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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO


DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO
MATERIAIS E TÉCNICAS DA CONSTRUÇÃO I

INTRODUÇÃO À TECNOLOGIA DA
CONSTRUÇÃO E MATERIAIS
(UNIDADE 1)

Luciele de Lima Schellin


Sérgio Lund Azevedo

FEVEREIRO / 2007
INTRODUÇÃO

A disciplina de Materiais e Técnicas da Construção I é composta de seis unidades das


quais somente a primeira, de caráter introdutório, não possui literatura específica, as
demais unidades: Pedras Naturais, Solos, Fundações, Argamassas e Concretos possuem
farto material para consulta dos alunos. Devido a isso, se fez necessário a confecção desta
apostila.

A Unidade I, Introdução aos materiais e as técnicas de construção, reúne conteúdos


diversos os quais raramente são encontrados em uma única fonte literária, dificultando um
estudo mais aprofundado.

A presente apostila, baseada nas anotações de aula de diversos alunos, tem por objetivo
preencher esta lacuna, embora cada professor possa tomar caminhos variados conforme
sua visão particular do assunto ou até mesmo imposto por exigências curriculares.

Alguns conteúdos são tratados de forma mais superficial do que outros, por se tratar
de temas que serão reforçados em outras disciplinas ao longo do Curso, como é o caso de
algumas propriedades mecânicas que serão abordadas também nas disciplinas de Estrutura
e Construção.

O texto é complementar ao que é apresentado em aula, portanto, para perfeita


compreensão da matéria é necessário, além de lê-lo, acompanhar com atenção as aulas,
levantar dúvidas, discutir aspectos peculiares ou questionar possíveis conflitos. Essa
apostila também é complementar às leituras indicadas ao longo da apresentação dos
temas.

Serão bem vindas sugestões para melhorar o material aqui apresentado, seja em relação
à clareza, concisão do texto, sugerir exemplos ou mesmo efetuar correções.

Os autores antecipadamente agradecem a boa vontade dos possíveis leitores pelos erros
ou imprecisões involuntariamente cometidos.
AS EXIGÊNCIAS DE QUEM USA UM EDIFÍCIO:

A necessidade de proteção das intempéries é um dos instintos naturais do homem.


Historicamente, quando o homem levava uma vida nômade em busca de alimentos para
sua sobrevivência, ou seja, ainda não havia se fixado em locais onde começaram a
desenvolver o plantio de alguns cereais (sedentarismo), essa proteção era obtida através de
abrigos naturais, tais como, cavernas, árvores, etc.
Considerando o tipo de vida levado no período nômade, a despreocupação com
abrigos fixos era natural, já que seria inconveniente. Entretanto, a situação se inverte
quando ele passa a levar uma vida sedentária; a lavoura só é possível, geralmente, em
locais planos e de vegetação rasteira, portanto, destituído de abrigos naturais, o que os
obrigava procurá-los em pontos relativamente distantes.
Dessa forma, para abrigar-se, era preciso criar ambientes artificiais, utilizando para
isso, materiais disponíveis naturalmente no local: pedras, galhos, folhas de plantas, pele de
animais, estruturados na forma mais conveniente para obter proteção.
Nessa época, quem criava (construía) esses ambientes artificiais era o próprio
usuário, devido à simplicidade da construção, dos materiais empregados e da exigência
bastante elementar dos seres humanos: que somente buscavam proteção em relação ao
vento, chuva, neve, etc.
Com o passar do tempo, as exigências dos usuários foram se tornando
gradualmente mais sofisticadas, necessitando de materiais mais elaborados e técnicas
construtivas mais complexas. Dessa forma, o conhecimento da arte de construir foi
aumentando, tornando-se mais aprimorado, de posse de profissionais específicos
(construtores), separando, a partir daí, a figura do usuário e do construtor. Para construir
precisava-se contratar um profissional.
Hoje, quando um arquiteto projeta todo e qualquer edifício, o projeto deve
satisfazer a 14 exigências do usuário, consideradas básicas internacionalmente (ISO 6241).
São elas:

