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De Filipe Silva

Proposições acerca da Metafísica-Filosófica

A problemática advinda da busca pelo conhecimento e o entendimento da


essência e propósito humano trouxe, por várias passagens ao longo dos anos, embates
entre o que é passível de explicação pela ciência através do método científico e o que é
tido como sobrenatural e que recorre ao sentido e essência espiritualista do ser humano.
Sabe-se que o homem é um ser que produz cultura, e é esse aspecto que o diferencia dos
outros animais.
Dado que possui importante capacidade de atribuir significado, modificar,
rearranjar os meios em que vive e, ainda mais importante, potencialidade de criar
relações uns com os outros, o homem cria cultura e estabelece relações. Entretanto, não
somente a capacidade de criar relações o homem enfrenta em sua caminhada um
sentimento de ausência e a este torna-se necessário a busca por algo que o complete e
que dê significância à sua vida. O homem, por natureza, não se satisfaz por completo
com o tangível, por ser este relativo e finito e, por conseguinte, anseia por algo que é
absoluto e transcendente, que o preencha por completo em todas as suas capacidades e
na própria essência da alma. Cabe então discutir, dadas possíveis caracterizações do
homem, os desmembramentos aos quais se seguiu o conhecimento filosófico na busca
por alcançar – ou na tentativa de comprovar o erro – do intangível e sobrenatural.
Em meio aos desdobramentos, podemos configurar três correntes de
pensamentos que delimitam o ser espiritual caracterizando a forma como cada um em
sociedade enxerga a possível ou não existência de um ser superior. São elas o Teísmo,
Agnosticismo e o Ateísmo. Os resultados obtidos pela ciência estabelecem
questionamentos que não podem ser solucionados apenas por via de aplicação rigorosa
do método científico e, para obter sucesso, lança mão da filosofia para alcançar o que
anseia, entretanto a os argumentos cientifico-filosóficos não são tão precisos quanto o
método científico e ao contrário do que diz o método, se traduz em uma certa liberdade
do indivíduo para projetar seus pensamentos e ideais. O Ateísmo, partindo desses
problemas, defende três argumentos fundamentais, onde esclarece que o universo é
consciente, estável e autossuficiente, dessa forma tudo deve estar firmado em um espaço
que sempre existiu. Outro argumento afirma ser o próprio universo o produtor da ordem
física e do desenvolvimento biológico-neurológico e por último, o universo próprio é
que cria sensibilidade-consciência e a razão humana.
O Agnosticismo, com bases nos mesmos problemas no qual se baseia o Ateísmo,
por sua vez é a posição cientifico-filosófica de maior imediatismo. Este por sua vez não
se submete ao compromisso de explicar os problemas propostos, optando pela ausência
de resposta para os questionamentos. No agnosticismo não há resposta para as
implicações da forma última do universo e sua posição filosófica está em opinar na
impossibilidade de responder. Dessa forma quem é adepto de tal pensamento, deseja
não se comprometer com uma resposta e o fato de sua existência na sociedade
reconhece que tanto o Ateísmo quanto o Teísmo possuem argumentos favoráveis aos
seus posicionamentos.
Em contrapartida, o posicionamento Teísta é mais simplista pois a priori apenas
existe a experiência do universo e não de Deus. Apesar de, socialmente, a crença em um
ser superior criador de todas as coisas ser o mais óbvio, dado que a humanidade em sua
maioria permanece Teísta. Dessa forma não é tão simples rejeitar a ideia da existência
divina, quando tal existência é uma constante acreditada na maioria populacional.
Assim, busca-se argumentos cientifico-filosóficos que objetivam justificar de forma
racional que a existência e autossuficiência do universo é dependente de um ser divino.
O objetivo teísta não possui fim em demonstrar, mas sim afirmar e mostrar que existem
dados e teorias científicas que submetidos a uma reflexão com embasamento filosófico
é possível construir hipóteses relevantes de que a realidade pode ter se fundamentado
em um Deus transcendente. São argumentos principais para o teísmo a ideia de um
universo fundado em uma divindade, as ordens físicas e biológicas são designadas por
um direcionamento de Deus, a ontologia do universo é aparelhada à ontologia divina.
Para o ateísmo há um risco quando se nega o que a maioria da humanidade crê e
dessa forma cria-se a perspectiva no desamparo de um futuro incerto e duvidoso,
negligenciando a esperança. Por outro lado, para o teísmo há a dificuldade na
argumentação de uma realidade não palpável e sim sobrenatural, conflitando com a
necessidade natural da absolutização do universo e sua existência.