Você está na página 1de 51

ABNT/CEE-174

PROJETO ABNT NBR 16871


MAR 2020

Análise sensorial — Diretrizes de substanciação de alegações sensoriais

APRESENTAÇÃO
1) Este Projeto foi elaborado pela Comissão de Estudo Especial de Análise Sensorial
Projeto em Consulta Nacional

(ABNT/CEE-174), com número de Texto-Base 174:000.000-013, nas reuniões de:

03 e 04.10.2016 21 e 22.11.2016 06 e 07.03.2017

17.05.2017 03 e 04.07.2017 18 e 19.09.2017

27 e 28.11.2017 07 e 08/05/2018 01 e 02.04.2019

16 e 17.09.2019

a) não tem valor normativo.

2) Aqueles que tiverem conhecimento de qualquer direito de patente devem apresentar esta
informação em seus comentários, com documentação comprobatória.

3) Analista ABNT – Denise Araújo.

© ABNT 2020
Todos os direitos reservados. Salvo disposição em contrário, nenhuma parte desta publicação pode ser modificada
ou utilizada de outra forma que altere seu conteúdo. Esta publicação não é um documento normativo e tem
apenas a incumbência de permitir uma consulta prévia ao assunto tratado. Não é autorizado postar na internet
ou intranet sem prévia permissão por escrito. A permissão pode ser solicitada aos meios de comunicação da ABNT.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Análise sensorial — Diretrizes de substanciação de alegações sensoriais

Sensory analysis — Substantiation of sensory claims guidelines


Projeto em Consulta Nacional

Prefácio

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de Normalização. As Normas


Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos
de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais (ABNT/CEE), são
elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas pelas partes interessadas no tema objeto
da normalização.

Os Documentos Técnicos ABNT são elaborados conforme as regras da ABNT Diretiva 2.

A ABNT chama a atenção para que, apesar de ter sido solicitada manifestação sobre eventuais direitos
de patentes durante a Consulta Nacional, estes podem ocorrer e devem ser comunicados à ABNT
a qualquer momento (Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996).

Os Documentos Técnicos ABNT, assim como as Normas Internacionais (ISO e IEC), são voluntários
e não incluem requisitos contratuais, legais ou estatutários. Os Documentos Técnicos ABNT não
substituem Leis, Decretos ou Regulamentos, aos quais os usuários devem atender, tendo precedência
sobre qualquer Documento Técnico ABNT.

Ressalta-se que os Documentos Técnicos ABNT podem ser objeto de citação em Regulamentos
Técnicos. Nestes casos, os órgãos responsáveis pelos Regulamentos Técnicos podem determinar as
datas para exigência dos requisitos de quaisquer Documentos Técnicos ABNT.

A ABNT NBR 16871 foi elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Análise Sensorial
(ABNT/CEE-174). O Projeto circulou em Consulta Nacional conforme Edital nº XX, de XX.XX.XXXX
a XX.XX.XXXX.

O Escopo em inglês da ABNT NBR 16871 é o seguinte:

Scope
This Standard provides guidelines for the design and implementation of tests that substantiate relevant
sensory claims only within the scope of sensory or perceptual attributes, or both, of a product.

This Standard applies to comparative or non-comparative attribute, performance, and hedonic claims,
and includes broad principles covering: selection and recruitment of a representative consumer sample,
product selection and preparation, form design, execution of tests, and statistical analysis of the data.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Introdução

Esta Norma foi originalmente desenvolvida para ser utilizada nos Estados Unidos e foi adaptada
ao contexto das campanhas de publicidade, informações nos rótulos e embalagens com a finalidade
de substanciação de alegações do Brasil.
Projeto em Consulta Nacional

Protocolos ou normas para testes relacionados com a substanciação de alegações não podem ser
considerados sem um contexto de referência em que esse protocolo ou norma se encaixe dentro do
âmbito legal que envolve o tema. Os testes são conduzidos por três razões básicas:

 1) comparação de produtos: determina como um produto é comparado com outro, usualmente
um concorrente ou uma versão anterior do mesmo produto;

 2) substanciação de alegações: permite que os profissionais de marketing usem alegações por
meio de propaganda, embalagem, ou ambos, na apresentação do produto ao consumidor;

 3) teste de performance/desempenho: verifica e estabelece a performance/desempenho


do produto avaliado dentro do escopo do seu objetivo de uso.

O risco associado a cada alegação é avaliado ao se considerar a substanciação dessa alegação.


Alegações relevantes, agressivas, de combate, posssivelmente serão analisadas pelas empresas
da concorrência, e é importante que os dados comprobatórios estejam de acordo com esta Norma
e com a legislação vigente.

NOTA Existem regulamentos, por exemplo, do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação


Publicitária).

Nenhum delineamento/protocolo de teste ou teste-padrão evita questionamentos. Os critérios utilizados


por cada um dos possíveis fóruns não são idênticos e estão em constante evolução. A introdução
de novas tecnologias em conjunto com as mudanças nas demandas dos consumidores, processos
e protocolos de teste que eram suficientes cinco ou dez anos atrás podem não ser adequados para
os critérios e decisões atuais.

Esta Norma demonstra o que um grupo de profissionais com conhecimento na área de testes considera
apropriado do ponto de vista técnico e científico e representa um método efetivo para determinar
a viabilidade de uma alegação sensorial para ambas as partes em caso de litígio. A palavra-chave
é “apropriado”. Se algum aspecto particular de um teste ou método não for apropriado para uma
aplicação específica, recomenda-se que não seja utilizado. Como qualquer desvio convida a uma
análise minuciosa, recomenda-se tomar cuidado ao definir claramente as razões e dados de sustentação
de um desvio em relação ao padrão. Uma vez que desvios são inevitáveis, outras técnicas podem ter
aplicação em circunstâncias atípicas.

Sempre que um protocolo de teste for concluído, pode ser criticado pelos pontos fracos na substan-
ciação mesmo que a pesquisa tenha sido objetivamente planejada, conduzida e analisada, utilizando
procedimentos que forneçam resultados precisos e confiáveis. Caso pontos fracos sejam encontrados,
recomenda-se que ações corretivas sejam tomadas, dado que a concorrência pode apontar qualquer
ponto fraco ou discrepância e contestar o estudo.

Embora a comunidade técnico-científica identifique a adequação de um método de pesquisa usado


para sustentar uma alegação sensorial, a comunidade jurídica avalia a substanciação para alegações
sob o ponto de vista legal usando “razoabilidade” como critério. Com a importância de ter uma “base
razoável” legal para uma alegação, a questão permanece, “O que é razoável?” Não há uma resposta

NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

específica a essa questão legal, pois dependerá do tipo de alegação, aplicação e uso do produto,
regulamentos aplicáveis em que o produto seja vendido e outros fatores. Essas considerações,
pressões do mercado (como prazos) e orçamentos para os testes podem influenciar e impactar
os protocolos para sustentar uma alegação específica.
Projeto em Consulta Nacional

NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Análise sensorial — Diretrizes de substanciação de alegações sensoriais

1 Escopo
Projeto em Consulta Nacional

Esta Norma fornece diretrizes para delineamento e implementação de testes que substanciem
alegações sensoriais pertinentes somente no âmbito de atributos sensoriais ou perceptuais, ou ambos,
de um produto.

Esta Norma se aplica a alegações de atributos, de performance e hedônicas, comparativas ou não


comparativas, e inclui princípios amplos que abrangem: a seleção e o recrutamento de uma amostra
representativa de consumidores, seleção e preparo de produtos, elaboração de formulários, execução
dos testes, e análise estatística dos dados.

2 Referências normativas
Os documentos a seguir são citados no texto de tal forma que seus conteúdos, totais ou parciais,
constituem requisitos para este Documento. Para referências datadas, aplicam-se somente as edições
citadas. Para referências não datadas, aplicam-se as edições mais recentes do referido documento
(incluindo emendas).

ABNT NBR ISO 4120, Análise sensorial – Metodologia – Teste triangular

ABNT NBR ISO 4121, Análise sensorial – Guia geral para o uso de escalas de respostas quantitativas

ABNT NBR ISO 5492, Análise sensorial – Vocabulário

ABNT NBR ISO 5495, Análise sensorial – Metodologia – Teste de comparação pareada

ABNT NBR ISO 8589, Análise sensorial – Guia geral para o projeto de ambientes de teste

ABNT NBR ISO 10399, Análise sensorial – Metodologia – Teste duo-trio

ABNT NBR ISO 13299, Análise sensorial – Metodologia – Orientação geral para o estabelecimento
de um perfil sensorial

3 Termos e definições
Para os efeitos deste documento, aplicam-se os termos e definições da ABNT NBR ISO 5492
e os seguintes.

3.1
alegação
informação sobre um produto que destaca as suas vantagens, atributos sensoriais ou perceptuais,
alterações de produto ou diferença frente a outros produtos visando captar a atenção do consumidor
e aumentar a visibilidade do produto no mercado

NOTA Podem ser consideradas alegações: frases e imagens.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 1/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

3.2
alegações comparativas
compara similaridades e diferenças entre dois ou mais produtos, podendo ser dentro da mesma marca,
entre duas marcas, ou entre uma marca e outros produtos da categoria

3.3
Projeto em Consulta Nacional

alegações de igualdade
alega que dois produtos são iguais em uma ou mais características

3.4
alegações de insuperabilidade
indicam que o(s) produto(s) selecionado(s) para comparação não é(são) de forma alguma melhor/
superior (ou maior) do que o produto alvo para o qual a análise é realizada

3.5
alegações de paridade
comunicam níveis equivalentes de performance ou de aceitação ao comparar um produto em particular
com outro

NOTA Em geral, alegações de paridade são realizadas em relação ao líder de mercado/categoria.


Dentre as alegações de paridade, existem duas classificações adicionais: alegações de igualdade
e de insuperabilidade.

3.6
alegações de superioridade
afirmam um nível mais alto de desempenho ou de aceitação relativa a outro produto ou marca

NOTA Alegações de superioridade podem ser em oposição a marcas da concorrência (por exemplo:
“limpa melhor do que a marca Z”) ou em oposição à formulação anterior da marca (por exemplo: “agora com
maior poder de limpeza do que antes”). Uma alegação de superioridade é sustentada se uma proporção
estatisticamente significativa de respondentes indica ou prefere o produto do anunciante.

3.7
efeito carryover
potencial viés causado pela influência da avaliação de uma amostra sobre a avaliação da(s) amostra(s)
subsequente(s)

3.8
efeito de contexto/contraste
sabor/textura de uma amostra que pode influenciar no sabor/textura percebido de cada amostra
subsequente

3.9
efeito de topo de escala
efeito que ocorre quando a maioria dos escores está na parte superior da escala de intensidade
e não há uma porção de escala suficiente disponível para os respondentes diferenciarem os produtos,
fazendo com que os testes estatísticos baseados em médias sejam enganosos

3.10
erro de medida
erro calculado para cada avaliador ao testar uma amostra em particular mais de uma vez (repetibilidade
individual do avaliador)

2/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

3.11
erro experimental
erro calculado ao utilizar mais de um avaliador para testar cada amostra (variabilidade entre
os avaliadores)

3.12
Projeto em Consulta Nacional

questionário autopreenchido
questionário preenchido de forma independente pelos respondentes

3.13
teste de diferença de atributos com o uso de escalas
teste que determina se um ou mais atributos específicos diferem entre duas amostras, sendo que
as intensidades dos atributos são medidas em escalas quantitativas

3.14
teste de diferença direcional
teste que determina se uma amostra apresenta maior intensidade de uma característica sensorial que
outra amostra

3.15
teste de localização central (central location test)
CLT
teste realizado em local que possibilita controle máximo sobre a preparação e consumo do produto,
podendo incluir testes realizados em laboratórios de análise sensorial

NOTA Assegura que o consumidor avalie o produto e forneça a sua opinião imediatamente após
a avaliação, em vez de confiar em consumos prévios ou lembranças de outro CLT.

3.16
teste de um único produto ou teste monádico
testes de produto em que apenas um produto é avaliado e pontuado

3.17
teste de uso doméstico (Home Use Testing)
HUT
teste realizado nas residências dos consumidores que permite estes utilizarem os produtos em seu
ambiente natural em vez de um ambiente controlado

3.18
testes de diferença de atributos
teste no qual os avaliadores são treinados a identificar atributos previamente definidos e selecionar
ou pontuar sua intensidade

3.19
variabilidade do produto
cálculo que testa lotes múltiplos e representativos de um produto (variação lote a lote)

3.20
viés de efeito de padronização
qualquer padronização na apresentação das amostas que possa ser rapidamente identificável

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 3/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

3.21
viés de posição
sensibilidade dos respondentes às diferenças em amostras específicas em uma série, tais como a
primeira ou última amostra
Projeto em Consulta Nacional

4 Classificação das alegações


4.1 Generalidades

Uma etapa fundamental na substanciação de alegações de publicidade e rotulagem é a criação de


uma afirmação explícita da alegação antes da realização do teste. A afirmação é então encaminhada
para todas as partes envolvidas no processo de substanciação. As partes podem incluir marketing,
pesquisa de mercado, área jurídica, testes com consumidores, avaliação sensorial, fornecedores da
pesquisa etc. A afirmação é essencial, pois pode estimular a colaboração em termos de recursos
corporativos, confirmar a seleção dos métodos com os testes apropriados e tem o potencial de
maximizar a chance de tomar decisões confiáveis sobre a alegação proposta, enquanto aguardam-se
os resultados da pesquisa de substanciação. A colaboração prévia à pesquisa de substanciação,
entre todas as partes envolvidas, é crítica para alcançar os melhores resultados. Recomenda-se
que todas as partes envolvidas se reúnam e entrem em acordo (talvez várias vezes) previamente à
implementação da pesquisa de substanciação.

A familiaridade com a classificação geral da alegação veiculada na mídia é importante para


desenvolver afirmações claras de alegações no primeiro estágio e para desenvolver um planejamento
racional dos testes. Esta familiaridade também facilita o processo de seleção dos métodos de testes
adequados, dentre os vários tipos de métodos disponíveis para o profissional das ciências sensorial
e do consumidor. Cada teste responde a questões específicas e pode sustentar um tipo de alegação,
porém não sustenta a outra. Entretanto as ciências sensorial e do consumidor são recursos importantes
para fornecer a informação e a experiência em substanciação de alegações e definem a maior parte
da metodologia de testes. Existem múltiplas formas para sustentar as alegações dependendo das
características das alegações. Duas abordagens de avaliações são: baseada em consumidores e
baseada em painel treinado.

4.2 Classificações

As alegações veículadas na mídia podem ser divididas em duas classificações fundamentais:


comparativas e não comparativas. A distinção entre elas é se a comparação é relativa a um produto
existente (do anunciante ou do concorrente) ou ao próprio produto.

4.2.1 Alegações não comparativas ou de comunicação

O objetivo desta alegação é transmitir algo específico sobre o produto, geralmente um benefício ou
um diferencial do produto e não busca proporcionar alegações comparativas aos outros produtos.
Por exemplo, a afirmação “fornece sabor de longa duração” ou “perfuma intensamente por um mês”
se refere ao produto, mas não à percepção comparativa relativa a um produto existente. Este tipo de
alegação é comum para novos produtos, mas também é utilizada para chamar a atenção sobre um
benefício específico do produto.

EXEMPLO 1 Hedônica:

“Sabor maravilhoso”;

“Deixa um frescor de longa duração que você vai gostar”;

4/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

EXEMPLO 2 Atributo/desempenho:

“Remove os odores por 60 dias”;

“Deixa o vidro sem manchas”;

“Não deixa resíduo na superfície”;


Projeto em Consulta Nacional

“Funciona rápido”.

NOTA Alguns dos exemplos anteriores de atributos podem ser abordados como uma alegação não
comparativa, uma vez que nenhum outro produto é mencionado, ou como uma alegação comparativa versus
um padrão apropriado (vidro sem manchas, superfície livre de resíduos, ambiente livre de odor).

4.2.2 Alegações comparativas

São planejadas para comparar similaridades e diferenças entre dois ou mais produtos. A base
de comparação pode ser dentro da mesma marca, entre duas marcas ou entre uma marca e outros
produtos da categoria. Alegações comparativas geralmente ocorrem em uma das duas formas:
paridade ou superioridade que por sua vez são subclassificadas em duas áreas centrais de aplicação:
hedônica e atributo/percepção.

Alegações comparativas hedônicas abrangem a medição do grau de gostar/desgostar e da preferência


tanto a aceitação global quanto a aceitação relativa a um ou mais atributos específicos.

Alegações comparativas de atributo/percepção se aplicam para a medição da intensidade de um


ou mais atributos específicos do produto.

4.2.2.1 Alegações comparativas de paridade

São alegações que classificam níveis equivalentes de desempenho ou de aceitação ao comparar um


produto em particular com outro. Em geral, alegações de paridade são realizadas em relação ao líder
de mercado/categoria. As alegações de paridade são subclassificadas em: alegações de igualdade
e de insuperabilidade.

4.2.2.1.1 Alegações de paridade de igualdade: alega-se que dois produtos são iguais em uma
ou mais das seguintes características:

EXEMPLO 1 Hedônica: “Tem um sabor tão bom quanto a marca X”;

EXEMPLO 2 Atributo/Percepção: “Nosso produto reduz odores tanto quanto o produto da marca X”;

“Nosso produto dura tanto quanto o produto da marca X”;

“Nosso bolo é tão umedecido quanto o da marca líder”.

EXEMPLO 3 Igualdade global: “Nós somos exatamente o mesmo, exceto pelo preço”;

“Você nunca saberá a diferença entre nós e a marca X”.

4.2.2.1.2 Alegações de paridade de insuperabilidade: indica que o(s) produto(s) selecionado(s) para
comparação não é(são), de forma alguma, melhor/superior (ou maior) do que o produto-alvo para
o qual a análise é realizada.