1. ESTABILIDADE ESTRUTURAL;
2. ESTANQUEIDADE A ÁGUA E GASES;
3. CONFORTO HIGROTÉRMICO (temperatura e umidade do ar e das
paredes);
4. CONFORTO ACÚSTICO (isolação acústica e níveis de ruído);
5. DURABILIDADE (conservação do desempenho ao longo da vida útil*);
6. HIGIENE (abastecimento de água e remoção de resíduos);
7. ERGONOMIA;
8. ADAPTAÇAO À UTILIZAÇAO;
9. SEGURANÇA AO FOGO;
10. SEGURANÇA À UTILIZAÇAO (segurança no uso e operação);
11. PUREZA DO AR;
12. CONFORTO VISUAL;
13. CONFORTO TÁTIL (eletricidade estática, rugosidade, umidade,
temperatura da superfície);
14. ECONOMIA (custo de construção e custo de operação, manutenção e
reposição durante o uso**).

*, ** - Estes conceitos serão tratados mais adiante.


Nem sempre foi assim: as necessidades ou exigências básicas do usuário passaram
a serem consideradas a partir de 1991, com a aprovação do Código de Defesa do
Consumidor.
Com esse Código o usuário passou a ter amparo legal para exercer seus direitos a
fim de garantir melhor qualidade dos produtos por ele adquirido.
A reação dos empresários da construção civil foi imediata. A preocupação com as
questões que envolviam qualidade e produtividade passou a ter prioridade dentro do
processo construtivo. O problema era como implementar Programas de Qualidade e
Produtividade (PQPs) no setor da construção.
Em um primeiro momento, os construtores buscaram exemplos em outros setores
industriais onde tradicionalmente já utilizavam PQPs. O setor automobilístico foi o que
serviu de paradigma. Entretanto, constatou-se que os produtos de cada um dos setores
apresentavam características de produção/produto muito diferenciadas e, portanto, aplicar
um programa de sucesso em um setor não garantia sua viabilidade no outro.
Assim, observou-se que:

 A construção é uma indústria de caráter nômade;


 Cria produtos únicos e não produtos seriados;
 Não é possível aplicar a produção em cadeia (produtos passando por
operários fixos), mas sim a produção centralizada (operários moveis em
torno de um produto fixo);
 A indústria da construção de maneira geral realiza seus trabalhos sobre
intempéries;
 O produto é único ou quase único na vida do usuário;
 É uma indústria muito tradicional, com grande inércia às alterações;
 Utiliza mão-de-obra intensiva e de pouca qualidade, sendo que o emprego
dessas pessoas tem caráter eventual e suas possibilidades de promoção são
escassas, o que gera baixa motivação no trabalho;
 São empregadas especificações complexas quase sempre contraditórias e
muitas vezes confusas;
 As responsabilidades são dispersas e pouco definidas;
 O grau de precisão com que se trabalha na indústria da construção civil é,
em geral, muito menor do que em outras indústrias;
 A cadeia produtiva que forma o setor da construção civil é bastante
complexa e heterogênea.

A tendência hoje é aproximar o produto da construção civil (edifício) de outros


produtos industrializados, com a finalidade de aumentar o controle de qualidade e
produtividade.

O EDIFÍCIO COMO UM SISTEMA CONSTRUTIVO:

O edifício é considerado um sistema, formado de elementos e componentes


construtivos, os quais são constituídos de materiais. Os elementos construtivos são:

 ELEMENTOS DE COBERTURA (telhados, terraços);


 ELEMENTOS ESTRUTURAIS (vigas, pilares, lajes);
 ELEMENTOS DE VEDAÇÃO VERTICAIS EXTERNOS (paredes de
alvenaria, placas de concreto armado);
 ELEMENTOS DE VEDAÇÃO VERTICAIS INTERNOS (paredes de
alvenaria, divisórias em geral);
 ELEMENTOS DE VEDAÇÃO HORIZONTAIS EXTERNOS
(contrapisos);
 ELEMENTOS DE VEDAÇÃO HORIZONTAIS INTERNOS (entrepisos);
 ELEMENTOS DE FUNDAÇÃO (sapatas, radiers, estacas).

