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UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS E CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO


ENGENHARIA MECÂNICA

PRÉ-DIMENSIONAMENTO DA CAIXA DE TRANSMISSÃO


MECÂNICA POR ENGRENAGEM DE UMA PLATAFORMA
ELEVATÓRIA

DISCIPLINA: ELEMENTOS DE MÁQUINAS II


PROFESSOR: TANCREDO WESTPHAL JUNIOR

FABRÍCIO FRANZEN

2019

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1. INTRODUÇÃO

O redutor de velocidade, tem como finalidade reduzir velocidade de rotação em


eixos. Os redutores são utilizados em diversas áreas da indústria, onde são acoplados em
diversos tipos de equipamentos, as caixas de redução visam transformar diferentes tipos ou
formas de energia em movimentos específicos.
No caso de um redutor de engrenagens, tem como objetivo diminuir a rotação de
entrada de um motor elétrico para a rotação de saída no eixo do redutor. Para que a aplicação
forneça o resultado esperado, o redutor precisa ter o torque necessário para colocar a máquina
desejada em movimento.
Desta forma este é um componente crítico que deve ser dimensionado de forma que
suporte as cargas aplicadas e forneça segurança durante a atividade necessária.

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2. APLICAÇÃO E DIMENSIONAMENTO

O objetivo escolhido para o desenvolvimento deste trabalho é a movimentação de


uma plataforma elevatória para ajudar no desempenho funcional ou ampliar a acessibilidade e
habilidades de pessoas com mobilidade reduzida, tal como: cadeirantes, usuários de muleta,
idosos e/ou pessoas com deficiência (PcD). A plataforma proposta e dimensionada será operada
por um motor elétrico com sistema de fuso e castanha, poderá atingir a altura máxima de 0,6
metros com capacidade máxima de carga de 240kg, em um tempo de percurso aproximado de
20 segundos.

2.1. Plataforma acionada por fuso

Uma plataforma acionada por um sistema de fuso se diferencia dos outros modelos
principalmente, porque tem menor número de componentes na transmissão (Fig. 6). Este
sistema tem baixo custo de manutenção, e tem grande quantidade de acessórios disponíveis no
mercado de reposição, como por exemplo, as castanhas ou porcas que são vendidas em padrões
tabelados. A plataforma não apresenta movimentos de elevação ou recuos nas paradas, devido
ao travamento automático gerado pelo atrito do sistema fuso-castanha característico dos perfis
quadrado e trapezoidal. Assim, este sistema dispensa o uso de freio no motor. O acionamento
da plataforma ocorre por meio de moto redutores, motores elétricos, hidráulicos, pneumáticos
ou manualmente.
O modelo proposto da plataforma é conforme a Figura 2.1, onde o giro do fuso
eleva a castanha que é fixada à plataforma. Esse processo requer uma potência de acionamento,
que está diretamente ligada a carga a ser elevada e as características mecânicas e geométricas
do fuso. Portanto para o dimensionamento da caixa de transmissão primeiramente é necessário
obter o valor da rotação do fuso e o torque necessário para elevar a carga, podendo então
escolher um motor elétrico que entregue a potência necessária para esse processo.

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Figura 2.1 – Perspectiva da plataforma acionada por fuso.

Fonte: Autor

2.2. Dimensionamento do fuso

Para uma máquina alcançar os melhores desempenhos é necessário escolher o tipo


certo de fuso trapezoidal para executar a tarefa. Para isso, é aconselhável quantificar alguns
dados técnicos fundamentais e, com os resultados calculados, consultar algumas tabelas de
medidas.
Para o dimensionamento e especificação do fuso se utiliza o Catálogo do fabricante
de Fusos trapezoidais A.T.I. (2017), conforme a Tabela 1. Primeiro, adota-se a altura máxima
de deslocamento do elevador, como sendo de 0,6 metros (0,6m). E depois, considera-se a
Capacidade de carga acima de 240 kg, como sendo o peso da estrutura da cabina
(aproximadamente 30 kg), acrescida da carga nominal do projeto. Assim, adota-se a Carga
máxima de 270 kg.

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Tabela 1. – Catálogo de Fusos trapezoidais.

Fonte: Catálogo de Fusos trapezoidais A.T.I. Brasil, 2019.

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Portanto, seleciona-se o fuso TR 30X6 que satisfaz os requisitos do projeto. E as
características dele são:

• Diâmetro: 40 mm,
• Rendimento: 0,37,
• Carga máxima: 274 kg e
• Torque necessário na subida 16,25 Nm.

