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DISCIPLINA: AGRO-PECUARIA/10ª CLASSE

I TRIMESTRE
UNIDADE TEMÁTICA: FRUTICULTURA
Tema: Introdução ao estudo da fruticultura
A fruticultura consiste no cultivo das árvores de frutas, denominadas fruteiras. Exemplo: Cultura de
mangueiras, papaeiras, goiabeiras, cajueiros, limoeiros, etc.

Fruteiras e Importância das frutas


No contexto agronómico, as fruteiras são árvores cultivadas que fornecem frutas comestíveis.
As frutas são muito importantes na nossa alimentação, são grandes fontes de vitaminas: como a
vitamina C, beta caroteno (percursor da vitamina A), potássio, fibras, altamente nutritivas de fácil
digestão, fornecem-nos energia rápida; fontes de açúcar natural.
As frutas, além de serem deliciosas são fontes de água, sais minerais, frutose ou levulose (que são os
açucares naturais das frutas), carboidratos, gorduras e proteínas de uma maneira bem equilibrada.

Algumas frutas encontradas em Moçambique


a) Abacaxi: é rico em vitaminas C, B6, ferro, magnésio e fibras. A polpa, as cascas e o miolo do
abacaxi podem ser utilizadas para a produção de sumos. Previne dor de garganta e resfriado e é bom
para a circulação por conter a enzima bromelina, servindo também como tempero para amaciar
carnes.

b) Banana: É fonte de vitamina A, C, B1, B2, carboidratos, fibras, sais minerais e potássio. Possui
baixo teor de gorduras. É a fruta mais consumida no mundo.

c) Caju: rico em vitamina C e ferro. Ajuda a proteger as células do sistema imunológico contra os
danos dos radicais livres. Pode ser utilizado na preparação de sumos, mel, doces, passas, sorvetes e
licores.

d) Coco: rico em proteínas, gorduras, calorias, vitaminas A, B2, B5 e C, potássio, sódio, fosforo,
cloro e fibras. No organismo actua como adstringente para hemorroidas, como diurético e indicado
em situações de diarreia, vómitos, câimbras, dor de cabeça, problemas cardíacos, pressão alta, e
desidratação. Combate a verminose, controla a pressão arterial, repõe a energia, depura o sangue,
diminui a febre e auxilia no tratamento de úlcera estomacal.

e) Laranja: fortalece o sistema imunológico e pela sua grande quantidade de vitaminas A, B, C,


cálcio, fosforo, fibras, flavonoides, óleos e ferro. Melhora a condição de diabéticos.
f) Papaia: pode ser consumida in natura, sob forma de doces, sucos e saladas. É rica em nutrientes.
Contem grandes quantidades de sais minerais, cálcio, fosforo, ferro, sódio e potássio, vitaminas A e
C.

g) Manga: rica em vitaminas, minerais e antioxidantes. Contem grandes quantidades de ferro. É


bastante indicada para tratamento de anemia. É uma das frutas bastante consumida no mundo e
contem cerca de 500 a 1000 variedades.

T.P.C
1. A fruta é muito importante para a nossa alimentação.
a) O que é que as pessoas aproveitam da fruta?
b) Quais são as diferentes maneiras de conservar a fruta.
d) Enumere as diferentes formas do consumo a fruta.

SUMÁRIO: Classificação das fruteiras quanto ao tipo de clima

Maior parte das frutas é o resultado do desenvolvimento do ovário da flora apos uma fecundação
originando sementes. Porem, algumas resultam do amadurecimento do ovário sem fecundação,
produzindo frutos partenocárpicos. Ex: a banana, ananas e alguns cultivares de citrinos.
Quanto ao clima as fruteiras classificam-se em:

1. Fruteiras de clima temperado: habito caducifólio, um único surto de crescimento; necessidade


de frio para superação do estádio de repouso vegetativo; maior resistência as temperaturas;
necessidade de temperaturas médias anuais entre 5 e 15˚C para o crescimento e desenvolvimento. Ex:
pessegueiro, pereira, videira, ameixeira, macieira, entre outras.

2. Fruteiras de clima tropical: podem apresentar mais de um surto de crescimento; as folhas


apresentam-se persistentes; não toleram baixas temperaturas, tem necessidade de temperatura média
de 22-30 ˚C. As principais fruteiras de clima tropical são: bananeira, cajueiro, ananaseiro, papaeira,
mangueira, maracujazeiro, coqueiro, entre outras.
3. Fruteiras de clima subtropical: estas, nem sempre apresentam hábito caducifólio; apresentam
mais de um surto de crescimento; menor resistência à baixas temperaturas, pouca necessidade de frio
no período de inverno; necessidade de temperatura média anual de 15 – 22˚C. As principais fruteiras
de clima subtropical são: citrinos, abacateiras e outra.
T.P.C
1. Como são classificadas as fruteiras quanto ao clima?
2. Fale das principais características das fruteiras de clima tropical.
3. Enumere as principais fruteiras clima tropical e do clima temperado.
SUMÁRIO: Estudo dos Citrinos (laranja, limão, toranja e tangerina)
Origem e distribuição em Moçambique
Os citrinos tiveram sua origem em regiões tropicais e subtropicais da Asia (Sul da China, Indochina,
India, etc. O desenvolvimento destas espécies ocorre com temperaturas entre os 10-12 e os 38 ˚C, as
óptimas situam-se entre 23 e 34 ˚C. As baixas temperaturas são mais prejudiciais do que as altas e, os
órgãos mais afectados são os gomos florais e os pequenos frutos.

Principais países produtores de citrinos no mundo


- EUA
- Brasil
O Brasil é o maior exportador de sumo. Os principais exportadores são:
EUA: toranja; Espanha: laranja e limão; Japão: tangerina.

Classificação botânica dos citrinos

Familia: Rutaceae. Sub-familia: Aurantioideae.

Espécies e variedades de citrinos


Os géneros de citrinos mais importantes são: Fortunela, Poncirus e Citrus.

Género Fortunela: são árvores pequenas ou arbustos, pouco espinhosos, folhas unifoliatas e
persistentes.

Género Poncirus: árvores pequenas com ramos angulosos e muitos espinhos, folhas trifoliatas e
caducas, frutos não comestíveis, usado com porta-enxerto para a obtenção d e híbridos.

Género Citrus: árvores de portes variados, mais ou menos espinhosos; folhas unifoliatas e
persistentes, frutos de tamanhos diversos, geralmente comestíveis.

T.P.C
1. OS citrinos tiveram sua origem nas regiões tropicais e subtropicais da Asia.
a) Que variedades (géneros) de citrinos conheces? Caracterize cada um deles.
b) Indique os principais países produtores de citrinos.
c) Que variedades de citrinos são produzidas em Moçambique?
SUMÁRIO: Exigências agro-ecológicas dos citrinos

Clima: Os citrinos podem ser cultivados em diversos tipos de clima: tropicais, subtropicais. O clima
influencia na forma, na cor, no tamanho e no aspecto externo do fruto. A permanência dos frutos na
árvore, a espessura da casca do fruto, o teor do açúcar, o teor da acidez e da vitamina C.
Temperatura: as óptimas variam de 23 a 32 ˚C. Quando excedem 39 ˚C paralisam o crescimento e
quando inferiores a 12,8 ˚C; As temperaturas elevadas sobretudo a noite as laranjas e tangerinas não
desenvolvem a sua característica; As temperaturas menores que 2 ˚C ocorrem danos nas flores e
frutos e a temperatura inferior de 8 ˚C a planta morre.

Precipitação: as óptimas vão de 1250/1850 mm por ano e bem distribuídas e, as mínimas de 700
mm/ano.
Luminosidade: influi no desenvolvimento vegetativo, floração e na qualidade dos frutos. A baixa
temperatura diminui a quantidade e qualidade dos frutos e a alta luminosidade pode causar lesões nas
plantas jovens.

Ventos: dependendo da sua velocidade, clima e da fase de desenvolvimento da planta. Nas plantas
jovens pode ocorrer queda dos ramos e crescimento inclinado. Nas adultas há queda de folhas e flores
e manchas nos frutos.
Solos: o solo ideal é aquele com profundidade superior a 1m , textura media, que tenha boa estrutura,
porosidade e drenagem, com pH entre 6,5 – 7,5 , percentagem de matéria orgânica igual ou superior
a 2%, boa fertilidade e boa salinidade.

Consequências da falta de água

Com a falta de água nos citrinos ocorre a queda de frutos pequenos, diminuição da percentagem de
sumo e aumento da acidez.

T.P.C
1. Fale das diferentes exigências agro-ecológicas no cultivo de citrinos.
2. Explique, o que acontece com os citrinos na falta de água?
SUMÁRIO: Propagação dos citrinos
A propagação dos citrinos deve ser feita por enxertia. Os porta-enxertos são propagados por
semente. As cultivares são propagadas vegetativamente (enxertadas no porta-enxerto seleccionado).
Vantagens da propagação por enxertia

 Obtenção de plantas uniformes, geneticamente iguais e com características desejáveis;


 Possibilidade de seleccionar um porta-enxerto;
 Mais adaptados a condições de clima e solo;
 Mais resistentes as condições que atacam as raízes e o tronco;
 Início de produção precoce.

