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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM GEOFÍSICA

MIGUEL MAESTU ALMEIDA JÚNIOR

ESTUDO TECTONOSSEDIMENTAR DA PORÇÃO EMERSA DA BACIA DE


BARREIRINHAS COM BASE EM DADOS GEOFÍSICOS

NATAL/RN

2018
MIGUEL MAESTU ALMEIDA JÚNIOR

ESTUDO TECTONOSSEDIMENTAR DA PORÇÃO EMERSA DA BACIA DE


BARREIRINHAS COM BASE EM DADOS GEOFÍSICOS

Relatório apresentado no programa de


graduação em Geofísica da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, como
requisito para a obtenção do título de
Bacharel em Geofísica.

Orientador: Prof. Dr. David Lopes de Castro.

NATAL/RN

2018
MIGUEL MAESTU ALMEIDA JÚNIOR

ESTUDO TECTONOSSEDIMENTAR DA PORÇÃO EMERSA DA BACIA DE


BARREIRINHAS COM BASE EM DADOS GEOFÍSICOS

Relatório apresentado no programa de


graduação em Geofísica da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, como
requisito para a obtenção do título de
Bacharel em Geofísica.

Aprovado em:___/___/___

_____________________________________________________

Prof. Dr. David Lopes de Castro

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

(DGEO-CCET/UFRN-Orientador)

_____________________________________________________

Prof. Dr. Moab Praxedes Gomes

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

(DGEO-CCET/UFRN)

_____________________________________________________

Dr. Yoe Alain Reyes Pérez

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

(PPGG/UFRN)
i

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN


Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Ronaldo Xavier de Arruda - CCET

Almeida Júnior, Miguel Maestu.


Estudo tectonossedimentar da porção emersa da Bacia de
Barreirinhas com base em dados geofísicos / Miguel Maestu Almeida
Júnior. - 2018.
72f.: il.

Relatório (Bacharelado em Geofísica) - Universidade Federal do


Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Exatas e da Terra,
Departamento de Geofísica. Natal, 2018.
Orientador: David Lopes de Castro.

1. Geofísica - Relatório. 2. Atributos sísmicos - Relatório. 3.


Modelagem gravimétrica 2D - Relatório. 4. Bacia de Barreirinhas
- Relatório. 5. Zona de falha de Sobradinho - Relatório. 6. Zona
de fratura Romanche - Relatório. I. Castro, David Lopes de. II.
Título.

RN/UF/CCET CDU 550.3

Elaborado por Joseneide Ferreira Dantas - CRB-15/324


ii

AGRADECIMENTOS

Agradeço inicialmente a Deus, ele quem me deu força e paz para que passos fossem
dados e está sempre comigo em todos os momentos.

Agradeço aos professores do Departamento de Geofísica e Geologia da Universidade


Federal do Rio Grande do Norte. Todos eles, em seus respectivos semestres lecionando suas
matérias, foram importantes para que a aprendizagem fosse construída e aprimorada ao decorrer
do curso. Em especial, meu agradecimento ao professor e orientador, Dr. David Lopes de
Castro, por toda a atenção, empenho e tempo fornecidos durante este último ano para que
imprevistos fossem resolvidos e dúvidas sanadas. Por sempre estar disposto a esclarecer e
transmitir, novos conhecimentos a cada dia. Muito Obrigado, Professor!

Agradeço também à Universidade Federal do Rio Grande, em particular ao Laboratório


de Geologia e Geofísica Marinha e Monitoramento Ambiental (GGEMMA) vinculado ao
Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica (DG/CCET/UFRN) por ceder as
instalações e o Software Petrel da Schlumberger para que este trabalho fosse realizado.

Agradeço a minha família, que forneceram toda a base e apoio necessário para meu
crescimento pessoal e evolução académica, em especial a minha mãe, cujo apoio e motivação
nunca deixaram de ser dados e ao meu pai, que mesmo que longe, também deu seu apoio.

Agradeço a presença e companherismo, até o finalzinho, dos meus amigos de curso,


Bruno, Daniel, Gustavo, Thabita e Miro, que me acompanham desde o início da graduação,
aprendemos juntos e crescemos juntos, insistimos até o final e se cheguei até aqui com certeza
foi também graças às presenças de vocês.

Agradeço aos amigos que fiz no GGEMMA este ano. Obrigado Andressa Lima, Arthur
Gerar, Carla Gabriela, Daniela Andrade, Fernando, Flávia Velanea, Jõao Paulo, Júnior, Thiago
Augusto, Úrsula Martin e Yoe Alain, pelas ótimas conversas e momentos descontraídos neste
último ano. Agradeço mais uma vez a Carla Gabriela pela paciência tida no desenvolver deste
trabalho, por todo o apoio fornecido durante esta última etapa do curso e pelas conversas
aleatórias durante os sábados e domingos no GGEMMA, acredito que eu não teria realizado
boa parte do que fiz se não fosse por você.

Agradeço aos meus amigos de Salvador. Em especial a Caio Menezes, Henrique


Peixoto, Igor Abraão e Matheus Menezes, que apresar de estarem longe, sempre estão comigo.
Agradeço aos meus amigos da Espanha Borja Fernández, Iciar Mosquera, Célia Alonso, Alex
iii

Castro, Diego Dominguéz e Pepe Bernárdez, apesar da distância e do tempo, sempre guardarei
um lugar especial no meu coração para cada um de vocês. Acredito que eu não teria me tornado
metade da pessoa que sou hoje se não fosse pelos anos de convivência com todos.
iv

RESUMO

A Bacia de Barreirinhas encontra-se inserida na Margem Equatorial Brasileira, sendo


formada no âmbito da abertura do Atlântico Equatorial no Cretaceo Inferior. Sua origem se deu
por meio de um regime tectônico misto, retratado por esforços distensionais, responsáveis pela
separação do supercontinente Gondwana durante o Mesozoico, e cisalhantes, com influência
direta da Zona de Fratura Romanche. Seu início exploratório deu-se pela influência do petróleo
na década de 1960, porém devido ao fato deste ocorrer de forma insatisfatória a bacia
permaneceu estigmatizada, sendo seus estudos retomados recentemente com a descoberta de
indícios promissores de óleo e gás na sua margem conjungada na África, no Campo Petrolífero
de Jubilee. Este estudo visa a construção de modelos geofísicos e geológicos, que representem
de forma fiel a arquitetura interna e o preenchimento sedimentar da porção emersa da Bacia de
Barreirinhas. Para isto, realizou-se a interpretação de duas seções sísmicas 2D em conjunto com
informações de cinco perfis geofísicos de poços e de dados gravimétricos. As seções sísmicas
estão dispostas perperdicularmente entre si e orientadas em direções WNW-ESE e NNE-SSW,
estando localizadas no segmento central da bacia, ao norte da Zona de Falhas de Sobradinho e
ao sul da linha de costa. A utilização dos atributos sísmicos promoveu um realce significativo
tanto nos horizontes sismoestratigráficos, quanto nas feições estruturais, evidenciando, dessa
maneira, o predomínio de falhas lístricas de rejeito normal na sequência rifte e a cinemática
transtesional de ocorrência posterior, associada à uma movimentação dextral durante a
separação da América do Sul e África. Em relação aos dados gravimétricos, a análise qualitativa
das suas anomalias permitiu a subdivisão da área de estudo em três principais domínios: D1,
D2 e D3, associados geologicamente a intercalações de rochas meta-vulcano-sedimentares e
gnaisses ortoderivados, à geometria interna da bacia e à ascensão da Moho em direção à linha
de costa. A interpretação quantitativa dos dados gravimétricos, vinculada aos dados sísmicos
previamente analisados, permitiu delimitar em subsuperfície quatro unidades, sendo associadas
à supersequência Rifte e Drifte e blocos crustais de alta e baixa densidade. A integração das
informações geofísicas possibilitou a construção de um modelo geológico simplificado da
porção emersa da bacia, como também a inferência de uma geometria do tipo Pinch out para os
depocentros.

Palavras chaves: Atributos Sísmicos, Modelagem Gravimétrica 2D, Bacia de Barreirinhas,


Zona de Falhas de Sobradinho, Zona de Fratura Romanche.
v

ABSTRACT

The Barreirinhas Basin is located in the Brazilian Equatorial Margin. It was formed
during the opening of the Equatorial Atlantic in the Lower Cretaceous. The Basin was genereted
by a combined tectonic regime which are distension, responsible for the separation of the
supercontinent Gondwana during the Mesozoic, and shearering strain, influenced by the
Romanche Fracture zone. Barreirinhas basin had its exploratory beginning occurred in the
1960s, but due to the fact that this occurs unsatisfactorily the basin remained stigmatized. Its
studies have recently been resumed with the discovery of promising indication of oil and gas in
its conjugated margin in Africa, in the Oil Field of Jubilee. This study purpuses at the
construction of reliable geophysical and geological models, which represent the internal
architecture and the sedimentary filling of the emerged portion of the Barreirinhas Basin. For
this, the interpretation of two 2D seismic sections was integrated with information from five of
geophysical profiles of wells and gravimetric data. The seismic sections are arranged
perpendicular to each other and oriented in WNW-ESE and NNE-SSW directions, being
located in the central segment of the basin, north of the Sobradinho Fault Zone and south of the
coastline. The use of seismic attributes provided a significant highlight in both the seismic and
the structural features, thus evidencing the predominance of listric normal faults in the rifte
sequence and a later occurrence of trantensional kinematics, associated with a dextral
movement during separation of South America and Africa. In relation to the gravimetric data,
the qualitative analysis of its anomalies allowed the subdivision of the study area into three
main domains: D1, D2 and D3, it is associated to intercalations of meta-vulcano-sedimentary
rocks and ortho-derivative gneisses, to the internal geometry of the basin and the Moho Rise
toward the coastline. The quantitative interpretation of the gravimetric data, linked to the
seismic data previously analyzed, allowed to delimit in four subsurface units, being associated
to the Rifte and Drifte supersequence and crustal blocks of high and low density. The integration
of the geophysical information made possible the construction of a simplified geological model
of the emersed portion of the basin, as well as the inference of a Pinch out type geometry for
the depocenters.

Key Words: Seismic Attributes, 2D Gravity Modeling, Barreirinhas Basin, Sobradinho Fault
Zone, Romanche Fracture Zone.
vi

LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1: Fluxograma esquematizando a metodologia abordada na confecção desta


monografia..................................................................................................................................3

Figura 1.2: Mapa geológico da porção emersa da Bacia de Barreirinhas, com a localização das
linhas sísmicas e informações de poços empregados. ................................................................ 6

Figura 2.1: Carta estratigráfica referente à Bacia de Barreirinhas.............................................11

Figura 2.2: Representação esquemática do arcabouço estrutural da Bacia de Barreirinhas......12

Figura 3.1: Representação esquemática do percurso das ondas sísmicas em subsuperfície.......15

Figura 3.2: Representação esquemática do modelo convolucional do traço sísmico.................16

Figura 3.3: Determinação da geometria do corpo em profundidade mediante o ajuste entre a


anomalia gravitacional calculada e observa ............................................................................. 17

Figura 3.4: Análise dos perfis de raio gama, sônico, densidade e neutrônico na estipulação de
litologias....................................................................................................................................18

Figura 3.5: Representação esquemática dos modelos Dominó (A) e Dominó Soft (B)..............18
Figura 3.6: Estruturas associadas a falhas de transtração, estrutura em flor negativa (a) e a falhas
de transpressão, estruturas em flor positivas (b).........................................................................19
Figura 3.7: Padrões de terminações de refletores em Onlap, Toplap, Downlap e
Truncamento.............................................................................................................................20
Figura 3.8: Esquema dos padrões internos de reflexões que definem as fácies sísmicas.....................21
Figura 3.9: Correções Gravimétricas de elevação. Em (a), tem-se a correção Ar-Livre. Em (b),
a correção Bouguer. Em (c), a correção de Terreno ou Bouguer Completa...............................25
Figura 3.10: Determinação da geometria do corpo em profundidade mediante o ajuste entre a
anomalia gravitacional calculada e observada...........................................................................28
Figura 3.11: Análise dos perfis de raio gama, sônico, densidade e neutrônico na estipulação de
litologias....................................................................................................................................30
Figura 4.1: Fluxograma retratando os principais atributos utilizados nas etapas de interpretação
sísmica.......................................................................................................................................31
Figura 4.2: Seção sísmica correspondente à linha L0043, exibindo em (a) o dado sísmico
original; em (b) o atributo structural smooth com picagem de descontinuidades; em (c) a
remoção de ruído proporcionado pelo Remove Bias e por último, em (d) ocorre a representação
completa do atributo tecVA com descontinuidades evidenciadas..............................................33
vii

Figura 4.3: Seção sísmica correspondente à linha L0043, exibindo em (A) o dado sísmico
original com a paleta de cores Seismic default; e em (B) o atributo cosseno de fase instantânea
responsável por tornar mais evidente e energizada a continuidade dos refletores......................34
Figura 4.4: Representação simplificada da modelagem litológica realizada mediante a
interpretação dos perfis geofísicos compostos e o procedimento de correlação dos poços,
utilizado durante a etapa de delimitação dos horizontes sismo-estratigráficos...........................35
Figura 4.5: Mapa de anomalias gravimétricas Bouguer, indicando as porções Offshore e
Onshore da Bacia de Barreirinhas e o seu limite com a Bacia do Parnaíba.................................37
Figura 5.1: Interpretação sismoestrutural da linha L0043, com delimitação do embasamento e
principais falhas.........................................................................................................................39
Figura 5.2: Interpretação sismoestrutural da linha L0052, com delimitação do embasamento e
principais falhas.........................................................................................................................40
Figura 5.3: Seções sísmicas interpretadas das Linhas L0052 e L0043. A linha vermelha
representa o embasamento, as linhas azius as unidades sísmicas com correspondentes nos poços
e as linhas amarelas as sub-unidades delimitadas com base apenas na interpretação
sismoestratigráfica....................................................................................................................41
Figura 5.4: Mapa de anomalias Bouguer, com a delimitação da porção onshore da Bacia de
Barreirinhas e principais domínios gravimétricos.....................................................................44
Figura 5.5: Mapa de anomalias Bouguer da Bacia de Barreirinhas, evidenciando os perfis
gravimétricos L052E e L043N (azul) ao longo das linhas sísmicas L0052 e L0043 (negrito); e
a área correspondente ao modelo geológico a ser realizado (pontilhado)...................................45
Figura 5.6: Modelagem gravimétrica realizada sobre o perfil L43N. Em (A) o ajuste entre as
anomalias gravimétricas observada e calculada; em (B) a seção sísmica L0043 com a
demarcação do embasamento e a superfície correspondente à base da supersequência Drifte; e
em (C) o modelo gravimétrico final, vinculado pela seção sísmica em (B)...............................47
Figura 5.7: Modelagem gravimétrica realizada sobre o perfil L52E. Em (A) o ajuste entre as
anomalias gravimétricas observada e calculada; em (B) a seção sísmica L0052 com a
demarcação do embasamento e a superfície correspondente à base da supersequência Drifte; e
em (C) o modelo gravimétrico final, vinculado pela seção sísmica em (B)..............................48
Figura 5.8: Mapa do topo do Embasamento da porção emersa da Bacia de Barreirinhas (em
tempo duplo de percurso)..........................................................................................................50
Figura 5.9: Representação dos seis horizontes estratigráficos, interceptados pelas linhas
sísmicas L0043 e L0052............................................................................................................51
Figura 5.10: Modelo geológico simplificado representativo da porção emersa da Bacia de
Barreirinhas...............................................................................................................................51
Figura 5.11: Modelo geológico representativo da porção emersa da Bacia de Barreirinhas,
interceptado pelas linhas sísmicas L0043 e L0052 (a) e corte realizado sob a linha L0043 (b).52
viii

