Você está na página 1de 22

1.

INTRODUÇÃO

Este material trata-se de Projeto de Reflorestamento de Mata Ciliar, incluindo


listagem de mudas (Lista Oficial do Ibot-SP) e orientações técnicas (SMA 08/2.008)
quanto ao plantio e manutenção da área, nas margens do Córrego do Tanquinho,
localizado no município de Jacareí-SP. A recuperação de áreas degradadas se
constitui em uma das alternativas mais importantes para a proteção dos ecossistemas
terrestres e aquáticos, da fauna e da flora, contribuindo para a proteção dos solos e
dos recursos hídricos, minimizando processos erosivos, o assoreamento de cursos
d’água e, logo, contribuindo com a qualidade de vida da população.

O município de Jacareí-SP possuía, originalmente, a maior parte de sua área no Bioma


das Matas Atlânticas, mas, atualmente restam aproximadamente 4% dessas florestas
(Fundação SOS Mata Atlântica).

Nas outras áreas do município, a urbanização e principalmente as atividades


minerárias (cavas para a extração de areia) e agropecuárias, especialmente o cultivo
de café, o plantio de arroz e a criação de gado, contribuíram para o intenso
desmatamento das matas. As outras manchas de matas distribuem-se de forma
esparsa, ocupando áreas de morros e serras, enquanto nos trechos de várzeas, com
destaque para as áreas alagáveis relacionadas à dinâmica hidrológica do Rio Paraíba
do Sul e dos seus afluentes, restam poucas ilhas de matas, sendo prioritária a
recuperação de matas ciliares em trechos meândricos, com vistas à formação de
corredores ecológicos.

No Vale do Paraíba paulista as Florestas Atlânticas interiorizadas se diferenciavam


das florestas costeiras e das florestas da Mantiqueira pela característica
semidecidual ou mesófila, com espécies adaptadas aos climas tropical e tropical de
altitude, com verões quentes e chuvosos, e invernos secos (estiagem), com altitude
variável entre 530 e 700m aproximadamente.

2. LOCALIZAÇÃO

A área da propriedade está localizada no Bairro Jardim Pedra Mar, em Jacareí-SP,


trecho médio da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, está inserida no Bioma
Mata Atlântica e propriedades do entorno com características mistas, rurais e
urbanas. O lote, um polígono irregular, totaliza cerca de 112.091,95 m² de área, com
103.749,65 m² a serem reflorestados em faixa marginal ao Córrego do Tanquinho,
suas nascentes, nas coordenadas geográficas de 23,318815 S, 46,034002 W.

Localização da área – Google Earth


3. CONTEXTO DE VIZINHANÇA

A propriedade hoje é utilizada como travessia/passagem por moradores do entorno


mais rural, que acessam o transporte público com mais facilidade no bairro Jardim
Pedra Mar. Está previsto neste projeto a manutenção destas travessias, que deverão
receber plantio paisagístico, além de sinalização informativa sobre o reflorestamento
e mobiliário urbano. Porém recomenda-se fortemente que não seja realizada a
instalação de iluminação pública nestas travessias uma vez que a poluição luminosa
trará prejuízos quanto à aproximação e bem-estar da fauna – essencial no sucesso do
reflorestamento.

4. OBJETIVOS

A elaboração deste projeto possui os seguintes objetivos:

 Recuperar áreas verdes: proporcionando a reorganização de seus processos


ecológicos, como a sucessão ecológica, com estabelecimento de banco de
sementes, desenvolvimento de plântulas, com formação de estrato arbustivo,
sub-bosque e dossel fechado, com consequente formação de habitats para a
fauna.

 Melhorar a qualidade dos solos nos ambientes reflorestados: devido à formação


de serapilheira e de horizonte O (orgânico) de solos, a formação de condições
microclimáticas mais amenas, o aumento da umidade dos solos, a formação de
grumos e o reaparecimento da fauna subterrânea dos solos, importante para a sua
qualidade e para o bom desenvolvimento da vegetação arbórea.

