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JESUS CULTURE

Viva Uma Vida Que Transforme oMundo


por Banning Liebscher
Editora Luz às Nações Ltda. © 2013

Coorde nação Editorial: Equipe Edilan


Tradução e Re vis ão: Equipe Edilan

Originally p ublished in the USA by

Ship p ensburg. PA, USA


Under the title
Jesus Culture
by Banning Liebscher
Cop y right © 2009 - Banning Liebscher - USA

Originalmente publicado nos Estados Unidos sob o título JESUS CULTURE por Banning Liebscher.
Publicado no Brasil por Editora Luz às Nações Ltda. Rua Rancharia, 62, parte — Itanhangá — Rio de
Janeiro, Brasil. CEP: 22753-070 Tel. (21) 2490-2551. 1ª edição brasileira: junho de 2013. Todos os direitos
reservados.
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www.edilan.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
L682j
Liebscher, Banning
Jesus culture: viva uma vida que transforme o mundo / Banning Liebscher ; tradução Mylena Araújo
Cardoso. - 1. ed., reimpr. - Rio de Janeiro: Luz às Nações, 2015.
2321Kb ; ePUB
Tradução de: Jesus culture
ISBN 978-85-99858-54-7
1. Vida cristã. I. Título.

CDD: 248.4
13-00467
CDU: 27-584
24/04/2013 25/04/2013
D E D I C AT Ó R I A
Dedico este livro a SeaJay
“Eu sei o seu nome”
AGR AD E C IM E N TO S
SeaJay, eu sou o homem mais abençoado do mundo. Deus foi bom comigo
quando trouxe você para minha vida. Obrigado por todo o seu apoio e sacrifício, e
por acreditar nos meus sonhos. Você é maravilhosa e é verdadeiramente o amor da
minha vida.
Mãe e Pai, obrigado por sempre serem os meus maiores fãs, amando-me e
formando minha identidade.
Meus três lindos filhos, Ellianna, Raya e Lake, eu não poderia ter escrito este
livro sem o apoio de vocês. Vamos mudar o mundo juntos!
Brandy, obrigado por estudar o bastante por nós dois. Você é uma grande irmã.
Bill, obrigado por deixar que eu fique de pé nos seus ombros. Sua vida foi a
maior pregação que eu já ouvi. Obrigado por dar uma chance a um jovem.
Kris, obrigado por caminhar junto comigo e por acreditar em mim. Seu
encorajamento, sua sabedoria e sua amizade significam muito para mim.
Danny, você é um presente de Deus. Fico arrepiado ao pensar em onde eu
estaria sem você na minha vida. Sou eternamente grato por tudo que você já fez
por mim e pela minha família.
Dann, o que dizer? Eu sou o seu Padawan1. Obrigado por ser o meu melhor
mentor, professor e amigo. Obrigado também por me deixar interromper sua vida
durante os últimos 13 anos.
Lou, você é o meu Martin Luther King Jr. e agradeço a Deus por conectar os
nossos corações. Você tem me enchido de coragem e sua vida me inspira como
você nem imagina. Obrigado por me mostrar por que eu estou vivo.
Cindy, a Mãe dos Avivalistas, seu encorajamento, seu apoio e seu exemplo são
muito importantes na minha vida. Obrigado por derramá-los sobre mim.
Allison, obrigado por ser tão paciente com este autor de primeira viagem.
Palavras não podem expressar o quanto sou grato pela sua ajuda em deixar este
livro pronto. Oro para que todos os seus sonhos se realizem.
A.J., obrigado por fazer parecer que sou um gênio. Sua ajuda foi inestimável,
brilhante e magnífica.
Carol, obrigado não só pela sua ajuda com o livro, mas por suas palavras
encorajadoras. Esse cara de “palavras positivas” apssssssrecia muito isso.
Pam, você foi uma grande encorajadora para que eu escrevesse. Nos últimos
anos, sua voz tem me inspirado a continuar e a acreditar que eu consigo. Obrigado
pela ajuda com o livro, mas, além disso, obrigado por me encorajar a escrever.
Darren, agradeço por toda a pesquisa que você fez.
Ao longo dos anos, fui abençoado com as melhores equipes do mundo: Jerry,
Erica, Nathan, Kim, Chris, Melissa H., Brandon, Ben e o restante da equipe atual,
assim como Linda, Gabe, Melissa, Loni, Ken e o restante da nossa equipe antiga.
Obrigado por tudo que vocês fazem e fizeram. Meus sonhos estão sendo
cumpridos, e isso se deve ao sacrifício e à paixão de vocês. Eu amo trabalhar com
todos vocês.
Por último, mas igualmente importante, este livro foi formado ao longo dos
últimos 13 anos por causa das vidas de alguns dos maiores avivalistas jovens e
radicais que eu já conheci. A todos do Legacy, do Awakening e do Jesus Culture –
obrigado por serem a mensagem e por deixá-la queimar dentro de vocês.
R E C O N HE C IM E N TO S
Deus está levantando um exército de jovens avivalistas em chamas destinado a
despertar as nações da Terra. Jesus Culture dá a eles ordem para marchar e
colocar fogo numa nova geração de agentes de mudanças apaixonados por Jesus.
CINDY J ACOBS
Cofundadora e Presidente, Generals International

Leia este livro e você será transformado. Viva este livro e o mundo será
transformado também.
PETE GREIG
Cofundador – The 24/7 Prayer Movement
Diretor de Oração – na Holy Trinity Church, em Brompton, Londres
Facilitador – Campus America Initiative

Jesus Culture não é apenas mais um livro sobre avivamento. As páginas clamam
por mudança com uma urgência que nos faz querer saltar da poltrona e ajoelhar.
Além disso, reacendem a paixão que creio que deve estar no coração de todo
cristão que se relaciona intimamente com Jesus e que anseia ver o mundo
experimentar o poder transformador do Salvador. O Pastor Banning põe em
equilíbrio todos os elementos essenciais do avivamento – a importância da
autoridade espiritual ao mesmo tempo em que permite que um amor ardente por
Jesus se desenvolva numa paixão por oração não apenas para ver, mas para
demonstrar o sobrenatural. Eu recomendo este livro a qualquer jovem ou pastor
que queira se lembrar novamente do clamor do coração de Deus por cidades
salvas e por nações inteiras voltadas para Ele.
J UDAH S MITH
Pastor – Generation Church, ministério jovem explosivo da
The City Church, Seattle, Washington

Num sistema mundial em deterioração, com bases falsas, surge uma geração
moderna de João Batista desejosa de Cristo e compromissada com Ele e com a
cultura de Seu Reino não importa o que aconteça! Banning Liebscher é um desses
grandes líderes da geração jovem atual que clama pelas gerações das nações e
prepara o caminho para o Senhor. Esta é uma leitura profética obrigatória e um
manual de instruções para informar e equipar você para o que está por vir.
DR. C HÉ AHN
Pastor Titular – Harvest Rock Church, Pasadena, Califórnia
Presidente – Harvest International Ministry

Deus sempre levanta uma voz profética para cada geração a fim de mobilizá-la e
equipá-la para seu destino. Banning Liebscher é uma dessas vozes para esta
geração. Poucos têm o privilégio de experimentar um mover contínuo de Deus que
transforma comunidades como Redding, na Califórnia. Jesus Culture contém
experiências e lições reais e transformadoras que irão inspirar e equipar aqueles
que têm o chamado de ser uma nova geração de avivalistas. Se você está faminto
por um toque de Deus, devore este livro.
RICHARD C RISCO
Pastor Titular – Primeira Assembleia de Deus de Rochester,
Rochester, Michigan
Ex-Pastor do Student Ministries –
Assembleia de Deus de Brownsville, Pensacola, Flórida
Este livro dá a esta geração a permissão para viver uma vida poderosa com Deus.
Mostra-nos que há liberdade para buscar nossas paixões e impactar a cultura a
nossa volta para o Reino. Há revelações neste livro que irão estremecer sua base
e acelerar você rumo ao seu destino. Mas, além de tudo isso, inspirarão você a
buscar intimidade com o Senhor.
KELLY C LARK
Atleta Profissional de Snowboard
Medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno
Ganhadora de duas medalhas de ouro nos X-Games de Inverno
Acima do ruído incessante da atividade humana,
temos ouvido o “som de uma marcha”
que nos diz que Deus está agindo.
- Arthur Wallis1

É Deus revelando a Si mesmo ao homem,


em magnífica santidade e poder irresistíveis.
A manifestação da obra Dele se dá de tal forma
que as personalidades humanas são ofuscadas
e as atividades humanas abandonadas.
É o homem se retirando
porque Deus tomou o campo de batalha.
É o Senhor revelando Seu exército santo
e agindo com poder extraordinário
nos santos e nos pecadores.
- Arthur Wallis2
S UM Á R IO

Prefácio por Bill Johnson


Prefácio por Lou Engle
SEÇÃO 1 A NOVA GERAÇÃO DE AVIVALISTAS
Capítulo 1 O Melhor Tempo da História
Capítulo 2 Uma Nova Mentalidade
SEÇÃO 2 SOB COBERTURA
Capítulo 3 A Vara e a Espada
Capítulo 4 O Poder do Alinhamento
SEÇÃO 3 OS FERVOROSOS
Capítulo 5 Um Amor Despertado
Capítulo 6 Quero Apenas Ser Filho
SEÇÃO 4 AQUELES QUE ORAM
Capítulo 7 O Lugar Secreto
Capítulo 8 Venha até Aqui!
SEÇÃO 5 AVIVALISTAS DA CURA

Capítulo 9 Tempo de Ir a Público


Capítulo 10 Quem Faz História Assume Riscos
Notas Finais
P R E F Á C IO P O R B ILL J O HN S O N
Uma das minhas maiores alegrias é ajudar pessoas a encontrarem seu propósito
na vida. Eu gostaria de dizer que isso acontece sempre, mas não. Quando
acontece, é tão maravilhoso que eu acabo com um sentimento de plenitude pessoal.
Todos nós somos fortalecidos quando alguém com quem nos importamos alcança o
sucesso. Esse é o caso do meu envolvimento pessoal com Banning Liebscher. Ele
disse um “sim” tão absoluto para Deus e se lançou na descoberta maravilhosa de
seu chamado mais cedo na vida do que a maioria, e com uma profundidade que é
rara nas pessoas com o dobro de sua idade. E nós somos mais fortes por causa
disso.
Eu fiz algo um pouco incomum enquanto lia este livro. Tentei ao máximo pensar
que eu não conhecia Banning e retirei meu nome da história. Depois, considerei o
material como se fosse os escritos de um avivalista muito respeitado da década de
70, ainda queimando de desejo por Deus. Fiquei surpreso. Continuou valendo. Foi
aí que percebi que o que eu achava deste livro era mais do que uma impressão
pessoal. A maturidade e a profundidade do ministério de Banning é bem
representada em Jesus Culture. Este livro irá atravessar as fronteiras geracionais,
como deveria, e levará a ordem de marcha para um povo sedento por um
significado eterno.
O que você está prestes a ler é incrivelmente revigorante. Se apenas contivesse
as declarações fervorosas sobre as coisas que deveríamos estar fazendo, ainda
assim eu recomendaria. Mas este livro é muito mais do que isso. Ele foi escrito
por alguém que fala com um fogo puro do Céu e com a sabedoria adquirida através
do curso intensivo de Deus em descobrir Seu coração pelas nações. E tudo isso
vem de uma vida entregue à intimidade com Deus. Dê uma boa olhada em Jesus
Culture. É um momento raro na vida ler algo com esse potencial de impacto.
Banning capturou o coração de um movimento entre os jovens que está se
espalhando de país a país. Eles amam a Deus apaixonadamente e são ofertas vivas
para a glória Dele. O futuro da Igreja nunca pareceu tão brilhante.
BILL J OHNSON
Pastor Titular – Bethel Church
Redding, Califórnia
Autor de When Heaven Invades Earth e Face to Face With God
P R E F Á C IO P O R LO U E N GLE
Enquanto eu observo a paisagem gelada da religião comprometida nos Estados
Unidos, minha atenção é capturada por uma luz ardente e reluzente que brilha nos
céus do norte da Califórnia. Lá, na comum cidade de Redding, acontecem sinais e
maravilhas numa igreja chamada Bethel.
Filhos e filhas espirituais criados numa casa dedicada ao Pai estão
transbordando da notável Presença em sua igreja e levando-A para as ruas.
Milagres e curas acontecem, uma cidade está sendo transformada, e milhares vão
às ruas para ver essa luz ardente e brilhante na Bethel. Mas essa igreja é mais do
que uma luz. É um terreno fértil para jovens avivalistas, pregadores e profetas que
estão sendo definidos pelos sonhos de Deus, abastecidos por jejum e oração, e
armados com fé sobrenatural e revelação. Juntos, eles são uma voz entre muitos
outros, lutando apaixonadamente por um avanço extraordinário no Reino de Deus.
Com grupos de pessoas começando a queimar dessa forma, talvez veremos o
verdadeiro “aquecimento global” que irá esquentar o planeta com as chamas do
avivamento.
Meu amigo e camarada por anos, Banning Liebscher, está no centro ardente
desse movimento jovem. Apesar de ser um homem jovem, ele tem sido um
encorajamento espiritual poderoso para mim durante muitos anos. Frequentemente,
ele tem estimulado minha fé profética para o futuro. Nele eu vejo um precursor de
um grande exército de avivamento.
Eu acredito que a visão que ele apresentou neste livro irá acender a chama nos
corações dos jovens em todo o mundo e acionará uma explosão de fé pelo
aparecimento poderoso do nosso Deus sobrenatural.
Definido pelos Sonhos
Em seu livro, Engaging the Powers, Walter Wink descreve um fenômeno que é
aplicável a essa geração:
Conscientemente ou não, uma pessoa não vive apenas sua vida, mas a vida de
sua época... Será que nossos sonhos, por exemplo, são de alguma forma facetas de
um sonho coletivo maior que está começando a surgir no mundo? ... Em outras
palavras, quando Deus quer iniciar um movimento novo na História, Ele não
intervém diretamente, mas nos dá sonhos e visões que podem, se receberem a
devida atenção, iniciar um processo.1
Há quarenta anos, um homem deu voz a um sonho que ressoou nos corações de
uma geração definida por sonhos de liberdade. Ele, Martin Luther King Jr.,
mobilizou um movimento dentre um povo oprimido e marginalizado que sacudiu os
pilares da injustiça e rompeu as correntes da segregação. Foi uma revolução que
mudou a face de uma nação e transformou uma geração nos Estados Unidos.
Mais uma vez, uma jovem geração sonhadora está se levantando, e seus sonhos
vêm do Céu. Novamente, Deus, o maior Sonhador contra-cultural, está os
comissionando a liberar o bramido: Eu tenho um sonho! Liberte o meu povo!
Eu tenho um sonho! Liberte o meu povo! Desafie o epidêmico comércio mundial
de escravos. Eu tenho um sonho! Liberte o meu povo! Dê-nos as crianças órfãs e
feridas desta civilização secular em colapso. Eu tenho um sonho! Liberte o meu
povo! Dê-nos o maior avivamento de salvação e cura da História. Sonhos existem
para serem realizados. “Será que o Deus do amor prenderia a sua alma a um sonho
sem futuro?”.2
Alimentados pelo Jejum
A emergente geração de avivalistas está faminta por revelação. Sua fome é
alimentada pela disciplina do jejum. Como Walter Wink escreve em seu livro,
Engaging the Powers: “Um cristianismo banalizado não pode produzir atletas do
espírito. Aqueles que têm o futuro nas mãos submetem-se ao que alguns podem
chamar de disciplinas... para ficarem espiritualmente vivos”.3
Um jovem universitário estava fazendo o jejum de Daniel – jejuando carnes e
doces – por dois anos, orando pelo fim do aborto nos Estados Unidos. Após a
eleição de George Bush em 2004, um presidente claramente pró-vida, o jovem
pediu a Deus permissão para voltar a comer normalmente. Ele decidiu que se Deus
não lhe desse uma confirmação para continuar o jejum, ele iria terminá-lo no dia
seguinte.
Naquela noite, pouco antes da meia-noite, aquele jovem intercessor se reuniu
com alguns amigos para estudar. Ao ver um estudante que não conhecia,
apresentou-se. O rapaz então respondeu: “Oi, meu nome é Daniel Fast4”. Ele era
judeu.
O jovem logo soube que aquela era a confirmação pela qual estava orando, e
então continuou seu jejum de Daniel. Deus parecia estar gritando para ele: “Seu
jejum é muito estimado no Céu!”
Muitos outros jovens de várias localidades estão aderindo ao estilo de vida de
jejum. Estão se tornando luzes ardentes e brilhantes, incandescentes pelo zelo de
Deus. Estão liberando o convés e se santificando, e fazendo com que suas vidas
sejam pistas de pouso para a revelação. E, como Daniel, estão sendo
recompensadas com sonhos, palavras de conhecimento e poder sobrenatural. Creio
que são um protótipo dessa geração do fim dos tempos. Profetas são forjados nos
desertos do jejum, não nos desertos do banquete.
Prevalecendo em Oração
A última coisa que Jesus fez antes de deixar a Terra foi uma reunião de oração.
Aquela reunião abriu o Céu, e línguas de fogo explodiram das bocas dos
avivalistas recém-ordenados do Novo Testamento. Deus não irá mudar Seus
métodos. “Minha casa será chamada casa de oração” é o bramido do Senhor
sendo ouvido em toda a Terra (ver Mateus 21:13). Um fenômeno está ocorrendo!
Centenas de milhões de pessoas em quase todas as nações oram no mesmo dia, o
Dia Global de Oração. O movimento “TheCall” tem reunido centenas de milhares
de crentes em todo o mundo em assembleias solenes de jejum e oração.
Há um movimento de oração contínua, dia e noite, conhecido como oração 24/7,
ganhando impulso ao redor do mundo. Ministérios têm surgido para liderar o
movimento, e jovens estão envolvidos desde o início, desempenhando papéis
importantes em projetos como a Casa Internacional de Oração (IHOP), as Boiler
Rooms, 48HOPs, oração 24/7 e agora a Casa de Oração para Justiça (JHOP).
Todos eles patrocinam iniciativas de oração em vários países. Creio que as casas
de oração abastecidas pelos jovens são apenas o início do que está por vir.
O Senhor está claramente levantando um padrão de oração para desafiar a alma
escurecida e decaída desta época. É necessária uma cultura de oração, e não uma
reunião de oração. Os muçulmanos têm uma cultura de oração, mas a igreja cristã
tem uma reunião de oração. Como uma pequena reunião de oração poderá
competir com a cultura muçulmana de oração? Uma mudança radical está
ocorrendo e, enquanto ela acontece, a língua de fogo e o mover de milagres trarão
as multidões a Jesus e o clamor será ouvido mais uma vez: “O que devemos fazer
para sermos salvos?”
Em 2000, antes de o TheCall D.C. reunir 400 mil pessoas em oração e jejum,
ouvi a audível voz de Deus num encontro à noite. As palavras ressoaram através
da minha alma: “Os Estados Unidos estão recebendo seus apóstolos, profetas e
evangelistas, mas ainda não viu seus nazireus”. Algo nunca visto antes está
chegando aos Estados Unidos; vozes de verdade e santidade como a do nazireu
João Batista sacudirão as cidades. O espírito e o poder de Elias levantarão uma
geração morta. Uma missão especial demanda uma consagração especial.
Jovens, leiam este livro e sejam incendiados! Ousem sonhar os sonhos de Deus.
Preparem-se para serem uma voz nas chamas do jejum e da oração, obedeçam ao
Espírito Santo e sejam conduzidos pelo vento a uma vida de milagres, profecia e
perseguição.
LOU E NGLE
Fundador do TheCall
ESTE É INDISCUTIVELMENTE o melhor tempo da História, e
você está convidado a participar do mais incrível mover de Deus que o mundo já
viu! O Senhor quer os corações das pessoas de toda a Terra, e Ele está
despertando Sua Igreja para Seu desejo.
Eu sonho com cidades e nações inteiras sendo saturadas e transformadas pela
Presença de Deus – e estou dedicado a ver um exército de avivalistas da cura que
se levanta para demonstrar o Reino de Deus liberando sinais, maravilhas e
milagres. O Senhor está restaurando o sobrenatural à Sua Igreja através de crentes
normais como eu e você!
A fim de reforçar essa ativação, Deus está instalando uma mentalidade
totalmente nova em nós – uma mentalidade fundamentada na verdade de que nada
é impossível. Para agir com a autoridade dada a nós, essa nova geração de
avivalistas precisa reorganizar certas percepções a fim de operar em tudo que está
disponível para nós através da Cruz. Essa atitude renovada está embasada na
conscientização de que se Deus é por nós, quem será contra nós!?
Você, meu amigo, foi gerado para o sucesso! Sua vida é crucial para os planos
de Deus. Os sonhos arraigados no seu coração moram aí, porque Deus quer usar
você para levar avivamento à sua esfera particular da sociedade. As paixões do
seu coração são importantes e intimamente ligadas ao Seu anseio e à Sua comissão
para que as nações sejam discipuladas e impactadas por Ele!
O M E LHO R TE M P O D A HIS TÓ R IA
Deixe-me ir direto ao ponto. Creio que você está lendo este livro porque faz parte
de uma nova geração de avivalistas emergindo na Terra. Deus o escolheu para ser
parte integral de Seu plano para um avivamento mundial. O coração do Senhor
anseia para que as nações se voltem a Ele e, em meio à escuridão profunda e ao
desespero, Ele está derramando Seu Espírito. A glória do Senhor está nascendo
sobre o Seu povo e brilha forte sobre cidades e nações ao redor do mundo.
Esse derramamento é porque você está vivo, e nada mais irá satisfazê-lo. Você
está segurando este livro porque foi criado para alcançar cidades e discipular
nações. Você foi chamado para participar do mais incrível mover de Deus na
História!
Atos 17 diz:
“De um só fez Ele todos os povos, para que povoassem toda a Terra, tendo
determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos
em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens O buscassem e
talvez, tateando, pudessem encontrá-Lo, embora não esteja longe de cada
um de nós”.
Atos 17:26-27
Sabe o que isso significa? Que Deus procurou pelos corredores da eternidade e
decidiu colocar você estrategicamente nesta exata dispensação de tempo. Você
poderia ter nascido centenas de anos atrás, mas não nasceu – você nasceu nesta
época específica. Você deveria levantar da cama todos os dias com um sorriso no
rosto e um entusiasmo no seu caminhar porque Deus escolheu colocá-lo aqui e
agora, para o maior derramamento que o mundo já viu!
Em 1999, Wesley Campbell visitou a Igreja Bethel e começou a abrir meus
olhos para entender o tempo em que estamos vivendo. Durante uma de suas
mensagens, ele citou algumas estatísticas que me deixaram de queixo caído.

• A população mundial não chegou a um bilhão até 1804.


• Em 1960, 156 anos depois, esse número triplicou para três bilhões
de pessoas.
• Em 1999, 39 anos depois disso, a população mundial dobrou para
seis bilhões de pessoas.
• Em breve, haverá mais pessoas vivas na Terra do que o número total
de todos que já viveram.1

É evidente que vivemos num tempo de aceleração sem igual. Paralelo ao


crescimento explosivo da população está o agir de Deus aumentando
exponencialmente. Wesley também compartilhou as seguintes estatísticas da
população global cristã:

• Um terço de todos que já vieram a Cristo desde que Ele ascendeu ao


Céu o fizeram nos últimos dez anos (atual em 1999).
• A cada semana, um milhão de pessoas aceita Jesus como seu Senhor
e Salvador.
• Com a propulsão da população e a velocidade de salvações, em
breve haverá mais pessoas vivas que confessam Jesus como Salvador
do que todos na história que foram salvos e estão no Céu.2

Aqui está mais uma estatística citada recentemente por Bobby Conner: “É
estimado que na última década, uma média de 1,2 mil pessoas por hora têm se
tornado cristãs na China!”.3 Além da quantidade enorme de salvações, há muitos
outros sinais que apontam à grandeza do que Deus está fazendo. Os avanços
tecnológicos tornaram possível a propagação do Evangelho de maneiras nunca
imaginadas. O movimento de oração global está mais forte do que nunca,
resplandecendo pelo mundo em cantinhos de oração, salas de oração, salas de
estar, casas de oração 24/7, igrejas e estádios. A oração fervorosa e contínua está
ressoando pelas nações e subindo ao Céu por um avivamento mundial.
O sobrenatural está sendo restaurado mais uma vez à Igreja. Sinais, maravilhas,
curas e profecias estão sendo consistentemente demonstrados – não apenas em
cruzadas, mas no dia a dia dentro e fora das igrejas. E não estão acontecendo
somente através das mãos daqueles que fazem parte do ministério
profissionalmente. Donas de casa, empresários, professores, crianças e muitos
outros estão testemunhando a Palavra sendo manifesta em suas vidas. Durante
anos, ouvimos esse tipo de testemunhos principalmente de missionários e nos
alegramos com eles. Mas agora o sobrenatural não é prevalente apenas em países
do terceiro mundo – o Evangelho completo do Reino está sendo pregado com
sinais e maravilhas nos países ocidentais.
Se o despertar mundial e o aumento do Reino que estão acontecendo neste
momento tivessem que terminar hoje, ainda assim entrariam para os livros da
História como o mais extensivo e acelerado avivamento de todos os tempos. E o
que é absolutamente sensacional é o fato de que estamos apenas nos estágios
iniciais do que Deus pretende fazer! O Senhor está decidido a dar ao Seu Filho o
que Ele pediu: as nações da Terra como Sua herança (ver Salmos 2:8). Uma
colheita de um bilhão de almas nos dias vindouros foi profetizada. Deus está nos
preparando para algo extraordinariamente grande.
Que época maravilhosa para estarmos vivos! Nós verdadeiramente vivemos no
melhor tempo da História. Todos os dias eu tenho um sentimento impressionante
de gratidão pelo que Deus está fazendo na Terra e porque estou vivo para fazer
parte disso. Essa gratidão tem abastecido minha paixão para escrever Jesus
Culture, pois creio que é uma maneira como posso cumprir o papel que Deus deu
a mim. Meu papel é convocar e levantar essa nova geração de avivalistas – os
fervorosos que ouvirão as batidas do coração do Pai e responderão ao Seu desejo
pelas cidades e nações.

AV IVAL IS TAS D E C UR A
Sempre que Deus quer Se revelar numa região, local ou nacionalmente, para
salvar os perdidos e transformar a sociedade através de Sua presença e poder, Ele
unge indivíduos que chamamos de avivalistas. O Livro de Jonas ilustra
poderosamente esse princípio. Nínive era uma cidade perdida no pecado, mas o
coração de Deus clamava por ela e seu povo. Em meio à sua depravação, Ele
invadiu suas vidas com graça e amor. O primeiro passo Dele nesse plano foi
visitar um homem chamado Jonas.
Quando Deus chamou Jonas, liberou sobre ele a autoridade e o poder
necessários para haver avivamento em Nínive. Jonas se tornou a resposta de Deus
para aquela cidade. E Deus ainda age dessa forma. Seu coração anseia ver cidades
inteiras se voltarem para Ele, então está ungindo avivalistas como você e eu para
levar Sua presença e Seu poder a famílias, bairros, cidades, regiões e nações.
Há uma coragem nascendo nessa nova geração que transformará as nações. O
veterano ministro de jovens e escritor Winkie Pratney diz o seguinte: “Quando
Deus encontra alguém com coragem para pregar, orar e viver uma vida de
santidade e compaixão diante Dele, Ele pode literalmente mudar a face de uma
nação”.4
Jonas 1:1 diz “Ora veio a palavra do Senhor a Jonas” (ARIB). A palavra do
Senhor está vindo a homens e mulheres e seus corações estão despertando para
Deus. Eles estão devastados com uma paixão por ver um avivamento e não estão
mais satisfeitos com simplesmente frequentar a igreja. Não estão realizados por
viverem uma vida que não molda a história do mundo. Foram capturados pela
promessa de um renascimento guiado pelo Espírito, e seus corações estão atentos
ao que Deus está resoluto para cumprir. Arthur Wallis, um líder do movimento
carismático no Reino Unido, identificou esse despertamento com o nascimento do
avivamento em seu livro In the Day of Thy Power:

“O avivamento envolve dois clamores de despertamento: de Deus ao homem,


‘Desperta, desperta ... Sião’ (Is 52:1, ARIB), e do homem a Deus,
‘Desperta, desperta, veste-te de força, ó braço do Senhor; desperta como
nos dias da antiguidade’ (Is 51:9, ARIB). Quando a voz do Senhor despertar
a igreja, a voz dela despertará o Senhor, e o poder de Deus será manifestado
na salvação de pecadores. Quando parecia que por muito tempo o Todo
Poderoso havia dormido, o clamor da igreja penetra os Céus: ‘Que Deus se
levante! Sejam espalhados os seus inimigos...’ (Sl 68:1).”5

A palavra do Senhor está mais uma vez revigorando avivalistas que possuem um
desejo exaustivo de que a glória Dele cubra a Terra, e eles não serão dissuadidos.
Anos atrás, eu ouvi a seguinte citação que eu acredito ser de Mario Murillo, que
conecta a importância de um povo que recusa ser dissuadido com avivamento:
“Noventa por cento do avivamento é chegar aonde nasce uma determinação
inabalável”.
Todos os anos, a Escola Bethel de Ministério Sobrenatural transborda com
centenas de alunos novos vindos de várias partes do mundo para receber
treinamento porque têm o desejo de mudar o mundo. Muitos deles venderam tudo o
que tinham ou deixaram suas famílias porque sabem que suas vidas estão
destinadas a guiar o curso da História. Eles representam milhões ao redor do
mundo cujos clamores pela presença de Deus estão sendo liberados, e eu vejo o
Senhor respondê-los ao ungir pessoas com autoridade e poder. Através desses
encontros, percebem que seu destino está intimamente ligado ao avivamento, e se
rendem em obediência alegre quando o Senhor os envia.
Deus está avivando Sua Igreja porque deseja as cidades e as nações. Eu sonho
com cidades inteiras sendo saturadas na presença Dele, conhecendo a verdade do
Evangelho e encontrando pessoalmente Seu amor e poder. Minha devoção é ver a
Igreja demonstrando o Reino de Deus ao engajar pessoas com o poder puro e o
amor radical do Senhor. Isso é o que me consome, e este é o exército que fui
chamado para levantar.
M IN HA HIS T Ó R IA
Apesar de ter crescido num ambiente cristão, eu nem sequer havia ouvido falar
de avivamento até os 19 anos de idade. Eu pertencia a um lar sólido cristão,
frequentava uma igreja batista conservadora e ia a uma escola cristã. Lembro-me
claramente de, aos quatro anos de idade, estar sentado no colo da minha mãe em
nosso velho sofá de couro na sala de estar e aceitar Jesus como meu Salvador.
Depois, aos 17, tive um encontro poderoso com Deus na Igreja Bethel em Redding,
na Califórnia. Ajoelhado nos degraus da frente do santuário, eu entreguei minha
vida completamente a Deus e fui para casa naquela noite sabendo que eu havia
sido chamado para pregar o Evangelho.
A partir daquele momento, comecei a buscar a Deus vigorosamente, e minha
vida foi consumida pelo amor a Jesus. Ray Larson era o pastor titular e Scott
Anderson era o pastor de jovens. Eu fui abençoado por contar com o fluir de
homens como estes na minha vida durante a adolescência. Eles enxergaram o
destino que estava em minha vida e me inspiraram a buscar tudo que Deus tinha
para mim. Depois que tomei a decisão de buscar a Deus com todo o meu coração,
perdi todos os meus amigos. Não foi nem uma escolha consciente minha; eu
simplesmente estava seguindo uma direção diferente. Meu novo foco na vida fez
com que fosse impossível continuar fazendo as mesmas coisas que eu sempre
fazia. Meus amigos não haviam feito a mesma escolha que eu; por isso, nossos
caminhos se separaram. Eu estava chateado por perder meus amigos, mas havia
determinado em meu coração que buscaria a Jesus. Comecei a devorar a Palavra
de Deus, a ouvir pregações e a ler livros que abasteciam essa nova chama.
Quando eu tinha 19 anos, comecei um estágio na Igreja Bethel. Alguns meses
depois, Bill Johnson se tornou nosso pastor titular. Pouco antes disso, alguns de
nós da Bethel tinham experimentado “renovação” em outra igreja da cidade cujo
pastor havia retornado da Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto e iniciado
cultos semanais. Lá, eu tive experiências com o Senhor como nunca havia tido. Eu
ficava nas filas de oração durante o tempo de ministração, chorando, inundado
pela presença de Deus. Lembro-me de entrar nos cultos tão feliz que tudo que eu
conseguia fazer era sorrir e abraçar as pessoas. Eu não sabia que era a alegria do
Senhor porque não sabia que isso existia; simplesmente sabia que eu adorava estar
naqueles cultos em que a presença de Deus era tão forte.
O pastor Bill não só trouxe avivamento para a Bethel, mas também abriu meus
olhos para o conceito e para a história do avivamento mundial. Durante aquela
época, eu consumia todo livro que podia encontrar sobre este tema. Era tão
maravilhoso aprender sobre os diferentes derramamentos do Espírito Santo que
haviam acontecido na História. E não demorou até que eu percebesse que essa é a
razão pela qual estou vivo. Nasci para ver Sua presença manifesta alcançar as
cidades e milhões sendo levados para o Reino do Céu – cidades e nações inteiras
sendo transformadas pelo poder de Deus. Comecei a sonhar com essas coisas, e
soube que iria passar o resto da minha vida buscando-as. Desesperado por
descobrir o que Deus poderia fazer através da minha vida, fui capturado pela
declaração que J.C. Pollock fez a D.L. Moody, um dos maiores evangelistas do
século XIX: “Moody, o mundo ainda verá o que Deus fará com um homem
completamente consagrado a Ele”.6 Eu queria me doar totalmente a Deus para um
avivamento.
Bill também me apresentou a homens e mulheres do passado, a quem Deus havia
ungido como avivalistas – pessoas como John Wesley, George Whitefield, Charles
Finney, John Alexander Dowie, John G. Lake, Evan Roberts, William Seymour,
Maria Woodworth Etter, William Branham, A.A. Allen, Aimee Semple McPherson,
Oral Roberts, Kathryn Kuhlman e John Wimber, para citar alguns. Na medida em
que me conectei com suas vidas, senti uma nova paixão queimando dentro de mim.
Aí descobri que havia pessoas vivas que tinham a unção do avivamento. Isso
era demais. O nível de unção sobre o qual eu estava lendo ainda estava disponível
hoje? Após meu encontro com Deus, aos 17 anos, eu podia sentir bem no meu
interior um chamado para avivamento, mas nunca consegui dar nome àquilo. Agora
eu estava sendo apresentado a uma esfera de Deus antes desconhecida por mim. Eu
estava totalmente fissurado por avivamento, cativado por Jesus e intoxicado por
buscar a restauração da nação a Ele!
Então conheci Lou Engle. Ele ministrou num culto de domingo poucos anos após
Bill Johnson ter vindo para a Bethel. Alguns amigos meus de Sacramento, na
Califórnia, haviam-no descrito como um sargento cristão com a voz rouca devido
a anos de oração fervorosa por avivamento. Eu sentei na primeira fileira e meu
coração queimava enquanto ele pregava. Lou falou sobre oração e avivamento, e
foi como se eu pudesse ouvir Deus berrando comigo através da ministração dele.
Ele terminou a mensagem com um apelo a todos que quisessem ser intercessores
por avivamento para virem a frente. Eu corri para o altar e me lancei nos degraus
assim como centenas de outras pessoas. Deus soberanamente me encontrou ali e
acendeu um fogo em mim que não parou mais de queimar; na verdade, aumentou.
Lou passou para mim uma seriedade reverente pela oração e um júbilo em se
consagrar ao Senhor com todo o coração.
Deus usou Bill e Lou para abrir o livro da minha vida e me mostrar por que
estou vivo. Eles abriram as cortinas do potencial profético e me fizeram enxergar
o que Deus tinha para mim e tudo que era possível para alguém que se doasse
completamente por avivamento. Através deles, o Senhor me tocou profundamente e
despertou meu destino, iniciando uma chama pelo Rei e o Seu Reino. Eu soube
então que havia sido chamado para ser um avivalista que andava em oração e
poder para ver cidades tomadas e nações inteiras se voltarem a Deus.

M E U C HAM AD O
Logo após Deus ter me chamado para ser um intercessor e um avivalista, o
Senhor começou a revelar outro nível de Seu chamado em minha vida. Nessa
época, eu tinha 23 anos e já era pastor de jovens há alguns anos. Certa noite, tive
um sonho em que eu estava no exército. Eu estava de pé na linha de frente de um
grupo de cerca de vinte soldados em formação no meio de uma rua residencial.
Todos os outros soldados eram mais novos do que eu, e estávamos de frente para
um sargento instrutor que nos mostrava como usar nossas mãos (que eu acredito
representava oração). De repente, alguns dos soldados começaram a fugir da
formação para entrarem nas casas do bairro.
De primeira, o sargento instrutor não disse nada, mas quando dois jovens da
parte de trás do nosso grupo começaram a correr, ele se voltou para mim e para
outro soldado e disse: “Vão pegá-los!” Nós os perseguimos por um beco que nos
levou a um campo de terra onde eles entraram num carro branco dos anos 70.
Enquanto partiam, eu corri ao lado do carro e agarrei a porta do motorista. A
janela estava aberta, então alcancei lá dentro e comecei a lutar violentamente com
o motorista, tentando tirá-lo do carro em movimento. Eventualmente, comecei a
ganhá-lo em força, puxei metade de seu corpo para fora e, finalmente, consegui
retirá-lo do automóvel. Meu companheiro fez o mesmo com o outro rapaz. Nós
orgulhosamente levamos aqueles soldados de volta para a formação, sabendo que
nossa missão havia sido cumprida. Através desse sonho, de outros subsequentes e
de palavras proféticas, o Senhor me chamou para a busca fervorosa de uma
geração – para mostrar a ela seu propósito como avivalista.

A IM P O RT Â N C IA D E 1 9 4 8
No verão de 2005, comecei uma jornada profética que revelou ainda mais o meu
chamado de levantar avivalistas. Eu seria o pregador na abertura da nossa
Conferência Anual Jesus Culture em Redding e não estava certo sobre o que iria
falar. Fui para a cama na noite anterior esperando que Deus falasse comigo num
sonho e me trouxesse clareza quanto a minha mensagem.
Deus está sempre falando conosco, e devemos inclinar nossos ouvidos para
escutar Sua voz. Uma das maneiras mais significativas de como Ele fala comigo é
através de sonhos. Ao longo dos anos, algumas das direções ou das revelações
mais profundas que recebi de Deus vieram durante a noite. Em toda a Bíblia,
vemos Deus se comunicando com as pessoas através de sonhos, mas eles são
apenas uma das inúmeras formas diferentes de como o Senhor fala conosco. Ele
também fala através de palavras proféticas, de circunstâncias divinas, da Sua voz
tranquila e suave e de “coincidências” quando o nosso coração está sintonizado
com a linguagem do Espírito. A Palavra escrita é a base da nossa vida, e cada um
desses métodos que Deus usa para falar conosco deve ser congruente à mensagem
das Escrituras.
Como era de se esperar, naquela noite tive um sonho em que eu telefonava para
as pessoas e perguntava: “Como o ano de 1948 afetou você?”. Quando acordei,
sabia que Deus estava falando comigo. A partir do meu estudo sobre a história do
avivamento, compreendi que 1948 tinha a ver com o Avivamento da Cura.
Naquele dia, estudei sobre 1948 e rapidamente descobri mais sobre sua
importância no calendário de Deus. Aquele ano foi épico no Corpo de Cristo.
Além de ter sido o momento em que Israel se tornou uma nação novamente, o
Senhor liberou uma unção espantosa sobre a Igreja.7 Deus dispensou poder através
de homens e mulheres que trouxeram centenas de milhares para o Reino e
reacenderam a Igreja com uma nova visão. Randy Bozarth, o ex-vice-presidente da
Christ for the Nations, descreve o ano de 1948 em seu livro The Voice of Healing
(A Voz da Cura):

“Era claro que em 1948 um novo período no tempo de Deus havia começado.
Seria um período em que Ele mais uma vez demonstraria Sua presença para
as multidões. Ele acabaria com o peso da enfermidade e da dor através de
curas sobrenaturais. Ele encorajaria a fé de muitos com extraordinários
sinais e maravilhas.”8

David Edwin Harrell escreve sobre esse período de tempo e diz que houve uma
“explosão mundial de avivamento de cura”.9 Em meu estudo, também encontrei o
impulso exponencial de unção que o Senhor estava liberando através de muitos
homens e mulheres. Apesar de não ter aqui o tempo para apresentar um estudo
exaustivo de cada um desses avivalistas ungidos, quero fazer um breve resumo. E
encorajo você a estudar sobre essas pessoas com mais profundidade, pois suas
vidas são extremamente relevantes para nossa jornada como avivalistas. Elas
revelam nossa herança e linhagem e declaram profeticamente a nós.
Enquanto escrevo sobre como estudei e aprendi sobre diferentes homens e
mulheres de Deus, gostaria de explicar como eu interajo com a vida deles. Muitos
deles, pelos quais tenho grande respeito e a quem honro, não terminaram bem suas
vidas ou lutaram com o pecado e cometeram graves erros. Creio que podemos e
devemos celebrar a graça na vida de um homem ou uma mulher sem ter que fechar
os olhos para suas deficiências e fraquezas. Minha vida tem sido fortemente
impactada e influenciada por um homem que foi adúltero e assassino. Eu bebo do
poço de sabedoria e entendimento de um homem que se entregou à promiscuidade
e à imoralidade mais tarde em sua vida. É claro que estou falando do Rei Davi e
de seu filho, o Rei Salomão. Acredito que se uma pessoa termina seus dias de
maneira lamentável não significa que ela nunca teve um coração voltado para
Deus. O pecado na vida humana não nega a revelação genuína que aquela pessoa
recebeu ou o ministério em que ela operou. Se isso fosse verdade, eu teria que
rasgar o Livro de Provérbios e a maior parte dos Salmos. Creio firmemente que
podemos “comer a carne e jogar fora os ossos”.
Alguns dos avivalistas que menciono neste livro, assim como outros com os
quais eu aprendi, nunca experimentaram vitória duradoura sobre o pecado
constante. Mas ainda assim posso celebrar a graça sobre suas vidas e aprender
com eles. O fim que tiveram não cancela suas vitórias anteriores. Eu, é claro, fico
entristecido pela forma como alguns deles ficaram isolados. Também fico triste
com como, em alguns exemplos, o Corpo de Cristo abandonou esses avivalistas
em suas horas mais obscuras. Quando estudamos as vidas de avivalistas, tanto do
passado quanto atuais, vemos que muitos deles tiveram fraquezas e deficiências
notórias. Elas também podem servir de lições sobre como ser bem-sucedido ao
viver como um avivalista. Meu coração deseja que você possa aprender com esses
homens e mulheres de Deus e não roube do seu interior o que Deus quer liberar a
você através da graça presente na vida deles.
Em 1946, um anjo visitou William Branham, um pobre pregador de Kentucky, e
lhe disse que ele levaria cura às nações. O anjo lhe explicou que ele mostraria às
pessoas dois sinais que lhes dariam fé para ver o milagroso. Dois anos depois, em
1948, o ministério de Branham atraía milhares de pessoas com impacto e
resultados incríveis. Seu ministério foi marcado por fenômenos e milagres
sobrenaturais.
O primeiro dos dois sinais em seu ministério foi uma habilidade incomum de
diagnosticar condições físicas, precedida por um aparecimento de manchas
vermelhas em seu braço quando ele segurava a mão de uma pessoa doente.
Testemunhas observaram que quando essas marcas apareciam no braço de
Branham, ele podia identificar qualquer enfermidade demoníaca com cem por
cento de exatidão. Quando as manchas desapareciam, a pessoa era curada. Isso
aconteceu milhares de vezes.
O outro sinal foi o dom de ter visões claras sobre pessoas. Uma esfera de luz
entrava no lugar e pairava sobre um indivíduo. Muitos testemunhavam essa luz e
alguém inclusive tirou uma fotografia dela. Quando a luz pairava sobre uma
pessoa, Branham parava tudo e uma visão aberta aparecia a sua frente. Ele então
via segmentos da vida daquela pessoa passando diante dele como um filme.
Quando descrevia o que viu, a pessoa era curada ou radicalmente tocada pelo
Espírito de Deus. O ministério de Branham era conhecido pelo poder puro e pela
atividade sobrenatural, e centenas de milhares foram impactadas por sua fé.
Muitos creem que a unção em que ele andava foi a mais poderosa desde a época
de Jesus.10
Antes de 1948, Oral Roberts havia ministrado cura por um tempo, mas
principalmente em locais menores. Seu ministério de cura se iniciou em 1947, mas
foi um ano depois que ele estabeleceu a Associação Evangelística Oral Roberts.
Suas reuniões começaram a juntar multidões de sedentos pela cura ou por um novo
toque de Deus. Ele sentava numa cadeira enquanto centenas de pessoas passavam
diante dele para receber oração de cura. Roberts foi e é um incrível homem de fé e
visão e um poderoso professor da Palavra. Através de seu ministério em cultos,
livros, televisão e na universidade chamada pelo seu nome, inúmeras pessoas
encontraram a Deus e receberam sua vitória na cura.11
Em 1948, Billy Graham renunciou a sua posição na Youth for Christ, aventurou-
se por conta própria e iniciou o maior ministério individual evangelístico do
mundo. A marca que Graham deixou no mundo e na Igreja é inegável. Milhões
devem eternamente à fidelidade desse humilde servo de Deus, cujo principal
desejo era trazer a mensagem simples e clara de Jesus ao mundo.12
Em 1948, Kathryn Kuhlman fez seu primeiro culto de milagres em Pittsburgh.
Neles, Deus trombeteava a mensagem de cura para o mundo. Assim como Graham
e Roberts, ela havia pregado por anos, mas após uma série de encontros com
outros ministros que levavam a mensagem de cura, ela começou a pregar a
mensagem de que Deus ainda cura hoje. Em 1947, começou a ministrar sobre cura
divina e foi imediatamente impactada por testemunhos de pessoas que haviam sido
curadas em suas reuniões. Esse foi o começo de um longo e poderoso ministério
de cura que tocou milhões de pessoas ao redor do mundo. Suas reuniões eram
marcadas pela tangível manifestação da presença de Deus. As pessoas diziam ficar
impressionadas com a presença de Deus quando passavam pelas portas do salão.
Inúmeras pessoas eram curadas nas suas reuniões simplesmente por estarem na
presença do Senhor.
Kuhlman era uma mulher que adorava o Espírito Santo, e Ele amava passar
tempo com ela porque ela era amiga de Deus. Ela operava com revelação num alto
nível e sabia, através do Espírito Santo, as doenças que estavam sendo curadas em
suas reuniões. Ela fazia declarações como: “Alguém na galeria à minha esquerda
está sendo curado de dor na coluna. Você esteve num acidente de carro dez anos
atrás e os médicos desistiram de você. Neste momento você está sendo curado.
Simplesmente receba sua cura!”. Como era de se esperar, alguém da galeria cabia
naquela descrição e era curado. Kathryn mostrava à Igreja o que está disponível
em nosso relacionamento com o Espírito Santo e influenciava milhares de
ministros, sendo Benny Hinn o mais conhecido.13
Em 1947, Gordon Lindsay se mudou de Ashland, Oregon, onde pastoreava uma
igreja local, para liderar o ministério de William Branham. Em 1948, Lindsay deu
início a uma revista chamada A Voz da Cura, que publicava internacionalmente
relatos do poder de Deus de operar milagres. Com o tempo, a revista cresceu e se
tornou um movimento que iria conectar cerca de 50 avivalistas de cura que
ministravam ao redor do mundo e estavam vendo salvação e vitórias de cura
inacreditáveis. Lindsay era um escritor de mão cheia que produzia muitos livros.
Junto com sua esposa, Freda, iniciou o Instituto Christ for the Nations em Dallas,
no Texas, que até hoje treina avivalistas para impactar as nações da Terra.14

A M E N S AGE M
Através daquele meu sonho sobre o ano de 1948, o Senhor começou a falar
comigo sobre Sua intenção de liberar novamente a unção presente naquele ano
marcante. No entanto, dessa vez a mensagem era a de que estaria disponível para
todos. Não repousaria apenas em algumas pessoas; seria liberada em massa sobre
o Corpo de Cristo. Todos aqueles com sede o bastante teriam acesso ao mesmo
nível de unção que Branham, Roberts, Graham, Kuhlman e Lindsay tiveram.
Nunca foi a intenção de Deus que uma unção permanecesse somente sobre um
indivíduo específico. A promessa que foi inicialmente cumprida em Pentecostes e
que no fim será cumprida é a de que Deus derramará de Seu “Espírito sobre todos
os povos” (At 2:17). Seu desejo e plano sempre foram capacitar todo o Corpo de
Cristo para operar naquele nível de unção. Porém, Ele tem estratégias específicas
para cumprir esse plano. Eu ouvi Bill Johnson descrevê-lo da seguinte forma:

“Deus dá a algumas pessoas um ‘pico’ na experiência humana para que


possam não apenas reunir pessoas a sua volta e ministrar sobre elas, mas
para também serem posicionadas com favor para equipar os santos, para que
seu ‘ponto alto’ se torne o novo padrão.”