Porta enxertos mais importantes


 No mundo:
- Laranja azeda; limão rugoso; limão Cravo; Poncirus trifoliatas; Cintranges; Citrumelos.
 Em Moçambique
- Limoeiro rugoso; Citrnges Troyer e Carrizo.

SUMÁRIO: Estabelecimento dos citrinos


Estudo económico e técnico
Antes de se estabelecer o pomar, é importante fazer o estudo de viabilidade económica para se
saber se o cultivo em referência é rentável ou não. Deve ser feita uma análise dos custos para se
suportar a produção dos citrinos.
Preparação do solo
O local definitivo - o campo onde se vai fazer a plantação de mudas deve ser preparado com
antecedência, para evitar que as mudas fiquem muito tempo no viveiro.

Traçado da plantação
Normalmente a orientação dos pomares de citrinos deve ser na direcção Norte – Sul, que é
perpendicular a orientação do Sol. Isto permite que haja menor sombreamento entre as plantas.

Espaçamento e plantação
Abre-se uma cova de 0,60m x 0,60m x 0,60m de profundidade, largura e comprimento, para permitir
a colocação do material necessário e da própria muda.
O espaçamento entre as covas abertas varia de espécie para espécie, sendo:
7 m x 7 m ou 6 m x 6 m (laranjeiras)
6 m x 6 m (tangerineiras hibrida) e 4,5 m x 4,5 m (tangerineira pequena)
7,5m x 7,5m (limoeiro)
7 m x 7 m (toranjeira).
Práticas culturais
Adubação - precisa-se de muitos nutrientes (macro e micronutrientes). Normalmente, as plantas
apresentam carência de magnésio, relacionada com excesso de cálcio e potássio. Esta carência
soluciona-se com aplicações foliares. Outra carência frequente é a do zinco que se soluciona
aplicando sulfato de zinco a 1%. A tabela abaixo representa o plano orientativo de adubação nos
primeiros 4 anos de plantação de citrinos.

Tipo de adubo 1.º Ano 2.º Ano 3.º Ano 4.º Ano

Nitrato de amónio 150 190 270 350

Nitrato de potássio 70 120 160

Fosfato monoamónico 40 75 100

Nitrato de magnésio 30 60 115

Rega - esta espécie precisa de grandes quantidades de água (9000 – 12000 m 3/há). Em parcelas
pequenas aplica-se a rega por inundação. Actualmente a tendência é para a aplicação localizada (em
bacias ou caldeiras) e por micro-aspersores.
Poda
A poda é uma prática cultura caracterizada pela diminuição dos ramos da copa da árvore, com o
objectivo de rejuvenescer a planta e aumentar a penetração dos raios solares. Os citrinos devem ser
menos podados possível, pois quando se podam eliminam-se muitas das reservas das árvores (folhas
e ramos). Existem três tipos de poda:
 Poda de formação: feita com objectivo de formar a estrutura de sustentação, evitando a
quebra de ramos e tornar a planta mais equilibrada.
 Poda de limpeza: feita para retirar os ramos secos, atacados por doenças ou pragas e de
ramos ladroes, improdutivos.
 Poda de renovação: recomendada para pomares velhos, que produzem safras pequenas ou
frutos de má qualidade cujas plantas estejam sadias.

SUMÁRIO: Controlo de pragas e doenças nos citrinos


I. Principais pragas e seu controlo

a) Cochonilhas: ocorrem ao longo de todo ano, nos ramos, folhas e frutos; danificam
principalmente os frutos. Os inimigos naturais regulam populações de cochonilhas.
b) Ácaros: ocorrem ao longo de todo o ano; danificam os frutos. O principal método de contro é
o uso de acaricidas.
c) Lagarto-cão: larvas que se alimentam de folhas jovens; Importantes nos viveiros e árvores
jovens. O principal método de controlo é o uso de insecticidas.
d) Lagarta-mineira: larvas alimentam-se de folhas causando minas, por vezes atacam frutas;
importantes nos viveiros árvores jovens. O potencial método de controlo é a introdução de
inimigos naturais e a o uso de insecticidas.
e) Mosca da fruta: moscam depositam os ovos no interior dos frutos e as larvas alimentam-se
no interior deles. Ocorrem todo o ano, principalmente no mês de marco – Junho. O método de
controlo é químico pelo uso de produtos atraentes.

II. Principais doenças e controlo

a) Fungos do género Phytophthora – responsável por vários problemas nos citrinos e em


muitas culturas como mangueira, por exemplo. Alguns porta-enxertos como o Poncirus
trifoliata e o Citrumelo swingle são considerados resistentes.
b) Tristeza de citrinos – é um vírus do tipo “frio” que prolifera e causa danos mais graves em
ambiente com temperaturas amenas, entre 23 e 32 ˚C. Esta doença causa a morte de citrinos.
As plantas atacadas no início mostram uma clorose acentuada das nervuras das folhas, então
amarelecem e caem. A seguir é o secamento dos ponteiros e a morte da planta.

SUMÁRIO: Colheita, processamento e comercialização dos citrinos


Colheita: Os frutos podem ser colhidos por torção seguida de sua remoção por meio de tesouras ou
alicates de colheita. Este método é tao rápido, porem provoca danos maiores aos frutos, sobretudo na
região peduncular, propiciando assim a entrada de peptógenos e saída de água. Deve se evitar colher
frutas nas primeiras horas da manha. Obrigatoriamente os frutos colhidos não devem ter contacto
directo com o solo, nem exposição directa ao sol, chuva, sendo recomendado que sejam levados a
empacotadora no mesmo dia da colheita. Os frutos com corte ou outro tipo de ferimentos devem ser
descartados ainda no campo.
Processamento dos citrinos: O processamento de citrinos envolve alta tecnologia de extração e de
concentração, de forma que todos os componentes da laranja sejam aproveitados na extração do
sumo. Além do sumo, são obtidos outros produtos (óleo essencial, ração animal, sumo de polpa
lavada). O processamento artesanal de Citrus inclui a produção de geleias, compotas e frutas
cristalizadas.
Comercialização dos citrinos: Dependendo da qualidade e do tamanho da colheita, os frutos os são
encaminhados para supermercados e indústrias de sumo concentrado e os frutos de menor qualidade
são dirigidos para os supermercados e mercados de pequena escala ou indústria de sumo concentrado.

Exercícios:

1. A fruta é muito importante para a nossa alimentação.


a) O que é que as pessoas aproveitam na fruta?
b) Quais são as diferentes maneiras de conservar a fruta?
c) Enumere as diferentes formas de consumo da fruta.
2. Os citrinos tiveram sua origem nas regiões tropicais e subtropicais da Asia.
a) Que espécies de citrinos são produzidas na tua província?
b) Como é que é feita a polinização e fecundação nos citrinos?
3. A propagação vegetativa é o método de multiplicação mais utilizado nos citrinos.
a) Explique, qual é o método utilizado para a propagação de plantas nos citrinos?
b) Indique as vantagens da propagação vegetativa.
c) Descreva o processo de enxertia nos citrinos.
4. As fruteiras quanto ao tipo de clima classificam-se em fruteiras do clima temperado, tropical e
subtropical.
a) Indique as principais características apresentadas por fruteiras do clima tropical.
b) Indique as principais diferenças entre as fruteiras do clima subtropical e as do tipo temperado.
5. Fale da importância das fruteiras na nossa alimentação.
6. Enumere as principais pragas e doenças que atacam os citrinos.
7. Num máximo de 8 linhas, descreva o processo de preparação do solo, falando do espaçamento e
traçado de plantação de citrinos.
8. Explique, em que consiste a poda nos citrinos?
8.1. Fale de cada um dos tipos de poda indicados:
a) Poda de formação b) Poda de limpeza c) Poda renovação

