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Química para

vestibular medicina
5ª edição • São Paulo
2019

C N
1
CIÊNCIAS DA NATUREZA
QUÍMICA
e suas tecnologias
Edson Yukishigue Oyama e Marcos Navarro
© Hexag Sistema de Ensino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2019
Todos os direitos reservados.

Autores
Edson Yukishigue Oyama
Marcos Navarro
Diretor geral
Herlan Fellini
Coordenador geral
Raphael de Souza Motta

Responsabilidade editorial, programação visual, revisão e pesquisa iconográfica


Hexag Sistema de Ensino
Diretor editorial
Pedro Tadeu Batista

Editoração eletrônica
Arthur Tahan Miguel Torres
Claudio Guilherme da Silva Souza
Eder Carlos Bastos de Lima
Fernando Cruz Botelho de Souza
Matheus Franco da Silveira
Raphael de Souza Motta
Raphael Campos Silva

Projeto gráfico e capa


Raphael Campos Silva

Foto da capa
pixabay (http://pixabay.com)

Impressão e acabamento
Meta Solutions

ISBN: 978-85-9542-131-8

Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o
ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição
para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre
as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
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2019
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CARO ALUNO

O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações
nos principais vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e em todo Brasil. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu
conteúdo enriquecido, inclusive com questões recentes dos relevantes vestibulares de 2019.
Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens, criação de novas seções e também na utilização de cores.
No total, são 103 livros, 24 cadernos de Estudo Orientado e 6 cadernos de aula.
O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva e clara o que o aluno
realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares do Brasil e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo comple-
mentar. Todo livro é iniciado por um infográfico. Esta seção, de forma simples, resumida e dinâmica, foi desenvolvida para indicação dos assuntos mais
abordados nos principais vestibulares, voltados para o curso de medicina em todo território nacional.
O conteúdo das aulas está dividido da seguinte forma:
TEORIA
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos, de cada coleção, tem como principal objetivo apoiar o estudante na resolução de questões
propostas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam
as explicações dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados, e compõem um conjunto abrangente de
informações para o estudante, que vai dedicar-se à rotina intensa de estudos.
TEORIA NA PRÁTICA (EXEMPLOS)
Desenvolvida pensando nas disciplinas que fazem parte das Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Nesses
compilados nos deparamos com modelos de exercícios resolvidos e comentados, aquilo que parece abstrato e de difícil compreensão torna-se mais aces-
sível e de bom entendimento aos olhos do estudante.
Através dessas resoluções é possível rever a qualquer momento as explicações dadas em sala de aula.
INTERATIVIDADE
Trata-se do complemento às aulas abordadas. É desenvolvida uma seção que oferece uma cuidadosa seleção de conteúdos para complementar
o repertório do estudante. É dividido em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas e livros para o aprendizado do
aluno. Tudo isso é encontrado em subcategorias que facilitam o aprofundamento nos temas estudados. Há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até
sugestões de aplicativos que facilitam os estudos, sendo conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica. Tudo é selecionado
com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso estudante.
INTERDISCIPLINARIDADE
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula, a seção interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares
de hoje não exigem mais dos candidatos apenas o puro conhecimento dos conteúdos de cada área, de cada matéria.
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abrangem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como biologia e
química, história e geografia, biologia e matemática, entre outros. Neste espaço, o estudante inicia o contato com essa realidade por meio de explicações
que relacionam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o estudante
consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas sim, fazendo parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive.
APLICAÇÃO NO COTIDIANO
Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana no desenvolver do dia a dia, dificultando
o contato daqueles que tentam apreender determinados conceitos e aprofundamento dos assuntos, para além da superficial memorização ou “decorebas”
de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios de aprendizagem com os conteúdos, foi desenvolvida a seção "Aplicação no Cotidiano". Como o próprio
nome já aponta, há uma preocupação em levar aos nossos estudantes a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo que eles têm
contato em seu dia a dia.
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES
Elaborada pensando no Enem, e sabendo que a prova tem o objetivo de avaliar o desempenho ao fim da escolaridade básica, o estudante deve
conhecer as diversas habilidades e competências abordadas nas provas. Os livros da “Coleção vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas
dessas habilidades. No compilado “Construção de Habilidades”, há o modelo de exercício que não é apenas resolvido, mas sim feito uma análise expo-
sitiva, descrevendo passo a passo e analisado à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a
apurá-las na sua prática, identificá-las na prova e resolver cada questão com tranquilidade.
ESTRUTURA CONCEITUAL
Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Geramos aos estudantes o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um
deles é a estrutura conceitual, para aqueles que aprendem visualmente a entender os conteúdos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas
mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos
principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita sua organização de estudos e até a resolução dos exercícios.
A edição 2019 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para
o seu sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina.

Herlan Fellini
SUMÁRIO
QUÍMICA
ATOMÍSTICA
Aulas 1 e 2: Modelos e estruturas atômicas 7
Aulas 3 e 4: Íons e distribuição eletrônica 21
Aulas 5 e 6: Tabela periódica 33
Aulas 7 e 8: Propriedades periódicas 45
Aulas 9 e 10: Ligação iônica 57

QUÍMICA GERAL
Aulas 1 e 2: Propriedades da matéria 69
Aulas 3 e 4: Diagramas de mudança de estado 81
Aulas 5 e 6: Sistemas 91
Aulas 7 e 8: Análise imediata 103
Aulas 9 e 10: Radioatividade – emissões radioativas e energia nuclear 119

CÁLCULOS QUÍMICOS
Aulas 1 e 2: Grandezas químicas 133
Aulas 3 e 4: Fórmulas e leis ponderais 147
Aulas 5 e 6: Introdução à estequiometria 159
Aulas 7 e 8: Estequiometria – pureza, rendimento e excesso de reagente 171
Aulas 9 e 10: Leis físicas dos gases 187
Abordagem de ATOMÍSTICA nos principais vestibulares.

FUVEST
Como sempre, se mostra extremamente conteudista e aborda principalmente os conceitos ci-
tados neste livro. Dificilmente serão vistas questões onde se pede para descobrir o número de
elétrons, prótons e nêutrons.

LD
ADE DE ME
D
UNESP
U

IC
FAC

INA

BO
1963
T U C AT U Seu vestibular aborda os conceitos como números de partículas atômicas de forma bem comum.
É uma prova clara, objetiva, de fácil compreensão e que não necessita de um grande esforço
mental para deduzir o que tem de ser feito na maioria das questões.

UNICAMP
Por ser um vestibular mais recente, com as atuais modificações, traz questões de forma mais clara e
objetiva abordando todos os conteúdos vistos no livro 1 com bastante frequência.

UNIFESP
Sempre abordando a parte de atomística com outros conceitos como história por exemplo, a
Unifesp se mostra um vestibular bem formulado e conteudista, porém muito objetivo quanto ao
que se pede.

ENEM/UFMG/UFRJ
O vestibular aborda as questões relacionadas à atomística de forma muito conceitual, com pouco
envolvimento de cálculos e uma grande abrangência de assuntos relacionados à outra parte da
química, como por exemplo, radioatividade. É uma prova objetiva e clara, porém o enunciado
pode muitas vezes levar à confusão.

UERJ
O vestibular aborda as questões de forma muito conteudista e de forma clara. Suas questões são,
basicamente, abordadas junto de outros temas. Facilmente nota-se que a UERJ utiliza de uma
questão para se fazer duas ou mais perguntas, o que leva ao candidato ter conhecimento total
da área da química na hora de sua resolução.
1
0 20 Modelos e
estruturas atômicas

Competência Habilidade
3 14

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
O que é o átomo e de onde surgiu a ideia
O átomo é o menor componente de toda a matéria existente.
A ideia de matéria (que apresenta massa, que ocupa lugar no espaço etc.) de algo que é formado de partí-
culas indivisíveis é muito antiga. Filósofos gregos deram o nome de átomos (do grego: a = não, tomo = divisão) a
essas partículas constituintes da matéria.
Porém, a ideia filosófica do átomo não tinha base em um trabalho experimental (prático) suas deduções
eram filosóficas, isto é, eram fruto de um raciocínio abstrato.

Modelos atômicos

Modelo de Dalton (bola de bilhar)


Em 1808, o professor inglês John Dalton, baseado em suas experiências, propôs uma explicação para a
natureza da matéria.

Os principais postulados da teoria de Dalton são:


1. Toda matéria é composta por minúsculas partículas chamadas átomos.
2. Os átomos de um determinado elemento são idênticos em massa e apresentam as mesmas propriedades
químicas.
3. Átomos de elementos diferentes apresentam massa e propriedades diferentes.
4. Átomos são maciços e indivisíveis. Não podem ser criados, nem destruídos.
5. As reações químicas comuns não passam de uma reorganização dos átomos.
6. Os compostos são formados pela combinação de átomos de elementos diferentes em proporções fixas.
As ideias de Dalton fizeram sentido à sua época, pois conseguiam explicar a conservação da massa durante
uma reação química (lei de Lavoisier), bem como a lei de Proust, conhecida também como lei da proporção definida.

Lei de Lavoisier (conservação da massa) Lei de Proust (proporção definida)

2H2O(ℓ) 2H2(g) + 1O2(g)

A proporção se mantém
constante mesmo que
as quantidades de
reagentes e produtos
ESTANHO + AR ÓXIDO DE ESTANHO sejam alteradas.
+ ESTANHO NÃO
REAGIDO + AR
DESOXIGENADO 4H2O(ℓ) 4H2(g) + 2O2(g)

Modelo de Thomson (pudim de passas)


Utilizando uma ampola de Crookes, isto é, tubos de vidro fechados com um eletrodo positivo (ânodo) e outro
negativo (cátodo), contendo gases a pressões extremamente baixas, o cientista inglês Joseph John Thomson fez
uma descoberta imprescindível para a evolução do modelo atômico.

9
Ele submeteu esses gases a voltagens elevadíssi- Modelo atômico de Thomson (“pudim de passas”)
mas (cerca de 10 000 volts); surgiu uma luminescência
na parede oposta ao cátodo (eletrodo negativo), que re-
cebeu o nome de raios catódicos. Em seguida, foi colo-
cado um campo elétrico externo e, por fim, verificou-se
que o feixe de raios catódicos era desviado, sempre indo
na direção e sentido da placa carregada positivamente.
Concluiu, portanto, que estas emissões possuíam cargas
negativas. Modelo de Rutherford
Outro ponto importante é que não importava o
gás utilizado, sempre ocorria o mesmo; assim, Thomson
(sistema solar ou sistema planetário)
chegou à conclusão lógica de que estas cargas nega- Em 1911, Ernest Rutherford, ao estudar a traje-
tivas estavam presentes em toda e qualquer matéria tória de partículas α (partículas positivas) emitidas pelo
e eram parte integrante delas. Desse modo, provou-se elemento radioativo polônio, bombardeou uma fina
que, ao contrário do que Dalton havia afirmado, o áto- lâmina de ouro.
mo não era indivisível, pois possuía uma partícula suba-
Em suas observações, percebeu que a maioria
tômica negativa, que ficou denominada elétron.
das partículas α atravessava a lâmina de ouro sem so-
Tubo de Crookes frer desvio em sua trajetória; que algumas sofriam des-
A vio; porém outras, em número muito pequeno, batiam
na lâmina e voltavam.
C
O experimento de Rutherford

Lâmina
de ouro
Fonte de partículas alfa
C - Cátodo (-) | A - Ânodo (+)
Partículas alfa
Ampola de Crookes

Detector de
partículas

Partículas alfa
Núcleo do átomo

Tubo de raios catódicos


Fonte de eletricidade
Átomo de ouro

Em 1897, propôs um novo modelo atômico, ba-


A partir deste experimento, Rutherford concluiu
seado nas experiências dos raios catódicos: para Thom-
que:
son, o átomo era uma esfera formada por “pasta” po-
§§ O átomo não é uma esfera maciça. Existem gran-
sitiva “recheada” de elétrons de carga negativa. Esse
des espaços vazios, visto que a maior parte das
modelo ficou conhecido como “pudim de passas”. Esse
partículas α atravessou a lâmina de ouro.
modelo derrubou a ideia de que o átomo é indivisível e
introduz a natureza elétrica da matéria. §§ O átomo possui uma região central onde está
Ele ainda explicaria os fenômenos envolvendo concentrada a sua massa. Foi contra essa região,
cargas elétricas, algo em que o modelo de Dalton fa- denominada por ele de núcleo, que as partícu-
lhava. las α se chocaram e retornaram.

10
§§ Esse núcleo apresenta carga positiva, pois re-
Modelo de Böhr (modelo quântico)
peliu a partícula α – que também possui carga
positiva. O modelo atômico de Rutherford foi um grande
Surge, porém, uma pergunta: se o ouro apresen-
passo para a compreensão da estrutura interna do áto-
ta núcleos positivos, como explicar o fato de a lâmina de
mo. Mas esse modelo não explicava alguns fatos obser-
ouro ser eletricamente neutra?
vados nos átomos, sendo o principal o fato de os elé-
Para completar o seu modelo, Rutherford ima-
trons girarem ao redor do núcleo: Rutherford foi obrigado
ginou que, ao redor do núcleo, estariam girando os
a admitir que os elétrons giravam ao redor do núcleo,
elétrons, uma vez que se estivesse parados, acabariam
por se chocar com o núcleo positivo, devido à atração mas, pelas leis da Física Clássica, esse modelo não po-
eletrostática. deria existir, pois, de acordo com o eletromagnetismo, os
Em resumo, o átomo seria semelhante ao Sis- elétrons, como qualquer carga em movimento acelerado,
tema Solar, em que o átomo é uma partícula muitíssi- ao girar ao redor do núcleo, emitem radiação (energia) e,
mo pequena composta de duas regiões: uma interna, o ao emitir essa radiação, eles perdem energia. O elétron
núcleo, onde estaria concentrada praticamente toda a deveria gradativamente emitir radiações e cada vez mais
massa do átomo – de carga elétrica positiva, represen- aproximar-se do núcleo, em uma órbita espiralada, até
tada por partículas chamadas de prótons (nessa época finalmente chocar-se contra ele, “acabando” com o áto-
ainda não sabiam da existência dos nêutrons); outra ex- mo; mas essa observação nunca foi vista (se ocorresse, o
terna, de massa desprezível, onde estariam os elétrons, átomo “duraria” aproximadamente 10-11 segundos).
diminutas partículas negativas em movimento ao redor Outro fato que o modelo atômico de Rutherford
do núcleo, região essa que foi denominada de eletros- não explicava são os espectros atômicos (ou descontí-
fera. A eletrosfera (ou seja, o tamanho do átomo) tem nuos): os átomos, quando submetidos à baixa pressão
o seu tamanho cerca de 10 mil a 100 mil vezes maior e sob alta tensão (na forma gasosa, dentro de uma lâm-
que o do núcleo. pada), não emitiam um espectro contínuo, mas somente
algumas linhas coloridas, permanecendo o restante total-

Modelo clássico mente escuro, considerando somente o espectro visível


ao olho humano (lembrando que, na época, qualquer
O físico Eugen Goldstein descobriu, em 1886, fonte luminosa – seja a luz do Sol ou de lâmpadas in-
através da modificação da ampola de Crookes uma par- candescentes – apresentava espectro contínuo; a Física
tícula que tinha massa e carga positiva. Essa partícula Clássica não conseguia explicar o porquê do espectro
foi denominada próton, quando Ernest Rutherford (fa- descontínuo).
zendo o mesmo experimento que Goldstein) compro- Lâmpada
Lâmpada Espectro
Espectrocontínuo
contínuo
vou que essa partícula estava localizada no núcleo do Incandescente
Incandescente

átomo, com carga positiva de valor igual a do elétron.


Espectro de emissão
Espectro de emissão (descontínuo)
(descontínuo)
Gás quente
Gás quente

Hidrogênio
Hidrogênio

Hélio
Hélio

Neônio
Neônio

Mercúrio
Mercúrio
Alguns espectros da luz visível.
Cada elemento tem seu espectro característico.

11
Em 1913, o cientista dinamarquês Niels Bohr Ao longo de nossos estudos, duas expressões
aprimorou o modelo atômico de Rutherford, utilizando serão fundamentais:
a teoria quântica proposta por Max Planck, segundo a
qual a energia não é emitida em forma contínua, mas
O número atômico (Z) sempre coincide com o
em ”pacotes”, denominados quantum de energia. Fo-
número de prótons (P).
ram propostos os seguintes postulados, os chamados
O número de massa (A) é a soma do número
postulados de Bohr:
de prótons (P) com o número de nêutrons (N).
§§ Na eletrosfera, os elétrons descrevem sempre
órbitas circulares ao redor do núcleo, denomina-
das órbitas estacionárias. Movendo-se em uma Dessa forma:
órbita estacionária, o elétron não emite nem
absorve energia. A=P+N
§§ Os elétrons só podem ocupar os níveis que te-
nham uma determinada quantidade de energia
Para representar um átomo, convencionou-se es-
(quantum) e assumem valores bem determina-
crever o número atômico na parte inferior esquerda
dos de energia em cada órbita estacionária, não
do símbolo e o número de massa na parte superior
sendo possível ocupar estados intermediários.
§§ Ao saltar de uma órbita estacionária para outra, esquerda ou direita. Dessa forma, por exemplo:
os elétrons absorvem ou emitem uma quantida-  
1Z​E
   ou E
A A
z
de bem definida de energia (quantum de ener-
gia) e, ao retornar à órbita de origem, o elétron Assim, temos como exemplos:
emite ou absorve um quantum de energia (igual
§§ Para o elemento ferro (Fe, Z = 26), que possui
ao absorvido em intensidade), na forma de luz     e ou Fe56.
26​F
massa 56: 56
de cor bem definida ou outra radiação eletro- 26

magnética, como ultravioleta ou raios X (deno- §§ Para o elemento sódio (Na, Z = 11), que possui
minado fóton). Essa energia é exatamente igual     a ou Na23.
11​N
massa 23: 23 11
à diferença de energia entre as órbitas em ques- Note que o número de nêutrons não está escrito,
tão. Esse salto é denominado salto quântico. sendo necessário tirar a diferença entre o número de
Assim, ao modelo atômico de Rutherford, corri- massa e número atômico (N = A – P) para descobrir o
gidos pelas ponderações de Bohr, ficou conhecido com
número de nêutrons existentes no átomo.
o nome de modelo atômico de Rutherford-Bohr.

Elemento químico
Números atômico e de massa
Elemento químico é o conjunto de átomos
Observe os dados, a seguir, referentes à compo- com o mesmo número atômico (Z).
sição do átomo:

Partícula Massa relativa Carga relativa


Nêutron

Prótons
1

1
0

+1
Isótopos, isóbaros e isótonos
Elétrons 1   ​ 
​ _____
1.836
–1 Isótopos
Em um átomo eletricamente neutro (em equi- Em um copo de água há moléculas formadas
líbrio de cargas), o número de prótons (P) é igual ao por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio
número de elétrons (e-). (H2O). Será que todos os átomos de hidrogênio presen-
tes nas moléculas de água são iguais? E os de oxigênio?

12
A resposta é não. A grande maioria dos átomos Observação: isóbaros são sempre átomos de
de hidrogênio pode ser representada por ​​ 11H ​​   . Porém, elementos químicos diferentes.
existem outros, em menor quantidade, representados §§ ​​     ​​  ⇒ A = 14
6C ​​   e 14
​​ 7N
14

por ​​1 2H
 ​​  e  1​​  ​​H.
3
  Qual diferença você nota entre eles? §§  
​​26F ​​  e e 27
57  
​​ C
57
 ​​  o ⇒ A = 57

Isótopos são átomos com o mesmo número Isótonos


de prótons (P = Z) e diferentes números de massa
(A) e de nêutrons (N).
Isótonos são átomos com o mesmo número
de nêutrons (N) e diferentes números de prótons
Como possuem mesmo Z, são átomos de um (P = Z) e de massa (A).
mesmo elemento químico: o hidrogênio. Dizemos que​​
1 
 ​​  ,  ​​1H
1H  ​​  e  1​​  H
​​  são isótopos.
2 3
Observação: isótonos são sempre átomos de
A maioria dos elementos químicos é consti- elementos químicos diferentes.
tuída por dois ou mais isótopos, que ocorrem em §§ ​​  ​​   ⇒ N = 13 – 6 = 7 e   ​​   ⇒ N = 14 – 7 = 7
6C ​​ 7N
13 14

diferentes proporções.  
§§ ​​37
17C  ​​  ℓ ⇒ N = 37 – 17 = 20 e   ​​   a ⇒
​​C
40
20

⇒ N = 40 – 20 = 20
Átomos Abundância natural (%)
 ​ H
1
1    99,99 Teoria na prática
2 
1​​  ​​ H 0,01 1. São dadas as seguintes informações relativas
3 
1​​  ​​ H – aos átomos X, Y e Z:
​​ 63​​  Li 7,42 I. X é isóbaro de Y e isótono de Z.
​​7 3​​  Li 92,58
II. Y tem número atômico 56, número de massa

137 e é isótopo de Z.
​​ 8 ​​ O
16
99,76
III. O número de massa de Z é 138.
​​ 8​​  O
17
0,04
O número atômico de X é:
​​ 8​​  O
18
0,20 a) 53
​​ 9​​  F
19
100 b) 54
c) 55
Observação: isótopos pertencem sempre ao
d) 56
mesmo elemento químico, pois possuem o mesmo Z.
e) 57
São, portanto, representados pelo mesmo símbolo.
Resolução:
O único caso em que os isótopos possuem no-
mes e símbolos diferentes é do elemento hidrogênio: A partir do enunciado, podemos montar o se-
§§ ​​1 1 H ​​  ⇒ prótio ou hidrogênio leve (H) guinte esquema:
§§ ​​ 21H  ​​ aX   ​​     ​​ 
b ​​    ​​ 36Y cZ​​  
137 138
 ​​  ⇒ deutério ou hidrogênio pesado (D)

§§ ​​3 1H
 ​​  ⇒ trítio ou tritério (T) Como X e Y são isóbaros ⇒ a = 137
Como Y e Z são isótopos ⇒ c = 56
Como X e Z são isótonos ⇒ a – b = 138 – c
Isóbaros
Substituindo os valores de a e c, calculados an-
teriormente:
Isóbaros são átomos com o mesmo núme-
ro de massa (A) e diferentes números de prótons 137 – b = 138 – 56 ⇒ b = 55
(P = Z) e nêutrons (N). b = número atômico de X.
Alternativa C
13
2. O germânio (Ge) apresenta o número atômico 4. (ETF-SP) No fim do século XIX, começaram a
32 e o número de massa 72. Qual das proposi- aparecer evidências de que o átomo não era
ções seguintes é falsa? a menor partícula constituinte da matéria. Em
a) Cada núcleo de germânio contém 32 prótons. 1897, tornou-se pública a demonstração da
b) É isóbaro do átomo de selênio, de número atô- existência de partículas negativas, por um inglês
mico 34 e número de massa 72. de nome:
c) Cada átomo de germânio contém 32 nêutrons. a) Dalton.
d) Um átomo de germânio contém 32 elétrons. b) Rutherford.
e) O núcleo representa uma fração muito peque- c) Bohr.
na no volume do átomo de germânio. d) Thomson.
e) Proust.
Resolução:

O átomo de germânio apresenta 32 prótons Resolução:


(logo, 32 elétrons), 40 nêutrons e número de
massa 72. Logo, as alternativas a e d estão cor- O cientista que descobriu a existência de partí-
culas negativas (elétrons) foi o Thomson, através
retas e alternativa c errada.
da experiência com tubo de raio catódico.
O átomo de germânio e selênio apresenta o
número de massa 72; logo, eles são isóbaros.
Alternativa D
Alternativa b correta.
O tamanho do átomo é de 10 mil a 100 mil ve-
zes maior do que o núcleo, representando uma
fração muito pequena. Alternativa e correta.

Alternativa C
3. O átomo de Rutherford (1911) foi comparado ao
sistema planetário (o núcleo atômico representa
o Sol e a eletrosfera, os planetas). Eletrosfera é a
região do átomo que:
a) contém as partículas de carga elétrica negativa.
b) contém as partículas de carga elétrica positiva.
c) contém nêutrons.
d) concentra praticamente toda a massa do
átomo.
e) contém prótons e nêutrons.

Resolução:

b) Incorreta – As partículas presentes na ele-


trosfera possuem carga negativa.
c) Incorreta – A eletrosfera não contém nêutrons.
d) Incorreta – A região central do átomo (nú-
cleo) é que contém praticamente toda a mas-
sa do átomo, não a eletrosfera.
e) Incorreta – A eletrosfera comporta apenas
partículas de carga negativa (elétrons).

Alternativa A

14
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Ampola de Crookes

Fonte: Youtube

Vídeo Experimentos de Química - Teste de chama e a Química ...

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites Experimentos atomísticos

phet.colorado.edu/sims/html/rutherford-scattering/latest/rutherford-scattering_pt_BR.html
phet.colorado.edu/sims/html/build-an-atom/latest/build-an-atom_pt_BR.html

16
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Princípios de Química – Questionando a Vida Moderna
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sólida da química, os desafiando a questionar e a obter nível
mais alto de entendimento da matéria. A obra apresenta a
Química como algo atual e dinâmico, ao mostrar a relação entre
ideias químicas fundamentais e suas aplicações.

17
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

É muito comum, em festas de final de ano e em jogos, o uso de fogos de artifício. A química exerce um papel
essencial. Tudo começa com a teoria de Niels Bohr, na qual ele afirmava que quando um átomo recebe energia,
seu elétron é deslocado para um nível mais energético, que é o que chamamos de estado excitado. Quando esse
elétron perdia energia e descia para o nível de origem, a energia era dissipada em forma de luz (fótons) no espectro
visível. Como cada elemento químico possui órbitas com níveis de energia com valores diferenciados, o fóton de
energia emitido será diferente para cada um. Por isso, cada elemento químico emitirá uma cor característica. Desse
modo, se for utilizado, por exemplo, oxalato de estrôncio (SrC2O4) ou nitrato de estrôncio ((Sr(NO3)2), será fornecido
o íon Sr2+ e dará a cor vermelha; ou se for usado cloreto ou nitrato de cobre (CuCℓ2 e NH4Cu(NO3)3), será produzido
o íon Cu2+ e fornecerá a cor verde ou azul. A seguir, uma tabela que mostra as cores dos elementos ao sofrerem
excitação por uma chama:

Elemento químico Cor característica


Arsênio Azul
Sódio Amarelo
Potássio Azul ou púrpura
Estrôncio Vermelho
Magnésio Branco ou prata
Lítio Vermelho ou magenta ("rosa choque")
Bário Verde
Ferro Dourado
Cálcio Amarelo
Alumínio Branco
Cobre Verde

INTERDISCIPLINARIDADE

Em 10 de setembro de 2008, era inaugurado o Grande Colisor de Hádrons (em inglês Large Hadron Colli-
der) – LHC, o maior acelerador de partículas e o de maior energia do mundo. Um dos principais objetivos do LHC é
tentar explicar a origem da massa das partículas elementares e encontrar outras dimensões do espaço, entre outras
coisas. Uma dessas experiências envolve a partícula bóson de Higgs. Essas informações podem ser obtidas através
do choque entre as partículas, tais como choques entre próton e elétron, próton e próton, próton e antipróton. Esse
feixe de partículas será acelerado até atingir uma energia de aproximadamente 7 TeV (tera elétron-volt), e a partir
desse choque é possível obter as informações desejadas.

18
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 3 - Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso


comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.

A interpretação cientifica de teorias é de extrema importância para o progresso da socie-


dade contemporânea.
Com o passar dos tempos, as teorias relacionadas às moléculas e átomos foram se diver-
sificando e com isso houve uma consolidação na teoria do que é a matéria.
Compreender as diferentes teorias da atomística é de grande importância para resolver
situações em que se colocam diferentes concepções históricas provindas desde a antigui-
dade e que perduram até hoje, conferindo um pensamento crítico quanto às diferentes
abordagens dessas teorias.

Modelo
(Enem 2017) Um fato corriqueiro ao se cozinhar arroz é o derramamento de parte da água de
cozimento sobre a chama azul do fogo, mudando-a para uma chama amarela. Essa mudança de cor
pode suscitar interpretações diversas, relacionadas às substâncias presentes na água de cozimen-
to. Além do sal de cozinha (NaCℓ), nela se encontram carboidratos, proteínas e sais minerais.
Cientificamente, sabe-se que essa mudança de cor da chama ocorre pela
a) reação do gás de cozinha com o sal, volatilizando gás cloro.
b) emissão de fótons pelo sódio, excitado por causa da chama.
c) produção de derivado amarelo, pela reação com o carboidrato.
d) reação do gás de cozinha com a água, formando gás hidrogênio.
e) excitação das moléculas de proteínas, com formação de luz amarela.

19
Análise Expositiva

Habilidade 3
Este tipo de exercício é típico para se trabalhar atribuições teóricas do Enem. Nesta questão,
era necessário recordar os conceitos básicos característicos dos modelos atômicos.
No caso da abordagem da questão, para chegar-se a uma alternativa deve-se fazer a associa-
ção com o único metal citado no enunciado, ou seja, o sódio, pois outras possibilidades para a
mudança da cor da chama, como a ocorrência de uma combustão incompleta do gás utilizado
devido ao derramamento da água de cozimento, não são citadas.
Pressupõe-se, então, que na água de cozimento estejam presentes cátions Na+ dissociados a
partir do NaCℓ.
O elemento metálico sódio, mesmo na forma iônica, libera fótons quando sofre excitação por
uma fonte de energia externa e a cor visualizada é o amarelo.
Alternativa B

Estrutura Conceitual
Modelo de Átomo
Dalton Indivisível

Modelo de Descobrimento Raios


Thomson do elétron Catódicos

Divisão da
Modelo de
eletrosfera e
Rutherford
do núcleo

Elétrons em
Modelo de n=1 diferentes níveis
Bohr n=2
de energia
n=3

e mesmo
Eletrosfera
Isótopo número atômico
(elétrons)
(prótons)
Átomo
núcleo P N P
+ mesmo
eletrosfera e N N N e
P N P Isótono número de
nêutrons

Núcleo
e prótons mesmo
+ Isóbaro número de
nêutrons massa

20
3
0 40 Íons e
distribuição eletrônica

Competências Habilidades
1e5 3 e 17

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Íons
Como já sabemos, elétrons e prótons são partículas que compõem o átomo e possuem carga, respectiva-
mente, negativa e positiva. Dessa forma, se o número de elétrons e prótons forem iguais, a carga total do átomo
será nula, pois a carga positiva de cada próton será compensada pela carga negativa do elétron correspondente.
Dizemos, então, que um átomo nessa situação está eletricamente neutro.

Quando um átomo está eletricamente neutro, ele possui prótons e elétrons em igual quantidade.

Em determinadas situações, átomos podem ganhar ou perder elétrons. Nesses casos, sua carga total deixa
de ser zero, deixando de ser eletricamente neutro e passando a ter carga elétrica. Dizemos que o átomo se trans-
formou em um íon.

Quando um átomo eletricamente neutro perde ou recebe elétrons, ele se transforma em um íon.

Um átomo neutro que recebe elétrons, passa a ficar com excesso de cargas negativas, ou seja, transforma-se
em um íon negativo ou ânion. Por outro lado, se um átomo neutro perde elétrons, passa a ter excesso de prótons
e se transforma em um íon positivo ou cátion.

Exemplo
§§ Um átomo de cloro eletricamente neutro tem 17 prótons, 18 nêutrons e 17 elétrons. Ganhando um elétron
ele se transforma no ânion cloreto (Cℓ–), e passa a ter 17 prótons, 18 nêutrons e 18 elétrons.

elétron (e-)
e-

§§ Um átomo de sódio eletricamente neutro tem 11 prótons, 12 nêutrons e 11 elétrons. Perdendo um elétron
ele torna-se um cátion sódio (Na+), e passa a ter 11 prótons, 12 nêutrons e 10 elétrons.

elétron (e-)
e-

23
Diagrama de Linus Pauling
Camadas eletrônicas do
átomo: distribuição eletrônica
Um problema para os químicos era construir uma teoria
consistente que explicasse como os elétrons se distri-
buíam ao redor dos átomos, dando-lhes as característi-
Princípio da incerteza de Heisenberg cas de reação observadas em nível macroscópico.
Foi o cientista americano Linus C. Pauling quem
Na física tradicional newtoniana, também
apresentou a teoria mais aceita até o momento para
chamada de Física Clássica, acreditava-se que, se
soubéssemos a posição inicial e o momento (mas- a distribuição eletrônica. Foi pioneiro na aplicação da
sa e velocidade) de todas as partículas de um sis- Mecânica Quântica em química e, em 1954, recebeu o
tema, seríamos capaz de calcular suas interações Nobel de Química pelo seu trabalho relativo à natureza
e prever como ele se comportaria. Isto parece cor- das ligações químicas e o da Paz em 1962, por sua mi-
reto, se soubermos descrever com precisão as litância contra as armas nucleares.
interações entre essas partículas, mas parte de um pres- Ele provou experimentalmente que os elétrons
suposto bastante forte: o de que de fato conhecemos a são dispostos nos átomos em ordem crescente de ener-
posição e o momento de todas as partículas. gia, visto que todas as vezes que o elétron recebe ener-
Quando começamos a lidar com corpos muito gia ele salta para uma camada mais externa em relação
pequenos, como os elétrons, por exemplo, determinar a qual ele se encontra, e, no momento da volta para
valores como posição e momento torna-se uma tarefa sua camada de origem, ele emite luz, em virtude da
um pouco mais complicada. Como saber a posição de
energia absorvida anteriormente.
um elétron?
Para entender a proposta de Pauling, é preciso
Para que possamos medir a posição de um elé-
primeiro olhar o conceito de camadas eletrônicas. Este
tron, precisamos vê-lo e, para isso, temos que iluminá-lo.
princípio define que a distribuição dos elétrons em tor-
Além disso, a medida será mais precisa quanto menor
for o comprimento de onda da luz utilizada. Nesse caso, no do átomo se faz em sete camadas, identificadas pe-
a física quântica diz que a luz é formada por partícu- las letras K, L, M, N, O, P e Q:
las (fótons), que têm energia proporcional à frequência
dessa luz. Portanto, para medir a posição de um elétron
precisamos incidir sobre ele um fóton bastante energé-
tico, já que quanto maior for a frequência, menor é o
2 8 18 32 32 18 8
comprimento de onda do fóton.
No entanto, para iluminar o elétron, o fóton tem K
que se chocar com ele, e esse processo transfere energia
L
ao elétron, o que modificará sua velocidade, tornando
impossível determinar seu momento com precisão. M N O P Q
Esse princípio proposto por Heisenberg, conheci-
Uma das principais características destas cama-
do como princípio da incerteza de Heisenberg, aplica-se
somente ao mundo subatômico, uma vez que a energia das é que cada uma delas possui um número máximo
do fóton transferida para um corpo macroscópico não de elétrons que pode comportar, conforme tabela a se-
seria capaz de alterar sua posição. guir:

Camada
K L M N O P Q
Pelo princípio de incerteza de Heisenberg é (nível)
impossível medir com precisão o período e a posi-
Número
ção de um corpo muito pequeno.
máximo de 2 8 18 32 32 18 8
elétrons

24
Pauling apresentou essa distribuição dividida em Diagrama de Linus Pauling
níveis e subníveis de energia, em que subníveis são divi- 1s2
sões dos níveis ou camadas, representados pelas letras 2s2 2p63s2
s, p, d, f. Cada subnível também apresenta um número (K) 1; 2e- 1s2
3p64s2
máximo de elétrons. 3d104p65s2
2s2 2p6
(L) 2; 8e- 4d105p66s2
Subnível s p d f
4f145d106p67s2
3s2 3p6 3d10
(M) 3; 18e-
Número máximo
2 6 10 14 5f146d10 7p6
de elétrons 4s2 4p6 4d10 4f14
(N) 4; 32e -

Representação s2 p6 d10 f14


(O) 5; 32e- 5s2 5p6 5d10 5f14
A distribuição eletrônica, segundo Pauling, não
(P) 6; 18e- 6s2 6p6 6d10
era apenas uma ocupação dos espaços vazios nas ca-
madas da eletrosfera pelos elétrons. Eles se distribuem (Q) 7; 8e- 7s2 7p6
segundo a energia de cada subnível, numa sequência
crescente em que ocupam primeiro os subníveis de me- Na figura, as setas indicam a ordem crescente
nor energia e, por último, os de maior. dos níveis de energia:
A seguir, tem-se o diagrama de energia de Pau-
ling, que define a ordem energética crescente que, por 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s2
sua vez, resulta na sequência de distribuição dos elétrons. 4f14 5d10 6p6 7s2 5f14 6d107p6

Distribuição eletrônica por subníveis


1
H:  1s1
   nível 1 ⇒ camada K
    nº de elétrons = 1
   K = 1

12
Mg: 1s2        2s22p6      3s2
    nível 1       nível 2      nível 3
    camada K      camada L     camada M
    nº de elétrons = 2   nº de elétrons =8   nº de elétrons = 2
    K = 2       L = 8        
M=2

21
Sc:  1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d1

Observe que o subnível 4s2, segundo a ordem de energia, aparece antes do subnível 3d1. No entanto, po-
demos reordenar os subníveis segundo o número do nível. Dessa forma, teremos a chamada ordem geométrica ou
ordem de camadas:

21
Sc ⇒ 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d1 4s2

Note que, na ordem geométrica, o último subnível – mais distante do núcleo – é o 4s2. Esse subnível
localiza-se na camada de valência do átomo. Portanto:

O subnível mais energético nem sempre é o mais afastado (externo) do núcleo.

