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SEM NOME

Roteiro de Alam Oliveira

FADE IN:

CENA 1 - EXT. CALÇADA - DIA


MORGANA, 25 anos, usando um tênis velho, roupas simples,
comendo cachorro-quente, ouvindo notícias no seu pequeno
rádio, sentada ao lado de um banco de praça com assento
melado.
LOCUTOR DE RÁDIO (V.O.)
Espelhado na Suécia, governo estuda
taxação de esmolas para moradores
de rua. O ministro da Casa Civil
diz se tratar de apenas mais um
sacrifício necessário para que o
país não acabe quebrado, continue
entregando serviços públicos para
todos cidadãos, evitando que
torne-se uma anarquia.
MORGANA
Caridade ilegal...
(Negação com a cabeça e
demonstração de desprezo)

PAULO, 25 anos, usando óculos de grau, roupas simples, passa


carregando doces em um pote grande tampado, abordando
pessoas para tentar vender.
"TRAVELLING": Câmera começa acompanhar trajeto de Paulo.

PAULO
Quer um doce?
MOÇA
Não.
PAULO
Quer um brigadeiro?
(Para outra pessoa)

SENHORA
Aceito. Quanto?
PAULO
Três reais.

Montage:
2.

Paulo roda a cidade até o início da noite.


Paulo vende para
- crianças na frente de escola;

- mulher em ponto de ônibus;


- pessoas em um foodtruck;
- Paulo volta para casa de ônibus, com pote vazio e ouvindo
música no fone de ouvido.
CUT TO:

CENA 2 - INT. VESTIÁRIO DE GINÁSIO - NOITE

Morgana aquece para lutar em evento de MMA.


Morgana repara em um poster na parede, escrito "Violence
Extreme".

MORGANA (V.O.)
Violência extrema é violar o
indivíduo baseado em voto da massa.
Isso aqui é diversão e negócio.
CUT TO:

CENA 3 - INT. GINÁSIO - RINGUE - NOITE


Um ginásio pequeno, quase lotado, com um ringue velho.

De um lado do ringue, Morgana está de vermelho. Do outro


lado, LUTADORA 2 está de azul.
Um espectador larga a cerveja em um canto do ringue.
Morgana vai ao encontro da Lutadora 2 no centro do ringue.
Morgana cumprimenta respeitosamente na forma tradicional
asiática, mas com o olhar na Lutadora 2. As duas se afastam
e a luta começa.
Morgana lança dois jabs, acerta e se movimenta. Lutadora 2
lança um cruzado, Morgana pendula e continua se
movimentando. Lutadora 2 acerta um direto, Morgana responde
com um soco forte de esquerda no fígado. Lutadora 2 sente o
soco, perde a postura, colocando a mão na barriga. Morgana
se aproxima para finalizar a luta, mas Lutadora 2
reergue-se, joga uma cotovelada giratória surpreendente e
Morgana apaga.
3.

CUT TO:

CENA 4 - INT. VESTIÁRIO DE GINÁSIO - NOITE


Morgana está sentada. O PRODUTOR DO EVENTO vai até Morgana.
PRODUTOR DO EVENTO
Tá melhor?

MORGANA
Tô bem.
PRODUTOR DO EVENTO
Que bom!

MORGANA
Quanto deu hoje?
Produtor entrega dinheiro à Morgana.

PRODUTOR DO EVENTO
Quinhentos.
MORGANA
Ok.

CUT TO:

CENA 5 - INT. CASA - NOITE


Paulo chega, pega sucrilhos no armário da cozinha e vai em
direção ao quarto. RÔMULO, 27 anos, usando terno, ENTRA em
casa, que divide com Paulo. Tira gravata rosa e blazer.
RÔMULO
Sucrilhos de noite de novo!?

PAULO
Claro!
(Parecendo não se importar)
RÔMULO
E quando você vai arrumar um
emprego com carteira e ter uma vida
adulta?
(Sorrindo)
PAULO
Porra, Rômulo... Nem na quarta
série tu era tão retardado e gado
assim. Trabalhar registrado é seu
ápice!?
4.

