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FACULDADE ANHANGUERA DE CAMPINAS -

UNIDADE 3
CURSO DE PSICOLOGIA

ESTÁGIO ESPECÍFICO I - SAÚDE

WELLINGTON CESAR DE MENEZES RA: 4200058869

Campinas
2016
FACULDADE ANHANGUERA DE CAMPINAS -
UNIDADE 3
CURSO DE PSICOLOGIA

ESTÁGIO ESPECÍFICO I - SAÚDE

Relatório de Estágio apresentado à Faculdade


Anhanguera de Campinas como exigência da
disciplina (Estágio Específico I - Saúde).

Orientador: Profº Orientador Walmor de Almeida


Nogueira Largura

WELLINGTON CESAR DE MENEZES RA: 4200058869

Campinas
2016
SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO....................................................................................................................3
2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..........................................................................................4
3 – A ANÁLISE DO COMPORTAMENTO E SEUS PRINCIPAIS CONCEITOS................6
3.1 - CONDICIONAMENTO OPERANTE...............................................................................6
3.1.2 - LEI DA AQUISIÇÃO.....................................................................................................6
3.1.3 – APLICAÇÕES DO COMPORTAMENTO OPERANTE E DA LEI DE AQUISIÇÃO
EM PROGRAMAS DE SOBRE PESO......................................................................................6
3.2 – ESQUEMAS DE REFORÇAMENTO .............................................................................7
3.2.1–ESQUEMAS DE REFORÇAMENTO APLICADO AO PROGRAMA DE PERDA DE
PESO.....................................................................................................................................8
3.3 – DISCRIMINAÇÃO E GENERALIZAÇÃO.....................................................................9
3.3.1 – DISCRIMINAÇÃO OPERANTE..................................................................................9
3.3.2- ESTÍMULO DISCRIMINATIVO E ESTÍMULO DELTA.............................................9
3.3.3 – GENERALIZAÇÃO.....................................................................................................10
3.3.4– DISCRIMINAÇÃO E GENERALIZAÇÃO APLICADAS AO PROGRAMA PERDA
DE PESO.........................................................................................................................11
3.4 - CONTROLE AVERSIVO DO COMPORTAMENTO.................................................12
3.4.1-A PUNIÇÃO APLICADA AOS PROGRAMAS DE PERDA DE PESO......................13
3.5 – FUGA E ESQUIVA.........................................................................................................13
3.5.1 - FUGA E ESQUIVA APLICADAS AO PROGRAMA DE PERDA DE PESO...........13
3.6 - ANÁLISE FUNCIONAL DO COMPORTAMENTO.....................................................13
3.6.1 – APLICAÇÃO DA ANÁLISE FUNCIONAL NO PROGRAMA DE PERDA DE
PESO................................................................................................................................14
4 – ATIVIDADES DO
ESTÁGIO...........................................................................................115
5 – PROCEDIMENTOS E RECURSOS UTILIZADOS.........................................................15
5.1 – PROCEDIMENTOS E METODOLOGIAS....................................................................15
5.2 – MATERIAIS, EQUIPAMENTOS OU FERRAMENTAS..............................................15
6 – CONCLUSÃO....................................................................................................................16
7 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................17
3

1 – INTRODUÇÃO

O objetivo do presente trabalho é o de registrar e relatar a experiência de


estágio em psicologia, na área da saúde. A experiência se deu na clinica de
psicologia da Faculdade Anhanguera Unidade III, localizado no município de
Campinas-SP.
O estágio específico em saúde foi escolhido devido ao aluno ter uma afinidade
com a abordagem na qual o programa Emagre-Sendo seria implementado e de
achar que o estágio, com o programa proposto, iria trazer grandes ganhos em sua
formação acadêmica. O estagiário participou de várias orientações durante o
período, todas descritas no item 2.3 do relatório, como: ( orientações, estruturação
do programa e fichamentos).
Todo o programa discutido na clinica, bem como as orientações de cunho
teórico, foram analisadas, segundo referencial teórico descrito no item 2 desse
trabalho, com a respectiva conclusão e as devidas considerações finais do
estagiário.
2 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Começando na década de 1950, Skinner foi a grande personificação da