Esses elementos são constituídos de componentes, como por exemplo:

 Os telhados são formados pelas telhas, estrutura de sustentação, arremates


(cumeeira, rufo, etc.);
 As vigas de concreto armado são constituídas de concreto e armadura;
 As paredes de a alvenaria podem ser construídas com tijolos maciços e
argamassa de rejuntamento.

OBSERVAÇÃO:

A grande diversidade de componentes existentes no mercado (mais de 20.000)


e a cada dia aumenta esse número, se deve a variedade apresentada por cada
componente. Por exemplo:
- Os diferentes tipos de telhas (portuguesa, paulista, francesa, capa-canal, etc), os
diversos acabamentos de cada uma delas (esmaltada, colorida, não-esmaltada, etc);
- Os diferentes tipos de placas cerâmicas (vitrificados, monocromáticos, lisos,
decorados, com alto ou baixo relevo, diversos tamanhos, etc.);
- As diferentes peças de madeira (diferentes espécies, lustradas, enceradas, resinadas,
lixadas, rústicas, etc.).

Os componentes, por sua vez, como se pode observar são constituídos de materiais,
na realidade de pouquíssimos materiais. As telhas, as placas cerâmicas, os tijolos
convencionais, as louças para banheiros, são todos feitos pelo mesmo material (cerâmica);
as fechaduras, pregos, parafusos, torneiras, armaduras para concreto, arremates para
telhados, certos tipos de aberturas, de eletrodutos, de tubulações e conexões hidráulicas,
são todos formados por materiais metálicos.
Outros materiais utilizados na construção civil são: os pétreos, as madeiras, os
polímeros, os vítreos, compósitos (combinação de diversos materiais, como por exemplo,
os concretos, as argamassas, etc.).

(*) A CONSERVAÇÃO DO DESEMPENHO AO LONGO DA VIDA ÚTIL DO


EDIFÍCIO (COMPONENTES / MATERIAIS):

Todo o edifício é projetado para satisfazer as exigências dos usuários, entre as


quais estão incluídas, necessariamente, aquelas 14 já referidas acima. Para se atingir esse
objetivo, é necessário que os elementos e componentes sejam constituídos de materiais, os
quais possuam propriedades adequadas que cumpram as funções para as quais foram
escolhidos.
Infelizmente, essas propriedades que os materiais possuem inicialmente, não se
mantêm ao longo do tempo. Os materiais envelhecem, degradam-se e, conseqüentemente,
perdem parcial ou totalmente as suas propriedades durante certo período de tempo. Isso faz
parte da natureza. O gráfico abaixo representa a perda de desempenho de um material,
componente, elemento ou do próprio edifício.

Admite-se a perda de desempenho até um determinado limite, a partir do qual o


material não apresenta as propriedades necessárias para cumprir a função para a qual foi
escolhido. A esse limite denomina-se Limite Mínimo de Utilização (LMU). O período de
tempo que o material leva para atingir o LMU, define o tempo de vida útil do mesmo. A
seguir é apresentado um gráfico que mostra esses conceitos.
Entretanto, o tempo de vida útil de um material pode ser ampliado, uma vez que
esse material pode sofrer manutenções periódicas, através das quais se busca melhorar o
nível de desempenho perdido pelo mesmo. O gráfico abaixo mostra o efeito das atividades
de manutenção no prolongamento da vida útil do material, do componente, do elemento ou
do edifício.