SUMÁRIO

Agradecimentos.......................................................................................................................... i
Resumo..................................................................................................................................... iii
Abstract..................................................................................................................................... iv
Lista de Figuras.......................................................................................................................... v
CAPÍTULO 1-INTRODUÇÃO.............................................................................................. 1
1.1 Apresentação e Objetivos.............................................................................................. 1
1.2 Justificativa do Tema e Problemática Abordada........................................................... 1
1.3 Metodologia................................................................................................................. 2
1.3.1 Pesquisa Bibliográfica e Banco de Dados Geofísicos................................................. 3
1.3.2 Análise dos Perfis Geofísicos de Poços........................................................................4
1.3.3 Geração da Curva Tempo x Profundidade ....................................................................4
1.3.4 Análise de Atributos Sísmicos.......................................................................................4
1.3.5 Interpretação Sismo-Estrutural e –Estratigráfica...........................................................4
1.3.6 Interpretação Gravimétrica Qualitativa..........................................................................4
1.3.7 Interpretação Gravimétrica Quantitativa.........................................................................5
1.3.8 Modelagem Geológica....................................................................................................5
1.4 Localização da Área de Estudo....................................................................................5
CAPÍTULO 2 – GEOLOGIA REGIONAL............................................................................6
2.1 Introdução......................................................................................................................6
2.2 Arcabouço Geológico....................................................................................................6
2.2.1 Embasamento da Bacia de Barreirinhas..........................................................................7
2.2.2 Grupo Canárias................................................................................................................8
2.2.3 Grupo Caju................................................ .....................................................................9
2.2.4 Grupo Humberto de Campos.........................................................................................10
2.2.5 Formação Pirabas e Formação Barreiras.......................................................................10
2.3 Evolução Tectônica e Arcabouço Estrutural............................................................11
CAPÍTULO 3 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................13
3.1 O Método Sísmico........................................................................................................13
3.1.1 Interpretação Sismoestrutural........................................................................................17
3.1.2 Interpretação Sismoestratigráfica..................................................................................19
3.2 O Método Gravimétrico..............................................................................................22
3.2.1 Correções Gravimétricas...............................................................................................23
ix

3.2.2 Interpretação Gravimétrica...........................................................................................25


3.2.2.1 Modelagem Direta.........................................................................................................26
3.2.2.2 Inversão.........................................................................................................................26
3.3 Perfilagem Geofísica de Poços....................................................................................28
3.3.1 Introdução......................................................................................................................28
3.3.2 Sônico............................................................................................................................28
3.3.3 Raio Gama.....................................................................................................................29
3.4.4 Neutrônico.....................................................................................................................29
CAPÍTULO 4 – MATERIAIS E MÉTODOS.......................................................................30
4.1 Introdução....................................................................................................................30
4.2 Atributos Sísmicos.......................................................................................................30
4.2.1 Structural Smooth..........................................................................................................32
4.2.2 Técnica Volume de Amplitudes (tecVA).......................................................................32
4.2.3 Cosseno de Fase.............................................................................................................33
4.3 Perfis Geofísicos de Poços............................................................................................34
4.4 Processamento de Dados Gravimétricos...................................................................36
4.4.1 Interpolação de Dados Gravimétricos............................................................................36
CAPITULO 5- INTERPRETAÇÃO E CORRELAÇÃO DOS DADOS GEOFÍSICOS...37
5.1 Introdução....................................................................................................................37
5.2 Interpretação Sismoestrutural..................................................................................37
5.3 Interpretação sismoestratigráfica............................................................................40
5.4 Interpretação Gravimétrica ......................................................................................43
5.4.1 Interpretação Gravimétrica Qualitativa........................................................................43
5.4.2 Interpretação Gravimétrica Quantitativa......................................................................45
5.5 Modelagem Geológica 3D..........................................................................................49
CAPÍTULO 6- CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 52
REFERÊNCIAS......................................................................................................................55
1

CAPÍTULO I- INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação e Objetivos


O presente trabalho retrata o tema escolhido para o relatório de graduação do autor,
intitulado: “Estudo Tectonossedimentar da Porção Emersa da Bacia de Barreirinhas com Base
em Dados Geofísicos”. O relatório é um dos requisitos obrigatórios para obtenção do grau em
Geofísica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O desenvolver das
atividades no mesmo, tornaram-se possíveis através da orientação do Prof. Dr. David Lopes de
Castro, membro do Departamento de Geologia da UFRN, e pelos dados cedidos da Agência
Nacional do Petróleo (ANP).

Este trabalho objetivou a investigação estrutural interna da Bacia de Barreirinhas através


da interpretação e integração de perfis geofísicos de poços, seções sísmicas 2D e modelagem
de dados gravimétricos, visando avaliar e identificar as influências termais e deformações
tectônicas associadas à combinação de esforços mecânicos durante a evolução tectono-
estratigráfica da bacia citada anteriormente e pertencente ao conjunto de Bacias da Margem
Equatorial brasileira.

1.2 Justificativa do Tema e a Problemática Abordada

A evolução das bacias sedimentares, de acordo com as ideias expostas por McKenzie
(1978), em seus estudos realizados nas proximidades do Mar no Norte, explicam que a
deposição sedimentar em regimes divergentes podem ser explicados mediante o entendimento
dos movimentos das placas tectônicas e por modelos térmicos. Segundo Lopes et al. (2018),
ambas as ideias pregam que o preceito para a evolução de uma bacia do tipo rifte ou margem
passiva, são a ascensão da Moho devido ao aumento de pressão ocasionada pelo aporte
sedimentar e o relaxamento térmico associado à subsidência termal.

Este é o caso da Bacia de Barreirinhas, a qual é reconhecida como uma das principais
bacias pertencentes à Margem Equatorial Brasileira. Do tipo Margem Passiva, esta compreende
uma porção Onshore, limitada a Sul, pelo Arco de Ferrer e a Norte pela linha de costa e uma
porção Offshore estendendo-se desde a linha de costa até alto mar (PAMPLONA, 1969;
MOHRIAK, 2003).
2

Soares Júnior et al. (2008) datam sua gênese do período Aptiano (125 Ma), associada à
separação do supercontinente Gondwana, mais precisamente aos seus efeitos. Estes
possibilitaram o entendimento da Bacia de Barreirinhas como uma bacia de geometria rômbicas
com estruturas distensionais, cuja gênese encontra-se associada a regimes de transtração;
gerados pela interação do o regime divergente presente no período de rifteamento e a
movimentação dextral associada à projeção em crosta continental da Zona de Fratura Romanche
(AZEVEDO, 1991; TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007; TAVARES, 2017).

Estudos sobre a Bacia de Barreirinhas foram amplamente desenvolvidos entre as


décadas de 1960 e 1980, porém devido ao fato de apresentarem um início exploratório
insatisfatório, para óleo e gás, a bacia permaneceu estigmatizada. No entanto, indícios
promissores indicando a presença de hidrocarbonetos surgiram recentemente, através da
produção de gás na porção Onshore e perfuração de poços em águas profundas na sua análoga
na África (Bacia de Tano) (ATTOH et al., 2004; ANTOBREH et al., 2009).

Dessa maneira, devido ao fato das descobertas terem sido realizadas há pouco tempo e
ter-se pouco conhecimento sobre o arcabouço da Bacia de Barreirinhas, torna-se necessária a
elaboração, através da interpretação de dados geofísicos, de modelos geológicos que
representem fielmente a influência da evolução tectono-deposicional sobre os sistemas
petrolíferos em tal bacia, com intuito de comprovar a existência de depósitos de óleo e gás,
assim como na sua semelhante em Gana e Costa de Marfim. Possibilitando também, de forma
adicional, um melhor reconhecimento e compressão em âmbitos não só exploratórios, como
também geológicos em bacias com gênese semelhante (margem passiva).

1.3 Metodologia

No presente tópico, as sete etapas metológicas empregadas durante o desenvolvimento


e confecção desta monografia serão descritas abaixo (Figura 1.1):
3

Figura 1.1: Fluxograma esquematizando a metodologia abordada na confecção desta monografia

Fonte: Elabora pelo autor, 2018.

1.3.1 Pesquisa Bibliográfica e Banco de Dados Geofísicos

A primeira etapa, no que se refere à elaboração do presente relatório, consistiu na


realização de um prévio levantamento bibliográfico a respeito da evolução tectônica e
arcabouço geológico da Bacia de Barreirinhas, que servisse de fundamentação teórica para os
procedimentos que serão descritos a seguir. De forma simultânea ao exposto precedentemente,
utilizando o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da ANP, um mapa base
contendo a localização dos levantamentos geofísicos empregados na confecção deste trabalho
foi elaborado.

1.3.2 Análise dos perfis geofísicos de poços

O segundo tópico teve como finalidade a análise dos perfis geofísicos de Densidade,
Neutrônio, Raio Gama e Sônico referentes a cinco poços disponibilizados pela ANP. Os
registros contínuos dos três primeiros perfis foram empregados na modelagem litológica da
4

bacia no local onde o poço foi perfurado, permitindo assim, a utilização desta como ferramenta
essencial na distinção e delimitação de horizontes sísmicos.

1.3.3 Geração da curva Tempo x Profundidade

O último desses perfis, o perfil Sônico, retrata o tempo de trânsito da onda


compressional durante a sua propagação no local em estudo. Sendo assim, tendo-se
conhecimento da profundidade do poço e do registro contínuo do sensor Sônico é possível, por
meio do desenvolvimento de uma curva tempo x profundidade, realizar a conversão da seção
sísmica de tempo para profundidade, permitindo dessa maneira atribuir um sentido geológico
direto às informações sísmicas.

1.3.4 Análise de Atributos Sísmicos

A finalidade deste processo compreendeu a avaliação da aplicabilidade dos atributos


sísmicos em enfatizar uma informação geológica de interesse, permitindo, dessa maneira, uma
melhor delimitação de feições estruturais e horizontes sísmicos.

1.3.5 Interpretação Sísmo-Estrutural e Sismo-Estratigráfica

A quinta etapa, consistiu no estudo e manuseio do Software de interpretação sísmica da


Schlumberger, Petrel versão 2015. Este, através da aplicação de atributos sísmicos nas duas
seções 2D disponibilizadas pela ANP permitiu evidenciar duas características qualitativas de
interesse. A primeira delas deu-se pela delimitação dos horizontes sismoestratigráficos através
da análise dos maiores valores de impedância acústica e pela correlação com os perfis geofísicos
de poço. Em contrapartida, o segundo procedimento consistiu na identificação de
inconsistências e/ou quebra da continuidade dos horizontes sísmicos associadas a
fraturas/falhas.

1.3.6 Interpretação Gravimétrica Qualitativa

Mediante a utilização do software Oasis Montaj versão 8.4 da Geosoft, tornou-se


possível a interpolação dos dados gravimétricos das 268 estações disponibilizados pela ANP
oriundos de levantamentos terrestres. Sendo assim, obtido o mapa de Bouguer total, o
conhecimento das variações de intensidade das anomalias permitiu a demarcação dos principais
domínios presentes na área.
5

1.3.7 Interpretação Gravimétrica Quantitativa

A interpretação quantitativa representou a penúltima etapa deste trabalho e consistiu na


modelagem direta de dois perfis gravimétricos dispostos sob a mesma orientação espacial das
linhas sísmicas. Este procedimento de modelagem direta pode ser entendido como a correlação
das informações obtidas precedentemente nos processos de interpretação sísmica e gravimétrica
qualitativa, cujo interesse consiste em outorgar à interpretação geofísica um significado
geológico direto através da elaboração de um modelo de densidades em profundidade.

1.3.8 Modelagem Geológica

Na última etapa do trabalho, a prévia interpretação dos dados geofísicos permitiu, por
meio de softwares específicos de modelagem, a correlação multidisciplinar entre horizontes
sísmicos e dados de poços, produzindo mapas geológicos em profundidade, cuja integração
possibilitou a criação de um modelo simplificado representativo da deposição estratal existente
na Bacia de Barreirinhas ao longo da sua evolução temporal.

1.4 Localização da Área de Estudo

Os dados empregados na elaboração desta monografia referentes às linhas sísmicas,


estações gravimétricas e perfis de poços compreendem a porção centro-leste da Bacia de
Barreirinhas, localizada entre a Bacia do Parnaíba (limite onshore) e a Zona de Fratura
Romanche (limite offshore), mais precisamente entre os meridianos 720000 e 790000 W e os
paralelos 9720000 e 9675000 S, com extensão aproximada de 3150 km² (Figura 1.2).
6

Figura 1.2: Mapa geológico da porção emersa da Bacia de Barreirinhas, com a localização das linhas
sísmicas e informações de poços empregados.

Fonte: Adaptado da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

CAPÍTULO II- GEOLOGIA REGIONAL

2.1 Introdução
A Bacia de Barreirinhas é caracterizada como sendo uma das cinco bacias que integram
a margem equatorial brasileira. Soares Júnior et al. (2008) datam sua gênese do período Aptiano
e afirma que esta desenvolveu uma porção onshore e outra offshore durante seu assentamento
sobre a Bacia do Parnaíba, visto que, os mesmos elementos da coluna estratigráfica desta última
são encontrados na Bacia de Barreirinhas (Figura 2.1).

A gênese e desenvolvimento desta bacia relacionam-se à fragmentação do super-


continente Gondwana, mais precisamente, à separação dos continentes sul-americano e africano
por meio de movimentações cisalhantes (TRODSTORF JÚNIOR et al., 2007). Tal fato
possibilita o entendimento da Bacia de Barreirinhas como uma bacia de geometria rômbica,
com estruturas distensionais, cuja gênese encontra-se associada a regimes de transtração
7

gerados por uma movimentação dextral e projeção em crosta continental da Zona de Fratura
Romanche (AZEVEDO, 1991).