25
No caso do escândio (Sc), o subnível mais ener-
Teoria na prática
gético é o 3d1, apresentando 1 elétron; enquanto o mais
1. Um átomo neutro, cuja configuração eletrônica
distante do núcleo (mais externo) é o 4s2, com 2 elé-
1s2 2s22p6 3s23p6 4s2, tem como número atômico:
trons.
a) 10.
A distribuição eletrônica do escândio por cama-
b) 20.
das pode ser obtida tanto pela ordem energética como
c) 18.
pela ordem geométrica e é expressa por: K =2 ; L = 8; d) 2.
M = 9; N = 2. e) 8.

Resolução:
Distribuição eletrônica nos íons Basta somar os expoentes que aparecem na dis-
tribuição eletrônica para se ter o número atômico:
A distribuição eletrônica nos íons é semelhante
a dos átomos eletricamente neutros. No entanto, é im- 2 + 2 + 6 + 2 + 6 + 2 = 20
portante ressaltar que os elétrons que o átomo ganhou Alternativa B
ou perdeu (para se transformar em um íon) serão inse-
ridos ou retirados da última camada eletrônica, e não 2. Um átomo que possui configuração 1s2 2s2 2p6
do subnível mais energético. O átomo de ferro (número 3s2 3p3 apresenta na camada mais externa:
atômico = 26), por exemplo, tem a seguinte distribuição a) 2 elétrons.
eletrônica: b) 3 elétrons.
c) 5 elétrons.
1s2 2s22p6 3s23p6 4s23d6 ou K = 2; L = 8; d) 12 elétrons.
M = 14; N = 2 e) 15 elétrons.
4s = subnível mais externo
2

Resolução:
3d6 = subnível mais energético
A camada mais externa é indicada pelo coefi-
Quando o átomo de ferro perde 2 elétrons e se
ciente maior, no caso, 3. Somando-se, então, os
transforma no íon Fe2+, terá a seguinte distribuição ele-
expoentes de 3s23p3, temos: 2 + 3 = 5.
trônica:
Alternativa C
1s2 2s22p6 3s23p6 3d6 ou K = 2; L = 8; M = 14

3. Dê a configuração eletrônica do íon sódio Na+,


Evidentemente, se o átomo de ferro perder 3
sabendo que o número atômico do sódio é 11.
elétrons e se transformar no íon Fe3+, terá a seguinte
distribuição eletrônica: Resolução:

1s2 2s22p6 3s23p6 3d5 ou K = 2; L = 8; M = 13 Distribuição eletrônica do átomo de sódio (11Na):

Consideremos, agora, a formação de um íon ne- 1s2 2s22p6 3s1 ou K = 2; L = 8; N = 1


gativo, por exemplo, S2–. O enxofre (número atômico = última camada
16)tem a seguinte distribuição eletrônica: Quando o átomo de sódio (Na) perde 1 elétron e
1s2 2s22p6 3s23p4 ou K = 2; L = 8; M = 6 se transforma no íon (11Na+), esse terá a seguinte
última camada última camada distribuição eletrônica:
Quando o átomo de enxofre ganha 2 elétrons e 1s2 2s22p6 ou K = 2; L = 8
se transforma no íon S2–, terá a seguinte distribuição ele-
trônica:

1s2 2s22p6 3s23p6 ou K = 2; L = 8; M = 8

26
4. (Acafe – adaptado) Considerando-se um ele-
mento M genérico qualquer que apresenta con-
figuração eletrônica 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d5,
pode-se afirmar que:
I. seu número atômico é 25;
II. possui 7 elétrons na última camada;
III. apresenta 13 elétrons na camada 3;
IV. pertence a família 7A.
Estão corretas as afirmações:
a) I, II e III somente.
b) I e III somente.
c) II e IV somente.
d) I e IV somente.
e) II, III e IV somente.
Resolução:
I. Correto, pois para descobrir o número atô-
mico, basta somar o número de elétrons (o
átomo M é neutro, logo o número de prótons
é igual ao número de elétrons):
2 + 2 + 6 + 2 + 6 + 2 + 5 = 25

II. Falso, pois a última camada do átomo M é 4


e pela configuração eletrônica, há 2 elétrons
na camada 4.
III. Correto, na camada 3 há 2 + 6 + 5 = 13
elétrons (3s2 3p6 3d5).
IV. Falso, pois como a configuração eletrônica
termina em 3d5, pertence à família B (7B
para ser mais exato), não pertencendo à fa-
mília A (ou 7A)

Alternativa B

27
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APLICAÇÃO NO COTIDIANO

Segundo um estudo feito pela Unicamp, a cafeína pode colaborar para a descalcificação dos ossos através
da perda de íons Ca2+ presentes neles. Segundo o seguinte estudo, “O consumo frequente de café e de refrigerante
à base de cola (Coca-Cola) promove alterações ósseas e pode aumentar o risco de fraturas, principalmente no
gênero feminino. A conclusão é da tese de doutorado do cirurgião-dentista Amaro Ilídio Vespasiano Silva, defen-
dida recentemente no programa de Pós-Graduação em Radiologia Odontológica da Faculdade de Odontologia de
Piracicaba (FOP), sob a orientação do professor Lourenço Correr Sobrinho. Embora a pesquisa tenha sido feita em
modelo animal (ratos), sustenta o autor, seus resultados podem ser extrapolados para os seres humanos. ‘Estudos
encontrados em literatura específica acompanharam populações (homens e mulheres) que consumiram refrige-
rante à base de cola e chegaram a resultados semelhantes aos encontrados na minha tese’, afirma o pesquisador.
Em seu trabalho, que teve a coorientação do professor Francisco Haiter Neto, Amaro Silva também analisou
os efeitos do consumo de refrigerante à base de guaraná (Antárctica) sobre os tecidos ósseos. De acordo com ele,
a bebida causa igualmente alterações na estrutura óssea, mas os resultados não foram determinantes a ponto de
reduzir a resistência do osso, assim como ocorreu com o café e o refrigerante à base de cola. A grande responsável
por esse efeito deletério, informa o pesquisador, é a cafeína, presente nas três bebidas consideradas, em proporções
diferentes.
A substância, conforme o cirurgião-dentista, age sobre o metabolismo ósseo. ‘Ela induz a diferenciação de
células precursoras de tecido ósseo em osteoclastos, células responsáveis pela reabsorção óssea. Quando a cafeína
está presente em grande quantidade, ocorre um aumento na diferenciação de osteoclastos, e com isso um aumento
significativo na reabsorção óssea. Como consequência, temos uma redução da massa óssea e o aumento do risco
de fraturas’, detalha.
A ideia de desenvolver o trabalho, conforme o autor, veio da necessidade de saber se a cafeína interferiria
na qualidade do osso – estrutura e resistência. ‘Alguns estudos apresentam controvérsias a respeito. O fato de as
bebidas serem amplamente consumidas no Brasil, inclusive por crianças e adolescentes, foi determinante para a
escolha do tema’, diz. Amaro Silva esclarece que as alterações mais pronunciadas nos ossos das fêmeas apuradas
na pesquisa se dão provavelmente por causa de fatores hormonais.
Apesar de o estudo não ter avaliado os teores hormonais, afirma, a grande diferença entre machos e fê-
meas está na variação hormonal. ‘No caso dos seres humanos, a mulher possui um ciclo hormonal que influencia
diretamente sobre o metabolismo do osso. Ocorre que a cafeína interfere sobre esse ciclo, o que faz com que haja
maior desmineralização do tecido ósseo’, reforça. Questionado sobre a possibilidade de se fazer um consumo
seguro das três bebidas investigadas, Amaro Silva informa que até o momento a ciência não determinou um valor
máximo nesse sentido. ‘Os estudos apontam que a menor concentração de cafeína, consumida no menor intervalo
de tempo, já é capaz de produzir efeitos adversos sobre o metabolismo ósseo’, aponta.”
Disponível em: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/602/consumo-de-cafe-e-refrigerante-de-cola-causa-alteracoes-osseas

30
INTERDISCIPLINARIDADE

A diferença da concentração intracelular e extracelular de substâncias e íons através da membrana plasmá-


tica pode ser mantida por transporte passivo (sem gasto de energia, sendo o caso da difusão e da osmose) ou por
transporte ativo (com gasto de energia, caso da bomba de sódio e potássio).
O transporte ativo caracteriza-se por ser o movimento de substâncias e íons contra o gradiente de concen-
tração, ou seja, ocorre sempre de locais onde estão menos concentradas para os locais onde encontram-se mais
concentradas.
Esse processo é possível graças à presença de certas proteínas na membrana plasmática que, com o gasto
de energia, são capazes de se combinar com a substância ou íon e transportá-lo para a região em que está mais
concentrado. Para que isso ocorra, a proteína sofre uma mudança em sua forma para receber a substância ou o
íon. É importante salientar que a energia necessária a esta mudança é proveniente da quebra da molécula de ATP
(adenosina trifosfato) em ADP (adenosina difosfato) e fosfato.
A bomba de sódio e potássio é um exemplo de transporte ativo. A concentração do sódio é maior no meio
extracelular, enquanto a de potássio é maior no meio intracelular. A manutenção dessas concentrações é realizada
pelas proteínas transportadoras descritas anteriormente, que capturam íons sódio (Na+) no citoplasma e bombeia-
-os para fora da célula. No meio extracelular, capturam os íons potássio (K+) e os bombeiam para o meio interno.
Se não houvesse um transporte ativo eficiente, a concentração destes íons iria se igualar.
Desse modo, a bomba de sódio e potássio é importante, uma vez que estabelece a diferença de carga
elétrica entre os dois lados da membrana, que é fundamental para as células musculares e nervosas, e promove a
facilitação da penetração de aminoácidos e açúcares. Além disso, a manutenção de alta concentração de potássio
dentro da célula é importante para síntese de proteína e respiração e o bombeamento de sódio para o meio extra-
celular permite a manutenção do equilíbrio osmótico.

31
Estrutura Conceitual
1s2

2s2 2p6

3s2 3p6 3d10

4s2 4p6 4d10 4f14


divididos em
Átomo Eletrosfera 5s2 5p6 5d10 5f14
6s2 6p6 6d10
7s2 7p6
Níveis

Subníveis

32
5
0 60 Tabela periódica

Competências Habilidades
1, 5 e 8 3, 17, 29 e 30

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
1A 8A
1 18
1 2
H 2A 3A 4A 5A 6A 7A He
1.008 2 13 14 15 16 17 4.00
3 4 5 6 7 8 9 10
Li Be B C N O F Ne
6.94 9.01 10.81 12.01 14.01 16.00 19.00 20.18
11 12 13 14 15 16 17 18
Na Mg 3B 4B 5B 6B 7B 8B 1B 2B Al Si P S Cl Ar
22.99 24.31 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 26.98 28.09 30.97 32.07 35.45 39.95
19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br Kr
39.10 40.08 44.96 47.87 50.94 52.00 54.94 55.85 58.93 58.69 63.55 65.38 69.72 72.64 74.92 78.96 79.90 83.80
37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I Xe
85.47 87.62 88.91 91.22 92.91 95.96 (98) 101.1 102.9 106.4 107.9 112.4 114.8 118.7 121.8 127.6 126.9 131.3
55 56 57-71
72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86
Cs Ba Série dos Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At Rn
Lantanídios
132.9 137.3 178.5 180.9 183.8 186.2 190.2 192.2 195.1 197.0 200.6 204.4 207.2 209.0 (209) (210) (222)
87 88 89-103
104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118
Fr Ra Série dos Rf Db Sg Bh Hs Mt Ds Rg Cn Nh Fl Mc Lv Ts Og
Actinídios
(223) (226) (267) (268) (271) (272) (270) (276) (281) (280) (285) (284) (289) (288) (292) (294) (294)

Série dos Lantanídios


57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71
Número
La Ce Pr Nd Pm Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu
Atômico 138.9 140.1 140.9 144.2 (145) 150.4 152.0 157.3 158.9 162.5 164.9 167.3 168.9 173.0 175.0

Símbolo Série dos Actinídios


Massa Atômica 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103
( ) = n.º de massa do Ac Th Pa U Np Pu Am Cm Bk Cf Es Fm Md No Lr
isótopo mais estável (227) 232.0 231.0 238.0 (237) (244) (243) (247) (247) (251) (252) (257) (258) (259) (262)

A tabela periódica ou classificação periódica dos elementos permite verificar as características dos ele-
mentos e suas repetições, bem como fazer previsões.
Em 1869, Dimitri Ivanovich Mendeleev (1834-1907), professor de Química da Universidade de São
Petersburgo (Rússia), escrevia um livro sobre elementos conhecidos na época, cujas propriedades havia anotado
em fichas separadas – cerca de 63.
Observando suas fichas, ele percebeu que, organizando os elementos em função da massa de seus átomos
(massa atômica), determinadas propriedades se repetiam diversas vezes, ou seja, eram propriedades periódicas.
A partir daí, Mendeleev organizou os elementos em linhas horizontais, seguindo um critério: quando as pro-
priedades de um elemento eram semelhantes às de outro da mesma linha, esse elemento era deslocado para uma
nova linha e posto na coluna do elemento com o qual tinha semelhança. Dessa maneira, formaram-se colunas com
elementos que traziam propriedades químicas semelhantes. As linhas horizontais foram denominadas períodos, e
as colunas, famílias ou grupos.
A tabela de Mendeleev foi eficiente ao demonstrar a periodicidade das propriedades dos elementos. Faltava,
porém, encontrar uma explicação para essas propriedades.
Em 1913, o químico inglês Henry Moseley (1887-1915) verificou que as propriedades dos elementos eram
dadas pela sua carga nuclear, denominada número atômico (Z). Com a descoberta de Moseley, foi possível corrigir
algumas anomalias observadas por Mendeleev.

Lei periódica atual (Moseley)


Quando os elementos químicos são agrupados em ordem crescente de número atômico (Z), observa-se a
repetição periódica de diversas propriedades. Na tabela periódica atual, os elementos químicos estão dispostos em
ordem crescente de número atômico, originando os períodos na horizontal (em linhas) e as famílias ou grupos, na
vertical (em colunas).

35
Organização da tabela periódica

Famílias ou grupos
Hoje, a tabela periódica é constituída por 18 famílias ou grupos.
Atualmente, existem duas maneiras de identificar as famílias ou grupos. A mais comum é indicar cada famí-
lia por um algarismo romano, seguido das letras A e B, por exemplo, 1A, 2A, 5B. As letras A e B indicam a posição
do elétron mais energético nos subníveis.
Na outra maneira, indicam-se as famílias por algarismos arábicos de 1 a 18, eliminando-se as letras A
e B. Essa forma foi proposta no final da década de 1980 pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e
Aplicada – http//www.iupac.org).

a) Famílias A e Zero
Os elementos que formam essas famílias são chamados elementos representativos. Seus elétrons mais
energéticos estão situados nos subníveis s ou p.
Nas famílias A, o número da família indica a quantidade de elétrons na camada de valência. Algumas famí-
lias possuem nomes:

Configuração do Nº de elétrons
Família ou grupo Nome Componentes
último nível no último nível
1A – 1 metais alcalinos ns1 1 Li, Na, K, Rb, Cs, Fr

2A –2 metais alcalino-terrosos ns2 2 Be, Mg, Ca, Sr, Ba, Ra

3A – 13 família do boro ns2np1 3 B, Aℓ, Ga, In, Tl, Nh

4A – 14 família do carbono ns2np2 4 C, Si, Ge, Sn, Pb, Fℓ

5A –15 família do nitrogênio ns2np3 5 N, P, As, Sb, Bi, Mc

6A – 16 calcogênios ns2np4 6 O, S, Se, Te, Po, Lv

7A – 17 halogênios ns2np5 7 F, Cℓ, Br, I, At, Ts

8A(Zero) – 18 gases nobres ns2np6 8 He, Ne, Ar, Kr, Xe, Rn, Og

b) Famílias B
Os elementos dessas famílias são denominados elementos de transição.
Uma parte deles ocupa o bloco central da tabela periódica, de III B até II B (10 colunas), e apresenta seu
elétron mais energético em subníveis d (de d1 a d10).

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

3B 4B 5B 6B 7B 8B 1B 2B

d1 d2 d3 d4 d5 d6 d7 d8 d9 d10

A outra parte deles está deslocada do corpo central, constituindo as séries dos lantanídeos e dos actinídeos.
Essas séries apresentam 15 colunas. O elétron mais energético está contido em subníveis f (de f1 a f14).

36
O esquema a seguir mostra o subnível ocupado pelo elétron mais energético dos elementos da ta-
bela periódica.
1 18

1s 1 1s 2
2 13 14 15 16 17

2s 1 2s 2 2p1 2p2 2p3 2p4 2p5 2p6

3s 1 3s 2 3p1 3p2 3p3 3p4 3p5 3p6


3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

4s 1 4s 2 3d1 3d2 3d3 3d4 3d5 3d6 3d7 3d8 3d9 3d10 4p1 4p2 4p3 4p4 4p5 4p6

5s 1 5s 2 4d1 4d2 4d3 4d4 4d5 4d6 4d7 4d8 4d9 4d10 5p1 5p2 5p3 5p4 5p5 5p6

6s 1 6s 2 4f 5d2 5d3 5d4 5d5 5d6 5d7 5d8 5d9 5d10 6p1 6p2 6p3 6p4 6p5 6p6

7s 1 7s 2 5f 6d2 6d3 6d4 6d5 6d6 6d7 6d8 6d9 6d10 7p1 7p2 7p3 7p4 7p5 7p6

4f 1 4f 2 4f 3 4f 4 4f 5 4f 6 4f 7 4f 8 4f 9 4f 10 4f 11 4f 12 4f 13 4f 14 5d1

5f 1 5f 2 5f 3 5f 4 5f 5 5f 6 5f 7 5f 8 5f 9 5f 10 5f 11 5f 12 5f 13 5f 14 6d1

Metais, ametais, semimetais e gases nobres


Outra organização importante, existente na classificação periódica, é a que divide os elementos em metais, não
metais (ou ametais), semimetais e gases nobres, como podemos ver a seguir.

37
§§ Metais: formam cátions (íons positivos) e são geralmente sólidos (exceto o mercúrio) com alto ponto de fusão.
Eles não se quebram com facilidade, mas, em geral, são maleáveis – principalmente quando aquecidos à tem-
peratura adequada –, e podem ser transformados em fios finos, ou seja, são dúcteis. É por isso que costumam
ser usados para moldar chapas e fabricar panelas, utensílios domésticos, fios elétricos etc. São também bons
condutores de eletricidade e calor.
Os metais, em sua grande maioria, encontram-se combinados a outros elementos, precisando passar por um
processo de separação para serem isolados.

§§ Ametais (não metais): cerca da metade dos não metais são gases, com exceção do bromo, que é líquido.
Os demais são sólidos.
O oxigênio, nitrogênio, cloro e flúor são não metais gasosos; o carbono, iodo, fósforo, enxofre, selênio e
astato são não metais sólidos.
Entre eles, há os halogênios: flúor, cloro, bromo, iodo e astato, que reagem com metais e formam sais. O sal
comum, por exemplo, é formado pela combinação de cloro e sódio.
Os não metais não são bons condutores de eletricidade ou calor; os sólidos geralmente quebram ao serem
dobrados. Possuem ponto de fusão baixo, se comparados aos dos metais (com exceção do carbono, na
forma de grafite ou diamante). Geralmente, não reagem com ácidos diluídos. O hidrogênio, devido às suas
propriedades muito especiais, deve ser deixado fora dessa classificação.
Geralmente, os não metais têm propriedades opostas em relação às dos metais.

§§ Semimetais: têm propriedades intermediárias entre os metais e os não metais.


§§ Gases nobres: têm comportamento químico muito particular, sendo geralmente inertes, isto é, pouco reativos.

Períodos
Na tabela atual, existem sete períodos (linhas horizontais), que correspondem à quantidade de níveis (ca-
madas) eletrônicos apresentados pelos elementos químicos.

4
Be ⇒ 1s2 2s2 ⇒ 2 camadas eletrônicas (K e L); 2º período
K L

17
Cℓ ⇒ 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 ⇒ 3 camadas eletrônicas (K, L e M); 3º período
K L M

Localização na tabela periódica


A distribuição eletrônica de um elemento permite que determinemos sua localização na tabela.
Vejamos alguns exemplos de como se pode localizar o elemento químico a partir da distribuição eletrônica:

11
Na ⇒ 1s2 2s22p6 3s1
camadas (níveis): K = 2; L = 8; M = 1

Características da distribuição eletrônica Localização e classificação


3 camadas (K, L, M) 3º período
elétron de maior energia situado no subnível s (3s1) bloco s (elemento representativo)
1 elétron na camada de valência (3s1) família 1A (metais alcalinos) = Grupo 1

38
17
Cℓ ⇒ 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 ⇒ 3 camadas eletrônicas (K, L e M); 3º período
K  L    M
Características da distribuição eletrônica Localização e classificação
3 camadas (K, L, M) 3º período
elétron de maior energia situado no subnível p (3p5) bloco p (elemento representativo)
7 elétrons na camada de valência (3s23p5) família 7A (halogênios) = 17

26
Fe ⇒ 1s2 2s22p6 3s23p6 4s2 3d6 ⇒ 4 camadas eletrônicas (K, L, M e N); 4º período

Características da distribuição eletrônica Localização e classificação


4 camadas (K, L, M e N) 4º período
elétron de maior energia situado no subnível d (3d6) bloco d (elemento de transição)
2 elétrons na camada de valência (4s2) + 6 elétrons no subnível de maior energia (3d6) família 8B = 8

Teoria na prática
1. Um átomo no estado fundamental apresenta normalmente 2 elétrons na primeira camada, 8 na segunda, 18 na
terceira e 7 na quarta camada. A família e o período em que se encontra esse elemento são, respectivamente:
a) família dos halogênios, sétimo período.
b) família do carbono, quarto período.
c) família dos halogênios, quarto período.
d) família dos calcogênios, quarto período.
e) família dos calcogênios, sétimo período.
Resolução:
Como esse elemento apresenta quatro camadas eletrônicas, ele é do 4º período. Por apresentar
7 elétrons na quarta camada, o elemento estará na coluna 7A. Trata-se, portanto, do halogênio situado
no quarto período.
Alternativa C

2. O alumínio que tem número atômico igual a 13:


a) pertence ao grupo 1A da tabela periódica.
b) forma cátion trivalente.
c) tem símbolo Am.
d) pertence à família dos metais alcalino-terrosos.
e) é líquido à temperatura ambiente.
Resolução:

13
Aℓ ⇒ 1s2 2s2 2p6 3s2 3p1
M=3

Características da distribuição eletrônica Localização e classificação


3 camadas (K, L, M) 3º período
elétron de maior energia situado no subnível p (3p1) bloco p (elemento representativo)
3 elétrons na camada de valência (3s23p1) família 3A (Boro) = 13

Por pertencer à família 3A, o alumínio tem capacidade de realizar três ligações, portanto é um cátion
trivalente.
a) (INCORRETA) o alumínio pertence ao grupo 13 – 3A da tabela periódica.
c) (INCORRETA) o símbolo do alumínio é Aℓ.
d) (INCORRETA) o alumínio pertence à família do Boro.
e) (INCORRETA) à temperatura ambiente, o alumínio é um sólido.
Alternativa B
39
3. Um átomo T apresenta 2 prótons a menos que hora, nem veículos híbridos, fazendas eólicas,
um átomo Q. Com base nessa informação, assi- lâmpadas fluorescentes”. Em relação às “terras
nale a opção falsa: raras”, é incorreto afirmar que:
T       Q a) quase todos os elementos que compõem as
a) gás nobre   alcalino-terroso “terras raras” fazem parte do “bloco f” da
b) halogênio   alcalino Tabela Periódica, ou seja, do conjunto de
c) calcogênio    gás nobre grupos cujos elementos possuem o elétron
d) enxofre    silício de mais alta energia no orbital atômico f.
e) bário     cério b) são os elementos lantanídeos, aos quais se
Resolução: juntam o escândio e o ítrio.
c) há 17 elementos considerados “terras ra-
Do enunciado, concluímos que, se Q tem x pró- ras”, e 15 deles são classificados como
tons, T terá (x – 2) prótons. Isso equivale a dizer metais de transição interna.
que Q está duas “casas” à frente de T na tabela d) são os elementos alcalino-terrosos.
periódica. Assim, basta seguir a tabela periódica e) a maior parte desses elementos que com-
para verificar a única opção incorreta (falsa). põem as “terras raras” faz parte do sexto
Alternativa D período da Tabela Periódica.
Resolução:
4. O elemento que, no estado fundamental, apresen-
ta a configuração eletrônica [Ar]4s23d6 é o quar- O grupo dos elementos chamados de “terras raras”
to mais abundante na crosta terrestre. Assinale a é um grupo constituído por metais. O termo “terra”
opção correspondente ao nome desse elemento. foi usado durante certo período (século XIX) como
a) Magnésio referência aos óxidos produzidos por esses metais.
b) Alumínio
Assim, “terra rara” seria um termo que designava
c) Oxigênio
óxidos metálicos de abundância reduzida.
d) Níquel
Os elementos terras raras são elementos do bloco
e) Ferro
de transição, sendo a grande maioria (15 deles)
Resolução: pertencente ao grupo dos lantanídeos (transição
interna) localizados, portanto, no sexto período da
Pela tabela periódica, a distribuição eletrônica
tabela. O escândio e ítrio não fazem parte do grupo
do argônio (Ar) é igual a 1s22s22p63s23p6. O ele-
dos lantanídeos, apesar de apresentarem caracte-
mento desconhecido será a parte do [Ar], acres-
rísticas físico-químicas semelhantes, o que justifica
cida de 4s23d6, como diz o enunciado da ques- então sua inclusão na classificação.
tão. Temos, então, para o elemento desconhecido Os elementos alcalinos terrosos, também formam
[Ar]4s23d6, ou seja, 1s22s22p63s23p64s23d6. óxidos (por isso o termo terroso), mas são repre-
Somando os expoentes (números de elétrons) sentativos, quer dizer, são elementos do grupo A da
obtemos 26, que é o número atômico do ferro. tabela periódica.
Alternativa E Alternativa D

5. Em 15 de março de 2012, o jornal O Estado de


São Paulo anunciou que uma “batalha planetá-
ria” estava sendo deflagrada pelo comércio das
chamadas “terras raras”. O motivo é que estas
são indispensáveis às indústrias de ponta. “Sem
elas, não haveria smartphones, nem celulares,
trens que andam a mais de 500 quilômetros por

40
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo As 100 Maiores Descobertas da Química ...

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Vídeo Elementos Químicos mais perigosos do mundo

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites Elementos da morte

super.abril.com.br/ciencia/os-elementos-da-morte/
phet.colorado.edu/sims/html/build-an-atom/latest/build-an-atom_pt_BR.html

42
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

Os elementos químicos têm diversas funções no nosso cotidiano. Na área da medicina, eles exercem fun-
ções, como antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos, calmantes, barbitúricos etc. Muitos artigos na literatura
científica fornecem dados históricos sobre a descoberta do lítio e seu desenvolvimento na psiquiatria, desde sua
descoberta na Austrália, seu desenvolvimento, primeiramente, na Europa e, então, nos Estados Unidos. O grande
marco na história do lítio ocorreu em 1954, quando o pesquisador dinamarquês Mogens Schou e colegas publica-
ram seu primeiro estudo duplo-cego do lítio na mania, iniciando um trabalho de toda a vida de Schou na pesquisa
do lítio e ensino. O uso do lítio no transtorno bipolar (TB) causou uma revolução na psicofarmacologia, pois forçou
os psiquiatras a pensarem em termos de diagnóstico, pois a utilidade do lítio nos quadros de mania clássica foi
consagrada por diversos estudos científicos e pela prática clínica.
Durante muitos anos, o lítio foi o único estabilizador do humor. Mais recentemente, outras medicações
começaram a ser utilizadas para esse fim, principalmente os anticonvulsionantes e antipsicóticos atípicos. Estas me-
dicações, com características farmacológicas, posológicas e clínicas diferentes, colocaram em cheque o "reinado"
do lítio e o seu papel atual no arsenal terapêutico do TB. O que se observa na prática clínica é um declínio do uso
desta medicação. Diversos motivos podem ser alegados para isso: dificuldades posológicas, efeitos adversos graves
(raros) e o investimento da indústria farmacêutica no desenvolvimento de novas medicações.
Contudo, o carbonato de lítio, após 50 anos, continua sendo um tratamento de primeira linha para a maio-
ria dos pacientes bipolares. Os estudos e a prática clínica ainda consagram o lítio como o estabilizador de humor
por excelência. Diretrizes elaboradas através de uma abordagem baseada em evidências consagram o lítio como
primeira escolha terapêutica em praticamente todas as fases e apresentações do TB. Conclui-se que os psiquiatras
(principalmente aqueles em formação) devem ser estimulados a conhecer de forma precisa as indicações do lítio e
aprenderem a utilizar esta medicação, que tem auxiliado tantos pacientes.

INTERDISCIPLINARIDADE

O chumbo tem envenenado a humanidade desde a invenção de duas coisas complementares: a cerâmica e
o vinho. Potes de cerâmica costumavam ser envernizados com produtos à base de chumbo. Esse verniz reage com o
vinho, resultando numa substância chamada acetato de chumbo. Também chamado de “açúcar de chumbo”, esse
produto é – como seria de se esperar – doce. Por isso e porque ajuda a conservar o vinho, o acetato de chumbo era
adicionado de propósito à bebida no Império Romano. E a elite de Roma tomava vinho como se fosse água. Isso,
segundo John Emsley, provavelmente era a causa do comportamento alucinado de imperadores como Calígula e
Nero. Nos séculos posteriores, esse tipo de envenenamento continuou a atacar os bebedores de vinho – porém de
forma acidental – ou pela má-fé de gente que usava o produto para disfarçar vinho ruim.

43
Estrutura Conceitual
Período definido pela
Camada

Família (grupo) definido pelo


Número de
elétrons
Átomo

Elementos Elementos
representativos de transição

terminam com configuração terminam com configuração


s ou p d ou f

44
7
0 80 Propriedades periódicas

Competências Habilidades
1, 5 e 8 3, 17, 29 e 30

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Propriedades periódicas
A Tabela Periódica permite deduzir quais elementos têm propriedades químicas e físicas semelhantes. Os
metais, semimetais, não metais e gases nobres formam grupos subdivididos para facilitar a localização.
A Tabela Periódica não é útil apenas para saber massa atômica, número atômico e distribuição eletrônica
dos átomos: é utilizada também para observar as propriedades periódicas e aperiódicas, utilizadas para relacionar
as características dos elementos com suas estruturas atômicas.
§§ Propriedades periódicas: variam de acordo com o número atômico, ou seja, assumem valores que cres-
cem e decrescem ao longo de cada período da tabela periódica.
Propriedade

F
4
Cl
Br
3 I
At
2
Ra
1 Li Na K Rb Cs Fr

10 20 30 40 50 60 70 80 90
Número atômico

Algumas propriedades periódicas: eletronegatividade, raio atômico, energia de ionização (também denomi-
nada potencial de ionização), eletroafinidade (também conhecida como afinidade eletrônica), densidade,
temperaturas de fusão e ebulição e volume atômico.

§§ Propriedades aperiódicas: os valores da propriedade variam à medida que o número atômico aumenta,
mas não se repetem em períodos regulares.
Exemplos: calor específico, índice de refração, dureza e massa atômica. É válido ressaltar que a massa
atômica sempre aumenta com o número atômico do elemento.

Eletronegatividade e eletropositividade
Eletronegatividade é a tendência que um átomo possui de atrair elétrons, quando se encontra “ligado” a
outro átomo de elemento químico diferente, numa substância composta.

§§ Variação da eletronegatividade: cresce da esquerda para a direita nos períodos e de baixo para cima
nas famílias (grupos).

Os gases nobres não se incluem nessa proprie-


dade. A eletronegatividade não está definida
para esses gases.

47
§§ Variação da eletropositividade: ocorre de período (lítio, por exemplo) tem apenas dois níveis
forma oposta à eletronegatividade e também de energia e terá raio atômico menor que um áto-
não está definida para os gases nobres. mo do 3º período (sódio, da mesma família, por
exemplo), que apresentar três níveis de energia.
Eletropositividade é a capacidade que um Nos períodos (linhas horizontais): em um mes-
átomo tem de doar elétrons, em comparação a outro mo período, o número de camadas eletrônicas é o
átomo, na formação de uma substância composta. É mesmo, mas quando o número atômico (número
o oposto da eletronegatividade. Também é denomi- de prótons) aumenta, também aumenta a atração
nada caráter metálico.
que o núcleo exerce sobre a eletrosfera, diminuin-
do o tamanho do átomo e consequentemente o
raio atômico. Dessa forma, nos períodos, o raio
atômico cresce da direita para a esquerda.

Raio iônico
Já vimos que átomos podem perder ou ganhar
elétrons, tornando-se íons (cátions e ânions, respecti-
vamente).

