Você está na página 1de 119

CEI-MPT

RODADA 1 - 15.08.2019

ATENÇÃO: é proibida a reprodução deste material, ainda que sem fins lucrativos. O CEI
possui um sistema de registro de dados que marca o material com o seu CPF ou nome
de usuário. O descumprimento dessa orientação acarretará na sua exclusão do Curso.
Agradecemos pela sua gentileza de adquirir honestamente o curso e permitir que o CEI
continue existindo.

www.cursocei.com www.editoracei.com
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

CORPO DOCENTE

Alice Almeida Leite. Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Especialista em Direito Público. Professora de Cursos Preparatórios para concurso.
Procuradora do Trabalho. Ex- Analista do MPU e Assessora Jurídica da PRT 15ª Região.

Élisson Miessa dos Santos. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Franca.
Procurador do Trabalho da 15ª Região. Professor de Direito Processual do Trabalho do
Curso CERS on-line. Professor da Escola Superior do Ministério Público da União.
Professor convidado dos Tribunais Regionais do Trabalho da 2ª, 3ª, 5ª, 6ª, 7ª, 8ª, 9ª, 11ª,
13ª, 14ª, 15ª, 16ª, 18ª, 19ª e 20ª Regiões. Autor e Coordenador de obras jurídicas. É
integrante do Grupo de Pesquisa (CNPQ - FDRP/USP) A transformação do direito do
trabalho na Sociedade pós-moderna e seus reflexos no mundo do trabalho.

Lucas Falasqui Cordeiro. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade de Católica


de Campinas. Professor de Cursos Preparatórios para concurso. Juiz do Trabalho
Substituto no TRT da 15ª Região. Ex-Assessor Jurídico na Procuradoria Regional do
Trabalho da 15ª Região.

Lucas Pasquali Vieira. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Mato Grosso
do Sul. Especialista em Direito Constitucional. Aluno especial do PPGD-UEA em
Mestrado em Direito Ambiental do Trabalho. Professor de cursos preparatórios e autor
de artigos jurídicos. Juiz do Trabalho Substituto da 11ª Região.

Samantha Fonseca Steil Santos e Mello. Juíza do Trabalho do TRT da 2ª Região.


Especialista em Direito e Processo do Trabalho. Professora em Cursos Preparatórios
para Concursos. Mestranda em direito, democracia e sociedade pelo EDB/SP.

Fabrício Lima Silva. Juiz do Trabalho do TRT da 3ª Região. Bacharel em Direito pela
Universidade de São Paulo, com habilitação em Direito de Empresa. Especialista em
Direito Material e Processual do Trabalho pela Uniderp. Especialista em Direito Público
pela Anamages – Associação Nacional dos Magistrados Estaduais. Coordenador de
Pós-Graduação em Direito e Compliance Trabalhista. Analista Judiciário do TRT da 3ª

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 2
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Região (2006/2010).

Iuri Pereira Pinheiro. Juiz do Trabalho do TRT 3ª Região. Ex-Juiz do Trabalho no


Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Ex-Assistente de Juiz e Ex Assessor de
Desembargador no TRT da 7ª Região, Ex- Assistente de Juiz e Ex-Chefe de Gabinete de
Desembargadora no TRT da 2ª Região, Ex-servidor do TRT da 9ª Região e Ex-Assistente
de Ministro do TST. Coordenador de Pós-Graduação em Direito e Compliance
Trabalhista. Professor, escritor e palestrante na área do Direito do Trabalho e Processo
do trabalho. Aprovado em 9 provas discursivas para Juiz do Trabalho.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 3
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

SUMÁRIO

CORPO DOCENTE................................................................................................................................ 2
APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 5
CRONOGRAMA.................................................................................................................................... 6
QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO........................................................................ 7
BLOCO I.......................................................................................................................................... 7
DIREITO CONSTITUCIONAL........................................................................................................ 7
DIREITOS HUMANOS................................................................................................................. 9
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO.........................................................................................11
DIREITO COLETIVO DO TRABALHO............................................................................................14
DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO.......................................................................................17
DIREITO CIVIL E DIREITO EMPRESARIAL....................................................................................19
REGIME JURÍDICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO.............................................................................21
BLOCO II........................................................................................................................................23
DIREITO PROCESSUAL CIVIL.....................................................................................................23
DIREITO ADMINISTRATIVO........................................................................................................25
BLOCO III.......................................................................................................................................26
DIREITO PREVIDENCIÁRIO........................................................................................................26
DIREITO PENAL........................................................................................................................27
DIREITO INTERNACIONAL E COMUNITÁRIO...............................................................................28
GABARITO..........................................................................................................................................29
QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO......................................................................30
BLOCO I.........................................................................................................................................30
DIREITO CONSTITUCIONAL.......................................................................................................30
DIREITOS HUMANOS................................................................................................................45
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO.........................................................................................49
DIREITO COLETIVO DO TRABALHO............................................................................................60
DIREITO PROCESUAL DO TRABALHO.........................................................................................74
DIREITO CIVIL E DIREITO EMPRESARIAL....................................................................................82
REGIME JURÍDICO DO MINITÉRIO PÚBLICO...............................................................................89
BLOCO II......................................................................................................................................100
DIREITO PROCESSUAL CIVIL...................................................................................................100
DIREITO ADMINISTRATIVO......................................................................................................105
BLOCO III.....................................................................................................................................108
DIREITO PREVIDENCIÁRIO......................................................................................................108
DIREITO PENAL......................................................................................................................110
DIREITO INTERNACIONAL E COMUNITÁRIO.............................................................................114
DISCURSIVAS...................................................................................................................................118

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 4
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

APRESENTAÇÃO

Sejam bem-vindos ao CEI-MPT

Foi com imensa honra que aceitamos o desafio de coordenar este curso destinado à preparação de can-
didatos para ingresso na carreira do Ministério Público do Trabalho.

Com a autorização de edital para o 21º concurso para a carreira do Ministério Público do Trabalho (MPT),
em sessão extraordinária do conselho superior, realizada em 04 de junho de 2019, publicada no dia 12 do
mesmo mês, há grande probabilidade de publicação do edital até o final do corrente ano.

Para quem ainda não conhece, o curso CEI, que já possui tradição, vem demonstrando ótimos resultados
na preparação de candidatos para vários concursos em âmbito nacional.

Todos nossos professores são Procuradores e Juízes do Trabalho e assumiram o compromisso de manter
o mesmo padrão de qualidade dos demais cursos do CEI, com intuito de se alcançar os tão esperados
resultados.

O enfoque do curso será a análise dos posicionamentos doutrinários, jurisprudenciais e legais dos temas
constantes dos editais anteriores, com eleição dos temas de maior incidência em provas anteriores, com
uma mescla de todos os aspectos no decorrer das rodadas.

O nosso principal diferencial é que o candidato, desde o início da sua preparação, já tem o contato com as
duas primeiras etapas do concurso. O estudo direcionado para quaisquer das etapas, com a exclusão das
demais, quando ainda não superadas, pode prejudicar o rendimento do aluno e a obtenção dos melhores
resultados.

O método do CEI consiste em preparar o aluno para a primeira e segunda-fases, desde o início da sua
preparação, fornecendo espelhos detalhados de correção, selecionando as melhores respostas e, espe-
cialmente, corrigindo individualmente a do candidato, fazendo as devidas críticas e sugestões.

Os alunos que enviarem suas respostas dentro do prazo receberão a correção individualizada, sendo que,
ao final de cada rodada, será publicado um espelho de correção detalhado, disponível para todos os alu-
nos, mesmo os que optarem por não responder.

Sugerimos que o aluno procure responder às questões objetivas sem consultar nenhum material, avalian-
do, ao final, o seu desempenho, para que possa detectar bem quais os pontos em que precisa reforçar os
estudos. Quanto às questões dissertativas, sugerimos seja consultada apenas a legislação, para simular a
situação que irá encontrar na prova, a não ser que o aluno não possua nenhuma intimidade com o tema,
caso em que sugerimos que proceda a uma breve leitura na doutrina, para se ambientar, antes de iniciar
a resposta. Está disponível na área do aluno a folha de respostas, a qual deve ser utilizada pelo aluno para

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 5
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

o envio de suas respostas, observando, inclusive, o limite de linhas ali existente, salvo menção expressa
em contrário no enunciado da questão. Se o aluno preferir enviar a resposta redigida à mão (digitalizada),
ela será corrigida quanto aos aspectos técnicos, mas não quanto à ortografia, além de que a resposta não
poderá ser selecionada entre as melhores da rodada.

Finalmente, ressaltamos que estamos à disposição, em nossos e-mails (profcei.fabriciolima@gmail.com


e profcei.iurippinheiro@gmail.com) para qualquer dúvida ou esclarecimento, seja a respeito do curso ou
do certame.

Desejo a todos muito sucesso!


FABRÍCIO LIMA SILVA e IURI PINHEIRO
Coordenadores do Curso CEI – MPT
Instagram: @professorfabriciolima e @iurippinheiro

CRONOGRAMA

Limite p/ resposta Limite para


Rodada Publicação Publicação espelho
p/ aluno correção

1ª Rodada 15/08/19 20/08/19 30/08/19 06/09/19

2ª Rodada 22/08/19 27/08/19 07/09/19 13/09/19

3ª Rodada 29/08/19 02/09/19 12/09/19 20/09/19

4ª Rodada 05/09/19 10/09/19 20/09/19 27/09/19

5ª Rodada 12/09/19 17/09/19 27/09/19 04/10/19

Material
27/09
complementar

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 6
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO

BLOCO I

🏳🏳 DIREITO CONSTITUCIONAL

QUESTÃO 1. A respeito do direito fundamental de livre exercício de profissão e da inviolabilidade de


domicílio, assinale a alternativa INCORRETA:

A) O art. 5º, XIII, da CF/1988 firma a liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Viola o referido dispositivo
constitucional, a lei federal que permite o exercício da medicina ao dispensar a revalidação do
diploma estrangeiro do médico intercambista.

B) Segundo jurisprudência sedimentada no âmbito do STF, a exigência de inscrição na Ordem dos


Músicos do Brasil, bem como de pagamento de anuidade é inconstitucional, porque o exercício da
atividade de músico é manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de expressão.

C) A doutrina e jurisprudência majoritária convergem a respeito de que art. 5º, XIII, da Constituição
da República, pois é norma de aplicação imediata e eficácia contida que pode ser restringida
pela legislação infraconstitucional. Inexistindo lei regulamentando o exercício de determinada
atividade profissional, é livre o seu exercício.

D) O sigilo profissional constitucionalmente determinado não exclui a possibilidade de cumprimento


de mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia. O local de trabalho do advogado,
desde que este seja investigado, pode ser alvo de busca e apreensão, observando-se os limites
impostos pela autoridade judicial.

E) Não respondida.
QUESTÃO 2. No que tange ao processo legislativo e ao princípio da separação dos poderes, considere:

1) O entendimento consolidado no âmbito do STF é no sentido de que os requisitos constitucionais


legitimadores da edição de medidas provisórias, vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados
de “relevância” e “urgência” (art. 62 da CF), apenas em caráter excepcional se submetem ao crivo
do Poder Judiciário, por força da regra da separação de poderes (art. 2º da CF);

2) No que tange à fiscalização contábil, financeira e orçamentária, o poder de fiscalização legislativa


da ação administrativa do Poder Executivo é outorgado aos órgãos coletivos de cada câmara do
Congresso Nacional, no plano federal, e da Assembleia Legislativa, no dos Estados, assim como a
seus membros individualmente;

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 7
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

3) Quanto às atribuições do Poder Legislativo, não afronta os princípios constitucionais da


harmonia e independência entre os Poderes e da liberdade de locomoção norma estadual que
exige prévia licença da Assembleia Legislativa para que o governador e o vice-governador possam
ausentar-se do País por qualquer prazo;

4) Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de
servidores públicos sob o fundamento de isonomia. Da mesma forma, não viola a Constituição o
estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço
militar inicial;

A) Apenas as assertivas 2 e 3 são corretas.

B) Apenas as assertivas 1 e 4 são corretas.

C) Apenas a assertiva 1 está correta.

D) Apenas as assertivas 2 e 4 estão corretas.

E) Não respondida.
QUESTÃO 3. No que toca à garantia constitucional de impetração de habeas data assinale a alternativa
INCORRETA:

A) A ação de habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo contra abuso no registro e/
ou revelação de dados pessoais falsos ou equivocados. O habeas data não se revela meio idôneo
para se obter vista de processo administrativo e não se presta para solicitar informações relativas
a terceiros.

B) Se destina a garantir, em favor da pessoa interessada, o exercício de pretensão jurídica discernível


em seu tríplice aspecto: (a) direito de acesso aos registros; (b) direito de retificação dos registros; e
(c) direito de complementação dos registros.

C) A prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da omissão


em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas
data.

D) É a via inadequada para obtenção dos dados concernentes ao pagamento de tributos do próprio
contribuinte constantes dos sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da
administração fazendária dos entes estatais.

E) Não respondida.
QUESTÃO 4. No que tange ao regramento constitucional da ação popular, assinale a alternativa INCOR-
RETA:

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 8
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

A) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao
patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Quando há comprovação de má-fé do autor da
ação popular, haverá condenação nos ônus das custas e da sucumbência.

B) A ação direta de inconstitucionalidade não constitui sucedâneo da ação popular constitucional.


Ademais, os atos de conteúdo jurisdicional estão excluídos do âmbito de incidência da ação
popular, a qual não pode ser proposta por pessoa jurídica.

C) A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade é, de regra, do juízo
competente de primeiro grau.

D) O Supremo Tribunal Federal dispõe de competência originária para processar e julgar ação
popular promovida contra ato emanado do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal, ou, ainda, de qualquer dos tribunais superiores da União.

E) Não respondida.
QUESTÃO 5. A respeito do mandado de injunção, assinale a alternativa INCORRETA:

A) Não perde o objeto do mandado de injunção com a edição da norma regulamentadora então
ausente, porque remanesce a pretensão de sanar a alegada lacuna normativa do período pretérito
à edição da lei regulamentadora.

B) Não cabe a cominação de pena pecuniária ao Congresso Nacional pela continuidade da omissão
legislativa (obrigação de fazer), porque o mandado de injunção é ação constitutiva, sem conteúdo
condenatório.

C) Entidades sindicais dispõem de legitimidade ativa para a impetração do mandado de injunção


coletivo, que constitui instrumento de atuação processual destinado a viabilizar, em favor
dos integrantes das categorias que essas instituições representam, o exercício de liberdades,
prerrogativas e direitos assegurados pelo ordenamento constitucional.

D) É impróprio o uso do mandado de injunção para o exercício de direito decorrente de norma


constitucional autoaplicável, mas é cabível quando a autoridade administrativa se recusa a
examinar requerimento de aposentadoria especial de servidor público, com fundamento na
ausência da norma regulamentadora do art. 40, § 4º, da Constituição da República.

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITOS HUMANOS

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 9
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÃO 6. De acordo com a Convenção Americana de Direitos Humanos, analise as assertivas abaixo:

1) Segundo entendimento da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o princípio do


desenvolvimento progressivo não se aplica aos direitos sociais trabalhistas.

2) O Brasil não se submete à jurisdição contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

3) A Corte Interamericana de Direitos Humanos não possui função consultiva, apenas apreciando
casos contenciosos.

4) A Corte Interamericana pode atender petições formuladas por indivíduos ou organizações.

Marque a alternativa CORRETA:

A) Apenas a assertiva 1 está correta.

B) Apenas a assertiva 2 está correta.

C) Apenas as assertivas 3 e 4 estão corretas.

D) Todas assertivas estão incorretas.

E) Não respondida.
QUESTÃO 7. Levando-se em consideração a definição da expressão “adaptação razoável”, adotada
pelo art. 2º da Convenção da ONU sobre direitos das pessoas com deficiência, assinale a alternativa
CORRETA:

A) Concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida


possível, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico.

B) Diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efeito de impedir


ou impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em igualdade de oportunidades com
as demais pessoas, de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais nos âmbitos político,
econômico, social, cultural, civil ou qualquer outro.

C) Disponibilização de textos, a comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos


de multimídia acessível, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos
e os meios de voz digitalizada e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de
comunicação, inclusive a tecnologia da informação e comunicação acessíveis.

D) Modificações e os ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional


ou indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência
possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 10
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

humanos e liberdades fundamentais

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO

QUESTÃO 8. Sobre as fontes do direito do trabalho, assinale a CORRETA:

A) As fontes jurídicas podem ser materiais e formais. São materiais os elementos históricos,
políticos, sociais e econômicos que levaram à criação da norma. Nesse contexto, a edição da Lei
nº 13.467/2017 veio para atender forte pressão da classe trabalhadora, a qual lutava por melhores
condições de trabalho.

B) A Lei nº 13.467/2017 revogou do art. 8º a prevalência do interesse público sobre o privado ao


prever, no caput, o princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.

C) Após a edição da Lei n. 13.467/2017, passou a existir vedação expressa que as Súmulas e demais
enunciados dos tribunais tenham por foco a criação de direitos, o que, entretanto, não restringe o
exercício do Poder Normativo pela Justiça do Trabalho.

D) Conforme expressa previsão legal, o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho,
naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste.

E) Não respondida.
QUESTÃO 9. Considere as assertivas a seguir obre prescrição e, na sequência, assinale a opção CORRE-
TA:

1) A Lei nº 13.467/2017 alterou o art. 11 da CLT quanto à prescrição. O § 2º do art. 11 passou a prever
a prescrição total decorrente da alteração do pactuado quando a parcela não esteja assegurada
por preceito de lei, no exato sentido da Súmula 294 do C. TST. Igualmente, o referido § 2º equiparou
a alteração do pactuado ao seu simples descumprimento, ampliando, nesse particular, o alcance
do dispositivo para além daquilo previsto pela referida súmula.

2) O caput do art. 11 foi alterado, passando a conter a seguinte redação: “A pretensão quanto
a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores
urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho” para atender a
disciplina do tema já dada pela Emenda Constitucional nº 28. O § 1º, por sua vez, tem por escopo
afastar a aplicação da prescrição para as ações que tenham por objeto anotações para fins de prova
junto à Previdência Social.

3) Na hipótese de colusão das partes, o prazo prescricional da ação rescisória somente começa a

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 11
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

fluir para o Ministério Público, que não interveio no processo principal, a partir do momento em
que tem ciência da fraude.

4) De acordo com a literalidade do § 3º do art. 11 da CLT, a interrupção da prescrição somente


ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em juízo incompetente, ainda
que venha a ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos
pedidos idênticos.

A) Apenas as assertivas 1 e 3 estão erradas;

B) Apenas a assertiva 3 está errada;

C) Apenas as assertivas 1, 2 e 3 estão corretas;

D) Todas assertivas estão corretas.

E) Não respondida.
QUESTÃO 10. Com base nas assertivas abaixo, sobre o Trabalhador hiperssuficiente, assinale a alter-
nativa CORRETA:

1) João, vendedor, recebendo salário e comissão, percebe, ao final do mês, em média, R$ 15.000,00.
Em razão de tal condição, João é considerado hiperssuficiente.

2) Pedro, veterinário de uma clínica de Pet Shop, recebe o maior salário da equipe de funcionários.
Por isso, é considerado trabalhador hiperssuficiente à luz do seu ambiente de trabalho.

3) O trabalhador hiperssuficiente, como regra, não possui controle de jornada.

4) O trabalhador hiperssuficiente poderá fazer contratos específicos que prevalecerão sobre os


instrumentos coletivos, o que vai ao encontro do art. 4º da Convenção 98 da OIT.

5) Neymar, devido ao seu alto salário e seu incomparável grau técnico, detém todas as possibilidades
de negociar frente ao empregador, o que o coloca como trabalhador hiperssuficiente.

A) Apenas 1 e 2 estão incorretas;

B) Todas estão incorretas;

C) Apenas 2 e 3 estão incorretas;

D) Apenas 4 e 5 estão incorretas;

E) Não respondida.
QUESTÃO 11. Sobre o trabalho intermitente, assinale a alternativa CORRETA:

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 12
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

A) O contrato de trabalho intermitente deve ser celebrado por escrito, podendo ser estipulado
salário complessivo.

B) O contrato de trabalho intermitente será celebrado por escrito e registrado na CTPS após 30
dias, por previsão especifica em acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva.

C) Recebida a convocação, o empregado terá prazo de 24 horas para responder ao chamado,


presumida, no silêncio, a aceitação.

D) O período de férias do trabalhador intermitente, desde que haja sua concordância, poderá ser
fracionado em até 3 períodos.

E) Não respondida;
QUESTÃO 12. Sobre a sucessão trabalhista, assinale a alternativa INCORRETA:

A) A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de


trabalho dos respectivos empregados. Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores
prevista nos arts. 10 e 448 desta Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas
à época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do
sucessor.

B) A empresa sucedida responderá subsidiariamente com a sucessora quando ficar comprovada


fraude na transferência.

C) Não configura sucessão trabalhista quando, nos casos de terceirização, determinada prestadora
de serviços perde a licitação e a nova pessoa jurídica, sem nenhuma conexão com ela, assume o
posto.

D) Não configura sucessão trabalhista a alienação de ativos da empresa em processo de recuperação


judicial.

E) Não respondida.
QUESTÃO 13. Sobre a arbitragem, responda:

A) A Lei nº 13.467/2017 estendeu a possibilidade de arbitragem ao direito do trabalho desde que


seja estabelecida por compromisso arbitral, posterior ao conflito, para impossibilitar a utilização
simulada do instituto.

B) Não há qualquer distinção entre cláusula compromissória e compromisso arbitral, sendo ambos
válidos para a discussão de direitos trabalhistas.

C) A arbitragem no direito individual do trabalho é medida salutar que tem por escopo a economia

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 13
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

processual e a desburocratização das relações trabalhistas, podendo apenas o trabalhador


hiperssuficiente fazer a utilização desse instituto.

D) A Lei de Arbitragem possibilita a utilização da equidade como forma de apreciação da


controvérsia e possibilita a utilização da arbitragem em contratos de adesão desde que obedeça
a requisitos específicos. De acordo com o artigo 507-A da CLT, a arbitragem deve ser pactuada
mediante cláusula compromissória de arbitragem.

E) Não respondida.
QUESTÃO 14. Assinale a alternativa INCORRETA:

A) A tarifação da indenização por dano moral é medida prevista no ordenamento pátrio na Lei de
Imprensa, tendo o Supremo Tribunal Federal declarado como não recepcionada pela Constituição
Federal, uma vez que a resposta deve ser proporcional a ofensa, não sendo possível que ao
legislador, aprioristicamente, estabeleça os valores para a indenização.

B) Em caso de ofensa de natureza leve, a indenização poderá ser de até três vezes o último salário
contratual do ofendido; em caso de natureza grave, a indenização poderá ser de até vinte vezes o
último salário contratual do ofendido.

C) Não há limitação a indenização por dano moral em caso de morte, uma vez que há expressa
ressalva no art. 223-G, §5º, da CLT.

D) A possibilidade de a pessoa jurídica sofrer dano moral já era reconhecida pela jurisprudência
pátria na Súmula 227 do Superior Tribunal de Justiça e passou a ser expressamente prevista pela
Lei 13467/2017 no art. 223-B da CLT.

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

QUESTÃO 15. Sobre as Convenções Coletivas analise as assertivas e assinale a alternativa CORRETA:

I - Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos
ou as Federações ou as Confederações representativas de categorias econômicas e profissionais
estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações
individuais de trabalho.

II - Prevalece na legislação trabalhista que as cláusulas normativas dos acordos coletivos ou


convenções coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser
modificados ou suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 14
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

III - A Lei nº 13.467/2017 estabeleceu que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho
têm prevalência sobre a lei em diversas hipóteses, salvo, entre outras, a supressão ou a redução
de direitos relativos às normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em
normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho. Nesse caso, não se considera as regras sobre
duração do trabalho e intervalos como normas de saúde, higiene e segurança do trabalho.

Assinale a alternativa CORRETA:

A) Apenas a assertiva I está correta.

B) As assertivas I e III estão corretas.

C) Apenas a assertiva III está correta.

D) Apenas as assertivas I e II estão corretas.

E) Não respondida.
QUESTÃO 16. Sobre negociações coletivas de trabalho e Convenções da Organização Internacional do
Trabalho, assinale a alternativa INCORRETA.

A) Direitos trabalhistas garantidos por normas de ordem pública, relativo a medidas de higiene
saúde e segurança do trabalho, são infensos à redução ou supressão mediante negociação coletiva,
consoante interpretação conjunta dos incisos XXII e XXXVI do Art. 7º da Constituição Federal. É,
portanto, inconstitucional a previsão do Art.611-A, III, que permite disposição por intermédio de
negociação coletiva do intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para
jornadas superior a seis horas. Assim, inválida cláusula que precarize direitos sociais decorrentes
de matérias constitucionalmente estabelecidas como de política de Estado, por serem de ordem
pública e de interesse social.

B) Segundo a Convenção 155 da OIT, todo membro deverá elaborar a política nacional em matéria
de segurança e saúde dos trabalhadores e o meio ambiente de trabalho. Essa política terá como
objetivo prevenir os acidentes e os danos à saúde que forem consequência do trabalho. Para tanto,
deverá levar em consideração, entre outros aspectos, as relações existentes entre os componentes
materiais do trabalho e as pessoas que o executam ou supervisionam, e adaptação do maquinário,
dos equipamentos, do tempo de trabalho, da organização do trabalho e das operações e processos
às capacidades físicas e mentais dos trabalhadores.

C) Segundo o atual texto consolidado, constitui objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo
coletivo de trabalho a supressão ou a redução das normas de saúde, higiene e segurança do
trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, como, por
exemplo, o enquadramento do grau de insalubridade.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 15
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as


estipuladas em convenção coletiva de trabalho.

E) Não respondida.
QUESTÃO 17. Sobre representação sindical e representação de trabalhadores e as Convenções Interna-
cionais sobre o tema, aponte a alternativa CORRETA.

A) Conforme Convenção 135 da OIT sobre a Proteção de Representantes de Trabalhadores, as


facilidades devem ser concedidas, na empresa, aos representantes dos trabalhadores e dos
empregadores, de modo a possibilitar-se o cumprimento rápido e eficiente de suas funções.

B) Os dispositivos celetistas que tratam da representação de empregados e dispõe que nas empresas
com mais de duzentos empregados é assegurada a eleição de uma comissão para representá-los,
com a finalidade de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores concretiza o
previsto o Art. 11 da Constituição da República no que toca aos representantes dos trabalhadores.
De igual modo, também ultrapassa sob o crivo da convencionalidade, na medida em que está de
acordo com a Convenção n° 135, da Organização Internacional do Trabalho - OIT, sobre a Proteção
de Representantes de Trabalhadores.

C) Segundo a atual legislação trabalhista, as decisões da comissão de representantes dos


empregados serão sempre colegiadas, observada a maioria simples. A comissão organizará sua
atuação de forma independente.

D) Segundo a Convenção 135 da OIT, quando uma empresa contar ao mesmo tempo com representes
sindicais e representantes eleitos, medidas adequadas deverão ser tomadas, cada vez que for
necessário, para garantir que a presença de representantes sindicais não venha a ser utilizada para
o enfraquecimento da situação dos representantes eleitos, uma vez que estes estão mais próximos
da realidade da empresa, e para incentivar a cooperação, relativa a todas as questões pertinentes,
entre os representantes eleitos, por uma Parte, e os sindicatos interessados e seus representantes,
por outra Parte.

E) Não respondida.
QUESTÃO 18. Em relação às Cláusulas de Acordos e Convenções Coletivas e o entendimento do Tribu-
nal Superior no trabalho, analise as assertivas a seguir e aponte a alternativa CORRETA.

I - Constitui conteúdo obrigatório de cláusula em convenções ou acordos coletivos de trabalho


as normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da
aplicação de seus dispositivos.

II - Preenchidos todos os pressupostos para a aquisição de estabilidade decorrente de acidente ou

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 16
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

doença profissional, ainda durante a vigência do instrumento normativo, goza o empregado de


estabilidade mesmo até o término da vigência deste.

III - É aplicável multa prevista em instrumento normativo (sentença normativa, convenção ou


acordo coletivo) em caso de descumprimento de obrigação prevista em lei, mesmo que a norma
coletiva seja mera repetição de texto legal.

IV - A legitimidade do sindicato para propor ação de cumprimento estende-se também à observância


de acordo ou de convenção coletivos.

Assinale a assertiva correta:

A) Apenas as assertivas I, III estão corretas.

B) Apenas as assertivas, I, III e IV estão corretas.

C) Todas as assertivas estão corretas.

D) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas.

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

QUESTÃO 19. Acerca do histórico e organização da Justiça do Trabalho, assinale a alternativa INCOR-
RETA.

A) A existência de uma Justiça Especializada para dirimir conflitos trabalhistas encontra respaldo
no âmbito da doutrina e também de instrumento internacional.

B) Existe Justiça do Trabalho com estrutura semelhante à brasileira em outros países.

C) Os pré-julgados eram orientações meramente persuasivas do Tribunal Superior do Trabalho,


sem caráter vinculante.

D) O quinto constitucional existe na Justiça do Trabalho desde a Constituição de 1967 quando o


TST possuía 17 membros.

