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Neologismo

O que é?

No decorrer da história, a Língua Portuguesa vem sofrendo constantes modificações.


Ela é dinâmica e, portanto, renova-se constantemente.
Essas transformações consistem não só na alteração fonética das palavras (como é o
caso dos metaplasmos, que é a evolução do Latim para o Português), mas também na
introdução ou criação de novas frases e vocábulos, ou ainda na reintegração de palavras
arcaicas do idioma que, na sua grande maioria, possuem novas significações. São os
chamados neologismos, que podem ser criações da própria língua, ou incorporações de
termos estrangeiros ao idioma.
Segundo a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, de Francisco da Silva Bueno, o
neologismo (que significa: palavra nova) pode ser classificado em varias espécies.

I - Neologismo literário;
II - Neologismos científicos ou técnicos;
III - Neologismo popular;
IV - Neologismo completo;
V - Neologismo incompleto;
VI - Neologismo estrangeiro.

I-Neologismo literário-

Os escritores criam palavras novas ou dão novos significados às palavras já existentes,


no entanto, esse artifício é usado somente para fins puramente literários ou artísticos.
Exemplos:

Vesperal (espetáculo)- S.M. Neologismo feito por Cláudio de Sousa para substituir o
gal. Matinee.

Necrotério – criação de Taunay, grande romancista brasileiro. Necrotério (gr. Nelcros +


terion). Construção onde se depositam os cadáveres; local onde os cadáveres são
expostos para identificação; lugar onde jazem os cadáveres que vão ser autopsiados.
Esta palavra foi criada para substituir o francesismo morge.

Convescote – S.M. Bras. Piquenique; criação de Castro Lopes, assim como, cardápio
(menu).

II-Neologismos científicos ou técnicos-

Todas as nomenclaturas das ciências novas: os nomes das máquinas, aparelhos,


invenções, a linguagem da Química, da Eletrodinâmica, da Telegrafia, da
Radiotelegrafia, da Aviação. Exemplos:

Microfone - S.M. (gr. Mikros + phone). Aparelho de intensificação do som, inventado


por Hughes: aparelho eletrostático de ondas sonoras que transforma as ondas de pressão
em força eletromagnética.
Telefone – S.M. (gr. Tele, longe + phone, som, voz). Aparelho que permite a
transmissão de voz através de fios e disposições elétricas.
Aeromoça – tripulante que nos aviões serve as refeições aos passageiros e lhes presta
outros serviços.
Táxi (forma reduzida de taxímetro)- automóvel de aluguel ou qualquer veículo de frete;
registro de preço a pagar, em função do tempo em que é alugado o veiculo.

Nota: há neologismos científicos ou técnicos que são formados a partir de siglas: CPF,
CPI, ONG, CD; um caso muito conhecido e o do neologismo LASER (Light
Amplification by Stimulated Emission of Radiation) ou também a sigla AIDS (Acquired
Immune Deficiency Syndrome) e DST (Doença Sexualmente Trasmicivel).

III-Neologismo popular-

Em sua necessidade de expressão, o povo cria novos termos ou dá novos significados a


termos já conhecidos. Exemplos:
Embuchar - V.T. significa engravidar.
Ex. Joaquina “ta embuchada” de três meses.
Gato - S.M. Ligação clandestina de eletricidade.
Ex. No morro da Rocinha, a maior favela da América Latina, a maioria dos barracos
tem a sua energia elétrica sustentada por gatos.
Prensadão - S.M. O substantivo cachorro quente, nome relacionado ao sanduíche de pão
com salsichas, quando prensado em uma chapa quente recebe o nome de prensado.
Numa pesquisa de campo constatou-se que, quando o suposto cachorro quente prensado
possui medidas maiores que as do padrão, recebe o nome de prensadão.
Ex. Eu quero um prensadão completo!
Laranja – S.M. Falso proprietário.
Ex. Pedro serviu de laranja para o estelionato.
Mané –S.M. Individuo inepto, indolente, desleixado, negligente, palerma. Também se
diz mané-coco, manema e manembro.
Ex. Não da bola pra esse mané!
Papudo-Adj. Fanfarrão, gabola, garganta.
Ex. Você e muito papudo!

IV-Neologismo completo-

Este nome refere-se ao neologismo que é criação quanto à forma, e criação quanto ao
sentido.Exemplos:

Necrotério - relaciona-se somente ao lugar onde se expõem os cadáveres que vão ser
autopsiados ou identificados.
Microfone - relaciona-se somente ao dispositivo que, no posto transmissor, capta o som
que vai ser levado aos receptores através de ondas hertzianas.
Outros exemplos – vesperal, convescote, cardápio.