psicologia behaviorista americana (Schultz 2012).
O behaviorismo de Skinner suplantou o de Watson em diversos aspectos.
“O behaviorismo de Skinner dedica-se ao estudo das respostas.Ele se
preocupava em descrever e não em explicar o comportamento. A sua
pesquisa tratava-se apenas do comportamento observável, e ele acreditava
que a tarefa da investigação cientifica era estabelecer as relações
funcionais entre as condições de estimulo controladas pelo pesquisador e
respostas subsequentes do organismo”.( SCHULTZ, p. 296, 2012).

Conforme Bock (1999), o Behaviorismo de Skinner influenciou inúmeros


psicólogos americanos, assim como também em muitos outros países, tendo ele
grande aceitação, inclusive no Brasil.
“Esta linha de estudo ficou conhecida por Behaviorismo radical, termo
cunhado pelo próprio Skinner, em 1945, para designar uma filosofia da
Ciência do Comportamento (que ele se propôs defender) por meio da
análise experimental do comportamento”.(BOCK et al 1999, p.46).

A Análise do Comportamento reconhece a múltipla determinação do


comportamento, filogênese, ontogênese e a cultura (Tourinho e Luna, 2010).
Portanto, a concepção de homem para a análise do comportamento, é
determinada por estas três variáveis.
“Os determinantes que se originam na história da espécie, na história do
indivíduo e na história da cultura atuam conjuntamente na constituição
desse homem. Talvez se possa dizer que a singularidade é acentuada no
intercruzamento dessas três histórias. (...) Com base na descrição e
previsão, o homem é capaz de planejar futuras relações de tal forma que o
resultado delas – o próprio homem – não será mais produto do acaso”.
( BANACO et al, 2001, p.192)

Para o behaviorismo radical, não existe liberdade, o homem é determinado.


Somos determinados, muito embora, sejamos indivíduos, mas, a nossa
individualidade é determinada, causada e controlada. Para o Behaviorismo radical,
não existe o livre arbítrio, não existe a liberdade e a indeterminação. “É condição
básica do ser humano que ele interaja com a natureza, com outros homens e sofra
os efeitos dessa sua ação: isto é determinação, isto é controle (BANACO et al 200).
“Controle não é uma fase passageira (...). Nós não podemos escolher uma
maneira de vida na qual não haja controle. Nós podemos apenas escolher
as condições controladoras”. (SKINNER, 1974, p.209, apud BANACO et al
2001).
Ainda sobre a liberdade Skinner relata em seu livro:

“A assim chamada ≪literatura da liberdade≫ tem visado induzir as pessoas


a atacar ou a fugir daqueles que agem no sentido de controla-lá
aversivamente. O seu conteúdo é a filosofia da liberdade, mas as filosofias
estão incluídas no numero das causas internas que precisam de ser
examinadas. Afirmamos que um dado individuo procede de determinado
modo graças à filosofia que tem ou adopta; no entanto, dado que inferimos
a filosofia a partir do comportamento, não podemos usa-la satisfatoriamente
como explicação, pelo menos enquanto ela própria não for explicada. Por
outro lado, a literatura da liberdade apresenta um simples status objectivo.
Abrange livros, panfletos, manifestos, discursos e outros produtos verbais
destinados a induzir as pessoas a agirem de modo a libertarem-se de vários
tipos de controlo intencional. Não divulga uma filosofia da liberdade, apenas
induz as pessoas a agirem”.(SKINNER, 1971, p.30)