EXEMPLO 1 Hedônica: “Nenhum outro produto é melhor do que o nosso produto”; “Nenhum outro produto
é preferido em relação ao nosso”.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 5/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

EXEMPLO 2 Atributo/percepção: “Nenhum outro bolo é mais úmido do que o nosso”; “Nenhum outro
produto tem mais sabor de manteiga do que o nosso”; “Nenhum outro produto reduz mais o odor do que
o nosso”; “Nenhum outro produto dura mais do que o nosso”; “Nenhum outro produto é mais encorpado
do que o nosso”; “Nenhum outro produto limpa mais rápido do que o nosso”.

4.2.2.2 Alegações comparativas de superioridade


Projeto em Consulta Nacional

Afirmam um nível mais alto de desempenho ou de aceitação relativa a outra marca. Alegações
de superioridade podem ser em oposição às marcas da concorrência (por exemplo: “limpa melhor
do que a marca Z”) ou em oposição à formulação anterior da marca (por exemplo: “agora com maior
poder de limpeza do que antes”).

EXEMPLO 1. Hedônica:

“Nosso produto tem o sabor melhor do que o da marca X”;

“Nosso produto tem o sabor melhor que qualquer outro”;

“Nosso produto é o preferido em relação a qualquer outra marca”.

EXEMPLO 2. Atributo/Percepção:

“Nosso bolo é mais úmido do que qualquer outro”;

“Reduz mais os odores do que a marca X”;

“Dura mais do que qualquer outro produto”;

“Mais espesso do que a marca X”;

“Limpa mais rápido do que qualquer outro produto”.

Em alegações de superioridade, combinações de alegações de hedônicas com alegações de atributo/


percepção podem ser encontradas quando alegações de superioridade são estabelecidas com
base na aceitação global e para atributos específicos (por exemplo: “Nossas meias são preferidas
em relação à marca X por análise de aceitação global e elas oferecem mais suporte e conforto”.)

Pela perspectiva estatística, pode ser mais fácil sustentar uma alegação de superioridade do que uma
de paridade, assumindo-se que a superioridade realmente exista. Este fato sobre o teste de hipótese
será discutido posteriormente na seção relativa aos métodos estatísticos (ver Seção 15).

5 Seleção dos testes apropriados para alegações veículadas na mídia


Alegações de produtos na mídia impressa ou rádio, TV ou Internet requerem dados validados que
sustentem a alegação pretendida.

Como acontece na maioria dos testes sensoriais, é preciso inicialmente identificar os objetivos do
projeto e do teste para o estudo. É recomendado que a afirmação da alegação indique se a alegação
está baseada em métodos sensoriais de laboratório ou estudos com consumidores ou alguns testes
químicos ou instrumentais. Alegações sensoriais para preferência ou aceitação (“preferida em relação
à marca líder” ou “melhor do que a concorrência”) requerem testes de consumidores com questões de
preferência ou aceitação para sustentar a alegação.

6/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Alegações sobre atributos ou desempenho dos produtos podem ser baseadas em dados com
consumidores, solicitados a responder sobre os atributos específicos, ou podem ser baseadas em
testes sensoriais de laboratório planejados para medir o(s) atributo(s) específico(s). Em alguns casos,
ambos os tipos de testes (consumidores e laboratório) podem ser utilizados juntos para sustentar
a mesma alegação. A equipe de criação das alegações precisa determinar o tipo e o conteúdo de
alegação, a população-alvo e os aspectos do produto que são o foco da alegação. Só então o teste
Projeto em Consulta Nacional

para sustentar a alegação vai gerar dados com o foco correto e a força para sustentar a alegação.

6 Amostragem para testes afetivos


6.1 População

6.1.1 As alegações se referem ao desempenho ou à aceitação do produto pelos responsáveis


pela compra ou consumidores. É indicado que as alegações hedônicas sempre se apliquem aos
consumidores ou potenciais consumidores do produto. A amostragem de qualquer parte da população
que não seja aquela para a qual a alegação se destina, como os responsáveis pela compra, pode
requerer uma alegação específica para limitar sua aplicação generalizada. É indicado que o protocolo
de teste defina claramente se uma alegação está sendo expressa para os responsáveis pela compra
ou para o consumidor final do produto, ou para ambos, quando houver distinção entre eles. Cenários
clássicos incluiriam adultos com crianças e donos de animais de estimação.

EXEMPLO “Mães exigentes escolhem Jif1” é uma alegação específica para o responsável pela compra
e não para o consumidor. É evidente que a alegação em si tem um papel de definir o público-alvo.

6.1.2 Para identificar os consumidores-alvo, recomenda-se o recrutamento com base no consumo


recente da categoria. Se o consumo recente da categoria não é aplicável (tal como em produtos
sazonais ou produtos com longos ciclos de recompra), é aceitável identificar consumidores-alvo com
base na intenção positiva de consumo futuro da categoria. É indicado que a categoria seja definida
de modo que valide a seleção de produtos concorrentes (por exemplo, “cereal matinal de trigo” em
vez de “cereal pronto para consumo”). Quanto aos respondentes é indicado que não sejam restritos
exclusivamente à categoria de consumo (tal como consumidor apenas de cereal matinal de trigo), mas
que possam também usar produtos alternativos em categorias relacionadas como cereal matinal de
milho ou cereal matinal de trigo integral. É indicado também que os respondentes não se restrinjam
a consumidores muito frequentes, que são um subgrupo dos consumidores e que requereriam uma
alegação específica.

6.1.3 Para alegações de uma categoria, os respondentes podem ser recrutados por critérios de
consumo da marca, mas é indicado cuidado durante esta análise para assegurar que os respondentes
não sejam capazes de adivinhar quais marcas fazem parte dos testes. A análise pode mencionar
uma grande lista de marcas com a(s) marca(s) de interesse incluídas no questionário. Dados sobre
consumo da marca e frequência de consumo também podem ser coletados para ajudar na validação
do público-alvo. Consumidores do produto podem ser definidos pelas suas respostas a diversas
questões, incluindo:

 a) “Qual marca deste tipo de produto você usa com mais frequência? ”

 b) “Quais marcas você usou no último (período de tempo apropriado para a categoria)?”

1 Jif (J. M. Smucker Company) é exemplo de produto adequado comercialmente disponível. Esta informação
é dada para facilitar aos usuários deste Documento e não constitui um endosso por parte da ABNT ao produto
citado.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 7/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Se a frequência de consumo é uma questão importante, neste caso o respondente pode também ser solicitado
a informar a frequência de consumo do produto ou quantas vezes ele comprou o produto em um período de
tempo específico. Outros pontos são discutidos em 7.5.

6.2 Técnicas de amostragem

6.2.1 É indicado que o tipo de alegação seja considerado na determinação do tamanho


Projeto em Consulta Nacional

da amostra. Por exemplo, alegações de paridade podem requerer mais respondentes que alegações
de superioridade (ver 7.2) e algumas alegações objetivas, (por exemplo, “este produto tem mais...”)
podem ser substanciadas usando análise descritiva com uma equipe treinada (ver Seção 11).

6.2.2 É indicado que os dados demográficos da amostra do teste sejam equivalentes aos do público-
alvo (ou seja, sobre quem a alegação está sendo criada). Os dados demográficos podem incluir
idade, gênero e geografia. Os respondentes também podem ser recrutados pelos seus perfis de uso
do produto e é indicado que a densidade da amostragem reflita a distribuição geográfica deste grupo.

6.2.3 A utilização de cotas auxilia na obtenção de equivalências entre a população do teste


e o público-alvo desejado. É indicado que os dados de idade e gênero sejam equivalentes ao público-
alvo e reflitam a distribuição de idade dos consumidores para cada gênero. A informação demográfica
deve ser coletada para demonstrar a validade da amostra.

6.2.4 Os critérios de recrutamento da população teste devem ser declarados no protocolo do teste
e é indicado que sejam tão objetivos quanto possível. Registros devem ser mantidos indicando porque
respondentes potenciais foram rejeitados do estudo. É indicado que os critérios de recrutamento não
sejam revelados a respondentes potenciais, e é indicado que sejam incluídas questões de recrutamento
de segurança padrão (por exemplo, se membros da família trabalham em propaganda ou marketing
ou outras áreas relacionadas, incluindo a do produto testado).

6.2.5 É indicado que uma amostra com característica demográfica predeterminada como um
único gênero seja aplicada quando for consistente com a alegação usada e com o consumo normal
do produto. Por exemplo, mulheres jovens e idosos podem usar produtos específicos.

6.2.6 Os nomes de potenciais respondentes de testes podem estar disponíveis em outras empresas
que vendem informações de marketing. Em muitos casos, uma empresa pode manter a sua própria
base de dados acerca de consumidores do produto. Na maioria dos casos, estas bases de dados
são mantidas com técnica de pesquisa adequada; no entanto, o uso de bases de dados pode não se
aproximar de uma amostra probabilística, e, portanto, em certos exemplos, não seriam aceitáveis para
a substanciação de alegações.

6.2.7 Se respondentes potenciais forem selecionados em uma base de dados existente, é indicado
cuidado para assegurar que a base de dados é acurada. Muitas vezes, as bases de dados incluem
respondentes potenciais que alegam consumir o(s) produto(s) testado(s) para ter retorno de uma
avaliação paga, ou elas podem não refletir os hábitos de compra mais recentes dos consumidores.
É recomendado que os respondentes sejam avaliados especificamente para este teste para assegurar
que eles representam o consumidor desejado e que não tenham participado de testes de consumidores
nos últimos três meses ou testes desta categoria nos últimos seis meses.

6.2.8 O delineamento geográfico necessário para substanciar uma alegação é função da natureza
da alegação. As alegações de percepção com base no desempenho de um produto na função a que
se destina provavelmente não dependem de uma localização geográfica específica, por exemplo, a
percepção da brancura de tecidos lavados, alívio da dor, entre outras. No entanto, quando um teste
hedônico é conduzido com um produto usado no lar em condições altamente variáveis, por exemplo,
testar detergentes no lar, fatores como dureza da água, umidade, temperatura ambiente média, e

8/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

outros, podem afetar o desempenho do produto e a preferência por este. Se houver evidência de que
estes fatores realmente afetam o desempenho do produto, é indicado que eles sejam considerados
quando da seleção dos mercados que são testados.

6.2.8.1 Alegações de preferência apresentam potencial dependência por fatores geográficos e


demográficos. A preferência pode variar por região ou por fatores socioeconômicos, como áreas
Projeto em Consulta Nacional

urbanas centrais versus bairros versus zona rural. A evidência a favor ou contra estas dependências
poderia vir dos padrões de venda ou consumo do produto, ou ambos.

6.2.8.2 Quando se assume a região geográfica como um fator relevante para a alegação, é indicado
que a localização geográfica dos respondentes seja consistente com o escopo da alegação. É indicado
que uma alegação de abrangência nacional tenha como base uma amostra representando as maiores
regiões geográficas. É indicado que sejam incluídos pelo menos dois mercados para cada uma das
maiores regiões. É indicado que alegações regionais representem pelos menos quatro mercados que
estejam geograficamente distribuídos pela região.

6.2.9 Em geral, métodos de amostragem aleatória (por quota) simples ou estratificada podem ser
empregados. Cabe ao sujeito da alegação assegurar que a amostra aleatória não possua vieses ou não
seja significativamente diferente de uma amostra probabilística; ou seja, é indicado assegurar a todos
os membros do público-alvo ou de um estrato da população de que tenham a mesma probabilidade de
serem selecionados para o teste. Previna-se contra vieses em termos de grupos sociais e econômicos
tendo mais de um local de teste em uma cidade ou área metropolitana. Minimize vieses de amostragem
conduzindo entrevistas durante vários dias da semana e horários do dia e variando a localização onde
respondentes potenciais são recrutados.

6.2.10 Seja cuidadoso ao selecionar mercados e assegure que o teste represente adequadamente
as pessoas que residem na região geográfica na qual a alegação é baseada. Em categorias com
fortes diferenças geográficas na participação de mercado, é indicado que a participação de mercado
total seja aproximada representando as participações de mercado alta, baixa e média no estudo.
Tamanhos de amostras regionais podem variar, refletindo suas contribuições em termos de número,
mas não em termos de consumo acima da média. É desejável uma mistura de mercados de grandes
e pequenas cidades e áreas metropolitanas, assim como de zonas rurais.

6.2.11 Os critérios para a seleção dos mercados podem ser vistos como um fator em um delineamento
experimental. Depois de determinar os fatores necessários, é recomendado que uma lista de
mercados potenciais seja desenvolvida para cada nível de cada fator. Por exemplo, uma lista de
participações de mercado alta, média e baixa pode ser desenvolvida para cada região censitária. Um
mercado pode ser aleatoriamente selecionado de cada célula, representando cada região em cada
nível de desenvolvimento da marca. A seleção aleatória de mercados e localizações de teste dentro
dos mercados é também benéfica assegurando que a amostra do teste é uma aproximação válida da
amostra probabilística.

6.2.12 Uma vez que o público-alvo esteja definido e adequadamente representado pela amostragem,
os resultados da amostra total (não suas subdivisões ou subgrupos) são o fator crítico na criação
de uma alegação. O resultado de algum subgrupo pode não corresponder aos resultados porque os
tamanhos das amostras em subgrupos são menores e, portanto, não tão confiáveis estatisticamente.
Além disso, como há o risco de falsos positivos e falsos negativos ao testar qualquer hipótese, a análise
de múltiplos subgrupos aumentará a taxa de erro global. Portanto, dada uma amostragem apropriada
do público-alvo, o exame de subgrupos não é uma prática analítica segura para a substanciação de
alegações (ver Seção 13).

6.2.13 Para produtos a serem ingeridos (alimentos ou bebidas), é indicado que não seja permitido
aos voluntários participar caso eles tenham qualquer alergia alimentar, independentemente do

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 9/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

alergênico estar presente ou não nas amostras. É recomendado que uma lista dos ingredientes seja
disponibilizada para a agência de teste ou a qualquer respondente que solicite uma cópia.

6.3 Seleção de Produtos

6.3.1 Se um teste estiver sendo conduzido para sustentar uma alegação que não é específica de
Projeto em Consulta Nacional

uma marca (por exemplo, versus “outras marcas líderes”), então é recomendado que as marcas
concorrentes sejam as duas com as maiores participações de mercado no país. Quando o mercado
é altamente dividido, como por exemplo, as duas marcas líderes nacionais controlam menos de 50 %
do mercado, mais concorrentes devem ser incluídos no teste. As três marcas líderes nacionais ou
qualquer marca que esteja entre as duas líderes das principais regiões geográficas do país devem
ser testadas. A menos que o produto seja testado comparando-se com marcas que representam pelo
menos 85 % do mercado nacional, é recomendado que as alegações sejam comparativas a marcas
específicas em vez de alegações superlativas genéricas, 85 % do mercado são definidos como todos
os produtos dentro da dita categoria, incluindo a marca que expressa a alegação.

6.3.2 É recomendado que as marcas concorrentes sejam do mesmo segmento de mercado da marca
para a qual a alegação estiver sendo criada. Se uma marca atende diferentes segmentos de mercado,
então é recomendado que sejam usados os produtos mais similares em um contexto comparativo
razoável.

6.3.3 Quando produtos concorrentes são vendidos em mais de uma forma, os produtos a serem
testados devem ser da mesma forma ou estar na forma mais relevante para a alegação. Se uma
mistura para bebida em pó estiver sendo comparada com o produto de um concorrente que também
é comercializado como uma mistura para bebida em pó e como um líquido reconstituído, ambas
as marcas teriam que ser testadas nas suas formas reconstituídas a partir do pó comercializado.
As instruções específicas de preparação fornecidas por cada produto devem ser cumpridas.
Se houver um teste cruzado de diferentes formas, uma alegação envolvendo as diferentes formas
pode ser desejável. As formas testadas devem ser explicitamente declaradas como parte da alegação,
por exemplo, “o instantâneo é tão saboroso quanto o pronto para consumo.”

6.4 Amostragem de produtos quando ambos os produtos estão no mercado

6.4.1 Para testes com consumidores em localização central, é recomendado que produtos comerciais
usados para testar alegações contra a concorrência sejam comprados no final da cadeia de distribuição,
para assegurar que sejam representativos daqueles que seriam comprados pelo consumidor. Alguns
produtos são feitos em diferentes ou múltiplos locais de produção. Nestes casos, é recomendado que
o produto seja comprado em um centro de distribuição que atenda às áreas de teste específicas.

6.4.2 Para outros métodos de teste nos quais o produto testado é fabricado em um local, as amostras
podem ser compradas em qualquer loja com grande volume de vendas. É recomendo que os produtos
sejam adquiridos no mesmo momento na(s) mesma(s) loja(s) em cada local de teste. É recomendado
que os produtos reflitam a opção disponível aos consumidores locais. É recomendada atenção à
inclusão de uma variedade de locais de produção e datas que são tipicamente encontrados no varejo.

6.4.3 Em alguns casos em que produtos concorrentes não são vendidos nas mesmas lojas (por
exemplo, restaurantes de fast food e produtos de marca própria), é indicado que os produtos do teste
sejam adquiridos tão recentemente quanto possível dos locais que reflitam as opções disponíveis
aos consumidores locais. É importante que a identidade geográfica das amostras corresponda à dos
respondentes do teste local. Desta forma, se produtos nacionais fabricados em mais de um local
foram formulados de maneira diferente para atender diferenças regionais em preferências sensoriais,
produtos apropriados serão testados comparativamente aos concorrentes regionais relevantes.
É essencial que toda a informação relativa ao produto adquirido seja documentada.

10/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

6.4.4 É recomendado que produtos concorrentes sejam comprados em embalagem de tamanho


padrão com o maior volume unitário ou em tamanho similar, ou ambos, para o produto do teste.
É indicado que não sejam usadas embalagens de produtos para amostras grátis ou em tamanhos
de atacado, a menos que a embalagem corresponda ao objetivo da alegação.

