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FACULDADE DA AMAZÔNIA – FAAM

GRADUAÇAO EM ENFERMAGEM
DISCIPLINA BIOLOGIA CELULAR
PROF. DJA SANTOS

APOSTILA DE BIOLOGIA CELULAR

ANANINDEUA-PA
2020-1

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Plano de curso

1. Ementa:
Origem da vida, procariontes e eucariontes; métodos de estudo das células;
microscópio; membrana celular; transporte transmembrana; parede celular;
citoesqueleto; núcleo; nucléolo, ciclo celular (mitose e meiose): retículo
endoplasmático granular (síntese proteica); reticulo endoplasmático liso; aparelho
de golgi (armazenamento e secreção celular); lisossomos (digestão celular);
peroxissomos; mitocôndria e cloroplastos

2. Objetivos

 Desenvolver, diante dos conhecimentos de Biologia celular, a


criatividade, estimulando a auto-aprendizagem e a produção de
conhecimentos;
 Organizar a massa de informações de Biologia celular fazendo a
sua triagem e estruturando-os com curiosidade, reflexão crítica,
autonomia, respeito pela vida e natureza;
 Entender a ciência como atividade humana e contextualizada,
procurando atualizar os conhecimentos existentes de forma
integrada;
 Desenvolver a capacidade de criar e discutir idéias, formulando
hipóteses, problematizando e realizando experiências e relatórios
de práticas.

3. Metodologia

A disciplina será ministrada por meio de aulas expositivas, práticas e


seminários.

4. Avaliação

A primeira nota será obtida a partir de avaliação


escrita; A segunda nota relatórios de aulas práticas;
A terceira nota seminários.

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OBSERVAÇÃO: Será aprovado o aluno que obtiver freqüência igual ou
superior a 75% da carga horária da disciplina e a média aritmética igual ou
superior a 7,0 (sete) nas avaliações.

Conteúdo programático
- Introdução a Biologia Celular.
- A diversidade e a semelhança entre as células.
- A função das células.
- Moléculas orgânicas e inorgânicas.
- Divisão celular: Mitose e Meiose.
- Função Macromolecular: material genético, replicação do DNA, transcrição,
tradução, mutações e reparo do DNA.
- Organização celular: Biomembranas – composição lipídica e organização
estrutural.
- Componentes protéicos e funções básicas; o citoesqueleto; metabolismo e
movimento dos lipídeos; visão geral dos transportes através das membranas; o
movimento da água.
- Organelas das células eucarióticas e procarióticas.

a) As etapas da fotossíntese e os pigmentos que absorvem a luz.


b) Células-troncos
c) Ciclo celular e controle do crescimento.
d) A origem das células.
e) A morte celular e sua regulação.

5. Bibliografia principal

(digestão celular); peroxissomos; mitocôndria e cloroplastos.

Bibliografia Básica

ALBERTS, Bruce et. al. Fundamentos da biologia Celular: uma introdução à biologia molecular. 2. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2006.

DE ROBERTIS, Eduardo M. F. De Robertis bases da biologia celular e molecular. 14. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

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JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchôa; CARNEIRO, José. Biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de janeiro:
Guanabara Koogan.2013,

Bibliografia Complementar

COOPER, Geoffrey M.; HAUSMAN, Robert E. A célula: uma abordagem molecular. 3. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2004.

DE ROBERTIS, Eduardo M. F.; HIB, José. De Robertis biologia celular e molecular. 4. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

MAILLET, Marc. Biologia celular. 8. ed. São Paulo: Santos, 2003.

MALACINSKI, George. M. Fundamentos de biologia molecular. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara


Koogan, 2005.

POLLARD, Thomas. D.; EARNSHAW, Willian C. Biologia molecular. Rio de Janeiro. Elsevier, 2006

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MENSAGEM INICIAL

Dez ótimas dicas para o trabalho em equipe

Cada vez mais o trabalho em equipe é valorizado. Porque ativa a


criatividade e quase sempre produz melhores resultados do que o trabalho
individual, já que "1+1= 3". Por tudo isto aqui ficam dez dicas para trabalhar
bem em equipe.

1. Seja paciente
Nem sempre é fácil conciliar opiniões diversas, afinal "cada cabeça
uma sentença". Por isso é importante que seja paciente. Procure expor os seus
pontos de vista com moderação e procure ouvir o que os outros têm a dizer.
Respeite sempre os outros, mesmo que não esteja de acordo com as suas
opiniões.

2. Aceite as idéias dos outros


As vezes é difícil aceitar idéias novas ou admitir que não temos razão;
mas é importante saber reconhecer que a idéia de um colega pode ser melhor
do que a nossa. Afinal de contas, mais importante do que o nosso orgulho, é o
objetivo comum que o grupo pretende alcançar.

3. Não critique os colegas


As vezes podem surgir conflitos entre os colegas de grupo; é muito
importante não deixar que isso interfira no trabalho em equipe. Avalie as idéias
do colega, independentemente daquilo que achar dele. Critique as idéias,
nunca a pessoa.

4. Saiba dividir
Ao trabalhar em equipe, é importante dividir tarefas. Não parta do
princípio que é o único que pode e sabe realizar uma determinada tarefa.
Compartilhar responsabilidades e informação é fundamental.

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5. Trabalhe
Não é por trabalhar em equipe que deve esquecer suas obrigações.
Dividir tarefas é uma coisa, deixar de trabalhar é outra completamente
diferente.

6. Seja participativo e solidário


Procure dar o seu melhor e procure ajudar os seus colegas, sempre
que seja necessário. Da mesma forma, não deverá sentir-se constrangido
quando necessitar pedir ajuda.

7. Dialogue
Ao sentir-se desconfortável com alguma situação ou função que lhe
tenha sido atribuída, é importante que explique o problema, para que seja
possível alcançar uma solução de compromisso, que agrade a todos.

8. Planeje
Quando várias pessoas trabalham em conjunto, é natural que surja
uma tendência para se dispersarem; o planejamento e a organização são
ferramentas importantes para que o trabalho em equipe seja eficiente e eficaz.
É importante fazer o balanço entre as metas a que o grupo se propôs e o que
conseguiu alcançar no tempo previsto.

9. Evite cair no "pensamento de grupo"


Quando todas as barreiras já foram ultrapassadas, e um grupo é muito
coeso e homogêneo, existe a possibilidade de se tornar resistente a mudanças
e a opiniões discordantes. É importante que o grupo ouça opiniões externas e
que aceite a idéia de que pode errar.

10. Aproveite o trabalho em equipe


Afinal o trabalho de equipe, acaba por ser uma oportunidade de
conviver mais perto de seus colegas, e também de aprender com eles.