 Proporcionar a maior diversidade ou riqueza florística possível, com espécies


adaptadas à semideciduidade.
 Contribuir para o aumento das áreas reflorestadas no Bioma da Mata Atlântica.

 Atender a Legislação.

5. JUSTIFICATIVAS

Os principais remanescentes florestais de Jacareí-SP estão localizados a grande


distância da área urbana do município e mesmo entre si, formando “ilhas de vegetação
arbórea”. Por isso, ações que busquem o repovoamento florestal podem ser
consideradas pertinentes e benéficas à qualidade de vida da população e ao meio
ambiente, logo, contribuindo para a melhoria dos aspectos socioambientais e para
que o município avance em relação às diretivas do Projeto Município Verde-Azul (do
Governo do Estado de São Paulo).

No contexto regional predominam áreas de pastagens, com isolamento das


formações florestais, sendo estas muito raras nas áreas urbanas ou em suas
proximidades. Isto também justifica a importância da implantação de áreas de mata e
corredores ecológicos, pois o entorno é ocupado com áreas residenciais já
consolidadas, rodovias e outras formas de ocupação (diferentes atividades industriais
e comerciais).

No passado a área considerada e o entorno foram utilizados de forma intensiva com


atividades agropecuárias diversas (cana-de-açúcar, cafeicultura, carvoarias, pecuária
bovina, pastagens, etc.), o que causou grandes desmatamentos e a diminuição
drástica das áreas arborizadas.
6. PROJETO DE REFLORESTAMENTO E RECUPERAÇÃO

Este projeto é uma ação de reflorestamento em área degradada, de acordo com as


orientações da legislação ambiental pertinente, visando a conservação da vegetação
e a recuperação de serviços ambientais relacionados, com consequentes impactos
ambientais positivos, trazendo:

 Benefícios microclimáticos e de barreira para eventuais ventos fortes.


 Benefícios de proteção aos solos.
 Benefícios estéticos e paisagísticos.
 Benefícios à fauna.
 Benefícios à diversidade florística.
 Benefícios quanto à poluição sonora, atenuando ruídos.
 Benefícios para a qualidade do ar.
 Entre outros benefícios.

Área reflorestada de Mata Ciliar com 103.749,65 m² foi dividida em 03 tipos de


tratamento conforme figura abaixo : Plantio de mudas, 15.598,50 m²; Regeneração
Natural, 13.311,50 m²; Semeadura direta de muvuca, 73.829,73 m² - das quais
64.346,40 m² poderá ser feita de forma mecanizada e 10.483,33 m² localizam-se em
trecho mais íngreme onde o a semeadura precisará ser feita de forma manual.
Zoneamento dos diferentes tratamentos propostos
6.1 REGENERAÇÃO NATURAL

Em uma faixa de 5 metros para cada lado do córrego e um raio de 50 metros das
nascentes não haverá plantio de mudas ou semeadura – permitindo que a vegetação
se regenere de forma natural, sem que ocorra alteração repentina no consumo
hídrico nas áreas imediatas ao corpo d´’agua o que poderia resultar em período de
redução da produção de água.

Para acelerar a regeneração deverão ser utilizadas as seguintes técnicas: poleiros


artificiais, transposição de galharia e transposição de chuva de sementes.

Distribuição dos poleiros e galharias

LEGENDA: P = poleiro seco | P = poleiro vivo | G = galharia


Deverão ser instalados 09 poleiros artificiais de bambu (P e P) com
aproximadamente 3 metros de altura. A galhada da ponta dos bambus não deve ser
removida aumentando a área de pouso. Deve-se realizar limpeza frequente do
campim braquiária em um raio de 1,50m da borda dos poleiros, mantendo a base do
poleiro sempre coroada. As espécies regenerantes que surgirem não devem ser
removidas. Os poleiros indicados em azul (P) devem receber plantio de lianas
(Pyrostegia venusta) para que as aves que rejeitam os poleiros secos se utilizem deles.

Nos pontos indicados com (G) deverão ser depositadas galharias transpostas
preferencialmente chão do fragmento de mata vizinho à área, propiciando locais de
sombra e abrigo para pequenos animais, repteis e nidificação de aves.

