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Como Ler Livros: Um guia prático

para a Leitura inteligente.


Primeira parte: as dimensões da leitura e a natureza
do aprendizado.

“Ler é se comunicar com o escritor”.

Advertências sobre a arte de ler:

1. Estar informado sobre um fato não significa entende-lo.

2. Há diferenças entre uma ideia, uma opinião intelectual e a reflexão sobre


o fato. Nos meios de comunicação muitas vezes tudo isso vem
empacotado em algumas poucas frases condensadas.

A leitura ativa:
“Contando apenas com o poder da
sua mente, você tem de operar os
símbolos que estão diante de você,
afim de elevar-se de um estado de
entendimento inferior ao estado de
entendimento superior” (ADLER, J.
Mortimer).

A leitura ativa é o processo por meio do qual a mente se eleva por conta
própria. A leitura ativa é a relação estabelecida entre o leitor e o autor. Na
atividade da leitura, o leitor pode se relacionar com o texto em diferentes graus
de intensidade, tendendo do mais passivo para o mais ativo e vice-versa.
Há na leitura uma diferença fundamental entre autor e leitor no que tange ao
nível de entendimento sobre o assunto. O leitor deve sair de um nível de
entendimento inferior em relação ao autor para um nível mais elevado,
dependendo da qualidade da transmissão e da apreensão do conteúdo. Essa
transmissão pode ser total ou parcial, abarcando uma compreensão abrangente
sobre o conteúdo ou apreendendo apenas dimensões parciais. A qualidade dos
atos mentais praticados durante a leitura irão determinar a subida ou o a
estagnação quanto ao nível de apreensão e entendimento sobre o assunto.
Elementos para uma leitura ativa: Plano de leitura e plano de
estudos.

 A leitura ativa pressupõe a consciência do leitor sobre o objetivo da


 leitura a ser empreendida.
 A leitura ativa pressupõe então um plano de estudos e um plano de
 leitura.
 A leitura exigente suscita perguntas na cabeça do leitor, e ele terá de
responde-las ao longo da leitura.

Ler para se informar e ler para entender

Ler para se informar envolve a leitura no sentido mais comum – ler


revistas, jornais e etc. É o tipo de leitura mais rápida e assimilável. Essas
leituras aumentam o nosso estoque de informação, porém exigem pouco da
nossa capacidade de entendimento, uma vez que está no mesmo patamar de
compreensão no qual estamos habituados.
Ler para entender é o tipo de leitura que está acima do nível de
compreensão do leitor, e que, portanto, exige do leitor um aumento no seu
entendimento sobre o assunto. Entender mais não significa acumular
informações, mas aumentar o grau de inteligibilidade sobre as informações que
você já possui.

 Condições para elevar o entendimento através da leitura:



1. O autor deve ter um entendimento superior ao seu a respeito dos fatos
que serão informados.
2. Você deve ser capaz de superar essa desigualdade presente entre os
níveis de entendimento de um modo total ou parcial
3. É necessário saber identificar quais os autores que nos oferecem esse
entendimento superior a respeito das informações.
4. É mister aprender a distinguir entre aqueles livros e leituras que nos
fornecem informações, permitindo-nos acumular fatos aparentemente
desconexos, daqueles outros que inovam a nossa compreensão sobre o
assunto e que nos permitem criar novas conexões lógicas e analógicas
entre fatos e conhecimentos.
A diferença entre ensino e descoberta: Leitura é aprendizado.

Obter informações é saber que algo é um fato. Esclarecer-se é saber


do que se trata esse fato, quais as suas causas e consequências, o modo pelo
qual o fato se apresenta e as suas analogias possíveis.

  Por que esse fato assim se apresenta?


  Quais as conexões desse fato com outros de mesma espécie?
  Em quais aspectos ele se assemelha com esses outros fatos?
 Em quais aspectos ele se diferencia desses outros fatos?