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Introdução a Biologia Celular
O estudo do mundo vivo mostra que a evolução produziu uma imensa
variedade de formas. Existem em torno de quatro milhões de espécies
diferentes de bactérias, protozoários, vegetais e animais, que diferem em sua
morfologia, função e comportamento. Entretanto sabe-se agora que, quando os
organismos vivos são estudados a nível celular e molecular, observa-se um
plano único principal de organização. O objetivo da biologia celular e molecular
é precisamente este plano unificado de organização – isto é, a análise das
células e moléculas que constituem as unidades estruturais de todas as formas
de vida. Há muito tempo atrás observou-se que uma única célula poderia
constituir um organismo inteiro, como no caso dos protozoários, ou ser uma
das muitas, agrupadas e diferenciadas em tecidos e órgãos, para formar um
organismo multicelular. Assim sendo, a célula é a unidade estrutural e funcional
básica dos organismos vivos, da mesma forma que o átomo é a unidade
fundamental das estruturas químicas.
A Biologia Celular (antiga Citologia) é a parte da Biologia que estuda
todas as organelas celulares e seus comportamentos. Procura diferenciar as
células tanto animais como vegetais, observando também as grandes
semelhanças.
A vida manifesta-se em milhões de diferentes espécies, que possuem
sua própria morfologia e informação genética específica. As espécies podem
ser reunidas em grupos progressivamente mais abrangentes – gêneros,
ordens, famílias – até o nível dos reinos clássicos, vegetal e animal. Um dos
esquemas de classificação, o de Whittaker, postula a divisão em cinco reinos –
Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia, com as suas correspondentes
subdivisões.
Esta aparente complexidade simplifica-se com o exame das formas
vivas a nível celular. As células são identificadas como pertencentes a dois
grupos: procarióticas e eucarióticas. Somente os seres pertencentes ao reino
Monera (i.e. bactérias, algas azuis – cianofíceas) possuem células
procarióticas, enquanto que todos os outros reinos constituem-se de
organismos formados por células eucarióticas. A principal diferença entre estes
dois tipos celulares é a ausência de um envoltório nuclear nas células
procarióticas. O cromossomo desta célula ocupa um espaço denominado

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nucleóide, estando em contato direto com o protoplasma. As células
eucarióticas possuem um núcleo verdadeiro com um envoltório nuclear
elaborado, através do qual ocorrem trocas entre o núcleo e o citoplasma.

Histórico
1590: Invenção do microscópio pelos holandeses Francis e Zacarias
Janssen, fabricantes de óculos. Seu microscópio aumentava a imagem de 10 a
30 vezes e foi usado pela primeira vez para observar pulgas e insetos.
1665: Robert Hooke, em seu trabalho Micrografia, relatou pequenas
cavidades ("cells") em cortes de cortiça, de onde se originou o termo célula.
1674: Leeuwenhoek observou diversas estruturas unicelulares:
espermatozóides de peixes, hemácias. Um dos maiores colecionadores de
lentes da época, foi o primeiro a observar os micróbios.
1831: Robert Bown pesquisando células de orquídeas, descreveu o
núcleo celular.
1838 - 1839: Schwann emitiu a Teoria Celular: "Todos os seres vivos
(animais e vegetais) são formados por células."
1858: Virchow emitiu o aforismo ominis cellula et cellula — toda célula
provém de outra preexistente.
1962: Watson e Crick, estabeleceram o modelo da molécula do DNA,
recebendo, em função disso, o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.
Tamanho e formas das células
As dimensões das células variam de espécie, contudo a maioria tem
tamanho inferior ao do poder de resolução do olho humano. Em geral, as
células oscilam entre 0,1 mícron e 1mm.
As células podem ser:
- Microscópicas: a absoluta maioria.
- Macroscópicas: Alga Nitella, fibras de algodão, células de urtiga,
fibras de linho. Os exemplos são poucos numerosos.
A forma das células é muito variada.
Conforme a sua duração no organismo, as células podem ser
classificadas em:
Células lábeis: células dotadas de ciclo vital curto. Continuamente
produzidas pelo organismo, permitem o crescimento e a renovação constante

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dos tecidos onde ocorrem. Exemplos: glóbulos brancos (leucócitos), glóbulos
vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e células epiteliais (revestimento).
Células estáveis: células dotadas de ciclo vital médio ou longo,
podendo durar meses ou anos. Produzidas durante o período de crescimento
do organismo essas células só voltam a ser formadas em condições
excepcionais, como na regeneração de tecidos (uma fratura óssea, por
exemplo). Dentre as células estáveis, podemos citar: osteócitos (ósseas
adultas), hepatócitos (células do fígado), células pancreáticas, musculares lisas
etc.
Células permanentes: células de ciclo vital muito longo, coincidindo,
geralmente, com o tempo de vida do indivíduo. São produzidas apenas durante
o período embrionário. Na eventual morte dessas células, não há reposição,
uma vez que o indivíduo nasce com o número completo e necessário de suas
células permanentes. Essas células simplesmente aumentam de volume
acompanhando o crescimento do indivíduo. Como permanentes, podemos citar
as células nervosas (neurônios) e as células musculares estriadas.
Observação de Células
Os instrumentos que permitem uma visualização da célula são ditos
microscópios. Podemos observar as células:
- In vivo: observação de células em seu estado natural.
- Supravital: observação da célula após tratamento com substâncias
químicas que não decomponham as células, deixando-as vivas.
- Post-mortem: observação de células fixadas, isto é, substâncias que
provocam a morte da célula, sem perda de sua arquitetura normal.
Geralmente, após fixadas, as células são coradas.
- Corantes: substâncias portadoras de grupos químicos coloridos,
utilizados somente em microscopia óptica, que identificam determinada
estrutura celular.
Níveis de organização celular
O surgimento da célula, como se a conhece, resulta de um processo de
transformação que durou milhões de anos. No início desse processo, estão os
primeiros seres vivos, que passaram a desenvolver mecanismos, cada vez
mais eficientes de captação, armazenamento e liberação de energia, para

