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Escultura grega (2)

Os Períodos Clássico e Helenístico


Origens e cronologia
• Período arcaico (sécs. VII e VI a.C.)
• Arcaico Primitivo (ou Dedálico) (séc. VII a.C.)
• Arcaico na Maturidade (570-530 a.C.)
• Arcaico Tardio (530-480 a.C.)
• Período Clássico (ou Século V a.C.)
• Estilo Severo (480-450 a.C.)
• ”Momento Clássico” (450-400 a.C.)
• Século IV a.C.
• Primeira fase
• Segunda fase
• Período Helenístico (330-100 a.C.)
Recordando... o Arcaico tardio (530-480 a.C.)
• As estátuas vão perdendo a rigidez esquemática dos períodos anteriores.
• Caminha-se a passos largos do idealismo para o naturalismo.
• As formas e os detalhes de Korai e kouroi complexificam-se (cabelo, vestes,
posição do corpo).
• Diversificação temática.
• Progressivo dramatismo – as figuras em ação.
• Expressão (olhar) distante ou introspetivo.
• Muitos exemplos de escultura religiosa (decoração de templos):
• Tesouro dos Snífios, em Delfos (525 a.C.)
• Frontão do Templo de Atena, mandado contruir pelos Pisístratos entre 525-520 a.C.
• Pedimentos do Templo de Afaia, em Egina (2ª versão, c. 490-480 a.C.)
Período Clássico (ou Século V a.C.)
Estilo Severo (480-450 a.C.)
• Estilo Severo / Transitório / protoclássico
• ”do arcaísmo à liberdade e à experimentação” (G. Richter)
• Vai diminuindo o predomínio da frontalidade
• Exploração de outros planos, posições, posturas, interações do corpo humano
• Denota um profundo conhecimento da anatomia humana
• Expressão de ação e sentimento
• Aumento progressivo da expressividade do olhar
• Dramatismo
• Origens do retrato (consequência do realismo da representação)
• Há contudo ainda alguma serenidade, que afasta as figuras do que serão nos
séculos seguintes
O Auriga de Delfos. Bronze. 478 / 474 a.C.

Estátua de bronze conservada. Museu Arqueológico de Delfos.

- Bom exemplo de um estilo transitório.


- Conserva algo do hieratismo da época arcaica, mas a
expressividade do rosto já é outra.
- O olhar parece estar longe (na meta).
- O realismo das pregas das vestes.
- As mãos flexionadas, as veias salientes no braço, etc.
O Trono de Ludovisi.
Roma, Museo delle
Terme.
C. 470-460 a.C.

Nascimento de Vénus
(?)

A sensibilidade das
vestes molhadas, o
rigor das pregas e a
sobreposição das
vestes, num quadro
ainda fortemente
simétrico.
Os Tiranicidas (Harmódio e Aristógito), celebrados por terem
assassinado Hiparco, filho de Pisístrato. Cópia romana de um original
grego de c. 475 a.C.

A posição do corpo sugere a ação violenta do assassinato. Um dos


primeiros exemplos de movimento e dramatismo.
Reconstrução dos pedimentos, oriental e ocidental, do Templo de Zeus em Olímpia. C. 465-457 a.C.
In: Stewart, A. F. (1990), Greek Sculpture: an exploration. New Haven.
Pedimento oriental: preparativos da corrida entre Pélops e Oinómao. Pedimento ocidental: luta dos Lápitas e
dos Centauros.
(1) Apolo (ou Zeus). Pormenor da figura central do pedimento ocidental do templo de Zeus em Olímpia. (2) Lápita e
Centauro. Pormenor do pedimento ocidental do templo de Zeus em Olímpia. Olímpia, Museu Arqueológico.
Os Bronzes de Riace. C. 460-
450 a.C.

Curiosidade: o achamento
destes bronzes no mar Jónico
pelo arqueólogo Stefano
Mariottin, durante as suas férias
em 16 de agosto de 1972, é o
contexto do filme Call me by your
name, de Luca Guadagnino
(2017).
Zeus (ou Poseidon) Artemísio. Bronze.
C. 470-450

- Um dos melhores originais gregos


conservados.
- Encontrado no fundo do mar (como os
heróis de Riace).
- O braço direito erguido, pronto a lançar
o raio (ou o tridente).
- Bom exemplo da exploração de novos
planos e composições, sem perder a
majestade harmónica do conjunto.
O Discóbulo de Townley (cópia romana) e uma
reprodução em bronze (miniatura), da Gliptoteca de
Munique, do modelo do Discóbolo de Míron. Plínio, o
Velho e Luciano de Samósata informam que o original,
em bronze, foi produzido c. 455 a.C. para um palácio de
Atenas, celebrando um atleta vitorioso no pentatlo.