Deverão ser instalados coletores de sementes no fragmento de mata vizinho, e


mensalmente as sementes coletadas deverão ser aleatoriamente depositadas na área
de regeneração natural.

6.2 PROJETO DE REFLORESTAMENTO E RECUPERAÇÃO

A área de 15.598,50 m² onde está previsto o Plantio de mudas, totalizando 4.680


mudas, sendo 27 espécimes pioneiras (crescimento rápido) e 26 espécimes não
pioneiras (crescimento lento),
O espaçamento considerado totaliza 3.000 mudas por hectare, esperando
organização do plantio semelhante ao modelo da página seguinte:

LEGENDA ESPAÇAMENTO (m)


P = pioneira 2,0 x 2,5
S = secundária 4,0 x 5,0
C = climácica 4,0 x 5,0
MODELO DE PLANTIO
O número de mudas plantadas, bem como a porcentagem entre indivíduos pioneiros e não-
pioneiros, obedecerá às normas orientadoras consultadas (no mínimo 40% de cada grupo, sem
ultrapassar 60% de um dos grupos). Para o reflorestamento heterogêneo utilizou-se os
parâmetros da Resolução SMA 08/2008 e a listagem de espécies nativas da Mata Atlântica do
Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, conforme Resolução SMA n° 58/06.

O plantio alternará mudas de espécies pioneiras e de espécies não-pioneiras, de modo que o


desenvolvimento das primeiras crie condições de sombreamento e umidade para o
desenvolvimento das que apresentam desenvolvimento lento, além da deposição de serapilheira.1

Buscou-se elaborar uma lista de espécies que atenda o máximo possível a legislação pertinente,
por isso utilizou-se a orientação de informações fornecidas pelo Instituto de Botânica do Estado
de São Paulo – Ibot. As listas de espécies que serão utilizadas constam a seguir:

LISTA 1. Espécies pioneiras.*


item Nome popular Nome científico Porte Flor Fruto Quant.
01 Agulheiro Seguieria langsdorfii baixo Prim.-Verão outono 81
02 Embaúba Cecropia hololeuca M. Baixo Prim.-Verão Prim.-Verão 81
03 Carobão Jacarandá macrantha Baixo Prim.-Verão Primavera 81
04 Caroba Jacarandá puberula Baixo Inv.-Prim. Verão-Out. 81
05 Chá-de-bugre Cordia sellowiana Médio Inverno Primavera 81
06 Tanheiro Alchorna iricurana Médio Out.-Inv. Prim.-Verão 81
07 Capixingui Cróton floribundus Baixo Prim.-Verão Verão 81
08 Unha-de-vaca Bauhinia forficata Baixo Prim.-Verão Inverno 80
09 Fedegoso Senna macranthera Baixo Verão-Out. Inverno 80
10 Pau-cigarra Senna multijuga Baixo Verão-Out. Out.-Inv. 80
11 Monjoleiro Acácia polyphilla Médio Verão-Out Inv.-Prim. 80
12 Pau-jacaré Piptadenia gonoacantha Médio Prim.-Verão Primavera 80
13 Algodoeiro Heliocarpus americanus Baixo Inverno Primavera 80
14 Cebolão Phytolacca dióica Grande Primavera Verão 80