2.3. Dimensionamento do motor

Para o dimensionamento do atuador se utiliza o Catalogo de motores WEG (2017)


junto com os dados que caracterizam o fuso já especificado. Os dados são, a Carga máxima
274kg e o Comprimento total de 0,6 m.
Assim, calcula-se oTrabalho realizado na movimentação da carga conforme a
seguir,

W=ƒ ×d

onde,
f = Carga máxima = 274 kg * 10m/s²) = 2.740N
d = Comprimento do fuso = 0,6m

W = 2740N × 0,6m = 1644Nm

Com o tempo de subida pré determinado e o trabalho requerido obtido


na equação acima e a eficiencia do fuso “η”=0,40, podemos calcular a potência de
acionamento do fuso:
𝑊
𝑃= /0,4
𝑡

1644
𝑃= /0,4 = 205,5 𝑊
20
Assim a potência do motor em cv é:

205,5𝑊
𝑃= = 0,28 𝐶𝑉
736

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Pensando em suprir a potência necessária com folga foi selecionado o
motor da figura abaixo onde o mesmo tem um apotência de 0,5 cv, sendo essa maior
que a potência necessária.

Figura 2.2 – Motor selecionado

Fonte: Catalogo de motores WEG, 2019.

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3. PROJETO CAIXA DE REDUÇÃO

Temos a rotação do motor selecionado sendo 1800 rpm, mas para dar início ao projeto
da caixa redutora precisamos da rotação de saída, a qual será a rotação do fuso, para isso
devemos encontrar uma rotação para o fuso que atenda às necessidades de projeto.

Sendo o comprimento do fuso “d”=0,6m, tempo de subida “t” 18


segundos, e o passo da rosca “p” 6 mm obtém-se, a velocidade de rotação do fuso
trapeizodal:

𝑑
𝑁= ∗ 60000
𝑡∗𝑝

onde,
60000 é o fator de conversão
0,6
𝑁= ∗ 60000
20 ∗ 6
𝑁 = 300 𝑟𝑝𝑚

Os itens a seguir descrevem os passos e condições necessárias para a


fabricação da caixa redutora, os mesmos foram escritos no pragrama MAPLE a fim
de facilitar os cálculos e poder fazer ajustes nos parâmetros, até que os mesmos
satisfizessem tais condições. Os resultados obtidos estarão descritos no item (4).

3.1. Relação de transmissão

Depois de definido a rotação de saída deve-se encontrar a relação de transmissão 𝑖, entre


as rodas dentadas da engrenagem, para isso é utilizada a equação

𝜔
𝑖 = 𝜔1 (1)
2

sendo 𝜔1 é a rotação de entrada da caixa de redução igual a 1800 rpm e 𝜔2 é a rotação de saída
da caixa de redução igual a 300 rpm, portanto, a relação de transmissão, 𝑖, é 6.
Uma boa relação de transmissão de um estágio deve ser menor ou igual a 6. Neste
caso a caixa de redução será de somente um estágio.

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3.2. Número de Dentes

É a razão entre o diâmetro primitivo (d) e o módulo (M), serve como índice de
tamanho de dente no SI (dado em mm) conforme a equação abaixo:

𝑁 = 𝑑. 𝑀 (2)

onde N é o número de dentes, d o diâmetro primitivo em mm e m o módulo especificado para


as engrenagens.

3.3. Passo Diametral

O passo diametral trata-se da razão entre o número de dentes e o diâmetro primitivo


da engrenagem. Ele equivale ao inverso do módulo e representa a quantidade de dentes no
perímetro de uma polegada sobre o diâmetro primitivo.

𝑃 = 𝑁/𝑑 (3)

sendo P é o passo diametral em dentes por polegadas (inches), N é o número de dentes


estipulado no maple e d o diâmetro primitivo obtido no maple.

3.4. Passo Circular

O passo circular representa a distância medida, sobre o círculo primitivo, do ponto


de um dente ao correspondente ponto do dente adjacente.

𝑝 = 𝜋. 𝑚 (4)

sendo p o passo circular em polegadas e m o módulo da engrenagem.

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3.5. Espessura do Dente

Espessura de dente F deve-se atribuir um valor inicial para aplicação do método


iterativo resultando num valor definitivo e adequado de F. Segundo Shigley (2011) os valores
aceitáveis de F estão no intervalo de 3p ≤ F ≤ 5p.

