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Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR

Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia - PPGECT

A utilização de um Terrário como tema


gerador para estudar fenômenos relacionados ao
aquecimento global em um Clube de Ciências.

Wanderley Marcílio Veronez

André Maurício Brinatti

Raquel Rifert

Jeremias Borges Silva

Jordana Colman

Silvio Rutz da Silva

Resumo

O aquecimento global interfere cada vez no cotidiano da sociedade. Na


escola esse fenômeno é discutido nas disciplinas de ciências, a disponibilidade de
tempo é pequena, dificultando o aprofundamento dos temas em estudo e o
trabalho multidisciplinar. Aqui são apresentados os resultados de um experimento
de observação de um terrário desenvolvido em um Clube de Ciências objetivando
conscientizar os estudantes sobre os problemas ambientais. A atividade baseou-
se na observação de um ecossistema de mata úmida representado por um terrário
fechado. As observações foram feitas durante quinze semanas. Após
levantamentos das hipóteses, observações, estudos e experimentos paralelos
foram desenvolvidos. Os registros mostraram que os estudantes conseguiram
entender a inter-relação entre os fenômenos, suas causas e seus efeitos. Concluir-
se que esta forma de utilizar o terrário como tema gerador é eficaz no ensino e
aprendizagem em ambientes não formais, que se tornam um importante aliado
da educação formal.

Palavras-chave: metodologia científica, ambientes não formais, meio


ambiente .

I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia – 2009 ISBN: 978-85-7014-048-7


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Abstract

The use of a Terrarium as generator theme to study phenomena related


to global warming in a Sciences Club.

Global warming will increasingly affect the daily life of society. At school
this phenomenon is discussed in the disciplines of science, the availability of time
is small, making the depth of the issues under study and multidisciplinary work.
Here are the results of an experiment to observe a terrarium developed in a
Science Club for students aiming to build awareness about environmental
problems. The activity was based on observation of an ecosystem of humid forest
represented by a closed terrarium The observations were made for fifteen weeks.
After surveys of hypotheses, observations, studies and experiments were
developed parallel. The records showed that the students managed to understand
the interrelationship between the phenomena, their causes and effects.
Concluded that this form of use as a theme for terrarium is effective in teaching
and learning in non-formal, which become an important ally of formal education.

Keywords: scientific methodology, non-formal education, environment.

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Introdução
As mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global está cada vez mais
influenciando o cotidiano das pessoas. Este tema deixa de ser uma “retórica” da comunidade
científica e ambientalistas para ser uma realidade que incomoda governos e industrias. O debate
sobre esse problema que ameaça o futuro de toda a humanidade precisa chegar ao dia – a – dia
da sociedade. Não só para conscientizá-la, mas para educar os cidadãos, mostrando-lhes as
causas e seu papel no processo, para que ele possa contribuir para a solução do problema.

A escola tem uma posição privilegiada e, em conseqüência, uma responsabilidade enorme


no processo de educação ambiental. O ensino sobre questões ecológicas e do meio ambiente
permeia o currículo de todo o ensino básico brasileiro. No entanto, a rigidez desses currículo e das
limitações de tempo e espaço das aulas impedem o aprofundamento do estudo das causas e
efeitos dos problemas ambientais levando a um conhecimento superficial do problema, com
muito pouco efeito sobre o cotidiano dos estudantes.

A pouca carga horária das disciplinas de ciências, suas ementas e falta de laboratórios
limitam o desenvolvimentos de atividades que aprofundem os temas em estudo. Quando existem
laboratórios o tempo disponível não permite desenvolver aulas práticas, a turma é muito grande,
etc. Quando os temas são desenvolvidos adequadamente se pode verificar a relação entre
fenômenos, conceitos e até disciplinas. A consciência global é construída, os estudantes podem
observar que uma atitude individual pode interferir na vida de todos.

Os problemas do ensino básico não é restrito a essa questão como mostram os resultados
dos processos de avaliação. O problema ambiental pode ser mais uma das conseqüências da
deficiência educacional da população. A educação pode ser colocada como a causa e o efeito de
seus problemas, formando um ciclo vicioso que precisamos quebrar. A atitude e os costumes das
pessoas em relação à ecologia, e meio ambiente, é só uma das conseqüências. Uma agravante é
que o ensino formal não consegue competir com a mídia consumista e inconseqüente.

Segundo Borges, o aluno deve ser capaz de desenvolver um pensamento crítico, ter um
posicionamento, relacionar tudo o que ele aprendeu com a sociedade que o cerca. É neste ponto
que o ensino tradicional de Ciências tem se mostrado carente (Borges, 1997, p.8). O aluno pode
até gostar de ciências, porém, ele encontra grande dificuldade de aprender. O ensino de ciências
requer a utilização de práticas, de aulas cada vez mais criativas e principalmente aulas que
relacionem o conteúdo com a realidade cotidiana do educando.

