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Saneamento Básico

Estrutura – Perspectivas – Perfis de Empresas


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Célia de Gouvêa Franco (celia.franco@valor.com.br) Fechamento desta análise: junho de 2006.
Saneamento Básico
1 – Índice 4

2 – Apresentação 6

3 – Introdução 8

4 – Perspectivas 10

5 – Estrutura do setor 12

6 – Investimentos 17

7 – Fontes de financiamento 25

8 – Parcerias Público-Privadas (PPPs) 29

9 – Ambiente regulatório 31

10 – Principais agentes 37

11 – Cadeia produtiva 71

12 – Perfis de empresas 79

13 – Fontes de informação 172

14 – Índice de gráficos e tabelas 174

15 – Índice das empresas citadas 176


 Valor análise setorial Saneamento Básico

Índice

Apresentação................................................................6 Companhias estaduais.......................................38 Investimentos em redução de perdas......71


Introdução.......................................................................8 Grande participação..................................38 Uma vasta gama de produtos.......................71
Os desafios...................................................................8 Serviços municipais.............................................38 Canalização e acessórios...................................72
Necessidade de ampliação As formas de gestão.................................39 PVC........................................................................72
dos investimentos....................................................9 Concessionárias privadas.................................39 Principais fabricantes................................72
A importância das Parcerias Investimentos previstos..........................39 Metal.....................................................................72
Público-Privadas..............................................9 Águas de Niterói: um bom exemplo 40 Principais fabricantes................................72
Perspectivas.................................................................10 Pequenos municípios: Concreto.............................................................72
Marco regulatório: definições à vista.......10 atuação da Funasa...............................................40 Plástico reforçado........................................73
Novas oportunidades...........................................10 Os projetos.......................................................40 Principais fabricantes................................73
Parceria Público-Privada.........................10 Desempenho................................................................42 Bombas.........................................................................73
Programas de redução de perdas...... 11 Evolução da oferta de serviços....................42 Principais fabricantes................................73
Coleta e tratamento de esgotos......... 11 Água e esgoto: resultados desiguais 43 Hidrômetros...............................................................73
Concessões municipais.............................. 11 Redução do consumo de água............45 Principais fabricantes................................74
Estrutura do setor...................................................12 Forte aumento das tarifas.....................45 Equipamentos de ETA´s e ETE´s...............74
Saneamento e saúde pública.........................12 Sistema pré-pago........................................46 Principais fabricantes................................74
Características econômicas.............................13 O panorama estadual........................................... 47 Participação privada:
Água.....................................................................................13 Norte............................................................................. 47 cenário externo..........................................................75
Plano Nacional de Águas..................................14 Abastecimento de água..........................48 O modelo francês...................................................75
Metas do Milênio....................................................14 Consumo de água........................................49 A entrada na América Latina........................75
A cobrança pelo uso da água.........................15 Índices de perdas........................................49 Mercado global: US$ 400 bilhões..............75
Reúso de água..........................................................15 Coleta e tratamento de esgoto...........50 Suez.................................................................................76
Esgotos...............................................................................15 Participação privada.................................50 Vivendi...........................................................................76
Situação no Brasil..................................................16 Nordeste.......................................................................51 RWE...............................................................................76
Investimentos.............................................................17 Abastecimento de água...........................51 Bouygues-Saur.........................................................76
Necessidade de financiamento.....................17 Consumo per capita...................................52 Bechtel–United Utilities.....................................77
Investimentos federais em 2003-2005 19 Índice de perdas........................................... 53 Perfis de empresas...................................... 79
Impactos do contingenciamento.......19 Coleta e tratamento de esgoto...........54 Caer.....................................................................................80
Os recursos federais....................................19 Sudeste........................................................................54 Área de atuação....................................................80
FGTS: a principal fonte............................................20 Abastecimento de água..........................55 Estrutura.....................................................................80
Investimentos por região.................................20 Consumo per capita...................................55 Investimentos..........................................................80
Gastos por órgão....................................................21 Índice de perdas...........................................56 Caerd .................................................................................82
Programa de modernização........................... 23 Coleta e tratamento de esgoto...........56 Cobertura...................................................................82
Recursos do BID....................................................24 Participação privada..................................57 Investimentos..........................................................82
Fontes de financiamento..................................25 São Paulo...........................................................57 Caesa.................................................................................83
Restrições fiscais ao endividamento........25 Rio de Janeiro.................................................57 Cobertura...................................................................83
Principais programas...............................................26 Minas Gerais....................................................57 Desempenho.............................................................83
FGTS..............................................................................26 Espírito Santo................................................59 Investimentos..........................................................83
Pró-Saneamento....................................................26 Sul...................................................................................60 Cosama............................................................................84
FCP-SAN......................................................................27 Abastecimento de água...........................61 Processo de dissolução......................................84
BNDES..........................................................................27 Consumo per capita....................................61 Cosanpa...........................................................................86
Parceria Público-Privada..................................29 Índice de perdas............................................61 Cobertura...................................................................86
PPPs nos estados..................................................29 Coleta e tratamento de esgotos.........61 Investimentos..........................................................86
A primeira PPP em saneamento................29 Participação privada..................................61 Deas....................................................................................88
Ambiente regulatório...........................................31 Centro-Oeste............................................................ 63 Investimentos..........................................................88
Antecedentes............................................................31 Abastecimento de água..........................64 Saneatins.......................................................................89
Marco regulatório................................................. 32 Consumo per capita...................................64 Cobertura...................................................................89
A questão da titularidade.................................33 Índice de perdas...........................................64 Investimentos..........................................................90
Política tarifária......................................................33 Coleta e tratamento de esgoto...........64 Agespisa...........................................................................91
Contratos de concessão....................................34 Participação privada.................................65 Desempenho..............................................................91
Projeto de Lei 1.144/03 – 5.296/05........34 Movimentos do setor..........................................68 Cobertura....................................................................91
Pontos fundamentais................................ 35 Modernização da gestão..................................68 Investimentos...........................................................91
Titularidade..................................................... 35 Participação estrangeira..................................68 Caema............................................................................... 93
Os recursos do Sisnasa............................ 35 Isenção tributária para estrangeiros.......69 Desempenho............................................................. 93
A questão dos subsídios.......................... 35 Reposicionamento das construtoras........69 Investimentos.......................................................... 93
Críticas ao substitutivo............................36 Equipamentos: demanda reprimida.......... 70 Caern .................................................................................95
Os principais agentes...........................................37 Cadeia produtiva......................................................71 Cobertura...................................................................95
Saneamento Básico Valor análise setorial 

Desempenho.............................................................95 Desempenho...........................................................124 Desempenho.......................................................... 148


Investimentos..........................................................95 Investimentos........................................................124 Investimento......................................................... 148
Cagece.............................................................................. 97 Saneago.........................................................................126 Águas do Amazonas.......................................... 150
Cobertura................................................................... 97 Cobertura.................................................................126 Cobertura................................................................ 150
Desempenho............................................................. 97 Desempenho...........................................................126 Capacidade de produção.............................. 150
Investimentos.......................................................... 97 Investimentos........................................................127 Desempenho.......................................................... 150
Cagepa..............................................................................99 Sanesul...........................................................................129 Investimentos........................................................ 151
Cobertura...................................................................99 Desempenho...........................................................129 Citágua...........................................................................153
Investimentos..........................................................99 Investimentos........................................................129 Cobertura.................................................................153
Casal.................................................................................101 DMAE – Porto Alegre.........................................131
Investimentos........................................................153
Cobertura.................................................................101 Estrutura....................................................................131
Águas de Limeira...................................................154
Investimentos........................................................101 Investimentos.........................................................131
Cobertura.................................................................154
Compesa...................................................................... 102 Sanasa – Campinas..............................................132
Redução de perdas.............................................154
Cobertura................................................................ 102 Desempenho...........................................................132
Desempenho...........................................................154
Investimentos....................................................... 102 Investimentos........................................................132
Investimentos........................................................154
Deso.................................................................................104 SAAE – Guarulhos................................................133
Cobertura................................................................104 Investimentos........................................................133 Águas do Brasil.......................................................155
Investimentos.......................................................104 Semasa – Santo André.....................................134 Águas de Juturnaíba........................................155
Embasa..........................................................................106 Investimentos........................................................134 Águas do Paraíba................................................155
Cobertura................................................................106 DMAE – Uberlândia.............................................135 Águas de Niterói..................................................155
Desempenho..........................................................106 Desempenho...........................................................135 Águas do Imperador........................................156
Investimentos.......................................................106 Investimentos........................................................135 Investimentos........................................................156
Cedae..............................................................................109 DAERP – Ribeirão Preto..................................136 Águas Guariroba....................................................157
Cobertura................................................................109 Investimentos........................................................136 Estrutura...................................................................157
Desempenho..........................................................109 SAAE – Sorocaba..................................................137 Esgotos sanitários...............................................157
Investimentos.......................................................109 Cobertura.................................................................137 Investimentos........................................................157
Cesan................................................................................111 Investimentos........................................................137 Águas de Sorriso...................................................159
Cobertura..................................................................111 Cesama – Juiz de Fora......................................138 Cobertura.................................................................159
Desempenho............................................................111 Cobertura.................................................................138 Águas de Paranaguá.........................................160
Investimentos.........................................................111 Investimentos........................................................138 Cobertura................................................................160
Copasa............................................................................ 113 Semae – Piracicaba.............................................139 Ambient.........................................................................161
Cobertura................................................................. 113 Investimentos........................................................139 Estrutura...................................................................161
Desempenho operacional............................... 113 Semae – São José do Rio Preto............... 140 Águas de Itapema................................................162
Desempenho financeiro..................................114 Cobertura................................................................ 140 Investimentos........................................................162
Investimentos........................................................114 Investimentos....................................................... 140 CSJ....................................................................................163
Sabesp............................................................................ 115 DAE – Bauru...............................................................141 Cobertura.................................................................163
Modernização da gestão................................ 115 Cobertura.................................................................141 Caenf .............................................................................. 164
Cobertura................................................................. 115 Investimentos........................................................141 Cobertura................................................................ 164
Desempenho operacional............................... 115 Saned – Diadema...................................................142
Investimentos....................................................... 164
Desempenho financeiro.................................. 115 Cobertura.................................................................142
Coságua.........................................................................165
Investimentos........................................................ 115 Investimentos........................................................142
Investimentos........................................................165
Casan................................................................................117 DAE – Jundiaí...........................................................143
Prolagos........................................................................166
Cobertura..................................................................117 Cobertura.................................................................143
Investimentos........................................................166
Desempenho operacional................................117 Investimentos........................................................143
Ecosama........................................................................167
Desempenho financeiro...................................117 SAAE – Volta Redonda.................................... 144
Investimentos.........................................................117 Cobertura................................................................ 144 Estrutura...................................................................167
Corsan............................................................................ 120 Investimentos....................................................... 144 Investimentos........................................................167
Cobertura................................................................ 120 SAAE – Governador Valadares..................145 Sanear............................................................................169
Desempenho.......................................................... 120 Cobertura.................................................................145 Apêndice – Histórico..........................................170
Investimentos....................................................... 120 Investimentos........................................................145 Histórico..........................................................................170
Sanepar.........................................................................122 SAAE – Jacareí.......................................................146 A criação do Planasa........................................170
Cobertura.................................................................122 Investimentos........................................................146 Expansão da cobertura...................................170
Desempenho operacional...............................122 SAAE – São Carlos...............................................147 Formas de gestão................................................171
Desempenho financeiro..................................122 Cobertura.................................................................147 Gestores públicos.................................................171
Investimentos........................................................122 Investimentos........................................................147 Fontes de informação......................................172
Caesb...............................................................................124 DAAE – Araraquara............................................ 148 Índice de gráficos e tabelas........................ 174
Cobertura.................................................................124 Estrutura.................................................................. 148 Índice das empresas citadas......................176
 Valor análise setorial Saneamento Básico

Apresentação

Apresentação
O Valor Análise Setorial Saneamento Básico aborda a estrutura e o mer-
cado, as perspectivas e oportunidades de negócios, os investimentos e os
perfis das empresas públicas e privadas de saneamento básico no país.
O estudo está estruturado em duas grandes partes. A primeira traz
informações e dados gerais do setor. A segunda, os perfis das empre-
sas que nele atuam.
Na primeira parte, há dados e informações sobre a estrutura do
setor e a conjuntura atual: as transformações ocorridas, a caracte-
rização dos players, os investimentos públicos e privados, o pano-
rama nos estados e as principais fontes de financiamento, além do
fornecimento de equipamentos.
Analisa o desempenho recente do saneamento brasileiro, com base
em informações quantitativas e qualitativas, como nível de atendi-
mento em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, con-
sumo per capita de água, índices de perdas, novos projetos em desen-
volvimento e a grande demanda por investimentos do setor.
Um importante tópico abordado neste trabalho é a questão do
marco regulatório do setor. Embora ainda indefinido, a evolução
ocorrida após a apresentação de vários projetos de lei nos últimos
anos mostra que um consenso no setor parece cada vez mais próxi-
mo e já existem algumas indicações fortes nesse sentido.
Saneamento Básico Valor análise setorial 

Detalha o posicionamento dos principais agentes do setor (compa-


nhias estaduais, de serviços municipais e concessionárias privadas)
no tocante a alguns aspectos essenciais, como titularidade, política
tarifária, formas de financiamento e subsídios.
Destaca a participação privada no saneamento. Apesar da inexis-
tência de um marco regulatório no setor, a experiência acumulada em
prestação de serviços e em negociações contratuais com prefeituras
faz com que as concessões municipais se tornem atrativas para várias
empresas privadas, notadamente para as construtoras, que estão se
convertendo em importantes agentes do setor.
Um aspecto importante analisado são as regras das Parcerias Públi-
co-Privadas (PPPs), que após muitas discussões foram finalmente apro-
vadas em 2004. Com regulamentação a partir das instâncias estaduais
e municipais, elas deverão atrair muitos investimentos. As PPPs poderão
financiar investimentos de cerca de R$ 15 bilhões nos próximos anos.
A segunda parte do trabalho traz os perfis das principais empresas
que atuam no setor de saneamento no Brasil: companhias estaduais
de saneamento, de serviços públicos municipais e concessionárias
privadas. Esses perfis abordam informações como: histórico, cober-
tura, estrutura, investimentos e desempenho financeiro.
O estudo traz ainda um apêndice, no qual retrata o histórico do de-
senvolvimento do setor nos últimos anos: como ele foi estruturado nos
anos 1960, os resultados, os problemas e impasses surgidos, a crise nos
anos 1980 e o novo cenário que se desenha a partir dos anos 1990.
As informações para a confecção deste estudo foram obtidas a partir
de extensa pesquisa bibliográfica em publicações e sites nacionais e in-
ternacionais e, principalmente, por meio de entrevistas junto às princi-
pais fontes do mercado: empresários, executivos, consultores e dirigen-
tes das instituições representativas do setor.
 Valor análise setorial Saneamento Básico

Introdução

Introdução
O setor de saneamento básico brasileiro Os desafios
apresenta grandes perspectivas de crescimento No Brasil, o setor público ainda é respon-
para os próximos anos. Embora em alguns es- sável pelo atendimento de cerca de 92% dos
tados mais desenvolvidos – como São Paulo – o municípios. Desde os anos 90 tem-se tentado
serviço de abastecimento de água já esteja pró- uma reformulação do setor – com maior aber-
ximo da sua universalização e os esgotos sejam tura para as empresas privadas –, uma vez que a
coletados e tratados em um bom nível, na maio- maior parte das companhias estaduais de sane-
ria dos demais estados do país o que se percebe amento se encontra desde os anos 80 em difícil
é que o atendimento de saneamento básico é situação financeira.
ainda muito precário. Estas estatais estão com baixa capacidade de
Para melhorar tais indicadores, é consenso a realização dos investimentos necessários e com
necessidade de retomar os investimentos. E, após alto grau de endividamento, o que dificulta a to-
alguns anos de impasse quanto à regulação do mada de novos empréstimos.
setor, já se vislumbram sinais que apontam para No entanto, a entrada de empresas privadas no
um amadurecimento dos enfoques legislativos setor não se deu de forma mais significativa por
que permitirão um mínimo de horizonte de pla- conta da dificuldade de estabelecimento de um
nejamento para o saneamento brasileiro. marco regulatório que definisse as regras e garan-
Segundo o último levantamento realizado tias para a operação dos agentes econômicos.
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís- Também afetou negativamente uma oposição
tica (IBGE), divulgado em 2002, apenas 52,2% pública quase generalizada que se gerou em tor-
dos municípios brasileiros são atendidos por no do tema, quando se aventou a possibilidade de
rede de esgotos, que atinge apenas 33% dos do- venda de estatais do saneamento, como a Sabesp,
micílios do país. Além disso, três quartos dos nos mesmos moldes das privatizações realizadas
domicílios despejam esgoto sem tratamento em outros setores como telecomunicações.
em rios, lagos e praias. No cerne de toda a discussão que perdura há
Segundo a Secretaria Nacional de Saneamento mais de dez anos e que entrava a definição de um
Ambiental (SNSA, ligada ao Ministério das Cida- marco regulatório para o setor está a questão da
des), 60 milhões de brasileiros não têm coleta de titularidade dos serviços de saneamento, que
esgoto e 15 milhões vivem sem água encanada. pela Constituição brasileira pertence aos municí-
Numa comparação feita com os dados de pios; mas que, na realidade, foi transferida às con-
2000, com a expressiva parcela da população sem cessionárias estaduais no planejamento do setor
acesso a rede de esgoto (52,5%), o Brasil é supera- realizado nos anos 70.
do por países sul-americanos como Chile (22,9%, Atualmente, muitos desses contratos de con-
o melhor das Américas), Colômbia (39,8%), Vene- cessão estão vencidos ou por vencer (ou, em muitos
zuela (41,6%), Peru (47,3%) e Argentina (51,3%). casos, nem sequer chegaram a ser contratados).
Saneamento Básico Valor análise setorial 

Esse impasse jurídico tem emperrado o desen- A importância das Parcerias


volvimento do setor nos últimos anos, reduzindo Público-Privadas
sobremaneira os investimentos tão necessários. Outro ponto importante para o setor são as
Segundo estudos da Associação Brasileira para o regras das Parcerias Público-Privadas (PPPs), que
Desenvolvimento das Indústrias de Base (Abdib), se após muitas discussões foram finalmente aprova-
for seguido o ritmo dos investimentos realizados das em 2004. Com regulamentação a partir das
nos últimos dez anos (entre 1996 e 2005), o Brasil instâncias estaduais e municipais, elas deverão
levará mais 60 anos para garantir saneamento bá- atrair muitos investimentos nos próximos anos.
sico para sua população (não considerando o seu Em Minas Gerais, por exemplo, já existe um
crescimento demográfico no período). modelo de PPP no qual a Companhia de Sanea-
A estimativa leva em conta o histórico de in- mento de Minas Gerais (Copasa) está modelan-
vestimentos em saneamento básico de operado- do uma proposta de parceria para áreas de bai-
res privados e administrações públicas – União, xo desenvolvimento urbano. Outras estatais,
estados, municípios e autarquias. Se considerado como a Sabesp (SP), a Embasa (BA) e a Caern
somente o ritmo médio anual de gastos da União (RN), também estão desenhando os seus proje-
com o setor, o tempo de espera para a universali- tos de PPP.
zação dos serviços saltaria para 296 anos. Anunciado em 2004, o primeiro projeto da
Copasa visa beneficiar dez cidades do Vale do Je-
quitinhonha. Trata-se de um modelo de subcon-
Necessidade de ampliação cessão no qual as empresas privadas investem e
dos investimentos cobram tarifas da população. Se a tarifa for maior
A Abdib calcula que, em 2005, o governo fede- do que a cobrada pela Copasa, a companhia fará
ral investiu o equivalente a 0,04% do PIB – R$ 664 uma complementação, em forma de subsídio.
milhões – em projetos de saneamento, repetindo O projeto da Sabesp, apresentado em março
praticamente o desempenho registrado nos dois de 2006, representa um negócio no valor de R$
anos anteriores, quando as aplicações no setor 1,3 bilhão. É voltado para obras de melhorias e
atingiram 0,04% e 0,03%, respectivamente, de ampliações do Sistema Produtor do Alto Tietê,
toda a riqueza nacional. Segundo a entidade, en- que é responsável pelo atendimento de cerca de
tre 2003 e 2005 os investimentos federais para a 15% dos 18 milhões de habitantes da região me-
ampliação da rede de água e esgoto foram os mais tropolitana de São Paulo. A previsão da empresa
baixos desde 1996. é de que o contrato, que terá duração de 15 anos,
O governo federal, por meio da Secretaria Na- seja assinado ainda em 2006.
cional de Saneamento Ambiental (SNSA) – criada Essas empresas pertencem ao bloco das compa-
para centralizar as políticas de saneamento do nhias estaduais, que juntas detêm cerca de 75% dos
governo, antes dispersas entre vários ministérios serviços no setor de saneamento. Estaduais como a
e departamentos –, alega que, se não houve au- Sabesp e a Copasa desfrutam de boa situação finan-
mento quantitativo, ao menos a qualidade dos in- ceira e capacidade de investimento, mas isso não
vestimentos melhorou, dada a maior fiscalização constitui regra entre essas companhias. Juntas, elas
dos gastos efetivos. possuíam (em 2004) uma dívida da ordem de R$ 16
No geral, os gastos com saneamento atin- bilhões – grande entrave para novos créditos.
giram 0,22% do PIB em 2005. De acordo com a O setor conta ainda com cerca de 60 empresas
Abdib e a Associação das Empresas Estaduais de privadas, que obtiveram concessão na década de
Saneamento (Aesbe), são necessários aportes de 1990. Tais companhias assinaram contratos com-
0,63% do PIB, ao longo de 20 anos, para que ocorra prometendo-se a investir R$ 3,2 bilhões em 25
a universalização no saneamento básico. anos, segundo informações da Associação Brasi-
Nesse prazo, as aplicações no setor teriam de leira das Concessionárias (Abcon).
somar pelo menos R$ 200 bilhões, valor superior Além dessas empresas, o setor dispõe dos ser-
ao projetado pelo governo em estudo realizado em viços públicos municipais – ligados às prefeituras
2003 (R$ 178 bilhões). Nesse estudo do Ministério municipais por meio de autarquias ou sociedades
das Cidades, projetava-se a necessidade de investi- de economia mista –, que somam mais de 1,6 mil
mentos anuais equivalentes a 0,45% do PIB. empresas em todo o país.
10 Valor análise setorial Saneamento Básico

Perspectivas

Perspectivas
O marco regulatório do setor de saneamento No entendimento dos juízes, não existe sobe-
básico ainda não se encontra definido. A expec- rania municipal plena no caso de redes interde-
tativa é de que ocorram avanços em 2006, com a pendentes, ou seja, as decisões e ações referentes
possível (mas ainda incerta) aprovação do rela- à organização e à forma de prestar os serviços de
tório do Projeto de Lei nº 5.296/05, após anos de abastecimento de água e coleta de esgoto devem
impasse no setor. ser tomadas por um colegiado do qual partici-
Independentemente de sua aprovação imedia- pem todos os municípios envolvidos.
ta ou não, existem alguns indícios fortes de que
essa longa discussão se aproxima do seu final. Novas oportunidades
Também contribuem para a sinalização de uma
Marco regulatório: definições à vista nova fase do setor as parcerias público-privadas, que
Uma sinalização nesse sentido foi a primeira ro- estão saindo do papel e tendem a estimular forte-
dada de pareceres manifestada em março de 2006, mente a participação da iniciativa privada no setor.
no Supremo Tribunal Federal (STF), em deixar o Na mesma linha, a experiência das conces-
controle sobre saneamento com os municípios. sionárias privadas nos últimos anos às voltas
Em julgamento parcial de duas ações dire- com contratos mal elaborados, dificuldades de
tas de inconstitucionalidade (Adins), os três relacionamento com prefeituras e outras adver-
ministros que definiram posição indicaram a sidades fez com que estas adquirissem maior ex-
tendência do STF de derrubar as leis estaduais periência e know-how para planejarem os seus
que atribuem aos estados a competência para investimentos e negócios nos municípios.
decidir sobre a prestação dos serviços de sa- O ideal seria que as regras já estivessem cla-
neamento básico em regiões metropolitanas e ramente definidas, mas a experiência acumulada
outras áreas onde um mesmo sistema atenda a nos últimos anos já permite às empresas elabo-
dois ou mais municípios. rarem contratos que minimizem, na medida do
Para os ministros, mesmo nessas regiões, a ti- possível, os riscos políticos envolvidos e a ainda
tularidade é dos municípios. Em junho de 2006, incerta regulação do setor.
restavam ainda os pareceres de mais oito minis- Nesse cenário mais maduro, vislumbram-se algu-
tros, o que não credenciaria os pareceres de mar- mas oportunidades centrais para o desenvolvimento
ço como uma tendência definitiva, mas, sim, uma do setor nos próximos anos e para os agentes econômi-
sinalização do entendimento da matéria. cos a ele relacionados, conforme abordados a seguir.
Tal decisão não significa, no entanto, que as
capitais e outras grandes cidades que já tentaram Parceria Público-Privada
tirar os serviços das companhias estaduais em A lei de Parceria Público-Privada já foi sanciona-
seus territórios – a exemplo de São Paulo – pode- da pelo governo federal e regulamentada em vários
rão implementar decisões isoladas. estados, como São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Saneamento Básico Valor análise setorial 11

A implantação de projetos de saneamento por Na atualidade, várias companhias de sanea-


meio das parcerias público-privadas representa mento têm projetos de construção de esgotos. Ape-
uma alternativa real para o desenvolvimento do nas a Copasa (MG) tem previsto investimentos em
setor. Isso pois não está limitada por restrições torno de R$ 400 milhões. Serão construídas seis
orçamentárias e pelo contingenciamento de cré- Estações de Tratamento de Esgoto (ETE´s) apenas
dito ao setor público, uma vez que é a iniciativa na região metropolitana de Belo Horizonte.
privada que aporta recursos. Uma outra fonte adicional que começa a se
Sob a perspectiva do investidor privado, as materializar é a construção de ETE´s a partir de
PPPs podem suprir parte das incertezas regula- recursos provenientes da cobrança pelo uso da
tórias ainda existentes, podendo se prever cla- água. Nesse sentido, o município de Jacareí (SP)
ramente, no contrato de PPP, a remuneração de foi o primeiro a construir uma ETE com recursos
investimento, as metas de universalização e os da cobrança pelo uso da água do Rio Paraíba.
demais índices de performance aplicáveis. Resultado da parceria entre a prefeitura do
O PPA (Plano Plurianual 2003-2007), elabo- município, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e
rado pelo governo federal, contemplava inicial- Esgoto) e a empresa VCP (Votorantim Celulose e
mente a participação privada em projetos de R$ Papel), com investimentos da ordem de R$ 2 mi-
19,7 bilhões na área de saneamento. lhões, o SAAE utilizou repasse da Agência Nacio-
nal de Águas (ANA), proveniente de arrecadação
Programas de redução de perdas do Ceivap (Comitê para Integração da Bacia Hi-
A média de perdas físicas das companhias drográfica do Rio Paraíba do Sul).
de saneamento brasileiras é da ordem de 40%
(um parâmetro razoável, segundo especialis- Concessões municipais
tas, seria de 20%). A despeito da indefinição quanto ao marco regu-
Os investimentos em redução de perdas tra- latório, existe grande número de municípios que de-
duzem-se em aumento de receitas no curto prazo têm a concessão dos serviços de saneamento básico.
e na conseqüente melhora da eficiência econômi- Pela Lei de Concessões de 1995, as cidades po-
ca da companhia. dem transferir a prestação dos seus serviços de
A cadeia de equipamentos, consultorias e de tratamento de esgoto e água para o setor privado,
serviços de gerenciamento de sistemas possui por meio do sistema de concessão. Não se trata de
grande potencial nesse mercado. Praticamente uma privatização com venda de ativos.
todas as companhias de saneamento do país pos- A experiência positiva de alguns municípios
suem, em maior ou menor grau, programas de como Limeira e Ribeirão Preto (ambos no interior
redução de perdas. Empresas como a Sabesp cos- do estado de São Paulo) mostra que existe espaço
tumam destinar cerca de 16% de seu orçamento para a atuação da iniciativa privada no setor.
para a realização de investimentos nessa área. O Brasil possui mais de 5,5 mil municípios,
225 dos quais possuem mais de 100 mil habi-
Coleta e tratamento de esgotos tantes, número que, em tese, já permitiria escala
Apenas 12% dos esgotos produzidos no Brasil para uma operação privada.
são tratados. Com a declarada preocupação do Em levantamento realizado pelo Sistema Na-
governo federal de dirimir esse déficit – consubs- cional de Informações sobre Saneamento (SNIS),
tanciada na meta de se atingir ao menos 50% de junto a 1.024 municípios brasileiros (18,4% do to-
atendimento –, os fornecedores de equipamen- tal), detectou-se que uma parcela de 13,8% (equi-
tos utilizados no tratamento de esgotos (desde valente a 141 municípios) terá os seus contratos
estações completas a equipamentos específicos) de concessão vencidos entre 2005 e 2009. Destes,
devem experimentar grande crescimento de sua cerca de 40 municípios possuem população supe-
demanda nos próximos anos. rior a 100 mil habitantes.
12 Valor análise setorial Saneamento Básico

Estrutura do setor

Estrutura do setor
As atividades no saneamento ambiental com- Saneamento e saúde pública
preendem ações, sistemas, instalações e equipa- Antes de ser um setor com grande importân-
mentos voltados ao abastecimento de água, es- cia econômica, o objetivo primordial do sanea-
gotamento sanitário, coleta e disposição de lixo, mento é o impacto positivo que ele gera sobre a
controle de vetores, drenagem, recuperação de saúde pública. Os investimentos nesse setor aca-
áreas degradadas, manejo integrado de bacias e bam economizando gastos posteriores com tra-
redução da poluição e educação sanitária. tamento com saúde. A Organização Mundial da
O saneamento básico abrange o abastecimen- Saúde (OMS) estipula que, “para cada US$ 1 gasto
to de água tratada e o esgotamento sanitário em saneamento, são economizados US$ 4 com
– a coleta de esgoto e seu tratamento. Apenas nos tratamentos médico-hospitalares”.
últimos anos é que se vem notando o esforço de Dessa forma, o investimento em projetos de sa-
integrar às iniciativas de atuação em saneamento neamento reduz a ocorrência de doenças ao atuar
básico a problemática da coleta, tratamento e dis- na sua prevenção. Ou seja, as políticas e projetos
posição final de resíduos sólidos. nesse setor têm efeitos potenciais sobre a saúde ao
O saneamento básico constitui-se em um ser- atuarem sobre os processos geradores de ocorrên-
viço essencial para o bem-estar da população e cia ou sobre os determinantes das doenças.
está diretamente relacionado às suas condições As intervenções de saneamento, ao propicia-
de saúde pública. Além disso, nas últimas déca- rem melhorias nos níveis de higiene dos indiví-
das ganhou um ingrediente a mais. A percepção duos e do seu contexto, reduzem o contato das
da escassez de água em vários pontos do mundo populações com grande variedade de vetores,
tornou evidente a necessidade de uma adminis- reservatórios e veículos inanimados de agentes
tração sustentável do recurso. patogênicos e, assim, diminuem as chances de
O setor tem forte impacto em outros segmen- transmissão de diversas doenças.
tos indispensáveis à economia de um país. É in- Tanto o abastecimento de água quanto a co-
tegrante de uma extensa cadeia produtiva que leta e tratamento de esgotos causam impactos
engloba de prestadores de serviços a produtores positivos na qualidade de vida das pessoas. O
de máquinas e equipamentos. tratamento de água remove contaminantes,
Com tal dinâmica, o saneamento básico tem um tornando-a adequada para o consumo huma-
importante papel como catalisador de investimentos no em condições de potabilidade. Portanto, ter
e, via de regra, sobre o crescimento e desenvolvimen- acesso à água potável é uma condição essencial
to econômico do país. Desta forma, uma abordagem para a sobrevivência.
integrada do setor envolve temas que vão da escas- A melhoria das condições de esgotamento sa-
sez e cobrança da água, passam pelos seus impactos nitário reflete em benefício direto à saúde, como,
sobre a saúde e atingem aspectos administrativos por exemplo, na redução da incidência de diar-
como gestão pública e privada do recurso. réias. As instalações sanitárias sem destino ade-
Saneamento Básico Valor análise setorial 13

quado do esgoto, por sua vez, constituem-se em configuração peculiar. A duplicação – tanto para
fator de risco para a disseminação da cólera. abastecimento de água como para coleta e tra-
Os investimentos em programas ou projetos de tamento de esgotos – da rede para o aumento de
saneamento, ao propiciarem água facilmente aces- agentes concorrentes nesse setor implica custos
sível, além de meios mais adequados para coleta e fixos bastante elevados, o que praticamente in-
disposição de esgotos sanitários e resíduos sóli- viabiliza a atividade simultânea de dois ou mais
dos, elevam a qualidade e influenciam no modo players num mesmo local, como ocorre, por
de vida das populações beneficiadas, acarretando exemplo, na área de telecomunicações.
efeitos positivos sobre o seu bem-estar e saúde. Dessa forma, o setor caracteriza-se pelo mo-
Nos últimos anos, os projetos de saneamento nopólio natural. A experiência internacional tem
têm saído de sua concepção sanitária clássica, re- mostrado, com algumas poucas exceções, que a
caindo em uma abordagem ambiental. Além de sua realização pelo poder público se constitui num
promover a saúde do homem, visa à conservação meio natural para o suprimento de tais serviços.
do meio físico. A alta emissão de dejetos sem tra- No Brasil, os serviços de saneamento ainda
tamento em rios e córregos conduz a uma degra- são predominantemente conduzidos pelo setor
dação do próprio meio ambiente. público, num cenário dominado pelas compa-
No tocante ao aspecto propriamente ambiental, nhias estaduais de saneamento criadas pelo Pla-
o sistema de esgotamento sanitário, apesar dos be- no Nacional de Saneamento (Planasa) no início
nefícios à saúde pública, pode trazer também im- dos anos 1970 e também pelos serviços munici-
pactos negativos quando da sua implementação. pais, controlados pelas prefeituras.
O principal aspecto negativo desse tipo de sis- No entanto, em diversos países – principal-
tema (além de possíveis vazamentos) é a concen- mente nos subdesenvolvidos –, a crise fiscal dos
tração da poluição nas redes coletoras. Caso não Estados dificulta a realização dos investimentos
possua tratamento adequado, o sistema de esgo- necessários. No caso brasileiro, essa dificuldade
tamento sanitário poderá conduzir a uma dete- é patente: desde a década de 1980 os investimen-
rioração do corpo receptor (rios, lagos, lagoas, tos realizados pelo setor público têm se situado
represas, enseadas, baías e mares), inviabilizar a em um patamar abaixo do mínimo preconizado
vida aquática e ainda prejudicar outros usuários para que o abastecimento de água e, principal-
da água ou outras espécies de animais e vegetais. mente, a coleta e tratamento de esgotos atinjam
Além de coletar o esgoto, é necessário tratá- níveis aceitáveis.
lo para que o seu impacto no meio ambiente seja Sob tal perspectiva, para a ampliação do aces-
minimizado. Ampliar a cobertura de coleta e so dos consumidores aos serviços de saneamen-
tratamento de esgotos é um dos maiores desafios to têm-se buscado nos últimos anos a criação de
nos países em desenvolvimento. mecanismos e regras de atuação que permitam a
entrada mais intensa de capitais privados no se-
Características econômicas tor de saneamento básico, como será detalhado
Em relação aos seus aspectos econômicos, o nesta Análise Setorial.
saneamento tem como característica mais mar- A maior participação do setor privado esbar-
cante a presença de custos fixos elevados, com ra, no entanto, na inexistência de um marco regu-
prazos longos de retorno dos investimentos reali- latório para a sua atuação no saneamento. Anti-
zados; ou seja, o alto montante investido deman- gas disputas entre os estados e os municípios pela
da longos prazos de maturação. titularidade das águas dificultam a definição das
Além disso, as empresas do setor possuem regras para a atuação das empresas no setor.
pouca margem de manobra para reduzir seus
custos, o que dificulta o aumento de sua eficiência
produtiva. Por conta disso, nas companhias que
possuem uma boa gestão, a redução de perdas de
ÁguaEmbora cerca de 70% da superfície do pla-
água é um dos principais focos para o aumento neta seja coberta por água, a sua escassez é um
da sua eficiência. problema a cada dia mais preocupante em mui-
Com tais características, a forma de concor- tas regiões e países. A maior parte do recurso
rência no mercado de saneamento assume uma (97,5%) encontra-se nos oceanos; dos 2,5% res-
14 Valor análise setorial Saneamento Básico

tantes, 1,75% encontra-se nas calotas e geleiras todas elas, a demanda por recursos hídricos
polares. Ou seja, apenas 0,75% está disponível na responde por mais de 10% da disponibilidade
superfície e em aqüíferos. dos rios que as compõem.
Apesar de tais proporções, a água ainda exis- O caso mais grave é o da região Atlântico
te em quantidade suficiente para a sua utilização Nordeste Oriental, que se caracteriza pela baixa
pela população. O problema é que o intenso ritmo vazão dos seus cursos d’água. Ela engloba todo
de deterioração de suas fontes, por conta do cres- o Rio Grande do Norte, partes do Ceará, Alagoas
cimento e diversificação de atividades agrícolas, e Sergipe e quase todo o território da Paraíba. A
aumento da urbanização e intensificação de ati- relação entre demanda e disponibilidade hídrica
vidades humanas nas bacias hidrográficas, acaba chega a 144% – ou seja, não há água suficiente.
colocando em risco a sua disponibilidade futura. A ANA também considera crítica a situação
No Brasil, especificamente – que concentra em nas regiões Atlântico Leste, que englobo Salva-
torno de 12% da água doce superficial do planeta dor, e Atlântico Sul, que cobre a cidade de Porto
–, as formas de utilização e má gestão da água, em Alegre. A relação entre demanda e disponibilida-
especial nas regiões densamente urbanizadas, de atinge 21% e 38%, respectivamente.
trazem conseqüências graves sobre a sua quali- A situação também é descrita como preocu-
dade e resultam em perdas de água em condições pante na região hidrográfica do Uruguai, que
adequadas para o abastecimento da população. abrange o oeste do Rio Grande do Sul e de Santa
É nesse contexto que se torna imprescindível Catarina, e no Atlântico Sudeste, que inclui o Rio
o uso racional da água, estimulando o seu con- de Janeiro e a Baixada Santista.
sumo de forma sustentável. Isso passa por ques- No primeiro caso, os resíduos oriundos da
tões como o uso consciente, o reúso de água, os criação de animais (principalmente porcos) afe-
investimentos em redução de perdas e, também, tam a qualidade da água. No segundo, a maior
a cobrança pelo seu uso. Iniciativas nesse sentido preocupação é com o impacto da invasão de áreas
já estão sendo conduzidas em várias regiões do de mananciais.
Brasil e em nível mundial. Debatido ao longo dos últimos três anos, o
plano é pioneiro na América Latina. Com ele, o
Plano Nacional de Águas Brasil tentará alcançar um dos objetivos das Me-
Seguindo tal linha de atuação, em 2006, o tas do Milênio da ONU.
governo federal brasileiro lançou o seu Plano Na-
cional de Recursos Hídricos (PNRH), no qual es- Metas do Milênio
tabelece diretrizes e políticas públicas para o uso De acordo com as Metas do Milênio, ratificadas
racional da água até 2020. em 2002 por 191 países membros da Organização
Também conhecido como Plano Nacional de das Nações Unidas (ONU), os países têm até 2015
Águas, o PNRH aborda questões como o uso sus- para reduzir à metade a proporção de pessoas sem
tentável na indústria, agricultura, setor elétrico, acesso à água de boa qualidade para beber.
saneamento e pelo próprio cidadão. Por conta disso, a recuperação da qualidade
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos da água é um dos maiores desafios da gestão de
(CNRH) dividiu hidrograficamente o país nas re- recursos hídricos, não apenas por questões am-
giões Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico bientais, mas de saúde pública e de qualidade
Nordeste Ocidental, Parnaíba, Atlântico Nordeste de vida. Entre as medidas que podem ajudar o
Oriental, São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico país a cumprir as metas estão os investimentos
Sudeste, Atlântico Sul, Uruguai, Paraná e Paraguai. em saneamento.
Embora seja considerado um país rico em ter- Entre os recursos do governo federal desti-
mos de posse de água, em cinco das 12 regiões nados ao saneamento está o dinheiro arrecada-
hidrográficas brasileiras, a situação é descrita do pela ANA por meio da cobrança pelo uso e
como preocupante, crítica ou muito crítica pela poluição da água das bacias hidrográficas sob a
Agência Nacional de Águas (ANA). responsabilidade da União. A taxa é paga pelos
Nessas cinco regiões, a escassez de água grandes usuários de águas, como propriedades
para atender o consumo humano, agropecu- que utilizam a água para irrigar as plantações e
ário e industrial atinge níveis alarmantes. Em grandes indústrias.
Estrutura do setor Saneamento Básico Valor análise setorial 15

A cobrança pelo uso da água e celulose. Há também a possibilidade de forneci-


A cobrança pelo uso da água está prevista mento da água reciclada para outros segmentos.
na Lei 9.433/97, que a definiu como um dos ins- Algumas prefeituras já utilizam a alternativa
trumentos de gestão dos recursos hídricos. Pos- para a limpeza de ruas, pátios, irrigação e rega de
teriormente, a Lei 9.984/2000, que instituiu a áreas verdes, desobstrução de rede de esgotos e
ANA, atribuiu a essa Agência a competência para águas pluviais e limpeza de veículos.
implementar, em articulação com os Comitês de O tratamento do esgoto permite ainda a
Bacia Hidrográfica, a cobrança pelo uso dos re- transformação de grande parte do esgoto tratado
cursos hídricos de domínio da União. nas cidades em um rico adubo para plantações
Na esfera estadual, atualmente 24 estados e agrícolas. Esse fertilizante é produzido a partir
o Distrito Federal já aprovaram suas Leis sobre do lodo, que é a parte sólida resultante do proces-
Política e Sistema de Gerenciamento de Recursos so de tratamento.
Hídricos. Todas as leis já aprovadas incluíram a Esse material, rico em microorganismos, passa
cobrança pelo uso dos recursos hídricos como por diversos tratamentos e controles de qualidade,
instrumento de gestão. que garantem a sua higienização e eficácia para
Mais do que gerar recursos financeiros, a co- ser utilizado como fertilizante. Tal adubo é rico em
brança pela água tem o intuito de estimular o seu matéria orgânica e nutrientes, como nitrogênio e
consumo racional, seguindo o conceito da ecoefi- fósforo, essenciais para o desenvolvimento das
ciência. Um de seus pilares é a utilização criterio- plantas e para obtenção de boa produtividade.
sa dos insumos na produção econômica. E a água
é um dos insumos mais importantes.
Atualmente duas bacias administradas pela
União já fazem a cobrança: a bacia do Paraíba do
Esgotos
A falta de esgotamento e destinação final dos
Sul, que envolve os estados de Minas Gerais, Rio resíduos, tanto domésticos quanto industriais,
de Janeiro e São Paulo; e a bacia do Piracicaba, tem provocado inúmeros problemas ambien-
que envolve São Paulo e Minas Gerais. Juntas, elas tais, que vão desde a poluição de mananciais até
arrecadam mais de R$ 20 milhões por ano. o ressurgimento de epidemias até então consi-
Os recursos são aplicados nas próprias regiões deradas controladas.
que pagam pelo uso da água, prioritariamente no Paralelamente a isso, a contaminação de rios
saneamento dos rios. Como as bacias se encon- e lagos tem contribuído para agravar o problema
tram com um nível de poluição muito elevado, es- da escassez de água em grandes cidades e com-
ses recursos têm sido utilizados para tentar resol- prometido a qualidade da água disponível para
ver a questão do saneamento. Para isso, investem captação em parte dos rios e lagos.
em novas Estações de Tratamento de Esgoto nos A qualidade da água está intimamente ligada
municípios e ampliam as redes de coletas, com o ao saneamento global do ambiente. As descargas
intuito de recuperar os rios. das águas residuais sem tratamento adequado,
domiciliares ou industriais, das atividades agrí-
Reúso de água colas e de todos os outros usos da água afetam
Em 2006, a Organização das Nações Unidas diretamente a qualidade da água utilizada no
(ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) consumo humano.
lançaram um programa de incentivo à reutiliza- Os efeitos desses despejos inadequados sobre a
ção da água tratada, antes que esta seja devolvida saúde pública se dão essencialmente por meio da
aos rios, lagos e mares. A água, defendem, pode contaminação das águas, as quais podem gerar e
ser usada para inúmeros fins não-potáveis, como propagar doenças de vários graus de gravidade,
a geração de energia, a refrigeração de equipa- dependendo do estado de saúde do indivíduo, da
mentos, a irrigação, a limpeza pública, além da idade e das condições gerais de higiene. Segundo a
utilização industrial. Organização Pan-Americana de Saúde e a Organiza-
Os principais processos industriais que per- ção Mundial de Saúde (OMS), dois tipos principais
mitem o uso de água reciclada são os de produtos de poluição podem afetar a qualidade da água:
de carvão, petróleo, produção primária de metal, a) Efeitos ligados à contaminação bacterioló-
curtumes, indústrias têxteis, químicas e de papel gica – numerosos microorganismos, nomeada-
16 Valor análise setorial Saneamento Básico Estrutura do setor

mente os de origem animal ou humana, podem À parte os efluentes industriais, a composição


ser os responsáveis por doenças transmitidas por dos esgotos é quase constante: 99,9% de água pura
intermédio da água. As perturbações originadas e 0,1% de impurezas: físicas, que alteram a carac-
por esses germes são freqüentemente de gravida- terística física da água (cor, odor, temperatura) e
de moderada, mas podem chegar à gravidade. partículas insolúveis químicas, substâncias orgâ-
A descarga de águas residuais contaminadas nicas (proteínas, gorduras, hidratos de carbono,
por pessoas doentes ou portadores saudáveis, mas detergentes, defensivos agrícolas) e minerais so-
patógenos (que têm o germe mas não apresentam lúveis (enxofre, metais pesados) e nutrientes (ni-
a doença) próxima às fontes de água constitui a trogênio e fósforo); e biológicas.
principal causa da contaminação microbiológica As impurezas biológicas são aquelas representa-
dos recursos hídricos. das pelos seres vivos liberados junto com os dejetos
b) Efeitos ligados à ingestão de resíduos quí- humanos: bactérias, vírus, vermes, protozoários.
micos, minerais ou orgânicos – mesmo em pe- De acordo com pesquisa do IBGE, de 2002,
quenas quantidades, esses resíduos podem gerar apresentada no Plano Nacional de Recursos Hí-
riscos a longo prazo. Entre os riscos, o do cancro é dricos, 47,8% dos municípios não coletam nem
o mais temido pelas populações, embora seja em tratam os esgotos. Entre os 52,2% dos municípios
geral relativamente limitado. que têm o serviço de coleta, 20,2% coletam e tra-
tam o esgoto coletado e 32% só coletam.
Situação no Brasil O PNRH ressalta que os maiores poluidores
Nas últimas décadas, o Brasil apresentou me- não são aqueles que não têm acesso ao tratamen-
lhoras substanciais em relação à distribuição de to de esgoto. O problema estaria na falta de preci-
água. Mas o mesmo não ocorreu no tocante à co- são dos tratamentos realizados no país.
leta e tratamento de esgotos. A maior fonte de poluição das águas por esgo-
Segundo a ANA, o lançamento de esgotos do- tos não está relacionada à parcela da população
mésticos nos corpos hídricos é o principal proble- sem rede coletora e sim àquela com rede, incluin-
ma de qualidade das águas. A construção de Esta- do parte da que tem tratamento.
ções de Tratamento de Esgoto é um dos desafios do Entre os distritos que possuem coleta de esgo-
Brasil para melhorar a questão hídrica no país. to sanitário, pouco mais de um terço trata o esgo-
Diversos tipos de despejos compõem o que de- to sanitário (33,8%). O restante (66,2%) não dá ne-
nominamos de esgotos: o doméstico (efluentes de nhum tipo de tratamento ao esgoto produzido.
vasos sanitários, cozinhas, chuveiros etc.), o pro- Nesses distritos, o esgoto é despejado in natu-
duzido em áreas comerciais (restaurantes, hotéis, ra nos corpos de água ou no solo, comprometen-
aeroportos etc.), o de área institucional (serviços do a qualidade da água utilizada para o abasteci-
de saúde, escolas, repartições públicas etc.) e os mento, irrigação e recreação.
despejos industriais (oriundos dos processos espe- Do total de distritos que não tratam o esgo-
cíficos de cada segmento da produção industrial). to sanitário coletado, a maioria (84,6%) despeja
Em uma conceituação mais precisa, cha- o esgoto nos rios. Nas regiões Norte e Sudeste, as
mam-se de esgotos sanitários às águas servidas mais pobres do país, o número sobe para 93,8% e
oriundas de residências, instituições e edifícios 92,3%, respectivamente.
comerciais. Os efluentes da atividade industrial A baixa eficiência e a precária operação dos
são denominados esgotos industriais. serviços de esgotamento são as causas principais
De maneira geral, a produção de esgotos está para os resultados pífios ainda encontrados no
intimamente ligada ao consumo de água. Em tor- país. Trata-se de um segmento que precisará cres-
no de 60% a 80% do consumo de água é converti- cer muito nos próximos anos para se atingir um
do em esgotos. nível de atendimento razoável.
Saneamento Básico Valor análise setorial 17

Investimentos

Investimentos
Os investimentos no setor de saneamento bá- O impasse jurídico em torno da titularidade
sico têm forte impacto social. As estatísticas da dos serviços e da constitucionalidade dos chama-
Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram dos subsídios cruzados, por meio do qual se ope-
que o acesso a água tratada e rede de esgoto reduz raria uma transferência de recursos entre uma
em até 80% a incidência de febre tifóide e em 50% região e outra (processo que é utilizado pelas
os casos de diarréia e infecções gastrintestinais. companhias estaduais), tem dificultado a realiza-
Além disso, as obras de saneamento consti- ção de investimentos, o que deixa de atrair novos
tuem-se em uma importante fonte de criação de agentes para o setor.
empregos, pois geralmente são realizadas em Na crise dos investimentos, evidencia-se ain-
regiões periféricas e em áreas com grande taxa da a difícil situação financeira de um grande nú-
de desemprego. mero de companhias estaduais que se encontram
O modelo de gestão que ainda perdura no impossibilitadas de acessar novos recursos finan-
setor data do fim da década de 60 e início da de ceiros por não se credenciarem numa análise de
70, quando começou a ser constituída a maioria risco de crédito.
das companhias estaduais de saneamento. Estas Isso traz consigo também a percepção de
foram criadas a partir do Plano Nacional de Sa- um longo processo de má gestão que conduziu
neamento (Planasa), que definia as metas a serem muitas das companhias estaduais a uma caótica
alcançadas pelo país na área de saneamento. situação administrativa e financeira, que pratica-
Esse programa foi patrocinado pelo governo fe- mente inviabiliza seus investimentos por meio de
deral, que investiu nos projetos do setor e auxiliou recursos próprios.
no desenvolvimento das companhias estaduais de
água e esgoto, por meio da utilização de recursos Necessidade de financiamento
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O Brasil precisará de R$ 178,4 bilhões para ga-
Apesar de sua importância para o desenvolvi- rantir, nos próximos 20 anos, a universalização
mento socioeconômico do país, os investimentos da oferta de serviços de água e esgoto tratados
em saneamento têm se mostrado bastante baixos em todo o país, inclusive nos aglomerados rurais,
desde os anos 90. segundo a Secretaria Nacional de Saneamento
Aos cortes orçamentários por conta da crise Ambiental do Ministério das Cidades.
fiscal do Estado, soma-se também a dificuldade O cálculo do montante necessário, realizado
de elaboração de um modelo – depois do fim do em 2003, foi obtido por meio de simulações feitas
Planasa na década de 80 – que consiga conciliar com base em estimativas de investimento anual
uma moderna e ativa gestão financeira “pari pas- de 0,45% do PIB no setor, com o PIB crescendo em
su” ao ideal de universalização dos serviços, es- média 4% ao ano.
tendendo-os mesmo aos consumidores que não De tal forma, os desembolsos começariam
possuem renda para pagar pelo bem. com R$ 6 bilhões no primeiro ano e chegariam
18 Valor análise setorial Saneamento Básico

preconizado pela Abdib e Aesbe) é bastante supe-


Necessidade de investimentos rior ao que se tem realizado nos últimos anos.
até 2020, por região No período de investimentos mais intensos,
G1 Em R$ bilhões durante a década de 1970, os gastos médios anu-
ais alcançaram a taxa de 0,34% do PIB. Nos anos
80, a taxa caiu para 0,28% e, na década de 90, para
Centro-Oeste Sudeste 0,13%. O ano em que se registrou a maior taxa de
17,3 74,4
investimentos foi 1981, com 0,41%, e o pior foi
1995, com apenas 0,04% do PIB.
Entre 1995 e 2002, o ano em que se regis-
trou maior volume de investimentos no setor
Nordeste
37,3 foi 1998, com R$ 3,1 bilhões (0,19% do PIB). A
partir de 2002, os investimentos retornaram ao
Sul patamar de 1996.
33,1
Norte
Desde 2003, os investimentos federais no setor
16,3 voltaram a apresentar uma tendência de alta; mas,
ainda assim, o valor de 2005 encontra-se abaixo da
média dos últimos dez anos (Gráfico 2).
Segundo o “Diagnóstico dos Serviços de
Fonte: SNSA.
Água e Esgotos”, publicação do Ministério das
Cidades que divulga anualmente informações
a R$ 12,6 bilhões no vigésimo ano. Dos R$ 178 do Sistema Nacional de Informações e Sanea-
bilhões calculados, R$ 111 bilhões serão necessá- mento (SNIS), o setor recebeu investimentos de
rios para a expansão dos serviços e R$ 67 bilhões R$ 10 bilhões entre 2003 e 2004.
para a reposição dos sistemas (Gráfico 1). O aporte de novos recursos para o setor foi di-
O volume de recursos financeiros necessários vidido entre o governo federal (R$ 6,1 bilhões) e
para complementar os projetados R$ 6 bilhões no operadoras dos serviços (R$ 3,1 bilhões), além de
primeiro ano – além dos investimentos do gover- R$ 800 milhões de fontes como organismos inter-
no federal – poderia vir tanto dos orçamentos dos nacionais e prefeituras.
governos estaduais e municipais quanto dos in- A retomada dos investimentos permitiu sig-
vestidores privados interessados no setor. nificativa expansão dos sistemas de águas e es-
Observa-se que o investimento anual equivalen- gotos no país. Em 2004, 1,1 milhão de ligações
te a 0,45% do PIB no saneamento (abaixo do 0,63% ativas de água e 800 mil ligações de esgotos fo-

Gastos federais em saneamento básico


G2 Em R$ milhões

3.500

3.000

2.500

2.000

1.500 1.360

1.000
1.090
545
500
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fontes: Ipea e SNSA.


Investimentos Saneamento Básico Valor análise setorial 19

Recursos federais comprometidos e desembolsados com iniciativas de


T1 saneamento*
Recursos federais (R$)
2003 2004 2005 Total

Comprometidos 2.188.677.640,81 3.472.049.587,03 2.048.522.415,25 7.709.249.643,09


Desembolsados 739.002.207,01 941.558.631,53 1.359.727.795,25 3.040.288.633,79

Fonte: SNSA. * Recursos onerosos e orçamentários.

ram adicionadas à rede, que aumentou em 26,7 governo de Fernando Henrique Cardoso, com
mil quilômetros. ajustes ao longo dos últimos anos.
A mudança mais relevante ocorreu em
Investimentos federais em 2003-2005 1999, quando uma resolução do conselho de-
Quando o Partido dos Trabalhadores assumiu o terminou que o saldo das operações de uma
poder em 2003 havia uma expectativa generalizada instituição financeira com o setor público não
de que os investimentos de cunho socioeconômico poderia ultrapassar 45% do respectivo patri-
ganhariam força e o saneamento básico seria um mônio líquido.
dos focos prioritários a partir daquele momento. A resolução foi baixada sob a justificativa de
No entanto, a condução da política macroeco- que era preciso limitar a exposição do sistema
nômica petista mostrou-se até mesmo mais aus- financeiro ao risco de empréstimos ao setor pú-
tera do que a gestão anterior. E, no intuito de se blico. Na essência, porém, o contingenciamento
obter superávits primários no setor público, foram continuou sendo usado principalmente como
realizados seguidos cortes orçamentários, que não forma de controlar o endividamento público,
pouparam os investimentos planejados na área. para assegurar o cumprimento de metas fiscais.
Tanto é que, mesmo havendo grande espaço
Impactos do contingenciamento para novas contratações em relação ao patrimô-
O contingenciamento do crédito ao setor pú- nio líquido do sistema financeiro na época, o
blico, a falta de capacidade de pagamento e o en- CMN decidiu limitar também o fluxo de opera-
dividamento de estados, municípios e empresas ções novas a partir daquele momento.
públicas dificultaram o acesso desses agentes aos
recursos onerosos do FGTS. Os recursos federais
Como os recursos do FGTS têm sido a princi- Com tal regime de controle do gasto público,
pal fonte para os investimentos em saneamento e nos últimos três anos o que se verificou foi um
embutem um subsídio não desprezível na taxa de intervalo relativamente grande entre o volume
juros, os recursos do Orçamento da União, além de recursos comprometidos e o efetivamente de-
de sofrerem contingenciamento, acabaram res- sembolsado pelo governo federal com saneamen-
ponsáveis por uma pequena parcela dos investi- to. No total dos recursos federais comprometidos
mentos no setor. entre 2003 e 2005, apenas 39% chegaram a ser
As regras de contingenciamento do Conselho efetivamente desembolsados, e em 2004 essa pro-
Monetário Nacional (CMN) foram concebidas no porção atingira 27% (Tabela 1).