3.6. Fator de Confiabilidade

A quantidade de rotações por minuto, fornecida pelo motor, é o parâmetro de


velocidade de entrada do redutor. A rotação da máquina acionada é a quantidade de rotações
por minuto, fornecida ao equipamento movido e é o parâmetro de velocidade de saída do
redutor.
O fator de confiabilidade (KR): É obtido em função da confiabilidade (R) requerida
para fadiga por flexão, sendo dado por uma das equações abaixo:

𝐾𝑅 = 0,658 − 0,0759 ln(1 − 𝑅) 0,5 < 𝑅 < 0,99 (5)

𝐾𝑅 = 0,658 − 0,0759 ln(1 − 𝑅) 0,99 ≤ 𝑅 < 0,9999 (6)

com R estipulado por experiência e recomendações na aplicação nas fórmulas.

3.7. Fator de Ciclagem de Tensão (YZ, ZN)

Para vidas úteis diferentes de 107 ciclos de tensão, utilizam-se estes fatores de
correção dados em função do número de ciclos esperado, para flexão e para crateramento, sendo
crateramento a resistência da superfície ao desgaste.

𝑌_𝑁 = 1,3558𝑁 −0,0178 (7)

𝑍_𝑁 = 1,4888𝑁 −0,023 (8)

com N sendo o número de ciclos esperado para flexão se aplicado à Eq. (13) e para crateramento
se for aplicado à Eq. (14).

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3.8. Fator de Sobre Carga Ko

É um valor tabelado em função da natureza da fonte de potência e da carga à, sendo


unitário para ambos suaves e quando ambos apresentam choques intensos pode chegar a 2,25.

3.9. Fator de Tamanho Ks

Reflete a não uniformidade das propriedades do material causada pelo tamanho. A


AGMA sugere que seja adotado como 1, o que pode ser uma falha. A equação a seguir integra
o fator de forma de Lewis (Y) ao fator de tamanho.

0,0535
(𝐹√𝑌)
𝐾𝑠 = 1,192. ( ) (9)
𝑃

sendo F a espessura de dente obtido no item 3.5, Y corresponde aos fatores de ciclagem e P é
o passo diametral em dentes por polegadas.

3.10. Sistema de Dentes (ϕ)

Refere-se ao ângulo de inclinação da linha de ação do par de engrenagens, que é


normalizado em 20°.

3.11. Fator Dinâmico (Kv)

Este fator visa a compensação de imperfeições de manufatura, que causam o


afastamento da condição de uniformidade da velocidade angular da transmissão, associados à
velocidade linear (V). Para tal, a AGMA definiu uma série de números de qualidade (Qv), em
função de tolerâncias e acurácia na manufatura de engrenagens de vários tamanhos. Para
engrenagens comerciais, Qv varia de 3 a 7. Engrenagens precisas são consideradas como 8 a
12.

𝐵
𝐴+√𝑉
𝐾_𝑉 = ( ) ( 10 )
𝐴

𝐴 = 50 + 56. (1 − 𝐵) ( 11 )

12
2
𝐵 = 0,25. (12 − 𝑄)3 ( 12 )

com todos os valores à serem utilizados recomendados pela AGMA.

3.12. Fator de Distribuição de Carga (Km)

Reflete a não uniformidade da distribuição de carga ao longo da linha de contato.


Sob certas condições pode ser obtido através do fator de distribuição de carga de face (Cmf).

𝐾𝑚 = 𝐶𝑚𝑓 = 1 + 𝐶𝑚𝑐 (𝐶𝑝𝑓 𝐶𝑝𝑚 + 𝐶𝑚𝑎 𝐶𝑒 ) ( 13 )

sendo:

1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑠𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑟𝑜𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜


𝐶𝑚𝑐 = { }
0,8 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑟𝑜𝑎𝑑𝑜𝑠
𝐹
− 0,025 𝐹 ≤ 1𝑖𝑛
10𝑑
𝐹
𝐶𝑝𝑓 = − 0,0375 + 0,01𝐹 1 < 𝐹 ≤ 17𝑖𝑛
10𝑑
𝐹 2
{10𝑑 − 0,1109 + 0,0207𝐹 − 0,000228𝐹 17 < 𝐹 ≤ 40𝑖𝑛 }

𝐹 𝐹
Se 10𝑑 < 0,05, = 0,05.
10𝑑

𝑆1
1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑝𝑖𝑛ℎã𝑜 𝑚𝑜𝑛𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑐𝑎𝑖𝑠 𝑐𝑜𝑚
< 0,175
𝐶𝑝𝑚 ={ 𝑆 }
𝑆1
1,1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑝𝑖𝑛ℎã𝑜 𝑚𝑜𝑛𝑡𝑎𝑑 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑐𝑎𝑖𝑠 𝑐𝑜𝑚 ≥ 0,175
𝑆

𝐶𝑚𝑎 = 𝐴 + 𝐵𝐹 + 𝐶𝐹 2 ( 14 )
.