1
A serapilheira não será removida das áreas reflorestadas, para melhorar as condições de cada sítio.
15 Jacarandá Jacarandá cuspidifolia Baixo Primavera Inv.-Prim. 80
16 Chal-Chal Allophylus edulis Baixo Primavera Prim.-Verão 80
17 Pitanga Eugenia uniflora Baixo Inv.-Prim. Prim.-Verão 80
18 Quaresmeira Tibouchina granulosa Médio Verão-out. Inverno 80
19 Ipê-amarelo Tabebuia chrysotricha Médio Inverno Primavera 80
20 Aroeira-branca Lithraeae molleoides Baixo Inv.-Prim. Verão 80
21 Guapuruvu Schizolobium parahyba Grande Inv.-Prim. Out.-Inv. 80
22 Mamica-de-porca Zanthoxylum riedelianum Médio Prim.-Verão Prim.-Verão 80
23 Paineira Chorisia speciosa Grande Verão-Out. Inv.-Prim. 80
24 Lixeira Aloysia virgata Médio Prim.-Verão Verão-Out. 80
25 Angico-branco Anadenanthera coubrina Médio Verão Inverno 80
26 Angico-da-mata Paraptadenia rígida Médio Verão Inverno 80
27 Araçá-da-serra Calycorectes acutatus Baixo Prim.-Verão Verão-Out. 80
28 Cássia-fístula Cássia ferruginea Médio Prim.-Verão Verão-Out. 80
Total de mudas 2.247
* Há espécies na condição de quase-ameaçadas, vulneráveis, de conservação prioritária, e outras, de acordo com Guia de espécies
nativas do Ibot-SP.

LISTA 2. Espécies não pioneiras.*


item Nome popular Nome científico Porte Flor Fruto Quant.
01 Amendoim-bravo Pterogyne nitens Médio Verão outono 80
02 Alecrim-de- Holocalyx balansae Médio Prim.-Ver verão 83
campinas
03 Açoita-cavalo Luehea divaricata Grande Verão Outono 83
04 Guatambu Aspidosperma parvifolium Médio Inv.-Prim. Inverno 83
05 Gueroba Syagrus oleracea Médio Primav.-Out. Prim.-Ver. 83
06 Ipê-felpudo Zeyheria tuberculosa Médio Prim.-Ver Inv.-Prim. 83
07 Embiruçu Eriotheca pubescens Baixo Inv.-Prim. Primavera 83
08 Mamão-do-mato Jacaratiá spinosa Médio Primavera Verão-Out. 83
09 Canela-sassafrás Ocotea odorífera Grande Inv.-Prim. Out.-Inv. 83
10 Canela-guaicá Ocotea puberula Grande Inverno Prim.-Ver. 83
11 Jequitibá-branco Cariniana legalis Grande Verão Inv.-Prim. 83
12 Araribá Centrolobium tomentosum Médio Verão-Out. Inv.-Prim. 83
13 Pau-pereira Platycyamus regnellii Médio Verão-Out. Inv.-Prim. 83
14 Cedro Cedrela fissilis Grande Inv.-Prim. Inverno 83
15 Taiúva Maclura tinctoria Grande Primavera Verão 83
16 Sobrasil Colubrina glandulosa Médio Prim.-Ver. Verão 83
17 Pau-terra Qualea parviflora Baixo Prim.-Ver. Primavera 83
18 Marinheiro Guarea Guidonia Médio Prim.-Verão Verão 83
19 Pau-d’alho Gallesia integrifólia Médio Prim.-Verão Verão-Out. 83
20 Pau-pereira Platycyamus regnellii Médio Verão Verão-Out. 83
21 Aldrago-miúdo Pterocarpus rohrii Baixo Primavera Prim.-Verão 83
22 Peito-de-pomba Tapirira guianensis Médio Primavera Prim.-Verão 83
23 Peroba-poca Aspidosperma cylindrocarpon Grande Verão Verão-Prim. 83
24 Pessegueiro-bravo Prunus myrtifolia Baixo Verão-Out. Verão-Out. 83
25 Pindaíba Duguetia lanceolata Médio Prim.-Verão Verão 83
26 Cafezeiro-do-mato Casearia decandra Baixo Verão Verão-Out. 83

27 Taiúva Maclura tinctoria Médio Prim.-Verão Verão-Out. 83


28 Azedinha Hexachlamys edulis Baixo Inv.-out Outono 83
29 Marmelinho Diospyros inconstans Médio Prim.-Verão Verão 83
Total de mudas 2.433
* Há espécies na condição de quase-ameaçadas, vulneráveis, de conservação prioritária, e outras, de acordo com Guia de espécies
nativas do Ibot-SP.