Gastos federais segundo a origem dos recursos - 2003 a 2005


T2 Em R$

Financiamento Em % Orçamentário Em %

Comprometidos 4.039.597.738,95 52,4 3.669.651.904,14 47,6


Desembolsados 987.758.762,83 32,5 2.052.523.858,96 67,5

Fonte: SNSA.
20 Valor análise setorial Saneamento Básico

tino foi a Região Nordeste, contemplada com 35,9%


Recursos desembolsados x
dos recursos, seguida pelas regiões Sudeste (32,6%),
comprometidos por fonte de
Centro-Oeste (12,9%), Sul (10,5%) e Norte (8%).
gastos - 2003 a 2005
Com o contingenciamento e o corte orçamen-
G3 Em %
tário, a participação da Região Nordeste aumen-
70 tou para 44,8%. Na mesma linha, quem teve sua
participação relativa elevada foi a Região Centro-
60
55,9 Oeste, que subiu para 17,3%.
50
Na relação entre o valor comprometido e o
efetivamente desembolsado, quem mais saiu
40 prejudicada foi a Região Sul, que recebeu apenas
24,8% do valor contratado. Nesse sentido, quem
30
24,5 perdeu menos foi a Centro-Oeste, que teve desem-
20
bolsos da ordem de 52,9% do total: para um valor
contratado de R$ 996,2 milhões, a região teve re-
10 embolsos de R$ 526,7 milhões.
Em valores absolutos quem perdeu menos foi a
0
Financiamento Orçamentário Região Nordeste, que teve desembolso da ordem de
Fonte: SNSA.
49,2% em relação ao volume contratado (contratação
de R$ 2,8 bilhões e desembolsos de R$ 1,4 bilhão).
Nessa região, os estados que tiveram os maiores
Na origem dos recursos, os financiamentos re- desembolsos proporcionais foram Piauí (70,3%),
presentaram 52,4% dos recursos comprometidos, Pernambuco (65%) e Bahia (64,8%), ao passo que
enquanto os orçamentários foram responsáveis para o Maranhão, embora tenham sido contrata-
por 67,5% dos desembolsos realizados entre ja- dos R$ 319,5 milhões, o desembolso foi de apenas
neiro de 2003 e dezembro de 2005. A maior parte R$ 67,3 milhões, ou seja, 21,1% dos recursos.
dos recursos para financiamento versava sobre Na Região Sudeste, os desembolsos represen-
fundos do FGTS (Tabela 2). taram 29% do valor total, enquanto na Região
Apesar do maior montante, a dificuldade de Norte, foram de 35,7%.
acessar esses recursos de financiamento pelas Em nível estadual, os estados mais atingidos
partes envolvidas pode ser mensurada pelo bai- pelas medidas de austeridade fiscal foram Ama-
xo montante desembolsado em relação ao total
comprometido: apenas 24,5%.
Recursos comprometidos pelo
Em relação aos recursos orçamentários (não
governo federal por fonte
onerosos), a diferença entre comprometido e
G4 2003 a 2005
desembolsado é menor, tendo atingido quase
56% (Gráfico 3).

FGTS: a principal fonte FGTS


49%
A principal fonte de recursos federais para o
saneamento é o Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS), cuja gestão de aplicação é feita
pelo Ministério das Cidades. Os recursos do FGTS BNDES
5%
representaram 49% do total comprometido entre
2003 e 2005, enquanto os recursos não onerosos
do orçamento da União corresponderam a 46% e
os do BNDES, a 5% (Gráfico 4). Não Oneroso
46%

Investimentos por região


No período de 2003 a 2005, do investimento fe-
deral contratado de R$ 7,7 bilhões, o principal des- Fonte: SNSA.
Investimentos Saneamento Básico Valor análise setorial 21

Recursos comprometidos e desembolsados por região - 2003 a 2005


G5 Em R$ milhões
Comprometido Desembolsado
3.000
2.769,6
2.512,8
2.500

2.000

1.500 1.362,1

996,2
1.000
729,4 813,5
617,1
526,7
500
220,4 201,7
0
Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul

Fonte: SNSA.

zonas (defasagem de 79,7% entre o contratado e Quando a fonte dos recursos são os financia-
o desembolsado), Espírito Santo (79,6%) e Mara- mentos (FGTS e BNDES), o principal destino é a
nhão (78,9%). Por outro lado, os que se viram me- Região Sudeste, onde as empresas possuem maior
nos prejudicados foram Roraima (24,2%), Tocan- capacidade de acessar as fontes de crédito por con-
tins (27,3%) e Piauí (29,7%) (Gráfico 5). ta de uma melhor situação financeira. No período
No tocante às fontes de recursos, existe uma 2003-2005, a região absorveu 42% dos recursos one-
nítida diferenciação entre as regiões. Em relação rosos, seguida pelo Nordeste (36%), Sul (10%), Cen-
aos recursos não onerosos (recursos orçamen- tro-Oeste (9%) e Norte (3%) (Gráfico 7 e Tabela 3).
tários), a preponderância é da Região Nordeste,
que absorveu 49% dos recursos, seguida pela Gastos por órgão
Centro-Oeste (22%), Sudeste (15%), Norte (9%) e Embora sua gestão tenha sido marcada pelo
Sul (5%) (Gráfico 6). contingenciamento de recursos, um dos prin-

Recursos não onerosos Recursos onerosos contratados


empenhados por região por região - 2003 a 2005
G6 2003 a 2005 G7

Norte Nordeste
Norte Nordeste 3% 36%
9% 49%

Sul
Sul 10%
5%

Centro-Oeste
9%
Centro-Oeste Sudeste Sudeste
22% 15% 42%

Fonte: SNSA. Fonte: SNSA.


22 Valor análise setorial Saneamento Básico

Recursos
federais comprometidos e desembolsados com iniciativas
T3 de saneamento por UF, entre janeiro/2003 e dezembro/2005
UF Contratação Em % Desembolso Em %

Acre 50.060.723,11 0,65 13.767.266,06 0,45


Amapá 37.701.976,71 0,49 9.207.233,79 0,30
Amazonas 145.769.232,80 1,89 29.590.526,59 0,97
Pará 240.280.094,28 3,12 74.350.660,20 2,45
Rondônia 63.936.882,45 0,83 35.111.226,19 1,15
Roraima 22.672.152,90 0,29 17.180.705,47 0,57
Tocantins 56.682.455,01 0,74 41.224.146,11 1,36
Região Norte 617.103.517,26 8,01 220.431.764,41 7,25

Alagoas 136.251.550,55 1,77 73.850.160,22 2,43


Bahia 395.486.546,43 5,13 256.234.325,24 8,43
Ceará 442.688.104,80 5,74 248.811.781,24 8,18
Maranhão 319.502.196,66 4,14 67.269.377,20 2,21
Paraíba 432.727.190,64 5,61 144.101.496,65 4,74
Pernambuco 293.592.558,25 3,81 190.834.974,34 6,28
Piauí 226.521.052,18 2,94 159.235.882,79 5,24
Rio Grande Norte 279.596.758,93 3,63 86.087.875,40 2,83
Sergipe 243.224.593,62 3,15 135.651.773,23 4,46
Região Nordeste 2.769.590.552,06 35,92 1.362.077.646,31 44,80

Espírito Santo 127.614.517,34 1,66 26.080.715,99 0,86
Minas Gerais 898.229.578,27 11,65 318.095.398,68 10,46
Rio de Janeiro 274.878.385,83 3,57 122.240.483,12 4,02
São Paulo 1.212.097.443,46 15,72 263.007.122,26 8,65
Região Sudeste 2.512.819.924,90 32,60 729.423.720,05 23,99

Paraná 565.656.932,27 7,34 121.751.487,09 4,00


Rio Grande Sul 92.529.117,48 1,20 26.985.806,97 0,89
Santa Catarina 155.339.629,82 2,01 52.916.115,17 1,74
Região Sul 813.525.679,57 10,55 201.653.409,23 6,63

Distrito Federal 434.553.308,73 5,64 289.089.701,26 9,51


Goiás 303.753.878,86 3,94 97.478.648,70 3,21
Mato Grosso 142.881.880,25 1,85 67.986.222,13 2,24
Mato Grosso Sul 115.020.901,46 1,49 72.141.509,70 2,37
Região Centro-Oeste 996.209.969,30 12,92 526.696.081,79 17,33
Total Geral 7.709.249.643,09 100 3.040.282.621,79 100

Fontes: SNSA.

cipais méritos da constituição (em 2003) da em vários ministérios como os da Saúde, Meio
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental Ambiente e Integração.
(SNSA) no Ministério das Cidades foi a de coor- Apesar de coordenar o setor de saneamento,
denar as atividades de saneamento do governo o Ministério das Cidades não é o principal distri-
federal que até então se encontravam dispersas buidor de recursos para o setor. Essa posição cou-
Investimentos Saneamento Básico Valor análise setorial 23

vernos estaduais e municipais do Ceará, Paraíba,


Recursos não onerosos
Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, Santa Catari-
comprometidos por órgão
na, Espírito Santo, Pará, São Paulo, Roraima, Rio
G8 2003 a 2005
Grande do Sul e Distrito Federal. Está previsto um
total de recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão.
Cidades
O objetivo do programa é promover a melhoria
36% das condições de saúde e da qualidade de vida da
população por meio de ações de saneamento inte-
Integração
gradas com outras políticas públicas. Os tomado-
16% res, que participaram de seleção pública mediante
a apresentação de cartas-consultas enviadas ao
Outros
Ministério das Cidades, acessam os recursos por
3% Funasa meio dos agentes financeiros (Caixa, BNDES e ban-
45%
cos privados) para a execução das obras.
O Ministério da Integração Nacional também
atua na área, por meio de iniciativas como o Pro-
jeto de Ações Integradas para o Planejamento do
Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Pro-
Fonte: SNSA.
desam), que resulta de uma parceria entre a Agên-
cia de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), vin-
culada ao Ministério da Integração Nacional, e a
be ao Ministério da Saúde, por meio da Fundação Organização dos Estados Americanos (OEA).
Nacional da Saúde (Funasa) (Gráfico 8).
Existe uma correlação direta entre investimen- Programa de modernização
tos em saneamento básico e indicadores de saúde O Programa de Modernização do Setor de Sa-
da população. Por conta disso, a Funasa aloca recur- neamento (PMSS) foi concebido originalmente em
sos para obras de saneamento básico com o objeti- 1993, como um projeto piloto, mas transformou-se
vo de reduzir os índices das doenças de veiculação em um programa permanente do governo federal.
hídrica e por vetores, como diarréia, cólera, dengue, O programa configura-se no financiamen-
febre amarela, tracoma, hepatite, leptospirose, fe- to, sem ônus, para a elaboração de estudos e
bre tifóide, esquistossomose, entre outras. trabalhos de consultoria técnica especializada
As ações de saneamento da Funasa concen- para implementação de políticas, reestrutura-
tram-se em municípios de até 30 mil habitantes, ção da prestação dos serviços, desenvolvimento
nos quais financia programas de saneamento de modelos de financiamento, incluindo estu-
como a construção de sistemas de saneamento de dos tarifários e sobre subsídios, estabelecimen-
água e esgoto. Também atua em áreas indígenas. to de instrumentos e estruturas de regulação
Os municípios beneficiados com as verbas e controle, apoio ao desenvolvimento técnico,
apresentam, geralmente, três características: bai- capacitação e disseminação, além de estudos e
xo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ações de caráter nacional.
que mede a qualidade de vida da população; bai- A segunda etapa do programa – o PMSS II – é
xa população; e elevado índice de transmissão de resultado do Acordo de Empréstimo nº 4.292-BR,
doenças relacionadas à falta de saneamento bási- celebrado em 1999, entre o governo brasileiro e o
co. Aproximadamente 80% dos municípios brasi- Banco Internacional para a Reconstrução e o De-
leiros se enquadram nesse perfil. senvolvimento (Bird), devendo ser executada até
O Ministério das Cidades também investe outubro de 2007.
diretamente no saneamento. Em 2005, o minis- O Sistema Nacional de Informações sobre Sa-
tério criou o Programa Saneamento para Todos, neamento (SNIS) foi concebido e vem sendo desen-
para financiar operações de crédito de sanea- volvido pelo PMSS, desde sua criação em 1995.
mento básico. Somente em 2005, o Programa de Moderniza-
Nesse sentido, em maio de 2006, foram assi- ção do Setor de Saneamento (PMSS) financiou R$
nados 33 protocolos com concessionárias e go- 25 milhões para estados e municípios, em apoio à
24 Valor análise setorial Saneamento Básico Investimentos

política de revitalização das empresas de sanea- os moradores de baixa renda nas cidades que têm
mento estadual. entre 15 mil e 75 mil habitantes, e cujo Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) é inferior à média
Recursos do BID nacional. O programa abrangerá cerca de 120 mu-
Em 2004, o Banco Interamericano de Desenvol- nicípios das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste;
vimento (BID) e o Ministério das Cidades firmaram estado do Espírito Santo e norte de Minas Gerais.
um contrato de empréstimo no valor global de US$ O programa também permitirá apoiar proje-
95,5 milhões para dar início ao Programa de Ação tos que favoreçam o acesso da população de baixa
Social em Saneamento (PASS-BID). renda aos serviços de saneamento básico, fortale-
O objetivo do programa é melhorar e expandir cendo o desenvolvimento da política para o setor
os serviços de abastecimento de água e esgoto para de saneamento.
Saneamento Básico Valor análise setorial 25

Fontes de financiamento

Fontes de
financiamento
A necessidade de maiores definições no setor meio de Resoluções do CMN/Bacen, com o intuito
de saneamento no Brasil fica bem clara a julgar de controlar os gastos do setor público, para gera-
pelo ainda escasso número de bancos e fontes de ção de superávits primários.
financiamento para a ampliação dos serviços. A A Resolução nº 3.049, de novembro de 2002,
Caixa Econômica Federal é a principal financia- por exemplo, estabelece que a contratação de novas
dora de projetos e usa verbas do Fundo de Garan- operações de crédito com os municípios fica limi-
tia do Tempo de Serviço (FGTS). tada a R$ 200 milhões. O financiamento bancário
Outra fonte de recursos para o setor é o BNDES para o setor público é contabilizado como déficit.
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico No fim de 2005, o Conselho Monetário Nacio-
e Social). O BID e o Banco Mundial (Bird) têm des- nal (CMN) autorizou o sistema financeiro a con-
tinado expressiva soma de recursos para projetos tratar até R$ 2,2 bilhões em novas operações com
realizados no Brasil. estados, municípios e suas empresas estatais, ex-
Embora existam recursos do FGTS disponíveis clusivamente para financiar obras de saneamen-
para a utilização no saneamento básico, grande to ambiental.
parte das companhias não pode acessá-los, devi- Com reflexos somente em 2006, o objetivo é
do às suas precárias condições financeiras. desobstruir principalmente o fluxo de recursos
As companhias estaduais sem acesso a crédi- da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional
to bancário são aquelas que ou não geram lucro de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
suficiente para poderem obter empréstimos ou se para companhias de água e esgoto. Ambos pos-
enquadram no conceito de estatais dependentes, suem recursos para emprestar, mas enfrentam
isto é, dependem de recursos orçamentários dos restrições do CMN ao endividamento de estados
estados controladores para cobrir seus custos. e municípios.
O problema não se limita ao risco do crédito, Atualmente, a fila de projetos é muito grande
e sim na exigência do Conselho Monetário Na- para o baixo teto de contratações. Em outubro, o
cional para que os estados controladores gerem CMN já abrira um limite de R$ 200 milhões. Mas,
superávit primário em suas contas. além de ser destinado só para prefeituras, o valor
foi tirado dos estados, que, assim, ficaram com au-
Restrições fiscais ao endividamento torização para contratar apenas R$ 200 milhões.
Os investimentos na área de saneamento estão Além do global, há um limite por banco, de 45%
reduzidos. Mas isso não vem ocorrendo somente do Patrimônio de Referência (PR). O problema foi
por conta de uma suposta pouca disponibilida- resolvido com a transformação de parte do passivo
de de recursos. Devido à crise fiscal do Estado da instituição com o FGTS em dívida subordinada,
brasileiro em seus três níveis, o crédito ao setor o que elevou o seu PR. Essa modalidade de dívida
público está contingenciado desde julho de 1998, só pode ser paga depois de satisfeitos todos os de-
quando foram estabelecidas as regras atuais por mais credores, em caso de dificuldade do banco.
26 Valor análise setorial Saneamento Básico

Principais governo anterior, as arrecadações brutas e líqui-


das têm sido crescentes, assim como os saques. A

programas arrecadação bruta em 2005 chegou a R$ 32,2 bi-


lhões, ultrapassando a marca dos R$ 30 bilhões
A Caixa Econômica Federal atua no desenvol- pela primeira vez e superando em quase R$ 4 bi-
vimento urbano por meio da concessão de crédi- lhões a de 2004.
to a empreendimentos públicos e privados com Os saques foram de R$ 25,9 bilhões. Cerca de
recursos do FGTS, do BNDES Automático e Finem, 70% deles historicamente se devem à rescisão de
somente para o setor privado. contrato de trabalho, sendo o restante relativo a
compra de imóveis, aposentadorias ou despesas
FGTS com determinadas doenças.
A utilização dos recursos do FGTS para finan- Dos cerca de R$ 170 bilhões de ativos do FGTS,
ciar programas de saneamento iniciou-se com o em torno de R$ 90 bilhões estão em operações de
Decreto-Lei nº 949, de 13/10/69, que autorizou o crédito. São financiamentos nas áreas de habita-
BNH (Banco Nacional de Habitação) a aplicar, nas ção e saneamento, principalmente, e também em
operações de financiamento para saneamento, infra-estrutura. Mais R$ 50 bilhões estão aplica-
além de seus próprios recursos, os do Fundo de dos em títulos públicos.
Garantia do Tempo do Serviço. Na área de saneamento, os recursos do FGTS
Em 2005, os ativos do FGTS ficaram em torno estão disponibilizados em vários programas, en-
de R$ 170 bilhões; cerca de R$ 10 bilhões superior tre os quais se destacam o Pró-Saneamento e o
aos do encerramento do ano anterior. FCP-SAN (este, especificamente voltado ao setor
No ano, a arrecadação bruta de contribuições privado) (Tabela 4).
ao FGTS foi superior aos saques em R$ 6,298 bi-
lhões. Esse valor de arrecadação líquida é recorde Pró-Saneamento
e embora seja pouco maior que o de 2004, que foi Voltado aos operadores públicos, o Pró-Sane-
de R$ 6,180 bilhões, é também próximo da soma amento utiliza recursos do FGTS e é gerido pela
das arrecadações líquidas dos anos de 1995 a Caixa Econômica Federal. Tem como carência o
2002, cujo total foi de R$ 6,518 bilhões. prazo de execução acrescido de dois meses, limi-
De 1997 a 1999, os saques superavam a arreca- tando-se, no entanto, a 36 meses.
dação bruta, o que não mais ocorreu. Desde 2000, A amortização é realizada em até 180 meses,
após a flutuação do câmbio em 1999 e ainda no com prestações mensais, respeitando-se o cro-

Financiamentos da Caixa Econômica Federal para o saneamento - 1997 a 2005


T4

Programa Total Valor Valor População Nº de


contratos financiamento investimento beneficiada empregos
R$ 1.000 R$ 1.000 (habitantes) gerados

Saneamento - Caixa 1.269 5.476.906 7.642.353 33.966.019 1.230.415


FCP/SAN-FGTS 11 88.881 136.060 604.709 21.906
FCP/SAN-BNDES 1 5.152 7.927 35.231 1.276
PRONURB 12 129.842 136.185 605.265 21.925
PRÓ-SANEAMENTO 1.245 5.253.031 7.362.181 32.720.814 1.185.308

Saneamento -
Outros agentes financeiros 63 309.992 382.449 1.699.776 61.574
FCP/SAN - FGTS (ATO) 4 53.183 75.922 337.431 12.223
PRÓ-SANEMENTO (ATO) 59 256.809 306.527 1.362.345 49.351
Total 1.332 5.786.898 8.024.802 35.665.795 1.291.989

Fonte: Caixa Econômica Federal.


Fontes de financiamento Saneamento Básico Valor análise setorial 27

Financiamentos do Pró-Saneamento - 1997 a 2005


T5

Ano Total Valor Valor População Nº de


contratos financiamento investimento beneficiada empregos
R$ 1.000 R$ 1.000 (habitantes) gerados

1997 143 554.523 757.760 3.367.823 121.999


1998 628 1.238.470 1.764.646 7.842.883 284.106
1999 0 0 0 0 0
2000 10 16.656 23.272 103.433 3.747
2001 0 0 0 0 0
2002 51 206.822 328.417 1.459.633 52.875
2003 207 1.583.956 2.469.250 10.974.444 397.549
2004 254 1.890.056 2.301.957 10.230.915 370.615
2005 11 19.357 23.406 104.028 3.768
Acumulado 1.304 5.509.840 7.668.708 34.083.159 1.234.659

Fonte: Caixa Econômica Federal.

nograma físico-financeiro estipulado. A taxa de mitados a 24 meses, com amortização em até 120
juros é composta pela TR (taxa referencial de ju- meses, com desembolso em parcelas mensais.
ros) mais 6,5% a.a. (no caso de esgoto) e de 8% a.a. As taxas de juros são as mesmas do Pró-Sanea-
(para investimentos em abastecimento de água). mento, assim como a taxa de administração.
O programa exige como contrapartida, no A contrapartida exigida, no entanto, atinge
mínimo, 10% do valor do investimento. A taxa de 25% do valor do investimento e deve ser integra-
administração cobrada é de 2% a.a. (Tabela 5) lizada simultaneamente ou antecipadamente ao
desembolso da Caixa/FGTS (Tabela 6).
FCP-SAN
O FCP-SAN também utiliza recursos do FGTS, BNDES
mas é voltado para os operadores privados. Sua No BNDES-Automático, a contrapartida míni-
carência é o prazo de execução mais 2 meses, li- ma exigida é de 40%. O período de carência refe-

Financiamentos do FCP/SAN - FGTS - 1997 a 2005


T6

Ano Total Valor Valor População Nº de


contratos financiamento investimento beneficiada empregos
R$ 1.000 R$ 1.000 (habitantes) gerados

1997 0 0 0 0 0
1998 0 0 0 0 0
1999 1 2.376 19.835 88.155 3.193
2000 0 0 0 0 0
2001 0 0 0 0 0
2002 2 19.075 25.874 114.995 4.166
2003 4 53.183 75.922 337.431 12.223
2004 5 52.884 70.956 315.360 11.424
2005 3 14.546 19.395 86.199 3.123
Acumulado 15 142.064 211.982 942.140 34.129

Fonte: Caixa Econômica Federal.


28 Valor análise setorial Saneamento Básico Fontes de financiamento

re-se ao tempo de execução das obras, acrescido liberado no ano foi 17,5% superior aos R$ 40 bi-
de até 3 meses, limitado ao máximo de 24 meses. lhões de 2004.
O prazo de amortização é definido pela capa- No segmento de captação, tratamento e dis-
cidade de pagamento do projeto, contado a par- tribuição de água, os desembolsos atingiram R$
tir do mês subseqüente ao término da carência. O 106,5 milhões em 2005, o que representou um
prazo total de financiamento, ou seja, a soma dos recuo de 16,6% em relação ao ano anterior.
prazos de carência e de amortização, limita-se ao Entre os projetos que foram aprovados em
máximo de 120 meses. 2005 estão o financiamento de R$ 6 milhões à
A taxa de juro nominal é variável, resultante prefeitura de Caxias do Sul (RS), destinado à im-
da somatória da TJLP limitada a 6% a.a., acrescida plantação de um sistema de tratamento de esgo-
de juros definidos de acordo com o conceito de tos (os recursos correspondem a 40% do valor do
risco de crédito do tomador e do projeto. Direcio- projeto, que totaliza R$ 14,9 milhões), e financia-
na-se tanto ao setor público quanto ao privado. mentos de R$ 3,7 milhões para a modernização e
Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 47 expansão dos serviços de água e esgoto sanitário
bilhões em 2005, volume de recursos recorde nos municípios de Araújos, Bom Sucesso e Para-
destinado ao financiamento de projetos. O valor guaçu, em Minas Gerais.
Saneamento Básico Valor análise setorial 29

Parceria Público-Privada

Parceria
Público-Privada
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) são con- 3) determinação de que o pagamento das
tratos entre o governo e entidades do setor privado, obras seja feito diretamente aos agentes financia-
com a finalidade de prover equipamentos e servi- dores e não mais às empresas.
ços de infra-estrutura e outros serviços públicos.
As condições para o estabelecimento de uma PPPs nos estados
PPP variam, mas geralmente envolvem financia- A lei federal que disciplina as Parcerias Públi-
mento, projeto, construção, operação e manutenção co-Privadas foi aprovada em 2004 (Lei 11.079/04).
dos equipamentos e serviços de infra-estrutura. No ano anterior, a Lei mineira 14.868 – precursora
A PPP visa permitir ao governo o aporte de re- das PPPs no país – já havia sido aprovada, seguida
cursos para dar sustentabilidade a parcerias com de perto pela legislação paulista. Apesar disso,
a livre iniciativa. Pela Lei nº 8.666, de junho de até o primeiro trimestre de 2006, nenhuma PPP
1993 (das licitações), limita-se em até cinco anos havia sido estabelecida.
o prazo dos contratos com o setor público. Em São Paulo, o projeto da Linha 4 do Metrô
No caso das PPPs, os prazos podem chegar a da capital paulista, concebido sob a lei federal das
20 ou 30 anos. Os pagamentos poderão passar PPPs e da Lei paulista 11.688, foi estruturado como
a ser efetuados após a conclusão da obra, o que uma PPP na modalidade concessão patrocinada.
abre espaço para a sua quitação por meio de re- Parte substancial das receitas do parceiro
ceita de tarifas. privado incumbido da operação e manutenção
O financiamento dos projetos em PPP baseia- da linha, assim como do fornecimento do ma-
se no fluxo de caixa do projeto, podendo haver terial rodante, advém da tarifa paga pelos pró-
complementação da tarifa pelo Tesouro, regime prios usuários.
fiscal especial, prazos longos e garantias estrutu- Cabe ao governo estadual complementar a
rais incorporadas aos contratos. tarifa caso ela fique defasada em relação a uma
Pelas previsões iniciais do governo, as PPPs certa tarifa de referência (R$ 2,08 por passagei-
poderiam atrair investimentos de R$ 36 bilhões ro). Essa cesta é corrigida pela média do IGPM e
entre 2004 e 2007, o que, no entanto, parece ser do IPC-FIPE, nos primeiros 15 anos de operação, e
de difícil realização. pelo IPC-FIPE a partir de então.
Entre as garantias a serem oferecidas a inves- O projeto é um marco na história das PPPs no
tidores se encontravam: Brasil, constituindo o primeiro projeto de PPP a
1) criação de fundos para garantir os paga- ser licitado.
mentos previstos nos contratos – esses fundos Paralelamente, o estado de Minas Gerais já
serão formados com bens públicos, como imóveis submeteu à consulta pública a minuta de edital
ou ações de estatais; e contrato do que provavelmente será a primeira
2) prioridade aos pagamentos das PPPs em re- PPP no setor rodoviário, compreendendo a recu-
lação às demais obras que o governo licite; e peração e manutenção da Rodovia MG-050.
30 Valor análise setorial Saneamento Básico Parceria público-privada

A MG-50 foi também estruturada como uma administrativa, em que o serviço é prestado dire-
concessão patrocinada, integrando a remunera- tamente ao poder concedente, advindo deste 100%
ção do parceiro privado à cobrança do pedágio, da remuneração devida ao parceiro privado. Tal
fixado em R$ 3 por praça de pedágio, e uma con- contraprestação se dará na forma de cessão de re-
traprestação adicional limitada a R$ 30 milhões cebíveis detidos pela Embasa ao parceiro privado.
por ano e garantida pela Codemig, empresa esta- A Abdib calcula que os projetos de Parcerias
tal dotada da função de garantidora. Público-Privadas poderão financiar investimen-
tos de cerca de R$ 15 bilhões no país nos próxi-
A primeira PPP em saneamento mos anos. Documento produzido pela entidade
O primeiro projeto de saneamento básico destaca que a área de infra-estrutura voltou a
em licitação está sendo conduzido na Bahia (que ser uma das principais portas de entrada de in-
aprovou sua Lei de PPPs em dezembro de 2004 vestimentos diretos externos em 2005, quando o
– Lei 9.290). O projeto, que já teve concluído o Brasil recebeu US$ 6,63 bilhões, um volume 42,9%
processo de consulta pública de seu primeiro edi- maior que em 2004.
tal, tem por objeto a construção, operação e ma- No total, as áreas de energia elétrica, petróleo
nutenção do Sistema de Disposição Oceânica do e gás, telecomunicações, transportes e saneamen-
Jaguaribe (incluindo emissário submarino). to receberam 30,7% de todo o volume de investi-
Tal projeto, que será contratado pela Embasa mentos externos diretos que o Brasil atraiu em
– Empresa Baiana de Águas e Saneamento, consti- 2005: US$ 21,63 bilhões. Os dados citados no es-
tuirá a primeira PPP na modalidade de concessão tudo são do Banco Central.
Saneamento Básico Valor análise setorial 31

Ambiente regulatório

Ambiente
regulatório
Muitos dos projetos de investimento em sanea- ao saneamento, em muitos foros, uma discussão
mento básico planejados no Brasil esbarram na au- eminentemente política.
sência de um marco regulatório para o setor, prin- Apesar de tal discussão – que contamina for-
cipalmente por conta da disputa entre estados e temente os debates sobre o tema –, para que o
municípios pela titularidade e operação do serviço. setor consiga planejar o seu futuro, torna-se de
O problema surgiu na década de 1970, quan- fundamental importância um marco regulatório
do o extinto Banco Nacional da Habitação (BNH) definido e estável. A dificuldade governamental
emprestou aos governos estaduais recursos para de conduzir os investimentos necessários, que fi-
a instalação das redes de água e esgoto. cou patente nos últimos anos, mostrou que a par-
Por lei, a responsabilidade era (e continua) das ticipação privada pode ser um aliado na tarefa da
prefeituras, que a transferiu, em muitos casos, às universalização dos serviços.
companhias estaduais. Muitos dos contratos de Para que isso venha a ocorrer com maior in-
concessão celebrados à época estão vencidos ou tensidade, é preciso definir as formas de operação
em vias de se tornarem nos próximos anos. do setor. Num cenário de aumento das parcerias
E os estados não aceitam abrir mão dos in- público-privadas, para se associar ao governo, o
vestimentos realizados na constituição das redes investidor precisa exigir uma dose mínima de se-
municipais. O problema é maior nas regiões me- gurança institucional.
tropolitanas e no semi-árido, onde funcionam
sistemas integrados de abastecimento de água. Antecedentes
No saneamento, a possibilidade de investi- Na década de 1990, foram introduzidos esbo-
mentos por parte do setor privado é plenamen- ços de um novo modelo, que contemplava uma
te possível, mas não é uma alternativa óbvia. Ao maior participação da iniciativa privada na pres-
contrário de setores como telefonia e energia, no tação de serviços de saneamento; com esse objeti-
acesso a água e esgoto, o investimento público vo, foram enviados vários projetos para aprecia-
parece ser imprescindível em várias localidades, ção no Congresso Nacional.
normalmente nas regiões pobres e afastadas de Entre 1995 e 2001, alguns desses projetos de
centros mais populosos. leis tentaram instituir uma Política Nacional de
Em vários municípios, a prestação dos servi- Saneamento. Nenhum deles vingou. Outra linha
ços por entidades privadas mostrou-se possível, adotada foi a proposição de projetos de leis com-
contribuindo para a ampliação do atendimento. plementares, com base no parágrafo único do art.
Há, por conta disso, uma discussão que escapa 23 da Constituição. Alguns desses projetos ainda
a uma lógica essencialmente econômica: nas re- tramitam na Câmara e no Senado.
giões pobres e mais carentes dos serviços, não Em 2001, o Presidente da República enviou ao
existe interesse por parte da iniciativa privada Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 4.147, que
e o Estado é que precisa intervir. O que confere se notabilizou por possuir uma tendência centra-
32 Valor análise setorial Saneamento Básico

lizadora de decisões no Poder Executivo Federal. específico: o de implementar a Política Nacional


Nesse projeto, a Agência Nacional de Águas (ANA) de Recursos Hídricos.
exerceria o papel de entidade reguladora federal. Parece estar cada vez mais decidido, juridica-
O projeto enfatizava a regulação, com vistas à mente, que a regulação na área de saneamento
concessão dos serviços de água e esgotos, e estabe- – implementação de regras e posterior fiscalização
lecia como diretriz a organização dos serviços com de seu cumprimento – deve ser realizada por quem
base em bacias hidrográficas e estrutura de rede ur- concede o serviço, ou seja, o município ou o estado.
bana. Definia o município como titular dos serviços Como já salientado, os serviços de água e es-
públicos de saneamento de interesse local e o esta- goto possuem características de monopólio. Por
do, dos serviços de interesse comum, situados em isso, devem ser fiscalizados para que não ocor-
regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. ram aumentos abusivos de preços ou a queda de
O PL 4.147/2001 foi apensado ao PL nº 2.763. sua qualidade.
Para apreciá-los foi criada Comissão Especial, O objetivo desse poder regulatório é, por um
da qual foi relator o deputado Adolfo Marinho. lado, garantir à população, no menor espaço de
Foram apresentadas 224 emendas, todas ao PL tempo possível, a universalização dos serviços de
4.147/01. O PL 4.147/2001 tramitou, inicialmente, abastecimento de água e principalmente de cole-
em regime de urgência, que depois foi retirado. O ta e tratamento de esgoto; e, por outro, permitir
relator apresentou parecer aprovando a ambos os que os investimentos realizados no setor pelos
projetos na forma de um substitutivo, mas o pare- agentes sejam passíveis de retorno, como em
cer nem sequer chegou a ser votado. qualquer atividade econômica, o que é possível
No governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-), por intermédio de uma política tarifária ajusta-
o termo privatização perdeu parte de sua força. da e regulada com o interesse de prover o serviço
Em vez dele, os novos gestores, localizados no em bases sólidas.
novo Ministério das Cidades, propuseram a ela- Assim, a competência do município, de con-
boração de um modelo que buscasse a parceria formidade com o artigo 30, Inciso V da Consti-
da União, dos estados e dos municípios na solu- tuição Federal, é de organizar e prestar o serviço
ção dos problemas dos serviços públicos brasi- público de interesse local, que se desenvolve nos
leiros. A mesma parceria poderia ser oferecida limites territoriais do município. O que está fora
à iniciativa privada, mas a critério dos próprios desses limites submete-se a outra interpretação
municípios e estados. da articulação de novos preceitos constitucio-
A idéia inicial era estimular a realização de con- nais, pois tratam de serviços comuns a dois ou
sórcios e convênios de cooperação entre os entes mais municípios.
federados, com a gestão associada dos serviços de Nessa direção, a Constituição prevê no art.
água potável, esgotamento sanitário, habitação po- 241 a chamada gestão associada de serviços pú-
pular, transporte urbano e preservação ambiental. blicos, a ser desenvolvida por meio de consórcios
A intenção primeira do Ministério das Cida- públicos ou convênios de cooperação entre os
des era equilibrar as empresas estatais estaduais municípios (entre si ou, ainda, com a participa-
de saneamento, que passariam a ser os principais ção do estado) e os estados.
instrumentos dessas parcerias. Com as dificulda- Essa gestão, que é voluntária, depende de uma
des de aprovação de uma lei federal que regule lei municipal disciplinadora. Pode ocorrer situa-
todo o setor, ganhariam força assim as regula- ção em que o interesse público determine a reali-
mentações estaduais, contemplando as especifi- zação dos serviços numa perspectiva regional e,
cidades dos diferentes estados da União. portanto, mais ampla.
Nessas circunstâncias, a Constituição prevê
Marco regulatório no artigo 25 § 3º a competência do estado para
A definição de um marco regulatório específi- organizar, planejar e executar funções públicas
co para o setor de saneamento é uma das maiores de interesse comum, entre as quais se destacam
demandas dos agentes do setor. Embora possa os serviços de saneamento básico. A titularidade
parecer uma atribuição da Agência Nacional de do estado se instrumentalizaria por meio de Lei
Águas (ANA) como se tentou estabelecer no go- Complementar que institui regiões metropolita-
verno anterior, esta foi instituída com propósito nas, aglomerações urbanas e microrregiões.
Ambiente regulatório Saneamento Básico Valor análise setorial 33

Tal interpretação gera controvérsias: no caso Jobim, disseram que, mesmo nessas regiões, a ti-
das regiões metropolitanas, pelo projeto de Lei nº tularidade é dos municípios.
4.147, apresentado no governo Fernando Henri- Apesar disso, os ministros demonstraram en-
que Cardoso, a titularidade passaria aos estados, tender que não existe soberania municipal plena
com os municípios desses entornos perdendo a no caso de redes interdependentes. Na interpreta-
sua autonomia. ção, as decisões e ações referentes à organização e
No governo Lula, a preferência é pelo controle à forma de prestar os serviços de abastecimento
dos municípios mesmo nas regiões em que os ser- de água e coleta de esgoto devem ser tomadas por
viços atendam a mais de um deles, como é o caso um colegiado do qual participem todos os muni-
das regiões metropolitanas. Pelo projeto de lei or- cípios envolvidos.
dinária elaborado pelo governo federal, apresen- Um ponto favorável às companhias estaduais
tado em dezembro de 2003, a concessão será dada foi a tendência manifestada no voto do ex-presi-
pelo poder (município, Estado ou União) que for dente do tribunal, de não permitir a divisão dos
responsável pela bacia hidrográfica em questão e serviços em etapas nem para efeitos de definição
não pelo município-sede das concessionárias. do município titular nem para escolha de dife-
rentes operadores.
A questão da titularidade Admitiu-se a viabilidade técnica de, por exem-
O problema em relação à titularidade começou plo, entregar a distribuição de água a uma empre-
a se evidenciar na década de 1970, quando foram sa concessionária e a captação e o tratamento a ou-
criadas as companhias de saneamento estaduais. tra. Sob o ponto de vista econômico-financeiro, no
Embora a Constituição já definisse como responsá- entanto, o parecer atenta para a complexidade da
vel pelos serviços os municípios, no âmbito do Pla- operação, dado que a tarifa só pode ser cobrada do
nasa (Plano Nacional de Saneamento) essa função consumidor na etapa da distribuição.
foi na prática passada para os governos estaduais. Para os ministros, a Constituição Federal per-
Segundo a Constituição brasileira, no país com- mite aos estados apenas instituir as regiões, por
pete aos municípios a prestação, direta ou indireta, lei complementar, para que os respectivos mu-
dos serviços de saneamento básico, decorrendo daí nicípios possam integrar os serviços públicos de
sua competência para concedê-los, sempre median- interesse comum a todos.
te licitação pública, à iniciativa privada.
Mas o Art. 30 (Inciso V), o Art. 23 (Incisos VI Política tarifária
e IX) e o § único da Constituição salientam que, Para que sejam regulamentados os mecanis-
“quando os serviços se destinarem ao atendimen- mos para a instituição de uma política tarifária
to de um único município, a competência para sua ajustada economicamente, um importante as-
prestação será municipal; quando os serviços se pecto a ser discutido no futuro marco regulatório
destinarem ao atendimento de dois ou mais muni- é a questão dos subsídios.
cípios, a competência para sua prestação será co- Essa questão é importante, pois, em um sentido
mum entre os municípios envolvidos e o estado”. estritamente econômico, as tarifas praticadas pelas
Apesar dos preceitos do Artigo 30, decisões empresas não podem sofrer interferências políticas
recentes apontam para um tendência do Supre- e devem refletir os custos reais dos serviços, além de
mo Tribunal Federal em deixar o controle sobre o permitir a remuneração do capital e contemplar a
saneamento com os municípios. capacidade de investimentos futuros.
Em março de 2006, no julgamento de duas Atualmente, uma prática bastante utilizada
ações diretas de inconstitucionalidade (Adins), é a dos subsídios cruzados, por meio da qual são
percebeu-se a tendência do STF de derrubar as transferidos recursos de uma região a outra, per-
leis estaduais que atribuem aos estados a compe- mitindo que os serviços sejam estendidos tam-
tência para decidir sobre a prestação dos serviços bém às áreas mais pobres.
de saneamento básico em regiões metropolitanas Essa política possibilita o financiamento dos
e outras áreas onde um mesmo sistema atenda a serviços de saneamento onde o empreendimento
dois ou mais municípios. não consegue ser rentável, dado o baixo poder
Os três ministros que definiram posição, en- aquisitivo dos moradores e às deseconomias de
tre eles o então presidente do tribunal, Nelson escala dos pequenos municípios. A Associação
34 Valor análise setorial Saneamento Básico

das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) outros se encontram na mesma situação. Pela Lei
defende a manutenção dessa prática. nº 8.987/95, é necessária a abertura de licitação
O financiamento do subsídio cruzado se dá, para que os serviços sejam concedidos.
fundamentalmente, com a tarifa progressiva. Por Em São Paulo, a maior cidade do país, a com-
meio dela, as pessoas que consomem menos água panhia estadual Sabesp opera desde a década de
pagam menos e aquelas que têm maior consumo 1970 sem contrato de concessão e sem nenhuma
pagam tarifas diferenciadas. ingerência do município, tendo, no entanto, rea-
A aplicação de tarifas diferenciadas, por parte lizado grandes investimentos no município.
dos prestadores de serviços públicos, está prevista Em levantamento realizado pelo SNIS em
no artigo 13 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 2001, em um universo pesquisado de 3,8 mil mu-
1995, que regulamenta o artigo 175 da Constitui- nicípios, 310 deles tinham suas concessões venci-
ção Federal, e que determina que “as tarifas pode- das, e 336 operavam sem contratos de concessão.
rão ser diferenciadas em função das características
técnicas e dos custos específicos provenientes do Projeto de Lei 1.144/03 – 5.296/05
atendimento aos distintos segmentos de usuários”. Atualmente, novos projetos de lei (PL) estão
Por outro lado, alguns agentes do mercado, tramitando no Congresso Nacional na tentativa
como a Associação das Concessionárias Privadas de consolidar o marco regulatório do setor. Em
de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), 2005, foi formada uma comissão especial para
contestam essa prática e sugerem a identificação analisar o Projeto de Lei nº 1.144/03, da deputa-
clara das transferências, defendendo a necessida- da Maria do Carmo Lara (PT-MG), ao qual estão
de da introdução de subsídios diretos no setor, apensadas outras cinco propostas. Entre elas está
mecanismo pelo qual seriam atendidas as áreas o PL 5.296/05, do Poder Executivo, que foi usado
mais pobres e as comunidades mais carentes. como base pelo relator da comissão.
Na mesma linha, a Associação Brasileira para Apresentada no fim de 2005 pelo deputado
o Desenvolvimento das Indústrias de Base (Ab- Júlio Lopes (PP/RJ), em linhas gerais, a proposta
dib) destaca a necessidade de criação de subsídios sugere a classificação dos serviços de saneamento
para as classes de baixa renda. A entidade propõe como de interesse local ou comum.
a criação do “vale-água”, custeado por recursos Na proposta, o município assumirá o serviço
públicos do orçamento e destinado à população quando todo o sistema de água e esgotamento sa-
que não teria condições de pagar pelo serviço. nitário ficar dentro dos seus limites geográficos. Se
Um outro aspecto que deverá ser definido é qualquer uma das etapas de tratamento de água e
a vinculação de cobrança entre tarifa de esgoto esgoto e de distribuição de água abranger mais de
e água (atualmente, na média de 80%). A Abcon um município, o serviço será de interesse comum.
considera necessária a criação de subsídios e faci- Isso significa que o município poderá contratar ou
lidades de financiamento para fomentar as obras estabelecer convênios com as companhias estadu-
em esgoto, pois se trata de investimento de capital ais para garantir o saneamento local.
intensivo e seu prazo de retorno é muito longo. Entre as diretrizes gerais do relatório, estão
as garantias da universalização do serviço, da in-
Contratos de concessão tegralidade do sistema e da regularidade, da efi-
Na década de 1970, com a criação das compa- ciência, da segurança e do bom atendimento ao
nhias estaduais, boa parte dos municípios (hoje, público, entre outras.
são cerca de 3,8 mil dos 5,5 mil existentes no país) As dificuldades para a aprovação da proposta
concedeu os serviços de saneamento às operado- podem ser sentidas pelo número de emendas apre-
ras estaduais. sentadas: 862. Muitas, no entanto, são repetitivas.
Verifica-se, atualmente, que grande número O relatório terá de ser votado na comissão especial
deles se encontra com contratos vencidos ou a para depois passar pelo plenário da Câmara, o que
vencer em curto prazo. Em alguns casos, como não havia ocorrido até junho de 2006.
na maioria das capitais, as companhias estaduais No entanto, com a perspectiva de eleições gerais
atuam sem ter firmado contrato de concessão. no segundo semestre de 2006, existe uma grande
Da mesma forma, os vários municípios que possibilidade de que a votação desse importante
foram criados a partir do desmembramento de projeto de lei seja postergada para o próximo ano.
Ambiente regulatório Saneamento Básico Valor análise setorial 35

Pontos fundamentais rio sistêmico, baseado em planos nacional, regio-


No tocante aos serviços de saneamento, a pro- nais, estaduais e locais de saneamento, poderia
posta do relator dos projetos de saneamento se retardar e até inviabilizar a expansão e a melho-
concentrou em três pontos fundamentais: a titu- ria dos serviços.
laridade, a distribuição dos recursos do Sistema Além disso, em sua visão, no estabelecimento
Nacional de Saneamento (Sisnasa) e os subsídios. de competências dos órgãos colegiados, a redação
empregada não deixa claro que estes são consulti-
Titularidade vos, o que poderá gerar conflitos com as entidades
Para o relator, a titularidade é uma matéria reguladoras e transformar processos decisórios
constitucional e não pode ser resolvida por meio simples em batalhas políticas e judiciais.
de lei ordinária. Cita para isso a tramitação, no Su- No substitutivo, o relator simplifica a estrutura
premo Tribunal Federal, da Ação Direta de Cons- do Sisnasa e dá mais flexibilidade às condições exi-
titucionalidade nº 1.842, em que são contestados gidas para que estados, Distrito Federal e municí-
dispositivos de lei do estado do Rio de Janeiro que pios participem da Política Nacional de Saneamen-
transferem ao governo estadual a competência to Básico, além de propor a revisão da redação das
para prestar serviços de saneamento básico na competências dos órgãos colegiados, esclarecendo
região metropolitana do Rio de Janeiro e na mi- que estes são consultivos e não deliberativos.
crorregião de Cabo Frio. A proposta visa:
a) gerar estabilidade aos instrumentos de con- A questão dos subsídios
tratação dos serviços de saneamento, ou de partes Os subsídios são necessários nas regiões e
ou atividades destes, às empresas estaduais de sa- em municípios deficitários. Para isso, é preciso
neamento, ou outras entidades estaduais, muni- criar meios que tornem tais transferências mais
cipais ou do Distrito Federal; transparentes. O PL 5.296/2005 propõe a substi-
b) viabilizar a obtenção de escalas econômi- tuição do subsídio cruzado por meio de tarifas
cas para a prestação de serviços de água e esgotos regionais, atualmente praticado pelas compa-
mediante regionalização tarifária, possibilitan- nhias estaduais de saneamento, por fundos de
do a continuidade da prestação desses serviços a universalização. Essa substituição seria feita em
pequenas comunidades e a municípios onde eles três anos, para municípios com população a par-
tenham custos muito elevados; tir de 100 mil habitantes, e em cinco anos para
c) permitir a utilização das múltiplas formas os demais casos.
de prestação dos serviços de saneamento básico Os prestadores de serviços de abrangência
que vêm evoluindo no Brasil, de acordo com as regional, principalmente as companhias estadu-
variações sociais, econômicas e naturais do país. ais de saneamento, alegam que com essa deter-
minação o projeto, na prática, proíbe o subsídio
Os recursos do Sisnasa cruzado inviabilizando a prestação regionali-
A distribuição dos recursos do Sistema Nacio- zada dos serviços de água e esgotos, mediante
nal de Saneamento (Sisnasa), criado pelo Projeto a qual os municípios de pequeno porte ou com
de Lei 5.296/05, do Poder Executivo, é um dos seus serviços muito caros são subsidiados por outros
pontos mais polêmicos. De acordo com o projeto, com sistemas rentáveis.
para ter acesso aos recursos da União (ou por ela A proposta do relator prevê os seguintes pontos:
gerenciados), os estados, Distrito Federal e muni- a) estabelecer diretrizes para a prestação re-
cípios estarão subordinados a critérios e decisões gionalizada de serviços de água e esgotos, com-
do Ministério das Cidades, como órgão central. patibilizando-a com os mecanismos de convê-
Além disso, a obtenção desses recursos fica- nios e consórcios públicos, nos termos do art. 241
ria subordinada a órgãos colegiados de âmbi- da Constituição e da Lei nº 11.107/2005, orientan-
to federal (Conferência Nacional das Cidades e do sobre o planejamento conjunto dos serviços,
Conselho das Cidades) e seus similares em nível estimulando a continuidade das delegações dos
estadual e municipal. serviços às empresas ou autarquias estaduais, en-
O relator da proposta acredita que um sistema tre outros aspectos;
como esse não funcionaria em um país grande b) disciplinar a cobrança dos serviços públicos
como o Brasil. Segundo ele, um processo decisó- de saneamento básico com base em taxas e tarifas
36 Valor análise setorial Saneamento Básico Ambiente regulatório

regionalizadas, com a obrigação, por exemplo, de inclusive com a quebra do pacto federativo em re-
que a entidade prestadora dos serviços atualize lação às responsabilidades dos entes federados na
e divulgue, periodicamente, as tarifas de equilí- prestação dos serviços de saneamento básico.
brio e os custos dos serviços para cada localidade No documento, a FNSA pontua os principais
e para toda a região servida; problemas encontrados no substitutivo do relator
c) facultar – não obrigar – a estados, Distrito Júlio Lopes, sobre o PL 5.296/05, que foi divulgado
Federal e municípios a criação de fundos destina- em coletiva de imprensa no dia 16 de dezembro,
dos a subsidiar diretamente a prestação de servi- sem antes ter sido apresentado para as entidades
ços públicos de saneamento básico em localida- que participaram do processo de discussão sobre
des onde estes não possam ser sustentados pela o projeto de lei encaminhado pelo governo.
cobrança de taxas e tarifas. Segundo a entidade, o substitutivo pode ser
considerado uma reedição do PL 4.147/2000, por-
Críticas ao substitutivo que busca retirar dos municípios a autonomia
Logo após a apresentação do parecer do relator para a gestão do saneamento.
do PL 5.296/05, as críticas já começaram a surgir. Além disso, argumenta que a redação original
Entidades como o Instituto de Defesa do Consumi- do Projeto 5.296 assegurava quantidade mínima
dor (Idec) e a Frente Nacional pelo Saneamento Am- de água em casos de restrição de consumo de
biental (FNSA) argumentam que o projeto inicial usuários de baixa renda, dos estabelecimentos de
sofreu tantas emendas que acabou desvirtuado. saúde, educacionais e de internação coletiva. No
Com isso, não se garante mais, por exemplo, substitutivo, o relator subtraiu os direitos dos ci-
o fornecimento mínimo de água para famílias dadãos no que refere à restrição de acesso à água
de baixa renda, hospitais e escolas, em caso de em condições de inadimplência.
inadimplência. Além de ter sido excluída, ou mi- Em outro ponto, a FNSA critica a simplifica-
nimizada, a possibilidade de participação da so- ção feita pelo relator, pois entende que ele reduz
ciedade na tomada de decisões sobre as políticas o papel dos conselhos e esvazia a participação da
de saneamento. sociedade civil na formulação e execução das po-
Em documento apresentado a parlamentares líticas, no planejamento, regulação e fiscalização
em fevereiro de 2006, a Frente Nacional pelo Sa- dos serviços públicos de saneamento.
neamento salienta que o Projeto de Lei 5.296/05, A Frente Nacional pelo Saneamento Ambien-
apensado aos demais projetos de saneamento na tal defende que os Conselhos ligados ao sane-
Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara amento em todos os níveis de governo tenham
dos Deputados, sofre risco de descaracterização, caráter deliberativo.
Saneamento Básico Valor análise setorial 37

Os principais agentes

Os principais
agentes
O setor de saneamento básico no Brasil é majo- Cerca de 1,6 mil municípios (46% deles loca-
ritariamente controlado pelo poder público. Calcu- lizados nos estados de Minas Gerais e São Paulo)
la-se que aproximadamente 92% do setor de águas controlam os seus próprios sistemas de saneamen-
ainda é controlado pelo Estado, estando a partici- to, sendo conhecidos como sistemas autônomos.
pação privada restrita a alguns poucos municípios. A concessão dos serviços é outorgada pelos
Com a perspectiva de uma maior definição municípios, que – constitucionalmente – detêm
das regras de regulação do setor que permita um os direitos sobre a água e a exploração dos servi-
maior horizonte de planejamento por parte dos ços de saneamento.
agentes envolvidos, o potencial desse mercado Nos últimos anos, esse modelo quase homo-
mostra-se bastante amplo. gêneo de prestação de serviços na área tem pas-
A estrutura atual do setor foi configurada sado por várias alterações, ainda que tímidas. No
pelo Plano Nacional de Saneamento (Planasa), fim dos anos 1990, alguns governos estaduais
criada em 1969 e lançada em 1971, com o objeti- tomaram iniciativas no sentido de reestruturar
vo de promover a auto-sustentação financeira do as suas operadoras, com vistas a uma potencial
sistema e a eliminação dos déficits de atendimen- privatização, como foi o caso da Cedae (conces-
to no setor, por meio da criação das companhias sionária do estado do Rio de Janeiro) e da Cesan
estaduais de saneamento básico (Cesb´s). (Espírito Santo), embora as vendas não tenham
As Cesb´s tinham os seus recursos transferi- sido levadas a efeito.
dos pela União, por meio do BNH (Banco Nacio- Por sua vez, a Sanemat (Mato Grosso), em vista
nal da Habitação), com fundos do FGTS (Fundo de de sua precária condição financeira, municipa-
Garantia por Tempo de Serviço). lizou a prestação de serviços, devolvendo os sis-
Desde o fim do Planasa, em meados da década temas locais de oferta de serviços sanitários às
de 1980, o setor de saneamento básico brasileiro prefeituras municipais. Logo após, o governo de
deixou de ter um planejamento global. Com a bai- Mato Grosso extinguiu a Sanemat.
xa capacidade de investimento dos governos esta- A Sanepar (Paraná) e a Sabesp (São Paulo), por
duais e municipais e enfrentando assim grandes sua vez, utilizaram uma estratégia que buscou rees-
dificuldades para suprir as necessidades dos ser- truturar internamente a companhia. Privatizaram
viços, o setor (e a sociedade) passou a demandar sistemas operadores, abriram o capital da empresa
um novo modelo de atuação e organização que e modificaram os padrões técnicos de operação.
fizesse caminhar no sentido da ampliação e oti- No cenário atual, em que ainda se vive um
mização dos serviços. momento de transição após o início das trans-
Atualmente, a maior parte das operações do formações ocorridas na década passada, veri-
setor é realizada pelas 25 companhias estaduais de fica-se a existência de pelo menos três agentes
saneamento (Cesb´s), que detêm a concessão dos principais na prestação de serviços de sanea-
serviços em cerca de 3,8 mil municípios brasileiros. mento básico no Brasil:
38 Valor análise setorial Saneamento Básico

i) as empresas estaduais (companhias estaduais A grande parte dessas cidades está localiza-
de saneamento básico, também chamadas de Cesb´s); da nas regiões Norte e Nordeste, onde os cus-
ii) os serviços municipais (SAE´s); e tos são maiores, a capacidade de pagamento é
iii) as empresas privadas que adquiriram a conces- menor e, conseqüentemente, a inadimplência
são dos municípios para a exploração do negócio. também é maior.
O fato de esses agentes defenderem distintos in- Em relação à titularidade, a Aesbe entende que
teresses e posições explica, em parte, a dificuldade nas regiões metropolitanas a titularidade deve
de definição de um marco regulatório para o setor. ser estadual e o município participaria da gestão.
Nas áreas que não pertencem a regiões metropo-
Companhias estaduais litanas e não dependem de sistemas integrados, a
Segundo dados do SNIS, as companhias es- titularidade continuaria com os municípios.
taduais, atualmente em número de 25, prestam Apesar de a legislação atual conferir aos municí-
serviços de abastecimento de água a aproxima- pios o poder concedente, existem muitos pareceres
damente 3,8 mil municípios (69,6% do total de jurídicos que consideram as regiões metropolita-
municípios do país), mediante concessão, aten- nas como áreas de interesse comum, devido ao fato
dendo cerca de 95,1 milhões de pessoas, o que re- de a mesma legislação contemplar tal situação.
presenta 77% da população urbana abastecida. Embora sejam as mais importantes prestado-
No entanto, proporcionalmente essas em- ras de serviço no país, o conjunto das companhias
presas possuem menor presença na prestação de estaduais congrega empresas que convivem com
serviços de esgotamento sanitário, em termos situações muito distintas entre si. Enquanto a Sa-
de municípios atendidos. Apenas 762 municí- besp, prestadora paulista, auferiu receita líquida
pios, ou 13,8% do total, são servidos pelas com- de R$ 4,95 bilhões em 2005, empresas como Caer
panhias estaduais. (Roraima) e Caesa (Amapá) não obtiveram recei-
Isso significa que o serviço de esgotamento tas superiores a R$ 40 milhões.
sanitário prestado pelas Cesb´s concentra-se fun- Dessa forma, pode se dizer que as estaduais
damentalmente nas capitais e nas maiores cida- compartilham de um mesmo posicionamento
des de cada estado, o que explica o atendimento político, porém sua gestão e situação financeira
a 51% do total de habitantes servidos por redes diferem muito entre si. De acordo com dados da
coletoras de esgotos do país. Aesbe, menos de dez companhias estaduais são
As companhias estaduais estão representadas superavitárias hoje no país, a maioria delas con-
pela Associação das Empresas de Saneamento centrada nas regiões Sul e Sudeste.
Básico Estaduais (Aesbe). A associação defende o No Norte e Nordeste, com exceção de algumas
modelo institucional regionalizado por estado, companhias estaduais – como as da Bahia, Ser-
em que por meio do subsídio cruzado podem ser gipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará,
atendidos os municípios de pequeno porte, uma Paraíba e Pará –, as demais estão com sérias difi-
vez que estes não reúnem condições para opera- culdades financeiras, sem condições de fazer os
rem seus serviços de água e esgotos sem subsídios investimentos necessários.
orçamentários ou sem o apoio de outra entidade
estadual ou federal. Serviços municipais
Para a Aesbe, o modelo que visa o estímulo às As empresas municipais ou de serviços muni-
concessões privadas sob administração dos mu- cipais são responsáveis pela prestação de serviços
nicípios poderá fazer com que os investimentos na maior parcela dos demais 30,4% de municípios
se concentrem apenas nas cidades com popula- não atendidos pelas Cesb´s. A maior parte (64%)
ções de mais alta renda média. dos serviços municipais está concentrada no Su-
deste. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oes-
Grande participação te, representam apenas 26,5% do total do país.
As empresas estaduais de saneamento aten- Segundo dados da Associação Brasileira da
dem hoje cerca de 92% dos municípios brasileiros Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), exis-
mais pobres, e muitas delas apresentam dificul- tem no Brasil cerca de 1.683 municípios que ope-
dades financeiras, com reduzida, ou mesmo ine- ram seus serviços de abastecimento de água e
xistente, capacidade de captação de recursos. também de coleta e tratamento de esgotos.
Os principais agentes Saneamento Básico Valor análise setorial 39