Felizmente, pessoas por toda parte da Igreja estão começando a reconhecer e a


abraçar a verdade de que todo crente é elegível e, de fato, chamado para caminhar
na unção do Espírito Santo. Estamos num novo tempo no Corpo de Cristo em que
crentes não estão mais satisfeitos ou dispostos a simplesmente sentar e assistir os
ministros no palco. Querem fluir na mesma unção e ver o mundo encontrar Deus
através deles. É o “dia dos santos”. Há um grande influxo de igrejas e ministérios
que estão mudando a forma da sua ministração a fim de equipar “os santos para a
obra do ministério” (Ef 4:12). O sonho que tive e relatei aqui foi profético de que
eu também teria uma participação em levantar os santos e enviá-los.
Alguns meses depois de que tive aquele sonho, fui pregar nos cultos de fim de
semana de uma igreja em um subúrbio de Chicago. Minha esposa e eu pegamos o
voo na sexta-feira e fomos jantar com o pastor e sua família. Enquanto sentávamos
à mesa no restaurante, nossa conversa se voltou para o mover de Deus naquela
cidade no passado.
Não se pode falar de avivamento em Chicago sem mencionar John Alexander
Dowie. Ele foi um ministro que viveu naquele lugar no fim do século XIX e no
início do século XX. Dowie tinha uma incrível revelação do poder de cura de
Deus e é considerado o pai do atual movimento de cura que começou no início do
século XX. (John G. Lake foi um ministro proeminente que, entre outros, foi
profundamente tocado por seu ministério). Dowie estabeleceu casas de cura aonde
doentes terminais iam e ficavam durante semanas. Eles recebiam oração de
pessoas treinadas para o ministério de cura e eram saturados com a verdade sobre
cura contida nas Escrituras. As estatísticas dos que foram curados de doenças
terminais nessas casas são impressionantes. (Hoje, Cal Pierce continua o mesmo
ministério através das Healing Rooms em Spokane, Washington.15) Porém, a
influência de Dowie em Chicago foi muito além do seu ministério de cura; ele
afetou toda a cidade. Roberts Liardon, um autor e especialista em avivamento, em
seu livro God’s Generals, diz o seguinte: “Nunca antes ou desde então um homem
capturou uma cidade de tal forma. Dowie tinha grande influência sobre a cidade
de Chicago”.16
Em 1900, Dowie deixou Chicago e fundou uma cidade chamada Zion, que ainda
existe hoje. Já que eu iria passar alguns dias em Chicago, perguntei ao pastor se
podíamos visitar Zion e passar algum tempo orando ali. Naquele domingo à tarde
dirigimos até essa cidade, planejando fazer uma visita à casa de Dowie, a Shiloh
House. Chegamos e fomos até a porta esperando encontrar a senhora que seria
nossa guia. Quando o pastor bateu à porta, as luzes da casa piscaram e houve um
apagão em toda a região. Ninguém veio até a porta, então deixamos a casa e
dirigimos um pouco pela cidade. Percebemos que não havia luz em nenhum lugar,
mas não demos muita importância a isso.
Voltamos para a casa de Dowie e dessa vez conseguimos entrar. Foi uma
experiência maravilhosa fazer um passeio pela casa de um gigante da fé. Após
cerca de uma hora, foi ficando muito escuro para enxergar bem, mas antes de
irmos embora o pastor sentou no piano e passamos algum tempo adorando e
orando pela liberação do poder de Deus sobre a nação novamente.
Naquele momento, percebemos que a queda de energia era de alguma forma
profética, mas não conseguíamos entender o que Deus estava dizendo. Eu virei
para um dos rapazes e disse: “Acho que a queda de energia é profética, mas será
ruim se quiser dizer que haverá uma queda de poder, não é? Não queremos que o
poder apague em nosso país; queremos que ele esteja ligado”.
Enquanto nos preparávamos para deixar o lugar, um dos rapazes se virou para
mim e perguntou: “Não seria uma loucura se a energia voltasse quando sairmos?”
Nós concordamos que seria um pouco estranho e caminhamos pelo corredor até
a porta. No instante em que a porta abriu, a energia de toda a região foi
restaurada. Aquilo foi demais! Ficamos ali impressionados, tentando compreender
o que o Senhor estava nos dizendo.
Então, compreendi. Voltei-me para o grupo e disse: “Já sei o que isso quer
dizer. O poder foi perdido, mas está sendo restaurado enquanto saímos”. É isso
que o Senhor estava nos dizendo, e foi significativo porque estávamos na casa do
Dowie. Dowie deixou uma marca na cidade de Chicago como nenhuma outra
pessoa. Ele influenciou todas as áreas da sociedade. A política, os negócios, a
religião e a educação foram todos afetados pela unção que estava sobre ele. Creio
que Chicago estava a caminho de ser a primeira cidade da América que foi
completamente salva. Liardon escreveu sobre o impacto que Dowie causou: “Em
pouco tempo, não havia praticamente ninguém que não tivesse escutado a
mensagem do Evangelho”.17 Porém, isso parou quando Dowie deixou Chicago e
plantou uma comunidade cristã.
Por favor, ouça o meu coração, pois não quero desonrar o Dowie aqui. Creio
que a Igreja deve a ele mais do que a maioria jamais saberá. Não estou tentando
escrever uma opinião sobre se Dowie devia ou não ter deixado a cidade de
Chicago, mas estou dizendo que a influência e a revelação do poder de Deus que
estavam impactando Chicago foram embora quando ele partiu. Em essência,
quando ele se mudou para dentro de uma comunidade cristã, ele parou de impactar
a cidade. O que quero dizer é que acredito que a revelação de poder que Deus
havia dado a Dowie teria eventualmente transformado a cidade de Chicago.
Deus estava falando comigo claramente: “Estou restaurando o poder à Igreja
novamente para impactar cidades quando missionários forem enviados”. Deus
está ungindo pessoas com poder para impactar cidades e trazer as nações para
Ele. Mas elas devem ser enviadas para fazerem como Isaías profetizou: “Levanta-
te, resplandece!” (Is 60:1, ACF). Este é o meu chamado – levantar uma geração
sobre a qual a glória do Senhor tem se levantado e para a qual as nações virão.
Quero lhe contar sobre mais um encontro profético significante. Alguns meses
após minha experiência na casa do Dowie, um dos nossos pastores da Bethel,
Kevin Dedmon, teve um encontro envolvendo um homem chamado Lonnie Frisbee.
Frisbee era um jovem hippie que havia sido salvo em São Francisco e se tornado
um dos catalisadores do Jesus Movement do fim dos anos sessenta e do início dos
anos setenta. Ele foi a razão principal pelo crescimento explosivo dos movimentos
Calvary Chapel e Vineyard. Frisbee tinha uma grande unção profética, e a
manifesta presença de Deus era uma marca distintiva de seu ministério. Muitas
pessoas testificaram sinais e maravilhas acontecendo em suas reuniões.
Antes de Kevin Dedmon se juntar à equipe da Bethel, ele era pastor da Vineyard
no sul da Califórnia. Kevin conhecia Lonnie Frisbee e ministrou a ele antes de sua
morte em 1993, mas Kevin não compreendia os conceitos de unção, mantos, ou
heranças naquela época, então nunca pediu que Frisbee orasse por ele. Quando
Kevin começou a aprender sobre avivalistas do passado e a unção que
carregavam, começou a estudar sobre a vida de Frisbee. Descobriu que muitos
anos atrás Frisbee havia feito uma parceria com outros quatro novos cristãos
radicais para iniciar uma comuna cristã chamada de Casa de Atos, em Novato, na
Califórnia. Aconteceu que um mês após sua descoberta, em fevereiro de 2006,
Kevin iria pregar numa igreja em Novato. Ele ligou para o pastor e perguntou se
ele sabia onde ficava a Casa de Atos para que pudessem visitar o local a fim de
receber uma revelação da unção que Lonnie carregava como catalisador do Jesus
Movement. O pastor procurou por semanas, mas não achou nada sobre a Casa de
Atos. Eles por fim desistiram.
Durante sua estadia em Novato, Kevin pregou numa reunião de liderança e
contou sua história sobre a busca pelo manto de Lonnie Frisbee. Durante a
reunião, uma senhora de 70 anos se levantou. Com lágrimas escorrendo pelo rosto,
ela disse: “Eu conhecia Lonnie. Fui professora de artes dele na escola. No ano em
que faleceu, ele veio à minha casa. Quando abri a porta, ele olhou para mim e
profetizou, ‘Quando você tiver 70 anos, haverá um homem em busca do meu
manto, e quando ele vier, dê o meu manto para ele, e será liberado a ele e a todos
que o quiserem, pois Jesus deseja cumprir o que Ele começou através de mim’”.
Quando Kevin me contou essa história, soube que o Senhor estava confirmando
novamente a palavra que estava dizendo a mim durante meses sobre o meu
chamado para ser um avivalista e sobre a minha missão de levantar um grupo de
avivalistas. Deus está lançando avivalistas da cura mais uma vez em toda a Terra,
e minha missão é levantá-los e enviá-los.
Essa missão está diretamente ligada à época em que vivemos. Nada me
convence mais da intenção de Deus de cumprir a profecia da colheita de um bilhão
de almas do que vê-Lo agindo em Sua Igreja, preparando não apenas alguns, mas
todos que disserem sim para ir às suas cidades e nações. E centenas e milhares
têm dito sim. Estão inflamados com um compromisso de perpetuar um
derramamento do Espírito Santo e encorajados a viajar pelo mundo com exibições
incríveis de Sua bondade.
Ver Deus ativando o coração de Seu povo é maravilhoso; e é mais espantoso
ainda observar que Ele está instalando uma mentalidade completamente nova em
nós – uma mentalidade baseada na verdade de que nada é impossível. No próximo
capítulo, você verá como ela funciona.
U M A N O VA M E N TA L I D A D E
Aaron McMahon faz parte da nova geração de avivalistas que está emergindo na
Terra atualmente. Ele chegou à Bethel há alguns anos para participar da Escola
Bethel de Ministério Sobrenatural. Enquanto estudava, Deus não só despertou
radicalmente seu coração como também reorganizou completamente a sua maneira
de pensar. Conforme Aaron começou a viver com sua mentalidade avivalista, o
Senhor passou a usá-lo de formas incríveis. Uma das histórias que ele conta é um
grande testemunho que ilustra belamente como essa nova geração pensa. Ele conta
essa história em seu livro These Signs Shall Follow:

“Na quarta-feira de 1º de agosto de 2007, eu estava participando de uma


conferência telefônica de negócios. Havia seis pessoas na conferência – três
pessoas da minha empresa e três da empresa cliente. Quando iniciamos a
conferência, meu sócio começou perguntando à Laurie, uma mulher que
trabalhava para o cliente, como estava a coluna dela. Obviamente, ele estava
familiar com a situação dela e queria saber se havia melhorado. Eu, por
outro lado, não sabia de nada. Nunca havia falado com Laurie. Esperava que
ela respondesse à pergunta do meu sócio com uma resposta de 15 a 20
segundos. Quando alguém nos pergunta “Como vai?”, normalmente não
entramos em cada detalhe particular da nossa vida. Mas Laurie respondeu
detalhadamente por três ou quatro minutos.
Na verdade, eu não teria que participar daquela reunião, pois sou o
programador. Meu trabalho é basicamente sentar ali em silêncio e escutar. Se
houver alguma pergunta técnica, posso interromper e respondê-la. Se meu
sócio achar que posso adicionar algo útil sem deixar ninguém confuso, ele
passará a palavra para mim. Porém, basicamente fico ali para escutar suas
necessidades a fim de criar um software melhor.
Enquanto Laurie ia para o segundo e terceiro minutos de detalhe, fui
ficando espantado com sua situação. Ela não estava tendo apenas dor nas
costas; estava com um sério problema de coluna. Ela disse que tinha uma
hérnia de disco. Eu não sei muito bem o que isso quer dizer, mas soava como
algo muito ruim. Ela disse que havia tido outra hérnia alguns anos antes e
havia passado por uma cirurgia que consertou grande parte do problema e
diminuiu a dor. Mas agora a hérnia estava de volta numa parte diferente da
espinha e estava causando mais problemas do que a última. Ela estava
perdendo o sentido dos dedos do pé e suas pernas doíam muito,
aparentemente devido à forma como os nervos passavam pela coluna
vertebral. Laurie havia marcado uma consulta pré-cirúrgica para a manhã
seguinte. Não tenho certeza de quando a cirurgia aconteceria, mas parecia
ser logo, provavelmente dentro dos próximos dias. Laurie disse que esperava
ficar longe do trabalho por oito semanas.
Enquanto ela dava todos esses detalhes, eu senti algo dentro de mim. Eu
havia acabado de terminar o segundo ano da Escola Bethel de Ministério
Sobrenatural. “Eu sou um avivalista. O que farei quanto a essa situação?”
Essa pergunta queimava em mim. “O que vou fazer?” Tive tempo de debater
comigo mesmo sobre os dois lados da questão enquanto Laurie falava por
mais alguns minutos. Eu pensei: “Sou avivalista! É isso que eu faço!” Mas
minha carne dizia: “Cara, você está numa conferência telefônica de negócios.
Esse não é o lugar nem o momento apropriado para uma oração!” Meu
espírito respondia: “Vamos, você só precisa de trinta segundos para ela ficar
curada. Trinta segundos! O que é isso comparado a oito semanas de
recuperação?” E minha carne dizia: “Você irá se expor para pessoas que nem
o conhecem e será muito embaraçoso”.
Aquela situação me fez sair da minha zona de conforto. Minha carne queria
sentar ali em silêncio e torcer para que ela terminasse logo de falar a fim de
que eu pudesse me esquecer logo daquilo. Mas meu destino queimava dentro
de mim. Sou um avivalista. Foi isso que nasci para fazer – caminhar nos
passos de Jesus e seguir Seu modelo para trazer-Lhe glória. Por fim, fiz
minha escolha (com um pouco de hesitação). Pensei comigo mesmo: “Gente,
sou um avivalista! Vou colocar todas as minhas fichas na mesa. Sei o que
isso irá me custar em termos de orgulho e conforto, mas valerá a pena
quando ela estiver curada e não precisar passar oito semanas de cama se
recuperando! Trinta segundos de oração contra oito semanas de
recuperação... Eu tenho que fazer isso por ela!”
Então, enquanto Laurie terminava de falar, eu disse: “Com licença, Laurie,
eu sou o Aaron, o programador. Faço parte de uma escola que prepara para o
ministério, e não posso deixar essa oportunidade escapar. Posso orar para
que você seja curada? Já vi tantas pessoas serem curadas de problemas na
coluna que tenho fé total de que você receberá sua cura. Isso levará apenas
trinta segundos”.
Houve um momento de silêncio. Por três ou quatro segundos, eu não ouvi
nada. Depois ela respondeu, “Humm, claro. Sim, por favor ore por mim”.
Então orei. Sinceramente, aquele não era meu momento mais espiritual.
Senti-me realmente exposto e muito consciente dos outros que estavam
ouvindo. Tentei não me distrair imaginando o que eles provavelmente
estariam pensando. Naquele momento, seria um sucesso se conseguisse me
concentrar por aqueles trinta segundos.
Não orei pela Laurie. Ao invés, usei a autoridade dada a mim por Jesus.
Ordenei que toda a dor saísse do corpo dela. Ordenei que sua coluna
vertebral e os discos fossem realinhados pelo poder de Jesus. Convidei mais
da presença do Espírito Santo no corpo dela para trazer cura e restauração a
qualquer problema existente. Ordenei que os nervos de suas pernas e de sua
espinha fossem restaurados. Liberei a cura do sangue de Jesus sobre ela.
Tudo isso durou cerca de trinta segundos. Terminei com: “Obrigado, Jesus.
Amém”.
Mais uma vez, houve uma longa pausa. Depois ouvi uma risada nervosa de
algumas pessoas na linha. Sim, dois anos antes de entrar para a escola de
ministério, mesmo sendo um cristão apaixonado, eu provavelmente seria uma
daquelas pessoas rindo, sentindo um pouco de vergonha pelo cristão que
estava se colocando em risco e feliz por não ser ele. Perguntei a Laurie como
ela se sentia. Ela não respondeu por cerca de quatro segundos. Depois ela
disse: “Nossa! Nossa! Sinto-me muito melhor! Sério, realmente me sinto
melhor. Senti dor o dia todo e agora ela foi embora! A dor foi embora”.
Quando me sentei sozinho no meu escritório, comecei a imaginá-la se
movendo e caminhando com um sorriso surpreso no rosto ao pensar que a
oração daquele cara maluco realmente havia funcionado. Eu fiquei aliviado
de aquilo ter acabado. Eu estava muito fora da minha zona de conforto e
estava feliz simplesmente por ter tomado a decisão de dar aquele passo de fé
para fora dela. O que aconteceria a partir daquele momento estava nas mãos
de Deus. Eu conduzi a bola pelo campo o mais longe que pude.
Na manhã seguinte, acordei e recebi um email da Laurie. Ela estava num
fuso de 2 horas a frente do da Califórnia; ela o havia enviado às 7 horas da
manhã do meu fuso. Disse que estava a caminho de sua consulta pré-
cirúrgica e pediu mais orações. Naquele mesmo dia pela tarde, recebi um
email de seu colega de trabalho, que também havia estado na conferência
telefônica. Ele disse que Laurie havia ido à consulta e dito ao médico que
estava se sentindo muito melhor. Ele lhe fez algumas perguntas para ter
certeza. Então, decidiu não operar mais a coluna dela. Ele sabia como seria
difícil a recuperação e queria qualquer razão para que ela não precisasse
passar por aquilo. Ela concordou. Mas ele lhe disse que esse tipo de coisa
não acontece frequentemente e que ela deveria retornar caso a dor voltasse.
Hoje, quase duas semanas depois, Laurie ainda está muito bem.”1

Você percebeu como essa nova geração pensa diferente? Eu ouço esses
testemunhos o tempo todo... histórias das façanhas dessa nova geração que
nasceram de uma nova forma de pensar. Três coisas se destacaram para mim
quando li o testemunho de Aaron:

1. “‘Gente, sou um avivalista! Vou colocar todas as minhas fichas na mesa.


Sei o que isso irá me custar em termos de orgulho e conforto, mas valerá
a pena quando ela estiver curada e não precisar passar oito semanas de
cama se recuperando! Trinta segundos de oração contra oito semanas de
recuperação... Eu tenho que fazer isso por ela!’
2. ‘Não orei pela Laurie. Ao invés, usei a autoridade dada a mim por
Jesus.’
3. ‘Eu estava muito fora da minha zona de conforto e estava feliz
simplesmente por ter tomado a decisão de fazer aquele passo de fé para
fora dela.’”

Essa é a nova mentalidade! A nova geração de avivalistas está disposta a se


entregar totalmente para que o Senhor cresça dentro dela; deixa de lado a ambição
egoísta, o medo, o orgulho, a vaidade e a perda de sua reputação para que os
outros possam receber o toque do Céu. Ela fica na expectativa de que o Céu
apareça quando se arrisca ao convidar pessoas para experimentar Deus.
Aaron reconheceu sua autoridade e tomou providências, ainda que lhe fosse
inconveniente ou pudesse lhe custar caro. Não podemos conter alguém assim. Essa
nova geração será imbatível. Ela será tão confiante em quem é e tão apaixonada
por trazer o Céu para a Terra, que nada mais importará. Ela acreditará que nada é
impossível e aderirá às palavras de Jesus: “... tudo é possível àquele que crê”
(Mc 9:23). Esta é a geração do “tudo é possível”.
De onde veio a fé de Aaron de que tudo é possível? Considere outra declaração
dele: “Já vi tantas pessoas serem curadas de problemas na coluna que tenho fé
total de que você receberá sua cura”. Durante meus anos em Redding, e viajando
pelos Estados Unidos e pelo mundo, tem se tornado claro para mim que Deus está
mudando a mentalidade de cristãos novos e velhos ao expor-lhes a esfera
milagrosa do Reino.
Por exemplo, algum tempo atrás, nosso grupo de jovens passou por um período
brilhante em que muitas pessoas tiveram encontros e visitas celestiais. Um dos
nossos rapazes em particular estava tendo momentos poderosos com Deus, às
vezes sozinho e às vezes quando se reunia com seus amigos numa sala para buscar
ao Senhor. Em algumas dessas ocasiões, eles passavam a maior parte da noite na
presença de Deus simplesmente buscando mais. O Senhor os levou a visões, deu-
lhes sonhos proféticos e movimentou a esfera do sobrenatural em suas vidas.
Certa noite, enquanto buscavam ao Senhor, sentiram que Ele estava muito perto.
Um dos rapazes estava pintando profeticamente enquanto outro estava no meio da
sala orando. De repente, um raio de luz invadiu a sala bem em frente ao que estava
orando. Enquanto caía a noite e continuavam a orar, uma luz começou a brilhar
através da janela com tamanha intensidade que tiveram que fechar os olhos porque
não podiam mais aguentar a claridade.
Estávamos, é claro, muito felizes por ver Deus se manifestando tão
maravilhosamente em meio aos nossos jovens. Linda McIntosh, nossa pastora de
adolescentes na época, perguntou àquele jovem o que Deus lhe estava ensinando
através daqueles encontros. Sua resposta foi inestimável. Ele disse: “Estou
começando a crer que uma nação pode ser salva em um só dia”. Aquela não foi
uma simples declaração que ele havia escutado algum pregador dizer e estava
repetindo. Seus encontros com Deus o haviam levado a uma nova forma de pensar
sobre tudo que era possível e lhe haviam dado fé não apenas para ver, mas
também para fazer parte de uma nação inteira se voltando para Deus num só dia.

N Ó S TE M O S A B O LA
A declaração daquele jovem também não era alguma ideia grandiosa do que ele
queria fazer para Deus. Era simplesmente um reconhecimento de que o que Deus
nos comissionou a fazer é acessível e alcançável.
Somos chamados para discipular nações. Esse foi o mandamento que Jesus
deixou antes de subir ao Céu (ver Mateus 28:19). A razão pela qual a Igreja não
tem alcançado seu destino é que não temos alinhado nosso pensamento às palavras
de Jesus. Por demasiado tempo, nossa mentalidade foi de inferioridade e
insignificância, e essa atitude tem neutralizado nossa unção para impactar as
nações. Temos nos permitido ficar impressionados com o estado perverso do
mundo e acreditar na mentira de que não podemos fazer qualquer diferença. Temos
nos conformado com recuar e deixar a história acontecer à nossa volta em vez de
sermos propositais na autoria dela. Não temos realmente acreditado e, portanto,
não temos vivido, que somos “a cabeça das nações, e não a cauda” e que “aquele
que está em [nós] é maior do que aquele que está no mundo” (Dt 28:13; 1 Jo
4:4).
Em Mateus 28, antes de Jesus nos dizer que devemos discipular as nações, Ele
deixou claro que Seu mandado é possível porque “Foi-Me dada toda autoridade
no Céu e na Terra” (Mt 28:18). Jesus não tem toda autoridade somente no Céu;
Ele tem na Terra também. Após declarar esse fato, Ele disse: “Portanto, vão”,
dando a mim e a você as chaves dessa autoridade (ver Mateus 28:19).
Bill Johnson fala sobre isso com as seguintes palavras: “Nós temos a bola!
Estamos no ataque e não na defesa”.2 Nos esportes, os treinadores preparam
jogadas de ataque e de defesa para seus times. A posse de bola determina a jogada
que o treinador irá escolher. Ele nunca escolherá uma jogada de defesa se seu time
estiver com a bola. Se um time usar uma jogada defensiva quando estiver no
ataque, isso não dará certo e irá perder no final das contas. Muitos na Igreja
acreditam que o inimigo tem a bola, então usam jogadas defensivas. Temos
manuais de estratégia inteiros sobre táticas eficazes de defesa. Mas elas não
funcionam quando temos a bola. Às vezes, temos usado as jogadas erradas. Temos
renunciado à nossa autoridade, construindo nossas vidas para meramente
sobreviver e não para dominar.
Como pastor de jovens, tive a oportunidade de pregar em clubes cristãos em
algumas escolas. Muitas vezes, observei que os alunos cristãos estavam apenas
tentando sobreviver em meio a uma geração mundana. Tudo que eles sabiam fazer
era se reunir, tentando se fortalecer a fim de não cair. Eu os imaginava se reunindo
toda semana e dizendo: “Ok, sobrevivemos a mais uma semana, mas foi por pouco.
Ufa! A coisa está feia lá fora. As pessoas estão bebendo, usando drogas, fazendo
sexo e usando o nome do Senhor em vão. Eu quase não consegui”. Então
perguntavam uns aos outros: “Você ainda está salvo?” “Sim” “Que bom. Vamos
nos encontrar aqui semana que vem para ver se ainda estaremos salvos”. Sei que
isso não era o que eles realmente diziam, mas é basicamente o que se passava
debaixo da superfície por causa da mentalidade de sobrevivência deles. Estavam
tão abalados com o mundo à sua volta que não estavam focados em cumprir a
Grande Comissão. Ninguém lhes havia ensinado que eles tinham a bola ou como
sonhar e criar estratégias para impactar o campus inteiro com o Evangelho.
Mas essa mentalidade está mudando. A atitude dos novos avivalistas é muito
diferente porque reconhecem a verdade de que têm a posse da bola, e estão
aprendendo a implementar jogadas de ataque. As pessoas estão se empenhando
totalmente na busca de ver a glória de Deus cobrir a Terra de uma posição de
autoridade e firmeza. Não estão mais satisfeitas com simplesmente existir no reino
do mundo; querem vê-lo transfigurar-se no Reino do nosso Deus (ver Apocalipse
11:15).
Durante anos, tenho dito aos jovens que quero mudar o nome dos clubes cristãos
para “Pinky e o Cérebro”. Para aqueles que não sabem quem são Pinky e o
Cérebro, permita-me explicar, por favor. Anos atrás, eu costumava assistir a um
programa de desenho chamado Animaniacs. Parte do programa era chamado de
“Pinky e o Cérebro”. Era sobre dois ratos, um chamado Pinky e outro chamado
Cérebro. Pinky era um rato alto, esquelético, com aparência de dopado, que era
intelectualmente desafiado. Cérebro era um rato baixo e forte com uma cabeça
planetária que continha seu enorme cérebro. Todos os episódios eram baseados na
mesma premissa. Pinky e Cérebro tentam inventar um plano para dominar o mundo.
Todos os planos eram destinados a falhar, mas no fim de cada programa, Pinky se
voltava para Cérebro e lhe perguntava: “Cérebro, o que faremos amanhã?” Com
uma expressão de determinação, Cérebro respondia com confiança: “Faremos o
que fazemos todos os dias: tentar dominar o mundo!”
Clubes Pinky e o Cérebro. Já posso imaginar o movimento, abastecido por
estudantes reunidos para dominar o mundo. Imagine os membros João e Maria,
cuja dedicação é ver suas vidas impactarem radicalmente sua escola para Jesus.
Quando João fica pronto para ir à aula, Maria está esperando por ele. Ela
pergunta: “João, o que você vai fazer hoje?” Ele responde com convicção em seus
olhos: “Maria, farei o que faço todos os dias: tentar dominar o mundo!” Apenas
uma hora antes, Maria havia levantado da cama e ido até a cozinha para tomar
café. Enquanto comia, sua mãe lhe perguntou: “Querida, o que você irá fazer
hoje?” Maria esfregou os olhos de sono e respondeu: “Mãe, farei a mesma coisa
que faço todos os dias. Tentarei dominar o mundo!”
Você foi chamado para dominar o mundo. Você faz parte de uma revolução. Você
é chamado para derrotar o governo das trevas que tem escravizado pessoas no
pecado e na doença, e para estabelecer o Reino da Luz na Terra como é no Céu.
Nossa revolução não é uma anarquia mundana de violência e controle; é uma
reforma Celestial da verdade dita no amor e demonstrada pelo poder sobrenatural.
Somos armados com o amor incondicional e com o poder de Deus. Não fomos
criados para nos esconder, para nos encolher em alguma esquina, subordinados ao
mal. Ao contrário, nascemos para andar com confiança em meio às pragas das
trevas – ficar de pé entre os mortos e os vivos e exterminar pragas!
Você é um exterminador de pragas. Seu mandato não é passivo, subjugado,
indiferente, nem irrelevante. Jesus concedeu livre e desenfreadamente a mim e a
você a autoridade que Lhe foi dada na Terra.
Cristo fez outra promessa quando nos comissionou com Sua autoridade para
discipular as nações. Ele disse: “Eu estarei sempre com vocês até o fim dos
tempos” (Mt 28:20). A mentalidade da nova geração de avivalistas é baseada na
consciência de que Deus está com eles. É isso que lhes dá seu sentido de
importância. Se você ler o Antigo Testamento, verá que cada homem e mulher que
realizavam grandes feitos por Deus andavam nessa revelação.

R E V O L UC IO N Á R IO
Josué é um excelente exemplo. Ele foi um revolucionário que recusou se
ajoelhar diante da mentira da insignificância e da inferioridade. Ele sabia que seu
chamado era dominar a terra prometida por Deus a ele e aos filhos de Israel – uma
terra rica, que manava leite e mel. Antes de entrarem, Moisés enviou espiões para
observarem a região e seus habitantes. Entretanto, os espiões retornaram de sua
expedição com um relatório sombrio: a terra estava cheia de gigantes e inimigos
que não podiam ser derrotados.
Mas o relatório de Josué foi completamente diferente. Ele se posicionou diante
do povo de Israel com confiança fortalecendo sua voz e disse:

“Tão-somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo


dessa terra, porquanto são eles nosso pão; Retirou-se deles o seu amparo,
e o Senhor é conosco; não os temais.”
Números 14:9 (ARIB)
Josué sabia que Deus estava com Israel, e portanto eles tinham a posse da bola.
Com o Senhor ao lado deles, os inimigos e tudo que protegiam eram fáceis de
conquistar. “São eles nosso pão”. Isso que é coragem! Com a inspiração de que
Deus estava com eles, Josué não iria recuar e se esconder da Sua promessa. Ele
estava determinado a tomar a terra e enxergou os habitantes atuais simplesmente
como uma provisão. Ele tinha uma perspectiva diferente – a mentalidade de uma
nova geração. Recusou ser intimidado pelas circunstâncias, pela cultura, ou pelas
vozes à sua volta. Além disso, rejeitou a mentira de que o mundo ao seu redor era
maior do que o Deus que estava com ele.
A verdade é que não podemos impactar o mundo à nossa volta se nos sentimos
insignificantes. Enquanto escrevo este livro, Brandon Smith está terminando o
Ensino Médio numa escola de alto nível em São Francisco, na Califórnia. Sua
escola possui um dos melhores times de basquete do país, e Brandon entrou para o
time como calouro – o jogador mais jovem do time.
Numa manhã após o treinamento, Brandon estava no vestiário da escola quando
o capitão do time, junto com outros jogadores, foi até ele e seu amigo (que era o
único outro calouro do time). O capitão perguntou a Brandon se ele era virgem.
Sem hesitar nem um pouco, Brandon proclamou com orgulho: “Sim, sou virgem. E
tenho orgulho disso. Isso é algo precioso para mim, e estou guardando-o para o
casamento”. O time ficou chocado com a resposta dele e olhou para ele como se
ele fosse maluco. Houve inclusive risos enquanto os rapazes iam embora. Durante
aquele dia, diferentes garotos o abordaram para dizer que respeitavam sua decisão
e que gostariam de ter feito o mesmo. Mas o rótulo de virgem ficou com ele ao
longo de todos os seus anos na escola, tanto que alguns anos depois, num jogo
contra uma escola local rival, Brandon estava na linha de lance livre e a multidão
de estudantes gritava: “Ele é virgem! Ele é virgem!”, Brandon disse que quis gritar
de volta: “Tenho orgulho disso! Tenho orgulho disso!”
Deus está verdadeiramente levantando uma nova geração que recusa acreditar
que é insignificante. Brandon sabia que não havia sido chamado para apenas
sobreviver e ter vergonha de quem era. Foi chamado para se destacar, e não se
adequar. Apesar de estar nervoso e de saber que poderia lhe custar a aprovação de
seus colegas, ele aceitou que aquilo valia a pena. Brandon se sentia seguro em sua
identidade em Deus e não sentia necessidade de que os outros lhe dissessem quem
ele era. Havia estabelecido sua vida em intimidade com o Senhor e não estava
agitado com a pressão de buscar aceitação ou relevância aos olhos do mundo.
Falarei sobre a importância da intimidade e da identidade em outro capítulo.

S AR AN D O A T E R R A
Essa mudança assertiva da defesa para o ataque nos força a reconsiderar com o
que o ministério se parece. Se o objetivo for a sobrevivência, então o ministério é
principalmente focado em cuidar do rebanho e pouco focado em salvar pessoas.
Esse era o entendimento comum do ministério quando eu estava crescendo e
quando me tornei pastor de jovens. “Trabalhar para o Senhor” significava se
tornar um pastor ou um evangelista e exercitar o dom de ficar atrás de um púlpito
ou na plataforma de uma cruzada, ensinando a Palavra de Deus para uma
congregação. Entendia-se que qualquer jovem que mostrasse sinais de paixão por
Deus ou habilidades de liderança deveria ser pastor.
Porém, nos últimos dez anos, à medida que a Igreja tem começado a reconhecer
e a abraçar sua verdadeira missão, temos visto uma grande mudança na maneira
como enxergamos o ministério. Quando a meta é discipular as nações, transformar
a sociedade e ver a glória do Senhor cobrir a Terra, o ministério deve no mínimo
acontecer tanto do lado de fora como do lado de dentro da igreja – se não mais do
lado de fora. O ministério cristão deve abordar cada aspecto da vida humana.

O S S E TE
Em 1975, Bill Bright e Loren Cunningham tiveram visões similares do Senhor
que nos fornecem uma chave para moldar as nações.3 Um deles viu sete
“montanhas” (lugares altos), e o outro viu sete “modeladores de mente” (esferas
de influência) na sociedade. Para a geração e o ministério deles, o Senhor
ressaltou os locais em que deveriam focar – quem influenciasse aquelas montanhas
e os modeladores de mentes, por sua vez moldaria a sociedade e transformaria sua
cultura. Deus continua falando conosco sobre a necessidade de impactarmos as
montanhas com a sabedoria, o amor, a alegria e o poder do Reino. Falamos sobre
as montanhas da cultura nas seguintes categorias e instituições:

• Família
• Religião
• Economia
• Educação
• Governo
• Artes e mídia
• Ciência e tecnologia

A visão é simples. Quem comandar e controlar essas montanhas estabelece a


agenda e a atmosfera de uma sociedade.
Lance Wallnau, que é uma das principais autoridades sobre as Sete Montanhas,
diz o seguinte:

“Loren viu sete montanhas de influência estratégicas que moldam as mentes


do povo ou da cultura de toda nação. Deus lhe disse que se Seu povo
pudesse capturar esses locais estratégicos, haveria transformação no mundo
secular e ceifaríamos a colheita das nações.”4

Ele continua dizendo:

“Deus nos deu o entendimento dessas esferas para nos guiar em executar a
Grande Comissão de Mateus 28 – discipular as nações para Ele. O
verdadeiro cumprimento da Grande Comissão levará as pessoas a uma
experiência completa com o Reino de Deus que inclui sistemas econômicos
justos e formas de governo baseados na Bíblia, educação ancorada na
Palavra de Deus, famílias centradas em Jesus, entretenimento que retrata
Deus em Sua variedade e alegria, mídia baseada em comunicar a verdade em
amor e igrejas que servem como estações de envio de missionários para
todas as áreas da sociedade. Ele nos diz para ocupar até que Ele venha.
Ocupar significa tomar liderança.”5

Deus está dando à Igreja uma receita para ceifar a colheita e, no final, sarar a
terra. Deus está decidido a dar as nações da Terra ao Seu Filho como Sua
herança. Seu desejo é ver as nações da Terra darem as costas para a maldição
para serem curadas e abençoadas. Esse desejo deve moldar nosso entendimento
sobre nosso papel como avivalistas. Nosso objetivo não é simplesmente levar
cura, libertação e salvação às pessoas; é levar restauração às “cidades
arruinadas” (ver Isaías 61:4).
Deus nos deu uma estratégia para sarar a terra em Crônicas:

“Se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar e orar, buscar
a Minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos Céus o ouvirei,
perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.”
2 Crônicas 7:14
Malaquias nos dá outra estratégia quando profetiza que os corações dos pais e
dos filhos se voltem um para o outro para que a terra seja livrada da maldição
(ver Malaquias 4:5-6). Irei abordar esse assunto melhor nos próximos dois
capítulos.
Encontramos uma terceira estratégia na história de Eliseu, cujo primeiro milagre
após receber o manto de Elias foi curar a água perto de Jericó:

“Alguns homens da cidade foram dizer a Eliseu: ‘Como podes ver, esta
cidade está bem localizada, mas a água não é boa e a terra é improdutiva’.
E disse ele: ‘Ponham sal numa tigela nova e tragam-na para mim’. Quando
a levaram, ele foi à nascente, jogou o sal ali e disse: ‘Assim diz o Senhor:
“Purifiquei esta água. Não causará mais mortes nem deixará a terra
improdutiva”’. E até hoje a água permanece pura, conforme a palavra de
Eliseu.”
2 Reis 2:19-22