TEMA: Introdução a cultura de banana


Origem, distribuição geográfica e importância socio-económica da banana em Moçambique
A bananeira tem sua origem Sudoeste Asiático, de regiões da Malásia, Indonésia e Filipinas onde
muitas bananeiras selvagens crescem. A bananeira não é uma árvore, mas sim a maior planta
herbácea do mundo.
A expansão das áreas de produção intensiva da banana vem respondendo a grande procura desta
fruta a nível mundial. Por isso, no nosso país temos muitas empresas privadas que cultivam banana
para posterior exportação. Por exemplo, a Metanuska Moçambique, Lda, que ocupa uma área de três
mil hectares no distrito de Monapo em Nampula, exporta a partir do porto de Nacala e a
Bananalândia, nas regiões de Namaacha e Boane, na província de Maputo.
A bananeira também é produzida no sector familiar, onde os pequenos agricultores usando as suas
tecnologias, produzem em grande escala nas regiões frescas da província de Manica, região de
Macate, por exemplo. A cultura de banana ocupa grande importância no volume das frutas
produzidas em Moçambique. A banana é consumida pelas mais diversas camadas da sociedade
moçambicana como alimento, e não apenas como sobremesa.
SUMARIO: Exigências edafo-climaticas no cultivo de banana
Exigências edáficas: os solos ideais para o cultivo de bananeira são os profundos, ricos em matéria
orgânica, bem drenados e com capacidade de retenção de água. A bananeira adapta-se bem a
diferentes tipos de solo, mas prefere-se aqueles profundos com mais de um metro sem qualquer
impedimento.
Exigências climáticas
a) Temperatura: influencia directamente nos processos respiratórios e fotossintéticos da planta,
estando relaciona-se com a altitude, a luminosidade e os ventos. As óptimas temperaturas para o
desenvolvimento da bananeira comercial variam de 26 – 28 ˚C com mínimas não inferiores a 15˚C.
b) Precipitação: para uma colheita rentável comercialmente considera-se uma precipitação bem
distribuída de 100 mm/mês em solos de boa capacidade de retenção e de 180 mm/mês para os de
menor capacidade.
c) Luminosidade: a bananeira requer alta luminosidade. No entanto, o fotoperíodo não influencia o
seu crescimento e frutificação. A colheita no cultivo da banana pode ocorrer desde 8,5 aos 14 meses.
d) Vento: pode causar danos desde pequenos até a destruição do bananal. Ventos inferiores a 30
km/h, normalmente não prejudicam a planta. Os prejuízos variam de acordo com a intensidade,
podendo proporcionar: desidratação da planta, fendas nas nervuras secundarias das folhas,
diminuição da área foliar, rompimento de raízes, quebra e tombamento da planta).
e) Humidade relativa: a bananeira como planta típica das regiões tropicais húmidas, apresenta melhor
desenvolvimento em locais com médias anuais de humidade relativa superiores a 80%. Esta condição
acelera a emissão de folhas, inflorescência e uniformiza a coloração dos frutos.
f) Altitude: a bananeira é cultivada em altitudes que variam de 1 – 1000 metros acima do nível do
mar. Este factor influencia na temperatura, chuva, humidade relativa, luminosidade, entre outros).
Exigências nutricionais

O cultivo da banana exige grandes quantidades de nutrientes para manter um bom desenvolvimento e
obtenção de altos rendimentos. O potássio (K) e o nitrogénio (N) são os nutrientes mais absorvidos e
necessários para o crescimento e produção da bananeira.
SUMÁRIO: Estabelecimento de bananal

Produção e obtenção de mudas


As mudas têm um papel fundamental na qualidade fitossanitária do bananal. Os principais métodos
para a produção de mudas são os seguintes: Propagação convencional e Fraccionamento de
rizoma.

i. Propagação convencional
As bananeiras são, normalmente propagadas por meio de mudas desenvolvidas a partir de gemas do
seu caule subterrâneo, o rizoma. As mudas devem ser oriundas de viveiros. No caso da não existência
do viveiro, as mudas são obtidas de um bananal com plantas bem vigorosas e em óptimas condições
fitossanitárias. Essas mudas são classificadas como:
 Chifrinho: 20 -30 cm de altura com únicas folhas lanceoladas.
 Chifre: 50 – 60 cm de altura e folhas lanceoladas.
 Chifrão: o tipo de ideal de muda, com 60 – 150 cm de altura com uma mistura de folhas
lanceoladas e folhas características de uma planta adulta.
 Adulta: mudas com rizomas bem desenvolvidos, em fase de diferenciação floral e que apresentam
folhas largas e ainda jovens.
 Pedaço de rizoma: tipo de muda oriundo de fracções de rizomas com no mínimo uma gema bem
entumescida e peso de 800 g.
Para a produção de mudas devem ser observados os seguintes cuidados:
- Utilizar solos que ainda não tenham sido cultivados com bananas ou plátanos;
- Usar mudas comprovadamente isentas de pragas e doenças;
- Fazer desinfecção das ferramentas no viveiro, ao passar de uma planta a outra.
ii. Fraccionamento de rizoma
Esta é uma técnica de propagação bastante simples, indicada para qualquer variedade de banana e
consiste em seguintes etapas:
- Arranque das plantas, preferencialmente aquelas com rizoma bem desenvolvido;
- Limpeza do rizoma mediante a remoção de raízes e partes secas, de forma a eliminar brocas e
manchas pretas que existirem;
- Eliminação da parte das bainhas do pseudocaule, de modo a expor as gemas entumescidas;
- Fraccionamento do rizoma em tantos pedaços quantas forem as gemas existentes;
- Plantio de pedaços de rizoma em canteiros devidamente preparados com matéria orgânica.

Época de plantio
O plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, desde que as chuvas sejam bem distribuídas
ou que a área cultivada seja irrigada. Em condições de sequeiro, o plantio deve ocorrer apos o
período de maior concentração de chuvas, por que as necessidades de água para o cultivo de
bananeira são menores nos três primeiros meses apos o plantio. O plantio deve ser escalonado para
que haja produção durante todo ano.

Espaçamento e densidade de plantio


Os espaçamentos para o cultivo de bananeira estão relacionados com o clima, o porte da variedade,
as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do terreno e o nível tecnológico dos
cultivos. Os espaçamentos mais praticados estão descritos na tabela abaixo.
Porte Espaçamento (m)

Baixo a 2,0 x 2,0 ; 2,5 x2,0 ; 2,5 x 2,5 ; 3,0 x 2,0 x 2,0 e 4,0 x
medio 2,0 x 2,0

Medio a 3,0 x 2,0; 3,0 x 2,5 e 4,0 x 2,0 x 2,5


alto

Alto 3,0 x 3,0 ; 4,0 x 2,0 ; 4,0 x 3,0 e 4,0 x 2,0 x 3,0

Coveamento
Em áreas não mecanizáveis as covas são abertas manualmente, com cavador e/ou enxadas, nas
dimensões de 30 cm x 30 cm x 30 cm ou 40 cm x 40 cm x 40 cm, de acordo com o peso ou tamanho
da muda e a classe do solo. As primeiras destinam-se as mudas cujos pesos varia entre 0,5 e 1,0 kg.
As últimas, às mudas de 1,0 a 1,5 kg, respectivamente. As mudas devem ser uniformes em tamanho e
peso.

SUMÁRIO: Amanhos culturais


a) Capina: o controlo de plantas daninhas no cultivo de bananeiras recém-estabelecidas é de
grande importância para assegurar um bom desenvolvimento e produção de primeira colheita.
Este processo pode ser efectuado com auxílio de enxada, aplicação de herbicidas,
estabelecimento de coberturas de leguminosas (concorrência), roçagem e coroamento.
b) Desbaste: consiste em seleccionar um dos filhos eliminando os demais. Os “filhos” podem
começar a surgir a partir dos 45 a 60 dias apos o plantio. O desbaste faz-se cortando com
facão a parte aérea do “filho ou neto” rente ao solo, pode se também optar pelo simples cortes
das brotações. Este procedimento efectua-se quando os netos ou filhos atingem uma altura de
20 – 30 cm.
c) Desfolha: consiste em eliminar folhas secas que não mais exercem função para a bananeira e
todas aquelas que, embora verdes possa interferir no desenvolvimento normal do fruto. O
número de operações depende da necessidade.
d) Eliminação da ráquis masculina (coração) - esta operação proporciona o aumento do peso
do cacho, melhora a sua qualidade, acelera a maturação dos frutos, reduz danos por
tombamento das bananeiras, prática fitossanitária no controlo do moko.
e) Ensacamento do cacho - esta pratica tem as seguintes vantagens: aumenta a velocidade de
crescimento dos frutos; evita o ataque de pragas como abelhas e trips sp; melhora a aparência
e qualidade da fruta, ao reduzir os danos causados por arranhões e pelas queimaduras no
pericarpo, consequência da fricção de folhas dobradas.
f) Tutoragem: Faz-se com o objectivo de evitar a perda de cachos por quebra ou tombamento
da planta devido a acção dos ventos fortes, do peso do cacho, da altura elevada da planta e da
sua má sustentação. Pode ser feita utilizando tutor de madeira ou fios, vara de bambu ou de
outra madeira, usa o fio de polipropileno.
g) Corte de pseudocaule apos a colheita: corta-se o pseudocaule rente ao solo evitando assim,
ocorrência de doenças; melhora as propriedades químicas e físicas do solo pela incorporação
rápida dos resíduos de colheita ao solo; reduz custos com a realização de um único corte.

