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COMPLEXO DENTINA-POLPA

Histologia
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
Disciplina: Histologia Buco-Dental
Monitora: Clara Letícia Moreira Costa

COMPLEXO DENTINA - POLPA (originado da papila)


- Dentina é um tecido mineralizado, coberto pelo esmalte na cora do dente, e pelo cemento na raiz. Ela
aloja a polpa no seu interior, que é um tecido conjuntivo não mineralizado, vascularizado, que tem
ligação com o ligamento periodontal, possui forames apicais e acessórios, e é sensível à dor e
inflamação.
- Função: sustentação do esmalte, amortecer forças de mastigação e possui elasticidade.
- A dentina possui características parecidas com os ossos, como a presença de osteoblastos dentro de
túbulos (percorre desde a polpa até a junção amelodentinária), não apresenta células em seu interior
(acelular) e é avascular, porém inervada. Possui coloração branco amarelado que vai se tornando mais
amarelo com o passar da idade. É menos mineralizado que o esmalte:
• 70% de hidroxiapatita
• 18% de matéria orgânica
• 12% de água

▲ DENTINOGÊNESE:
- Formação da dentina através da diferenciação de células da periferia da papila dentaria, onde se
transformam em odontoblastos. O restante vai formar a polpa que é invadida por capilares e colágeno.
A dentina é depositada em camadas: 1ª dentina do manto na fase de campânula e a 2ª dentina
circumpulpar.
- Deposição da dentina é do tipo centrípeta (de fora pra dentro).

- No local das futuras cúspides para a proliferação


começa a diferenciação celular, que são células
cilíndricas mais longas e núcleo voltado para o estrato
intermediário, essa diferenciação é controlada pelo
fluxo de informações entre as células do epitélio oral e
ectomesenquimais, com secreção de mensageiros
químicos a partir dos pré-odontoblastos que interagem
com receptores específicos (integrinas) (para moléculas
de adesão da superfície celular como laminina da
lamina basal e domínios de ligação com fibrionectina-
localizada na parte distal dos odontoblastos), presentes na membrana das células ectomesenquimais.
Essas mudanças na conformação das superfícies celulares são reguladas por fatores de crescimento
(polipeptídios). *O pré-odontoblasto produz a 1ª matriz da dentina do manto*
- Lamina basal: a interação do epitélio interno e da papila é mediado por essa lâmina e ela possui 3
subdivisões:
• Lâmina lucida: voltada para o epitélio interno (colágeno tipo 1 e 3, ácido hialurônico e sulfato de
condroitina)
• Lâmina densa: central (formado por células do epitélio interno, constitui colágeno do tipo 4,
laminina e heparan sulfato)

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• Lâmina difusa: voltada para a papila dentaria (colágeno tipo 1 e 3, se torna mais espessa, possui
ácido hialurônico e sulfato de condroitina)
O colágeno 3 da lâmina difusa desaparece na diferenciação do odontoblasto, e com a deposição da
matriz org., os odontoblastos se afastam das cristas da papila e formam um prolongamento
odontoblástico que tem ramificação ao limite amelodentinária.
FORMAÇÃO DA MATRIZ ORGANICA:
- Célula principal: odontoblasto, responsável pela síntese e secreção de proteínas, e de todos os
componentes da matriz devido aos complexos juncionais. Composta por fibras colágenas do tipo I
(90%) e V (proporção mais baixa), e substancia fundamental interfibrilar. 10% de proteínas:
fosfoproteina dentinária, proteína da matriz, sialoproteina dentinaria, osteonectina, osteocalcina e
osteopontina.

PRÉ DENTINA:
- Camada de dentina não mineralizada, que
posteriormente quando mineralizar vai ser a
dentina circumpulpar, ela permanece nos dentes
dos adultos separando a dentina mineralizada dos
odontoblastos e evita o contato com a polpa.
FORMAÇÃO DA DENTINA DO MANTO:

- Começa com a secreção da matriz orgânica (fibrilas colágenas) e das vesículas


da matriz, que brotam dos odontoblastos e estão entre as fibrilas e vão
armazenar os cristais de hidroxiapatita.
- Os ameloblastos vão emitir processos curtos que se comunicam com os
processos curtos dos odontoblastos, com o aumento da deposição da matriz
esses processos vão se tornar um único prolongamento.
- Quando a matriz orgânica forma uma pequena camada na região
periférica, começa a aparecer mineral no seu interior onde posteriormente
será ocupado pela dentina do manto. Após essa mineralização aparece
zonas eletron-opacas muito densas que não vão mais liberar vesículas da
matriz. Quando forma a dentina do manto, os odontoblasto alcançam a
completa diferenciação e continuam a síntese para a dentina circumpulpar.
FORMAÇÃO DA DENTINA CIRCUMPULPAR:
-As junções oclusivas restringem passagem de substancias onde as moléculas de mineralização
ficam no interior.
-A dentina do manto é extremamente adjacente à pré-dentina (camada não mineralizada que
posteriormente será a primeira camada da dentina circumpulpar).
- A dentina possui prolongamentos: os túbulos dentinários. Esses tubos passam a existir ao longo da
deposição de dentina. O líquido que os nutre é chamado de fluido dentinário.
- A dentina circumpulpar é formada de fora pra dentro, enquanto os odontoblasto recuam em direção
a papila dentária quando a pré-dentina é depositada, rodeada assim pela peritubular, que forma a
parede do túbulo dentinário e aloja o prolongamento e espaço periodontoblástico.

-Durante a mineralização, permanece o espaço periodontoblástico em volta do


prolongamento, que secreta uma fina camada de matriz de composição distinta, que

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não possui fibrilas colágenas e se mineraliza mais rapidamente e mais densamente: denominada de
peritubular (mineraliza mais rápido, pq possui matriz pobre em fibras colágenas), o restante da dentina
é chamada de intertubular (menos mineralizada).
- Dentina interglobular: pequenas regiões hipomineralizadas que aparecem na formação dos
glóbulos de mineralização.

FORMAÇÃO DA DENTINA RADICULAR:


- Marca o início da fase de raiz da odontogênese. As células epiteliais da bainha
radicular de Hertwig induz a diferenciação desses odontoblastos. Não se forma esmalte.
- As fibrilas colágenas são mais grossas e dispõem-se paralelamente, mas não
justapostas a lâmina basal. Os prolongamentos são mais ramificados e observa-se a
camada granular de tomes e os odontoblastos são mais curtos de células cubicas.
DENTINA PRIMÁRIA: dentina do manto + dentina circumpulpar formada até o fechamento do
ápice da raiz.

-Dentina do manto: constituintes secretados por odontoblastos em diferenciação, que


secreta a vesícula da matriz. Vão formar as futuras junções da dentina e esmalte
(amelodentinária), através das suas fibrilas grossas e perpendiculares. É menos
mineralizada porque não possui dentina peritubular, assim os prolongamentos são
rodeados por matriz calcificada. Possui fibras de von Korff que são mais grossas e
formada por acúmulos de proteoglicanos e glicosaminoglicanos.

- Dentina circumpulpar: é a maior parte da espessura total da dentina, compreende a dentina primária e
secundária, possui a dentina peritubular que envolve o túbulo dentinario (função de sensibilidade), e a
intertubular. Os prolongamentos contraem quando metade da dentina for formada, então perto da junção
amelodentinária JAD não tem prolongamentos, ficando constituído por liquido tissular e o túbulo não é
retilíneo porque o prolongamento tem uma curva como o “S”. Os túbulos são mais
ramificados perto do esmalte por conta dos canalículos dentários: comunicações entre os
túbulos ao longo do seu comprimento.

- Dentina peritubular: constitui a parede dos túbulos dentinarios,


HIPERMINERALIZADA (fosfato e cálcio), espessura maior no limite amelodentinário e
diminui em direção a polpa, formação por toda vida (dentina secundaria).
- Dentina intertubular: HIPOMINERALIZADA (tem matéria orgânica) maior parte da dentina, ocupa
todo o espaço entre os túbulos, fibrilas colágenas perpendiculares ao longo do túbulo.
- Dentina interglobular: localizada na porção mais externa da dentina coronária,
hipomineralizadas, está presente entre glóbulos mineralizados.
- Linhas de von Ebner: linhas incrementais: curtos períodos de repouso, são linhas
perpendiculares no eixo dos túbulos dentinários. As linhas de von Ebner mais acentuadas
são denominadas de linhas de Owen.
- Camada granulosa de Tomes: formada por ramificações dos prolongamentos adotando forma de
alças ao redor de onde é formada a dentina radicular.
DENTINA SECUNDARIA E TERCIARIA:
-Deposição por toda vida, camada após o fechamento do ápice da raiz. Secundaria é depositada em
todas as superfícies da dentina voltado para polpa, com maior espessura na região palatina dos
dentes, lingual dos anteriores, e no assoalho dos posteriores. Tem deposição mais lenta.