Raio atômico 1. Raio do cátion: ao perder elétron, a repulsão


da nuvem eletrônica diminui, diminuindo o seu
Por conta da eletrosfera não possuir um limite tamanho. Inclusive, pode-se perder o último ní-
bem definido, o raio atômico é calculado a partir do vel de energia e quanto menor a quantidade de
níveis, menor o raio. Portanto:
empacotamento em sólidos de átomos iguais, definindo
raio do átomo > raio do cátion.
distâncias entre os núcleos (d). Portanto, considera-se
o raio atômico (r) como sendo a metade da distância
11 prótons 11 prótons
​​ d  ​​​.
entre os núcleos de dois átomos vizinhos: r = __
2
11 elétrons –1e– 10 elétrons
11
Na 11
Na+
3 níveis de energia 2 níveis de energia

1s2 2s2 2p6 3s1 1s2 2s2 2p6

r raio Na > raio Na+

d
2. Raio do ânion: analogamente, quando um
átomo ganha elétron, aumenta a repulsão da
§§ Variação do raio atômico: nuvem eletrônica, aumentado o seu tamanho.
Assim, raio do átomo < raio do ânion.

8 prótons 8 prótons

8 elétrons +2e– 10 elétrons


8
O 8
O2-
2 níveis de energia 2 níveis de energia

Nas famílias (colunas verticais): aumenta de 1s2 2s2 2p4 1s2 2s2 2p6
cima para baixo, pois nesse sentido aumenta o
raio O < raio O2-
número de camadas eletrônicas (níveis de ener-
gia) do átomo. Dessa forma, um átomo do 2º

48
Para um mesmo elemento:
Variação da energia de ionização
raio do cátion < raio do átomo < raio do ânion
(neutro) Nas famílias e nos períodos, a energia de
ionização aumenta conforme diminui o raio atômico.
Afinal, quanto menor o tamanho do átomo, maior será
Numa série de isoeletrônicos (espécies – átomos,
a atração do núcleo pela eletrosfera e, assim, mais difícil
nêutrons, cátions ou ânions – que apresentam será retirar um elétron.
o mesmo número de elétrons), terá maior raio
aquele que tiver menor número atômico.

Exemplo: todas as espécies a seguir apresen-


tam 10 elétrons, ou seja, são isoeletrônicas:

O2–, 9F1– , 10Ne, 11Na1+ e 12Mg2+


8

De acordo com o número atômico, a ordem cres-


cente de raio será:

Mg2+ < 11Na1+ < 10Ne < 9F1– < 8O2–


Eletroafinidade ou
afinidade eletrônica
12

Perceba que, quando o número atômico (número


de prótons) decresce, a carga nuclear que atrai a
eletrosfera também diminui e, assim, o raio au- Eletroafinidade é a quantidade de energia
menta. liberada por um átomo, no estado gasoso, ao ga-
nhar um elétron. Os átomos com afinidade eletrôni-
ca elevada têm a tendência de ganhar um ou mais

Energia ou potencial
elétrons, adquirindo estabilidade (configuração ele-
trônica dos gases nobres).

de ionização
Representação do processo no qual o átomo ga-
nha um elétron e libera energia:
Energia (ou potencial) de ionização é a
energia necessária para remover um elétron de um
X(g) + e– → X1–(g) + energia
átomo (ou íon) na fase gasosa.

§§ Variação da eletroafinidade:
Exemplo:13Aℓ (3 níveis de energia no estado fun-
damental com 3 elétrons no nível mais externo 3s2 3p1)

1ª E.I.: 13Aℓ(g) + 577,4 kJ/mol ⇒ 13Aℓ1+(g) + e–


2ª E.I.: 13Aℓ1+(g)
+ 1.816,6 kJ/mol ⇒13Aℓ2+
(g)
+ e–
3ª E.I.: 13Aℓ2+
(g)
+ 2.744,6 kJ/mol ⇒ 13Aℓ3+(g)
+ e–
4ª E.I.:13Aℓ3+
(g)
+ 11.575,0 kJ/mol ⇒ 13Aℓ4+ (g)
+ e–
Não por coincidência, a eletroafinidade varia de
Logo: 1ª EI < 2ª EI < 3ªEI<<<4ªEI acordo com a eletronegatividade, uma vez que
À medida que o íon se torna cada vez mais posi- quanto mais eletronegativo for um átomo, maior
tivamente carregado, é necessário cada vez mais ener- é a sua tendência em ganhar elétrons. Note,
gia para retirar um elétron de sua camada mais externa. também, que a eletroafinidade não está definida
para os gases nobres.

49
3. Volume atômico:
Outras propriedades
Volume atômico de um elemento é o
periódicas volume ocupado por 1 mol (6,02 ∙ 1023) de seus
átomos no estado sólido.
Existem outras propriedades periódicas de me-
nor importância. Por esse motivo, não nos aprofunda-
Observe que o volume atômico não é o volume
remos em maiores explicações para a variação dessas
de um átomo, mas o volume de um conjunto de
propriedades. Vamos conhecer algumas delas:
6,02 ∙ 1023 átomos. Consequentemente, no
1. Pontos de fusão e de ebulição: na tabela volume atômico influi não só o volume de cada
periódica, em condições ambientes, temos: átomo como também o espaçamento existente
Gases: H2 (g) ; N2 (g) ; O2 (g) ; F2 (g) , Cℓ2 (g). entre eles.
Líquidos: Br2 (ℓ); Hg (ℓ). massa de 6,02 · 1023 átomos do elemento
V = ​​ _______________________________
         ​​
Sólidos: os demais elementos. densidade da substância simples

Variação do ponto de fusão e do ponto de ebu- §§ Variação do volume atômico:


lição:

Observe que, na família, a variação do volume


atômico é semelhante à do raio atômico; nos
As setas indicam o aumento do ponto de fusão
períodos, à esquerda da linha tracejada, o au-
(o carbono é uma exceção, com ponto de
mento do volume atômico acompanha o do raio
fusão de aproximadamente 3 550 °C). O tun-
atômico; à direita da linha tracejada, a variação
gstênio é o metal de maior ponto de fusão (apro-
é oposta porque, nos elementos situados nessa
ximadamente 3 422 °C), sendo utilizado na fabri-
região (principalmente os não metais), o espaça-
cação de filamentos de lâmpadas incandescentes.
mento entre os átomos é relativamente grande.
2. Densidade:

Chama-se densidade absoluta (d) ou


massa específica de um elemento o quociente en-
​ m
tre sua massa (m) e seu volume (v): d = __v ​ .

Variação da densidade:

Note que os elementos mais densos situam-se


no centro e na parte inferior da tabela periódica.
Exemplos: ósmio (d = 22,5 g/cm3) e irídio
(d = 22,4 g/cm3).

50
2. A tabela apresenta os valores para duas proprie-
Teoria na prática
dades atômicas (X e Y) em função do número
1. O gráfico a seguir mostra a variação do potencial atômico (Z):
de ionização (eixo das ordenadas) em função do
número atômico (eixo das abscissas). Número
3 4 5 6 7 8 9
Atômico (Z)
x 157 112 88 77 74 66 64
y 1,0 1,6 2,0 2,6 3,0 3,4 4,0

As propriedades X e Y são, respectivamente:


a) eletronegatividade e volume atômico.
b) primeira energia de ionização e afinidade
eletrônica.
c) raio atômico e volume atômico.
d) eletronegatividade e primeira energia de io-
Considerando que a escala no eixo das abscissas
nização.
não começa necessariamente de zero, os núme-
e) raio atômico e eletronegatividade.
ros atômicos dos elementos A, B e C só podem
ser, respectivamente: Resolução:
a) A = 1; B = 9; C = 10. A propriedade X pode corresponder ao raio atô-
b) A = 11; B = 18; C = 19. mico, porque, com o aumento do número atômi-
c) A = 10; B = 19; C = 20. co (número de prótons), nota-se diminuição nos
d) A = 12; B = 17; C = 18. valores dessa propriedade.
e) A = 2; B = 10; C = 11. A propriedade Y pode corresponder à eletrone-
gatividade, pois os valores aumentam com a ele-
Resolução:
vação do número atômico.
Na sequência de oito elementos que vai de A até
B, a energia de ionização, de modo geral, au- Alternativa E
menta com o aumento do número atômico. Isso
indica que esses oito elementos pertencem a um
mesmo período da tabela periódica. Além disso,
a súbita redução da energia de ionização ao pas-
sar de B para C indica uma mudança de período.
Os oito elementos de A até B devem pertencer,
portanto, ao segundo ou ao terceiro período da
tabela (períodos que têm apenas oito elemen-
tos), com A sendo alcalino do período seguinte.
Assim, podemos ter as seguintes possibilidades:
1ª possibilidade: A é o lítio (Z = 3), B é o neô-
nio (Z = 10) e C é o sódio (Z = 11).
2ª possibilidade: A é o sódio (Z = 11), B é o
argônio (Z = 18) e C é o potássio (Z = 19).

Dentre essas alternativas do teste, a única


possível é a b, que corresponde à segunda
possibilidade.
Alternativa B

51
INTERATIVI
A DADE

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Vídeo Metais Alcalinos 2

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Vídeo A Força dos Ímãs de Neodímio!

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites A química presente nas atividades do seu dia a dia

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52
LER

tt
Livros
Peter W. Atkins e Loretta Jones -
Princípios de Química – Questionando a Vida Moderna
e o Meio Ambiente

O livro encoraja estudantes a pensar e desenvolver compreen-


são sólida da química, os desafiando a questionar e a obter
nível mais alto de entendimento da matéria. A obra apresenta a
Química como algo atual e dinâmico, ao mostrar a relação entre
ideias químicas fundamentais e suas aplicações.

Para Que Servem os Elementos Químicos

Esta obra reúne informações úteis relacionadas com as origens


principais das propriedades, aplicações diversas e usos mais
comuns dos elementos químicos reconhecidos pela IUPAC.
Destinado ao público em geral, a obra foi elaborada de modo
claro e objetivo, podendo ser consultada independentemente da
formação científica, técnica ou cultural do leitor. Por suas
características, o livro pode ser recomendado para a contextuali-
zação do ensino de Química e áreas afins, de modo a atender à
filosofia de ação didática preconizada pelos Parâmetros Curricu-
lares Nacionais.

53
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

O flúor é muito utilizado em pastas de dente para proteger de forma mais eficiente os dentes contra cárie e isso tem
uma razão muito lógica. Os nossos dentes são protegidos por um esmalte e esse esmalte é basicamente composto
de um mineral chamado de hidroxiapatita. A hidroxiapatita é formada por fosfato de cálcio cristalino Ca10(PO4)6(OH)2
e representa um depósito de 99% do cálcio corporal e 80% do fósforo total. Esse mineral, muito pouco solúvel, se
dissolve em ácido, porque tanto o P quanto o OH– reagem com H+:
Ca10(PO4)6(OH)2 + 20HCℓ → 10CaCℓ2 + 6H3PO4 + 2H2O
As bactérias que causam a deterioração aderem-se aos dentes e produzem ácido lático através do metabolismo
de açúcar. O ácido lático diminui o pH na superfície dos dentes para menos de 5. Num pH inferior a 5,5, a hidroxiapa-
tita começa a dissolver e ocorre a deterioração dos dentes. O íon fluoreto inibe a deterioração dos dentes, formando
apatita fluoretada, Ca10(PO4)6F2, que é menos solúvel e mais resistente a ácidos do que a hidroxiapatita.

INTERDISCIPLINARIDADE

Há vários tipos de componentes que são capazes de con- Possui maior resistência aos fatores externos,
duzir energia elétrica. Mesmo assim, do ponto de vista como oxidação e corrosão galvânica. Essas características
comercial, dois são os principais: alumínio e cobre. O cobre reduzem o risco de superaquecimento das fiações. Além
é mais caro e, comparativamente, mais pesado que o alu- disso, o cobre é mais maleável que o alumínio, favore-
mínio. Então por que usar cobre? cendo o uso para aplicações e instalações em que fios
No geral, a principal aplicação do alumínio é em flexíveis são necessários ou desejáveis. Outro ponto é o
grandes redes de transmissão. O cobre é a opção no caso fato de que a maioria das estruturas existentes já são de
cobre e as conexões cobre-cobre são muito mais confiá-
de instalações domésticas e urbanas.
veis que alumínio-cobre.
Basicamente, o tipo de condutor que se aplica
Por fim, a legislação brasileira, por meio da ABNT
melhor às condições impostas é o usado. Peso, cus-
NBR 5410, impõe restrições legais ao uso de alumínio em
to, aquecimento e capacidade de condução elétrica são locais com uma ocupação muito densa ou onde o acesso
alguns dos fatores físicos e químicos que são levados em é um pouco mais difícil. Por isso, em hospitais e hotéis, por
consideração na escolha. Dessa forma, os condutores de exemplo, é proibido usar alumínio.
alumínio são mais usados em grandes redes de transmis-
Cobre – Alumínio
são e o cobre em instalações domésticas, por exemplo.
Comparativamente, o alumínio já chegou a ser §§ Resistividade elétrica:
oito vezes mais barato que um equivalente de cobre. Além 17,241 Ω · mm²/km – 28,264 Ω · mm²/km
disso, o condutor de alumínio tem metade do peso do
§§ Densidade: 8,89 g/cm³ – 2,703 g/cm³
seu correspondente de cobre. A terceira maior vantagem
desses condutores é resistir melhor à deformação. Todas §§ Peso (densidade × resistividade):
essas características reduzem os custos do uso desse (17,241 ∙ 8,89) – (28,264 ∙ 2,703)
material em grandes transmissões, pois as torres podem
§§ Massa atômica: 63,6 u.a. – 27 u.a.
ser menos robustas e o espaçamento entre elas pode ser
maior. §§ Preço (tonelada): US$ 5.800 – US$ 1.800

54
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 30 - Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que


visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente.

Atualmente há uma preocupação internacional relacionada aos recursos encontrados. Muitos elemen-
tos são, de forma geral, tão eficientes quantos os recursos que estão aos poucos sendo exauridos.
Por conta disso, é importante encontrar meios alternativos para a obtenção desses elementos com
técnicas diferenciadas e baratas, a fim de garantir um melhor aproveitamento dos recursos que
a terra pode conceder.

Modelo
(Enem) No ar que respiramos existem os chamados “gases inertes”. Trazem curiosos nomes gre-
gos, que significam “o Novo”, “o Oculto”, “o Inativo”. E de fato são de tal modo inertes, tão satis-
feitos em sua condição, que não interferem em nenhuma reação química, não se combinam com
nenhum outro elemento e justamente por esse motivo ficaram sem ser observados durante séculos:
só em 1962 um químico, depois de longos e engenhosos esforços, conseguiu forçar “o Estrangeiro”
(o xenônio) a combinar-se fugazmente com o flúor ávido e vivaz, e a façanha pareceu tão extraor-
dinária que lhe foi conferido o Prêmio Nobel.
LEVI, P. A tabela periódica. Rio de Janeiro: Relume-Dumará,1994 (adaptado).

Qual propriedade do flúor justifica sua escolha como reagente para o processo mencionado?
a) Densidade.
b) Condutância.
c) Eletronegatividade.
d) Estabilidade nuclear.
e) Temperatura de ebulição.

Análise Expositiva

Habilidade 30
De acordo com o texto só em 1962 um químico, depois de longos e engenhosos esforços,
conseguiu forçar “o Estrangeiro” (o xenônio) a combinar-se fugazmente com o flúor ávido e
vivaz, e a façanha pareceu tão extraordinária que lhe foi conferido o Prêmio Nobel.
Este trecho descreve a elevada eletronegatividade do flúor, capaz de formar XeF4
Alternativa C

55
Estrutura Conceitual

Primeiros
Menor Menor
períodos
raio atômico camada
da tabela

Menor
eletropositividade
Maior interação
núcleo-elétron

Menor
Maior afinidade
eletronegatividade eletrônica

Maior
energia de
ionização

56
9
0 01 Ligação iônica

Competências Habilidades
4, 5 e 7 15, 17, 18, 24 e
25

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Ligação iônica ou eletrovalente
Ligação iônica, também chamada de ligação eletrovalente, é produzida entre íons positivos (cátions) e
negativos (ânions), daí o termo “iônica”. Lembrando que os íons são átomos que possuem uma carga elétrica
por adição ou perda de um ou mais elétrons.
Portanto, nas ligações iônicas um cátion se une com um ânion, formando assim, um composto iônico por
meio da atração eletrostática existente entre eles (existem casos em que mais de um cátion se une com um único
ânion e vice-versa). Nesse tipo de ligação, a transferência de elétrons é definitiva.
Importante notar que, dos elementos que compõem a tabela periódica, aqueles que apresentam maior
facilidade em perder elétrons, são em sua maioria, os metais dos grupos 1, 2 e 13; e, por outro lado, os que
possuem facilidade em ganhar elétrons são os ametais dos grupos 15, 16 e 17, incluindo o hidrogênio (este
último, exclusivo em ligação iônica).

Teoria do octeto
Na metade do século XIX, os cientistas já haviam percebido que alguns átomos fazem sempre o mesmo
número de ligações. Por exemplo, o átomo de hidrogênio nunca se liga a mais de um outro átomo; o de oxigênio
pode se ligar a dois átomos de hidrogênio; o de nitrogênio a três átomos de hidrogênio e o de carbono a quatro
átomos de hidrogênio.
Surgiu, então, a ideia de valência, entendida como a capacidade de um átomo ligar-se a outros átomos.
Dizemos que o átomo de hidrogênio tem uma única valência (monovalente); o oxigênio tem duas valências (biva-
lente); o nitrogênio tem três (trivalente) e o carbono tem quatro (tetravalente) e assim por diante.
Mas somente em 1916 os cientistas Gilbert N. Lewis e Walter Kossel chegaram a uma explicação lógica para
as uniões entre os átomos, criando a teoria eletrônica de valência.
Considerando as configurações eletrônicas dos gases nobres, temos:

Elemento K L M N O P
Hélio (He) 2

Neônio (Ne) 2 8

Argônio (Ar) 2 8 8

Criptônio (Kr) 2 8 18 8

Xenônio (Xe) 2 8 18 18 8

Radônio (Rn) 2 8 18 32 18 8

Pela configuração eletrônica dos gases nobres, concluíram que os mesmos têm pouca tendência a se unirem
entre si ou com outros átomos, devido ao número máximo de elétrons na última camada (em geral 8 elétrons, ou 2
no caso do hélio). Nisso, os cientistas Lewis e Kossel lançaram a hipótese: os átomos, ao se unirem, procuram per-
der, ganhar ou compartilhar elétrons na última camada até atingirem a configuração eletrônica de um gás nobre.
Essa hipótese costuma ser chamada de regra do octeto.

Um átomo é estável se possuir 8 elétrons na camada de valência ou 2 elétrons, se a camada de valência for a K.

Átomos tendem a adquirir uma configuração estável, isto é, uma configuração semelhante à de um gás
nobre. Para isso, os átomos ligam-se através dos elétrons de valência.
A formação do composto iônico pode ser representada pela estrutura de Lewis e seu íon-fórmula.

59
Exemplos
1. Ligação entre o sódio 11Na e o cloro 17Cℓ.

Ilustração da reação entre átomo de sódio e cloro (ilustração em cores-fantasia)

Nesse exemplo, o átomo de sódio cede definitivamente 1 elétron ao átomo de cloro. Desse modo, forma-se
um íon positivo (cátion Na+) e um íon negativo (ânion Cℓ-), ambos com octeto completo, ou seja, com a
configuração de um gás nobre (no exemplo acima, neônio e argônio, respectivamente). No final, os íons
formados, com a finalidade de se estabilizarem, atraem-se, provocando uma união entre si.

Importante
O número total de elétrons cedidos deve ser igual ao número total de elétrons recebidos.

2. Ligação entre o átomo de cálcio 40Ca e átomos de cloro 17Cℓ:

cálcio (20Ca) ä 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 ä perde 2e– ä Ca2+ (2, 8, 8)
cloro (17Cℓ) ä 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 ä ganha 1e– ä Cℓ– (2, 8, 8)
ä Ca2+ (Cℓ–)2 ä CaCℓ2

Cada átomo de cálcio perde 2 elétrons e cada átomo de cloro só pode ganhar 1 elétron. São necessários 2
átomos de cloro para receber os dois elétrons cedidos pelo átomo de cálcio.

3. Ligação entre o metal alumínio 13Aℓ e o ametal oxigênio 8O:

alumínio (13Aℓ) ä 1s2 2s2 2p6 3s2 3p1 ä perde 3e– ä Aℓ3+ (2, 8)
oxigênio (8O) ä 1s2 2s2 2p4 ä ganha 2e– ä O2– (2, 8)
ä (Aℓ3+)2(O2–)3 ä Aℓ2O3

Cada átomo de alumínio perde 3 elétrons e cada átomo de oxigênio ganha 2 elétrons. Para que o total
de elétrons perdidos seja igual ao total de elétrons ganhos, 2 alumínios (perda de 6 elétrons) ligam-se a 3
oxigênios (ganho de 6 elétrons).

60
Teoria na prática
Fórmula eletrônica de Lewis 1. Efetue a ligação iônica entre o cálcio e o flúor,
dados Ca (Z = 20) e F (Z = 9).
Esta fórmula representa os elementos e os elétrons
do seu último nível (elétrons de valência) indicando-os por Resolução:
• ou ×
Ca: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2
K = 2 L = 8 M = 8 N=2
ℓ ℓ
F: 1s2 2s2 2p5
O composto iônico é formado por várias partícu- K = 2 L=7
las que se distribuem no espaço originando uma estru-
tura denominada retículo cristalino, como mostra a
figura para o sal de cozinha (NaCℓ):

2. Efetue a ligação entre o magnésio e o enxofre,


dados Mg (Z = 12) e S (Z = 16)
Regra para formulação das Resolução:

substâncias iônicas Mg: 1s2 2s2 2p6 3s2


K = 2 L = 8 M=2

Os exemplos anteriores permitem afirmar que


S: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p4
ligação iônica é a união entre átomos imediatamente
K =2 L = 8 M=6
após a transferência definitiva de um, dois ou mais elé-
trons entre esses átomos.
Observe que na formulação de um composto
iônico é fundamental que a carga elétrica total do(s)
cátion(s) neutralize a carga elétrica total do(s) ânion(s).
Tão somente dessa maneira o aglomerado iônico ficará
neutro, do qual resulta o esquema geral de formulação:

Ax+ + By – ä AyBx
Propriedades das
Exemplos: substâncias iônicas
Na+ + Cℓ– ä NaCℓ; Mg2+ + Cℓ1– ä
ä MgCℓ2; Aℓ3+ + O2– ä Aℓ2O3 Compostos iônicos apresentam pelo menos
uma ligação iônica entre seus componentes. É o caso,
por exemplo, do cloreto de sódio (NaCℓ – sal de cozi-
nha), do nitrato de sódio (NaNO3), do sulfato de sódio
(Na2SO4), do carbonato de cálcio (CaCO3).
Todos esses compostos apresentam ligações en-
tre seus íons: cátions e ânions atraem-se significativa-
mente. Por isso, essas ligações são de natureza elétrica
e dão origem a retículos ou reticulados cristalinos – em

61
grau microscópico. Um cátion atrai vários ânions e um
ânion atrai vários cátions; formando, desse modo, aglo-
merados com formas geométricas bem definidas.
O tamanho dos íons
Quando um átomo perde elétron(s), o núcleo
passa a atrair com maior intensidade os elétrons restan-
tes; desse modo, o raio do cátion é sempre menor
que o raio do átomo original.
Quando um átomo ganha elétron(s), a carga to-
tal da eletrosfera (negativa) torna-se maior que a carga
do núcleo (positiva), diminuindo a atração do núcleo
sobre o conjunto de elétrons; logo, o raio do ânion é
sempre maior que o raio do átomo original.
O gráfico abaixo nos mostra a comparação entre
raios atômicos e iônicos:
Família 1A Família 2A Família 3A Família 6A Família 7A

A estrutura cristalina do cloreto de sódio (NaCℓ) é cúbica.

Esses retículos fazem com que os compostos iô-


nicos apresentem as seguintes propriedades:
1. São sólidos em condições normais de temperatu-
ra 25 °C e pressão 1 atm.
2. Quando submetidos a impacto, quebram facil-
mente, produzindo faces planas; são, portanto,
duros e quebradiços.
3. Possuem pontos de fusão e de ebulição eleva-
dos, pois a atração elétrica entre os íons é muito Quando temos vários íons, todos com o mesmo
forte; para quebrá-la, é necessário fornecer uma número de elétrons (íons isoeletrônicos), o raio iônico
grande quantidade de energia; é o caso do clo- irá diminuir na proporção em que a carga positi-
reto de sódio, cujo ponto de fusão é 801 °C e va do núcleo for maior que a carga negativa da
ponto de ebulição é 1.413 °C. eletrosfera:
4. Em solução aquosa (dissolvidos em água) ou no
Íons O2- F- Na+ Mg2+ Aø3+
estado líquido (fundidos), eles conduzem cor-
Número atômico 8 9 10 11 12
rente elétrica, uma vez que seus íons ficam com
Número total de elétrons 10 10 10 10 10
liberdade de movimento e fecham o circuito elé-
Número de camadas
trico, permitindo que a corrente continue fluindo. 2 2 2 2 2
eletrônicas
5. Seu melhor solvente é a água, pois são polares Raio iônico (pm) 140 136 95 65 50
como ela; no entanto, apesar de polares nem to-
dos os compostos iônicos dissolvem-se na água;
é o caso do carbonato de cálcio (CaCO3), do es-
trôncio (SrCO3), do bário (BaCO3) e do cloreto de
prata (AgCℓ), praticamente insolúveis em água.

62
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Retículo cristalino

Fonte: Youtube

Vídeo What are Ionic Bonds? | The Chemistry Journey ...

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites Elementos da morte

www.soq.com.br/conteudos/ef/ligacoesquimicas/p1.php

63
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

As ligações iônicas estão presentes em nosso dia a dia em vários compostos. Podemos citar, por exemplo, o
cloreto de sódio, NaCℓ, ou sal de cozinha e mais uma infinidade de compostos iônicos. Vale lembrar que, em quími-
ca, um composto iônico é um composto químico no qual existem íons ligados numa estrutura cristalina através de
ligações entre metais e ametais. O elemento metálico geralmente é um íon de carga positiva (cátion), e o elemento
não metálico é um íon de carga negativa (ânion).
Os íons que entram na composição de um composto iônico podem ser simples átomos, como ocorre no sal
de cozinha (composto basicamente por Na+ e Cℓ–) ou grupos mais complexos, como ocorre no carbonato de cálcio
(ou calcário, composto por Ca2+ e CO32- ). O uso de calcário é muito grande na construção civil. Serve como um
cimento natural, utilizado no revestimento de estradas, e misturado com cal e argila é um bom cimento, que foi
usado na construção de cidades maias, como Chichen, Uxmal, kabah, Labná etc.
Geralmente, os pedaços menores são usados como cascalho para construção em lajes e pisos, agregados
maiores são usados para construção de paredes de alvenaria e, em alguns casos, utilizados como enfeites nas
fachadas das casas. O calcário é uma rocha sedimentar porosa feita de carbonato, consistido principalmente de
carbonato de cálcio. Quando, se tem alta proporção de carbonato de magnésio, é conhecido como dolomita, um
mineral. O calcário tem uma alta resistência ao intemperismo, o que permitiu que muitas esculturas e construções
esculpidas com estas rochas antigas sobrevivessem. No entanto, a ação da água da chuva e dos rios provoca a
dissolução do calcário, criando um tipo de erosão. O calcário é um componente importante do cimento utilizado
em construções modernas.

INTERDISCIPLINARIDADE

Nesta matéria feita pela Mundo Estranho (mundoestranho.abril.com.br/ambiente/por-que-o-mar-e-salga-


do/) relaciona-se o porquê do mar ser salgado. Para isso, é preciso entender o ciclo da água e as regiões geográ-
ficas. De uma forma geral, a água do mar contém sais, como NaCℓ e MgCℓ2, o que faz com que ele seja salgado,
contribuindo para processos industriais.

64
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 18 - Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas


ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.

Compostos iônicos estão presentes diariamente desde a idade média até a sociedade contem-
porânea sendo compostos que contêm altos pontos de fusão e ebulição. A identificação desses
compostos é devida às classificações da tabela periódica já apresentadas em aulas posteriores.
Para o aluno, é de suma importância poder definir o nome e a fórmula do sal em questão e qual
a sua classificação, pois é uma das matérias mais essenciais na química.

Modelo
(Enem) A fosfatidilserina é um fosfolipídio aniônico cuja interação com cálcio livre regula proces-
sos de transdução celular e vem sendo estudada no desenvolvimento de biossensores nanométri-
cos. A figura representa a estrutura da fosfatidilserina:

Com base nas informações do texto, a natureza da interação da fosfatidilserina com o cálcio livre
é do tipo
Dado: número atômico do elemento cálcio: 20

a) iônica somente com o grupo aniônico fosfato, já que o cálcio livre é um cátion monovalente.
b) iônica com o cátion amônio, porque o cálcio livre é representado como um ânion monovalente.
c) iônica com os grupos aniônicos fosfato e carboxila, porque o cálcio em sua forma livre é um cátion
divalente.
d) covalente com qualquer dos grupos não carregados da fosfatidilserina, uma vez que estes podem doar
elétrons ao cálcio livre para formar a ligação.
e) covalente com qualquer grupo catiônico da fosfatidilserina, visto que o cálcio na sua forma livre po-
derá compartilhar seus elétrons com tais grupos.

65
Análise Expositiva

Habilidade 18
Nessa questão há uma exigência do domínio do conteúdo para a sua resolução. É preciso que
se tenha em mente os mecanismos para a realização de uma ligação iônica, as diferentes
formas e as forças presentes neste tipo de ligação.
A natureza da interação da fosfatidilserina com o cálcio livre é do tipo iônica devido às in-
terações eletrostáticas do cátion cálcio (Ca2+) com os grupos aniônicos fosfato e carboxila.
Alternativa C

Estrutura Conceitual

Regra do
8 elétrons na última camada
octeto

Doam elétrons

Cátion + Ânion
Ligação iônica

Recebem elétrons

Cátions diminuem de tamanho

Raio iônico
Ânions aumentam de tamanho

66
Abordagem de QUÍMICA GERAL nos principais vestibulares.

FUVEST
Não são abordados com muita frequência os temas vistos nesta unidade, porém, quando trata-se
de métodos de separação, nota-se que o assunto em questão é abordado regularmente pelo
vestibular.

LD
ADE DE ME
D
UNESP
U

IC
FAC

INA

BO
1963
T U C AT U Um conteúdo abordado com bastante frequência e tem como principal assunto a parte de se-
paração de misturas, onde sempre coloca o candidato diante de uma situação do cotidiano,
esperando-se que a solução para tal problema seja respondida de forma direta e clara.

UNICAMP
A parte de mudanças de estado, separação de misturas e propriedades da matéria tem sido
muito bem abordada e com bastante frequência pelas provas da Unicamp, por conta de ser
uma matéria que pode ser relacionada com o cotidiano, característica principal deste vestibular.

UNIFESP
Aqui, nota-se que o vestibular, agrega diagramas de fases e sistemas em suas provas com maior
frequência, comparando-se com outros vestibulares.

ENEM/UFMG/UFRJ
É uma prova totalmente conceitual, onde são abordados os assuntos dessa frente e de outras ao
mesmo tempo. Algo muito comum em suas provas são as diversas perguntas que muitas vezes
são feitas em uma questão, e cabe ao candidato saber diferenciá-las na hora de sua resolução e
separar os dados dos exercícios. O uso do cotidiano é um artifício muito utilizado.

UERJ
As questões são sempre muito conceituais, focando sempre no prático e no que tange o dia a
dia. Os assuntos vistos nessa frente são abordados com frequência nos vestibulares e sempre
correlacionam com o cotidiano do aluno.
1
0 20 Propriedades da matéria

Competências Habilidades
1, 2 e 8 4, 7, 29 e 30

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnoló-
H11
gicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.
H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.
Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Estados físicos da matéria
Estados físicos da matéria, estados de agregação ou fases são as diferentes formas como a matéria
pode se apresentar. Forma e volume são alguns fatores que distinguem cada um dos estados físicos. O estado
sólido apresenta forma e volume constante, o líquido tem forma variável e volume constante e o gasoso, forma e
volume variáveis.
No estado sólido, as partículas que formam a matéria não apresentam liberdade de movimento, sendo
possível apenas movimentos vibracionais, além de a matéria ter maior densidade. No estado líquido, as partículas
apresentam liberdade de movimento, porém não estão completamente livres. Por fim, na fase gasosa, as partículas
apresentam ampla liberdade de movimento, além de a matéria ter menor densidade.
As substâncias podem sofrer alterações em seu estado físico quando se alteram alguns fatores, como tem-
peratura e pressão.

Sólido
Nesse estado, as partículas da matéria estão em agitação térmica mí-
nima. É o estado com mais átomos concentrados em um mesmo espaço físico
(volume). A sua forma e volume são fixos.
Uma bola de boliche, por exemplo, pode ser colocada em qualquer tipo
de recipiente e não tomará a forma do recipiente. Seu volume também não
sofrerá alteração.

Líquido
No estado líquido, as partículas apresentam maior agitação térmica e
estão um pouco mais dispersas, quando comparadas ao estado sólido. Nesse
estado, as substâncias têm volume fixo, porém a sua forma pode variar.
Por exemplo, a água líquida tem volume fixo, mas toma a forma do
recipiente que a contém.

Gasoso
É o estado de maior agitação térmica. Nele, as partículas estão muito
afastadas, dispersas no espaço. Substâncias no estado gasoso possuem forma
e volume variável.
O ar atmosférico, por exemplo, não possui forma e nem volume fixos,
adaptando-se ao recipiente (ou espaço) que o contém.

71
A vaporização pode ocorrer de três formas, re-
Plasma cebendo nomes específicos:
É o quarto estado da matéria e ocorre somen-
Ocorre naturalmente num líquido a
te em condições de altíssimas temperaturas, como no temperaturas inferiores ao ponto de
Evaporação ebulição.
Sol. Lá, os átomos de hélio ficam a uma temperatura e É lenta, praticamente imperceptível
pressão muito altas, fazendo com que os seus elétrons e superficial.
sejam desprendidos de seus átomos.
Ocorre na temperatura de ebuli-
ção, característica da substância. É
Ebulição rápida, visível, turbulenta e, normal-
Não se esqueça! mente, demanda o aquecimento do
líquido.
O que caracteriza e define um estado físico da
Ocorre quando o líquido entra em
matéria são as forças atuantes em seu interior: a
contato com superfícies muito quen-
coesão, a qual tende a aproximar as partículas, e Calefação tes, a temperaturas acima do seu
repulsão, a qual tende a afastá-las. Quando a for- ponto de ebulição. É instantânea e
violenta.
ça de coesão supera a de repulsão, a substância se
apresentará na fase de agregação chamada de sóli- As mudanças de estado podem ser descritas por
do, quando as forças apresentarem a mesma inten-
equações químicas.
sidade, teremos um líquido, quando a de repulsão
superar a de coesão, teremos então um gás.
Exemplos
Chumbo sólido passando para o
Pb(s) → Pb() estado líquido – fusão.

Mudanças de estado físico H2O() → H2O(s)


Água líquida passando para água
sólida (gelo) – solidificação.