A análise do comportamento, atualmente, é uma abordagem alternativa


dentro da psicologia. Ela diferencia-se das demais abordagens por sua
fundamentação filosófica, seu sistema teórico, e pela prática profissional que se
origina a partir disso (Tourinho e Luna 2010).
Tourinho (1999) sugere subdivisões na ciência do comportamento, ou seja, a
área ampla levaria o nome de Análise do Comportamento, a parte filosófica e
histórica se chamaria Behaviorismo Radical, a parte empírica, de Análise
Experimental do comportamento e a a parte incumbida de administrar os recursos
e de intervir no âmbito social, se chamaria Análise Aplicada do Comportamento.
Tourinho (1999) reforça que nenhuma dessas áreas poderia existir de modo
independente.
A psicologia comportamental sofreu grandes efeitos e contribuições das
experiências de Skinner que trouxe muitos princípios, leis e conceitos referentes ao
comportamento, dentre eles, o condicionamento operante; os esquemas de
reforçamento, dentre outros (SCHULTZ 2012).
Além desses mencionados acima, tem-se: discriminação e generalização,
controle aversivo do comportamento, esquemas de reforçamento, fuga e esquiva e
análise funcional do comportamento (LARGURA e BASQUEIRA 2010; SKINNER
1979).
A Análise do Comportamento não tem como objetivo o estudo da obesidade
ou do sobrepeso em si, mas sim a relação indivíduo, obesidade ou sobre peso e
ambiente. A Análise do Comportamento procura identificar num determinado
indivíduo, qual a função que o comportamento de ingerir alimentos em excesso tem
para ele, mesmo este sabendo das prováveis consequências maléficas. (Cavalcante
2009).
3 – A análise do comportamento e seus principais conceitos

A psicologia behaviorista de Burrhus Frederic Skinner

“Eu comecei a montar uma biblioteca, partindo de Filosofia de Bertrand


Russel, de Behaviorismo, de John B. Watson, e de Reflexos condicionados,
de I. P. Pavlov, os livros que, penso eu, prepararam-me para uma carreira
em psicologia. (SKINNER,1979, p.4, apud LARGURA e BASQUEIRA 2010).

O behaviorismo de Skinner suplantou o de Watson em diversos aspectos.

“O behaviorismo de Skinner dedica-se ao estudo das respostas.Ele se


preocupava em descrever e não em explicar o comportamento. A sua
pesquisa tratava-se apenas do comportamento observável, e ele acreditava
que a tarefa da investigação cientifica era estabelecer as relações
funcionais entre as condições de estimulo controladas pelo pesquisador e
respostas subsequentes do organismo”.( SCHULTZ, p. 296, 2012).

3.1 - Condicionamento operante: situação de aprendizagem que envolve o


comportamento emitido por um organismo em vez de eliciado por um estímulo
detectável (SCHULTZ 2012, P.298).
As características do comportamento operante são bem distintas das do
comportamento respondente. No comportamento operante não é possível para o
observador detectar um estímulo, no entanto, o estímulo existe, apenas não pode
ser visto pelo observador.
Outra característica do comportamento operante é que ele opera sobre o
ambiente, tanto físico como social, e ao operar produz consequências que afetam a
probabilidade de respostas futuras.
Skinner pensava que o comportamento operante era o que melhor
representava uma situação de aprendizagem (SCHULTZ 2012).
Skinner em seus experimentos derivou uma lei chamada lei da aquisição na
qual é afirmado que a força de um comportamento operante é aumentada quando
logo após sua ocorrência segue-se a apresentação de um estímulo que o reforce.
3.1.2 - Lei da aquisição: a força de um comportamento operante aumenta quando
em seguida recebe um estímulo reforçador (SCHULTZ 2012, p.298).
3.1.3 – Aplicações do comportamento operante e da lei de aquisição em
programas de sobre peso

