facetas articulares costais, laterais e
posteriores. A vértebra T1 se articula com a primeira costela. Entre T1 e T2, o movimento
fundamental é de lateroflexão. A rotação é mínima, mas muito importante para a adaptação
aos movimentos da região (DÂNGELO E FATTINI, 2007).
É impossível considerar a dobradiça C7 – T1 sem considerar a primeira costela e,
conseqüentemente, o desfiladeiro cervicotorácico, e todas as estruturas que passam nesta
região – abaixo da clavícula e acima da primeira costela, e que podem ser submetidas à
compressão (o plexo braquial, estruturas vasculares, etc.) (RODRIGUES, 2007).

2. Biomecânica
A dobradiça C7 – T1 possui pouca mobilidade. A vértebra C7 é mais móvel que T1 em
extensão, pois desliza anteriormente, e tem pouca flexão. A flexão e a extensão só atingem a
dobradiça no final dos movimentos. A articulação T1 – T2 funciona como pivô da dobradiça
para os movimentos extremos de flexão e extensão. A partir da rotação cervical, a vértebra T1
vai realizar uma pequena rotação. A rotação cervical máxima finaliza-se em T1 – T2. A

35
vértebra T1 e a primeira costela funcionam como pivô que permite a rotação de C7 no mesmo
sentido da rotação cervical contra a rotação de T1 – T2 (KAPANDJI, 2007).

3. Fisiopatologia
De acordo com RODRIGUES (2007), essa síndrome apresenta manifestações clínicas
ligadas a compressões mecânicas vasculonervosas no interior do desfiladeiro tóracobraquial
– vasos subclávios e plexo braquial. Pode-se dar em três níveis, a saber:
A) Desfiladeiro intercostoescalênico;
B) Desfiladeiro costoclavicular;
C) Túnel subpeitoral.

A) Desfiladeiro intercostoescalênico
Segundo FRANCISCO (2006), este espaço é delimitado, inferiormente, pela primeira
costela; anteriormente, pelo escaleno anterior e, posteriormente, pelo escaleno médio.
Contêm a artéria subclávia e os troncos primários do plexo braquial

Compressão da artéria por estreitamento do desfiladeiro:


 extensão do pescoço
 inspiração forçada
 rotação da cabeça
Compressão do plexo – tronco primário inferior:
 abdução do braço
 retropulsão do ombro

++ primeira costela e espasmo do escaleno anterior.

B) Desfiladeiro costoclavicular
FRANCISCO (2006) afirma que este espaço é limitado pela face inferior da parte
interna da clavícula e face superior da primeira costela.
Depressão do ombro
Abdução do ombro

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++ lesões inferiores da esternoclavicular, lesões da primeira costela, espasmo de
subclávio.

C) Túnel subpeitoral
O conjunto vasculonervoso passa sob o tendão do peitoral menor.
Abdução forçada

4. Causas

a. Estreitamento do desfiladeiro
1. Causas congênitas
 Primeira costela maior que o normal
 Costela cervical
 Conjunto anormal de fibras
(FRANCISCO, 2006)
 A artéria subclávia atravessa o escaleno anterior
 Troca de fibras entre os dois escalenos
2. Causas adquiridas
 Calcificação anormal da clavícula
 Lesões da primeira costela, com espasmo do escaleno
 Espasmo de pequeno peitoral em caso de lesão do ombro
 Espasmo do subclávio em conseqüência de uma disfunção da clavícula
b. Lesões arteriovenosas
 Espessamento ou edema
 Presença de trombo
c. Lesões nervosas
 Semelhante à síndrome do canal carpiano
 Desmielinização/remielinização – lesão de axônio

5. Sintomas (THOMAZINHO, 2008; RODRIGUES, 2007)


1. Manifestações neurológicas
 Parestesia da borda ulnar da mão (nevralgia C8)

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 Dor de topografia mal definida que aparece durante certos movimentos ou
posições e que diminui com o repouso
 Paresia do membro superior

2. Manifestações vasculares +++


 Dores fugazes do membro superior, com sensação de mãos volumosas e
com dificuldade de movimentos dos dedos
 Fadiga ao esforço
 Alterações vasomotoras do tipo síndrome de Raynauld
 Sensação de dormência nos dedos
 Frio nas extremidades
 Hipersudação das mãos
 Evolução: pulso arterial intermitente e dores isquêmicas ao menor esforço

6. Diagnóstico clínico
RODRIGUES (2007) cita que o diagnóstico clínico é baseado nas queixas do paciente e
em testes que poderão reproduzir significativamente os sinais e sintomas da síndrome do
desfiladeiro cervical, a saber:

a) Teste do escaleno anterior - Teste de Adson


(ALMEIDA, 2006)

 Paciente: sentado e rosto voltado para o


lado comprometido
 Fisioterapeuta: de pé
 Ação: palpar o pulso do paciente e solicitar
uma inspiração forçada. O teste é positivo quando o
pulso radial diminui ou desaparece.