Dióxido de carbono sólido (“gelo


A figura a seguir mostra as mudanças de esta- CO2(s) → CO2(g) seco”) passando diretamente para o
estado gasoso – sublimação.
do da matéria, também conhecidas como mudanças de
Nitrogênio gasoso passando para
fase ou mudanças de estado de agregação: N2 (g) → N2 () nitrogênio líquido – liquefação.

Temperaturas de
mudança de estado

Pontos de fusão (PF) e


de ebulição (PE)
Ponto de fusão (temperatura de fusão) é a
temperatura sob a qual uma substância passa do es-
tado sólido para o estado líquido. Ponto de ebulição
(temperatura de ebulição) é a temperatura na qual uma
substância passa do estado líquido para o estado gaso-
so a uma determinada pressão.
Ressublimação A água pura passa do estado sólido para o esta-
do líquido, sob pressão de 1 atm, à temperatura de 0 ºC.
Portanto, o ponto de fusão da água pura é 0 ºC. Já

72
essa água pura passa do estado líquido para o estado §§ Substância C: abaixo de –12 ºC é sólida. Aci-
gasoso, sob a mesma pressão, à temperatura de ma de 48 ºC ela é gasosa. Assim, a 20 ºC, ela é
100 ºC. Diz-se que o ponto de ebulição da água líquida.
pura é 100 ºC.
§§ Substância D: abaixo de –100 ºC é sólida.
O fator característico para uma substância ser
Acima de 16 ºC é gasosa. Assim, a 20 ºC, ela é
pura é, à determinada pressão, ter o ponto de fusão
gasosa.
constante. Por isso, sua determinação constitui um dos
métodos pelo qual se pode calcular o grau de pureza §§ Substância E: abaixo de 25 ºC é sólida. Acima
dessa substância. A partir daí, se forem identificadas de 55 ºC é gasosa. Assim, a 20 ºC, ela é sólida.
variações de temperatura superiores a 1 ºC, essa subs-
tância não é mais considerada pura.
O ponto de ebulição não tem a mesma importân- Densidade ou massa específica
cia para determinar a pureza de uma substância. Mas, do
mesmo modo que no ponto de fusão, quando se deter- Devido às consequências do dia a dia e de al-
mina o ponto de ebulição de uma substância pura, não gumas necessidades da ciência, novas medições foram
é admissível que surjam variações superiores a 1 °C na criadas ao longo do tempo. É comum dizermos, por
temperatura. Caso ocorra, concluiremos que se trata de exemplo, que o chumbo “pesa” mais do que a madeira.
uma mistura. No entanto, ao colocarmos na água 1 kg de chumbo e
1 kg de madeira, percebemos que o chumbo afunda,
Previsão do estado físico enquanto a madeira flutua. É fácil perceber, porém, que
tal comparação só se torna justa e racional quando feita
de um material entre volumes iguais.
As medições são tão importantes na ciência que
Considere uma tabela com cinco substâncias o cientista William Thomson – Lord Kelvin (1824-1907)
desconhecidas. disse: “Afirmo muitas vezes que, se você medir aquilo de
Ponto de Ponto de que está falando e expressar em números, você conhece
Substância
fusão (ºC) ebulição (ºC) alguma coisa sobre o assunto; mas, quando você não o
A –16 80
pode exprimir em números, seu conhecimento é pobre
B 50 80 e insatisfatório.”
C –12 48 Surge dessa comparação o conceito de densi-
D –100 16 dade, entendida como a massa dos “pedaços” iguais
E 25 55 (volumes iguais) de vários materiais. Matematicamente:

Qual o estado físico das substâncias a 20 ºC?


Associando a temperatura ao eixo x (abscissas) e Densidade é o quociente da massa pelo
volume do material (a uma dada temperatura).
colocando-se os valores de PF e PE, temos:

Ponto de Ponto de
fusão ebulição Essa definição é expressa pela seguinte fórmula:
temperatura (ºC)
sólido líquido gasoso
massa 
d = ​ ______  ​ ⇒ d = ​ m
__ ​ 
volume v
Analisando cada substância:
§§ Substância A: abaixo de –16 ºC é sólida. Acima
Para sólidos e líquidos, a densidade geralmen-
de 80 ºC é gasosa. Assim, a 20 ºC, ela é líquida.
te é expressa em grama por centímetro cúbico
§§ Substância B: abaixo de 50 ºC é sólida. Aci- (g/cm3 ou g · cm–3) ou grama por mililitro (g/mL ou
ma de 80 ºC ela é gasosa. Assim, a 20 ºC, ela g · mL–1). Para gases, costuma ser expressa em gramas
é sólida. por litro (g/L ou g · L–1).

73
Cálculo do volume do sólido:
V = Vf – Vi = (65,5 – 50,0) = 15,5 mL (esse foi
o volume de água deslocado).
175,9 g
m ​​ ​  ⇒ d = _______
Então, d = ​ ​​ __
v ​​    ⇒ d = 11,3 g/mL
 ​​  
15,5 mL
2. A tabela abaixo apresenta os valores de algumas
propriedades físicas de 3 substâncias:

Temperatura Temperatura
Densidade
Substância de Fusão de Ebulição
(g/cm3)
O gelo flutua sobre a água do mar porque a (ºC) (ºC)
Álcool –114,5 78,4 0,789
densidade do gelo (0,92 g/cm3) é menor que a densida- Acetona –94,8 56,2 0,791
de da água do mar (1,03 g/cm3). Naftalina 80,2 218,5 1,145

Analisando-se os dados contidos na tabela, é


Teoria na prática correto afirmar que:
a) a acetona evapora mais dificilmente que o
1. Para verificar se um objeto é de chumbo puro,
álcool.
um estudante realiza a seguinte experiência:
b) as 3 substâncias encontram-se no estado lí-
a) Determina a sua massa (175,90 g). quido a 60 °C.
b) Imerge-o totalmente em 50,0 mL (volume c) à pressão normal (1 atm), 1kg de água en-
inicial) de água contida numa proveta. traria em ebulição com maior dificuldade que
c) Lê o volume da mistura água + metal (65,5 1kg de álcool.
d) a densidade é a propriedade mais adequada
mL = volume final).
para distinguir o álcool da acetona.
Com os dados obtidos, calcula a densidade do e) a naftalina, a temperatura ambiente, ficaria
metal, compara-a com o valor registrado numa boiando na superfície da água.

tabela de propriedades específicas de substân- Resolução:


cias e conclui que se trata de chumbo puro. Qual a) Incorreta. De acordo com a tabela, acetona
o valor calculado para a densidade, em g/mL, à evapora a 56,2 °C, enquanto o álcool evapo-
temperatura da experiência? ra a 78,4 °C; logo, a acetona evapora mais
facilmente que o álcool.
Resolução: b) Incorreta. A 60 °C, o álcool se encontra no
estado líquido, acetona no gasoso e naftalina
no sólido.
c) Correta. Usando mesma quantidade das
substâncias (água e álcool), a água entra em
ebulição a 100 °C, enquanto o álcool entra
em ebulição a 78,4 °C, ambas à pressão de
1 atm.
d) Incorreta. De acordo com a tabela, a den-
sidade do álcool e da acetona são muito
próximas, não sendo muito adequado para
distinguir entre si.
e) Incorreta. A densidade da água à tempera-
tura ambiente é de 1,00 g/cm3, sendo densi-
dade da naftalina maior. Logo a naftalina irá
afundar na água.
Alternativa C
74
3. (Enem) O controle de qualidade é uma exigência a densidade do combustível 1 está acima de
da sociedade moderna na qual os bens de con- 0,811 g/cm3, portanto está fora do permitido.
sumo são produzidos em escala industrial. Nesse Na amostra 3 ocorre o oposto da amostra 1, as duas
controle de qualidade, são determinados parâ- bolas estão afundadas, indicando que a densidade
metros que permitem checar a qualidade de cada das duas bolas é maior do que a do combustível.
produto. O álcool combustível é um produto de Portanto, a densidade do combustível 3 está abaixo
amplo consumo muito adulterado, pois recebe de 0,805 g/cm3, portanto está fora do permitido.
adição de outros materiais para aumentar a mar- Na amostra 2, ocorre a situação intermediária às
gem de lucro de quem o comercializa. De acor- amostras 1 e 3, sendo que a bola escura flutua e
do com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a bola clara afunda. Isso indica que a densidade
o álcool combustível deve ter densidade entre do álcool combustível está entre 0,805 g/cm3 e
0,805 g/cm3 e 0,811 g/cm3. Em algumas bombas 0,811 g/cm3, estando dentro do permitido. Ao mes-
de combustível, a densidade do álcool pode ser mo tempo, pode-se concluir que a bola preta tem
verificada por meio de um densímetro similar ao densidade de 0,805 g/cm3 (menos densa) e a bola
desenhado abaixo, que consiste em duas bolas clara tem densidade 0,811 g/cm3 (mais densa).
com valores de densidade diferentes e verifica Com essas conclusões, temos que as alternativas
quando o álcool está fora da faixa permitida. Na estão:
imagem, são apresentadas situações distintas a) Incorreta. A densidade da bola escura não
pode assumir este valor, senão a adulteração
para três amostras de álcool combustível.
não seria notada.
b) Incorreta. A amostra 1 possui densidade
maior do que a permitida, de acordo com as
posições das bolas.
c) Incorreta. Se considerarmos que as bolinhas
possuam a mesma densidade, elas deveriam
ocupar as mesmas posições nas três amostras
(posição esta determinada de acordo com a
densidade da amostra), e isto não ocorre.
Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 d) Correta. As bolinhas possuem densidades
diferentes, sendo assim elas devem ocupar
A respeito das amostras ou do densímetro, po- posições distintas dentro da amostra, o que
de-se afirmar que: pode se verificar na amostra 2.
a) a densidade da bola escura deve ser igual a e) Incorreta. Como o combustível considerado
0,811 g/cm3. permitido está dentro de uma faixa de valo-
b) a amostra 1 possui densidade menor do que res, há uma necessidade de usar, no mínimo,
a permitida. duas bolas de densidades diferentes para ve-
c) a bola clara tem densidade igual à densidade rificar se o combustível está ou não fora do
da bola escura. permitido.
d) a amostra que está dentro do padrão estabe- Alternativa D
lecido é a de número 2.
e) o sistema poderia ser feito com uma úni-
ca bola de densidade entre 0,805 g/cm3 e
0,811 g/cm3.
Resolução:
A densidade do álcool combustível deve ser entre
0,805 g/cm3 e 0,811 g/cm3. Na imagem, as duas
bolas no combustível da amostra 1 estão flutuan-
do, indicando que a densidade do combustível é
maior do que a densidade das duas bolas. Logo,

75
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Estados Físicos da Matéria - Completo - LENAQ

Fonte: Youtube

Vídeo Geleiras derretendo

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites Íons no nosso corpo

phet.colorado.edu/sims/density-and-buoyancy/density_en.htm

76
LER

tt
Livros
Peter W. Atkins e Loretta Jones -
Princípios de Química – Questionando a Vida Moderna
e o Meio Ambiente

O livro encoraja estudantes a pensar e desenvolver compreen-


são sólida da química, os desafiando a questionar e a obter
nível mais alto de entendimento da matéria. A obra apresenta a
Química como algo atual e dinâmico, ao mostrar a relação entre
ideias químicas fundamentais e suas aplicações.

77
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

O combustível adulterado é, infelizmente, uma prática muito utilizada por muitos postos de combustíveis, para
que se tenha menos gastos, mas é uma prática danosa para os motoristas. Esses componentes adicionados podem ser
etanol à gasolina e água ao álcool acima do permitido. Para se ter uma ideia, segundo a Portaria 678 de 31/08/2011,
do Ministério de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a quantidade adicionada de álcool deve estar
entre 20% e 25% em volume.
Se esse limite for ultrapassado, o resultado será que no motor de explosão interna haverá uma mistura “pobre”
de ar/combustível, levando a uma dirigibilidade menor, falhas de funcionamento do motor, diminuição do poder calorí-
fico da gasolina e perda de desempenho.
Além de etanol, pode-se adicionar também querosene, aguarrás, benzina industrial e até óleo diesel, por serem
mais baratos e perfeitamente miscíveis com a gasolina. Tais adições podem ser prejudiciais aos motoristas, levando a
grandes prejuízos.
Para saber se a gasolina está, com boa qualidade, pode ser feito um simples teste de densidade. Basta colocar
50 mL de gasolina em uma proveta e adicionar 50 mL de solução de cloreto de sódio e misturar os dois sem agitar,
apenas misturando por inversão e deixar em repouso por 15 minutos. A água irá retirar o álcool que estava misturado
na gasolina, pois o etanol possui uma parte polar e outra apolar, sendo que sua parte apolar é atraída pelas moléculas
da gasolina, que também são apolares, pela força de dipolo induzido. Mas a sua parte polar, caracterizada pela presença
do grupo OH, é atraída pelas moléculas de água, que também são polares, realizando ligações de hidrogênio, que são
bem mais fortes que as ligações do tipo dipolo induzido. Como a água é mais densa, ela ficará na parte inferior, e a
gasolina, na parte superior.
Para sabermos então se a quantidade de etanol que tinha na gasolina estava dentro dos parâmetros estabeleci-
dos por lei, basta ver quanto de álcool foi retirado dela e ver quanto em porcentagem isso corresponde à amostra inicial.

INTERDISCIPLINARIDADE

A densidade é uma propriedade muito importante Exemplo:


para a química. Essa propriedade serve para indicar o por-
quê dos objetos afundarem ou flutuarem quando estão sob
a água ou qualquer outro líquido. O que tem de se levar em
conta quando tratamos de densidade não é simplesmente
a massa de certo material, mas sim a sua distribuição de
massa pela quantidade total de volume. Isso nos leva a uma
assimilação matemática onde certos tipos de material têm
uma certa quantidade de massa para certa quantidade de
volume. Se os compostos forem imiscíveis, podemos obter
uma coluna de densidade muito bonita para analisar como
as diferentes substâncias têm diferentes densidades. Como

78
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 7 – Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais


e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do trabalhador ou a qualidade de vida.

Muitas vezes é necessário fazer a fiscalização de postos de gasolina para conferir se não há adul-
teração do combustível. Essa adulteração é feita através da adição de muita água.
Para verificar se a adulteração procede, é realizado teste de densidade, propriedade físico-quími-
ca importantíssima para análises laboratoriais.

Modelo
(Enem) Ainda hoje, é muito comum as pessoas utilizarem vasilhames de barro (moringas ou potes
de cerâmica não esmaltada) para conservar água a uma temperatura menor do que a do ambiente.
Isso ocorre porque
a) o barro isola a água do ambiente, mantendo-a sempre a uma temperatura menor que a dele, como se
fosse isopor.
b) o barro tem poder de “gelar” a água pela sua composição química. Na reação, a água perde calor.
c) o barro é poroso, permitindo que a água passe através dele. Parte dessa água evapora, tomando calor
da moringa e do restante da água, que são assim resfriadas.
d) o barro é poroso, permitindo que a água se deposite na parte de fora da moringa. A água de fora
sempre está a uma temperatura maior que a de dentro.
e) a moringa é uma espécie de geladeira natural, liberando substâncias higroscópicas que diminuem
naturalmente a temperatura da água.

Análise Expositiva

Habilidade 7
Nesta questão é necessário o domínio das mudanças de estado da matéria, correlacionando-os
com o cotidiano, uma ferramenta muito utilizada pelo Enem durante os últimos vestibulares.
O barro é poroso, permitindo que a água passe através dele. Parte dessa água evapora
(H20(ℓ) + calor → H20(v)), absorvendo calor da moringa e do restante da água, que são assim
resfriadas.
Alternativa C

79
Estrutura Conceitual

Processo
Endotérmico
Energia cinética
Temperatura
das moléculas

Energia cinética
das moléculas
Temperatura Processo
Exotérmico

Sublimação

Fusão Evaporação

Sólido Líquido Gasoso

Solidificação Condensação

80
3
0 40 Diagramas de
mudança de estado

Competências Habilidades
1, 4 e 7 3, 15 e 27

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Diagramas de mudança de estado
As mudanças de estado podem ser representadas por gráficos, conhecidos como diagramas de mudança
de estado ou curvas de aquecimento e/ou resfriamento. Esses gráficos mostram a variação de temperatura de um
material quando aquecido ou resfriado, incluindo-se as mudanças de estado físico.
Ao aquecer uma amostra, podemos medir a sua temperatura e o tempo transcorrido durante o experimento.
A partir desses dados, pode-se elaborar o gráfico de temperatura da amostra × tempo transcorrido no aquecimento.
Observe alguns exemplos:
Com uma amostra de água sólida a –40 ºC, podemos chegar até o estado gasoso (a 120 °C), registrando,
ao longo do experimento, a temperatura e o tempo transcorrido desde o início.
Com esses dados, elaboramos um gráfico de temperatura da amostra de água em função do tempo trans-
corrido no aquecimento. Esse gráfico é conhecido como curva de aquecimento da água e é representado por:

Note que durante o aquecimento, a água sofre fusão a 0 ºC e entra em ebulição a 100 ºC.
Outra experiência que pode ser realizada em um laboratório equipado é acompanhar a temperatura e o
tempo transcorrido durante o resfriamento de uma amostra de água partindo do estado gasoso (a 120 °C) até o
estado sólido (a –40 °C). O gráfico que relaciona a temperatura dessa amostra em função do tempo no resfriamen-
to é chamado de curva de resfriamento da água e aparece esboçado no gráfico abaixo:

Note que, durante o resfriamento, a água condensa a 100 ºC e solidifica a 0 ºC.

Importante!
A temperatura na qual uma substância pura sofre solidificação (ponto de congelamento) é igual à temperatura na qual ela sofre fusão.
A temperatura na qual uma substância pura sofre condensação/liquefação é igual à temperatura na qual ela sofre ebulição.

83
Percebe-se que a curva de resfriamento é inver-
Substância pura × mistura sa à curva de aquecimento.

Os diagramas de estado são muito úteis, pois


permitem numa visualização imediata, identificar a na-
Misturas (homogêneas)
tureza de um sistema (porção de matéria em análise).
Não apresentam patamares e sim, trechos incli-
Substâncias puras são sistemas formados li-
teralmente por um único tipo de substância. Exemplos: nados que indicam que há variação na temperatura du-
água destilada; ferro puro; gás oxigênio. rante as duas mudanças de estado. Portanto, misturas
Misturas são sistemas formados por, no míni- (homogêneas) não possuem nem ponto de fusão e nem
mo, duas substâncias juntas. Exemplos: água e sal; água ponto de ebulição definidos.
e álcool; ar atmosférico. Vamos exemplificar com uma solução aquosa de
Ao se tratar de uma substância pura ou uma NaCℓ:
mistura, os diagramas de mudança de estado apresen-
tam configurações bastante características.

Substâncias puras
Apresentam dois patamares: trechos horizontais
que correspondem ao ponto de fusão e ao ponto de
ebulição constantes.
Vamos exemplificar com a água (PF = 0 °C e
PE = 100 °C ao nível do mar, onde a pressão atmosfé-
rica é igual a 1 atm).

Lembre-se: misturas comuns não apresentam


PF e nem PE definidos, ou seja, a temperatura varia
durante a mudança de estado.

Misturas especiais
Existem misturas com comportamento bastante
particular no que se refere às temperaturas de mudança
Lembre-se: somente substâncias puras apre- de estado. São as misturas eutética e azeotrópica.
sentam PF e PE definidos (constantes).
§§ Mistura eutética comporta-se como se fosse
Outra experiência que pode ser realizada é uma substância pura somente durante a fusão.
acompanhar a temperatura e o tempo transcorrido du- Portanto, possui ponto de fusão constante, mas
rante o resfriamento de uma amostra. Obtemos, assim, a sua temperatura de ebulição varia.
a curva de resfriamento do material:

84
§§ Mistura azeotrópica comporta-se como uma Resolução:
substância pura somente durante a ebulição. As- a) Correta. O tempo que permaneceu constante
sim, apresenta ponto de ebulição constante, mas (mudou de estado) foi de 10 minutos.
a sua temperatura de fusão é variável. b) Correta. O processo de resfriamento ocorre
Exemplo: Mistura de álcool etílico (96%) e com liberação de calor.
água (4%), que sofre ebulição (ferve) a 78,1 ºC. c) Correta. A temperatura que permaneceu
constante (mudou de estado) foi de 35 °C.
d) Incorreta. A média de decaimento da tempe-
ratura foi de 50 – 35/5 – 0 = 3 ºC/min.
e) Correta. Durante a mudança de estado físi-
co, estão presentes os dois estados físicos
PE = 78,1 (sólido + líquido ou líquido + gás).
Alternativa D
2. O quadro abaixo apresenta a variação de tempe-
ratura durante a fusão e a ebulição dos materiais
X, Y, Z e T.
Material PF PE
X Constante Constante
Teoria na prática Y Varia Varia
1. Uma substância foi resfriada no ar atmosféri- Z Constante Varia
co. Durante o processo foram feitas medidas de T Varia Constante
tempo e temperatura que permitiram construir Analisando o quadro, pode-se afirmar que X, Y, Z
este gráfico: e T são, respectivamente:
a) substância pura, mistura homogênea, mistu-
ra eutética, mistura azeotrópica.
b) mistura homogênea, substância pura, mistu-
ra eutética, mistura azeotrópica.
c) mistura homogênea, substância pura, mistu-
ra azeotrópica, mistura eutética.
d) substância pura, mistura homogênea, mistu-
ra azeotrópica, mistura eutética.
e) mistura eutética, mistura azeotrópica, mistu-
ra homogênea, substância pura.
A análise desse gráfico permite concluir que to- Resolução:
das as alternativas estão corretas, EXCETO:
De acordo com o quadro, podemos classificar o
a) A mudança de estado ocorreu durante 10 mi-
nutos. material em substância pura ou mistura:
X – Substância pura.
b) O sistema libera calor durante o resfriamento.
Y – Mistura homogênea.
c) A temperatura em que ocorre a mudança do
Z – Mistura eutética.
estado da substância é 35 °C.
T – Mistura azeotrópica.
d) A temperatura da substância caiu 5 °C/min
até o início da mudança de estado físico. Alternativa A
e) A substância se apresentava nos dois estados
físicos entre 5 e 15 minutos

85
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Como fazer gelo instantâneo sem química

Vídeo See the Extreme Ice Changes Near the Antarctic Peninsula ...

ACESSAR

Sites Experimentos atomísticos

manualdaquimica.uol.com.br/quimica-geral/mudancas-estado-fisico.htm

86
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

É muito comum ver em praias e em festas pessoas colocando gelo e sal às bebidas em seus coolers. Mas
você sabe por que as pessoas fazem isso?
A água tem uma temperatura de fusão em aproximadamente 0 °C, e a temperatura da água só começa
a baixar a partir do momento em que toda água vira sólido, caso contrário ela ficará em 0 °C sempre. Porém, ao
adicionarmos sal na água, seu ponto de fusão e de ebulição mudam. A sua temperatura de fusão baixa. Assim, se
você colocar suas bebidas num recipiente onde a temperatura está abaixo de zero, será muito mais eficiente.
A mistura água + sal permite que as bebidas sejam resfriadas mais rapidamente, pois seu diagrama de
fase agora não é uma temperatura constante nos pontos de ebulição e de fusão, e sim podendo variar conforme
o tempo.

INTERDISCIPLINARIDADE

A fase na qual uma substância se apresenta Podemos observar no diagrama que quando a
depende de suas condições de pressão e temperatura. pressão é 1 atmosfera, a fusão do gelo se dá a uma
Desta forma, para cada substância dizemos que há pa- temperatura de 0 ºC. Entretanto, quando a pressão
res de valores dessas duas variáveis que correspondem exercida é de 8 atmosferas, o gelo se funde a uma tem-
à fase sólida, pares que correspondem à fase líquida e peratura mais baixa, cerca de –0,06 ºC.
pares que correspondem à fase gasosa. Se você observar o diagrama da água e compa-
Algumas substâncias ditas anômalas fogem da rá-lo com o de outra substância, perceberá que a linha
regra que quanto mais alta for a pressão exercida sobre delimitadora entre as fases sólida e líquida apresenta
uma substância, maior será a temperatura de mudança uma inclinação para a esquerda.
de fase, sendo ela fusão, solidificação ou sublimação. A inclinação quer dizer que é possível fundir a
Para essas substâncias tal regra não se aplica, pois água por meio de um simples aumento de pressão.
quanto maior for a pressão sobre elas, mais baixa passa Segundo a física, pressão nada mais é do que a
a ser a temperatura de fusão. Sendo assim, o diagrama força aplica dividida pela superfície da área de conta-
de fases da água é representado da seguinte maneira: to. Patinadores de gelo são os exemplos mais claros de
como a física e química trabalham juntas. Como os pa-
tins são muito finos e sua superfície é muito pequena, o
seu peso é grande e, quando os patins deslizam sobre o
gelo, a pressão exercida pela lâmina na superfície faz o
gelo derreter. Portanto, na realidade, os patins deslizam
sobre uma fina película de água líquida, e não sobre a
água sólida.

87
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 3 - Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso


comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.

A interpretação científica de teorias é de extrema importância para o progresso da sociedade


contemporânea.
Com o passar dos tempos, as teorias relacionadas às moléculas e átomos foram se diversificando
e com isso houve uma consolidação na teoria do que é a matéria.
Compreender as diferentes formas com que as substâncias passam de um estado físico da ma-
téria para outro é de extrema importância para a consolidação do conhecimento relacionado ao
cotidiano. Essas mudanças estão presentes corriqueiramente e situações problemas são apresen-
tadas com frequência relacionando temas como: condensação e precipitação da chuva nas nu-
vens, processos de evaporação da água e derretimento das geleiras por conta do efeito estufa.

Modelo
(Enem) Em nosso cotidiano, utilizamos as palavras “calor” e “temperatura” de forma diferente de
como elas são usadas no meio científico. Na linguagem corrente, calor é identificado como “algo
quente” e temperatura mede a “quantidade de calor de um corpo”. Esses significados, no entanto,
não conseguem explicar diversas situações que podem ser verificadas na prática.
Do ponto de vista científico, que situação prática mostra a limitação dos conceitos corriqueiros de
calor e temperatura?

a) A temperatura da água pode ficar constante durante o tempo em que estiver fervendo.
b) Uma mãe coloca a mão na água da banheira do bebê para verificar a temperatura da água.
c) A chama de um fogão pode ser usada para aumentar a temperatura da água em uma panela.
d) A água quente que está em uma caneca é passada para outra caneca a fim de diminuir sua tempera-
tura.
e) Um forno pode fornecer calor para uma vasilha de água que está em seu interior com menor tempera-
tura do que a dele.

88
Análise Expositiva

Habilidade 3
As referencias teóricas das mudanças de fase das substâncias é essencial para a resolução
desta questão. É de extrema importância a padronização de experimentos e resultados para
que se tenha uma noção do que acontece com as substâncias durante as mudanças de fases.
Quando se aquece uma substância pura inicialmente no estado sólido, a temperatura aumen-
ta até atingir o ponto de fusão (PF), onde começa a “derreter”; neste ponto, a temperatura
é constante.
Quando chega na temperatura de ebulição ou ponto de ebulição (PE), acontece o mesmo:
a temperatura permanece constante. Isto ocorre com qualquer substância pura. Observe a
figura a seguir:

Alternativa A

Estrutura Conceitual

Substâncias PE e PF constantes
Puras

Azeotrópica PE constante

Misturas

Eutética PF constante

89
5
0 60 Sistemas

Competências Habilidades
1, 2 e 8 4, 7, 29 e 30

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Matéria
Matéria é tudo o que tem massa e ocupa espaço. Qualquer coisa que tenha existência física ou real é
matéria. Tudo o que existe no universo conhecido manifesta-se como matéria ou energia.
A matéria pode ser líquida, sólida ou gasosa. São exemplos de matéria: papel, madeira, ar, água, pedra, ferro etc.
A primeira ideia sobre a estrutura da matéria surgiu na Grécia, cerca de 450 a.C., com os filósofos Demócrito
e Leucipo. Eles sugeriram que, dividindo-se sucessivamente um material, chegaríamos a uma unidade indivisível, o
átomo (do grego, não divisível).

A teoria atômica de Dalton


Mais de 2.000 anos depois dos filósofos gregos, o cientista inglês John Dalton (1766-1844), em 1803, pro-
curando justificar os resultados obtidos nos experimentos realizados por Lavoisier e Proust – que deram origem às
leis ponderais – propôs sua teoria sobre a estrutura da matéria, conhecida como teoria atômica de Dalton:
§§ Toda matéria é formada por entidades extremamente pequenas, os átomos.
§§ Átomos iguais possuem propriedades iguais, inclusive a massa.
§§ Átomos diferentes possuem propriedades diferentes, inclusive a massa.
§§ Átomos podem se combinar entre si formando estruturas quimicamente estáveis.
§§ A formação dos materiais se dá por meio de diferentes associações entre átomos iguais ou diferentes. Tais
associações são os “átomos compostos”, que hoje equivalem ao conceito de moléculas.
A hipótese de Dalton e o reconhecimento de vários elementos químicos (átomos) diferentes na natureza
levam a uma pergunta muito importante: por que existe uma variedade tão grande de materiais na natureza?
Porque esses átomos, além de permanecerem isolados, podem se reunir em diferentes formas possíveis,
formando uma infinidade de agrupamentos diferentes, que podem ser moléculas (“átomos compostos”) ou
aglomerado de íons (que será explicado mais adiante).

Conceitos fundamentais
Átomo e elemento químico
Átomos são as partículas que formam a matéria. Elemento, por sua vez, é um conjunto de átomos iguais.
Mais rigorosamente, é um conjunto de átomos com o mesmo número atômico (Z).

Cada elemento químico recebe um nome e um símbolo, que é formado pela letra inicial (de forma e
maiúscula) de seu nome em latim ou grego. No caso de elementos com a mesma inicial, acrescenta-se uma segun-
da letra, minúscula. O símbolo é usado universalmente.
Existem atualmente mais de 100 elementos químicos diferentes que, combinados entre si, são responsáveis
pela grande variedade de materiais encontrados.

93
Veja alguns exemplos a seguir: 2. Quanto ao aspecto visual (nem sempre confi-
ável, se usarmos apenas a visão humana para
Elemento Símbolo análise) – homogêneo ou heterogêneo.
Esses dois critérios não são mutuamente exclu-
Carbono C
dentes; muito pelo contrário, podemos ter:
Hidrogênio H
§§ Substância pura com aspecto homogêneo
Sódio (Natrium) Na (exemplo, água pura líquida);
Prata (Argentum) Ag §§ Substância pura com aspecto heterogêneo
Chumbo (Plumbum) Pb (exemplo, água e gelo);

Potássio (Kalium) K
§§ Mistura homogênea (exemplo, água e sal de
cozinha);
§§ Mistura heterogênea (água e óleo).

Molécula
Um agrupamento de átomos de um mesmo ele-
Substância pura
mento ou de elementos diferentes é chamado molé- (ou simplesmente substância)
cula (“átomo composto”, de Dalton), caracterizando,
assim, uma substância. Essa pode ser representada É a espécie de matéria constituída por moléculas
graficamente por uma fórmula molecular, que indi- quimicamente iguais.
ca o número de átomos de cada elemento existente na Exemplos: substância pura água, H2O; substân-
molécula da substância. cia pura gás oxigênio, O2.

Substância Fórmula

água H2O

álcool C2H6O

cloreto de sódio NaCℓ

açúcar (sacarose) C12H22O11

ozônio O3 Através do modelo de Dalton, podemos enten-


der por que uma substância pura pode ser classificada
O índice ou atomicidade indica o número de
como simples ou composta.
átomos de cada elemento na molécula. Os índices do
hidrogênio e do oxigênio na molécula de água são, res- 1. Substância (pura) simples – formada por um
único elemento químico, ou seja, um único tipo
pectivamente, 2 e 1 (o índice 1 sempre é omitido). Isso
de átomo, independente da sua quantidade.
indica que a molécula de água é formada por 2 átomos
Exemplos: H2 (hidrogênio); O2 (oxigênio); Fe
de hidrogênio combinados com 1 átomo de oxigênio.
(ferro); S8 (enxofre) etc.
2. Substância (pura) composta ou composto

Sistemas materiais – formada por mais de um elemento químico, ou


seja, mais de um tipo de átomo.
A uma porção de matéria, damos o nome de sis- Exemplos: H2O (água); CO2 (gás carbônico);
tema, em geral isolada para análise ou estudo. Sistemas C6H12O6 (glicose), HCℓ (ácido clorídrico) etc.
podem ser classificados de duas formas:
1. Quanto à constituição (composição) – subs-
tância pura (ou, simplesmente, substância) ou
mistura.

94
Mistura Fases de um sistema
É a espécie de matéria formada, literalmente,
Fase é cada uma das porções homogêneas
pela mistura de duas ou mais substâncias puras.
que compõem um sistema heterogêneo. A fase pode ser
As misturas têm composição química variável,
contínua ou fragmentada.
ou seja, a proporção de cada uma das espécies que as
compõem é variável. Exemplos
Algumas misturas são tão importantes que têm
§§ A mistura de água e óleo apresenta duas fases:
nome próprio.
uma porção homogênea constituída pela água e
§§ gasolina – mistura de hidrocarbonetos, que são
outra constituída pelo óleo.
substâncias formadas somente por hidrogênio e
carbono. §§ A mistura de água, sal e areia apresenta duas
§§ ar atmosférico – mistura de 78% de nitrogê- fases: uma porção homogênea formada pela
nio, 21% de oxigênio, 1% de argônio e outros água contendo o sal dissolvido e uma fase sólida
gases, como o gás carbônico. constituída pela areia.
§§ álcool hidratado – mistura de 96% de álcool §§ O granito, pedra muito utilizada em construção,
etílico e 4% de água. tem três fases sólidas (quartzo, mica e feldspato).
§§ Quanto ao número de fases, os sistemas são

Tipos de mistura classificados como:


§§ Sistemas monofásicos: têm uma única fase.
As misturas podem ser classificadas em homo- Logo, são homogêneos.
gêneas e heterogêneas, de acordo com as definições §§ Sistemas bifásicos (2 fases), trifásicos (3 fa-
a seguir. ses), tetrafásicos (4 fases) e polifásicos (5 ou
§§ Mistura homogênea – é a que apresenta as- mais fases): possuem mais de uma fase. Portan-
pecto uniforme e propriedades iguais em todos os
to, sempre são heterogêneos.
seus pontos.
Exemplos: água de torneira, vinagre, ar, álcool
Importante!
hidratado, cachaça, gasolina, soro caseiro, soro
fisiológico e algumas ligas metálicas. Não confunda fase e componente de um sistema.
§§ Fase é cada porção homogênea (e indepen-
dente uma da outra) de um sistema.
Importante!
§§ Componente é cada tipo de matéria que
§§ As misturas homogêneas são chamadas soluções. constitui um sistema.
§§ Todas as misturas de quaisquer gases são sempre Por exemplo, o sistema [água + sal (comple-
misturas homogêneas. tamente dissolvido) + açúcar (completamente
dissolvido) + óleo + gelo] apresenta 3 fases
§§ Mistura heterogênea – é a que apresenta as- (1 fase líquida, formada pela água contendo o sal
pecto não uniforme e propriedades variáveis de e o açúcar dissolvidos; uma fase líquida, formada
um ponto a outro. pelo óleo; uma fase sólida, correspondente ao gelo)
Exemplos: água e óleo (a camada de óleo e 4 componentes (água, sal, açúcar e óleo. Note
que o gelo também é água!).
apresenta propriedades diferentes em relação à
água), água e areia etc.