Apenas este exemplar se conhece (via cópia) de entre


aqueles que os autores antigos consideravam os três
melhores escultores que : Míron, Cálamis e Pitágoras.
Temístocles. Cópia romana, de Óstia, de um original
grego de c. 450 a.C. Óstia, Museu Arqueológico.
Período Clássico (ou Século V a.C.)
”Momento Clássico” (450-400 a.C.)
• No rescaldo da vitória contra os Persas, Atenas vive uma época de
prosperidade e tem meios económicos para a reconstrução da Pártenon –
Fídias.
• Composições mais realistas, com tendência para expressar espiritualidade e
delicadeza.
• Detalhe e expressividade do rosto – aperfeiçoamento do género do retrato.
• Vestes perfeitamente representadas, flutuantes e transparentes.
• Técnica do contraposto: “alternância de membros tensos com membros
relaxados, em combinação com o torso que lhe corresponde” (M. H. Rocha
Pereira) – será muito usado no séc. IV a.C. e na escultura helenística.
• Principais representantes: Fídias, Policleto, Crésilas, Calímaco, Peónio.
Reconstrução da Acrópole e do
Areópago em Atenas, Leo von
Klenze, 1846.
Fídias e a sua equipa de colaboradores ficaram
encarregados das novas esculturas do Pártenon,
nomeadamente:

- Pedimento ocidental: a disputa de Atena e Posídon pela


cidade;
- Pedimento oriental: o nascimento de Atena;
- 92 métopas (correndo as 4 faces do templo): combate
entre Lápitas e Centauros, a Gigantomaquia, a
Amazonomaquia e o saque de Troia (?).
- Friso interior: procissão das Panateneias e os deuses.
- Estátua monumental (criselefantina) de Athena
Parthenos, no interior do templo (Atena de Ouro);
- Athena Promachos (Atena de Bronze): no exterior do
templo, celebrava a Batalha de Salamina;
- Athena Lemnia: erigida na Acrópole pelos Atenienses que
viviam em Lemnos (em bronze).

Nota: As esculturas (conhecidas por Mármores de Elgin)


foram levadas da Grécia para a Grã-Bretanha em 1806 por
Thomas Bruce (Lord Elgin), então embaixador inglês no
império Otomano.
(1) Restos do pedimento oriental do Pártenon. (2) Métopa do Pártenon (um lápita e um centauro). (3) Pormenor do friso
interior.
(1) Atena Varvakeion,
cópia romana (muito
reduzida, do séc. III d.C.)
do modelo da Athena
Parthenos de Fídias.

(2) A Atena de Nashville,


reconstrução moderna
de Alan LeQuire.
(1) Ânfora panatenaica com uma
representação de Atena da família
Promacos, c. 566-565 a.C. Museu
Arqueológico Nacional de Atenas

(2) Estátua romana arcaizante de Atena da


família Promachos, procedente da Vila
dos Papiros em Herculano. Nápoles.
Museo Archeologico Nazionale.
(1) Reconstituição da Athena
Lemnia de Fídias (c. 450-440
a.C.) por Adolf Furtwängler,
Skulpturensammlung,
Albertinum, Dresden.

(2) Cópia romana da cabeça


do suposto modelo da Athena
Lemnia (conhecida como testa
Palagi). Museo civico
Archeologico di Bologna.
Zeus Criselefantino de Olímpia,
de Fídias. C. 435 a.C. Proposta
de reconstituição (e escala) de
Quatremère de Quincy (1815).
Cópia romana do Discóforo, um original de Policleto, de
c. 440 a.C.

Policleto terá escrito, a partir desta peça, um tratado


sobre as proporções ideais (Cânon), onde terá
desenvolvido a teoria do contraposto.
A deusa Vitória desata a sandália. Do parapeito do
Templo de Atena Nike. c. 410-407 a.C.

O ondular, a sensação de movimento, a técnica do


contraposto (de Policleto) e a sugestão de transparência
nas vestes deste relevo são um dos exemplos máximos
do “momento clássico”.
Cariátides, no portal sul do Erecteion. Museu da
Acrópole, c. 420-410 a.C.
Retrato de Péricles. Cópia romana de um original de
Crésilas, de c. 440 a.C. Museus do Vaticano, inv. 269.
Século IV a.C. – Classicismo Tardio
• Primeira fase: continuidade do classicismo anterior; é por vezes difícil
distinguir entre um período e outro.
• Expressão serena
• Equilíbrio e relaxamento na postura
• Transparência das vestes e pregas agitadas
• Cefisódoto, Praxíteles.

• Segunda fase: “transição do Clássico para o Helenístico” (M. Robertson)


• A delicadeza parece substituir a serenidade impessoal da fase anterior
• Maior interesse pelo individual
• Maior humanização da arte (expressão de sentimentos disfóricos), que culminará no
Período Helenístico.
• Rostos suaves e melancólicos
• Posturas corporais mais tortas e complexas
• Vestes com transparências menos exageradas e pregas mais naturais
• Escopas, Lisipo.
Cópia romana da Eirene (a Paz), de Cefisódoto. C. 370
a.C. Munique, Glyptothek inv. 219.
(1) Afrodite (ou Vénus) Ludovisi, a partir do
original de Praxíteles, c. 350 a.C. Restauro
de uma cópia romana do séc. II d.C., por
Ippolito Buzzi. Roma, Museu Nacional, Inv.
8619.
(2) Outra cópia romana da Afrodite de Cnidos
de Praxíteles. Museus do Vaticano.