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realizar suas atividades. Ainda há seres vivos formados por apenas uma célula
e também alguns que não são formados por células, chamados vírus.
Vírus
Não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua
multiplicação. Não possuem enzimas e, portanto, nem metabolismo próprio,
necessário à formação de novos vírus. Então, são parasitas intracelulares
obrigatórios, formados apenas por um dos ácidos nucléicos (DNA e RNA),
envolvido por um revestimento protéico. Os vírus que atacam os animais não
atacam as células vegetais e vice-versa. Os vírus das bactérias são chamados
bacteriófagos ou, simplesmente, fagos.
Vírus (do latim — veneno): identificados em 1892 por Ivanovitch
(botânico russo) quando pesquisava folhas de fumo. Os vírus quando fora de
organismos, possuem a forma de cristais (matéria, bruta). Voltam à atividade
normal quando introduzidos em organismos.
Procariontes (Reino Monera) - Sem envoltório – carioteca.
As células procariontes são assim designadas em razão da carência de
membrana nuclear. Ao contrário das eucarióticas, as procarióticas não
possuem organelas membranosas (retículo endoplasmático liso e rugoso,
complexo de golgi, mitocôndrias, plastos, lisossomos e vacúolos) e muito
menos um núcleo delimitado pela cariomembrana (carioteca) envolvendo os
cromossomos. Acredita-se que essas células, com estrutura e funcionamento
bem simplificado, tenham sido os primeiros organismos do mundo vivo,
chamadas de protobactérias ou protocélulas. Essas células apresentam uma
parede esquelética (parede celular) externamente à membrana plasmática,
com função de proteção e controle das trocas de substâncias com o meio
ambiente. Dispersos no citoplasma ficam os ribossomos, auxiliando a síntese
proteica, através da decodificação do comando enviado pelo material genético.
O material genético desses organismos, geralmente se constitui de um único
filamento emaranhado de DNA circular (ácido desoxirribonucleico) e este
encontra-se mergulhado no hialoplasma da célula. Atualmente as células
procarióticas, grupo de seres unicelulares ou coloniais, são representadas
pelas bactérias e cianobactérias (algas azuis ou cianofíceas).

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Célula procarionte

As bactérias podem ser encontradas em todos os ambientes: água,


solo, ar e orgânico. A maioria é de vida livre e heterotrófica, muitas exercem
importante papel no ciclo do nitrogênio na natureza. Outras, no entanto, são
agentes patogênicos, causando numerosas infecções no homem, como
tuberculose, pneumonia, hanseniase, meningite, tétano e outras.

Micoplasma
Microgarnismos unicelulares patogênicos são as menores e mais
simples células conhecidas atualmente (0,125 a 0,150 mícrons de diâmetro).
Apresentam metabolismo próprio e são agentes infecciosos de diversos
animais.
Ricketsias
Microorganismos patogênicos e agentes infecciosos intracelulares
muito pequenos (0,3 a 0,5 mícrons de diâmetro), são causadores de várias
doenças no homem. Semelhante às bactérias, considerados como
intermediários entre os vírus e elas.
Eucariontes
Estas células possuem um núcleo delimitado por um sistema de
membranas (a membrana nuclear ou carioteca), nitidamente separado do
citoplasma. Têm um rico sistema de membranas que formam numerosos
compartimentos, separando entre si os diversos processos metabólicos que
ocorrem na célula. Como modelo de células eucariontes, veremos uma célula
animal e uma célula vegetal.

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A Célula Animal
Como todas as células, possui uma membrana celular (membrana
plasmática ou plasmalema). Sua espessura é de 7,5 nanômetros, o que a
torna visível somente ao microscópio eletrônico, no qual aparece como um
sistema de três camadas: duas escuras, eletrodensas, e entre elas uma
camada clara. Esta estrutura trilaminar é chamada unidade de membrana. Sua
composição química é lipoproteica, sendo 75% de proteínas e 25% de
gorduras. A membrana controla a entrada e saída de substâncias da célula,
mantendo quase constante a composição do seu meio interno. Possui
permeabilidade seletiva, permitindo a livre passagem de algumas substâncias
e não de outras. Engloba partículas (endocitose) por fagocitose (partículas
grandes) ou por pinocitose(partículas pequenas e gotículas). A membrana
plasmática é uma fina película, invisível ao microscópio óptico (MO) e visível ao
microscópio eletrônico. De contorno irregular, elástica e lipoprotéica, apresenta
um caráter seletivo, isto é, atua "selecionando" as substâncias que entram ou
saem da célula, de acordo com suas necessidades. A membrana plasmática é
conhecida também como citoplasmática, celular ou plasmalema.

Estrutura da Membrana Plasmática

Características da membrana:
- Ocorre em todas as células animais e vegetais.
- Tem 75 Angstron de espessura.
- Visível apenas ao microscópio eletrônico.
- Tem composição química lipoprotéica (predominante).

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- Possui capacidade de regeneração (sofrendo pequena lesão, é capaz
de recompor a parte perdida antes que o citoplasma extravase).
- Permeabilidade seletiva.
Estrutura:
Em 1954, Dawson e Danielli criaram um modelo que sugere a
existência de quatro camadas moleculares: duas externas, constituídas de
proteínas, envolvendo duas camadas internas, formadas de lipídios.
Em 1972, Singer e Nicholson, baseados em informações acumuladas
com as pesquisas de outros cientistas, elaboraram, para a estrutura da
membrana, um novo modelo, chamado mosaico fluido, hoje aceito por todos os
autores. Segundo esse modelo, três substâncias participam da estrutura da
membrana: lipídios, proteínas e uma pequena fraça de glicídios. Por isso, o
nome mosaico. Os lipídios são principalmente fosfolipídios e colesterol; as
proteínas são do tipo globular e os glicíios, pequenas cadeias com até quinze
unidades de monossacarídeos. Algumas proteínas da membrana teriam papel
enzimático, podendo, inclusive, alterar a sua forma e, assim, abrir ou fechar
uma determinada passagem, de maneira a permitir ou impedir o fluxo de certas
substâncias. Além do papel de "portões", exercido por algumas proteínas, as
moléculas presentes na membrana estariam em constante deslocamento,
conferindo à estrutura intenso dinamismo. Daí serem chamadas de mosaico
fluido.
*Observação: os modelos de membranas propostos são apenas
teóricos; o único fato que se tem certeza é que, ao ME, a membrana celular é
trilaminar. Ao microscópio eletrônico, em cortes extremamente finos, a
membrana plasmática apresenta uma estrutura tríplice, sendo constituída por
duas faixas densas, cada qual com aproximadamente 20 angstrons de
espessura, e uma faixa central clara com 35 Angstrons de espessura. A essa
estrutura tríplice deu-se o nome de unidade de membrana.
A membrana celular também reveste estruturas celulares.
- carioteca
- lisossomos
- complexo de Golgi
- cloroplasto
- mitocôndria