E) Não respondida.
QUESTÃO 20. Considere a redação da CLT posterior à Reforma Trabalhista e o texto do CPC de 2015 para
assinalar a alternativa CORRETA.

A) A petição inicial da reclamação trabalhista deverá conter a designação do juízo, a qualificação


das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, a data e a assinatura do reclamante

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 17
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

ou de seu representante e o pedido, que deverá ser certo, determinado e líquido.

B) Ainda que postulem indenizações materiais e morais decorrentes de acidente de trabalho não
será possível formular pedido indeterminado na reclamação trabalhista.

C) A legislação continua a inadmitir o denominado pedido heterotópico.

D) Seria admissível a formulação de pedido genérico na hipótese da pretensão de horas


extraordinárias decorrentes da diferença entre a jornada registrada nos cartões de ponto e aquelas
pagas nos recibos de pagamento de salários.

E) Não respondida.
QUESTÃO 21. Acerca da homologação de acordo extrajudicial, assinale a alternativa CORRETA.

A) A petição de acordo extrajudicial deverá conter a identificação do contrato ou relação jurídica,


as obrigações pactuadas (valor, tempo e modo de pagamento), a cláusula penal, os títulos
negociados e os valores respectivos, o valor da causa, bem como a atribuição de responsabilidade
pelos recolhimentos fiscais e previdenciários. No caso de ausência de fixação do último item
(responsabilidade pelos recolhimentos), o juiz pode suprir a falha.

B) O procedimento de homologação de acordo extrajudicial na Justiça do Trabalho não admite a


recusa de homologação por critério discricionário.

C) A decisão que rejeita ou homologa o acordo extrajudicial pode ser reexaminada por meio de
recurso ordinário.

D) Não é possível conferir “quitação geral do extinto contrato de trabalho” no procedimento para
homologação de acordo extrajudicial.

E) Não respondida.
QUESTÃO 22. Ainda sobre os impactos da Reforma Trabalhista no processo do trabalho, assinale a al-
ternativa CORRETA.

A) É necessária a citação dos sindicatos subscritores de convenção coletiva ou de acordo coletivo


do trabalho para que participem como litisconsortes necessários caso se pretenda a anulação de
cláusulas dos instrumentos normativos em ação coletiva.

B) A distribuição dinâmica do ônus da prova e o requerimento de adiamento da audiência


demandam provocação da parte.

C) A ausência da parte, mas com presença do advogado não provoca consequências processuais
para qualquer das partes.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 18
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) Na hipótese de presença apenas do advogado da reclamada e, em se tratando de audiência UNA,


não há direito subjetivo para que o advogado do reclamado ouça as testemunhas que estejam no
fórum.

E) Não respondida.
QUESTÃO 23. Analise as seguintes assertivas:

1) Em um determinado processo trabalhista, a reclamada compareceu à audiência e protocolou


defesa e documentos no PJe. Na audiência inicial, foi designada perícia e audiência de instrução
com as datas consignadas na própria ata de audiência. Em virtude de atrasos na entrega do laudo
pericial, a data da audiência precisou ser redesignada, tendo sido feita a intimação por meio
de publicação aos advogados no DEJT. Por ocasião da sessão instrutória, compareceu apenas o
advogado da reclamada, razão pela qual o reclamante requereu a confissão ficta da ré, o que foi
deferido pelo juiz.

2) Apregoada a audiência, apenas uma pessoa adentra à sala de audiências pela reclamada,
identificando-se como preposto. O advogado da parte reclamada afirma que o preposto é advogado
da reclamada e que, inclusive, possui procuração nos autos como sendo o único patrono. Diante do
impasse, o advogado em questão pede para constar em ata sua renúncia ao mandato, entendendo
o magistrado que, dessa forma, não há qualquer irregularidade.

3) Imagine um contrato de trabalho de 36 meses e que os cartões de ponto juntados indiquem


a jornada apontada em defesa, mas que por ocasião do julgamento se perceba que não foram
juntados os cartões de ponto de 6 (seis) meses. Contudo, diante da idoneidade dos registros, o
magistrado fica convencido de que a jornada indicada em defesa era a praticada e, assim, julga
improcedente o pedido, aplicando a diretriz da OJ 233 da SBDI-1 do TST.

4) Uma vez apresentada a defesa, não podem mais as partes apresentarem documentos, salvo se
relativos a fatos novos, já que a lide estará estabilizada.

A) Todas as assertivas estão corretas.

B) Todas as assertivas estão incorretas.

C) Apenas as assertivas 2 e 4 estão corretas.

D) Apenas a assertiva 4 está correta.

E) Não respondida

🏳🏳 DIREITO CIVIL E DIREITO EMPRESARIAL

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 19
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÃO 24. A respeito da responsabilidade civil e dos motivos excludentes do nexo de causalidade,
é INCORRETO AFIRMAR:

A) Culpa exclusiva ou fato exclusivo da vítima exclui qualquer responsabilidade do causador do


dano. A vítima deverá arcar com todos os prejuízos, pois o agente que causou o dano é apenas um
instrumento do acidente, não se podendo falar em nexo de causalidade entre sua ação e a lesão.

B) O STJ admite a utilização da teoria do corpo neutro em casos de acidente de trânsito. Assim,
ocorre a exclusão do nexo de causalidade devido ao fato de terceiro.

C) O caso fortuito rompe o nexo de causalidade, ante a sua inevitabilidade, assim como fatos da
natureza caracterizados como força maior.

D) O CC/02, atualizado pelos novos rumos da responsabilidade civil oriundos do CDC, fixou a
responsabilidade subjetiva do empregador por atos de seus prepostos.

E) Não respondida.
QUESTÃO 25. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito da sociedade cooperativa, cooperativa de
prestação de serviços e cooperativa social:

A) Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada e, no que
a lei for omissa, aplicam-se as disposições referentes à sociedade simples para reger as sociedades
cooperativas.

B) A cooperativa de prestação de serviços poderá contar com no mínimo 5 sócios. Por força de
disposição legal, somente é autorizada a prestar serviços especializados a terceiros, sem a presença
dos pressupostos da relação de emprego.

C) As cooperativas de serviços devem garantir direitos sociais mínimos aos seus sócios, a exemplo
de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, repouso anual remunerado,
retirada para o trabalho noturno superior à do diurno e adicional sobre a retirada para as atividades
insalubres ou perigosas. Tal fato, por si só, não desnatura a natureza jurídica societária para uma
relação jurídica bilateral empregatícia.

D) As cooperativas sociais são instituídas a fim de introduzir pessoas em desvantagem no


mercado econômico por meio do trabalho, a exemplo de pessoas com deficiência física e egressos
do sistema prisional. Na denominação e razão social dessas entidades é obrigatório o uso da
expressão “Cooperativa Social”, as quais possuem como atividades finalísticas, dentre outras, o
desenvolvimento de atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 20
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

🏳🏳 REGIME JURÍDICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

QUESTÃO 26. Sobre as Resoluções do Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho, analise as
seguintes assertivas e assinale a alternativa CORRETA:

I - A atuação finalística do Ministério Público do Trabalho observará a adoção de uma postura


demandista, além da atuação responsiva, bem como atuação célere voltada à obtenção de
resultados socialmente relevantes.

II - A oitiva da sociedade e as demandas sociais dela decorrentes auxiliarão na tomada de decisões


quanto à concepção, elaboração, execução, monitoramento e avaliação dos instrumentos de
atuação finalística. A Procuradoria-Geral e as Procuradorias Regionais do Trabalho realizarão,
periodicamente, em intervalo não superior a um ano, audiências públicas, pesquisas ou reuniões
com os atores sociais, entre outros meios de oitiva da sociedade.

III - Os princípios da eficiência, resolutividade, publicidade, autocomposição, dentre outros que se


aplicam à Administração Pública devem nortear a elaboração, a revisão e o acompanhamento do
Planejamento estratégico do CNMP, considerando como tal, nos termos da Resolução 147/2016 do
CNMP, a razão de existir a instituição.

Assinale a alternativa CORRETA:

A) Apenas a assertiva I está incorreta.

B) As assertivas I e II estão corretas.

C) As assertivas I e III estão incorretas.

D) Apenas a assertiva II está incorreta.

E) Não respondida.
QUESTÃO 27. Considerando os instrumentos de atuação estratégica do Ministério Público do Trabalho,
assinale a alternativa CORRETA:

A) Ação permanente é um conjunto de processos de trabalho consolidados e destinados à


consecução de objetivos estratégicos do Ministério Público do Trabalho, a cargo do Conselho
Superior do Ministério Público, podendo haver delegação de atos específicos.

B) Projeto é o instrumento para implementação de um esforço temporário, não repetitivo,


caracterizado pela sequência lógica de eventos, com início, meio e fim, que se destina à consecução
de metas e objetivos estratégicos ou à implementação de uma ação permanente.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 21
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

C) O grupo especial de atuação finalística GEAF é instrumento de atuação estratégica para o


enfrentamento concentrado de questões gerais relativas à empregadores específicos ou de setores
econômicos, com vistas a conferir unidade de tratamento em situações graves ou complexas e que
exijam medidas especiais ou urgentes.

D) Força-tarefa é a equipe de trabalho operacional, de caráter permanente, formada por membros,


servidores do Ministério Público do Trabalho e/ou por parceiros de outras instituições, dotada de
meios materiais necessários ao enfrentamento de grave irregularidade, alinhada aos objetivos
estratégicos.

E) Não respondida.
QUESTÃO 28. Sobre os deveres, vedações e regime disciplinar aplicável aos membros do Ministério
Público assinale a alternativa CORRETA.

A) É vedado ao membro do Ministério Público da União: receber, a qualquer título e sob qualquer
pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais; exercer a advocacia; exercer o comércio
ou participar de sociedade comercial; exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função
pública, salvo uma de magistério; exercer atividade político-partidária, ressalvada a filiação e o
direito de afastar-se para exercer cargo eletivo ou a ele concorrer.

B) As sanções previstas na Lei Complementar 75/93 serão aplicadas: a de advertência,


reservadamente e por escrito, em caso de negligência no exercício das funções; a de censura,
reservadamente e por escrito, em caso de reincidência em falta anteriormente punida com
advertência ou de descumprimento de dever legal; a de suspensão, até quarenta e cinco dias, em
caso de reincidência em falta anteriormente punida com censura; a de suspensão, de quarenta e
cinco a noventa dias, em caso de inobservância das vedações impostas por esta lei complementar
ou de reincidência em falta anteriormente punida com suspensão até quarenta e cinco dias; as
de demissão e cassação de aposentadoria ou de disponibilidade, nos casos de falta punível com
demissão, praticada quando no exercício do cargo ou função. Compete ao Procurador-Geral
de cada ramo do Ministério Público da União aplicar a seus membros as penas de advertência,
censura, suspensão e demissão.

C) As sanções previstas no Regime Jurídico Disciplinar prescreverão: I - em um ano, a falta punível


com advertência ou censura; II - em dois anos, a falta punível com suspensão; III - em quatro anos,
a falta punível com demissão e cassação de aposentadoria ou de disponibilidade.

D) O processo administrativo, instaurado por decisão da Corregedoria do respectivo Ministério


Público, será contraditório, assegurada ampla defesa ao acusado. A decisão que instaurar processo
administrativo designará comissão composta de três membros escolhidos dentre os integrantes da

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 22
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

carreira, vitalícios, e de classe igual ou superior à do acusado, indicará o presidente e mencionará


os motivos de sua constituição.

E) Não respondida.

BLOCO II

🏳🏳 DIREITO PROCESSUAL CIVIL

QUESTÃO 29. Segundo o disposto no Código de Processo Civil, relativamente à força probante dos do-
cumentos:

I. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o servidor
declarar que ocorreram em sua presença.

II. Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, as partes interessadas
podem suprir-lhe a falta mediante declaração expressa nos autos.

III. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado


presumem-se verdadeiras em relação ao signatário e ao destinatário.

IV. A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de obrigação, ainda
que não assinada, faz prova em benefício do devedor.

É CORRETO o que se afirma em:

A) Apenas III e IV.

B) Apenas II e III.

C) Apenas I e IV.

D) Apenas I, II e IV.

E) Não respondida.
QUESTÃO 30. A respeito das tutelas provisórias previstas no Código de Processo Civil, assinale a alter-
nativa correta.

A) As tutelas provisórias previstas no Código de Processo Civil têm por objetivo minimizar os efeitos
da demora no processo, especialmente quando há evidências de que o demandante tem razão em
seu pedido, mas ainda não existam nos autos elementos suficientes para o julgamento definitivo
de procedência.

B) Segundo o Código de Processo Civil, a tutela provisória de urgência antecipada pode ser

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 23
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

concedida em caráter antecedente ou incidental, mas a tutela provisória de urgência cautelar não
poderá ser apresentada em caráter incidental.

C) O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da tutela
provisória, mas a tutela concedida não conservará a sua eficácia nos períodos em que o processo
estiver suspenso.

D) Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a petição inicial pode
limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com a
exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado
útil do processo. Nesse caso, caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela
antecipada, o órgão jurisdicional obrigatoriamente indeferirá a petição inicial.

E) Não respondida.
QUESTÃO 31. Em passado próximo aconteceu uma das maiores catástrofes ecológicas dos últimos
tempos, com o rompimento das barragens de dejetos de mineração da Samarco, empresa controlada
pelas multinacionais Vale (brasileira) e BHP Billiton (anglo-australiana). O desastre teve lugar nas pro-
ximidades da cidade de Mariana (MG), acabou se alastrando por diversas outras paragens, trazendo
consigo (i) sérios danos ao meio ambiente; (ii) problemas associados à atividade de exploração mi-
nerária no território; (iii) essa gigantesca onda de poluentes destruiu centenas de casas, deixando as
famílias desabrigadas. (Revista CONJUR, 08.12.2015)

Eventual Ação Civil Pública poderá tutelar os seguintes direitos, respectivamente:

A) (i) difusos; (ii) coletivos; (iii) individual homogêneo.

B) (i) difusos; (ii) difusos; (iii) difusos.

C) (i) individual homogêneo; (ii) coletivos; (iii) individual homogêneo.

D) (i) coletivos; (ii) coletivos; (iii) coletivos.

E) Não respondida.
QUESTÃO 32. Assinale a alternativa correta no que diz respeito à legitimidade do Ministério Público
para propor Ação Civil Pública.

A) Não tem legitimidade para propor ação em defesa do patrimônio público e indenização
decorrente do DPVAT em benefício do segurado.

B) Tem legitimidade para propor ação contra cobrança indevida em taxa condominial em prédios
de apartamentos e contra ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 24
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

C) Tem legitimidade para propor ação contra cobrança indevida em taxa condominial em prédios
de apartamentos e indenização decorrente do DPVAT em benefício do segurado.

D)Tem legitimidade para propor ação em defesa do patrimônio público e contra ilegalidade de
reajuste de mensalidades escolares.

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITO ADMINISTRATIVO

QUESTÃO 33. Assinale a alternativa correta a respeito dos atos Administrativos.

A) Atos compostos são aqueles cuja vontade final da Administração exige a intervenção autônoma
de diversos agentes ou órgãos.

B) O objeto do ato administrativo é o meio pelo qual se exterioriza a vontade.

C) São enunciativos os atos que alteram uma relação jurídica, criando, modificando ou extinguindo
direitos.

D) A regra no direito público é a solenidade das formas.

E) Não respondida.

QUESTÃO 34. Silvio, ocupante de cargo em comissão, nunca assumiu cargo efetivo na administração
pública direta, autárquica ou fundacional. Logo, de acordo com a Lei nº 8.112/90, Silvio:

A) terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social.

B) não terá direito a qualquer benefício do Plano de Seguridade Social.

C) terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social, com exceção da assistência à saúde.

D) terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social, com exceção do salário-família.

E) Não respondida.

QUESTÃO 35. Sociedade empresária pretende participar de licitação de obra pública (sob a égide da Lei
n° 8.666/93) e ingressa em juízo alegando violação aos princípios da legalidade e da competitividade,
questionando as seguintes cláusulas do edital:

I - exigência, na fase de habilitação, no item relativo à qualificação técnica, de que o vínculo


profissional do responsável técnico que integra o quadro permanente do licitante seja
exclusivamente celetista;

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 25
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

II - exigência, na fase de habilitação, no item relativo à qualificação econômico-financeira, que a


garantia da proposta, no valor de 5% (cinco por cento) do valor estimado do objeto da contratação,
seja apresentada em data anterior à realização da licitação;

III - exigência, na fase de habilitação, no item relativo à qualificação técnica, da comprovação da


propriedade das máquinas e equipamentos essenciais para a execução do objeto.

Procedem os questionamentos em relação:

A) A todos os itens.

B) Apenas ao item I.

C) Apenas aos itens I e II.

D) Apenas aos itens II e III.

E) Não respondida.

BLOCO III

🏳🏳 DIREITO PREVIDENCIÁRIO

QUESTÃO 36. Analise as assertivas abaixo e assinale a proposição INCORRETA.

A) As contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às


entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical não
fazem parte, por expressa disposição legal, das contribuições para a seguridade social estipuladas
no art. 195 da CFRB.

B) A imunidade sobre receitas decorrentes de exportação não alcança a contribuição social sobre
o lucro líquido - CSLL

C) É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão e promoção
social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, desde que observadas as
vedações constitucionais, a exemplo do serviço da dívida e despesa com pessoal e encargos sociais.

D) São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência


social que atendam às exigências estabelecidas em lei, sendo certo que com a obtenção do
Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho
Nacional de Assistência Social, não se mostra mais exigível a comprovação dos requisitos legais,
ainda que supervenientes.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 26
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITO PENAL

QUESTÃO 37. Analise as seguintes assertivas:

1) Nos termos da legislação pátria, a mulher, em situação de violência doméstica e familiar, poderá
ser afastada do local de trabalho, com a manutenção do vínculo trabalhista, para preservar sua
integridade física e psicológica, por até três meses.

2) O crime de redução a condição análoga à de escravo pode ocorrer independentemente da


restrição à liberdade de locomoção do trabalhador, uma vez que esta é apenas uma das formas de
cometimento do delito, mas não é a única.

3) Segundo entendimento do STF, a submissão do trabalhador a condições degradantes de trabalho,


embora caracterize grave violação a direitos trabalhistas e constitucionais, não tipifica o crime de
redução a condição análoga à de escravo.

Assinale a alternativa CORRETA:

A) apenas as assertivas 1 e 3 estão corretas.

B) apenas as assertivas 2 e 3 estão corretas.

C) apenas a assertiva 2 está correta.

D) apenas as assertivas 1 e 2 estão corretas.

E) Não respondida.
QUESTÃO 38. Acerca do crime de apropriação indébita previdenciária é INCORRETO afirmar:

A) É um crime omissivo puro não se exigindo necessariamente um resultado naturalístico.

B) O Supremo Tribunal Federal admite a dificuldade financeira a impedir o repasse do tributo à


previdência social como causa supralegal de exclusão de culpabilidade e inexigibilidade de conduta
diversa.

C) É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for
primário e de bons antecedentes, desde que tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes
de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios.

D) O juiz não poderá deixar de aplicar a pena se o valor das contribuições devidas, inclusive
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente,
como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais, se não houver o pagamento

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 27
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

da contribuição devida antes oferecimento da denúncia, mesmo que o réu seja primário de bons
antecedentes.

E) Não respondida.

🏳🏳 DIREITO INTERNACIONAL E COMUNITÁRIO

QUESTÃO 39. Sobre a solução de conflitos no espaço de legislações trabalhistas, assinale a alternativa
INCORRETA:

A) Em relação aos trabalhadores marítimos, segundo a teoria do centro da gravidade, ou “most


relevant relationship”, afasta-se a aplicação da lei da bandeira em determinados casos, com a
aplicação da lei do país em cujas águas territoriais naveguem as embarcações.

B) Segundo o Código de Bustamante, a lei material que regula as relações jurídicas em naves, no ar
ou no mar internacional, é a da nacionalidade da embarcação, chamada “lei do pavilhão”.

C) Nos moldes de entendimento sumulado do TST, a relação jurídica trabalhista é regida pelas
leis vigentes no país da prestação de serviço (lex loci executionis) e não por aquelas do local da
contratação.

D) Nos termos da Lei n. 7.064/1982, deve ser aplicada a legislação brasileira quando mais favorável
ao empregado do que a legislação do país da prestação de serviços.

E) Não respondida.
QUESTÃO 40. Assinale a alternativa INCORRETA:

A) As Convenções da OIT são tratados multilaterais abertos, com força normativa, que dependem
da adesão e ratificação dos Estados membros e visam à universalização das normas de proteção ao
trabalho através da incorporação de tais normas ao direito interno dos países membros.

B) Nos termos da Convenção n. 144 da OIT, deverão ser promovidas consultas efetivas, entre os
representantes do Governo, dos empregadores e dos trabalhadores, para promoção da aplicação
das normas internacionais do trabalho.

C) Diante das convenções da OIT ratificadas pelo Brasil, não há amparo para realização de greve
ambiental pelos trabalhadores.

D) Nos termos da Convenção n. 155 da OIT, as medidas de segurança e higiene do trabalho não
deverão implicar nenhum ônus financeiro para os trabalhadores.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 28
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

GABARITO
Q. 1 - GABARITO: A 34 Q. 24 - GABARITO: D 86

Q. 2 - GABARITO: B 37 Q. 25 - GABARITO: B 89

Q. 3 - GABARITO: D 40 Q. 26 - GABARITO: C 91

Q. 4 - GABARITO: D 42 Q. 27 - GABARITO: B 92

Q. 5 - GABARITO: A 44 Q. 28 - GABARITO: C 100

Q. 6 - GABARITO: D 47 Q. 29 - GABARITO: C 101

Q. 7 - GABARITO: D 49 Q. 30 - GABARITO: A 102

Q. 8 - GABARITO: C 51 Q. 31 - GABARITO: A 103

Q. 9 - GABARITO: A 54 Q. 32 - GABARITO: D 104

Q. 10 - GABARITO: B 55 Q. 33 - GABARITO: D 106

Q. 11 - GABARITO: D 56 Q. 34 - GABARITO: C 107

Q. 12 - GABARITO: B 57 Q. 35 - GABARITO: A 108

Q. 13 - GABARITO: D 58 Q. 36 - GABARITO: D 109

Q. 14 - GABARITO: C 60 Q. 37 - GABARITO: C 112

Q. 15 - GABARITO: C 62 Q. 38 - GABARITO: D 114

Q. 16 - GABARITO: C 67 Q. 39 - GABARITO: C 116

Q. 17 - GABARITO: C 71 Q. 40 - GABARITO: C 117

Q. 18 - GABARITO: B 73

Q. 19 - GABARITO: C 75

Q. 20 - GABARITO: D 77

Q. 21 - GABARITO: D 78

Q. 22 - GABARITO: D 80

Q. 23 - GABARITO: B 82

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 29
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO

BLOCO I

PROFESSOR LUCAS PASQUALI

🏳🏳 DIREITO CONSTITUCIONAL

QUESTÃO 1. A respeito do direito fundamental de livre exercício de profissão e da inviolabilidade de


domicílio, assinale a alternativa INCORRETA:

A) O art. 5º, XIII, da CF/1988 firma a liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Viola o referido dispositivo constitucio-
nal, a lei federal que permite o exercício da medicina ao dispensar a revalidação do diploma estrangei-
ro do médico intercambista.

B) Segundo jurisprudência sedimentada no âmbito do STF, a exigência de inscrição na Ordem dos Mú-
sicos do Brasil, bem como de pagamento de anuidade é inconstitucional, porque o exercício da ativida-
de de músico é manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de expressão.

C) A doutrina e jurisprudência majoritária convergem a respeito de que art. 5º, XIII, da Constituição
da República, pois é norma de aplicação imediata e eficácia contida que pode ser restringida pela
legislação infraconstitucional. Inexistindo lei regulamentando o exercício de determinada atividade
profissional, é livre o seu exercício.

D) O sigilo profissional constitucionalmente determinado não exclui a possibilidade de cumprimento


de mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia. O local de trabalho do advogado, desde
que este seja investigado, pode ser alvo de busca e apreensão, observando-se os limites impostos pela
autoridade judicial.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: A questão foi posta a julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou entendimen-
to de que não viola o referido dispositivo constitucional, a lei federal que permite o exercício da medicina

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 30
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

ao dispensar a revalidação do diploma estrangeiro do médico intercambista. In verbis:

“O Plenário, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação direta de incons-
titucionalidade ajuizada contra diversos preceitos da Medida Provisória 621/2013, que ins-
tituiu o programa Mais Médicos e foi, posteriormente, convertida na Lei 12.871/2013. (...) O
Plenário apurou que o art. 16 da Lei 12.871/2013, antigo art. 10 da medida provisória, não
estaria permitindo o exercício ilegal da medicina ao dispensar a revalidação do diploma
estrangeiro do médico intercambista. O próprio art. 5º, XIII, da CF/1988 firma a liberdade
do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profis-
sionais que a lei estabelecer. Não foi a Constituição que determinou a obrigatoriedade
de revalidação. A partir do comando constitucional, a legislação geral prevê essa revalida-
ção. Estimou ser uma excepcionalidade para o médico intercambista, exclusivamente no
âmbito das atividades de ensino, pesquisa e extensão do projeto Mais Médicos para Brasil,
a dispensa da revalidação nos três primeiros anos de participação. Não significa que essa
lei específica deixou de exigir a qualificação necessária ao exercício da medicina, porque
os demais artigos da lei colocam que o médico intercambista será supervisionado, a bolsa
está ligada a uma universidade, a uma organização de ensino....” [ADI 5.035 e ADI 5.037, rel.
p/ o ac. min. Alexandre de Moraes, j. 30-11-2017, P, Informativo 886.]
As regras de contratação do Programa Mais Médicos, a partir do ano de 2014, foram objeto de intenso
questionamento judicial por parte do Ministério Público do Trabalho, o qual ingressou com várias ações
civis públicas pelo Brasil. Entretanto, a tese da Advocacia-Geral da União foi acolhida pelo Tribunal Su-
perior do Trabalho, que também entendeu que o programa não envolve relação empregatícia, mas uma
relação jurídico-administrativa, devendo qualquer ação ser julgada pela Justiça Federal.

Atualmente, novo programa do Governo Federal pagará salário de até R$ 21 mil no primeiro ano de atua-
ção, e sistema de bolsa de ensino e posterior contratação via CLT, e ampliará em 7 mil vagas a oferta de
médicos em áreas mais carentes. Para ampliar a oferta de serviços médicos em locais de difícil provimen-
to ou de alta vulnerabilidade, além de formar médicos especialistas em Medicina de Família e Comunida-
de, o Governo Federal lançou, no dia 1/8, o Programa Médicos pelo Brasil, o qual fica como sugestão de
leitura o edital, para o estudo de uma questão discursiva.

B) CORRETA: Questão que aborda o entendimento pacífico do STF, segundo o qual a atividade de músico
é manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de expressão, sendo, por isso, incompa-
tível com a CF de 1988 a exigência de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil, bem como de paga-
mento de anuidade, para o exercício de tal profissão. [RE 795.467 RG, rel. min. Teori Zavascki, j. 5-6-2014,
P, DJE de 24-6-2014, Tema 738]

C) CORRETA: A eficácia consiste na consequência jurídica que deve resultar de sua observância, podendo

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 31
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

ser exigida judicialmente se necessário. Uma norma só é aplicável na medida em que é eficaz. Por con-
seguinte, eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais constituem fenômenos conexos, aspectos
talvez do mesmo fenômeno.

Determinar qual o grau de eficácia jurídica de uma norma constitucional é questão extremamente
complexa, gerando inúmeras controvérsias entre os operadores do direito. Porém, todas as normas
constitucionais possuem eficácia jurídica, mesmo as denominadas programáticas – de eficácia limitada.

José Afonso da Silva (SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das normas constitucionais. São Paulo.
Malheiros. 1998, p. 89.) apresenta uma classificação da eficácia das normas constitucionais:

a) Normas constitucionais de eficácia plena: São as de aplicabilidade imediata, direta e integral, não
dependendo da edição de qualquer legislação posterior. Produzem efeitos imediatamente, dispensando
a edição de normas regulamentadoras.

José Afonso da silva cita como exemplos de normas constitucionais de eficácia plena: as hipóteses con-
templadas nos arts. 21 (competência da União), 25 a 28 e 29 e 30 (competências dos Estados e Municípios),
145, 153, 155 e 156 (repartição de competências tributárias), e as normas que estatuem as atribuições dos
órgãos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário (arts. 48 e 49, 51 e 52, 70 e 71, 84 e 101-122).

b) Normas constitucionais de eficácia contida: a exemplo do art. 5º, XIII, CRFB, são as de aplicabilidade
imediata, mas cujos efeitos podem ser limitados pela legislação infraconstitucional. Produzem efeitos
imediatamente, mas podem vir a ser limitados pela lei infraconstitucional que vier a ser aprovada. São
denominadas também como de eficácia redutível ou restringível.

