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QUESTÕES PARA ESTUDAR PARA A PROVA

1-) Comente sobre as crenças antigas apresentadas na obra de Fustel Coulanges (A


Cidade Antiga).

Até o fim da antiga Grécia e Roma viam-se costumes e tradições que sobreviveram
de uma época muito remota, o que nos faz pensar sobre a natureza do homem, sua alma
e a morte. Acreditava-se que a alma se mantinha no corpo, sendo com ele fechada junto
a sepultura. Destas antigas crenças nos ficaram os testemunhos dos ritos fúnebres, o que
nos ajuda a compreender melhor nossa própria história.
Com a certeza absoluta de que a alma junto ao corpo se mantinha, os povos antigos
nunca deixavam de ofertar aos mortos suas vestes, armas, bebidas, comidas e tudo mais
que julgassem necessário. Até mesmo escravos e animais de grande porte eram ofertados
aos mortos.
Podemos simplificar a religião dos mortos da seguinte maneira, o homem adorou
os mortos e a partir disto surgiu o sentimento religioso. A morte foi o primeiro mistério,
colocando o homem no caminho de outros mistérios, elevando assim seu pensamento do
passageiro para o eterno e do humano para o divino.
A casa do grego e do romana abrigava sempre um altar. Neste altar havia o que
eles denominavam de Fogo Sagrado, uma chama constante que jamais se poderia apagar.
Era obrigação do chefe da família manter a chama acesa dia e noite. Infeliz a casa onde a
chama se apagasse. O fogo deveria manter-se puro, sendo repudiável cometer qualquer
pecado diante da chama sagrada. O homem não saia de casa sem dirigir uma prece diante
do fogo sagrado pedindo por proteção e providencia aos seus Manes familiares.
Mais tarde, quando os gregos e romanos passaram a representar seus deuses em
forma humana, o culto do fogo sofreu a mesma influência, passando a ser chamado de
Vesta, a deusa da chama sagrada.

2-) De qual maneira o que foi relatado em A Cidade Antiga auxilia na compreensão
das instituições jurídicas e políticas da Grécia e de Roma?

A partir da leitura de A Cidade Antiga, temos uma clara compreensão do


surgimento e da evolução das instituições jurídicas e políticas na Grécia e em Roma. Um
claro exemplo disto é como se dá, no livro, a constituição da família, bem como os direitos
de propriedade e sucessão. Outro ponto importante que nos aclara como surgiram os
pilares das intuições políticas e jurídicas é quando observamos a importância de se
perpetuar as crenças e a família, de modo que a sociedade não se desordenasse e desta
forma mantivesse aquilo que podemos chamar de primórdios da civilização como
conhecemos hoje.
A abordagem que A Cidade Antiga traz sobre adoção, agnação, parentesco e
matrimonio, por exemplo, nos revela que, desde tempos remotos, a força das instituições
apresentadas na obra de Fustel de Coulanges servem de inspiração para a construção de
um Estado e uma Sociedade tal como conhecemos hoje, onde suas leis e princípios são
extraídos por muitas vezes de livros como este.

3-) Comente sobre casamento e sucessões na Cidade Antiga.

Em A Cidade Antiga, o casamento é a primeira instituição estabelecida pela


religião doméstica, apontando que esta religião era passada de varão para varão,
entretanto não pertencia somente ao homem, uma vez que a mulher também era parte
importante neste culto. No momento em que a filha fosse pedida em casamento, ela
deveria desfazer-se de todo laço familiar criado até então e não simplesmente sair de sua
casa e integrar uma nova família. Dalí em diante ela deveria renunciar aos seus e se
colocar diante de um novo império, um novo deus até então desconhecido, passando a
adorar os antepassados de seu marido.
Para o homem, o casamento é um ato extremamente sério, pois ele estará
introduzindo em seu lar uma estranha, onde, mais tarde, como sua esposa, oficializará a
cerimonia transmitindo a ela seus ritos e revelando o culto que forma o alicerce de sua
família.
Quanto as sucessões, a hereditariedade era, de fato, uma regra para a transmissão
do culto de pai para filho, por isso a autoridade nascia do culto do lar, tudo derivado da
religião. O patrimônio era completamente indivisível, e o único que o recebia, após a
morte do pai, era o primogênito. As responsabilidades e deveres do pai eram passados
para o primogênito homem, bem como todos os seus bens e direitos. A mãe, as filhas e
os filhos mais novos, assim que o patriarca morria, passavam a ser tutelados por seu
primogênito. A mulher não possuía direito algum.