6.4.5 É recomendado que todo esforço seja feito para obtenção de produtos concorrentes com
Projeto em Consulta Nacional

o frescor representativo encontrado no local de venda. É recomendado que todos os produtos no teste
sejam de data de fabricação semelhante e que um produto de fabricação recente não seja comparado
com um produto que esteja próximo do final do prazo de validade.

6.5 Manuseio de produtos quando ambos os produtos estão no mercado

6.5.1 Entre a obtenção dos produtos e a execução do teste, o manuseio, o tempo e as condições
de estocagem de todos os produtos devem ser idênticos e consistentes com a prática normal
do consumidor.

6.5.2 As amostras concorrentes não podem apresentar nenhum sinal de manuseio inadequado.
Se os produtos se tornarem não homogêneos durante o manuseio, de forma que não possam retornar
ao estado original (precipitados podem ser ressolubilizados, mas pedaços quebrados não podem ser
reassociados), então é indicado que as amostras do teste sejam tratadas para estes defeitos. Por
exemplo, é recomendado que a última ou as últimas duas porções de uma caixa de cereal que pode
conter uma quantidade desproporcional de pedaços quebrados/finos seja descartada ou separada.

6.5.3 Para minimizar a probabilidade de reconhecimento do produto pelos respondentes,


os fabricantes às vezes tentam “mascarar” o produto concorrente. É indicado que manipulações
além da rotulagem da embalagem original sejam executadas com extremo cuidado. A reembalagem
do produto necessita ser apoiada por testes instrumentais e sensoriais que demonstrem a ausência
de impacto ao produto. Qualquer alteração no produto para minimizar o reconhecimento pode
potencialmente impactar a aceitabilidade e é indicado que seja aplicada com a maior discrição. Pode
ser viável remover um produto da sua embalagem original/identificadora, mas alterar a estrutura
de um produto, tal como triturar cereais para mascarar seu formato, pode mudar o produto além
do ponto onde a avaliação do concorrente é válida. Quando um produto é imediatamente reconhecível
pela sua aparência, formato ou design, então fatores cognitivos devido a reconhecimento da marca
ou experiência prévia com o produto podem contribuir para os dados obtidos no estudo.

6.6 Amostragem de produto que ainda não está no mercado

6.6.1 Se o produto do fabricante ainda não estiver no mercado no momento do teste, é indicado
que o produto represente a produção comercial, e ou seja de data de fabricação típica dos produtos
concorrentes ou da data de fabricação esperada para o produto quando o ciclo de distribuição
do fabricante estiver em operação. É indicado que o produto concorrente seja selecionado para
representar a data de fabricação média no varejo no momento do teste. Se um produto apropriado não
estiver disponível na cidade do teste, é indicado que o produto seja adquirido em um local próximo.

6.6.2 Para assegurar que o benefício alegado do novo produto resulta do produto em si e não
de manuseio especial, uma escala de produção limitada é desejável, mas pode não ser viável,
que o novo produto seja fabricado no local de produção. É indicado, portanto, que o novo produto
seja produzido no seu local de fabricação futuro, preferencialmente no mesmo equipamento e em
condições normais de operação que serão usadas para fabricação do produto. Se amostra de planta-
piloto for usada para sustentar a alegação, então um teste adicional, por exemplo, teste discriminativo
para similaridade, deve ser conduzido para demonstrar que os benefícios alegados se estendem
ao produto feito no local de produção.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 11/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

6.7 Preparação da amostra/protocolo de teste


6.7.1 Para minimizar vieses, é essencial que todas as amostras do teste sejam preparadas e servidas
de forma que tenham impacto limitado sobre a percepção dos produtos e de forma que lidem com
todos os produtos igualmente.
6.7.2 Em particular para testes de substanciação de alegações, é recomendado que as amostras
Projeto em Consulta Nacional

sejam preparadas e servidas em condições razoavelmente realísticas, ou seja, de modo consistente


com a prática normal do consumidor. É indicado que as amostras não sejam preparadas em nenhuma
maneira que mascararia ou alteraria diversas características do produto.
6.7.3 É recomendado que todas as amostras sejam testadas às cegas e com códigos que evitem
vieses, tais como códigos com três algarismos. É recomendado que os respondentes não tenham
nenhuma informação tendenciosa ou que cause vieses sobre os produtos que eles estão testando ou
sobre o objetivo global do estudo.
6.7.4 Uma decisão deve ser tomada em relação à maneira na qual as amostras são apresentadas aos
respondentes. Por exemplo, as amostras podem ser servidas aos pares ou uma por vez (apresentação
monádica). É mais provável que sejam detectadas diferenças entre amostras quando duas ou mais
amostras são apresentadas simultaneamente; porém, geralmente, considera-se que a apresentação
monádica é mais representativa da experiência do consumidor.
6.7.5 A ordem de apresentação também deve ser considerada antes do teste e isto deve ser
determinado de acordo com o delineamento estatístico. Vários fatores psicológicos podem influenciar
o julgamento, por exemplo, os impactos dos seguintes efeitos de ordem devem ser considerados:
 a) efeito de contexto/contraste: o sabor/textura de uma amostra pode ter influência sobre o sabor/
textura percebido de cada amostra subsequente;
 b) viés de posição: respondentes podem ser mais sensíveis às diferenças em amostras específicas
em uma série, tal como a primeira ou a última amostra.
 c) viés de efeito de padronização: qualquer padronização na apresentação das amostras que possa
ser rapidamente identificável
 d) efeitos de topo de escala: geralmente ocorre quando a maioria dos escores está na parte
superior da escala de intensidade e não há uma porção de escala suficiente disponível para
os respondentes diferenciarem os produtos. A variação nos escores de intensidade é comprimida,
fazendo com que os testes estatísticos baseados em médias sejam enganosos. Portanto,
é indicado que a análise seja realizada com um modelo estatístico mais robusto dentre os que
não têm exigências de distribuição e que seja menos propenso à influência de outliers tal como
uma regressão logística multinomial.
6.7.6 É essencial balancear a ordem de apresentação para distribuir estes efeitos entre todos
os produtos.
6.7.7 É recomendado que o teste e o questionário sejam preparados de forma a que fiquem isentos
de todas as formas de vieses. Viés durante o teste pode vir das amostras, do protocolo do teste,
incluindo o questionário, ou do ambiente do teste, ou da combinação destes.

7 Delineamento do teste
7.1 Estudos com consumidores
7.1.1 Testes monádicos são aqueles nos quais um único produto é avaliado por vez pelos
respondentes.

12/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Testes monádicos sequenciais requerem que cada respondente avalie produtos, um de cada vez, em
uma ordem consecutiva.

Testes protomonádicos consistem em fornecer um produto, obter escores deste produto em vários
atributos, remover este primeiro produto e, em seguida, entregar um segundo produto. Não serão
obtidos escores monádicos deste segundo produto. Em vez disso será conduzido um teste de
Projeto em Consulta Nacional

comparação pareada, conforme ABNT NBR ISO 5495 (comparando-o ao primeiro produto).

7.1.2 Testes comparativos são aqueles nos quais dois ou mais produtos são apresentados aos
mesmos respondentes para comparar os produtos entre si.

7.1.3 Alegações comparativas implicam em testes comparativos, porém não estão limitados aos
mesmos. Nestes testes cada respondente avalia dois ou mais produtos. Para alegações comparativas
as comparações pareadas são as mais frequentemente utilizadas. A apresentação simultânea propicia
a comparação mais direta entre produtos. Em certas situações pode ser necessária a apresentação
sequencial, o que pode levar a questões de execução e sensibilidade e, desta forma, é indicado que
haja uma justificativa para a escolha da apresentação monádica sequencial.

Caso haja múltiplos produtos a serem comparados, os respondentes podem estar aptos a avaliar todos
os produtos (delineamento de blocos completos balanceados) ou um subconjunto de produtos (um
delineamento de blocos incompletos) ou somente um produto (teste monádico). Quando os produtos
são avaliados em subconjuntos, blocos de produtos sobrepostos (nos quais os produtos se repetem
nos blocos) podem ser formados utilizando-se as técnicas Blocos Incompletos Balanceados (BIBS) e
Blocos Incompletos Parcialmente Balanceados (PBIBS). Estes delineamentos de blocos incompletos
podem requerer procedimentos de análise específicos para calcular as médias corretas[1].

7.1.4 Como o teste monádico não é o método mais direto para fazer comparações, ele frequentemente
não é a alternativa mais apropriada. Entretanto, às vezes, ele pode ser o único método viável para
sustentar alegações comparativas. Por exemplo, alguns produtos podem requerer longos períodos
de uso repetido para proporcionar um benefício ao consumidor, o que pode limitar a possibilidade de
realizar comparações diretas. Neste caso, o desempenho de cada produto pode ser avaliado por um
grupo diferente de consumidores e a análise estatística será conduzida comparando-se os resultados
de cada produto. Nos testes monádicos, os respondentes, assim como os produtos, contribuem para
a variabilidade total, tornando estes testes menos sensíveis e, desta forma, maiores diferenças ou
maiores amostras populacionais são requeridas para a significância. É crítico que os subconjuntos de
consumidores tenham perfis similares.

7.1.5 Alegações não comparativas podem ser sustentadas tanto por testes monádicos como por
testes monádicos sequenciais, sendo ambos suficientes para cumprir a “base razoável” requerida para
se fazer uma alegação. Na avaliação monádica, pode-se obter dados livres das influências inerentes
a testes de multiprodutos.

7.1.5.1 Pesquisa qualitativa, como grupo focal, não é aceitável para sustentar alegações, pois
seus resultados não podem ser utilizados para predizer os resultados de uma população maior de
consumidores.

7.1.5.2 Ambos os testes, de localização central (CLT) e de uso doméstico (HUT), podem ser
aceitáveis dependendo das especificidades da categoria e do uso. CLT incluem qualquer local que
não as casas dos consumidores. Estes locais podem incluir laboratórios de análise sensorial, centros
ou salas comerciais, instalações de agências de pesquisa, centros comunitários, ou outros. Cada tipo
de local possui benefícios e limitações que devem ser considerados ao se projetar os resultados.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 13/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

7.2 Estratégias para coleta de dados

7.2.1 Teste de localização central (CLT)

Este método de teste proporciona controle máximo da preparação e uso do produto. O teste de
localização central assegura que o participante realmente avaliou o produto e fornece sua opinião
Projeto em Consulta Nacional

imediatamente após a avaliação, em vez de confiar em um uso no passado ou memória. Testes cegos
frequentemente pressupõem a necessidade de reembalar os produtos. Adicionalmente, CLT podem
proporcionar comparações diretas entre produtos, atributos específicos isolados, como cor, crocância,
sabor de baunilha etc. e também viabilizar protocolos de avaliações complexas. Eles são apropriados
para alegações de paridade e superioridade.

7.2.1.1 Limitações críticas dos testes de localização central usualmente envolvem a exposição única
de pequenas quantidades de produtos em condições que podem ser distantes do seu uso típico.
Questões sobre o quanto esta exposição pode exacerbar diferenças triviais ou se os CLT fornecem a
base para formar preferências vêm sendo levantadas. Outras limitações que podem ser controladas
são a possibilidade dos respondentes ouvirem/verem uns aos outros durante a avaliação, e avaliar em
períodos do dia que seriam inapropriados para o uso do produto, como por exemplo, cereais de café
da manhã serem avaliados à noite. Quando essas questões superam as limitações inerentes ao teste
de localização central, pode ser considerado utilizar o teste de uso doméstico.

7.2.1.2 Os respondentes podem ser interceptados em uma área pública se eles preencherem os
critérios de seleção ou eles podem ser pré-recrutados e agendados para o teste (útil quando o teste é
planejado para um horário específico do dia ou nos locais onde a incidência de consumidores é baixa).
Testes que requerem equipamentos especiais, ou produtos com vida útil de curta duração, ou projetos
com cronogramas apertados podem não ser factíveis de terem seus recrutamentos realizados por
intercepção e são melhores conduzidos com pré-recrutamento.

7.2.2 Testes de uso doméstico (HUT)

Este método de teste permite aos respondentes usarem os produtos em um ambiente mais natural, em
vez de um ambiente controlado como um CLT. Como há ainda alguma intervenção do experimentador
(entrega do(s) produto(s) e questionários), o HUT não é verdadeiramente um ambiente normal de
uso; mas ele é bem próximo a como os consumidores realmente usam e avaliam produtos. Os HUT
permitem o uso do produto em condições mais próximas às habituais, pois os consumidores usam os
produtos onde, quando e como eles normalmente o fariam. HUT são particularmente úteis quando a
avaliação global do produto não pode ser conduzida em um ambiente de CLT sob condições reais de
uso ou quando um aspecto ou benefício do produto deve ser experimentado sob condições normais
de uso.

7.2.2.1 Recomenda-se que a escolha de conduzir um HUT preferencialmente a um CLT para


sustentar ou avaliar uma alegação seja determinada pela natureza da alegação, a quantidade, o
tipo e a duração de uso do produto. Uma alegação muito restrita sobre um sabor particular de um
produto pré-fabricado pode ser muito bem avaliada em um CLT, enquanto que uma alegação genérica
de adequação frequentemente requereria um uso mais extenso no ambiente doméstico, como por
exemplo, um purificador de ar.

7.2.2.2 Mesmo que o produto como um todo requeira um HUT, algumas propriedades visuais,
tácteis, auditivas ou olfativas do produto podem ser avaliadas em um CLT quando o objetivo é avaliar
características não necessariamente relacionadas ao uso do produto. Por exemplo, respondentes
podem avaliar a aparência ou as sensações tácteis nas mãos e na pele, ou uma combinação destas
percepções de produtos, como toalha de papel e outros produtos de toalete, produtos de cuidado

14/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

feminino ou o aroma de um produto. Se uma alegação estiver sendo feita considerando o contexto ou
situação/local real de uso, ou ambos, ainda seria necessário provar, caso a caso, que a avaliação de
um dado produto fora do ambiente de uso doméstico não influenciaria artificialmente uma percepção
ou comportamento do consumidor.

7.2.3 Comparação entre CLT e HUT


Projeto em Consulta Nacional

Ao decidir-se entre um CLT ou um HUT, necessita-se considerar a questão do desempenho real


do produto e a habilidade de generalizar os resultados do estudo para a população a quem aquela
alegação se destina (público-alvo). Certas categorias de produtos, como cremes hidratantes, loções
e preparações antiacne podem requerer um extenso período de uso para que os respondentes
avaliem o produto de forma realista. Nestes exemplos, o HUT pode ser o método mais factível pois
proporciona um desempenho mais real e as avaliações podem ser generalizadas para a população-
alvo da alegação.

Uma diferença fundamental entre um CLT e um HUT é que o HUT possui limitado controle experimental.
Como o HUT proporciona uso e ambiente de avaliação mais próximos ao real, o experimentador tem
menos controle sobre a preparação e uso do produto e deve confiar na habilidade do respondente
de recordar os aspectos do uso do produto. Como em um uso normal esta lembrança pode ser
influenciada por comentários da família, amigos e a impressão geral do respondente com relação ao
produto pode influenciar sua memória com relação aos atributos do produto (por exemplo, efeito halo).
Frequentemente a experiência de uso irá requerer a utilização de produtos seguindo um delineamento
sequencial. Os produtos podem ser comparados no final (tal como em uma comparação pareada ou
ordenação) ou avaliados após cada uso (tal como em um teste monádico sequencial ou delineamento
em blocos). Estes delineamentos sequenciais podem não ser apropriados quando o produto modifica
substancialmente o ambiente de teste e, desta forma, o ambiente no qual o produto subsequente
será aplicado não seria comparável ao ambiente do primeiro produto. Exemplos de produtos em
que isto poderia acontecer seriam limpadores de ralos, removedores de mofo, polidores de sapatos.
Este efeito pode requerer que os respondentes usem somente um único produto (por exemplo, uma
ANOVA “fator único” ou sem o uso de blocos).

Certas condições de teste podem compensar algumas questões levantadas no parágrafo anterior,
utilizando-se delineamentos simultâneos ou amostra subdividida (Split-sample). Um exemplo pode
ser o caso de limpadores onde o respondente limpa uma metade da superfície com um produto e a
outra metade com um segundo produto. Outro exemplo pode incluir xampu aplicado em diferentes
lados da cabeça ou tratamentos para limpeza da pele aplicados em lados diferentes da face ou do
corpo. Deve-se tomar cuidado que a amostra subdividida (Split-sample) seja contrabalanceada entre
os respondentes com o objetivo de evitar as potenciais limitações causadas pela menor habilidade no
uso de uma das mãos (por exemplo, pessoas destras têm menor habilidade de usar a mão esquerda)
e outros vieses.

7.3 Técnicas de entrevista

7.3.1 Autoadministrada

Questionários preenchidos independentemente pelo respondente são referidos como autopreenchidos.


As respostas podem ser coletadas em questionários em papel, em questionários informatizados
ou em questionários administrados pela internet. Cópias em papel têm a vantagem de manter os
dados originais em seu estado real por um período indefinido de tempo. Cópias de questionários
em papel podem ser examinadas conforme a necessidade, se surgirem dúvidas sobre os dados. Os
questionários automatizados de coleta de dados e em internet têm a vantagem de ser um registro
direto da classificação do consumidor, sem influência por qualquer viés humano possível. O maior

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 15/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

risco na coleta de dados é o ambiente de uso doméstico, devido à falta de controle sobre quem
responde o questionário e, portanto, o que a informação realmente representa, se coletada a partir
de questionários em papel ou automatizados.

Os questionários autopreenchidos podem ser tanto em teste de localização central (CLT) como
em teste de uso doméstico (HUT). Os avaliadores treinados usam exclusivamente questionários
Projeto em Consulta Nacional

autopreenchidos.

Um questionário autopreenchido deve ser compreensível pelos respondentes com mínimo ou sem
instruções verbais dadas por um administrador do teste. O questionário é simples e estruturado de
forma lógica e imparcial.

Quando os questionários não atendem a esses critérios, uma entrevista individual pode ser necessária.