Através deste milagre, Jericó deixou de ser amaldiçoada e passou a ser


abençoada por Deus. Creio que esse milagre é uma parábola do plano que Deus
deu a Bill Bright e Loren Cunningham para afetar as fontes de influência na
sociedade. A terra de Jericó estava improdutiva porque a água não estava boa,
mas se tornou frutífera quando a água foi purificada. Da mesma forma, a
improdutividade ou a fertilidade das cidades e das nações é determinada pelo que
flui das sete montanhas e dos sete modeladores mentais. A estratégia de Eliseu foi
pegar uma tigela nova e jogar sal nas fontes de água, o que resultou na restauração
da água ao seu propósito original e, na terra, se tornando fértil. Deus está
oferecendo uma nova estratégia (tigela nova) enquanto lança crentes (sal) nas
fontes de água da sociedade.
A nova geração de avivalistas que está emergindo na Terra hoje não ficará
apenas atrás dos púlpitos, mas também caminhará em todas as esferas da
sociedade para curar a água a fim de que a terra possa ser fértil e abençoada. É do
topo daquelas sete montanhas que as fontes de água fluem direto para a sociedade
a fim de alimentá-la para o bem ou para o mau, para amaldiçoá-la ou para
abençoá-la. Por muito tempo, a Igreja tem validado somente aqueles que entram
para o ministério tradicional e não tem percebido que Deus quer lançar todo
crente (o sal da terra) nas fontes de águas das nações para restaurar nossa terra.
Nas conferências do Jesus Culture, essa é uma das nossas missões – não apenas
levantar pregadores, mas avivalistas que são presidentes de empresas
multibilionárias; mães que fundam abrigos para mães solteiras; assistentes sociais
que transformam a maneira como cuidamos de nossas crianças; políticos que criam
leis que refletem o conselho do Senhor; juízes que estendem o cetro da justiça de
Deus na Terra; autores que escrevem livros que revelam a natureza e o caráter de
Deus a uma nação; roteiristas que escrevem filmes que nos compelem a agir pelo
bem e diretores de escolas que desenvolvem métodos melhores para educar
alunos.
Durante uma de nossas conferências, Cindy Jacobs me chamou para conversar e
disse: “Banning, você precisa saber quem está no seu meio”. Há mais do que
somente pregadores entre nós: existem avivalistas ardentes que transformarão a
cultura ao ressuscitar todas as sete esferas da sociedade.
Avivalistas radicais, ardentes, e de cura, chamados para impactar culturas para
o Reino de Deus, estão sendo comissionados para reabilitar a terra. Como parte
da nova geração, você deve prestar atenção aos sonhos do seu coração, porque
eles significam muito para Deus. Não minimize a importância dos desejos do seu
coração. Deus os usará para posicionar você na sociedade como agente de
restauração.
A revelação de que somos chamados para ministrar na sociedade tem expandido
meu entendimento do que é a glória do Senhor resplandecer sobre Seu povo.
Obviamente, significa que devemos levar o ministério da cura de Cristo para o
nosso local de trabalho, nossas escolas e empresas, como Aaron fez. No entanto, é
mais do que isso. Todo aspecto de nossas vidas deve manifestar a realidade
superior do Reino. O Reino de Deus contém a sabedoria e os recursos para nos
tornarmos bem-sucedidos em todas as áreas da vida. Reis e nações serão atraídos
para o esplendor do nosso crescimento enquanto nós, a Igreja, mostramos a
sabedoria de Deus em tudo o que fazemos. É claro que o objetivo de Deus ao
enviar avivalistas a todas as esferas da sociedade não é para que os cristãos
sejam melhores do que o mundo. Quero que os cristãos façam os melhores filmes
de Hollywood, não para que possamos dizer que temos os produtores mais
talentosos, mas para o propósito superlativo de ver as nações curadas e
abençoadas.
Conheço pessoas que são avivalistas em diferentes esferas da sociedade. Chris
Adams é o superintendente de uma escola na Califórnia. Kelly Clark é medalhista
de ouro olímpico e do X-games. Shaun Alexander é um jogador de futebol
americano premiado pela NFL com o prêmio MVP.6 Scott Reynolds é um escritor
em Hollywood. Jeremy Edwardson é o vocalista principal de uma banda de rock,
The Myriad. Bill Ostan é advogado militar. George Scripture é assistente social.
Andrew Sievright é um empresário que criou o maior orfanato-escola no Quênia.
Todos esses homens e mulheres são avivalistas que Deus está usando para curar
nossa terra.
A parte legal é que todas essas pessoas estão fazendo o que amam fazer e estão
sendo usadas por Deus. Ele raramente envia para a África alguém que não tenha o
coração voltado para os países africanos. Deus prefere acessar as paixões do seu
coração porque sua aspiração é um ingrediente essencial para excelência em
qualquer área em que você atue. Deus quer ungir nossos anseios e inclinações com
o fogo e o propósito do Céu. A convergência das nossas habilidades individuais e
paixões com o chamado sobre nossas vidas é o que nos torna “sal” e nos dá nossa
força para trazer mudança e cura para a sociedade.
É por isso que parte da minha tarefa de levantar essa nova geração de
avivalistas é ajudá-los a identificar os sonhos de seus corações e chamá-los para
a excelência e para a liderança. Durante anos demais, tem persistido a ideia de
que Deus quer que sejamos servos que não pensam nem se importam com nada
além de ler a Bíblia e ir para a igreja. Mas, como parte dessa nova geração, você
deve estar atento aos sonhos e aos desejos do seu coração, pois eles irão ajudá-lo
a receber o convite que Deus está lhe oferecendo de ser parceiro do Céu e trazer
cura para a terra. Como Bill Johnson declara: “Grande parte da Igreja está
esperando pelo próximo comando de Deus, mas Deus ainda está esperando pelo
sonho de Sua Igreja”.7
Kelly Clark não é somente uma das melhores atletas de snowboard do mundo, é
também uma avivalista radical. Como mencionei antes, ela já venceu várias
competições, inclusive foi medalhista de ouro nas Olimpíadas e nos X-Games. O
Senhor a escolheu a dedo e a colocou como sal no mundo dos esportes radicais
para levar cura para aquela terra. Através de sua vida, pessoas regularmente
encontram o amor e o poder de Deus. Suas colegas de equipe sempre ligam para
ela quando precisam de cura porque sabem o que acontece quando ela ora por
alguém. As pessoas estão encontrando Deus através da vida dessa atleta.
Além de estar impactando as pessoas a nível pessoal, ela também está
impactando toda a cultura do snowboard. O favor em sua vida é incrível. Ela criou
sua própria prancha de snowboard da marca Burton onde colocou versículos e
artes proféticas. Recentemente, fez parte de uma equipe que fez um filme de
snowboard de alto nível que documenta a vida de alguns atletas cristãos. Na
primeira mostra, 65 pessoas se entregaram a Cristo. Até mesmo a prancha dela
declara seu amor por Jesus. Kelly é um exemplo brilhante do que Deus pretende
fazer numa geração. Ele está levantando avivalistas que serão enviados a cada
esfera da sociedade para trazer cura à terra.
Talvez você ache que sua vida não pode fazer a diferença, mas você é uma
grande parte do plano de Deus para as nações da Terra. Certa vez, ouvi Iverna
Tompkins, uma das minhas pregadoras favoritas e uma mulher que me inspirou a
ser um pregador, dizer: “Talvez eu seja apenas uma gota no balde, mas o balde não
ficará cheio se eu não estiver nele”.
Sua vida é criticamente potente para os planos de Deus. Os sonhos colocados no
seu coração estão lá porque Deus quer usar você para levar avivamento a uma
esfera particular da sociedade pela qual você é zeloso. Na verdade, Deus já
preparou tudo para que Seu sonho de dar as nações ao Seu Filho assim como os
sonhos de Seus filhos e filhas possam somente ser cumpridos juntos. As paixões
do seu coração estão íntima e intrinsecamente ligadas ao desejo de Deus de que as
nações sejam discipuladas e as sociedades sejam completamente transformadas!
Você foi gerado para o sucesso. Deus está contigo, e nada é impossível.
A PRINCIPAL PEDRA FUNDAMENTAL para essa nova
geração de avivalistas é quando a vara (representando a autoridade de Moisés) e a
espada (significando a coragem e a habilidade de Josué) juntam-se para um
avivamento mundial. Sem o alinhamento dessas gerações – trabalhando juntas pela
causa comum de ver o Reino de Deus chegar – tropeçaremos na fraqueza da
independência e nos tornaremos vulneráveis às estratégias divisoras do inimigo.
Geralmente há muita frustração, desapontamento, e crítica entre as gerações, o
que consequentemente inibe o cumprimento dos propósitos de Deus nas duas
gerações. Sem a submissão da geração mais nova ao honrar seus pais espirituais, e
sem a capacitação e a liberação da geração mais velha sobre a jovem, não
seremos capazes de sustentar a força e o aumento que acompanha uma cultura
presa sujeita à humildade, unidade e confiança.
A cobertura traz benefícios! A fidelidade tem suas recompensas. Conheça as
bênçãos que vêm com o poder do alinhamento ordenado por Deus: a herança da
coragem, da sabedoria, da identidade, da proteção, e de uma unção para sinais e
maravilhas. Você não precisa passar sua vida lutando sozinho quando pode
construir sobre o que seus pais já estabeleceram. A escolha é sua.
A VA R A E A E S P A D A
Foi um daqueles momentos que chegam inesperadamente. Eu estava sentado num
aeroporto do Texas a caminho de uma reunião em Colorado Springs, quando o
Senhor me mostrou algo que mudaria minha vida para sempre. Enquanto eu
esperava para embarcar no avião, estava lendo Êxodo 17:8-16, que conta a
história de Moisés com as mãos levantadas enquanto Josué lutava contra os
amalequitas. Descobri que as coisas que eu aprendi durante anos sobre a união das
gerações, de repente, fizeram sentido ali e formaram uma só figura. (Amo esses
momentos em que peças de um quebra-cabeça de revelação se conectam e eu
consigo ver um panorama mais completo do que o Senhor tem criado na minha
vida.) Tenho mobilizado e preparado jovens avivalistas em sua adolescência e
juventude, mas sentado ali no aeroporto enxerguei a principal pedra fundamental
para toda uma nova geração de avivalistas. Essa geração seria estabelecida
quando a vara e a espada se unirem para um avivamento mundial. Irei esclarecer
o que quero dizer num instante.
Eu estava a caminho de Colorado Springs, convidado por um amigo, Bill Ostan.
Bill estava liderando o “braço” jovem da Generals International, ministério de
Mike e Cindy Jacobs. Ele havia me telefonado para saber se eu poderia estar lá
por alguns dias para debater com cerca de outros 30 líderes jovens, além de Lou
Engle e Cindy Jacobs, sobre como acender um movimento de oração nas escolas e
universidades de todo o país. Alguns dias após ter recebido o convite, tive um
sonho que me configurou para que as peças do quebra-cabeça se juntassem.
No sonho, minha esposa SeaJay e eu estávamos em Colorado Springs, no Centro
Mundial de Oração. Eu nunca havia estado naquela cidade nem naquele local
antes, mas no sonho eu sabia que estávamos ali e lembro que admirei quão enorme
e bonito o prédio era. SeaJay e eu entramos e começamos a procurar pela reunião
de Cindy e Lou para debater sobre esse movimento de oração nas escolas e
universidades. Vagamos por corredores diferentes e finalmente encontramos a
reunião numa sala com assentos do tipo anfiteatro. Quando entrei ali,
imediatamente notei algumas coisas. Primeiro, havia muito mais do que 30 líderes
jovens – havia um pouco mais que cem pessoas. Segundo, todas as pessoas da sala
eram mais jovens do que eu (eu tinha 24 anos na época). Tercei ro, Lou Engle e
Cindy Jacobs não estavam lá.
SeaJay e eu fomos até a frente e achamos assentos na primeira fileira e
sentamos. Enquanto esperávamos para que os procedimentos começassem, senti
uma sensação de caos e confusão na sala. O líder da reunião, um jovem de vinte e
poucos anos, deu início perguntando se alguém gostaria de compartilhar um
testemunho. O que aconteceu em seguida me pegou completamente de surpresa. Ao
invés de contar testemunhos, os jovens começaram a ficar de pé, zombar uns dos
outros e trocar insultos. Lembro com muita clareza. Uma garota levantou e gritou
para alguém que lhe havia dito algo: “Ah é? E você tem uma bunda grande”. Era
loucura pura, e não demorou até que meu nível de frustração alcançasse seu pico.
Eu parecia saber instintivamente a razão da confusão e do caos na reunião:
filhos estavam conversando com filhos, e filhas estavam conversando com filhas, e
os pais não tinham aparecido!
Totalmente frustrados, SeaJay e eu nos levantamos para ir embora. Assim que
pisamos no corredor, o líder veio atrás de nós e disse: “Por favor, fiquem.
Precisamos de vocês”. Eu respondi: “Se os pais desse evento não aparecerem, eu
não tenho tempo para ficar aqui!”
Depois que recebi esse sonho, soube que tinha que ir àquela reunião. No
entanto, mesmo após ter tido a minha “revelação do aeroporto” a caminho de
Colorado Springs, eu ainda tinha que descobrir como o sonho e a revelação se
conectavam e por que Deus estava falando comigo. Quando cheguei à cidade, fui
diretamente para a igreja onde aconteceria a reunião, empolgado para debater com
outros líderes sobre como acender um movimento de oração nas escolas e
universidades. Ao entrar no santuário, logo notei que havia mais de 30 líderes.
Assim como no meu sonho, havia um pouco mais que cem pessoas, e a maioria
delas era mais jovem que eu. Eu sabia que todos eles estavam ali porque tinham
sede de Deus e eram apaixonadas pelo Seu Reino. Após a primeira sessão, Lou e
eu fomos almoçar. Durante o curso da nossa conversa, Lou perguntou o que Deus
estava me mostrando. Eu compartilhei brevemente minha “revelação do
aeroporto”, e ele pediu que eu a compartilhasse com o grupo naquela noite.
A reunião da noite começou com adoração, e depois Cindy Jacobs falou por
alguns minutos. Ela começou fazendo uma pergunta incrivelmente relevante para a
Igreja no nosso país, e a enquadrou citando algumas estatísticas que revelam que
as igrejas nos Estados Unidos mantêm apenas 10 por cento de seus jovens depois
que completam 18 anos de idade. Ou seja, 90 por cento dos nossos jovens deixam
suas igrejas quando se tornam adultos – uma estatística espantosa e preocupante.
Em seguida, fez a seguinte pergunta: “O que podemos fazer para impedir que
nossos jovens saiam da igreja?”
Durante uma hora e meia, os jovens responderam compartilhando suas
frustrações com a geração mais velha. Falaram sobre como achavam que a geração
mais velha precisava mudar a fim de mantê-los na igreja. “Eles precisam mudar a
música. Precisam diminuir as luzes durante o louvor. Precisam nos valorizar mais
se querem que permaneçamos”.
As críticas continuaram por um tempo. Fiquei ali sentado entristecido com o que
eu estava ouvindo, mas compreendi ainda mais meu sonho e a revelação que eu
havia recebido no aeroporto. Aqueles eram jovens líderes fora de série que
amavam o Senhor com todo o coração, mas suas respostas estavam afetadas por
uma mentalidade que os colocava em desacordo com a geração mais velha. Não
houve tempo para que eu compartilhasse minha revelação naquela noite, então Lou
pediu que eu falasse na manhã seguinte.
No dia seguinte, comuniquei o que o Senhor estava falando sobre as gerações
estarem devidamente alinhadas. Contei a eles sobre minha jornada pessoal e a
revelação que havia recebido sobre a geração jovem alinhando-se sob a geração
mais velha. Enquanto eu falava, pude sentir o Espírito Santo confirmando para os
outros o que eu estava dizendo. A mesma revelação que eu havia tido agora estava
tocando outras pessoas. E na mesma sala em que os jovens haviam expressado
suas frustrações com a geração mais velha na noite anterior, as perspectivas
começaram a mudar.
Depois que me sentei, Dutch Sheets, pastor titular da igreja em que estávamos
reunidos, levantou-se para compartilhar algo. Ele disse: “As sementes que
mataram o Jesus Movement estavam nesta sala na noite passada”. Aquilo foi
chocante para mim. Como já mencionei, aos 24 anos eu já havia desenvolvido
amor e conhecimento pela história do avivamento e era muito familiar com o Jesus
Movement, que foi um avivamento incrível com um impacto monumental.
Entretanto, não foi sustentado, e eu acredito que terminou prematuramente.
Após aquela declaração, os jovens em toda a sala começaram a se arrepender
da maneira como estavam enxergando a geração mais velha. Foi um momento
poderoso quando os jovens se humilharam e deram honra à geração mais velha. A
vara e a espada estavam se alinhando.

M O IS É S E J O S UÉ
Deixe-me explicar com mais profundidade o que compartilhei na reunião de
Colorado Springs, começando com a minha “revelação do aeroporto”. A passagem
de Êxodo 17 é uma história poderosa. É onde conhecemos Josué pela primeira
vez, o futuro líder do povo de Israel, e tal passagem nos dá uma percepção
importante sobre o relacionamento entre Moisés e Josué.
De forma breve, o contexto dessa história é o seguinte. Quando os israelitas
deixaram o Egito, eles saquearam o povo egípcio. Portanto, quando chegaram ao
deserto, além da abundância de ouro, tinham outros itens valiosos. Isso fez com
que muitas das nações ao seu redor iniciassem batalhas contra eles na esperança
de colocarem as mãos em parte da riqueza. Os amalequitas eram um dos povos que
sabiam da afluência dos israelitas e os provocaram para uma batalha.
A história começa com Moisés dizendo a Josué que selecione alguns homens
para lutar contra os amalequitas. Enquanto Josué levava o exército para a guerra,
Moisés carregava a vara de Deus para o topo da colina para observar a batalha.
Ele se posicionou com as mãos levantadas, segurando firmemente a vara. Enquanto
Moisés mantinha as mãos erguidas, Josué era vitorioso. Mas Moisés
eventualmente começou a ficar cansado e soltar as mãos. Quando suas mãos
estavam abaixadas, a batalha mudou e Josué e seus homens começaram ser
derrotados. Então Arão e Hur ficaram ao lado de Moisés e seguraram as mãos dele
no alto até que a vitória de Josué fosse completa.
Em seu comentário sobre essa história, John Wesley, referindo-se ao povo de
Israel, disse: “A mão de Moisés contribuiu mais para a segurança de Israel do que
as suas próprias mãos”.1 A vitória de Josué havia sido completamente dependente
de Moisés estar em posição com a vara de Deus. Apesar de Josué ser um grande
guerreiro, e de seus homens serem bem treinados e prontos para batalha, o fator
decisivo da batalha não foi a habilidade de Josué no combate, mas a autoridade de
Moisés representada pela vara de Deus. Quando Moisés saía de posição, apesar
de Josué e o exército estarem lutando com a mesma proficiência e intensidade, a
batalha mudava e eles começavam a ser derrotados. Josué foi triunfante porque
estava propriamente alinhado com Moisés, a geração mais velha. A vitória não
dependia da espada nas mãos de Josué, a geração mais nova, mas da vara nas
mãos de Moisés, a geração mais velha. A vitória também não dependia somente de
Moisés. Ele precisou de Arão, Hur e Josué para alcançar a vitória como uma
tribo.
A vara, na vida de Moisés e em toda a Bíblia, representa autoridade, poder e
liderança, enquanto a espada é usada para administrar a obra do Senhor. A
cobertura de autoridade provida por um líder mais velho era essencial para o
sucesso do jovem líder em cumprir sua tarefa.
A fim de compreender a lição dessa história, preciso apontar que existem dois
princípios espirituais trabalhando aqui – princípios diferentes, mas relacionados.
O primeiro é a submissão à autoridade, e o segundo é a honra dos jovens aos mais
velhos.

S UB M IS S Ã O
O princípio da submissão à autoridade é simplesmente que todas as pessoas, em
todas as gerações, são chamadas para estarem sob autoridade. Aliás, não podemos
andar em autoridade sem nos submetermos à autoridade. O centurião que pediu a
Jesus que curasse seu servo entendeu que Jesus tinha autoridade porque Ele era
submetido a Deus, assim como o centurião era um “homem sujeito à autoridade”
e, portanto, podia ordenar seus servos a fazerem o que ele dizia (ver Mateus 8:8-
9). O apóstolo Paulo foi um modelo de submissão à autoridade. Em seus primeiros
anos de ministério, ele era submetido a Barnabé e, quando foi enviado para suas
viagens missionárias, foi comissionado por Tiago e pelo conselho de Jerusalém.
Ele não foi por conta própria como um apóstolo que não precisava do conselho de
outros, mas submeteu seu ministério e foi enviado pelos apóstolos.
Nossa submissão à autoridade deve ser constante durante nossas vidas, não
importa por quanto tempo exercitamos um papel de autoridade. Quando me tornei
pai, não parei de ser filho. Essas duas funções trabalham simultaneamente na
minha vida.
Sinto que é importante deixar claro aqui que se submeter à autoridade é
diferente de honrar os mais velhos, pois não há uma idade especial em que o
Senhor confia a vara a alguém. Já vi pessoas de vinte e poucos anos que caminham
com uma medida de autoridade e carregam a vara, e já observei pessoas em seus
quarenta anos que precisam desesperadamente de cobertura e não carregam a vara
de Deus.
Há casos em que Deus levanta um jovem líder para prover cobertura de
autoridade sobre muitos que são mais velhos que ele ou ela, e essas pessoas
entram debaixo daquela autoridade se submetendo ao mais jovem. Entretanto,
realmente acho que há experiências e sabedoria que somente vêm com anos
vividos. A razão pela qual muitas pessoas em autoridade são mais velhas é que
provaram ser capazes de carregar a vara ao longo de seus anos de experiência.

HO N R A
O princípio de honrar os mais velhos, especialmente pai e mãe, é claramente
ensinado nas Escrituras. O quarto mandamento declara: “Honra teu pai e tua mãe,
a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Êx 20:12).
Na Bethel, resumimos o princípio contido neste versículo de maneira simples: A
vida flui através da honra. Há uma corrente de vida – um fluir contínuo de poder e
de bênção – que somente vem a nós quando honramos ativamente nossos pais, os
naturais e os espirituais.
A razão pela qual creio que Deus me mostrou a história em Êxodo é que esses
dois elementos – submissão à autoridade e honra entre as gerações – estavam em
ação. Houve uma liberação conjunta de autoridade e de bênção no meio da batalha
devido à maneira como Josué e Moisés interagiam. O resultado da convergência
deles foi a vitória.
Estive no ministério de adolescentes e jovens por mais de uma década e estou
profundamente convencido de que a geração deles precisa entender a cobertura e a
autoridade espiritual, e que é imperativo estarmos conectados a pais e mães
espirituais se quisermos ser vitoriosos. Não importa o quão bem eu treinar a
geração jovem, meus esforços serão em vão se não estiverem propriamente
conectados à geração mais velha. Os jovens podem até ser excepcionais com a
espada, mas, se não estiverem conectados com a vara, seu triunfo será fugaz. A
vara está nas mãos da “geração de Moisés” – a geração mais velha – e deve ter
parceria com a espada, que está nas mãos da “geração de Josué”. Creio que essa
aliança é uma chave essencial para vermos o avivamento sustentado nessa geração
do Corpo de Cristo.
Ao dizer que devemos estar debaixo da vara nas mãos da geração mais velha,
não estou negando o fato de que, apesar de nossa idade e nosso nível de
maturidade, a autoridade tem sido dada por Cristo a todo crente para curar o
doente, expulsar demônios e mover em poder. Cristo é a autoridade final a qual
somos chamados para nos submeter. E, ao fazer isso, somos qualificados para
andar na autoridade que Ele nos dá. Porém, não creio que Cristo automaticamente
confia a todos nós a autoridade para tomar cidades e ver as nações se voltarem
para Deus. Em minha opinião, Ele encarrega essa autoridade a algumas pessoas
específicas, e é por isso que estou dando minha vida para levantar uma nova
geração de avivalistas que se oferecerão para um avivamento mundial –
avivalistas que verão cidades e nações inteiras salvas e trazidas sob o domínio do
Rei.
Mas há um processo de maturidade que esses avivalistas devem experimentar a
fim de ocupar a posição de autoridade, um processo que não será completo sem a
bênção, o ensinamento, a revelação e a cobertura de mães e pais. Não posso
enviar uma nova geração de avivalistas para a batalha sem ter certeza de que eles
possuem a autoridade necessária para serem vitoriosos na sua vida pessoal e na
sua missão de avivamento mundial.
Permita-me abordar esta questão brevemente. Creio que o Senhor deseja liberar
uma autoridade sobre a Igreja para ver cidades salvas e nações discipuladas. Mas
Ele sempre nos chamou para viver uma vida interior de conquista também. Nós
somente podemos levar o Reino de Deus consistentemente para aqueles a nossa
volta na mesma medida em que o Reino é estabelecido em nossas próprias vidas.
Por isso, não posso chamar uma geração para impactar as nações sem chamá-la
também para abraçar totalmente o que o Senhor tem para ela – uma vida de
verdadeira libertação daquelas coisas que impedem nosso destino como
transformadores do mundo – “o pecado que nos envolve” (Hb 12:1). A vitória
pessoal também vem através da nossa colaboração com aqueles que seguram a
vara de Deus. O Senhor está chamando essa nova geração de avivalistas para
andar em poder e mostrar o caráter de Deus, e essas duas coisas são alcançadas
através da submissão à cobertura espiritual.
Você precisa da autoridade de pais e mães maduros e de Deus a fim de
estabelecer uma vida de santidade e pureza. Vejo muitos jovens lutando com
pecados ou áreas de fraqueza que não conseguem obter vitória porque estão se
escondendo com vergonha ou medo da punição por parte dos pais e das mães em
suas vidas. Eles não estão necessariamente vivendo com um coração mau, mas se
sentem presos e incapazes de resistir à tentação. Quando Deus unir as gerações, e
os jovens se conectarem com pais e mães, essa falta de poder será substituída pela
força e pela graça que começarão a fluir em suas vidas. Veremos jovens vivendo
com sucesso em santidade e pureza.

IN D E P E N D Ê N C IA
A lacuna entre as gerações na igreja hoje é real e está nos fazendo mal. Creio
que existem duas razões principais para isso. Uma é o espírito de independência
nas gerações. A segunda é uma ênfase incorreta em como o avivamento acontecerá.
Primeiramente, deixe-me abordar o espírito da independência na Igreja.
Existe algo dentro da geração jovem que deseja fazer as coisas sem a ajuda dos
outros. Você é ou já foi jovem, então entende o que estou dizendo. A maior parte
dessa geração pensa que os mais velhos não os compreendem. Principalmente no
mundo ocidental, a maioria está ansiosa para chegar à maioridade para ter a
liberdade de fazer as coisas do seu próprio jeito. Esse paradigma aumenta a
lacuna entre as gerações e a separação entre a espada e a vara.
Entretanto, o espírito da independência não é exclusivo às pessoas mais jovens.
Também está presente na geração mais velha. De muitas formas, a geração mais
velha fica frustrada com a nova geração. Meus pais foram criados numa época
diferente, e muitas pessoas mais jovens do que eu os deixam confusos.
Obviamente, não estou falando de escolhas do pecado, pois elas são graves em
qualquer geração. Estou falando de estilo. Meus pais simplesmente têm
dificuldade de entender por que alguém escuta certo gênero de música, ou decora
o corpo com tatuagens e piercings, ou aprecia a variedade de coisas diferentes
que a geração jovem aprecia. Mesmo aos 32 anos, fico intrigado com algumas
coisas que vejo os jovens fazendo. Fica cada vez mais desafiador para a geração
mais velha relacionar-se à jovem, então a lacuna entre elas aumenta e a verdadeira
força da Igreja operando como uma só geração nunca é completamente realizada.
Essa divisão entre as gerações na Igreja impedirá o avivamento.
A falta do espírito de independência em Josué permitiu que ele tivesse um
relacionamento alinhado com Moisés. A Bíblia diz que Josué fez “conforme
Moisés havia ordenado” (Êx 17:10). Josué não estava no campo da batalha
querendo fazer algo por conta própria. Sua obediência o posicionou debaixo da
cobertura de Moisés e declarou que ele havia entendido a importância da
cobertura. Moisés, por sua vez, aceitou a importância de capacitar a geração que
vinha após ele, e confiou em Josué ao enviá-lo para a batalha.
Por fim, a independência é perigosa porque é baseada no orgulho. A primeira
carta de Pedro diz:
“Semelhante vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos
uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos
soberbos, mas dá graça aos humildes.”
1 Pedro 5:5 (ACF)
Quando a geração mais nova quer fazer as coisas por conta própria e resiste se
submeter à geração mais velha, está basicamente dizendo: “Achamos que podemos
fazer isso melhor”. E isso é orgulho.
Quando a geração mais velha ignora a geração jovem, está praticamente
dizendo, “Não precisamos de vocês. Não confiamos em vocês. Voltem quando
forem mais velhos”. E isso também é orgulho.
O comando de Deus é se submeter e “revesti-vos de humildade”, pois a
submissão é um ato de humildade. Quando uma pessoa se humilha, a graça começa
a fluir em sua vida. Mas se uma pessoa recusa se humilhar, Deus se oporá ao
orgulho na vida dela. Há uma geração inteira na Igreja que está correndo o perigo
de ter Deus se opondo a ela, a menos que se submetam aos mais velhos e uns aos
outros e se vistam com humildade. Mas esse passo requer uma mudança na
maneira como vemos as coisas – uma transformação que teve de acontecer na
minha própria vida.
Eu tinha um espírito de independência em mim quando era mais jovem. É claro
que eu não percebia, mas ele estava lá. Como mencionei, fui criado num lar
cristão amoroso e comecei no ministério em tempo integral aos 19 anos. Como
muitos jovens, cresci sem nenhum entendimento da importância da autoridade
espiritual. Foi quando Kris Vallotton chegou à minha vida e comecei a reconhecer
o espírito de independência manipulando minha vida e o impacto negativo que
aquilo estava tendo em mim.
Kris chegou à Bethel dois anos após eu ter entrado para a equipe, e se tornou
não somente meu chefe, mas um pai na minha vida. Certo dia, ele me chamou em
seu escritório e, como só ele sabe fazer, me disse que eu era independente. Sentei
ali atordoado por um momento, pois eu tinha certeza de que ele estava errado.
Eu não sou independente, pensei. Sou confiante. Simplesmente sei aonde
quero chegar na vida e isso me faz ser confiante em mim mesmo.
Em minha mente, eu tentava desesperadamente me defender. Mas, na medida em
que ele continuava a falar comigo, veio uma luz. Uma parte da minha vida que eu
nunca havia enxergado, um grande ponto cego, não estava mais no escuro. Eu era
autônomo. Não estava conectado a pais e mães. Estava agindo por conta própria,
autossuficiente, e construindo meu próprio ministério separado de qualquer
cobertura.
Como aquilo me acertou em cheio, comecei a chorar. Não tenho certeza por que
eu nunca havia percebido isso antes. Talvez tivesse achado que era um sinal de
força e maturidade. Porém, reconheci minha falha quando Kris apontou aquilo.
Também sabia que ficar separado não era o desejo do meu coração. Eu
simplesmente não tinha ideia de como permitir pais e mães entrarem em minha
vida naquele nível, como me submeter à cobertura, ou como me alinhar sob uma
autoridade espiritual. Era algo que eu nunca havia feito totalmente.
Apesar de não saber por onde começar para aprender a fazer aquelas coisas,
naquela tarde firmei um compromisso de começar a fazê-las. Não tinha ideia do
quanto poderia ser difícil ou da prova pela qual eu teria que passar. Mas sabia que
o espírito de independência me havia separado da vara. Eu estava isolado e tinha
que dar um alto valor à vara e estabelecer uma conexão com ela se quisesse
cumprir meu destino.

Ê N FAS E E R R AD A
O segundo fator que contribui para a lacuna entre as gerações na Igreja hoje é
uma ênfase errada sobre como o avivamento acontece. Uns dois anos antes da
minha viagem a Colorado Springs, tivemos um período na Bethel em que
pregadores convidados chamavam os jovens para irem até o altar e oravam por
eles, declarando que o avivamento viria através da juventude. “O avivamento virá
através dos jovens” se tornou uma frase comum para nós.
Pouco depois de começarmos a ouvir isso, Kris Valloton se pôs de pé durante
um culto e disse: “O avivamento não virá através dos jovens”. De primeira, fiquei
ofendido com aquela declaração e não sabia como reagir. Eu sabia que em muitos
casos históricos Deus havia usado pessoas jovens para iniciar um avivamento.
Essa era uma das razões pela qual eu estava trabalhando com elas, e ainda é.
Porém, também sabia que avivamentos, em sua maior parte, nunca haviam durado
mais de uma geração (sendo o Jesus Movement um dos exemplos mais recentes).
Muitas pessoas têm explicado isso ao apontar que Deus é soberano e chega e vai
embora como Ele quer. Isso tem suprido a crença de que não temos nenhuma
influência sobre quando o avivamento chega ou vai embora. Mas a nossa
revelação da intenção de Deus para o avivamento estava mudando – estávamos
começando a ver que Ele queria não somente que o avivamento fosse sustentado
de geração a geração, mas também que fosse crescer cada vez mais.
Eu sabia que tínhamos que fazer algo diferente se quiséssemos ver o avivamento
se perpetuar por mais de uma geração, então ouvi atentamente ao Kris, que insistia
que o avivamento não viria através dos jovens. Ele descreveu um encontro em que
o Senhor falou com ele e disse: “O avivamento não virá dos jovens; virá a partir
de uma só geração”. Kris começou a ensinar que o avivamento viria quando as
gerações se unissem, e por causa disso precisávamos estar atentos às estratégias
de divisão do inimigo. Satanás sabe que não pode impedir esse mover de Deus,
então ele está dividindo as gerações para trazer maldição à Terra. Essa mensagem
fez com que eu percebesse que uma das minhas missões no ministério é unir as
gerações para ver avivamento mundial.
Depois que Kris mostrou a estratégia do inimigo causadora de discórdia,
comecei a enxergá-la acontecendo na geração mais velha. A ênfase nos jovens e no
avivamento estava sutilmente enviando uma mensagem aos mais velhos de que
seus dias de serem usados por Deus no avivamento haviam terminado ou estavam
passando rapidamente. Se aquilo fosse verdade, eles poderiam no máximo ficar de
lado e semear financeiramente, ou simplesmente assistir aos jovens serem usados
por Deus no avivamento. Então, começaram a se sentir desnecessários e
desanimados para buscar um derramamento do Espírito de Deus. Se o Espírito
Santo não tivesse restaurado a mensagem que os chamava para seu legítimo
propósito, o inimigo teria conseguido deixar a maioria dos jogadores no banco. A
verdade é que precisamos desesperadamente da geração mais velha, e ela é
chamada para exercer papeis muito ativos no avivamento. Ela é quem segura a
vara de Deus, e seus maiores dias de impacto para o Reino ainda estão à sua
frente.
Também vi essa estratégia em ação alguns anos atrás numa reunião de pastores
de jovens em que um deles disse: “A geração mais velha precisa sair do caminho e
deixar os jovens terem o avivamento deles. A geração mais velha é muito presa
aos seus costumes para mudar. Precisa abrir espaço para que possamos ter nosso
avivamento”. Infelizmente, já fui confrontado muitas vezes com essa atitude ao
longo dos anos, mas graças a Deus tenho visto mudança. Não deveríamos querer
que a geração mais velha saia do caminho; precisamos que ela ocupe sua posição
de liderança no avivamento com a autoridade que o Senhor lhe deu. Eu digo aos
pastores de jovens: “Nós não temos escolha. As gerações precisam estar alinhadas
se quisermos ver o avivamento que tem sido profetizado. Precisamos da vara de
Deus em nossas vidas e eles precisam da espada”.
Tenho que dizer que a ideia que aquele pastor expôs, de que a geração mais
velha é muito presa aos seus costumes, é uma mentira. Se você vier à Bethel em
qualquer domingo, encontrará os senhores e senhoras mais radicais, “loucos” e
fervorosos que você já viu. Eles amam o novo estilo de adoração. Amam esse
mover de Deus. São uns dos primeiros a irem até a frente para receber oração.
Chegam cedo e vão embora tarde. Andam em poder, profetizam, mergulham de
cabeça no rio de Deus. Na verdade, houve uma época em que eu olhava para nossa
igreja e via que a maioria das pessoas mais radicais e fervorosas não eram jovens.
Eram os “velhinhos”. Tive que encorajar nossos jovens a acompanhar os adultos.
Lou Engle certa vez disse: “Posso até ter cinquenta anos, mas vocês terão que
correr muito para me acompanhar”. É assim que deve ser. A geração mais velha
talvez não tenha a energia e o vigor físicos da geração jovem, mas seu fervor está
mais ardente do que nunca.
Da mesma forma, a ideia de que os jovens não valorizam a geração mais velha e
se importam apenas consigo mesmos também não é verdadeira. Sei que há razões
para que esses estereótipos se desenvolvessem (a imutável geração mais velha e a
egoísta geração jovem). No entanto, elas não são a regra, e não têm sido minha
experiência. Vejo muitos jovens que têm o coração voltado para honrar os mais
velhos e seguir sua direção na busca pelo avivamento.
Recentemente, nosso grupo jovem deu uma oferta ao ministério dos idosos da
Bethel, o Diamond Fellowship. Um grupo de senhores e senhoras estava indo para
o México numa viagem missionária para pregar, impor as mãos sobre os enfermos
e levar o Reino. Nossos jovens queriam honrá-los e apoiá-los nessa missão de
transformar o mundo. É tempo de as gerações se unirem. Mas isso deve ser feito
com o alinhamento correto.
Deus estabeleceu uma ordem de relacionamento entre as gerações e não
podemos ignorá-la. Enquanto eu estudava o conceito do alinhamento das gerações
nas Escrituras, fui atraído, além do relacionamento entre Moisés e Josué, para o
relacionamento entre Mardoqueu e Ester e entre Elias e Eliseu. Tem sido
profetizado sobre a geração jovem que ela é: a geração de Josué que herdará a
Terra Prometida; a geração de Ester que se colocará diante do Rei e verá uma
nação salva; e a geração de Eliseu que receberá unção dobrada. Creio nessas
profecias com todo o meu coração, mas todas essas pessoas tiveram algo em
comum. Elas estavam alinhadas de forma correta com a geração mais velha. Josué
seguiu Moisés, Eliseu serviu a Elias e Ester escutou Mardoqueu, mesmo quando
era rainha. Como um jovem avivalista, não posso querer fazer as coisas por conta
própria e esperar ser bem-sucedido. Preciso seguir o padrão de Deus e aprender
com o exemplo de Josué, Ester e Eliseu.
Filhos e filhas não foram criados para direcionar mães e pais. Os pais e as mães
foram feitos para guiar. Certamente, uma das formas como eles guiam é equipando
e comissionando seus filhos e construindo caminhos para que seus sonhos se
cumpram. Entretanto, não fazem isso ao ficarem de lado, mas correndo junto. A fim
de correrem juntos, deve haver honra genuína uns pelos outros em seus corações.

E N C O N T R AN D O M Ã E S E PAIS
Tenho falado sobre a “geração mais nova” estar alinhada com a “geração mais
velha”, mas espero que você possa perceber que estou falando especificamente de
jovens crentes se submeterem a relacionamentos com pais e mães espirituais
maduros e confiáveis. Eu estava conversando sobre este assunto de cobertura
espiritual e submissão a pais e mães espirituais com um amigo meu que tem um
ministério mundialmente influente. Ele me disse que eu venho de uma cultura
saudável em que líderes não são controladores, mas estão ao meu lado. Nem todos
vêm desse tipo de ambiente, como tenho percebido após passar muitas horas com
jovens e jovens líderes por onde viajo. Meu amigo me perguntou o que eu achava
que eles deveriam fazer. Para ser sincero, não tenho respostas absolutas. Mas
tenho certeza de que o Senhor vê o coração. Se os jovens puderem colocar os pais
espirituais num lugar de honra em seus corações, o resto irá dar certo. Creio que o
Senhor pode afastar o espírito de independência de você mesmo se não tiver
grandes pais e mães espirituais em sua vida atualmente.
Porém, a falta de pais e mães espirituais fortes nessa geração é uma indicação
de que essa mensagem deve impactar ambas as gerações. Malaquias diz que “Ele
fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos
filhos para seus pais” (Ml 4:6). Observe que os corações dos pais se voltam
primeiro, e depois os dos filhos. Eu creio que os corações da geração mais velha
devem se voltar para a geração jovem. Se você está numa situação em que isso
não aconteceu ainda, meu conselho mais uma vez é que você se certifique de que
seu coração está num lugar de honra. Talvez você não possa controlar o que os
outros fazem, mas com certeza pode controlar o que você faz. Ore e peça a Deus
que levante mães e pais espirituais na sua vida e posicione seu coração para
receber aqueles a quem Ele trouxer até você.
Josué, Ester e Eliseu valorizavam imensamente os homens que lhes forneciam
cobertura espiritual. Como cada um desses gigantes da fé descobriu e como
exploraremos no próximo capítulo, a cobertura traz bênçãos em nossas vidas que
não poderíamos receber de qualquer outra forma.
O P O D E R D O ALIN HAM E N TO
A cobertura vem com alguns grandes benefícios. Cedo no ministério aprendi que
se eu alinhar meu coração e minha vida com homens e mulheres de Deus maduros
– pais e mães – receberei o que eles têm. Se eu honrar em meu coração aqueles
que o Senhor colocou na minha vida, terei o privilégio de ocupar a terra pela qual
eles lutaram. A Bíblia chama isso de herança, um conceito que se perdeu um
pouco na nossa sociedade, mas é apesar de tudo um princípio bíblico poderoso.
Tenho sido extremamente abençoado com grandes pais e mães na minha vida –
não somente os meus pais naturais, mas também pais espirituais. Pessoas como
Bill Johnson, Kris Vallotton, Danny Silk, Dann Farrelly, Lou Engle, Cindy Jacobs
e muitos outros têm derramado muito sobre a minha vida. Alguns destes pais e
mães investiram em mim de perto num nível pessoal, enquanto outros o fizeram de
longe, à distância, à medida que eu observava suas vidas e era aprimorado e
capacitado por seus ensinamentos. Quando eu me aproximava desses grandes
homens e mulheres de Deus, ficava impressionado com as coisas que haviam
conquistado no Espírito – revelações do Senhor, compreensão nas Escrituras,
sabedoria para vida e chaves para uma vida bem-sucedida e vitoriosa. Herança
significa que eu adquiro o que eles conquistaram. O que eles possuem vem para
mim porque eu escolhi me alinhar sob a cobertura deles.
Os nomes que acabei de mencionar, os pais e as mães na minha vida, talvez
sejam familiares a você. Porém, não quero dizer que os pais e as mães na sua vida
devam ser líderes proeminentes no Corpo de Cristo. Eu tive o privilégio de dirigir
o programa do segundo ano da Escola Bethel de Ministério Sobrenatural durante
quatro anos. Alunos de todas as idades e de todo o mundo se inscrevem nessa
escola para serem treinados e equipados para o avivamento, e a maioria deles vem
porque leram os livros de Bill Johnson ou porque ouviram Kris Vallotton pregar.
Ao longo daqueles quatro anos, percebi que quando os alunos chegavam à
escola e ouviam o ensinamento sobre a importância de pais e mães, muitos
queriam que Bill e Kris fossem seus pais espirituais. Como eram os líderes mais
visíveis, os alunos atribuíam mais valor a eles do que em outros no Corpo de
Cristo que também são pais e mães. Isso é compreensível; Bill e Kris são homens
incríveis que têm um relacionamento maravilhoso com Deus e caminham num nível
alto de unção. No entanto, são apenas dois homens. Eles generosamente
compartilham sua herança de sabedoria e unção com todos que os escutam, mas
podem discipular pessoalmente somente alguns.
O que eu ensino às pessoas é que Deus tem capacitado pais e mães para liberar
os benefícios da cobertura em sua vida, mas nem todos que o Senhor enviar a você
serão “famosos”. Os pais e mães na minha vida, os conhecidos e os
desconhecidos, foram todos enviados por Deus. São relacionamentos
estabelecidos por Ele. Alguns dos maiores pais e mães sob os quais você pode se
alinhar talvez não sejam conhecidos. O pai espiritual de Kris Vallotton é um
homem de Deus cheio de sabedoria que ajudou a moldar Kris para ser o homem
que ele é hoje, mas a maioria das pessoas não sabe quem é Bill Derryberry. Há
homens e mulheres de Deus que podem nos abençoar muito, mas os perderemos de
vista se ficarmos olhando somente para os mais visíveis. Abra seu coração e seus
olhos para receber os homens e mulheres que o Senhor envia para a sua vida. Eles
talvez não sejam seu pastor titular ou um ministro itinerante, mas os pais e mães
que Deus destinou para você possuirão o que você necessita.
Como você pode perceber pelas pessoas que listei e pela forma como tenho
falado de mães e pais no plural, creio que recebemos benefícios de cobertura de
mais de uma pessoa. Relacionada a isso está a verdade de que existem diferentes
níveis de cobertura. Por exemplo, vamos supor que sua vida tem sido radicalmente
impactada pelo ensinamento e pelo ministério de Randy Clark, e por isso você
sente uma conexão com ele. Você pode se alinhar com Randy Clark apesar de
talvez nunca ter uma amizade com ele. Posso me alinhar sob homens como Billy
Graham ou ainda sob alguns que não estão mais vivos, como John G. Lake.
Podemos receber sabedoria e revelação daqueles a quem honramos e escutamos
no Corpo de Cristo, e essas coisas contribuem para a nossa cobertura espiritual.
Entretanto, há outro nível de cobertura que se dá somente através de um contato
pessoal consistente com alguém. Você precisa em sua vida mais do que um líder
nacional com quem você não tem chance de cultivar um relacionamento. Se quero
trazer minha vida para abaixo da cobertura, preciso de pais e mães na minha vida
que tenham acesso a mim e saibam o que acontece comigo regularmente. Preciso
de um toque pessoal em muitas das áreas e assuntos da minha vida à medida que
passo por eles.
Pessoas demais pensam que têm que passar pelas coisas sozinhas e que
qualquer coisa que receberem de Deus deve ser encontrada solitariamente. Acham
que têm que lutar as próprias batalhas e obter e lidar com suas próprias
revelações. Eu apoio isso. Sei que temos que superar nossas dificuldades para
avançar, buscar nossos próprios encontros com Deus e receber revelação pessoal.
Mas quero ir além daqueles que foram antes de mim. Não quero combater as
mesmas batalhas que eles lutaram apenas para alcançar um lugar similar de
revelação que eles conquistaram.
Se o avivamento é uma estrutura que Deus está construindo na Terra, então não
quero passar minha vida construindo o mesmo chão que os meus pais e mães
construíram. Ou seja, posso alinhar minha vida sob a de Bill Johnson e chegar
imediatamente a uma revelação de cura que ele levou anos para adquirir. Mas
quando faço isso, tenho uma nova responsabilidade. Devo pegar o que eu recebi
de graça – pago por outro homem – e administrá-lo de tal forma que cresça e
receba mais revelação. Devo lutar minhas próprias batalhas, não apenas para
guardar a revelação que me foi dada, mas também para fazê-la crescer sob meus
cuidados. O espírito de independência nos tem enganado e feito pensar que
precisamos lutar e aprender tudo sozinhos para que possamos alcançar o mesmo
que aqueles antes de nós alcançaram. Ao invés de trabalhar no mesmo patamar da
construção do avivamento que meus pais e mães construíram, quero pegar o que
eles conquistaram e levar ao próximo nível. E é isso que eles desejam para mim.
Como mencionei, a capacidade da Igreja de sustentar e fazer crescer o
avivamento de geração a geração tem sido limitada historicamente porque as
gerações não estavam devidamente conectadas. Com exceção de algumas situações
isoladas, o avivamento não durou além de uma geração. Independência,
desconexão e alinhamento impróprio têm nos roubado nossa herança espiritual.
Infelizmente, apesar de a revelação em que vivemos hoje existir há anos, não
construímos muito sobre ela. Se lermos os sermões de homens como John G. Lake,
que viveu no início do século XX, veremos que ele pregava as mesmas coisas que
pregamos hoje.1 Mas creio que somos chamados para agarrar o que ele aprendeu e
ir mais além em revelação e entendimento. Acredito que isso está acontecendo e
muitos hoje estão administrando fielmente as revelações dadas a homens e
mulheres de Deus no passado e as levando além. Posso me alinhar sob John G.
Lake ao honrá-lo, adquirir o que ele recebeu e buscar por mais. Se quisermos ver
avivamento sustentado e contínuo de geração a geração, devemos entender o
conceito de herança. Desejo que o teto de Bill Johnson seja o meu chão e que
meus filhos e filhas façam do meu teto o chão deles.
Tenho percebido que a revelação da herança está afetando a forma como eu oro.
No natural, se um filho está trabalhando para o seu pai no negócio da família e
sabe que um dia aquilo será dele, ele pensa de forma diferente. O filho quer que
seu pai gere muito dinheiro e avance o negócio até que se torne o mais próspero
possível. Quando passei a compreender a herança e a me alinhar como filho sob
Bill, comecei a orar para que Bill tivesse acesso a ainda mais revelações do que
ele tinha no momento. Quando Deus dá a ele mais revelação, sei que ela vem para
mim porque sou um filho espiritual.
Certamente, quero minha própria revelação; não fico sentado espe-
rando que Deus mostre a Bill todas as coisas para que então eu as colete dele.
Mas adoro quando Bill recebe uma nova revelação, pois o princípio da herança
diz que eu tomo parte dela também. É como um negócio de família, e eu tenho
alinhado meu coração sob a cobertura de Bill.
As revelações de Lou Engle sobre oração, justiça, consagração nazarena,
governo, jejum e outras são todas minhas. A inspiração de Danny Silk sobre honra,
relacionamentos e liderança é minha. O discernimento de Kris Vallotton sobre o
profético, administração da Igreja, realeza – é toda minha. As instruções de Cindy
Jacob sobre ganhar as nações, intercessão, pensamento estratégico são minhas. Eu
adquiri e amo o entendimento de Dann Farrelly sobre comunicação relacional,
graça e lealdade. Considero-me muito abençoado e honrado por estar alinhado sob
a cobertura de pais e mães espirituais.

AP R E N D E N D O A S UB M E T E R - S E
Contudo, nem sempre foi assim. Passei por uma estrada esburacada até aprender
sobre cobertura e alinhamento. Ao sair do escritório de Kris após a conversa
sobre “você é independente”, soube que eu precisava aprender como ser um filho
e como me submeter à cobertura, mas não tinha ideia do que me esperava na
jornada adiante.
Algumas das perguntas que me encontrei indagando eram: Como pensar por mim
mesmo e ainda permitir que pais espirituais tenham autoridade na minha vida?
Como negociar ouvir de Deus enquanto submeto minha vida aos mais velhos? E se
eu estiver extremamente apaixonado por algo, mas minha cobertura não achar uma
boa ideia? O que eu deveria fazer? E se eu tiver dificuldade de me conectar com
eles? No fim, eu simplesmente decidi tornar a submissão aos meus líderes uma
prioridade e me dedicar da melhor forma possível. Minha esposa e eu nos
comprometemos a aprender isso e raramente, talvez nunca, tomamos uma grande
decisão sem nos submetermos primeiro aos nossos pais e mães. Após experiência,
agora entendo quanto é seguro tomar decisões em uma multidão de conselheiros
(ver Provérbios 24:6, ACF).
Porém, no início achei especialmente difícil conceder à autoridade quando eu
sentia que havia tido uma “ideia de Deus” e minha liderança não concordava.
Admito que sou um cara bastante apaixonado e obstinado. Quando tenho uma
ideia, tenho certeza de que funcionará e que é de Deus. Então, foi difícil submeter
meus planos à minha cobertura quando eles tinham uma opinião diferente.
Alinhamento correto seria muito fácil se meus pais e mães concordassem com tudo
que eu fazia e sempre dissessem sim. Mas não foi assim. Havia muitas conversas
em que eu ia embora frustrado porque havia me comprometido a permanecer sob
cobertura, e a percepção deles estava em desacordo com a minha. Eu pensava:
Seria muito mais fácil se eu não tivesse que passar por esse processo. Gostaria
de ser o cabeça e poder tomar a decisão sozinho.
Mas repetidamente, na medida em que eu me submetia à autoridade, descobria
uma nova graça sobre minha vida. As coisas pareciam sempre funcionar e, no fim
do dia, posso verdadeiramente dizer que nunca me arrependi de ter me submetido
aos meus líderes. Na verdade, quase todas as vezes que compreendia ser certo me
submeter e o fiz, evitei alguma complicação ou desvio errado.