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- retículo endoplasmático
Todas as estruturas acima são formadas por membranas idênticas à
membrana plasmática.
Propriedades da membrana
Decorrentes das proteínas:
— baixa tensão superficial;
— resistência mecânica;
— elasticidade
Decorrentes dos lipídios:
— alta resistência elétrica;
- alta permeabilidade a substâncias
lipossolúveis. Especializações da membrana
Na membrana celular existem estruturas especializadas em aumentar a
absorção de substância e a aderência entre as células ou para melhorar
movimentos celulares. Algumas especializações são microvilosidades,
desmossomos, interdigitações, cílios e flagelos.
Microvilosidades — dobras da membrana plasmática na superfície da
célula, voltadas para a cavidade do intestino. Calcula-se que cada célula
possua em média 3.000 microvilosidades. Como consequência, há um
aumento apreciável da superfície da membrana em contato com o alimento.
Isso permite, por exemplo, uma absorção muito mais eficiente do alimento
ingerido.
Desmossomos — aparecem nas superfícies de contato das células
que estão intimamente unidas. Têm a finalidade de aumentar a coesão do
tecido, mantendo as células firmemente unidas. Verificou-se ao microscópio
eletrônico que, ao nível dos desmossomos, as membranas aparecem mais
espessas, em forma de linhas densas escuras. No local desse espessamento
no citoplasma de cada célula, há um acúmulo de material granuloso. Desse
local, irradiam-se microfibrilas para o citoplasma, a curta distância. Essas
microfibrilas, ou tonofibrilas, são compostas por tonofilamentos. Entre as
microfibrilas das duas células. A metade de um desmossomo é chamado
hemidesmossomo.

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Interdigitações — nas células epiteliais, com as que revestem a nossa
pele, a membrana apresenta conjuntos de aliências e reentrâncias,
denominadas interdigitações, que possibilitam o encaixe entre elas.
Cílios e Flagelos
Cílios e flagelos são estruturas móveis encontradas tanto em
unicelulares como em organismos mais complexos (homem). Os cílios são,
geralmente, curtos e numerosos; os flagelos, longos, existindo apenas um ou
poucos em cada célula. Essas formações vibráteis têm um papel fundamental:
permitir a locomoção da célula ou do organismo no meio líquido.
Exemplos: protozoários e larvas de invertebrados movimentam-se
através de cílios; espermatozóides, algas unicelulares e alguns protozoários
locomovem-se por flagelos.
Proteção
Em determinados órgãos, como a traquéia de mamíferos, existe um
epitélio ciliado lubrificado por muco, que é empurrado para a garganta pelos
cílios. O muco tem um papel protetor, já que muitas impurezas do ar inspirado
ficam aderidas a ele. O batimento ciliar permite, então, a remoção do muco e,
com ele, as partículas estranhas. O uso do cigarro inibe a ação dos cílios do
epitélio traqueal, dificultando, assim, a remoção das impurezas do ar.
Estrutura de cílios e flagelados
Em função de sua origem em centríolos, tais orgânulos apresentam,
em certa extensão do seu eixo central, nove conjuntos de trincas de
microtúbulos protéicos. Mais adiante, ao longo de seu trajeto, apresenta nove
conjuntos de duplos microtúbulos, como um par central. Na base do cílio ou
flagelo, encontra-se a organela que lhes dá origem, denominada corpo basal
ou cinetossomo (antigo centríolo).
O citoplasma é constituído por uma substância fundamental amorfa –
o hialoplasma ou citosol – que contém água, proteínas, íons, aminoácidos e
outras substâncias. A parte proteica pode sofrer modificações reversíveis em
sua estrutura, aumentando ou diminuindo sua viscosidade, alternando de gel
(mais denso) para sol (mais fluido) ou vice-versa. Mergulhados no hialoplasma
estão os organóides e os grânulos de depósito de substâncias diversas,
como glicogênio ou gorduras. Os organóides possuem funções específicas,
sendo alguns revestidos por membranas e outros, não.

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As mitocôndrias são alongadas ou esféricas, revestidas por dupla
membrana lipoproteica. Possuem DNA próprio e capacidade de
autoduplicação. Liberam energia de moléculas orgânicas, como a glicose,
transferindo-a para moléculas de ATP. A energia do ATP é empregada pelas
células na realização de trabalho: síntese de substâncias, movimento, divisão
celular, etc. Os processos de oxidação da glicose constituem a respiração
celular aeróbica, dependente de oxigênio.
O retículo endoplasmático (RE) é formado por um extenso sistema de
túbulos e vesículas revestidas por membrana lipoproteica. As cavidades deste
sistema são chamadas cisternas do RE. Algumas partes têm ribossomos
aderidos (RE rugoso ou granular, também chamado ergastoplasma) e outras
partes não os possuem (RE liso). As funções dos dois tipos são diferentes, e a
proporção de cada um depende dos papéis metabólicos da célula. O RE
permite a distribuição de substâncias pelo interior da célula. O RE rugoso é
sede de intensa síntese de proteínas. O RE liso produz lipídios, e algumas
substâncias ligadas a ele podem metabolizar substâncias tóxicas,
inativando-as.
Os ribossomos são pequenas partículas formadas por proteínas e por
RNA ribossômico. São as organelas responsáveis pela síntese de proteínas.
O complexo de Golgi é constituído por vesículas achatadas ou
esféricas, empilhadas e revestidas por membrana lipoproteica. Nas células
animais, geralmente está próximo do núcleo. Relaciona-se com a concentração
e o armazenamento de substâncias produzidas pelas células e com a
transferência destas substâncias para grânulos nos quais serão eliminadas da
célula. Participam, portanto, da secreção celular.

Revestidos por membrana lipoproteica, os lisossomos são pequenas


vesículas esféricas cheias de enzimas digestivas. Sua função básica é a
digestão celular, que envolve dois processos:
1) digestão de partículas alimentares englobadas pela célula (digestão
heterofágica);
2) digestão de organóides inativos ou em degeneração (digestão
autofágica).

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Núcleo celular
O núcleo celular é uma estrutura envolta por membrana que protege o
DNA nas células eucariotas (desde fungos até plantas e animais). Há alguns
organismos que não possuem núcleo e outras estruturas organizadas, os
procariotos, como é o caso das bactérias. A membrana do núcleo é
denominada carioteca e é muito semelhante em composição à membrana
plasmática, com dupla camada lipoproteica. Possui inúmeros poros, que
permitem a comunicação com o citoplasma e o fluxo de diversas substâncias,
como os RNAs. Observe a presença desses poros, nesta foto de microscopia
de transmissão eletrônica ao lado. Na maioria de nossas células, há apenas
um núcleo, esférico e de posição central, mas há células que não possuem
núcleo (ex: glóbulos vermelhos) e células que possuem mais de um núcleo (ex:
células musculares).
O DNA transporta a informação genética de maneira codificada de
célula a célula e dos pais para a progênie. Toda a informação necessária para
a formação de um novo organismo está contida na sequência linear das quatro
bases, e a replicação fiel desta informação é assegurada pela estrutura de
dupla cadeia do DNA onde o A pareia-se somente com o T e o G com o C.
O DNA não está livre dentro da célula, mas forma complexos com
proteínas na estrutura denominada cromatina. No momento da divisão celular,
a cromatina condensa-se na forma de cromossomos.