Quando o desempenho do material ultrapassa valores inferiores ao LMU, ainda


resta a possibilidade de restabelecer o nível inicial de desempenho (restauração).
Particularmente, nas intervenções de manutenção (reparos) onde são restabelecidos níveis
inferiores ao nível inicial, pode-se, se desejável, elevar o desempenho a níveis superiores
(modernização). Abaixo estão representadas no gráfico essas situações.
Os responsáveis pelas perdas de desempenho dos materiais, componentes,
elementos ou do edifício, são os agentes de degradação, os quais podem ser físicos,
químicos ou biológicos e, inevitavelmente agem em maior ou menor grau nos mesmos.
Em relação ao edifício esses agentes podem atuar tanto externa como internamente,
em especial na sua envoltória onde, devido às intempéries, são mais intensos e freqüentes.
Os agentes físicos são as movimentações térmicas, as movimentações
higroscópicas, as variações de umidade, entre outros, normais na vida útil de um prédio.
Os agentes químicos são as possíveis reações que podem ocorrer quando materiais
incompatíveis quimicamente são colocados em contato, quando a umidade e/ou calor
provocam reações em substancias que não estão quimicamente inertes ou quando
substancias indesejáveis (impurezas) estão presentes. Normalmente, essas reações
químicas são expansivas tornando-as mais prejudiciais a manutenção do desempenho dos
materiais ao longo do tempo.
No caso dos agentes químicos, sua ação pode ser evitada, seja no projeto, na
execução ou na fabricação dos materiais.
Os agentes biológicos são os diversos organismos vivos que podem ser gerados ou
introduzirem-se em um edifício, como por exemplo, os fungos apodrecedores da madeira e
bolores (gerados na própria edificação) e, os cupins e vegetações indesejáveis (invasores).
Particularmente, a degradação causada por agentes biológicos é chamada de
biodegradação.
Também no caso dos agentes biológicos, sua ação pode ser evitada no projeto e
através de um programa de manutenção adequado. No entanto, muitas vezes, por falta de
orientação do usuário, durante o uso e/ou operação do edifício, agentes biológicos podem
ser gerados. Esse é apenas um exemplo que demonstra a necessidade de um Manual do
Usuário.

(**) CUSTO GLOBAL DE UM EDIFICIO:

O setor industrial de um país é constituído de diversas indústrias e cada uma


desenvolve um produto específico. O edifício é o produto da indústria da construção civil,
assim como o automóvel é o produto da indústria automobilística.
A indústria da construção civil gera, aproximadamente, 15% do PIB brasileiro,
emprega cerca de 15 milhões de pessoas, consome mais ou menos 50% dos recursos
extraídos da natureza, produz entorno de 40% do resíduo gerado no mundo e provoca forte
impacto ambiental.
Como todo o produto industrial, o edifício passa por duas etapas:

 Etapa de Produção;
 Etapa de Uso.

A etapa de produção ou de construção corresponde ao período de projeto, da


escolha dos materiais e da execução do edifício.
A etapa de uso é o período em que o edifício é operado e mantido (fases de
operação e manutenção).
A duração do período de uso é significativamente maior do que o período de
produção. Ambas envolvem custos: Custos de Produção e Custos de Operação e
Manutenção (custos de uso). Sendo assim, a soma destas duas parcelas, resultam no
denominado Custo Global do Edifício. Esse conceito é fundamental na análise de um
projeto; uma vez que na avaliação de diferentes projetos, aquele que apresentar menor
custo global, a principio, será o melhor.
CRITÉRIOS UTILIZADOS NA SELEÇÃO DOS MATERIAIS / COMPONENTES:

O primeiro critério que deve ser utilizado na seleção de um material ou componente


é o CRITÉRIO TÉCNICO. Esse critério tem como objetivo escolher componentes que
apresentem propriedades necessárias para poder cumprir as funções as quais foram
designadas no projeto.
O segundo critério é o CRITÉRIO ECONÔMICO. Nesse critério deve ser
considerados na escolha dos componentes, além do custo de aquisição do produto, o
transporte, a aplicação e a manutenção (conceito de custo global).
O terceiro critério é o CRITÉRIO ESTÉTICO, ou seja, dentre os componentes que
satisfazem os critérios técnicos e são os mais econômicos, deve-se ainda optar por aqueles
que valorizem esteticamente o projeto.
Tradicionalmente, esses eram os critérios usuais na seleção de materiais ou
componentes construtivos. Porém, a partir da década de oitenta, surge uma preocupação
maior com as questões ecológicas e torna-se também um critério a ser ponderado.
O quarto critério então é chamado de CRITÉRIO ECOLÓGICO e leva em
consideração na escolha dos componentes, aqueles constituídos de materiais renováveis e
que envolvam baixo consumo energético tanto na sua produção como no seu transporte.
Por diversas razões, a ordem dos critérios pode ser alterada de acordo com as
exigências do usuário ou como princípios de projeto do arquiteto. Entretanto, o critério
técnico deve ser sempre considerado em primeiro lugar.