A diferença entre estar informado sobre algo e compreender a forma


da existência de algo é a mesma diferença que existe entre lembrar de
alguma informação e conseguir explica-la de modo inteligível.
Os dois tipos de aprendizado

1. Aprender a partir de auxílios externos: A arte de aprender a partir de


discursos (aulas, livros, palestras).

2. Aprender com autoconhecimento e com a realidade: A arte de


aprender sem auxílios (pesquisa, reflexão, observação do mundo).

Habilidades necessárias para melhorar o aprendizado: Lendo, ouvindo e


meditando.

Funções cognitivas em geral.

 Observação apurada – Habilidade de identificação do objeto de estudo e


saber localiza-lo em um quadro de referência mais amplo.

Exemplo: Saber classificar o conhecimento segundo sua



1. Utilidade do conhecimento (envolve sua motivação específica).
2. Natureza do conhecimento (envolve sua intelecção mais abstrata).
3. Relevância histórica deste conhecimento (envolve seu sentido de
orientação espaço-temporal).
4. Importância desse conhecimento dentro do quadro de referências (envolve
a distinção do essencial constante daquilo que é secundário variável).
 
 Imaginação & Memória-- Habilidade de comparação do conhecimento,
uso de diferentes linguagens, alocação e compartimentação do
conhecimento em diferentes contextos.

 Estratégia de Abordagem & Aplicação – Habilidade de encontrar a
maneira mais eficiente de se obter o conhecimento através de um método.
Integrar-se na sua linguagem, além de utilizar-se da perspectiva adequada
para o seu melhor entendimento. Habilidade em aplica-lo, seja expondo-o
de maneira discursiva ou operacionalizando-o em situações concretas.











MÉTODO FEUERSTEIN E AS FUNÇÕES COGNITIVAS EM GERAL

1. Input – Como coletar a Informação de maneira eficiente (Ouvir, Ler,


Observar):

1.1 O gerenciamento da atenção e do foco.

O foco da sua atenção em relação ao conhecimento é instrumentalizado


pela sua consciência de acordo com o acervo de conhecimentos e
linguagem que você já tem alguma familiaridade. A atenção flutua.
Respire fundo e perceba as adequações e inadequações da sua
consciência em relação ao conhecimento.

1.2 O sistema de orientação Espacial e Temporal.

Toda informação que chega até nós tem sua origem em alguma data e
em algum lugar, tem sua própria dinâmica temporal e local. Por outro
lado, quando a recebemos, também estamos localizados no tempo e no
espaço.

1.3 Comportamento exploratório e sistemático

A coleta das informações deve ser previamente mapeada e seguir uma


ordem lógica. Não repetir caminhos já percorridos. Evitar erros
previsíveis.

1.4 Necessidade de precisão e exatidão na coleta de dados

O mapeamento deve ter instrumentos eficientes de medição e


verificação. É mister evitar o excesso de detalhamento, uma vez que isso
pode ocasionar desnecessárias perdas de tempo.

1.5 Necessidade de diferenciar o essencial do acidental.

As características essenciais permanecem, as características


secundárias variam.

1.6 Considerar mais de uma fonte de informação

Buscar cercar-se de múltiplas fontes de informação e de conhecimento


para abordar o fenômeno inquirido.
2. Fase de Elaboração do Pensamento.

