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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ

PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO


DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
COLEGIADO DO CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

RESENHA DO TEXTO “COOPERAÇÃO INTERNACIONAL: UMA COMPONENTE


ESSENCIAL DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS” PARA A DISCIPLINA
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL MINISTRADA PELO PROFESSOR TIAGO LUEDY

Por IRAN DE BRITO COSTA

SATO, Eiiti. Cooperação Internacional: uma componente essencial das relações


internacionais. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação
em Saúde. Rio de Janeiro, v. 4, n.1, pp. 46-57, mar. 2010.

O Eiiti Sato é graduado em Economia, mestrado em Relações Internacionais (Master of


Philosophy), na Universidade de Cambridge, mestrado e doutorado em Sociologia pela
Universidade de São Paulo (USP). Professor adjunto da Universidade de Brasília, professor e
atual Diretor do Instituto de Relações Internacionais (IREL), da Universidade Nacional de
Brasília(UNB). Ele escreveu o artigo intitulado “Cooperação Internacional: uma componente
essencial das relações internacionais” divididos em dez tópicos centralizados na temática
cooperação bem como seu conceito e sua história.
Com este propósito, as temáticas da estrutura textual são: a cooperação e as mudanças na
ordem internacional, a cooperação na agenda internacional, a construção da prática da
cooperação nas relações internacionais, Cooperação internacional: a dimensão de longo prazo
da política externa, alguns fundamentos e conceitos, a cooperação numa perspectiva histórica,
o Brasil e a cooperação técnica internacional, a cooperação internacional em perspectiva, O
dilema entre os interesses de curto-prazo e os benefícios de longo-prazo e um desafio: retomar
uma visão mais integrada da cooperação internacional.
Ao iniciar o artigo o autor mencionar o processo de globalização como um fator gerador na
disseminação da industrialização e da modernidade para dezenas de países, embora as fases
da mundialização podem ser subdivida em alguns estágios e estendeu-se do final da Segunda
Guerra Mundial ao final da Guerra Fria e coincidiu com o período da Ordem Mundial
marcado pela bipolaridade . Esse período foi marcado por grandes avanços na área
tecnológica, principalmente em razão da corrida armamentista e também da corrida espacial,
que permitiu uma soma inestimável de conhecimentos científicos caracterizados por
cooperações internacionais enfatizando a segurança nacional como alta politica enquanto as
questões sobre meio-ambiente, educação e saúde como baixa politica vinculados às
instituições pertencentes a diferentes atores internacionais cujo conceito tradicional de
soberania- a high politics- foi gradativamente reinterpretada e envolvendo todas as dimensões
das relações humanas onde a conceituação de cooperação internacional significando que
governos e instituições não tomam decisões e iniciativas isoladas , isto é, a low politics passa
a ocupar as atenções de estadistas e também da opinião pública em geral na agenda
internacional .
A luz de Sato , a construção da prática da cooperação nas relações internacionais low politics
são, por natureza, mais acessíveis e mais condizentes com a construção de programas de
cooperação internacional. Negociações e ações cooperativas no plano do comércio, da
educação e de outros temas da promoção das condições sociais tendem a ocorrer em ambiente
de menor tensão e muito mais propenso à cooperação se comparadas às negociações e
discussões envolvendo investimentos em sistemas de defesa e a compra e venda de
armamentos à high politics se traduz em desconfiança enquanto, no caso das questões afeitas
à low politics, esse caráter anárquico reforça a competição.
Logo em seguida, o professor de Brasília faz uma comparação no que diz respeito ao conflito
em família, sendo o individuo e o estado em sua dimensão de longo prazo da política externa
na cooperação internacional, levando em consideração que os conflitos se fazem presentes nas
relações humanas, não importando sob que formas essas relações se apresentem quando há o
fenômeno da convivência de indivíduos e grupos.
Nesta perspectiva, o consenso em relação ao objetivo geral dos negócios, no entanto a