PROPRIDADES BÁSICAS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO:

As propriedades básicas dos materiais podem ser classificadas em:

 Propriedades Físicas:

 Propriedades Índices (propriedades físicas propriamente ditas);


 Propriedades Mecânicas;
 Propriedades Térmicas (Conforto IV):
 Propriedades Acústicas (Conforto IV);

 Propriedades Químicas;

 Propriedades Organolépticas (envolve os sentidos: cor, odor, brilho,


sabor...).

PROPRIEDADES FÍSICAS PROPRIAMENTE DITAS:

As propriedades físicas propriamente ditas serão definidas tendo como referência


as figuras abaixo:
As propriedades índices que relacionam volumes são as seguintes:

1) POROSIDADE: É por definição, a relação entre o volume de vazios de um


material e o seu volume total, normalmente expresso em porcentagem.
Teoricamente pode variar de 0% a 100%, excluindo os extremos;
2) COMPACIDADE: É por definição a relação entre o volume de sólidos de um
material e o seu volume total, normalmente expresso em porcentagem.
Teoricamente pode variar de 0% a 100%, excluindo os extremos;

A porosidade e a compacidade somadas resultam em 100%;

3) ÍNDICE DE VAZIOS: É por definição a relação entre o volume de vazios de


um material e seu volume de sólidos. Assim como a porosidade o índice de
vazios é um numero adimensional.

Tanto o índice de vazios quanto a porosidade mostram a menor ou maior presença


de vazios em um material. Entretanto, a porosidade permite visualizar o volume de vazios
existentes, em quanto o índice de vazios possibilita avaliar deformações que o material
possa sofrer quando carregado externamente.

4) GRAU DE SATURAÇÃO: É por definição a relação entre o volume de água


existente nos vazios do material e seu volume de sólidos. Normalmente,
expresso em porcentagem. Pode variar de 0% (material seco, volume de água
igual a zero) a 100% (material saturado, volume de água igual ao volume de
vazios).
Os sólidos que constituem o material apresentam uma massa que pode ser medida
em uma balança qualquer de boa precisão. Essa massa é denominada massa dos sólidos
(Ms). Particularmente, nos materiais granulares, pode ser também denominada massa dos
grãos.
A massa de água (Ma) presente nos vazios do material, também pode ser medida
em uma balança. Para isso, primeiramente, bastaria medir a massa total (Mt) do material
que é a soma da massa dos sólidos e da massa de água.

Logo a seguir, coloca-se o material em uma estufa (105 a 110ºc) até o material
secar. Quando o material estiver seco, a massa total do mesmo será igual à massa de
sólido. Portanto, a diferença entre a massa total antes da secagem e a massa total após a
secagem, corresponde à massa de água existente no material.
A massa de ar existente nos vazios do material é desprezível e considera-se igual a
zero.

Os índices físicos que relacionam massas são os seguintes:

5) TEOR DE UMIDADE: É a relação entre a massa de água presente em uma


amostra e sua massa de sólidos, geralmente expresso em porcentagem;

Como o teor de umidade relaciona partes de um todo, seu valor pode variar de 0%
até valores superiores a 100%.
6) COEFICIENTE DE ABSORÇÃO: É o teor de umidade máximo que um
material pode apresentar. Isso ocorre quando o material está saturado.

Os índices físicos que relacionam massas e volumes são os seguintes:

7) MASSA ESPECÍFICA APARENTE OU MASSA UNITÁRIA: É a relação


entre a massa total de um material e seu respectivo volume total.