S E RV IN D O À V IS Ã O D E O UT R A P E S S O A
Outra luta que enfrentei ao me posicionar sob a cobertura de pais e mães
espirituais foi quando senti que meu plano não estava indo como o planejado.
Anos atrás, quando comecei a me conectar com pais e mães pela primeira vez, eu
tinha um conceito do que era conexão. Eu era jovem e imaginava várias reuniões
em que esses homens e mulheres de Deus se sentariam comigo durante horas para
derramar toda sabedoria e revelação que haviam recebido. Imaginava-os
reconhecendo a grandeza na minha vida e se comprometendo a dar suas vidas para
ver meu destino cumprido. Essa é a parte da história em que as coisas não saíram
como o esperado. Após cerca de seis meses, eu estava frustrado porque os pais e
mães na minha vida não estavam se dedicando tanto a mim como eu havia
imaginado.
Em meio à minha frustração, aconteceu que um dia saí para jantar com o Kris.
Contei a ele sobre meu desapontamento com toda aquela coisa de cobertura e,
mais uma vez, como ele sempre faz, me confrontou com amor sobre minha
mentalidade falha. Kris disse: “Banning, você se dá bem se relacionando com seus
mentores quando eles o ajudam a alcançar seu destino e cumprir sua visão. Mas
quando eles não fazem isso, você fica frustrado e quer ir embora. O problema com
essa atitude é que tudo tem a ver só com você. Tem a ver com o seu destino e com
a sua visão. Você consegue servir a seus mentores mesmo quando não tem nada a
ver com você? Você pode ajudá-los a alcançar o que está no coração deles? Você
pode fazer tudo o que puder para vê-los pisar no palco da História e priorizar isso
ao invés de você pisar no palco da História?
Eu odeio quando Kris me faz perguntas como essas. Eu nunca havia pensado
naquilo daquela forma. Será que eu estava frustrado com a minha conexão com
meus mentores porque eles não estavam me ajudando a alcançar meus objetivos
como eu achava que deveriam? Será que eu poderia servi-los e ver suas visões se
cumprirem mesmo sem promover a minha? É isso que significa ser um filho? Era
isso que o Senhor estava tentando me ensinar? Se sim, eu pensava, ser um filho era
mais difícil do que eu imaginava.
Então, lembrei-me da história de Elias e Eliseu. Eliseu havia se comprometido
a servir a Elias e a ter certeza de que Elias tinha o que precisava. Eliseu não
estava preocupado com seu próprio ministério ou com seu destino; ele estava
atento a Elias e assegurando o sucesso dele. O segundo livro de Reis capítulo 2
conta a história de Eliseu seguindo Elias logo antes de o Senhor levar Elias para o
Céu. Três vezes durante a jornada, Elias disse a Eliseu para deixá-lo ir porque o
Senhor o levaria. Mas, todas as vezes, Eliseu se recusou a ir embora apesar de
saber que a hora de Elias havia chegado. Muitos estudiosos da Bíblia creem que
em cada cidade onde Elias disse para Eliseu ficar, ele teve a oportunidade de
começar seu próprio ministério assumindo uma escola de profetas. Porém, ele
recusou todas as oportunidades de desenvolver seu próprio ministério e ficou com
Elias para servi-lo até o fim. Para Eliseu, o que importava não era o seu
ministério mundial promissor, mas servir ao seu pai espiritual. Eliseu também
sabia que Elias tinha o que ele precisava – o manto – e precisava ser fiel no
serviço para recebê-lo.
No restaurante com Kris, mais uma vez mudei minha maneira de pensar e decidi
que mesmo se meus pais e mães não me ajudassem a chegar ao meu destino, eu iria
servi-los e fazer tudo que pudesse para vê-los conquistarem o deles. Passei a
perceber que é uma parte importante do plano de Deus aprender a servir aos meus
mentores como um filho mesmo quando não sabia como aquilo me ajudaria a
chegar aonde eu queria. Apesar de não conseguir ver como isso funcionava, Deus
estava me levando ao meu destino. É assim que Ele opera – assim que me
propunha a servir a visão dos meus pais espirituais, eu era impulsionado para a
minha. Embora parecesse diferente do que eu havia imaginado, tenho uma dívida
eterna com meus pais e mães pelo que eles semearam na minha vida.
Ao longo dos anos, pessoas têm me abordado e perguntado o que devem fazer se
não tiverem nenhuma visão para suas vidas. Eu respondo com a verdade que
aprendi ao servir aos meus pais e mães espirituais: “Sirva a visão de outra
pessoa”. Jesus nos perguntou: “E se vocês não forem dignos de confiança em
relação ao que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês?” (Lc 16:12).
Capturar este princípio é crucial para entender o que é cobertura. Jesus dará a nós
as coisas com as quais fomos fiéis na vida de outra pessoa. Se você quiser sua
própria unção, sirva à unção de alguém. Se quiser visão, seja mordomo da visão
de outra pessoa. Se você quiser seu próprio ministério, cuide do ministério de
outra pessoa. Se quiser andar em cura, assista a alguém que opera curas.
Moisés compreendeu esse princípio. Êxodo 3 conta o encontro que ele teve com
Deus na sarça em chamas, onde recebeu sua comissão de libertar o povo de Israel
da escravidão. Certo dia, enquanto eu lia essa passagem, uma frase do versículo 1
chamou minha atenção: “Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro...” (Êx
3:1). Fiquei pensando nisso por alguns instantes e percebi por que o Senhor havia
incluído uma frase aparentemente insignificante como essa. Moisés recebeu seu
ministério de pastorear o povo de Israel num contexto em que estava sendo fiel ao
rebanho de outra pessoa. Um dos maiores líderes da Bíblia passou 40 anos no
meio do deserto pastoreando as ovelhas de outra pessoa! Especulo que deve ter
sido difícil, confuso e frustrante às vezes. Estou certo de que no fundo do seu
coração, Moisés sabia que seu destino ia além de pastorear aquelas ovelhas. Ele
sentia o chamado de Deus em sua vida e sabia que o Senhor iria fazer grandes
coisas através dele. Felizmente, para o povo de Israel, Moisés aprendeu a ser fiel
no deserto. Ele primeiramente teve que ser confiável e leal com as ovelhas de seu
sogro antes de receber as suas.
A parte difícil de servir a visão de outra pessoa é que não tem a ver com você.
Terá que colocar sua visão de lado e verdadeiramente servir a outra se quiser
receber do Senhor o que é seu. Eu converso sempre com as pessoas e pergunto: “A
quem você está servindo propositalmente?” Muitos não conseguem responder à
essa pergunta. Alguns estão envolvidos em diferentes tipos de ministérios, mas
ainda assim pensando somente em si. Alguém pode ser baterista da equipe de
louvor, por exemplo, mas a sua motivação em servir ser melhorar como baterista,
e não ser fiel à visão do líder de louvor. Sempre podemos ver o que motiva uma
pessoa a servir quando ela não consegue fazer o que quer. O que acontece quando
esse baterista não é escalado para tocar regularmente? Se seu coração estiver
voltado para ser fiel à visão do líder de louvor, então não vai importar como ela
ajuda no ministério. É aí que a porca torce o rabo. Servir verdadeiramente a
alguém é um ato de humildade. Mas a Bíblia diz que se nos humilharmos, Deus nos
exaltará no tempo certo (ver 1 Pedro 5:6). Você será levado ao seu ministério e à
sua visão quando o tempo estiver apropriado.

E N T R AN D O N O F L UIR D A GR AÇ A
Já ouvi dizer que a graça é “a capacitação de Deus para fazermos o que fomos
chamados para fazer”. Que ótima descrição. Quando a graça está sobre nossas
vidas, há um poder para fazermos o que está em nosso coração. Seja escrever um
livro, pregar, administrar um negócio ou viver uma vida de santidade, é a graça
que torna tudo isso possível. Quando estou propriamente alinhado sob líderes que
Deus colocou na minha vida, a graça flui livremente na minha vida. Esse princípio
é ilustrado em Salmos 133:1-2:

“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união! É como


óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de
Arão, até a gola das suas vestes.”

União fala de alinhamento correto, e óleo fala da unção do Espírito Santo – da


graça. Quando eu me alinhei sob uma autoridade espiritual, um nível de graça
começou a fluir na minha vida como nunca antes, pois o óleo derramado sobre
minha cabeça começou a escorrer por todo o meu corpo. Senti um vento me
empurrando para frente como nunca havia sentido. Gostaria de lembrar novamente
o que diz 1 Pedro 5:5: “Da mesma forma jovens, sujeitem-se aos mais velhos.
Sejam todos humildes uns para com os outros, porque ‘Deus se opõe aos
orgulhosos, mas concede graça aos humildes’”. Existe uma graça que vem
quando estamos sob uma cobertura.
Quando era criança, amava aqueles escorregadores do tipo toboágua. Há algum
tempo, compramos o primeiro toboágua para os nossos filhos. Foi uma diversão
só! Mas esse era muito mais legal do que o que eu tinha quando era criança. Esse
tinha dois escorregadores lado a lado para duas crianças poderem descer
competindo. E ainda contava com um chafariz que espirrava água no meio dos
escorregadores, terminando numa pequena piscina de água com uma borda de
almofada inflável. Esse toboágua era high tech! Minha esposa e eu dávamos muitas
gargalhadas ao ver nossos filhos gritando de alegria enquanto escorregavam pelo
toboágua. Parecia ser tão divertido que nós dois queríamos entrar também.
Toboáguas são muito divertidos, mas só se houver água neles. Sem água, a
experiência é totalmente diferente – não é nada divertida. Imagine pular de barriga
no escorregador e descobrir que está seco, sem a água necessária para você poder
deslizar. Ai! Viver a vida sem a graça é como mergulhar num toboágua sem água.
Vejo muitas pessoas que, porque não estão sob cobertura, estão tentando viver a
vida sem a graça. Sempre sentem como se um vento estivesse contra elas enquanto
tentam avançar. Sentem como se seu propósito fosse voar, mas nunca conseguem
sair do chão.
Existem pessoas que chegam ao meu escritório e dizem que o diabo está
resistindo a elas e não sabem por quê. Mas, às vezes, não é o diabo que está
impedindo algo; É Deus. Elas recusaram submeter suas vidas à cobertura, como é
ordenado em 1 Pedro, então Deus está resistindo ao orgulho delas. Certa vez, ouvi
Rick Joyner dizer: “Prefiro ter milhares de demônios resistindo a mim do que
Deus resistindo a mim”. Concordo! Não é uma boa ideia ter Deus nos impedindo.
Já vi de primeira mão que quando alguém se subordina à revelação da cobertura e
se submete à autoridade espiritual, o vento na vida dessa pessoa muda. Ao invés
de resistência, ela sente que o vento a acelera rumo ao seu destino.
Gen-14 é um ministério de hip-hop cuja base fica fora da Igreja Bethel. É um
grupo incrível cujo coração está voltado não só para produzir boa música, mas
também para ministrar liberdade a uma geração. Eles não fazem apenas shows,
mas têm reuniões de avivamento explosivo com sinais e maravilhas, libertação e
salvação em suas apresentações. Anos atrás, eles estavam com dificuldade de
mobilizar as coisas, e os sonhos de seus corações não saíam do chão. Estavam
confusos porque não viam o impacto que sabiam que haviam sido chamados para
ver.
Rich Potillor, um dos membros do grupo, me contou durante um almoço sobre
sua frustração. Conversei com ele brevemente sobre a necessidade de estarem
alinhados sob uma cobertura e os benefícios que vêm com isso. Fazia um tempo
que estavam frequentando a Bethel, mas nunca haviam sentado oficialmente com
algum dos líderes para apresentar seu ministério. Rich sabia que era isso que
tinham que fazer e imediatamente marcou uma reunião com alguns pastores.
Começaram a receber resposta dentro de uma cobertura que não tinham antes.
Quase instantaneamente, o vento no ministério deles mudou e passaram a ver um
novo nível da graça sobre eles. Foi muito encorajador ver esses homens e
mulheres de Deus do Gen-14 começarem a entrar completamente em seu destino
como parte da nova geração que está emergindo na Terra.

C O R AGE M
Quero descrever alguns dos benefícios que obtemos através da cobertura. O
primeiro é a coragem. Billy Graham disse: “A coragem é contagiosa. Quando um
homem corajoso fica de pé, as espinhas dos outros são fortalecidas”.2 Deus está
chamando uma geração para viver corajosamente. Eu tenho o privilégio de
ministrar a adolescentes e jovens em todo o mundo, e é claro para mim que eles
precisam de coragem. Deus está chamando essa nova geração de avivalistas para
fazer grandes coisas. Ele a está chamando para mudar o mundo, fazer o
impossível, ver seus bairros impactados, as cidades tomadas e as nações
transformadas. Tudo isso requer uma enorme quantidade de coragem. Ela nunca
poderá fazer o que está em seu coração nem ver avivamento se não tiver ousadia.
É preciso coragem para seguir Jesus e ser um transformador do mundo, e uma das
principais formas como a coragem vem é através da afirmação e do modelo dos
pais e mães espirituais.
Ester precisou de coragem para mudar o mundo e fazer o que havia sido
chamada para fazer em sua época. Deus havia separado Ester para salvar seu
povo, então a conectou com Mardoqueu, um primo que a abrigou quando os pais
dela morreram. Ele se tornou o pai dela. Mardoqueu sabia que Ester devia se
apresentar diante do rei se quisesse que seu povo sobrevivesse ao plano de Hamã
para destruí-los. Mas cumprir essa tarefa não era fácil. Naqueles dias, as pessoas
simplesmente não entravam na sala do rei sem serem convidadas, pois poderiam
ser mortas, a menos que o rei quisesse recebê-las e estendesse seu cetro. Quando
Mardoqueu disse a Ester que ela deveria interceder pelo povo diante do rei, sua
resposta revelou a luta interior para ser corajosa:

“Todos os oficiais do rei e o povo das províncias do império sabem que


existe somente uma lei para qualquer homem ou mulher que se aproxime do
rei no pátio interno sem por ele ser chamado: será morto, a não ser que o
rei estenda o cetro de ouro para a pessoa e lhe poupe a vida. E eu não sou
chamada à presença do rei há mais de trinta dias.”
Ester 4:11

Ester não queria se apresentar diante do rei porque sabia que isso poderia
custar-lhe a vida. Por fim, ela decidiu arriscar-se, ao declarar: “Se eu tiver que
morrer, morrerei” (Et 4:16). Já ouvi muitos pregadores nos chamarem para ter a
coragem de Ester, para sermos aqueles que “diante da morte não amaram a
própria vida” (Ap 12:11). Mas Ester não teria tido a força necessária para fazer o
que tinha que fazer sem Mardoqueu. Seu pai espiritual foi seu modelo de coragem
e a encorajou e fortaleceu para avançar não importa o preço:

“Quando Mardoqueu recebeu a resposta de Ester, mandou dizer-lhe: ‘Não


pense que pelo fato de estar no palácio do rei, de todos os judeus só você
escapará, pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento
surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família de seu pai
morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você
chegou à posição de rainha?’”
Ester 4:12-14

Foi por causa da influência de Mardoqueu em sua vida que Ester recebeu a
coragem necessária para cumprir seu destino – uma coragem que ela não possuía
antes. Como resultado, uma nação foi salva devido ao alinhamento de Ester sob
Mardoqueu.

S AB E D O R IA
Tenho convicção de que sempre preciso desafiar meu limite no ministério. Se
me aproximo de um lugar onde me sinto confortável ou em que sei o que estou
fazendo, preciso encontrar uma piscina mais profunda e mergulhar. É como eu
prefiro viver, e significa que constantemente tenho que ser esticado e crescer
como líder. Contudo, isso só tem funcionado para mim por causa da minha
conexão com meus pais e mães espirituais. Desde que eu esteja conectado a com
eles, sei que em qualquer situação terei acesso à sabedoria e à direção necessária
para ser bem-sucedido.
Mencionei anteriormente minha experiência como líder na Escola Bethel de
Ministério Sobrenatural. Eu tinha 25 anos e fazia muitas coisas, mas valorizava
muito meus pais espirituais e estava intimamente ligado a eles enquanto eu
liderava quatro turmas incríveis de avivalistas. Lembro-me de estar com um aluno
numa sessão de aconselhamento em que eu não sabia o que fazer. Pedi que ele
aguardasse um instante. Corri para o andar debaixo, interrompi uma reunião que
Danny Silk estava tendo e lhe perguntei o que eu deveria fazer. Ele me orientou,
então pude ser capaz de voltar confiante para a sessão de aconselhamento e dizer:
“Bem, tenho algumas ideias”.
Não posso nem contar quantas horas passei no escritório de Dann Farrelly
tirando dele o máximo de sabedoria possível. Se você valorizar seus pais e mães
espirituais, você será capaz de ir além do que achava que podia. Não consigo
imaginar ter que viver dependendo somente do nível de sabedoria que eu tenho.
Através de relacionamento, tenho acesso ao discernimento e à previsão de homens
e mulheres que estão anos à minha frente.
Deus está levantando um povo na Terra que mostrará Sua sabedoria. O Livro de
Provérbios é cheio de encorajamento para buscar e valorizar a sabedoria, e de
forma muito significativa aquelas exortações foram dadas por um pai a um filho.
Jovens avivalistas devem estar conectados a pais e mães espirituais a fim de
receber maior entendimento. Josué foi um líder que andou em sabedoria, e
Deuteronômio 34:9 explica que Josué estava cheio do espírito de sabedoria
porque Moisés havia colocado suas mãos sobre ele. Josué recebeu sabedoria
devido à sua união com Moisés. Na mesma forma, Ester recebeu sabedoria de
Mardoqueu, o que a tornou bem-sucedida.
Uma das principais formas como essa herança de sabedoria aparece é na
capacidade de aprender com os erros e os sucessos dos nossos pais e mães
espirituais. Não vejo razão para que meus filhos cometam os mesmos erros que eu
cometi a fim de aprenderem as mesmas coisas que eu já dominei. Se eles podem se
conectar comigo, podem ganhar o que eu assimilei sem ter que passar pelo mesmo
processo. Eles terão que aprender com seus próprios erros, mas esses erros devem
ensinar-lhes coisas novas.
Tem sido uma enorme honra e uma experiência incrível servir abaixo de Bill
Johnson. Ele enxerga a vida sob uma perspectiva única, e dá certo. Sua postura
diante do ministério, da família, da cura e do Reino e seu relacionamento com
Deus funcionam tão efetivamente.
Certo dia, perguntei a ele: “Como você descobriu como fazer as coisas que
você faz que parecem funcionar tão bem?”
Sem hesitar, ele respondeu: “Porque tentei muitas coisas que não funcionaram”.
Uau! Por que eu tentaria as coisas que Bill já tentou para descobrir que não
funcionam? Posso unir minha vida à dele e aprender as coisas que não funcionam e
as que funcionam. Não tenho tempo para gastar tentando descobrir tudo sozinho.
Haverá algumas coisas que deverei averiguar sozinho, mas quero aprender o que
eu puder com a geração mais velha.

P R O TE Ç Ã O
Um amigo que é pastor de jovens me contou uma ótima história. Quando ele
tinha cerca de oito anos de idade, ele fez um hotel para sapos. Na verdade era
apenas uma cratera de lama na terra, mas ele o amava. Ele atirava os sapos lá
dentro e passava horas brincando na lama. Certa tarde, meu amigo estava saindo
de casa bem na hora em que seu irmão mais velho estava jogando dardos em seu
sapo favorito. Gritando a plenos pulmões, correu para proteger o sapo colocando
sua mão na frente dele como um escudo. Sim, você acertou! Enquanto fez isso, seu
irmão atirou mais um dardo. Mas o dardo não atingiu o sapo, porque perfurou a
mão do meu amigo. Ele começou a chorar e a gritar com o dardo preso em sua
mão, mas seu amado sapo havia sido salvo.
É incrível o número de pessoas com quem me deparo que repetidamente passam
por situações ruins na vida porque não têm cobertura. O espírito da independência
as tem separado da cobertura e da comunidade, e os dardos as estão atingindo e
machucando. Não é tão complicado assim. Se está chovendo e você não quer ficar
molhado, então entre debaixo de um guarda-chuva; porém, todo mundo sabe que se
pisarmos fora da cobertura do guarda-chuva, ficaremos molhados. Na minha
própria vida, quando era jovem, tive pais e mães que me protegeram. Os dardos
do inimigo não tiveram fácil acesso à minha vida. Tive que lutar minhas próprias
batalhas e aprender como ser vitorioso, mas foi muito mais fácil sob cobertura.

ID E N T ID AD E
Meu nome completo é Banning Wesley Liebscher. Durante anos, pensei que
sabia a definição do meu primeiro e último nomes. No sexto ano da escola, uma
das mães na escola cristã que eu frequentava se ofereceu para descobrir o
significado do nosso primeiro nome. Ela voltou e deu a cada um de nós um
pequeno certificado que anunciava os significados para o mundo. A descrição do
meu nome era “Forte Guerreiro, Grande Protetor”. É claro, fiquei empolgado ao
saber que meu nome tinha um significado tão poderoso. E eu não tinha só o
primeiro nome forte, meu último nome também era poderoso. Meus pais sempre
me disseram que meu sobrenome queria dizer “aquele que ama”. É um nome
alemão – lieb significa “amor”, então sempre achamos que nosso sobrenome
queria dizer “aquele que ama”. Que nome legal eu tinha – “Forte Guerreiro,
Grande Protetor, Amante”. Não fica muito melhor que isso.
Alguns anos após ter casado com SeaJay, estávamos numa livraria e
encontramos meu nome num livro de bebês. Eu nunca havia encontrado meu nome
num livro e fiquei animado para ver uma prova da grandeza que meu nome
proclamava sobre a minha vida. Mas quando li o significado do meu nome, que era
irlandês, meu mundo começou a cair. Não era “Forte Guerreiro, Grande Protetor”.
Na verdade, significava “Pequeno Loirinho”. Pequeno Loirinho! Eu não podia
acreditar. Fiquei arrasado, mas me recompus e me consolei porque pelo menos eu
tinha um sobrenome legal. Porém, isso mudou alguns meses depois quando um
homem veio da Alemanha para visitar nossa igreja.
Meu amigo estava conversando com ele e mencionou que meu sobrenome era
alemão e significava “aquele que ama”. “Liebscher?”, ele respondeu com um olhar
perplexo. “Liebscher não significa ‘aquele que ama’”.
Meu amigo mal podia acreditar. “Bem, então o que significa?”
O alemão parou por um instante e disse: “Acho que quer dizer ‘alças de amor’,
mais conhecido como ‘pneuzinhos’”.
Quando meu amigo me contou, aquilo foi demais para mim. Em questão de
meses, eu havia ido de “Forte Guerreiro, Grande Protetor, Amante” para
“Pequeno, Loirinho, Pneuzinhos”. Por causa disso, fiz questão de dar a cada um
dos meus filhos nomes poderosamente proféticos. Minha primogênita é chamada
para ser profeta às nações. Minha filha do meio é chamada para ser uma
evangelista na colheita dos últimos dias. E meu caçula é chamado para ser um
apóstolo que ministra a cura. Cada um de seus nomes é diretamente conectado à
identidade e ao chamado deles em Deus.
Nomes não significam muito na nossa sociedade, mas na época bíblica tinham
muita importância. Eram uma declaração profética sobre a vida de uma criança.
Ajudavam a definir aquela pessoa e sua identidade. Muitos jovens avivalistas têm
falta de identidade porque seus pais e mães espirituais nunca lhes deram um nome.
É papel dos pais “descreverem” uma criança através da escolha de seu nome. Não
é o filho que decide seu nome, mas sim os pais. Existe algo poderoso que acontece
quando nos alinhamos sob um Moisés, um Elias, ou um Mardoqueu e eles
começam a profetizar a grandeza em nossa vida. Quando eles declaram
profeticamente quem nós somos, começamos a estabelecer nossa identidade em
Deus.
Saber quem somos em Deus produz segurança, e essa segurança produz
confiança. Lembro-me de certa vez estar num jogo de basquete de uma escola
local. Havia 1,5 mil pessoas apertadas naquele ginásio, a maioria adolescentes.
Dava para sentir a insegurança emocional no lugar; era praticamente tangível.
Olhei para a geração de quem fui chamado para ser pai e sabia que se havia algo
que eu podia lhe dar era confiança. Enquanto eles percorrem um mundo de
dúvidas, pressão social e do desconhecido, o que eles precisam é confiança – uma
resolução para se firmar de pé e não vacilar não importa quão intensa seja a
tempestade, e uma certeza de se levantar por Jesus, mesmo se isso custar sua
reputação.
A falta de conexão entre as gerações cortou a capacidade dos jovens de
descobrirem quem são, para que possam caminhar no nível de autocontrole e
ousadia que Deus planejou para eles. Quando estamos firmemente estabelecidos
em quem somos, a confiança começa a surgir em nossas vidas. Deus tem dado a
mães e pais o privilégio de dar nomes aos seus filhos, e eu pretendo ser alguém
que faz isso por aqueles os quais Ele confia a mim.

N O S S AS E S C O L HAS
Existem duas escolhas diante de nós. São as mesmas duas opções encontradas
no restante do segundo capítulo de 2 Reis. Depois de Elias ter sido levado ao Céu
num redemoinho, Eliseu, que o havia servido e seguido diligentemente até o fim,
recebeu seu manto e uma porção dobrada. Imediatamente, Eliseu começou a operar
numa unção incrível para fazer sinais e maravilhas. Encontramos evidência de que
ele estava corretamente alinhado com Elias em seu segundo milagre, que foi curar
a fonte de água de uma comunidade inteira. Mas o mesmo capítulo relata um
evento que sempre me deixou confuso. Um grupo de jovens começou a zombar de
Eliseu e, enquanto eles zombavam, duas ursas vieram da floresta e atacaram 42
deles. Por que essa história estaria na Bíblia? Às vezes, quando leio a Bíblia,
penso que ela é aleatória. Mas creio que o Senhor está tentando nos mostrar duas
alternativas. Nós podemos, como Eliseu, alinhar-nos sob uma autoridade
espiritual honrando-a e servindo-a, e receber uma herança de coragem, sabedoria,
identidade, proteção e unção para sinais e maravilhas, ou podemos nos separar
dela ao desonrá-la e sermos destruídos. A escolha é nossa.
O S C O R AÇ Õ E S D O S PAIS
Como tenho dito, a maior parte do meu ministério ao longo dos anos tem sido
voltada para adolescentes e jovens. Por causa disso, a maioria dos meus
ensinamentos sobre cobertura e alinhamento tem sido acerca da honra dos jovens à
geração mais velha. Entretanto, existe mais sobre esse princípio na Bíblia do que
apenas os corações dos filhos se voltando para os pais (ver Malaquias 4:6). Como
mencionei antes, Malaquias primeiro menciona “os corações dos pais” se
voltando para os filhos e, depois, os corações dos filhos se voltando para os pais.
A honra deve fluir nas duas direções. A geração mais velha deve assumir sua
posição de ser a cobertura da geração mais jovem, e essa cobertura deve vir de
um coração de amor e honra.
Como tenho declarado ao longo deste capítulo, creio com todo o meu coração
que a geração mais nova precisa desesperadamente da geração mais velha. Mas
também creio que a geração mais velha precisa desesperadamente da geração mais
nova. Como uma equipe competindo para vencer uma corrida de revezamento,
devemos entender como passar o bastão. Não é suficiente que cada corredor seja
rápido. Se os membros da equipe de revezamento praticarem somente a
velocidade e não ensaiarem como passar o bastão, não vencerão a corrida. Que
pena é para uma geração viver um avivamento e um derramamento do Espírito
Santo, mas não saber como passar o bastão para que as próximas gerações possam
terminar a corrida.
Vemos esse princípio autenticado nas vidas de Elias, Eliseu e Geazi (ver 1 e 2
Reis) Elias tinha o sonho de ver o reino de Jezebel terminar e o povo de Israel ser
restaurado ao verdadeiro Deus. Mas Elias nunca viu isso acontecer durante sua
vida. Ele experimentou algumas vitórias, mas nunca testemunhou o fim do reino de
Jezebel. No entanto, Elias sabia como passar o bastão para a geração seguinte.
Seus sucessores seriam Eliseu e Jeú. Esses dois filhos espirituais de Elias viram o
que ele havia sonhado – o governo de Jezebel desmantelado em seus dias. Eliseu
precisava de Elias para receber porção dobrada da unção, mas Elias precisava de
Eliseu para ver o cumprimento de seu sonho.
Mas, infelizmente, a história não termina bem. Eliseu estava treinando Geazi e
eu creio que iria passar o bastão para ele. Mas por causa da desobediência e da
ganância de Geazi, o bastão foi derrubado e a unção que havia começado com
Elias e havia sido passada para Eliseu com maior poder chegou ao fim após duas
gerações. Imagina o que poderia ter acontecido se Geazi tivesse sido fiel! Creio
que ele teria tido a mesma oportunidade que Eliseu teve de receber porção
dobrada da unção de seu pai espiritual. Se ele tivesse recebido porção dobrada da
unção de Eliseu, que era porção dobrada da unção de Elias, então Geazi teria
andando numa unção quatro vezes maior que a de Elias. Essa é a minha visão –
gerações caminhando juntas em alinhamento correto, e o bastão do avivamento
sendo passado e aumentado de geração a geração – até a volta de Cristo.
Gostaria de terminar com uma história que representa o coração de Deus para o
nosso tempo. Li num artigo anos atrás na faculdade. Não tenho certeza de quem a
escreveu, mas lembro que gostei tanto dela que copiei:

“Rosenbury estava num trem a caminho de uma palestra. Ele notou um


adolescente que estava bastante nervoso, mudando de assento o tempo todo.
O Dr. Rosenbury se aproximou do menino e perguntou se podia fazer algo
para ajudá-lo. O menino contou sua história. ‘Eu morava em Springvale que
fica a poucas milhas daqui, e esse trem passa bem atrás do quintal da nossa
casa. Meu pai e minha mãe ainda vivem lá. Mas há três anos briguei com meu
pai e fugi de casa. Têm sido três anos muito difíceis. Escrevi para minha mãe
semana passada e disse que queria voltar para casa somente uma vez, e se
meu pai concordasse, ela deixaria algo branco pendurado no lado de fora da
casa para que eu soubesse que meu pai havia concordado em me receber.
Disse a ela que fizesse isso somente se meu pai concordasse em me deixar
voltar para casa.’ O Dr. Rosenbury percebeu que o menino foi ficando cada
vez mais agitado enquanto dizia: ‘veja, senhor, a minha casa fica a poucas
milhas daqui e estou com medo de olhar. Eu vou fechar os olhos. O senhor
poderia ver se tem algo branco pendurado no quintal?’ Quando o trem virou
na esquina, Rosenbury gritou: ‘Veja, menino, veja!’ A casa mal podia ser
vista devido a tanto branco, pois havia um lençol branco grande pendurado
na janela de cima, toalhas de mesa brancas, lenços brancos, fronhas
penduradas nas árvores, no varal, em todas as janelas. O rosto do menino
ficou branco, e seus lábios estremeciam quando o trem parou. Rosenbury diz
que a última coisa que viu foi o menino correndo o mais rápido que podia
para a casa do pai.”

É tempo de os filhos e as filhas virem para a casa de seus pais e suas mães.
Deus está unindo as gerações em alinhamento, trazendo a vara e a espada juntos
para um avivamento mundial. Ele verdadeiramente está fazendo “com que os
corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus
pais” (Ml 4:6).
ESSA NOVA GERAÇÃO de avivalistas é apaixonada por Deus e está
sendo despertada para o amor extravagante Dele. Eles têm permitido que seu
desejo ardente pelo Senhor permeie todo o seu ser e tudo o que fazem. Conhecidos
como Fervorosos, suas vidas acendem fogo de avivamento em todo o mundo.
Além de ser possível para mim e você vivermos uma vida de contínuo amor
apaixonado, é possível termos uma vida crescente em paixão e viver
continuamente no amor extremo do Senhor.
Podemos distinguir aqueles que amam porque não são motivados por elogios ou
dinheiro, mas por um amor profundo por Jesus (ou seu Rei). Isso os compele a
fazer escolhas radicais marcadas por sacrifício, risco, humildade e excelência.
Encontraram sua importância no relacionamento com o Senhor e compreendem seu
valor. Estão seguros em sua identidade e abraçam os profundos propósitos de
Deus em suas vidas. Demonstram a bondade, a grandeza e a glória de Deus através
de suas vidas, e corajosamente recebem o mundo para experimentar esse Deus por
si mesmos.
U M A M O R D E S P E R TA D O
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Elena, uma das líderes de nossos
campus escolares, estava sentada no meu escritório dando notícias sobre o
ministério que havíamos acabado de inaugurar naquela área. Sua tarefa era ativar
alunos cristãos para orar naquela escola, e nossa estratégia era simples: ela devia
se reunir com outros cristãos e desafiá-los a orar por cinco amigos não salvos.
Nosso objetivo era ver os nomes de todos os alunos não cristãos sendo cobertos
de oração toda semana. Elena havia se reunido com alguns outros alunos cristãos e
começado a organizar momentos de oração semanais. Mas algumas semanas
depois, seus amigos cristãos foram até ela e disseram que não estavam mais
interessados em orar e não iriam frequentar as reuniões semanais.
Quando ela me contou isso, fiquei chocado. Ao pensar sobre aquilo, percebi que
parecia muito anormal que jovens cristãos – ou qualquer cristão por sinal – não
fossem apaixonados pelas coisas de Deus. Mais especificamente, é anormal que
cristãos não sejam apaixonados por Deus e, sucessivamente, apaixonados por Suas
coisas. Na verdade, o amor apaixonado deveria ser a substância que
primeiramente nos caracteriza com crentes. Infelizmente, a maior parte da Igreja
tem promovido a ideia de que a marca da vida do cristão é a habilidade de
cumprir certas disciplinas espirituais – ir à igreja regularmente, ler a Bíblia,
evitar fazer coisas erradas. Porém, como Bill Johnson diz: “O cristianismo nunca
foi uma vida de disciplinas. Sempre foi uma vida de paixão”.1 A coisa mais
natural na vida cristã é estar apaixonado por Jesus e por Seu amor ardente para
que seu amor se propague por tudo que somos e fazemos. Na realidade, como
seres humanos, fomos criados para viver apaixonadamente e atraídos para aqueles
que vivem com fervor.
Lembro-me de uma vez ficar grudado na televisão durante uma hora assistindo a
Steven Irwin, uma das pessoas mais animadas e intensas que já viveram na face da
Terra. Irwin tinha um programa popular educacional chamado O Caçador de
Crocodilos, que explorava o mundo dos répteis e outros animais selvagens. Nesse
episódio particular, Irwin saiu em busca das dez cobras mais venenosas do mundo.
A mais venenosa de todas se encontra na Austrália. Após dois dias difíceis de
viagem ao interior, Irwin finalmente localizou a cobra que estava procurando.
Ora, esse não é um réptil que a maioria das pessoas quer encontrar. O veneno de
uma única picada tem poder suficiente para matar mil homens. No entanto, o
absurdamente empolgado Irwin se deitou silenciosamente de barriga a alguns
metros da cobra! Fiquei ali na minha sala sentado assistindo sem poder acreditar
que a cobra mais perigosa do mundo se arrastava na direção do apresentador, que
calmamente permitiu que a criatura lambesse seu rosto. Eu estava pronto para
pular fora do meu corpo de medo, mas o Steve não. Quando a cobra casualmente
foi embora se arrastando, ele deu um pulo e agiu como se alguém tivesse acabado
de lhe dizer que ele havia ganhado um milhão de dólares.
Não me importo em nada com cobras, mas não pude deixar de assistir à paixão
de Steve Irwin. E estou convencido de que muitos outros fãs de O Caçador de
Crocodilos também não tinham necessariamente interesse em crocodilos ou
cobras, mas também ficavam fascinados com um homem que vivia com tanta
convicção enérgica. Muitas pessoas que não vivem com paixão vivem
vicariamente através de filmes, esportes, ou das experiências dos outros. Amamos
acompanhar os atletas olímpicos que estão dispostos a sacrificar anos de suas
vidas treinando por causa de sua determinação de serem os melhores do mundo em
alguma coisa. E a maioria de nós curte filmes sobre romance, lealdade e coragem
porque eles despertam algo dentro de nós que sabe que nascemos para viver com
todo o nosso coração.
Atletas olímpicos e figuras como Steve Irwin nos mostram que pessoas
apaixonadas fazem sacrifícios e se arriscam. Creio que somos atraídos à paixão
porque há algo dentro de nós que sabe que fomos criados para dar nossas vidas
para algo maior que nós mesmos, e o amor apaixonado é a única força forte o
suficiente para nos levar além da conveniência e para o sacrifício. A disciplina
nunca será o bastante.
A maioria de nós não associa a palavra “disciplina” com assumir riscos. Ora,
eu acredito muito em disciplinas e encorajo os cristãos a abraçá-las, mas elas
nunca devem ser o estímulo propulsor de nossas vidas. A razão para isso é que a
principal coisa para a qual fomos criados – a coisa para a qual devemos dar
nossas vidas – é relacionamento, primeiro com Deus, e depois uns com os outros.
E a paixão é a única força impulsora que faz sentido em relacionamentos.
Meu casamento com minha esposa não é um casamento de disciplinas. Apesar
de ser mentira dizer que o dia a dia do casamento é uma explosão de amor
apaixonado, sou casado com minha esposa porque sou ardentemente apaixonado
por ela, não porque tenho um contrato com ela. É verdade que amor é uma escolha,
e não um sentimento que eu tenho, mas eu não acordo todos os dias dizendo “Hoje
eu escolho amar minha esposa”. Minha paixão por ela é o que me impulsiona a
cumprir a promessa de passar o resto da minha vida com ela.
Eu entendo que muitas vezes nós fazemos a coisa certa em nosso relacionamento
com Deus simplesmente porque sabemos que é a coisa certa a fazer. É
absolutamente necessário orar, adorar, passar tempo com Ele e ler a Bíblia porque
é o correto a ser feito. Mas fazer a coisa certa não é o objetivo final, e nosso
relacionamento com Deus não pode ser baseado apenas em cumprir as disciplinas
corretamente. Deus se importa com mais do que se fazemos a coisa certa. A coisa
certa é somente isso – a coisa certa. Isso é porque está conectada com o nosso
propósito primordial, que é amar a Deus e sermos amados por Ele. O objetivo
supremo de Deus para cada um de nós é um coração despertado com amor por
Jesus que produz uma vida disposta a sacrificar tudo, e isso só pode acontecer
através da paixão. Amor apaixonado é o combustível que fomos criados para
queimar. As disciplinas são como as barreiras laterais das rodovias. Elas nos
ajudam a permanecer na estrada, mas nunca serão fortes o bastante para manter o
nosso motor funcionando.

C HAM AD O S PAR A UM A PAIX Ã O C O N T Í N UA


Conforme minha equipe de líderes e eu começamos a treinar e a comissionar
adolescentes e jovens, deparei-me com a realidade de que muitos jovens cristãos
não estão vivendo com paixão por Deus e pelas coisas de Deus. Talvez eles
tenham experimentado a paixão de vez em quando em algumas conferências ou
acampamentos, e muitos tiveram o desejo de viver apaixonadamente, mas não
souberam como sustentar esse tipo de estilo de vida. Uma coisa é experimentar
momentos de êxtase por Deus, mas outra totalmente diferente é viver uma vida
apaixonada.
Uma das nossas principais estratégias de levar pessoas a uma vida de paixão
tem sido simplesmente provocar a sede que já existe dentro delas. Bill Johnson me
ensinou cedo no ministério a pregar para todas as pessoas como se elas
estivessem sedentas pelas coisas de Deus. Ele mesmo prega com a suposição de
que todos têm apetite por Deus, pois se são cristãos possuem o Espírito Santo em
seu interior, que é apaixonado por Deus e voltado para Ele. Se não são cristãos,
anseiam por Deus também porque foram feitos para Ele. Bill gosta de apontar que
é por isso que Jesus é chamado de “O Desejado de Todas as Nações” (Ag 2:7,
tradução livre do inglês). Ele é a satisfação perfeita para os mais profundos
anseios do coração humano.
Eu creio que os jovens verdadeiramente têm sede de viver apaixonadamente
para Deus, mas que essa vontade tem sido enterrada e precisa ser chamada de
volta. Ao trabalhar com minha equipe para ressuscitar esse desejo, temos visto
corações sendo despertados para ter zelo pelo Senhor, e jovens descobrindo que é
possível viver uma vida de paixão constante. Na verdade, além de ser possível
manter a paixão, podemos também viver uma vida cuja paixão aumenta ano após
ano. Os novos avivalistas que estão emergindo na Terra estão experimentando uma
longa queima de paixão, e não apenas uma curta explosão de uma experiência que
rapidamente vai embora.
Uma das principais chaves para sustentar uma paixão crescente por Deus é
encontrada no Livro de Apocalipse. O apóstolo João, quando estava exilado na
Ilha de Patmos, foi levado ao Céu e ficou face a face com Jesus. Nesse encontro,
Jesus deu a ele algumas mensagens para escrever a várias igrejas. A mensagem
que Ele enviou para a igreja de Éfeso foi a de que Ele via as boas obras que ela
estava fazendo, mas tinha uma coisa contra ela: “Contra você, porém, tenho isto:
você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e
pratique as obras que praticava no princípio...” (Ap 2:4-5). Eu cresci na igreja e
já ouvi esse versículo ser ensinado muitas vezes. A mensagem sempre era algo
assim: “Primeiramente quando você foi salvo, naturalmente queimava de amor por
Deus e vivia uma vida cheia de paixão. Você amava orar, ler a Bíblia, convidar
pessoas para igreja e testemunhar. Mas, gradualmente, ao avançar na caminhada
cristã, seu fogo e sua paixão por Deus começaram a diminuir”. Em conclusão,
éramos sempre encorajados a voltar ao “primeiro amor” ao sermos lembrados de
quando éramos novos convertidos a fim de que nos tornássemos aquela pessoa
novamente.
Lembre-se, no interior de todo cristão há um desejo de viver profundamente
apaixonado por Jesus. Aqueles de nós que ouviam essa mensagem desejavam mais
paixão em suas vidas e, assim, reagiam trabalhando duro para voltar a como eram
no início da vida cristã. Nós tentávamos fazer as mesmas coisas que fazíamos
naquele início, mas já que as fazíamos por obrigação e não por paixão, elas
raramente produziam os mesmos resultados de antes e a tentativa sempre durava
pouco tempo.
O problema com esse ensinamento é a conclusão de que voltar ao primeiro amor
significa retornar a como amávamos Jesus primeiramente. Não acho que
Apocalipse 2 está falando sobre isso. 1 João diz: “Nós O amamos ... porque Ele
nos amou primeiro” (1 Jo 4:19, ACF). Não acredito que Jesus estava dizendo
para voltarmos à maneira como O amávamos inicialmente; estou convencido de
que Ele diz para retornarmos à revelação de que Ele nos amou primeiro. É a
revelação do Seu amor por nós que desperta nosso amor por Ele. Quando
encontramos Seu amor total e absoluto por nós, a resposta natural é se apaixonar
completamente por Ele. O amor Dele incita o nosso a ponto de não termos que
lutar para viver uma vida de paixão. Ela flui naturalmente.
No meu escritório, sentado na minha prateleira, está um boneco do ursinho
Pooh. É um lembrete para mim de algo que o Senhor me mostrou anos atrás. Na
primeira Páscoa da nossa filha, minha esposa e eu compramos para ela esse bicho
de pelúcia. É um brinquedo legal e bem mais avançado tecnologicamente do que
qualquer um que eu tive quando era criança. Esse ursinho Pooh tem um chocalho
nas mãos e veio com um chocalho maior para a minha filha brincar. Sempre que
ela balançava o chocalho maior na frente do ursinho Pooh, o chocalho pequeno nas
mãos dele recebia um sinal e ele começava a dançar e cantar: “Eu sou baixinho e
gordinho e tenho orgulho disso, e com toda minha força ando pra cima e pra baixo,
pra cima e pra baixo...” E assim que minha filha parava de mexer o chocalho dela,
o ursinho Pooh imediatamente parava de dançar e cantar.
O ursinho de pelúcia na minha prateleira me faz lembrar de que quando o
“chocalho” de Deus está ativo na minha vida, eu também desperto. Tenho certeza
de que você entendeu. Nosso amor por Deus é despertado quando encontramos o
amor Dele por nós. É somente quando experimentamos consistentemente o intenso
amor de Deus por nós que temos a capacidade de viver uma vida de amor ardente
por Ele. Mike Bickle diz: “Precisamos de Deus para amar a Deus”.2 Nós
realmente não podemos fazer nada separados Dele.
Jesus ensinou essa verdade aos Seus discípulos quando disse; “Como o Pai Me
amou, assim Eu os amei; permaneçam no Meu amor” (Jo 15:9). Que declaração
incrível! Jesus disse que Ele nos ama da mesma forma como Deus Pai O ama. Não
há amor maior que esse. Ele então nos chama para permanecer nesse amor. Jesus
não disse para tentarmos recriar o amor que tínhamos quando fomos salvos e então
permanecer no nosso amor por Ele, mas para aprendermos a permanecer no amor
Dele por nós. Ele estava dizendo basicamente: “Meu amor por vocês é muito
extravagante. Suas ‘primeiras obras’ devem ser aprender a viver uma vida
conectada ao Meu exorbitante amor”. Todos os dias, temos a oportunidade de
permanecer no amor mais extremo, fervoroso, exagerado, bárbaro e
incompreensível que podemos imaginar. Quando aprendermos a fazer isso, a
resposta natural sempre será um amor extravagante por Ele.
A nova geração de jovens avivalistas que está emergindo na Terra está
aprendendo o segredo de permanecer no amor de Jesus e, portanto, está queimando
de paixão por Ele. Seus corações estão derretidos – liquefeitos por Seu amor
insaciável – e estão sendo derramados sobre outros. Eles serão conhecidos como
Fervorosos, cujas vidas acendem fogo de avivamento em todo o mundo. Já que
andam na revelação da amizade com Deus, não trabalham para Ele, mas com Ele.
S ã o amantes de Deus, e não empregados de Deus. As vidas dos amantes se
destacam porque não são motivados pela fama nem pela fortuna, mas pelo amor
profundo por Jesus. Essa paixão os compele a ir além do status quo e, portanto,
suas vidas são marcadas por sacrifício, risco, humildade e excelência. Mike
Bickle diz: “Amantes sempre trabalham mais do que empregados”.3
Se quisermos viver como Fervorosos, devemos encontrar o Fogo Total e
Absoluto. Um dos nossos jovens teve um sonho no primeiro ano que fomos à
Inglaterra com o Jesus Culture. No sonho, havia um Homem de pé num campo com
um bico de garrafa de propano saindo de Seu pescoço. Um grupo de jovens se
reuniu em volta Dele, mas logo perceberam que Ele estava prestes a explodir em
chamas e rapidamente recuaram a uma distância segura. No entanto, estavam muito
intrigados com esse Homem e permaneceram ali para assisti-Lo. Ele então
começou a chamá-los para perto. Um por um, os jovens se aproximaram do
Homem no campo. De repente, ouviram “Tique, tique, tique, tique”, e Ele explodiu
em chamas, consumindo todos eles. Jesus está nos chamando para perto a fim de
que possa acender em nós o fogo do Seu amor, e essa nova geração está
respondendo a esse chamado.
Como vimos nesse sonho, há uma progressão de convite, busca e encontro em
nosso relacionamento com Deus. Se quisermos permanecer no amor Dele, esse
avanço deve ser cíclico em nossas vidas. Na minha, acontece mais ou menos
assim: Meu coração responde ao convite de Deus e eu encontro Seu incrível amor
por mim. Essa experiência com o amor Dele acende um amor dentro de mim que
diz: “Senhor, Você é tudo que eu quero. Você é aquele a quem estive procurando.
Passarei toda a minha vida buscando a Ti”. Essa busca me leva de volta à
presença Dele, onde encontro mais do Seu amor, que acende na minha vida outro
nível de paixão por Jesus, fazendo com que eu queira buscá-Lo ainda mais. Quanto
mais essa sequência é nutrida, mais a minha paixão aumenta.
Lembro-me de ocasiões na minha vida em que o Senhor revelou Seu amor a mim
de novas maneiras. Minha reação natural sempre foi crescer mais em devoção e
ternura por Ele. Lembro-me de uma manhã específica em que fui ao nosso
santuário. As luzes estavam apagadas, as cadeiras não estavam arrumadas, e eu me
deitei perto do altar para orar. Enquanto orava, fiquei impressionado com o amor
de Deus. Era tangível. Eu podia sentir ondas de amor fluindo sobre mim. Fiquei
ali deitado, chorando enquanto experimentava novamente o amor de Deus. Depois
dessa experiência, meu coração ficou queimando de amor por Ele. Mas é
importante observar que a natureza do ciclo revela que, como eu disse antes, nossa
busca pelo Senhor é dependente Dele pelo menos de duas formas. Primeiramente,
depende de Deus porque a nossa busca por Ele sempre será apenas uma resposta
ao cortejo Dele. Como Jesus declarou: “Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que
Me enviou, não o atrair” (Jo 6:44). Minha procura por Deus aconteceu porque
tive uma revelação de que Ele estava em busca de mim. Apocalipse 3:20 diz: “Eis
que estou à porta e bato”. Jesus é Aquele que está batendo à porta. Nós não O
encontramos; foi Ele quem nos encontrou. Ele não estava perdido; nós estávamos
perdidos. E, mais importante ainda, a busca de Deus por capturar nosso coração
não para quando somos salvos. Ele ainda está em busca de nós, mesmo hoje!
Da mesma forma, trabalhei duro para atrair minha esposa quando estávamos
namorando. Queria que ela dissesse sim quando eu a pedisse em casamento. Mas
não parei de ir atrás dela quando fizemos nossos votos. Onze anos depois, ainda
estou em busca de capturar o coração dela. Deus ainda está em busca de nós tão
intensamente como antes de sermos salvos. Todos os dias o coração Dele anseia
estar com você, e Ele o está perseguindo. Eu geralmente digo às pessoas: “Não é
difícil achar Deus. Você só tem que parar tempo suficiente a fim de que Ele
encontre você”.
Quando paramos tempo suficiente a fim de que Ele nos encontre e bebemos do
Seu amor como eu descrevi, algo dentro de nós desperta. Essa é a outra forma
como a nossa busca por Deus é dependente Dele. Encontrar o amor do Senhor por
nós não somente causa uma reação em nós, mas também nos permite retribuir. A
experiência, na realidade, nos dá algo que não tínhamos antes – um coração
despertado com a paixão que impulsiona nossa busca.