2.2 Arcabouço Geológico

O arcabouço estratigráfico da Bacia de Barreirinhas foi estudado pioneiramente por


Noguti (1967) e Pamplona (1969,1972). Tais autores, por meio de análises de dados de sísmica
de reflexão e perfis geofísicos de poços, juntamente com informações lito e bioestratigráficas,
desenvolveram uma carta estratigráfica para a bacia, subdividindo-a em quatro unidades:
Embasamento (Pré-Cambriano), Grupo Canindé, Grupo Canárias e Grupo Caju.
Posteriormente, Pamplona (1969) e Feijó (1994) introduziram o Grupo Humberto de Campos
e as Formações Pirabas e Barreiras.

2.2.1 Embasamento da Bacia de Barreirinhas


Conforme as ideias de Trosdtorf Júnior et al. (2007), a Bacia de Barreirinhas
desenvolveu-se sobre três grandes elementos do embasamento: a região do Gurupi, a Província
Borborema e a Bacia do Parnaíba. De acordo com Hurley et al. (1968) e Almeida et al. (1968,
1976), mediante a utilização de métodos radiométricos, que datam materiais rochosos mais
antigos (Rb-Sr e K-Ar), a região do Gurupi pôde ser fragmentada em dois grandes domínios: O
Cráton São Luís e o Cinturão Gurupi.

O Cráton São Luís é descrito por Almeida et al. (1976) e Almeida e Hasui (1984) como
sendo uma unidade arqueana de direção NNE, que apresentou modificação crustal ao longo do
Paleoproterozoico. Nesta identificam-se conjuntos de supracrustais metavulcano-sedimentares
e granitogênese de origem calcio-alcalina a peraluminosos pertencentes às unidades
geotectônicas do Grupo Aurizona, Suíte Intrusiva Tromaí, Granito Areal e Suíte Intrusiva
Tracateua (VEIGA JÚNIOR et al., 2000).

A Faixa Móvel Gurupi, também conhecida como Cinturão Gurupi, apresenta gênese
colisional atrelada ao choque entre as rochas que compõe o Cráton São Luís, e um pseudo-
continente Arqueano (KLEIN e MOURA, 2003). Após essa etapa, ocorreram mais dois
processos responsáveis pela orientação na direção SSW e modelagem atual do cinturão.

O primeiro deles encontra-se diretamente relacionado com a ruptura da crosta devido a


um processo de rifteamento no Neoproterozoico (740-730 Ma), enquanto o segundo de
orogênese mais recente (580-550 Ma) é caracterizado por Palheta (2001), como um período de
intensa gênese de rochas e forte atividade tectônica, resultando no aparecimento de inter-
8

calações de gnaisses ortoderivados com rochas metassedimentares e metavulcano-sedimentares


em fácies xisto-verde (KLEIN et al., 2005).

A Província Borborema, de acordo com Almeida et al. (1977), situa-se na porção


Nordeste da Plataforma Sul-Americana e apresenta sua origem associada à ação de fenômenos
termais e magmáticos ocorridos em dois principais ciclos tectónicos: A orogênese Cariris
Velhos (início do Neoproterozoico) e a orogênese Brasiliana (final do Neoproterozoico).

Levando-se em consideração a estratigrafia e história estrutural desses períodos


caracterizados pelo agrupamento de enormes fragmentos de crostas, Santos (1996) e Santos
(1999) dividiu a Província Borborema em 21 terrenos tectonoestratigráficos, enquanto que
outros autores como Brito Neves et al. (2000) os classificam sem levar em consideração sua
evolução em cinco domínios: Domínio Médio Coreaú, Domínio Ceará Central, Domínio Rio
Grande do Norte, Domínio da Zona Transversal ou Central e Domínio Sul ou Externo.

O Grupo Canindé representa a correspondência estratigráfica da Bacia do Parnaíba


presente na base da Bacia de Barreirinhas. Esta primeira classifica-se como bacia do tipo
Sinêclise Paleozoica, cuja formação deu-se por atividades termais posteriores ao ciclo
Brasiliano e a uma lenta e constante subsidência associada a um fraco tectonismo no período
da estabilização da plataforma (ALMEIDA e CARNEIRO, 2004).

A Bacia do Parnaíba encontra‐se assentada na porção Norte do Brasil, sobre os Estados


do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, tendo como limites três elementos estruturais. Ao norte
é separada da Bacia de Barreirinhas pelo Arco Ferrer- Urbano dos Santos, à Noroeste o arco de
Tocantins o separa da Bacia do Marajó e a Sudeste é separada da Bacia de São Francisco pelo
arco homônimo. Estudos litológicos estimaram um longo período deposicional para o Grupo
Canindé, o qual se estende desde o Ordoviciano ao Cretáceo (VAZ et al., 2007), subdividindo
também o mesmo em três formações: Itaim, Pimenteiras e Cabeças.

2.2.2 Grupo Canárias

Definido por Pamplona (1969) como fase inferior e essencialmente terrígena do período
de deposição Cretácea, o Grupo Canárias representa o pacote de transição entre a deposição dos
sedimentos Pré-cretáceos referentes à Bacia do Parnaíba e a seção carbonática do Grupo Caju.

Nogueti (1967) afirmou que o tectonismo intenso na região influenciou o


desenvolvimento de falhamentos que resultaram na formação de grandes rejeitos com um amplo
pacote sedimentar, relacionado à acentuada deposição de material clástico (arenito e folhelho).
9

Sendo assim, posteriormente, por meio da lito- e bioestratigrafia, Pamplona (1969), Figueiredo
et al. (1983) e Feijó (1994) dividiram este Grupo em quatro formações: Arpoador, Bom Gosto,
Tutóia e Barro Duro.

O termo Formação Arpoador utiliza-se como referência para a deposição do primeiro


pacote sedimentar formado por sedimentos de granulometria argilo-arenosa que se sobrepõem
de maneira discordante às rochas Pré-Cretáceas (PAMPLONA, 1969). Sendo esta composta
principalmente por folhelhos, que apresentam coloração cinza-escura (TROSDTORF JÚNIOR
et al., 2007), duros e frequentemente calcíferos com intercalações siltíticas, que quando
observadas em testemunho fraturam paralelamente em um padrão Poker chips Shale
(PAMPLONA, 1969).

A Formação Bom Gosto é caracterizada pela presença de arenito grossos, de coloração


creme claro a cinza claro (TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007), cuja deposição deu-se entre as
formações Arpoador (base) e Tutóia (Topo). A existência de espessas intercalações de camadas
de folhelhos, assim como estruturas de escorregamento e fácies conglomeráticas, sugerem um
sistema deposicional atrelado a correntes de turbidez (Pamplona, 1969).

Na Formação Tutóia predominam folhelhos escuros, de coloração variando de cinza a


preto que se apresentam laminados, com fraturas planas e ocasionalmente com material
carbonoso, associado ao caráter transgressivo da formação (TROSDTORF JÚNIOR et al.,
2007). Por último, arenitos médios e cinzentos, depositados sob ação de leques deltaicos em
ambiente deposicional plataformal, de idade Eoalbiana caracterizam a litologia da Formação
Barro Duro (REGALI et al., 1985).

2.2.3 Grupo Caju

Definido por Pamplona (1969) como fase superior e essencialmente carbonática do


período de deposição Neocretáceo, o Grupo Caju representa o pacote sedimentar de transição
entre a deposição dos sedimentos terrígenos pertencentes ao Grupo Canárias e a deposição
sedimentar do Grupo Humberto de Campos.

Ao contrário do ocorrido no grupo anterior, Nogueti (1967) afirmou que o tectonismo


foi suave, apresentando falhamentos com pequenos rejeitos, que como consequência
terminaram por desenvolver pequenas espessuras sedimentares ao longo do tempo geológico.
Desta maneira, mais tarde, Figueiredo et al. (1983) e Feijó (1994) subdividiram este grupo de
10

acordo com as suas características lito- e bioestratigráficas em formações Bonfim, Preguiças e


Periá.

Regali et al. (1985) e Feijó (1994) estimam a idade Neoalbiana do Grupo Caju e definem
as litologias da Formação Bonfim e Preguiças como sendo compostas, respectivamente, por
calcarenitos bioclásticos e calcilutitos, associados estes, a ambientes deposicionais neríticos de
alta e baixa energia. De maneira semelhante, Trodstorf Júnior et al. (2007), descrevem
litologicamente a Formação Periá pela presença de folhelhos com calcarenitos subornidados,
associados a uma natureza de sedimentação marinha rasa.

2.2.4 Grupo Humberto de Campos


Inicialmente, o Grupo Humberto de Campos foi introduzido na literatura por Pamplona
(1969) como formação pertencente ao Grupo Caju, tendo como Membros Areinhas e Ilha de
Santana. Ao longo dos anos, estes foram promovidos, surgindo assim, o Grupo Humberto de
Campos, as formações Areinhas e Ilha de Santana, do mesmo modo uma nova formação foi
designada, a Formação Travosas (FIGUEIREDO et al., 1983; FEIJÓ, 1994).

De acordo com Soares Júnior et al. (2008), estas formações se integram lateralmente
formando um pacote depositado por um único sistema em ambientes marinhos, do nerítico ao
abissal. No que se refere à Formação Areinhas, esta compreende clastos grossos depositados na
zona nerítica. A Formação Ilha de Santana caracteriza-se pela presença de carbonatos de alta
energia, os quais também são depositados no mesmo ambiente. Enquanto que, a Formação
Travosas, diferentemente das outras duas, possui folhelhos escuros e arenitos finos depositados
mais profundamente, na zona abissal (TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007).

2.2.5 Formação Pirabas e Formação Barreirias


As formações Pirabas e Barreiras representam as unidades cronoestratigráficas mais
recentes da Bacia de Barreirinhas. A deposição destas ocorreu no período Neógeno sobre o
Grupo Humberto de Campos. A primeira, a Formação Pirabas, é marcada pela variação
litológica dos clastos grossos da Formação Areinhas para uma extensa plataforma carbonática,
a qual Holz (2012) associa a uma transgressão marinha. No entanto, a Formação Barreiras
torna-se representativa de uma progradação dos sistemas deposicionais costeiros, os quais são
explicados através de um estágio de regressão marinha (TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007).
11

Figura 2.1: Carta estratigráfica referente à Bacia de Barreirinhas.

Fonte: Extraído de Trosdtorf Júnior (2007).

2.3- Evolução Tectônica e Arcabouço Estrutural


De acordo com Milani et al. (2007), considerando-se os movimentos que a geraram e o
seu contexto tectônico, podemos agrupar as Bacias da Margem Continental brasileira em dois
grandes grupos: Distensional e Transformante. Neste contexto, a Bacia de Barreirinhas
encontra-se inserida no grupo de margem transformante, cuja origem está associada a um
evento tectônico policíclico (CONCEIÇÃO et al., 1988) e um sistema de falhas do tipo
continente-continente, responsável pela separação da África e América do Sul (MATOS, 2000;
TAVARES, 2017).
12

Comumente levando-se em consideração apenas os processos evolutivos é possível


estruturar as Bacias da Margem Continental Brasileira através de um arcabouço fundamental
composto por quatro megasequências: Supersequência Pré-rifte, Supersequência Sinrifte,
Supersequência Pós-Rifte e Supersequência Drifte (PAMPLONA, 1969; FIGUEIREDO et al.,
1983; FEIJÓ, 1994; e MOHRIAK, 2003).

A primeira, a fase Pré-rifte, entende-se como um estágio de sinéclise caracterizada pela


sedimentação da Bacia do Parnaíba anterior ao desenvolvimento da Bacia de Barreirinhas. Este
estágio é definido pelo acumulo de tensões referentes ao estiramento da litosfera, resultando
numa deformação dúctil e posterior à subsidência flexural da mesma (CONCEIÇÃO et al.,
1988). Segundo Milani et al. (2007), tais características promoveram na bacia uma geometria
do tipo sag, com leves mergulhos, ampla deposição e sem falhamentos acentuados.

Por seguinte, tem-se o estágio Sinrifte, o qual por meio de um aumento na subsidência
mecânica gerada por intensos falhamentos normais dispostos em padrão backstepping e direção
preferencial Oeste-Sudoeste (TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007). De acordo com as ideias de
Milani et al. (2007) e Soares Júnior et al. (2011), esta segunda etapa caracterizou-se pela
expansão da bacia associada à nucleação das descontinuidades em grandes falhas transcorrentes
que foram ativadas e reativadas durante todo o período de separação dos continentes africano e
sul-americano. Segundo Szatmari (1987), tal procedimento influenciou fortemente o estilo
estrutural da bacia, resultando na gênese de blocos falhados e rotacionados, com grandes
depocentros relacionados a grábens rômbicos (Figura 2.2).

Figura 2.2: Representação esquemática do arcabouço estrutural da Bacia de Barreirinhas.

Fonte: Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM-2018).


13

A fase Pós-Rifte configura um período de contínua extensão lateral associado ao alívio


de tensões e diminuição da intensidade da atividade tectônica, principalmente àquela associada
às principais falhas normais (TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007). Concomitante a isso, ocorre
o desenvolvimento de uma segunda bacia em formato sag que segundo Soares Júnior et al.
(2011), tem relação direta com a acentuação dos processos de subsidência térmica.

Dando continuidade às megassequências, tem-se a supersequência Drifte. Sendo esta


caracterizada pela progressiva separação dos continentes e instalação de uma crosta oceânica
(período de Mar restrito) (TROSDTORF JÚNIOR et al., 2007). O início deste encontra-se
demarcado em carta estratigráfica pela discordância Breakup, retratando a variação do regime
tectônico atuante durante a sua passagem da sequência Pós-Rifte para Drifte. Durante o período
de deriva continental, desenvolveu-se, na área de estudo, um processo de basculamento, sendo
este responsável pelo aumento do aporte sedimentar na bacia, permitindo o desenvolvimento
do padrão sag na mesma (MILANI et al., 2007).

Por meio de estudos da atividade termal, de esforços tectônicos e até mesmo os tipos de
falhas atuantes na região, Pamplona (1969) associou todos esses fatores às quatro etapas
anteriores, caracterizando esta região como consequência de um complexo processo de
cinemática transformante. A forte deformação gerada pela extensão da Zona de Fratura
Romanche no extremo nordeste da bacia e na região oriental durante a fase rifte, possibilitou o
desenvolvimento de vários dobramentos em échelon e formação de arcos anticlinais (ZALÁN
et al., 2004). Dando continuidade a esses estudos, Woodcock e Fischer (1986) confirmaram a
geometria transtensional na região oeste da bacia. Por meio da retratação da natureza estrutural
da bacia, compreendida por falhas normais paralelas e lístricas de direções WNW-ESE e NW-
SE, pôde‐se definir assim um sistema distensivo cortado por falhas transcorrentes mais recentes
com orientação NE-SW (PAMPLONA, 1969; WOODCOCK e FISHER, 1986; ZALÁN et al.,
2004).