SUMÁRIO: Pragas e doenças no cultivo de bananeira

i. Pragas e métodos de controlo


a) Broca – do rizoma: é um besouro preto que mede cerca de 11mm de comprimento e 5 mm de
largura. Os danos são causados pelas larvas as quais constroem galerias nos rizomas, debilitando a
planta e tornando-a sensível ao tombamento. As plantas atacadas apresentam um crescimento
limitado, amarelecimento e secamento das folhas, redução no peso e morte da gema apical. A praga é
controlada com utilização de mudas sadias e uso de iscas atractivas.
b) Tripes da erupção dos frutos: atacam os frutos em desenvolvimento e manifestam-se na forma
de pontos castanhos e ásperos ao tacto. Recomenda-se a utilização de sacos impregnados com
insecticidas no momento da emissão do cacho.
c) Tripes da ferrugem dos frutos: são insectos pequenos, que vivem nas inflorescências entre as
brácteas do coração e os frutos. Provocam aparecimento de manchas castanhas (semelhantes a
ferrugem). O dano é causado pela deposição de ovos e alimentação do insecto nos frutos jovens.
Controla-se através de ensacamento do cacho e a remoção das plantas invasoras hospedeiras
alternativas dos insectos.
ii. Doenças e métodos de controlo
a) Sigatoka – amarela: conhecida como cercosporiose ou mal-de-sigatoka. Os principais sintomas
aparecem como uma leve descoloração em forma de ponto entre as nervuras secundárias da segunda
a quarta folha. Com tempo, as pequenas estrias amarelas passam para castanho e posteriormente para
manchas pretas, necróticas, circundadas. Existem várias formas de controlar a doença, mas nenhuma
é totalmente eficiente. Pode-se programar várias práticas, entre elas, o controlo químico, drenagem
do excesso de água, uso de variedades resistentes, entre outros métodos.
b) Mal-do-panamá: é uma doença endémica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. O
fungo dissemina-se pelas águas de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem,
animais e equipamentos. As plantas infectadas exibem externamente um amarelecimento progressivo
das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evolui no
sentido da nervura principal. As folhas murcha e secam e quebram-se junto ao pseudocaule ficando a
planta como uma guarda-chuva fechada. O método de controlo tecnicamente recomendado é a
utilização de variedades resistentes ao mal-de-panamá e a selecção de material de propagação livre
desta doença.
c) Moko: doença causada por bactéria. A sua disseminação pode ocorrer de diferentes formas, desde
uso de ferramentas infectadas bem como a contaminação de raiz para raiz ou de solo para raiz, os
insectos como as abelhas, vespas e moscas-das-frutas. Ataca as folhas, distorcidas, amarelecidas e
escurecidas. O controlo faz-se pela erradicação pela aplicação de herbicidas como glifosato a 50%,
injectado no pseudocaule.

SUMÁRIO: Colheita, conservação e processamento da banana

Colheita: colhe-se quando os frutos do meio do cacho apresentarem diâmetro máximo. Ou se a


coloração da penca estiver rósea. A colheita pode variar de 100 – 120 dias apos a emissão do
coração. Outro critério é o grau de maturidade fisiológico do fruto.

Conservação: a banana pode ser conservada sob refrigeração pelo período de uma a três semanas,
findo o qual devem ser removidas para as camaras de maturação onde são tratadas previamente com
etileno. A intensidade dos danos causados pelo frio é influenciada pela humidade relativa do ar.
Recomenda-se a frigoconservação em camaras automatizadas, controlam tanto a temperatura quanto
a humidade relativa.

Processamento: A banana, boa fonte energética de minerais (potássio) e vitaminas. Em termos


tecnológicos, a baixa acidez da banana requer a sua acidificação em determinados processos, nos
quais são empregues métodos combinados de conservação. O aumento da acidez do sistema permite
o uso de tratamentos térmicos menos intensos na conservação dos produtos. O escurecimento
enzimático é outro factor a ser considerado no processamento da banana.

Uma vez retirada casca da banana devem ser aplicados tratamentos antioxidantes, por exemplo por
imersão diluída de ácidos orgânicos, com objectivos de se evitar reacções enzimáticas de
escurecimento. Os principais produtos derivados da banana são: puré ou polpa, usado como
ingrediente para a elaboração de outros produtos, como bebidas e produtos açucarados, e produtos
desidratados - como a banana passa, farinha de banana e banana chips.

Exercícios:
1. A cultura de banana ocupa grande importância no volume de frutas produzidas em Moçambique.
a) Quais são as regiões que praticam em grande escala esta cultura?
b) Explique, como é que pode consumir a banana?
2. As exigências edafo-climaticas constituem um factor preponderante para qualquer cultura.
a) Diga, quais são os solos mais apropriados para o plantio da bananeira?
b) Como é que o vento influencia no crescimento da bananeira?
c) Qual a melhor maneira que permite administrar o nitrogénio no plantio da bananeira?
3. Quanto ao planeamento do bananal.
a) Quais são os procedimentos para a obtenção de mudas?
b) Que tipo de soca é mais recomendado para o plantio?
c) Que importância tem a desfolha e o desbaste na bananeira?
4. Sobre as doenças e pragas.
a) Que parte da planta é mais afectada pela doença denominada Sigatoka-amarela?
b) Identifique os sintomas da doença do mal-de-panamá.
5. Descreva o processo de colheita no bananal.
6. Em que consiste a frigoconservação?
7. Mencione os principais produtos derivados da banana.

SUMÁRIO: Introdução ao estudo do cultivo de cajueiro


O cajueiro é uma planta tropical, originária do Brasil. Pode ser encontrada desde o México ate Peru,
incluindo Hawai, Porto Rico e algumas partes do sul da Florida.
Condições de clima e solos
Clima: planta de clima tropical, exige para o seu desenvolvimento um regime de altas temperaturas,
sendo a média de 27 ˚C a mais apropriada para o cultivo. O regime pluviométrico mais adequado
para a exploração racional desta cultura varia de 800 à 1500 mm/ano, distribuídos de 5 a 7 meses. A
humidade relativa do ar deve situa-se entre 70 e 80%.
Solos: o cajueiro pode ser cultivado em qualquer classe de solo. Preferencialmente, são utilizados
solos com textura arenosa ou franco arenoso, relevo plano ou suavemente ondulado, não sujeitos a
encharcamento sem camadas impermeáveis e de profundidade não inferior a 1,5 m.

Estabelecimento da cultura de cajueiro


Preparo do terreno
O terreno deve estar destroncado, principalmente ao redor do local onde vai se preparar a cova, de
modo a assegurar um ambiente livre de concorrência com plantas daninhas. Recomenda-se a recolha
de amostra do solo para análises laboratoriais para se conhecer a disponibilidade do solo em
nutrientes. Em seguida são realizadas as operações de lavoura e gradagem. Nestas operações são
comuns a incorporação do calcário. Em solos compactos pode se fazer a subsolagem.
Marcação da área e coveamento
Escolhido o espaçamento, inicia-se a marcação da área utilizando-se estacas nos locais onde serão
abertas as covas, alinhados por meio de uma corda, com ajuda de fita métrica para alinhamento das
plantas no espaçamento definido. Recomenda-se a abertura de covas de 40 cm x 40 cm x 40 cm para
solos de texturas arenosa ou franco arenoso e 50 cm x 50 cm x 50 cm para os de textura argilosa
distanciados de 7 m x 7 m ou 8 m x 6 m. Se o solo apresentar uma camada endurecida no perfil, é
necessária a abertura de covas de maiores dimensões.
Adubação
Adubação de fundo – no fundo da cova aplica-se 100 g de calcário e misturar com a terra de la
retirada, em seguida encher a cova com uma mistura de terra superficial mais superfosfato simples,
de acordo com a análise do solo, mais 10 litros de estercos animal bem curtido. Deixar a cova assim
preparada por um período de 30 dias antes do transplante da muda.
Obtenção de sementes de mudas
Recomenda-se cultivar apenas mudas enxertadas de boa qualidade, que ficam prontas para o plantio
de preferência no início do período chuvoso. O primeiro passo na produção de mudas é a formação
de jardins clonais para os propágulos (borbulhas, garfos) de superior qualidade.
Para os porta-enxertos, as sementes devem ser colhidas de plantas de cajueiro-anão precoces
produtivas, vigorosas e livres de pragas e doenças. A sementeira da castanha (semente) deve ser
realizada directamente no saco plástico ou tubetes na posição vertical com a ponta voltada para baixo
e enterrada a uma profundidade de 3cm abaixo da superfície do solo. Cerca de 45 dias apos o plantio,
realiza-se a enxertia para a obtenção da muda.
Plantio
Em regimes de sequeiro, o plantio das mudas deve ser efectuado no início do estacão chuvosa. Em
áreas irrigadas, pode ser realizado em qualquer época do ano.

SUMÁRIO: Práticas culturais no cultivo de cajueiro


Irrigação: dentre os métodos de irrigação, a microirrigacao (microaspersão) é o mais recomendado
para cajueiro-anão, principalmente em solos arenosos.
Desbrota: funciona como uma poda de formação, consiste na retirada das brotações laterais
inferiores da planta.
Retirada de panícula: dada a sua precocidade, o cajueiro-anão inicia a emissão de panículas já na
fase de viveiro. Essas panículas devem ser removidas durante o primeiro ano apos o plantio, já que
nesta fase constituem uma fonte de desvio de nutrientes.
Podas: o correcto uso desta operação depende de diversos factores, como o hábito de crescimento do
clone, o porte da planta, o sistema de plantio empregue e a forma de colheita, de modo a que um
máximo de rendimento económico seja atingido com menor interferência possível no comportamento
da planta. Existem vários tipos de poda (formação, limpeza e manutenção).