Matéria

Substância Pura Mistura

Simples Composta Homogênea Heterogênea

95
Alotropia
É a característica que alguns elementos químicos possuem de formar várias substâncias simples diferentes
(formas ou variedades alotrópicas ou, ainda, alótropos).

Exemplos
Elemento químico Nome da substância simples Fórmula Atomicidade Figura no espaço

gás oxigênio O2 diatômico


Oxigênio
gás ozônio O3 triatômico

O ozônio é uma forma alotrópica do elemento oxigênio, e possui propriedades muito diferentes das do
oxigênio. Enquanto que o gás oxigênio é inodoro e incolor, o gás ozônio tem coloração azul e odor característico.

Elemento Nome da
Fórmula Atomicidade Figura no espaço
químico substância simples

Fósforo branco P4 tetratômico

Fósforo

Fósforo vermelho Pn ou P macromolécula

O fósforo branco é bastante tóxico e forma cristais que se fundem a 44 °C, e queima espontaneamente
em contato com o ar ou em atmosfera de oxigênio. O fósforo vermelho (também chamado de fósforo amarelo), não
é tóxico e apresenta-se como um pó inodoro que se funde a 72 ºC e queima em atmosfera de oxigênio somente
por aquecimento.

Nome da
Elemento
substância Fórmula Atomicidade Figura no espaço
químico
simples

grafite Cn ou C macromolécula

diamante Cn ou C macromolécula
Carbono

fulereno C60 macromolécula

96
Em 1985, foi divulgada em uma publicação científica a descoberta de uma molécula tridimensional de
carbono, na qual 60 átomos formam uma esfera com 12 pentágonos e 20 hexágonos, como uma bola de futebol.
Em homenagem ao arquiteto e pensador norte-americano Buckminster Fuller, a molécula foi denominada buck-
-minsterfulereno ou simplesmente “bucky-ball” ou fulereno.
Além do C60, outras formas de fulereno também são encontradas como C70, C76, C84, C92 e C540.

Elemento químico Nome da substância simples Fórmula Atomicidade Figura no espaço

enxofre rômbico S8 macromolécula

Enxofre

enxofre monoclínico S8 macromolécula

Ambas as estruturas são ciclos, mas as moléculas se apresentam em arranjos diferentes, que resultam em
cristais de formatos diferentes e com propriedades diferentes. O monoclínio se apresenta na forma de cristais
opacos e em formato de agulhas, enquanto o rômbico (mais comum) se apresenta na forma de cristais mais trans-
parentes e maiores.

Fenômenos
Para a ciência, fenômeno é qualquer acontecimento/fato/ocorrência da natureza. Quando ocorre um fenô-
meno, uma transformação, há alteração no sistema que se está estudando, ou seja, os estados inicial e final são
diferentes.
Consideramos como sistema um conjunto de materiais isolados para fins de estudo.
Costumam-se classificar os fenômenos em dois tipos:

1. Físico: quaisquer transformações sofridas por um material sem que haja alteração na sua composição.
Exemplo: Suponha que você tenha uma tábua (madeira) e a corte em partes para fazer, por exemplo, uma
estante. Essa fragmentação da tábua é um fenômeno físico, pois a constituição íntima da tábua inicial e a
das partes obtidas são exatamente as mesmas.
Outros exemplos: a laminação de metais, o amassar do papel, a queda de uma pedra, qualquer mudança
de estado físico.

2. Químico: quaisquer transformações sofridas por um material de modo que haja alteração na sua compo-
sição.
Exemplo: Se aproximarmos um fósforo aceso em um pires com álcool, esse começa a queimar. Essa queima
é um fenômeno químico, pois há alteração da constituição íntima do álcool, que, ao interagir com o oxigênio
do ar, se converte em gás carbônico e água, além de liberar energia.

C2H5 OH() + 3O2 (g) → 2CO2(g) + 3H2O() + calor

Outros exemplos: A formação de ferrugem, a transformação do vinho em vinagre, a fabricação do pão, o


apodrecimento de uma fruta, a decomposição de matéria orgânica, a fotossíntese, a respiração celular etc.

97
Resolução:
Teoria na prática
1. Observando-se o comportamento das substân- a) Correto. Oxigênio (O2) e ozônio (O3) são
cias nos sistemas a seguir, é INCORRETO afirmar substâncias simples.
que: b) Correto. Um sistema monofásico pode ser
substância pura (ex.: água pura) quanto uma
solução (ex.: água com açúcar).
água
c) Correto. Solução é uma mistura de duas ou
água
mais substâncias, formando um aspecto ho-
óleo +
+
+ sacarose
mogêneo. Existem soluções gasosas (ex.: ar,
Tetracloreto
água de carbono que é uma mistura de gases como N2, O2,
CO2, Ar etc.), soluções líquidas (ex.: álcool
I II III
+ água) e soluções sólidas (ex.: bronze, uma
a) o óleo deve ser solúvel em tetracloreto de mistura de Cu e Sn).
carbono. d) Incorreto. A definição de substância pura
b) a água e o óleo não são miscíveis, por serem é espécie de matéria que é constituída por
ambos apolares. moléculas quimicamente iguais, podendo ou
c) juntando-se os conteúdos dos sistemas I, II e não ser decomposta em outras mais simples.
III, obtém-se uma mistura heterogênea. Ex.: o gás hélio (He) é monoatômico e não
d) a sacarose é um composto polar. pode ser decomposto em algo mais simples,
e) o óleo é menos denso que a água. enquanto a molécula de água (H2O) pode ser
Resolução: decomposta em algo mais simples, como H2
e O2.
a) Correto. Tanto óleo quanto tetracloreto de
e) Correto. No ar encontramos tanto substân-
carbono são apolares, misturando-se entre si.
cia simples (ex.: Ar, N2, O2) como substância
b) Incorreto. Água e óleo não se misturam por
composta (ex.: CO2, H2O(v)).
serem polar e apolar, respectivamente.
c) Correto. A mistura terá parte polar (água + Alternativa D
sacarose) e apolar (óleo + tetracloreto de
carbono). 4. (Mackenzie) Dadas as afirmações, à vista desar-
d) Correto. Sacarose se dissolve em água, sendo mada:
um composto polar. I. Toda mistura heterogênea é um sistema poli-
e) Correto. No sistema I, óleo fica acima de fásico
água, logo, óleo é menos denso que água. II. Todo sistema polifásico é uma mistura hete-
rogênea
Alternativa B
III. Todo sistema monofásico é uma mistura ho-
3. Assinale a alternativa ERRADA. mogênea
a) Tanto oxigênio gasoso como ozônio gasoso IV. Toda mistura homogênea é um sistema mo-
são exemplos de substâncias simples. nofásico
b) Um sistema monofásico tanto pode ser subs-
São verdadeiras as afirmações:
tância pura quanto uma solução.
a) I e II.
c) Existem tanto soluções gasosas, como líqui-
b) I e III.
das, como ainda soluções sólidas.
c) II e IV.
d) Substância pura é aquela que não pode ser
d) II e III.
decomposta em outras mais simples.
e) I e IV.
e) No ar atmosférico, encontramos substâncias
simples e substâncias compostas.

98
Resolução:
I. Verdadeiro. Misturas heterogêneas possuem,
necessariamente, mais de uma fase. Logo, é
um sistema polifásico.
II. Falso. A maioria dos sistemas polifásicos é
uma mistura heterogênea, mas um sistema
que contém água com gelo é polifásico, mas
não é uma mistura heterogênea.
III. Falso. Sangue é um exemplo de um sistema
monofásico (a olho nu) e é uma mistura he-
terogênea. Outro exemplo é o leite.
IV. Verdadeiro. Toda mistura homogênea tem
aparência uniforme a olho nu; portanto, um
sistema homogêneo.
Alternativa E

5. (UFPA) O sistema constituído por água líquida,


ferro sólido, gelo e vapor d’água apresenta:
a) 3 fases e 3 componentes.
b) 3 fases e 2 componentes.
c) 4 fases e 2 componentes.
d) 4 componentes e 6 fases.
e) 2 fases e 2 componentes.
Resolução:

Vapor d’água

Gelo

Água líquida

Ferro sólido

O sistema terá 2 componentes (ferro sólido e


água, lembrando que água líquida, gelo e vapor
d’água são água).
O sistema terá 4 fases, sendo de ferro sólido,
água líquida, gelo e vapor d’água.
Alternativa C

99
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Concurso! - Torre de Líquidos

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites Alotropia

www.soq.com.br/conteudos/ef/substancias/p3.php

LER

tt
Livros
Peter W. Atkins e Loretta Jones -
Princípios de Química – Questionando a Vida Moderna
e o Meio Ambiente

O livro encoraja estudantes a pensar e desenvolver compreen-


são sólida da química, os desafiando a questionar e a obter
nível mais alto de entendimento da matéria. A obra apresenta a
Química como algo atual e dinâmico, ao mostrar a relação entre
ideias químicas fundamentais e suas aplicações.

100
INTERDISCIPLINARIDADE

Misturas são sistemas formados por duas ou mais substâncias puras e podem se classificar em homogêneas
ou heterogêneas.
Mistura homogênea possui as mesmas propriedades ao longo de toda a sua extensão, independente da
resolução óptica usada para examiná-la. Já nas misturas heterogêneas, as propriedades de uma região ou amostra
são diferentes daquelas para outra região ou amostra.
A distinção entre os componentes das misturas heterogêneas pode ser vista a olho nu, mas em alguns casos
são necessários aparelhos microscópicos, como é o caso do sangue. As diferentes porções constituintes do sangue
podem ser observadas ao microscópio.
O sangue é composto por glóbulos vermelhos (hemácias), que contêm hemoglobina, cuja função primária
é o armazenamento e transporte do oxigênio para os tecidos; glóbulos brancos, cujo principal papel é identificar,
destruir e remover qualquer produto estranho que tenha penetrado no organismo; e plaquetas, que atuam princi-
palmente no mecanismo de coagulação sanguínea.

101
Estrutura Conceitual

Simples
(1 elemento)

Substância
Pura

Composta
(2 ou + elementos)

Amostra de
matéria
Homogênea
(1 fase)

Mistura

Heterogênea
(2 ou + fases)

102
7
0 80 Análise imediata

Competências Habilidades
1, 2 e 8 4, 7, 29 e 30

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Métodos de separação de misturas
Na natureza, raramente encontramos substâncias puras. Por isso, fazemos uso de métodos de separação se
quisermos obter uma determinada substância pura.
Para a separação dos componentes de uma mistura, ou seja, para a obtenção separada de cada uma das
substâncias puras que deram origem à mistura, utilizamos um conjunto de processos físicos denominados análise
imediata. Esses processos não alteram a composição química das substâncias que formam uma dada mistura,
portanto tratam-se de fenômenos físicos.
A escolha do melhor método para a separação de misturas exige o conhecimento prévio de algumas das
propriedades das substâncias presentes. Se tivermos uma mistura de açúcar e areia, por exemplo, devemos saber
que o açúcar se dissolve na água, ao contrário da areia.
Muitas vezes, dependendo da complexidade da mistura, é necessário usar vários processos diferentes, numa
sequência que se baseia nas propriedades das substâncias presentes na mistura.
Alguns dos métodos de separação são tão comuns que nem pensamos neles como tais. A“escolha” dos
grãos de feijão (catação) e a separação de amendoim torrado das suas cascas (ventilação) são alguns exemplos
de separações que utilizamos no dia a dia.
Vamos estudar alguns desses principais processos de separação.

Misturas heterogêneas
Como já vimos anteriormente, misturas heterogêneas são sistemas formados por pelo menos dois compo-
nentes, formando pelo menos duas fases distintas.

Misturas heterogêneas [sólido-sólido]


§§ Catação: separam-se os componentes sólidos usando a mão ou uma pinça.
Exemplo: escolher feijão, separando-o de pedras, grãos indesejados e outros detritos.
§§ Ventilação: o sólido menos denso é separado por uma corrente de ar.
Exemplo: separação dos grãos de arroz de suas cascas, que são arrastadas pela corrente de ar.
§§ Levigação: o sólido menos denso é separado por uma corrente de água.
Exemplo: separação, no garimpo, de areia e ouro. A areia (menos densa) é arrastada pela água corrente e o
ouro (mais denso) permanece no fundo da bateia (recipiente semelhante a um prato).
§§ Separação magnética: um dos sólidos é atraído por um ímã.
Exemplo: separação em larga escala de alguns minérios de ferro de suas impurezas.
§§ Cristalização fracionada: todos os componentes da mistura são dissolvidos em um solvente que, em se-
guida, sofre evaporação, provocando a cristalização separada de cada componente. Essa técnica é baseada
na diferença de solubilidade dos sólidos e a cristalização pode ser induzida por mudanças na concentração,
temperatura etc.
Exemplo: obtenção de sais a partir da água do mar, nas salinas. A evaporação da água permite a
cristalização de diferentes sais, sendo que o último a ser obtido é o cloreto de sódio (NaCℓ), conhecido como
sal de cozinha.

105
§§ Dissolução fracionada: um dos componentes
Misturas heterogêneas
sólidos da mistura é dissolvido em um líquido.
Exemplo: mistura de sal e areia. Colocando-se [sólido-líquido]
a mistura em um recipiente com água, o sal irá
§§ Decantação: a fase sólida, por ser mais densa,
se dissolver e a areia se depositar no fundo do sedimenta-se, ou seja, deposita-se no fundo do
recipiente. Na sequência, uma filtração separa a recipiente.
areia (fase sólida) da água salgada (fase líquida); A separação das duas fases pode ser feita de
evaporando-se a água obteremos o sal. duas maneiras:
§§ Vira-se lentamente a mistura em um outro

Divulgação
frasco;
§§ Com o auxílio de um sifão, transfere-se a fase
líquida para um outro frasco (sifonação).

A Salina Peixe-Boi foi inaugurada no dia 29 de Outubro de 2011. Está


localizada na zona rural do Município de Porto do Mangue-RN, a 90 km da
cidade de Mossoró-RN. Conta com uma área salgada utilizada de 2.500
hectares. Em sua primeira colheita, já foram produzidas cerca de 240 mil
toneladas de sal, o equivalente a 35% de sua capacidade. Atualmente a
mesma oferta cerca de 90 empregos direto.

§§ Peneiração ou tamisação: usada para sepa-


rar sólidos formados por partículas de dimensões
diferentes.
Exemplo: separação de areia e cascalho (pe-
dras) nas obras de construção civil.

§§ Fusão fracionada: usada para separar sólidos


cujos pontos de fusão são muito diferentes.
§§ Filtração simples: a fase sólida é separada
Exemplo: como podemos separar uma mistu-
com o auxílio de papéis de filtro. A preparação
ra de ferro, chumbo e estanho? O estanho fun- do café e o filtro de água são dois exemplos do
de-se a 231 ºC; o chumbo, a 327 ºC; o ferro, a uso da filtração no dia a dia.
1536 ºC. Podemos derreter (fundir) primeiro o
estanho, depois o chumbo e, por último, o fer-
ro. Cada metal, ao derreter-se, é separado dos
demais.

§§ Sublimação: é usada quando um dos sólidos,


por aquecimento, sublima (passa diretamente do
estado sólido para vapor), e o outro permanece
sólido.
Exemplo: sal (ou areia) e iodo, que sublima ao
ser aquecido. (Obs.: naftalina e enxofre também
sofrem sublimação).

106
§§ Filtração a vácuo: o processo de filtração pode ferior do funil e é escoada abrindo-se a tornei-
ser acelerado pelo uso de uma trompa de vácuo ra de modo controlado. A decantação também
que “suga” o ar existente na parte interior do pode ser feita de uma maneira mais rudimentar,
kitassato, o que permite um escoamento mais utilizando-se um sifão (sifonação).
rápido do líquido.

§§ Centrifugação: é uma maneira de acelerar o


processo de decantação, utilizando um aparelho
Misturas heterogêneas [gás-sólido]
denominado centrífuga. Na centrífuga, devido
ao movimento de rotação, as partículas de maior §§ Decantação: a mistura passa através de obstá-
densidade, por inércia, culos, em forma de zigue-zague, onde as partí-
são depositadas no fundo do tubo. culas sólidas perdem velocidade e se depositam.
Industrialmente, esse processo é feito em equi-
pamento denominado câmara de poeira ou chi-
cana, conforme o esquema:

Misturas heterogêneas §§ Filtração: a mistura passa através de um filtro,


onde o sólido fica retido.
[líquido-líquido] Exemplos: esse processo é muito utilizado nas
indústrias, principalmente para evitar o lança-
§§ Decantação: separam-se líquidos imiscíveis com
mento de partículas sólidas na atmosfera. A fil-
densidades diferentes; o líquido mais denso acumu-
tração é também usada nos aspiradores de pó,
la-se na parte inferior do sistema. Em laboratório,
onde o sólido é retido (poeira) à medida que o
utiliza-se o funil de decantação (funil de separa-
ar é aspirado.
ção ou funil de bromo).
Exemplo: no sistema formado por água e óleo,
a água, mais densa, desloca-se para a parte in-

107
Misturas homogêneas
Misturas homogêneas [líquido-líquido]
§§ Destilação fracionada: são separados líqui-
Misturas homogêneas dos miscíveis cujas temperaturas de ebulição são
[sólido-líquido] diferentes. Durante o aquecimento da mistura, é
separado, inicialmente, o líquido de menor tem-
peratura de ebulição (o menos volátil); depois,
Nas misturas homogêneas sólido-líquido (solu-
o líquido com temperatura de ebulição interme-
ções), o componente sólido encontra-se totalmente dis-
diária e assim sucessivamente, até o líquido de
solvido no líquido, o que impede a sua separação por maior temperatura de ebulição (o menos volátil).
filtração. À aparelhagem de destilação simples, é acopla-
Os métodos mais usuais de separar os compo- da uma coluna de fracionamento. Conhe-
nentes desse tipo de mistura baseiam-se nas diferenças cendo-se a temperatura de ebulição de cada lí-
nas suas temperaturas de ebulição (pontos de ebulição): quido, pode-se saber, pela temperatura indicada
no termômetro, qual deles está sendo destilado
§§ Evaporação: a mistura é deixada em repouso (eliminado do sistema).
ou é aquecida até o líquido (componente mais
volátil) sofrer evaporação. Esse processo apre- Termômetro
senta um inconveniente: a perda do componente
líquido.
§§ Destilação simples: a mistura é aquecida em
uma aparelhagem apropriada, de tal maneira
Coluna Saída da água
que o componente líquido inicialmente vapori- de
za-se e, a seguir, sofre condensação, sendo reco- Fracionamento
Condensador
lhido em outro frasco. Em laboratório, utiliza-se
a seguinte aparelhagem: Balão
Entrada da água

condensador Bico Bunsen

Exemplos: separação de misturas de água e


Balão de álcool. A destilação é muito utilizada em indús-
destilação trias petroquímicas, na separação dos diferentes
derivados do petróleo. Nesse caso, as colunas
Erlenmeyer de fracionamento são divididas em bandejas ou
pratos. Esse processo também é muito utilizado
no processo de obtenção de bebidas alcoólicas
(alambique).

108
O esquema mostra o tradicional alambique usado para preparar bebidas alcoólicas provenientes da fermentação de açúcares ou cereais.

Existem casos de misturas homogêneas de líquidos que não podem ser separadas por processos físicos
como, por exemplo, a destilação. Isso porque tais misturas destilam em proporções fixas e constantes, como se
fossem uma substância pura. Essas misturas são denominadas misturas azeotrópicas. Assim, por exemplo, o álcool
etílico forma com a água uma mistura azeotrópica (95,5% de álcool e 4,5% de água) que destila à temperatura
de 78,1 °C.
Então, para obter o álcool anidro ou álcool absoluto (álcool puro) utilizam-se processos químicos: adicio-
na-se à mistura azeotrópica (água e álcool) óxido de cálcio (CaO), que reage com a água, produzindo hidróxido
de cálcio Ca(OH)2. A seguir, submetemos a mistura a uma destilação, pois agora somente o álcool destila, sendo,
portanto, recolhido puro.
Observe na tabela abaixo alguns exemplos de misturas azeotrópicas:

Mistura azeotropica Ponto de ebulição


álcool etílico (95,5%) + água (4,5%) 78,1 ºC

acetona (86,5%) + metanol (13,5%) 56 ºC

álcool etílico (7%) + clorofórmio (93%) 60 ºC

ácido fórmico (77,5%) + água (22,5%) 107,3 ºC

109
Misturas [gás-gás]
Análise cromatográfica
Lembrando que misturas de gases sempre são ou cromatografia
homogêneas (soluções gasosas), temos:
§§ Liquefação fracionada: a mistura de gases Esse método, utilizado para a separação e iden-
passa por um processo de liquefação e, poste- tificação dos componentes de uma mistura, é relativa-
riormente, pela destilação fracionada. mente recente. A palavra cromatografia vem do grego
chroma (cor) porque os primeiros compostos separados
Importante! por este método apresentavam colorações diferentes. A
cromatografia tem a vantagem de permitir até mesmo
A liquefação fracionada é utilizada na sepa-
a separação de componentes em quantidades muito
ração dos componentes do ar atmosférico: N2, O2 e
pequenas.
outros gases. Após a liquefação do ar, a mistura lí-
quida é destilada e o primeiro componente a ser
obtido é o N2, pois apresenta menor PE (–196 °C); Teoria na prática
posteriormente, obtém-se o O2, que possui maior PE 1. Uma maneira rápida e correta de separar uma
(–183 °C). mistura com ferro, sal de cozinha e arroz, é, na
sequência:
a) filtrar, aproximar um ímã, adicionar água e
destilar.
b) adicionar água e destilar.
gás nitrogênio, N2
TE = -196 ºC c) aproximar um ímã, adicionar água, filtrar e
destilar.
d) destilar, adicionar água, aproximar um ímã.
e) impossível de separá-la.
ar líquido
[-200 ºC] gás argônio, Ar Resolução:
TE = -186 ºC
Uma das formas de separar a mistura é:
1. Passar um ímã, separando o ferro do sal e
arroz (imantação);
2. Adicionar água, para dissolver o sal (dissolu-
Oxigênio líquido,O2
ção fracionada);
TE = -183 ºC
3. Filtrar a solução para separar o arroz da solu-
Placas perfuradas permitem a ascenção de gases ção de água + sal (filtração);
e a queda de líquidos 4. Destilar a solução para obter o sal (destila-
ção).
§§ Adsorção: consiste na retenção superficial de
gases. Algumas substâncias, tais como o carvão Alternativa C
ativado, têm a propriedade de reter, na sua su-
2. Um copo contém uma mistura de água, acetona,
perfície, substâncias no estado gasoso. Uma das
cloreto de sódio e cloreto de prata. A água, a
principais aplicações da adsorção são as másca-
acetona e o cloreto de sódio estão numa mesma
ras contra gases venenosos.
fase líquida, enquanto que o cloreto de prata se
encontra numa fase sólida. Descreva como po-
demos realizar, em um laboratório de química, a
separação dos componentes desta mistura.

110
Resolução:
Primeira etapa: Filtração para separar o cloreto
de prata (fase sólida) dos outros componentes;
Segunda etapa: Destilação fracionada para a
obtenção da acetona a partir da coluna de fracio-
namento e do condensador;
Terceira etapa: Destilação simples para separar
água do cloreto de sódio que restará no balão de
destilação.

3. Na preparação do café, a água quente entra em


contato com o pó e é separada no coador. As
operações envolvidas nessa separação são, res-
pectivamente:
a) destilação e decantação.
b) filtração e destilação.
c) destilação e coação.
d) extração e filtração.
e) extração e decantação.

Resolução:
Quando a água quente entra em contato com
o pó do café, é feita uma extração, porque são
dissolvidos somente os compostos solúveis em
água, deixando o pó, que é insolúvel, no filtro.
Em seguida, é feita uma filtração.
Alternativa D

111
INTERATIVIDADE

ASSISTIR

Vídeo O Segredo das Coisas - Ouro

Fonte: Youtube

Vídeo Frações de Petróleo Bruto e seus usos (em inglês)

Fonte: Youtube

Vídeo Como separamos coisas aparentemente . . . inseparáveis?

Fonte: Youtube

112
LER

tt
Livros
Peter W. Atkins e Loretta Jones - Princípios de Química –
Questionando a Vida Moderna e o Meio Ambiente

O livro encoraja estudantes a pensar e desenvolver compreensão


sólida da química, os desafiando a questionar e a obter nível mais
alto de entendimento da matéria. A obra apresenta a Química
como algo atual e dinâmico, ao mostrar a relação entre ideias
químicas fundamentais e suas aplicações.

113
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

Quando o petróleo é extraído, ele vem cheio de impurezas, que são então separadas por meio de processos
físicos. Por exemplo, a decantação é utilizada para separar o petróleo da água salgada. Visto que a água é mais
densa que o petróleo, ela fica na parte de baixo e o petróleo fica na parte de cima, podendo ser separados. Utiliza-se
também da filtração para remover impurezas maiores, tais como areia, argila e pedaços de rochas.
O petróleo é composto por uma mistura complexa de hidrocarbonetos, por isso, ele é enviado para as refina-
rias a fim de que seus componentes sejam separados e tenham um melhor aproveitamento. No entanto, não se co-
nhece até o momento nenhum método que consiga separar cada um desses hidrocarbonetos. Por isso, essa separação
ocorre em frações de substâncias, ou seja, separa-se a mistura complexa do petróleo em misturas bem mais simples.
O primeiro método utilizado para isso é a destilação fracionada, que se baseia na diferença das faixas das
temperaturas de ebulição das frações do petróleo.
Para tal, utiliza-se uma torre de destilação com uma fornalha na parte inferior, onde o combustível é aquecido.
A torre possui até 50 pratos ou bandejas, sendo que cada um apresenta uma temperatura diferente que vai dimin-
uindo à medida que a altura aumenta.
Quando o petróleo é aquecido na fornalha, seus componentes vão passando para o estado gasoso, sendo que
os mais pesados (de maior massa molar) não sobem, mas ficam líquidos na parte inferior e são separados. As demais
frações no estado gasoso sobem pela torre, e quando uma dessas frações atinge uma bandeja com uma temperatura
menor que seu ponto de ebulição, ela se liquefaz e é coletada nesta altura da torre. As demais frações, que ainda
permanecem no estado gasoso, passam para a próxima bandeja, e esse processo vai se repetindo. Desse modo, cada
uma das frações se liquefaz em um dos pratos e são coletadas separadamente.

114
INTERDISCIPLINARIDADE

Como visto anteriormente, o sangue pode ser


classificado como uma mistura homogênea ao olho nu,
porém, com o auxílio de um microscópio, pode-se ob-
servar uma mistura heterogênea, pois o mesmo é com-
posto por outros compostos. Além de tudo, há maneiras
diferentes de separar os conteúdos no sangue.
“O sangue pode ser separado em diversos com-
ponentes sanguíneos para várias indicações clínicas. No
entanto, muitos países não possuem instalações para
a separação de componentes, e o sangue total con-
tinua sendo o produto mais utilizado na maioria dos
países subdesenvolvidos. O uso de sangue total pode A centrífuga é usada em laboratórios de análises
ser a mais segura e sustentável maneira de cobrir as clínicas para separar os componentes do sangue, e com
necessidades transfusionais mais urgentes. No entanto, ela pode ser feita a sedimentação dos glóbulos brancos,
quando há recursos disponíveis, o uso de componentes vermelhos e plaquetas do sangue. Ao ser agitado, sepa-
sanguíneos oferece certas vantagens”, segundo a Orga- ra-se a parte sólida (glóbulos, plaquetas) do sangue, da
nização Mundial de Saúde. parte líquida, que é o plasma.
Uma das maneiras mais utilizadas para se sepa- Após ser centrifugado, o sangue apresenta três
rar o sangue, é através da decantação. fases líquidas bem distintas: o plasma sanguíneo, gló-
bulos brancos e plaquetas e os glóbulos vermelhos.

Plasma (55%)

Glóbulos brancos
e plaquetas (1%)

Glóbulos vermelhos
(44%)

Para separar rapidamente o sólido de um líquido,


pode-se "acelerar" a decantação. Para isso, coloca-se
a mistura num aparelho chamado centrífuga, que gira
em alta velocidade, depositando no fundo as partículas
sólidas, que são mais densas.

115
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 30 - Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que


visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente.

Atualmente há uma preocupação internacional relacionada aos recursos encontrados. Muitos elemen-
tos são, de forma geral, tão eficientes quantos os recursos que estão, aos poucos sendo, exauridos.
Por conta disso, é importante encontrar meios alternativos para a obtenção desses elementos com
técnicas diferenciadas e baratas, a fim de garantir um melhor aproveitamento dos recursos que a
terra pode conceder.
Meios de extração para purificação da água, dessalinização da água, formas de purificação de
uma região poluída provocados por solventes orgânicos residuais de industrias e meios de se-
paração de substâncias imiscíveis em um âmbito ambiental são uma das principais questões
desenvolvidas nesse tipo de habilidade.

Modelo
(Enem) Entre as substâncias usadas para o tratamento de água está o sulfato de alumínio que, em
meio alcalino, forma partículas em suspensão na água, às quais as impurezas presentes no meio
aderem.
O método de separação comumente usado para retirar o sulfato de alumínio com as impurezas
aderidas é a
a) flotação.
b) levigação.
c) ventilação.
d) peneiração.
e) centrifugação.

116
Análise Expositiva

Habilidade 30
Esta questão mostra a dinâmica do Enem em que sempre há uma abordagem relacionada ao
cotidiano e muitas vezes relacionada com problemas ambientais.
Nas estações de tratamento a água que será consumida pela população precisa passar por
uma série de etapas que possibilite eliminar todos os seus poluentes.
Uma dessas etapas é a coagulação ou floculação, com o uso de hidróxido de cálcio, conforme a reação:
3Ca(OH)2 + Aℓ2(SO4)3  2Aℓ(OH) + 3CaSO
3 4

O hidróxido de alumínio (Aℓ(OH)3) obtido, que é uma substância insolúvel em água, permite reter
em sua superfície muitas das impurezas presentes na água (floculação). O método de separação
comumente usado para retirar o sulfato de alumínio com as impurezas aderidas é a flotação (faz-
-se uma agitação no sistema e as impurezas retidas sobem à superfície da mistura heterogênea).
Alternativa A

Estrutura Conceitual
ventilação
catação
levigação
peneiração
decantação (sifonação)
filtração
Misturas centrifugação

heterogêneas
decantação (funil)

decantação (câmara de poeira)


sólido

gasoso líquido
destilação simples

Misturas
destilação fracionada
homogêneas

liquefação fracionada

117
9
0 01 Radioatividade -
emissões radioativas e
energia nuclear
Competências Habilidades
3e6 11 e 22

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológi-
H11
cos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científi-
co-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Introdução
Radioatividade é o fenômeno pelo qual um núcleo instável emite espontaneamente determinadas entidades
(partículas e ondas), genericamente chamadas radiações, transformando-se em outro núcleo mais estável. Esse
fenômeno deve-se unicamente ao núcleo do átomo.
Núcleo Núcleo

Emite
Radiação

Núcleo Instável Núcleo Estável

Fatores químicos, estado físico, pressão e temperatura não influem na radioatividade de um elemento, uma
vez que ela não depende da eletrosfera do átomo, mas apenas do fato de seu núcleo ser instável.
É o caso da radioatividade do urânio que é sempre a mesma. Não importa o estado físico da amostra nem
o fato de ele ser puro ou estar ligado a outro elemento.
Em 1896, o físico francês Antoine-Henri Becquerel percebeu que um sal de urânio (o sulfato duplo de po-
tássio e uranila: K2(UO2)(SO4)2) era capaz de sensibilizar o negativo de um filme fotográfico recoberto com papel
preto e uma fina lâmina de metal. As radiações emitidas pelo material apresentavam propriedade semelhante à
dos raios X.
Em 1897, Marie Sklodowska Curie (1867-1934) demonstrou que a intensidade da radiação é proporcional
à quantidade de urânio na amostra e concluiu que a radioatividade é um fenômeno atômico.
Nesse mesmo ano, Ernest Rutherford criou uma aparelhagem para estudar a ação de um campo eletromag-
nético sobre as radiações.

(+)
bloco de chumbo

raios
raios
raios
substância radioativa (–)
campo magnético
O esquema mostra o comportamento das radiações , e em um campo eletromagnético.

Das três ra diações mencionadas, a gama (g) é a mais penetrante – e a mais perigosa para o ser humano –,
a beta (b) tem penetração média e a alfa (a) é a menos penetrante.
Como os raios alfa e beta sofrem desvio no campo magnético, Rutherford concluiu que eles devem apresen-
tar carga elétrica, ao passo que os raios gama não. Os raios beta são atraídos pela placa positiva; devem, portanto,
ter carga negativa. Com o mesmo raciocínio deduziu-se que os raios alfa têm carga positiva. Estudos posteriores
permitiram caracterizar os três tipos de radiação.

121
As partículas a coincidem com o núcleo do hélio
Emissões radioativas 4 
(​​​2 ​​​He).
  Isso foi demonstrado por Rutherford, em 1909,
que observou um recipiente contendo material emis-
Principais emissões radioativas sor de partículas a. Certo tempo depois, o recipiente
ficava impregnado do elemento hélio. As partículas a
Emissão Constituição Massa capturavam elétrons do ambiente e transformavam-se
alfa 2 prótons e 2 nêutrons 4u em átomos de hélio.
beta 1 elétron >0 As equações nucleares obedecem a um balanço
gama onda eletromagnética 0
dos números de massa (A) e das cargas nucleares (Z),
que são conservados:
Carga Representação Velocidade
+2 4
+2
a 1/10 c

–1 0
–1
b 9/10 c

0 0
0
g c

c = velocidade da luz no vácuo = 300 mil km/s

Outras emissões bastantes comuns


Exemplo:
Emissão Constituição Massa  P​​​   u emitir uma partícula a, ele
§§ Se um átomo de ​​​239
94

próton 1 próton 1u se transforma em   ​​​ 92​​​U.


235
   Essa reação nuclear pode
nêutron 1 nêutron 1u ser representada por:
pósitron “elétron positivo” >0  
​​​ P​​​  u
239  ​​​ a
4  
​​​  + 235
​​​ 92U
​​​  
94  2 

Observe:
Carga Representação
+1 1
p SAReagentes = SAProdutos ä 239 = 4 + 235
+1

0 1
0
n SZReagentes = SZProdutos ä 94 = 2 + 92
+1 0
+1
b

Leis das emissões radioativas 2a lei: lei de Soddy-Fajans-Russel


– emissão de partículas b
1a lei: lei de Soddy – emissão
Se um átomo X emitir uma partícula b, seu nú-
de partículas a mero de massa permanece inalterado e seu número
atômico aumenta em 1 unidade:
  
 ​ZX
A
​   
​  0​b
–1   + Z​ A+  1​ Y.
Se um átomo X emitir uma partícula a, seu
número de massa diminui em 4 unidades e seu nú-
mero atômico diminui em 2 unidades:
Como há alteração do número atômico (Z), o
A
X 4
a+ 
Z​  – 2​ 
A –4
Y.
Z +2 átomo Y gerado pertence a um novo elemento químico,
diferente do átomo X original. Como o número de mas-
sa (A) permanece inalterado, na emissão beta, X e Y
Observe: Como há alteração no número atômi- sempre serão átomos isóbaros.
co (Z), o átomo Y gerado pertence a um novo elemento
químico, diferente do átomo X original.