2.1. Identificação e avaliação de problemas.

(2.2.) Começa-se a inferir qual o problema por uma avaliação segundo


critérios objetivos.
(2.3.) Busca-se a descrição elaborada do problema. Recruta-se a
distinção, discriminação e descrição da primeira fase. Todas essas etapas
prescindem de um bom manejo da linguagem para melhor eficiência do
raciocínio. (2.4) Descrito o problema corretamente, enuncia-se a “missão” a
ser cognitivamente praticada, de modo a alcançar a sua resolução. Tal
busca pela resolução exige o predomínio do elemento da vontade no
sujeito cognoscente. Antecipa-se agora as potenciais habilidades a serem
executadas nos atos da fase seguinte: Na capacidade de comunicação de
modo preciso e específico, com amplo vocabulário, quando se almeja a
melhor compreensão por parte do seu interlocutor. A capacidade de
planejamento estratégico para a ação no plano concreto.
(2.5.) Distinção dos dados relevantes e ignora-se os dados irrelevantes.
(2.6.) Utilizar critérios para comparar os dados. Exemplo: Comparar dois
dados segundo uma classificação comum de semelhanças e de diferenças.
(2.7.) Amplitude do campo mental ou memória de trabalho. Enquanto se
elabora a compreensão, o esforço será recrutar mais áreas de domínio do
trabalho na memória. Qual a sua capacidade de recrutar outras funções
cognitivas durante o esforço cognitivo de um trabalho específico?
(2.8.) Percepção integrada sobre as interconexões do trabalho ou
conhecimento numa sequência lógica de desenvolvimento mais ampla.
(2.9.) Busca pela evidência lógica dos dados. Pôr as hipóteses à prova
(‘e se não fosse assim?’). Aceitar as elaborações parciais até poder conferir
o grau de certeza. Acumular o maior número de informações possíveis de
maneira encadeada para a interpretação.
(3.0.) Capacidade de representação imaginativa na contextualização ou
no processo de comparação das informações. Processo natural da
imaginação e da retenção de experiências na memória.
(3.1.) Planejamento estratégico e sequência de etapas para resolver o
problema.
(3.2.) O quadro de referência: O conjunto de conceitos e termos que te
fazem experimentar a realidade de determinada maneira. É o vocabulário
que você recruta para interpretar a realidade.
(3.3.) Meta-cognição. É a etapa onde você procura observar seu próprio
desenvolvimento cognitivo enquanto o pratica. Reflexão sobre o seu
comportamento cognitivo. Nesta etapa você busca aumentar seu domínio
sobre as suas funções cognitivas.
Os níveis de leitura: O Objetivo do leitor.

“O objetivo de um leitor determinará a maneira como ele lê”.

Tipos de leitura

  Entretenimento
  Informação
 Entendimento

Os níveis de leitura são cumulativos, ou seja, a medida que você


passa de um nível inferior para um nível superior o ganho não se perde,
ele se acumula. Os níveis superiores englobam e complementam os
inferiores.

1. Nível elementar: O domínio do idioma

I. Identificar as palavras (vincular som e grafia).

II. Decodificar o que elas querem dizer, o seu significado e o referente


(aprimoramento da imaginação e gramática básica).

III. Interpretar as palavras e frases em relação ao seu contexto e conjunto


(domínio da gramática avançada, da lógica e da retórica).

2. Nível inspecional: A arte de folhear o livro


sistematicamente.

I. A pergunta que se faz no nível inspecional é: O livro é sobre o quê?

II. Extrair os temas principais abordados em um livro com uma leitura


rápida: “Qual a estrutura do livro?”.
Descobrindo os temas do livro na leitura inspecional:

“Imagine-se como um detetive em busca de


pistas sobre os temas e ideias gerais do livro,
aberto a tudo o que lhe trouxer esclarecimento
sobre esse mistério”.

 Pré-leitura ou sondagem sistemática: Construir o sentido do livro


 a partir da análise da sua estrutura.
 Examinar a capa, o título e o prefácio (Nome, cor, tema, tipo de
 livro).
 Examinar o sumário (como o autor articula os capítulos e
 subcapítulos?). É a linha geral do raciocínio.
 Consultar o índice remissivo (Autores citados, tipos de livros
citados, termos usados nas citações). Procurar trechos principais,
 baseando-se no índice de referências.
 Ler a orelha e a contracapa com atenção às palavras. Elas
possuem bons resumos e apresentam os pontos principais (se o
 livro for bem escrito)
 Leia brevemente os capítulos que possam parecer conter os
argumentos principais do autor, suas páginas iniciais e finais
 revelam muito.
 Folhear o livro (ler alguns parágrafos ou páginas em sequência,
principalmente o epílogo e as duas ou três páginas finais).