CAPITULO III- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 O Método Sísmico


O método sísmico é definido como sendo um método geofísico indireto, que mediante
a “propagação e difusão” de ondas elásticas em rochas na subsuperfície, permite um melhor
entendimento do interior da Terra (KEAREY, 2009). Muito do que se sabe sobre estruturação
e composição terrestre deve-se à sísmica e a sua capacidade de imagear, em grandes
14

profundidades, diferentes feições geológicas-estruturais, tornando possível por meio desta, a


definição de alvos de interesse exploratório (THOMAS, 2004).

De maneira semelhante a todos os métodos geofísicos, a sísmica apresenta três


principais etapas, que variam desde a realização do levantamento e obtenção dos dados até sua
análise conjunta com informações geológicas (LOWRIE, 2007). A primeira destas etapas,
denominada de aquisição sísmica, consiste na observação das influências geradas por estruturas
presentes em profundidade sobre pulsos de energia emitidos através de uma fonte artificial
durante o seu percurso em subsuperfície.

Em outras palavras, o método sísmico é fundamentado na resistência ou dificuldade que


pacotes de energia elástica emitidos por uma fonte, geralmente artificial, apresentam durante a
sua passagem em diferentes meios em profundidade (SHERIFF e GELDART, 1995). Esta
propriedade que permite discernir diferentes ambientes ou estruturas denomina-se de
impedância acústica e é expressa pelo produto entre a densidade da rocha (𝜌𝑎 ) e a velocidade
da onda sísmica (ν) na mesma (Equação 3.1):

𝒁 = 𝝂 ∗ 𝝆𝒂 (3.1)
Durante sua propagação em subsuperfície, como pode ser visto na Figura 3.1, os pacotes
de energia liberados por um pulso sísmico podem desenvolver três diferentes trajetórias: Onda
Direta (OD), Onda Refletida (OR) e Onda Refratada (OR’). Os fatores que determinam a
quantidade de energia que irá propagar-se de uma maneira ou de outra encontram-se
diretamente relacionados aos contrastes de impedância acústica entre dois meios, sendo estes
conhecidos como coeficientes de Reflexão e Refração.

Os coeficientes de reflexão e refração são complementares e o módulo do somatório


entre eles é sempre 1. No que se refere ao coeficiente de reflexão (R), este encontra-se
representado através da Equação 3.2 e pode ser entendido como a razão dos contrastes elásticos
entre duas interfaces em contato (PARASNIS, 1997).

𝑨𝟏 𝒁𝟐 −𝒁𝟏
𝑹= = (3.2)
𝑨𝟎 𝒁𝟐 +𝒁𝟏

onde 𝐴1 representa a amplitude da onda refletida, a variável 𝐴0 retrata a amplitude da onda


incidente e os valores de 𝑍1 𝑒 𝑍2 fazem referência à impedância elástica dos meios geológicos
em contato.
15

No instante em que a energia sísmica atinge uma dada interface, com diferentes
propriedades físicas, possibilitando a existência de um contraste de impedância entre os dois
meios, esta tem sua trajetória alterada. Como introduzido anteriormente, a depender dos valores
assumidos para o coeficiente de reflexão, a energia presente no pulso sísmico poderá sofrer
reflexão (R = 1), retornando para a superfície ou uma camada anterior, refração (R = 0),
prosseguindo para a camada seguinte ou até apresentar coeficiente de reflexão diferente de 0
ou 1, resultando na propagação simultânea das duas anteriores (Figura 3.1).

Figura 3.1: Representação esquemática do percurso das ondas sísmicas em subsuperfície.

Fonte: Adaptado de Kearey (2009).

Após o pulso ser emitido e sofrer reflexão (Onda Refletida), este retornará para a
superfície e será registrado por uma série de receptores (hidrofones ou geofones), responsáveis
estes, por armazenar informações das amplitudes das ondas em intervalos de tempo regulares
(SIMM e BACON, 2014). Dessa maneira, entende-se que o método sísmico é fundamentado
na medição dos tempos duplos referentes aos trajetos realizados pela energia oriunda da fonte
sísmica ao longo de diferentes distâncias e trajetórias (KEAREY, 2009).

O produto final desta etapa de aquisição é o dado registrado pelo receptor, o qual
denomina-se de traço sísmico. Este é definido como a representação gráfica das amplitudes e
dos tempos de percurso da onda em cada um dos receptores após a sua emissão na fonte. Que
de acordo com as ideias de Simm e Bacon (2014), pode ser obtido por meio da adição de ruído
à resposta da convolução do pulso sísmico com a função refletividade (Figura 3.2).
16

Figura 3.2: Representação esquemática do modelo convolucional do traço sísmico.

Fonte: Adaptado de Yilmaz (2001).

Devido ao fato dos sinais adquiridos não representarem unicamente informações


referentes ao sinal sísmico, mas também ao ruído, tem-se como necessidade inicial a realização
de um processo de tratamento do dado. Neste procedimento geofísico denominado de
processamento, ocorre a priorização e consequente melhoria da razão sinal/ruído por meio de
ferramentas computacionais. Tais ferramentas visam a atenuação da amplitude e remoção de
sinais de não interesse, assim como correções topográficas e quando conveniente, a retirada de
anomalias superficiais (YILMAZ, 2001).

O resultado obtido na etapa de processamento, por intermédio da utilização dos passos


retratados anteriormente, consiste numa seção sísmica livre de efeitos adversos. Nesta etapa de
processamento é possível evidenciar a retirada de múltiplas, a horizontalização dos refletores,
como também a migração dos mesmos. Tais procedimentos permitem ao intérprete a obtenção
de informações mais confiáveis e fieis ao real modelo geológico de ocorrência em
subsuperfície.

A função do interprete e da última etapa, a etapa de interpretação, consiste na análise


dos dados anteriormente processados e, por meio destes, inferir o modelo geológico
representativo da área em subsuperfície (SHERIFF e GELDART, 1995). A depender do
objetivo, a interpretação sísmica pode ser realizada considerando duas vertentes: Interpretação
Sismoestrutural e Sismoestratigráfica.
17

3.1.1 Interpretação Sismo-Estrutural

A interpretação sismoestrutural, segundo Schinelli (2011), baseia-se na análise


geométrica dos refletores, delimitando e identificando falhas, assim como outros fatores
geológicos responsáveis por promoverem descontinuidades nos horizontes sísmicos. O hori-
zonte sísmico é definido por Duarte (2011) como uma superfície espacial de reflexão com
continuidade lateral e cunho estratigráfico, cujo estudo retrata as diferentes impedâncias entre
dois meios e, consequentemente, propriedades físicas distintas, o que auxilia no mapeamento
de falhas e demais estruturas (SHERIFF e GELDART, 1995).

O termo falha define uma região de descontinuidade dominada por um regime


deformacional rúptil, onde ocorre deslocamento paralelo às suas superfícies (LOCZY e
LADEIRA, 1976). Na sísmica, a geometria da falha determina-se com base na geometria dos
seus traços, os quais correspondem a regiões com variações de velocidade ou pausa na
continuidade dos refletores (FOSSEN, 2017). A classificação destas é feita de acordo com o
regime tectônico atuante, podendo ser compressivo, tensional e/ou cisalhante (Figura 3.3).

Figura 3.3: Esquematização das influências dos esforços máximos (𝜎1 ), intermediários (𝜎2 ) e mínimos
(𝜎3 ) aplicados em blocos. Em (A) regime compressional e aparecimento de falhas reversas. Em (B)
regime distensional e falhamentos normais. E em (C), tem-se falhas direcionais, resultado estas de uma
compressão máxima perpendicular aos eixos intermediário e mínimo.

Fonte: Modificado de Fossen (2017).

Os regimes citados anteriormente encontram-se intrinsecamente relacionados com os


eixos de stress (FOSSEN, 2017). O primeiro deles, o sistema compressional, associa-se a uma
contração máxima lateral (𝜎1 ) e mínima vertical (𝜎3 ) (Figura 3.3a), resultando no aparecimento
de falhas reversas (mergulho >30°) ou de cavalgamento (mergulho <30°). Com base na
agregação de um sistema de falhas de cavalgamento, duas estruturas preferenciais são
destacadas: Nappes e Duplex (Figura 3.4).
18

Os Nappes de cavalgamento são definidos por Duarte (2011) como estruturas de baixo
ângulo, limitadas por uma superfície livre e uma falha mestra, cuja movimentação do topo em
relação à base dá-se seguindo a linha de maior mergulho. Diferentemente dos Nappes, a
estrutura Duplex encontra-se limitada em topo e em base por falhas mestras.

Figura 3.4: Estruturas associadas a falhas contracionais. Em (a) tem-se a presença de Nappes e em (b)
estruturas denominadas de Duplex.

Fonte: Modificado de Fossen (2017).

O segundo, o sistema tensional ou distensional, representado por uma compressão


máxima vertical (𝜎1 ) e mínima lateral (𝜎3 ) (Figura 3.3b) tem relação direta com a gênese de
falhas normais (mergulhos >60°). Fundamentado na correlação de um sistema de falhas
normais, assim como no regime anterior, duas estruturas são enfatizadas: modelo dominó e
dominó soft (Figura 3.5).

Figura 3.5: Representação esquemática dos modelos Dominó (A) e Dominó Soft (B).

Fonte: Modificado de Fossen (2017).

O modelo dominó, de acordo Fossen (2017), representa a associação de falhamentos


normais paralelos, definindo blocos rotacionados de mesmo comprimento e rejeito. No entanto,
apesar de apresentarem o mesmo fundamento, o modelo dominó soft discerne do anterior, pois
desconsidera a simetria da disposição dos blocos, retratando variações nos rejeitos e dimensões
do falhamento.
19

Por último, o regime cisalhante (Figura 3.3c) reflete os efeitos de uma compressão
máxima (𝜎1 ) perpendicular aos eixos intermediário (𝜎2 ) e mínimo (𝜎3 ), ocasionando o
surgimento de falhas direcionais. As quais, através do acréscimo das componentes
contracionais e distensionais possibilita sua subdivisão em falhas de transpressão e transtração.

As falhas de transpressão são resultados de uma junção dos regimes cisalhantes e


contracionais, cujas estruturas têm sua gênese concatenada à curvas de restrição (falha sinistral
inclidada para a direita). Na sísmica, estas podem ser visualizadas como estruturas em flor
positivas. No entanto, as falhas de transtração são relacionadas a curvas de liberação (falha
sinistral inclinada para a esquerda), as quais identificam-se por estruturas em flor negativas
(Figura 3.6).

Figura 3.6: Estruturas associadas a falhas de transtração, estrutura em flor negativa (a) e a falhas de
transpressão, estruturas em flor positivas (b).

Fonte: Modificado do Fossen (2017).

3.1.2 Interpretação Sismo-Estratigráfica


A sismo-estratigrafia é a parte da estratigrafia responsável pela interpretação dos dados
sísmicos, possibilitando um melhor entendimento da evolução tectônica e deposição sedimentar
dentro de uma bacia (SEVERIANO RIBEIRO, 2001). O método estratigráfico de interpretação,
de acordo com Mitchum Jr. e Vail (1977), dá-se por meio da demarcação de pacotes
deposicionais geneticamente relacionados (sismosequências) e limitados por superfícies
refletoras, as quais se apresentam como superfícies estratais ou discordâncias.

Ainda neste contexto, Mitchum Jr. e Vail (1977) fragmentaram o processo de


interpretação sismoestratigráfica em três principais etapas: Análise das sismosequências, das
fácies sísmicas e dos níveis eustáticos. Segundo Catuneanu (2006), a primeira tem como
fundamento a ideia de que uma sequência sísmica representa pacotes de refletores dispostos de
20

forma concordante, onde seu limite de sequência pode ser identificado através das relações de
terminação desses refletores, os quais ocorrem em Toplap, Baselap (Onlap e Downlap) e
Truncamento (Figura 3.7).

Figura 3.7: Padrões de terminañóes de refletores em Onlap, Toplap, Downlap e Truncamento.

Fonte: Adaptado de Mitchum Jr. e Vail (1977).

De acordo com as ideias de Holz (2012), definem-se as terminações dos refletores


citados anteriormente. O padrão Toplap caracteriza-se pela diminuição progressiva do
mergulho em direção ao limite superior de uma sequência. O Downlap define-se como um
padrão de terminação de refletores que inicialmente apresenta-se inclinado, o qual termina
mergulho abaixo de uma superfície normalmente horizontalizada. Refletores horizontalizados
terminando sobre uma superfície inclinada identificam o Onlap. Por último, o Truncamento
designa refletores concluindo sobre uma superfície erodida.

Afim de compreender e desenvolver um melhor entendimento sobre os padrões de


reflexões no interior de uma mesma sequência, Campbell (1967) estabeleceu o conceito de fácie
sísmica. Este autor associou a sua ocorrência com unidades estratais menores (parasequência,
camadas e lâminas) e ressaltou sua dependência em relação a parâmetros como configuração,
continuidade, amplitude e velocidade intervalar dos refletores. Estes conceitos foram
aperfeiçoados por Mitchum Jr. e Vail (1977), desenvolvendo a estratificação mais aceita e
utilizada atualmente, quando se trata da classificação de fácies sísmicas.

Outros autores como Zarauza (1977) e Posamentier et al. (1988) associaram os diversos
padrões de reflexões das estratificações a mudanças climáticas e de estações, variação da
energia de correntes, assim como também à subsidência tectônica e variação dos níveis do mar
21

(eustasia). Tais padrões de reflexão das fácies sísmicas podem ser evidenciados de forma
esquemática na Figura 3.8.

Figura 3.8: Esquema dos padrões internos de reflexões que definem as fácies sísmicas.

Fonte: Extraído de Mitchum Jr. e Vail (1977).

Conforme as ideias de Severiano Ribeiro (2001), cada uma dessas configurações podem
ser compreendidas com base no sistema deposicional gerador e ambiente de deposição:

A configuração paralela/subparalela caracteriza-se por um aporte sedimentar constante


e uniforme, sobre uma superfície estável ou fracamente subsidida. No caso da configuração
divergente, seu aporte sedimentar deixa de ser uniforme, apresentando taxas de deposição
variável, assim como seu ambiente de deposição, ocorrendo sob uma superfície de inclinação
progressiva.

Outro grande grupo de fácies sísmicas são as de configuração progradante. Estas


caracterizam-se por apresentar uma origem associada a estratos superpostos lateralmente em
clinoformas (superfícies inclinadas), podendo ser sigmoidal, oblíqua (paralela e tangencial),
complexo sigmoidal-oblíquo e shingled. Seguindo essa ordem, a primeira delas caracteriza-se
por um baixo aporte sedimentar, sendo associado à uma possível subsidência contínua ou subida
relativa dos níveis do mar. Numa seção sísmica, esta sismofácie é facilmente identificada pela
sua forma “S” característica.