LISTA 3. Espécies ameaçadas sugeridas para substituição.


item Nome popular Nome científico Porte Flor Fruto
01 Palmiteiro Euterpe edulis Médio Prim.-Verão Out.-Inv.
02 Canela Ocotea odorifera Médio Inv.-Primavera Outono
03 Peroba-rosa Aspidosperma polyneuron Médio Prim.-Verão Primavera
04 Cabreúva Myroxylom peruiferum Médio Inv.-Primavera Prim.-Verão
05 Tamanqueira Zanthoxylum rhoifolium Baixo Primavera Out.-Inv.

Lista 4. Espécies zoocóricas sugeridas para substituição.


item Nome popular Nome científico Porte Flor Fruto
01 Casca d’anta Drimys winteri Baixo Inverno Primavera
02 Canela-preta Nectandra megapotamica Médio Primavera Verão
03 Canjarana Cabralea Canjerana M. Grande Primavera Inv.-Prim.
04 Copaíba* Copaiba langsdorffii D. Médio Verão-Out. Inv.-Prim.
05 Almecegueira Protium heptaphyllum Médio Inv.-Prim. Primavera
06 Macucurana Hirtella hebeclada Médio Primavera Verão-Out.
07 Sapopema Sloanea monosoerma Médio Inv.-Prim. Prim.-Verão
08 Figueira-branca Ficus guaranítica C. Médio Inv.-Prim. Prim.-Verão
09 Ingá-açu Inga uruguensis H. Médio Inv.-Prim. Verão
10 Espeteiro Casearia gossypiosperma Grande Primavera Primavera
11 Jabuticaba- Myrciaria trunciflora Baixo Prim.-Verão Prim.-Verão
2
sabará
12 Jerivá Syagrus romanzoffiana Médio Prim.-Verão Outono-Inv.
13 Araticum Annona coriacea Baixo Prim.-Verão Prim.-Verão
14 Jatobá* Hymenaea courbaril L. Médio Prim.-Verão Inverno
15 Uvaia Eugenia pyriformis C. Baixo Inv.-Prim. Prim.-Verão
16 Catiguá Trichilia hirta Baixo Primavera Outono-inv.
17 Ingá-mirim Inga laurina W. Baixo Inv.-Prim. Verão
18 Babosa-branca Cordia superba Baixo Verão Outono
19 Gravitinga Solanum granuloso Baixo Prim.-Verão Prim.-Verão
20 Ingá-feijão Inga marginata W. Baixo Inv.-Prim. Verão
* Espécies na condição de quase-ameaçadas de acordo com Guia de espécies nativas do Ibot-SP.

Buscando alcançar a diversidade (riqueza) de espécies e os outros objetivos já expostos, conforme


orientação da legislação, foi elaborado um plano de reflorestamento com 82 espécies diferentes
na flora nativa das florestas atlânticas semideciduais, abarcando espécies de crescimento rápido
e de crescimento lento (heliófilas e ombrófilas).

6.2.1. PROCEDIMENTOS E ORIENTAÇÕES

O plantio será feito preferencialmente no início do período de chuvas, no mês de novembro de


cada ano, aproveitando-se a disponibilidade hídrica natural, e diminuindo custos com irrigação. As
espécies de crescimento espontâneo serão mantidas, de forma a aproveitar a cobertura existente
e procurar o adensamento da vegetação. Em período anterior ao plantio das mudas, o solo será
preparado para a colocação das mudas, praticando-se a limpeza do terreno e o coveamento. Nos
períodos iniciais, até o estabelecimento das mudas, a área será isolada e protegida, para que
fatores impeditivos não prejudiquem a fixação das mudas, tais como: pisoteio ou queimadas.

Será realizado o monitoramento, a limpeza entre as linhas de plantio e a retirada de eventuais


plantas invasoras, o coroamento, bem como o controle de formigas-cortadeiras, durante no

2
Espécie de jabuticaba muito atrativa à avifauna, aos morcegos, lepdópteros e outros polinizadores.
mínimo 24 meses e, se possível, durante os primeiros 36 meses após o plantio (esperando a
formação de dossel e cobrimento da superfície), evitando-se assim a perda das mudas e o
consequente prejuízo, permitindo-se a inserção de outras espécies após a formação de condições
de sombreamento, como bromeliáceas, pteridófitas ou outras plantas, que contribuam para o
desenvolvimento das mudas plantadas inicialmente e para o enriquecimento de espécies. O
acompanhamento do desenvolvimento das plantas e da sucessão ecológica é importante para
orientar o manejo das áreas reflorestadas.

