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Folhas de akoko

AKÓKO

Akôko, huntigomé, ahoho ou hunmatin.

(Nome Cientifico: Newboldia laevis Seem)

O AKÓKO é uma das folhas preferidas por todos os candomblecistas por ser associada sempre
a prosp,eridade, tanto de dinheiro, como de filhos. De origem africana, foi introduzida aqui
pelos africanos, onde se adaptou perfeitamente. É atribuída aos ÒRÌSÀ ÒSÀNYÍN e ÒGÚN, pois
esta árvore é considerada abundante e na África acomoda em suas sombras, assentamentos
do ÒRÌSÀ ÒGÚN onde seu culto é extenso na cidade de IRÉ. AKÓKO é uma árvore sagrada
também conhecida MO árvore de ÒSÒÓSÌ. Entre os Iorubas, é considerada um sinal de
prosperidade, pois seus troncos eram muito empregados nas feiras, locais onde o comércio era
intenso e era comum que, após serem utilizadas como estacas, seus troncos brotassem,
gerando novas árvores.

Já no culto ÈGÙNGÙN, o AKÓKO desempenha um papel fundamental na união dos seres do


ÀÍYÉ (mundo dos vivos) e ÒRÚN (mundo dos espíritos). Seu tronco que geralmente não é
muito ramificado lembra um grande ÓPÓ ISÉ, que ligaria o Céu a Terra. Nesse caso, sua
principal relação se dá com OYA, Senhora dos Ventos e dos ÈGÙN, que recebe o título de
ALAKÓKO, senhora do AKÓKO. Constatamos assim dois aspectos importantes dessa árvore:
Sua ligação com a ancestralidade e com o elemento Ar.

O AKÓKO é uma folha associada a realeza, daí ser chamada de “a folha dos reis”. Espalhada no
chão do barracão em dia de festa, atrai prosperidade. Segundo a tradição Ioruba, seu tronco
não pode ser ferido por machado, faca ou objetos de ferro. É utilizada para todos os ÒRÌSÀ.

Dizem os antigos, que o AKÓKO está ligado ao final do ciclo da iniciação, quando uma nova
etapa na vida do iniciado começará. Por isso é uma folha muito empregada durante cerimônias
de festejo dos sete anos de iniciado, principalmente quando ocorre entrega de OYE (cargo).
“Nenhum rei é considerado rei se não tiver levado no seu ORÍ a folha de AKÓKO.”

Quem quiser plantar o AKÓKO, não precisa de muito espaço, pois o seu tronco não é muito
grosso, porém o seu porte é majestoso, fica bem alta. Suas flores também são bem bonitas,
lembram a de um Ipê Rosa, pois pertence a mesma família botânica. Porém cuidado, pois
existem pessoas vendendo AKÓSÌ como se fosse AKÓKO. Salve o nosso Rei! Árvore forte e
imponente, esse é o AKÓKO.

O AHOHO é um arbusto, rico em proteínas, possui propriedades sedativas, e é um dos


“HUNTIGOMÉ”, ou seja:

ÀTÍN onde é de uma forma geral, cultuado GÚ, o VÒDÚN guerreiro e dono do ferro e do GÚ-
WUI, seu sabre sagrado e símbolo de um rei; o termo “HUNTIGOMÉ” se perdeu em Cachoeira,
Bahia, onde ficou substituído pela palavra “JASU” em alguns candomblés de JEJE MAHI. Este
arbusto é muito conhecido no Brasil pelo nome de AKÓKO, entre os MAHI pelo o nome de
AHOHO, entre os MINA por HUNMATÍN, e entre os iorubas e nagôs como AKÓKO, onde eles
costumam cultuar o ÒRÌSÀ ÒGÚN (GÚ entre os FON) à sua sombra, também utilizam-no como
cercas delimitando espaços, e como forragem, exceto para cavalos, quando ainda pequenas e
tenras mudas.

A tradição dos MAHIN no Brasil faz com que se coloque um pequeno galho ou folhas de
AHOHO presas ao corpo, e quiçá alusivamente à arruda dos portugueses, atrás da orelha, ao se
deslocar em viagem, de um lado para outro, e mesmo para ir se entregar uma oferenda em
local distante, este comportamento é a certeza da proteção do VÒDÚN durante os percursos
de ida e de volta. Quando do retorno, retira-se e despacha-se. Suas folhas são sagradas e
representam prosperidade para a obrigação de sete anos de VÒDÚNSÌ, junto com a folha
conhecida por ONÍFERÉ, a folha do AHOHO também representa a proteção de GÚ na trajetória
de suas vidas pelo mundo. São folhas também relacionadas com rituais de purificação,
principalmente no Benin. As crenças africanas costumam mencionar que GÚ costumava
descansar sob o AHOHO em suas longas caminhadas. Este VÒDÚN é representado por
qualquer peça de ferro depositada sob o ÀTÍN, e é ali que recebe suas oferendas votivas.

Pertence a: OGÚN, ÒSÒÓSÌ, ÒSÓNYÌ, SÀNGÓ, OYA e ÒSÀÁLÁ.