A configuração oblíqua devido à baixa taxa de subsidência e a níveis estacionários do


mar, implicam num grande aporte sedimentar. A principal diferença entre a tangencial e a
paralela diz respeito à terminação dos seus refletores. Nesta primeira, eles decrescem
levemente, resultando num término suave. No caso da paralela, sua terminação de mergulho
dá-se em alto grau contra a superfície inferior.
22

Por meio da correlação das características das configurações oblígua e sigmoidal surge
o complexo sigmoidal-oblíquo. Este retrata uma situação intermediária entre as duas citadas,
caracterizando um ambiente de alta energia, com alternância entre processos bypass e
construtivos.

Como última configuração na classe progradante tem-se a configuração shingled, que


retrata um pacote de pequena espessura, com limites de superfície paralelos e reflexões internas
com ângulo de mergulho reduzido, sendo característico de sistemas deposicionais associados a
águas rasas.

Dando seguimento à classe anterior tem-se a configuração caótica. Esta é formada por
um padrão de refletores discordantes e descontínuos, associados a um possível ambiente de alta
energia deposicional ou de deformações posteriores à essa deposição. A configuração caótica
apresenta grande funcionalidade no quesito de delimitação de zonas de fraqueza da rocha ou
estruturas de escorregamento.

Finalizando os padrões de configuração das fácies sísmicas, menciona-se a configuração


Hummocky e Transparente. Refletores irregulares produzindo um padrão em formato de ondas
definem o primeiro. Já a configuração transparente representa intervalos limitados por
descontinuidades, onde evidencia-se ausência de reflexão no interior das mesmas.

3.2 O Método Gravimétrico

O método gravimétrico é definido como sendo um método geofísico indireto,


fundamentado em medições de aceleração da gravidade, utilizando como instrumentação um
gravímetro (BLAKELY, 1995). A interpretação das variações entre os valores mensurados
possibilita um entendimento mais aprofundado das estruturas em subsuperfície, permitindo
delimitar os fatores geométricos e profundidade das fontes que as causam (LOWRIE, 2007).
Em primeira instância, tais contrastes encontram-se diretamente associados às diferenças de
densidades entre a fonte e o meio encaixante (KEAREY, 2009).

A Gravimetria tem como base as ideias propostas por Newton sobre a gravitação, as
quais explanam que a força atrativa atuante entre um corpo de massa 𝑚2 e um sólido massivo
de massa M e raio R, pode ser obtida através da razão entre o produto da constante gravitacional
(G) com as massas e o quadrado das suas respectivas distâncias entre os corpos (Equação 3.3):

𝑮𝑴𝒎𝟐
𝑭= (3.3)
𝑹𝟐
23

Por meio de manipulações na equação anterior, e considerando que a relação entre força
e massa pode ser estabelecida através da influência de uma aceleração, principiou-se a Equação
3.4, a qual afirma que a força peso de um corpo de massa 𝑚2 atuando sobre a Terra é definida
pelo produto da massa do mesmo e a aceleração gravitacional (LOWRIE, 2007).

𝑭 = 𝒎𝟐 𝒈 (3.4)

Os valores da aceleração gravitacional obtidos durante a realização de um levantamento


geofísico são dependentes de uma série de parâmetros associados à dinâmica, morfologia e
composição da Terra. Devido a tais fatores e com o intuito de isolar o efeito gravimétrico
causado apenas pelo contraste de densidade entre a fonte e o meio torna-se necessário a
aplicação das denominadas correções gravimétricas.

3.2.1 Correções Gravimétricas

Através destes princípios, um levantamento gravimétrico realiza-se com base no valor


de 𝑔𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜 fornecido pela Rede Internacional de Padronização da Gravidade. A correlação desta
grandeza com os valores observados na estação gravimétrica evidencia contrastes, sendo estes
associados ao fato do campo gravitacional ser aditivo e representar o somatório das fontes
presentes em subsuperfície (CASTRO, 2005). No entanto, com o intuito de isolar apenas o
contraste gerado pelas mudanças de densidade vê-se necessária a aplicação das chamadas
correções gravimétricas: Deriva, Maré, Eötvös, Elevação e Isostática.

O fenômeno de deriva consiste na variação da leitura dos valores da gravidade com o


tempo, devido a deformações nos componentes do gravímetro causadas pelo ambiente.
Adotando-se o valor de g como aquele fornecido pela Rede Internacional de Padronização da
Gravidade, a deriva representa o contraste entre a gravidade de referência e a leitura obtida,
sendo sua correção executada mediante a estipulação da média de reiteradas leituras num dado
ponto.

Com o tempo, a gravidade medida em um ponto fixo varia em função dos efeitos
gravitacionais associados a movimentos orbitais de corpos celestes próximos (Lua e Sol). Tais
efeitos tornam-se visíveis diariamente através de variações eustáticas do nível do mar,
resultando em alterações no centro de massa da Terra por meio de mudanças na elevação de um
ponto observado (KEAREY, 2009). Com intuito de remover todos os efeitos citados
anteriormente, faz-se uso da etapa denominada de correção de Maré. Sua realização é necessária
quando os levantamentos gravimétricos são realizados sob uma plataforma em movimento, que
24

a depender da direção, pode gerar uma aceleração centrípeta que influenciará positiva ou
negativamente os valores do 𝑔𝑜𝑏𝑠 (KEAREY, 2009). Sendo assim, a correção Eötvös (𝑔𝐸 )
aplica-se com a finalidade de retificar a influência da movimentação do veículo (Equação 3.5)

𝒈𝑬 = 𝟕. 𝟓𝟎𝟑𝒗. 𝒄𝒐𝒔𝜸. 𝒔𝒊𝒏𝜶 + 𝟎. 𝟎𝟎𝟒𝟏𝟓𝒗𝟐 (3.5)

onde 𝑣 representa a velocidade do veículo em nós, 𝛾 a latitude local e 𝛼 o valor referente à


angulação com o Norte.

No que diz respeito à correção realizada em estações que possuem diferentes elevações,
esta pode ser dividida em três etapas: Correção Ar-Livre, Bouguer e Terreno.

A primeira, a correção Ar-Livre, segundo Blakely (1995), fundamenta-se na ideia de


que o valor da aceleração gravitacional diminui à medida que a distância em relação ao centro
de massa da Terra aumenta. Em regiões de topografia não uniforme, onde levantamentos são
realizados em pontos de diferentes altimetrias, os valores de gravidade obtidos também serão
diferentes. Visando a correção de tais efeitos indesejados, aplica-se a correção Ar-Livre
(Equação 3.6), cuja função consiste em dispor todos os pontos levantados sobre o mesmo datum
de referência, desconsiderando a atração gerada pela própria, assim como por corpos anômalos
em profundidade (Figura 3.9a).

∆𝒈𝑨𝑳 = 𝒈𝒐𝒃𝒔 − 𝒈𝑨𝑳 − 𝒈𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐 (3.6)

A correção Bouguer (𝑔𝑠𝑏 ) considera o efeito gravitacional produzido por rochas


presentes entre o ponto de observação e o datum de referência (BLAKELY, 1995). De acordo
com Blakely (1995), a finalidade desta correção consiste na remoção de tais influências através
do preceito que a camada abaixo da estação de medição é horizontalizada e de espessura
constante representada pela distância entre o datum e a altitude do ponto observado (Figura
3.9b). Em terra, dito valor deve ser subtraído da gravidade medida (𝑔𝑜𝑏𝑠 ), pois representa a
influência da rocha (massa de elevação) sobre a aceleração gravitacional. No entanto, em mar,
este deve ser acrescentado com intuito de corrigir a ausência de rocha (massa) entre o leito e o
datum de referência (Equação 3.7).

∆𝒈𝒔𝒃 = 𝒈𝒐𝒃𝒔 − 𝒈𝑨𝑳 ± 𝒈𝒔𝒃 − 𝒈𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐 (3.7)

A etapa posterior à Correção Bouguer é denominada de Correção de Terreno ou


Bouguer Completa (Figura 3.9c). Segundo Kearey (2009), esta, diferentemente da correção
25

Bouguer, desconsidera a aproximação realizada sobre a topografia ser plana nas proximidades
da estação gravimétrica, considerando-a com a sua real morfologia (Equação 3.8):

∆𝑪𝑩 = 𝒈𝒐𝒃𝒔 − 𝒈𝑨𝑳 ± 𝒈𝒔𝒃 − 𝒈𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐 − 𝒈𝒕𝒆𝒓𝒓𝒆𝒏𝒐 (3.8)

Figura 3.9: orreções Gravimétricas de elevação. Em (a), tem-se a correção Ar-Livre. Em (b), a
correção Bouguer. Em (c), a correção de Terreno ou Bouguer Completa.

Fonte: Adaptada de Kearey (2009).

Como última correção, tem-se a Correção Isostática. O estudo do estado de equilíbrio


da litosfera sob os efeitos da gravidade é denominado de isostasia. Os modelos de compensação
isostática afirmam que montanhas e oceanos apresentam compensação de massas internas em
relação ao geoide. Sendo assim, evidenciamos anomalias Bouguer regionais (𝑔𝑖 ) negativas nos
continentes e positivas nos oceanos (KEAREY, 2009). A utilização da correção isostática
implica numa maior estabilização desses efeitos, inferindo-se que uma anomalia
aproximadamente nula indica condições de equilíbrio isostático (Equação 3.9):

∆𝒈𝒊 = 𝒈𝒐𝒃𝒔 − 𝒈𝑨𝑳 ± 𝒈𝒔𝒃 − 𝒈𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐 − 𝒈𝒕𝒆𝒓𝒓𝒆𝒏𝒐 ± 𝒈𝒊 (3.9)

onde ∆𝑔𝑖 representa a componente residual da anomalia Boguer, 𝑔𝑜𝑏𝑠 o valor da gravidade
medida, 𝑔𝐴𝐿 o valor da correção Ar-Livre, 𝑔𝑠𝑏 o valor da correção Bouguer, 𝑔𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜 o valor
corrigido de latitude e fornecido pela Rede Internacional de Padronização da gravidade,
𝑔𝑡𝑒𝑟𝑟𝑒𝑛𝑜 a correção de terreno e como último termo tem-se o 𝑔𝑖 , que retrata as anomalias
Bouguer regionais.

3.2.2 Interpretação Gravimétrica


De acordo com as ideias de Blakely (1995), o verdadeiro desafio inicia-se
posteriormente às etapas de aquisição e separação regional-residual. Tal desafio é denominado
de interpretação gravimétrica e pode ser entendido como a etapa de integração dos valores de
gravidade observados e das informações geológicas, visando prioritariamente a estipulação de
26

um modelo de densidades. Sendo assim, Blakely (1995) agrupou as técnicas de modelagem


gravimétrica em duas principais categorias: Modelagem Direta e Inversão.

3.2.2.1 Modelagem Direta

A Modelagem Direta, segundo Castro (2005), parte da criação “manual” de um modelo


de densidades baseado na integração de dados geológicos e geofísicos, tendo como intuito
verificar a semelhança entre as anomalias gravitacionais observadas e o efeito gravimétrico do
modelo geofísico assumido. As idéias de LaFehr e Nabighian (2012) retratam que, caso a
similaridade entre as anomalias não se dê de maneira satisfatória, reiteradas interações devem
ser realizadas, tendo estas, como finalidade principal, a estipulação de novos modelos, os quais
visam promover um aumento da correspondência entre dados observados e calculados.

3.2.2.2 Inversão

De acordo com Li e Oldenburg (1998), a Inversão, diferentemente da Modelagem dire‐


ta, fundamenta-se no conhecimento inicial da gravidade e posterior estipulação dos parâmetros
da fonte geradora (densidade e/ou geometria) através de cálculos probabilísticos e algoritmos
computacionais (por exemplo, método de Gauss-Newton). De forma semelhante à Modelagem
Direta, após serem estipulados os parâmetros da fonte, um modelo de densidade baseado nos
mesmos é desenvolvido e sua anomalia gerada é comparada com dados reais. De acordo com
Castro (2005), o problema inverso empregado no processo de modelagem gravimétrica realiza-
se através de duas vertentes.

A primeira delas, conforme Braile et al. (1974), baseia-se na utilização de corpos de


geometria fixa, os quais se encontram regularmente representados por blocos retangulares ou
quadrados, que apresentam variação de densidade entre si. Já a segunda, considerando as ideias
de Talwani e Ewing (1960), parte da consideração inicial que a modelagem é obtida por meio
de um ou mais corpos de densidade constante e geometria variável. Ainda neste contexto,
Castro (2005), estipula que a modelagem do relevo de uma superfície que limita dois meios
homogêneos, com contraste de densidade regular, pode ser representada através da sobrepo-
sição de prismas verticais.

Rao (1986) desenvolveu uma função parabólica fundamentada no princípio que a


diminuição do contraste de densidade entre o embasamento e os sedimentos encontra-se
diretamente associada a um aumento da compactação dos últimos com a profundidade (Equação
27

3.10). Tal grandeza tem sua estipulação por meio da determinação das espessuras dos prismas
verticais sobrepostos.

∆𝛒 (𝐳) = 𝐚𝟎 + 𝐚𝟏 𝐳 + 𝐚𝟐 𝐳 𝟐 (3.10)

onde ∆𝜌 (𝑧) representa o contraste de densidade, z a profundidade medida e 𝑎0 , 𝑎1 e 𝑎2 as


constantes da função quadrática obtidas através do método de mínimos quadrados com base na
densidade e profundidade medidos ou assumidos.

Por meio de manipulações matemáticas, sobre a Equação 3.10, o mesmo autor


desenvolveu uma expressão que estima a profundidade a da base do prisma em qualquer ponto
do corpo (Equação 3.11)
∆𝑔𝑖𝑛𝑓
𝑍= (𝟑. 𝟏𝟏)
2𝜋𝛾𝑎0

onde ∆𝑔𝑖𝑛𝑓 representa a anomalia gravitacional associada ao prisma, 𝑎0 a constante da função


quadrática e o coeficiente 𝛾 que representa a contante da gravitação universal. No que se refere
à estipulação das profundidades dos prismas esta é obtida mediante a razão do contraste entre
as anomalias observadas e calculadas e a variação de densidade no meio (Equação 3.12)

[∆𝑔𝑜𝑏𝑠 (𝑥𝑖 ) − ∆𝑔𝑐𝑎𝑙𝑐 (𝑥𝑖 )]


𝑍𝑖 = (𝟑. 𝟏𝟐)
2𝜋𝛾∆𝜌 (𝑍)

Caso o procedimento acima não se mostre satisfatório, reiteradas interações devem ser
realizadas visando a correspondência e uma maior similaridade entre as anomalias do modelo
assumido e o real (Figura 3.10).
28

Figura 3.10: Determinação da geometria do corpo em profundidade mediante o ajuste entre a anomalia
gravitacional calculada e observada.

