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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo


Departamento de Estruturas

MODELAGEM DOS SISTEMAS ESTRUTURAIS


Aula 10: Modelagem de Cascas

Profa. Dra. Maria Betânia de Oliveira


betania@fau.ufrj.br
mboufrj.weebly.com
UFRJ.FAU.DE
Aula 10

Modelagem de Cascas

Objetivos
Entendimento dos conteúdos apresentados na aula.
Metodologia
Apresentação e discussões sobre o tema da aula.

Atividade Discente
Participar da aula e estudar os assuntos abordados.
Elaborar os modelos propostos.

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• corpo em que uma das dimensões é


Lâmina
muito menor do que as outras duas.

• estrutura constituída por uma ou mais


Folha
lâminas.

• folha curva submetida a esforços no seu


Casca
folheto médio

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Esforços nas Cascas Esféricas

Cascas são estruturas de superfície delgadas, não planas, que recebem carregamentos
distribuídos e reagem através de esforços solicitantes predominantemente de tração e
compressão.

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Quando a espessura da casca é pequena, comparando-se com as outras


dimensões, a rigidez a momento fletor (que é proporcional ao momento de
inércia) é muito pequena, e pode ser considerada igual a zero.
Neste casos as cascas podem ser estudadas pela teoria da membrana, ou
seja, as cargas externas (peso próprio, revestimento, carga acidental
distribuída) serão absorvidas através de esforços solicitantes normais de
compressão e tração.
A Teoria de Membrana para análise de cascas é simples e permite razoável
aproximação para os casos correntes.
Esta teoria também é utilizada para pré-dimensionamento das Cascas.

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Deformações

A pequena rigidez do elemento da estrutura (h pequeno) não implica em


pequena rigidez do conjunto, que pode resistir aos esforços de compressão
sem risco de flambagem: o conjunto de superfície curva como um todo tem
grande rigidez quando comparado com a mesma superfície plana.

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A teoria de membrana tem como hipótese, além daquela da pequena espessura, que os
carregamentos aplicados sejam de superfície, ou seja, distribuído na superfície da
casca.

Quando existem cargas concentradas (pilares de lanternim, por exemplo), torna-se


necessário a adoção de elemento estrutural de transição pra transformar a carga
concentrada em carga distribuída (anel superior contínuo).

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Caso de cúpula ½ esférica

Direção da tangente à
superfície, no apoio.

Na borda também vale


a Teoria de
Membrana:
aparecem momentos
secundários.
As reações de apoio nesta casca possuem a direção da tangente à superfície
no ponto do apoio.

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Perturbações de Borda: caso em que a calota não é ½ esférica

Momento de borda Mb
(perturbação de
borda)

Não vale a Teoria de


Membrana na borda.
Torna-se necessário
calcular o momento
Mb e o esforço H.
Quando as reações das cascas, nos apoios, não são na direção da tangente à
superfície no apoio, são geradas perturbações nas bordas das cascas, dando
origem a esforços de flexão maiores na região próxima às bordas.

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Superfícies Básicas

Rotação de uma Curva Translação de uma Curva

Superfície de Revolução

Curva girando ao redor de um eixo,


chamado eixo de rotação, gera as
superfícies de revolução.

Curva de equação z = f(x)

y z
Superfície de equação z = f(x,y)
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Rotação de uma Curva UFRJ.FAU.DE
Superfície de Revolução
Quando o eixo da superfície de revolução é vertical e a curva intercepta este eixo, a
casca é denominada cúpula.
A curva de revolução é denominada meridiano e o plano que a contém plano
meridiano. As seções horizontais são denominadas paralelas.
Qualquer curva pode ser usada como meridiano, gerando diferentes superfícies.

Paralelo

Meridiano

Qualquer curva pode ser usada como meridiano, gerando diferentes superfícies.

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Superfícies de Revolução UFRJ.FAU.DE
Círculo Elipse Parábola
Superfície esférica Elipsoide de revolução Parabolóide de revolução

Hipérbole ou reta inclinada em Reta paralela ao Reta inclinada em relação ao


relação ao eixo de rotação, sem eixo de revolução eixo de rotação, interceptando-o
interceptá-lo
Hiperbolóide de revolução Sup. cilíndrica Superfície cônica

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Superfícies Básicas
Rotação de uma Curva Translação de uma Curva

Superfície de Translação
A curva translada-se paralelamente a si
mesma, apoiando-se constantemente
numa curva diretriz, gerando as
superfícies de translação.