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Terciaria: se forma através de algum agressor, atrito ou carie, onde o odontoblasto forma uma
barreira reestabelecendo a espessura da dentina que é a Reacional, e a Reparativa é formada por
células indiferenciadas da polpa, em casos de carie de evolução lenta.

POLPA:
DESENVOLVIMENTO DA POLPA:
- Deriva da papila dentária, através do aparecimento de fibroblastos, do aumento gradual das fibrilas
colágenas e se completa nos estágios avançados de erupção dentaria. Constitui vasos, substancia
fundamental e fibras nervosas.
- Tecido conjuntivo frouxo, não mineralizado, vascularizado e inervado. Se for reabsorvido, leva a
necrose da pré-dentina. Possui duas camadas periféricas:
• Camada de odontoblastos: células de origem ectomesenquimal, responsável pela formação
da dentina; É uma camada de célula acoplada a pré-dentina, contornando a periferia da
polpa, é uma célula constituída por prolongamentos (contato com a dentina) e corpo celular
(contato com a pré-dentina e polpa). Na coroa tem corpo celular com forma cilíndrica, na
raiz com forma cubica. Sintetiza e secreta também proteínas como colágeno tipo I. Quando
estão totalmente diferenciados (isso é, quando a dentina circumpulpar estiver depositada) o
núcleo está voltado para a camada subodontoblastica. O corpo celular realiza contato entre si
através de junções: intercelulares, comunicantes (desmossomos, adesão) e aderentes (rodeia
a célula por inteiro). Seus prolongamentos possuem poucas organelas e muitos microtúbulos
e filamentos de actina, possui o sistema lisossômico e vesículas.

Camada subodontoblastica: encontra-se abaixo do odontoblasto, dividida em


duas zonas: rica em células e pobre em células.
■ Zona pobre em células: (ou Will); é atravessada por fibras
nervosas, por numerosos prolongamentos das células que se
ramificam estabelecendo contato entre si (através de junções
comunicantes e aderentes), apresenta numerosos vasos
sanguíneos que penetram na camada de odontoblasto.
■ Zona rica em células: constituídas por células
indiferenciadas, células que emitem prolongamentos que
atingem a zona pobre de células e a região central da polpa,
aparecem corpos celulares.
- Região central: constituída por tecido conjuntivo frouxo, rodeado pela dentina, possui fibroblastos
como célula mais abundantes e células indiferenciadas, macrófagos, linfócitos e plasmócitos, suas
proteínas são capazes de renovar e produzir a matriz, pode ocorrer processos de inflamações por ter
vasos e nervos.

Inervação do dente e sensibilidade dentino-pulpar:


- Os nervos provenientes do 5 par (trigêmeo) penetra no forame apical e acessório e estabelece contato
com a polpa, possibilitando sensibilidade traduzida como dor. Chegando a câmera pulpar, faz
ramificações e constitui assim o plexo de Raschkow. Existem 3 teorias para explicar essa sensibilidade:
1.
Por existirem fibras nervosas na porção inicial dos
túbulos, provenientes da polpa, ocasiona em estímulos

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e causa a sensibilidade, chegando nas terminações
nervosas.
2. Odontoblastos e seus prolongamentos funcionam como receptores sensoriais por ser originados
da crista neural
3. Hidrodinâmica: mais aceita; pelos túbulos dentinários estarem preenchidos por fluido tissular,
quando ocorre movimentação e gera um estimulo nos fluidos, alcança assim as fibras nervosas
na porção inicial dos túbulos.

Suprimento vascular:
- Artérias de pequeno calibre invade a polpa e atravessa o canal radicular até chegar na câmera pulpar e
chegando assim na região subodontoblastica, transportando nutrientes para os odontoblastos.

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