Dicas para uma boa leitura inspecional.

A leitura superficial de livros difíceis pode ser proveitosa. Ao encarar um livro difícil
pela primeira vez leia-o sem parar ou se deter nos trechos espinhosos. Não
comece a refletir nos pontos que ainda são incompreensíveis para você. Tente
entender um pouco do livro em uma primeira leitura superficial e deixe os detalhes
e os livros de consulta para uma segunda leitura pormenorizada.

A velocidade da leitura varia de acordo com a complexidade da leitura em


questão. O ideal é saber identificar qual a velocidade adequada para cada tipo
de leitura. O ideal é saber ler em diferentes velocidades.
A leitura superficial tende a ser mais rápida devido a sua intenção introdutória.
A leitura analítica é tipicamente mais lenta.
As fixações e retrocessos que atrapalham a leitura elementar

 Fixação em palavras soltas, reler trechos ultrapassados com os olhos


 enquanto o raciocínio avança em outra velocidade.
 Técnica: Acompanhar a leitura com os dedos a uma certa distância
 que contemple frases inteiras ou até parágrafos.
 Essa técnica permite um controle maior na velocidade da leitura,
permite também aumentar o nível de concentração no texto, isto é,
aumenta a capacidade de compreensão do leitor que agora lê
ativamente.

Transição do nível inspecional ao nível analítico: A arte de ler para


começar a entender.

“A leitura analítica é destinada


exclusivamente a entender o
livro”.

Para entender e se apossar de uma obra você precisa saber qual tipo de livro
você está lendo, qual a sua finalidade e como o autor fará você compreendê-la.
A leitura inspecional atenta ajudará na classificação do tipo de livro, na relação
dos elementos para-textuais (Título; Sumário; Prefácio; Índice remissivo). Esse
nível de leitura implica em “mastigar e digerir o livro”, além de:
I. Sair de um nível de entendimento inferior para um entendimento
superior.

II. Depositar atenção especial na construção meticulosa feita pelo autor


no uso do título, na linha de raciocínio sugerida pela ordenação do
sumário e na descrição do tema/problema abordado no sumário, além
de destacar mentalmente a tradição de pensamento e linha
bibliográfica denunciada pelo índice remissivo.
Para ajudar na descrição de qual tipo de livro se está lendo, traremos
as distinções fundamentais traçadas por Mortimer Adler a respeito
das obras expositivas:

I. Obras de finalidade técnica ou prática.


II. Obras de finalidade teorética ou puramente
abstrata:

Perguntas técnicas

Qual a finalidade O que fazer com Converter


proposta pelo autor? esses conhecimentos conhecimento em
para convertê-lo em regras de operação
tal finalidade?

Perguntas teoréticas

Esse conhecimento é
O que é? Qual a causa?
verdadeiro ou é falso?
Categorias de livros práticos:

 Técnicos e Normativos: Direito; Ética; Economia;


Política; Manuais...).

 Persuasivos: Tratados morais; tratados políticos;
discursos e peças de oratória; Literatura dramática e a
ficção em geral etc.).

Categorias de livros teóricos

 História – Tipo narrativo e descritivo; A história é cronotópica,


ou seja, ela sempre trata de eventos que acontecem ou que
aconteceram em um determinado tempo e em um lugar
específico.

 Ciências – Leis gerais abstratas e padrões quantificáveis. A
ciência não se ocupa do passado como tal. O cientista busca
por Leis ou generalizações. Seu objetivo é descobrir como as
coisas acontecem, no todo ou em partes, e não como eventos
específicos dados em um determinado tempo ou em um
determinado lugar do passado.

 Filosofia – A filosofia se refere sempre à experiência comum
da vida humana transformada em experiência cognitiva pelo
filósofo. A filosofia é semelhante à ciência e distinta da
história, no sentido em que busca verdades gerais em vez de
relatos de eventos específicos, seja no passado recente ou
remoto.