A R E V E L AÇ Ã O AL É M D A IN F O R M AÇ Ã O
O apóstolo Paulo orou para que conhecêssemos “o amor de Cristo que excede
todo o conhecimento...” (Ef 3:19). O versículo conclui: “para que vocês sejam
cheios de toda a plenitude de Deus”. A experiência é a chave para a plenitude
porque ela traz a revelação. Sem o conhecimento da revelação que vem com a
experiência, somos limitados a operar apenas com informação. A maioria dos
cristãos possui a informação correta. Na maioria das igrejas, se eu perguntar:
“Você crê que Jesus te ama?”, tenho certeza de que 99% da congregação
responderiam com um sincero sim. O mero fato de você estar lendo este livro me
diz que você provavelmente acredita que Jesus o ama. Mas você está respondendo
baseado em informação ou revelação?
Quando Evander Holyfield, o ex-campeão peso pesado de boxe, estava em seu
auge, eu gostava de assistir às suas lutas. Após ver apenas algumas, ficou óbvio
para mim que ele socava forte. Minha observação foi reforçada quando li artigos
sobre suas lutas, ouvi os comentaristas falarem sobre seu estilo de boxe e escutei
outros lutadores sendo entrevistados sobre as experiências que eles tiveram com
Holyfield no ringue. Se você me perguntasse: “O Evander Holyfield soca forte?”
Eu responderia com convicção: “Sim, ele soca muito forte”. Mas apesar de essa
resposta ser convincente e verdadeira, é completamente baseada na esfera da
informação. Ela só se transformaria numa revelação pessoal se eu colocasse
sapatos e luvas de boxe e entrasse no ringue com o próprio Holyfield. Nos cinco
segundos do primeiro round, quando o punho de Holyfield tocasse o meu queixo e
meus joelhos se dobrassem, e passarinhos começassem a circular em volta da
minha cabeça, é naquele momento que a revelação me impactaria: “Evander
Holyfield soca forte!” É exatamente a mesma resposta que eu teria dado antes, mas
agora ela é uma revelação – não meramente uma informação. Eu não teria apenas
lido sobre como o soco dele é forte; teria experimentado pessoalmente!
Pessoas demais estão contentes por viver uma vida de informação ao invés de
revelação. Mas o conhecimento sozinho nunca acenderá uma chama contínua em
nós para amarmos Jesus apaixonadamente. Apenas a revelação pode fazer isso.
Lembre-se, Efésios 3:19 diz que a revelação que vem com a experiência é a chave
para a plenitude. A palavra grega traduzida como “plenitude” se refere a um navio
cheio de mercadorias e marinheiros. Um navio pode ser navegável e um destino
pode ser decidido e percorrido, mas se não houver carga a bordo e mão de obra
para guiar o navio, ele não chegará a lugar algum. O mesmo vale para nós quando
temos apenas informação sem a revelação e a realidade da experiência que traz a
plenitude de Deus para nossas vidas.
A revelação de Seu amor extravagante irá nos propulsar mais profundamente ao
coração de Deus porque ansiaremos ficar com Ele. E.M. Bounds, falando sobre
aqueles que tiveram um encontro com o amor do Pai, diz: “Eles passam muito
tempo em oração, não porque observam a sombra do relógio de sol ou os
ponteiros do relógio, mas porque aquilo é um negócio tão importante e envolvente
para eles que mal podem parar”.4

O P O D E R D O S IM
Parece tão fácil, não é? Tudo que temos que fazer é permanecer no amor de
Deus e nossa paixão por Ele acenderá. E eu ainda posso lembrar a você de que
receber a revelação do amor de Deus não é difícil. Realmente é mais uma questão
de diminuir a velocidade e se posicionar para receber Dele. Se nós desejamos
experimentar o amor de Deus por nós, Ele mais ainda. Mas apesar de Seu amor
estar sempre disponível, nós vivemos numa sociedade que vai contra a nossa
busca por ele. Nunca em toda a história houve tantas distrações ao nosso dispor.
Nenhuma outra geração foi inundada com centenas de canais de televisão,
mensagens de texto, e-mails, internet, celulares, videogames, aparelhos digitais
com capacidade de armazenar milhares de músicas, filmes sob demanda e a
capacidade de viajar. Apesar de essas distrações não serem ruins por si só, elas
tiram nossa capacidade de permanecer no amor de Deus se não aprendermos a
administrá-las. Uma das maiores coisas que elas nos impedem de compreender é
como esperar.
Em nossa sociedade fast-food, estamos tão acostumados a ter as coisas
imediatamente que acreditamos que é assim que deve ser. Consequentemente,
quando temos que esperar por Deus, ficamos incomodados e indignados.
Começamos a duvidar da verdade de Seu amor e de Suas promessas. Porém,
precisamos perceber que permanecer em Seu amor leva tempo e não pode ser
conquistado em três minutos, logo após terminarmos com nosso DVD “Três
Minutos para um Corpo Melhor”.
Quando entendemos quão importante é ter contato com o amor de Deus e vemos
quantas distrações existem ao nosso redor para nos seduzir, é talvez tentador nos
sentirmos desencorajados. Mas precisamos perceber que a agitação sem
precedentes da nossa geração está na verdade criando uma oportunidade única
para nós. Existe algo poderoso que acontece quando as pessoas dizem sim a Jesus
em meio às distrações. Quando dizemos sim a Ele ao mesmo tempo em que
estamos rodeados de outras opções, isso estabelece uma convicção profunda
dentro de nós que não pode ser facilmente abalada. Eu não pedi minha esposa em
casamento dizendo: “SeaJay, o negócio é o seguinte. Não tem ninguém mais que
queira casar comigo. Você é a única disponível – a única opção que eu tenho.
Então, casa comigo?” Somente pensar nisso já é patético. O casamento é uma
união poderosa porque acontece em meio a opções. “SeaJay, eu tenho milhares de
opções, mas você é a que eu escolho. É com você que eu quero passar o resto da
minha vida. Não existe ninguém que possa ser comparada a você”. Talvez eu tenha
me iludido um pouco pensando que tinha milhares de opções, mas você entendeu o
que eu quis dizer.
Danny Silk, um dos meus pais espirituais, me ensinou sobre o poder do sim. Ele
frequentemente diz que muitas pessoas acham que a vida cristã é um monte de
nãos. Muito de nosso discipulado tem sido baseado em ensinar pessoas a dizerem
não. “Não, não quero isso. Não, não irei lá. Não, não vou ver isso. Então, Danny
explica que a vida cristã nunca foi uma fonte de nãos. É um impressionante sim a
Jesus que ressoa em nosso espírito e afunda todas as outras opiniões. Da mesma
forma, meu casamento não tem a ver com dizer não às outras opções, mas tem tudo
a ver com dizer sim à minha esposa. Afinal, se a vida cristã deve ser vivida com
paixão, deve ser uma vida que tem um objetivo positivo.
V O LTAN D O N O S S A AT E N Ç Ã O A E L E
Se Jesus está em busca de nós e batendo à nossa porta, então nossa
responsabilidade é abri-la quando Ele bate. Apocalipse 3:20 diz: “Se alguém
ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”.
Devemos nos posicionar de forma que quando Ele bata, abramos a porta. Sua voz
deve ser mais alta do que todas as outras vozes na nossa vida. Não pode haver
competição para o bater de Jesus. Na verdade, quanto mais encontrarmos Seu
amor por nós, menos qualquer outra coisa terá força para ser comparada a ele.
Minha parte favorita do dia é quando chego em casa do trabalho. Entro pela
porta, deixo minha bolsa no chão e espero para ouvir: “O papai chegou!” Então
fico ali de pé com um sorriso no rosto enquanto as crianças mais lindas do mundo
começam a surgir de diferentes partes da casa. Não importa o que estejam
fazendo, elas largam tudo e vêm correndo quando ouvem que eu cheguei. Meu filho
pode estar brincando com seus bonecos de super herói, minha filha caçula pode
estar assistindo ao seu filme favorito da Barbie, e minha filha mais velha pode
estar jogando com seu Nintendo DS. Mas não importa. Tenho certeza de que posso
ganhar de qualquer super herói em qualquer dia da semana. Barbie? Não é
problema. Todas as vezes ganho da Barbie, do Homem Aranha, ou de qualquer
outro.
Jesus nos disse que não podemos entrar no Reino a menos que nos tornemos
como crianças primeiro. Quando o Pai chega em casa, nada é mais importante do
que ficar com Ele. Quando Ele bate à porta e ouvimos a Sua voz, devemos vir
correndo. Todas as outras coisas devem empalidecer em comparação à chegada
Dele. Às vezes, Ele bate à porta quando podemos parar tudo e passar um bom
período com Ele. Outras, Ele bate quando estamos na aula, ou dirigindo, ou na
padaria. Não importa onde, abrir a porta é simplesmente uma questão de focar
nossa atenção Nele. Certa noite, pouco antes de me deitar para dormir, o Espírito
Santo me disse: “Banning, Eu estou sempre disponível para você. Tudo o que
você tem que fazer é voltar sua atenção e seu afeto para Mim”. Seja no seu
tempo devocional diário ou ao longo do seu dia agitado, a questão é a seguinte:
Você voltará sua atenção e seu afeto para Ele? Apesar de ser muito importante ter
um tempo diário com o Senhor, esse não é o objetivo final. O objetivo é ter os
afetos do seu coração apontados na direção Dele não importa o que esteja
acontecendo.
Existem algumas histórias sobre os tempos de oração de Smith Wigglesworth
com o Senhor. Já ouvi que, quando ele orava, a presença do Senhor enchia a sala
de tal forma que qualquer um que estivesse com ele sairia por medo de ser morto
por tamanha glória. Wigglesworth entendia como os afetos do nosso coração
podiam mover o Céu. Ele disse: “No momento em que olhamos para cima e
estamos numa posição de afeto com Jesus, os Céus se abrem”.5
Descobri que o valor real do meu tempo agendado com o Senhor é que ele me
ajuda a me preparar para o meu objetivo predominante, que é manter minha
atenção e meus afetos em Jesus ao longo do dia. Andrew Murray diz: “Um homem
que busca orar fervorosamente só na igreja ou num cantinho de oração passa a
maior parte do tempo com um espírito totalmente em desacordo com o que orou.
Sua oração foi fruto de um determinado lugar ou momento, e não de todo o seu
ser”.6
Alguns dos momentos mais doces que já tive com o Senhor não foram nas horas
programadas de oração e adoração. Na faculdade, eu trabalhava como manobrista,
estacionando carros. Passava parte do meu tempo de pé na entrada no
estacionamento para me certificar de que ninguém estacionaria lá. Sozinho no
estacionamento por horas, eu voltava meu coração para o Senhor e simplesmente
O adorava. Lembro-me de gostar daqueles momentos íntimos de conexão no
estacionamento do shopping. Se quisermos ser Fervorosos, temos que viver uma
vida de paixão contínua com Deus, aprender a abrir a porta quando Ele bate e
voltar nossa atenção e nosso afeto para Ele.
Quando paramos para que Deus nos encontre, abrimos a porta, e voltamos nossa
atenção para Ele, estamos Lhe dando a oportunidade de nos amar, que é o que Ele
anseia fazer. E isso tem a ver com voltar ao primeiro amor. Anos atrás, houve uma
época na minha vida em que o Senhor enfatizou isso repetidamente. Parecia que
em todos os momentos que eu separava para ficar com Ele, Ele só queria falar
sobre o quanto me amava. Eu sentava silenciosamente com o Senhor e perguntava:
“Deus, o que está no Seu coração hoje?” E Ele respondia: “Você está no meu
coração hoje”. Várias vezes, Ele me acordava no meio da noite para falar comigo.
Eu sabia que era Deus me acordando, então voltava minha atenção para Ele e
perguntava o que queria compartilhar comigo. Na maioria das vezes, eu estava
esperando uma revelação incrivelmente profunda que eu poderia ensinar a outros,
mas em todas as vezes Ele gentilmente dizia: “Só queria dizer que amo você”.
“Ok. Só isso? Mais alguma coisa? Alguma revelação profunda que o Senhor
queira compartilhar comigo agora que me acordou?”
Eu amava Sua resposta: “Não. Só queria lhe dizer o quanto amo você”. Depois
de um tempo, era um tanto divertido para mim quando Deus me acordava e
tínhamos essa interação. Mas também comecei a entender o que Ele estava
fazendo. Ele tinha que se certificar de que eu estava completamente saturado pela
revelação de Seu amor por mim.
Uma grande razão pela qual entendi o que Deus estava fazendo comigo é porque
eu sou pai. Quero que meus filhos saibam o quanto sou louco por eles. Preciso que
saibam o quanto os amo e que tenho tanto prazer em amá-los. Você tem que
compreender isso. Eu não somente curto que meus filhos me amem. Tenho prazer
em amá-los também. Muitos de nós dizem ao Senhor que O amam, mas nunca
separam um tempo para deixar que Ele os ame. Nossos momentos de oração
consistem de nossa busca por Deus sem deixar que Ele mostre Seu amor. Se,
quando eu chegasse em casa, minha filha viesse correndo e dissesse: “Te amo, te
amo, te amo” e depois saísse para fazer outra coisa, isso não me satisfaria como
pai. Apesar de eu amar ouvi-la dizer que me ama, só me sinto realmente satisfeito
quando sento com ela e expresso meu amor (geralmente através de beijos babados
e abraços apertados). Eu amo amar meus filhos! Quero que eles vivam a vida
seguros de que têm um pai loucamente apaixonado por eles.
Eu realmente gosto de trabalhar com jovens, e amo estar cercado pela paixão
que eles possuem. Isso me inspira. Mas às vezes percebo que no meio da busca
apaixonada deles, precisam se acalmar e simplesmente permitir que Deus os ame.
A maioria do nosso tempo de oração e adoração tem a ver com dizer a Deus o
quanto O amamos, mas frequentemente não separamos um momento para deixar
que Ele expresse o quanto nos ama. Como líderes, temos medo de que, se tirarmos
tempo para fazer isso, começaremos a perder pessoas para o tédio. Contudo, se
quisermos agradá-Lo, é crucial nos valer disso para que Ele possa nos amar. John
e Carol Arnott e a Christian Fellowship do Aeroporto de Toronto têm feito um
trabalho maravilhoso ao ensinar o Corpo de Cristo a receber o amor de Deus. O
ensinamento deles sobre a imersão na oração tem mudado radicalmente a forma
como as pessoas oram.
As nações e as cidades não precisam que os cristãos sejam mais organizados.
Não precisam que produzamos programas mais impressionantes e tenhamos
ministérios melhores. O que as cidades e nações da Terra precisam é de cristãos
que queimem de paixão por Jesus. Toda nossa organização e nosso planejamento
serão irrelevantes e sem poder a menos que vivamos uma vida de amor radical
por Jesus. Podemos apenas doar o que temos. Se somos chamados para representar
Jesus para o mundo à nossa volta, devemos ter encontros regulares com Seu amor,
porque é esse amor que Ele está tentando comunicar ao mundo através de nós. Seu
coração pelas pessoas é a razão absoluta pela qual Ele enviou Seu único Filho
para morrer numa cruz. Os sinais e maravilhas, as curas e os ministérios
proféticos que estão sendo liberados são todos para direcionar as pessoas à
revelação de que Deus as ama. É possível deixar isso se perder porque
infelizmente muitos de nós têm visto o ministério sobrenatural sem amor. É por
isso que Paulo nos chamou para “o caminho ... mais excelente” de operar com
poder em 1 Coríntios 13 – o caminho do amor. Deus está colocando o amor à
mostra nos Fervorosos para que o mundo veja.
Q UE R O AP E N AS S E R F ILHO
Qualquer um que já fez um curso básico de sociologia já ouviu falar de Charles
Cooley. Considerado o “Decano da Sociologia”, Cooley se tornou famoso por um
conceito que desenvolveu chamado “espelho de si próprio”, que significa que a
autopercepção e a autoestima do indivíduo são determinadas pelo que ele acha que
a pessoa mais importante de sua vida acha dele. Especificamente, sua
autopercepção e a autoestima são poderosamente formadas quando aquela pessoa
mais importante do seu mundo expressa ativamente a opinião que tem sobre você.
Tony Campolo, professor de sociologia da Eastern College, conta uma bela
história sobre um garoto. Certo dia, o rapaz voltou da escola com um “4,0” em seu
boletim. Ele o entregou para sua mãe. Sua mãe, uma das pessoas mais importantes
da sua vida, olhou para ele e disse: “Isso mostra que eles não sabem ensinar
gênios nessa escola!” Estou certo de que o garoto saiu pensando: “É verdade; Sou
um gênio. Minha mãe acredita que eu sou um gênio, então não importa o que o
boletim diz. Eu sou um gênio”.
Quando essa nova geração de avivalistas começa a encontrar o amor
apaixonado de Jesus e entrelaça seus corações intimamente com Ele – e Ele se
torna a Pessoa mais importante de suas vidas – sua autoimagem começa a mudar
dinamicamente. Quando Aquele que os criou e os chamou para a vida recebe
espaço para expressar Sua opinião sobre quem são, Sua voz substitui os
julgamentos e as persuasões de outras pessoas, do inimigo e deles mesmos. Eles
começam a olhar para o espelho do coração de Deus e se enxergam como Ele os
vê. Isso tem resultados poderosos.
Como você talvez saiba, a percepção que temos de nós mesmos se manifesta na
forma como vivemos. Se acreditamos que há grandeza em nós, nossa vida
demonstrará essa realidade. Tragicamente, como mencionei anteriormente no
capítulo dois, muitos cristãos têm acreditado na mentira da insignificância. O
inimigo as tem assaltado com o engano de que suas vidas são insignificantes e sem
sentido. Uma das principais formas como ele consegue isso é colocando em suas
mentes uma imagem em que as circunstâncias da vida, assim como as do mundo,
são terríveis e esmagadoras demais e elas encolhem em comparação. É
praticamente impossível assistir ao noticiário sem absorver uma barragem de
informações devastadoras que comunica a impossibilidade de mudança. Por causa
disso, muitas pessoas acreditam que não podem fazer qualquer diferença e que
suas vidas nunca terão qualquer impacto. Por que tentar? O mundo é grande e
desorganizado demais para que minha pequena vida mude alguma coisa. Para
ser muito sincero, essa mensagem paralisará a todos se não experimentarem
encontros íntimos com Deus em que Ele os capacite para reconhecer a grandeza
que há em seu interior.

O Q UE É V O C Ê ?
Quando eu tinha 19 anos, precisava de um carro. Meu futuro sogro na época me
ligou e disse que gostaria de me dar um Chevette 1985 que possuía. Eu não
entendia nada sobre carros e achei que qualquer automóvel seria melhor do que
nenhum. Porém, quando fui até a casa dele para buscar o Chevette, fiquei surpreso.
O Chevette era a tentativa da Chevrolet de copiar o Ford Pinto. Imagine um
capacete com rodas, volante e menos proteção, e você chegará perto do que era
aquele Chevette. O pai de SeaJay me levou ao estacionamento onde meu novo
carro estava esperando por mim. Deparei-me com um carro de duas portas de cor
azul-celeste, oxidado. Apesar das minhas reservas iniciais, eu ainda estava grato e
tomei posse dele com felicidade.
Durante a viagem de três horas de volta para Redding, rapidamente aprendi
sobre o meu carro novo. Após cerca de uma hora e meia de estrada, ouvi um
estrondo repentino. Por um instante, pensei que uma pedra grande havia atingido
meu carro. Mas quando olhei sobre o meu ombro direito para ver se havia algum
estrago, descobri que não era uma pedra. Ao invés, era uma das janelas de trás que
havia acabado de se soltar e cair no acostamento da estrada. Continuei dirigindo,
boquiaberto, sem saber o que fazer. Eu nunca tinha visto uma janela se soltar de
um carro antes. “Minha janela acabou de voar do meu carro! Foi isso mesmo?”
Aquela foi apenas a primeira de muitas peculiaridades que eu ainda
descobriria. O tecido do teto descolou dentro do carro, então eu tive que colocar
alfinetes estrategicamente para prendê-lo de novo. A mala nunca ficava aberta,
então adaptei um cabo de vassoura para sustentá-la. A porta do passageiro
aleatoriamente abria enquanto o carro estava em movimento e o câmbio saía de
lugar e eu tinha que achar o buraco em que ele deveria se encaixar para que eu
pudesse passar a marcha novamente. (Imagino que muitos que estão lendo esta
história estão lembrando com carinho de um carro similar que já tiveram.)
Do outro lado, em contraste, está um Lamborghini. Recentemente, conheci um
empresário na cidade que tem um Lamborghini Countach, que é um dos únicos três
no mundo e o único na América do Norte. Esse Lamborghini vale um milhão de
dólares. Um milhão de dólares! Só o fato de pensar num carro desse valor já é
loucura para mim. A primeira pergunta que fiz ao dono foi: “Onde você estaciona
um carro de um milhão de dólares? Você simplesmente o para na sua garagem ao
lado do cortador de grama e das vassouras de jardim?”
“Não, não, não”, ele respondeu. “Eu tenho uma bolha especial onde eu o
estaciono”. Aparentemente, existem bolhas como cápsulas que você pode comprar
para estacionar seu carro caro dentro. Você estaciona o carro dentro da bolha e ela
se fecha, protegendo-o da umidade e da condensação. Eu nunca havia ouvido falar
sobre isso, provavelmente porque essa cápsula deve custar mais do que meu carro.
Vejo muitíssimos cristãos que caíram na mentira da insignificância e se
enxergam como o meu Chevette 1985. Sob a percepção deles, suas vidas não são
valiosas, e eles observam muitas coisas que não funcionam direito. Já que
acreditam ser pequenos, frágeis e sem valor, vivem vidas de insignificância. Mas
a verdade é que não somos Chevettes. Somos Lamborghinis. A maneira como
determinamos o valor de um item é descobrindo quanto alguém está disposto a
pagar por ele. Por exemplo, se eu quisesse saber quanto vale a minha aliança de
casamento, iria a diferentes lojas de joias e perguntaria por quanto a comprariam.
Se um lugar oferece 500 dólares por elas e o outro mil dólares, então meu anel
valeria mil dólares porque alguém pagaria esse valor.
A cruz deveria nos enviar uma mensagem gloriosa de quanto Deus nos valoriza
imensamente. Ele nos estima o bastante para pagar o preço máximo – a vida de
Seu Filho. Para a maioria da Igreja, o Calvário tem a ver principalmente com o
perdão de Deus sobre os nossos pecados. Paramos antes de entender e caminhar
no propósito pleno pelo qual Ele fez isso, que foi para restaurar nosso
relacionamento com Ele e a identidade que Ele planejou para nós desde o início.
Se quisermos progredir em nosso entendimento dos propósitos profundos de Deus
para nós, então é essencial termos encontros contínuos com nosso Pai, onde
podemos ouvi-Lo se declarar para nós e revelar quem realmente somos.

N O S S O P R O P Ó S ITO
Há uma conexão direta entre a nossa identidade e o nosso propósito. A Bíblia é
repleta de declarações sobre os propósitos que Deus criou para a vida dos
crentes, e nenhum deles é menos do que maravilhoso. O fato de que fomos criados
para alcançar grandes coisas para Deus deveria nos convencer mais ainda de que
Ele nos vê como Lamborghinis, e não como Chevettes quebrados e patéticos. O
primeiro mandamento de Deus para as pessoas foi: “Sejam férteis e multipliquem-
se! Encham e subjuguem a Terra!” (Gn 1:28). Esse comando ainda vale para hoje.
Jesus nos disse: “...façam discípulos de todas as nações...” (Mt 28:19). Essa é
uma grande tarefa que somente pode ser cumprida através de um povo que crê que
sua vida é valiosa e podem contribuir positivamente para o mundo à sua volta. A
maioria da Igreja tem estado tão impressionada com o que tem acontecido pelo
mundo que tem se ocultado na esperança de meramente suportar o mal à sua volta.
Mas Deus não nos disse para apenas sobreviver; Ele ordenou que discipulemos as
nações.
Isaías diz:

“Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai


nascendo sobre ti; Porque eis que as trevas cobriram a Terra, e a
escuridão os povos; mas sobre ti o SENHOR virá surgindo, e a Sua glória
se verá sobre ti”.
Isaías 60:1-2, ACF

É verdade que as trevas estão cobrindo a Terra. Mas não foi isso que Deus
começou dizendo. Ele primeiro nos disse: “Levanta-te, resplandece”. Ele não
falou: “Recue e esconda sua luz no canto”. Trevas estão envolvendo as pessoas,
mas Deus tem a resposta. Sua resposta às trevas cobrindo a Terra é um povo que
reconhece sua identidade em Jesus e que se levanta no mundo com a glória do
Senhor sobre si. Se observarmos ao longo da História, Deus sempre teve essa
resposta para a escuridão. Observe que essa resposta não é só que Sua glória está
sobre Seu povo, mas que Seu povo compreende essa revelação e se põe de pé com
ousadia na Terra, permitindo que Deus brilhe através de sua vida.
Deus quer mostrar Sua bondade, Sua grandeza e Sua glória através de nós.
Somos chamados para estabelecer Seu Reino na Terra – ser luz nas trevas. Mas o
plano de Deus não pode ser realizado sem a nossa cooperação, e não seremos
capazes de colaborar até que abracemos a identidade e o propósito que Ele
declarou sobre nós.
A mentira da insignificância trabalha diretamente contra a nossa capacidade de
“levantar e resplandecer”. Não estamos na Terra para sobreviver até que Jesus
volte. Estamos aqui para estabelecer o Seu Reino.

E M P R E GAD O S N Ã O
Uma das razões pela qual a Igreja não tem compreendido e respondido ao
convite de Deus para sermos Seus parceiros ao levantar e brilhar nas trevas é que
ainda pensamos que Ele só quer bons trabalhadores. Se você já está na Igreja há
algum tempo, tenho certeza de que já observou a tendência de pensarmos que
nossa tarefa é trabalhar para Deus em vez de amar a Deus. Porém, como mencionei
antes, Deus não é nosso chefe no Céu que fica gritando ordens para que sigamos.
Ele é um Pai amoroso que anseia ser parceiro de Seus filhos. Ele enviou Seu
único Filho para morrer na cruz – e não para reunir trabalhadores, mas para
estabelecer um relacionamento de amor com as pessoas. Ele quer filhos e filhas
que cresçam para O amarem com maturidade. Filhos e filhas não trabalham para
Ele; representam Sua natureza para o mundo. Será uma parceria de amor que vê a
Igreja despertar para seu chamado de fazer parceria com Deus.
John G. Lake, um apóstolo que ministrava no início do século XX e um homem
que tinha intimidade com o Senhor, fala o seguinte:

“A maravilha da redenção de Jesus Cristo é revelada na incomparabilidade


do propósito de Deus de transformar o homem à Sua natureza, imagem e
plenitude. Assim, homens como filhos de Deus se tornam, graças a Deus, os
aliados do Todo Poderoso em Seu próprio nível de vida e entendimento.”1

Leva tempo para a maioria de nós compreendermos o que Deus sente por nós
como Seus filhos e filhas. Não tenho certeza se é minha personalidade ou o fato de
eu ser homem, mas não foi fácil me conectar com a revelação de que Deus está
interessado em me amar mais do que em me usar para mudar o mundo. Eu me
inclino para trabalhar para Deus a fim de conquistarmos algo juntos. Consigo
entender o conceito de trabalhar junto com o Espírito Santo para transformar o
mundo. Mas quando o Senhor me chama para simplesmente sentar com Ele e
deixá-Lo me amar, é um pouco mais desafiador. À medida que o Senhor tem feito
isso comigo, percebi que Ele é um Deus que nos mima. Ele não é um Deus frio e
desinteressado.
Algumas pessoas enxergam Deus como o Spock do filme Jornada nas Estrelas
– calculista, sem emoção, fatual e antissocial. Mas essa descrição está muito longe
da verdade. Muitas pessoas cresceram com um pai que nunca soube expressar seu
amor a elas. Conheci uma senhora que ouviu seu pai dizer que a amava somente
uma vez na vida. Podemos ver por que, numa sociedade que tem dificuldade de
expressar amor, nós também vemos Deus dessa maneira. Mas Ele não ficará
satisfeito com nada menor do que um relacionamento com você no qual possa
derramar Seu amor incomensurável e infinito.

N O S S A E S C O L HA
Anos atrás, quando começamos a fazer as conferências do Jesus Culture, o
Senhor me mostrou algo que mudou minha vida para sempre. Era a sessão da
manhã de uma das nossas conferências, e eu iria pregar. Estava sentado na
primeira fileira muito nervoso. Eu não estava nada confiante sobre o que iria
pregar. Judah Smith, um dos pastores de jovens mais famosos no país, de Seattle,
em Washington, havia pregado na noite anterior e simplesmente arrebentou. Tinha
sido uma noite fenomenal – com tudo o que você poderia querer numa conferência.
Ele compartilhou uma palavra incrível, inspiradora, prática, profunda e engraçada.
Depois, orquestrou um momento poderoso de ministração em que declarou
palavras de revelação e profetizou sobre as pessoas. Em todo o salão, as pessoas
estavam tendo encontros com Deus e sendo atingidas pelas palavras proféticas que
Judah declarava sobre elas.
Após uma noite tão maravilhosa, na manhã seguinte me sentei ali na primeira
fileira tentando curtir o louvor, mas sem conseguir, porque estava muito ansioso.
Eu não estava preocupado porque queria desesperadamente que Deus ministrasse
Seu amor extravagante sobre as pessoas. Eu estava nervoso porque não queria
parecer tolo diante de Judah enquanto eu pregava. Enquanto me sentei ali e orei
para que minha mensagem desse certo pelas razões erradas, o Senhor falou
comigo: “Banning, você tem uma escolha. Pode escolher ser um pregador ou um
filho. Se escolher ser um pregador, você será bom algumas vezes e outras nem
tanto. Mas se escolher ser um filho, sempre será bom porque você é um filho
fantástico”.
Aquela simples palavra do Senhor mudou completamente a minha atitude e o
meu ministério. Eu sabia que tinha que escolher o que queria ser. Então decidi ali
mesmo que eu não queria ser um pregador. Queria apenas ser um filho. E eu sou
um grande filho. Não quero ser um pastor, um ministro itinerante, ou qualquer
outra coisa. Quero somente ser um filho. Não me entenda mal; Eu quero ser um
grande pregador e um grande pastor, mas também reconheço que não são essas
coisas que me motivam. Estou buscando ser um grande filho, que sabe que Seu Pai
o ama e, por sua vez, é apaixonado por Ele. Todo o restante do que faço deve ser
um resultado dessa busca. Não sou chamado para trabalhar para Deus como um
pregador; sou chamado para ser Seu filho. Irei pregar como um filho, mas como
estou e quem sou não dependem de quão bem eu prego ou não.

F UN D AD O N O AM O R
A obra de Deus de estabelecer intimidade com Seu povo como prioridade e,
assim, nos selar em nossa real identidade, irá colocar o ministério de Sua Igreja
sobre uma fundação diferente – sua fundação verdadeira. Tudo que não é
construído sobre esse alicerce de intimidade e identidade em Deus não possui o
necessário para ser duradouro. O Senhor me disse cedo no ministério que qualquer
coisa que eu faço que não seja fundada no amor se torna instável. Não é ruim
desejar ter um ministério efetivo que alcance grandes coisas para Deus, desde que
esteja fundado em seu amor por Ele. Já estou no ministério tempo suficiente para
saber que ele pode ser muito imprevisível. Num determinado ano posso fazer um
evento que tenha muito sucesso, e no outro fazê-lo novamente e ser um fracasso
total. Mas fica tudo bem desde que eu mantenha meu foco no que realmente quero
ser – que não é um ministro de sucesso – mas um filho de sucesso. Quero que tudo
que eu faça esteja enraizado no meu amor pelo Pai.
Até mesmo o nosso ministério de amor pelas pessoas – o segundo mandamento –
deve ser fundado em nosso amor por Deus – o primeiro mandamento. Eu percebi
isso quando estava lendo João 15 certo dia. “Se vocês obedecerem aos Meus
mandamentos, permanecerão no Meu amor... Vocês serão Meus amigos, se
fizerem o que Eu lhes ordeno” (Jo 15:10,14). Uau! Eu sabia que queria ser amigo
de Jesus e permanecer em Seu amor. Mas o que era aquilo que Ele estava
ordenando? Então, li: “O Meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como
Eu os amei” (Jo 15:12). A fim de ser amigo de Jesus e permanecer em Seu amor,
tenho que fazer o que Ele ordena, que é amar aos outros. Bem, é isso que eu quero
fazer. Quero amar aos outros. Mas o que me tocou foi que, apesar de sempre ter
amado as pessoas, ao me conectar com esse versículo, meu amor mudou para uma
nova fonte. A partir de então, meu desejo era ser um filho e um amigo de Deus que
produzia um amor pelos outros dentro de mim. Meu coração pelas pessoas tinha
que vir de um lugar fundado em meu amor por Ele.

O N O V O E VAN GE L IS M O
Como seria uma geração inteira que vive de acordo com o que Jesus pensa
sobre ela? Como seria uma geração inteiramente direcionada por um amor
apaixonado por Deus? Enquanto escrevo, posso sentir uma empolgação surgir
dentro de mim ao imaginar uma geração inteira que tornou Jesus a Pessoa mais
importante de suas vidas, cuja autoestima é baseada no que Ele pensa sobre ela, e
que está disposta a se levantar e resplandecer com Sua glória em meio às trevas.
Essa nova geração que está emergindo na Terra irá viver essa revelação.
Acredito que, por causa do que Deus está fazendo para restabelecer a
prioridade de intimidade na Igreja, há uma confiança no Corpo de Cristo que
poucas vezes foi vista antes. Essa ousadia será crucial se quisermos realizar os
propósitos do Senhor na Terra. Isso irá capacitar especialmente os jovens a
vencer um de seus maiores desafios – a pressão dos amigos. A batalha acerca de
suas identidades é forte nessa fase da vida. Se não sabem o que Deus pensa deles,
começam a esperar que as outras pessoas digam quem eles são. Mas um jovem que
sabe quem é em Deus se destaca na multidão. Alguns de seus amigos serão
atraídos, enquanto outros ficarão incomodados. Deus está capacitando esta
geração para ser fiel a quem realmente é, a fim de estar preparada para expor a
esperança que há nela ao mundo à sua volta.
Essa confiança, que é motivada inteiramente pela sua revelação do amor de
Deus, causará uma grande mudança na maneira como a Igreja faz evangelismo.
Somos chamados para fazer uma parceria com Deus a fim de ver o conhecimento
da glória do Senhor cobrir a Terra e um bilhão de almas serem levadas ao Reino.
Creio que seremos capazes de cumprir esse chamado por causa da poderosa
revelação do amor de Deus que está sendo liberada através dessa nova geração de
avivalistas. É a revelação de Seu amor que atrairá pessoas à salvação.
2 Reis 7 conta uma história que ilustra essa nova forma de evangelismo. Os
sírios haviam sitiado Samaria e acabado com todos os seus suprimentos. A cidade
estava vivendo uma fome severa e estava desesperada por salvação. Em meio
àquela situação, havia quatro leprosos nos portões da cidade que chegaram a uma
decisão:

“E quatro homens leprosos estavam à entrada da porta, os quais disseram


uns aos outros: Para que estaremos nós aqui até morrermos? Se dissermos:
Entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos aí. E se ficarmos
aqui, também morreremos. Vamos nós, pois, agora, e passemos para o
arraial dos sírios; se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, tão
somente morreremos".
2 Reis 7:3-4 (ACF)
Então os leprosos partiram para o acampamento dos sírios. Antes de chegarem,
o Senhor fez com que o exército sírio ouvisse barulhos de carros de guerra e
cavalos, e então fugiram com medo. Na pressa, abandonaram tudo o que possuíam.
Imagina a surpresa dos quatro leprosos quando se depararam com um
acampamento deserto cheio de comida, vinho, roupas e ouro. Eles fizeram o que
qualquer um faria numa época de fome – começaram a comer e beber o quanto
podiam. Mas no meio do banquete, perceberam que o que estavam fazendo não era
certo:

“Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de
boas novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal
nos sobrevirá; por isso agora vamos, e o anunciaremos à casa do rei".
2 Reis 7:9 (ACF)
Há uma geração inteira que permanece calada sobre o Evangelho de Jesus
Cristo. Contudo, nunca acreditei que a estratégia de fazer as pessoas se sentirem
culpadas por não compartilharem sua fé dê frutos duradouros. Lembro-me de estar
num culto jovem em que um grupo apresentou um esquete que basicamente
colocava culpa sobre os jovens por não testemunharem. Eu não gostei na época, e
não gosto agora. Quero prover para os adolescentes e os jovens um ambiente em
que possam encontrar Jesus, deleitar-se em Seu amor extravagante por eles, e
experimentar Seu poder ilimitado. A partir dessa experiência de bondade
abundante, creio que se levantará uma geração cujo evangelismo consistirá
simplesmente em convidar as pessoas para um banquete do qual elas já fazem
parte. Pessoas famintas sempre escutam àqueles que têm comida.
Todos os dias, as pessoas à nossa volta estão experimentando uma fome de
amor e poder. Elas nunca sentiram o verdadeiro amor que vem de Deus. Sentem-se
incapazes de mudar e ficam parados na vida. Vivem rodeadas de enfermidades,
depressão, dor e falta de esperança. É como se uma tempestade estivesse
enfurecida dentro delas e elas não tivessem poder para acalmá-la. Estão
procurando uma resposta e essa resposta reside em você.
Um dos meus professores na faculdade nos contou sobre um incidente que ele
teve no estacionamento de um supermercado. Ele estava saindo com seu carro
quando viu uma mulher guardando suas compras na mala de seu veículo. No para-
choque do carro dela havia um adesivo que dizia: “Jesus é a resposta”. Meu
professor, sendo inteligente e provocador, parou e perguntou a ela: “Qual é a
pergunta?”
A moça, um pouco confusa, voltou-se para ele e perguntou: “Como?”
Meu professor perguntou: “Se Jesus é a resposta, então qual é a pergunta?”
Sem hesitar, ela respondeu: “Senhor, não importa qual seja a pergunta. Jesus é
sempre a resposta!”
Ele é a resposta! Quando você foi salvo, Jesus e o Seu Reino fizeram morada
dentro de você. O poder sobre a morte, as enfermidades, a falta de esperança, o
pecado, a depressão e os vícios, agora esse poder vive em você. Você possui a
resposta para cada questão dentro de si. Você tem experimentado um banquete que
vale ser compartilhado. Como eu disse antes, os que têm fome sempre escutam os
que têm comida. O problema tem sido que nós, como Corpo de Cristo, parecemos
que não temos nenhuma comida. Não parecemos diferentes do mundo. Cristãos têm
aprendido que o poder de Deus não está mais disponível hoje, e têm protestado
contra os pecadores ao invés de amá-los. Felizmente, isso está mudando. Se
parecemos igual ao mundo, então por que ele se importaria de vir até nós? O
mundo está ávido por algo que nunca experimentou – poder e amor. Se as pessoas
não veem poder e amor em nós, então por que escutariam o que temos a dizer? O
mundo está afundando, e as pessoas estão desesperadamente buscando aqueles que
sabem nadar.
S ALVA- V ID AS D E V E M S E R N AD AD O R E S
Eu frequentei uma boa faculdade, a Vanguard University, no sul da Califórnia.
A Vanguard fica localizada em Costa Mesa, na Califórnia, a poucos minutos de
algumas das praias mais espetaculares dos Estados Unidos. A Newport Beach e a
Huntington Beach se tornaram destinos frequentes para meus amigos e eu, e foi lá
que aprendi a surfar. Eu não era muito bom no surfe, mas conseguia pegar algumas
ondas na altura do ombro e me divertir bastante. Após a faculdade, entrei para o
ministério integral e alguns anos depois levamos o grupo de adolescentes para o
sul da Califórnia num retiro. Eu não surfava desde a época da faculdade, então
alguns amigos e eu decidimos acordar cedo numa manhã e surfar por uma hora ou
duas.
Quando chegamos à praia, o mar parecia um pouco violento, mas decidimos
entrar mesmo assim. Grande erro! O que não sabíamos era que a maior ressaca
dos últimos vinte anos iria atingir aquela praia naquele dia. Como você pode
adivinhar, aquilo não foi muito bom para mim. Fiquei preso em várias ondas em
que literalmente quase me afoguei. A corrente me puxava com tanta força para o
oceano que eu não conseguia nadar de volta para a areia, e não tinha energia
suficiente para nadar para além de onde as ondas estavam quebrando. Então,
enquanto ondas após ondas vinham, eu suportei desesperadamente, fazendo de tudo
para tentar sobreviver enquanto as ondas me empurravam repetidamente para
baixo. A ressaca finalmente acalmou, e aos poucos consegui nadar para a areia.
Foi uma experiência que eu certamente nunca esquecerei e que não quero ter
novamente.
A fim de se tornar um salva-vidas, é necessário ser um excelente nadador. Não
faria muito sentido se os salva-vidas não soubessem nadar em meio às ondas. Você
pode imaginar o que poderia ter acontecido se, enquanto eu lutava para manter a
cabeça fora da água, um cara bem intencionado viesse me salvar, mas começasse a
se afogar? E se ele não soubesse nadar muito bem e as ondas o assustassem
também? Se eu estiver me afogando não quero que alguém como eu venha me
salvar; quero que David Hasselhoff, o salva-vidas mais famoso da televisão2,
venha me resgatar e me levar para a areia.
Muitos de nós na Igreja estamos tanto em desvantagem quanto as pessoas que
queremos salvar, pois não sabemos o que Deus pensa sobre nós ou como Ele nos
vê. Como não estamos seguros em nossa identidade, ficamos simplesmente
misturados com o mundo. E apesar de o mundo à nossa volta estar afundando, ele
não vem a nós porque parecemos exatamente como ele. É tempo de termos um
encontro tão poderoso com Deus que nossa identidade seja mudada. Então, iremos
parar de nos preocupar com o que o mundo pensa de nós e seremos capazes de
convidá-lo para o banquete que estamos experimentando.
COMPREENDER A IMPORTANTE conexão entre uma vida de
oração e uma vida de poder é primordial para o avivalista emergente. Deus
aguarda você e eu no lugar secreto de oração. Há distintas esferas disponíveis
para nós quando entramos em Sua presença e temos comunhão íntima com Ele. É
aqui onde Ele revela Seu coração e onde a unção para mudar as nações é
derramada e garantida.
O sucesso do avivamento é precedido por uma vida de oração particular. E
avivamentos explosivos parecem sempre ser precedidos pela fidelidade dos
perseverantes guerreiros de oração. A comunhão contínua com o Senhor
invariavelmente centra nossas vidas em Seus desejos e recalibra nossos corações
para buscar Seus propósitos.
A oração mudará a atmosfera. E a oração consistente acessa esferas de
autoridade que não podem ser abaladas por mais nada. Todos os recursos e a
soberania do Céu estão disponíveis para nós quando oramos.
Algumas chaves para sustentar a oração são compartilhadas nesta seção, como a
intimidade, a responsabilidade, a fé e a revelação. E, mais importante, devemos
entender que não precisamos lutar para convencer Deus, mas a oração é
simplesmente um ato de alinhar nossos corações com o nosso Pai – que está pronto
e ansioso para aparecer! Ele deseja responder. Nosso clamor é irresistível para o
Senhor, pois Ele acha você e eu, Seus filhos, irresistíveis!
Como avivalistas, recebemos o mandado divino de nos levantarmos em meio à
nossa geração e clamar por liberdade e vida. Deus deseja ver Sua glória
derramada. E em todas as partes do mundo, em todas as partes da sociedade, Ele
está levantando oração (ou pessoas e igrejas que oram) em meio às trevas.
O LUGAR S E C R E TO
No primeiro capítulo, falei sobre o fogo por oração que acendeu no meu coração
quando Lou Engle chegou pela primeira vez à Bethel. Minha jornada havia
começado alguns anos antes, mas naquela noite recebi uma palavra de Lou que
lançou minha vida de oração a outro nível. Naquela reunião, decidi ser um homem
de oração. Eu queria, como Davi declarou em um de seus salmos, permanecer em
oração (ver Salmos 109:4). Li sobre Frank Bartleman, o intercessor do
Avivamento da Rua Azusa, e sobre como “um espírito de intercessão o possuiu de
tal forma que ele orou quase dia e noite”.1 Ele escreveu em seu livro, Another
Wave of Revival (Outra Onda de Avivamento), “Minha vida naquela época estava
literalmente engolida por oração. Eu orava dia e noite... A oração literalmente me
consumia”.2
Eu queria desesperadamente ser “consumido” por oração, mas sabia que tinha
que aprender como. Comecei a devorar livros sobre oração e biografias daqueles
que oravam – E.M. Bounds, Andrew Murray, Arthur Wallis, Teresa de Avila, Irmão
Lawrence, Frank Bartleman, Dr. Paulo Yonggi Cho e Leonard Ravenhill. Eu não
pude ler o suficiente sobre oração. Eu estava cativado pelas histórias de homens e
mulheres que se doaram para uma vida de oração, e queria seguir seus passos.
Apesar de ter aprendido muito com os testemunhos desses santos, eventualmente
cheguei a perceber algo. A melhor forma de aprender a orar é orando. É como
aprender a ser pai. Podemos ler inúmeros livros sobre o assunto e consultar a
sabedoria de muitos especialistas, mas o aprendizado real começa no instante do
primeiro fôlego de nosso filho. É quando entramos na nossa primeira aula de
parentalidade. Embora eu tenha lido livros sobre oração, ouvido pregações sobre
oração e conversado com pessoas que oram, aprendi a orar realmente quando
separei um tempo para orar e permiti que o Próprio Senhor me ensinasse.
Os discípulos de Jesus também descobriram essa verdade sobre oração, como
Andrew Murray explica em seu livro With Christ in the School of Prayer (Com
Cristo na Escola de Oração):

“Os discípulos haviam aprendido a compreender algo sobre a conexão entre


a impressionante vida de Cristo em público e Sua vida secreta de oração.
Haviam estado com Ele e O observaram orar. Haviam aprendido a crer Nele
como um Mestre da arte de oração. Ninguém podia orar como Ele. E então
levaram a Ele seu pedido: ‘Senhor ensina-nos a orar’.”3

Enquanto eu me aproximava de Deus durante minhas orações nos meses após a


visita de Lou à Bethel, encontrei-me fazendo o mesmo pedido: “Senhor, ensina-
[me ] a orar” (Lc 11:1). Em resposta, Ele começou a se encontrar comigo em
oração como nunca antes. Comecei a acordar cedo e ir para a Casa do Alabrasto –
a capela de oração da Bethel. Descobri que eu me sentia vivo quando orava.
Também comecei a experimentar a realidade da qual Jesus falou quando declarou:
“Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que
está no secreto...” (Mt 6:6). Deus estava esperando por mim no lugar secreto de
oração. Entrei numa esfera de Deus que jamais havia imaginado ser disponível. Na
época eu não sabia, mas eu estava estabelecendo o que Mahesh Chavda descreve
como minha “história secreta com o Senhor”. Deus estava se encontrando comigo
no lugar secreto. E.M. Bounds descreve isso da seguinte forma: “O homem –
homem de Deus – é formado no secreto. Sua vida e suas convicções mais
profundas nascem nessa comunhão secreta com Deus”.4
Uma história estava sendo desenvolvida entre mim e Deus que não era para
ninguém mais. Estava fora dos holofotes; ninguém sequer sabia que existia. O que
Deus e eu estávamos compartilhando no lugar secreto não era para nenhum
propósito ministerial exterior. Eu queria apenas mais Dele e descobri que Ele
também simplesmente queria passar tempo comigo. Passei horas no lugar secreto
encontrando Sua presença, adorando-O e ouvindo-O falar comigo.