V-Neologismo incompleto-

Assim denominam-se os vocábulos já existentes na língua que tomaram novas


significações. Exemplos:

Formidável - Adj. Este vocábulo já teve o sentido de temível, terrível, que inspira
grande temor, perigoso. Hoje e usado basicamente com o sentido de maravilhoso, acima
do comum, admirável, excelente.
Papudo - Adj. Aquele que tem papo grande. Atualmente aplicado ao individuo
fanfarrão, gabola.
Picareta – S.F. Instrumento de ferro com duas pontas, serve para escavar a terra e
arrancar pedras. Hoje este termo vem sendo mais aplicado ao individuo de má índole,
insinuante, tratante.

VI - Neologismo estrangeiro-

São palavras que adotamos de outras línguas por nos faltarem vernáculas; a tendência
mais comum é a de escrevê-las de maneira aportuguesada. Exemplos:

Futebol - S.M. Do inglês foot-ball


Abajur-S. M. É o francês abat-jour.
Bebê – S.M. Criancinha vem do francês bébé. Antigamente foi o nome de um anão da
corte de Estanislau Leczynski. Pode ter sido também originada de palavra inglesa baby.
Carpete – S.M. Do inglês carpet; tapete que reveste inteiramente um cômodo, em geral
afixado ou colado ao chão.
Bracelete – S.M. pulseira. Fr. Bracelet
Buquê – S.M. ramo de flores. Fr. Bouquet.
Skate – S.M. Prancha com rodinhas, se escreve exatamente como no original.
Bicicleta – S.F. velocípede de duas rodas. Fr. Bicyclette
Bife – S.M. Posta de carne de vaca, do inglês beef.
Bidê – S.M. criado mudo. Fr. Bidet
Xérox – (cherocs).Do inglês xerox. Nome registrado, arte gráfica, fotocópia.
Shopping - reunião de lojas comerciais, serviços de utilidade pública, casas de
espetáculo, etc., em um só conjunto arquitetônico.
Show – espetáculo de teatro, radio, televisão, etc. geralmente de grande montagem, que
se destina à diversão.
Outros exemplos: motoboy, hipermercado, internete, jeans, etc.

Como ocorre?

Causas do neologismo

A principal causa é a necessidade de expressão: Com o surgimento de novas invenções,


novos objetos, novos conceitos, enfim, novas idéias; faz-se necessário o aparecimento
de novos nomes que se adaptem ao significado daquilo que os representa. Se não há
nenhum vocábulo que possa ser adaptado, é imprescindível criar-se um, uma nova
palavra, algo especial. Exemplos:
Microfone, televisão, necrotério, etc.

Outro fator é a inclinação do espírito humano para especificar, classificar, catalogar, ou


mesmo positivar as diferenças existentes entre os seres, dando a cada uma delas o
devido nome, algo que corresponda a essa necessidade de clareza e de especificação.
Exemplos:
Papudo, mane, picareta.

Para que o neologismo vença e se radique na língua basta uma só condição: ser
necessário a uma precisão do espírito humano. Mas se tal necessidade não existe,
poderá manter-se por meses, desaparecendo, certamente, apesar de todos os esforços
dos autores. Exemplos:
Coelho Neto criou: luademelar, dorremifassolar;
Castro Lopes fez ainda: focale, runimol, nasoculos.

Nota: para que o neologismo radique na língua é necessário que aja necessidade no
emprego do termo a uma expressão, tais termos não foram aceitos, pois não
correspondiam a uma necessidade e expressão.
Outra causa é a rapidez da expressão: em lugar de expressão bastante longa -
“apresentar felicitações” - diz-se logo- “felicitar” - e aparece assim o neologismo.

A língua do neologismo

Os neologismos científicos e literários são feitos do grego e do latim, muitas vezes


combinados com o idioma pátrio: televisão (tele= grego; visão= português), gasogênio
(gás= germânico; gênio= grego), glossofone (ambos gregos). Quando o neologismo é
formado de elementos pertencentes a uma mesma língua, diz-se que está bem feito;
quando os elementos são de idiomas diferentes, diz-se que é híbrido. Hibridismo é, pois,
a formação de um vocábulo com elementos de diversas línguas: gasogênio, televisão,
mandão-mirim. Os neologismos populares são todos adaptações de termos já existentes
na língua e, portanto, de origem vernácula.