Controlo de pragas e doenças no cultivo de cajueiro


i. Pragas e métodos de controlo
Traça-da-castanha: a lagarta penetra na castanha e destrói toda a amêndoa. Antes de se tornar pupa,
abre um orifício circular na castanha, a sua presença nota-se quando a castanha apresenta um
pequeno furo circular na parte inferior. O uso de insecticidas cartap, triazophos e monocrotophos.
Afídeo da inflorescência: o insecto ao mesmo tempo que suga a seiva da planta expele uma
substancia açucarada recobrindo principalmente as inflorescências e folhas, que consequentemente a
murcha e seca destas. O seu controlo é realizado com a aplicação de insecticidas monocrotophos,
dimetoato e pirimicarb.
Mosca branca: verifica-se pela presença de colónias de insectos envolvidos por secreção
pulverulenta branca na página inferior da folha, o adulto é completamente branco e assemelha-se a
uma minúscula borboleta. Os insecticidas que controlam a mosca branca são os seguintes: diazinao,
endossulfan, parathion metil, dimetoato, monocrotophos.
ii. Doenças e métodos de controlo
Antracnose - revela-se por lesões necróticas, irregulares inicialmente de cor parda e folhas jovens e
posteriormente de coloração avermelhada em folhas mais velhas. As folhas jovens ficam enegrecidas,
retorcidas e posteriormente caem quando o ataque é muito severo. Também causa a queda de flores e
frutos jovens com enormes prejuízos no pomar. Controlo: pulverizações semanais alternadas com
benomil, na dosagem de 100 g/100 l de água, num intervalo de segurança de 21 dias.
Morfo-preto - ocorre geralmente no início da floração e ataca as folhas mais velhas, produzindo um
bolor negro que se forma na parte inferior das folhas. Controlo: pulverizações quinzenais alternadas
com oxicloreto de cobre.
Oídio - sintomas: presença nas folhas de um revestimento pulverulento branco acinzentado, a sua
ocorrência é centralizada nas folhas adultas, não prejudicial como quando ataca as inflorescências. O
seu controlo é com base na pulverização com enxofre e benomil.
Colheita, processamento e armazenamento do caju e da castanha
A colheita de caju é feita nas horas de temperaturas amenas. Para que o fruto seja colhido
correctamente deve ser feita uma leve torção para que o pedúnculo se solte do ramo da panícula. Os
cajus devem ser acondicionados numa única camada, nas caixas plásticas de colheita revestidas
internamente por uma camada de espuma de aproximadamente 1 cm de espessura, para não danificar
o pedúnculo.
A castanha não acompanha o pedúnculo e o descastanhamento pode ser feito ainda no campo apos o
recolhimento das caixas contendo pedúnculos. O descastanhamento é mais facilmente realizado com
o emprego de pedaço de fio de meio metro, o qual é enlaçado no ponto de união entre a castanha e o
pedúnculo e, após um puxão para um dos lados a castanha é liberta do pedúnculo.
Apos a colheita, as castanhas devem ser colocadas a secar durante dois ou três dias em terreiro de
secagem e reviradas diariamente. No momento de armazenar, o produtor deve eliminar as castanhas
chochas, furadas e enrugadas. Recomenda-se que se armazene os sacos em locais frescos e
ventilados, sobre estrados de madeira e afastados da parede.
Exercícios obrigatórios:
1. O cajueiro, uma planta tropical originária do Brasil.
a) Indique a importância alimentar do caju.
b) Identifique os solos apropriados para o cultivo do cajueiro.
2. Os trabalhos de preparação do solo permitem a criação de condições para aa recepção das mudas.
a) Enumere as principais operações a realizar na preparação do solo.
b) Que diferença que existe entre adubação de fundo e adubação de cobertura?
c) Qual a fase de desenvolvimento do cajueiro que se deve fazer o controlo dos afídeos e do oídio?
Justifique a sua resposta.
3. A colheita e o processamento constituem a fase da obtenção da parte económica da cultura.
a) Qual é o destino do pedúnculo e da castanha?
b) Como é que se faz o processamento da castanha?

DISCIPLINA: AGRO-PECUARIA - 10ª CLASSE


II TRIMESTRE
Unidade Temática: Silvicultura

Sumário: Introdução ao estudo da Silvicultura

O termo Silvicultura provém do Latim silva (floresta) e cultura (cultivo de arvores), e tem sido
definido de várias formas. A silvicultura dedica-se ao estudo dos métodos naturais e artificiais de
regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vista a satisfazer as necessidades do mercado.
A Silvicultura subdivide-se em silvicultura clássica e silvicultura moderna. A silvicultura clássica
opera quase exclusivamente com as florestas naturais e a silvicultura moderna opera
exclusivamente com as plantações florestas artificiais.

Definição e importância da Silvicultura em Moçambique

Considera-se silvicultura como a ciência e a arte de manipular um sistema dominado por árvores e
seus produtos, com base no conhecimento da história da vida, e as características gerais das árvores e
do sítio. Também, é o conjunto de todas as medidas tendentes a incrementar o rendimento económico
das árvores ate alcançar-se um nível que permita um maneio sustentável.

Tanto a silvicultura moderna como a clássica, ambas tem por objectivo fundamental, a produção de
madeira, serviços (lazer, protecção, bem estar) ou bens (postes, resinas, cortiça, etc.). Uma floresta
bem conservada com exploração racional é fonte renovável de produtos indispensáveis para a
melhoria da economia de um país.
As florestas propiciam benefícios indirectos tais como:

 Controlo da erosão do solo;


 Reciclagem dos nutrientes do solo (através das raízes);
 Influencia sobre o clima (reguladora da temperatura);
 Turismo e recreação (nos países mais evoluídos existem paisagens florestais em grande numero
em que a população passa os seus tempos de lazer divertindo-se em actividades de salutares como
passeios, caca desportiva, pesca, observação de animais, etc.).

Sumário: Identificação dos sistemas silvícolas em Moçambique

O território moçambicano encontra-se coberto por algum tipo de floresta, cerca de 50%. Mas a área
de capacidade florestal é de 80%. A maior parte está coberta por floresta aberta, onde as copas não
cobrem totalmente a terra, mas uma cobertura de 20%. Não existe mata cerrada. As florestas
ribeirinhas (próximo dos rios) ocupam uma área 1500 000 há.
De acordo com o inventário nacional florestal os ecótipos florestais principais são:
 Floresta sempre verde - inclui florestas de montanha nos montes da Gorongosa, Cheringoma
e os picos (cimo) de algumas elevações na Zambézia e Niassa. Estes tipos ocorrem
principalmente nas encostas de Cheringoma em Sofala e em algumas áreas restritas nas
províncias de Gaza e Inhambane.
 Mosaico - da costa da Zambézia a Inhambane, que ocorre ao longo da costa. É composta de
floresta sempre verde e vegetação lenhosa decídua.
 Miombo - composta fundamentalmente por vegetação lenhosa decídua.
 Mopane - aparecem em florestas fechadas e, as vezes, abertas.
 Mangais - distribuem-se ao longo da costa e nos deltas dos rios.
 Pradarias - formações edáficas ou sucessores nas zonas de desbaste para agricultura.

Sumário: CARACTERIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS SISTEMAS SILVÍCOLAS EM MOÇAMBIQUE

A caracterização (classificação) das florestas obedece a critérios como: densidade e extensão da


floresta, origem, a composição de seus indivíduos, a altura das árvores e origem e formas de
regeneração.
1. Quanto à densidade
a) Selva - quando a floresta for tao densa que a luz quase não penetra no seu interior, com
árvores altas e copas que se encontram, sendo as camadas inferiores formadas por vegetação
abundante.
b) Mata - uma área restrita. A floresta e a mata diferem pela extensão da área que ocupam.
c) Bosque - pequeno agrupamento ou comunidade de árvores pouco densa, que deixa penetrar a
luz, com poucas trepadeiras e naturalmente com sub-bosque raro.

2. Quanto à composição dos indivíduos


a) Floresta pura - quando a floresta tem cerca de 90% de indivíduos da mesma espécie.
b) Floresta mista - quando a floresta constitui-se de duas ou mais essências, em que nenhuma
dela entra com a percentagem de 90%.

3. Quanto à altura dos indivíduos


a) Floresta simples - quando os indivíduos tiverem mais ou menos altura uniforme em que
todas as árvores possuem.
b) Floresta composta - quando não há uniforme de altura das árvores, o maciço apresenta
arvores com varias alturas.

4. Quanto à origem e formas de regeneração


a) Floresta natural - surge naturalmente, sem intervenção do homem.
b) Floresta artificial - floresta que surge pela intervenção do homem.

Sumario: COMPONENTES DAS FORMAÇÕES FLORESTAIS NATURAIS MOÇAMBICANAS

a) Floresta aberta
Apresenta um ou dois extratos arbóreos de essências decíduas, semi-deciduas e sub-deciduas.
 Decíduas - apresentam-se completamente despidas de folhas durante uma parte do ano.
 Semi-deciduas - apresentam mais ou menos 50% de folhas decíduas e a restante percentagem
de perenefólies (folhas perenes).
 Sub-deciduas - com pequena percentagem de perenefólies.
 Perenefólies - tem folhas durante todo o ano.
 Sub-perenefólies- tem pequena percentagem de decíduas.

b) Floresta hidrófila
Corresponde a floresta que se localiza em climas muito húmidos e solos férteis. Normalmente,
constituída por três a quatro estratos de vegetação lenhosa cerrada, dos quais o arbóreo dominante e
possui arvores de alto porte. Os outros estratos pouco se desenvolvidos devido de radiação. Podemos
encontrar esta formação florestal em zonas de Manica, Cabo Delgado, Sofala e Zambézia.

c) Formações florestais das montanhas


Refere-se simplesmente as formações florestais que revestem ou que habitam nas montanhas, para
que conheça a sua forma de arvoredo. Isto é importante não só sob ponto de vista botânico, mas
essencialmente, sobre os aspectos de exploração e sobretudo o de repovoamento florestal.
Podemos encontra-las nas áreas de Manica, Sofala, Zambézia, Tete e Niassa, mas sempre nas zonas
montanhosas e, compõe-se de nove comunidades.

d) Mangais
Os mangais ocupam as margens dos cursos de agua salgada e de certas reentrâncias de costas de
aguas tranquilas.