A célula e o cromossomo

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Os cromossomos são filamentos encontrados no interior do núcleo das
células. Eles ocorrem normalmente em pares, têm diferentes tamanhos e
formas e seu número é constante em cada espécie de ser vivo. As células
humanas têm 46, divididos em 23 pares, com exceção das reprodutivas, que
têm apenas 23 cromossomos. Os membros de um par recebem o nome de
cromossomos homólogos. O gene é uma unidade hereditária que consiste
numa sequência particular de bases no DNA e que especifica a produção de
uma certa proteína (por exemplo, uma enzima). Existe três tipos de genes.
Aqueles que são apenas transcritos, os que são transcritos e traduzidos e os
que não são transcritos e consequentemente não são traduzidos. Os genes
estão presentes em pares denominados alelos, sendo que cada alelo está
localizado em um dos cromossomos homólogos. Eles estão situados num
lócus específico que ocupa a mesma posição em cada cromossomo. Quando
um gene se expressa, sua informação é primeiramente copiada no ácido
ribonucléico (RNA), que por sua vez dirige a síntese dos produtos elementares
do gene, as proteínas específicas. O termo transcrição é empregado como
sinônimo de síntese do RNA, e tradução como sinônimo de síntese protéica.
Próximo ao núcleo encontra-se um par de centríolos. Cada um é
formado por um cilindro constituído por substância amorfa e microtúbulos. Tem
capacidade de autoduplicação. Participa da divisão celular.
Em algumas células, observam-se cílios e flagelos vibráteis. Os cílios
são pequenos e numerosos, enquanto os flagelos são longos, havendo apenas
um ou alguns por célula. Na base dos cílios e flagelos, está o corpúsculo
basa, de estrutura idêntica à dos centríolos.
Os microtúbulos e os microfilamentos são estruturas filamentares
constituídas por proteínas. Encontram-se no interior dos cílios e de flagelos ou
dispersos pelo citoplasma. Participam dos movimentos celulares e da
manutenção da arquitetura celular, formando o citoesqueleto.
Os depósitos ou inclusões citoplasmáticas diferem dos organóides
por não possuírem organização nem sistemas enzimáticos específicos. São
depósitos intracelulares de substâncias de reserva (glicogênio ou gordura), de
pigmentos (melanina) ou de cristais.
O núcleo, controlador da atividade celular, é bem individualizado e
delimitado por uma dupla membrana, a carioteca ou membrana nuclear. Seu
interior é ocupado pela cariolinfa, na qual está mergulhado o material genético
formado por DNA associado a proteínas, a cromatina. Observa-se, ainda, um
corpúsculo denso, esférico, chamado nucléolo.

Célula animal
Célula Vegetal

A organização eucariótica da célula vegetal é muito parecida com a da


célula animal, apresentando muitas organelas comuns, como mitocôndrias,
retículo endoplasmático, complexo de Golgi, ribossomos, entre outras.
A célula vegetal apresenta estruturas típicas, como a membrana
celulósica que reveste externamente a célula vegetal, sendo constituída
basicamente de celulose.
Uma outra estrutura que caracteriza a célula vegetal é o cloroplasto,
organela na qual ocorre a fotossíntese.
Na verdade, os cloroplastos são, entre outras, organelas que podem
ser classificadas como cromoplastos, pois são organelas que possuem
pigmentos (substâncias coloridas) que absorvem energia luminosa para a
realização da fotossíntese.
Entre os cromoplastos, além do cloroplasto que contém clorofila
(pigmento verde), existem os xantoplastos, que contém xantofila (pigmento
amarelo), os eritroplastos, que contém a licopeno (pigmento vermelho), e assim
por diante.
Quando os plastos não possuem pigmentos coloridos, são chamados
de leucoplastos, como os amiloplastos que armazenam amido.
Observe, no esquema da célula vegetal, que o vacúolo é uma organela
com dimensões maiores que na célula animal e ocupa grande parte do
hialoplasma da célula.
Podemos diferenciar a célula vegetal da célula animal também pela
ausência dos centríolos nos vegetais superiores.
Nos tecidos vegetais, as comunicações entre as células são feitas por
meio de estruturas denominadas plasmodesmos.
Os plasmodesmos permitem trocas de materiais entre células vegetais
vizinhas por meio de pontes citoplasmáticas.
Parede celular
Na célula vegetal, existe, por fora da membrana plasmática, um reforço
externo, formado, geralmente, por celulose. A parede celular não existe nas
células dos animais. Nos fungos, a parede celular é formada de quitina.
*Observação: nas células animais encontramos um envoltório externo
chamado glicocálix, formado pela presença de glicídios presos nas proteínas
e nos lipídios, que se tornam glicoproteínas e glicolipídios, respectivamente.
Essas coberturas recebem o nome de glicocálix e são responsáveis pela união
de células e pelo reconhecimento de células estranhas ou microorganismos
estranhos.
Principais diferenças entre célula animal e vegetal