 Luciano Dutra (DUTRA, Luciano. Direito Constitucional Essencial. Rio de Janeiro: Forense. 2ªed. 2016. p.
48) nos apresenta exemplos de norma constitucional de eficácia contida na própria Constituição Federal:

[...] alguns exemplos em que a própria Constituição de 1988 diminuiu o âmbito de incidên-
cia de uma norma constitucional de eficácia contida: a) direito de propriedade: da leitura
dos incisos XXII e XXIV do art. 5º, percebe-se que o próprio legislador constituinte origi-
nário limitou o exercício do direito de propriedade; b) restrições a direitos fundamentais
impostas pela decretação de estado de sítio: o art. 139 restringiu o âmbito de incidência de
diversos direitos fundamentais, dentre os quais a liberdade de locomoção, a intimidade, a
inviolabilidade domiciliar e a propriedade. Importante que se diga, ademais, que a restri-
ção pode ser operada por conceitos ético-jurídicos, como no caso do art. 5º, XXV, em que o
“iminente perigo público” autoriza à autoridade competente a imposição de restrições ao
direito de propriedade, a partir do instituto da requisição administrativa.
E, também exemplificando, cite-se o art. 133 da CF/88: “O advogado é indispensável à administração da
justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 32
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Por fim, o entendimento no âmbito do STF é no sentido de que: “O art. 5º, XIII, da Constituição da Repú-
blica é norma de aplicação imediata e eficácia contida que pode ser restringida pela legislação infracons-
titucional. Inexistindo lei regulamentando o exercício da atividade profissional dos substituídos, é livre o
seu exercício. [MI 6.113 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 22-5-2014, P, DJE de 13-6-2014.]”

c) Normas constitucionais de eficácia limitada: São as que dependem de complementação do legislador


infraconstitucional para se tornarem exequíveis.

Para Luís Roberto Barroso (BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo – Os
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. São Paulo: Saraiva 2ªed. 2010. p. 251):

“normas de eficácia limitada são as que não receberam do constituinte normatividade su-
ficiente para sua aplicação, o qual deixou ao legislador ordinário a tarefa de completar a
regulamentação das matérias nelas traçadas em princípio ou esquema. Estas normas, con-
tudo, ao contrário do que ocorria com as ditas não autoaplicáveis, não são completamente
desprovidas de normatividade. Pelo contrário, são capazes de surtir uma série de efei-
tos, revogando as normas infraconstitucionais anteriores com elas incompatíveis, cons-
tituindo parâmetro para a declaração da inconstitucionalidade por ação e por omissão,
e fornecendo conteúdo material para a interpretação das demais normas que compõem
o sistema constitucional.
José Afonso leciona que abrangem as normas declaratórias de princípios institutivos e as declaratórias
de princípios programáticos.

As primeiras são as que estabelecem o esquema de estruturação e atribuições de órgãos, entidades ou


institutos públicos, para que o legislador ordinário as regulamente. São exemplos o art. 88, 98, 102, §1º,
224, CRFB.

Normas programáticas são as que fixam princípios, programas e metas a serem alcançados pelo Estado.
Por exemplo, art. 7º, IV, 196, 205, 215 e 217. As normas constitucionais programáticas também possuem
eficácia jurídica imediata, ainda que mínima, mesmo antes da edição de qualquer legislação comple-
mentar, pois: a) revogam a legislação ordinária que seja contrária aos princípios por ela instituídos;
b) impedem a edição de leis contendo dispositivos contrários ao mandamento constitucional; e c) es-
tabelecem um dever legislativo para os poderes constituídos, que podem incidir em inconstituciona-
lidade por omissão caso não elaborem a regulamentação que possibilite o cumprimento do preceito
constitucional.

D) CORRETA: Conforme art. 5º, XI, CRFB, a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo pene-
trar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,
ou, durante o dia, por determinação judicial.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 33
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

O conceito de casa é dado pelo artigo 150 do Código Penal, e abrange qualquer compartimento habitado,
inclusive o local onde se exerce a atividade profissional. A expressão “casa” compreende: I - qualquer
compartimento habitado; II - aposento ocupado de habitação coletiva; III - compartimento não aberto ao
público, onde alguém exerce profissão ou atividade.

Flagrante delito: doutrina majoritária abarca qualquer tipo de flagrante. Por exemplo, se durante perse-
guição, agente que praticou crime e foi surpreendido em flagrante pela autoridade policial, ingressar em
sua própria casa, a polícia pode entrar. Se o agente ingressar na casa de terceiros, com consentimento
destes, a polícia precisará de mandado judicial para entrar.

O que se entende por dia? Existem dois critérios, o astrofísico, que está ligado à existência de luminosi-
dade natural (dia é o período no qual existe luminosidade natural) e o critério do horário (dia é o período
que vai das 6 h às 18 h.). Alexandre de Moraes propõe uma combinação entre estes dois critérios, segundo
o qual dia é o período das 6 h às 18 h, a não ser que antes ou depois desse horário exista luminosidade
solar, o que atualmente é utilizado em operações policiais.

STF reconheceu reserva absoluta de jurisdição para a violabilidade do domicílio (necessidade de prévia
autorização judicial para ingresso no domicílio) e considerou válido provimento judicial que autorizava
o ingresso de autoridade policial em recinto profissional durante a noite para o fim de instalar escuta
ambiental.

Por fim, a questão de fundo tratada foi objeto de julgamento inúmeras vezes perante as cortes de super-
posição, cristalizando-se o entendimento de que:

“O sigilo profissional constitucionalmente determinado não exclui a possibilidade de cum-


primento de mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia. O local de tra-
balho do advogado, desde que este seja investigado, pode ser alvo de busca e apreensão,
observando-se os limites impostos pela autoridade judicial. (...) [HC 91.610, rel. min. Gilmar
Mendes, j. 8-6-2010, 2ª T, DJE de 22-10-2010.]
E) NÃO RESPONDIDA.

Dica: se você passou os olhos com pressa sobre os artigos elencados acima que exemplificam cada
espécie de eficácia, sugiro que pare, descanse um pouco e vá lê-los com bastante calma, fixando e gri-
fando os principais aspectos citados.

💡💡 GABARITO: A

QUESTÃO 2. No que tange ao processo legislativo e ao princípio da separação dos poderes, considere:

1) O entendimento consolidado no âmbito do STF é no sentido de que os requisitos constitucionais

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 34
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

legitimadores da edição de medidas provisórias, vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados de


“relevância” e “urgência” (art. 62 da CF), apenas em caráter excepcional se submetem ao crivo do Po-
der Judiciário, por força da regra da separação de poderes (art. 2º da CF);

2) No que tange à fiscalização contábil, financeira e orçamentária, o poder de fiscalização legislativa


da ação administrativa do Poder Executivo é outorgado aos órgãos coletivos de cada câmara do Con-
gresso Nacional, no plano federal, e da Assembleia Legislativa, no dos Estados, assim como a seus
membros individualmente;

3) Quanto às atribuições do Poder Legislativo, não afronta os princípios constitucionais da harmonia e


independência entre os Poderes e da liberdade de locomoção norma estadual que exige prévia licença
da Assembleia Legislativa para que o governador e o vice-governador possam ausentar-se do País por
qualquer prazo;

4) Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores
públicos sob o fundamento de isonomia. Da mesma forma, não viola a Constituição o estabelecimento
de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial;

A) Apenas as assertivas 2 e 3 são corretas.

B) Apenas as assertivas 1 e 4 são corretas.

C) Apenas a assertiva 1 está correta.

D) Apenas as assertivas 2 e 4 estão corretas.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A questão foi proposta para o aluno se aprofundar no estudo do princípio da separação dos poderes,
fiscalização contábil e orçamentária e poder legislativo, assim já cobrado anteriormente no concurso de
2017 (questão 3), 2015 (questão 1) e 2013 (questão 7) e 2012 (questão 9).

ITEM 1 - CORRETO. Conforme art. 62 da CF, em caso de relevância e urgência, o Presidente da República
poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional. Contudo, o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal é de que:

“os requisitos constitucionais legitimadores da edição de medidas provisórias, vertidos


nos conceitos jurídicos indeterminados de “relevância” e “urgência” (art. 62 da CF), ape-
nas em caráter excepcional se submetem ao crivo do Poder Judiciário, por força da regra

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 35
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

da separação de poderes (art. 2º da CF). (ADI 2.213, rel. min. Celso de Mello, DJ de 23-4-
2004; ADI 1.647, rel.min. Carlos Velloso, DJ de 26-3-1999; ADI 1.753 MC, rel. min. Sepúlveda
Pertence, DJ de 12-6-1998; ADI 162 MC, rel. min. Moreira Alves, DJ de 19-9-1997 - destaquei).
Assim, somente se admite o exame jurisdicional do mérito dos requisitos de relevância e urgência na
edição de medida provisória em casos excepcionalíssimos, em que a ausência desses pressupostos seja
evidente.

ITEM 2 - INCORRETO. A fiscalização legislativa da ação administrativa do Poder Executivo é um dos con-
trapesos da CF à separação e independência dos Poderes: cuida-se, porém, de interferência que só a
Constituição da República pode legitimar. Do relevo primacial dos “pesos e contrapesos” no paradigma
de divisão dos poderes, segue-se que à norma infraconstitucional não é dado criar novas interferências
de um Poder na órbita de outro que não derive explícita ou implicitamente de regra ou princípio da Lei
Fundamental da República.

Considerando que a Constituição Federal não outorgou tais poderes aos membros do Congresso Nacio-
nal, entende o Supremo Tribunal que:

“O poder de fiscalização legislativa da ação administrativa do Poder Executivo é outorgado


aos órgãos coletivos de cada câmara do Congresso Nacional, no plano federal, e da As-
sembleia Legislativa, no dos Estados; nunca, aos seus membros individualmente, salvo,
é claro, quando atuem em representação (ou presentação) de sua Casa ou comissão. [ADI
3.046, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 15-4-2004, P, DJ de 28-5-2004.]
ITEM 3 - INCORRETO. A CF estabelece que o Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão,
sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena
de perda do cargo (art. 83). Com base no princípio da simetria constitucional entende o Supremo Tribunal
que:

“Afronta os princípios constitucionais da harmonia e independência entre os Poderes e da


liberdade de locomoção norma estadual que exige prévia licença da Assembleia Legisla-
tiva para que o governador e o vice-governador possam ausentar-se do País por qualquer
prazo. Espécie de autorização que, segundo o modelo federal, somente se justifica quando
o afastamento exceder a quinze dias. Aplicação do princípio da simetria. [ADI 738, rel. min.
Maurício Corrêa, j. 13-11-2002, P, DJ de 7-2-2003]”
ITEM 4 - CORRETO. Por expressa disposição constitucional, a remuneração dos servidores públicos e o
subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, obser-
vada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem
distinção de índices (art. 37, X, CF).

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 36
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

O Supremo Tribunal Federal editou súmula vinculante no sentido de que “Não cabe ao Poder Judiciário,
que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de iso-
nomia” [Súmula Vinculante 37].

Observe-se que a Constituição Federal não estendeu aos militares a garantia de remuneração não infe-
rior ao salário mínimo, como o fez para outras categorias de trabalhadores. O regime a que submetem
os militares não se confunde com aquele aplicável aos servidores civis, visto que têm direitos, garantias,
prerrogativas e impedimentos próprios. Os cidadãos que prestam serviço militar obrigatório exercem um
múnus público relacionado com a defesa da soberania da pátria. A obrigação do Estado quanto aos
conscritos limita-se a fornecer-lhes as condições materiais para a adequada prestação do serviço mili-
tar obrigatório nas Forças Armadas (RE 557542).

Por tais razões, a Súmula Vinculante n. 6 prevê que “Não viola a Constituição o estabelecimento de remu-
neração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial”.

💡💡 GABARITO: B

QUESTÃO 3. No que toca à garantia constitucional de impetração de habeas data assinale a alternativa
INCORRETA:

A) A ação de habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo contra abuso no registro e/ou
revelação de dados pessoais falsos ou equivocados. O habeas data não se revela meio idôneo para se
obter vista de processo administrativo e não se presta para solicitar informações relativas a terceiros.

B) Se destina a garantir, em favor da pessoa interessada, o exercício de pretensão jurídica discernível


em seu tríplice aspecto: (a) direito de acesso aos registros; (b) direito de retificação dos registros; e (c)
direito de complementação dos registros.

C) A prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da omissão em


atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data.

D) É a via inadequada para obtenção dos dados concernentes ao pagamento de tributos do próprio
contribuinte constantes dos sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da adminis-
tração fazendária dos entes estatais.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: Inicialmente, cabe frisar a distinção entre direitos fundamentais e garantias de direitos.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 37
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Direito fundamental é o interesse juridicamente protegido em prol de algum valor essencial da ordem
jurídica que é considerado vital para dignidade humana. Ex.: direito à privacidade. A garantia fundamen-
tal (de direitos) é um conceito imbricado e complementar, uma vez que se trata do procedimento (admi-
nistrativo ou judicial) específico, cuja finalidade é dar proteção eficiente aos direitos fundamentais (meio
de proteção do direito). Assim, o direito à privacidade e intimidade é protegido pela garantia de sigilo
bancário.

ATENÇÃO: O STF decidiu que o Banco do Brasil não pode alegar sigilo bancário para se recusar a encami-
nhar documentos requisitados pelo MP referente conta em que era movimentada verba pública. Isto por-
que não há privacidade sobre verba pública, não se cabendo invocar o direito à privacidade. A despeito,
em posicionamento recente, o STF decidiu que MP só pode requerer a quebra de sigilo bancário quando
referente a processo ou procedimento criminal no âmbito do qual se está realizando uma investigação.

Por sua vez, as garantias estão divididas em 3 espécies:

Processual – são os remédios constitucionais (habeas corpus é garantia processual da liberdade de loco-
moção, habeas data é garantia processual da liberdade de informação da própria pessoa, etc.);

Material – são as garantias propriamente ditas (sigilo bancário é garantia material da privacidade, da
intimidade etc.);

Institucionais – são institutos que a CF consagra e que visa em última instância preservar o Estado De-
mocrático de Direito em que se baseiam os direitos fundamentais (independência do Poder Judiciário
garantia institucional de todos os direitos na medida em que os protege de violação do próprio Estado;
separação de Poderes visa proteger a liberdade humana, etc.).

E mais especificamente quanto ao habeas data:

“A ação de habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo contra abuso no regis-
tro e/ou revelação de dados pessoais falsos ou equivocados. O habeas data não se revela
meio idôneo para se obter vista de processo administrativo. [HD 90 AgR, rel. min. Ellen
Gracie, j. 18-2-2010, P, DJE de 19-3-2010.]”
“O habeas data não se presta para solicitar informações relativas a terceiros, pois, nos
termos do inciso LXXII do art. 5º da CF, sua impetração deve ter por objetivo “assegurar o
conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante”. [HD 87 AgR, rel. min. Cár-
men Lúcia, j. 25-11-2009, P, DJE de 5-2-2010.]
B) CORRETA: Trata-se de ação de caráter civil, de rito sumário e gratuita.

Legitimidade Ativa: pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira, com caráter personalíssimo, ou
seja, só para informações do próprio impetrante.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 38
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Legitimidade Passiva: entidades governamentais da Administração Direta e Indireta, pessoas jurídicas


privadas que prestem serviços para o público ou de interesse público.

TST: A Petrobras, como empresa de economia mista que presta serviços para público e de interesse pú-
blico, pode figurar no polo passivo da ação de habeas data, pois está equiparada a uma entidade gover-
namental.

Hipóteses de cabimento: a assertiva cuida do entendimento da doutrina e do STF sobre o tema:

“O habeas data configura remédio jurídico-processual, de natureza constitucional, que


se destina a garantir, em favor da pessoa interessada, o exercício de pretensão jurídica
discernível em seu tríplice aspecto: (a) direito de acesso aos registros; (b) direito de retifi-
cação dos registros; e (c) direito de complementação dos registros. Trata-se de relevante
instrumento de ativação da jurisdição constitucional das liberdades, a qual representa, no
plano institucional, a mais expressiva reação jurídica do Estado às situações que lesem,
efetiva ou potencialmente, os direitos fundamentais da pessoa, quaisquer que sejam as
dimensões em que estes se projetem. [RHD 22, rel. p/ o ac. min. Celso de Mello, j. 19-9-1991,
P, DJ de 1º-9-1995.]
Dica: O direito de obter certidão é amparável por MS e não por habeas data.

C) CORRETA: A exigência decorre de imposição legal, uma vez que o art. 8º da Lei n. 9507/97 assim o obri-
ga:

Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282 a 285 do Código de
Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem a primeira
serão reproduzidos por cópia na segunda.
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova:
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão;
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão;
ou
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais
de quinze dias sem decisão.
Por tal razão, o Pretório Excelso reiteradamente confirma que “a prova do anterior indeferimento do pedi-
do de informação de dados pessoais, ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para
que se concretize o interesse de agir no habeas data. Sem que se configure situação prévia de pretensão
resistida, há carência da ação constitucional do habeas data.” [RHD 22, rel. p/ o ac. min. Celso de Mello, j.
19-9-1991, P, DJ de 1º-9-1995.]

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 39
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) INCORRETA: Consoante destacado acima, o habeas data configura remédio jurídico-processual, de na-
tureza constitucional, que se destina a garantir, em favor da pessoa interessada, o exercício de pretensão
jurídica, a qual pode se referir à sua condição tributária. Nesse sentido:

“O habeas data é garantia constitucional adequada para a obtenção dos dados concernen-
tes ao pagamento de tributos do próprio contribuinte constantes dos sistemas informatiza-
dos de apoio à arrecadação dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais. [RE
673.707, rel. min. Luiz Fux, j. 17-6-2015, P, DJE de 30-9-2015, Tema 582]
E) Não respondida.

Dicas:

- Sugere-se a leitura integral da lei do habeas data.

- Dica de concurseiro: abra a CF no site do planalto, CRTL + F, escreva “habeas data”, leia todas as passa-
gens e fixe em seu caderno.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 4. No que tange ao regramento constitucional da ação popular, assinale a alternativa INCOR-
RETA:

A) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimô-
nio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e
ao patrimônio histórico e cultural. Quando há comprovação de má-fé do autor da ação popular, haverá
condenação nos ônus das custas e da sucumbência.

B) A ação direta de inconstitucionalidade não constitui sucedâneo da ação popular constitucional.


Ademais, os atos de conteúdo jurisdicional estão excluídos do âmbito de incidência da ação popular, a
qual não pode ser proposta por pessoa jurídica.

C) A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade é, de regra, do juízo
competente de primeiro grau.

D) O Supremo Tribunal Federal dispõe de competência originária para processar e julgar ação popular
promovida contra ato emanado do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados ou
do Senado Federal, ou, ainda, de qualquer dos tribunais superiores da União.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 40
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

A) CORRETA: Segundo o art. 5º, inciso, LXXIII: qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada
má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.

Trata-se de instituto de democracia direta, de exercício de soberania popular, que permite ao povo direta-
mente exercer a função fiscalizatória do Poder Público. Não se exige esgotamento de vias administrativas
e não cabe para invalidar lei em tese, só atos de execução.

O artigo 2º da Lei 4.717/65 determina que são nulos os atos lesivos nos casos de não observância dos ele-
mentos do ato (competência, forma, objeto legal, motivo, finalidade), sendo os demais anuláveis (artigo
3º). O artigo 4º traz exemplos de atos com presunção de ilegitimidade e lesividade.

Legitimidade ativa: cidadãos = eleitores (brasileiros natos/ naturalizados, inclusive de 16 a 18 anos, e por-
tugueses equiparados, no gozo dos direitos políticos). Lei não confere ao MP, mas este deve acompanhar
a ação e assumi-la, no caso de desistência.

Legitimidade passiva: entidade e autoridades que praticaram o ato ou, por omissão, o deixaram praticar,
bem como contra os beneficiários diretos do ato.

Coisa julgada: a sentença que julgar procedente declara a invalidade do ato, condena os responsáveis em
perdas e danos e os réus às custas e honorários, e faz coisa julgada erga omnes. Se improcedente, o ato é
mantido e, no caso de falta de provas, pode ser reproposta a ação.

E quando cabe remessa necessária?

A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao duplo grau de juris-
dição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal (Art. 19, Lei n. 4717/65).

Quanto às custas e ônus, por força o art. 5º, incisos, LXXIII, a não ser quando há comprovação de má-fé do
autor da ação popular, não pode ele ser condenado nos ônus das custas e da sucumbência. [RE 221.291,
rel. min. Moreira Alves, j. 11-4-2000, 1ª T, DJ de 9-6-2000.]

B) CORRETA: Como é cediço, qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular; logo, pessoa
jurídica não tem legitimidade para propor ação popular [Súmula 365]. Por fim, para o Supremo Tribunal
Federal:

“A ação direta de inconstitucionalidade não constitui sucedâneo da ação popular consti-


tucional, destinada, esta sim, a preservar, em função de seu amplo espectro de atuação
jurídico-processual, a intangibilidade do patrimônio público e a integridade do princípio
da moralidade administrativa (CF, art. 5º, LXXIII). [ADI 769 MC, rel. min. Celso de Mello, j. 22-
4-1993, P, DJ de 8-4-1994.]”

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 41
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Ainda segundo STF, não cabe ação popular contra ato de conteúdo jurisdicional praticado por membro
do Poder Judiciário. In litteris:

“Os atos de conteúdo jurisdicional – precisamente por não se revestirem de caráter ad-
ministrativo – estão excluídos do âmbito de incidência da ação popular, notadamente
porque se acham sujeitos a um sistema específico de impugnação, quer por via recursal,
quer mediante utilização de ação rescisória. [Pet 2.018 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 22-
8-2000, 2ª T, DJ de 16-2-2001.]
C) CORRETA: “A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do
presidente da República, é, via de regra, do juízo competente de primeiro grau.” [AO 859 QO, rel. p/ o ac.
min. Maurício Corrêa, j. 11-10-2001, P, DJ de 1º-8-2003.]

D) INCORRETA: No mesmo sentido do item anterior, é possível concluir em outras palavras, que o foro por
prerrogativa de função não alcança as ações populares. Nesse sentido:

“O STF – por ausência de previsão constitucional – não dispõe de competência originária


para processar e julgar ação popular promovida contra qualquer órgão ou autoridade da
República, mesmo que o ato cuja invalidação se pleiteie tenha emanado do presidente da
República, das Mesas da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, ou, ainda, de qual-
quer dos tribunais superiores da União [Pet 2.018 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 22-8-2000,
2ª T, DJ de 16-2-2001].”
E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 5. A respeito do mandado de injunção, assinale a alternativa INCORRETA:

A) Não perde o objeto do mandado de injunção com a edição da norma regulamentadora então ausen-
te, porque remanesce a pretensão de sanar a alegada lacuna normativa do período pretérito à edição
da lei regulamentadora.

B) Não cabe a cominação de pena pecuniária ao Congresso Nacional pela continuidade da omissão
legislativa (obrigação de fazer), porque o mandado de injunção é ação constitutiva, sem conteúdo
condenatório.

C) Entidades sindicais dispõem de legitimidade ativa para a impetração do mandado de injunção cole-
tivo, que constitui instrumento de atuação processual destinado a viabilizar, em favor dos integrantes
das categorias que essas instituições representam, o exercício de liberdades, prerrogativas e direitos
assegurados pelo ordenamento constitucional.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 42
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) É impróprio o uso do mandado de injunção para o exercício de direito decorrente de norma cons-
titucional autoaplicável, mas é cabível quando a autoridade administrativa se recusa a examinar re-
querimento de aposentadoria especial de servidor público, com fundamento na ausência da norma
regulamentadora do art. 40, § 4º, da Constituição da República.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: Segundo o art. 5º, LXXI da CRFB: conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta
de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prer-
rogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

Trata-se de uma forma de controle constitucional da omissão no caso concreto e combater a síndrome da
inefetividade.

Legitimidade Ativa: qualquer pessoa. O STF entende que pode ser coletivo.

Legitimidade Passiva: Poder ou Órgão responsável pela omissão (ex: omissão legislativa – deverá estar
no polo passivo o Poder ou Órgão incumbido da iniciativa de editar a lei).

Competência: prevista nos artigos 102, I, “q” e 105, I, “h” da CF.

Objeto: norma constitucional de eficácia limitada

A orientação do STF é pela prejudicialidade do mandado de injunção com a edição da norma regula-
mentadora então ausente. Excede os limites da via eleita a pretensão de sanar a alegada lacuna norma-
tiva do período pretérito à edição da lei regulamentadora. [MI 1.011 AgR e MI 1.022 AgR, rel. min. Ricardo
Lewandowski, j. 10-5-2012, P, DJE de 30-5-2012.]

B) CORRETA: Conforme entendimento consolidado, o mandado de injunção é ação constitutiva; não é


ação condenatória, não se presta a condenar o Congresso ao cumprimento de obrigação de fazer. Não
cabe a cominação de pena pecuniária pela continuidade da omissão legislativa. [MI 689, rel. min. Eros
Grau, j. 7-6-2006, P, DJ de 18-8-2006.]”

C) CORRETA: O entendimento atual do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que entidades sindicais
dispõem de legitimidade ativa para a impetração do mandado de injunção coletivo, que constitui instru-
mento de atuação processual destinado a viabilizar, em favor dos integrantes das categorias que essas
instituições representam, o exercício de liberdades, prerrogativas e direitos assegurados pelo ordena-
mento constitucional. [MI 472, rel. min. Celso de Mello, j. 6-9-2005, P, DJ de 2-3-2001.]”

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 43
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) CORRETA: É impróprio o uso do mandado de injunção para o exercício de direito decorrente de norma
constitucional autoaplicável. [MI 97 QO, rel. min. Sydney Sanches, j. 1º-2-1990, P, DJ de 23-3-1990.], mas é
cabível é o mandado de injunção quando a autoridade administrativa se recusa a examinar requerimento
de aposentadoria especial de servidor público, com fundamento na ausência da norma regulamentadora
do art. 40, § 4º, da Constituição da República. [MI 4.842 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 6-3-2013, P, DJE de
1º-4-2013.]

BÔNUS

Quais são os efeitos da decisão proferida em Mandando de injunção?

A resposta passa pela abordagem de duas correntes doutrinárias e jurisprudenciais:

1) Não concretista: reconhece a omissão e cientifica o poder competente;


2) Concretista: reconhece a omissão e resolve o caso concreto, viabilizando o exercício do
direito até que sobrevenha regulamentação. Para alguns, os efeitos de tal decisão serão
erga omnes (concretista geral direta), e para outros só inter partes (concretista individual di-
reta). Há também entendimento no sentido de que deve ser fixado prazo para que o omisso
legisle e, somente na omissão, deve ser implementada a norma (concretista geral/indivi-
dual intermediária).
O STF mudou de entendimento em 2007, passando a adotar a corrente concretista em MI sobre direito de
greve dos servidores públicos. Nesse caso, fixou parâmetros de forma abstrata e geral para o exercício do
direito, que serão utilizados em casos análogos, sendo possível que em futuros MI a regulamentação seja
estendida por decisão monocrática. Trata-se de posição intermediária entre concretista geral e individual.

ATENÇÃO: a Lei n. 13.300/2016 dispõe no seu art. 9º que a decisão terá eficácia subjetiva limitada às par-
tes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. Portanto, concretista geral indireta.

Mas o § 1º estabelece que poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando isso
for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetra-
ção. Portanto, concretista geral direta.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: A

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 44
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

PROFESSOR FABRÍCIO LIMA SILVA

🏳🏳 DIREITOS HUMANOS

QUESTÃO 6. De acordo com a Convenção Americana de Direitos Humanos, analise as assertivas abaixo:

1) Segundo entendimento da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o princípio do desenvolvi-


mento progressivo não se aplica aos direitos sociais trabalhistas.

2) O Brasil não se submete à jurisdição contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

3) A Corte Interamericana de Direitos Humanos não possui função consultiva, apenas apreciando casos
contenciosos.

4) A Corte Interamericana pode atender petições formuladas por indivíduos ou organizações.

Marque a alternativa CORRETA:

A) Apenas a assertiva 1 está correta.

B) Apenas a assertiva 2 está correta.

C) Apenas as assertivas 3 e 4 estão corretas.