A gestão do saneamento básico pelos próprios No país, a única companhia com atuação esta-
municípios pode ser exercida de forma direta, dual sob controle do capital privado é a Saneatins,
por meio de um departamento da prefeitura, ou do Tocantins. Em algumas companhias, o estado
de forma indireta, por meio de uma autarquia ou ainda mantém o controle, mas contam também
de empresa pública, de capital municipal ou mis- com a participação do setor privado em seu con-
to (ou privado, ver a seguir). trole acionário, como é o caso da Sabesp (São Pau-
lo), que tem ações negociadas na Bolsa de Valores.
As formas de gestão Outro exemplo é a Sanepar (Paraná), em que
Ainda segundo a Abdib, cerca de 500 muni- pouco mais de 30% do capital foi vendido para
cípios administram seus serviços de saneamento um grupo privado, o Dominó Holdings, formado
básico de forma direta e outros 500, de forma in- pelas empresas Veolia, Andrade Gutierrez, Op-
direta, como autarquias ou como departamen- portunity e Copel, que, juntas, detêm 34,7% do
tos; a outra parte, 683, administra sob a forma de capital total da companhia.
economia mista. Atraídas pelas Parcerias Público-Privadas
Para as empresas municipais de saneamento, (PPPs), as companhias Embasa (Bahia) e Copasa
a titularidade das concessões deve permanecer (Minas Gerais) também negociam projetos com o
como, no seu entender, prega claramente a Consti- setor privado.
tuição brasileira; ou seja, com os municípios, inclu- Nos municípios, no entanto, a presença priva-
sive nas regiões metropolitanas. A Associação das da é um pouco mais significativa. Entre elas estão
Empresas Municipais de Saneamento (Assemae), as que cuidam da água e do esgoto de Araruama,
que representa os serviços municipais, é também Saquarema, Cabo Frio, Campos e Niterói, todas
contra a instituição do subsídio cruzado. no estado do Rio, Manaus (capital do estado de
Entre as principais empresas de serviços mu- Amazonas) e Limeira, no interior paulista.
nicipais encontram-se as de municípios de porte
como Porto Alegre (RS) (1,36 milhão de habitantes), Investimentos previstos
Guarulhos (1,01 milhão) e Campinas (969,4 mil). O Brasil possui 70 concessões privadas de ser-
A título de ilustração, com 209,3 mil ligações viços de água e esgoto em operação, que atendem
de água e 186,7 mil ligações de esgoto, a Sanasa 69 municípios e 7 milhões de pessoas. O setor
(Sociedade de Abastecimento de Água e Sanea- privado deverá investir R$ 3,4 bilhões até o final
mento) de Campinas – administrada pelo poder desses contratos de concessão.
público – registrou lucro de R$ 34,7 milhões e uma Desse montante, R$ 1,1 bilhão já foi imple-
receita operacional total de R$ 294,3 milhões em mentado até dezembro de 2004, representando
2005. É um resultado superior ao de mais de uma 32,7% do total comprometido. A previsão para o
dezena de companhias estaduais. período 2005-2009 é de investimentos em torno
de R$ 591 milhões.
Concessionárias privadas As maiores cidades com concessionários priva-
No início da década de 1990, quando os mo- dos são Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Niterói
vimentos de privatização assumiram papel de (RJ). Em Ribeirão Preto (SP), os serviços de sanea-
destaque na economia brasileira, a possibilidade mento na área de esgoto foram cedidos à concessio-
de desestatização do setor de saneamento passou nária privada Ambient pelo então prefeito Antônio
a ser aventada como uma alternativa para a redu- Palloci. A concessão é considerada um modelo: em
ção do hiato de investimentos que se verificava 2001 foi construída uma Estação de Tratamento de
desde a derrocada do Planasa na década de 1980. Esgoto (ETE) para tratar 100% do esgoto da cidade.
Desde 1995, os serviços de fornecimento de A Associação Brasileira das Concessionárias
água e coleta de esgoto podem ser realizados por Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto
empresas privadas. No entanto, apenas 1% dos (Abcon) é a entidade que representa os interesses
5.561 municípios brasileiros teve seus serviços das empresas privadas do setor de saneamento.
de saneamento privatizados. Administradas por Para a associação, a população carente deve ser
companhias estrangeiras de saneamento e/ou atendida com serviços de água e esgoto por meio
empresas de engenharia nacional, elas atendem de subsídio direto proveniente de recursos públi-
cerca de 5% da população urbana. cos orçamentários.
40 Valor análise setorial Saneamento Básico

Com relação à titularidade, entende que o tex- dos nos oito primeiros anos de concessão e o retor-
to da Constituição é claro ao conferir a titularida- no do capital investido se dá em cerca de dez anos.
de aos municípios quando for de interesse local e
ao estado (ou a um consórcio compartilhado) no Águas de Niterói: um bom exemplo
caso de haver interesse comum. O consórcio Águas de Niterói assumiu a ges-
A entidade defende ainda que uma nova legis- tão do saneamento do município de Niterói (RJ)
lação do setor deverá prever que cada estado defina em novembro de 1999, num contrato de 30 anos.
em legislação própria a sua forma de organização Desde então, investiu R$ 148 milhões na cons-
dos serviços de saneamento integrados, respeitan- trução de redes de distribuição, elevatórias, re-
do suas características e peculiaridades. servatórios, redes coletoras de esgoto e estações
Em pouco mais de dez anos (desde 1995), ape- de tratamento.
nas 1% dos municípios privatizou o fornecimento A empresa apresenta expressivos indicado-
de água e coleta de esgoto. Para a Abcon, a falta res. Em abastecimento de água, a segunda cidade
de regulação para o serviço de saneamento deve mais importante do estado do Rio de Janeiro saiu
ainda inibir o crescimento da participação do se- de 46% de seu território abastecido por água de
tor privado no segmento, mesmo com as grandes qualidade para 100%. Em esgoto, ostenta a marca
possibilidades de negociação dos próximos três de 75% de esgoto coletado e tratado, com cinco es-
anos. Entre 2005 e 2008, centenas de contratos tações de tratamento funcionando.
de prestação de serviço entre as empresas (em sua Quando a empresa assumiu a gestão, ela com-
maioria estaduais) e as prefeituras (responsáveis prava da Cedae 1.750 litros de água por segundo
pela concessão) devem vencer. para abastecer 350 mil pessoas. Atualmente, estão
Apesar disso, as recentes decisões parciais do agregadas mais 110 mil pessoas com a mesma va-
STF e a experiência acumulada nos últimos dez zão, o que se deveu ao combate às perdas, que gi-
anos na realização de dezenas de contratos com ravam em torno de 40% a 45%, entre vazamentos,
as prefeituras tendem a diminuir os erros e mi- ligações clandestinas e falta de hidrometração.
nimizar os riscos políticos que se verificaram em Ao fim do período de concessão, todos os in-
alguns casos. vestimentos deverão ser revertidos para o muni-
A Abcon trabalha com a perspectiva de que, cípio e todo o patrimônio da Águas de Niterói na
em um período entre cinco e dez anos após esta- cidade será entregue à prefeitura municipal.
belecida a regulação, a presença do setor privado
poderia atingir 30% dos municípios. Pequenos municípios: atuação da Funasa
Nesse sentido, pesquisa realizada pelo Ibo- Em 2005, a Fundação Nacional da Saúde (Funa-
pe junto a 550 municípios, divulgada no fim de sa) empenhou R$ 667 milhões para financiar obras
maio de 2006 pela Abdib, mostrou que, para 82% em 1.767 municípios. A estimativa da fundação é
dos prefeitos entrevistados, a iniciativa privada de que as obras contratadas com esses recursos be-
deve participar dos processos sempre que o in- neficiem mais de 3,3 milhões de pessoas e gerem
vestimento público não atender às necessidades 159 mil empregos diretos em todo o país, além de
da população. movimentar a economia das cidades menores.
Essa participação deve abranger tanto investi-
mento quanto parceria na prestação e gestão dos Os projetos
serviços oferecidos. A resposta está vinculada ao As ações previstas nos convênios abrangem
fato de que apenas 22% dos municípios conside- desde grandes projetos de infra-estrutura, como
ram que suas necessidades nesse setor são atendi- redes de água e esgoto, até iniciativas menores,
das plenamente pelos investimentos públicos. como melhorias sanitárias em lares pobres – ins-
Para a associação, a regulação também é fun- talações de acessórios básicos no banheiro, como
damental para as empresas privadas, já que, com vasos sanitários, pias e chuveiros.
contratos de concessão de 30 anos, as empresas en- Dos R$ 667 milhões empenhados pela Funa-
frentam até sete diferentes mandatos municipais, sa para realização de obras, mais de um terço (R$
o que pode ocasionar renegociações de contrato. 226 milhões) foi para a implantação de redes de
Segundo a Abcon, entre 60% e 70% dos inves- coleta de esgoto, melhoria que deve beneficiar
timentos de uma empresa privatizada são realiza- cerca de 442 mil pessoas.
Os principais agentes Saneamento Básico Valor análise setorial 41

Os projetos para ampliar o abastecimento de lixo devem melhorar as condições ambientais em


água ficaram em segundo lugar entre os que mais cidades onde vivem 1,6 milhão de habitantes.
conseguiram recursos: R$ 168 milhões, ou 25% do As obras de reboque de casas de taipas e de
total. Esse investimento levará água encanada aos construção de novas residências de alvenaria re-
domicílios de aproximadamente 743 mil pessoas. ceberão R$ 16 milhões (2%) em recursos e devem
As ações de saneamento não especificadas te- beneficiar 12 mil pessoas. Essas medidas visam o
rão 17% dos recursos (R$ 115 milhões) e vão atender controle da doença de Chagas – transmitida pelo
cerca de 262 mil pessoas. Os R$ 75 milhões (11%) barbeiro, inseto que se abriga em lugares como
empenhados em ações de melhoria sanitária em as frestas das paredes feitas com bambu e barro.
residências pobres vão beneficiar 177 mil pessoas e O saneamento em comunidades indígenas terá
os R$ 52 milhões (8%) destinados ao tratamento de apenas 1% da verba, R$ 3,5 milhões.
42 Valor análise setorial Saneamento Básico

Desempenho

Desempenho
No Brasil, o índice médio de abastecimento de Evolução da oferta de serviços
água era de 95,4% em 2004, o último dado dispo- Quando o Planasa foi instituído, no fim da
nível. Em contrapartida, o esgotamento sanitá- década de 1960, menos de 50% da população ur-
rio apresentava índice médio ainda baixo, igual bana brasileira possuía acesso ao abastecimento
a 50,3%. Em relação ao tratamento dos esgotos de água. Como meta, se estabeleceu que até 1980
coletados, os resultados são ainda menores, com pelo menos 80% da população urbana deveria ter
índice médio nacional de apenas 31,3%. acesso ao sistema de água tratada e 50%, aos ser-
Em 2004, a receita das prestadoras de serviços viços de esgotamento sanitário.
foi de R$ 17,3 bilhões (12% superior em relação a Em 1975, essa meta foi revista, ganhando
2003) e as despesas com os serviços, incluindo de- um contorno especial: além de 80% da popula-
preciação de ativos, foram de R$ 16,4 bilhões (acrés- ção, 80% das cidades brasileiras e regiões me-
cimo de 8,5% em comparação ao ano de 2003). Em tropolitanas deveriam estar servidas com água
ambos os casos, a variação foi superior à inflação potável até 1980.
de 2004, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Na mesma ocasião, não foram definidas me-
Consumidor Amplo (IPCA), igual a 7,6%. tas concretas para a coleta de esgotos e o seu
O número de empregos envolvidos diretamen- tratamento. Passados pouco mais de 30 anos,
te com a prestação dos serviços em 2004 foi de 165 o acesso ao abastecimento de água já atingia
mil, dos quais 112 mil gerados pelos próprios pres- praticamente 90% dos domicílios urbanos em
tadores de serviços e atividades terceirizadas. 2000 (Tabela 7).

Evolução dos serviços de água e esgotos no Brasil (%)


T7

Indicadores 1960 1970 1980 1990 2000

Abastecimento de água
Domicílios urbanos – rede geral 41,8 60,5 79,2 86,3 89,8
Domicílios rurais - rede geral 1,3 2,6 5,0 9,3 18,1

Esgotamento sanitário
Domicílios urbanos – rede de coleta 26,0 22,2 37,0 47,9 56,0
Domicílios urbanos – rede + fossas sépticas 19,6 25,3 22,9 20,9 16,0
Domicílios rurais - rede de coleta 0,3 0,4 1,4 3,7 3,3
Domicílios rurais – rede + fossas sépticas 2,6 3,2 7,2 14,4 9,6

Fontes: IBGE, Censos Demográficos 1970, 1980, 1990, 2000.


Saneamento Básico Valor análise setorial 43

Américas : população sem acesso a redes de esgoto - 2000


G9 Em %

100
92,9
90

80 79,0
72,0
70
61,6
60 57,6
51,3 52,5 53,8
50 47,3
41,7 42,6
40 39,8

30
22,9 23,2 23,2
20

10

0
Chile EUA Canadá Colômbia México Venezuela Peru Argentina Brasil Uruguai Equador Cuba Bolívia Costa Rica Paraguai

Fonte: OPS/OMS - Avaliação 2000

Água e esgoto: resultados desiguais Apenas cerca de 10% do total de esgotos pro-
Os resultados do Planasa foram bastante duzido recebe algum tipo de tratamento, sendo
satisfatórios no tocante ao abastecimento de o restante despejado diretamente nos solos, rios,
água. Entre os anos de 1970 a 2000, o atendi- córregos e nascentes, transformando-se em po-
mento com água potável evoluiu de 60% dos tencial fonte de degradação do meio ambiente,
domicílios urbanos para 90%, ao mesmo tem- além de conduzir à proliferação de doenças in-
po em que essa população saltou de 55 milhões fecciosas e parasitárias (Tabela 8).
para 167 milhões de pessoas. Quanto à coleta O Planasa permaneceu em vigor até 1986,
de esgoto, a cobertura evoluiu de 22% dos do- quando foi formalmente extinto junto com o
micílios urbanos para 56%. BNH. A crise econômica dos anos 1980 tornou
No entanto, com relação ao esgotamento sa- mais difícil o crédito, o que levou as companhias
nitário, os resultados obtidos não foram tão aus- estaduais e estados a se endividarem cada vez
piciosos; embora a população incorporada a esse mais com a União.
serviço tenha sido significativa, os indicadores de Segundo dados da Secretaria Nacional de
coleta e tratamento de esgotos ainda são insatis- Saneamento Ambiental, vinculada ao Ministé-
fatórios. Com isso, o país apresenta desempenho rios das Cidades, a dívida das companhias es-
inferior ao de vários países da América do Sul taduais de saneamento atingia cerca de R$ 16
nesse quesito (Gráfico 9). bilhões em 2004.

Proporção de municípios, por condição de esgotamento sanitário,


T8 segundo as grandes regiões - 2000
Grandes regiões Proporção de municípios, por condição de esgotamento sanitário (%)
Sem coleta Só coletam Coletam e tratam

Norte 92,9 3,5 3,6


Nordeste 57,1 29,6 13,3
Sudeste 7,1 59,8 33,1
Sul 61,1 17,2 21,7
Centro-Oeste 82,1 5,6 12,3
Brasil 47,8 32,0 20,2

Fonte: IBGE.
44 Valor análise setorial Saneamento Básico

Situação de abastecimento de água e coleta de esgoto, por região - 2000


G10 Em % de atendimento
Abastecimento Coleta de esgoto
100

90 88,33
80,06 77,82
80
73,19 73,42
70 66,39
60

50 48,01 47,24
40
33,27
30
29,56
25,11
20

10
9,64

0
Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil

Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, IBGE.

A despeito dos resultados alcançados, uma também que o volume de água distribuída sem
crítica que se faz ao Planasa é a de que ele foi prin- tratamento quase dobrou no período, passando
cipalmente direcionado à montagem do sistema, de 3,9%, em 1989, para 7,2% em 2000.
ou seja, a ênfase era dada à construção e não à sua Ainda que o abastecimento de água pareça
operação, o que acabou por determinar – em mui- próximo da universalização (em termos de muni-
tos casos – a sua ineficiência operacional, o alto cípios), ele também apresenta problemas no Bra-
índice de desperdício de água e o conseqüente sil, pois a sua distribuição é bastante desigual nas
endividamento das empresas do setor. diferentes regiões do país. O serviço concentra-se
Além disso, muitos foram os municípios que principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
acabaram por não aderir ao Planasa, preferindo A desigualdade manifesta-se em dois índices:
manter a sua autonomia, prejudicando os obje- no volume diário per capita de água distribuída
tivos de economia de escala pretendidos quando por rede geral, que na Região Sudeste é o dobro
da criação das Cesb´s. do computado na Região Nordeste; e também no
Após o grande incremento nos serviços nas fato de que a maior parte dos 116 municípios sem
décadas de 1970 e 1980, o setor cresceu muito rede geral de abastecimento em 2000 estava situ-
pouco na década de 1990. Segundo dados da ada nas regiões Norte e Nordeste.
Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000, Tendo como unidade de análise os domicílios
realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia permanentes, a situação de abastecimento e de
e Estatística (IBGE), entre 1989 e 2000, o número coleta de esgotos apresenta números mais baixos,
de municípios com algum tipo de serviço sanitá- mas a mesma situação de desigualdade.
rio aumentou 10%, passando de 47,3% para 52,2%, Enquanto na Região Sudeste, o abastecimen-
um número ainda bastante tímido. to de água por rede atinge 88,3% dos domicílios,
No caso do abastecimento de água, o servi- na Região Norte, esse número não ultrapassa os
ço consegue atender aproximadamente 98% dos 48%, ao passo que no Nordeste é de 66,4%; nes-
municípios brasileiros. Por outro lado, apenas sas regiões, o uso de poços, chafarizes, bicas ou
33,5% do número de domicílios recenseados são minas e caminhões-pipa e a captação direta nos
atendidos por rede geral de esgoto. Na Região cursos d’água são as alternativas mais comuns
Norte do país, cerca de 93% dos municípios não de abastecimento.
dispõem desse serviço. Em relação ao esgotamento sanitário, a discre-
No Brasil, dos 52,2% dos municípios que con- pância é ainda mais evidente: na Região Sudeste
tam com rede de esgoto sanitário, apenas 20,2% atinge 73,4% dos domicílios, ao passo que na Nor-
tratam o esgoto coletado. A pesquisa verificou te essa proporção é de apenas 9,6% (Gráfico 10).
Desempenho Saneamento Básico Valor análise setorial 45

Tipos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, por


T9 domicílio permanente - 2000
Variável Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Forma de abastecimento de água


Rede geral 77,8 48,0 66,4 88,3 80,1 73,2
Poço ou nascente (na propriedade) 15,6 39,4 16,1 9,9 17,5 24,0
Outra forma 6,6 12,6 17,5 1,7 2,4 2,8

Tipo de esgotamento sanitário


Rede geral de esgoto ou pluvial 47,2 9,6 25,1 73,4 29,6 33,3
Fossa séptica 15,0 26,0 12,8 8,9 34,2 7,5
Fossa rudimentar 23,7 41,6 34,0 8,9 29,0 53,1
Outros tipos de escoadouro* 5,9 9,1 4,5 7,1 5,1 1,8
Não tinham banheiro nem sanitário 8,3 13,6 23,6 1,7 2,1 4,3

Fontes: Censo Demográfico, IBGE. * Vala, rio, lago, mar e outros.

As formas de abastecimento de água e de esgota- Em outros 15, o valor cobrado por metro cú-
mento utilizadas nos domicílios permanentes brasi- bico de água mais que dobrou (Goiás, Distrito Fe-
leiros, por região, estão apresentadas na Tabela 9. deral, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Espírito
Santo, Ceará, Rio de Janeiro, Rondônia, Paraná,
Redução do consumo de água Maranhão, Mato Grosso do Sul, Amapá, Santa Ca-
Entre 1995 e 2004, os brasileiros passaram a tarina, Pará e Roraima).
gastar menos água a cada ano. O consumo médio E somente em São Paulo, Piauí e Tocantins o
por residência ou estabelecimento comercial caiu aumento ficou abaixo de 100%. As companhias do
em pelo menos 24 das 27 unidades da Federação, Acre e Tocantins não dispõem dos dados referen-
segundo dados da principal prestadora de servi- tes a 1995.
ço de cada estado, levantados pelo Sistema Nacio- Essas variações de preço interferiram direta-
nal de Informações de Saneamento (SNIS). mente no volume de água distribuído, dado que
Os estados de Pernambuco e Rondônia tiveram a tarifa é, ao lado da renda, o maior determinante
as maiores reduções, com uma retração de mais de do consumo. O valor cobrado pela água só não
50% entre 1995 e 2004. Pará e Amapá, que tinham os afeta o comportamento de dois tipos de clien-
maiores consumos por cliente em 1995 – superior a tes: os muito ricos, que independentemente dos
32 metros cúbicos (32 mil litros) por mês –, cortaram custos podem continuar consumindo no mesmo
essas taxas em 47,2% e 23,5%, respectivamente. nível, e os muito pobres, que utilizam somente a
A diminuição do consumo foi provocada pelo quantidade realmente necessária.
aumento da tarifa e pela queda da renda média do O estado que apresentou a maior redução
brasileiro. Contribui também o fato de, após a crise de consumo entre 1995 e 2004 foi Pernambuco
energética de 2001, as pessoas terem adquirido há- (56,2%), onde o volume médio por domicílio ou
bitos que contribuem para economizar água. Elas estabelecimento comercial caiu de 32,77 para
se acostumaram a ficar menos tempo no chuveiro, 17,29 metros cúbicos por mês.
por exemplo, ou a não lavar roupa todos os dias, Nesse mesmo período, a tarifa cobrada pela
preferindo esperar a máquina encher para usá-la. Compesa (Pernambuco) quase triplicou, subindo
de R$ 0,52 para R$ 1,52 por metro cúbico de água.
Forte aumento das tarifas O cenário é semelhante ao de Rondônia, que regis-
Entre 1995 e 2004, a tarifa de água nominal trou uma retração de 53,6% no consumo e um au-
mais que triplicou em cinco estados (Rio Grande mento de 164% no preço cobrado por metro cúbico
do Sul, Alagoas, Minas Gerais, Sergipe e Paraíba). de água – o segundo mais caro do país: R$ 2,25.
46 Valor análise setorial Saneamento Básico Desempenho

Seguindo a mesma linha, a Cosanpa (do Pará), Até mesmo telefonia (117,10%) e ônibus urbano
que tinha o maior consumo médio em 1995 (68,56%), constantemente citados como impul-
– 32,77 metros cúbicos mensais por cliente –, re- sionadores da inflação nos últimos anos, tiveram
gistrou a terceira maior redução (47,2%), o que fez altas menores.
a taxa cair para 17,29 metros cúbicos em 2004. Segundo o SNIS, a alta das tarifas poderia estar
Nesses dez anos, a tarifa aumentou 135%, de R$ associada também, em alguns casos, às dificulda-
0,60 para R$ 1,41. des financeiras das empresas estatais, numa tenta-
Por outro lado, o estado com menor consumo em tiva de resolver problemas de caixa via preços.
1995, Alagoas (7,30 metros cúbicos por economia),
teve uma elevação de 15,2% no volume medido, que Sistema pré-pago
subiu para 8,41 metros cúbicos por mês – ainda as- Envolto em polêmica, o sistema pré-pago de
sim a menor taxa do país. Esse aumento, no entanto, acesso à água começou a funcionar no Brasil,
tende a refletir uma leve melhoria dos serviços, já numa experiência piloto da Saneatins, com aten-
que a alagoana Casal não vinha mantendo o forneci- dimento a 800 domicílios em Abadia de Goiás
mento constante em determinadas regiões. (GO) e em Palmas (TO), onde 100 domicílios tes-
Essas condições podem explicar, pelo menos taram o novo esquema.
em parte, por que os alagoanos fogem à regra da A Sabesp também estuda a aplicação da tec-
relação entre o preço e o uso de água. No mesmo nologia, mas diz não ter ainda interesse de colo-
período em que o consumo cresceu, a Casal mais cá-la em prática devido aos custos. O objetivo da
que triplicou o valor da tarifa, o que representou implantação de tal sistema é eliminar a inadim-
o segundo maior aumento do país (210%). Com plência. Se o consumidor não paga a sua conta,
isso, o metro cúbico de água passou de R$ 0,58 não tem acesso à água.
para R$ 1,80 entre 1995 e 2004. Há, no entanto, críticas de vários setores da
Essa elevação tarifária só superou a aplicada sociedade quanto à adoção dessa medida. O Ins-
pela Corsan (Companhia Riograndense de Sanea- tituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec),
mento), que quase quadruplicou o valor cobrado a Associação dos Serviços Municipais de Sanea-
dos consumidores. Esse forte aumento repercutiu mento (Assemae) e o Departamento de Proteção
diretamente no consumo, que recuou 38% entre e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério
1995 e 2004, passando de 18,38 para 11,39 metros da Justiça, por exemplo, argumentam que a água,
cúbicos por cliente. além do valor econômico, tem fundamental im-
Os dados do Piauí mostram que, apesar de ser portância para a saúde pública. As entidades te-
o principal determinante, não é somente o preço mem que a exigência do pré-pagamento deixe os
que influencia o consumo. A tarifa cobrada pela mais pobres desabastecidos ou os faça terem de
Agespisa (Águas e Esgoto do Piauí) foi a que me- escolher entre água, comida ou remédios.
nos aumentou entre 1995 e 2004 (73,2%), subindo Os que defendem a utilização do sistema ar-
de R$ 0,71 para R$ 1,23 por metro cúbico. gumentam que a medida traria benefícios am-
Nesse mesmo período, o estado foi o oitavo bientais, dado que estimularia a redução do con-
que mais reduziu o consumo (38%), com o volume sumo. O sistema funciona nos mesmos moldes do
médio medido por economia recuando de 18,38 popular celular pré-pago.
para 11,39 metros cúbicos por mês. O consumidor compra cartões com créditos
Quando se consideram os principais preços que são revertidos em água. No imóvel, a leitura é
administrados direta ou indiretamente pelo go- feita por um gerenciador de consumo, ligado a uma
verno, a taxa de água e esgoto só perde para a turbina, em vez de hidrômetro. Quando faltam três
energia elétrica (168%) e gás de botijão (226,66%). dias para acabar os créditos, o gerenciador avisa.
Saneamento Básico Valor análise setorial 47

O panorama estadual

O panorama
estadual
No Brasil existem grandes diferenças econô- leiros nas cidades e 22 milhões na área rural não
micas entre as regiões e isso também se reflete têm abastecimento de água.
nos serviços de saneamento básico. As regiões Sul As desigualdades não são vistas apenas de
e Sudeste que concentram parte substancial do uma região para outra ou entre as áreas rurais
PIB nacional têm, por conta disso, muito melho- e urbanas. As diferenças locais representam um
res condições de atendimento. obstáculo para as políticas públicas.
Em alguns estados como São Paulo, o percen- Os dados do “Diagnóstico dos Serviços de
tual de domicílios permanentes atendidos por Água e Esgotos”, publicação do Ministério das Ci-
abastecimento de água chega muito próximo da dades, a partir de dados do Sistema Nacional de
universalização, enquanto parcela expressiva do Informações e Saneamento (SNIS), indicam um
seu esgoto é coletada por rede geral. baixo desempenho também no quesito perdas de
Nas demais regiões, vários estados, como Ron- água. No ano de 2004, segundo dados do SNIS, o
dônia, apresentavam, em 2000, abastecimento de valor médio das perdas de faturamento para os
água por rede geral em apenas 30,7% de seus do- prestadores de serviços foi de 40,4%.
micílios; no Piauí, 42,9% dos domicílios perma-
nentes não tinham sequer banheiro ou instala- Norte
ções sanitárias, segundo dados do IBGE. Embora a Região Norte seja a que apresenta os
Menos da metade (44,3%) dos nordestinos tem maiores índices de chuva do país e disponha de
água encanada, enquanto na Região Sudeste 70,5% grandes mananciais de água em seu interior, seus
da população tem acesso ao abastecimento de principais indicadores de saneamento básico são
água. A desigualdade regional é um dos problemas inferiores à média nacional (Tabela 10).
apontados pelo Plano Nacional de Recursos Hídri- Segundo os dados das empresas que prestaram
cos, aprovado em fevereiro de 2006 pelo Conselho informações ao SNIS, em 2004, apenas 52,9% da
Nacional de Recursos Hídricos. No geral, o abasteci- amostra da população da Região Norte era atendi-
mento de água chega a 63,9% dos brasileiros. da por serviços de água, o pior índice do país.
Nas regiões Amazônica e Tocantins-Araguaia, Em Rondônia, verifica-se o índice mais
Atlântico-Nordeste Ocidental e Parnaíba, a des- baixo da região, 35,4%. Atualmente, menos de
peito de possuírem grandes mananciais, predo- metade dos cerca de 850 mil moradores das re-
minam os municípios com índices de cobertura giões urbanas do estado tem acesso à água tra-
menor que 25%. A região hidrográfica do Paraná tada e menos de 2% tem serviço de saneamento,
tem o maior número de municípios com índice segundo a estatal Caerd (Companhia de Água e
de atendimento de 90%. Esgoto de Rondônia).
O desequilíbrio também ocorre no campo: Segundo a empresa, em sua área de atuação,
menos de 30% da população rural do país tem 45,6% da população tem água tratada e 1,7% tem
acesso ao serviço. Ao todo, 12 milhões de brasi- esgotamento. A estatal atua em 40 municípios;
48 Valor análise setorial Saneamento Básico

Dados de saneamento básico na Região Norte - 2004


T10

Estados População atendida Volume de água População atendida Volume de esgoto


Total Produzido Consumido Total Coletado Tratado
habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano

Rondônia 455.142 72.303,20 27.369,40 14.805 133,20 33,50


Acre 249.918 34.687,06 9.655,48 68.391 4.800,00 -
Amazonas 1.558.390 214.952,75 63.936,68 184.212 12.000,00 3.000,00
Roraima 300.627 35.751,00 17.072,00 46.342 3.978,00 3.978,00
Pará 2.647.161 180.847,78 98.308,60 103.615 5.613,40 466,42
Amapá 275.765 60.746,00 16.139,20 27.265 - -
Tocantins 995.795 60.756,42 38.337,18 89.687 2.438,20 2.392,20
Total 6.482.798 660.044,20 270.818,54 534.317 28.962,80 9.870,12

Fonte: SNIS.

dos outros 12 municípios do estado, 8 têm siste- Para que se atinja a universalização dos ser-
ma autônomo (municipalizado). viços de água e esgoto, segundo dados do Minis-
Nos outros quatro restantes, em três a Caerd tério das Cidades, são necessários investimentos
está implantando o sistema de saneamento, e em de R$ 1,9 bilhão até 2020. Apenas os serviços de
uma cidade – Governador Jorge Teixeira – não há expansão de rede demandariam investimentos
nem água tratada nem esgoto. de R$ 1,43 bilhão.
Os reflexos dessas condições precárias apare-
cem na saúde da população: o estado é conside- Abastecimento de água
rado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) Os estados do Acre e do Pará possuem índices
uma região endêmica de malária, leishmaniose e de atendimento de água próximos (42% e 41,2%,
febre amarela. De acordo com dados do Conselho respectivamente) e índices similares aos de Ron-
Federal de Medicina, Rondônia conta com 4,59 dônia. Na região, o estado com maior índice de
médicos para cada grupo de 10 mil habitantes, atendimento de água é o Amazonas, com 84,8%,
menos da metade do que é considerado aceitável seguido por Tocantins (84,5%) e Roraima (78,7%),
pela Organização Mundial de Saúde (OMS). como pode-se ver no Gráfico 11.

Atendimento total de água na Região Norte - 2004


G11 Em %

100

90
84,8 84,5
80 78,7

70

60
51,2 52,9
50
42,0 41,2
40 35,4
30

20

10

0
Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Norte

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 49

Consumo per capita de água da Região Norte - 2004


G12 Em litros/dia/habitantes

180
164,8 160,3
160 155,6

140

120 112,4 114,5


105,8 105,5
101,7
100

80

60

40

20

0
Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Norte

Fonte: SNIS.

Consumo de água onde o tratamento de água existe, mas não há co-


Os dados de 2004 do SNIS mostram que, apesar brança de tarifa, o que contribuiria para explicar
do menor nível de atendimento de água, Rondônia o gasto extra.
registra o maior consumo médio per capita da re- Nos demais estados da região, o consumo mé-
gião: cada cidadão dos municípios atendidos gas- dio per capita oscila entre 101,7 litros/dia no Pará
ta, em média, 164,8 litros por dia, quase 44% acima e 112,4 litros no Amazonas (Gráfico 12).
da média da região, 114,5 litros/dia/habitante.
Índices próximos ao de Rondônia só são en- Índices de perdas
contrados dentro da região, no Amapá e em Os índices de perdas de água da Região Norte
Roraima (160,3 litros/dia e 155,6 litros/dia, res- são os piores do Brasil, tanto em termos de fatu-
pectivamente), médias próximas das que são ve- ramento quanto na distribuição. Em 2004, sim-
rificadas nos estados mais desenvolvidos. plesmente quatro estados registravam perdas de
Em Rondônia, especificamente, existem cida- faturamento da ordem de 70%, muito acima da já
des no interior do estado, de acordo com a Caerd, alta média brasileira de 40%.

Índices de perdas na Região Norte - 2004


G13 Em %
Perdas de faturamento Perdas na distribuição
80
71,6 71,6 72,8 72,8
69,7 70,6 68,8
70
62,1
59,7 57,9
60 57,5
52,2
50 47,8
44,9
40
34,2
30 26,7

20

10

0
Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Norte

Fonte: SNIS.
50 Valor análise setorial Saneamento Básico

O estado recordista do país é o Amapá, que re- inferiores aos de todas as nações pesquisadas em
gistrou perdas de faturamento e de distribuição um estudo da OMS (Organização Mundial da Saú-
de 72,8%. Do volume de água produzido no es- de) de 2002 – nesse relatório, as piores condições
tado, de 60,7 milhões de metros cúbicos, apenas foram encontradas na Etiópia (6%).
16,1 milhões são faturados. Segundo o relatório do IBGE, na Região Norte,
A situação é similar no Acre (71,6 %), Amazonas apenas 6,7% dos domicílios tinham acesso ao sa-
(70,6%) e em Rondônia (69,7%). Perdas de fatura- neamento adequado na classe de renda per capita
mento desse nível fazem com que as concessioná- de até meio salário mínimo, passando para 28,5%
rias enfrentem ainda maiores dificuldades para a na classe de renda per capita de mais de cinco sa-
realização de investimentos, dado que parte subs- lários mínimos. Na Região Sudeste, as proporções
tancial da sua receita é perdida (Gráfico 13). variam de 71,5% na classe de renda per capita de
Na região, apenas no Tocantins, as perdas são até meio salário mínimo a 96,8% na de mais de
inferiores à média nacional, devido basicamente cinco salários mínimos.
aos investimentos em redução de perdas empre- Na região, segundo os dados do SNIS, a média
endidos pela Saneatins. Essa concessionária es- do atendimento total de esgoto é de 4,4%, com
tadual possui 76,5% de seu capital em nome da coleta de 10,7% e tratamento de 34,1% do esgoto
companhia privada Emsa (Empresa de Monta- coletado. Em Rondônia e no Pará, o atendimento
gem Sul-Americana S.A.). de esgoto é especialmente precário, com índices
de 1,2% e 1,6%, respectivamente.
Coleta e tratamento de esgoto Os melhores índices de atendimento total de
Assim como nos demais indicadores de sane- esgoto são obtidos em Roraima (12,1%) e no Acre
amento, na Região Norte, os indicadores referen- (11,5%). As estatísticas do SNIS em relação ao ano
tes ao tratamento de esgoto são precaríssimos. de 2004 indicam que, no Acre e no Amapá, as
Segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2005, prestadoras que forneceram as informações ti-
feita pelo IBGE a partir da Pesquisa Nacional por nham 0% de tratamento de esgoto (Gráfico 14).
Amostra de Domicílios (PNAD) com dados de
2004, a Região Norte tem condições de sanea- Participação privada
mento piores que as de países africanos como So- Segundo a Associação das Concessionárias Pri-
mália, República Democrática do Congo, Burkina vadas de Saneamento (Abcon), na Região Norte do
Fasso e Libéria. país, apenas dois municípios contam com serviços
Apenas 5% dos domicílios no Amapá e 5,1% de operadoras locais privadas (Tabela 11). A Sanea-
em Rondônia, por exemplo, são adequados do tins, concessionária estadual do Tocantins, por sua
ponto de vista do saneamento. Esses índices são vez, é também controlada pela iniciativa privada.

Indicadores de tratamento de esgoto - 2004


G14 Em %
População atendida Coleta de esgoto Tratamento de esgoto
110
100,0 98,1
100
90
80
70
60
50
49,7

40
34,1
30 25,2 25,0 23,3
20 18,8
11,5 10,0 12,1 10,7
10 5,7 8,3 5,1 7,6 6,4
4,4
1,2 0,5 0,0 1,6 0,0 0,0
0
Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Norte

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 51

Concessões privadas em operação na Região Norte - fevereiro de 2006


T11

Municípios Operadora Estado Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos R$ milhões
Comprometidos
total do período

Novo Progresso Águas de Novo PA Perenge 400 plena 01/08/04 30 1,20


Progresso Engenharia
Total Pará 400 1,20

Manaus Águas do AM DRMA - Suez 1.373.181 plena 04/07/00 30 1.293,80


Amazonas Ambiental
Total Amazonas 1.373.181 1.293,80

Fonte: Abcon.

O Instituto Águas de Novo Progresso é uma 1997. A Suez Ambiental tem nove empresas de
empresa instalada no município de Novo Pro- saneamento e limpeza urbana. Além da Águas
gresso (Pará) desde outubro de 2004. A compa- do Amazonas, a Suez controla também a Águas
nhia é integrante do Grupo Perenge, que possui de Limeira (SP).
sede em São Paulo, mas atua principalmente no Em Manaus, a empresa vem enfrentando um
estado de Mato Grosso, nas cidades de Sorriso, grave problema que é a não-adesão das fábricas
Cláudia, Guarantã do Norte, Matupá e Carlinda. ao serviço prestado. Segundo a companhia, a sua
Em Novo Progresso, está implantada uma de produção diária é de 17 milhões de litros, dos
suas concessionárias, que recebeu a concessão dos quais 77% são produzidos na unidade de capta-
serviços de tratamento e distribuição de água. A ção da Ponta do Ismael, 4% são oriundos da esta-
empresa planeja investir R$ 1,2 milhão no muni- ção do Mauazinho e 19%, dos 100 poços tubulares
cípio nos 30 anos de vigência do contrato. profundos administrados pela companhia.
Em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio Segundo a empresa, 80% dos seus clientes es-
de Janeiro em junho de 2000, a Águas do Ama- tão na categoria residencial; 10%, na comercial;
zonas adquiriu por R$ 193 milhões (ágio de 5%) 8% são instituições públicas; e apenas o restante
os direitos de exploração do mercado de Manaus é composto pelas 221 indústrias que utilizam o
por 30 anos, renováveis por igual período. serviço. Como grande parte dos seus clientes resi-
A empresa, controlada pela Suez Ambiental, denciais possui baixa renda, a sua capacidade de
comprometeu-se a investir R$ 1,3 bilhão em obras geração de receitas fica bastante prejudicada e a
e serviços até o fim da concessão. Por contrato, a companhia vem enfrentando dificuldades para a
companhia deve atender 95% da população de manutenção do plano de investimentos.
Manaus com água de boa qualidade até o fim de
2006, além de coletar 30% do esgoto e tratar 50% Nordeste
do esgoto coletado. Embora marcada pelas secas que costumam
O grupo Suez, de origem franco-belga, está afligir grande parte do seu território, a Região Nor-
presente no Brasil principalmente nas áreas de deste apresenta indicadores de saneamento (aten-
saneamento e de tratamento de resíduos sólidos, dimento de água, principalmente) bem melhores
de limpeza urbana e de energia (por meio da Trac- do que os verificados na Região Norte (Tabela 12).
tebel Energia). Em 2005, as áreas de saneamento e
de limpeza urbana geraram receita de cerca de R$ Abastecimento de água
700 milhões e 11,5 mil empregos. Segundo dados da PNAD de 2004, o total de
Uma das principais aquisições do grupo no domicílios atendidos por serviço de abasteci-
Brasil foi a Vega Sopave, de limpeza urbana, em mento de água na região era de 84,3% e em Ser-
52 Valor análise setorial Saneamento Básico

Dados de saneamento básico na Região Nordeste - 2004


T12

Estados População atendida Volume de água População atendida Volume de esgoto



Total Produzido Consumido Total Coletado Tratado
habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3 /ano habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano

Maranhão 3.216.496 295.087,44 150.560,58 566.863 32.451,60 4.069,60


Piauí 1.475.877 138.203,55 49.686,40 127.583 5.390,00 5.390,00
Ceará 4.552.617 311.171,70 167.076,59 1.701.720 81.848,10 81.254,10
R. G. do Norte 1.808.278 181.859,90 86.775,50 432.205 23.146,70 15.982,90
Paraíba 2.212.709 174.469,30 97.775,65 670.802 36.460,00 36.460,00
Pernambuco 4.756.098 436.042,60 143.824,40 1.404.041 59.173,23 45.487,60
Alagoas 1.351.505 107.076,60 46.877,60 254.460 12.255,20 12.255,20
Sergipe 1.258.257 107.402,50 54.292,70 214.559 11.624,00 11.624,00
Bahia 7.730.519 588.460,04 335.825,04 2.727.761 257.330,78 246.691,23
Total 28.362.356 2.339.773,63 1.132.694,46 8.099.994 519.679,61 459.214,63

Fonte: SNIS.

gipe esse indicador chegava a 93,4%, seguido de Programa Auto-Sustentável de Saneamento, im-
perto pela Paraíba, com 92,9%. Pelos dados do plantado em comunidades rurais das regiões de
SNIS, também de 2004, a população atendida na Seabra e Jacobina, na Chapada Diamantina.
região era de 74,9%, sendo o melhor indicador o O programa foi financiado pelo banco alemão
alcançado pela Bahia, com 82,8% (Gráfico 15). KFW, com investimentos de R$ 40 milhões, e levou
A Bahia tem se destacado na área de sanea- o saneamento básico – abastecimento de água e
mento. Sua estatal, a Embasa, vem obtendo resul- implantação de esgotamento sanitário – a 97 co-
tados financeiros positivos. As iniciativas do Go- munidades rurais de 27 municípios baianos, be-
verno do Estado têm sido reconhecidas em nível neficiando diretamente mais de 11 mil famílias.
internacional, como a condecoração instituída
pela Organização das Nações Unidas (ONU) para Consumo per capita
premiar experiências bem-sucedidas na pres- Em 2004, o consumo médio per capita de água
tação de serviços públicos, com a realização do da região foi o mais baixo do Brasil. Na média re-

Índice de atendimento de água - 2004


G15 Em %

100

90
81,3 82,8
80 78,3
73,9 75,6 74,9
69,4 71,2
70 65,7
63,0
60

50

40

30

20

10

0
Maranhão Piauí Ceará R. G. do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Nordeste

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 53

Consumo médio per capita - 2004


G16 Em litros/dia/habitante

140
128,2 131,5
121,1 118,2 119,0
120
109,4
100,5
100
92,2 95,0
82,8
80

60

40

20

0
Maranhão Piauí Ceará R. G. do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Nordeste

Fonte: SNIS.

gional, o consumo foi de 109,4 litros/dia. Em Per- Índice de perdas


nambuco, o consumo médio foi de 82,8 litros/dia, Em relação aos índices de perdas de água, a
menos da metade do consumo registrado em São Região Nordeste só perde para a Norte. Na média,
Paulo (185,6 litros/dia) e quase um terço do con- a perda de faturamento na região, segundo os
sumido no Rio de Janeiro (224,0 litros/dia). dados do SNIS em 2004, é de 46,4% e a perda na
Na região, o maior consumo per capita foi distribuição atinge 50,4%.
verificado no Rio Grande do Norte (131,1 litros/ Na região, os estados que apresentam os
dia), seguido pelo Maranhão (128,2/litros/dia). maiores índices de perdas de faturamento são
Desde 2003, o Governo do Estado do Rio Grande Maranhão (60,5%) e Pernambuco (58,6%). O me-
do Norte está executando um grande programa lhor resultado é registrado na Paraíba (37%). Em
de saneamento básico, com plano de investir em perdas na distribuição, Pernambuco lidera (67%),
torno de R$ 400 milhões até o fim de 2006, por seguido pelo Piauí (63,1%) (Gráfico 17).
meio da Companhia Estadual de Águas e Esgo- Em 2005, por conta do alto índice de perdas,
tos (Caern) (Gráfico 16). a Agência de Regulação de Pernambuco (ARPE)

Índice de perdas de água na Região Nordeste - 2004


G17 Em %
Perdas de faturamento Perdas na distribuição
70 67,0
63,1
60,5 58,6
60
56,1
52,0 51,9 50,8 50,7
50 48,2 49,4
46,4
44,2 43,2
41,1 41,9
40
39,5 39,3
37,0
34,9
30

20

10

0
Maranhão Piauí Ceará R. G. do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Nordeste

Fonte: SNIS.
54 Valor análise setorial Saneamento Básico

Indicadores de tratamento de esgoto - 2004


G18 Em %
População atendida Coleta de esgoto Tratamento de esgoto
110
100,0 99,3 100,0 100,0 100,0
100 95,9
90 88,4
80 76,9 76,7
70 69,1

60
50 49,0 45,9
41,1
40 37,3
27,6 26,7 29,2
30 26,1
21,6 21,6 23,1 21,4 21,4
20
19,4
11,1 12,5 10,8 12,4 12,9
10 6,0
0
Maranhão Piauí Ceará R. G. do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Nordeste

Fonte: SNIS.

condicionou a autorização de um reajuste de tari- Coleta e tratamento de esgoto


fa de saneamento à redução das perdas técnicas e Segundo relatório do IBGE com dados de
comerciais em 5 pontos percentuais, além de co- 2004, na Região Nordeste, 40,9% dos domicílios
brar a diminuição da inadimplência e melhorias tinham acesso ao serviço de rede coletora de es-
no atendimento ao usuário. gotamento sanitário ou pluvial.
Foi a primeira vez que uma efetiva cobrança Pelos dados do SNIS, baseada em amostras envia-
para diminuir as perdas da Compesa foi conside- das pelas prestadoras, a população atendida com rede
rada no cálculo final da revisão da tarifa. de esgoto na região era de 21,4%, e os melhores índices
Para a redução das perdas, a ARPE determinou eram obtidos por Bahia (29,2%) e Ceará (27,6%).
que a Compesa invista cerca de R$ 14 milhões na Na região, a coleta de esgoto atinge 45,9% e o trata-
aquisição e instalação de aproximadamente 150 mento do esgoto é de 95,9%. Embora deva ser ressaltado
mil novos hidrômetros. que seus índices de coleta sejam relativamente baixos,
No combate à inadimplência, a Compesa os estados do Piauí, Paraíba, Alagoas e Sergipe trata-
deverá investir cerca de R$ 1,3 milhão de sua vam a integralidade do esgoto coletado (Gráfico 18).
receita em ações, como emitir contratos de for-
necimento de água para todos os seus usuários, Sudeste
contratar novas equipes de fiscalização e corte e Região mais rica e urbanizada do país, a Su-
recuperar dívidas antigas. deste tem muito mais acesso aos serviços de sa-

Dados de saneamento básico na Região Sudeste - 2004


T13

Estados População atendida Volume de água População atendida Volume de esgoto



Total Produzido Consumido Total Coletado Tratado
habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3 /ano habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano

Minas Gerais 12.496.414 1.032.299,68 674.520,46 8.219.664,00 377.177,60 104.765,76


Espírito Santo 2.454.845 256.538,29 150.193,26 937.298,00 36.754,70 24.221,80
Rio de Janeiro 11.971.841 1.951.617,93 971.686,29 6.509.747,00 480.178,40 374.947,40
São Paulo 31.738.661 3.266.911,50 1.883.926,53 26.789.149,00 1.318.730,72 626.008,31
Total 58.661.761 6.507.367,40 3.680.326,55 42.455.858 2.212.841,42 1.129.943,27

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 55

Atendimento total de água da Região Sudeste - 2004


G19 Em %

100
92,3
90 88,2 85,6 88,5
80,6
80

70

60

50

40

30

20

10

0
Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sudeste

Fonte: SNIS.

neamento básico do que a média nacional. Nela, domicílios são atendidos por serviço público de
as companhias estaduais estão, na média, em me- abastecimento de água (Gráfico 19).
lhor situação financeira e com maior capacidade Na região metropolitana de São Paulo, esse ín-
de realização de investimentos. dice atinge 98,7%, bastante próximo da universa-
Os municípios com serviços próprios de sane- lização, o que também se verifica nas regiões me-
amento possuem uma boa estrutura e se verifi- tropolitanas do Rio de Janeiro (98,8%) e de Belo
cam também algumas experiências bem-sucedi- Horizonte (97,3%).
das em termos de operações privadas (Tabela 13).
Consumo per capita
Abastecimento de água O consumo médio per capita de água da Região
Segundo os dados do SNIS, todos os estados Sudeste em 2004 foi o mais alto do Brasil. Na média
da Região Sudeste alcançaram índices superio- regional, o consumo foi de 184,6 litros/dia. No Rio
res a 80% em termos de atendimento de água da de Janeiro, o consumo médio foi de 224 litros/dia e
população. Pelos cálculos do PNAD, 96,1% dos em São Paulo, de 185,6 litros/dia (Gráfico 20).

Consumo per capita de água na Região Sudeste - 2004


G20 Em litros/dia/habitante

250
224,0

200
185,6 184,6
167,6
150 147,9

100

50

0
Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sudeste

Fonte: SNIS.
56 Valor análise setorial Saneamento Básico

Índice de perda de água da Região Sudeste - 2004


G21 Em %
Perdas de faturamento Perdas na distribuição
60

50 48,6 49,7
44,4 44,2
41,2
40 38,9 39,5
34,1
30 27,5 27,3

20

10

0
Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sudeste

Fonte: SNIS.

Índice de perdas riores à da média do estado. A Grande São Paulo,


Na média, a perda de faturamento na Região por exemplo, tem uma proporção de domicílios
Sudeste, segundo os dados do SNIS em 2004, era ligados à rede de esgoto menor do que a média
de 39,5% e a perda na distribuição atingia 44,4%. estadual: 88,9% contra 92,2%.
Os melhores indicadores são registrados em Os dados fornecidos pelo SNIS indicam uma
Minas Gerais (27,5% no faturamento e 34,1% na proporção de 77,9% da população atendida por
distribuição) e Espírito Santo (27,3% no fatura- serviços de esgoto em São Paulo, que tem tam-
mento e 41,2% na distribuição) (Gráfico 21). bém o segundo melhor índice de coleta do país
(70,1%), só perdendo para o Distrito Federal
Coleta e tratamento de esgoto (71,8%), que possui uma população atendida 15
Os dados da PNAD de 2004 apontam que, ape- vezes menor (Gráfico 22).
sar de os benefícios em saneamento estarem fre- Na região como um todo, o atendimento total de
qüentemente associados à urbanização, a região esgoto é de 64%, a coleta é de 61,2%, e 51,1% são trata-
metropolitana de São Paulo exibe condições infe- dos, um volume de 1,12 bilhão de metros cúbicos.