Em programas de perda de peso o objetivo é obviamente perder peso, mas,


para que um bom e eficaz programa cujos princípios teóricos sejam os da análise do
comportamento, é necessário compreender que o comportamento alimentar do
individuo possui uma história e que seus hábitos atuais foram se formando com o
decorrer do tempo. O indivíduo aprendeu os comportamentos que emite e isso não
se deu da noite para o dia, sendo esse processo chamado de aprendizagem, o
indivíduo sente fome, a resposta a esse estimulo é procurar alimentos para saciar a
fome, e isso é chamado de comportamento respondente, mas a maneira como o
individuo como, Isto é se é desproporcional a esse estimulo ou se ele como
demais,ou de menos ou se come alimentos que podem prejudicá-lo, sendo todos
esses comportamentos aprendidos, muito provavelmente por meio da modelação,
vendo os outros de seu convívio fazendo. Isso é muito importante pois, se
aprendemos é possível desaprendermos.
Em programas de perda de peso, podemos usar o comportamento operante
para ensinarmos onde, como, quando, quanto e o que o individuo deve comer. Não
nos esquecendo de que sempre que o individuo aprender e passar a emitir um
comportamento desejado, se o mesmo for reforçado ( lei da aquisição), sua taxa de
resposta ou força do comportamento tendem a aumentar.

3.2 – Esquemas de Reforçamento

Esquema de reforço: condições que envolvem diferentes razões ou intervalo


de tempo entre reforços (SCHULTZ 2012, P.299).
Skinner demonstrou com seus experimentos o papel do reforço no
comportamento operante. Na prática ou no mundo real o reforço nem sempre é
consistente ou continuo mas, mesmo assim, o processo de aprendizagem acontece
e o comportamento continua. Skinner afirmou:
Nem sempre Encontramos uma boa camada de gelo ou uma boa Neve
Quando vamos patinar ou esquiar. (...) Nem sempre temos uma ótima
refeição nos restaurantes, porque os cozinheiros não são muito previsíveis.
Nem sempre que telefonamos ao amigo conseguimos falar com ele, porque
nem sempre ele está em casa. (...) Os reforços característicos do trabalho e
do estudo são quase sempre intermitentes porque não é viável controlar o
comportamento reforçando toda resposta ( SKINNER, 1953,p.99 apud
SCHULTZ 2010, p. 299).

Skinner, ao estudar os reforços apresentados aos comportamentos, desejou


saber de que forma o reforço variável influenciava o comportamento. Ele queria
saber se um determinado esquema de reforço ou padrão de reforço seria melhor
que outro no que tange a determinação das respostas dos organismos.
Existem dois tipos de reforço: o contínuo e o intermitente.
No reforço contínuo, após a resposta é apresentado um reforçador, isso
sempre, continuamente.
Basqueira e Largura (2010) mencionam um bom exemplo de reforço
intermitente, cita o exemplo dos motoboys que conduzem seus veículos na maioria
das vezes muito velozmente, aparentemente este poderia ser pré-julgado como um
comportamento inconsequente, poderiam ser chamados até mesmo de loucos, no
entanto, eles recebem por entregas que fazem, ou seja, são reforçados
continuamente, daí a pressa, quanto mais entregam, mais recebem ou são
reforçados. Este é um bom exemplo de reforço continuo.
O reforço contínuo tem duas características importantes:
1º - a instalação de uma nova classe de resposta é facilitada
2º - o organismo poderá ficar saciado muito rapidamente
No reforço intermitente, o reforço é apresentado de maneira ocasional. Na vida
em geral, é esse tipo de reforço a que estamos sob efeito o tempo todo. Nem todas
as respostas emitidas são reforçadas ( LARGURA e BASQUEIRA 2010).
Os esquemas de reforçamento podem ser de razão e de intervalo:
1º - de razão fixa, razão variável;
2º intervalo fixo e intervalo variável
“Independentemente do esquema de reforçamento ser de razão ou de
intervalo, quando utilizamos um esquema variável ele sempre produzirá
uma taxa de resposta maior do que se comparado ao esquema fixo
(LARGURA; BASQUEIRA, 2010, p.58).