Mangal de Moçambique

e) Formações das zonas aluvionares


As zonas aluvionares estão situadas ao longo dos rios, margens dos lagos e lagoas e depressões
diversas. Na maioria parte, são solos alagadiços, argilosos compactos ou arenosos. As mais vastas
regiões aluvionares compreendem aos maiores rios: Zambeze, Limpopo, Save, Incomáti, etc.
As formações lenhosas das zonas aluvionares são típicas, com características próprias, mas
encontram-se todas dizimadas, pois estas zonas correspondem a terras férteis, sendo geralmente
aproveitadas para a agricultura pelas populações. Conhecem-se catorze comunidades destas.
f) Matas de mecrusse (cimbirre)
O mecrusse é uma essência florestal com elevado interesse económico. Esta essência aparece em
grupo, embora com uma distribuição dispersa e em lugares de fraca pluviosidade. É uma das espécies
que precisa de protecção e reflorestamento porque o seu grande potencial económico faz com que
seja muito procurada e dai dizimada.

g) Formações lenhosas dos montes Libombos


A cordilheira dos Libombos é bastante afectada pela erosão das chuvas. Na parte norte desta
cordilheira a queda pluviométrica é baixa, a erosão é menor e a floresta é densa. Na parte Sul as
formações atingem maior porte, maior grau de concentração, maior variedade de formas do que na
parte norte, devido a maior queda pluviométrica.

Sumário: POTENCIALIDADES, VANTAGENS E DESVANTAGENS SÓCIO-ECONÓMICAS EM


MOÇAMBIQUE

A floresta savana é a principal fonte de madeira, materiais de construção rural, lenha carvão,
produtos medicinais e outros. Assim, a sua utilização e viabilidade devem ser vistas de forma multi-
disciplinar.
A existência de pouco mais de 10 espécies comercialmente conhecidas, em cerca de 100 espécies
potenciais, leva a uma redução significativa dos volumes comerciais disponíveis na floresta nativa
moçambicana. Aparentemente muita madeira, escassa nas principais espécies conhecidas no mercado
nacional e internacional.

A floresta moçambicana é predominantemente de savana arbórea (miombo), de baixa produtividade e


crescimento lento e, as técnicas de repovoamento florestal são pouco conhecidas. Consequentemente
a sua utilização deve ser estritamente sustentável. A sustentabilidade da utilização das florestas está
ameaçada pelas queimadas, Agriculturas itinerante, corte de lenha e carvão e licenças simples.
A floresta plantada representa somente cerca de 15 000 há, muito pouco em relação ao potencial de
reflorestamento do pais e em relação ao objectivo de substituição do consumo espécies nativas pela
espécies plantadas.

As principais conclusões relativamente ao recurso florestal são:


 A necessidade de adoptar um sistema progressivo de certificação florestal de modo a
disciplinar o uso e aproveitamento da floresta;
 A implementação de projectos de plantações comunitárias em espécies de rápido crescimento
para energia doméstica e materiais de construção de modo a substituir o uso de floresta
nativa;
 A urgência em adoptar práticas de regeneração natural ao mesmo tempo em que se reforça a
substituição de uso de madeira nativa por madeira plantada, para utilizações de menor valor
comercial como lenha e carvão de modo a perpetuar o recurso florestal.

Sumário: PRINCIPAIS ESPÉCIES SILVÍCOLAS EXPLORADAS EM MOÇAMBIQUE (nativas e exóticas)

As principais essências florestais moçambicanas distinguem-se em dois grupos, a saber:


a) Essências florestais autóctones (nativas) - são assim chamadas as espécies que se
desenvolvem numa determinada região, sendo originárias da mesma.
b) Essências florestais exóticas - são espécies que estão a viver fora do seu ambiente natural.
Neste grande grupo de espécies existem as que são de grande importância em Moçambique,
são os eucaliptos e pinheiros.
Sumario: Espécies/Essências florestais autóctones (nativas)

Chanfuta
É uma arvore grande de 10 a 20 metros de altura, tronco curto e rgular de 4 a 12 metros de
comprimento e 0,80 a 1,0 metro de diametro. Encontra-se dispersa por todo o territorio nacional,
desde a costa as regioes planalticas. Produzem madeira de cor castanha-marelada, sem brilho. A
madeira ã utilizada na marcearia, carpintaria, fabrico de portas e janelas e outras utilidades na
industria.

Tronco de chanfuta

Jambire (Panga-panga)
É uma arvore que atinge 10 a 15 metros de altura, com fuste direito e liso, mais ou menos cilindrico.
É frequente na floresta abeta da zona litoral do norte do Save. Amadeira é utilizada na marcenaria,
travessa de caminhos-de-ferro, construcao de civil e naval e fabrico de parquet. Foi a especie mais
exporada nos anos 60.
Mobiliário feito de madeira de jambire
Umbila
É uma arvore de d10 a 15 metros de de altura, possilvelmente a mais valiosa madeira mocambicana.
É uma especie tipica da Africa tropical, encontrando-se
em Mocambique em florestas abertas tanto do litoral
como dos planaltos , do Limpopo para o Norte. A sua
madeira é utilizada para a carpintaria, marcearia e
construcoes.

Umbila

Pau-preto
Pequena arvore de 6 a 10 metros de altura, mas com tronco forte. O borne é amarelado e o cerne
castanho-escuro, quase preto. É uma das mais valiosas madeiras africanas. Encontra-se em matas
abertas, do Save para o Norte. Necessita de grande plantio devido ao corte irracional a que sempre foi
submetida. Tem madeira dura e pesada, difícil de serrar e muito duravel. É usada para escultura,
mobiliario de luxo, trabalhos de adorno e instrumentos musicais.

a) Árvore Pau-preto b) Esculturas feitas de pau-preto

Pau-rosa
Árvore de grande porte, podendo atingir 30m de altura e 2m de diâmetro. O tronco é retilíneo e
ramificado no ápice, formando uma copa pequena. Possui casca pardo-amarelada ou pardo-
avermelhado, que se desprende em grandes placas. As folhas são
coriáceas ou rígido cartáceas, simples, alternas, obovadas,
elípticas ou obovado-lanceoladas, com 6-25cm de comprimento
e 2,5-10cm de largura, margens recurvadas ou planas, face
superior glabra e verde-escura e inferior pilosa e amarelo-pálida.
Destaca-se na produção de óleo essencial de aroma agradável,
rico em linalol e muito utilizado na indústria de perfumaria como
fixador.
Árvore Pau-rosa
Sumario: ESPÉCIES/ESSÊNCIAS FLORESTAIS EXÓTICAS

Eucalipto
O eucalipto é originário da Austrália. Encontra-se disseminado pelas mais variadas situações de
clima, relevo e solo. Aparece desde o nível do mar ate 2000 m de altitude, em áreas de precipitações
pluviométricas que não ultrapassam 250 mm, em solos extremamente pobres, ricos, secos e alagados.
Portanto, o eucalipto pode ser encontrado em toda a parte.
As mais de 500 espécies de eucalipto podem
apresentar, as vezes, características muito diferentes
umas das outras. Em relação as temperaturas,
algumas desenvolvem-se a temperaturas mais baixas
e outras a temperaturas elevadas, até 35 ºC. Cresce 3
a 4 metros de altura por ano. Depois de 6 a 8 anos as
árvores podem ser cortadas.
Eucalipto

Casuarina
É conhecida com vários nomes, tais como: she-oak, beefwood, casuarina, pinus australiano, Filao,
Bois de fer. As casuarinas compreendem um grupo de cerca de 80 espécies de arbustos e árvores que
são primariamente nativas para o hemisfério sul, a maior parte para a Austrália, onde ocorrem em
regiões tropicais, subtropicais e regiões litorâneas temperadas assim como no interior seco. Poucas
espécies são nativas para áreas do Indo-Pacífico da Malásia Peninsular para Polinésia. Embora a
Casuarina equisetifolia seja originalmente uma espécie litorânea, frequentemente usada para
estabilização de dunas, ela também é encontrada no interior até uma altitude de 1.500 m.