FOTO 20: Teste de compressão do escaleno anterior


Fonte: ALMEIDA, 2006.

b) Teste para o peitoral menor - Teste de Wright (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: sentado

38
 Fisioterapeuta: de pé
 Ação: posicionar a cabeça voltada para o lado oposto a ser examinado e o
ombro em abdução e rotação externa. Em presença de compressão, esse
posicionamento provoca o desaparecimento do pulso radial.

FOTO 21: Teste de compressão do peitoral menor


Fonte: ALMEIDA, 2006.

c) Teste costoclavicular - Manobra de Éden (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: sentado
 Fisioterapeuta: de pé
 Ação: alongar o membro superior e deprimir a cintura
escapular. A diminuição do pulso arterial indica compressão.

FOTO 22: Teste de compressão costoclavicular


Fonte: ALMEIDA, 2006.
d) Manobra de Roos – Três Minutos
 Paciente: sentado
 Ação: com os ombros abduzidos acima de 90o e rodados
externamente, cotovelos em flexão também de 90o, o paciente abre e
fecha as mãos por três minutos. O teste é considerado positivo
quando o paciente for incapaz de manter os braços na posição
inicial ou surgirem sintomas de dores isquêmicas, sensação de peso
ou fraqueza, parestesias e formigamento da mão durante o teste.

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7. Exames Complementares
 Radiografia – para eliminar anomalias ósseas congênitas
 Angiografia – via umeral retrógada: em repouso e abdução moderada

Existem formas clínicas



Puramente neurológicas ou vasculares
(RODRIGUES, 2007)
8. Diagnóstico diferencial
 Neuralgia cervicobraquial
 Síndrome do túnel do carpo
 Síndrome do canal de Guyon
 Síndrome de Raynauld

VIII. TÉCNICAS PARA SÍNDROME DE COMPRESSÃO


CERVICOTORÁCICA
1) Técnica de Jones para o Músculo Subclávio (ALMEIDA, 2006)
 Paciente: em decúbito lateral, com os quadris e os joelhos fletidos a 90o. A mão
superior do paciente segura a borda da mesa.
 Fisioterapeuta: de pé, atrás do paciente.
 Ação: com a mão cefálica, o fisioterapeuta apóia o indicador, reforçado pelo dedo
médio, no ponto gatilho do músculo subclávio, e com a mão caudal, segura o ombro
em sua face posterior e superior. Buscam-se as
posições do ombro em que a dor desaparece
ou diminui (para cima, para baixo, para frente,
etc) e então se mantém por 90 segundos. Após
este tempo, volta-se lentamente à posição
neutra.

FOTO 23: Técnica de Jones para o músculo subclávio


Fonte: ALMEIDA, 2006.

40
3) Técnica para a Correção da Primeira Costela (ALMEIDA, 2006)
 Paciente: em decúbito dorsal, com os membros inferiores em extensão
 Fisioterapeuta: sentado, atrás do paciente, apóia o polegar sobre a primeira costela. A
outra mão mantém a cabeça em inclinação lateral do lado da lesão e rotação para o
lado oposto.
 Ação: durante a expiração, o polegar do
fisioterapeuta acompanha o abaixamento da
costela, apoiando para baixo, para frente e para
dentro. Durante a inspiração, mantém a pressão.
 Repetição: quatro vezes
FOTO 24: Correção de primeira costela
Fonte: ALMEIDA, 2006.

4) Pompage dos escalenos (ALMEIDA, 2006)


 Paciente: decúbito dorsal
 Fisioterapeuta: sentado à cabeceira do paciente. Os antebraços apóiam sobre a mesa.
A mão do lado oposto a tratar entra em contato com a base do crânio. O polegar da
outra mão apóia e pressiona a face superior da primeira costela (à frente do trapézio
superior, na base do pescoço.
 Ação: Durante algumas expirações, pressiona-se
a 1a costela para baixo, para frente e
medialmente, e mantém-se durante as
inspirações. A tensão é obtida pela tração da mão
que recebe a base do crânio, enquanto o polegar
mantém a 1a costela.
FOTO 25: Pompage dos escalenos
Fonte: ALMEIDA, 2006.