Plínio (26.20-21), considerou-a a mais bela


estátua alguma vez esculpida, tanto que “de
qualquer lado que se olhe, a admiração não é
menor”.

Note-se a utilização inédita (?) da técnica do


contraposto à figura feminina. Porque se
tratava de uma imagem de culto, foi retirada
do Templo em Cós – para onde fora esculpida
– e substituída por uma versão vestida da
deusa. Foi depois transferida para Cnidos,
onde se tornou uma atração turística.
O Rapaz de Maratona.
Original em bronze (com
restauro romano
parcial) recuperado na
Baía de Maratona, de c.
340 a.C.
(1) Hermes de Praxíteles, c. 330 a.C.
Museu de Olímpia.

“[a sua] cabeça parece banhada de


uma luz ideal.” (M. H. Rocha Pereira)
A Ménade (ou Bacante) de
Dresden. Cópia romana (séc. I
a.C.) do original de Escopas, de c.
340 a.C.
Staatliche Kunstsammlungen,
Dresden (I cent. BC)

São caraterísticas de Escopas o


estilo vertiginoso e as cabeças em
posição antinatural.
(1) Cópia romana do Desejo
(Photos) de Escopas,
restaurada como Apolo
citaredo. Musei Capitolini
MC649.
(2) Cabeça de Meleagro. Cópia
romana de um original de
Escopas, c. 340-330 a.C. British
Museum, GR1906.1-17.1.
Cópia romana do Apoxyomenos (”atleta a raspar o óleo”) de Lisipo, de c. 320 a.C.
Museu do Vaticano, inv. 1185 n.2.
Relevo romano, a partir do
Kairos (”ocasião”) de Lisipo,
de c. 350-330 a.C. Turim,
Museu de Antiguidades.
Período Helenístico (330-100 a.C.)
• Alargamento temático
• Complexidade das formas
• Representação de sentimentos eufóricos e disfóricos
• Execução realista
• Sugestão de movimento violento
• Uma arte “quase teatral” (Gisela Richter)
• Aperfeiçoamento do género do retrato
• Ressurgimento minoritário do classicismo (a partir de 200/150 a.C.): os
exemplos da Vénus de Milo e da Vitória de Samotrácia (c. 200-150 a.C.), com
o seu “sereno idealismo” (M. H. Rocha Pereira).
(1) Busto de Demóstenes, de
Polieucto. Cópia romana de
original grego (em bronze,
corpo inteiro) de c. 280 a.C.
Museu do Louvre, inv.
7462837948.

(2) Cópia romana da mesma


estátua (completa) de
Polieucto. Copenhaga, Ny
Carlsberg Glyptotek, Inv. 2782.
O Gaulês moribundo, anónimo. Cópia romana de original grego de c. 220 a.C. Roma, Museu Capitolino.
O Gaulês Ludovisi e a mulher. Cópia romana de um original
helenístico (c. 220 a.C.).
Cópia romana do Sátiro adormecido ou Fauno de Barberini,
provável original helenístico de c. 200 a.C. Glyptothek Munich inv.
218 n.2.
Busto de Eutidemo de Báctria. Cópia romana de um Dois anões, feminino e masculino, a dançar. C. 150-200
original de c. 200 a.C. Roma, Villa Albani. The National Bardo Museum, Tunes, inv. F213 + F215.

Para mais exemplares, vd:


https://www.journals.uchicago.edu/doi/pdfplus/10.1086/68
5674
Vista geral e detalhe (Atena
luta com os Gigantes) do friso
oriental do Altar dee
Pérgamo. C. 180-150 a.C.
Berlim, Museu de Pérgamo.
Vitória de Samotrácia, provavelmente de Pitócrito de Rodes. C. 180
a.C. Paris, Louvre.

Note as vestes flutuantes e transparentes e a técnica do


contraposto, próprias dos “momento clássico”.
Vénus de Milo (Afrodite de Melos), provavelmente
de Alexandre de Antioquia. C. 125-75 a.C. Paris,
Louvre.

Inicialmente atribuída a Praxíteles, dadas as suas


caraterísticas clássicas.
O descanso do pugilista,
bronze helenístico de c. 100-50
a.C. Roma, Museu das Termas.

Note a expressividade do olhar


(cansado), as cicatrizes de
combate, e as ligaduras das
mãos. Exemplo máximo do
realismo helenístico.
Laocoonte e os filhos. Grupo atribuído aos
escultores Hagesandro, Atenedoro e Polidoro. Séc.
II-I a.C.

Exemplo máximo do realismo e do dramatismo


(patético) helenísticos.

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