Tá usando o quê?
RÔMULO
Deve ser excesso de mulher...
(Com ar de deboche)

PAULO
Ah, deve ser, sim... E você não
precisa gostar da minha vida, cara.
Só se liga!

RÔMULO
Se liga você! Se não eu como
brigadeiro na madrugada.
Paulo entra no quarto, fecha a porta, abre o notebook e
senta na cama para comer.

PAULO dá play em um vídeo no notebook. O celular toca em


cima da escrivaninha, ao lado de um amontoado de livros,
dentre eles: "Democracy: The God That Failed", de Hoppe.
"The Ethics of Liberty", de Rothbard. "La Loi", de Bastiat.

Paulo atende
PAULO
Alô!?
"INTERCUT TELEPHONE CONVERSATION"

TIA de Paulo está sozinha na lavanderia.


TIA
Oi, é sua tia.

PAULO
Como tá, tia?
TIA
A gente tá bem, e você?

PAULO
Que bom! Tô bem.
TIA
É... Paulo, dá uma passada na casa
dos seus pais qualquer hora. Acho
que eles...
PAULO
Uhum...
5.

TIA
Acho que eles tão sentindo sua
falta.
PAULO
Tá bom, tia. Fica com Deus!
Paulo desliga.
Rômulo bate na porta.

PAULO
Fala.
RÔMULO (O.S)
Tô saindo pra um negócio que
marquei. Qualquer coisa, acho que
estarei incomunicável.
PAULO
Beleza. Se você se meter em
qualquer merda, também estarei
incomunicável.

Barulho da porta da frente batendo quando Rômulo sai de


casa.
Paulo volta a dar play no vídeo, mas no minuto seguinte,
percebe-se com pensamento disperso, coloca a tigela com
sucrilhos de lado, fecha o vídeo e o notebook. Deita na
cama, ajeita a roupa no corpo, se movimenta na esperança de
encontrar uma posição confortável para relaxar. Pausa de
segundos virado para o lado. Vira de barriga para cima
novamente. Levanta os braços e deixa que caiam bruscamente
na cama. Bate uma palma.
CUT TO:

CENA 6 - INT. BOATE - NOITE

Paulo, usando a camiseta escrito "Andy Kaufman Women’s


Wrestling Champion of the World", entra no estabelecimento,
andando devagar, procura lugar de canto e se senta.
Uma linda MULHER sai sozinha do banheiro. Blusa preta com
detalhes vermelhos, saia cor de vinho, batom vermelho. Chama
atenção de Paulo, que corre o olhar pelo corpo da moça
várias vezes sem interrupção.
Mulher nota presença de Paulo e vai até ele.
6.

MULHER
Oi, querido.
PAULO
Oi.
(Mexe rápido no cabelo)

Mulher senta com Paulo.


MULHER
Nunca te vi aqui.

PAULO
Nunca venho aqui.
MULHER
Qual o seu nome?

PAULO
Andy.
MULHER
Como na sua camisa?

PAULO
Me chamo Paulo, e você?
(Sorrindo)
MULHER
Pode ser Renata.
PAULO
Por que?
MULHER
Um recomeço.
PAULO
Entendi.
MULHER
O que te trouxe aqui hoje?
PAULO
Cansaço da rotina. Meu cérebro não
se interessou por dormir e repetir
tudo amanhã, talvez.
MULHER
Você trabalha com o quê?
7.

PAULO
Vendo doces, e você?

MULHER
Quero ser juíza. Tô cursando
Direito.
PAULO
Jusnaturalismo, jusracionalismo ou
juspositivismo?
MULHER
Só existem direitos positivos.
PAULO
Só existem direitos negativos.
MULHER
Você é advogado?
PAULO
Não. Você é dona do seu corpo?
MULHER
Sim.
PAULO
Se o burocrata diz que você deve
cumprir uma ação desejada por ele,
sendo você uma pessoa pacífica e
naturalmente livre, na verdade
temos algum grau de escravidão.

MULHER
Tá bom.
PAULO
Ao argumentar, você demonstra sua
autopropriedade e preferência por
respeitar a minha. A natureza
independe de um guardanapo
rabiscado.
MULHER
Nem é hora de discutir isso.
PAULO
Tinha 66% de chance de descartar a
discussão.

Mulher levanta, anda até o bar e pede uma bebida.