4-) Qual era a importância do Fogo Sagrado para as famílias?

Cada família mantinha um altar onde, permanentemente, havia uma chama acesa.
Tal chama só poderia ser apagada quando não houvesse mais nenhum membro da família
vivo para alimentar este fogo sagrado. A manutenção desta chama seguia seu ritual
próprio onde nenhum objeto maculado ou impuro poderia ser queimado. O fogo era como
algo dotado de vida própria, e devido a este cuidado e importância que davam ao Fogo
Sagrado é que fazia com que fosse considerado algo puro. Todos os rituais eram feitos
diante do Fogo Sagrado, casamentos, nascimentos, emancipação, adoção. Tamanha era
sua importância que, mais tarde, viríamos a conhecer a Chama Sagrada como Vesta, a
deus do fogo sagrado.

5-) Diferencie a questão da obediência às normas elaboradas pelos homens nas


Obras "Antígona" e "Apologia de Sócrates".

Na obra Antígona, vemos expressamente em seus argumentos bem como em sua


desobediência uma manifestação clara a respeito do caráter natural e da dignidade
humana, pois entre obedecer as leis dos homens ou a lei de deus, a personagem claramente
demonstra uma preocupação e total sentimento de empatia e compaixão para com o
próximo, o que a faz ignorar as leis e vontades do rei.
Já na obra Apologia de Sócrates, de Platão, nos é relatado que, devido a
preocupação de viver dentro da ética, da coerência, devido à importância daquilo que ele
pregou do viver bem, Sócrates nega fugir à pena de morte a qual fora condenado pela
Pólis, preferindo assim submeter-se aquilo que lhe fora reservado, defendendo
categoricamente que deveria obedecer às leis da cidade que lhe haviam disposto seu fim.

6-) Comente sobre o Direito Grego.

Os direitos, muito antes da Grécia, já existiam, como podemos observar com o


estudo dos povos antigos. De fato, os gregos não produziram todas as fontes jurídicas
como conhecemos hoje, a importância de se viver em sociedade nos trouxe os preceitos
de direito como conhecemos hoje. A formação do direito grego se baseia, puramente, em
costumes, como por exemplo o direito familiar. Com o surgimento das Polís, os direitos
foram se integrando e convivendo de diferentes maneiras dentro das cidades gregas, onde
os cidadãos competentes produziam decretos e os apresentavam a Eclésia, por exemplo.
Em síntese, podemos dizer que, de início, o direito era costumeiro. Mais tarde, com o
surgimento dos filósofos e poetas, seus ensinamentos foram sendo absorvidos como
normas e, a partir disto, órgãos formais foram instituídos a fim de organizar, legislar e de
fato, produzir o que chamamos de Direito Grego.

7-) Explique porque Sócrates foi ético em sua Apologia.

A atitude ética que se atribui a Sócrates em sua apologia se dá ao fato de que, ao


invés de evadir-se de sua pena, preferiu conformar-se de modo que não poderia
desobedecer às leis da Pólis. Mais do que ética, podemos dizer que Sócrates teve uma
atitude de ordem política.

8-) Relacione A Festa dos Mortos do México com os elementos apresentados na


Cidade Antiga.

Existe claramente uma relação direta entre A Festa dos Mortos, do México, com
aquilo que a nós foi apresentado pela leitura da obra A Cidade Antiga. Há uma clara
alusão aos costumes antigos, até mesmo ao fato de não se ter uma data que possa nos
orientar a um início das tradições de tão antigas que são. Observamos desde a figura
central do rito, no caso os mortos até a espécie de realização do ritual, claras semelhanças
entre as distintas culturas. Oferendas, preces por proteção e provisão, bem como a
importância de se perpetuar a tradição nos remete diretamente ao culto dos mortos
abordado em A Cidade Antiga.

9-) Relacione O Mito da Caverna com a questão da Intolerância Religiosa ou da


atual compreensão de Direitos Humanos.