6.2.2. PREPARO DO TERRENO E O PLANTIO DAS MUDAS

1) Estabelecimento de coroamento: em volta das árvores plantadas será adotada uma área de coroamento,
mantendo-se a matéria orgânica (capim) sob o solo após o corte.

2) O tamanho das mudas: serão utilizadas preferencialmente mudas já desenvolvidas, com altura variando
entre 1m a 1,5m, favorecendo o sucesso do estabelecimento das mesmas. No caso de morte, sugere-se a
imediata substituição por indivíduo da mesma espécie. Deverão apresentar boa formação, ser isentas de
pragas e doença, apresentarem sistema radicular bem formado e consolidado nas embalagens.

Figura 2. Característica esperada das mudas.

Fonte: SÃO PAULO (2005). Modificado.

3) Preparo do local: o berço terá dimensões mínimas de 0,60m x 0,60m x 0,60m, contendo, com folga, o
torrão. Será aberta de modo que a muda fique centralizada. O solo de preenchimento do berço será livre
de entulho e lixo, sendo que o solo inadequado - compactado, subsolo, ou com excesso de entulho - será
substituído por outro, com constituição, porosidade, estrutura e permeabilidade adequadas ao bom
desenvolvimento da muda plantada.

4) Plantio da muda no local definitivo: a muda será retirada da embalagem com cuidado e apenas no
momento do plantio. O colo da muda ficará no nível da superfície do solo. A muda será amparada por tutor,
fixando-se a ele por haste de sisal ou similar, em forma de “oito deitado”, permitindo, porém, certa
mobilidade. A muda será irrigada até sua completa consolidação.

a) Retirar a embalagem da muda com cuidado para não desmanchar o torrão


b) Cobrir o fundo do berço com terra misturada até que o torrão fique nivelado com o chão.
c) Colocar a muda dentro do berço, bem na vertical, observando a altura do torrão com relação ao
solo.
d) Colocar uma estaca de madeira rente à muda.
e) Afundar até o fundo do berço.
f) Completar o berço com terra misturada e pisar a terra em volta da muda para firmá-la no chão, de
forma a não cobrir o caule com terra.

4.1. Adubação:

- 100g de NPK (04-14-08 ou 10-10-10)

- 300g de calcário

- 300g de superfosfato Simples ou Kg de Fosfato de Araxá

- 20 litros de esterco de gado, curtido, ou de composto orgânico; ou 7 litros de esterco de galinha ou de


húmus de minhoca.

Preparo do berço:

- Pulverizar 1/3 (100g) de calcário nas laterais e fundo do berço.

- Misturar o restante do calcário e os adubos à terra do próprio berço ou substitui-la por terra.

5) Tutores: os tutores não prejudicarão o torrão onde estarão as raízes, portanto serão fincados no fundo
do berço ao lado do torrão. Esses tutores apresentarão altura total maior ou igual a 2,30m ficando, no
mínimo, 0,60m enterrados. Terão largura e espessura de 0,04m x 0,04m ± 0,01m, podendo a secção ser
retangular ou circular, com a extremidade inferior pontiaguda para melhor fixação ao solo. As palmeiras e
mudas com altura superior a 4,00 m serão amparadas por 03 (três) tutores.

Figura 3. Tutores e protetores.

Fonte: Fonte: SÃO PAULO (2005). Modificado.

6) Manejo: Após o plantio será iniciado o período de manutenção e conservação, quando serão feitas a
irrigação, as adubações de restituição, as podas, o tratamento fitossanitário e, por fim, e se necessário, a
renovação do plantio, seja em razão de acidentes ou de maus tratos. As podas de limpeza e formação nas
mudas plantadas serão realizadas da seguinte forma:

a- Poda de Formação: retirada dos ramos laterais ou “ladrões” da muda;

b- Poda de Limpeza: remoção de galhos secos ou doentes.