A Casuarina equisetifolia é uma espécie de grande potencial para regiões tropicais e subtropicais,
devendo ser aproveitada com sucesso na recuperação de solos degradados e no controle da erosão.
A madeira de Casuarina equisetifolia é de cor pardo-
claro-rosado, uniforme, sem diferença apreciável entre
alburne e cerne; em algumas árvores o cerne é de
coloração castanho-clara.
A madeira apresenta acentuada contracção. Não resiste
às intempéries nem é durável. É de impregnação
relativamente fácil e, com este tratamento, pode ser
igualmente empregada para obras em contacto com a
água.

Plantação de Casuarina
Pinheiro
Como no caso de eucalipto, o pinheiro possui grande número de espécies, algumas originarias dos
E.U.A. e outras partes da América do Norte e Central, como são os casos do Pinus Elliotis e Pinus
Taeda que se encontram no Estados de Nova Jersey,
Florida, Texas e outros. As suas madeiras moles, hoje
têm cerca de 5000 aplicações. Prestam-se para a
confecção de portas, janelas, andaimes, caixas para
concreto, escadas, estaleiros, construção naval, e de
outras embarcações, para carroçarias, laminados,
postes, moveis, instrumentos musicais, brinquedos,
lápis, cado de ferramentas, celulose, óleos, vernizes,
resinas, etc.
Pinheiro

TEMA: IMPACTO ECONÓMICO DE CRIAÇÃO BOVINA EM MOÇAMBIQUE

Sumario: Tecnologia de criação de bovinos


Introdução
O papel dos bovinos na vida dos povos é essencial como fonte de carne e leite, de trabalho e de
muitos subprodutos de elevados valores. Nos costumes sociais os bovinos representam como reserva
de fortuna familiar e como marca de prestígio/respeitabilidade e status nas comunidades.
Vantagens da criação de bovinos
 Fornecem carne de boa qualidade e saborosa (carne vermelha).
 A sua criação é barata quando a base de pasto é espontânea.
 Fonte de receita, segurança, prestígio e emprego para as famílias.
 Constituem reserva económica das famílias para momentos de crise.
 São fáceis de alimentar.
 As suas fezes podem ser utilizadas como fertilizantes em machambas e hortas.
 A pele pode ser vendida ou aproveitada.
 Não existem muitos tabus em relação a sua carne.
Definição, Importância socioeconómica e Classificação zoológica
Os bovinos são mamíferos, ruminantes e biungulados pertencentes à:
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodctyla
Familia: Bovidae
Género: Bos
Espécie: Bos taurus indicus
Sub-espécie:
- Bos taurus taurus ( gado taurino, de origem europeia)
- Bos taurus indicus (gado zebuino, de origem asiática).

São animais muito importantes na economia dos países e das famílias. Eles são usados para a
produção de carne e leite que são muito importantes na dieta das populações bem como fonte de
receitas.
 A pele pode ser curada e aproveitada para a produção de diversos artigos de cabedal, como
sapatos, pastas, arreios, cordas, etc.
 O esterco e a urina podem ser aproveitados como fertilizantes dos solos agrícolas. O estrume
ainda é utilizado por algumas comunidades rurais para a maticagem de casas e em países onde
há escassez de árvores utilizam o estrume como combustível de cozinha ou de aquecimento.
 Contribuem na alimentação dos povos.
 Viabilizam o pequeno, medio e grande produtor.
 Geram emprego e fixam os produtores nas suas regiões.
 Contribuem para o desenvolvimento da economia do país.

SUMARIO: RAÇAS DE BOVINOS

Existem no mundo cerca de 1000 raças de bovinos, que vão desde raças locais ou indígenas às raças
melhoradas para diferentes propósitos. Em Moçambique, para alem das raças locais, existem as
exóticas e cruzamentos entre aquelas, e algumas das mais exploradas são:

1. Raças zebuinas: caracterizadas por possuir uma grande bossa e nelas encontramos por exemplo as
seguintes raças: Angoni, Brahman, Nelore, Boran, etc.

Raça Zebuina
2. Raças taurinas: caracterizadas por não possuir bossa. São exemplo deste grupo, os bovinos de
racas europeias importadas recentemente para os nossos países como por exemplo: Friesian,
Ayrshire, Brown Swiss, Hereford, jersey, etc.

Raça Taurina

3. Sanga: este grupo é formado a partir de cruzamentos entre raças Zebuinas e Taurinas. Ex:
Africander, Barotse, Bonsmara, Drankensberger e outras.
As raças bovina mais exploradas dividem-se de acordo com propósitos em:

 Raças para a produção de carne


 Raças para a produção de leite
 Raças de duplo propósito.

Raça Sanga

SUMARIO: RAÇAS PARA A PRODUÇÃO DE CARNE

Entre as exploradas para a produção de carne no mundo temos: Simental, Hereford, Santa Gertrudes,
Nelore, Brahman, Charolês, Aberdeen Angus, Chianina, Nguni, Limousin, Gir, Haiana, Indubrasil,
Zebu, etc.

RAÇA SIMENTAL
 Origem: Suíça.
 Aptidão : mostra predominância de leite 50%, sobre a carne 25% e uso na tracção 25%.
 Pelagem: branca ou ligeiramente creme com grande manchas amarelas ou vermelhas, ou uma
só grande mancha, que varia de amarelo trigo ao vermelho castanho.
Raça Simental

RAÇA HEREFORD
 Origem: Inglaterra, Condado Hereford.
 Aptidão: produção de carne, são animais bastante eficientes em regime de pasto. São doceis
(obedientes), rústicos e adaptam-se a diversos sistemas de produção. Com alto rendimento de
carcaça.
 Pelagem: branca ou ligeiramente creme com grandes manchas amarelas ou vermelhas, ou
uma só grande mancha, que varia de amarelo trigo ao vermelho castanho.

Raça Hereford

RAÇA CHAROLÊS
 Origem: França
 Aptidão: produção de carne. É rústica, adapta-se bem a diferentes ambientes, é precoce,
cresce rapidamente a pasto.
 Pelagem: clara/branco com focinho rosado.

Raça Charolês

RAÇA BRAHMAN
 Origem: EUA
 Característica: é um animal grande, corpo longo, de profundidade moderada, membros de
tamanho medio a longo e dorso recto.
 Aptidão: produção de carne. Cresce bem em pastos secos e pobres e responde a criação em
feedlot.
 Pelagem: cinzenta clara mas pode ser vermelha ou preta.

Raça Brahman

RAÇA NELORE
 Origem: India
 Aptidão: animal adaptado às condições tropicais, enfrentando os períodos de seca que duram
ate 6 meses, alimentando-se de pasto de baixa qualidade. Tem uma grande superfície
corporal, precoce e produz carne de boa qualidade. É animal de bons aprumos.
 Pelagem: tem pêlos curtos, finos e lisos e a sua cor é um branco sujo.

Raça Nelore

SUMARIO: RAÇAS PARA A PRODUÇÃO DE LEITE


O tipo ideal para a produção de leite ou carne pode se definida como uma norma combinada as
características físicas que contribuem para a utilização de um animal para propósito específico. O
animal leiteiro deve apresentar as seguintes características:

 Ter pele solta (flácida);


 Não ter acúmulo de gordura no peito, dorso e anca.
 Ter úbero bem desenvolvido e pregueado quando a vaca estiver seca;
 Revelar um aspecto de feminilidade;
 Ter forma triangular;
 Ser manso.
Entre as raças leiteiras exploradas no mundo, duas são as que mais comumente se encontram em
Moçambique, designadamente a Holandesa (Holstein-Friesian) e a Jersey.

RAÇA HOLANDESA
 Origem: Holanda
 Aptidão: produção de leite. Pode atingir uma média de 6622litros numa lactação de 305 dias.
 Pelagem: animais malhados de preto e branco ou vermelho-branco, ventre e vassoura da
cauda branca. A sua pele é fina e pregueada e o seu pêlo fino e macia.

Raça Holandesa

RAÇA JERSEY
 Origem: Ilha de Jersey, Inglaterra.
 Aptidão: produção de leite. É uma das raças encontradas nos cinco continentes e actualmente
é a segunda raça leiteira mais importante do mundo. É um animal muito precoce e com alta
capacidade para ase adaptar a vários tipos de climas, de maneio e de condições geográficas. É
prolífica e tem boa conversão alimentar.
 Pelagem: cor café sumamente clara até caoba escuro. Pode existir variação.
Das raças europeias esta é a que tem maior capacidade para suportar o clima tropical húmido.

Raça Jersey

SUMARIO: RAÇAS DE DUPLO PROPÓSITO (leite e carne)


Raça Brown Swiss (Pardo Suíço)
 Origem: Suíça
 Aptidão: produção de leite e carne. Possui elevada conversão alimentar, alta fertilidade,
precocidade sexual, rusticidade e produção leiteira ate 2550 litros em lactação de 200 dias.
São animais, adequados ao pastoreio e suportam climas adversos.
 Pelagem: parda escura ou clara. Em geral, os machos são de cor mais escura que as fêmeas.
As mucosas e os cascos são negros.

Raça Brown Suiss


OUTRAS RAÇAS
Raça Angoni
São bovinos zebu de cornos curtos encontrados na Zâmbia, Malawi e Moçambique na área Sul e
Oeste do lago Niassa. São animais de tamanho pequeno, cornos curtos, a cor da pele é muito variável.
O pelo é curto, a pele é fina e pigmentada. São animais utilizados para a tracção animal, produção de
leite, carne e propósitos cerimoniais.