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Para que o aluno aprenda, ele deve ser estimulado a estabelecer relações com o
ambiente, ter posicionamento em relação à sociedade, compreender a influência e a importância
que a ciência e a tecnologia envolvidas no respectivo conteúdo têm em sua vida e, então, por
conseqüência, ter atitudes refletindo a assimilação/aprendizado do conteúdo ministrado.

Para que isso ocorra, é necessária a ação por parte dos professores, pois estes devem
trazer à sala de aula, com criatividade, questões sociais que estimulem o pensamento crítico. No
entanto a estrutura administrativa da escola e de carreira dos professores causam uma
dificuldade enorme para que professores possam dar a dedicação que isto requer.

Neste contexto, o projeto “Criação de Clubes de Ciências”, inserido dentro do programa


“Universidade Sem Fronteiras”, sub – programa “Apoio às Licenciaturas” da SETI –PR, se propõe a
disseminar a criação de espaços não formais nas escolas de ensino básico que permitam a
discussão de temas importantes para o cotidiano da sociedade, proporcionando uma forma
diferenciada do aluno aprender ciências. Estes espaços que funcionam fora do turno de aulas dos
estudantes proporcionam a disseminação da ciência e de sua metodologia de investigação.

Neste trabalho se apresenta os resultados da atividade de observação de um terrário


onde abordamos a questão ambiental. Essa atividade foi desenvolvida no clube de ciências do
Colégio Claudino dos Santos na cidade de Ipiranga – PR, que funciona no contra – turno como
atividade fora de sala de aula e congrega estudantes do ensino fundamental e médio.

O terrário é uma pequena representação de um ambiente em que não há a intervenção


direta do ser humano e onde as variáveis globais podem ser controladas. A partir das observações
por parte dos estudantes é possível verificar seus conhecimentos e desenvolver outras atividades
que possam complementar e suplementar sua formação.

A avaliação dos resultados mostra que a atividade de observação do terrário, usando a


metodologia científica, ajudou de maneira significativa e lúdica a aprendizagem sobre o tema
Aquecimento Global conscientizando os membros do Clube de Ciências a respeito da importância
da preservação da natureza, a despertar o espírito científico e critico necessária a formação de
cidadãos. Além disso tornou-se um tema gerador para estudos de outros problemas e conceitos
tais como propriedades da água e evolução das plantas.

Foram apresentadas palestras para os membros do Clube se familiarizar com a atividade,


pois está nunca havia sido analisada por eles em ambiente formal. As palestras demonstraram
alguns termos científicos que os membros iriam utilizar posteriormente nas suas observações,
outra palestra mostrou detalhes sobre a montagem e funções de um Terrário.

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Depois das palestras, seguimos com a montagem de dois Terrários, que apesar de
algumas diferenças, simulavam um ambiente de mata úmida. Durante a montagem os alunos
eram questionados sobre a função dos componentes e sobre os fenômenos naturais que
poderiam ocorrer depois de lacrado.

As observações eram registradas semanalmente, de acordo com a metodologia científica.


Os resultados foram colhidos durante um período de aproximadamente quinze semanas.

A conclusão da atividade foi realizada com uma dinâmica em grupo, onde pudemos
observar que os membros do clube alcançaram o objetivo inicial que era comparar os fenômenos
que ocorreram no Terrário com os fenômenos naturais que ocorrem no planeta Terra
entendendo a interligação de todos os seres, fenômenos e características do meio ambiente e
com os grupos de pesquisa que foram formados após a atividade do Terrário.

Metodologia
A atividade em tela foi realizada em um clube de ciências, com membros da quinta série
do ensino fundamental a segunda série do ensino médio, divididos em grupos. Os grupos
formandos predominantemente por estudantes da mesma faixa etária. Os trabalhos eram
coordenados pelos monitores acadêmicos dos cursos de Licenciatura da Universidade Estadual de
Ponta Grossa, que estão desencadeando e organizando a formação dos Clubes.

O desenvolvimento da atividade de observação do terrário se iniciou após a realização de


uma outra atividade onde foi construído o mapa conceitual sobre aquecimento global. Após
instruções sobre a construção dos terrários, foram construídos dois com características diferentes
representando um ambiente de clima úmido. Os dois foram construídos utilizando-se recipientes
de vidro semelhantes a um aquário, e componentes como areia, pedra, terra, mudas de plantas,
sementes de vegetais e alpiste, água e pequenos insetos. Foram formados três grupos para
observarem o clima, a água e os seres vivos. As observações foram feitas diariamente, registradas
e repassadas na reunião semanal do grande grupo durante quinze semanas. Os terrários
construídos foram totalmente fechados e colocados em locais que permitiam a entrada de sol por
aproximadamente uma hora.