Índicadores de esgoto da Região Sudeste - 2004


G22 Em %
População atendida Coleta de esgoto Tratamento de esgoto
100

90

80 78,1 77,9
70,1
70 65,9 64,0
61,2
60 58,0 55,9
52,7 51,1
50 47,5
43,8
40
32,7
30 27,8
24,5
20

10

0
Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sudeste

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 57

Participação privada As operadoras Águas de Juturnaíba e Prola-


A participação privada no saneamento é con- gos formaram dois consórcios de municípios. A
centrada na Região Sudeste. Dos 7 milhões de Águas de Juturnaíba abrange os municípios de
habitantes do país que são atendidos por con- Araruama, Silva Jardim e Saquarema; a Prolagos
cessionárias privadas, quase 60% deles estão ra- atende Cabo Frio, Búzios, Arraial do Cabo, Iguaba
dicados na região. e São Pedro da Aldeia.
Por sua vez, é alvo de quase 50% do volume de A associação formada pelas empresas Co-
investimentos que as empresas têm programado, wan, Developer, Queiroz Galvão e Trana res-
um valor em torno de R$ 1,7 bilhão apenas na re- ponde por 46,7% dos investimentos projeta-
gião, concentrada principalmente no estado do dos para o estado. Com essa formação básica,
Rio de Janeiro, segundo dados da Abcon. elas controlam Águas do Paraíba (Campos dos
Goytacazes), Águas de Niterói (Niterói) e Águas
São Paulo do Imperador (Petrópolis). No consórcio Águas
Em São Paulo, a população atendida é de 2,2 de Juturnaíba participam também as empresas
milhões de habitantes. O município mais popu- Erco e EIT (Tabela 15).
loso operado pela iniciativa privada em moda-
lidade plena (água e esgoto) é o de Limeira, com Minas Gerais
quase 260 mil habitantes. O serviço é prestado Em Minas Gerais, apenas três municípios têm
pela concessionária Águas de Limeira, controla- seus serviços realizados pela iniciativa privada –
da pela Suez Ambiental. O contrato foi firmado Araújos, Bom Sucesso e Paraguaçu –, totalizando
em 1995 e tem validade de 30 anos. 36,4 mil habitantes. São atendidos por concessio-
Desde 2004, são tratados 85% do esgoto do nárias constituídas pelas empresas Global Enge-
município, com previsão de atingir 100% em 2015 nharia e Planex Consultoria (ver Tabela 16).
ou 2016. A previsão inicial era 2009, mas impas- A Global Engenharia Ltda. e a Planex S.A. Con-
ses em relação a reajustes de tarifas atrasaram o sultora de Planejamento e Execução atuam no
ritmo das obras. O índice de perdas da Águas de setor de construção civil. As duas empresas pos-
Limeira é de 17%, um dos mais baixos do Brasil. suem sede em Belo Horizonte e planejam investir
Além de Limeira, os municípios que con- R$ 9,6 milhões até 2032 nesses municípios.
tam com operação plena por parte da iniciati- Em 2005, o BNDES aprovou financiamentos
va privada são Guará, Mairinque, Mineiros do de R$ 3,7 milhões para a modernização e expan-
Tietê e Mirassol. Sob as modalidades parcial são dos serviços de água e esgoto sanitário nos
e BOT (“build-operate-transfer”), são mais 14 três municípios. Após as obras, em três anos, to-
municípios e os maiores tratam principalmen- dos os efluentes coletados serão tratados, além de
te do esgoto, como é o caso de Ribeirão Preto, o nível de ligações domiciliares de água chegar a
Jundiaí, Mauá e Araçatuba, todos com mais de 98% das residências nessas cidades, o que deverá
200 mil habitantes. beneficiar diretamente 42 mil pessoas.
Em Ribeirão Preto, desde 2002 a cidade conta Em Araújos, a concessionária Sanarj (Concessio-
com um sistema com capacidade para tratar 100% nária de Saneamento Básico Ltda.) implantará uma
do esgoto coletado. A concessionária privada Am- Estação de Tratamento de Esgoto, além da expansão
bient, que cuida do esgoto de Ribeirão Preto, per- das redes de coleta de efluentes e de distribuição de
tence ao grupo espanhol OHL, que junto com sua água. O financiamento do BNDES, de R$ 538 mil,
filial Inima são as controladoras da empresa. corresponde a 49% dos investimentos totais.
Até 2006, a brasileira REK Construtora detinha Em Bom Sucesso, por meio da concessionária
24,7% do capital social da empresa, mas o grupo local, a ABS (Águas de Bom Sucesso Ltda.), o inves-
OHL adquiriu a totalidade das ações em operação, timento será realizado para resolver problemas
avaliada em 4 milhões de euros (Tabela 14). de abastecimento de água, que vinha sendo feito
por meio de sistema de rodízio no fornecimento,
Rio de Janeiro além de ampliar a rede de coleta de esgotos e pro-
No Rio de Janeiro, são oito as concessões priva- mover seu tratamento.
das, com atendimento de 14 municípios. No estado, As obras prevêem também a construção de
a população atendida é de 1,8 milhão de pessoas. uma nova adutora de água bruta e a amplia-
58 Valor análise setorial Saneamento Básico

Concessões privadas em operação no estado de São Paulo - fevereiro 2006


T14

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da “Prazo Investimentos


local atendida operação em anos” comprometidos
(R$ milhões)

Plenas
Guará Águas Hidrogesp 20.300 plena 17/01/200 25 6,00
de Guará
Limeira Águas de Suez Environment / 259.000 plena 02/06/95 30 120,00
Limeira Lumina
Mairinque Ciágua Villanova Engenharia; 38.000 plena 01/05/97 30 30,00
Concessionária de Guaimbê Engenharia
Águas de Mairinque
Mineiros Saneciste Saneciste 9.462 plena 20/08/95 20 2,00
do Tietê
Mirassol Paz Gestão Ambiental Paz Engenharia 48.312 plena 01/09/01 5 0,75

Parciais e BOT´s
Araçatuba Sanear Saneamento Amafi, Tejofran, 231.050 esgoto 01/01/00 21 17,00
de Araçatuba” Resil, Earth Tech
Birigui Aqua Pérola Hidrogesp, Colina 40.000 água 01/06/95 15 2,00
Birigui Matéria Perfuração Matéria Perfuração 30.000 água 01/09/03 15 3,10
de Poços de Poços
Cajamar Águas de Earth Tech, DH Perfuração 54.000 subconcessão 15/09/97 14 3,50
Cajamar de Poços, Rek, JNS Eng., água
Serviços Técnicos
Ambientais
Itu Cavo Itu Cavo 123.956 esgoto 15/05/98 20 25,30
Jaú Águas de Resil, Earth Tech, 90.000 água 14/11/98 21 10,00
Mandaguahy Tejofran, Brick, L.S.
Jaú SANEJ Amafi, Earth Tech 90.000 esgoto 01/07/03 25 27,00
Jundiaí Companhia de Augusto Velloso, 289.103 esgoto 15/09/98 20 40,00
Saneamento Coveg, Tejofran
de Jundiaí
Marília Águas de Marília Hidrogesp, Telar, 50.000 água 01/07/99 20 3,88
Paineira, Colina, Jamp
Matão Companhia Matonense MBP, Branco Peres, 72.200 esgoto 01/01/04 30 13,74
de Saneamento Emissão, Holding
Mauá Ecosama - Empresa Gautama 280.000 esgoto 05/03/03 30 135,75
Concessionária de
Saneamento de Mauá
Ourinhos Águas de Esmeralda Earth Tech, DH Perfuração 22.000 água 01/10/96 17 1,75
Ribeirão Preto Ambient OHL, INIMA, REK 550.000 esgoto 01/01/01 23 103,00
São Carlos DH Perfuração de Poços Hidrogesp 25.000 água 01/05/94 10 0,83
Total 2.232.383 545,60

Fonte: Abcon.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 59

Concessões privadas em operação no estado do Rio de Janeiro - fevereiro de 2006


T15

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos comprometidos
(R$ milhões)

Aeroporto CDN Serviços de Cembra, Ductor, N.D plena 01/02/05 10 3,40


do Galeão Água e Esgoto S.A. Novacon
Araruama, Silva Águas de Developer, Cowan, 42.700 plena 16/03/98 25 72,94
Juturnaíba Erco, EIT, Queiroz
Galvão, Trana1
Armação de Búzios, Prolagos EBAL, EPAL, 440.175 plena 13/07/98 25 419,06
Arraial do Cabo, Aguas de Portugal
Cabo Frio,
Iguaba Grande,
São Pedro da Aldeia
Campos dos Águas do Developer, Carioca, 354.000 plena 14/09/99 30 120,00
Goytacazes Paraíba Queiroz Galvão,
Cowan, Trana
Guapimirim Fontes da Emissão 25.788 plena 05/05/01 30 3,02
Serra Engenharia
Niterói Águas de Developer, Cowan, 475.800 plena 05/11/99 30 197,44
Niterói Carioca, Queiroz
Galvão, Trana
Petrópolis Águas do Developer, Queiroz 234.151 subconcessão 01/01/98 30 105,77
Imperador Galvão, Cowan, Trana plena
Nova Friburgo CAENF - Concessionária Earth Tech, 154.595 plena 01/07/99 25 139,91
de Águas e Esgotos Tyco Group
de Nova Friburgo
Santo Antônio Águas de Jairo, James Cleudes, 13.929 água 01/05/04 30 3,29
de Pádua Santo Antônio Jorge da Costa,
Maria das Graças,
Washington Barbosa
Total 1.841.138 1.061,43

Fonte: Abcon.

ção da atual Estação de Tratamento de Água, Além disso, o projeto visa ampliar o abasteci-
a construção de interceptores de esgoto e a mento de água de 95% para 98% dos domicílios,
construção de uma Estação de Tratamento de beneficiando 19 mil pessoas. A concessionária in-
Esgoto sanitário. veste R$ 3,9 milhões nas obras, dos quais 44%, R$
O financiamento do BNDES, de R$ 1,4 milhão, 1,7 milhão, são financiados pelo BNDES.
equivale a 52% dos investimentos que estão sendo
feitos pela concessionária. Espírito Santo
Em Paraguaçu, a concessionária Coságua A Citágua Águas de Cachoeiro S.A., que
(Concessionária de Saneamento Básico Ltda.) exe- presta serviços em Cachoeiro de Itapemirim,
cuta obras que estenderão a coleta de esgotos de é a única operadora privada do estado do Es-
91% para 98% dos domicílios locais, e a totalidade pírito Santo. No município de 174,9 mil habi-
do esgoto coletado passará a ser tratado por uma tantes, a empresa assumiu o compromisso de,
estação que será construída. em 15 anos, universalizar o abastecimento de
60 Valor análise setorial Saneamento Básico

Concessões privadas em operação em Minas Gerais - fevereiro de 2006


T16

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos comprometidos
(R$ milhões)

Araújos Sanarj Concession. Global Engenharia, 4.984 plena 01/11/02 30 1,19


de Saneamento Básico Planex Consultoria
Bom Sucesso Águas de Bom Sucesso Global Engenharia, 15.246 plena 02/12/02 25 3,09
Planex Consultoria
Paraguaçu Coságua Global Engenharia, 16.167 plena 09/07/00 30 5,28
Planex Consultoria
Total 36.397 9,57

Fonte: Abcon.

água e tratar 90% dos esgotos, comprometen- Sul


do-se a investir cerca de R$ 50 milhões, con- Segundo os dados do PNAD 2004, na Região
forme a Tabela 17. Sul do país, o percentual de domicílios que pos-
A regulação dos serviços de saneamento no mu- suem abastecimento de água é de 94,3%. Por esta-
nicípio é feita pela Agência Municipal de Regulação do, o melhor índice é do Paraná (96,7%), e a região
dos Serviços de Saneamento de Cachoeiro de Itape- metropolitana de Curitiba chega a 98%. No Rio
mirim (Agersa), estabelecida em 1999. O modelo im- Grande do Sul, o índice é de 94%, ao passo que em
plantado no município tornou-se referência no país. Santa Catarina é de 90,5%.
O que despertou atenção para o sistema im- Com cerca de 1,4 milhão de habitantes, a ca-
plantado em Cachoeiro foi a criação da agência pital gaúcha – Porto Alegre – é uma das únicas no
reguladora, a primeira municipal a funcionar no Brasil, ao lado de Rio Branco, no Acre, com serviço
país, de caráter setorial e atuação independente próprio de abastecimento.
do Poder Público e da concessionária. Criado em 1961, o DMAE (Departamento
Essa independência tem garantido, no mais Municipal de Águas e Esgoto) já atingiu a uni-
das vezes, regular o cumprimento do cronogra- versalização do abastecimento de água e conse-
ma de obras, reajuste de tarifas, investimentos, gue importantes índices na coleta e tratamento
cuidado com o patrimônio público (quando do esgoto.
encerrar o contrato de concessão todos os bens Cerca de 84% das economias têm resíduos
voltam ao município) e treinamento dos recur- coletados e, desse total, 27% recebem tratamen-
sos humanos. to (Tabela 18).

Concessões privadas em operação no Espírito Santo - fevereiro de 2006


T17

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos comprometidos
(R$ milhões)
Comprometidos Período de
total do período 2005 a 2009

Cachoeiro de Águas de Cachoeiro Águia Branca, 177.050 plena 15/07/98 30 50,00 8,57
Itapemirim S.A. - Citágua CEPEMAR
Total 177.050 50,00 8,57

Fonte: Abcon.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 61

Dados de saneamento básico na Região Sul - 2004


T18

Estados População atendida Volume de água População atendida Volume de esgoto



Total Produzido Consumido Total Coletado Tratado
habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano

Paraná 8.471.418 622.719,55 383.833,89 3.853.569 186.057,88 179.262,43


S. Catarina 3.313.134 300.197,42 155.304,56 491.648 29.102,60 28.539,40
R. G. do Sul 8.097.046 775.687,00 471.303,30 2.166.266 113.953,00 52.007,50
Total 19.881.598 1.698.603,97 1.010.441,76 6.511.483 329.113,48 259.809,33

Fonte: SNIS.

Abastecimento de água se também na faixa dos 40%, à exceção do índice


Segundo os dados do SNIS, em 2004 a popula- de perdas de faturamento do Paraná, que era de
ção da região Sul com atendimento total de água 26,7% em 2004 (Gráfico 25).
atingia 19,9 milhões de pessoas, o que perfazia
um índice de atendimento de 87%. Pelos dados Coleta e tratamento de esgotos
do SNIS, o estado com melhor situação era o Rio Pelos dados da PNAD, a proporção de domi-
Grande do Sul (90,9%), seguido por Paraná (85,9%) cílios que possuem serviço de rede coletora de es-
e Santa Catarina (81,4%) (Gráfico 23). gotamento sanitário na Região Sul era de 62,7%
em 2004, sendo o melhor índice alcançado no Rio
Consumo per capita Grande do Sul (68,5%), onde a região metropolitana
O consumo de água per capita médio na Região de Porto Alegre atingia 89,6%.
Sul é o segundo maior do país, inferior apenas ao da Segundo o SNIS, a população atendida por
Região Sudeste, com 145 litros/dia. O maior consu- serviços de esgoto na região era de 28,5%; com
mo é registrado no estado de Santa Catarina (164,3 coleta de esgoto, 35,2%; e o tratamento atingia
litros/dia), seguido por Rio Grande do Sul (158,8 li- 78,9% do esgoto coletado (Gráfico 26).
tros/dia) e Paraná (124,3 litros/dia) (Gráfico 24).
Participação privada
Índice de perdas Na Região Sul, as concessões privadas estão
No quesito índice de perdas, a Região Sul não presentes nos estados do Paraná e de Santa Cata-
escapa à tônica dos resultados do país, situando- rina, mas ainda de forma bastante tímida; cada

Atendimento total de água na Região Sul - 2004


G23 Em %

100
90,9
90 85,9 87,0
81,4
80

70

60

50

40

30

20

10

0
Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Sul

Fonte: SNIS.
62 Valor análise setorial Saneamento Básico

Consumo per capita de água na Região Sul - 2004


G24 Em litros/dia/habitante

180
164,3
160 158,8
145,0
140
124,3
120

100

80

60

40

20

0
Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Sul

Fonte: SNIS.

estado registra apenas uma concessão. tre elas ampliar a capacidade do reservatório de
Em Santa Catarina, a concessionária Águas de água, implantar a rede de esgoto e garantir a bal-
Itapema controla o saneamento do município de neabilidade da praia.
Itapema desde 2004, atendendo uma população Em dezembro de 2002, o prefeito do municí-
de 31,5 mil habitantes. A empresa é controlada pio havia encerrado o contrato com a companhia
por um consórcio formado por duas companhias estadual Casan pelo não cumprimento de cláusu-
de Cuiabá (MT), a Construtora Nascimento e a Li- la contratual que previa o início das obras de sa-
near Participações e Construções (Tabela 19). neamento básico. A falta de recursos fez o prefeito
Na licitação realizada em 2004, a empresa optar pela concessão dos serviços à iniciativa pri-
vencedora apresentou como proposta uma tarifa vada, em vez de administrá-los.
de R$ 1,40 por metro cúbico de água. O valor má- No Paraná, a única cidade com serviços de
ximo estipulado pela prefeitura para cobrança saneamento prestados por uma concessionária
era de R$ 1,44. O edital também previu uma série privada é Paranaguá, onde a Águas de Paranaguá
de metas que a companhia terá de cumprir, en- atende 135,8 mil pessoas (Tabela 20).

Índice de perdas de água na Região Sul - 2004


G25 Em %
Perdas de faturamento Perdas na distribuição
60
54,8 53,9
50
46,5
42,4 43,1 43,0
40 37,3

30
26,7

20

10

0
Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Sul

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 63

Indicadores de esgoto na Região Sul - 2004


G26 Em %
População atendida Coleta de esgoto Tratamento de esgoto
100 96,3 98,1

90

80 78,9

70

60

50 48,5
45,6
40 39,1
35,2
30 28,5 28,5
24,3
20 19,2
12,1
10

0
Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Sul

Fonte: SNIS.

Concessões privadas em operação em Santa Catarina - fevereiro de 2006


T19

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos R$ milhões

Itapema Águas de Construtora 31.510 plena 7/8/2004 25 48,00


Itapema Nascimento
Total 31.510 48,00

Fonte: Abcon.

Concessões privadas em operação no Paraná - fevereiro de 2006


T20

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos R$ milhões

Paranaguá Águas de Carioca, Developer, 135.856 subconcessão 06/03/97 28 100,36


Paranaguá Castilho, Porto de Cima plena
Total 135.856 100,36

Fonte: Abcon.

Desde o início de suas operações em 1997, a Centro-Oeste


empresa já investiu R$ 51,5 milhões, tendo o BN- Segundo dados da PNAD, na Região Centro-
DES financiado R$ 16 milhões. A concessionária Oeste, o índice de atendimento de água atinge
assumiu o tratamento do esgoto do Porto de Pa- 87,3% dos domicílios, sendo o maior índice alcan-
ranaguá, evitando assim o despejo de dejetos ao çado no Distrito Federal, com 94,6%. Nos cálculos
mar. A companhia planeja investir R$ 100,3 mi- do IBGE, o estado que possui o menor índice é
lhões até o fim da concessão de 28 anos. Mato Grosso, com 78,7% (Tabela 21).
64 Valor análise setorial Saneamento Básico

Dados de saneamento básico na Região Centro-Oeste - 2004


T21

Estado População Volume de água População Volume de esgoto


atendida água Produzido Consumido atendida esgoto Coletado Tratado
Total Total
habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano habitante 1.000 m3/ano 1.000 m3/ano
M.G. do Sul 1.976.825 163.557,17 83.430,27 274.247,00 16.215,50 14.401,50
M. Grosso 1.744.263 183.764,56 79.188,17 308.639,00 26.099,00 22.848,00
Goiás 3.938.842 266.688,10 172.139,40 1.706.170,00 85.252,60 43.556,20
D. Federal 2.071.992 190.429,90 138.502,80 1.923.599,00 99.128,10 74.766,10
Total 9.731.922 804.439,73 473.260,64 4.212.655 226.695,20 155.571,80

Fonte: SNIS.

Abastecimento de água situando-se abaixo da faixa dos 40%, com 37,7%.


Segundo o SNIS, o índice de atendimento de Na região, o melhor resultado é o registrado no
água da população da região é de 86,5%. O maior Distrito Federal, com perdas de faturamento da
índice é alcançado pelo Distrito Federal (90,8%), ordem de 23,1% e perdas na distribuição de 27,2%
Mato Grosso do Sul (90,1%), Mato Grosso (87,6%) e (Gráfico 29).
Goiás (82,2%) (Gráfico 27).
Coleta e tratamento de esgoto
Consumo per capita Pelos dados da PNAD, a proporção de domicí-
O consumo de água per capita médio na Re- lios que possuem serviço de rede coletora de es-
gião Centro-Oeste é de 133,2 litros/dia. O maior gotamento sanitário na Região Centro-Oeste era
consumo é registrado no Distrito Federal (183,1 de 39,4% em 2004, sendo o melhor índice alcan-
litros/dia), seguido por Mato Grosso (124,4 litros/ çado no Distrito Federal (88,4%).
dia), Goiás (119,7 litros/dia) e Mato Grosso do Sul À exceção da capital do país, os demais estados
(115,6 litros/dia) (Gráfico 28). registram índices de atendimento de esgoto bem
inferiores: Goiás (36,7%), Mato Grosso (21,4%) e
Índice de perdas Mato Grosso do Sul (12,2%).
No tocante a perdas, a Região Centro-Oeste Segundo o SNIS, a população atendida por
registra, como um todo, a melhor média do país, serviços de esgoto na região era de 37,4%; com co-

Índice de atendimento de água na Região Centro-oeste - 2004


G27 Em %

100
90,1 90,8
90 87,6 86,5
82,2
80

70

60

50

40

30

20

10

0
M.G. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Centro-Oeste

Fonte: SNIS.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 65

Consumo médio per capita na Região Centro-oeste - 2004


G28 Em litros/habitante/dia

200
183,1
180

160

140 133,2
124,4 119,7
120 115,6
100

80

60

40

20

0
M.G. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Centro-Oeste

Fonte: SNIS.

leta de esgoto, 48%; e o tratamento atingia 68,6% veu as concessões aos municípios onde atuava e
do esgoto coletado (Gráfico 30). transferiu as suas instalações.
Desde então, a maior parte dos municípios
Participação privada passou a administrar os serviços de saneamento
Segundo a Abcon, as concessionárias privadas de de forma autônoma, ao passo que 29 deles con-
saneamento estão presentes na Região Centro-Oeste cederam os serviços às empresas privadas, perfa-
nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. zendo atualmente 530,3 mil habitantes que têm
Mato Grosso constitui-se num caso à par- seus serviços prestados pela iniciativa privada.
te da realidade do saneamento brasileiro, em O estudo do processo de municipalização dos
termos de organização. Devido aos constantes serviços levado a cabo em Mato Grosso foi reali-
déficits e à sua incapacidade de continuar exe- zado por um consórcio de consultorias liderado
cutando os serviços de saneamento no estado, pela Coopers & Lybrand.
a companhia estadual de Mato Grosso, a Sane- A principal recomendação da consultoria foi
mat, deixou de existir em 1997, quando devol- a de que os municípios de pequeno porte se asso-

Índices de perda de água na Região Centro-oeste - 2004


G29 Em %
Perdas de faturamento Perdas na distribuição
60
56,4
54,0
50 49,0
43,2
40,3
40 37,7
33,5 32,9
30 27,2
23,1
20

10

0
Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Centro-Oeste

Fonte: SNIS.
66 Valor análise setorial Saneamento Básico

Indicadores de tratamento de esgoto na Região Centro-oeste - 2004


G30 Em %
População atendida Coleta de esgoto Tratamento de esgoto
100

90 88,8 87,5
84,3
80 75,4
71,8
70 68,6

60

50
49,5 51,1 48,0

40 35,6 37,4
33,0
30

20
19,4
15,5
12,5
10

0
Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Centro-Oeste

Fonte: SNIS.

ciassem a outros, formando consórcios intermu- A característica principal dos municípios


nicipais, para que somente então pudessem con- de Mato Grosso é a sua pequena população: ne-
ceder seus serviços. Para os pequenos municípios nhum dos serviços já administrados pelas con-
que ficam distantes de outras cidades, a alternati- cessionárias privadas possui mais de 100 mil
va era a de a prefeitura administrar o sistema de habitantes, o número considerado ideal pela
saneamento básico de forma direta. Abcon. No estado, o município mais populoso

Concessões privadas em operação em Mato Grosso - fevereiro de 2006


T22

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos R$ milhões
Carlinda Águas de Carlinda Perenge Engenharia 4.800 plena 3/1/2004 30 2,00
Cláudia Águas de Claudia Perenge Engenharia 8.250 plena 10/29/2004 30 0,88
Guarantã do Norte Águas de Perenge Engenharia e
Guarantã Ltda. Paula Regina Fujisawa 25.600 plena 5/2/2001 30 11,95
Raposo
Matupá Águas de Matupá Perenge Engenharia 8.500 plena 10/29/2001 30 0,21
Nobres Empresa de Encomind Engenharia 12.600 plena 6/1/1999 30 2,60
Saneamento de Nobres
Primavera do Leste Águas de Primavera Kullinan Engenharia,
Filadelfo dos Reis Dias, 30.739 plena 9/1/2000 30 31,95
Assis Marcos Gurgacz
Sorriso Águas de Sorriso Perenge Engenharia 55.000 plena 6/14/2000 30 16,73
Total 98.339 51,28
Alta Floresta, Arenápolis, Barra do Garças, Cáceres, Campo
Verde, Canarana, Cólider, Juara, Juscimeira, Itaúba, Lambari
21 Concessões em fase de levantamento de dados 431.947 D’Oeste, Marcelândia, Nortelândia, Nova Xavantina, Pedra Preta,
Peixoto de Azevedo, Pontes e Lacerda, Santa Carmen, São
Pedro da Cipa, União do Sul e Vera.
Total 530.286

Fonte: Abcon.
O panorama estadual Saneamento Básico Valor análise setorial 67

com serviços privados é Sorriso, com 55 mil ha- todo o município de Campo Grande, sob o regime
bitantes (Tabela 22). de concessão, em caráter de exclusividade, pelo
A Águas Guariroba S.A. (controlada por Ag- prazo de 30 anos, renovável por igual período.
bar, Cobel e Sanesul) foi constituída em 2000, A meta da empresa é de estender a cobertura
quando assinou o contrato de concessão com a de coleta e tratamento de esgotos de 18% para 70%
prefeitura municipal de Campo Grande, Mato em 30 anos. O investimento total previsto para o
Grosso do Sul. A empresa começou a operar, efe- sistema de água e esgoto é de R$ 271,2 milhões.
tivamente, os serviços de água e esgoto da capital Os investimentos previstos para a ampliação
em outubro do mesmo ano. do sistema de água giram em torno de R$ 121 mi-
O contrato de concessão consiste na explora- lhões, com meta de atingir 98% da população da
ção dos serviços públicos de abastecimento de cidade. Para o sistema de esgoto, deverão ser in-
água e de esgotamento sanitário outorgada em vestidos mais R$ 150 milhões (Tabela 23).

Concessões privadas em operação em Mato Grosso do Sul - fevereiro de 2006


T23

Municípios Operadora Acionistas População Modalidade Início da Prazo Investimentos


local atendida operação em anos R$ milhões
Campo Grande Águas Guariroba Grupo Bertin, Cobel
e Sanesul 643.092 plena 10/23/2000 30 271,24
Total 643.092 271,24

Fonte: Abcon.
68 Valor análise setorial Saneamento Básico

Movimentos do setor

Movimentos
do setor
Embora não venham ocorrendo na medida Desde então, a visão e a aceitação de uma
em que os agentes do setor possam considerar participação privada no setor, por meio da Lei de
ideal, é fato que o setor vem passando por trans- Concessões, mudaram bastante. No balanço ge-
formações nos últimos anos. ral, observa-se que ocorreu uma grande transfor-
O fato mais marcante nesse processo, além da mação em relação a ideologias, entendimentos e
tentativa de privatização que se chegou a aventar concepções de mercado.
nos anos 90, foi a forte retomada de investimentos O único grande problema que parece perdu-
e modernização de gestão conduzida por estatais rar é a disputa entre estados (pelas companhias
como Sabesp, Copasa, Caesb, Embasa e Sanepar. estaduais, particularmente) e municípios pela ti-
tularidade da água.
Modernização da gestão
A Sabesp, especificamente, é um caso notório Participação estrangeira
no setor. A companhia paulista é atualmente um O setor de saneamento brasileiro despertou
modelo de administração no saneamento. Até o o interesse de grandes grupos internacionais a
início dos anos 1990, a sua situação financeira e partir da década de 1990, período marcado pela
operacional era bastante precária. abertura econômica do país e também pelas pri-
Desde 1994, no entanto, a Sabesp passou por vatizações ocorridas em diversos setores da eco-
uma reestruturação administrativa e financeira que nomia brasileira.
lhe possibilitou melhorar substancialmente seu de- A que primeira se instalou foi a francesa Suez,
sempenho: saiu de um prejuízo de R$ 214 milhões, uma das maiores empresas mundiais do setor, que
com dívidas vencidas orçadas em R$ 643 milhões em atua em Limeira (SP) com a Águas de Limeira.
1994, para um faturamento de quase R$ 5 bilhões em O grupo Suez também adquiriu a Manaus Sa-
2005 e um lucro líquido de R$ 866 milhões. neamento, prestadora de serviços na capital do
Nos últimos anos, a empresa realizou investi- estado do Amazonas, em leilão realizado no Rio
mentos médios anuais acima R$ 600 milhões em de Janeiro em julho de 2000, por R$ 193 milhões
programas de ampliação e melhoria de atendi- (pagando ágio de 5%). Logo após a privatização, a
mento. Desde 1996, a Sabesp busca recursos no empresa passou a se chamar Águas do Amazonas.
exterior, com emissão de “commercial papers” e A Vivendi, outra empresa de origem francesa,
eurobônus. Em 1997, a empresa começou a nego- detém 11,93% do capital total da Sanepar (Com-
ciar suas ações na Bovespa (Bolsa de Valores do panhia de Saneamento do Paraná). Ela faz parte
Estado de São Paulo). da Dominó Holdings, da qual também partici-
Nos anos 90, havia a perspectiva de que o mo- pam a Construtora Andrade Gutierrez, o Banco
vimento de privatização fosse incorporar tam- Opportunity e a Copel Participações.
bém as companhias estaduais, o que atualmente Em dezembro de 2000, a portuguesa Águas
é uma perspectiva remotíssima. de Portugal passou a controlar 100% da Prolagos,
Saneamento Básico Valor análise setorial 69

concessionária de saneamento da região dos La- A proposta da Abdib é que o governo inclua
gos (Rio de Janeiro) que atende uma população de no pacote o fim da cobrança de Imposto de Renda,
270 mil pessoas, mas que no verão se multiplica Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL),
com a chegada de mais de 1 milhão de turistas. PIS e Cofins sobre os rendimentos de aplicações
No interior de São Paulo, vários municípios fir- efetuadas em fundos destinados exclusivamente
maram, nos últimos anos, contratos de concessões a financiar obras de infra-estrutura.
com grupos privados, em prazos que variam de 14 Para isso, os fundos deverão estar registrados
a 30 anos. Entre os estrangeiros, além da Suez, em na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cada
Limeira, os grupos espanhóis Obrascón Huarte Lain cotista não poderia deter mais de 20% das cotas
S.A.(OHL) e Inima Servicios Europeos de Medio Am- e as aplicações deveriam ter prazo igual ou supe-
biente fazem parte do consórcio que responde pelo rior a dez anos.
segmento de esgoto em Ribeirão Preto, por meio da
Ambient Serviços Ambientais de Ribeirão Preto S.A. Reposicionamento das construtoras
A Thames Water, gigante mundial de origem Quando se especulava sobre privatização do
britânica, estabeleceu bases no país no fim da saneamento brasileiro nos anos 1990, a imagem
década de 90 para atuar no setor de saneamento era a entrada de empresas globais como Lyon-
à espera das privatizações. A empresa pretendia naise des Eaux ou Thames Water controlando as
negociar com fundos de pensão e companhias grandes companhias estaduais do porte da Em-
nacionais para adquirir, em parceria, o controle basa ou da Sabesp.
da baiana Embasa e da pernambucana Compesa. Passados alguns anos, essa perspectiva parece
A companhia pleiteava também a concessão bastante remota. A participação estrangeira nas
dos serviços de saneamento básico da região da companhias estaduais limita-se à da Veolia na
Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. As dificuldades Sanepar, que, no entanto, continua sob adminis-
e indefinições no processo regulatório fizeram tração do estado.
com que a empresa se retirasse do país em 2002, Segundo a Abcon, o principal agente privado
sem ter realizado nenhum negócio e desanimada no saneamento brasileiro são as construtoras. A
com a falta de perspectivas. entrada dessas empresas deve-se a um planeja-
mento estratégico: em vista da dificuldade de
Isenção tributária para estrangeiros receber pagamentos por parte do setor público
O setor de infra-estrutura tem intensificado (ao contrário do que ocorria à época do Planasa),
as pressões sobre o governo para ser beneficiado as companhias estão passando a operar sistemas
pelo pacote de isenção tributária que deve levar de saneamento.
os investidores internacionais a aplicar em títu- As construtoras deixaram de ser apenas um
los públicos brasileiros. prestador de serviços para governos para torna-
O pacote está em estudo no Ministério da rem-se também empreendedores, recebendo o
Fazenda. Para o setor, os fundos estrangeiros de pagamento direto do público consumidor. Nesse
pensão e de investimento podem multiplicar a mercado atuam as grandes construtoras nacio-
oferta de recursos para obras de infra-estrutura. nais e também as de menor porte.
Nos cálculos da Associação Brasileira da Infra- Na licitação de Limeira (SP), o consórcio ga-
Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), a isenção nhador era formado pela empresa CBPO, do
tributária pode atrair R$ 75 bilhões, em quatro grupo Odebrecht, e pela francesa Lyonnaise des
anos, para financiar projetos de energia elétrica, Eaux. Na licitação de Petrópolis, foi vencedor um
transporte, saneamento e telecomunicações. Isso consórcio formado pela Queiroz Galvão, Cowan,
significa aproximadamente 10% do que os fundos Developer S.A. e Trana Construções.
já canalizam para títulos do governo. A concessionária Águas de Juturnaíba foi tam-
Segundo a Abdib, sem a eliminação de tribu- bém formada por cinco empresas de construção
tos sobre os investimentos em infra-estrutura, a civil: Cowan, Developer S.A., Erco, EIT – Empresa
rentabilidade da aplicação em títulos de renda Industrial Técnica e Queiroz Galvão.
fixa com isenção de impostos sobre ganhos de ca- Em Mato Grosso, onde a companhia estadual
pital ficará imbatível na comparação com a apli- foi extinta por insolvência, mesmo em pequenos
cação de recursos no setor produtivo. municípios, empreiteiras como Perenge Enge-
70 Valor análise setorial Saneamento Básico Movimentos do setor

nharia, Encomind e Kullinan Engenharia têm foi comprada por um grupo de investidores pri-
assumido os serviços. vados, um consórcio formado pelo Blackstone
Group, Apollo Management LP e Goldman Sachs
Equipamentos: demanda reprimida Capital Partners. O total da transação alcançou a
A percepção sobre a demanda reprimida e da soma de US$ 4,35 bilhões.
perspectiva de realização de maiores investimen- Outras companhias também seguiram essa
tos na área de saneamento no Brasil e na América tendência, como a maior rival da Suez, a também
Latina, conjugada a um aumento das preocupa- francesa Veolia, que se uniu mundialmente no fim
ções quanto ao aspecto ambiental, em nível glo- de janeiro de 2000 à americana BetzDearborn (que
bal, fez com que também no Brasil se verificasse foi comprada pela GE por US$ 1,8 bilhão em 2002),
uma movimentação no mercado de equipamen- segunda maior em processos para tratamento de
tos voltados ao saneamento ambiental. água e efluentes, atrás apenas da Nalco.
No mercado internacional (com impactos no A então Vivendi já havia comprado, no início de
Brasil), o novo cenário de alianças começou a ser 1999, a US Filter (no Brasil, OTV), fabricante de equi-
delineado pelos movimentos dos grandes forne- pamentos e sistemas, por quase US$ 8 bilhões. Em
cedores de sistemas mecânicos e equipamentos, 2004, a Veolia vendeu essa empresa para a Siemens.
que se uniram a especialistas do condicionamen- Como se trata de um mercado com demanda
to químico da água. reprimida, parece ainda haver um bom espaço
A primeira a adotar essa estratégia para sua para companhias de menor porte, se comparadas
estruturação no mercado interno foi a compa- às mencionadas. Além dessas grandes empresas,
nhia francesa Suez (Lyonnaise des Eaux), con- existe no país uma expressiva quantidade de com-
troladora da Degrémont, que adquirira em 1999 panhias de menor porte que fabricam e projetam
a americana Nalco, que em novembro de 2003 sistemas de tratamento de águas e efluentes (ver
foi novamente objeto de negociação: a empresa mais informações em “Cadeia Produtiva”).
Saneamento Básico Valor análise setorial 71

Cadeia produtiva

Cadeia produtiva
O setor de saneamento, no qual se destacam tor. Isso demandaria atenção especial a reformas de
as grandes companhias estaduais, congrega tam- equipamentos e mesmo a sua modernização, assim
bém uma vasta gama de empresas, que compõem como de seus processos de gestão, abrindo espaço
a sua cadeia produtiva. para os serviços de consultoria técnica na área.
Nessa cadeia se observa um grande número de Os investimentos em projetos de redução de
produtos e serviços que viabilizam o setor, desde perdas direcionam-se principalmente à troca de
equipamentos para as adutoras e Estações de Tra- tubulações antigas, instalação de hidrômetros e
tamento de Esgoto até uma série de serviços es- sistemas avançados de medição, além das ações
pecializados e de conhecimentos específicos em contra fraudes e ligações clandestinas. Em alguns
tratamentos químicos. casos, os programas de redução de perdas repre-
Em 2005, todo o setor de tratamento de água e sentam mais de 20% dos investimentos totais fei-
esgoto movimentou um volume de produtos da or- tos nos sistemas de infra-estrutura.
dem de US$ 1,5 bilhão. Quase toda a demanda por Devido à escassez de investimentos para redu-
serviços e equipamentos no setor de saneamento é ção de perdas e às falhas de gestão em muitas das
atendida por empresas estabelecidas no Brasil. companhias, a prevenção de perdas representa
O setor tem uma longa tradição como forne- boas oportunidades de lucros a curto prazo. Sem
cedor do governo (ainda o principal agente do se- a necessidade de realização de investimentos pe-
tor), desde a implantação dos primeiros grandes sados em obras civis, com um bom programa de
projetos de saneamento na década de 1950. redução, as operadoras podem transformar boa
Como até o início da década de 1990 o merca- parte das perdas em receita.
do brasileiro era fechado, grandes empresas bra-
sileiras e multinacionais já instaladas puderam Uma vasta gama de produtos
nesse período construir as suas fábricas e se tor- A cadeia produtiva do saneamento básico abar-
naram fornecedores habituais das companhias ca um grande número de fornecedores como os de
de saneamento estaduais e municipais. tubos e conexões utilizados nas canalizações e tam-
bém de sistemas de automação sofisticados como
Investimentos em redução de perdas os usados em programas de redução de perdas.
O alto índice de perdas ainda registrado pelas Segundo a Associação dos Fabricantes de
companhias estaduais mostra que existe um am- Máquinas e Equipamentos para o Saneamento
plo campo a ser explorado pelos fornecedores de (Asfamas), estima-se que quatro segmentos – ca-
máquinas e equipamentos. nalização, bombas, hidrômetros e equipamentos
As perdas decorrentes da falta de maiores in- utilizados em ETA/ETE´s – representem quase 80%
vestimentos na resolução de problemas como vaza- do investimento no saneamento; somente os gas-
mentos e inadimplência sinalizam a necessidade de tos com canalização seriam responsáveis por cer-
maior cuidado a esses aspectos pelas empresas do se- ca de 50% dessas despesas.
72 Valor análise setorial Saneamento Básico

No tocante aos serviços, os principais segmen- a fabricação de produtos destinados ao mercado


tos com atuação no setor referem-se aos ofertan- de saneamento, prevendo retomada do cresci-
tes de engenharia e gerenciamento de projetos, mento do setor.
consultoria ambiental e financeira e os serviços Com faturamento da ordem de R$ 200 milhões,
de hidrogeologia. a Brastubo fabrica tubos de aço carbono e também
de PEAD (polietileno de alta densidade). O grupo
Canalização e acessórios é formado por empresas de diferentes segmentos
do mercado, oferecendo sistemas completos de
PVC tubulações, desde a produção de peças e conexões
O saneamento básico brasileiro consome cer- especiais até revestimento anticorrosivo.
ca de 50 mil toneladas por ano de PVC, principal- Os principais mercados da Brastubo são os de
mente nos sistemas de tratamento de água. O país saneamento, energia, petróleo, gás e telecomuni-
utiliza o PVC nesse setor desde a década de 1970, cação. A empresa entrou no mercado de PEAD em
mas ainda está pouco presente na área de esgotos. 1993, com a criação da Brastubo Química Indus-
trial e Comércio.
Principais fabricantes A Confab, por sua vez, é um dos maiores produ-
Existem atualmente cerca de 50 fabricantes tores de tubos de aço para o setor de petróleo e gás
de tubos de PVC no Brasil, entre os quais se desta- da América Latina. A empresa faz parte do grupo
cam Tigre, Amanco, Cardinali, Krona, Achini, Er- Tenaris (Techint), que soma oito fabricantes inter-
con, Interfibra, MultiHidro, Sanebrasil, Sanevix, nacionais de tubos de aço. Em 2005, o faturamento
Stringal e Majestic. A indústria da construção é o da Confab foi da ordem de R$ 1,8 bilhão.
seu principal mercado, para o qual destina cerca A Saint-Gobain Canalização possui fatura-
de 65% de sua produção. mento anual da ordem de US$ 180 milhões e é
As empresas Tigre e Amanco (dona das mar- uma das principais fabricantes de equipamen-
cas Akros e Fortilit) são as líderes do mercado de tos para transporte de água no Brasil, atenden-
PVC. Na Tigre, a área de infra-estrutura (sanea- do também aos mercados de irrigação, predial
mento, telecomunicações e gás) representa cerca e indústria. A empresa produz tubos (80 a 2.000
de 20% de seu faturamento (da ordem de R$ 1,2 mm), conexões, válvulas, tampões e grelhas em
bilhão em 2005). ferro dúctil.
Na Amanco, os negócios com adução e esgoto
sanitário representam 20% da receita do grupo Concreto
no país, enquanto a linha predial responde pelo No Brasil, além da grande utilização de tu-
restante (em 2005, o faturamento da empresa foi bos de concreto em obras de esgotos sanitários, é
de cerca de R$ 600 milhões). O grupo de origem comum sua aplicação em sistemas de galerias de
suíça detém hoje cerca de 10% de participação na águas pluviais.
produção brasileira de tubos de PVC para o setor Segundo dados do Sindicato Nacional da In-
de saneamento, com a meta de atingir entre 35% e dústria de Produtos de Cimento (Sinaprocim),
40% nos próximos anos. as indústrias de produtos de cimento fecharam
o ano de 2005 com um faturamento de R$ 4,61
Metal bilhões. O segmento de tubos de concreto obteve
Segundo o Sindicato das Indústrias de Equi- faturamento de R$ 73 milhões no ano.
pamentos de Saneamento Básico e Ambiental As empresas produtoras de tubos de concreto
(Sindesam), o segmento de tubulações metálicas caracterizam-se por ser de pequeno e médio por-
detém faturamento anual da ordem de US$ 250 tes e se encontram instaladas em todas as regiões
milhões, com as exportações representando cer- do país. Devido à sua grande dispersão, verifica-se
ca de 30% desse montante. ainda um grande número de companhias que não
obedecem a condições de normatizações técnicas.
Principais fabricantes A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tu-
No segmento, destacam-se empresas como bos de Concreto (ABTC) foi criada em 2001 com o
Brastubo, Confab e Saint-Gobain Canalização. objetivo de minimizar problemas relacionados à
Nos últimos anos, realizaram investimentos para produção e comercialização de tubos de concreto.
Cadeia produtiva Saneamento Básico Valor análise setorial 73

Nesse sentido, em conjunto com a Associação nos quais se incluem, além do saneamento básico, a
Brasileira do Cimento Portland (ABCP), a ABTC indústria química e a petroquímica, entre outros.
lançou o Selo de Qualidade para certificação de Nos últimos anos, o crescimento desse mer-
seus produtos, visando à melhora e à padroniza- cado tem sido puxado pelos investimentos rea-
ção da qualidade. lizados pela Petrobras (estimados em US$ 100
Com o selo, os fabricantes de tubos filiados ao bilhões até 2010), além de vários investimentos
Programa do Selo de Qualidade ABCP/ABTC para em mineração.
tubos de concreto qualificam-se para atender às A indústria brasileira de bombas é bastante
obras financiadas pelos governos federal, estadual competitiva, direcionando boa parte de sua pro-
e municipal, e às demais obras de infra-estrutura. dução ao mercado externo, com alto índice de na-
cionalização dos componentes.
Plástico reforçado
Estima-se que o mercado de polietileno usa- Principais fabricantes
do em redes de saneamento básico soma cerca de A empresa líder no mercado nacional de bom-
15 mil toneladas anuais, com grandes perspecti- bas é a KSB, que registrou receita líquida de R$
vas de crescimento. O PEAD (polietileno de alta 138 milhões em 2004. A KSB pauta-se pela diver-
densidade) oferece, segundo seus produtores, sificação da linha de bombas e também fornece
algumas vantagens frente aos demais materiais, alguns tipos de válvulas, vendendo-as de forma
como maior rapidez na instalação e leveza, o que independente. A empresa exporta perto de 12%
permite alcançar locais de difícil acesso. de seu faturamento total, com a meta de chegar a
Um dos municípios que mais utilizam o pro- 20% nos próximos anos.
duto no Brasil é Porto Alegre (RS), com cerca de Outra grande fabricante nacional é a Netzsch,
25% de sua tubulação composta por esse material. que possui portfólio variado, com faturamento
da ordem de R$ 50 milhões em 2005.
Principais fabricantes As grandes empresas internacionais também
A Ipiranga Petroquímica (IPQ), do grupo Ipi- se encontram presentes no mercado brasileiro de
ranga, instalada no Pólo Petroquímico de Triun- bombas, por meio de subsidiárias. Um exemplo é
fo, no estado do Rio Grande do Sul, comercializa a Flowserve, que, além de bombas, produz válvu-
anualmente 5,9 mil toneladas de PEAD para esse las e selos mecânicos nas unidades instaladas no
tipo de aplicação. A empresa é considerada a Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente.
maior produtora de polietileno de alta densidade A Flowserve adquiriu, em esfera internacio-
da América Latina, tendo faturado cerca de R$ 1,8 nal, a divisão de Flow Control da Invensys, in-
bilhão nos três primeiros trimestres de 2005. corporando, entre outras empresas, a Worcester,
Outra companhia de porte que produz tubos fabricante de válvulas de esferas, com fábrica em
de polietileno é a Brastubo, onde a participação do São Caetano do Sul (SP).
plástico nos seus negócios tem aumentado a taxas A Flowserve internacional tem sede em Dallas,
anuais perto de 50%. O faturamento total da em- Texas (EUA), e faturamento anual da ordem de US$
presa atingiu cerca de R$ 200 milhões em 2005. 2,5 bilhões. A divisão de bombas apresenta fatura-
mento anual de aproximadamente US$ 1 bilhão.
Bombas
A Câmara Setorial de Bombas e Motobombas Hidrômetros
(CSBM) da Abimaq congrega os fabricantes das Os equipamentos de monitoramento, automa-
máquinas utilizadas para movimentar e elevar ção e medição ganham importância fundamental
fluidos (gases, líquidos viscosos ou não). quanto à redução de desperdício de água no Brasil,
Segundo a Câmara, o faturamento médio anu- onde o índice de perda de água captada por ope-
al do segmento situa-se entre R$ 600 milhões e R$ radoras de saneamento básico é de cerca de 40%,
700 milhões. A Câmara conta com 43 empresas quase o dobro do aceito internacionalmente.
associadas, mais da metade do total estimado de As medidas básicas para reduzir perdas são:
75 produtores de bombas instalados no Brasil. instalar hidrômetros, fazer manutenção ade-
O segmento de produtores de bombas possui quada de equipamentos e ter agilidade para es-
grande interação com outros setores industriais, tancar vazamentos.
74 Valor análise setorial Saneamento Básico Cadeia produtiva

Principais fabricantes Equipamentos de ETA´s e ETE´s


Segundo dados do Sindesam, o faturamento Para atender também à demanda do setor in-
do segmento de hidrômetros foi de R$ 100 mi- dustrial, um dos segmentos da cadeia que vêm
lhões em 2005, com as exportações atingindo cer- apresentando maior movimentação nos últimos
ca de 10% desse montante. Na produção brasileira anos é o de sistemas de tratamento de efluentes.
de hidrômetros, destacam-se empresas como Lao Nesse segmento, que oferece uma vasta
(Liceu de Artes e Ofícios), Schlumberger e ABB gama de produtos, há uma tendência de as em-
Nansen. Essas companhias fornecem seus medi- presas procurarem ofertar pacotes completos
dores também para outros setores, como o de gás de tratamento e garantirem aportes para forne-
canalizado e o de energia elétrica. cimentos do tipo BOT.
A Lao, baseada em São Paulo, produz hidrô- Segundo estimativas da Aquamec, um das
metros residenciais eletrônicos e convencionais. principais fabricantes do segmento, apenas o
Sua receita operacional líquida gira em torno de mercado nacional de equipamentos para efluen-
R$ 20,6 milhões. tes deverá atingir um faturamento global de qua-
A Schlumberger Indústrias fabrica medidores se US$ 92 milhões em 2005.
de energia e sistemas para fluidos de água e gás.
A empresa faz parte do grupo Schlumberger, que Principais fabricantes
criou quatro centros de produção para o mercado Existe um grande número de fornecedores
latino-americano: água, em Americana (SP); eletri- de componentes para estações de tratamento de
cidade, em Campinas (SP); gás, em Buenos Aires; e efluentes e de águas no país, embora para isso seja
uma unidade de soluções também na Argentina. necessário que essas empresas recorram a outras
A divisão de medidores da companhia, insta- para a composição completa dos equipamentos.
lada em Campinas, registra faturamento anual Destacam-se entre os fornecedores de com-
da ordem de US$ 40 milhões. ponentes para ETA’s e ETE´s no Brasil, com for-
A ABB Nansen surgiu quando a Asea Brown Bove- necimento de equipamentos integrados, com-
ri (ABB) adquiriu o controle acionário da Nansen Nor- panhias como Aquamec, Degrémont, Kurita,
deste S.A., empresa subsidiária do Grupo Nansen. OTV e US Filter.
Saneamento Básico Valor análise setorial 75

Participação privada: cenário externo

Participação privada:
cenário externo
A gestão dos negócios do saneamento é públi- cessões para operar em grandes cidades, como
ca na maioria dos países desenvolvidos. Existem Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba e Tucumán (Ar-
algumas poucas exceções nas quais o serviço é de- gentina), Valdivia (Chile), Bogotá (Colômbia) e na
senvolvido sob gestão predominantemente priva- cidade do México, entre outras.
da, como são os casos da França e Inglaterra. Além das francesas, entre as empresas multi-
nacionais interessadas no mercado latino-ameri-
O modelo francês cano estavam as inglesas North West Water e Tha-
A França é o grande exemplo mundial de priva- mes Water e a espanhola Águas de Barcelona.
tização no saneamento. No país, desde o século XIX, Essas companhias também começaram a ope-
a atividade esteve nas mãos da iniciativa privada. rar no mercado brasileiro e em quase todas as ten-
A Vivendi (Générale des Eaux) obteve seu pri- tativas de privatização de serviços de saneamento
meiro contrato municipal no começo do governo apareceram como interessadas. Mas, no Brasil, a
de Napoleón III, em 1853. A Suez (Lyonnaise des sua participação foi muito mais tímida.
Eaux), nessa época, também já existia. Uma característica inerente a essas empresas
No modelo francês, os governos locais conser- é a de que elas não se limitam à operação de ser-
vavam a propriedade da infra-estrutura enquan- viços de saneamento básico. Mas atuam em vários
to as empresas privadas concorriam pelos contra- ramos de serviços ambientais, incluindo as áreas
tos de gestão para oferecer o serviço. Esse modelo de limpeza de ruas e disposição de resíduos in-
permitiu o aparecimento de empresas fortes e dustriais, entre outras.
especializadas para lidar com um mercado frag- Também controlam, por meio de subsidiárias,
mentado e público. fábricas de materiais e equipamentos. O interes-
Com essa grande experiência, as empresas fran- se não se limita em obter concessões para operar
cesas dispunham de boas condições para atuar em serviços, mas visa criar um mercado cativo para
nível global, o que foi possível a partir da década suas próprias fábricas, verticalizando assim todo
de 1980. Nesse cenário, as empresas francesas Suez o ciclo produtivo.
(Lyonnaise des Eaux) e Vivendi (ex-Générale des
Eaux) assumiram a posição de líderes mundiais. Mercado global: US$ 400 bilhões
No fim da década de 1980, a Inglaterra privatizou O setor de saneamento, em esfera global, gera
os seus serviços de saneamento. Quase na mesma volume anual de negócios da ordem de US$ 400
época, o mercado global passou a registrar a entrada bilhões. As principais empresas são grandes con-
de capitais privados na operação dos serviços. glomerados industriais que operam, no mais das
vezes, também nos ramos correlacionados ao sa-
A entrada na América Latina neamento, em atividades como projetos, consul-
Na década de 1990, as empresas globais come- toria, engenharia e no fornecimento de equipa-
çaram a atuar na América Latina, obtendo con- mentos e materiais.
76 Valor análise setorial Saneamento Básico

As principais empresas mundiais do setor de No Brasil, a Vivendi participa da composição


saneamento podem ser divididas em três grupos. acionária da Sanepar (PR).
O primeiro deles corresponde a cerca de 70% A sua divisão de águas atende por Veolia Wa-
do mercado e é composto pela Vivendi e pela ter Systems e a de meio ambiente, por Veolia Envi-
Suez, ambas francesas. ronnement. A Veolia Water Systems Brasil Ltda. é
O segundo grupo é formado pelas seguintes uma subsidiária da Veolia Environnement.
companhias: a francesa Bouygues-Saur, a alemã A Veolia Environnement é representada por
RWE-Thames Water e a anglo-americana Be- quatro empresas: Veolia Water Systems (trata-
chtel–United Utilities, cujas subsidiárias no setor mento de água e efluente municipal e industrial,
têm tamanho médio. tratamento e serviços residenciais e comerciais);
O terceiro grupo é formado por empresas in- Onyx (gerenciamento de resíduos sólidos); Dalkia
glesas, criadas com a privatização dos serviços e (gerenciamento de energia); e Connex (transpor-
que possuem tamanho menor. te público).
Apesar de adotarem estratégias parecidas de A Veolia Water é a líder mundial em tratamen-
ação, as multinacionais que atuam no setor de sa- to de água e efluentes líquidos. Acumula uma ex-
neamento têm certas peculiaridades em suas áreas periência de mais de 150 anos. Com um fatura-
de atuação que as diferenciam entre si. Veja a seguir mento anual de US$ 12 bilhões e um efetivo de 69
essas características dos principais players globais. mil funcionários.

Suez RWE
O Suez (ex-Lyonnaise) é uma das maiores com- A alemã RWE é uma empresa que opera em
panhias de saneamento básico do mundo, com uma série de setores por todo o mundo, entre os
atuação em cerca de 130 países, atendendo 125 quais se destacam energia, telecomunicações,
milhões de pessoas. construção e químico.
A empresa tem sua atuação voltada aos servi- A RWE Thames Water é a sua subsidiária para
ços de saneamento, energia e lixo. Também pos- área de saneamento. Surgiu após a aquisição da
sui pequenas participações nas áreas de mídia e britânica Thames Water em 1999.
de telecomunicações, e estas se resumem a com- Com faturamento anual da ordem de US$ 6
panhias francesas. bilhões, a RWE Thames Water fornece serviços de
A sua divisão de águas é conduzida pela On- água e esgoto para cerca de 13 milhões de pessoas
deo, que, por sua vez, é subdividida em Ondeo em Londres e no Vale do Tamisa.
Services (voltada para águas municipais); Ondeo A American Unit (adquirida em 2003) serve a cer-
Degrémont (projetos, engenharia de equipamen- ca de 18 milhões de pessoas na América do Norte.
tos e sistemas e ainda operação e manutenção de A companhia atua também na Austrália e em
unidades); e Ondeo Nalco, que é responsável pe- países da África, Ásia e América do Sul.
los processamentos químicos e serviços de água
industrial e efluentes. Bouygues-Saur
Na área de energia, o grupo conta com a Trac- A Bouygues é a terceira maior construtora do
tebel, dona no Brasil da geradora gaúcha Gerasul. mundo e terceira maior operadora de telecomu-
Em resíduos, a operação mundial é controlada nicações na França.
pela Sita, proprietária no país da Vega Sopave e A sua subsidiária no setor de saneamento é a
sócia do incinerador da Teris do Brasil, em Ta- Saur. Tem diversas concessões na África e na Euro-
boão da Serra (SP). pa, além de possuir a concessão de Gdansk, uma
das primeiras do Leste Europeu, ocorrida em 1992.
Vivendi A Saur presta serviço de saneamento básico
A Vivendi apresenta características um pouco para aproximadamente 40 milhões de pessoas ao
diferentes. Seu foco de ação é mais abrangente e in- redor do mundo. A empresa possui 22 subsidiá-
clui dois ramos de atividade. O primeiro, além dos rias locais em 17 países, entre os quais se incluem
negócios com saneamento, energia e lixo, agrega África do Sul, Argélia, Argentina, China, Costa do
ações na área de transporte público. O segundo re- Marfim, Espanha, Itália, Mali, Marrocos, Polônia,
fere-se à mídia, telecomunicações e internet. Inglaterra, Rússia, Senegal, Vietnã e Zâmbia.
Participação privada: cenário externo Saneamento Básico Valor análise setorial 77

Bechtel–United Utilities sas da área de saneamento básico do Reino Uni-


A americana Bechtel é uma empresa originalmen- do, onde presta serviços para mais de 2,9 milhões
te focada na área de engenharia e construção. Expan- de consumidores residenciais e industriais. As
diu sua atuação para a área de recuperação ambiental, suas operações vão desde tratamento de esgoto e
serviços de água, energia e telecomunicações. Atual- abastecimento de água até distribuição de eletri-
mente atua em cerca de 950 projetos em 67 países. cidade e telecomunicações.
A maior parte das operações internacionais Desde 1994, atua internacionalmente junto com
na área de saneamento é conduzida em parceria a Bechtel, com contratos nos Estados Unidos, Austrá-
com a britânica United Utilities. lia, Malásia, México, Tailândia, Indonésia, Argentina e
A United Utilities é uma das maiores empre- Kuwait, nos quais serve cerca de 15 milhões de pessoas.
78 Valor análise setorial Saneamento Básico
Saneamento Básico Valor análise setorial 79

Perfis de empresas

Perfis de empresas
Este bloco traz informações sobre algumas das principais concessionárias estaduais,
de serviços municipais e empresas privadas que atuam no setor de saneamento básico
brasileiro. Apresenta dados como estrutura, áreas de cobertura, desempenho e investi-
mentos, entre outros.
80 Valor análise setorial Saneamento Básico

Concessionárias estaduais

Caer
Companhia de Águas e Esgotos de Roraima

A Caer foi instituída pelo Decreto-Lei nº 490, de Na capital, o abastecimento d’água está divi-
4 de março de 1969. É uma sociedade de economia dido em dois sistemas: captação superficial rea-
mista (regida pela legislação aplicável às socieda- lizada no Rio Branco e captação subterrânea. O
des anônimas, às Empresas Estatais de Saneamen- abastecimento de água por captação subterrânea
to Básico e pelas disposições de seu Estatuto). é composto de 85 poços tubulares, distribuídos
Seu principal controlador é o Governo do Es- nos diversos bairros periféricos da cidade. Na
tado de Roraima, que detém 99% das ações. maioria das sedes municipais e vilas, o atendi-
mento é prestado por meio de poços tubulares.
Área de atuação Quanto ao esgoto sanitário, somente a capital
A empresa é a responsável pelo saneamento – Boa Vista – é atendida com o serviço de coleta e
básico no estado de Roraima. Atua nas áreas de tratamento.
execução, operação, manutenção e exploração O sistema é constituído por 149 quilômetros
dos sistemas de abastecimento d’água e de coleta de rede coletora e por cinco lagoas de estabiliza-
e tratamento de esgoto sanitário. ção com área útil superior a 45 hectares e volume
Também realiza a conservação, proteção e fis- de 783.859 metros cúbicos. O sistema possui ca-
calização das bacias hidrográficas utilizadas ou pacidade de tratar a vazão de 350 l/s, possibilitan-
reservadas para os fins de abastecimento d’água do a depuração dos esgotos por processos natu-
e o controle da poluição das águas. rais com a ação de bactérias e algas. Seus efluentes
são lançados no Igarapé Grande.
Estrutura
O abastecimento de água da empresa atende apro- Investimentos
ximadamente 98% da população urbana do estado de Segundo dados do Sistema Nacional de Infor-
Roraima, atingindo todos os seus 15 municípios. A mações sobre Saneamento (SNIS), em 2004 a Caer
extensão de rede de distribuição de água na capital é realizou investimentos da ordem de R$ 694,1 mil.
de 979.616 quilômetros e no interior, de 446.778 qui- Todo o investimento foi conduzido por meio de
lômetros, totalizando 1.426.394 quilômetros. recursos próprios.

Evolução dos indicadores da Caer


T24

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 81,1 66,0 144,2 57,6 61,8 9,5 22,4 100,0


2002 83,1 64,7 167,2 54,6 50,7 10,5 19,9 100,0
2003 82,0 64,4 161,7 57,1 52,6 12,8 21,2 100,0
2004 78,7 58,0 157,5 57,5 52,2 12,1 23,3 100,0

Fonte: SNIS.
Saneamento Básico Valor análise setorial 81

Informações cadastrais
Sigla Caer
Razão social Companhia de Águas e Esgotos de Roraima
Endereço da sede Rua Melvin Jonas, 219 - São Pedro - Boa Vista - Roraima - CEP 69306-610
Telefone central 55 (95) 3623-1575
Home page www.caer.com.br
Data de fundação 1969
Principal executivo José Evandro Moreira

Informações estruturais
Municípios atendidos 15

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 19.346 19.846 21.882
Arrecadação total (R$ mil) 17.916 14.753 18.924
Despesas com serviço (R$ mil) 32.360 29.351 32.536

Fontes: SNIS e Caer.