1 Essas diferenças metodológicas indicarão qual o tipo de livro você está lendo. Mas, além disso, você
terá de identificar o estilo de argumentação utilizado pelo autor .
3. A leitura analítica: Como identificar e expressar a estrutura
do livro.

Após a classificação do livro em seu tipo e


desvelando o seu tema principal, expresse a sua
unidade em um todo linear e coeso.

A radiografia do livro se dá através da integração desses


elementos:

1. O entendimento sobre a estrutura interna do livro, ou seja, identificar as


partes principais que compõem o todo, os seus tópicos.
2. A articulação e o ordenamento dos assuntos com o tema principal.
3. Função das partes entre si (função parcial).
4. Função das partes com o todo (função total).

5. Reconhecer a unidade por trás das partes que o compõem.

6. O todo é uma unidade complexa.

7. A unidade complexa é composta por uma multiplicidade geral de assuntos


abrangentes.

8. A multiplicidade geral e abrangente esconde uma multiplicidade mais


detalhada, pormenorizada e organizada, articulada pela linha de raciocínio
e pelo estilo de argumentação usado.

9. As suas proposições, suas premissas, suas frases e a terminologia das


suas palavras (vocabulário específico).

10. A lógica ou o delineamento das ideias e dos argumentos (termos e


proposições) subordinados entre si.

4. A leitura syntópica: A arte da leitura comparativa.

I. Ler muitos livros diferentes que versem sobre o tema que para você é
uma questão.
II. Ordenar mutuamente os raciocínios de diversos livros em torno de um
tema.
III. Descobrir um raciocínio novo que não esteja em nenhuma das leituras
comparadas.
Perguntas centrais que devemos fazer sobre qualquer livro:

 O livro fala sobre o que?


 O que exatamente está sendo dito?
 Como isso está sendo contado?
 O livro é verdadeiro?
 É verdadeiro no seu todo ou somente nas suas partes?
 Qual a importância das informações e conhecimentos transmitidos?

Como se apossar de um livro?

1. Sublinhar.
2. Traçar linhas verticais nas margens.
3. *Fazer asteriscos ou outras marcas nas margens
4. (1) Inserir números nas margens para (2)indicar os passos de raciocínio
(3)ou de um argumento.
5. Inserir um número de outras páginas nas margens para remeter à outros
trechos que se relacionem com o assunto do momento.
6. Circular palavras-chave ou frases.
7. Escrever nas margens da página perguntas ou respostas suscitadas
pelo trecho ou reduzir problemas complexos a frases sintéticas, ou até
registrar a sequência dos pontos centrais.

Os três tipos de anotações

 Anotações durante a leitura inspecional: anotações sobre a


estrutura do livro.

1. Que tipo de livro é esse?
2. O que ele diz, de modo geral?
3. Qual a ordem estrutural pela qual o autor desenvolve seus
conceitos e entendimento do assunto?

Essas anotações supracitadas podem ser feitas e relacionadas ao


sumário, logo no início do livro, após ter sido feita a leitura inspecional. Essas
perguntas estarão mais voltadas à estrutura do livro, o seu esqueleto e
esquema geral, não aos problemas trazidos pelo conteúdo em si mesmo.
 Anotações conceituais

As anotações conceituais são anotações que se referem ao vocabulário


íntimo do autor, elas são relacionadas às suas intuições, percepções e
pensamentos relativos ao que está sendo apresentado pelo livro durante a
leitura. Posto que durante a leitura analítica o leitor deve elaborar respostas às
perguntas anteriormente formuladas. Perguntas sobre a veracidade ou
importância do que está sendo dito pelo livro e etc.

 Anotações da leitura sintópica ou comparada

As anotações feitas para fins de comparação, quando estiver sendo feita


a leitura sintópica, servem para traçar o perfil do debate e construir a
confrontação de ideias ou dialética entre os conceitos usados por diferentes
autores em diferentes livros. Elas devem ser registradas em papéis distintos,
ou colocadas distintamente no mesmo papel. É recomendado que se faça uma
listagem ordenada das afirmações e perguntas levantadas sobre o assunto que
esteja sendo investigado pelo leitor.