Em seguida, Paulo vai até ela.
8.

PAULO
Hey! Eu não quis te tratar mal.
Desculpa qualquer coisa.
MULHER
Só se você beber algo comigo.
PAULO
Eu nem bebo. Gosto de ter reflexo.
MULHER
Pode ser pouco, só.
PAULO
Tá bom.
Os dois começam a beber.

MULHER
E se eu não for dona do meu corpo?
PAULO
Como?

MULHER
Se o dono for você.
PAULO
Eu não falaria isso. Então, é você.

Paulo vira um copo de whisky e levanta para ir embora.


MULHER
Espera!

PAULO
Diga.
MULHER
Eu te acompanho.

CUT TO:

CENA 7 - EXT. RUA DA BOATE - NOITE

Pouquíssimo movimento na rua. Apenas três homens distraídos,


conversam em um estabelecimento ao lado.
Mulher abraça Paulo.
9.

MULHER
Você se sente livre?
(Cochichando)
PAULO
Uhum.
Mulher saca uma pistola e encosta no corpo de Paulo.
MULHER
Vamos até ali.

Mulher conduz Paulo até uma esquina escura.


PAULO
Sabe...
(Criando distração)

Paulo reage, desvia a arma, dominando parcialmente o braço


da Mulher, que dispara e acerta o braço de Paulo de raspão.
Na disputa a arma acaba arremessada em um canteiro.
MULHER
Desgraçado!
Mulher corre em busca da arma, enquanto Paulo corre sem rumo
e some de vista.
CUT TO:

CENA 8 - EXT. FUNDO DE UMA PEQUENA VILA - NOITE


Uma reunião familiar festiva acontece a céu aberto em um
terreno.

Paulo pula um muro baixo de uma casa na vizinhança. Crianças


da reunião avistam a cena.
Paulo deita em um amontoado de feno. Crianças ficam curiosas
e vão verificar.

Paulo lembra do celular no bolso. Usa luz do celular para


olhar o ferimento, também se vê no reflexo da tela apagada e
mexe no cabelo.

Duas crianças se aproximam do muro.


CRIANÇA 1
Será que é um bêbado?
10.

CRIANÇA 2
E se for um ladrão?
Paulo começa falar ao ar para assustar as crianças e fazer
com que afastem-se.

PAULO
Satanás está dentro desse corpo.
Vou levar as crianças.
(Voz estridente)

CRIANÇA 1
Corre!
As duas crianças voltam para casa.
Paulo repara em um tubo de álcool no alcance, pega e coloca
um pouco no ferimento.
Paulo deita novamente no feno, em seguida apaga por cansaço.
CUT TO:

CENA 9 - EXT. CASA - FUNDO DE UMA PEQUENA VILA - DIA


Uma viatura chega. O policial pula o muro para verificar
POLICIAL
Tem alguém aí?
Paulo sai pelo lado de fora do fundo da casa.
POLICIAL
Você é o dono daqui?

PAULO
Sim.
POLICIAL
O pessoal denunciou que teriam
invadido a propriedade. Disseram
que não tinha ninguém nessa casa há
muitos anos.
PAULO
É minha.
POLICIAL
O senhor poderia provar?
11.

PAULO
O senhor poderia provar que não?
POLICIAL
Acho melhor você se retirar agora.

Morgana surge de dentro da casa e se aproxima. Paulo e


Policial se mostram confusos.
MORGANA
Qual o problema?

POLICIAL
Esse cara tá dizendo ser dono da
casa. Quem é a senhora?
MORGANA
Eu sou dona.
Morgana se aproxima, puxa uma arma e rende Paulo por trás.
Policial aponta arma para Morgana.
MORGANA
Se atirar, eu atiro.
Morgana recua cuidadosamente com Paulo e entra na casa.
Policial chama reforço.
CUT TO:

CENA 10 - EXT. FRENTE DA CASA - FUNDO DE UMA PEQUENA VILA -


DIA
Algumas viaturas chegam à casa, juntamente com um
CINEGRAFISTA e uma REPÓRTER de TV local.
Morgana coloca Paulo na janela.
PAULO
Ela quer que entre o pessoal da TV
e só um da polícia.
(Gritando)
Morgana e Paulo saem da visão novamente.