maneira de conduzir esses negócios, a divisão de responsabilidades e, principalmente, a
divisão dos ganhos é normalmente objeto de disputas já que o meio internacional de muitas
maneiras e as políticas de promoção do desenvolvimento interagem com essas condições em
todas as suas vertentes como: comércio, finanças, educação, saúde, geração de empregos,
ciência e tecnologia e meio ambiente são itens essenciais da agenda internacional vinculada à
cooperação internacional.
Portanto, interesses e visões individualizadas e conflitantes se fazem presentes entre
indivíduos, entre sociedades e entre governantes mas, ao mesmo tempo, convivem com
percepções e sentimentos a respeito de ajuda mútua, de futuro comum e de identidades e
experiências compartilhadas.Com isso, a convivência gera elementos novos e quanto mais a
interação se torna significativa, mais difícil se torna para as nações envolvidas levar em conta
apenas os limites de sua própria soberania e manejar tanto os problemas quanto as
oportunidades oferecidas por essa nova realidade .
Segundo Sato, a noção de cooperação técnica era associada basicamente à ajuda internacional
fornecida pelos países mais ricos e tecnologicamente mais avançados após a Segunda Guerra
Mundial as expressões cooperação internacional e cooperação técnica internacional
presentavam-se de forma relativamente distinta baseando-se dentro de uma perspectiva
histórica, criou-se a United States Agency for International Development (USAID)
governamental e a Fundação Rockefeller com setor privado, ambas realizavam ajudas
técnicas em favor de países periféricos.
Ao longo da segunda metade do século XX produziu uma realidade substancialmente
diferente alterando o entendimento da cooperação internacional. Dezenas de países passaram
a integrar, juntamente com os Estados Unidos, o rol das sociedades industrializadas enquanto
várias nações, genericamente designadas como “subdesenvolvidas” na década de 1950,
implantaram indústrias avançadas. Neste mesmo pensamento, a Republica Federativa do
Brasil em fazer cooperação internacional técnica com norte-americano constituiu polos de
tecnologias em território brasileiro como: a criação do Centro Tecnológico da Aeronáutica
(CTA) e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA),a construção de laboratórios e a dar
forma a instituições como o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e a Coordenação do
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC). Além disso, a cooperação
internacional ajudou a trazer de outros países não apenas recursos mas, principalmente,
destacados especialistas que ajudaram a consolidar instituições como a Universidade de São
Paulo, a Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, a Universidade Federal de Viçosa, bem como
várias instituições de pesquisa como o Instituto Biológico, o Instituto Butantã e a Fundação
Oswaldo Cruz, além de outros intuições.
Para o diretor do Instituto de Relações Internacionais (IREL), da Universidade Nacional de
Brasília(UNB) Eiiti Sato com a criação da Agência Brasileira de Cooperação(ABC) as
mudanças tanto do perfil como agente de cooperação , o Brasil desempenha novos papeis no
cenário internacional e para ele cooperar significa novas oportunidades e novos problemas na
construção de mais sistemas mais coerentes e compatíveis entre si em suas instituições
politicas e sócias.
E finalizando seu texto, sobre o processo de integração nas dimensões das relações no plano
internacional os fenômenos sociais e políticos e complexidade de temas como: segurança
estratégica, geração de riqueza, acesso aos benefícios materiais da modernidade, segurança
ambiental, saúde, ordem social, etc.. são interligadas com a globalização cuja atitude mais
significativa da cooperação é constituída de programas de longo-prazo tanto na sua execução
quanto nos benefícios esperados. Educação e treinamento, ciência e tecnologia ou saúde e
saneamento são, tipicamente, temas que integram programas de cooperação internacional.
Nessas áreas demandam geralmente anos para que os primeiros resultados se tornem visíveis,
muito embora os desembolsos requeridos sejam imediatos, além de se beneficiarem das
oportunidades oferecidas pela troca de conhecimentos e informações, também têm na
cooperação é um fator de moderação na difícil barganha por interesses na esfera internacional.