7) Irrigação: a vegetação será irrigada nos períodos de estiagem e quando necessário. Considerando o
plantio no início do período de chuvas.

8) Tratamento fitossanitário: o tratamento fitossanitário será efetuado sempre que necessário e orientado
pela legislação vigente sobre o assunto.

9) Fatores estéticos: não se utilizará, em nenhuma circunstância, a caiação ou pintura das árvores. É
inadequada a fixação de publicidade em árvores, pois além de ser antiestética, tal prática prejudica a
vegetação, conforme define a legislação vigente. No caso do uso de “placas de identificação” de mudas de
árvores, essas serão amarradas com material extensível, em altura acessível à leitura, sendo substituídas
quando necessário. Não se utilizará, devido aos aspectos fitossanitários, enfeites e iluminação, como por
ocasião de festas natalinas. Contudo, serão tomados os devidos cuidados para evitar ferimentos à árvore,
bem como a imediata remoção desses enfeites ao término dos festejos, caso se decida por seu uso.

10) Controle de pragas e insetos: será feito um rígido e sistemático controle de pragas, formigas e outros
insetos, principalmente durante os primeiros 36 meses após o plantio das mudas ou até o desenvolvimento
em fase adulta.

6.3 SEMEADURA DIRETA

A semeadura deve ser realizada entre os meses de novembro a fevereiro para aproveitamento do
período de chuvas.

Antes do plantio deve se proceder com uma capina inicial química, porém a manutenção do
controle de braquiária precisa ser feito de forma manual.

Devem ser preparados dois tipos de muvuca: um apenas com sementes grandes que podem ser
enterradas até 3-4 cm de profundidade no solo, e ou com as pequenas e aladas que devem ficar
próximas à superfície.

As sementes devem ser misturadas com uso de uma betoneira, sempre mantendo as proporções
do conjunto e acrescentando a cada leva de mistura o mesmo peso de sementes, de terra adubada.

LISTA 1. ERVAS E TREPADEIRAS – ciclos de até 1 ano


item Nome popular Nome científico Quant.
02 Feijão-de-porco Canavalia ensiformis 1.200.000
03 Milho Zea Mays sp. 975.000
04 Abobora nativa Curcubita sp. 750.000
05 Chá-de-bugre Cordia sellowiana 770.000
Total de sementes 3.695.000
LISTA 2. ERVAS E TREPADEIRAS – ciclos 1 a 3 anos
item Nome popular Nome científico Quant.
01 Cipó-de-São-João Pyrostegia venusta 88.000
02 Feijão-guandu Cajanus cajan 95.000
03 Jurubeba Solanum paniculatum 70.000
04 Lobeira Solanum lycocarpum 70.000
05 Maracujá Passiflora sp 120.000
Total de sementes 443.000

LISTA 3. ÁRVORES DE CICLO CURTO – ciclos 4 a 30 anos


item Nome popular Nome científico Quant.
01 Embaúba branca Cecropia hololeuca 66.050
02 Embaúba vermelha Cecropia glaviozii 66.050

03 Urucum Bixa orellana 66.050

04 Marupá Simarouba amara 66.050

05 Araribá amarelo Centrolobium tomentosum 66.050

06 Unha-de-vaca Bauhinia forficata 66.050

07 Fedegoso Senna macranthera 66.050

08 Pau-cigarra Senna multijuga 66.050

09 Monjoleiro Acácia polyphilla 66.050

10 Pau-jacaré Piptadenia gonoacantha 66.050

11 Algodoeiro Heliocarpus americanus 66.050

12 Cebolão Phytolacca dióica 66.050

13 Quaresmeira Tibouchina granulosa 66.050

14 Ipê-amarelo Tabebuia chrysotricha 66.050

15 Aroeira-branca Lithraeae molleoides 66.050

16 Guapuruvu Schizolobium parahyba 66.050

17 Mamica-de-porca Zanthoxylum riedelianum 66.050

18 Paineira Chorisia speciosa 66.050


19 Lixeira Aloysia virgata 66.050

Total de sementes 1.254.950

LISTA 4. ÁRVORES DE CICLO LONGO – mais de 30 anos


item Nome popular Nome científico Quant.
01 Palmiteiro Euterpe edulis 29.500
02 Canela Ocotea odorifera 29.500