Durante o período de observação foram realizadas palestras envolvendo com os temas:


Ecologia e Metodologia Científica. A medida em que as discussões evoluíam outros experimentos

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eram realizados para melhor entendimento do foi observado.Para solucionar esse problema, os
grupos de pesquisa entravam em ação na parte de estudo e experimentação, como por exemplo,
o estudo do ciclo da água, temperatura e pressão e plantas (briófitas). Todos os trabalhos eram
expostos a todos os membros na primeira parte da reunião semanal, na segunda parte os
trabalhos ocorriam nos grupos, acompanhados pelos monitores.

Após a montagem se iniciou a etapa de levantamento de hipóteses sobre os eventos que


poderiam ocorrer nos Terrários. Enquanto os terrários eram montados, os alunos eram
novamente questionados a respeito da ordem dos materiais que eram inseridos no mesmo, a
respeito da quantidade de água, o que aconteceria com os animais e se haveria ar lá dentro.

Essa etapa de questionamentos foi novamente feita para destacar a importância de cada
elemento e também foi útil, pois quando eram feitas as observações das mudanças que ocorriam,
os membros já possuíam subsunçores para levantarem hipóteses.

Os membros do Clube viam vários fenômenos no pequeno ecossistema, porém muitas


vezes não se questionavam porque aconteciam tais eventos.

Após quinze semanas de observação do terrário foi elaborada uma atividade para concluir
o trabalho. Essa atividade consistiu em um círculo formado pelos alunos e um rolo de barbante o
qual seria lançado após cada pergunta, sendo que cada aluno deveria segurar a ponta do
barbante e assim lançar o restante ao colega que deveria responder a sua pergunta e assim
sucessivamente.

O acadêmico responsável pela atividade lançou a primeira pergunta a um dos alunos, ao


fazer isso segurou a primeira ponta do barbante. Os alunos foram orientados a elaborarem
perguntas uns aos outros de acordo com as observações anotadas pelos mesmos.

Ao final da parte de perguntas e respostas, formou no centro do círculo uma teia de


barbante, assim foi possível explicar e visualizar claramente a inter-relação entre os temas de
pesquisa: clima, água e seres vivos que foram desenvolvidos a partir da construção do Terrário.

Para concluir foi feita uma pergunta para os membros sobre o que eles tinham aprendido

com a atividade. Todos responderam e as respectivas respostas foram anotadas.

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A análise dos resultados das observações feitas pelos membros do Clube de Ciências,

durante quinze semanas de observação, foi feita de maneira qualitativa. A escolha dessa

metodologia qualitativa vem dos valores e ideais, historicidade e importância social envolvidos na

questão do meio ambiente, bom como, os conhecimentos teóricos envolvidos no objeto dessa

atividade, e devido ao importante significado do assunto na formação de cidadãos conscientes.

Resultados e Discussões
As analises das respostas foram feitas de maneira qualitativa, foram escolhidas algumas
observações que eram comuns a todo o grupo, julgando-se o objetivo de seguir o método
científico foi ou não atingido a partir das observações.

Após o fechamento dos terrários foram levantadas hipóteses sobre o que ocorreria
dentro deles. As hipóteses foram variadas e contraditórias. As respostas que resumem as
tendências foram:

“Acho que não vai sobreviver por que o ar e a água vão acabar”

“Os insetos vão sobreviver porque eles tem ar, água e comida”.

“O Terrário vai morrer pois não haverá agua e oxigênio suficiente para as plantas
crescerem”.

Pode-se observar que todos relacionaram a sobrevivência dos seres vivos a existência de
ar, água e oxigênio. Elementos que estavam em evidência durante a atividade. Outros elementos
como o ciclo natutral de vida, reprodução e temperatura não foram relacionados. Isso sugere a
existência de dificuldades em relacionar elementos não tão evidentes, ou abstratos, com o que
está sendo observado. Ao mencionarem o elemento oxigênio.observa-se que os estudantes das
séries mais avançadas apresentam mais subsunçores

Na primeira semana após o Terrário ser lacrado, já era possível ver que as sementes
haviam brotado e que alguns insetos haviam morrido. Após um final de semana os estudantes
fizeram a seguinte observação:

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“Tivemos uma surpresa quando chegamos, quase todas as sementinhas haviam brotado e
já estão com mais ou menos uns 7 ou 8 cm. Infelizmente, alguns insetos morreram.”