O L UGAR S E C R E TO
Deus está esperando para encontrar você em seu lugar secreto. Ele deseja ter
uma história secreta com você. Nos anos de faculdade da minha esposa, ela
possuía um cantinho onde o Senhor se encontrava com ela. Era um closet simples
com roupas espalhadas no chão e camisas nos cabides, mas Deus estava ali.
SeaJay diz que quando entrava no closet, sabia que Deus a estava esperando. Ela
se sentava em seu pufe e esperava para ver o que o Senhor queria fazer. Às vezes,
Deus a convidava para descansar na segurança da Sua presença, e ela se encolhia
e dormia. Outras, Ele a levava à intercessão com lágrimas. Outras ainda, Deus a
levava para um lugar que havia preparado só para ela. Foi no lugar secreto que
SeaJay aprendeu a ouvir e a confiar em seu Pai, e conhecer os caminhos Dele. Ela
estava estabelecendo uma história particular com Deus. SeaJay estava
experimentando o que Andrew Murray nos convida a fazer: “Ficar sozinho com o
Pai deveria ser nossa maior alegria”,5 pois “para o homem que se afasta de tudo
que é mundano e espera por Deus sozinho, o Pai Se revelará”.6
Lembro-me de ter tido experiências similares quando ia para a Casa do
Alabastro de manhã cedo. Muitas vezes, eu entrava e via que não havia mais
ninguém. Quando abria as portas, lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto
porque eu estava entrando numa sala onde eu sabia que Deus esperava por mim.
Seu lugar secreto talvez não seja um local específico, mas você entra nele quando
você se desliga do mundo e encontra um lugar onde você e Deus podem
estabelecer uma história secreta juntos. Talvez isso envolva passar horas num
local ou largar o que está fazendo por apenas alguns minutos e simplesmente
voltar seu coração para Aquele por quem você tem ansiado.
A nova geração de avivalistas emergindo na Terra tem que ser uma geração que
estabelece uma vida secreta com Cristo. O Senhor está liberando uma unção para
ver cidades e nações inteiras se voltarem para Ele, mas essa unção somente pode
ser adquirida no lugar secreto. Em 2 Reis 9, antes de Jeú ser enviado para acabar
com o reino de Jezebel, foi levado a uma sala onde óleo foi derramado sobre ele.
Isso representa a unção do Espírito Santo. Arthur Wallis aponta que “não pode
haver nenhum substituto para a unção do Espírito Santo; ela é o único fator
indispensável para a proclamação efetiva da mensagem de Deus”.7
Existem algumas coisas que não podemos receber em público; devemos buscá-
las em secreto. Não podemos ir a conferências ou receber a imposição de mãos de
homens e mulheres ungidos de Deus para alcançar essa unção. É uma unção que
resulta de um encontro com o Dono da Unção no lugar secreto, a sala interna de
oração. Ora, é crucial que você vá a conferências e receba a imposição de mãos
de pessoas ungidas, mas você não alcançará completamente tudo que Deus tem
para sua vida até que aprenda a separar-se para o Senhor em oração. Nenhum
avivalista sobre o qual eu tenha lido ou tenha conhecido adquiriu sua unção
através de reuniões públicas. Todos eles receberam sua unção no lugar secreto de
oração e tinham uma vida particular com Deus sobre a qual não falam muito.
Lou Engle involuntariamente nos dá uma ideia sobre sua vida secreta de oração
com Deus através de uma história engraçada que ele conta. Lou é um general de
oração. Possui uma unção para encher estádios com crentes que oram e para
transformar as nações através da intercessão. Por 20 anos, dedicou sua vida ao
clamor por avivamento no lugar secreto com Deus. Até hoje, seu coração queima
por estar no lugar secreto em particular com Deus. Ele tem o costume de levantar
cedo da cama e encontrar um lugar para ficar sozinho com o Senhor em oração.
Lou tem sete filhos maravilhosos, então você pode imaginar como é desafiador
achar um lugar secreto em sua casa! Frequentemente, ele pega o carro e vai orar
em outro lugar.
Numa certa manhã, ele escolheu o estacionamento de um comércio local como
seu cantinho de oração. Se você o conhece, sabe que ele se balança para frente e
para trás quando ora. Ele diz que está esquentando os motores enquanto ele se
balança. Naquela ocasião, ele estava tendo um momento maravilhoso de oração e
adoração quando foi assustado por uma batida na janela do carro. Ao olhar, viu um
bombeiro de pé perto da janela e dois caminhões de bombeiros estacionados atrás
de seu carro. Ele diminuiu o volume do louvor que estava escutando, abaixou o
vidro e curiosamente perguntou o que estava acontecendo. O bombeiro confuso
disse que havia recebido uma chamada de emergência sobre um homem no
estacionamento que estava tendo uma convulsão. Lou explicou ao bombeiro que
não estava tendo uma convulsão; estava orando. Essa é uma das minhas histórias
favoritas de todos os tempos. Além de ser engraçada, revela a realidade de que a
vida de Lou é abastecida com oração num lugar secreto com Deus.

HE R AN Ç A D E O R AÇ Ã O
Avivalistas do passado estabeleceram suas vidas em oração e são exemplos
brilhantes do que Deus pode fazer com os que oram. John Wesley passava duas
horas por dia em oração. E.M. Bounds escreve sobre ele: “Alguém que o conhecia
bem escreveu: ‘A oração era a praia dele mais do que qualquer outra coisa, e eu o
via sair do cantinho de oração com uma serenidade na face que quase brilhava’”.8
Martinho Lutero, o pai da Reforma, disse: “Se eu falhar em passar duas horas
em oração toda manhã, o diabo é vitorioso durante o dia. Há muitas atividades às
quais não posso dar prosseguimento sem passar três horas em oração
diariamente”.9
Evan Roberts, o jovem líder do Avivamento do País de Gales, era um homem de
oração. Ele saía das reuniões do avivamento tarde da noite “para orar a noite toda
no silêncio do seu quarto”.10 S.B. Shaw relata uma experiência de três meses que
Roberts teve:

“Toda noite eu era acordado um pouco depois de uma hora da manhã. Isso
era estranho, pois ao longo dos anos sempre dormi como uma pedra, e
nenhum barulho no meu quarto me acordava. A partir dessa hora eu era
levado a uma comunhão divina que durava cerca de quatro horas. Eu não sei
dizer o que era, a não ser que era divina. Mais ou menos às cinco da manhã
Deus permitia que eu voltasse a dormir até às nove. Perto desse horário eu
era levado novamente à mesma experiência da madrugada até mais ou menos
o meio-dia.” 11

Antes desse encontro, Roberts era um homem de oração, mas após esse período
de visitação contínua com o Senhor, a vida de oração dele foi incendiada em outro
nível.
David Matthews, um participante do avivamento, escreve sobre Roberts: “Dia e
noite, sem cessar, ele orava, chorava e clamava por um grande avivamento
espiritual por seu amado País de Gales”.12
Kathryn Kuhlman capturou o segredo de uma vida entregue à oração mais do que
qualquer outra pessoa sobre a qual eu li. Não foi da forma comum, pois mesmo
alguns de seus amigos mais chegados não se lembram de que ela teria um tempo de
oração estabelecido, mas ela possuía um coração que estava sempre voltado para
o Senhor em oração. Ela disse o seguinte sobre sua vida de oração: “Aprendi a ter
comunhão com o Senhor em qualquer hora, qualquer lugar. Levo meu cantinho de
oração comigo no avião, no carro, ou andando na rua. Eu sempre oro. Minha vida
é orar”.13 Jamie Buckingham, sua amiga e biógrafa, escreve sobre uma vez em que
a viu num corredor atrás da plataforma antes de ministrar aos milhares que haviam
vindo receber um toque de Deus:

“Ela andava para frente e para trás, cabeça para cima e para baixo, braços
jogados no ar, mãos entrelaçadas nas costas. Seu rosto estava coberto por
lágrimas, e quando ela se aproximou, pude ouvi-la dizer: ‘Querido Jesus, não
retire o Seu Espírito Santo de mim’”.14

Como mencionei antes, a vida de oração de Jesus foi o modelo e a inspiração


para Seus discípulos, assim como foi para cada um desses notáveis avivalistas.
Jesus era um homem de oração e tinha uma vida secreta com o Pai. Lucas declara:
“Mas Jesus retirava-se para lugares solitários, e orava” (Lc 5:16). Marcos diz
também:
“De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de
casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando”.
Marcos 1:35
Minha oração é que haja uma geração de pessoas que buscam a Deus não apenas
em grupo, mas que também O busquem no lugar secreto de oração. Fico
encorajado quando vejo milhares de jovens buscando ao Senhor juntos, mas o que
quero saber é se isso acontece em seus quartos quando não há ninguém por perto.
Será que estão trazendo para as reuniões o impulso que adquiriram no lugar
secreto? Será que capturaram a revelação da qual Charles Spurgeon fala quando
descreve as outras ocupações como “mero vazio comparado aos nossos cantinhos
de oração”?15

T UD O A V E R C O M AM O R
Eu disse anteriormente que a unção que Deus está derramando para o
avivamento nesse tempo somente será acessada e carregada com sucesso por
aqueles que têm estabelecido uma história secreta com o Senhor. A razão principal
para isso é que esse avivamento tem tudo a ver com amor. Sinais e maravilhas,
pregações e qualquer outro aspecto do ministério sobrenatural tem apenas um
propósito – demonstrar o amor de Deus às pessoas e convidá-las para o
relacionamento de amor que Ele deseja ter com elas. Aqueles que carregam esse
poder e o demonstram para o mundo devem ser os que têm esse tipo de afinidade
com o Senhor. E essa troca é feita em particular. Há conversas que tenho com a
minha esposa sobre as quais ninguém mais irá saber. Jamie Buckingham conta
sobre como terminou aquele seu encontro com Kathryn Kuhlman orando nos
bastidores: “Eu dei meia volta e fugi dali, pois senti que estava invadindo a
conversa mais íntima entre dois apaixonados, e só a minha presença já era uma
abominação”.16 Essa é a meta de nossas vidas e o relacionamento que nossos
corações anseiam ter com o Senhor.
Se você estabeleceu uma harmonia secreta com o Senhor, então quando o
avivamento acontecer à sua volta, sua fundação estará pronta para administrá-lo.
Bill Johnson diz: “Muitas vezes a agitação que o avivamento traz se torna a
inimiga de avivamento”.17 É fácil cair num turbilhão de atividades enquanto
trabalha pelo avivamento e se esquecer de que avivamento tem tudo a ver com o
amor. Quando isso acontece, nossa laboriosidade se desconecta do que nos motiva
e nos dá um propósito. Sem esse abastecimento de amor por trás do nosso
trabalho, inevitavelmente nos cansaremos e provavelmente desistiremos. No
entanto, com o amor estabelecido em nossas vidas, descobriremos que a energia e
a paixão serão renovadas continuamente. Uma das minhas maiores preocupações
ao levantar uma geração de avivalistas é me certificar de que ela sabe buscar a
Deus tanto em grupo como em particular.
Uma vida secreta com Deus sempre nos traz de volta para nosso propósito e
paixão originais. Ela recalibra nosso coração. Quando nos damos conta de que
estamos nos desviando da principal razão pela qual estamos vivos – amar a Deus
e sermos amados por Ele – o lugar secreto realinha nossas prioridades com amor.
É o que mantém o principal sendo o principal em nossas vidas. Nosso alicerce de
amor deve ser mais profundo e mais largo do que qualquer outra coisa em nossa
vida. A Represa Shasta é um dos locais mais famosos de Redding, é a segunda
maior barragem de concreto de gravidade dos Estados Unidos. Sua altura
hidráulica é de 160 metros. Ela retém a enorme quantidade de água do Lago
Shasta, um dos maiores lagos feitos pelo homem na América do Norte. Mas o que
é impressionante não é sua altura, mas sua profundidade. Chega a 25 metros
abaixo do solo e sua base tem uma largura de 165 metros. A base da Represa
Shasta é na verdade mais larga do que sua altura.18 Similarmente, se você quiser
entrar plenamente em seu destino, a amplitude do seu entendimento do amor de
Deus deve ser incomparavelmente maior do que qualquer outra coisa na sua vida.

O R AÇ Ã O C O N S TAN T E
Alguns anos atrás, eu estava voltando de avião de uma visita à Casa
Internacional de Oração (IHOP) em Kansas, no estado de Missouri, quando o
Senhor falou comigo sobre estabelecer a oração em nosso ministério de jovens. Eu
havia ido à IHOP a convite de Dwayne Roberts, líder do ministério One Thing,
que havia pedido a alguns jovens líderes que se encontrassem e orassem juntos
por alguns dias. Era minha primeira visita a IHOP. Naquela época, cinco anos de
24 horas de oração e adoração diárias haviam sido oferecidas ao Senhor pela
Casa Internacional de Oração, e eu estava impactado por ver um ministério que
havia encontrado chaves para sustentar tão alto nível de intensidade e devoção na
oração por tanto tempo.
Não tenho certeza por que, mas o Senhor regularmente fala comigo em aviões.
Acho que pode ser porque estou mais perto do Céu quando estou num avião, mas
isso é só uma teoria. De qualquer forma, o Senhor falou comigo sobre chamar todo
nosso ministério jovem para se reunir e orar durante os meses de verão. Demos o
nome de “Verão de Oração”, marcamos reuniões ao longo da semana e começamos
a orar. A primeira reunião que tivemos foi numa terça-feira de manhã. Apenas
algumas pessoas compareceram, mas oramos, Deus esteve presente, e foi incrível.
Após cerca de uma hora de oração, começamos a interceder pelas escolas e
universidades da nossa cidade. Senti como se eu estivesse entrando numa esfera
de autoridade sobre essas escolas e universidades com a qual eu não era familiar.
Às vezes, é difícil explicar sentimentos ou experiências que temos em oração
porque elas acontecem no reino espiritual. Mas enquanto eu orava, sentia uma
mudança da atmosfera de nossas orações e elas pareciam mudar da força de um
pequeno martelo para a de uma britadeira de demolição! Nós sabíamos que a
atmosfera espiritual estava mudando sobre as escolas enquanto orávamos, e que os
principados e as potestades estavam sendo deslocados. Eu havia tocado aquela
esfera antes, mas compreendi que não vivia nela. Eu ocupava uma posição
espiritual teologicamente, mas nem sempre na prática. Eu acreditava que havia
recebido autoridade sobre as cidades, mas não havia perseverado ou permanecido
naquela esfera de autoridade através da oração. Ficou claro para mim que existem
reinos de autoridade acessados apenas através da oração consistente. Eu havia
orado por anos, mas percebi que havia outro nível de oração em que eu deveria
perseverar se quisesse acessar a esfera de domínio necessária para ver cidades
inteiras sendo salvas.
O que eu experimentei naquela primeira reunião continuou ao longo do verão
com os nossos jovens se doando para a oração. Durante esse período, lembramos
de um sonho que Lance Jacobs, um dos pastores de missões da Bethel, havia tido
alguns anos antes. No sonho, Lance enviava pessoas para ministrar na cidade, mas
não estava tendo nenhum resultado. Ninguém era salvo, curado ou liberto. Então,
Linda McIntosh, uma das nossas pastoras de jovens e líder da intercessão, chegava
perto de Lance e dizia: “Temos que orar!” Quando ela falou aquilo, dois aviões de
caça sobrevoaram. Lance então enviou sua equipe para a cidade novamente, e
dessa vez os resultados foram drasticamente diferentes. As pessoas eram salvas,
milagres aconteciam e vidas eram libertas. Sabíamos que o Senhor estava nos
chamando para uma esfera maior de autoridade que ainda não havíamos alcançado
– um reino que somente poderia ser acessado através da oração.
Como disse, descobrimos imediatamente que o clamor dos nossos corações
tinha que ser consistente se quiséssemos viver naquela esfera de autoridade. Jesus
enfatizou isso repetidamente em Seus ensinamentos sobre oração. Após instruir
Seus discípulos na Oração do Pai Nosso, Ele lhes contou uma história sobre
alguém que pediu pão ao seu vizinho durante a noite. Ele disse:

“Eu lhes digo: embora ele não se levante para dar-lhe o pão por ser seu
amigo, por causa da importunação se levantará e lhe dará tudo o que
precisar. ‘Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e
encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede,
recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.’”
Lucas 11:8-10

Os verbos no versículo nove estão todos no presente e poderiam ser traduzidos


assim: “Peçam e continuem pedindo. Busquem e continuem buscando. Batam e
continuem batendo”. Devemos persistir em pedir, buscar e bater. Jesus também
ensinou aos homens através da parábola sobre a viúva persistente, “...que eles
deviam orar sempre e nunca desanimar” (Lc 18:1). Essas histórias e
ensinamentos de Cristo assumiram uma relevância e importância para nós ao
experimentarmos o poder da oração consistente.
O Livro de Atos também nos fornece uma lição dramática sobre a importância
da oração persistente. Atos 12:2 relata a morte de Tiago, o primeiro apóstolo a ser
martirizado, nas mãos do Rei Herodes. Quando ele viu que a morte de Tiago havia
deixado os judeus felizes, deteve Pedro na prisão com a intenção de matá-lo
também. A Igreja, de luto pela morte de Tiago, não iria perder mais um de seus
amigos e líderes. Sua resposta à prisão de Pedro foi orar: “...a igreja fazia
contínua oração por ele a Deus” (At 12:5, ACF). Note que não era apenas
oração, mas oração contínua. Naquela noite, Pedro foi milagrosamente solto por
um anjo e reunido aos seus amigos que haviam estado orando por ele. A oração
contínua foi a chave para que o crentes em Atos ganhassem acesso à esfera da
autoridade que era necessária para ver Pedro liberto.
É importante lembrar que a oração constante não é uma questão de tentar
convencer Deus a nos responder. Se houve alguém que conhecia a atitude de Deus
diante da oração era Cristo, e Ele disse: “E tudo o que pedirem em oração, se
crerem, vocês receberão” (Mt 21:22). Que declaração incrível! Releia este
versículo e deixe-o atingir você. O Senhor nos deu um cheque em branco assinado
por Ele e promete que todos os recursos do Céu estão disponíveis para nós se
orarmos. Andrew Murray escreve: “Os poderes do mundo eterno foram colocados
à disposição da oração”.19 Porém, Jesus nos ensinou claramente que a oração deve
ser contínua. Se a oração incessante não é necessária para fazer algo acontecer no
lado de Deus, devemos concluir que é necessária pelo que causa aqui do nosso
lado. É claro, muito do que acontece quando oramos é invisível e além da nossa
percepção. Mas a verdade é que perseverar em qualquer coisa molda a nós
mesmos assim como o mundo à nossa volta.
A oração persistente molda o nosso caráter, reforça nossa tenacidade, foca
nossa confiança no Senhor e aumenta nossa capacidade de carregar a autoridade e
a unção que o Pai nos deu. Na Bethel, sabemos que o aumento que temos visto da
autoridade e da unção para as curas está diretamente relacionado à oração
contínua.

Q UAT R O C HAV E S : IN T IM ID AD E
Como sustentamos a oração? Se você já tentou permanecer em oração por muito
tempo, sabe que existe um motivo pelo qual Jesus mencionou a possibilidade de
desanimarmos. Por muitas razões, ficamos cansados, frustrados ou desapontados, e
desistimos de orar. Podemos apenas persistir em oração com base em esforço
humano até certo ponto. Podemos até começar a orar porque nos sentimos
culpados ou achamos que é nosso dever, mas isso não vai durar muito. Uma vida
disciplinada, por mais importante que seja, só nos levará a certo ponto se nos
dedicarmos à oração contínua. Durante o “Verão de Oração” do nosso grupo
jovem, sabíamos que precisávamos orar até que obtivéssemos o que estávamos
pedindo, mas sabíamos que não era apenas uma questão de “trabalhar duro” por
isso. Esforçar-se mais parece uma receita para o cansaço. Então como sustentar a
oração continua?
Creio que quatro coisas são necessárias. Provavelmente existem outras, mas
essas são as quatro que o Senhor nos ensinou a fim de nos ajudar a perseverar em
buscá-Lo e a orar pela nossa cidade. A primeira é intimidade. A vida de um crente
deve ser guiada por amar a Deus e ser amado por Ele. Tudo deve fluir a partir
disso. Andrew Murray, ao compartilhar seus segredos de oração, enfatiza a
importância de ter intimidade com o Pai. “[Jesus] quer que vejamos que o segredo
da oração efetiva é ter o coração cheio do amor de Pai que Deus possui”.20
Portanto, “O conhecimento do amor do Deus Pai é o primeiro e o mais simples
[segredo], mas também é a última e a maior lição na escola de oração”.21
Qualquer coisa que não for motivada pelo nosso amor por Deus é instável. A
intimidade nos capacita a sustentar a oração porque faz com que a oração seja uma
questão de passar tempo com Aquele a quem amamos, que é a natural expressão e
desejo do amor.
Será difícil sustentar a oração se sua visão de Deus não é a de um Pai amoroso.
Muitas pessoas veem Deus como alguém bravo, triste ou desapontado com elas.
Quem irá querer passar algumas horas com um Deus que não está alegre conosco?
Ninguém. A intimidade muda qualquer concepção errada que talvez tenhamos
sobre Deus porque nos leva a estar face a face com Ele – um Papai bondoso. É
fácil sustentar a oração com um Deus que está extravagantemente apaixonado por
nós e vive nos lembrando disso.
Quando a nossa visão sobre Deus entra em foco, descobrimos que o desejo Dele
para os Seus filhos é que não sejamos Seus servos, mas Seus amigos e parceiros.
Muitos crentes ainda precisam fazer essa mudança de servos em oração para
amigos em oração.
Quando eu tinha 19 anos, trabalhei por um breve período numa equipe de
pintura. Eu era o empregado que tinha que fazer os trabalhos que ninguém mais
queria fazer. Era muito cansativo. Eu odiava. Mas o engraçado é que se algum dos
meus amigos me pedir para pintar sua casa com ele, farei com a maior alegria.
Estarei fazendo o mesmo trabalho que fazia aos 19 anos, mas é completamente
diferente quando estou trabalhando ao lado do meu amigo porque não sou seu
empregado; sou seu amigo e estamos completando uma tarefa juntos. Eu não tenho
que fazer aquilo; faço porque quero.
Da mesma forma, queremos orar com nosso Amigo Jesus. O Grande Intercessor
que vive para interceder por nós nos convida para estar ao Seu lado enquanto Ele
intercede. Você pode imaginar algo melhor do que ser parceiro de Jesus e ver os
sonhos do coração Dele serem realizados? A intimidade deve estar no centro da
nossa vida de oração senão ela será curta ou uma obrigação irritante.

Q UAT R O C HAV E S : R E S P O N S AB IL ID AD E
A segunda chave para sustentar a oração é responsabilidade. Muitas pessoas
não sustentam a oração por suas cidades porque não se sentem responsáveis pela
região onde vivem. Se tivermos um senso de responsabilidade, viveremos
diferente.
Deixe-me dar um exemplo. Eu tenho três filhos lindos que têm nove, seis e três
anos de idade. Como pai, tenho o privilégio de atender a chamadas e choros de
madrugada. Às vezes é por causa de um pesadelo, ou sede, ou eles simplesmente
decidem acordar às três da manhã. Seja qual for a razão, quando me chamam, já
estou acordado e no quarto deles para ver do que precisam. Eles são meus filhos e
eu tenho a responsabilidade de conhecer suas necessidades e ouvir seu choro.
Entretanto, se eu estivesse passando a noite na casa de um amigo, as coisas
seriam diferentes. Se eu fosse acordado pelo choro dos filhos do meu amigo no
meio da noite, eu provavelmente procuraria fones de ouvido e voltaria a dormir.
Por quê? Porque não tenho responsabilidade por aquelas crianças. Eu sei que meu
amigo irá cumprir seu papel de pai e levantar para checar o que está acontecendo.
Eu respondo de maneira diferente às necessidades daquelas crianças do que às dos
meus próprios filhos.
O mesmo acontece com a nossa cidade. Se não assumirmos responsabilidade
pela nossa cidade, ou região, ou local de trabalho e pelas pessoas dali, então
quando algo acontecer iremos simplesmente voltar a dormir ao invés de orar.
Quando você desiste de orar, não é porque seu coração é mau, mas porque aqueles
não são seus filhos. Você ainda não assumiu responsabilidade pela sua cidade. As
pessoas sustentam oração por aquilo pelo qual se sentem responsáveis. Muitos têm
tido dificuldade em sustentar oração porque não possuem nenhum senso real de
responsabilidade por sua cidade ou nação.
O capítulo quatro do segundo livro de Reis conta a interação que Eliseu teve
com uma viúva. Um credor estava vindo para levar seus dois filhos como escravos
por causa da dívida que seu marido havia deixado, então a viúva clamou pela
intervenção de Eliseu. Em parceria com a viúva, Eliseu sobrenaturalmente
providenciou os recursos necessários para pagar o credor e salvar os filhos dela.
O que eu quero que você compreenda é que o clamor da viúva nasceu de um senso
de responsabilidade por seus filhos. Ela levantou a voz porque seus filhos estavam
a caminho da escravidão. Nós também devemos levantar nossa voz em clamor ao
Céu por aqueles à nossa volta cujas vidas estão sendo levadas cativas.
Se você já foi ao TheCall, conheceu um grupo de pessoas que assumem
responsabilidade por sua nação.22 No TheCall, pessoas passam 12 horas diante do
Senhor, jejuando e orando, frequentemente debaixo de sol ou de chuva. Elas não
estão ali somente para ter intimidade com o Senhor, mas para clamar pelo seu
país, do qual tomaram posse. Não é aceitável ficar de braços cruzados enquanto,
em nossos países, leis injustas são aprovadas, a violência aumenta, bebês são
abortados, pessoas vivem na pobreza e o racismo ainda existe. Essas questões
devem nos levar à oração na medida em que assumirmos responsabilidade por
nossas nações, e clamarmos por um grande derramamento do Espírito Santo a fim
de ver nosso país se voltar para Deus.

Q UAT R O C HAV E S : F É
A terceira chave para a oração contínua é a “teologia da vitória”. Mike Bickle
inventou esse termo enquanto descrevia uma das chaves para a oração contínua da
Casa Internacional de Oração. Em poucas palavras, é preciso crer que Deus está
presente quando oramos. Mais uma vez, Andrew Murray aconselha sobre os
aspectos da oração: “Podemos e devemos esperar confiantemente por uma
resposta à nossa oração”.23
Muitas pessoas, sem perceber, acabam orando sem nenhum poder porque não
creem realmente que suas orações tocam o coração de Deus. Mas a verdade é que
temos um Deus que anseia muito mais que nós aparecer em nossa cidade. Isaías
diz que Deus “...trabalha para aqueles que nele esperam” (Is 64:4). Isso
significa que Ele é movido para agir a favor daqueles que O buscam em oração.
A oração contínua não é tão árdua quando cremos que Deus a responde.
Acreditamos que a vitória vem porque o Senhor responde orações. Nossa fé não
está na nossa capacidade de orar, mas na capacidade Dele de responder. Pode
levar algum tempo. Pode parecer que Deus é lento. Mas Ele responderá porque
seguimos orando. Nossa capacidade de continuar orando quando parece que Deus
não está ouvindo está diretamente relacionada ao nosso conhecimento do caráter
Dele. George Mueller, quando perguntado se tinha orações não respondidas,
respondeu: “Não, com exceção de uma. Mas será respondida. Não poderia ser
diferente. Eu ainda estou orando”.24 A oração não respondida era pela conversão
do filho de um amigo. No funeral de Mueller aquele filho entregou a vida a Jesus.
Mueller era um homem confiante no caráter de Deus e no poder que suas orações
tinham de mover o Céu.

Q UAT R O C HAV E S : R E V E L AÇ Ã O
A quarta chave para a oração contínua é a revelação profética. Isso tem
influenciado muito nosso ministério. Quando o Senhor fala conosco através de
sonhos, palavras proféticas, versículos e outras experiências proféticas, Ele nos
fornece combustível para nosso fervor de oração. Essas coisas nos dão direção e
nos mostram que estamos no caminho certo. Sempre que começamos a ficar
cansados em nossas orações, o Senhor é fiel e envia um sonho, ou uma palavra
profética, ou destaca um versículo para nós, e a fé para continuar acende
novamente em nossos corações. Isso torna a oração uma aventura.
Além de aprender a receber revelação profética, temos que aprender a carregar
revelação profética. Uma coisa é ouvir uma palavra profética; outra muito
diferente é carregar essa palavra em oração. O TheCall, a Casa Internacional de
Oração, e a Igreja Bethel valorizam muito o profético e tornaram uma prática levar
palavras proféticas ao Senhor em oração consistentemente. Eu tenho páginas e
páginas de palavras proféticas que se tornaram combustível para a minha vida de
oração. Eu tenho palavras que recebi na adolescência. Eu sempre volto a elas,
repenso-as, oro através delas, e lembro a mim mesmo e ao Senhor do que Ele
disse. Certa vez, ouvi um pregador dizer: “A oração é simplesmente nós
descobrindo de Deus o que Ele quer que façamos e depois voltar a Ele e pedir que
faça aquilo”. Através da revelação profética, o Senhor atrai nosso foco para o que
Ele está fazendo para que possamos atingir a marca em oração. Nossa fé para orar
aumenta de forma significativa quando sabemos que estamos em concordância com
o Senhor num determinado assunto.
Há anos estamos buscando uma geração para ser salva e transformada em nossa
cidade. É uma paixão que temos abraçado em oração com todo o nosso coração.
Anos atrás, o Senhor falou conosco sobre a nossa responsabilidade de orar pela
salvação de 15 mil jovens na nossa região. Pouco depois disso, eu estava andando
pelo corredor da nossa igreja quando vi a capa de uma revista que chamou minha
atenção. Na capa havia um título em letras grandes: “15 mil Estudantes para
Mudar o Mundo”. Enquadrei e pendurei aquela capa em nosso escritório, pois
sabia que Deus estava confirmando nosso chamado de orar e buscar ativamente a
salvação de 15 mil jovens.
Estávamos carregando essa palavra há anos quando Rachel Jacobs compartilhou
um sonho comigo. No sonho, uma senhora profetizava para ela: “Adão e os 15 mil
estão vindo. Adão e os 15 mil estão vindo”. No sonho, Rachel sabia que o que
aquela senhora dizia era importante e iria acontecer. Quando acordou, estava
confusa e não conseguia entender o sonho porque não conhecia ninguém chamado
Adão e não compreendia o significado do número 15 mil.
Quando ela compartilhou o sonho comigo, eu imediatamente soube o que
significava. O Senhor estava nos encorajando através de um sonho profético para
continuar firmemente orando pela salvação de 15 mil jovens. Eu também entendi
que Adão representava Jesus e que uma geração teria Sua imagem. Em 1 Coríntios,
ao falar do Último Adão, que é Jesus, Paulo diz: “... teremos também a imagem
do Homem celestial” (1 Co 15:49). Aquele sonho se tornou mais combustível para
o movimento de oração da nossa juventude.
O objetivo de Deus é salvar os perdidos em nossas cidades. Como
descobriremos no próximo capítulo, aqueles que oram devem receber uma
revelação de como suas orações são irresistíveis para um Deus que se chama Pai.
V E N H A AT É A Q U I !
Odeio admitir isso, mas eu era viciado num programa de televisão chamado O
Preço Certo. Era o verão antes do meu segundo ano do ensino médio. Eu ainda
não tinha carteira de motorista, então geralmente ficava em casa e acordava todos
os dias às dez da manhã, ligava a televisão e me deparava com as palavras:
“Venha até aqui! Você é o próximo participante de O Preço Certo”. Eu mal sabia
que as horas assistindo aquele programa durante as férias de verão valeriam a
pena alguns anos depois. Permita-me explicar.
Meu amigo e ex-pastor de jovens, Daniel Miller, teve uma visão em que Deus
estava na plateia do programa O Preço Certo. Ele viu o Senhor sentado na beira
do Seu assento, esperando ansiosamente para que o apresentador chamasse o nome
do próximo participante. Quando Daniel compartilhou essa visão comigo, o
Senhor começou a me revelar algo. Devido ao meu conhecimento amplo sobre o
programa, eu não parava de pensar na profunda revelação de Deus que essa visão
deu a mim.
Quem já assistiu ao O Preço Certo sabe como funciona. Nesse programa, os
participantes adivinham o preço de alguns itens, e quem estimar o valor mais
aproximado sem ultrapassar o valor real vai para a segunda rodada. Antes de a
competição começar, Rod Roddy, o locutor do programa, sorteia um nome da
plateia para participar do jogo. Logo antes de ele dizer o nome, todos na plateia
ficam esperando ansiosamente na beira de seus assentos. Todos estão torcendo:
“Vai, me escolhe! Isso mesmo! Eu sei que serei escolhido!” Muitos da plateia
usam camisas que dizem “Eu amo o Bob Barker” (o apresentador do programa) ou
“Hoje é meu aniversário”.
Então, Rod Roddy, em tom dramático, anuncia o próximo participante: “José da
Silva, venha até aqui! Você é o próximo participante de O Preço Certo!” A câmera
começa a filmar a plateia procurando pelo José da Silva. Sempre dá para saber
quem é o próximo participante porque é aquele que está de pé, com os braços para
cima, gritando e parecendo completamente tolo. Então José começa a se dirigir ao
palco, ainda gritando, bate nas mãos de algumas pessoas da plateia e corre pelo
corredor até o palco. Em todo o verão em que fiquei assistindo a isso, não me
lembro de nenhuma vez que tenha sido diferente. Ninguém, quando seu nome foi
chamado, ficou de pé sem emoção e se dirigiu à frente de maneira indiferente
como se não se importasse. As pessoas sempre corriam para o palco com muito
entusiasmo.
Essa foi a visão que Daniel Miller teve – Deus em O Preço Certo. Você pode
imaginar? Ali está Deus, na beira de Seu assento, empolgado e ansioso para ser
chamado. Salmos 145:18 diz: “O Senhor está perto de todos os que O invocam, de
todos os que O invocam com sinceridade”. Infelizmente, muitas pessoas na Igreja
têm suspeitado exatamente o oposto de Deus. Tenho participado em reuniões de
oração em que não tive certeza se todos creem que Deus quer aparecer. Por
alguma razão, agimos como se nossa tarefa fosse convencer Deus a fazer algo que
Ele não quer. Parece que nossas orações devem torcer o braço Dele para coagi-Lo
a responder e enviar avivamento. Clamamos a Deus, mas nunca temos certeza se
Ele responderá ou não.
Creio que a raiz dessa percepção de Deus é uma dúvida de que Ele realmente é
bom. Minha oração é que Deus libere uma revelação maior de Sua bondade para
nós. Nós servimos a um Deus grande que deseja nos dar o Seu Reino; na verdade,
Ele tem prazer em nos dar o Reino (ver Lucas 12:32). Toda boa dádiva e todo dom
perfeito vem Dele (ver Tiago 1:17). Ele é o Presenteador de dons. Ele é um Deus
bom e faz coisas boas. Como eu disse no capítulo anterior, Deus quer aparecer em
resposta às nossas orações mais do que nós queremos que Ele apareça.
Porém, existe algo importante: a revelação da bondade de Deus é algo que
somente nos é mostrado quando temos relacionamento com Ele. Se eu der alguns
trocados a um mendigo, ele dirá que fiz algo bom, mas não saberia
necessariamente dizer se sou uma pessoa boa. Ele teria que me conhecer para
saber se a bondade faz parte do meu caráter. E a fim de conhecer meu coração e
meu caráter, ele teria que se tornar um amigo próximo. Os amigos mais chegados
são aqueles em quem confio com o meu coração. O mesmo vale para Deus. O
mundo inteiro experimenta a bondade Dele a cada minuto de todos os dias. Tudo o
que somos e temos vem do Senhor. Mas nosso conhecimento de Sua bondade está
relacionado a quão bem O conhecemos. Quanto mais nos aproximamos do coração
Dele, mais percebemos como Ele é bom e extravagante conosco.

A R E V E L AÇ Ã O D A AM IZ AD E
Em Cristo, Deus nos chama de amigos com quem Ele compartilha Seus segredos
(ver João 15:15; Lucas 8:10). A nova geração que emerge na Terra tem vivido essa
realidade. A revelação da Sua bondade através da Sua amizade os tem libertado
do sentimento de que precisam manipular Deus através de suas orações. Ao invés,
creem que Deus anseia aparecer quando é chamado. Sabem que não estão tentando
convencê-Lo, mas buscam uma parceria para ver Seus desejos cumpridos na Terra.
Quando temos uma visão distorcida de Deus, nossas orações inevitavelmente se
tornam mal direcionadas e ineficazes. Acredito que não temos visto o verdadeiro
poder da oração na maior parte da Igreja porque muitos de nós pensam que Deus é
bravo e que quer nos castigar em vez de nos visitar com a Sua bondade,
misericórdia e graça. Alguns não chegam a dizer abertamente que Deus é bravo,
mas acham que Ele está extremamente frustrado e desapontado com o mundo e
conosco. Essa percepção distorcida da atitude Dele conosco nos leva a crer que
nossa responsabilidade deve ser trabalhar duro para que Ele não revele o quanto
Ele realmente está desapontado.
Creio que muito do arrependimento que acontece nas reuniões de oração está
enraizado nessa percepção de Deus. Já estive em reuniões em que tudo o que
fazíamos era nos arrepender. A reunião de oração inteira consistia em dizer a Deus
como sentíamos muito ser pecadores e em pedir muito perdão porque as pessoas
da nossa cidade eram pecadoras. Gradualmente, comecei a perceber que uma das
principais razões pela qual nos arrependíamos era porque achávamos que na
verdade Deus não queria se revelar. Tínhamos o conceito de um Deus no Céu que
estava tão enojado com a nossa condição pecadora que a última coisa que queria
fazer era aparecer no meio de um grupo tão corrompido. Deus não se revelaria
porque tinha que mostrar que não estava feliz conosco. Mas talvez, se
conseguíssemos fazer com que Ele soubesse que estávamos muito, muito, muito
arrependidos, Ele sentiria pena de nós e apareceria apesar de não querer.
Por favor, entenda; eu creio no arrependimento. E é melhor não tirarmos
vantagem do amor e da graça extravagantes de Deus. É preciso lidar com o pecado
em nossas vidas e nos livrar das coisas que entristecem o coração Dele. O pecado
absolutamente impede e afeta nossa conexão com Deus. Não podemos
simplesmente viver uma vida qualquer e esperar que Ele se revele quando oramos.
No entanto, não creio no arrependimento quando é motivado por um conceito
equivocado de Deus. Devemos nos arrepender com a convicção de que o Pai
anseia responder o nosso clamor apesar de não sermos perfeitos. O
arrependimento bíblico flui do entendimento de que Deus sinceramente deseja
responder nossas orações e que Ele insiste em confrontar aquelas áreas da nossa
vida que nos afastam da Sua presença. Em outras palavras, Deus é quem inicia o
arrependimento bíblico e o convida com Sua bondade: “... a bondade de Deus o
leva ao arrependimento” (Rm 2:4).
Deus anseia responder quando chamamos. Ele ama responder às nossas orações
genuínas e sinceras, e deseja que Sua Igreja capte essa visão sobre Sua ânsia e
disposição de vir. Mais uma vez, posso vê-Lo no Céu sentado na beira de Seu
trono avidamente esperando que nós digamos: “Deus, venha!” Ele está vestindo
uma camisa que diz; “Eu Amo a Minha Igreja”, e quando nós chamamos Seu nome,
Ele dá um salto do seu lugar vibrando de alegria. Vê os anjos reunidos ao redor de
Seu trono e diz: “Eles me chamaram, vou até lá!” Talvez Ele inclusive aperte as
mãos de alguns anjos no caminho.
É por isso que a visão do meu amigo Daniel me impactou. Estamos orando a um
Deus que está disposto e deseja se revelar. Nós não temos que convencê-Lo.
Simplesmente temos que chamá-Lo, e Ele virá. Creio que o movimento de oração
atual está sendo impulsionado por essa revelação. Por qual outro motivo nos
dedicaríamos a orar dia e noite? Só podemos fazer isso se cremos que Ele deseja
responder às nossas orações.
Essa nova geração de avivalistas está começando a se conectar com o coração
Dele, que está queimando de paixão por cidades como São Francisco, Las Vegas,
Amsterdã, Londres, Seoul, Nova Iorque, Moscou, Jerusalém, Bagdá, Rio de
Janeiro e outras cidades da Terra. Deus está enviando essa nova geração de
avivalistas a famílias, empresas, universidades, vizinhanças e cidades em todo o
mundo, armados com a revelação de Sua bondade e com a confiança de que Ele irá
aparecer quando orarem.
Alguns dos meus amigos mais próximos estão se dedicando à oração no sul da
Califórnia. Jake e Nicci Hamilton, assim como Eddie e April Brown lideram casas
de oração que lutam por avivamento e oram por uma mudança no país. Por seis
horas diárias eles se reúnem orando por avivamento. Oram porque acreditam que
o coração de Deus está queimando por sua cidade, seu estado e sua nação. Eddie
Brown lidera um ministério de oração influente em San Diego chamado Casa de
Oração para Justiça. Eles têm orado fielmente cinco dias por semana na
Universidade da Califórnia em San Diego. Ficam em pé no alto de uma calçada
construída em formato de uma cobra subindo uma ladeira. Isso representa a falsa
ideologia na nação e que estão orando para ver as desilusões serem substituídas
pela verdade de Deus. Oram porque creem que Deus os responde. Esses dois
casais radicais e os grupos que lideram se dedicam a uma vida de oração,
confiantes Naquele que responde.