 As três regras para a leitura do conhecimento


expositivo

Há, como vimos, três grupos de regras na leitura dos livros expositivos.

1. O primeiro é o conhecimento de tipo estrutural para descobrir a unidade


e a estrutura parcial do todo;

2. O segundo, o conhecimento de tipo interpretativo para analisá-lo em


seus termos, proposições e argumentos;

3. O terceiro, o conhecimento de tipo crítico, para criticar a doutrina do


autor, de modo a que concordemos ou discordemos inteligentemente
dele.
 A leitura das experiências humanas na literatura
imaginativa de ficção

“Os livros expositivos obedecem a finalidade da instrução. Os livros de ficção imaginativa querem
proporcionar o prazer. Provamos as coisas pelo exercício dos sentidos e da imaginação. Para
conhecê-las, utilizamos nossos poderes de julgamento e raciocínio, que são intelectuais. Não quero
dizer que podemos pensar sem a imaginação, ou que a experiência sensorial não se divorcie de
uma certa reflexão racional. A questão é só a ênfase. A ficção dirige-se principalmente à
imaginação. É por isso chamada de literatura imaginativa, ao contrário da Ciência e da Filosofia que
são intelectuais. Os livros expositivos de conhecimento buscam comunicar o conhecimento em
abstrato – os livros de ficção imaginativa, ao contrário, buscam comunicar experiências concretas
usualmente incomunicáveis -- as emoções e situações humanas representadas em toda a sua
intensidade, como naquelas músicas que nos penetram o coração e nos arrebatam.”

1. Finalidades diferentes, linguagens diversas

1.1. A lógica do trabalho intelectual expositivo utiliza-se da linguagem para


a maior clareza e menor ambiguidade.
1.2. A lógica do trabalho imaginativo se vale do maior número de
significados possíveis, através de muitas ambiguidades, figuras de
linguagem e naquilo que nós subentendemos por baixo daquilo que
está literalmente dito.

2. Regras Estruturais para a Leitura de Ficção Imaginativa.

2.1. Classificação do gênero literário: A literatura de ficção imaginativa


pode ser classificada segundo os diversos gêneros literários (lírica,
drama, ou narrativa [diários, crônicas, romances e mitos]) – formas
tradicionais de comunicação literária.
2.2. A poesia lírica: É, na maioria das vezes, uma única experiência
emocional fracionada em várias nuances de percepção interna do
poeta.
2.3. A unidade do enredo: O enredo é a estrutura narrativa da ficção à
semelhança do problema que estrutura a investigação dos autores de
obras expositivas científicas e filosóficas. É a unidade mais simples do
todo – que é a história. Sua estrutura é a de começo da narrativa, o
desenvolvimento dela, fatos mais intensos que provocam o desenlace
em clímax e crises, e aquilo que acontece no seu fim.
2.4. Unidades de composição: Personagens, acontecimentos,
pensamentos, diálogos, sentimentos e ações.
2.5. Participação imaginativa: O autor cria um mundo poético para que o
leitor possa participar dos seus acontecimentos, padecer os
sofrimentos e alegrias junto à história e criar expectativas sobre os
personagens e fatos narrados.
3. Perguntas para a leitura crítica da obra de ficção imaginativa.

3.1. Até que ponto o trabalho tem unidade?

3.2. Qual a complexidade, partes e elementos que essa unidade abarca e


organiza?

3.3. É uma narração plausível, isto é, ela tem a possibilidade inerente à


própria verdade poética que enuncia?
3.4. Será que os eleva, da semi-inconsciência ordinária da vida cotidiana,
para a claridade de um despertar intenso, abalando suas emoções e
satisfazendo sua imaginação?
3.5. Será um novo mundo, em que vocês se engolfam e onde parecem
viver, na ilusão de que estão vendo a vida de um modo proveitoso e
total?