7.3.2 Individual

As entrevistas individuais envolvem a obtenção de respostas ou opiniões, ou ambas, a partir de um


respondente por vez, através de um entrevistador, quer pessoalmente (face-to-face) ou via telefone.

O treinamento e a instrução do entrevistador com prática contribuem para uma execução consistente
e previnem falhas por todos os entrevistadores em todos os locais de teste. As instruções incluem o
planejamento de todas as ações e suas contingências para que nenhuma decisão necessite ser tomada
pela agência de campo ou pelo entrevistador. Os entrevistadores são minuciosamente informados e
treinados antes de iniciar a coleta de dados. É fortemente recomendado que as instruções sejam
testadas.

Os entrevistadores registram as respostas dos respondentes às perguntas, depois de serem expostos


a um estímulo. O estímulo pode ser fazendo uma pergunta ou testando um produto.

7.3.3 Considerações para seleção do tipo de entrevista

O viés do entrevistador pode ser a maior preocupação e uma desvantagem potencial com esta
técnica. O teste duplo-cego, em que nem o entrevistado nem o entrevistador conhecem a identidade
do patrocinador ou dos produtos, é imperativo. O viés do entrevistador pode ser ainda minimizado
usando números de código exclusivos para testar os produtos, para melhor mascarar sua identidade
e tornar as tendências mais difíceis para os entrevistadores discernirem.

Se o questionário tiver várias perguntas, o formato de entrevista individual é preferível aos questionários
autopreenchidos, uma vez que a entrevista impedirá que os respondentes leiam com antecedência ou
voltem atrás, o que pode influenciar suas respostas a outras perguntas.

Quando um questionário de estudo de substanciação de alegação envolve ignorar questões


baseadas nas respostas a perguntas anteriores, referidas como ignorar padrões, o formato um a um é
recomendado sobre o formato autopreenchido, a menos que o software de entrevista computadorizada
seja usado para garantir saídas corretas.

7.3.4 Telefone

O uso do telefone para substanciação de alegação geralmente é limitado aos estudos onde os
respondentes não estejam reagindo imediatamente a um estímulo, como fariam em uma avaliação
de sabor, visual ou tátil, mas expressando sua opinião sobre o desempenho de um produto durante
utilização efetiva ou durante um período prolongado de tempo.

16/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

As respostas podem ser coletadas através do telefone por um questionário autopreenchido completado
durante o uso do produto, ou os entrevistadores podem fazer perguntas com base na lembrança dos
respondentes de sua experiência com o produto.

7.4 Tipo de perguntas


Projeto em Consulta Nacional

7.4.1 Ordenação

Quando os respondentes podem comparar blocos de mais de dois produtos, a maneira mais
direta para estabelecer superioridade ou paridade dentro de um grupo de produtos é por meio da
utilização de testes de ordenação. Neste caso, um bloco de produtos é apresentado, simultânea ou
sequencialmente, ao respondente e este é solicitado a ordenar os produtos quanto à preferência ou
outros atributos (ver Seção 15).

Nos casos em que o anunciante está comparando mais produtos do que podem ser acuradamente
ordenados, recomenda-se o uso de delineamentos de Blocos Incompletos:

 a) balanceados (BIB);

 b) parcialmente balanceados (PBIB)[2].

É recomendado que se consulte um estatístico para assistência na construção desses delineamentos.

7.4.2 Preferência

A escolha entre dois ou mais produtos alternativos é a maneira mais direta de estabelecer superioridade
ou paridade, considerando-se o tamanho adequado da amostra.

7.4.3 Aceitação

A escala hedônica de nove pontos tradicionalmente é usada para medir a aceitação sensorial, porque
é confiável, válida e de valor prático. Além de medir o grau de gostar de um único produto ou múltiplos
produtos avaliados sequencialmente, ela mede o grau de diferenças em aceitação e direção de gostar.
Uma diferença suficientemente grande entre as médias em uma escala de aceitação pode levar o
pesquisador a fazer uma inferência sobre a preferência. A escala hedônica pode ser usada com uma
grande variedade de produtos e com instrução mínima aos respondentes. Valores absolutos de gostar
podem mudar ao longo do tempo e entre os grupos, mas as distâncias entre os produtos nas escalas
são reprodutíveis com diferentes grupos de respondentes. Os dados resultantes se adequam às
estatísticas paramétricas robustas. Outras escalas estruturadas, semiestruturadas e numéricas podem
ser usadas efetivamente para testes de aceitação. Ao usar outras escalas, recomenda-se observar
se as distribuições são relativamente normais de modo que estatísticas paramétricas possam ser
utilizadas. Caso contrário, recomenda-se que sejam aplicadas estatísticas não paramétricas.

7.4.4 Atributo/questões diagnósticas

Existem quatro tipos de atributo/questões diagnósticas de uso geral:

 a) hedônica: medem o grau de gostar da intensidade de um atributo individual em um produto (por
exemplo, medir o grau de gostar da intensidade da fragrância de um produto);

 b) preferência: apresentam perguntas sobre a preferência de atributos específicos de produtos,


como a crocância de biscoitos ou a fragrância de sabonetes;

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 17/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

 c) ideal: medem a adequação da intensidade do atributo individual, por exemplo, muito doce, ideal
ou não suficientemente doce;

 d) intensidade: medem o quão intenso é um atributo individual, por exemplo, sem doçura a
extremamente doce, e as perguntas que medem qual produto tem mais ou menos um ou mais
atributo(s) específico(s). Nos testes hedônicos ao consumidor, o pesquisador deve ter informações
Projeto em Consulta Nacional

que demonstram que os consumidores realmente entendem o significado do atributo sensorial.


Por exemplo, os consumidores podem confundir “acidez” e “amargor” ou interpretar “cremosidade”
para significar sabor cremoso, textura cremosa, ou ambos.

Seria inapropriado usar escalas “do ideal” para sustentar uma alegação de intensidade para um
atributo específico do produto. As alegações de intensidades devem ser validadas usando escalas de
intensidade, onde “0” é a âncora para ausência do atributo e um número maior como “9”, “11”, “15”
ou “100” é a âncora para uma quantidade extrema do atributo. Por exemplo, a alegação “mais sabor
de manteiga do que a Marca X”, deve ser substanciada por uma diferença significativa no sabor de
manteiga, ao ser utilizada uma escala apropriada para a intensidade do sabor de manteiga.

7.5 Planejamento do Questionário


7.5.1 Formato

7.5.1.1 Uma vez que os tipos de resposta (por exemplo, aceitação, preferência, diagnósticos e
atributos específicos) e termos de atributos tenham sido selecionados, recomenda-se dar atenção ao
formato do questionário.

7.5.1.2 Embora não exista um formato de questionário perfeito, este é determinado por várias
considerações.

7.5.1.3 Em geral, um questionário bem planejado tem as seguintes características:

 1) incluir componentes-chave (perguntas) relevantes à alegação;

 2) excluir questões não necessárias para sustentar a alegação (isso impedirá qualquer efeito de
viés em potencial de qualquer questão ou questionamento);

 3) proporcionar explicações suficientes e claras ao consumidor sobre a sua utilização;

 4) ser organizado e profissional;

 5) ser de fácil decodificação; e

 6) ser apropriado ao seu método de entrevista (autopreenchido ou aplicado pelo entrevistador).

7.5.1.4 Recomenda-se que o questionário final seja testado antes da sua utilização em testes de
substanciação de alegação. Se os consumidores não compreendem uma pergunta requerida ou não
compreendem um determinado atributo, o questionário pode ser modificado antes do teste quantitativo.
Idealmente, recomenda-se utilizar um pequeno grupo de consumidores (10 a 20) para este propósito,
no entanto, os funcionários da empresa não relacionados com o projeto e não treinados em testes
sensoriais podem ser convidados a participar na avaliação do questionário, mas não a participar do
estudo.

7.5.2 Componentes

Geralmente, existem quatro componentes principais em um questionário de consumidor, conforme


6.5.2.1 a 6.5.2.4.

18/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

7.5.2.1 Instruções para os respondentes ou entrevistadores, ou ambos (no caso de questionários


aplicados por entrevistador).

7.5.2.2 Questões gerais.

7.5.2.3 Perguntas de atributo específico.


Projeto em Consulta Nacional

7.5.2.4 Classificação ou questões demográficas.

7.6 Instruções aos respondentes


Se o questionário for autopreenchido e não houver orientação ou instruções verbais para os
respondentes, recomenda-se que as instruções escritas sejam completas, concisas e claras. Se o
questionário for aplicado pelo entrevistador ou se uma orientação for dada, ou ambas, as instruções
escritas necessitam apenas ser um resumo do processo de avaliação e orientações. Devido a muitos
consumidores não dedicarem tempo suficiente para ler e entender as instruções com cuidado, uma
orientação, juntamente com sucintas instruções escritas, é o procedimento recomendado.

Em geral, instruções escritas devem ser localizadas no início do questionário e incluir o seguinte:

 a) tipo e número de produtos a serem avaliados;

 b) tarefa ou procedimento a ser seguido pelos consumidores (por exemplo, mordida, mastigar,
esfregar, comprimir, limpar, cheirar, aplicar);

 c) instruções especiais para manusear ou usar ou remover produtos, ou uma combinação deles, se
necessário;

 d) indicação do fluxo geral ou os componentes do questionário;

 e) exemplos da utilização da técnica de ordenação ou do questionário; e

 f) instruções sobre o que os consumidores devem fazer após a conclusão de uma avaliação de
amostra e todo o teste.

7.7 Instruções para os entrevistadores


Estas instruções devem ser claras de forma a contribuir para uma execução consistente e prevenir
falhas dos entrevistadores em todos os locais de teste. Instruções adequadas descrevem todas as
ações e suas contingências para que nenhuma decisão seja necessária por parte da agência que
conduz o campo ou do entrevistador. Recomenda-se fortemente que as instruções sejam testadas
e que os entrevistadores sejam minuciosamente informados e treinados antes de iniciar a coleta
de dados. Recomenda-se que os entrevistadores leiam um roteiro preparado para assegurar a
consistência entre os entrevistadores, locais de teste e sessões.

7.8 Questões Gerais


Nesta categoria, existem as perguntas que abordam a impressão geral. Normalmente, essas perguntas
são as mais importantes no teste e necessitam vir em primeiro lugar. Geralmente, perguntar apenas
as questões-chave relacionadas à alegação para minimizar o viés potencial em fazer perguntas
adicionais irrelevantes para a alegação.

Exemplos de questões gerais incluem a aceitação global (ver ABNT NBR ISO 11136); aceitação de
dimensões sensoriais amplas (por exemplo, aparência, odor, sabor, textura/consistência, sensações
táteis, sensações auditivas etc.), e a preferência global (ver ABNT NBR ISO 11136).

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 19/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

7.9 Posicionamento da questão-chave da avaliação do produto

Testes de produto quase sempre têm uma questão geral, como aceitação global, ordenação ou
preferência. A posição no questionário para esta medida global é muito importante em um teste de
alegação.
Projeto em Consulta Nacional

Em testes onde apenas a aceitação ou preferência global é realizada, essas perguntas vêm em
primeiro lugar. Fazer várias perguntas gerais gera o risco de obter resultados conflitantes; entretanto,
em um questionário mais complexo, por exemplo, com atributos, a posição dessas questões deve ser
decidida.

Em geral, assume-se que as questões feitas primeiramente são mais livres de influências ou vieses
que podem afetar as questões posteriores. Se uma alegação for contestada, a extensão na qual
as medidas realmente representem o desempenho do produto é crítica. Quando as alegações são
contestadas, as metodologias são examinadas, a ordem das perguntas e os procedimentos são
revistos, e um julgamento é feito sobre até que ponto a aceitação global/ordenação/preferência é livre
de influências de outros itens ou vieses.

As perguntas que aparecem primeiro irão resistir a tal escrutínio. Em um teste de alegação, mais
confiança é colocada em dados obtidos a partir das primeiras perguntas feitas.

7.9.1 Recomendação sobre onde posicionar as perguntas

7.9.1.1 Testes monádicos ou de um único produto

Testes de produtos em que apenas um produto é avaliado:

 a) uma questão é feita de cada vez, utilizando papel, computador ou entrevistador. Recomenda-se
que a questão-chave relativa à alegação seja posicionada em primeiro lugar. Esta questão é livre
de influências de outras questões e mais defensável sob escrutínio;

 b) questões múltiplas (autopreenchidas), quando o questionário permite que todos os itens sejam
lidos ou revisados, recomenda-se que a questão-chave seja colocada na posição mais logicamente
apropriada, por exemplo, se o que se deseja é a reação hedônica global e imediata do consumidor
sem a consideração de atributos, recomenda-se que ela apareça primeiro.

A questão-chave das alegações pode também ser apresentada no final do conjunto. Por exemplo,
se todos os atributos necessitarem ser avaliados ou o se o produto precisa ser usado de uma forma
específica antes de tomar uma decisão. Exemplos são produtos de cuidado pessoal, como xampu,
ou produtos de uso doméstico, como detergente de louças. Outras questões podem influenciar itens
individuais, uma vez que o respondente pode ler e rever o questionário autopreenchido à vontade.

7.9.1.2 Testes de multiprodutos

Quando mais de uma amostra for avaliada por um respondente em uma apresentação monádica
sequencial, após a avaliação do primeiro produto, as medidas subsequentes serão afetadas por
produtos anteriores e atributos que já foram medidos. Os produtos devem ser sequenciados (ordem
de apresentação balanceada ou aleatória) para minimizar os efeitos da adaptação sensorial, fadiga
e efeitos contextuais. Os efeitos dos atributos só podem ser superados se a questão da aceitação
estiver no fim do questionário, de modo que as influências das medidas do atributo afetem todos
os produtos igualmente. Em qualquer teste de multiproduto, a posição da questão-chave deve ser
consistente de produto para produto.

20/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

7.9.1.3 Testes comparativos de duas amostras

Esses testes, onde os dados de preferência ou ordenação são obtidos, são casos especiais de testes
multiprodutos. Recomenda-se que as questões comparativas que sirvam como dados-chave para
apoiar uma alegação apareçam primeiro. Por conseguinte, estas medidas estarão livres da influência
de outras questões de atributo que possam ser realizadas e, portanto, serão capazes de resistir ao
Projeto em Consulta Nacional

escrutínio.

7.10 Assuntos relacionados à apresentação e contexto geral do texto

Ao se planejar uma pesquisa de alegações, recomenda-se considerar o número de produtos, métodos


de avaliação e desenvolvimento de questionários. Alguns formatos permitem que apenas um item seja
apresentado de cada vez, como em uma entrevista ou por meio de questionários eletrônicos.

Outros formatos permitem que todas as perguntas sejam revisadas ou consideradas como em um
questionário em papel autopreenchido.

Estudos de produto único resultam em avaliações livres de influências de outros produtos. Em testes
de produtos múltiplos, o primeiro produto avaliado e a primeira questão respondida é a única medida
livre de influência e potencial viés. A apresentação e a amostragem de todos os produtos em uma
sessão pré-teste (sessão-piloto) para melhor compreensão do teste pode minimizar alguns dos efeitos
de posição, ordem e carryover em um teste de vários produtos. A posição de uma questão-chave de
medição, entre muitas, é mais importante quando uma única pergunta é apresentada por vez em uma
ordem pré planejada.

NOTA Nos questionários autopreenchidos em papel, a ordem dos itens é menos importante, uma vez que
todas as questões estão disponíveis para revisão a qualquer momento e potencialmente podem influenciar
todos os outros itens.

7.11 Questões sobre atributos específicos

7.11.1 Se as alegações são baseadas nos atributos, questões diretas podem ser feitas. É importante
que sejam questionadas sozinhas ou posicionadas primeiro no questionário para evitar potencial viés.
Questões de atributo são de três tipos e incluem o seguinte.

 a) atributos hedônicos;

 b) atributos de intensidade ou questões de diagnóstico de atributos; e

 c) atributo de preferência.

7.11.2 As questões dos atributos hedônicos coletam informações de aceitação sobre atributos
específicos, por exemplo, combinação de ervas, grau de doçura, absorção, conforto ou brilho do
cabelo.

7.11.3 As questões diagnósticas de atributos coletam informações sobre a intensidade percebida


desse atributo, por exemplo, intensidade de aroma ou sabor frutado, gosto salgado e oleosidade etc.
Nas questões de diagnóstico de atributos, utiliza-se tanto uma escala de intensidade absoluta, por
exemplo, de nenhum ao extremo, como uma escala do ideal, por exemplo, menos intenso/ideal/mais
intenso.

Esta não é muito útil para sustentar as alegações, e desvios de 100 % “do ideal” são susceptíveis de
serem contestados por desafiadores. Se as alegações têm a ver com uma intensidade específica de
um atributo, recomenda-se o uso de uma escala de intensidade.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 21/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

7.11.4 Atributos de preferência podem ser determinados por questões, como, “qual você prefere para
(indicar o atributo de interesse)...”

7.11.5 Essas questões de atributos são usadas tanto isoladamente como em combinação. Quando
mais de uma questão é feita, por exemplo, aceitação e intensidade, recomenda-se que o mesmo
atributo seja utilizado.
Projeto em Consulta Nacional

A seleção desses termos é crítica. No entanto, perguntar sobre um atributo em mais de uma maneira
aumenta o risco de resultados que poderiam ser vistos como inconsistentes, por exemplo, uma
diferença de preferência, sem uma diferença na aceitação.

7.11.6 Recomenda-se que o formato utilizado para as questões sobre os atributos permita aos
consumidores compreender e responder adequadamente a estas questões. O objetivo pode ser
alcançado por meio do descrito em 6.11.6.1 a 6.11.6.4.

7.11.6.1 Convém que o mesmo tipo de escala seja usado em todo o questionário, por exemplo, uma
escala hedônica de nove pontos para todas as perguntas de aceitação de atributos.

7.11.6.2 Convém que sejam utilizadas as mesmas âncoras e o posicionamento das mesmas nas
escalas hedônicas.

7.11.6.3 Convém que as âncoras para as questões de diagnóstico sejam colocadas nas mesmas
posições para todas as perguntas.