D) Todas assertivas estão incorretas.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

1) INCORRETA: Segundo o art. 26 da Convenção Americana de Direitos Humanos:

Os Estados-Partes comprometem-se a adotar providências, tanto no âmbito interno como


mediante cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir
progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas,
sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados
Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis,
por via legislativa ou por outros meios apropriados. (Destaquei).
No julgamento do caso Lagos del Campo Vs. Peru, ao tratar da garantia de emprego, a Corte Interameri-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 45
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

cana decidiu pela aplicabilidade do princípio do desenvolvimento progressivos aos direitos sociais tra-
balhistas:

143. A respeito dos direitos trabalhistas específicos protegidos pelo art. 26 da Convenção
Americana, a Corte observa que os termos desse artigo mostram que são aqueles direitos
que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura cons-
tantes da Carta da OEA. Isto posto, os arts. 45.b e c, 46 e 34.g da Carta estabelecem que “[o]
trabalho é um direito e um dever social” e que deve ser prestado com “salários justos, opor-
tunidades de emprego e condições de trabalho aceitáveis para todos”. Também ressaltam o
direito dos trabalhadores e trabalhadoras de “se associar livremente para a
defesa e promoção de seus interesses”. Além disso, indicam que os Estados devem “har-
monizar a legislação social” para a proteção desses direitos. (...) 149. Em relação ao expos-
to, infere-se que as obrigações do Estado quanto à proteção do direito à estabilidade no
trabalho no âmbito privado se traduz, em princípio, nos seguintes deveres: a) adotar as
medidas adequadas para a devida regulamentação e fiscalização desse direito; b) proteger
o trabalhador, por meio de seus órgãos competentes, contra a demissão injustificada; c)
remediar a situação, em caso de demissão injustificada (seja mediante a readmissão ou,
caso seja pertinente, mediante a indenização e outros benefícios previstos na legislação
nacional). Por conseguinte, d) o Estado deve dispor de mecanismos efetivos de reclamação
frente a uma situação de demissão injustificada, a fim de garantir o acesso à justiça e à tu-
tela judicial efetiva desses direitos. 150. Cumpre explicitar que a estabilidade no trabalho
não consiste em uma permanência irrestrita no posto de trabalho, mas em respeitar esse
direito, entre outras medidas, oferecendo devidas garantias de proteção ao trabalhador, a
fim de que, em caso de demissão, esta ocorra por causas justificadas, o que implica que o
empregador ateste razões suficientes para impor essa sanção com as devidas garantias e,
diante disso, o trabalhador possa recorrer dessa decisão junto às autoridades internas, que
garantirão que
as causas atribuídas não sejam arbitrárias ou contrárias ao direito. (Corte IDH. Caso La-
gos del Campo vs. Peru. Exceções preliminares, mérito, reparações e custas. Sentença de
31/08/2017. Tradução livre. Resumo oficial).
2) INCORRETA: Conforme o art. 62.1., da Convenção Americana, “Todo estado-parte pode, no momento do
depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento
posterior, declarar que reconhece como obrigatória, de pleno direito e sem convenção especial, a compe-
tência da Corte em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção” (destaquei).

Portanto, a adesão à competência contenciosa da Corte é facultativa, sendo que o Brasil, aderiu ao Pacto

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 46
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

em 1992, promulgando o decreto n. 678, em 6 de novembro do mesmo ano. Todavia, o decreto que reco-
nheceu a competência contenciosa foi promulgado em 1998 (Decreto-Legislativo 89/98).

Inclusive, importante destacar, exemplificativamente, que o Brasil já foi condenado pela Corte Interame-
ricana, no caso Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde Vs. Brasil, por não prevenir a prática de trabalho
escravo moderno e de tráfico de pessoas.

3) INCORRETA: A Corte Interamericana é uma instituição judicial autônoma cujo objetivo é aplicar e in-
terpretar a Convenção Americana, exercendo função contenciosa e consultiva (art. 2º do seu Estatuto).

Conforme o art. 64 da Convenção Americana de Direitos Humanos:

1. Os Estados membros da Organização poderão consultar a Corte sobre a interpretação des-


ta Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção dos direitos humanos nos Esta-
dos americanos. Também poderão consultá-la, no que lhes compete, os órgãos enumerados
no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de
Buenos Aires.
2. A Corte, a pedido de um Estado membro da Organização, poderá emitir pareceres sobre a
compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumentos interna-
cionais. (Destaquei).
4) INCORRETA: Nos termos do art. 61.1 do Convenção Americana de Direitos Humanos, “Somente os Esta-
dos Partes e a Comissão têm direito de submeter caso à decisão da Corte”.

Os indivíduos ou organizações somente poderão fazer uso do Sistema Interamericano, mediante o enca-
minhamento de suas denúncias à Comissão Interamericana, a qual é competente para conhecer de peti-
ções que lhe apresente qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental legalmen-
te reconhecida que contenham denúncias ou queixas de violação da Convenção por um Estado Parte.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 7. Levando-se em consideração a definição da expressão “adaptação razoável”, adotada


pelo art. 2º da Convenção da ONU sobre direitos das pessoas com deficiência, assinale a alternativa
CORRETA:

A) Concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida possí-
vel, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico.

B) Diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efeito de impedir


ou impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em igualdade de oportunidades com as
demais pessoas, de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais nos âmbitos político, econô-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 47
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

mico, social, cultural, civil ou qualquer outro.

C) Disponibilização de textos, a comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos de multi-


mídia acessível, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de
voz digitalizada e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, inclusive
a tecnologia da informação e comunicação acessíveis.

D) Modificações e os ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou


indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam
gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos
e liberdades fundamentais

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: Conforme o art. 2º da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Defi-
ciência, promulgada pelo Decreto n. 6.949/2009, “‘Desenho universal’ significa a concepção de produtos,
ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem
necessidade de adaptação ou projeto específico. O “desenho universal” não excluirá as ajudas técnicas para
grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias”.

Conforme destaca o Procurador da República Bruno Lamenha:

“O desenho universal, portanto, parte de uma leitura PREVENTIVA, ou seja, estabelece uma
concepção de acessibilidade tão ampla que poderá atender, virtualmente, às necessidades
de qualquer ser humano, com ou sem deficiência. Mesmo quando se dirige a um grupo espe-
cífico de pessoas com deficiência (como os portadores de deficiência visual, por exemplo), o
desenho universal não perde esse caráter generalista: dirige-se a um grupo de pessoas, não
a situações particulares”. (CEI-MPF – Prova Oral).
B) INCORRETA: A diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência é a definição de “Discrimi-
nação por motivo de deficiência”, adotada pelo art. 2º da Convenção Internacional sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência.

C) INCORRETA: Nos termos da referida legislação, a “‘Comunicação’ abrange as línguas, a visualização de


textos, o braille, a comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos de multimídia acessível, assim
como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizada e os modos,
meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, inclusive a tecnologia da informação e co-
municação acessíveis”.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 48
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) CORRETA: Segundo o art. 2º da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiên-
cia, “adaptação razoável”, também chamada de “acomodação ou ajuste razoável, “significa as modifica-
ções e os ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando
requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em
igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais”.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

PROFESSOR LUCAS FALASQUI CORDEIRO

🏳🏳 DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO

QUESTÃO 8. Sobre as fontes do direito do trabalho, assinale a CORRETA:

A) As fontes jurídicas podem ser materiais e formais. São materiais os elementos históricos, políticos,
sociais e econômicos que levaram à criação da norma. Nesse contexto, a edição da Lei nº 13.467/2017
veio para atender forte pressão da classe trabalhadora, a qual lutava por melhores condições de tra-
balho.

B) A Lei nº 13.467/2017 revogou do art. 8º a prevalência do interesse público sobre o privado ao prever,
no caput, o princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.

C) Após a edição da Lei n. 13.467/2017, passou a existir vedação expressa que as Súmulas e demais
enunciados dos tribunais tenham por foco a criação de direitos, o que, entretanto, não restringe o
exercício do Poder Normativo pela Justiça do Trabalho.

D) Conforme expressa previsão legal, o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho,
naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: O erro está na menção que a Lei nº 13.467/2017 veio para atender aos interesses dos tra-
balhadores. Em verdade, houve forte pressão do empresariado para a aprovação de uma nova legislação

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 49
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

que flexibilizasse a regulamentação das relações de trabalho em nosso país.

Importante destacar que nosso país que nosso país chegou a ser denunciado perante o sistema de con-
trole normativo da Organização Internacional do Trabalho, por violação às disposições da sua Convenção
n. 144 da OIT, em razão da ausência de consulta prévia às organizações de trabalhadores.

B) INCORRETA: Não houve revogação da prevalência do interesse público sobre o privado e o princípio da
intervenção mínima está previsto no § 3º e não no caput, como informado no enunciado.

Vólia Bomfim Cassar, destaca que:

“O §3º do art. 8º da CLT também restringe a interpretação do Judiciário na análise das normas coletivas,
pois limita o poder de declaração de nulidade de norma coletiva ou de cláusula de convenção ou acor-
do coletivo aos elementos essenciais do negócio jurídico contidos no art. 104 do CC. Este parágrafo está
relacionado com o §1º e seguintes do art. 611-A da CLT, que também estabelece os critérios para análise
da norma coletiva. Além disso, foi criado expressamente o princípio da intervenção mínima (do Ju-
diciário) na autonomia da vontade coletiva, dando maior relevo às convenções e acordos coletivos e
segurança às flexibilizações” (destaquei).

Não há dúvidas de que essa foi a intenção da novel legislação. Entretanto, a denominada prevalência do
negociado sobre o legislado é alvo de duras críticas doutrinárias, principalmente por atingir o princípio
da proteção, que possui como aspecto decorrente o princípio da norma mais favorável.

C) CORRETA: Em verdade, os tribunais nunca puderam criar direitos através da interpretação, nem antes
da Lei nº 13.467/2017. É função precípua do Poder Legislativo a criação de direitos, o que não se confunde
com a interpretação do direito posto, função do Poder Judiciário. Ainda que assim não fosse, a nova reda-
ção do art. 8º, com caráter intimidatório, não teve por foco atacar o Poder Normativo, função prevista na
Constituição, mas sim a edição de Súmulas com caráter Jurígeno.

D) INCORRETA: A Lei nº 13467/2017, ao revogar o parágrafo 1º do art. 8º da CLT, suprimiu o requisito ex-
presso de que o direito comum seria fonte subsidiária do direito do trabalho, somente “naquilo em que
não for incompatível com os princípios fundamentais deste”.

Conforme destaca Vólia Bomfim Cassar, “Foi alterada a redação do §1º do art. 8º da CLT para deixar clara
a aplicação, de forma subsidiária, do direito, mesmo que suas regras sejam incompatíveis com os princípios
do direito do trabalho. Convém ressaltar, entretanto, que só devem ser aplicadas regras de direito civil nos
casos de lacuna na legislação trabalhista e nos seus princípios próprios”.

Todavia, importante mencionar que a referida modificação também não é indene de críticas, uma vez
que, para muitos doutrinadores, mesmo que não exista a previsão legal expressa de necessidade de com-
patibilização com os princípios do direito do trabalho, seria impossível a aplicação de legislação incom-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 50
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

patível com tais princípios, conforme destacam Maurício Godinho Delgado e Gabriela Neves Delgado:

“Mesmo com relação à mudança redacional estabelecida para o § 1 º do art. 8º (antigo


parágrafo único), ela não é substantiva, na verdade. Ora, suprimiu-
se, conforme se nota, a referência à expressão ‘naquilo em não for incompatível com os
princípios fundamentais deste’ (eis o antigo texto legal
do parágrafo único: ‘O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo
em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste’). Porém, não pode
haver dúvida de que a regra subsidiária somente pode ser importada para o suprimento
das lacunas nas fontes principais do campo jurídico analisado se realmente for compatível
com ele, isto é, compatível com a sua estrutura normativa, com a sua lógica jurídica e com
os seus princípios jurídicos essenciais.
É da natureza, portanto, da integração jurídica que somente se maneje uma fonte subsi-
diária se, naquele aspecto de destaque, haja real compatibilidade lógica e principiológica
entre a regra importada e o campo jurídico importador. Sob esse ponto de vista, dessa ma-
neira, pode-se afirmar, com segurança, que o Direito Comum (especialmente o Código Civil
Brasileiro, de 2002, e o Código do Consumidor, de 1990) apenas poderão atuar como fonte
subsidiária do Direito do Trabalho quando houver real compatibilidade entre as regras civi-
listas ou consumeristas importadas e os princípios e lógica jurídica estrutural do Direito do
Trabalho” (A reforma trabalhista no Brasil: com os comentários à Lei n. 13.467/2017 - São
Paulo: LTr, 2017).
E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 9. Considere as assertivas a seguir obre prescrição e, na sequência, assinale a opção CORRE-
TA:

1) A Lei nº 13.467/2017 alterou o art. 11 da CLT quanto à prescrição. O § 2º do art. 11 passou a prever
a prescrição total decorrente da alteração do pactuado quando a parcela não esteja assegurada por
preceito de lei, no exato sentido da Súmula 294 do C. TST. Igualmente, o referido § 2º equiparou a alte-
ração do pactuado ao seu simples descumprimento, ampliando, nesse particular, o alcance do dispo-
sitivo para além daquilo previsto pela referida súmula.

2) O caput do art. 11 foi alterado, passando a conter a seguinte redação: “A pretensão quanto a créditos
resultantes das relações de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais,
até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho” para atender a disciplina do tema já

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 51
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dada pela Emenda Constitucional nº 28. O § 1º, por sua vez, tem por escopo afastar a aplicação da pres-
crição para as ações que tenham por objeto anotações para fins de prova junto à Previdência Social.

3) Na hipótese de colusão das partes, o prazo prescricional da ação rescisória somente começa a fluir
para o Ministério Público, que não interveio no processo principal, a partir do momento em que tem
ciência da fraude.

4) De acordo com a literalidade do § 3º do art. 11 da CLT, a interrupção da prescrição somente ocorrerá


pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em juízo incompetente, ainda que venha a
ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos pedidos idênticos.

A) Apenas as assertivas 1 e 3 estão erradas;

B) Apenas a assertiva 3 está errada;

C) Apenas as assertivas 1, 2 e 3 estão corretas;

D) Todas assertivas estão corretas.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

1) INCORRETA: Diversamente do registrado na questão, houve ampliação no objeto da prescrição total,


bastando cotejar a redação da Súmula 294 do C. TST com o art. 11, § 2º, da CLT.

Segundo a Súmula n. 294 do TST, “Tratando-se de ação que envolva pedido de prestações sucessivas de-
corrente de alteração do pactuado, a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela esteja também
assegurado por preceito de lei”.

Por sua vez, conforme o disposto no parágrafo 2º do art. 11 da CLT, “Tratando-se de pretensão que envolva
pedido de prestações sucessivas decorrente de alteração ou descumprimento do pactuado, a prescrição é
total, exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado por preceito de lei”.

Sobre a distinção, destacam Maurício Godinho Delgado e Gabriela Neves Delgado:

“A primeira mudança com respeito ao texto precedente do mesmo art. 11 concerne ao re-
conhecimento explícito, pela lei, da distinção feita pela jurisprudência trabalhista entre a
prescrição parcial (que flui ao longo do contrato de trabalho e ao longo do tempo, vencen-
do-se, mensalmente, considerada a respectiva parcela enfocada) e a prescrição total (que
se conta da lesão, mas com caráter terminativo, peremptório). Tal distinção está expressa,
por exemplo, na Súmula 294 do TST.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 52
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Entretanto, como segunda mudança, reside o fato de que o reconhecimento legal dessa
distinção foi efetuado de maneira a tomar mais severa a prescrição, e não o inverso. Diz o
novo preceito que, em se tratando de ‘pretensão que envolva pedido de prestações suces-
sivas decorrente de alteração ou descumprimento do pactuado, a prescrição é total, exceto
quando o direito à parcela esteja também assegurado por preceito de lei’ (novo § 2º do art.
11 ; grifos acrescidos).
Observe-se um exemplo prático: a) sendo total a prescrição, e tendo a lesão o seu início,
ilustrativamente, em 10.05.2010, isso significa que em 10.05.2017 já terá transcorrido um
lapso temporal maior do que cinco anos (prazo quinquenal constitucional), consumando-
-se, integralmente, desse modo, a prescrição; observe-se que houve a incidência da pres-
crição total, ainda que se trate de prazo quinquenal e não bienal (no exemplo, supõe-se
não ocorrida ainda a prescrição bienal total, registre-se); b) por outro lado, se
a parcela for também assegurada por preceito de lei (ou decorrer estritamente dessa fonte
normativa), a prescrição será meramente parcial, de maneira a prevalecer a imprescritibili-
dade das verbas devidas nos últimos cinco anos, contados do protocolo da ação trabalhis-
ta (critério mais favorável ao trabalhador, conforme se percebe)” (A reforma trabalhista no
Brasil: com os comentários à Lei n. 13.467/2017 - São Paulo: LTr, 2017).
2) CORRETA: De acordo com o art. 11, caput, da CLT, “A pretensão quanto a créditos resultantes das relações
de trabalho prescreve em cinco anos para trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a
extinção do contrato de trabalho”.

Por sua, vez, conforme o parágrafo primeiro do mesmo artigo, “O disposto neste artigo não se aplica às
ações que tenham por objeto anotações para fins de prova junto à Previdência Social”.

Sobre a alteração da disposição do caput do art. 11 da CLT, destacam Maurício Godinho Delgado e Gabrie-
la Neves Delgado:

“O novo caput do art. 1 1 da CLT está em conformidade com a regra prevista no atual inciso
XXIX do art. 7º da Constituição. Do ponto de vista técnico, faz referência à prescrição da
pretensão, ao invés da prescrição da ação, valendo-se, pois, de terminologia já adaptada
ao Código Civil de 2002 (art. 189, CCB). Do ponto de vista substantivo, respeita a regra cons-
titucional vigorante.
A nova redação do art. 11 revoga expressamente, por sua vez, o estabelecido nos incisos I
e ll do mencionado preceito legal - dispositivos que se reportavam à antiga dualidade de
prazos entre trabalhadores urbanos e rurais, a qual foi afastada pela EC n. 28/2000. Do pon-
to de vista substantivo, o ajuste de redação foi correto, pois os antigos incisos já estavam
mesmo tacitamente revogados pela EC n. 28/2000” (A reforma trabalhista no Brasil: com os

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 53
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

comentários à Lei n. 13.467/2017 - São Paulo: LTr, 2017).


3) INCORRETA: A natureza do prazo para ajuizamento da ação rescisória é decadencial e não prescricio-
nal. Nesse sentido, Súmula 100, IV, do C. TST, “Na hipótese de colusão das partes, o prazo decadencial da
ação rescisória somente começa a fluir para o Ministério Público, que não interveio no processo principal, a
partir do momento em que tem ciência da fraude”.

4) INCORRETA: O item é dado como correto por conta da expressão “de acordo com a literalidade”. Há
controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de interrupção da prescrição pelas demais formas previs-
tas em lei. No entanto, para fins de prova objetiva, a correta é aquela que contém que a literalidade do
dispositivo legal.

💡💡 GABARITO: A

QUESTÃO 10. Com base nas assertivas abaixo, sobre o Trabalhador hiperssuficiente, assinale a alter-
nativa CORRETA:

1) João, vendedor, recebendo salário e comissão, percebe, ao final do mês, em média, R$ 15.000,00.
Em razão de tal condição, João é considerado hiperssuficiente.

2) Pedro, veterinário de uma clínica de Pet Shop, recebe o maior salário da equipe de funcionários. Por
isso, é considerado trabalhador hiperssuficiente à luz do seu ambiente de trabalho.

3) O trabalhador hiperssuficiente, como regra, não possui controle de jornada.

4) O trabalhador hiperssuficiente poderá fazer contratos específicos que prevalecerão sobre os instru-
mentos coletivos, o que vai ao encontro do art. 4º da Convenção 98 da OIT.

5) Neymar, devido ao seu alto salário e seu incomparável grau técnico, detém todas as possibilidades
de negociar frente ao empregador, o que o coloca como trabalhador hiperssuficiente.

A) Apenas 1 e 2 estão incorretas;

B) Todas estão incorretas;

C) Apenas 2 e 3 estão incorretas;

D) Apenas 4 e 5 estão incorretas;

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 54
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

1 e 5) INCORRETAS: O conceito de hiperssuficiente previsto no art. 444, parágrafo único, da CLT exige que
o trabalhador tenha curso superior, o que afasta a possibilidade de enquadramento do item “1” e do item
“5”.

Importante, todavia, destacar que, para pactuação de cláusula compromissória de arbitragem, não há
necessidade de que o trabalhador possua a formação superior, sendo apenas suficiente o maior patamar
remuneratório.

2) INCORRETA: O item “2” também está incorreto pois não é o fato de receber maior salário no local de
trabalho que o torna hiperssuficiente, mas sim quando receber igual ou mais que duas vezes o limite má-
ximo dos Benefícios do RGPS.

3) INCORRETA: O item “3” está errado na expressão “como regra”, pois o art. 62 da CLT não afasta o hi-
perssuficiente, por si só, do controle de jornada e o simples fato de receber remuneração elevada não o
enquadra como “encargo de gestão” de forma automática.

4) INCORRETA: O item “4” está errado pois a Comissão de Peritos da OIT já se manifestou contrariamente
à possibilidade legal.

💡💡 GABARITO: B

QUESTÃO 11. Sobre o trabalho intermitente, assinale a alternativa CORRETA:

A) O contrato de trabalho intermitente deve ser celebrado por escrito, podendo ser estipulado salário
complessivo.

B) O contrato de trabalho intermitente será celebrado por escrito e registrado na CTPS após 30 dias,
por previsão especifica em acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva.

C) Recebida a convocação, o empregado terá prazo de 24 horas para responder ao chamado, presumi-
da, no silêncio, a aceitação.

D) O período de férias do trabalhador intermitente, desde que haja sua concordância, poderá ser fra-
cionado em até 3 períodos.

E) Não respondida;

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: Segundo o entendimento contido na Súmula n. 91 do TST, “Nula cláusula contratual que
fixa determinada importância ou percentagem para atender englobadamente vários direitos legais ou con-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 55
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

tratuais do trabalhador”.

Nos termos do parágrafo 7º do art. 452-A da CLT, “O recibo de pagamento deverá conter a discriminação
dos valores pagos relativos a cada uma das parcelas referidas no § 6o deste artigo”.

B) INCORRETA: A alternativa “b” está errada, pois, nos termos do art. 53 da CLT, o prazo para registro da
CTPS é de 48 horas, sendo matéria infensa a negociação coletiva.

Sobre a obrigatóriedade de registro da CTPS no contrato de trabalho intermitente, conforme o disposto


no art. 2º da Portaria n. 349 do extinto Ministério do Trabalho:

“Art. 2º O contrato de trabalho intermitente será celebrado por escrito e registrado na Car-
teira de Trabalho e Previdência Social, ainda que previsto em acordo coletivo de trabalho
ou convenção coletiva, e conterá:
I - identificação, assinatura e domicílio ou sede das partes;
II - valor da hora ou do dia de trabalho, que não poderá ser inferior ao valor horário ou
diário do salário mínimo, nem inferior àquele devido aos demais empregados do estabe-
lecimento que exerçam a mesma função, assegurada a remuneração do trabalho noturno
superior à do diurno; e
III - o local e o prazo para o pagamento da remuneração” (destaquei).
C) INCORRETA: A alternativa “c” está errada pois o prazo em horas foi estabelecido pela redação da MP
808, a qual não foi convertida em lei. E, ainda, no silêncio, presume-se a recusa e não a aceitação, nos
moldes do paragrafo 2º do art. 452-A da CLT, “Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de um dia
útil para responder ao chamado, presumindo-se, no silêncio, a recusa”.

D) CORRETA: Segundo o parágrafo 9º do art. 452-A da CLT, “A cada doze meses, o empregado adquire di-
reito a usufruir, nos doze meses subsequentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado
para prestar serviços pelo mesmo empregador”.

E, nos termos do parágrafo 1º do art. 2º da Portaria n. 349 do extinto Ministério do Trabalho, “O emprega-
do, mediante prévio acordo com o empregador, poderá usufruir suas férias em até três períodos, nos termos
dos §§ 1º e 3º do art. 134 da Consolidação das Leis do Trabalho”.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 12. Sobre a sucessão trabalhista, assinale a alternativa INCORRETA:

A) A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 56
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

dos respectivos empregados. Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores prevista nos


arts. 10 e 448 desta Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que
os empregados trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do sucessor.

B) A empresa sucedida responderá subsidiariamente com a sucessora quando ficar comprovada fraude
na transferência.

C) Não configura sucessão trabalhista quando, nos casos de terceirização, determinada prestadora de
serviços perde a licitação e a nova pessoa jurídica, sem nenhuma conexão com ela, assume o posto.

D) Não configura sucessão trabalhista a alienação de ativos da empresa em processo de recuperação


judicial.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: A alternativa “a” é o exato texto legal, estando correta.

B) INCORRETA: A alternativa “b” está errada na previsão de responsabilidade subsidiária. A Lei nº


13467/2017, em clara convergência dos princípios da intangibilidade do contrato, da despersonalização
do empregador e da continuidade, nada alterou acerca da responsabilidade do sucessor e teve o condão
de prever expressamente a responsabilidade do sucedido, em caso de fraude, construção doutrinária e
jurisprudencial que oscilava entre a ausência de responsabilidade e a responsabilização subsidiária do
sucedido.

C) CORRETA: A alternativa “c” está corrᵉta, pois houve mera sucessão cronológica, sem o intuito de trans-
mitir propriedade e de representar alteração na estrutura jurídica do empregador.

D) CORRETA: Em razão do julgamento proferido nos autos da ADI 3.934/DF pelo STF, com eficácia erga
omnes (Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 27/5/2009), no qual foi reconhecida a constitucionalidade do art.
60, parágrafo único , da Lei nº 11.101 /2005, fixou-se o entendimento de que o objeto da alienação na
recuperação judicial está livre de qualquer ônus.

💡💡 GABARITO: B

QUESTÃO 13. Sobre a arbitragem, responda:

A) A Lei nº 13.467/2017 estendeu a possibilidade de arbitragem ao direito do trabalho desde que seja
estabelecida por compromisso arbitral, posterior ao conflito, para impossibilitar a utilização simulada
do instituto.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 57
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

B) Não há qualquer distinção entre cláusula compromissória e compromisso arbitral, sendo ambos
válidos para a discussão de direitos trabalhistas.

C) A arbitragem no direito individual do trabalho é medida salutar que tem por escopo a economia
processual e a desburocratização das relações trabalhistas, podendo apenas o trabalhador hiperssufi-
ciente fazer a utilização desse instituto.

D) A Lei de Arbitragem possibilita a utilização da equidade como forma de apreciação da controvér-


sia e possibilita a utilização da arbitragem em contratos de adesão desde que obedeça a requisitos
específicos. De acordo com o artigo 507-A da CLT, a arbitragem deve ser pactuada mediante cláusula
compromissória de arbitragem.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A e B) INCORRETAS: De acordo com o art. 507–A da CLT, a pactuação deve ser por cláusula compromissó-
ria, ou seja, anterior ao conflito. Note-se, aliás, que o artigo 507– A remete expressamente à Lei de Arbitra-
gem, a qual faz referência clara a distinção entre as cláusulas.

C) INCORRETA: O erro da alternativa “c” está na expressão “apenas o trabalhador hiperssuficiente”, pois
o art. 507–A da CLT não exige diploma de curso superior, segundo salientam Maurício Godinho Delgado e
Gabriela Neves Delgado:

“Curiosamente, para o presente dispositivo, sequer é necessário que se trate de emprega-


do ‘portador de diploma de nível superior’ - ao inverso do que dispõe o parágrafo único do
art. 444 da Consolidação - , bastando se tratar de empregado cuja remuneração seja maior
do que o teto dos benefícios da Previdência Social (remuneração acima de R$11.062,62,
considerado o mês de julho de 2017). Ao invés do duplo requisito lançado no art. 444 da
CLT, torna-se suficiente, para a perigosa vereda da arbitragem, o requisito único da remu-
neração relativamente elevada” (A reforma trabalhista no Brasil: com os comentários à Lei
n. 13.467/2017 - São Paulo: LTr, 2017).
D) CORRETA: O artigo 2º da Lei de Arbitragem possibilita a utilização da equidade e o artigo 4º, §§ 1º e 2º,
detalham os requisitos específicos para a sua utilização nos contratos de adesão.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 58
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÃO 14. Assinale a alternativa INCORRETA:

A) A tarifação da indenização por dano moral é medida prevista no ordenamento pátrio na Lei de Im-
prensa, tendo o Supremo Tribunal Federal declarado como não recepcionada pela Constituição Fe-
deral, uma vez que a resposta deve ser proporcional a ofensa, não sendo possível que ao legislador,
aprioristicamente, estabeleça os valores para a indenização.

B) Em caso de ofensa de natureza leve, a indenização poderá ser de até três vezes o último salário con-
tratual do ofendido; em caso de natureza grave, a indenização poderá ser de até vinte vezes o último
salário contratual do ofendido.

C) Não há limitação a indenização por dano moral em caso de morte, uma vez que há expressa ressalva
no art. 223-G, §5º, da CLT.

D) A possibilidade de a pessoa jurídica sofrer dano moral já era reconhecida pela jurisprudência pá-
tria na Súmula 227 do Superior Tribunal de Justiça e passou a ser expressamente prevista pela Lei
13467/2017 no art. 223-B da CLT.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: No julgamento da ADPF nº 130/DF, o Supremo Tribunal Federal decidiu que no sentido da Lei
de Imprensa não ter sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988, e não por critérios puramente
formais, mas inclusive materiais, entre eles, a questão relativa à tarifação por danos morais, que era pre-
vista nos artigos 51 e 52 da referida legislação.

Embora não tenha sido objeto de indagação, importante destacar que a Súmula n. 281 do STJ prevê ex-
pressamente que “a indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa”.

B) CORRETA: Conforme o art. 223 – G, § 1º, incisos I e III, da CLT, inseridos pela Lei n. 13.467/2017.

C) INCORRETA: A MP 808, no §5º do art. 223 – G da CLT, expressamente informava que, nos casos de mor-
te, não se obedecia à limitação prevista. No entanto, a MP não foi convolada em lei. Logo, embora exista
discussões doutrinárias e jurisprudenciais sobre a temática, considerando-se que a assertiva faz menção
à ressalva expressa, deve ser considerada incorreta.