0,8 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑎𝑗𝑢𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑎 𝑚𝑜𝑛𝑡𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑜𝑢 𝑙𝑎𝑝𝑖𝑑𝑎çã𝑜


𝐶𝑒 = { }
1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑡𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑎𝑠 𝑜𝑢𝑡𝑟𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖çõ𝑒𝑠

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3.13. Fator de Espessura de Aro (KB)

Fator utilizado para evitar fadiga por flexão em engrenagens com aro muito estreito.
Para sua obtenção vale-se de uma razão auxiliar entre a espessura do aro e a altura do dente.

𝑡
𝑚𝐵 = ℎ𝑅 ( 15 )
𝑡

com tR equivalente à espessura do aro em mm e ht sendo a altura do dente em mm.


De acordo com o resultado da Eq. (21) aplica-se um dos fatores apresentados abaixo.

2,242
𝐾𝐵 = 1,6𝑙𝑛 𝑚𝐵 < 1,2 ( 16 )
𝑚𝐵

𝐾𝐵 = 1 𝑚𝐵 ≥ 1,2 ( 17 )

3.14. Fator Geométrico de Resistência Superficial (I)

É um fator que leva em consideração a geometria das engrenagens em contato para


o crateramento das superfícies. É dado por:

𝑐𝑜𝑠∅𝑡 𝑠𝑒𝑛∅𝑡 𝑚𝐺
𝑒𝑛𝑔𝑟𝑒𝑛𝑎𝑔𝑒𝑛𝑠 𝑒𝑥𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎𝑠
2𝑚𝑁 𝑚𝐺 +1
𝐼 = { 𝑐𝑜𝑠∅ } ( 18 )
𝑡 𝑠𝑒𝑛∅𝑡 𝑚𝐺
𝑒𝑛𝑔𝑟𝑒𝑛𝑎𝑔𝑒𝑛𝑠 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎𝑠
2𝑚𝑁 𝑚𝐺 −1

sendo mN = 1 e mG = 1,2 para engrenagens cilíndricas de dentes retos e ∅ estipulado no item


3.11.

3.15. Fator geométrico de resistência à flexão (J)

O fator J da AGMA emprega um valor modificado do fator de forma de Lewis,


sendo apresentado de forma gráfica e obtido para pinhão e coroa segundo o número de dentes
destes. Tal gráfico é apresentado na Fig. 3.1.

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Figura 3.1 – Fatores geométricos J de engrenagens cilíndricas de dentes retos. (SHIGLEY, 2011)

3.16. Fator de Temperatura (KT)

Valor unitário para temperatura de trabalho abaixo dos 121°C, e para o caso estima-
se que a temperatura seja menor então 𝐾𝑇 = 1.

3.17. Fator de Superfície (Cf)

Valor considerado unitário, sendo maior apenas quando da presença de fatores


detrimentais ao acabamento superficial, ainda não padronizados pela AGMA, portanto 𝐶𝑓 = 1.

3.18. Tensão para Resistência à Flexão (σ)

É dada pela equação a seguir

𝑃𝑑 𝐾𝑚 𝐾𝐵
𝜎 = 𝑊 𝑡 𝐾𝑜 𝐾𝑣 𝐾𝑠 ( 19 )
𝐹 𝐽

15
onde 𝑊 𝑡 é a força tangencial transmitida, 𝐾𝑜 é o fator de sobrecarga, 𝐾𝑣 fator dinâmico, 𝐾𝑠
fator de tamanho, 𝑃𝑑 Passo diametral, 𝐹 número de dentes, 𝐾𝑚 fator de distribuição de carga,
𝐾𝐵 fator de espessura de aro e 𝐽 o fator geométrico de resistência à flexão.

3.19. Fator de Segurança de Flexão (Sf)

Utilizado para garantir a resistência da engrenagem à flexão, devido à possíveis


falhas no processo de fabricação do material ou no processo construtivo da engrenagem.

𝑆𝑡 𝑌𝑁 ⁄(𝐾𝑇 𝐾𝑅 )
𝑆𝐹 = ( 20 )
𝜎

sendo 𝑆𝑓 é o fator de segurança de flexão, 𝑆𝑡 é o número de tensão de flexão admissível, 𝑌𝑁 é


o fator de ciclagem por flexão, 𝐾𝑇 representa o fator de temperatura, 𝐾𝑅 é o fator de
confiabilidade e 𝜎 é a tensão de resistência à flexão obtido na Eq. (26).