7.11.6.4 Convém que se ambas as questões de aceitação e diagnóstico do atributo forem utilizadas,
o formato e a posição das perguntas sejam mantidos constantes em todo o questionário, por exemplo,
ambas as perguntas para o mesmo atributo colocadas lado a lado em todo o questionário, ou a questão
de aceitação do atributo seguida pela questão de intensidade do atributo ao longo do questionário.

7.11.7 Seleção de escala, os dois tipos de medição de dados que podem ser obtidos para atributos são
pontuação e ordenação. A seleção de uma escala é realizada com base nas vantagens e desvantagens
de cada uma, na facilidade de seu uso pelos consumidores e no tipo de dados a serem coletados.

7.12 Questões demográficas ou de classificação

Estas questões são críticas para demonstrar a congruência entre a população e a amostra-alvo. As
perguntas-padrão incluem idade, gênero, etnia, faixa de renda, frequência de uso, formas de uso
de produtos relacionados, por exemplo, caseiro versus pronto para comer e marca usada com mais
frequência. No questionário, questões envolvendo marcas específicas ou formatos de produtos devem
surgir após a avaliação ou existe o risco de que as respostas a essas perguntas possam afetar o
comportamento dos respondentes. Por exemplo, depois de um respondente se comprometer com
uma marca favorita, ele pode procurar e escolher esse produto em um teste de preferência.

7.13 Questões de Preferência

Um procedimento para fazer perguntas de preferência não é facilmente escolhido. Geralmente é aceito
que a maneira mais eficaz de fazer a pergunta de preferência é perguntar aos respondentes quais
dos produtos testados prefeririam sem qualquer referência ao grau de preferência que o respondente
possa ter tido. O questionamento da escolha de “sem preferência” está sujeito a várias opiniões. Os
respondentes podem ter a oportunidade de responder diretamente a opção “sem preferência” no
questionário. Embora esta abordagem seja geralmente aceita, pode ter falhas. É possível que a opção
“sem preferência” quando oferecida aos respondentes, seja escolhida como uma forma de evitar a
escolha, mas também é possível que os respondentes prefiram igualmente ambos os produtos.

22/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

7.13.1 Recomenda-se a inclusão de uma opção “sem preferência”, pois os respondentes podem nem
sempre ter uma preferência do produto. Se houver um número elevado da opção “sem preferência”
para a categoria do produto ou atributo, fazer uma alegação de preferência é arriscado, e recomenda-
se que seja realizada uma avaliação estatística dos riscos.

7.13.2 É importante ressaltar aos usuários desta Norma que o procedimento recomendado em 7.13.1
Projeto em Consulta Nacional

é uma das muitas abordagens sugeridas atualmente. Os concorrentes podem questionar a validade de
uma alegação com base em 7.13.1, porque eles podem ter realizado testes usando uma abordagem
diferente. Além disso, é possível que em uma dada área da indústria, ocorra um consenso quanto a
um formato particular de teste e que este seja preferido em relação a outros.

8 Local do teste
8.1 Quando testes de consumidor em localização central forem conduzidos em instalações de centros
comerciais, particularmente para recrutamento por interceptação ou sob as premissas do fornecedor
da pesquisa ou serviço de entrevistas (para avaliadores recrutados previamente), um outro local,
como por exemplo, um hotel, pode ser usado. Recomenda-se que a instalação não tenha sinais ou
outras informações que possam sugerir o patrocinador do estudo. Testes conduzidos nas instalações
do fabricante do produto nunca são aceitos para substanciação de alegações.

8.2 Quando houver suspeita de que a região geográfica possa ser um fator relevante para
uma alegação, é indicada a condução de testes regionais ou nacionais em um número de locais
geograficamente dispersos. Recomenda-se que alegações locais sejam testadas em mais de uma
localização em uma mesma região (ver 6.2).

8.3 As instalações de teste devem contar com colaboradores de uma organização profissional e
experiente em entrevistas. Para evitar distorções e realizar um teste duplo cego, as pessoas que
preparam os produtos para o teste não podem realizar entrevistas em nenhuma parte do estudo, a
menos que os produtos sejam suficientemente bem descaracterizados de modo que as identidades
de marca não possam ser identificadas (por exemplo, produtos completamente re-embalados ao invés
de recobertos). Supervisores de campo não podem revelar os patrocinadores do teste para nenhuma
das pessoas envolvidas com o teste e preparadores não podem revelar a identificação dos produtos
em teste para os entrevistadores.

8.4 Atividades de preparação não podem afetar o processo de entrevistas. As áreas de preparação
devem operar em silêncio para evitar distrair os respondentes e entrevistadores. Recomenda-se que
a ventilação seja adequada para evitar que odores da área de preparação sejam percebidos na área
de entrevista, por exemplo, se um produto de cuidados pessoais tem uma fragrância, ou um produto
alimentício é queimado acidentalmente. Adicionalmente, recomenda-se que os sistemas de ventilação
forneçam uma circulação adequada de ar entre as amostras, bem como entre os respondentes para
minimizar a transferência inadequada de odores. A área de preparação não pode ser visível para os
respondentes. Com exceção de testes de tabaco, deve ser proibido fumar na área de entrevista.

8.5 Recomenda-se que a área de teste tenha estações separadas para entrevistas, que sejam
suficientemente isoladas para evitar influências visuais ou de voz de entrevistas que estejam em
curso.

8.6 Testes frequentemente demandam instalações com capacidade de refrigeração ou cozimento


e outros itens encontrados na maioria dos lares. A iluminação deve ser adequada para permitir o
impacto visual completo dos produtos em teste, a menos que o teste demande um mascaramento
intencional da aparência do produto.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 23/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

8.7 Tomadas elétricas adequadas devem ser necessárias para testar o produto. Abastecimento de
água é necessário para a maioria dos testes de produtos de lavanderia, limpeza, e preparações de
alimentos ou bebidas, testes de produtos para a pele ou uso de produtos de cuidados pessoais.

8.8 A capacidade de promover um bom fluxo de pessoas é muitas vezes esquecida. Salas com
entrada e saída separadas podem ajudar.
Projeto em Consulta Nacional

8.9 Cada teste tem diferentes requisitos de instalação e a agência precisa conhecer os requisitos
específicos para o teste proposto.

9 Testes conduzidos por agências: Alimentos e produtos não alimentícios


9.1 Cada teste é único em seus requisitos e execução. A completa preparação para um estudo inclui
estratégias claras para a coleta de dados e referências para o planejamento, preparação e finalização
do estudo.

9.2 A documentação do protocolo é fornecida a todas as agências contratadas o mais cedo possível
antes do teste. São recomendadas duas semanas, quando possível. Ele é um detalhamento do
conteúdo do estudo incluindo os requisitos do processo, tais como critérios de seleção, armazenamento
do produto em teste, suprimentos e quaisquer outras limitações do estudo. É fundamental que em
toda documentação do protocolo sejam informados todas as especificidades do processo em tantos
detalhes quanto possível.

9.3 As restrições de tempo compreendem a data prevista ou esperada do teste, o período de tempo
necessário para cada avaliador completar o teste, o número de dias necessário e o período do dia. As
restrições de tempo ajudam a agência a determinar o local (ou locais) do teste, a equipe necessária
para realizá-lo e a quantidade de tempo para completá-lo, e a negociar a data que o cliente espera
receber os resultados.

9.4 O protocolo do teste fornece a documentação específica para permitir à agência completar o
teste efetivamente. Detalhes de propriedade da empresa requerente podem ou não ser necessários,
mas um acordo de confidencialidade é altamente recomendado. A agência precisa conhecer o número
necessário de respondentes, o número de produtos a ser testado, instruções mais detalhadas, incluindo
a temperatura do produto, aplicação ou função (como o produto vai ser usado, por exemplo, aplicado
na pele, ingerido ou descartado) e os métodos desejados na documentação dos resultados do estudo.
A escolha dos testes pode incluir comparações pareadas, delineamentos monádicos sequenciais,
ou algum dos muitos outros delineamentos para avaliação de múltiplos produtos. É necessária a
aleatorização dos produtos em estudo para minimizar o viés de ordem de apresentação.

9.5 Para recrutar/selecionar avaliadores, a agência precisa de instruções referentes a informações


demográficas dos avaliadores, que podem incluir, entre outras coisas, faixa etária, renda, gênero,
etnia, categoria e marca usada, frequência de uso, tamanho da família, e hábito regional. Recomenda-
se também documentar alergia(s), quando apropriado. Outras instruções podem ser necessárias para
as alegações almejadas. O tempo de teste é dimensionado a fim de definir a disponibilidade dos
avaliadores para atender e completar os requisitos do teste.

9.5.1 A agência é responsável por confirmar que os avaliadores entendam e aceitem suas
responsabilidades antes que participem do estudo. Termo de consentimento e acordos de
confidencialidade são assinados e retidos como parte do estudo.

9.5.2 Critério para qualificação e eliminação (não qualificação) de avaliadores é de responsabilidade


do fabricante ou cliente da agência. A agência é responsável pela manutenção dos registros de

24/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

qualificação e não qualificação (eliminação) dos avaliadores, que incluem as razões claras por terem
sido eliminados.

9.6 A agência é responsável por disponibilizar um número suficiente de funcionários no local para
administrar o teste. Instruções claras detalhando os vários papéis que os indivíduos podem ter
que exercer para executar o estudo com sucesso são de responsabilidade do cliente. Preparação
Projeto em Consulta Nacional

do produto no local, manuseio especial, apresentação, armazenamento e outras variáveis podem


demandar funcionários adicionais da agência.

9.6.1 A maioria dos testes que sustentam alegações requer o formato duplo cego se a preparação
for uma parte da apresentação do produto. É desejável que o preparador e o entrevistador sejam
pessoas diferentes para minimizar o conhecimento do produto.

9.6.2 Questionários complicados podem requerer entrevistadores adicionais para aplicação e


uma equipe extra para supervisionar os entrevistadores. Alguns produtos sensíveis tais como os
específicos para consumidores masculinos ou femininos podem demandar treinamento adicional
dos entrevistadores, supervisão extra ou ambos. Recomenda-se que o fabricante, cliente ou agência
testem previamente a execução ou o questionário várias vezes para determinar uma estimativa
razoável do tempo requerido por avaliador. Isso possibilita à agência de teste designar funcionários
suficientes para assegurar que o teste seja conduzido apropriadamente e que o avaliador não se sinta
pressionado contra o tempo. Questionários de autopreenchimento também demandam testes prévios,
já que a determinação de uma quantidade de tempo razoável para completar o questionário tem que
ser considerada para que a agência planeje o espaço de suas instalações e seus funcionários.

9.7 Testes com consumidor normalmente requerem envio do produto antes da data do teste. A
agência precisa saber qual a previsão do envio do produto, data prevista de chegada, requisitos
de armazenamento (temperatura ambiente, ar-condicionado, refrigerado ou congelado), o período
de tempo que o produto precisa estar sob as condições de armazenamento estabelecidas, como o
produto deve ser manuseado assim que a agência o receber, além de qualquer instrução especial.
Garantias de segurança dos produtos, como laudos de microbiologia e declarações de alergenicidade
devem ser fornecidas, se for o caso.

9.7.1 Requer-se da agência um planejamento prévio, se houver instruções especiais para


manuseio do produto. Por exemplo, se um produto deve ser despachado congelado, descongelado
e então preparado para o estudo, a agência precisa programar seus funcionários para seguirem as
orientações dos seus clientes. Além disso, se um produto requer preparo que demande um conjunto
de habilidades específicas, o cliente deve incluir o tempo esperado, fornecer as instruções para a
agência e qualquer habilidade especial requerida. Produtos que requeiram preparação podem
também demandar equipamento especializado. A quantidade de equipamentos, tamanho, instruções
de limpeza, temperatura, iluminação, nível de ruído e outros fatores críticos são também informações
importantes a comunicar à agência. Recomenda-se que as instruções indiquem claramente como o
produto será apresentado ou exibido, ou ambos, como o produto será servido, bem como o tamanho
das porções e outros controles que sejam necessários.

9.7.2 Após o avaliador terminar a avaliação do produto, a agência precisa de instruções completas
de descarte para proteger informações de propriedade do cliente. Especificar se o produto é protegido
(por confidencialidade) e deve ser retornado, se o produto puder ser reutilizado ou como deve ser
descartado.

9.8 Requisitos da instalação refletem os requisitos de manuseio do produto. A preparação do produto,


o período de tempo que cada avaliador precisa, o tipo de entrevista, e vários outros fatores determinam
os requisitos da instalação. Instalações para produtos não alimentícios devem considerar a inclusão

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 25/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

de cabines para testes de fragrância e acessibilidade a equipamentos ou dependências domésticas


(por exemplo, máquinas de lavar, fogão e banheiros). O cliente é responsável por selecionar uma
agência que atenda a todos os requisitos do teste e comunicar adequadamente esses requisitos
à agência.

9.9 Roteiros do entrevistador mantêm a consistência na coleta de dados. Desvios do roteiro podem
Projeto em Consulta Nacional

impactar os resultados do estudo, portanto, o roteiro deve ser seguido textualmente, sem adições,
subtrações, ou variação de entonação.

Algumas agências oferecem serviços de redação de roteiros e podem trabalhar com o cliente para
desenvolver roteiros apropriados, assim como treinar os funcionários da agência para conduzirem
a entrevista conforme estipulado. Se os funcionários da agência conduzem a entrevista ou se o cliente
traz um entrevistador, um ensaio prévio das questões da entrevista pode proteger a integridade
do estudo.

9.10 Questionários na forma de papel ou pelo computador, podem ser lidos por um entrevistador
ou autopreenchidos pelo avaliador. Cada método pode demandar uma quantidade de tempo diferente
para completar, consequentemente, o cliente deve esclarecer com a agência que método deve ser
usado e recomenda-se que seja determinada uma estimativa razoável do tempo que cada avaliador
precisa para completar o questionário.

9.10.1 As instruções escritas em cada questionário devem ser consistentes para que cada avaliador
receba os mesmos estímulos. Ligeiras nuances nas instruções podem influenciar a perspectiva que
os avaliadores têm do estudo ou do produto, criando outra (embora não intencional) variável que pode
impactar os resultados do estudo.

9.10.2 Todas as instruções especiais devem estar em cada questionário, tal como o tipo de utensílio
de escrita (por exemplo, lápis nº 2 se os questionários são digitalizados eletronicamente). É indicado
que técnicas tais como aplicação de cremes, loções, ou cosméticos, tempo requerido para o registro
de respostas pós-uso e qualquer outra instrução especial seja adicionada ao questionário.

9.10.3 Uma vez que um computador seja usado para o questionário do estudo, então o gerenciamento
dos dados, a formatação, e o método de transferência dos dados devem ser incorporados
na documentação do estudo fornecido pela agência.

9.11 As instruções de verificação e registro de dados devem ser inequívocas para assegurar que
os dados requeridos sejam coletados e arquivados. O cliente deve comunicar à agência se as respostas
às questões do estudo e produtos testados devem ser vinculadas a cada avaliador, para que a agência
possa incorporar métodos de identificação. Se forem solicitadas declarações voluntárias, o método
de registrar essas declarações deve ser predeterminado. Supervisores devem estar no local para
garantir que a agência não está criando ou preenchendo dados de entrevistas de pessoas que não
participaram do estudo.

9.11.1 Observadores de uma terceira parte podem ser usados para verificar os vínculos entre produtos,
questionários e avaliadores. Para sustentação de alegações, é aconselhável incorporar observadores
da terceira parte, mesmo que os observadores sejam requeridos apenas para confirmar se todas
as questões do questionário foram respondidas ou apenas para observar o estudo. Validar um mínimo
de 10 % dos casos por telefone é uma prática-padrão na indústria. Se existirem anomalias nesses
10 %, recomenda-se então que até 100 % dos dados sejam validados.

9.11.2 Para efeitos legais, é recomendado manter todos os dados e a documentação de suporte,
conforme a ABNT NBR ISO/IEC 17025[3].

26/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

9.12 As diretrizes para submissão dos dados são informações críticas para o cliente fornecer
à agência. Exemplos de diretrizes necessárias são: quem recebe os dados, quando os dados devem
ser submetidos, se relatórios parciais são requeridos, e como formatar os dados para submissão (por
exemplo, baseado na Web, cópia escrita, e-mail e assim por diante). O banco de dados usado para
coletar os dados deve ser compatível com o sistema de análise, e para sustentação de alegações,
os questionários originais precisam ser devolvidos ao cliente como uma verificação final.
Projeto em Consulta Nacional

10 Documentos a serem retidos nas pesquisas de substanciação de alegações


sensoriais
10.1 O controle de documentação é importante para testes científicos robustos, com informações
suficientemente claras de modo a permitir que o trabalho seja reproduzido. Os documentos
ou registros, podem ser de papel ou eletrônicos, ou ambos. Eles podem incluir, mas não estão limitados
a alguns dos elementos descritos a seguir. Os elementos apropriados devem ser selecionados com
base no tipo de teste ou categoria de produto, ou ambos. Esses registros permitem uma revisão
e avaliação independente do seguinte:

 a) aderência às diretrizes existentes para os testes de substanciação de alegações;

 b) a objetividade dos procedimentos de teste;

 c) o rigor da implementação; e

 d) a acurácia dos resultados obtidos.

10.2 Os revisores legais ou outras partes interessadas podem solicitar os seguintes documentos,
incluindo agências governamentais. Consultar a equipe jurídica ou a política de retenção de documentos
da empresa para orientação adicional [por exemplo, quanto tempo reter os documentos, onde reter os
documentos (empresa que faz a alegação, fornecedor da pesquisa, etc.)].