3.2.1 – Esquemas de Reforçamento aplicado ao programa de perda de peso

Quando se almeja aumentar a frequência e fortalecer um comportamento, é


comum fazê-lo usando-se o princípio de reforçamento com esquemas de razão ou
de intervalo.
No caso da perda de peso, podemos usar esse princípio a favor do programa,
ou seja, se conseguirmos que um indivíduo participante adquira um determinado
comportamento desejável, por exemplo: a diminuição de ingestão de líquidos
durante as refeições, sucos, refrigerantes ou água, deve-se reforçar esse
comportamento desejável para que ele continue ocorrendo. O tipo de reforço poderá
ser escolhido pelo próprio indivíduo, algo que ele goste e que não traga prejuízos ao
programa. Pode ser uma fruta após determinada refeição, na qual o participante
tinha o hábito de ingerir líquidos, ou outra coisa que seja reforçadora para ele. Nesse
caso poder-se-ia aplicar um esquema de reforço de razão fixa, sendo ele reforçado
com algo que ele goste sempre que se comportar de maneira a evitar ou diminuir a
ingestão de líquidos.

3.3 – Discriminação e generalização

3.3.1 – Discriminação operante

“ Quando o responder é reforçado apenas na presença de alguns estínulos,


dizemos que o reforço é correlacionado com aquele estímulo. Uma classe
de resposta criada por este reforço diferencial em relação às propriedades
do estímulo é chamada de operante discriminativo ( CATANIA,1999, apud
LARGURA;BASQUEIRA, 2010, p. 95).

A discriminação operante pode ser definida como sendo uma determinada


resposta que acontece somente na presença de situações que a antecederam e que
a reforçaram, ou seja, estímulos específicos, sendo a resposta diferenciada diante
desses estímulos.

3.3.2 - Estímulo discriminativo e estímulo Delta.

Existem dois grandes grupos de estímulos antecedentes:


Aqueles diante dos quais o comportamento produz consequências reforçadoras
e aqueles nos quais o comportamento não produz consequências reforçadoras.
Estímulos discriminativos são aqueles que antecedem a resposta e que
indicam que uma resposta específica irá produzir consequências reforçadoras
aumentando sua probabilidade de ocasionar uma resposta futura na presença do
mesmo estimulo.
Considera-se um estímulo discriminativo aquele que exerce algum controle
sobre o comportamento e que a resposta é mais forte diante desse estímulo do que
na ausência dele, além disso, este controle de estímulo tem relação com algum tipo
em particular de história do indivíduo ( MICHAEL 1980,1982 apud LARGURA;
BASQUEIRA 2010, p.96).
Não temos liberdade, de acordo com a perspectiva da análise do
comportamento, portanto estamos, a todo o momento, sendo controlados por
estímulos do ambiente, tanto interno, como externo, mas somos seletivos, ou seja,
quando nos comportamos diante de determinados estímulos, ficamos sob o controle
deles, sendo eles reforçadores ou não. Isso de sermos reforçados perante alguns
estímulos, mas não de outros, leva o nome de aprendizagem de discriminação de
estímulo.
Podemos aprender a discriminação de estímulos ou então, dito em outras
palavras, podemos aprender a discriminar o que nos controla.

3.3.3 – Generalização

“um organismo está generalizando quando emite uma resposta diante de


estímulos que apresentam alguma semelhança com o estímulo discriminativo”
(LARGURA; BASQUEIRA 2010, p. 98).
A Generalização é um importante conceito da Análise do Comportamento no
qual, abreviadamente, pode-se dizer que em vez do organismo discriminar entre
dois estímulos diferentes e emitir duas respostas também diferentes, ele emite a
mesma resposta para os dois estímulos que não são idênticos, mas de classes
parecidas. A generalização, em tese, é o oposto da discriminação e existem variadas
razões para sua ocorrência.