Raça Ngoni

Sumario: Classe de bovinos

Num rebanho os animais podem ser agrupados por classes/categorias, pelo seu estado produtivo e
reprodutivo. Assim, numa manada podemos as seguintes:

 Touro: macho bovino inteiro com mais de três anos de idade, utilizado na reprodução.
 Vaca: fémea bovina com mais de três anos de idade, utilizada para reprodução.
 Boi: bovino macho castrado com mais de três anos de idade, utilizado para o trabalho
(exemplo: tracção animal).
 Novilho (a): bovino macho ou fémea desde o desmame ate a entrada na reprodução.
 Bezerro (a): cria bovina, macho ou fémea desde o nascimento ate ao desmame.

Sumario: Escolha de um bom animal para criar

Um bom animal deve apresentar as seguintes características:


1. Macho
 Fiel ao tipo (respeite o padrão da raça).
 De rápido crescimento.
 Gerado por progenitores produtivos e saudáveis.
M
acho
2. Fémea
 Escolher novilhas com crescimento rápido.
 Que tenham estomago volumoso.
 Com extremidades fortes.
 Com ubere desenvolvido e com boa conformação.
 Proveniente de progenitores produtivos e saudáveis.
Fémea

EXERCÍCIOS
1. Fale da importância socio-económica dos bovinos em Moçambique.

2. Quais dos animais abaixo indicados consomem pastos?

a) Suínos

b) Galinhas

c) Ovinos e caprinos

d) Ruminantes

3. No seu entender, porque as pessoas criam bovinos?

4. Indique as raças de bovinos criados no nosso país. Agrupe-as em zebuinas e taurinas.

5. O que significa dizer “Raças de duplo propósito”?

7. Que características se consideram na selecção de animais leiteiros?


8. Identifique as raças leiteiras exploradas em Moçambique.
Sumario: Exterior dos bovinos e sua importância

O exterior ou ezoognósia é o estudo das formas e características exteriores dos animais domésticos,
tendo por fim o julgamento das suas aptidões.
O estudo do exterior dos bovinos tem grande importância, uma vez que nos permite diferenciar os
animais de diferentes raças. Também permite nos conhecer a sua direcção produtiva e o estado de
saúde dos animais. A distribuição e denominação das diferentes regiões do corpo são dadas nas
imagens seguintes:

Sumario: Sistemas de criação bovina


Existem vários sistemas de criação de bovinos e de pastoreio. Os sistemas de produção mais
eficientes são aqueles que optimizam:
 Os recursos energéticos
 Os recursos ambientais
 Os recursos socioecónomicos
 As práticas de maneio

Os três sistemas de criação básicos são:

Sistema extensivo
 Os animais são criados soltos no campo na quase totalidade do tempo, alimentam-se
exclusivamente de pastos.
 Sistema característico de grandes propriedades.
 O animal fica exposto a variações de clima, qualidade e quantidade de alimentos durante o
ano.
 Animais destinados, principalmente a produção de carne e peles.
 Os animais criados neste sistema são de baixa produtividade mas rústicos.
 As instalações são simples, onde os animais são recolhidos a noite ou para alguma pratica de
maneio, por de exemplo, de banho ou vacinações, etc.
 É o sistema mais utilizado no nosso país.

Bovinos na criação extensiva

Sistema Semi-intensivo
 Os animais saem das instalações para o pasto de manha e retornam a tarde para receberem um
suplemento, normalmente volumoso ou concentrado para suprir as carências do pasto.
 Sistema utlizado tanto para a produção de carne, como para a produção de leite.
 As instalações são intermediarias, entre os sistemas intensivo e extensivo, ou seja têm um
pouco mais que o sistema extensivo.
Bovinos numa criação semi-intensiva

Sistema Intensivo
 Os animais permanecem confinados durante todo o tempo, sendo acesso a uma área para
exercício e com acesso a raios solares.
 Sistema característico de pequenas e médias explorações, em especial nas regiões temperadas.
 Requer um investimento inicial e custos operacionais elevados.
 Requer mão-de-obra especializada.
 Sistema utilizado em explorações leiteiras e raro no nosso país.
 As instalações são mais e, por isso, mais caras.

Sistema de pastoreio

Na actualidade, a produção de ruminantes no


nosso país baseia-se na transformação e na
conversão do pasto em carne ou leite. Existem
muitas espécies de gramíneas e leguminosas utilizadas pelos ruminantes e, tal como outros seres
vivos adoecem e podem morrer se senão forem adequadamente tratados. Por isso, é importante que se
mantenham os pastos saudáveis para garantir um fornecimento contínuo de alimento aos animais.
Para que isso aconteça, devem-se utilizar sistemas de pastoreio que não destruam as pastagens.
Os sistemas de pastoreio mais comuns são:
 Pastoreio contínuo.
 Pastoreio rotacional ou rotativo.
 Pastoreio zero.

a) Pastoreio contínuo
É um sistema muito usado nas áreas de pastagens comunais. Todas as manhas os pastoreios levam os
animais dos currais para as áreas de pastagem, as quais são partilhadas por muitos criadores da zona.

Vantagens
 É barato criar animais desta maneira (exige vedações).
 O estrume é concentrado no curral e pode ser facilmente recolhido e utilizado.
Desvantagens
 Ervas mais palatáveis desaparecem, pois são as preferidas, e são substituídas pelas de ma
qualidade.
 Provoca erosão do solo, nos caminhos que os bovinos utilizam.
 Elevada infestação por parasitas externos e internos.
 Não permite controlar a reprodução, porque as cobrições ocorrem ao acaso no pasto.
 Consome muito tempo aos pastores e, muitas vezes, as crianças são impedidas de ir a escola.

Bovinos em pastoreio continuo

b) Pastoreio rotacional

Neste sistema, a área de pastagem é dividida em parcelas, cercadas por arame farpado. Cada cercado
possui um local para abeberamento, geralmente no centro, o que permite que os animais pastem por
toda área. Por este sistema, dois cercados podem ser usados para um rebanho, ou um rebanho é
pastoreado em 5 cercados. Em todos estes casos, os animais permanecem numa parcela, por uma ou
duas semanas, e passam a parcela seguinte.

Vantagens
 Os animais consomem todo tipo de erva.
 O pasto tem tempo para repousar e rebrotar.
 Permite o corte de pasto, em algumas parcelas, para a feitura de feno em silagens.
 Há pouca erosão do solo.
 Permite controlar e reprodução e determinar o numero ideal de animais a manter na parcela
sem degradar o pasto.
 A invasão parasitária é baixa e controlável.

Desvantagens
 É caro, devido ao custo do arame farpado e estacas para vedar e dividir as parcelas e ao
fornecimento de água por cada parcela.
Bovinos em pastoreio rotacional

c) zero (zero grazing)


Este sistema é praticado em algumas explorações leiteiras. As vacas não saiem para o pasto. Elas são
mantidas nos estábulos e a alimentação e a água são trazidos por tratadores. Neste sistema o pasto é
bem manejado e, em geral, é cultivado.

Vantagens
 Permite obter produção alta.
 É fácil controlar a reprodução dos animais.
 Os animais não afectados por parasitas internos e externos.
Desvantagens
 Requer muita mão-de-obra para o cultivo e corte de pasto para os animais.
 É um sistema dispendioso, devido ao custo de produção de pasto.
 Os animais não podem fazer exercícios.
 Os animais são propensos a doenças respiratórias devido ao confinamento.

Bovinos alimentandos em pastoreio zero Silos para grãos

Instalações e equipamentos para os bovinos


Instalações
Muitos criadores utilizam currais simples para albergar os animais a noite. Os currais podem ser
construídos de materiais locais. Rebanhos leiteiros numerosos precisam de estábulo ou parlour onde
a ordenha possa ser realizada. Essa construção pode ser feita de estacas/postes de madeira e chapas
de zinco ou capim, com comedouros e bebedouros, e stalls para conter três animais. O piso deve ser
de cimento, porque pode ser limpo com facilidade. A quantidade e tipo de construções dependem do
sistema de criação e de finalidade da exploração.

São instalações os estábulos, currais, matadouros, sala de ordenha, manga de contenção, tanques de
banho caracicidas, entre outras.

Instalações de bovinos - manga de contenção. Vacas em estábulos - (estábulos)

Equipamentos

Comedouros - são destinados a alimentação do gado com alimentos volumosos ou concentrados. Os


comedouros podem ser de simples, quando os animais só têm acesso por um lado, ou duplos, quando
os animais tem acesso a pelos dois lados. Estes podem ser construídos de diversos materiais,
nomeadamente madeira, pneu velho, cimento e outros, desde que sejam material resistente a
humidade e que as dimensões possam seguir as regras.

Bebedouros
Devem ser proporcionar entre 20 e 40 litros de água por animal, por dia. Podem ser construídos de
cimento e tijolo maciço, e a largura deve ser de 0,70 metros, para os adultos, e 0,50 para jovens.

Equipamentos de bovinos (comedouros e bebedouros)

Sumario: Medidas de higiene nas instalações bovinas

Limpeza e desinfecção