122
As partículas b, também chamadas raios b ou tons, nêutrons etc. serão chamadas transmutações
radiação b, são partículas negativas iguais aos elétrons. artificiais. A primeira delas foi obtida por Rutherford.
Apresentam, portanto carga –1 e massa 0. A partícula b
forma-se pela desintegração de um nêutron no núcleo:

1 
0​ n
 ​     ​  
+1p
1
​     + ​  
–1​b
0  0  
    + ​
0​n
nêutron próton beta neutrino
Transmutação artificial mediante a qual Chad-
wick (1932) descobriu o nêutron:
Exemplo:
§§ Se um átomo de ​14   6​C emitir uma partícula b,
ele se transforma em  ​​ 7​​N.
14
   A reação nuclear pode
ser representada por:
​​​ 6C
14
​​​      ​ ​​  0
  ​​​  
–1b + ​​​ 7N
14
​​​   Atualmente, a maioria dos radioisótopos usados
Observe. na medicina, na indústria, na agricultura etc. são produ-
SAReagentes = SAProdutos ä 14 = 0 + 14 zidos a partir de transmutações artificiais.

SAReagentes = SAProdutos ä 6 = (–1) + 7


Energia nuclear
Raios gama Os meios de obtenção de energia têm sido a
grande preocupação da humanidade, notadamente a
As emissões, radiações ou raios gama (​​​0 0g
​​​   ) não
partir da segunda metade do século XX. Dentre as so-
são partículas, mas ondas eletromagnéticas seme-
luções encontradas, uma delas é a energia proveniente
lhantes à luz, cujo comprimento de onda é muitíssimo
dos núcleos atômicos, a energia nuclear, mediante rea-
menor, cuja energia é muito mais elevada, superando
ções de fissão e fusão nucleares.
inclusive os raios X. Sem massa nem carga elétrica, eles
não sofrem desvio ao atravessar um campo elétrico ou
magnético. Fissão nuclear
Embora dependam do átomo emissor, as emissões
g têm sempre um poder de penetração bem maior que as É o processo em que ocorre ruptura do núcleo
partículas a e b. Regularmente, uma emissão g atravessa que é bombardeado com partículas.
20 cm do aço ou 5 cm do chumbo (quanto mais denso o A primeira evidência foi em 1932, quando o físi-
metal, mais ele detém as radiações). Por isso, as emissões co italiano Enrico Fermi (1901-1954) observou que áto-
g representam o perigo máximo sob o ponto de vista fi- mos de urânio bombardeados com nêutrons produziam
siológico. um material radiativo. Em 1938, os químicos alemães
Evidentemente, uma emissão g não altera nem Otto Hahn (1879-1968) e Fritz Strassman (1902-1980)
o número atômico (Z) nem o número de massa (A) do constataram a presença de bário (Z = 56) na experiên-
elemento. Em razão disso, não se costuma escrever a cia de Fermi. E, em 1939, a física austríaca Lise Meitner
emissão g nas equações nucleares. (1878–1968) e Otto Frisch (1904-1979) observaram
que o núcleo bombardeado dividia-se e liberava ener-

Transmutações
gia. Nesse mesmo ano, Niels Bohr e John Wheeler enun-
ciaram a teoria da fissão nuclear.
Atingido pelo nêutron, o núcleo de 235U divide-se
Se um elemento químico emitir espontaneamen- em dois outros núcleos radiativos e produzem nêutrons
te uma radiação e transformar-se em outro, trata-se de
livres ao mesmo tempo em que liberam uma grande
um fenômeno chamado transmutação natural.
quantidade de energia.
Se as transmutações forem obtidas por bombar-
deamento de núcleos estáveis com partículas a, pró- ​​​  ​​​   +  10​​​ n​​​  
92U
235  
​​​ 56B ​​​  a +  
140
​​​ K​​​   r + 2 10​​ n​​​   + energia
94
36

123

Em lugar de 140  
​​ 56B​​   a e 94
​​ ​​Kr
   podem formar-se outros núcleos, cujos números de massa variam entre 72 e 158.
36

Essa formação pode chegar a dois, três ou mais neutros livres.

​​  ​​​   +  10​​​ n ​​​ 


92U
​235    ​​​  e +  
​​​ 54X
140
​​​ S​​​   r + 2 10​​ n​​​   + energia
94
38

  ​​​  +  10​​​ n​​​  


​​ U
​235    
​​​ K​​​   r + 3 10​​ n​​​   + energia
​​​ 56B ​​​  a + 91
142
92  36

Núcleo físsil ou fissionável diz respeito à ruptura sofrida pelo ​​​ 


235
92U
​​​   bombardeado pelo nêutron.

As pesquisas desenvolvem-se e a humanidade deposita esperanças nesse método de obtenção de energia.


Entretanto, seus efeitos podem ser adversos. Se controlada em um reator ou usina nuclear, a energia produzida é útil,
mas, se acontecer sem controle, desenvolve-se uma reação em cadeia, acompanhada de explosão: a bomba atômica.
Enrico Fermi e Leo Szilard (1898-1964) construíram o primeiro reator. Hoje existem centenas deles em fun-
cionamento. O Brasil também iniciou seu programa de energia nuclear construindo reatores em Angra dos Reis (RJ).
A primeira bomba atômica de teste foi detonada em 16 de junho de 1945, no deserto de Alamogordo, no
Novo México (EUA). Militarmente, foi usada no final da Segunda Guerra Mundial contra as cidades japonesas de
Hiroshima (bomba de 235 
​​​ 92 ​​​U,  
  em 6 agosto. 1945) e Nagasaki (bomba de 239
​​​ 94 ​​​Pu,
  em 9 agosto. 1945).
No processo de fissão ocorre uma reação em cadeia. Teoricamente, bastaria apenas um nêutron para iniciar
o processo. Na prática, no entanto, exige-se uma massa mínima para que isso ocorra, massa mínima essa acima
da qual há denotação com reação em cadeia, denominada massa crítica. Um átomo de urânio (​​​235  U
92 ​​​  ) é atingido por

um nêutron e se quebra para formar dois nêutrons. Esses dois nêutrons atingem outros dois átomos de urânio, que
se quebram, formando quatro nêutrons, que, por sua vez, atingirão mais quatro átomos de urânio, que formarão
oito nêutrons, e assim por diante, sucessiva e incontrolavelmente.
1
0 n

93
36 Kr 1
0 n

235
92 U 1
0 n

140
93 56 Ba
36 Kr
1
0 n 1
93 0 n
36 Kr

1 1
1
n 0 n 0 n
0
Nêutron 235
235
U 92 U 140
92
56 Ba 1
n
0
1
0 n
140
56 Ba 93
36 Kr
1
0 n

235
U 1
92
0 n
140
56 Ba
1
0 n
Reação em cadeia do Urânio-235

124
A energia liberada graças a uma explosão nuclear é medida em comparação com o efeito energético pro-
duzido pelo explosivo TNT.
§§ 1 quiloton: efeito energético igual a 1 mil toneladas de TNT.
§§ 1 megaton: efeito energético igual a 1 milhão de toneladas de TNT.
A bomba lançada sobre Hiroshima tinha a potência de 20 quilotons.
Na fissão nuclear, a energia desprendida por um reator nuclear transforma a água líquida em vapor, que
movimenta uma turbina que produz energia elétrica mediante um gerador.
A energia liberada em uma reação de fissão nuclear é imensamente maior do que as liberadas em reações
químicas. A fissão do urânio-235 libera na ordem de 2 ·1010 kJ/mol de energia. Comparando com outra fonte de
energia (ex.: etanol), a energia liberada na reação de combustão é de “apenas” 1360 kJ/mol.
A energia liberada na queima de um mol de etanol consegue aquecer aproximadamente 4 kg de água de
20 a 100 °C, enquanto que para aquecer a mesma quantidade de água no mesmo intervalo de temperatura, é
necessário somente” 0,00003 gramas, ou seja, de 0,03 mg de urânio.

Fusão nuclear
Fusão nuclear é o processo mediante o qual ocorre a união de núcleos para formar um núcleo maior. É o
que ocorre no Sol, onde núcleos de hidrogênio se fundem para formar núcleos de hélio, com liberação de grande
quantidade de energia.
Um dos processos que ocorrem no Sol é:
4 11​​ H
 ​​​ 
4 
 ​​​  e + 2  
2​​​ H ​​   + 2  00​​​​ n​​   + energia
​​   1​
 -
0
b
Essa reação não pode ser realizada artificialmente, uma vez que ela exige temperatura elevadíssima. Entre-
tanto, a partir de 1950, os cientistas iniciaram pesquisas para obter uma reação semelhante.
Em 1952, conseguiram realizar a primeira fusão não controlada, que constituiu a primeira bomba de
hidrogênio.
Algumas reações de fusão possíveis:
​​​2 1H
​​​   + 3 1​​​ H
​​​    ​​​ H
4
2  ​​​  e + 1 0​​​ n​​​   + energia

2 
 ​​​  +  1​​​ H
3 
1​​​ H ​​​   2​​​ H
 ​​​  e + energia
1

​​​3 2H
 ​​​  e +  2​​​ H
3
​​​   e  ​​​ H
4
2  ​​​  e + 2 ​1 1​​ H
​​​   + energia
Para iniciar esses processos de fusão, usa-se, como energia de ativação, a energia proveniente da explosão
de uma bomba atômica. Atualmente, são desenvolvidas pesquisas que visam obter outros métodos de ativação. Até
agora, essa fusão não pode ser controlada a fim de obter-se energia útil.
Digamos que a bomba atômica é a “espoleta” da bomba de hidrogênio, que libera a energia necessária
para a fusão. Ocorrida essa fusão, a energia liberada é extremamente intensa. Já foram detonadas bombas de
hidrogênio de até 500 megatons.
Há alguns anos sonha-se com a construção de um reator nuclear de fusão, que exigiria uma temperatura
mínima de 300 milhões de graus Celsius para a fusão. Até agora só se conseguiu atingir 200 milhões de graus
Celsius por uma fração ínfima de tempo.

125
INTERATIVIDADE

ASSISTIR

Vídeo Documentário - Radioatividade - Os Curie

Fonte: Youtube

Vídeo Chernobyl Disaster Documentary in 1986 ...

Fonte: Youtube

LER

tt
Livros
Peter W. Atkins e Loretta Jones - Princípios de Química –
Questionando a Vida Moderna e o Meio Ambiente

O livro encoraja estudantes a pensar e desenvolver compreensão


sólida da química, os desafiando a questionar e a um obter
nível mais alto de entendimento da matéria. A obra apresenta a
Química como algo atual e dinâmico, ao mostrar a relação entre
ideias químicas fundamentais e suas aplicações.

126
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

Radiofármacos e radiotraçadores
Eles recebem esse nome porque, ao serem transportados pelo corpo da pessoa, emitem radiações que
permitem seu monitoramento, sabendo por onde passaram e onde se depositaram. Isso permite que o radiologista
faça um mapeamento de órgãos.
Um exemplo de radioisótopo é o iodo-131, que é usado no tratamento de câncer de tireoide, pois, por se
acumular nesse órgão, suas radiações gama destroem as células cancerígenas.

Irradiação por raios gama


A irradiação por raios gama é usada para esterilização de produtos e descontaminação ou redução de carga
microbiana nos segmentos de alimentação, embalagens, fármacos, cosméticos e produtos veterinários. A esteri-
lização e a descontaminação por energia ionizante através de raios gama consiste na exposição dos produtos à
ação de ondas eletromagnéticas curtas, geradas a partir de fontes de Cobalto 60 em um ambiente especialmente
preparado para esse procedimento. Como as ondas eletromagnéticas possuem grande poder de penetração, os
organismos podem ser alcançados onde quer que estejam, tanto em embalagens lacradas como em produtos
acondicionados das mais variadas maneiras, o que garante a total eficácia do processo.
No decorrer do processo, os produtos já embalados são encaminhados em uma esteira automaticamente
controlada sem a necessidade de manipulação – para a sala de esterilização. Nesse ambiente protegido por esp-
essas paredes de concreto (bunker), encontra-se a fonte de Cobalto 60, que emite os raios gama responsáveis pela
quebra de DNA dos micro-organismos. O processo pode ser considerado similar ao de um micro-ondas, ou seja, o
produto é tratado e pode ser utilizado imediatamente após o tratamento. A diferença fica por conta do comprimen-
to de onda, que no caso do micro-ondas tem energia o suficiente para agitar as partículas e aquecer o produto,
enquanto na radiação através de Cobalto 60 tem energia para quebrar a cadeia de DNA dos micro-organismos.
O processo de esterilização por irradiação mata os micro-organismos e previne sua reprodução, mas o material
irradiado é incapaz de acumular radiação, não se tornando radiativo por ter sido irradiado.

INTERDISCIPLINARIDADE

A fisiologia humana pode ser extremamente comprometida, caso venha a se deparar com radiações. Nesta
matéria, há a explicação para os casos mais comuns quando se é exposto à radiação.
http://veja.abril.com.br/saude/os-efeitos-da-radioatividade-no-corpo-humano/

127
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 22 – Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a


matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas implicações
biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.

Atualmente há uma grande preocupação em relação aos meios de produção de energia. Um dos
assuntos mais debatidos é a energia nuclear.
A habilidade 22 contempla os riscos causados pela radiação e quais os principais efeitos que a
exposição às partículas e à radiação podem causar no ser humano. Um caso muito citado como
situação problema é o caso de Chernobyl.

Modelo
(Enem) A falta de conhecimento em relação ao que vem a ser um material radioativo e quais os
efeitos, consequências e usos da irradiação pode gerar o medo e a tomada de decisões equivocadas,
como a apresentada no exemplo a seguir.
“Uma companhia aérea negou-se a transportar material médico por este portar um certificado de
esterilização por irradiação”.
Física na Escola, v. 8, n. 2, 2007 (adaptado).
A decisão tomada pela companhia é equivocada, pois

a) o material é incapaz de acumular radiação, não se tornando radioativo por ter sido irradiado.
b) a utilização de uma embalagem é suficiente para bloquear a radiação emitida pelo material.
c) a contaminação radioativa do material não se prolifera da mesma forma que as infecções por microrganismos.
d) o material irradiado emite radiação de intensidade abaixo daquela que ofereceria risco à saúde.
e) o intervalo de tempo após a esterilização é suficiente para que o material não emita mais radiação.

Análise Expositiva

Habilidade 22
Este tipo de questão propõe ao aluno que seja feita uma análise crítica quanto à afirmação
utilizando-se dos conceitos vistos em sala de aula.
O material médico não pode acumular radiação, ou seja, não se torna radioativo por ter sido
irradiado. A decisão tomada pela companhia foi equivocada.
Alternativa A

128
Estrutura Conceitual

se instável
Nuclídeo Radionuclídeo

libera

Radiação

partículas

Alfa (42α) Beta (-10β) Gama (00γ)

129
Abordagem de CÁLCULOS QUÍMICOS nos principais vestibulares.

FUVEST
A Fuvest se mostra como uma prova cheia de “pegadinhas”, que se o candidato não estiver
atento pode ser induzido ao erro.

LD
ADE DE ME
D
UNESP
U

IC
FAC

INA

BO
1963
T U C AT U As questões são de fácil resolução, em que apresentam cálculos simples, com textos para sua
resolução simples e bem diretos. A prova é bem montada, ressaltando sempre se o candidato
sabe o meio da resolução e seu caminho lógico.

UNICAMP
A Unicamp, com a mudança em seus vestibulares, passou a adotar uma postura que envolve
menos cálculos químicos e mais conceitos teóricos da matéria. Contudo, algumas questões ainda
são clássicas, nas quais ocorre a abordagem da química no cotidiano.

UNIFESP
É uma prova totalmente conteudista, em que o candidato pode ser levado ao erro se a questão
não for lida e analisada com muita atenção e cautela. O cálculo é muito presente nas questões.

ENEM/UFMG/UFRJ
Neste vestibular, todo conteúdo abordado é puramente conceitual e é cobrado uma boa base
de matemática para resolução em tempo mínimo de muitos exercícios. As questões abordam de
forma constante mais do que apenas um conteúdo, tendo em vista o aprendizado do aluno como
um todo, e não apenas em uma área específica.

UERJ
As questões seguem um padrão onde sempre há um cálculo e uma pergunta teórica. Além de
saber resolver a questão, é necessário que se saiba também o porquê de tal resultado ser como
é e o que representa. Além disso, muitas vezes são abordadas questões interdisciplinares, ora
física e química, ora química e biologia.
1
0 20 Grandezas químicas

Competências Habilidades
1e2 4e7
© FreshPaint/Shutterstock

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnoló-
H11
gicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Introdução
Para se obter uma quantidade desejada de produtos, é comum, tanto nas atividades em laboratório como
nas indústrias, saber as quantidades de reagentes que devemos usar.
Isso só é possível a partir de cálculos das massas e dos volumes das substâncias envolvidas nas reações
químicas. Muitas vezes, é necessário determinar também o número de átomos ou de moléculas das substâncias
que reagem ou são produzidas. Para isso, precisamos conhecer a massa dos átomos.
A medida de uma grandeza é feita por comparação com uma grandeza padrão convenientemente escolhida. Des-
ta forma, a medida da massa de um corpo é feita comparando-a com a massa de um padrão adequadamente escolhido.
Quando se diz que uma pessoa possui uma massa de 65 kg, podemos interpretar este resultado da seguinte
maneira: a pessoa possui uma massa 65 vezes maior que o padrão utilizado para medir a sua massa, ou seja, 1 kg.
E para medir a massa de um átomo ou de uma molécula, qual será a grandeza utilizada?

Massa atômica (MA)


Unidade de massa atômica (u)
Átomos individuais são muito pequenos para serem vistos e pesados. Porém, é possível determinar as mas-
sas relativas de átomos diferentes, isto é, podemos determinar a massa de um átomo comparando-a com a massa
de um átomo de outro elemento, escolhido como padrão.
Em 1961, na Conferência da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), adotou-se como pa-
drão de massas atômicas o isótopo 12 do elemento carbono (12C), ao qual se convencionou atribuir o valor exato
de 12 unidades de massa atômica.

Uma unidade de massa atômica (1u) corresponde a ​ ___ 1  ​ da massa de um átomo do isótopo 12 do elemento
12
carbono.
O valor de 1u é 1,66 ∙ 10–24 g, que corresponde aproximadamente à massa de um próton ou de um nêutron.

Massa atômica (MA)

Massa atômica é o número que indica quantas vezes a massa de um átomo de um determinado elemento é
​  1  ​ ​da massa do átomo de 12C.
maior que 1u, ou seja, ___
12

A massa de um átomo de um determinado elemento é obtida comparando-a com a unidade de massa


atômica (1u).

135
A massa atômica de um elemento é, então, de-
Exemplo terminada pela média ponderada das massas dos isóto-
Quando dizemos que a massa atômica do átomo
pos naturais que compõem esse elemento:
de S é igual a 32 u, concluímos que:
32
O elemento magnésio, por exemplo, é formado
§§ a massa atômica de um átomo de 32S é igual a pelos seguintes isótopos naturais:
32 u;
§§ a massa atômica de um átomo de 32S é igual
24
Mg ⇒ 23,985 u — 78,99 %
​ 1  ​ do átomo de carbo-
a 32 vezes a massa de ___
25
Mg ⇒ 24,986 u — 10,00 %
12 26
Mg ⇒ 25,982 u — 11,01 %
no-12;
§§ a massa de um átomo de 32S é igual a 2,7 vezes
A massa atômica será calculada pela expressão:
a massa de um átomo de carbono-12.
23,985 ∙ × 10% + 25,982 ∙
× 79% + 24,986 ∙ × 11%
Observação: ​​ _____________________________________
         ​ =
100%
§§ Não confunda massa atômica com núme- = 24,31u.
ro de massa. Este é o valor encontrado nas tabelas periódicas.
§§ Massa atômica (MA), como vimos, é uma me- No caso de elementos artificiais ou muito raros, as tabe-
dida feita em relação à unidade adotada (u), que las apresentam a massa do isótopo mais estável.
1  ​ da massa do isótopo 12C.
vale ​ ___
12 Portanto:
§§ Número de massa (A) é um número inteiro e
positivo, definido como a soma do número de Massa atômica de um elemento é a média
prótons (Z = P) com o número de nêutrons (N), ponderada das massas atômicas dos isótopos na-
ou seja, A = P + N. turais que o compõem.

O aparelho utilizado na determinação da massa


Sendo assim, a massa atômica de um elemento
atômica chama-se espectrômetro de massa. A medida é
hipotético A, constituído dos isótopos naturais A1, A2, ...,
feita com grande precisão e o processo de determina-
An, pode ser calculada por:
ção da massa do átomo é comparativo com o padrão,
A1 · %A1 + A2 · %A2 + ... + An · %An
ou seja, o átomo de carbono-12. ​  ____________________________
        ​ .
100%

Massa atômica de um elemento Exemplo


Quando dizemos que a massa atômica do ele-
Um mesmo elemento é constituído, muitas ve- mento cloro é 35,5u, concluímos que:
zes, por átomos de diferentes massas, denominados §§ cada átomo do elemento cloro possui massa, em
isótopos. média, igual a 35,5u;
Ocorrência §§ cada átomo do elemento cloro possui massa, em
Elemento Isótopo MA (u) 1  ​  da massa do
Natural média, 35,5 vezes maior que ​ ___
12
12
C 12,000 98,89% carbono-12.
Carbono
13
C 13,0034 1,11%

Sódio 23
Na 22,9898 100%
Massa molecular (MM)
35
Cℓ 34,9689 75,77%
Cloro Os átomos reúnem-se para formar moléculas. A
37
Cℓ 36,9659 24,23%
massa de uma molécula é a soma das massas atômicas
79
Br 78,9183 50,7%
Bromo dos átomos que constituem essa molécula.
81
Br 80,9163 49,3% Como as moléculas são formadas por um grupo
121
Sb 120,9038 57,3% de átomos ligados entre si, o padrão usado como base
Antimônio
123
Sb 122,9042 42,7% para relacionar as massas dessas moléculas é o mesmo
usado para os átomos: a unidade de massa atômica (u).
136
Exemplo
C6H12O6 (C = 12u, H = 1u, O = 16u)
Massa molecular do C6H12O6: MM = (12 · 6) + (1 · 12) + (16 · 6) = 180u

1  ​ do
Significado: cada molécula de C6H12O6 possui massa igual a 180u, ou seja, 180 vezes maior que ​ ___
12
carbono-12.
Portanto:

Massa molecular é a soma das massas atômicas dos átomos que constituem a molécula. Ou ainda, massa
​  1  ​ da
molecular é o número que indica quantas vezes a massa de uma molécula é mais pesada que 1u, ou seja, ___
12
massa do átomo de carbono-12.

Vejamos outro exemplo:


Quando dizemos que a massa molecular da água H2O é 18u, concluímos que:
§§ a massa de uma molécula H2O é igual a 18u;
​  1  ​ da massa do átomo de carbono-12;
§§ a massa de uma molécula H2O é 18 vezes maior que ___
12
§§ uma molécula de água é 1,5 vezes mais pesada que um átomo de carbono-12.

Observação: A massa dos compostos iônicos é denominada massa-fórmula (MF).


Por exemplo: NaCℓ ⇒ MF = 58,5u
Por comodidade, utilizamos a expressão massa molecular tanto para os compostos moleculares como para
os iônicos.

Constante ou número de Avogadro (Na)


Sejam as seguintes amostras: 12 g de carbono, 27 g de alumínio e 40 g de cálcio.
Experimentalmente, verifica-se que o número de átomos n, existentes em cada uma das amostras, é o
mesmo, embora elas possuam massas diferentes. Porém, quantos átomos existem em cada uma dessas amostras?
Várias experiências foram realizadas para determinar esse número conhecido como número de Avogadro (Na) e o
valor encontrado é 6,02 · 1023.
Assim, o número de Avogadro é o número de átomos em x gramas de qualquer elemento, sendo x a massa
atômica do elemento. Portanto, existem:
§§ 6,02 · 1023 átomos de C em 12 g de C (MA(C) = 12u)
§§ 6,02 · 1023 átomos de Aℓ em 27 g de Aℓ (MA(Aℓ) = 27u)
§§ 6,02 · 1023 átomos de Ca em 40 g de Ca (MA(Ca) = 40u)
Podemos verificar que a massa de 6,02 · 1023 átomos de qualquer elemento é numericamente igual a sua
massa atômica.

Como foi determinado o número de Avogadro?


Rutherford determinou o número de Avogadro contando as partículas a (alfa) emitidas pelo elemento rádio.
Cada partícula a se transforma em um átomo de hélio e elas são emitidas com tanta energia que cada uma produz
um sinal visível numa placa de sulfeto de zinco (ZnS). Isso permite contá-las e, portanto, saber quantos átomos de
hélio a amostra de rádio produz em um determinado intervalo de tempo.
Rutherford verificou que 1 g de rádio produz cerca de 7,7 · 10–6 g de hélio em um ano. Além disso, calculou
que, nesse tempo, 1 g de rádio emitiria 11,6 · 1017 partículas a e, portanto, 11,6 · 1017 átomos de hélio.
137
Sendo assim, temos:

7,7 · 10-6 g de He ———— 11,6 · 1017 átomos de He


4 g de He ———— Na

NA = 6,02 · 1023 átomos

Conceito de mol
Segundo a União Internacional da Química Pura e Aplicada (IUPAC), mol é a quantidade de matéria que
contém tantas entidades (átomos, moléculas, elétrons, partículas etc.) elementares quantos são os átomos de car-
bono-12 contidos em 0,012 kg do carbono-12.

Constante de Avogadro é o número de átomos de 12C contidos em 0,012 kg de 12


C e seu valor é
6,02 · 1023 mol–1.

Portanto:
Mol é uma quantidade de 6,02 · 1023 partículas quaisquer.

Exemplo
§§ 1 mol de átomos contém 6,02 · 1023 átomos.
§§ 1 mol de moléculas contém 6,02 · 1023 moléculas.
§§ 1 mol de íons contém 6,02 · 1023 íons.
§§ 1 mol de elétrons contém 6,02 · 1023 elétrons etc.

Massa molar (M)


É a massa que contém 6,02 · 1023 unidades. Sua unidade é g/mol (grama/mol) ou g·mol–1.

Massa molar de um elemento (M)

A massa molar de um elemento é a massa em gramas de 1 mol de átomos desse elemento, ou seja,
6,02 · 1023 átomos. A massa molar de um elemento é numericamente igual à sua massa atômica expressa em gramas.

Exemplo: Aℓ = 27u
27 g de Aℓ

contêm

6,02 · 1023 átomos de Aℓ 1 mol de átomos de Aℓ


Massa molar do Aℓ = 27 g · mol-1

138
Massa molar de uma substância (M)
A massa molar de uma substância é a massa em gramas de 1 mol de moléculas da referida substância. A
massa molar de uma substância é numericamente igual à sua massa molecular expressa em u.

Exemplos
§§ CO2 (C = 12u , O = 16u)
MCO = (12 · 1) + (16 · 2) = 44u
2
Logo, ficamos com:

contêm



§§ NaCℓ (Na = 23, Cℓ = 35,5)
MFNaCℓ = 23 + 35,5 = 58,5u
Logo, ficamos com:
58,5 g de NaCℓ

contêm

6,02 · 1023 fórmulas de NaCℓ 1 mol de fórmulas de NaCℓ


Massa molar do NaCℓ = 58,5 g · mol-1

Massa molar de um íon (M)


A massa molar de um íon é a massa em gramas de 1 mol de íons e é numericamente igual à massa do íon
expressa em u.

Exemplo
§§ CO​ -23​  (C = 12u , O = 16u)
MCO  ​2-​  = (12 · 1) + (16 · 3) = 60u
3 

Logo, ficamos com:

Observação: Frequentemente, o tipo de partícula à qual se refere o termo mol é omitido. Por exemplo,
dizemos 1 mol de magnésio quando o correto seria 1 mol de átomos de magnésio. Assim, 1 mol de
magnésio = 1 mol de átomos de magnésio = 6,02 · 1023 átomos de magnésio.

139
Determinação da quantidade de substância ou
quantidade de mol ou “número de mol” (n)
A partir de uma amostra que apresenta determinada massa de um elemento químico ou substância e
conhecendo sua massa molar, podemos determinar quantos mol e quantas entidades (átomos, moléculas etc.)
químicas constituem essa amostra.
Considere uma amostra de massa igual a m (em gramas), de uma espécie química cuja massa molar é igual
a M (g · mol–1). Com estes dados, pode-se determinar a quantidade ou número de mol (n) que constitui a espécie
química, utilizando a relação matemática:
massa em gramas
n = _____________________
   ​
​   
massa molar em grama/mol

m  ​
n = ​ __
M

Teoria na prática
1. O elemento químico neônio apresenta-se na natureza com a seguinte composição isotópica:
90% de 20Ne
0,27% de 21Ne
9,73% de 22Ne
Considerando as massas atômicas dos isótopos praticamente iguais aos seus números de massa, pede-se
para calcular a massa atômica do elemento neônio.
Resolução:
20u · 90,00% + 21u · 0,27% + 22u · 9,73%
MA = ____________________________________
    
​      ​= 20,19u
100%

2. Existem dois isótopos do rubídio que ocorrem na natureza: 85Rb, que tem massa igual a 84,91, e 87Rb, cuja
massa é 86,92. A massa atômica do rubídio é 85,47. Qual é a porcentagem do 87Rb?
a) 72,1%
b) 20,1%
c) 56,0%
d) 27,9%
e) 86,9%
Resolução:
Essa questão apresenta o cálculo inverso da questão anterior. De fato, anteriormente eram dadas as
abundâncias dos isótopos e pedida a massa atômica média. Agora, é dada a massa atômica média, pedin-
do-se a abundância de um dos isótopos.
Chamaremos de x a porcentagem pedida do 87Rb.
Consequentemente, a porcentagem do outro isótopo (85Rb) será (100 – x)%. Esquematizando o cálculo
como na questão anterior, teremos;
84,91 · (100 – x) + 86,92 · x
MA = ​ _______________________
        ​= 85,7
100
Resolvendo a equação, temos: x ≅ 27,9 %
Alternativa D

140
3. Quantos mol de átomos correspondem a 280 g de ferro? (Fe = 56u)
Resolução:

1 mol de átomos de Fe –––––– 56 g ––––– 6,02 · 1023 átomos de Fe


x –––-–– 280 g
280 · ​ 1 
x = ​ _______  mol de átomos ⇒ x = 5 mol de átomos de Fe
56

4. Determine o número de átomos de hidrogênio contidos em 100,0 g de álcool etílico C2H6O.


(C = 12u, O = 16u, H = 1u)

Resolução:

MC H O = (12 · 2) + (1 · 6) + (16 · 1) = 46 g · mol-1


2 6

1 mol de C2H6O ––––– 46 g ———— 6,02 · 1023 moléculas de C2H6O


100 g ———— x

100 · 6,02 · 1023


x = ______________
​ 
    ​  moléculas ⇒ x = 1,3 · 1024 moléculas de C2H6O
46
Note, porém, que cada molécula de C2H6O contém 6 átomos de hidrogênio. Concluímos, então, que há
6 · 1,3 · 1024 átomos de hidrogênio, ou seja: 7,8 · 1024 átomos de hidrogênio
5. Quantas moléculas existem em 88 g de dióxido de carbono (CO2)?
(C = 12u, O = 16u)

Resolução:

MCO = (12 · 1) + (16 · 2) = 44 g ∙ mol–1


2

1 mol de CO2 ––––– 44 g ———— 6,02 · 1023 moléculas de CO2


88 g ———— x
88 · 6,02 · 1023
x = _____________
​ 
    ​  moléculas ⇒ x ≅ 1,2 · 1024 moléculas de CO2
44
6. A massa de uma única molécula de ácido acético (C2H4O2) é:
(C = 12u; H = 1u; O = 16u)
a) 1,0 · 10-21.
b) 1,0 · 10-22.
c) 1,0 · 10-23.
d) 1,0 · 10-24.
e) 1,0 · 10-25.
Resolução:

MC2H4O2 = (12 · 2) + (1 · 4) + (16 · 2) = 60 g · mol-1


1 mol de moléculas C2H4O2 ––––– 60 g ———— 6,02 · 1023 moléculas
x ———— 1 molécula
60   ​ 
x = ​ _________ g ⇒ x ≅ 1 · 10–22 g
6,02 · 1023
Alternativa B

141
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo O QUE É A QUÍMICA

Fonte Youtube:

Vídeo HAVE YOU EVER SEEN AN ATOM?

Fonte Youtube:

ACESSAR

Sites 400 Anos em 10

super.abril.com.br/historia/400-anos-em-10/ l

142
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

Em uma indústria química, é de extrema importância saber o que significa um mol. Lá os químicos traba-
lham com soluções muitas vezes perigosas e/ou corrosivas. Entretanto, pode ser analisado facilmente se um ácido
vai trazer prejuízos a quem estiver manipulando. Uma solução de ácido sulfúrico, por exemplo, porém muito diluída
(5 mmol/L), sequer trará consequências, se esta entrar em contato com a pele. Claro que muito tempo de exposição
pode levar a prejuízos, então, por precaução, fique longe de soluções perigosas e esteja sempre com um responsável.
A quantidade de mol por litro de solução também acelera processos industriais. Em condições nas quais
há um aumento na concentração de reagentes, a velocidade da reação pode ser aumentada. Essa técnica é muito
usada em indústrias, onde o aumento da concentração da solução é sempre mais barata, assim não há desperdício
e garante um maior rendimento dos produtos que se quer obter.

INTERDISCIPLINARIDADE

Em 1811, quando Avogadro elaborou a tese de que, dadas as mesmas condições de temperatura e pressão,
dois gases diferentes ocuparão o mesmo volume e conterão o mesmo número de moléculas, o mundo da ciência foi
revolucionado. Entretanto, anos mais tarde, foi que ele ganhou o reconhecimento (póstumo) que merecia por conta
de sua tese. Tal tese foi de extrema importância e vital no desenvolvimento de indústrias automotivas, farmacêu-
ticas, químicas etc. Seu número, mais conhecido como 6,02 ∙ 1023, é responsável pela precisa relação matemática
entre moléculas e átomos. Pode-se dizer, por exemplo, que a cada 1 mol de água tem-se 6,02 ∙ 1023 moléculas, o
que corresponde a 18 g.
Esse meio de medida é muito importante, com esse numero pôde-se ter uma nova forma de unidade de
concentração, conhecida como concentração molar. O número de mol também é importante para evitar doses
letais e na produção de antídotos. A dose letal do cianureto, por exemplo, é 5 mg/kg, se passarmos isso para mol
obteremos aproximadamente 2 mmol/kg.

143
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 4 - Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida


humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável da biodiversidade.

A industrialização avançou de forma significante durante o último século. A máquina


movida a vapor foi um dos maquinários responsáveis por um progresso industrial e tec-
nológico extraordinário.
Porém, houve consequências, como a poluição. Na habilidade 4 é possível interpretar em
termos quantitativos e mensurar a quantidade de gases poluentes lançados sobre a at-
mosfera. É muito comum a aplicação desses conhecimentos para cálculos da quantidade
de substâncias causadoras da poluição no ambiente.