Expresso em unidade de massa por unidade de volume. Exemplo: Kg/litro,


g/cm3, etc.
É um índice físico importante porque nos permite conhecer a massa total de um
material por unidade de volume, muito utilizado no calculo de traços de argamassas e
concretos.
Pode assumir valores particulares, os quais recebem uma denominação especial:

7.1) MASSA UNITÁRIA SECA: É a relação entre a massa dos sólidos


(massa seca) e o volume total do material.

7.2) MASSA UNITÁRIA SATURADA: É a relação entre a massa total do


material saturado e o volume total.
A massa unitária seca e saturada podem ser determinadas independentemente de
um material apresentar-se nesses estados e, são importantes conhecê-las pois definem os
limites mínimo e máximo que a massa unitária, eventualmente, pode assumir.

8) MASSA ESPECÍFICA REAL OU MASSA ESPECÍFICA: É a relação entre a


massa dos sólidos e o volume dos mesmos. Esse índice físico como se pode observar, pela
própria definição independe do estado do material (seco ou saturado). Na verdade, a massa
específica refere-se a um material que constitui um componente ou no caso de um material
granular dos minerais os quais constituem seus grãos.

O peso de um material é como se sabe o produto da massa do mesmo e a aceleração


da gravidade. Conseqüentemente, existem outros índices físicos que relacionam peso com
volume. Da mesma forma como foi relacionado anteriormente massa com volume, pode se
fazer o mesmo com o peso. Sendo assim:

9) PESO UNITÁRIO APARENTE OU PESO UNITÁRIO:


9.1) PESO UNITÁRIO SECO:

9.2) PESO UNITÁRIO SATURADO:

10) PESO ESPECÍFICO REAL OU PESO ESPECÍFICO:

O peso unitário é importante na determinação do peso próprio dos elementos


construtivos.

PROPRIEDADES MECÂNICAS:

Os elementos construtivos, componentes construtivos ou os materiais que os


constituem podem ser solicitados externamente por diferentes tipos de solicitações:

 Compressão;
 Tração;
 Flexão;
 Cisalhamento;
 Torção.

Estas solicitações externas geram internamente nos materiais, tensões.


As tensões são forças geradas internamente no material que em relação a uma
superfície plana imaginaria pode assumir uma inclinação qualquer.
Em relação a essa superfície pode-se decompor a força em duas componentes, uma
normal e outra tangencial ao plano, conforme a Figura abaixo:

Por definição, tensão é a relação entre a força aplicada (F) numa superfície e a área
(A) dessa superfície, portanto é expressa em unidade de força por unidade de área.
Exemplo: N/mm2.

Considerando-se as componentes normal e tangencial das forças internas, em


relação a um plano qualquer, podem-se decompor as tensões em, respectivamente, tensões
normais e tensões tangenciais.
As tensões normais podem ser de tração ou de compressão e, as tensões tangenciais
são de cisalhamento (corte).

Os materiais ao serem solicitados deformam-se. Essas deformações serão maiores


ou menores dependendo do nível de tensões despertadas no material e das características
mecânicas do mesmo. Alguns materiais apresentam comportamentos diferenciados quando
solicitados à tensões de tração ou de compressão.
A relação entre as tensões aplicadas em um material e as respectivas deformações
define o comportamento mecânico do material, o qual pode ser representado em um
gráfico TENSÃO X DEFORMAÇÃO, como o apresentado abaixo:

Geralmente, as tensões são proporcionais às deformações até determinado nível,


nessa fase se diz que o material está no Regime Elástico. A partir daí alguns materiais
apresentam um patamar de escoamento antes de romperem.
Os materiais que apresentam patamar de escoamento são denominados Materiais
Dúcteis e, diz-se que são materiais os quais avisam antes de romperem. Por outro lado, os
materiais que não apresentam patamar de escoamento, são denominados Materiais
Frágeis, rompem bruscamente. Normalmente estes materiais se caracterizam por
apresentarem resistência à tração diferente da resistência à compressão, como é o caso das
pedras naturais e do concreto.

O comportamento do material apresentado no gráfico abaixo, é puramente elástico.