A R E V E L AÇ Ã O D A F IL IAÇ Ã O
A razão pela qual Deus fica tão empolgado para vir quando O chamamos é que
Ele nos adotou como Seus filhos e filhas. A revelação de que Ele é nosso Pai
inspira nossas orações com fé como nada mais. Encontramos essa revelação no
que Jesus modelou para nós. Um dos ensinamentos mais incríveis de Jesus é que
podemos nos relacionar com Deus como Pai assim como Ele fazia. Quando Jesus
instruiu Seus discípulos sobre como orar, Ele lhes instruiu que dissessem; “Pai
nosso, que estás nos Céus” (Mt 6:9). Ao fazer isso, Ele conectou os discípulos a
Deus Pai da mesma maneira que Ele estava conectado ao Pai.
Você pode imaginar Jesus duvidando se o Pai iria aparecer quando Ele orasse?
Jesus sabia que se simplesmente pedisse, Seu Pai enviaria legiões de anjos para
interromper todo o Seu plano de enviar Seu Filho para a cruz (ver Mateus 26:53).
Não havia dúvidas de que o Pai O responderia. Nós devemos ter a mesma atitude
e pela mesma razão – somos filhos e filhas de Deus. As implicações dessa
verdade são incríveis e afetarão radicalmente a forma como você ora. Andrew
Murray coloca isso da seguinte forma; “Viva como um filho de Deus e você será
capaz de orar e certamente será ouvido como um filho”.1
Quando Jesus ensinou sobre o coração de Pai que Deus possui, Ele disse:

“Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir
peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar
boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos Céus,
dará coisas boas aos que Lhe pedirem!”
Mateus 7:9-11
Nessa declaração, Cristo definiu a oração como uma interação entre pai e filho.
Ele reconheceu que existe uma diferença entre a forma como os pais humanos
tratam seus filhos e a forma como Deus nos trata. Mas a diferença é que o melhor
que o pai humano dá aos seus filhos perde em comparação às coisas boas que
Deus nos dá. Nós devemos ter essa revelação da atitude do nosso Pai celestial
conosco. A verdade é que Deus acha o seu choro irresistível porque acha você,
filho Dele, irresistível.
Eu tenho três filhos pequenos, e como pai entendo o poder do choro dos meus
filhos. Quando Ellianna, minha primeira filha, tinha pouco mais de um ano de
idade, ela nos acordava todas as noites por volta das duas da manhã. Criamos o
hábito de deixar que ela viesse e dormisse conosco na nossa cama. Após alguns
meses com aquele pezinho nas minhas costas todas as noites, decidimos transferi-
la de volta para dormir no berço. SeaJay e eu éramos pais de primeira viagem,
então buscamos conselhos sobre a melhor forma de efetuar essa transição. Quase
todos com quem falamos explicaram que precisávamos deixá-la chorar quando
acordasse no meio da noite. Fomos avisados de que ela talvez choraria por
períodos extensos nas primeiras noites, mas que eventualmente aprenderia a voltar
a dormir sozinha e ficaria em silêncio em seu quarto à noite toda.
Separamos três dias para nos dedicarmos a esse processo e começamos a nos
preparar para as longas noites de choro. Estávamos decididos a encorajá-la a
dormir à noite toda. Na primeira noite, às duas da manhã, ela começou a chorar.
Entrei no quarto dela, falei que a amava, e disse que agora ela era uma menina
grande que devia passar a noite em sua própria cama. Então, saí calmamente do
quarto, deixando nossa filha gritar e exibir o alto alcance das suas cordas vocais.
Entrei no meu quarto, pulei na cama ao lado da minha esposa e acendi as luzes. Eu
sabia que aquilo já estava sendo difícil para ela, então a encorajei a resistir ao
desejo de ir resgatar nossa filhinha. Ela era claramente a mais fraca de nós dois e
eu sabia que precisava da minha força. Disse a ela que precisávamos perseverar e
não desistir, então ali nos preparamos para batalha.
Depois, de repente, fomos pegos de surpresa por algo. Eu, particularmente,
estava totalmente despreparado para aquilo. Cerca de dez minutos naquela
provação, nossa filha começou a fazer algo que nunca havia feito antes. Em meio
aos seus altos soluços, começou a gritar, “Pa Pa... Pa Pa... Pa Pai!” Comecei a
derreter na minha cama, morrendo por dentro. Minha princesinha precisava de
mim! Como poderia deixá-la no berço quando era óbvio que ela precisava do
papai? Finalmente, fui vencido. Virei para minha esposa e disse algo do tipo:
“Não acredito que você está obrigando a dormir sozinha no quarto dela. Vou pegá-
la. Ela precisa de mim!” Fui até o berço, peguei-a no colo e lhe disse que poderia
dormir conosco para sempre.
Acho que quando minha filha chamava meu nome, eu experimentava uma
pequena medida do que Deus sente quando O chamamos. Paulo nos diz: “Pois
vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas
receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos:
‘Aba, Pai’” (Rm 8:15). Quando clamamos a Deus Pai, estamos demonstrando que
pertencemos a Ele e que Seu Espírito reside em nós. Demonstramos que
colocamos nossa fé Nele. De alguma forma, a palavra “fé” passou a significar que
concordamos com um conjunto de declarações sobre Deus. Mas a fé é uma palavra
relacional. É confiar numa Pessoa – a Pessoa mais confiável que existe. Quando
nos inclinamos para Deus Pai, Ele tem que cumprir o compromisso que tem
conosco. É por isso que a fé move o coração de Deus como mais nada. A fé não
pode ser negada e sempre alcança resultados.
Ter as nossas orações respondidas é inteiramente uma questão de conhecer e
confiar em nosso Pai. Há um nível de confiança com o qual oramos quando
conhecemos a bondade do coração do Pai; você possui uma ousadia que conhece o
coração Dele, que compreende Sua vontade e que sabe que Ele é fiel para
responder. Considere essa declaração do apóstolo João:

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos


alguma coisa de acordo com a Sua vontade, Ele nos ouve. E se sabemos
que Ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que Dele
pedimos”.
1 João 5:14-15
A vontade Dele é vir quando O chamamos. Quando nos aproximamos Dele como
filhos, Ele se volta para nós como Pai. Dann Farrelly, um dos pastores da Bethel,
uma vez pregou uma mensagem sobre o Filho Pródigo cujo título era “O Pai Vem
Correndo”. Que bela descrição do nosso Deus. Ele é um Pai que quando nos vê
voltar nosso coração para chamá-Lo, começa a correr em nossa direção com
grande amor e paixão. Deus Pai acha o choro de Seus filhos irresistível. É assim
como Ele mesmo projetou. É por isso que o choro de um filho entregue de Deus é
tão poderoso – move todo o Céu porque toca o coração do Pai. Ele está sentado na
beira de Seu trono esperando que Seus filhos levantem suas vozes e chamem seu
Pai.

P O RTAD O R E S D E IN C E N S O
Os avivalistas que Deus está levantando e enviando para o mundo viverão na
revelação do coração de Pai que Deus possui e andarão com uma fé de filho. Já
que o choro de Seus filhos move o Céu, Deus os está enviando para o mundo como
portadores de oração – aqueles que podem ser enviados estrategicamente para
clamar a Ele nos lugares que mais necessitam de Sua presença.
Em Números 16, lemos sobre uma praga que foi enviada sobre o povo de Israel
por causa de sua rebelião. Em resposta, Moisés e Arão correram ao tabernáculo,
onde Moisés instrui a Arão: “Pegue o seu incensário e ponha incenso nele, com
fogo tirado do altar” (Nm 16:46). Arão fez conforme Moisés havia dito, e depois
se dirigiu para o meio da praga para ficar entre “os mortos e os vivos” (ver
Números 16:48). Quando ele chegou em meio à praga carregando o fogo e o
incenso, ela cessou.
Observe que Moisés e Arão não ficaram no tabernáculo e intercederam pelo
povo. Moisés enviou Arão para o meio da praga com fogo e incenso. Há uma
praga de escuridão liberada sobre uma geração, e a resposta de Deus é enviar
Seus filhos para que corram até o coração dessa praga para ficarem entre os
mortos e os vivos. Como avivalistas, temos recebido a missão de fazer cessar essa
praga. Nós somos exterminadores de pragas. Porém, não iremos para o meio dela
sem estarmos equipados. Deus está nos enviando com amor apaixonado e oração
(fogo e incenso). Em todo o país, em todas as partes da sociedade, Deus está
levantando oração em meio à praga. Nas escolas e nas universidades, nas
empresas, nas vizinhanças, em cada esfera da sociedade, Ele está estabelecendo
aqueles que carregam incenso. Seu plano é ver a praga cessar e a Sua glória ser
liberada.
O Senhor nos deu uma visão para o nosso ministério Despertamento no Campus
alguns anos atrás. Parte da visão era enviar uma geração de adolescentes e jovens
a suas escolas e universidades a fim de levantarem sua voz em meio à praga e
clamar a Deus por um avivamento. No campus de uma escola, nosso ministério era
formado por uma menina da sétima série chamada Ruby. Juntamente com a
professora responsável pelo Despertamento no Campus e uma pequena igreja
local, Ruby organizou um show de talentos para alcançar sua escola. Fizeram as
inscrições de alguns alunos para participarem do show, convidaram um pastor de
jovens da cidade de Fresno para compartilhar seu testemunho de como Deus o
salvou das gangues quando era adolescente e marcaram a data.
Estavam esperando que cerca de 20 alunos comparecessem e compraram pizza e
refrigerante suficientes para alimentá-los. Contudo, no dia do evento, alunos e
professores não paravam de entrar no refeitório. Mais de 200 alunos e 15
funcionários da escola apareceram para assistir ao show. Num determinado
momento, o apresentador parou para agradecer ao grupo Despertamento no
Campus pelo evento. Ele disse: “Todos os participantes do Despertamento no
Campus fiquem de pé”. Ruby ficou de pé. O apresentador olhou em volta e disse,
“Vamos, não sejam tímidos. Fiquem de pé”. Então, Ruby disse: “Não, sou só eu
mesma”.
Depois que o convidado compartilhou o Evangelho, cerca de 80 alunos
responderam ao seu apelo de entregar o coração ao Senhor. Os professores diziam
que era o melhor evento escolar ao qual haviam ido. E isso aconteceu porque o
Senhor enviou uma menina da sétima série com incenso ao campus de sua escola.
Quando ela clamou a Deus em meio à praga da escuridão, Ele não pôde ficar
longe. Se Ele responde ao clamor de uma menina da sétima série, o que fará
quando O chamarmos em lugares obscuros?
O PESSOAL DO JESUS CULTURE conhece e anda na
revelação de que eles realmente são a luz do mundo! Compsreendem sua
responsabilidade pessoal de revelar a realidade do Reino em todos os aspectos de
suas vidas. Estão levando o ministério do Senhor ao mundo! Estão indo a público!
Entendendo que a luz é sempre superior às trevas, eles são encorajados a levar
o poder de Deus aonde forem. Negam as estratégias do inimigo de restringir e de
diminuir seu entusiasmo, sua fé e sua coragem. A amizade íntima que têm com o
Senhor e a confiança em Sua Palavra os encorajam enquanto ignoram a sedução
das opiniões do mundo e brilham sua luz. Empurrando de lado qualquer medo de
falhar, continuam em frente e abraçam cada situação como uma oportunidade de
crescer.
Você e eu somos convidados a manifestar o Reino – em poder! Quando as
pessoas perguntam quem nós somos, devemos ser capazes de direcioná-las ao que
fazemos como evidência Daquele a quem representamos! Capacitados pelo
Espírito Santo, podemos apresentar Jesus sobre uma plataforma de demonstração.
Essa ousadia extrema para transformar o mundo somente vem quando
permanecemos Nele e esticamos nossos passos de fé ao desconhecido. Como
pessoas que fazem história, devemos correr riscos, e a nossa obediência radical é
a chave para o fruto sobrenatural!
TE M P O D E IR A P Ú B LIC O
Um dos testemunhos mais poderosos na Bethel nos últimos dez anos foi de um
querido amigo meu, Chad Dedmon. Chad estava a caminho de sua casa, num fim de
tarde, quando decidiu passar num mercadinho local em Redding para comprar um
pacote de biscoitos. Ao se dirigir ao corredor dos biscoitos, percebeu que uma
senhora na fila do caixa estava usando aparelhos auditivos. Então ele fez o que
está se tornando normal para essa nova geração de avivalistas: parou e perguntou
à mulher se poderia orar para que ela fosse curada. Ela explicou que tinha uma
perda auditiva significante nos dois ouvidos e gentilmente aceitou a oferta de
Chad.
Chad fez uma oração simples, mas poderosa, e depois perguntou à senhora se
ela se importava de tirar o aparelho auditivo para testar sua audição. (Esse ato de
fé – fazer a pessoa testar sua cura – é algo essencial a fazer se quisermos ver as
pessoas curadas). A senhora removeu os aparelhos. Chad foi para trás dela, onde
ela não podia vê-lo, e perguntou em voz baixa: “Você consegue me ouvir?”
Ela disse: “Sim, consigo ouvir você”.
Chad deu alguns passos para trás. “Meu nome é Chad”.
Ela respondeu: “Seu nome é Chad”.
Ele deu mais alguns passos para trás: “Minha comida favorita é pizza”.
Ela replicou: “Sua comida favorita é pizza”. Agora, lágrimas já estavam
rolando pelo rosto dela ao perceber que estava ouvindo com clareza sem o auxílio
dos aparelhos auditivos. Ela havia sido curada.
A caixa do mercado, que havia assistido a tudo aquilo diante dela, começou a
chorar também ao perceber o que havia acabado de acontecer na fila do seu caixa.
Chad se virou para ela e disse: “Deus está aqui agora curando pessoas. Tudo bem
se eu usar o microfone para avisar as pessoas do que Deus está fazendo?”
Com lágrimas ainda nos olhos, a caixa respondeu: “É claro”.
Chad pegou o microfone e anunciou com ousadia: “Atenção, clientes. Deus
acabou de curar esta senhora da surdez”. Então, pediu que a senhora pegasse o
microfone e compartilhasse seu testemunho. Aproveitando o momento, Chad
começou a profetizar: “Se você tem síndrome do túnel do carpo ou problemas no
quadril, Deus está aqui agora e quer curar você. Venha ao caixa número 10 se
quiser ser curado”.
Àquela altura, as pessoas estavam espiando pelos corredores para ver o que
estava acontecendo. Um pequeno grupo começou a se formar no caixa 10.
Enquanto isso, uma senhora chegou em seu carrinho de compras motorizado. Ela
olhou para Chad e disse: “Você mencionou alguém com problemas no quadril.
Bem, essa pessoa sou eu. Tenho muita dor no quadril e tenho uma cirurgia
marcada”. Chad perguntou se poderia orar para liberar o poder de Deus sobre ela.
Após uma curta oração, Chad pediu que ela se levantasse e testasse seu quadril.
Ela rapidamente respondeu: “Nem pensar. Quando caminho, sinto uma dor
insuportável no quadril”. Chad explicou que era importante efetuar uma ação
sobre a fé e testar a cura. Relutante, ela se colocou de pé e ao andar começou a
gritar. Ela olhou para Chad com um enorme sorriso e disse: “Não sinto dor! Não
sinto dor nenhuma!”
Depois, da parte de trás do grupo, veio um homem mostrando seus pulsos. Ele
chegou perto de Chad e disse: “Eu sou a pessoa que possui síndrome do túnel do
carpo. Já tenho isso há mais de dois anos. Sinto tanta dor que já não posso mais
tocar piano, que é a minha profissão. Sou professor de piano e pianista”. Chad pôs
as mãos sobre os pulsos daquele homem e orou para que ele fosse curado. O
homem começou a balançar as mãos para cima e para baixo enquanto exclamava:
“Minhas mãos estão queimando! Minhas mãos estão queimando!”
Instantaneamente, o Senhor o curou. A dor que ele sentia sumiu e a mobilidade
total de seus pulsos foi restaurada.
Chad falou ao grupo que havia acabado de ser testemunha do toque de cura do
Senhor sobre aquelas duas pessoas e disse que Jesus, Aquele que cura, estava
revelando Sua presença e Seu poder bem ali. Após falar um pouco sobre o Rei e
Seu Reino, Chad perguntou se alguém gostaria de entregar a vida a Jesus; se sim,
pediu que levantassem as mãos. Em meio àquelas pessoas, mãos começaram a ser
levantadas e vidas se renderam a Jesus.

IL UM IN E S E U M UN D O
Como compartilhei anteriormente, estou totalmente convencido de que o
coração de Deus anseia que cidades inteiras se voltem para Ele e sejam salvas.
Esse tem sido nosso coração em Redding por muitos anos. Temos insistido em ver
nossa cidade e nossa região transbordando da glória de Deus e orado para que
todos experimentem Sua bondade e Seu amor. Por causa disso, o Senhor tem nos
revelado estratégias simples, mas profundas, para alcançarmos nossa cidade e
nossa região. Uma dessas estratégias veio de Mateus e João.

“Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. Seus discípulos Lhe


perguntaram: ‘Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele
nascesse cego?’ Disse Jesus: ‘Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto
aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele. Enquanto
é dia, precisamos realizar a obra Daquele que Me enviou. A noite se
aproxima, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou
a luz do mundo’”.
João 9:1-5

“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída
sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca
debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e
assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês
diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao
Pai de vocês, que está nos Céus.”
Mateus 5:14-16
Como pode ver, Jesus faz duas declarações bem similares nessas passagens. Em
João 9, Ele diz: “Sou a luz do mundo”, e depois em Mateus 5 diz: “Vocês são a
luz do mundo”. Essa diferença é pequena, mas grande em significado. Não
devemos enfatizar o que Jesus disse sobre Si mesmo e perder o que falou sobre
nós. Jesus disse “vocês”. A palavra “você” cria uma responsabilidade pessoal.
Anteriormente expliquei a importância da responsabilidade pessoal para a oração
contínua, e ela é igualmente importante aqui. Pessoas demais não têm assumido a
responsabilidade de ser a luz do mundo.
A luz revela coisas. A luz levada através de cada crente é a revelação do nosso
Rei e do Seu Reino. Ser a luz do mundo significa que somos todos responsáveis
por revelar a realidade desse Reino através de todos os aspectos das nossas
vidas. É nossa tarefa e nosso privilégio. Esse é o ministério da Igreja no mundo.
Por tempo demais, pastores têm ensinado que o ministério real acontece através de
homens e mulheres de Deus “ungidos” para o ministério vocacional. Não temos
capacitado crentes para serem ministros em tempo integral, independentemente do
que façam.
Este não é o tempo dos apóstolos. Não é o tempo dos profetas. É o tempo dos
santos. A Bíblia deixa claro que o Reino está no interior de cada crente (ver Lucas
17:21, ARIB). Não diz que o Reino está somente no interior dos líderes cristãos.
Muitos cristãos creem que a responsabilidade de ser a luz do mundo é somente de
seu pastor ou das pessoas que possuem um talento que as faz brilhar. O Reino é
poder; é dentro de você; e você precisa assumir a responsabilidade de deixar sua
luz brilhar.
Um grupo de estudantes do nosso grupo de jovens assumiu a responsabilidade
de deixar sua luz brilhar na escola em que estudam. Decidiram jejuar o almoço
todos os dias. Frequentavam o Clube Cristão na hora do intervalo dois dias por
semana, e nos outros três andavam pela escola orando e procurando pessoas a
quem ministrar. Quase que semanalmente, vinham até mim com o testemunho de
alguém que havia sido curado ou com quem haviam compartilhado o amor de
Deus. Eles ministravam fielmente na escola. Certo dia, no meio do refeitório, eles
até impuseram as mãos sobre um menino que era cego. Ele não foi curado, mas
ainda assim continuaram determinados a deixar sua luz brilhar na escola. Eles
logo ganharam a reputação de alunos que oram, e até mesmo os professores
passaram a lhes entregar pedidos de oração. Eles captaram a visão de ser luz em
sua escola, assumiram a responsabilidade de fazer algo acerca disso, e viram essa
decisão produzir frutos. Eles não ficaram esperando que outra pessoa fosse a luz
do mundo; assumiram a responsabilidade pessoal de iluminar a sua própria
comunidade.

A L UZ V E N C E
Após assumir a responsabilidade pessoal de sermos a luz do mundo onde
estivermos, a próxima revelação que devemos ter para brilhar de maneira eficaz é
essa: Não há competição entre a luz e as trevas. Muitas pessoas vivem com a
hipótese de que há uma batalha cósmica entre a luz e as trevas sobre suas cidades
e nunca se sabe quem vencerá. Na maioria das vezes, não temos certeza de quem
está prevalecendo, ou acreditamos que as trevas estão vencendo. Apesar de
realmente haver uma batalha, ela não é entre a luz e as trevas. Por quê? Porque,
nas palavras de Bill Johnson: “A luz é sempre superior às trevas e as trevas são
sempre inferiores à luz”.1
Eu amo ler à noite antes de dormir. Mas nunca subi para o meu quarto com um
bom livro, acendi a luz e então fiquei esperando que a luz e as trevas terminassem
de guerrear. Não é tão complicado; se eu ligo a luz, as trevas desaparecem. A
escuridão não tem opção. Não é titular de direitos. Não olha pra mim e me desafia
dizendo: “Eu gosto muito do seu quarto, não sairei daqui”. As trevas não têm
escolha, pois no instante em que a luz entra no quarto as sombras têm que fugir,
têm que desaparecer.
A Universidade da Califórnia, em Berkeley, é considerada por muitos a
principal universidade que alimenta nossa cultura com filosofias anti-Deus e
antirreligiosas. É um dos campus mais obscuros dos Estados Unidos. Erica Greve,
a diretora do Despertamento no Campus, recentemente terminou seu mestrado em
serviço social em Berkeley. Em uma de suas aulas, Erica tinha que escrever um
relatório sobre um estudo de caso e fazer uma apresentação oral sobre sua
pesquisa para a turma. Ela decidiu ser seu próprio estudo de caso.
No dia de sua apresentação, Erica ficou de pé diante de seus colegas de classe
para contar sua pesquisa. Muitos deles se professavam bruxos, ateus e
homossexuais – um ambiente não muito amigável para o cristianismo. Ela
começou:
“Eu cresci num lar em que fui ensinada que a religião era para pessoas que não
tinham estudos, ou para aqueles que não tinham esperanças e precisavam de uma
muleta para se apoiar. Religião era “o ópio das massas”. Mas um dia encontrei
Jesus na igreja. Soube imediatamente que Deus era sobrenatural e tinha um plano
para minha vida. Eu estava sedenta por descobrir tudo o que pudesse sobre esse
Deus sobrenatural e acabei indo para o seminário em Redding, na Califórnia.
Enquanto estive lá, aprendi a fazer leituras espirituais.”
A classe estava completamente fixa no que ela falava, e o professor estava um
pouco confuso, sem saber qual direção Erica estava seguindo em seu relatório. Ela
continuou: “Na verdade, eu adoraria demonstrar agora mesmo o que aprendi
naquela escola. Algum voluntário gostaria de receber uma leitura espiritual para
que eu possa demonstrar o que aprendi?”
Em toda a sala, as mãos se levantaram. Erica escolheu algumas pessoas e
profetizou coisas boas que Deus via nelas e os planos que Ele tinha para suas
vidas. Sua apresentação tinha um tempo limitado, então quando estava terminando
convidou a todos que não haviam recebido uma leitura espiritual para falar com
ela depois da aula. No término das apresentações, Erica se dirigiu para a parte de
trás da sala e encontrou uma fila de pessoas esperando por uma palavra. Até o ano
seguinte, pessoas que haviam escutado suas profecias na sala ou souberam delas
por intermédio de alguém vinham até ela para pedir conselho. Ela era convidada
para ministrar sobre as pessoas. Mesmo nos lugares mais obscuros, uma pequena
luz faz com que a escuridão vá embora.
Quando vou a uma nova cidade ministrar, muitas vezes descubro que muitas
pessoas não têm consciência dessa verdade espiritual. Uma pessoa me busca no
aeroporto e, durante o caminho para o hotel, ela começa a me dizer como sua
cidade é sombria. Ela me informa que sua cidade é a capital da feitiçaria, ou tem
mais usuários de metanfetamina per capita do que qualquer outra cidade do país,
ou que o índice de divórcio ali é mais alto do que a média nacional, ou que a
câmara municipal é profana. A pessoa está tentando me dizer quão forte é a
escuridão em sua cidade a fim de explicar por que eles não estão vivendo um
avivamento. “Banning, você simplesmente não entende. Nossa escuridão é
realmente escura. É obscuramente escura”.
Por favor, meu amigo avivalista, não importa qual tonalidade de escuridão há
em sua cidade. Essa escuridão sempre permanecerá inferior até mesmo à menor
quantidade de luz. De alguma forma, temos acreditado na mentira de que a
escuridão do inimigo é mais forte do que a nossa luz ou de que o pecado é mais
poderoso do que a graça. Ao ficarmos impressionados com a escuridão, criamos
desculpas para a razão pela qual nossas cidades não estão em avivamento.

E S C O N D E N D O A L UZ
Isso nos leva à próxima pergunta: “Se eu sou a luz do mundo e não há
competição entre a luz e as trevas, por que ainda existe escuridão na minha
cidade?” Bem, fico feliz que você tenha perguntado. A resposta se encontra em
Mateus 5. Durante anos, quando eu lia essa passagem, ficava confuso com o
ensinamento de Jesus sobre não colocar a candeia debaixo de uma vasilha. Parecia
óbvio. Por que Jesus nos instruiria a não fazer algo que obviamente não faríamos?
Mas depois percebi que Jesus na verdade estava abordando o plano do inimigo.
Parece ridículo na ilustração, mas é o que a maioria dos crentes faz – esconde sua
candeia debaixo de uma vasilha. Eles não usam sua luz para irradiar aqueles a sua
volta. Anteriormente mencionei que, apesar de não haver competição entre a luz e
as trevas, há uma batalha. É uma batalha sobre se os cristãos deixarão sua luz
brilhar ou não. É aí que a verdadeira batalha está sobre uma cidade.
Satanás sabe que não pode derrotar a nossa luz. Sabe que quando aparecemos e
brilhamos ele tem que fugir. Então, ele faz de tudo para convencer os cristãos a
esconderem sua luz. Quando camuflamos o brilho de Deus em nós, o inimigo pode
habitar numa região. Parece muito simples, mas é verdade. Se ele não pode
derrotar a luz, irá persuadir ou induzir pessoas a esconderem sua luz. Vejo isso
acontecer muitas vezes nas escolas e universidades. Num colégio ou universidade
com 1,7 mil pessoas, existem pelo menos 200 cristãos – ou seja, 200 pessoas que
Jesus chama de luz do mundo. Ora, isso é bastante para impactar radicalmente um
campus e ver as trevas serem substituídas pela luz. É doloroso ver que muitos
desses locais nunca foram tocados para Jesus nem influenciados com a cultura do
Reino. O problema é que muitos cristãos não deixam sua luz brilhar quando estão
na escola ou na universidade. Usam essa luz quando estão na igreja ou em meio
aos seus amigos cristãos, mas nunca em lugares escuros. O inimigo não tem medo
de crentes; ele tem medo de crentes que deixam sua luz brilhar.
Certa noite, durante nossa reunião semanal de oração, eu não parava de ouvir o
Senhor dizer: “É tempo de ir a público”. Uma das coisas que percebi é que há
uma grande diferença entre minha vida particular e minha vida pública. Por
exemplo, não tenho problemas em cantar a plenos pulmões quando estou ouvindo
minha música favorita no carro, no chuveiro, ou na minha sala de estar. Mas me
coloca para cantá-la diante de uma multidão... Sem chances! Essa é minha vida
privada, e não minha vida pública. E provavelmente será melhor para todos que
minha ambição secreta de ser uma estrela de rock permaneça na minha vida
particular.
Eu também sou um chorão em particular. É verdade. Não tenho problemas em
admitir: eu choro. Não sei o que acontece, mas choro quando leio livros, assisto a
filmes, programas de televisão, ou comerciais, ou quando ouço testemunhos de
cura. Aliás, isso estava se tornando tão embaraçoso que parei de ler certas
biografias ou histórias de avivamento porque começava a soluçar
incontrolavelmente nas situações mais inadequadas. Eu sou um chorão, mas sou um
chorão em particular, não em público. Existem certas coisas que devem ficar em
nossa vida privada. Porém, nosso cristianismo não é uma delas. Jesus nunca
planejou que nossa luz ficasse na nossa vida particular. Ela sempre foi projetada
para ir a público, para ser liberada diante dos outros, para deslumbrar com o
resplendor do coração de Deus.
Jesus nos disse: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens...” (ver
Mateus 5:16). Você captou isso? “Diante dos homens”. Jesus disse que devemos
deixar nossa luz ir a público. A fim de que nossa luz seja eficaz, ela tem que ser
exposta e resplandecer diante das pessoas;
Uma das chaves para o Avivamento de Gales foi uma revelação que Deus deu a
Evan Roberts: “Você deve ir a público com o seu testemunho de Cristo”.2 John G.
Lake teve a mesma revelação quando disse que devemos ter “uma confissão
pública contínua do que somos e do que Jesus é para nós”.3 É aí onde satanás
promove a maior guerra. O diabo cobiça nosso resplendor. Ele teme
profundamente o esplendor da nossa ascensão. Cobiça desesperadamente que os
cristãos contenham a luz para si mesmos, e então trabalha horas extras para se
certificar de que faremos isso. Como?
Vemos a estratégia do inimigo na narrativa de Sadraque, Mesaque e Abede-
Nego em Daniel 3. É uma das minhas histórias favoritas porque descreve como
uma nação inteira pode se voltar para Deus em um dia. É isso que estou buscando,
então as lições desse relato popular das escolas dominicais se tornaram
extremamente relevantes para minha vida como um avivalista.
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram levados cativos com o restante dos
israelitas para a Babilônia. Lá, eles aprenderam os costumes, a língua e as leis
daquela nação pagã. Eram estrangeiros longe de casa, assim como os cristãos que
estão no mundo, mas não são do mundo.
Daniel 3 relata que o Rei da Babilônia, Nabucodonosor, decidiu construir uma
imagem diante da qual todos deveriam se ajoelhar e adorar. Ele reuniu todo o
povo e declarou que quando escutassem a música deveriam se ajoelhar diante da
imagem de ouro. O momento chegou, a música tocou, e milhares de pessoas se
prostraram diante da imagem. Não apenas os caldeus e os babilônios se
prostraram diante da imagem, mas os israelitas também. Exceto três homens:
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Em meios aos milhares que obedeciam às
ordens do rei, esses três avivalistas se recusaram a ajoelhar. Rejeitaram a ordem
de esconder sua luz.
Contudo, como o rei convenceu os israelitas, que conheciam os mandamentos de
Deus contra a idolatria, a se ajoelharem diante daquela imagem? Ele usou o
mesmo método que satanás usa hoje – pressão social e medo. Quando lemos a
história, vemos que o rei convidou uma lista de pessoas importantes – sátrapas,
administradores, governadores, magistrados, etc.. As opiniões desses líderes
importavam imensamente para o povo daquela época. O rei sabia que se
conseguisse convencer aquele grupo a se ajoelhar, os outros fariam o mesmo por
simples pressão social. E se ele não conseguisse fazer o povo obedecer por
coerção, então usaria o medo – ameaçar jogá-los na fornalha em chamas.
Seu plano funcionou... quase. Espero que você saiba como essa história termina.
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não se deixaram dominar pelas ameaças
malignas do rei (o medo do povo) ou pelo medo da morte. Eles acabaram sendo
lançados na fornalha de fogo ardente, mas o próprio Senhor apareceu dentro dela e
fez com que saíssem totalmente ilesos. A revelação do poder de Deus
impressionou o Rei Nabucodonosor. A história termina com o rei adorando a Deus
e criando um decreto que dizia que qualquer pessoa que dissesse algo contra o
Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seria despedaçada e sua casa seria
transformada em montes de entulho (ver Daniel 3:29).
Lembre-se, a estratégia de satanás é nos persuadir para escondermos nossa luz
porque ele conhece o poder do nosso resplendor. Se ele conseguir, então as trevas
reinarão em nossa cidade, nosso trabalho, nossas escolas, nossas universidades e
nossos bairros. Milhares de anos depois, a forma como o inimigo oprime, engana e
intimida não mudou. Mesmo que já tenhamos saído da escola, a pressão social
continua sendo uma força real. Ela não simplesmente desaparece quando
terminamos nossos estudos. A maioria de nós que somos velhos o bastante para
não frequentar mais a escola ainda fica preocupada com o que os outros pensam
sobre nós assim como quando éramos estudantes; só que agora não admitimos.
Enquanto estivermos preocupados com o que os outros pensam mais do que com o
que Deus pensa, nunca iremos a público com a nossa luz. Muitos cristãos vivem
suas vidas de acordo com a opinião dos outros, e isso os impede de dar um passo
de fé e abraçar o que Deus os chamou para fazer. A razão é que o medo de pessoas
se opõe diretamente à fé em Deus. Enquanto esse espírito influenciar nossos
pensamentos, não poderemos esperar ter a perspectiva e as prioridades de Deus
nas nossas circunstâncias. O medo de pessoas neutraliza nosso impacto no mundo
à nossa volta.
A consequência preocupante de se prostrar diante do medo de pessoas é que, na
verdade, estamos impedindo que as pessoas à nossa volta tenham a oportunidade
de conhecer o poder de Deus. O poder que Ele nos deu não é somente para nos
sentirmos confortados e encorajados na igreja. É óbvio que todos nós precisamos
ter nossas próprias experiências com o poder de Deus, mas creio que muitos
desses encontros estão à nossa espera nas escolas, em casa, no trabalho e nas ruas
– nos lugares obscuros. A luz brilha mais forte no escuro. Na verdade, quando
vamos a público com a nossa luz como Sadraque, Mesaque e Abede-Nego,
criamos uma oportunidade para que Deus se revele. Estendemos um convite de fé
ao qual Deus não pode resistir aceitar. Como na história de Chad, os testemunhos
mais dramáticos que ouviremos nos dias vindouros não virão de dentro da igreja.
Virão das ruas, das casas, dos mercados, das escolas, na medida em que os crentes
brilharem mais nos lugares escuros.
Scott Thompson, que faz parte da nossa equipe no Jesus Culture e da Igreja
Bethel de Atlanta, contou-me uma história da época em que era pastor de jovens
em Fortuna, na Califórnia. É um grande exemplo do impacto que podemos ter
quando deixamos de nos importar com o que os outros pensam sobre nós. Sem
muito entusiasmo, ele desafiou os estudantes a ficarem de pé num banco na escola
e gritarem palavras de conhecimento. Então, certo dia, vieram até ele e disseram
que haviam feito exatamente aquilo. Scott me enviou um email para contar sobre
isso:

“Três deles receberam palavras de conhecimento – escoliose, problemas de


estômago e um tornozelo direito machucado. Eles ficaram de pé numa mesa e
gritaram para os outros alunos: ‘Se você tem algum desses problemas,
precisamos falar com você’. Dentro de alguns minutos, três jovens
apareceram. Cada um representava uma das palavras mencionadas. Eles
disseram; ‘Vocês queriam falar conosco?’ Os três cristãos responderam:
‘Nós iremos orar e vocês serão curados’. Oraram pela menina com escoliose
e ela ficou completamente curada. Ela começou a se abaixar e a balançar o
quadril. Ela disse que nunca conseguia fazer aquilo sem sentir dor, e agora
não estava sentindo nada. Depois, pela garota com problemas de estômago –
toda a dor desapareceu. Por último, oraram pelo rapaz com o tornozelo
direito machucado. Ele começou a mover o tornozelo e ficou totalmente
curado.”

Esses estudantes criaram uma oportunidade para que Deus aparecesse, e Ele não
conseguiu resistir àquele convite. Ele não conseguiu ficar longe daquela fé.

O S P E N S AM E N TO S D E D E US
Então como podemos ter certeza de que nosso medo de pessoas não contradiz a
nossa fé? Eu gostaria de agir como se isso fosse fácil e eu nunca me preocupasse
com o que os outros pensam, mas sendo sincero, tenho que dizer quem nem sempre
é simples, e eu às vezes realmente me importo com o que os outros pensam. A
única chave que encontrei para me livrar do peso do medo de pessoas é
permanecer seguro no que o Senhor pensa de mim.
Você sabia que Deus pensa em você? Sim, Ele pensa muito em você. O Rei Davi
disse:

“Como são preciosos para mim os Teus pensamentos, ó Deus! Como é


grande a soma deles! Se eu os contasse seriam mais do que os grãos de
areia...”
Salmos 139:17-18
Como Davi conhecia os pensamentos preciosos que o Senhor tinha sobre ele?
Deus lhe contou. E Ele também quer compartilhá-los com você.
É por isso que a intimidade é tão importante. Quando permanecemos em Deus e
nos conectamos com Seus pensamentos, deixamos de nos preocupar com a
avaliação e a reflexão dos outros. A tensão de ser aceito é quase demais para
suportar, a menos que encontremos os pensamentos que Deus tem sobre nós.
Devemos nos posicionar todos os dias para ouvir as considerações Dele sobre
nós. Seus pensamentos devem passar por cima do escrutínio e das deduções de
qualquer outra pessoa. Daí, a pressão social perderá a força em nossas vidas.
Essa nova geração de avivalistas será uma geração para quem a pressão social
não tem poder, porque estarão numa posição de segurança através dos seus
encontros íntimos com Jesus. Essa é a realidade por trás da capacidade de
Brandon Smith de orgulhosamente dizer aos seus colegas de time que está se
guardando para sua esposa. Como Brandon, a nova geração conhece os
pensamentos de Deus por causa de seu amor pela Sua Palavra e pelas coisas que
Ele lhe diz face a face. As atitudes e as noções dos outros não controlam essa
geração porque ela está sempre em contato com os pensamentos do Senhor.
A amizade íntima com Deus e a confiança em Sua Palavra são as forças
motivadoras daqueles que ignoram o medo e a sedução das persuasões mundanas e
deixam sua luz brilhar. Não é só isso, eu também descobri que há uma correlação
direta entre o brilho da nossa luz e o crescimento da nossa paixão pelo Senhor.
Durante anos, tenho observado que os jovens que se levantam para propagar sua
luz se tornam mais sedentos de Deus. De primeira, eu não conseguia entender, mas
depois percebi o que estava acontecendo. No natural, se a luz de uma vela é
colocada debaixo de uma vasilha, ela começa a enfraquecer até se apagar e tudo
que resta é fumaça. A razão pela qual a chama se apaga é a falta de oxigênio. Se
quisermos que a chama se intensifique, temos que alimentá-la com oxigênio.
Quanto mais oxigênio ela recebe, mais aumenta em calor e tamanho. Na verdade, o
fogo pode ficar tão quente que se tentarmos apagá-lo com água ele fica mais
quente ainda. O mesmo acontece com a vida cristã. Muitos de nós têm aprendido a
esconder sua luz sem entender que a chama precisa de oxigênio. E a chama do
nosso coração precisa do fôlego de Deus regularmente – mais do que duas vezes
por semana quando nos reunimos no grupo de jovens e na igreja.