3.3.4 – Discriminação e generalização aplicadas ao programa de perda de peso


É importante o participante do programa de perda de peso discriminar ou
identificar o estímulo que faz com que ele ganhe peso. Pode ser um alimento
específico, pode ser uma combinação danosa como, por exemplo, a ingestão de
razoável quantidade de líquidos durante as refeições ou qualquer outra coisa que
provoque aumento de peso, pois ao ocorrer a discriminação, pode-se controlar
esse estímulo, se esquivar ou fugir dele, ou então removê-lo.
A generalização também é importante na medida em que o individuo, depois de
fazer a discriminação, como por exemplo: que a ingestão de suco de frutas adoçado
durante o almoço e o jantar faz com que ele ganhe peso, ou em uma outra situação
que também faça com que ele ganhe peso, por exemplo: no café da manhã ou no
lanche da tarde o ato de ingerir grande quantidade de leite juntamente com os
alimentos sólidos . O indivíduo discriminou que apesar de suco de frutas e leite
serem diferentes, eles são alimentos líquidos e ao serem ingeridos antes das
refeições faz com que ele ganhe peso e ao generalizar os estímulos diferentes, mas
que pertencem a mesma classe, ou seja, líquidos, faz com que o programa
mantenha sua eficácia. Estímulos diferentes que apresentam e compartilham
alguma propriedade em comum, servem para uma mesma resposta (LARGURA;
BASQUEIRA 2010).

3.4 - Controle aversivo do comportamento


A punição
De acordo com Skinner (2000 apud LARGURA;BASQUEIRA 2010, p. 111).

A técnica de controle mais comum da vida moderna é a punição. O padrão


é familiar: se alguém não se comporta como você quer, castigue-o; se uma
criança tem mau comportamento, espanque-a; se o povo de um país não se
comporta bem, bombardeie-o. Os sistemas legais e policiais baseiam-se em
punições como multas, açoitamento, encarceramento e trabalhos forçados.
O controle religioso é exercido através de penitências, ameaças de
excomunhão e consignação ao fogo do inferno (p.198-199).

Portanto, como Skinner escreveu, a punição é usada para que se obtenha a


diminuição da frequência de uma resposta, através da retirada de um estímulo
reforçador ou da introdução de um estímulo aversivo.
A punição é acompanhada por três efeitos:
1º - ela funciona somente na presença do agente punidor;
2ª - a punição provoca respostas emocionais;
3º - o organismo procura se comportar para retirar o estimulo aversivo;
A punição serve para que um comportamento que possa nos prejudicar ou
então que seja um comportamento inaceitável, cesse rapidamente
(LARGURA;BASQUEIRA 2010).

3.4.1 - A punição aplicada aos programas de perda de peso

Em um programa de perda de peso a punição pode ser uma aliada. Um


exemplo disso seria o seguinte: o participante do programa quer perder peso, para
isso ele necessita efetuar o controle do peso, indo até um local que tenha uma
balança e faz a pesagem. Se a balança informar que ele perdeu peso, isso é um
reforço negativo, mas se a balança registrar que ele ganhou peso, isso seria uma
punição, pois se ganhou peso é porque ingeriu alimentos que não deveria ou então
descumpriu as orientações do programa. Neste caso, o fato de ganhar peso devido
a um comportamento inadequado é o mesmo que estar diante de um estímulo
aversivo.
Pode-se pensar também de uma outra maneira, o participante do programa
segue rigorosamente as orientações do programa, mas em um dado momento, até
mesmo devido a privação de alguns alimentos, ele acaba por ceder e descumpre as
orientações do programa e ao pesar constata que seu peso aumentou. Nesse caso
ele foi punido pela retirada de um reforçador, ou seja, seu peso ideal.

3.5 – Fuga e esquiva

Conceituando o comportamento de fuga:

“O comportamento seguido pela remoção de uma estimulação


aversiva( SKINNER 2000, p.188 apud LARGURA;BASQUEIRA 2010, p.124)”
Conforme (SIdman 2003 apud LARGURA;BASQUEIRA 2010), muitas vezes
nosso comportamento tem a função de nos livrar de um estímulo aversivo, e diz-se
que nosso comportamento é reforçado negativamente, ou seja, agimos para
remover o estímulo aversivo.