82 Valor análise setorial Saneamento Básico

Caerd
Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia S.A.

A Caerd é a companhia estatal que cuida do Rondônia. Destes, 45,6% da população tem água
saneamento em Rondônia. Desde os anos 90 a tratada e 1,7% tem acesso a serviços de esgoto.
empresa conviveu com uma crise financeira que Dos outros, 12,8% têm sistema autônomo (muni-
quase a conduziu à falência. cipalizado), em três a empresa está implantando
Por conta da crise, desde agosto de 2000, o es- o sistema, e em uma cidade – Governador Jorge
tado de Rondônia e o sindicato de funcionários Teixeira – não há nem água tratada nem esgoto.
da Caerd fizeram um acordo de gestão comparti-
lhada para tentar recuperar a empresa. Investimentos
O acordo possibilitou as despesas diminuírem Segundo dados do SNIS, em 2004 a Caerd
por meio de práticas como redução de salários, ex- efetuou investimentos da ordem de R$ 5,462 mi-
tinção de vários cargos comissionados e suspen- lhões. Desse total, 20,6% foram realizados por
são temporária de benefícios (assistência médica e meio de recursos próprios (R$ 1,126 milhão) e
adicional de periculosidade e insalubridade). 67,1%, de transferências do governo.
As despesas capitalizáveis representaram
Cobertura 12,3% dos investimentos, equivalentes a R$
A estatal atua em 40 municípios do estado de 669,283 mil.

Evolução dos indicadores da Caerd


T25

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 44,2 56,7 110,7 n.d. n.d. 0,9 n.d. n.d.


2002 42,8 56,5 96,5 71,3 71,3 1,2 0,0 n.d.
2003 29,9 54,4 114,9 72,1 72,1 1,1 5,5 0,0
2004 31,2 52,5 136,7 70,8 70,8 1,0 5,1 0,0

Fonte: SNIS.

Informações cadastrais
Sigla Caerd
Razão social Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia
Endereço da sede Av. Pinheiro Machado, 2112 - São Cristovão - Porto Velho - Rondônia -
CEP 78901-250
Telefone central 55 (69) 3216-1712
Principal executivo Raimundo Marcelo Ferreira Fernandes

Informações estruturais
Municípios Atendidos 40
Tratamento de Esgoto (%) 1,7

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 24.705 32.955 42.875
Arrecadação total (R$ mil) 24.971 29.475 35.395
Despesas com serviço (R$ mil) 43.096 58.163 75.112

Fontes: SNIS e Caer.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 83

Caesa
Companhia de Água e Esgoto do Amapá

Sediada em Macapá, a Caesa é uma empresa mente para atender toda a população da capital
de economia mista. O principal acionista é o Go- do estado, Macapá.
verno do Estado do Amapá, com 99,99% das ações
da companhia. Desempenho
A companhia foi criada por meio do Decreto- A empresa fechou 2004 com prejuízo acumula-
Lei nº 490, de 4 de março de 1969, e é vinculada à do de R$ 140,49 milhões, 10,8% maior que o do ano
Secretaria de Estado da Infra-Estrutura. anterior, que havia sido de R$ 126,85 milhões.
Também fechou o ano com queda no patri-
Cobertura mônio líquido, que passou de R$ 11,325 milhões,
A Caesa atua em 14 municípios do estado, em 2003, para R$ 5,413 milhões em 2004, além de
abastecendo 275.765 habitantes. Atualmente, a ter terminado 2004 com contas a receber de usu-
Caesa capta água do Rio Amazonas e trata uma ários no valor de R$ 5,673 milhões.
vazão média de 1.202 l/s, com regime de operação
de 24 horas/dia, produzindo em média 103.862 Investimentos
m3/dia. A capacidade nominal de abastecimento Segundo dados do SNIS, em 2004 a Caesa
das ETA’s é de 10.034 m3/dia. realizou investimentos da ordem de R$ 2,569
Essa capacidade, no entanto, é insuficiente milhões. Do total, 88,1% dos recursos vieram de
para abastecer a população. Em agosto de 2005, transferências do governo.
a empresa divulgou que precisaria de R$ 2,5 As despesas capitalizáveis representaram 11,9%
milhões para ampliar o sistema de captação so- dos investimentos, equivalentes a R$ 306,934 mil.

Evolução dos indicadores da Caesa


T26

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 47,7 26,5 163,0 66,6 66,6 5,4 13,6 92,6


2002 49,4 24,7 174,9 66,8 66,8 5,1 13,0 93,0
2003 49,9 25,6 169,1 68,1 68,1 5,0 11,5 92,3
2004 51,2 27,5 164,2 72,8 72,8 5,1 12,6 92,9

Fonte: SNIS.
84 Valor análise setorial Saneamento Básico

Informações cadastrais
Sigla Caesa
Razão social Companhia de Águas e Esgotos do Amapá
Endereço da sede Av. Ernestino Borges, 222 - Central - Macapá - Amapá - CEP 68900-010
Telefone central 55 (96) 3212-7204
Home page www.caesa.ap.gov.br
Data e local de fundação 4 / 1973 / Amapá
Principal executivo Antônio Braga Chucre

Informações estruturais
Municípios atendidos 14

Indicadores financeiros

Ano/indicador 2002 2003 2004


Receitas operacionais (R$ mil) 18.432 18.723 21.309
Arrecadação total (R$ mil) 12.167 12.242 12.653
Despesas com serviço (R$ mil) 26.063 37.410 36.603

Fontes: SNIS e Caesa.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 85

Cosama
Companhia de Saneamento do Estado do Amazonas

A Cosama é uma empresa estatal que atua em mento ambiental no interior do Amazonas. O es-
15 municípios do Amazonas. Foi fundada por tudo argumenta que ações urgentes precisam ser
meio da Lei nº 892, de 13 de novembro de 1969, e tomadas para assegurar a qualidade dos serviços
sua instalação data de 5 de outubro de 1970. Vin- na maioria dos municípios.
culada à Secretaria de Estado de Viação e Obras, a O estudo do Banco Mundial propôs duas for-
Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosa- mas de gestão do saneamento: a municipalização
ma) foi criada como uma sociedade de ações, de dos serviços, com as funções de planejamento, re-
economia mista. gulação e fiscalização sendo executadas por órgãos
Em 4 de julho de 2000, o Governo do Estado públicos vinculados às respectivas administrações;
do Amazonas transferiu a gestão do sistema de ou a gestão institucional associada entre os muni-
água e esgoto sanitário da capital, Manaus, para cípios e o estado, com as funções sendo executadas
a iniciativa privada. Para facilitar essa transferên- por meio de consórcios públicos, preferencialmen-
cia, o governo dividiu a Cosama, separando os te organizados a partir das grandes calhas dos rios.
serviços da capital e do interior. Criou a empre- Para o Banco Mundial, a municipalização do
sa mista Manaus Saneamento S.A. (atualmente sistema não vem dando certo no Amazonas. Entre
Águas do Amazonas S.A.) para atuar exclusiva- outros motivos, porque a fase de preparação e ca-
mente em Manaus, permanecendo a Cosama com pacitação institucional dos municípios, essencial
os serviços do interior. ao sucesso do modelo, não foi realizada. A pre-
paração e a capacitação técnicas para a operação
Processo de dissolução dos sistemas, embora tenham ocorrido, mostra-
A gestão dos serviços de abastecimento de água ram-se insuficientes.
e de esgotamento sanitário, no Amazonas, passa O estudo faz parte do Programa de Moderniza-
por um período considerado de transição e a Cosa- ção do Setor Ambiental, conduzido pela Secretaria
ma caminha para sua dissolução. Desde 2000, a em- Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério
presa já está devolvendo as concessões e os sistemas das Cidades. Um dos objetivos do programa é a as-
à maioria dos municípios (como em Manaus). sistência técnica aos estados e municípios na reali-
O Banco Mundial (Bird) realizou, a pedido do zação de estudos para a formulação de políticas de
Governo do Estado, um estudo para definir um saneamento básico que promovam a qualidade, a
novo modelo de gestão dos serviços de sanea- universalização e a eficiência dos serviços.

Informações cadastrais
Sigla Cosama
Razão social Companhia de Saneamento do Estado do Amazonas
Endereço da sede Alameda Cosme Ferreira, 7600 – Corado III - Manaus - AM
Telefone central 55 (92) 647-1150
Home page www.cosama.am.gov.br
Data e local de fundação 1969
Principal executivo Heraldo Beleza Câmara

Fontes: SNIS e Cosama.


86 Valor análise setorial Saneamento Básico

Cosanpa
Companhia de Saneamento do Pará

A Cosanpa foi criada em 1970 pela Lei nº 4336. (incluindo Mosqueiro), Ananindeua, Castanhal,
A companhia é responsável pelo abastecimento Marituba, Marabá, Altamira e Santarém.
de 69% da população urbana de 62 municípios A maior parte do investimento deverá ser apli-
do estado do Pará. Na região metropolitana de cada no município de Belém, capital do estado,
Belém, o atendimento atinge 70%. no montante de R$ 62,64 milhões. Serão aplica-
dos na ampliação da Estação de Tratamento de
Cobertura Água do Rio Bolonha e na expansão da captação
Em 2006, na região metropolitana, o número de água bruta do Rio Guamá e no esgotamento
de ligações de água e esgoto é de 268,2 mil; no in- sanitário de algumas áreas da capital.
terior, atinge 214 mil. A população atendida por Em Castanhal, estão planejados investimen-
água alcançou 1,2 milhão e no interior, 1 milhão. tos de R$ 6 milhões. A obra tem previsão para es-
Já a população atendida por serviços de esgo- tar concluída em fevereiro de 2007, quando mais
to é bem menor; na região metropolitana, esse de 131 mil pessoas serão beneficiadas.
número alcança apenas 80,8 mil pessoas. No inte- A empresa construirá um poço tubular, com
rior do estado, não existe atendimento de esgoto. 120 metros de profundidade e vazão de 80 mil
litros por hora; uma casa de química para reali-
Investimentos zação de tratamento de água; dois reservatórios,
A empresa prevê investimentos de aproxima- um elevado e um apoiado, com capacidade de
damente R$ 100 milhões a serem efetuados até 500 mil e 850 mil litros de água, respectivamen-
2007. Esses recursos são provenientes da Caixa te; instalará uma adutora de 300 milímetros e
Econômica Federal (R$ 81 milhões) e do Governo 597 metros de extensão; e ampliará a rede de dis-
do Estado do Pará (R$ 18,64 milhões). tribuição de água em 15.172 metros, passando de
As obras deverão beneficiar cerca de 480 mil 155.987 para 171.159 metros, e a extensão dos ra-
pessoas que moram nos municípios de Belém mais prediais, de 19.820 para 22.328 metros.

Evolução dos indicadores da Cosanpa


T27

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 47,9 40,1 100,0 46,5 48,9 1,9 7,2 0,0


2002 48,6 39,6 98,3 49,0 51,5 1,8 7,2 0,0
2003 69,7 38,7 93,6 48,2 50,7 2,5 6,9 0,0
2004 48,8 37,9 93,7 47,1 47,5 1,8 6,7 0,0

Fonte: SNIS.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 87

Informações cadastrais
Sigla Cosanpa
Razão social Companhia de Saneamento do Pará
Endereço da sede Av. Magalhães Barata, 1201 - São Brás - Belém - Pará - CEP 66060-670
Telefone central 55 (91) 3181-4226
Home page www.cosanpa.pa.gov.br/
Data de fundação 1970
Principais executivos José Augusto Soares Afonso

Informações estruturais
Municípios atendidos 59
Abastecimento de água (%) 69

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 127.055 123.990 124.156
Arrecadação total (R$ mil) 88.593 79.053 83.213
Despesas com serviço (R$ mil) 268.342 201.901 235.707

Fontes: SNIS e Cosanpa.


88 Valor análise setorial Saneamento Básico

Deas
Departamento Estadual de Água e Saneamento do Acre

Criado em 4 de dezembro de 1997, o Departa- de Rio Branco (Saerb). O governo estadual criou
mento Estadual de Água e Saneamento (Deas) está a Deas, uma autarquia, para operar os serviços de
vinculado à Secretaria Estadual da Infra-Estrutu- saneamento no interior do estado.
ra. O Deas surgiu a partir da dissolução da Sanacre
(Companhia de Saneamento do Acre), que faliu. Investimentos
No Acre, os serviços de saneamento da capital Segundo dados do SNIS, em 2004 o Deas reali-
do estado, Rio Branco, foram retomados pela pre- zou investimentos da ordem de R$ 4,860 milhões.
feitura municipal, que passou a administrá-los Todos os recursos para os projetos foram viabili-
por meio da autarquia Sistema de Saneamento zados por transferências do governo federal.

Evolução dos indicadores do DEAS (Acre)


T28

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 36,5 27,0 101,1 66,4 67,5 n.d. n.d. n.d.


2002 26,1 0,0 104,4 69,0 69,0 n.d. n.d. n.d.
2003 26,9 0,0 135,6 67,6 68,0 n.d. n.d. n.d.
2004 29,1 0,0 132,1 67,4 67,4 0,0 0,0 n.d.

Fonte: SNIS.

Informações cadastrais
Sigla Deas
Razão social Departamento Estadual de Água e Saneamento
Endereço da sede Av. Brasil, 346 - Centro - CEP 69.900-100 - Acre
Telefone central 55 (68) 223-1579/223-3405/223-2629/223-4098
Principal executivo Tácio de Brito

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 3.717 4.061 4.052
Arrecadação total (R$ mil) 2.486 2.377 3.089
Despesas com serviço (R$ mil) 6.799 10.636 13.990

Fontes : SNIS e Deas.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 89

Saneatins
Companhia de Saneamento do Tocantins

A Saneatins foi criada em 25 de abril de 1989, Cobertura


por meio do Decreto n° 33/89. É resultante do des- Com um total de 260 mil ligações de forneci-
membramento da Companhia de Saneamento de mento de água, a Saneatins está presente em 117
Goiás (Saneago), que ocorreu juntamente com a dos 139 municípios tocantinenses, atendendo
criação do estado do Tocantins. 97% do estado com água tratada e 21% da popula-
Atualmente, a Saneatins é uma empresa de ção com o tratamento de esgoto.
economia mista de controle privado; 76,52% de Em Palmas, capital do estado, 40% da popula-
suas ações pertencem à Emsa (Empresa de Mon- ção urbana já é atendida com rede coletora e tra-
tagem Sul-Americana S.A.); 23,47%, ao estado do tamento do esgoto sanitário. A capacidade insta-
Tocantins; e o restante, a outros acionistas. lada de tratamento é para 200 mil habitantes.

Evolução física da cobertua da Saneatins


T29

2000 2001 2002 2003 2004 2005

Nº de ligações-água 196.754 213.150 233.249 247.389 261.197 274.078


Índice de abastecimento-água 88,00% 90,00% 92,00% 96,00% 96,10% 97,02%
Índice de hidrometração-água 97,86% 97,86% 99,40% 99,66% 99,66% 99,97%
Extensão de rede (km)-água 3.541,57 3.755,74 3.836,70 4.453,00 4.701,55 4.933,40
Nº de colaboradores 853 906 1.217 1.091 1.209 1.203

Fonte: Saneatins.

Evolução do esgotamento sanitário da Saneatins


T30
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Nº de ligações-esgoto 4.958 7.451 12.322 15.760 18.367 24.538


Índice de cobertura-esgoto (%) 1,00 1,50 11,00 13,50 16,00 21,00
Extensão de rede (km)-esgoto 307,00 328,00 363,00 388,00 412,00 426,00
Índice de tratamento-esgoto (%) 100 100 100 100 100 100

Fonte: Saneatins.

Evolução dos indicadores da Saneatins


T31

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 76,5 96,4 n.d. n.d. n.d. 8,3 n.d. 100,0


2002 75,7 97,5 112,3 25,1 31,5 4,5 3,8 100,0
2003 83,8 99,5 120,3 28,7 28,8 7,9 2,8 100,0
2004 81,6 99,7 118,9 27,0 27,0 7,5 5,9 98,1

Fonte: SNIS.
90 Valor análise setorial Saneamento Básico

Desde que foi criada, a empresa vem apresen- do Norte (FNO), e Agência de Desenvolvimento da
tando grande crescimento. Em dez anos (1988 a Amazônia (ADA).
1998), o índice de abastecimento saltou de 12% O maior volume financeiro deverá ser alocado
para 83% e, em 2005, já chegava a 97% da popula- da Agência de Desenvolvimento da Amazônia, da
ção urbana do Tocantins, como pode ser visto nas ordem de R$ 45 milhões, a ser investido exclusi-
Tabelas 29 e 30. vamente nos sistemas de coleta e tratamento de
Quanto ao esgotamento, quando a empresa esgoto sanitário.
foi criada não havia nenhuma ligação de esgoto Na Caixa, o financiamento somava R$ 38 mi-
em todo o território estadual. Atualmente, o índi- lhões (R$ 26 milhões destinados à expansão do
ce de atendimento é de 18% da população. sistema de esgotamento sanitário do estado). Já
no Basa, por meio do FNO, a solicitação de finan-
Investimentos ciamento era de R$ 22 milhões.
Em fevereiro de 2006, a Saneatins anunciou Com os recursos pleiteados, a Saneatins investirá
que estava buscando recursos para implantação na execução dos sistemas nos municípios de Aragua-
e ampliação dos sistemas de esgotamento sani- ína e Tocantinópolis e na ampliação dos sistemas de
tário do estado. Os valores totalizam R$ 105 mi- Paraíso, Peixe, Gurupi, Porto Nacional, Colinas, Pal-
lhões e estavam sendo negociados em três fontes: mas, Augustinópolis e Xambioá. Segundo a empre-
Caixa Econômica Federal (Caixa), Banco da Ama- sa, tais financiamentos permitirão antecipar em 15
zônia (Basa), por meio do Fundo Constitucional anos as metas previstas nos contratos de concessão.

Informações cadastrais
Sigla Saneatins
Razão social Companhia de Saneamento do Tocantins
Endereço da sede Quadra 302 Norte QI 11 Lotes 1/2 - Palmas - Tocantins - CEP 77006-340
Telefone central 55 (63) 3218-3400
Home page www.saneatins.com.br
Data de fundação 1989
Principal executivo Waterloo Vieira Fonseca

Informações estruturais
Municípios atendidos 117
Número de ligações 260.000
Abastecimento de água (%) 96
Coleta de esgoto (%) 8
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 -
Receita operacional bruta (R$ mil) 54.022 61.945 79.058
Receita operacional líquida(R$ mil) 52.122 59.095 -
Arrecadação total (R$ mil) 46.480 57.580 77.627
Despesas com serviço (R$ mil) 57.049 61.035 70.245
Lucro bruto (R$ mil) 10.925 16.501 -

Fontes: SNIS e Saneatins.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 91

Agespisa
Águas e Esgotos do Piauí S.A.

A Agespisa é uma sociedade de economia mis- do sua situação e, ao mesmo tempo, garantindo
ta, que tem o Governo do Estado do Piauí como abastecimento d´água para famílias que não
acionista majoritário. Foi criada por meio das contavam com o benefício.
leis estaduais nº 2.281, de 27 de julho de 1962, e
nº 2.387, de 12 de dezembro de 1962. Tem como Investimentos
objetivo executar a política de abastecimento de Desde 2005, a Agespisa implantou cerca de
água e de esgotamento sanitário do Piauí. 30 projetos na capital e interior, sem contar os
A companhia sucedeu o Instituto de Águas e outros que ainda estão previstos.
Energia Elétrica (IAEE). A constituição da empre- Em Teresina, os investimentos somaram qua-
sa ocorreu em 28 de janeiro de 1964, quando pas- se R$ 20 milhões, com recursos provenientes do
sou a coordenar e dirigir a aplicação de recursos Programa de Desenvolvimento Institucional
oriundos do Departamento Nacional de Obras (PDI). Foi substituída a rede de distribuição nas
contra a Seca (DNOCS), da Sudene e de emprésti- áreas mais críticas, instalados hidrômetros para
mos do BID, para a conclusão da segunda etapa regular o consumo, reformada a estação de trata-
do projeto do sistema de abastecimento de água mento para garantir qualidade à água distribuí-
de Teresina, iniciado em 1961. da e instalados novos equipamentos para tornar
o sistema mais eficiente.
Desempenho Além disso, a empresa concluiu a adutora
A Agespisa tem déficits crônicos. Em 2005, a Irmã Dulce, beneficiando cerca de 100 mil pes-
relação receita/despesa teve um déficit médio de soas de 22 comunidades da zona sul de Teresina.
R$ 3,5 milhões por mês. Em 2004, a companhia Para a zona leste, um reforço no sistema de abas-
teve prejuízo de R$ 77,95 milhões, ante prejuízo tecimento resolveu o problema da falta de água
de R$ 53,28 milhões no ano anterior. para vários bairros durante o período mais quen-
Ainda em 2004, a Agespisa teve receita bru- te do ano.
ta com serviços de abastecimento de água de R$ Entre as maiores cidades, merecem destaque
96,04 milhões e com serviços de esgotos sanitá- os investimentos feitos em Parnaíba, onde foram
rios, de R$ 7,98 milhões. gastos R$ 2,2 milhões (recursos da própria em-
presa) na reforma da estação de tratamento para
Cobertura dobrar a produção de água.
Para ampliar o abastecimento de água em Outro município beneficiado com grandes
várias cidades do interior do estado do Piauí, a obras foi Floriano, onde foram substituídos 24
Agespisa decidiu fazer parcerias com as prefeitu- quilômetros da rede mais antiga de cimento
ras dos municípios. No acordo, a empresa contri- amianto por PVC, melhorando o sistema de abas-
bui com o material e orientação técnica e as pre- tecimento. Na cidade, a empresa também recu-
feituras colaboram cedendo mão-de-obra. perou a Estação de Tratamento de Água (ETA) e
Muitas cidades inadimplentes com a compa- ampliou a rede de distribuição de água, benefi-
nhia, em meados de 2006, estavam regularizan- ciando mais famílias.

Evolução dos indicadores da Agespisa


T32

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 48,8 78,7 74,5 44,8 66,0 3,5 n.d. n.d.


2002 65,3 75,9 107,3 44,0 52,1 4,8 n.d. n.d.
2003 68,2 72,8 84,6 59,3 67,3 5,0 8,7 100,0
2004 68,4 70,3 89,1 52,6 63,7 5,0 9,5 100,0

Fonte: SNIS.
92 Valor análise setorial Saneamento Básico

Os municípios do interior do estado tam- Mesmo tendo centrado esforços para universali-
bém foram beneficiados com as ações da Ages- zar o acesso à água no estado, a empresa tem busca-
pisa em 2005. Em São Francisco de Assis, por do recursos para implantar sistemas de esgotamen-
exemplo, a Agespisa iniciou projeto no valor de to sanitário em Teresina e em várias outras cidades.
R$ 1,8 milhão para garantir o fornecimento de Com recursos da Funasa, a Agespisa implan-
água, com captação em poços localizados a 23 tou esgoto em Barras, com investimentos da or-
quilômetros. dem de R$ 2,3 milhões, e em Altos, no valor de R$
Já em Marcolândia, uma cidade abastecida 2,6 milhões. Com recursos do Prodetur II, a Ages-
por meio de carros-pipa, o governo municipal pisa também pretendia atender com esgotamen-
fez uma parceria com a Agespisa para melhorar o to sanitário as cidades de Parnaíba, Luís Correia,
abastecimento de água. Cajueiro da Praia e Ilha Grande.

Informações cadastrais
Sigla Agespisa
Razão social Companhia de Águas e Esgotos do Piauí S.A.
Endereço da sede Av. Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, 101 - Cabral - Teresina
Piauí CEP 64000-810
Telefone central 55 (86) 3216-6320
Home page www.agespisa.com.br
Data e local de fundação 1962 / Piauí
Principail executivo Maria do Socorro Teixeira Mello Sales

Informações estruturais
Municípios atendidos 67
Número de ligações 533.767
Abastecimento de água (%) 68,4
Coleta de esgoto (%) 9,5
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receita bruta (R$ mil) - 95.414 104.017
Receita líquida (R$ mil) - 90.351 98.502
Receitas operacionais (R$ mil) 93.641 95.414 104.017
Arrecadação total (R$ mil) 90.489 86.550 94.465
Despesas com serviço (R$ mil) 170.071 157.940 182.739
Lucro bruto (R$ mil) - 17.926 8.229

Fontes : SNIS e Agespisa.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 93

Caema
Companhia de Águas e Esgoto do Maranhão

A Caema é uma sociedade por ações, em regi- realizados por meio de recursos próprios (R$ 6,8
me de economia mista. Foi constituída pela Lei milhões) e 2,1%, de transferências do governo. As
Estadual n° 2.653, de 6 de junho de 1966, e pela despesas capitalizáveis representaram 31% dos
Lei n° 3.886, de 3 de outubro de 1967. investimentos, equivalentes a R$ 3,2 milhões.
Os objetivos da empresa são a promoção de sa- Em 2005, o Governo do Estado do Maranhão
neamento no estado do Maranhão e em especial a investiu cerca de R$ 49 milhões na Caema. No pri-
exploração dos serviços públicos de abastecimento de meiro semestre de 2006, a empresa deverá concluir
água e esgotos sanitários em quaisquer comunidades as obras do Programa de Ampliação do Sistema de
do estado, por meio de convênios ou contratos, com as Abastecimento de Água do Centro de São Luís.
correspondentes administrações municipais. Nesse programa, serão implantados quase 40
mil metros de uma nova rede de abastecimento
Desempenho de água no centro da capital, para substituir a
Em 2005, a empresa empreendeu política de rede antiga formada por tubulações de ferro fun-
redução de custos, o que lhe permitiu renegociar dido e cimento amianto. Na nova rede estão sen-
e pagar dívidas de gestões anteriores, renegociar do utilizadas tubulações de PVC, PBA e materiais
contratos com fornecedores e reduzir dívida de R$ plásticos com fibra de vidro reforçado.
38 milhões para R$ 15,8 milhões no fim do ano. Todo o serviço do Programa de Ampliação do
Sistema de Abastecimento de Água do Centro está
Investimentos orçado em R$ 4,6 milhões, que foram custeados em
Segundo dados do SNIS, em 2004 a Caema in- parte pelo Governo do Estado (R$ 1,7 milhão). O res-
vestiu R$ 10,2 milhões. Desse total, 66,9% foram tante foi disponibilizado pela própria Caema.

Evolução dos indicadores da Caema


T33

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 46,7 32,0 114,6 68,9 68,9 12,0 34,8 15,5


2002 49,0 37,0 141,9 63,8 55,8 12,8 32,9 13,0
2003 51,3 38,5 127,0 48,1 43,9 12,3 35,7 13,3
2004 59,4 37,3 114,0 62,0 57,7 12,5 32,6 12,6

Fonte: SNIS.
94 Valor análise setorial Saneamento Básico

Informações cadastrais
Sigla Caema
Razão social Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão
Endereço da sede Rua Silva Jardim, 307 - Centro - São Luís - Maranhão - CEP 65020-560
Telefone central 55 (98) 3219-5000
Home page www.caema.ma.gov.br
Data e local de fundação 1966 / Maranhão
Principal executivo Bruno de Lima Mendonça

Informações estruturais
Municípios atendidos 140

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais(R$ mil) 88.630 98.264 140.700
Arrecadação total (R$ mil) 68.778 72.392 95.892
Despesas com serviço (R$ mil) 155.154 165.357 219.882

Fontes: SNIS e Caema.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 95

Caern
Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte

A Caern é uma sociedade de economia mista, Caern - Abrangência em 2004


criada pela Lei nº 3.742, de 26 de junho de 1969, T34
vinculada à Secretaria de Estado dos Recursos Hí- Água Esgoto
dricos (SERHID). Tem como finalidade a prestação
de serviços públicos de abastecimento de água e Nº de sistemas 159 31
coleta e tratamento de esgotos sanitários em todo População atendida 2.002.209 405.484
o território do estado. (em habitantes)
Extensão de rede (em km) 5.041,77 722,8
Cobertura Nível de atendimento (em %) 95,87 19,42
Em 2004, a companhia abastecia 2,2 milhões
de habitantes com sistema de distribuição de Fonte: Caern.
água (com extensão de 5.042 km) e 405 mil pesso-
as com sistema de esgoto (extensão de 722,8 km),
como pode ser visto na Tabela 34. Em 2005, foram aplicados R$ 7,8 milhões em
obras, serviços e melhorias dos sistemas de abas-
Desempenho tecimento de água e de esgotamento sanitário.
Em 2004, com o fornecimento de serviços de água, Foram implantados 150.134,61 metros de adu-
a empresa obteve receita bruta de R$ 154,7 milhões toras e redes de distribuição de água e 20.333,70
e, com os serviços de esgoto sanitário, de R$ 21,6 mi- metros de redes coletoras de esgotos.
lhões, totalizando R$ 176,3 milhões. Somam-se ainda As obras que se encontram em andamento
mais R$ 719 mil provenientes de outras receitas opera- totalizam investimento da ordem de R$ 33,8 mi-
cionais não especificadas em seu balanço. lhões. Estão sendo executadas por meio de recur-
Apesar disso, fechou o ano com prejuízo ope- sos próprios, do Governo do Estado e de financia-
racional de R$ 20,8 milhões, quase 600% maior mento obtido junto à Caixa Econômica Federal.
que o do ano anterior, de R$ 3 milhões. Com essas obras, serão construídos 133.359
metros de adutoras e redes de distribuição de
Investimentos água e 61.832 metros de emissários e redes cole-
Segundo dados do SNIS, em 2004 a Caern in- toras de esgotos. Quando concluídas, vão benefi-
vestiu R$ 18,3 milhões. Desse total, 52,9% foram ciar uma população estimada em 134,8 mil habi-
realizados por meio de recursos próprios (R$ 9,7 tantes, distribuídos por 14 municípios do estado.
milhões) e 30,2%, de transferências do governo. Também se encontram em fase inicial de
As despesas capitalizáveis representaram 16,9% execução projetos no valor de R$ 86,9 milhões,
dos investimentos, equivalentes a R$ 3,1 milhões. com recursos da Caixa Econômica Federal. São
A empresa tem programado investimentos de 142.132 metros de adutoras, emissários e redes
cerca de R$ 180 milhões a serem realizados entre de distribuição de água e de coleta de esgotos,
2004 e 2007 para garantir a universalização dos que beneficiarão 407.269 habitantes de 11 mu-
serviços de saneamento no estado. nicípios do estado.

Evolução dos indicadores da Caern


T35

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 73,0 76,2 118,1 46,9 58,3 13,9 19,7 63,5


2002 75,9 82,6 115,8 47,2 59,3 14,9 19,8 63,7
2003 76,3 83,4 121,5 45,8 56,5 15,1 19,7 64,0
2004 76,4 84,0 113,1 40,5 54,9 15,5 20,3 64,2

Fonte: SNIS.
96 Valor análise setorial Saneamento Básico

Com recursos da Caixa Econômica Federal, tos de R$ 134 milhões. Nessas obras, serão exe-
do Governo do Estado, do Prodetur, do Minis- cutados 55.326 metros de adutoras e redes de
tério do Turismo e do Ministério das Cidades, já distribuição e 412.449 metros de emissários e
estão em fase de contratação obras de implan- redes coletoras de esgotos. Deverão propiciar
tação, ampliação ou melhorias de sistemas de o atendimento, principalmente em termos de
abastecimento d´água e de coleta de esgotos esgotamento sanitário, a aproximadamente
de 14 municípios, que totalizarão investimen- 339,1 mil habitantes.

Informações cadastrais
Sigla Caern
Razão social Companhia de Águas e Esgotos de Roraima
Endereço da sede Rua Melvin Jonas, 219 - São Pedro - Boa Vista - Roraima - CEP 69306-610
Telefone central 55 (95) 3623-1575
Home page www.caern.com.br
Data e local de fundação 1969
Principal executivo José Evandro Moreira

Informações estruturais
Municípios atendidos 61
Número de ligações 676.953
Abastecimento de água (%) 95,87
Coleta de esgoto (%) 32
Tratamento de esgoto (%) 40

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receita bruta (R$ mil) - 168.841 177.046
Receita líquida (R$ mil) - 162.009 167.217
Receitas operacionais (R$ mil) 134.881 162.930 176.327
Arrecadação total (R$ mil) 120.996 136.037 148.058
Despesas com serviço (R$ mil) 132.300 138.680 161.364
Lucro bruto (R$ mil) - 84.602 75.821

Fontes: SNIS e Caern.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 97

Cagece
Companhia de Água e Esgoto do Ceará

A Cagece é uma companhia de economia mis- possuem hidrômetros, enquanto Fortaleza já está
ta de capital aberto. Tem por finalidade a presta- com 98,24% das unidades medidas.
ção dos serviços de água e esgoto em todo o esta- Quanto aos serviços de coleta de esgoto sani-
do do Ceará. No fim de 2005, o Governo do Estado tário, a Cagece atende 2 milhões de pessoas, com
anunciou a intenção de colocar à venda na Bolsa 352.989 ligações de esgoto. A rede coletora tem
de Valores parte de seu capital (70% das ações pre- uma extensão de 3.505 quilômetros. Em Fortale-
ferenciais e 49% das ordinárias), mantendo-se, no za, o índice de cobertura com serviços de coleta
entanto, com o controle acionário. de esgoto é de 60%.
A companhia estima que a negociação desse
bloco de preferenciais e ordinárias poderia ser Desempenho
vendida por algo próximo de R$ 150 milhões. O A empresa fechou 2005 com lucro de R$ 25
anúncio foi feito depois de malsucedidas nego- milhões, pelo terceiro ano consecutivo. O fatura-
ciações para que a Caixa Econômica Federal se mento, de R$ 420 milhões, foi 20% superior ao do
tornasse sócia da companhia. ano anterior.

Cobertura Investimentos
Atualmente, a empresa está presente em 233 Segundo dados do SNIS, em 2004 a Cagece in-
localidades do estado, em 149 municípios. Abas- vestiu R$ 52,8 milhões. Desse montante, 6,4% fo-
tece uma população de 5,7 milhões de cearenses, ram realizados por meio de recursos próprios (R$
incluindo 2,8 milhões somente em Fortaleza. 3,4 milhões), 4,7% vieram de financiamentos obti-
A extensão da rede de distribuição de água dos e 70,7%, a partir de transferências do governo.
soma 8.827 quilômetros, dos quais 4.579 somente As despesas capitalizáveis representaram 18,2%
na capital. Do total de ligações do estado, 92,81% dos investimentos, equivalentes a R$ 9,6 milhões.

Evolução dos indicadores da Cagece


T36

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 64,2 91,1 119,4 40,0 41,5 23,5 43,6 100,0


2002 62,0 91,5 113,8 36,1 39,8 22,6 45,4 100,0
2003 67,5 92,3 114,6 32,2 36,2 24,2 45,3 100,0
2004 68,8 93,7 112,2 33,4 36,7 24,1 42,7 100,0

Fonte: SNIS.
98 Valor análise setorial Saneamento Básico

Informações cadastrais
Sigla Cagece
Razão social Companhia de Águas e Esgotos do Ceará
Endereço da sede Rua Lauro Vieira Chaves, 1030 - Vila União - Fortaleza - Ceará - CEP 60420-280
Telefone central 55 (85) 3101-1730
Home page www.cagece.com.br
Data e local de fundação 1971 / Fortaleza / Ceará
Principal executivo Newton Rodrigues Sousa

Informações estruturais
Municípios atendidos 149
Número de ligações 5.700.000
Abastecimento de água (%) 95,52
Coleta de esgoto (%) 60
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Ativo total (R$ mil) 924.148 974.184 1.200.336
EBITDA (R$ mil) 55.869 70.707 96.593
Receitas operacionais (R$ mil) 232.763 276.020 351.547
Arrecadação total (R$ mil) 222.954 264.193 314.843
Despesas com serviço (R$ mil) 251.940 287.503 306.986
Lucro líquido (R$ mil) -9.620 1.062 16.627
Patrimônio líquido (R$ mil) 626.326 632.063 880.272

Fontes: SNIS e Cagece.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 99

Cagepa
Companhia de Água e Esgotos da Paraíba

A Cagepa foi criada em 30 de dezembro de 1966. O atendimento nos municípios é feito pelas
Ela é fruto da união com outras duas companhias: Unidades de Negócio espalhadas pelo estado. São
a Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), elas, a do Litoral, com sede em João Pessoa; Brejo,
fundada também em 1966, e a Saneamento de em Guarabira; Borborema, em Campina Grande;
Campina Grande (Sanesa), criada em 1955. As três Espinharas, em Patos; Rio do Peixe, em Sousa; e
empresas foram unificadas em 26 de julho de 1972. Alto Piranhas, em Cajazeiras.
A empresa tem um patrimônio de R$ 389 mi- A unidade de negócio que atinge maior parcela
lhões, tendo como acionista principal o Governo da população com serviços de esgotamente sanitário
do Estado, dono de 99,9% de seu capital social. é a de Borborema, como mostra a Tabela 37. Nenhuma
O restante 0,1% é distribuído entre Prefeitura de delas chegava a atingir, em dezembro de 2004, 40% da
Campina Grande, Sudene e Departamento Nacio- população da região pela qual era responsável.
nal de Obras contra a Seca (DNOCS). Após a conclusão do programa Boa Nova (veja
detalhes a seguir), a empresa pretende quase du-
Cobertura plicar o número de cidades atendidas por sistema
A Cagepa é responsável pelo abastecimento de esgotamento sanitário, ampliando de 15 para
de água em 185 municípios e pela coleta de es- 27. Quanto ao abastecimento de água, a previsão
gotos em 15 dos 223 municípios paraibanos. Em é de que o índice de atendimento da população
dezembro de 2004, a Cagepa era responsável pelo urbana chegue a quase 100%.
abastecimento de água e coleta de esgotos em
191 das 296 localidades paraibanas (municípios, Investimentos
distritos e vilas), distribuindo água para 91% da Desde 2003, o Governo do Estado da Paraíba con-
população, conforme mostra a Tabela 37. cluiu 75 obras de esgotamento sanitário e abasteci-

Cagepa – Abrangência*
T37

Brejo Litoral Borborema Espinharas Rio do Peixe Alto Piranhas Total

Localidades** na área de influência da unidade 53 34 89 50 31 39 296


Localidades abastecidas pela CAGEPA 41 19 61 30 21 19 191
Número de ligações de água 91.975 262.374 195.417 72.374 56.621 35.411 714.172
Número de ligações de esgoto 11.773 72.825 66.813 2.933 5.519 2.202 162.065
População urbana total 305.058 1.091.361 718.318 273.050 188.694 114.467 2.690.948
População abastecida (Água) 264.178 998.738 669.451 230.639 181.837 108.745 2.453.588
População servida (Esgoto) 13,75% 33,16% 37,46% 3,23% 9,26% 5,09% Nd

Fonte: Cagepa. * Posição em dezembro de 2004 ** Municípios, distritos e vilas

Evolução dos indicadores da Cagepa


T38

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 68,8 79,5 108,5 35,9 40,7 18,1 27,3 90,1


2002 69,7 83,8 112,1 30,5 37,7 19,8 35,3 97,8
2003 74,2 85,9 117,5 31,5 36,0 21,5 35,4 100,0
2004 77,7 86,3 121,1 32,9 33,0 20,1 32,7 100,0

Fonte: SNIS.
100 Valor análise setorial Saneamento Básico

mento de água em 22 cidades paraibanas. A maioria trativa da Unidade de Negócio da Borborema,


delas faz parte do conjunto de ações do programa em Campina Grande.
Boa Nova I, desenvolvido pela Cagepa. Ao todo foram Estava prevista, ainda, a destinação de recursos
investidos recursos da ordem de R$ 13,4 milhões. da ordem de R$ 88 milhões para obras de esgota-
Além das obras já concluídas, em fevereiro de mento sanitário em 22 outras cidades. Os projetos
2006 estimava-se que 41% das restantes já tinham estão em fase de licitação e os aportes fazem parte
concluído 70% do cronograma de execução. Entre do programa Boa Nova II, viabilizado por meio de
as obras em andamento estavam a de ampliação empréstimo firmado pelo Governo do Estado junto
do sistema de esgotamento sanitário do municí- ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
pio de Bayeux, que previa investimentos de R$ 5,2 e Social (BNDES). A previsão é de que sejam investi-
milhões, com recursos próprios. dos R$ 300 milhões em obras, entre 2003 e 2007.
Das obras em andamento, 28 eram de es- O Boa Nova, em suas duas etapas (Boa Nova I e Boa
gotamento sanitário; 48, de abastecimento de Nova II), vai beneficiar 185 dos 223 municípios parai-
água; 3, de drenagem e pavimentação; e 1 delas banos, com obras de esgotamento sanitário, abasteci-
correspondente à construção da sede adminis- mento de água e drenagem com pavimentação.

Informações cadastrais
Sigla Cagepa
Razão social Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba
Endereço da sede Rua Feliciano Cirne, S/N - Jaguaribe - João Pessoa - Paraíba
CEP 58015-901
Telefone central 55 (83) 3218-1286
Home page www.cagepa.pb.gov.br
Data e local de fundação 12/1966 / João Pessoa
Principal executivo Edvan Pereira Leite

Informações estruturais
Municípios atendidos 223
Número de ligações 714.172

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 178.654 191.949 215.964
Arrecadação total (R$ mil) 156.024 176.158 216.840
Despesas com serviço (R$ mil) 165.155 178.396 226.898

Fonte: SNIS e Cagepa.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 101

Casal
Companhia de Abastecimento d’Água e Saneamento do Estado de Alagoas

A Companhia de Abastecimento d’Água e (0,03%) e da Companhia de Desenvolvimento do


Saneamento (Casal) foi constituída pela Lei Vale do São Francisco (Codevasf) (0,01%).
Estadual nº 2.491, em 1962, com a extinção do
antigo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Cobertura
Somente em abril de 1970, a capital do estado A empresa presta os serviços de operação e
de Alagoas (Maceió) passou a ser operada pela manutenção dos sistemas de saneamento em 80
companhia, com a incorporação do Serviço de dos 101 municípios do estado, atendendo 1,1 mi-
Água e Esgoto de Maceió (SAEM), por meio do lhão de habitantes.
Decreto Estadual nº 1.753.
O Governo do Estado de Alagoas continua sen- Investimentos
do o principal controlador da Casal, e há peque- Segundo dados do SNIS, em 2004 a Casal reali-
nas participações na empresa da Superintendên- zou investimentos da ordem de R$ 1,2 milhão. Todo
cia para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) o montante foi financiado com recursos próprios.

Evolução dos indicadores da Casal


T39

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 47,3 92,8 113,8 48,0 53,3 9,7 23,2 100,0


2002 50,9 95,3 107,2 45,4 51,6 9,7 23,0 100,0
2003 53,7 96,5 101,4 49,9 55,8 10,9 22,5 100,0
2004 54,8 95,9 99,3 52,1 57,9 10,4 25,7 100,0

Fonte: SNIS.

Informações cadastrais
Sigla Casal
Razão social Companhia de Abastecimento D’Água e Saneamento de Alagoas
Endereço da sede Rua Barão de Atalaia, 200 - Centro - Maceió - Alagoas - CEP 57020-510
Telefone central 55 (82) 3315-3106
Home page www.casal-al.com.br
Principal executivo Jorge Briseno Torres

Informações estruturais
Municípios atendidos 30

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 91.931 102.216 116.374
Arrecadação total (R$ mil) 77.149 94.553 95.892
Despesas com serviço (R$ mil) 127.917 104.761 124.304

Fontes: SNIS e Casal.


102 Valor análise setorial Saneamento Básico

Compesa
Companhia Pernambucana de Saneamento

A Compesa é uma sociedade de economia R$ 9 milhões), 6,3% vieram de financiamentos ob-


mista, fechada de capital autorizado, de utilidade tidos e 46,8%, de transferências do governo.
pública. O Governo de Pernambuco é seu maior As despesas capitalizáveis representaram 23,5% dos
acionista. É vinculada à Secretaria da Infra-Estru- investimentos, equivalentes a cerca de R$ 9 milhões.
tura do Estado de Pernambuco. No fim de 2005, o estado de Pernambuco so-
A empresa foi constituída pela Lei Estadual nº licitou R$ 100 milhões ao Ministério das Cidades
6.307, de 29 de julho de 1971, quando também se para aplicar em projetos sanitários prioritários
extinguiu o Fundo de Saneamento de Pernam- para o estado. Entre os quais estão o esgotamento
buco (Fundespe), e as empresas Saneamento do sanitário de Santa Cruz do Capibaribe (para o qual
Recife (Saner) e Saneamento do Interior Pernam- pleiteava R$ 25 milhões) e a ampliação do sistema
bucano S.A. (Sanepe) passaram a funcionar como de abastecimento de água nas cidades de Olinda,
subsidiárias da nova holding, denominada Com- Paulista, Abreu e Lima e Igarassu (R$ 6 milhões).
pesa. Em julho de 1974, foram extintas a Saner e Para conseguir a verba, Pernambuco terá pri-
a Sanepe, e a Compesa foi transformada em uma meiro de equacionar as divergências em torno do
empresa única. acordo feito com a Caixa Econômica, em 1999,
quando o banco antecipou ao estado R$ 138 mi-
Cobertura lhões para o programa Águas de Pernambuco em
A empresa abastece, com tratamento e distri- troca de ações da Compesa.
buição de água, 191 municípios, segundo dados A operação encontra-se pendente porque o
de julho de 2005. Ao todo são 193 Estações de Tra- banco quer que o Governo do Estado pague os R$
tamento de Água (ETA) e 279 de captações, como 138 milhões. Em vez disso, Pernambuco propõe
pode ser visto na Tabela 40. recolocar 22,84% das ações da Compesa à venda
para saldar a dívida, como foi acordado no con-
Investimentos trato. Enquanto essas pendências não forem re-
Segundo dados do SNIS, em 2004 a Compesa solvidas, Pernambuco deixa de receber recursos
investiu R$ 38,2 milhões. Desse total, 23,5% foram para investir em saneamento, já que a Compesa é
realizados por meio de recursos próprios (quase considerada inadimplente.

Evolução dos indicadores da Compesa


T40

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 75,3 68,5 79,7 54,4 62,0 16,2 35,2 75,5


2002 71,2 68,3 85,1 55,7 62,1 16,7 30,1 87,1
2003 73,0 66,5 81,6 55,7 64,2 17,1 35,2 64,6
2004 72,6 63,6 81,1 57,5 65,9 17,6 36,3 73,6

Fonte: SNIS.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 103

Compesa – Abrangência por gerência regional


T41
Afogados da Arcoverde Belo Jardim Carpina Caruaru Garanhuns Jaboatão
Ingazeira

Sedes municipais atendidas 18 6 15 25 23 34 12


Estações de Tratamento de Água 12 6 8 20 33 30 15
Número de mananciais 16 18 18 22 32 43 18
Número de captações 20 4 15 26 38 43 18

Olinda Petrolina Recife Salgueiro Serra Talhada Vitória de


Santo Antão

Sedes municipais atendidas 8 8 8 12 14 8


Estações de Tratamento de Água 4 20 4 12 19 10
Número de mananciais 10 14 12 8 8 13
Número de captações 33 19 13 16 19 15

Fonte: Compesa (Dados - Julho/2005).

Informações cadastrais
Sigla Compesa
Razão social Companhia Pernambucana de Saneamento
Endereço da sede Av. Cruz de Cabugá, 1387 - Santo Amaro -Recife - Pernambuco
CEP 50040-905
Telefone central 55 (81) 3412-4600
Home page www.compesa.com.br
Data e local de fundação 1971 / Recife
Principal executivo Luiz Gonzaga Leite Perazzo

Informações estruturais
Municípios atendidos 168
Número de ligações 1.227.330

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$) 291.775 351.838 446.741
Arrecadação total (R$) 242.569 298.835 383.758
Despesas com serviço (R$) 307.118 364.168 424.412

Fontes: SNIS e Deso.


104 Valor análise setorial Saneamento Básico

Deso
Companhia de Saneamento de Sergipe

A Companhia de Saneamento de Sergipe (Desa) lação do estado, num total de 321.375 ligações em
foi criada em 25 de agosto de 1969, pelo Decreto- 4.520 quilômetros de extensão de abastecimento de
Lei nº 109, que transformou o Departamento de água. A extensão da rede de esgoto é de 353 quilôme-
Saneamento de Sergipe (Deso), criado em 1963, tros, com 46.105 ligações, como mostra a Tabela 42.
em uma empresa de economia mista. É responsá-
vel por estudos, projetos e execução de serviços de Investimentos
abastecimento de água, esgotos e obras de sanea- Em 2005, o Governo do Estado de Sergipe im-
mento em todo o estado de Sergipe. plantou o Programa Água em Toda Casa, que tem
Atualmente, seu principal acionista é o Gover- o objetivo de transformar Sergipe no primeiro es-
no do Estado de Sergipe, que detém 99% do total tado brasileiro a ter água tratada em todos os do-
de ações. A empresa é vinculada à Secretaria do micílios até 2008. O projeto pretende beneficiar
Estado da Infra-Estrutura e a exploração dos ser- cerca de 1.300 comunidades, contemplando mais
viços ocorre por meio de contratos de concessão, de 400 mil sergipanos.
firmados com os municípios. Segundo dados do SNIS, em 2004 a Deso rea-
lizou investimentos da ordem de R$ 20,7 milhões.
Cobertura Desse total, 3,1% foram executados por meio de re-
A Deso abastece com água 70 das 75 sedes mu- cursos próprios (R$ 1,14 milhão) e 96,9%, a partir
nicipais do estado de Sergipe. Atende 75% da popu- de transferências do governo (R$ 19,5 milhões).

Deso - Abrangência
T42

Sedes municipais em Sergipe 70


Localidades com abastecimento de água 331 Povoados 259
Sedes municipais na Bahia 2
Região metropolitana 191.995
Número de ligações (água) - Total 321.375 Capital 177.563
Demais cidades 14.432
Interior 173.382
População abastecida com água 1.400.239
Índice de cobertura 75%
Extensão de rede de água (km) 4.520
Número de ligações de esgoto 46.105
Extensão de rede de esgoto (km) 353

Fonte: Deso (Dados - Dezembro/2003).

Evolução dos indicadores do Deso


T43

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 80,7 95,8 120,4 48,5 54,6 11,9 17,9 100,0


2002 79,1 96,5 114,1 49,3 53,5 12,5 19,3 97,1
2003 82,4 97,0 113,4 43,9 49,7 11,6 18,8 100,0
2004 77,5 97,3 112,9 42,4 49,4 11,7 20,0 100,0

Fonte: SNIS.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 105

Informações cadastrais
Sigla Deso
Razão social Companhia de Saneamento de Sergipe
Endereço da sede Rua Campo de Brito, 331 - São José - Aracaju - Sergipe - CEP 49020-380
Telefone central 55 (79) 3226-1002
Home page www.deso-se.com.br
Data de fundação 1969
Principal executivo Victor Fonseca Mandarino

Informações estruturais
Municípios atendidos 72
Número de ligações 321.375 
Abastecimento de água (%) 75

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 110.722 128.760 144.665
Arrecadação total (R$ mil) 98.230 109.553 122.555
Despesas com serviço (R$ mil) 112.468 129.006 142.626

Fontes: SNIS e Deso.


106 Valor análise setorial Saneamento Básico

Embasa
Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A.

A Empresa Baiana de Águas e Saneamento é


Embasa - Abrangência
uma sociedade de economia mista e tem como T44
acionista majoritário o Governo do Estado da
Bahia, com 99,58% das ações. Municípios atendidos 355
A companhia foi criada em 1971, atendendo à Total de localidades atendidas 1.442
exigência do Plano Nacional de Saneamento (Pla- População atendida com água (em milhões) 8,610
nasa), que pedia a implantação de um organismo População atendida com esgoto (em milhões) 2,716
central em cada estado para comandar o setor de Índice de atendimento (água) -
saneamento. Em 1975, absorveu as empresas CO- em % da população total do estado 99
MAE e COSEB, até então suas subsidiárias respon- Índice de atendimento (esgoto) -
sáveis pela distribuição de água e esgotamento em % da população total do estado 32
sanitário no estado. Extensão da rede (água) - em mil km 20,56
Extensao da rede (esgoto) - em mil km 4,96
Cobertura Ligações (água) - em mil 2.220
A área de concessão da Embasa abrange 355 Ligações (esgoto) - em mil 428
municípios ou 85% do total do estado. A empre-
Fonte: Embasa (Dados - Dezembro/2005).
sa abastece com água uma população de 8,6 mi-
lhões de habitantes (88% da população baiana
em área urbana) e atende com serviços de esgota- Em 2005, a Embasa teve faturamento de R$
mento sanitário 2,7 milhões de pessoas em todo 730,248 milhões, aumento de 17% em relação ao
o estado da Bahia. do ano anterior, de R$ 623,571 milhões. O abas-
Está presente em 1.442 localidades (555 locali- tecimento de água foi responsável por 77% do fa-
dades urbanas e 887 rurais) por meio de contratos turamento da companhia; os serviços de esgoto,
de concessão firmados com as prefeituras munici- por 18%; e outros serviços, por 5%.
pais. O número de localidades atendidas com água O EBITDA da empresa alcançou R$ 133,8 mi-
aumentou de 1.288, em 2003, para 1.442 em 2005. lhões, 40,5% maior que o do ano anterior. O lucro
A extensão total da rede de distribuição de foi de R$ 77,4 milhões, repetindo o bom resultado
água atingiu a marca de 20,56 mil quilômetros e pelo terceiro ano consecutivo. O endividamento,
a de esgoto, de 4,96 mil quilômetros (crescimento que em 2002 chegou a 48,6% do ativo total, vem
de 4% e 10,82%, respectivamente, em 2005), como sendo reduzido ano a ano, tendo fechado 2005
pode ser visto na Tabela 44. com endividamento de 32,7%.

Desempenho Investimentos
O volume faturado de água foi de 383 milhões Nos últimos 15 anos (desde 1990), a Embasa
de m3, tendo crescido 2,74% em 2005. Em esgota- realizou um investimento total de R$ 1,9 bilhão
mento sanitário, foram faturados 128,8 milhões de (R$ 798 milhões em água e R$ 968 milhões em es-
m3, correspondendo a um crescimento de 19,21%. gotamento sanitário).

Evolução dos indicadores da Embasa


T45

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 66,9 88,8 115,3 37,2 41,3 14,6 54,4 100,0


2002 70,0 91,3 111,5 36,5 41,4 15,6 81,0 92,1
2003 70,8 90,5 114,5 34,9 39,9 17,1 63,3 89,0
2004 71,8 88,7 115,8 34,1 38,5 21,2 68,7 98,9

Fonte: SNIS.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 107

Embasa - Indicadores de desempenho operacional


T46

Indicadores Unidade Ano


2004 2005 Evolução (%)

Gerais
População urbana dos minicípios atendidos 1.000 habs. 8.623 8.873 2,90
População urbana das localidades atendidas 1.000 habs. 8.385 8.621 2,82
População atendida com água 1.000 habs. 8.334 8.610 3,31
População atendida com esgoto 1.000 habs. 2.464 2.716 10,24
Nível de atendimeto - água % 99 99 -
Nível de cobertura com esgoto % 29 32 7,21
Número de empregados próprios Empregados 3.087 3.665 18,72
Lig. existentes Lig./empregados 813 722 -11,18
Lig. faturadas Lig./empregados 690 625 -9,46
Comercial-Operacional
Abastecimento de água
Ligações existentes Unids. 2.140.869 2.218.703 3,64
Ligações com hidrômetro (medidas) Unids. 1.750.328 1.805.520 3,15
Ligações faturadas Unids. 1.795.349 1.890.692 5,31
Economias existentes Unids. 2.593.060 2.685.264 3,56
Economias faturadas de água Unids. 2.197.772 2.308.004 5,02
Volume anual captado 1.000 m3 604.556 627.256 3,75
Volume anual disponibilizado 1.000 m3 578.316 599.494 3,66
Volume anual consumido 1.000 m3 348.443 353.189 1,36
Volume anual micromedido 1.000 m3 297.197 298.422 0,41
Vol. anual faturado de água - bruta e tratada 1.000 m3 419.748 431.927 2,90
Número de sistemas de água 386 400 3,63
Rede de distribuição em operação km 19.773 20.564 4,00
Esgotamento sanitário
Ligações existentes Unids. 368.966 427.964 15,99
Ligações com hidrômetro (medidas) Unids. 314.210 359.180 14,31
Ligações faturadas Unids. 361.616 417.275 15,39
Economias existentes Unids. 632.283 718.941 13,71
Economias faturadas de água Unids. 624.145 705.917 13,10
Volume anual faturado de água - bruta e tratada 1.000 m3 108.004 128.756 19,21
Número de sistemas de esgoto Unids. 43 44 2,33
Rede coletora em operação km 4.472 4.956 10,82

Fonte: Embasa.

Segundo dados do SNIS, em 2004 a Embasa Em 2005, os investimentos atingiram R$ 148


aplicou R$ 136 milhões. Desse total, 21,2% fo- milhões, 57% destinados a sistemas de água e 39%
ram realizados por meio de recursos próprios para coleta e tratamento de esgotos.
(R$ 29,6 milhões), 12,9% vieram de financia- Os recursos aplicados foram oriundos de
mentos obtidos e 58,3%, de transferências do diversas fontes, entre elas: Funasa, Caixa Econô-
governo. As despesas capitalizáveis represen- mica Federal, Banco Interamericano de Desen-
taram 7% dos investimentos, equivalentes a R$ volvimento (BID) e Banco Internacional para Re-
9,5 milhões. construção e Desenvolvimento (Bird).
108 Valor análise setorial Saneamento Básico

Embasa - Investimentos realizados


T47 Em R$ milhões

Atividade 91-92 93-94 95-96 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Total

Abastecimento de água 35 55 102 84 92 85 65 39 58 42 57 85 799


Esgotamento sanitário 8 12 61 73 95 97 137 137 125 104 61 57 967
Desenvolvimento institucional 22 17 24 23 15 8 9 5 9 6 138
Totais (R$ milhões) 43 67 185 174 211 205 217 184 192 151 127 148 1.904

Fonte: Embasa.