POLICIAL
Vocês da TV não podem entrar. Ela
vai querer que transmitam. Pode
acontecer uma tragédia.
12.

REPÓRTER
A gente quer ajudar.

POLICIAL
Ok...
Policial fala algo no ouvido com um colega.
POLICIAL
Podemos encenar a transmissão.
(Para Repórter e Cinegrafista)
Repórter e cinegrafista se olham, fazendo positivo com a
cabeça.

Repórter pega o celular e envia mensagem para CLÁUDIO TV.


REPÓRTER (V.O.)
Se gosta de mim e quiser fazer algo
grande na vida, me coloca no ar
agora.

"INTERCUT PHONE MESSAGE CONVERSATION"


CLÁUDIO está no intervalo do trabalho, comendo lanche. Vê a
mensagem e responde.

CLÁUDIO
Você é maluca mesmo! Onde você tá?
CUT TO:

CENA 11 - INT. CASA/ EXT. ENTRADA DA CASA - FUNDO DE UMA


PEQUENA VILA - DIA
Morgana está com Paulo rendido. Equipe da TV e Policial
entram na casa.

O rádio de Morgana está ligado.


MORGANA
Avisem que entrarão no ar. Dou
alguns minutos para abrirem a
transmissão. Começamos quando
falarem no rádio sobre a
transmissão da TV.
(Para Repórter)
Policiais de fora ouvem as exigências pela escuta no
Policial presente.
DELEGADO da cidade manda urgentemente que procurem a rádio
para que a mesma coopere, noticiando o que foi pedido.
13.

DELEGADO
Digam que eu solicitei que a
ação seja feita rapidamente.
CUT TO:

CENA 12 - INT. CASA - FUNDO DE UMA PEQUENA VILA - DIA


Todos posicionados. Morgana com Paulo rendido, Policial
apontando arma para Morgana, Cinegrafista com a câmera
enquadrada e Repórter inclinando o microfone.
Rádio começa noticiar o texto solicitado pela polícia.
LOCUTOR DE RÁDIO (V.O.)
Informamos que está ocorrendo um
sequestro em uma vila da cidade. Os
policiais já estão negociando no
local. Parece que uma emissora
também está no local transmitindo o
evento.

REPÓRTER
Pode falar.
MORGANA
O governo não é governança. É o
monopólio da força e
intrinsecamente agressor de todos
que vivem fora dele. O estado é
ilegítimo na sua origem genocida e
injustificável eticamente.
Liberdade em minha propriedade é o
básico. Vivam à margem!
CUT TO:

CENA 13 - INT. PRÉDIO DA EMISSORA DE TELEVISÃO - SALA DE


CONTROLE - NOITE
COORDENADOR e um ASSISTENTE estão controlando a programação
da TV.
Cláudio entra na sala.

CLÁUDIO
O Diretor Geral de jornalismo pediu
que vocês dois fossem lá em cima
tratar com ele sobre uma falha.
14.

COORDENADOR
Certo.
ASSISTENTE
Ainda bem que até a próxima hora
não é necessário mexer em nada
aqui.
Os dois saem da sala.
Cláudio pausa a programação, acha a linha da reportagem e
coloca no ar ao vivo.
CUT TO:

CENA 14 - INT. CASA - FUNDO DE UMA PEQUENA VILA - DIA

Todos perplexos e confusos com a fala de Morgana. A


transmissão começa.
MORGANA
Você quer falar algo antes?
(Para Paulo)
PAULO
A imposição de um bem-estar social
é impossível, tendo em vista que a
decisão considerada boa por alguns,
pode estar agredindo outros. Assim
como é impossível uma sociedade
saudável, usando um governo
central, totalitário e
intervencionista no mercado. Não
havendo liberdade de produção,
livre associação e trocas
voluntárias.
POLICIAL
Ela te obrigou a falar isso?
(Confuso)
CUT TO:

CENA 15 - EXT. CALÇADA - ENTRADA DE UMA LOJA DE ELETRÔNICOS/


INT. CASA - FUNDO DE UMA PEQUENA VILA - DIA
Uma televisão grande da loja está como amostra, ligada e
transmitindo o evento.
Um pequeno grupo de pessoas está parado assistindo.
15.