Conceituando o comportamento de esquiva:


“A prevenção de um estímulo aversivo por uma resposta” (CATÂNIA, 1999,
p.402, apud LARGURA;BASQURIRA 2010, p.127).
A situação de esquiva ocorre quando a situação aversiva ainda não está
presente, mas esta prestes a ocorrer, dessa forma o organismo emite uma resposta
com o objetivo de evitar a situação aversiva.

3.5.1- A fuga e esquiva aplicadas aos programas de perda de peso

Pode-se recorrer à fuga e esquiva quando o indivíduo participante do programa


de perda de peso, que já houver discriminado um estímulo prejudicial aos objetivos
do programa, ou seja, um estímulo S(D), e se encontra diante dele ou prestes a ficar
diante dele, evita-o ou foge do mesmo, exemplo: o indivíduo é convidado por amigos
à participar de uma festa na qual será comemorado o aniversário do seu melhor
amigo. Sabe-se que a festa será regada a muita bebida alcoólica e comidas das
mais variadas, desde feijoada a carnes assadas (churrasco), o indivíduo pode
recorrer primeiramente à esquiva e recusar de modo elegante o convite, dizendo
que já havia assumido um compromisso inadiável naquela data e assim, não ficar
sujeito a ser controlado pelos estímulos presentes na festa. Outra opção seria se
não houver outra maneira de se esquivar ou se o indivíduo não querer a esquiva e
desejar ir à festa e achar que poderá ingerir os alimentos com extrema moderação,
na iminência de já na festa e ver que está sendo controlado pelos estímulos S(D),
ele simplesmente pode fugir, sair daquele ambiente e com isso remover o estímulo
que em seu contexto é aversivo, ou seja, vai fazer com que ele ganhe peso.

3.6 – Análise funcional do comportamento

A análise funcional é a principal ferramenta do analista do comportamento.


Para conceituar análise funcional é necessário explicar, primeiramente, a
tríplice contingência, que seria a unidade mínima de análise do comportamento
operante, ou seja, o contexto onde o comportamento ocorre, isso significa um
antecedente, a resposta e a consequência ( LARGURA;BASQUEIRA 2010).
“As variáveis externas, das quais o comportamento e função, dão margem
ao que pode ser chamado de análise causal ou funcional. Tentamos prever
e controlar o comportamento de um organismo individual. Esta é a nossa
variável dependente - o efeito para o qual procuramos a causa. Nossas
variáveis independentes - as causas do comportamento- são as condições
externas das quais o comportamento e função. Relações entre as duas- as
relações de causa e efeito no comportamento- são as leis de uma ciência.
Uma síntese destas leis expressa em termos quantitativos desenhar um
esboço inteligente do organismo como um sistema que se comporta”.
( SKINNER 2000, p.38 apud LARGURA;BASQUEIRA, p.135).

3.6.1 – Aplicação da análise funcional no programa de perda de peso.

A análise funcional é uma ferramenta fundamental em qualquer intervenção do


analista do comportamento, sem a análise funcional não seria possível identificar o
comportamento, pois a análise funcional apresenta os três requisitos para o
comportamento, ou seja, o antecedente, a resposta e a consequência, portanto,
quando se fala em programa de perda de peso estamos falando em modificação de
comportamento e para sabermos o que modificar, obrigatóriamente temos que
realizar a análise funcional.
Podemos dar o seguinte exemplo, vemos o indivíduo participante do programa
ingerindo alimentos que não foram os recomendados para ele, obviamente estamos
vendo a resposta do individuo que é comer, para que entendamos o comportamento
por completo e possamos intervir, é necessário analisar o contexto todo, ou seja
qual o estímulo(s) que antecede(m) a resposta e qual a consequência que o ato de
ingerir alimentos inadequados produz para o indivíduo.
4 – ATIVIDADES DO ESTÁGIO

Foram realizadas atividades, tais como: estruturação do programa Emagre-


Sendo ( anamnese, busca por aplicativos, escolha do nome do programa, busca por
locais de atividades físicas, academias).
Também foram realizados vários fichamentos e discussão de conceitos relativos a
análise do comportamento e do programa de perda de peso.