D) CORRETA: Segundo a Súmula n. 227 do STJ, “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral”. E, nos termos
do art. 223-B da CLT, “Causa dano de natureza extrapatrimonial a ação ou omissão que ofenda a esfera
moral ou existencial da pessoa física ou jurídica, as quais são as titulares exclusivas do direito à reparação”
(destaquei).

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 59
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

PROFESSORA ALICE ALMEIDA LEITE

🏳🏳 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

QUESTÃO 15. Sobre as Convenções Coletivas analise as assertivas e assinale a alternativa CORRETA:

I - Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindica-
tos ou as Federações ou as Confederações representativas de categorias econômicas e profissionais
estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações
individuais de trabalho.

II - Prevalece na legislação trabalhista que as cláusulas normativas dos acordos coletivos ou conven-
ções coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser modificados ou
suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho.

III - A Lei nº 13.467/2017 estabeleceu que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm
prevalência sobre a lei em diversas hipóteses, salvo, entre outras, a supressão ou a redução de direitos
relativos às normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regula-
mentadoras do Ministério do Trabalho. Nesse caso, não se considera as regras sobre duração do traba-
lho e intervalos como normas de saúde, higiene e segurança do trabalho.

Assinale a alternativa CORRETA:

A) Apenas a assertiva I está correta.

B) As assertivas I e III estão corretas.

C) Apenas a assertiva III está correta.

D) Apenas as assertivas I e II estão corretas.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 60
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Assertiva I – INCORRETA: As Federações e Confederações Sindicais somente poderão celebrar Conven-


ções Coletivas de Trabalho na hipótese em que a categoria não está organizada como entidade Sindical,
ou não possuir Federação organizada respectivamente. Nesse sentido, dispõe § 2º do Art. 611 da CLT:

§ 2º As Federações e, na falta desta, as Confederações representativas de categorias eco-


nômicas ou profissionais poderão celebrar convenções coletivas de trabalho para reger as
relações das categorias a elas vinculadas, inorganizadas em Sindicatos, no âmbito de suas
representações.
A assertiva estaria correta caso houvesse sido feita tal ressalva.

Assertiva II – INCORRETA: Essa é a redação antiga da Súmula 277 do TST que estabelecia o princípio da
ultratividade relativa das normas coletivas.

A antiga redação do art. 614, §3º, da CLT, estabelecia que o prazo máximo de vigência de um acordo ou
convenção é de 2 anos. Surgiram, a partir daí teorias sobre a vigência do estabelecido em normas coleti-
vas sobre os contratos individuais de trabalho:

1) Teoria da aderência irrestrita ou ultratividade plena: os direitos conquistados se aderem definitivamen-


te aos contratos de trabalho. A grande crítica a esta teoria é que ela aniquila qualquer possibilidade de
firmar futuras negociações. Com efeito, desestimularia a concessão de benefícios pelo polo da categoria
econômica mesmo o empresariado tendo condições econômicas de conceder à categoria diversos
benefícios, uma vez que oneraria permanentemente o custo da mão de obra;

2) Teoria da aderência limitada por revogação ou da ultratividade relativa: é a teoria segundo a qual have-
ria a aderência das cláusulas da norma coletiva nos contratos individuais de trabalho mesmo que o prazo
máximo de dois anos já tenha expirado, até que sobrevenha nova norma em sua substituição. Era a teoria
adotada pelo C. TST:

Nova redação da Súmula nº 277 do Tribunal Superior do Trabalho apro-


vada pelo Pleno na 2ª Semana do TST, em 14 de setembro de 2012:
“CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA. UL-
TRATIVIDADE. As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas inte-
gram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser modificadas ou suprimi-
das mediante negociação coletiva de trabalho”.
O TST fundamentou a intepretação constitucional com base no art. 114, parágrafo segundo, oriundo da
EC 45/04, que teria reinserido o princípio da ultratividade das normas coletivas, já que a redação anterior
do texto constitucional não consignava o termo “anteriormente”. Dispõe o referido texto constitucional:

Art. 114, § 2º, CF: Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem,

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 61
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica,


podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais
de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.
Tal entendimento foi questionado perante o STF pela Confenem – Confederação Nacional dos Estabele-
cimentos de Ensino, através da ADPF 323. O relator, ministro Gilmar Mendes proferiu decisão liminar
nos autos da ADPF 323, determinando a suspensão de todos os processos e efeitos de decisões no âm-
bito da Justiça do Trabalho que discutam a aplicação da ultratividade de normas de convenções e de
acordos coletivos, ao fundamento de que o termo “anteriormente” se refere às sentenças normativas,
em que o Poder Judiciário certamente precisa analisar a questão sob o prisma do artigo 468 da CLT,
que veda expressamente a alteração lesiva e não às normas estabelecidas por meio de convenções
coletivas, as quais permaneceriam com o prazo máximo de vigência de 2 anos.

3) Teoria da aderência limitada pelo prazo: defende que as normas coletivas surtem efeitos apenas no
prazo de vigência, sendo que seus dispositivos não aderem aos contratos de trabalho. Essa é a teoria que
passou a ser adotada com o advento da Lei 13.467/2017, que inseriu o § 3º no art. 614 da CLT, que passou
a vedar expressamente a ultratividade das normas coletivas:

Art. 614 § 3º Não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo
de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a ultratividade.
A despeito de até a presente data o TST não tenha promovido o cancelamento do texto da Súmula 277,
entende-se que esta não pode mais prevalecer diante das alterações promovidas no texto consolidado.

Assertiva III - CORRETA: Muito embora se questione acerca da constitucionalidade do disposto no texto
inserido pela reforma trabalhista, a assertiva corresponde ao texto do Art.611-B e seu parágrafo único:

Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de traba-
lho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: (...)
XVII - normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas
regulamentadoras do Ministério do Trabalho;
Parágrafo único.  Regras sobre duração do trabalho e intervalos não são consideradas como
normas de saúde, higiene e segurança do trabalho para os fins do disposto neste artigo.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 16. Sobre negociações coletivas de trabalho e Convenções da Organização Internacional do


Trabalho, assinale a alternativa INCORRETA.

A) Direitos trabalhistas garantidos por normas de ordem pública, relativo a medidas de higiene saúde e

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 62
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

segurança do trabalho, são infensos à redução ou supressão mediante negociação coletiva, consoante
interpretação conjunta dos incisos XXII e XXXVI do Art. 7º da Constituição Federal. É, portanto, incons-
titucional a previsão do Art.611-A, III, que permite disposição por intermédio de negociação coletiva
do intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superior a seis
horas. Assim, inválida cláusula que precarize direitos sociais decorrentes de matérias constitucional-
mente estabelecidas como de política de Estado, por serem de ordem pública e de interesse social.

B) Segundo a Convenção 155 da OIT, todo membro deverá elaborar a política nacional em matéria de
segurança e saúde dos trabalhadores e o meio ambiente de trabalho. Essa política terá como objetivo
prevenir os acidentes e os danos à saúde que forem consequência do trabalho. Para tanto, deverá levar
em consideração, entre outros aspectos, as relações existentes entre os componentes materiais do tra-
balho e as pessoas que o executam ou supervisionam, e adaptação do maquinário, dos equipamentos,
do tempo de trabalho, da organização do trabalho e das operações e processos às capacidades físicas
e mentais dos trabalhadores.

C) Segundo o atual texto consolidado, constitui objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo co-
letivo de trabalho a supressão ou a redução das normas de saúde, higiene e segurança do trabalho
previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, como, por exemplo, o
enquadramento do grau de insalubridade.

D) As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipula-


das em convenção coletiva de trabalho.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: Na resolução de questões objetivas, o candidato deve observar atentamente o que está
sendo perguntado. Veja que a assertiva não diz respeito à letra da lei. O texto corresponde ipsis litteris ao
Enunciado 10 da ANAMATRA (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho) aprovado na 2ª Jornada
de Direito Material e Processual do Trabalho.

O posicionamento do MPT é no sentido de que as disposições do Art. 611-B, parágrafo único, inserido pela
Lei nº 13.467/2017, no que toca à possibilidade de negociações coletivas suprimir ou reduzir direitos rela-
cionados à duração do trabalho e intervalos por não serem considerados normas relativas à segurança e
saúde dos trabalhadores, viola frontalmente a Constituição e convenções internacionais como a Conven-
ção 155 da OIT sobre Segurança e Saúde dos Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho.

Veja o texto extraído do Manual de Apoio aos Membros do Ministério Público do Trabalho elaborado pelo

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 63
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Grupo de Trabalho da PGT com o objetivo de identificar e analisar as inconstitucionalidades da Lei n.


13.467/2017, propondo estratégias de controle concentrado e difuso de constitucionalidade (pág. 86 e
seguintes):

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 64
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

B) CORRETA: A Convenção 155 da Organização Internacional do Trabalho, sobre Segurança e Saúde dos
Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho dispõe:

Artigo 4
1. Todo Membro deverá, em consulta às organizações mais representativas de empregado-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 65
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

res e de trabalhadores, e levando em conta as condições e a prática nacionais, formular,


por em prática e reexaminar periodicamente uma política nacional coerente em matéria de
segurança e saúde dos trabalhadores e o meio ambiente de trabalho.
2. Essa política terá como objetivo prevenir os acidentes e os danos à saúde que forem con-
seqüência do trabalho, tenham relação com a atividade de trabalho, ou se apresentarem
durante o trabalho, reduzindo ao mínimo, na medida que for razoável e possível, as causas
dos riscos inerentes ao meio ambiente de trabalho.
Artigo 5
A política à qual se faz referencia no artigo 4 da presente Convenção deverá levar em con-
sideração as grandes esferas de ação que se seguem, na medida em que possam afetar a
segurança e a saúde dos trabalhadores e o meio ambiente de trabalho:
(...)
b) relações existentes entre os componentes materiais do trabalho e as pessoas que o exe-
cutam ou supervisionam, e adaptação do maquinário, dos equipamentos, do tempo de
trabalho, da organização do trabalho e das operações e processos às capacidades físicas e
mentais dos trabalhadores;
C) INCORRETA: A alternativa trata do atual texto da CLT inserido pela Lei nº 13.467/2017 que inseriu os
Arts. 611-A e 611-B que passou a reger a possibilidade de prevalência do negociado sobre o legislado.

O Art.611-A trata das hipóteses nas quais há possibilidade de que o negociado prevaleça sobre o legislado.

O Art.611-B trata das hipóteses nas quais constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo
coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução de determinados direitos. O inciso XVII
dispõe que não podem ser objeto de negociação coletiva normas que busquem a supressão ou a redução
de direitos relacionados à saúde e segurança do trabalhador.

Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de traba-
lho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: 
(...)
XVII - normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas
regulamentadoras do Ministério do Trabalho;
Ocorre que, muito embora as regras relativas ao enquadramento da insalubridade se relacionem a ques-
tões de saúde do trabalhador, o legislador da reforma trabalhista entendeu que tal enquadramento teria
um viés patrimonial, motivo pelo qual o Art. 611-A dispõe expressamente pela possiblidade de enquadra-
mento do grau de insalubridade por convenções ou acordos coletivos de trabalho:

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 66
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei
quando, entre outros, dispuserem sobre:
(...)
XII - enquadramento do grau de insalubridade; 
Os membros do MPT vêm entendo pela inconstitucionalidade do dispositivo, na medida em que o en-
quadramento da insalubridade constitui fator determinante para identificação de medidas atinentes às
saúde e segurança do trabalhador. Veja o texto extraído do Manual de Apoio aos Membros do Ministério
Público do Trabalho elaborado pelo Grupo de Trabalho da PGT com o objetivo de identificar e analisar as
inconstitucionalidades da Lei n. 13.467/2017, propondo estratégias de controle concentrado e difuso de
constitucionalidade (Pág.133):

   

D) CORRETA. Corresponde ao atual texto contido no Art. 620 da CLT recentemente alterado pela Lei
nº 13.467/2017: Art. 620.  As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão
sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 17. Sobre representação sindical e representação de trabalhadores e as Convenções Interna-


cionais sobre o tema, aponte a alternativa CORRETA.

A) Conforme Convenção 135 da OIT sobre a Proteção de Representantes de Trabalhadores, as facilida-


des devem ser concedidas, na empresa, aos representantes dos trabalhadores e dos empregadores, de
modo a possibilitar-se o cumprimento rápido e eficiente de suas funções.

B) Os dispositivos celetistas que tratam da representação de empregados e dispõe que nas empresas
com mais de duzentos empregados é assegurada a eleição de uma comissão para representá-los, com
a finalidade de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores concretiza o previsto o Art.
11 da Constituição da República no que toca aos representantes dos trabalhadores. De igual modo,

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 67
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

também ultrapassa sob o crivo da convencionalidade, na medida em que está de acordo com a Con-
venção n° 135, da Organização Internacional do Trabalho - OIT, sobre a Proteção de Representantes de
Trabalhadores.

C) Segundo a atual legislação trabalhista, as decisões da comissão de representantes dos empregados


serão sempre colegiadas, observada a maioria simples. A comissão organizará sua atuação de forma
independente.   

D) Segundo a Convenção 135 da OIT, quando uma empresa contar ao mesmo tempo com representes
sindicais e representantes eleitos, medidas adequadas deverão ser tomadas, cada vez que for necessá-
rio, para garantir que a presença de representantes sindicais não venha a ser utilizada para o enfraque-
cimento da situação dos representantes eleitos, uma vez que estes estão mais próximos da realidade
da empresa, e para incentivar a cooperação, relativa a todas as questões pertinentes, entre os repre-
sentantes eleitos, por uma Parte, e os sindicatos interessados e seus representantes, por outra Parte.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: A Convenção 135 da OIT disciplina apenas a representação dos trabalhadores não tratan-
do, portanto, da comissão de representantes dos empregadores de modo que o único erro na assertiva é
o acréscimo de que as facilidades devem ser concedidas aos representantes dos empregadores.

É o que está previsto no item 1 do Art. 1º da Convenção:

ARTIGO 1º
Os representantes dos trabalhadores na empresa devem ser beneficiados com uma pro-
teção eficiente contra quaisquer medidas que poderiam vir a prejudicá-los, inclusive o li-
cenciamento, e que seriam motivadas por sua qualidade ou suas atividades como repre-
sentantes dos trabalhadores, sua filiação sindical, ou participação em atividades sindicais,
conquanto ajam de acordo com as leis, convenções coletivas ou outros arranjos convencio-
nais vigorando.
1 - Facilidades devem ser concedidas, na empresa, aos representantes dos trabalhadores, de
modo a possibilitar-se o cumprimento rápido e eficiente de suas funções.
B) INCORRETA: O legislador da reforma trabalhista ao inserir os Arts. 510-A a 510-B pela Lei 13.467/2017,
regulamentou Art. 11 da Constituição Federal:

Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um re-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 68
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

presentante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto


com os empregadores.
O Art. 510-A define a comissão de empregados:

Art. 510-A. Nas empresas com mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de
uma comissão para representá-los, com a finalidade de promover-lhes o entendimento di-
reto com os empregadores.
Como se vê, a comissão de representantes é eleita pelos próprios empregados da empresa e visa a pro-
mover o entendimento entre empregados e empregador, no âmbito da empresa, o que não se confundem
com os representantes sindicais que atuam perante toda a categoria profissional.

Assim, a novel legislação trouxe a previsão de criação de comissão de representantes eleitos para todas
as empresas que possuírem mais de 200 empregados.

Contudo, o Art. 510-B da CLT arrolou as seguintes atribuições da comissão de representantes dos empre-
gados, confundindo-as com as funções das entidades sindicais:

Art. 510-B. A comissão de representantes dos empregados terá as seguintes atribuições:


(Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
I - representar os empregados perante a administração da empresa; (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
II - aprimorar o relacionamento entre a empresa e seus empregados com base nos princí-
pios da boa-fé e do respeito mútuo; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
III - promover o diálogo e o entendimento no ambiente de trabalho com o fim de prevenir
conflitos; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
IV - buscar soluções para os conflitos decorrentes da relação de trabalho, de forma rápida
e eficaz, visando à efetiva aplicação das normas legais e contratuais; (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
V - assegurar tratamento justo e imparcial aos empregados, impedindo qualquer forma de
discriminação por motivo de sexo, idade, religião, opinião política ou atuação sindical; (In-
cluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
VI - encaminhar reivindicações específicas dos empregados de seu âmbito de representa-
ção; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
VII - acompanhar o cumprimento das leis trabalhistas, previdenciárias e das convenções
coletivas e acordos coletivos de trabalho.   

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 69
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Pela leitura das funções atribuídas à comissão de representantes confundem-se com as atribuições da
entidade sindical a exemplo da atribuição de encaminhar reinvindicações e buscar soluções para resolu-
ção do conflito.

Conclui-se, portanto, uma concorrência de atribuições entre o Sindicato e a Comissão o que viola frontal-
mente os Arts. 8º e 11 da CRFB, bem como o disposto no Art. 5º da Convenção 135 da OIT que dispõe que:

Art.5º Quando uma empresa contar ao mesmo tempo com representes sindicais e represen-
tantes eleitos, medidas adequadas deverão ser tomadas, cada vez que for necessário, para
garantir que a presença de representantes eleitos não venha a ser utilizada para o enfra-
quecimento da situação dos sindicatos interessados ou de seus representantes e para in-
centivar a cooperação, relativa a todas as questões pertinentes, entre os representantes elei-
tos, por uma Parte, e os sindicatos interessados e seus representantes, por outra Parte.
Nesse sentido é a posição institucional do MPT na Nota Técnica nº 8/2017. Secretaria das relações institu-
cionais do Ministério Público do Trabalho:

“Em nenhuma hipótese pode o legislador ordinário utilizar a regulamentação do Art. 11 da


Constituição para esvaziar o poder de representação sindical, inclusive com a criação de es-
trutura paralela de representação profissional que implique concorrência com o ente sindi-
cal, que atua na base territorial da empresa na qual há comissão.
É o que faz a proposta de lei, ao atribuir aos representantes dos trabalhadores atribuições
para encaminhar reivindicações dos empregados e acompanhar o cumprimento das leis
trabalhistas, previdenciárias e das convenções coletivas e acordos coletivos de trabalho
(Art.510-B, VI e VII)
Normas desse jaez sofre irremediável vício de finalidade porque voltada a enfraquecer a
organização sindical, constituindo, por isso legislação abusiva e inconstitucional”.
Portanto, a assertiva está incorreta seja porque os dispositivos celetistas em apreço esbarram no controle
de convencionalidade, pois contraria disposição contida na Convenção 135, ratificada pelo Brasil, seja
porque viola o próprio Art. 8º da CF, também não ultrapassando pelo crivo da constitucionalidade da
norma.

C) CORRETA: É o exato texto no Art. 510-B §§ 1º e 2º da CLT.

Art.510-B [...] § 1º As decisões da comissão de representantes dos empregados serão sempre


colegiadas, observada a maioria simples. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 2º A comissão organizará sua atuação de forma independente.
D) INCORRETA: A Convenção 135 da OIT dispõe exatamente o contrário do texto da alternativa. Com efei-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 70
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

to, o Art. 5º da Convenção dispõe expressamente que o exercício das funções dos representantes eleitos
não pode prejudicar a representação sindical:

Art.5º Quando uma empresa contar ao mesmo tempo com representes sindicais e repre-
sentantes eleitos, medidas adequadas deverão ser tomadas, cada vez que for necessário,
para garantir que a presença de representantes eleitos não venha a ser utilizada para o
enfraquecimento da situação dos sindicatos interessados ou de seus representantes e para
incentivar a cooperação, relativa a todas as questões pertinentes , entre os representantes
eleitos, por uma Parte, e os sindicatos interessados e seus representantes, por outra Parte.
E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 18. Em relação às Cláusulas de Acordos e Convenções Coletivas e o entendimento do Tribu-


nal Superior no trabalho, analise as assertivas a seguir e aponte a alternativa CORRETA.

I - Constitui conteúdo obrigatório de cláusula em convenções ou acordos coletivos de trabalho as nor-


mas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da aplicação de
seus dispositivos.

II - Preenchidos todos os pressupostos para a aquisição de estabilidade decorrente de acidente ou


doença profissional, ainda durante a vigência do instrumento normativo, goza o empregado de estabi-
lidade mesmo até o término da vigência deste.

III - É aplicável multa prevista em instrumento normativo (sentença normativa, convenção ou acordo
coletivo) em caso de descumprimento de obrigação prevista em lei, mesmo que a norma coletiva seja
mera repetição de texto legal.

IV - A legitimidade do sindicato para propor ação de cumprimento estende-se também à observância


de acordo ou de convenção coletivos.

Assinale a assertiva correta:

A) Apenas as assertivas I, III estão corretas.

B) Apenas as assertivas, I, III e IV estão corretas.

C) Todas as assertivas estão corretas.

D) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 71
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

💡💡 GABARITO COMENTADO

Assertiva I - CORRETA. Corresponde à literalidade do inciso V do Art. 613 da CLT, que elenca as cláusulas
obrigatórias constantes em Convenções e Acordos coletivos. Esse dispositivo tem grande incidência nas
provas objetivas nos concursos trabalhistas. Vejamos:

Art. 613. As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatoriamente:                   


I - Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e empresas acordantes;                       
II - Prazo de vigência;                      
III - Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos;                        
IV - Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência;                 
V - Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos
da aplicação de seus dispositivos;
VI - Disposições sobre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus
dispositivos;                         
VII - Direitos e deveres dos empregados e empresas;                       
VIII - Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as empresas em caso de
violação de seus dispositivos.                     
Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados por escrito, sem emendas nem
rasuras, em tantas vias quantos forem os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes,
além de uma destinada a registro.  
Assertiva II - INCORRETA. O entendimento sumulado do Tribunal Superior do Trabalho é no sentido de
que mesmo após cessada a vigência do instrumento normativo o empregado que preencheu todos os
requisitos à época para aquisição do direito à estabilidade continuará gozando do benefício. É o que se
encontra na OJ 41 da SDI 1 do TST:

“41. ESTABILIDADE. INSTRUMENTO NORMATIVO. VIGÊNCIA. EFICÁCIA


Preenchidos todos os pressupostos para a aquisição de estabilidade decorrente de acidente
ou doença profissional, ainda durante a vigência do instrumento normativo, goza o emprega-
do de estabilidade mesmo após o término da vigência deste”.
Muitos instrumentos normativos conferem a trabalhadores que sofreram acidente de trabalho ou doença
profissional o benefício da estabilidade que vai além da estabilidade legal prevista no Art. 118 da Lei n.
8.213/91 (Lei dos Benefícios da Previdência Social): O segurado que sofreu acidente do trabalho tem ga-
rantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 72
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.

Ou seja, o acidentado ou quem sofre de alguma doença profissional poderá, por Convenção ou Acordo
Coletivo usufruir o direito a uma estabilidade perpétua ou maior que os 12 meses previstos em lei, desde
que este preencha todos os requisitos para tanto durante a vigência da norma coletiva.

Cessada a sua vigência, o trabalhador permanecerá com a estabilidade mesmo que no próximo instru-
mento normativo não seja renovada a cláusula que conferia tal benefício.

Assertiva III - CORRETA. Corresponde à literalidade da Súmula 384, II do TST:

Súmula nº 384 do TST


MULTA CONVENCIONAL. COBRANÇA
I - O descumprimento de qualquer cláusula constante de instrumentos normativos diversos
não submete o empregado a ajuizar várias ações, pleiteando em cada uma o pagamento da
multa referente ao descumprimento de obrigações previstas nas cláusulas respectivas. (ex-
-OJ nº 150 da SBDI-1 - inserida em 27.11.1998)
II - É aplicável multa prevista em instrumento normativo (sentença normativa, convenção
ou acordo coletivo) em caso de descumprimento de obrigação prevista em lei, mesmo que
a norma coletiva seja mera repetição de texto legal.
Assertiva IV - CORRETA. Corresponde à literalidade da Súmula 286 TST:

“Súmula nº 286 do TST


SINDICATO. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. CONVENÇÃO E ACORDO COLETIVOS (mantida) -
Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
A legitimidade do sindicato para propor ação de cumprimento estende-se também à obser-
vância de acordo ou de convenção coletivos.”
E) NÃO RESPONDIDA.

Portanto, a alternativa correta é o que consta na letra “b”: I, III e IV estão corretas.

💡💡 GABARITO: B

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 73
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

PROFESSOR IURI PINHEIRO

🏳🏳 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

QUESTÃO 19. Acerca do histórico e organização da Justiça do Trabalho, assinale a alternativa INCOR-
RETA.

A) A existência de uma Justiça Especializada para dirimir conflitos trabalhistas encontra respaldo no
âmbito da doutrina e também de instrumento internacional.

B) Existe Justiça do Trabalho com estrutura semelhante à brasileira em outros países.

C) Os pré-julgados eram orientações meramente persuasivas do Tribunal Superior do Trabalho, sem


caráter vinculante.

D) O quinto constitucional existe na Justiça do Trabalho desde a Constituição de 1967 quando o TST
possuía 17 membros.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: A Revolução Industrial deu origem a um novo tipo de relação material baseada em caráter
assimétrico e com essência alimentar e em função disso, boa parte da doutrina defende a necessidade
de uma Justiça Especializada e, assim, mais célere. Por todo, citamos Américo Plá Rodrigues, autor da
obra: “Los conflictos del trabajo: necesidad de crear para ellos uma justicia especializada”, 1947. El Siglo
Ilustrado, Uruguay.

No âmbito internacional, a Recomendação nº 130 da OIT proclama de acesso a tribunais do trabalho e a


Convenção nº 158 da OIT prevê que a reclamação deve ser decidida por um tribunal do trabalho. Por fim,
a Conferência dos Estados da América Membros da OIT reforça a necessidade de tribunais especializados,
razão pela qual a assertiva está correta.

B) CORRETA: A Justiça do Trabalho Brasileira é composta de Juízes do Trabalho em primeiro e Tribu-


nais do Trabalho em segundo grau, tendo o C. TST como instância uniformizadora de jurisprudência e
de proteção do direito objetivo. Em outros países há estrutura semelhante, citando-se como exemplo a
Alemanha, que 1953 está estruturada em três instâncias, com Tribunais do Trabalho (“Arbeitsgericht”)

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 74
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

na primeira, Tribunais Estaduais (“Landesarbeitsgericht”), na segunda, e o Tribunal Federal do Trabalho


(“Bundesarbeitsgericht”), na terceira.

C) INCORRETA: O art. 902 da CLT previa os “Prejulgados” pelo CNT (Conselho Nacional do Trabalho), os
quais possuíam força vinculante e caráter preventivo, ou seja, as teses sobre determinadas questões jurí-
dicas podiam definidas pelo CNT mesmo sem um processo que nele tivesse chegado. Em um paralelo, é
como se as Instruções Normativas do TST acerca do Novo CPC e Reforma Trabalhista fossem dotadas de
força vinculante. Diante da força vinculante e caráter preventivo, foi ajuizada a Representação de Incons-
titucionalidade 946, na qual se entendeu que a Constituição de 1946 havia revogado o art. 902 da CLT, mas
também se lançaram passagens em sede de “obter dicta” de que seria inconstitucional o caráter cogente.

D) CORRETA: A Constituição de 1967 foi, de fato, a primeira a instituir o quinto constitucional, ocasião em
que o C. TST tinha 17 membros em sua composição, o que restou mantido na E.C.01/69.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 20. Considere a redação da CLT posterior à Reforma Trabalhista e o texto do CPC de 2015 para
assinalar a alternativa CORRETA.

A) A petição inicial da reclamação trabalhista deverá conter a designação do juízo, a qualificação das
partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, a data e a assinatura do reclamante ou de
seu representante e o pedido, que deverá ser certo, determinado e líquido.

B) Ainda que postulem indenizações materiais e morais decorrentes de acidente de trabalho não será
possível formular pedido indeterminado na reclamação trabalhista.

C) A legislação continua a inadmitir o denominado pedido heterotópico.

D) Seria admissível a formulação de pedido genérico na hipótese da pretensão de horas extraordi-


nárias decorrentes da diferença entre a jornada registrada nos cartões de ponto e aquelas pagas nos
recibos de pagamento de salários.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: A incorreção da assertiva repousa no fato de que a Lei 13.467/2017 exigiu que o pedido te-
nha indicação de valor, o que não se confunde com pedido líquido porque este equivale ao pedido quan-
tificado em sua exata medida e extensão, enquanto aquele se perfectibiliza com uma mera indicação de

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 75
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

estimativa aproximada.

Exigir a liquidação dos pedidos consubstanciaria um rigor excessivo para exercício da garantia fundamen-
tal de ação, malferindo art. 5º, XXXV, da CF/88, importaria tratamento desigual entre reclamante e recla-
mada, já que esta não precisa liquidar o que entende devido em defesa, além de provocar tratamento
desigual entre postulante trabalhista e civil, maculando o art. 5º, caput, da CFRB.

Para maior amplitude de abordagem, esclarece-se que pedido certo equivale a pedido expresso ou explí-
cito, sendo o contrário de pedido implícito. Por sua vez, pedido determinado é o pedido delimitado em
sua qualidade e quantidade, ou seja, o que contém os elementos necessárias para conversão em cifra
monetária.

Para fins didáticos, caso se postule o pagamento de horas extras, o pedido é certo. Caso este pedido de
horas extras possua a indicação de base de cálculo, adicional e divisor, o pedido é determinado. E, pela
redação da Reforma Trabalhista, bastaria a indicação de uma cifra monetária que traga uma expressão
do pedido através de mera estimativa. A liquidação propriamente dita demandaria planilha de cálculos
analíticos.