3.20. Cálculo do Diâmetro de Adendo

O diâmetro de adendo está no topo do dente e é o raio mais externo da engrenagem.

𝑑𝑎𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜 = 𝑑𝑝 ∗ 2𝑚 ( 21 )

obtido através do diâmetro primitivo d em mm e do módulo da engrenagem.

3.21. Cálculo do Diâmetro de Dedendo (Círculo de Raiz)

Representa a altura radial do pé do dente, este valor permite a folga entre os dentes
no engrenamento. O diâmetro de raiz é, também, relativo ao módulo e ao diâmetro primitivo.

𝑑𝑟𝑎𝑖𝑧 = 𝑑𝑝 − 2(1,2. 𝑚) ( 22 )

sendo que o diâmetro primitivo d em mm e do módulo da engrenagem.

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nesta seção serão apresentados os resultados provenientes do banco de equações


do Item 3, seguindo a os cálculos realizados conforme o exemplo do Shigley utilizando a
programação MAPLE.
A Tab. 4.1 fornece todos estes valores, e pode ser conferida abaixo:
Tabela 4.1 – Resultados obtidos pelo banco de equações aplicado ao software Maple.

Par de Par de Par de


Ítem Ítem Ítem
Engrenagens Engrenagens Engrenagens
Potência (HP) 5,96 J1 0,275 Ko 1
Pot. req.(CV) 6,05 J2 0,50 St 216,22
Rendimento 0,8587 V (ft/min) 296,84 Yn 1,16617
Rotação Pinhão
1800 Wt 12,5 Kt 1
(RPM)
Fator de Projeto 2 B 0,8255 KR 0,885
Ângulo de
20 A 59,77 Sc 170000
Pressão (ϕ)
Número de
16 Kv 1,4798 Cf 1
dentes Pinhão
Número de
96 KR 0,8853 F (flexão) 7,7673
dentes Coroa
Relação 6 Yn(1) 0,938 σp 46297,35
Número de
9 Yn(2) 0,961 SF p 2,2368
Ciclos (10n)
Número de
6 Zn(1) 0,899 σg 15373,17
Qualidade Qv
mb >= 6/5 Zn(2) 0,925 SF g 2,9715
Kb 1 F (in) 3,14 σc p 118000
Confiabilidade 0,99 Ks 1,0869 Sh p 1,465
P (dentes/in) 25,4 Cmc 1 Sh2p 2,1462
m 1 Cpm 1 CH 1
P 0,1236 Ce 1
diâmetro pinhão
16 Cma 0,1765 SH g 1,51
dp (mm)
diâmetro coroa
96 Km 1,32693 SH2g 2,28
dG (mm)
Y1 (Lewis) 0,29 Cp 2300 ht 0,225
Y2 (Lewis) 0,445 I 0,1286 Tr (mm) 6,858

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A nomenclatura das variáveis contidas na Tab. 4.1 pode ser vista na Fig. 4.1:

Figura 3.1 – Símbolos e seus nomes. (SHIGLEY, 2011)

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5. CONCLUSÃO

Como resultado deste trabalho obteve-se uma caixa de redução com potência de
entrada igual a 23,5 hp e 1800 rpm de rotação de entrada, para este movimentar um fuso
trapeizodal girando a uma rotação de 300 rpm.
Esta caixa demanda 23,5 hp, com os cálculos realizados no programa Maple pode
se encontrar a espessura das engrenagens, de 6,858 mm, que serão capazes de transmitir a
potência desejada.
Por fim, conclui-se que o projeto de engrenagens e trens de engrenagem não é um
trabalho simples, mas que se tendo todos os cuidados e levando em consideração todos os
aspectos de projeto, com um material adequado, pode-se ter resultados satisfatórios.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUVINALL, Robert C. “Fundamentos do Projeto de Componentes de Máquinas”, 4ª ed.


LTC. Rio de Janeiro, RJ; 500p. 2008.
SHIGLEY, Joseph E. et al. “Projeto de Engenharia Mecânica”, 7ª ed.Bookman. Porto Alegre,
RS; 960p. 2008.
KALINOSKI, Hectory Alexandre. “Dimensionamento De Caixa De Transmissão Mecânica
Por Engrenagem De Um Transportador Helicoidal” , Erechim, RS; 2016.

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