Fonte: Adaptado de Castro (2005).

3.3 Perfis Geofísicos de Poços

3.3.1 Introdução

Segundo Mostaghel (1999), a perfilagem geofísica de poços é um procedimento


empregado com o intuito de complementar informações litológicas. Este, define tal processo,
como sendo uma ferramenta capaz de gerar perfis verticais integrando vários métodos
geofísicos em um mesmo ponto. Alguns desses registros recebem grande importância devido
ao fato de apresentarem um papel fundamental no que se refere à investigação de reservatórios,
sendo eles: Densidade, Sônico, Raio Gama e Neutrônico.

3.3.2 Densidade
De acordo com Nery (2013), o perfil de densidade ou “Density log” consiste num
registro continuo das variações de densidade em relação à mudança das propriedades físicas do
meio em profundidade. Geologicamente falando, as ideias expostas por Rider (1986), retratam
que a densidade do meio se encontra diretamente atrelada ao volume dos poros presente nas
rochas, obedecendo a tendência de que, quanto maior o volume de fluidos presente no meio,
menor será a sua densidade. Sendo assim, o perfil de densidade emprega-se quantitativamente
com o intuito de estimar a porosidade e qualitativamente como indicador de litologias.
29

3.3.3 Sônico
Semelhante ao de densidade, o perfil sônico também promove o registro contínuo de
uma grandeza em profundidade. Tal registro, conforme Rider (1986), estima o tempo que uma
onda sonora tarda para atravessar uma determinada formação. Devido ao fato de apresentar o
comportamento inverso que o perfil de densidade quando se trata de aspectos texturais, o perfil
sônico auxilia igualmente no cálculo da porosidade, tornando-se indicativo de fluidos e zonas
de fraturas (ROSA, 2006).

Como consequência das informações extraídas mediante a análise do perfil sônico tem-
se a obtenção da velocidade intervalar entre os topos das camadas e de maneira complementar
a curva tempo x profundidade (LOPES, 2018). A finalidade desta, conforme Rider (1986),
consiste em auxiliar a etapa de interpretação, visto que promove a conversão tempo duplo
(TWT) em profundidade, outorgando à sísmica um significado geológico direto.

3.3.4 Raio Gama


Os raios gama representam ondas eletromagnéticas de emissão espontânea por minerais
radioativos presentes no meio geológico. No caso de rochas sedimentares tal característica
encontra-se diretamente relacionada com a presença de potássio na sua composição
(MOSTAGHEL, 1999). Sendo assim, e partindo-se da consideração que elementos radioativos
tendem a possuir uma maior concentração em materiais argilosos, Rider (1986) associa a análise
dos perfis de raios gama à possibilidade de distinguir unidades litológicas “limpas” associadas
a um baixo teor de argila (carbonatos e arenitos) das de alta concentração de argila (argilitos e
folhelhos).

3.3.5 Neutrônico
Conforme Nery (2013), o perfil neutrônico, diferentemente do perfil gama, representa
um registro contínuo de radioatividade induzida artificialmente mediante o bombardeio de
nêutrons. Devido à influência do hidrogênio no espalhamento deste último, e considerando o
fato de que quanto maior a porosidade maior o conteúdo de hidrogênio, o perfil Neutrônico
torna-se indicativo de porosidade. De maneira a tornar essa delimitação mais eficiente, o
método de correlação do perfil de densidade com o Neutrônico (NPHI) torna-se bastante
utilizado (RIDER, 1986).
30

Figura 3.11: Análise dos perfis de raio gama, sônico, densidade e neutrônico na estipulação de
litologias.

Fonte: Adaptado de Nery (2013).

CAPITULO 4- MATERIAIS E MÉTODOS


4.1 Introdução
Com o intuito de promover o seguimento das ideias anteriormente citadas sobre a
metodologia do trabalho, neste capítulo serão abordados os procedimentos metogológicos
efetuados sobre os dados geofísicos compilados, que auxiliaram na etapa de interpretação. Em
primeira instância, através da utilização do software PETREL da Schlumberger versão 2015,
realizou-se a análise dos dados sísmicos, como descrita por Taner (2001), além de toda e
qualquer informação proveniente de dados sísmicos obtidos de forma direta ou experimental
(atributo sísmico).

4. 2 Atributos Sísmicos

Por meio de conhecimento de características intrínsecas do traço sísmico, como


amplitude, frequência, polaridade e fase, torna-se possível, segundo Taner et al. (1979), a
correlação das mesmas, proporcionando assim, o desenvolvimento de uma série de atributos.
Estes permitem a obtenção de informações detalhadas no âmbito estrutural e estratigráfico dos
ambientes deposicionais em subsuperfície. Na Figura 4.1 é apresentada a distribuição
31

esquemática dos atributos que apresentaram as melhores respostas durante o procedimento de


interpretação sísmica.

Figura 4.1: Fluxograma retratando os principais atributos utilizados nas etapas de interpretação
sísmica.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Outra ferramenta que deve ser salientada faz referência à seleção do espectro de cores,
cuja aplicabilidade encontra-se diretamente relacionada com o atributo sísmico em análise.
Balch (1971) tornou-se o pioneiro em defender tal teoria e afirmou que as cores estariam
diretamente relacionas com o espectro de frenquência das wavelets. Propondo que variações de
impedância e feições estruturais poderiam ser evidenciadas em seções através de mudanças na
coloração e assinaturas espectrais específicas.

Neste trabalho, foram utilizados principalmente dois dos disversos espectros de cores
disponíveis no PETREL. O primeiro deles, Seismic (default), empregou-se sobretudo na análise
das polaridades do dado sísmico sobre o atributo Remove Bias proporcionando uma melhor
visualização da continuidade dos refletores. Já o segundo, Black-Grey-White, utilizou-se com
o intuito de maximizar a visualização de descontinuidades existentes no dado a partir da
sobreposição dos atributos de Structural Smooth, RMS Amplitude, Remove Bias e Phase Shift,
o qual Bulhões e Amorim (2005) denominaram de técnica Volume de Amplitudes (tecVA).

A tecVA fundamenta-se no princípio da SismoCamada Elementra (SCE), proposta por


Bulhões e Amorim (2005), que pode ser entendida como uma aproximação do limite de
resolução sísmica vertical, cuja espessura M é representada pela metade do menor período T
do alvo de interesse exploratório. A utilização dessa técnica visa principalmente a representação
da geologia em subsuperfície mediante o desenvolvimento de mapas de amplitudes e seções
sísmicas verticais e horizontais.
32

4.2.1 Structural Smooth

Pode ser entendida como uma etapa prévia de condicionamento do dado sísmico antes
do uso do tecVA. Segundo SCHLUMBERGER (2015), o atributo Structural Smooth
proporciona um incremento do sinal, mediante a retirada de ruídos e suavização do dado
utilizando médias locais (Figura 4.2b). No entanto, o seu principal efeito dá-se na melhor
delimitação de descontinuidades e maior continuidade das camadas sem sacrificar a resolução
vertical do dado.

4.2.2 Técnica Volume de Amplitudes (tecVA)

A primeira etapa, quando se trata do desenvolvimento da tecVA, consiste na aplicação


do atributo de Amplitude RMS. A finalidade deste consiste em eliminar a frequência portadora,
utilizada pelo dado sísmico como mecanismo de transmissão de informações, consentindo
apenas dados de interesse. De maneira matemática e de acordo com Bulhões e Amorim (2005),
a Amplitude RMS entende-se como a raíz quadrada do somatório das amplitudes ao quadrado
do traço sísmico dividido pela camada ou agregado de camadas menos espesso, que o traço
sísmico consegue imagear (equação 3.13).

𝑀
𝑖+ ⁄2
𝑋̅𝑅𝑀𝑆 = √∑𝑗=𝑖−𝑀 𝑋 2𝑗 (3.13)
⁄ 2

Por meio da aplicação deste atributo, pôde-se evidenciar que o mesmo tornou-se
indicativo de variações significativas na densidade do meio adjacente através da delimitação de
pontos brilhantes (bright spots) e consequentemente mudanças litológicas.

Após o dado original passar pelo atributo de Amplitude RMS e permanecer com os
maiores valores de amplitudes evidenciados aplicou-se sobre o mesmo o segundo atributo
mencioando anteriormente. Conforme Duarte (2011), o termo bias entende-se a uma tendência
negativa sobre um determinado dado. Sendo assim, a função do atributo Remove Bias consiste
na remoção de sinais indesejados (ruídos) podendo ser associadas à etapa de processamento ou
respostas geológicas sem interesse (Figura 4.2c).

Como última etapa da técnica Volume de Amplitudes tem-se a aplicação do atributo


Phase Shift. O intuito da utilização do mesmo consiste no rotacionamento da fase do traço
sísmico afim de evidenciar altos contrastes de impedância acústica. De maneira matemática tal
33

procedimento é efetuado através da realização da transformada inversa de Hilbert sobre o


produto final das duas etapas citadas precedentemente (Equação 3.14).

̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅
X RMS−90°i = H −1 { ̅̅̅̅̅̅̅
XRMSi } (3.14)

A resposta da correlação entre o atributo Structural Smooth e a técnica de Volume de


Amplitudes proporcionou uma maior aproximação do dado sísmico com o ambiente geológico
em subsuperfície, permitindo, principalmente, a estipulação de falhas e delimitação de
estruturas inseridas dentro do arcabouço estrutural da Bacia de Barreinhas (Figura 4.2d).

Figura 4.2: Seção sísmica correspondente à linha L0043, exibindo em (a) o dado sísmico original; em
(b) o atributo structural smooth com picagem de descontinuidades; em (c) a remoção de ruído
proporcionado pelo Remove Bias e por último, em (d) ocorre a representação completa do atributo
tecVA com descontinuidades evidenciadas.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

4.2.3 Cosseno de Fase

De acordo com as ideias explanadas por Taner et al. (1979), o traço sísmico nada mais
é do que o produto entre uma componente real e imaginária, cuja análise permite individualizar
características instantâneas como amplitude e fase. O atributo de cosseno de fase instantânea,
34

representa um indicador de continuidade da propagação da onda sísmica em um dado meio,


fundamentado na inversão de fase ocorrida a cada incidência em uma descontinuidade. Sendo
assim, este atributo pode ser entendido como uma ferramenta que proporciona uma equidade
de energia entre os eventos energizados e de baixo coeficiente de reflexão, permitindo uma
melhor visualização da continuidade e dos padrões de terminação dos refletores existentes
(Figura 4.3)

Figura 4.3: Seção sísmica correspondente à linha L0043, exibindo em (A) o dado sísmico original com
a paleta de cores Seismic default; e em (B) o atributo cosseno de fase instantânea responsável por
tornar mais evidente e energizada a continuidade dos refletores.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

4.3 Perfis Geofísicos de Poço


Nesta etapa da metodologia, utilizando-se ainda o software PETREL da Schlumberger,
perfis de radiação gama, densidade, neutrônico e sônico foram analisados em cinco diferentes
poços distribuídos sobre as linhas sísmicas L0043 e L0052 (1BF e 1ML) e ao redor das mesmas
(2SSBS, 1PDM e 2PNST) (Figura 1.2). O primeiro procedimento adotado durante a
manipulação dos dados de poço (formato .dlis) consistiu na realização de um controle da
qualidade visual dos perfis, no qual picos inconsistentes de amplitude (spikes) foram detectados
e removidos dos logs.

Conforme as respostas das curvas de registro obtidas, as principais sequências tectono-


sedimentares em cada um dos cinco poços foram delimitadas a partir das prévias interpretações
dos topos das formações e associações litológicas oriundas do Banco de Dados de Exploração
e Produção da ANP (BDEP). Através da utilização das curvas referentes ao perfil sônico e por
meio de um algoritmo interno do software já citado anteriormente, tornou-se possível a
conversão tempo x profundidade e, por conseguinte, o processo de amarração do poço 1BF com
a linha L0043 e o poço 1ML com a linha sísmica L0052. Com isso foi possível delimitar com
maior precisão os principais limites das sequências tectono‐sedimentares.
35
Figura 4.4: Representação simplificada da modelagem litológica realizada mediante a interpretação dos perfis geofísicos compostos e o procedimento de correlação dos
poços, utilizado durante a etapa de delimitação dos horizontes sismo-estratigráficos.

Figura 4.4: Representação simplificada da modelagem litológica realizada mediante a interpretação dos perfis geofísicos compostos e o procedimento de

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


36

4.4 Processamento de Dados Gravimétricos


Como última etapa da metodologia tem-se o tratamento dos dados de campo potencial
gravimétrico. Estes, como já citado precedentemente, foram disponibilizados pela ANP e são
oriundos de levantamentos terrestres referentes a 268 estações distribuídas na região nordeste
do Estado do Maranhão. A manipulação de tais informações referentes à intensidade da
anomalia Bouguer, assim como seu tratamento, deram-se por intermédio da utilização do
Software Oasis Montaj v.8.4, o qual mediante o uso das ferramentas de métodos de gridagem
permitiu a interpolação dos dados.

4.4.1 Interpolação dos Dados Gravimétricos


O procedimento de interpolação, também conhecido como gridagem, pode ser
entendido como uma ferramenta matemática de ajuste de uma função a pontos não amostrados,
baseando-se em pontos amostrados. Em outras palavras consiste num método de estimativa
indireto que através de dados pontuais estima valores locais. Neste trabalho, adotou-se o método
de interpolação por mínima curvatura, o qual é descrito por Santos (2016) como técnica
responsável pela geração de uma superfície suavizada através da aplicação de sucessivas
regressões por mínimos quadrados, garantindo que a cada iteração atinja-se um nível de
suavização mais satisfatório.

Sendo assim, no presente relatório, os dados gravimétricos previamente corrigidos


foram interpolados com base nas suas coordenadas espaciais dos pontos de levantamento para
a confecção do mapa de anomalia Bouguer (Figura 4.5). Para tanto, o tamanho das células da
malha regular escolhido foi de 1,0 km e definido um número total de 100 iterações, promovendo
deste modo uma boa suavização no que se refere ao arranjo das informações estimadas.
37

Figura 4.5: Mapa de anomalias gravimétricas Bouguer, indicando as porções Offshore e Onshore da
Bacia de Barreirinhas e o seu limite com a Bacia do Parnaíba.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

CAPITULO 5- INTERPRETAÇÃO E CORRELAÇÃO DOS DADOS GEOFÍSICOS


5.1 Introdução
As duas seções sísmicas interpretadas neste capítulo foram processadas previamente
pela ANP, adotando-se o procedimento de migração pós-stack (PSTM). O processo de
interpretação consistiu prioritariamente na delimitação das principais falhas e estruturas
presentes na seção, assim como também na estipulação dos limites referentes ao embasamento
e outros quatro horizontes sismoestratigráficos. Estes tornaram-se evidenciáveis através da
análise dos padrões de terminações dos refletores, sendo confirmados pela correlação de perfis
geofísicos de poços e tendência das anomalias gravimétricas, cujo produto final auxiliou na
etapa final da modelagem.