Dica: Sobre o tema, importante a leitura da Instrução Normativa n. 41 do TST.

B) INCORRETA: O art. 324 do CPC preceitua que o pedido deverá ser determinado, mas o inciso II do seu
parágrafo 1º admite a formulação de pedido genérico “quando não for possível determinar, desde logo,
as consequências do ato ou do fato”, sendo certo que isto é geralmente o que se passa com os pleitos
decorrentes de acidente de trabalho. Com efeito, apenas depois de consolidadas as lesões é que se pode
definir o que seria configurado como lucros cessantes, o cabimento ou percentual devido a título de pen-
sionamento e se pode identificar a extensão da indenização por danos morais ou estéticos.

C) INCORRETA: Pedido heterotópico é aquele que é formulado em cada tópico da fundamentação, sem
estar enclausurado em um rol de pedidos. A CLT, em seu art. 840, § 1º, não exige que os pedidos sejam
consolidados em um rol, de modo que inexistiria óbice para a veiculação heterotópica.

Importante pontuar, ainda, que o art. 322, § 2º, do CPC, proclama que “a interpretação do pedido consi-
derará o conjunto da postulação e observará o princípio da boa-fé”, o que atrai a admissão de tal moda-
lidade postulatória, sendo certo que a disposição é aplicável ao processo do trabalho por força da com-
patibilidade com os Princípios da Simplicidade e Informalidade, atraindo a incidência do art. 769 da CLT.

D) CORRETA: O pedido de horas extraordinárias alicerçado na diferença entre os registros de ponto e


os pagos nos recibos de pagamento de salário admite a formulação genérica porque demanda a prévia
apresentação destes documentos pela reclamada em defesa. Considerando que tais documentos são de
guarda da reclamada, apenas vindo aos autos é que o reclamante pode fazer o cotejo para apresentar
diferenças. Aplica-se, portanto, o art. 324, § 1º, III, do CPC por força do art. 769 da CLT.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 76
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 21. Acerca da homologação de acordo extrajudicial, assinale a alternativa CORRETA.

A) A petição de acordo extrajudicial deverá conter a identificação do contrato ou relação jurídica, as


obrigações pactuadas (valor, tempo e modo de pagamento), a cláusula penal, os títulos negociados e
os valores respectivos, o valor da causa, bem como a atribuição de responsabilidade pelos recolhimen-
tos fiscais e previdenciários. No caso de ausência de fixação do último item (responsabilidade pelos
recolhimentos), o juiz pode suprir a falha.

B) O procedimento de homologação de acordo extrajudicial na Justiça do Trabalho não admite a recu-


sa de homologação por critério discricionário.

C) A decisão que rejeita ou homologa o acordo extrajudicial pode ser reexaminada por meio de recurso
ordinário.

D) Não é possível conferir “quitação geral do extinto contrato de trabalho” no procedimento para ho-
mologação de acordo extrajudicial.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: Em que pese o Princípio da Primazia do Mérito seja um dos princípios contemporâneos do
processo, positivado no art. 4º do CPC, o magistrado não pode fazer a imputação de responsabilidade que
geram acréscimos pecuniários porque isso feriria o equilíbrio do pactual, já que um determinado valor
pode ter sido acordado sem que se vislumbrassem outras obrigações.

A postura mais adequada nessa hipótese seria a designação de audiência para expor a situação e se cons-
truir o diálogo que supra a omissão.

B) INCORRETA: Inicialmente, cumpre pontuar que a própria Lei 13.467/2017 denominou o procedimento
como sendo “processo de jurisdição voluntária”, ou seja, uma administração pública de interesses priva-
dos, no qual não litigantes, mas sim interessados.

Considerando a catalogação como jurisdição voluntária, incidem as regras detalhadas do CPC cujo art.
723, parágrafo único, preceitua que “o juiz não é obrigado a observar critério de legalidade estrita, poden-
do adotar em cada caso a solução que considerar mais conveniente ou oportuna”.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 77
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Além disso, mesmo em jurisdição contenciosa, o C. TST já se inclinava no sentido de que não há direito
líquido e certo à homologação de acordo, conforme expresso na Súmula 418.

É certo, contudo, que ainda que possa haver a recusa por critério discricionário, a decisão que rejeita a
homologação deve ser fundamentada em observância ao art. 93, IX, da CFRB.

C) INCORRETA: É certo que o art. 724 do CPC estipula que da decisão em jurisdição voluntária cabe ape-
lação, espécie recursal que equivale ao recurso ordinário no processo do trabalho. Assim, a decisão que
rejeita a homologação do acordo é passível de reexame, mas cumpre enfatizar que se a decisão homo-
logou o acordo extrajudicial, não haveria, a princípio, interesse recursal das partes, salvo na hipótese de
desistência de uma delas de modo pretérito a decisão judicial.

D) CORRETA: O art. 855-E da CLT prevê a suspensão do “prazo prescricional da ação quanto aos direitos
nela especificados”. Ora se a suspensão da prescrição incide sobre os direitos especificados, é lícito con-
cluir que é necessário especificar cada pretensão transacionada. Além disso, a Reforma Trabalhista, em
outras passagens, foi expressa na possibilidade de quitação geral, a exemplo da conciliação em CCP (art.
625-E, parágrafo único, da CLT) e do PDV (art. 477-B da CLT).

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 22. Ainda sobre os impactos da Reforma Trabalhista no processo do trabalho, assinale a al-
ternativa CORRETA.

A) É necessária a citação dos sindicatos subscritores de convenção coletiva ou de acordo coletivo do


trabalho para que participem como litisconsortes necessários caso se pretenda a anulação de cláusu-
las dos instrumentos normativos em ação coletiva.

B) A distribuição dinâmica do ônus da prova e o requerimento de adiamento da audiência demandam


provocação da parte.

C) A ausência da parte, mas com presença do advogado não provoca consequências processuais para
qualquer das partes.

D) Na hipótese de presença apenas do advogado da reclamada e, em se tratando de audiência UNA,


não há direito subjetivo para que o advogado do reclamado ouça as testemunhas que estejam no fó-
rum.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 78
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: A redação originária da Reforma Trabalhista preceituava a necessidade de participação


dos sindicatos em demandas individuais ou coletivas, tendo a MP 808/2017 restringido tal necessidade
apenas para os casos em que a anulação de cláusulas de instrumentos normativos fosse requerida em
ação coletiva. Sucede que a MP 808/2017 não foi aprovada pelo Congresso Nacional, de modo que voltou
a viger a necessidade de citação dos sindicatos ainda que em ação individual.

Frise-se, por oportuno, que a MP 808/2017 sequer poderia tratar dessa temática, uma vez que é vedada a
edição de medida provisória sobre direito processual (art. 62, § 1º, I, b, da CFRB).

B) INCORRETA: O art. 818 da CLT, com a redação dada pela Reforma Trabalhista, consigna que “poderá” o
juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que
deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. 

A semântica do dispositivo é clarividente com a utilização do verbo “poder”, sugestivo de uma faculdade
com vistas à efetivação da carga dinâmica para melhor efetividade dos direitos buscados.

Por outro lado, quanto à necessidade de provocação para adiamento da audiência, o § 2º do art. 818 da
CLT é categórico nesse sentido.

C) INCORRETA: O art. 884, § 5º , da CLT assegurou a possibilidade de recebimento de contestação e docu-


mentos quando ausente o reclamado, mas desde que esteja presente pelo menos o advogado da recla-
mada.

Ocorre que essa regra não encontra correspondente para a parte reclamante, de modo que se não compa-
recer à audiência inicial, terá o arquivamento do feito, ainda que seu patrono tenha poderes para transigir.

Essa situação, inclusive, pode ser denominada como isonomia as avessas, ou seja, tratar os desiguais de
forma desigual, mas desnivelando anda mais.

D) CORRETA: A Súmula 74 do C. TST prevê que a prova pré-constituída nos autos pode ser levada em con-
ta para confronto com a confissão ficta (arts. 442 e 443, do CPC de 2015 - art. 400, I, do CPC de 1973), não
implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores. (ex-OJ nº 184 da SBDI-1 - inse-
rida em 08.11.2000), salientando o seu inciso III que a vedação à produção de prova posterior pela parte
confessa somente a ela se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de conduzir
o processo.

Assim, de fato, não há direito subjetivo da reclamada para oitiva de testemunhas, mas pautando-se nos
poderes instrutórios conferidos pelo art 765 da CLT, o magistrado pode fazê-lo.

E) NÃO RESPONDIDA.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 79
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 23. Analise as seguintes assertivas:

1) Em um determinado processo trabalhista, a reclamada compareceu à audiência e protocolou defesa


e documentos no PJe. Na audiência inicial, foi designada perícia e audiência de instrução com as datas
consignadas na própria ata de audiência. Em virtude de atrasos na entrega do laudo pericial, a data da
audiência precisou ser redesignada, tendo sido feita a intimação por meio de publicação aos advoga-
dos no DEJT. Por ocasião da sessão instrutória, compareceu apenas o advogado da reclamada, razão
pela qual o reclamante requereu a confissão ficta da ré, o que foi deferido pelo juiz.

2) Apregoada a audiência, apenas uma pessoa adentra à sala de audiências pela reclamada, identifi-
cando-se como preposto. O advogado da parte reclamada afirma que o preposto é advogado da recla-
mada e que, inclusive, possui procuração nos autos como sendo o único patrono. Diante do impasse, o
advogado em questão pede para constar em ata sua renúncia ao mandato, entendendo o magistrado
que, dessa forma, não há qualquer irregularidade.

3) Imagine um contrato de trabalho de 36 meses e que os cartões de ponto juntados indiquem a jor-
nada apontada em defesa, mas que por ocasião do julgamento se perceba que não foram juntados os
cartões de ponto de 6 (seis) meses. Contudo, diante da idoneidade dos registros, o magistrado fica
convencido de que a jornada indicada em defesa era a praticada e, assim, julga improcedente o pedi-
do, aplicando a diretriz da OJ 233 da SBDI-1 do TST.

4) Uma vez apresentada a defesa, não podem mais as partes apresentarem documentos, salvo se rela-
tivos a fatos novos, já que a lide estará estabilizada.

A) Todas as assertivas estão corretas.

B) Todas as assertivas estão incorretas.

C) Apenas as assertivas 2 e 4 estão corretas.

D) Apenas a assertiva 4 está correta.

E) Não respondida

💡💡 GABARITO COMENTADO

1) INCORRETA: O procedimento não se afigura correto porque o art. 385, § 1º, do CPC prescreve a neces-
sidade de intimação pessoal da parte para que se possa aplicar a confissão (“Se a parte, pessoalmente
intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confesso, não comparecer ou, compa-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 80
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

recendo, se recusar a depor, o juiz aplicar-lhe-á a pena.”).

Oportuno realçar que o C. TST entende que tal dispositivo é aplicável ao processo do trabalho, razão pela
qual não poder-se-ia aplicar a confissão no particular (RR - 393-26.2013.5.15.0001 , Relatora Ministra: De-
laíde Miranda Arantes, Data de Julgamento: 20/09/2017, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/09/2017).

2) INCORRETA: Sabe-se que o art. 23 do Código de Ética da OAB proíbe que o advogado funcione no mes-
mo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente.

É certo que o causídico tem a prerrogativa de renunciar ao seu mandato, mas o art. 112 do CPC prevê que
o advogado continuará a representar o mandate nos 10 (dez) dias subsequentes para evitar prejuízo.

Considerando que o advogado em questão era o único constituído, ele, na realidade, estará atuando si-
multaneamente nesses 10 (dez) dias subsequentes, razão pela qual haveria essa irregularidade discipli-
nar.

Destaque-se que na questão se apontou irregularidade em sentido genérico, não se adentrando na polê-
mica se tal configura mera infração disciplinar ou se é apto a atrair também a confissão, embora decisões
pretéritas do C. TST até se inclinem pela última hipótese. (TST Ag-AIRR - 289700-51.2009.5.09.0021, 3ª Tur-
ma, DEJT 20/05/2016), o que também foi ratificado na diretriz do art. 12, § 3º, da IN 41/2018 do TST: “Nos
termos do art. 843, § 3º, e do art. 844, § 5º, da CLT, não se admite a cumulação das condições de advogado
e preposto”.

3) INCORRETA: A OJ 233 da SBDI-1 do TST autoriza o convencimento sobre a jornada para além do perío-
do comprovado. Por oportuno, transcreve-se o seu teor:

“HORAS EXTRAS. COMPROVAÇÃO DE PARTE DO PERÍODO ALEGADO A decisão que defere horas extras com
base em prova oral ou documental não ficará limitada ao tempo por ela abrangido, desde que o julgador
fique convencido de que o procedimento questionado superou aquele período.”

Por isso, em situações como a do enunciado, muitos juízos aplicavam o referido verbete e julgavam im-
procedente a pretensão.

Ocorre que o por ocasião do E-ED-ARR-2799-09.2013.5.09.0091, SBDI-I, 11.4.2019, o C. TST decidiu que
referido verbete tem em mira o deferimento das horas extras e não o indeferimento do pleito sem que a
reclamada cumpra seu dever de apresentação dos cartões de ponto.

A reclamada até pode ver reconhecida a improcedência da pretensão em todos os meses, inclusive para
aqueles que não juntou cartões de ponto, mas desde que produza prova oral nesse sentido, não se bene-
ficiando da presunção da OJ 233.

4) INCORRETA: O CPC de 2015 estabelece que a prova documental deve acompanhar, desde logo, a inicial

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 81
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

ou a contestação (art. 434 do CPC/201565), autorizando a juntada em momento posterior apenas nas
específicas hipóteses do art. 435.

A CLT possui um regramento parcialmente semelhante, já que o art. 787 determina que a reclamação
escrita deverá ser formulada em 2 (duas) vias e desde logo acompanhada dos documentos em que se
fundar.

Ocorre que o art. 845 da CLT estipula que “o reclamante e o reclamado comparecerão à audiência acom-
panhados das suas testemunhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas”.

Diante desse dispositivo, o TST tem entendido que é possível a parte produzir, a qualquer momento, a
prova documental, inclusive, no curso da audiência, desde que não se tenha ainda encerrado a instrução
processual. (Processo: RR - 3157500-16.2008.5.09.0651, Relator Desembargador Convocado: Roberto No-
brega de Almeida Filho, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 09/11/2018).

💡💡 GABARITO: B

PROFESSOR LUCAS PASQUALI

🏳🏳 DIREITO CIVIL E DIREITO EMPRESARIAL

QUESTÃO 24. A respeito da responsabilidade civil e dos motivos excludentes do nexo de causalidade,
é INCORRETO AFIRMAR:

A) Culpa exclusiva ou fato exclusivo da vítima exclui qualquer responsabilidade do causador do dano. A
vítima deverá arcar com todos os prejuízos, pois o agente que causou o dano é apenas um instrumento
do acidente, não se podendo falar em nexo de causalidade entre sua ação e a lesão.

B) O STJ admite a utilização da teoria do corpo neutro em casos de acidente de trânsito. Assim, ocorre
a exclusão do nexo de causalidade devido ao fato de terceiro.

C) O caso fortuito rompe o nexo de causalidade, ante a sua inevitabilidade, assim como fatos da natu-
reza caracterizados como força maior.

D) O CC/02, atualizado pelos novos rumos da responsabilidade civil oriundos do CDC, fixou a responsa-
bilidade subjetiva do empregador por atos de seus prepostos.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 82
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: O estudo das excludentes totais do nexo de causalidade é rico na doutrina e, para fins didá-
ticos, usaremos como base o livro de Flávio Tartuce (Direito civil, v. 2: direito das obrigações e responsa-
bilidade civil / Flávio Tartuce; 12. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2017), sem prejuízo da
utilização de seu manual de direito civil próprio.

TARTUCE (2017, p. 715) ensina que o nexo de causalidade constitui o elemento imaterial da responsabili-
dade civil, constituído pela relação de causa e efeito entre a conduta e o dano. De acordo com a doutrina
de Sérgio Cavalieri Filho, “trata-se de noção aparentemente fácil, mas que, na prática, enseja algumas
perplexidades (…). O conceito de nexo causal não é jurídico; decorre das leis naturais. É o vínculo, a liga-
ção ou relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado” (Programa…, 2005, p. 70).

Colhe-se importante distinção de Flávio Tartuce:

“A responsabilidade civil, mesmo objetiva, não pode existir sem a relação de causalidade
entre o dano e a conduta do agente. Se houver dano sem que a sua causa esteja relacio-
nada com o comportamento do suposto ofensor, inexiste a relação de causalidade, não
havendo a obrigação de indenizar. Fundamental, para tanto, conceber a seguinte relação
lógica:
1. Na responsabilidade subjetiva o nexo de causalidade é formado pela culpa genérica
ou lato sensu, que inclui o dolo e a culpa estrita (art. 186 do CC).
2. Na responsabilidade objetiva o nexo de causalidade é formado pela conduta, cumula-
da com a previsão legal de responsabilização sem culpa ou pela atividade de risco (art.
927, parágrafo único, do CC).
Ao se eleger a teoria do dano direito e imediato, defendida por Gustavo Tepedino, IMPEDEM a formação
do nexo de causalidade: a culpa exclusiva ou o fato exclusivo da vítima; a culpa exclusiva ou o fato
exclusivo de terceiro; o caso fortuito e a força maior.

No que concerne à culpa exclusiva da vítima e de terceiro, destaque-se que parte da doutrina prefere
utilizar as expressões fato exclusivo da vítima e fato exclusivo de terceiro, visando à aplicação dessas exclu-
dentes também nos casos de responsabilidade objetiva.

Pela culpa exclusiva da vítima, caso em que se exclui qualquer responsabilidade do causador do dano.
A vítima deverá arcar com todos os prejuízos, pois o agente que causou o dano é apenas um instrumento
do acidente, não se podendo falar em nexo de causalidade entre sua ação e a lesão.

Se houver o mínimo de culpa ou fato concorrente, seja da vítima ou de terceiro, o dever de indenizar sub-
sistirá, porque nesse caso somente atenua o nexo de causalidade.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 83
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

B) CORRETA: Culpa de terceiro: para que ocorra a força exoneratória do fato de terceiro, será imprescindí-
vel: i) um nexo de causalidade, isto é, que o dano se ligue ao fato de terceiro por uma relação de causa e
efeito; logo, não poderá haverá liame causal entre o agente responsável e o prejuízo causado à vítima; ii)
que o fato de terceiro não haja sido provocado pelo ofensor, pois a responsabilidade do ofensor será man-
tida se ele concorrer com a do terceiro, salvo se o ofensor provar que houve culpa exclusiva de terceiro;
iii) que o fato de terceiro seja ilícito; iv) que o acontecimento seja normalmente imprevisível e inevitável,
embora não seja necessária a prova de sua absoluta irresistibilidade e imprevibivilidade.

A teoria do corpo neutro é uma aplicação do instituto jurídico do fato de terceiro, em favor do agente que,
uma vez atingido, involuntariamente agride o direito da vítima. Em tal hipótese, sustenta-se a isenção
de responsabilidade civil do agente físico do dano que, atingido, é arremessado como um projétil. Esta
teoria tem especial aplicação nos acidentes de trânsito. Ex.: “engavetamento”:

A jurisprudência do STJ define que o condutor do carro 3 deve acionar diretamente o condutor do carro 1,
pois o carro 2 serviu apenas como corpo neutro.

Não há necessidade de que o corpo neutro (2) indenize a vítima, com ação regressiva contra o agente (1),
como ocorre nos casos de legítima defesa e estado de necessidade, porque, diversamente do que ocorre
nesses casos, o “corpo neutro” não atua voluntariamente. De fato, como pontua Pablo Stolze, nos casos
em que o CC/02 prevê a responsabilidade de terceiro há voluntariedade em sua atuação.

Logo, juridicamente, o entendimento mais razoável é o de que a vítima deve demandar diretamente ao
causador do dano, e não àquele que atuou involuntariamente.

C) CORRETA: Segundo o Art. 393 do CC: “O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso for-
tuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso
fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir”.

Assim, a força maior ou caso fortuito (CC, art. 393), cessam a responsabilidade, ante a sua inevitabilidade
(rompimento do nexo causal). Embora a doutrina polemize quanto à conceituação, deve-se ponderar,
como faz Flávio Tartuce, que Pontes de Miranda afirma, em vários trechos do Tomo 53 do seu Tratado de

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 84
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Direito Privado, que a melhor forma de encarar tais conceitos é vê-los globalmente, ou seja, como equiva-
lentes (PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado…, 1974).

Na força maior, há um fato da natureza, irresistível provenientes de eventos externos ou da natureza, ao


passo que no caso fortuito há a marca da imprevisibilidade por eventos internos e humanos (o fato de
terceiro). Importante ressaltar que o CC não distingue quanto às consequências de um e outro.

Entretanto, na seara trabalhista, é necessário realizar-se interpretação mais condizente com a sociali-
zação dos riscos sociais, especialmente porque em atividades empresariais com alto risco de roubos e
assaltos tais infortúnios são previsíveis. O Tribunal Superior do Trabalho possui firme jurisprudência:

II - RECURSO DE REVISTA ADESIVO DO RECLAMANTE. ASSALTOS A MOTORISTAS DE ÔNIBUS.


RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO EMPREGADOR EM RAZÃO DA ATIVIDADE DE RISCO
DESEMPENHADA NO TRANSPORTE PÚBLICO. 1.1. À proporção em que assaltos se tornam
ocorrências frequentes, adquirem status de previsibilidade para aquele que explora a
atividade econômica, incorporando-se ao risco do negócio (fortuito interno), cujo encargo
é do empregador (art. 2° da CLT). 1.2. A realidade de violência que assola o transporte pú-
blico no Brasil atrai para a esfera trabalhista a responsabilidade civil objetiva da empresa
de transporte, em face da atividade de risco desempenhada pelos seus funcionários, quase
que rotineiramente submetidos a atos violentos de terceiros. Incidência da cláusula geral
de responsabilidade objetiva positivada no parágrafo único do art. 927 do Código Civil. Re-
curso de revista conhecido e provido. (RR - 169-87.2012.5.09.0002, Relator Ministro Alberto
Bresciani, DEJT 01/07/2014)
D) INCORRETA: A responsabilidade civil objetiva do empregador por atos de seus prepostos ou empre-
gados por danos causados a terceiros está estabelecida no art. 932, III, do CC, segundo o qual: Art. 932.
São também responsáveis pela reparação civil: III - o empregador ou comitente, por seus empregados,
serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele.

Antes do CC/02, o STF, por meio da Súmula 341 (“É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato
culposo do empregado ou preposto”), havia sumulado o entendimento no sentido de que era presumida
a responsabilidade do empregador por atos de seus prepostos ou comitentes.

O CC/02, atualizado pelos novos rumos da responsabilidade civil oriundos do CDC, fixou a responsabi-
lidade objetiva do empregador por atos de seus prepostos. Agora, não há mais presunção juris tantum
de culpa, e sim, a responsabilidade decorrente do próprio risco da atividade econômica que exerce o
empregador (art. 932, III).

Essa responsabilidade é objetiva para danos causados à terceiros, praticados pelos seus empregados,
tendo o dano e nexo causal com a atividade laborada.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 85
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Nesse sentido, a responsabilidade objetiva não deixa de ser: (i) uma técnica de socialização de danos (ii)
em uma sociedade cada vez mais complexa e dependente de coisas/máquinas e atividades econômicas
sofisticadas e arriscadas, (iii) com base em parâmetros redistributivos, relacionados às noções de equi-
dade e justiça.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 25. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito da sociedade cooperativa, cooperativa de


prestação de serviços e cooperativa social:

A) Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada e, no que
a lei for omissa, aplicam-se as disposições referentes à sociedade simples para reger as sociedades
cooperativas.

B) A cooperativa de prestação de serviços poderá contar com no mínimo 5 sócios. Por força de dispo-
sição legal, somente é autorizada a prestar serviços especializados a terceiros, sem a presença dos
pressupostos da relação de emprego.

C) As cooperativas de serviços devem garantir direitos sociais mínimos aos seus sócios, a exemplo de
repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, repouso anual remunerado, retirada
para o trabalho noturno superior à do diurno e adicional sobre a retirada para as atividades insalubres
ou perigosas. Tal fato, por si só, não desnatura a natureza jurídica societária para uma relação jurídica
bilateral empregatícia.

D) As cooperativas sociais são instituídas a fim de introduzir pessoas em desvantagem no mercado


econômico por meio do trabalho, a exemplo de pessoas com deficiência física e egressos do sistema
prisional. Na denominação e razão social dessas entidades é obrigatório o uso da expressão “Coope-
rativa Social”, as quais possuem como atividades finalísticas, dentre outras, o desenvolvimento de
atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: Em retrospecto, as principais matérias cobradas nos concursos anteriores são: empresário e
sociedades, recuperação judicial, falência, cooperativa e sociedades, EIRELI. Felizmente, as questões co-
bradas em matéria de direito empresarial são basicamente elaboradas com base na legislação infracons-
titucional, motivo pelo qual indico a leitura do CC, Lei de Recuperação Judicial e leis esparsas do edital.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 86
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

A alternativa A está correta conforme art. 1095 e 1096 do CC.

Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou
ilimitada.
§ 1º É limitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo
valor de suas quotas e pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a propor-
ção de sua participação nas mesmas operações.
§ 2º É ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e
ilimitadamente pelas obrigações sociais.
Art. 1.096. No que a lei for omissa, aplicam-se as disposições referentes à sociedade sim-
ples, resguardadas as características estabelecidas no art. 1.094.
B) INCORRETA: Como regra geral, a sociedade cooperativa (ou simplesmente “cooperativa”, como é mais
conhecida) é regida pela Lei n. 5.764/71 e pelos arts. 1.093 a 1.096 do Código Civil.

De outro lado, as Cooperativas de Trabalho são regidas pela n. 12.619/2012, as quais podem ser de produ-
ção, quando constituída por sócios que contribuem com trabalho para a produção em comum de bens e
a cooperativa detém, a qualquer título, os meios de produção; e de serviço, quando constituída por sócios
para a prestação de serviços especializados a terceiros, sem a presença dos pressupostos da relação de
emprego.

A Cooperativa de Trabalho não pode ser utilizada para intermediação de mão de obra subordinada e po-
derá ser constituída com número mínimo de 7 (sete) sócios (art. 4, 5 e 6, Lei n. 12.619/2012).

DICA: de acordo com a Lei n. 5764/7, as sociedades cooperativas serão constituídas pelo número mínimo
de 20 (vinte) pessoas físicas (art. 6º, I).

C) CORRETA: Cooperativas são uma organização de pessoas (de determinada categoria de classe ou não)
que unem forças para atuar em determinada(s) atividade(s), com o intuito de poder distribuir os lucros
entre os cooperados, ou para prestar assistência aos cooperados. Quando a lei n. 12.619/2012 previu di-
versos direitos sociais aos sócios não desnaturou a relação societária entre seus participantes, mas sim
avançou para a elevação progressiva das condições materiais de trabalho dos sócios.

Dentre os direitos, a Cooperativa de Trabalho deve garantir aos sócios, além de outros que a Assembleia
Geral venha a instituir:

I - retiradas não inferiores ao piso da categoria profissional e, na ausência deste, não in-
feriores ao salário mínimo, calculadas de forma proporcional às horas trabalhadas ou às
atividades desenvolvidas;

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 87
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

II - duração do trabalho normal não superior a 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e qua-
tro) horas semanais, exceto quando a atividade, por sua natureza, demandar a prestação
de trabalho por meio de plantões ou escalas, facultada a compensação de horários;
III - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
IV - repouso anual remunerado;
V - retirada para o trabalho noturno superior à do diurno;
VI - adicional sobre a retirada para as atividades insalubres ou perigosas;
VII - seguro de acidente de trabalho.
D) CORRETA: O cooperativismo social é regido pela Lei n. 9.867/1999 e não raras vezes também é cobrado
em provas orais de concursos públicos para MPT e magistratura.

As Cooperativas Sociais, constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado


econômico, por meio do trabalho, fundamentam-se no interesse geral da comunidade em promover a
pessoa humana e a integração social dos cidadãos, e incluem entre suas atividades:

I – a organização e gestão de serviços sociossanitários e educativos; e


II – o desenvolvimento de atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços.
Conforme art. 2º, na denominação e razão social das entidades a que se refere o artigo anterior, é obriga-
tório o uso da expressão “Cooperativa Social”, aplicando-se-lhes todas as normas relativas ao setor em
que operarem, desde que compatíveis com os objetivos desta Lei.

Art. 3º Consideram-se pessoas em desvantagem, para os efeitos desta Lei:


I – os deficientes físicos e sensoriais;
II – os deficientes psíquicos e mentais, as pessoas dependentes de acompanhamento psi-
quiátrico permanente, e os egressos de hospitais psiquiátricos; (sempre lembrar da Con-
venção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e adequar a lingua-
gem de diplomas legais para “pessoas com deficiência”).
III – os dependentes químicos;
IV – os egressos de prisões;
V – (VETADO)
VI – os condenados a penas alternativas à detenção;
VII – os adolescentes em idade adequada ao trabalho e situação familiar difícil do ponto de
vista econômico, social ou afetivo.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 88
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: B

PROFESSORA ALICE ALMEIDA LEITE

🏳🏳 REGIME JURÍDICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

QUESTÃO 26. Sobre as Resoluções do Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho, analise as
seguintes assertivas e assinale a alternativa CORRETA:

I - A atuação finalística do Ministério Público do Trabalho observará a adoção de uma postura deman-
dista, além da atuação responsiva, bem como atuação célere voltada à obtenção de resultados social-
mente relevantes.