Nota-se que os alunos não esperavam que as sementes fossem brotar na primeira
semana e também a decepção pelos insetos não terem sobrevivido. O impacto causado por essa
observação fez passar depercebido outro fenômeno importante bem visível. o terrário
apresentava suas paredes embaçadas depois de passar um tempo de exposto ao Sol. O
fenômeno só foi percebido quando alertados pelos monitores. Na sequência foram realizados
experimentos sobre o ciclo da água.,

Após quatro semanas, os Terrários apresentavam uma parte da grama estava seca e
plantas tipo ervas daninhas que inesperadamente estavam nascendo. Foi observado que havia
alpiste se desenvolvendo.

“Terrário 1: O tempo está chuvoso, há carcasas de animais, uma parte da grama já secou
mas ainda há grama verde, e há trevos e outros matinhos nascendo, o que significa que ainda há
vida, oxigênio e principalmente água. Terrário 2: O tempo está chuvoso, há trevos de três folhas,
alpiste, a maior parte da grama está viva, tem bastante oxigênio.”

Os estudantes já observam o cilco da água com familiaridade e atribuem a


existência de oxigênio ao verde das plantas. Porém não cita que outros fatores influem no
processo de morte e vida em um ecossistema. O grupo de observaçao dos seres vivos, passou a
investigar a estrutura das plantas.

Na oitava semana os alpistes e as gramas estavam aparentemente morrendo, uma


conseqüência natural do clima, pois era inverno:

“Terrário 1:Tem poucas gramas que nasceram. Não tem um animal. E também secaram
quase todas as plantas. Terrário 2: Nasceram bastante grama o que foi semeado uns nasceram
mas morreram. Tem um trevo de tres folhas. Só isso é muito pouco”.

Os insetos já haviam morrido, em virtude do seu ciclo de vida e não ter ocorrido
procriação. A maior parte da grama e dos matinhos também já havia secado, o grupo estava
decepcionado com a atividade por que os elementos vivos dos Terrários estavam aparentemente
morrendo. No entanto não houve questionamentos sobre a razão do que estava ocorrendo.

Observação feita após quinze semanas que o Terrário foi construído:

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“Terrário 1 :Pouca grama, briófitas (musgo) está chovendo, o Terrário 1, não conseguiu
sobreviver sozinho. Terrário 2: Está chovendo, bastante grama, o trevo cresceu muito, outras
plantas diferentes nasceram ”.

O Terrário 1 apresntou uma trinca ocasionando perda de água. Observa-se o


reconhecimento dos musgos como briófitas em consequência de estudos paralelos sobre plantas.
embora afirmem que o terrário não estava sobrevivendo sozinho O surgimento de briófitas não
era esperado pelos membros do clube. O grupo dos seres sivos trabalhou com Briófitas para
entender melhor os acontecimentos nos terrários. Após esses trabalhos todos reconheceram que
o terrário 1 estava ativo, mas mudou suas caracteríticas com a perda de água.

O encerramento da atividade de observação dos terrários com a dinâmica de grupo, teia


de barbante, proporcionou uma sintese do processo com participação entusiasmada dos
estudantes. As atividades desenvolvidas ao longo do período de observação foram lembradas
mostrando que a aprendizagem foi significativa. Todos compreenderam o comportamento auto –
sutentável dos terrários

“Nada vai nascer, nada vai crescer se a água, seres vivos e clima não estivessem
interligados”.

A atividade proporcionou aos estudantes entenderem que todos os assuntos tratados


durante o período de observação estavam inter-relacionados.

“Achava que nada iria sobreviver por estarem vedados, porém estão sobrevivendo”.

Conclusão
Observa-se pelos registros a dificuldade dos estudantes correlacionarem os fenômenos,
suas causas e efeitos. Há uma dificuldade de inserir no contexto questões abstratas, ou não tão
evidentes como temperatura, pressão e radiação solar. Assim a participação de monitores e a
realização de experimentos e estudos paralelos foram fundamentais para o processo de
aprendizagem.

A partir da mudança de discurso dos alunos e do interesse dos mesmos pelos temas
gerados através do terrário, pode-se dizer que a atividade contribuiu significativamente para a
contextualização dos conteúdos vistos na sala de aula formal e experimentados no clube de
ciências, bem como os mesmos utilizaram métodos científicos para o estudo destes temas. E ao
fim das atividades os mesmos chegaram a conclusões da importância do cuidado com o meio
ambiente para o equilíbrio do planeta.

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Com isso pode-se concluir que esta forma de utilizar o terrário como tema gerador é
eficaz no ensino e aprendizagem em ambientes não formais , se tornam um importante aliado da
educação formal. Além de contribuir no processo de educação ambiental e formação do cidadão.

Referências
BORGES, A. T. O Papel do laboratório no ensino de ciências. In MOREIRA, M. A.,
ZYLBERSTA J. N., DELIZOICOV, D. & ANGOTTI, J. A. P. Atas do I Encontro Nacional de Pesquisa em
Ensino de Ciências. Editora da Universidade – UFRGS, Porto Alegre, RS, !997, p. 2-11

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