C O M O B R IL HAR
Se quisermos alcançar cidades, devemos abraçar uma vida de responsabilidade
pessoal para deixar nossa luz brilhar, e precisamos escolher viver na revelação de
que não há competição entre a luz e as trevas. Finalmente, temos que responder a
pergunta: “Como brilhar minha luz?” Encontramos uma resposta em João 9.
Quando os discípulos perguntaram a Jesus qual pecado fez com que o homem cego
nascesse sem visão, Jesus ignorou aquela pergunta. Ele simplesmente disse que
Seu papel era de realizar a obra Daquele que O enviou porque Ele era a Luz do
Mundo enquanto estivessem ali.
Quando Ele se virou ao cego e o curou, Jesus estava modelando o que nós
devemos fazer como luz do mundo. Quando Ele nos ensina a deixar nossa luz
brilhar ao permitir que pessoas vejam nossas boas obras, não está falando de atos
aleatórios de bondade. Temos diluído muito do ensinamento de Jesus sobre esse
assunto ao dizer que Ele estava nos encorajando a sermos bons para os outros e
ajudá-los em suas necessidades. Apesar de também nos ensinar isso, Ele está
dizendo algo diferente nessa história. A palavra “obra” em João 9 é a mesma
palavra grega (Ergon) que Jesus usa em Mateus 5. Ele está dizendo que devemos
deixar nossa luz brilhar diante das pessoas para que elas vejam olhos cegos se
abrirem, os paralíticos andarem, os surdos ouvirem, os leprosos serem curados e
os mortos serem ressuscitados. É através de demonstrações puras de poder e de
manifestações radicais de amor que deixamos nossa luz brilhar.
Paul, um aluno do ensino médio do sul da Califórnia, foi profundamente
impactado na nossa conferência do Jesus Culture em Orange County, e deixou as
reuniões queimando por mostrar a bondade de Deus às pessoas. Regularmente, ele
pedia ao Senhor que lhe mostrasse alguém de sua turma para quem deveria falar
do Seu amor. Um amigo de Paul ficou muito impactado pela sua coragem, mas era
tímido e tinha medo de dar um passo de fé. Certo dia, Paul estava num restaurante
com seu amigo e o ajudou a aprender como ministrar o amor de Deus aos outros.
Ele instruiu seu amigo a orar e a perguntar a Deus: “Com quem o Senhor quer que
eu fale sobre o Teu amor?” Seu amigo orou e disse que sentia que Deus queria
revelar o Seu amor à garçonete.
A garçonete veio anotar seus pedidos, mas antes que ela falasse, o aprendiz
ministerial de Paul se virou para ela e disse: “Senhora, só queríamos dizer que
Deus a ama”. Imediatamente, a garçonete largou seus cardápios e saiu enfurecida.
Alguns instantes depois, ela voltou e jogou a cesta de pão sobre a mesa.
“Quem mandou você me dizer isso?” ela perguntou, bastante brava. “Quem
mandou você me dizer isso?”
O menino, assustado com a reação dela, disse: “Senhora, desculpe-nos. Nossa
intenção não era lhe ofender. Estávamos orando e pedindo a Deus que nos
mostrasse uma pessoa que precisava saber que Ele a ama, e Ele nos mostrou
você”. Então o menino se levantou e acrescentou: “E sinto que Deus quer abraçá-
la. Tudo bem se eu abraçar a senhora?” Um pouco nervosa e começando a chorar,
ela aceitou o abraço. O jovem avivalista deu um abraço na garçonete bem ali no
restaurante. Enquanto ele a abraçou, ela chorou. Ele a abraçou por alguns minutos
enquanto ela teve um encontro com o amor de Deus.
Quando limpava as lágrimas do rosto, a garçonete lhes contou sua história:
“Hoje de manhã, eu acordei e disse: ‘Ninguém me ama. Ninguém me ama. Deus, se
você existe preciso que o Senhor me mostre que me ama’”. Devido à coragem que
aqueles dois garotos tiveram de mostrar sua luz, a garçonete encontrou o amor
radical de Deus e as trevas foram embora de sua vida.
Temos visto esse poder em ação nos últimos 13 anos em Redding. Os crentes
estão vivendo com um senso de responsabilidade por levar pessoas a terem um
encontro com um Deus sobrenatural que é apaixonado por elas. Por causa da
coragem que eles têm tido de deixar a luz brilhar, as trevas têm desaparecido e a
glória tem sido liberada em toda a cidade. Como? Ela tem sido liberada através
da promessa de Jesus: Quando as pessoas virem nossas boas obras, glorificarão
nosso Pai no Céu (ver Mateus 5:16). Quando deixamos nossa luz brilhar
colocando as obras de Deus à mostra, aos poucos veremos uma cidade inteira
saturada da glória do Senhor. Entretanto, sabemos que ainda há uma promessa a se
cumprir, que “a Terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as
águas enchem o mar” (Hc 2:14). A revelação da glória de Deus somente cobrirá a
Terra quando todo o Corpo de Cristo cumprir a palavra de Jesus e começar a ir a
público.
Q UE M FAZ HIS TÓ R IA AS S UM E R IS C O S
Há anos, temos enviado jovens e adolescentes à cidade para ministrar nas ruas
durante nossas conferências do Jesus Culture. E a partir de muito cedo,
percebemos que seria ineficaz ensinar às pessoas que elas pertencem à nova
geração de avivalistas sem lhes dar a chance de experimentar o que é isso. Em
meus anos de trabalho com jovens, aprendi que às vezes eles precisam de um
empurrão – um ímpeto para dar aqueles passos iniciais de fé a fim de descobrir
que são avivalistas. É necessário motivá-los e encorajá-los a sair da zona de
conforto, receber uma palavra de conhecimento e orar para que as pessoas tenham
um encontro com Deus. Tem sido incrível testemunhar o que o Senhor tem feito
através das vidas desses jovens avivalistas quando eles se movem e assumem
riscos.
Talvez meu testemunho favorito de todos os tempos seja o que aconteceu em
uma de nossas conferências em Redding. Scott Thompson, quem eu mencionei
antes, estava liderando um grupo de jovens para ir ministrar na cidade. Como
fazemos com todos os grupos, antes de deixar a igreja ele os fez esperar até que o
Espírito Santo lhes revelasse palavras de conhecimento. Nessa ocasião, a
revelação que sentiram que o Senhor estava enfatizando veio de uma adolescente.
Enquanto esperava pelo Espírito Santo, ela viu em sua mente a imagem de uma
árvore quebrada.
O grupo foi deixado no estacionamento de um supermercado, mas ao procurar
pela árvore não acharam nada parecido com a descrição da menina. Decidiram
caminhar até um determinado bairro para tentar encontrar a árvore e desvendar o
que Deus estava lhes mostrando. Enquanto andavam pelas ruas, viram um
encanador parado ao lado de seu carro. O grupo se aproximou dele e perguntou se
ele precisava de oração por alguma coisa. Imediatamente, ele respondeu: “Sim,
minha esposa é alcoólatra”. (Como crentes, devemos perceber o quanto as pessoas
estão desesperadas na vida, tanto que esse adulto confessou a um grupo de
adolescentes sobre sua situação familiar.) Eles abaixaram a cabeça com o homem
e oraram por sua esposa.
Naquele momento, um deles recebeu uma palavra de conhecimento sobre dores
no joelho, então quando terminaram de orar pela esposa do encanador,
perguntaram-lhe se havia algo de errado com o seu joelho. Ele olhou surpreso e
indagou: “Como vocês sabem que eu tenho problemas no joelho?”
Eles rapidamente responderam: “Deus fala conosco, e Ele nos disse que o
senhor tem problemas no joelho”. Eles perguntaram se podiam orar, abaixaram-se,
puseram as mãos sobre seus joelhos e oraram para que o poder de Deus fosse
liberado. Um deles orou, “Pai, derrama a Tua cura. Tira a água dos joelhos e
restaura a cartilagem”.
O homem deu um passo para trás, chocado. “Como você sabe que eu tenho água
nos joelhos e que falta cartilagem?”
Novamente responderam: “Como explicamos antes, Deus fala conosco”. Então,
perguntaram se podiam testar os joelhos. O encanador esticou e dobrou os joelhos
para cima e para baixo e percebeu que a dor que sentia havia desaparecido. Ele
havia sido curado.
Os adolescentes o abençoaram e partiram em busca da árvore quebrada. No
caminho, um dos meninos notou um folheto pendurado num poste que dizia algo
assim: “Eu sou Jesus. Estou procurando por ajuda. Se você é um anjo ou pode me
ajudar, por favor me ligue”. No folheto havia números de telefone para serem
destacados. Um dos estudantes que estava com Scott sugeriu que ligassem para
aquele número. O grupo todo concordou que era uma boa ideia, então Scott pegou
seu celular e fez a ligação. Após algumas chamadas, um homem atendeu o telefone.
“Alô,” disse Scott. “Senhor, achamos seu folheto sobre Jesus precisando de
ajuda”.
A voz do outro lado disse: “Isso mesmo. Eu sou Jesus e estou procurando ajuda
para cumprir meus planos na Terra, mas ninguém está me ajudando. Sou expulso de
toda igreja à qual vou”.
Ele continuou a explicar sua situação, e depois Scott o interrompeu; “Senhor,
sabe quando você não consegue dormir à noite? Sabe quando fica deitado suando e
ouvindo vozes dizendo que você deve se matar?”
Houve silêncio por um instante no outro lado da linha, e o homem respondeu:
“Sim”.
“O senhor gostaria de ser liberto disso?” Scott perguntou.
“Sim, gostaria”
Scott lhe informou que não seria difícil. Ele só precisava repetir uma oração.
Scott começou a oração para que o homem repetisse:
“Jesus...”
“Sim?”
Scott parou de orar e explicou ao homem que ele não era o verdadeiro Jesus, e
que apesar de ter sido criado à imagem de Deus, o inimigo havia deturpado aquilo
a fim de fazê-lo acreditar que era Jesus. Scott então o conduziu numa oração de
libertação revelando a ele o verdadeiro Jesus. Scott ouviu um suspiro e o homem
disse: “Nossa, nunca me senti tão livre e leve”. Scott então o encorajou a se
conectar com uma igreja e se despediu. A manhã na cidade já estava sendo
divertida e emocionante, mas eles ainda não haviam encontrado a árvore
quebrada.
Caminharam um pouco mais e de repente a menina que havia recebido a
revelação da árvore exclamou: “Vejam, ali está! Atrás daquele posto de gasolina.
Aquela é a árvore que eu vi”. Eles sabiam que deveriam entrar na loja de
conveniência do posto. O grupo foi até lá e um deles perguntou: “Alguém aqui está
sendo incomodado por dores no pescoço?”
Haviam duas moças trabalhando atrás do balcão. Uma delas respondeu
sarcasticamente: “A única coisa aqui que incomoda é o meu chefe”, e saiu
andando.
Aproximaram-se da outra moça e disseram: “Bem, não foi exatamente isso que
queríamos dizer. Você tem dor no pescoço?” Ela hesitantemente admitiu que sim.
O grupo sabia que Deus os havia levado até lá para ministrar sobre ela, então
perguntaram: “Você gostaria de receber oração?”
Ela apontou para uma câmera de segurança localizada num canto e disse: “Acho
que meu chefe não iria gostar. Isso me traria problemas”.
Recusando perder aquela oportunidade, Scott sugeriu: “E se agíssemos como se
estivéssemos comprando um pacote de chiclete? Estique a mão para nós e
oraremos por você”.
Ela concordou. E enquanto oravam por aquela moça, um deles recebeu uma
revelação sobre a família dela. “Você tem passado por conflitos de
relacionamento em sua família. Você tem carregado esse peso recentemente, e ele
tem se manifestado através de dores nos ombros”. A moça atrás do balcão
começou a chorar. Eles ministraram sobre o amor de Jesus e a encorajaram sobre
o que Deus tinha para a família dela.

AS S UM IN D O R IS C O S
Esse é apenas um dia normal nas vidas dessa nova geração de avivalistas que
assumem riscos. A todos os lugares que vão, procuram por chances de levar as
pessoas a um encontro com Deus. Porém, como podemos ver, na maioria das
vezes, essas oportunidades contêm um risco que precisa ser abraçado antes.
Randy Clark veio para a nossa igreja em 1999. Foi a primeira vez em que
recebi ensinamentos profundos sobre cura. Fui tocado pelas pregações de Randy e
estimulado a buscar uma vida de cura. Eu ansiava pelo poder de Deus fluindo
através de mim para levar cura aos outros.
Minha esposa, SeaJay, e meu amigo, Lance Jacobs, também eram apaixonados
por andar numa unção de cura. Decidimos que tínhamos que sair e começar a orar
pelas pessoas a fim de vermos a cura ser liberada através das nossas vidas.
Juntos, nós nos comprometemos a ir a algum lugar da cidade todas as quintas-
feiras à tarde para procurar pessoas por quem orar.
Havia uma expectativa em nossos corações na primeira quinta-feira quando
entramos no meu carro e fomos em direção ao shopping. Nunca havíamos feito
aquilo antes, mas estávamos empolgados para ver o que Deus faria através de nós.
Chegamos ao shopping, começamos a andar e a orar para que Deus derramasse
Seu poder de cura em nossa cidade, e começamos a procurar pessoas por quem
orar. Não demorou até que tivéssemos percorrido todo o shopping, então
encontramos um banco no centro do corredor e sentamos. Assistimos às pessoas
passeando e continuamos em oração para que o poder de Deus fosse liberado no
shopping e em nossa cidade. Ainda tínhamos que orar por alguém, mas estávamos
intercedendo fervorosamente para que Deus aparecesse e tocasse alguma vida com
cura.
Cerca de um minuto após sentarmos, pessoas necessitadas de cura começaram a
passar. Um homem mancando de muletas. Uma senhora com gesso no braço. Uma
pessoa tossindo. Mas eu fiquei ali sentado, orando para que Deus viesse com
poder de cura e torcendo: “Se eu agir como se não visse essas pessoas, talvez
Lance e SeaJay também não notem”. Ficou tão óbvio que Deus estava nos dando
oportunidades naquele local que num certo momento um senhor numa cadeira de
rodas parou a poucos metros de nós. Mas mesmo assim não fizemos nada.
Em silêncio nos levantamos e começamos a sair do shopping. Sabíamos que
estávamos com medo de orar por alguém, mas não tocamos no assunto. Então,
quando estávamos chegando perto da saída, Lance se virou para nós e disse: “Isso
não está certo! Não podemos vir até aqui para orar pelos doentes e não orar por
ninguém!” Nós concordamos, mas reconhecemos que, apesar de termos o desejo
de orar pelos doentes, estávamos assustados. Era tudo muito novo para nós, no
entanto Lance se recusou a ir embora sem orar por alguém, mesmo se fosse apenas
para que uma dor de cabeça fosse curada.
Enquanto conversávamos, Lance apontou para uma senhora de cadeira de rodas.
Como um míssil apontado para seu alvo, ele caminhou diretamente até ela. Eu
estava bem atrás dele. Eu estava com muito medo, mas o segui. Lance iniciou um
papo com a senhora, que aparentava ter cerca de cinquenta anos, e ela lhe contou
sua história. Alguns anos antes, ela havia caído de uma escada e quebrado a
coluna. Desde então, usava cadeira de rodas. Lance, determinado a não perder
aquela oportunidade, perguntou se podia orar por ela. Ela concordou, um pouco
relutante. Lance colocou a mãos sobre o ombro dela e fez uma simples oração de
cura. Durou mais ou menos 30 segundos. Em seguida, Lance perguntou como ela se
sentia. Ela disse: “Nossa! Que loucura. Sinto um calor em toda a minha espinha”.
Pensei, “Calor! Isso é bom. Acho que agora estamos vendo uma pes-soa ser
curada no shopping!”
Lance estava sentindo a unção. A fé estava crescendo dentro de nós. “A senhora
se importaria de tentar ficar de pé para testar sua força?”
O quê? Eu achava Lance louco por ter ido orar por aquela senhora, mas agora
ele com certeza estava louco. Então a senhora, sentindo que algo estava
acontecendo, ficou de pé e disse: “Não me sentia forte assim há anos”.
Com isso, Lance perguntou: “Por que a senhora não tenta dar alguns passos?”
A mulher olhou para ele, sentou-se, e disse: “Não, prefiro não fazer isso”. Eu
não pude acreditar. Ela estava tão perto. Nós gentilmente agradecemos a ela por
nos permitir fazer aquela oração e fomos embora tendo aprendido uma lição
transformadora: Quem faz história assume riscos, e a obediência radical é chave
para o fruto sobrenatural.
Lance, SeaJay e eu possuíamos uma unção em nós para curar os doentes, mas
enquanto permanecêssemos em nosso barco de segurança e nos recusássemos a
assumir o risco de dar um passo de fé, aquela unção permaneceria conosco dentro
do barco. Já vi isso muitas vezes – a unção é liberada quando assumimos riscos.
Ela é liberada através da fé, e a fé sempre envolve um risco. Como John Wimber
dizia: “A fé é soletrada assim: R-I-S-C-O”.1 Pedro aprendeu isso por experiência
própria:
“Logo em seguida, Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no
barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia a
multidão. Tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para
orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho, mas o barco já estava a
considerável distância da terra, fustigado pelas ondas, porque o vento
soprava contra ele. Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre
o mar. Quando o viram andando sobre o mar, ficaram aterrorizados e
disseram: ‘É um fantasma!’ E gritaram de medo. Mas Jesus imediatamente
lhes disse: ‘Coragem! Sou eu. Não tenham medo!’ ‘Senhor’, disse Pedro,
‘se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas’. ‘Venha’,
respondeu ele. Então Pedro saiu do barco, andou sobre a água e foi na
direção de Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e,
começando a afundar, gritou: ‘Senhor, salva-me!’ Imediatamente Jesus
estendeu a mão e o segurou. E disse: ‘Homem de pequena fé, porque você
duvidou?’ Quando entraram no barco, o vento cessou. Então os que
estavam no barco o adoraram, dizendo: ‘Verdadeiramente tu és o Filho de
Deus’”
Mateus 14:22-33
Jesus não estava só convidando Pedro a andar sobre as águas. Ele o estava
chamando para a esfera em que Ele vivia o tempo todo – a esfera do sobrenatural.
E Ele nos convida para viver nela também. Jesus está olhando para nós assim
como olhou para Pedro, e está dizendo: “Venha!” Ele está nos convidando para
viver uma vida sobrenatural. Você pode ouvi-Lo chamar você?
John G. Lake disse: “O cristianismo é totalmente sobrenatural, cada parte
dele”.2 Nascemos para viver no reino sobrenatural – o reino das curas, do
profético, dos encontros angelicais e dos dons do Espírito. A coisa mais natural é
um cristão viver um estilo de vida sobrenatural. Muitas pessoas estão
insatisfeitas com sua caminhada cristã porque perderam o elemento do
sobrenatural em suas vidas. Essa nova geração de avivalistas que está emergindo
na Terra será uma geração que abraça a esfera do sobrenatural.

N AT UR AL M E N T E S O B R E N AT UR AL
Aos 19 anos, eu tinha um beta que eu amava chamado Oscar. Betas são peixes
coloridos com longas barbatanas. Oscar vivia num aquário em cima do meu
gaveteiro, e todos os dias eu o alimentava com minúsculas minhocas. Oscar amava
aquelas minhoquinhas. Minha esposa, com quem eu namorava na época, não
gostava. SeaJay inventou uma maneira de alimentá-lo sem precisarmos tocar nas
minhocas. Sua estratégia era usar um cotonete para pegá-las e colocá-las no
aquário. Oscar, sendo um peixe esperto, começou a reconhecer o cotonete e
associá-lo à hora da refeição.
Certa noite, coloquei as minhocas na água, como fazia todas as vezes. Mas ao
invés de buscar as minhocas, Oscar atacou o cotonete. Naquele segundo, pensei
comigo mesmo: “cotonetes não devem ser bons para peixes”, e o tirei da água o
mais rápido que pude. Mas era tarde demais. Eu retirei o cotonete no momento
exato em que Oscar o agarrou, criando um efeito catapulta que lançou Oscar do
outro lado do meu quarto.
Por um instante fiquei sem saber o que fazer, então corri até onde Oscar tinha
ido parar. Lembro-me claramente da imagem de Oscar deitado lá no tapete. Foi
patético. Oscar, que era livre e bonito, agora estava ali desamparado e sem ar.
Suas barbatanas já não flutuavam sem esforço como na água, mas estavam
grudadas em seu corpo sem se mover. Cuidadosamente peguei e o coloquei de
volta no aquário. Ao se recuperar no ambiente ao qual pertencia, ele cuspiu um
pedaço do cotonete e ficou bem de novo.
Conheço muitos cristãos que nunca abraçaram totalmente a vida do sobrenatural,
e em seu interior sabem que existe mais do que estão vivendo agora. A razão para
isso é que, assim como os peixes foram criados para viver na água, nós fomos
feitos para viver no sobrenatural. John G. Lake descreve isso da seguinte forma:
“O reino espiritual coloca o homem onde a comunhão com Deus é uma experiência
normal. Milagres então se tornam nosso fôlego natural”.3 A esfera do sobrenatural
é onde nos sentimos vivos. É onde florescemos. Milagres, sinais e maravilhas, o
profético e as experiências sobrenaturais são onde fomos destinados a viver. Mas
somente podemos habitar aí se respondermos continuamente ao convite de Jesus
de sair do barco.

D E M O N S T R AN D O O R E IN O
1 Coríntios diz: “Pois o Reino de Deus não consiste de palavras, mas de
poder” (1 Co 4:20). Portanto, se somos embaixadores do Reino e proclamamos
Sua mensagem, devemos não apenas falar do Reino, mas também demonstrar seu
poder. Jesus não só falou sobre o Reino que estava representando; Ele o
demonstrou. Causamos um prejuízo ao mundo ao aprimorarmos somente nossa
capacidade de comunicar o Evangelho claramente através de palavras sem buscar
a unção para demonstrá-lo através de poder.
Marcos relata um confronto que Jesus teve com um grupo de escribas que
diziam que Ele havia blasfemado. Eles ficaram ofendidos porque, quando um
paralítico desceu pelo telhado durante uma reunião, Jesus perdoou seus pecados.
Os escribas achavam que somente Deus podia perdoar iniquidade e então
consideraram que Jesus, ao perdoar os pecados do homem, estava dizendo ser o
Filho de Deus, o que, se não fosse verdade, seria heresia. Jesus respondeu, não
com palavras, mas com uma manifestação de poder:

“Jesus percebeu logo em Seu espírito que era isso que eles estavam
pensando e lhes disse: "Por que vocês estão remoendo essas coisas em
seus corações? Que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os seus pecados
estão perdoados’, ou: ‘Levante-se, pegue a sua maca e ande?’ Mas, para
que vocês saibam que o Filho do Homem tem na Terra autoridade para
perdoar pecados — disse ao paralítico — Eu lhe digo: ‘Levante-se, pegue
a sua maca e vá para casa’". Ele se levantou, pegou a maca e saiu à vista
de todos. Estes ficaram atônitos e glorificaram a Deus, dizendo: ‘Nunca
vimos nada igual!’”
Marcos 2:8-12
Quando a autoridade de Jesus para perdoar pecados foi desafiada, Ele
respondeu curando o paralítico. Ele não conduziu os escribas pelos versículos que
sustentavam que Ele era o Filho de Deus, apesar de poder ter feito isso. Ele
simplesmente demonstrou o poder de Deus no meio deles e deixou que essa fosse
a resposta. Incrível!
O mundo ainda está fazendo essa pergunta: “Jesus tem autoridade para perdoar
meus pecados?” As pessoas no mundo estão afundando em sua carnalidade e em
suas transgressões e sofrendo com um sentimento de desamparo, incapazes de
escapar do abismo em que se encontram. Querem saber se as declarações de Jesus
são verdadeiras. Será que Ele pode libertá-las do poder do pecado? Queremos
gritar com todo o nosso fôlego: “Sim, Ele pode!” Mas não é suficiente dizer:
“Sim”. Devemos demonstrar esse “Sim”.
Não sei se você já recebeu algum vendedor na sua casa, mas se sim, sabe que
eles sempre chegam equipados com o produto que estão tentando vender. Talvez
alguns de vocês já estejam cansados de vendedores porque já foram convencidos a
comprar um produto do qual não precisavam ou que era de má qualidade. Porém,
um vendedor de sucesso fecha negócio não devido ao seu bom papo, mas porque
deixa o produto falar por si mesmo. Posso discutir com o vendedor o dia inteiro
sobre a qualidade de um produto, até vê-lo em ação.
Havia um episódio de Eu Amo a Lucy em que Lucy abria a porta da casa e se
deparava com um vendedor ansioso para vender um aspirador de pó. Ele jogou um
punhado de sujeira no chão e, sorrindo confiantemente, disse algo como: “Se eu
não conseguir limpar essa sujeira em dois minutos e deixar o seu tapete limpo,
darei a você essa nota de 100 dólares”. Depois que passou o choque de ver o
homem sujar seu tapete, Lucy ficou um pouco intrigada com a oferta e concordou.
O vendedor pegou o aspirador de pó e mostrou a superioridade de seu produto.
Ele realmente fez o que disse que faria. O aspirador funcionou maravilhosamente e
deixou o chão limpo.
Imagine se o vendedor tivesse sujado o chão, mas não tivesse levado seu
aspirador para demonstrar como ele podia limpar o tapete de maneira rápida e
eficaz. A conversa teria sido um pouco diferente:
“O que você está fazendo? Por que você acabou de jogar sujeira no meu
tapete?”
“Bem, eu queria que você soubesse que o aspirador de pó que eu represento
pode limpar essa sujeira em dois minutos sem deixar nenhuma mancha no seu
tapete”
“O quê? Onde está seu aspirador? Limpe isso agora!”
“Bem, na verdade eu não trouxe meu aspirador. Mas, confie em mim, se eu o
tivesse trazido, você ficaria impressionada com o poder dele. Então, gostaria de
comprar um?”
“Não! Vá embora!”
Essa é uma ilustração meio boba, mas é a forma como muitos de nós aprendem a
evangelizar – palavras sem poder. Enfatizamos os pecados e problemas das
pessoas e dizemos que Jesus é a resposta, mas nunca demonstramos essa verdade.
Isso nos torna ineficazes em convencê-las dessa realidade. Como Dietrich
Bonhoeffer disse: “A verdade desprovida de experiência deve sempre habitar na
esfera da dúvida”.4
Temos que aprender a expandir o Reino do nosso Pai Celestial da maneira como
Jesus fez. Ele sempre falou a verdade com amor radical sustentado por
demonstrações de poder, e essas manifestações validavam Sua autoridade e
revelavam quem Ele era. Por exemplo, quando João Batista teve dúvida se Jesus
era o Messias ou não, Jesus disse aos discípulos de João que voltassem e
dissessem a ele o que haviam visto – os cegos enxergarem, os paralíticos
andarem, os surdos ouvirem (ver Mateus 11:2-5). Quando as pessoas perguntavam
quem Ele era, Ele apontava para as obras que fazia. Quando o mundo nos pergunta
quem somos, devemos poder direcioná-lo ao que fazemos como evidência Daquele
que representamos. Mais uma vez, John G. Lake teve uma das revelações mais
profundas sobre a importância de demonstrar o Reino:

“Não podemos apenas ensinar a teoria da expiação de nosso Senhor e


Salvador Jesus Cristo, mas também demonstrar sua realidade e poder de
salvar a alma e o corpo... os homens exigem que isso seja mostrado.”5

A C HAV E PAR A A C O L HE ITA


O Livro de Atos diz:

“Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder, e... Ele
andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo
diabo, porque Deus estava com Ele”.
Atos 10:38
Essa nova geração de avivalistas será marcada pela unção de Atos 10:38 – um
batismo e capacitação do Espírito Santo e de poder – e eu creio que essa unção é
a chave para ver o que tem sido profetizado – a maior colheita da História da
Terra. Ela acontecerá através de demonstrações de poder.
Os capítulos 3 e 4 de Atos fazem conexão entre muitas salvações e poder. Atos
4:4 relata que 5 mil homens foram salvos após ouvir Pedro pregar o Evangelho.
Aquele foi um bom dia no Reino. Mas o que fez com que 5 mil homens rendessem
suas vidas a Jesus?
A primeira seção de Atos 3 fala de quando Pedro e João encontraram um homem
que nasceu aleijado. Como era costume da época, o coxo pediu dinheiro a eles.
Contudo, eles não ofereceram a caridade que o homem estava acostumado a
receber. Ao invés, deram-lhe o maior presente já recebido: a moeda do Céu – a
capacidade de andar. Quando Pedro e João demonstraram o Reino através de
poder, uma multidão se reuniu. E quando as pessoas ouviram sobre a verdade,
entregaram suas vidas a Jesus. A mensagem do Evangelho, apresentada sobre uma
plataforma de demonstração, era evidente e revelava o coração de Deus pelos
perdidos, além de ser acompanhada literalmente por uma exibição de Seu poder.
Nós estamos vendo isso agora, não apenas em nossa cidade, mas também em
outras regiões, nações e continentes. Lugares como a China, a África, e o Oriente
Médio estão vendo milhares de milhares de pessoas serem trazidas para o Reino
por causa do poder de Deus sendo liberado no meio delas.
Jason Westerfield frequentou a Escola Bethel de Ministério Sobrenatural em seu
início. Ele é uma das pessoas mais radicais que já conheci. Sua vida inspira
qualquer um que passa por ele a buscar ao Senhor com entrega total e ser o
exemplo do encontro que o mundo precisa ter com Deus. Certa noite, ele estava
num restaurante fast-food na cidade e passou andando perto de um carro com três
rapazes dentro – dois estavam no banco da frente e um no de trás. Jason parou e
puxou papo com eles. Eles disseram que estavam a caminho de Washington. Jason
então compartilhou que havia acabado de voltar do culto na Bethel e descreveu o
que havia visto Deus fazer. Não sei como, mas ele acabou sentado no banco de
trás do carro deles, ao lado de um dos rapazes, que estava usando um aparelho
ortopédico na perna inteira. Jason falou sobre o amor de Jesus e orou para que ele
recebesse Jesus em sua vida.
Depois Jason disse: “Agora você é um cristão. Você pode orar para que sua
perna seja curada e Deus irá curá-la. Vamos fazer isso agora”. Jason colocou as
mãos sobre a perna machucada e convidou os outros rapazes da frente a fazer o
mesmo. Aparentemente concordaram e também impuseram as mãos sobre o amigo.
Eles liberaram cura sobre a perna e em seguida pediram para o rapaz sair do carro
para fazer um teste. Ele removeu o aparelho e começou a pular. O Senhor havia
acabado de curá-lo.
De repente, o motorista se virou para Jason e começou a confessar os seus
pecados. Ele concluiu dizendo; “Eu costumava ir para a escola dominical quando
era criança, mas não vou mais à igreja. Preciso me acertar com Deus”. Jason o
conduziu ao Senhor ali mesmo. O terceiro rapaz foi salvo também. Depois, como
se não fosse o bastante, eles disseram: “Jason, nós temos que ser sinceros com
você. Estamos em meio a um tráfico de drogas. Estamos levando drogas de
Humboldt County para Washington”. Eles então as retiraram do carro, jogaram-nas
no chão e começaram a pisar em cima delas.
Deus está liberando a colheita através de encontros extremos tanto com poder,
como com sinais e maravilhas. Essa nova geração de avivalistas que está
emergindo na Terra não irá apenas falar sobre o Reino, mas também irá
demonstrar o Reino. Andará numa unção de poder que mostra ao mundo à sua
volta que somente Jesus tem poder para perdoar pecados.

SEM MEDO
Se você quiser ser alguém que anda na esfera do sobrenatural, primeiro deve
dizer sim ao convite de Jesus para sair do barco. Porém, há mais um obstáculo que
você enfrentará se quiser ver o poder liberado através de você. Quando Pedro viu
as ondas agitadas ao seu redor, a Bíblia diz que ele “ficou com medo” (ver Mateus
14:30). O medo mantém no barco a unção que está sobre sua vida. O medo de
pessoas e o medo de falhar são duas coisas que neutralizam o poder de Deus em
nós. Geralmente citamos 2 Timóteo: “Pois Deus não nos deu espírito de covardia,
mas de poder, de amor e de equilíbrio” (2 Tm 1:7). Você sabia que esse versículo
foi escrito no contexto de usar nossos dons para Deus? No versículo anterior,
Paulo chama Timóteo a avivar os dons dentro dele. Quando você deseja operar em
seus dons, às vezes é assustador. Mas a Bíblia diz que nós não temos o espírito do
medo; nós temos o espírito de amor, poder e equilíbrio.
Falei anteriormente sobre ter medo de pessoas, mas o outro medo que nos
desespera e nos enfraquece é o medo de falhar. Bill Johnson certa vez me disse
que a diferença entre os homens e as mulheres de Deus que estão nos livros da
História e aqueles que não estão é que os primeiros não tiveram medo de falhar
para Deus. Devemos progredir além do nosso medo de falhar se quisermos ser
eficazes no Reino. Tantos de nós estão petrificados de medo de falhar. Achamos
que não podemos aguentar ser confrontados com nossas fraquezas e deficiências.
Mas o maior problema em ter medo de falhar é que paramos de assumir riscos, e a
verdade sobre riscos – os que fluem da fé – é que eles depois valem a pena.
Pedro falhou. Começou a afundar. Andou por um instante sobre as águas, mas
depois o medo o agarrou e ele afundou em derrota. No entanto, ele nunca permitiu
que a possibilidade de falha o impedisse. Você enfrentará desapontamento e
deficiências ao dar os primeiros passos de fé e começar a correr riscos no
sobrenatural. Você irá impor as mãos sobre as pessoas e elas não serão curadas.
Dirá uma palavra profética ou uma palavra de conhecimento para alguém que não
será correta. Para todos os testemunhos de pessoas sendo curadas nas ruas da
nossa cidade, existem muitas histórias de pessoas que não foram curadas. A
questão é que não podemos deixar que nossos insucessos nos bloqueiem de tentar
de novo.
Não existe outro caminho – você irá falhar quando der passos de fé ao
sobrenatural. É o que você fará com essa derrota o que realmente importa. Ela irá
impedi-lo de tentar novamente, ou você continuará tentando? Eu sequer gosto da
palavra “derrota” nesse contexto. Por exemplo, se dermos um passo de fé e
obediência e orarmos por alguém que está doente, ou profetizarmos para alguém,
então tivemos sucesso não importa o que aconteça, desde que continuemos
aprendendo com cada experiência.
Há uma grande história de Thomas Edison que ilustra esse ponto belamente:
“O gênio inventor Thomas Edison certo dia se deparou com dois assistentes
chateados que lhe disseram: ‘Acabamos de completar nosso 700º
experimento e ainda não temos uma resposta. Nós falhamos’. ‘Não, meus
amigos’, disse Edison, ‘vocês não falharam. Acontece que sabemos sobre
esse assunto mais do que qualquer outra pessoa viva. E estamos mais perto
de achar a resposta porque agora conhecemos 700 coisas que não devemos
fazer’. Edison continuou a lhes dizer, ‘Não chamem isso de erro. Chamem
isso de estudo.’”6

Que abordagem profunda sobre a vida. Se você quiser aprender a andar na


esfera do sobrenatural, deverá enfrentar seu medo de falhar e aprender a abraçar
cada situação como uma oportunidade de crescer. Os riscos valerão a pena no
final. Um dia você estenderá a mão para um paralítico de nascença e o verá dar
um salto curado.
Uma das armadilhas em que as pessoas caem quando estão sedentas por ver o
sobrenatural ser liberado através de suas vidas é pensar que devem correr riscos
gigantescos. A maioria dos testemunhos que escutamos são grandes e
impressionantes por natureza porque são os que parecem mais fáceis de
compartilhar. Na verdade, a maioria dos testemunhos sobre os quais lemos neste
livro não são necessariamente relatos do dia a dia. Percebo que é fácil recuar ao
assumir um risco quando pensamos que ele envolve ir para o banco de trás do
carro de alguém, subir num banco para pregar, ou algum outro ato que nos assusta.
Muitos dos riscos que correremos talvez não parecerão grandes, mas ainda assim
são essenciais se quisermos liberar o Reino à nossa volta.
Kim, uma das nossas ex-alunas do ensino médio, voluntariou-se para
acompanhar uma menina que não se sentia bem até a enfermaria da escola. No
caminho, ela perguntou à colega por que ela estava doente. A garota respondeu que
era diabética e não havia injetado sua insulina naquela manhã. Kim educadamente
perguntou se poderia orar por ela. Sem parecer, ao caminharem até a enfermaria,
ela impôs as mãos sobre os ombros da menina e fez uma oração de cura por ela.
No dia seguinte, a menina veio correndo até Kim com um largo sorriso no rosto.
“O que houve? Por que você está sorrindo tanto?” Kim perguntou.
“Lembra que você orou por mim ontem?”
Kim confirmou, “É claro, a caminho da enfermaria”
“Bem, eu não tenho tomado insulina desde que você orou por mim e me sinto
muito bem!” Ao simplesmente dar um passo de fé e assumir um risco que não
parecia grande, Kim liberou o poder de Jesus na vida daquela menina.
Minha esposa e eu oramos por um vizinho que tinha uma infecção pela bactéria
estafilococos em seu pé e não poderia participar do torneio de hóquei naquele fim
de semana. Aquele menino já havia ido a três médicos. Ele estava usando muletas
com sua infecção coberta por um curativo. No meio da rua, pusemos as mãos
sobre o pé dele e liberamos cura. No dia seguinte, olhei pela janela e o vi
correndo em seu quintal sem muletas e sem curativo. Gritei e perguntei o que havia
acontecido. Ele gritou de volta dizendo que havia ido ao médico naquela manhã e
que seu pé estava completamente melhor. Enquanto corria, me disse muito feliz
que poderia participar do torneio naquele fim de semana. A maioria das vitórias
que vemos acontece através de simples atos de obediência ao darmos um passo em
fé e assumirmos riscos.
Enquanto eu pregava numa igreja num domingo de manhã, tive uma visão de uma
rede no santuário que estava retendo água. Primeiro fiquei confuso porque não
entendia como uma rede cheia de buracos podia reter água. Perguntei ao Senhor o
que era aquilo que eu estava vendo. Ele disse: “É uma rede de segurança. Redes
de segurança podem reter o que Eu quero derramar”. Amigo avivalista, eu
encorajo você a soltar a rede de segurança e não ter medo de dar um passo de fé.

M UD AN D O O M UN D O
Pessoas com uma visão para mudar o mundo estão dispostas a correr riscos. As
vulnerabilidades que são exigidas para viver na esfera do sobrenatural são riscos
que assumiremos quanto mais formos capturados pela visão de Jesus. Ele está nos
oferecendo a chance de mudar o mundo com Ele. Algo acontece conosco quando
andamos com o mais visionário de todos os corredores de riscos – Jesus. Atos
diz:

“Vendo [os lideres religiosos] a coragem de Pedro e de João, e percebendo


que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e
reconheceram que eles haviam estado com Jesus”.
Atos 4:13
A nova geração de avivalistas que o Senhor está enviando na Terra anda em
confiança e coragem sobrenaturais porque está com Jesus e permanece Nele. Esses
jovens são Seus amigos e Seus seguidores apaixonados. Assumir riscos é a
assinatura deles. E esses apaixonados emergentes cheios de fé em Deus
transformarão o mundo. Dirão sobre eles o mesmo que foi dito sobre os crentes
primitivos: “Esses homens que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora
chegaram aqui” (Atos 17:6).

O C HAM AD O D E D E US
Anos atrás, li uma história que considero profética para essa geração. Mais uma
vez, gostei tanto que a transcrevi:

“Em 1983, John Sculley deixou seu emprego na Pepsi-Cola para se tornar
presidente da Apple Computer. Ele assumiu um grande risco ao deixar sua
posição de prestígio numa empresa bem estabelecida para fazer parte de uma
firma pequena e recém estabelecida que não lhe oferecia garantias – apenas a
empolgação da visão transformadora de um homem. Sculley diz que decidiu
assumir o risco da mudança depois que o cofundador da Apple, Steve Jobs,
lhe fez a seguinte pergunta: ‘Você quer passar o resto da sua vida vendendo
água açucarada para crianças, ou quer uma chance de mudar o mundo?’”7

Algo dentro de nós sabe que não fomos criados para vender “água açucarada”
pelo resto de nossas vidas; fomos criados para mudar o mundo. Você e eu nunca
ficaremos satisfeitos em somente levar uma vida “boa”; somos destinados a causar
um impacto. Nosso tempo na Terra deve mudar o curso da História do mundo.
Ansiamos ver Jesus exaltado nas nações e a glória de Deus cobrindo a Terra. Esse
é o chamado de Deus em nossas vidas. Fomos escolhidos para saquear o inferno e
popular o Céu. O Senhor nos confiou o maior avivamento que o mundo já viu.
Você irá responder a esse chamado com cada célula do seu ser? Você dará sua
vida para esse avivamento? Ver o Céu invadindo a Terra é a razão pela qual
estamos vivos. É para isso que nascemos. Aproveite o momento; diga sim para
Jesus com todo o seu coração. Ele o usará de maneiras como você nunca sonhou
ser possível. Ao entrar em parceria com Ele, você irá vê-Lo receber as nações da
Terra como Sua herança.
AGRADECIMENTOS
1 Nota do Tradutor: Padawan significa aprendiz, iniciante, e é um termo
utilizado nos filmes Guerra nas Estrelas. Padawans são crianças que faziam
treinamentos para se tornarem cavaleiros Jedi, os cavaleiros do lado bom da
força.

EPÍGRAFE
1 Arthur Wallis, In the Day of Thy Power (Fort Washington, PA: Christian
Literature Crusade, 1956), vii.
2 Wallis, In the Day of Thy Power, 20.

PREFÁCIO POR LOU ENGLE


1 Walter Wink, Engaging the Powers (Minneapolis, MN: Fortress Press, 1992),
285.
2 Bruce Wilkinson, Dream Giver Course Workbook (Sisters, OR: Multnomah
Publishers, Inc, 2003), 6
3 Wink, Engaging the Powers, 261.
4 Nota do Tradutor: Fast significa jejum em inglês.

CAPÍTULO 1
1 De uma pregação que Wesley Campbell compartilhou.
2 De uma pregação que Wesley Campbell compartilhou.
3 De uma pregação de Bobby Conner.
4 Winkie Pratney, Revival (Springdale, PA: Whitaker House, 1983), 143.
5 Wallis, In the Day of Thy Power, 51.
6 Winkie Pratney, Revival, 140.
7 Don Finto, “The Israel Time Table”, e-mail, 15 de dezembro de 2008. Don
Finto, autor de três livros sobre o relacionamento da igreja gentia e a nação
de Israel, enviou-me o seguinte email:
“O retorno na nação judia foi claramente predito pelos profetas quando
falaram sobre o retorno de Israel do leste, oeste, norte e sul (Is 43:5-6),
que pode referir-se apenas aos nossos dias; pela famosa profecia de
Ezequiel sobre os ossos secos em que ele declara expressamente que
estava se referindo à nação de Israel (Ez 27:11); ou pela previsão de
Jeremias de que [haveria] um futuro êxodo dos judeus de volta a sua
terra, que lhes foi dada quando saíram do Egito (Jr 16:14-15). O discurso
de Jesus no Monte das Oliveiras também previu uma futura destruição de
Jerusalém (Lc 21:20), seu exílio às nações, mas sua volta (versículo 24)
como precursora de Seu próprio retorno (versículo 28). E Paulo associou
esse retorno ao avivamento entre as nações (Rm 11:12,15). Não tão
claramente previsto, mas interessante à luz desse cumprimento e do fato
de que não há coincidências para Deus, está o paralelo do surgimento do
sionismo (a primeira conferência sionista em Basel, na Suíça, em 1897)
com o nascimento do pentecostalismo, a fundação do Estado de Israel e o
avivamento de cura em 1948, a volta de Jerusalém ao Estado de Israel na
Guerra dos Seis Dias de 1967, e o início do avivamento do Jesus
Movement (a revista TIME de junho de 1971 aponta três vezes o ano de
1967 como o começo do Jesus Movement), e ainda a volta de um milhão
de judeus da Rússia acontecendo na mesma época em que o comunismo
caiu na Rússia em 1989. Tudo isso dá credibilidade à fé de que Israel é o
relógio profético de Deus”.
8 Randy Bozarth, The Voice of Healing (Duncanville, TX: World Missions
Advance, Inc., 2004), 71.
9 David E. Harrell, Oral Roberts: An American Life (Bloomington, IN: Indiana
University Press, 1985), 148.
10 Para mais informações, veja esses dois livros: Roberts Liardon, God’s
Generals (Tulsa, OK: Albury, 1996), 311-346; e Owen Jorgenson,
Supernatural: The Life of William Branham (Tucson, AZ: Tucson Tabernacle,
2002).
11 Para mais informações, veja o livro e o website: Oral Roberts, Expect a
Miracle (Nashville, TN: Thomas Nelson Publishers, 1995); Healing and
Revival Press, “Oral Roberts”, Healing and Revival,
http://healingandrevival.com/BioORoberts.htm (acessado em 14 de abril de
2009).
12 Para mais informações sobre Billy Graham, veja: “Billy Graham Historical
Background”, Wheaton College,
http://www.wheaton.edu/bgc/archives/bio.html (acessado em 14 de abril de
2009).
13 Para mais informações sobre Kathryn Kuhlman, veja: Jamie Buckingham,
Daughter of Destiny (South Plainfield, NJ: Bridge Publishing Inc., 1976),
104-15, 116.
14 Para mais informações, veja: David E. Harrell, All Things Are Possible
(Bloomington, IN: Indiana University Press, 1975), 54
15 Para mais informações, veja: “Healing Rooms”, International Association of
Healing Rooms,
http://healingrooms .com/index.php?src=content&cid=3 (acessado em 14 de
abril de 2009).
16 Liardon, God’s Generals, 32-34.
17 Liardon, God’s Generals, 34.

CAPÍTULO 2
1 Aaron McMahon, These Signs Shall Follow (Aaron McMahon, 2008), 197-
200.
2 Bill Johnson, “Here are those quotes”, e-mail, 12 de maio de 2009.
3 Transcrição de uma Entrevista de Loren Cunningham na Original 7 Mountains
Vision, “7 Spheres” (Em 19 de novembro de 2007),
http://www.reclaim7mountains.com/apps/articles/default.asp?
articleid=40087&columnid=4347.
4 Informação contida num folheto distribuído por Lance Wallnau numa
conferência na Igreja Bethel sobre Transformação do Mercado.
5 Informação contida num folheto distriuído por Lance Wallnau numa
conferência na Igreja Bethel sobre Transformação do Mercado.
6 Nota do Tradutor: do inglês Most Valuable Player, prêmio conferido ao atleta
com o melhor desempenho num torneio.
7 Bill Johnson, “Here are those quotes,” e-mail, 12 de maio de 2009.

CAPÍTULO 3
1 Sulu D. Kelley, “John Wesley’s Notes on the Bible,” Classic Bible
Commentaries, Êxodo 17,
http://www.ewordtoday.com/comments/exodus/wesley/exodus17.htm
(acessado em 15 de abril de 2009).

CAPÍTULO 4
1 Seus sermões podem ser lidos em seu livro: John G. Lake, John G. Lake: His
Life, His Sermons, His Boldness of Faith (Ft. Worth, TX: Kenneth Copeland
Publications, 1994).
2 Harold Myra and Marshall Shelley, The Leadership Secrets of Billy Graham
(Grand Rapids, MI: Zondervan House, 2005), 164.

CAPÍTULO 5
1 Bill Johnson, “Here are those quotes”, e-mail, 12 de maio de 2009.
2 Isso estava contido numa série de pregações que escutei.
3 Ouvi ele dizer isso em sua pregação no TheCall em São Francisco.
4 E.M. Bounds, Power Through Prayer (Springdale, PA: Whitaker House,
1982), 42.
5 Pratney, Revival, 175.
6 Andrew Murray, With Christ in the School of Prayer (New Kensington, PA:
Whitaker House, 1981), 18-19.

CAPÍTULO 6
1 Lake, John G. Lake, 62.
2 Nota do Tradutor: O ator que fez o papel do salva-vidas Mitch Buchannon no
seriado Baywatch (1989-2001).

CAPÍTULO 7
1 Frank Bartleman, Another Wave of Revival (New York: Whitaker House,
1982), 14.
2 Bartleman, Another Wave of Revival, 28.
3 Murray, With Christ in the School of Prayer, 44.
4 Bounds, Power Through Prayer, 13.
5 Murray, With Christ in the School of Prayer, 28.
6 Murray, With Christ in the School of Prayer, 25.
7 Wallis, In the Day of Thy Power, 85.
8 Bounds, Power Through Prayer, 44.
9 Bounds, Power Through Prayer, 45.
10 J.E. Orr, The Flaming Tongue (Chicago, IL: Moody Press, 1973), 15.
11 Solomon B. Shaw, The Great Revival in Wales (New York, NY: Christian
Life Books, 2002), 76.
12 Warren W. Harkins, I Saw the Welsh Revival (Pensacola, FL: Christian Life
Books, 2002), 31.
13 Buckingham, Daughter of Destiny, 146.
14 Buckingham, Daughter of Destiny, 147.
15 Bounds, Power Through Prayer, 29.
16 Buckingham, Daughter of Destiny, 147.
17 Bill Johnson, “Here are those quotes”, e-mail, 12 de maio de 2009.
18 “Shasta Dam, California”, Bureau of Reclamation Homepage, Statistics,
http://www.usbr.gov/dataweb/dams/ca10186.htm
(acessado em 20 de abril de 2009).
19 Murray, With Christ in the School of Prayer, 10.
20 Murray, With Christ in the School of Prayer, 48.
21 Murray, With Christ in the School of Prayer, 31.
22 Para mais informações visite: http://www.thecall.com/
23 Murray, With Christ in the School of Prayer, 39.
24 Já ouvi muitas vezes Bill Johnson contar a história sobre o missionário
George Mueller.

CAPÍTULO 8
1 Murray, With Christ in the School of Prayer, 46.

CAPÍTULO 9
1 Bill Johnson, “Aqui estão aquelas citações”, e-mail, 12 de maio de 2009.
2 Reimar Schultze, “What God Can Do”, http://www
.schultze.org/oldCTO286.HTML
3 Lake, John G. Lake, 389.

CAPÍTULO 10
1 Minha amiga Christy Wimber me disse que seu sogro, John Wimber, sempre
dizia: “A fé é soletrada assim: R-I-S-C-O”.
2 Lake, John G. Lake, 451.
3 Lake, John G. Lake, 378.
4 Essa afirmação tem sido atribuida a Dietrich Bonhoeffer.
5 Lake, John G. Lake, 164.
6 Ted Engstrom, “‘Mistakes’ Are Important,” em The Pursuit of Excellence
(Grand Rapids, MI: Zondervan Corporation, 1982), Capítulo 3,
http://www.cepnet.com/resources/ll/article.cfm?ID=111 (acessado em 20 de
abril de 2009).
7 WGBH Educational Foundation, “John Sculley”, PBS,
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/president/players/sculley.html
(acessado em 13 de dezembro de 2007).
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BANNING LIEBSCHER e sua esposa, SeaJay, fazem parte da
equipe da Igreja Bethel em Redding, Califórnia, por mais de dez
anos. Eles são os diretores do Jesus Culture, um ministério
dedicado a mobilizar, preparar, ativar, e enviar uma nova geração
de avivalistas a todo o mundo. Anteriormente, Banning foi pastor
de jovens na Bethel e superintendente na Escola de Ministério
Sobrenatural.