II - A oitiva da sociedade e as demandas sociais dela decorrentes auxiliarão na tomada de decisões


quanto à concepção, elaboração, execução, monitoramento e avaliação dos instrumentos de atuação
finalística. A Procuradoria-Geral e as Procuradorias Regionais do Trabalho realizarão, periodicamente,
em intervalo não superior a um ano, audiências públicas, pesquisas ou reuniões com os atores sociais,
entre outros meios de oitiva da sociedade.

III - Os princípios da eficiência, resolutividade, publicidade, autocomposição, dentre outros que se


aplicam à Administração Pública devem nortear a elaboração, a revisão e o acompanhamento do Pla-
nejamento estratégico do CNMP, considerando como tal, nos termos da Resolução 147/2016 do CNMP,
a razão de existir a instituição.

Assinale a alternativa CORRETA:

A) Apenas a assertiva I está incorreta.

B) As assertivas I e II estão corretas.

C) As assertivas I e III estão incorretas.

D) Apenas a assertiva II está incorreta.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 89
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

💡💡 GABARITO COMENTADO

Assertiva I – INCORRETA: Algo a ser observado e estudado pelo candidato a provas do MPT são as re-
soluções do CSMPT (Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho). No presente ano de 2019 foi
editada a Resolução 166/2019 que dispõe sobre a atuação finalística no âmbito do Ministério Público do
Trabalho. Entre outras disposições, referida resolução se baseia nos termos da Recomendação CNMP nº
54/2017, que dispõe sobre a Política Nacional de Fomento à Atuação Resolutiva do Ministério Público
brasileiro.

Ou seja, a nova Resolução do CSMPT traz a tendência de que todos os Ministérios Públicos do país passem
a adotar um viés resolutivo e preventivos através da priorização das ações preventivas na atuação alinha-
da ao Planejamento Estratégico Institucional. Esse viés resolutivo deve prevalecer sobre o viés demandis-
ta na atuação do procurador do trabalho.

Nesse sentido, é a previsão no Art. 2º da Resolução:

TÍTULO I DAS DIRETRIZES


Art. 2º A atuação finalística do Ministério Público do Trabalho observará as seguintes diretri-
zes:
I - atuação alinhada ao Planejamento Estratégico Institucional, compatibilizando o princípio
da independência funcional com o princípio da unidade institucional;
II - adoção de postura proativa e resolutiva, além da atuação responsiva;
III - atuação célere voltada à obtenção de resultados socialmente relevantes;
IV - fortalecimento dos instrumentos de atuação estratégica;
V - priorização das ações preventivas e da atuação em tutelas difusa e coletiva;
VI - utilização de mecanismos de resolução consensual de conflitos e racionalização da judi-
cialização;
VII - utilização de mecanismos de participação social.
Portanto o item I está incorreto, conforme a literalidade do inciso II do Art. 2º da Resolução;

Assertiva II – CORRETA: Corresponde à Literalidade do Art. 8º, caput e §1º, da Resolução 166/2019 do
CSMPT:

Art. 8º A oitiva da sociedade e as demandas sociais dela decorrentes auxiliarão na tomada


de decisões quanto à concepção, elaboração, execução, monitoramento e avaliação dos
instrumentos de atuação finalística.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 90
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

§ 1º A Procuradoria-Geral e as Procuradorias Regionais do Trabalho realizarão, periodica-


mente, em intervalo não superior a um ano, audiências públicas, pesquisas ou reuniões
com os atores sociais, entre outros meios de oitiva da sociedade.
Assertiva III – INCORRETA: A Resolução nº 147 do CNMP que dispõe sobre o Planejamento estratégico
nacional do Ministério Público, conceitua o planejamento estratégico como sendo todo o processo que
resulta na definição da estratégia da instituição. Já a razão de existir da Instituição é a missão do Ministé-
rio Público. É o que consta no Art. 2º da Resolução:

Art. 2º Para os fins dessa Resolução, considera-se:


I - Planejamento estratégico: representação concreta da estratégia da missão.
II - Missão: a razão de existir da instituição.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 27. Considerando os instrumentos de atuação estratégica do Ministério Público do Trabalho,


assinale a alternativa CORRETA:

A) Ação permanente é um conjunto de processos de trabalho consolidados e destinados à consecução


de objetivos estratégicos do Ministério Público do Trabalho, a cargo do Conselho Superior do Ministé-
rio Público, podendo haver delegação de atos específicos.

B) Projeto é o instrumento para implementação de um esforço temporário, não repetitivo, caracteri-


zado pela sequência lógica de eventos, com início, meio e fim, que se destina à consecução de metas e
objetivos estratégicos ou à implementação de uma ação permanente.

C) O grupo especial de atuação finalística GEAF é instrumento de atuação estratégica para o enfren-
tamento concentrado de questões gerais relativas à empregadores específicos ou de setores econô-
micos, com vistas a conferir unidade de tratamento em situações graves ou complexas e que exijam
medidas especiais ou urgentes.

D) Força-tarefa é a equipe de trabalho operacional, de caráter permanente, formada por membros, ser-
vidores do Ministério Público do Trabalho e/ou por parceiros de outras instituições, dotada de meios
materiais necessários ao enfrentamento de grave irregularidade, alinhada aos objetivos estratégicos.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: Ação permanente, segundo a Resolução 166/2019, não está a cargo do Conselho Superior

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 91
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

do Ministério Público, mas sim das Coordenadorias Temáticas Nacionais e/ou seus representantes regio-
nais. É o que dispõe expressamente o Art. 15 da Resolução:

Art. 15 Ação permanente é um conjunto de processos de trabalho consolidados e destina-


dos à consecução de objetivos estratégicos do Ministério Público do Trabalho, a cargo das
Coordenadorias Temáticas Nacionais e/ou seus representantes regionais, podendo haver
delegação de atos específicos.
B) CORRETA: Corresponde à literalidade do Art. 16, inciso I, da Resolução:

Art. 16. Para os efeitos desta Resolução:


I - projeto é o instrumento para implementação de um esforço temporário, não repetitivo,
caracterizado pela sequência lógica de eventos, com início, meio e fim, que se destina à
consecução de metas e objetivos estratégicos ou à implementação de uma ação perma-
nente
C) INCORRETA: O grupo especial de atuação finalística é constituído para enfrentamento de questões
concretas e pontuais e não questões gerais tal como consta na alternativa. É o que consta no Art. 25 da
Resolução:

Art. 25. O grupo especial de atuação finalística - GEAF é instrumento de atuação estratégi-
ca para o enfrentamento concentrado de questões concretas e pontuais ou para propiciar
atuação conjunta em face de empregadores específicos ou de setores econômicos, com vis-
tas a conferir unidade de tratamento em situações graves ou complexas e que exijam medi-
das especiais ou urgentes.
D) INCORRETA: Ao contrário do que consta da assertiva, a força-tarefa é de caráter temporário e não per-
manente. Vejamos o que dispõe o Art. 32 da Resolução 166/2019 do CSMPT:

Art. 32. Força-tarefa é a equipe de trabalho operacional, de caráter temporário, formada


por membros, servidores do Ministério Público do Trabalho e/ou por parceiros de outras
instituições, dotada de meios materiais necessários ao enfrentamento de grave irregulari-
dade, alinhada aos objetivos estratégicos.
E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: B

QUESTÃO 28. Sobre os deveres, vedações e regime disciplinar aplicável aos membros do Ministério
Público assinale a alternativa CORRETA.

A) É vedado ao membro do Ministério Público da União: receber, a qualquer título e sob qualquer pre-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 92
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

texto, honorários, percentagens ou custas processuais; exercer a advocacia; exercer o comércio ou par-
ticipar de sociedade comercial; exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública,
salvo uma de magistério; exercer atividade político-partidária, ressalvada a filiação e o direito de afas-
tar-se para exercer cargo eletivo ou a ele concorrer.

B) As sanções previstas na Lei Complementar 75/93 serão aplicadas: a de advertência, reservadamente


e por escrito, em caso de negligência no exercício das funções; a de censura, reservadamente e por es-
crito, em caso de reincidência em falta anteriormente punida com advertência ou de descumprimento
de dever legal; a de suspensão, até quarenta e cinco dias, em caso de reincidência em falta anterior-
mente punida com censura; a de suspensão, de quarenta e cinco a noventa dias, em caso de inobser-
vância das vedações impostas por esta lei complementar ou de reincidência em falta anteriormente
punida com suspensão até quarenta e cinco dias; as de demissão e cassação de aposentadoria ou de
disponibilidade, nos casos de falta punível com demissão, praticada quando no exercício do cargo
ou função. Compete ao Procurador-Geral de cada ramo do Ministério Público da União aplicar a seus
membros as penas de advertência, censura, suspensão e demissão.

C) As sanções previstas no Regime Jurídico Disciplinar prescreverão: I - em um ano, a falta punível com
advertência ou censura; II - em dois anos, a falta punível com suspensão; III - em quatro anos, a falta
punível com demissão e cassação de aposentadoria ou de disponibilidade.

D) O processo administrativo, instaurado por decisão da Corregedoria do respectivo Ministério Públi-


co, será contraditório, assegurada ampla defesa ao acusado. A decisão que instaurar processo admi-
nistrativo designará comissão composta de três membros escolhidos dentre os integrantes da carreira,
vitalícios, e de classe igual ou superior à do acusado, indicará o presidente e mencionará os motivos
de sua constituição.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: O membro do Ministério Público poderá participar de sociedade comercial desde que seja
na qualidade de cotista ou acionista. Veja que o Art. 127, §5º, inciso I alínea “c” da CRFB veda a participa-
ção de sociedade comercial, na forma da lei. Trata-se de uma norma de eficácia limitada, pois confere à
legislação infraconstitucional a regulamentação em relação a esta vedação. No Caso, a regulamentação
está na Lei Complementar nº 75/93 que dispõe sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Minis-
tério Público da União, no seu Art. 232, ressalvando a participação em sociedade comercial na qualidade
de cotista ou acionista:

Art. 127 § 5º CRFB: Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 93
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatu-


to de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros:
II - as seguintes vedações:
a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas pro-
cessuais;
b) exercer a advocacia;
c) participar de sociedade comercial, na forma da lei;
d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de ma-
gistério;
e) exercer atividade político-partidária; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)
f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entida-
des públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.
 Art. 237 LC 75/93: É vedado ao membro do Ministério Público da União:
I - receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto; honorários, percentagens ou custas pro-
cessuais;
II - exercer a advocacia;
III - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou acio-
nista;
IV - exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de ma-
gistério;
V - exercer atividade político-partidária, ressalvada a filiação e o direito de afastar-se para
exercer cargo eletivo ou a ele concorrer.
B) INCORRETA: A penalidade de demissão não pode ser aplicada pelo respectivo Procurador-Geral, pois,
o membro do Ministério Público apenas poderá sofrer a penalidade após o ajuizamento de ação pelo
Procurador-Geral da República mediante proposta do Conselho Superior, conforme previsão na LC 75/93:
Vejamos:

 Art. 259. O Conselho do Ministério Público, apreciando o processo administrativo, poderá:


IV - propor ao Procurador-Geral da República o ajuizamento de ação civil para:
a) demissão de membro do Ministério Público da União com garantia de vitaliciedade;
Na LC 75/93 há disposição expressa no sentido de que o Procurador-Geral respectivo apenas aplica as

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 94
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

penalidades de advertência, censura e suspensão:

Art. 239. Os membros do Ministério Público são passíveis das seguintes sanções disciplinares:
I - advertência;
II - censura;

III - suspensão;

IV - demissão; e

V - cassação de aposentadoria ou de disponibilidade.

Art. 240. As sanções previstas no artigo anterior serão aplicadas:

I - a de advertência, reservadamente e por escrito, em caso de negligência no exercício das fun-


ções;

II - a de censura, reservadamente e por escrito, em caso de reincidência em falta anteriormente


punida com advertência ou de descumprimento de dever legal;

III - a de suspensão, até quarenta e cinco dias, em caso de reincidência em falta anteriormente
punida com censura;

IV - a de suspensão, de quarenta e cinco a noventa dias, em caso de inobservância das vedações


impostas por esta lei complementar ou de reincidência em falta anteriormente punida com sus-
pensão até quarenta e cinco dias;

V - as de demissão, nos casos de:

a) lesão aos cofres públicos, dilapidação do patrimônio nacional ou de bens confiados à sua
guarda;

b) improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º, da Constituição Federal;

c) condenação por crime praticado com abuso de poder ou violação de dever para com a Admi-
nistração Pública, quando a pena aplicada for igual ou superior a dois anos;

d) incontinência pública e escandalosa que comprometa gravemente, por sua habitualidade, a


dignidade da Instituição;

e) abandono de cargo;

f) revelação de assunto de caráter sigiloso, que conheça em razão do cargo ou função, compro-
metendo a dignidade de suas funções ou da justiça;

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 95
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

g) aceitação ilegal de cargo ou função pública;

h) reincidência no descumprimento do dever legal, anteriormente punido com a suspensão pre-


vista no inciso anterior;

VI - cassação de aposentadoria ou de disponibilidade, nos casos de falta punível com demissão,


praticada quando no exercício do cargo ou função.

§ 1º A suspensão importa, enquanto durar, na perda dos vencimentos e das vantagens pecuniá-
rias inerentes ao exercício do cargo, vedada a sua conversão em multa.

§ 2º Considera-se reincidência, para os efeitos desta lei complementar, a prática de nova infra-
ção, dentro de quatro anos após cientificado o infrator do ato que lhe tenha imposto sanção
disciplinar.

§ 3º Considera-se abandono do cargo a ausência do membro do Ministério Público ao exercício


de suas funções, sem causa justificada, por mais de trinta dias consecutivos.

§ 4º Equipara-se ao abandono de cargo a falta injustificada por mais de sessenta dias intercala-
dos, no período de doze meses.

§ 5º A demissão poderá ser convertida, uma única vez, em suspensão, nas hipóteses previstas
nas alíneas a e h do inciso V, quando de pequena gravidade o fato ou irrelevantes os danos cau-
sados, atendido o disposto no art. 244.

Art. 241. Na aplicação das penas disciplinares, considerar-se-ão os antecedentes do infrator, a


natureza e a gravidade da infração, as circunstâncias em que foi praticada e os danos que dela
resultaram ao serviço ou à dignidade da Instituição ou da Justiça.

Art. 242. As infrações disciplinares serão apuradas em processo administrativo; quando lhes fo-
rem cominadas penas de demissão, de cassação de aposentadoria ou de disponibilidade, a im-
posição destas dependerá, também, de decisão judicial com trânsito em julgado.

Art. 243. Compete ao Procurador-Geral de cada ramo do Ministério Público da União aplicar a
seus membros as penas de advertência, censura e suspensão.

C) CORRETA: Corresponde à literalidade do disposto no Art. 244 da LC 75/93:

Art. 244. Prescreverá:

I - em um ano, a falta punível com advertência ou censura;

II - em dois anos, a falta punível com suspensão;

III - em quatro anos, a falta punível com demissão e cassação de aposentadoria ou de disponi-

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 96
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

bilidade.

Parágrafo único. A falta, prevista na lei penal como crime, prescreverá juntamente com este.

D) INCORRETA: O processo Administrativo é instaurado mediante decisão do Conselho Superior e não


pela Corregedoria como consta na alternativa:

Art. 252. O processo administrativo, instaurado por decisão do Conselho Superior, será con-
traditório, assegurada ampla defesa ao acusado.
É importante o candidato conhecer os trâmites tanto da sindicância, como o inquérito administrativo,
bem como do próprio procedimento administrativo disciplinar.

São questões que podem ser perguntadas e fáceis de responder desde que estude a literalidade dos dis-
positivos contidos na LC 75/93: Transcreve-se aqui os artigos para facilitar a memorização do aluno:

SEÇÃO V
Da Sindicância
Art. 246. A sindicância é o procedimento que tem por objeto a coleta sumária de dados para
instauração, se necessário, de inquérito administrativo.
SEÇÃO VI
Do Inquérito Administrativo
Art. 247. O inquérito administrativo, de caráter sigiloso, será instaurado pelo Corregedor-Ge-
ral, mediante portaria, em que designará comissão de três membros para realizá-lo, sempre
que tomar conhecimento de infração disciplinar.
§ 1º A comissão, que poderá ser presidida pelo Corregedor-Geral, será composta de integran-
tes da carreira, vitalícios e de classe igual ou superior à do indicado.
§ 2º As publicações relativas a inquérito administrativo conterão o respectivo número, omiti-
do o nome do indiciado, que será cientificado pessoalmente.
Art. 248. O prazo para a conclusão do inquérito e apresentação do relatório final é de trinta
dias, prorrogável, no máximo, por igual período.
Art. 249. A comissão procederá à instrução do inquérito, podendo ouvir o indiciado e testemu-
nhas, requisitar perícias e documentos e promover diligências, sendo-lhe facultado o exercí-
cio das prerrogativas outorgadas ao Ministério Público da União, por esta lei complementar,
para instruir procedimentos administrativos.
Art. 250. Concluída a instrução do inquérito, abrir-se-á vista dos autos ao indiciado, para se
manifestar, no prazo de quinze dias.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 97
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Art. 251. A comissão encaminhará o inquérito ao Conselho Superior, acompanhado de seu


parecer conclusivo, pelo arquivamento ou pela instauração de processo administrativo.
§ 1º O parecer que concluir pela instauração do processo administrativo formulará a súmula
de acusação, que conterá a exposição do fato imputado, com todas as suas circunstâncias e
a capitulação legal da infração.
§ 2º O inquérito será submetido à deliberação do Conselho Superior, que poderá:
I - determinar novas diligências, se o considerar insuficientemente instruído;
II - determinar o seu arquivamento;
III - instaurar processo administrativo, caso acolha a súmula de acusação;
IV - encaminhá-lo ao Corregedor-Geral, para formular a súmula da acusação, caso não aco-
lha a proposta de arquivamento.
SEÇÃO VII
Do Processo Administrativo
Art. 252. O processo administrativo, instaurado por decisão do Conselho Superior, será con-
traditório, assegurada ampla defesa ao acusado.
§ 1º A decisão que instaurar processo administrativo designará comissão composta de três
membros escolhidos dentre os integrantes da carreira, vitalícios, e de classe igual ou superior
à do acusado, indicará o presidente e mencionará os motivos de sua constituição.
§ 2º Da comissão de processo administrativo não poderá participar quem haja integrado a
precedente comissão de inquérito.
§ 3º As publicações relativas a processo administrativo conterão o respectivo número, omitido
o nome do acusado, que será cientificado pessoalmente.
Art. 253. O prazo para a conclusão do processo administrativo e apresentação do relatório
final é de noventa dias, prorrogável, no máximo, por trinta dias, contados da publicação da
decisão que o instaurar.
Art. 254. A citação será pessoal, com entrega de cópia da portaria, do relatório final do inqué-
rito e da súmula da acusação, cientificado o acusado do dia, da hora e do local do interroga-
tório.
§ 1º Não sendo encontrado o acusado em seu domicílio, proceder-se-á à citação por edital,
publicado no Diário Oficial, com o prazo de quinze dias.
§ 2º O acusado, por si ou através de defensor que nomear, poderá oferecer defesa prévia, no

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 98
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

prazo de quinze dias, contado do interrogatório, assegurando-se-lhe vista dos autos no local
em que funcione a comissão.
§ 3º Se o acusado não tiver apresentado defesa, a comissão nomeará defensor, dentre os in-
tegrantes da carreira e de classe igual ou superior à sua, reabrindo-se-lhe o prazo fixado no
parágrafo anterior.
§ 4º Em defesa prévia, poderá o acusado requerer a produção de provas orais, documentais e
periciais, inclusive pedir a repetição daquelas já produzidas no inquérito.
§ 5º A comissão poderá indeferir, fundamentadamente, as provas desnecessárias ou requeri-
das com intuito manifestamente protelatório.
Art. 255. Encerrada a produção de provas, a comissão abrirá vista dos autos ao acusado, para
oferecer razões finais, no prazo de quinze dias.
Art. 256. Havendo mais de um acusado, os prazos para defesa serão comuns e em dobro.
Art. 257. Em qualquer fase do processo, será assegurada à defesa a extração de cópia das
peças dos autos.
Art. 258. Decorrido o prazo para razões finais, a comissão remeterá o processo, dentro de
quinze dias, ao Conselho Superior, instruído com relatório dos seus trabalhos.
Art. 259. O Conselho do Ministério Público, apreciando o processo administrativo, poderá:
I - determinar novas diligências, se o considerar insuficientemente instruído, caso em que,
efetivadas estas, proceder-se-á de acordo com os arts. 264 e 265;
II - propor o seu arquivamento ao Procurador-Geral;
III - propor ao Procurador-Geral a aplicação de sanções que sejam de sua competência;
IV - propor ao Procurador-Geral da República o ajuizamento de ação civil para:
a) demissão de membro do Ministério Público da União com garantia de vitaliciedade;
b) cassação de aposentadoria ou disponibilidade.
Parágrafo único. Não poderá participar da deliberação do Conselho Superior quem haja ofi-
ciado na sindicância, ou integrado as comissões do inquérito ou do processo administrativo.
Art. 260. Havendo prova da infração e indícios suficientes de sua autoria, o Conselho Superior
poderá determinar, fundamentadamente, o afastamento preventivo do indiciado, enquanto
sua permanência for inconveniente ao serviço ou prejudicial à apuração dos fatos.
§ 1º O afastamento do indiciado não poderá ocorrer quando ao fato imputado corresponde-
rem somente as penas de advertência ou de censura.

www.cu rsocei.com PÁ G I N A 99
CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

§ 2º O afastamento não ultrapassará o prazo de cento e vinte dias, salvo em caso de alcance.
§ 3º O período de afastamento será considerado como de serviço efetivo, para todos os efeitos.
Art. 261. Aplicam-se, subsidiariamente, ao processo disciplinar, as normas do Código de Pro-
cesso Penal.
E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

BLOCO II

PROFESSORA SAMANTHA FONSECA STEIL SANTOS E MELO

🏳🏳 DIREITO PROCESSUAL CIVIL

QUESTÃO 29. Segundo o disposto no Código de Processo Civil, relativamente à força probante dos do-
cumentos:

I. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o servidor decla-
rar que ocorreram em sua presença.

II. Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, as partes interessadas podem
suprir-lhe a falta mediante declaração expressa nos autos.

III. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presu-
mem-se verdadeiras em relação ao signatário e ao destinatário.

IV. A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de obrigação, ainda que
não assinada, faz prova em benefício do devedor.

É CORRETO o que se afirma em:

A) Apenas III e IV.

B) Apenas II e III.

C) Apenas I e IV.

www.cu rsocei.com PÁG I N A 100


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

D) Apenas I, II e IV.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: A questão versa sobre provas, matéria cobrada nas últimas provas do MPT. Aliás, tal tema
é bastante sensível para estudo, tendo em conta a rotina do procurador. Art. 405 do CPC. O documento
público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o
tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença.

B) INCORRETA: Art. 406 do CPC. Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, ne-
nhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta.

C) INCORRETA: Art. 408 do CPC. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou
somente assinado presumem-se verdadeiras em relação ao signatário.

D) CORRETA: Art. 416 do CPC. A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo
de obrigação, ainda que não assinada, faz prova em benefício do devedor.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 30. A respeito das tutelas provisórias previstas no Código de Processo Civil, assinale a alter-
nativa correta.

A) As tutelas provisórias previstas no Código de Processo Civil têm por objetivo minimizar os efeitos
da demora no processo, especialmente quando há evidências de que o demandante tem razão em seu
pedido, mas ainda não existam nos autos elementos suficientes para o julgamento definitivo de pro-
cedência.

B) Segundo o Código de Processo Civil, a tutela provisória de urgência antecipada pode ser concedida
em caráter antecedente ou incidental, mas a tutela provisória de urgência cautelar não poderá ser
apresentada em caráter incidental.

C) O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da tutela provi-
sória, mas a tutela concedida não conservará a sua eficácia nos períodos em que o processo estiver
suspenso.

D) Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a petição inicial pode limi-

www.cu rsocei.com PÁG I N A 101


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

tar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com a exposição
da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo.
Nesse caso, caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão juris-
dicional obrigatoriamente indeferirá a petição inicial.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: A questão versa sobre tutelas em geral, matéria cobrada nas últimas provas do MPT. Aliás,
tal tema é bastante sensível para estudo, tal qual o da questão anterior, tendo em conta a rotina do pro-
curador. A tutela provisória garante e assegura o provimento final e permite uma melhor distribuição dos
ônus da demora, possibilitando que o juiz conceda antes aquilo que só concederia ao final ou determine
medidas necessárias para a assegurar e garantir a eficácia do provimento principal, nos casos de urgência
e evidência. Sem antecipação, o ônus da demora seria sempre do autor, podendo o réu sentir-se esti-
mulado a fazer uso dos mais diversos mecanismos para retardar o desfecho do processo. Nesse sentido,
“Decorre como raciocínio lógico, que o Estado como detentor da jurisdição deve se utilizar dos princípios
da celeridade e da tempestividade proporcionados através da aplicação das tutelas de urgência, incluí-
mos a inibitória e a de remoção do ilícito, e da tutela da evidência, porque são pressupostos e condições
essenciais ao alcance da efetividade da prestação jurisdicional nas situações de direito substancial que
reclamem, respectivamente, urgência na tutela ou que revelem a evidência do direito subjetivo alegado
em risco.” (SOUZA, 2014)

B) INCORRETA: Art. 294 do CPC. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência.

Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter
antecedente ou incidental.

C) INCORRETA: Art. 296 do CPC. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas
pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada.

D) INCORRETA: Art. 303, § 6º do CPC: Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela an-
tecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena
de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: A

QUESTÃO 31. Em passado próximo aconteceu uma das maiores catástrofes ecológicas dos últimos

www.cu rsocei.com PÁG I N A 102


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

tempos, com o rompimento das barragens de dejetos de mineração da Samarco, empresa controlada
pelas multinacionais Vale (brasileira) e BHP Billiton (anglo-australiana). O desastre teve lugar nas pro-
ximidades da cidade de Mariana (MG), acabou se alastrando por diversas outras paragens, trazendo
consigo (i) sérios danos ao meio ambiente; (ii) problemas associados à atividade de exploração mi-
nerária no território; (iii) essa gigantesca onda de poluentes destruiu centenas de casas, deixando as
famílias desabrigadas. (Revista CONJUR, 08.12.2015)

Eventual Ação Civil Pública poderá tutelar os seguintes direitos, respectivamente:

A) (i) difusos; (ii) coletivos; (iii) individual homogêneo.

B) (i) difusos; (ii) difusos; (iii) difusos.

C) (i) individual homogêneo; (ii) coletivos; (iii) individual homogêneo.

D) (i) coletivos; (ii) coletivos; (iii) coletivos.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA (responde as demais): A questão versa sobre ação civil pública, matéria cobrada nas últimas
provas do MPT. Aliás, tal tema é bastante sensível para estudo, tal qual o da questão anterior, (CDC). Vide
Art. 81.

A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individual-
mente, ou a título coletivo.

Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:

I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natu-
reza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;

II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de
natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a
parte contrária por uma relação jurídica base;

III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.

Não olvide o aluno de estudar ação civil pública com profundidade, de modo que sugeríamos a leitura de
capítulo específico do CDC e da Lei 7347/85.

💡💡 GABARITO: A

www.cu rsocei.com PÁG I N A 103


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÃO 32. Assinale a alternativa correta no que diz respeito à legitimidade do Ministério Público
para propor Ação Civil Pública.

A) Não tem legitimidade para propor ação em defesa do patrimônio público e indenização decorrente
do DPVAT em benefício do segurado.

B) Tem legitimidade para propor ação contra cobrança indevida em taxa condominial em prédios de
apartamentos e contra ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares.

C) Tem legitimidade para propor ação contra cobrança indevida em taxa condominial em prédios de
apartamentos e indenização decorrente do DPVAT em benefício do segurado.

D)Tem legitimidade para propor ação em defesa do patrimônio público e contra ilegalidade de reajuste
de mensalidades escolares.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: Vide Súmula 329 STJ “O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública
em defesa do patrimônio público”.

B) INCORRETA: Vide Súmula 643: “O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública
cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares”. Contudo, taxa condominial é
direito disponível.

C) INCORRETA: Vide letra “b”. Em relação a indenização do seguro DPVAT, a súmula 470 do STJ foi cancela-
da; o plenário do STF (STF. Plenário. RE 631.111/GO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 06 e 07/08/2014.)
entendeu que o MP tem legitimidade para defender contratantes do seguro obrigatório.

D) CORRETA: Súmula 329 STJ “O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em
defesa do patrimônio público” e Súmula 643: “O Ministério Público tem legitimidade para promover ação
civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares”.

Veja que no mesmo assunto é possível que a banca cobre jurisprudência dos Tribunais Superiores. Fique
atento!