Curva Geratriz

Grande variedade de superfícies podem Curva Diretriz


ser obtidas por translação face ao
número de combinações possíveis MSE 2015.2
Superfícies de Translação UFRJ.FAU.DE

Superfícies Cilíndricas
Por translação de uma curva plana 1 sobre reta 2.
curva 1: circular
curva 1: elíptica
curva 1: parábola
curva 1: catenária

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Superfícies de Translação UFRJ.FAU.DE

Parabolóide elíptico
Parabolóide hiperbólico
Deslocando-se uma parábola 1 com curvatura
para dentro sobre uma parábola 2 com
Elipses curvatura para fora, a superfície de casca gerada
é um parabolóide hiperbólico.
Parábola 2

Parábola 2
Parábola 1
Parábola 1
Transladando-se uma parábola 1
com curvatura interna sobre outra
parábola 2, também com curvatura
interna, obtém-se o parabolóide
Hipérbole
elíptico que tem a propriedade de Hipérbole
quando seccionado por planos
horizontais a curva intersecção ser
uma elípse.
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Superfícies Regradas UFRJ.FAU.DE

CONÓIDE
Superfície regrada obtida pelo
deslocamento de uma reta
(geratriz) apoiada sobre duas
diretrizes, uma reta, outra curva.

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Parede conóide. No nível do
solo desenvolve-se em linha reta e,
no topo, a diretriz é curva.
Igreja Cristo Obrero, Atlántida, Uruguai, 1960
Atlántida foi a minha Faculdade de Arquitetura - Eladio Dieste (1917-2000)
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CILINDRÓIDE
É gerado pelo deslocamento de
uma reta (Geratriz)
apoiada em duas curvas
(Directrizes).

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As Escolas em 1909 Escolas da Sagrada Família, Barcelona


Antoni Gaudí
Cascas com superfícies conóides e cilindróides.
As paredes e a cobertura possuem forma ondulada.
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Superfícies Regradas UFRJ.FAU.DE

PARABOLÓIDE HIPERBÓLICO
Superfície regrada obtida pelo
deslocamento de uma reta
(geratriz) apoiada sobre duas retas
(diretrizes).

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PARABOLÓIDE HIPERBÓLICO
Construção da superfície por pontos MSE 2015.2
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Residência Milan
Marcos Acayaba

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Restaurante Los Manantiales


Cidade do México, 1958
Félix Candela
Casca com vão de 30m e espessura de10cm

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L'Oceanogràfic, Valencia, Espanha, 2003


Félix Candela
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Cascas
Oscar Niemeyer

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Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, Belo Horizonte, 1943


Oscar Niemeyer

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Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, Belo Horizonte, 1943


Oscar Niemeyer MSE 2015.2
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O Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, conhecido como Oca, é um


pavilhão de exposições localizado no Parque do Ibirapuera, na cidade
de São Paulo. Foi projetado por Oscar Niemeyer em 1951.
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O edifício da Oca é um espaço expositivo com mais de 10mil m2


dentro do Parque Ibirapuera.
No passado chegou a abrigar o Museu da Aeronáutica de São Paulo e
o Museu do Folclore.
Desde junho de 2010 é administrado pela Secretária Municipal da
Cultura e abriga grandes exposições.
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Congresso Nacional do Brasil, Brasília, 1960


Oscar Niemeyer
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A sede do Partido Comunista Francês, Paris


Foi projetada em 1966 por Oscar Niemeyer

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Universidade de Constantine, Constantine, Argélia, 1969


Oscar Niemayer MSE 2015.2
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Centro cultural em Le Havre, França, 1982


Oscar Niemayer MSE 2015.2
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Memorial da América
Latina, São Paulo, 1989
Oscar Niemeyer

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Niteroi Contemporary Art Museu, Niterói, 1991

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Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná, 2002


Oscar Niemeyer

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Museu Nacional Honestino Guimarães


Cúpula de 80m de diâmetro
Complexo Cultural da República, Brasília, 2006
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Óscar Niemeyer International Cultural Centre


Avilés, Espanha, 2011
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Propriedades das Cascas

Superfície curva
Elementos Rígidos
Delgadas
Riqueza de forma
Submetidas, principalmente, à compressão
Rigidez pela forma (econômicas)
Vencem grandes vãos
Utilizadas principalmente em coberturas
Geralmente, são feitas em concreto armado, argamassa
armada, aço, madeira, tijolos, pedras ou polímeros

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Exercícios de Modelagem

Explicar o comportamento estrutural através da análise de modelos físicos


dos seguintes casos.

1. Casca de Oscar Niemeier


2. Casca de Marcos Acayaba
3. Casca de Félix Candela
4. Modelo de casca na forma de parabolóide hiperbólico

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Bibliografia
REBELLO, Y.C.P. A Concepção Estrutural e a Arquitetura. Zigurate Editora, 2001.

RODRIGUES, P.F.N. Modelagem dos Sistemas Estruturais: notas de aula.


DE/FAU/UFRJ, 2008.

SÁLES, J.J. et al . Sistemas Estruturais: teoria e exemplos. São Carlos:


SET/EESC/USP, 2005. ISBN: 85-85205-54-7.

SALVADORI, M. Por que os edifícios ficam de pé. Ed. Martins Fontes, 2006. ISBN:
97-88533622-97-5.
DEL NERO, J.A. Cascas. Disponível em: www.lem.ep.usp.br/pef604/cascas.doc

FITZ, L. Os casos das igrejas de Eladio Dieste em Atlántida e Durazno.


Disponível em:
http://www.docomomo.org.br/ivdocomomosul/pdfs/24%20Leonardo%20Fitz.pdf

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