5.2 Interpretação Sismo-Estrutural

No que se refere à interpretação de caráter estrutural realizada neste capítulo, esta


fundamenta-se no reconhecimento e análise das principais estruturas presentes nas duas seções
sísmicas, as quais encontram-se dispostas na porção central da região Onshore da área em
estudo, seguindo orientações WNW-ESE (L0043) e SSW-NNE (L0052).

De acordo com as idéias explanadas anteriormente, o rifte em estudo encontra-se


limitado a Norte pela linha de costa e a Sul pela Zona de Falha de Sobradinho (ZFS), sendo esta
38

última caracterizada por um direcionamento preferencial NE-SW, e por intensos mergulhos


para Norte. Como é de se esperar, o restante das estruturas próximas à ZFS apresenta-se como
falhas sintéticas com mergulhos menos intensos. No entanto, na porção mais distal da mesma,
mais precisamente no limite da linha de costa, falhas antitéticas são evidenciadas.

Levando-se em consideração estudos prévios sobre a natureza distensional das bacias


de margem equatorial (SZATMARI et al., 1987; MOHRIAK 2000), e por meio da interpretação
sismoestrutral é possível inferir um predomínio de falhamentos normais com um perfil lístrico.
Após a ruptura continental, uma combinação de esforços tectônicos permitiram o aparecimento
de uma componente cisalhante na área, evidenciado por estruturas em flor negativas (Figura
5.1).

Mediante a análise de caráter sismoestrutural sobre a linha L0043 (Figura 5.1), é


possível observar a presença de três altos estruturais associados ao soerguimento relativo do
embasamento. O mais expressivo deles ocorre na porção NW da seção sísmica a 1350 ms de
profundidade. Os dois altos secundários estão dispostos mais ao NW da seção sísmica,
atingindo profundidades de 3200 e 3500 ms. O aparecimento de tais soerguimentos é regido
pela presença dominante de falhas normais e lístricas. Porém com a finalização do período Rifte
e início da fase Drifte, no final do Albiano, surgiu um novo regime tectônico misto na região.
Este regime é marcado pelo aparecimento de uma componente cisalhante, a qual desenvolveu
falhas de transtração, representadas no registro sísmico por meio da presença de estruturas em
flor negativas nas porções menos profundas (Figura 5.1).

A influência destas falhas, de rejeito normal, juntamente com suas naturezas sintéticas
e antitéticas produzem um grande basculamento regional dos estratos sedimentares presentes
ao longo de toda a área estudada. Como consequência, um espesso pacote sedimentar foi
gerado, atingindo profundidades de até 4000 ms A base da sequência sedimentar foi inserida
com auxílio da modelagem gravimétrica, visto que os poços não atingem o embasamento local.
39

Figura 5.1: Interpretação sismoestrutural da linha L0043, com delimitação do embasamento.

Fonte: Autor

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

De maneira semelhante à seção anterior, devido ao fato das linhas sísmicas estarem se
interceptando, um comportamento semelhante é esperado para ambas. Sendo assim, na linha
L0052, torna-se evidente a visualização de falhas lístricas, com componente de rejeito predo-
minantemente normal e com traços verticais a sub-verticais (Figura 5.2).

Ainda sobre esta linha, devido ao fato da sua disposição dar-se perpendicular à ZFS
extensos falhamentos normais sintéticos dispostos seguindo uma direção preferencial NNE ‐
SSW são demarcados, sendo responsáveis pela delimitação da principal estrutura presente na
mesma, um gráben rômbico rotacionado, com um depocentro central, atingindo uma
profundidade máxima de 3800ms.
40

Como evidenciado na linha L0043 (Figura 5.1), a mudança de regime tectônico torna-
se presente para as porções mais superficiais, sendo caracterizado pelo aparecimento de um
mecanismo de cisalhamento e retratado sismicamente por meio do aparecimento de estruturas
em flor negativas, caracterizando assim o regime de transtração atuante.

Figura 5.2: Interpretação sismoestrutural realizada sob a linha L0052 com discriminação do embasa‐
mento e principais estruturas.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

No âmbito regional, é possível inferir mediante a análise das duas linhas sísmicas
interpretadas, uma distribuição equilibrada entre a presença de falhamentos normais sintéticos
associados à Zona de Falha de Sobradinho e antitéticos com relação direta à proximidade da
linha de costa, mais precisamente com o afinamento crustal característico de tais regiões.

5.3 Interpretação Sismo-Estratigráfica


Na interpretação sísmica 2D, foram identificados seis horizontes com continuidade ao
longo das duas linhas sísmicas. O mais profundo representa o Embasamento Acústico e o mais
raso a Formação Bonfim. De maneira a complementar tais sequências, as unidades identificadas
41

empoço foram retratadas em tom de azul, onde da base para o topo tem‐se Embasamento
(Horizonte 1), Formação Bom Gosto, Formação Tutóia, Formação Barro Duro, Formação Pería
e Formação Bonfim (Horizontes 2 a 6). Na Figura 5.3 encontra-se retratado a extrapolação de
cada um dos horizontes sísmicos demarcados entre as duas linhas interpretadas.

Figura 5.3: Seções sísmicas interpretadas das Linhas L0052 e L0043. A linha vermelha representa o
embasamento, as linhas azius as unidades sísmicas com correspondentes nos poços e as linhas amarelas
as sub-unidades delimitadas com base apenas na interpretação sismoestratigráfica.

L0043

2
L 005 0
5 km

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


Por meio da análise dos padrões de terminação dos refletores e dos perfis geofísicos
compostos, referentes aos cinco poços distribuídos na região, cinco principais sequências
sismoestratigráficas foram delimitadas. A Sequência I (S1), a mais profunda, é representada
pela Formação Bom Gosto (Horizonte 2), depositada diretamente sobre o embasamento
acústico (Horizonte 1). Esta sequência é identificada nos perfis geofísicos de poço por variações
frequentes nas contagens de raios gama e densidade, permitindo associar valores elevados de
radioelementos e baixa densidade para folhelhos e o inverso para arenitos. Esta unidade tectono-
sedimentar apresenta falhas de rejeito normal com naturezas sintéticas (Sul) e antitéticas (Norte)
(Figura 5.1), as quais resultam no basculamento regional dos estratos sedimentares e
significativa alternância textural entre arenitos e folhelhos, cuja sedimentação associa-se a um
ambiente deposicional do tipo marinho.

A Sequência II (S2) é um pacote pouco espesso, e de deposição sobrejacente à S1 com


seus limites definidos pelos topos das formações Bom Gosto e Tutoia (Horizonte 4). A
abordagem geofísica permite evidenciar registros de poço retratando uma diminuição nas
curvas de densidade e aumento de radioelementos. Esta unidade tectono-sedimentar assim
42

como a S1 apresenta falhas de rejeito normal com naturezas sintéticas e antitéticas, com
basculamento da região central até 3.0 s e afinamento nos seus limites laterais com 2.5 s. A
análise dos seus refletores permite discriminar uma natureza de sismofácie subparalela contínua
e altas amplitudes, as quais sugerem uma alternância textural entre arenitos e folhelhos, típicos
de ambientes plataformais.

A Sequência III (S3), assim como a S2 é um pacote pouco espesso, limitado na base
pela superfície limítrofe da S2 e pela Formação Barro Duro (Horizonte 4) na porção superior.
Esta sequência é identificada nos perfis geofísicos através de variações frequentes na contagem
de radioelementos e densidade de elevados valores de porosidade e baixa densidade. Do mesmo
modo que na S2, o estudo dos seus refletores possibilita a distinção de uma natureza de
sismofácie paralela/subparalela contínua com altas amplitudes. Esta unidade tectono-
sedimentar não apresentou falhamentos significativos, sendo sua deposição controlada
prioritariamente pelos falha de borda, atribuindo a tal unidade profundidade máxima na porção
central de 2.4 s e nos seus limites laterais de 2.1 s. A análise das informações anteriores sugerem
uma natureza de sedimentação característica de intercalações litológicas entre arenitos e
folhelhos.

A Sequência IV (4), cujos limites correspondem à superfície limítrofe da S3 e à


Formação Peria (Horizonte 5) possui um pacote pouco espesso. Este sequência é visualizada
em perfis geofísicos através da redução significativa da contagem de radioelementos e
consequente atenuação dos teores de argila, assim como também por um incremento nos valores
de densidade. A análise dos seus refletores permite a identificação de sismofácies
regulares/subparalelas com alta amplitude e boa continuidade lateral. Assim como na S3, esta
unidade tectono-sedimentar não possui falhamentos significativos e apresenta pequena
espessura com profundidade máxima em torno de 2.2 s e mínima nos seus limites laterais de
2.0 s. A interpretação conjunta das informações anteriores permite inferir a existência de uma
alternância litológica entre calcários com elevados (margas) e reduzidos (calcarenitos) teores
de argila, típico de ambientes plataformais.

A Sequência V (S5), é um pacote espesso, e de deposição sobrejacente à S4 com seus


limites definidos pela Formação Peria e pela Formação Bonfim (Horizonte 6). A análise dos
seus refletores possibilita a identificação de sismofácies A visualização desta sequência, com
base em perfis geofísicos, retratam uma tendência crescente da contagem de radioelementos
com aumento da profundidade e altos valores de densidade. A análise dos seus refletores
43

permite a identificação de sismofácies paralelas contínuas, com boa continuidade lateral, e


descontínuas, associadas a tratos de sistemas transgressivos. Esta unidade tectono-sedimentar
possui uma tectônica mista, associada à combinação de um regime distensional e cisalhante,
cuja representação na sísmica torna-se evidente pelo aparecimento de estruturas em flor
negativas (Figura 4.2b).

Como citado, a espessura da S5 é significativamente superior à das outras sequências,


sendo assim, optou-se por subdividir a mesma em quatro sequências menores com base em seus
padrões de reflexão distintos. As quatro sub-sequências, pertencentes à Formação Bonfim,
podem ser representadas por meio do predomínio de um padrão de sismofácies pararelas e de
boa continuidade lateral (associadas a Tratos de Sistema Transgressivos) e descontinuas
(associadas a Tratos de Sistema Regressivos), cujos limites foram estabelecidos mediante a
análise dos padrões de terminação dos seus refletores (toplap) e discriminados um do outro
através de uma Superfície de Máxima Inundação, retratadas por padrões de terminação em
downlap presentes no Trato de Sistema Regressivo em cada uma das sub-sequências. A
interpretação conjunta dos padrões de reflexão e das informações presentes nos perfis geofísicos
consideraram as respostas obtidas características de intercalações carbonáticas de calcarenitos
e calcilutitos típicas de ambientes plataformais.

Devido à limitação da resolução vertical do dado sísmico, o imageamento da formação


mais superficial da área, a Formação Pirabas, não pôde ser evidenciado com sucesso.

5.4 Interpretação Gravimétrica

Os dados gravimétricos empregados na elaboração do mapa de anomalias Bouguer


foram previamente corrigidos dos efeitos não‐geológicos do campo gravitacional. A
interpretação dos dados gravimétricos consistiu em duas etapas principais: interpetração
qualitativa e quantitativa. A interpretação qualitativa teve como objetivos a análise dos padrões
gravimétricos da porção emersa da Bacia de Barreirinhas, por meio da delimitação de domínios
gravimétricos distintos. A interpretação quantitativa baseou-se na atribuição direta de um
significado geológico a um modelo geofísico mediante o ajuste das anomalias gravimétricas
calculadas e observadas.

5.4.1 Interpretação Gravimétrica Qualitativa

Baseado nos padrões característicos (comprimento de onda, amplitudes e polaridades)


e direções preferenciais das anomalias gravitacionais, três principais domínios puderam ser
44

identificados (Figura 5.4). Na porção leste, limitados pela Zona de Falhas de Sobradinho entre
as bacias de Barrerinhas e do Parnaíba evidencia-se o Domínio D1, representado por uma ampla
faixa de anomalias positivas com tendência preferencial E-W e vergência para NE-SW, na
porção leste da área de estudo. Seu caráter positivo é relacionado ao embasamento cristalino
mais raso na borda falhada da Bacia de Barreirinhas, recoberto por rochas sedimentares da
Bacia do Parnaíba e sedimentos recentes. O embasamento é composto por intercalações de
gnaisses ortoderivados com rochas metassedimentares e metavulcano-sedimentares
correspondentes ao Domínio Gurupi (PALHETA, 2001; KLEIN et al., 2005).

Figura 5.4: Mapa de anomalias Bouguer, com a delimitação da porção onshore da Bacia de Barrei‐
rinhas e principais domínios gravimétricos.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

A parte centro-norte da área é dominada por um extenso mínimo gravimétrico (até -32
mGal), com orientação NW-SE e inflexão para NE-SW no seu limite leste, caracterizando o
Domínio D2. De localização central e de ocorrência paralela à linha de costa seguindo uma
direção preferencial NW-SE, este caracteriza-se por assumir os menores valores de amplitudes
encontradas na Bacia de Barreirinhas. Deste modo, e partindo do princípio que anomalias
negativas se apresentam diretamente associadas com aumento do pacote sedimentar ou
diminuição da densidade das rochas especula-se a existência de uma série de grábens profundos,
confirmando, dessa maneira, as ideias propostas por Azevedo (1986), bem como a interpretação
das seções sísmicas da Figura 5.3.
45

Por último, o Domínio D3 foi definido no extremo NW da área, marcado por anomalias
suaves com amplitudes intermediárias (~-18 mGal). O aumento das amplitudes em relação ao
Domínio 2 indica o limite norte do rifte central da porção emersa, com diminuição da espessura
do pacote sedimentar sobre um alto estrutural do embasamento cristalino.

5.4.2 Interpretação Gravimétrica Quantitativa

De acordo com Kearey (2009) e como explanado anteriormente, a interpretação


gravimétrica quantitativa consiste na atribuição direta de um significado geológico a modelos
geofísicos, através da tentativa de ajustar a anomalia Bouguer calculada da observada. O
procedimento adotado consistiu numa modelagem gravimétrica 2D direta ao longo das duas
seções sísmicas (Figura 5.5), visto que, a interpretação sísmica realizada previamente serviu
como modelo inicial para desenvolvimento do modelo gravimétrico. A seguir serão expostas
os dois perfis gravimétricos modeladas em profundidade, mediante a utilização do módulo
GMSYS do software Oasis Montaj versão 8.4.