41
Evidências científicas

ARTIGO 6) Efeito da reeducação postural global e do alongamento estático segmentar em portadoras


de disfunção temporomandibular: um estudo comparativo. MALUF, AS. Tese apresentada à
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo para obtenção do título de doutorado
em Ciências: São Paulo, 2006.

ARTIGO 7) A eficácia da pompage, na coluna cervical, no tratamento da cefaléia do tipo tensional.


Hoffmann, J; Teodoroski, RCC. Disponível em: www.fisio-tb.unisul.br/TCC2003b.html.
Acessado em: 6 de maio de 2010.

ARTIGO 8) Avaliação de protocolo de fisioterapia aplicado a pacientes mastectomizadas a


Madden. Pereira, CMA e cols. Revista Brasileira de Cancerologia, 2005; 51(2): 143-148.

IX. AUTO-POSTURAS

1) Auto-postura sentada com membros inferiores alternados (ALMEIDA, 2006)


 Ação
- Sentar sobre os ísquios
-Manter os membros inferiores em
flexão/extensão alternados
Um dos membros alongado, alinhado e
em dorsiflexão de tornozelo
O outro membro com joelho flexionado e
pé apoiado no chão
FOTO 26: Auto-postura sentada com membros inferiores alternados
Fonte: ALMEIDA, 2006.

42
2) Auto-postura sentada completa (ALMEIDA, 2006)
 Ação
- Sentar sobre os ísquios
- Abduzir quadril e colocar planta contra planta do pé, mantendo simetria de
abdução do quadril
- Instalar a respiração
- Apoiar os ísquios no chão e crescer pelo vértice
- Alongar, progressivamente, os MMII, até que as pontas dos pés não se
toquem mais
- Fazer dorsiflexão de tornozelos
- Juntar maléolos
- Alongar progressiva e completamente os MMII
Cuidado: Alongar empurrando os calcanhares
Não permitir cifose na região lombar

4) Auto-postura de pé na parede com dobradiça (ALMEIDA, 2006)


Pode ser realizada
- Com o apoio do dorso na parede
- Com o apoio de um dorso contra outro
- Assentado em bolas, em rolos, em calços

 Paciente: de pé com dorso encostado na parede


 Ação
- Posicionar pés e joelhos segundo a disfunção
postural, afastando os calcanhares da parede o necessário
para posicionar a região lombar
- Realizar dobradiça mantendo os ísquios na parede
- Retornar à posição inicial

FOTO 27: Dobradiça na parede


Fonte: ALMEIDA, 2006.

43
5) Asa delta sem apoio na parede
Posição do paciente: posição ereta com os pés e maléolos unidos.
 Inicia-se fazendo o mapeamento e o teste de flexibilidade
 Observar o trabalho específico do valgo ou varo dos pés e joelhos
 Instalar a respiração
 Fazer a flexão progressiva do quadril, até 110o, no máximo
 Corrigir as compensações
 Observar a correção das curvas da coluna
 Observar o trabalho específico da horizontalização do sacro
 Finalizar com o mapeamento e o teste de flexibilidade.

6) Asa delta com bastão (em dupla)


Posição do paciente: posição ereta, com os pés unidos.
 Inicia-se com o mapeamento e o teste de flexibilidade;
 Para pé plano, aproximar as bordas dos pés realizando supinação;
 Para o cavo, separar um pouco os calcanhares e unir os maléolos; colocar
calços entre os maléolos para dar referência e ajudar a mantê-los unidos
 Flexionar os joelhos e realizar a correção específica
 Colocar o bastão ao longo da coluna, tocando o sacro, a região entre as
escápulas e a cabeça
 Liberar a respiração - inspirar curto e expirar longo corrigindo as
compensações a cada pequena progressão
 Manter os pontos de contato com o bastão e pressioná-los contra o bastão
 Com uma mão, controla-se o bastão e, com a outra, a respiração e as
compensações
 Ganha-se uma maior amplitude de movimento lenta e progressivamente (não
se deve ultrapassar 110o de flexão do quadril)
 Intercalar na progressão flexão do quadril, extensão do joelho e dorsoflexão do
tornozelo

44
 Iniciar o trabalho com os pés apoiados no
chão. Deve-se repeti-lo aproximadamente três ou quatro
vezes usando uma tábua inclinada e aumentar
gradualmente o ângulo de inclinação da mesma
 Quando existe uma grande dificuldade
proprioceptiva do dorso, usa-se o bastão para
desenvolvê-la. Neste caso, sem progressão e com os pés
apoiados no chão.