Policial observa que Paulo está relativamente calmo,


enquanto Morgana segura pescoço de Paulo sem firmeza ou
grande preocupação.
Paulo repara no Policial, que tira o dedo indicador do lado
da arma e põe no gatilho.
PAULO
Atira nele.
(Cochichando para Morgana)

Alguém dispara.
Pessoas assistindo reagem assustadas.
Morgana cai com pescoço ensanguentado. Paulo incrédulo,
segura cabeça de Morgana.

PAULO
Chama atendimento!
(Para Policial)
MORGANA
Eu tô bem. Não desiste de você.
(Para Paulo)
Morgana morre.
CUT TO:

CENA 16 - EXT. CASA - FUNDO DE UMA PEQUENA VILA - DIA


Paulo acorda assustado em cima do feno.

PAULO
Que isso, cara...
Paulo levanta, entra na casa e vê um rádio na mesa.

Morgana sai de outro cômodo.


MORGANA
Hey! Não vai roubar meu rádio.
PAULO
Desculpa! Eu não ia pegar.
MORGANA
Por que você tá aqui? Eu já te vi
vendendo coisas no Centro.
16.

PAULO
Longa história... uma pessoa doida
me atacou.

MORGANA
Você tá bem?
(Reparando no ferimento de
Paulo)

PAULO
Isso não foi muito.
LOCUTOR DE RÁDIO (V.O.)
Presidente reafirma a importância
de privatizar apenas parte de
estatais.
MORGANA
Agradar grandes corporações e
superfaturar junto delas, ao mesmo
tempo que tritura qualquer
concorrência.
PAULO
Nos protegendo dos preços baixos e
mais qualidade.
(Rindo)

MORGANA
E ainda tratam como se tudo do
governo fosse nosso. Você já vendeu
sua parte do pré-sal?
(Rindo)

PAULO
Você mora aqui?
MORGANA
Podemos dizer que sim. Eu entro
pelos fundos e durmo aqui, às
vezes. Nunca veio ninguém de
visita.
PAULO
E se denunciarem?
MORGANA
Eu rendo você e a gente fica aqui
falando verdades pra eles.

PAULO
Gostei. Acho que se eu rendesse
você, eles me matariam em minutos.
17.

MORGANA
Vamos fazer um curativo nesse
braço.
PAULO
Tudo bem.
Morgana vai até uma área no fundo da casa, pegar material
para o curativo. Paulo acompanha.
PAULO
Por que tá morando aqui?
MORGANA
Tentando independência de algumas
coisas.

PAULO
Entendo.
Morgana põe curativo no braço de Paulo.
MORGANA
Quer comer algo?
PAULO
O que tiver, pode ser.
Os dois vão até a cozinha. Morgana pega pacotes de lasanha,
prepara e sentam para comer.
MORGANA
Sorte sua que comprei ontem.
PAULO
Por que você tá me recebendo bem
nessa situação estranha?
MORGANA
Acho que você me convenceu que não
roubaria o rádio.
Os dois ouvem alguém chamando do muro.
POLICIAL (O.S)
Tem alguém aí?

PAULO
Deixa que eu vou.
Paulo sai pelo fundo da casa.

FADE TO BLACK:
18.

CENA 17 - EXT. CALÇADA - ENTRADA DE UMA LOJA DE ELETRÔNICOS


- DIA
Uma televisão grande da loja está como amostra, ligada e
passando propaganda de promoção.

Uma IDOSA está parada assistindo.


No meio da propaganda, a Idosa segue o caminho pela calçada.
Depois de alguns passos na calçada, Idosa observa um FISCAL
e um VENDEDOR de quadros discutindo.
FISCAL
E aí, amigão! Vou ter que dar um
enquadro nesses quadros.

VENDEDOR
Eu não roubei nada. Só tô
trabalhando.
FISCAL
É lei! Preciso levar.

VENDEDOR
Vocês vão vender isso. Roubar é
lei!?
Idosa se aproxima por trás e chuta entre as pernas de
Fiscal, que se abaixa.
Idosa e Vendedor trocam olhares.
FADE OUT

FIM