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

www.cu rsocei.com PÁG I N A 104


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

PROFESSORA SAMANTHA FONSECA STEIL SANTOS E MELO

🏳🏳 DIREITO ADMINISTRATIVO

QUESTÃO 33. Assinale a alternativa correta a respeito dos atos Administrativos.

A) Atos compostos são aqueles cuja vontade final da Administração exige a intervenção autônoma de
diversos agentes ou órgãos.

B) O objeto do ato administrativo é o meio pelo qual se exterioriza a vontade.

C) São enunciativos os atos que alteram uma relação jurídica, criando, modificando ou extinguindo
direitos.

D) A regra no direito público é a solenidade das formas.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) INCORRETA: A questão versa sobre atos administrativos, matéria cobrada nas últimas provas do MPT.
É comum o candidato preocupar-se com temas complexos e esquecer-se por completo da teoria básica.

O ato administrativo composto é o ato que resulta da “vontade de um órgão, mas depende da verificação
por parte de outro, para se tornar exeqüível. (...) O ato composto distingue-se do complexo porque este só se
forma com a conjugação de vontades de órgãos diversos, ao passo que aquele é formado pela manifestação
de vontade de um único órgão, sendo apenas ratificado por outra autoridade” (Meirelles, 2007).

B) INCORRETA: Tem-se por objeto a modificação fática realizada pelo ato no mundo jurídico. São as ino-
vações trazidas pelo ato na vida de seu destinatário. Exemplo:

Ato: licença para construir;

Objeto: permitir que o interessado edifique legitimamente;

Segundo Fernanda Marinela, o objeto corresponde ao efeito jurídico imediato do ato, ou seja, o resultado
prático causado em uma esfera de direitos. Representa uma consequência para o mundo fático em que vi-
vemos e, em decorrência dele, nasce, extingue-se, transforma-se um determinado direito. É um elemento

www.cu rsocei.com PÁG I N A 105


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

vinculado e discricionário. (MARINELA, 2007.)

C) INCORRETA: Atos Enunciativos: contêm um juízo de valor, uma opinião, sugestão ou recomendação de
atuação administrativa. Exemplo: pareceres.

D) CORRETA: Segundo o prof. Rafael Oliveira “No Direito Privado, o ordenamento jurídico consagra o prin-
cípio da liberdade das formas, reforçando a autonomia da vontade dos particulares (art. 107 do CC: “A
validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente
a exigir”). Por outro lado, no Direito Administrativo vigora o princípio da solenidade das formas, exigin-
do-se do agente público a edição de atos escritos e o atendimento das formalidades legais, uma vez que
o agente público, ao contrário do particular, administra interesses públicos que dizem respeito a toda a
coletividade. A solenidade da forma funciona como garantia para o administrado, propiciando o controle
da Administração e conferindo segurança jurídica às relações administrativas. Em situações excepcionais,
justificadas a partir do princípio da razoabilidade, os atos administrativos podem ser editados sob a for-
ma não escrita. É o que ocorre com a edição de atos por meio de sinais (ex.: placas e sinais de trânsito),
gestos (ex.: guarda de trânsito), sons (ex.: apitos dos agentes de trânsito) ou ordens verbais (ex.: ordens
verbais emitidas pelo superior hierárquico aos seus subordinados em eventos públicos). A solenidade
pode ser atenuada pelo legislador, tal como ocorre com o art. 22 da Lei 9.784/1999 que, ao dispor sobre
o processo administrativo federal, determina: “Os atos do processo administrativo não dependem de
forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir”. O formalismo, portanto, é moderado, e
não absoluto” (op. cit., p. 303).

Por fim, sugere-se a leitura de qualquer manual da disciplina, reforçando todo o conteúdo da matéria
“atos administrativos”.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

QUESTÃO 34. Silvio, ocupante de cargo em comissão, nunca assumiu cargo efetivo na administração
pública direta, autárquica ou fundacional. Logo, de acordo com a Lei nº 8.112/90, Silvio:

A) terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social.

B) não terá direito a qualquer benefício do Plano de Seguridade Social.

C) terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social, com exceção da assistência à saúde.

D) terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social, com exceção do salário-família.

E) Não respondida.

www.cu rsocei.com PÁG I N A 106


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

💡💡 GABARITO COMENTADO

C) CORRETA (responde as demais alternativas): A questão versa sobre a Lei n. 8.112/90, matéria cobrada
nas últimas provas do MPT. Em geral, ao tratar dessa matéria, as bancas cobram letra de lei. A alternativa
correta era a “C”, tendo em vista o expresso em lei:

Art. 183.  A União manterá Plano de Seguridade Social para o servidor e sua família.
§ 1º  O servidor ocupante de cargo em comissão que não seja, simultaneamente, ocu-
pante de cargo ou emprego efetivo na administração pública direta, autárquica e fun-
dacional não terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social, com exceção da
assistência à saúde.  

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 35. Sociedade empresária pretende participar de licitação de obra pública (sob a égide da Lei
n° 8.666/93) e ingressa em juízo alegando violação aos princípios da legalidade e da competitividade,
questionando as seguintes cláusulas do edital:

I - exigência, na fase de habilitação, no item relativo à qualificação técnica, de que o vínculo profissio-
nal do responsável técnico que integra o quadro permanente do licitante seja exclusivamente celetista;

II - exigência, na fase de habilitação, no item relativo à qualificação econômico-financeira, que a ga-


rantia da proposta, no valor de 5% (cinco por cento) do valor estimado do objeto da contratação, seja
apresentada em data anterior à realização da licitação;

III - exigência, na fase de habilitação, no item relativo à qualificação técnica, da comprovação da pro-
priedade das máquinas e equipamentos essenciais para a execução do objeto.

Procedem os questionamentos em relação:

A) A todos os itens.

B) Apenas ao item I.

C) Apenas aos itens I e II.

D) Apenas aos itens II e III.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

www.cu rsocei.com PÁG I N A 107


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

A) CORRETA (responde as demais alternativas): A questão versa sobre a Lei n. 8.666/93, matéria cobrada
nas últimas provas do MPT. Em geral, ao tratar dessa matéria, as bancas cobram letra de lei.

Item I: “É desnecessário, para comprovação da capacitação técnico-profissional, que o empregado pos-


sua vínculo empregatício, por meio de Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS assinada, sendo
suficiente prova da existência de contrato de prestação de serviços, regido pela legislação civil comum,
tratada no art. 30, § 1°, inciso I, da Lei n° 8.666/1993”. Acórdão 103/2009 Plenário do Tribunal de Contas
da União.

Item II: Art. 31, III - garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no “caput” e § 1º do art. 56
desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da contratação.

Item III: Art. 30, § 6º: As exigências mínimas relativas a instalações de canteiros, máquinas, equipamentos
e pessoal técnico especializado, considerados essenciais para o cumprimento do objeto da licitação, se-
rão atendidas mediante a apresentação de relação explícita e da declaração formal da sua disponibilida-
de, sob as penas cabíveis, vedada as exigências de propriedade e de localização prévia.

Rememorando: Estudar doutrina para atos administrativos e leitura das Leis 8.112/90 e 8.666/93.

💡💡 GABARITO: A

BLOCO III

PROFESSOR IURI PINHEIRO

🏳🏳 DIREITO PREVIDENCIÁRIO

QUESTÃO 36. Analise as assertivas abaixo e assinale a proposição INCORRETA.

A) As contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades


privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical não fazem parte,
por expressa disposição legal, das contribuições para a seguridade social estipuladas no art. 195 da
CFRB.

B) A imunidade sobre receitas decorrentes de exportação não alcança a contribuição social sobre o
lucro líquido - CSLL

www.cu rsocei.com PÁG I N A 108


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

C) É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão e promoção
social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, desde que observadas as vedações
constitucionais, a exemplo do serviço da dívida e despesa com pessoal e encargos sociais.

D) São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social
que atendam às exigências estabelecidas em lei, sendo certo que com a obtenção do Certificado de
Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência
Social, não se mostra mais exigível a comprovação dos requisitos legais, ainda que supervenientes.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: O art. 240 da CFRB expressamente exclui as contribuições de terceiros das contribuições à
seguridade social previstas no art. 195 da CFRB. Por força de tal dispositivo é que, inclusive, o C. TST en-
tende que a Justiça do Trabalho não possui competência para executar as contribuições de terceiros, já
que o art. 114 faz alusão às contribuições do art. 195, ambos do texto constitucional.

B) CORRETA: O STF, no julgamento do RE 564.413, decidiu, em regime de repercussão geral, que a imu-
nidade sobre receitas decorrentes de exportação não alcança a contribuição social sobre o lucro líquido
– CSLL.

C) CORRETA: A alternativa está em consonância com a disposição contida no art. 204 da CFRB. É impor-
tante ressaltar que essa vinculação a receita tributária líquida é tratada como uma faculdade e não como
um dever dos Estados e Distrito Federal.

D) INCORRETA: É válida a exigência do CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social,


fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada 3 anos, conforme precedentes
do STF, mas isso não a exime de comprovar requisitos legais supervenientes, na esteira da Súmula 352
do STJ: “A obtenção ou renovação do CEBAS não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais
supervenientes”.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

www.cu rsocei.com PÁG I N A 109


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

PROFESSOR FABRÍCIO LIMA SILVA

🏳🏳 DIREITO PENAL

QUESTÃO 37. Analise as seguintes assertivas:

1) Nos termos da legislação pátria, a mulher, em situação de violência doméstica e familiar, poderá ser
afastada do local de trabalho, com a manutenção do vínculo trabalhista, para preservar sua integrida-
de física e psicológica, por até três meses.

2) O crime de redução a condição análoga à de escravo pode ocorrer independentemente da restrição


à liberdade de locomoção do trabalhador, uma vez que esta é apenas uma das formas de cometimento
do delito, mas não é a única.

3) Segundo entendimento do STF, a submissão do trabalhador a condições degradantes de trabalho,


embora caracterize grave violação a direitos trabalhistas e constitucionais, não tipifica o crime de re-
dução a condição análoga à de escravo.

Assinale a alternativa CORRETA:

A) apenas as assertivas 1 e 3 estão corretas.

B) apenas as assertivas 2 e 3 estão corretas.

C) apenas a assertiva 2 está correta.

D) apenas as assertivas 1 e 2 estão corretas.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

1) INCORRETA: nos termos do inciso II do parágrafo 2º do art. 9º da Lei n. 11.340/2006, o juiz assegurará à
mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua integridade física e psicológica
a manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis
meses. Portanto, embora seja cabível o afastamento, o período poderá ser de até 6 (deis) meses.

Importante destacar que, embora não tenha sido objeto da indagação, que há divergência doutrinária

www.cu rsocei.com PÁG I N A 110


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

que tenta definir se o afastamento seria uma hipótese de suspensão ou interrupção do contrato de tra-
balho, uma vez que tal situação não está prevista no artigo 471 e seguintes da Consolidação das Leis do
Trabalho.

Jorge Luiz Souto Maior (2008) afirma que o direito ao afastamento em questão se exercerá, por óbvio, sem
prejuízo do salário, obrigação que penderá sobre o empregador para atender a sua função social.

Todavia, há corrente doutrinária, capitaneada por Sérgio Pinto Martins (2012), que defende que esse afas-
tamento da obreira do emprego, pelo período máximo de seis meses, tem natureza jurídica de suspensão
do contrato de trabalho, pois, a despeito de atender ao fim social de proteção da empregada vítima de
violência doméstica e familiar e o Princípio da Continuidade da Relação de Emprego, a lei não determi-
nou o pagamento de salários, assim, o magistrado também não poderá fazê-lo, sob pena de usurpar a
função do legislador, tratando-se, pois, de mera licença sem remuneração.

2) CORRETA: A Lei n. 10.803/2003 alterou o tipo previsto no art. 149 do Código Penal, indicando as hipóte-
ses em que se configura condição análoga à de escravo. A redação passou a ser a seguinte:

Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos
forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho,
quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o
empregador ou preposto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo
no local de trabalho;
II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I - contra criança ou adolescente;
II - por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. (destaquei).
Portanto, verifica-se que o crime de redução a condição análoga à de escravo é crime de ação múltipla,
sendo que a restrição à liberdade do trabalhador é apenas uma das formas de cometimento do delito,
mas não a única.

Guilherme de Souza Nucci, ao tratar do tema, pontua que:

“Portanto, na atual redação do art. 149 do Código Penal, não mais se exige, em todas as suas

www.cu rsocei.com PÁG I N A 111


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

formas, a união de tipos penais como sequestro ou cárcere privado com maus-tratos, bas-
tando que se siga a orientação descritiva do preceito primário. Destarte, para reduzir uma
pessoa a condição análoga à de escravo pode bastar submetê-la a trabalhos forçados ou
jornadas exaustivas, bem como a condições degradantes de trabalho. De resto, nas outras
figuras, deve-se fazer algum tipo de associação à restrição à liberdade de locomoção, sob
pena de se confundir este delito com as formas previstas no art. 203 deste Código. Mas em
suma, as situações descritas no art. 149 são alternativas e não cumulativas”. (Guilherme de
Souza Nucci, in Código Penal Comentado, 15ª edição, págs. 823/824. Destaquei).
3) INCORRETA: O posicionamento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que, além da restrição à
liberdade de locomoção do trabalhador, o referido tipo penal prevê outras condutas que podem ofen-
der o bem juridicamente tutelado, isto é, a liberdade de o indivíduo ir, vir e se autodeterminar, dentre
elas submeter o sujeito passivo do delito a condições degradantes de trabalho.

Nesse sentido, colaciono a seguinte ementa do Supremo Tribunal Federal:

“Para configuração do crime do art. 149 do Código Penal, não é necessário que se prove a
coação física da liberdade de ir e vir ou mesmo o cerceamento da liberdade de locomoção,
bastando a submissão da vítima ‘a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva’ ou ‘a condi-
ções degradantes de Trabalho’, condutas alternativas previstas no tipo penal. A ‘escravidão
moderna’ é mais sutil do que a do século XIX e o cerceamento da liberdade pode decorrer
de diversos constrangimentos econômicos e não necessariamente físicos.
Priva-se alguém de sua liberdade e de sua dignidade tratando-o como coisa e não como
pessoa humana, o que pode ser feito não só mediante coação, mas também pela viola-
ção intensa e persistente de seus direitos básicos, inclusive do direito ao trabalho digno. A
violação do direito ao trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas
segundo a sua livre determinação. Isso também significa ‘reduzir alguém a condição aná-
loga à de escravo’. Não é qualquer violação dos direitos trabalhistas que configura trabalho
escravo. Se a violação aos direitos do trabalho é intensa e persistente, se atinge níveis gri-
tantes e se os trabalhadores são submetidos a trabalhos forçados, jornadas exaustivas ou
a condições degradantes de trabalho, é possível, em tese, o enquadramento no crime do
art. 149 do Código Penal, pois os trabalhadores estão recebendo o tratamento análogo ao
de escravos, sendo privados de sua liberdade e de sua dignidade. Denúncia recebida pela
presença dos requisitos legais”. (Inq 3412/AL Relator Ministro MARCO AURÉLIO, Relatora p/
Acórdão Ministra ROSA WEBER, julgamento 29/03/2012, Tribunal Pleno, publicação DJe-
222, publicado em 12/11/2012).

💡💡 GABARITO: C

www.cu rsocei.com PÁG I N A 112


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

QUESTÃO 38. Acerca do crime de apropriação indébita previdenciária é INCORRETO afirmar:

A) É um crime omissivo puro não se exigindo necessariamente um resultado naturalístico.

B) O Supremo Tribunal Federal admite a dificuldade financeira a impedir o repasse do tributo à previ-
dência social como causa supralegal de exclusão de culpabilidade e inexigibilidade de conduta diversa.

C) É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e
de bons antecedentes, desde que tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a
denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios.

D) O juiz não poderá deixar de aplicar a pena se o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios,
seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo
o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais, se não houver o pagamento da contribuição
devida antes oferecimento da denúncia, mesmo que o réu seja primário de bons antecedentes.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: Nos crimes omissivos puros (ou próprios), a omissão está contida na própria lei, quando
nosso legislador trouxe um crime que começa com: “deixar de”. Nos referidos crimes, o resultado natu-
ralístico não tem o condão de modificar a tipicidade material da conduta, tampouco constitui questão
prejudicial à persecução penal. E, nos termos do art. 168-A do CP, constitui crime: “Deixar de repassar à
previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional”.

O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento jurisprudencial de que “o delito de apropriação indé-
bita previdenciária constitui crime omissivo próprio, que se perfaz com a mera omissão de recolhimento da
contribuição previdenciária dentro do prazo e das formas legais, prescindindo, portanto, do dolo específico.”
(EREsp 1.296.631/RN, Rel. Min. LAURITA VAZ, Terceira Seção, DJe 17/09/2013).

B) CORRETA: O Supremo Tribunal Federal possui decisão no sentido de que a inexigibilidade de conduta
diversa consistente na precária condição financeira da empresa, quando extrema ao ponto de não res-
tar alternativa socialmente menos danosa do que o não recolhimento das contribuições previdenciárias,
pode ser admitida como causa supralegal de exclusão da culpabilidade do agente (Precedente: AP 516,
Plenário, Relator o Ministro Ayres Britto, DJe de 20/09/2011).

C) CORRETA: Nos termos do inciso I do parágrafo 3º do art. 168-A do CP, é facultado ao juiz deixar de apli-
car a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: “te-
nha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição

www.cu rsocei.com PÁG I N A 113


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

social previdenciária, inclusive acessórios”.

D) INCORRETA: Segundo o inciso II do parágrafo 3º do art. 168-A do CP, é facultado ao juiz deixar de aplicar
a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: “o valor
das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência
social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais”.

Embora não tenha sido objeto de indagação, importante destacar que a jurisprudência do STF é no sen-
tido de que o princípio da insignificância não deve ser aplicado aos delitos de apropriação indébita pre-
videnciária:

“I. A aplicação do princípio da insignificância de modo a tornar a conduta atípica exige se-
jam preenchidos, de forma concomitante, os seguintes requisitos: (i) mínima ofensividade
da conduta do agente; (ii) nenhuma periculosidade social da ação; (iii) reduzido grau de
reprovabilidade do comportamento; e (iv) relativa inexpressividade da lesão jurídica. II -
No caso sob exame, não há falar em reduzido grau de reprovabilidade da conduta, uma
vez que o delito em comento atinge bem jurídico de caráter supraindividual, qual seja, o
patrimônio da previdência social ou a sua subsistência financeira. III - Segundo relatório
do Tribunal de Contas da União, o déficit registrado nas contas da previdência no ano de
2009 já supera os quarenta bilhões de reais. IV - Nesse contexto, inviável reconhecer a atipi-
cidade material da conduta do paciente, que contribui para agravar o quadro deficitário da
previdência social. V - Ordem denegada”. (HC 98.021/SC, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 1ª
Turma, unânime, DJe 12.8.2010. Destaquei).
E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: D

PROFESSOR FABRÍCIO LIMA SILVA

🏳🏳 DIREITO INTERNACIONAL E COMUNITÁRIO

QUESTÃO 39. Sobre a solução de conflitos no espaço de legislações trabalhistas, assinale a alternativa
INCORRETA:

A) Em relação aos trabalhadores marítimos, segundo a teoria do centro da gravidade, ou “most rele-

www.cu rsocei.com PÁG I N A 114


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

vant relationship”, afasta-se a aplicação da lei da bandeira em determinados casos, com a aplicação da
lei do país em cujas águas territoriais naveguem as embarcações.

B) Segundo o Código de Bustamante, a lei material que regula as relações jurídicas em naves, no ar ou
no mar internacional, é a da nacionalidade da embarcação, chamada “lei do pavilhão”.

C) Nos moldes de entendimento sumulado do TST, a relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vi-
gentes no país da prestação de serviço (lex loci executionis) e não por aquelas do local da contratação.

D) Nos termos da Lei n. 7.064/1982, deve ser aplicada a legislação brasileira quando mais favorável ao
empregado do que a legislação do país da prestação de serviços.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: Conforme recente decisão do Tribunal Superior do Trabalho, “em decorrência da aplicação
da Teoria do Centro de Gravidade, (most significant relationship), as normas de Direito Internacional Privado
deixam de ser aplicadas quando, observadas as circunstâncias do caso, verificar-se que a relação de traba-
lho apresenta uma ligação substancialmente mais forte com outro ordenamento jurídico. Trata-se da deno-
minada “válvula de escape”, segundo a qual impende ao juiz, para fins de aplicação da legislação brasileira,
a análise de elementos tais como o local das etapas do recrutamento e da contratação e a ocorrência ou
não de labor também em águas nacionais” (TST - ARR: 118000820165090028, Relator: Kátia Magalhães
Arruda, Data de Julgamento: 10/04/2019, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 12/04/2019).

Tal teoria objetiva afastar a aplicação da lei do pavilhão, que poderia ser utilizada como uma tentativa
de burla à legislação dos países da real nacionalidade das embarcações (chamadas “bandeiras de conve-
niência, de favor ou de aluguel”), reconhecendo a aplicação da legislação referente ao centro da atividade
econômica explorada.

B) CORRETA: Segundo o Código de Bustamante, também conhecido como “Lei do Pavilhão”, fruto da
Convenção de Havana de 20/02/1928, promulgado no Brasil pelo Decreto-Lei n° 18.871/1929, aplica-se às
relações de trabalho desenvolvidas em alto mar a legislação do país de inscrição da embarcação.

C) INCORRETA: O Pleno do TST cancelou a Súmula nº 207 porque a tese de que “A relação jurídica traba-
lhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de serviço e não por aquelas do local da contratação”
não mais refletia a evolução legislativa, doutrinária e jurisprudencial sobre a temática.

D) CORRETA: Segundo o art. 3º, II, da Lei nº 7.064/82, aos trabalhadores nacionais contratados no País ou
transferidos do País para trabalhar no exterior, aplica-se a legislação brasileira de proteção ao trabalho

www.cu rsocei.com PÁG I N A 115


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

naquilo que não for incompatível com o diploma normativo especial, quando for mais favorável do que a
legislação territorial estrangeira.

💡💡 GABARITO: C

QUESTÃO 40. Assinale a alternativa INCORRETA:

A) As Convenções da OIT são tratados multilaterais abertos, com força normativa, que dependem da
adesão e ratificação dos Estados membros e visam à universalização das normas de proteção ao traba-
lho através da incorporação de tais normas ao direito interno dos países membros.

B) Nos termos da Convenção n. 144 da OIT, deverão ser promovidas consultas efetivas, entre os re-
presentantes do Governo, dos empregadores e dos trabalhadores, para promoção da aplicação das
normas internacionais do trabalho.

C) Diante das convenções da OIT ratificadas pelo Brasil, não há amparo para realização de greve am-
biental pelos trabalhadores.

D) Nos termos da Convenção n. 155 da OIT, as medidas de segurança e higiene do trabalho não deverão
implicar nenhum ônus financeiro para os trabalhadores.

E) Não respondida.

💡💡 GABARITO COMENTADO

A) CORRETA: Conforme leciona Valério de Oliveira Mazzuoli, “As convenções da OIT são tratados multilate-
rais abertos, de natureza normativa, elaborados sob os auspícios da Conferência Internacional do Trabalho,
a fim de regulamentar o trabalho no âmbito internacional e também outras questões que lhe são conexas”
(Integração das Convenções e Recomendações Internacionais da OIT no Brasil e sua Aplicação sob a Pers-
pectiva do Princípio pro Homine).

Importante destacar, por outro lado, que as recomendações não são tratados e objetivam tão somente
sugerir ao legislador de cada um dos países integrantes da OIT mudanças em seu direito interno relativa-
mente às questões que disciplinam.

B) CORRETA: Nos termos do art. 2º da Convenção n. 144 da OIT:

“1. Todo Membro da Organização Internacional do Trabalho que ratifique a presente Con-
venção compromete-se a pôr em prática procedimentos que assegurem consultas efetivas,
entre os representantes do Governo, dos empregadores e dos trabalhadores, sobre os as-
suntos relacionados com as atividades da Organização Internacional do Trabalho a que se

www.cu rsocei.com PÁG I N A 116


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

refere ao artigo 5, parágrafo 1, adiante.


2. A natureza e a forma dos procedimentos a que se refere o parágrafo 1 deste artigo deverão
ser determinadas em cada país de acordo com a prática nacional, depois de ter consultado as
organizações representativas, sempre que tais organizações existam e onde tais procedimen-
tos ainda não tenham sido estabelecidos”. (Destaquei).
Ressalte-se que a Lei n. 13.467/2017, que tratou da denominada reforma trabalhista em nosso país, se-
gundo alguns posicionamentos, seria incompatível verticalmente com as convenções da OIT, em razão da
ausência de consulta tripartite.

C) INCORRETA: Segundo afirma Raimundo Simão de Melo, “A greve ambiental fundamenta-se na existên-
cia de condições inadequadas de trabalho, quando buscam os trabalhadores o cumprimento das normas
básica sobre saúde e segurança do trabalho para afastar os riscos graves e iminentes a que se exponham”
(Greve ambiental e o pagamento dos dias parados).

O Tribunal Superior do Trabalho já se manifestou sobre a temática:

“Outro diferencial são os pressupostos de validade da greve ambiental, cuja finalidade é


implementar adequadas e seguras condições de trabalho, enquanto bem de uso comum
do povo. O objetivo específico de tutela é a saúde e a qualidade de vida do trabalhador.
Nessa esteira, a Greve Ambiental, segundo a doutrina, pode ser invocada sem o preenchi-
mento dos requisitos previstos na Lei 7.783/89, visto que se trata de direito fundamental
do trabalhador. De tal sorte, sob qualquer angulação, a greve ambiental deve ser conside-
rada como um direito fundamental do trabalhador, passível de ser exercido, sem maiores
exigências, desde que haja grave ou iminente risco laboral nos fatos em questão, insista-se
(Processo TST-RO-0010178-77.2015.5.03.0000, rel. min. Dora Maria da Costa Ministra Rela-
tora, 14/12/2015)
Por sua vez, o art. 13 da Convenção nº 155 da OIT estabelece que, “Em conformidade com a prática e as
condições nacionais deverá ser protegido, de consequências injustificadas, todo trabalhador que julgar ne-
cessário interromper uma situação de trabalho por considerar, por motivos razoáveis, que ela envolve um
perigo iminente e grave para sua vida ou sua saúde”.

D) CORRETA: Conforme o art. 21 da Convenção n. 155 da OIT, “As medidas de segurança e higiene do traba-
lho não deverão implicar nenhum ônus financeiro para os trabalhadores”.

E) NÃO RESPONDIDA.

💡💡 GABARITO: C

www.cu rsocei.com PÁG I N A 117


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

DISCURSIVAS

PROFESSORA SAMANTHA FONSECA STEIL SANTOS E MELO

QUESTÃO 1. Marina, menor impúbere, filha única de João das Neves, perdeu o pai em decorrência do
rompimento da barragem de uma grande mineradora, eis que este trabalhava como empregado da mes-
ma no local de ocorrência do acidente. A menor dependia exclusivamente do sustento paterno, já que
também órfã de mãe desde o nascimento. Seu pai possuía salário de R$1500,00 mensais.

A representante legal da menor, em ação patrocinada por advogado, pretende receber para a infante
R$500.000,00 a título de danos morais, além de pensão por morte, até a expectativa de vida de seu pai,
segundo tábua do IBGE.

Tendo em conta a legislação atual, é possível o êxito da demanda?

Diante da posição temática da Instituição, o gabarito leva em consideração a inconstitucionalidade do


art. 223-G da CLT, bem como a declaração incidental de inconstitucionalidade da matéria e a possível
inaplicabilidade dos dispositivos celetistas ao caso.

PROFESSORA SAMANTHA FONSECA STEIL SANTOS E MELO

QUESTÃO 2. José, utilizando-se de cadastro em aplicativo de entregas rápidas, passou a efetuar desloca-
mentos pela cidade, como forma de alternativa ao desemprego. Para tanto, usava a bicicleta de um ami-
go. Por ocasião do cadastro recebeu uma mochila com a logomarca do aplicativo, sendo orientado a uti-
lizar apenas tal ferramenta de trabalho. Igualmente, recebeu panfletos com propaganda, que deveriam
ser entregues aos consumidores. Para cada entrega, recebia R$ 3,00. Era necessário que fizesse em média
15 entregas por dia para ganhar cerca de um salário mínimo por mês. Trabalhava em média 10 horas por
dia, folgando uma vez na semana. Nunca contribuiu para o INSS, nem tampouco a contraparte efetuava
recolhimentos. Depois de três meses, durante a realização de uma entrega, foi atropelado por um ônibus
e veio a óbito. É sabido que o aplicativo possui lucros em torno de R$ 80 milhões anuais.

Diante desse cenário, sua viúva – e dependente econômica – faz jus a pensão por morte ou alguma inde-

www.cu rsocei.com PÁG I N A 118


CEI-MPT
RODADA 1 - 15.08.2019 CEI
CÍRCULO DE ESTUDOS PELA INTERNET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

nização?

Diante da posição temática da Instituição, o gabarito leva em consideração o reconhecimento de vínculo


empregatício e pagamento das demais parcelas (danos morais e materiais).

www.cu rsocei.com PÁG I N A 119

Você também pode gostar