Modelo
(Enem) A eutrofização é um processo em que rios, lagos e mares adquirem níveis altos de nu-
trientes, especialmente fosfatos e nitratos, provocando posterior acúmulo de matéria orgânica em
decomposição. Os nutrientes são assimilados pelos produtores primários e o crescimento desses é
controlado pelo nutriente limítrofe, que é o elemento menos disponível em relação à abundância
necessária à sobrevivência dos organismos vivos. O ciclo representado na figura seguinte reflete a
dinâmica dos nutrientes em um lago.

144
A análise da água de um lago que recebe a descarga de águas residuais provenientes de lavouras
adubadas revelou as concentrações dos elementos carbono (21,2 mol/L), nitrogênio (1,2 mol/L) e
fósforo (0,2 mol/L). Nessas condições, o nutriente limítrofe é o
a) C.
b) N.
c) P.
d) CO2.
e) PO4.

Análise Expositiva

Habilidade 4
Nesta habilidade o aluno deve mostrar domínio de problemas envolvendo proporcionalidade
entre as substâncias de reações químicas e dominar meios para a mudança de unidade de
gramas para mol, e vice-versa.
O nutriente limítrofe é aquele encontrado em menor quantidade. De acordo com o enunciado
algas e outros organismos fixadores e nitrogênio e outros fotossintéticos assimilam C, N, P
nas razões atômicas 106:16:1.
A partir dos valores das concentrações dos elementos carbono (21,2 mol/L), nitrogênio
(1,2 mol/L) e fósforo (0,2 mol/L), podemos calcular a proporção deles na água do lago.
C N P
106 mol/L 16 mol/L 1 mol/L
21,2 mol/L 1,2 mol/L 0,2 mol/L

Dividindo a segunda linha por 0,2, teremos:


C N P
106 mol/L 16 mol/L 1mol/L
21,2 mol/L 1,2 mol/L 0,2 mol/L
___________ __________ __________
0,2 0,2 0,2

C N P
106 mol/L 16 mol/L 1 mol/L
106 mol/L 6 mol/L 1 mol/L
(limítrofe)
(menor quantidade)
Alternativa B

145
Estrutura Conceitual

Massa
molar
(g.mol-1)

ÁTOMO MOLÉCULAS

Contém
PRESENTE EM:
1mol - SUBSTÂNCIA
PRESENTE EM: de
MOLECULAR
- ELEMENTO QUÍMICO
entidades
- SUBSTÂNCIA MOLECULAR
MONOATÔMICO
- SUBSTÂNCIA METÁLICA

como

ÍONS FÓRMULAS

PRESENTE EM:
- SUBSTÂNCIA
IÔNICA

146
3
0 40 Fórmulas e leis ponderais

Competências Habilidades
1e2 4e7

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnoló-
H11
gicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Introdução
Quando um químico se depara com um material desconhecido, ele procura, através de diversas técnicas
físicas e químicas, encontrar a composição desse material.
A primeira providência é fazer a análise imediata do material, isto é, separar através de processos puramen-
te físicos as diversas substâncias presentes na amostra. Esses processos baseiam-se no fato de que o conjunto de
características como ponto de fusão, ponto de ebulição, densidade e solubilidade é diferente para cada substância
e, manejando criteriosamente essas diferenças, consegue-se separá-las uma a uma.
Uma vez separadas as diversas substâncias da amostra, a próxima providência é fazer uma análise elemen-
tar de cada uma delas.

1. Submetido à analise imediata


2. Submetido à analise qualitativa
3. Submetido à analise quantitativa
O cálculo das quantidades das substâncias envolvidas em uma reação química é chamado estequiometria
– palavra derivada do grego stoicheia: partes mais simples e metrein: medida.
Para efetuarmos os cálculos estequiométricos, devemos conhecer as proporções entre os elementos que
formam as diferentes substâncias.
Essas proporções são perceptíveis pelo conhecimento das fórmulas das substâncias. Por isso, inicialmente
vamos estudar os diferentes tipos de fórmulas.

Fórmula percentual
Fórmula percentual indica a porcentagem, em massa, de cada elemento que constitui a substância.

Uma maneira de determinar a fórmula percentual é partir da fórmula molecular da substância, aplicando os
conceitos de massa atômica e massa molecular.
Por exemplo, sabendo que a fórmula molecular do metano é CH4 e que as massas atômicas do carbono e
do hidrogênio são, respectivamente, 12 e 1, temos:
Massa molecular do CH4 = (12 · 1) + (1 · 4) = 12 + 4 = 16.
Assim, na massa molecular igual a 16, o carbono participa com 12 e hidrogênio com 4. Logo:

C: 16 ——— 100%
12 · 100%
12 ——— x ⇒ x = ​ _________
 ​  = 75%

16

H: 16 ——— 100%
4 · 100%
4 ——— y ⇒ y = ​ ________
 ​ 
 = 25%
16
Desse modo, a fórmula percentual do CH4 é: C75%H25%.

149
Fórmula mínima ou empírica
Ao realizar a análise de uma substância desconhecida, o primeiro passo é determinar sua composição, isto
é, os elementos que a constituem. O segundo passo consiste na determinação das quantidades das massas de cada
elemento. Com esses dados, obtém-se a fórmula percentual e, a partir dela, pode-se determinar o “número de mol”
(n) de átomos de cada elemento e estabelecer uma proporção entre esses valores.

Fórmula mínima indica a menor proporção, em números inteiros de mol, dos átomos dos elementos que
constituem uma substância.

Veja, a seguir, como se pode determinar a fórmula mínima.


Uma amostra submetida à análise qualitativa apresenta, como únicos constituintes, carbono e hidrogênio. Uma
posterior análise quantitativa revelou a existência de 75% em massa de carbono e 25% em massa de hidrogênio.
Com base nesses dados, é possível determinar a fórmula mínima do composto:
§§ 1º passo: É conveniente, quando se trabalha com porcentagem em massa, considerar amostras de 100 g,
o que permite que as porcentagens em massa correspondam numericamente à massa em gramas de cada
elemento:
75% em massa de carbono ⇒ 75 g de carbono
100 g de amostra
25% em massa de hidrogênio ⇒ 25 g de hidrogênio

§§ 2º passo: A partir dessas quantidades em massa e conhecendo as massas atômicas dos elementos, pode-se
determinar o número de mol de átomos de cada elemento.
Então, temos:
C ⇒ massa atômica = 12 ⇒ massa molar = 12 g · mol-1
H ⇒ massa atômica = 1 ⇒ massa molar = 1 g · mol-1
massa (g)
Lembrando que n (nº de mol de átomos) = __________________
  
​     ​, temos
massa molar · (g mol–1)
75g
C ⇒ n = _________
​     ​  = 6,25 mol de átomos
12 g · mol–1
25g
H ⇒ n = ​ ________    ​= 25 mol de átomos
1 g · mol–1
Esses valores indicam a proporção em número de mol entre os elementos. Nesse composto, 6,25 mol de
átomos de carbono estão combinados com 25 mol de átomos de hidrogênio. Note que essa não é a menor
proporção nem está em números inteiros.
§§ 3º passo: Após determinar a proporção entre os números de mol dos átomos, deve-se transformá-la na
menor proporção possível de números inteiros.
Isso pode ser feito dividindo-se os valores em números de mol pelo menor deles.
C ⇒ n = 6,25 mol; H ⇒ n = 25 mol
C H
6,25 mol
_______ 25 mol ​ 
Relação entre os números de mol ​   ​ 

=1 ​ ______  = 4
6,25 6,25

Esta é a menor proporção de números inteiros entre os números de mol dos átomos de cada componente.
Logo, 1 mol de átomos de carbono se combina com 4 mol de átomos de hidrogênio.
Assim, a fórmula mínima desse composto é: C1H4 ou CH4.
Resumindo:
a) Determine o número de mol de átomos de cada elemento.
b) Divida os resultados obtidos pelo menor valor encontrado.

150
Fórmula molecular
Fórmula molecular indica o número real de átomos de cada tipo na molécula.

Em alguns casos, a fórmula molecular é igual à fórmula mínima; em outros, porém, é um múltiplo inteiro da
fórmula mínima.
Fórmula Mínima ⇒ Fórmula Molecular
H2O (×1) H2O
CH (×6) C6H6
P2O5 (×2) P4O10
CH (×2) C2H2

Assim, temos:
Fórmula Molecular = [Fórmula Mínima] · n

Onde n é um número inteiro.


A fórmula molecular pode ser determinada de várias maneiras. Veja algumas delas:
§§ 1º método: A partir da porcentagem em massa, calculando a fórmula mínima.
Vitamina C (massa molar = 176 g · mol-1)
C = 40,9% em massa = 40,9 g
100 g de vitamina C H = 4,55% em massa = 4,55 g
O = 54,6% em massa = 54,6 g
Número de mol de átomos:
40,9g 4,55g 54,6g
C = _________
​   ​= 3,41 mol; H = ________
 –1  ​    = 4,55 mol; O = _________
 ​  ​     ​ = 3,41 mol
12 g · mol 1 g · mol–1
16 g · mol–1

Relação entre os números de mol:


3,4 4,5 3,4
C = ___
​    ​= 1; H = ___
​    ​= 1,33 mol; O = ___
​    ​= 1 mol
3,4 3,4 3,4
Como os valores encontrados não são inteiros, deve-se multiplicá-los por um mesmo número que permita
obter a menor proporção de números inteiros. Nesse caso, o número adequado é 3. Veja a tabela abaixo:

C H O
1 mol 1,33 mol 1 mol

(× 3) (× 3) (× 3)

3 mol 4 mol 3 mol


Fórmula mínima: C3H4O3

A relação entre a fórmula mínima e a fórmula molecular pode ser feita da seguinte maneira:
Fórmula Mínima   ⇒   Fórmula Molecular
C3H4O3            C6H8O6
M = 88 g · mol-1        M = 176 g · mol-1
Logo, temos que:
(C3H4O3)n = 176 ⇒ 88 · n = 176 ⇒ n = 2
Assim, (C3H4O3)2 ⇒ a fórmula molecular da vitamina C é C6H8O6.

151
§§ 2º método: Relacionando as porcentagens em massa com a massa molecular do composto.

C = 40,9%
H = 4,55% M = 176 g · mol–1
O = 54,6%

 onsiderando que sua fórmula molecular seja CxHyOz, agora devemos relacionar as porcentagens em massa
C
com as massas atômicas e a massa molecular:
Cx + Hy + Oz
12 ∙ x 1∙y 16 ∙ y = 176
↓ ↓ ↓ ↓
40,9% 4,55% 54,6% 100%

Cx: 176 —— 100% Hy: 176 —— 100% Oz: 176 —— 100%


12 ∙ x —— 40,9% 1 ∙ y —— 4,55% 16 ∙ y —— 54,6%
⇒x=6 ⇒y=8 ⇒z=6

Assim, temos que a fórmula molecular da vitamina C é C6H8O6.

Leis ponderais
As bases para o estudo da estequiometria das reações químicas foram lançadas no século XVIII por cientis-
tas que conseguiram expressar matematicamente as regularidades que ocorrem nessas reações por meio das leis
das Combinações Químicas. Essas leis foram divididas em dois grupos:
§§ Leis ponderais relacionam as massas dos participantes de uma reação.
§§ Lei volumétrica relaciona os volumes dos participantes de uma reação.

Lei da conservação das massas – lei de Lavoisier


Essa lei foi proposta, por volta de 1775, por Antoine Laurent Lavoisier e é popularmente enunciada da
seguinte maneira:

Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Isso significa que, em reação química, a matéria não é criada nem destruída.
A lei da conservação foi proposta por Lavoisier após a realização, em 1773, do experimento a seguir:
Lavoisier colocou em um frasco uma quantidade do metal mercúrio (Hg) e, após fechado hermeticamente,
determinou sua massa. A seguir esse sistema fechado foi colocado em um forno de alta temperatura. Após certo
tempo, esse frasco foi pesado novamente, apresentando a mesma massa, porém o mercúrio havia reagido com o
gás oxigênio do ar contido no frasco formando uma nova substância: o óxido de mercúrio (II).
Esse experimento pode ser representado pela equação:
Δ
mercúrio + oxigênio óxido de mercúrio (II)
(prateado) (incolor) (vermelho)

massas dos reagentes massa do produto


*o símbolo Δ indica aquecimento

152
Essa mesma experiência foi repetida muitas vezes, sempre utilizando balanças e determinando as massas
dos reagentes e dos produtos, e permitiu que Lavoisier concluísse que:

Em um sistema fechado, a massa total dos reagentes é igual à massa total dos produtos.

Para uma reação genérica:

Δ
A+B C+D
mA mB mC mD

massas dos reagentes produto

Tem-se, então:

mA + mB = mC + mD

Lei das proporções definidas – lei de Proust


Em 1799, Joseph Louis Proust (1754-1826), por meio da análise da substância água, descobriu que a sua
composição era constante, independente de seu processo de obtenção. Assim, a água, não importando sua ori-
gem ou seu método de obtenção, sempre é formada por 11,1% em massa de hidrogênio e 88,9% em massa de
oxigênio:

água → hidrogênio + oxigênio


100% 11,1% 88,9%
100 g 11,1 g 88,9 g

Assim, a composição da água apresentará sempre uma mesma relação entre as massas de hidrogênio e de
oxigênio para qualquer massa de água:

massa de hidrogênio
massa de hidrogênio 11,1 g __
________________
​     ​ = _____
   ​   ​ = ​ 1 ​ 

massa de oxigênio 88,9 g 8

Na formação da água, deveremos ter a combinação de hidrogênio e oxigênio na proporção de 1 para 8 em


massa. Se reagirmos 1 grama de hidrogênio com 8 gramas de oxigênio, obteremos 9 gramas de água.
Realizando outros experimentos, observa-se:

hidrogênio  +  oxigênio  →  água
Proporção 1 : 8 : 9
Experimento A 10 g + 80 g 90 g
Experimento B 5g + 40 g 45 g

Assim, pode-se enunciar a lei das proporções definidas:

Toda substância apresenta uma proporção em massa constante na sua composição.

153
Teoria na prática
1. Considerando que 200 g de mercúrio reagem completamente com 16 g de oxigênio para formar óxido de
mercúrio, qual seria a massa de oxigênio necessária para produzir 135 g de óxido de mercúrio (II)?

Resolução:

Aplicando a lei de Lavoisier, sabemos que a reação completa de 200 g de mercúrio com 16 g de oxigênio
resulta em 216 g de óxido de mercúrio II, pois:

Mercúrio + Oxigênio → Óxido de Mercúrio (II)


200 g + 16 g = 216 g

Para produzir 135 g de óxido de mercúrio, precisamos relacionar as proporções.


Pela lei de Proust, temos:

Mercúrio + Oxigênio → Óxido de Mercúrio (II)


200 g + 16 g = 216 g
x = 135 g

Logo:

​  16
__ 216
___
 x ​ = ​  135  ​ ⇒ x = 10 g de oxigênio

Portanto, para obter 135 g de óxido de mercúrio (II), a massa de oxigênio necessária é 10 g.

2. Supondo que 80 g de mercúrio são colocados em contato com 6 g de oxigênio, qual seria o reagente em
excesso e qual seria sua massa?

Resolução:

Pela lei de Proust:

Mercúrio + Oxigênio → Óxido de Mercúrio (II)


200 g + 16 g = 216 g
80 g y
Logo:
200 ​ = ___
​ ___ ​  16
80 y ​ ⇒ y = 6,4 g de oxigênio
Assim, 80 g de mercúrio reagiriam completamente com 6,4 g de oxigênio. Porém, existem apenas 6 g de
oxigênio, havendo excesso de mercúrio.
Pela Lei de Proust:

Mercúrio + Oxigênio → Óxido de Mercúrio (II)


200 g + 16 g = 216 g
z 6g
Logo:

200
​ ___ 16
___
z ​  = ​  6 ​ ⇒ z = 75 g de mercúrio
A massa de mercúrio que reagiu foi 75 g. Como a massa de mercúrio presente era de 80 g, existem 5 g de
mercúrio em excesso.

154
Lei volumétrica – lei de Gay-Lussac
Uma das contribuições de Gay-Lussac à Química foi a lei da combinação de volumes, publicada em 1808
e baseada em uma série de experimentos. Um deles envolvia a reação entre o gás nitrogênio e o gás hidrogênio,
cujo produto é a amônia.
Nessa reação, 3 volumes de H2 reagem com 1 volume de N2, formando 2 volumes de NH3.

3H2(g) + 1 N2(g) → 2 NH3(g)

Proporção

Em número de móleculas 3 móleculas 1 molécula 2 moléculas

Em número de mol 3 mol 1 mol 2 mol

Em volume 3 volumes 1 volume 2 volumes

O enunciado da lei de Gay-Lussac é:

Nas mesmas condições de pressão e temperatura, os volumes dos gases participantes de uma reação quími-
ca têm entre si uma relação de números inteiros e pequenos.

Veja abaixo mais um exemplo em que os resultados experimentais confirmam essa lei. Para isso, considere
sempre todos os participantes no estado gasoso e nas mesmas condições de pressão e temperatura.

Teoria na prática
1. Em determinadas condições de pressão e temperatura, verificou-se que 0,70 L de monóxido de nitrogênio
reage com 0,35 L de oxigênio para formar 0,70 L de dióxido de nitrogênio. Mostrar que esses dados estão
de acordo com a lei volumétrica de Gay-Lussac.

Resolução:

A proporção montada a partir dos volumes fornecidos é: 0,70 : 0,35 : 0,70.


0,70 ____ 0,35 ____ 0,70
Dividindo-a pelo menor termo da proporção, temos: ​ ____  ​ : ​   ​ : ​ 
   ​.

0,35 0,35 0,35
Ou seja: 2 : 1 : 2 (uma proporção de números inteiros e pequenos).
Observação: É bom lembrar que numa reação química “o volume dos gases pode não se conservar, mas a
massa sempre se conserva (lei de Lavoisier)”.

155
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Mundos Invisíveis: Lavoisier, o pai da química

Fonte: Youtube

ACESSAR

Sites Criar elementos

phet.colorado.edu/sims/html/isotopes-and-atomic-mass/latest/isotopes-and-atomic-mass_en.html

156
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

Até hoje, as ideias de cientistas como Proust e Lavoisier são muito úteis para a indústria química. Em uma indústria
são produzidos, às vezes, toneladas de certos materiais. Para produção, são utilizados reagentes. Esses reagentes
nem sempre são baratos, então é de extrema importância que tudo o que seja comprado seja aproveitado. Com
isso, a lei das proporções definidas ajuda às indústrias químicas a fazerem o cálculo exato para que não se tenha
gastos além do necessário.

INTERDISCIPLINARIDADE

Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Essa célebre frase dita por Lavoisier revolucionou a
química. Tido como o pai da química moderna, ele teve uma morte trágica. Tudo aconteceu na época da Revolução
Francesa, quando o iluminismo predominava e as classes operárias estavam se insurgindo contra a burguesia.
Lavoisier, além de químico, era também um coletor de impostos e banqueiro. A classe oprimida, ao derrubar a
classe dominante, acusou Lavoisier de extorquir dinheiro do povo favorecendo o governo da época. Lavoisier foi
executado em 1794, na guilhotina, em meio à Revolução Francesa.

157
Estrutura Conceitual
Massa dos
Lei de Lavoisier produtos iguais
aos reagentes

Lei da conservação
das massas

mesma relação
O
C C C C entre as massas
Lei de Proust + O O dos elementos
C C O
C C numa substância
Lei das proporções
definidas

Proporção
Lei de Gay-Lussac + entre volumes

Lei volumétrica

158
5
0 60 Introdução à
estequiometria

Competências Habilidades
1, 2 e 8 4, 7, 29 e 30
© Zvone/Shutterstock

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnoló-
H11
gicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Introdução
Estequiometria é o estudo das relações entre as quantidades de reagentes e/ou produtos numa reação
química. Essas relações podem ser feitas em mol, massa, volume, número de moléculas etc.

Balanceamento de equações químicas


Segundo a lei de Lavoisier, “a soma das massas das substâncias reagentes é igual à soma das massas dos
produtos da reação”, portanto, implica-se que o número de átomos presentes em uma reação nos reagentes deve
ser igual à quantidade de átomos presentes nos produtos.
A seguinte reação indica a síntese da amônia:
N2 + H2 → NH3
Segundo essa equação, uma molécula de nitrogênio reage com uma molécula de hidrogênio e forma uma
molécula de amônia. Porém, esse exemplo vai contra a lei de Lavoisier, pois a soma dos átomos no lado dos rea-
gentes é menor do que no lado dos produtos. “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Para
que a equação possa obedecer à lei de Lavoisier, é necessário fazer o balanceamento da mesma para mostrar que
há a conservação de átomos em um sistema. O balanceamento nada mais é do que o acerto dos coeficientes
estequiométricos na equação. A equação balanceada é:

N2 + 3H2 → 2NH3

Agora, uma molécula de nitrogênio reage com três moléculas de hidrogênio para formar duas moléculas de
amônia. A lei da conservação das massas foi obedecida. Note que os coeficientes estequiométricos estabelecem
uma proporção de 1: 3: 2 e estes não indicam o número de mol das moléculas em uma equação e sim apenas uma
relação proporcional entre os compostos. Por exemplo, a cada 100 mol de nitrogênio são necessários 300 mol de
hidrogênio para reagir e formar 200 mol de amônia.
O balanceamento é primordial para a resolução de qualquer exercício, principalmente aqueles que envolvem
estequiometria.

Método das tentativas


Este método é o mais utilizado e consiste em colocar os coeficientes estequiométricos na equação se utili-
zando da tentativa e erro, até atingir ao igual número de átomos nos reagentes e produtos. Embora possa parecer
mais trabalhoso, porém há algumas dicas que podem facilitar o trabalho:
§§ Balancear os elementos que aparecem em menor quantidade primeiro (normalmente são os metais e ame-
tais com exceção do carbono, oxigênio e hidrogênio).
§§ Se mais de um elemento aparece uma única vez, dê preferência àquele com maior número de átomos.
§§ Prosseguir o balanceamento deixando por último o carbono, hidrogênio e oxigênio (em equações químicas,
estes são os elementos que mais aparecem).

Exemplo:
Faça o balanceamento da equação a seguir:
C2H6O + O2 → CO2 + H2O
Evita-se começar o balanceamento pelo oxigênio ou hidrogênio. Como o carbono é o elemento que se re-
pete menos (C2H6O e CO2), o balanceamento deve começar por ele. Substituindo os coeficientes estequiométricos
para igualar a quantidade de carbono presente no reagente e no produto temos:
C2H6O + O2 → 2CO2 + H2O
161
Dessa forma, teremos 6 átomos de hidrogênio presentes no reagente. Como o hidrogênio também se repete
apenas uma vez, é feito o seu balanceamento:

C2H6O + O2 → 2CO2 + 3H2O

Para acertar a quantidade de oxigênio, deve-se observar que nos produtos, nenhum coeficiente estequiomé-
trico pode ser mudado, pois isso irá alterar o que já foi feito. Nos produtos há 7 átomos de oxigênio. Para que no
reagente o oxigênio seja balanceado, mexe-se no composto que ainda não teve seu coeficiente alterado, ou seja,
o gás oxigênio.
C2H6O + 3O2 → 2CO2 + 3H2O

A equação tem a mesma quantidade de átomos. Portanto ela está balanceada.


Note: Se o balanceamento fosse iniciado pelo oxigênio, a equação não seria resolvida dessa forma.

Roteiro para resolução de problemas de estequiometria


Escrever a equação química da reação envolvida no problema.
Para escrever corretamente uma equação, há dois pontos básicos:
a) deve representar realmente um fato experimental, conhecido e bem analisado;
b) deve obedecer à lei de Lavoisier.
Acertar os coeficientes estequiométricos da equação.
No exemplo 2H2 + 1O2 → 2H2O deve-se concluir o seguinte:
§§ A proporção mínima em que ocorre a reação é de 2 moléculas de hidrogênio para uma molécula de oxigê-
nio, para formar 2 moléculas de água.
§§ Essa proporção sempre é mantida quando a reação se realiza. Quer dizer, para 100 moléculas de H2 são
necessárias 50 moléculas de O2 para produzir 100 moléculas de água (H2O).
Dessa maneira, para 2 mol de moléculas de H2 precisa-se de 1 mol de moléculas de O2 para formar 2 mol
de moléculas de água (H2O).

Lembre-se que mol é o número de Avogadro (6,02 · 1023) de partículas. Massa molar é a massa, em gramas,
de um mol de moléculas e é numericamente igual à massa molecular da substância. Um mol de qualquer gás, a
0 ºC e 1 atm (CNTP), ocupa o volume de 22,4 litros.

Estabelecer uma regra de três entre as grandezas envolvidas (o que se pede e os dados), obedecendo aos
coeficientes da equação (os coeficientes indicam a proporção entre o número de mol).
Se necessário, fazer a transformação do número de mol para outra grandeza (massa, volume, número de
moléculas etc.).

Dadas as massas molares: CO (28 g · mol-1), O2 (32 g · mol-1) e CO2 (44 g · mol-1) e considerando condi-
ções ideais, veja a tabela:

Proporção em 2CO(g) + 1O2(g) → 2CO2(g)

mol 2 mol 1 mol 2 mol

massa 2 · 28 = 56 g 1 · 32 = 32 g 2 · 44 = 88 g

volume (gases) 2 · 22,4 = 44,8 L 1 · 22,4 = 22,4 L 2 · 22,4 = 44,8 L

moléculas 2 · 6 · 1023 = 12 · 1023 1 · 6 · 1023 = 6 · 1023 2 · 6 · 1023 = 12 · 1023

162
Além da lei de Lavoisier, merece atenção espe- Quando na reação aparecem duas ou mais subs-
cial a lei de Proust. As duas leis respondem basicamente tâncias gasosas, a razão entre seus números de mol é a
por todo o cálculo estequiométrico. mesma que existe entre seus volumes, desde que sob as
A lei de Proust afirma que “as substâncias rea- mesmas condições de temperatura e pressão. Assim, por
gem em proporções fixas e definidas”. Por exemplo, na exemplo, na reação entre H2 (g) e O2 (g) para formar H2O
discussão II sobre a reação do hidrogênio com oxigênio pode-se escrever da seguinte maneira:
para formar água, ficou claro que 4 g de H2 reagem
sempre com 32 g de O2; 8 g reagem com 64 g, e assim 2H2 + 1O2 → 2H2O
por diante. nH VH
___ 2  ​
​  n 2 ​ = ​ ___2 ​ = ​ __
O que aconteceria se 10 g de H2 fossem coloca-
0
2
V02
1
dos para reagir com 32 g de O2?
Evidentemente, reagiriam somente 4 g de H2 e Não se aplica a razão entre volumes quando
restariam 6 g ao final, pois o H2 foi colocado em exces- a substância se encontra como líquido ou sólido. Ela
so. Diz-se nesse caso que o O2 é o reagente limitante, é usada apenas para gases e vapores. Gay-Lussac foi
porque é consumido totalmente. o primeiro a observar (1809) essas relações de volume
entre substâncias gasosas.
Em vários problemas envolvendo substâncias
Cálculos envolvendo volumes gasosas, fala-se de Condições Normais de Tempe-

de substâncias gasosas ratura e Pressão (CNTP) e também em Condi-


ções Ambientais (CA).
Nos exemplos anteriores, os cálculos foram re- §§ No primeiro caso, CNTP, deseja-se dizer que a
lacionados com massas, nº de mol de moléculas, nº de pressão é de 1 atm e que a temperatura vale
mol de átomos e ainda com nº de moléculas. Todos eles 0 °C, ou 273 K.
se aplicam a qualquer reação química, independente do
estado de agregação (sólido, líquido ou gás) da subs- Desse modo, ao aplicar a equação

tância. · R ​
· T 
V = ​ n________  para 1 mol de moléculas do gás,
P
No caso de substâncias gasosas, é possível ainda acha-se o valor:
estabelecer relações entre volumes, tanto entre os rea-
V = 22,4 L/mol, quantidade chamada de Volu-
gentes, como entre eles e os produtos da reação.
me Molar nas CNTP.
O raciocínio é bastante simples e envolve a lei
de Avogadro:
§§ As Condições Ambientais são P = 1 atm e
T = 298 K, ou seja, 25 °C.
O volume ocupado por um gás, sob pressão e
· R  ​
· T 
A equação V = ​ n________ aplicada a essa si-
temperatura constantes, é diretamente proporcio-
P
nal ao seu nº de moléculas. tuação fornece um volume molar próximo de
25 L/mol.
Como o nº de moléculas é, por sua vez, di-
retamente proporcional ao nº de mol do gás, tem-se
​ R · ​
V = k ∙ n. Essa constante k é dada por _____ T 
 onde T e P
P
são, respectivamente, a temperatura e a pressão do gás,
e R é a constante universal dos gases. Uma avaliação
mais precisa será realizada no capítulo Gases ideais.
Assim, teremos:

​ n · R ​
V = ________· T 

P

163
Teoria na prática
§§ Relacionando massa com massa

O ácido fosfórico utilizado em refrigerantes do tipo “cola” e possível causador da osteoporose pode ser
formado a partir da equação não balanceada:

Ca3(PO4)2 + H2SO4 → H3PO4 + CaSO4

Partindo-se de 62 g de Ca3(PO4)2, e usando-se quantidade suficiente de H2SO4, qual será, em gramas, a


massa aproximada de H3PO4 obtida?
Dados: Ca3(PO4)2 = 310 g · mol-1, H3PO4= 98 g · mol-1

Resolução:
Acertar os coeficientes da equação:
1Ca3(PO4)2 + 3H2SO4 → 2H3PO4 + 3CaSO4
Relacionar cada coeficiente com a quantidade em massa das substâncias envolvidas.

 plicando agora a regra matemática que diz “entre grandezas proporcionais a multiplicação em cruz dá
A
origem a produtos iguais”, temos:
​ 62 · 2 · ​
310 ∙ x = 62 ∙ 2 ∙ 98 ∙ x = ​ 62 ∙ 2 ∙ 98 → x = ________ 98 
 = 39,2 g de H3PO4
310

§§ Relacionando mol com mol

Calcule o número de mol de H3PO4 necessários para reagir totalmente com 9 mol de Ca(OH)2.
Dado: H3PO4 + Ca(OH)2 → Ca3(PO4)2 + H2O
Resolução:
Acertar os coeficientes estequiométricos da equação.

3 ∙ x = 2 ∙ 9 → x = ​​ 18
__ ​ = 6 mol de H PO
3 3 4

§§ Relacionando mol e massa

Quantos gramas de H2 são liberados na reação completa de 2 mol de cálcio metálico com ácido clorídrico?
Dado: H2 = 2 g · mol-1
Resolução:
Escrever a equação relacionada com o problema.

Ca + HCℓ → H2 + CaCℓ2

164
Acertar os coeficientes estequiométricos da equação.
ℓ ℓ

§§ Relacionando massa ou mol com moléculas

Dada a reação balanceada:


2Fe + 6HCℓ → 2FeCℓ3 + 3H2
Qual o número de moléculas de gás hidrogênio, produzidas pela reação de 224 g de ferro?
Dado: Fe = 56 g · mol-1

Resolução:

ℓ ℓ

§§ Relacionando grandezas com volume

Considere a reação:
3(NH4)2CO3 + 2H3PO4 → 2(NH4)3PO4 + 3CO2 (g) + 3H2O
O volume em litros de gás carbônico liberado, quando 250 g de carbonato de amônio reagem com excesso
de ácido fosfórico, é de:
Dados: Volume molar nas CNTP = 22,4 L · mol-1
Massas molares (g · mol-1): H = 1, C = 12, N = 14, O = 16, P = 31.

Resolução:
M(NH ) CO = (14 · 2) + (1 · 8) + (12 · 1)+ (16 · 3) = 96 g ∙ mol-1
4 2 3

​ m
n(NH ) CO = __ 250
___
4 2 3 n ​ = ​  96 ​ ≅ 2,6 mol

165
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Lavoisier e Faraday

Fonte Youtube:

ACESSAR

Sites A química verde

www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&id=1222:a-quimica-
verde&Itemid=98

166
APLICAÇÃO NO COTIDIANO

A estequiometria está presente no nosso dia a dia sem percebermos. Qualquer coisa que fazemos que
remeta a uma proporção pode ser relativizada com estequiometria. Um exemplo claro é quando fazemos café. O
café nada mais é do que uma estequiometria em menor escala. Se, por exemplo, em um café colocarmos muito
açúcar, poderemos ver que nem todo açúcar ficará dissolvido. A esse tipo de situação chamamos de reagente em
excesso. Por isso que na hora de preparar um produto ou mesmo um café, é muito importante termos em mente a
estequiometria da reação. Nem tudo pode ser consumido e isso só será perda.

167
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 30 - Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que


visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente.

Atualmente há uma preocupação internacional relacionada aos recursos encontrados.


Muitos elementos são, de forma geral, tão eficientes quantos os recursos que estão aos
poucos sendo exauridos.
Por conta disso, é importante encontrar meios alternativos para a obtenção desses ele-
mentos com técnicas diferenciadas e baratas, a fim de garantir um melhor aproveitamen-
to dos recursos que a terra pode conceder.
A fim de produzir uma maior quantidade é interessante usar de técnicas que visam o
aumento da produção e um maior rendimento nas reações químicas.

Modelo
(Enem) Em setembro de 1998, cerca de 10.000 toneladas de ácido sulfúrico (H2SO4) foram derra-
madas pelo navio Bahamas no litoral do Rio Grande do Sul. Para minimizar o impacto ambiental de
um desastre desse tipo, é preciso neutralizar a acidez resultante. Para isso pode-se, por exemplo,
lançar calcário, minério rico em carbonato de cálcio (CaCO3), na região atingida.
A equação química que representa a neutralização do H2SO4 por CaCO3, com a proporção aproximada
entre as massas dessas substâncias é:

H2SO4 + CaCO3 → CaSO4 + H20 + C02


1 tonelada 1 tonelada sólido gás
reage com sedimentado
Pode-se avaliar o esforço de mobilização que deveria ser empreendido para enfrentar tal situação,
estimando a quantidade de caminhões necessária para carregar o material neutralizante. Para
transportar certo calcário que tem 80% de CaCO3, esse número de caminhões, cada um com carga
de 30 toneladas, seria próximo de

a) 100.
b) 200.
c) 300.
d) 400.
e) 500.