Transportes pela membrana


Endocitose
As endocitoses compreendem os processos através dos quais a célula
adquire, do meio externo, partículas grandes ou macromoléculas que,
normalmente, não seriam absorvidas através do processo de permeabilidade
seletiva, com a seguir:
Nos processos de endocitose, a membrana plasmática deforma-se,
projetando-se ou invaginando-se. Há dois tipos de endocitose: fagocitose e
pinocitose.
Fagocitose
Do grego phagein = comer e kytos = celula, corresponde à inclusão de
partículas sólidas pela célula, através de emissão de pseudópodos. Esse
processo é importante, não só para a nutrição da célula, como também para a
defesa. Os protozoários, por serem unicelulares, nutrem-se por esse processo.
Um exemplo de fagocitose destinada à defesa são os glóbulos brancos (ou
leucócitos), que fagocitam bactérias ou elementos prejudiciais ao organismo.
Quando os leucócitos ou glóbulos brancos morrem, no local onde combatem as
bactérias, forma-se o pus.
Pinocitose
Do grego, pinos = beber ou sorver e kytos = célula, é o processo mais
comum de ingestão de substâncias alimentares muito pequenas ou gotículas
de líquidos. Ocorre com invaginação da membrana plasmática de célula.
Quando a membrana "estrangula" essa invaginação, forma-se uma vesícula no
interior da células chamada pinossomo.
Cromopexia
Fenômeno pelo qual certas células englobam moléculas coloridas,
como a hemoglobina, que é vermelha.
Exocitose ou clasmatose
Processo de eliminação de produtos para o exterior da célula. São
produtos que estão no interior de vesículas, que se desfazem na superfície da
membrana, por um mecanismo inverso ao da endocitose. Corresponde à
defecação celular.
Transportes por permeabilidade
A célula encontra-se em constante troca de substâncias entre o seu
meio externo e interno. Apenas as substâncias necessárias devem entrar,
enquanto as substâncias necessárias devem entrar, enquanto as substâncias
indesejáveis devem sair. Esse controle ou seleção é feito pela membrana que,
dentro de certos limites, colabora para manter constante a composição química
da célula. Por isso, costuma-se dizer que a membrana possui permeabilidade
seletiva. As características da permeabilidade seletiva são:
Não passam através da membrana:
- proteínas
- polissacarídeos
- lipídeos complexos
Passam através da membrana:

- água

- sais minerais

- álcool

- glicose

- aminoácidos
- O2 e CO2
As substâncias que passam através da membrana celular sofrem dois
tipos principais de passagem: transporte passivo e transporte ativo.
Transporte passivo
O transporte passivo pode ser feito, principalmente, através de duas
formas: transpoirte passivo por difusão e transporte passivo por osmose.
Difusão passiva: quando duas soluções que apresentam
concentrações diferentes de soluto encontram-se separadas por membrana
idêntica à membrana plasmática, observa-se uma passagem de substâncias do
meio mais para o menos concentrado, até que as concentrações se igualem.
Essa passagem de soluto ou até de solventes no sentido de igualar as
concentrações denomina-se difusão. No caso da célula, várias substâncias
entram e saem por difusão. A concentração de oxigênio no interior da célula,
por exemplo, é sempre menor do que no meio externo, pois o oxigênio é
continuamente gasto no processo de respiração celular. Esse mesmo processo
produz gás carbônico, de forma que a concentração desse gás no interior da
célula é maior do que do lado de fora. É fácil concluir que, por difusão,
Oxigênio está sempre entrando na célula e Gás Carbônico, saindo. Difusão é o
movimento das moléculas do soluto e do solvente a favor de um gradiente de
concentração, no sentido de igualar suas concentrações.
Osmose: a osmose é um caso especial de difusão. Nesse processo,
ocorre um fluxo espontâneo apenas de solvente, do meio menos concentrado
em soluto (hipotônico) para o meio mais concentrado em soluto (hipertônico).
Portanto, na osmose, o solvente desloca-se de node existe em maior
quantidade para onde existe em menor quantidade. Uma vez estabelecido o
equilíbrio, passará a mesma quantidade de água nos dois sentidos. Se a
membrana for permeável também aos solutos, sua passagem obedecerá ao
mesmo princípio.
Classificação das soluções
— Isotônica: a solução tem a mesma concentração que outra.
— Hipotônica: a solução é menos concentrada do que outra.
— Hipertônica: a solução é mais concentrada do que outra.
Efeitos da osmose em células animais e vegetais
Glóbulos vermelhos colocados em solução de baixa concentração
(hipotônica) ganham água e acabam por romper a membrana plasmática
(hemólise). Se colocada em solução hipertônica, perde água por osmose e
murcha, ficando com a superfície enrugada ou crenada: o fenômeno é
chamado crenação. As células vegetais, quando imersas em soluções
fortemente hipertônicas, perdem tanta água que a membrana plasmática se
afasta da parede celular, acompanhando a redução do volume interno. Esse
fenômeno é denominado plasmólise e as células nesse estado são chamadas
de plasmolisadas. Se for mergulhada a célula em meio hipotônico, ela volta a
absorver água, recuperando, assim a turgescência (torna-se novamente túrgida
— cheia de água), fenômeno denominado deplasmólise. A existência da
parede celular geralmente impede o rompimento da membrana plasmática da
célula.
Transporte ativo
Transporte ativo é o processo pelo qual uma substância desloca-se
contra um gradiente, gastando energia da célula. O sódio e o potássio sofrem
esse tipo de transporte.
Tipos:
Bomba de sódio: nesse tipo de transporte, a célula desloca o sódio do
líquido intracelular para o líquido extracelular, no intuito de manter sua
integridade. Uma célula normal mantém uma tonicidade compatível com a vida,
se tiver energia para bombear o sódio para fora do líquido intracelular. Se faltar
energia, a célula acumula sódio no líquido intracelular, há entrada de água e
consequentemente edema intracelular. Bomba de potássio: uma célula saída
precisa captar potássio parado líquido extracelular para o líquido intracelular e,
nesse processo, gasta energia contra o gradiente de concentração.
Hialoplasma ou citoplasma fundamental
Também chamado de matriz citoplasmática, é um material viscoso,
amorfo, no qual estão mergulhados os orgânulos. Quimicamente, o
hialoplasma é constituído por água e moléculas de proteína, formando um
colóide.
*Observação: chamamos de citoplasma todo material compreendido
entre a membrana plasmática e a carioteca. A abundância de água no
hialoplasma facilita a distribuição de substâncias por difusão, como também a
ocorrência de inúmeras reações químicas.
Componentes do Hialoplasma
Em observações ao ME, o hialoplasma é um meio heterogêneo que
apresenta filamentos, estruturas granulares e microtúbulos.
Estruturas filamentosas
Tonofilamentos: filamentos constituídos de queratina, participando na
formação dos desmossomos.
Miofilamentos: filamentos característicos de células contráteis.
Apresentam 60 angstrons de diâmetro, com capacidade contrátil, auxiliando em
movimentos ameboidais. Ex.: actina e miosima.
Estruturas granulares
Grânulos de glicogênio e gotículas de gordura são encontrados em
células animais.
Microtúbulos
De constituição química protéica. Quando a célula entra em divisão
celular, os microtúbulos agrupam-se, formando o fuso mitótico ou acromático,
que desloca os cromossomos para os pólos celulares.
Propriedades do Hialoplasma
Sendo um colóide, a consistência do hialoplasma pode variar,
passando de gel ou bastante denso a muito fluido ou sol. Em muitas células, a
porção mais periférica do hialoplasma, o ectoplasma, fica no estado gel
(plasmagel). Já a porção mais interna, o endoplasma, fica no estado sol
(plasmassol).
Tixotropismo - mudança de sol para gel ou vice-versa.
O citoplasma é meio tixotrófico no qual as transformações de sol para
gel permitem que determinadas células possuam movimentos conhecidos com
ameboidais. Em certas células, como macrófagos, leucócitos e amebas,
observa-se um moviemnto do hialoplasma (plasmassol) em determinada
direção; logo em seguida, o ectoplasma, que é gel (plasmagel), muda para
plasmassol, dando origem ao pseudópodo. Na seqüência, esse ectoplasma
volta ao estado gel, dando consistência ao pseudópodo formado.
Ciclose
A ciclose é um movimento do hialoplasma, principalmente em estado
de sol, de maneira a formar uma corrente que carrega os diversos orgânulos e
a distribuir substâncias ao longo do citoplasma. Nesse movimento, são
arrastados os cloroplatos para um local de maior intensidade luminosa da
célula. A ciclose pode ser bem observada no endoplasma de muitas células
vegetais.
Ciclo Celular
O ciclo celular é um processo através do qual uma célula somática
duplica seu material genético e o reparte igualmente às suas células-filhas. É
didaticamente dividido em duas fases principais: a intérfase e a mitose. Na
intérfase ocorre a duplicação do DNA e a preparação para a fase seguinte: a
mitose, na qual ocorre a divisão celular propriamente dita, finalidade maior do
ciclo celular. A mitose, apesar de ocupar uma pequena parte do ciclo, é crucial
para o crescimento e diferenciação do organismo, levando o zigoto às
aproximadamente 100 trilhões de células do indivíduo adulto, participando
inclusive dos processos de renovação celular.