Figura 5.5: Mapa de anomalias Bouguer da Bacia de Barreirinhas, evidenciando os perfis gravimé ‐
tricos L052E e L043N (azul) ao longo das linhas sísmicas L0052 e L0043 (negrito); e a área corres ‐
pondente ao modelo geológico a ser realizado (pontilhado).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Com base nos perfis geofísicos dos cinco poços distribuídos na área, as velocidades e
densidades das principais unidades presentes foram definidas e sintetizadas na Tabela 5.1. As
médias das velocidades e densidades foram estimadas através das informações derivadas do
46

perfil sônico do poço (curva tempo x profundidade) e densidade aparente, respectivamente.


Devido ao fato do poço não atingir o embasamento, os valores de velocidade e densidade
adotados para esta unidade foram aqueles que melhor adequaram a anomalia calculada da
observada durante etapa de modelagem.

Tabela 1: Velocidades e Densidades médias das principais unidades tectono-sedimentares da Bacia de


Barreirinhas.
Unidades Tectono- Velocidade Densidade
Sedimentares (m/s) (kg/m³)
Supersequência Drifte 4500 2570
Supersequência Rifte 4200 2465
Bloco Crustal BD 5000 2630
Bloco Crustal AD 6000 2820

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

As velocidades sísmicas, descritas na Tabela 5.1, permitiram a conversão dos modelos


geofísicos desenvolvidos em tempo para profundidade, atribuindo-lhe um significado
geológico direto (Figura 5.6 e 5.7).

A geometria interna da bacia foi definida pela interpretação sísmica e não foi modificada
durante a modelagem gravimétrica. Porém, para ajustar a anomalia calculada foi necessário
incluir variações de densidade no embasamento. Neste sentido, dois blocos crustais foram
inseridos no modelo gravimétrico (Figuras 5.6 e 5.7). O Bloco Crustal de Baixa Densidade
(BBD) exibe valores de densidade de 2630 kg/m³, provavelmente associado a rochas
metamórficas de médio a alto grau da Faixa Móvel Gurupi. Esta unidade precambriana é
constituída por intercalações de gnaisses ortoderivados com rochas metassedimentares (Klein
et al., 2005). O Bloco BBD apresenta-se como o principal arcabouço estrutural do rifte da Bacia
de Barreirinhas e ocorre sobreposto a um bloco mais profundo e denso (BAD).

O Bloco Crustal de Alta Densidade (BAD) ocorre em uma faixa central de direção NE-
SW na porção emersa da bacia. Nesta região, este encontra-se diretamente capeado pelo pacote
sedimentar (Figura 5.6), bem como para norte na direção da linha de costa (Figura 5.7). Este
bloco apresenta um valor de densidade elevado quando comparado com o BBD, com um
contraste médio de +190 kg/m³, podendo corresponder ao embasamento paleoproterozoico da
47

Faixa Gurupi. O limite estrutural dos dois blocos crustais parece ser delimitado pela Zona de
Falhas de Sobradinho (Figura 5.4).

Figura 5.6: Modelagem gravimétrica realizada sobre o perfil L43N. Em (A) o ajuste entre as anomalias
gravimétricas observada e calculada; em (B) a seção sísmica L0043 com a demarcação do embasamento
e a superfície correspondente à base da supersequência Drifte; e em (C) o modelo gravimétrico final,
vinculado pela seção sísmica em (B).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.


48

Figura 5.7: Modelagem gravimétrica realizada sobre o perfil L52E. Em (A) o ajuste entre as anomalias
gravimétricas observada e calculada; em (B) a seção sísmica L0052 com a demarcação do embasamento
e a superfície correspondente à base da supersequência Drifte; e em (C) o modelo gravimétrico final,
vinculado pela seção sísmica em (B).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Marcando o início do processo de deposição dos estratos sedimentares tem-se a


separação evidente de dois grandes contatos. O primeiro deles, a Supersequência Rifte, ou
período de Rifteamento da Bacia de Barreirinhas, encontra-se diretamente associado a
processos distensionais responsáveis pela separação da América do Sul da África. Este pacote
49

sedimentar tem seu início marcado pelo topo do embasamento no Albiano, e limiar na ruptura
continental, sendo caracterizado na modelagem gravimétrica por apresentar profundidade
máxima de 4.5 s e espessura variando entre 2.0 e 4.5 km, sendo litologicamente representada
por uma sedimentação siliciclástica com intercalações de arenitos e folhelhos, o que acaba por
inferir a esta unidade tectonossedimentar uma densidade média de 2465 kg/m³.

Por último, a unidade mais superficial, a Supersequência Drifte, tem seu início e fim
marcados pelo aparecimento do mar restrito, durante a separação transtensional dos continentes
americano e africano, e o período atual, respectivamente. Através da análise das anomalias
gravitacionais geradas, inferiu-se para o referido pacote profundidades em torno de 2.0 s e
espessuras de 3.0 km, com valores de densidade média da ordem de 2570 kg/m³, sendo este
associado a uma sedimentação mais profunda de natureza carbonática, representado em toda a
área por intercalações de calcarenitos, calcilutitos e margas. Superficialmente, nota-se a
existência de sedimentação recente caracterizada por meio da visualização de depósitos eólicos
e uma sedimentação arenosa (TRODSTORF JÚNIOR et al., 2007).

5.5 Modelagem Geológica 3D


O procedimento de modelagem, seja ela realizada fundamentada em métodos sísmicos,
potenciais ou qualquer outro método geofísico, consiste na estimativa de dados reais através de
ferramentas matemáticas, com o intuito de deduzir, mais precisamente, informações geológicas
em profundidade (WU et al., 2005).

De maneira geral, a técnica de modelagem aplica-se para dados sísmicos 3D, porém, na
ausência destes, realizou-se por meio da interpretação de dados geofísicos. Estes consistem na
integração de dados sísmicos 2D, de perfis compostos, e com a finalidade de tornar mais preciso
tal processo o mapa de anomalias Bouguer é adotado como tendência para estipulação das
unidades tectonossedimentares, assim como também na delimitação do embasamento.

Reyes-Pérez (2008) explana a necessidade da utilização de softwares específicos de


modelagem com o intuito de promover a correlação multidisciplinar entre horizontes sísmicos
e dados de poços quando há complexidade e o volume de dados é numeroso. Adotando-se como
fundamento as duas seções sísmicas interpretadas precedentemente e os dados de poços
distribuídos ao longo do local de estudo, um modelo geológico simplificado representativo da
área foi construído.
50

Um modelo geológico de dados reais da área foi criado seguindo a rotina de trabalho
descrita por Reyes-Pérez (2008), a qual pode ser subdida em duas principais etapas: A primeira
delas consiste na elaboração de superfícies em profundidade. Para isso, os horizontes
sismoestratigráficos 2D, retratados nos poços e nas seções sísmicas, referentes aos topos e bases
de cada uma das unidades foram selecionadas e utilizadas na confecção de seis mapas
estratigráficos. A Figura 5.8 apresenta o mapa do topo do embasamento, cuja realização deu-se
mediante a integração dos dados de poços e horizontes sísmicos descritos precedentemente. O
paleorelevo do embasamento evidencia dois grábens rômbicos com máximas de 4000 ms.

Figura 5.8: Mapa do topo do Embasamento da porção emersa da Bacia de Barreirinhas (em tempo
duplo de percurso).
Mapa em tempo do Embasamento
Mapa Embasamento
Brasil Scale
-1 1 :350000
-18
-24

Bacia Barreirinhas Contour inc


2
-3

00
00
00

2 00
00
0

-3600 9710000
-3
-3000

-1200

60
-18
-30

-24

0
00

00
-3600

00
-3600

-120
-18 0
-3000
00

-30

00
-2

9700000
-120
40
-24

-3600 0
00

00
-3

-18
-3

0
60

-3 00
60

-3 -2
0

-3600

40
0

00 0
-30 0
00 -300
0 00
-180

-3
00 -36 9690000
0

0
0

-2400 0 0
0

-30
-24

0
-240 -24
00
0

-1800
-180

-2400
-1800
Elev ation time [ms]
-180 9680000
0
0 0 0
-800.00
80 -18 0
-1 -180 80
-1600.00
0 -1
00

-2400.00
-18

-120
-3200.00 0 9670000
0 2500 5000 7500 10000 12500m

-4000.00
1:350000

720000 730000 740000 750000 760000 770000 780000

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

O restante dos mapas estratigráficos foi realizado adotando-se a mesma metodologia de


Reyes-Pérez (2008). Desta forma, a Figura 5.9 reune os seis horizontes estratigráficos, dispostos
cronologicamente da base para o topo como: Embasamento, Formação Bom Gosto, Formação
Tutóia, Formação Barro Duro, Formação Pería e Formação Bonfim. Afim de facilitar e
promover uma maior confiabilidade no posterior processo de interpretação, as seções sísmicas
51

são intercaladas com os mapas estratigráficos, inferindo ao dado um significado geológico mais
direto.

Figura 5.9: Representação dos seis horizontes estratigráficos, interceptados pelas linhas sísmicas
L0043 e L0052.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Em continuidade às etapas referentes à modelagem geológica, a segunda e última, com


base no mesmo autor consiste no preenchimento das superfícies anteriormente interpretadas,
utilizando-se ferramentas matemáticas de simulação de variáveis discretas, obtendo-se como
produto final a interpolação de dados entre os horizontes sismo-estratigráficos (Figura 5.10).

Figura 5.10: Modelo geológico simplificado representativo da porção emersa da Bacia de Barreirinhas.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

Mediante análise e realização de cortes espaciais sobre os locais onde as duas linhas
sísmicas interceptam o modelo geológico desenvolvido (Figura 5.11), interpreta-se com maior
confiabilidade um estilo de configuração dos estratos sedimentares em forma de cunha. Nas
duas seções em estudo torna-se evidente tal característica através de uma subsidência de grande
intensidade, retratada por um maior espessamento do pacote sedimentar na porção central e
52

uma gradativa redução da mesma em direção às bordas, atribuindo de tal maneira à bacia um
padrão geométrico do tipo pinch-out.

Figura 5.11: Modelo geológico representativo da porção emersa da Bacia de Barreirinhas,


interceptado pelas linhas sísmicas L0043 e L0052 (a) e corte realizado sob a linha L0043 (b).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.

CAPÍTULO 6- CONSIDERAÇÕES FINAIS


A Bacia de Barreirinhas caracteriza-se como sendo uma bacia do tipo margem passiva
e geometria pinch out, localizada na Margem Equatorial Brasileira. De deposição sob a Bacia
do Parnaiba, seu início foi demarcado no início do Albiano, sendo sua gênese associada
diretamente a esforços distensionais (estágio rifte), com componente cisalhantes (período de
margem passiva), controlados pela zona de Fratura oceânica Romanche e Zona de Falhas
Sobradinho (porção Onshore).
A deposição sedimentar associada aos falhamentos presentes nesta bacia ocorre de
maneira semelhante ao restante das bacias de Margem Equatorial Brasileira, assim como
também na sua análoga na África, a Bacia de Tano. Nessa visão, e com o intuito de promover
um maior conhecimento a respeito do arcabouço tectonossedimentar da Bacia de Barreirinhas,
um amplo conjunto de dados geofísicos, envolvendo informações de perfis geofísicos de poços,
seções sísmicas 2D e dados gravimétricos, foi empregado.
Embora existam pequenas incertezas associadas ao processo de interpolação dos
dados gravimétricos irregularmente espaçados, estas foram desconsideradas. Dessa maneira,
associou-se significado real direto às respostas geofísicas obtidas. Sendo assim, mediante a
análise das anomalias gravimétricas na área, a delimitação dos limites dos grábens existentes
na bacia foi inferido adotando-se como fundamento os intervalores associados aos menores
valores das anomalias gravimétricas (-34 a -25 mGal). Tais assinaturas gravimétricas foram
associados diretamente a dois fatores complementares, como a seguir.
53

O primeiro desses fatores faz referêcia a um maior espessamento do pacote sedimentar


da Bacia de Barreirinhas, retratados através de grábens rômbicos orientados em direção WNW-
ESE. Já o segundo retrata a complexidade existente no embasamento, através de um gradiente
negativo de densidade em direção à proximidade da linha de costa.
Fundamentado nos distintos padrões de lineamentos e direções preferenciais das
anomalias gravitacionais, três domínios foram identificados. Na porção leste, limitados pela
Zona de Falhas de Sobradinho, entre a Bacia de Barrerinhas e a do Parnaíba evidencia-se o
Domínio D1, representado por uma ampla anomalia gravitacional positiva com orientação para
E-W e NE-SW, associada a rochas ígneas e metamórficas do embasamento cristalino não-
aflorante na região. O Domínio D2 associa-se aos baixos gravitacionais de orientação WNW-
ESE, representativo dos grábens rotacionados. Por último, o Domínio D3 representa um
gradiente crescente das anomalias gravimétricas para norte, associadas ao afinamento da crosta
continental nas proximidades da linha de costa e por um alto estrutural no limite norte do rifte
continental.

A análise integrada dos perfis geofísicos de poços, do estudo sísmico e da


interpretação gravimétrica permitiu, por meio da modelagem gravimétrica 2D, a construção de
um modelo em profundidade, no qual foram delimitadas quatro unidades tectonossedimentares
principais: Bloco Crustal de Alta Desnidade e Bloco Crustal de Baixa Densidade,
Supersequência Rifte, Supersequência Drifte. As unidades do embasamento são representativas
da complexidade presente no arcabouço, retratando dois blocos extensos com contraste de
densidade considerável. O primeiro, de localização a sul da Bacia de Barreirinhas apresentou
uma maior densidade, com um valor de aproximadamente 2820 kg/m³ sendo associada a um
embasamento cristalino de litologia diabásica. No entanto, o segundo, de densidade menor, na
ordem de 2630 kg/m³, adotou-se como membro representativo da Faixa Móvel Gurupi, com
litologia predomindante formada por rochas metamórficas de médio a alto grau. As
supersequência Rifte e Drifte , apresentam relação direta com o pacote sedimentar e
caracterizam-se por uma sedimentação siliciclástica de densidade 2465 kg/m³ e carbonática de
densidade 2570 kg/m³ , respectivamente.
A Modelagem Geológica 3D simplificada, baseada nos dados geofísicos interpretados
de diferentes fontes, como perfis geofísicos de poços e interpretação dos dados de campo
potencial limitados por seções símicas, mostrara-se imprescindível e de vital importância para
o estudo desta bacia serdimentar. Permitindo, por meio destas, um melhor imageamento e
entendimento na delimitação dos horizontes sismoestratigráficos, como também a confirmação
54

de uma geometria pinch out, associada à influência direta da Zona de Fratura Romanche e da
Zona de Falha de Sobradinho, retratada através de uma subsidência dos estratos na porção
central da área em estudo. Adicionalmente, etapas posteriores ao desenvolvento da modelagem
deverão contribuir para uma melhor compressão, não somente em âmbitos exploratórios, como
também geológicos das bacias marginais da Margem Equatorial Brasileira.
55

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