03 Peroba-rosa Aspidosperma polyneuron 29.500

04 Cabreúva Myroxylom peruiferum 29.500

05 Tamanqueira Zanthoxylum rhoifolium 29.500

06 Angico-branco Anadenanthera coubrina 29.500

07 Angico-da-mata Paraptadenia rígida 29.500

08 Angico-vermelho Anadenanthera peregrina 29.500

09 Guatambu Aspidosperma parvifolium 29.500

10 Gueroba Syagrus oleracea 29.500

11 Ipê-felpudo Zeyheria tuberculosa 29.500

12 Embiruçu Eriotheca pubescens 29.500

13 Mamão-do-mato Jacaratiá spinosa 29.500

14 Canela-sassafrás Ocotea odorífera 29.500

15 Canela-guaicá Ocotea puberula 29.500

16 Jequitibá-branco Cariniana legalis 29.500

17 Araribá Centrolobium tomentosum 29.500

18 Pau-pereira Platycyamus regnellii 29.500

19 Cedro Cedrela fissilis 29.500

20 Taiúva Maclura tinctoria 29.500


21 Jabuticaba-sabará Myrciaria trunciflora 29.500

22 Jerivá Syagrus romanzoffiana 29.500

23 Araticum Annona coriacea 29.500

24 Jatobá* Hymenaea courbaril L. 29.500

25 Uvaia Eugenia pyriformis C. 29.500

26 Catiguá Trichilia hirta 29.500

27 Ingá-mirim Inga laurina W. 29.500

28 Marinheiro Guarea Guidonia 29.500

29 Pau-d’alho Gallesia integrifólia 29.500

30 Pau-pereira Platycyamus regnellii 29.500

Total de sementes 885.000


BIBLIOGRAFIA

CAMPOS FILHO, E. M. Instituto Socio Ambiental. Manual da Muvuca. Disponível em:


https://us14.campaign-archive.com/?u=2e9f3527128e6ed6d086fc5b4&id=64400ed51b Aceso em
19/11/19.

CESP (s/d). Guia de arborização. Companhia Energética de São Paulo. Coleção Ecossistemas Terrestres,
nº 6.

ELEKTRO (s/d). Guia de arborização. ELEKTRO – Eletricidade e Serviços S.A.

ELETROPAULO (s/d). Guia de planejamento e manejo da arborização urbana. CESP/CPFL.

KRIECH, C.A. et al (s/d). Guia de espécies da Mata Atlântica.

LORENZI, H. (2002). Árvores do Brasil. Manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do
Brasil. Vol. 1 e 2.

MATTER, S.; STRAUBE, F.C.; Accordy, .; Piacentini V.; CANDIDO-Jr, J. F. (2010) Ornitologia e
Conservação. Technical Books Editora. 1ª edição. Rio de Janeiro.

SÃO PAULO (2005). Manual técnico de arborização urbana. Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do
Município de São Paulo. 2ª edição.

São Paulo (Estado) (2005). Secretaria do Meio Ambiente. Unidade de Coordenação do Projeto de
Recuperação das Matas Ciliares. Restauração ecológica.

SÃO PAULO (s/d). Guia para reflorestamento de áreas degradadas do Ibot/SP. Instituto de
Botânica do Estado de São Paulo (considerando área de ocorrência, formação vegetal, grupo
sucessional, síndrome de dispersão e categoria de ameaça das espécies).

SÃO PAULO (s/d). Secretaria do Meio Ambiente – SMA. Teoria e Prática em Recuperação de Áreas
Degradadas: Plantando a semente de um mundo melhor.
ANEXO FOTOGRÁFICO