As tensões e as deformações no trecho reto do gráfico Tensão x Deformação


(Regime Elástico) de um material, são proporcionais, e esta proporcionalidade é definida
pelo COEFICIENTE DE ELÁSTICIDADE DO MATERIAL (E).

Geometricamente, o coeficiente de elasticidade é a Tangente do Angulo que o


trecho reto do gráfico forma com o eixo das Deformações, conforme apresentado na
Figura abaixo:
Trigonometricamente esta proporcionalidade pode ser expressa da seguinte forma:

Em 1678 Robert Hooke estudou esta proporcionalidade entre tensões e


deformações que ocorre apenas no regime elástico e estabeleceu a Lei que rege esse
comportamento dos materiais, a qual é conhecida como Lei de Hooke.

Cada material possui um coeficiente de Elasticidade que lhe é característico. Como


podemos observar na Figura abaixo, quanto maior for o módulo de elasticidade de um
material mais rígido ele é, ou seja, para um mesmo nível de tensões, o material com maior
coeficiente de elasticidade apresentará menor deformação.

Quando o nível de tensões que atuam num material estiverem dentro do regime
elástico, o comportamento deste é regido pela Lei de Hooke e, portanto, o seu
comportamento é conhecido e previsível. Para garantir que o material quando solicitado
permaneça dentro do regime elástico é necessário que as tensões despertadas no material
não ultrapassem a tensão limite de proporcionalidade (aproximadamente a tensão de
escoamento) no caso de materiais dúcteis e, nos materiais frágeis, a tensão de ruptura.

A este nível de tensões o qual se admite que possam atuar em um material


denominamos Tensão Admissível (Tadm), portanto, o dimensionamento de qualquer
componente estrutural é feito através desta tensão.
A tensão admissível de um material é obtida reduzindo a tensão de escoamento
(materiais dúcteis), ou a tensão de ruptura (materiais frágeis), através de um Fator de
Segurança (Fs), maior do que um (1).
O fator de segurança é um número adimensional cujo valor depende de diversos
fatores tais como:

 Do material;
 Da confiança nas cargas utilizadas no projeto;
 Na confiança das condições de execução da obra;
 No controle de qualidade do processo de fabricação do material.

OBSERVAÇÕES:

1) INFLUÊNCIA DA FORMA NA ESTABILIDADE DOS ELEMENTOS


CONSTRUTIVOS:

Além da resistência mecânica do material, a forma dos elementos construtivos,


particularmente os estruturais, contribuem para a estabilidade dos mesmos. Por exemplo,
uma peça estrutural de seção transversal retangular terá melhor desempenho como uma
viga, se for posicionada conforme as Figuras abaixo:

No caso das barras, dependendo da relação entre a seção transversal e a altura


(esbeltez) pode ocorrer o fenômeno da Flambagem. A Figura a seguir mostra o efeito da
esbeltez no comportamento.
Nos exemplos citados salienta-se que só houve alteração na forma do elemento.
Todas as outras variáveis possíveis, tais como: Carregamento, material, dimensões
predominante (comprimento na viga e altura na barra), mantiveram-se constantes. No caso
das barras, o fenômeno de Flambagem só se manifesta por que a peça está comprimida. Se
a mesma estivesse tracionada não ocorreria Flambagem, independentemente da sua
esbeltez (ver figura abaixo).

2) DEFORMAÇÃO LENTA (FLUÊNCIA):

É uma característica dos materiais onde, sob uma solicitação constante, ocorre
deformação sem acréscimo de tensão no material. Essa deformação se dá defasada em
relação ao tempo. Assim, quando um material é solicitado, este inicialmente sofre uma
deformação denominada Imediata e, quando essa solicitação é mantida ao longo do
tempo, o material sofre um acréscimo na deformação, chamada Lenta. Diz-se que ocorreu
uma Relaxação no elemento estrutural. Esse fenômeno, por se manifestar ao longo do
tempo, é chamado de Reológico.