As alíneas a seguir também são úteis como elementos a serem considerados ao planejar o
delineamento, a execução e as análises do estudo.

 a) Declaração das alegações desejadas, datada para mostrar as alegações desejadas especificadas
antes da implementação do teste.

 b) Plano de teste, incluindo:

 1) objetivo específico do teste;

 2) padrão de ação/critérios de decisão;

 3) documentos de referência que orientam o projeto de pesquisa e abordagem;

 4) método;

 5) respondentes: número, documento de triagem, método de recrutamento, agência que


recrutou, banco de dados do qual foram extraídos;

 6) produtos: número, marca, data de fabricação/validade, onde foi adquirido/produzido;


responsável pela compra; documentos de remessa; fotografia dos produtos no local de
teste (cópia dos rótulos dos produto/declarações dos ingredientes); códigos de produto (por
exemplo, um lote ou lotes múltiplos); codificação das amostras;

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 27/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

 7) rodízio de apresentação do produto;

 8) delineamento do teste;

 9) procedimento: descreva como os respondentes experimentaram os produtos (por exemplo,


instruções de uso do produto, quantidade média de tempo) e como os dados foram coletados;
Projeto em Consulta Nacional

descreva o ambiente de teste;

 10) instruções aos respondentes, questionário(s)/ficha(s).

 c) instruções de condução do estudo/campo (coleta de dados);

 d) instruções ao entrevistador;

 e) filtro para triagem/recrutamento;

 f) refiltro;

 g) termo de consentimento livre e esclarecido;

 h) descrição dos produtos de limpeza da boca ou outros itens auxiliares (quando relevante);

 i) fotografia das amostras do produto e embalagem como foram apresentados aos respondentes;

 j) fotografia do ambiente de teste/como o produto realmente foi avaliado no teste de localização
central (CLT);

 k) datas do teste;

 l) localização dos testes;

 m) descrição de como os produtos foram adquiridos, enviados, armazenados, manuseados,


preparados e descartados durante todo o processo de teste. Para alguns produtos, a documentação
do retorno do produto pelo consumidor;

 n) documentação de compra e envio dos produtos;

 o) dados brutos: fichas de papel ou banco de dados eletrônico;

 p) método de validação dos dados (por exemplo, no caso de ficha em papel a serem inseridos em
um banco de dados);

 q) método de análise de dados e resultados;

 r) relatório final circulado internamente ou externamente, ou ambos (por exemplo, registro do
produto).

11 Métodos de teste em laboratório


11.1 Métodos sensoriais de laboratório

Incluem testes discriminativos e descritivos, visam determinar se existe diferença nas propriedades
sensoriais dos produtos e, no caso dos métodos descritivos, descrevem e quantificam essas

28/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

diferenças. Esses métodos fornecem dados objetivos em relação aos que os seres humanos podem
perceber sem considerar a preferência pessoal, e não são apropriados para alegações de preferência
ou aceitabilidade.

11.1.1 A aplicação de métodos sensoriais de laboratório para sustentação de alegações é destinada


para comunicar:
Projeto em Consulta Nacional

 a) atributos de produto;

 b) alegações gerais de aumento, diminuição ou igualdade em atributo(s) específico(s), e

 c) alegações da magnitude de diferença entre os produtos.

11.1.2 A aplicação apropriada desses métodos para substanciação das alegações requer uma
consideração cuidadosa dos seguintes fatores:

 a) os avaliadores devem ser treinados e experientes no método do teste selecionado;

 b) os avaliadores devem estar familiarizados com o significado dos descritores dos produtos usados
no teste.

11.1.3 A falta de experiência com o método de teste ou um mal entendimento do significado dos
atributos e suas definições podem contribuir para que sejam tiradas conclusões inapropriadas dos
dados. A ABNT NBR ISO 13299 contém informações sobre a apropriada aplicação e interpretação dos
dados gerados por painel sensorial.

11.2 Tipos de Testes

11.2.1 Testes de Diferença Global/Discriminativos

Esses testes determinam se existe uma diferença sensorial perceptível entre duas amostras. Essa
diferença pode ocorrer por um número qualquer de razões incluindo diferenças nos ingredientes,
mudanças no processo, mudanças de embalagem e assim por diante. Testes comuns de diferença
global incluem os testes descritos em 11.2.1.1 e 11.2.1.2:

11.2.1.1 Teste Triangular

Três amostras cegas e codificadas são apresentadas simultaneamente ou sucessivamente aos


avaliadores. Duas amostras são iguais e uma é diferente. É solicitado ao avaliador identificar a amostra
diferente (ver ABNT NBR ISO 4120).

11.2.1.2 Teste Duo-Trio

Duas amostras são iguais e uma é diferente. Uma das amostras iguais é codificada como R
(referência). É solicitado ao avaliador que identifique a amostra igual ou diferente da referência
(ver ABNT NBR ISO 10399).

11.2.2 Testes de Diferença de Atributos

Nesses testes, o atributo de interesse é definido antes do teste, e os avaliadores são treinados para
serem capazes de identificar o atributo em questão e selecionar ou pontuar a intensidade relativa
deste atributo. Não é necessário avaliar cada atributo presente, apenas aqueles que estão sendo
considerados na alegação.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 29/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

11.2.2.1 Teste de Diferença Direcional

Esse teste é usado para determinar se uma amostra tem uma característica sensorial particular em maior
intensidade que a outra amostra. Duas amostras são apresentadas, simultânea ou sucessivamente,
e o avaliador escolhe a amostra que tem a maior intensidade da característica especificada (ver
ABNT NBR ISO 5495).
Projeto em Consulta Nacional

11.2.2.2 Testes de Diferença de Atributos por Escala

Esse teste também determina se um ou mais atributos específicos diferem entre duas amostras. As
intensidades dos atributos são medidas em escalas mostrando vários graus de intensidade. Um ou
mais atributos específicos do produto que se relacionem à alegação são avaliados. As amostras são
apresentadas e a tarefa dos avaliadores é avaliar e atribuir a cada amostra de teste um valor para
refletir a intensidade do(s) atributo(s) designado(s) (ver ABNT NBR ISO 4121).

11.2.3 Teste Descritivo

Um teste descritivo é uma caracterização completa, detalhada e objetiva dos atributos sensoriais
de um produto, que mede alguns ou todos os parâmetros sensoriais percebidos em um produto ou
material (visual, auditivo, olfativo, sinestésico e assim por diante) usando avaliadores selecionados
e qualificados que foram especificamente treinados para esse objetivo. Esse método fornece
informações dos atributos sensoriais percebidos e das intensidades de cada um dos atributos
sensoriais, identificando assim diferenças específicas entre os produtos em termos quantitativos (ver
ABNT NBR ISO 13299).

11.3 Vantagens e limitações do uso de painéis descritivos treinados em pesquisas de


sustentação de alegações

11.3.1 Painéis descritivos treinados são úteis para determinar, objetivamente, diferenças nas
características sensoriais que são percebidas quando a alegação é focada em atributo ou desempenho,
não preferência ou aceitabilidade. Atributos devem ser medidos objetivamente (mais sabor de manteiga)
e não subjetivamente (melhor sabor de manteiga). Por exemplo, um teste de diferença global pode
demonstrar que não há mudança nas características sensoriais de uma bebida devida à mudança
de embalagem, assim permitindo a alegação “tem o mesmo sabor que o engarrafado”. Um painel
descritivo treinado pode mostrar que uma formulação específica oferece um benefício anunciado, por
exemplo, medindo a duração de uma fragrância comparada a outra formulação, permitindo a alegação
“agora mais duradoura”.

11.3.2 Painéis descritivos treinados são ferramentas sensíveis para a detecção de grandes e
pequenas diferenças de produto. Essa sensibilidade e precisão são também sua limitação. Avaliadores
treinados podem encontrar características de produto e detectar diferenças que consumidores típicos,
não treinados, não poderiam. Alegações são planejadas para criar uma expectativa no consumidor
de modo que ele vivencie a experiência informada na alegação ao usar/consumir o produto. Se o
consumidor não conseguir percebê-la, então não é recomendado que a alegação pressuponha que a
diferença percebida pelo painel treinado é algo que o consumidor notaria.

11.3.3 Caso se pretenda que a alegação em questão seja interpretada como representando a
experiência do consumidor, então tal esta afirmação é defensável apenas se for conhecida a relação
entre as respostas do painel treinado para os produtos e a avaliação do consumidor. Quanto mais
os dados descritivos e de consumidor convergirem, mais convincente a alegação. Em suma, dados
descritivos e de consumidor convergentes tornam uma alegação significativamente menos vulnerável
às críticas que quando comparados às alegações baseadas em dados de painel descritivo ou de
consumidor, isoladamente.

30/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

11.3.4 Ao se correlacionar dados de painel descritivo e de consumidor, convém tomar cuidado para
garantir que haja uma razoável tradução dos termos. Por exemplo, dados de painel treinado separam
o gosto doce do aroma doce, enquanto os consumidores integrariam os dois. As correlações podem
não serem possíveis em casos onde os consumidores não tenham as habilidades necessárias para
medir ou avaliar o(s) atributo(s) em questão. Por exemplo, dados de painel treinado podem sustentar
a alegação de “mais sabor de açafrão, ” mas a maioria dos consumidores não seria capaz de medir
Projeto em Consulta Nacional

essa alegação. Correlações entre painel treinado e o consumidor podem não ser necessárias em
casos onde a alegação é usada para chamar a atenção do público para um atributo que pode ser novo
ou exclusivo.

EXEMPLO “Nós temos um “crec” em cada mordida.”

11.3.5 Observar que avaliadores de painel treinados são diferentes de especialistas/expert, os


quais são provenientes de pessoas que tenham vasta experiência com o produto ou categoria de
produto. Especialistas/expert podem ou não serem capazes de expressar a percepção de diferenças
ou descrições sobre os produtos em termos que podem ser referenciados por normas ou tratados
estatisticamente, e não são apropriados para substanciações de alegações de publicidade e rotulagem.

12 Planejamento de teste em laboratório


O principal objetivo dos painéis de laboratório, sejam testes descritivos, discriminativos ou de diferença
de atributos, é proporcionar uma análise sensorial objetiva de um produto. No caso de substanciação
de alegações, a avaliação normalmente foca em somente um ou dois atributos do produto em vez
da descrição completa do produto. Estes testes podem ser utilizados para sustentar alegações de
atributos específicos como “produto mais grosso/espesso”, “Menos doce”, “Possui mais sabor de
queijo”.

Recomenda-se que o planejamento de teste e questionários para os testes de laboratório assegurem


que os dados descritivos/de diferença sejam coletados de uma maneira objetiva e sistemática. É
indicado que o objetivo do teste e a hipótese sejam claramente definidos antes do início do teste e que
todos os procedimentos do teste sejam focados neste objetivo, de tal forma que o planejamento do
teste substancie a alegação específica, que é desejada, de uma forma breve e concisa.

Recomenda-se que os avaliadores utilizados para comprovação de alegações sejam experientes


e familiarizados com a metodologia do teste. É indicado que avaliadores descritivos possuam um
treinamento extensivo na metodologia descritiva, experiência considerável em avaliar produtos, e sejam
treinados especificamente no produto em estudo. É indicado que, durante o treinamento descritivo,
sejam utilizadas referências relevantes para o produto e atributos a serem avaliados. Recomenda-se
que haja documentação sobre o nível de experiência e o tipo de treinamento recebido.

Considerar a origem dos avaliadores para comprovação de alegações. Se o painel for utilizado
rotineiramente para avaliar o produto, pode haver um potencial para um viés. Se o painel for familiarizado
com o produto ele pode inadvertidamente descrevê-lo de forma diferenciada; por exemplo, dar valores
mais altos para o sabor de leite em uma margarina porque o painel é mais familiarizado com este
sabor do que se o painel nunca tivesse visto este produto antes. Se um viés como esse for detectado,
não se recomenda que o painel interno da empresa seja utilizado para substanciar a alegação.

Recomenda-se que o protocolo do teste seja revisado por outros colaboradores do time técnico e com
o departamento jurídico para assegurar a responsabilidade em todos os potenciais pontos de risco.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 31/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

12.1 Aquisição do produto


Um painel de laboratório deve testar amostras representativas do produto. Para se obter uma amostra
representativa, o melhor é testar réplicas de amostras para cada marca, que foram obtidas em várias
localidades representativas e de vários centros de distribuição. Recomenda-se que a obtenção
e o manuseio das amostras sejam realizados conforme um rigoroso protocolo e que todas essas
Projeto em Consulta Nacional

informações sejam cuidadosamente documentadas.

Recomenda-se que as amostras sejam selecionadas e manuseadas da mesma forma rigorosa como
a descrita na Seção 6.

12.2 Delineamento do experimento


É necessário determinar o delineamento estatístico específico, caso a caso; entretanto a seguir estão
descritos alguns dos mais importantes fatores que devem ser considerados quando o planejamento
estatístico está sendo delineado.

O planejamento de um teste discriminativo depende do método de teste selecionado. O número de


avaliadores é a chave para assegurar o poder adequado do teste, razão pela qual é indicado que seja
integralmente discutido com estatísticos e jurídico antes de conduzir o teste. O número de amostras
a serem avaliadas é determinado pelo método; por exemplo, três amostras são avaliadas no teste
triangular.

Repetições são essenciais nos testes com painéis descritivos e recomenda-se que o número de
avaliadores e repetições seja determinado antes da condução do teste. Três tipos principais de
variabilidade devem ser considerados no planejamento de estudos para a substanciação de alegações:

 a) erro de medição: repetibilidade individual do avaliador.

Este erro pode ser calculado ao se ter cada avaliador testando mais de uma vez uma amostra
em particular;

 b) erro experimental: variabilidade entre os avaliadores.

Este erro pode ser calculado por meio do uso de mais de um avaliador para testar cada
amostra.

 c) variabilidade do produto: variação lote a lote. Este erro pode ser calculado ao se testar lotes
múltiplos e representativos de um produto.

O número de amostras que um avaliador descritivo avalia em uma sessão é importante, pois amostras
em excesso podem causar fadiga sensorial. Estas ocorrências não são suscetíveis de serem de grande
consequência em testes de substanciação de alegações devido ao número limitado de amostras e
atributos a serem avaliados.

12.3 A coleta de dados


No caso dos testes discriminativos, o tipo de dado coletado é determinado pelo método de teste.

Recomenda-se que para substanciação de alegações, os avaliadores descritivos avaliem


individualmente cada amostra. Não é indicada a utilização do formato de consenso do grupo na análise
descritiva, pois isto será questionado de acordo com o potencial viés do grupo.

É essencial explicitar sobre a técnica recomendada para avaliar as amostras. Recomenda-se que
durante a fase de coleta de dados, o líder do painel assegure que o protocolo de teste está sendo
estritamente seguido.

32/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

12.4 Análise dos dados (ver Seção 15)


Recomenda-se que qualquer análise de dados seja revisada por um profissional habilitado em
estatística.

É indicado que a análise dos dados seja feita de acordo com o delineamento estatístico. Uma análise
típica para dados descritivos é um cálculo inicial de médias e desvios estatísticos. Posteriormente é
Projeto em Consulta Nacional

realizada a análise de variância para determinar os efeitos significativos. Finalmente, uma técnica de
comparação múltipla, como o teste de Tukey, é utilizada para determinar quais amostras diferiram
significativamente.

A análise do teste Duo-Trio é baseada na probabilidade de, não existindo diferença detectável, a
amostra diferente deve ser selecionada ao acaso metade das vezes. A análise do teste Triangular
é baseada na probabilidade de, não existindo diferença detectável, a amostra diferente deve ser
selecionada ao acaso um terço das vezes. Os dados são analisados utilizando-se o teste binomial ou
qui-quadrado.

A análise da comparação pareada é baseada na probabilidade de não existindo diferença detectável, a


amostra diferente ser selecionada ao acaso metade das vezes. Os dados são analisados utilizando-se
o teste binomial.

13 Elaboração do questionário
13.1 Questionários usados em testes discriminativos são especificados pelo método de teste. O foco
do questionário é na seleção da amostra diferente das outras, tanto com relação à diferença global
como em relação à maior ou menor intensidade de um atributo específico.

13.2 O objetivo principal dos testes de um painel descritivo é fornecer uma descrição acurada de um
produto em termos dos seus atributos percebidos e suas intensidades.

13.3 Um questionário para um painel descritivo pode ser elaborado de várias maneiras; porém, o
mais importante é que o questionário seja breve, incluindo somente os atributos necessários para
estabelecer ou suportar a(s) alegação(ções). Recomenda-se utilizar as perguntas de um formulário de
avaliação mais abrangente e consolidado e escolher os atributos específicos necessários para testar
as alegações e, desta forma, eliminar ou reduzir o tempo para a condução de qualquer treinamento
específico.

13.4 Se um treinamento específico for necessário, recomenda-se que ele seja realizado com
produtos ou materiais relevantes, ou ambos, o(s) qual(is) referencia(m) o produto específico em
estudo. Selecionar avaliadores com experiência em avaliar produtos ou atributos similares, ou ambos,
necessários para validar e defender a alegação. Recomenda-se a condução de testes-piloto para
detectar qualquer deficiência metodológica ou no questionário e para confirmar a aplicabilidade e
precisão.

14 Instalações
14.1 Ambiente
14.1.1 Ao selecionar uma instalação, para conduzir um teste de alegações, considerar aspectos do
ambiente como cor, iluminação e controle do ar, especificamente temperatura e umidade. Recomenda-
se que a área de avaliação seja livre de distrações, vindas de outros avaliadores, pessoal de laboratório
ou quaisquer outros ruídos.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 33/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

14.1.2 O ideal é escolher móveis com cores naturais para a área de avaliação e as paredes de cor
neutra para prevenir contra efeitos indesejados de cor na amostra de produto a ser avaliado.

14.1.3 A maioria dos testes não requer iluminação especial. Iluminação livre de sombras em uma
intensidade normalmente encontrada em uma área de escritório é adequada para a maioria dos estudos.
Exceção se dá quando atributos de aparência estão sendo avaliados, requerendo a especificação e
Projeto em Consulta Nacional

documentação das condições de iluminação.