FASES DO CICLO CELULAR


Para que o ciclo seja iniciado, uma seqüência ordenada de eventos
necessita ocorrer, determinando o processo de divisão:
1) Ligação de um fator de crescimento a um receptor específico
na membrana plasmática;
2) Ativação deste receptor (proteína transmembrana), que ativa
proteínas transdutoras de sinais presentes no citoplasma através do
domínio interno do receptor;
3) Transmissão do sinal, por estas proteínas transdutoras, até o núcleo;
4) Ativação de proteínas regulatórias nucleares;
5) Iniciação e progressão do ciclo celular.
São conhecidas aproximadamente 50 proteínas que atuam como
fatores de crescimento, liberados por vários tipos celulares - de acordo com as
necessidades do organismo. As células que possuem o receptor específico
para um determinado fator de crescimento serão iniciadas no ciclo, enquanto
as que não expressam esse receptor em sua superfície permanecerão inativas.
Os fatores de crescimento podem ser divididos em duas grandes classes: de
ampla especificidade, que atuam sobre muitos receptores e consequentemente
sobre muitas classes de células (ex: PDGF – fator de crescimento derivado das
plaquetas, EGF – fator de crescimento epidérmico, VEGF – fator de
crescimento vascular endotelial, FGF – fator de crescimento fibroblástico); e de
estreita especificidade, que atuam sobre células específicas.
Controladores Positivos do Ciclo Celular
Estimulam a progressão da célula no ciclo celular, a fim de que ocorra
a divisão normal em duas células-filhas.
Controladores Negativos do Ciclo Celular:
Atuam inativando as funções dos controladores positivos, o que leva a
célula à parada no ciclo celular e à apoptose (morte programada).
Checkpoint – Pontos de verificação
Mecanismo que monitora o ciclo celular, tentando identificar mutações
no DNA. Zela pela correta execução dos eventos, impedindo o início de
eventos subsequentes até que o anterior esteja concluído com sucesso. Em
suma, se detectada qualquer alteração no genoma celular, este mecanismo
interrompe a progressão do ciclo até que seja feito o reparo; ou se o dano for
excessivo, até que a célula entre em apoptose. Interfere no tempo de duração
de cada fase do ciclo celular. Todas essas estruturas protéicas envolvidas no
controle do ciclo celular são codificadas por genes específicos. Qualquer
mutação nesses genes pode resultar em proteínas alteradas, causando
problemas neste processo de estímulo à célula. Uma das conseqüências
possíveis é o desenvolvimento de neoplasias, cada qual relacionada a
mutações em genes específicos. Ex: mutações no gene pRb darão origem a
proteínas pRb alteradas, desencadeando proliferação celular aumentada e
desenvolvendo o retinoblastoma (Rb) – neoplasia maligna da retina.