3) FADIGA:

Os materiais ao serem solicitados alternadamente por tensões de tração e


compressão (ciclos) ao longo do tempo, apresentam um fenômeno denominado Fadiga.
As solicitações repetitivas nos materiais terminam por reduzir a resistência
mecânica do mesmo, e assim, eles podem romper com tensões inferiores àquelas,
normalmente estabelecidas em ensaios estáticos.
O fenômeno de fadiga é comum de ocorrer na presença de carregamentos móveis.
Nos edifícios o mesmo fenômeno ocorre quando os componentes ou elementos
construtivos estão sujeitos a variações freqüentes de temperatura e/ou umidade. Nessas
condições os materiais se dilatam e se contraem conforme o caso, sofrendo assim, fadiga, a
qual é responsável em muitos casos pelo surgimento de fissuras em revestimentos externos
de argamassa.

4) MOVIMENTAÇÕES NOS EDIFÍCIOS:

Os edifícios sofrem diversos tipos de movimentações, tais como:

 Movimentações Térmicas;
 Movimentações Higroscópicas;
 Movimentações Termo-higroscópicas;
 Movimentações das Fundações;

No caso das movimentações térmicas e higroscópicas se faz necessário definir no


projeto juntas específicas, as quais permitam que elas ocorram sem danificar os materiais.
A falta destas juntas pode causar fissuras e trincas nos elementos construtivos.
Já nas movimentações das fundações, embora elas sejam indesejáveis, geralmente
ocorrem e exigem do edifício pequenas acomodações imprevisíveis, que podem causar,
dependendo da intensidade da movimentação, fissuras, trincas e rachaduras (fendas).
Nesse caso, como teoricamente se supõe que as fundações são indeslocáveis, não são
previstas em projeto, juntas para esse tipo de movimentação.

5) OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS:

5.1) DESGASTE:

É a propriedade que os materiais apresentam de manter suas qualidades e


dimensões com o uso. Essa propriedade, normalmente, é avaliada através da submissão do
material a cargas abrasivas.
5.2) DUREZA:

É a propriedade dos materiais resistirem a penetração de um corpo estranho, ou


seja, de resistir ao risco. O diamante é considerado o material mais duro e o talco é o
material que apresenta maior facilidade de ser riscado.

5.3) TENACIDADE:

É a propriedade dos materiais de resistirem ao choque (carga dinâmica). O vidro,


por exemplo, é um material de grande dureza e pouca tenacidade.

6) RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS:

Quando se faz referencia à resistência de um material deve-se especificar a que tipo


de solicitação está sendo tratada. Assim, não existem materiais resistentes, mas materiais
resistentes a alguma solicitação: materiais resistentes à compressão (concreto), materiais
resistentes à tração (aço), resistência ao fogo (combustível ou não), resistência ao calor
(poder refratário do material), resistência à corrosão (ação de ácidos, bases, sais).

7) NORMAS TÉCNICAS:

As normas técnicas representam a cultura tecnológica de um país. Nelas estão


registrados todo o conhecimento e a prática das técnicas consolidadas nos diferentes
setores da sociedade.
As normas técnicas são desenvolvidas pela ABNT (Associação Brasileira de
Normas Técnicas), subordinada ao INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial), através de Comitês, denominados Comitês
Brasileiros e identificados por um número conforme a área do conhecimento a que se
referem, por exemplo: CB-02 (Comitê Brasileiro de Construção Civil/ COBRACON).
Existem diferentes tipos de Normas:

 Procedimentos;
 Padronização;
 Especificação;
 Método de Ensaio;
 Terminologia;
 Simbologia;
 Classificação.

Os diferentes tipos de Norma são identificados pela sigla NBR seguida de um


número, por exemplo: NBR 6122 (Procedimento - Projeto e Execução de Fundações de
Edifícios).
Maiores informações sobre o sistema de Normas Brasileira pode ser obtido no site:
http://www.abnt.org.br
Cada país possui seu sistema de Normas, inclusive existem Normas Internacionais.
Evidentemente que, ao se desenvolver um projeto para um determinado país, o mesmo
deverá respeitar as Normas locais.