O Mito da Caverna, é algo tão remoto, mas ao mesmo tempo tão atual que
relacionar com os mais variados aspectos da sociedade não é algo difícil. Resumidamente,
quem se encontra dentro da caverna e não tem contato com o mundo exterior nada mais
enxerga além de sombras projetadas na parede daquilo que se desconhece por completo.
O sentimento de comodidade e conformidade imperam para aqueles que ali estão. Uma
vez que alguém sai da caverna, se depara com a luz, com o novo e o desconhecido, numa
atitude de voltar e aclarar para os que na caverna ficaram que o mundo vai muito mais
além de sombras projetadas numa parede é tido como louco, como incompreendido.
Trazendo isto à questão da intolerância religiosa e dos Direitos Humanos, a relação que
podemos fazer com o Mito da Caverna é que, se determinadas crenças, tradições e
costumes religiosos não condizem com a fé que um determinado grupo professa, logo as
demais crenças são torpes e erradas pelo simples fato de não se assemelharem. Trazendo
para os Direitos Humanos, para aquele que vive na caverna, aceitar o diferente e logo
respeitar essas diferenças é praticamente impossível, seja por construção social, de gênero
ou étnica.
10-) Qual é a diferença entre a DiKe (deusa grega) e a Iustitua (deusa romana)? Em
que sentido essa diferença materializa a distinguir o Direito Grego e o Direito
Romano?

Na Grécia, a deusa Diké, de olhos abertos, segura com a mão direita a espada e,
com a esquerda, uma balança de dois pratos. A balança representa a igualdade almejada
(no sentido de que a igualdade ainda estava para ser alcançada) pelo Direito e a espada
representa a força, elemento inseparável do Direito.
Posteriormente, em Roma, temos a figura da deusa Iustitia. De olhos vendados e
em uma das mãos, segura uma balança já em perfeito equilíbrio. Podemos dizer que,
Iustitia era a deusa romana que personificava a justiça. Esta, por aparecer de olhos
vendados, simboliza a imparcialidade da justiça e a igualdade dos direitos.
Tendo como fonte interpretativa as respectivas deusas, podemos dizer que, no que
diz respeito ao Direito Grego, a balança somente se equilibrava após o ato de justiça ser
consolidado, tendo em vista que tal justiça era vingadora e alcançada por meio daquilo
que se via e não somente ouvia, o que justifica os olhos bem abertos da deusa. Já para o
Direito Romano, a balança já em perfeito equilíbrio representa a justiça já alcançada,
olhos vendados buscando imparcialidade, porém algo há que ressaltar no Direito
Romano, o fato de que para os patrícios havia o pleno exercício da justiça e dos direitos
civis, enquanto que para os estrangeiros e peregrinos se dispunha apenas o direito comum
a todos os homens.

11-) O Ordenamento Jurídico Brasileiro, atualmente possui influencia apenas do


Sistema Jurídico Romanista? Comente sobre essa questão.

Atualmente sim, o Ordenamento Jurídico Brasileiro possui total influência do


Sistema Jurídico Romanista, o que conhecemos por Civil Law. No que sabemos do direito
romano, uma legislação completa foi formada e regida com base na razão e no dever.
Diante das leis, o homem foi considerado cidadão de direitos e deveres.
Há que ressaltar que atualmente, muitas decisões judiciais são embasadas também
em jurisprudências, o que se assemelha ao sistema jurídico anglo-saxão, também
denominado por Common Law.

12-) Qual é a diferença entre Direito Romano e Sistema Jurídico Romanista?

O Direito Romano consiste no conjunto de normas que estiveram vigentes em


Roma bem como em territórios submissos em um período compreendido desde a
formação do Império Romano ate a morte no imperador Justiniano. Já o Sistema Jurídico
Romanista compreende ao as mesmas normas anteriormente citadas, porém devido a sua
constante evolução é considerado como o Sistema Jurídico que influencia nosso
ordenamento jurídico até a atualidade, também conhecido por Civil Law.

13-) Especificação: Diferença entre a resolução do problema quanto a especificação


para os Procurianos e para os Sabianos?

Se dá o nome de especificação a transformação do gênero em espécie, ou seja, da


matéria-prima dada pela natureza em algo diferenciado feito pelo homem. No que se
refere ao Direito, a especificação consiste no modo não convencional de adquirir uma
propriedade por meio de uma transformação, por um indivíduo, da matéria-prima
pertencente a outrem em uma nova espécie.
Para os Sabianos, inspirados nos estóicos, o proprietário da espécie será o dono
da matéria-prima, dessa forma, de acordo com eles, o elemento básico é a matéria-prima,
ainda que mude de forma.
Para os Procurianos, de acordo com a teoria aristotélica, acreditam que os
manufaturadores se tornam donos da nova espécie. A partir da matéria-prima, quando se
adquire uma nova forma, uma nova essência, o produto passa a fazer parte do
especificador.