14.1.4 Idealmente, é recomendado que a área de testes sensoriais seja mantida a, aproximadamente,
22 ºC a 25 °C, com uma umidade relativa entre 45 % e 55 %. É recomendada uma ventilação capaz
de eliminar odores estranhos, particularmente se aromas ou fragrâncias estão sendo avaliados.

14.2 Projeto da Instalação

O projeto da instalação e os requerimentos gerais do espaço dependem do número e natureza dos


testes conduzidos e dos tipos de produtos. A ABNT NBR ISO 8589 contém exemplos de diferentes
projetos e leiautes.

15 Análises estatísticas
15.1 Estudos de comparação pareada de preferência

O desenvolvimento do planejamento de amostragem para testes de produtos para sustentar as


alegações envolve mais do que os critérios estatísticos. É amplamente reconhecido que a tentativa de
coletar uma amostra aleatória simples é impraticável e que as amostras por agrupamentos, por exemplo,
múltiplas CLT em diferentes cidades com quotas são alternativas aceitáveis. As subseções 6.1 e 6.2
detalham abordagens de amostragem para assegurar que estas se aproximem adequadamente da
população à qual se pretende aplicar a alegação. Por outro lado, esta subseção centra-se na análise
dos resultados de preferência, abordando as duas formas de alegação, superioridade e paridade, sob
o pressuposto de que a amostragem dos dados pode ser tratada como tendo origem a partir de uma
amostra aleatória simples.

15.1.1 Alegações de superioridade

Para sustentar uma alegação de superioridade, é preciso que uma proporção estatisticamente
significativa dos respondentes prefira o produto do anunciante.

O teste binomial pode ser usado para analisar os dados, uma vez que as respostas para “nenhuma
preferência” sejam divididas igualmente entre os dois produtos. Se um número ímpar de respondentes
expressar “nenhuma preferência”, recomenda-se que o voto extra de “nenhuma preferência” seja
atribuído ao concorrente. Especificamente, se n1 é o número de pessoas que preferem o produto do
anunciante e n0 o número de pessoas que expressaram “nenhuma preferência”, conforme a seguir:
n
x = n1 + 0 quando n0 é número par (1)
2
(n − 1) quando n0 é número ímpar
x = n1 + 0 (2)
2
A variável “x” pode então ser comparada ao valor de corte para significância encontrado em uma tabela
binomial para o nível de significância desejado, tal como na Tabela 1, embora a distribuição exata não
seja binomial. Utilizando este procedimento, o erro Tipo 1 nunca é maior do que o valor nominal. Para
usar a Tabela 1, n é o número total de pessoas participantes do estudo e verifique o valor de x como
indicado anteriormente. Para tamanho de amostras maiores do que as apresentadas na Tabela 1,

34/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

o valor de corte pode ser determinado diretamente a partir da distribuição binomial. Independentemente
do nível de significância do teste, se a porcentagem de pessoas que expressam “nenhuma preferência”
for 20 % ou mais, recomenda-se que a alegação de preferência não seja feita (uma forte justificativa
técnica é necessária para exceder esta diretriz). Outras abordagens analíticas podem ser apropriadas,
mas requerem justificativa. Se o critério estatístico não for aprovado a partir da análise dos dados na
sua totalidade, o anunciante ainda pode fazer uma alegação de preferência, desde que a análise,
Projeto em Consulta Nacional

excluindo as “não preferências”, mostre significância, e o anúncio inclua uma referência adequada ao
fato de que a alegação se baseia “naqueles que expressaram uma preferência”.

EXEMPLO 1 Em um teste de preferência com 204 consumidores (n), 100 consumidores escolheram
o produto do anunciante (n1), 90 escolheram o produto do concorrente e 14 “nenhuma preferência” (n0).
Dividindo o número de “nenhuma preferência” igualmente temos 107 (x) de contagem final para o produto
do anunciante. Com um tamanho de amostra de 204 (n), determina-se pela Tabela 1 que 115 julgamentos
de preferência são necessários para o anunciante declarar significância estatística ao nível de 95 %. O
anunciante não atingiu esta exigência e não pode alegar superioridade com base neste teste.

EXEMPLO 2 Em um teste de preferência com 221 consumidores (n), 120 consumidores escolheram
o produto do anunciante (n1), 90 escolheram o produto do concorrente e 11 “nenhuma preferência” (n0).
Dividindo o número de “nenhuma preferência” igualmente temos 125 (x) de contagem final para o produto
do anunciante e 96 para o concorrente. Observar que a contagem de sobra após a divisão igualitária foi
atribuída ao concorrente. Com um tamanho de amostra de 221 (n), determina-se pela Tabela 1 que 124
julgamentos de preferência são necessários para o anunciante declarar significância estatística ao nível de
95 %. O anunciante atingiu esta exigência e pode alegar superioridade com base neste teste.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 35/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Tabela 1 – Número de respostas para teste de superioridade unilateral


n 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
10 9 9 10 10 11 12 12 13 13 14
20 15 15 16 16 17 18 18 19 19 20
30 20 21 22 22 23 23 24 24 25 26
40 26 27 27 28 28 29 30 30 31 31
Projeto em Consulta Nacional

50 32 32 33 33 34 35 35 36 36 37
60 37 38 38 39 40 40 41 41 42 42
70 43 43 44 45 45 46 46 47 47 48
80 48 49 49 50 51 51 52 52 53 53
90 54 54 55 55 56 57 57 58 58 59
100 59 60 60 61 61 62 62 63 64 64
110 65 65 66 66 67 67 68 68 69 69
120 70 71 71 72 72 73 73 74 74 75
130 75 76 76 77 78 78 79 79 80 80
140 81 81 82 82 83 83 84 84 85 86
150 86 87 87 88 88 89 89 90 90 91
160 91 92 92 93 94 94 95 95 96 96
170 97 97 98 98 99 99 100 100 101 101
180 102 103 103 104 104 105 105 106 106 107
190 107 108 108 109 109 110 111 111 112 112
200 113 113 114 114 115 115 116 116 117 117
210 118 118 119 119 120 121 121 122 122 123
220 123 124 124 125 125 126 126 127 127 128
230 128 129 130 130 131 131 132 132 133 133
240 134 134 135 135 136 136 137 137 138 138
250 139 140 140 141 141 142 142 143 143 144
260 144 145 145 146 146 147 147 148 148 149
270 150 150 151 151 152 152 153 153 154 154
280 155 155 156 156 157 157 158 158 159 159
290 160 161 161 162 162 163 163 164 164 165
300 165 166 166 167 167 168 168 169 169 170
310 170 171 172 172 173 173 174 174 175 175
320 176 176 177 177 178 178 179 179 180 180
330 181 181 182 183 183 184 184 185 185 186
340 186 187 187 188 188 189 189 190 190 191
350 191 192 192 193 193 194 195 195 196 196
360 197 197 198 198 199 199 200 200 201 201
370 202 202 203 203 204 204 205 205 206 207
380 207 208 208 209 209 210 210 211 211 212
390 212 213 213 214 214 215 215 216 216 217
400 217 218 218 219 220 220 221 221 222 222
410 223 223 224 224 225 225 226 226 227 227
420 228 228 229 229 230 230 231 231 232 233
430 223 234 234 235 235 236 236 237 237 238
440 238 239 239 240 240 241 241 242 242 243
450 243 244 244 245 246 246 247 247 248 248
460 249 249 250 250 251 251 252 252 253 253
470 254 254 255 255 256 256 257 257 258 258
480 259 260 260 261 261 262 262 263 263 264
490 264 265 265 266 266 267 267 268 268 269
500 269 270 270 271 271 272 272 273 274 274
510 275 275 276 276 277 277 278 278 279 279
520 280 280 281 281 282 282 283 283 284 284
530 285 285 286 286 287 288 288 289 289 290
Número mínimo de respostas de preferência para significância α= 0,05. Para consultar a tabela, obter o tamanho da amostra (n) adicionando
aos números da primeira coluna os números da primeira linha, por exemplo: para 85 consumidores (n = 80, primeira coluna; 5, primeira linha), o
mínimo de respostas necessárias para preferência significativa a 5 % é 51.

36/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

A capacidade de detectar desvios a partir da paridade, ou seja, preferências 50:50, melhora à medida
que o número de respondentes aumenta. O número de respondentes está sob o controle do anunciante
e é o anunciante que corre o risco de perder a oportunidade de fazer uma alegação de superioridade
quando poucos respondentes participarem do teste. Como tal, este guia não especifica um número
mínimo de respondentes para um teste de preferência para sustentar uma alegação de superioridade.
Para ajudar o anunciante a selecionar o número de respondentes, a Tabela 2 contém os valores
Projeto em Consulta Nacional

mínimos das proporções de preferência observadas necessárias para sustentar uma alegação de
superioridade para vários números de respondentes. Também são apresentadas na Tabela 2 duas
formas de avaliar a sensibilidade do teste para vários números de respondentes. A terceira coluna
da Tabela 2 contém as probabilidades de detectar uma proporção de preferência de 55 %:45 % para
os vários números de respondentes considerados. A coluna final da tabela contém a porcentagem
de preferência que tem uma probabilidade de 80 % de ser detectada para os vários números de
respondentes considerados. Ambas as últimas colunas demonstram a vantagem que os tamanhos
de amostra maiores apresentam ao anunciante. Essas informações podem ser usadas juntamente
com uma avaliação dos recursos disponíveis para o anunciante decidir o número de respondentes
necessários para a execução do teste (ver 15.1.1).

Tabela 2 – Características de desempenho de um teste de preferência para alegação de


superioridade, ao nível de significância: α = 5 %
n Pca Poderb 80 % detectadoc
100 58,2 25,8 62,3
200 55,8 40,8 58,7
300 54,7 53,5 57,1

400 54,1 63,9 56,2


500 53,7 72,4 55,5
600 53,4 79,1 55,1

700 531 84,3 54,7


800 52,9 88,3 54,4
900 52,7 91,3 54,1

1 000 52,6 93,6 53,9


a Pc = percentual mínimo observado da preferência requerida para alegação de superioridade ao nível
de 5 % de significância.
b Poder do teste = probabilidade de alegar superioridade quando a preferência real para o produto
do anunciante é de 55 %.
c 80 % de detecção = preferência real para o produto do anunciante que tem uma probabilidade de 80 % de ser
detectado.

Em algumas situações de uso do produto, como o teste de uso doméstico ou de localização central
de produtos absorventes ou de limpeza, os avaliadores podem não experimentar toda a gama de
situações de uso do produto e, portanto, podem não detectar diferenças entre os produtos que
estiverem comparando. Além disso, os produtos podem parecer tão semelhantes que eles se sentem
incapazes de formar uma preferência. Nos casos em que a experiência é probabilística em vez de
determinística, o anunciante pode optar por distribuir os votos de “nenhuma preferência” entre os
produtos testados. É recomendado que essa atribuição esteja demonstrada na análise estatística[4].
É da responsabilidade do anunciante demonstrar que as técnicas utilizadas para a atribuição são
apropriadas[5]. Recomenda-se que seja consultado um profissional habilitado em estatística para se
obter assistência.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 37/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

15.1.2 Alegações de paridade

A falta de conclusão de que existe uma diferença significativa de preferência entre dois produtos
não prova que dois produtos sejam igualmente preferidos. A falta de significância estatística pode
ser devido a um número insuficiente de respondentes, resultando assim em um teste insensível,
ou seja, um teste que não atinge a sensibilidade requerida; ou a incapacidade de encontrar uma
Projeto em Consulta Nacional

preferência estatisticamente significativa pode ser devida ao erro de amostragem. Os procedimentos


de amostragem resultaram em um grupo de respondentes que não exibiram nenhuma preferência.
Além disso, observar uma porcentagem de preferência ligeiramente inferior a 50 % não prova que
a paridade não existe. Para alegações de superioridade, o anunciante assume o risco de um teste
insensível; no entanto, quando uma alegação de paridade for desejada, os concorrentes estão em
risco de testes insensíveis. Maior número de respondentes é preferido, pois assim consegue-se
proteger o concorrente e proporcionar uma vantagem ao anunciante.

Em 4.2.2.1, são descritas as alegações de paridade e fornecem duas classes nesta categoria: Alegações
de Igualdade e Alegações de Insuperabilidade. Em uma alegação de igualdade, “alega-se que dois
produtos são iguais em uma ou mais características particulares”. Essas características podem incluir
medidas específicas hedônicas ou de atributo/percepção ou podem ser incluídos em uma medida
geral. Em uma alegação de insuperabilidade “o(s) produto(s) selecionado(s) para comparação não
é(são), de forma alguma, melhor/mais elevado (ou maior que) do que o produto-alvo para o qual a
análise está sendo realizada”. Podem ser utilizadas medidas específicas hedônicas ou de atributo/
percepção.

15.1.2.1 Alegações de igualdade

Quando não é possível provar a hipótese nula, uma alegação de igualdade deve ser especificada em
termos de um intervalo aceitável de diferença dentro da qual os produtos possam ser considerados
essencialmente equivalentes. Para o teste pareado de preferência e diferença, em que a instrução
é escolher o produto preferido ou com maior intensidade de algum atributo específico (por exemplo,
doçura ou umidade), pode-se escolher uma proporção de 45 % e 55 % para a população como um
limite para o significado da igualdade. Se um produto for igual ou superior a 55 % das escolhas, os
produtos não são considerados essencialmente equivalentes ou “iguais”. A Tabela 3 fornece a menor
contagem de escolhas necessária para a alegação de igualdade ao nível de confiança de 95 % para
os tamanhos de amostra de 400 a 1 995. A Tabela 4 é correspondente para o nível de confiança
de 99 %. Por exemplo, em um teste pareado com 1 000 consumidores para a escolha da amostra
mais doce, 470 escolheram um produto e 530 o outro produto. Como a menor contagem de escolha
necessária deve estar entre 476 e 500 inclusive e o experimento resultou em um valor de 470, não é
permitido declarar sustentação à hipótese de igualdade. No entanto, se 481 consumidores tivessem
escolhido um dos produtos, a conclusão seria a favor da hipótese da igualdade.

38/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


Projeto em Consulta Nacional
Tabela 3 – Resultados necessários para sustentar a hipótese de igualdade ao nível de 95 %
número de número de número de número de número de número de número de número de
n n n n n n n n
respostas respostas respostas respostas respostas respostas respostas respostas
400 196 600 290 800 384 1 000 476 1 200 569 1 400 661 1 600 753 1 800 845
405 199 605 293 805 386 1 005 479 1 205 571 1 405 663 1 605 756 1 805 848
410 201 610 295 810 388 1 010 481 1 210 573 1 410 666 1 610 758 1 810 850
415 203 615 397 815 391 1 015 483 1 215 576 1 415 668 1 615 760 1 815 852
420 206 620 300 820 393 1 020 486 1 220 578 1 420 670 1 620 762 1 820 854
425 208 625 302 825 395 1 025 488 1 225 580 1 425 673 1 625 765 1 825 857
430 210 630 304 830 398 1 030 490 1 230 583 1 430 675 1 630 767 1 830 859
435 213 635 307 835 400 1 035 493 1 235 585 1 435 677 1 635 769 1 835 861
440 215 640 309 840 402 1 040 495 1 240 587 1 440 680 1 640 772 1 840 864
445 218 645 311 845 405 1 045 497 1 245 590 1 445 682 1 645 774 1 845 866
450 220 650 314 850 407 1 050 500 1 250 592 1 450 684 1 650 776 1 850 868
455 222 655 316 855 409 1 055 502 1 255 594 1 455 686 1 655 779 1 855 870
460 225 660 318 860 411 1 060 504 1 260 597 1 460 689 1 660 781 1 860 873
465 227 665 321 865 414 1 065 506 1 265 599 1 465 691 1 665 783 1 865 875
470 229 670 323 870 416 1 070 509 1 270 601 1 470 693 1 670 785 1 870 877
475 232 675 325 875 418 1 075 511 1 275 603 1 475 696 1 675 788 1 875 880
480 234 680 328 880 421 1 080 513 1 280 606 1 480 698 1 680 790 1 880 882
485 237 685 330 885 423 1 085 516 1 285 608 1 485 700 1 685 792 1 885 884
490 239 690 332 890 425 1 090 518 1 290 610 1 490 703 1 690 795 1 890 887
495 241 695 335 895 428 1 095 520 1 295 613 1 495 705 1 695 797 1 895 889
500 244 700 337 900 430 1 100 523 1 300 615 1 500 707 1 700 799 1 900 891
505 246 708 339 905 432 1 105 525 1 305 617 1 505 709 1 705 802 1 905 893
510 248 710 342 910 435 1 110 527 1 310 620 1 510 712 1 710 804 1 910 896
MAR 2020

515 251 715 344 915 437 1 115 530 1 315 622 1 515 714 1 715 806 1 915 898
ABNT/CEE-174

520 253 720 346 920 439 1 120 532 1 320 624 1 520 716 1 720 808 1 920 900

NÃO TEM VALOR NORMATIVO


525 255 725 349 925 442 1 125 534 1 325 627 1 525 719 1 725 811 1 925 903
530 258 730 351 930 444 1 130 537 1 330 629 1 530 721 1 730 813 1 930 905
PROJETO ABNT NBR 16871

535 260 735 353 935 446 1 135 539 1 335 631 1 535 723 1 735 815 1 935 907
540 262 740 356 940 449 1 140 541 1 340 633 1 540 726 1 740 818 1 940 910
545 265 745 358 945 451 1 145 543 1 345 636 1 545 728 1 745 820 1 945 912
550 267 750 360 950 453 1 150 546 1 350 638 1 550 730 1750 822 1 950 914
555 269 755 363 955 456 1 155 548 1 355 640 1 555 733 1 755 825 1 955 916
560 272 760 365 960 458 1 160 550 1360 643 1 560 735 1 760 827 1 960 919
565 274 765 367 965 460 1 165 553 1 365 645 1 565 737 1 765 829 1 965 921
570 276 770 370 970 462 1 170 555 1 370 647 1 570 739 1 770 831 1 970 923
575 279 775 372 975 465 1 175 557 1 375 650 1 575 742 1 775 834 1 975 926
580 281 780 374 980 467 1 180 560 1 380 652 1 580 744 1 780 836 1 980 928
585 283 785 377 985 469 1 185 562 1 385 654 1 585 746 1 785 838 1 985 930
590 286 790 379 990 472 1 190 564 1 390 657 1 590 749 1 790 841 1 900 933
595 288 795 381 995 474 1 195 567 1 395 659 1 595 751 1 795 843 1 995 935
Em um teste pareado, o menor o número de respostas observado deve cair no intervalo do valor tabelado e 0,5 n inclusive para declarar sustentação à hipótese de igualdade ao nível de 95 %.