Informações cadastrais
Sigla Embasa
Razão social Empresa Baiana de Águas e Saneamento
Endereço da sede 4ª Avenida, 420 - Centro Administrativo - Salvador - Bahia - CEP 41745-002
Telefone central 55 (71) 3372-4842
Home page www.embasa.ba.gov.br
Data de fundação 1971
Principal executivo José Lúcio Lima Machado

Informações estruturais
Municípios atendidos 355
Número de ligações (mil) 2.220
Abastecimento de água (%) 99
Coleta de esgoto (%) 32

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004 2005
Receita bruta (R$ mil) - - 628.604 734.701
Receita líquida (R$ mil) - - 573.886 666.457
Receitas operacionais (R$ mil) 464.156 541.052 625.050 -
Arrecadação total (R$ mil) 424.798 484.064 588.816 -
Despesas com serviço (R$ mil) 631.699 570.518 665.599 -

Fontes: SNIS e Embasa.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 109

Cedae
Companhia Estadual de Águas e Esgotos

A Cedae foi constituída oficialmente em 1º de também negativos com serviços de esgotamento


agosto de 1975 pelo Decreto-Lei n° 39. A companhia sanitário, de R$ 40,16 milhões).
é oriunda das Empresas de Águas e Esgotos do Es- O resultado operacional negativo de 2004 foi
tado da Guanabara (CEDAG), da Empresa de Sane- menor que o do ano anterior, de R$ 223 milhões.
amento da Guanabara (ESAG) e da Companhia de
Saneamento do Estado do Rio de Janeiro (Sanerj). Investimentos
A empresa é uma sociedade anônima de eco- Segundo dados do SNIS, em 2004 a Cedae inves-
nomia mista, de capital aberto, cujo principal tiu R$ 130 milhões. Desse total, 16,3% foram realiza-
acionista é o Governo do Estado do Rio de Ja- dos por meio de recursos próprios (R$ 21,1 milhões)
neiro. Vinculada à Secretaria de Estado do Meio e 66,3% vieram de financiamentos obtidos. As des-
Ambiente e Desenvolvimento Urbano, atua nos pesas capitalizáveis representaram 17,4% dos inves-
municípios por meio de convênio. Desenvolve as timentos, equivalentes a R$ 22,6 milhões.
atividades de captação, tratamento, adução e dis- Em maio de 2006, a Cedae colocou em opera-
tribuição da água e da coleta, tratamento e desti- ção o novo sistema de abastecimento de água de
nação de esgotos sanitários. Piranema e Boa Fé, no município de Seropédica
(RJ). A obra, que envolveu investimento de R$ 6,6
Cobertura milhões, levará mais água a 7,5 mil habitantes
A Cedae oferece abastecimento de água para das duas localidades da Baixada Fluminense.
uma população de cerca de 9 milhões de habitan- Com a conclusão da implantação do novo
tes e esgotamento sanitário para 5 milhões de pes- sistema, os moradores dos dois bairros de Sero-
soas. Atende 62 dos 92 municípios do estado com pédica receberão água das duas Linhas Adutoras
abastecimento de água e 17 com rede de esgoto. de Ribeirão das Lajes, por meio de um tronco ali-
mentador de 400 milímetros de diâmetro com
Desempenho extensão de 8.600 metros.
A companhia tem um faturamento mensal da Por meio de dois conjuntos motor-bombas, a
ordem de R$ 125 milhões. Em 2004, obteve recei- tubulação vai transportar a água a dois reservató-
ta operacional bruta de R$ 1,896 bilhão (R$ 1,188 rios, construídos em concreto armado e com capa-
bilhão com serviços de água e R$ 708,3 milhões cidade de armazenar 100 mil litros. Um reservató-
com serviços de esgotamento sanitário). rio funcionará em Boa Fé e outro em Piranema.
Apesar de a receita ter aumentado em 2004 em Para distribuir a água aos moradores das duas
relação a 2003, a companhia fechou o ano com re- localidades, a Cedae instalou uma nova rede dis-
sultado operacional negativo de R$ 107,4 milhões tribuidora de 11.620 metros de extensão, sendo
(provenientes de resultados operacionais negati- 750 metros assentados em Boa Fé e 10.870 me-
vos com serviços de água, de R$ 67,2 milhões, e tros, em Piranema.

Cedae - Abrangência serviços de esgotos


T48

ETE Municípios atendidos Capacidade População beneficiada


(em litros/segundo) (em mil)

Penha Rio de Janeiro 1.600 576


Ilha do governador Rio de Janeiro 525 290
Alegria Rio de Janeiro 5.000 1.500
Paquetá Rio de Janeiro 27 15
Pavuna Rio de Janeiro, Duque de Caxias 1.000 410,5
e São João do Meriti
São Gonçalo São Gonçalo 765 235
Sarapuí São João do Meriti, Belford Roxo 1.000 431
e Nova Iguaçu

Fonte: Cedae.
110 Valor análise setorial Saneamento Básico

Evolução dos indicadores da Cedae


T49

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 71,5 59,0 219,2 57,1 55,3 41,0 63,5 60,0


2002 71,6 56,9 231,9 54,6 54,4 41,0 56,9 66,0
2003 82,0 58,8 240,5 48,4 48,2 41,1 50,2 81,5
2004 78,3 63,7 223,6 49,7 49,7 40,2 50,4 83,9

Fonte: SNIS.

Informações cadastrais
Sigla Cedae
Razão social Companhia Estadual de Águas e Esgotos
Endereço da sede Rua Sacadura Cabral, 103 - 9º Andar - Pça Mauá - Rio de Janeiro - RJ
CEP 20081-260
Telefone central 55 (21) 2518-2865
Home page www.cedae.rj.gov.br
Data e local de fundação 1975 / Rio de Janeiro
Principal executivo Lutero de Castro

Informações estruturais
Municípios atendidos 62

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 1.426.291 1.802.646 1.894.210
Arrecadação total (R$ mil) 1.022.413 1.189.678 1.324.273
Despesas com serviço (R$ mil) 2.284.052 2.277.003 1.869.357

Fontes: SNIS e Cedae.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 111

Cesan
Companhia Espírito Santense de Saneamento

Criada em 1967, a Companhia Espírito San-


Cesan - Abrangência
tense de Saneamento (Cesan) é uma empresa de T50
economia mista enquadrada no regime jurídico
de direito privado como sociedade anônima. Água Esgoto
É uma sociedade anônima que atua na captação,
tratamento e distribuição de água e na coleta e trata- População atendida 2.037.656 561.803
mento de esgotos, bem como no tratamento e desti- Municípios atendidos 52 31
nação final do lixo no estado do Espírito Santo.
Fonte: Cesan (Dados - Dezembro/2005).
Suas atividades compreendem ainda a realiza-
ção de estudos, projetos e execução de obras relati-
vas a novas instalações e ampliação de redes. Cabe Investimentos
também à companhia fixar as tarifas e taxas dos Segundo dados do SNIS, em 2004 a Cesan in-
seus serviços, arrecadá-las e ajustá-las periodica- vestiu R$ 32,4 milhões. Do total, 93% foram reali-
mente para fazer frente à amortização de seus in- zados por meio de recursos próprios (R$ 30,1 mi-
vestimentos e pagar seus custos de operação e ma- lhões) e 7% vieram de financiamentos obtidos.
nutenção, além de lhe permitir acumular reservas Em 2005, a companhia efetuou investimentos
para financiar a expansão de suas atividades. de R$ 39,29 milhões, aplicados na ampliação dos
serviços de abastecimento de água; de R$ 52,15
Cobertura milhões em sistemas de esgotamento sanitário; e
A Cesan fornece serviços de abastecimento de de R$ 25,75 milhões no aprimoramento dos pro-
água para 52 (6 na região da Grande Vitória e 46 cessos operacionais.
no interior) dos 78 municípios do Espírito Santo e Outros R$ 5,24 milhões foram investidos em
serviços de esgotamento sanitário para 31. desenvolvimento institucional e em ativos fixos,
Ao todo, atende 2,038 milhões de pessoas (561 objetivando a melhoria da qualidade dos servi-
mil com esgotamento sanitário), como mostra a ços prestados. Entre 2003 e 2005, a empresa já
Tabela 50. Em média, os serviços da companhia havia aplicado R$ 107,7 milhões em obras de sa-
cobrem mais de 70% do Espírito Santo e cerca de neamento.
98% de todas as localidades por ela atendidas. Para 2006, a Cesan anunciou investimentos
de R$ 122 milhões na ampliação e melhoria dos
Desempenho sistemas de água e esgoto.
Nos últimos três anos (2003, 2004 e 2005), a Entre as principais obras previstas estavam:
empresa apresentou resultados positivos, rever- a ampliação do sistema de produção de água
tendo os prejuízos dos sete anos anteriores. Fe- de Santa Maria, na Serra, e de Barra do Jucu,
chou 2005 com lucro de R$ 22,3 milhões. em Vila Velha; a implantação do sistema de es-

Evolução dos indicadores da Cesan


T51

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 79,8 79,5 194,0 33,7 46,1 15,4 12,0 100,0


2002 78,0 81,4 192,8 36,2 47,9 16,7 13,7 108,5
2003 80,4 85,6 194,9 35,5 47,2 17,0 14,4 96,1
2004 79,5 88,9 186,5 33,0 45,8 20,0 16,0 108,8

Fonte: SNIS.
112 Valor análise setorial Saneamento Básico

gotamento sanitário em Nova Almeida, Praia Para as regiões do interior do estado, estavam
Grande e Manguinhos, na Serra; e a expansão planejadas obras como a expansão do sistema de
do sistema de esgotamento sanitário na Praia abastecimento em Castelo, Irupi, Nova Venécia,
do Morro, em Guaraparí, e na Praia da Costa, São Gabriel da Palha, São José do Calçado e outros.
em Vila Velha. Estava prevista, também, a implantação das Es-
Em Vitória, estava prevista a ampliação dos tações de Tratamento de Esgoto em Aracê e Viven-
sistemas de esgoto na Ilha do Boi, Ilha do Frade, das, além da ampliação do serviço de esgotamento
Praia do Canto, Jucutuquara e adjacências. sanitário em Anchieta e Muniz Freire, entre outros.

Informações cadastrais
Sigla Cesan
Razão social Companhia Espírito Santense de Saneamento
Endereço da sede Av. Governador Bley, 186 - 3º andar - Vitória - Espírito Santo
CEP 29010-150
Telefone central 55 (27) 3222-4369
Home page www.cesan.com.br
Data e local de fundação 1967 / Espírito Santo
Principal executivo Paulo Ruy Valim Carnelli

Informações estruturais
Municípios atendidos 52
Número de ligações 2.037.656
Coleta de esgoto (%) 27,6

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 199.479 239.110 276.233
Arrecadação total (R$ mil) 166.659 198.629 234.392
Despesas com serviço (R$ mil) 193.266 202.934 205.422

Fontes: SNIS e Cesan.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 113

Copasa
Companhia de Saneamento de Minas Gerais

Criada em novembro de 1974 pela Lei 6.475, é A distribuição é feita por mais de 37,4 mil qui-
oriunda da junção da antiga Companhia Mineira lômetros de tubulações e 2,9 milhões de ligações
de Água e Esgotos (COMAG), que havia sido criada de água. Já o esgotamento sanitário beneficia 5,6
em 1963, e do Departamento Municipal de Águas milhões de habitantes (28% da população) em 170
e Esgoto (DEMAE), que era responsável pelo sane- municípios mineiros, por meio de 11,7 mil quilô-
amento em Belo Horizonte (MG). metros de coletores e 1,3 milhão de ligações de
Em fevereiro de 2006, a empresa lançou, pela esgoto, como mostra a Tabela 52.
primeira vez, ações na Bolsa de Valores de São No fim de 2005, a empresa renovou 100%
Paulo (Bovespa), captando, na oferta inicial, R$ das concessões de água e esgoto que venciam
813 milhões. Com a abertura de capital, os acio- no período, além de ter conseguido quatro
nistas da empresa passaram a ser o estado de novas concessões de serviços de água e nove
Minas Gerais (59,77%), a prefeitura de Belo Ho- de serviços de esgoto. Dos contratos de muni-
rizonte (9,67%) e investidores pulverizados nos cípios que a Copasa atende, 78% têm vigência
mercados brasileiro e internacional, os quais de- até 2025, incluindo a região metropolitana de
têm o restante das ações. Belo Horizonte.
No primeiro trimestre de 2006, 12 novas
Cobertura concessões de serviços de água e 16 de esgotos
Atualmente, a Copasa fornece água tratada foram obtidas.
para aproximadamente 12 milhões de pessoas,
ou 57% da população de Minas Gerais, em 608 Desempenho operacional
municípios do estado. A companhia ampliou sua rede de atendi-
mento, com um incremento de 88,6 mil ligações
de água e 59 mil de esgoto, o que também gerou
Copasa - Abrangência
T52 crescimento nos volumes de água e esgoto fatura-
dos, de 1,5% e 4,3%, respectivamente.
Abastecimento de Água Água Esgoto Em 2005, a empresa implantou o Programa
de Redução de Perdas de Água (PRPA), com inves-
Número de municípios com concessões de serviços 608 170 timento de R$ 23 milhões e previsão de mais R$
Nº de municípios com prestação de serviços 570 78 89 milhões até 2006. O programa permitiu me-
Localidades com concessões * 1.022 299 lhoras no índice de perda de faturamento, que no
Localidades operadas * 829 104 quarto trimestre de 2004 era de 23,95% e passou a
População atendida (em mil habitantes) 11.136 5.592 23,33% no quarto trimestre de 2005, um dos me-
Cobertura em relação à população total do estado (em %) 57,3 28,8 lhores índices entre empresas do setor.
Unidades abastecidas (economias faturadas) 3.599.333 1.811.882 A empresa tem um dos mais baixos índices de
Extensão de redes (km) 37.377 11.698 inadimplência (contas a receber/valor total fatu-
rado) do setor. Em 2005, reduziu-o ainda mais,
Fonte: Copasa (Dados - Dezembro-2005). *inclui sedes, vilas, povoados e outros.
deixando-o em torno de 1,69%.

Evolução dos indicadores da Copasa


T53

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 81,4 98,6 141,6 26,3 35,7 36,8 36,2 11,7


2002 82,8 99,6 143,4 25,4 35,1 38,1 37,9 27,7
2003 82,8 99,9 139,0 24,9 35,4 38,5 40,0 25,9
2004 82,7 99,9 131,9 23,9 35,4 40,8 41,7 28,7

Fonte: SNIS.
114 Valor análise setorial Saneamento Básico

Desempenho financeiro nados a implantação, ampliação e melhoria dos


A Copasa faturou R$ 1,638 bilhão em 2005, 24% a sistemas de abastecimento de água e 42,5% (R$
mais que em 2004, quando contabilizou R$ 1,316 bi- 209,7 milhões), a sistemas de esgotamento sani-
lhão. O lucro do exercício atingiu R$ 288 milhões, um tário e tratamento de esgoto.
resultado 13,83% superior ao de 2004 (R$ 253 milhões). Os R$ 84,4 milhões restantes foram alocados para
Segundo nota divulgada pela companhia, a evolu- programas de melhoria operacional, Programa de Re-
ção do desempenho foi reflexo do impacto do reajuste dução de Perdas de Água (PRPA), programas de geren-
tarifário e da ampliação dos serviços prestados. ciamento empresarial (ERP) e bens de uso geral.
A dívida da empresa, que é de longo prazo, fe- Para 2006, estão planejados investimentos de R$
chou o ano em R$ 1 bilhão, sendo 87% em reais e 921,9 milhões para implantação, ampliação e melhoria
13% em moeda estrangeira. de redes de água e esgoto na região metropolitana de
No primeiro trimestre de 2006, a companhia Belo Horizonte e em todas as regiões de Minas Gerais.
aumentou em 91% o seu lucro líquido, em relação No início de 2006, a empresa anunciou que
a igual período do ano anterior, atingindo R$ vai investir R$ 4,021 bilhões no período de 2006
77 milhões. As receitas brutas provenientes dos a 2010 em ampliação da rede de atendimento de
serviços de água foram de R$ 315 milhões, au- água e esgoto.
mento de 26,7% em relação ao primeiro trimestre Segundo dados do SNIS, em 2004 a Copasa
de 2005. Já as dos serviços de esgoto cresceram aplicou R$ 342,4 milhões. Desse total, 70,2% fo-
22,8%, de R$ 110 milhões para R$ 135 milhões. ram realizados por meio de recursos próprios (R$
240,3 milhões), 26,3% vieram de financiamentos
Investimentos obtidos e 0,7%, de transferências do governo. As
Em 2005, foram investidos R$ 493,2 milhões, despesas capitalizáveis representaram 2,8% dos
dos quais 40,4% (R$ 199 milhões) foram desti- investimentos, equivalentes a R$ 9,8 milhões.

Informações cadastrais
Sigla Copasa
Razão social Companhia de Saneamento de Minas Gerais
Endereço da sede Rua Mar de Espanha, 525 - 3º andar - Santo Antônio - Belo Horizonte
Minas Gerais - CEP 30330-270
Telefone central 55 (31) 3250-2020
Home page www.copasa.com.br
Data de fundação 1974
Principal executivo Márcio Nunes

Informações estruturais
Municípios com concessão 608
Municípios com operação 570
Número de ligações 3.599.333
Abastecimento de água (%) 97,7
Coleta de esgoto (%) 82,6

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2003 2004 2005
Receita bruta de serviços (R$ mil) 1.168 1.317 1.638
Receita líquida de serviços (R$ mil) - 1.194 1.477
Arrecadação total (R$ mil) 1.092 1.300 -
Despesas com serviços brutas (R$ mil) 1.144 1.278 -
Despesas operacionais líquidas (R$ mil) - 332 423
Lucro bruto (R$ mil) - 602 798

Fontes: SNIS e Copasa.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 115

Sabesp
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

A Sabesp foi fundada em 1973 com a fusão das Nos últimos anos, a empresa realizou investi-
companhias e autarquias responsáveis pelo abaste- mentos médios anuais acima de R$ 600 milhões em
cimento de água e coleta de esgoto em São Paulo, tais programas de ampliação e melhoria de atendimento.
como DAE (Departamento de Água e Esgoto, autar- Desde 1996, a Sabesp busca recursos no exterior, com
quia fundada em 1954 e responsável pelo saneamen- emissão de “commercial papers” e eurobônus. Em
to em municípios da grande São Paulo), Compasp 1997, a empresa começou a negociar suas ações na Bo-
(empresa de economia mista fundada em 1968 com vespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo).
o objetivo de captar, tratar e vender água potável aos
municípios da Grande São Pauo) e Sanesp (Compa- Cobertura
nhia Metropolitana de Saneamento de São Paulo). A empresa atende um total de 25 milhões de
pessoas em 368 municípios no estado de São Pau-
Modernização da gestão lo. O índice de abastecimento de água é de 100%,
A companhia paulista é atualmente um mo- o de esgotos coletados é de 78% e o de esgotos tra-
delo de administração no saneamento. Até o tados, de 62%, como mostra a Tabela 54.
início dos anos 1990, a sua situação financeira e
operacional era bastante precária. Desempenho operacional
Desde 1994, no entanto, a Sabesp passou por Em 2005, a empresa faturou um volume de
uma reestruturação administrativa e financeira 1,759 bilhão de m 3 de água (em 2004 foi 1,692
que lhe possibilitou melhorar substancialmente bilhão de m 3) e de 1,198 bilhão de m 3 de esgoto
seu desempenho: saiu de um prejuízo de R$ 214 (em 2004 foi 1,141 bilhão de m 3). Obteve receita
milhões, com dívidas vencidas orçadas em R$ operacional bruta de vendas de R$ 5,356 bilhões
643 milhões em 1994, para um lucro líquido de (R$ 3,013 bilhões com serviços de água e R$ 2,257
R$ 866 milhões em 2005. bilhões com esgotamento sanitário).

Desempenho financeiro
Sabesp - Abrangência
T54 A Sabesp registrou lucro líquido de R$ 865,6
milhões em 2005, resultado 68,7% melhor do que
Dados gerais o de 2004, quando a empresa lucrou R$ 513 mi-
População total atendida 25 milhões de pessoas lhões. O retorno sobre o patrimônio líquido foi
Municípios atendidos 368 de 10,2%, ante 6,5% no ano anterior. E o retorno
Índice de tratamento de água 100% sobre ativos também foi maior, de 7,9%, em 2004,
Índice de esgotos coletados 78% para 9,7% em 2005.
Índice de esgotos tratados 62% A receita líquida foi de R$ 4,95 bilhões, um
Água incremento de 12,7% em comparação com 2004,
Produção de água tratada 2.830 milhões de m3 quando foram registrados R$ 4,4 bilhões. O bom
Ligações cadastradas de água 6,4 milhões resultado é justificado por três pontos principais,
Estações de Tratamento de Água 201 de acordo com a própria Sabesp.
Reservatórios 2037 A retomada de consumo nos segmentos de va-
Capacidade do armazenamento de água (reservatórios) 2,7 bilhões de litros rejo e atacado, que levou a um acréscimo de 4,4% no
Poços 1057 volume de faturamento. Esse fato é conseqüência
Adutoras 4.948 quilômetros do fim do programa de racionamento no estado.
Redes de distribuição de água 53.052 quilômetros Além disso, houve uma migração de consumo
Centrais de controle sanitário 15 para as faixas de tarifas onde o preço por metro
Esgoto cúbico é maior, o que teve um impacto de 1,1% no
Estações de Tratamento de Esgotos 439 período. E também o reajuste tarifário integral
Capacidade de tratamento de esgotos 37,6 mil litros por em 2004, 6,8%, e proporcional em 2005, de 2,4%.
segundo
Redes coletoras de esgotos 35.507 quilômetros Investimentos
Coletores, emissários e interceptores 1.674 quilômetros De 2001 a 2005, a Sabesp investiu cerca de R$ 642
Ligações cadastradas de esgotos 4,8 milhões milhões anuais, em média. Para 2006, estão planeja-
das aplicações de R$ 960 milhões (Tabela 56).
Fonte: Empresa (Dados - Dezembro-2005).
116 Valor análise setorial Saneamento Básico

Evolução dos indicadores da Sabesp


T55

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 92,5 99,8 160,8 31,4 38,0 72,1 63,1 63,5


2002 92,6 99,9 165,7 31,7 37,9 73,5 63,6 62,1
2003 92,0 99,9 160,9 34,5 40,9 74,2 63,8 61,3
2004 89,4 100,0 156,8 35,8 43,1 72,1 64,9 62,8

Fonte: SNIS.

Segundo dados do SNIS, em 2004 a Sabesp rea-


Plano anual de investimentos
T56 da Sabesp - Em R$ milhões lizou investimentos da ordem de R$ 601,3 milhões.
Desse total, 53,8% foram feitos com recursos próprios
2001 2002 2003 2004 2005 2006* (R$ 323,6 milhões), 31,3% vieram de financiamentos
obtidos e 0,2%, de transferências do governo.
719 620 594 601 678 960 As despesas capitalizáveis representaram 14,7%
dos investimentos, equivalentes a R$ 88,3 milhões.
Fonte: Sabesp. * Previsão.

Informações cadastrais
Sigla Sabesp
Razão social Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
Endereço da sede Rua Costa Carvalho, 300 - Pinheiros - São Paulo - SP - CEP 05429-900
Telefone central 55 (11) 3388-8200
Home page www.sabesp.com.br
Data de fundação 1973
Principal executivo Dalmo do Valle Nogueira Filho

Informações estruturais
Municípios atendidos 368
Número de ligações 6.400.000
Abastecimento de água (%) 100
Coleta de esgoto (%) 78
Tratamento de esgoto (%) 62

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004 2005
Receitas operacionais (R$ milhões) 3.962 4.308 4.643 -
Arrecadação total (R$ milhões) 3.561 3.855 4.131 -
Despesas com serviço (R$ milhões) 3.180 3.794 4.277 -
Receita operacional líquida (R$ milhões) - - - 4.953
Lucro (Prejuízo) líquido (R$ milhões) - - - 866

Fontes: SNIS e Sabesp.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 117

Casan
Companhia Catarinense de Águas e Saneamento

A Companhia Catarinense de Águas e Saneamen-


Casan - Abrangência
to (Casan) é uma sociedade de economia mista, criada T57
em 31 de dezembro de 1970 por meio da Lei Estadual
nº 4.547 e constituída em 2 de julho de 1971. Água
O seu objetivo é coordenar o planejamento População abastecida (em mil habitantes) 2.363,27
e executar, operar e explorar os serviços públi- Municípios atendidos 210
cos de esgotos e abastecimento de água potável, Índice de abastecimento (em %) 94,38%
bem como realizar obras de saneamento básico, Ligações cadastradas 661.655
em convênio com municípios do estado. Atua por Estações de tratamento 299
meio de convênios de concessão firmados com as Capacidade de armazenamento 217.170 m3
prefeituras municipais. (reservatórios)
Adutoras 884 km
Cobertura Adutoras água bruta 451 km
Os serviços prestados pela empresa cobrem Adutoras água tratada 433 km
quase todo o estado de Santa Catarina. A compa- Rede de distribuição 11.926 km
nhia abastece com água tratada 210 municípios Esgoto
catarinenses e 1 paranaense, beneficiando 94,4% Número de sistemas de esgoto 24
da população urbana. Também atua na coleta e Rede coletora 676 km
tratamento de esgoto sanitário, atendendo 11% Ligações cadastradas 33.156
da população do estado, como pode ser observa-
Fonte: Casan.
do pelos dados da Tabela 57.
A empresa atende uma população de 2,4 mi-
lhões de habitantes com distribuição de água Desempenho financeiro
tratada e 256 mil com coleta, tratamento e desti- Em 2005, as receitas operacionais totalizaram
no final de esgoto sanitário. Nos últimos anos, a R$ 372,442 milhões, aumento de 4,77% em rela-
Casan perdeu a concessão de serviços de água e ção ao ano anterior. Os serviços de abastecimento
saneamento básico em importantes municípios, de água foram responsáveis por 86,8%, enquanto
que passaram a adotar a gestão compartilhada, na os de esgotamento sanitário, por 11,4%.
qual a administração dos serviços de água e esgo- A empresa obteve um lucro de R$ 32,4 milhões
to é feita em parceria entre a Casan e a prefeitura. no exercício de 2005, 57,2% maior que o do ano
anterior, de R$ 20,6 milhões. O prejuízo acumula-
Desempenho operacional do caiu de R$ 116 milhões para R$ 80 milhões.
O volume total faturado de água pela empre-
sa em 2005 foi de 151,322 milhões de m³ e o de Investimentos
esgoto sanitário foi de 23,118 milhões de m³. Esse Segundo dados do SNIS, em 2004 a Casan
resultado representou aumento de 5,4% e de 5,5%, investiu R$ 41 milhões. Do total, 77,5% foram re-
respectivamente, em relação a 2004. alizados por meio de recursos próprios (R$ 31,7

Evolução dos indicadores da Casan


T58

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 75,0 91,0 127,6 32,9 49,3 7,2 12,3 93,8


2002 74,8 88,3 129,2 36,2 48,9 8,1 13,6 94,4
2003 73,5 85,0 121,7 38,3 50,7 8,7 15,3 97,9
2004 70,8 82,5 132,6 37,7 49,7 8,6 15,9 97,7

Fonte: SNIS.
118 Valor análise setorial Saneamento Básico

milhões), 1,1% veio de financiamentos obtidos e área de esgoto sanitário, visando a melhorar o
8,3%, de transferências do governo. As despesas desempenho de Santa Catarina nesse item.
capitalizáveis representaram 13,2% dos investi- Além de ampliar a rede de coleta do Sistema
mentos, equivalentes a R$ 5,4 milhões. de Esgotos de Chapecó, recém-inaugurado, a
Em 2005, a Casan investiu R$ 55,7 milhões em Casan vai anunciar novos sistemas para São Joa-
obras de melhoria e ampliação da rede de abaste- quim, Gravataí e Criciúma, onde serão investidos
cimento de água e de coleta e tratamento de esgo- R$ 5 milhões.
tos. Entre as obras realizadas, destacam-se: Só em Florianópolis estão previstas obras de
• A nova adutora de água bruta de Pilões, do esgoto no Canto da Lagoa, Saco Grande e em In-
Sistema Integrado da Grande Florianópolis, re- gleses, onde será construída a estação de trata-
sultado de investimentos de R$ 7,8 milhões; mento. Em São José, a rede de coleta será amplia-
• Ampliação da capacidade da Estação de Tra- da para atender a Beira Mar e o Centro Histórico.
tamento de Esgoto da Lagoa da Conceição, com Além dos investimentos com recursos pró-
gastos de R$ 1 milhão; prios, a Casan estava, em maio de 2006, finalizan-
• Reforço e melhoria na rede de macrodistri- do as negociações com o Ministério das Cidades
buição de Forquilhinhas, em São José, onde foi e a Caixa Econômica Federal. Estava esperando a
aplicado R$ 1,21 milhão; análise de risco para poder voltar a obter linhas
• Ampliação da rede de esgotos da Barra da de financiamento (desde 1997, a empresa não
Lagoa, no valor de R$ 11,5 milhões; consegue captar esse tipo de recurso).
• Implantação da rede de esgotos da Costeira Também aguardava a conclusão das negociações
do Pirajubaé, com montante de R$ 7 milhões; com o banco japonês Japan Bank for International
• Construção da nova adutora de água bruta Cooperation (JBIC) para a obtenção de empréstimo
de Ingleses, do Sistema Costa Norte, resultado de de US$ 216,4 milhões e com o Banco Interamerica-
aplicações de R$ 220 mil; e no de Desenvolvimento (BID), no valor de US$ 66
• Sistema de Esgotos Sanitários de Chapecó, milhões. Esses recursos deverão ser investidos em
com investimento total de R$ 40,793 milhões. sistemas de abastecimento de água e de coleta e tra-
Para 2006, estão previstos investimentos de tamento de esgoto sanitário, e permitirão um salto
R$ 70 milhões. As obras serão concentradas na de qualidade na vida de milhares de catarinenses.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 119

Informações cadastrais
Sigla Casan
Razão social Companhia Catarinense de Águas e Saneamento
Endereço da sede Rua Emílio Blum, 11 - Centro - Florianópolis - Santa Catarina
CEP 88020-010
Telefone central 55 (48) 3221-5012
Home page www.casan.com.br
Data e local de fundação 1970 / Santa Catarina
Principal executivo Walmor Paulo de Luca

Informações estruturais
Municípios atendidos 210
Abastecimento de água (%) 94,38
Tratamento de esgoto (%) 98

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004 2005
Receitas operacionais (R$ mil) 339.915 325.831 355.478 -
Arrecadação total (R$ mil) 337.699 317.668 351.444 -
Despesas com serviço (R$ mil) 364.588 309.654 350.455 -
EBITDA (R$ mil) - - 71.175 91.282
Patrimonio líquido (R$ mil) - - 678.852 711.304
Lucro/Prejuizo do exercício (R$ mil) - - 20.618 32.418

Fontes: SNIS e Casan.


120 Valor análise setorial Saneamento Básico

Corsan
Companhia Riograndense de Saneamento

A Companhia Riograndense de Saneamento a Companhia Riograndense de Saneamento


(Corsan) foi criada em 21 de dezembro de 1965 e contabilizou lucro. Foram R$ 20,1 milhões em
oficialmente instalada em 28 de março de 1966. 2005, R$ 25,5 milhões em 2004 e R$ 24,3 mi-
lhões em 2003.
Cobertura Em 2005, o faturamento foi de R$ 916 milhões.
A empresa abastece mais de 6 milhões de ha- Em 2004, foi de R$ 830 milhões e, em 2003, de R$
bitantes, o que corresponde a quase 70% da po- 706 milhões. A companhia fechou 2005 com pa-
pulação do estado do Rio Grande do Sul. Atua em trimônio líquido de R$ 359 milhões.
367 localidades, atendendo uma média de 95% da
população urbana dessas localidades. Investimentos
Atualmente, 2.087.714 domicílios gaúchos re- Segundo dados do SNIS, em 2004 a Corsan
cebem água tratada pela Corsan. Em 2005, 39.158 realizou investimentos da ordem de R$ 55,5
novos domicílios passaram a ser abastecidos, be- milhões. Desse total, 70,5% foram feitos com
neficiando cerca de 185 mil pessoas. Um cresci- recursos próprios (R$ 39,1 milhões), 3% vieram
mento de 2% em comparação a 2004. de financiamentos obtidos e 1,5%, de transfe-
rências do governo. As despesas capitalizáveis
Desempenho representaram 25% dos investimentos, equiva-
Em 2005, pelo terceiro ano consecutivo, lentes a R$ 13,9 milhões.

Evolução dos indicadores da Corsan


T59

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 84,1 60,0 129,7 51,0 44,4 6,9 10,6 82,6


2002 80,8 62,5 128,7 52,7 46,6 7,6 11,1 80,8
2003 82,9 65,5 125,9 54,3 48,9 8,3 11,7 82,5
2004 83,2 66,6 112,4 52,9 52,6 8,4 13,9 85,8

Fonte: SNIS.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 121

Informações cadastrais
Sigla Corsan
Razão social Companhia Riograndense de Saneamento
Endereço da sede Rua Caldas Júnior, 120 - 18º andar - Centro - Porto Alegre
Rio Grande do Sul - CEP 90018-900
Telefone central 55 (51) 3215-5677
Home page www.corsan.com.br
Data de fundação 1966
Principal executivo Telmo José Kirst

Informações estruturais
Municípios atendidos 158

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 584.870 705.562 830.017
Arrecadação total (R$ mil) 571.690 709.544 816.308
Despesas com serviço (R$ mil) 701.305 707.371 831.815

Fontes: SNIS e Corsan.


122 Valor análise setorial Saneamento Básico

Sanepar
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sa-
nepar) foi criada no dia 23 de janeiro de 1963 possui contrato de concessão até dezembro de 2031,
para cuidar das ações de saneamento básico em representa, sozinho, 30% da receita da companhia.
todo o estado do Paraná. Apesar do crescimento da receita, o lucro líqui-
Ela é uma empresa estatal, de economia mis- do diminuiu na mesma proporção, caindo de R$
ta, cujo maior acionista é o Governo do Estado do 210,3 milhões, em 2004, para R$ 193 milhões em
Paraná, com 52,5% de seu capital total e 60% do 2005. O principal item que afetou o lucro foi a des-
capital votante. pesa com a remuneração dos créditos para futuro
A Sanepar tem como parceiro estratégico o Do- aumento de capital no valor de R$ 44,5 milhões.
minó Holdings, formado pelas empresas Vivendi,
Andrade Gutierrez, Opportunity e Copel, que, jun- Investimentos
tas, detêm 34,7% do capital total da companhia. Segundo dados do SNIS, em 2004 a Sanepar
investiu R$ 325,9 milhões. Do total, 79,6% foram
Cobertura executados por meio de recursos próprios (R$
A Sanepar presta serviços de abastecimento
de água e de esgotamento sanitário em 343 dos
Sanepar - Desempenho
399 municípios do estado do Paraná. Atende com T60 operacional
água tratada 8,1 milhões de habitantes, cobrindo
98,8% da população urbana, e com serviços de Água 2005
esgoto sanitário, 3,9 milhões de pessoas ou 47,1%
da população urbana. População abastecida - em milhares 8.136
A empresa é a principal prestadora desses ser- Índice de abastecimento do estado - % 98,52
viços no estado. Em 2005, 25 prefeituras munici- Nº estações de tratameto 200
pais assinaram contratos de concessão com a Sa- Nº poços 826
nepar, com prazos entre 15 e 30 anos, totalizando Nº captações de superfícies 295
3,7% da receita total da companhia. Nº ligações 2.188.182
Em 2005, foram acrescentados 839 quilôme- Km de rede assentada 37.382
tros de rede para distribuição de água e 56,9 mil Receita bruta - R$ mil 832.756
novas ligações. Em esgoto, foram acrescentados Volume produzido - m3 609.500.088
440 quilômetros de rede para coleta e 68,6 mil Volume medido - m3 373.059.286
novas ligações. Volum faturado - m3 438.141.196
Índices de perda
Desempenho operacional No sistema distribuidor - % 38,79
Em 2005, o número de ligações de água au- No faturamento - % 28,11
mentou 2,7%, atingindo 2,188 milhões de liga- Evasão de receita - % 3,42
ções. O número de ligações de esgoto também Esgoto
cresceu: 8%, totalizando 926 mil ligações. População atendida - em mihares 3.892
O volume faturado cresceu 5,2% em água e 6,3% Índice de atendimento com esgoto - % 47,13
em esgoto. Em 2005, foram faturados 438,1 milhões Pop. potencial para atendimento -
de m3 de água e 217,3 milhões de m3 de esgoto. em milhares 4.367
A Tabela 60 sintetiza o desempenho operacio- Nº de estações de tratameto 211
nal da companhia em 2005. Nº de ligações 925.636
Km de rede assentada 17.984
Desempenho financeiro Receita bruta - R$ mil 341.334
A empresa fechou 2005 com receita líquida de Índice de tratamento do esgoto coletado - % 95,93
R$ 1,12 bilhão, 8,3% maior que a do ano anterior. Volume coletado - m3 188.850.783
Esse crescimento deve-se principalmente ao rea- Volume tratado - m3 181.170.556
juste das tarifas de água e de esgoto a partir de Volume faturado - m3 217.330.585
fevereiro de 2005, num percentual médio de 7,6%, Análises
e ao aumento do número de ligações de água e de Tratado-coletado - % 95,93
esgoto no período. Faturado-coletado - % 115,08
O sistema de Curitiba, com o qual a Sanepar
Fonte: Sanepar.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 123

259,4 milhões), 8,8% vieram de financiamentos de expandir e melhorar a qualidade dos servi-
obtidos e 2,9%, de transferências do governo. As ços prestados.
despesas capitalizáveis representaram 8,7% dos Estão previstos investimentos da ordem de
investimentos, equivalentes a R$ 28,4 milhões. R$ 710,6 milhões, dos quais R$ 616,3 milhões
Em 2006, a Sanepar pretende aplicar recur- deverão ser aplicados na implantação e amplia-
sos financeiros em obras de sistemas de abaste- ção de sistemas de água e esgoto e R$ 1 milhão
cimento de água e de esgoto sanitário, além de em resíduos sólidos.
outros investimentos menores, com o objetivo

Evolução dos indicadores da Sanepar


T61

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

Fonte: SNIS.

Informações cadastrais
Sigla Sanepar
Razão social Companhia de Saneamento do Paraná
Endereço da sede Rua Eng. Rebouças, 1376 - Rebouças - Curitiba - Paraná - CEP 80215-900
Telefone central 55 (41) 3330-3045
Home page www.sanepar.com.br
Data de fundação 1963
Principal executivo Stênio Sales Jacob

Informações estruturais
Municípios atendidos 342
Número de ligações 3.113.818
Abastecimento de água (%) 98,8
Coleta de esgoto (%) 47,1
Tratamento de esgoto (%) 97

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2003 2004 2005
Receita líquida (R$ mil) 960.047 1.031.699 1.117.705
Receitas operacionais (R$ mil) 924.731 1.003.845 1.104.703
Arrecadação total (R$ Mil) 902.548 991.070 1.078.770
Despesas com serviço (R$ Mil) 793.264 801.422 917.277
Lucro líquido (R$ mil) 193.048 210.335 260.036
EBITDA (R$ mil) 486.877 496.835 519.380
Patrimônio líquido (R$ mil) 1.271.910 1.432.150 1.577.947

Fontes: SNIS e Sanepar.


124 Valor análise setorial Saneamento Básico

Caesb
Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal

Criada em julho de 1969 para cuidar do sanea- Outro grande credor é o Banco Interamerica-
mento de Brasília, a Caesb é uma empresa pública no de Desenvolvimento (BID), para quem a Caesb
de direito privado, responsável pela prestação de deve R$ 87,9 milhões.
serviços de saneamento básico no Distrito Federal.
Investimentos
Cobertura Segundo dados do SNIS, em 2004 a Caesb in-
A Caesb atende 1,975 milhão de habitantes vestiu R$ 158,3 milhões. Do total, 48,5% foram
com abastecimento de água (92% da população realizados por meio de recursos próprios (R$
do Distrito Federal), 1,870 milhão de pessoas com 76,8 milhões), 35,1% vieram de financiamentos
coleta de esgoto (88% da população) e trata 66% obtidos e 3,5%, de transferências do governo. As
dos esgotos coletados. despesas capitalizáveis representaram 12,9% dos
A empresa opera 5 sistemas de água com capa- investimentos, equivalentes a R$ 20,4 milhões.
cidade de produção de 8.740 l/s de água e 17 siste- No início de 2006, a diretoria da empresa
mas de esgotos, que coletam 3,3 m³/s de esgoto. apresentou pacote de obras de água e esgotos a
Para isso, a Caesb dispõe de 28 mananciais; 25 serem realizadas no ano. Representavam investi-
poços em operação; 41 reservatórios, sendo 10 apoia- mentos de quase R$ 400 milhões em recursos do
dos, 10 elevados e um de equalização; 8 Estações de GDF/Caesb, BNDES, Caixa e outras fontes. Deverão
Tratamento de Água convencionais e 7 Unidades de beneficiar cerca de 2,5 milhões de pessoas do Dis-
Tratamento Simplificado; 13 Estações Elevatórias de trito Federal e entorno.
Água Bruta, 22 de água tratada e 5 para reservatórios A meta da companhia para 2006 é buscar a
elevados; 15 Estações de Tratamento de Esgotos, 35 universalização dos serviços de oferta de água
Estações Elevatórias de Esgotos, 14 Escritórios Regio- potável e coleta de esgotos. Para tanto, investirá
nais, 7 Postos de Serviço e o Parque de Serviço no Se- cerca de R$ 202,5 milhões em obras de água potá-
tor de Indústria e Abastecimento – SIA. vel em várias regiões do DF.
O maior volume de recursos, de cerca de R$ 101
Desempenho milhões, será aplicado na implantação do sistema
Em 2005, a Caesb registrou receita operacional de abastecimento de água potável para a cidade de
bruta de R$ 609,5 milhões, 25,8% superior ao resultado Águas Lindas (GO), no entorno de Brasília.
do ano anterior. No exercício, a companhia apurou um Os investimentos serão da Caesb e da Caixa
lucro líquido de R$ 68,3 milhões, mais do que o dobro Econômica Federal, para execução de quase 800
registrado em 2004, quando foi de R$ 28,3 milhões. quilômetros de redes e 30 mil ligações prediais,
No fim de 2005, seus empréstimos e finan- duas estações elevatórias, 98 quilômetros de adu-
ciamentos somavam R$ 320,7 milhões; sendo a toras e subadutoras e dois reservatórios com ca-
maior parte de longo prazo, R$ 286 milhões. pacidade para 5 milhões de litros cada um, aten-
O principal credor da Caesb é a Caixa Econô- dendo cerca de 270 mil habitantes.
mica Federal, que possui créditos de R$ 210,3 mi- Aproximadamente R$ 72 milhões, de recur-
lhões, com vencimento final em 2022. sos da Caesb, Caixa e Banco Interamericano de

Evolução dos indicadores da Caesb


T62

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 92,2 99,1 194,1 20,9 23,7 87,5 69,6 65,6


2002 93,3 98,5 188,1 21,6 24,8 87,1 70,2 65,7
2003 91,2 98,6 184,7 22,4 26,5 85,4 69,9 66,5
2004 90,8 99,6 185,9 23,1 27,2 84,3 71,8 75,4

Fonte: SNIS.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 125

Desenvolvimento (BID), serão aplicados em me- reservação da cidade, com a construção de uma
lhorias e modernização da Estação de Tratamen- estação elevatória, com vazão de 140 l/s, e implan-
to de Água (ETA) de Brasília. E mais R$ 1,5 milhão tar 28 quilômetros de redes de água e 360 liga-
será investido na barragem de Santa Maria/Torto ções prediais.
para reforço na estrutura da adutora, que abaste- Em obras de esgotos serão investidos cerca de
ce essa mesma região, beneficiando cerca de 1,1 R$ 182 milhões, com recursos da Caesb, do BID,
milhão de moradores. do BNDES e da Caixa, distribuídos nas cidades do
A ampliação do subsistema de abastecimento Gama, Planaltina, Santa Maria, São Sebastião, Re-
do manancial Taquari, no Paranoá, compreen- canto das Emas, Águas Claras, Jardim Botânico,
dendo a construção de 22 quilômetros de aduto- Itapoã, Lago Sul, Lago Norte e Plano Piloto (Brasí-
ra e uma estação elevatória de água, com vazão de lia) e Águas Lindas (GO). Deverão beneficiar cerca
227 l/s, terá investimentos de R$ 15,5 milhões da de 700 mil pessoas.
Caesb e do BNDES, beneficiando uma população O município de Águas Lindas continua tendo
de 70 mil pessoas. o maior volume de investimentos em esgotos em
A cidade de Santa Maria terá três obras da Ca- 2006. Cerca de R$ 100 milhões serão aplicados
esb em 2006, atendendo uma população de 260 na cidade na implantação de 650 quilômetros de
mil habitantes, no valor global de R$ 5,6 milhões redes, 37 mil ligações, 8 elevatórias, uma Estação
com recursos da Caesb e do BNDES. de Tratamento de Esgoto, com vazão de 200 l/s,
As obras deverão recuperar o reservatório do emissário e interceptor. Deverão beneficiar perto
Residencial Santos Dumont, concluir o Centro de de 224 mil pessoas.

Informações cadastrais
Sigla Caesb
Razão social Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal
Endereço da sede Av. Sibipiruna lts. 13 a 21 - Águas Claras - Distrito Federal - CEP 70000-000
Telefone central 55 (61) 3213-7115
Home page www.caesb.df.gov.br
Data e local de fundação 06 / 1969 / Distrito Federal
Principal executivo Fernando Rodrigues Ferreira Leite

Informações estruturais
Municípios atendidos 1
Número de ligações 343.810
Abastecimento de água (%) 92
Coleta de esgoto (%) 88
Tratamento de esgoto (%) 66

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$) 353.298 405.536 484.672
Arrecadação total (R$) 311.938 407.751 506.917
Despesas com serviço (R$) 373.317 431.358 494.192

Fontes: SNIS e Caesb.


126 Valor análise setorial Saneamento Básico

Saneago
Saneamento de Goiás S.A.

A empresa foi criada em 1967 pela Lei nº que representa 88% da população total. Com ser-
6.680, que transformou o Departamento Estadu- viços de esgotamento sanitário, atende 1,883 mi-
al de Saneamento (DES) numa empresa de econo- lhão de pessoas (37% da população total).
mia mista, com a denominação de Saneamento
de Goiás S.A. (Saneago). Desempenho
A Saneago registrou lucro líquido de R$ 20,98
Cobertura milhões em 2005. O EBITDA da empresa, que em
A Saneago está presente com serviços de abaste- 1999 era de R$ 48,8 milhões, chegou a R$ 155,3
cimento de água em 223 municípios e em mais 43 milhões.
localidades, totalizando 266 localidades. Em 37 mu- Apesar do desempenho positivo, a dívida de
nicípios, a empresa fatura serviços de coleta e trans- longo prazo da Saneago cresceu 3,53% e ficou em
porte de esgoto, como pode ser visto na Tabela 63, R$ 498,25 milhões. Esse valor inclui os financia-
que mostra a evolução da cobertura da Saneago. mentos feitos, as parcelas dos impostos a serem
A empresa atende, com serviços de abasteci- pagos à Secretaria de Fazenda e as contingên-
mento de água, 4,558 milhões de habitantes, o cias, como ações na Justiça e tributos. Já a dívi-

Saneago - Abrangência
T63
Água
Ano População % da população Ligações Extensão Comunidades
beneficiada da rede operadas

1993 2.748.954 86 592.515 9.113.181 221


1994 2.891.829 86 628.268 9.660.091 230
1995 3.090.870 88 683.819 10.766.407 237
1996 3.252.489 88 737.016 11.638.447 241
1997 3.445.271 90 794.321 12.424.514 239
1998 3.761.021 92 875.512 13.623.075 244
1999 4.048.321 94 952.120 14.346.737 247
2000 4.275.328 93 1.013.509 15.401.673 247
2001 4.197.497 94 1.064.652 16.422.021 249
2002 4.315.432 92 1.095.931 16.501.039 250
2003 4.531.426 92 1.154.861 17.415.097 257
2004 4.672.268 92 1.205.204 17.807.171 266
2005 4.557.553 88 1.153.199 18.162.109 266
Esgoto
1993 1.314.472 41 209.097 3.204.128 24
1994 1.392.579 41 219.055 3.351.262 23
1995 1.439.366 41 231.772 3.525.990 24
1996 1.500.490 41 254.851 3.694.256 24
1997 1.554.490 41 273.661 3.919.151 24
1998 1.620.178 40 289.054 4.029.619 22
1999 1.764.917 41 325.416 4.193.837 24
2000 1.833.814 40 344.469 4.444.493 26
2001 1.885.769 42 361.848 4.586.236 29
2002 1.950.182 42 382.922 4.591.811 32
2003 2.051.207 42 408.712 4.805.955 34
2004 2.078.767 42 425.013 4.867.586 35
2005 1.883.424 37 446.131 4.888.127 37

Fonte: Saneago.
Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 127

da de curto prazo cresceu 38,11% e ficou em R$ Entre 1999 e 2005, a Saneago investiu R$ 880
254,18 milhões. milhões em obras de saneamento básico. Desse
Segundo a empresa, a dívida de longo prazo total, apenas R$ 42 milhões vieram de financia-
não chega a preocupar, já que tem até 2027 para mentos públicos. No período, a empresa desem-
ser paga e a estatal quita cerca de R$ 2 milhões bolsou R$ 168 milhões em pagamentos de em-
por mês. No entanto, as atenções se concentram préstimos. Entre as principais obras construídas
nos débitos de curto vencimento, para os quais a pela Saneago, destacam-se as 41 Estações de Tra-
Saneago conseguiu financiamento do BNDES. tamento de Esgoto em 40 municípios goianos.
A dívida de curto prazo será paga pelas debêntu- A ETE de Goiânia custou R$ 150 milhões. Ela
res de R$ 40 milhões, que serão negociadas com os está entre as oito maiores do país e garante tra-
bancos Unibanco, Alfa, WestLB e ABC do Brasil. Essa tamento de 78% do esgoto da capital de Goiás. Há
negociação permitirá alongar o prazo da dívida. sete anos, apenas 7% do esgoto de Goiânia era tra-
tado. Em abastecimento de água, destacam-se as
Investimentos 50 obras de ampliação de sistemas.
Segundo dados do SNIS, em 2004 a Saneago Novos investimentos ainda serão feitos para a
aplicou R$ 155,5 milhões. Desse total, 75,7% fo- construção da Barragem do João Leite, que garan-
ram realizados por meio de recursos próprios (R$ tirá abastecimento de água para Goiânia e cida-
117,7 milhões), 13,6% vieram de financiamentos des circunvizinhas até o ano de 2025. Deverão ser
obtidos e 5,9%, de transferências do governo. As investidos R$ 120 milhões, cujos recursos são dos
despesas capitalizáveis representaram 4,7% dos governos estadual e federal e do Banco Interame-
investimentos, equivalentes a R$ 7,3 milhões. ricano de Desenvolvimento (BID).

Evolução dos indicadores da Saneago


T64

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 79,6 99,3 120,8 33,8 33,8 32,9 50,2 33,7


2002 81,6 98,4 127,0 31,4 31,4 33,9 49,8 34,6
2003 82,2 96,4 118,2 34,3 34,3 34,1 49,4 36,6
2004 81,8 94,3 115,8 34,5 34,5 32,5 48,8 52,0

Fonte: SNIS.
128 Valor análise setorial Saneamento Básico

Informações cadastrais
Sigla Saneago
Razão social Companhia de Saneamento de Goiás
Endereço da sede Av. Fued José Sebba - Antiga Av. “B” - Nº 570 - Jd Goiás - Goiânia - Goiás
CEP 74815-100
Telefone central 55 (62) 3243-3101
Home page www.saneago.com.br
Data e local de fundação 1949 / Goiânia
Principal executivo Nicomedes Domingos Borges

Informações estruturais
Municípios atendidos 223
Número de ligações 1.153.199
Abastecimento de água (%) 88
Coleta de esgoto (%) 37
Tratamento de esgoto (%) 77

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receita operacional bruta (R$ mil) - 423.318 480.350
Receita operacional líquida (R$ mil) - 402.574 448.657
Lucro bruto (R$ mil) - 258.079 276.226
EBITDA (R$ mil) - 131.782 138.451
Receitas operacionais (R$ mil) 338.559 422.118 477.138
Arrecadação total (R$ mil) 317.558 395.201 463.027
Despesas com serviço (R$ mil) 412.781 447.421 466.014

Fontes: SNIS e Saneago.


Perfis de empresas - Concessionárias estaduais Saneamento Básico Valor análise setorial 129

Sanesul
Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul S.A.

A Empresa de Saneamento de Mato Grosso do bloqueios judiciais e penhora sobre seu fatura-
Sul S.A. (Sanesul) foi constituída em 1979 a partir mento, o que agrava a situação.
do Decreto nº 71, de 24/1/1979, como uma com-
panhia pública com personalidade jurídica de Investimentos
direito privado, com patrimônio próprio e auto- Os investimentos feitos pela empresa em 2005 to-
nomia administrativa e financeira. talizaram R$ 12,3 milhões, dos quais R$ 3,5 milhões
em sistemas de abastecimento de água, R$ 6,9 mi-
Desempenho lhões em esgotamento sanitário e R$ 1,7 milhão em
A Sanesul fechou o ano de 2005 com pre- outras imobilizações. São R$ 7,1 milhões em recursos
juízo líquido de R$ 5,5 milhões, ante lucro de próprios e R$ 5,1 milhões em recursos de terceiros.
R$ 607 mil no exercício anterior. O prejuízo, Por meio do programa “Saneamento é Vida”, do
segundo a administração da empresa, foi oca- Ministério das Cidades, foram concluídas obras de
sionado por perdas em processos judiciais, que esgotamento sanitário em dez localidades: Cassi-
totalizaram R$ 19,4 milhões. lândia, Costa Rica, Paranaíba, Coxim, Antônio João,
Ao longo do ano, as receitas operacionais líqui- Caarapó, Bodoquena, Camapuã, Jardim e Juti.
das atingiram R$ 131,6 milhões, ante R$ 113,5 mi- O programa ainda prevê investimento de
lhões em 2004, ou seja, aumento de 16%. Por outro recursos do Orçamento Geral da União (OGU)
lado, os custos aumentaram em 21,52%, de R$ 113,1 em obras de saneamento básico em nove muni-
milhões para R$ 137,4 milhões. A maior parte dos cípios no caso de esgotamento e um para abas-
gastos, R$ 36 milhões, foi com pessoal e R$ 26,1 tecimento de água.
milhões com serviços prestados por terceiros. Por intermédio de convênio celebrado com a
Em parecer, auditores independentes ob- Petrobras, estavam em andamento, em maio de
servaram que a companhia vem sofrendo con- 2006, obras de ampliação do sistema de esgota-
tínuos prejuízos operacionais e apresentando mento sanitário em Bonito, com a implantação
deficiência de capital de giro. Além disso, eles de 24,2 mil metros de rede coletora de esgoto,
verificam que a empresa vem sofrendo diversos rede interceptora e 2,2 mil ligações domiciliares.

Evolução dos indicadores da Sanesul


T65

Ano Índice de atend. Índice Consumo Índice Índice de perdas Índice de Índice de Índice
total de água hidrometração médio per de perdas na distribuição atendimento total coleta de de tratamento
% % capita de água de faturamento % de esgoto esgoto de esgoto
1/ hab. dia % % % %

2001 89,4 97,2 112,6 37,2 43,7 5,7 6,2 81,7


2002 88,6 96,6 103,0 39,1 46,2 5,9 7,5 80,0
2003 91,4 97,9 100,2 38,0 45,8 8,6 8,3 61,1
2004 92,9 97,7 99,1 37,8 45,8 8,8 9,0 55,9

Fonte: SNIS.
130 Valor análise setorial Saneamento Básico Perfis de empresas - Concessionárias estaduais

Informações cadastrais
Sigla Sanesul
Razão social Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul
Telefone central 55 (67) 3318-7707
Home page www.sanesul.ms.gov.br
Principal executivo Antônio Carlos Navarrete Sanches

Informações estruturais
Municípios atendidos 67

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 86.566 100.997 113.507
Arrecadação total (R$ mil) 79.331 96.459 -
Despesas com serviço (R$ mil) 83.634 83.268 -

Fontes: SNIS e Sanesul.