FOTO 28: Auto-postura asa delta com bastão


Fonte: ALMEIDA, 2006.

7) Asa delta com referência da parede


Posição do paciente: posição ereta, a uma distância apropriada da parede de modo a
permanecer com a coluna alongada e cotovelos semi-flexionados.
 Inicia-se com o mapeamento e o teste de flexibilidade
 Observar a posição e o trabalho dos pés e joelhos (valgo ou varo)
 Instalar a respiração
 Fazer a flexão do quadril, recriando as curvas da coluna – tocando somente
com as pontas dos dedos na parede. Não deve ser permitido apoiar na parede
 Observar os cuidados e o trabalho específico com a correção das curvas da
coluna e horizontalização do sacro
 Corrigir as compensações e progredir lentamente até, no máximo, 110o de
flexão de quadril
 Em caso de hérnia, o mais importante é conquistar a lordose e progredir muito
lentamente na flexão do quadril
 Finalizar com o mapeamento e o teste de flexibilidade

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X. POSTURAS GLOBAIS

1) Postura “ASA DELTA”

Objetivos
 Alongar os músculos espinhais e posteriores dos membros inferiores
 Recriar a lordose lombar e a cifose torácica
 Proporcionar consciência postural e mudança de esquema corporal, utilizando o
mapeamento inicial e final, e a participação ativa durante todo o atendimento.
 Corrigir os desequilíbrios posturais, principalmente a retificação da lordose
lombar, desequilíbrios dos joelhos e pés e tratamento das hérnias discais.

Preparação

Bases para realização da postura

1. Mapeamento inicial e final. Mapeamento integrativo.


Deve-se pedir a participação ativa e despertar as sensações corporais, promovendo
assim a reestruturação do esquema corporal e, através de uma manualidade suave e firme,
levar o paciente à posição postural corretiva.

2. Restabelecer uma respiração livre e solta

3. Posicionamento geral
Posicionar inicialmente pés, joelhos, coluna, cabeça e os membros superiores
Com retificação lombar e torácica:
 Recriar a cifose torácica através da expiração e posição neutra do antebraço
 Recriar a lordose lombar através da apnéia expiratória.
Em caso de cifose torácica:
 Manter o encaixe de escápulas e abertura do ombro.
Valgo acentuado do cotovelo:
 Manter o antebraço em posição neutra

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 Não permitir, em qualquer postura, o bloqueio do cotovelo.
Horizontalização do sacro:
 Posicioná-lo através do púbis
Observar a hiperlordose ou retificação cervical
Manter contato do occipital com a mão do fisioterapeuta, conservando a pressão.
Aprender a permanecer alongado e relaxado.

4. Correção das compensações


 Encaixar as escápulas
 Não bloquear os cotovelos
 Manter os pés e joelhos bem posicionados
 Não cifosar a região lombar
 Não retificar a coluna torácica
 Progredir somente até 110o de flexão do quadril.
5. Trabalho ativo
 Insistir na manutenção dos pontos de apoio, distribuição do peso nos pés,
posicionamento dos joelhos, lordose lombar, fechamento dos ângulos tibiotársicos.
 Manter pressão suave do occipital contra a mão do fisioterapeuta.

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FOTO 29: Postura global asa delta
Fonte: ALMEIDA, 2006.

6. Intenção terapêutica:
 Privilegiar pés e joelhos
 Manter vigilância sobre as compensações mais importantes, insistindo na
correção das mesmas, não evoluindo com compensações
 Para alongar os isquiotibiais, necessita-se de flexão do quadril e extensão do
joelho
 Para alongar o sóleo, necessita-se de dorsiflexão do tornozelo
 Para alongar o gastrocnêmio, necessita-se de extensão dos joelhos e dorsiflexão
do tornozelo.

7. Retornar à respiração após cada correção


 Progressão lenta
 Não progredir com sintomatologia
 Deve-se tratar todo sintoma que aparecer durante o atendimento como dor. Deve-
se tentar fazer a correlação entre a dor e a correção que a iniciou.