39/47
ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

15.1.2.2 Alegações de insuperabilidade

Quando a diferença entre uma alegação de insuperabilidade e uma alegação de igualdade é que
em uma alegação de insuperabilidade um anunciante é possível incluir superioridade (quanto
à preferência ou maior ou menor de algum atributo) para estabelecer a alegação. Isso leva ao fato
de que uma alegação de insuperabilidade usa apenas um dos dois limites que foram usados para
definir uma hipótese de igualdade. Por exemplo, em uma alegação de igualdade de preferência,
Projeto em Consulta Nacional

as probabilidades de preferência devem cair entre 45 % e 55 %. Em uma alegação de insuperabilidade


de preferência, as probabilidades de preferência podem cair acima de 45 % em favor do produto
do anunciante. Os requisitos de tamanho de amostra para uma alegação de insuperabilidade
são geralmente muito mais baixos do que para uma alegação de igualdade. A Tabela 5 fornece
a contagem mínima para que o produto do anunciante faça uma alegação de insuperabilidade no nível
de confiança de 95 % para tamanhos de amostra de 100 a 895. A Tabela 6 é correspondente para o nível
de confiança de 99 %. Observar que na Tabela 5, quando os tamanhos de amostra se aproximam
e excedem 300, os resultados experimentais nos quais o produto do anunciante recebe menos de 50 %
das escolhas podem sustentar uma alegação de insuperabilidade porque neste tamanho de amostra
ainda é possível rejeitar a hipótese de que o produto do anunciante é inferior ao do concorrente
(ou seja, a probabilidade de escolha da população é inferior a 45 %). Na verdade, em uma amostra
de 800, o anunciante poderia obter resultados como 48 % (anunciante): 52 % (concorrente) e ainda
alegar ser insuperável pelo concorrente.

O mínimo requerido de 300 respondentes protege o concorrente da alegação de paridade resultante


de um teste insensível. Se a preferência observada pelo produto do anunciante for pelo menos
50 %, com base em um teste de 300 respondentes, o concorrente pode ter 95 % de certeza de que
a verdadeira preferência pelo produto do anunciante não é inferior a 45 %. Aumentar a base
de respondentes acima de 300 permite que o anunciante sustente uma alegação de insuperabilidade
com preferências observadas ligeiramente inferiores a 50 %, enquanto ainda protege o concorrente
(com 95 % de certeza) de que a verdadeira preferência pelo produto do anunciante não é inferior
a 45 %. A Tabela 7 contém as porcentagens de preferência mínima necessárias para sustentar uma
alegação de insuperabilidade para vários números de respondentes que protegem o concorrente do
pior caso da preferência de 45 % com 95 % de certeza. A Tabela 7 também apresenta a probabilidade
de que os testes de preferência com base em vários números de respondentes precisam sustentar
a alegação de insuperabilidade quando a verdadeira preferência pelo produto do anunciante
está exatamente na paridade, ou seja, a P = 50 %. A coluna final da Tabela 7 mostra quão baixa
é a proporção de preferência real pode ser, com 95 % de certeza, quando um resultado de preferência
de 50 % é observado em um estudo. As informações na Tabela 7 ilustram a vantagem de maiores
tamanhos de amostra para o anunciante.

O teste estatístico usado para sustentar as alegações de insuperabilidade é calculado conforme


a seguinte equação:
P − 0, 45 (3)
Z=
 0, 45 × 0, 55
 
n
onde

P proporção de respondentes que preferem o produto do anunciante mais a proporção que


responderam “nenhuma preferência” e

n número de respondentes.

Se Z for maior que 1,645, a alegação de insuperabilidade é sustentada no nível de significância de 5 %


(unilateral).

40/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

As tabelas de alegações de igualdade são baseadas em um grau de liberdade de distribuição qui-


quadrado não centralizado. O parâmetro de não centralidade é obtido convertendo as especificações de
igualdade (55:45, 45:55) em pontuações Z e elevando-as ao quadrado. As tabelas de insuperabilidade
são baseadas na Equação 3. As tabelas são construídas de modo que as contagens garantam que
o erro Tipo 1 seja menor ou igual a 5 % (Tabela 3 e Tabela 5) ou menor ou igual a 1 % (Tabela 4 e
Tabela 6).
Projeto em Consulta Nacional

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 41/47


Projeto em Consulta Nacional
Tabela 4 – Resultados necessários para sustentar a hipótese de igualdade ao nível de 99 %[6]
número de número de número de número de número de número de número de número de

42/47
n n n n n n n n
respostas respostas respostas respostas respostas respostas respostas respostas
700 346 900 440 1 100 534 1 300 627 1 500 720 1 700 813 1 900 906 2 100 999
705 348 905 443 1 105 536 1 305 630 1 505 723 1 705 816 1 905 908 2 105 1 001
710 350 910 445 1 110 539 1 310 632 1 510 725 1 710 818 1 910 911 2 110 1 003
715 353 915 447 1 115 541 1 315 634 1 515 727 1 715 820 1 915 913 2 115 1 005
720 355 920 450 1 120 543 1 320 637 1 520 730 1 720 822 1 920 915 2 120 1 008
725 357 925 452 1 125 546 1 325 639 1 525 732 1 725 825 1 925 918 2 125 1 010
730 360 930 454 1 130 548 1 330 641 1 530 734 1 730 827 1 930 920 2 130 1 012
735 362 935 457 1 135 550 1 335 644 1 535 737 1 735 829 1 935 922 2 135 1 015
740 365 940 459 1 140 553 1 340 646 1 540 739 1 740 832 1 940 924 2 140 1 017
745 367 945 461 1 145 555 1 345 648 1 545 741 1 745 834 1 945 927 2 145 1 019
750 369 950 464 1 150 557 1 350 651 1 550 744 1 750 836 1 950 929 2 150 1 022
755 372 955 466 1 155 560 1 355 653 1 555 746 1 755 839 1 955 931 2 155 1 024
760 374 960 468 1 160 562 1 360 655 1 560 748 1 760 841 1 960 934 2 160 1 026
765 376 965 471 1 165 564 1 365 658 1 565 751 1 765 843 1 965 936 2 165 1 029
770 379 970 473 1 170 567 1 370 660 1 570 753 1 770 846 1 970 938 2 170 1 031
775 381 975 475 1 175 569 1 375 662 1 575 755 1 775 848 1 975 941 2 175 1 033
780 384 980 478 1 180 571 1 380 664 1 580 758 1 780 850 1 980 943 2 180 1 036
785 386 985 480 1 185 574 1 385 667 1 585 760 1 785 853 1 985 945 2 185 1 038
790 388 990 482 1 190 576 1 390 669 1 590 762 1 790 855 1 990 948 2 190 1 040
795 391 995 485 1 195 578 1 395 671 1 595 764 1 795 857 1 995 950 2 195 1 042
800 393 1 000 487 1 200 581 1 400 674 1 600 767 1 800 860 2 000 952 2 200 1 045
805 395 1 005 489 1 205 583 1 405 676 1 605 769 1 805 862 2 005 955 2 205 1 047
810 398 1 010 492 1 210 585 1 410 678 1 610 771 1 810 864 2 010 957 2 210 1 049
MAR 2020

815 400 1 015 494 1 215 588 1 415 681 1 615 774 1 815 867 2 015 959 2 215 1 052
ABNT/CEE-174

820 402 1 020 496 1 220 590 1 420 683 1 620 776 1 820 869 2 020 962 2 220 1 054

NÃO TEM VALOR NORMATIVO


825 405 1 025 499 1 225 592 1 425 685 1 625 778 1 825 871 2 025 964 2 225 1 056
830 407 1 030 501 1 230 595 1 430 688 1 630 781 1 830 874 2 030 966 2 230 1 059
PROJETO ABNT NBR 16871

835 410 1 035 503 1 235 597 1 435 690 1 635 783 1 835 876 2 035 968 2 235 1 061
840 412 1 040 506 1 240 599 1 440 692 1 640 785 1 840 878 2 040 971 2 240 1 063
845 414 1 045 508 1 245 602 1 445 695 1 645 788 1 845 880 2 045 973 2 245 1 066
850 417 1 050 510 1 250 604 1 450 697 1 650 790 1 850 883 2 050 975 2 250 1 068
855 419 1 055 513 1 255 606 1 455 699 1 655 792 1 855 885 2 055 978 2 255 1 070
860 421 1 060 515 1 260 609 1 460 702 1 660 795 1 860 887 2 060 980 2 260 1 073
865 424 1 065 518 1 265 611 1 465 704 1 665 797 1 865 890 2 065 982 2 265 1 075
870 426 1 070 520 1 270 613 1 470 706 1 670 799 1 870 892 2 070 985 2 270 1 077
875 428 1 075 522 1 275 616 1 475 709 1 675 802 1 875 894 2 075 987 2 275 1 079
880 431 1 080 525 1 280 618 1 480 711 1 680 804 1 880 897 2 080 989 2 280 1 082
885 433 1 085 527 1 285 620 1 485 713 1 685 806 1 885 899 2 085 992 2 285 1 084
890 435 1 090 529 1 290 623 1 490 716 1 690 809 1890 901 2 090 994 2 290 1 086
895 438 1 095 532 1 295 625 1 495 718 1 695 811 1 895 904 2 095 996 2 295 1 089
Em um teste pareado, o menor número de respostas observado deve cair no intervalo do valor tabelado e 0,5 n inclusive para declarar sustentação à hipótese de igualdade ao nível de 99 %.
ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Tabela 5 – Resultados necessários para sustentar a hipótese de insuperabilidade ao nível de 95 %[6]


número de número de número de número de
n n n n
respostas respostas respostas respostas
100 54 300 150 500 244 700 337
105 56 305 152 505 246 705 339
110 59 310 154 510 248 710 342
Projeto em Consulta Nacional

115 61 315 157 515 251 715 344


120 63 320 159 520 253 720 346
125 66 325 162 525 255 725 349
130 68 330 164 530 258 730 351
135 71 335 166 535 260 735 353
140 73 340 169 540 263 740 356
145 76 345 171 545 265 745 358
150 78 350 173 550 267 750 360
155 80 355 176 555 270 755 363
160 83 360 178 560 272 760 365
165 85 365 180 565 274 765 367
170 88 370 183 570 277 770 370
175 90 375 185 575 279 775 372
180 92 380 187 580 281 780 374
185 95 385 190 585 284 785 377
190 97 390 192 590 286 790 379
195 100 395 195 595 288 795 381
200 102 400 197 600 291 800 384
205 104 405 199 605 293 805 386
210 107 410 202 610 295 810 388
215 109 415 204 615 298 815 391
220 112 420 206 620 300 820 393
225 114 425 209 625 302 825 395
230 116 430 211 630 305 830 398
235 119 435 213 635 307 835 400
240 121 440 216 640 309 840 402
245 124 445 218 645 312 845 405
250 126 450 220 650 314 850 407
255 128 455 223 655 316 855 409
260 131 460 225 660 319 860 411
265 133 465 227 665 321 865 414
270 135 470 230 670 323 870 416
275 138 475 232 675 326 875 418
280 140 480 234 680 328 880 421
285 143 485 237 685 330 885 423
290 145 490 239 690 332 890 425
295 147 495 241 695 335 895 428
Em um teste pareado para declarar a insuperabilidade do produto do anunciante em relação ao concorrente
ao nível de 95 %, o número de respostas para o produto do anunciante deve ser igual ou maior que o número
tabelado para os tamanhos indicados da amostra.

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 43/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Tabela 6 – Resultados necessários para sustentar a hipótese de insuperabilidade


ao nível de 99 %[6]
número de número de número de número de
n n n n
respostas respostas respostas respostas
100 57 300 156 500 251 700 346
105 60 305 158 505 254 705 348
Projeto em Consulta Nacional

110 62 310 160 510 256 710 351


115 65 315 163 515 259 715 353
120 67 320 165 520 261 720 356
125 70 325 168 525 263 725 358
130 72 330 170 530 266 730 360
135 75 335 172 535 268 735 363
140 77 340 175 540 270 740 365
145 80 345 177 545 273 745 367
150 82 350 180 550 275 750 370
155 85 355 182 555 278 755 372
160 87 360 184 560 280 760 374
165 90 365 187 565 282 765 377
170 92 370 189 570 285 770 379
175 95 375 192 575 287 775 381
180 97 380 194 580 289 780 384
185 99 385 196 585 292 785 386
190 102 390 199 590 294 790 389
195 104 395 201 595 296 795 391
200 107 400 204 600 299 800 393
205 109 405 206 605 301 805 396
210 112 410 208 610 304 810 398
215 114 415 211 615 306 815 400
220 117 420 213 620 308 820 403
225 119 425 216 625 311 825 405
230 122 430 218 630 313 830 407
235 124 435 220 635 315 835 410
240 126 440 223 640 318 840 412
245 129 445 225 645 320 845 414
250 131 450 228 650 323 850 417
255 134 455 230 655 325 855 419
260 136 460 232 660 327 860 421
265 139 465 235 665 330 865 424
270 141 470 237 670 332 870 426
275 143 475 239 675 334 875 428
280 146 480 242 680 337 880 431
285 148 485 244 685 339 885 433
290 151 490 247 690 341 890 436
295 153 495 249 695 344 895 438
Em um teste pareado para declarar a insuperabilidade do produto do anunciante em relação ao concorrente
ao nível de 99 %, o número de respostas para o produto do anunciante deve ser igual ou maior que o número
tabelado nos tamanhos de amostra indicados.

44/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Tabela 7 – Características de desempenho de um teste de preferência para alegação


de insuperabilidade, ao nível de significância: α = 5 %
n Pc a Poder do teste b LL95 c
100 532 26,2 41,8
200 50,8 41,2 44,2
Projeto em Consulta Nacional

300 49,7 53,8 45,3

400 49,1 64,2 45,9


500 48,7 72,6 46,3
600 48,3 79,2 46,6

700 48,1 84,4 46,9


800 47,9 88,3 47,1
900 47,7 91,4 47,3

1 000 47,6 93,6 47,4


a Percentual mínimo observado da preferência requerida para alegação de insuperabilidade
ao nível de 5 % de significância.
b Probabilidade de alegar insuperabilidade quando a preferência real para o produto
do anunciante é de 50 %.
c Limite inferior de um intervalo de confiança de 95 %, unilateral, que representa o quão
baixo a preferência percentual real pode ser quando uma proporção de preferência de 50 %
é observada no estudo.

15.2 Estudos de comparação pareada/diferença

A técnica descrita em 15.1 é também utilizada para a análise de dados para estudos de comparação
pareada de diferença bilateral. Em um estudo de comparação pareada, a cada respondente são
apresentadas duas amostras e é solicitado que selecione a amostra que tem mais (ou menos)
intensidade da característica de interesse. De certa forma, um estudo de preferência pareado é apenas
um caso especial de um estudo geral de comparação pareada, no qual a característica de interesse
é a preferência.

Os mesmos critérios utilizados no estudo de preferência pareado para determinar o número


de respondentes e o número de respostas corretas necessárias para sustentar tanto uma alegação
de superioridade quanto uma de paridade são também utilizados em um estudo de comparação
pareada, isto é, a Tabela 2 pode ser usada para analisar os dados de um estudo de comparação
pareada, substituindo o termo “preferência” pela característica de interesse.

15.3 Análise dos dados a partir de escalas

Dados provenientes de teste de aceitação, estudos de painel descritivo coletados usando escalas
lineares não estruturadas, estimativa de magnitude ou escalas de categoria com pelo menos cinco

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 45/47


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

pontos são comumente analisados como dados contínuos usando métodos estatísticos paramétricos
como análise de variância. A análise de variância é usada para comparar estatisticamente
as pontuações médias dos produtos no teste, uma resposta de cada vez.

Tanto os testes de aceitação como os painéis de análise descritiva variam de forma ampla em relação
ao número de amostras envolvidas no estudo e na forma como as amostras são distribuídas aos
Projeto em Consulta Nacional

participantes do estudo. Estas questões determinam a forma do modelo de análise de variância que
é apropriado para analisar os dados do estudo. Para apresentação de amostras com protocolos
complicados ou irregulares, pode ser necessário consultar um profissional habilitado em estatística
para determinar o modelo apropriado para análise dos dados.

46/47 NÃO TEM VALOR NORMATIVO


ABNT/CEE-174
PROJETO ABNT NBR 16871
MAR 2020

Bibliografia

[1]  Cochran, W.G., and Cox, G.M., Experimental Designs, 2nd Edition, Wiley, New York, NY, 1957.
Reissues 1992 as part of Wiley Classics Library.
Projeto em Consulta Nacional

[2]  Meilgaard, M., Civille, G. V., and Carr, B. T., Sensory Evaluation Techniques, 3rd Edition, CRC
Press, New York, NY, 1999.

[3]  ABNT NBR ISO/IEC 17025, Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e
calibração

[4]  David, H. A., The Method of Paired Comparisons, Charles Griffin&Company, London, 1988.

[5]  Braun, V., Rogeaux M., Schneid, N., O’Mahony, M., and Rousseau, B., “Corroborating the 2-AFC
and 2-AC Thurstonian Models Using Both a Model System and Sparkling Water,” Food Quality
and Preference, Vol 15, No. 6, 2004, pp. 501-507.

[6]  The Institute for Perception, Richmond, Virginia, 2006 (Tabelas para Métodos Sensoriais).

NÃO TEM VALOR NORMATIVO 47/47