Saneamento Básico Valor análise setorial 131

Serviços municipais

DMAE – Porto Alegre


Departamento Municipal de Águas e Esgotos de Porto Alegre

O Departamento Municipal de Água e Esgotos água distribuída, contando com uma rede de
(DMAE) é uma autarquia criada pela Lei 2312, de amostragem de 280 pontos de coleta e oito Esta-
15/12/1961. O DMAE é o maior prestador de serviços ções de Tratamento de Água (ETAs).
de saneamento integralmente municipal do Brasil. A atribuição da Divisão de Esgotos (DVE) é
Com 2,5 mil funcionários, o DMAE alcançou conservar e operar o sistema de esgotamento clo-
a universalização do abastecimento de água em acal público e executar ligações de esgoto no mu-
Porto Alegre: 99,5% da população tem acesso à nicípio de Porto Alegre. São 1.406 quilômetros de
água tratada com padrões de qualidade estabele- redes e 12 estações de bombeamento.
cidos pelo Ministério da Saúde.
Investimentos
Estrutura Em 2005, foram contabilizadas 30 grandes obras,
O DMAE, por meio da Divisão de Água (DVA), é avaliadas em R$ 31,4 milhões. São ampliações e me-
responsável pela conservação das redes adutoras e lhorias nos sistemas de água e esgoto da cidade.
distribuidoras, ramais prediais, entroncamentos, Entre as intervenções que se iniciaram, além
revisão e consertos de hidrantes, assim como pela dos vários projetos com o objetivo de melhorar os
verificação de falta de água, pesquisa de vazamen- serviços e a qualidade da água de Porto Alegre,
tos não-aparentes e pela operação de oito sistemas destaca-se a nova linha de captação da Estação de
de abastecimento de água. Possui 95 Estações de Tratamento de Água (ETA) Tristeza, cujo investi-
Bombeamento de Água Tratada e 96 reservatórios mento é de R$ 1,6 milhão.
espalhados pela cidade. A capacidade de reserva- Segundo dados do SNIS, em 2004 a DMAE
ção de água tratada é de 185.884 m³. – Porto Alegre-RS aplicou R$ 28 milhões. Desse
A qualidade da água do Lago Guaíba é mo- total, 99,6% foram realizados por meio de recur-
nitorada pela Divisão de Pesquisa (DVP). Cabe à sos próprios (R$ 27,9 milhões) e 0,4% veio de fi-
Divisão de Tratamento controlar a qualidade da nanciamentos obtidos.

Informações cadastrais
Sigla DMAE
Razão social Departamento Municipal de Água e Esgoto de Porto Alegre
Endereço da sede Rua 24 de Outubro, 200 - Moinhos de Vento - CEP 90510-000
Home page www.dmae.rs.gov.br
Data de fundação 1960
Principal executivo Flávio Ferreira Presser

Informações estruturais
Número de ligações 267.653
Abastecimento de água (%) 99,5
Coleta de esgoto (%) 85
Tratamento de esgoto (%) 27

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais(R$ mil) 226.811 258.307 279.048
Arrecadação total (R$ mil) 198.728 241.777 250.685
Despesas com serviço (R$ mil) 122.865 166.217 182.940

Fontes: SNIS e DMAE.


132 Valor análise setorial Saneamento Básico

Sanasa – Campinas
Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A.

A Sanasa é uma empresa de economia mista, O número de ligações prediais atendidas pela
cujo acionista majoritário é a Prefeitura Munici- rede pública de distribuição é de 227 mil, todas
pal de Campinas. Ela é responsável pelo serviço equipadas com medidores (hidrômetros).
de abastecimento de água (captação, adução, tra- Quanto ao sistema de esgotamento sanitário,
tamento, reservação e distribuição de água potá- a Sanasa atende atualmente 88% da população ur-
vel), coleta, afastamento e tratamento dos esgotos bana de Campinas com coleta de 200 mil ligações
domésticos do município de Campinas. e correspondente a afastamento por meio de 3.037
Atualmente, a Sanasa atende com água potá- quilômetros de redes, emissários e interceptores.
vel encanada 98% da população urbana de Cam-
pinas por meio de cinco estações de tratamento Desempenho
(ETA´s 1 e 2 na Swift, ETA´s 3 e 4 na estrada de Em 2005, a Sanasa apurou receita bruta de
Sousas, com água captada no Rio Atibaia, e a ETA vendas e serviços de R$ 294,3 milhões, um incre-
Capivari, junto à Rodovia dos Bandeirantes, com mento de 17,4% em relação ao ano anterior.
água proveniente do Rio Capivari). No exercício, o lucro líquido foi de R$ 34,7 milhões
O conjunto de Estações de Tratamento de (crescimento de 64,1% em relação ao ano de 2004).
Água tem capacidade de produção de até 4.530 li-
tros/segundo, dos quais 95% são provenientes do Investimentos
Rio Atibaia e 5%, do Rio Capivari. Segundo dados do SNIS, em 2004 a Sanasa
O volume médio anual de água potável pro- – Campinas-SP investiu R$ 69,1 milhões. Desse
duzido é da ordem de 100 milhões de metros montante, 28,1% foram realizados por meio de re-
cúbicos transportados por 3.884 quilômetros de cursos próprios (R$ 19,4 milhões), 61,2% vieram
adutoras e redes de distribuição e reservado em de financiamentos obtidos e 1,1%, de transferên-
68 reservatórios dispersos pela cidade (25 eleva- cias do governo.
dos e 43 semi-enterrados), com capacidade total As despesas capitalizáveis representaram 9,7%
de 122 milhões de litros. dos investimentos, equivalentes a R$ 6,7 milhões.

Informações cadastrais
Sigla Sanasa
Razão social Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A.
Endereço da sede Avenida da Saudade, 500 - Ponte Preta - Campinas - SP - CEP 13041-903
Telefone central 55 (19) 37355000
Home page www.sanasa.com.br
Data de fundação 1974
Principal executivo Luiz Augusto Castrillon de Aquino

Informações estruturais
Número de ligações 208.024
Abastecimento de água (%) 98
Coleta de esgoto (%) 88

Indicadores financeiros

Ano/indicador 2002 2003 2004


Receitas operacionais (R$ mil) 210.914 233.470 254.829
Arrecadação total (R$ mil) 188.301 201.022 219.721
Despesas com serviço (R$ mil) 199.545 218.086 247.772

Fontes: SNIS e Sanasa.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 133

SAAE – Guarulhos
Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos

Expansão/Investimentos em serviços de O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE)


T66 abastecimento de água de Guarulhos foi criado em 30 de junho de 1967.
A companhia dispõe de autonomia administra-
Ano Km de rede Ligações de água Investimento (R$) tiva, financeira e patrimonial, dentro dos limites
estabelecidos em lei. Atualmente, o SAAE concen-
2001 25,4 9.796 6.860.014,35 tra cerca de 1.500 funcionários em seu quadro.
2002 35,5 11.964 9.459.063,98 Aproximadamente 94% da população de Gua-
2003 48,6 11.425 6.607.870,04 rulhos é atendida com água potável (considerando-
2004 47,6 9.152 1.802.788,94 se bairros onde há intermitência). São 280.385 liga-
2005 35,1 10.256 7.508.126,85* ções, entre ativas e cortadas, para cerca de 1.994,47
2.781.078,99** quilômetros de rede (total geral até fim de 2005).
Fonte: SAAE. * Recursos Próprios. ** Rescursos Vinculados.
O município de Guarulhos possui baixa dis-
ponibilidade hídrica por estar numa região de
cabeceira de bacia. Por conta disso, o SAAE – Gua-
Expansão/investimentos em serviços de rulhos compra cerca de 90% da água que distri-
T67 coleta de esgoto bui por atacado junto à Sabesp.

Ano Km de rede coletora Ligações de esgoto Investimento (R$) Investimentos


Segundo dados do SNIS, em 2004 a SAAE – Gua-
2001 13,2 3.656 524.308,60 rulhos-SP realizou investimentos da ordem de R$
2002 26,2 5.076 791.341,10 5,2 milhões, totalmente bancados por meio de re-
2003 45,5 5.286 1.937.114,02 cursos próprios.
2004 34,6 5.168 2.063.291,70 O total da rede coletora de esgoto (até o fim de 2005)
2005 25,5 4.060 2.494.706,38 era de 1.314,85 quilômetros. Não há tratamento e a co-
leta atinge, aproximadamente, 72% do município.
Fonte: SAAE.

Informações cadastrais
Sigla SAAE - Guarulhos
Razão social Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos
Endereço da sede Av. Tiradentes, 3300 - Bom clima - Guarulhos - SP - CEP 07196170
Telefone central 55 (11) 64432625 / Fax: (11) 64432621
Home page www.saaeguarulhos.sp.gov.br
Data de fundação 1967
Principal executivo Afranio de Paula Sobrinho

Informações estruturais
Número de ligações 10.256
Abastecimento de água (%) 94
Coleta de esgoto (%) 72

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 127.150 134.802 142.935
Arrecadação total (R$ mil) 128.850 135.277 143.729
Despesas com serviço (R$ mil) 126.079 124.940 130.612

Fontes: SNIS e SAAE.


134 Valor análise setorial Saneamento Básico

Semasa – Santo André


Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André

O Serviço Municipal de Saneamento Am- água, esgotos, resíduos sólidos, drenagem urba-
biental de Santo André (Semasa) foi criado em na, defesa civil e gestão ambiental.
novembro de 1969 como resultado da moderni- A administração integrada dos serviços asse-
zação do antigo DAE (Departamento de Água e gurou um arranjo de subsídio interno, por meio
Esgoto), órgão de administração direta da Pre- do qual setores cujos custos não são cobertos pe-
feitura de Santo André. las tarifas têm sido sustentados por outros servi-
Desde 1999, o Semasa segue um modelo de ços superavitários.
saneamento ambiental que integra a oferta de
água, coleta de esgoto, drenagem urbana, gestões Investimentos
dos resíduos sólidos, ambiental e de riscos am- Segundo dados do SNIS, em 2004 a Semasa
bientais por meio da defesa civil. – Santo André-SP investiu R$ 3,7 milhões. Desse
Foi o primeiro órgão de saneamento do país total, 100% foram realizados por meio de recur-
a integrar todos os componentes dos serviços: sos próprios.

Informações cadastrais
Sigla Semasa
Razão social Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André
Telefone central 55 (11) 44339600
Home page www.semasa.com.br/
Data de fundação 1969
Principal executivo Sebastião Ney Vaz Jr.

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 98
Coleta de esgoto (%) 96

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 96.720 118.564 95.961
Arrecadação total (R$ mil) 97.220 118.564 87.774
Despesas com serviço (R$ mil) 101.535 110.929 66.566

Fontes: SNIS e Semasa.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 135

DMAE – Uberlândia
Departamento Municipal de Água e Esgoto de Uberlândia – MG

Criado em 1967, o DMAE é uma autarquia da


Prefeitura de Uberlândia que dispõe de autonomia Demonstrativo de arrecadação
econômico-financeira e administrativa. A autarquia T68 e pagamentos do DMAE
possui uma fábrica (fundada em 1968) que produz Ano Arrecadação Pagamentos
tubulações, conexões, reservatórios, entre outras pe-
ças necessárias tanto ao processo de produção e dis- 2001 30.854.433 26.208.747
tribuição de água quanto ao esgotamento sanitário. 2002 37.430.330 34.105.254
O município de Uberlândia conta com dois 2003 42.443.195 38.808.907
sistemas de tratamento de água e três estações 2004 45.559.310 39.751.431
de esgoto para atender 140 mil ligações ativas 2005 49.320.671 35.753.178
com 100% de água tratada, 98% de coleta e 100% 2006 15.735.046 11.263.928
de esgoto tratado.
A autarquia opera e investe a partir de recur- Fonte: DMAE - Uberlândia (MG).

sos próprios, gerados pelo pagamento das tari-


fas de água e esgoto, no perímetro urbano e nos – Uberlândia percebe-se uma diferença que tem
distritos de Tapuirama, Martinésia, Cruzeiro dos permitido à empresa realizar os investimentos ne-
Peixotos e Miraporanga. O único investimento do cessários. Em 2006, a diferença entre a arrecadação
DMAE que utiliza recursos externos (BNDES) é o e os pagamentos foi positiva em R$ 4,5 milhões.
do programa de despoluição do Rio Uberabinha.
O saneamento básico de Uberlândia está planejado Investimentos
para os próximos 30 anos, com uma previsão de inves- Segundo dados do SNIS, em 2004 o DMAE
timento global da ordem de R$ 96 milhões até 2008. – Uberlândia-MG aplicou R$ 10,4 milhões. Do to-
tal, 97,1% foram realizados por meio de recursos
Desempenho próprios (R$ 10,1 milhões).
No demonstrativo de arrecadação e pagamentos As despesas capitalizáveis representaram 2,9%
(despesas com custeio e investimentos) do DMAE dos investimentos, equivalentes a R$ 302,7 mil.

Informações cadastrais
Sigla DMAE - Uberlândia
Razão social Departamento Municipal de Água e Esgoto de Uberlandia
Endereço da sede Rua Martinésia, nº 245 - Bairro Aparecida
Telefone central 55 (34) 3233-4695
Home page www.uberlandia.mg.gov.br
Data de fundação 1967
Principal executivo Rubens de Freitas Filho

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 98,4
Coleta de esgoto (%) 97,5
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 27.490 32.735 48.464
Arrecadação total (R$ mil) 37.430 42.443 45.559
Despesas com serviço (R$ mil) 18.880 21.447 27.820

Fontes: SNIS e DMAE-Uberlândia.


136 Valor análise setorial Saneamento Básico

DAERP – Ribeirão Preto


Departamento de Águas e Esgotos de Ribeirão Preto

Criado em 1969, o Departamento de Água e artesianos em funcionamento. Eles são responsá-


Esgotos de Ribeirão Preto (DAERP) é uma autar- veis por 13.400 m³ de água por hora.
quia que administra com exclusividade os ser- A coleta de esgoto atende 98% dos moradores
viços de abastecimento água, esgotos e limpeza de Ribeirão Preto. Até recentemente, quase todo
pública no município. Atende uma população de o esgoto da cidade era jogado “in natura” no Rio
mais de 500 mil habitantes. Pardo, sendo a principal causa da poluição de
O município de Ribeirão Preto tem o maior suas águas. Apenas 2% do esgoto do município
percentual de saneamento básico entre as cida- era tratado nas duas lagoas de tratamento de
des com mais de 500 mil habitantes do estado Bonfim Paulista.
de São Paulo. Dados do último Censo da Funda- Para solucionar o problema, em 1995 a
ção Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prefeitura fez uma parceria com a iniciativa priva-
(IBGE) mostram que o município tem 96,3% dos da, por meio da Ambient (ver perfil da empresa mais
domicílios com saneamento. Isso significa que adiante), para a construção de duas Estações de Tra-
141.310 casas (incluindo favelas) possuem água tamento de Esgotos e implantação de 25 quilôme-
encanada, coleta de lixo e de esgoto. tros de interceptores (tubulações que conduzem o
Em Ribeirão Preto, 99,9% da população é ser- esgoto até às estações) em regime de concessão.
vida de água encanada. Toda a água consumida
e distribuída pelo DAERP vem de águas subter- Investimentos
râneas, o Aqüífero Guarani (que se estende por Segundo dados do SNIS, em 2004 o DAERP
sete estados brasileiros, Argentina, Uruguai e – Ribeirão Preto-SP aplicou R$ 2,5 milhões. Do to-
Paraguai), que são retiradas de profundidades de tal, 96,2% foram realizados por meio de recursos
mais de 200 metros, por poços tubulares profun- próprios (R$ 2,4 milhões) e 3,8% vieram de trans-
dos. Por conta disso, Ribeirão Preto tem 99 poços ferências do governo.

Informações cadastrais
Sigla DAERP
Razão social Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto
Endereço da sede Rua Amador Bueno, 22 - Ribeirão Preto- SP
Telefone central 55 (16) 36072200
Home page http://www.daerp.ribeiraopreto.sp.gov.br/index.html
Data de fundação 1969
Principal executivo Darvin Jose Alves

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 99,9
Coleta de esgoto (%) 98
Tratamento de esgoto (%) 14

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais(R$ mil) 76.937 94.727 97.071
Arrecadação total (R$ mil) 72.042 86.143 92.002
Despesas com serviço (R$ mil) 71.949 86.776 91.036

Fontes: SNIS e DAERP.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 137

SAAE – Sorocaba
Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de rocaba (instalação de 28 quilômetros de inter-


Sorocaba (SAAE) foi criado pela Lei no 1.390, de ceptores ao longo das margens do Rio Sorocaba
31/12/65, como entidade autárquica municipal. para a captação de todo o esgoto produzido na
cidade; construção de 12 estações elevatórias
Cobertura de esgoto; construção de 5 estações de trata-
Atualmente com 780 funcionários, o SAAE mento de esgoto – a maior delas já concluída e
distribui água tratada a 99% dos imóveis de Soro- em operação –; e 4 em construção).
caba, que possui hoje sistemas de abastecimento O projeto demanda investimentos da or-
de água com capacidade de reservação da ordem dem de R$ 120 milhões (25% de recursos pró-
de 76 milhões de litros, com mais 159 mil imóveis prios e o restante financiado pela Caixa Eco-
entre residenciais, comerciais e industriais. Rece- nômica Federal).
be água tratada por meio de um sistema de distri- Com financiamento de R$ 55 milhões já
buição de 1,8 mil quilômetros de tubulações. aprovados pela Caixa, o SAAE planeja a reforma
A população que recebe água tratada no mu- e ampliação da principal Estação de Tratamen-
nicípio atinge 99% (617.657 pessoas). O índice de to de Água da cidade; construção de uma nova
esgoto coletado é de 97% e o esgoto tratado é de Estação de Tratamento de Água; substituição da
60% (com projeção de chegar a 100% até 2008). principal adutora de água bruta; e obras de pro-
A sua rede de esgoto atinge 1,03 milhão de metros teção às adutoras de água bruta localizadas na
lineares. O SAAE administra uma Estação de Tratamen- serra de São Francisco.
to de Esgoto em operação e quatro em construção. Segundo dados do SNIS, em 2004 o SAAE – So-
rocaba-SP realizou investimentos da ordem de
Investimentos R$ 27 milhões. Do total, 44,6% foram financiados
Atualmente, o SAAE – Sorocaba está execu- por meio de recursos próprios (R$ 12 milhões) e
tando o programa de despoluição do Rio So- 55,4% vieram de financiamentos obtidos.

Informações cadastrais
Sigla SAAE - Sorocaba
Razão social Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba
Endereço da sede Av. Pereira da Silva, 1285 - Bairro Santa Rosália - Sorocaba - SP
CEP 18095-340
Telefone central 55 (15) 3224-5800
Home page www.saaesorocaba.com.br
Data de fundação 1965
Principal executivo Pedro Dal Pian Flores

Informações estruturais
Número de ligações 158.031
Coleta de esgoto (%) 98
Tratamento de esgoto (%) 30

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 64.181 62.674 78.143
Arrecadação total (R$ mil) 64.181 62.674 63.195
Despesas com serviço (R$ mil) 49.568 N.D. 47.178

Fontes: SNIS e SAAE - Sorocaba.


138 Valor análise setorial Saneamento Básico

Cesama – Juiz de Fora


Companhia de Saneamento Municipal de Juiz de Fora

O DAE – Juiz de Fora-MG foi criado em 1963, Cobertura


por meio da Lei nº 1.873, pelo engenheiro Itamar Atualmente, o atendimento da Cesama atinge 99%
Franco. Em outubro de 1990, pela Lei 7.762 em no abastecimento de água e 98% na coleta de esgoto.
substituição ao DAE, foi criada a Companhia de
Saneamento e Pesquisa do Meio Ambiente (Cesa- Investimentos
ma), uma empresa pública com autonomia finan- Segundo dados do SNIS, em 2004 a Cesama – Juiz
ceira e administrativa. de Fora-MG investiu R$ 17,8 milhões. Do total, 26,9%
A partir de 2001, a razão social da Compa- foram realizados por meio de recursos próprios (R$
nhia de Saneamento e Pesquisa do Meio Am- 4,8 milhões), 19,5% vieram de financiamentos obti-
biente foi alterada para Companhia de Sanea- dos e 0,7%, de transferências do governo.
mento Municipal, permanecendo, no entanto, As despesas capitalizáveis representaram 52,8%
a sigla Cesama. dos investimentos, equivalentes a R$ 9,4 milhões.

Informações cadastrais
Sigla Cesama
Razão social Companhia de Saneamento Municipal de Juiz de Fora
Home page www.cesama.pjf.mg.gov.br
Data de fundação 2001

Informações estruturais
Número de ligações 98.153
Abastecimento de água (%) 99
Coleta de esgoto (%) 98

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 46.302 53.537 61.263
Arrecadação total (R$ mil) 43.094 49.640 60.113
Despesas com serviço (R$ mil) 41.932 45.976 53.837

Fontes: SNIS e SAAE - Cesama.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 139

Semae – Piracicaba
Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba

O Semae – Piracicaba foi criado em 30 de de esgotos da cidade, iniciando a instalação de


abril de 1969, por meio da Lei nº 1.657, tendo interceptores de esgoto às margens do Córre-
sido regulamentado pelo Decreto nº 828, de 30 go das Ondas e na margem direita do ribeirão
de maio do mesmo ano. Em agosto de 1969, Pira- Piracicamirim.
cicaba já contava com inúmeros projetos de rede Em junho de 1998, o Semae inaugurou a ETE-
de esgoto e de fornecimento de água. Com isso, Piracicamirim, dimensionada para tratar o esgo-
a autarquia ganhava autonomia econômica, fi- to doméstico de uma população de 90 mil pes-
nanceira e administrativa. soas. No abastecimento de água, a cidade conta
Em 1978, o Semae construiu uma pequena repre- hoje com três Estações de Captação: duas no Rio
sa, a ETE-Artemis, três reservatórios e uma casa de Piracicaba e uma no Rio Corumbataí.
máquinas. Em 1982, inaugurou a ETA-Capim Fino.
Em 1992, foi construída a primeira Estação de Investimentos
Tratamento de Esgoto Dois Córregos. Em dezembro Segundo dados do SNIS, em 2004 o Semae
de 1992, iniciava-se um projeto piloto com capaci- – Piracicaba-SP aplicou R$ 3,8 milhões. Do total,
dade para tratar esgotos de até mil habitantes. 94% foram realizados por meio de recursos pró-
Um ano depois, o Semae deu os primeiros prios (R$ 3,6 milhões) e 6% vieram de transferên-
passos para aumentar o índice de tratamento cias do governo.

Informações cadastrais
Sigla Semae - Piracicaba
Razão social Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba
Endereço da sede Rua Quinze de Novembro, 2200 - Bairro Alto - Piracicaba - SP
CEP 13417-100
Telefone central 55 (19) 3403-9611
Home page www.semaepiracicaba.org.br
Data de fundação 1969
Principal executivo José Augusto B. Seydel

Informações estruturais
Número de ligações (2002) 105.389
Abastecimento de água (%) 100
Tratamento de esgoto (%) 37,2

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 35.863 47.320 46.800
Arrecadação total (R$ mil) 38.833 47.320 50.800
Despesas com serviço (R$ mil) 30.571 34.126 39.367

Fontes: SNIS e Semae - Piracicaba.


140 Valor análise setorial Saneamento Básico

Semae – São José do Rio Preto


Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto de S.J. do Rio Preto

Desde a década de 30, o serviço de saneamen- mae atende atualmente 95% da população ur-
to em São José do Rio Preto pertence à esfera pú- bana de São José do Rio Preto, com coleta de
blica. Apenas por um breve período em 2000 ele 111.654 ligações e correspondente a afastamen-
chegou a ser concedido à iniciativa privada. to por meio de 1.174.854 quilômetros de redes,
Após essa tentativa de privatização dos serviço emissários e interceptores.
de saneamento é que surgiu a Semae de Rio Preto
na sua atual conformação. A sua criação foi apro- Investimentos
vada pela Câmara Municipal em agosto de 2001. Segundo dados do SNIS, em 2004 a Semae
– São José do Rio Preto-SP realizou investimen-
Cobertura tos da ordem de R$ 531,3 mil, a partir de recur-
O sistema de esgotamento sanitário do Se- sos próprios.

Informações cadastrais
Sigla Semae - São José do Rio Preto
Razão social Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto de São José do Rio Preto
Telefone central 55 (17) 230-1100
Home page www.riopreto.sp.gov.br/cpub/pt/semae/home.php
Data de fundação 2001
Principal executivo Nicanor Batista Júnior

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2003 2004 2005
Receita bruta (R$ mil) - - 39.358
Despesas (R$ mil) - - 40.822
Lucro (Prejuizo) bruto (R$ mil) - - -1.464
Receitas operacionais(R$ mil) 22.713 37.548 37.372
Arrecadação total (R$ mil) 6.612 31.259 30.072
Despesas com serviço (R$ mil) 17.644 26.110 29.461

Fontes: SNIS e Semae - São José do Rio Preto.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 141

DAE – Bauru
Departamento de Águas e Esgotos de Bauru

O DAE – Bauru foi regulamentado em dezem- ração até hoje. Atualmente, a cidade de Bauru
bro de 1962, como autarquia municipal para res- tem 100% de água encanada e tratada e 99% de
ponder pelo abastecimento e tratamento da água coleta de esgoto.
fornecida e coleta do esgoto no município. O abastecimento tem duas fontes: o Rio
Com o crescimento do município, houve a Batalha, responsável por 42% da água que che-
necessidade de ampliar os sistemas de captação ga às residências, e os poços profundos que
e tratamento de água. Em 1970, foram inaugu- atendem os outros 58% da cidade. A autarquia
radas: a estação de captação e a Estação de Trata- dispõe também de 27 poços profundos e 52
mento de Água (ETA), esta projetada para tratar reservatórios, localizados em diversos bairros
500 litros de água por segundo, e duas novas adu- do município.
toras que aumentaram o volume de água produ-
zido, que passou dos 12 milhões de litros, por dia, Investimentos
para 43 milhões. Segundo dados do SNIS, em 2004 o DAE – Bau-
ru-SP realizou investimentos da ordem de R$ 3,2
Cobertura milhões. Desse total, 100% foram feitos por meio
A captação e a ETA de 1970 estão em ope- de recursos próprios.

Informações cadastrais
Sigla DAE-Bauru
Razão social Departamento de Água e Esgoto de Bauru
Endereço da sede Rua Padre João, nº 11-25 - Altos da Cidade - Bauru - SP - CEP 17043-020
Telefone central 55 (14) 235-6137 / Fax: (14) 235-6145
Home page www.daebauru.com.br
Data de fundação 1962
Principal executivo José Clemente Rezende

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 100
Coleta de esgoto (%) 99

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 34.390 44.213 35.361
Arrecadação total (R$ mil) 26.223 34.526 36.920
Despesas com serviço (R$ mil) 25.923 33.520 35.135

Fontes: SNIS e DAE-Bauru.


142 Valor análise setorial Saneamento Básico

Saned – Diadema
Companhia de Saneamento de Diadema

A Companhia de Saneamento de Diadema (Sa- Desde a inauguração da estação, com um investi-


ned) é uma empresa de sociedade anônima de eco- mento de R$ 5 milhões, mais de 60 mil moradores
nomia mista, cujo acionista majoritário é a Pre- foram beneficiados, além de diminuir a poluição
feitura do Município de Diadema. A companhia da Represa Billings.
começou a operar em 17 de fevereiro de 1995. Desde 2002, o Saned desenvolve o Programa
Vida Limpa, que criou postos de coleta seletiva
Cobertura para o recebimento de entulhos e lixo reciclável,
Atualmente, 99,5% dos moradores de Diade- como plástico, papel, vidro e metal.
ma recebem, ininterruptamente, água tratada,
e 76% têm os dejetos domiciliares coletados pela Investimentos
rede pública. Segundo dados do SNIS, em 2004 a Saned
Em 2004, a empresa concluiu as obras da esta- – Diadema-SP realizou investimentos da ordem
ção elevatório do Eldorado, para afastamento do de R$ 4 milhões. Do total, 100% foram feitos por
esgoto do bairro Eldorado e da Represa Billings. meio de recursos próprios.

Informações cadastrais
Sigla Saned
Razão social Companhia de Saneamento de Diadema
Endereço da sede Rua Estados Unidos, 78 - Centro - Diadema - SP - CEP 09921-030
Home page www.saned.com.br
Data de fundação 1995
Principal executivo Walter Rasmussen

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 99,5
Coleta de esgoto (%) 76

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 38.411 43.925 43.128
Arrecadação total (R$ mil) 33.747 38.293 38.743
Despesas com serviço (R$ mil) 43.235 45.551 49.097

Fontes: SNIS e Saned.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 143

DAE – Jundiaí
DAE S.A.

O DAE S.A. é uma empresa controlada pela Cobertura


Prefeitura de Jundiaí (SP), que cuida dos serviços O DAE atende com água 95,4% da população
de saneamento básico no município. Até 31 de de Jundiaí. A população atendida com esgoto
dezembro de 1999, a empresa era uma autarquia. atinge 91,3%. A quantidade de ligações ativas de
A partir de janeiro de 2000, ela se tornou uma água é de 83.913 ligações, com 118.849 econo-
sociedade anônima, mas com quase a totalidade mias ativas.
das ações em poder da prefeitura. O volume produzido de água é de 40.791
Para realizar o tratamento de esgoto da ci- m 3/ano e o volume de água tratada na ETA é de
dade, delegou à Companhia de Saneamento de 37.366,5 m 3 . A rede de distribuição de água é de
Jundiaí (CSJ), por meio de concorrência pública 1.300 quilômetros. Conta com 31 reservatórios,
de menor tarifa, a responsabilidade de cons- com capacidade de reservação total de 47.117 m 3 .
truir e operar a Estação de Tratamento de Esgo-
to de Jundiaí. Investimentos
Ao fim da concessão de 20 anos, passará a in- Segundo dados do SNIS, em 2004 o DAE – Jun-
tegrar o patrimônio público do município. A CSJ diaí-SP realizou investimentos da ordem de R$
pertence ao consórcio formado pelas empresas 13,4 milhões. Desse total, 100% foram feitos por
Augusto Velloso, Coveg e Tejofran. meio de recursos próprios.

Informações cadastrais
Sigla DAE - Jundiaí
Razão social DAE - S.A.
Endereço da sede Rodovia Vereador Geraldo Dias, 1500 - Hortolândia - Jundiaí - SP
CEP 13214-295
Telefone central 55 (11) 4589-1300
Home page www.daejundiai.com.br
Data de fundação 1969
Principal executivo Eduardo Santos Palhares

Informações estruturais
Número de ligações 87.337
Abastecimento de água (%) 95,41
Coleta de esgoto (%) 91,31
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 48.023 53.888 58.388
Arrecadação total (R$ mil) 39.799 44.277 48.595
Despesas com serviço (R$ mil) 45.147 49.024 57.185

Fontes: SNIS e DAE - Jundiaí.


144 Valor análise setorial Saneamento Básico

SAAE – Volta Redonda


Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Volta Redonda

O SAAE é uma autarquia municipal criada em O índice de hidrometração atinge 100% e seu
dezembro de 1967 para tratar do saneamento do índice de perda de faturamento é de 37,2%.
município de Volta Redonda (RJ).
Desde sua criação, o SAAE possui um vínculo Investimentos
muito forte com a CSN, siderúrgica que opera no Segundo dados do SNIS, em 2004 o SAAE
município. Em seus primórdios, 80% da água de – Volta Redonda-RJ investiu R$ 4 milhões. Do to-
abastecimento público era tratada pela Estação tal, 62,5% foram realizados por meio de recursos
de Tratamento de Água da CSN. Os 20% restantes próprios (R$ 2,5 milhões) e 7,6% vieram de trans-
eram operados pelo próprio SAAE na Estação de ferências do governo.
Tratamento de Água de Santa Rita. As despesas capitalizáveis representaram 29,8%
A situação só se alterou em 1979, quando foi dos investimentos, equivalentes a R$ 1,2 milhão.
inaugurada a ETA no bairro Belmonte, com ca- Atualmente, a empresa conduz o Projeto Qua-
pacidade de 390 litros/segundo, ampliada para tro Estações, orçado em cerca de R$ 15 milhões,
2.000 litros em 2001. que visa atender diretamente 106 mil habitantes.
O projeto prevê a construção de cinco reserva-
Cobertura tórios com capacidade de 18 milhões de litros de
O número de economias atendidas pelo SAAE água armazenada, cinco estações elevatórias, 13
evoluiu de 65.896, em 1990, para 104.776 em mil metros de rede coletora de esgotos sanitários
2005. O número de ligações de água é de 63.564 e e 53 mil metros de redes de distribuição e adução
o de ligações de esgoto, de 63.446. de água tratada.

Informações cadastrais
Sigla SAAE - Volta Redonda
Razão social Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Volta Redonda
Endereço da sede Av. Lucas Evangelista, nº 643 - Aterrado - Volta Redonda - RJ
CEP 27215-630
Telefone central 55 (24) 3347-3232 / 3344-2957
Home page www.saaevr.rj.gov.br
Principal executivo Paulo Cesar de Souza

Informações estruturais
Número de ligações 63.564
Coleta de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 15.827 18.725 17.526
Arrecadação total (R$ mil) 17.576 20.619 19.236
Despesas com serviço (R$ mil) 14.921 23.124 20.147

Fontes: SNIS e SAAE.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 145

SAAE – Governador Valadares


Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), de laminar, que possibilita tratar até 1.200 litros
Governador Valadares (MG), criado em 1952, é uma de água por segundo. O seu laboratório central
autarquia municipal que controla todo o sistema de é certificado com ISO 9001:2000 com o escopo:
abastecimento de água do município. A partir de 1988, “Fornecimento de Serviços de Análises Laborato-
o SAAE passou a ser administrado pela prefeitura. riais para manutenção e controle de qualidade da
água produzida e distribuída”.
Cobertura
Atualmente, 99% da população recebe aten- Investimentos
dimento de água e 92%, de coleta de esgoto. O Segundo dados do SNIS, em 2004 o SAAE
SAAE-GV planeja construir uma nova Estação de – Governador Valadares-MG realizou investi-
Tratamento de Esgoto (ETE). mentos da ordem de R$ 7 milhões. Desse to-
A estação de tratamento do SAAE de Governa- tal, 100% foram bancados por meio de recur-
dor Valadares possui um sistema de decantação sos próprios.

Informações cadastrais
Sigla SAAE - Governador Valadares
Razão social Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares
Telefone central 55 (33) 3279-8400
Home page www.saaegoval.com.br
Data de fundação 1952
Principal executivo Maridhemar Elias de Sá

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 99
Coleta de esgoto (%) 92

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 17.754 20.536 22.255
Arrecadação total (R$ mil) 17.754 20.536 22.255
Despesas com serviço (R$ mil) 9.926 13.902 14.882

Fontes: SNIS e SAAE.


146 Valor análise setorial Saneamento Básico

SAAE – Jacareí
Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Jacareí

O SAAE é uma autarquia municipal criada para ampliar de 2% para 18% o índice de esgoto
pela Lei nº1.761, de setembro de 1976. Em junho tratado em Jacareí.
de 1978, o SAAE iniciou sua fase operacional,
passando a responder pelos sistemas de abaste- Investimentos
cimento de água e afastamento e canalização de Segundo dados do SNIS, em 2004 o SAAE
esgoto sanitário de Jacareí. – Jacareí-SP realizou investimentos da ordem de
Atualmente, o SAAE conta com uma equipe R$ 3,7 milhões. Do total, 89% foram feitos com
de 325 funcionários e atende 99% da população recursos próprios (R$ 3,3 milhões), 0,4% veio de
do município com rede de água e 95% com rede financiamentos obtidos e 10,6%, de transferên-
de esgoto. O SAAE está com obras em andamento cias do governo.

Informações cadastrais
Sigla SAAE - Jacareí
Razão social Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Jacareí
Endereço da sede Rua Antônio Afonso, 460 - Centro - Jacareí - SP
Telefone central 55 (12) 3954-0300
Home page www.saaejacarei.com.br
Data de fundação 1976
Principal executivo Davi Lino

Informações estruturais
Número de ligações 56.011
Abastecimento de água (%) 99
Coleta de esgoto (%) 95

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 20.886 18.919 21.600
Arrecadação total (R$ mil) 20.728 18.684 23.953
Despesas com serviço (R$ mil) 16.047 18.264 26.553

Fontes: SNIS e SAAE.


Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 147

SAAE – São Carlos


Serviço Autônomo de Águas e Esgotos de São Carlos

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São A rede de coleta e afastamento de esgotos cres-
Carlos (SAAE) foi criado por meio da Lei 6.199, de 26 ceu junto com a cidade, atingindo 98% dos domi-
de junho de 1969. Possui personalidade jurídica pró- cílios, com aproximadamente 300 quilômetros
pria e autonomia financeira e administrativa para de extensão. Os 2% restantes estão localizados na
gerir os serviços de abastecimento de água e coleta periferia da cidade.
de esgoto em todo o município de São Carlos. Para promover a recuperação total dos córre-
A partir de 1969, o SAAE passou a construir gos do Monjolinho, Água Fria e Água Quente, es-
poços profundos para ampliar sua produção de tão sendo projetadas Estações de Tratamento de
água e acompanhar o aumento da população de Esgotos. A administração pública já assinou um
São Carlos. O primeiro poço profundo foi o poço Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com o Minis-
“Antônio Fischer dos Santos”, que iniciou sua tério Público, para acelerar os processos de licen-
operação em 2 de junho de 1969, com vazão de ciamento ambiental.
100 m3/h de água (atualmente produz 48 m3/h). Foi contratada a execução do Relatório
Ambiental Preliminar (RAP), em dezembro de
Cobertura 2003, estando em fase inicial os processos de
A produção por poços foi ampliada acompa- licitação para o projeto de duas ETEs, que com-
nhando o aumento populacional. Possui poços portarão o tratamento total dos esgotos da ci-
de grande produção construídos nos bairros de dade até 2020.
São Carlos II, Azulville, Stella Fagá, Cidade Aracy e
no Distrito Industrial, além dos distritos de Água Investimentos
Vermelha e Santa Eudóxia. Segundo dados do SNIS, em 2004 o SAAE – São
O SAAE conta atualmente com 18 poços em ope- Carlos-SP realizou investimentos da ordem de R$
ração contínua, com produção de 525 l/s, equivalen- 1,4 milhão, inteiramente bancados por meio de
te à produção proveniente das águas de superfície. recursos próprios.

Informações cadastrais
Sigla SAAE - São Carlos
Razão social Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos
Endereço da sede Av. Getúlio Vargas, 1500 - Jardim São Paulo - São Carlos - SP
CEP 13570-390
Telefone central 55 (16) 3373-6400
Home page www.saaesaocarlos.com.br
Data de fundação 1969
Principal executivo Jurandyr Povinelli

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 23.821 28.903 34.128
Arrecadação total (R$ mil) 21.656 23.759 27.280
Despesas com serviço (R$ mil) 19.380 23.724 27.834

Fontes: SNIS e SAAE - São Carlos.


148 Valor análise setorial Saneamento Básico

DAAE – Araraquara
Departamento de Águas e Esgotos de Araraquara

O Departamento Autônomo de Água e Esgotos e, aproximadamente, 70 mil ligações de água. Para


(DAAE) é o órgão municipal que gerencia os servi- operar todo o sistema de reservação e distribuição, o
ços públicos do setor de saneamento ambiental em DAAE dispõe de sistema de controle por telemetria
Araraquara e no distrito de Bueno de Andrada. (controle à distância, via computador) em seu Centro
O órgão foi criado em 1969, por meio da Lei nº de Controle Operacional (CCO). A água tratada chega
1.697/69. Pela lei de criação, ao DAAE competia, a toda a população do município.
com exclusividade, captar, tratar e distribuir água A coleta de esgotos em Araraquara compreen-
e coletar os esgotos domésticos do município. de 920 quilômetros de redes coletoras, coletores-
Em agosto de 2003, por meio da Lei nº 6.040, tronco, interceptores e emissários, que conduzem
as atribuições do DAAE foram alteradas. Median- os esgotos para a ETE – Araraquara (Estação de
te a lei, cabe ao órgão gerenciar a destinação final Tratamento de Esgotos), que trata 100% dos esgo-
dos resíduos sólidos domésticos e realizar a ges- tos domésticos coletados da área urbana.
tão ambiental do município (ações educativas de A estação possui dois módulos, com capaci-
conscientização às questões ambientais e de pre- dade total de tratamento de 800 litros de esgotos
servação dos mananciais municipais). por segundo, uma média de 46 mil m3 por dia.
Cada módulo é composto de lagoa aerada, de se-
Estrutura dimentação e de lodo. Depois de tratada, a água
O DAAE possui três pontos de captação su- volta para o Ribeirão das Cruzes.
perficial (ribeirões e córregos) e 13 de captação
subterrânea (poços profundos de água do Aqüí- Desempenho
fero Guarani). Metade da água captada é de rios e Em 2005, o DAAE – Araraquara apurou receita
córregos e a outra parte, de poços profundos. São operacional líquida de R$ 30,8 milhões, com lu-
aduzidos (transportados) dos pontos de captação cro líquido de R$ 1,1 milhão. O seu índice de aten-
cerca de 70.250 m3 de água por dia, o que equiva- dimento urbano de água é de 100% e o índice de
le a uma captação de 2.100.000 m3 por mês. atendimento urbano de esgoto atinge 98,3%.
O DAAE dispõe de duas Estações de Trata- Em 2005, o DAAE investiu cerca de R$ 3,4 mi-
mento de Água (ETA): ETA – Fonte (capacidade lhões e planeja investir R$ 3,5 milhões em 2006,
de tratamento de 600 litros por segundo) e ETA por meio de recursos próprios e convênio estadu-
– Paiol (capacidade de tratamento de 80 litros por al não reembolsável.
segundo). Ao todo, são 30 reservatórios distribuí-
dos em 11 setores da cidade. São reservatórios do Investimento
tipo elevado, apoiado e enterrado. Juntos, propor- Segundo dados do SNIS, em 2004 o DAAE –
cionam uma capacidade de armazenamento de Araraquara-SP realizou investimentos da ordem
aproximadamente 44.330 m3 de água. de R$ 2,5 milhões. Do total, 96,2% foram feitos
O município conta com uma rede de distribuição com recursos próprios (R$ 2,4 milhões) e 3,8%
de água com cerca de 1.100 quilômetros de extensão vieram de transferências do governo.
Perfis de empresas - Serviços municipais Saneamento Básico Valor análise setorial 149

Informações cadastrais
Sigla DAAE - Araraquara
Razão social Departamento de Água e Esgoto de Araraquara
Endereço da sede Rua Domingos Barbieri, nº 100 - Fonte Luminosa - Araraquara - SP
Telefone central 55 (16) 3324-9555
Home page www.daaeararaquara.com.br
Data de fundação 1969
Principal executivo Guilherme Ferreira Soares

Informações estruturais
Número de ligações 70.000
Abastecimento de água (%) 100
Coleta de esgoto (%) 98,3
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 23.542 25.579 29.101
Arrecadação total (R$ mil) 19.292 23.015 24.510
Despesas com serviço (R$ mil) 16.154 19.771 24.148

Fontes: SNIS e DAAE - Araraquara.


150 Valor análise setorial Saneamento Básico

Concessionárias privadas

Águas do Amazonas
Águas do Amazonas S.A.

A Águas do Amazonas S.A. é a denominação


Águas do Amazonas
atual dada à antiga Manaus Saneamento S.A., T69 Abrangência - 2005
cuja empresa era subsidiária da Companhia de
Saneamento do Amazonas (Cosama). Água
Privatizada em 29 de junho de 2000 e adqui- Ligações ativas 236.436
rida pela empresa franco-belga Lyonnaise des Economias ativas 293.426
Eaux, a Manaus Saneamento S.A. passou a ter a Extensão da rede 2.552
razão social de Águas do Amazonas S.A., sendo Esgoto
adquirida pelo valor de R$ 193 milhões. Ligações ativas 23.608
Desse montante, cerca de R$ 72 milhões fo- Economias ativas 27.388
ram financiados pelo Banco Nacional de Desen- Extensão da rede 303
volvimento Econômico e Social (BNDES), cujo va-
Fonte: Águas do Amazonas.
lor equivale a 37,3% do total pago pela empresa ao
Governo do Estado do Amazonas.
No total, a então Lyonnaise des Eaux adquiriu 90% Capacidade de produção
do capital social da empresa e os outros 10% das ações Com 64 reservatórios, que permitem reservas
foram vendidos aos funcionários da companhia. de 114 mil m 3 de água, a empresa tem capacidade
Em 2001, o grupo Lyonnaise des Eaux mudou para tratar 13,66 milhões de m 3 por mês de água,
seu nome para grupo Suez e instituiu a marca On- em suas três Estações de Tratamento de Águas
deo para reunir todas as atividades relacionadas (ETA), como pode ser visto na Tabela 70.
com o setor de água no mundo. Conforme dados apresentados pela direção da
Em maio de 2006, o grupo Suez anunciou que concessionária, em 2005 foram produzidos 197
havia transferido o controle acionário da Águas milhões de m3, sendo 76,9% originados pelo com-
do Amazonas para o grupo Veja. No entanto, ve- plexo de produção da Ponta do Ismael; 3,8%, pela
readores do município de Manaus estavam con- ETA Mauazinho; e 19,3%, por 99 poços profundos.
testando a validade da ação.
O prazo de concessão dos serviços de abasteci- Desempenho
mento de água e serviços de esgotamento sanitá- O faturamento da concessionária alcançou R$
rio, quando da assinatura do contrato entre a em- 142,3 milhões em 2005, representando crescimen-
presa e a prefeitura, foi estipulado em 30 anos. to de 9,4% em relação ao ano anterior. Esse incre-
mento foi atingido graças ao aumento das tarifas,
Cobertura mas também por novas ligações e pela hidrome-
O mercado de atuação da empresa é a área ur- tração, segundo informações da companhia.
bana da cidade de Manaus, com 477 quilômetros Em 2005, a empresa acumulou um prejuízo de
quadrados de extensão e população de 1,675 mi- R$ 162,86 milhões. Auditoria independente reali-
lhão de habitantes. zada pela consultoria Ernst & Young demonstrou
Em dezembro de 2005, a empresa contava com que a concessionária já não tinha capital de giro
236,44 mil ligações ativas de água (excluindo as suficiente para manter as operações.
cortadas), correspondendo a 293,43 mil econo-
mias ativas. Quanto ao esgotamento sanitário, as
Águas do Amazonas
ligações ativas totalizavam 23,61 mil, represen- T70 Capacidade de produção - 2005
tando 27,34 mil economias ativas.
Naquele mesmo ano, houve o incremento de 64 unidades
11,84 mil economias de água, o que representou Volume de reservação 114.000 m3
o acesso aos serviços por uma população aproxi- Poços tubulares profundos (ativos) 90 unidades
mada de 55 mil habitantes. Rede de distribuição de águas ( diâmetros de 63 mm a 700 mm) 2.381 km
A extensão total da rede de distribuição de ETA - Estação de Tratamento de Água 1 (*) m3/mês 6.634.317
água chegou a 2,55 mil quilômetros e a de esgoto, ETA - Estação de Tratamento de Água 2 (*) m3/mês 6.298.988
a 303 quilômetros, conforme pode ser verificado ETA - Estação de Tratamento de Água (*) m3/mês 723.590
na Tabela 69. No fim de 2005, a empresa abastecia Poços tubulares profundos (*) 2.944.750
com água 338,6 mil famílias.
Fonte: Águas do Amazonas. * Capacidade de produção
Saneamento Básico Valor análise setorial 151

Uma das principais causas desse desequilí- sídio cruzado, que visa a cobrança de tarifas di-
brio, segundo a companhia, encontra-se na dis- ferenciadas conforme a categoria do cliente e a
torção no perfil de seus clientes: o consumo ele- faixa de consumo em que se encontra.
vado de água pelas famílias carentes que pagam
taxas menores e a perfuração de poços artesianos Investimentos
pelas famílias de maior poder aquisitivo, empre- A empresa investiu, em 2005, R$ 25,7 milhões,
sas industriais e grandes varejistas, que pagam acumulando total de R$ 146 milhões, durante os
uma taxa irrelevante pelo recurso natural. cinco anos da concessão.
As quatro modalidades de clientes atendidas Os investimentos foram feitos na expan-
pela concessionária em Manaus são: residencial, são dos sistemas de abastecimento de água e
comercial, pública e industrial. A categoria resi- melhorias operacionais, com destaque para
dencial representa 75% dos clientes da companhia, os Programas “Água na Sua Casa” e “Água e Ci-
13% estão na comercial, 9% são instituições públi- dadania” e para a construção dos sistemas de
cas e quase 3% são compostos por indústrias. proteção para a central de cloração na Ponta do
As empresas instaladas no Pólo Industrial de Ismael e ETA Mauazinho.
Manaus proporcionam um faturamento mensal No fim de 2005, o BNDES aprovou o financia-
de apenas R$ 364 mil nos serviços de água e esgo- mento de R$ 9,4 milhões para serem aplicados
to da companhia. nos sistemas de água e esgoto.
A concessionária argumenta que se as fábri- Naquele mesmo ano, a empresa apresentou
cas atingissem o consumo de R$ 5,6 milhões, ha- diversos projetos de investimentos a vários or-
veria recursos para subsidiar os investimentos na ganismos: ao Ministério das Cidades, no âm-
infra-estrutura dos bairros sem água encanada. bito do Programa “Saneamento para Todos”;
As grandes empresas do pólo abandonaram o à Agência de Desenvolvimento da Amazônia
sistema público quando a concessionária ainda era (ADA); e ao Banco da Amazônia S.A. (BASA), res-
a Cosama. Com o surgimento de invasões e conjun- ponsáveis pela operação do Fundo de Desenvol-
tos habitacionais no entorno do pólo industrial, vimento da Amazônia (FDA) e do Fundo Consti-
houve o surgimento de ligações clandestinas. tucional do Norte (FNO).
A Cosama passou, então, a retirar mais água O objeto desses financiamentos era a cons-
do rio e a estação de tratamento não suportou. trução do sistema Ponta das Lajes, que inclui a
Como as empresas não podiam ficar sem água captação, produção, adução, reservação, redes
para atender sua produção, optaram pela instala- e ligações de água para as zonas norte e les-
ção dos poços artesianos. te da cidade, além de melhorias operacionais,
Segundo a Águas do Amazonas, esta decisão ampliação dos serviços de coleta e tratamento
das empresas impossibilitou a aplicação do sub- de esgoto.
152 Valor análise setorial Saneamento Básico

Informações cadastrais
Nome Águas do Amazonas
Razão social Águas do Amazonas S.A.
Endereço da sede Rua do Bombeamento, 01 - Compensa - Manaus - Amazonas CEP 69029-160
Telefone central 55 (92) 627.5500
Home page www.aguasdoamazonas.com.br
Data e local de fundação 2000 / Manaus
Principal executivo Fernando A. Paraguassu de Sá

Informações estruturais
Número de ligações 236.436

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2003 2004 2005
Receita bruta (R$ mil) 104.856 129.638 142.267
Receita líquida (R$ mil) 100.814 122.677 133.246
Receitas operacionais (R$) 90.255 129.638 N.D.
Arrecadação total (R$) 70.977 105.284 N.D.
Despesas com serviço (R$) 127.114 134.164 N.D.
Lucro bruto (R$ mil) -34.420 42.899 40.111
Lucro líquido (R$ mil) -34.414 355 538

Fontes: SNIS e Águas do Amazonas.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 153

Citágua
Águas de Cachoeiro S.A.

A Águas de Cachoeiro S.A. (Citágua) é conces- cujo modelo implantado no município em me-
sionária dos serviços de abastecimento de água, ados de 1999 já é referência no país.
coleta e tratamento de esgotos do município de
Cachoeiro de Itapemirim (ES). Cobertura
A Citágua foi criada em julho de 1998 e é ori- A empresa atende, com abastecimento de água,
ginária do Consórcio Águas de Cachoeiro, for- a 39,5 mil ligações. Isso representa a totalidade da
mado pelo Grupo Águia Branca Participações população localizada nas áreas urbanas da sede,
Ltda., Cepemar Serviços de Consultoria em Meio distritos e pequenas localidades do município.
Ambiente Ltda. e Hidropart – Consultoria e Parti- Quanto ao esgotamento sanitário, possui
cipações Ltda., que foi vencedor da concorrência 42,37 mil ligações, atendendo 83% da população
pública para concessão dos serviços de abasteci- com a coleta de esgotos.
mento de água, coleta e tratamento de esgotos do
município de Cachoeiro de Itapemirim (ES). Investimentos
O contrato de concessão foi assinado em 15 de O atendimento às metas contratuais como a
julho de 1998 e tem duração de 30 anos. Atual- modernização e informatização da empresa e a ade-
mente, a Águia Branca detém 73,33% das ações da quação da frota de veículos e equipamentos, bem
companhia e a Cepemar, 26,67%. como o treinamento dos funcionários, demandou
Por 30 anos, o saneamento básico da cidade de recursos da ordem de R$ 33 milhões. Estão previs-
Cachoeiro de Itapemirim (ES) foi realizado pelo tos para os próximos anos investimentos de cerca
Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Cachoeiro de R$ 17 milhões, totalizando R$ 50 milhões.
de Itapemirim (SAAE) sem qualquer regulação. O A Citágua vem realizando nesses cinco anos, des-
consumidor ficou sujeito por décadas a todo tipo de a sua fundação, o maior investimento per capita
de problema na prestação dos serviços. em saneamento do país, com um valor médio anual
ºCom a concessão do sistema ao consór- de R$ 147/ligação. A média anual no Brasil é de R$ 57/
cio privado Águas de Cachoeiro (Citágua), em ligação e na região Sudeste, de R$ 52/ligação.
julho de 1998, cresceu a necessidade de fisca- Segundo dados do SNIS, em 2004 a Citágua
lização. Para essa tarefa, foi criada a Agência aplicou R$ 4 milhões. Do total, 62,8% foram rea-
Municipal de Regulação dos Serviços de Sane- lizados por meio de recursos próprios (R$ 2,5 mi-
amento de Cachoeiro de Itapemirim (Agersa), lhões) e 37,2% vieram de financiamentos obtidos.

Informações cadastrais
Nome Citágua
Razão social Águas de Cachoeiro S.A.
Endereço da sede Praça Alvim Silveira, nº 01 - Ilha da Luz - Cachoeiro de Itapemirim - ES
CEP 29309-801
Telefone central 55 (28) 3526-3366/3375
Home page www.citagua.com.br
Data de fundação 1998
Principal executivo Mário Amaro da Silveira

Informações estruturais
Número de ligações 39.500
Coleta de esgoto (%) 83

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$) 16.167 19.349 21.559
Arrecadação total (R$) 15.373 18.116 20.820
Despesas com serviço (R$) 15.263 19.400 21.539

Fontes: SNIS e Citágua.


154 Valor análise setorial Saneamento Básico

Águas de Limeira
Águas de Limeira S.A.

A Águas de Limeira S.A. iniciou suas ativida- Redução de perdas


des em junho de 1995, após a assinatura do con- No fim de 2005, a companhia havia consegui-
trato de concessão entre a Prefeitura Municipal de do reduzir as perdas de água para 16%. Quando
Limeira e a Águas de Limeira (Concessionária). assumiu o abastecimento de água no município,
A empresa é originária do consórcio CBPO/ esse índice estava em 44%. A média nacional é da
Lyonnaise des Eaux, pertencente às organizações ordem de 45% de desperdício.
Odebrecht e ao grupo Suez Ambiental, que cons-
tituíram a Águas de Limeira S.A. para assumir a Desempenho
responsabilidade total pela gestão dos serviços A empresa fechou 2004 com receita bruta de
de captação, produção e fornecimento de água R$ 43,44 milhões, 6,6% maior que a do ano ante-
tratada, além de coleta, afastamento e tratamen- rior, de R$ 40,75 milhões. O lucro líquido, por sua
to de esgoto e disposição final de lodos até 2025. vez, diminuiu: foi de R$ 3,5 milhões, 29% abaixo
São acionistas da Águas de Limeira: a Organi- do registrado em 2003.
zação Odebrecht, com 50% das ações, e o grupo A queda deveu-se aos seguintes fatores: au-
Suez, também com 50%. mento dos custos diretos (como energia elétrica
e produtos químicos) acima da inflação, redução
Cobertura do impacto de receita de variação cambial e in-
A Águas de Limeira conta com três Estações cremento das despesas de depreciação em decor-
de Tratamento de Esgotos (ETEs) e uma em cons- rência dos novos investimentos.
trução. Em 1995, Limeira tinha um percentual de
apenas 2% de esgoto tratado em relação ao esgo- Investimentos
to coletado. Atualmente, esse índice passou para Segundo dado do SNIS, em 2004 a Águas de
70%, com 100% do esgoto coletado. Lmeira realizou investimentos de R$ 9,6 milhões. Do
Hoje, toda a população do município tem aces- total, 57% foram feitos com recursos próprios (R$ 5,5
so a água potável, coleta e afastamento de esgoto. milhões) e 43% vieram de financiamentos obtidos.

Informações cadastrais
Nome Águas de Limeira
Razão social Águas de Limeira S.A.
Endereço da sede Rua Boa Morte, nº 725 - Centro - Limeira - SP - CEP 13480-181
Telefone central 55 (19) 3404-5502
Home page www.aguasdelimeira.com.br
Data e local de fundação 1995
Principal executivo Fernando Ariani Mangabeira Albernaz

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 100
Coleta de esgoto (%) 100
Tratamento de esgoto (%) 70

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 32.336 40.745 43.448
Arrecadação total (R$ mil) 31.531 38.297 42.118
Despesas com serviço (R$ mil) 33.428 36.002 40.103

Fontes: SNIS e Águas de Limeira.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 155

Águas do Brasil
Águas do Brasil Gestão e Participações Ltda.