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Evidências científicas

ARTIGO 9) Efeito de um programa de cinesioterapia, estimulação elétrica e reeducação


postural no tratamento da disfunção temporomandibular: análise de seis casos. Pires, RR;
Silva, PC; Monte, DF; Rosim-serrador, GC; Castro, RFD. Anuário da produção de iniciação
científica discente. Vol. XI, N°12, p.227-238, ano 2008.

ARTIGO 10) BORGES, B.L.A. Flexibilidade de atletas de basquetebol submetidos à postura


“em pé com inclinação anterior” do Método de Reeducação Postural Global (RPG). Revista
brasileira de Ciência e Movimento, 14(4): 39-46, 2006.

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2) Postura “DE PÉ NA PAREDE” (ALMEIDA, 2006)

Objetivos
 Trabalhar correção de pés e joelhos
 Fornecer propriocepção de apoios e distribuição do peso
 Fornecer propriocepção de dorso – a referência da parede facilita o encaixe
 Alongar cadeia anterior
 Alongar cadeia superior de ombro – trabalha ombros elevados

Preparação
 Encontrar distância entre o calcanhar e a parede de forma que a pelve e a lombar
fiquem em contato com a mesma.
 Correção de pés e joelhos
 Encaixe lombo-pélvico
 Contato de toda a coluna e occipital na parede
 Crescimento axial
 Encaixe escapular e colocação de MMSS
 Respiração
Obs.: Caso seja necessário, colocar calço occipital.

Bases para Realização da Postura

1. Mapeamento inicial integrativo

2. Colocação em postura
- Iniciar com encaixe da coluna lombar na parede e, caso seja necessário, pode
dobrar-se os joelhos para manter os encaixes
- Posicionar pés e joelhos segundo a disfunção postural
- Se necessário, pode-se permitir o afastamento dos calcanhares da parede para obter
o encaixe lombar
- Pode-se colocar calços atrás do occipital, caso necessário, para permitir um bom
alinhamento cervical

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- Instalar a respiração – insistir no desbloqueio alto e no primeiro tempo respiratório,
pois a postura torna a respiração mais difícil

3. Correção das Compensações


- Desencaixe lombar e escapular
- Bloqueio inspiratório
- Deve-se utilizar a flexão do quadril para o encaixe, evitando a contração dos glúteos
e bloqueio do quadril

4. Trabalho Ativo
- Crescer pelo vértice, alongando cervical
- Alongar cadeia superior do ombro com a intenção de separar
os ombros das orelhas
- Alongar progressivamente joelhos e quadris, abrindo a
coxofemoral, conservando a rotação externa de quadril, sem
perder os encaixes lombar e escapular
- Aproximar progressivamente os calcanhares da parede
- Distribuir o peso através do posicionamento de pés e joelhos
- Manter respiração livre
FOTO 30: Postura global pé na parede
Fonte: ALMEIDA, 2006.
5. Progressão
- Membros superiores apoiados inicialmente em pronação na parede, em seguida
colocar em posição neutra crescendo pelo 5o dedo e, por fim, em supinação
- MMSS: adução  decoaptando a glenoumeral/ afastando ombros de orelha
(posição supina e cotovelos desbloqueados)
- MMII: extensão de joelhos  mantendo correção de pés e joelhos e os encaixes
- A cada repetição: retirar calços/ aproximar calcanhares da parede/ subir na
prancheta (graduar)

6. Repetição
- Pode-se repetir de três a quatro vezes

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Evidências científicas

ARTIGO 11) Efeito de um programa de cinesioterapia, estimulação elétrica e reeducação


postural no tratamento da disfunção temporomandibular: análise de seis casos. Pires, RR;
Silva, PC; Monte, DF; Rosim-serrador, GC; Castro, RFD. Anuário da produção de iniciação
científica discente. Vol. XI, N°12, p.227-238, ano 2008.

ARTIGO 12) Impacto da reeducação postural global no tratamento da incontinência urinária


de esforço feminina. Fozzati, MCM; Palma, P; Herrmann, Dambros M. Revista da Associação
Médica Brasileira 2008; 54(1): 17-22.

ARTIGO 13) The effect of global postural reeducation technique in a hemiparetic stroke
patient. Gomes, BM; Nardoni, GCG; Lopes, PG, Godoy, E. Revista ACTA FISIÁTRICA 2006;
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ARTIGO 14) Reeducação postural global e alongamento estático segmentar na melhora da


flexibilidade, força muscular e amplitude de movimento: um estudo comparativo. Rosário,
JLP ET AL. Revista Fisioterapia e Pesquisa 2008; 1 5( 1).

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Janeiro: MedBook, 2006.
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