168
Análise Expositiva

Habilidade 30
Neste tipo de habilidade, os conhecimentos do aluno são testados ao se apresentar um pro-
blema encontrado em muitas indústrias e mineradoras (quando estas desejam conter algum
risco ambiental). É possível ter uma noção correlacionada com o cotidiano, favorecendo a
aproximação do aluno com a matéria estudada em sala de aula.
Utilizando a proporção aproximada fornecida no enunciado do teste, temos:
H2SO4 + CaCO3 → CaSO4 + H2O + CO2
1t – 1t
10.000 t – 0,80 ∙ m (pureza de 80%)
m = 12.500 t
30 t — 1 caminhão
12.500 t — x
x = 416,67 caminhões ⇒ x ≅ 400 caminhões

Alternativa D

Estrutura Conceitual
O
C C C C
+ O O =
C C O
C C
contém
Reação química Equação química

na qual há
Que expressam
a proporção entre
Coeficientes
os participantes estequiométricos
da reação ÍONS

Envolver
a quantidade
em mol pode ser
Número de
relacionado ÁTOMOS

Massa Volume
MOLÉCULAS
169
7
0 80 Estequiometria - pureza,
rendimento e excesso de
reagente
Competências Habilidades
1, 2 e 8 4, 7, 29 e 30
© Sylvie Corriveau/Shutterstock

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnoló-
H11
gicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Casos particulares de estequiometria
Neste capítulo, estudaremos casos especiais de cálculo estequiométrico:
§§ Excesso de reagente
§§ Pureza
§§ Reações consecutivas
§§ Rendimento
§§ Volume de ar
§§ Misturas de reagentes

Excesso de reagente
As reações químicas ocorrem sempre em uma proporção constante, que corresponde ao número de mol
indicado pelos coeficientes. Se uma das substâncias que participa da reação estiver em quantidade maior que a
proporção correta, ela não será consumida totalmente. Essa quantidade de substância que não reage é chamada
excesso.
Em geral, o reagente mais barato é usado em quantidade maior do que a exigida pela proporção correta,
com a finalidade de aumentar a velocidade da reação, além de garantir que toda a quantidade colocada do rea-
gente mais caro seja totalmente convertida no produto desejado.
O reagente que é consumido totalmente, e por esse motivo determina o fim da reação, é chamado reagente
limitante.

Teoria na prática
1. Numa reação de neutralização, 10,00 g de ácido sulfúrico são adicionados a 7,40 g de hidróxido de cálcio,
segundo a equação:
H2SO4 + Ca(OH)2 → CaSO4 + 2H2O

Dados: Massas molares (g ∙ mol-1): H2SO4 = 98; Ca(OH)2 = 74 e CaSO4 = 136.


Pede-se para calcular:
a) a massa de sulfato de cálcio formado;
b) a massa do reagente que "sobra" (em excesso) após a reação.
Vamos calcular a massa efetiva de ácido sulfúrico que vai reagir com 7,40 g do hidróxido de cálcio.

7,40 ∙ 98
⇒ x = ________
​   ​   = 9,8 g de H2O4
74
Como a massa de ácido sulfúrico adicionada é de 10 g e só irão reagir 9,8 g, podemos dizer que o ácido
sulfúrico está em excesso e o hidróxido de cálcio é o reagente limitante.
Cálculo da massa em excesso de ácido sulfúrico: (10 – 9,8) = 0,2 g, o que responde a pergunta (b) do problema.
Ao contrário do ácido sulfúrico que, neste problema, é o reagente em excesso, dizemos que hidróxido de
cálcio é o reagente em falta, ou melhor, o reagente limitante da reação, pois o hidróxido de cálcio será o primeiro
reagente a acabar ou se esgotar, pondo, assim, um ponto final na reação e determinando as quantidades de pro-
dutos que poderão ser formados.
173
De fato, podemos calcular:

7,4 ∙ 136
⇒ y = ________
​   ​   
= 13,6 g de CaSO4 será formado na reação entre 9,8 g de H2SO4 e 7,4 g de Ca(OH)2.
74
Isso responde à pergunta (a) do problema. Veja que o cálculo foi feito a partir dos 7,4 g de Ca(OH)2 (reagen-
te limitante), mas nunca poderia ter sido feito a partir dos 10 g de H2SO4 (reagente em excesso), pois chegaríamos
a um resultado falso. Isso porque os 10 g de H2SO4 não podem reagir integralmente, por falta de Ca(OH)2.

Observação: Vamos insistir que as substâncias não reagem na proporção em que nós as mistura-
mos, mas sim na proporção em que a equação – ou seja, a lei de Proust – determina. Daí o cuidado ao
resolver problemas que dão as quantidades de dois reagentes. Devemos sempre nos lembrar de que é o reagente
em falta ou reagente limitante (fator limitante) que “comanda” toda a reação, pois, no instante em que ele
acaba, a reação será interrompida.

“Dica”
Quando o exercício fornecer a quantidade de duas (ou mais) substâncias na reação química, tome cuidado,
pois uma das substâncias pode estar em excesso, ou seja, não será totalmente consumido. Nesse caso, para desco-
brir o reagente em excesso e o reagente limitante, você pode multiplicar “cruzado” as massas molares pela massa
fornecida das substâncias.
O produto maior da multiplicação indica o excesso e o produto menor da multiplicação indica o limitante,
ou seja, a substância que reage completamente.

Como o produto 740 é maior que 725,2, concluímos que o H2SO4 está em excesso e o Ca(OH)2 é o limitante.
Devemos, portanto, realizar os cálculos através do reagente limitante.

174
Teoria na prática
1. A combustão completa do gás metano, CH4, dá como produtos CO2 e H2O, ambos na fase gasosa. Se 1 L de
metano for queimado na presença de 10 L de O2, qual o volume final da mistura resultante? Suponha todos
os volumes medidos nas mesmas condições de temperatura e pressão e comportamento ideal para todos os
gases.

Resolução:
Essa questão é de resolução simples porque a proporção dos volumes gasosos (a P e T constantes) em uma
reação química coincide com a própria proporção dos coeficientes da equação correspondente. Temos, pois:

Portanto, o volume final da mistura resultante será (1 + 2 + 8) = 11 L.

Pureza
Geralmente, os reagentes utilizados nas indústrias não são totalmente puros. Isso se deve principalmente
porque na forma impura esses reagentes são mais baratos e também porque eles não são encontrados em sua
forma pura na natureza.
Portanto, ao realizar os cálculos estequiométricos da quantidade de produto que será formada ou da quan-
tidade de reagente que teremos que usar, temos que levar em consideração o seu grau de pureza.
O grau de pureza (p) é dado pela razão entre a massa de substância pura e a massa total da amostra.

mpura
p = ________
​ m   
 ​
total (impura)

Por exemplo, o calcário (carbonato de cálcio – CaCO3) é um minério utilizado para fabricar a cal virgem
(óxido de cálcio – CaO). No entanto, além do carbonato de cálcio, esse minério geralmente vem acompanhado de
impurezas em sua constituição, tais como a areia, o carvão e outras substâncias.
Digamos que, em 100 g de calcário, apenas 80 g são de carbonato de cálcio e 20 g são de impurezas, então
teremos que o grau de pureza desse minério é 0,8 ou 80 %, conforme mostrado abaixo:
mpura
p = ________
​ m    ​  80  ​ = 0,8
 ​ = ___
total (impura) 100
p% = p ∙ 100 = 0,8 ∙ 100 = 80%
Isso quer dizer que o grau de pureza dessa amostra de calcário é de 80%

100 % de pureza –––– 100 g de calcário


x –––– 80 g de carbonato puro
⇒ x = 80%

Assim, quando for preciso calcular a massa de produto obtido a partir de um reagente impuro, temos que
primeiro calcular qual é a parte pura da amostra e, depois, efetuar os cálculos com o valor obtido.

175
Teoria na prática
1. Qual é a massa de óxido de cálcio (CaO) obtida na decomposição de 250 g de calcário, contendo 80% de
carbonato de cálcio CaCO3?
Dados: Massas molares em g ∙ mol-1: Ca = 40, O = 16, C = 12.

Resolução:

A reação é dada por:

CaCO3 → CaO + CO2

As massas molares são:

M(CaCO3) = 100 g ∙ mol–1


M(CaO) = 56 g ∙ mol–1

Descobrindo quanto de carbonato realmente há na amostra e que poderá reagir:

100 g de calcário ——— 80 g de CaCO3 (porque a pureza é de 80%)


250 g de calcário ——— x
⇒ x = 200 g

Reações consecutivas
Nesse tipo de problema, é indispensável que:
§§ todas as equações estejam balanceadas individualmente.
§§ as substâncias “intermediárias” sejam canceladas; em certos problemas, isso obriga a “multiplicar” ou
“dividir” uma ou outra equação por números inteiros convenientes, que levem ao cancelamento desejado.
Daí para diante, recaímos num cálculo estequiométrico comum, em que a regra de três é estabelecida em
função da equação química que resulta da soma das equações intermediárias.

Teoria na prática
1. A fabricação industrial do ácido sulfúrico a partir do enxofre processa-se por meio das três reações conse-
cutivas dadas a seguir:

Qual é a massa de ácido sulfúrico produzida a partir de 8 toneladas (t) de enxofre?


(Massas atômicas: S = 32, H = 1, O = 16).

176
Resolução:

Reação global:

2. (Fuvest) Duas reações que ocorrem na produção do ferro são representadas por:
2C(s) + O2(g) → 2CO(g)
Fe2O3(s) + 3CO(g) → 2Fe(s) + 3CO2(g)
O monóxido de carbono formado na primeira reação é consumido na segunda. Considerando apenas essas
duas etapas do processo, calcule a massa aproximada, em quilogramas, de carvão consumido na produção
de 1 tonelada de ferro (Massas atômicas: Fe = 56, C = 12, O = 16).
Resolução:
Multiplicando a 1ª equação por três e a 2ª equação por dois, temos:

6C(s) + 3O2(g) → 6CO(g)


2Fe2O3(s) + 6CO(g) → 4Fe(s) + 6CO2(g)

Equação global:

∙ ∙

⇒ x = 321 kg de C
Note que foi necessário multiplicar a 1ª equação por três e a 2ª por dois para podermos “cancelar” o CO
que está presente tanto na 1ª como na 2ª equação.

Rendimento
Quando o rendimento da reação não é total na maioria das reações químicas realizadas, na prática, em
indústrias e em laboratórios, a quantidade de produto obtido é menor que a quantidade esperada teoricamente.
Isso quer dizer que o rendimento da reação não é igual a 100%, pois a massa total dos reagentes não foi
completamente convertida em produtos.

177
Isso pode acontecer devido a diversos fatores. Veja os mais comuns:
§§ Podem ocorrer reações paralelas à que desejamos e, com isso, uma parte de um ou de ambos os reagentes
é consumida, formando produtos indesejáveis.
§§ A reação pode ficar incompleta por ser reversível; assim, parte do produto formado é novamente convertida
em reagentes.
§§ Podem ocorrer perdas de produto durante a reação, como ao serem usadas aparelhagens de má qualidade
ou por algum erro do operador.

Rendimento (R) é o quociente entre a quantidade de produto realmente obtida em uma reação e a
quantidade que teoricamente seria obtida, de acordo com a equação química correspondente.

Quantidade real
Rendimento (em %): ​ _______________
  
    ​ ∙ 100
Quantidade teórica

Teoria na prática
1. Num processo de obtenção de ferro a partir da hematita (Fe2O3), considere a equação não balanceada:
Fe2O3 + C → Fe + CO
Utilizando-se 4,8 toneladas (t) de minério e admitindo-se um rendimento de 80% na reação, qual a quan-
tidade de ferro produzida?
Dados: Massas atômicas: C = 12, O = 16, Fe = 56
Resolução:
Após o balanceamento da equação, efetuarmos o cálculo estequiométrico da forma usual:

A massa de ferro (3,36 toneladas) seria obtida se a reação tivesse aproveitamento ou rendimento total (100%).
No entanto, no enunciado se diz que o rendimento é de apenas 80%.
Devemos então efetuar o cálculo envolvendo o rendimento percentual dado:

2. Sabe-se que o cobre metálico reage com ácido nítrico diluído e produz o gás óxido de nitrogênio (II), água
e um composto iônico no qual o cobre tem número de oxidação +2.
Calcule a massa de metal que deve reagir com o ácido nítrico e produzir 4,48 L de gás (CNPT), em um
processo no qual o rendimento é de 50 %.
Dados: 3Cu + 8HNO3 → 2NO + 4H2O + 3Cu(NO3)2
Cu = 63,5; N = 14; O = 16.

178
Resolução:

Este problema é do “tipo inverso” do anterior. De fato, no anterior, dava-se a quantidade do reagente e
pedia-se a quantidade do produto formado; agora, é dada a quantidade do produto e pedida a quantidade
do reagente necessário à reação. Pelo cálculo estequiométrico usual, temos:

∙ ∙

 o enunciado, diz-se, porém, que o rendimento da reação é de 50%, o que indica que apenas 50% do cobre
N
inicial será aproveitado na reação.
Para compensar essa perda, devemos partir de uma quantidade maior que os 19,05 g porevistos.
Assim:

De cada 100 g de Cu ——— 50 g de Cu realmente reagem


y ——— 19,05 g de Cu realmente reagem
100 ∙ 19,5
⇒ y = _________
​   ​​  = 38,1 g de Cu serão necessários (apenas 50% desse valor reagirá).

50

3. Uma massa de 32,70 g de zinco metálico reage com uma solução concentrada de hidróxido de sódio, pro-
duzindo 64,53 g de zincato de sódio (Na2ZnO2).
Qual é o rendimento dessa reação?

Resolução:
Diferente dos anteriores, o problema pede agora o rendimento da reação.
Façamos, inicialmente, um cálculo estequiométrico normal, sem pensar no rendimento:
Dados: Zn + 2NaOH → Na2ZnO2 + H2
Massas atômicas: Zn = 65,4; Na = 23; O = 16; H = 1.

Passemos, agora, para o cálculo do rendimento porcentual:

Quantidade real
Rendimento: ​  _______________
    ​ ∙ 100
  
Quantidade teórica

64,53
⇒ Rendimento = _____
​   ​ ∙ 100 = 90%
71,7

179
Ou, ainda, de outra forma:

Observe, pelos três exemplos acima, que o cálculo estequiométrico é sempre feito normalmente. Os cálculos
do rendimento são feitos à parte e equivalem a cálculos de porcentagens.

Volume de ar nas reações químicas


O ar seco apresenta cerca de 78% de gás nitrogênio (N2), 21% de gás oxigênio (O2) e 1% de outros gases,
em volume. Isso significa que temos uma proporção de aproximadamente 1 : 4 : 5 de gás oxigênio, gás nitrogênio
e ar total, respectivamente.
O ar participa de muitas reações, principalmente nas reações de oxidação, como as combustões. Na realida-
de, porém, o único componente do ar que reage é o oxigênio, sendo que o nitrogênio é considerado inerte. Embora
não participe da reação, o nitrogênio faz parte do ar que reage e dos gases finais produzidos.
Dessa forma, quando uma reação se processa com a participação do ar, pode ser necessário encontrarmos
fatores tais como: qual a massa de oxigênio que reagiu, qual o volume do ar utilizado, qual o volume dos gases
finais da reação, quanto de nitrogênio estava presente no ar e nos gases finais e assim por diante.
Veja o exemplo a seguir e verifique duas formas que podem ser usadas para realizar esses cálculos.

Uma das formas é usando “Regra de Três“ e a outra é usando a Proporção Estequiométrica citada
(1O2 : 4N2 : 5ar).

Teoria na prática
1. Um volume de 56 L de metano é completamente queimado ao ar, produzindo gás carbônico e água. Supo-
nha todas as substâncias no estado gasoso e nas mesmas condições de pressão e temperatura.
CH4 + 2O2 → CO2 + 2H2O
Composição volumétrica do ar: 20% de O2 : 80% de N2.
a) Qual o volume de ar necessário à combustão?
b) Qual o volume total dos gases no final da reação?

Resolução:

Tratando-se de um cálculo estequiométrico entre volumes gasosos, nas mesmas condições de pressão e
temperatura, a resolução é imediata – basta seguir os coeficientes da equação balanceada:
a) Cálculo do volume de ar necessário à combustão
Se o volume de oxigênio é 2 ∙ 56 = 112 L, o volume de ar será:

 ote que esse cálculo corresponde a multiplicar o volume do O2 por 5, de acordo com a proporção já men-
N
cionada, 1O2 : 4N2 : 5ar.

180
b) Cálculo do volume total dos gases, no final, da reação
Pela equação, notamos que, no final, teremos:

∙ ∙ ∙ ∙
⇒ No final da reação temos 56 L de CO2 + 112 L de H2O(g) (vapor de água) + a sobra de N2
que existe no ar inicial e que não reage.
Ora, sabendo a composição volumétrica do ar, temos:

80 L de N2 ——— 100 L de ar
x ——— 560 L de ar
⇒ x = 448 L de N2

Pode-se, também, calcular o volume inerte de N2 usando-se o volume de O2 (já calculado anteriormente):

80 L de N2 ——— 20 L de O2
y ——— 112 L de O2
⇒ y = 448 L de N2

P erceba que todos esses cálculos são desnecessários, pois, relembrando a proporção 1O2 : 4N2 : 5ar,
vemos que basta multiplicar o volume de O2 por 4, e teremos o volume do N2.
Finalmente, o volume da mistura gasosa final será:
Vfinal = 56 L de CO2 + 112 L de vapor de água + 448 L de N2 = 616 L de gases no final da combustão.

Misturas de reagentes
Somente as substâncias puras têm fórmulas químicas e somente com elas podemos escrever equações
químicas.
Numa mistura (composição variável), estão presentes duas ou mais substâncias puras.
Às vezes, deseja-se expressar sua composição (em peso, ou em volume) ou mesmo saber quanto de cada
componente deve ser misturado para formar outra mistura de composição previamente fixada.
Nesses problemas, a dificuldade fundamental é: as misturas não são obrigadas a obedecer a uma proporção
constante; no entanto, toda equação química deve obedecer a uma proporção constante, de acordo com a lei de Proust.

1° caso: quando a composição da mistura reagente é dada


Consideremos que uma mistura composta por 5 mol de flúor e 10 mol de cloro reage completamente com
o hidrogênio.
Qual é a massa total dos produtos formados? (Massas atômicas: H = 1; F = 19; Cℓ = 35,5)

Resolução:

 amos considerar separadamente as reações do flúor e do cloro e efetuar dois cálculos estequiométricos
V
separados.

181
Para o flúor:

Para o cloro:

ℓ ℓ

A massa total dos produtos formados será, portanto:

mtotal = 200 g de HF + 730 g de HCℓ = 930 g de produtos.

Note que não podemos somar as duas equações vistas acima, pois a soma:

2H2 + 1F2 + 1Cℓ2 → 2HF + 2HCℓ

apresenta a proporção de 1 mol de F para 1 mol de Cℓ, enquanto o enunciado do problema fala em 5 mol
de F2 e 10 mol de Cℓ2.
Sendo assim, em problemas com misturas de reagentes, o ideal é resolver as equações químicas separadas,
efetuando o cálculo estequiométrico também separadamente.

2° caso: quando a composição da mistura reagente não é


conhecida - pelo contrário, constitui a pergunta do problema
Uma massa de 24 g de uma mistura de H2 e CO queima completamente, produzindo 112 g de produtos
finais.
Pede-se para calcular as massas de H2 e de CO existentes na mistura inicial (Massas atômicas: H = 1, C = 12,
O = 16).

Resolução:

As reações mencionadas no problema são:

2H2 + O2 → 2H2O
2CO + O2 → 2CO2

Neste caso, também não podemos somar as equações porque não conhecemos a proporção em que o H2
e o CO estão misturados. Assim sendo, o caminho é trabalhar com cada equação química separadamente,
como foi feito no 1° caso. Inicialmente, vamos adotar o seguinte raciocínio:

182
Uma vez que a massa total da mistura de H2 e CO (reagentes) é igual a 24 g, se chamarmos de x a massa
de H2, a massa de CO será igual a (24 – x) gramas;
Analogamente, a massa total da mistura final de H2O e CO2 (produtos) também foi dada, sendo igual a
112 g. Assim, se chamarmos de y a massa de H2O formada, a massa de CO2 formada será (112 – y) gramas.
Vamos agora retomar as equações químicas separadamente e efetuar os cálculos estequiométricos corres-
pondentes:

Para o H2, temos:

Para o CO, temos:

Temos, portanto, um sistema algébrico de duas incógnitas que, resolvido, fornecerá as massas do H2 e CO
na mistura inicial (reagentes):
x = 10 g de H2 e y = 14 g de CO

183
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 29 - Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando


implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias-primas ou produtos
industriais.

Com o avanço dos estudos da tabela periódica foi possível separar os elementos em
grupos e períodos e classificá-los como representativos e de transição. Muitos destes
elementos têm extrema importância na avaliação de métodos eficazes e práticos para
preservação ambiental.
De forma geral é importante identificar as características correspondentes destes ele-
mentos para que se possa trabalhar de forma adequada em relação às propriedades
específicas de cada elemento.
Para isso utiliza-se da estequiometria que leva em conta muitas vezes situações na qual
um produto foi extraído e tratado. Este tratamento nem sempre acontece com o maior
rendimento ou muitas vezes é uma amostra impura. A habilidade 29 tem como objetivo
consolidar o raciocínio lógico de forma quantitativa nas reações químicas.

Modelo
(Enem) A composição média de uma bateria automotiva esgotada é de aproximadamente 32% Pb,
3% PbO, 17% PbO2 e 36% PbSO4. A média de massa da pasta residual de uma bateria usada é de
6kg, onde 19% é PbO2, 60% PbSO4 e 21% Pb. Entre todos os compostos de chumbo presentes na
pasta, o que mais preocupa é o sulfato de chumbo (II), pois nos processos pirometalúrgicos, em
que os compostos de chumbo (placas das baterias) são fundidos, há a conversão de sulfato em
dióxido de enxofre, gás muito poluente.
Para reduzir o problema das emissões de SO2(g), a indústria pode utilizar uma planta mista, ou seja,
utilizar o processo hidrometalúrgico, para a dessulfuração antes da fusão do composto de chumbo.
Nesse caso, a redução de sulfato presente no PbSO4 é feita via lixiviação com solução de carbonato
de sódio (Na2CO3) 1M a 45°C, em que se obtém o carbonato de chumbo (II) com rendimento de
91%. Após esse processo, o material segue para a fundição para obter o chumbo metálico.

PbSO4 + Na2CO3 → PbCO3 + Na2SO4

Dados: Massas Molares em g/mol Pb = 207; S = 32; Na = 23; O = 16; C = 12


ARAÚJO, R.V.V.; TINDADE, R.B.E.; SOARES, P.S.M.
Reciclagem de chumbo de bateria automotiva: estudo de caso.
Disponível em: http://www.iqsc.usp.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (adaptado).

184
Segundo as condições do processo apresentado para a obtenção de carbonato de chumbo (II) por
meio da lixiviação por carbonato de sódio e considerando uma massa de pasta residual de uma
bateria de 6 kg, qual quantidade aproximada, em quilogramas, de PbCO3 é obtida?

a) 1,7 kg
b) 1,9 kg
c) 2,9 kg
d) 3,3 kg
e) 3,6 kg

Análise Expositiva

Habilidade 29
Uma das áreas da química mais importante é a estequiometria. Nela pode-se aprender sobre
a proporcionalidade das reações químicas e a relação dos reagentes. Para que se tenha um
melhor rendimento possível, é necessário utilizar uma maior quantidade de reagente, com
maior pureza. Nesta habilidade é colocada em prova a capacidade do aluno de interpretar e
avaliar as condições da estequiometria para um melhor aproveitamento da reação e colocar
em termos quantitativos a resposta achada.
6 kg (pasta) — 100 %
m (PbSO4) — 60%
m (PbSO4) = 3,6 kg

Obtenção de PbCO3:

PbSO4 + Na2CO3 → PbCO3 + Na2SO4


303 g __________ 267 g
3,6 kg _________ m(PbCO3)
m(PbCO3) = 3,17 kg

Para um rendimento de 91 %, vem:


3,17 kg — 100 %
m(PbCO3) — 91 %
m(PbCO3) = 2,9 kg

Alternativa C

185
Estrutura Conceitual
O
C C C C
+ O O =
C C O
C C
contém
Reação química Equação química

na qual há
Que expressam
a proporção entre
Coeficientes
os participantes estequiométricos
da reação

Rendimento 100%

Na qual Rendimento menor que 100%


pode ser uma
reação com Excesso de reagente

Reagentes não puros

186
9
0 01 Leis físicas dos gases

Competências Habilidades
5, 6 e 7 17, 19, 21 e 24
© Africa Studio/Shutterstock

C N
QUÍMICA
Competência 1 – Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos
processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização sustentável
H4
da biodiversidade.
Competência 2 – Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do
H7
trabalhador ou a qualidade de vida.
Competência 3 – Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumen-
tos ou ações científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, considerando
H8
processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar alterações
H9
nesses processos.
H10 Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.
Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnoló-
H11
gicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Competência 4 – Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando
conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade,
H14
entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos.
Competência 5 – Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto
H17
discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, econômica
H19
ou ambiental.
Competência 6 – Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.

H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.

Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, ou em suas
H22
implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou
H23
econômicas.
Competência 7 – Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-
-tecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas

Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua obtenção ou
H25
produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transformações
H26
químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Competência 8 – Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico
tecnológicas.
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em especial em
H28
ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias primas
H29
ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, coletiva ou do
H30
ambiente.
Hipótese de avogadro
Suponha três recipientes com volume de um litro cada um, onde serão adicionados gases distintos em cada
um deles. Gás carbônico (CO2) em um recipiente, oxigênio (O2) em outro, e metano (CH4) no terceiro, sempre com
pressão e temperatura iguais.

A base dessa hipótese é a ideia de que o número de moléculas é igual nos três recipientes, tese essa aceita
após ser autenticada, uma vez baseada em observações experimentais e em um modelo da matéria que foi chama-
da de princípio de Avogadro, e não de lei. Portanto, pode-se dizer que:

Volumes iguais de gases quaisquer à mesma pressão e temperatura contêm o mesmo número de moléculas.

nco = no = nCH
2 2 4

Como moléculas com diferentes tamanhos podem ocupar o mesmo volume?


No estado gasoso, a distância entre as moléculas é tão grande que a diferença entre o tamanho delas é
irrelevante.

Volume molar
O volume ocupado por um mol de qualquer substância é chamado volume molar.
O volume molar de qualquer gás tem sempre o mesmo valor se as condições de pressão e temperatura
forem as mesmas, isto é, o volume molar independe da natureza da substância gasosa. O número de partículas
(moléculas ou átomos) presente em um mol de substância é sempre o mesmo, portanto números iguais de partí-
culas gasosas ocupam o mesmo volume (hipótese de Avogadro).
Um conjunto de valores de pressão e temperatura padronizados no estudo dos gases é: 1 atm e 0 ºC. Essas
condições experimentais são chamadas condições normais de temperatura e pressão (CNTP ou TPN). Reduzir as
condições normais significa efetuar uma transformação gasosa na qual o estado final encontre-se nas CNTP.
Experimentalmente verifica-se que o volume molar de qualquer gás ou vapor, se medido nas condições
normais de temperatura e pressão, corresponde a 22,4 litros.

Vmolar (CNTP) = 22,4 (L/mol) ou 22,4 (L · mol–1)

Equação de estado de um gás


O comportamento físico dos gases independe de sua composição química e pode ser descrito em três vari-
áveis chamadas variáveis de estado: volume, pressão e temperatura.
A descrição das condições de volume, pressão e temperatura em que se encontra determinada massa de
gás é chamada de estado de um gás.
189
A partir de estudos experimentais dos gases, o francês Clapeyron estabeleceu uma relação matemática en-
tre as variáveis de estado de um gás. Essa relação é chamada equação de estado de um gás ideal ou equação
de Clapeyron:

P·V=n·R·T

Da qual:
§§ P é a pressão exercida pelo gás e expressa em milímetros de mercúrio (mm de Hg) ou em atmosfera (atm).
A pressão atmosférica ao nível do mar é igual a 760 mmHg ou 1 atm.
§§ V é o volume ocupado pelo gás. Como um gás ocupa todo o volume do recipiente, as unidades utilizadas
para expressar o volume de um gás são:
§§ mililitro – mL; litro – L; centímetro cúbico – cm3; decímetro cúbico – dm3; metro cúbico – m3.
As relações entre as unidades são:
1 mL = 1 cm3; 1 L = 1 dm3 = 1.000 mL = 1.000 cm3
1 m3 = 1.000 L = 1.000.000 mL ou cm3
§§ T é a temperatura absoluta do gás, mediante a qual determina-se o grau de agitação das moléculas. Ela
pode ser medida mediante escalas termométricas, como a escala Celsius (ºC), Farenheit (ºF), Kelvin (K) etc. A
escala internacional adotada para a medida da temperatura de um gás é a escala Kelvin, também chamada
escala absoluta. Ela tem seu início no zero absoluto, que corresponde a –273,15 ºC. Trata-se de uma tem-
peratura teórica segundo a qual se admite que a agitação das moléculas é nula, ou seja, é uma temperatura
na qual moléculas e átomos estão totalmente imóveis. A temperatura na escala Kelvin relaciona-se com a
escala Celsius pela expressão:

T(K) = t(ºC) + 273

Portanto:

t (ºC) T (K)
–73 200

0 273

25 298

100 298

§§ n é o número de moléculas, em mol, do gás presente no recipiente, cuja unidade pode ser calculada pela
expressão:
massa   ​ 
n = ​ __________ ​ m  ​ (mol)
ä n = __
massa molar M

§§ R é a constante universal dos gases, uma constante de proporcionalidade cujo valor depende das uni-
dades de medida utilizadas. Portanto, se o volume for expresso em litros (L), a quantidade de gás em mol e
a temperatura em Kelvin (K) serão:
R = 0,082 (atm · L · mol–1 · K–1), se a pressão for expressa em atm.
R = 62,3 (mmHg · L · mol–1 · K–1), se a pressão for expressa em mmHg.

190
Teoria na prática
1. Um balão A contém 8,8 g de CO2 e um balão B contém N2. Sabendo que os dois balões têm igual capaci-
dade e apresentam a mesma pressão e temperatura, calcule a massa de N2 no balão B.
Dados: massas atômicas: C = 12; O = 16; N = 14

Resolução:

Pela hipótese de Avogadro:

2. Na CNTP, qual é o volume ocupado por 10 gramas de monóxido de carbono (CO)?

Resolução:

A massa molar do monóxido de carbono são 28 g/mol, o que, na CNTP, significa 28 de CO.
1 (mol) ocupa o volume de 22,4 L.
22,4 L é o volume ocupado por 28g de CO.
VCO é o volume ocupado por 10 g de CO.
Matematicamente:

3. Determinar a massa molar de um gás, sabendo-se que 3 gramas do referido gás ocupam um volume de 4
litros à pressão de 0,82 atm e à temperatura de 127 ºC.

Resolução:

Utilizando a equação de estado de um gás (PV = nRT), podemos calcular o número de mol (n) do gás. A
m  ​, podemos calcular sua massa molar.
seguir, utilizando a expressão n = ​ __
M
A temperatura que está dada na escala Celsius deve ser transformada para a escala absoluta:
T (K) = t (ºC) + 273 = 127 + 273 = 400 K
Como a pressão é dada em atmosferas, o valor de R a ser utilizado é 0,082 atm · L · mol–1 · K–1.
Substituindo os valores numéricos na equação de Clapeyron, temos:
0,82 atm · 4 L = n · 0,082 atm · L · mol–1 · K–1 · 400 K

0,082 · 400
n = _________
​  ä n = 0,1 mol
 ​ 
0,28 · 400
Como a massa do gás é de 3 gramas, sua massa molar será:

​  3   ​ ä M = 30 g/mol
​ m  ​ ä ___
n = __
M 0,1

191
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Entenda de vez como funciona o motor do carro!


Fonte Youtube:

Vídeo The Steam Machine Changes The World...


Fonte Youtube:

ACESSAR

Sites Transformações gasosas

www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160228_carros_eletricos_tg

192
INTERDISCIPLINARIDADE

A Revolução Industrial foi um conjunto de mudanças estruturais no modo de produção que ocorreu na
Europa entre os séculos XVIII e XIX, quando ocorreu a substituição do artesanão pelo assalariado e pelo uso das
máquinas. Até o final do século XVIII, a maioria da população europeia vivia no campo e produzia o que consumia,
um artesão era possuidor de todo o conhecimento do processo produtivo de seu produto. Com o passar do tempo,
começaram a surgir grandes oficinas, onde diversos artesãos, realizando manualmente todo o processo, fabricavam
os produtos, mas sendo subordinados ao proprietário da manufatura.
Devido à sua localização, possuir uma rica burguesia em expansão e ter ocorrido um êxodo rural, a Ingla-
terra possuiu características que fez com que estivesse na vanguarda da Revolução Industrial. Entre 1760 e 1860,
a Revolução Industrial ficou limitada, primeiramente, à Inglaterra.
Com o desenvolvimento tecnológico, as oficinas transformaram-se em pequenas fábricas, nas indústrias de
tecidos de algodão surgiu o tear mecânico. Nessa época, o aprimoramento das máquinas a vapor contribuiu para
a continuação da Revolução, tanto para o transporte da mercadoria como para a produção. A Inglaterra possuía
reservas de minas de carvão mineral, mas para a exploração das minas, máquinas de bombear a água eram ne-
cessárias com a máquina a vapor, foi possível explorar minas a grandes profundidades. O carvão era necessário
tanto para movimentar a locomotiva a vapor quanto para aquecer os fornos nas indústrias ou alimentar algumas
máquinas a vapor.
As fábricas do início da Revolução Industrial não eram um bom local de trabalho. Condições de trabalho
precárias, longas jornadas de trabalho, baixo salário, péssima iluminação, ventilação e muita sujeira além de su-
portar castigos físicos por parte dos patrões forçaram revoltas e greves por parte dos trabalhadores, que passaram
a se organizar por meio de sindicatos, que pediam melhores condições de trabalho, assim como salário, e lutavam
por direitos trabalhistas.

193
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES

Habilidade 24 - Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, subs-


tâncias ou transformações químicas.

Uma das aplicações mais comuns dos gases são para a expansão e combustão. Os ga-
ses em geral estão presentes corriqueiramente, fazendo deles uma das matérias mais
abordadas no vestibular.
Como situação-problema, é comum observar situações em que há a combustão de
gases poluentes, mas principalmente de gases como o GLP e o GNV. Assim, é impor-
tante saber sua composição, seus produtos da combustão e os processos de mudança
segundo a lei geral dos gases.

Modelo
(Enem) As mobilizações para promover um planeta melhor para as futuras gerações são cada vez
mais frequentes. A maior parte dos meios de transporte de massa é atualmente movida pela quei-
ma de um combustível fóssil. A título de exemplificação do ônus causado por essa prática, basta
saber que um carro produz, em média, cerca de 200g de dióxido de carbono por km percorrido.
Revista Aquecimento Global. Ano 2, nº 8. Publicação do Instituto Brasileiro de Cultura Ltda.

Um dos principais constituintes da gasolina é o octano (C8H18). Por meio da combustão do octano
é possível a liberação de energia, permitindo que o carro entre em movimento. A equação que re-
presenta a reação química desse processo demonstra que

a) no processo há liberação de oxigênio, sob a forma de O2.


b) o coeficiente estequiométrico para a água é de 8 para 1 do octano.
c) no processo há consumo de água, para que haja liberação de energia.
d) o coeficiente estequiométrico para o oxigênio é de 12,5 para 1 do octano.
e) o coeficiente estequiométrico para o gás carbônico é de 9 para 1 do octano.

194
Análise Expositiva

Habilidade 24

Nessa habilidade é de extrema importância o domínio dos conteúdos anteriores, assim será
possível ter uma relação mais clara quanto às reações químicas presentes no cotidiano e suas
proporções fixas e definidas das reações químicas.
Combustão completa de 1 mol octano (C8H18):

1C8H18 + 12,5O2 → 8CO2 + 9H2O

Alternativa D

Estrutura Conceitual

Contém
Variáveis
GÁS IDEAL de
estado

volume pressão
CONSTANTE
UNIVERSAL
DOS GASES temperatura
PERFEITOS
(R)

Permite calcular o Volume


volume molar molar
do gás (L⋅mol-1)

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