O grupo Águas do Brasil Gestão e Participação Foram investidos, no período, aproximadamente R$


Ltda., criado em 1995, atua fundamentalmente 15 milhões na reestruturação do sistema.
em municípios do interior do estado do Rio de Ainda deverão ser realizados investimentos
Janeiro. É formado por cinco empresas brasileiras em obras, operação e manutenção do sistema.
de engenharia civil e investidores nacionais e es- Também serão assentados ao longo da concessão
trangeiros, cada uma delas com 20% do capital do mais de 200 quilômetros de rede de água e esgo-
grupo: Developer, Cowan, Queiroz Galvão, EIT e to, e construídos vários reservatórios de água tra-
Carioca Christiani-Nielsen Engenharia S.A. tada e Estações de Tratamento de Esgoto.
A Águas do Brasil atende uma população de O contrato de concessão tem prazo de 25 anos,
mais de 1 milhão de pessoas e tem em mãos cinco período no qual a empresa planeja investir R$
concessões no estado do Rio de Janeiro (Niterói, 72,9 milhões. Até o fim de 2004, o total investido
Saquarema, Araruama, Silva Jardim e Campos) e já atingia R$ 11,6 milhões e, apenas no período
uma no Paraná (Paranaguá). compreendido entre 2005 e 2009, a previsão de
O grupo tem participação acionária nas investimentos é de R$ 35 milhões.
seguintes empresas fornecedoras de serviços
de abastecimento de água: Águas de Niterói Águas do Paraíba
(Niterói), Águas de Juturnaíba (Araruama, Com contrato de concessão até 2029, a Águas
Saquarema e Silva Jardim), Águas do Paraíba do Paraíba atende a população de Campos dos
(Campos dos Goytacazes) e Águas do Impera- Goytacazes desde setembro de 1999.
dor (Petrópolis). A companhia deverá investir R$ 120 milhões
em seu plano de saneamento básico no municí-
Águas de Juturnaíba pio. Até o fim de 2004, já haviam sido investidos
Em 1998, o consórcio Águas de Juturnaíba R$ 70,1 milhões. Por empréstimo proveniente do
firmou contrato com o Governo do Estado do BNDES, a concessionária recebeu R$ 35 milhões.
Rio de Janeiro e com as prefeituras de Ararua- Quando assumiu a concessão, a produção de
ma, Saquarema e Silva Jardim. Quando iniciou água da cidade era de 600 litros/s. Após 60 dias,
sua operação, o índice da população que rece- com a otimização do processo, aumentou para
bia água tratada era de 65%. Atualmente, 90% 850 litros/s e em 15 meses saltou para 1.200 litros/
da população é beneficiada com o recebimento s. A concessão à iniciativa privada gerou 500 em-
de água tratada. pregos diretos e 2 mil indiretos, com a execução
Isso foi possível por conta do investimento na das obras do projeto.
recuperação da Estação de Tratamento de Água, lo-
calizada às margens da Lagoa de Juturnaíba, elevan- Águas de Niterói
do a produção média de água tratada de 600 litros/s A concessionária Águas de Niterói deverá in-
para 1.100 litros/s, além das reformas e ampliação da vestir R$ 197,4 milhões até 2029. Apenas até o fim
redes assentadas, dos reservatórios e dos “boosters”. de 2004, os investimentos já atingiam R$ 137,4 mi-

Informações cadastrais
Nome Águas de Niterói
Razão social Águas de Niterói S.A.
Endereço da sede Rua Marquês do Paraná, 110 - Centro - Niterói - RJ CEP 24230-011
Telefone central 55 (21) 2729-9200
Home page www.aguasniteroi.com.br

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 100.484 108.050 116.898
Arrecadação total (R$ mil) 78.356 91.102 111.321
Despesas com serviço (R$ mil) 78.214 84.875 109.931

Fontes: SNIS e Águas de Niterói.


156 Valor análise setorial Saneamento Básico

lhões. Desse total, o Banco Nacional de Desenvol- Até o fim de 2004, o investimento acumulado
vimento Econômico e Social (BNDES) está finan- atingia R$ 53,45 milhões. Desde janeiro de 1998,
ciando R$ 53 milhões. No período de 2005 a 2009, quando iniciou suas atividades, o volume de es-
a meta da empresa é investir R$ 54 milhões. goto tratado na cidade saltou de 3% para 28%. O
Uma das prioridades imediatas da companhia BNDES está financiando para a empresa o mon-
é instalar uma ampla rede de tratamento de esgoto. tante de R$ 24 milhões.
Cerca de R$ 35 milhões serão destinados à instala- O cronograma de obras e investimentos prio-
ção da rede de abastecimento na Região Oceânica. rizou as emergências, aumentando a captação em
A meta para o período é ampliar de 75% para locais onde a falta de água era mais freqüente. Para
90% a parcela da população servida com água ca- aumentar a oferta, foi necessário elevar a captação,
nalizada e tratada, além de aumentar de 35% para tratar a água e recuperar a rede de distribuição,
85% o volume de esgoto coletado e tratado. que registrava perdas de quase 50% da produção.

Águas do Imperador Investimentos


A concessionária Águas do Imperador, de Pe- Segundo dados do SNIS, apenas no ano de 2004
trópolis, detém a concessão dos serviços de sane- a Águas do Imperador realizou investimentos da
amento do município até o ano de 2028. Neste pe- ordem de R$ 1,9 milhão. Desse montante, 67,6% fo-
ríodo, a empresa planeja investir R$ 105,8 milhões ram feitos com recursos próprios (R$ 1,3 milhão) e
em obras de saneamento básico no município. 32,4% vieram de financiamentos obtidos.

Informações cadastrais
Nome Águas do Imperador
Razão social Águas do Imperador S.A.
Endereço da sede Rua Dr. Saerp, 84 - Bairro Morin - Petrópolis - RJ - CEP 25625-070
Home page www.aguasdoimperador.com.br
Telefone central 55 (24) 2231-5656 / 2237-6981

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 18.190 21.696 25.194
Arrecadação total (R$ mil) 15.676 19.414 22.087
Despesas com serviço (R$ mil) 16.877 16.500 18.998

Fontes: SNIS e Águas do Imperador.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 157

Águas Guariroba
Águas Guariroba S.A.

A Águas Guariroba S.A. foi constituída em 29 de


Estrutura da Águas de
setembro de 2000, quando foi assinado o contrato T71 Guariroba - 2005
de concessão com a Prefeitura Municipal de Campo
Grande, Mato Grosso do Sul. A empresa começou a Água
operar, efetivamente, os serviços de água e esgoto Economias 239.090
da capital em 23 de outubro do mesmo ano. Ligações 209.498
Na época de sua formação, pertencia ao grupo Extensão da rede (em km) 3.206
espanhol Error! Bookmark not defined.Sociedad Índice de abastecimento de água (em %) 98
General de Águas de Barcelona – Agbar (com 50% do Poços em operação 95
capital), à Cobel Engenharia (41%) e à Empresa de Reservatórios 98
Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) (9%). Volume de reservação (em m3) 82.050
Em 2005, os grupos Equipav S.A. Pavimen- Esgoto
tação, Engenharia e Comércio (setor sucroalco- Economias de esgoto 55.679
oleiro) e Heber Participações Ltda., esta última Ligações de esgoto 41.087
pertencente ao grupo Bertin (setor frigorífico), Extensão de rede (em km) 638
adquiriram 81% das ações da companhia: 50% das Índice de cobertura de esgoto (em %) 32
ações da Agbar e 31% da Cobel. Índice de conexão à rede de esgoto (em %) 21
A composição acionária da Águas Guariroba pas- Estações de tratamento 7
sou a ser então: 81% sob o controle dos grupos Bertin Estações elevatórias 11
e Equipav, 10% nas mãos da Cobel e 9% da Sanesul.
Fonte: Águas de Guariroba.
O contrato de concessão consiste na explora-
ção dos serviços públicos de abastecimento de
água e de esgotamento sanitário outorgada em tece o município. Atualmente, existem cerca de
todo o município de Campo Grande, sob o regime 95 poços em operação, 11 dos quais exploram o
de concessão, em caráter de exclusividade, pelo aqüífero Guarani.
prazo de 30 anos, renovável por igual período. O município de Campo Grande tem atualmen-
te 98 reservatórios e o volume total de reservas é
Estrutura de 82,05 mil m3. Possui 3,21 mil quilômetros de
Para abastecer de água a cidade de Campo Gran- rede de distribuição de água e um total de 239,1
de, a Águas Guariroba possui dois tipos de capta- mil economias de água, com índice de cobertura
ções: superficiais e subterrâneas. As três captações de 98%, como mostra a Tabela 71.
superficiais são: Guariroba, Lajeado e Desbarranca-
do. Elas são responsáveis por 60% do abastecimen- Esgotos sanitários
to, sendo o Guariroba a principal delas. A Águas Guariroba abastece 55,68 mil econo-
As captações subterrâneas (poços) são res- mias de esgoto, com índice de cobertura de 32%.
ponsáveis por 40% do total da água que abas- A empresa tem como meta elevar esse índice para
50% em 2008 e para 70% até 2030.
O município possui 638 quilômetros de rede
ETEs da Águas de Guariroba - 2005 coletora de esgoto e seu sistema é composto por
T72
27 quilômetros de interceptores e 11 estações ele-
ETEs Capacidade de vatórias de esgoto bruto em operação, que bom-
tratamento beiam os resíduos até as estações de tratamento.
Todo o esgoto coletado no município é trata-
Estação de Tratamento de Esgoto Cabreúva 100 l/s do em sete ETEs, como mostra a Tabela 72.
Estação de Tratamento de Esgoto Salgado Filho 400 l/s
Estação de Tratamento de Esgoto Aero Rancho 40 l/s Investimentos
Estação de Tratamento de Esgoto Mário Covas 20 l/s Quando os grupos Bertin e Equipav assumi-
Estação de Tratamento de Esgoto São Conrado 20 l/s ram o controle da companhia, em 2005, anuncia-
Estação de Tratamento de Esgoto Sayonara 5 l/s ram que seriam feitos investimentos da ordem de
Estação de Tratamento de Esgoto Coophatrabalho 5 l/s R$ 150 milhões até 2006. O objetivo é acelerar a
meta de implantar 50% de rede de esgoto na ci-
Fonte: Águas de Guariroba.
158 Valor análise setorial Saneamento Básico

dade, que deverá ser atingida em 2008 e não em Além da expansão da rede coletora de esgoto,
2010, como previa o contrato anterior, firmado está prevista a construção de 68 mil ligações de
em 2000 no momento da concessão. esgoto, 42 quilômetros de interceptores, sete esta-
Em março de 2006, lançou o Programa Sanear ções elevatórias, 16 quilômetros de linha de recal-
Morena para atingir tal objetivo. O investimen- que e cinco unidades de tratamento de esgotos.
to atenderá 172 bairros, estendendo a malha da Segundo dados do SNIS, em 2004 a Águas de
rede coletora para mais de 50% da população, be- Guariroba aplicou R$ 7 milhões. Do total, 100% fo-
neficiando diretamente cerca de 238 mil pessoas. ram realizados por meio de financiamentos obtidos.

Informações cadastrais
Nome Águas Guariroba
Razão social Águas Guariroba S.A.
Endereço da sede Rua Bahia, nº 280 - Centro - Campo Grande - MS - CEP 79002-530
Telefone central 55 (67) 389-5600
Home page www.aguasguariroba.com.br
Data de fundação 2000
Principal executivo Leonardo Barbirato Junior

Informações estruturais
Número de ligações 209.498
Abastecimento de água (%) 98
Coleta de esgoto (%) 32
Tratamento de esgoto (%) 21

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 67.864 74.852 90.769
Arrecadação total (R$ mil) 60.110 62.485 85.346
Despesas com serviço (R$ mil) 69.155 85.389 83.851

Fontes: SNIS e Águas Guariroba.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 159

Águas de Sorriso
Águas de Sorriso Ltda.

A concessionária Águas de Sorriso atende 55


mil habitantes no município de Sorriso (MT),
onde detém a concessão plena dos serviços de sa-
neamento desde 2000.
A empresa tem a concessão até 2030, período
em que se comprometeu a realizar investimentos
da ordem de R$ 16,7 milhões.
A companhia tem como acionista a Perenge
Engenharia.

Cobertura
Em 2000, quando começou a atuar, a cidade
contava com apenas 4,6 mil ligações de água. De-
pois de dois anos de concessão, as ligações atingiam
o número de 8,2 mil.
A empresa construiu dois novos reservatórios
de água no município: um com capacidade de 2
milhões de litros e outro, de 1 milhão, o que re-
presentou um aumento de 700% na sua capacida-
de de reservação. Também construiu 7 quilôme-
tros de novas adutoras.
160 Valor análise setorial Saneamento Básico

Águas de Paranaguá
Concessionária Águas de Paranaguá S.A.

A Águas de Paranaguá iniciou suas atividades portação de grãos da América do Sul. Com essa ope-
em Paranaguá (PR) em março de 1997. A empresa ração, toda a carga de esgoto, cerca de 9 mil metros
detém a subconcessão dos serviços do município cúbicos de dejetos, deixou de ser lançada ao mar.
até 2025, período em que se comprometeu a reali-
zar investimentos da ordem de R$ 100,4 milhões. Cobertura
A concessionária tem como acionistas as empre- A cidade já possui uma cobertura de pratica-
sas Carioca, Developer, Castilho e Porto de Cima. mente 100% nos serviços de água, de forma contí-
A Águas de Paranaguá aplicou R$ 51,5 mi- nua e sem interrupção. A falta de água que todos
lhões até dezembro de 2004. Desse total, o BNDES os anos ocorria durante o período seco (maio a
financiou R$ 16 milhões. No período de 2005 a setembro) foi eliminada.
2009, a empresa planeja investir R$ 16,7 milhões. A Águas de Paranaguá coleta 70% dos esgotos
Um dos avanços mais significativos foi o fato domésticos. O tratamento teve início com a inau-
de a concessionária ter assumido o tratamento do guração da primeira estação de tratamento, em
esgoto do porto de Paranaguá, maior canal para ex- julho de 2001.

Informações cadastrais
Nome Águas de Paranaguá
Razão social Águas de Paranaguá S.A.
Endereço da sede Rua XV de Novembro, 494 - Paranaguá - PR - CEP 83203-010
Data de fundação 1997

Informações estruturais
Abastecimento de água (%) 2004 100
Coleta de esgoto (%) 2004 70
Tratamento de esgoto (%) 100

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 9.510 11.166 15.936
Arrecadação total (R$ mil) 9.074 11.380 15.166
Despesas com serviço (R$ mil) 8.356 8.679 9.352

Fontes: SNIS e Águas de Paranaguá.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 161

Ambient
Serviços Ambientais de Ribeirão Preto S.A.

A Serviços Ambientais de Ribeirão Preto Quando venceu a licitação, em 1995, a Ambient


S.A. (Ambient) foi formada em 1995 pela em- não teve o pretendido financiamento de R$ 35
presa brasileira Rek Engenharia e pela ameri- milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento
cana CH2M Hill. Econômico e Social (BNDES) porque o sócio ame-
O processo de licitação ocorreu em 1995, mas ricano não apresentou as garantias exigidas pelo
o projeto só começou a ser efetuado em 1999, banco e, assim, a empresa teve de parar as obras.
quando a prefeitura do município fechou acordo Para retomá-las, a Ambient precisou de um
com a Ambient e trocou a multa de R$ 10 milhões acordo com a prefeitura, que exigia uma multa
por atrasos no cronograma de serviços por R$ 1 de R$ 10 milhões estipulada em contrato para
milhão em obras na área de educação e saúde. atrasos. A troca de sócios e o atraso nas obras pre-
Em 1999, o consórcio conseguiu a adesão da judicaram o consórcio, que teve a exploração do
empresa espanhola Inima Servicios Europeos de sistema reduzida para 15 anos.
Medio, subsidiária do grupo Obrascón Huarte O contrato de concessão previa que a coleta
Lain S.A. (OHL), que ficou com 80% do investi- de esgoto, assim como o abastecimento de água,
mento com a saída da CH2M Hill. continuaria nas mãos do Departamento de Águas
e Esgoto de Ribeirão Preto (DAERP) e só o trata-
mento de esgoto ficaria a cargo da Ambient.
Estações de Tratamento de Esgoto da
T73 Ambient - 2005
Estrutura
Caiçara ETE Em abril de 2006, a Ambient era responsável por
cerca de 65% do tratamento do esgoto da cidade. Com
Capacidade de atendimento (em mil habitantes) 60 560 duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), com
Vazão média (em mil m3/dia) 13 130 vazão média, juntas, de 143 mil m3 por dia, a empresa
Extensão da rede de interceptores (em metros) 9.275 17.000 tinha capacidade de atendimento de 620 mil habitan-
tes, conforme mostram os dados da Tabela 73.
Fonte: Ambient.
162 Valor análise setorial Saneamento Básico

Águas de Itapema
Companhia Águas de Itapema

Desde 2004, a Companhia Águas de Itape- mento de esgotos que vai atender parte da cidade.
ma é concessionária dos serviços de água e es- As obras concentrar-se-iam na região da Meia
goto no município de Itapema (SC). A Águas de Praia, área que recebe o maior número de turistas
Itapema pertence às empresas Linear Participa- na temporada e apresenta os problemas mais gra-
ções e Construções e Construtora Nascimento, ves de balneabilidade.
que operam outras concessões em Mato Grosso O dinheiro investido nas obras virá da pró-
e no Paraná. pria companhia e, principalmente, dos acio-
nistas que formaram a Sociedade de Propósito
Investimentos Específico (SPE) para explorar o serviço em Ita-
Em meados de 2005, a companhia anunciou pema. A Águas de Itapema negocia financia-
que efetuaria investimentos de R$ 8 milhões, até o mento que pode acelerar o início das outras
fim do ano, na instalação da rede de coleta e trata- etapas do trabalho na cidade.

Informações cadastrais
Nome Águas de Itapema
Razão social Companhia Águas de Itapema
Endereço da sede Av. Nereu Ramos, 3.099 - Meia Praia - Itapema - SC - CEP 88200-000
Telefone central 55 (47) 268-8200

Fontes: SNIS e Águas de Itapema.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 163

CSJ
Companhia de Saneamento de Jundiaí

A Companhia de Saneamento de Jundiaí (CSJ) foi construída pela CSJ e inaugurada em 1998, e
executa serviços de tratamento de esgotos munici- seu processo é bastante simples e robusto, con-
pais de Jundiaí (SP). A empresa foi contratada por sistindo de lagoas aeradas de mistura completa,
concorrência pública para construir e operar a ETEJ seguidas de lagoas de decantação.
(Estação de Tratamento de Esgotos de Jundiaí). Foi a primeira no Brasil a usar ar difuso em lago-
A modalidade de serviço prestada é chamada as, com difusores flutuantes de membrana. É auto-
de concessão precedida de obra pública ou BOT matizada e tem uma potência instalada de 4 MW.
(“buid operate and transfer”), e o financiamento
das obras e o custo da operação são cobertos pe- Cobertura
las tarifas ao longo do contrato. O município de Jundiaí tem pouco mais de
Ao término do período de concessão, as obras 300 mil habitantes e um grande parque indus-
e instalações passarão para o município. Seu ca- trial, e o esgoto gerado equivale a uma carga or-
pital é inteiramente nacional e seus acionistas gânica de 1 milhão de habitantes.
são: Tejofran Saneamento e Serviços, Construtora Hoje são tratados 100% dos esgotos coletados
Coveg e Construtora Augusto Velloso. no município, que representam mais de 95% dos
A Estação de Tratamento de Esgoto de Jundiaí esgotos gerados.
164 Valor análise setorial Saneamento Básico

Caenf
Concessionária de Águas e Esgotos de Nova Friburgo Ltda.

A Concessionária de Águas e Esgotos de Nova companhia detém a concessão plena dos serviços
Friburgo Ltda. (Caenf) opera, desde julho de do município até 2024, período em que se com-
1999, a gestão plena dos sistemas e serviços de sa- prometeu a realizar investimentos da ordem de
neamento básico de água e de esgotos sanitários R$ 139,9 milhões.
nos perímetros urbanos do município de Nova
Friburgo (RJ). Cobertura
A empresa tem por objetivo realizar serviços No início das operações da Caenf, o número
de captação, tratamento, distribuição geral de de habitantes atendidos era de 144.346; em de-
água, coleta de esgotos, operação, conservação, zembro de 2003, evoluiu para 170.636; e no fim
manutenção, modernização, ampliação, explora- de 2004, para 171.418.
ção dos sistemas de cobrança direta aos usuários
dos serviços. Abrange ainda estudos técnicos, ser- Investimentos
viços e obras necessárias para o desenvolvimento Até dezembro de 2004, a empresa havia reali-
do empreendimento. zado investimentos da ordem de R$ 3,8 milhões.
As empresas que compõem o consórcio são: Para o período de 2005 a 2009, a previsão é apli-
Earth Tech do Brasil Ltda. e Tyco Group SARL. A car R$ 32,5 milhões.

Informações cadastrais
Sigla Caenf
Razão social Concessionária de Águas e Esgoto de Nova Friburgo Ltda.
Endereço da sede Av. Antônio Mário de Azevedo, 417- Duas Pedras - Nova Friburgo - RJ
CEP 28601-970
Telefone central 55 (024) 5220316
Home page www.caenf.com.br

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2002 2003 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 13.288 16.526 20.485
Arrecadação total (R$ mil) 12.751 15.832 17.979
Despesas com serviço (R$ mil) 9.522 21.533 20.715

Fontes: SNIS e Caenf.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 165

Coságua
Concessionária de Saneamento Básico S.A.

A concessionária Coságua está estabelecida no cerca de R$ 5 milhões, dos quais R$ 1,8 milhão já
município de Paraguaçu (MG), onde conseguiu, foi realizado até 2005. Entre as obras e benefícios
em 2000, a concessão plena dos serviços de água implantados, estão a nova captação do Rio Sapu-
e esgoto da cidade por um período de 30 anos. caí e a adutora elevatória.
O controle acionário da empresa é dividido A Estação de Tratamento de Água foi ampliada.
entre a Global Engenharia e a Planex Consultoria, As câmaras nas unidades floculadoras passaram de
que também atuam nos municípios de Araújos (por 5 para 48, garantindo à população o fornecimento
meio da Sanarj Concessionária de Saneamento Bá- ininterrupto de uma água com melhor qualidade.
sico) e em Bom Sucesso (Águas de Bom Sucesso). No total, as empresas controladas pela Global
Engenharia e pela Planex Consultoria têm inves-
Investimentos timentos planejados de R$ 9,6 milhões nos três
A Coságua tem investimentos previstos de municípios mineiros.

Informações cadastrais
Nome Coságua
Razão social Concessionária de Saneamento Básico S.A.
Endereço da sede Rua Barão do Rio Branco, 263 - Centro Paraguaçu - MG - CEP 37120-000
Telefone central 55 (31) 3335-7747
Data de fundação 2000
Home page www.cosagua.com.br
Principal executivo Armando Freire Figueiredo

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2004
Receitas operacionais (R$ mil) 1.539
Arrecadação total (R$ mil) 1.593
Despesas com serviço (R$ mil) 750

Fontes: SNIS e Coságua.


166 Valor análise setorial Saneamento Básico

Prolagos
Prolagos S.A. Concessionária de Serviços Públicos de Água

A empresa iniciou suas operações em julho de Investimentos


1998. Tem a concessão dos serviços de abasteci- Até 2023, quando finda o contrato de conces-
mento de água e tratamento de esgoto em vários são, a empresa deverá ter investido um total de R$
municípios do estado do Rio de Janeiro. 380 milhões em aquisições, construções e reabili-
A companhia obteve a concessão, por 25 tações de infra-estruturas já existentes.
anos, de serviços e obras de implantação, am- Com base em um estudo preparado pela Asso-
pliação, manutenção e operação dos sistemas de ciação Brasileira das Concessionárias Privadas de
abastecimento de água, de coleta e tratamento Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), em 2005,
de esgoto das áreas urbanas dos municípios de (considerando investimentos até dezembro de 2004),
Cabo Frio, Búzios, Iguaba Grande e São Pedro da verifica-se que, entre as concessionárias do Rio de Ja-
Aldeia e de abastecimento de água à Arraial de neiro e São Paulo, a Prolagos foi a que mais investiu.
Cabo até o ano de 2023. Segundo dados do SNIS, em 2004 a Prolagos
São acionistas da Prolagos: Monteiro Aranha realizou investimentos da ordem de R$ 46 milhões.
(com 32,5% das ações), Planup (40%), PEM Enge- Do total, 71,8% vieram de financiamentos obtidos.
nharia (20%) e EPAL – Empresa Portuguesa de As despesas capitalizáveis representaram 28,2%
Águas Livres (7,5%). dos investimentos, equivalentes a R$ 13 milhões.

Informações cadastrais
Nome Prolagos
Razão social Prolagos S.A.
Endereço da sede Largo do Itajuru, nº 131 - Centro - Cabo Frio - RJ - CEP 28905-060
Telefone central 55 (22) 2647-9200
Home page www.prolagos.com.br
Data de fundação 1998
Principal executivo Joaquim Felipe Mendes

Informações estruturais
Número de ligações 75.441
Abastecimento de água (%) 90
Coleta de esgoto (%) 40

Indicadores financeiros
Ano/indicador 2004
Receitas operacionais (R$) 32.976
Arrecadação total (R$) 32.000
Despesas com serviço (R$) 48.596

Fontes: SNIS e Prolagos.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 167

Ecosama
Empresa Concessionária de Saneamento de Mauá S.A.

A Ecosama foi constituída pela Construtora


Nº de ligações e de economias
Gautama em 2002, após esta ter vencido a concor- T74 da Ecosama em 2005
rência aberta pela Prefeitura Municipal de Mauá
em 2001 para efetuar a prestação, sob regime de Tipo Ligações Economias
concessão por 30 anos, dos serviços de saneamen-
to básico do município. A Construtora Gautama Residenciais 4.300 5.484
detém 99,99% de seu capital. Comerciais 1.046 1.059
O objetivo da empresa é a gestão dos sistemas Industriais 163 163
e serviços de esgotamento sanitário, compre- Poderes públicos 30 29
endendo o conjunto de atividades necessárias a Total 5.539 6.735
operação, manutenção e ampliação do sistema de
Fonte: Ecosama.
coleta, afastamento e tratamento de esgotos sa-
nitários. Também a comercialização dos serviços
de esgotamento sanitário, de abastecimento de Investimentos
água potável e água não potável. A Ecosama investiu, em 2005, R$ 2,4 milhões
em esgotamento sanitário. Até 2005, a empresa já
Estrutura tinha realizado investimentos acumulados de R$
No fim de 2005, a extensão da rede da Ecosama 4,1 milhões no segmento de esgoto.
alcançava 500,1 quilômetros, com 64.274 ligações Em desenvolvimento operacional, a compa-
residenciais, 5.891 ligações comerciais, 210 liga- nhia aplicou R$ 361 mil. No acumulado até 2005,
ções em imóveis públicos e 496 em indústrias. já havia investido R$ 643,8 mil nessa área.

Investimentos da Ecosama na rede coletora de esgoto


T75 Em R$

Esgotamento sanitário Investimentos Investimentos Investimentos


acumulados
Até 2004 Em 2005 Até 2005

Materiais 215.175,79 402.905,74 618.081,53


Serviços de terceiros e empreitadas 1.101.502,69 1.621.160,02 2.722.662,71
Projetos 343.638,63 372.178,34 715.816,97
Total 1.660.317,11 2.396.244,10 4.056.561,21

Fonte: Ecosama.

Outros investimentos da Ecosama


T76 Em R$

Desenvolvimento Operacional Investimentos Investimentos Investimentos


acumulados
Até 2004 Em 2005 Até 2005

Materiais (Hidrometria) 282.542,49 242.860,97 525.403,46


Recadastramento (Materiais) - 30.800,00 30.800,00
Instalações telefônicas (Atend. coml.) - 4.698,50 4.698,50
Equipamentos de informática (Atend. coml.) - 71.043,01 71.043,01
Móveis e equipamentos de escritório (Atend. coml.) - 11.827,53 11.827,53
Total 282.542,49 361.230,01 643.772,50

Fonte: Ecosama.
168 Valor análise setorial Saneamento Básico

Informações cadastrais
Sigla Ecosama
Razão social Empresa Concessionária de Saneamento de Mauá S.A.
Endereço da sede Rua São João, 133 - Jd. Estrela - Mauá - SP
Telefone central 55 4511 - 2500
Home page www.ecosama.com.br
Data de fundação 2002
Principal executivo Dagoberto Antunes da Rocha

Informações estruturais
Número de ligações 70.871

Fontes: SNIS e Ecosama.


Perfis de empresas - Concessionárias privadas Saneamento Básico Valor análise setorial 169

Sanear
Saneamento de Araçatuba S.A.

A Saneamento de Araçatuba S.A. (Sanear), inau- da e decantação secundária. O sistema operado


gurada em janeiro de 2000, executa serviços de tra- pela Sanear é composto pelas seguintes unida-
tamento dos esgotos municipais de Araçatuba (SP). des: estação elevatória Machado de Melo; Emissão
Os serviços são efetuados dentro do contrato da E.E. Machado de Melo, sendo um trecho por
de concessão, firmado entre o Departamento de recalque, seguido de um trecho por gravidade;
Água e Esgoto de Araçatuba (DAEA) e a Sanear. estação elevatória de Baguaçu; Emissário da E.E.
Visam a prestação de serviços de afastamento e Baguaçu, por recalque; Estação de Tratamento de
tratamento de esgotos sanitários das bacias Ma- Esgoto; e emissário final.
chado de Melo e Baguaçu. Seu capital é distribuído entre os seguintes
O processo de tratamento é biológico por acionistas: Tejofran Saneamento e Serviços, Brick,
meio de lodos ativados, com aeração prolonga- Earth Tech e Resil.

Informações cadastrais
Sigla Sanear
Razão social Esgotos de Araçatuba S.A.
Endereço da sede Alameda Santos, 2315 - São Paulo - SP - CEP 01419-002
Telefone central 55 (11) 3064 8920
Data de fundação 2000

Fontes: SNIS e Empresa.


170 Valor análise setorial Saneamento Básico

Apêndice - Histórico

Apêndice – Histórico
Este apêndice retrata o histórico do desenvol- pal fonte de recursos do Planasa –, e pelas compa-
vimento do setor de saneamento básico brasileiro. nhias estaduais de saneamento então criadas.
Em uma breve retrospectiva, mostra os seguintes O Planasa foi a primeira iniciativa do governo
aspectos: como o setor foi estruturado nos anos federal no setor. Sua implementação viabilizou-
1960, os resultados, os problemas e impasses sur- se com os recursos do FGTS. O BNH foi o gestor
gidos e a sua crise nos anos 1980. Finalizando, do FGTS e, por extensão, da política nacional de
aborda o momento de transição e o novo cenário desenvolvimento urbano até 1986, quando este
que se desenha a partir dos anos 1990. órgão foi extinto.
Com o Planasa, foram criadas as Compa-

Histórico
A oferta pública de serviços de saneamento
nhias Estaduais de Saneamento Básico (Cesb´s)
em cada um dos estados da federação. Até 1985,
apenas essas empresas públicas podiam obter
básico em grande escala começou no Brasil ape- financiamentos junto ao BNH para instalação
nas nos anos 1970, quando o país passou a ser de sistemas de água e esgoto em regime de mo-
predominantemente urbano, com 56% dos 93 nopólio, sendo responsáveis pela construção e
milhões de habitantes vivendo nas cidades. A ur- manutenção das operações.
banização havia se acelerado nos anos 1960, cres- Para que as Cesb´s pudessem operar em seus
cendo a taxas de 5,2% ao ano. respectivos estados, foi necessária a concessão mu-
Até a década de 1970, a responsabilidade pela nicipal para a exploração dos serviços, por meio de
oferta de serviços era municipal, existindo basi- contratos de longo prazo, uma vez que a Constitui-
camente empresas municipais de águas e esgotos ção já estabelecia o poder da concessão dos servi-
com estruturas administrativas e financeiras in- ços públicos de saneamento aos municípios.
teiramente distintas entre si.
Ao mesmo tempo, não existiam instituições (ór- Expansão da cobertura
gãos, recursos financeiros, planejamento) para am- Em 1980, a população atendida pelo Planasa
pliar essa oferta na escala necessária, dados os índi- com os serviços de abastecimento de água era de
ces de crescimento populacional e de urbanização. cerca de 50 milhões de habitantes, ou 42% da po-
pulação total. O Brasil tinha então 119 milhões de
A criação do Planasa pessoas. Os serviços de esgotamento sanitário do
Para enfrentar tais demandas, foi criado em Planasa cobriam cerca de 17,5 milhões de pessoas.
1968 e implementado no início dos anos 1970 o Em 1990, quando a população total era de
Sistema Nacional de Saneamento, integrado pelo 146,8 milhões de habitantes, os serviços de água
Plano Nacional de Saneamento (Planasa), pelo do Planasa (das companhias estaduais de sanea-
Banco Nacional da Habitação (BNH) pelo Fundo mento) atendiam cerca de 83 milhões e os de es-
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – princi- goto, 29 milhões de pessoas.
Saneamento Básico Valor análise setorial 171

No entanto, essa expansão da cobertura ocor- Entre os municípios, houve casos de privati-
reu de modo desigual. Foram privilegiados os zação das empresas municipais via concessão dos
investimentos em água, pois esses representam serviços a uma concessionária privada. Uma ten-
menores custos e propiciam retornos mais rápi- dência que é particularmente forte nos municí-
dos por meio de tarifas. pios de médio porte do estado de São Paulo e nos
Uma outra crítica que se faz ao Planasa é a de que municípios de Mato Grosso, dado que sua estatal,
ele privilegiou as regiões mais ricas do Sul e Sudes- a Sanemat, foi extinta.
te do país e a maior parte dos investimentos esteve A participação da iniciativa privada que se
concentrada nas cidades mais populosas e, nessas, tentou fortalecer nos anos 1990 foi parcialmente
nos segmentos populacionais de maior renda. travada pela dificuldade de se definir um marco re-
gulatório para o setor, que ainda se vê às voltas com
Formas de gestão seguidas discussões que impedem que se definam
Nem todos os municípios aderiram ao Planasa. as regras de operação do saneamento brasileiro.
Alguns se mantiveram efetivamente autônomos,
operando com empresas municipais, isto é, com o Gestores públicos
controle acionário do município e a administração Atualmente, a gestão da política federal de
municipal responsabilizando-se integralmente saneamento básico está sob responsabilidade da
pelo serviço por intermédio de um órgão da admi- Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental
nistração direta ou de uma entidade autônoma. (SNSA), ligada ao Ministério das Cidades. A ges-
Outros municípios mantiveram uma autono- tão financeira dos recursos do FGTS é de respon-
mia parcial, mantendo-se conveniados a um ór- sabilidade da Caixa Econômica Federal (Caixa).
gão do Ministério da Saúde, a atual Fundação Na- Nesse sentido, cabe à Secretaria Nacional de
cional de Saúde (Funasa). Esses municípios estão Saneamento Ambiental, a coordenação das ações
concentrados basicamente na região Nordeste. de saneamento ambiental realizadas pelo gover-
A partir dos anos 1990, sob o impulso dos pro- no federal, incluindo as ações de natureza finan-
cessos de reforma do Estado, uma grande reestru- ceira. A liberação de transferências de recursos
turação começou a ser engendrada nos serviços do Orçamento Geral da União para ações de sa-
de saneamento básico no Brasil, modificando neamento ambiental executadas por entidades
significativamente a estrutura institucional que não vinculadas ao governo federal é realizada
havia sido montada sob o Planasa. mediante assentimento da SNSA.
No caso das companhias estaduais, não hou- A Secretaria coordena o Grupo de Trabalho
ve um padrão único de reforma. Os governos es- Interministerial de Saneamento Ambiental,
taduais têm adotado estratégias diferentes para composto por nove ministérios e dois órgãos de
ampliar a capacidade de oferta de serviços. financiamento: Cidades, Casa Civil, Planejamen-
Alguns governos estaduais, como o do Rio de to, Fazenda, Saúde, Meio Ambiente, Integração
Janeiro e o do Espírito Santo, tentaram privatizar Nacional, Turismo, Desenvolvimento Econômico,
suas concessionárias, vendendo seus ativos a um Caixa Econômica e BNDES. Esse grupo tem a in-
operador privado. Outros estados, como São Pau- cumbência de, entre outras atribuições, definir o
lo, Paraná e Ceará, tomaram uma série de medi- marco regulatório do setor.
das para fortalecer sua empresa estadual. A SNSA é também responsável pela ope-
Nesse caso, as companhias reestruturaram racionalização dos demais instrumentos de
seus padrões de operação para manter e ampliar gestão da política de saneamento no âmbito
seus mercados, melhorando sua eficiência. Essa federal, entre os quais o sistema nacional de in-
estratégia compreendeu inclusive diversificar as formações, o programa de fomento da política
fontes de recursos, abrindo o capital da empresa tecnológica e o PMSS (Programa de Moderniza-
para investidores privados. ção do Setor Saneamento).
172 Valor análise setorial Saneamento Básico

Fontes de informação

Fontes de informação
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http://www.aguaonline.com.br – Revista Digital da Entidades e associações
Água, Saneamento e do Meio Ambiente. Associação Brasileira das Concessionárias Privadas
http://www.aguasdelimeira.com.br – Águas de Limeira. de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon)
http://www.assemae.org.br – Associação dos Serviços Presidente: Carlos Henrique da Cruz Lima
Municipais de Saneamento (Assemae). Avenida São Gabriel, 149 – Conj. 507
http://www.caesb.df.gov.br – Companhia de Sanea- São Paulo (SP) CEP 01435-001
mento do Distrito Federal (Caesb). Tel.: (11) 3165-6151 – Fax: (11) 3071-3541
http://www.cagece.com.br – Companhia de Água e http://www.abcon.com.br
Esgoto do Ceará (Cagece).
http://www.cagepa.pb.gov.br – Companhia de Águas Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e
e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Ambiental (Abes)
http://www.casan.com.br – Companhia Catarinense Presidente: José Aurélio Boranga
de Águas e Saneamento (Casan). Av. Beira Mar, 216 – 3º andar
http://www.cedae.rj.gov.br – Empresa Estadual de Rio de Janeiro (RJ) CEP 20021-060
Águas e Esgotos (Cedae). Tel.: (21) 2210-3221 – Fax: (21) 2262-6838
http://www.cesan.com.br – Companhia Espírito-San- http://www.abes-dn.org.br
tense de Saneamento (Cesan).
http://www.compesa.com.br – Companhia Pernambu- Associação Brasileira do Cimento Portland (ABCP)
cana de Saneamento (Compesa). Presidente: Renato José Giusti
http://www.copasa.com.br – Companhia de Sanea- Av. Torres de Oliveira, 76 – Jaguaré
mento de Minas Gerais (Copasa). São Paulo (SP) CEP 05347-902
http://www.corsan.com.br – Companhia Riograndense Tel.: (11) 3760-5312
de Saneamento (Corsan). http://www.abcp.org.br
Saneamento Básico Valor análise setorial 173

Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria SBS Quadra 2 – 12º andar – Sala 1.212
de Base (Abdib) Brasília (DF) CEP 70070-904
Presidente: Paulo Roberto de Godoy Tel.: (61) 3325-7592 – Fax: (61) 3322-5911
Praça Monteiro Lobato, 36 – Butantã http://www.assemae.org.br
São Paulo (SP) CEP 05506-030
Tel.: (11) 3094-1950 – Fax: (11) 3094-1970 Associação Nacional dos Fabricantes de Máquinas e
http://www.abdib.com.br Equipamentos para Saneamento (Asfamas)
Presidente: Wilson Passeto
Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos Av. Gen. Furtado Nascimento, 684 – Conj. 64
(Abimaq) São Paulo (SP) CEP 05465-070
Presidente: Luis Carlos Delben Leite Tel.: (11) 3026-4380
Av. Jabaquara, 2.925 asfamas@asfamas.org.br
São Paulo (SP) CEP 04045-902
Tel.: (11) 5582-6311 – Fax: (11) 5582-6312 Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM-
E-mail: abimaq@abimaq.org.br Abimaq)
http://www.abimaq.org.br Presidente: Corrado Vallo
Av. Jabaquara, 2.925
Associação Brasileira da Indústria de Tubos e São Paulo (SP) CEP 04045-902
Acessórios de Metal (Abitam) Tel.: (11) 5582-6363 – Fax: (11) 5582-6379
Presidente: Carlos Eduardo de Sá Baptista E-mail: csbm@abimaq.org.br
Avenida Marechal Câmara, 160 – Sala 632 – Centro
Rio de Janeiro (RJ) CEP 20020-080 Fundação Nacional de Saúde (Funasa)
Tel.: (21) 2262-3882 – Fax: (21) 2533-1872 Presidente: Paulo de Tarso Lustosa da Costa
E-mail: abitam@abitam.com.br SAS – Quadra 4 – Bloco N – 10º andar – Sala 1000
Brasília (DF) CEP 70040-070
Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Tel.: (61) 3314-6362 / 3314-6619
Concreto (ABTC) http://www.funasa.gov.br
Presidente: Carlos Cesar da Costa Pereira
Av. Torres de Oliveira, 76-A – Jaguaré Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA)
São Paulo (SP) CEP 05347-902 Secretário: Abelardo de Oliveira Filho
Tel.: (11) 3763-3637 Esplanada dos Ministérios
www.abtc.com.br Bloco “A” – 3º andar – Sala 340
Brasília (DF) CEP 70050-901
Associação das Empresas de Saneamento Básico Tel.: (61) 2108-1931 – Fax: (61) 3222-2024
Estaduais (Aesbe) http://www.cidades.gov.br
Diretor-Presidente: Dalmo Nogueira Filho
SBN – Quadra 01 – Bloco B – Edifício CNC – Conj. 403 Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de
Brasília (DF) CEP 70041-902 Cimento (Sinaprocim)
Tel./Fax.: (61) 3326-4888 Presidente: José Carlos de Oliveira Lima
http://www.aesbe.org.br Av. Paulista, 1.313 – 10º andar – Conj. 1.070
São Paulo (SP) CEP 01311-923.
Agência Nacional de Águas (ANA) Tel.: (11) 3289-4100 – Fax: (11) 3287-1463
Diretor-Presidente: José Machado http://www.sinaprocim.org.br.
SPO – Setor Policial –Área 5 – Quadra 3 – Blocos B, L e M
Brasília (DF) CEP 70610-200 Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos
Tel.: (61) 2109-5400 – Fax: (61) 2109-5404 para Saneamento Básico e Ambiental (Sindesam)
http://www.ana.gov.br Presidente: Gilson Cassini Afonso
Av. Jabaquara, 2.925 – Planalto Paulista
Associação Nacional dos Serviços Municipais de São Paulo (SP) CEP 04045-902
Saneamento (Assemae) Tel.: (11) 5582-6363 – Fax: (11) 5582-6379
Presidente: Silvano Silvério da Costa www.abimaq.org.br
174 Valor análise setorial Saneamento Básico

Índice de gráficos e tabelas

Tabelas no Paraná - fevereiro de 2006........................ 63 55 – Evolução dos indicadores da Sabesp......116


1 – Recursos federais comprometidos 21 – Dados de saneamento básico na 56 – Plano anual de investimentos da
e desembolsados com iniciativas de Região Centro-Oeste - 2004............................64 Sabesp......................................................................... 116
saneamento.................................................................19 22 – Concessões privadas em operação 57 – Casan - Abrangência................................117
2 – Gastos federais segundo a origem em Mato Grosso - fevereiro de 2006.........66 58 – Evolução dos indicadores da Casan.....117
dos recursos - 2003 a 2005.............................19 23 – Concessões privadas em operação em 59 – Evolução dos indicadores da Corsan....120
3 – Recursos federais comprometidos Mato Grosso do Sul - fevereiro de 2006.....67 60 – Sanepar - Desempenho operacional.....122
e desembolsados com iniciativas de 24 – Evolução dos indicadores da Caer....... 80 61 – Evolução dos indicadores da Sanepar.....123
saneamento por UF, entre janeiro/2003 25 – Evolução dos indicadores da Caerd.....82 62 – Evolução dos indicadores da Caesb.....124
e dezembro/2005................................................... 22 26 – Evolução dos indicadores da Caesa....83 63 – Saneago - Abrangência.........................126
4 – Financiamentos da Caixa Econômica Federal 27 – Evolução dos indicadores da Cosanpa....86 64 – Evolução dos indicadores da Saneago...127
para o saneamento - 1997 a 2005.....................26 28 – Evolução dos indicadores do DEAS 65 – Evolução dos indicadores da Sanesul....129
5 – Financiamentos do Pró-Saneamento (Acre).............................................................................88 66 – Expansão/Investimentos em
- 1997 a 2005............................................................27 29 – Evolução física da cobertua da serviços de abastecimento de água...........133
6 – Financiamentos do FCP/SAN - FGTS Saneatins.....................................................................89 67 – Expansão/investimentos em serviços
- 1997 a 2005............................................................27 30 – Evolução do esgotamento sanitário de coleta de esgoto..............................................133
7 – Evolução dos serviços de água e da Saneatins...............................................................89 68 – Demonstrativo de arrecadação
esgotos no Brasil (%)............................................42 31 – Evolução dos indicadores da e pagamentos do DMAE...................................135
8 – Proporção de municípios, por condição Saneatins.....................................................................89 69 – Águas do Amazonas
de esgotamento sanitário, segundo as 32 – Evolução dos indicadores da Agespisa.....91 Abrangência - 2005............................................150
grandes regiões - 2000....................................... 43 33 – Evolução dos indicadores da Caema..... 93 70 – Águas do Amazonas
9 – Tipos de abastecimento de água e 34 – Caern - Abrangência em 2004........... 95 Capacidade de produção - 2005.................150
de esgotamento sanitário, por domicílio 35 – Evolução dos indicadores da Caern.......95 71 – Estrutura da Águas de
permanente - 2000...............................................45 36 – Evolução dos indicadores da Cagece......97 Guariroba - 2005..................................................157
10 – Dados de saneamento básico na 37 – Cagepa – Abrangência.............................99 72 – ETEs da Águas de Guariroba - 2005......157
Região Norte - 2004.............................................48 38 – Evolução dos indicadores da Cagepa.... 99 73 – Estações de Tratamento de Esgoto
11 – Concessões privadas em operação na 39 – Evolução dos indicadores da Casal......101 da Ambient - 2005.............................................. 161
Região Norte - fevereiro de 2006..................51 40 – Evolução dos indicadores da 74 – Nº de ligações e de economias
12 – Dados de saneamento básico na Compesa.....................................................................102 da Ecosama em 2005........................................ 167
Região Nordeste - 2004..................................... 52 41 – Compesa – Abrangência por 75 – Investimentos da Ecosama na
13 – Dados de saneamento básico na gerência regional...................................................103 rede coletora de esgoto..................................... 167
Região Sudeste - 2004........................................54 42 – Deso - Abrangência......................................104 76 – Outros investimentos da Ecosama.....167
14 – Concessões privadas em operação no 43 – Evolução dos indicadores do Deso......104
estado de São Paulo - fevereiro 2006..........58 44 – Embasa - Abrangência........................... 106 Gráficos
15 – Concessões privadas em operação 45 – Evolução dos indicadores da Embasa....106 1 – Necessidade de investimentos
no estado do Rio de Janeiro - fevereiro 46 – Embasa - Indicadores de até 2020, por região..............................................18
de 2006.................................................................... 59 desempenho operacional..................................107 2 – Gastos federais em saneamento básico....18
16 – Concessões privadas em operação em 47 – Embasa - Investimentos realizados....108 3 – Recursos desembolsados x comprometidos
Minas Gerais - fevereiro de 2006.................60 48 – Cedae - Abrangência serviços de por fonte de gastos - 2003 a 2005.....................20
17 – Concessões privadas em operação no esgotos........................................................................ 109 4 – Recursos comprometidos pelo governo
Espírito Santo - fevereiro de 2006...............60 49 – Evolução dos indicadores da Cedae.....110 federal por fonte 2003 a 2005......................20
18 – Dados de saneamento básico na 50 – Cesan - Abrangência................................111 5 – Recursos comprometidos e desembolsados
Região Sul - 2004...................................................61 51 – Evolução dos indicadores da Cesan.....111 por região - 2003 a 2005............................................21
19 – Concessões privadas em operação 52 – Copasa - Abrangência.............................113 6 – Recursos não onerosos empenhados
em Santa Catarina - fevereiro de 2006.... 63 53 – Evolução dos indicadores da Copasa.....113 por região 2003 a 2005......................................21
20 – Concessões privadas em operação 54 – Sabesp - Abrangência............................ 115 7 – Recursos onerosos contratados
Saneamento Básico Valor análise setorial 175

por região - 2003 a 2005...................................21


8 – Recursos não onerosos comprometidos
por órgão 2003 a 2005...................................... 23
9 – Américas: população sem acesso a
redes de esgoto - 2000....................................... 43
10 – Situação de abastecimento de água e
coleta de esgoto, por região - 2000............44
11 – Atendimento total de água na Região
Norte - 2004.............................................................48
12 – Consumo per capita de água da
Região Norte - 2004.............................................49
13 – Índices de perdas na Região Norte
- 2004............................................................................49
14 – Indicadores de tratamento de esgoto
- 2004............................................................................50
15 – Índice de atendimento de
água - 2004............................................................... 52
16 – Consumo médio per capita - 2004... 53
17 – Índice de perdas de água na Região
Nordeste - 2004...................................................... 53
18 – Indicadores de tratamento de
esgoto - 2004...........................................................54
19 – Atendimento total de água da
Região Sudeste - 2004........................................ 55
20 – Consumo per capita de água na
Região Sudeste - 2004........................................ 55
21 – Índice de perda de água da Região
Sudeste - 2004........................................................ 56
22 – Índicadores de esgoto da Região
Sudeste - 2004........................................................ 56
23 – Atendimento total de água na
Região Sul - 2004...................................................61
24 – Consumo per capita de água na
Região Sul - 2004..................................................62
25 – Índice de perdas de água na Região
Sul - 2004...................................................................62
26 – Indicadores de esgoto na Região
Sul - 2004................................................................... 63
27 – Índice de atendimento de água na
Região Centro-Oeste - 2004............................64
28 – Consumo médio per capita na
Região Centro-Oeste - 2004............................ 65
29 – Índices de perda de água na
Região Centro-Oeste - 2004............................ 65
30 – Indicadores de tratamento de esgoto
na Região Centro-Oeste - 2004.....................66
176 Valor análise setorial Saneamento Básico

Índice das empresas citadas

A Caesa.........................................................................38, 83 E
Águas de Barcelona...............................................75 Caesb.....................................68, 124, 124, 124, 125 Earth Tech........................................................164, 169
Águas de Bom Sucesso.............................57, 165 Cagece...............................................................................97 Ecosama.........................................................................167
Águas de Guariroba............................................158 Cagepa...................................................................99, 100 Eit.......................................................................57, 69, 155
Águas de Itapema....................................... 62, 162 Caixa Econômica Federal........25, 26, 86, 90, Embasa...............9, 30, 39, 52, 68, 69, 106, 107
Águas de Juturnaíba..........................57, 69, 155 97, 107, 118, 124, 137, 171 Empresa de Montagem
Águas de Limeira..........................51, 57, 68, 154 Cardinali...........................................................................72 Sul-americana S.A..................................................89
Águas de Niterói................................... 40, 57, 155 Carioca Christiani-Nielsen Engenharia.......155 Empresa de Saneamento de Mato
Águas de Paranaguá.................................62, 160 Casal.........................................................................46, 101 Grosso do Sul (Sanesul)...................................157
Águas de Portugal...................................................68 Casan.............................................................62, 117, 118 Empresa Industrial Técnica............................69
Águas de Sorriso...................................................159 Castilho..........................................................................160 Emsa...........................................................................50, 89
Águas do Amazonas...... 51, 68, 85, 150, 151 CBPO........................................................................69, 154 Encomind.........................................................................70
Águas do Brasil....................................................... 155 Cedae..............................................................37, 40, 109 Epal....................................................................................166
Águas do Imperador....................... 57, 155, 156 Cepemar.........................................................................153 Equipav S.A. Pavimentação,
Águas do Paraíba...........................................57, 155 Cesama...........................................................................138 Engenharia .................................................................157
Águas Guariroba.............................................67, 157 Cesan.........................................................................37, 111 Erco..............................................................................57, 69
Águia Branca.............................................................153 Ch2m Hill 161..................................................................... Ernst & Young..........................................................150
ABB Nansen.................................................................. 74 Citágua...................................................................59, 153
ABC do Brasil.............................................................127 Cobel.........................................................................67, 157 F
Achini..................................................................................72 Cobel Engenharia...................................................157 Flowserve.......................................................................73
Agbar........................................................................67, 157 Codevasf........................................................................101 Funasa..........................................23, 40, 48, 92, 107
Agespisa..........................................................46, 91, 92 Companhia de Saneamento
Alfa.....................................................................................127 de Jundiaí (CSJ)......................................................163 G
Amanco.............................................................................72 Companhia de Saneamento Générale Des Eaux...................................................75
Ambient.............................................. 57, 69, 136, 161 de Sergipe....................................................................104 Gerasul..............................................................................76
American Unit.............................................................76 Compesa.......................................................45, 54, 54, Global Engenharia.........................................57, 165
Andrade Gutierrez...............................39, 68, 122 Confab...............................................................................72 Goldman Sachs Capital Partners +
Apollo Management..............................................70 Connex...............................................................................76 Grupo Águia Branca
Aquamec.......................................................................... 74 Construtora Gautama........................................167 Participações Ltda................................................153
Asea Brown Boveri................................................. 74 Construtora Nascimento....................... 62, 162 Grupo Nansen.............................................................. 74
Augusto Velloso............................................143, 163 Coopers & Lybrand.................................................65 Grupo Perenge ...........................................................51
Copasa.....................................9, 11, 39, 68, 113, 114
B Copel........................................................................39, 122 H
Banco da Amazônia....................................90, 151 Copel Participações...............................................68 Heber Participações Ltda...............................157
Banco Mundial............................................................85 Corsan....................................................................46, 120 Hidropart – Consultoria e
Banco Opportunity.................................................68 Coságua.................................................................59, 165 Participações Ltda................................................153
Bechtel – United Utilities..........................76, 77 Cosama...................................................... 85, 150, 151
Bertin................................................................................157 Cosanpa...................................................................46, 86 I
Betzdearborn...............................................................70 Coveg.....................................................................143, 163 Inima Servicios Europeos
BID................24, 25, 91, 107, 118, 124, 125, 127 Cowan.............................................................57, 69, 155 de Medio Ambiente.....................................69, 161
Blackstone Group.....................................................70 CSN....................................................................................144 Instituto Águas de Novo Progresso.........51
BNDES.....................20, 21, 23, 25, 26, 27, 28, 57, Interfibra........................................................................72
59, 63, 100, 124, 125,127, 135, 150, 151, 155, D Invensys...........................................................................73
156, 160, 161 DAAE – Araraquara.............................................148 Ipiranga Petroquímica........................................73
Bouygues-saur............................................................76 DAE – Bauru................................................................141
Bovespa.......................................................68, 113, 115 DAE – Juiz de Fora................................................138 J
Brastubo..................................................................72, 73 DAERP...................................................................136, 161 Japan Bank For International
Brick.................................................................................169 Dalkia ................................................................................76 Cooperation................................................................118
Degrémont.....................................................................70
C Deso..................................................................................104 K
Caema................................................................................93 Developer......................................... 57, 69, 155, 160 KFW.....................................................................................52
Caer.............................................................................38, 80 DMAE – Porto Alegre................................60, 131 Krona ................................................................................72
Caerd 47, 49, 82.............................................................. DMAE – Uberlândia..............................................135 KSB.......................................................................................73
Caern....................................................................9, 53, 95 Dominó Holdings....................................39, 68,122 Kullinan Engenharia...............................................70
Saneamento Básico Valor análise setorial 177

Kurita................................................................................. 74 Saint-Gobain Canalização.................................72


Sanarj.......................................................................57, 165
L Sanasa....................................................................39, 132
Linear Participações e Saneago .............................................................126, 127
Construções...................................................... 62, 162 Sanear............................................................................169
Lyonnaise Des Eaux.................69, 75, 150, 154 Saneatins.................................... 39, 46, 50, 89, 90
Sanebrasil.......................................................................72
M Saned...............................................................................142
Majestic............................................................................72 Sanemat.........................................................37, 65, 171
Manaus Saneamento.......................68, 85, 150 Sanepar..........................................37, 39, 68, 69, 76,
Monteiro Aranha...................................................166
122, 122, 122, 123
Multi Hidro.....................................................................72
Sanesul.........................................................67, 129, 157
Sanevix.............................................................................72
N
Nalco...................................................................................70 Schlumberger.............................................................. 74
Nansen Nordeste S.A............................................ 74 Semae – Piracicaba............................................. 139
Netzsch.............................................................................73 Semasa........................................................................... 134
North West Water..................................................75 Siemens............................................................................70
Sita.......................................................................................76
O Sociedad General de Águas
Obrascón Huarte de Barcelona – Agbar.........................................157
Lain S.A. (OHL).........................................57, 69, 161 Stringal.............................................................................72
Odebrecht............................................................69, 154 Suez...............................51, 68, 69, 70, 75, 76, 150
Ondeo......................................................................76, 150 Suez (Lyonnaise Des Eaux)..............................70
Ondeo Degrémont...................................................76 Suez Ambiental....................................... 51, 57, 154
Ondeo Nalco..................................................................76
Ondeo Services..........................................................76 T
Onyx 76................................................................................... Techint...............................................................................72
OTV................................................................................70 74 Tejofran.....................................................143, 163, 169
Tenaris...............................................................................72
P Teris do Brasil..............................................................76
Perenge Engenharia....................................70, 159 Thames Water........................................... 69, 75, 76
Planex Consultoria........................................57, 165 Tigre....................................................................................72
Planup.............................................................................166 Tractebel..................................................................51, 76
Porto de Cima ........................................................160 Trana...........................................................................57, 69
Prolagos.........................................................57, 68,166 Tyco Group Sarl......................................................164
Q U
Queiroz Galvão........................................57, 69, 155 Unibanco ......................................................................127
United Utilities........................................................... 77
R
US Filter...................................................................70, 74
Rek Construtora..............................................57, 161
Resil...................................................................................169
RWE Thames Water..............................................76 V
VCP........................................................................................11
S Vega Sopave.........................................................51, 76
SAAE.................................................. 11, 144, 146, 147 Veolia.........................................................39, 69, 70, 76
SAAE – GV ................................................................. 145 Veolia Environnement..........................................76
SAAE Guarulhos......................................................133 Veolia Water Systems.........................................76
SAAE – Jacareí-SP...............................................146 Vivendi.........................................68, 70, 75, 76, 122
SAAE – Sorocaba...................................................137
Sabesp...................................8, 9, 11, 34, 37, 38, 39, W
46, 68, 69, 115, 116, 133 Westlb..............................................................................127
Saerb................................................................................. 88 Worcester.......................................................................73

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