5 – PROCEDIMENTOS E RECURSOS UTILIZADOS

5.1 – OBJETIVOS.
O projeto Emagre-Sendo tem como objetivo principal a Perda de Peso com saúde,
proporcionando o Bem Estar físico e emocional aos participantes, através do
acolhimento , orientação psicológica.

5.2 – PROCEDIMENTOS

Reuniões todas as quintas-feiras e orientação com professor orientador.


Mapeamento de pontos na cidade que ofereçam atividade física gratuita. Busca por
aplicativos relacionados ao controle de ingestão de alimentos.

5.3 - METODOLOGIAS
Metodologia científica, através de pesquisa bibliográfica sobre o assunto
perda de peso e análise qualitativa dos dados levantados.

5.2 – MATERIAIS, EQUIPAMENTOS OU FERRAMENTAS.

Papel A4, caderno, lápis, caneta, aparelho celular, livros, computador.


6 – CONCLUSÃO

O estagiário concluiu que o estágio específico em saúde I, em programa que aborda a


perda de peso, foi de grande valor no momento em que agregou conhecimentos à
formação do estagiário. Conclui-se que as discussões acerca da abordagem e conceitos da
análise do comportamento, durante as orientações, trouxeram uma nova maneira de ver a
psicologia e novas possibilidades de aplicá-la, que até então, o estagiário desconhecia ou
menosprezava por ter um pré-conceito a respeito da abordagem. O estagiário passou a ter
um profundo respeito e reconhecimento à Frederic Burrhus Skinner e a contribuição que
o mesmo fez a psicologia comportamental.
Importante também foi o início de uma capacitação para trabalhar com a perda de peso,
algo que acomete uma multidão de pessoas e que traz um prejuízo enorme à população
brasileira e mundial. Foi gratificante o estágio. Como uma sugestão com a intenção de
contribuir com o programa e para que futuros estagiários possam ter um melhor
aproveitamento, sugere-se que a faculdade faça a divulgação do programa
antecipadamente, que organize e inicie o cronograma o quanto antes, para que se tenha
mais tempo para os atendimentos e a parte pratica do estágio, o que certamente trará
inúmeros benefícios aos alunos e ao publico participante do programa.
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7 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Porto Alegre, Artes Médicas:1999.

CATANEO, C. CARVALHO, A., M. P. GALINDO. E. M. C., Obesidade e Aspectos


Psicológicos: Maturidade Emocional, Auto-conceito, Locus de Controle e Ansiedade
- Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, Psicologia: Reflexão e Crítica,
2005, 18(1), pp.39-46

CAVALCANTE, L.C, Obesidade e Análise do Comportamento, Belém, UNAMA,


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CORDIOLI, A. V. Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed.Porto Alegre: Artmed.


(2009). 

COSTA, M. N. P. Considerações acerca do behaviorismo radical, Análise do


Comportamento e análise experimental do comportamento. Cadernos de textos de
Psicologia, Belém, Departamento de Psicologia da Universidade da Amazônia,
v. 2, n. 1, p. 7-10, out. 1997.

FREGONEZE, G., B.; TRIGUEIRO, R.,M; RICIERI, M.; BOTELHO, J., M.


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FRISBERG, Mauro. Obesidade na infância e adolescência. São Paulo: Fundação


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LAKATOS, Eva e Marconi; Marina. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed.


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LARGURA, Walmor, ANA Basqueira. - Análise Experimental do Comportamento,


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