INTÉRFASE:
Fase que se interpõe a duas mitoses, preparando a célula para a
divisão em duas células-filhas. Leva em torno de 16 a 24 h para se processar,
mas a velocidade depende do tipo celular. Ex: derme e mucosa intestinal
necessitam renovar-se constantemente e, por isso, sua interfase tem duração
menor se comparada à de outras células. Dividida em 4 fases: G0, G1, S e G2.
G0 – Não se interpõe às fases do ciclo celular, mas é um anexo da
intérfase. As células estão em repouso, ou seja, nesta fase não ocorrem
eventos que as preparem para a divisão. Algumas células, como os neurônios,
estão permanentemente em G0, e nunca se dividem. Estudos mostram que
exercícios físicos e mentais podem estimular uma regeneração e crescimento
axonal, mas até o presente momento, nada de divisão celular. Outros tipos
celulares, como os hepatócitos, podem entrar provisoriamente em G0, mas de
acordo com a necessidade do órgão (ex: abuso de álcool, vírus da hepatite C,
malária...), retornam a G1 e continuam o ciclo.
G1 – Quando uma célula é estimulada a se multiplicar, ela entra em
G1. Nesta fase, a célula responde a estímulos positivos ou negativos, sendo
levada a crescimento, diferenciação, multiplicação ou apoptose, bem como à
produção de enzimas e outras moléculas necessárias para a próxima fase do
ciclo. Algumas células levam dias ou anos para sair de G1, enquanto outras
passam pela fase em poucas horas (10 a 12h, em média). Há aumento do
volume celular e aumento no número de organelas.
G2 – Há basicamente a síntese de RNA, de proteínas e outras
estruturas necessárias para o início da divisão celular. Nesta fase, inicia-se a
condensação da cromatina, o que facilitará as fases de metáfase e anáfase da
mitose. O MPF permanece inativo durante quase toda a fase G2, sofrendo
fosforilações e desfosforilações, até que uma fosfatase específica remove
alguns fosfatos; o complexo é então ativado e a célula é encaminhada à
mitose.
MITOSE:
Na mitose, ocorre a divisão celular propriamente dita. Leva de 1 a 2 h e
é dividida nas seguintes fases:
- Prófase: condensação cromossômica;
- Prometáfase: desestruturação do envoltório nuclear;
- Metáfase: placa equatorial;
- Anáfase: separação das cromátides-irmãs;
- Telófase: cromossomos em pólos opostos.
Meiose
O mecanismo de produção de gametas, células especializadas para a
reprodução sexuada, tem que ser diferente da mitose. Enquanto que a mitose
produz células-filhas com o mesmo número de cromossomos da célula-mãe, a
meiose (tipo de divisão celular que produz gametas nos animais) tem que
produzir células com a metade dos cromossomos. O número de cromossomos
da espécie é restaurado com a união do gameta masculino com o feminino.
Fases da Meiose
Como já foi dito a meiose produz células com a metade do número de
cromossomos da célula-mãe. Mas tem um detalhe. Na meiose, assim como na
mitose, durante a intérfase ocorre a duplicação do material genético. Logo, se o
DNA foi duplicado, para reduzir o número de cromossomos a metade nas
células-filhas é preciso que haja duas divisões celulares. Por isso a meiose
produz quatro células filhas, todas haplóides.
A sequência de eventos que levam a primeira divisão da meiose é
chamada de meiose I ou reducional. A segunda sequência é dita meiose II ou
equacional.
Meiose I ou Reducional
A meiose I é também chamada de reducional porque ao final dela são
produzidas duas células com a metade do número de cromossomos da célula-
mãe. Ou seja, já no final da meiose I as células serão haplóides. Acompanhe
abaixo as etapas da meiose I.
Prófase I
Por ser uma fase muito longa e com muitos detalhes a prófase I está
dividida em 05 subfases. Vamos a elas.
 Leptóteno - É nesta subfase que os cromossomos começam a se
condensar.
 Zigóteno - Os cromossomos homólogos se juntam formando pares,
processo conhecido como sinapse cromossômica. O que mantém
juntos os cromossomos homólogos é uma substância protéica que
funciona como se fosse uma cola. O nome dessa estrutura é c o m p l e
x o sinaptonêmico.
 Paquíteno - No paquíteno o complexo sinaptonêmico já está formado.
Com isso os pares de homólogos tornam-se nitidamente unidos. Estes
pares formam o que chamamos de bivalente. Como cada bivalente
possui quatro cromátides, podemos também chamar estas estruturas de
tétrades. É no paquíteno que ocorre a permutação ou crossing-over.
Este processo consiste na troca de pedaços entre cromátides
homólogas.
 Diplóteno - Torna-se visível o cruzamento em X das cromátides
homólogas que realizaram o crossing-over. O nome dessa estrutura em
X é quiasma. Por isso dizemos que no diplóteno ocorre a visualização
dos quiasmas. Além disso o complexo sinaptonêmico é desfeito.
 Diacinese - Na diacinese os cromossomos homólogos se afastam um
pouco, ocorrendo a terminalização dos quiasmas. Além disso, o
envoltório nuclear é desfeito.
Metáfase I
Sem o envoltório nuclear os cromossomos se ligam ao fuso
acromático, que foi montado durante a prófase I. O fuso, assim como na
mitose, dispõe os cromossomos no meio da célula, formando a placa
equatorial. Aqui existe uma diferença muito importante em relação a mitose. Na
meiose I os cromossomos homólogos ficam um do lado do outro.
Anáfase I
Assim como na anáfase da mitose, os cromossomos serão puxados
para os pólos da célula. Só que na meiose tem uma diferença. Como os
cromossomos homólogos foram colocados um ao lado do outro o fuso
acromático não tem como se ligar aos dois lados de um mesmo cromossomo.
Lembre-se de que na mitose como o fuso se ligava aos dois lados, um fuso
puxava para a direita e o outro para esquerda provocando a quebra do
centrômero e a separação das cromátides irmãs. Como na anáfase I da meiose
o fuso liga-se a apenas um lado não ocorrerá a quebra do centrômero. Os
cromossomos serão puxados inteiros, cada homólogo indo para o pólo
diferente do seu par. O nome dessa separação dos cromossomos homólogos é
disjunção ou segregação.
Telófase I
Os cromossomos homólogos já estão separados nos pólos da célula e
se descondensam parcialmente. O envoltório nuclear se refaz dos dois lados e
ocorre a citocinese (divisão do citoplasma).
Balanço da meiose I
Ao final da meiose I formam-se duas células com metade do número
de cromossomos. Mas observe que cada cromossomo das duas células-filhas
são duplos, porque não houve a separação das cromátides na anáfase I. Além
disso, essas duas células são haploides porque elas não possuem pares de
cromossomos homólogos. Os cromossomos foram segregados desde a
anáfase I. Entre a meiose I e a meiose II ocorre um pequeno intervalo chamado
de intercinese. Nesse intervalo não ocorre duplicação de DNA.
Meiose II ou Equacional
Nessa fase acontecerá uma série de eventos com as duas células–
filhas formadas pela meiose I que culminarão com a formação de quatro
células. Essas quatro células terão o mesmo número de cromossomos que as
duas células que lhes deram origem (por isso o termo equacional). Só que ao
invés dos cromossomos serem duplicados eles serão simples.
Prófase II
Os cromossomos voltam a se condensar, os centríolos dirigem-se para
os pólos da célula, formando o fuso acromático e o envoltório nuclear se
desfaz.
Metáfase II
Os cromossomos ligados ao fuso são transportados ao equador
(centro) da célula formando a placa equatorial. Observe que como não há
mais homólogos nas células eles se dispõem um sobre o outro, como na
mitose. Dessa forma, o fuso consegue ligar-se aos dois lados de cada
cromossomo.
Anáfase II
Devido a tração do fuso em sentidos diferentes ocorre a quebra do
centrômero e as cromátides irmãs são separadas.
Telófase II
O envoltório nuclear se refaz e o citoplasma se divide formando 4
células-filhas.
Balanço da Meiose II
Formam-se 04 células haplóides. Seus cromossomos são simples
devido a separação das cromátides na anáfase II.
MEIOSE
Referências Bibliográficas

JUNQUEIRA, B. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular.


Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2009.

Amabis, J.M e Martho, G. (2001). Conceitos de Biologia. Vol. 1. Origem da


vida, citologia, histologia e embriologia. Editora Moderna, São Paulo, SP.

Introdução a Biologia Celular e Molecular disponível no site:


http://www.inf.pucrio.br/~melissa/publicacao/download/biologia/anexo_biolo
gia.pdf Acessado dia 04/04/2012.

Divisão Celular: Mitose e Meiose disponível no site:


http://www.profdorival.com.br/resources/Meiose.pdf Acessado dia
04/04/2012.